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Divisão do sistema respiratório O sistema respiratório pode ser dividido em vias aéreas superiores e inferiores. Essas vias constituem o caminho do oxigênio desde o nariz até os alvéolos pulmonares. Vias aéreas superiores - Nariz → faringe → laringe (passando pelas cordas vocais). Vias aéreas inferiores - Traquéia → brônquio fonte direito e esquerdo → brônquios lobares → brônquios segmentares → bronquíolos → bronquíolo terminal → lóbulo ou ácino pulmonar (realiza trocas gasosas). Algo Mais O ar também pode ser inalado pela boca, mas, nesse caso, ela não exerce a umidificação e filtração do ar inspirado, como o nariz faz. A partir da traquéia, o ar já está umedecido, aquecido e estéril, porém, as trocas gasosas só ocorrem nos lóbulos pulmonares. O chamado espaço morto anatômico corresponde ao ar que fica na traquéia e nos brônquios, Onde não há trocas. Da traquéia até os lóbulos pulmonares ocorre uma dicotomização, ou seja, uma série de bifurcações. Há de 15 a 17 subdivisões. Esse processo é importante para aumentar a superfície de trocas gasosas. Além disso, tem uma função de defesa, já que as partículas podem ficar presas nas bifurcações. Nariz, cavidade nasal e seios paranasais A estrutura do nariz inclui a parte externa (que fica no centro da face) e uma escavação interior, chamada cavidade nasal. Você certamente conhece algumas de suas funções. Respiração - Umidifica, aquece e filtra o ar inspirado; Elimina umidade e calor com o ar expirado. Olfação - Drenagem de secreções – muco dos seios paranasais e conteúdo lacrimal dos dutos lacrimonasais. A parte externa do nariz apresenta uma parte óssea superior e uma parte cartilagínea, que formam o septo e as paredes laterais. As narinas (descritas a seguir) são limitadas por duas saliências chamadas asas, as paredes laterais do nariz. A região logo no interior da narina denomina-se vestíbulo do nariz – é revestida por pele e contém vibrissas, pequenos pelos que filtram partículas de poeira. O septo nasal divide a cavidade nasal nas metades direita e esquerda. Cada uma delas se abre anteriormente na narina e posteriormente na coana (transição com a faringe). Seus limites são: > Teto – ossos nasais, frontal, etmóide e esfenóide. > Assoalho – processo palatino da maxila e lâmina horizontal do osso palatino. > Parede lateral – face nasal da maxila e etmóide, principalmente. > Parede medial – septo nasal (cartilagem do septo, lâmina perpendicular do osso etmóide e vômer). Em cada parede lateral prendem-se três conchas nasais (superior, média e inferior), como se fossem prateleiras. Entre elas e a parede lateral há, respectivamente, três espaços: os meatos superior, médio e inferior. Nesses meatos há orifícios de abertura dos seios paranasais e dos dutos lacrimonasais. Os seios paranasais (frontal, maxilar, esfenoidal e etmoidal) constituem cavidades de ar (pneumáticas) localizadas nos ossos da face. Eles são considerados extensões da cavidade nasal e se comunicam com ela. A cavidade nasal e os seios paranasais são revestidos pela mucosa nasal. É uma mucosa secretora espessa que umidifica e aquece o ar. As conchas e os seios paranasais aumentam a superfície de troca de umidade e calor. Há também uma área olfatória da mucosa nasal, localizada na parte superior da cavidade nasal, que contém os receptores do olfato. Faringe “Ih! Engasguei!” Quantas vezes você já viveu isso? Sabe por que isso acontece? Tem muito a ver com a faringe. Esse segmento conecta a cavidade nasal à laringe e, ao mesmo tempo, leva os alimentos da boca ao esôfago. Assim, a faringe é tão importante para o aparelho respiratório quanto para o digestório. É um tubo músculo-mucoso vertical, formando um funil, cuja abertura (de cerca de 3 cm) está ligada à cavidade nasal, à boca e à laringe. Podemos dividir a faringe em três segmentos principais: 1- Para se comunicar com as cavidades nasais, existem aberturas chamadas de coanas (ficam na nasofaringe, que se estende da base do crânio até o palato mole) e, nesse segmento, só exerce função respiratória. Essa parte da faringe comunica-se com a orofaringe (veja a seguir), as fossas nasais, as tubas auditivas (óstio faríngeo da tuba auditiva) e as tonsilas palatinas (também popularmente conhecidas como amígdalas) e as tonsilas faríngeas (que, quando aumentadas, são popularmente conhecidas como adenoides). 2- Com a boca, a comunicação acontece por meio dos istmos das fauces (orofaringe). Tanto ar como alimentos passam por essa via. O ar que entra pela boca vai para a faringe média, depois para a inferior e, finalmente, à laringe. Os alimentos seguem pela faringe média e, depois, pela inferior e chegam ao esôfago. 3- Na parte inferior, antes da laringe, existe uma estrutura que conecta as duas outras, conhecida como ádito da laringe (laringofaringe ou faringe inferior). Link Você sabe o que é apnéia e o que isso tem a ver com respiração? Para saber sobre apnéia e distúrbios decorrentes da má respiração, leia o artigo de Dráuzio Varella. Acesse: <drauziovarella.com.br/envelhecimento/disturbios-do-sono>. Vista da parede lateral da cavidade do nariz e da faringe. Laringe Situada no meio do pescoço, essa estrutura fica praticamente paralela à faringe e conecta-se com a traquéia. Pode ser comparada a um tubo e tem duas funções muito importantes: permitir a passagem de ar para o sistema respiratório e participar da produção de sons. Seu esqueleto é cartilaginoso e revestido por membrana mucosa. Suas cartilagens mais importantes são: Tireóidea (que é visível em adultos do sexo masculino – o chamado pomo de Adão, ou proeminência laríngea). Cricóidea (logo abaixo da tireóidea). Epiglótica (fica na porção posterior à raiz da língua e tireoide). Aritenoides (par de pequenas pirâmides de cartilagem onde as cordas vocais são anexadas). A laringe é formada por músculos extrínsecos e intrínsecos: 1. Extrínsecos – movimentam a laringe como um bloco e estão ligados à deglutição: a) Levantadores da laringe (músculos estilo-hióideo, milo-hióideo, gênio-hióideo, digástrico, estilofaríngico e palatofaríngico). b) Abaixadores da laringe (músculos omo-hióideo, esterno-hióideo e esternotireóideo). 2. Intrínsecos – ligados principalmente ao aparelho fonador (mas também com alguma função na deglutição), estão presentes: a) Na formação das cordas vocais (músculos vocais – um de cada lado da laringe). b) Nas cartilagens aritenoides, para que girem num eixo vertical (músculos cricoaritenóideo lateral, cricoaritenóideo posterior e tireoaritenóideo). É a aproximação e tensão entre as cordas vocais que possibilitam a emissão de som, a partir da passagem de ar – quanto mais próximas e tensas estiverem, mais agudo será o som. c) Na ligação de cartilagens aritenoides – adutores (músculos aritenóideo transverso e aritenóideo oblíquo, unindo as cartilagens aritenoides). d) Na movimentação da cartilagem tireóidea para frente (músculo cricotireóideo). IMPORTANTE Tente respirar e engolir ao mesmo tempo. Não dá, certo? Para que a comida e o ar sigam os caminhos previstos, na entrada da laringe existe uma válvula cartilagínea, chamada epiglote, que controla a passagem da comida para o esôfago, evitando que ela entre no sistema respiratório. Quando comemos, a epiglote fecha a entrada da laringe. Mas, quando a válvula não se fecha no momento em que estamos engolindo, ocorre o engasgo. Se olharmos “dentro” da laringe (endolaringe), veremos dois pares de pregas horizontais (figura): pregas vestibulares (cordas vocais falsas); pregas vocais (cordas vocais verdadeiras). Esses dois pares dividem a endolaringe em: vestíbulo – acima das pregas; glote – entre as pregas;cavidade infraglótica – abaixo das pregas Traquéia Situada entre a laringe e os dois brônquios principais, a traquéia é um tubo composto por cerca de 20 anéis cartilagíneos incompletos (imagine a letra C e coloque a abertura da letra para trás). Esses anéis são ligados por outros de tecido conjuntivo: ligamentos anulares. A parte posterior da traquéia é “fechada” pela parede membranácea (formada por tecido conjuntivo). Seu interior é composto por uma mucosa, dotada de células caliciformes produtoras de muco e epitélio ciliado, que expulsa a mucosidade e corpos estranhos. Está localizada na frente do esôfago e, ao chegar aos brônquios, desvia-se ligeiramente para a direita. Ao final, ocorre uma bifurcação, conhecida por carina, que delimita o início dos dois brônquios principais: brônquio fonte direito e brônquio fonte esquerdo. Brônquios Imagine agora que a traquéia é o tronco de uma árvore. Esse tronco se divide em outros dois menores, no nível do plano transverso do tórax, formando dois brônquios principais: o direito e o esquerdo. Brônquio fonte direito – mais curto, mais largo e mais vertical que o esquerdo, entrando diretamente no hilo do pulmão direito. Brônquio fonte esquerdo – segue anteriormente ao esôfago, para entrar no hilo do pulmão esquerdo. A partir daí, forma-se a árvore traqueobrônquica, com muitas ramificações dos brônquios, e ainda com a complementação de ramos da artéria e veias pulmonares. Veja o esquema de ramificação (figura): Brônquio fonte (principal) → brônquios lobares → brônquios segmentares → segmentos broncopulmonares (10 no pulmão direito e de 8 a 10 no pulmão esquerdo). Em seguida, formam-se os bronquíolos, seguidos por bronquíolos terminais, que não são mais revestidos por cartilagem. Os bronquíolos terminais originam os bronquíolos respiratórios, que terminam nos alvéolos. Como vimos no início, são cerca de 15 a 17 ramificações até os alvéolos, que vamos detalhar a seguir. Tente agora imaginar a dimensão dessa árvore que todos carregamos dentro de nós! Pulmões Os pulmões têm formato piramidal, com um ápice superior, a base inferior e três faces. Mas não são idênticos, graças à forma e localização irregular do coração. Assim, o pulmão direito é dividido em três lobos, e o esquerdo, apenas em dois: Ápice - Tem forma arredondada e está voltado para o pescoço. Três faces do pulmão - Face costal (relaciona-se com as costelas), face diafragmática (face inferior do pulmão) e face mediastinal (onde se localiza o hilo). Pulmão direito - Tem três lobos, divididos por fissuras. A fissura oblíqua segue do meio da face costal para a frente e para baixo (lobo superior e lobo inferior); a fissura horizontal segue, a partir do meio da fissura oblíqua, para a frente, criando o lobo médio. Pulmão esquerdo - Tem dois lobos, divididos pela fissura oblíqua (lobo superior e lobo inferior). Cada lobo é dividido em segmentos, autônomos, com seus ramos, veias e artérias próprios. O pulmão direito, maior, tem 10 segmentos; o pulmão esquerdo apresenta cerca de 9 segmentos. Algo Mais Hilo é a parte do órgão em que penetram vasos sanguíneos e nervos. Nos pulmões, ele se encontra no centro da face mediastinal. É nos pulmões que o sangue venoso faz a troca entre dióxido de carbono e oxigênio, a partir de um fluxo de ar corrente e constante. Volte ao começo da unidade e percorra o caminho que o ar faz até chegar ao pulmão. Lembre-se de que, nesse caminho, o ar inspirado foi preparado para que ele chegue à traqueia na temperatura corporal e umidificado. Uma vez dentro dos pulmões, o ar percorre os bronquíolos, que têm em torno de um milímetro de diâmetro, e chega aos dutos e sacos alveolares. Assim, em ambos os casos, a estrutura final são os alvéolos, que também compõem a estrutura final (e menor) daquela árvore traqueobronquial mencionada anteriormente. Algo Mais Alvéolos são bolsinhas cheias de ar que permitem a passagem do oxigênio para os capilares sanguíneos que os cercam. O oxigênio é trocado por gás carbônico nas paredes dos capilares. Lembre-se de que esses capilares são muito finos e em quantidade muito grande. O conjunto dos dutos e sacos alveolares com seu respectivo bronquíolo respiratório é chamado de ácino ou lóbulo pulmonar. Os lóbulos pulmonares apresentam uma grande superfície interna, com uma área que varia de 70 a 100 m2 no adulto (equivalente a uma quadra de tênis), e é neles que ocorre a maior parte das trocas gasosas entre o ar atmosférico e o sangue. A circulação nos capilares alveolares tem baixa pressão, o que facilita mais ainda as trocas. O pulmão tem dupla circulação: 1. Circulação pulmonar – percorre os alvéolos e dutos alveolares e é responsável pelas trocas gasosas entre alvéolo e capilar. 2. Circulação brônquica (sistêmica) – destina-se à nutrição das estruturas pulmonares. E ainda é bom ressaltar que o pulmão tem grande elasticidade, que permite toda a mecânica respiratória. Na circulação pulmonar, as artérias pulmonares (as únicas do corpo que levam sangue venoso) transportam o sangue com gás carbônico do coração para os pulmões. Nos pulmões, o sangue é oxigenado e volta ao coração através das veias pulmonares. De lá, vão irrigar o resto do corpo. Algo Mais Para dar uma ideia da importância desse órgão, veja algumas curiosidades: Quando nascemos, temos cerca de 0,2 litro de ar no pulmão. Na idade adulta, esse volume chega, em média, a 5,5 litros. Em geral, a ventilação do pulmão atinge cerca de 10 litros de ar por minuto. Ao nos exercitarmos moderadamente, esse volume pode chegar a 60 litros por minuto!