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6/10/2011 1 Mackenzie Ecio Perin Junior Especialista pela Università degli Studi di Bologna Mestre e Doutor em Direito Comercial pela PUC-SP Sócio Fundador do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial – IBRADEMP Membro Efetivo da Comissão Direito Empresarial da OAB/SP • Filmes de interesse antropológico • • 1) “Nem gravata, nem honra” de Marcelo Masagão - é um documentário gravado numa cidade do interior e que tenta mostrar as diferenças entre homens e mulheres por eles próprios, a partir de depoimentos, sem entrar no clichê da Guerra dos Sexos. É interessante essa observação humanista, muito mais que sexista. • 2) “Muito além do cidadão Kane” de Simon Hartog - O filme é Britânico e critica o poder da rede Globo no Brasil.....é um filme de conotação 'subversiva' para os dias de hj.. Mas, interessante! • 3) “Into the Wild” do Sean Penn - e a trilha sonora é toda do Eddie Veder (lider do Pearl Jam) esse filme é absolutamente incrível. Mostra o conflito entre um cara recém formado e a sociedade que ele terá que encarar. Bom estudo do homem com o meio. EXCELENTE!!! • Introdução: • A antropologia é uma ciência social surgida no século XVIII. Porém, foi somente no século XIX que se organizou como disciplina científica. A palavra tem o seguinte significado: Antropo = homem e logia = estudo • Estudo antropológico É a ciência que estuda os costumes, crenças, hábitos e aspectos físicos dos diferentes povos que habitaram e habitam o planeta. Portanto, os antropólogos estudam a diversidade cultural dos povos. Como cultura, podemos entender todo tipo de manifestação social (inclusive a jurídica). • • • Modos, hábitos, comportamentos, folclore, rituais, crenças, mitos e outros aspectos são fontes de pesquisa para os antropólogos. • • A estrutura física e a evolução da espécie humana também fazem parte dos 1 2 3 4 5 6 6/10/2011 2 temas que são objeto de análise da Antropologia. Os antropólogos utilizam, como fontes de pesquisa, os livros, imagens, objetos, depoimentos, etc.. Porém, as observações, através da vivência entre os povos ou comunidades estudadas, são comuns e fornecem muitas informações úteis ao antropólogo. • Antropólogos importantes da história: - Bronislaw Malinowski (1884-1942) – valorizou o trabalho minucioso e o convívio com povos nativos como forma de obter informações para o trabalho antropológico. - Franz Boas (1858-1942) – estudou vários povos indígenas dos Estados Unidos. - Claude Levi-Strauss (1908-2009) – criador do estruturalismo. Sua obra principal foi “O pensamento selvagem”. • Antropologia do direito é uma área da antropologia social ou cultural voltada ao estudo das categorias que englobam o saber jurídico: • seus mecanismos de produção, reprodução e consumo. • • Busca identificar, classificar e analisar as formas como se organiza o "campo" jurídico (corte epistemológico). • A Antropologia do Direito se ocupa do aspecto legal ou normativo das sociedades, abrangendo também a questão da justiça, como elementos integrantes da organização social e cultural. • • Antropologia Jurídica – Pode ser classificada como aquele gênero de: • • "estudos comparativos de processos de resolução de conflitos, das relações de poder e de processos de formação de opinião política em contextos sócio- culturais específicos." • É preciso um esforço para não impregnar costumes sociais com significados jurídicos, nem para corrigir raciocínios jurídicos através de descobertas antropológicas e sim criar um ir e vir hermenêutico entre os dois campos, olhando primeiramente para uma direção e depois na outra, a fim de formular as questões morais, políticas e intelectuais que são importantes para ambos. • A antropologia do direito avançou com a pesquisa de campo proposta pelos cientistas que puseram de lado elocubrações teóricas sem base na observação e sistematização de dados empíricos. • Assim como ocorreu nos demais ramos da antropologia cultural, a técnica de observação participante, utilizada na Antropologia do Direito de linha funcional, contribuiu para a explicitação do conceito de "transgressão e castigo” • • independentemente do conteúdo moral do comportamento desviante. 7 8 9 10 11 12 13 6/10/2011 3 • ANTROPOLOGIA DO DIREITO 1. Definição: é o estudo da ordem social, das regras e das sanções em sociedades. Não interessa apenas as normas formais, mas no aspecto mais amplo das normas que mantém a ordem social e permite o funcionamento da sociedade. Ela observa e compara as instituições de Direito entre as culturas. Ex. poder judiciário, polícia, prisões, etc. 2. Distinções • A) Autoridade e poder • Autoridade é a probabilidade de se fazer obedecer em função da conveniência tradição ou carisma. Poder é a capacidade de se fazer obedecer mesmo com opinião contrária. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” • • Este ditado encerra toda a sabedoria popular sobre o tema - a autoridade, o poder e a obediência. • • O poder é a capacidade, o potencial de influenciar, de impor a vontade sobre as pessoas. Um manto invisível que cobre uma coletividade. De forma simplificada, o poder se manifesta em três maneiras (sistemas de poder): • • Decorrente do cargo (Mandar): sim – não; premiar – punir; permitir – negar; restringir – ampliar, Decorrente da credibilidade (Influir), aceitação: lobby, política, carisma... Decorrente da competência (Fazer): bem feito – malfeito, fazer o suficiente, fazer o que deve ser feito. • • Os três sistemas de poder se manifestam em formas genéricas de fontes de poder: 14 15 16 17 18 19 6/10/2011 4 • • • Coerção: poder de restringir, imposto pelo exercício de punições, castigos, submissão... • • Estão incluídos nesta categoria o exercício do poder pela força: • • 1. Todos os Bandidos: intimidação pela violência (armas, força bruta),... • 2. A maioria dos Ditadores: usurpação do poder, (supressão de liberdades constitucionais, genocídios...) e • • Militares/Policiais: facultada pelo regime (disciplina rígida, castigos...); • • 3. Alguns Mandantes: • – Professores – o exercício da disciplina (promoção, ameaças, castigos), • – Religiosos - postulação de mandamentos, preceitos..., • – Chefes - atribuições de tarefas, imposição de disciplina,... • – Pais - rigor na educação, função da cultura, religião... • • • Há ainda os poderes institucionais (Estado e setor privado): • • • 1) Diretivos: detém todas as formas de poder, isto é, mandar, influir, fazer; (proprietários, acionistas, incorporadores...) definem políticas, diretrizes, objetivos e metas a serem atingidas (poder de propriedade, poder de polícia). • • 2) Normativos: limitam ou padronizam os aspectos operacionais da instituição - definem leis, decretos, atos, regulamento, normas (poder de restrições). Nas empresas privadas o exercício do chamado COMPLIANCE. • • 3) Controle: agentes fiscalizadores, exercício de monitoramento e cobrança, controlam e fiscalizam as atividades da organização (poder de sanções). Órgãos governamentais: Tribunais de Contas p/ órgãos públicos. Receita Federal, Secretaria do Trabalho • • • Ter poder não implica necessariamente, ter autoridade. Quem detém o poder tem a opção de conduzir, de impor, de manejar, de castigar outras pessoas mas, pode não exercê-lo, posto que existem formas de poder (influir e fazer) que se 20 21 22 23 24 25 6/10/2011 5 pode não exercê-lo, posto que existem formas de poder (influir e fazer) que se manifestam de maneira não explícita. • • Já a autoridade é a explicitação e o exercício do poder, quem tem autoridade tem Poder. • Para Max Weber - criador do conceito de burocracia, existe trêstipos de autoridade: • 1. Autoridade Tradicional (delegada) – autoridade exercida por pessoa ou por delegação de quem detém o poder de mandar; seu exercício é baseado na Legitimidade (fundamentada na tradição, hereditariedade, legado, etc.). • 2. Autoridade Carismática – exercício baseado na Utilidade (fundamentada na maximização do bem-estar coletivo). A autoridade advinda da liderança envolve a habilidade de levar os outros a fazerem de bom grado sua vontade, porque acreditam no benefício individual ou coletivo do líder (Lideranças religiosas, políticas, comunitárias). • 3. Autoridade Burocrática (legal, racional) – exercício baseado na Legalidade (fundamentada em leis, regulamentos, normas) e devida ao cargo, função ou posição definida numa hierarquia prescrita por regras, estatutos, etc. que pretendem harmonizar e dar estabilidade à entidade. • • B) Regras primárias e secundárias • Primárias são as regras que estabelecem os comportamentos desejáveis dos indivíduos; Secundárias são as regras que, partindo das primárias, servem para aplicar sanções aos que desobedecem as regras primárias. • Dessa forma entendemos que cada grupo social elabora suas regras com bases próprias e em relação com a natureza e com os outros homens. • • Ex. entre os esquimós do Alasca, toda comida deveria ser repartida no inverno. Armazenar comida para vender em época de inverno é crime capital. Ver: “Balada para Narayama”, de Shohei Imamura (1983) • • Conclusões: • • 1. Não há nem universalidade jurídica nas sociedades humanas, nem leis inúteis ou nocivas. • • 2. Como não existe a formalização das leis, as inúteis desaparecem naturalmente. Será? 26 27 28 29 30 31 6/10/2011 6 Será? • 3. As leis que regulam as vidas dessas sociedades são passadas oralmente e pelos costumes. • • 4. Uma vez que a grande marca das sociedades primitivas era sua ligação com a natureza (e não com uma refinada lógica jurídica), o desvio era visto como feitiçaria e não como crime, exigindo das instituições (família, chefe) uma sanção que o faça voltar à comunidade (justiça restaurativa) • Antropologia, colonialismo e imperialismo • Abordar a constituição do campo de análise e pesquisa da antropologia jurídica implica examinar a gênese dessa disciplina, ou seja, o contexto em que ela se forma e quais os condicionamentos históricos, culturais e sociais de sua formação. • Nesse sentido, um primeiro aspecto importante de análise consiste na ligação da antropologia social (lato senso) e da antropologia jurídica (estrito senso), com o imperialismo europeu que, surgido do colonialismo, caracteriza-se por sua dimensão expansionista. • O fato é que, conforme ressalta Hannah Arendt (1989), o expansionismo imperialista do século XIX difere significativamente das formas de conquista precedentes que caracterizam as políticas imperialistas típicas da formação de impérios, ao estilo de Roma. • A análise do que se denomina de império, deve ser entendido como “substância política” que regula as permutas globais e o poder supremo que governa o mundo. • • Alguns autores o distinguem do imperialismo que, fundado na soberania do Estado-nação, exprimiu-se na expansão colonialista européia. • Assim, para esses autores, o império, concebido como forma paradigmática de biopoder – no sentido em que Michel Foucault (1993 e 1999) define o termo: governo da vida social como um todo –, característico de nossos dias, seria completamente distinto do imperialismo fundado na idéia de expansão territorial de Estados-nação soberanos, que buscavam estender sua soberania para além de suas fronteiras. Nesse sentido, o imperialismo, enquanto fenômeno historicamente circunscrito, caracterizar-se-ia essencialmente por aquilo que Marc Ferro (1996) denominou de “bulimia territorial” (autofágica) • Segundo Eric Hobsbawm (2002), entre os anos 1880 e 1914, assiste-se à cristalização de um novo tipo de império, o colonial, que se baseia na repartição do mundo em países “avançados” e “atrasados”. É nesse contexto que o referido 32 33 34 35 36 37 38 39 40 6/10/2011 7 do mundo em países “avançados” e “atrasados”. É nesse contexto que o referido historiador ressalta que, • [...] “mesmo sendo o colonialismo apenas um dos aspectos de uma mudança mais geral das questões mundiais, foi, com toda a certeza, o de impacto mais imediato. Ele constituiu o ponto de partida de análises mais amplas, pois não há dúvida de que a palavra ‘imperialismo’ passou a fazer parte do vocabulário po- lítico e jornalístico nos anos 1890, no decorrer das discussões sobre a conquista colonial. Ademais, foi então que adquiriu a dimensão econômica que, como conceito, nunca mais perdeu. Eis por que são inúteis as referências às antigas formas de expansão política e militar em que o termo é baseado.” [...] Em suma, o novo colonialismo foi um subproduto de uma era de rivalidade econômico- política entre economias nacionais concorrentes, intensificada pelo protecionismo. • O imperialismo, que tem como contrapartida a expansão colonial dos Estados nacionais europeus, demandava justificação de que pudesse haurir sua legitimidade. • • Como enfatiza Hobsbawm (2002), numa era de política de massa, havia necessidade de angariar, para a expansão imperialista, o apoio popular, sobretudo do grande contingente de descontentes. • A idéia de superioridade racial, nesse contexto, será uma das mais eficazes ferramentas de legitimação da expansão imperial. • • Embora essa idéia de superioridade não seja nova na relação entre os europeus e as demais sociedades, o fato é que, no imperialismo do século XIX, havia uma novidade consistente em que: • • [...] “os não-europeus e suas sociedades eram crescente e geralmente tratados como inferiores, indesejáveis, fracos e atrasados, ou mesmo infantis. Eles eram objetos perfeitos de conquista, ou ao menos de conversão aos valores da única e verdadeira civilização” [...] (HOBSBAWM, 2002) O conceito de cultura: natureza, teorias e conceitos correlatos CONCEITOS DE CULTURA • Conceito básico: Cultura é tudo aquilo que não é natureza, ou seja, tudo o que é produzido pelo ser humano. • • Por exemplo: a terra é natureza; e o plantio é cultura. • • É o desenvolvimento intelectual do ser humano. São os costumes e valores de uma sociedade. 41 42 43 44 45 46 47 6/10/2011 8 • Conceito filosófico de cultura: Significa que o homem não apenas sente, faz e age com relação à cultura, mas também pensa e reflete sobre o sentido de tudo no mundo. • • Quanto mais minuciosamente investiga os dados empíricos e as análises particularizadas oferecidas pelas ciências, mais o filósofo se convence de que o existir humano é essencialmente cultural. • • Em suma, os homens são seres culturais por natureza. • Conceito humanista de cultura: Esse sentido humanizante de cultura floresceu entre os romanos, a partir do cuidado com a terra, a “agricultura”, isto é, o trabalho do agro, o cultivo do campo. • • Atualmente, a perspectiva humanista da cultura perdeu a hegemonia, mas continua válida e freqüentemente exaltada. Na verdade, não foi a cultura humanista que perdeu o crédito, mas sim o humanismo retórico, estéril e fechado em si próprio, conduzindo tristemente ao fascismo. • Conceito etnológico de cultura: Existem várias definições para essa ciência, o “Aurélio” nos dá três delas. Para nós, a primeira delas é significativa: • • “Etnologia é um ramo da antropologia que estuda a cultura dos chamados povos primitivos”. Em resumo, cultura no campo etnológico, é o modo de viver típico, o estilo de vida comum, o ser, o fazer e o agir de determinado grupo humano, desta ou daquela etnia. • Conceito de culturaem antropologia cultural • Há diferentes posições dos antropólogos de nosso tempo. Para fins didáticos, podemos distinguir quatro tendências: • 1) há os que vêem cultura como sistema de padrões de comportamento, de modos de organização econômica e política, de tecnologias, em permanente adaptação, em vista do relacionamento dos grupos humanos com seus respectivos ecossistemas; • • 2) há os que tratam a cultura como um sistema de conhecimento da realidade, como o código mental do grupo, não como um fenômeno material, mas cognitivo (de conhecimento); • 3) há também os que encaram a cultura como um sistema estrutural, em que o eixo de tudo é a bipolaridade (dualismo pendular) natureza-cultura, tendo como campos privilegiados de sua concretização o mito, a arte, a língua e o parentesco; • • 4) por fim, há os que entendem cultura como sistema simbólico de um grupo humano, sistema que só poderá ser apreendido por outro grupo por meio de interpretação e não por mera descrição. 48 49 50 51 52 6/10/2011 9 interpretação e não por mera descrição. • Conceito de Cultura e de Diversidade Cultural: • • “O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como essas teias e a sua análise”. (GEERTZ, Clifford, 1989, p. 15). • Portanto, o conceito de diversidade cultural é um conceito complexo, enquanto abarca todas as diferenças e pluralidade de culturas, com seus sistemas de significados singulares criados pelos homens de cada cultura. • • Por isso, falar de diversidade cultural no Brasil é falar da diferença de uma grande variedade de culturas que compõe o povo brasileiro e das diferenças das minorias que por muitos séculos foram silenciadas e excluídas da sociedade e que hoje estão conquistando os seus direitos. • • Os conceitos de etnocentrismo, racismo e alteridade • O etnocentrismo origina e tem origem na “heterofobia” (o Outro - em suas diversas formas: primitivo, selvagem, louco, imaturo, homossexual, “homens de cor”, crianças problemáticas, fascistas, baderneiros, “hippies”, “mulheres de vida fácil”, hereges etc. - constitui “perigo” que deve ser exterminado. • Observação: o servidor público, nas estratégias de neoliberalismo, está dentro dessa dinâmica, mas, sobretudo, impregnado da problemática de uma Sombra do poder ...). • Valendo-se da distinção de Lévi-Strauss entre dois tipos de sociedade: • • - as que praticam a antropofagia (que vêem na absorção de certos indivíduos detentores de forças temíveis o único meio de neutralizá-las aproveitando-lhes a energia); e • • - as que praticam a antropoemia (que, diante do mesmo problema escolheram a solução de expulsar fora do corpo social e manter temporária ou definitivamente isolados, sem contato com a “humanidade”, os seres e grupos temidos, trancafiados em “reservas territoriais”) • Quatro são as estratégias do etnocentrismo geradoras das diversas formas de preconceito e racismo: • 53 54 55 56 57 58 59 60 6/10/2011 10 • 1 antropofagia dialógica: racização amena de englobar o Outro no e pelo discurso persuasivo, forma predominante, em educação, do “homo academicus” e de muitas pedagogias dialógicas; é fundamental, em forma estereotipada, na mídia política; • 2 antropofagia digestiva: racização repressiva da assimilação dos outros a si mesmo, todas as formas de aculturação; • • 3 antropoemia genocida: racização terrorista da destruição dos outros, como no caso das perseguições aos judeus, armênios, ciganos, feiticeiras, linchamentos, etc; • 4 antropoemia da tolerância: racização específica do desenvolvimento “em separado”: em aparência, respeita-se tanto o outro, tolerando-o, o que na realidade, acaba-se por isolá-lo, não se dando aos trabalhos dos enfrentamentos de diferenças, típico de todas as ideologias do relativismo e ecumenismo. • O filme de Herzog, “Onde Sonham as Formigas Verdes”, ilustra perfeitamente essa problemática da alteridade e como tratá-la, sob a forma do etnocentrismo, que é a dimensão ético-política da problemática da alteridade. • • Já o filme “Sem Destino”, de Fonda, ilustra mais a dimensão psico- antropológica da problemática da alteridade, a questão da Sombra. • Alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos. • • • Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo). • Dessa forma eu apenas existo a partir do outro, da visão do outro, o que me permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que estou pela experiência do contato. • A questão do multiculturalismo • Nenhuma cultura é inferior ou superior a outra. • • Todas as culturas são formas genuínas de encarar o mundo e viver humanamente, de acordo com uma tradição que dá sentido ao mundo. • • O único limite à liberdade cultural dos povos deve ser o respeito pelos direitos humanos (uma vez que irrenunciáveis!) 61 62 63 64 65 66 67 6/10/2011 11 Multiculturalismo ou pluralismo cultural é um termo que descreve a existência de muitas culturas numa localidade, cidade ou país, sem que uma, necessariamente se sobresaia em relação a outra. • Também chamado de “mosáico cultural” • Para se consolidarem, essas culturas singulares devem ser amparadas e protegidas pela lei. • • O multiculturalismo opõe-se ao que ele julga ser uma forma de etnocentrismo (visão de mundo da sociedade branca dominante que se toma por mais importante que as demais). • • O multiculturalismo implica reivindicações e conquistas das chamadas minorias (negros, índios, mulheres, homossexuais, entre outras). • • A doutrina multiculturalista dá ênfase à idéia de que as culturas minoritárias são discriminadas, sendo vistas como movimentos particulares, mas elas devem merecer reconhecimento público. • O Canadá e a Austrália são exemplos de multiculturalismo • • Em contrapartida: • • O monoculturalismo vigente na maioria dos países do mundo é ligada intimamente ao nacionalismo, e pretende, mesmo que disfarçadamente a imposição da assimilação dos imigrantes à cultura local (ex: Itália, França, Espanha, etc.) Reflexão Importante: Pense na imposição do governo francês da exigência de que as mulheres mulçumanas não podem usar a Burca! Trata-se de uma grande lição de intolerância travestida de “libertação”. Afinal, o país apenas jogou para o âmbito do privado a suposta opressão das mulheres islâmicas. “Ajo em nome da dignidade da mulher”, disse o presidente Nicolas Sarkozy. • • “Esconder o rosto (…) coloca as pessoas em questão numa situação de exclusão e de inferioridade incompatível com os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade afirmados pela República Francesa”, completou o primeiro-ministro François Fillon. 68 69 70 71 72 73 74 6/10/2011 12 • O discurso de ambos, assim como de muitos grupos feministas, é de libertação das mulheres, que seriam oprimidas por seus maridos e pelo Islã. Mas… será que os franceses perguntaram para as muçulmanas se a burca é realmente uma imposição? • • O mais complicado é que a França simplesmente desconsidera o fato de que as mulheres muçulmanas têm cérebro. Ainda as vê como submissas e atrasadas, sem acesso à informação. • Existe ainda o chamado: • “Melting Pot”, como são conhecidos Estados Unidos e Brasil, onde as diversas culturas estão misturadas e amalgamadas sem a intervenção do Estado. Multiculturalismo no Brasilé a mistura de culturas. Trata-se da miscigenação dos credos e culturas que ocorrem no Brasil desde os tempos da colonização. • • E uma das principais características da cultura brasileira é esta diversidade. • • O processo imigratório teve grande importância para a formação desta cultura. O conceito de Pluralismo jurídico e sua relação com o multiculturalismo Definição de Pluralismo Jurídico Duas ou mais normas válidas, provenientes de centros de poder distintos, que podem ser aplicadas a um mesmo caso concreto. Apenas uma delas alcança a eficácia, não por força de uma regra determinante, mas por escolha do aplicador ou do individuo que sofrerá a aplicação do direito. Concepções atuais • Interlegalidade: ordenamentos que se interagem, criando formas de soluções internas de conflitos; • • Multiculturalismo: reconhecimento das mudanças sociais e culturais; • • Internacionalização: influencia do direito internacional nas decisões internas, criando um ordenamento paralelo; • • “Direito do povo”: ordenamentos que se criam dentro da sociedade com os quais a população mais se identifica. • Causas de surgimento • Conduta omissa do Estado • • Corrupção e aplicação do direito estatal de forma violenta 75 76 77 78 79 80 81 6/10/2011 13 Conseqüências →Surgimento das regiões de direito próprio Ex: Máfia Italiana, sociedades esquimós, Guerrilha colombiana, favelas dominadas por traficantes, presídios. → →Crise de credibilidade e eficácia do Poder Judiciário → →Pressão para a alteração do direito estatal • Soluções O Estado deve sempre buscar a efetividade de suas normas, diminuindo o distanciamento entre o direito estatal e a realidade social da população •Reconhecimento do pluralismo jurídico •Resposta ao apelo popular Pluralismo Jurídico na Idade Média • A Idade Média é o período que retrata com maior clareza o pluralismo jurídico. • • O direito era consuetudinário (baseado em costumes). • • O indivíduo carregava consigo as regras de sua tribo. • • Várias leis vigoravam na mesma região. • • Direito descentralizado devido à sociedade feudal. • Coronelismo • O coronelismo também é um tipo de pluralismo jurídico. • Os “coronéis” manipulavam as eleições em razão do seu poder econômico e social sobre a população mais pobre do interior do país. • • Essa prática perdura até os dias atuais nas regiões Norte, Nordeste e Centro- Oeste do Brasil. • • O coronelismo é fundado em um poder paralelo ao do Estado. • • Voto aberto: facilitou a manipulação (“voto de cabresto”). 82 83 84 85 86 87 6/10/2011 14 • Direito Paralelo atua na Escala do Estado? • Eficácia • • Validade Motivos para a infiltração dos bandidos na favela • Coação pelas armas • Melhorias para a comunidade • • Vácuo do Estado • • Morador não se vê refletido no Estado de Direito • • • Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) • • Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostra que 93% dos moradores de favelas pacificadas do Rio de Janeiro acham que as comunidades onde vivem estão atualmente mais seguras. A pesquisa mostra ainda que 68% desses moradores temem que os traficantes voltem a comandar suas comunidades. Leis que emanam do poder paralelo • Sem os princípios do Estado de Direito • • Rápida execução • • Nenhuma garantia dos direitos básicos • • Não há limitações • • Enlaça a todos Estado de Direito x População • Abandono • Polícia corrupta • • Justiça Ausente • • Conclusão = aumento da força do poder dos bandidos Pluralismo Jurídico nos presídios 88 89 90 91 92 93 94 6/10/2011 15 Estado Paralelo • Ausência do Estado na resolução dos problemas sociais • • Identificação do preso com os outros que vivenciam a mesma realidade que a sua • • Existência de organizações criminosas • • Subordinação ao “Poder Paralelo” • Organizações criminosas • Primeiro Comando da Capital (PCC) • • Comando Vermelho • Hinduísmo • Sistema de Castas: divisão social • • Sociedade composta por diversos ordenamentos jurídicos menores • • Direito Hindu: normas de cunho religioso • • Párias: regulados por um sistema jurídico paralelo • • Cinco conseqüências da “reestruturação do capitalismo” • • Desenvolvimento econômico por ondas • • Processo de distribuição criadora Primeira Conseqüência • Crescente risco trazido pelas inovações • • Aumento da transnacionalidade das empresas • • Dificuldade de proteção contra abusos das empresas • • Modernização das legislações nacionais Segunda Conseqüência • Redução da autonomia das economias nacionais • • Vulnerabilidade dos países em desenvolvimento • 95 96 97 98 99 100 101 102 6/10/2011 16 • Dolarização da economia • • Autonomia dos Bancos Centrais nacionais Terceira Conseqüência • Aumento da formação de diferentes esferas e níveis de ação • • Subdivisão do sistema administrativo • • Dificuldade em hierarquizar o sistema • • Efetividade do direito positivo comprometida Quarta Conseqüência • Fragmentação da produção na nova Divisão Internacional do Trabalho • • Aumento da concorrência • • Busca das empresas por locais mais vantajosos para se instalar • • Sobreposição dos interesses empresariais • • • Quinta Conseqüência • Enfraquecimento da idéia de “nação” • • Alcance e velocidade dos processos migratórios • • Diversidade de culturas se integrando • • Dificuldade de um direito “multi-étnico” • 103 104 105 106