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CORRIMENTO VAGINAL DICENTES: Edleny Silva Lima Helenilce Mendes Cabral Herilane Pereira Gama Kalison Batista Silva Karen Batista Souza Kellem Silva Cerdeira Larissa Raio Lira Mélane Vasconcelos Oliveira Renner Lopes Hermes DOCENTE: Orácio Carvalho Ribeiro Júnior CORRIMENTO VAGINAL O corrimento vaginal é uma síndrome comum, que ocorre principalmente na idade reprodutiva, podendo ser acompanhado de prurido, irritação local e/ou alteração de odor. CORRIMENTO VAGINAL O corrimento vaginal é uma queixa comum, que ocorre principalmente na idade reprodutiva. Em serviços que atendem com frequência casos de IST, é o principal sintoma referido pelas mulheres atendidas (BASTOS et al., 2000; MENEZES, 2003; PASSOS et al., 2003); entre gestantes, é o primeiro ou segundo motivo da consulta, após verruga anogenital (BEHETS et al., 1998; DALY et al., 1998; DIALLO et al., 1998). PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS PARA ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) – pg. 117 CANDIDÍASE VULVOVAGINAL CANDIDÍASE VULVOVAGINAL A Candidíase é uma infecção da vulva e vagina, provocada por fungos que habita a mucosa vaginal e digestiva. O mais frequente é a Cândida albicans, o qual cresce quando o meio se torna favorável ao seu desenvolvimento e que pode acometer as regiões inguinal, perianal e o períneo. CAUSAS Gravidez; Obesidade; Diabetes mellitus (descompensado); Uso de corticoides; Uso de antibióticos; Uso de contraceptivos orais; Uso de imunossupressores ou quimio/radioterapia; Alterações na resposta imunológica (imunodeficiência); Hábitos de higiene e vestuário que aumentem a umidade e o calor local; Contato com substancias alergênicas e/ou irritantes; Infecção pelo HIV. SINAIS E SINTOMAS Prurido vulvovaginal; Disúria; Dispareunia; Corrimento branco, grumoso e com aspecto caseoso; Hiperemia; Edema vulvar; Fissuras e maceração da vulva; Placas brancas ou branco-acinzentadas, recobrindo a vagina e colo uterino. CLASSIFICAÇÃO Candidíase Vulvovaginal Não Complicada Sintomas leves/moderados; Frequência esporádica; Agente etiológico C. albicans; Ausência de comorbidades. Candidíase Vulvovaginal Complicada: Sintomas intensos; Frequência recorrente; Agente etiológico não albicans (glabrata, kruzei); Presença de comorbidades (diabetes, HIV); Gestação . VAGINOSE BACTERIANA VAGINOSE BACTERIANA É caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal, com diminuição acentuada ou desaparecimento de lactobacilo (bactérias protetoras) e surgem outras bactérias. É a desordem mais frequente do trato genital inferior entre mulheres em idade reprodutiva (gestantes ou não) e a causa mais prevalente de corrimento vaginal com odor fétido. VAGINOSE BACTERIANA Não é uma infecção de transmissão sexual, mas pode ser desencadeada pela relação sexual em mulheres predispostas. O uso de preservativo pode ter algum benefício nos casos recidivantes. OCORRÊNCIA É a causa mais comum de corrimento vaginal, afetando cerca de 10% a 30% das gestantes e 10% das mulheres atendidas na atenção básica. Em alguns casos, pode ser assintomática. SINAIS E SINTOMAS Corrimento vaginal fétido; Corrimento vaginal branco-acinzentado, de aspecto fluido ou cremoso, algumas vezes bolhoso; Dor durante a relação sexual. TRICOMONÍASE TRICOMONÍASE A Tricomoníase é causada por um protozoário flagelado chamado Tricomonas vaginallis, tendo como reservatório o colo uterino, a vagina e a uretra. Pode provocar coceira, mas seu corrimento geralmente é branco-acinzentado e bolhoso. Sua principal característica é o odor desagradável. Nesse caso, deve-se tratar o parceiro, pois é considerada uma IST. SINAIS E SINTOMAS Corrimento abundante, que pode ser branco, cinza, amarelo ou verde; Prurido e/ou irritação vulvar; Dor pélvica; Sintomas urinários; Hiperemia da mucosa. FATORES DE RISCO Múltiplos parceiros sexuais; História de outras infecções sexualmente transmissíveis; Um episódio anterior de tricomoníase; Fazer sexo sem camisinha. CERVICITE Neisseria gonorrhoeae Chlamydia trachomatis CERVICITE É uma inflamação infecciosa ou não infecciosa da cérvice. As cervicites são frequentemente assintomáticas (em torno de 70% a 80%). Os principais agentes etiológicos são: Chlamydia trachomatis; Neisseria gonorrhoeae. SINAIS E SINTOMAS Corrimento vaginal; Sangramento intermenstrual ou pós-coito; Dispareunia; Disúria; Polaciúria; Dor pélvica crônica FATORES ASSOCIADOS A PREVALÊNCIA Mulheres sexualmente ativas com idade inferior a 25 anos; Novas ou múltiplas parcerias sexuais; Parcerias com IST; História prévia ou presença de outra IST; Uso irregular de preservativo. FATORES DE RISCO DURANTE A GRAVIDEZ As infecções gonocócicas ou por clamídia durante a gravidez poderão estar relacionadas a: Partos pré-termo; Ruptura prematura de membrana; Perdas fetais; Retardo de crescimento intrauterino; Endometrite puerperal; Conjuntivite e pneumonia do RN. FATORES DE RISCO PARA O RECÉM-NASCIDO A principal manifestação clínica é a conjuntivite que ocorre no primeiro mês de vida e pode levar à cegueira, especialmente, quando causada pela N. gonorrhoeae. Também pode levar a: Septicemia; Artrite; Abcessos de couro cabeludo; Pneumonia, meningite; Endocardite; Estomatite. A conjuntivite por clamídia é bem menos severa e seu período de incubação varia de cinco a 14 dias. MÉTODOS DISGNÓSTICO PARA CORRIMENTO VAGINAL MÉTODOS DISGNÓSTICO PARA CORRIMENTO VAGINAL pH vaginal pH > 4,5: Vaginose Bacteriana ou Tricomoníase pH < 4,5: Candidíase Vulvovaginal MÉTODOS DISGNÓSTICO PARA CORRIMENTO VAGINAL Teste de Whiff (teste das aminas ou “do cheiro”) Se houver “odor de peixe”, o teste é considerado positivo e sugestivo de Vaginose Bacteriana. MÉTODOS DISGNÓSTICO PARA CORRIMENTO VAGINAL Exame a fresco Observar a presença de leucócitos, células parabasais, Trichomonas sp. móveis, leveduras e/ou pseudo-hifas. Os leucócitos estão presentes em secreções vaginais de mulheres com Candidíase Vulvovaginal e Tricomoníase. MÉTODOS DISGNÓSTICO PARA CORRIMENTO VAGINAL Bacterioscopia por coloração de Gram A presença de clue cells é típica de Vaginose Bacteriana. FLUXOGRAMA Realizar orientação centrada na pessoa e suas práticas sexuais; Contribuir para que a pessoa a reconheça e minimize o próprio risco de infecção por uma IST; Oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatite B e C; Oferecer vacinação para hepatite A e hepatite B, e para HPV, quando indicado; Informar sobre a possibilidade de realizar Prevenção Combinada para IST/HIV/hepatites virais; Tratar, acompanhar e orientar a pessoa e suas parcerias sexuais; Notificar o caso, quando indicado. TRATAMENTO DE GONORREIA E CLAMÍDIA CONDIÇÃO CLÍNICA TRATAMENTO Infecção gonocócica NÃO complicada (uretra, colo do útero, reto e faringe) Ceftriaxona500mg, IM, dose única MAIS Azitromicina500mg, 2 comprimidos, VO, dose única Infecção gonocócica disseminada Ceftriaxona1g IM ou IV ao dia, completando ao menos 7 dias de tratamento MAIS Azitromicina500mg, 2 comprimidos, VO, dose única Conjuntivite gonocócica no adulto oCeftriaxona1g, IM, dose única Infecção por clamídia Azitromicina500mg, 2 comprimidos, VO, dose única OU Doxiciclina100mg, VO, 2x/dia, por 7 dias (exceto gestantes) Fonte: DCCI/SVS/MS. PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE OFTALMIA NEONATAL Fonte: DCCI/SVS/MS. CONDIÇÃO CLÍNICA TRATAMENTO Prevenção da oftalmia neonatal Nitrato de prata a 1% (método de Crede), aplicação única, na 1ª hora após o nascimento; OU Tetraciclina a 1% (colírio), aplicação única, na 1ª hora após o nascimento Tratamento da oftalmia neonatal Ceftriaxona25-50mg/kg/dia, IM, no máximo 125mg em dose única Recomendações gerais para o manejoda oftalmia neonatal: Instilação local de solução fisiológica, de hora em hora; Não se indica a instilação local de penicilina; Nos casos de resposta terapêutica não satisfatória, considerar a hipótese de infecção simultânea por clamídia. TRATAMENTO DE CANDIDÍASE VULVOVAGINAL CANDIDÍASE VULVOGINAL TRATAMENTO Primeira opção Miconazolcreme a 2% ou outros derivadosimidazólicos, via vaginal, um aplicador cheio, à noite ao deitar-se, por 7 dias OU Nistatina100.000 UI, uma aplicação, via vaginal, à noite ao deitar-se, por 14 dias Segunda opção Fluconazol150mg, VO, dose única OU Itraconazol100mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 1 dia CVV complicada e CVV recorrentes Indução:fluconazol150mg, VO, 1x/dia, dias 1, 4 e 7 OU Itraconazol100mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 1 dia OU Miconazolcreme vaginal tópico diário por 10-14 dias. Manutenção:fluconazol150mg, VO, 1x/semana, por 6 meses OU Miconazolcreme vaginal tópico, 2x/semana OU Óvulo vaginal, 1x/semana, durante 6 meses Fonte: DCCI/SVS/MS. As parcerias sexuais não precisam ser tratadas, exceto as sintomáticas. É comum durante a gestação, podendo haver recidivas pelas condições propícias do pH vaginal que se estabelecem nesse período. Tratamento em gestantes e lactantes: somente por via vaginal. O tratamento oral está contraindicado. TRATAMENTO DE VAGINOSE BACTERIANA VAGINOSE BACTERIANA TRATAMENTO Primeira opção (incluindo gestantes e lactantes) Metronidazol250mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7 dias OU Metronidazolgel vaginal 100mg/g, um aplicador cheio via vaginal, à noite ao deitar-se, por 5 dias Segunda opção Clindamicina300mg, VO, 2x/dia, por 7 dias Recorrentes Metronidazol250mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 10-14 dias OUMetronidazolgel vaginal 100mg/g, um aplicador cheio, via vaginal, 1x/ dia, por 10 dias, seguido de tratamento supressivo com óvulo de ácido bóricointravaginalde 600mg ao dia por 21 dias emetronidazolgel vaginal 100mg/g, 2x/semana, por 4-6 meses O tratamento das parcerias sexuais não está recomendado. Para as puérperas, recomenda-se o mesmo tratamento das gestantes. Fonte: DCCI/SVS/MS. TRATAMENTO DE TRICOMONÍASE TRICOMONÍASE TRATAMENTO Primeira opção (incluindo gestantes e lactantes) Metronidazol400mg, 5 comprimidos, VO, dose única (dose total de tratamento 2g) OU Metronidazol250mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 7 dias As parcerias sexuais devem ser tratadas com o mesmo esquema terapêutico. O tratamento pode aliviar os sintomas de corrimento vaginal em gestantes, além de prevenir infecção respiratória ou genital em RN. Para as puérperas, recomenda-se o mesmo tratamento das gestantes. Fonte: DCCI/SVS/MS. OBSERVAÇÕES Durante o tratamento com metronidazol, deve-se evitar a ingestão de álcool; Durante o tratamento, devem-se suspender as relações sexuais; Manter o tratamento durante a menstruação; O tratamento da(s) parceria(s) sexual(is), quando indicado, deve ser realizado de forma preferencialmente presencial, com a devida orientação, solicitação de exames de outras IST (sífilis, HIV, hepatites B e C) e identificação, captação e tratamento de outas parcerias sexuais, buscando a cadeia de transmissão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2019. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. JUNIOR, A. G; GRIGOLETO, A.R.L; FREGONEZI, P.A.G. Candidíase uma questão de educação em saúde. Brazilian Journal of Health v. 2, n. 2/3, p. 89-96, Maio/Dez 2011.