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Maicon Velasco de Melo 
Renan Souza do Espírito Santo 
 
 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO EM INVERTEBRADOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aquidauana, MS 
2019 
Desenvolvimento embrionário em invertebrados 
Os animais invertebrados possuem entre si diferentes formas de reprodução, 
por cada espécie possuir um modo de vida diferente no ambiente. Nos animais 
terrestres a fecundação se dá internamente, já nas aquáticas, na maioria das vezes, 
ocorre externamente. Em vários deles há a presença de diversos estágios larvais. 
Para chegar ao estágio adulto, também conhecido como imago, o indivíduo passa por 
uma ou várias metamorfoses. Os animais que apresentam desenvolvimento externo 
possuem ovos com grande quantidade de vitelo, cuja finalidade é nutrir o embrião 
durante todo o desenvolvimento embrionário que ocorrerá fora do corpo da mãe. 
Dentre os tipos de reprodução dos invertebrados temos a reprodução sexuada, 
que se realiza por meio da fusão de dois tipos de células reprodutoras especializadas 
chamadas gâmetas. Nos animais essas células especializadas são o óvulo e o 
espermatozóide. Os gâmetas são células haploides que se formam nas gónadas por 
meiose, e a reprodução sexuada, que ocorre sem a conjugação de material genético. 
Existe um único progenitor que se divide por mitose. Os seres provenientes deste tipo 
de reprodução são geneticamente iguais ao organismo que os originou (a não ser que 
haja mutações) e são denominados clones. 
Após a fecundação, a segmentação dos ovos segue um determinado padrão 
comum. A primeira divisão do zigoto é sempre ao longo de seu eixo maior, ou seja, 
ela é longitudinal e origina dois blastômeros. A segunda divisão também é longitudinal, 
porém é perpendicular à primeira, formando quatro blastômeros. A terceira é 
horizontal, originando oito blastômeros. As divisões vão sendo intercaladas entre 
vertical e longitudinal. As primeiras células formadas já constituem um embrião, na 
fase de blastocisto (figura 1). 
 
 
 Figura 1. Esquema de segmentação em artrópodes. 
 
Os estágios de desenvolvimento entre a fertilização e crescimento são 
conhecidos como embriogênese. Por outro lado, no reino animal existe uma extensa 
variedade de tipos embriológicos, porém, a maioria dos padrões de embriogênese são 
variações de cinco processos fundamentais: clivagem, gastrulação, organogênese, 
gametogênese e metamorfose. Todas as células de um indivíduo se originaram a 
partir de uma única célula – o zigoto. 
 
Fertilização é o processo onde duas células chamadas de gametas se unem 
para dar início a um novo indivíduo onde seu genoma deriva dos progenitores. A 
fertilização também compreende dois fenômenos separados: sexo e reprodução. No 
primeiro, ocorre combinação de genes oriundos dos pais e no segundo, o início de um 
novo organismo. Portanto, a primeira função da fertilização é transmitir as informações 
genéticas dos parentes, e a segunda diz respeito ao início no citoplasma de reações 
que permitirão o processo do desenvolvimento. Todo o material necessário para o 
início do desenvolvimento e crescimento se encontra no ovócito maduro, que após o 
estimulo através do espermatozoide, inicia o processo de clivagem. 
 
Cada invertebrado possui um tipo de clivagem diferente em seu período de 
embriogênese (figura 2). O ritmo das clivagens sucessivas do ovo, depende da 
quantidade de substância de reserva. Uma célula multiplica-se tanto mais rápido 
quanto maior for a sua quantidade de vitelo. Os ouriços-do-mar (equinodermos) têm 
ovos classificados como oligolécitos, isto é, pobres em vitelo. Durante a segmentação 
ocorrem sulcos de clivagens meridianais e longitudinais (determina os grupos de 
blastómeros verticais e horizontais, respectivamente). 
 
Figura 2. Resumo dos tipos de clivagem nos diferentes grupos de animais. 
O grupo dos protostomados (do grego – primeiro a boca) compreende os 
animais que durante o período embrionário, mais especificamente na gastrulação, a 
boca se forma primeiro, próxima à abertura do intestino, sendo que o ânus se forma 
mais tarde em outro lugar. Quanto à cavidade corpórea ou celoma, esta se forma a 
partir da diferenciação de um grupo cordonal de células mesodérmicas. Neste grupo 
se incluem os moluscos, artrópodes e animais achatados. 
Com base no endoesqueleto e no desenvolvimento embriológico, 
evolucionistas acreditam que os equinodermos e os cordados pertençam a mesma 
linha evolucionária de desenvolvimento. Por este motivo, os embriologistas costumam 
utilizar os equinodermos como modelo de estudo. Os equinodermos são animais 
marinhos; suas larvas apresentam simetria bilateral, mas os adultos tem simetria 
radial. Apresentam celoma bem desenvolvido, sistema digestório completo, sistema 
circulatório pouco desenvolvido e não apresentam estruturas excretoras 
especializadas. 
No desenvolvimento embrionário de ouriços é possível observar claramente 9 
fases desde o óvulo até a blástula (figura 3), em seguida a fase de gástrula (figura 4) 
e fase larval (figura 5). Os ouriços têm ovos classificados como oligolécitos, isto é, 
pobres em vitelo. Durante a segmentação ocorrem sulcos de clivagens meridianais e 
longitudinais (determina os grupos de blastômeros verticais e horizontais, 
respectivamente). 
 
Ficura 3. Desenvolvimento embrionário do ouriço do mar Lytechinus variegatus. A. óvulo; B. 
ovo fecundado; C. Início da primeira clivagem; D. estado de 2 células; E - F. estado de 4 células; G. 
estado de 8 células; H. estado de mórula; I. blástula. 
A segmentação é igual e radial para as três primeiras clivagens. A primeira 
divisão celular, que ocorre cerca de 20 a 30 minutos após a fecundação (25° C), 
separa o ovo em dois blastómeros. Após 45 minutos, o segundo plano de 
segmentação promove a formação de 4 blastómeros; o terceiro, perpendicular ao eixo 
do ovo, dá origem a 8 células, divididas em duas camadas, sendo a superior 
denominada de polo animal e a inferior, de polo vegetativo. 
 
 
Figura 4. Fase de gástrula. 
 
 
Figura 5. Fase larval. 
 
Durante o estado de blástula, o embrião adquire cílios, passando a ter 
movimentos de rotação dentro da membrana de fecundação. Em seguida essa 
membrana rompe-se, libertando o embrião, que passa a nadar livremente. O processo 
de gastrulação inicia-se, através da invaginação da região do polo vegetal, formando 
o arquêntero (intestino primitivo). Lateralmente ao arquentero, formam-se espículas 
trirradiais que irão dar origem ao esqueleto da larva pluteus. A larva pluteos nada e 
alimenta-se através de cílios. 
 
A reprodução dos invertebrados está relacionada diretamente ao ambiente em 
que vivem, podendo ser por fecundação interna, externa ou até mesmo por 
partenogênese (dependendo da espécie). A grande variedade de animais deste grupo 
faz com que sejam poucos os estudos relacionados a estes. No livro 
INVERTEBRADOS, 2ª Ed. 2007 dos autores BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. é 
possível observar cada tipo de desenvolvimento e reprodução para grupos específicos 
de invertebrados. 
 No desenvolvimento embrionário dos invertebrados podemos encontrar as 
fases de óvulo; ovo fecundado; início da clivagem; estado de 2 células; estado de 
mórula; blástula; gástrula e dependendo do grupo as fases larvais até o individuo 
adulto. Faz -se necessário consultar o desenvolvimento de cada grupo. 
 
 
Bibliografia consultada 
 
BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. INVERTEBRADOS, 2ª Ed. ED. Guanabara Koogan, 
Rio de Janeiro – RJ, 2007 
 
GARCIA, S. M. L.; FERNANDES, C. M. – EMBRIOLOGIA, 2ª ed. Artmed 
Editora,2000. 
 
WOLPER, L. PRINCÍPIOS DE BIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO. Artmed 
Editora S.A. 2000.

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