Prévia do material em texto
AULA 03 – MATERIAL DE APOIO RESPOSTA À ACUSAÇÃO (RITO ORDINÁRIO E SUMÁRIO) I - BREVES APONTAMENTOS: 1. Disciplina legal: A Resposta à acusação está prevista no artigo 396 e 396-A do Código de Processo Penal. 2. Conceito: Trata-se de peça típica da defesa, na qual deverá o acusado arguir preliminares e alegar tudo mais que interesse à sua defesa ou lhe favoreça neste sentido, sendo-lhe ainda possível oferecer documentos, justificações, especificar provas pretendidas (tais como produção de laudos e exibição de documentos que por quaisquer motivos não possam ser juntados neste momento). É este o momento próprio para que sejam arroladas testemunhas até o máximo de oito. Caso não se proceda desta forma, ocorrerá preclusão consumativa, ficando o acusado sem a possibilidade de fazê-lo em outro momento processual. Obs 1: Interessante citar que, caso o problema da prova cite outras pessoas que conheçam os fatos ou circunstâncias a ele relacionadas (tais como um álibi, por exemplo), o aluno deverá arrolar estas pessoas como testemunhas. Caso o problema não cite nomes específicos, o aluno deverá, sem inventar dados, demonstrar conhecimento arrolando testemunhas sem qualificá-las. Basta colocar, por exemplo: “Testemunha 01; Testemunha 02 e Testemunha 03” no espaço dedicado ao rol. 3. Endereçamento: ao juiz que tiver recebido a denúncia ou a queixa. 4. Prazo: Conforme preceitua o artigo 396 do CPP, será de 10 dias do dia após a citação. Começa-se a contar do próximo dia útil seguinte. Conta-se sábado e domingo, prazo corrido. Trata-se prazo processual (art. 798, § 2º do CPP e súmula 710 do STF). 5. Como identificá-la: O problema dirá sempre que a denúncia foi recebida e que o acusado foi citado para defender-se dos fatos a ele imputados na exordial, portanto, a palavra chave é a CITAÇÃO. Precisamos lembrar um pouco do procedimento, para saber em que momento aplicá-la: Obs 2: Se o problema falar em citação editalícia, por se tratar de peça obrigatória, o prazo somente começará a fluir a partir do comparecimento do acusado ou de seu defensor. 5. Finalidade: Considerando o disposto no artigo 397 do Código de Processo Penal, vê-se que na resposta à acusação o pedido será de absolvição sumária, sendo elencados pelo legislador os seguintes motivos para que o magistrado entenda neste sentido: 1- a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;2 – a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; 3 – fato narrado evidentemente não constituir crime; 4 – extinção da a punibilidade do agente. 6. Atenção: a) Caso seja o caso de oferecimento de exceção (exceção de incompetência, exceção de suspeição), estas devem ser apresentadas seguindo-se o disposto nos artigos 95 a 112 do Código de Processo Penal, e não por meio de resposta à acusação. b) Analisando as situações de absolvição sumária, não nos parece ser adequado inserir entre os pedidos a extinção da punibilidade. Isso porque se trata de decisão declaratória, sem qualquer decisão de mérito que redunde em absolvição. Entretanto, caso se constate a existência desta tese no problema trazido pelo examinador, corre-se o risco de que seja este um dos tópicos do espelho. Desta forma, o aluno deverá proceder da seguinte forma: em primeiro lugar, deve-se debater o mérito e, somente após, a causa extintiva da punibilidade. Seguindo a mesma linha, quando da elaboração do pedido, o aluno deve primeiro pedir a absolvição sumária do réu e, alternativamente, seja declarada a extinção da punibilidade. 8. Termos: na peça prática usar: acusado, denunciado ou réu. 9. Estrutura da peça prática: a peça prática da Resposta à acusação tem as seguintes partes: (a) Endereçamento (Verificar competência); b) Preâmbulo: Não há necessidade de qualificar, pois não se trata de peça processual inicial; capacidade postulatória, fundamento legal (artigo da lei sobre a peça), nome da peça e frase final: (c) Corpo: fatos e direito; (d) Pedido; (e) Parte final; (f) Rol de testemunhas. 10 – RESPOSTA À ACUSAÇÃO (RITO DO JÚRI) 10.1 Previsão legal: art. 406, CPP. 10.2 Cabimento: logo após a citação do acusado. 10.3 Prazo: 10 dias, a contar da citação pessoal, por hora certa ou, no caso de citação por edital, do comparecimento do réu ou seu defensor ao processo. 10.4 Endereçamento: ao juiz que tiver recebido a denúncia ou a queixa, ou seja, ao juiz que preside a primeira fase do procedimento do júri. 10.5 Legitimado: o acusado. 10.6 Pedido: Nos termos do art. 406, § 3º, CPP, na resposta, o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. Não há previsão, para este rito, de julgamento antecipado da lide (absolvição sumária antes da instrução), embora haja corrente doutrinária que entende ser cabível, uma vez que o art. 397 do CPP determina o cabimento por ser parte integrante da fase comum obrigatória a todos os ritos de 1ª instância. Desse modo, nada impede que o advogado opte por argüir, neste momento, eventual nulidade (se for relativa, tem que ser argüida neste momento mesmo, sob pena de preclusão) ou extinção da punibilidade, reservando a tese de defesa (mérito) para o momento posterior à instrução criminal, já que esta irá ser realizada. Caso alegue nulidade, o requerimento deve ser a anulação do processo. Se for alegada a extinção da punibilidade, pede-se a sua decretação. Caso venha se alegar questão de mérito, o pedido será: (a) absolvição sumária (art. 415, CPP); (b) impronúncia (art. 414, CPP); (c) desclassificação (art. 419, CPP); (d) desclassificação imprópria (art. 413, CPP). ATIVIDADES PENAL – MARÇO/2016.2 II - CASO CONCRETO PARA ELABORAÇÃO DE PEÇA EM SALA DE AULA: 2,0 (DUAS) HORAS Pedro, Bruno e Danilo foram denunciados pela prática, em concurso material, dos crimes de furto e de associação criminosa, pois, segundo o Ministério Público, teriam, em conjunto, praticado furto contra Andréia, mãe de Bruno, de 40 anos de idade. A inicial acusatória limitou-se a imputar genericamente os tipos penais, trazendo a seguinte descrição dos fatos: “No dia 23.05.2013, Pedro, Bruno e Danilo furtaram Andréia, subtraindo seu aparelho celular, sua carteira e seu relógio. Assim agindo, incidiram nos tipos penais dos arts. 155, § 4.º, IV, e 288 do CP.” Recebida a denúncia pelo Juízo competente, os réus foram citados em 08.10.2014 (quarta-feira). Na qualidade de advogado constituído por Bruno, apresente a peça processual cabível, formulando as teses os pedidos pertinentes e datando-a do último dia do prazo legal. Qual a peça? Cliente Bruno (réu) Crime/Pena Arts. 155, § 4.º, IV, e 288 do CP – penas, respectivamente, de 2 a 8 anos e de l a 3 anos. Concurso material – art. 69 do CP: as penas devem ser somadas. Ação Penal Pública incondicionada. Rito Comum ordinário: a pena máxima (8+3= 11 anos) é inferior a 4 anos – art. 394, § 1º, I do CPP. Suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9099/95) Não é cabível : a pena mínima (1+3 anos) é superior a 1 ano. Momento processual Após a citação, que ocorreu no dia 08.10.2014 (quarta-feira). Estruturando a peça: Peça Resposta à Acusação – arts. 396 e 396-A do CPP. Competência Juiz de Direito da ... Vara Criminal da Comarca de ... Teses O presente feito padece de nulidade ab initio, pois a denúncia é inepta e, portanto, sequer deveria ter sido recebida. Vejamos Nos termos do art. 41 do CPP, a inicial acusatória deve, dentre outros requisitos, conter “a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias”. Caso tal requisito não seja cumprido, a peça será inepta e, assim, deverá ser rejeitada, nos termos do art. 395, I do CPP. No caso em tela, a denúncia não narrou os fatos comtodas as circunstâncias, limitando-se a mencionar a suposta ocorrência da subtração em conjunto. Com efeito, a acusação não especificou a conduta de cada um dos acusados, deixando de narrar como se deu a subtração imputada e como ocorreu essa suposta ação em conjunto. Assim, resta patente a inépcia da denúncia. Ademais, ainda que assim não fosse, verifica-se a atipicidade em relação à imputação de crime d associação criminosa. Conforme a previsão do art. 288 do CP, tipifica-se o delito de associação criminosa no caso d associação de 3 ou mais agentes para o fim específico de prática de crimes. Note-se que é necessário que a associação ocorra para a prática de mais de um crime para tipificação do crime em pauta. No caso sob exame, constata-se que, segundo a denúncia, os denunciados uniram-se apenas para a prática do crime de furto contra Andréia, ou seja, somente para o cometimento de um crime, não se configurando, pois, o delito de associação criminosa. Portanto, há de reconhecer a atipicidade de sua conduta. De outro lado, a imputação também deve ser acolhida em relação ao crime de furto qualificado. Com base no disposto no art. 181, II, do CP, tem-se que age acobertado pó escusa absolutória aquele que comete crime de furto contra ascendente. In casu, a vítima do crime de furto em análise é mãe de Bruno, de modo que ele deve ser beneficiado pela referida escusa. Importante destacar que a vítima tem 40 anos de idade, não incidindo, portanto, o disposto no art. 183, III, do CP. Portanto, caracterizada está a referida escusa absolutória. Pedidos e requerimentos Ante o exposto, pugna-se pela rejeição da denúncia, com fundamento no art. 395 I ou II, do CPP. Caso assim não se entenda, requer-se a anulação ab initio do processo, nos termos do art. 564, IV, do CPP ou a absolvição sumária de Bruno, com fulcro no art. 397, III do CPP, em relação ao crime de associação criminosa, e com base no art. II do art. 397 do CPP, quanto ao delito de furto. Caso o entendimento de Vossa Excelência seja pelo prosseguimento do processo, pugna-se pela oitiva das testemunhas ao final abaixo arroladas. (Obs: formalizar o rol de testemunhas ao final da peça, da seguinte forma: 1 – Nome, qualificação, endereço; 2 – Nome, qualificação, endereço...) Data da peça O prazo da Resposta à Acusação é de 10 dias (art. 396 do CPP). Data da citação: 08.10.2014 (quarta-feira). Termo inicial do prazo: 09.10.2014 (quinta-feira). Termo final do prazo: 20.10.2014 (segunda-feira). OBS: o termo final do prazo seria dia 18 de outubro, sábado, mas, como o prazo processual não se inicia e nem se esgota em dias não úteis, teve de ser postergado para o próximo dia útil, que, no caso, era segunda-feira. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ........ Processo n: BRUNO, já qualificado nos presentes autos, vem por meio de seu advogado infra-assinado que esta lhe subscreve (procuração em anexo) apresentar a presente: RESPOSTA À ACUSAÇÃO Com fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal pelos motivos de fato e de direito a seguir expostas. I- Dos Fatos Narrar os fatos conforme o problema sem inventar dados. Pedro, Bruno e Danilo foram denunciados pela prática, em concurso material, dos crimes de furto e de associação criminosa, pois, segundo o Ministério Público, teriam, em conjunto, praticado furto contra Andréia, mãe de Bruno, de 40 anos de idade. A inicial acusatória limitou-se a imputar genericamente os tipos penais, trazendo a seguinte descrição dos fatos: “No dia 23.05.2013, Pedro, Bruno e Danilo furtaram Andréia, subtraindo seu aparelho celular, sua carteira e seu relógio. Assim agindo, incidiram nos tipos penais dos arts. 155, § 4.º, IV, e 288 do CP.” II- Do direito. Da nulidade da denúncia. O presente feito padece de nulidade ab initio, pois a denúncia é inepta e, portanto, sequer deveria ter sido recebida. Vejamos: Nos termos do art. 41 do CPP, a inicial acusatória deve, dentre outros requisitos, conter “a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias”. Caso tal requisito não seja cumprido, a peça será inepta e, assim, deverá ser rejeitada, nos termos do art. 395, I do CPP. No caso em tela, a denúncia não narrou os fatos com todas as circunstâncias, limitando-se a mencionar a suposta ocorrência da subtração em conjunto. Com efeito, a acusação não especificou a conduta de cada um dos acusados, deixando de narrar como se deu a subtração imputada e como ocorreu essa suposta ação em conjunto. Assim, resta patente a inépcia da denúncia. Ademais, ainda que assim não fosse, verifica-se a atipicidade em relação à imputação de crime d associação criminosa. Da atipicidade da conduta de associação criminosa Conforme a previsão do art. 288 do CP, tipifica-se o delito de associação criminosa no caso de associação de 3 ou mais agentes para o fim específico de prática de CRIMES. Note-se que é necessário que a associação ocorra para a prática de mais de um crime para tipificação do crime em pauta. No caso sob exame, constata-se que, segundo a denúncia, os denunciados uniram-se apenas para a prática do crime de furto contra Andréia, ou seja, somente para o cometimento de um crime, não se configurando, pois, o delito de associação criminosa. Portanto, há de reconhecer a atipicidade de sua conduta. Da exclusão da culpabilidade De outro lado, a imputação também deve ser acolhida em relação ao crime de furto qualificado. Com base no disposto no art. 181, II, do CP, tem-se que age acobertado pela escusa absolutória aquele que comete crime de furto contra ascendente. In casu, a vítima do crime de furto em análise é mãe de Bruno, de modo que ele deve ser beneficiado pela referida escusa. Importante destacar que a vítima tem 40 anos de idade, não incidindo, portanto, o disposto no art. 183, III, do CP. Portanto, caracterizada está a referida escusa absolutória. III - Do pedido Ante o exposto, pugna-se pela rejeição da denúncia, com fundamento no art. 395 I ou II, do CPP. Caso assim não se entenda, requer-se a anulação ab initio do processo, nos termos do art. 564, IV, do CPP ou a absolvição sumária de Bruno, com fulcro no art. 397, III do CPP, em relação ao crime de associação criminosa, e com base no art. II do art. 397 do CPP, quanto ao delito de furto. Caso o entendimento de Vossa Excelência seja pelo prosseguimento do processo, pugna-se pela oitiva das testemunhas ao final abaixo arroladas. Termos em que Pede-se deferimento Cidade, 20 de outubro de 2014. Rol de testemunhas; 1- Nome da testemunha, profissão, endereço. 2- Nome da testemunha, profissão, endereço. 3- Nome da testemunha, profissão, endereço.