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Atenção primária à Saúde

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PMSUS – AC3
Atenção básica: As discussões sobre a criação de um sistema de saúde pública, teve grande importância a partir da 3º Conferência Nacional de Saúde (1963), a partir das discussões dos temas: criação de um sistema de saúde para todos, o direito a saúde deveria ser universal e organização de um sistema descentralizado, com protagonismo dos munícipios. Porém, em 1964 iniciou a ditadura no país, onde essas propostas foram engavetadas. 
A saúde sofreu grandes perdas durante o período militar (1964 – 1985), onde doenças infecciosas se intensificaram, aumento de epidemias. A medida tomada, foi a criação do INPS – Instituto Nacional de Previdência Social, a fim de melhorar o atendimento médico. 
Nos anos de 1970, as verbas destinadas à saúde eram 1% do orçamento da União. Os encargos da saúde, ficaram cada mais direcionados para as prefeituras, que se mobilizaram para melhorar a saúde, começando a estruturar políticas públicas a partir das Secretarias Municipais de Saúde. 
Nos anos 80, o movimento sanitarista adquiriu uma maior maturidade, a partir de diversos estudos realizados pelas faculdades de medicina. As faculdades adquiriam um caráter mais social, onde se entendia cada vez, a saúde como uma somatória de fatores, que vão além do bem-estar do corpo humano. 
Em 1968 ocorre a 8ª Conferência Nacional da Saúde, onde pela primeira vez, se teve a participação da sociedade civil no processo de construção do modelo de saúde pública brasileiro. 
Essa conferência teve grande importância, onde seu tema foi: “Saúde como direito de todos e dever do Estado”, e a partir dessa conferência, se obteve uma série de documentos que esboçaram o surgimento do Sistema único de Saúde (SUS).
O ano de 1978, que foi o ano da Conferência Internacional sobre cuidados Primários de Saúde, foi um ano muito conturbado no mundo. Onde no mesmo ano, morreram 3 papas, nas Guianas houve um suicídio coletivo, nascimento do primeiro bebê de proveta, e no Brasil, estávamos chegando ao fim da ditadura, onde a saúde estava em queda, e sendo pouco investida. A partir dos acontecimentos do mundo, e incluindo o Brasil, o tema saúde, estava em alta, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS), observou a necessidade de convocar uma Conferência Internacional sobre os cuidados primários, convocando todos os governos de todos os países. 
A partir desse encontro, foi desenvolvido um documento, com a síntese de 10 pontos que o os cuidados primários de saúde, precisavam ser desenvolvidos e aplicados no mundo com urgência – Declaração de Alma Ata.
Essa declaração ganha importância internacional, onde mesmo em países subdesenvolvidos, pelo menos alguns pontos, mesmo que pontuais, foram implantados. A partir dela, são discutidos conceitos: saúde para todos, aprimorando o conceito de universalidade. 
A Alma Ata defende um modelo, conhecido como compliance – ou seja, um modelo de integralidade, que abrange o conjunto das necessidades de saúde da população.
Grande foco também nas ações intersetoriais, fortalecendo uma ideia de nutrição e alimentação, participação comunitária popular e esforços na educação. 
A aplicabilidade no Brasil, teve uma boa participação, principalmente por causa dos movimentos sanitaristas (que já haviam ganhado força, desde a ditadura). Porém, essas experiências foram surgindo em alguns lugares (mais centralizados): São Paulo, interior de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e alguns lugares do nordeste. 
A Alma Ata foi inspiradora para s Estratégia Saúde da Família;
Relação entre atenção Básica e Alma-Ata
A conferência de Alma Ata especificou ainda mais que os componentes fundamentais da atenção básica de saúde eram educação em saúde; saneamento ambiental, especialmente de águas e alimentos; programas de saúde materno-infantis, inclusive imunizáveis e planejamento familiar; prevenção de doenças endêmicas locais; tratamento adequado de doenças e lesões comuns; fornecimento de medicamentos essenciais; promoção de boa nutrição; e medicina tradicional.
Declaração de Alma-Ata, de 1978, sobre atenção primária à saúde (APS) que convocou os governos a formular políticas nacionais, estratégias e planos de ação para implementar a APS como parte de um sistema nacional de saúde integral e em coordenação com outros setores para enfrentar os determinantes sociais e ambientais da saúde, mobilizando vontade política e recursos."
A partir da Alma – Ata, pode-se traçar estratégias e pactos para a implantação da atenção primária à saúde no Brasil. 
Em 1988 a partir da Constituição Federal, foi o primeiro documento com a inclusão da saúde como um direito. Assim, a saúde passa a ser definitivamente, um direito do cidadão e um dever do Estado. A Constituição, ainda, determina que o sistema de saúde público deve ser gratuito, de qualidade e de acesso universal (acessível para todos os brasileiros). 
O Sistema Único de Saúde foi regulado pela lei 8.080 de 1990, que as atribuições e funções de como um sistema público deve funcionar; e pela lei 8.142 de 1990 que dispõe da participação social (comunidade), gestão e financiamento do SUS. 
Atenção Básica:
A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior frequência e relevância em seu território. É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde.
Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. A Atenção Básica considera o sujeito em sua singularidade, na complexidade, na integralidade e na inserção sociocultural e busca a promoção de sua saúde, a prevenção e tratamento de doenças e a redução de danos ou de sofrimentos que possam comprometer suas possibilidades de viver de modo saudável.
A Atenção Básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde (Brasil, 2006a)
Atributos da Atenção básica: 
Atributos essenciais: 
Atenção no primeiro contato:
A expressão primeiro contato implica acessibilidade e utilização dos serviços de saúde pelos usuários a cada novo problema ou a cada novo episódio de um mesmo problema(1). Em outras palavras, o primeiro contato pode ser definido como porta de entrada dos serviços de saúde, ou seja, quando a população e a equipe identificam aquele serviço como o primeiro recurso a ser buscado quando há uma necessidade ou problema de saúde.
Longitudinalidade:
A longitudinalidade (Implica a existência do aporte regular de cuidados pela equipe de saúde e seu uso consistente ao longo do tempo, num ambiente de relação mútua e humanizada entre equipe de saúde, indivíduos e famílias.).
Integralidade:
A integralidade implica que as unidades de atenção primária devem fazer arranjos para que o paciente receba todos os tipos de serviços de atenção da saúde, mesmo que alguns possam não ser oferecidos eficientemente dentro delas. Isto inclui o encaminhamento para serviços secundários para consultas, serviços terciários para manejo definitivo de problemas específicos e para serviços de suporte fundamentais, tais como internação domiciliar e outros. Embora cada unidade de atenção primária possa definir diferentemente sua própria variedade de serviços, cada uma deveria explicitar sua responsabilidade tanto para a população de pacientes como para a equipe, bem como reconhecer as situações para as