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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Olá amigos! Quero propor um desafio! Vamos estudar para o tão esperado concurso do Tribunal de Contas da União1 (TCU)? Os salários de R$ 9.144,04 para o cargo de Analista de Controle Externo chamam bastante atenção... e com certeza, não somente a sua! Mas também a de milhares de brasileiros que sonham com a aprovação em um concurso público. Nosso tempo é curtíssimo! O edital foi lançado dia 20 de julho e as provas serão realizadas dia 29 de setembro. Não temos nenhum tempo a perder! É hora de acelerar! Lembrem-se do que já dizia Mark Twain: “O segredo de progredir é começar. O segredo de começar é dividir as tarefas árduas e complicadas em tarefas pequenas e fáceis de executar, e depois começar pela primeira.” Vamos começar nossa tarefa? Vamos estudar? Vamos praticar? Vamos testar nossos conhecimentos? O Jornal O GLOBO deste último domingo no Rio de Janeiro trouxe em uma de suas principais manchetes o seguinte título: “Os craques dos concursos”, falando sobre os chamados concurseiros, gente que estuda e passa em vários processos de seleção. Segundo a matéria divulgada neste jornal, os concurseiros são uma legião de candidatos a empregos em empresas e órgãos públicos que, segundo cálculos da Associação Nacional de Proteção aos Concursos (Anpac), reúne 500 mil pessoas em todo o país. O que você acha sobre essas pessoas? São gênios, aliens? Não. São pessoas comuns, como você, que simplesmente se dedicam e se esforçam verdadeiramente em prol de seus objetivos. Estudam arduamente, fazem vários cursos, lêem vários livros, respondem vários exercícios, refazem provas anteriores... ou seja, não estão para brincadeiras! Você pode ter sucesso se realmente desejar e se comprometer com ele! Faça a sua parte! 1 Você sabe qual é o papel do TCU conferido pela Constituição Federal de 1988? Auxiliar o Congresso Nacional no exercício do controle externo. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 2 Nosso curso tratará da parte referente à Administração Pública, e será teórico e prático, ou seja, iremos estudar de forma simplificada a teoria e praticá-la em exercícios por meio de questões de concursos anteriores elaboradas pelo CESPE/UNB, que será a banca realizadora deste concurso. Vale ressaltar que sempre que não encontrarmos um vasto material sobre algum assunto a ser abordado elaborado pelo CESPE/UNB, para que seu estudo não seja prejudicado, usaremos questões de outras bancas para fins de complemento. Conforme sugestão de vários alunos ao longo dos diversos cursos que já ministramos no PONTO, iremos enfatizar o curso na realização de bastantes exercícios para que os conceitos possam ficar bem fixados e as dúvidas que apareçam possam ser sanadas. O curso será composto de 6 (seis) aulas on-line, onde trataremos sobre os seguintes assuntos: 1. Estruturação da máquina administrativa no Brasil desde 1930: dimensões estruturais e culturais. 2. As reformas administrativas e a redefinição do papel do Estado. Reforma do Serviço Civil (mérito, flexibilidade e responsabilização) e Plano Diretor para a Reforma do Aparelho do Estado de 1995. 3. Administração pública: do modelo racional-legal ao paradigma pós- burocrático. O Estado oligárquico e patrimonial, o Estado autoritário e burocrático, o Estado do bem-estar, o Estado regulador. 4. Estrutura e estratégia organizacional. 4. Cultura organizacional e mudança no setor público. Convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada. O paradigma do cliente na gestão pública. 5. Empreendedorismo governamental e novas lideranças no setor público. Processos participativos de gestão pública: conselhos de gestão, orçamento participativo, parceria entre governo e sociedade. & Testar os conhecimentos é uma das melhores formas de se preparar! ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 3 6. Governo eletrônico. Transparência da administração pública. Controle social e cidadania. 7. Novas tecnologias de gestão (reengenharia, qualidade, planejamento estratégico, Balanced ScoreCard) e tecnologias da informação e comunicação: impactos sobre a configuração das organizações públicas e sobre os processos de gestão. 8. Excelência nos serviços públicos. Gestão por resultados na produção de serviços públicos. Gestão de Pessoas por Competências. 9. Comunicação na gestão pública e gestão de redes organizacionais. 10. Administração de pessoal. Noções de SIAPE. 11. Administração de compras e materiais: processos de compras governamentais e gerência de materiais e estoques. Noções de SIASG. Vale ressaltar que a ordem do conteúdo a ser apresentado ficará a cargo da minha experiência como Professor. A formatação foi preparada para que você se sinta apto e estimulado a compreender e aproveitar da maneira adequada tudo o que lhe for apresentado, sentindo-se confiante a fazer uma boa prova sem nervosismos. É importante que você não sinta vergonha em expor suas dúvidas no nosso “fórum de debates”, uma vez que a dúvida de hoje pode aparecer em forma de questão no dia da prova! Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os professores gostam muito de responder às dúvidas dos alunos, porque provam que eles estão estudando e se esforçando para fazer o seu melhor. Acerte no alvo! O fórum é uma das principais vantagens de um curso on-line. Em uma sala de aula, a troca de experiência tende a ser limitadíssima. Mas, quando se colocam as pessoas em um fórum de discussão, não existe inibição. É chato pedir a palavra para o professor e falar uma besteira. Entretanto, escrever uma besteira no fórum ninguém liga: faz parte do processo de aprendizagem. Esse talvez seja o principal ganho, o principal bônus. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 4 Porque sei que você tem muitas matérias para estudar e não pode perder tempo, minha grande missão é facilitar sua vida, de forma que você estude a coisa certa e da maneira certa. Antes de começar, para os que ainda não me conhecem, permitam-me uma breve apresentação! Meu nome é José Carlos Oliveira de Carvalho. Sou mestre em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (área de concentração: Auditoria). Especialista em Docência Superior pela FABES, graduei-me em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Atualmente, sou auditor- geral e técnico-pericial chefe (área contábil) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, cedido pelo Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, onde sou auditor (concursado). Já ocupei os cargos de auditor- fiscal (concursado), de oficial do exército e de técnico em contabilidade (concursado) na Prefeitura do Rio de Janeiro. Leciono na Fundação Getúlio Vargas - FGV, e no Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro – CRCRJ. Também sou auditor independente e consultor de empresas no Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Brasília. Há mais de 7 (sete) anos dedico grande parte do meu tempo em preparar candidatos para concursos. Comecei no Rio de Janeiro em 1999 e rapidamente passei a ministrar em diversos cursos preparatórios para concursos em mais de vinte capitais brasileiras as cadeiras de contabilidade geral, de custos, avançada e pública, administração geral e pública, recursos humanos, materiais, orçamento empresariale público, auditoria e perícia contábil. Minhas contribuições aos concurseiros incluem, ainda, dois livros de minha autoria publicados pela Editora Campus da Série Provas e Concursos: “Auditoria Geral e Pública – Teoria e Questões Comentadas” e “Orçamento e Finanças Públicas – Teoria e Questões Atuais”. Conforme vocês podem conferir nos “agradecimentos”, participei da obra “Administração Geral e Pública” do reconhecido autor Idalberto Chiavenato, também publicada pela Editora Campus da Série Provas e Concursos. Vamos começar? Preparados? ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 5 Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, não podendo ser repassado a terceiros, em caráter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e-mail ou qualquer outro meio de transmissão sob risco de violação do estabelecido na Lei n. º 9.610/1998 e no Código Penal. Desde já agradecemos a compreensão e estamos abertos para qualquer dúvida ou pendência, tanto sobre o material quanto para qualquer outro assunto relacionado ao concurso em questão. AULA DEMONSTRATIVA Nesta aula demonstrativa, comentaremos um pouco sobre as Formas de Administração Pública para que você possa conhecer meu trabalho e ter uma idéia de como serão ministradas as próximas 6 aulas que teremos. A explicação detalhada dos assuntos abordados nesta aula poderão ser encontrados durante nosso curso. Nos veremos por lá! Introdução: Em uma época de complexidades, mudanças e incertezas como a que atravessamos hoje, a Administração tornou-se uma das mais importantes áreas de atividade humana. Vivemos em uma civilização onde o esforço cooperativo do homem é a base fundamental da sociedade. Sendo assim, a tarefa básica da Administração é a de fazer coisas por meio de pessoas. Você sabe o que é Administração? A origem da palavra acentua que administração vem de: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 6 (Lembre-se de que daí vem ministério, ministrar) Quando você se eleva, comanda, lidera passa a ter subordinados. Você se eleva (lidera) em direção a uma empresa, organização. No mundo atual já não sobressaem os países dotados de tamanho ou vastidão territorial, possuidores de recursos naturais ou de imensas jazidas de matérias-primas. Hoje o negócio é outro. Os países mais bem-sucedidos são aqueles dotados de conhecimento e tecnologia e que sabem agregar valor e competir com produtos e serviços de melhor qualidade e menor preço. Custos baixos e elevada produtividade. Qualidade e Competitividade. Seja através de organizações públicas, privadas ou do terceiro setor, são as organizações que levam um país para a frente, e as próprias organizações dependem de administradores competentes e talentosos. É que a solução de muitos dos complexos problemas que afligem o mundo moderno reside hoje na administração, ou seja, na capacidade de gerir, aglutinar e utilizar recursos escassos, e fazê-lo de forma cada vez melhor, rumo à excelência. Isso é feito através de organizações que devem ser adequadamente administradas de maneira a extrair resultados extraordinários dos recursos utilizados. Neste cenário, avulta a figura do administrador, imprescindível no sucesso organizacional, e por decorrência, no êxito de cada país. Administrar significa interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional, por meio do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada (eficiente). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 7 Formas de Administração Pública: A Administração Pública constitui um importante segmento da ciência da Administração. Ela representa o aparelhamento do Estado e funciona como o instrumento do governo para planejar, organizar, dirigir e controlar todas as ações administrativas, no sentido de dar plena e cabal satisfação das necessidades coletivas básicas. Como dizia Weber, a Administração Pública envolve todo o aparato administrativo com que nações, estados e municípios de moldam para cuidar do interesse coletivo e entregar à população uma ampla variedade de serviços públicos capazes de melhorar a qualidade de vida em geral. No fundo, o progresso e o desenvolvimento de uma nação passam obrigatoriamente pela Administração. Como bem lembrava Peter Drucker, não existem países ricos nem países pobres, mas sim países bem-administrados e países mal-administrados. Daí, a amplitude e grandeza com que se apresenta a Administração Pública. Para podermos entender melhor o que é a Administração Pública, vamos fazer uma breve reflexão sobre a Administração Pública no Brasil. Historicamente, a Administração Pública evoluiu através de três modelos básicos: 9 Patrimonialista 9 Burocrática 9 Gerencial humanos materiais financeiros informação tecnologia ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 8 Nesta aula demonstrativa, iremos apenas conceituar estes modelos: Administração Pública Patrimonialista - No patrimonialismo, o aparelho do Estado funciona como uma extensão do poder do soberano, e os seus auxiliares, servidores, possuem status de nobreza real. Os cargos são considerados prebendas2. A res publica não é diferenciada da res principis, ou seja, é uma forma da administração pública que se caracteriza pela privatização do Estado, pela interpermeabilidade dos patrimônios público e privado. O príncipe não faz clara distinção entre patrimônio público e seus bens privados. Assim, o patrimonialismo não se baseia na salvaguarda (proteção) do patrimônio público em relação aos interesses privados, muito pelo contrário, se baseia na malversão do patrimônio público. Em conseqüência, a corrupção e o nepotismo são inerentes a esse tipo de administração. No momento em que o capitalismo e a democracia se tornam dominantes, o mercado e a sociedade civil passam a se 2 Prebendas são benefícios fáceis. Dica: Esses três modelos são muito cobrados em concursos. Fique atento! Eles se sucedem no tempo sem que qualquer um deles seja totalmente abandonado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 9 distinguir do Estado. Neste novo momento histórico, a administração patrimonialista torna-se uma exorbitância inaceitável. Administração Pública Burocrática - Surge na segunda metade do século XIX, na época do Estado liberal, como forma de combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista. Vargas optou pela adoção de um modelo que pautasse pelo controle minucioso das atividades-meio. Para botar “ordem na casa” buscou referências no modelo burocrático idealizado por Max Weber, acreditando que a burocracia, dado seu caráter rígido e hierarquizado poderia ordenar a máquina administrativa. Dica: Está aí o 1º modelo estruturado de Administração Pública no Brasil! Constituem princípios orientadores do seu desenvolvimento a profissionalização, a idéia de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional-legal. Oscontroles administrativos visando evitar a corrupção e o nepotismo são sempre a priori. Parte-se de uma desconfiança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos que a eles dirigem demandas. Por isso são sempre necessários controles rígidos dos processos, como por exemplo na admissão de pessoal, nas compras e no atendimento a demandas. Fique de olho: Prebendas e sinecuras são formas patrialistas de ocupação. Isto significa empregos que exigem pouco ou nenhum trabalho de quem o exerce. Cargo público concedido por nepotismo, a título de troca de favores políticos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 10 Por outro lado, o controle - a garantia do poder do Estado - transforma- se na própria razão de ser do funcionário. Em conseqüência, o Estado volta-se para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica, que é servir à sociedade. A qualidade fundamental da administração pública burocrática é a efetividade no controle dos abusos; seu defeito, a ineficiência, a auto-referência, a incapacidade de voltar-se para o serviço aos cidadãos vistos como clientes. Este defeito, entretanto, não se revelou determinante na época do surgimento da administração pública burocrática porque os serviços do Estado eram muito reduzidos. O Estado limitava-se a manter a ordem e administrar a justiça, a garantir os contratos e a propriedade. Importante: Se a burocracia tivesse funcionado, em tese as práticas patrimonialistas teriam sido suprimidas, o que parece não ter acontecido... São características da Burocracia: Normas e regulamentos, formalidade das comunicações, racionalidade e divisão do trabalho, impessoalidade nas relações, hierarquização da autoridade, rotina e procedimentos estandardizados, competência técnica e meritocracia, separação da propriedade, previsibilidade do funcionamento, etc. Dica: O conceito de burocracia para Max Weber é a organização eficiente por excelência e para conseguir essa eficiência, a burocracia precisa detalhar antecipadamente e nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 11 Em nosso dia-a-dia, passamos a chamar de burocracia os defeitos do sistema, ou seja, suas disfunções, que foram o exagerado apego aos regulamentos, excesso de formalismo, resistência à mudanças, despersonalização do relacionamento, superconformidade às rotinas e procedimentos, etc. Administração Pública Gerencial - Emerge na segunda metade do século XX, como resposta, de um lado, à expansão das funções econômicas e sociais do Estado, e, de outro, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial, uma vez que ambos deixaram à mostra os problemas associados à adoção do modelo anterior. A eficiência da administração pública - a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como beneficiário - torna-se então essencial. A reforma do aparelho do Estado passa a ser orientada predominantemente pelos valores da eficiência e qualidade na prestação de serviços Burocracia: bom ou ruim? A burocracia (na teoria) é a organização perfeita por excelência, pois consegue prever todas as ocorrências possíveis e preparar a organização para enfrentá- las. As pessoas têm maiores benefícios em função de sua competência e dedicação, etc. Infelizmente, na prática apresentou alguns problemas: se levarmos em consideração suas características e exacerbá-las, há o risco de tornarem-se defeitos (excesso de apego às normas, substituição dos fins pelos meios, etc). Há, portanto, dois enfoques: na teoria (ótima, portanto) e na prática (normalmente sinônimo de ineficiência). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 12 públicos e pelo desenvolvimento de uma cultura gerencial nas organizações. Dica: O chamado “modelo gerencial” começa a ser implantado em 1995, durante o governo FHC, com a edição do “Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado”. A administração pública gerencial constitui um avanço e até um certo ponto um rompimento com a administração pública burocrática. Isto não significa, entretanto, que negue todos os seus princípios. Pelo contrário, a administração pública gerencial está apoiada na anterior, da qual conserva, embora flexibilizando, alguns dos seus princípios fundamentais, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, a existência de um sistema estruturado e universal de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho, o treinamento sistemático. Na administração pública gerencial a estratégia volta-se: para a definição precisa dos objetivos que o administrador público deverá atingir em sua unidade, para a garantia de autonomia do administrador na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados à disposição para que possa atingir os objetivos contratados, e para o controle ou cobrança a posteriori dos resultados. Adicionalmente, pratica-se a competição administrada no interior do próprio Estado, quando há a possibilidade de estabelecer concorrência entre unidades internas. No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a redução dos níveis hierárquicos tornam-se essenciais. Em suma, afirma-se que a administração pública deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil e deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins). A diferença fundamental está na forma de controle, que deixa de basear-se nos processos para concentrar-se nos resultados, e não na rigorosa profissionalização da administração pública, que continua um princípio fundamental. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 13 A administração pública gerencial inspira-se na administração de empresas, mas não pode ser confundida com esta última. Enquanto a receita das empresas depende dos pagamentos que os clientes fazem livremente na compra de seus produtos e serviços, a receita do Estado deriva de impostos, ou seja, de contribuições obrigatórias, sem contrapartida direta. Enquanto o mercado controla a administração das empresas, a sociedade - por meio de políticos eleitos - controla a administração pública. Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro privado, para a maximização dos interesses dos acionistas, esperando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendido, a administração pública gerencial está explícita e diretamente voltada para o interesse público. Neste último ponto, como em muitos outros (profissionalismo, impessoalidade, etc.), a administração pública gerencial não se diferencia da administração pública burocrática. Na burocracia pública clássica existe uma noção muito clara e forte do interesse público. A diferença, porém, está no entendimento do significado do interesse público, que não pode ser confundido com o interesse do próprio Estado. Para a administração pública burocrática, o interesse público é freqüentemente identificado com a afirmação do poder do Estado. Ao atuarem sob este princípio, os administradores públicos terminam por direcionar uma parte substancial das atividades e dos recursos do Estado para o atendimento das necessidades da própria burocracia, identificada com o poder do Estado. O conteúdo das políticas públicas é relegado a um segundo plano. A administração pública gerencial negaessa visão do interesse público, relacionando-o com o interesse da coletividade e não com o do aparato do Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 14 Veja como esse assunto pode ser cobrado em sua prova: Questão 01: (UnB/CESPE – TSE – Analista Judiciário – Administrativa – 2006) A administração pública gerencial A) é uma resposta, de um lado, à expansão das funções econômicas e sociais do Estado e, de outro, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial. B) surge na época do Estado liberal, como forma de combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista. C) é baseada no efetivo controle dos abusos mas possui defeitos como ineficiência, auto-referência e incapacidade de voltar-se para o serviço aos cidadãos, vistos como clientes. D) permite que o aparelho do Estado funcione como uma extensão do poder do soberano, e os seus auxiliares, servidores, possuam status de nobreza real. A corrupção e o nepotismo são inerentes a esse tipo de administração. QUESTÃO 46 Conforme estudamos, a administração pública gerencial emerge na segunda metade do século XX, como resposta, de um lado, à expansão das funções econômicas e sociais do Estado, e, de outro, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial, uma vez que ambos deixaram à mostra os problemas associados à adoção do modelo anterior. Comentário às outras alternativas: b) Não. Surge posteriormente. A administração burocrática é quem surge para combater a corrupção. c) Os defeitos apontados são pertinentes à burocracia. d) A definição refere-se ao sistema patrimonialista. A administração pública gerencial vê o cidadão como contribuinte de impostos e como cliente dos seus serviços. Os resultados da ação do Estado são considerados bons não porque os processos administrativos estão sob controle e são seguros, como quer a administração pública burocrática, mas porque as necessidades do cidadão-cliente estão sendo atendidas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 15 01. Resp: A Agora, analise a questão abaixo: Questão 02: (UnB/CESPE – TSE – Analista Judiciário – Administrativa – 2006) De acordo com os paradigmas pós- burocráticos, os governos devem ser descentralizados, competitivos, orientados para o A) produto, empreendedores e basicamente consumidores de serviços. B) mercado, empreendedores e basicamente prestadores de serviços. C) mercado, empreendedores e basicamente consumidores de serviços. D) produto, empreendedores e basicamente prestadores de serviços. O gerencialismo (paradigma pós-burocrático) é orientado para o mercado, A idéia predominante é de que tudo deve ser transferido a este, a exceção das atividades exclusivas do Estado. Assim, atividades como comunicação, transporte e cultura devem ser gerenciados pelo mercado. O Estado ficará responsável por atividades indelegáveis, tais como: segurança, função judicante (justiça) e legislativa. Por fim, a idéia de Estado consumidor é superada, sendo incorporada a noção de Estado prestador de serviço. Esta ideologia foi considerada, inclusive, na formatação de nossa Carta Magna, quando da substituição da expressão “Funcionário Público” pela de “Servidor Público” (servir o cliente da administração pública: o cidadão). 02. Resp: B Pensamento da Semana: “Deixar tudo para amanhã é como usar um cartão de crédito: muito divertido... até que chegue o momento de receber a conta.” Christopher Parker ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 16 E então? Aceita o desafio? Então comece agora mesmo seus estudos e faça parte do nosso time de vencedores! Entenda que você precisa realmente querer estudar. Isso faz toda a diferença. Dedique seu tempo, atenção e concentração e não se preocupe em ser apenas mais um entre milhares de pessoas que estão se inscrevendo para a prova do concurso. Faça a sua parte. Se você quiser, você pode e será um grande vitorioso! Bibliografia: CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Administração Geral e Pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. GRANJEIRO, Wilson J. Administração Pública. Editora Vestcon. 10ª Edição – 2002. MINICUCCI, Agostinho. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo. Editora Atlas, 1995. Decreto nº 200/67 Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado Constituição de 88 Cadernos ENAP e MARE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Olá alunos! Sejam bem vindos ao curso! Antes de iniciarmos a aula, gostaria que vocês prestassem bastante atenção nas dicas abaixo. Tenho certeza que serão muito úteis! Dicas para melhor aproveitar seus estudos: De acordo com MINICUCCI, na leitura de um texto e na sua utilização como obra de estudo, convém seguir uma fórmula denominada VILER, que é a seguinte: V – Visão geral do texto I – Interrogação L – Leitura E – Expressão R – Revisão V – Visão geral Um primeiro passo para ler bem um texto (lição) é dar uma vista d´olhos geral no texto, nos objetivos de aprendizagem propostos e voltar a atenção no que se vai ler, antes de uma leitura mais demorada. Uma leitura rápida compreende a leitura dos títulos do capítulo, os subtítulos, verificação das gravuras, os gráficos e as ilustrações. Se houver resumo, convém lê-lo antes de ler o texto. Convém, passar os olhos sobre a bibliografia recomendada. Enfim, uma leitura rápida do texto para ter uma visão geral do assunto. I – Interrogação Nós lembramos as coisas quando elas têm um significado específico aos nossos interesses. A melhor maneira de tirar proveito acerca do que se está lendo é fazer perguntas, questionar e levantar interrogações sobre o texto. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 2 As perguntas ajudam a concentrar a atenção na matéria do texto. Ao buscar respostas às perguntas se consegue que a mente não fique divagando, já que o assunto nos envolveu. Assim: O que significa o título do capítulo? Que questões sugerem os subtítulos? O que me interessa particularmente nesse texto? L – Ler O terceiro passo de Viler é ler. Se o estudante venceu os dois primeiros passos poderá ler com mais eficiência. Então: a) Irá ler para responder as perguntas que levantou. b) Irá analisar todas as ilustrações e saber por que razões elas foram colocadas no texto. c) Irá observar as palavras grifadas e que razão houve para isso. d) Irá assinalar (sublinhando) os pontos mais importantes ou que devam ser relidos. E - Expressar O quarto passo é expressão, comunicação, isto é, dizer, recitar, repetir o que foi lido. Isto quer dizer: retornar ao que já foi lido, seja resumindo oralmente, seja tomando notas de alguma forma. As experiências demonstram que, após duas semanas, os alunos esquecem cerca de 80% do que estudaram. Por outro lado, se repetirem ou expressarem de alguma forma o que leram, só esquecerão cerca de 20%, no mesmo período de tempo. R – Revisão A maioria dos alunos não revisa (não vê de novo) o aprendido. Revisar significa passar uma vista d´olhos naquilo que foi lido. Rever as anotações, os fatos, os resumos*. A revisão deverá obedecer aos seguintes passos:ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 3 a) Deve ser feita imediatamente depois da leitura. b) Deve ser feita periodicamente. c) Deve-se planejar uma revisão final. Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, não podendo ser repassado a terceiros, em caráter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e-mail ou qualquer outro meio de transmissão sob risco de violação do estabelecido na Lei n. º 9.610/1998 e no Código Penal. Desde já agradecemos a compreensão e estamos abertos para qualquer dúvida ou pendência, tanto sobre o material quanto para qualquer outro assunto relacionado ao concurso em questão. Informamos, ainda, que o material baseia-se nos Cadernos ENAP - Fundação Escola Nacional de Administração Pública nº 10, 19, 4, 1 e 15, no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado e nas obras BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos & SPINK, Peter. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial e CHIAVENATO, Idalberto. Administração Geral e Pública, que você pode adquirir em qualquer livraria. & Ao final de cada leitura, elabore um resumo. O exercício de redigir o resumo atua como um reforço do material do texto. Você terá que consultar muitas vezes o texto, à medida que organiza seu resumo. Dessa forma, você poderá realizar uma revisão, aprofundando-se mais no texto e esclarecendo pontos duvidosos. Pelo resumo você recompõe o texto, de maneira sucinta (tirando o essencial) e esquemática (elaborando esquemas em tópicos principais do texto). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 4 Aula 01 – Estrutura da máquina administrativa, reformas administrativas e evolução da AP Sumário: 1. Estruturação da máquina administrativa no Brasil desde 1930: dimensões estruturais e culturais.................................................. 4 Vantagens da burocracia ............................................................. 8 2. As reformas administrativas e a redefinição do papel do Estado. Reforma do Serviço Civil (mérito, flexibilidade e responsabilização) e Plano Diretor para a Reforma do Aparelho do Estado de 1995......... 11 3. Administração Pública: do modelo racional-legal ao paradigma pós- burocrático. O Estado Oligárquico e patrimonial, o Estado autoritário e burocrático, o Estado do bemestar, o Estado regulador. ................. 21 4. Governança e Governabilidade ............................................... 27 5. Resumo............................................................................... 28 6. O paradigma do cliente na gestão pública ................................ 30 7. Questões de concursos anteriores:.......................................... 32 8. Gabarito:............................................................................. 32 9. Bibliografia .......................................................................... 41 1. Estruturação da máquina administrativa no Brasil desde 1930: dimensões estruturais e culturais Se partirmos da premissa que a administração pública tem como parâmetro o que conhecemos hoje, podemos afirmar que ela não era visível até 1930. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 5 A chamada Administração Pública Patrimonial caracterizava- se por representações da burguesia que se alternavam no poder, fenômeno este que ficou conhecido como Política do Café com leite. De acordo com Luiz Carlos Bresser Pereira, a característica que definia o governo nas sociedades pré-capitalistas e pré-democráticas era a privatização do Estado, ou a impermeabilidade dos patrimônios público e privado. “Patrimonialismo” significa a incapacidade ou a relutância de o príncipe distinguir entre o patrimônio público e seus bens privados. A administração do Estado pré-capitalista era uma administração patrimonialista. O Brasil era, na verdade, um federalismo aparente, onde prevaleciam os interesses destes pequenos grupos. Com o avanço da aliança liberal e a crise econômica causada pela queda da bolsa de Nova Iorque, os países desenvolvidos, deixaram de importar nosso café, principal produto em nossa pauta de exportação. O que se sucede, é uma crise de superprodução sem precedentes em nossa história que culmina com o golpe de 1937. A administração burocrática surge no quadro da aceleração da industrialização brasileira, em que o Estado assume papel decisivo, intervindo pesadamente no setor produtivo de bens e serviços. A partir da reforma empreendida no governo Vargas por Nabuco e Luiz Simões Lopes, a administração pública sofre um processo de racionalização que se traduziu no surgimento das primeiras carreiras burocráticas e na tentativa de adoção do concurso como forma de acesso ao serviço público. A implantação da administração pública burocrática é uma conseqüência clara da emergência de um capitalismo moderno no país. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 6 1 A Burocracia, Teoria Burocrática de Administração ou Modelo Racional-Legal surge como resposta à necessidade de um modelo organizacional que considerasse todas as variáveis envolvidas (processo, comportamento humano, estrutura etc.), e que pudesse ser aplicada a todos os tipos de organização (não se restringindo à indústria). Corresponde a uma forma de organização que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos fins (objetivos) pretendidos. Para compreender a Burocracia, Max Weber estudou os tipos de sociedade e autoridade: A – Sociedade tradicional, onde predominam as características patriarcais (a família, por exemplo); B – Sociedade carismática, onde predominam características místicas, arbitrárias e personalísticas (grupos revolucionários), e; C – Sociedade legal, racional ou burocrática, onde predominam normas impessoais e racionalidade na escolha dos meios e dos fins (grandes empresas, exércitos). 1 Democracia é o instrumento político que protege os direitos civis contra a tirania, que assegura os direitos sociais contra a exploração e que afirma os direitos públicos em oposição ao rent-seeking. Burocracia é a instituição administrativa que usa, como instrumento para combater o nepotismo e a corrupção – dois traços inerentes à administração patrimonialista – os princípios de um serviço público profissional e de um sistema administrativo impessoal, formal e racional. No início do século XX, Max Weber, um sociólogo alemão, publicou uma bibliografia a respeito das grandes organizações da sua época. Deu-lhes o nome de burocracia e passou a considerar o século XX como o século das burocracias, pois achava que essas eram as organizações características de uma nova época, plena de novos valores e de novas exigências. As burocracias surgiram a partir da época vitoriana como decorrência da necessidade que as organizações sentiram de ordem e de exatidão e das reivindicações dos trabalhadores por um tratamento justo e imparcial. O modelo burocrático de organização serviu como uma reação contra a crueldade, o nepotismo e os julgamentos tendenciosos e os parcialistas, típicos das práticas administrativas desumanas e injustas do início da Revolução Industrial. Rapidamente, a forma burocrática de Administração alastrou-se por todos os tipos de organização e o século XX representa o século da burocracia. Com o surgimento do capitalismo e da democracia1,estabeleceu-se uma distinção clara entre a res publica e bens privados. A democracia e a administração pública burocrática emergiram como as principais instituições que visavam a proteger o patrimônio público com a privatização do Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 7 Weber estudou as organizações sob um ponto de vista estruturalista, preocupando-se com sua racionalidade, isto é, com a relação entre os meios e os recursos utilizados e os objetivos a serem alcançados pelas organizações burocráticas. A organização por excelência, para Weber, é a burocracia. Suas principais características são: 1 – Hierarquia da autoridade, herdada das organizações militares 2 – Caráter legal das normas e regulamentos – assim como a tradição legitima a autoridade patriarcal, a autoridade burocrática fundamenta-se em normas e regulamentos. É como se cada empresa possuísse uma constituição própria; 3 – Caráter formal das comunicações – na burocracia todas as comunicações são feitas por escrito, com vistas à comprovação e à padronização; 4 – Impessoalidade nas relações – a administração nas burocracias é efetuada sem considerar as pessoa como pessoas, mas como ocupantes de cargos e funções. A obediência é impessoal; não é prestada em consideração à pessoas do chefe, e sim do cargo que ocupa; 5 – Rotinas e procedimentos padronizados – a burocracia é uma organização que fixa regras e normas técnicas para desempenho do cargo, reeducando a conduta de seus membros; 6 – Meritocracia – a admissão, transferência e remoção dos funcionários são baseadas no mérito e na competência técnica, e não em critérios particulares e arbitrários. 7 – Especialização da administração – o que se deseja é a profissionalização de todos os membros, com distinção das atividades de gerência das de execução. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 8 Vantagens da burocracia As vantagens da burocracia, para Weber, são: 1. Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização; 2. Precisão na definição do cargo e na operação, pelo conhecimento exato dos deveres; 3. Rapidez nas decisões, pois cada um conhece o que deve ser feito e por quem e as ordens e papéis tramitam através de canais preestabelecidos. Vamos ver a definição de burocracia utilizada pelo CESPE: Questão 1: (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os itens a seguir sob a ótica da administração pública. Burocracia é um sistema social racional, ou um sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados. O que você acha? Está certo! Dica: Costumamos pensar em burocracia apenas como regras, formalismo e excesso de papelório, entretanto, para Weber, o termo burocracia significa a Organização por Excelência, ou seja, o melhor dos mundos! O que costumamos pensar sobre a palavra burocracia, é na verdade, o que deu errado, ou seja, suas disfunções, o que veremos logo adiante. Lembre disso!!! Disfunções (“defeitos”) da burocracia 1 – Internalização das regras e apego aos regulamentos - existe quando: cumprir as normas passa a ser mais importante que atingir os objetivos. A atividade-meio passa a ser o resultado a ser alcançado. O funcionário se torna um especialista em normas; 2 – Excesso de formalismo e papelório – a necessidade de documentar todas as comunicações conduz à tendência ao excesso de papelório; ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 9 3 – Resistência à mudanças – como tudo é padronizado e previsto com antecipação, o funcionário se acostuma a uma estabilidade, proporcionando-lhe segurança a respeito de seu trabalho. Qualquer mudança tende a ser interpretada como algo que desconhece, tornando- se indesejável. 4 – A base do processo decisorial – quem toma decisões é aquele que ocupa o posto hierárquico mais alto, mesmo que nada saiba sobre o tema. A “co-gestão” passa longe... 5 – Superconformidade às rotinas – com o tempo, as regras tendem a se tornar absolutas, sagradas, conduzindo a uma rigidez no comportamento do burocrata que restringe-se ao desempenho mínimo. Perde iniciativa, criatividade e inovação. 6 – Dificuldade no atendimento a clientes – todos os clientes são atendidos de forma padronizada, seguindo normas e rotinas internas, fazendo com que o público se irrite com a pouca atenção e o descaso. A burocracia fecha- se em si mesma. Dica:. É importante que você lembre na hora da prova que não existe organização totalmente racional, que o homem não é totalmente previsível, que a burocracia gerou excesso de formalismo e papelório, gerou grande resistência às mudanças e conflitos com o público. Em resumo, tendo em vista as práticas patrimonialistas (rent-seeking ou privatização do Estado - leia-se: usar a máquina administrativa com fins privados, escusos) correntes em nossa cultura, Vargas optou pela adoção de um modelo que pautasse pelo controle minucioso das atividades-meio. Ou seja, para “colocar ordem na casa”, buscou referências no modelo idealizado por Weber, acreditando que a burocracia, dado seu caráter rígido e hierarquizado, poderia ordenar a máquina administrativa em nosso País. Está, aí, o primeiro modelo estruturado de administração do Brasil. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 10 Para facilitar sua implementação, contou com o apoio do DASP2 - Departamento Administrativo do Setor Público, extinto há pouco tempo atrás sem, infelizmente, ter logrado êxito em sua missão (se a burocracia tivesse funcionado, em tese as práticas patrimonialistas teriam sido suprimidas, o que parece não ter ocorrido). Originalmente, o DASP tinha três objetivos: a) Centralizar a administração pública nas mãos do Governo Federal. b) Criar uma política de gestão de recursos humanos c) Promover uma racionalização dos métodos e procedimentos administrativos até então utilizados. Infelizmente o DASP não funcionou em toda a sua plenitude, devido à aspectos políticos e ao distanciamento entre planejamento e ação; na verdade, o DASP não se traduziu no elo de ligação esperado, transformando-se em um mero órgão técnico, teórico. Em termos práticos sua maior colaboração foi na implantação do sistema burocrático de administração, também conhecido como burocracia. 2 Mais precisamente em 1936 foi criado o Conselho Federal do Serviço Público Civil que, em 1938, foi substituído pelo DASP. Nessa época, em virtude da desconfiança total que havia no servidor público, o modelo burocrático revelava-se ser o mais adaptado. Com isso, Vargas almejava basicamente três coisas: criar uma estrutura administrativa organizada, uniforme, estabelecer uma política de pessoal com base no mérito (motivo pelo qual Joaquim Nabuco foi “convidado”) e acabar com o nepotismo e corrupção existentes. O DASP foi extinto em 1986, dando lugar à Secretaria de Administração Pública da Presidência da República (Sedap), que, em janeiro de 1989, foi extinta, sendo incorporada à Secretaria do Planejamento da Presidência da República. Em março de 1990, foi criada a Secretaria da Administração Federal da Presidência da República (SAF) , que, entre abril e dezembro de 1992, foi incorporada ao Ministério do Trabalho. Em Janeiro de 1995, com o início do Governo do Fernando Henrique Cardoso,a SAF transformou-se em Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado – MARE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 11 Analise a questão abaixo sobre o DASP: Questão 2: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) A compreensão da evolução histórica da administração pública no Brasil pode auxiliar o entendimento da origem de muitos dos processos vivenciados atualmente pela administração pública no país. Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. A criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) foi uma importante iniciativa no processo de modernização do setor público no Brasil, inserindo no setor público o espírito gerencial e fazendo que a burocracia fosse repensada, tendo em vista o cliente e a qualidade na prestação dos serviços públicos. Resposta: Errado. O espírito gerencial e a adoção de um modelo com foco no cliente (gerencialismo) surgiu bem depois da criação do DASP. Na verdade, este Órgão foi criado para auxiliar na implantação da BUROCRACIA, do sistema de mérito, do profissionalismo, da formalidade das comunicações, etc. Infelizmente não funcionou adequadamente, uma vez que o modelo weberiano não chegou a funcionar 100% (se isso tivesse acontecido, as características patrimonialistas teriam acabado). 2. As reformas administrativas e a redefinição do papel do Estado. Reforma do Serviço Civil (mérito, flexibilidade e responsabilização) e Plano Diretor para a Reforma do Aparelho do Estado de 1995. 3 A crise do Estado implicou a necessidade de reformá-lo e reconstruí-lo; a globalização tornou imperativa a tarefa de redefinir suas funções. 3 Neste texto incluo extratos da obra de Luiz Carlos Bresser Pereira. No Brasil, a percepção da natureza da crise e, em seguida, da necessidade imperiosa de reformar o Estado ocorreu de forma acidentada e contraditória, em meio ao desenrolar da própria crise. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 12 Em 1942, com a superação da crise, o estado despe-se do papel de regulador da economia e assume uma postura desenvolvimentista, seguindo a esteira mundial. Essa nova feição culmina com o governo de Juscelino Kubistchek, (“50 anos em 5”) e caracteriza-se pela criação de órgãos de linha, staff4 e das primeiras entidades da administração indireta. A idéia dominante é que a participação maciça no estado no setor produtivo desenvolveria e dinamizaria a economia, e é nesse momento que se percebe a ineficiência da burocracia. O que se sucede ao longo dos anos são tentativas de se simplificar o modelo burocrático: a) 1956 Cria-se o COSB (Comissão de Simplificação da Burocracia) com o objetivo de desburocratizar a administração, descentralizando- a, ou seja, delegando competência às entidades da administração indireta. b) Este processo culmina com o Decreto-lei nº 200 de 1967, que elenca princípios que nortearão a conduta da administração indireta. Este Decreto-lei foi a primeira tentativa de reforma gerencial da administração Pública brasileira. A reforma iniciada pelo Decreto-Lei nº 200 foi uma tentativa de superação da rigidez burocrática, podendo ser considerada como um primeiro momento da administração gerencial no Brasil. Colocou-se toda ênfase na descentralização, mediante a autonomia da administração indireta, a partir do pressuposto da rigidez da administração direta e da maior eficiência da administração descentralizada. O decreto-lei promoveu a transferência das atividades de produção de bens e serviços para autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, consagrando e racionalizando uma situação que já se delineava na prática. Instituíram-se como princípios de racionalidade administrativa o planejamento e o orçamento, a descentralização e o controle dos resultados. 4 Staff = assessoria ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 13 Nas unidades descentralizadas foram utilizados empregos celetistas, submetidos ao regime privado de contratação e trabalho. O momento era de grande expansão das empresas estatais e das fundações. Através da flexibilização de sua administração buscava-se uma eficiência maior nas atividades econômicas do Estado, e se fortalecia a aliança política entre a alta tecnoburocracia estatal, civil e militar e a classe empresarial. O Decreto-lei nº 200 teve, porém, duas conseqüências inesperadas e indesejáveis. De um lado, por permitir a contratação de empregados sem concurso público, facilitou a sobrevivência de práticas patrimonialistas e fisiológicas. De outro, por não se preocupar com mudanças no âmbito da administração direta ou central, que era vista pejorativamente como “burocrática” ou rígida, deixou de realizar concursos e de desenvolver carreiras de altos administradores. O núcleo estratégico do estado foi, na verdade, enfraquecido indevidamente através da estratégia oportunista do regime militar que, ai invés de se preocupar com a formação de administradores públicos de alto nível selecionados através de concursos públicos, preferiu contratar os escalões superiores da administração através das empresas estatais. Analise a questão abaixo: Planejamento e orçamento Descentralização Controle dos resultados Dessa maneira, a reforma administrativa embutida no Decreto-lei nº 200 ficou pela metade e fracassou. A crise política do regime militar, que se iniciou em meados dos anos 70, agravou ainda mais a situação da administração pública, na medida em que a burocracia estatal foi identificada com o sistema autoritário em pleno processo de degeneração. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 14 Questão 3: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. Um dos grandes problemas do Decreto Lei n.º 200 de 1967 foi ignorar, em seus princípios fundamentais, questões relacionadas com o servidor público, como planos de classificação de cargos e desenvolvimento de sistema de mérito. Está errado. O Decreto 200/67 compreendeu uma das únicas reformas que funcionaram na história da administração pública. A inserção no ordenamento legal de princípios como planejamento (materializado, por exemplo, no orçamento-programa), descentralização (transferência de atribuições da administração direta para a indireta como mecanismo de valorização desta), delegação de competência (do Poder central para as esferas locais – União para Estados e Municípios), coordenação e controle foi benéfica e tem reflexos até hoje. c) Como o processo funcionou apenas na administração indireta, em 1970, uma nova tentativa de desburocratizar: a criação da SEMOR (Secretaria de Modernização da Reforma Administrativa), que também não conseguiu reduzir a máquina administrativa. d) 1979 PND – Programa Nacional de Desburocratização. Sua proposta política visava, através da administração pública, a “retirar o usuário da condição colonial de súdito para investi-lo na de cidadão, destinatário de toda a atividade do Estado”. (Beltrão) e) Na transição para o governo democrático que se iniciou em 1985, que tem como marco a Constituição de 1988, podemos dizer que houve um retrocesso, um engessamento na administração pública: surgiram entraves a criação eextinção de órgãos (a partir de então, apenas através de lei), perda de autonomia do executivo na organização da administração pública e mais, a extensão das regras que norteavam a administração direta, à administração indireta. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 15 A Constituição de 1988 ignorou completamente as novas orientações da administração pública. Os constituintes e, mais amplamente, a sociedade brasileira revelaram nesse momento uma incrível falta de capacidade de ver o novo. Perceberam apenas que a administração burocrática clássica, que começara a ser implantada no país nos anos 30, não havia sido plenamente instaurada. Viram que o Estado havia adotado estratégias descentralizadoras – as autarquias e fundações públicas – que não se enquadravam no modelo burocrático- profissional clássico. Notaram que essa descentralização havia aberto espaço para o clientelismo, principalmente nos estados e municípios – clientelismo que se acentuara após a redemocratização. Não perceberam que as formas mais descentralizadas e flexíveis da administração, que o Decreto-lei nº 200 havia consagrado, eram uma resposta à necessidade de o Estado administrar com eficiência as empresas e os serviços sociais. E decidiram completar a revolução burocrática antes de pensar nos princípios da moderna administração pública. Ao agirem assim aparentemente seguiram uma lógica linear compatível com a idéia de que primeiro seria necessário completar a revolução mecânica para só depois participar da revolução eletrônica. Contraditoriamente com seu espírito burocrático-legal, a Constituição de 88 permitiu que uma série de privilégios fossem consolidados ou criados. Privilégios que foram ao mesmo tempo um tributo pago ao patrimonialismo ainda presente na sociedade brasileira e uma conseqüência do corporativismo que recrudesceu com a abertura democrática, levando todos os atores sociais a defender seus interesses particulares como se fossem interesses gerais. O mais grave dos privilégios foi o estabelecimento de aposentadoria com remuneração integral sem nenhuma relação com o tempo de serviço prestado diretamente ao Estado, elevando violentamente o custo do sistema previdenciário estatal, representando um pesado ônus fiscal para a sociedade. A Constituição sacramentou os princípios de uma administração pública arcaica, burocrática ao extremo. Uma administração pública altamente centralizada, hierárquica e rígida, em que toda prioridade seria dada à administração direta, e não à indireta. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 16 Um segundo privilégio foi ter permitido que, de um golpe, mais de 400 mil funcionários celetistas de fundações e autarquias se transformassem em funcionários estatutários, detentores de estabilidade e aposentadoria integral. (este episódio ficou conhecido como “trem da alegria”) Na verdade, o retrocesso: Resultou de uma visão equivocada das forças democráticas que derrubaram o regime militar acerca da natureza da administração pública então vigente; Foi conseqüência da aliança política que as forças democráticas foram levadas a celebrar com o velho patrimonialismo, sempre pronto a se renovar para não mudar; Resultou do desentendimento da velha burocracia contra a reforma pela qual a administração central passara no regime militar: estava na hora de restabelecer a força do centro e a pureza do sistema burocrático; Relaciona-se com a campanha pela desestatização, que acompanhou toda a transição democrática: esse fato levou os contribuintes a intensificarem os controles estatais, que haviam ganho grande autonomia graças ao Decreto-lei nº 200. Em suma, considerando a evolução de nossa administração, podemos concluir que: • Para sanar a administração direta, criou-se a indireta, que devido à autonomia, cresceu artificialmente. • A falta de uma política de pessoal, levou a um inchaço de pessoal no setor público, na maioria não qualificado. • Havia uma concepção de que controle, segurança e padronização, gerariam bons resultados, ao invés do foco no atendimento às necessidades do cidadão. O retrocesso burocrático ocorrido em 1988 não pode ser atribuído ao suposto fracasso da descentralização e da flexibilização da administração pública que o Decreto-lei nº 200 teria promovido. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 17 • Na prática, o que aconteceu foi uma substituição do coronelismo pelo clientelismo (favorecimento de determinados grupos). A crise fiscal e a crise do modo de intervenção do Estado na economia e na sociedade começaram a ser percebidas em 1987. Foi nesse momento, depois do fracasso do Plano Cruzado, que a sociedade brasileira se deu conta, ainda que de forma imprecisa, de que estava vivendo fora do tempo, de que a volta ao nacionalismo e ao populismo dos anos 50 era algo inviável. Os Constituintes de 1988, porém, não perceberam a crise fiscal, muito menos a crise do aparelho do Estado. Só depois do episódio da hiperinflação, em 1990, no final do governo Sarney, a sociedade abriria os olhos para a crise. Em conseqüência, as reformas econômicas e o ajuste fiscal ganharam impulso no governo Collor. Esse governo (que acabou se perdendo em meio à corrupção generalizada) é que daria os passos decisivos no sentido de iniciar a reforma da economia e do Estado. Na área da administração pública as tentativas de reforma do governo Collor foram equivocadas. O fracasso deveu-se principalmente à tentativa desastrada de reduzir o aparelho do Estado, demitindo funcionários e eliminando órgãos, sem antes assegurar a legalidade das medidas através da reforma da Constituição. Afinal, além da redução drástica da remuneração dos servidores, sua intervenção na administração pública desorganizou ainda mais a já precária estrutura burocrática existente, desprestigiando os servidores públicos, de repente acusados de todos os males do país e identificados com o corporativismo5. Analise a questão a seguir: Questão 4: (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os itens a seguir sob a ótica da administração pública. O foco das ações do governo Collor concentrou-se no projeto de centralização da gestão dos serviços públicos. Errado. O governo Collor não pode ser associado à centralização da gestão. 5 Corporativismo – defesa dos interesses de grupos como se fossem da nação. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 18 No início do governo Itamar a sociedade brasileira começou a se dar conta da crise da administração pública. Havia, entretanto, ainda muita perplexidade e confusão. Um documento importante nesta fase é o estudo Estrutura e organização do Poder Executivo, realizado pelo Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) para a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A partir de 1995, com o governo Fernando Henrique, surge uma nova oportunidade para a reforma do Estado, em geral, e do aparelho do Estado e de seu pessoal, em particular. Essa reforma tem por dois objetivos: a curto prazo, facilitar o ajuste fiscal, particularmente nos estados e municípios, onde existe um claro problema de excesso de quadros; a médio prazo, tornar mais eficiente e moderna a administração pública, voltando-a para o atendimento dos cidadãos. A reforma administrativa implementada a partir de 1995, como Plano Diretor da Reforma do Estado, torna-se um marco em nossa história, vindo ratificar a importância da nova conotação de governo, que deixa de ser burocrático para se tornar um governo empreendedor. O governo empreendedor consiste, na verdade, em uma reorganização da máquina administrativa, através da redefinição do papel de estado: de desenvolvimentista e protecionista para empreendedor, visando descentralização e delegação de autoridade. O governo empreendedor sugere o deslocamento dando ênfase dos procedimentos para os resultados. Tal governo empreendedor ou administração pública gerencial inspira-se na administração privada, visando a satisfação de seu cliente (o cidadão!). No governo ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 19 empreendedor, os administradores gerenciam suas instituições ou seus órgãos como se fossem o dono do negócio; a idéia é de estimular o negócio, estimular seus empregados e seus funcionários, utilizando a Co-gestão( ou gestão participativa), onde todos são responsáveis pelo planejamento e pela execução; é “gerar receita, ao invés de efetuar despesas”, segundo Peter Drucker, em seu livro “Reinventando o Governo”. Uma das maneiras de mudarmos nosso governo desenvolvimentista para empreendedor seria através, por exemplo, da criação dos chamados títulos de inovação (fundos sem ônus para os contribuintes, adquiridos por empresários desejosos de contribuir para o engrandecimento da Nação...); este exemplo deu certo na Flórida, nos EUA. Uma outra maneira seria sobretaxarmos condutas ilícitas tal como foi feito na Flórida, onde pesadas multas foram aplicadas aos motoristas que causassem acidentes decorrentes da ingestão de bebidas alcoólicas. Em suma, este governo empreendedor, (administração pública gerencial) veio para ficar e foi ratificado, como já foi dito, pelo plano diretor da reforma do estado. A dificuldade na implantação reside no fato de que o servidor público existe para fazer o bem a todos (não sendo medido o esforço marginal), pois se na administração privada atender um único cliente a mais resultasse em uma relação custo- benefício desfavorável, é provável que isso não acontecesse; na administração pública, isto não acontece. Se para nós, um hospital público que tem capacidade para atender 1000 (mil) pessoas, fosse obrigado a dobrar o custo deste hospital para se atender mais uma pessoa, isto seria feito, pois a administração pública não pauta sua conduta pela relação custo-benefício, mas pela satisfação do cidadão. Dentro do governo empreendedor, surge um novo conceito de liderança: o administrador passa de gerente (controlador de resultados) para o líder, um motivador, um impulsionador, que substitui a força pelo comprometimento, pela lealdade. Embora tanto o líder como o gerente Segundo Peter Drucker, a implantação do governo empreendedor pressupõe três passos: a descoberta de sua missão, o estabelecimento de metas e redefinir os objetivos quando estes não forem alcançados. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 20 tenham o mesmo objetivo, que é o de maximizar o resultado, a maneira pela qual chegarão a este resultado será diferente. A necessidade de mudarmos o enfoque da administração para atendermos às necessidades do cidadão-cliente trouxe à tona o conceito de efetividade, ou seja, a satisfação das necessidades do cliente (ou a junção da eficácia com a eficiência num mesmo tempo). Temos como conceito de eficácia, o cumprimento dos objetivos previamente estabelecidos, enquanto que a eficiência se encontra relacionada com o como fazer (a quantidade de recursos que foram empregados e se foram ou não utilizados de maneira inteligente). Em suma, para sermos efetivos, precisamos ser eficazes e eficientes, atendendo às necessidades de nossos clientes. Para atingirmos a efetividade o governo criou as chamadas organizações sociais (as agências autônomas), que celebrariam contratos de gestão implementados pelo MARE (Ministério da Administração e Reforma do Estado) com o objetivo de “amarrarmos” resultados à conduta dos gestores públicos. Questão 5: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. A valorização do servidor, por meio do estímulo de sua capacidade empreendedora, sua criatividade e seu comportamento ético é uma das preocupações do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Está correto. Atingir objetivos Método Impacto ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 22 Conforme nos narra Fernando Luiz Abrucio7, em meados da década de 70, sobretudo a partir da crise do petróleo em 1973, uma grande crise econômica mundial pôs fim à era de prosperidade que se iniciara após a Segunda Guerra Mundial. Era o fim da “era dourada” — na precisa definição de Eric Hobsbawn (HOBSBAWN, 1995) —, período em que não só os países capitalistas desenvolvidos mas o bloco socialista e parte do Terceiro Mundo alcançaram altíssimas taxas de crescimento. A principal receita para o contínuo sucesso durante trinta anos foi a existência de um amplo consenso social a respeito do papel do Estado, o qual procurava garantir prosperidade econômica e bem-estar social. O tipo de Estado que começava a se esfacelar em meio à crise dos anos 70 tinha três dimensões (econômica, social e administrativa), todas interligadas. Dimensão Econômica – Keynesiana – ativa intervenção estatal na economia, procurava garantir emprego e atuar em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional. Dimensão social – Welfare State ou Estado do Bem-Estar – produção de políticas públicas na área social para garantir as necessidades básicas da população. Em outras palavras, garantia dos direitos sociais. Ex: educação, saúde, habitação) Dimensão Administrativa – modelo burocrático de Weber – funcionamento interno do Estado – manter a impessoalidade, neutralidade e racionalidade do aparato governamental. 7 Fernando Luiz Abrucio - O impacto do modelo gerencial na Administração Pública. Um breve estudo sobre a experiência internacional recente. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 23 O modelo gerencial, em sua fase inicial, implica em administrar a res publica de forma semelhante ao setor privado, de forma eficiente, com a utilização de ferramentas que consigam maximizar a riqueza do acionista, ou a satisfação do usuário (considerando-se a realidade do serviço público). O modelo gerencial é melhor entendido considerando o cenário em que foi concebido: no plano econômico, dada a crise do petróleo na década de 70, esgotaram-se as condições que viabilizavam a manutenção do Welfare State (Estado de Bem-Estar Social), onde prevalecia o entendimento de que cabia ao Estado proporcionar uma gama enorme de serviços à população, respondendo esse por saúde, educação, habitação, etc. A partir daí, começa a ser difundida a idéia de devolução ao setor privado daqueles serviços que o Poder Público não tem condições de prestar com eficiência (privatizações), devendo o Estado desenvolver aquilo que cabe intrinsecamente a ele fazer (Diplomacia, Segurança, Fiscalização, etc). Ou seja, o que propôs, na verdade, foi a quebra de um paradigma, a redefinição do que caberia efetivamenteao Estado fazer e o que deveria ser delegado ao setor privado. Nesse sentido, buscar-se-á a adoção de uma postura mais empresarial, empreendedora, aberta a novas idéias e voltada para o incremento na geração de receitas e no maior controle dos gastos públicos. O Estado Mínimo volta a ganhar força... ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 24 Como referência, é possível citar a obra de Osborne & Gaebler, “Reinventando o Governo”, onde são destacados princípios a serem observados na construção deste modelo, tais como: 1. Formação de parcerias; 2. Foco em resultados; 3. Visão estratégica; 4. Estado catalisador, ao invés de remador; 5. Visão compartilhada; e 6. Busca da excelência. Dica: O modelo gerencial (puro, inicial), buscou responder com maior agilidade e eficiência os anseios da sociedade, insatisfeita com os serviços recebidos do setor público. Tal modelo, contudo, representou o início do Managerialism, que, atualmente, congrega ainda, duas correntes: o Consumerism e o Public Service Orientation - PSO. Se tivermos em mente um continuum, é possível inferir que o a administração gerencial evoluiu do Managerialism para o PSO, sem contudo ser possível afirmar que o PSO representa a versão final da administração gerencial. As principais diferenças podem ser percebidas no quadro abaixo, proposto por Fernando Luiz Abrúcio, no caderno n. º 10 da ENAP: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 25 Modelo gerencial puro Consumerism Public Service Orientation Economia/Eficiência Efetividade/Qualidade Accountability/Eqüidade Taxpayers (contribuintes) Clientes/Consumidores Cidadãos A preocupação primeira do modelo gerencial, conforme o quadro nos informa, foi o incremento da eficiência, tendo em vista as disfunções do modelo burocrático. Nessa fase, o usuário do serviço público é visto tão somente como o financiador do sistema. O objetivo é diminuir gastos e aumentar a eficiência governamental. No Consumerism, há o incremento na busca pela qualidade, decorrente da mudança do modo de ver o usuário do serviço, de mero para contribuinte para cliente consumidor de serviços públicos. Nesse momento, há uma alteração no foco da organização: a burocracia, que normalmente é auto-referenciada, ou seja, voltada para si mesma, passa a observar com maior cuidado a razão de sua existência: a satisfação de seu consumidor. Com isso, buscar-se-á conhecê-lo, por meio, dentre outras coisas, de pesquisas de opinião e procurar-se-á proporcionar um atendimento diferenciado com vistas ao atendimento de necessidades individualizadas. Na fase mais recente, o entendimento de que o usuário do serviço deve ser visto como cliente-consumidor perdeu força, principalmente porque a idéia de consumidor poderia levar a um atendimento melhor para alguns e pior para outros, num universo em que todos têm os mesmos Esta separação é teórica. Existe um bom grau de intercâmbio entre elas. Os modelos não são mutuamente excludentes. Há uma incorporação dos aspectos positivos de cada teoria, ou seja, uma incorporação de temas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 26 direitos. É possível perceber isso quando levamos em consideração que clientes melhores organizados e estruturados teriam mais poder para pleitear mais ou melhores serviços, culminando em prejuízo para os menos estruturados. Por isso, nesta abordagem é preferível o uso do conceito de cidadão, que ao invés de buscar a sua satisfação, estaria voltado para a consecução do bem-comum. Com isso, o que se busca é a eqüidade, ou seja, o tratamento igual a todos os que se encontram em situações equivalentes. Dica: Neste conceito, os cidadãos teriam, além de direitos, obrigações perante à sociedade, tais como a fiscalização da res publica, vindo a cobrar, inclusive, que os maus gestores sejam responsabilizados (accountability) por atos praticados com inobservância da Legislação ou do interesse público. O paradigma gerencial contemporâneo, fundamentado nos princípios da confiança e da descentralização da decisão, exige formas flexíveis de gestão, horizontalização de estruturas, descentralização de funções, incentivos à criatividade. Contrapõe-se à ideologia do formalismo e do rigor técnico da burocracia tradicional. À avaliação sistemática, à recompensa pelo desempenho, e à capacitação permanente, que já eram características da boa administração burocrática, acrescentam-se os princípios da orientação para o cidadão- cliente, do controle por resultados, e da competição administrada. No presente momento, uma visão realista da reconstrução do aparelho do Estado em bases gerenciais deve levar em conta a necessidade de equacionar as assimetrias decorrentes da persistência de aspectos patrimonialistas na administração contemporânea, bem como dos excessos formais e anacronismos do modelo burocrático tradicional. Para isso, é fundamental ter clara a dinâmica da administração racional- legal ou burocrática. Não se trata simplesmente de descartá-la, mas sim de considerar os aspectos em que está superada, e as características que ainda se mantêm válidas como formas de garantir efetividade à administração pública. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 27 Veja como esses assuntos podem ser cobrados em sua prova: Questão 6: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Tendo em vista determinados aspectos gerais da administração pública, julgue os itens a seguir. A centralização do processo de tomada de decisão, o rígido controle sobre o desempenho e o foco em resultados são algumas das características do paradigma pós-burocrático. Errado. A descentralização e o controle de desempenho estão associados ao gerencialismo. 4. Governança e Governabilidade A reforma do Estado envolve múltiplos aspectos. O ajuste fiscal devolve ao Estado a capacidade de definir e implementar políticas públicas. Através da liberalização comercial, o Estado abandona a estratégia protecionista da substituição de importações. O programa de privatizações reflete a conscientização da gravidade da crise fiscal e da correlata limitação da capacidade do Estado de promover poupança forçada através das empresas estatais. Através desse programa transfere-se para o setor privado a tarefa da produção que, em princípio, este realiza de forma mais eficiente. Finalmente, através de um programa de publicização, transfere-se para o setor público não- estatal a produção dos serviços competitivos ou não-exclusivos de Estado, estabelecendo-se um sistema de parceria entre Estado e sociedade para seu financiamento e controle. O modelo gerencial tornou-se realidade no mundo desenvolvido quando, através da definição clara de objetivos para cada unidade da administração, da descentralização, da mudança de estruturas organizacionais e da adoção de valores e de comportamentos modernos no interior do Estado, se revelou mais capaz de promover o aumento da qualidade e da eficiência dos serviços sociais oferecidos pelo setor público. Publicização significa a descentralização para o setor público não-estatal da execução de serviços que não envolvem o exercício do poder de Estado, mas devem ser subsidiados pelo Estado, como é o caso dos serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa científica. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO- TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 28 Deste modo o Estado reduz seu papel de executor ou prestador direto de serviços, mantendo-se entretanto no papel de regulador e provedor ou promotor destes, principalmente dos serviços sociais como educação e saúde, que são essenciais para o desenvolvimento, na medida em que envolvem investimento em capital humano; para a democracia, na medida em que promovem cidadãos; e para uma distribuição de renda mais justa, que o mercado é incapaz de garantir, dada a oferta muito superior à demanda de mão-de-obra não-especializada. Como promotor desses serviços o Estado continuará a subsidiá-los, buscando, ao mesmo tempo, o controle social direto e a participação da sociedade. Nesta nova perspectiva, busca-se o fortalecimento das funções de regulação e de coordenação do Estado, particularmente no nível federal, e a progressiva descentralização vertical, para os níveis estadual e municipal, das funções executivas no campo da prestação de serviços sociais e de infra-estrutura. Considerando esta tendência, pretende-se reforçar a governança - a capacidade de governo do Estado - através da transição programada de um tipo de administração pública burocrática, rígida e ineficiente, voltada para si própria e para o controle interno, para uma administração pública gerencial, flexível e eficiente, voltada para o atendimento do cidadão. O governo brasileiro não carece de "governabilidade", ou seja, de poder para governar, dada sua legitimidade democrática e o apoio com que conta na sociedade civil. Enfrenta, entretanto, um problema de governança, na medida em que sua capacidade de implementar as políticas públicas é limitada pela rigidez e ineficiência da máquina administrativa. 5. Resumo Capacidade de governo do Estado Poder para governar ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 29 Controle, racionalização Cérebro da mudança Desburocratizar a administração 1ª tentativa de reforma gerencial da AP brasileira. Nova tentativa de desburocratização Nova tentativa de desburocratização Retrocesso Rent-seeking ou privatização do Estado Reforma Administrativa - 1995 AP Gerencial - Empreendorismo Busca pela qualidade Equidade ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 30 6. O paradigma do cliente na gestão pública Tem-se falado bastante a respeito do foco, hoje em dia, não estar mais na organização em si, mas na satisfação do cliente. Para conhecê-lo, faz-se necessário traçarmos seu perfil e ouvirmos sua voz, a fim de definirmos o que realmente tem valor para ele. Nas empresas privadas, esta preocupação é uma constante; na Xerox, por exemplo, seus executivos dedicam um dia por mês para contato direto com o cliente a fim de ouvirem suas reclamações. Dessa forma conseguem saber o que está ou não funcionando dentro de sua empresa, a Matsushita faz a mesma coisa, além de utilizar uma série de outros mecanismos para se ouvir a voz do cliente, tais como pesquisas de opinião, ombudsman e inspetores disfarçados de clientes. Mediante o traçado deste perfil psicológico a empresa descobre a hierarquia de valor para os clientes, estando a empresa mais apta a satisfazer suas necessidades. Essa hierarquia pode ser agrupada em quatro grandes classes, a saber: • nível básico o básico que o cliente esperaria ao entrar numa empresa; por exemplo, um ambiente limpo; • nível esperado seriam os preços competitivos; o marketing da GOL, por exemplo; • nível desejável o whisky servido durante os vôos, além das bebidas que comumente são servidas; • nível inesperado é o efeito surpresa; o sorteio de uma outra passagem aérea durante o vôo, por exemplo. Tais técnicas já são utilizadas no serviço privado há bastante tempo, mas e nos serviços públicos? Infelizmente, ainda não chegamos a esse nível, com um agravante: quando tratamos de serviços privados e o cliente está insatisfeito, tem o direito de mudar de instituição, o que não acontece nos serviços públicos. Em virtude do monopólio do setor público em alguns setores poucas opções restam ao cidadão cliente: reclamar ou mobilizar-se, dando origem aos movimentos populares, tais como associações de moradores e amigos. No livro “Reinventando o ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 31 governo”, algumas condutas são definidas como essenciais para a melhoria do serviço prestado pelo governo: • O cidadão-cliente deve ser a razão da existência dos órgãos e entidades públicos; • A realização de parcerias intra-governamentais, com ONGs e com a iniciativa privada, pois trariam vantagens para o setor público, tais como ampliação do acesso aos clientes, à tecnologia e ao capital, diminuição de risco e uso de infra- estruturas compartilhadas. • Mudança do estilo de liderança; de controlador de resultados para motivador, facilitador. • Preocupação que se deve ter na interface com o cliente; os aspectos ambiental, interpessoal, procedimental e financeiro merecem atenção especial quando do contato com o cliente; Tudo isso para que se consiga a fidelidade do cliente, que pode ser entendida como o grau de fidelidade de um cliente a uma empresa ou ao governo, simplesmente pelo fato daquele produto ou serviço ter sido produzido/prestado por aquela entidade. Dica: O paradigma gerencial contemporâneo, fundamentado nos princípios da confiança e da descentralização da decisão, exige formas flexíveis de gestão, horizontalização de estruturas, descentralização de funções, incentivos à criatividade. Contrapõe-se à ideologia do formalismo e do rigor técnico da burocracia tradicional. À avaliação sistemática, à recompensa pelo desempenho, e à capacitação permanente, que já eram características da boa administração burocrática, acrescentam-se os princípios da orientação para o cidadão- cliente, do controle por resultados, e da competição administrada. Veja como esse assunto poderá ser abordado em sua prova. Analise a questão abaixo: Questão 7: (Unb/CESPE – TSE - Analista Judiciário – 2006) Empregados de um centro de processamento de dados considerado de padrão excelente estavam extremamente felizes por terem conseguido disponibilizar, em 4 dias úteis, empréstimos a funcionários de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 32 determinado órgão do governo. Todavia, em pesquisa de controle de qualidade, descobriu-se que a clientela não estava satisfeita. O período entre o pedido do empréstimo e a resposta não estava condizente com sua expectativa. Esperava-se atendimento em período igual ou inferior ao até então estipulado pelo centro. Percebeu-se, então, que é necessário saber se o que se considera bons serviços está alinhado com o que realmente esperam os usuários. A situação apresentada no texto acima é um exemplo de paradigma A) pós-burocrático. B) do cliente na gestão pública. C) do cliente na gerência de qualidade. D) da gestão estratégica. O paradigma do cliente na gestão pública envolve, dentre outros conceitos importantes, o da efetividade (satisfação do cliente-cidadão cujo alcance é trabalhoso, em função de aspectos culturais – a burocracia é um modelo auto-referenciado, voltado para si mesmo). O modelo pós-burocrático tem a satisfaçãodas necessidades do cidadão como carro-chefe. Resp: B 7. Questões de concursos anteriores: Primeiramente vamos refazer os assuntos estudados em aula, e, posteriormente, faremos novas questões. Boa sorte! Questão 1: (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os itens a seguir sob a ótica da administração pública. Burocracia é um sistema social racional, ou um sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados. Questão 2: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) A compreensão da evolução histórica da administração pública no Brasil pode auxiliar o entendimento da origem de muitos dos processos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 33 vivenciados atualmente pela administração pública no país. Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. A criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) foi uma importante iniciativa no processo de modernização do setor público no Brasil, inserindo no setor público o espírito gerencial e fazendo que a burocracia fosse repensada, tendo em vista o cliente e a qualidade na prestação dos serviços públicos. Questão 3: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. Um dos grandes problemas do Decreto Lei n.º 200 de 1967 foi ignorar, em seus princípios fundamentais, questões relacionadas com o servidor público, como planos de classificação de cargos e desenvolvimento de sistema de mérito. Questão 4: (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os itens a seguir sob a ótica da administração pública. O foco das ações do governo Collor concentrou-se no projeto de centralização da gestão dos serviços públicos. Questão 5: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. A valorização do servidor, por meio do estímulo de sua capacidade empreendedora, sua criatividade e seu comportamento ético é uma das preocupações do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Questão 6: (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Tendo em vista determinados aspectos gerais da administração pública, julgue os itens a seguir. Questão 7: (Unb/CESPE – TSE - Analista Judiciário – 2006) Empregados de um centro de processamento de dados considerado de padrão excelente estavam extremamente felizes por terem conseguido disponibilizar, em 4 dias úteis, empréstimos a funcionários de determinado órgão do governo. Todavia, em pesquisa de controle de qualidade, descobriu-se que a clientela não estava satisfeita. O período entre o pedido do empréstimo e a resposta não estava condizente com sua expectativa. Esperava-se atendimento em período igual ou inferior ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 34 ao até então estipulado pelo centro. Percebeu-se, então, que é necessário saber se o que se considera bons serviços está alinhado com o que realmente esperam os usuários. A situação apresentada no texto acima é um exemplo de paradigma A) pós-burocrático. B) do cliente na gestão pública. C) do cliente na gerência de qualidade. D) da gestão estratégica. 08. (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) A compreensão da evolução histórica da administração pública no Brasil pode auxiliar o entendimento da origem de muitos dos processos vivenciados atualmente pela administração pública no país. Acerca da evolução da administração pública, julgue os itens a seguir. A reforma buscada no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado está relacionada com a focalização da ação do Estado no cidadão e com a flexibilidade administrativa, sem que haja a preocupação com os mecanismos de controle. 09. (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) A respeito de alguns aspectos gerais da administração pública, julgue os itens que se seguem. a) A administração pública gerencial, em sua orientação para o cidadão, serve-se da descentralização e da delegação de autoridade ao gestor público, concentrando-se em procedimentos rígidos, em favor da eficiência e da ética no setor público. b) Avaliar resultados está na base do movimento de reforma do setor público e essa avaliação depende da definição da missão, das metas, dos objetivos e da aferição dos resultados. c) Imperam na corrente da public service orientation reflexões que se utilizam de conceitos como accountability, transparência e participação política. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 35 d) A administração pública gerencial pode ser compreendida a partir de diversas características fundamentais, como a delegação de autoridade, a valorização do pressuposto da confiança limitada em detrimento da desconfiança total do funcionário público, organizações com muitos níveis hierárquicos e administração voltada para o atendimento do cidadão. e) Na busca da excelência no setor público, é fundamental que ocorra continuamente um processo de avaliação da gestão pública, podendo ser realizado inclusive por agentes externos da organização que podem avaliá-la a partir de critérios como gestão de processos e foco no cliente, mas sem se referir à gestão de pessoas, por ser o setor sob avaliação de caráter público e não privado. f) Apesar de a administração pública burocrática no Brasil ter conseguido, no decorrer das últimas décadas, evitar o patrimonialismo, é muito difícil e complexo fazer que essa administração pública burocrática, tão arraigada nos diversos setores públicos, ceda espaço para a administração pública gerencial. g) Alguns pontos podem ser buscados para se alcançar uma nova gerência pública, tais como: eliminar da organização tudo aquilo que não agrega valor a seus serviços, desenvolver novas tecnologias, desenvolver processos continuados de planejamento e desenvolver programas de capacitação contínua. 10. (Unb/CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2004) Tendo em vista determinados aspectos gerais da administração pública, julgue os itens a seguir. a) Além da criatividade e da inovação, um outro fator que deve ser continuamente incentivado na administração pública gerencial é o contrato de gestão, que pode ser considerado um instrumento à disposição de órgãos descentralizados para a realização do devido controle das organizações. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 36 b) Tendo em vista a avaliação de resultados de serviços públicos, é importante estabelecer metas anuais para os serviços e medir as deficiências da prestação desses serviços, não sendo necessário, apesar de acontecer regularmente, que se informe a todos os servidores sobre as metas estabelecidas, restringindo essas informações a gerentes da linha intermediária. c) Um dos principais parâmetros delineadores de posições individuais nas organizações, especialmente na burocracia, é a formalização do comportamento, que busca reduzir a variabilidade do comportamento do indivíduo na organização, tendo em vista predizer esse comportamento, mas não controlá-lo. 11. (Unb/CESPE – TER/MA – Analista Judiciário – 2005) Desde 1930, o Estado brasileiro tem passado por mudanças de cunho administrativo e gerencial. O objetivo mais amplo dessas reformas é o de consolidar a democracia e fortalecer suas instituições. Quanto à estruturação da máquina administrativa do Estado brasileiro, assinale a opçãoincorreta. A) Nos anos 30 do século passado, nos quadros de um regime autoritário, foi criada a burocracia profissional no país, cujo órgão central coordenador do processo de modernização foi o DASP. B) No governo Collor, foi desenvolvido o Programa de Privatização de Empresas Estatais e o Plano de Carreira para os Servidores da Administração Direta. C) Com a Constituição de 1988, ocorreu a descentralização de recursos orçamentários e da execução dos serviços públicos para estados e municípios. D) O Programa Nacional de Desburocratização tinha por objetivo a simplificação de procedimentos, documentos e decretos, eliminava as informações desnecessárias e enfatizava a desestatização. E) Na Nova República, houve a organização do sistema de gerenciamento das contas e pagamentos de pessoal por meio da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). QUESTÃO 29 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 37 12. (Unb/CESPE – TER/MA – Analista Judiciário – 2005) Acerca da administração pública, assinale a opção incorreta. A) Considere que determinada cidade teve aumento considerável da criminalidade nos últimos 6 meses. Em decorrência dessa nova realidade, o governo decidiu aumentar a contribuição financeira para a polícia da localidade. Nessa situação, é correto afirmar que tal atitude é característica de uma gestão tradicional de governo. B) Enquanto a receita das empresas depende dos pagamentos que os clientes fazem livremente na compra de seus produtos e serviços, a receita do Estado deriva de impostos, ou seja, de contribuições obrigatórias, sem contrapartida direta. C) Os clientes-alvo a quem o administrador público de uma gestão tradicional mais procura satisfazer são aqueles ligados aos Poderes Legislativo e Executivo, pois é deles que os recursos se originam. D) A comunicação pode fluir verticalmente ou lateralmente. Sob a ótica de um governo empreendedor, a comunicação só deverá fluir via rede de comunicação formal; sob a ótica da iniciativa privada, a comunicação pode ser formal ou informal. E) Quando um governo estadual investe na reforma dos holofotes de um campo de futebol para implantar um programa de esporte destinado a crianças de risco de delinqüência jogarem à noite, tal ação é de cunho estratégico. QUESTÃO 31 13. (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os seguintes itens, relativos a administração pública. A década de 30 do século passado caracterizou-se por uma significativa centralização no nível político e econômico. Nesse período, assistiu-se ao fortalecimento do Estado intervencionista, cuja expansão se deu mediante três linhas de ação: criação de órgãos e departamentos formuladores de políticas públicas; expansão dos órgãos da administração direta; e expansão empresarial do Estado. 14. (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os itens a seguir sob a ótica da administração pública. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 38 a) Historicamente, a dominação racional-legal ou burocrática surgiu no século XIX como uma forma superior de dominação, legitimada pelo uso da lei, em contraposição ao poder tradicional (divino) e arbitrário. b) Em relação às características básicas que traduzem o caráter racional da burocracia, é correto afirmar que esta é constituída por sistemas sociais formais, impessoais e dirigidos por administradores profissionais, que tendem a controlá-los cada vez mais completamente. c) A tendência do Estado na atualidade é concentrar esforços na centralização administrativa, incorporando funções produtivas mal atendidas pelo setor privado e, em última instância, interferindo diretamente na atividade econômica por meio de suas empresas públicas, fortalecendo o setor conhecido como de serviços não- exclusivos e produção de bens e serviços para o mercado. 15. (Unb/CESPE - TER/PA – Analista Judiciário – 2007) Com relação à evolução dos modelos adotados pela administração pública, assinale a opção correta. A) As políticas públicas têm um papel estratégico no capitalismo contemporâneo, a ponto de tornar irrealistas as propostas do pensamento neoliberal de substituí-las pela total autocoordenação do mercado. B) Privatização do Estado é o direito de que a propriedade do Estado seja pública, isto é, de todos e para todos. C) O nepotismo e a corrupção são dois traços inerentes à burocracia, que caracteriza a administração patrimonialista nas sociedades pré- capitalistas. D) A consolidação do Estado do bem-estar social nos países desenvolvidos tem possibilitado a redução crescente de sua carga tributária. E) A administração pública gerencial abandonou os critérios com base na avaliação de resultados, pela inviabilidade da adoção de indicadores aplicáveis às políticas sociais. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 39 16. (Unb/CESPE – MPE/TO – Analista Ministerial – 2006) Acerca dos conceitos e práticas da nova gestão pública brasileira, julgue os próximos itens. O foco no cidadão como cliente e beneficiário principal não é um dos princípios da nova gestão pública, contrastando com outras reformas da administração pública brasileira. 8. Gabarito: 8. Errado. Há preocupação com mecanismos de controle, só que de resultados (a posteriori), ao invés de controle de processos (a priori). 9. a) Errado. Não há que se falar em procedimentos rígidos na administração gerencial. Essa característica é associada à burocracia. b) Certo c) Certo d) Errado. O gerencialismo não pressupõe multiplicidade de níveis hierárquicos, mas uma organização achatada (downsizing). Organizações como esta tendem a ser mais dinâmicas, com comunicação (e solução de problemas) mais ágeis. e) Errado. A avaliação de pessoas é não só importante, mas também fundamental. Até porque a excelência é alcançada por meio de pessoas. Sobre a importância de RH na administração pública, é possível citar a alteração da denominação dada a quem nela trabalha (deixaram de ser funcionários públicos para serem servidores, acentuando a importância do usuário-cidadão) e a preocupação dos processos seletivos em buscar generalistas para preenchimento de cargos-chave. f) Errado. O patrimonialismo não foi extinto em nossa administração. Prova disso são os diversos casos de fraudes relatados na mídia diariamente. g) Certo 10. a) Certo ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 40 b) Errado. É importante que os servidores sejam informados das metas a serem estabelecidas, com vistas à transparência, motivação e compromisso. c) Errado. A burocracia intenta controlar o comportamento do indivíduo dentro da organização. Na administração pública, partiu-se, por ocasião da implantação do modelo racional-legal, de uma desconfiança total do servidor público (justificada em função das características patrimonialistas vigentes). Assim, foi necessária a adoção de um modelo que cerceasse a atuação dos participantes, restringindo a liberdade e autonomia destes. 11. Resp: B O governo Collor não pode ser associado à valorização dos servidores. Na verdade, foram extintos diversos órgãos e entidades, como a Portobrás, por exemplo. Uma das principais justificativas é que esse governo sofreu impacto das atrocidades trazidas pela Carta Magna, em especial a estabilização para quem tinha 5 anos de serviço público, que impactou sobremaneira a folha de pagamento. 12. Resp: D Sob a ótica dogoverno empreendedor, a comunicação deve fluir livremente, nos sentidos ascendente e descendente. 13. Certo 14. d) O setor de atividades exclusivas é aquele em que são prestados serviços que apenas o Estado pode realizar. São serviços em que se exerce o poder extroverso do Estado — o poder de regulamentar, fiscalizar e fomentar. a) Certo b) Certo c) Errado. Na verdade, completamente errado. O modelo pós- burocrático pauta pela descentralização, transferência para o setor privado de tudo o que for possível e fortalecimento das atividades ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 41 exclusivas de Estado (segurança. Função judicante, função legislativa, etc), desenvolvidas pelo núcleo estratégico. d) Certo 15. Resp: A Comentário às alternativas erradas: B – A privatização do Estado significa passar para o setor privado tudo aquilo que deve ser desenvolvido por esse segmento (comunicação, transportes, etc); C – O nepotismo e a corrupção não são inerentes à burocracia, mas defeitos do sistema. O modelo ideal de Weber foi implantado no Brasil justamente com o objetivo de combater esses defeitos, inerentes ao sistema patrimonialista; D – O Welfare State já foi questionado nos países desenvolvidos (tendo sido substituído, inclusive pelos modelos de Estado-mínimo) e não foi identificada a diminuição da carga tributária. E – O gerencialismo considera como mecanismos essenciais a avaliação de resultados. 16. Errado. O foco no cidadão é um dos princípios do New Public Management – NPM. 9. Bibliografia Cadernos MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado) nº 2 e nº 9 Cadernos ENAP - Fundação Escola Nacional de Administração Pública nº 10, 19, 4, 1 e 15. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Decreto-lei nº 200/67 Constituição/88 BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos & SPINK, Peter. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Editora FGV, 2001. – 4ª Edição. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 42 CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Administração Geral e Pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. MINICUCCI, Agostinho. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo. Editora Atlas, 1995 – 5ª Edição. GRANJEIRO, Wilson J. Administração Pública. Editora Vestcon. 10ª Edição – 2002. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Oi amigos! Como foi a primeira semana? Estão se dedicando verdadeiramente? Espero que sim. Lembrem-se do que já dizia Willian Ward: “O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.” Vamos ajustar nossas velas, vamos estudar! O sonho de passar em um concurso não será realizado com um passe de mágicas... depende somente de você, de seu esforço, de sua dedicação! Então, sigamos em frente! Aula 02 – Estrutura e Estratégia Organizacional; Cultura e Mudança Sumário 1. Estrutura e Estratégia Organizacional ...........................................................................................2 1.1. Estrutura Organizacional .......................................................................................................2 1.1.1. Modelos Organizacionais mais comuns ................................................................................13 1.1.2. Modelo Mecanicista x Orgânico............................................................................................18 1.2. Organização da Administração Pública...............................................................................19 1.3. Estrutura do Estado..............................................................................................................21 1.4. Estratégia organizacional.....................................................................................................24 1.4.1. Estratégia de Reforma do Estado...........................................................................................27 1.4.2. Gestão estratégica de qualidade.............................................................................................29 1.4.3. Tendências da Nova Era ........................................................................................................29 2. Cultura Organizacional................................................................................................................30 3. Mudança no setor público............................................................................................................34 4. Mudança e dimensão cultural da Reforma do Aparelho do Estado.............................................36 5. Questões de concursos anteriores ................................................................................................38 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 2 1. Estrutura e Estratégia Organizacional 1.1. Estrutura Organizacional A estrutura organizacional é a maneira pela qual as atividades da organização são divididas, organizadas e coordenadas. Funciona como a espinha dorsal da organização, o esqueleto que sustenta e articula suas partes integrantes. A criação da estrutura organizacional pode ser definida como o conjunto de tarefas formais atribuídas às unidades organizacionais; as relações de subordinação e as comunicações para assegurar coordenação eficaz entre órgãos e pessoas ao longo das unidades organizacionais. De acordo com Robbins, existem seis elementos básicos a serem focados pelos administradores quando projetam a estrutura das suas organizações. São eles: O quadro abaixo mostra cada um desses elementos como respostas a importantes questões estruturais. A estrutura organizacional é uma ferramenta para o administrador utilizar no sentido de harmonizar os recursos, de modo que tudo seja feito através da estratégia estabelecida. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 3 Seis questões básicas às quais os administradores devem responder ao planejar a estrutura organizacional apropriada A pergunta-chave A resposta é dada por 1. Até que ponto as atividades podem ser subdivididas em tarefas separadas? Especialização do trabalho 2. Qual a base para o agrupamento das tarefas? Departamentalização 3. A quem os indivíduos e os grupos vão se reportar? Cadeia de comando 4. Quantas pessoas cada administrador pode dirigir com eficiência e eficácia? Amplitude de controle 5. Onde fica a autoridade no processo decisório? Centralização e descentralização 6. Até que ponto haverá regras e regulamentações para dirigir os funcionários e administradores? Formalização Figura 1. Stephen P. Robbins. Comportamento Organizacional. 9ª Edição. 9 Especialização do trabalho No início do século XX, Henry Ford tornou-se rico e famoso por fabricar automóveis em uma linha de montagem. Cada um de seus funcionários recebia uma tarefa específica e repetitiva. Por exemplo, uma pessoa ficava encarregada apenas de instalar a roda dianteira direita, e outra, a porta dianteiradireita. Ao dividir o trabalho em pequenas tarefas padronizadas, que podiam ser repetidas muitas vezes, Ford foi capaz de produzir um carro a cada 10 segundos, ainda que empregando trabalhadores com habilidades relativamente limitadas. Ford demonstrou que o trabalho pode ser realizado mais eficientemente se os funcionários forem especializados em cada tarefa. Hoje em dia, usamos o termo especialização do trabalho, ou divisão do trabalho, para descrever o grau em que as tarefas na organização são subdivididas em funções separadas. A essência da especialização do trabalho é que, em vez de uma atividade ser completada inteiramente por uma única pessoa, ela é dividida em um certo número de etapas, cada qual sendo realizada por um indivíduo. Essencialmente, os indivíduos se especializam em realizar parte de uma atividade em vez de fazer a atividade inteira1. 1 Robbins, Stephen P. Comportamento Organizacional. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 4 Quando a especialização do trabalho é exagerada, normalmente os empregados se especializam em tarefas simples e repetitivas. A maioria dos administradores hoje em dia não vê a especialização do trabalho nem como uma coisa obsoleta nem como uma fonte inesgotável de aumento de produtividade. Sabe-se que ela pode gerar economias em certos tipos de trabalho, e problemas quando levadas a extremos. Você vai encontrar, por exemplo, alta especialização de trabalho sendo adotada pela rede McDonald´s para fazer e vender sanduíches (embora exista uma rotação de cargos). Por outro lado, empresa como a Saturn Corporation têm obtido sucesso ampliando o escopo das tarefas e reduzindo a especialização. 9 Departamentalização No período pré-Revolução Industrial predominavam as manufaturas, “empresas” compostas na maioria das vezes por famílias inteiras, onde o pai (autoridade patriarcal) era responsável pelo planejamento das atividades, bem como participava diretamente do processo produtivo. Os novos modelos de organização advindos da Revolução Industrial, complexos e com grande número de trabalhadores demandaram a especialização das atividades como forma de garantir a eficiência. Nesse sentido, podemos entender a Departamentalização como uma especialização no nível dos departamentos. A fim de cumprir o princípio da homogeneidade, atividades de mesma natureza eram ocupadas e alocadas juntas. Assim, depois de dividir o trabalho por meio da especialização, você precisa agrupar as atividades para que as tarefas comuns possam ser coordenadas. Apesar das aparentes vantagens da especialização, muitas organizações estão abandonando esse princípio. Com tanta especialização, os empregados ficam isolados e fazem apenas uma tarefa simples, repetitiva e chata, o que provoca fadiga psicológica e alienação. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 5 O entendimento dominante é no sentido de que a Departamentalização corresponde a uma especialização horizontal, ou seja, agrupamento de atividades em órgãos que se situam em um mesmo nível hierárquico. Para esses autores, a especialização vertical (criação de órgãos com intuito de incrementar o controle, por exemplo) receberia o nome de Processo Escalar. Entretanto, a posição minoritária (tanto a especialização horizontal quanto a vertical são chamadas de Departamentalização) foi adotada em uma das antigas provas da UnB. Atenção ao fazer a prova! A Departamentalização pode se feita das seguintes formas: A – por Função: corresponde à reunião de todos os especialistas em um único órgão. Cada departamento exerce uma função típica dos elementos que o compõe. DIREÇÃO DEP. PROD DEP. SEGURANÇA DEP. COMERCIAL É indicado para empresas que desenvolvem atividades rotineiras, onde se exige pouca flexibilidade. VANTAGENS DESVANTAGENS • Menor custo; • Diminuição da cooperação interdepartamental; • Facilidade de treinamento; • Facilidade de coordenação; • Possibilidade de priorização dos objetivos departamentais em detrimento dos objetivos globais. • Definição de competências. B – Por Produto ou Serviço: divide a empresa em unidades de produção. Esse tipo é indicado para situações onde a flexibilidade é exigida. DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO PROD. A PROD. B PROD. C ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 6 VANTAGENS DESVANTAGENS • Aloca responsabilidades do produto a um departamento; • O sucesso do produto é o sucesso do departamento; • Aumento do custo, na medida em que se faz necessária a presença de especialistas da mesma área, “um por Departamento”. Cada órgão tem seu setor de Contabilidade, marketing etc. • Facilita a aplicação de mão-de-obra; • Facilita a atividade-fim e a cooperação interdepartamental. C – por Área Geográfica: indicada para empresas que cobrem grandes áreas (multinacionais, por exemplo). HOLDING BRASIL CHILE VENZUELA VANTAGENS DESVANTAGENS • Encoraja executivos; • Dificuldades de coordenação. • Ajuste às condições de marcado; D – por Processo: a Departamentalização corresponde à seqüência do processo produtivo; Cada departamento é um centro de produção. Indicada para situações onde o foco é a tecnologia, que demandam grandes investimentos. DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO FASE 1 ENROLAMENTO FASE 2 PRÉ-MONTAGEM FASE 3 MONTAGEM E – por Projeto: indicado para empresas que produzem por “encomendas”, (estaleiros, construtoras etc.). Nessas empresas, cada produto é um projeto especializado, voltado para atender a necessidade do requisitante. Geralmente exige grande concentração de recursos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 7 DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO PROD. A PROD. B PROD. C A desvantagem é a angústia causada pela possibilidade de perda do cargo, quando o produto fica pronto. F – por outros critérios – utilizada quando os critérios apresentados são insuficientes para o enquadramento das atividades (onde alocar os responsáveis pelo “cafezinho”?). Nesses casos costuma-se alocar-se a órgãos que possuem maior afinidade ou menor carga de trabalho (podendo, então, absorvê-las). A seguir vemos um quadro resumo das características, vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de departamentalização. Tipos de departamentalização Características Vantagens Desvantagens FUNCIONAL Agrupamento por atividades ou funções principais. Divisão do trabalho por especialidade. Auto- orientação. Introversão. Utilização de pessoas e recursos especializados. Adequada para atividade continuada, rotineira e estabelecida a longo prazo. Pequena cooperação interdepartamental. Contra- indicada para circunstâncias ambientais imprevisíveis e mutáveis. PRODUTOS OU SERVIÇOS Agrupamento por resultados quanto a produtos ou serviços. Divisão de trabalho por linhas de produtos/serviços. Ênfase nos produtos e serviços. Orientação para resultados. Define responsabilidades por produtos ou serviços, facilitando a avaliação dos resultados. Melhor coordenação interdepartamental. Maior flexibilidade. Facilita inovação ideal para circunstânciasmutáveis. Enfraquecimento da especialização. Alto custo operacional pela duplicação das especialidades. Contra-indicada para circunstâncias estáveis e rotineiras. Enfatiza a coordenação em detrimento da especialização. FORÇA-TAREFA É uma variante de dimensões menores. Consiste no agrupamento de recursos materiais e humanos para resolução de problemas específicos. É composto por elementos-chaves de diversas especialidades. Ex.: “Comissão do orçamento”, onde são reunidos os Secretários de Planejamento, Administração, elementos da Contabilidade e outros. Resolvido o problema, todos retornam às suas funções de origem. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 8 GEOGRÁFICA OU TERRITORIAL Agrupamento conforme localização geográfica ou territorial. Ênfase na cobertura geográfica. Orientação para o mercado. Extroversão. Ajustamento às condições locais ou regionais. Fixa responsabilidade por local ou região, facilitando a avaliação ideal para firmas de varejo. Enfraquece a coordenação (seja o planejamento, execução e controle) da organização como um todo. Enfraquecimento da especialização. CLIENTELA Agrupamento conforme tipo ou tamanho do cliente ou comprador. Ênfase no cliente. Orientação extroversiva mais voltada para o cliente do que parar si mesma. Predispõe a organização para satisfazer as demandas dos clientes. Ideal quando o negócio depende do tipo ou tamanho do cliente. Fixa responsabilidade por clientes. Torna secundárias as demais atividades da organização (como produção ou finanças). Sacrifica os demais objetivos da organização (como produtividade, lucratividade, eficiência etc.) PROCESSO Agrupamento por fases do processo, do produto ou da operação. Ênfase na tecnologia utilizada. Foque introversivo. Arranjo físico e disposição racional dos recursos. Utilização econômica da tecnologia e do processo. Ideal quando a tecnologia e os produtos são estáveis e permanentes. Contra-indicada quando a tecnologia sofre mudanças e desenvolvimento tecnológico. Falta de flexibilidade e adaptação a mudanças. PROJETOS Agrupamento em função de saídas ou resultados quanto a um ou mais projetos. Requer estrutura organizacional flexível e adaptável às circunstâncias do projeto. Requer alto grau de coordenação entre órgãos para cada projeto. Ideal quando a concentração de recursos é grande e provisória e quando o produto é de grande porte. Orientada para resultados concretos. Alta concentração de recursos e investimentos, com datas e prazos de execução. Adaptação ao desenvolvimento técnico. Ideal para produtos altamente complexos. Concentra pessoas e recursos em cada projeto provisoriamente. Quando termina um projeto, há indefinição quanto a outros. Descontinuidade e paralisação. Imprevisibilidade quanto a novos projetos. Angústia dos especialista quando ao seu próprio futuro. Figura 2– Características, vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de departamentalização,– retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. A Departamentalização não é um fim, mas um meio de organizar a empresa para a consecução de seus objetivos. Entretanto, a separação, qualquer que seja o tipo adotado, cria problemas de coordenação de difícil solução. Quatro são os princípios utilizados que tendem a minorar esse problema: a) Principio de Maior Uso: O departamento que mais uso fizer de uma atividade deve tê-la sob sua jurisdição. b) Princípio de Maior Interesse: O departamento que mais interesse tenha por uma atividade deve supervisioná-la, porque se torna proficiente nela. c) Princípio de separação do Controle: As atividades de controle devem ser autônomas, independentes e separadas das atividades que estão sendo controladas. d) Princípio da Supressão da Concorrência: Deve-se eliminar a concorrência entre departamentos, agrupando atividades diversas ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 9 em um só departamento, para evitar a rivalidade interdepartamental. Vale ressaltar que, na prática, a utilização de um ou outro tipo isolado de Departamentalização é rara. O comum é encontrarmos a “Departamentalização combinada”. 9 Cadeia de Comando A cadeia de comando é uma linha única de autoridade2 que vai do topo da organização até o escalão mais baixo, determinando quem se reporta a quem na empresa. O princípio da unidade de comando ajuda a preservar o conceito de linha única de autoridade. Ele determina que cada pessoa deve ter apenas um superior a quem se reportar diretamente. Se a unidade de comando for quebrada, o funcionário pode ter de enfrentar demandas ou prioridades conflitantes vindas de diferentes chefias. Os conceitos de cadeia de comando, autoridade e unidade de comando têm hoje uma relevância substancialmente menor, por causa dos avanços da tecnologia da computação e da tendência de autonomia dos funcionários. Evidentemente, muitas organizações ainda acreditam que ficam mais produtivas quando reforçam sua cadeia de comando, mas elas parecem estar se tornando minoria. 2 Autoridade se refere aos direitos inerentes a uma posição administrativa para dar ordens e esperar que elas sejam obedecidas. Para facilitar a coordenação, cada posição administrativa é colocada em um lugar na cadeia de comando, e cada administrador recebe um grau de autoridade para realizar suas responsabilidades. A fim de responder às exigências internas e externas, a organização pode desenvolver uma especialização vertical (proporcionando maior número de níveis hierárquicos) e uma especialização horizontal (proporcionando maior número de órgãos especializados, ou seja, Departamentalização). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 10 9 Amplitude de controle A amplitude administrativa ou amplitude de controle significa o número de empregados que se devem reportar a um administrador. Determina quanto um administrador deve monitorar estreitamente seus subordinados. Quanto maior a amplitude de controle, maior é o número de subordinados para cada administrador, e vice-versa. A amplitude administrativa estreita provoca custo administrativo maior, porque existem mais administradores para cuidar de um número menor de pessoas. Com a supervisão mais estreita, as pessoas recebem maior atenção individual e suporte do chefe, mas tem menos autonomia e menos oportunidade para autodireção. A amplitude estreita tende a produzir estruturas altas e alongadas, com mais níveis hierárquicos, comunicações mais lentas e mais dificuldade de coordenação entre os diferentes grupos. Ao contrário, a amplitude de controle larga permite custos administrativos menores, porque existem menos administradores para cuidar de um número maior de pessoas. Como os subordinados são mais numerosos, a tarefa administrativa é mais difícil, pois o administrador deve dispersar seus esforços entre maior número de subordinados. As pessoas são encorajadas a desenvolver mais habilidades e maior iniciativa, pois têm maior oportunidade para exercitar seu próprio julgamento na tomada de decisão a respeito de seu trabalho. Uma maior amplitude de controle tende a produzir estruturas organizacionais mais baixas e achatadas, nas quais o número de níveis hierárquicos é menor, proporcionandocomunicação direta entre as pessoas situadas nos níveis mais baixos e mais alto da organização. Organizações altas e organizações achatadas A amplitude de controle média utilizada por uma organização determina se sua estrutura organizacional será alta ou achatada. Organização “achatada” (horizontalizada) Uma estrutura achatada tem uma amplitude geral ampla, dispersada e tem poucos níveis hierárquicos, apresentando um formato horizontalizado ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 11 9 Centralização/Descentralização O grau de centralização/descentralização refere-se ao quanto a autoridade para tomar decisão está centrada no topo ou dispersa na base da organização. A centralização significa que a autoridade para decidir está localizada no topo da organização. A descentralização significa que a autoridade para decidir está dispersa nos níveis operacionais mais baixos. Dica: Há hoje uma forte tendência para a descentralização nas empresas. As principais vantagens da centralização são um melhor método de controle e redução de custos. As principais vantagens da descentralização são a agilidade no processo decisório, a estimulação de independência e criatividade nas pessoas e as novas tecnologias, que tem permitido uma maior descentralização da autoridade, uma vez que a TI (tecnologia de Informação) permite que a autoridade seja delegada aos níveis inferiores, enquanto a alta administração recebe informação em tempo real. Organização “alta” (verticalizada) Uma estrutura alta produz uma estrutura geral estreita e muitos níveis hierárquicos, apresentando um formato verticalizado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 12 9 Formalização A formalização se refere ao grau em que as tarefas dentro da organização são padronizadas. Quando uma tarefa é muito padronizada, seu responsável tem pouca autonomia para decidir o que, quando e como deve ser feito. Nas organizações altamente formalizadas existem descrições explícitas de tarefas, muitas regras organizacionais e procedimentos claramente definidos sobre os processos de trabalho. Quando a formalização é baixa, os comportamentos são relativamente não programados e os empregados tem uma boa dose de liberdade para decidir sobre o trabalho. Como a autonomia individual é inversamente proporcional à programação do comportamento pela organização, quanto maior a padronização, menor a interferência do funcionário sobre como seu trabalho deve ser realizado. A padronização não apenas elimina a possibilidade dos funcionários adotarem comportamentos alternativos como também elimina a necessidade de eles buscarem alternativas. Um baixo grau de formalização caracteriza a profissão dos corretores da Bolsa de Valores. Eles têm grande autonomia para decidir quando comprar ou vender as ações negociadas. Descentralizam-se as decisões de operações e centraliza-se o controle dos resultados. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 13 1.1.1. Modelos Organizacionais mais comuns ESTRUTURAS TRADICIONAIS: A – Linear: a mais simples de entender e implementar. Esta estrutura é indicada para pequenas empresas e situações estáveis e quando contrata-se assessoria externa. Suas características são: autoridade linear ou única, centralização da decisão, formato piramidal e comunicação formal linear. Organização Linear B – Funcional: aplica o princípio funcional ou especialização. Caracteriza-se pela autoridade diluída, comunicação direta, descentralização e supervisão técnica; Organização Funcional C – Divisional: A abordagem divisional ou divisionalizada ocorre quando os departamentos são agrupados juntos em divisões com base nos resultados organizacionais. Na estrutura divisional, cada divisão é criada como uma ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 14 unidade autocontida e auto-suficiente para produzir um determinado produto ou serviço. Cada divisão possui todos os departamentos funcionais necessários para gerar o produto ou serviço ou parte dele. Enquanto na abordagem funcional todos os compradores são agrupados juntos para trabalhar sobre todas as compras da organização, na estrutura divisional existem vários departamentos de compras que são alocados em cada uma das divisões. A abordagem divisional pode ser feita por: • produtos ou serviços • por clientes • por área geográfica • por processos ESTRUTURAS INOVATIVAS: As estruturas inovativas, como um contraponto às tradicionais, surgem como resposta das organizações ass mudanças do ambiente, antes estável, agora turbulento e incerto, fora de controle e de previsão. D – Estrutura matricial, matriz ou organização em grade: é uma estrutura mista, combinando dois tipos de departamentalização (geralmente funcional + produto/serviço/processo/área geográfica). Nela, cada departamento segue a orientação de dois gerentes simultaneamente. É denominada organização em grade ou matriz e envolve cadeias de comando funcionais e divisionais simultaneamente na mesma parte da organização. A matriz tem duas linhas de autoridade: cada unidade se reporta a dois superiores e cada pessoa tem dois chefes. Um para atender à orientação funcional (seja finanças, vendas, etc) e outro para atender à orientação divisional (seja o produto/serviço, cliente, localização geográfica, processo ou para o projeto específico que está sendo desenvolvido). É uma estrutura mista utilizada quando a organização deseja ganhar os benefícios divisionais e manter a especialidade técnica das unidades funcionais. A estrutura divisional é também chamada de estrutura por produtos, estrutura por projetos ou unidades autocontidas. Estas denominações significam a mesma coisa: uma unidade divisional composta de agrupamento de departamentos para torná-la totalmente autosuficiente a fim de produzir determinado resultado ou saída. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 15 A velha estrutura funcional A nova estrutura por equipes Figura 3 – A substituição da estrutura funcional por estrutura de equipes– retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. E – (por equipe) funcional cruzada: é composta de pessoas de vários departamentos funcionais que resolvem problemas mútuos. Cada pessoa reporta-se a seu departamento funcional, mas também reporta-se à equipe. Um dos membros é o líder da equipe. Essas equipes criam uma atmosfera de trabalho em grupo e representam abordagem multidisciplinar na departamentalização, embora não cheguem a constituir órgãos propriamente. As empresas baseadas em computação, como a IBM, Hewlett-Packard, Compaq e Microsoft. Utilizam exaustivamente esta abordagem. F – (por equipe) permanentemente: são constituídas como se fossem departamentos formais na organização. Os seus participantes trabalham juntos e reportam-se ao mesmo gerente para resolver problemas de interesse comum. Na Ford, as equipes permanentes começam notopo da organização, com o escritório do presidente, por exemplo, em que dois ou três executivos trabalham como uma equipe. Nos níveis mais baixos da organização, a equipe permanente lembra a abordagem divisional, porém com um número muito menor de participantes. As equipes consistem de apenas 20 ou 30 membros, cada qual funcionando em uma especialidade. A reengenharia tem Gerente Serviços de Suporte Seguro Saúde Seguro de vida Subscrição Processa- mento Processa- mento Controle Qualidade Assessoria Contábil Assessoria Legal Cliente Líder Equipe de 25 pessoas Equipe de 25 pessoas Equipe de 25 pessoas Cliente ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 16 transformado departamentos funcionais em equipes orientadas para os processos empresariais. Figura 4 – A estrutura matricial– retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Figura 5 – Estrutura matricial de uma empresa multinacional– retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. G – Em redes: essa estrutura (network) desagrega as funções principais da organização, transferindo-as para empresas separadas que são interligadas através de uma pequena organização coordenadora, que passa a ser o núcleo central. Coca-Cola, Pepsi e Mc Donald’s são empresas organizadas em rede no mundo todo. Organização Tradicional Organização Matricial Diretor Produção Vendas Finanças RH Produto A Produto B Produto C Produto D Órgãos Funcionais Órgãos divisionais Presidência Chile México Venezuela Brasil Veículos do Brasil SA Brasil Motors SA Veículos da Venezuela SA Venezuela Motors SA Veículos do México Ltd. México Motors SA Veículos de Chile SA Chile Motors SA Automóveis Motores ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 17 Figura 6 – A organização em redes– retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. H – Organizações virtuais – As organizações virtuais são chamadas não-territoriais ou não-físicas pelo fato de dispensarem escritórios convencionais, prédios e instalações físicas. A organização virtual é extremamente simples, flexível e ágil e totalmente assentada na tecnologia da informação. Ela não tem fronteiras definidas, e seu campo de atuação pode ser alterado rápida e facilmente. É o caso da amazon.com, uma livraria que não tem livros nem estantes e não opera nenhuma loja, mas que pluga autores, editoras, vendedores atacadistas e compradores de livros no varejo em algum lugar no interior de seus computadores interligados. A Amazon é a maior livraria virtual do mundo. I – Organizações híbridas Na grandes organizações, nem sempre é possível adotar um único tipo de estrutura departamental para todos os seus níveis hierárquicos. Na realidade, as grandes organizações têm uma mistura de formas estruturais: elas são organizações híbridas, pois adotam diferentes tipos de departamentalização: a funcional, matricial, etc. Grandes organizações quase sempre apresentam estruturas híbridas com um ou mais tipos de estrutura no nível institucional, outros no nível intermediário e outros ainda no nível operacional. Companhia de Produção (Coréia) Companhia de Distribuição (Estados Unidos) Companhia de Design (Itália) Companhia de Propaganda (Estados Unidos) Companhia de Produção (Brasil) Companhia Central ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 18 Quer ter uma idéia de como esses assuntos podem ser cobrados em sua prova? Tente responder à questão abaixo: Questão 01: (CESPE/UNB - TRE/RS – Analista Judiciário – 2003) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. A estrutura matricial proporciona flexibilidade em ambientes mutáveis que exijam inovação, permitindo uma maior cooperação interdisciplinar entre as diversas divisões da empresa, e garante, ainda, a unidade de comando, que é uma característica de estruturas tradicionais. Está errado. A estrutura matricial rompe com a unidade de comando. Os funcionários dessas organizações tem dois chefes: o gerente funcional e o gerente do departamento de produto. Portanto, a estrutura matricial possui uma dupla cadeia de comando. 1.1.2. Modelo Mecanicista x Orgânico Para muitos autores, há duas categorias principais de modelos organizacionais. Representam dois modelos extremos. Um extremo chamaremos de modelo mecanicista. Ele geralmente é sinônimo de burocracia, com extensa departamentalização, alta formalização, rede limitada de informações (basicamente comunicação descendente) e pouca participação dos baixos escalões no processo decisório. No outro extremo está o modelo orgânico. Ele é achatado, utiliza equipes multifuncionais e multiierárquicas, tem baixa formalização, possui ampla rede de informações (utilizando a comunicação lateral e ascendente, além da descendente) e envolve grande participação no processo decisório. As burocracias constituem um tipo específico de organização, que são as chamadas organizações formais. Dentre as formais, avultuam as chamadas organizações complexas. Elas são caracterizadas pelo alto grau de complexidade na estrutura e processo devido ao grande tamanho (proporções maiores) ou à natureza complicada das operações (como hospitais e universidades). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 19 Responda à questão abaixo: Questão 02: (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. A adhocracia é uma estrutura organizacional cada vez mais utilizada, especialmente nos grandes conglomerados, e uma de suas principais características, o que possibilita uma maior produtividade e desempenho, é o fato de ela contar com uma elevada formalização do comportamento. Errado. Não existe formalização do comportamento na adhocracia. 1.2. Organização da Administração Pública De acordo com o Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 podemos verificar que o Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República auxiliado pelos Ministros de Estado. O Presidente da República e os Ministros de Estado exercem as atribuições de sua competência constitucional, legal e regulamentar com o auxílio dos órgãos que compõem a Administração Federal. Com a nova redação dada pelo Decreto-Lei nº 900 de 1969, respeitada a competência constitucional do Poder Legislativo estabelecida no artigo 46, inciso II e IV, da Constituição, o Poder Executivo regulará a estruturação, as atribuições e funcionamento do órgãos da Administração Federal. O Desenho orgânico normalmente apresenta a forma de Adhocracias que é o oposto de burocracia e significa uma forma organizacional livre e solta, totalmente descentralizada e que utiliza equipes e estruturas horizontais dentro das quais as pessoas trabalham juntas ou em grupos interfuncionais cruzados. Características da Burocracia Impessoalidade Estrutura e hierarquiaNormas e regulamentos Modelos Organizacionais Mecanicista Orgânico Ênfase maior Ênfase menor ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 20 A Administração Federal compreende: I – A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. É o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas do Estado (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada3, de atividades administrativas. II – A Administração Indireta, é o conjunto de pessoas administrativas que, vinculadas à Administração Direta, têm a competência para o exercício, de forma descentralizada4, de atividades administrativas. A administração indireta compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. b) Empresas Públicas – a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito; c) Sociedades de Economia Mista – a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria 3 Ocorre a chamada centralização administrativa quando o Estado executa suas tarefas diretamente, por meio dos órgãos e agentes integrantes da Administração Direta. 4 Ocorre a chamada descentralização administrativa quando o Estado (União, DF, Estados ou Municípios) desempenham algumas de suas funções por meio de outras pessoas jurídicas. A descentralização pressupõe duas pessoas jurídicas distintas: o Estado e a entidade que executará o serviço, por ter recebido do Estado essa atribuição. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 21 à União ou a entidade da Administração Indireta.Neste caso, quando a atividade for submetida a regime de monopólio estatal, a maioria acionária caberá apenas à União, em caráter permanente. d) fundações públicas – a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. Estas entidades adquirem personalidade jurídica com a inscrição da escritura pública de sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes aplicando as demais disposições do Código Civil concernentes às fundações. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987). 1.3. Estrutura do Estado Vamos agora, baseados no Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado, estudar a estrutura do Estado. No Aparelho do Estado é possível distinguir quatro setores: 9 NÚCLEO ESTRATÉGICO. Corresponde ao governo, em sentido lato. É o setor que define as leis e as políticas públicas, e cobra o seu cumprimento. É portanto o setor onde as decisões estratégicas são tomadas. Corresponde aos Poderes Legislativo e Judiciário, ao Ministério Público e, no poder executivo, ao Presidente da República, aos ministros Entende-se por aparelho do Estado a administração pública em sentido amplo, ou seja, a estrutura organizacional do Estado, em seus três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e três níveis (União, Estados-membros e Municípios). O aparelho do Estado é constituído pelo governo, isto é, pela cúpula dirigente nos Três Poderes, por um corpo de funcionários, e pela força militar. O Estado, por sua vez, é mais abrangente que o aparelho, porque compreende adicionalmente o sistema constitucional-legal, que regula a população nos limites de um território. O Estado é a organização burocrática que tem o monopólio da violência legal, é o aparelho que tem o poder de legislar e tributar a população de um determinado território. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 22 e aos seus auxiliares e assessores diretos, responsáveis pelo planejamento e formulação das políticas públicas. No núcleo estratégico, o fundamental é que as decisões sejam as melhores, e, em seguida, que sejam efetivamente cumpridas. A efetividade é mais importante que a eficiência. O que importa saber é, primeiro, se as decisões que estão sendo tomadas pelo governo atendem eficazmente ao interesse nacional, se correspondem aos objetivos mais gerais aos quais a sociedade brasileira está voltada ou não. Segundo, se, uma vez tomadas as decisões, estas são de fato cumpridas. Como estudamos aula passada, existem ainda hoje duas formas de administração pública relevantes: a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BUROCRÁTICA e a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL. A primeira, embora sofrendo do excesso de formalismo e da ênfase no controle dos processos, tem como vantagens a segurança e a efetividade das decisões. Já a administração pública gerencial caracteriza-se fundamentalmente pela eficiência dos serviços prestados a milhares senão milhões de cidadãos. Nestes termos, no núcleo estratégico, em que o essencial é a correção das decisões tomadas e o princípio administrativo fundamental é o da efetividade, entendido como a capacidade de ver obedecidas e implementadas com segurança as decisões tomadas, é mais adequado que haja um misto de administração pública burocrática e gerencial. No núcleo estratégico a propriedade tem que ser necessariamente estatal. 9 ATIVIDADES EXCLUSIVAS. É o setor em que são prestados serviços que só o Estado pode realizar. São serviços em que se exerce o poder extroverso do Estado - o poder de regulamentar, fiscalizar, fomentar. Como exemplos temos: a cobrança e fiscalização dos impostos, a polícia, a previdência social básica, o serviço de desemprego, a fiscalização do cumprimento de normas sanitárias, o serviço de trânsito, a compra de serviços de saúde pelo Estado, o controle do meio ambiente, o subsídio à educação básica, o serviço de emissão de passaportes, etc. Nestes casos, o critério eficiência torna-se fundamental. O que importa é atender milhões de cidadãos com boa qualidade a um custo baixo. Nas atividades exclusivas de Estado, onde o poder extroverso de Estado é exercido, a propriedade também só pode ser estatal. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 23 9 SERVIÇOS NÃO EXCLUSIVOS. Corresponde ao setor onde o Estado atua simultaneamente com outras organizações públicas não-estatais e privadas. As instituições desse setor não possuem o poder de Estado. Este, entretanto, está presente porque os serviços envolvem direitos humanos fundamentais, como os da educação e da saúde, ou porque possuem "economias externas" relevantes, na medida que produzemganhos que não podem ser apropriados por esses serviços através do mercado. As economias produzidas imediatamente se espalham para o resto da sociedade, não podendo ser transformadas em lucros. São exemplos deste setor: as universidades, os hospitais, os centros de pesquisa e os museus. Para o setor não-exclusivo ou competitivo do Estado a propriedade ideal é a pública não-estatal5. Não é a propriedade estatal porque aí não se exerce o poder de Estado. Não é, por outro lado, a propriedade privada, porque se trata de um tipo de serviço por definição subsidiado. A propriedade pública não-estatal torna mais fácil e direto o controle social, através da participação nos conselhos de administração dos diversos segmentos envolvidos, ao mesmo tempo que favorece a parceria entre sociedade e Estado. As organizações nesse setor gozam de uma autonomia administrativa muito maior do que aquela possível dentro do aparelho do Estado. Em compensação seus dirigentes são chamados a assumir uma responsabilidade maior, em conjunto com a sociedade, na gestão da instituição. Também neste caso a eficiência é fundamental. 9 PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PARA O MERCADO. Corresponde à área de atuação das empresas. É caracterizado pelas atividades econômicas voltadas para o lucro que ainda permanecem no aparelho do Estado como, por exemplo, as do setor de infra-estrutura. Estão no Estado seja porque faltou capital ao setor privado para realizar o investimento, seja porque são atividades naturalmente monopolistas, nas quais o controle via mercado não é possível, tornando-se necessário no caso de privatização, a regulamentação rígida. No setor de produção de bens e serviços para o mercado a eficiência é também o princípio administrativo básico e a administração gerencial, a mais indicada. Em termos de propriedade, dada a possibilidade de coordenação via mercado, a propriedade privada é a regra. A propriedade estatal só se justifica quando não existem capitais privados disponíveis - o que não é mais o caso no Brasil - ou então quando existe um monopólio natural. Mesmo 5 Considera-se propriedade pública não-estatal aquela constituída pelas organizações sem fins lucrativos, que não são propriedade de nenhum indivíduo ou grupo e estão orientadas diretamente para o atendimento do interesse público. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 24 neste caso, entretanto, a gestão privada tenderá a ser a mais adequada, desde que acompanhada por um seguro sistema de regulação. Segue um quadro resumo para facilitar sua compreensão: Setor Princípio Administrativo Forma de Administração Forma de Propriedade Núcleo estratégico efetividade burocrática e gerencial estatal Atividades Exclusivas eficiência gerencial estatal Serviços não- exclusivos eficiência gerencial pública não-estatal Produção de bens e serviços eficiência gerencial privada 1.4. Estratégia organizacional Estratégia é a seleção dos meios, de qualquer natureza, empregados para realizar objetivos. O conceito de estratégia nasceu da necessidade de realizar objetivos em situações complexas, principalmente nas quais um concorrente procura frustrar o objetivo de outro. A finalidade da estratégia, segundo Aristótoles, é a vitória. No campo da administração das organizações, a estratégia abrange os objetivos da organização na relação com seu ambiente: a seleção dos produtos e serviços e dos mercados e clientes com os quais a organização pretende trabalhar. No setor das atividades exclusivas e de serviços competitivos ou não exclusivos, o importante é a qualidade e o custo dos serviços prestados aos cidadãos. O princípio correspondente é o da eficiência , ou seja, a busca de uma relação ótima entre qualidade e custo dos serviços colocados à disposição do público. Logo, a administração deve ser necessariamente gerencial. O mesmo se diga, obviamente, do setor das empresas, que, enquanto estiverem com o Estado, deverão obedecer aos princípios gerenciais de administração. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 25 Toda empresa deve elaborar estratégias, mas tendo clara a análise de todos os fatores que podem influenciar o seu traçado e cumprimento. Tais fatores são variáveis existentes no ambiente de mercado, e podem ser internas ou externas ao mercado, determinando sua modelagem, além de mudar as intensidades, os costumes e os acontecimentos do processo de comercialização. Estas variáveis podem ser controláveis ou incontroláveis. Para que se possa decidir sobre quais estratégias poderão dar melhor cumprimento às metas da empresa, devemos antes conhecer cada uma destas variáveis mercadológicas. 9 As variáveis controláveis são aquelas sobre as quais a empresa pode exercer decisão e gerenciamento, resultando em ações táticas que determinem o comportamento no mercado, quais sejam: o produto, a concorrência, o preço, a distribuição, a propaganda e a promoção. Tem relação com o microambiente. O microambiente é o ambiente específico (ou ambiente de tarefa), refere-se ao ambiente mais próximo e imediato de cada organização. É no ambiente específico que se situam os mercados servidos por uma organização: o mercado de clientes, o mercado de fornecedores, o mercado de concorrentes, etc. Cada organização possui seu próprio e específico microambiente como o nicho de suas operações. 9 Já as variáveis incontroláveis são caracterizadas por ocorrências que independem das ações da empresa, mas provocam alterações substanciais no mercado. Tem relação com o macroambiente. O macroambiente é o ambiente geral, é o meio mais amplo que envolve toda a sociedade humana, as nações, organizações, empresas, comunidades, etc. Constitui o cenário mais amplo em que ocorrem todos os fenômenos econômicos, tecnológicos, sociais, legais, culturais, políticos, demográficos e ecológicos que influenciam poderosamente as organizações. A estratégia organizacional é a maneira deliberada de fazer manobras no sentido de administrar suas trocas e relações com os diversos interesses afetados por suas ações. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 26 Planejamento estratégico é o processo de elaborar uma estratégia (ou plano estratégico), com base na análise do ambiente e nos sistemas internos da organização. Segundo Chiavenatto, o Planejamento Estratégico é um processo de formulação de estratégias organizacionais no qual se busca a inserção da organização e de sua missão no ambiente em que ela está atuando. Para Peter Drucker, planejamento estratégico é o processo contínuo de, sistematicamente e com o maior conhecimento possível do futuro contido, tomar decisões atuais que envolvem riscos; organizar sistematicamente as atividades necessárias à execução dessas decisões e, através de uma retroalimentação organizada e sistemática, medir o resultado dessas decisões em confronto com as expectativas alimentadas. A necessidade de planejar estrategicamente é resultado de dois conjuntos de forças principais: Ambiente é tudo aquilo que envolve externamente uma organização. Em outras palavras, é tudo o que está além das fronteiras ou limites da organização. Como o ambiente é muito amplo, vasto, difuso, complexo, não é possível apreendê-lo e compreendê-lo em sua totalidade. Torna-se necessário segmentá-lo a fimde abordá-lo melhor. Assim, o ambiente é desdobrado em dois grandes segmentos: o ambiente geral (ou macroambiente) e o ambiente específico (ou microambiente). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 27 • O primeiro compreende as oportunidades e desafios criados pelos segmentos do ambiente, como concorrência, consumidores, tecnologia, fontes de matéria-prima e outros elementos. • O segundo compreende os problemas e oportunidades que surgem nos sistemas internos da organização, como as competências de seus funcionários, a tecnologia de suas máquinas, equipamentos e processos, sua disponibilidade de capital e outros elementos. 1.4.1. Estratégia de Reforma do Estado De acordo com o Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado, dada a crise do Estado e o irrealismo da proposta neoliberal do Estado mínimo, seria necessário reconstruir o Estado, de forma que ele não apenas garantisse a propriedade e os contratos, mas também exercesse seu papel complementar ao mercado na coordenação da economia e na busca da redução das desigualdades sociais. A reforma do Estado permitiria que seu núcleo estratégico tomasse decisões mais corretas e efetivas, e que seus serviços - tanto os exclusivos, que funcionam diretamente sob seu comando, quanto os competitivos, que estarão apenas indiretamente subordinados na medida que se transformem em organizações públicas não-estatais - operem muito mais eficientemente. Reformar o aparelho do Estado significava garantir a esse aparelho maior governança, ou seja, maior capacidade de governar, maior condição de implementar as leis e políticas públicas. Significava tornar muito mais eficientes as atividades exclusivas de Estado, através da transformação das autarquias em "agências autônomas", e tornar também muito mais eficientes os serviços sociais competitivos ao transformá-los em organizações públicas não-estatais de um tipo especial: as "organizações sociais". O processo de planejamento estratégico consiste em definir objetivos para a relação com o ambiente, levando em conta os desafios e as oportunidades internos e externos. O processo de planejamento estratégico afeta a empresa a longo prazo, porque compreende as decisões sobre os produtos e serviços que a organização pretende oferecer e os mercados e clientes que pretende atingir. Reformar o Estado significa melhorar não apenas a organização e o pessoal do Estado, mas também suas finanças e todo o seu sistema institucional-legal, de forma a permitir que o mesmo tenha uma relação harmoniosa e positiva com a sociedade civil. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 28 A estratégia da reforma do aparelho do Estado está concebida a partir de três dimensões: institucional-legal, trata da reforma do sistema jurídico e das relações de propriedade. Permite mudanças estruturais no funcionamento do aparelho do Estado, já que pressupõe a eliminação dos principais entraves no sistema jurídico-legal. cultural, centrada na transição de uma cultura burocrática para uma cultura gerencial. Viabiliza a operacionalização da cultura gerencial centrada em resultados através da efetiva parceria com a sociedade, e da cooperação entre administradores e funcionários. abordagem da gestão pública a partir do aperfeiçoamento da administração burocrática vigente e da introdução da administração gerencial, incluindo os aspectos de modernização da estrutura organizacional e dos métodos de gestão. Possibilita concretizar novas práticas gerenciais e assim obter avanços significativos, ainda que os constrangimentos legais não sejam totalmente removidos. Analise a questão abaixo: Questão 03: (CESPE/UNB - TCE/PE - Auditor das Contas Públicas – 2004) Quanto à administração pública e à reforma do Estado contemporâneo, julgue os itens seguintes. Melhorar a organização e seu pessoal Melhorar finanças e sistema instituconal-legal Núcleo estratégico – decisões mais corretas e efetivas Serviços operando mais eficientemente Maior governança Mais eficiência – atividades exclusivas do Estado Mais eficiência – serviços sociais competitivos Estas dimensões, ainda que guardem certa independência, operarão de forma complementar. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 29 Pelo proposto no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, órgãos com atribuição de fiscalização seriam considerados executores de atividades exclusivas de Estado e deveriam ser transformados em organizações sociais. Errado. Está errado porque o serviços sociais competitivos é que deveriam ser transformados em organizações sociais, e não os órgãos fiscalizadores. 1.4.2. Gestão estratégica de qualidade Segundo o professor Afonso Neto, mestre pela UnB, a seguinte metodologia deve ser observada para a implantação de uma gestão estratégica de qualidade: • A definição da abordagem estratégica que vai ser adotada, consiste na escolha das ferramentas utilizadas, para que se alcance a excelência e a satisfação de todos os envolvidos no processo. • Análise ambiental externa e interna. A externa são as ameaças e oportunidades, a conjuntura, as leis, as políticas e a economia, que de certa forma, influenciariam a empresa. Já a análise interna é o conhecimento dos pontos fortes e fracos da organização. • Mapeamento dos atores, ou seja, aqueles que integram o cenário da organização, a capacidade de influenciar significativamente ou não a organização. A identificação dos atores deve ser positiva, ou seja, identificar somente aqueles que contribuam para a excelência, criando alianças e conflitos em virtude dos objetivos individuais de cada um. São funcionários, clientes, concorrentes, fornecedores e universidades, por exemplo. • Em outras palavras: definiríamos a metodologia a ser utilizada (sempre com fulcro na qualidade), consoante com a missão da entidade, efetuaríamos a análise de competência (análise dos pontos fortes e fracos e das ameaças de oportunidades) e procederíamos a avaliação de cenários (podendo ser pessimistas – quando prevalecem os pontos fracos e mais ameaças – ou otimistas – quando prevalecem os pontos fortes e as oportunidades. Por fim, trataríamos da análise dos recursos humanos. 1.4.3. Tendências da Nova Era O foco nas competências essenciais, ou seja, a empresa estaria preocupada com a sua missão (sua atividade principal) e terceirizaria todo o resto, que, a princípio, representaria um menor custo com maior eficiência. Negócios a qualquer tempo e lugar. O redesenho constante, a aplicação da reengenharia. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 30 Aprendizado contínuo, educação continuada. Habilidades mais amplas ao invés de especialização, como prescrevia a administração científica. Estruturas flexíveis, virtuais, não hierárquicas. Grupos de trabalho ao invés de trabalhos individuais. Maior atenção ao treinamento do elemento humano, a co-gestão como ferramenta de motivação; a teoria Y. Liderança ao invés de autoridade. Utilização de parcerias, com o objetivo de maior acesso à tecnologia, ao capital, às instalações e aos clientes. Vínculos empregatícios transitórios, ou seja, pessoas ligadas ao trabalho enquanto agregam valor. As recompensas com base em resultados. Fronteiras permeáveis, ou seja, a empresa não se fechando em si mesma e absorvendo commaior facilidade as mudanças ambientais. Localização virtual. Sistema de gestão voltado para fora, para novas tecnologias, visão integrada, holística, não- compartilhada, não-segmentada. 2. Cultura Organizacional Cultura é um termo genérico utilizado para significar duas acepções diferentes. De um lado, o conjunto de costumes e realizações de uma época ou de um povo, e, de outro, artes, erudição e demais manifestações mais sofisticadas do intelecto e da sensibilidade humana consideradas coletivamente. A cultura organizacional nada tem a ver com isso. No estudo das organizações, a cultura equivale ao modo de vida da organização em todos os seus aspectos, como idéias, crenças, costumes, regras, técnicas, etc. Nesse sentido, todos os seres humanos são dotados de cultura, pois fazem parte de algum sistema cultural. Em função disso, toda pessoa tende a ver e a julgar as outras culturas a partir de sua própria cultura. A cultura organizacional, ou cultura corporativa é o conjunto de hábitos e crenças, estabelecidos por normas, valores, atitudes e expectativas, compartilhado por todos os membros da organização. Constitui o modo institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 31 Segundo Mintzberg, a cultura organizacional é integrada por crenças comuns que se refletem nas tradições e nos hábitos, bem como em manifestações mais tangíveis – histórias, símbolos, ou mesmo edifícios e produtos. Choo entende cultura organizacional como um tipo de conhecimento que consiste nas crenças que influenciam a experiência da organização. A organização geralmente usa o seu conhecimento cultural para dar respostas a questões do seu dia-a-dia. Por exemplo: a importância de formar equipes de trabalho. Se o repertório de conhecimento da organização indicar que as equipes são importantes, certamente elas receberão o patrocínio de que necessitam: caso contrário, sofrerão impactos que dificultarão o seu desenvolvimento. A cultura representa o universo simbólico da organização e proporciona um referencial de padrões de desempenho entre funcionários, influenciando a pontualidade, produtividade e a preocupação com a qualidade e serviço ao cliente. Exprime a identidade da organização. A cultura organizacional é a maneira costumeira ou tradicional de pensar e fazer as coisas, que são compartidas por todos os membros no ambiente da organização em determinado tempo e que os novos membros devem aprender e aceitar para serem aceitos no serviço da organização. Segundo Chiavenatto, cultura organizacional é a maneira pela qual cada organização aprendeu a lidar com o seu ambiente e com os seus parceiros (funcionários, acionistas, clientes, etc.) É uma complexa mistura de pressuposições, crenças, valores, comportamentos, histórias, mitos, metáforas e outras idéias que, juntas, representam a maneira particular de uma organização funcionar e trabalhar em determinado tempo. Portanto, as pessoas regem seus comportamentos A essência da cultura de uma empresa é expressa pela maneira com que ela faz seus negócios, trata seus clientes e funcionários, o grau de autonomia ou liberdade que existe em suas unidades ou escritórios e o grau de lealdade expresso por seus funcionários a respeito da empresa. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 32 segundo os ditames da cultura da organização. Entender a sua interação é que nos leva, não aos efeitos, mas as causas determinantes da qualidade de vida da organização ou da ausência dela. O iceberg da cultura organizacional A cultura reflete um iceberg. Apenas 10 ou 20% do iceberg fica acima do nível da água e constitui a parte visível. A maior parte permanece oculta sob as águas e fora da visão das pessoas. A figura abaixo mostra o iceberg da cultura organizacional. Aspectos formais e abertos • Estrutura organizacional • Descrição de cargos • Objetivos e estratégias • Tecnologia e práticas operacionais • Políticas e diretrizes de pessoal • Métodos e procedimentos • Medidas de produtividade física e financeira Aspectos informais e ocultos • Padrões de influenciação e de poder • Percepções e atitudes das pessoas • Sentimentos e normas de grupos • Valores e expectativas • Padrões de interações informais • Normas grupais • Relações afetivas Figura 7. O iceberg da cultura organizacional. Extraído do Livro Gestão de Pessoas, Idalberto Chiavenato. Componentes da cultura organizacional Toda cultura se apresenta em três diferentes níveis: artefatos, valores compartilhados e pressuposições básicas: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 33 1) Artefatos: Estruturas e processos organizacionais visíveis, mais fáceis de decifrar e de mudar (arquitetura da organização). 2) Valores compartilhados: Filosofias, estratégias e objetivos (justificativas aceitas por todos os membros). Focaliza a maneira como as situações são tratadas e os problemas são enfrentados na organização. 3) Pressuposições básicas: Crenças inconscientes, percepções, pensamentos e sentimentos. Fontes mais profundas de valores e ações. Importante: Para que uma empresa permaneça no mercado, é necessário que a cultura organizacional acompanhe a cultura da sociedade através de mudanças na sua própria cultura. Isso a permitirá acompanhar o processo evolutivo sofrido pela sociedade local e global. Vamos praticar? Questão 04: (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) A cultura organizacional é um tema que vem sendo amplamente debatido no âmbito da teoria das organizações, sendo que, por meio da compreensão desse sistema de significados partilhados mantidos pelos membros de determinada organização, é possível conhecê-los e tentar gerenciá-los de modo a garantir os retornos esperados pela organização. No que se refere à cultura organizacional, julgue os itens que se seguem. Diferentemente dos rituais, cerimônias e normas, os valores não podem ser considerados como elementos da cultura organizacional, tendo em vista que esses valores se modificam na medida em que a organização tem de responder a diferentes transformações no ambiente externo. Errado. Conforme estudamos, a cultura organizacional, ou cultura corporativa é o conjunto de hábitos e crenças, estabelecidos por normas, valores, atitudes e expectativas, compartilhado por todos os membros da organização. Constitui o modo institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização. A cultura não existe fora de um grupo que a possua, e nem poderá ser formada a não ser em um grupo com uma história em comum. Nas organizações a cultura é continuamente formada; sempre existirão processos de aprendizagem em andamento e as coisas aprendidas, quando enraizadas, dão estabilidade da grupo e tornam-se difíceis de mudar. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 34 3. Mudança no setor público A mudança é um aspecto essencial da criatividade e inovação no setor público. A mudança está em toda parte: nas organizações, nas pessoas, nos clientes, nos produtos e serviços, na tecnologia, no tempo, no clima... A mudança representa uma das principais características dos tempos modernos. Para Kurt Lewin, a mudança significa a passagem de um estado para outrodiferente. A mudança envolve transformação, interrupção, perturbação, ruptura, dependendo de sua intensidade. Ela constitui um processo composto de três etapas: descongelamento, mudança e recongelamento. 1) Descongelamento: Significa a percepção da necessidade de mudança. Tarefa do gestor: Criar um sentimento de necessidade de mudança. Através de: • Incentivo à criatividade e inovação, a riscos e erros. • Boas relações com as pessoas envolvidas. • Ajuda as pessoas com comportamento pouco eficaz. • Minimização das resistências manifestadas à mudança. 2) Mudança ou movimento: Fase em que novas idéias e práticas são aprendidas, de modo que as pessoas passam a pensar e executar de uma nova maneira. Tarefa do gestor: Implementar a mudança. Através de: • Identificação de comportamentos novos e mais eficazes. • Escolha de mudanças adequadas em tarefas, pessoas, cultura, tecnologia, tecnologia e/ou estrutura. Descongelamento Mudança Recongelamento ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 35 • Ação para colocar as mudanças na prática. 3) Recongelamento: Significa que o padrão aprendido foi incorporado à prática atual e passa a ser a nova maneira que a pessoa adota no seu comportamento. Tarefa do gestor: Estabilizar a mudança. Através de: • Criação da aceitação e de continuidade de novos comportamentos. • Estímulo e apoio necessário às mudanças. • Uso de recompensas contingenciais de desempenho e reforço positivo. O agente de mudança detém o papel de quem inicia o processo e ajuda a fazer acontecer a mudança. Os especialistas de RH estão se tornando consultores internos, enquanto os gerentes de linha estão se tornando agentes de mudanças dentro das organizações. Para funcionar como facilitador do processo de mudança, o gerente de linha deve atuar de maneira a incentivar as etapas de descongelamento, mudança e recongelamento. O processo de mudança ocorre dentro de um campo de forças que atuam dinamicamente em vários sentidos. De um lado, existem forças positivas de apoio e suporte à mudança e, de outro, forças negativas de oposição e resistência à mudança. Em toda organização, existe uma balança dinâmica de forças positivas que apóiam e impulsionam a mudança de forças negativas que a restringem e a impedem. O agente de mudança deve tentar maximizar o efeito das forças positivas e minimizar o efeito das negativas para poder conduzir o processo de mudança Agente de mudança é a pessoa de dentro ou de fora da organização que conduz ou guia o processo de mudança em uma situação organizacional. Pode ser um membro da organização, um consultor interno ou externo. Apoio Oposição ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 36 com eficácia. Toda mudança rompe a rotina e impõe uma ruptura com relação ao passado. Quando falamos sobre mudanças, não podemos deixar de falar sobre a sua resistência.... Os indivíduos acham difícil a mudança porque ela diminui a previsibilidade ambiental e frequentemente produz ansiedade por interromper o “fluxo” aprendido da vida organizacional. As pessoas muitas vezes resistem à mudança por causa dos efeitos indesejáveis que ela exerce nos indivíduos. Paradoxalmente, no entanto, a mudança é considerada necessária para o bem-estar da organização, e, portanto, para seus membros, que são os que resistem a ela. Segundo Robbins, a resistência nem sempre aparece de maneira uniformizada, podendo ser aberta, implícita, imediata ou protelada. Quando a resistência é aberta ou imediata torna-se mais fácil, para os administradores, enfrentá-las; ao contrário de quando ela é implícita ou protelada, pois são mais sutis, como, por exemplo, a perda de lealdade à organização e perda de motivação para o trabalho, mais difíceis de serem identificadas. 4. Mudança e dimensão cultural da Reforma do Aparelho do Estado Praticamente todos os entraves à reforma estão diretamente relacionados com a cultura burocrática existente no país, intensamente preocupada em evitar as práticas clientelistas ou patrimonialistas. Como sabemos, historicamente a dominação racional-legal ou burocrática surgiu no século XIX como uma forma superior de dominação, legitimada pelo uso da lei, em contraposição ao poder tradicional (divino) e arbitrário dos príncipes e ao afeto das lideranças carismáticas. Surgiu, portanto, como uma reação à cultura patrimonialista, então dominante. Sua afirmação implicou o desenvolvimento, no nível da administração pública, de uma cultura A resistência à mudança é um grande obstáculo em qualquer esforço de mudança planejado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 37 burocrática, que, no plano político, correspondeu à prevalência do Estado liberal e à correspondente ideologia liberal, que o direito administrativo expressa bem. Esta cultura burocrática não reconhece que o patrimonialismo, embora presente como prática, já não constitui mais valor hoje no Brasil. Não reconhece que os políticos, em uma democracia, são crescentemente controlados por seus eleitores. Por isso, ela mantém uma desconfiança fundamental nos políticos, que estariam sempre prontos a subordinar a administração pública a seus interesses eleitorais. Na prática, o resultado é uma desconfiança nos administradores públicos, aos quais não se delega autoridade para decidir com autonomia os problemas relacionados com os recursos humanos, materiais e financeiros. Explica-se daí a rigidez da estabilidade e dos concursos, o formalismo do sistema de licitações, e o detalhismo do orçamento. Esses obstáculos a uma administração pública eficiente só poderão ser superados quando, conjuntamente com a mudança institucional-legal ocorra uma mudança cultural no sentido da administração pública gerencial. Esta cultura, fortemente marcada pelo patrimonialismo recente, tem ainda um forte caráter burocrático, pois parte de uma desconfiança fundamental na possibilidade de cooperação e de ação coletiva. Os indivíduos são vistos como essencialmente egoístas e a-éticos, de forma que só o controle a priori, passo a passo, dos processos administrativos permitirá a proteção da coisa pública. A mudança para uma cultura gerencial é uma mudança de qualidade. Não se parte para o oposto, para uma confiança ingênua na humanidade. O que se pretende é apenas dar um voto de confiança provisório aos administradores, e controlar a posteriori os resultados. Só esse tipo de cultura permite a parceria e a cooperação. Só através dela será possível viabilizar não apenas as diversas formas de parceria com a sociedade, como também a cooperação no nível vertical entre administradores e funcionários públicos, entre governo e sindicatos de funcionários. A verdadeira eficiência é impossível sem essa parceria e essa cooperação. Por outro lado, os controles a posteriori dos resultados deverão ser extremamente severos. A administração pública burocrática, produto de um estágio inferior da sociedade, muito mais autoritário e classista, enfatiza os processos porque sabe ou supõe que não poderá punir os transgressores. A administração pública gerencial enfatiza os resultados porque pressupõe que será capaz de punir os que falharem ou prevaricarem. A transição para uma administração pública gerencial só seria possível se, ao mesmo tempo que se aprovam as mudanças legais, possam haver mudanças na cultura administrativa do país.ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 38 5. Questões de concursos anteriores Vamos refazer as questões estudadas em aula: Questão 01: (CESPE/UNB - TRE/RS – Analista Judiciário – 2003) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. A estrutura matricial proporciona flexibilidade em ambientes mutáveis que exijam inovação, permitindo uma maior cooperação interdisciplinar entre as diversas divisões da empresa, e garante, ainda, a unidade de comando, que é uma característica de estruturas tradicionais. Questão 02: (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. A adhocracia é uma estrutura organizacional cada vez mais utilizada, especialmente nos grandes conglomerados, e uma de suas principais características, o que possibilita uma maior produtividade e desempenho, é o fato de ela contar com uma elevada formalização do comportamento. Questão 03: (CESPE/UNB - TCE/PE - Auditor das Contas Públicas – 2004) Quanto à administração pública e à reforma do Estado contemporâneo, julgue os itens seguintes. Pelo proposto no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, órgãos com atribuição de fiscalização seriam considerados executores de atividades exclusivas de Estado e deveriam ser transformados em organizações sociais. Questão 04: (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) A cultura organizacional é um tema que vem sendo amplamente debatido no âmbito da teoria das organizações, sendo que, por meio da compreensão desse sistema de significados partilhados mantidos pelos membros de determinada organização, é possível conhecê-los e tentar gerenciá-los de modo a garantir os retornos esperados pela organização. No que se refere à cultura organizacional, julgue os itens que se seguem. Diferentemente dos rituais, cerimônias e normas, os valores não podem ser considerados como elementos da cultura organizacional, tendo em vista que esses valores se modificam na medida em que a organização tem de responder a diferentes transformações no ambiente externo. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 39 Prontos para novas questões? Vamos lá! 05. (CESPE/UNB - TCE/PE - Auditor das Contas Públicas – 2004) Quanto à administração pública e à reforma do Estado contemporâneo, julgue os itens seguintes. a) O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado priorizava o planejamento estratégico das organizações públicas em vez da reestruturação organizacional. b) Uma das principais diferenças entre a administração pública burocrática e a administração pública gerencial reside nos mecanismos de controle. No primeiro caso a ênfase é no controle de procedimentos enquanto no segundo controlam-se os resultados. c) É correto afirmar que as agências reguladoras enquadram-se, pelas suas atribuições e características, no setor implementador de “atividades exclusivas de Estado”, como um tipo de agência executiva. d) O termo publicização refere-se à estruturação de entidades prestadoras de serviços não-exclusivos de Estado em organizações de natureza pública não- estatal, como as organizações sociais. 06. (CESPE/UNB - STJ – Analista Judiciário – 2004 Acerca da gestão estratégica, julgue os itens seguintes. a) A gestão estratégica é fundamental no âmbito da modernização de organizações do setor público. Pensar e planejar em termos estratégicos torna-se extremamente relevante para a administração, que deve, de maneira participativa, definir missão, objetivos gerais e específicos e estratégias, de modo que a organização possa responder positivamente às demandas da sociedade. b) O controle estratégico envolve algumas decisões fundamentais como a modificação de objetivos e metas tendo em vista mudanças ambientais, mas não envolve algumas decisões, como a modificação de estratégias e as políticas estabelecidas anteriormente. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 40 07. (CESPE/UNB - SEAD/PGEPA – Técnico em procuradoria – 2007) A respeito das entidades que compõem a administração indireta, assinale a opção incorreta. A) Sociedades de economia mista são entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado, criadas por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua minoria à União ou a entidade da administração indireta. B) Autarquias compreendem o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da administração pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizadas. C) Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criada por lei para a exploração de atividade econômica que o governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa, podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. D) Fundação pública é toda entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. 08. (CESPE/UNB - TRE/AL – Analista Judiciário – 2004) No que se refere a aspectos gerais das organizações, julgue os itens subseqüentes. a) O planejamento está intimamente relacionado com o processo racional de tomada de decisão: estruturam-se as escolhas que são feitas e elimina-se o risco ou as decisões arriscadas. b) A descentralização tende a aumentar a necessidade de controle por resultados. c) As estruturas funcionais são menos burocratizadas, exigem menor número de analistas para formalização do trabalho e requerem um maior número de níveis na hierarquia da organização. d) A estrutura com base no mercado, diferentemente da estrutura funcional, tende a não ter vantagens em termos da economia de escala. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 41 09. (CESPE/UNB - TRE/RS – Analista Judiciário – 2003) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. a) As estruturas inovativas, como a departamentalização por projetos, diferentemente das estruturas tradicionais, como a funcional, possuem como características básicas o baixo nível de formalização e a elevada diversificação. b) As desvantagens da departamentalização por produtos incluem o risco de aumento de custos, pela duplicidade de atividades nos vários grupos de produtos, e de dificuldades na coordenação dos resultados esperados de cada grupo de produtos. 10. (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) No que se refere à estrutura organizacional, julgue os itens a seguir. a) Uma das principais desvantagens da adhocracia é não utilizar instrumentos de interligação entre as diversas áreas de trabalho. b) Um dos principais aspectos da estrutura matricial está no fato de ela romper com o princípio na unidade de comando. c) Algumas das vantagens da estrutura funcional com relação à estrutura por projetos são a maior preocupação com o aperfeiçoamento dostécnicos, a maior qualidade técnica dos trabalhos e o fato de ter menor especialização. d) As estruturas tradicionais utilizam especialmente a comunicação vertical. e) Uma estrutura agrupada pelo mercado, como a agrupada por clientes, em como um de seus principais pontos fortes a flexibilidade, maior do que se a organização se estruturasse tendo em vista as funções. 11. (CESPE/UNB - TRE/PA – Anaçista Judiciário – 2007) Após a seleção e o estabelecimento dos objetivos organizacionais, é preciso definir a estratégia e as táticas para alcançá-los. Nesse sentido, é correto afirmar que A) a estratégia, como um fim, é definitiva, não devendo ser reavaliada e revista periodicamente. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 42 B) a estratégia deve ser decidida no nível institucional da organização e sua orientação deve ser voltada para o longo prazo. C) o planejamento estratégico está circunscrito à análise do ambiente externo à organização, enquanto a análise das condições internas é objeto dos planos táticos e operacionais. D) a tática envolve a totalidade da organização, em todos os seus níveis, enquanto a estratégia é específica para as circunstâncias que se relacionam a cada unidade ou setor do ente ou entidade. E) a análise da conjuntura econômica e das tendências sociopolíticas não integra as ações do planejamento tático ou estratégico, pois elas são variáveis sobre as quais a organização não pode atuar. 12. (CESPE/UNB - SEAD/PGEPA – Técnico em Procuradoria – 2007) Acerca de cultura organizacional e trabalho em equipe, julgue os itens abaixo. Normas, ambiente interno e vocabulário específico são elementos formadores de cultura organizacional. 13. (CESPE/UNB - Petrobrás – Administrador Junior – 2004) A cultura organizacional é um tema que vem sendo amplamente debatido no âmbito da teoria das organizações, sendo que, por meio da compreensão desse sistema de significados partilhados mantidos pelos membros de determinada organização, é possível conhecê-los e tentar gerenciá-los de modo a garantir os retornos esperados pela organização. No que se refere à cultura organizacional, julgue os itens que se seguem. a) A cultura organizacional auxilia na transmissão de um sentido de identidade para os membros da organização e pode ser compreendida como um mecanismo de controle. b) Uma das principais funções da cultura organizacional é a de auxiliar no processo de comprometimento organizacional. c) A socialização organizacional é um importante mecanismo para que a organização possa apresentar a seus novos empregados em que consiste a sua cultura. d) Muitas organizações contam com um importante elemento da cultura organizacional, a saga, em que, por meio de uma narrativa histórica que venha a descrever realizações fantásticas de líderes ou de ex-líderes da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 43 organização, as pessoas possam se inspirar e buscar a inserção nas convicções fundamentais da organização em que trabalham. 14. (Unb/CESPE – STM – Analista Judiciário – 2004) Julgue os seguintes itens, relativos a administração pública. Cultura organizacional é o conjunto de idéias, normas e valores criados em decorrência da interação cotidiana dos diversos servidores, em suas trocas de experiências e em seu crescimento cultural e profissional. 15. (Cesgranrio – DNPM – Analista Administrativo – 2006) Um dos temas mais investigado pela Psicologia Social é a mudança. A esse respeito, Kurt Lewin ensinou que as mudanças bem-sucedidas devem respeitar três etapas: (A) análise, implementação e controle. (B) descongelamento, movimento e recongelamento. (C) desconstrução, construção e reconstrução. (D) diagnóstico, implementação e prognóstico. (E) avaliação, proposição e acompanhamento. 16. (Cesgranrio – DNPM – Analista Administrativo – 2006) Existe uma grande evidência a respeito da resistência à mudança nas organizações. Em certa medida, essa reação é considerada saudável por oferecer certo grau de estabilidade e previsibilidade ao comportamento organizacional. Contudo, a resistência à mudança nem sempre aparece de maneira padronizada. Ela pode ser aberta, implícita, imediata ou protelada. Do ponto de vista do gestor, é mais fácil enfrentar a resistência quando ela é: (A) aberta e imediata. (B) aberta e implícita. (C) aberta e protelada. (D) implícita e imediata. (E) implícita e protelada. 17. (Fundação Universa – Apex Brasil – Analista Pleno – 2006) Em reunião realizada com todos os funcionários da organização, o consultor transmitiu os trabalhos já realizados e as propostas de mudanças, principalmente para a obtenção da certificação ISO 14001. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 44 Que providências devem ser tomadas para redução das resistências às mudanças? Analise as afirmativas e assinale a alternativa correta. I. Informar que haverá corte nos postos de trabalho. II. Informar aos funcionários o tipo de mudança a ser realizada, a probabilidade de que ela seja adotada e enfatizar os ganhos individuais decorrentes dela. III. Realizar um novo desenho de cargos e demitir os ocupantes dos cargos extintos antes que eles demonstrem insatisfação com o problema, aumentando a resistência a mudanças pelo restante do grupo. IV. Criar um ambiente propício a mudanças, por meio de atitudes positivas da gerência em relação a essa mudança, sendo abertamente demonstrada pelos níveis gerenciais baixo, médio e alto da organização. (A) Todas afirmativas estão certas. (B) Todas afirmativas estão erradas. (C) Apenas 1 afirmativa está certa. (D) Apenas 1 afirmativa está errada. (E) Apenas 2 afirmativas estão certas. 18. (FUMARC – BHTrans – Analista RH – 2003) O campo do Desenvolvimento Organizacional6 está intimamente ligado aos conceitos de mudança e de capacidade adaptativa da organização à mudança. Para se compreender o desenvolvimento organizacional, é necessário conhecer seus pressupostos básicos entre os quais se encontra o conceito de cultura organizacional. Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE o conceito de cultura organizacional segundo Chiavenato (1988). a) Refere-se às formas organizadas de expressão de uma determinada cultura. b) Significa o modo de vida, o sistema de crenças e valores, a forma aceita de interação e de relacionamento que caracterizam cada organização. c) Significa o nível cultural dos funcionários de uma determinada organização. d) Significa o conjunto de organizações que se aglutinam em uma dada cultura e suas formas de relacionamento. 6 O Desenvolvimento Organizacional (DO) é uma abordagem de mudança planejada cujo foco principal está em mudar as pessoas e a natureza e qualidade de suas relações de trabalho. Este assunto ainda será tema de nossas próximas aulas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 45 19. (Comperve – MPE/Paraíba – Técnico de Promotoria – 2007) Considerando as afirmativas abaixo, que tratam da cultura organizacional, identifique com V a(s) verdadeira(s) e com F, a(s) falsa(s): ( ) É impossível para uma organização implementar com sucesso uma estratégia que contradiga sua cultura. ( ) Quanto maior a congruência entre as crenças e atitudes do funcionário e a cultura da organização, maiores as chances de um bom desempenho desse funcionário. ( ) Quanto maior foro conhecimento dos funcionários de uma organização, melhor será a cultura organizacional. ( ) As organizações que valorizam o planejamento têm maiores chances de sucesso na implementação de suas estratégias. ( ) A cultura das empresas privadas influencia menos o comportamento e expectativas dos empregados do que a cultura das organizações públicas. A seqüência correta é: a) V F V F V b) F F V V V c) V V F F F d) F V F F V e) V V V V F 20: (FCC – Prefeitura Municipal de Santos – Administrador – 2005) Cultura organizacional é um conjunto de a) procedimentos informais da organização. b) Normas emitidas pela organização que formam o código de conduta pelo qual todos os seus membros se submetem. c) Pessoas instruídas que atuam como formadoras de opinião dentro da organização. d) Procedimentos formais da organização. e) Mecanismos reguladores e adaptativos de pessoas ou grupos a determinado ambiente, em determinado tempo. 21. (FCC – Bacen – 2005) As culturas não se transformam totalmente em outras culturas. Uma vez existentes, sempre manterão traços desenvolvidos, valores essenciais, o que corresponde (A) às habilidades da cultura. (B) às competências da cultura. (C) à empatia da cultura. (D) às crenças da cultura. (E) à personalidade da cultura. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 46 6. Gabarito 5) a)Errado. O Plano Diretor contempla a reestruturação organizacional, considerando os quatro setores apontados anteriormente. b) Certo. Apenas para relembrarmos a aula passada... c) Errado. As entidades para serem enquadradas como agências executivas devem desenvolver atividades típicas de Estado (caso das agências reguladoras que exercem fiscalização) e celebram contratos de gestão. Somente após preencherem esses requisitos poderão, via decreto presidencial, terem essa qualificação. Assim, não necessariamente serão agências executivas. Vale ressaltar que parte da doutrina entende que as agências reguladoras podem ser enquadradas no núcleo estratégico. d) Certo. Conforme estudamos aula passada, publicização é a transferência dos setores não-exclusivos do Estado do setor estatal para o público não- estatal, onde assumirão a forma de organizações sociais. 6) a) Certo b) Errado. O controle estratégico (macro) envolve decisões como modificação de estratégias. Ocorre quando, por exemplo, uma entidade resolve apostar em um segmento diferente do qual costuma participar. 7) O examinador utilizou a literalidade do Decreto nº 200/67, alterando apenas a palavra “maioria” por “minoria”. Assim, as sociedades de economia mista são entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado, criadas por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da administração indireta. Essa questão exigia que o aluno estivesse com os conceitos bem sedimentados para que não se confundisse com a leitura. Resp: A 8) a) Errado. O planejamento não elimina riscos, apenas os minimiza. b) Certo ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 47 c) Errado. É o contrário. d) Certo. 9) a) Certo b) Errado. Facilidade na coordenação dos resultados. Melhora a coordenação interdepartamental. 10) a) Errado. É uma vantagem. b) Certo c) Errado. Maior especialização. d) Certo. e) Certo. 11) A afirmativa “a” está errada porque a estratégia deve ser revista periodicamente. Sobre a alternativa “c”, o planejamento estratégico deve considerar todas as variáveis possíveis, não somente as externas. A “d” é o contrário. Por fim, a “e” está errada porque mesmo sem poder atuar sobre elas, estas devem ser consideradas. Resp: B 12) Certo. 13) a) certo b) certo c) certo d) certo 14) certo 15) Para Kurt Lewin, a mudança significa a passagem de um estado para outro diferente. A mudança envolve transformação, interrupção, perturbação, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 48 ruptura, dependendo de sua intensidade. Ela constitui um processo composto de três etapas: descongelamento, mudança e recongelamento. Resp: B 16) Conforme estudamos, segundo Robbins, a resistência nem sempre aparece de maneira uniformizada, podendo ser aberta, implícita, imediata ou protelada. Quando a resistência é aberta ou imediata torna-se mais fácil, para os administradores, enfrentá-las; ao contrário de quando ela é implícita ou protelada, pois são mais sutis, como, por exemplo, a perda de lealdade à organização e perda de motivação para o trabalho, mais difíceis de serem identificadas. 17) I. Errada. Seria uma ação que geraria alto índice de desmotivação e incerteza entre os funcionários. II. Correta. Diminui a insegurança e a incerteza. III. Errada. É necessário que a organização desenvolva novos procedimentos de trabalho que reforcem as mudanças que estão sendo implantadas. Novos procedimentos de trabalhos ajudam a quebrar a fidelidade aos antigos valores dos quais a organização quer se afastar. Entretanto, para isso, não é preciso demitir os ocupantes dos cargos, é possível treiná-lo e obter um bom resultado. IV. Correta. Líderes precisam reconhecer que o ambiente e os membros organizacionais se esforçaram para manter as coisas como estavam. Eles precisam influenciar seus funcionários a aceitarem as mudanças e a cooperar. R: E 18) Resp: B 19) Resp: c 1) Verdadeira. É realmente impossível para uma organização implementar com sucesso uma estratégia que contradiga sua cultura. Conforme estudamos na aula passada, a estratégia deve estar em consonância com o modo de vida da organização, como, por exemplo, idéias, crenças, costumes, regras, etc. 2) Verdadeira. Um funcionário que acredita nas mesmas coisas que a organização, tem os mesmos costumes, hábitos, crenças, etc... tem muito mais chances de ser bem sucedido e de estar satisfeito que outro funcionário que sinta o contrário. 3) Falso. Certamente é ótimo ter funcionários com alto conhecimento, entretanto, não adianta o funcionário ser inteligente, capaz, bem treinado, se ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 49 ele não acreditar e “vestir” a camisa da organização, pois ele vai “nadar contra a corrente”. 4) Falso. Na realidade eu considero essa afirmativa parcialmente verdadeira, embora não teríamos nenhuma alternativa correta se considerássemos esta afirmativa verdadeira. Eu acredito que as organizações que valorizam o planejamento têm maiores chances de sucesso na implementação de suas estratégias, entretanto não é somente isso que pode determinar seu sucesso. Seria mais correto dizer que organizações que implementam estratégias condizentes com sua cultura tem mais chances de sucesso. 5) Falso. A cultura influencia o comportamento e expectativas dos empregados da mesma forma em qualquer tipo de organização. 20) A Cultura organizacional seria um conjunto de procedimentos informais da organização? Poderia ser... porque a cultura organizacional representa as normas informais e não escritas que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia-a-dia e que direciona suas ações para o alcance dos objetivos organizacionais. Mas você não achou essa resposta em pouco incompleta? Não poderia ser normas emitidas pela organização que formam o código deconduta porque a cultura representa as normas informais e não escritas. Não poderia ser o conjunto de pessoas instruídas que atuam como formadoras de opinião dentro da organização porque a cultura organizacional representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e reflete a mentalidade que predomina na organização (e não o que predomina nas pessoas, como quis dizer a letra “c”). a cultura organizacional exprime a identidade da organização. A “d” também poderia ser, porque os procedimentos formais fazem parte dos aspectos visíveis (abertos). Mas também não estaria incompleto? Seria só isso? Mas, e a letra “e”? É o gabarito! A letra “e” representa a definição clássica de cultura organizacional. É a maneira pela qual cada organização aprendeu a lidar com o seu ambiente e com os seus parceiros (funcionários, acionistas, clientes, etc.) É uma complexa mistura de pressuposições, crenças, valores, comportamentos, histórias, mitos, metáforas e outras idéias que, juntas, representam a maneira particular de uma organização funcionar e trabalhar em determinado tempo. Portanto, as pessoas regem seus comportamentos segundo os ditames da cultura da organização. Entender a sua interação é que nos leva, não aos efeitos, mas as causas determinantes da qualidade de vida da organização ou da ausência dela. 21– Resposta: E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 50 A cultura exprime a identidade da organização. Assim, por mais que ela se transforme, sua personalidade será sempre mantida. Pensamento da Semana “Não se deve ter medo de dar um grande passo quando for altura disso. Não se pode atravessar um abismo aos saltinhos”. David Lloy George - Estadista Inglês 7. Bibliografia: ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 9ª Edição – São Paulo: Prentice Hall, 2002. Cadernos MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado) nº 2 e nº 9 Cadernos ENAP - Fundação Escola Nacional de Administração Pública nº 10, 19, 4, 1 e 15. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Decreto-lei nº 200/67 Constituição/88 BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos & SPINK, Peter. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Editora FGV, 2001. – 4ª Edição. CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Administração Geral e Pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. MINICUCCI, Agostinho. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo. Editora Atlas, 1995 – 5ª Edição. GRANJEIRO, Wilson J. Administração Pública. Editora Vestcon. 10ª Edição – 2002. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Olá concurseiros! Prontos para mais uma semana de estudos? Nossa prova está muito próxima, portanto, não podemos perder tempo! Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, não podendo ser repassado a terceiros, em caráter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e- mail ou qualquer outro meio de transmissão sob risco de violação do estabelecido na Lei n. º 9.610/1998 e no Código Penal. Desde já agradecemos a compreensão e estamos abertos para qualquer dúvida ou pendência, tanto sobre o material quanto para qualquer outro assunto relacionado ao concurso em questão. Aula 03 – Gestão pública x privada, empreendedorismo, liderança, processos participativos e governo eletrônico Sumário 1. Convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada..........................................2 2. Empreendedorismo governamental ...............................................................................................4 3. Novas lideranças..........................................................................................................................10 4. Processos participativos de gestão pública..................................................................................25 4.1. Conselhos de gestão..................................................................................................................28 4.2. Orçamento participativo ...........................................................................................................29 4.3. Parceria entre governo e sociedade...........................................................................................30 4.3.1. As Organizações Sociais .......................................................................................................30 4.3.2. Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP) ............................................33 5. Governo eletrônico ......................................................................................................................35 6. Questões.......................................................................................................................................39 7. Gabarito .......................................................................................................................................48 8. Bibliografia ..................................................................................................................................56 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 2 1. Convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada A grande diferença entre a gestão pública e privada é que as organizações da Administração Pública se regem por regulamentos e normas dispostos de forma exaustiva, uma vez que “só podem fazer o que a regra permite”. Já as organizações do setor privado podem “fazer tudo, exceto o que as regras coíbem”. Portanto, seus regulamentos e normas podem ser mais simples. É o chamado Princípio Administrativo da Legalidade, decorrente do art. 5º da Carta Magna, aplicada ao setor público, que significa que o agente público deverá agir em conformidade com a Lei, fazendo estritamente o que esta determina. É que alguns autores chamam de legalidade estrita. Diferentemente do particular, a quem é lícito fazer tudo o que a Lei não proíbe (por exclusão, portanto), o servidor pode e deve agir exatamente conforme previsto, limitando-se, assim, sua autonomia. A título de exemplo, pode-se citar a conduta de um auditor-fiscal ao visitar determinado estabelecimento mercantil e constatar a existência de recursos não- contabilizados. Independentemente da peculiaridade do contribuinte (rico, pobre, amigo, inimigo), deverá ser lavrado o auto de infração. Vejamos as principais divergências entre a gestão pública e a gestão privada: Quanto ao interesse: a gestão pública procurará satisfazer o interesse e bem-estar geral (voltada para o bem público), enquanto a gestão privada procura satisfazer os interesses de determinados indivíduos ou grupos (voltada para o bem privado). Como o governo detém a autoridade suprema, espera-se que resolva todos os conflitos dos particulares, garantindo, assim, o bem estar comum. Só pode fazer o que a lei permite Pode fazer tudo o que a lei não proíbe A gestão privada não tem princípios tão bem definidos como os que regem a administração pública. A direção das empresas privadas tem liberdade e flexibilidade para criar sua própria filosofia e seguí-la. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br3 Quanto aos recursos: A gestão privada lida com recursos próprios ou de investidores, e a pública com recursos gerados pelos contribuintes. Quanto ao controle: A teoria das proteções especiais; segundo Weber, como os servidores públicos agem em nome do poder público, dispõem, em virtude disso, de um certo poder de coação, independentemente de seu nível hierárquico; essa autoridade, para que não se torne abusiva, necessita de controles, não só de seu chefe, mas também dos colegas, dos subordinados, do povo e do próprio servidor. A esse controle, Weber denominou Teoria de proteções especiais. Quanto aos objetivos: A gestão pública visa a consecução de seus objetivos em prol do interesse coletivo, sem contudo, buscar lucro em suas atividades. A gestão privada visa o lucro. Vale ressaltar que as organizações públicas que oferecem serviços não exclusivos ao Estado (como as empresas públicas, por exemplo), podem auferir lucro. Assim, os empresários são motivados pela busca do lucro, as autoridades governamentais se orientam pelo desejo de serem reeleitas. As empresas normalmente trabalham em regime de competição; os governos usam habitualmente o sistema de monopólio. No governo, todos os incentivos apontam no sentido de não se cometerem erros. O governos é democrático e aberto; por isso seus movimentos são mais lentos comparados aos das empresas, cujos administradores podem tomar decisões rapidamente, a portas fechadas. Quanto à privacidade: As empresas privadas podem desejar não fornecer determinadas informações que julgar necessário, por questões de competição, por exemplo. Na gestão pública, salvo em áreas de segurança do Estado, não pode haver segredos. Quanto às carreiras e promoções: As carreiras e promoções são mais flexíveis no setor privado, podendo ser revista e reestruturada a qualquer momento de acordo com as necessidades da gestão visando maior satisfação e conseqüentemente maior rentabilidade de seus funcionários, na gestão pública as regras estipuladas para cada órgão devem ser seguidas estritamente. Quanto à contratação: A gestão privada pode contratar pessoal conforme seu interesse, sendo por escolaridade, por experiência, por capacidade profissional, até pelo famoso “QI” (quem indicou!). A gestão pública deve ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 4 contratar através de concursos (salvo situações especiais de cargos de confiança. Estudaremos melhor sobre esse assunto na aula sobre administração de pessoal). Quanto à estrutura: A administração pública tem sua estrutura mais verticalizada e burocratizada, enquanto a gestão privada tende a ser mais horizontalizada e flexível. Adaptações: enquanto na gestão privada o conceito de custo-benefício orienta o processo produtivo, na gestão pública tal conceito não pode ser utilizado em toda sua plenitude, tendo em vista as funções sociais do Estado (alocativa, distributiva, etc.). Assim, nem sempre o mais barato será o melhor para o ente público. Há de se considerar o papel social do Estado. Embora as gestões pública e privada possuam muitas diferenças, algumas convergências podem ser percebidas, tais como a necessidade de planejamento, foco no sucesso do cliente e uso de ferramentas de qualidade total, dentre outras. Segundo Abrucio, a atividade governamental é entendida como algo com uma natureza específica, que não pode ser reduzida ao padrão de atuação do setor privado. Entre as grandes diferenças, a motivação principal dos comandantes do setor público é a reeleição, enquanto os empresários têm como fim último a busca do lucro; os recursos do governo provêm do contribuinte — que exigem a realização de determinados gastos —, e na iniciativa privada os recursos são originados das compras efetuadas pelos clientes; as decisões governamentais são tomadas democraticamente e o empresário decide sozinho ou no máximo com os acionistas da empresa — a portas fechadas; por fim, o objetivo de ambos é diverso, isto é, o governo procura fazer “o bem” e a empresa “fazer dinheiro” (OSBORNE & GAEBLER, 1994: 21- 23). 2. Empreendedorismo governamental Embora não exista um conceito exato para o termo “empreendedorismo” pode-se antever nessa afirmação que o empreendedorismo é uma estratégia chave para o sucesso de uma empresa, e que envolve a capacidade de mudar e inovar rapidamente. A empresa empreendedora é aquela que consegue olhar além do usual, possuindo habilidade de assumir a direção dos processos de transformação e o redirecionamento de seus recursos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 5 Ted Gaebler, um dos autores do livro Reinventando o Governo: Como o espírito empreendedor está transformando o Setor Público, juntamente com David Osborne, que influenciou profundamente os Governos de Bill Clinton e do Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista EXAME chamou a atenção à maneira de injetar competitividade no governo. Disse que o governo precisa tornar-se empreendedor, que precisa também descentralizar a administração, com enfoque na qualidade, em todos os níveis, federal, estadual e local. Ao ser perguntado pela revista EXAME se as administrações públicas podem ser competitivas e gerar lucro, Gaebler responde: “Porque insistimos em pedir aos burocratas que trabalhem a vida inteira usando apenas a metade do cérebro? Uma metade dele sabe que ao assinar o contrato de trabalho, tudo o que o funcionário tem a fazer ao longo dos próximos 40 anos é tratar de gastar direitinho o dinheiro do contribuinte. Mas será que a outra metade do cérebro não poderia ocupar-se com outra questão: como ganhar dinheiro para os cidadãos? Poderia discorrer aqui por cinco dias seguidos e não esgotaria o arsenal de exemplos de como ganhar dinheiro no governo.” Após ser solicitado pela EXAME que ele citasse alguns exemplos que estariam ocorrendo nos Estados Unidos, Gaebler continuou: “O serviço postal americano lançou uma série de selos em homenagem a Elvis Presley, seguindo uma estratégia muito inteligente. Em primeiro lugar, foram lançados cinco selos com imagens de diferentes fases da carreira do cantor, submetidos ao público para que escolhesse os mais bonitos. Apenas dois foram escolhidos e os demais descartados. Em fevereiro deste ano, o correio faturou nada menos que 1,1 bilhão de dólares com esses selos. Uma receita obtida com um serviço que a empresa nem mesmo terá de realizar, uma vez que boa parte dos selos foi comprada por gente que quer guardá-los como lembrança. Estamos despertando para a idéia de que o governo pode ganhar dinheiro. Quando descobrimos que não há problema nisso, veremos que a coisa não tem fim, que as possibilidades são ilimitadas. Um exemplo: em vários Estados Americanos, uma certidão de nascimento custa apenas 9 dólares. Se os pais quiserem uma certidão decorativa, feita em papel especial para colocar na parede, o mesmo serviço sai por 50 dólares. É simplesmente um recurso de marketing para adicionar valor à informação.” Governo empreendedor é o que gera receitas (extratributárias) ao invés de simplesmente incorrer em gastos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 6 Nesta mesma entrevista, Gaebler destaca ainda que é possível administrar o governo como um empreendimento, e que o que mais falta aos governos é energia e paixão. Segundo ele, a visão empreendedora implica envolvimento, flexibilidade e senso de propriedade. Isso significa que se deve prestar atenção à coluna de receitas da mesma forma que se observa acoluna dos gastos. Significa prestar atenção aos clientes, aos fornecedores, aos concorrentes e identificar bem quem são eles. Segundo Granjeiro, o governo empreendedor é o que: procura formas eficientes de administrar. Está disposto a abandonar velhos programas e métodos. É inovador, imaginoso e criativo. Assume riscos. Transforma suas funções em fontes de receita, em vez de pesos sobre o orçamento. Despreza as alternativas convencionais que se limitam a oferecer serviços básicos. Trabalha de acordo com o setor privado. Usa noções comerciais sólidas. Privatiza. Cria empresas e operações geradoras de recursos. Orienta-se pelo mercado. Focaliza a avaliação de desempenho das suas ações. Reconhece o mérito. Faz com que as coisas funcionem e não teme sonhar o grande sonho. Utiliza técnicas de gerenciamento mais inovadoras e eficazes em relação ao custo. O governo empreendedor promove a competição e focaliza resultados e não normas de procedimento. A maioria dos governos empreendedores promove a competição entre os que prestam serviços ao público. Eles dão poder aos cidadãos, transferindo o controle das atividades da burocracia para a comunidade. Medem a atuação das suas agências, focalizando não os fatores utilizados, os insumos, mas sim os resultados. Orientam-se pelos seus objetivos – sua missão – em vez de regras e regulamentos. Redefinem seus usuários como clientes, oferecendo-lhes opções – entre escolas, programas de treinamento, tipos de moradia. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 7 Descentralizam a autoridade, promovendo o gerenciamento com participação. Preferem os mecanismos do mercado às soluções burocráticas. Detêm-se não só no fornecimento de serviço ao público, mas também na catálise de todos os setores – público, privado e voluntário – para a ação conjunta dos problemas da comunidade. O governo empreendedor segundo David Osborne e Ted Gaebler David Osborne e Ted Gaebler em seu livro Reinventando o Governo nos trazem importantes ensinamentos sobre o governo empreendedor. Vejamos uma compilação dos principais pontos. Muitas pessoas pensam nos empreendedores como empresários, isto é, homens e mulheres de negócios. Mas o verdadeiro significado da palavra empreendedor (enterpreneur) é bem mais amplo. Ela foi utilizada inicialmente pelo economista francês J.B. Say por volta de 1800. “O enterpreneur” afirma Say, “movimenta recursos econômicos de um setor de menor produtividade para outro de maior produtividade e melhor rendimento.” Em outras palavras, o empreendedor emprega recursos de novas formas, para maximizar a produtividade e a eficiência. A definição de Say se aplica igualmente ao setor privado, ao setor público e ao setor voluntário. Superintendentes e diretores escolares dinâmicos usam recursos de novas formas para maximizar a produtividade e a eficiência das escolas. Os gerentes de aeroportos investivos fazem o mesmo. Comissários assistenciais, secretários do trabalho, funcionários do Comércio – todos podem desviar recursos para áreas de maior produtividade e melhores resultados. Quando falamos sobre empreendedores públicos referimo-nos precisamente a essas pessoas. Quando falamos sobre o modelo empreendedor queremos indicar situações do setor público que atuam regularmente desta forma – que usam constantemente seus recursos de novos modos, para aumentar sua eficiência e efetividade. Muitas pessoas presumem também que os empreendedores assumem riscos. Elas evitam a noção de governo empreendedor porque, afinal de contas, ninguém quer que os burocratas arrisquem os impostos arrecadados, formados de dinheiro duramente ganho. No entanto, como estudos Governos de mentalidade empreendedora livram-se do velho livro de regulamentos e abandonam as contas. Definem as missões fundamentais e, só então, estabelecem um orçamento e um conjunto de critérios que deixam os funcionários à vontade para perseguir as missões propostas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 8 cuidadosos têm demonstrado, os empreendedores não estão à procura de riscos, mas, sim de oportunidades. Peter Drucker, grande conhecedor da teoria do gerenciamento afirma que praticamente qualquer pessoa pode ser um empreendedor, se a organização do processo produtivo for estruturada para encorajar a inovação. Inversamente, quase todo empreendedor pode se transformar num burocrata se essa organização for estruturada de forma a estimular a conduta burocrática: “Após seis meses na direção de uma instituição destinada a servir o público, especialmente se for governamental, a pessoa mais inovativa e empreendedora passa a se comportar como burocrata de pior espécie, lento e rotineiro, ou como um político ávido de poder”. Uma outra característica que temos reconhecido nos governos empreendedores é uma certa perspectiva de “investimento” ou seja, o hábito de mensurar o retorno dos gastos como se fossem investimentos. A estratégia não visa ganhar dinheiro, mas poupá-lo. Através da avaliação do retorno de seus investimentos, é possível entender quando é que um gasto lhes permitirá poupar dinheiro. As empresas prestam bastante atenção ás duas colunas do balancete: créditos e débitos. Não se importam, em demasia, com cada coluna isoladamente. Gastarão o que for necessário para maximizar seu retorno. Os governos, entretanto, olham apenas a coluna dos gastos. Ao ignorar o retorno, concentram-se pura e tão somente na minimização dos custos. Com freqüência, deixam de dar a devida atenção a investimentos vultuosos que poderiam gerar retorno significativo – tudo por causa dos custos. Vão protelando gastos necessários com a manutenção de estradas, por exemplo, até o dia em que as estradas tem de ser reconstruídas, a um custo três vezes mais alto do que um simples recapeamento. Ignoram o investimento mínimo exigido na assistência médica à gestantes, para depois gastar somas absurdas com bebês prematuros. Na maioria dos governos, poucas pessoas fora dos departamentos financeiros sequer pensam sobre receitas. Ninguém se preocupa com o lucro. A palavra lucro é vista, pelos governos tradicionais, obviamente, como verdadeiro pecado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 9 Transformando administradores em empreendedores Se os administradores não puderem poupar para si parte do lucro obtido, não terão a motivação de buscar tal lucro. É preciso que lhes ofereçamos algum incentivo para que o façam. Os sistemas orçamentários tradicionais não dão aos administradores qualquer incentivo para que poupem ou ganhem dinheiro (uma vez que se houver “sobra” em um ano, o orçamento é “cortado” no ano seguinte). Os orçamentos orientados por missões resolvem este problema ao permitir que cada departamento guarde para si as quantias que, porventura tenham economizado ou gerado. Outro ponto é sobre o capital de inovação. No setor privado, as empresas rotineiramente levantam fundos a fim de investir em oportunidades atraentes. “Via de regra, as empresas modernas mantêm dois tipos de orçamento: um orçamento operacional, e um outro de inovação”, afirma Peter Drucker. Na maior parte dos governos, os administradores ó conseguem estabelecer um orçamento de inovação quando o Conselho Municipal ou o Legislativo local lhes destinam uma dotação extra. É um processo um tanto complicado. Todos entendemos que “para ganhar dinheiro, é preciso gastar dinheiro”, mas, no governo,este princípio raramente é respeitado. Adicionalmente, se quisermos que os funcionários públicos desenvolvam maior “consciência” em relação às receitas, precisamos desenvolver incentivos que os encorajem a ganhar tanto dinheiro quanto gastam. Salários fixos produzem exatamente o contrário. Um administrador contemplado com um gordo orçamento concedido pelo Legislativo agirá de modo idêntico a um adolescente que recebe uma gorda mesada do pai, ou seja, jamais vai-se mover no sentido de ganhar ou poupar mais dinheiro. Por fim, a maioria dos governos não tem a menor idéia de quanto custam os serviços que oferecem. Mesmo se forem capazes de apresentar uma cifra orçamentária destinada a cada serviço, sempre esquecem os “custos indiretos”, tais como gastos administrativos, custos de capital e encargos trabalhistas. Os administradores públicos não podem pensar como investidores ou visar ao lucro, se não têm conhecimento de seus custos reais. Como é que se pode mensurar o retorno de um dado investimento, se ninguém sabe nem mesmo quanto custa esse investimento? Como é que se pode visar o lucro quando não se sabe o quanto se está gastando? ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 10 Resumo: Atenção aos principais conceitos relacionados ao empreendorismo governamental que você não pode esquecer: Inovação permanente Transparência Flexibilidade Aceitação de mudanças Novas lideranças Superação de obstáculos Aceitação de riscos Buscar oportunidades Alcance de resultados efetivos Clara definição de missão Declaração explícita de metas Saber quanto custam os serviços Dar incentivos aos administradores públicos Respeitar o dinheiro gerado pelo contribuinte 3. Novas lideranças Liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida por meio do processo de comunicação humana à consecução de um ou diversos objetivos específicos. È dada em função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste numa relação entre um indivíduo e um grupo. O líder (natural) corresponde ao indivíduo percebido pelo grupo como possuidor dos meios para a satisfação de suas necessidades (do grupo). Um governo empreendedor é transparente e traz à luz seus subsídios, pronto a alterá-los conforme a manifestação popular. É o tipo de governo que busca sempre novas maneiras de gerar receitas com os serviços que oferece. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 11 Temos, portanto, a importância de três elementos: E o processo: A definição de liderança pode ser desdobrada, para fins de melhor esclarecimento da seguinte forma: a) Liderança é um tipo de influenciação entre as pessoas: A influência é um conceito ligado ao conceito de poder e de autoridade, abrangendo todas as maneiras pelas quais se introduzem mudanças no comportamento de grupos ou pessoas. Poder é a capacidade de exercer influência, embora isso não signifique que essa influência seja realmente exercida. Existem vários graus de influência, que vão desde a coação (forçar, constranger mediante pressão, coerção ou compulsão), a persuasão (com conselhos, argumentos ou induções), a sugestão (apresentar uma idéia para que seja ponderada) até a emulação (procurar imitar com vigor, para igualar ou ultrapassar, ou pelo menos chegar a ficar quase igual a alguém). b) A Liderança acontece em uma determinada situação: Ocorre em uma dada estrutura social decorrente da distribuição de autoridade de tomar decisões. O grau em que uma pessoa demonstra qualidades de liderança depende não somente de suas próprias características individuais, mas também das características da situação na qual se encontra. Dica: Essa é a chamada “Liderança Situacional” quando a Liderança é função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo. Trata-se de uma relação funcional. Tannenbaum define liderança como influência interpessoal numa situação, por intermédio do processo de comunicação, para que seja atingida uma meta, ou metas especificadas. A liderança sempre envolve influência por parte do líder (influenciador) para afetar (influenciar) o comportamento de um seguidor (influenciado) ou seguidores numa situação. Líder (influenciador) Seguidor (influenciado) Situação Influência interpessoal por intermédio da comunicação A liderança é um processo, uma função ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 12 A relação funcional somente existe quando um líder é percebido pelo grupo como possuidor ou controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades. Assim, segui-lo pode constituir, para o grupo, um meio de aumentar a satisfação das suas necessidades ou de evitar sus diminuição. c) A Liderança é realizada pelo processo da comunicação humana: É a capacidade de induzir as pessoas a cumprir suas obrigações com zelo e correção. O Líder exerce influência sobre as pessoas conduzindo duas percepções de objetivos em direção a suas metas. d) A Liderança visa a consecução de um ou mais objetivos específicos: O líder surge como um meio para o alcance de objetivos desejados pelo grupo. O comportamento de liderança deve ajudar o grupo a atingir objetivos ou a satisfazer às necessidades. O líder deve ser capaz; os seguidores devem ter vontade. Dica: Para ser bem sucedido como líder, o gestor deve saber lidar com aspectos relativos à motivação, à comunicação, às relações interpessoais, ao trabalho em equipe e à dinâmica de grupo. Estilos de liderança (ou Estilos Gerenciais) Em um estudo pioneiro sobre liderança, Kurt Lewin, White e Lippitt fizeram uma pesquisa para verificar o impacto causado por três estilos de liderança e os climas sociais resultantes. Para esses autores existem três estilos básicos de liderança: • Liderança autocrática (ou autoritária) – o comportamento dos grupos mostrou forte tensão, frustração e agressividade, de um lado, e nenhuma espontaneidade, iniciativa, ou formação de grupos de amizade. Não demonstraram satisfação com relação à situação. O trabalho somente se desenvolvia com a presença física do líder. Quando este se ausentava, as atividades paravam e os grupos expandiam seus sentimentos reprimidos, chegando a explosões de indisciplina e de agressividade. No ambiente autocrático, o líder designado para a chefia do grupo por alguma autoridade, atua como dirigente e toma decisões em nome do grupo. Não permite ao grupo participação alguma nas decisões. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 13 Nas frustrações, os grupos com líder autoritário tendem a se dissolver, através de recriminações e acusações pessoais. • Liderança liberal (ou permissiva) – Também denominada laissez-faire por Kurt Lewin. As tarefas se desenvolviam ao acaso, com muitas oscilações, perdendo-se muito tempo com discussões mais voltadas para motivos pessoais do que relacionadas com o trabalho em si. O trabalho progride desordenadamente e pouco. Embora houvesse considerável atividade, a maior parte dela era improdutiva. Notou-se forte individualismo agressivo e pouco respeito com relação ao líder. • Liderança democrática (ou participativa) – houve formação de grupos de amizade e de relacionamentos cordiais. Líder e subordinados passaram a desenvolver comunicações espontâneas, francas ecordiais. O trabalho mostrou ritmo suave e seguro, sem alterações, mesmo quando o líder se ausentava. Houve um nítido sentido de responsabilidade e de comprometimento pessoal além de integração grupal, dentro de um clima de satisfação. A partir dessa pesquisa, passou-se a defender intensamente o papel da liderança democrática, extremamente comunicativa, que encoraja a participação das pessoas, que é justa e não arbitrária e que se preocupa igualmente com os problemas das tarefas e das pessoas. Dica: Na prática, o líder utiliza os três estilos de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. O líder tanto manda cumprir ordens, como sugere aos subordinados a realização de certas tarefas, como ainda consulta aos subordinados antes de tomar alguma decisão. A sabedoria da liderança está em saber quando usar tal e qual método. Seu problema é, pois, aprender a variar de técnica de acordo com as diferentes condições e pessoas com as quais se defronta em seu trabalho. O sucesso do líder está em saber ser autocrático, democrático ou permissivo de acordo com a situação. A sabedoria em aplicar as três armas básicas da liderança – autocrática, democrática e permissiva – determinará seu sucesso pessoal como líder. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 14 Os três estilos de liderança. Autocrática Democrática Liberal (Laisses-fare) * Apenas o líder fixa as diretrizes * As diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder * Há liberdade completa para as decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder. * O líder determina as providências e técnicas para execução das tarefas, cada uma por vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo. * O próprio grupo esboça providências e técnicas para atingir o alvo, solicitando aconselhamento técnico ao líder quando necessário. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates. * A participação do líder no debate é limitada, apresentando materiais variados ao grupo, esclarecendo e fornecendo informações quando solicitados. * O líder determina qual a tarefa que cada um deve executar e qual o seu companheiro de trabalho. * A divisão das tarefas fica a critério do grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho. * Tanto a divisão das tarefas como a escolha dos companheiros fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder. * O líder é dominador e é “pessoal” nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro. * O líder procura ser um membro normal do grupo, sem encarregar-se de tarefas. O líder é “objetivo”e limita-se aos “fatos” em suas críticas e elogios. * O líder não tenta avaliar ou regular o curso dos acontecimentos. O líder faz comentários irregulares sobre as atividades dos membros quando perguntado. Os três estilos de liderança, pág. 99 – retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Liderança situacional: De acordo com HERSEY & BLANCHARD a Liderança Situacional "baseia-se numa inter-relação entre a quantidade de orientação e direção (comportamento de tarefa) que o líder oferece, a quantidade de apoio sócio- emocional (comportamento de relacionamento) dado pelo líder e o nível de prontidão (maturidade) dos subordinados no desempenho de uma tarefa, função ou objetivo específico". Os autores desse modelo definem comportamento de tarefa como "a medida com que o líder dirige as pessoas, dizendo-lhes o que fazer, quando fazê-lo, onde e como fazê-lo. Significa estabelecer-lhes objetivos e definir os seus papéis". O comportamento de relacionamento é "a medida com que um líder se empenha em comunicar-se bilateralmente com as pessoas, dando-lhes apoio, encorajamento e "carícias psicológicas. Significa ouvir ativamente as pessoas e apoiar-lhe os esforços". Em relação ao conceito de maturidade dos liderados, os autores da Liderança Situacional definem como "a capacidade e a disposição das pessoas em assumir a responsabilidade de dirigir seu próprio comportamento". A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 15 maturidade do liderado deve ser considerada somente em relação a uma tarefa específica a ser realizada; não podemos dizer que um liderado ou grupo é maduro ou imaturo num sentido total. Os autores do modelo em questão propõem quatro estilos de liderança: determinar (ou dirigir) (E1), persuadir (E2), compartilhar (E3) e delegar (E4), os quais envolvem uma combinação de comportamento de tarefa e de relacionamento. A maturidade dos liderados é apresentada dentro de um contínuo (imaturo/maduro) em quatro níveis: baixo (M1), baixo a moderado (M2), moderado a alto (M3) e alto (M4). Desta forma, HERSEY & BLANCHARD salientam que "não existe um único modo melhor de influenciar as pessoas. O estilo de liderança que uma pessoa deve adotar com indivíduos ou grupos depende do nível de maturidade das pessoas que o líder deseja influenciar". Assim, o líder ao empregar o estilo de liderança E1 (determinar) com um liderado com nível de maturidade baixo (M1) em relação a uma atividade específica deverá utilizar comportamento alto para tarefa e baixo para relacionamento, ou seja, ele define o que o liderado deverá fazer, como, quando e onde. No estilo de liderança E2 (persuadir) adequado para o liderado com nível de maturidade entre baixo a moderado (M2), o líder tenta convencer o liderado a realizar determinada atividade de acordo com suas orientações. Este estilo implica comportamento alto tanto para tarefa como para relacionamento. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 16 O estilo compartilhar (E3) é o mais apropriado para o líder adotar com o liderado com nível de maturidade entre moderado a alto (M3). O líder apóia os esforços do liderado e juntos participam de processo de tomada de decisões. Esse estilo envolve comportamento alto de relacionamento e baixo de tarefa. O líder deverá empregar o estilo de liderança delegar (E4) com o liderado com nível de maturidade alto (M4) frente a uma tarefa específica. Nesse estilo o liderado decide como, quando e onde fazer as coisas e implica por parte do líder comportamento baixo tanto para tarefa como para relacionamento. Visão Bidimensional: A liderança orientada para a tarefa (trabalho) e a liderança orientada para as pessoas, a princípio, foram consideradas estilos em oposição, mutuamente excludentes. Todavia, à medida que a pesquisa sobre a liderança avançou, verificou-se que a tarefa e as pessoas não são pólos opostos da mesma dimensão, mas limites do mesmo território. Essa é a visão bidimensional da liderança, segundo a qual o líder pode combinar os dois estilos em seu comportamento, ou enfatizá-los simultaneamente. Essa idéia proporcionou grande avanço para o estudo da liderança. O modelo tarefa-pessoas revela que a liderança é processo social complexo, que abrange múltiplos comportamentos e que depende tanto do líder quanto dos liderados, entre outros fatores. Além disso, o líder pode ser eficaz ou ineficaz tanto na dimensão da tarefa quanto na dimensão das pessoas. Certos comportamentos, nas duas dimensões, produziam satisfação e desempenho. Ao mesmo tempo, outros comportamentos, nas duas dimensões, produziam insatisfação e prejudicavam o desempenho.A visão bidimensional da liderança permitiu oferecer uma explicação para conciliar a eficácia do líder com as duas orientações. Blake e Mouton, uma dupla de pesquisadores da liderança, desenvolveram a idéia da grade gerencial (managerial grid) que veremos na questão seguinte. De acordo com esse modelo explicativo de liderança, o líder pode dar muita ou pouca ênfase para a tarefa e, ao mesmo tempo, muita ou pouca ênfase para as pessoas. Assim, vemos que a grade baseia-se na visão bidimensional da liderança, atribuindo valores aos dois estilos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 17 Grade gerencial de Blake e Mouton: O managerial grid (grade gerencial) pressupõe que o administrador está sempre voltado para dois assuntos: produção, ou seja, os resultados dos esforços, e pessoas, ou sejam os colegas ou pessoas cujo trabalho ele dirige. É uma grade de dois eixos: 9 Eixo horizontal do grid: Representa a preocupação com a produção. É uma série contínua de nove pontos, na qual 9 significa elevada preocupação com a produção e 1 baixa. 9 Eixo vertical do grip: Representa a preocupação com as pessoas. Também é uma série contínua de nove pontos, onde 9 significa um grau elevado e 1 é um baixo de preocupação com as pessoas. Managerial Grid Estilo 1.9 – Atenção concentrada nas necessidades das pessoas, pois relacionamentos satisfatórios conduzem a uma atmosfera confortadora e a um ritmo de trabalho de organização cordial. Estilo de participação: As pessoas procuram não criticar para não serem mal- interpretadas ou com receio de não receberem apoio imediato. As soluções são do “mínimo denominador comum” e o comportamento é superficial e efêmero. Estilo 9.1. A eficiência nas operações resulta de se fazer um arranjo das condições de trabalho de tal modo que os elementos humanos interfiram num grau mínimo. Alta 9 8 7 6 5 4 3 2 Baixa 1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Baixa Alta (resultados) Preocupação com Produção P re oc up aç ão c om P es so as Estilo 9.9 Excelência. Preocupação com as pessoas e com a produção Estilo 5.5 Mediocridade. Alguma preocupação com a produção e pessoas Estilo 1.1 Pouca preocupação com as pessoas e pouca preocupação com a produção Estilo 9.1 Preocupação com a produção e despreocupação com pessoas Estilo 1.9 Preocupação com as pessoas e total despreocupação com a produção ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 18 Estilo de participação: Não há muita oportunidade de participar. As pessoas sentem que, embora tenham contribuições a fazer, essas não são procuradas e provavelmente serão rejeitadas se apresentadas voluntariamente. Estilo 1.1 A aplicação de um esforço mínimo para se conseguir que o trabalho necessário seja executado é adequada e suficiente para se conservar a prerrogativa de membro da organização. Estilo de participação: Há pouco envolvimento e pouco comprometimento. As pessoas podem estar fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes. Estilo 5.5 Um adequado desempenho organizacional torna-se possível através do equilíbrio entre a necessidade de se conseguir que o trabalho seja executado e a manutenção do moral das pessoas num nível satisfatório. Estilo de participação: A tomada de decisão é do tipo acomodativo ou do meio-do-caminho, que deixa todos descontentes. Estilo 9.9 A realização do trabalho é conseguida da parte das pessoas comprometidas: a interdependência através de um “interesse comum” no objetivo da organização conduz a relacionamentos de confiança e de respeito. Estilo de participação: A participação faz-se necessária para alcançar melhor resposta. A solução do problema dá-se pela participação e pelo comprometimento. Todavia, a situação 9.9, para ser efetiva, deve basear-se em pessoas que tenham conhecimento e competência, sem o que poderá levar a soluções errôneas. Teoria do Caminho-meta: Segundo a teoria do caminho-objetivo ou caminho-meta, os líderes motivam um melhor desempenho dos subordinados agindo de maneira que os influencie a acreditar que resultados importantes podem ser alcançados por meio de um esforço concentrado. Aspectos da situação, como a natureza da tarefa, o ambiente de trabalho e os atributos subordinados determinam a quantidade ótima de cada tipo de comportamento do líder para melhorar a satisfação e o desempenho dos subordinados. A teoria do caminho-meta é uma teoria de liderança que enfatiza a importância de os líderes indicarem aos seguidores quais comportamentos (caminhos) eles precisam exibir para alcançar os objetivos (metas) desejados. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 19 A teoria afirma que um líder precisa ser capaz de manifestar quatro estilos diferentes de comportamento, que resultaram de pesquisas anteriores sobre comportamento no trabalho. 1. Diretivo – O líder fornece diretrizes específicas aos subordinados sobre como eles realizam suas tarefas. O líder deve fixar padrões de desempenho e dar expectativas explícitas de desempenho. 2. Prestativo – O líder deve demonstrar interesse pelo bem-estar dos subordinados e se mostrar acessível a eles como indivíduos. 3. Participativo – O líder deve solicitar idéias e sugestões dos subordinados e incentivar sua participação em decisões que os afetam diretamente. 4. Orientado para realização – O líder deve fixar objetivos desafiadores, enfatizar melhoras no desempenho do trabalho e encorajar altos níveis de realização de objetivos. Liderança Transformacional e Carismática: A liderança transformacional refere-se ao processo de influenciar grandes mudanças nas atitudes e nos pressupostos de membros da organização e obter o comprometimento com mudanças importantes nos objetivos e nas estratégias da organização. A liderança transformacional envolve a influência de um líder sobre seus subordinados, mas o efeito da influência é fortalecer os subordinados que também se tornam líderes no processo de transformar a organização. Portanto, a liderança transformacional geralmente é vista como um processo compartilhado, envolvendo as ações dos líderes em diferentes níveis e em diferentes subunidades de uma organização. A liderança carismática é definida mais restritamente e refere-se à percepção do seguidor de que um líder possui uma dádiva divinamente inspirada e é singular e maior que a vida. Os seguidores não apenas confiam no líder e o respeitam, mas também idolatram ou adoram o líder como herói super-humano ou figura espiritual (Bass, 1985). Os indicadores da liderança carismática incluem a confiança do seguidor na correção das convicções do líder, aceitação irrestrita do líder, afeição pelo líder e obediência voluntária. Portanto, com a liderança carismática o foco está no líder individual mais do que no processo de liderança que pode ser compartilhado entre líderes múltiplos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 20 A liderança no governo empreendedor: Segundo Abrucio, os dirigentes públicos precisam possuir uma grande versatilidade, atuando em vários funções. As principais funções são a de administrador, vinculada à capacidade de trabalhar com os regulamentos rotineiros; a de produtor, ligada ao aumento da produtividade com qualidade; a de inovador, capaz de encontrar novasrespostas e modernizar o fluxo de decisões; e a de integrador, habilitado à congregar seu grupo a atuar em conjunto na busca de um objetivo . Este conceitos são relacionados no quadro abaixo. Segundo Naisbitt, se ser empreendedor significa assumir “como se fosse o dono” da instituição, sendo pública ou privada, tratá-la como negócio seu, usando os recursos e motivando as pessoas a ajudarem na sua missão, então essa pessoa precisa ser dotada de características bastante diferentes do padrão médio apresentado pelo servidor público brasileiro. Dentro do governo empreendedor, surge um novo conceito de liderança: o administrador passa de gerente (controlador de resultados) para o líder, um motivador, um impulsionador, que substitui a força pelo comprometimento, pela lealdade. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 21 Lideranças para a governabilidade democráticai A liderança é um aspecto vital da mudança institucional. Mas há equívocos demais na literatura sobre esse assunto, o que nos obriga a fazer alguns esclarecimentos. Em sociedades que vivem em ambientes turbulentos como as atuais, nas quais os jogos e suas regras obrigam a desaprender e a desligar-se de algumas das velhas aptidões e dos velhos modelos mentais para desenvolver modelos novos e adaptados, as lideranças meramente transacionais não são suficientes. Esse tipo de liderança não serve para produzir a arquitetura social capaz de incentivar o desenvolvimento da confiança ou do capital social necessários para que a mudança institucional seja sustentável. O grande problema que os líderes atuais têm de enfrentar pode ser assim formulado: como uma sociedade heterogênea – em que é grande o número de atores com interesses conflitos, em que nenhum dos grupos tem como forçar os demais a cooperar – pode encontrar caminhos para avançar no sentido de arranjos institucionais mais eficientes e mais eqüitativos? (Dove, 1996). A história flui pela ação de forças impessoais. Mas a história particular de uma sociedade acaba sendo moldada pelo número e pela qualidade das pessoas que se decide pôr à frente do processo de mudança. Esse processo não se produz nunca por si só. Só os deterministas históricos crêem no contrário. Sem a função de liderança, a mudança acabaria por não se produzir, ou produzir-se-ia, mas limitada ou inadequada. A liderança transformacional não é função limitada às altas posições de autoridade, mas deve-se estender a todo o conjunto da sociedade. Em sociedades pluralistas e complexas, os líderes devem provir de toda a sociedade. Ser líder depende de decisão social – tanto ou mais que da posição formal que se ocupe –, de assumir a função de se pôr à frente, de procurar ter visão e sentido de direção, de construir e comunicar confiança. Isso supõe que o líder não desconheça a importância vital da liderança governamental. De uma perspectiva institucional da governabilidade democrática, liderança significa funções e processos, não pessoas. A emergência dos novos modelos mentais, percepções e aprendizados, a mudança de atitudes a aquisição de novas aptidões são processos que se podem dar mais rapidamente e melhor quando de dispõe de líderes. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 22 Podem ser interessantes algumas comparações entre tipos de lideranças e níveis de capital social – outro nome do sistema institucional formal e informal. Nas sociedades com alto nível de capital social, a liderança tende a ser plural, participativa e orientada para o futuro. Nas sociedades com baixo nível de capital social, as lideranças tendem a ser concentrada e de visão curta. Nestas últimas sociedades, o poder está muito concentrado, mas também muito condicionada pelos equilíbrios entre atores cujas ações não se baseiam na confiança nem em fortes tradições cívicas. Nessas sociedades, a liderança tende a ser transacional ou de acomodação entre atores que buscam evitar o conflito. A liderança transformacional emerge com muita dificuldade, afogada pela quase impossibilidade de identificar e manejar positivamente o conflito. Em primeiro lugar, o líder que a mudança institucional exige deve ter visão. Para que tenha visão, é preciso que: a) compreenda os interesses de um amplo espectro de atores sociais, no curto e no longo prazos; b) tenha uma fina percepção dos equilíbrios implicados nos arranjos institucionais vigentes; c) tenha suficiente consciência dos impactos que as tendências e as forças de mudança, atuais e futuras, virão a ter sobre a sociedade e seus principais atores. O fator decisivo não é visão ser inovativa, e sim que esteja em conexão com interesses e as motivações do grande público. Em segundo lugar, para a governabilidade democrática, os lideres devem ter legitimidade. É a legitimidade que permite uma efetiva comunicação entre o líder e o grande público. Essa comunicação não depende tanto das habilidades de comunicador do líder, mas, muito mais de ter adquirido credibilidade. A legitimidade da liderança não depende, pois, de o líder de ter o poder (todos os líderes são detentores atuais ou potenciais de poder; mas nem todos o que detêm o poder são líderes), mas da credibilidade de que goze e da confiança que inspire ao público. Credibilidade e confiança, nesse caso, não são conseqüência automática ou natural de qualidades pessoais, e sim o produto de um processo de percepção da consistência entre discurso, ações e resultados. Nem sempre, contudo, confia-se no líder pelas razões certas. O ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 23 ajuste de expectativas entre o líder e seu público é tão necessário quanto a explicação capaz de compensar as inconsistências percebidas (Burns, 1979). Em terceiro lugar, para a governabilidade democrática, a liderança requer capacidade de tratar adequadamente o conflito. Se o conflito não pode e emergir, tampouco emergirá a consciência dos custos da manutenção do status quo. A democracia também é uma arena para o reconhecimento e o tratamento civilizados dos conflitos. Os líderes da governabilidade democrática não fogem dos conflitos: utilizam-os como estímulos para o processo de desenvolvimento e aprendizado social. Para tanto, têm de desenvolver a capacidade de converter demandas, valores e motivações conflitivas em fluxos coerentes de ação, que competirão co os outros fluxos alternativas na arena política. Visão e credibilidade ajudam; mas a capacidade de gerir conflitos é fundamental. A mudança institucional gera conflitos não só entre atores, mas também no âmago de um mesmo ator. A incerteza da mudança produz ansiedade e a ansiedade deve ser compensada, paulatinamente, pelo aprendizado de novos modelos e pela aquisição de novas aptidões de uma nova segurança. Se, por um lado, evitar o conflito pode impedir a mudança, por outro, conflito descontrolado pode gerar uma incerteza excessiva, que, por sua vez, pode se traduzir em rejeição da liderança (Heifetz, 1994). Por fim, para a governabilidade democrática, a liderança deve ser capaz de atuar como catalisadora do processo de aprendizado e de adaptação social. O tipo de líder capaz de catalisar a mudança institucional há de ser também capaz de colocar questões e opções difíceis, que precisam ser enfrentadas sem respostas preestabelecidas, o que impõe a necessidade de iniciar processos de aprendizado social. A capacidade de provocar e conduzir esses processos talvez seja a mais importante para o tipo deliderança de que hoje se necessita. Mas a condução do processo de aprendizado social é uma função que pouco tem a ver com aplicação aos problemas sociais do repertório de ferramentas preestabelecidas. O aprendizado social é um processo de construção da própria história mediante opções difíceis e problemáticas, que, em um esquema democrático, implicam transparência, deliberação e conflito. Nenhum especialista internacional pode tirar da maleta a solução mágica que poupará os povos dessas dores de parto. Mas os povos e seus líderes caem, muitas vezes na tentação de buscar a solução mágica. Não percebem que o verdadeiro aprendizado social não consiste em encontrar a solução certa, mas em um processo contínuo de questionamento, interpretação e exploração de opções. O aprendizado par a mudança institucional corresponde ao que Argyris chamou de aprendizado de “laço duplo”: no plano individual, requer cada um examine pessoalmente os temores e desejos que estão por trás de certo modelo de comportamento; no plano organizacional, força os empregados a examinar as políticas, as práticas ou as ações que os protegem de ameaças e incômodos, mas que, ao mesmo tempo, impedem que a organização aprenda a reduzir ou a eliminar as causas das mesmas ameaças ou incômodos. No plano social, esse tipo de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 24 aprendizado obriga os atores a compreender como sistemas institucionais existentes afetam os valores fundamentais da convivência. Mas o aprendizado social não se limita à mera compreensão intelectual. Saber por que atuamos de determinado modo ou por que existem certas políticas ou regras não é suficiente para que comece o processo de mudança. O verdadeiro aprendizado tampouco consiste em acumular informações ou em acrescentar novas informações ou soluções ou acervo já existente. Em momentos de descontinuidade, o aprendizado implica principalmente a substituição de informações, de modelos, de valores de aptidões. É preciso desaprender antes de aprender os novos modelos, valores e aptidões que nos capacitarão a continuar aprendendo. A América Latina está vivendo a mudança de um modelo de desenvolvimento. Otimizar as potencialidades do novo modelo exige uma multidão de lideranças que conduzem esse tipo de aprendizado. Nela, os líderes forçam os atores sociais a aceitar a realidade e impedem que fujam para mundos fantasiosos inspirados na realidade. Parte dessa realidade á a consciência dos riscos implícitos no status quo, da ameaça que há no imobilismo. Essa consciência gera tensão, a ansiedade e o conflito necessários para mudar a direção da visão – de início imprecisa, mas confiável – de uma nova realidade. A imprecisão e a confiabilidade dependem da legitimidade ou da credibilidade dos líderes. Cabe a eles manter a tensão entre a realidade atual e a visão do futuro, sem perder o controle sobre o nível de conflito e que leva a ansiedade, a qual eventualmente pode ser paralisante. O aprendizado social não torna menos complexa a mudança institucional. Mas pode contribuir para melhorar as habilidades dos atores para enfrentar os desafios de um ambiente em mutação acelerada e, em tantos casos, permanece. Nesses ambientes, o aprendizado e a evolução institucional não têm ponto de chegada. Dificilmente se poderá dizer que a democracia está consolidada, que o mercado é plenamente eficiente e que a sociedade é plenamente eqüitativa. Cada geração deverá assumir sua própria parcela de responsabilidade nessa incessante reconstrução da história. Já se disse, com razão, que democracia só sobrevive a ela mesma mediante a permanente recriação. Ocorre o mesmo com os mercados e com as instituições da solidariedade social, como demonstra o atual replanejamento do Estado de Bem-Estar em vários países desenvolvidos. Porque as instituições que estão por trás desses conceitos só existem em Estados de evolução e reavaliação permanentes. É provável que o mais decisivo desafio a ser enfrentado pelos Todo processo de aprendizado implica necessariamente incerteza e tensão. Sem tensão não há aprendizado nem mudanças. Uma função- chave da liderança á a capacidade de produzir e controlar o tipo de tensão emergente. A tensão que catalisa a mudança é a que Senge chama de “tensão criativa”. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 25 líderes para a governabilidade democrática esteja, precisamente, em catalisar a ação dos atores sociais para que esse reexame seja mesmo constante, porque aí está a base de qualquer processo de aprendizado (Burns, 1979). 4. Processos participativos de gestão públicaii A maioria dos exemplos do livro de Osborne e Gaebler mostra que a melhor resposta para tornar melhor um serviço público é chamar a comunidade a participar de sua gestão, seja fiscalizando, seja trabalhando voluntariamente na prestação de serviços — constituindo-se numa resposta adequada tanto para a questão da eficiência como para o problema da transparência. Portanto, a modernização do setor público deve caminhar pari passu com o aumento da accountability. Mas a reinvenção do governo deve ser realizada ainda garantindo o princípio da eqüidade1. Desta maneira, a introdução de mecanismos gerenciais, tais como são propostos no livro, não é incompatível com a busca de justiça redistributiva, um conceito que por muito tempo foi abandonado no debate sobre reforma administrativa. Osborne e Gaebler propõem dez princípios básicos para reinventar o governo, listados a seguir: 1 — Competição entre os prestadores de serviço; 2 — Poder aos cidadãos, transferindo o controle das atividades à comunidade; 3 — Medir a atuação das agências governamentais através dos resultados; 4 — Orientar-se por objetivos, e não por regras e regulamentos; 5 — Redefinir os usuários como clientes; 6 — Atuar na prevenção dos problemas mais do que no tratamento; 7 — Priorizar o investimento na produção de recursos, e não em seu gasto; 8 — Descentralização da autoridade; 1 Equidade entendida como igualdade de oportunidade para todos os cidadãos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 26 9 — Preferir os mecanismos de mercado às soluções burocráticas; 10 — Catalisar a ação do setores público, privado e voluntário. Não se trata aqui de comentar ponto por ponto a lista exposta acima, mas de discutir, rapidamente, algumas das idéias do Reinventando o governo. A primeira refere-se ao conceito de governo catalisador, que “navega em vez de remar”. O intuito desse conceito não é tornar o Estado mínimo, mas redirecionar a atividade governamental. Inclusive, os autores renegam o conceitual privatista, típico do neoliberalismo. “A privatização é uma resposta, não a resposta”, afirmam Osborne e Gaebler. O sentido do governo catalisador é reformular as relações Estado/ mercado e governo/sociedade. Neste sentido, o governo catalisador se aproxima das idéias de Pollitt (1990: 149-150), que conceitualiza a relação pública entre cidadãos e governo como uma parceria e não como uma dependência. Indo para outra discussão do Reinventando o governo, encontramos um referencial interligado ao anterior, qual seja, o tratamento da população como cliente e como cidadão. Cliente dos serviços públicos, que deseja a melhor qualidade possível dos equipamentos sociais. E cidadão que quer e tem como dever participar das decisões da comunidade, e por isso a descentralização da autoridadeé um objetivo fundamental para alcançar esse grau de accountability. Em suma, não há uma antinomia entre os conceitos de cliente e cidadão, eles são complementares, e fazem parte da reinvenção do governo em sua relação com a sociedade. No que tange à gestão da burocracia, são basicamente dois os instrumentos propostos. O primeiro é a orientação administrativa por missões. A partir ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 27 dela, o governo pode ser mais flexível, como também torna-se mais fácil a avaliação de cada agência, comparando-se o objetivo inicialmente formulado com o resultado efetivamente alcançado. A orientação por missões, portanto, é um mecanismo que congrega os ideais do Consumerism (flexibilidade) com os da corrente gerencial mais preocupada com a avaliação de resultados. Entretanto, a discussão em torno da avaliação de resultados na obra de Osborne e Gaebler toma um rumo diferenciado daquele proposto pelo gerencialismo puro. Para os dois autores, a avaliação da eficiência não pode ser dissociada da avaliação da efetividade. Pois, se a eficiência mede o custo do que foi produzido, a efetividade mede a qualidade dos resultados (OSBORNE & GAEBLER, 1994: 381). Desta maneira, “quando medimos a eficiência, podemos saber quanto nos custa alcançar uma produção determinada; ao medir a efetividade, sabemos se nosso investimento valeu a pena. Nada mais tolo do que fazer com eficiência o que não deveria continuar a ser feito” (idem: 381). Osborne e Gaebler tentam definir a relação entre eficiência e efetividade a partir dos objetivos do governo. E concluem: “Não há dúvida de que o público quer um governo mais eficiente, mas ele deseja ainda mais um governo efetivo” (OSBORNE & GAEBLER, idem: 382). Há mais dois pontos do Reinventando o governo que gostaria de comentar. Um é a definição da competição como um dos valores fundamentais de um setor público reconstruído. A competição seria uma forma de melhorar a qualidade do governo, uma vez que garante o controle dos serviços públicos pela população. Competição, para os autores, não é um conceito que só tem validade no contexto do setor privado. O ambiente competitivo, na verdade, serve para acabar com o monopólio — que tanto pode reinar no setor público como no privado — e encorajar a inovação organizacional. Por isso, Osborne Gaebler afirmam que para resolver os problemas da prestação de serviços públicos, “a questão não é público versus privado, mas competição versus monopólio” (OSBORNE & GAEBLER, idem: 80). Cabe uma observação aqui que toca num ponto não resolvido pela idéia de reinventar o governo. Na opinião dos autores, a competição entre os serviços públicos tem que ocorrer mantendo-se o princípio da eqüidade. Há, no entanto, uma grande dificuldade para alcançar tal objetivo. A preocupação é Encoraja inovação Acaba monopólio ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 28 louvável, mas de fato Osborne e Gaebler não apresentam uma resposta institucional para o dilema competição ou eqüidade — que quer eles queiram ou não, apresenta-se na realidade como um gigantesco dilema. Por fim, uma das questões mais instigantes levantadas pelo Reinventando o governo é o peculiar conceito de planejamento estratégico elaborado pelos autores. Na literatura internacional, o planejamento estratégico — ou a lógica da estratégia, nos termos de Crozier (1992) — refere-se à possibilidade mais flexível de gestão frente às constantes mudanças do mundo contemporâneo. Portanto, é uma visão de mais curto prazo. Para Osborne e Gaebler, contudo, o planejamento estratégico procura antecipar o futuro, prevendo tendências de mais longo prazo. Mas a antecipação de tendências futuras não pode ser uma atividade confinada à burocracia. O planejamento estratégico tem que envolver a sociedade e ser incorporado à cultura dos funcionários. Para Osborne e Gaebler, não é o planejamento estratégico que importa, mas sim o pensamento estratégico e a conduta estratégica. “O elemento importante não é o plano, mas sim, a atividade do planejamento. Ao criar consenso em torno de uma determinada visão de futuro, a organização ou a comunidade promovem em todos os seus membros uma percepção comum a alcançar” (OSBORNE & GAEBLER, 1994: 256). 4.1. Conselhos de gestão No artigo 67 da Lei Complementar Federal nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF), verificamos a previsão legal de criação dos Conselhos de Gestão. O artigo nos descreve que o acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade, visando a: I - harmonização e coordenação entre os entes da Federação; II - disseminação de práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na arrecadação de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal; III - adoção de normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos relatórios e demonstrativos de gestão fiscal ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 29 de que trata esta Lei Complementar, normas e padrões mais simples para os pequenos Municípios, bem como outros, necessários ao controle social; IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos. O conselho instituirá formas de premiação e reconhecimento público aos titulares de Poder que alcançarem resultados meritórios em suas políticas de desenvolvimento social, conjugados com a prática de uma gestão fiscal pautada pelas normas da referida Lei Complementar. Os conselhos de gestão representam uma conquista do processo de democratização vivido pelo Brasil em sua história recente. Com uma formação que prevê a participação de representantes dos vários segmentos sociais, os conselhos se tornaram mecanismos de controle, planejamento e implementação de políticas públicas, em campos como a saúde, a assistência social e a área que envolve crianças e adolescentes. Atualmente, os conselhos assumem uma importância crescente como núcleos de participação da população, principalmente dos setores excluídos, que dessa forma buscam interferir nas decisões governamentais, em nível federal, estadual e municipal. 4.2. Orçamento participativo O Orçamento Participativo é uma forma de permitir que cidadãos participem da elaboração do orçamento. De forma democrática, as pessoas são convidadas a dar opiniões sobre a definição de prioridades (obras e serviços mais importantes). Por exemplo, o povo, diretamente, pode participar da decisão de se construir ou uma praça ou uma escola pública; adiar a construção de uma ponte para concluir a construção de um hospital. Enfim, é uma forma de permitir ao cidadão participar da vida pública. Essa participação pode ocorrer durante a fase de elaboração do Orçamento, quando o projeto de lei está sendo preparado na Prefeitura ou no Governo do Estado. A participação pode acontecer também em audiências públicas, realizadas nas Câmaras Municipais ou Assembléias Legislativas, quando os cidadãos são convidados a conhecer, em detalhe, o orçamento que está sendo elaborado, e opinar sobre ele. Quando a administração de uma cidade decide planejar os gastos com o povo, nasce o Orçamento Participativo (OP). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTADE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 30 Ter o Orçamento Participativo como um dos mecanismos de planejamento das ações de governo é transformar a cidade a partir da visão de quem realmente entende dela: a população. O OP realiza encontros para pensar o dia-a-dia e decidir o que deve ser feito pela Prefeitura para melhorar a qualidade de vida nas comunidades. Ele pode ser organizado em dois momentos (como ocorre em alguns municípios): o Ciclo Preparatório e o Ciclo Deliberativo. No primeiro, acontecem reuniões, chamadas de assembléias, que explicam o que é o OP e preparam as pessoas para a segunda etapa. O ciclo deliberativo é o momento de propor as principais obras e serviços que serão realizados em cada canto da cidade. O que é pensado e decidido nas assembléias é o que será prioridade para a Prefeitura. 4.3. Parceria entre governo e sociedade 4.3.1. As Organizações Sociaisiii Entende-se por "organizações sociais" as entidades de direito privado que, por iniciativa do Poder Executivo, obtêm autorização legislativa para celebrar contrato de gestão2 com esse poder, e assim ter direito à dotação orçamentária. As Organizações Sociais são o modelo institucional para o setor de atividades não-exclusivas de Estado, que pressupõe a desconexão, em relação à administração pública, das entidades prestadoras de serviços na área social, 2 A Lei nº 9.637/1998 define como contrato de gestão o instrumento firmado entre o poder público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução das atividades. O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o órgão ou entidade supervisora e a organização social discriminará as obrigações do Poder Público e da organização social. O Orçamento Participativo é uma forma pública de poder, não estatal, mas civil. É através do Orçamento Participativo que o cidadão pode participar do poder municipal e decidir sobre o conjunto do orçamento. Isso significa maior democracia, pois o governo passa a ser exercido pela população. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 31 mediante extinção e subseqüente absorção de suas atividades por entidade pública não-estatal, criada fora do Estado. Para tornar possível esta transição, foi prevista uma legislação dispondo sobre os procedimentos e requisitos para a qualificação de entidades não-estatais como Organizações Sociais. A Medida Provisória n.º 1.591, de 26 de outubro de 1997, convertida na Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998, estabeleceu o marco legal e deu início à implantação das Organizações Sociais, definidas como suas áreas de atuação: ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, preservação e proteção do meio ambiente, cultura e saúde. A chamada “publicização” ocorre mediante processo em que, de forma coordenada, procede-se à extinção de entidade estatal e à qualificação, como Organização Social, de fundação ou associação civil com personalidade jurídica de direito privado. São requisitos para a qualificação, dentre outros: a finalidade não-lucrativa da entidade, assegurada a reversão do seu patrimônio para o Poder Público ou para outra Organização Social; a previsão de participação, no seu conselho de administração, de representantes do Poder Público e da comunidade, em composição pluralista. A qualificação habilita a Organização Social a administrar as instalações e equipamentos dos órgãos e entidades extintos e a receber recursos orçamentários para a execução de atividades acordadas em contrato de gestão com o Ministério supervisor, na sua área de atuação. As principais características do modelo das Organizações Sociais estão resumidas no Quadro n.º 1. A estratégia de implantação das Organizações Sociais, nesse momento, prioriza o mecanismo descrito da “publicização”, por meio da extinção de órgãos vinculada a um processo de reestruturação da administração federal, que se afasta da gestão dos serviços não-exclusivos de Estado. Mas, a qualificação como Organização Social poderá também ser atribuída a atividades que estejam organizadas na forma de projetos, mantidos com recursos governamentais, cuja consolidação recomende a sua estruturação como entidade, dotada de autonomia administrativa. Neste caso, a Organização Social é criada e qualificada como tal, para a absorção de atividades que não estavam organizadas como órgão ou entidade da administração federal. Quadro nº 1 - Características Jurídico-legais das Organizações Sociais - OS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 32 As Organizações Sociais contarão com maior agilidade de gestão, uma vez que não estarão alcançadas pela legislação e normas inerentes à administração pública burocrática. Esta autonomia ampliada, em contrapartida, exigirá a submissão da entidade a controles bastante rigorosos sobre os resultados alcançados, mediante contratos de gestão. A implantação das Organizações Sociais representa uma revolução gerencial na execução dos serviços técnicos e científicos, atualmente a cargo da administração pública (Quadro nº 2). Quadro n.º 2 - Mudanças esperadas na Gestão de Serviços por Organizações Sociais ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 33 4.3.2. Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP)iv A Lei nº 9.790, de 1999, instituiu um novo regime de parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada: as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP). Trata-se de modalidade de qualificação jurídica a ser atribuída a algumas pessoas de direito privado em razão de atividades que estas venham a desenvolver em regime de parceria com o Poder Público. Assim como nas organizações sociais, a lei não instituiu uma nova categoria de pessoa jurídica, mas sim criou a possibilidade de que pessoas jurídicas de direito privado venham a ser qualificadas como organizações da sociedade civil de interesse público, desde que atingidos certos requisitos legais. A profª Maria Sylvia Di Pietro conceitua as organizações da sociedade civil de interesse público como “pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para desempenhar serviços sociais não exclusivos do Estado, com incentivo e fiscalização pelo Poder Público, mediante veículo jurídico instruído por meio de termo de parceria”. Como se vê, o regime estabelecido pela Lei nº 9.790/1999, para a qualificação de pessoas privadas como organizações da sociedade civil de interesse público, é muito parecido com aquele estabelecido pela Lei nº 9.637/1998 para as organizações sociais. De fato, em ambos os casos, trata- se de pessoa privada, sem fins lucrativos que, uma vez atendidos os requisitos de cada lei, recebe uma qualificação do Poder Público; essa qualificação será de “organização social”, em um caso e, de “organização da sociedade civil de interesse público”, em outro. A Lei nº 9.790/1999 exclui expressamente certas pessoas jurídicas do regime de parceria nela estabelecido, dispondo que não poderão ser qualificadas como organização da sociedade civil de interesse público: a) as sociedades comerciais; os sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria profissional; ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 34 b) as instituições religiosasou voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais; c) as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações; d) as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; e) as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados; f) as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras; g) as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras; h) as organizações sociais; i) as cooperativas; j) as fundações públicas; l) as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público ou por fundações públicas; m) as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere o art. 192 da Constituição Federal. As organizações da sociedade civil de interesse público deverão atuar em uma das seguintes áreas: a) assistência social; b) promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; c) promoção gratuita da educação e da saúde; d) promoção da segurança alimentar e nutricional; e) defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; f) promoção do voluntariado; g) promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; h) experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; i) promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; j) promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 35 l) estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. Formalização da parceria O vínculo entre o Poder Público e as organizações da sociedade civil de interesse público é estabelecido mediante a celebração de termo de parceria, no qual deverão estar previstos, de modo detalhado, os direitos e as obrigações dos pactuantes, tais como o objeto do ajuste, as metas a serem alcançadas, os prazos de execução, os critérios de avaliação de desempenho, a previsão de receitas e despesas, a obrigatoriedade de apresentação de relatório anual, acompanhado da prestação de contas, etc. Principais diferenças entre Organizações Sociais e OSCIP: Organizações sociais OSCIP Participação de agentes do Poder Público na estrutura da entidade Obrigatória Não há essa exigência Instrumento da formalização da parceria Contrato de Gestão Termo de Parceria Exigência de ordem contábil/fiscal Exigido, entre outros, balanço patrimonial e o DRE, declaração de isenção do IR Não há tais exigências Além dessas distinções, a Prof. Maria Sylvia Di Pietro ensina que “nas organizações sociais, o intuito evidente é o de que elas assumam determinadas atividades hoje desempenhadas, como serviços públicos, por entidades da Administração Pública, resultando na extinção destas últimas. Nas organizações da sociedade civil de interesse público, essa intenção não resulta, implícita ou explicitamente, da lei, pois a qualificação da entidade como tal não afeta em nada a existência ou as atribuições de entidades ou órgãos integrantes da administração pública.” 5. Governo eletrônicov As novas tecnologias da informática estão produzindo profundos impactos nas organizações em geral. A administração pública não está alheia a estas transformações. O processo de informatização já é uma realidade, embora com ritmos e avanços ainda bastante diferenciados, em toda a administração ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 36 federal. Atualmente, praticamente todos os órgãos da Administração Pública Federal são gestores ou usuários de sistemas de informação. Ao mesmo tempo em que tem tido continuidade a aquisição de equipamentos e programas, a reforma administrativa prioriza também a aplicação da informatização ao processo de gestão e a reorientação dos sistemas de informação e bancos de dados já existentes, de forma a que atendam também a necessidades gerenciais. Ou seja, não se trata de informatizar as rotinas estabelecidas, mas de redefinir processos e procedimentos, tendo em vista a plena exploração das potencialidades abertas pelas tecnologias de informação. A utilização da informática na administração federal teve início em meados da década de 60 e levou à criação de sistemas informatizados, geridos por diversos órgãos e desenvolvidos para atenderem às necessidades específicas de cada um. Assim, não foram estabelecidos mecanismos que permitissem a permutação de dados e informações de uso comum. O resultado foi a multiplicidade e a redundância da coleta de dados, que oneram o processo de tratamento da informação e geram inconsistências. Assim, a administração federal não dispõe de sistemas de informação integrados. Da mesma forma, a aquisição de equipamentos e sua organização em redes locais foi realizada de forma isolada, atendendo às peculiaridades de cada área ou órgão, permitindo a criação de verdadeiras ilhas de excelência, mas inviabilizando a intercomunicabilidade entre os diversos órgãos e setores do Governo. Nesse sentido, a política de informatização no âmbito da administração federal está voltada para: . a aquisição de equipamentos e programas de forma planejada, assegurando padrões mínimos de atualização tecnológica e a criação de condições para a compatibilidade e intercomunicabilidade entre os sistemas, programas e equipamentos, mediante normatização, sob responsabilidade do MARE; . o desenvolvimento da convergência e da integração entre as bases de dados e sistemas de informações existentes, de forma a racionalizar e tornar compatível entre si a informação armazenada, evitando duplicações e contradições entre os sistemas; . a implantação de rede interna que permita a comunicação e transmissão de dados entre os técnicos e dirigentes que disponham de microcomputadores, alcançando todos os órgãos da administração federal; . a utilização da .Internet. para ampliar o acesso a informações sobre as políticas, projetos e ações do Governo, assim como sobre a tramitação de demandas dirigidas aos órgãos públicos ou de interesse do cidadão, tais como processos, licitações, concursos, etc. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 37 A Administração Pública na Internet A Internet é um novo meio de comunicação que tem se expandido extraordinariamente. Possibilita a divulgação de informação com grande agilidade e versatilidade. Permite o desenvolvimento de mecanismos de interatividade com o usuário da informação. Diversas formas de utilização dessa nova mídia já estão sendo exploradas, no âmbito da administração federal, oferecendo ao cidadão informações sobre políticas, projetos e medidas adotadas pelo Governo e manter canal de comunicação para recebimento de críticas, propostas e prestação de informações de interesse do cidadão. Assim, a Internet hoje oferece um conjunto de serviços ao cidadão e ao servidor público, como por exemplo: Divulgação de Licitações: as licitações da administração federal, realizadas em Brasília, têm os seus editais automaticamente divulgados na mídia eletrônica,por meio do SIASG. Estrutura de Órgãos e Catálogo Eletrônico de Autoridades: as informações do SIORG sobre a estrutura dos órgãos e entidades da administração federal e sobre os seus respectivos dirigentes, já estão disponíveis na Internet. Contra-cheque .on line.: os contra-cheques dos servidores públicos civis do Poder Executivo, emitidos pelo SIAPE, podem ser consultados por meio da Internet, mediante utilização de senhas pessoais, disponíveis para todo o contingente de ativos e inativos. Atualização de Dados Cadastrais: também pode ser realizada por meio da Internet, mediante consulta direta do servidor aos seus registros. Redes Organizacionais Têm-se implantado uma moderna rede de comunicação de dados interligando de forma segura e ágil a Administração Pública, permitindo assim um compartilhamento adequado das informações contidas em bancos de dados dos diversos organismos do aparelho do estado, bem como um serviço de comunicação (baseado em correios, formulários, agenda e "listas de discussão", todos eletrônicos) de forma a poder repassar à Sociedade em geral e aos próprios Órgãos do Governo, a maior quantidade possível de informação, contribuindo para melhor transparência e maior eficiência na condução dos negócios do Estado. Inicialmente, utilizando a infra-estrutura de comunicação de dados disponível em Brasília (REMAV - Rede Metropolitana de Alta Velocidade, RENPAC - Rede ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 38 de Pacotes, etc.), está sendo construída incrementalmente a Rede do Governo (estendendo-a posteriormente ao resto do país) com ênfase: • na segurança para garantir a privacidade e inviolabilidade da comunicação; • na padronização de procedimentos para diminuir custos e simplificar o uso; e • no compartilhamento de informações para evitar desperdícios. Enquanto não é tecnicamente possível a operação plena da Rede, estão sendo disponibilizados alguns bancos ou tipo de informações através da Internet e interligados alguns órgãos em Brasília com serviços de comunicação eletrônica. Sistemas de Gestão Pública (Controle e Informações Gerenciais) Os sistemas administrativos voltados para a gestão pública abrangem áreas diversas: pessoal civil, serviços gerais, organização e modernização administrativa, informação e informática, planejamento e orçamento e controle interno. Para este fim, foram desenvolvidos ou encontram-se em desenvolvimento vários sistemas de informações, com graus variados de automação, dos quais se destacam o processamento do orçamento fiscal e da seguridade social, o registro dos gastos efetuados pelo Tesouro Nacional (SIAFI), a folha de pagamento e os dados cadastrais dos servidores civis federais (SIAPE), o orçamento de investimentos (SIDOR), o planejamento de ações do governo (SISPLAN), a movimentação do cadastro de fornecedores, de preços e do catálogo de materiais e serviços (SIASG) e o fornecimento de informações sobre a organização governamental e suas macro-atribuições (SIORG). Estes sistemas têm sido, independentemente das intenções de sua concepção inicial, voltados para as necessidades operacionais da administração pública, tornando secundárias ou inexistentes tanto as informações gerenciais quanto as de interesse público. Conseqüentemente, não têm exercido a função de instrumentos de apoio à tomada de decisão. É necessário um projeto que O objetivo destes sistemas é permitir a transparência na implementação das diversas ações do governo, possibilitando seu acompanhamento e avaliação, bem como a disponibilização das informações não privativas e não confidenciais para o governo como um todo e a sociedade. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 39 permita a interligação e o redirecionamento estratégico dos diversos sistemas de informação, de forma a incorporar os novos conceitos de gestão do aparelho do Estado. Além de estabelecer padrões de integração e de suporte tecnológico adequados ao desenvolvimento de novos sistemas, mantendo e melhorando os atuais, é preciso buscar informações coletadas de forma coerente e sem duplicidade e processadas com segurança e eficiência, que possuam um caráter gerencial e sejam disponibilizadas para toda a administração pública. 6. Questões 1) Julgue os itens a respeito das convergências e divergências entre a gestão pública e a gestão privada. a) O governo e a empresa privada existem para servir aos interesses gerais da sociedade. b) A tarefa governamental é enorme, complexa e difícil. A envergadura das operações, a multiplicidade dos propósitos e a complexidade dos programas demandam formas especiais de administração. c) As empresas privadas devem administrar com imparcialidade e equidade. d) A eficiência de uma entidade governamental deve ser medida pelo aumento de suas receitas ou pela redução de seus gastos e não pela qualidade e intensidade com que realiza seus propósitos públicos. e) Em face da universalidade e soberania do governo, pressupõe-se que a este caiba resolver os conflitos de interesses particulares, a fim de alcançar o máximo possível de bem-estar geral. 02. (FCC – TRF 1ªRegião – Analista Judiciário – 2006 - adaptado) Julgue as sentenças abaixo: As organizações do setor público a) agem segundo regulamentos e normas exaustivos, uma vez que só podem fazer o que as leis autorizam; as do setor privado podem fazer tudo aquilo que as leis não proíbem. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 40 b) podem fazer tudo aquilo que as leis não proíbem, segundo o princípio da legalidade; as do setor privado agem segundo regulamentos e normas exaustivos, uma vez que só podem fazer o que as leis autorizam. 03. (FCC – TRT/23ª Região – Analista Judiciário – 2007) Fred Fiedler entende que as situações que os lideres enfrentam podem ser avaliadas em termos de três características: A – as relações entre o líder e os seguidores; o grau de estruturação da tarefa e o poder de posição. B – o poder de autoridade; a complexidade da tarefa e o poder de persuasão manifestado pelo líder. C – o poder de autoridade; o grau de maturidade do colaborador para realizar a tarefa e o poder de influência manifestado pelo líder. D – o poder de autoridade; o grau de maturidade do colaborador para realizar a tarefa e o poder de persuasão manifestado pelo líder. E – o grau de complexidade da tarefa; o nível de desenvolvimento do colaborador para realizar a tarefa e o estilo de relacionamento interpessoal adotado pelo líder para com os seus colaboradores. 04. (NCE/UFRJ – Governo do Estado do Mato Grosso – Administrador – 2006) De acordo com Douglas Mc Gregor, as abordagens da liderança são influenciadas pelos pressupostos do líder sobre a natureza humana. Os administradores que aceitam a denominada “Teoria X” acreditam que: (A) a pessoa média aprende, sob condições apropriadas, não apenas a aceitar, mas a buscar responsabilidade; (B) nas condições atuais da vida industrial, o potencial intelectual da pessoa média é apenas parcialmente utilizado; (C) as pessoas irão exercitar a autodireção e o autocontrole para atingir os objetivos com os quais estiverem comprometidas; (D) a pessoa média não gosta do trabalho e procura evitá-lo se possível; (E) o compromisso com os objetivos está relacionado com as recompensas associadas à sua consecução. 05. (FCC – BACEN – Analista- 2006) No processo de gestão de pessoas, fazendo relação da natureza da administração científicade Taylor com os pressupostos do grid gerencial de Blake e Mouton, é correto inferir que o ponto comum é o (A) médio interesse por tarefas e elevado interesse por pessoas. (B) elevado interesse por pessoas e por tarefas. (C) elevado interesse por tarefas e baixo interesse por pessoas. (D) baixo interesse por pessoas e por tarefas. (E) médio interesse por pessoas e por tarefas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 41 06. (UPENET – Prefeitura de Recife – Assistente RH – 2007) O exercício de influência sobre indivíduo e grupos, com vistas à realização de objetivo organizacional, é chamado de a) liderança b) autocracia c) desenho organizacional d) liberal e) vertical 07. (FCC - TRE/Paraíba Analista Judiciário – 2007) Pela teoria de Liderança Situacional, desenvolvida por Paul Hersey e Kenneth Blanchard, existem quatro estilos que norteiam o comportamento do superior em relação a cada atividade que o colaborador realiza. Tais estilos são A – dirigir, persuadir, compartilhar e delegar. B – ensinar, treinar, apoiar e controlar. C – comandar, influenciar, apoiar e acompanhar. D – apoiar, influenciar, treinar e controlar. E – apoiar, treinar, controlar e acionar. 08. (FAI - UFABC – Administrador – 2006) Em seus estudos sobre estilos gerenciais, Blake e Mouton produziram um gráfico, a “grade gerencial” que levou seus nomes, baseada na combinação de atuações do gerente em uma ou em outra direção em que se mostram cinco características gerenciais predominantes. Aponte a alternativa cujos resultados esperados não guardam correspondência potencial com o respectivo estilo. a) Estilo 9.9: alto interesse pelas operações e pelas pessoas. O resultado é um ambiente construtivo, com discussão franca dos problemas e ampla comunicação entre todos. b) Estilo 1.1: baixo interesse do gerente com as operações e com as pessoas. O esforço feito é o suficiente para conseguir algum resultado, apenas para manter a posição do gerente e dos membros da equipe. c) Estilo 1.9: baixo interesse com as operações e alto interesse com as pessoas. Os erros e a ineficiência são relevados, resultando em uma produção mínima e custo/benefício desfavorável para a organização. d) Estilo 9.1: alto interesse pelas operações e baixo interesse pelas pessoas. O resultado é a alta motivação da equipe, grande criatividade e trabalho cooperativo. e) Estilo 5.5: Este estilo é o do meio termo. O resultado é um ambiente de ajuste, com transigência e acomodação, ainda que com vistas a conseguir resultados para a equipe e para a organização. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 42 09. (AFTN/96) A demanda por participação e por cidadania cresceu muito nos últimos vinte anos, coincidindo com o esgotamento das formas de organização burocráticas, centralizadas e hierarquizadas. Tais processos combinaram-se, no Brasil, com a crise do Estado desenvolvimentista, questionaram as atividades realizadas no setor público e tiveram forte impacto sobre a identidade profissional daqueles que nele trabalham. Paralelamente a isso, procedeu-se à substituição da idéia de “funcionário público” pela de “servidor público”. Tendo isso em conta, indique a opção que melhor expressa o significado desta substituição. a) Esta mudança conceitual deve-se, essencialmente, às alterações promovidas no regime de trabalho existente no setor público pela Constituição de 1988. b) Trata-se de mero formalismo, pois a nova denominação não traz consigo nenhum conteúdo novo. c) A noção de “servidor público” seria utilizada para classificar aqueles profissionais admitidos por concursos públicos, que se tornaram obrigatórios a partir de 1988. d) A mudança de denominação acentua a importância do usuário do serviço público e de seu papel decisivo na organização do trabalho e da gestão pública. e) A nova denominação derivou de alterações no contrato de trabalho decorrentes da flexibilização do princípio da estabilidade. 10. (FCC – PMSPA – Auditor Fiscal – 2007) Como forma de equacionar a crise do Estado, consistente na escassez de recursos frente ao aumento das demandas sociais, surge o conceito de Estado empreendedor, o qual caracteriza-se por a) criar condições institucionais que mobilizem e organizem o processo governamental, tendo em vista a inovação permanente, a superação de obstáculos e o alcance de resultados efetivos. b) Fomentar a criatividade e a ousadia, mas principalmente a disposição de correr riscos para encontrar soluções mais inovadoras. c) Implementar uma nova forma de utilização de recursos públicos, cujo principal critério é a elaboração de planos detalhados por uma equipe de especialistas com experiência e visão de mercado. d) Incentivar a formação de líderes que, por sua capacidade de mobilização e persuasão, sejam capazes de instaurar uma nova dinâmica na ação governamental. e) Propiciar a adesão a procedimentos mercadológicos e a orientação para a busca de lucro como critérios para dinamizar as organizações e romper com as rotinas burocráticas. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 43 11. (FCC – PMSPA – Auditor Fiscal – 2007) O Plano Diretor da Reforma do Estado elaborado pelo Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE), implementado nos anos 90, teve, entre seus principais objetivos e diretrizes a) propiciar a reforma do Aparelho do Estado, estabelecendo condições para que o Governo possa aumentar sua governança, fortalecendo as funções de coordenação e regulação. b) Aumentar a eficiência da gestão pública, privilegiando e fortalecendo os sistemas de controle a priori da atividade administrativa. c) A profissionalização dos setores estratégicos da administração e a ampliação da participação direta do Estado nos diversos setores da sociedade e da economia d) A reforma do estado, mediante a substituição do modelo burocrático pela administração gerencial, com foco no cidadão, prescindindo, assim, de sistemas de controle a priori e a posteriori. e) O fortalecimento do núcleo estratégico do Estado, com a modernização das estruturas organizacionais, ampliando e fortalecendo os sistemas centralizados de controle de processos. 12. (UNAMA – Prefeitura de Bragança - Auditor Fiscal – 2007) Um dos grandes desafios atuais da administração pública é conjugar valores de gestão empresarial (como a racionalidade no uso de recursos) e valores políticos, ou seja, o alcance de objetivos de interesse dos cidadãos. Dentre as alternativas abaixo, é exemplo típico de incorporação de valor da administração empresarial, por parte da administração pública, a: A) participação de todos nos processos decisórios. B) preocupação exclusiva com resultados econômico-financeiros. C) busca de novos mercados. D) avaliação de desempenho com base em indicadores específicos. 13. (NCE/UFRJ – Anac – Administração – 2007) Abaixo apresentamos algumas sentenças que dizem respeito à burocracia: I - Apego exagerado a regulamentos II - Formalismo e papelório III - Resistência a mudanças IV – Autoridade compartilhada Indique a alternativa que só contém disfunções da burocracia: (A) I e II, apenas; ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 44 (B) I, II e III, apenas; (C) IV, apenas; (D) II e IV, apenas; (E) I, II, III e IV. 14. (Cesgranrio - EPE – Administrador – 2006) 41 A sobrevivência das empresas, públicas ou privadas, está diretamente relacionada à capacidade de reagir aos desafiosdos ambientes internos e externos. Empresas proativas conseguem melhor reagir, e, portanto, são empresas que: (A) lutam para preservar a manutenção do status quo. (B) configuram um espírito conservador. (C) têm capacidade de adaptação a novas situações. (D) preservam a tradição dos seus fundadores. (E) processam negativamente o feedback ambiental. 15. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) Assinale a opção incorreta. a) No modelo patrimonialista de administração pública existe uma interpermeabilidade dos patrimônios público e privado. b) Um dos princípios do modelo burocrático de administração pública é um sistema administrativo impessoal, formal e racional. c) Um dos princípios do modelo patrimonialista de administração pública é o acesso por concurso ao serviço público. d) O modelo gerencial de administração pública tem como um dos seus objetivos garantir a propriedade e o contrato. e) O modelo burocrático de administração pública se baseia no serviço público profissional. 16. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) Assinale a opção que apresenta corretamente idéias contidas no documento Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado de 1995. a) No Aparelho do Estado dintinguem-se os seguintes setores: núcleo estratégico, de atividades exclusivas e de propriedade privada. b) O núcleo estratégico do Estado tem de atentar para a qualidade e custo dos serviços prestados ao cidadão. c) Um dos objetivos da reforma no que diz respeito às atividades exclusivas é aumentar a sua efetividade e modernizar a administração burocrática. d) A publicização visa a transferir atividades exclusivas do Estado para o setor público não-estatal. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 45 e) Os serviços não-exclusivos do Estado deverão ser executados por organizações sociais – entidades de direito privado sem fins lucrativos. 17. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) Indique a opção que apresenta corretamente características inerentes aos Conselhos de Gestão. I. Órgãos públicos, criados por lei. II. Entes de direito privado, criados por decreto. III. De livre iniciativa dos municípios. IV. Exigência de paridade em sua composição. V. Estão representados nos conselhos todas as associações de classe. a) I e III b) II e V c) III e IV d) I e IV e) II e V 18. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) 07- Assinale a opção correta. Por meio do orçamento participativo, a) o governo estabelece mecanismos de auto-gestão pública. b) compatibizam-se as relações entre União, Estados, DF e Municípios. c) cria-se um processo contínuo de ajuste crítico, baseado no princípio da auto-regulação. d) os governantes lutam pelos seus interesses individuais. e) o cidadão atende às suas demandas por serviços de qualidade. 19. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) Indique a opção incorreta. a) As parcerias entre o governo e a iniciativa privada devem-se à incapacidade de investimento do setor público em infra-estrutura. b) A participação da sociedade nas decisões de governo visa a atender o princípio de impessoalidade do serviço público. c) Parcerias entre sociedade civil e governo possibilitam maior controle social direto. d) O maior envolvimento da sociedade nas questões de governo deve-se ao processo de democratização em curso. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 46 e) A maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil está no cerne da reforma do aparelho do Estado. 20. (ESAF - Administrador - ENAP – 2006) Complete as lacunas a seguir com a opção correta. A Lei n. 11.079, de 30/12/2004, institui normas gerais para licitação e contrato de ........... no âmbito da administração pública. Trata-se de contrato de ............... a ser firmado por ............ a) parceria público-privada; concessão; sociedade constituída de propósito específico. b) privatização; cessão de direito; organização social criada para este fi m. c) parceria público-privada; cessão de direito; sociedade anônima com atuação no mercado. d) privatização; concessão; sociedade anômina com atuação no mercado. e) parceria público-privada; cessão de direito; sociedade constituída de propósito específi co. 21. (NCE/UFRJ - Governo do Estado do Mato Grosso – Administrador – 2006) Há várias explicações para as flutuações na capacidade de resposta aos desafios externos e internos. Uma delas é a atitude dos administradores em relação ao futuro. A atitude pode ser proativa ou reativa. Um exemplo de atitude reativa é: (A) o espírito renovador; (B) o apego às tradições; (C) a antecipação de novas situações; (D) a capacidade de adaptação a novas situações; (E) a existência de forças que impulsionam e desejam mudanças. 22. (NCE/UFRJ - Governo do Estado do Mato Grosso – Administrador – 2006) Um exemplo de atitude proativa de um administrador diante de desafios externos e internos da organização é: (A) o apego às tradições; (B) o espírito renovador; (C) o espírito conservador; (D) a incapacidade de adaptação às novas situações; (E) a existência de forças que preservam a estabilidade. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 47 23. (ESAF - CGU – AFC – 2006) Complete a frase a seguir com a opção correta. O .................... é uma forma da administração pública que se caracteriza pela privatização do Estado, pela interpermeabilidade dos patrimônios público e privado. O princípe não faz clara distinção entre patrimônio público e seus bens privados. a) modelo patrimonialista b) modelo burocrático c) modelo gerencial d) modelo racional-legal e) modelo estruturalista 24. (ESAF - CGU – AFC – 2006) Assinale se as frases a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) Os conceitos de governabilidade e governança estão intimamente relacionados entre si e com a reforma do Estado. ( ) Os conceitos de governabilidade e governança não estão relacionados entre si e nem com a reforma do Estado. ( ) Por governança se entende a capacidade de governar derivada da legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade civil. ( ) Por governabilidade se entende a legitimidade de um determinado governo junto à sociedade para empreender mudanças. ( ) Por governança se entende a capacidade técnica, fi nanceira e gerencial de implementar políticas públicas. ( ) Por accountability se entende a capacidade do Estado em formular e implementar políticas públicas e atingir metas. Escolha a opção correta. a) F, V, V, V, F, F b) V, F, V, F, F, V c) F, V, F, F, V, V d) V, F, F, V, V, F e) F, V, F, V, V, V 25. (ESAF - CGU – AFC – 2006 – adaptado) Com relação às OSCIP e Organizações sociais, julgue os itens abaixo a) A finalidade da Organização Social de Interesse Público (OSCIP) é produzir bens e serviços para o mercado consumidor. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 48 b) A finalidade das Organizações Sociais (OS) é exercer serviços não- exclusivos do Estado por meio de contratos de gestão. 26. (Cespe/UNB –Senado Federal – Consultor Legislativo – 2002) A implementação do governo eletrônico envolve o(a) a) Implementação de centrais integradas de atendimento e relacionamento com segmentos usuários de serviços e informações públicas. b) A disponibilização de informações pertinentes aos atos e fatos de determinadas organizaçõesou perfil de atuação de determinados setores, promovendo maior transparência, principalmente mediante webpages na Internet. c) A aplicação maciça de tecnologia da informação, visando a otimização de processos de trabalho. d) A diminuição da exclusão digital, mediante a promoção de uma cultura de utilização e popularização do acesso às tecnologias informacionais a segmentos específicos. e) O incentivo à sociedade informacional, mediante maciços investimentos para o desenvolvimento do mercado de tecnologia informacional, principalmente no que diz respeito à conectividade. 7. Gabarito 01. a) Errado. Esse é o motivo da existência do governo, mas a empresa privada serve aos interesses de um indivíduo ou grupo. b) Certo c) Errado. O governo deve manifestar esse comportamento. d) Errado. É o contrário. A eficiência não deve ser medida pelo aumento de suas receitas ou pela redução de seus gastos e sim pela qualidade e intensidade com que realiza seus propósitos públicos. A menos que o governo seja um negócio dos governantes, sua eficiência deve ser julgada sempre à luz de sua contribuição para a satisfação das necessidades e dos ideais do ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 49 povo. Isso não quer dizer que devam ser geridas com desleixo, sem preocupar-se com prejuízos. e) certo. 02. a) certo b) errado. É o contrário, conforme a letra “a”. 03. Fred Fiedler entende que as situações que os líderes enfrentam podem ser avaliadas em termos de três características. Essas três características permitem avaliar o “grau de favoralidade “ da situação para líder. a. As RELAÇÕES entre o líder e os seguidores (funcionários ou membros da equipe). Se os sentimentos dos seguidores forem positivos em relação ao líder, a situação é favorável. Se os sentimentos dos seguidores forem positivos em relação ao líder, a situação é desfavorável para líder. b. O grau de ESTRUTURAÇÃO da tarefa. Tarefas muito bem definidas, com alto grau de organização e certeza, são favoráveis para líder. Tarefas imprevisíveis e desorganizadas são desfavoráveis para líder. c. PODER da posição. Se o líder puder promover ou remover qualquer integrante da equipe, e se seu título indicar importância e autoridade, é porque sua posição tem poder. Se o líder não tiver poder, a situação é desconfortável. Fiedler e outros pesquisadores , que analisaram diferentes situações em inúmeras organizações, por meio de questionários que medem o estilo do líder e as características da situação, chegaram às seguintes conclusões: • A liderança orientada para a tarefa é eficaz nas situações que são muito favoráveis ou muito desfavoráveis para líder. • A liderança orientada para as pessoas é eficaz nas situações de dificuldade intermediária. O modelo de Fildler teve mérito de iniciar o debate sobre a idéia de liderança situacional, mas sua proposições são muito questionadas por outros pesquisadores. As críticas dirigem-se principalmente ao fato de que seus questionários de medir o estilo do líder avaliam atitudes e não comportamentos reais, que podem ser diferentes. O líder que está sendo estudado pode dizer uma coisa e fazer outra. Além disso, outras características da situação, como as competências dos subordinados e a própria competência do líder são negligenciados. Todavia, manteve-se do modelo de Fildler a idéia de que o líder deve flexibilizar seu comportamento a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 50 fim de ajustá-lo à situação. Essa idéia foi decisiva no desenvolvimento subseqüente dos estudos sobre liderança. Resp: A 04. Mc Gregor apresentou uma teoria de liderança que denominou Teoria X e Y de Liderança. O princípio geral que se deriva da teoria X é o da direção e controle do comprometimento humano, através do exercício da autoridade e o da liderança Y é o da criação de condições tais que levem os membros da organização a conquistar melhor seus objetivos, dirigindo os seus esforços no sucesso da empresa. A teoria X levanta as seguintes suposições sobre o comportamento humano: 1. Os seres humanos, em geral, não gostam de trabalho e procuram evitá-lo. 2. Em razão disso, as pessoas devem ser coagidas, controladas, dirigidas e ameaçadas até com punições. Só assim a empresa conseguirá das pessoas os esforços adequados a fim de alcançar produtividade. 3. Por outro lado, as pessoas, em geral, preferem ser dirigidas, desejam evitar responsabilidades, possuem pouca ambição e querem, acima de tudo, segurança. 4. O ser humano é, pela sua própria natureza, resistente à mudança. 5. As pessoas, em geral, são simplórias, não muito brilhantes, ingênuas, charlatãs e demagogas. Sobre a teoria Y, a gerência faz as seguintes suposições sobre o comportamento humano: 1. O controle externo e a ameaça de punição não são os únicos meios de se conseguir esforços dirigidos para objetivos da empresa. O homem exercerá autodireção e autocontrole a serviços de objetivos a que ele se dedica. 2. O ser humano, de maneira geral, aprende, sob condições próprias não só a aceitar, mas também a solicitar responsabilidades. 3. Sob as condições da moderna vida industrial, as potencialidades intelectuais do ser humano em geral são utilizadas só parcialmente. 4. A tarefa fundamental da liderança é atingir condições organizacionais e métodos de operação tais que as pessoas possam conquistar melhor seus objetivos. Resp: D 05. A Administração Científica, fundada por Taylor e seus seguidores, constitui a primeira tentativa da Teoria da Administração. A preocupação em criar uma ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 51 Ciência da Administração começou com a experiência concreta e imediata do trabalho de operários e com a ênfase nas tarefas. No primeiro período de sua obra, Taylor voltou-se para a racionalização do trabalho dos operários, estendendo-se no segundo período à definição de princípios de administração aplicáveis a todas as situações da empresa. A organização racional do trabalho se fundamenta na análise do trabalho operário, no estudo dos tempos e movimentos, na fragmentação das tarefas e na especialização do trabalhador. Busca-se a eliminação do desperdício, da ociosidade e a redução dos custos de produção. A forma de obter a colaboração dos operários foi o apelo aos planos de incentivos salariais e de prêmios de produção, com base no tempo padrão (eficiência = 100%) e na convicção de que o salário constitui a fonte de motivação para o trabalhador (homem econômico). O desenho de cargos e tarefas enfatiza o trabalho simples e repetitivo das linhas de produção e montagem, a padronização e as condições de trabalho que assegurassem a eficiência. Assim, vemos que o ponto em comum entre a Administração Científica de Taylor com os pressupostos do grid gerencial de Blake e Mouton, é a ênfase nas tarefas e o baixo interesse por pessoas. Taylor considerava o trabalhador como um ser sem capacidade, formação ou meios para analisar cientificamente seu trabalho. Resp: C 06. Estamos falando da Liderança. Resp: A 07. Conforme estudamos os estilos são: dirigir, persuadir, compartilhar e delegar. Resp: A 08. A resposta à nossa questão é a letra “d”. A afirmativa está errada porque se não há muita oportunidade de participar, e as pessoas sentem que, embora tenham contribuições a fazer, essas não são procuradas e provavelmente serão rejeitadas se apresentadas voluntariamente, isso significa que o estilo 9.1 não motiva a equipe, não geracriatividade nem trabalho cooperativo. Resp: D 09. A nova denominação está relacionada ao que se espera do servidor: que deixe de ser aquele “funcionário público” para ser um solucionador de problemas, satisfazendo o cidadão consumidor de serviços públicos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 52 Relaciona-se, portanto, com o paradigma pós-burocrático da administração, onde o cliente deixa de ser visto como um pequeno detalhe (ou um entrave, algumas vezes) e passando a representar o foco do processo. Há de ressaltar, ainda, que o conceito de servidor representa um gênero que admite duas espécies: o antigo “estatutário” (qual seja o servidor federal regido pela Lei n. º 8.112) e o “celetista” (redigo pela CLT). Resp: D 10. O empreendedorismo significa administrar a “res publica” (coisa pública) como se fosse uma empresa. Ou seja, adotar-se-á posturas empresariais como o foco no cliente, preocupação com a qualidade, com a modernização e com a inovação. Isso não significa correr riscos exatamente como no setor privado, até porque existem peculiaridades na administração pública. Por exemplo, no que diz respeito à aplicações financeiras dos recursos depositados na conta único do governo, devem ser ponderados fatores como liquidez e risco, observadas as normas do Bacen. O Poder Público não deve, por exemplo, colocar seus recursos em fundos de investimentos agressivos. O setor privado tem essa faculdade. Na mesma linha de raciocínio, não se deve buscar o lucro acima de tudo, pois a relação custo-benefício é diferente. Exemplificando: dado hospital privado (com fins lucrativos) tem uma demanda para atender determinado paciente. Para efetivá-la, será necessário adquirir um equipamento extremamente caro, cuja utilização será rara. Sob a ótica econômica, poderá não valer a pena. Em se tratando de administração pública, o atendimento deverá ser feito, mesmo que economicamente não compense. Resp: A 11. O Plano Diretor é um guia para a implantação do gerencialismo em nosso País. Objetiva-se, com isso, reformas sob a ótica legal, administrativa e cultural, aumentando-se a efetividade na implementação de políticas públicas (governança) definidas pelo núcleo estratégico. Com o paradigma pós- burocrático deseja-se, também, a substituição do controle a priori de processos pelo controle a posteriori de resultados. Traduzindo: não se deseja simplesmente saber se a modalidade de licitação escolhida atende à Lei n. º 8.666/93 (controle prévio exercido pelas Cortes de Contas, que recebem os editais de licitação antes da publicação e julgamento das propostas), mas se o objeto licitado foi adequadamente recebido e cumpriu a finalidade a que se propôs. A idéia não é saber se gastamos muito ou pouco em educação, mas se os alunos formaram-se com o padrão de qualidade requerido. Resp: A 12. Conforme explicado anteriormente, o que se deseja no novo modelo de gestão pública é saber se os recursos aplicados cumpriram sua finalidade, gerando o impacto desejado (efetividade). As opções B e C tratam de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 53 aspectos não condizentes com o novo modelo. A opção A não é típica de todas as empresas do setor privado. Resp: D 13. A autoridade compartilhada não é vista como um defeito (disfunção), mas uma vantagem em alguns desenhos organizacionais. De qualquer forma, não está ligada à burocracia. Resp: B 14. Empresas proativas são aquelas que conseguem, inclusive, antecipar-se às mudanças. A equipe neste tipo de entidade sabe que “a mudança é constante”, enxergando-a como sinal de evolução. Em “A Organização do Futuro”, fala-se sobre a necessidade das empresas em nossa “Era de mudanças” serem CAMALEÔNICAS”, não no sentido de mudarem de cor, mas enfatizando a capacidade que devem ter de adaptar-se aos clientes. Devem, portanto, ter estruturas mais fluidas e permeáveis. Resp: C 15. Na administração patrimonialista os cargos são vistos como uma prebenda, sendo ocupados por meio de indicações e favores. A idéia do concurso surge com Joaquim Nabuco na década de 30, quando da implantação da burocracia. Resp: C 16. O modelo de Estado preconizado no Plano Diretor aborda 4 setores: Núcleo Estratégico, Serviços Exclusivos, Serviços Não-Exclusivos e Produção de Bens e Serviços para a Sociedade, cada um com peculiaridades e objetivos próprios. No primeiro, o que se deseja é a efetividade (que as políticas públicas sejam implementadas); No segundo, o que se quer é a eficácia/eficiência, ou seja, que os serviços que somente podem ser prestados pelo Estado sejam de fato prestados e com a qualidade requerida. O terceiro setor compreende atividades que serão desenvolvidas por entidades públicas sem fins lucrativos (setor público não-estatal – Organizações Sociais), processo conhecido por publicização. O que será transferido, contudo, são serviços não-exclusivos, ou seja, que podem ser desenvolvidos por “particulares”. O quarto setor é voltado para o mercado (cultura, transporte, comunicação, lazer, etc). Resp: E 17. Resp: d. A questão considerou os ditames da LRF nos art. 67 caput e § 2º. 18. O orçamento participativo é uma forma do povo fazer valer sua vontade de forma mais objetiva, consubstanciando-se em um modelo de democracia ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 54 direta. É o povo escolhendo onde seus recursos serão aplicados, ao invés do governante direcioná-los “sozinho” (quem o escolhe é a população). Consiste em uma forma gestão participativa e pretende garantir maior transparência ao processo orçamentário (PLANEJAMENTO DE GASTOS). Previsto na Lei Responsabilidade Fiscal, foi concretizado em alguns municípios, como o do Rio de Janeiro, por exemplo. A comunidade, por meio de associações ou sub- prefeituras determina os programas de trabalho que deverão constar no orçamento. Infelizmente, em função da peça orçamentária ser autorizativa em relação à despesa, o fato de determinada obra estar no orçamento não significa que ela será efetivamente realizada, nem com a qualidade requerida. Isto ocorre porque quem determina o que será realizado é o ordenador de despesas, ajustando o ritmo orçamentário ao fluxo financeiro e à vontade política. Resp: C 19. A participação da sociedade de forma mais direta não visa atender ao princípio da impessoalidade. Este implica, dentre outras coisas, em cuidar-se para que não seja dado tratamento diferenciado a pessoas que encontrem-se em situações idênticas, conceito não-relacionado às parcerias que se pretende serem estabelecidas. Resp: B 20. Resp: a A questão considerou as definições constantes do capítulo I da Lei, art. 1º e 2º. 21. Resp: b As demais opções tratam de aspectos pró-ativos, característicos das entidades “camaleônicas”, que se antecipam às mudanças e adaptam-se a elas. O apego às tradições é visto em estruturas mais burocratizadas. 22.Resp: B As demais opções abordam peculiaridades do comportamento reativo. 23. O modelo patrimonialista é aquele em que não se faz uma distinção clara dos patrimônios público e privado. É nesse sentido que vigoram as práticas de rent-seeking, ou privatização dos interesses do Estado. Infelizmente, nos dias de hoje ainda é possível identificar em nossa estrutura administrativa características típicas desse sistema, por exemplo quando encontramos cargos públicos preenchidos sem concurso, via indicação e por pessoas que não tem competência para exercer funções públicas. Resp: a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO- TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 55 24. Os conceitos de governança e de governabilidade são distintos. O primeiro reflete a capacidade de implementar políticas públicas, de estabelecer metas e conseguir atingi-las. O segundo refere-se à legitimidade para governar. Ao longo de nossa história, os chefes têm encontrado dificuldade de concretizar os objetivos estabelecidos. Temos dificuldade com a governança. Não temos, contudo, problema de governabilidade, pois nossos governos são legítimos (são eleitos pelo povo). Resp: D 25. a) Errado. A finalidade da OSCIP é desenvolver projetos nas seguintes áreas (“sociais”), consoante o art. 3º da Lei n. º 9.790/99: I- a promoção da assistência social; II- promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; III- promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; IV- promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; V- promoção da segurança alimentar e nutricional; VI- defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII- promoção do voluntariado; VIII- promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; IX- experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; X- promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de caráter suplementar; XI- promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; XII- estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. b) certo ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 56 26. a) Certo Isto inclusive vem acontecendo em alguns Estados por meio dos sistemas SAC – Serviço de Atendimento ao Cidadão. São grandes postos de atendimento onde o contribuinte pode resolver praticamente toda sua vida junto ao Estado: tirar identidade, habilitação, pagar taxas, requerer certidões, etc. É uma espécie de “repartição pública macro” que integra as esferas federal, estadual e municipal. b) Certo. Um exemplo disso é a home page da Secretaria da Receita Federal do Brasil. c) certo d) Um exemplo prático é a instalação de terminais informatizados em comunidades carentes (com interface amigável) gratuitos para a população de baixa renda. e) certo Pensamento da semana “Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem: Porquê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Porque não?” George Bernard Shaw 8. Bibliografia ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 9ª Edição – São Paulo: Prentice Hall, 2002. Cadernos MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado) nº 2 , 9 e 15 Cadernos ENAP - Fundação Escola Nacional de Administração Pública nº 10, 19, 4, 1 e 15. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Decreto-lei nº 200/67 Constituição/88 BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos & SPINK, Peter. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Editora FGV, 2001. – 4ª Edição. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 57 CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005 – 2ª Reimpressão. CHIAVENATO, Idalberto. Administração Geral e Pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. MINICUCCI, Agostinho. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo. Editora Atlas, 1995 – 5ª Edição. GRANJEIRO, Wilson J. Administração Pública. Editora Vestcon. 10ª Edição – 2002. Alexandrino, Marcelo e Vicente Paulo. Direito Administrativo. 11ª Edição. Rio de janeiro: Impteus, 2006. i Joan Prats Catalã. Governabilidade democrática na América Latina no final do século XX. Livro: Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. ii Fernando Luiz Abrucio. O impacto do modelo gerencial na Administração Pública. Caderno ENAP nº 10. iii Brasil. Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Os avanços da reforma na administração pública: 1995-1998. Brasília: MARE, 1998. 127 p. (Cadernos MARE da reforma do estado; c. 15) iv Alexandrino, Marcelo e Vicente Paulo. Direito Administrativo. 11ª Edição. Rio de janeiro: Impteus, 2006. v Brasil. Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Os avanços da reforma na administração pública: 1995-1998. Brasília: MARE, 1998. 127 p. (Cadernos MARE da reforma do estado; c. 15) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Olá queridos amigos! Estava lendo um artigo e deparei-me com o seguinte pensamento escrito por Elmer Letterman: “Sorte é aquilo que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. Fiquei pensando... Nós já temos a oportunidade e já estamos nos preparando. Então, quem sabe não está na hora de encontrarmos nossa sorte? Empenhem-se em seus objetivos e não deixem passar as oportunidades! Vamos começar logo nossa aula e continuar nossa preparação. Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, não podendo ser repassado a terceiros, em caráter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e- mail ou qualquer outro meio de transmissão sob risco de violação do estabelecido na Lei n. º 9.610/1998 e no Código Penal. Desde já agradecemos a compreensão e estamos abertos para qualquer dúvida ou pendência, tanto sobre o material quanto para qualquer outro assunto relacionado ao concurso em questão. Aula 04 – Transparência, Controle Social e Cidadania e novas tecnologias de gestão Sumário 1. Transparência da administração pública........................................................................................2 2. Controle social e cidadania..........................................................................................................13 3. Novas Tecnologias de Gestão......................................................................................................16 3.1. Qualidade..................................................................................................................................16 3.2. Reengenharia ............................................................................................................................26 3.3. Planejamento Estratégico .........................................................................................................27 3.4. Balanced Scorecard ..................................................................................................................42 4. Questões: .....................................................................................................................................46 5. Gabarito .......................................................................................................................................54 6. Bibliografia ..................................................................................................................................61 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 21. Transparência da administração pública1 A Lei de Responsabilidade Fiscal, que assinalou um marco nas finanças públicas brasileiras, completou recentemente o sexto aniversário. Seu advento representou a tentativa de criação de um compromisso com a gestão fiscal responsável e com o equilíbrio das contas públicas. Além de introduzir novos mecanismos de controle dos recursos públicos, ela impôs restrições à conduta de seus administradores. A transparência, entendida como produção e divulgação sistemática de informações, é um dos pilares em que se assenta a LRF. Conferir transparência, além de se constituir em um dos requisitos fundamentais da boa governança, cumpre a função de aproximar o Estado da sociedade, ampliando o nível de acesso do cidadão às informações sobre a gestão pública. Os governantes, ao estarem obrigados a prestar contas de sua gestão, submetem o seu desempenho à avaliação da sociedade. A criação de instrumentos de transparência de gestão fiscal, consubstanciada na divulgação periódica de relatórios, na realização de audiências públicas regulares, na prestação de contas dos chefes dos poderes fortalece o controle social e representa incentivo à participação popular. Complementarmente, e de forma a assegurar o cumprimento de seus dispositivos e coibir violações às regras de disciplina fiscal, a LRF estabeleceu sanções de caráter institucional e pessoal. Entretanto, não se deve perder de vista que a transparência é um meio que visa a possibilitar a consecução de um fim. Se por um lado a investigação empírica revela que os procedimentos estabelecidos pela LRF vêm sendo corretamente observado pelos governos, por outro surgem algumas indagações: quais são as vantagens auferidas pela administração pública com a adoção de práticas de transparência ? A transparência tem sido efetivamente utilizada pela sociedade como instrumento de avaliação da conduta e do desempenho de seus administradores? De que forma ela está promovendo a melhoria da gestão pública? A transparência das contas públicas tem elevado a eficiência da aplicação dos recursos públicos? 1 Transparência e controle social na administração pública brasileira: avaliação das principais inovações introduzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal XI Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Ciudad de Guatemala, 7 - 10 Nov. 2006. Ariosto Antunes Culau (Secretário de Orçamento Federal) e Martin Francisco de Almeida Fortis (Analista de planejamento e orçamento ) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 3 Aspectos legais anteriores à LRF No âmbito jurídico, pode-se afirmar que antes da LRF a legislação brasileira já fazia referência à transparência da coisa pública, em geral, e ao acesso do cidadão a informações de seu interesse, em particular. Os princípios da transparência e do controle social encontram-se consagrados na Constituição Federal de 1988: o exercício da cidadania é um dos fundamentos da República. Além disso, é assegurada a possibilidade de iniciativa popular em projetos de lei, respeitado o atendimento dos requisitos previstos; direito de petição de assuntos de interesse individual, coletivo ou geral. Adicionalmente, a Constituição, mediante o instituto da ação popular, garantiu instrumentos que visem a anular ato lesivo ao patrimônio público. Dois outros instrumentos revestem-se, ainda, de particular relevância: os princípios da administração pública e a possibilidade de o cidadão denunciar perante o Tribunal de Contas da União. No capítulo referente à administração pública, leia-se o que a Constituição declara, in verbis: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. (grifo nosso) Além disso, a Carta Magna garante que o cidadão pode recorrer ao Tribunal de Contas da União para denunciar irregularidades ou ilegalidades. Essa previsão legal garante a assistência de um órgão técnico, especializado do Estado para auxiliar a sociedade no combate à corrupção e ao desvio de dinheiro público. Transparência e controle social na LRF A LRF, cuja finalidade principal foi formular regras de finanças públicas para a responsabilidade da gestão fiscal, instituiu o planejamento e a transparência como seus pilares. Entre as suas principais características, cabe destacar que se trata de uma lei complementar e, portanto, os requisitos necessários para a modificação dos seus dispositivos são mais rígidos e exigentes. É importante ressaltar também que a sua abrangência é nacional e extensiva a todos os Poderes da nação. Dessa forma, a LRF vigora: a) para as três esferas de governo (União, Estados e Municípios); b) para os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e para o Ministério Público; c) para todos os órgãos e entidades pertencentes à administração pública (administração direta, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes). Em particular, o capítulo IX, intitulado “Da transparência, Controle e Fiscalização” define os instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais deverá ser dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público. O texto da lei prevê, ainda, que a transparência será assegurada mediante incentivo à participação popular e à realização de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 4 audiências públicas durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos. Outra regra de transparência pode ser extraída do dispositivo atinente à prestação de contas: a LRF normatiza que as contas do Chefe do Poder Executivo serão disponibilizadas para consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade. Ressalte-se que as contas prestadas pelo Chefe do Poder Executivo devem ser acompanhadas pelas contas dos Presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público. Ademais, todas as contas deverão, após avaliação do respectivo Tribunal de Contas, receber parecer prévio. Em relação ao conteúdo da prestação de contas, devem ser especificados: o desempenho da arrecadação das receitas, destacando-se as medidas adotadas para fiscalização e combate à sonegação, bem como as providências administrativas e judiciais destinadas à recuperação de créditos. Deve-se sublinhar que a LRF também definiu normas para a escrituração e consolidação das contas públicas, definindo, por exemplo, regras para a elaboração de demonstrações contábeis, procedimentos de escrituração para as operações de crédito e para a inscrição em restos a pagar. A implantação do sistema de custos também foi objeto de normatização pela LRF: “A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial”. Esse ponto é particularmente relevante, porque os sistemas de custos se constituem em componente fundamental da melhoria da gestão pública e do aprimoramento da qualidade do gasto. Outro aspecto importante consistiu na sistematização da consolidação das contas nacionais, inclusive com a fixação de prazos e a cominação de sanções. O comando legal estabelece que as contas dos municípios deverão ser encaminhadas aos Estados até 30 de abril; os Estados disporão até 31 de maio para enviá-las ao Poder Executivo da União. O descumprimento desses prazos implicará, até que a situação esteja regularizada, a suspensão do recebimento detransferências voluntárias e contratação de operações de crédito, exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária. Prestação de Contas e Fiscalização Conforme mencionado anteriormente, a LRF determinou que as contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo das três esferas da federação, incluam também as contas dos chefes dos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público, as quais receberão parecer prévio do respectivo Tribunal de Contas. Ademais, a responsabilidade pela verificação do cumprimento das normas da LRF O legislador são competência do: a) Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas; b) sistema de controle interno de cada poder; e c) Ministério Público. Deve-se observar que a introdução de quatro instâncias de poder, atuando legitimamente como fiscalizadores do cumprimento das ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 5 regras fiscais, evidencia a relevância, atribuída pelo legislador, aos mecanismos ao controle. É competência da União, também, a prestação de assistência técnica e cooperação financeira aos municípios, com o propósito de contribuir para a modernização das suas estruturas de administração tributária, financeira, patrimonial e previdenciária. Essa assistência técnica compreende basicamente treinamento e desenvolvimento de recursos humanos, transferência de tecnologia e expertise, além de apoio à divulgação de instrumentos de transparência. Dadas as disparidades regionais brasileiras, esse dispositivo reveste-se de importância crucial para que a adoção das práticas e procedimentos emanados da LRF possam ser cumpridos integralmente em todo o país e não apenas nas regiões mais desenvolvidas. Em suma, a LRF concebeu como os principais instrumentos de transparência fiscal: a) planos, leis de diretrizes orçamentárias e orçamentos; b) prestações de contas e respectivos pareceres prévios; c) relatório resumido de execução orçamentária e relatório de gestão fiscal; d) versões simplificadas destes documentos e e) audiências públicas Portal da Transparência: A LRF determina em diversos dispositivos que as informações apuradas sejam divulgadas em meio eletrônico, promovendo a ampliação do acesso dos cidadãos mediante o acesso à Internet. Seguindo essa mesma linha, a legislação brasileira criou a figura do Portal da Transparência (PT), que se constitui na inovação mais recente do governo em matéria de transparência da gestão pública. Sanções Outro marco importante da LRF diz respeito à previsão de penalidades: o agente público que cometer infrações aos dispositivos da LRF fica sujeito a sanções de caráter administrativo, civil e penal. Deve-se esclarecer, em primeiro lugar, que as punições podem ser de duas naturezas: institucionais ou pessoais. A título exemplificativo, classificam-se entre as principais sanções de caráter institucional: suspensão de transferências voluntárias para Municípios, impedimento de contratação de operações de crédito, impossibilidade de obtenção de garantias da União para a contratação de operações de crédito, entre outras. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 6 Em consonância com os preceitos constitucionais da publicidade e da eficiência, e visando a estimular a gestão racional e responsável dos recursos públicos, o portal veicula informações sobre execução orçamentária e financeira dos ministérios. O Portal atua, ainda, como instrumento de publicização da prestação de contas dos ministérios, revelando à sociedade como os recursos dela extraídos têm sido aplicados. Atualmente, o sítio eletrônico do PT disponibiliza informações sobre execução orçamentária, licitações, contratações, convênios e diárias e passagens. O Ministério da Justiça, por exemplo, por intermédio de regulamentação própria, disponibiliza em seu sítio informações adicionais, como banco de preços, recursos humanos, procedimentos disciplinares e resultado de programas. O portal funciona como instrumento de prestação de contas dos administradores públicos, incentivando o controle social. A idéia é que os cidadãos possam acompanhar a execução dos programas e ações do governo federal. O “cidadão-fiscal” é um agente relevante no processo de fiscalização da utilização responsável dos recursos públicos, atuando como elemento inibidor da corrupção, fraude e malversação de recursos públicos. A CGU, na qualidade de gestora do Portal, tem realizado esforços para reduzir a defasagem dos dados apresentados, aprimorar a qualidade das informações oferecidas e estimular a utilização de linguagem de fácil entendimento. A ênfase na rápida disponibilização das informações é considerada fator relevante: os dados referentes aos pagamentos de benefícios assistenciais com o Programa Bolsa-Família, por exemplo, estão acessíveis no mesmo mês em que ocorre o pagamento. Entretanto, a informação ainda que rápida deve ser dotada de confiabilidade e clareza. Caso contrário, ainda que os cidadãos possam acessá-la, não poderão convertê-la em instrumento legítimo de controle social e de reivindicação de seus interesses e de suas comunidades. Análise da administração pública após seis anos de LRF: progressos e obstáculos A transparência é, nos regimes democráticos, um dos elementos essenciais para o desempenho exitoso dos governos. Conforme explica o Manual de A finalidade precípua do PT é veicular dados e informações detalhados sobre execução orçamentária e financeira da União, compreendendo gastos efetuados por seus órgãos e entidades, repasses de recursos federais, operações de descentralização de recursos, operações de crédito realizadas por instituições financeiras oficiais de fomento. A gestão do portal cabe à Controladoria-Geral da União, na qualidade de órgão central do Sistema de Controle Interno do governo federal. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 7 Melhores Práticas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico - OCDE: A relação entre boa governança e melhores resultados econômicos e sociais é crescentemente reconhecida. Transparência – abertura sobre concepção, formulação e implementação de políticas [públicas] – é um elemento chave da boa governança. (OECD 2001:3) A leitura dos dispositivos da LRF sobre transparência permite constatar que a sistemática adotada no Brasil de divulgação das informações encontra-se alinhada com as melhores práticas internacionais. A esse respeito, veja-se a conclusão de um levantamento realizado pelo Fundo Monetário Internacional em 2001, sobre a transparência fiscal brasileira: O Brasil atingiu elevados padrões em relação aos principais indicadores de gestão fiscal e de transparência (...) A cobertura de metas fiscais e estatísticas fiscais é satisfatoriamente ampla. Reformas recentes nos processo de orçamento e planejamento aperfeiçoaram substancialmente o realismo e a transparência do orçamento federal, assim como sua consistência com restrições macroeconômicas, e também sua efetividade na alocação de recursos. Os mecanismos de controle interno e externo são, em geral, bem desenvolvidos, e crescentemente visam a avaliar não apenas a aderência formal aos requisitos legais, mas também a qualidade e o custo-benefício da despesa pública (...) O Brasil está na fronteira, considerando-se os países de níveis similares de desenvolvimento, no uso de meios eletrônicos para a disseminação de estatísticas fiscais, legislação, regulamentação administrativaem assuntos orçamentários e tributários, para disponibilização de serviços públicos, bem como para facilitar a análise da sociedade civil sobre atividades e programas de governo. (ROSC, 2001) Adotando-se como referência o Manual da OCDE sobre transparência orçamentária, constata-se que o Brasil vem cumprindo as principais recomendações. A tabela abaixo apresenta um comparativo entre os relatórios sugeridos pela OCDE e a prática brasileira: MANUAL DA OCDE REALIDADE BRASILEIRA Relatórios orçamentários Sim. O Ministério da Fazenda divulga mensalmente informações sobre execução orçamentária e financeira. Os dados sobre despesa pública são apresentados em termos brutos e as vinculações são discriminadas claramente. Pré-orçamento Sim. A LDO contém as orientações para a elaboração do orçamento do exercício seguinte. Relatórios mensais Sim. Relatórios do meio do ano Não. Entretanto, a legislação prevê a elaboração e a publicação bimestral do relatório de reavaliação de receitas e despesas públicas e quadrimestral do cumprimento das metas fiscais. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 8 Relatório de final do exercício Sim. Esse documento seria equivalente às prestações de contas apresentadas pelos chefes dos Poderes e do Ministério Público. Relatório pré- eleitoral Não. Relatório de longo prazo Não. Com relação à produção e disseminação de informações, o governo brasileiro, mediante utilização de instrumentos de tecnologia da informação, tem investido no fortalecimento e aperfeiçoamento do governo eletrônico e dos sistemas estruturadores2. Esses sistemas, executados em mainframe e largamente utilizados pelo setor público, podem ser considerados como ferramentas essenciais da gestão administrativa do governo federal. Entre as principais vantagens da utilização dos sistemas estruturadores, convém sublinhar: a) racionalização, simplificação e padronização do processo administrativo; b) possibilidade de organizar a informação em bases mais gerenciais; c) auxílio no processo de tomada de decisões; d) incentivo ao controle e à fiscalização mais eficiente das contas públicas. Atualmente, têm sido envidados esforços para que esses sistemas sejam integrados e interoperem, obedecendo aos seguintes princípios: universalização, integração, acessibilidade, transparência e interoperabilidade. Para se ter uma percepção mais detalhada, seguem breves descrições de alguns dos sistemas estruturadores, conforme definições do glossário da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda: • O Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE) compreende o controle e acompanhamento dos gastos realizados com pessoal, abrangendo o planejamento, a organização a supervisão e o controle da realização do pagamento de pessoal civil dos órgãos federais que recebam transferências de recursos à conta do Tesouro Nacional, bem como dos inativos e pensionistas; 2 Os sistemas estruturadores do governo federal, atualmente, são: Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (Siasg), Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), Sistema de Informações Gerenciais e Planejamento (Sigplan), Sistema de Informações Organizacionais do Governo Federal (Siorg), Sistema Integrado de Dados Orçamentários (Sidor), Sistema Integrado de Administração Patrimonial (Siapa), Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) e Sistema de Integração de Estatais (Siest). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 9 • O Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) centraliza o processamento da execução orçamentária, com o envolvimento das unidades executoras e setoriais, sob a supervisão do Tesouro Nacional e resultando na integração dos procedimentos concernentes à programação financeira, à contabilidade e à administração orçamentária; • O Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR) tem por objetivo dotar o processo orçamentário do governo federal de uma estrutura de processamento de dados conforme as modernas ferramentas da tecnologia de informação, de processos informatizados e estruturas de dados para dar suporte às atividades do Sistema Orçamentário Federal. O sistema permite a elaboração da proposta para a formalização dos Projetos de Lei do Orçamento Anual; • O Sistema de Informações Gerenciais e Planejamento (SIGPLAN) organiza e integra a rede de gerenciamento do Plano Plurianual (PPA). Ele foi concebido para apoiar a execução dos programas, refletindo as características do modelo de gerenciamento: a orientação por resultados, a desburocratização, o uso compartilhado de informações, o enfoque prospectivo e a transparência para sociedade, sendo utilizados pelos Órgãos Setoriais, Presidência da República, Casa Civil, Ministérios e outras Entidades; • Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (SIASG) foi concebido para atender às áreas-meio dos ministérios, empregando ferramentas para controlar contratos, licitações, fornecedores etc. Análise dos avanços obtidos: A LRF, ao estabelecer regras precisas sobre níveis de endividamento e de gastos com despesas de pessoal, contribuiu decisivamente para o ajuste das contas públicas. A previsão de punições severas para o descumprimento de seus dispositivos, como a perda do mandato, parece estar coibindo atitudes de indisciplina fiscal, levando os governantes a adotarem medidas freqüentemente impopulares. A análise dos fundamentos macroeconômicos do país – taxa de inflação estabilizada, taxa de juros declinante, relação dívida/PIB controlada – sugere que a preocupação com o equilíbrio permanente das finanças públicas está se consolidando. Por outro lado, as evidências empíricas apontam que as audiências públicas, envolvendo tanto a discussão dos orçamentos quanto o cumprimento das metas fiscais, têm ocorrido regularmente. Em teoria, as audiências deveriam contribuir para promover uma parceria entre o governo e a sociedade, estimulando a participação popular e reforçando o controle social. Em síntese: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 10 “isso significa partilhar poder, informações e construir conjuntamente soluções”. Em muitos casos, essas audiências contam com a participação de autoridades governamentais, representantes de governos locais, de instituições universitárias e de pesquisa, conselheiros de orçamentos participativos, representantes de movimentos de participação popular, associações, entidades e organizações não governamentais. Um percurso rápido pelos sítios eletrônicos das páginas dos principais órgãos governamentais brasileiros permite constatar a explosão de informações disponíveis ao público sobre execução financeira, orçamentária, convênios, contratos, licitações. Além disso, a LRF forneceu um incentivo poderoso para a publicização de informações de natureza pública. Está se criando uma cultura de divulgação sistemática, organizada e inteligível, de dados de interesse coletivo. Dificuldades: A LRF cumpriu função importante de romper com a tradição formalista da administração pública brasileira. A burocracia nacional primou historicamente pelo seu caráter paternalista (confusão entre os aspectos público e privado) e auto-referente (foco em si mesma). A notória dificuldade de acesso dos cidadãos à máquina pública somava-se à lentidão de seus procedimentos e desinteressedos servidores públicos. Em diversos sentidos, essa realidade parece estar mudando. Porém, apesar de a tendência rumo à flexibilização, agilidade, transparência ser inequívoca, os entraves são poderosos. O estudo atento do orçamento brasileiro, conforme descreve Core (2004:12), revela seu caráter formalista e baseado na tradição. A transparência das informações fiscais, orçamentárias, financeiras da administração pública mostram-se insuficientes para aproximar o cidadão do governante, a sociedade do Estado. A dificuldade principal parece estar associada a dois fatores: baixo nível de escolarização da população brasileira e ao hermetismo da linguagem técnica. O entendimento do funcionamento da estrutura orçamentária brasileira é bastante complexo e encontra-se restrito a um círculo de especialistas. Nunes & Nunes (2003) apresentam uma sugestão para contornar o problema: A reflexão demonstra que os governos das três esferas (União, Estados e Municípios) vêm se empenhando em cumprir fielmente os princípios e as normas ditadas pela LRF. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 11 Nesse sentido, sugere-se a construção de uma “Rede de Informações” que permita acesso público, em um único site na Internet, a toda a informação que a LRF exige, em especial aos Relatórios bimestral e quadrimestral, pois as medidas devem ser adotadas ao longo do exercício. Hoje, essas informações estão dispersas em várias páginas da Internet, sendo apresentadas de modo não comparável e, muitas vezes, em linguagem técnica. A Rede de Informações tornaria mais fácil o acesso para o cidadão. Nesse sentido, cabe lembrar que a LRF estabeleceu que é função do governo federal prestar assistência técnica aos municípios visando a modernização de seu aparato administrativo, de forma a viabilizar a produção e a disseminação do conhecimento. A LRF prevê a formação de um conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade, a quem competiria: a) harmonização e coordenação entre os entes da Federação; b) disseminação de práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na arrecadação de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal; c) adoção de normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos relatórios e demonstrativos de gestão fiscal (...); e d) divulgação de análises, estudos e diagnósticos. Talvez a implantação desse conselho de gestão fiscal proporcione soluções adequadas para a questão da linguagem e do acesso à informação complexa dos relatórios e demonstrativos. Certamente, o treinamento de recursos humanos (dotado de forte efeito multiplicador); a realização de cursos (presenciais e à distância), a publicação de manuais técnicos possam colaborar para diminuir a distância que separa a mera divulgação de dados técnicos da sua efetiva assimilação pelo cidadão. Nesse sentido, se a finalidade principal da transparência só pode ser alcançada mediante a conversão da informação em instrumento de ação do cidadão, o papel educativo do conselho de gestão fiscal não pode ser menosprezado. Novamente, deve-se destacar que essa tarefa não é simples, pois implica reverter o histórico distanciamento dos cidadãos brasileiros das questões públicas. Considerações finais: Decorridos seis anos da sanção da LRF, a administração pública brasileira está mais transparente. Os instrumentos previstos – PPA, LDO, LOA, RREO, RGF e as prestações de contas - são de fato elaborados em consonância com as prescrições da legislação, bem como são divulgados regularmente. Em síntese, da transparência à participação popular ativa ainda existe um largo hiato a ser preenchido. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 12 Outro passo importante foi a definição de normas e critérios claros voltados para a escrituração e consolidação das contas. A padronização de demonstrativos e relatórios contábeis contribuiu fortemente para a comparabilidade das informações geradas pelos diversos entes da Federação. Da mesma forma, a legitimação do sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério Público, somados ao papel de controle externo tradicionalmente exercido pelo Parlamento e pelo Tribunal de Contas, como agentes responsáveis pela fiscalização da gestão fiscal reforçam o aparato de controle da conduta dos administradores públicos. No mesmo sentido, a previsão legal de sanções institucionais e pessoais para os infratores dos dispositivos da LRF colabora para coibir a corrupção, a fraude e a evasão de recursos públicos. Cabe destacar, ainda, que a ênfase na utilização de tecnologia da informação na produção, armazenamento e divulgação de dados fortalece o processo de transparência. Os sistemas estruturadores, e especialmente as recentes propostas de integração e interoperabilidade, visam a ampliar o acesso e a transparência dos dados disponíveis, tornando o governo mais acessível ao cidadão. Por outro lado, há aspectos importantes que precisam ser aprimorados. Em primeiro lugar, a publicidade dos valores referentes às receitas e despesas dos órgãos públicos não se traduz automaticamente em gestão administrativa mais participativa. O baixo nível de politização do brasileiro e a natureza eminentemente técnica das informações fiscais, orçamentárias e financeiras dificultam o entendimento popular. Em segundo lugar, até o presente momento, a participação de entidades técnicas representativas da sociedade e de associações não-governamentais no processo de formulação de políticas públicas é insuficiente. A dificuldade de compreensão da linguagem complexa inerente aos assuntos fiscais e orçamentários torna as informações produzidas e divulgadas pouco acessíveis aos cidadãos. Adicionalmente, o analfabetismo digital funciona como elemento restritivo à ampla participação social. A disparidade regional brasileira também afeta negativamente a transparência e o controle da sociedade sobre os recursos públicos, já que parcela significativa dos municípios apresenta estrutura administrativa e institucional bastante precária. Nesse aspecto, a assistência técnica e a cooperação financeira da União assumem importância inegável. O índice de percepção da corrupção, divulgado anualmente pela organização não-governamental Transparência Internacional, para o ano de 2005, revela que o Brasil ocupa a 62ª posição. Esse dado demonstra que, não obstante os progressos realizados sob a égide da LRF, o Brasil precisa continuar aprimorando seus mecanismos de transparência. Enquanto o que é público permanecer em segredo, o cidadão continuará destituído dos instrumentos necessários para exercer sua plena cidadania. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 13 2. Controle social e cidadania A sociedade brasileira e a classe política não têm dado conta da grande necessidade de implementação de mudanças nos sistemas de controle sobre os recursos públicos, ampliando-se os meios de controle social. Esse aumento de controle não deve imobilizar a ação do gestor público, mas pode garantir utilizações mais racionais, eficientes, transparentes, e compatíveis com o esforço de submissão da sociedade à tributação imposta pelo Estado. As mudanças necessárias no controle devem caminhar na direção de ampliação e consolidação da democracia no Brasil. Nos últimos anos, o País tem se defrontado com vários casos de desviose impropriedades do gasto público. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s) foram criadas no intuito de esclarecer os casos de corrupção e desmandos na Administração Pública por práticas neopatrimoniais, impondo a urgência de uma discussão profunda sobre o tema controle. Porém, num País como o Brasil, onde grande parcela da população que vive a margem dos direitos sociais e políticos, falar em controle social parece um contra-senso. O controle social atuante pode representar o elemento social para assegurar que o governo atinja os objetivos estabelecidos para os Órgãos Públicos e para os programas de longa duração com eficiência, e efetividade dentro da ordem democrática, levando em conta os aspectos da administração, políticos e sociais. O modelo gerencial ou pós-burocrático busca ampliar a autonomia das entidades descentralizadas do governo, e busca aumentar a eficiência das organizações públicas. Porém, esse modelo pode gerar uma maior flexibilidade dos controles da administração, e resultar no aumento de impropriedades e corrupção na utilização dos recursos públicos. A corrupção é vista como um fenômeno social presente também em nações mais desenvolvidas. Baseando-se neste argumento, ela acaba sendo justificada e aceita como um processo natural, tanto no Brasil quanto em outros Países. Porém quando ela se torna muito visível, a ponto da sociedade não tolerar, é necessário uma reavaliação nas formas de controle da Administração Pública com o objetivo de coibir a sua ocorrência. Os Tribunais de Contas e o Ministério Público têm tido uma ação fundamental na condução ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 14 desses casos, mas não o suficiente para inibir novos abusos de desvio ou má utilização de recursos públicos, porque este fenômeno não atinge somente o poder executivo, mas também o legislativo e judiciário. Além disso, não se restringe à esfera Federal, é presente também na esfera estadual e municipal. Isto demonstra a dificuldade de se estabelecer um grau de accountability (responsabilidade dos gestores públicos) na democracia brasileira que permita a real garantia de controle de resultados. CONCEITO DE CONTROLE SOCIAL: O controle social corresponde ao “poder legítimo utilizado pela população para fiscalizar a ação dos governantes, indicar soluções e criar planos e políticas em todas as áreas de interesse social” (Alcântara, 2000). Na Administração Pública, o controle é imprescindível desde que os recursos não sejam particulares, e devem estar comprometidos com os interesses e objetivos de toda uma Nação. É uma função muito importante dentro da Administração Pública, porque sem o controle, as metas não são corrigidas e os objetivos principais são colocados em segundo plano. O surgimento deste controle deve-se a necessidade de correção de rumos frente aos interesses da sociedade e a obrigação ética de utilização regular dos recursos público. Este controle pode também ser exercido pela sociedade, mediante a participação dos cidadãos de forma individual ou coletiva. Assim a sociedade torna-se um agente passivo e ativo nesse processo, identificando tanto as impropriedades para eliminá-las, como as melhorias para incentivá-las. O controle é uma das funções administrativas que fundamenta a Escola Clássica iniciada por Fayol e Taylor que tinha como funções: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. A longo dos últimos anos, o tema controle social tem sido cada vez mais enfatizado como uma necessidade para se conseguir resultados dentro da sociedade. A descentralização das atribuições do Estado impõe a necessidade de uma participação cada vez maior da sociedade no controle da administração. CONTROLE SOCIAL NO BRASIL: O controle social ganhou força jurídica no Brasil a partir de 1988, com a publicação da denominada constituição cidadã, quando surge o papel do ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 15 cidadão junto aos poderes públicos. O novo sistema de controle da Administração Pública foi fundamentado nos princípios constitucionais de legalidade, moralidade, finalidade pública, motivação, impessoalidade e publicidade. Este sistema baseia-se nos sistemas de freios e contrapesos pela separação dos poderes, no sistema de controle interno de cada poder, no sistema de controle externo exercido pelo legislativo com auxílio dos Tribunais de Contas, e em todas as possibilidades de atuação da sociedade, permitindo o controle social por meio de conselhos, recursos administrativos e judiciais. Porém os controles formais estabelecidos continuaram ineficazes, porque muitos gestores públicos utilizam-se de brechas da lei para usurpar e realizar a malversação do dinheiro público. Os órgãos de controle interno não possuem autonomia suficiente para aplicar a Lei e conseguir responsabilizar os gestores, coibindo a corrupção. Muitos servidores públicos com cargos importantes e de grande responsabilidade dentro do governo não têm capacitação suficiente, além de serem mal remunerados e desmotivados. Contudo, o governo não dispõe de estrutura e recursos adequados à atividade de controle prevista, porque falta integração entre os órgãos de controle interno de cada poder e entre esses e o controle externo. Faltam agilidade e rigor dos Tribunais de Contas no julgamento das contas dos gestores ocasionadas por ingerências políticas, essencialmente, por falhas na instrução dos processos de contas analisados. O jeitinho brasileiro e a ineficácia da aplicação da lei criam um ambiente favorável ao descontrole, com isso a Administração Pública continua prestando serviços de pouca qualidade. DIFICULDADES INERENTES AO CONTROLE • Dificuldade de identificação dos produtos do governo; • Dificuldade de avaliação do desempenho das organizações públicas; • O fato de o Estado não poder acionar ele mesmo e • O arbítrio gerencial poder levar uma perda de controle dos recursos públicos. CIDADANIA: A Constituição Brasileira reforça a idéia de que o cidadão tem deveres e direitos. São tipos de atividades que devem ser exercidas de forma permanente. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 16 A cidadania pode ser exercida nas esferas jurídica e política. Desse modo, o sistema jurídico pátrio criou instrumentos jurídicos e políticos para participação do cidadão nos assuntos do Estado. Está surgindo no Brasil a cada dia que passa, uma consciência de cada cidadão. De seus direitos, suas responsabilidades. Começa a haver uma ação coletiva, porque o povo está cansado de ver a inércia, a impunidade, o não fazer nada, o cruzar os braços, e esperar que o governo faça. O sucesso de uma nação depende não apenas da economia ou da política, mas da mentalidade do seu povo. O atraso do cidadão brasileiro referente à cidadania e ao controle social, com relação aos países mais desenvolvidos, deriva-se de alguns fatores, tais como: 1) O cidadão brasileiro precisa sentir-se, de fato, dono do país, do seu Estado, cidade, bairro e rua. E não apenas de sua casa; 2) Deve tomar a iniciativa, e não esperar tanto do governo; 3) Apostar na produção e transmissão do conhecimento como alavanca vital de desenvolvimento e democracia. É importante que cada pessoa se atreva a fortalecer seu senso de responsabilidade, assumindo sua cota, positiva ou negativa, nos acontecimentos. Por menor que seja a fração que cada um de nós representa na cultura social, isso não enfraquece nossa responsabilidade. Cada um de nós se torna a pessoa quedecide ser, e tudo que fazemos socialmente retorna um dia para que desfrutemos as conseqüências de nossos próprios atos. Quanto maior a parceria entre as sociedade e o poder público, mais rápida a passagem da crise para a possibilidade. 3. Novas Tecnologias de Gestão 3.1. Qualidade A melhoria contínua é uma técnica de mudança organizacional suave e contínua centrada nas atividades em grupo das pessoas. Visa à qualidade dos produtos e serviços dentro de programas a longo prazo, que privilegiam a melhoria gradual e o passo a passo por meio da intensiva colaboração e participação das pessoas. A filosofia de melhoria contínua deriva do kaizen. O Kaizen é uma filosofia de contínuo melhoramento de todos os empregados da organização, de maneira que realizem suas tarefas um pouco melhor a cada dia. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 17 A qualidade total é uma decorrência da aplicação da melhoria contínua. Enquanto a melhoria contínua da qualidade é aplicável no nível operacional, a qualidade total estende o conceito de qualidade para toda a organização, abrangendo todos os níveis organizacionais, desde o pessoal de escritório e chão de fábrica até a cúpula em um envolvimento total. A melhoria contínua e a qualidade total são abordagens incrementais para obter excelência em qualidade dos produtos e processos. O objetivo é fazer acréscimos de valor continuamente. O gerenciamento da Qualidade Total (Total Quality Management – TQM) é um conceito de controle que atribui às pessoas, e não somente aos gerentes e dirigentes a responsabilidade pelo alcance de padrões de qualidade. A qualidade total está baseada no empoderamento (empowerment) das pessoas. Empowerment significa proporcionar aos funcionários as habilidades e a autoridade para tomar decisões que tradicionalmente eram dadas aos gerentes. Significa também a habilitação dos funcionários para resolverem os problemas dos clientes sem consumir tempo para aprovação do gerente. O gerenciamento da qualidade total trouxe técnicas conhecidas, como: Enxugamento (downsizing) e terceirização (outsourcing). A qualidade total provocou o enxugamento (downsizing) dos Departamentos de Controle de Qualidade e sua descentralização para o nível operacional. O downsizing promove redução de níveis hierárquicos e enxugamento Dica: O tema central da qualidade total é que a obrigação de alcançar qualidade está nas pessoas que a produzem. Os funcionários, e não os gerentes são os responsáveis pelo alcance de elevados padrões de qualidade. Dica: Kaizen não significa somente fazer melhor as coisas, mas conquistar resultados específicos para reduzir custos de fabricação, projetos, estoques e distribuição a fim de tornar os clientes mais satisfeitos. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 18 organizacional para reduzir as operações ao essencial (core business) do negócio e transferir o acidental para terceiros que saibam fazê-lo melhor e mais barato (terceirização). Terceirização (Outsourcing) é uma decorrência da filosofia de qualidade total. A terceirização ocorre quando uma operação interna da organização é transferida para outra organização que consiga fazê-la melhor e mais barato. A terceirização representa uma transformação de custos fixos em variáveis. 3.1.1. Downsizing (Enxugamento) A qualidade total provocou o enxugamento (downsizing) dos Departamentos de Controle de Qualidade e sua descentralização para o nível operacional. O downsizing promove redução de níveis hierárquicos e enxugamento organizacional para reduzir as operações ao essencial (core business) do negócio e transferir o acidental para terceiros que saibam fazê-lo melhor e mais barato (terceirização). O enxugamento substitui a antiga cultura baseada na desconfiança – que alimentava um contingente excessivo de comandos e de controles – para uma nova cultura que incentiva a iniciativa das pessoas. O policiamento externo é substituído pelo comprometimento e autonomia das pessoas, além do investimento em treinamento para melhorar a qualidade. 3.1.2. Terceirização (Outsourcing) É uma decorrência da filosofia de qualidade total. A terceirização ocorre quando uma operação interna da organização é transferida para outra organização que consiga fazê-la melhor e mais barato. A terceirização representa uma transformação de custos fixos em variáveis. Na prática, uma simplificação da estrutura e do processo decisório das organizações e uma focalização maior no core business e nos aspectos essenciais do negócio. Um exemplo bastante comum em grande parte das empresas hoje em dia é a terceirização dos serviços de limpeza e copa. 3.1.3. Redução do tempo do Ciclo de Produção O tempo de ciclo refere-se às etapas seguidas para completar um processo. A simplificação de ciclos de trabalho, a queda de barreiras entre as etapas de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 19 trabalho e entre departamentos envolvidos e a remoção de etapas improdutivas no processo permite que a qualidade total seja bem-sucedida. O ciclo operacional da organização torna-se mais rápido e o giro do capital mais ainda. A redução do ciclo operacional permite a competição pelo tempo, o atendimento mais rápido do cliente, etapas de produção mais encadeadas entre si, queda de barreiras e obstáculos intermediários. 3.1.4. Produtividade: Para William Edwards Deming, o programa de melhoria contínua deve basear- se em 14 pontos para a produtividade gerencial: 1) Criar e publicar para todas as pessoas os objetivos e propósitos da empresa quanto à melhoria do produto ou serviço. A alta direção deve demonstrar constantemente seu total apoio ao programa. 2) A alta administração e todas as pessoas devem aprender e adotar a nova filosofia: não mais conviver com atrasos, erros e defeitos no trabalho. 3) Conhecer os propósitos da qualidade, para melhorar os processos e reduzir custos. 4) Suspender a prática de fazer negócios apenas na base do preço. 5) Melhorar sempre e constantemente o sistema de produção e serviços, identificando e solucionando problemas. 6) Instituir treinamento no trabalho. 7) Ensinar e instituir liderança para conduzir as pessoas na produção. 8) Eliminar o medo de errar. Criar confiança e um clima para inovação. 9) Incentivar grupos e equipes para alcançar os objetivos e propósitos da empresa. 10) Demolir as barreiras funcionais entre departamentos. 11) Eliminar exortações à produtividade sem que os métodos não tenham sido providenciados. 12) Remover as barreiras que impedem as pessoas de orgulhar-se de seu trabalho. 13) Encorajar a educação e o auto-aperfeiçoamento de cada pessoa. 14) Garantir a ação necessária para acompanhar essa transformação. 3.1.5. O Ciclo PDCA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 20 A ferramenta de qualidade conhecida como PDCA, também chamada de ciclo da melhoria contínua, converteu-se em uma sugestiva abordagem de processos com vistas a maximizar a eficiência, com vistas à obtenção da excelência. Tendo em mente alguns princípios de qualidade enunciados por Deming, o PDCA parte da insatisfação com o status a quo disseminado na cultura organizacional e pressupõe a análise de processos com vistas a realizá-los de maneira otimizada. Pressupõe, assim, quatro etapas: (1) planejar a mudança (to plan), (2) implementá-la(to do), (3) verificar o resultado (to check) e (4) agir corretivamente (to act correctly). A título de melhor evidenciação, pode-se imaginar um determinado fluxograma de processos na administração pública cujo resultado não é satisfatório: o fluxo de autorizações para empenhamento da despesa, por exemplo, que é cheio de redundâncias (novas conferências feitas pela mesma pessoa em diversas etapas do processo). Após o mapeamento do processo, percebeu-se que algumas etapas poderiam ser suprimidas e outras reagrupadas, com vistas a economia de tempo. Dessa forma, foi elaborado novo fluxograma (planejar...), apresentado às pessoas diretamente envolvidas e marcada uma reunião para discussão acerca de como o novo fluxo seria levado a efeito. A partir de então, convencionou-se uma nova data a partir da qual seria implementado o novo processo. Após um mês de funcionamento, verificou-se que em determinados casos excepcionais o fluxograma não era adequado, pois como envolviam valores muito altos, a ciência ao chefe dada apenas no final do processo prejudicava o processo decisório, culminando em decisões menos acertadas. Assim, o agir corretivamente materializou-se por um ajuste no fluxograma dando tratamento diferenciado aos processos com valor acima de R$ 200.000,00, que foi o parâmetro estabelecido. É importante ressaltar que o agir corretivamente não significa necessariamente que houve erro na implementação do plano de melhoria. A última etapa do PDCA consiste em verificar de que forma as atividades podem ser novamente melhoradas. Por isso, inclusive, seu símbolo é um círculo, evidenciando que a busca pela excelência não tem fim. Dica: O Ciclo PDCA é uma das ferramentas “oficiais” para alcance da qualidade no Setor Público. O assunto foi regulamentado pelo antigo MARE - Ministério da Administração e Reforma do Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 21 A figura abaixo foi extraída do Caderno Mare de Reforma do Estado – Programa da Qualidade e Participação na Administração Pública. 3.1.6. Programa da Qualidade e Participação na Administração Pública Programa da Qualidade e Participação na Administração Pública é o principal instrumento de aplicação do Plano Diretor da Reforma do Aparelho Estado, propondo-se a introduzir no Setor Público as mudanças de valores e comportamentos preconizados pela Administração Pública Gerencial, e, ainda, viabilizar a revisão dos processos internos da Administração Pública com vistas à sua maior eficiência e eficácia. O esforço de sua implementação assume na Administração Pública Federal caráter estratégico, em razão de seu fundamento básico que é o de gerar benefícios para todas as instâncias da sociedade: aos cidadãos, propiciar uma melhor qualidade de vida, ao setor produtivo, assegurar a infra-estrutura necessária ao seu funcionamento e desenvolvimento; aos servidores públicos, proporcionar melhores condições de trabalho, incluindo oportunidades de participação e reconhecimento e, finalmente, aos órgãos públicos, possibilitar o resgate de sua legtimidade, perante a sociedade, como a instância responsável pela manutenção do bemestar social e pelo desenvolvimento auto-sustentado do país. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 22 Um fator crítico para o sucesso da sua aplicação é a vontade e o compromisso dos servidores públicos, inclusive daqueles que ocupam cargos no nível estratégico das organizações. E, nesse sentido, é um Programa de todos, um Programa para toda a Sociedade, para todos aqueles que acreditam, dentro do mais alto espírito democrático, na participação como a força propulsora, capaz de impulsionar o País na direção da modernidade e do futuro. Por sua vez, o PBQP, frente às novas diretrizes governamentais, promoveu profundas reformulações em suas orientações estratégicas, no sentido de seu fortalecimento institucional, privilegiando a maior integração dos esforços junto às diversas áreas de governo e junto à sociedade. Dentro dessas novas orientações, e considerados os objetivos da Reforma do Aparelho do Estado, a implantação da Qualidade na Administração Pública foi destacada como importante instrumento para a eficiência do aparelho estatal, aliada imprescindível para a melhoria da qualidade dos bens e serviços produzidos no País e, principalmente, para a melhoria da qualidade de vida do cidadão. Muito embora os projetos do PBQP guardem entre si uma unidade de objetivos estratégicos, o esforço de implantar a qualidade no campo da Administração Pública apresenta algumas especificidades decorrentes da natureza da atividade pública, ausentes no setor privado, que desaconselha a O Programa da Qualidade e Participação na Administração Pública cumpre a função de principal instrumento para a mudança de uma cultura burocrática para uma cultura gerencial, responsável por promover a revolução nos valores estabelecidos no plano político-filosófico, necessários à implementação de um novo modelo de Estado: participação, reconhecimento do potencial do servidor e de sua importância no processo produtivo, igualdade de oportunidades e a opção pela cidadania; estando associado aos processos educacionais que conduzem a uma renovada visão do mundo. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 23 mera reprodução, para o setor público, das diretrizes e ações adotadas na absorção da metodologia no setor privado. As principais diferenças são: • as finalidades principais das atividades de caráter privado são o lucro e a sobrevivência em um ambiente de alta competitividade, enquanto os objetivos da atividade O Programa da Qualidade e Participação na Administração Pública cumpre a função de principal instrumento para a mudança de uma cultura burocrática para uma cultura gerencial. A Qualidade na Administração Pública pública são imbuídas do ideal democrático de prestar serviços à sociedade, em prol do bem-estar comum; • a preocupação em satisfazer o cliente no setor privado é baseada no interesse, enquanto no setor público essa preocupação tem que ser alicerçada no dever; • o cliente atendido, no setor privado, remunera diretamente a organização, pagando pelo serviço recebido ou pelo produto adquirido; no setor público, o cliente atendido, paga indiretamente, pela via do imposto, sem qualquer simetria entre a quantidade e a qualidade do serviço recebido e o valor do tributo que recolhe. • as políticas voltadas para a Qualidade no setor privado referem-se a metas de competitividade no sentido da obtenção, manutenção e expansão de mercado; enquanto no setor público, a meta é a busca da excelência no atendimento a todos os cidadãos, ao menor custo possível; • as diferentes contingências a que estão submetidos os dois setores, como, por exemplo, limites de autonomia estabelecidos pela legislação e o perfil da clientela. Assim, preservadas as características do PBQP, as ações da Qualidade na Administração Pública foram estruturadas em um programa denominado Qualidade e Participação. A Qualidade na Administração Pública Os termos Qualidade e Participação definem, respectivamente, a orientação e a ênfase que se deseja dar às ações que serão desenvolvidas pelo Programa. A estratégia de implementação do Programa deverá observar os princípios e as diretrizes da Qualidade, interpretados e aplicados segundo a ótica da Administração Pública. A ênfase na participação representa