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A mutação é a fonte básica de toda a variabilidade genética M A recombinação apenas rearranja a variabilidade em novas combinações M A seleção natural (ou artificial) simplesmente preserva as combinações mais bem adaptadas às condições ambientais existentes ou às desejadas pela espécie humana M Também pode ocorrer no nível dos cromossomos, tanto pela alteração do seu número quanto da sua estrutura M Ex: Síndrome de Down, causada pela presença de um cromossomo inteiro a mais (21 na espécie humana e 22 no chimpanzé) Classificação das mutações M Gênicas: alteram a sequência de nucleotídeos do DNA, por substituição, adição ou remoção de bases. Podem conduzir à modificação da molécula de RNAm que é transcrita a partir do DNA e, consequentemente, à alteração da proteína, o que tem, geralmente, efeitos no fenótipo M Cromossômica: traduzem-se numa alteração da estrutura (mutação cromossômica estrutural) ou do número (mutação cromossômica numérica) de cromossomas. Podem afetar uma determinada região de um cromossoma, inteiro ou todo o complemento cromossômico de um indivíduo As mutações podem ocorrer em células somáticas ou germinativas M Mutação somática: ocorre durante a replicação do DNA que precede uma divisão mitótica. Todas as células descendentes são afetadas, mas podem localizar-se apenas numa pequena parte do corpo. Não são transmitidas à descendência do indivíduo, mas podem gerar câncer M Mutação nas células germinativas: ocorre durante a replicação do DNA que precede a meiose. A mutação afeta os gametas e todas as células que deles descendem após a fecundação, pode ser transmitida à descendência. Dependerá se a mutação é recessiva ou dominante Tipos de mutações gênicas Por substituição (ou mutação de ponto): alteração em um único par de bases, pela substituição de um par de bases por outro M A frequência desses erros é muito baixa M A troca pode resultar em outro trio que codifica o mesmo aminoácido, nesse caso a mutação é “silenciosa” M Mas em 70 a 75% dos casos a troca de uma base resulta em um trio que codifica um aminoácido diferente do original M Um erro desse tipo pode ser copiado no RNAm e, assim, alterar a sequência de aminoácidos de uma proteína, que pode vir a ter suas propriedades alteradas, como consequência da sua estrutura alterada Exemplos Citrulinemia em bovinos (raça Holstein) M Bezerros nascem normais, mas, com 24h, param de mamar, passar a andar sem rumo, a pressionar a cabeça e ter convulsões. Morte aos 5 dias de vida M Ocorre por deficiência da enzima arginino-succionato-sintetase (por mutação de ponto, que resulta no polipeptídio incompleto) enzima do ciclo da ureia M Essa deficiência é causada por herança autossômica recessiva em bovinos M Diagnóstico = verificação dos níveis de aminoácidos no sangue e na urina É autossômica porque é um cromossomo que não é responsável pelo sexo Delação, inserção ou duplicação de bases: quando múltiplos de três, resultam na deleção, na inserção ou na duplicação de aminoácidos na proteína codificada. Quando não são múltiplos de três, ocorre alteração na leitura, e o resultado é uma proteína sem função biológica M Inserção: ocorre pela adição de um ou mais nucleotídeos na sequência de DNA. Inserções na região codificadora de um gene podem alterar o processamento por splicing no RNAm, ou causar mudança no quadro de leitura dos códons. Ambas alterações podem alterar significativamente o produto gênico M Delação: Há a remoção de um ou mais nucleotídeos da sequência de DNA. Assim como inserções, essas mutações podem modificar o quadro de leitura do gene. Geralmente elas são irreversíveis M Dinâmica ou instável: consiste na repetição de sequências de três bases – amplificação ou expansão de trios (trinucleotídeos). Geralmente causam doenças neurodegenerativas, como a doença de Huntington - Herança autossômica dominante - A mutação ocorre no cromossomo 4 - Causa movimentos corporais anormais e perda progressiva de memória Nem sempre a alteração de uma proteína resulta em um fenótipo anormal – muitas proteínas podem existir em duas ou mais formas normais, relativamente comuns M Essa situação chama-se polimorfismo A incorporação de nucleotídeos errados na duplicação do DNA, bem como erros de transcrição, está sempre ocorrendo ao acaso. As células tem mecanismos de “reparo de DNA”: um conjunto de enzimas que atuam em sequência para remover bases erradas, inserir as corretas e reunir extremidades quebradas. Quando esses mecanismos de reparo falham, ai sim a informação genética fica alterada Mutações podem ser espontâneas ou induzidas Espontâneas: ocorrem ao acaso M Cada gente tem uma taxa de mutação característica, ou seja, em cada n cópias, uma sairá errada M Tautomerismo das bases – as formas enol e imino são menos estáveis que as formas ceto e amino, e existem por curto período de tempo, mas se acontecer de existirem no momento da incorporação ao DNA, pode ocorrer pareamento A-C e T-G, resultando em mutação Induzidas: por agentes ambientais, como radiação ionizante penetrante e nêutrons de reatores nucleares (agentes físicos) e gás mostarda, formaldeído e ácido nitroso (agentes químicos) M Os agentes mutagênicos produzem mutações apenas nas células em que atuam diretamente sobre o núcleo: a radiação ultravioleta, por exemplos, não causa mutações nos gametas de muitos organismos, porque não pode penetrar até eles M Em geral os agentes mutagênicos não são específicos para determinado loco, ou grupo de locos, mas alguns interagem ´preferencialmente com determinadas bases, prejudicando assim os genes mais ricos nessas bases Mutagênicos químicos Podem agir sobre o material genético de várias maneiras M Quebrando o DNA M Intercalando-se entre bases M Tomando o lugar de base correta e, assim alterando o pareamento no ciclo de duplicação seguinte M Causando a desaminação oxidativa de adenina, citosina e guanina Mutagênicos físicos M O aumento da temperatura causa a quebra das ligações entre os átomos M A temperatura é um agente mutagênico cuja ação é discutida principalmente em relação as células germinativas dos machos de mamíferos: os testículos não tem um isolamento térmico tão eficiente quanto o dos ovários M As células que estão se dividindo ativamente são mais sensíveis às radiações ionizantes M Por isso, tumores que não podem ser retirados são expostos à radiação, para que as células cancerosas sejam mortas (radioterapia) M Mesmo níveis muito baixos de radiação têm a probabilidade (baixa, mas real) de induzir mutações M Não existe dose inofensiva em termos genéticos M Os raios ultravioletas da luz do sol têm pouca energia e não penetram no tecido o suficiente para expor as gônadas ou as células germinativas M A luz ultravioleta é mutagênica para organismos unicelulares e também para as células superficiais dos organismos multicelulares, como a pele Doses elevadas de radiação destroem: M Hemácias, resultando anemia M Leucócitos, afeta o sistema imunológico M Plaquetas, causa hemorragias M Células da mucosa bucal e dar paredes do intestino e do estômago, causando diarreias e vômitos As mutações podem ocorrer tanto em células somáticas como nas germinativas M Uma mutação que ocorra em célula germinativa poderá ser descoberta quando essa célula se tornar gameta e transmitir a mutação para a geração seguinte M As mutações em células somáticas não têm importância genética, mas podem resultar em alterações que originam vários tipos de câncer Mutações e Câncer M A maioria dos agentes mutagênicos, como radiações ionizantes, luz ultravioleta e produtos químicos, também sãocarcinogênicas, isto é, indutora de câncer. A correlação entre mutagenicidade e carcinogenicidade é maior que 90% M O tumor maligno, ou câncer, não é uma única doença: são várias doenças diferentes, dependendo do local no organismo, do tipo de tecido e do grau de malignidade (capacidade de se espalhar) M Mas todos os tipos de câncer têm em comum o descontrole das divisões celulares e o fato desse descontrole resultar de mutações, alterações do DNA Quando as células se multiplicam de maneira anormal, pode resultar: M Tumor benigno: cresce até determinado tamanho a para (ou até mesmo regride). Ex: pólipos e verrugas M Tumor maligno: apresenta crescimento ilimitado, capacidade de se infiltrar e destruir tecidos normais e também de se espalhar por todo o organismo (metástase). Os tumores malignos existem em todas as espécies animais. Vírus oncogênicos: são aqueles que possuem genes que induzem a divisão celular e que são transcritos na célula hospedeira. Esse vírus pode ser de DNA ou de RNA M Outros cânceres não tem causa ambiental e são familiais: indivíduos biologicamente aparentados de um afetado tem predisposição maior ao câncer do que a população geral M Em qualquer desses casos, o início do câncer são mutações que ocorrem em uma célula e que afetam dois tipos de genes: os antiocogenes (supressores de tumor) e os protoncogenes (genes normais que podem se transformar em oncogene após mutação) Oncogene: gene capaz de causar transformação cancerosa e formação de tumor em células animais (promove a divisão celular) Antiocogenes: supressores de tumor M Função normal é evitar o crescimento descontrolado das células. Quando um deles sofre mutação, ou é deletado, pode-se ter início à formação de um tumor M p53, responsável por vários cânceres, principalmente os de bexiga, mamas e pulmão. Tem várias funções como: iniciar um processo de apoptose, agir como ativadora ou repressora da transcrição, controlar a progressão da fase G1 para a fase S e promover o reparo de DNA danificado. Muitas mutações conhecidas na p53 interferem na sua ligação ao DNA, assim, na sua função Proto-oncogenes: genes normais que estimulam o crescimento a diferenciação celular M Quando o proto-oncogene sofre uma mutação, transforma-se em um oncogene, que então passa a estimular o crescimento maligno M A forma oncogene codifica uma proteína que inicia a cascata de divisão celular, mesmo quando o fator de crescimento não está ligado ao receptor da superfície celular M Podem ser transformados em oncogenes por mutação por inserção ou mutação de ponto M Se bastasse apenas uma mutação, o câncer seria muito mais frequente. Na verdade, são necessários vários eventos ou “coincidências” Relembrar M O alelo é uma das diversas formas de um certo gene, ocupando uma posição num certo cromossomo, conhecida por lócus M Nos organismos diploides (que possuem pares de cromossomos homólogos nas suas células somáticas) estão presentes duas cópias do mesmo gene (alelo paterno e materno) Genótipo: constituição genética de um organismo Fenótipo: características observáveis de um organismo As mutações nem sempre alteram o fenótipo M Substituições sinônimas: não alteram o aminoácido (não há mudança na proteína) M Mutações em regiões não codificadoras: os genomas podem apresentar regiões que não são genes. Por exemplo, 95% do genoma humano é composto por regiões não codificadoras Efeitos fenotípicos das mutações M Variam de alterações leves passando por alterações morfológicas grosseiras, até a letalidade M Um gene geralmente codifica uma proteína específica. Toda mutação que ocorre em um determinado gene produz um novo alelo daquele gene M As mutações podem ser recessivas ou dominantes. Teratogênese M Teratógeno é qualquer agente capaz de produzir uma malformação em um feto em gestação. A maioria dos teratógenos conhecida são agentes infecciosos ou drogas