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Apostila de Patologia Geral
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PATOLOGIA
Estudo da doença
doença
É uma área médica que aborda principalmente o mecanismo de formação das doenças e também
as causas, as características macro e microscópicas e as conseqüências destas sobre o
organismo.
Para o patologista (profissional treinado para reconhecer morfologicamente as lesões), a patologia
é o estudo das lesões decorrentes das doenças. Mas para o bom patologista, mais que um
objetivo, o grande desafio
é entender a doença (saber como e por que determinadas lesões ocorrem em determinadas
circunstâncias, e quais as suas conseqüências.). Isto explica por que muitas vezes um quadro
patológico muito ruim (para o paciente) desperta nos patologistas exclamações com entusiasmo.
Para os cursos da área médica, a patologia é um importante elo entre as disciplinas básicas
(anatomia, histologia, embriologia, fisiologia, microbiologia, bioquímica, imunologia, biologia
celular e parasitologia) e as profissionalizantes (clínicas, cirurgias, diagnósticos e tratamentos).
O QUE É DOENÇA?
É uma alteração orgânica geralmente constatada a partir de alterações na função [sintomas] de
determinado órgão ou tecido, decorrentes de alterações bioquímicas e morfológicas causadas por
alguma agressão, de tal maneira que se ultrapasse os limites de adaptação do organismo.
Didaticamente, e para efeito pedagógico, a patologia é dividida em 2 disciplinas:
1. Patologia Geral - que estuda os fundamentos das doenças e objetiva a compreensão e a
classificação das lesões básicas que determinam e que são determinadas pelas mesmas.
2. Patologia Especial - que estuda as características de cada doença, de acordo com o órgão e
sistema acometido.
De acordo com a ênfase dado a determinado aspecto, a patologia pode ser subclassificada
em:
1. Etiologia - Parte da patologia que se atém às causas das lesões;
2. Patogenia - Parte da patologia que se atém ao mecanismo de formação daslesões;
3. Morfopatologia - que por sua vez se subdivide em:
Anatomia Patológica - Parte da patologia que estuda as características macroscópicas das
lesões;
Histopatologia - Parte da patologia que estuda as características microscópicas das lesões.
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4. Fisiopatologia - Parte da patologia que se dedica ao estudo das alterações da função de
órgãos lesados.
3.Patologia médica;
OUTRAS DENOMINAÇÕES:
Patologia veterinária ou patologia animal;
Patologia comparada (médica eveterinária);
Patologia experimental;
Patologia diagnóstica (morfopatologia);
Patologia cirúrgica (estudo de biópsias);
Patologia clínica (laboratório clínico);
Patologia especializadas (com a virtual explosão das informações científicas neuropatologia,
dermatopatologia, imunopatologia,etc...).
Observe que a nossacapacidade de entender a doença depende do nível de resolução no
qual as informações importantes são captadas.
Newton já dizia: "A cada ação corresponde uma reação!" O organismo também obedece essa lei
natural. Assim, a cada agressão, o organismo reage. Estas reações, no entanto, vão depender da
intensidade e da persistência da agressão e da resistência do local agredido.
O importante não é simplesmente olhar , mas sim enxergar!
O
QUE FAZ UM PATOLOGISTA ?
Na verdade o patologista é apenas um profissional que procura reconhecer, interpretar e entender
as lesões e as doenças, de modo a estabelecer racionalmente o diagnóstico morfológico (às
vezes também o diagnóstico etiológico provável) e o prognóstico.
Comprometimentocau
sado pela agressão:
molecular celular e
subcelular
tissular e
celular
orgânico e
tissular
sistêmico e
orgânico
Nível de resolução bioquímico ultra-
estrutural
histopatológic
o
anátomo
patológico
clínico
Constatação por técnicas
moleculare
s
microscopia
eletrônica
microscopia
óptica
olho nú sintomas
Reações às Agressões
Necrose Alt. Regressivas (atrofia/degeneração)
Alt. Inflamatórias
Alt. Neoplásicas
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, tais
ASPECTOS CRONOLÓGICOS DE UMA DOENÇA
Causas
Período de incubação
Período prodrômico
Período de estado
Evolução
o Cura
o Cronificação
o Complicações
o Óbito
MÉTODOS DE ESTUDO EM PATOLOGIA
o Examesclínicos
o Exames Anatomopatológicos
o Análise Morfológica
o Necropsia
AGENTES AGRESSIVOS OU ETIOLÓGICOS:
Qualquer agente que determine reações anormais na célula, podendo levar à perda da
capacidade de compensação e gerar alterações bioquímicas, fisiológicas e morfológicas.
A lesão bioquímica precede a lesão fisiológica que precede a lesão morfológica.
+ COMUM: Necrose de coagulação- estimulos exógenosm
provocam estress tais como isquemia e lesão quimica e
manifesta-se por uma grave tumefação celular ou ruptura
celular, desnaturação e coagulação de proteinas
citoplasmaticas,bem como por degradação de organelas
citoplasmaticas
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Causas da lesão celular: Classificação:
Modificações no genoma, na hereditariedade e na embriogênese;
Erros metabólicos inatos;
Disfunções imunológicas (autoimunidade; hipersensibilidades;
imunossupressão,reaçãoanafilática);
Distúrbios circulatórios;
Distúrbios nervosos e psíquicos;
Envelhecimento;
Hipóxia:
Isquemia (aterosclerose);
Insuficiênica cardiorrespiratória;
Anemia;
Envenenamento p/ monóxido de carbono;
Agentes físicos:
Traumas mecânicos;
Queimaduras (frio, calor);
Pressão atmosférica;
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Radiação;
Sons e ultra-sons;
Magnetismo,
Agentes químicos:
Produtos químicos;
Poluentes ambientais;
Inseticidas, herbicidas;
Álcool, drogas narcóticas;
Terapêuticas.
Preservação da
viabilidade
celular
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Estresses
fisiológico
Homeostasia Adaptações
Celulares:
Fisiológicos e/ou
Morfológicos
Químicos:
Exógenos Inorgânicos Ácidos, bases, metais pesados
Orgânicos Toxinas, venenos, organo-sintéticos
Endógenos Hormônios, catabólitos, enzimas, anticorpos, etc...
Agentes Infecciosos:
Agentes Acelulares Prions (<5 nm); viroides (<5 nm); virus (20-200 nm)
Agentes
Unicelulares
Células procarióticas (200-2000 nm): clamídias, micoplasmas,
rickettsias, bactérias
Células eucarióticas (>2000 nm): fungos, protozoários
Agentes
Multicelulares
Vermes
Artrópodes
Estímulos
Patológicos
Estado Novo
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LESÃO CELULAR
Lesões celulares: Reversível e Irreversível.
A adaptação, lesão reversível, lesão irreversível e morte celular podem ser consideradas estados
de intromissão progressiva na função e estrutura normais da célula.
A morte celular é a maior conseqüência da isquemia, ou seja, ausência de fluxo sanguíneo.
Necrose ou necrose de coagulação; é o tipo mais comum de morte celular após estímulos
exógenos, ocorrendo após estresses como isquemia e lesão química. Tumefação intensa, ruptura
da célula, desnaturação e coagulação das proteínas citoplasmáticas e degradação das organelas
celulares.
Já apoptose, quando a célula morre mediante a ativação de um programa de suicídio controlado
internamente.
As causas de lesões celular reversível–LCR e morte variam desde violência física externa de
um acidente automobilístico a causas endógenas internas, como a carência genética sutil de uma
enzima vital que compromete a função metabólica normal. Pode ocorre por:
Privação de oxigênio- gerada por hipóxia, prejudicando a respiração oxidativa aeróbica ou
isquemia onde o não suprimento do fluxo arterial ou da drenagem venosa em um tecido causa a
falta de substratos metabólicos, incluindo a glicose .
De acordo com a intensidade do estado hipóxico, as células podem se adaptar, sofrer lesão ou
morrer. Os fatores que podem acarretar lesões nas células reversíveis ou irreversíveis,
dependendo da intensidade do agente são: agentes físicos,agentes químicos, agentes
infecciosos, reações imunológicas, anormalidades genética e desequilíbrio nutricionais.
Os mecanismos bioquímicos responsáveis pela lesão celular reversível e pela a morte celular são
complexos, porém, existem princípios bioquímicos relevantes à maioria das formas de lesão
celular.
A resposta celular a estímulos nocivos dependem, do tipo de lesão, sua duração e sua
intensidade.
As conseqüências da lesão celular dependem do tipo de lesão, estado e adaptabilidade da
célula lesada.
Existem, ainda, sistemas intracelulares que são particularmente, vulneráreis, e deles depende a
integridade da célula, entre esse sistemas temos, a respiração aeróbica, envolve a fosforilação
oxidativa mitocontrial e produção de trifosfato de adenosina ATP, além da integridade do aparelho
genético da célula.
As alterações morfológicas da lesão celular tornam-se evidentes depois de algum sistema
bioquímico crucial dentro da célula a ser atingido. Como seria esperado as manifestações
morfológicas da lesão letal demoram mais tempo para desenvolver-se que as da lesão reversível.
As alterações ultra-estrutural são visíveis mais cedo que as alterações a microscopia óptica.
Em certos agentes nocivos, os locais bioquímicos de ataque estão bem definidos, muitas toxinas
causam lesão celular ao interferir nas membranas internas mitocôndriais. Muitas toxinas causam
lesão celular ao interferir nos substratos ou enzimas endógenos. Os principais são a glicose o
ciclo do ácido nítrinico e a fosforilação oxidativa nas membranas internas mitocondriais.
Os temas bioquímicas comuns importantes na medicação da lesão e morte celular são os
seguintes;
Depleção de ATP, e redução da síntese de ATP são conseqüências comuns da lesão
isquêmica e tóxica.
A morfologia da lesão reversível são dois padrões de lesão reversível ao microscópio óptico:
tumefação celular e degeneração gordura.
A tumefação celular aparece sempre que as células são incapazes de manter a homeostase
iônica e hídrica;
A degeneração gordurosa ocorre na lesão hipóxia e em várias formas de lesão tóxica ou
metabólica. É manifestada pelo aparecimento de vacúolos lipídicos pequenos ou grandes no
citoplasma e ocorre na hipóxia e em várias formas de lesão tóxica.
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As alterações ultra estruturais da LCR incluem alterações da membranas plasmática, como
formação de bolhas , apagamento e distorção das microvilosidades; criação de figuras mielínicas;
e afrouxamentos das fixações intercelulares alteração mitocôndrias, incluindo tumefação,
rarefação e o aparecimento de pequenas densidades amorfas ricas em fosfolipídios; dilatação do
retículo endoplasmático com desprendimento e desagregação dos elementos granulares e
fibrilares.
A Lesão Celular Irreversível (LCI) é um espectro de alterações morfológicas que sucedem a
morte celular no tecido vivo, em grande parte resulta da ação degradativa progressiva de enzimas
sobre a célula letalmente lesada. Sua manifestação mais comum é a necrose de coagulação,
caracterizada por desnaturação proteínas citoplasmáticas, degradação das organelas celulares e
tumefação celular.
A LCI resulta de dois processos; (1) digestão enzimática da célula e (2) desnaturação de
proteínas. Ocorre autólise e heterólise.
As células necróticas mostram eosinofilia aumentada, atribuível, em parte, à perda da basofilia
normal conferida pelo RNA no citoplasma e, em parte, à maior ligação de eosina às proteínas
intracitoplasmáticas desnaturadas, podem ocorrer calcificação das células mortas. À microscopia
eletrônica, as células necróticas caracterizam-se por descontinuidades francas nas membranas
plasmáticas e organelas, dilatação acentuada das mitocôndrias com aparecimento de graves
densidades amorfas, figuras de mielina intracitoplasmáticas restos osmiofilicos amorfos e
agregados de material felpudo, provavelmente representados por proteína desnaturada.
Alterações nucleares aparecem, a basofilia da cromatina pode esmaecer, uma alteração que,
supostamente reflete a atividade DNAse. Um segundo padrão é a pinose, caracterizada por
retração nuclear e aumento da basofilia. O DNA aparente se condensa em uma massa basofilia
sólida e encolhida.
Hipertrofia – Aumento do volume celular e do seu metabolismo.
Atrofia – Resposta adaptativa na qual há uma diminuição do tamanho e do funcionamento da
célula.
Sem adaptações =>lesão celular.
Lesão celular reversível =>até certo ponto.
Lesão celular irreversível =>Evolução p/ morte celular.
Isquemia =>Falta de fluxo sanguíneo.
Lesão isquêmica e hipóxica
- A isquemia lesa o tecido mais rapidamente que a hipóxia
Conceitos em Patologia:
a- Isquemia:Ocorre ausência total de afluxo sanguíneo em uma oxidação. Para as diminuições
parciais do aporte sanguíneo, costuma-se empregar o termo oligoemia, usa-se anemia nos casos
em que ha diminuição total do volume sanguíneo, sendo utilizada também como sinônima da
isquemia e da oligoemia; nesse caso, é mais adequado utilizar anemia local. Déficit no fluxo
sanguíneo tecidual, devido uma insuficiência localizada de irrigação sangüínea, provocado pela
constrição ou a obstrução arterial, e que pode ocorrer em maior ou menor grau. Ex: infarto branco
ouisquêmico.
b- Hipóxia:A hipóxia, uma causa extremamente comum e importante de lesão celular e morte
celular, atua na respiração aeróbica oxidativa. A perda de suprimento sanguíneo (isquemia) que
ocorre quando o fluxo arterial é impedido por arteriosclerose ou por trombos é a causa mais
comum de hipóxia. Uma outra causa é a oxigenação inadequada de sangue devido a insuficiência
cardio-respiratória. A perda da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue, como na
anemia ou envenenamento por monóxido de carbono, eumaterceira e menos freqüente base de
privação de oxigênio. Dependendo da gravidade do estado hipóxico, as células podem se adaptar,
sofrer lesão reversível, irreversível e até mesmo progredir para uma necrose ou apoptose celular.
c- Metaplasia:Corresponde a uma alteração da histoarquitetura normal de uma estrutura,
caracterizada por reposição do parênquima destruído, por regeneração parcial desordenada
deste, e do seu arcabouço original, por tecido conjuntivo fibroso (reparação cicatricial simples)
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como se verifica, por exemplo, nas cicatrizes, cirroses, nefroscleroses, arteriosclerose. A
existência de uma organização normal do tecido é fundamental para o diagnóstico de uma
heterotopia ou de uma metaplasia, desorganizações leves constituem as displasias enquanto que
as grandes desorganizações, dimorfismo nuclear e mitoses atípicas são o selo das anaplasias.
d- Hipertrofia: É o aumento do volume das células que conduz conseqüentemente aumento do
volume dos órgãos como um todo, este volume celular é resultante de uma maior síntese protéica
gerando uma produção de maior número de componentes estruturais e (por vezes) aumento de
funcionalidade. Podendo ser Fisiológica ou Patológica.
e- Atrofia:refere-se a uma diminuição no tamanho da célula e no tamanho do órgão, em
conseqüência da perda de substância celular. Temos atrofiamento por infecções (ex. poliomielite),
por fatores traumáticos (ex. pára ou tetraplégico, com atrofiamento dos membros), doenças
degenerativas (ex. Alzeimer) e insuficiência de nutrição, que se exterioriza por desgaste ou
diminuição de tamanho de célula, tecido, órgão ou estrutura do corpo.
f- Necrose: O conjunto de alterações morfológicas, bioquímicos e funcionais que indicam morte
celular após uma agressão, havendo incapacidade irreversível de retorno à integridade, a qual
pode variar, em extensão, de algumas células a porção de órgão. Podemos t am bém d e f in i r a
n ec ro se com o a m an i fes taçã o f in a l d e um a
c é lu la q ue so f r eu lesões irreversíveis. SegundoGuidugli-Neto (1997), o conceito de morte
somática envolve a "parada definitiva das funções orgânicas e dos processos reversíveis do
metabolismo". A necrose é amorte celular ou tecidual acidental em um organismo aindavivo, ou
seja, que ainda conserva suas funções orgânicas. Vale dizer que é natural que a célula morra,
para a manutenção do equilíbrio tecidual. Nesse caso, o mecanismo de morte é denominado de
"apoptose" ou "morte programada". A etiologia da necrose envolve todos os fatores relacionados
às agressões, podendo ser agrupadas em agentes físicos, agentes químicos e agentes biológicos.
Outra definição, pode ser citado como o "ponto final" das alterações celulares, sendo uma
conseqüência comum de inflamações, de processos degenerativos e infiltrativos e de muitas
alterações circulatórias. É o resultado de uma injuria celular irreversível, quando o então "nível
zero de habilidade homeostática" (ou "ponto de não retorno" ou ainda "ponto de morte celular") é
ultrapassado, caracterizando a incapacidade de restauração do equilíbrio homeostático.
g- Apoptose:Por definição, apoptose ou morte celular programada é um tipo de "autodestruição
celular" que requer energia e síntese protéica para a sua execução. Está relacionado com a
homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, exercendo um papel oposto ao da
mitose. O termo é derivado do , que referia-se à queda das folhas das árvores no outono - um
exemplo de morte programada fisiológica e apropriada que também implica em renovação.
Fisiologicamente, esse suicídio celular ocorre no desenvolvimento embrionário, na organogênese,
na renovação de células epiteliais e hematopoiéticas, na involução cíclica dos órgãos reprodutivos
da mulher, na atrofia induzida pela remoção de fatores de crescimento ou hormônios, na involução
de alguns órgãos e ainda na regressão de tumores. Portanto consiste em um tipo de morte
programada, desejável e necessária que participa na formação dos órgãos e que persiste em
alguns sistemas adultos como a pele e o sistema imunológico. A apoptose é um processo rápido,
que se completa em aproximadamente 3 horas e não é sincronizado por todo o órgão, portanto
diferentes estágios de apoptose coexistem em diversas secções dos tecidos. Devido à taxa rápida
de destruição celular é necessário que apenas 2 a 3% das células estejam em apoptose em
determinado momento para que se obtenha uma regressão substancial de tecido, atingindo
mesmo a proporção de 25% por dia. Microscopicamente ocorre fragmentação nuclear e celular
em vesículas apoptóticas. Diferente da necrose, não existe liberação do conteúdo celular para o
interstício e portanto não se observa inflamação ao redor da célula morta. Outro fato importante é
a fragmentação internucleossômica do DNA, sem nenhuma especificidade de seqüência, porém
mais intensamente na cromatina em configuração aberta; conseqüência da atividade de uma
endonuclease.
Ocorrência de apoptose fisiológica
Apoptose Fisiológica
Membranas interdigitais
http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoarteles.htm
http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartebibl.htm
http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoarteles.htm
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Desenvolvimento da mucosa intestinal
Fusão do palato
Involução normal de tecidos hormônio-
dependentes
Atresia folicular ovariana
Leucócitos
Maturação linfóide e prevenção de autoimunidade
Citotoxidade
h- Neoplasia:(gr. "neo" + "plasis" = neoformação): Proliferação local de clones celulares atípicos,
sem causa aparente, de crescimento excessivo, progressivo e ilimitado, incoordenado e autônomo
(ainda que se nutra as custas do organismo, numa relação tipicamente parasitária), irreversível
(persistente mesmo após a cessação dos estímulos que determinaram a alteração), e com
tendência a perda de diferenciaçãocelular.
i- Tumefação Celular: Sinonímia: "Hidropsia celular", Edema intracelular. Acúmulo intracelular
de água (hiperhidratação celular), conseqüência de desequilíbrios no controle do gradiente
osmótico à nível demembrana citoplasmáticae nos mecanismos de absorção e eliminação de
água e eletrólitos intracelulares. Também observamos a tumefação mitocondrial e cristólise (com
diminuição da fosforilação oxidativa e da síntese de ATP), dilatação das cisternas e fragmentação
do Reticulo Endoplasmatico e do Complexo de Golgi, lise do protoplasma, perda das
especializações superficiais da membrana celular (cílios, microvilosidades, desmossomos) e
alteração nos contornos celulares, desagregação ribossomica do RER (com diminuição da síntese
protéica), ruptura da membranas formando as "Figuras de Mielina" no citosol. Tumefação e
ruptura lisossomica e / ou formação de autofagossomas. Temos como pincipaios causas a
Hipóxia, infecções bacterianas e virais, hipertermia, intoxicações endógenas e exógenas,etc...
j- Estase: Estagnação, no organismo, de matérias de consistência e de origem diversa, como
sangue, urina, fezes,etc;
Diferenças entre lesão celular reversível e irreversível
a) Lesão Celular Reversível:
Diminuição da respiração aeróbia =
diminuição da fosforilação oxidativa.
Diminuição da atividade da bomba sódio-
potássio ATPase ou abaína dependente
= tumefação celular.
Aumento da glicólise anaeróbia devido a
falta de oxigênio = aumento do ácido
lático e fosfatos com acidose e
diminuição do glicogênio.
Há desprendimento dos ribossomos do
retículo endoplasmático rugoso com
perda da síntese protéica.
Se o processo continuar haverá formação
de “bolhas” na superfície celular com
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/esquema/membcell.jpg
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/microdesacribossre.jpg
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desaparecimento das vilosidades = Degeneração Hidrópica.
b) Lesão celular irreversível:os marcos morfológicos deste tipo de lesão incluem tumefação das
mitocôndrias, dos lisossomos e lesão extensa da membrana plasmática.
i. Há influxo maciço de cálcio para o interior da célula (principalmente se a região for
reperfundida).
ii. Os lisossomos rompem-se liberando enzimas que degradam a própria célula (RNAses e
DNAses).
iii. O núcleo celular sofre picnose – cariorréxis –cariólise.
iv. Após a morte celular haverá degradação dos componentes celulares por hidrolases ácidas
sendo fagocitados e resíduos de ácidos graxos são calcificados – Degeneração gordurosa
=Esteatose.
v. Importância clínica: neste processo de morte celular haverá liberação de enzimas intracelulares
para o plasma – Por exemplo: o miocárdio infartado libera enzimas como transaminases,
degeneração lática e creatinoquinases.
Diferenças entre lesão isquêmica e distrófica
Isquêmica: Insuficiência localizada de irrigação sangüínea, devida a constrição ou a obstrução
arterial, e que pode ocorrer em maior ou menor grau.
Distrófica: Perturbação grave da nutrição, principalmente muscular
4- Explique as alterações moleculares e estruturais envolvidas nas lesões reversíveis
irreversíveis?
Lesão reversível:
Diminuição na concentração de O2intracelular(hipóxia)
Diminuição deATP
Aumento na glicólisecitoplasmática
Diminuição do PH do citosol celular (aumento na basofoliacitoplasmática)
Liberação dos ribossomos doRER
Aumento no influxo de Na+e Ca+nocitosol
Diminuição na sínteseprotéica
Aumento do influxo deágua
Aumento da tumefação celular (edemacelular)
Lesão irreversível:
Aumento na produção de proteases (degradação das proteínas)
Aumento na produção de lípases (degradação doslipídios)
Aumento na produção de endonucleases (degradação do DNA)
Aumento na produção de superóxido de hidrogênio(H2O2)
Destruição donúcleo
Destruição de todo o arcabouço ultra estruturalcelular
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Envelhecimento celular
Diversas funções celulares declinam progressivamente com a
idade. A fosforilação oxidativa por mitocôndrias é reduzida, bem
como a síntese de ácidos nucléicos e de proteínas estruturais e
enzimáticas, receptores celulares e fatores de transcrição. As
células senescentes têm uma capacidade reduzida de captação de
nutrientes e de reparo de lesão cromossômica.As alterações
morfológicas nas células em envelhecimento incluem núcleos
irregulares e com lobos anormais, mitocôndrias vacuolizadas
pleomorfas, retículo endoplasmático reduzido e aparelho de Golgi
distorcido. Ao mesmo tempo, há um acúmulo constante do pigmento lipofuscina, que representa
um produto da peroxidação lipidica e uma evidência de lesão oxidativa; produtos finais da
glicação avançada, que resultam da glicosilação não-enzimática e são capazes de realizar
entrecruzamento de proteínas adjacentes, e proteínas anormalmente dobradas. Os produtos finais
da glicação avançada são importantes, podem participar do envelhecimento.
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Esquema dos mecanismos envolvidos na lesão de membrana na isquemia
Radicais livres
Os radicais livres são espécies que tem único elétron não pareado em
um orbital externo. Em tal estado, o radical é extremamente reativo e
instável, e participa de reações com substancias químicas inorgânicas
ou orgânicas, proteínas, lipídeos, carboidratos, particularmente com
moléculas importantes nas membranas e ácidos nucléicos. Podem ter
inicio dentro das células pela absorção de energia radiante ( ultra-
violeta, raio X) , por reações endógenas, geralmente oxidativa, que
ocorrem durante processos metabólicos normais, ou por metabolismo
enzimático de substâncias químicas ou drogas exógenas.
Exemplos de apoptose celular
Deleção celular em populações de células emproliferação
Involução dependente de hormônio no adulto
Lesão celular em certas doenças virais
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LESÕES REVERSÍVEIS E IRREVERSÍVEIS
1- Conceito: ocorre quando o equilíbrio homeostático das células é rompido.
“A DEGENERAÇÃO é um processo regressivo reversível, resultante de lesões não- letais,
em que são manifestadas alterações morfológicas e funcionais da célula”.
a. Degeneração hidrópica: acúmulo de água no citoplasma celular.
i. Etiologia: anoxia e hipóxia.
ii. Patogenia: Na+
iii. Histológico: células tumefeitas.
b. Degeneração gordurosa ou Esteatose: acumulo lipidico nas células.
i. Etiopatogenia:
ii. Conseqüências:
iii. Histológico:
c. Degeneração hialina: metabolismo protéico alterado.
i. Etiologia:
d. Degeneração mucóide:
e. Degeneração glicogênica:
i. Etiologia:
Comparação das características da necrose e da apoptose
NECROSE APOPTOSE
Estímulos Hipóxia , toxinas Fisiológicos e patológicos
Histologia Tumefação celular Necrose de coagulação
Rompimento de Organelas
Condensação de cromatina
Mecanismo de Aleatórias, depleção Internucleossomal
Degradação difusa de ATP Ativação gênica
Do DNA Lesão membranosa Danos por radicais
livres
Endonucleases
Reação tissular Inflamação Sem inflamação Fagocitose de
corpos apoptóticos
Características morfológicas envolvidas no apoptose celular
Retraçãocelular
Condensação da cromatina
Formação de bolhas citoplasmáticas e corpúsculos apoptóticos
Fagocitose das células ou corpúsculos apoptóticos
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MORTE CELULAR
APOPTOSE: é um tipo de autodestruição celular que requer energia e síntese protéica para a sua
execução. Está relacionada com a homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos tecidos,
exercendo um papel oposto ao da mitose. É um exemplo de morte programada e fisiológica, que
implica em renovação celular.
APOPTOSE
Responsável por eventos fisiológicos, adaptativos epatológicos:
Destruição programada de células durante aembriogênese
Involução dependente de hormônio
Deleção celular em populações de células em proliferação
Morte celular emtumores
Morte de neutrófilos
Morte de células imunes
Morte celular induzida por células T citotóxicas
Atrofia patológica
Lesão celular em certas doenças virais
Morte celular por estímulos nocivos
A necrose difere da apoptose por representar um fenômeno degenerativoirreversível, causado
por um agressão intensa. Trata-se pois da degradação progressiva das estruturas celulares
sempre que existam agressões ambientais severas.
NECROSE:
ALTERAÇÕES NUCLEARES DA NECROSE:
a) Picnose:
b) Cariorrexe:
c) Cariólise ou cromatólise:
CLASSIFICAÇÃO DAS NECROSES:
a) Necrose por coagulação ou necrose isquêmica:
b) Necrose Caseosa:
c) Necrose Gomosa:
d) Necrose do tecido adiposo ou necrose enzimática ou citoesteatonecrose:
e) Necrose liquefativa:
f) Necrose Hemorrágica:
Causas da necrose
1- Hipóxia:
É uma causa extremamente importante e freqüente da agressão e necrose tecidual. Os fatores
que provocam a Isquemia que ocorre quando a corrente sanguínea arterial é interrompida como,
por exemplo, na arteriosclerose obstrutiva ou nas tromboses ou tromboembolias, se constituem
nas causas mais comuns de hipóxia. Uma outra causa de hipóxia é a oxigenação inadequada do
sangue devido á insuficiência cardíaca e/ou respiratória.
2- Agentes físicos:
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Dentre os agentes físicos mais comuns, capazes de induzir agressão celular, estão os
traumatismos mecânicos, as variações da temperatura, as variações repentinas da pressão
atmosférica, as radiações ionizantes que produzem radicais livres e o choque elétrico.
3- Agentesquímicos:
São inúmeros os agentes químicos, incluindo aqui as drogas, que podem produzir lesões
celulares. Agentes potentes como venenos, os sais mercuriais, o arsênico, são exemplos de
substâncias que em pequenas doses podem destruir células em minutos. Até mesmo o oxigênio
em altas concentrações é gravemente tóxico. Substâncias do dia-a-dia, como os poluentes
ambientais, inseticidas, herbicidas, riscos ocupacionais, como a exposição à sílica e os estímulos
sociais como o álcool, o fumo, as drogas, além de uma grande variedade de medicamentos, são
causas de morte celular.
4- Agentes biológicos:
Os agentes biológicos podem variar de vírus até os grandes vermes e entre eles se intercalando
as Rickettsias, as bactérias, os protozoários e os fungos, que causam agressão celular pela via
direta, com replicação no interior da célula como acontece com os vírus.
5- Mecanismo simunes:
As reações imunes também podem ser letais, causando injúria celular por meio de fenômenos
ligados à imunidade celular ou imunidade humoral. A reação anafilática a uma proteína estranha
ou a uma droga ingerida é exemplo clássico de agressão. O organismo pode desenvolver
anticorpos contra antígenos do próprio corpo, e assim desenvolver as chamadas enfermidades
auto-imunes.
6- Distúrbios genéticos:
Os distúrbios genéticos causam lesões celulares podendo produzir desde pequenos erros
metabólicos até malformações congênitas, porque a célula é mal programada para seguir a sua
diferenciação normal. Um exemplo clássico é a anemia falciforme, na qual um pequeno defeito
genético causa anomalia na molécula da hemoglobina.
7- Distúrbios nutricionais:
Os distúrbios nutricionais, nos países em desenvolvimento, continuam a ser causas importantes
de lesões celulares. A deficiência de vitaminas específicas causa número elevado de mortes. O
excesso de alimentos causa lesão celular.
8- Envelhecimento:
O envelhecimento talvez seja uma forma programada geneticamente de morte celular.
EVOLUÇÃO DAS NECROSES:
GANGRENA: É a necrose em massa de uma parte, cuja cor é consistência são modificados pelo
contato com agentes externos como: ar e bactérias.
A GANGRENA PODE SER:
Seca: É também chamada de "Mumificação" e está usualmente
associada à necrose isquêmica de extremidades, quando esta se
desenvolve lenta e gradualmente, possibilitando a perda de líquido através
da insuficiência do fluxo de líquidos nutrientes, da drenagem e da
evaporação dos mesmos no local afetado pela isquemia.
Etiologia:
Fisiológica no cordão umbilical;
Intoxicações com alcalóides do Ergot (produzidos pelo fungo Claviceps purpureum e Cl.
paspali, parasitos do esporão de centeio e de outros cereais);
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Intoxicaçõescom Festuca arundinacea (gramínea comum no sul da América do Sul, com
propriedades vasoconstrictoras);
Doença de Raynaud (espasmos vasculares);
Frio /Congelamento;
Gesso e bandagens muitoapertadas;
Características macroscópicas:
Ressecamento, endurecimento, esfriamento e "apergaminhamento" do órgão, com escurecimento
(côr pode variar de amarelo esverdeado à pardo enegrecido, em decorrência da decomposição
local da Hemoglobina). A reação inflamatória do tecido vivo adjacente é intensa e delimita uma
linha de separação nítida entre o tecido sadio e a gangrena. Pode ocorrer também separação do
tecido sadio do tecido necrótico por solução de continuidade e queda do segmento gangrenado..
Gangrena Úmida ou Putrida: É também chamada de "Gangrena pútrida" e quando afeta a
cavidade oral recebe a denominação especial de "Noma" (denotando a contaminação com
Fusobacterium spp). Pode ocorrer tanto em extremidades (pele, membros apendiculares, glândula
mamaria) quanto em vísceras internas (útero, pulmões, intestinos, etc.) O importante é que haja
fácil acesso de bactérias ao tecido necrótico.
Etiologia:
Nas extremidades ocorre em conseqüência de isquemiasgraves, intensas e de rápida instalação, de
maneira que o processo de necrose seja desencadeado sem que haja tempo para se desidratar o tecido
emnecrose.
Trombo-angeíte obliterante e trombose (também chamadosde "Gangrena senil", determinando infartos
de extremidades - conseqüências de ateromas e varizes, nos membros inferiores - Pode também evoluir para
gangrena seca, dependendo da velocidade de instalação doprocesso)
Feridas traumáticas graves, infectadas (acidentes detransito, feridas de guerra,etc...)
Evolução de apendicites e colecistites graves;
Torções de alças intestinais e / ou trombose de artérias mesentéricas, produzindo necrose
isquêmica de alças intestinais
liberando a proliferação descontrolada da flora bacteriana saprófita.
Evolução de Pneumonias por aspiração de corposestranhos;
Evolução da metrite puerperal, se não tratadaadequadamente
Características Macroscópicas:
Aumento de volume (edema) e amolecimento progressivo (coliquação tecidual) com
hemorragias e escurecimento (decomposição local da hemoglobina) do local. A ação das
bactérias saprófitas determina também um odor extremamente fétido e a produção de grande quantidade de
toxinas, o que determinara uma toxemia grave, geralmente fatal, chamada de "Sapremia", que se não tratada
rapidamente (amputação ou exérese da área gangrenada) acabará por ocasionar a morte do
paciente.
Gangrena Gasosa:
É também conhecida como "Gangrena enfizematosa", "gangrena crepitante" ou "gangrena
bolhosa". Trata-se de um grupo de entidades nosológicas específicas ("Edema maligno" e
"Carbúnculosintomático"). São causadas por bactérias anaeróbicas produtoras de gás (H2, CO2,
CH4, NH3, SH2), de ácido butírico (de onde o odor característico demanteiga rançosa) e de ácido
acético. Enzimas proteolíticas produzidas degradam os tecidos tornando-os escuros, tumefeitos e
crepitantes.
Etiologia:
Bactérias do gêneroClostridium(Cl. perfringens; Cl. novyi; Cl. norsi; Cl.septicum; Cl.
hystoliticum; Cl. feseri/chauvoei; Cl. bifermentans).
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Obs:a permanência da parte gangrenosa é prejudicial ao organismo que passa a absorver
substâncias tóxicas formadas pela desintegração dos tecidos. Por isso, se faz a amputação
cirúrgica da parte necrótica.
Heterofagia e autofagia celular
Autofagia: As organelas intracelulares e partes do citosol são inicialmente seqüestradas do
citoplasma em vacúolo autofágico formado de regiões livres de ribossomos do reticulo
endoplasmático rugoso, que então se fundem com lisossomos primários preexistentes ou
elementares de Golgi para formar um autofagolisossoma.
Heterofagia:Neste fenômeno os materiais do ambiente externo são captados pelo processo de
endocnose. A captação de material particulado é conhecida como fagocitose, e o de
macomoleculas menores solúveis como pinocitose. A heterofagia é mais comum nos fagócitos
“profissionais”, tais como neutrófilos e macrófagos. Os exemplos de heterogafia incluem a
captação e digestão de bactérias por leucócitos.
Calcificação patológica
A calcificação patológica significa o depósito anormal de sais de cálcio, juntamente com
quantidades menores de ferro, magnésio e outros sais minerais. È um processo comum que
ocorre em uma variedade de distúrbios patológicos.
É o depósito de sais de cálcio ou calcificação nos tecidos, ossos e cartilagens.
O cálcio nas células com patologia selam sua morte; ele acumula-se nas suas mitocôndrias
inibindo as suas funções.
Tipos de calcificação:
1- Calcificação distrófica:
2- Calcificação metastática:
3- Calcificaçãoi diopática:
Diferencie calcificação distrófica de metastática
Calcificação metastática: A calcificação metastática é originada de uma hipercalcemia. Essa
situação pode ser devida à remoção de cálcio dos ossos (comum em situações de cânceres e
inflamações ósseas, imobilidade, hiperparatireoidismo) ou à dieta excessivamente rica desse íon.
Aumentando os níveis de cálcio, imediatamente a relação desse íon e o fosfato é desequilibrada,
o que contribui para a combinação de ambos e para a sua posterior precipitação nos tecidos que
entram em contato com essas altas concentrações calcêmicas.
Calcificação Distrofica: A calcificação patológica constitui um processo mórbido de origem nas
alterações metabólicas celulares. Essas alterações induzem a uma deposição anormal de sais de
cálcio e outros sais minerais heterotopicamente, ou seja, em locais onde não é comum a sua
deposição. Em outras palavras, a calcificação patológica é assim definida por se localizar fora do
tecido ósseo ou dental, em situações de alteração da homeostase e da morfostase.
http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartecal3A.htm
http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartecom.htm
21
Cicatrização e Reparo
Reparo
• Células do tecido conjuntivo
– Fibroblastos
– Miofibroblastos
– Pericitos
– Adipócitos
– Leiomiócitos
• Matriz conjuntiva (MEC)
– Matriz intersticial (colágeno fibrilar e não-fibrilar,
fibronectina e proteoglicanos)
– MB (colágeno IV, laminina, glicoproteínas)
• Reparo X Regeneração
• Tecido de granulação
• Reparo ocorrepor:
– Angiogênese
– Fibrose
– Remodelamento.Angiogênese
• Degradação proteolítica da MB
• Migração de células endoteliais
• Proliferação de células endoteliais
• Maturação de células endoteliais e remodelamento em tubos
• Recrutamento de células periendoteliais
• Vasculogênese
• AngiogêneseFibrose
• Proliferação de fibroblastos induzida por fatores de crescimento, IL-1 e TNF- alfa produzidas
por cels. Inflamatórias, plaquetas,macrófagos
• TGF-beta
– Migração e proliferação defibroblastos
– Aumento da síntese de colágeno e fibronectina
– Diminuição da degradação da MEC por metaloproteinases
– Quimiotático para monócitos.
• Síntese crescente de colágeno (TGF-b, PDGF eTNF)
• Degradação do colágeno.
Remodelagem Tecidual
• Degradação do colágeno e de outras proteínas da MEC é realizada pelas metaloproteinases.
São elas:
– Colagenases intersticiais
– Gelatinases
– Estromelisinas
– Metaloproteinases da matriz ligadas à membrana (MBMM)
• Produzidas por macrófagos, fibroblastos, neutrófilos e algumas células epiteliais.
• Induzidas por PDGF, FGF, IL-1, fagocitose, e estressefísico.
• Inibidas por TGF-b eesteróides.
• São produzidas em forma inativa e são ativadas por proteinases como a plasmina.
• Ativadas vão degradar a MEC.
• São inibidas pelos inibidores teciduais específicos das metaloproteinases (TIMP)
Cicatrização de feridas
• Por primeira intenção
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• Por segunda intenção
• Fatores que influenciam a cicatrização
• Aspectos patológicos do Reparo
• Formação deficiente dacicatriz
• Formaçãoexcessiva
• Contratura
Principais mediadores químicos e suasrespectivas funções nos processos inflamatórios
• Histamina: interagem com receptores específicos como H1, H2 e H3. Aumentam a
permeabilidade venular pós-capilar, vasoconstrição pulmonar, aumento da secreção de muco,
aumento de GMPc e AMPc, produção de prostaglandinas no pulmão.
• PAF: liberado pelas plaquetas, neutrófilos e mastócitos, ativam a síntese de leucotrienos
(LTC4) e prostaglandinas, ativam o sistema complemento, induz desgranulação de neutrófilos e
eosinófilos. Causam eritema e edema de infiltrado leucocitário, broncoconstrição, hiper-reatividade
e vasoconstrição (vasodilatação em concentrações muito baixas).
Algumas patologias com processos inflamatórios
a- SII:A SII pode estar relacionada a fenômenos psicológicos e alterações de comportamento, tais
como: alto grau de ansiedade, variação de humor, tristeza, perfil depressivo e distúrbios do sono.
Aumento da sensibilidade à dor. Na SII existe uma sensibilidade exagerada aos estímulos
dolorosos na região abdominal, ou seja, um mesmo estímulo, que não tem intensidade suficiente
para causar dor abdominal em pessoas saudáveis, é capaz de causar dor nos pacientes com SII.
É possível que infecções intestinais sejam responsáveis pelo aparecimento da SII em algumas
pessoas.
b- Sinusite: O fluxo da secreção mucosa dos seios da face é permanente e imperceptível.
Alterações anatômicas, que impedem a drenagem da secreção, e processos infecciososo u
alérgicos, que provocam inflamação das mucosas e facilitam a instalação de germes oportunistas,
são fatores que predispõem à sinusite.
c- Enxaqueca: Uma das teorias da causa da cefaléia da enxaqueca é que emoção ou tensão
prolongadas provocam vasoespasmo reflexo de algumas das artérias da cabeça, inclusive
daquelas que suprem o cérebro. O vasoespasmo teoricamente produz isquemia de porções do
23
cérebro que seria responsável pelos sintomas podrômicos. Então, como resultado da isquemia
intensa, alguma coisa acontece com a parede vascular, talvez a exaustão da contração do
músculo liso, que lhe permite tornar-se flácida e incapaz de manter o tônus muscular por 24 a 48
horas. A pressão sanguínea nos vasos faz com que estes se dilatem e pulsem intensamente, e foi
postulado que o estiramento excessivo das paredes das artérias – inclusive de algumas artérias
extracranianas como a Temporal – causa a dor verdadeira das cefaléias da enxaqueca.
d- Labirintite: Parece que a labirintite é causada por um vírus, mas ela também pode ocorrer
devido à infecção por bactéria, lesão na cabeça, alergia ou reação a um determinado
medicamento. Tanto a labirintite viral como bacteriana pode causar perda de audição permanente,
embora isso seja raro.
e- Otite: A otite média aguda é uma infecção por bactérias e vírus que provoca inflamação e/ou
obstruções que se não for tratada pode levar à perda total da audição. Costuma ocorrer durante
ou logo após gripes, resfriados, infecções na garganta ou respiratórias. É um tipode otite comum em
crianças, mas pode ocorrer em pessoas de qualquer idade.
f- FaringiteA faringite é geralmente causada por infecção viral (95%) ou bacteriana (5%). A
infecção causada por estreptococo do grupo A é denominada de infecção de garganta por
estreptococos. A forma crônica pode ser causada por infecções prolongadas dos seios nasais,
pulmões e boca e pela irritação prolongada da mucosa por tabagismo, inalação de ar altamente
poluído e consumo de bebidas alcoólicas ou de substâncias que podem escaldar, corroer ou
escoriar a garganta.
Diferenças entre inflamação aguda de inflamação crônica
Inflamação aguda:
- Duração curta;
- Exsudação de líquido e de proteínas plasmáticas (edema);
- Emigração de leucócitos (predominantemente de neutrófilos);
Inflamação crônica:
- Duração maior;
- Presença de linfócitos e macrófagos;
- Proliferação de vasos sanguíneos e de tecidos conjuntivos;
Esquema dos eventos moleculares e celulares envolvidos no
processo de ativação leucocitária até a transmigração no
processo inflamatório
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A medida em que a estase se desenvolve observa-se uma orientação periférica do leucócitos
(principalmente neutrófilos), ao longo do endotélio vascular, marginação leucocitária.
Os leucócitos aderem e pouco depois migram através da parede vascular do interstício. Após
migrarem para fora do vaso os leucócitos são atraídos para o campo inflamatório por um
mecanismo de quimiotaxia. No campo inflamatório os leucócitos neutrofilos iniciam o processo de
fagocitose, auxiliados pelos macrófagos dos tecidos.
Três componentes básicos da inflamação aguda
1) alterações do calibre vascular, que acarretam um aumento no fluxosanguíneo
2) alterações estruturais da microvasculatura, que permitem que as proteínas; plasmáticas e
leucócitos deixem a circulação;
3) emigração dos leucócitos da micro circulação e seu acúmulo no foco dalesão.Diferenças entre
exsudato e transutado
Exsudato: É um líquido extravascular inflamatório que tem uma alta concentração de proteína,
muitos restos celulares e uma densidade acima de 1,020. Traduz uma alteração significativa da
permeabilidade normal dos pequenos vasos sanguíneos na área da lesão.
Transudato: É um líquido com baixo nível de proteína (a maior parte da qual é albumina) e uma
densidade é inferior a 1,012. È essencialmente um ultra filtrado do plasma sanguíneo e resulta de
desequilíbrio hidrostático através do endotélio vascular.
Os processos vasculares, pressões intravasculares e coloidosmóticas envolvidas
nainflamação aguda (edema)
As alterações do fluxo e calibre vasculares começam pouco após a lesão e desenvolvem-se em
velocidades variáveis, de acordo com a intensidade da lesão.
A perda da proteína do plasma reduz a pressão osmótica do líquido intersticial, juntamente com a
pressão hidrostática elevada devido a vasodilatação, isto acarreta um efluxo acentuado de líquido
e seu acúmulo no tecido intersticial. Esse aumento final do líquido extra vascular denomina-se
edema. A troca líquida normal e a permeabilidade micro vascular depende criticamente de um
endotélio intacto.
Ação da selectina, integrinas, envolvidas na quimiotaxia e diapedese leucocitária
Selectinas: São assim chamadas porque se caracterizam por um domínio N-terminal extracelular
relacionados a lectinas mamíferas que se ligam a açúcares,abrangem a E-selectina
que é confinada ao endotélio;
Integrinas:são glicoproteínas heterodiméricas aderentes transmembrana, constituídas de cadeias
α e β, que também funcionam como receptores da matriz extracelular.
Os 5 pontos cardeais do processo da inflamação!
Dor, rubor, edema,calor e perda de função.
Inflamação crônica
A inflamação crônica dura semanas, meses ou anos, enquanto a inflamação aguda tem curta
duração, horas ou dias.
A inflamação aguda é caracterizada pelos fenômenos vasculares e exsudativos enquanto a
inflamação crônicaé caracterizada pelos fenômenos proliferativos, com formação de fibrose.
As possíveis evoluções da inflamação aguda são:
Resolução
Cura por fibrose
Progressão para inflamação crônica
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Figura 1: Evolução da inflamação aguda (do livro Robbins and Cotran Pathologic Basis of
Disease - Kumar, Abbas and Fausto (eds) 7th Edition - International Edition)
Ocorre resolução quando o processo inflamatório agudo é bem sucedido, atingindo o seu objetivo
de conter, diluir e destruir o agente agressor, ocorrendo pouca destruição tecidual. Neste caso o
edema e as proteínas são drenados pelos vasos linfáticos; os leucócitos polimorfonucleares
neutrófilos do foco inflamatório sofrem apoptose e são fagocitados pelos macrófagos juntamente
com os restos necróticos. Depois disso o tecido inflamado volta ao normal.
Ocorre cura por fibrose quando o dano tecidual é maior e não é possível restabelecer a estrutura
normal do órgão ou tecido lesado, sendo a área necrótica substituída por uma cicatriz fibrosa.
Neste caso ocorrem fenômenossemelhantes aos da resolução porém há proliferação vascular e
de fibroblastos que se encarregam de produzir e depositar colágeno no interstício.
Quando o agente agressor não é destruído prontamente ou o material necrótico não é reabsorvido
ou eliminado (abscessos por exemplo), ocorre a inflamação crônica.
A inflamação crônica ocorre nas seguintes situações:
1. Infecção persistente por certas bactérias como por exemplo o bacilo da tuberculose
2. Exposição prolongada a determinadas substâncias irritantes tais como a sílica
3. Reações autoimunes como por exemplo no lupus eritematoso sistêmico
Características morfológicas
1. Infiltrado inflamatório por células mononucleares (macrófagos, linfócitos e plasmócitos)
2. Destruição tecidual que é produzida pela persistência do agente agressor ou pelas
célulasinflamatórias
3. Tentativa de reparo que produz tecido conjuntivo.
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Figura 2: Os papéis dos macrófagos na inflamação crônica (do livro Robbins and Cotran
Pathologic Basis of Disease - Kumar, Abbas and Fausto (eds) 7th Edition - International Edition)
Os macrófagos são as principais células da inflamação crônica e acumulam-se no foco
inflamatório por três mecanismos:
1. Quimiotaxia
2. Proliferação de macrófagos no foco inflamatório
3. Liberação no foco inflamatório de um fator de inibição da migraçãode macrófagos, que os
impede de abandonar o foco inflamatório
27
Figura 3: Mecanismos de acumulação de macrófagos nos tecidos (do livro Robbins and Cotran
Pathologic Basis of Disease - Kumar, Abbas and Fausto (eds) 7th Edition - International Edition)
Outras células importantes na inflamação crônica são:
1. Linfócitos -mobilizados em reações imunes (T e B) e não imunes. Interagemcom
osmacrófagos.
2. Eosinófilos– são particularmente abundantes nas reações imunes mediadas porIgE e
nasparasitoses
3. Mastócitos– são células abundantes no tecido conjuntivo e que podem liberar histamina,
particularmente nas reações anafiláticas a drogas, venenos de insetose reações a alimentos
4. Leucócitos polimorfonucleares – embora sejam mais característicos dasinflamações agudas,
podem ser encontrados também nas inflamaçõescrônicas.
As inflamações crônicas podem ser divididas, sob o ponto de vista anátomo-patológico, em
inflamações crônicas específicas (granulomatosas) e inespecíficas.
As inflamações específicas são caracterizadas pelos granulomas, que são acúmulos localizados
de macrófagos e macrófagos modificados, (células epitelióides e células gigantes
inflamatórias). Os granulomas podem ainda apresentar outras células tais como linfócitos,
eosinófilos e fibroblastos, além de necrose e do próprio agente agressor.
Figura 4: Granuloma constituido por células epitelióides, contendo célula gigante central e halo
linfocitário. (fotomicrografia , médio aumento, HE)
Há dois tipos de granulomas: granulomas tipo corpo estranho e granulomas imunes.
Os granulomas tipo corpo estranho são provocados por corpos estranhos (fios de sutura por
exemplo) relativamente inertes e que não provocam resposta imune. O exame histológico destes
granulomas permite ver o corpo estranho no seu interior.
Já os granulomas imunes são causados por agentes, insolúveis ou de digestão difícil, capazes
de provocar uma resposta imune celular.
Neste tipo de resposta, os macrófagos ingerem o material estranho e apresentam-no aos linfócitos
T, que são então ativados, produzindo citocinas, ativando outras células T e outros macrófagos.
O estudo histológico dos granulomas é importante pois algumas doenças tais como a
tuberculose, esquistossomose e a blastomicose podem ser diagnosticadas quando os seus
agentes etiológicos são encontrados no granuloma.
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Granuloma da esquistossomose. Observar
fragmentos da casca do ovo deS. mansoni
((fotomicrografia , médio aumento, HE)
Os vasos linfáticos e os linfonodos drenam e
filtram o material existente no interstício e são de importância fundamental no processo
inflamatório.
Os vasos linfáticos, por não apresentarem membrana basal, são capazes de reabsorver
facilmente o líquido de edema e as proteínas do interstício. Válvulas no seu interior impedem o
refluxo da linfa.
Chegando aos linfonodos, a linfa é exposta aos macrófagos fixos aí contidos (histiócitos
sinusoidais) que fagocitam agentes agressores e outras partículas.
Durante este processo pode ocorrer inflamação na parede do vaso linfático (linfangite), e muitas
vezes este pode ser visto como uma linha vermelha no seu trajeto sob a pele em direção ao
linfonodo de drenagem.
Quando o processo inflamatório alcança os linfonodos (linfadenite) estes aumentam de tamanho
por causa da hipertrofia e hiperplasia dos folículos linfóides e das células sinusoidais e tornam-se
dolorosos.
Efeitos sistêmicos da inflamação:
Febre - é produzida como resposta a substâncias (pirógenos) que provocam a liberação de
mediadores que agem no hipotálamo, desencadeando a liberação de neurotransmissores que
reprogramam o nosso termostato corporal para uma temperatura mais alta. É um mecanismo de defesa.
Proteinas da fase aguda-proteina C reativa, fibrinogênio, proteina amilóide A e sérica:
São produzidas pelo fígado e aumentam nas infecções, podendo ser dosadas ou indiretamente
estimadaspara diagnóstico. Em infecções crônicas, a produção continuada de proteína amilóide A
sérica pode levar à amiloidose secundária.
Leucocitose- ocorre por causa do aumento da liberação de leucócitos pela medula
óssea(estimulada por citocinas),inclusive leucócitos ainda imaturos (desvio para aesquerda).
Sepsis- em infecções bacterianas graves, a grande quantidade de bactérias ou de
lipopolissacarideos bacterianos (LPS ou endotoxinas) presentes na circulação provocam a
produção de grande quantidade de citocinas que por sua vez desencadeiam coagulação
intravascular disseminada, consumo de fatores da coagulação e hemorragias. Citocinas podem
causar lesões hepáticas e prejudicam a sua função e consequentemente hipoglicemia por baixa
da gliconeogenese. Aumento da produção de óxido nítrico leva a falência cardíaca aguda e
choque. Esta tríade (coagulação intravascular disseminada, hipoglicemia e insuficiência cardíaca
aguda é conhecida como choque séptico. A inflamação e as tromboses percebidas em diversos
órgãos podem ocasionar falência d múltiplos órgãos tais como os pulmões (síndrome da angustia
respiratória do adulto - SARA), os rins (insuficiência renal aguda - IRA) e os intestinos.
Outras manifestações - taquicardia, tremores, calafrios, anorexia, sonolência, palidez.
Características macroscópicas, microscópicas e as possíveis causas e evoluções para a
esteatose hepática
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Características macroscópicas:
a. As modificações no volume e coloração do órgão afetado dependerão da causa da esteatose e
da quantidade de lípide acumulado.
b. Geralmente ocorre Ý de volume,ß consistência (órgão mais pastoso), Ý friabilidade e
amarelamento, além da presença de gorduras emulsionadas na faca ao corte.
c. No fígado: Ý de volume e peso (às vezes de 1,5 para 3 a 6 Kg, no ser humano) com bordas
abauladas e consistência amolecida, coloração amarelada, superfície externa lisa e brilhante, e
superfície de corte untuosa, sem marcação lobular.
d. No coração: afeta principalmente os músculos papilares, determinando o aparecimento de
listas amareladas ("tipo coração tigrado") quando focal. Todo amarelado e flácido quandodifusa.
e. Nos rins: Ý de volume, palidez e amarelamento.
Características microscópicas:
a. Ocorre vacuolização citoplasmática que deve ser diferenciada da Degeneração hidrópica -
vacuolar e da Infiltração glicogênica através de colorações especiais.
b. Hepatócitos: Vacúolos pequenos e múltiplos (fase mais precoce) que podem se coalescer
formando um único e volumoso, deslocando o núcleo para a periferia("Célula em anel de
sinete"),as vezes levando inclusiveà ruptura celular formando os "Cistos gordurosos". Quando
afetando a região periportal e justasinusoidal, não tem significado ou está associado à tóxicos;
quando periacinar ("centrolobular") decorre geralmente de hipóxia e quando panlobular é causada
principalmente pela diabete canina e acetonemia bovina.
c. No epitélio dos túbulos renais (basalmente) e nas fibras do miocárdio (entre miofibrilas):
geralmente pequenos e múltiplos.
d. No processamento de rotina (e utilizando-se de HE), o álcool e o xilol dissolvem os lípides
tornando o lipossomo um vacúolo vazio (espaço claro = imagem negativa do lípide). Para
confirmação do lípide intracelular o melhor é usar microtomia de congelação e corantes
lipossolúveis como:
Sudam III - laranja avermelhado; Sudam IV - Vermelho escarlate; Ácido ósmico - negro;
Sulfato azul do Nilo - Violeta azulado (predomínio de ácidos graxos) ou violeta avermelhado
(predomínio de gordura neutra).
Características morfológicas das necroses
a- necrose fibrose: o tecido necrótico adquire uma, acidofílico, semelhante a fibrina. Pode
aparecer na ateroesclerose, na úlcera péptica etc.
b- fibrose caseosa: tecidos esbranquiçados, granulosos, amolecidos, com aspecto de “queijo
friável". Microscopicamente, o tecido exibe uma massa amorfa composta predominantemente por
proteínas. É comum de ser observada na tuberculose, em neoplasias malignas e em alguns tipos
de infarto. Na sífilis, por ter consistência borrachóide, é denominada de necrose gomosa.
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/micro/esteatfig.jpg
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/micro/esteatose.jpg
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/micro/esteat.jpg
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/micro/esteat.jpg
http://www.icb.ufmg.br/pat/imagem/micro/esteat.jpg
http://www.usp.br/fo/lido/patoartegeral/patoartedeg4.htm
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c- necrose coagulativa: Necrose por coagulação (= isquêmica): causada por isquemia do local.
É freqüentemente observada nos infartos isquemicos. Há perda da nitidez dos elementos
nucleares e manutenção do contorno celular devido à permanência de proteínas coaguladas no
citoplasma, sem haver rompimento da membrana celular.
d- necrose enzimática gordurosa: ocorre quando há liberação de enzimas nos tecidos a forma
mais observada é a do tipo gordurosa, principalmente no pâncreas, quando pode ocorrer liberação
de lipases, as quais desintegram a gordura neutra dos adipócitos desse órgão.
Alterações celulares reversíveis
As alterações celulares reversíveis são assim chamadas pois permitem que a célula lesada volte a
ter aspecto e função normais quando o estímulo agressor é retirado.
Ocorrem sob diversas formas, dependendo do tipo, duração e intensidade da agressão e do tipo
de célula lesada e do seu estado metabólico. Os dois principais tipos de lesão celular reversível
são o edema celular e a esteatose.
O edema celular (anteriormente conhecido como tumefação turva e degeneração hidrópica)
ocorre quando a célula agredida acumula água no seu citoplasma.
Macroscopicamente o órgão acometido por este distúrbio geralmente aumenta de peso e
tamanho, torna-se pálido e mais túrgido.
Microscopicamente observamos aumento de volume das células, que se apresentam menos
coradas (mais pálidas) e ocasionalmente apresentam vacúolos nos seus citoplasmas.
O edema celular é mais frequentemente visto nas células tubulares renais e nas células
musculares cardíacas de pacientes com distúrbios hidro-eletrolíticos.
Quando há acúmulo de gordura no citoplasma das células parenquimatosas de um órgão, ocorre
a esteatose.
Macroscopicamente o órgão apresenta-se amarelado, mole, com volume aumentado.
http://www.usp.br/fo/lido/patoartegeral/patoartecir5.htm
31
Microscopicamente observamos vacúolos não
corados no interior das células acometidas. Isto
ocorre porque durante o processamento
laboratorial para confecção das lâminas o tecido é
exposto a substâncias que são solventes das
gorduras, que é portanto retirada. Caso haja
necessidade de corar as gorduras, é necessário
um processamento especial que conserva as
gorduras e a utilização de corante especifico das
gorduras.
A esteatose é mais comum no fígado e no musculo
cardíaco. No fígado pode assumiro aspecto microvacuolar (quando se formam muitas gotículas pequenas) e
macrovacuolar (quando se forma um vacúolo volumoso).
CÂNCER
1. INTRODUÇÃO:
Câncer sempre foi palavra assustadora para todos, mesmo para os médicos. Quando recebem
este diagnóstico, muitos têm a reação de quem acabou de ser condenado à morte. Apesar das
informações dos grandes avanços terapêuticos obtidos na área nos últimos anos, a primeira
reação é de desespero.
Existem, no entanto, muitas idéias erradas em nosso meio sobre o câncer. Hoje, no Brasil,
é possível fazer diagnósticos precisos, tratamentos apropriados, obter qualquer tipo de
informação. E isto tudo, quando acompanhado de um bom suporte emocional, pode curar ou
controlar o tumor e ainda oferecer uma boa qualidade de vida aos pacientes.
32
2. Definição
As células dos diversos órgãos do nosso corpo estão constantemente se reproduzindo, isto é,
uma célula adulta divide-se em duas, e por este processo, chamado mitose, vai havendo o
crescimento e a renovação das células durante os anos. A mitose é realizada controladamente
dentro das necessidades do organismo. Porém, em determinadas ocasiões e por razões ainda
desconhecidas, certas células reproduzem-se com uma velocidade maior, desencadeando o
aparecimento de massas celulares denominadas neoplasias ou, mais comumente, tumores.
Nas neoplasias malignas o crescimento é mais rápido, desordenado e infiltrativo; as células não
guardam semelhança com as que lhes deram origem e têm capacidade de se desenvolver em
outras partes do corpo, fenômeno este denominado metástase, que é a característica principal
dos tumores malignos.
Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se
multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um
risco de vida.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo,
existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula.
Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma.
Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.
Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de
multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes
(metástases).
3. O que é o câncer?
1. Uma ervilha
No começo, as células cancerosas se multiplicam até atingir o tamanho de uma ervilha. Para
crescer, além disso, o tumor precisa de muito sangue.
2. Adubo Maligno
Para obter sangue, o tecido doente solta proteínas que funcionam como fertilizante. Elas
promovem a angiogênese, isto é, o surgimento de novos vasos, criando uma rede de irrigação
exclusiva.
3. Comer e Crescer
Por esse sistema, o tumor absorve nutrientes e o oxigênio e aproveita a corrente sangüínea para
espalhar células doentes pelo corpo.
4. O que Causa o Câncer?
As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando
ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou
costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das
vezes, geneticamente pré-determinadas, estão ligadas à capacidade do organismo de se defender
CÂNCER
33
das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a
probabilidade de transformações malignas nas células normais.
De todos os casos, 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Alguns deles
são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposiçãoexcessiva ao sol pode
causar câncer de pele, e alguns vírus podem causar leucemia. Outros estão em estudo, tais como
alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos são ainda completamente
desconhecidos.
O envelhecimento traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à
transformação maligna. Isso, somado ao fato de as células das pessoas idosas terem sido
expostas por mais tempo aos diferentes fatores de risco para câncer, explica em parte o porquê
de o câncer ser mais freqüente nesses indivíduos. Os fatores de risco ambientais de câncer são
denominados cancerígenos ou carcinógenos. Esses fatores atuam alterando a estrutura genética
(DNA) dascélulas.
O surgimento do câncer depende da intensidade e duração da exposição das células aos agentes
causadores de câncer. Por exemplo, o risco de uma pessoa desenvolver câncer de pulmão é
diretamente proporcional ao número de cigarros fumados por dia e ao número de anos que ela
vem fumando.
5. Como Surge o Câncer?
As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é a
parte mais externa da célula; o citoplasma, que constitui o corpo da célula; e o núcleo, que contem
os cromossomas que por sua vez são compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam
e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no no
organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química"
- o ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomas passam as
informações para o funcionamento da célula.
O grafico mostra que de oito em cada dez casos de cancer sao
disparados por fatores que poderiam ser evitados. Só 10% dos fatores
sao hereditarios
34
Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes. É o que chamamos mutação
genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para
as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados
protooncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os
protooncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização)
das células normais. Essas células diferentes são denominadas cancerosas.
6. Como se Comportam as Células Cancerosas?
As células alteradas passam então a se comportar de forma anormal.
-se de maneira descontrolada, mais rapidamente do que as células normais do
tecido à sua volta, invadindo-o. Geralmente, têm capacidade para formar novos vasos sanguíneos
que as nutrirão e manterão as atividades de crescimento descontrolado. O acúmulo dessas
células forma os tumores malignos.
tecidos vizinhos, podendo chegar ao interior de um vaso sangüíneo ou linfático e, através desses,
disseminar- se, chegando a órgãos distantes do local onde o tumor se iniciou, formando as
metástases. Dependendo do tipo da célula do tumor, alguns dão metástases mais rápido e mais
precocemente, outros o fazem bem lentamente ou até não o fazem.
que as
suas correspondentes normais. Conforme as células cancerosas vão substituindo as normais, os
tecidos invadidos vão perdendo suas funções. Por exemplo, a invasão dos pulmões gera
alterações respiratórias, a invasão do cérebro pode gerar dores de cabeça, convulsões, alterações
da consciência etc.
Como é o Processo deCarcinogênese
O processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, em geral se dá lentamente,
podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor
visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles:
- Estágio de iniciação - É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito
dos agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus
genes. Nesta fase as células se encontram, geneticamente alteradas, porém ainda não é possível
se detectar um tumor clinicamente. Encontram-se "preparadas", ou seja, "iniciadas" para a ação
de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.
- -Estágio de promoção- É o segundo estágio da carcinogênese. Nele, as células
geneticamente alteradas, ou seja, "iniciadas", sofrem o efeito dos agentes cancerígenos
classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma
35
lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato
com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas
vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição
excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de
células iniciadas em malignas.
- Estágio de progressão- É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação
descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio o câncer já está instalado,
evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença.
Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes
oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui
componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.
7. Como o Organismo se Defende
No organismo existem mecanismos de defesa naturais que o protegem das agressões impostas
por diferentes agentes que entram em contato com suas diferentes estruturas. Ao longo da vida,
são produzidas células alteradas, mas esses mecanismos de defesa possibilitam a interrupção
desse processo, com sua eliminação subseqüente. A integridade do sistema imunológico, a
capacidade de reparo do DNA danificado por agentes cancerígenos e a ação de enzimas
responsáveis pela transformação e eliminação de substâncias cancerígenas introduzidas no corpo
são exemplos de mecanismos de defesa.
Esses mecanismos, próprios do organismo, são na maioria das vezes geneticamente pré-
determinados, e variam de um indivíduo para outro. Esse fato explica a existência de vários casos
de câncer numa mesma família, bem como o porquê de nem todo fumante desenvolver câncer de
pulmão.
Sem dúvida, o sistema imunológico desempenha um importante papel nesse mecanismo de
defesa. Ele é constituído por um sistema de células distribuídas numa rede complexa de órgãos,
como o fígado, o baço, os gânglios linfáticos, o timo e a medula óssea, e circulando na corrente
sangüínea. Esses órgãos são denominados órgãos linfóides e estão relacionados com o
crescimento, o desenvolvimento e a distribuição das células especializadas na defesa do corpo
contra os ataques de "invasores estranhos". Dentre essas células, os linfócitos desempenham um
papel muito importante nas atividades do sistema imune, relacionadas às defesas no processo de
carcinogênese.
Cabe aos linfócitos a atividade de atacar as células do corpo infectadas por vírus oncogênicos
(capazes de causar câncer) ou as células em transformação maligna, bem como de secretar
substâncias chamadas de linfocinas. As linfocinas regulam o crescimento e o amadurecimento de
outras células e do próprio sistema imune. Acredita-se que distúrbios em sua produção ou em
suas estruturas sejam causas de doenças, principalmente do câncer.
8. Modalidades Terapêuticas
1. CIRURGIA. é o mais antigo e mais definitivo, quando o tumor é localizado, em circunstâncias
anatômicas favoráveis. Para alguns tipos de câncer apenas a cirurgia não é suficiente, devido à
disseminação de células cancerosas local ou difusamente.
2. RADIOTERAPIA. é o mais utilizado para tumores localizados que não podem ser
ressecados totalmente, ou para tumores que costumam rescidivar localmente após a cirurgia. Tem
sérios efeitos colaterais, principalmente por lesão de tecidos normais adjacentes ao tumor. A
quantidade de radiação utilizada depende do tipo de tumor, e é medida em rads.
3. QUIMIOTERAPIA. Foi o primeiro tratamento sistêmicopara o câncer. Na maioria da vezes
consiste em uma associação de drogas, pouco eficazes se utilizadas sozinhas, pois nos tumores
há subpopulações de células com sensibilidade diferente às drogas antineoplasicas. Os
mecanismos de ação das drogas são diferentes, mas sempre acabam em lesão de DNA celular. A
toxicidade contra células normais é a causa dos efeitos colaterais (náuseas, vômitos,
mielossupressão). Pode ser usada como tratamento principal (leucemias, linfomas, câncer de
testículo), mas normalmente é adjuvante, após tratamento cirúrgico ou radioterápico.
4. TERAPIA BIOLÓGICA. Usa-se modificadores da resposta biológica do corpo frente ao
câncer, "ajudando-o" a combater a doença (linfoquinas, anticorpos monoclonais). Usa-se também
36
CÂNCER DE FÍGADO
CÂNCER DE MAMA
drogas que melhoram a diferenciação das células tumorais, tornando-as de mais fácil controle.
Este tipo de tratamento, em estudo, é o mais promissor para o futuro.
PARTE 2 – INFORMAÇÕES SOBRE OS TIPOS DE CÂNCER MAIS COMUM:
Sinais de alerta
Geralmente não existem sinais e sintomas, precocemente, ocorrendo quando a
doença avançada. Os principais são: dor abdominal, perda de peso, diminuição do
apetite, náusea, além de febre, icterícia (pele e mucosas amareladas), aumento do
volume abdominal, mal-estar generalizado, inchaço nas pernas e massa palpável no
abdome. Esses sintomas em geral são também relacionados com outras doenças
benignas. O câncer de fígado só passa a ser considerado como hipótese quando os
sintomas demoram muito tempo para passar, ou então pioram abruptamente.
O carcinoma hepatocelular representa a quase total maioria dos tumores primários
do já está
fígado, sendo responsável pela ocorrência de 80%.
Nas crianças, o tumor primário mais comum é o hepatoblastoma (figs.)
Os tipos que mais comumente dão metástase para o fígado são: o carcinoma do pâncreas, o
carcinoma colo- retal (fig.1), o carcinoma de estômago, o carcinoma da mama (fig.2), o carcinoma
do esôfago e o carcinoma do pulmão.
fig.1 fig.2
Fatores de risco
Muitos casos estão associados com a cirrose hepática e hepatite causadas por vírus,
principalmente dos tipo B e C. Os pacientes com cirrose secundária a hepatite viral devem ser
alvo de um rigoroso acompanhamento, pois têm uma maior predisposição ao tumor. A vacinação
contra a hepatite B tem, portanto, caráter preventivo.
Tratamento
O tratamento é basicamente cirúrgico. A situação ideal é aquela em que o paciente apresenta
apenas um tumor pequeno e não tem grande acometimento da função hepática.
37
Fatores de risco
Mutações genéticas, hereditárias (genes BRCA1 e BRCA2). Aumento da idade. Início precoce da
menstruação. Menopausa tardia. Não ter filhos, ou tê-los depois dos 30 anos. História pessoal ou
familiar de câncer de mama. Dieta rica em gorduras.
Sinais de alerta
A percepção de um nódulo doloroso na mama é típica, mas a dor pode aparecer apenas
tardiamente. Qualquer alteração da coloração, superfície ou textura na pele da mama, ou do
mamilo. Descarga (saída de secreção) através do mamilo
Sinais de alerta
A percepção de um nódulo doloroso na mama é típica, mas a dor pode aparecer apenas
tardiamennte. Qualquer alteração da coloração, superfície ou textura na pele da mama, ou do
mamilo. Descarga (saída de
secreção) através do mamilo.
Diagnóstico precoce
O auto-exame de mama é o principal. Exame da mama pelo médico. Mamografias uma vez por
ano, para mulheres acima de 50 anos, e para algumas mulheres jovens, dependendo dos fatores
de risco.
Como se espalha
Depois que o câncer aparece, pode-se demorar alguns anos até que apareça um nódulo palpável.
O comportamento é muito diferente, de uma pessoa para outra. O tumor pode ficar confinado à
mama por vários anos, ou podem surgir metástases em linfonodos ou em outros órgãos distantes
antes mesmo de se perceber algum nódulo na mama.
Tratamento
Para tumores localizados, a mastectomia (retirada da mama) pode ser apropriada, mas uma
cirurgia conservadora, onde se faz remoção apenas do tumor e do tecido adjacente, seguido por
radioterapia local, às vezes é preferível. Apesar das recorrências ocorrerem mais freqüentemente
na cirurgia conservadora, elas podem ser então tratadas com mastectomia. A sobrevida é
semelhante para os dois tratamentos. Em ambos os casos, pode ser necessário quimioterapia,
após a cirurgia, ou tratamento com bloqueadores hormonais. Se as células do tumor forem
positivas para receptores para estrógeno, é um bom sinal, porque a terapia com bloqueadores
hormonais pode parar o crescimento do câncer.
38
CÂNCER DE PRÓSTATA
A próstata é um pequeno órgão situado logo abaixo da bexiga, em forma de uma castanha
portuguesa, atravessada pela uretra. só os homens possuem próstata e o seu desenvolvimento é
estimulado pela testosterona, o hormônio sexual masculino produzido pelos testículos.
Para que serve a próstata?
A próstata é um órgão glandular que
produz uma substância que, juntamente
com a secreção da vesícula seminal e os
espermatozóides produzidos nos
testículos, vai formar o sêmem ou
esperma. Sem o líquido produzido pela
próstata, os espermatozóides não
viveriam até atingir o óvulo no momento
da fecundação. Além de conferir proteção,
contém alimentos para o espermatozóide,
na sua longa caminhada ao encontro do óvulo.
A próstata, ao contrário do que se pensa, é sede de um grande número de doenças que atingem o
homem desde a adolescência até a velhice.
Tumor benigno da próstata
Também conhecido como adenoma de próstata, é a doença mais incidente. Consiste em um
crescimento das glândulas prostáticas e, consequentemente, de toda a próstata. Como ela é
atravessada pela uretra, esta passa a ser comprimida, dificultando a passagem da urina.
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Sintomas:
- O jato urinário vai se tornando cada vez mais fraco e fino.
- A pessoa urina muitas vezes durante a noite.
- Após urinar, logo sente vontade de urinar de novo, e urina mais um pouco.
- Às vezes, após urinar, sente que ainda ficou com urina na bexiga.
- Pode sentir forte vontade e ter que sair correndo para urinar, podendo até fazer na roupa ou na
cama.
Tumor maligno da próstata
O grande problema é que, na grande maioria das vezes, o câncer de próstata, na sua fase inicial,
não apresenta nenhum sintoma. Numa fase adiantada, começará a obstruir a urina, como ocorre
com o tumor benigno, mas o tratamento curativo já é mais difícil.
Trabalhos já mostraram que em autópsias realizadas em 100 indivíduos de 40 a 50 anos que
vieram a falecer de várias causas, quatro deles eram portadores de câncer da próstata, sem
nunca terem se queixado de qualquer sintoma. O tumor maligno da próstata pode estar associado
ao tumor benigno, logo, os sintomas podem ser os mesmos.
Exames Preventivos
Toque retal -O indivíduo do sexo masculino, a partir dos 40 anos, deve realizar o exame de toque
retal pelo menos uma vez por ano. Neste exame, o médico pesquisa o tamanho, consistência
pontos endurecidos dolorosos e mobilidade. O reto é a única via natural de acesso por ter sua
parede intimamente ligada à próstata. O grande problema é que os latinos, de um modo geral, têm
grande preconceito com esse exame. No exército americano se dá tanta importância ao exame
que o militar é obrigado a se submeter a partir dos 35 anos. Este toque serve para se fazer o
diagnóstico precoce do tumor, mesmo quando não há sintomatologia, o que, na maioria das
vezes, após tratamento cirúrgico , leva à cura.
Fatores de risco
A idade avançada é o principal. Possivelmente, dieta rica em gorduras. Homens com parentes de
primeiro grau com a doença têm um maior chance de desenvolvê-la também.
Diagnóstico precoce
Todo homem com mais de 50 anos deveria fazer um exame de toque retal, anualmente. Dosagem
de PSA (prostate-specific antigen) no sangue pode sinalizar anormalidades, também num estágio
inicial.
Tratamento
A remoçãototal da próstata é rotina. Radioterapia é também largamente utilizada como
alternativa, ou suplemento da cirurgia. Contra doença metastática, pode-se fazer supressão
hormonal, com drogas, ou orquiectomia (retirada dos testículos).
Como outras formas de câncer, nasce da proliferação de células defeituosas que perderam a
capacidade de controlar o próprio crescimento e reprodução.
CANCER DE PELE
40
CUIDADOS
A exposição ao sol sem uso de protetor não causa apenas queimaduras, mas aumenta o risco de
se desenvolver câncer de pele, a longo prazo.
O Sol: Funciona como um enorme reator e a radiação dos seus raios
ultravioletas diminui as defesas do sistema imunológico. Tem ação
extremamente nociva das 10h às 15h. O melhor é tomar apenas 20
minutos de sol por dia, nos horários de calor menos intenso: pela
manhã, bem cedo, e no final da tarde.
Tipos mais frequentes de cancer de pele:
Carcinoma Basocelular: pode-se manifestarde várias maneiras, feridas que não cicatrizam ou
lesões que sangram com facilidade devido a pequenos traumatismos, podem representar um
Carcinoma basocelular.
Carcinoma espinocelular: acomete mais áreas de mucos aparentes, como boca ou o labio
cicatrizes de queimaduras antigas ou áreas que sofreram irradiação (raios x), e da exposição
prolongada e repetida da pele ao sol.
Melanoma Maligno: tumor maligno grave que se origina das células que produzem o pigmento
da pele (melanócitos). Frequentemente envia metástases para outros órgãos, sendo de extrema
importância o diagnóstico precoce para a sua cura.
41
CÂNCER DE ESTÔMAGO
Outros: Eczema de contato infectado e Herpes zoster-oftálmico.
Xeroderma pigmentoso Estrias por uso indevido decorticosteróide
Prevenção e tratamento
Quando a doença já está instalada, o tratamento mais seguro é a cirurgia de retirada da lesão.
Mas há a opção de se fazer a destruição das células malignas queimando com nitrogênio líquido
(frio) ou com bisturi elétrico (calor)
Fatores de Risco
Os fatores causais sugeridos incluem: hábitos alimentares, como o consumo de alimentos muito
salgados ou defumados, os quais conteriam ou propiciariam a formação de substâncias
cancerígenas potenciais. Presença de uma bactéria (Helicobacter pylori) na mucosa. O cigarro e o
álcool também são considerados agentes aceleradores do aparecimento do câncer de estômago.
Sinais de alerta
Desconforto gástrico, dor vaga, anemia, falta de apetite. Qualquer sintoma de "gastrite" deve ser
encarado como um câncer em potencial, em indivíduos com mais de 40 anos.
Diagnóstico Precoce
É possível, mesmo sem sintomas, através do exame direto por endoscopia (gastroscopia),
principalmente em áreas ou países de alto risco, para detectar a fase inicial ou mesmo lesões pré-
malignas. Em geral, os pacientes que já têm sintomas se apresentam com sinais de doença
moderadamente avançada.
Tratamento
A cirurgia é o único método curativo. Em casos avançados, a cirurgia mesmo que não tenha a
intenção de curar, pode ser feita com a intenção de evitar sangramentos e obstrução.
Fatores de risco
Início da atividade sexual muito precoce. Muitos parceiros sexuais. Infecção
pelo vírus sexualmente transmissível papilomavirus (HPV). Tabagismo.
Sinais de alerta
Geralmente é assintomático. Sangramento e dor ocorrem no estágio final da
doença.
Diagnóstico precoce
O exame de Papanicolau é o método mais eficiente para o diagnóstico
precoce.
Toda mulher deve consultar um ginecologista, anualmente, para controle.
CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
42
CÂNCER DE PÂNCREAS
Tratamento
Em geral é realizada cirurgia, ou radioterapia, ou ambos, dependendo do estadiamento. Lesões
pré- cancerosas podem ser eliminadas através de cauterização ou de uma cirurgia local. Não
responde bem à quimioterapia.
Fatores de risco
Vários fatores estão envolvidos na etiologia Os principais são o fumo, e doenças como
pancreatite crônica e diabetes. Exposição prolongada a compostos como solventes e
petróleo parece aumentar o risco de câncer de pâncreas.
Cirurgia gástrica prévia, para tratamento de úlcera péptica, por exemplo, também
parece estar associada a um risco maior da doença.
Sinais de alerta
Icterícia (amarelão) com prurido. Massa abdominal. Perda de peso sem motivo
aparente. Dor no abdome superior, ou lombar inexplicáveis. Início súbito de diabetes.
Aparecimento súbito de diarréia gordurosa. Crise de pancreatite aguda.
Se o indivíduo fuma, o nível de suspeita deve ser dobrado.
Diagnóstico precoce
Raramente feito precocemente, devido a praticamente ausência de sinais precoces. Pode ser feito
através de ultrassom de abdomen, ou tomografia computadorizada, preferencialmente.
Tratamento
Tumores que não são pequenos, confinados ao pâncreas, são muito difíceis de tratar. A cirurgia é
o principal tratamento, quando não existem metástases e o tumor é ressecável. Para aliviar a dor
da doença, radioterapia e procedimentos cirúrgicos para livrar os ductos biliares, e bloqueios
nervosos podem ser efetivos.
A quimioterapia tem como função paliar sintomas, podendo dar um pequeno aumento na
sobrevida.Principais diferenças entre neoplasia benigna e maligna:
Característica Benigno Maligno
Diferenciação e
Anaplasia
Bem diferenciado, a estrutura pode ser
típica do tecido de origem
Certa falta de diferenciação com
anaplasia a estrutura e geral atípica
Velocidade e
Crescimento
Geralmente progressiva e lenta, pode
estabilizar e progredir, formas
mitóticas são raras e anormais
Errática e pode ser lenta ou rápida,
figuras mitóticas podem ser varias e
anormais
Invasão Local Massas em geral, coeziveis e
expansíveis, bem demarcadas que
não invadem e nem infiltram os tecidos
vizinhos normais
Invasivos localmente, infiltrando-se nos
tecidosvizinhos normais, às vezes
podem ser coesivos e expansivos
Metástase Ausente Freqüentemente presente, quanto
maior e mais indiferenciado mais
prováveis são as metástases
ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
1. Definição:
Segundo a OMS, Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um sinal clínico de desenvolvimento rápido
de uma perturbação focal cerebral, de possível origem vascular e com mais de 24 horas de
duração.
43
2. Incidência:
maior na raça negra do que nabranca;
3. Fatores derisco:
hipertensãoarterial;
diabete mellitus;
doença cardíaca;
obesidade;
dislipidemia;
tabagismo;
uso de anticoncepcional;
sedentarismo;
4. Aspectos Neuropatológicos eFisiopatológicos:
alterações trombóticas (infartotrombótico);
alterações embólicas (infartoembólico);
alteraçõeshemorrágicas;OBS:
infarto: ocorre quando um trombo ou êmbolo se prende na parede do vaso obstruindo o fluxo
sanguíneo;
hemorragia: fenômeno que priva de sangue os vasos à sua frente e o sangue extravascular ao
seu redor exerce pressão sobre o tecido encefálico ao seu redor;
aneurisma: resulta de um defeito nas camadas média e elástica do vaso sanguíneo que se
desenvolve com o passar dos anos ou pode ser congênito;
mal-formação artério-venosa: é uma anormalidade do desenvolvimento que resulta em uma
massa tipo espaguete de tamanhos variáveis dentro do tecido cerebral. É uma anormalidade
presente desde o nascimento, porém os sintomas se desenvolvem entre os 10 e 35 anos.
5. Classificação:
a) Isquêmicos:
Acidente Isquêmico Transitório (AIT):são os acidentes com perda focal da função cerebral,
de pequena duração, seguida por completa recuperação das deficiências neurológicas dentro de
24 horas.
AVE permanente ou completo:são os acidentes cujos sintomas ultrapassam mais que 24
horas e as deficiências neurológicas persistem por mais de 1 dia, além de serem estáveis (não
progridem nem melhoram).
AVE progressivo:são os acidentes vasculares que se formam gradativamente com o passar
do tempo. Como é progressivo, pode gerar sintomas anteriores.
b) Hemorrágicos:
São um tipo de AVE permanente com exceção das hemorragias subaracnóideas que são
progressivas (sangramento continuado ou hidrocefalia secundária)
Tipos:
1. Parenquimatoso:
Alta mortalidade;
grave (vasoconstrição acessória impede o mecanismo de circulação colateral;
causas: rompimento de aneurisma, TCE;
características: instalação brusca, acompanhados de coma, hemiparesias, crises convulsivas,
perda hemissensorial, distúrbios neurovegetativos.
2. Subaracnóideo:
44
atinge o espaçosubaracnóideo;
causas: mal-formação artério-venosa, aneurismas congênitos eadquiridos;
características: dor de cabeça intensa, com início abrupto e perda momentânea da consciência;
rigidez de nuca, vômitos e náuseas; ausência de hemiparesias; o sangue percorre o espaço
subaracnóideo podendo ser visualizado por punção lombar e pode gerar hidrocefalia secundária,
bem como sinais meningorradiculares.
6. Sinais e Sintomas:
dependem da localização e do tamanho da lesão;
deficiências neurológicas maiscomuns:
- hemiparesia
- - ataxia
- De ficiências visuo-receptivas
- afasia
- disartria
- de ficiências sensoriais ecognitivas
- problemas com contole vesical
Fig. 1- Paciente hemiparético à direita utilizando mola de Codeville em membro inferior parético
para favorecer a dorsiflexão.
sinais e sintomas de acordo com a localização da artérialesada:
- artéria vertebral: hemiparesia (trato piramidal) e ataxia (tratoespino-cerebelar)
- artériabasilar:
oclusão completa: morte
oclusão parcial: tetraplegia (tratos motores descendentes), perda da sensibilidade (tratos
sensoriais ascendentes), coma (formação reticular ativadora ascendente), sinais dos nervos
cranianos (nistagmo, paralisia facial do mesmo lado).
- artéria cerebelar: tontura/vertigens, perda do equilíbrio e vômitos, dor de cabeça, ataxia e
nistagmo.
- artéria cerebral anterior: alterações da personalidade (lobo frontal), com
hemiparesia/hemiplegia e perda hemissensorial do lado oposto à lesão cerebral, acometendo
principalmente o membro inferior.
- artéria cerebral média:hemiparesia homônima, hemiparesia/hemiplegia e perda hemissensorial
do lado oposto à lesão cerebral, acometendo principalmente o membro superior, além do
comprometimento da linguagem (afasia de compreensão e afasia de expressão).
- artéria cerebral posterior: agnosia visual, hemiparesia/hemiplegia contralateral à lesão cerebral
e hemianopsiahomônima.
Fig. 2 – Polígono de Willis.
7. Diagnóstico:
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História clínica;
exames complementares (TC, RM, Angiografia eLCR);
exame topográfico;
8. Tratamento clínico: eliminação do fatordesencadeante.
9. Tratamentofisioterápico:
Fase aguda- hospitalar (fisioterapia respiratória, fisioterapia motora: posicionamento, mudança
de decúbito, inibição ou estimulação correta do tônus muscular, cinesioterapia passiva, ativa
assistida e ativa livre, preparação para sedestação e bipedestação, se possível).
Fase crônica- fase ambulatorial (fisioterapia respiratória, se necessário; fisioterapia motora: uso
das técnicas terapêuticas dependendo do quadro motor do paciente. Técnicas: Conceito
Neuroevolutivo Bobath, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva-FNP, Hidrocinesioterapia,
Cinesioterapia Convencional)
TROMBOSE
É o processo Patológico caracterizado pela
solidificação do sangue dentro dos vasos ou do
coração, do individuo vivo.
TROMBO
É a massa sólida formada pela coagulação do sangue.
COÁGULO
Massa não estruturada de sangue fora dos vasos ou do
coraçãoEtiopatogênese
ta da ativação patológica do processo normal da coagulação sangüínea, que pode ocorrer quando
existe:
1) Lesão endotelial
2) Alteração do fluxosangüínea
3) Hipercoagulabilidade do sangue Lesão endotelial
Principais causas
Placa ateromatosa Hipertensão arterial Hipercolesterolemia
Diabete melito Tabagismo
Infecções agudas (endotoxemia) Inflamações generalizadas
Reperfusão
Pré-eclâmpsia
Alteração do Fluxo
Duas situações favorecem a trombose
1)RETARDAMENTO SANGÜÍNEO
Insuficiência cardíaca
Dilatação vascular
Aumento do hematocrito
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Aumento da viscosidade do sangue ou redução da contração (Bomba) muscular
(Especialmente em pacientes acamados)
Hipercoagulabilidade
Pode ser por:
1) Aumento do numero e da função plaquetária.
2) Alterações dos fatores pró- ou anticoagulante (congênitas ou adquiridas).
Adquiridas : politraumatismo,cirurgias extensas, queimaduras , grandes cirurgias,
anticoncepcionais, fumo, entre outros)
Classificação dos trombos
Quanto ao aspecto e estrutura
Misto;
Branco
Vermelho
hialinoQuanto a presença de germes
Asséptico;
Séptico.
Quanto a sede
Cardíacos ou arteriais;
Venosos e capilares.
Quanto ao modo de implantação
Autóctones;
Progressivos.
Evolução dos trombos
Crescimento: Cabeça- Cauda sendo a principal causa de oclusãovascular
Lise:Dissolução do trombo
Organização
Calcificação
Infecção
Embolização
COAGULAÇÃO INTRA VASCULAR DISSEMINADA
Conceito
• Fatores predisponentes da coagulação Intravascular disseminada
Agentes infecciosos
Septicemia / Malária(P.Falciparum)
Complicaçõesobstétricas
Embolia do líquidoamniótico
Deslocamento prematuro daplacenta
Mortefetal
Choque
Destruiçãotecidual
Traumatismoextenso
Queimaduras
Neoplasias malignas (tumores mucosecretores – leucemias)
Toxinas (venenos de serpentes)
Embolia
Consiste em um corpo sólido, líquido ou gasoso (êmbolo) transportado pelo sangue e capaz de
obstruir um vaso.
90 % originados dos trombos (troboembolia)
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Tipos de Embolias
Tromboembolia
Tromboemboliaarterial
Embolia do líquidoamniótico
Embolia GasosaArterial
Emboliaarterial
Emboliatumoral
EmboliagordurosaISQUEMIA:
Etimologia:
GR. "ischaimos" = detenção sangüínea; "iskho" = deter + "haima" = sangue Conceito:
Deficiência no aporte sangüíneo a determinado órgão ou tecido por diminuição da luz de
artérias, arteríolas ou capilares. A isquemia pode ter como conseqüência o infarto branco
ou isquêmico.
Etiopatogenia:
Causas funcionais:
Espasmo vascular (dor e frio)
Hipotensãoacentuada;
Hemoglobina alterada (carboxihemoglobina);
Causasmecânicas:
Compressão vascular (neoplasias, fragmentos ósseos,
Calos ósseos, hematomas, abscessos, cicatrizes);
Obstrução vascular (trombose, embolia);
Espessamento da parede vascular com diminuição da luz (arteriolosclerose, arterites).
Conseqüências depende de:
• Velocidade com que se instala (lenta ou rápida);
• Grau de redução do calibre da artéria afetada (total ou parcial);
• Vulnerabilidade do tecido;
• Eficiência da circulaçãocolateral.
LESÕES DE REPERFUSÃO:
Conceito:
• Série complexa de alterações regressivas que se instalam nos tecidos pré isquemicos, após a
restituição do fluxo sangüíneo, principalmente quando associado à reperfusão ocorre produção de
radicais livres e infiltração neutrofílica, que paradoxalmente lesa esses tecidos, muitas vezes até
mais do que se a isquemia fosse mais prolongada e seguida de reperfusão menosintensa.
•
“Infarto é uma área circunscrita de necrose tecidual causada por isquemia absoluta
prolongada devida a distúrbio da circulação arterial ou venosa".
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Infarto branco
Obstrução arterial em órgãos sólidos como coração, rins e baço que possuem circulação terminal
(pouca circulação colateral).
Infarto vermelho
Área avermelhada devido à intensa hemorragia. Em órgãos frouxos (ex : pulmão) com rica
circulação colateral. Causa: obstrução arterial ou venosa.
CHOQUE
Define-se como choque a condição fisiopatológica caracterizada clinicamente por hipotensão
severa, pressão arterial sistólica menor que 90 mmhg, ou ainda sistólica menor que 30 mmhg do
basal conhecido,capaz de desencadear respostas clínicas variáveis na dependência de má
perfusãoe lesão tecidual Ou ainda a Insuficiência Circulatória Instalada com lesão tissular.
Didaticamente foi divido em três modalidades que podem também associar-se.São elas:
Cardiogênico, Séptico e Hipovolêmico.
Tipos e Classificação Cardiogênico
O Cardiogênico é definido como alteração cárdio-vascular em que o principal evento é a falência
parcial ou total da função miocárdica.
Sendo o coração caracterizado como bomba de ejeção capaz de produzir pressão e consequente
fluxo, a circulação sanguínea é dependente totalmente da integridade cardíaca. As causas clínicas
mais comuns são: IAM, miocardiopatia avançada, tamponamento pericárdico e valvulopatia ( EA ).
Séptico
O séptico é caracterizado através da presença de agente patológico identificado ou não, capaz de
produzir respostas sistêmicas, incluindo hipotensão severa, danos teciduais, e estado clínico
infeccioso grave associado. Os agente mais comum é a bactéria, porém vírus, fungos e
protozoários podem desencader a síndrome séptica.
Infecção: Resposta inflamatória tecidual à presença de microorganismo. Bacteremia: Presença de
Bactéria no sangue.
Sepse: Resposta sistêmica à infecção. Choque séptico: Sepse com hipotensão Caracterização do
Choque séptico:
• Temperatura: < 36 C ou > 38 C ,
• FC > 90 bat/min , FR > 22,
• Leucócitos < 4000 ( leucopenia ) ou > 12000 ( leucocitose).
Hipovolêmico
Hipovolêmico refere-se à situação clínica em que há evidência de diminuição importante do
volume intravascular em situações como distúrbio hidroeletrolítico grave e hemorragias. A volêmia
total é avaliada em 70 ml/kg ( por volta de 5 litros ), a perda de 20% deste valor é suficiente para
desencadear quadro hipovolêmico instável.
Sinais Clínicos do Choque
O choque é caracterizado por sinais e sintomas clínicos típicos:
Hipotensão asssociada a taquicardia, taquipnéia,
Diminuição do débito urinário
Rebaixamento do nível deconsciência. São os sintomas mais evidentes.
A hipotensão reflete a possibilidade de ofertar oxigênio e nutrientes ao tecido, portanto
desencadeando mau funcionamento dos órgãos vitais, poupando ao máximo o tecido cerebral.
Em quadros típicos o paciente em choque instalado encontra-se com:
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• Palidez cutâneo-mucosa,
• Sudorese fria e confuso.
• À monitorização observa-se diminuição da saturação o que impõe ofertar O2 através de
catéteres ou máscara.
Para distinguir os diferentes tipos de choque, a história clínica e dados de exame fornecem
elementos para definição que pode não ocorrer em mais de 50% dos casos.
• A presença de febre e infecção prévia leva apensar em situação séptica
• Precordialgia associada a hipotensão leva a pensar em origem cardiogênica.
• Não é simples determinar o tipo de choque, porém cabe ao médico e paramédico tratar os
sintomas do choqu