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1 
 
 Fundamentos de Imunologia 
 
1. Imunidade inata refere-se às defesas que estão presentes ao nascimento. Elas estão sempre disponíveis para 
proporcionar respostas rápidas para a proteção contra as doenças. A imunidade inata não envolve o 
reconhecimento específico de um micróbio. 
 
# Ela não tem uma resposta de memória, isto é, uma reação imune mais rápida e mais forte ao mesmo micróbio 
em um outro momento. 
# Entre os componentes da imunidade inata estão a primeira linha de defesa (pele e membranas mucosas) e a 
segunda linha de defesa (células assassinas naturais e fagócitos, inflamação, febre e substâncias 
antimicrobianas). 
# As respostas imunes inatas representam o sistema de alerta precoce da imunidade e são projetadas para 
impedir que os micróbios tenham acesso ao corpo e para ajudar a eliminar aqueles que tiverem acesso. 
 
 
 
2. Imunidade adaptativa tem como base uma resposta específica a um determinado micróbio caso ele tenha 
rompido as defesas da imunidade inata. Ela se adapta ou se ajusta para lidar com um micróbio em particular. 
 
# A imunidade adaptativa é mais lenta em responder, porém apresenta um componente de memória. 
# A imunidade adaptativa envolve linfócitos (um tipo de células brancas do sangue) chamados de células 
T (linfócitos T) e células B (linfócitos B). 
 
 O sistema imune inato responde rapidamente aos invasores, detectando-os e, portanto, tentando eliminá-
los. 
 As respostas do sistema inato são ativadas por proteínas receptoras presentes na membrana plasmática 
das células defensivas; dentre esses ativadores estão os receptores do tipo Toll (TLRs, de Toll-like 
receptors). Esses TLRs ligam-se a vários componentes geralmente encontrados nos patógenos que são 
chamados de padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs, de pathogen-associated molecular 
patterns). 
 
 
 
Membrana 
plasmática 
2 
 
 Exemplos incluem o lipopolissacarídeo (LPS) da membrana externa de bactérias gram- -negativas, a 
flagelina dos flagelos de bactérias móveis, os peptideoglicanos da parede celular de bactérias gram-
positivas, o DNA de bactérias, e o DNA e o RNA de vírus. Os TLRs também se ligam a componentes de fungos 
e parasitas. 
 Quando os TLRs dessas células encontram os PAMPs dos micróbios, como o LPS de bactérias gram-
negativas, os TLRs induzem as células defensivas a liberarem químicos chamados de citocinas. 
 As citocinas também podem ativar as células T e B envolvidas na imunidade adaptativa. 
 
Imunidade Inata: Pele e as membranas mucosas são a primeira linha de defesa do corpo contra os 
patógenos do ambiente. 
 
 Essa função resulta de fatores físicos (incluem barreiras à entrada ou processos que removem 
micróbios da superfície do corpo e químicos (incluem substâncias produzidas pelo corpo que 
inibem o crescimento microbiano ou que destroem os micróbios). 
 Fatores físicos - a pele intacta é o maior órgão humano. Ela consiste em duas partes: a derme e a 
epiderme. 
# A derme, a parte mais interna e espessa da pele, é constituída de tecido conjuntivo. 
# A epiderme, a parte externa e mais fina, está em contato direto com o ambiente externo. Ela 
consiste em muitas camadas de folhas contínuas de células epiteliais firmemente unidas, com 
pouco ou nenhum material entre as células. A camada superior da epiderme é morta e contém 
uma proteína protetora chamada de queratina. 
 
 
 
# Função: A renovação constante da camada superior ajuda a remover os micróbios da superfície. 
Além disso, a secura da pele é um fator importante para inibir o crescimento microbiano. Embora 
a microbiota normal e outros micróbios estejam presentes em toda sua extensão, eles são mais 
numerosos nas áreas mais úmidas da pele. 
 
# Quando a pele está mais úmida, como nos climas quentes e úmidos, as infecções são bastante 
comuns, principalmente as causadas por fungos como o pé-de-atleta. Esses fungos hidrolisam a 
queratina quando há água disponível. 
 
# A superfície intacta da epiderme saudável raramente é penetrada por micro-organismos. 
Entretanto, quando a superfície epitelial é rompida, uma infecção subcutânea (abaixo da pele) em 
geral se desenvolve. As bactérias mais prováveis de causarem as infecções são os estafilococos, 
que normalmente habitam a epiderme, os folículos pilosos e as glândulas sudoríparas e sebáceas 
da pele. 
 
# As células epiteliais chamadas de células endoteliais, que revestem internamente os vasos 
sanguíneos e os vasos linfáticos, não são tão unidas quanto as da epiderme. Embora esse arranjo 
3 
 
permita que as células defensivas trafeguem do sangue para os tecidos durante a inflamação, ele 
também permite que os micróbios trafeguem para dentro e para fora do sangue e da linfa. 
 
 
 
 
# Fatores físicos - membranas mucosas também consistem em uma camada epitelial e uma 
camada de tecido conjuntivo subjacente. 
 
=> Elas são um componente importante da primeira linha de defesa e inibem a entrada de muitos 
micro - organismos. As membranas mucosas revestem internamente por completo os tratos 
gastrintestinal, respiratório e geniturinário. 
=> A camada epitelial de uma membrana mucosa secreta um fluido chamado de muco, uma 
substância glicoproteica ligeiramente viscosa (espessa) produzida pelas células caliciformes de 
uma membrana mucosa. Entre outras funções, o muco impede o ressecamento dos tratos. Alguns 
patógenos que podem se desenvolver nas secreções úmidas da membrana mucosa são capazes 
de penetrar a membrana se o micro-organismo estiver presente em quantidades suficientes. 
=> Ex.: O Treponema pallidum é um desses patógenos. Essa penetração pode ser facilitada por 
substâncias tóxicas produzidas pelo micro-organismo, lesão prévia por infecção viral ou irritação 
da mucosa. 
=> Outros fatores físicos importantes: 
 
a) Aparelho lacrimal – é um grupo de estruturas que produz e escoa as lágrimas e protege os 
olhos. As glândulas lacrimais, localizadas em direção à parte superior externa da órbita ocular, 
produzem as lágrimas e fazem com que escorram por debaixo da pálpebra superior. Essa ação 
de lavagem contínua impede que os micro-organismos se estabeleçam sobre a superfície do 
olho. Se uma substância irritante ou um número considerável de micro-organismos entra em 
contato com o olho, as glândulas lacrimais começam a secretar excessivamente, e as lágrimas 
se acumulam mais rapidamente do que podem ser eliminadas. Essa produção excessiva é um 
mecanismo de proteção, pois o excesso de lágrimas dilui e lava a substância irritante ou os 
micro-organismos. 
b) Saliva - produzida pelas glândulas salivares, ajuda a diluir uma grande quantidade de micro-
organismos e os remove da superfície dos dentes e da membrana mucosa da boca. Isso ajuda 
a impedir a colonização pelos micróbios. 
c) Muco - produzido pelas membranas mucosas, retém muitos dos micro-organismos que 
penetram os tratos respiratório e gastrintestinal. A membrana mucosa do nariz também 
apresenta pelos recobertos de muco que filtram o ar inalado e retêm micro-organismos, 
poeira e poluentes. As células da membrana mucosa do trato respiratório inferior são 
recobertas por cílios. Por meio de movimentos sincronizados, esses cílios impulsionam a 
poeira inalada e os micro-organismos que ficaram retidos na porção superior em direção à 
garganta. 
d) Epiglote - pequena tampa de cartilagem que recobre a laringe (caixa de voz) durante a 
deglutição. Essa estrutura impede a entrada de micro-organismos para o trato respiratório 
inferior. 
4 
 
 
e) Fluxo de urina - é outro fator físico que evita a colonização microbiana no trato geniturinário 
fazendo a limpeza da uretra. 
f) Secreções vaginais - movimentam os micro-organismos para fora do corpo feminino. 
g) Peristalse - defecação e vômito também expelem micróbios. A peristalse é uma série de 
contrações coordenadas que impulsionamo alimento ao longo do trato gastrintestinal. A 
peristalse da massa fecal do intestino grosso para o reto resulta em defecação. Em resposta 
a toxinas microbianas, os músculos do trato gastrintestinal contraem vigorosamente, 
resultando em vômito e/ou diarreia, que também podem livrar o corpo de micróbios. 
 
# Fatores químicas - também desempenham funções importantes. 
 
a) Glândulas sebáceas - produzem uma substância oleosa chamada de sebo, que impede que os 
pelos fiquem ressecados ou quebradiços. O sebo também forma um filme protetor sobre a 
superfície da pele. Um dos componentes do sebo consistem em ácidos graxos insaturados, que 
inibem o crescimento de certas bactérias e fungos patogênicos. O baixo pH da pele, entre 3 e 
5, é causado em parte pela secreção de ácidos graxos e ácido lático. A acidez da pele 
provavelmente desestimula o crescimento de muitos outros micro-organismos. 
b) Glândulas sudoríparas - da pele produzem a perspiração, que mantém a temperatura corporal, 
elimina certos resíduos e lava os micro-organismos da superfície da pele. A perspiração 
(transpiração ligeira) também contém lisozima, uma enzima capaz de decompor a parede 
celular de bactérias gram-postivas e, em menor extensão, bactérias gram- negativas. A lisozima 
quebra as ligações químicas nos peptideoglicanos, destruindo assim a parede celular. A lisozima 
também é encontrada nas lágrimas, na saliva, nas secreções nasais, nos fluidos corporais e na 
urina, onde exibe sua atividade antimicrobiana. 
c) Saliva - contém não somente uma enzima (amilase salivar) que digere o amido, mas também 
várias substâncias que inibem o crescimento microbiano, entre elas a lisozima, a ureia e o ácido 
úrico. O pH da saliva (6,55 a 6,85) também inibe alguns micróbios. A saliva contém um anticorpo 
(imunoglobulina A) que impede a fixação de micróbios, de modo que eles não possam penetrar 
o estômago. 
d) Suco gástrico - produzido pelas glândulas do estômago. Ele é uma mistura de ácido 
hidroclorídrico, enzimas e muco. A acidez bastante elevada do suco gástrico (pH 1,2 a 3,0) é 
suficiente para destruir as bactérias e muitas toxinas bacterianas, exceto as de Clostridium 
botulinum e Staphylococcus aureus. Entretanto, muitos patógenos entéricos são protegidos 
por partículas de alimento e podem entrar nos intestinos via trato gastrintestinal. Em contraste, 
a bactéria Helicobacter pylori neutraliza o ácido estomacal, permitindo desse modo que a 
bactéria cresça no estômago. Seu crescimento inibe uma resposta imune, o que resulta em 
gastrite e úlcera. 
e) Secreções vaginais - desempenham uma função na atividade antibacteriana de duas maneiras. 
O glicogênio produzido pelas células epiteliais da vagina é quebrado a ácido lático pelo 
Lactobacillus acidophylus. Isso cria um pH ácido (pH 3 a 5) que inibe os micróbios. 
f) Urina - além de apresentar a lisozima, tem um pH ácido (média igual a 6) que inibe os micróbios. 
Também, a urina contém ureia e outros produtos metabólicos, como ácido úrico, ácido 
hipúrico e indicano, que inibem os micróbios. 
 
3. Células de defesa da resposta imune inata – 2a Linha de defesa 
 
# Céls. NK, Monócitos/Macrófagos, Neutrófilos, Eosinófilos, Basófilos e Mastócitos. 
 
a) Neutrófilos – são chamados de leucócitos polimorfonucleares (PMNs, polymorphonuclear 
leukocytes), ou polimorfos. (O termo polimorfonuclear deve-se ao fato de que os núcleos dos 
neutrófilos contêm de dois a cinco lobos.) 
5 
 
São altamente móveis e fagocíticos, são ativos nos estágios iniciais de uma infecção. Eles têm a 
capacidade de deixar o sangue, chegar ao tecido infectado e destruir os micróbios e partículas 
estranhas. 
 
b) Basófilos - liberam substâncias como a histamina, que são importantes na inflamação e nas 
respostas alérgicas. 
 
c) Eosinófilos - Eles são de algum modo fagocíticos e também têm a capacidade de deixar o sangue. 
Sua função principal é produzir proteínas tóxicas contra certos parasitas, como os helmintos. 
Embora os eosinófilos sejam fisicamente muito pequenos para ingerir e destruir os helmintos, 
eles podem se fixar à superfície externa dos parasitas e liberar íons peróxido que os destroem. 
Sua quantidade aumenta significativamente durante certas infecções por vermes parasitários e 
nas reações de hipersensibilidade (alergia). 
 
d) Monócitos/Macrófagos - não são ativamente fagocíticos até que deixem o sangue circulante, 
entrem nos tecidos do corpo e se tornem macrófagos. Quando o sangue e a linfa que contêm 
micro-organismos passam pelos órgãos contendo macrófagos, os micro-organismos são 
removidos por fagocitose. Os macrófagos também eliminam células velhas do sangue. 
 
# Células dendríticas: Acredita-se que sejam derivadas dos monócitos. Elas apresentam 
longos prolongamentos que se assemelham aos dendritos das células nervosas. As células 
dendríticas são, sobretudo, abundantes na epiderme da pele, nas membranas mucosas, no timo 
e nos linfonodos. A função das células dendríticas é destruir os micróbios por fagocitose e iniciar 
as respostas da imunidade adaptativa (indução das respostas imunes por celulas T). 
 
e) Céls. NK (natural killer cells) - são encontradas no sangue, no baço, nos linfonodos e na medula 
óssea vermelha. Elas têm a capacidade de matar uma ampla variedade de células infectadas do 
corpo e certas células tumorais. As células NK atacam quaisquer células do corpo que apresentem 
proteínas de membrana plasmática anormais ou incomuns. Essas células, contém grânulos 
proteicos chamados de porferinas que se inserem na membrana plasmática da célula-alvo e criam 
canais (perfurações) na membrana causando citólise (rompimento). Outros grânulos das células 
NK liberam granzimas, enzimas digestoras de proteínas que induzem a célula-alvo a sofrer 
apoptose ou autodestruição. Esse tipo de ataque mata as células infectadas, mas não os micróbios 
dentro das células; os micróbios liberados, que podem ou não estar intactos, podem ser 
destruídos pelos fagócitos. 
 
f) Mastócitos (células auxiliares) - A principal função dos mastócitos é armazenar potentes 
mediadores químicos da inflamação, como heparina (anticoagulante), histamina (vasodilatador), 
serotonina, o fator quimiotático dos eosinófilos na anafilaxia. 
# O choque anafilático é um exemplo deste tipo de reação, sendo o mastócito a principal célula 
responsável por este tipo de reação alérgica. O processo de ativação da degranulação 
(exocitose) se baseia na sensibilização destas células (mastócitos) 
 
6 
 
 
 
 
4. Inflamação ou Resposta Inflamatória - é uma resposta fisiológica do organismo ao dano tecidual local ou a 
uma infecção. A resposta inflamatória faz parte da resposta imune inata e, por isso, não é uma resposta 
específica, mas ocorre de maneira padronizada independente do estímulo. O processo inflamatório envolve 
várias células do sistema imune, mediadores moleculares e vasos sanguíneos. 
 
a) Os três principais acontecimentos na inflamação aguda são: aumento do diâmetro dos capilares, com 
consequente aumento do fluxo sanguíneo para o local, permeabilidade aumentada dos capilares, 
permitindo o escape de plasma e proteínas plasmáticas e passagem (saída) de leucócitos dos capilares e 
seu acúmulo no local da lesão. 
b) Os principais objetivos da resposta inflamatória são: localizar infecção, impedir a dispersão de micro-
organismos invasores, neutralizar qualquer toxina que esteja sendo produzida no local e ajudar no reparo 
do tecido danificado. 
 
 
7 
 
 
c) Durante o processo inflamatório, participam muitas ações inespecíficas. Estas ações fisiológicas resultam 
em quatro sinais e sintomas da inflamação: vermelhidão, calor, inchaço (edema) e dor. Frequentemente, 
há formação de pus e, ocasionalmente, perda de função da área afetada. 
 
5. Sistema Linfático – é composto por vasos linfáticos, linfonodos, órgãos linfáticos(tonsilas, baços e timo) e a 
linfa (componente líquido do sistema linfático). As principais funções deste sistema incluem a drenagem e 
circulação dos líquidos intercelulares dos tecidos e o transporte de gorduras digeridas do sistema digestivo para 
o sangue. Além disso, os macrófagos, as células B e as células T nos linfonodos servem para filtrar a linfa, 
removendo as partículas estranhas e os micro-organismos, e produzindo anticorpos e outros fatores que 
auxiliam a destruição e desintoxicação de qualquer micro-organismo invasor. 
 
 
 
6. Sistema Complemento - um sistema defensivo que consiste em mais de 30 proteínas (incluindo nove proteínas 
específicas de C1 – C9) produzidas pelo fígado e encontradas em circulação no soro sanguíneo e nos tecidos 
por todas as partes do corpo. 
 
a. Características gerais do sistema complemento 
 
a) O sistema complemento é assim chamado porque “complementa” as células do sistema imune inato para 
a destruição dos micróbios. 
b) O sistema complemento não é adaptável e não muda ao longo da vida de uma pessoa; por essas razões, 
ele pertence ao sistema imune inato. 
c) Ele pode ser recrutado e ativado pelo sistema imune adaptativo que se une as proteínas do sistema 
complemento e destroem os micróbios por (1) citólise, (2) inflamação e (3) fagocitose e também impedem 
danos excessivos aos tecidos do hospedeiro. 
 
b. Principais objetivos da ativação do sistema complemento é ajudar: 
 
 No início e na amplificação da inflamação; 
 Na atração de fagócitos para o local onde eles são necessários – quimiotaxia; 
 Na ativação dos leucócitos; 
 Na lise das bactérias e células estranhas; 
 No aumento da fagocitose por células fagocíticas; 
 
8 
 
c. Opsonização - é o processo que facilita a ação do sistema imunológico em fixar opsoninas ou 
fragmentos do complemento na superfície bacteriana, permitindo a fagocitose. 
 
Qdo os fagócitos são incapazes de ingerir certas partículas ou células? 
 Qdo as céls. bacterianas são incapsuladas. As opsoninas não se fixam na superfície 
e consequentemente não ocorre a fagocitose. 
 
Como ocorre a destruição dessas células encapsuladas? 
10 ) Formação da cascata complemento => Produção da C3b(opsonina) é depositada na 
superfície do micro-organismo e ocorre ação dos macrófagos e neutrófilos. 
20) Fragmentos C3a,C4a e C5a levam os mastócitos a se desgranularem e liberarem 
histamina causando o aumento da permeabilidade vascular e contração da 
musculatura lisa. 
A C3a e C5a atuam como quimioatraentes (agentes quimiotáticos) para neutrófilos e macrófagos. 
 
 
 
 
As deficiências hereditárias de COMPLEMENTO interferem nas atividades do Sistema Complemento. 
 
DEFICIÊNCIAS HEREDITÁRIAS 
 
C3 => deficiência 
 
ASSOCIADAS A DEFEITOS NA ATIVAÇÃO DA VIA CLÁSSICA E ALTERNADA 
 
O defeito no fator properdina impedem a ativação da via clássica 
 
Consequência: Levam ao aumento da susceptibilidade a infecções piogênicas (produtoras de pus) por 
estafilococos e estreptococos. 
 
OBSERVAÇÃO: C3 e C4 são utilizados para determinar se deficiências ou anormalidades no sistema 
complemento estão provocando ou contribuindo para a condição ou doença de um paciente. A atividade do 
complemento total pode ser solicitada para verificar a integridade de toda a via clássica do complemento. 
Outros componentes do complemento são solicitados, quando necessário, para investigar deficiências. 
 
a) O teste de complemento pode ser feito para ajudar a diagnosticar a causa de infecções microbianas 
recorrentes, angioedema ou inflamação. 
b) Ele pode ser utilizado no auxílio diagnóstico e monitoramento da atividade de doenças autoimunes agudas 
e crônicas, como lúpus eritematoso sistêmico (LES). 
9 
 
c) Também pode ser feito e monitorado para doenças e condições relacionadas a imunocomplexos, como 
glomerulonefrite (um distúrbio renal), doença do soro, artrite reumatoide e vasculite (inflamação de um 
vaso sanguíneo). 
 
Via clássica de ativação do complemento. Essa via é iniciada por uma reação antígeno-anticorpo. O 
processamento de C3 em C3a e C3b inicia uma cascata que resulta em citólise, inflamação e opsonização. 
 
 
1) C1 é ativado pela ligação aos complexos antígeno-anticorpo. 
2) C1 ativado cliva C2 em C2a e C2b, assim como C4 em C4a e C4b. 
3) C2a e C4b se combinam e ativam C3, fragmentando-o em C3a e C3b. 
 
Via clássica - foi a primeira a ser descoberta, é iniciada quando os anticorpos se ligam aos antígenos 
(micróbios). 
 
1. Os anticorpos fixam aos antígenos (p. ex., proteínas ou polissacarídeos grandes na superfície de uma 
bactéria ou outra célula), formando complexos antígeno-anticorpo. Os complexos antígeno-anticorpo ligam e 
ativam C1. 
2. Em seguida, C1 ativado processa C2 e C4, ativando-os. C2 é processado em fragmentos chamados de 
C2a e C2b, enquanto C4 é processado em fragmentos chamados de C4a e C4b. 
3. C2a e C4b se combinam e juntos ativam C3 pelo processamento a C3a e C3b. O fragmento C3 então 
inicia a lise celular, a inflamação e a opsonização. 
 
Via Alternativa - foi descoberta depois da via clássica e, diferente dela, não envolve anticorpos. A via 
alternativa é ativada pelo contato entre certas proteínas do complemento e um patógeno. 
 
10 
 
 
 
1. C3 está presente constantemente no 
sangue. Sobre a superfície de um micróbio patogênico, C3 se combina 
com proteínas do complemento chamadas de fator B, fator 
D e fator P (properdina). 
 
2. Uma vez que as proteínas do complemento tenham se 
combinado e interagido, C3 é clivado nos fragmentos C3a e C3b. 
 
Via clássica - C3a participa na inflamação. 
Via alternativa - C3b age na citólise e na opsonização. 
 
 
Via da lecitina - é o mecanismo de ativação do complemento descoberto mais recentemente. Quando os 
macrófagos ingerem por fagocitose bactérias, vírus e outros materiais estranhos, eles liberam 
citocinas que estimulam o fígado a produzir lecitinas, proteínas que se ligam a carboidratos. 
 
 
 
11 
 
1. Uma dessas lecitinas, a lecitina de ligação à manose (MBL, de mannose-binding lectin), liga-se ao 
carboidrato manose. 
 
A MBL se liga a muitos patógenos, pois as moléculas de MBL reconhecem um padrão distinto de 
carboidratos que inclui a manose, encontrada na parede celular bacteriana e em alguns vírus. 
 
Como consequência dessa ligação, a MBL funciona como uma opsonina para intensificar a fagocitose. 
2. C2 e C4 são ativados. 
3. C2a e C4b ativam C3. 
 
 
# CITOCINAS - São mediadores químicos liberados por diferentes tipos celulares do corpo; 
 Permite a comunicação celular; 
 Atuam como mensageiros químicos do sistema imunológicos e de outros sistemas corporais; 
 Induz respostas celulares decorrentes da sua presença; 
 
Interleucina 1 (IL-1): Produzida por macrófagos 
Ativa linfócitos T e B, neutrófilos, céls epiteliais e fibroblastos 
 
Interleucina 2 (IL-2): Produzida pelos linfócitos T auxiliares 
Ativa o crescimento de linfócitos T auxiliares e céls. citotóxicas 
 
Interleucina 4 e 5 (IL-4 e IL-5): Produzida pelos linfócitos T auxiliares 
Promovem crescimento e diferenciação dos linfócitos B 
 
IL-4: aumenta a imunidade humoral; induz a síntese IgE (sensibilidade do tipo I – anafilaxia) 
IL-5: aumenta a síntese IgA; estimula produção e ativação dos eosinófilos. 
 
 
 
 
 
Interleucina 6 (IL-6): Produzida pelos linfócitos T auxiliares e pelos macrófagos 
Importante pirogênio (febre) 
 
Interleucina 10 e 12 (IL-10 e 12): Regula produção células Th1 (hipersensibilidade tardia) 
 
IL-12: produzida pelos macrófagos 
 
Desenvolvimento de células Th1 devido ao estímulo do gama-interferon 
 
IL-10 produzida pelas células Th2 (inibe desenvolvimento da Th1: inibe produção do gama-interferon) 
 
IL-4 IL-10 e IL-12 
 
Dirigem a diferenciaçãodas células Th1 e Th2 
 
Aumenta a imunidade por células ou humoral 
 
 
 
# Fatores adicionais que podem impedir os mecanismos de defesa do hospedeiro 
12 
 
 
Condição nutricional: 
Diminuição da resistência contra infecções 
 
Aumento níveis de ferro: 
Fe satisfaz a bactéria 
Aumento do Fe: reduz quimiotaxia e as atividades fagocíticas 
 
Stress: 
Diminui a resistência contra infecções 
 
Idade: 
Bebês, recém-nascidos e idosos: baixa eficiência do sistema imunológico 
 
Câncer e quimioterapia: 
Destroem as células saudáveis que estão juntas 
 
AIDS: 
Destrói linfócitos T auxiliares. 
 
Fármacos: 
Esteróides e álcool. 
 
Defeitos genéticos 
Deficiência nos linfócitos T e B. 
 
 
7. Imunidade Humoral - é uma subdivisão da imunidade adquirida onde a resposta imunológica é realizada por 
moléculas existentes no sangue, denominadas de anticorpos, diferente da imunidade mediada por células, que 
são realizadas pelos linfócitos T e B. É importante no combate a organismos extracelulares e pode ainda haver 
participação de mastócitos/basófilos, com eliminação de grânulos contendo substâncias com atividade 
microbicida. 
 
# Natureza dos antígenos: Os antígenos são proteínas ou grandes polissacarídeos. Os lipídeos e os ácidos 
nucleicos geralmente são antigênicos apenas quando combinados com proteínas e polissacarídeos. Compostos 
antigênicos em geral são componentes de micróbios invasores como cápsulas, parede celular, flagelos, fímbrias 
e toxinas de bactérias; capsídeos de vírus; ou superfícies de certos micróbios. Antígenos não microbianos 
incluem pólen, clara de ovo, moléculas de superfície de células do sangue, proteínas séricas de outros 
indivíduos ou espécies, e moléculas de superfície de órgãos e tecidos transplantados. 
 
 Os anticorpos reconhecem e interagem com regiões específicas nos antígenos chamadas de epítopos ou 
determinantes antigênicos. A natureza dessa interação depende do tamanho, da forma e da estrutura 
química do sítio de ligação na molécula de anticorpo. 
13 
 
 
 
 Uma substância estranha com baixo peso molecular raramente é antigênica a menos que esteja associada 
a uma molécula carreadora. Esses compostos de baixo peso molecular são chamados de haptenos (do grego 
hapto). 
 
 Um hapteno é uma molécula pequena demais para estimular a formação de anticorpos. Entretanto, quando 
é combinado com uma molécula carreadora maior, geralmente uma proteína do soro, o hapteno e seu 
carreador juntos formam um conjugado que pode estimular uma resposta imune. 
 
# Natureza dos anticorpos: Anticorpos - são glicoproteínas, também chamadas de imunoglobulinas, que 
possuem como principal função garantir a defesa do organismo. Essas glicoproteínas de defesa atuam de 
diferentes formas para evitar que uma partícula invasora cause danos à saúde. Elas podem ser encontradas no 
plasma, em compartimentos citoplasmáticos, na superfície de algumas células, no líquido intersticial e até 
mesmo no leite materno. 
 
 Os anticorpos são produzidos por plasmócitos, que se formam após a diferenciação de um leucócito 
chamado de linfócito B. A produção de anticorpos ocorre após a estimulação do linfócito por determinado 
antígeno, como um vírus ou uma bactéria. 
 
 Após sua produção, os anticorpos começam a interagir com os antígenos para garantir a defesa do 
organismo. Vale destacar que normalmente ocorre uma interação maior entre o anticorpo e o antígeno que 
causou sua produção, entretanto, pode haver a interação com outros antígenos (reações cruzadas). 
 
 Reatividade cruzada se refere à habilidade de um sítio de combinação de anticorpo em 
particular de reagir com mais de um determinante antigênico ou a habilidade de uma 
população de moléculas de anticorpos de reagir com mais de um antígeno. 
 
 
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 Cada anticorpo tem pelo menos dois sítios idênticos que se ligam aos epítopos. Esses sítios são conhecidos 
como sítios de ligação ao antígeno. O número de sítios de ligação ao antígeno em um anticorpo é chamado 
de valência do anticorpo. Por exemplo, em sua maioria os anticorpos humanos têm dois sítios de ligação, 
sendo, portanto, bivalentes. 
 
 Classes de imunoglobulinas - As cinco classes de imunoglobinas são designadas IgG, IgM, IgA, IgD e IgE. Cada 
classe tem um papel diferente na resposta imune. 
 
IgG - é responsável por aproximadamente 80% de todos os anticorpos no soro. Em locais de inflamação, 
esses monômeros de anticorpos atravessam as paredes dos vasos sanguíneos e penetram no fluido tecidual. 
Anticorpos IgG maternos, por exemplo, podem cruzar a placenta e conferir imunidade passiva ao feto. Os 
anticorpos IgG protegem contra as bactérias circulantes e os vírus, neutralizam toxinas bacterianas, ativam 
o sistema complemento e, quando ligados a antígenos, intensificam a eficácia das células fagocíticas. A 
detecção de IgG, que é de vida relativamente longa, deve indicar apenas que a imunidade contra um 
patógeno em particular foi adquirida há mais tempo. 
 
IgM - (de macro, que reflete o seu tamanho grande) produzem até 5 a 10% dos anticorpos no soro. A IgM 
tem uma estrutura de pentâmero formada por cinco monômeros unidos entre si por um polipeptídeo 
chamado de cadeia J (joining). O grande tamanho da molécula impede que a IgM se desloque livremente 
como faz a IgG, de modo que anticorpos IgM geralmente permanecem nos vasos sanguíneos sem penetrar 
os tecidos ao seu redor. 
A IgM é o tipo predominante de anticorpo envolvido na resposta aos antígenos do grupo sanguíneo ABO 
localizados na superfície das hemácias. A IgM é muito mais eficaz que a IgG em causar o agrupamento de 
células e vírus e em reações envolvendo a ativação do sistema complemento. 
O fato de a IgM aparecer primeiro nas respostas a uma infecção primária e ser de vida relativamente curta 
faz dela uma imunoglobulina de valor singular no diagnóstico das doenças. Se altas concentrações de IgM 
contra um patógeno são detectadas em um paciente, provavelmente a doença observada é causada por 
aquele patógeno. 
 
IgA - é responsável por apenas 10 a 15% dos anticorpos no soro, mas é certamente a forma mais comum 
nas membranas mucosas e em secreções do corpo como o muco, a saliva, as lágrimas e o leite materno. Se 
levarmos isso em consideração, a IgA é a imunoglobulina mais abundante do corpo (a IgG é a mais 
abundante no soro). A IgA que circula no soro, a IgA sérica, geralmente é encontrada na forma de um 
monômero. A forma mais eficaz de IgA, entretanto, consiste em dois monômeros conectados que formam 
um dímero chamado de IgA secretora. Ela é produzida nessa forma pelos plasmócitos localizados nas 
membranas mucosas. Cada dímero então penetra e atravessa a mucosa, onde adquire um polipeptídeo 
chamado de componente secretor, que protege a IgA da degradação enzimática. A principal função da IgA 
secretora é provavelmente impedir a fixação de patógenos microbianos às superfícies da mucosa. Isso é 
importante sobretudo para os patógenos intestinais e respiratórios. 
Devido ao fato de a imunidade por IgA ser de vida relativamente curta, a duração da imunidade para as 
várias infecções respiratórias também é curta. A presença de IgA no leite materno, em especial no colostro, 
provavelmente ajuda a proteger os bebês das infecções gastrintestinais. 
 
IgD - constituem apenas 0,2% dos anticorpos no soro total. Suas estruturas se assemelham às das moléculas 
de IgG. Os anticorpos IgD são encontrados no sangue, na linfa e particularmente na superfície das células 
B. A IgD não tem função definida. 
 
IgE - são um pouco maiores que as moléculas de IgG; eles constituem apenas 0,002% dos anticorpos no 
soro total. As moléculas de IgE se ligam avidamente por suas porções Fc (haste) aos receptores localizados 
nos mastócitos e basófilos, células especializadas que participam nas reações alérgicas. Quando umantígeno como o pólen liga-se cruzadamente com os anticorpos IgE associados a um mastócito ou basófilo, 
essas células liberam histamina e outros mediadores químicos. Essas substâncias químicas induzem uma 
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resposta – por exemplo, uma reação alérgica como a rinite alérgica. A concentração de IgE é muito 
aumentada em algumas reações alérgicas e infecções parasitárias, o que em geral é útil do ponto de vista 
diagnóstico.

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