Acordo Coletivo
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Acordo Coletivo


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Acordo Coletivo


O que é um acordo coletivo?

Para compreender melhor o que é um acordo coletivo é importante entender em qual cenário ele aparece, para existir um acordo coletivo deve haver algum conflito que podem ser econômicos ou de interesse, como reivindicação por salários maiores e melhores condições de trabalho.

O acordo coletivo objetiva propor negociação pacífica entre empregados e seus empregadores, é geralmente realizado através de sindicato, sendo uma maneira de chegar a um consenso comum, visam estabelecer vantagens para ambas as partes evitando possíveis conflitos. Situações em que os trabalhadores buscam aumento de seus direito, aumento de salário, melhores condições de trabalho podem ser resolvidascom um acordo evitando situações como de greve.

Ele está disposto no § 1º do artigo 611 da Consolidação das Leis de Trabalho e tem vigência apenas as empresas e trabalhadores que utilizaram o acordo coletivo para concretizar o acordo.

Historicamente ocorreram vários conflitos em que os trabalhadores são submetidos a situações impositivas tendo seus direitos violados, portanto, esse tipo de acordo foi criado para que minimize e evite tais situações. A origem do acordo coletivo veio da Europa e Estados Unido e foi consagrado no Brasil através da Constituição Federal de 1988 que se depreende do art. 7o, incisos VI, XIII, XIV, XXVI, art. 8o, inciso VI e art. 114, §§ 1o e 2º.



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Negociação de Acordo Coletivo


Como funciona e quais são as regras?

Existem regras que devem ser seguidas para que o acordo coletivo firmado seja válido. Conforme a CLT ele tem validade de dois anos e está proibido qualquer retrocesso de direitos já conquistados. A negociação deve ser realizada em Assembleia Geral de Trabalhadores e uma minuta deve ser elaborada com as descrição da negociação estabelecida assinada pelo Sindicato dos Trabalhadores e a empresa, uma cópia deve ficar arquivada na Delegacia Regional do Trabalho que será utilizada para devida fiscalização. O documento deve remeter ao Ministério do Trabalho dentro do prazo de oito dias e entrará em vigor três dias após o seu recebimento. Além disso, as alterações deverão ser aprovadas por pelo menos 2/3 dos interessados.

O acordo coletivo pode modificar regras que a lei já garante, mas não pode excluir direitos, somente adaptá-los a condições se as duas partes tiverem de acordo. Um exemplo seria substituir as horas extras trabalhadas em domingos e feriados por folgas. Deve ser respeitado por todo seu período de vigência, caso não for cumprido o Ministério de Trabalho deverá ser alertado para fazer a fiscalização e tomar as medidas necessárias, caso seja comprovado a empresa deverá pagar multa.

Para impedir que os direitos garantidos pelo trabalhador, existem diretrizes que não podem ser objeto de negociação previsto no art. 611-B da CLT:

  • O valor dos depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS);
  • Multa rescisória;
  • Salário-mínimo;
  • Repouso semanal remunerado;
  • Normas de identificação profissional;
  • Seguro desemprego;
  • 13º salário;
  • Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço de, no mínimo, 30 dias;
  • Normas de saúde, higiene e segurança;
  • Adicional para atividades penosas, insalubres ou perigosas;
  • Seguro contra acidentes de trabalho;
  • Igualdade entre empregados e avulsos;
  • Definição legal de atividades e serviços essenciais;
  • Liberdade de associação profissional ou sindical;
  • Direito à greve;
  • Jornada mensal de até 220 horas;
  • Aposentadoria;
  • Tributos e créditos de terceiros;
  • Licença-maternidade de 120 dias;
  • Licença-paternidade;
  • Remuneração do trabalho noturno superior ao diurno;
  • Proteção do salário;
  • Salário-família;
  • Remuneração de hora extra com, ao menos, 50% acima da hora normal;
  • Direito à impetração de ações trabalhistas;
  • Proibição da discriminação de deficientes;
  • Proteção ao trabalho de menores.


O que mudou com a Reforma Trabalhista?

Sancionada em 13 de julho de 2017 por Michel Temer a Reforma Trabalhista modificou alumas situações. O acordo coletivo ainda continua sendo amparado pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).

Antes da reforma trabalhista caso houvesse divergência entre a lei e a cláusula estabelecida era aplicada a que fosse mais favorável ao trabalhador, ou seja, o acordo só prevalecia se fosse mais benéficos para o trabalhador. A partir de novembro de 2017 o acordo coletivo se sobrepõe a legislação.

Outra mudança é que ele pode ser feito diretamente entre as partes e não é mais obrigatório a presença de sindicato. Para garantir que os trabalhador não renunciei seus direitos se manteve o artigo 9 da CLT, que diz que deve sempre haver troca ou compensação nas cláusulas negociadas ou então a negociação não terá validade. Portanto, flexibilizou as relações trabalhistas tornando menos burocrático, sem que seja cruzada as limitações impostas por lei.



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Regras depois da Reforma Trabalhista