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Histologia 
(Neuropatia diabética – aula 03) 
ANATPAT 
CONCEITO E FISIOPATOLOGIA 
Na neuropatia axonal há degeneração de 
axônios, afetando quase sempre os de maior calibre 
primeiro e de forma mais intensa. No exame do nervo em 
pequeno aumento chama a atenção a pobreza em baínhas 
de mielina. A grande parte dos axônios restantes são 
amielínicos. Em casos muito graves e de duração 
prolongada, até os axônios amielínicos podem degenerar. 
Na neuropatia axonal o processo patológico está nos 
neurônios (sensitivos e motores) que originam os axônios. 
Os neurônios não conseguem manter a integridade 
estrutural e funcional dos axônios. As porções mais distais 
dos axônios sofrem mais precocemente que as proximais. À 
medida que a doença avança, a porção viável do axônio vai-
se encurtando, um fenômeno chamado dying-back 
neuropathy. 
As neuropatias axonais são inespecíficas, não sendo 
possível, na grande maioria dos casos, determinar pelas 
alterações morfológicas a causada degeneração dos 
axônios. Uma cuidadosa anamsese, interrogatório 
complementar dirigido, investigação de antecedentes 
genéticos e toxológicos, e exames laboratoriais são 
indispensáveis. 
CAUSAS 
 alcoolismo crônico; 
 diabetes mellitus; 
 carências vitamínicas, principalmente B1, B6, B12; 
 produtos tóxicos, como agrotóxicos, hexano e 
etanol; 
 distúrbios metabólicos, como uremia, 
hipoglicemia, hiperglicemia, porfiria; 
 infecções retrovirais - HIV 
Em muitos casos, mesmo esgotados os métodos de 
investigação, a causa permanece obscura. 
ASPECTO MICROSCÓPICO 
Cortes transversais do nervo mostram redução 
global na população de axônios, principalmente dos de 
maior diâmetro. Quando o processo está ativo, é possível 
observar-se alterações nos mesmos, tais como excesso de 
neurofilamentos ou estruturas membranáceas enoveladas 
(figuras de mielina). Os axônios e suas baínhas de mielina 
(degeneradas secundariamente) são englobados pelas 
células de Schwann ou por macrófagos e permanecem 
temporariamente como corpúsculos eletrodensos que são 
digeridos e desaparecem. Eventualmente, pode haver 
regeneração de alguns axônios, que podem mielinizar-se: 
em cortes tranversais, aparecem como grupos de 3 - 4 
axônios mielínicos muito próximos e de diâmetro 
semelhante. 
LÂMINAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
REGENERAÇÃO AXONAL 
Na neuropatia axonal pode ocorrer regeneração de 
axônios que haviam degenerado. Os axônios crescem ao 
longo das células de Schwann originais e seus tubos de 
membrana basal. Como a membrana basal está intacta, o 
caminho de volta é mais fácil que se tivesse havido secção 
do nervo. 
Os axônios em regeneração podem formar brotos 
que crescem paralela e simultaneamente. Se 
sofrerem remielinização, a tendência é que as baínhas de 
mielina novas sejam mais ou menos do mesmo diâmetro e 
espessura. Portanto, os axônios regenerados tendem a 
formar grupos ou 'clusters', que chamam a atenção 
justamente por esta uniformidade de seus componentes. O 
encontro de grupos de 2 ou mais axônios de diâmetro e 
baínhas de mielina semelhantes em uma neuropatia axonal 
é altamente sugestivo de regeneração. 
OUTRAS PESQUISAS 
CONCEITO 
Neuropatia diabética é o distúrbio neurológico 
demonstrável clinicamente ou por métodos laboratoriais em 
pacientes diabéticos, excluindo-se outras causas de 
neuropatia. Em geral, o acometimento patológico do 
sistema nervoso é muito amplo e, muitas vezes, bastante 
grave no diabetes mellitus (DM). A prevalência da 
neuropatia diabética atinge níveis elevados com a evolução 
temporal da doença, chegando geralmente a frequências de 
50% de lesão neuropática em diferentes grupos de pacientes 
analisados nos âmbitos nacional e internacional 
FISIOPATOLOGIA 
A polineuropatia periférica (sensitiva, motora e 
autónoma) deriva da degenerescência dos axónios iniciada 
pela parte terminal e tão mais fácil quanto mais longos eles 
forem. Como o máximo de tamanho ocorre em ambos os 
membros inferiores, ela é bilateral e predominante nos pés. 
Parece também ser de início tão mais fácil quanto menos 
mielina revestir os axónios. 
Como as fibras do sistema nervoso autónomo são 
amielínicas, um dos seus primeiros efeitos nos pés é, pois, 
idêntico ao da simpaticectomia cirúrgica. Isto significa que 
em muitos pés diabéticos há hiperperfusão e não isquémia. 
Sendo induzida directamente pelo desequilíbrio metabólico 
característico da doença, a neuropatia está presente em 
todos os pés diabéticos, embora por vezes associada aos 
efeitos da aterosclerose. Quando isolada, caracteriza o “pé 
neuropático”, a forma mais frequente do pé diabético. Em 
um quarto dos casos associa-se aos efeitos da oclusão 
aterosclerótica e então é subalternizada por estes, que 
caracterizam o “pé isquémico”. 
A neuropatia tem maior incidência e muito maior 
prevalência na diabetes tipo 2, onde surge mais rapidamente 
e de modo mais intenso. A causa exata da neuropatia 
periférica diabética permanece na dúvida, mas há evidências 
experimentais e clínicas do papel patogénico fulcral das 
hiperglicémias prolongadas. O fato da neuropatia 
predominar no tipo 2 é uma dessas evidências clínicas: a 
maioria dos pés neuropáticos graves e evolutivamente 
rápidos surge no grande grupo de doentes oriundos da 
camada social com menores recursos económicos e 
culturais, caracteristicamente com história de muito mau 
controlo glicémico. Todas as fibras nervosas, quer as grossas 
fibras mielínicas somáticas quer as do sistema nervoso 
autónomo, são atingidas mas em tempos diferentes. As 
pequenas fibras amielínicas do sistema simpático 
degeneram primeiro, provavelmente anos antes da 
degenerescência axonal e desmielinização das grandes fibras 
somáticas. Da lesão nervosa periférica derivam dois quadros, 
que podem ser consecutivos ou sobrepostos, o do “pé 
quente e túrgido” e o do “pé insensível e deformado”. O 
primeiro reflete a abertura dos “shunts” arteriovenosos por 
perda da função simpática; o segundo revela diretamente o 
efeito da perda da função somática sensitiva e motora. 
Ambas concorrem para o aparecimento de alterações 
biomecânicas responsáveis pela úlcera trófica. 
VIA METABÓLICA 
A glicose penetra em níveis elevados nos nervos 
periféricos e gera diferentes reações metabólicas 
patológicas. Exemplo disso é a via do polyol, que transforma 
a glicose em sorbitol, por meio da ação da enzima aldose 
redutase. O acúmulo de sorbitol e frutose intracelular 
provoca diminuição do transporte ativo de vários 
metabólitos, entre eles o mioinositol. Este processo altera os 
mecanismos regulatórios intracelulares, reduzindo a 
atividade da bomba Na/K, com o consequente acúmulo de 
sódio intracelular. Com isso, aumenta-se a osmolaridade 
intracelular, levando a alterações do potencial de repouso da 
membrana, o que gera estresse oxidativo. Essas 
anormalidades diminuem a velocidade de condução nervosa 
e produzem as primeiras e reversíveis alterações estruturais 
nos nodos de Ranvier. 
Outro mecanismo metabólico patológico 
decorrente da hiperglicemia crônica advém da formação de 
produtos finais de glicosilação avançada (PFGA), que são 
obtidos pela reação não enzimática de grupos de 
aminoácidos e produtos da redução da glicose. Os PFGA 
atuam alterando a função intracelular de várias proteínas, 
modificando componentes extracelulares como laminina e 
fibronectina, que são essenciais para a regeneração axonal 
e, finalmente, promovendo a ligação irreversível em 
receptores de macrófagos e das células endoteliais. Estas 
alterações resultam em estresse oxidativo, secreção de 
citocinas e degradaçãoda matriz extracelular, culminando 
em apoptose celular. 
Além disso, níveis elevados de glicose promovem 
ativação da proteína C quinase em excesso, determinando a 
produção de óxido nítrico, que leva à lesão isquêmica ao 
nervo periférico. 
Recentemente, devido à alta taxa de associação de 
DM e dislipidemia (DLP) observou-se a participação do 
excesso de lipídeos como cofator na patogênese da ND. Foi 
comprovada in vitro a lesão direta de ácidos graxos livres na 
célula de Schwann. Além disso, os efeitos sistêmicos da DLP 
promovem o aumento de substâncias pró-inflamatórias e do 
estresse oxidativo. 
Associado a todas essas vias metabólicas, soma-se 
a ativação da via da hexosamina, que, induzida pela 
hiperglicemia, resulta em mudanças na expressão de alguns 
genes e no funcionamento de proteínas intracelulares. 
O estresse oxidativo leva ao aumento na formação 
de radicais livres, tanto pela via do poliol, quanto pelos PFGA 
e da proteína C quinase. Este mecanismo gera disfunção 
mitocondrial, que quando afetada criticamente, ativa a 
cascata de apoptose celular. 
VIA VASCULAR 
A disfunção microvascular generalizada do nervo 
tem sido proposta como mecanismo patogênico, baseado na 
demonstração de redução do fluxo sanguíneo, aumento da 
resistência vascular e diminuição da tensão de oxigênio. 
Numerosas anormalidades microvasculares endoneurais 
têm sido observadas, incluindo o espessamento e duplicação 
da membrana basal, edema e proliferação endotelial e 
muscular lisa intimal, além da presença de trombo 
plaquetário oclusivo. 
VIA NEURODEGENERATIVA 
Outro mecanismo possivelmente envolvido na 
fisiopatologia da ND é a perda do neurotrofismo celular. No 
DM, o declínio quantitativo e qualitativo da insulina causa 
também redução parcial da atividade do fator de 
crescimento insulina-like I e do fator de crescimento 
neuronal, com consequente diminuição na produção de 
proteínas essenciais na formação dos neurofilamentos e 
manutenção do transporte axonal, imprescindíveis para seu 
crescimento e regeneração. Dessa forma, permite-se que 
ocorra degeneração axonal e apoptose do corpo neuronal, 
fazendo com que a neuropatia gradualmente se instale. 
VIA INFLAMATÓRIA 
Existem evidências substanciais que apontam um 
mecanismo imunopático no desenvolvimento da ND. 
Comprovou-se a presença de agentes pró-inflamatórios em 
pacientes diabéticos que apresentavam neuropatia, 
promovendo recrutamento de células inflamatórias, 
produção de citocinas e redução do fluxo sanguíneo. Em 
última análise, esses mecanismos aumentam a hipóxia e 
isquemia do nervo periférico, dificultando sua regeneração. 
ALTERAÇÕES HISTOPATOLÓGICAS 
Foram observados em microscopia eletrônica, na 
região subaxolemal, neurofilamentos mal orientados, 
refletindo a lentificação do transporte axonal. Esses 
neurofilamentos são mais tarde sequestrados pelas células 
de Schwann, que somados à diminuição da capacidade de 
produção de proteínas do citoesqueleto, reduzem o volume 
axonoplasmático, determinando a atrofia axonal de tal 
forma que culmina em degeneração walleriana. 
O padrão de acometimento mais comum é, 
portanto, compatível com degeneração axonal distal 
retrógrada (dying-back), que afeta preferencialmente as 
fibras mais longas, determinando o padrão clínico 
comprimento-dependente. 
Esses fatores levam à alteração histopatológica 
mais marcante da ND: a perda de fibras nervosas de maneira 
multifocal, com degeneração axonal em atividade e 
dependendo de sua cronicidade, algum grau de 
regeneração, caracterizada pela presença de "sproutings" 
(brotamentos de fibras nervosas). Além disso, observam-se 
vasos sanguíneos obliterados, com espessamento basal 
endotelial e neoangiogênese, revelando a participação do 
componente isquêmico. É também possível verificar 
desmielinização segmentar e remielinização, o que reflete o 
padrão de acometimento neurofisiológico misto (axonal e 
desmielinizante) desta condição 
QUADRO CLINICO 
 
Os sintomas mais frequentes são as dores em 
queimor e formigamento em ambos os pés e 
ocasionalmente também nas mãos. 
Sintomas neurovegetativos também podem estar 
presentes, como hipotensão postural (queda repentina da 
pressão arterial ao levantar), tonturas, impotência sexual, 
disfunção de transpiração e até mal funcionamento da 
mobilidade do estomago (gastroparesia) ocasionando 
sensação prolongada de repleção abdominal. 
SINTOMAS E SINAIS SENSITIVOS 
A maioria dos pacientes sintomáticos 
experimentam sintomas sensitivos positivos (resposta 
excessiva a um estímulo ou espontaneamente), como 
parestesias e dor, porém, em alguns casos podem 
apresentar ataxia proprioceptiva. São referidas como 
sensações de dormência, formigamento, desequilíbrio e 
quedas, choques, picadas e principalmente queimação. 
Distribuem-se nas extremidades dos MMII, podendo evoluir 
para os MMSS e caracteristicamente os pacientes relatam 
piora noturna. Geralmente são sintomas brandos, porém 
podem ser intensos e incapacitantes. Já os sintomas 
sensitivos negativos (resposta reduzida a um determinado 
estímulo) são aqueles referidos como perda da sensibilidade 
no segmento envolvido. 
Ao exame neurológico, verifica-se a presença de 
hipoestesia/hiperestesia distal nos segmentos, inicialmente 
nas modalidades termoalgésicas da sensibilidade. Na 
presença de neuropatia dolorosa importante, pode-se 
observar a presença de hiperestesia (respostas exageradas 
aos estímulos táteis), hiperalgesia (sensibilidade exagerada 
a estímulos dolorosos), hiperpatia (persistência da dor 
mesmo após a remoção do estímulo doloroso) ou até 
mesmo alodínea (sensação dolorosa causada por estímulos 
não dolorosos). Pode evoluir para hipo/anestesia da 
sensibilidade profunda como a tátil, vibratória e 
proprioceptiva. Além disso, quando há comprometimento 
sensitivo de fibras grossas, observa-se hipo/arreflexia 
profunda, primariamente no reflexo aquiliano, podendo-se 
encontrar arreflexia global nos casos gravementes 
acometidos30. 
SINTOMAS E SINAIS MOTORES 
Raramente pacientes com esta forma clínica de neuropatia 
referem sintomas motores. Quando presentes iniciam-se na 
fase mais avançada da doença com fraqueza discreta distal 
de MMII, podendo observar-se leve atrofia da musculatura 
das extremidades de MMII e MMSS. 
Na existência de sinais e sintomas motores importantes, 
devem-se investigar causas superpostas, como a PIDC ou as 
radiculoplexoneuropatias inflamatórias

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