A_imagem_radiologica
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A Imagem Radiológica 
Tânia Aparecida Correia Furquim1 
 
1 Introdução 
 
A imagem radiológica médica é formada a partir da atenuação de forma diferenciada 
das partes anatômicas distintas do paciente que se precisa irradiar. Cada tipo de 
material atenua de forma diferente a radiação X, o que permite a formação de uma 
imagem. O diagrama esquemático mostrado na Figura 1 mostra o caminho 
percorrido para a formação e manuseio de uma imagem radiológica. 
 
 
Figura 1 - Esquema de obtenção e manuseio de uma imagem radiológica 
 
Após interagir com o objeto de interesse, a radiação X forma uma imagem latente, 
de acordo com a atenuação causada em seu caminho, como mostra a Figura 2. 
 
 1	
   Física	
  Médica	
   do	
   Instituto	
   de	
   Física	
   da	
   Universidade	
   de	
   São	
   Paulo.	
   Doutora	
   em	
   Tecnologia	
   Nuclear	
   -­\u2010	
  Aplicações	
  (Instituto	
  de	
  Pesquisas	
  Energéticas	
  e	
  Nucleares	
  -­\u2010	
  SP),	
  Mestre	
  em	
  Biofísica	
  (Instituto	
  de	
  Física	
  da	
  USP),	
  Especialista	
  em	
  Radiologia	
  Diagnóstica	
  (Associação	
  Brasileira	
  de	
  Física	
  Médica)	
  
 
2 
 
 
Figura 2 - Atenuação diferenciada de objetos com diferentes características de espessura e 
densidades 
 
Essa imagem latente é coletada por um detector de raios X que pode ser filme 
radiológico (utilizado em radiologia de écran-filme), fósforo fotoestimulável (utilizado 
em radiologia computadorizada), câmara CDD, silício amorfo (a-Si) e respectivo 
sistema eletrônico que captura essa informação (utilizados em radiologia digital). 
Depois de avaliada, essa imagem é armazenada, em forma de filme ou arquivo, de 
acordo com o formato em que a imagem foi adquirida. 
 
 
 
Os fenômenos físicos e químicos envolvidos na formação da imagem radiológica 
dependem do tipo de detector de que se utiliza - o que vai priorizar a visualização de 
determinado parâmetro de imagem. Isso ocorre porque os sinais que formam uma 
imagem estão relacionados à variação espacial da energia absorvida no detector. 
Os conceitos básicos que podem descrever uma imagem são: 
 Contraste; 
 Resolução espacial; 
 Ruído. 
 
 
 Uma vez adquirida, como analisar a sua qualidade dessa 
imagem? 
 Quais os conceitos que devem ser considerados para 
classificar uma imagem como de boa qualidade? 
Como definir cada um destes conceitos? 
3 
 
1.1 Contraste 
 
O contraste em uma imagem está relacionado ao brilho ou escurecimento na 
imagem entre uma área de interesse e sua vizinhança de fundo. 
 
 
 
A Figura 3 ilustra bem como o contraste pode variar dependendo desta relação entre 
as densidades ópticas do objeto e da vizinhança. Apesar da densidade óptica do 
objeto circular no centro das imagens não variar, percebe-se que o contraste varia 
consideravelmente devido à variação da densidade óptica da vizinhança que o 
circunda. A diferença das densidades ópticas entre estas regiões é que possibilita a 
visualização de estruturas diferentes. 
 
 
Figura 3 - Variação de contraste de um objeto circular com mesma densidade óptica (tom de cinza) 
em diferentes densidades ópticas de sua vizinhança 
 
As diferenças entre tons de cinza são utilizadas como informação na imagem 
médica e servem para distinguir os diferentes tipos de tecidos, analisar as relações 
anatômicas e algumas vezes quantificar funções fisiológicas1. Quanto maior a 
diferença entre os tons de cinza mais fácil é identificar as estruturas ou as interfaces 
entre elas. 
 
O contraste final em uma imagem pode ser resultado tanto das características do 
material do objeto que se quer obter a imagem quanto das propriedades físicas do 
detector que vai formar a imagem. 
 
Em radiologia, o contraste pode ser dividido em: 
Contraste pode ser definido como a diferença fracional em alguma 
grandeza mensurável entre duas regiões de uma imagem1. 
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 contraste radiográfico: está relacionado à região anatômica a ser irradiada e 
depende de suas características físicas, das diferenças de atenuação dos 
fótons de raios X entre cada parte e suas vizinhanças. Ao se selecionar uma 
tensão (kVp) no equipamento de raios X e a filtração total do feixe (espectro 
de raios X) que passa pelo paciente, haverá uma determinada atenuação, 
caracterizada pelo coeficiente de atenuação daquela parte irradiada, que 
fornece a quantidade de fótons que são absorvidos por aquele material e que 
influenciarão a imagem a ser formada. Os valores dos coeficientes de 
atenuação em geral diminuem com o aumento da energia do fóton incidente. 
 contraste do detector: está associado à habilidade do receptor de imagem 
em converter o sinal que incide sobre ele em imagem, e depende de suas 
propriedades químicas, físicas, espessura entre outras. 
 
A Tabela 1 resume as influências que cada um destes contrastes sofre, de 
acordo com as propriedades das partes anatômicas ou detectores. 
 
Tabela 1 - Tipos de contraste com a etapa da produção de imagem está relacionado e quais 
as características influenciam 
 
Interações da 
radiação X 
Características que 
influenciam Exemplos 
Contraste 
radiográfico 
Região 
anatômica de 
interesse 
\u2022 número atômico efetivo 
(Zef) 
\u2022 densidade (\u3c1, [g/cm3]) 
\u2022 densidade de elétrons 
\u2022 espessura do material 
\u2022 espectro de energia 
\u2022 coeficiente de 
atenuação em massa 
(µ/\u3c1) 
osso (Zef \u2248 13) \u2192 alto 
contraste 
 
mama (Zef \u2248 7) \u2192 baixo 
contraste 
Contraste 
do detector 
receptor de 
imagem 
\u2022 composição química do 
material do detector 
\u2022 espessura 
\u2022 número atômico 
\u2022 densidade eletrônica 
\u2022 processos físicos pelos 
quais o detector converte 
o sinal de radiação em 
um sinal eletrônico, óptico 
ou fotográfico. 
\u2022 diferenças de densidade 
óptica (no caso de filmes) 
\u2022 brilho na imagem 
(intensificadores de imagem) 
\u2022 amplitude de sinal 
(detectores eletrônicos) ou 
algum outro sinal eletrônico, 
óptico ou físico utilizado para 
representar a imagem. 
 
5 
 
 
Uma maneira de otimizar o contraste final é entender como a radiação X interage 
com as partes anatômicas de interesse e com o receptor de imagem. Com isso, 
pode-se obter o melhor contraste com a dose de radiação mais baixa ao paciente. 
A Figura 4 ilustra como a variação de contraste pode influenciar a visualização de 
detalhes na imagem. A Figura 4, a foto A possui alto contraste, a foto B possui um 
contraste ótimo para a visualização de um observador e a foto C possui baixo 
contraste. 
 
 
A B 
C 
Figura 4 - Diferentes níveis de contraste em uma imagem, variando do alto contraste (A) ao baixo 
contraste (C), passando pela imagem com contraste ótimo (B). 
 
Percebe-se que tanto com alto quanto com baixo contraste há perda de informação. 
1.1.1 Meios de contraste 
 
Um recurso muitas vezes utilizado para melhorar o contraste entre estruturas com 
coeficientes de atenuação muito próximos, é a utilização de meios de contraste. 
Estes são materiais introduzidos na região a ser estudada, que possui um 
coeficiente de atenuação diferente da região vizinha da área de interesse, 
aumentando o contraste radiográfico. Isso ocorre, por exemplo, em estudos do 
sistema circulatório, quando um médico intervencionista quer obter imagens dos 
vasos sanguíneos, por exemplo. Neste caso pode-se utilizar contraste iodado para 
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que o sangue possa ter seu coeficiente de atenuação aumentado e permitindo ao 
médico uma melhor visualização do vaso. O bário pode ser outro meio de contraste, 
e pode ser utilizado no trato gastrointestinal, por exemplo.