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NOÇ	ÕES de ECONOMIA
Agente – Polícia Federal
1
 Professor Alexandre Gomes Moraes
1
2
Ementa do curso em tópicos de acordo com o último edital:
 
1 O Estado e as funções econômicas governamentais. 
2 As necessidades públicas e as formas de atuação dos governos. 
3 Estado regulador e produtor. 
4 Políticas fiscal e monetária; outras políticas econômicas. 
5 Evolução da participação do setor público na atividade econômica. 
6 Contabilidade fiscal: NFSP; resultados nominal, operacional e primário; dívida pública. 
7 Sustentabilidade do endividamento público. 
8 Financiamento do déficit público a partir dos anos 80 do século XX. 
9 Inflação e crescimento.
 
NOÇÕES DE ECONOMIA – Teoria e Exercícios
3
1- As necessidades públicas e as formas de atuação dos governos.
	O setor público, comumente conhecido como governo, possui grande participação nas sociedades atuais. Sua existência é decorrente da necessidade de regulação da atividade econômica, em que de um lado encontram-se empresas produzindo bens e serviços e, do outro lado, as famílias, responsáveis pelo consumo dos bens e serviços produzidos pelas empresas.
 
	A participação do governo nas inter-relações entre os agentes privados pressupõe a necessidade de financiamento das atividades por este realizadas. O estudo desta mesma atividade é denominado na literatura econômica de Economia do Setor Público, também chamada de Finanças Públicas. Assim sendo, ao adentrarmos ao estudo das aulas, nos deteremos em maior parte à assuntos afetos à Economia do Setor Público (ou Finanças Públicas).
 
	O conceito microeconômico das Finanças Públicas relaciona-se às políticas específicas (ou pontuais) realizadas pelo governo, a exemplo da imposição de um tributo em um determinado setor da atividade econômica. No conceito macroeconômico, o termo finanças públicas associa-se ao estudo dos diversos impactos que as políticas econômicas individualizadas (políticas microeconômicas) geram sobre a sociedade.
4
	Grande estudioso da atividade interventiva governamental, Musgrave destaca que “Finanças Públicas é a terminologia que tem sido tradicionalmente aplicada ao conjunto de problemas da política econômica que envolvem o uso de medidas de tributação e de dispêndios públicos”.
 
	A definição acima baseia-se no fato de que a necessidade da atuação econômica do poder público prende-se na constatação de que a simples existência do sistema de mercado (consumidores versus produtores) não consegue cumprir adequadamente algumas tarefas e funções que visam o bem-estar da população. A maneira pela qual o Estado intervém no processo econômico é dependente da série de instrumentos que este dispõe, inclusive em termos do financiamento de suas atividades.
 
	Sendo assim, podemos dizer que o estudo das Finanças Públicas abrange a emissão de moeda e títulos públicos, a captação de recursos pelo Estado, sua gestão e seu gasto, para atender às necessidades da coletividade e do próprio Estado. Na captação dos recursos são estudadas as diversas formas de receitas, obtidas em decorrência do patrimônio do Estado, do seu endividamento ou por força do seu poder tributário. Uma vez captados os recursos impõe-se a sua administração até o efetivo dispêndio.
5
	 
	As fontes geradoras de receitas são a tributação, classificada como receita derivada do poder coercitivo do Estado e o endividamento público, representado pela emissão e resgate de títulos da dívida pública. Em nosso curso daremos atenção especial à segunda forma de receita pública, quando abordarmos os conceitos referentes à contabilidade fiscal e as necessidade de financiamento do setor público.
 
	A capacidade do Estado de tomar empréstimos está substancialmente determinada pelo potencial de recursos compulsórios que, ano a ano, ele tem condições de mobilizar da sociedade. Deste ponto, ressalta-se o porquê da tributação constituir um dos principais condicionantes do endividamento público.
 
6
	 
	A evolução da participação do setor público na atividade econômica constitui tema fundamental para o entendimento das políticas econômicas adotadas. Objetivamente falando, a evolução da participação é interpretada a partir de duas correntes de pensamento econômico. A visão clássica, advinda do século XIX, defendia o que se pode chamar de Estado mínimo, ou seja, a atividade estatal deveria ser voltada apenas para as funções típicas do Estado, em que a atividade privada não seria permitida ou mesmo não pudesse autoequilibrar a relação existente entre oferta e demanda. A presença governamental seria representada apenas pelo controle da segurança nacional do país, a segurança pública bem como pelos serviços de natureza social não atendidos pelo setor privado.
 
	Segundo a visão clássica, o Estado delimitaria a sua atuação aos chamados bens públicos e semipúblicos, bens em que o consumo por parte de um indivíduo não limitaria o consumo pelos demais indivíduos. Um bom exemplo de bem público é a segurança nacional, em que o serviço é disponibilizado a todos habitantes de determinado país sem qualquer distinção.
2- Evolução da participação do setor público na atividade econômica.
7
	 
	Da mesma forma, podemos nos ater à análise do serviço de Educação Universitária Pública. Tratando-se de um bem semipúblico ou também chamado de bem meritório, de forma que, mesmo sendo restrito às pessoas capacitadas em processos seletivos, está disponível a todos que nela desejarem estudar.
 
	De volta à análise sobre a evolução da participação do setor público, podemos dizer que com o grande crescimento da atividade privada já no século XIX, geradora de lucros, passaram a existir na Economia questionamentos referentes à distribuição da riqueza nas mãos de uma pequena fatia da sociedade. Tratava-se do chamado pensamento marxista, fundamentado na ideia de que o Estado deveria atuar diretamente na redistribuição igualitária da renda entre a população. Este pensamento teve grande eco em países como a França, que passaram a conviver com o chamado Socialismo democrático.
 
	Não obstante, no início do século XX, mais especificamente com a chamada Grande Depressão, período em que a economia norte-americana passava por um grande processo de recessão econômica, com alto volume de desemprego e queda na produção de bens e serviços, uma nova defesa na dimensão da atuação do Estado passa a existir.
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	 Com o nível de oferta agregada – representada pela oferta de bens e serviços pelas empresas - muito superior ao da demanda agregada – consumo realizado pelas famílias -, John Maynard Keynes, influente economista inglês, realizou a proposição, posteriormente chamada de visão keynesiana, de que o Estado deveria intervir na economia de forma a estimular a demanda agregada, ou seja, deveria estimular a economia por meio da realização de gastos nos setores mais afetados pela crise. Esta intervenção se daria pelo que chamamos de Política Fiscal, na qual o Estado, antes apenas regulador e oferecedor de bens públicos, deveria aumentar os seus gastos, comprando o excedente de produção (sobre de produtos), como forma de minimizar os efeitos da própria crise e, se possível, contribuir para a geração de emprego e renda.
 
	O conceito de demanda agregada, para a economia, refere-se à série de agentes envolvidos no processo econômico e que são responsáveis pela compra de bens e serviços produzidos.
 
	Em termos de fórmula matemática, podemos afirmar que a demanda agregada é formada pelas seguintes variáveis:
Demanda Agregada = Consumo (C) + Investimento (I) + Gastos do Governo (G) + Exportações (X) – Importações (M)
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O consumo é representado pela série de bens e serviços comprados pelos indivíduos, sejam eles os próprios bens de consumo, a exemplo de uma roupa ou um perfume, como no caso de um bem de consumo durável, a exemplo de um automóvel.
Os investimentos referem-se os gastos realizados pelas empresas com a compra de máquinas e equipamentos destinados à ampliação da sua capacidade produtiva.
Os gastosdo governo são representados por todas as compras realizadas pelo próprio governo tanto para a manutenção de sua estrutura, a exemplo da compra de matérias de expediente, como também da realização de investimentos públicos, a exemplo da construção de estradas, escolas, hospitais, portos e aeroportos.
As exportações referem-se às vendas de bens e serviços produzidos no país, mas destinados ao mercado consumidor externo. Dentre as exportações temos a venda de produtos básicos, comumente conhecidos como commodities, a exemplo de minério de ferro, petróleo, soja, bem como de diversos outros produtos acabados, a exemplo de automóveis e, também, de serviços como consultorias e assessorias prestadas no exterior.
10
As importações referem-se às compras de bens e serviços realizados por consumidores e empresas brasileiras de produtos advindos do exterior. Nas importações incluem-se a compra de automóveis importados e diversos outros bens e serviços.
Em economia, é comum definirmos a Demanda Agregada como sendo também chamada de Produto Interno Bruto – PIB, uma vez que o somatório das variáveis componentes (consumo, investimento, gastos do governo, exportações e importações) corresponde ao total de riqueza gerada e consumida pelo país durante um determinado período de tempo.
	A visão de Keynes propugnava que o Governo deveria intervir de forma a evitar o aparecimento de crises sistêmicas, atuando diretamente na demanda agregada através da realização de investimentos e no controle inflacionário diante de excessos de procura por bens e serviços por parte dos consumidores.
11
	 Com a Primeira Grande Guerra, os americanos ficaram responsáveis em prover de bens e serviços as arrasadas economias européias. Esta provisão de recursos fazia com que toda a produção industrial tivesse destino, fosse pelo consumo interno do país, fosse pelo consumo externo. Na medida em que as economias se reerguiam, diminuíam as necessidades por bens importados, o que culminou no excesso de oferta pelas empresas americanas. Este excesso levou a queda no preço das ações das empresas na bolsa de valores, ficando assim conhecido o chamado crash da bolsa, e o grande aumento do nível de desemprego acompanhado de uma recessão profunda no país.
 
	Destaca-se que a participação do Estado na Economia ampliou-se consideravelmente a partir do século XIX, ocasionado especialmente pela II Revolução Industrial e pelas Guerras ocorridas ao longo do século XX.
	O Estado que antes se voltava apenas ao atendimento das demandas que não encontravam oferta na atividade privada (visão clássica), tais como defesa, justiça, saúde, passa agora a ser importante ator do processo Econômico (visão keynesiana), estimulando e contraindo a demanda agregada conforme as necessidades de estímulo ao processo econômico. A evolução da atuação estatal ao longo do século XX permitiu o estabelecimento de funções básicas a que os governos, responsáveis pela adoção de políticas econômicas e sociais, deveriam direcionar suas atividades, buscando atuar diretamente no intuito de minimizar os impactos negativos gerados pelo que a literatura define por falhas de mercado.
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01 (AFC/STN – ESAF/2008) Sobre a Escola Clássica (Liberalismo) é correto afirmar:
a) trata-se de um sistema econômico baseado na livre-empresa, mas com acentuada participação do Estado na promoção de benefícios sociais, com o objetivo de proporcionar padrões de vida mínimos, desenvolver a produção de bens e serviços sociais, controlar o ciclo econômico e ajustar o total da produção, considerando os custos e as rendas sociais.
b) admite, por princípio, que a ação do Estado deve restringir-se ao mínimo indispensável, como a defesa militar, a manutenção da ordem, a distribuição da justiça e pouco mais, pois a iniciativa privada faz melhor uso dos recursos
públicos.
c) deu-se a partir das décadas de 1980 e 1990, a reboque da crise fiscal, do início do processo de globalização da economia e da ineficiência do Estado na produção de bens e serviços.
d) de caráter nacionalista e intervencionista, preconiza para o Estado uma política econômica e financeira fundada na maior posse de dinheiro e metais preciosos, acreditando que nisso reside a base da prosperidade.
e) corresponde fundamentalmente às diretrizes estatais aplicadas nos países desenvolvidos por governos social-democratas. Nos Estados Unidos, certos aspectos de seu desenvolvimento ocorreram, particularmente, no período de vigência do New Deal.
CAIU EM PROVA
13
02 (AFC\STN – ESAF/2005) Baseada na visão clássica das funções do Estado na economia, identifique a opção que foi defendida por J.M. Keynes.
a) As funções do Estado na economia deveriam ser limitadas à defesa nacional, justiça, serviços públicos e manutenção da soberania.
b) As despesas realizadas pelo Governo não teriam nenhum resultado prático no desenvolvimento econômico.
c) A participação do Governo na economia deveria ser maior, assumindo a responsabilidade por atividades de interesse geral, uma vez que o setor privado não estaria interessado em prover estradas, escolas, hospitais e outros serviços públicos.
d) A economia sem a presença do governo seria vítima de suas próprias crises, cabendo ao Estado tomar determinadas decisões sobre o controle da moeda, do crédito e do nível de investimento.
e) A atuação do Governo se faria nos mercados onde não houvesse livre concorrência e sua função seria a de organizá-la e defendê-la, para o funcionamento do mercado e para seu equilíbrio.
CAIU EM PROVA
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	 Nos dias de hoje é papel fundamental do governo a necessidade de realização de atividades de cunho intervencionista nas relações existentes na sociedade. Essa atuação é devida à existência do que denominamos de “Falhas de Mercado”, situação na qual a simples interação entre consumidores e produtores não leva a melhor alocação possível dos recursos econômicos.
 
	O governo necessita realizar atividades de cunho intervencionista nas relações existentes na sociedade. Essa atuação é devida à existência do que denominamos de “Falhas de Mercado”, situação na qual a simples interação entre consumidores e produtores não leva a melhor alocação possível dos recursos econômicos.
 
	A realização de gastos encontra-se embasada nos dias atuais na consubstanciação de orçamentos anuais, peça chave no processo de intervenção governamental. É através deste que o governo atinge as suas funções. Richard Musgrave propôs uma classificação das funções econômicas do Estado, as quais se tornaram clássicas no gênero. Intituladas como funções fiscais, o autor as intitula como sendo as próprias funções do orçamento. São elas:
 
3- O Estado e as funções econômicas governamentais.
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Promover ajustamentos na alocação de recursos (também conhecida como função alocativa);
2. Promover ajustamentos na distribuição de renda (também conhecida função distributiva);
3. Manter a estabilidade econômica (também conhecida função estabilizadora)
	A base de intervenção do Estado no processo econômico é associada às funções básicas que este deve exercer. Vejamos:
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	A função alocativa é aquela que atribui ao Estado a responsabilidade pela alocação dos recursos existentes na economia quando, pela livre iniciativa de mercado, isto não ocorrer. Um bom exemplo desta função é representado pela iniciativa do Estado em realizar obras que trarão grandes benefícios à população. Um caso polêmico, mas revestido da função básica de alocação dos recursos pelo Estado é a transposição do Rio São Francisco, que mesmo podendo trazer custos ambientais e sociais negativos para parte da população do Sertão Nordestino, resultará em um significativo aumento do bem-estar da própria população, levando água, saúde e riqueza a uma região bastante castigada pela seca.
 
	Perceba, conforme o exemplo acima, que o atendimento da função alocativa se dá por meio da realização de gastos de forma objetiva, ou seja, realizando a transposição do Rio São Francisco. Cita-se esta característica porque, ao analisarmos a funçãoestabilizadora, outra função governamental, falaremos a respeito da política fiscal, a qual se caracteriza pela realização de gastos do governo. A diferença, em termos de identificação da função governamental (alocativa ou estabilizadora) está no caráter estrito (strictosensu) do gasto. Quando se fala em política fiscal, na análise da função estabilizadora, imputa-se a sua relação como política estimuladora do crescimento do Produto Interno Bruto – PIB, ou seja, da riqueza da economia.
	Já quando se fala de uma política fiscal específica (gasto específico) como a realizada na transposição do Rio São Francisco, o Governo objetiva o atendimento da sua função alocativa (política de caráter estrito).
3.1- Função Alocativa
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(ANALISTA DE GESTÃO PÚBLICA/PREF. VITORIA – CESPE/2007) As análises da economia do setor público, incluindo-se aí as dos tópicos associados às finanças públicas no Brasil, são importantes para se entender o papel desempenhado pelo governo nas economias de mercado. A respeito desse assunto, julgue os itens a seguir.
 
03 A provisão de serviços de utilidade pública, tais como saneamento e serviços de segurança pública, que não são ofertados adequadamente pelos mercados privados, exemplifica a função alocativa do governo.
 
CAIU EM PROVA
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	A função (re) distributiva é representada de fato pela melhoria na chamada distribuição da renda gerada na economia. Políticas de tributação progressiva da renda, a exemplo do próprio imposto de renda, em que paga mais imposto quem ganha mais, com a consequente adoção por parte do governo de programas como o Bolsa Família representam claramente uma política distributiva do governo, retirando, a princípio, daqueles que ganham mais e repassando àqueles que ganham menos.
 
	A função distributiva governamental é atendida no país por meio de políticas públicas que visam conceder benefícios às famílias de menor poder aquisitivo. Dentre estes benefícios incluem-se à realização de transferências de recursos públicos, a exemplo do Programa Bolsa Família. O Programa foi criado para apoiar as famílias mais pobres e garantir a elas o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde. Este visa a inclusão social dessa faixa da população brasileira, por meio da transferência de renda e da garantia de acesso a serviços essenciais. Em todo o Brasil, mais de 11 milhões de famílias são atendidas pelo programa.
 
3.2- Função Distributiva
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	A população alvo é constituída por famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. As famílias extremamente pobres são aquelas que têm renda per capita de até R$ 70,00 por mês. As famílias pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 70,01 a R$ 140,00 por mês, e que tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos.
 
	Ainda pode ser considerada uma política adotada pelo governo no atendimento à função distributiva a imposição de tributação incidente sobre a renda e a propriedade. Tributando mais aqueles que ganham mais, o governo busca a arrecadação de recursos visando distribuir estes mesmos recursos para, entre outras formas, realizar transferências à população de mais baixa renda.
 
	Não menos importante, a atual política de concessão de subsídio à compra da casa própria, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, constitui mais um dos instrumentos governamentais de atendimento à sua função distributiva. A concessão do benefício no valor de até R$ 17 mil tende a permitir o acesso da classe menos favorecida à moradia, gerando, de outra forma, a melhoria do padrão de vida desta faixa da população.
 
20
	A função estabilizadora está diretamente associada a execução, por parte do governo, da execução de suas políticas econômicas, estas tradicionalmente divididas em política fiscal e política monetária.
 
	A política fiscal é implementada tanto por meio do aumento dos gastos do governo como pela redução dos tributos incidentes sobre consumidores e empresas. A diferença encontra-se apenas em qual a variável, ou agente econômico, é impactada (o) diretamente. No caso do aumento dos gastos, a variável estimulada inicialmente é a próprio gasto (DA = Y = C + I + G + X – M). 
 
	Sua disseminação se dá pelos diferentes ramos da economia. O ciclo é baseado no gasto inicialmente realizado em determinado setor (ex: Construção Civil) gerando emprego e renda. Como resultado da renda e do emprego gerado neste setor, os trabalhadores aumentam a procura por bens e serviços (compra de automóveis, viagens) nos demais setores da economia, gerando novos impactos em termos de crescimento da renda e, consequentemente, da atividade econômica.
 
3.3- Função Estabilizadora
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	No caso da redução dos tributos, o resultado se dá nas variáveis consumo dos trabalhadores e no investimento das empresas (DA = Y = C + I + G + X – M). Com maior renda disponível os trabalhadores podem aumentar o seu consumo, estimulando as empresas a investirem mais, gerando, por conseguinte, impactos sobre a oferta de bens e serviços (oferta agregada). Esse ciclo ocorre em toda a economia, gerando um efeito multiplicador sobre toda a economia.
	A política monetária é conduzida, em nosso país, pelo Banco Central. Na condição de guardião da moeda, o BACEN busca evitar excesso de liquidez na economia (excesso de dinheiro em circulação), uma vez que excesso de recursos poderá levar a um nível de consumo acima da capacidade produtiva das empresas e, desta forma, ao aparecimento da inflação de demanda, ou seja, um aumento dos preços decorrente do excesso de procura por bens e serviços. Via de regra, o objetivo da política monetária é o de buscar a manutenção do poder de compra da moeda nacional, por meio de um nível constante dos preços e, conjuntamente, o estimulo à geração de renda e emprego na economia. Neste contexto insere-se o principal instrumento do BACEN, qual seja a taxa básica de juros (taxa Selic). Por meio de variações no custo do dinheiro, pois este é o sinônimo da taxa Selic, o BACEN procura regular as trocas na economia.
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	Na medida em que a Autoridade Monetária eleva a taxa de juros, ele acaba por fazer com que poupadores de recursos optem em continuar a poupar ao invés de gastá-los com a compra de bens e serviços. Do mesmo modo, para aqueles demandantes de recursos (tomadores de empréstimos), uma elevação na taxa de juros torna o custo do dinheiro maior, fazendo com que os agentes deficitários optem em reduzir o seu consumo.
 
	Conforme é possível perceber, o conjunto das políticas fiscal e monetária constitui o atendimento à função estabilizadora do governo. Não obstante, para que vocês não tenham dúvidas, torna-se digno de destaque as diferenças existentes entre as políticas fiscal e monetária e seus impactos diretos sobre a economia. A política fiscal tem o caráter de ter seu objetivo direcionado, ou seja, a possibilidade de que o governo realize a política fiscal no setor específico da atividade econômica que este deseja estimular.
23
	Exemplo:
 
	No período da crise de 2008 o governo brasileiro reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados sobre veículos. O objetivo da política em si foi reduzir os próprios impactos da política econômica, na medida em que a redução dos tributos geraria, por fim, a redução do preço dos veículos. Conforme sabemos, o resultado de tal política tributária foi o significativo aumento da venda de veículos no mercado nacional. Cabe destacar, entretanto, que toda a política fiscal deve ser pautada por meio da estruturação do orçamento anual do governo, e que demanda tempo para sua aprovação por parte do poder legislativo. De forma contrária, ao apontarmos as vantagens da política monetária, podemos verificar que sua eficácia é imediata, uma vez que as decisões da autoridade monetária quanto ao controle da liquidez são tomadas diariamente, gerando impactos sobre o custo do dinheiro imediatamente e, por consequência, nas decisões de consumo dos agentes econômicos. Ao se apontar as desvantagens da política monetária, menciona-se ofato de que esta tem amplitude nacional, impactando todos os agentes econômicos, independentemente de sua localização ou atividade econômica.
	
	Com a o processo de desestatização implementado pelo Estado brasileiro no fim dos anos 70 e intensificado a partir dos anos 90, surgiu a necessidade de que este mesmo Estado passasse a controlar as atividades em que antes atuava diretamente, constituindo para isso uma série de Agências Reguladoras que passaram a ter como missão a regulação dos serviços públicos concedidos à iniciativa privada, nos moldes dos regimes de concessão de rodovias, portos, distribuição de energia elétrica e telefonia.
24
04 (APO/SEFAZ-SP – ESAF/2009) A atuação do governo na economia tem como objetivo eliminar as distorções alocativas e distributivas e de promover a melhoria do padrão de vida da coletividade. Tal atuação pode se dar das seguintes formas, exceto:
 
a) complemento da iniciativa privada.
b) compra de bens e serviços do setor público.
c) atuação sobre a formação de preços.
d) fornecimento de bens e de serviços públicos.
e) compra de bens e serviços do setor privado.
CAIU EM PROVA
25
	Pode-se interpretar como “falha” tudo aquilo que ocorre de modo ineficiente. No mesmo sentido, podemos interpretar “mercado” como sendo o local onde indivíduos e empresas transacionam bens e serviços com o objetivo de atingir, respectivamente, o maior bem-estar possível, derivado da sua renda de trabalhador, e a maximização do lucro, obtido pela produção e venda dos mesmos bens e serviços.
 
	Temos a seguinte definição dada pela Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) para as Falhas de Mercado:
 
	"Pode ser definida como a incapacidade de o mercado levar o processo econômico a uma situação social ótima. Um aspecto importante disto é que se deixa de incluir, nos custos e nos preços, os efeitos externos (externalidades) ou a redução dos lucros de outros agentes que não aqueles diretamente envolvidos nas transações de mercado e atividades afins. Com relação aos bens e serviços ambientais, podem-se destacar as externalidades referentes à poluição, à exploração dos recursos e à degradação de ecossistemas. Assim, as falhas de mercado impedem o mercado de alocar os recursos no mais alto interesse da sociedade" (OECD, 1994).
3.4- Falhas de Mercado
26
	As Falhas de Mercado são representadas por toda alocação ineficiente de recursos econômicos, derivada das transações ocorridas entre os componentes da sociedade. As Falhas de Mercado são identificadas tanto pela produção em excesso quanto pela falta de produção de bens e serviços ofertados à sociedade.
 
	A chamada teoria do bem-estar econômico, conhecida como welfare economics, afirma que os mercados perfeitamente competitivos, em que não existe a interferência governamental, promovem a alocação eficiente de recursos entre os agentes econômicos, de tal maneira que é impossível melhorar a situação de um indivíduo sem piorar a de outro.
 
	Trata-se do conceito chamado “Ótimo de Pareto”. A grande questão, no entanto, é que a definição da situação de “Ótimo de Pareto” é dificilmente alcançada, devido à existência das Falhas de Mercado.
 
 	Estas são regularmente divididas em:
a) Poder de Mercado;
b) Bens Públicos;
c) Externalidades;
d) Assimetria de Informações;
e) Monopólios Naturais;
f) Mercados Incompletos;
g) Desemprego e Inflação;
h) Riscos Pesados.
27
	O poder de mercado pode ser interpretado com a posição dominante exercida por uma empresa ou grupo de empresas em um determinado mercado, seja ele de bens (automóveis) ou de serviços (prestação de serviços de segurança privada).
 
	Com o objetivo de ser mais claro em termos do significado do termo “ poder de mercado”, podemos citar a posição exercida pela Microsoft no que se refere à produção e venda de softwares (sistema operacional, aplicativos) utilizados em computadores. A concentração nas mãos de uma única empresa tende a diminuir a capacidade de barganha dos consumidores, impactando diretamente o bem-estar da sociedade.
 
	O poder exercido por uma única empresa não é, por si só, a caracterização de poder de mercado em termos de prejuízos à sociedade. Torna-se necessário considerar o mercado em que determinada empresa ou grupo de empresas atua, e assim estabelecer a forma de atuação, em termos de regulação, a que as empresas estarão sujeitas. A definição do poder de mercado pode ser retirada a partir da definição dada pelo departamento de justiça americano, fazendo assim uma relação com o caso Microsoft:
3.4.1- Poder de Mercado
28
	“Um mercado é definido como um produto ou um grupo de produtos e uma área geográfica na qual ele é produzido ou vendido, tal que uma hipotética firma maximizadora de lucros, não sujeita a regulação de preços, que seja o único produtor ou vendedor, presente ou futuro, daqueles produtos naquela área, poderia provavelmente impor pelo menos um ‘pequeno, mas significativo e não transitório’ aumento no preço, supondo que as condições de venda de todos os outros produtos se mantêm constantes. Um mercado relevante é um grupo de produtos e uma área geográfica que não excedem o necessário para satisfazer tal teste”.
 
	A definição acima envolve o possível efeito anticompetitivo, expresso em termos de poder de mercado sobre os preços, derivados de operações que acarretem aumento de concentração econômica, ou de condutas praticadas por empresas presumidamente detentoras de tal poder, em mercados que são economicamente significativos.
 
	A intervenção governamental deve buscar inibir a formação de estruturas de mercado que eliminem o poder de barganha da população consumidora. Ressalta-se que não se trata de inibir a geração de lucros por estas atividades produtivas, até porque se assim fosse, não haveria estímulos por estas empresas em oferecer bens e serviços. A regulação interposta pelo governo, com vistas à correção desta falha de mercado, deve objetivar a geração de lucros considerada normal para a atividade produtiva, de forma que o Estado exerça o seu papel de gerador de bem-estar econômico a toda a sociedade, via o atendimento de suas funções alocativa, distributiva e estabilizadora.
29
	Os bens públicos são aqueles normalmente oferecidos pelo Estado, tendo a característica de que o seu consumo por um indivíduo ou por um grupo de indivíduos não prejudica o consumo pelos demais indivíduos. 
	
	Destaca-se que mesmo que alguns se beneficiem mais do que outros, todos podem desfrutar do bem. Especificamente falando, pode-se afirmar que uma das características dos bens públicos puros é o de que o seu consumo é indivisível ou mesmo “não rival”, dado que não existe rivalidade quanto a quem consumirá mais de um ou outro bem. São exemplos de bens públicos tangíveis (que podem ser tocados), as praças e as ruas. Como bens públicos intangíveis, temos a segurança pública, a justiça e a defesa nacional.
 
	Uma questão importante sobre os bens públicos é que o seu consumo não pode estar passivo de exclusão – princípio da não-exclusão -, de tal forma que, por exemplo, quando colocado à disposição da população de um determinado bairro o policiamento extensivo, todos serão beneficiados pela decisão governamental.
3.4.2- Bens Público
30
	A existência do princípio da não-exclusão no consumo dos bens públicos é que leva a existência das Falhas de Mercado. Isto ocorre pelo fato de que como o governo não consegue mensurar o “quantum” do bem público está sendo consumindo por cada indivíduo, ele não conseguirá repartir o ônus imposto à sociedade na forma, por exemplo, da tributação, que é justamente uma das fonte de recursos para o oferecimento de bens públicos. Com este conceito é possível afirmar que o custo marginal de provisão de bens públicos, ou seja, o custo de oferecer tal serviço a mais um cidadão, é igual a zero, já que o custo por si só já é dado.
 
	Devido ainda ao princípio da não-exclusão, passam a existir na economia os chamados “free riders” ou também chamados de caronas, que se beneficiam dos benspúblicos sem pagar nada por isso, alegando que não precisam do bem oferecido ou simplesmente por não pagarem a tributação imposta aos mesmos.
 
	Imagine que a construção e a manutenção das estradas sejam pagas por meio de contribuições voluntárias pelos motoristas. Muito embora todo motorista possa desejar estradas em ótimo estado de conservação, sua contribuição individual tem pouco efeito para tal fim. Dessa maneira, qual seria então o seu incentivo para realizar contribuições com esse fim? O benefício acaba sendo muito baixo perto do custo da contribuição. Está aí o porquê de o governo atuar, muitas vezes, no financiamento da construção e manutenção das estradas, gerando, por consequência, o problema do “carona” por conta dos usuários motoristas. Se todos os motoristas passassem a pensar desta forma, inexistiriam estradas. A melhor forma encontrada, nestes casos, é simplesmente permitir a
utilização das estradas mediante o pagamento de pedágios, o que nivelaria a contribuição tanto aos já contribuintes quanto aos não contribuintes “caronas”.
31
	Considerando as informações descritas acima, podemos conceituar o chamado bem privado, que seria aquele cujo consumo não pode ser compartilhado simultaneamente por quaisquer dois ou mais usuários, em função dos direitos de propriedade bem demarcados. De outra forma, passa a ser válido, neste caso, o princípio da exclusão e da rivalidade.
 
	Um bom exemplo de um bem privado seria a contratação de uma empresa de vigilância privada que atenderia a determinado condomínio de moradores. Considerando que a segurança deve atender somente um círculo restrito de moradores, caso ocorra assaltos na redondeza do condomínio, mas sem impactos para este, de nada se poderá cobrar da empresa de vigilância. Não menos importante, considerando a existência de outras empresas de segurança privada que podem oferecer o mesmo serviço, considera-se a segurança privada como sendo um “bem” (serviço) rival.
3.4.3- Bens Privado (Não caracterizado como uma falha de mercado)
32
	Os chamados bens semi-públicos são aqueles bens que possuem associados a si o princípio da exclusão. Nas palavras de Viceconti e Neves (2007, pág. 412) encontramos outra definição para os bens semi-públicos:
 
	“São os bens que, embora possam ser explorados economicamente pelo setor privado, devem ou podem ser produzidos pelo governo para evitar que a população de baixa renda seja excluída de seu consumo, por não poder pagar o preço correspondente: é o caso de educação e saúde”.
 
	Os bens meritórios ou semi-públicos que podem ser considerados como uma classificação intermediária entre os bens públicos e os bens privados, na medida em que possuem a seguinte característica: podem ser produzidos pela iniciativa privada, pois são submetidos ao princípio da exclusão, mas também podem ser produzidos, total ou parcialmente, pelo setor público, devido aos benefícios sociais gerados. Um exemplo de bens meritórios são os serviços de saúde e educação, uma vez que, caso sejam produzidos pelo setor privado, podem se tornar inalcançáveis por grande parte da população baixa renda, o que faz com que seja necessária a intervenção do governo, tornando esses serviços gratuitos para a população ou a preços subsidiados, sendo seus custos de financiamento obtidos a partir da tributação compulsória de toda a sociedade.
 
3.4.4- Bens Semi-Públicos ou Meritórios
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05 (Analista de Economia/MPU – CESPE/2010) A função alocativa do governo faz com que este forneça bens e serviços à sociedade devido a característica de não-exclusão desses determinados. Bens meritórios não satisfazem o princípio da exclusão.
CAIU EM PROVA
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	As definições de bens públicos e semi-públicos são variáveis em decorrência dos usos dos bens e do mercado no qual este é ofertado. Os bens públicos, em decorrência da impossibilidade de exclusão, que implica que os indivíduos não podem ser privados dos benefícios do bem ou serviço, mesmo se não tiverem contribuído para o seu financiamento, geram algumas conclusões. Um exemplo de bem que apresenta essa característica é um espetáculo pirotécnico, que pode ser visto pelas pessoas de quintais, jardins e praças públicas. Isto dificulta a provisão privada desse tipo de evento porque a impossibilidade de exclusão impede que sejam cobrados ingressos para financiar os custos, incluindo-se aí os lucros do organizador. Afinal, porque pagaríamos por esse show, se podemos vê-lo gratuitamente? Portanto, nenhum empresário privado se interessaria pela sua produção e, então, apesar da forte demanda, o espetáculo poderia não ser produzido. A impossibilidade de exclusão, ao inviabilizar o uso do sistema de preço para racionar o consumo, reduz os incentivos para o pagamento voluntário dos bens públicos. Essa relutância em contribuir, voluntariamente, para financiar esses bens é conhecida como o problema do “carona” (free rider).
 
	A não rivalidade no consumo é outra característica do bem público. Isto implica que uma vez que o bem está disponível, o custo marginal de provê-lo, para um indivíduo adicional, é nulo. Considere, por exemplo, o caso do espetáculo pirotécnico. O custo do espetáculo, uma vez determinado, não é alterado pelo fato de um grupo adicional de turistas decidir vê-lo. Ademais, essa decisão dos turistas em nada reduz o usufruto do evento pelos habitantes locais. Portanto, o custo marginal de provisão do espetáculo para esses espectadores adicionais é zero. Isso representa um franco contraste com os bens privados, que se caracterizam por níveis elevados de rivalidade no consumo. De fato, quando ocupamos um lugar, por exemplo, no cinema ou no teatro, este lugar deixa de estar disponível para outras pessoas.
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	Passando ao contexto de bens semi-públicos, vimos que a definição de bem público, anteriormente discutida, não é absoluta, mas varia com as condições de uso, de mercado e com o estado da tecnologia. Esse serviço, quando usado nos domicílios privados, é um bem eminentemente privado: caso a conta de energia não seja paga, o serviço é suspenso e, portanto, os usuários são excluídos do seu consumo. Por outro lado, trata-se de um bem cujo consumo é rival. Quando eu consumo uma determinada quantidade de quilowatts, ela já não mais está disponível para os demais consumidores. Por outro lado, quando essa energia é usada para iluminar os locais públicos, ela torna-se um bem público puro. Isto porque é impossível excluir alguém do benefício da iluminação pública, além de desnecessário; o custo de prover esse serviço para passantes adicionais é zero. Outro exemplo menos extremo é o caso das estradas de rodagem. Assim, o uso de uma estrada vicinal, semideserta, pode ser não rival na medida em que, nela, o tráfego é muito inferior a sua capacidade e, portanto, o custo marginal de utilização por um veículo adicional é muito baixo. Por outro lado, embora seja possível excluir os veículos de seu uso por meio da introdução de um pedágio, provavelmente os custos de instalação e de manutenção desse pedágio serão superiores à arrecadação e, por conseguinte, não valerá a pena introduzi-lo. Porém, quando a estrada é, por exemplo, a Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, além do custo de exclusão ser compensatório, a rivalidade no consumo se expressa por meio do congestionamento. Nesse caso, essa rodovia pode ser vista como um bem privado.
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	Podemos, assim, pensar que grande parte dos bens satisfaz, apenas parcialmente, as condições de impossibilidade de exclusão e não-rivalidade no consumo. Os bens que atendem parcial ou totalmente a pelo menos uma dessas características são chamados de bens públicos impuros ou bens quase-públicos. Os serviços de saúde pública são bens semi-públicos, tais como vacina contra doenças infecto-contagiosas, que beneficiam não somente as pessoas vacinadas, mas a população como um todo, já que previnem o surgimento de epidemias. Adiciona-se o custo marginal da vacinação é positivo e a exclusão de não pagantes é possível. Porém, não é possível excluir dos benefícios aliadosà redução das epidemias (nem cobrar por tais benefícios) aqueles que não se vacinaram. Isso torna esses serviços bens públicos impuros e por essa razão, muitos governos mantêm programas gratuitos de vacinação para encorajar, e até mesmo obrigar, a imunização maciça da população.
 
	Um relevante aspecto inerente aos bens públicos refere-se à relação existente entre o custo marginal de sua produção pelo governo e o benefício marginal decorrente do oferecimento, pelo poder público, à sociedade. A Produção de um bem público, a exemplo de uma praça, possui um custo único, ou seja, independentemente da quantidade produzida, ou mesmo da quantidade consumida pela sociedade, o preço é o mesmo. A verificação quanto à produção ideal de um bem público está associada ao ponto em que o custo de produção social iguala-se ao benefício social que este mesmo bem fornece à sociedade. Por ser difícil a precificação de um bem público, o atingimento do ponto ideal é bem mais teórico do que prático.
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	As externalidades representam a forma como as ações de determinado indivíduo ou empresa impactam os demais indivíduos. A existência de externalidades implica que os chamados custos e benefícios privados – ocorridos em função da ação da iniciativa privada – sejam diferentes dos custos e benefícios sociais destas mesmas ações.
 
	O que estamos dizendo é que os preços negociados entre consumidores e produtores refletem apenas a negociação privada, sendo necessária a presença do Estado imputando, por exemplo, a tributação ou subsídios fiscais como forma de corrigir as externalidades geradas.
 
	As externalidades se subdividem em positivas e negativas. Um bom exemplo de externalidade positiva, e que nos dias de hoje é tão importante, seria o caso da realização de uma limpeza geral da casa por parte de um indivíduo que visasse à eliminação de possíveis focos de reprodução dos mosquitos transmissores da dengue. Nesta situação, o benefício privado será superior ao custo privado, da mesma forma que o conseqüente benefício social será muito maior do que o custo social de adoção da medida.
 
3.4.5- Externalidades
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	De forma contrária, as externalidades negativas são representadas por determinadas ações que de forma direta ou indireta prejudicam os demais indivíduos participantes da sociedade. Um caso clássico de externalidade negativa é representado pelo despejo por parte de empresas, de produtos poluentes nos rios. Esta ação tende a tornar o custo social superior ao custo privado, especialmente pelo fato de que as comunidades ribeirinhas às margens do rio serão diretamente atingidas.
 
	A existência destas falhas justifica a atuação do governo que deve coibir a externalidade negativa através da aplicação de uma tributação desestimuladora da poluição, da mesma forma que deve oferecer subsídios às
atividades geradoras de externalidades positivas.
	
	A atribuição de direitos de propriedade decorrentes dos benefícios de um bem ou serviço permite que os seus proprietários tenham direito ao benefício da própria propriedade, sendo então incentivados a utilizarem-na ponderadamente. Um ótimo exemplo de direito de propriedade relaciona-se, por exemplo, com o direito de que possui as pessoas (ou uma comunidade) de processar uma indústria que está poluindo o rio, solicitando a esta, por meio da ação judicial, a assunção dos custos de despoluição do rio.
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	A inexistência de direitos de propriedade resulta no que a literatura denomina de tragédia ou problema dos comuns. Outro bom exemplo refere-se ao que ocorre na Amazônia. Terras comuns são áreas sem proprietários nas quais serralheiros destroem a mata nativa sem qualquer preocupação. Muito destes não entendem que a economia das áreas no presente, por meio do manejo adequado dos recursos produtivos, pode ser positiva no futuro, com a ampliação da oferta de madeira de corte, haja vista que este pensa que caso não seja ele o responsável pelo corte de árvores da área, outros o foram, auferindo resultados financeiros imediatos.
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	As informações assimétricas representam um grande problema ao bom funcionamento do mercado. Exemplos claros de assimetria estão presentes em todos os ramos de negócios que envolvem consumidores e produtores. Um bom exemplo é aquele referente aos componentes de determinados alimentos industrializados. A omissão ou o excesso de informações que são na verdade inverídicas, tornam o consumidor passivo às manipulações das empresas. O resultado natural é a perda de bem-estar do consumidor. Conforme será verificado na aula referente ao tema “Estado Regulador e Estado Produtor”, a assimetria de informações constitui um dos grande problemas da regulação dos mercados existentes na economia.
 
	Outra atividade econômica em que a existência de informações assimétricas é perversa é o mercado financeiro. O mascaramento dos balanços de empresas que possuem ações negociadas em bolsas tende a provocar a incorreta precificação destas, lesando assim os investidores em valores mobiliários. A regulamentação – imposta por leis - e regulação governamental – tribunais, secretarias e conselhos - devem inibir esta prática ilegal, procurando tornar o mercado o mais “perfeito” possível.
3.4.6- Assimetria de Informações
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	 Não menos importante, outro exemplo de informação assimétrica está relacionado ao mercado de seguros em geral, inclusive aquele relacionado aos planos de saúde que, por sua natureza, não deixam de ser um seguro feito por cada participante do plano. Intrínsecos à assimetria de informações existem os problemas denominados de risco moral (moral-hazard) e de seleção adversa. Imagine uma pessoa que acaba de fazer um plano de saúde. Naturalmente, é bem possível que ela tenha menos incentivo para cuidar da sua saúde do que antes. A esse tipo de comportamento que se atribui o conceito de risco moral, que tende a existir na medida em que o possuidor do seguro se sente mais protegido contra os riscos da doença que podem culminar em perdas financeiras.
 
	Diferentemente do risco moral, a seleção adversa está relacionada ao fato que apenas as pessoas com a saúde debilitada optem em contratar fazer um plano de saúde. O mercado de planos de saúde no país é regulado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a quem cabe estabelecer as diretrizes que regem a relação contratual entre o plano e o segurado.
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	Partimos do princípio de que os mercados competitivos são os mercados que melhor representam as inter-relações entre consumidores e produtores com o objetivo de atingir o maior nível de bem estar econômico e social. Estes mercados seriam aqueles menos propícios a existência de falhas de mercado, pela própria noção de atomização, ou seja, nem os consumidores nem tão quanto as empresas, possuem poder de barganha para impor custos adicionais aos demais participantes.
 
	Os mercados competitivos são caracterizados por apresentarem baixos custos à entrada de novas empresas, de tal maneira que nenhuma empresa tenha condições de manipular os preços dos bens e serviços oferecidos. De forma contrária, existem na economia os chamados monopólios naturais, que seriam mercados em que apenas uma única empresa produzindo geraria custos mais baixos para a formação dos preços de venda do que várias empresas produzindo.
 
	O que ocorre na verdade é que, no caso dos monopólios naturais, os custos de entrada no mercado são altíssimos, de forma que o custo por unidade de produção, o chamado custo médio, diminui à medida que aumenta a escala de produção da empresa. Setores de produção de gás, energia e telefonia são bons exemplos desta estrutura de mercado. 
3.4.7- Monopólios Naturais
43
	 No que concerne às falhas de mercado, a existência de monopólios naturais leva o governo a adotar medidas no intuito de evitar abusos na formação dos preços de vendas. Segundo Giambiagi e Além (2000, pág. 26), o governo pode exercer apenas a regulação dos monopólios naturais, evitando assim uma perda ainda maior de bem-estar da sociedade. Ainda segundo os autores, o governo poderesponsabilizar-se diretamente pela produção do bem ou serviço caracterizado como sendo monopólio natural.
 
	A responsabilidade do Estado pela produção deriva-se muitas vezes não só pela questão de evitar abusos na formação de preços de produtos, mas também por estas atividades produtivas serem estratégicas para o país.
	Destaca-se, conforme podemos ver nos dias de hoje, que o Estado tem adotado a linha do enxugamento das suas atividades atípicas, de tal maneira que os controles dos monopólios naturais têm sido repassados à iniciativa privada, passando o mesmo Estado a limitar a sua atuação através da regulação dos setores (Elétrico, Telecomunicações e etc.).
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	Um mercado completo é definido com sendo o mercado onde o custo de produção é inferior aos preços que consumidores estão dispostos a pagar. De representada pelos mercados incompletos é existente principalmente em países em desenvolvimento, onde o sistema financeiro não é suficientemente desenvolvido, em termos de riscos, para financiar no longo prazo as atividades produtivas. Perceba que para todo investimento deve existir um prazo mínimo de carência para que o produtor possa gerar caixa e honrar seus compromissos. Caso o sistema financeiro não aceite a tomada de risco da carência dos investimentos, será inexistente o oferecimento de fundos para as empresas produzirem.
 
	No Brasil a intervenção governamental nos mercados incompletos é feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, que realiza a concessão de crédito de longo prazo objetivando o financiamento das atividades produtivas.
3.4.8- Mercados Incompletos
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	O funcionamento dos mercados através das inter-relações entre consumidores e produtores é insuficiente para que sejam evitados os problemas de inflação, caracterizado pelo aumento geral e contínuo dos preços, e o desemprego, definido como a parte da população economicamente ativa que se encontra desempregada involuntariamente.
 
	As pressões de demanda realizadas pelos consumidores nos diversos mercados tende a suplantar a oferta de bens e serviços, ocasionando assim elevação dos preços. Políticas de controle do crédito ou de aumento das taxas de juros são bons instrumentos de intervenção governamental para corrigir a falha de mercado chamada inflação.
 
	O desemprego é existente em toda a economia, ocorrendo pelo fato de que o mercado não é capaz de gerar vagas suficientes para todos aqueles que entram no mercado de trabalho a cada dia. No entanto, destaca-se que o governo pode minimizar tais problemas, realizando atividades interventivas que visem à colocação de novos trabalhadores no mercado de trabalho. Programas como o primeiro emprego do governo federal, que trazem em contrapartida benefícios às empresas, especialmente em termos de carga tributária, são ações voltadas à minimização dos problemas da falha de mercado chamada desemprego.
3.4.9- Desemprego e Inflação
46
	Sabe-se que o setor privado tem como objetivo a geração de lucro. Não obstante, determinadas atividades, mesmo potencialmente geradoras de lucro futuro, não são efetivadas. O problema em si é muito parecido com o ocorrido nos mercados imperfeitos, mas com uma conotação diferenciada.
 
	A existência de riscos nos negócios é associada ao grande custo envolvido no projeto, de tal maneira que mesmo podendo obter benefícios futuros, esta não se arriscará. A partir do exemplo de Viceconti e Neves (2007, pág. 413), podemos melhor ilustrar o problema. Segundo os autores, um bom exemplo seria o caso da produção de energia elétrica a partir da energia atômica. O custo total de pesquisa será enorme, vários anos serão necessários antes mesmo de o projeto ser oferecido em nível econômico e, mesmo que a empresa se dispusesse a correr o risco, teria dificuldade em colher os benefícios, por possivelmente não obter o monopólio de uma patente, e assim recuperar o investimento feito.
 
	Além do fato do risco econômico pesado com a realização do investimento, as empresas no país tem sempre a preocupação com a chamada insegurança jurídica dos contratos, especialmente no que se refere a quebra de patentes. A intervenção governamental no sentido de quebra de direitos só deverá existir caso os benefícios sociais gerados com a ação sejam superiores aos custos ocorridos com a medida.
3.4.10- Riscos Pesados
47
	 De forma complementar a análise, destacamos que as ações tomadas pelo governo, de forma a contornar esta falha de mercado, seriam aquelas relacionadas aos programas de Parcerias Público Privadas – PPPs e ao Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que representam as propostas de parcerias em investimentos feitos pelo governo federal, especialmente através de suas empresas estatais, de forma a mitigar os pesados riscos associados aos projetos de grande vulto financeiro.
48
(ANALISTA DE GESTÃO PÚBLICA/PREF. VITORIA – CESPE/2007) As análises da economia do setor público, incluindo-se aí as dos tópicos associados às finanças públicas no Brasil, são importantes para se entender o papel desempenhado pelo governo nas economias de mercado. A respeito desse assunto, julgue os itens a seguir.
 
06 A adoção dos sistemas de imposto de renda progressivo, além de refletir a função distributiva do governo, contribui para estabilizar a economia.
 
07 Em muitos países, os serviços de saúde são ofertados pelo Estado, muitas vezes a custo zero, o que decorre do fato de que esses serviços são bens públicos puros, cujos custos marginais de produção são nulos.
 
3.5- Exercícios de Fixação
49
(Escrivão da PF – Concurso Regional – CESPE/2004) O problema da escolha em situação de escassez, abordado pela microeconomia, as interações entre governo e mercados privados, e as questões macroeconômicas são temas relevantes para a ciência econômica. A esse respeito, julgue o item a seguir.
 
11 A função redistributiva do governo está associada à provisão de bens e serviços que, em virtude da existência de falhas de mercado, não são ofertados adequadamente pelos mercados privados.
 
(Agente da PF – Concurso Regional – CESPE/2004) A questão da escolha em situação de escassez, abordada pela microeconomia, as interações entre governo e mercados privados e os problemas macroeconômicos são temas relevantes para a ciência econômica. A esse respeito, julgue o item a seguir.
 
12 Em alguns provedores de Internet, a cobrança de uma mensalidade fixa pelo uso ilimitado do serviço faz que os consumidores utilizem esse serviço até o ponto em que o benefício marginal se anula.
 
3.5- Exercícios de Fixação
50
(Analista Legislativo da Câmara dos Deputados – CESPE/2003) A previsão dos serviços de utilidade pública pode ser feita no âmbito de monopólios da União e/ou mediante a concessão desses serviços a empresas. A esse respeito, julgue o item subsequente.
 
13 A ausência de recursos privados necessários ao financiamento dos projetos de grande porte em setores essenciais ao desenvolvimento pode ser considerada um exemplo de mercados incompletos, justificando, pois a participação direta do Estado nessas áreas, mediante a criação de monopólios estatais.
 
(Secretaria de Gestão do Espírito Santo – CESPE/2007) A análise microeconômica do setor público é fundamental para a compreensão de questões relevantes associadas à intervenção do governo nas economias de mercado. Acerca desse assunto, julgue os itens a seguir.
 
14 Na ausência de falhas de mercado, a intervenção do governo na economia justifica-se não somente por questões de equidade, mas também para garantir a provisão de bens meritórios. 
 
15 A fauna e a flora de um país são consideradas bens públicos puros. 
 
16 No mercado de telefonia, a presença de custos fixos elevados e de assimetria de informação limita a competição e exige a adoção de um marco regulatório para a redução das perdas relativas a bem-estar.
3.5- Exercícios de Fixação
51
(Agente de Polícia Federal/DPF – CESPE/2009) Com relação à racionalidade econômica do governo, julgue os itens subsequentes.
 
17 A existênciade falhas no mercado é apontada como uma das justificativas para a intervenção do governo na economia. Desse modo, a competição imperfeita tende a reduzir a produção e os preços, o que leva o governo a criar suas próprias empresas ou a adquirir empresas já existentes.
 
18 (Auditor-Fiscal/Sec. Finanças – FCC/2007) Atualmente o Estado intervém em quase todas as atividades humanas em razão das necessidades públicas. Dentre outras atribuições, incumbe ao Estado regular a atividade econômica, prestar serviços públicos, explorar a atividade econômica e exercer poder de política. Nesse contexto, é possível afirmar que as finanças públicas
 
a) têm papel secundário na intervenção do Estado na economia, diante da política liberal vigente.
b) as finanças públicas podem tornar-se poderoso instrumento de atuação estatal no domínio econômico, visando a um orçamento equilibrado e contenção de gastos públicos.
c) pertencem ao universo normativo, regulando a intervenção estatal no domínio econômico, compondo a política financeira estatal e consubstanciada nas leis orçamentárias.
d) caracterizam-se por ser uma disciplina jurídica que tem como objeto de seu estudo toda a atividade do Estado no tocante à forma de realização da receita e da despesa.
e) dizem respeito ao universo do ser, do plano real e dispensam uma realidade normativa, ficando adstritas apenas ao campo econômico, desvinculado de intervenção estatal.
3.5- Exercícios de Fixação
52
19 (AUDITOR/TCE-AL – FCC/2008) Analise as assertivas abaixo.
 
I. A implementação de programas como o Bolsa Família visa promover melhor distribuição de renda.
II. A função estabilizadora ou anticíclica das políticas governamentais pode ser cumprida por meio da adoção de medidas tais como a concessão do seguro desemprego.
III. A redução da alíquota do IPI incidente sobre perfis de ferro ou aço não ligado de 5% para 0%, conforme Decreto no 6.024/07, é um instrumento válido para que o governo cumpra a função alocativa da política econômica.
IV. A adoção de medidas como as que integram o Programa de Aceleração do Crescimento não contribui para que o governo cumpra nenhuma das funções da política econômica, a saber: alocativa, redistributiva e/ou estabilizadora.
 
Estão corretas:
 
a) I, II e III, apenas.		c) I, III e IV, apenas.		e) I, II, III e IV.
b) I, II e IV, apenas.		d) II, III e IV, apenas.
3.5- Exercícios de Fixação
53
20 (ECONOMISTA/FUNASA – FUND. DOM CINTRA/2010) De acordo com a teoria de finanças públicas, constituem exemplos de circunstâncias denominadas na literatura econômica como falhas de mercado:
a) déficits públicos e tributações
b) dívidas internas e bens públicos
c) monopólios naturais e externalidades
d) mercados incompletos e impostos indiretos
e) riscos de informação e mercados atomizados
 
21 (ECONOMISTA/FUNASA – FUND. DOM CINTRA/2010) Os bens públicos distinguem-se dos demais fundamentalmente pela indivisibilidade do consumo. De acordo com a teoria de finanças públicas, o dever do governo de determinar o tipo e a quantidade de bens públicos a serem ofertados está associado à seguinte função:
a) equitativa
b) alocativa
c) tributativa
d) distributiva
e) estabilizadora
3.5- Exercícios de Fixação
54
22 (APO/MPOG – ESAF/2008) O sistema de mercado não leva a uma justa distribuição da renda, sendo necessário que o Estado exerça essa função:
a) alocativa
b) estabilizadora
c) distributiva
d) planejadora
e) de crescimento econômico
 
23 (AFC/STN – ESAF/2008) A aplicação das diversas políticas econômicas a fim de promover o emprego, o desenvolvimento e a estabilidade, diante da incapacidade do mercado em assegurar o atingimento de tais objetivos, compreende a seguinte função do Governo:
a) Função Estabilizadora.
b) Função Distributiva.
c) Função Monetária.
d) Função Desenvolvimentista.
e) Função Alocativa.
 
3.5- Exercícios de Fixação
55
24 (AFC/STN – ESAF/2008) Sob determinadas condições, os mercados privados não asseguram uma alocação eficiente de recursos. Em particular, na presença de externalidades e de bens públicos, os preços de mercado não refletem, de forma adequada, o problema da escolha em condições de escassez que permeia a questão econômica, abrindo espaço para a intervenção do governo na economia, de forma a restaurar as condições de eficiência no sentido de Pareto. Nesse contexto, é incorreto afirmar:
a) externalidades ocorrem quando o consumo e/ou a produção de um determinado bem afetam os consumidores e/ou produtores, em outros mercados, e esses impactos não são considerados no preço de mercado do bem em questão.
b) consumidores podem causar externalidades sobre produtores e viceversa.
c) a correção de externalidades, pelo governo, pode ser feita mediante tributação corretiva, no caso de externalidades positivas, ou aplicação de subsídios, no caso de externalidades negativas.
d) um exemplo de bem público puro é o sistema de defesa nacional, cujo consumo se caracteriza por ser não-excludente e não-rival.
e) falhas de mercado são fenômenos que impedem que a economia alcance o estado de bem-estar social, por meio do livre mercado, sem interferência do governo.
3.5- Exercícios de Fixação
56
25 (AFC/CGU – ESAF/2004) A necessidade de atuação econômica do setor público prende-se à constatação de que o sistema de preços não consegue cumprir adequadamente algumas tarefas ou funções. Assim, é correto afirmar que
a) a função distributiva do governo está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos eficientemente pelo sistema de mercado.
b) a função alocativa do governo está relacionada com a intervenção do Estado na economia para alterar o comportamento dos níveis de preços e emprego.
c) o governo funciona como agente redistribuidor de renda através da tributação, retirando recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e transferindo-os para os segmentos menos favorecidos.
d) a função estabilizadora do governo está relacionada ao fato de que o sistema de preços não leva a uma justa distribuição de renda.
e) a distribuição pessoal de renda pode ser implementada por meio de uma estrutura tarifária regressiva.
 
3.5- Exercícios de Fixação
57
26 (AFC/STN – ESAF/2005) Devido a falhas de mercado e tendo em vista a necessidade de aumentar o bem-estar da sociedade, o setor público intervém na economia. Identifique a opção correta inerente à função alocativa.
a) O setor público oferece bens e serviços públicos, ou interfere na oferta do setor privado, por meio da política fiscal.
b) O setor público age na redistribuição da renda e da riqueza entre as classes sociais.
c) Adotando políticas monetárias e fiscais, o governo procura aumentar o nível de emprego e reduzir a taxa de inflação.
d) Adotando políticas monetárias e fiscais, o governo procura manter a estabilidade da moeda.
e) O governo estabelece impostos progressivos, com o fim de gastar mais em áreas mais pobres e investir em áreas que beneficiem as pessoas carentes, como a educação e saúde.
 
3.5- Exercícios de Fixação
58
27 (Analista em Gestão Adm./Sec. Estado de Pernambuco – FGVRIO/ 2008) A respeito das funções do governo, é correto afirmar que:
a) a função alocativa está associada às chamadas “falhas de mercado” e se justifica quando o resultado distributivo do mecanismo de mercado não for considerado socialmente desejado.
b)quando o governo decide destinar parte de recursos públicos para os setores de saúde e educação, está exercendo sua função estabilizadora.
c) a atividade de compra e venda de títulos pelo governo em mercados primários e secundários está associada à sua função reguladora.
d) as três funções tradicionais associadas ao governo na literatura das finanças públicas são as funções alocativa, estabilizadora e reguladora.
e) a função estabilizadora diz respeito à manutenção da estabilidade econômica e justifica-se para atenuar o impacto de crises.
 
(ANALISTA DE GESTÃO PÚBLICA/PREF. VITORIA – CESPE/2007) As análises da economia do setor público, incluindo-se aí as dos tópicosassociados às finanças públicas no Brasil, são importantes para se entender o papel desempenhado pelo governo nas economias de mercado. A respeito desse assunto, julgue os itens a seguir.
 
28 A provisão de serviços de utilidade pública, tais como saneamento e serviços de segurança pública, que não são ofertados adequadamente pelos mercados privados, exemplifica a função alocativa do governo.
3.5- Exercícios de Fixação
59
29 (AFC/STN – ESAF/2005) No que diz respeito aos bens públicos, semipúblicos e privados, indique a única opção incorreta.
a) Bens públicos são os bens que o mecanismo de preços não consegue orientar os investimentos a fim de efetuar sua produção.
b) Bens públicos têm a característica de serem usados por todos, indistintamente, não importando o nível de renda ou condição social.
c) Bens semipúblicos satisfazem ao princípio da exclusão, mas são produzidos pelo Estado.
d) O serviço meteorológico é um exemplo de bem de consumo não rival.
e) Serviços de saúde e saneamento são bens públicos, uma vez que seus custos podem implicar preços muito altos para que as pessoas pobres possam ter acesso aos mesmos.
 
30 (AFC/CGU – ESAF/2004) Com base na Teoria das Finanças Públicas, assinale a única opção falsa.
a) Um bem público puro é caracterizado por ter seu consumo não rival e não excludente.
b) Bens privados são aqueles cujo consumo é tanto rival quanto excludente e são providos eficientemente em mercados competitivos.
c) A exclusão permite que o produtor do bem privado possa ser pago sempre que um consumidor fizer uso do mesmo.
d) Um exemplo de bem público puro é segurança nacional.
e) Há rivalidade no consumo de um bem se o consumo desse bem por parte de uma pessoa aumenta a disponibilidade do mesmo para as outras.
3.5- Exercícios de Fixação
60
	Existem vários motivos que justificam a intervenção do Estado no processo de escolha dos agentes econômicos. A existência da regulação econômica previne o abuso do poder por parte de empresas, as quais dificultam a existência de concorrência, seja de empresas já atuantes no mercado, seja de novas empresas entrantes. Como forma de evitar um abuso de mercado contra o direito dos demais participantes, sejam os consumidores, sejam empresas, o Estado realiza a atividade interventiva.
 
	O primeiro motivo para intervenção governamental, em termos de falha de mercado, são os conhecidos monopólios naturais. O monopólio natural caracteriza-se quando toda a produção de um determinado bem ou serviço e feita por uma única empresa. De outra maneira, a existência deste tipo de monopólio caracteriza-se pelo fato de que a soma dos custos de produção de diversas empresas, caso estivessem neste mercado, seria superior aos custos que uma empresa monopolista tem ao oferecer uma quantidade igual à soma das quantidades das demais firmas.
 
	Ressalta-se que neste tipo de produção, o monopolista natural atinge economias ou retornos crescente de escala no longo prazo, ou seja, a medida em que aumenta a sua produção, o custo médio tende a diminuir. Não obstante este fato é sabido que no espectro contrário ao regime monopolista (regime de concorrência) perfeita os preços dos produtos foram fixados de tal maneira que estes fossem igual ao custo marginal de produção.
4- Estado regulador e produtor.
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	No caso dos monopólios, a relação preço igual ao custo marginal implica em que o preço será menor do que o custo médio de longo prazo, uma vez que os retornos crescentes de escala determinam que custo médio de longo prazo seja maior do que o custo marginal, especialmente por estes últimos apresentarem tendência de crescimento.
 
	Neste contexto a tarefa do Regulador Econômico é a de então tentar discriminar custos de produção, arbitrando a este uma taxa de retorno adequada à empresa monopolista, minimizando suas possibilidades de ganhos excessivos sobre a renda dos consumidores.
 
	A outra vertente de intervenção estatal na forma de regulação, também associado às falhas de mercado, são as chamadas externalidades. A atividade produtiva pode gerar malefícios à sociedade, a exemplo a poluição ambiental, o que torna a necessidade de intervenção, via imposição de tributos, que visem compensar a perda de bem-estar da sociedade como um todo.
 
	A partir dos anos 70 ocorreram mudanças significativas na forma de análise da regulação econômica, as quais passaram a incorporar os conceitos de “falhas de governo”, em que o próprio governo passa a se encontrar suscetível aos grupos de interesse e ao rent seeking.
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	Citamos o trecho das palavras de Frederic Bastiat ao jornal dos Economistas, de 15 de julho de 1848, para assim entendermos os conceitos de grupo de interesse.
 
"Enfim, como será admitido, por princípio, que o Estado estará encarregado de fazer a divisão fraterna em favor dos cidadãos, veremos o povo todo, inteiro, transformado em solicitante... Todos se agitarão para reclamar os favores do Estado. O Tesouro Público será, literalmente, entregue à pilhagem. Cada um terá boas razões para provar que a repartição da fraternidade legal deve ser entendida no seguinte sentido: ‘As vantagens para mim e as cargas para os outros’. O esforço de todos estará voltado a arrancar da legislatura um fragmento de privilégio. (...) O objetivo primeiro de cada um será tentar aportar o mínimo possível à massa dos sacrifícios e dela retirar o máximo. Pois bem, nesta luta, serão os mais desventurados que ganharão? Por certo que não. Serão os mais influentes e os mais envolventes". (Frédéric Bastiat – Justiça e Fraternidade, Journal des Économistes , 15 de junho de 1848). 
 
	Os grupos de interesse caracterizam-se como associações que visam promover o interesse como dos seus membros. A forma pela qual estes grupos cumprem seu objetivo é através da provisão de bens coletivos ou públicos a seus membros.
	As palavras de Fréderic, especialmente as referentes à “pilhagem do Tesouro”, refere-se ao conceito de rent seeking, que pode ser caracterizado como a ação de grupos de interesse na busca de ganhos, buscas e privilégios, através do uso do poder discricionário da autoridade política governamental.
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	As agências reguladoras brasileiras são consideradas recentes, criadas a partir do extensivo processo de privatização de empresas estatais e concessão dos serviços públicos. Pode se dizer que até a década de 90 a maior parte do chamados monopólios naturais do país encontravam-se sobre controle do Estado, sendo a legislação que os regulavam extremamente precária, especialmente em termos de defesa da concorrência, evidenciada no combate à formação de trustes, estes referem-se do conjunto de empresas que abrem mão do controle dos seus preços para um conselho de trustes que assim o definem, impactando diretamente o mercado.
 
	O marco para criação das agências reguladoras é a própria Constituição Federal, que trata nos seus artigos 173 e 174 a necessidade efetiva de participação do Estado no processo econômico, leia-se empresas estatais, afirmando que este mesmo Estado deve ter papel complementar à atividade privada. Diz os caputs dos artigos:
 
“Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.(...)”
 
“Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.(...)”
 
4.1- Agências Reguladoras
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	A criação das agências reguladoras é derivada especialmente da necessidade de regulação dos monopólios naturais que antes se encontravam em poder do Estado, como foi o caso da ANEEL, ANATEL e outras mais. As empresas reguladas pelas agências são aquelas em que é bastante provável a existência de abusos de poder de mercado, gerando nos reguladores o acompanhamento por meio do controlede custos dessas empresas, precificação dos investimentos realizados por estas e a própria fiscalização nos serviços prestados. Conforme veremos dentro do estudo da Teoria Econômica da Regulação, estas agências reguladoras, ainda incipientes no país, não possuem, ainda, um grande conhecimento e expertise de atuação das empresas reguladas, nos moldes dos países desenvolvidos, o que torna as próprias agências passíveis à chamada captura por parte dos agentes regulados.
 
	Cabe destacar, entretanto, que não apenas sobre os monopólios naturais é que o Estado deve atuar. A necessidade de regulação da concorrência, em termos da defesa desta, é papel também a ser exercido pelo poder público. Sendo devidamente abordada ainda nesta aula, é neste contexto que se insere a estrutura de defesa da concorrência, capitaneada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE e orientada, atualmente, pela Lei 12.529/11.
	A referida lei deu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE maior autonomia para exercer a prevenção a também julgar as infrações à ordem econômica. O CADE é a estrutura máxima do chamado Sistema Brasileiro de Defesa Econômica, a qual é formada, também, pela Secretária de Acompanhamento Econômico – SEAE do Ministério da Fazenda.
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	Sabemos que o governo é formado de uma estrutura complexa, a qual procura atender a todos os interesses da sociedade, sendo estes mesmos interesses representados pelos participantes do processo político. Dentre estes, destacamos:
 
Empresas: Trata-se de consumidores dos serviços políticos. Seus interesses são defendidos por meio de contribuições de campanha e através do lobby. Se prestarmos bastante atenção, perceberemos que as políticas públicas são defendidas pelas empresas quando estas às beneficiam, sendo as mesmas empresas opositoras de políticas contrárias aos seus interesses;
 
Políticos: São os principais agentes do processo político. Estes se elegem e se mantém no cargo. Sua candidatura a eleição esta sempre embasada na proposição de políticas públicas que atraiam o seu eleitorado. Considerando que as campanhas políticas possuem um alto custo, estes devem sempre levar em consideração as necessidades a serem atendidas das empresas, tendo assim uma fonte de financiamento para as suas campanhas.
 
Eleitores: No mercado político eles expressam suas preferências por meio do voto, da realização de contribuições individuais ou mesmo pela realização de lobby. Suas definições são baseadas em escolhas de políticas públicas que melhorarão a sua situação, se opondo fortemente aquelas negativas aos seus interesses.
4.1.1- Condicionantes Políticos da Regulação
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Burocratas: São os que estão a frente da máquina estatal. São atuação representa a própria produção e resultado do mercado político. Seus interesses são movidos pela maximização da sua utilidade, procurando assim utilizar o orçamento público para atingir tal fim. Destaca-se que quanto maior o orçamento de um órgão público, maior será o prestígio do burocrata, gerando assim maiores e melhores oportunidades, inclusive de cunho político.
 
	O resultado da interação dos atores do processo político é a busca do atendimento dos seus próprios interesses. Para isso deve existir compatibilidade nas decisões, o que proporcionará um equilíbrio neste mercado. A existência de diversos partidos políticos tendem a tornar mais difusos estes interesses, levando alguns destes a tomarem suas posições e orientações em função da maioria, mesmo que para seja necessário ferir seus fundamentos e sua ideologia.
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	Muito embora seja válida a tese de que a alocação orçamentária e o prestígio do burocrata estão relacionados, existe aí um importante conflito político. Existe basicamente duas formas do Estado intervir no processo econômico. A primeira delas é a intervenção direta, via produção de bens e serviços. Para atendimento de sua política, o Estado deve contar com recursos orçamentários que permitam tal ação. Considerando que a obtenção de recursos públicos imputa a necessidade de taxação da sociedade, o próprio Estado buscou alternativas a tal dificuldade.
 
	A primeira delas foi a própria venda à iniciativa privada, o que contribuiu para a redução dos seus gastos. Em conjunto, adotou-se uma política regulatória baseada na constituição de agências e normas que orientam a atuação privada. Ao se pensar no estabelecimento de regras sobre os setores, verifica-se que são pequenos os impactos sobre o próprio orçamento, uma vez que o custo real das medidas recaem especialmente sobre os agentes regulados.
 
	A atuação do Estado regulador tem sido ampliado ano a ano no Brasil, tendo como base modelos Europeus e norte-americano que imputam o verdadeiro custo do desenvolvimento econômico às empresas reguladas.
4.1.2- Estado Produtor e Estado Regulador
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	A integração dos dois conceitos, grupos de interesse e rent-seeking, levou à conclusão de que tanto legisladores encarregados das normas que orientam a atividade regulatória quanto burocratas responsáveis pela implementação e fiscalização do acompanhamento destas normas estão sujeitos a captura por parte de grupos de interesse interessados em garantir interesses, ou seja, envolvidos em atividades de rent-seeking, o que pode levar a prejuízos em termos de bem estar social. 
 
	Esta abordagem do processo regulatório ficou conhecida como Teoria da Captura, pois discute as formas e as conseqüências da "captura" das instituições reguladoras do Estado por interesses privados. O resultado da “captura” das instituições reguladoras por interesses privados é reconhecido na proteção contra a concorrência estrangeira, na concessão de serviços públicos, subsídios, incentivos fiscais, isenções de impostos, patrocínios e publicidade estatais, verbas para obras públicas ou para os ditos "projetos sociais", financiamentos com juros subsidiados, sentenças judiciais favoráveis, ocupação de cargos na administração pública.
4.1.3- A Teoria Econômica da Regulação
4.1.3.1- A teoria da captura
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	A informação é fundamental para as relações econômicas. Na tomada de decisões estratégicas das empresas a informação possui um papel prioritário, pois é com base nas informações que esta possui sobre si mesma e sobre o mercado que são tomadas as decisões. Já no âmbito regulatório, a informação disponível sobre as empresas atuantes no mercado é de fundamental para os reguladores. Mas o fato é que, na maior parte dos casos, o custo de obtenção das informações relevantes é muito elevado.
 
	Em todo mercado é comum a pratica de ocultação das informações, como forma das empresas de se protegerem de suas concorrentes. Devido a esta questão, a introdução da assimetria de informações em modelos nos quais os agentes econômicos se comportam estrategicamente torna necessário considerar não apenas o que os agentes sabem, mas o que eles acham que os seus concorrentes sabem, o que eles imaginam que seus concorrentes saibam a seu respeito e o que eles pensam que os outros agentes sabem com relação às informações que eles detêm um do outro.
4.1.3.2- Informação assimétrica, seleção adversa, risco moral e a 
teoria do agente – principal
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	Quanto à regulação, o acesso à informação é importante, pois é através dela que os órgãos reguladores orientam suas ações no intuito de tornar mais eficiente, em termos econômicos e sociais, a operação das empresas.
 
	Uma boa ilustração desse tipo de problema pode ser encontrada na indústria elétrica. O setor elétrico brasileiro foi tradicionalmente regulado pelo sistema de tarifação pelo custo de serviço. Porém, esse esquema não incentivava a eficiência das firmas. Seguindo exemplos internacionais o esquema de tarifação é, hoje, baseado no price-cap (variação máxima do preço). Esse mecanismo é considerado mais “leve” (menos oneroso), pois o regulador não precisa dispor de tantas informações, uma vez que o reajuste tarifário se daria segundo a evolução dos preços descontado da expectativa de ganhos de eficiência da empresa por parte do regulador.Ainda segundo os autores, no caso das privatizações ocorridas no setor elétrico brasileiro há uma cláusula no contrato de concessão garantindo o equilíbrio econômico-financeiro das empresas. Portanto, a necessidade do conhecimento da estrutura de custo das empresas ainda persiste, fazendo com que o processo regulatório tenha um custo elevado. Também está estabelecido nos contratos de concessão, que as firmas reguladas devem disponibilizar qualquer tipo de informação que o regulador necessite, em qualquer momento que este deseje. 
 
	Contudo, mesmo a presença dessa cláusula não vai eliminar a assimetria de informações entre regulador e firma regulada, pois mesmo que o regulador tenha acesso à todas as informações contábeis, estas não refletem necessariamente as demais ações a serem tomadas pelas empresas.
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01 (Agente de Polícia Federal/DPF – CESPE/2009) A falta de transparência nas decisões acerca dos reajustes de preços regulados pelo governo, diferentemente das revisões, tende a prejudicar os consumidores, sempre mais numerosos, menos organizados e com menos informações.
CAIU EM PROVA
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	No caso em foco, o assunto a ser tratado refere-se ao acompanhamento realizado pelas agências nos preços de serviços sob concessão pública (água, luz, telefonia) e de serviços essenciais, sendo o melhor exemplo aquele relacionado aos planos de saúde.
 
	Segundo a ANEEL, a revisão tarifária é considerada uma “revisão ordinária, prevista nos contratos de concessão, a ser realizada considerando-se as alterações na estrutura de custos e de mercado da concessionária, os níveis de tarifas observados em empresas similares, no contexto nacional e internacional, e os estímulos à eficiência e à modicidade tarifária.” (negrito nosso).
 
	Com base nos conceito ora descrito, a interpretação de revisão associa-se às alterações nos padrões de custos das empresas. Caso ocorram aumentos significativos nos custos de produção, caberá ao processo de revisão tarifária realizado pelas agências, a mensuração deste impacto e a consequente necessidade de revisão do seu valor. Assim sendo, não se trata do mero reajuste decorrente da perda gerada pela inflação no período anterior.
 
	Diferentemente das revisões, os reajustes de preços associam-se às variações ocorridas nos índices de preços de mercado, a exemplo das tarifas de energia elétrica, que têm vinculação direta com o Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM. O IGPM é apurado segundo metodologia adotada pelo IBGE, com amplo acesso a quem deseja conhecer a forma de mensuração do comportamento dos preços de uma economia.
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	Aplicando-se aos exemplos de energia elétrica, pode-se dizer que o reajuste e as revisões são mecanismos pelos quais as tarifas de energia elétrica podem ser alteradas. Estão previstos nos contratos de concessão governamental tais cláusulas, as quais permitem a manutenção do equilíbrio econômico financeiro das concessionárias, sejam de energia elétrica, sejam de telefonia ou mesmo de planos de saúde.
 
	De forma resumida pode-se dizer que os reajustes têm por objetivo repassar os custos não gerenciáveis e atualizar monetariamente os custos gerenciáveis. Os reajustes ocorrem anualmente. Diferentemente, a revisão ocorre normalmente a cada quatro anos, em média, com o objetivo de preservar o equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão.
 
	Cabe destacar que os reajustes de preços são baseados em indicares de preços de ampla divulgação, sendo assim acessíveis a todos. Em decorrência disto, muito embora o reajuste de preço venha a prejudicar os consumidores, não se pode afirmar que este não possui transparência. Inversamente, no caso das revisões tarifárias, o processo de mensuração de custos não é tarefa tão fácil. Não somente no processo de regulação, mas em toda a economia, o acesso à informação é importante, pois é através dela que os órgãos reguladores orientam suas ações no intuito de tornar mais eficiente, em termos econômicos e sociais, a operação das empresas.
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	Esta abordagem permite, objetivamente, constatar que o processo de reajustes tarifários é que é na verdade mais transparente do que as revisões, haja vista as dificuldades encontradas por agências reguladoras na verificação da evolução dos custos destas empresas, especialmente em função da assimetria de informações existente.
 
	Verifica-se diante de todas estas informações, que a introdução da informação assimétrica na teoria econômica tem evidenciado a forma pela qual as falhas de mercado podem ser enfrentadas pelo regulador. Uma das consequências mais relevantes da existência de informação assimétrica, principalmente numa relação contratual, é a presença de comportamentos oportunistas entre os agentes (que chamaremos mais a frente de teoria do agente-principal), por parte daqueles que possuem mais informações.
 
	Logo, os principais problemas decorrentes da informação assimétrica são a seleção adversa e o risco moral.
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	A seleção adversa existe devido à impossibilidade do efetivo acesso à informação. O problema é derivado da assimetria de informação entre os ofertantes e demandantes de bens ou serviços. Costuma-se utilizar o caso dos seguros como uma boa referência ilustrativa da seleção adversa. Caso a seguradora estabelecer o preço do seguro com base na taxa média de sinistralidade, apenas os consumidores com taxa mais alta que a taxa média irão contratar o seguro, o que poderia levar a seguradora a quebrar. Diante deste problema, a empresa de seguros deve estabelecer o preço de venda em função dos custos com a ocorrência de sinistros dos consumidores mais propensos ao risco, ou seja, de utilizarem o seguro.
 
	A seleção adversa pode ser minimizada através de alguns mecanismos, que tem o objetivo tornar a informação “menos adversa”, dentre os quais destacamos a chamada sinalização, que representa a própria emissão de sinais e fornecimento de informações do agente que a possui.
 
4.1.3.3- Seleção Adversa
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	Diferentemente da seleção adversa, onde o problema se encontra na escolha prévia (na seleção prévia), o risco moral se baseia nas ações após a realização de contratos. Passa-se a levar em consideração agora a moral do consumidor ao longo da duração dos contratos. O mesmo risco moral pode ser classificado em 2 tipos, qual seja a informação oculta, em que o agente oculta alguma informação relevante a seu respeito para quem de interesse, normalmente chamado na literatura econômica de principal, e as ações ocultas, em que as suas ações não são observáveis, não passível assim de verificação.
 
	Assim sendo, voltemos à análise dos seguros para adequarmos a noção de risco moral. Dentre o rol de segurados, existem diferentes comportamentos em relação ao bem segurado. As seguradoras discriminam seus segurados segundo suas ações e a influência que estas têm sobre a possibilidade de danos, mas o conhecimento dessas ações é oneroso. O instrumento utilizado é o referente à cobrança de franquias nas apólices de seguro, que procuram incentivar os segurados a evitarem a ocorrência de sinistros.
 
	Na busca de estimular os consumidores a zelarem pelos bens segurados, a empresa procura realizar incentivos, que normalmente estão associados a descontos tanto no prêmio do seguro quanto no valor da franquia em cada renovação.
 
	A principal teoria que fundamenta sua análise através de incentivos é a chamada Teoria do Agente – principal.
4.1.3.4- Risco Moral
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	A Teoria do agente-principal analisa o relacionamento entre dois agentes econômicos, o principal e o agente. O agente pode ter uma série de comportamentos a adotar, os quais são de difícil observação pelo principal.
 
	A análise consiste no estímulo dado pelo principal, na forma de um contrato, ou mesmo uma remuneração indireta, que estimule o agente a agir sempre no seu interesse. O problema de agente-principal envolve um esforço que não pode ser monitorado e medido pelo principal e, portanto, não pode ser diretamente recompensado. A solução para este tipo de problema está em se requerer algumtipo de alinhamento de interesses de ambas as partes (principal e agente).
	Mesmo admitindo a vigência de um contrato entre as partes (como por exemplo, um contrato de concessão), a relação e o cumprimento dos dispositivos contratuais se enquadram num contexto de informação assimétrica, pois o principal dispõe de um conjunto imperfeito de informações sobre o agente. Se essas informações são referentes à estrutura de custos do agente (empresa regulada), é de se esperar que o principal (regulador) tenha uma base de conhecimento que depende da confiabilidade das informações prestadas pelo agente. Neste ponto reside o problema da captura do regulador por parte da firma regulada, uma vez que o primeiro tem que tomar suas decisões baseado nas informações recebidas do último.
4.1.3.5- Teoria do Agente - Principal
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	Para reduzir esse tipo de problema, o regulador deve estruturar um conjunto de mecanismos de incentivos que levem a empresa regulada a fornecer corretamente as informações necessárias. Dessa forma, o regulador, ciente da sua situação com relação à assimetria de informações, deve buscar evitar cair numa situação de captura regulatória: ou seja, pautar suas ações a partir dos interesses da empresa regulada em detrimento do interesse público. Três objetivos que passam a ser enfrentados pelo regulador são então destacados na literatura (LEVÊQUE, 1999):
 
a) alocação eficiente de recursos;
b) aumento do desempenho técnico das empresas reguladas, visando a redução de custos; e
c) minimização dos efeitos distributivos da repartição das rendas entre produtores e consumidores.
 
	Na prática, contudo, esses objetivos podem se tornar contraditórios devido, em especial, ao caráter incompleto dos contratos. Os principais modelos teóricos desenvolvidos a partir dessa corrente teórica são baseados na hipótese de que os contratos podem cobrir o conjunto de contingências suscetíveis de ocasionar eventuais conflitos entre os atores econômicos. 
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	A relação analisada acima é também muito presente em grandes empresas que possuem custos altos de monitoramento das atividades de seus funcionários. Assim, como forma de contornar tal problema, o principal (empresa) pode estabelecer contratos de incentivo e remuneração que buscam alinhar os interesses dos executivos e dos acionistas, especialmente quando os executivos tomam muitas decisões cujo custo de monitoração, medição e desempenho são de difícil execução por parte dos acionistas e do conselho de administração de empresas.
	Existem diversas formas de regulação econômica, cada uma utilizando critérios consistentes que buscam reduzir a assimetria de informações entre regulado e regulador. Vejamos cada uma delas:
4.2- Formas Econômicas de Regulação
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	O método da Taxa Interna de Retorno busca remunerar todos os custos tidos pela empresa com o fornecimento do serviço de utilidade pública, tais como o custo da mão-de-obra e o custo do capital utilizado no processo produtivo. Do resultado da receita auferida deve existir uma margem positiva quando descontados todos os custos. O critério da taxa de retorno consiste em verificar qual foi o retorno, diante de todo o capital investido no processo produtivo. Sua regra de cálculo é assim feita:
 
Taxa de Retorno = PxQ − wL − rK
			 pK
 
PxQ = preço da tarifa vezes o total de usuários;
wL = salário (w) de cada trabalhador vezes a quantidade de trabalhadores (L);
rK = custo (r) de utilização do capital vezes a quantidade (K) de capital utilizado;
pK = valor do capital (p) utilizado no processo produtivo vezes a quantidade (K) de capital utilizada.
4.2.1- Custo de Serviço ou Taxa Interna de Retorno
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	O critério da taxa de retorno é comumente utilizado em setores sobre regulação que trabalham sobre o regime de monopólio natural. Este, é aquele em que uma única empresa possui o somatório de custos de produção inferior ao conjunto de várias empresas menores produzindo o mesmo serviço.
	
	O mesmo critério possui alguns inconvenientes, considerando o fato que a taxa de remuneração é previamente arbitrada. A partir da fórmula verifica-se que o retorno é mensurado em função de uma série de variáveis, tendo como parâmetro inicial o preço da tarifa. Considerando que o seu resultado é determinado a priori, a empresa pode inicialmente estabelecer uma estrutura de preço da tarifa (P).
 
	Os custos do trabalho (w) e do capital (k) serão estruturados de forma a atender a exigência da taxa de retorno máxima, uma vez que o valor da tarifa foi inicialmente estipulado. Considerando ainda a assimetria de informações (uma falha de mercado já vista) a empresa pode superdimensionar estes custos, de forma a se apropriar de qualquer retorno adicional acima da taxa de retorno estipulada. É como se a empresa simplesmente maximiza-se o custo para que o resultado da diminuição entre a receita (PxQ) e os custos (wL e rK) nunca ultrapassassem a taxa de retorno máxima.
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	Conforme já descrito, o sistema de regulação Price Cap estabelece uma variação máxima do preço do bem ou serviço oferecido. Esse mecanismo é considerado pouco oneroso às empresas, pois o regulador não precisa dispor de tantas informações da própria empresa. Resumidamente falando, o sistema de price cap, aplicado ao processo de reajuste tarifário, se efetiva segundo a evolução dos preços descontado da expectativa de ganhos de eficiência da empresa calculada pelo regulador.
 
	É importante considerar que o preço máximo é destinado a estabelecer taxas ou preços que serão cobrados por um bem ou serviço. Também já destacado em aula, são exemplos de regulação baseados no método de price cap as cobranças de taxas de bens fornecidos como água e energia elétrica.
4.2.2- Teto de Preços (Price Cap)
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	O método da receita limite (revenue cap) regula o máximo de receita permitida que uma empresa pode obter. O objetivo do regulador é fornecer às empresas reguladas incentivos para maximizar seus ganhos (seu resultado) por meio do controle de custos, de tal forma fazer com as empresas ampliem ao máximo o seu resultado e assim retenham a economia alcançada. A referida política de regulação é normalmente aplicada às empresas monopolistas, sendo uma alternativa ao modelo de price cap.
4.2.3- Receita Limite (Revenue Cap)
4.2.4- Método de Escala Móvel
	O chamado método de escala móvel (sliding scale) permite variações do retorno dos negócios da empresa regulada em torno da taxa de retorno média, ou seja, permite que o retorno financeiro varie dentro de um intervalo. Este esquema permite a comparação de uma taxa de retorno referência, a qual se encontra dentro de uma banda especificada. Durante o período de regulação, a taxa de retorno vigente pode variar dentro da banda sem causar ajustes nas taxas. Entretanto, se a taxa de retorno sair fora da banda estabelecida, é ativado um mecanismo de repartição de lucros ou revisão nas próprias taxas de retorno.
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	No método yardstick, um importante método de padrão de comparação, o desempenho da empresa sob regulação é comparado com um grupo comparável de companhias. Por exemplo, a média de custos de um grupo semelhante de empresas pode servir como padrão de comparação. A preocupação principal neste método é o grau em que as empresas podem ser comparadas em seu ambiente de operação. Outra preocupação é até que ponto os dados podem ser ajustados para quantificar estas diferenças.
4.2.5- Método de Padrão de Comparação (Yardstick)
4.2.6- Padrão de Qualidade nos Serviços
	Sob o nome de regulação da qualidade encontram-se esquemas que buscam garantir a qualidade dos bens ou serviços (expressa em indicadores observáveis pelo regulador) através de exigências ou de incentivos. Isto pode ser encontrado em associação com regulação do preço teto, para impedir o viés potencial desta última contra a qualidade. Por exemplo, as metas de ganhos de produtividade poderiam estar inversamente ligadas à qualidade: acima de certo patamar de qualidade, as metas de produtividade seriam menos duras.
 
	A ideia destafamília de esquemas é compensar impactos negativos da regulação do preço sobre a qualidade, sem exigir o mesmo volume de informação da regulação por custo de serviço.
 
	Feitas as devidas considerações relativas aos esquemas regulatórios, passemos à análise dos aspectos relativos à regulação destinada à defesa da concorrência, ou seja, a regulação destinada a reduzir os impactos decorrentes do poder de mercado de empresas privadas.
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	A livre concorrência esta estabelecida na Constituição Federal, disposto no inciso IV do art. 170. Segundo este a concorrência não pode ser restringida ou subvertida por agentes econômicos com poder de mercado. 
 
	Nesse sentido, é dever do Estado zelar para que as organizações com poder de mercado não abusem deste poder de forma a prejudicar a livre concorrência. A base da defesa da concorrência atualmente vigente no Brasil é a Lei 12529/11, a qual veio revogar alguns artigos da Lei 8.884/94, então norma vigente sobre a regulação da concorrência. Esta trata, dentre outros aspectos, da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e da ampliação dos poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE. A mesma lei representou uma das iniciativas tomadas pelo Estado diante do processo de desestatização da economia bem como pela maior abertura comercial vivida nos anos de 1990.
 
	Como estrutura máxima de defesa da concorrência, cabe ao CADE analisar a possível existência de concentração excessiva num determinado que apresenta consumidores. O CADE destaca alguns conceitos relevantes sobre a livre concorrência:
4.3- Regulação de Mercado e a defesa da concorrência
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Mercado relevante: é definido como sendo um produto ou grupo de produtos e uma área geográfica em que tal(is) produto(s) é (são) produzido(s) ou vendido(s), de forma que uma firma monopolista poderia impor um pequeno, mas significativo e não-transitório aumento de preços, sem que com isso os consumidores migrassem para o consumo de outro produto ou o comprassem em outra região. Esse é chamado teste do monopolista hipotético e o mercado relevante é definido como sendo o menor mercado possível em que tal critério é satisfeito.
Posição dominante: quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa, de tal forma que a empresa ou grupo de empresas, seja capaz de, deliberada e unilateralmente, alterar as condições de mercado.
Poder de Mercado: Uma empresa (ou um grupo de empresas) possui poder de mercado se for capaz de manter seus preços sistematicamente acima do nível competitivo de mercado sem com isso perder todos os seus clientes. Em um ambiente em que nenhuma firma tem poder de mercado não é possível que uma empresa fixe seu preço em um nível superior ao do mercado, pois se assim o fizesse os consumidores naturalmente procurariam outra empresa para lhe fornecer o produto que desejam, ao preço competitivo de mercado.
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Abuso de poder econômico: Abuso de poder econômico é o comportamento de uma empresa ou grupo de empresas que utiliza seu poder de mercado para prejudicar a livre concorrência, por meio de condutas anticompetitivas. A existência de poder de mercado por si só não é considerada infração a ordem econômica. Somente se uma empresa abusa de seu poder de mercado é que ela pode vir a ser condenada com a atual lei 12.529/11.
Concentração horizontal: Uma concentração horizontal ocorre em operações que envolvem agentes econômicos distintos que ofertam produtos ou serviços substitutos entre si.
Concentração vertical: A concentração (ou integração) vertical consiste na operação envolvendo agentes econômicos distintos que ofertam produtos ou serviços pertencentes a etapas diferentes da mesma cadeia produtiva.
Conduta anticoncorrencial: Uma conduta anticoncorrencial é qualquer pratica adotada por um agente econômico, que possa, ainda que potencialmente, causar danos à livre concorrência, mesmo que o infrator não tenha tido intenção de prejudicar o mercado. 
88
	A mesma cartilha procura caracterizar, a partir da Lei 8884/94, as condutas enquadradas como infrações à ordem econômica. Segundo o CADE, e de acordo com o art. 20 da Lei nº 8.884/94, uma conduta é considerada infração à ordem econômica quando sua adoção tem por objeto ou possa acarretar os seguintes efeitos, ainda que só potencialmente: limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência; aumentar arbitrariamente os lucros do agente econômico; dominar mercado relevante de bens ou serviços; ou quando tal conduta significar que o agente econômico está exercendo seu poder de mercado de forma abusiva.
 
	Destaca-se, assim, as seguintes infrações a ordem econômica:
 
Cartel: É um acordo entre agentes econômicos que ofertam produtos substitutos, visando elevação de preços e lucros por meio da divisão de mercado, da combinação de preços, da divisão de cotas de produção, do controle das quantidades produzidas/distribuídas ou da divisão territorial.
 
Preço predatório: Prática deliberada de preços abaixo do custo – a Resolução nº 20 do CADE define, mais precisamente, como preço abaixo do custo variável médio – visando eliminar concorrentes para, posteriormente, explorar o poder de mercado angariado com a prática predatória.
 
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Fixação de preços de revenda: produtor estabelece, mediante contrato, o preço a ser praticado pelos distribuidores/revendedores. A fixação de preços pode muitas vezes ser abusiva e limitar a concorrência entre esses agentes econômicos. Mais uma vez, a prática deve ser avaliada do ponto de vista de sua racionalidade econômica e dos efeitos positivos e negativos que tal prática pode gerar sobre a concorrência.
 
Restrições territoriais e de base de clientes: O produtor estabelece limitações quanto à área de atuação dos distribuidores/revendedores, restringindo a concorrência e a entrada em diferentes regiões. Tal conduta, apesar de ser prática comercial comum, pode ser utilizada como instrumento de formação de cartéis e de elevação unilateral do poder de mercado. Mais uma vez, deve-se analisar a razoabilidade econômica da conduta e o poder de mercado da empresa, sempre sob a ótica dos efeitos a serem coibidos, conforme previstos no artigo 20 da Lei de Defesa da Concorrência.
 
Acordos de exclusividade: Os compradores de determinado bem ou serviço se comprometem a adquiri-lo com exclusividade de determinado vendedor (ou vice-versa), ficando, assim, proibidos de comercializar os bens dos rivais. Tais acordos podem trazer efeitos nocivos à livre concorrência, devendo, novamente, ser analisados considerando-se a razoabilidade econômica da conduta e o poder de mercado da empresa, sob a ótica dos efeitos a serem coibidos, conforme previstos no artigo 20 da Lei de Defesa da Concorrência.
90
Venda casada: O ofertante de determinado bem ou serviço impõe, para a sua venda, que o comprador adquira um outro bem ou serviço. O efeito anticoncorrencial mais visível seria a tentativa de alavancar poder de mercado de um mercado para dominar outro, eliminando concorrentes.
 
Discriminação de preços: O produtor utiliza o seu poder de mercado para fixar preços diferentes para o mesmo produto ou serviço, discriminando-os entre compradores, de forma a se apropriar de parcela do excedente do consumidor e assim elevar os seus lucros.
91
	A maior abertura comercial garante ao país uma melhoria no seu parque produtivo, uma vez que a entrada de produtos estrangeiros de alta qualidade tende a obrigar a s empresas nacionais a melhorarem a qualidade de seus produtos. Não obstante, traz a possibilidade das chamadas práticas desleais, que são caracterizadas pelo dumping, que é colocação no mercado, pelas empresas, de bens com preços abaixo do seu custo de produção, com o objetivo fim de apenas tomar mercado das empresas concorrentes. 
 
	Um segundo tipo de prática desleal é representado pela política de subsídios (que é umavertente do dumping), que consiste, normalmente por parte dos governos dos países onde se encontra a empresa matriz, de arcar com parte dos custos de produção, o que possibilita à empresa, a colocação do produto no mercado consumidor a preços abaixo dos preços das suas concorrentes.
 
	Podemos ainda destacar como práticas desleais realizadas por empresas ou indivíduos, as referentes ao impedimento de acesso de outras empresas às fontes de insumo ou aos seus distribuidores via exigência de exclusividade.
 
	Seguem alguns conceitos, alguns já abordados, outros não, referentes aos chamados Monopólio, Oligopólio e Truste.
4.3.1- As práticas desleais
92
Monopólio: Situação em que um setor do mercado com múltiplos compradores é controlado por um único vendedor de mercadoria ou serviço, tendo capacidade de afetar o preço pelo domínio da oferta. Nesse cenário, os preços tendem a se fixar no nível mais alto para aumentar a margem de lucro. Alguns monopólios são instituídos com apoio legal para estimular um determinado setor da empresa nacional, ou para protegê-la da concorrência estrangeira, supostamente desleal por usar métodos de produção mais eficientes e que barateiam o preço ao consumidor. Outros monopólios são criados pelo Estado sob a justificativa de aumentar a oferta do produto e baratear seu custo. A empresa estatal Petrobrás era a única com permissão para prospecção, pesquisa e refino do petróleo até 1995, quando o Congresso autorizou a entrada de empresas privadas no setor.
Oligopólio: É a prática de mercado em que a oferta de um produto ou serviço, que tem vários compradores, é controlada por pequeno grupo de vendedores. Neste caso, as empresas tornam-se interdependentes e guiam suas políticas de produção de acordo com a política das demais empresas por saberem que, em setores de pouca concorrência, a alteração de preço ou qualidade de um afeta diretamente os demais. O oligopólio força uma batalha diplomática ou uma competição em estratégia. O objetivo é antecipar-se ao movimento do adversário para combatê-lo de forma mais eficaz. O preço tende a variar no nível mais alto. Podem ser citados como exemplos de setores oligopolizados no Brasil o automobilístico e o de fumo.
93
Truste: É a reunião de empresas que perdem seu poder individual e o submetem ao controle de um conselho de trustes. Surge uma nova empresa com poder maior de influência sobre o mercado. Geralmente tais organizações formam monopólios. Os trustes surgiram em 1882 nos EUA, e o temor de que adquirissem poder muito grande e impusessem monopólios muito extensos fez com que logo fossem adotadas leis antitrustes, como a Lei Sherman, aprovada pelos norte-americanos em 1890.
94
(Auditor/TCDF – CESPE/2012) Julgue os itens que se seguem, acerca da presença do Estado na economia.
 
02 No Brasil, não existe um modelo único de Estado regulador, haja vista a vigência, no país, de modelos de regulação que estimulam a concorrência entre empresas e de modelos para o desenvolvimento setorial.
 
03 A formulação de regras é o instrumento do Estado regulador e a alocação orçamentária é a sua principal área de conflito político.
 
04 (Agente de Polícia Federal/DPF – CESPE/2009) A falta de transparência nas decisões acerca dos reajustes de preços regulados pelo governo, diferentemente das revisões, tende a prejudicar os consumidores, sempre mais numerosos, menos organizados e com menos informações.
 
05 (Esp. em Reg. de Serv. Pub. de Telecomunicações./ ANATEL - CESPE/2004) Nos sistemas regulatórios do tipo price cap, a empresa regulada deve fixar seus preços ao nível daqueles fixados pela agência reguladora, implicando, dessa forma, a nulidade de seus lucros.
 
4.4 Exercícios de Fixação
95
(Agente da Polícia Federal/DPF – CESPE/2004) Conceituar regulação não é tarefa fácil. Assim como a noção de serviço público, a de regulação deve levar em conta o tratamento diferenciado imposto por circunstâncias de tempo e de espaço. Isso porque os ordenamentos jurídicos de diferentes Estados, ou do mesmo Estado em diferentes momentos, ou ainda os de unidades federativas de um mesmo Estado, poderão ter, em relação à regulação ou às atividades reguladas, tão diversas visões que não seja possível afirmar a priori que tal ou qual atividade se conforme ou não dentro de sua noção. Corolário lógico dessa realidade, a noção de regulação é naturalmente dependente da forma como o sistema jurídico a contemple, ou seja, é o respectivo sistema jurídico que dirá que gama ou elenco de atividades se incluem no seu âmbito. 
 
Pedro Henrique Poli de Figueiredo. “Uma contribuição para o conceito de regulação do serviço público no Brasil”. In: Marco regulatório, nº. 1 (com adaptações).
 
Considerando o texto acima, julgue os itens a seguir, a respeito da regulação de mercados.
 
06 Regulação de mercados poderia ser definida como o conjunto de ações públicas que busca melhorar a eficiência da alocação dos recursos no mercado, ou aumentar o bem-estar social dessa alocação.
4.4 Exercícios de Fixação
96
07 A regulação visa criar sistemas de competição em setores que tendem a funcionar sob o regime de monopólios naturais, que provocam a existência de custos fixos importantes, grande proporção de investimentos irreversíveis, gerando barreiras à entrada de novos investidores. 
 
08 A regulação visa corrigir a ocorrência de externalidades, como contaminação, utilização de recursos naturais e efeitos da poluição.
 
09 Um aspecto que não precisa ser contemplado pela regulação é a assimetria de informação, que consiste em o produtor ter mais informação que o consumidor e não a transferir, pois o Estado deve deixar que o mercado encontre seu ponto de equilíbrio.
 
10 Uma política adequada de regulação deve ter objetivos claros quantificáveis, tendo presente que regulação não é apenas fixar preço.
 
4.4 Exercícios de Fixação
97
(Escrivão da Polícia Federal/DPF CESPE/2004) Considerando que a análise microeconômica refere-se ao comportamento individual dos agentes econômicos, julgue o item a seguir.
 
11 A tarifação pelo custo do serviço, também conhecida como regulação da taxa interna de retorno — utilizada para a regulação tarifária dos setores de monopólio natural —, requer que os preços remunerem os custos totais e
contenham uma margem que proporcione uma taxa interna de retorno atrativa ao investidor.
 
(Agente de Polícia Federal/DPF – CESPE/2004) A análise microeconômica refere-se ao comportamento individual dos agentes econômicos. A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.
 
12 As formas de regulação incentivada incluem aquelas que se baseiam no controle das tarifas — esquemas regulatórios do tipo sliding scale, price cap e regulação pela taxa de retorno — excluindo, pois, as que utilizam regras de controle de qualidade, bem como a regulação por padrão de comparação.
 
4.4 Exercícios de Fixação
98
(Esp. em Reg. de Serv. Pub. de Telecomunicações/ ANATEL - CESPE/2004) Julgue os itens como falso (f) ou verdadeiro (v):
 
13 Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla uma parte significativa do mercado relevante, unicamente, como fornecedor dos produtos comercializados nessa indústria.
 
14 O suposto acordo entre empresas farmacêuticas, no Brasil, para boicotar distribuidores que vendiam medicamentos genéricos ilustra um tipo de conduta classificável como um caso de cartel.
 
15 No âmbito das políticas regulatórias no Brasil, a posição dominante, baseada no elevado percentual do mercado (market share) é apenada, independentemente de haver ou não prejuízo à livre concorrência. 
4.4 Exercícios de Fixação
99
16 (EPPGG/MPOG – ESAF/2005) Considere o seguinte texto que diz respeito a um problema de informação assimétrica em um modelo do tipo Agente - Principal (adaptado do livro “Competitividade: Mercado, Estado e Organizações”, de E. Farina, P. Azevedo e M. Saes, Ed. Singular, 1997):
 
Dois tipos de ____________ podem ser distinguidos: a) informação oculta - em que as ações do ___________são observáveis e verificáveis pelo __________, mas uma informação relevante ao resultado final é adquirida e
mantida pelo ____________; b) ação oculta - em que as ações do _________ não são observáveis ou verificáveis.
 
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas do texto.
 
a) seleção adversa, agente, principal, agente, agente 
b) risco moral, principal, agente, principal, agente
c) risco moral, agente, principal, principal, principal
d) risco moral, agente, principal, agente, agente
e) seleção adversa, principal, agente, principal, agente
4.4 Exercícios de Fixação
100
17 (EPPGG/MPOG – ESAF/2005) Considere as seguintes definições:
 
I - “concentração que envolve agentes econômicos distintos e competidores entre si que ofertam o mesmo produto ou serviço em um determinado mercado relevante”;
II - “concentração que envolve agentes econômicos distintos que ofertam produtos ou serviços distintos e que fazem parte da mesma cadeia produtiva”.
 
Essas duas definições dizem respeito, respectivamente, a
 
a) concentração vertical e cartel.
b) concentração vertical e concentração horizontal.
c) concentração horizontal e integração vertical.
d) concentração vertical e restrição horizontal.
e) concentração horizontal e integração horizontal.
4.4 Exercícios de Fixação
101
18 (EPPGG/MPOG – ESAF/2008) Considere a seguinte definição para uma conduta considerada infração à ordem econômica:
 
“Os compradores de determinado bem ou serviço se comprometem a adquiri-lo com exclusividade de determinado vendedor (ou viceversa), ficando, assim, proibidos de comercializar os bens dos rivais”.
 
Essa definição refere-se a:
a) preços predatórios.
b) restrições territoriais e de base de clientes.
c) fixação de preços de revenda.
d) acordos de exclusividade.
e) venda casada.
4.4 Exercícios de Fixação
102
19 (ANALISTA TÉCNICO/SUSEP – ESAF/2002) Na análise dos mercados de crédito, vários autores têm destacado que a elevação das taxas de juros não necessariamente aumenta o retorno esperado pelo credor. Argumentam que altas taxas de juros podem piorar a "qualidade" dos projetos a serem financiados, qualidade esta que não é observada pelo credor, a não ser mediante algum custo. Este é um típico problema conhecido na literatura como de 
 
a) propensão ao risco.
b) risco moral com ações ocultas.
c) seleção adversa.
d) externalidade negativa.
e) informação inadequada.
4.4 Exercícios de Fixação
103
	Uma forma útil de deduzir o padrão da demanda agregada, ou seja, das diversas variáveis que compõem a formação da riqueza de um país (Produto Interno Bruto), e de verificar os efeitos das políticas macroeconomicas e atravez do modelo chamado IS-LM. Este estuda o equilíbrio do PIB, incorporando, além do mercado de bens e serviços (compra e venda de bens e serviços), o mercado monetário, mercado este que possui como orientação as taxas de juros aplicadas na economia.
 
	No estudo do modelo IS-LM, vamos considerar que os investimentos realizados pelas empresas (I) depende da taxa de juros de mercado (isto e, aumentos da taxa de juros devem inibir investimentos, seja pelo aumento do custo dos empréstimos, seja porque e relativamente mais atrativo aplicar recursos no mercado financeiro. Veremos também que não e mais possível determinar a renda da economia apenas no mercado de bens e serviços, pois o modelo passa a incluir uma nova variável (a taxa de juros), que e determinada no mercado monetário.
 
	A partir da interação entre os mercados de bens e o monetário, torna-se possível a determinação da renda de equilíbrio da economia (Y) a um determinado nível de taxa de juros de equilíbrio.
5- Políticas fiscal e monetária; outras políticas econômicas.
104
	A curva IS (Investment-Saving) representa as infinitas combinações de renda e taxas de juros existentes no mercado de bens e serviços (mercado real). Em termos de equação, a sua expressão e dada pela formula que é referente a composição do PIB ou também chamada de demanda agregada.
IS (Y) = C + I + G + (X - M)
5.1- O Equilíbrio no mercado de bens – A Curva IS
105
	Se considerarmos que o investimento agregado depende da taxa de juros de mercado (isto é, aumentos da taxa de juros devem inibir investimentos, seja pelo aumento do custo dos empréstimos utilizados na produção, seja porque relativamente e mais atrativo aplicar recursos no mercado financeiro), o mercado de bens deve sofrer impactos diretos diante de variações nos juros. Dessa maneira, aumentos nas taxas de juros tendem a resultar na diminuição da produção e do consumo de bens e serviços.
 
	Esclarecimento 1:
 
	A maior ou menor inclinação da curva IS esta associada a sensibilidade do investimento em relação a taxa de juros. Em mercados de bens e serviços diretamente dependentes de crédito e, consequentemente, das taxas de juros, são mais sensíveis as variações na taxa, de forma que pequenos aumentos podem representar grande diminuição do produto agregado. Em regra, esta e uma das características das economias, incluindo-se o próprio Brasil.
106
	Tendo em mente que os juros interferem diretamente no resultado da economia, podemos calcular o impacto que este provoca sobre o nível de renda. Para isso voltamos a lembrar da igualdade definida na Contabilidade Nacional em que o investimento (I) e igual a poupança (S).
	Uma diminuição dos juros levará a um aumento dos bens e serviços produzidos na economia.
 	Juros de 7% ou 0,07
 
	Equilíbrio S = I 	55 - 200(0,07) = - 40 +0,20Y = 	0,2Y 	Y = 405
 
	De acordo com o gráfico anterior, uma pequena variação nos juros provocou um aumento da renda da economia. Corroborando esse entendimento, verificamos que as alterações nos juros fizeram a renda da economia aumentar de 385 para 405.
107
	É importante destacar que para alguns modelos econômicos mais simplificados, os investimentos não são sensíveis as variações nas taxas de juros. Isso se reflete em uma situação em que os investimentos são autonômos. Nesta condição a curva IS torna-se vertical, dado que aumentos nas taxas de juros não geram impactos negativos sobre a renda da economia.
108
	Considerando que a renda de uma economia fechada e formada pelas variáveis consumo (C), investimentos (I) os gastos do governo (G), e possível saber, por exemplo, qual seria o impacto sobre a renda caso o governo resolvesse aumentar os seus gastos. A essa ação da o nome de política fiscal expansionista.
 
	Y = C + I + G
 
	O resultado do aumento dos gastos e a geração do efeito multiplicador sobre a renda da economia e o consequente deslocamento da curva IS. O processo ocorre da seguinte maneira: o aumento inicial em um determinado setor da economia provoca a geração de renda naquele setor (ex: gastos do governo no setor da construção civil). O aumento da renda se reflete no aumento dos trabalhadores contratados bem como no aumento dos seus salários. Em decorrência deste aumento os assalariados demandarão outros bens em diversos outros mercados, gerando, por consequência, um efeito multiplicador derivado do gasto inicial realizado pelo governo no setor da construção civil.
 
5.2- O aumento dos gastos do governo em uma economia fechada 
(sem relacionamento com o exterior) e a Curva IS
109
	Podemos analisar com o aumento dos gastos governamentais, realizados por meio de uma política fiscal expansionista, a qual gera resultados diretos não somente no mercado de bens, mas também no mercado monetário, o qual é representado pela curva LM.
 
	A priori, destacamos, para fins de fixação, que a curva IS mostra a relação inversa existente entre renda e taxa de juros, representando o lado real da economia.
110
	No chamado mercado monetário, o equilíbrio se da quando a oferta de moeda e igual à demanda por moeda. O aumento da oferta de moeda e representado pela colocação de mais dinheiro na economia para circulação, sendo o próprio ato de colocação realizado pela autoridade monetária, que no nosso país e o Banco Central.
 
	O aumento da oferta monetáriae exógeno, ou seja, não depende de nenhuma outra variável, mas apenas das decisões de política econômica tomadas pelo BACEN. O mercado monetário e o local onde são realizadas e analisadas as interações entre a demanda por moeda por parte dos agentes econômicos e a oferta de moeda realizada inicialmente pelo Banco Central.
 
	Diz-se que o mercado monetário esta em equilíbrio quando a oferta de moeda e igual à demanda por moeda. Vejamos o gráfico abaixo que exemplifica a oferta de moeda, tendo no eixo das abscissas a quantidade de moeda em circulação e no eixo das ordenadas a taxa de juros que determina o preço do dinheiro:
 
5.3- O equilíbrio no mercado monetário - a Curva LM
111
	Destaca-se agora o gráfico que procura exemplificar o comportamento da demanda por moeda, demonstrando que esta apresenta relação inversa com a taxa de juros (i) e direta com o nível de renda da economia (Y). Esta peculiaridade se explica por que se considerarmos que sempre podemos obter um rendimento (juros) ao aplicarmos os nossos recursos financeiros, passa a existir um custo (custo de oportunidade) de retenção dessa moeda em mãos.
 
	Este custo e maior a cada vez que a taxa de juros aumenta. O mesmo raciocínio e valido para a queda nos juros, a qual acaba por estimular a retenção de moeda nas mãos das famílias. Adicionalmente, destaca-se que quanto maior o nível de renda, maior será a demanda por moeda em decorrência da maior procura por bens e serviços. Vejamos esta representação:
112
	Uma vez definidos os determinantes da oferta e da demanda por moeda, podemos caracterizar o equilíbrio no mercado monetário, onde a oferta de moeda será igual à demanda por moeda a um determinado nível de equilíbrio de taxas de juros.
113
	Para que seja instrumentalizada a política monetária o BACEN se utiliza dos chamados instrumentos de política monetária. São eles:
 
• Recolhimentos Compulsórios (reservas obrigatórias);
• Redesconto; e
• Operações de Mercado Aberto (Gerencia da Divida Publica).
5.4- As alterações na oferta de moeda – Os instrumentos de 
política monetária
114
	Para todo deposito a vista depositado pela população em suas contas correntes, uma fração deste valor deve ser depositado de forma compulsória pelos bancos junto ao BACEN. O objetivo deste instrumento esta em permitir que Autoridade Monetária regule o excesso de dinheiro disponível as Instituições Financeiras para a realização de empréstimos e financiamentos.
 
	Assim, quando o Banco Central realiza uma política monetária de redução das alíquotas do recolhimento compulsório sobre os depósitos a vista, visando o estimulo a atividade econômica (PIB), pode-se concluir que esta sendo realizada uma política monetária expansionista dos meios de pagamento.
 
	Em situações que e nítida a probabilidade de geração de aumento de preços devido ao excesso de credito concedido pelos bancos aos agentes econômicos, o BACEN pode promover um aumento da alíquota sobre os recolhimentos compulsórios, reduzindo assim o efeito multiplicador do excesso de credito em circulação.
5.4.1- Recolhimentos Compulsórios
115
	As operações de redesconto consistem no que e definido por assistência financeira de liquidez. As instituições financeiras bancos realizam a intermediação de recursos entre os agentes poupadores e devedores de recursos, cobrando por isto uma determinada taxa de juros. Ocorre que em algumas situações estas instituições podem se encontrar diante de problemas de liquidez, em que são feitos sucessivos saques dos clientes credores e, conjuntamente, o não pagamento dos recursos financeiros tomados por parte dos clientes devedores. Diante desta situação um banco acaba por necessitar de assistência financeira, solicitando ao BACEN a utilização de linha de Redesconto.
 
	Este tipo de operação de empréstimo realizada pelo BACEN e de caráter emergencial, tendo a si associada à cobrança de uma taxa de juros punitiva ao banco tomador dos recursos, já que se entende que a necessidade de recursos foi derivada em maior parte pela falta de administração responsável dos recursos de terceiros pelo banco.
 
	Destaca-se que quando a autoridade monetária deseja realizar uma política monetária expansionista, ela pode reduzir a taxa de juros cobrada sobre as operações de redesconto, o que por si só estimula os bancos a emprestarem mais, uma vez que sabem que, em caso de necessidade, poderão obter recursos com taxa de juros menos punitiva.
5.4.2- Operações de Redesconto (Taxa de Redesconto)
116
	As operações de mercado aberto se constituem na colocação (venda) e retirada (recompra) de títulos públicos federais junto aos bancos. Denomina-se de gerencia da divida publica pelo fato de que os títulos públicos federais em circulação no mercado financeiro são todos emitidos pelo Tesouro Nacional, sendo a emissão condicionadora da geração de divida publica.
 
	A colocação (venda) de títulos públicos aos bancos consiste na retirada de fundos a serem utilizados pelos próprios bancos na forma de empréstimos e financiamentos a população em geral. O objetivo da venda dos títulos públicos pelo BACEN esta em controlar a liquidez da economia, evitando com que haja um excesso de recursos potenciais geradores de processo inflacionário. Os títulos públicos pagam aos bancos proprietários uma taxa de juros remuneratórios, o que faz com que estes tenham interesse em aceitar a oferta por parte do BACEN.
 
	Destaca-se que o resultado da própria colocação dos títulos públicos e o aumento dos juros, uma vez que ocorre uma redução da oferta de moeda no mercado monetário. Conforme vimos, este aumento dos juros tende por si só a reduzir o consumo, especialmente aquele gerador de inflação.
5.4.3- Operações de Mercado Aberto - Colocação e Retirada (recompra) de títulos Públicos 
117
	Vejamos assim, a partir do gráfico de equilíbrio entre a oferta e a demanda pela moeda, os resultados sobre as taxas de juros diante do aumento da oferta de moeda realizada por meio da adoção da política de recompra de títulos públicos.
118
	O resultado das interações entre a oferta e a demanda por moeda deriva na formação da curva LM. As variações positivas na renda provocam a busca (maior demanda) por moeda, elevando as taxas de juros do mercado, uma vez que a oferta de moeda e mantida constante pelo Banco Central. Dessa constatação, pode-se concluir que a renda e os juros variam na mesma direção, possuindo assim uma relação direta. Quando a renda sobe, a taxa de juros também sobe. Quando a renda cai, a taxa de juros também cai.
 
	Esta dinâmica caracteriza a chamada curva LM, a qual demonstra todos os pontos existentes entre as diversas combinações de níveis de renda e de taxas de juros em uma economia.
5.5- A formação da curva LM
119
	É possível ainda realizar a derivação da curva LM a partir das equações de Demanda por moeda e de Oferta por Moeda:
 
Ms = 200 (oferta de moeda)
Mt = 0,25 Y (demanda de moeda para precaução e transação)
Me = 50 - 200 i (demanda de moeda por especulação)
 
O equilíbrio do lado monetário da economia e dado por:
 
	Ms = Md
 
	Sendo Md = Mt + Me 		
	200 = 0,25 Y+ 50-200i 		
	0,25 Y = 150 + 200i	
	Y = 600+800i
 
120
	As curvas IS e LM podem representar a interação entre as políticas econômicas. Para isso representamos graficamente o equilíbrio geral da Economia, situação onde o mercado de bens e serviços e o mercado monetário estão em equilíbrio. Vejamos:
5.6 O lado real e o lado monetário de uma economia fechada: IS x LM
121
	Conforme já apontando, no intuito de estimular a economia, o Banco Central utiliza diversos instrumentos de política monetária, tais como a compra e venda de títulos públicos, chamados de operações de mercado aberto, o compulsório sobre os depósitos de valores realizados nos bancos e o redesconto.
5.7- A realização de políticas monetária, fiscal e os casos extremos
5.7.1- Política Monetária
5.7.1.1- As operações de Mercado Aberto (Open Market)
	A recompra de títulos públicos consiste em aumentar a oferta demoeda na economia, resultando na diminuição das taxas de juros. Essa diminuição estimula o aumento dos investimentos das empresas, gerando maiores gastos com a compra de bens de capital, o que, consequentemente, promove o aumento na oferta de bens e serviços. O aumento de bens ofertados estimula o consumo, tanto pela maior disponibilidade de bens, como também porque, uma vez que os juros estejam menores, maior será o interesse do poupador em gastar os seus recursos ao invés de poupar. O resultado de uma política monetária expansionista pode ser vista a partir do gráfico abaixo.
122
	Sobre os impactos da política monetária há argumentações contrarias a eficácia de uma política monetária expansionista. Trata-se da explicação keynesiana denominada armadilha da liquidez (em que a demanda por moeda é infinitamente elástica em relação à taxa de juros). Para Keynes, uma vez que a economia esteja em depressão, ou seja, os consumidores não compram e as empresas não vendem; o nível de taxa de juros esteja muito baixo, e mesmo assim os consumidores preferem manter os recursos em suas mãos, sem gasta-los, o resultado de uma política monetária expansionista seria inócuo (ponto A), sem o crescimento do consumo e, consequentemente, dos investimentos (a curva LM e horizontal).
Elasticidade: é o tamanho do impacto que uma variável (preço) exerce sobre outra variável ( demanda).
123
	Uma situação que ilustra bem a armadilha de liquidez proposta por Keynes refere-se a Grande Depressão ocorrida nos Estados Unidos no fim dos anos 20, inicio dos anos 30 do século passado. A redução das taxas de juros a níveis mínimos não gerava estimulo a compra de bens e serviços. Sendo ineficiente a política monetária, coube ao governo à função de estimular o processo econômico por meio do aumento dos seus gastos em setores que se encontravam em recessão.
124
	O aumento das despesas via gastos públicos (G) ou diminuição dos impostos (T) são políticas defendidas pelos keynesianos como a melhor forma de gerar resultados positivos sobre o aumento da renda da economia, especialmente em situações de armadilha da liquidez. De acordo com o modelo IS-LM, uma política fiscal expansionista tem os efeitos de aumentar a renda e a taxa de juros, enquanto que a política contracionista tem o objetivo de diminuir a renda e os juros. A política fiscal expansionista desloca a curva IS para a direita, conforme o gráfico abaixo:
 5.8- Política Fiscal
125
	O motivo do aumento dos juros e fácil de ser entendido. Como o Banco Central não alterou a oferta de moeda na economia, a demanda por moeda acaba por aumentar as taxas de juros, uma vez que as despesas do governo aumentam as trocas entre os agentes econômicos, diminuindo os saldos de aplicações financeiras. Este conceito e a própria definição do equilíbrio do lado monetário da economia.
 
	O efeito contrário da política de aumento dos gastos governamentais e o de que o aumento dos juros provocara uma diminuição do nível de investimento privado. Esse efeito e conhecido como efeito crowding-out, ou seja, e a expulsão do setor privado diante da política de aumento dos gastos governamentais.
 
	Debates em torno da política de gastos do governo permeiam as discussões sobre a participação do Estado no processo econômico. O excesso de gastos do governo, financiado por meio da captação de poupança da população (constituição de dividas junto ao setor financeiro), tende a tornar mais caro o preço do dinheiro aos consumidores, desestimulando o consumo e, por conseguinte, os investimentos das empresas. A eficácia da política fiscal pode se dar principalmente em períodos de grande recessão econômica. Para os economistas keynesianos, o aumento dos gastos do governo e extremamente eficaz, pois, diante de uma recessão, quando as taxas de juros são muito baixas, aumentos nos gastos (G) provocarão o aumento da renda e do emprego, não impactando, num primeiro momento, os investimentos.
126
	Diferentemente da visão keynesiana, para os chamados economistas clássicos, o efeito do aumento dos gastos do governo não e eficaz para estimular o crescimento da renda, gerando resultados apenas sobre o aumento dos juros. Essa argumentação parte do principio de que os juros já se encontram em um patamar alto, tornando o mercado de demanda por moeda pouco liquido, ou seja, para se captar mais recursos financeiros, torna-se necessário o pagamento de altas taxas de juros. A esse entendimento denomina-se “caso clássico”.
 
	Uma vez que exista pouca oferta de moeda no mercado, aumentos nos gastos serão contrabalançados pelo aumento ainda maior dos juros, resultando na queda do investimento (dependente dos juros) e tornando nulo o efeito multiplicador dos gastos do governo. Esse feito e conhecido como efeito “crownding-out total” (demanda por moeda totalmente inelástica, dado as altas taxas de juros vigentes), ou seja, o aumento dos gastos e anulado pela diminuição do consumo e, principalmente, dos investimentos.
127
128
	As políticas monetárias e fiscais são realizadas de forma integrada pelo governo, principalmente nos países em que o Banco Central, responsável pela condução da política monetária, não e independente. Dentre os casos apresentados ate agora por nos, podemos ilustrar a interação das políticas da seguinte forma:
 
	Imaginemos que o governo resolva expandir seus gastos para aumentar o nível de emprego. Como resultado, verifica-se que a política fiscal gerara o aumento das taxas de juros, uma vez que a demanda por moeda aumentara. Diante deste impacto o Banco Central pode intervir através de uma política monetária que expanda a oferta de moeda, evitando o aumento dos juros. Este exemplo leva a economia a seguinte situação:
 5.9- A interação entre as políticas Monetária e Fiscal – Modelos ISLM
129
	O governo aumentara seus gastos (G) gerando o aumento da demanda agregada (Y). Esta política leva ao aumento dos juros que, no entanto, será compensada pelo aumento da oferta de moeda pelo Banco Central. Uma vez que ocorra o aumento da oferta de moeda, os juros não sofreram pressão ascendente, de forma que o efeito do multiplicador via gastos(G) não seja minimizado por uma queda dos investimentos.
 
	Importante ressaltar, conforme destacado quando do inicio do estudo da macroeconomia, que a economia deve estar com desemprego dos fatores de produção (mão-de-obra maquina). Na verdade, caso todos os fatores de produção estejam operando em sua capacidade máxima (fabricas produzindo em nível Máximo, não existência de desemprego involuntário), o impacto de uma política de estimulo a atividade econômica gerara somente inflação, dado que a própria falta de oferta de novos bens produzidos tende a contribuir para o aumento dos preços. O resultado da interação das políticas monetária e fiscal e diretamente dependente das relações que o país possui com o exterior. Neste contexto, torna-se fundamental o entendimento do comportamento de variáveis como a exportação e a importação de bens e serviços. Por constituírem, respectivamente, injeções e vazamentos de renda da economia do país, constituem variáveis relevantes nas analises realizadas pelo Banco Central e pelo governo federal com o intento de promoção do crescimento e desenvolvimento do país.
 
	As recentes ações adotadas pelo governo Dilma, a exemplo do aumento da tributação sobre automóveis importados e a elevação das alíquotas sobre compras com cartão de credito realizadas no exterior, representam uma política protecionista tanto da indústria nacional quanto do fluxo de moeda estrangeira na economia.
130
(AUDITOR/TCDF – CESPE/2012) A respeito de macroeconomia, julgue os itens subsequentes.
 
01 De acordo com o modelo IS-LM, uma política monetária expansionista associada a uma política fiscal contracionista determina um crescimento econômico com redução das taxas de juros.
 
02 Qualquer ponto sobre a curva IS demonstra implicitamente que o mercado de bens esta em equilíbrio, enquanto qualquer ponto sobrea curva LM demonstra implicitamente que os mercados financeiros estão em equilíbrio.
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Política Monetária - Isolada - Expansionista: 
eleva a quantidade de moeda em circulação;
reduz a taxa de juros;
desloca a curva LM para baixo e para direita;
estimula o consumo das famílias;
estimula o investimentos das empresas;
crescimento do PIB.
Política Monetária Expansionista combinada com Política Fiscal Contracionista
diminuição dos gastos;
aumento da tributação, seja por meio da diminuição do gasto ou pelo aumento dos tributos;
curva IS se desloca para baixo e para a esquerda em relação ao equilibrio;
redução da taxa de juros com a manutenção do PIB sem crescimento económico.
131
(Economista/ANATEL – CESPE/2008 - modificado) teoria econômica divide seus estudos sob os ângulos micro e macro. Em termos gerais, à microeconomia cabe a análise dos mercados nos quais as famílias e as empresas estão inseridas, via, entre outros meios, o entendimento da oferta e da demanda, dos mecanismos de formação de preços e das estruturas de mercado; à macroeconomia cabe o estudo dos agregados, e, para isso, entre outros temas, ela trabalha com o da inflação e das políticas fiscal e monetária, com a contabilidade social ou nacional, preocupando-se com a medição desses agregados
 
À luz do texto apresentado, julgue o item a seguir, relativo à macroeconomia.
 
03 Em relação a curva LM, podem-se destacar três trechos, quais sejam, o clássico, o keynesiano e o intermediário. No clássico, a elasticidade da demanda de moeda em relação a taxa de juros e infinita, enquanto, no trecho keynesiano, essa elasticidade e igual a zero.
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
132
(Analista de Trans. Urba./Sec. Plan. DF – CESPE/2008) A curva IS (investment saving) mostra as condições de equilíbrio no mercado de bens e a curva LM (liquidity money) representa o equilíbrio no mercado de ativos. No que concerne a esses conceitos, julgue os itens seguintes.
 
04 Desconsiderando-se situações extremas, o aumento da oferta de moeda provoca aumento do investimento e conseqüente aumento da renda da economia.
 
05 Na armadilha da liquidez, a curva LM será totalmente horizontal e a política monetária não terá efeito algum sobre a renda. 
 
06 O aumento do gasto publico faz aumentar a renda e também o investimento privado.
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
133
(Analista Gestão Pública/Perf. Vitória – CESPE/2008) A teoria macroeconômica estuda a mensuração e o comportamento dos grandes agregados econômicos. Utilizando os conceitos básicos dessa teoria, julgue os itens subsequentes.
 
07 Em 2006, a redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) aplicada a determinados itens de materiais de construção, por ter aumentado a renda disponível da economia brasileira, provocou um deslocamento ao longo da curva IS da economia brasileira.
 
08 A venda de títulos públicos por meio das operações de mercado aberto constitui exemplo de política monetária restritiva, utilizada para combater processos inflacionários.
 
(Analista Adm. e Financ./SEC. Gest.- ES – CESPE/2007 - Modificado) Com base na teoria macroeconômica, que analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos, julgue o item a seguir.
 
09 Aumentos dos gastos públicos com programas de transferência de renda, como o programa Bolsa Família, elevam a renda disponível das famílias e deslocam a curva IS para cima e para a direita.
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
134
(Escrivão da Polícia Federal – Concurso Nacional – CESPE/2004) Considerando que a macroeconomia analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos, julgue o item que se segue:
 
10 Em razão da existência da armadilha da liquidez, na visão keynesiana, os impactos das políticas monetárias sobre a taxa de juros e, portanto, sobre os níveis de atividade econômica, são fortemente acentuados durante os períodos recessivos.
 
(Consultor/Senado Federal – Política Econômica – CESPE/2002)
 
11 A curva LM e ascendente porque, quanto mais elevado for o nível de renda, maior será a demanda por saldos monetários reais e, portanto, maior será a taxa de juros de equilíbrio.
 
(Técnico de Pesquisa/IPEA – CESPE/2008) A evolução da macroeconomia foi marcada por disputas e conflitos entre diversas escolas de pensamento. Ainda hoje, propostas de política econômica distintas e conflitantes se assentam sobre interpretações distintas do funcionamento da economia. No que se refere ao conteúdo principal do pensamento das diversas escolas macroeconômicas, julgue o item:
 
12 No modelo IS-LM, o nível de renda depende da taxa de juros que e definida pelo Banco Central.
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
135
(Técnico de Pesquisa do IPEA – CESPE/2008) Em relação aos conceitos essenciais da economia bancária e financeira, julgue o item
 
13 No Brasil, as operações de redesconto ou assistência financeira de liquidez servem tanto para o banco central atuar na sua função de “emprestador de ultima instancia” do sistema financeiro, quanto para efetuar o gerenciamento diário de liquidez deste sistema, ao funcionar como “válvula de segurança” das instituições financeiras.
 
14 (Auditor-Fiscal/Sec. Fazenda RJ – FGV/2011) A inflação acumulada nos últimos doze meses encontra-se no mês de abril de 2011 acima da meta de inflação adotada no país. Para trazer de volta a inflação para a meta, a melhor combinação de políticas monetária e fiscal é, respectivamente,
a) elevação da Selic e dos gastos do governo.
b) redução da Selic e dos gastos do governo.
c) elevação da Selic e contração dos gastos do governo.
d) redução dos gastos do governo e da Selic.
e) redução dos gastos do governo e elevação da Selic
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
136
15 (Consultor do Senado/Consultor do Senado – FGV/2008) Considerando o modelo IS-LM em uma economia fechada, dado o nível geral de preços, não é correto afirmar que:
a) quanto mais elástico for o investimento privado a taxa de juros, mais eficaz será a política monetária.
b) quanto mais elástica for a demanda por moeda a taxa de juros, mais eficaz será a política monetária.
c) quando a economia se encontra na situação chamada de “armadilha da liquidez”, a política fiscal tem eficácia máxima.
d) quanto menor o multiplicador dos gastos do governo, maior será o efeito de uma contração da oferta de moeda.
e) o grau de eficácia da política monetária depende da magnitude da propensão marginal a poupar dos consumidores.
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
137
16 (Consultor do Senado/Consultor do Senado – FGV/2008) Avalie as afirmativas a seguir, considerando o modelo IS-LM em uma economia fechada:
 
I. Se o governo conduz um aumento do nível de impostos e o Banco Central mantém inalterada a oferta monetária, tudo o mais constante, o resultado é uma diminuição do nível de renda.
II. Se o governo conduz um aumento do nível de impostos e o Banco Central deseja manter inalterada a taxa de juros, tudo o mais constante, deve ser realizado um aumento da oferta monetária.
III. Se o governo conduz um aumento do nível de impostos e se o Banco Central aumenta a oferta de moeda, o nível de renda pode se manter inalterado desde que haja um aumento da taxa de juros, ceteris paribus.
 
Assinale:
 
a) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
b) se apenas as afirmativa I e II estiverem corretas.
c) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
d) se apenas a afirmativa I estiver correta.
e) se todas as afirmativas estiverem incorretas.
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
138
17 (AFRFB/SRFB – ESAF/2009) Considere o modelo IS/LM sem os casos clássico e da armadilha da liquidez. É incorreto afirmar que:
a) quanto maior a taxa de juros, menor a demanda por moeda.
b) um aumento da base monetária reduz a taxa de juros.
c) uma política fiscal expansionista reduz a demanda por moeda.
d) quanto maior a renda, maior a demanda por moeda.
e) um aumento dos gastos do governo eleva a taxa de juros.
 
18 (AFRFB/SRFB – ESAF/2005) Não é verdadeirono modelo IS/LM sem os “casos extremos”:
a) mantidas as condições de equilíbrio do modelo, um aumento no nível geral de preços tem que ser compensado por uma queda na demanda agregada ou, em outras palavras, podemos determinar a curva de demanda agregada a partir do modelo IS/LM.
b) a demanda por moeda aumenta com o aumento da renda, o que explica os impactos de uma política fiscal expansionista sobre as taxas de juros.
c) um aumento do nível de investimento autônomo eleva a taxa de juros.
d) um aumento dos gastos do governo eleva a taxa de juros.
e) a demanda por moeda aumenta com a taxa de juros.
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
A realização de uma política fiscal expansionista (aumento dos gastos do governo ou redução dos tributos), leva a um aumento da demanda agregada (curva IS), estimulando o crescimento da produção de bens e serviços. O aumento do nível da renda leva ao aumento da procura por moeda, promovendo um aumento dos juros.
139
19 (ANALISTA/BACEN – ESAF/2002) Considere o modelo IS/LM com as seguintes hipóteses: ausência dos casos "clássico" e da "armadilha da liquidez"; a curva IS é dada pelo "modelo keynesiano simplificado" supondo que os investimentos não dependam da taxa de juros. Com base nestas informações, é incorreto afirmar que:
a) aumento nos investimentos autônomos eleva o produto.
b) uma política monetária contracionista reduz o produto.
c) um aumento no consumo autônomo eleva o produto.
d) uma elevação nas exportações eleva as taxas de juros.
e) uma política fiscal expansionista eleva as taxas de juros
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
140
 
20 (APO/MPOG – ESAF/2008) Com relação à política monetária, identifique a única opção incorreta.
a) A política monetária apresenta maior eficácia do que a política fiscal quando o objetivo e uma melhoria na distribuição de renda.
b) Se o objetivo e o controle da inflação, a medida apropriada de política monetária seria diminuir o estoque monetário da economia, como, por exemplo, o aumento da taxa de reservas compulsórias (percentual sobre os depósitos que os bancos comerciais devem colocar a disposição do Banco Central).
c) A política econômica deve ser executada por meio de uma combinação adequada de instrumentos fiscais e monetários.
d) Uma vantagem, frequentemente apontada, da política monetária sobre a fiscal e que a primeira pode ser implementada logo apos a sua aprovação, dado que depende apenas de decisões diretas das autoridades monetárias, enquanto que a implementação de políticas fiscais depende de votação do Congresso.
e) A política monetária refere-se a atuação do governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos.
 
5.9.1- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
141
 
	Quando a economia de um país realiza transações com o exterior, nos moldes das operações de exportação e importação, torna-se necessário mensurar o valor do produto estrangeiro em moeda nacional, nos casos em que este será importado, da mesma forma que quando um produto for exportado, torna-se necessária a mensuração do produto nacional em moeda estrangeira. A forma encontrada para realizar estas mensurações e por meio da taxa de cambio, que representa o preço da moeda estrangeira em moeda nacional.
 
	Feita esta consideração inicial, podemos destacar frases que rotineiramente escutamos nos telejornais, como:	“O real se desvalorizou perante o dólar, fechando cotado a R$ 2,25!”
 
	O que se pode entender desta afirmação e que agora, para se comprar uma unidade de dólar americano, e necessário mais unidades de reais. Para que tenha ocorrido uma desvalorização do real, conforme o caso acima, e necessário que anteriormente a desvalorização fosse preciso menos do que R$ 2,25 para se comprar o mesmo dólar (Ex: R$ 2,00).
6- A abertura da Economia e as Políticas Fiscal e Monetária
142
 	O que determina a variação no valor da moeda estrangeira em relação à moeda nacional e a oferta e a demanda por dólares. A oferta de dólares representa o total de divisas estrangeiras a disposição do país. A origem da entrada de dólares e advinda da exportação de mercadorias e serviços, dos empréstimos, financiamentos e investimentos estrangeiros realizados no país. A característica peculiar do dólar e que esta e a principal moeda de negociação internacional, devido especialmente ao tamanho da economia americana e a relativa estabilidade da moeda estrangeira.
 
	A demanda de divisas e exatamente o caso contrario da oferta. As importações de bens e serviços, as viagens internacionais, os empréstimos e investimentos realizados no exterior são as motivações de demanda por moeda estrangeira dentro da economia nacional. Assim, partindo-se da relação entre oferta e demanda por moeda estrangeira podemos derivar o seguinte gráfico, em que no eixo das abscissas encontra-se a quantidade de moeda estrangeira e no eixo das ordenadas a taxa de cambio de negociação.
 
6.1- Taxa Nominal de Câmbio
143
 	A taxa de cambio de equilíbrio e determinada pelo encontro entre a demanda (D) e a oferta (O) de divisas. Uma taxa de cambio de R$ 2,50 = US$ 1 provoca um desequilíbrio no mercado cambial, uma vez que a quantidade ofertada de moeda estrangeira e maior do que a quantidade demandada.
 
	Diferentemente, uma taxa de cambio R$ 2,00 = US$ 1 provoca outro desequilíbrio, com a quantidade demandada maior do que a quantidade ofertada. Destaca-se, no entanto, que em um mercado de taxas de cambio livres ou flutuantes, a oferta sempre se ajusta a demanda e vice-versa.
 
	Dando continuidade, podemos definir que a taxa de cambio ate agora trabalhada por nos e chamada de taxa nominal, ou seja, a taxa que simplesmente demonstra quantos reais nos necessitamos para comprar um dólar dentro do país.
 
144
 	A taxa de cambio real demonstra a relação entre os preços de um mesmo bem em duas economias distintas, uma nacional e outra estrangeira. Matematicamente podemos representar a taxa de cambio real por “E”, sendo o seu resultado derivado da relação existente entre a taxa de cambio nominal por “e”, o preço do bem nos pais estrangeiro “P*” e o preço do bem nacional “P”. Sendo assim, tem-se que:
 	E = e.P*/P
 
Imagine que a taxa de cambio nominal que equilibra o mercado de divisas seja igual a 2,25 reais por dólar e que um determinado bem, por exemplo, soja, custe 20 reais no Brasil e 8 dólares nos Estados Unidos. Nessas condições temos determinada a seguinte taxa real de cambio:
 
	E = 2,25 x 8 / 20 = 0,9
 
	Veja que a taxa real de cambio e igual a 0,9, o que implica em dizer que este produto e mais barato no exterior do que dentro do país. Perceba que a multiplicação do preço do produto em moeda estrangeira vezes a cotação da taxa nominal de cambio e igual a 18. Caso a taxa real de cambio fosse maior do que 1 (E > 1), o produto no pais seria mais barato do que no exterior. A taxa real de cambio demonstra a expressão chamada termos de troca, que nada mais e do que a medição de negociação de um mesmo bem vendido em diferentes países, tendo como parâmetro uma mesma unidade monetária.
6.2- Taxa real de câmbio e os termos de troca
145
 	Diante destas informações, verifica-se que quando a taxa real de cambio e menor do que 1, (E) < 1, vale mais a pena importar o produto do exterior do que a taxa nominal de cambio seja igual a 2,5, “e” = 2,5. Vejamos:
 
	E = e P*/P = 2,5*8/20 = 1
 
	Uma taxa nominal de cambio igual a R$ 2,50 por US$ garante o que a literatura denomina de Paridade de Poder de Compra (Purchasing Power Parity - PPP).
6.3- Regime de câmbio flexível ou flutuante
	Em economia e comum denominarmos a taxa de cambio a partir do regime vigente, ou seja, uma taxa de cambio flexível esta associada a um regime de cambio flexível. Considerado este ponto inicial, temos que um regime de cambio flexível ou flutuante e representado pela taxa de cambio que varia “ao sabor” das variações na oferta e na demanda de divisas estrangeiras. Alguns exemplos da realidade econômica ajudam a entender o comportamento da taxa de cambio em um regime flexível ou flutuante. Caso tenhamosa diminuição do imposto de importação, ocorrera naturalmente um aumento na demanda por cambio, uma vez que se tornou mais barato comprar produtos do exterior. Esse aumento do cambio tende a provocar uma desvalorização da taxa.
 
	A ocorrência da diminuição do imposto de importação e representada pelo seguinte comportamento gráfico da oferta e da demanda por divisas estrangeiras:
146
	Caso o governo tome medida inversa, aumentando o imposto de importação, ocorrera a diminuição da demanda por cambio, valorizando a moeda nacional, uma vez que estamos diante de um regime flexível. Vejamos graficamente:
147
	Imagine agora que ocorra um aumento na oferta de divisas provocada por políticas de exportação agressivas e pelo crescimento de investimentos estrangeiros no país. O resultado será um aumento da oferta de moeda estrangeiro, valorizando novamente a taxa de cambio, conforme verificado pelo gráfico abaixo.
	Finalmente, imagine o caso em que ocorra uma saída de capitais estrangeiros do país ou mesmo uma política agressiva no exterior contra a entrada de produtos exportados pelo Brasil. Nessa hipótese haverá uma desvalorização do cambio.
148
 	No regime de cambio fixo a taxa de troca entre a moeda nacional e a moeda estrangeira e fixa, sendo definida pela autoridade monetária, no caso o Banco Central, através de lei que assim o autoriza. Para manter a taxa de cambio fixa, o Banco Central deve estar preparado para a necessidade de ofertar ou de demandar moeda estrangeira.
	O instrumento que e utilizado pela autoridade monetária para manter o cambio constante são as reservas internacionais. Sempre que a demanda por moeda estrangeira for maior do que a oferta, pressionando a taxa que deve ser fixa, o Banco Central vende moeda estrangeira ao mercado demandante. Em situação contraria, ou seja, caso a oferta seja maior que a demanda, ele compra moeda estrangeira do mercado, resultando em um aumento das reservas internacionais. Vejamos graficamente estas conclusões:
6.4- Regime de câmbio fixo
149
	O quantum da variação na taxa de cambio no sentido de valorização ou desvalorização esta diretamente relacionado a sensibilidade que a oferta e a demanda de divisas possuem em relação aos fatores externos. Conforme dissemos anteriormente, na medida em que ocorram aumentos e diminuições de impostos sobre o comercio exterior, maiores ou menores serão os impactos sobre o cambio.
6.5- A taxa de câmbio, a elasticidade da oferta e da demanda de divisas e 
a formação da curva BP
150
 	Ocorrido um aumento na demanda por moeda, para uma mesma oferta, os impactos sobre a depreciação da taxa de cambio atingem diferentes magnitudes em função da elasticidade da oferta. Na analise do modelo IS-LM para uma economia aberta, adicionaremos a analise a denominada curva BP, representativa do resultado das políticas econômicas sobre o Balanço de Pagamentos. O grau dos impactos da entrada e saída de recursos via balanço de pagamentos será representada pela curva BP que, quanto mais elástica, demonstrara que maior e a chamada mobilidade de capitais, ou seja, eles podem entrar e sair do país livremente, sem a existência de restrições de ordem legal, técnica ou comercial.
 
151
 	No estudo do modelo IS-LM foram definidos os conceitos da curva IS, que representa o mercado de bens e serviços, e da curva LM, representativa do mercado monetário. Através da interação entre as políticas monetária e fiscal foi possível analisar os impactos gerados sobre os níveis de renda e taxa de juros da economia.
	Os resultados obtidos baseavam-se no pressuposto de que a economia do país era fechada, ou seja, sem levar em consideração os impactos das políticas econômicas sobre o balanço de pagamentos, além de considerar que a economia encontra-se com desemprego dos fatores de produção.
 
	A partir de agora, introduziremos na analise do modelo IS-LM a chamada política cambial, uma vez que a economia dos pais realiza transações de compra e venda de bens e serviços e envia e recebe fluxo de empréstimos, financiamento e investimentos com o exterior. O estudo da macroeconomia aberta esta baseado no modelo Mundell-Fleming, que compara os impactos das políticas fiscal e monetária sobre o resultado economia, considerando para isto o regime cambial adotado. O modelo em questão e valido para uma pequena economia aberta, como no caso do Brasil.
7- Políticas Fiscal e Monetária – Modelos IS-LM; BP; Economia Aberta
152
 	Para que a analise do modelo Mundell-Fleming seja fundamentada, e importante que façamos algumas ressalvas quanto às curvas IS e LM. Em relação à curva representativa do mercado de bens (IS), esta passa a ser estruturada por cinco componentes, quais sejam o consumo agregado (C), o investimento agregado (I), os gastos do governo (G), as exportações (X) e as importações (M).
 
	IS = C + I + G + (X – M)
 
	Esta consideração e feita devido ao fato de a curva IS estar agora diretamente dependente também do regime cambial vigente, uma vez que esta variável atua diretamente sobre o resultado do balanço de bens e serviços não fatores (X – M).
 
	Conforme verificado, na ocorrência de uma valorização ou apreciação da taxa de cambio, ou seja, na necessidade de menos unidades de moeda nacional para comprarmos uma unidade de moeda estrangeira, as importações de bens e serviços serão estimuladas. De forma inversa, caso ocorra uma desvalorização ou depreciação da moeda nacional frente à moeda estrangeira, o resultado e um estimulo as exportações do país. Com o aumento das importações, teremos a saída de recursos do país para o exterior, impactando negativamente a renda da economia. Já quando ocorrer o aumento das exportações, terá a entrada adicional de renda na economia.
153
 	Uma conceituação adicional e a de que existe uma relação direta entre a taxa de juros e o volume de capitais externos ingressantes. Em situações em que a taxa de juros encontra-se alta, maior e o fluxo de capitais destinados ao país. E como se estivéssemos pensando em uma poupança, que, diante de um aumento dos juros, ocorre um incremento nos saldos dos recursos aplicados. Sobre o impacto do aumento dos juros nos fluxos de capitais estrangeiros, leva-se em consideração o grau de abertura da economia, ou seja, se a legislação do país e rígida quanto à mobilidade desses capitais (entrar e fácil, e sair?). Essa interpretação se traduz em dizer se o país possui uma alta mobilidade de capital (inexistência de amarras a entrada e saída de capitais estrangeiros) ou baixa mobilidade de capitais estrangeiros (dificuldade de saída dos capitais).
 
	O grau de mobilidade dos capitais e importante, pois e através desta característica que se saberá como o resultado das variações nos juros remuneratórios impactam a taxa de cambio e, consequentemente, o balanço de pagamentos.
 
	Com estas considerações e possível derivarmos a nova formatação dos gráficos que serão utilizados na verificação dos impactos das políticas fiscal e monetária sobre a taxa de juros e o nível de renda de equilíbrio. Assim, iniciamos com a situação em que o país possui uma perfeita mobilidade de capital, ou seja, a curva representativa do Balanço de Pagamentos e infinitamente elástica. Vejamos o gráfico abaixo:
7.1- A curva BP
154
 	Existem países que apresentam amarras a saída de capitais estrangeiros ingressados, caracterizadas por quarentenas, ou seja, o investimento entrante no país não pode ser remetido de volta no dia seguinte, respeitando apenas os interesses do investidor, devendo ficar aplicado na economia do país no mínimo por quarenta dias.
 	Trata-se de uma medida arbitraria dos governos, mas utilizada como forma de proteger a economia do país a fluxos exacerbados de capital especulativo estrangeiro. Em situações em que a saída do capital investido no país e proibida, a curva representativa da mobilidade de capitais se altera, sendo completamente inelástica. Vejamos:
155
 	Destaca-se que as economias dos países podem apresentar mobilidades de capital diferenciadas,sendo estas representadas por situações intermediarias entre a perfeita mobilidade de capitais e a total imperfeição de mobilidade de capitais. Não menos importante, para fins de entendimento deste tópico, e necessário atentar para o fato de que a economia somente estará em equilíbrio quando existir a igualdade entre as três curvas, IS-LM-BP.
156
 	Na analise do modelo IS-LM-BP devem ser considerados os resultados das políticas monetárias e fiscais em função do regime cambial vigente.
8.2- Os impactos das políticas fiscal e monetária em uma economia aberta
8.2.1- Política Monetária expansionista em um regime de câmbio fixo
	Um importante conceito adicional a ser tratado na analise dos impactos das políticas econômicas diante do regime de cambio fixo refere-se novamente a operacionalização da manutenção do valor da taxa em patamar único.
 
	Conforme afirmado quando conceituamos o regime cambial fixo, o BACEN utiliza-se das reservas internacionais como ferramenta de manutenção da taxa, ou seja, caso a demanda seja maior do que a oferta de cambio, para que não haja pressões no sentido de desvalorização da taxa, o BACEN vende reservas internacionais, voltando a equilibrar a oferta a demanda por cambio num mesmo patamar de taxa. Ocorre, no entanto, que como a taxa de cambio e fixa, a quantidade de reais necessária para se comprar uma unidade de moeda estrangeira deve ser a mesma, sempre.
157
 	Em situações na qual a demanda por moeda estrangeira e maior do que a oferta, ou seja, os agentes econômicos estão utilizando reais para comprar dólares, para que o BACEN mantenha a cotação fixa, toda vez que ele entregar uma unidade de moeda estrangeira ao demandante de cambio, que retirara estes dólares do país, o BACEN devera obrigatoriamente retirar de circulação o equivalente em reais, afinal de contas esta e única forma da Autoridade Monetária manter a cotação fixa, especialmente porque se os dólares não circulam mais na economia nacional, não ha porque os reais também circularem pois, se assim fosse, haveria quebra da relação fixa da taxa de cambio.
 
	Sendo assim, vejamos qual será o impacto de uma política monetária expansionista em uma economia em que vigora a taxa de cambio fixa, considerando na abordagem uns pais que apresenta perfeita mobilidade de capitais (BP horizontal).
 
	Com o aumento da oferta de moeda, a curva LM desloca-se para a direita e para baixo, elevando a renda para o nível Y2. Quando um país enriquece e padrão o aumento das importações. No exemplo em questão, como não há razão para supor que as exportações tenham-se alterado, uma vez que a taxa de cambio e fixa, o saldo do balanço de pagamentos (balanço comercial) certamente piora.
158
	A segunda consequência refere-se à queda dos juros. Esta leva a saída de capitais do país, dada a existência de uma taxa de juros remuneratória no exterior mais atraente que no país. Adicionalmente, como a economia opera em um regime de cambio fixo, a saída de capitais provoca automaticamente a redução do credito interno, uma vez que para cada moeda estrangeira que sai da economia, torna-se necessário para a Autoridade Monetária a diminuição de uma unidade de moeda nacional. Diante da retirada forcada de moeda da economia, toda a expansão monetária realizada anteriormente pelo Banco Central e anulada, dado que ocorre uma saída de divisas gerada pela redução dos juros. Necessitando manter a paridade entre a moeda estrangeira e a moeda nacional, o Banco Central vende cambio reduzindo a oferta de moeda na economia. (No gráfico, a renda volta de Y2 para Y1).
159
	Pelo exposto, e possível concluir que a política monetária é ineficaz no objetivo de elevar a renda da economia diante de um regime de câmbio fixo e com perfeita mobilidade de capitais. Um destaque importante a ser feito referente à efetividade da política monetária em um regime de cambio fixo e o de que quando a mobilidade de capital e nula (totalmente imperfeita (BP vertical)), o resultado da política monetária será positivo. Esta situação acaba por caracterizar uma economia fechada, em que os impactos da política monetária são positivos sobre a renda, conforme visto por nos anteriormente. Para que fique claro para vocês, como não há qualquer mobilidade de capital, entende-se que o BP esta em equilíbrio, não sendo necessário sequer a sua representação no gráfico.
160
 	Ao invés de abordarmos apenas a interação entre a política fiscal e a curva BP em condições de total perfeição ou imperfeição de mobilidade de capitais, optamos em realizar uma abordagem com a curva BP apresentando baixa mobilidade de capital (mas não nula) e alta mobilidade de capital (mas não total).
 
	Uma política fiscal expansionista baseada na redução da tributação provoca um aumento da renda e, consequentemente, um aumento das importações. Como a economia encontra-se em um regime de cambio fixo, não ha que se falar em estimulo as exportações. Em resultado a política fiscal expansionista ocorre um déficit no balanço comercial e de serviços não fatores e consequentemente, das transações correntes. Adicionalmente, devido à política fiscal expansionista, ocorre um aumento da taxa de juros, o que acaba por estimular a entrada de capitais especulativos. O resultado do aumento de juros sobre a conta financeira leva em consideração a mobilidade imperfeita de capital (baixa mobilidade), o que poderá fazer com que a saída de divisas provenientes das importações seja muito maior que a entrada de capitais. Devido a este resultado, ocorre uma redução do credito (deslocamento da curva LM) interno e uma minimização dos impactos positivos sobre a renda provocados pela redução da tributação.
8.2.2- Política Fiscal expansionista (aumento dos gastos ou diminuição dos impostos para uma economia com regime de câmbio fixo e baixa mobilidade de capital – mobilidade imperfeita de capitais
161
162
 	Num ambiente de alta mobilidade de capitais a eficácia da política fiscal também se verifica, mas os mecanismos de ajuste são um pouco diferentes. Com a política expansionista o resultado direto e a expansão da renda agregada. A grande diferença em relação a uma economia com baixa mobilidade de capital esta no impacto que tal política terá sobre o balanço de pagamentos. Sabemos que a política fiscal acaba por elevar a taxa de juros de mercado, o que, por consequência, leva a entrada de capitais na economia via conta financeira.
 
	Nas economias em que o fluxo de capital e excessivamente controlado, somente grandes aumentos nos juros estimulam a entrada de capitais, o que, em um regime de cambio fixo, acaba por estimular o aumento da oferta de moeda no país e o consequente crescimento da renda. Diferentemente, com grande mobilidade de capitais, os impactos sobre a entrada de divisas são maiores do que a saída de divisas proveniente das importações, o que gerara um resultado positivo sobre o aumento da renda dos pais, dado vez que existe maior disponibilidade de credito estimulador do consumo.
8.2.3- Política Fiscal e câmbio fixo num ambiente de alta mobilidade de capitais
163
 	É importante ressaltar que a política fiscal em um regime de cambio fixo e um instrumento eficaz! A entrada liquida de divisas aumenta a oferta de moeda, a LM se desloca para a direita ate o ponto onde os mercados de bens, o monetário e o cambial estão em equilíbrio.
 
	Resumo:
 
	Em um regime de taxas FIXAS de cambio, somente a POLITICA FISCAL gera impactos sobre o crescimento da renda (Y). A magnitude desse crescimento e dependente da mobilidade que os capitais estrangeiros possuem na sua “estadia” (entrada e saída) do país.
164
 	Conforme verificamos, quando a taxa de cambio e determinada exclusivamente pelo mercado de divisas, sem interferência das autoridades monetárias, temos um regime de taxas flutuantes de cambio.
 
	Sendo assim, imaginemos que o governo queira estimular o emprego e a renda do país via aumento da oferta de moeda. Dessa forma, necessitamos saber de que forma este estimulo impactara os mercados de bens, monetárioe o balanço de pagamentos. O aumento do credito domestico desloca a LM1 para LM2, elevando o nível renda para Y2. Devido ao aumento da oferta de moeda (credito), as taxas de juros diminuem, o que tende a provocar uma saída dos capitais do país. E adição, com o aumento da renda ocorre um aumento das importações, o que fica literalmente comprovado pelo não equilíbrio dos mercados (monetário, de bens e balanço de pagamentos) no nível de renda igual a Y2. Em um segundo momento, com a saída de divisas provocada pela queda nos juros, a taxa de cambio desvaloriza-se, ou seja, a moeda estrangeira compra mais reais, dando origem ao estimulo exportador de bens e serviços. Com o aumento das exportações, a curva IS desloca-se para a direita (lembrem-se da formula da curva (IS = C + I + G + X – M), elevando o nível de renda da economia para Y3.
8.2.4- Política monetária expansionista em uma economia com regime de câmbio flutuante/flexível e com mobilidade de capital plena
165
 	Resumo:
 
	Uma política monetária expansionista sob o regime de cambio flutuante e eficaz no sentido de aumento da renda.
166
 	O que aconteceria se o governo resolvesse aumentar seus gastos como meio de reduzir o desemprego diante de um regime de cambio fixo? Um aumento nos gastos do governo desloca a curva IS (mercado de bens) para um nível maior de renda. Com a nova intersecção do mercado monetário, as taxas de juros domesticas ficam mais altas que as internacionais (lembre-se que os juros sobem porque a oferta de moeda da economia (LM) não foi alterada), atraindo capitais devido à alta rentabilidade. Em resultado da entrada de divisas ocorre uma apreciação da taxa de cambio, desestimulando as exportações e estimulado as importações.
 
	Verifica-se assim que o estimulo expansionista realizado pelo governo e contrabalanceado pela redução das exportações e aumento das importações, levando a curva IS a retornar para o equilíbrio inicial. Destaca-se que as transações correntes ficaram deficitárias e o fechamento (equilíbrio) do balanço de pagamentos (curva BP) será todo derivado da entrada massiva de capital.
8.2.5- Política Fiscal expansionista (aumento dos gastos ou diminuição dos impostos) em uma economia com regime de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capitais
167
 	Resumo:
 
	Pode se concluir que a adoção de uma POLÍTICA FISCAL em um regime de cambio flutuante e ineficaz no intuito de geração do crescimento da renda no pais.
 
	As abordagens do modelo Mundell-Fleming são em certa parte teóricas, no sentido de que o resultado de cada política adotada e seus impactos sobre as demais variáveis econômicas são analisados no contexto de primeira analise, ou seja, qual e o resultado preliminar de uma política adotada sobre a renda, a taxa de juros e a taxa de cambio. E neste contexto que no estudo econômico se utiliza a expressa “ceteris paribus”, ou seja, tudo mais constante.
168
(Diplomata/Inst. Rio Branco – CESPE/2009) Julgue (C ou E) os itens que se seguem, relativos a regimes cambiais.
 
01 Em regime de cambio fixo, a autoridade monetária tem poder limitado na determinação da política monetária.
 
02 Em regime de cambio fixo, o mercado define o valor da taxa de cambio, e a autoridade monetária determina o nível das reservas internacionais do país.
 
(Analista Adm. e Financ./SEC. Gest.- ES – CESPE/2007) Em um mundo globalizado, a análise dos princípios que norteiam as relações econômicas entre países é particularmente importante. Com relação a esse assunto, julgue o item que se segue.
 
03 No sistema de taxas de cambio flutuante, uma política monetária expansionista aumenta as exportações liquidas e eleva o nível de equilíbrio da renda.
8.3- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
169
(Analista Adm./ANA – CESPE/2006) As questões de economia internacional são cruciais à compreensão das economias de mercado em um mundo globalizado. Com base nessa análise, julgue o item a seguir.
 
04 A queda das taxas de juros no Brasil, recentemente observada, reduz o diferencial de juros entre as taxas domesticas e as internacionais e, portanto, desloca a função de exportações liquidas para cima e para a direita.
 
(DIPLOMATA/ Inst. Rio Branco – CESPE/2004) Na fase atual de globalização do espaço econômico, o estudo da economia internacional é crucial para a inserção adequada no cenário mundial. Considerando as noções básicas de teoria econômica internacional, julgue o item a seguir
 
05 Em economias pequenas, cuja taxa de cambio e flutuante, as políticas fiscais são particularmente eficazes, porque a expansão das despesas publicas, ao reduzir a taxa de cambio, contrai as importações e aumenta a produção domestica.
 
06 (Técnico de Pesquisa/IPEA – CESPE/2008) Com referência ao modelo Mundell-Fleming, em uma economia aberta com ampla mobilidade de capitais que usa um regime de cambio fixo, a adoção de uma política monetária expansionista ao produzir um deslocamento da curva LM para direita teria um efeito positivo sobre o produto e renda da economia.
8.3- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
170
07 (APO/MPOG – ESAF/2010) Com relação a regimes cambiais, não é correto afirmar que:
a) o regime de flutuação das moedas com intervenções esporádicas dos Bancos Centrais para amenizar as oscilações especulativas das taxas de cambio e chamado de flutuação suja (Dirty floating).
b) a taxa de cambio nominal e a taxa a qual se pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens e serviços de outro país.
c) a teoria da paridade do poder de compra afirma que uma unidade de qualquer moeda dada tem que poder comprar a mesma quantidade de bens em todos os países.
d) no regime de taxas puramente flutuantes, o Banco Central nem compra nem vende moedas estrangeiras, a taxa de cambio oscila ao sabor das forcas de mercado.
e) a grande vantagem do regime de taxas de cambio fixas e facilitar a tomada de decisões pelos agentes econômicos.
 
08 (Fiscal de Rendas/ Séc. Fazenda – FGV/2007) Considere uma economia aberta, com câmbio flutuante e sob perfeita mobilidade de capitais. Qual é o impacto de uma política fiscal expansionista sobre a taxa de câmbio e o nível de produção?
a) A taxa de cambio se aprecia, e o nível de produção aumenta.
b) A taxa de cambio se aprecia, e o nível de produção permanece inalterado.
c) A taxa de cambio se deprecia, e o nível de produção permanece inalterado.
d) A taxa de cambio se deprecia, e o nível de produção diminui.
e) A taxa de cambio permanece inalterada, e o nível de produção aumenta.
8.3- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
171
09 (ECONOMISTA/PETROBRAS – CESGRANRIO/2008) No regime cambial de taxa flutuante (ou flexível), uma subida dos juros domésticos
a) tende a desvalorizar a moeda do país.
b) tende a prejudicar as importações.
c) tende a prejudicar as exportações.
d) aumenta o preço dos produtos importados.
e) causa fuga de capitais do país.
 
10 (ECONOMISTA/INEA – CESGRANRIO/2008) Uma política monetária expansiva leva normalmente ao(à)
a) aumento da taxa de juros.
b) desvalorização da moeda domestica se o regime for de cambio fixo.
c) redução da taxa de inflação.
d) acumulação de reservas internacionais se o regime for de cambio flutuante.
e) expansão da produção.
 
8.3- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
172
11 (ECONOMISTA/BNDES – CESGRANRIO/2009) Numa situação de mobilidade imperfeita do capital financeiro internacional, a combinação das políticas monetária restritiva e fiscal expansiva, em certo país com regime de câmbio fixo, ocasionaria, necessariamente, um(a)
a) aumento da taxa de desemprego.
b) redução da taxa de inflação.
c) queda no produto da economia.
d) perda de reservas em divisas internacionais.
e) subida da taxa de juros.
8.3- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
173
	Segundo o § 2º do art. 165 da Constituição, a lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabeleceráa política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.
 
	De acordo com o modelo de elaboração do orçamento brasileiro, válido para todos os entes governamentais, anualmente o Executivo encaminhará ao Congresso o projeto de LDO. Este deve ser enviado até o dia 15 de abril de cada ano, devendo ser devolvido até o dia 17 de julho, data de encerramento do primeiro período da sessão legislativa anual.
 
	A Lei Complementar 101 de 2000, comumente conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, editada e promulgada em consonância com o § 2o do art. 165 da Constituição, promoveu uma série de inclusões e alterações na LDO. O art. 4o da LRF estabelece que a Lei de Diretrizes Orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e:
9- Contabilidade fiscal: NFSP; resultados nominal, operacional e primário; 
dívida pública.
9.1- Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO 
174
	I - disporá também sobre:
 
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9º e no inciso II do § 1o do art. 31;
c) (VETADO)
d) (VETADO) 
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos;
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas;
 
	A noção de equilíbrio entre receitas e despesas presente na LDO trata do equilíbrio das chamadas “contas primárias”, traduzida em um resultado primário positivo, ou seja, tratam-se de contas em que não se encontram relacionadas às despesas com pagamentos da dívida pública já constituída.
175
	Significa, em outras palavras, que o equilíbrio a ser buscado é o equilíbrio autossustentável, ou seja, aquele que prescinde da constituição de dívidas por meio de operações de crédito para fechamento das contas públicas. Os critérios de limitação de empenho (deixar de empenhar para que não seja necessário pagar), decorrem das situações em que a receita seja inferior a esperada, de modo a não comprometer as metas de resultado primário e nominal previstas para o exercício. Segundo a art. 9o da LRF, o qual trata de execução do orçamento, se verificado que, ao final de um bimestre, a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela Lei de Diretrizes Orçamentárias.
CAIU EM PROVA
01 (ECONOMISTA/DPU – CESPE/2010) De acordo com a LRF, é correto afirmar que, se administração pública verificar, ao final de determinado bimestre, que a receita foi significativamente inferior à esperada, de modo que a sua realização poderá não comportar o cumprimento de metas de resultado primário ou nominal estabelecidas em anexo de metas fiscais daquele ano, os Poderes e o Ministério Público devem promover
a) limitação de desembolsos financeiros, segundo critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
b) limitação de empenho e movimentação financeira, segundo critérios fixados pela lei orçamentária.
c) limitação de empenho e movimentação financeira, segundo critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
d) o reajuste da previsão da receita, para ajustá-la à nova perspectiva de arrecadação.
e) limitação de desembolsos financeiros, segundo critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
176
	O controle de custos de administração pública está intimamente relacionado ao equilíbrio das contas públicas, uma vez que os resultados primário e nominal são diretamente dependentes da geração de despesas. Quanto às normas relativas à avaliação dos programas financiados pelo orçamento, é importante destacar que se tratam de normas que possibilitem à administração pública aferir os resultados tanto dos programas que resultem em bens e serviços ofertados à sociedade diretamente (Programa de Aceleração do Crescimento – PAC), que, a princípio, são de mais fácil mensuração, já que possuem uma limitação no tempo, como também os programas que resultem em serviços típicos de Estado, aí incluídos o planejamento, a formulação de políticas setoriais, a coordenação, a avaliação ou o controle dos programas que gerem bens e serviços a mesma sociedade.
	A possibilidade explícita de serem desvirtuados os fins da transferência de recursos às entidades públicas e privadas, fez com que a LRF estabelecesse regras rígidas a serem seguidas nestas situações, conforme previsto nos artigos 25 e 26 da própria Lei de Responsabilidade Fiscal.
CAIU EM PROVA
02 (ANALISTA CONTÁBIL/SEFAZ-CE – ESAF/2007) Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, a lei de diretrizes orçamentárias não disporá sobre o(a)
a) promoção do equilíbrio entre receitas e despesas;
b) estabelecimento de normas e critérios para a limitação de empenho pelos entes constantes do orçamento;
c) definição das demais condições e exigências para transferência de recursos constitucionais e legais de recursos;
d) definição de normas relativas ao controle de custos da administração pública;
e) fixação de normas para a avaliação de resultados dos programas previstos no orçamento.
177
	Conforme já destacado, a LRF promoveu o fortalecimento da LDO. Segundo a Lei que trata da responsabilidade fiscal, em seu parágrafo 1o do artigo 4o, deve integrar a própria LDO enviada ao Congresso Nacional, o chamado Anexo de Metas Fiscais.
 
“§ 1º Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias, Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes.”
 
	Por meio de uma leitura rápida, verifica-se que no Anexo de Metas Fiscais - AMF serão estabelecidas metas anuais em valores correntes (referentes ao mesmo ano) e constantes (desconsiderando a variação do índice inflacionário) para um período de três anos. Essas metas correspondem às previsões para receitas e despesas, resultado nominal e resultado primário, além do montante da dívida pública, também para os três anos subsequentes, isto é, o exercício a que se referir a LDO e os dois seguintes.
9.1- A LRF e o anexo de Metas Fiscais da LDO
178
	Verifica-se assim que a LDO tem um caráter muito maior do que meramente ser norteadora da elaboração do orçamento anual para o ano vindouro, uma vez que procura dimensionar o resultado das contas públicas para um período superior ao exercício financeiro seguinte, de tal forma que o administrador das contas públicas terá como responsabilidade o cumprimento das metas ali estipuladas, utilizando-se para tal, inclusive, os atributos e recomendações exarados no art. 9o da LRF, qual seja o relacionado à limitação de empenho das despesas.
 
	O AMF conterá ainda, conforme dispõe o parágrafo 2º do artigo 4º, o seguinte:
 
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional;
III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos;
IV - avaliação da situação financeira e atuarial:
	a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do 	Fundo de Amparo ao Trabalhador;
	b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial;
V - demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.
179
	A avaliaçãodo cumprimento das metas de exercícios anteriores, ou seja, que se referem aos resultados pretéritos, deverão influenciar a elaboração das novas metas a serem alcançadas, ainda segundo a lei, “evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional”. Entenda-se neste caso como objetivos atuais da política econômica nacional, o equilíbrio fiscal e o controle do endividamento em todos os níveis de Governo, que pode, inclusive, ser alterado, desde que cumpridos todos os requisitos impostos pela própria LRF.
	O AMF deve apresentar a evolução do patrimônio líquido dos entes públicos, com especial cuidado quanto à destinação dos recursos originários das privatizações e alienações de ativos, uma vez que estes não devem integrar a chamada Receita Corrente líquida, objeto de abordagem posterior, dado que estas receitas são receitas de capital e como tal não integram também o resultado primário das contas públicas.
 
	O Anexo de Metas Fiscais incluirá, ainda, a avaliação da situação dos fundos de caráter previdenciário, utilizados em geral na complementação de aposentadorias, ou simplesmente no pagamento de pensões e serviços médicos utilizados pelos servidores e seus dependentes. No passado, recursos desses fundos eram utilizados com frequência para finalidades diversas daquelas previstas em seus estatutos. Busca a LRF, desta forma, proteger os regimes próprios de previdência, assegurando a utilização dos seus recursos na finalidade específica e garantindo a sua viabilidade econômico-financeira. Finalmente, mas não menos importante, destaca-se que o AMF deverá apresentar as estimativas dos efeitos de incentivos fiscais ou qualquer tipo de renúncia que importe na perda de receitas próprias da União, dos Estados ou dos Municípios. A apresentação da margem de expansão das despesas de caráter continuado, definidas nos artigos 16 e 17, torna transparente os objetivos de longo prazo do administrador público, além da herança que uma administração poderá deixar para a sucessora. Certamente que a renúncia fiscal e as despesas de caráter continuado trarão impacto sobre a Receita Corrente Líquida e sobre o Resultado Primário. Na segunda parte aula, ao abordarmos o artigo 14 da LRF, referente à Renúncia de Receita, destacaremos os critérios que devem ser seguidos pelos administradores públicos.
180
03 (APO/MPOG – ESAF/2008) A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) atribuiu novas e importantes funções ao orçamento e à Lei de Diretrizes Orçamentárias. Nos termos da LRF, a Lei de Diretrizes Orçamentárias recebeu novas e importantes funções entre as quais não se inclui:
a) mostrar as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual e respectivas receitas, sendo o financiamento da dívida demonstrado de forma separada nas leis de créditos adicionais.
b) estabelecer critérios e formas de limitação de empenho, na ocorrência de arrecadação da receita inferior ao esperado, de modo a comprometer as metas de resultado primário e nominal previstas para o exercício.
c) quantificar o resultado primário obtido com vistas à redução do montante da dívida e despesas com juros.
d) dispor sobre o controle de custos e avaliação dos resultados dos programas financiados pelo orçamento.
e) disciplinar as transferências de recursos a entidades públicas e privadas.
CAIU EM PROVA
181
	O anexo de riscos fiscais, presente no § 3º do art. 4º da LRF, estabelece o dimensionamento dos riscos que venham a impactar as contas do governo, sejam os referentes ao próprio orçamento, sejam aqueles relativos às dívidas.
 
“§ 3º A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem.”
 
	Verifica-se que os riscos fiscais estão associados a todos os compromissos assumidos pela administração pública que podem ter o seu valor alterado durante o período de vigência do próprio orçamento.
 
	O Anexo de Riscos Fiscais, presente na LDO, apresenta uma subdivisão entre os tipos de risco fiscal existentes. Trata-se da subdivisão tratada pela Portaria STN número 470, de 31 de agosto de 2004. Segundo a mesma Portaria, os Riscos Fiscais são subdivididos em Riscos Orçamentários e Riscos da Dívida.
9.1.2- A LRF e o anexo de Riscos Fiscais da LDO
182
	 
	Os Riscos Orçamentários são derivados da possibilidade de frustração de receita pública ou de geração de despesa se confirmar em montante superior ao estimado. No parágrafo 4o do artigo 4o da LRF consta a necessidade da União apresentar em anexo específico da LDO os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício subsequente.
 
“4º A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício subsequente.”
 
	Verifica-se assim que em anexo específico da LDO é previsto, por exemplo, o crescimento do PIB para o ano vindouro. Esse crescimento traz a si associado uma previsão de arrecadação de receita tributária. Caso esse próprio crescimento não se configure, é grande a possibilidade de frustração de receita. Entende-se então que essa possibilidade de receita a menor deverá estar contida no Anexo de Riscos Fiscais – ARF por representar um risco orçamentário.
183
	 
	Os Riscos da Dívida são os riscos derivados da Dívida Pública da União. Praticamente toda a dívida pública é associada ao pagamento de juros sobre a própria dívida constituída. Dessa maneira, em situações em que é grande a probabilidade de no ano vindouro ocorrerem alterações positivas nas taxas de juros, conforme previsão do próprio § 4o do artigo 4o da LRF destacado acima, este aumento de despesa deverá estar previsto no Anexo de Riscos Fiscais – ARF.
 
	Apenas para fins de complementação relativa aos Riscos Fiscais, destaca-se que nestes também devem estar incluídos os riscos relativos à concretização de nova dívida derivada do julgamento de processos judiciais em curso, nos moldes dos planos econômicos ocorridos no Brasil ao longo dos anos de 1980. De todo modo, as ações transitadas em julgado não devem estar representadas no ARF, uma vez que já se tratam de despesas a serem previstas na LOA para o ano seguinte na qual a LDO orienta.
184
	De forma genérica, pode-se definir o déficit público como sendo o excesso de gastos públicos sobre as receitas públicas.
 
	Segundo o Manual de Finanças Públicas do Banco Central, o conceito de setor público utilizado para mensuração da dívida líquida e do déficit público é o de setor público não-financeiro adicionado do Banco Central. Considera-se como setor público não-financeiro as administrações diretas federal, estaduais e municipais, as administrações indiretas, o sistema público de previdência social e as empresas estatais não-financeiras federais, estaduais e municipais, além da Itaipu Binacional. Ainda segundo o mesmo Manual, o Banco Central é incluído na apuração da dívida líquida pelo fato de transferir seu lucro/prejuízo automaticamente para o Tesouro Nacional.
 
	O déficit público ou estritamente falando, o resultado das contas públicas, é medido durante determinado período de tempo (normalmente um ano). É chamado de variável fluxo, dado que seu resultado, um fluxo, é incorporado à variável estoque, denominada dívida pública, sendo esta formada pelos sucessivos déficits das contas públicas ocorridos em anos anteriores. Sobre o tema relativo à análise do déficit e da dívida pública, merece atenção o desenvolvimento de alguns conceitos pertinentes ao assunto.
9.2- Conceitos básicos de contabilidade fiscal: NFSP; resultados nominal, primário, operacional; dívida pública; sustentabilidade do endividamento público
185O somatório das receitas fiscais arrecadadas pelo governo é chamado de carga tributária bruta. Para a mensuração da carga tributária líquida devem ser excluídas as chamadas transferências realizadas pelo próprio governo (lato sensu), tais como o pagamento dos juros sobre a dívida pública, os subsídios concedidos a setores da economia bem como os gastos para a manutenção dos regimes de assistência e previdência social.
	Com os recursos restantes o governo inicialmente utiliza para administrar a máquina pública, ou seja, realizar o pagamento das chamadas despesas correntes. O resultado da receita líquida do governo, devidamente deduzido do pagamento de pessoal e do custeio da máquina pública é o que seja apurado a existência de poupança (ou saldo positivo) do governo em conta-corrente.
 
	O resultado do governo em conta corrente, uma vez positivo, deve ser utilizado para fazer frente às chamadas despesas de capital, divididas em investimento, inversões financeiras e amortização da dívida. De forma ampla, consideramos as despesas de capital como sendo Investimentos Públicos realizados (ou governamental). Dessa maneira, pode-se afirmar que, caso o volume de investimentos públicos seja superior a poupança do governo em conta corrente, passa a existir o que se denomina de Déficit Público.
 
	Déficit Público = Investimento Público - Poupança Pública
186
 	No caso de o governo apresentar um déficit na relação entre saldo em conta corrente e investimento público, este deverá buscar recursos para honrar seus compromissos, tendo as seguintes opções:
 
Realizar a venda de títulos públicos aos bancos, com o objetivo de auferir recursos financeiros para realizar o pagamento de suas contas;
Vender títulos públicos ao Banco Central, o que caracteriza a emissão de moeda, recebendo os recursos para fazer frente aos seus compromissos.
	A venda de títulos públicos aos bancos provoca a diminuição da poupança do setor privado, dado que parte dos recursos antes administrados pelas instituições financeiras é agora destinado ao pagamento dos compromissos do poder público, trazendo ainda a diminuição da capacidade de fornecimento de crédito à população em geral.
	Já a venda de títulos ao BACEN é condição não recorrente, em especial porque conforme dispõe a Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, o BACEN somente poderá refinanciar o Tesouro se este financiamento for derivado de dívida do Tesouro (títulos públicos) vincendos na carteira da Autoridade Monetária. Nas duas situações acima, o Tesouro Nacional, em nome do governo, estará promovendo o crescimento da Dívida Pública.
 
187
 	A consequência natural do crescimento da dívida, partindo-se do pressuposto de que ela é um resultado de déficits passados, é a necessidade da ampliação dos gastos do governo com o pagamento de juros, o que torna ainda menor a capacidade de geração de poupança corrente do governo, já que verificamos que esta é obtida diminuindo-se da carga tributária líquida, as despesas correntes, sendo que nesta última encontram-se os pagamentos de juros da dívida do período anterior.
 
	Ainda do resultado da formação da dívida pública, existe a necessidade de quitação do seu principal (amortização), que se enquadra como despesa de capital, item também já traduzido por nós como Investimento Público, o que tenderá a aumentar ainda mais o Déficit Público do período de seu pagamento.
 
	A dívida pública que ora fazemos menção é representada não somente pela dívida pública interna do país, mas também a dívida pública externa, já que o governo financia-se via emissão de títulos no mercado internacional. São os conhecidos Bonds do governo brasileiro.
188
	Conceituamos o déficit público a partir da chamada identidade macroeconômica fundamental, a qual diz que o investimento da economia (privado e público) será financiado pelas poupanças privada, pública e externa.
 
IPRIVADO + IPÚBLICO = SPRIVADA + SPÚBLICA (ou do governo) + SEXTERNA
 
	Da mesma forma, o resultado do déficit público será obtido conforme descrito no tópico anterior, ou seja, verificando-se o excesso de investimento público sobre a poupança pública.
 
IPÚBLICO - SPÚBLICA (ou do governo) = SPRIVADA - IPRIVADO + SEXTERNA
	
	 Déficit Público 	 	= SPRIVADA - IPRIVADO + SEXTERNA
 
	O governo possui um instrumento eficaz para verificar os motivos que estão levando ao surgimento de constantes déficits. É o chamado critério “acima da linha”, que mede o desempenho fiscal do Governo mediante a apuração dos fluxos de receitas e despesas orçamentárias em determinado período, a partir da execução do orçamento. Esta medição capacita o governo (Secretaria do Tesouro Nacional) a verificar quais são as contas governamentais que são responsáveis pelo excesso de gastos frente aos recursos arrecadados.
9.2.1- Mensuração do Déficit Público
189
 	O primeiro conceito do critério “acima da linha” é a mensuração do excesso de investimento público sobre a poupança pública, chamado de déficit primário. Seu resultado é calculado pela diferença entre as despesas operacionais ou primárias (ou despesas não-financeiras), menos as receitas operacionais ou primárias (ou receitas não-financeiras). Perceba que, neste caso, como estamos falando de déficit, utilizamos primeiramente as despesas no cálculo e só depois as receita, sendo logicamente as despesas maiores do que as receitas primárias. Caso estivéssemos falando em superávit, teríamos que colocar no cálculo primeiramente as receitas e só depois as despesas primárias. Importa mencionar que o mais adequado é o termo resultado primário que, caso negativo, caracteriza um déficit e, caso positivo, caracteriza um superávit.
 
Déficit (Resultado) Primário = Despesas Primárias – Receitas Primárias
 
	No Brasil tem vigorado ano a ano a necessidade de geração de Superávits Primários, consubstanciado na Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO. O parâmetro de análise sempre se dá como uma porcentagem do Produto Interno Bruto da Economia - PIB. O resultado primário (déficit ou superávit), que conforme visto acima exclui das receitas os ganhos de aplicações financeiras e, dos gastos, os juros devidos, mede como as ações correntes do governo afetam a trajetória de seu endividamento líquido. Pode-se dizer que o principal objetivo do cálculo do resultado primário é avaliar a sustentabilidade da política fiscal em um dado exercício financeiro, tendo em vista o patamar atual da dívida consolidada e a capacidade de pagamento desta pelo setor público no longo prazo.
190
 	O segundo conceito de cálculo é o de Déficit Operacional, o qual leva em consideração além do Resultado Primário, o pagamento dos juros reais (descontada a inflação) relativos ao estoque de dívida pública existente e a própria amortização da dívida. Destaca-se assim que estamos falando em pagamento/amortização do principal da dívida + juros da própria dívida.
 
Déficit Operacional = Déficit Primário + Juros Reais da Dívida Passada + Amortizações da Dívida
	
	Temos ainda o terceiro conceito de déficit, aquele calculado via resultado nominal. O déficit nominal inclui, além do resultado operacional, a atualização monetária das dívidas interna e externa. Destaca-se que outra forma de mensurar o déficit nominal é calculando o déficit primário, adicionado ainda a este o resultado entre o balanceamento das despesas e receitas Financeiras (também chamadas de não-operacionais) do governo.
 
Déficit Nominal = Déficit Primário + (Despesas Financeiras – Receitas Financeiras)
 
Observação:
Um aspecto importante a ser considerado é o que se refere ao chamado imposto inflacionário que consiste na perda do valor do dinheiro devido à inflação. É como se disséssemos que R$ 100 daqui a 1 mês venha a valer somente R$ 99,00. De outra forma, é como se não conseguíssemos mais comprar com o mesmo dinheiro o que antes comprávamos. O governo, por meio do Banco Central, tem o poder de pagar suas contas via emissão indireta de moeda (compra de títulos públicos do Tesouro pelo Bacen), apropriando-se dadiferença entre o valor emitido (R$100) e o quanto o dinheiro efetivamente vale hoje (R$ 99).
191
 	Ao resultado do Déficit Nominal é adicionada a chamada atualização monetária da dívida, de tal forma que é desconsiderado, neste, o ganho percebido pelo governo com o próprio imposto inflacionário. No caso do Déficit Operacional vemos que isto não acontece, dado que no seu cálculo não é adicionado o componente da atualização monetária como pagamento a ser feito (na forma de despesas) pelo governo.
9.2.2- As Necessidades de Financiamento do Setor Público - NFSP
	Toda vez que o governo apresenta um déficit em suas contas, este necessita financiar-se para fazer frente aos compromissos assumidos. Trata-se do que se denomina de Necessidade de Financiamento do Setor Público.
	
	As formas de mensuração das NFSP são as adotadas pelo Banco Central, seguindo orientação do Fundo Monetário Internacional, sendo caracterizadas, em termos técnicos, como critério de mensuração “abaixo da linha”. As NFSP representam a Variação da Dívida Líquida do Setor Público - DLSP em relação ao setor privado interno e externo, durante um determinado período de tempo. Assim, caso ocorra uma variação positiva na dívida, temos um consequente déficit nas contas públicas. Logicamente, uma variação negativa na dívida consistirá num superávit das contas públicas.
192
	A chamada NFSP conceito nominal corresponde ao próprio déficit nominal. Seu resultado é chamado de variação da Dívida Líquida do Setor Público – DLSP.
 
NFSP conceito Nominal = Déficit Nominal
 
NFSP conceito Nominal = Variação da Dívida Líquida do Setor Público
 
	Um conceito importante que deve ser firmado refere-se à diferença existente no cálculo das NFSP quando considerada a desvalorização cambial.
 
	De acordo com o BACEN, por meio do seu Manual de Finanças Públicas, temos:
 
• NFSP sem desvalorização cambial: corresponde à variação nominal dos saldos da dívida líquida, deduzidos os ajustes patrimoniais efetuados no período (privatizações e reconhecimento de dívidas). Exclui, ainda, o impacto da variação cambial sobre a dívida externa e sobre a dívida mobiliária interna indexada à moeda estrangeira (ajuste metodológico). Abrange o componente de atualização monetária da dívida, os juros reais e o resultado fiscal primário.
9.2.2.1- As Necessidades de Financiamento no Conceito Nominal
193
• NFSP com desvalorização cambial: corresponde à variação nominal dos saldos da dívida líquida, deduzidos os ajustes patrimoniais efetuados no período (privatizações e reconhecimento de dívidas). Exclui, ainda, o impacto da variação cambial sobre a dívida externa (ajuste metodológico). Abrange o componente de atualização monetária da dívida, os juros reais, a apropriação da variação cambial sobre a dívida mobiliária interna e o resultado fiscal primário.
	Destaca-se, ainda, para fins metodológicos, conforme disposto anteriormente, que a diferença entre a DLSP e os ajustes patrimoniais é denominada pelo Manual de Finanças Públicas de Dívida Fiscal Líquida – DFL. Sendo assim, temos:
 
DFL = DLSP - Receitas de Privatizações + Esqueletos
	O conceito de Dívida Fiscal Líquida deriva também dos entendimentos tidos com o Fundo Monetário Internacional - FMI, ao longo dos anos de 1990, quanto ao critério de apuração do resultado das contas públicas. Com o aparecimento dos vários esqueletos da dívida pública, os quais derivavam especialmente de ações de planos econômicos quase ganhos pelos seus propositores, tornava-se imediato a sua mensuração nas contas públicas.
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	Para calcularmos as NFSP no conceito operacional, torna-se necessário excluir da DFL os resultados da atualização monetária da dívida.
 
NFSP operacional = Variação da Dívida Fiscal Líquida – Atualização Monetária da Dívida
9.2.2.2- As Necessidades de Financiamento no Conceito Operacional
9.2.2.3- As Necessidades de Financiamento no Conceito Primário
	O chamado conceito de NFSP primário é definido como o conceito de NFSP Nominal excluindo-se, além da atualização monetária da dívida, o pagamento dos juros reais e a própria amortização desta.
 
NFSP primário = Variação da Dívida Fiscal Líquida – Atualização Monetária da Dívida – Juros Reais – Amortização da Dívida
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	O conceito de Necessidades de Financiamento do Setor Público – NFSP avalia o desempenho fiscal da Administração Pública Federal em um determinado período de tempo. Rotineiramente as NFSP são calculadas dentro do que se denomina exercício financeiro, ou seja, entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano.
 
	As Necessidades de Financiamento são apuradas nos três níveis de Governo, quais sejam o Federal, o Estadual (incluindo-se o DF) e o Municipal.
 
	Conforme será verificado no curso, a Lei Complementar nº 101/2000, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, determinou que as Leis de Diretrizes Orçamentárias (orientam a elaboração do orçamento dos Entes governamentais da Federação) deverão indicar os resultados fiscais pretendidos para o exercício financeiro ao que a lei se referir e os dois seguintes.
 
9.3- As NFSP do Governo Central
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	Em nível Federal, as NFSP são apuradas separadamente pelos orçamentos fiscal e da seguridade social e pelo orçamento de investimentos. Estes orçamentos compõem o Orçamento da União (e dos demais Entes governamentais) como um todo, sendo separado apenas em termos de funcionalidade e medição por tipo de destinação. O resultado dos orçamentos fiscal e da seguridade social recebe o nome de “Necessidades de Financiamento do Governo Central”, enquanto o resultado do orçamento de investimentos recebe o nome de “Necessidades de Financiamento das Empresas Estatais”. A metodologia de cálculo das Necessidades de Financiamento Líquido para o Governo Central sob o critério "acima da linha" (receitas menos despesas), enfoca a realização do gasto pela ótica de caixa (saída efetiva de recursos) e abrange as operações de todas as entidades não financeiras da administração direta e indireta que compõem o Orçamento Geral da União (OGU).
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	Argumentamos que a inflação, na sua vertente de imposto inflacionário, é fonte de arrecadação do governo, conforme ficou caracterizado nos cálculos e análises das Necessidades de Financiamento do Setor Público.
 
	A questão é que a inflação também gera males na arrecadação tributária governamental. Esta definição baseia-se no chamado efeito TANZI, que afirma que a inflação reduz a receita tributária real, evidenciada pelo fato de que a data do fato gerador do imposto é diferente da data de recolhimento da obrigação tributária.
 
	Um pequeno exemplo pode ilustrar este entendimento: a geração de obrigação tributária – fato gerador - no montante de R$100,00, ocorrida no início de um mês que apresentou inflação de 10%, gerará perdas de arrecadação tributária até o seu recolhimento no valor de R$10.
 
	Conforme TANZI, uma das formas de evitar esta perda de arrecadação e o consequente crescimento do déficit do governo é através da indexação, uma vez que esta corrigiria o valor da dívida da data do fato gerador até o seu efetivo recolhimento. No passado inflacionário da economia brasileira foram criados vários instrumentos que procuraram minimizar estas perdas, tais como a transformação das receitas tributárias em obrigações, inicialmente conhecidas como Obrigações do Tesouro Nacional - OTNs e posteriormente em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional – ORTNs, que garantiam a manutenção das receitas fiscais em níveis reais.
		9.4- Dívida Pública e Inflação
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	De certa forma contraditória a ideia de TANZI, PATINKIN afirmou que a inflação não ocasionaria o aumento do déficit, mas sim a sua redução. A proposição de PATINKIN baseou-se na ideia de que o simples atraso no pagamento de dívidas reduziria o montante a ser pago, fazendo com que a inflação gerasse a diminuição das obrigações do governo agora corroída pela própria inflação.
 
	Considerados todos estes pontos, é relevante destacar que a existência de déficit público leva a redução da poupançanacional e a consequente subida dos juros, dado que o governo utiliza a parcela da poupança privada para financiar tanto os seus gastos como também os seus investimentos (investimentos públicos). O redirecionamento da poupança nacional para o setor público torna o crédito mais caro diante da escassez de recursos de empréstimos, elevando as taxas de juros. 
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	O resultado primário, o qual exclui das receitas totais os ganhos de aplicações financeiras e, dos gastos totais, os juros nominais devidos, mede como as ações correntes do setor público afetam a trajetória de seu endividamento líquido. O principal objetivo desse cálculo é avaliar a sustentabilidade da política fiscal em um dado exercício financeiro, tendo em vista o patamar atual da dívida consolidada e a capacidade de pagamento da mesma pelo setor público no longo prazo.
 
	Os superávits primários são direcionados ao serviço da dívida, o que contribui para reduzir o estoque total da dívida líquida. Por sua vez, os déficits primários indicam a parcela do crescimento da dívida decorrente de financiamentos de gastos não-financeiros que excedem as receitas não-financeiras.
 
	A partir de janeiro de 1998, os dados das contas passaram a apresentar maior abrangência, refletindo o conjunto das transações efetuadas por todos os órgãos componentes do Orçamento Geral da União. Dessa forma, valores antes estimados passaram a ser registrados pelo seu valor realizado, como foi o caso das despesas efetuadas com recursos próprios da administração direta e indireta. Posteriormente, desde janeiro de 1999, a publicação "Resultado do Tesouro Nacional" passou a incluir no cálculo do resultado primário a arrecadação própria e os benefícios previdenciários pagos pelo INSS, com a incorporação de seu fluxo à Conta Única do Tesouro Nacional. Por fim, foram incluídas as operações primárias do Banco Central, o que tornou a abrangência das estatísticas "acima da linha" plenamente compatíveis com aquelas "abaixo da linha”.
10- Visão Analítica do Cálculo do Resultado Primário para a União
200
	Detalhamento dos itens relevantes do Resultado Primário
 
I- Receita Total
 
Corresponde ao total da receita primária arrecadada pela administração federal, distribuída em dois grandes grupos: Tesouro Nacional e Previdência Social. A receita do Tesouro com recursos obtidos com alienação de ações onde o governo detém a maioria do capital não são consideradas receitas primárias. Também não registra como receita as operações do Banco Central. 
 
I.1 Receita do Tesouro
 
É a receita bruta do Tesouro Nacional, deduzidas as restituições e os incentivos fiscais. Abrange os recolhimentos efetuados pela administração direta, pelos fundos, autarquias e fundações integrantes do Orçamento Geral da União; inclui ainda as receitas de concessões de serviços ou de utilização do patrimônio público, como arrendamento e aluguel.
 
I.1.1 Receita Bruta
 
Como receita bruta entende-se todo o recolhimento bruto de tributos (impostos, taxas e contribuições sociais) e demais receitas parafiscais – como concessões, tarifas, aluguéis e receitas de participação acionária – da administração pública federal.
201
I.1.2 Restituições e Incentivos Fiscais
 
As restituições são devoluções aos contribuintes do imposto pago a maior. As maiores devoluções são relativas ao imposto de renda, e são efetuadas após a apuração do imposto devido para o ano de referência (ano-base), Os incentivos fiscais decorrem da opção pelo contribuinte pessoa jurídica por aplicação de até 40% do Imposto de Renda devido em fundos de investimento do Nordeste (Finor), da Amazônia (Finam) e do Espírito Santo (Funres).
I.2 Receita da Previdência Social
	
Corresponde à arrecadação de contribuições pelos trabalhadores da iniciativa privada ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) gerido pelo setor público federal, por meio o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Também inclui o recolhimento à previdência através do sistema "Simples" e as demais receitas do INSS, como de aluguéis de imóveis. As receitas são líquidas de restituições e de transferências a terceiros de recursos oriundos das empresas contribuintes e destinados a outras instituições, como SENAC, SESI, SENAI, SESC e FNDE, entre outras.
 
Cabe ressaltar que, até 1998, as operações do INSS permaneciam fora da Conta Única do Tesouro Nacional. A inclusão dessas operações em setembro daquele ano teve por objetivo evitar o financiamento sistemático do INSS junto à rede bancária e a instituição de um mecanismo que garantisse a cobertura do Tesouro Nacional às insuficiências de caixa do INSS com a agilidade requerida e a um menor custo financeiro.
202
II -Transferência a Estados e Municípios
 
II.1 Constitucionais
 
Compreendem as parcelas de recursos do Imposto de Renda - IR e Imposto de Produtos Industrializados - IPI arrecadados pelo Governo Federal que são transferidas para os estados e municípios.
 
II.2 Lei Complementar nº 87/96
 
Repasses efetuados aos estados pela desoneração do ICMS para exportações de produtos primários e semi-elaborados e na aquisição de bens para integração do ativo permanente, segundo consta da Lei Complementar nº 87/96.
 
II.3 Demais Transferências
 
Referem-se aos repasses de recursos oriundos de arrecadação do IOF - ouro, do Imposto Territorial Rural – ITR, do salário-educação e às transferências relativas a royalties pagos pela empresa Itaipu binacional, a royalties pagos pela Petrobras sob amparo da Lei nº 9.478/97, à parcela da União referente ao Fundef, além de transferências voluntárias decorrentes de convênios.
203
III - Receita Líquida Total
 
Corresponde ao total da receita primária arrecadada pela administração federal disponível para o custeio da máquina administrativa, alocação em atividades de governo e execução da política fiscal. É a receita bruta do Governo Central, deduzidas as restituições, os incentivos fiscais e as transferências a estados e municípios.
 
IV - Despesa Total
 
É o total da despesa primária realizada pela administração federal. Corresponde ao total de cheques emitidos (Ordem Bancária - OB) pelos órgãos do governo federal para a realização de suas despesas, como pagamento de pessoal, custeio e investimento. Excluem-se dessas despesas pagamentos de juros, empréstimos e aplicações financeiras.
 
IV.1 Pessoal e Encargos Sociais
 
Valor das ordens bancárias emitidas para pagamento de pessoal e encargos sociais da administração direta, fundos, autarquias e fundações, assim como parte do pessoal do Governo do Distrito Federal e dos ex-territórios.
204
IV.2 Benefícios Previdenciários
 
Pagamento de benefícios aos aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Regime Geral de Previdência Social pelo Tesouro Nacional, por meio de reserva bancária e de ordens bancárias emitidas em favor dos Correios e Telégrafos onde não há rede bancária.
 
V.3 Custeio e Capital
 
São as despesas primárias da administração pública federal com custeio da máquina e realização das políticas de governo. Vale destacar que os investimentos realizados elas empresas PETROBRÁS e ELETROBRÁS, ao invés de serem considerados dispêndios, e assim comporem as despesas da União, são assim considerados investimentos, conforme dispõe a Lei de Diretrizes Orçamentárias ano a ano e, com base em acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional quanto à metodologia de cálculo do Resultado Primário.
 
Vejamos o disposto no § 1º do artigo 2º da lei 12.465/11, a qual dispõe sobre a LDO para 2012:
 
“§ 1º As empresas dos Grupos Petrobras e Eletrobras não serão consideradas na meta de resultado primário, de que trata o caput deste artigo, relativa ao Programa de Dispêndios Globais.”
205
IV.3.1 Despesas do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador
 
São transferências de recursos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador - aos bancos oficiais para o pagamento de abono salarial e seguro-desemprego aos trabalhadores da iniciativa privada. Inclui também despesas com serviços bancários, treinamentode trabalhadores e com o Sine – Sistema Nacional de Emprego.
 
IV.3.2 Subsídios e Subvenções
 
São equalizações de taxas de juros e despesas administrativas relativas aos empréstimos efetuados pelas instituições financeiras aos setores agrícolas e exportador. As equalizações correspondem à diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa do financiamento. No caso das dívidas agrícolas securitizadas pela União, é a diferença entre o valor pago às instituições financeiras do serviço dessa dívida e aquele efetuado pelos agricultores ao Tesouro Nacional.
 
Também inclui a despesa líquida com compra e venda de produtos agrícolas , com objetivo de regular o preço mínimo desses ativos. Por fim, inclui os subsídios implícitos destinados aos setores agrícola e industrial, além de despesas administrativas, pagos pelos Fundos Regionais (FCO, FNO, FNE). Os subsídios implícitos são calculados como sendo o custo de oportunidade desses fundos pela utilização de seus recursos nesses financiamentos, considerando o retorno potencial da aplicação dos mesmos na rede bancária.
206
IV.3.3 Outras Despesas
 
Conjunto das demais despesas primárias efetuadas pela administração pública federal. Inclui aquelas previstas no Orçamento Geral da União e as referentes ao exercício anterior, denominadas restos a pagar.
V Resultado Primário do Governo Federal
 
Diferença entre as receitas e despesas primárias do Tesouro Nacional e do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). O resultado do RGPS corresponde à diferença entre as receitas da Previdência Social e as despesas com benefícios previdenciários do setor privado.
 
VI Resultado Primário do Banco Central
 
O déficit mensal corresponde às despesas administrativas, líquidas de receitas próprias, daquela autarquia. O resultado das demais operações do Banco Central estão incluídas nas despesas líquidas com juros nominais do Governo Central e, portanto, compõem o resultado nominal calculado pelo Banco Central com base no estoque da dívida líquida.
 
VII Resultado Primário do Governo Central
 
Corresponde à diferença entre as receitas e despesas primárias do Governo Central, que inclui o Tesouro Nacional, o RGPS e o Banco Central.
207
	O setor público é composto pela administração direta, as autarquias e as fundações das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) e suas respectivas empresas estatais, o Banco Central e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O conceito de setor público, para fins de apuração dos indicadores de dívida pública, considera as instituições públicas não financeiras, bem como os fundos públicos que não possuem características de intermediários financeiros, isto é, aqueles cujas fontes de recursos advêm de contribuições fiscais ou parafiscais, além da empresa Itaipu Binacional.
 
	Outros conceitos também utilizados para medição da dívida pública são os de governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central), governo federal (Tesouro Nacional e INSS), governo geral (governos federal, estadual e municipal), governos regionais (governos estaduais e municipais) e empresas estatais (empresas estatais federais, estaduais e municipais).
 
	Os conceitos mais comuns de dívida pública são dívida bruta do setor público, a qual leva em consideração os passivos governamentais, e a dívida líquida, a qual desconta da dívida bruta os ativos que o governo possui.
 
	A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) refere-se ao total das obrigações do setor público não financeiro, reduzido dos seus ativos financeiros junto aos agentes privados não financeiros e aos agentes financeiros, públicos e privados. No caso brasileiro, é importante mencionar que, diferentemente de outros países, o conceito de dívida líquida considera os ativos e os passivos financeiros do Banco Central, incluindo, dentre outros itens, as reservas internacionais (ativo) e a base monetária (passivo).
	 11- Conceitos e Indicadores da Dívida Pública
		11.1- Dívida Pública: Bruta e Líquida
208
	A Dívida Líquida representa o principal indicador para medição do grau de exposição do país, e a sustentabilidade da própria dívida no longo prazo. Ao serem realizadas análises nos indicadores de dívida, estas levam em consideração o total de riquezas gerada pelo país, correspondente ao PIB. Outro importante conceito referente à Dívida Pública é a Dívida Fiscal Líquida. Seu resultado é apurado, a partir da DLSP, da adição dos passivos contingentes (esqueletos da dívida), da redução das receitas decorrentes da privatização de empresas e de ajustes metodológicos (adição ou redução) decorrentes principalmente da variação cambial da fração da dívida em moeda estrangeira. É com base inclusive neste conceito que se calcula o resultado nominal da contas públicas em determinado período.
 
DFL = DLSP + Esqueletos - Receitas de Privatizações +/- Ajustes Metodológicos
 
	
	A chamada Necessidade de Financiamento do Setor Público, conceito nominal, caso positiva, corresponde ao próprio déficit nominal. Seu resultado é chamado de variação da Dívida Líquida do Setor Público – DLSP, descontados os ajustes patrimoniais ocorridos no período. Estes ajustes são representados pelas privatizações (ajuste positivo), que abatem parte da dívida, e o reconhecimento dos esqueletos (ajuste negativo na dívida), que tendem a aumentar (variação positiva) a dívida líquida.
 
	Destaca-se, ainda, para fins metodológicos, que a diferença entre a DLSP e os ajustes patrimoniais é denominada pelo Manual de Finanças Públicas de Dívida Fiscal Líquida – DFL.
209
	A dívida pública pode ser desmembrada em dívida mobiliária ou em dívida contratual. A dívida mobiliária é decorrente da emissão de títulos enquanto que a dívida contratual é decorrente dos contratos assumidos pela administração pública, as três esferas (Federal, Estadual e Municipal).
 
	Vejamos o que destaca o Livro Dívida Pública a respeito das dívidas mobiliária e contratual:
 
	Quanto à natureza, a dívida pública pode ser classificada em contratual ou mobiliária. No primeiro caso, esta se origina a partir de um contrato, o qual define as características da dívida. No segundo caso, a dívida origina-se a partir da emissão de um título, que possui autonomia em relação ao fato que o originou. Atualmente no Brasil, a dívida contratual de responsabilidade do Tesouro Nacional refere-se exclusivamente à dívida externa, tendo em vista que a dívida contratual interna foi securitizada ao longo dos anos, passando a ser classificada como parte da Dívida Pública emissão de títulos, que estabelece o montante máximo a ser emitido.
	 11.2- Dívida Mobiliária e Dívida Contratual
210
	Quanto à forma como é emitida, a DMPI pode se dar por oferta pública, quando os títulos são emitidos sob a forma de leilão e suas taxas de emissão são formadas em processo competitivo, e direta, quando emitidos para atendimento a um contrato. São exemplos de emissões diretas a securitização de dívidas e as emissões para fins de reforma agrária (TDA). No que diz respeito às emissões em “oferta pública”, estas envolvem os títulos públicos mais negociados no mercado, tais como as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e as Notas do Tesouro Nacional (NTN).
 
	 11.3- Formas de Emissão de Dívida
211
	Em relação aos detentores dos títulos da DPMi, estes podem estar de posse do Banco Central, que os utiliza para fazer política monetária, ou em poder do público, em que os títulos emitidos são adquiridos especialmente por Instituições Financeiras. Cabe ressaltar que, quando da pose dos títulos pelo BACEN, o efeito na DLSP é nula, uma vez que dívida está registrada no ativo do Banco Central e no passivo do Tesouro Nacional em igual montante. Cabe ressaltar que estes ativos referem-se somente ao financiamento da dívida vincenda na carteira do BACEN.  
	 11.4- Detentores da Dívida
212
	A Dívida Mobiliária Externa obedece a divisão entre dívida renegociada e novas emissõesde dívida. A primeira fração da dívida é composta das emissões de títulos objetivados na renegociação da dívida externa. A fração complementar é decorrente dos títulos emitidos em ofertas públicas pós renegociação da dívida externa do país.
 
	Há ainda a chamada Dívida Pública Contratual Externa, sendo aquela decorrente da contratação de financiamentos de Organismos Internacionais (Banco Mundial, BID) e com Instituições Financeiras Privadas internacionais.
 
	Uma forma adicional de medição da Dívida Pública é aquela referente à contabilização apenas das dívidas das três esferas de governo, em que são excluídas do cálculo as dívidas das estatais. Sob o conceito de Dívida Bruta do Governo Geral – DBGG, corresponde ao total das dívidas de responsabilidade do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais com o setor privado e o setor público financeiro. Conforme destaca o Tesouro Nacional, por meio do Livro da Dívida Pública, no seu cálculo são contabilizadas as operações compromissadas realizadas pelo Banco Central.
 
	Segundo o Tesouro Nacional, “Entende-se que, como as operações compromissadas deverão, em um segundo momento, ser “pagas” com a emissão de títulos públicos federais em mercado, sua inclusão na DBGG capturaria o endividamento do governo geral de forma mais eficiente, ao antecipar os movimentos da DPF”.
 
	Para se calcular a Dívida Líquida do Governo Geral – DLGG, basta excluir da DBGG os ativos das três esferas governamentais.
	 11.5- A composição da Dívida Mobiliária
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	Mensalmente o Tesouro Nacional divulga o relatório da Dívida Pública Federal. O mais recente deles é o de MARÇO/2014, o qual disponibilizamos o link de acesso e no qual baseamos para a análise do perfil da dívida.
https://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/187318/Apres_RAD_2013_PAF_2014_FINAL.pdf
 
	Vejamos o quadro abaixo que demonstra a situação da dívida pública:
	 11.6- Evolução, Estoque e Prazo Médio da Dívida Pública
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	A composição da dívida pública deve ser analisada cuidadosamente, considerando os custos que esta pode trazer ao caixa do governo. Em momentos de turbulência, em que a taxa de câmbio tende a se depreciar, ou seja, necessita-se de um maior número de reais para se comprar uma unidade de moeda estrangeira, os títulos públicos indexados ao dólar tendem a aumentar os custos com a dívida. O mesmo tende a ocorrer com os títulos vinculados à taxa básica de juros (Taxa Selic), que tem a remuneração na forma de juros pós-fixados, ou seja, na medida em que aumenta a taxa de juros básica da economia, maiores são os custos com a dívida. Os títulos pré fixados são aqueles em que a taxa de juros ganha com a operação já é previamente conhecida tanto pelo comprador quanto pelo vendedor, no caso o governo, de tal sorte que as despesas com a emissão da dívida já são conhecidas a priori.
216
	Financiamento do déficit público a partir dos anos 80 do século XX pode-se iniciar a análise das Finanças Públicas no Brasil, e de sua sustentabilidade, a partir dos anos de 1970, com o marco deixado pela primeira crise do petróleo. A opção de crescimento forçado a partir da fonte de recursos externos (financiamento das empresas estatais via empréstimos externos) levou o país à chamada década perdida nos anos 80. Ao longo da década de 70 as finanças do setor público eram norteadas por uma grande multiplicidade orçamentária. A existência do Orçamento Geral da União, o orçamento das empresas estatais, o orçamento monetário e a conta da dívida pública. Até o final da década as receitas e despesas das empresas estatais não haviam sido agregadas em um orçamento consolidado. Na verdade, somente com a criação da Secretaria de Controle das Empresas Estatais (SEST), em 1979, é que o governo pôde ter um conhecimento preciso do número total de entidades estatais e então consolidar em um orçamento geral a partir de 1980.
 
	O orçamento monetário, destinado somente ao BACEN, funcionava como uma ferramenta de controle do passivo monetário (dinheiro em circulação) e não-monetário que era utilizado, de uma forma geral, para a política cambial, para concessão de subsídios, linhas de crédito, dentre outros programas. Cada orçamento era aprovado por uma autoridade pública diferente e em momentos também diferentes, o que causava a total desarticulação entre as políticas econômicas implementadas pelo governo. Como se não bastasse, havia ainda a conta da dívida que, a partir do início da década de 70, funcionou de forma autônoma e garantiu a cobertura dos juros e amortizações (serviço da dívida) sempre através da emissão de novos títulos. Esse processo ficou conhecido como o "giro da dívida interna" do país.
	 12- Sustentabilidade do endividamento público
217
	Era impossível efetuar um controle eficaz da política monetária e do endividamento público sem que antes fosse realizada uma reforma que fortalecesse o Banco Central e reordenasse o controle financeiro das contas do governo. A dívida foi evoluindo em função de diversos fatores, inclusive, em função de si própria e do financiamento de gastos extra-orçamentários. Obviamente não se soube o quanto do crescimento da dívida foi devido a cada fator.
 
	Por fim, observa-se que a estratégia adotada pelo governo, ao longo da década de 70, foi de utilização da autoridade monetária como banco de fomento, no processo de desenvolvimento econômico, como forma de atender a meta de "crescimento com endividamento". Grandes volumes de recursos eram levantados sem elevação na carga tributária, ou seja, sem desestabilizar o regime militar vigente. Para isso, o governo, por meio do Bacen, ou realizava a emissão de dívida pública ou emitia mais moeda, como forma de quitar seus compromissos.
 
	É muito importante que saibamos que existem duas formas do governo financiar os seus gastos: por meio de aumento da arrecadação de tributos; através da emissão de dívida pública ou por meio da emissão monetária. A primeira delas é considerada a melhor, em princípio, pois constitui uma receita governamental que não traz contrapartida no passivo público. Não obstante, é relevante considerar que o aumento exacerbado da carga tributária tende a reduzir a renda disponível da população, impactando o consumo e, consequentemente, o crescimento da economia.
218
	O aumento do endividamento público é uma solução que visa minimizar o impacto, ao menos no princípio, sobre o consumo da população. De todo modo este aumento é extremamente perturbador para a condução das finanças, uma vez que a elevação exacerbada da dívida pode implicar na demonstração da incapacidade do governo de pagar suas contas. Por fim, a emissão monetária, muito embora não tenha os efeitos pontuados anteriormente, traz no seu bojo o problema da inflação. Um excesso de moeda em circulação tende a aumentar as negociações na economia (compra de bens e serviços) em um patamar acima da capacidade produtiva. Neste contexto, para que a relação de oferta e demanda por bens e serviços se mantenha equilibrada, o ajuste se dá por meio da elevação dos mesmos bens.
 
	Voltando à nossa abordagem, com o segundo choque do petróleo em 1979, o governo deparou-se com uma nova crise que o forçou a promover um ajuste na economia brasileira e, consequentemente, nas finanças públicas do país.
219
	O período entre os anos de 80 e 94 foi caracterizado por intensas divergências entre economistas. Enquanto alguns defendiam o ajuste fiscal acima de tudo, os demais não davam importância ao déficit e buscavam combater apenas a inércia inflacionária. Quando foi feito o primeiro acordo com o FMI (derivado da crise da dívida externa que avassalou todos os países subdesenvolvidos), ainda no período dos governos militares, tivemos a implementação de políticas econômicas de cunho essencialmente voltadas para o combate à inflação de demanda. Estas não alcançaram êxito na busca pela estabilidade e os teóricos que defendiam essa linha de pensamento perderam sua credibilidade.Em contrapartida ao insucesso das políticas econômicas até então adotadas, foi realizada a implementação de diversos planos econômicos elaborados por economistas ditos heterodoxos, os quais não tinham grande preocupação com o déficit fiscal brasileiro. Todos eles - o Plano Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II - não obtiveram sucessos duradouros na busca pela estabilização.
 
	O fim do ciclo militar no Brasil surgiu de uma aliança entre o PMDB (Tancredo Neves) e a Frente Liberal (José Sarney). Com a morte do presidente eleito, Sarney foi quem assumiu a função, mas não pôde desempenhá-la de forma satisfatória pois não contava com o apoio dos deputados e senadores peemedebistas.
	 12.1- As finanças públicas entre 1980 e 1994
220
	O que elevou ainda mais a fragilidade política do governo Sarney foram a eclosão de demandas populares por investimentos e gastos públicos, demandas estas que eram anteriormente sufocadas pelo regime autoritário.
	Com a implementação de diversas alterações na legislação a partir de 1985 e com a promulgação da Constituição Federal de 1988, vieram as chamadas mudanças institucionais. Do ponto de vista das finanças públicas, destacamos alguns pontos positivos, a saber: a extinção da conta-movimento do Banco do Brasil (autofinanciamento), a incorporação do orçamento monetário ao OGU (Orçamento Geral da União), tornando o orçamento uno, a extinção das funções de fomento do Banco Central, a criação da STN (Secretaria do Tesouro Nacional), a incorporação das despesas com pagamentos de juros da dívida ao OGU, e alguns pontos negativos, como a elevação do repasse de verbas a Estados e Municípios, a sobrecarga do sistema previdenciário e uma elevação no volume de receitas vinculadas. Esse último ponto destacado provocou a redução na margem de manobra do poder executivo no que tange à alocação de recursos, o que conceituaremos posteriormente como um dos problemas do federalismo fiscal.
	Todos os fatores ora narrados, somados aos impactos da crise externa e a ação dos planos heterodoxos (keynesianos), contribuíram para uma elevação no déficit já a partir de 1987, quando se passou a observar uma combinação de níveis de arrecadação constantes e gastos públicos crescentes, impactando ainda mais negativamente as contas públicas.
 
221
	A partir do governo de Fernando Collor o Brasil experimentou uma grande abertura econômica, acompanhada dos processos de privatização de empresas estatais. Naquele momento observou-se que embora a inflação provesse recursos para o governo, essa mesma inflação depreciava o valor dos tributos e, portanto, a própria receita pública. Tratava-se do fenômeno conhecido como "efeito-Tanzi". Sua amenização foi realizada através de uma profunda indexação das obrigações tributárias. Com a implantação do Plano Real a condução das finanças públicas passou a ter outra vertente, expurgando-se a inflação como uma das grandes responsáveis pelas distorções nos resultados das contas públicas no país.
222
	O Plano Real teve como pressuposto o combate a inflação inercial herdada do período Collor. O ataque à inflação centrou-se em três fases:
 
	A primeira delas estava relacionada ao ajuste fiscal das contas públicas, de forma a minimizar a expansão inflacionária. O chamado Plano de Ação Imediata – PAI adotado no governo Itamar Franco baseou-se no corte de despesas, na diminuição das transferências voluntárias do governo federal bem como no aumento da tributação. Em referência a este último ponto, foi criado pelo governo federal o chamado Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira que, por seu caráter universal, abrangia toda e qualquer movimentação de recursos a débito nas contas correntes.
 
	A segunda fase do plano foi a indexação da economia através da implantação da chamada Unidade Real de Valor - URV, em fevereiro de 1994, que teve seu valor igualado a uma unidade de dólar norte-americano. A mesma URV seria avaliada pelo um número de cruzeiros reais, tendo seu valor variável em função da variação dos principais índices de preços (IPCA, IGPM). A ideia básica do plano era a seguinte: Um número considerável de preços (salários, contratos, etc.) foram convertidos em URV, sendo os demais preços convertidos pelos agentes econômicos. Passava a URV, naquele momento, a representar a unidade de conta, uma das funções da moeda, expressando assim os preços das mercadorias. Não obstante, como a URV não era ainda representada como meio de troca, todas as transações eram liquidadas em cruzeiros reais. Diante deste fato, a inflação corroía apenas a moeda CR$, mas não a URV, que mantenha sempre a sua relação como unidade de conta (URV) com a moeda meio de troca (CR$).
 
	 12.2- As finanças públicas de 1994 a 2011
223
	Após cerca de 4 meses, o governo introduziu uma nova moeda, o Real, que teve o seu valor igualado a uma URV vigente, na época igual CR$ 2.750,00, além de igualar-se também a uma unidade de dólar americano. De forma a dar segurança e estabilidade à nova moeda, o governo federal restringiu o crescimento da oferta monetária, além de impor aumentos nos depósitos compulsórios e nas operações de crédito do sistema financeiro. A moeda manteve-se estável, especialmente pela política de taxa de juros elevada.
 
	Devido ao excesso de liquidez internacional e o consequente afluxo de moeda estrangeira para o país derivado dos altos juros, no primeiro momento do plano real, a moeda nacional valorizou em relação ao dólar, chegando sua taxa nominal de câmbio a um patamar próximo de R$ 0,80 por unidade de moeda norte-americana.
	O resultado da apreciação da moeda nacional foi o estímulo à importação de bens, que dessa forma continha a subida dos preços internos e da própria inflação. Esta política foi apelidada de “âncora cambial” do plano.
 
	A queda paulatina da inflação, dado a inexistência de choques ditos heterodoxos, provocou um aumento considerável no poder de compra das classes menos favorecidas. A concessão de crédito passou a ampliar-se, pois agora se tornava possível prever a taxa nominal de juros na qual o governo trabalharia.
224
	O processo de estabilização, conforme visto, contribuiu para a redução dos piques inflacionários, uma vez que os bens nacionais passaram a sofrer com a concorrência dos bens importados. Não obstante, destaca-se que tal fenômeno acontecia somente com os bens ditos “tradeables”, que são aqueles negociados no mercado internacional (soja, automóveis, açúcar, etc), já que os serviços, representados pelos “non-tradeables” (aluguéis, médicos), continuaram a subir dado o ganho, em termos de poder de compra, da sociedade brasileira.
 
	Não obstante todo o processo de estabilização econômica, as contas do governo já começavam a apresentar uma sensível deterioração, derivada das mudanças promovidas pela CF/88, e que resultaram na perda de recursos tributários antes administrados pela União e que passaram a ser transferidos, compulsoriamente, por meio dos Fundos de Participação de Estados e Municípios, aos demais entes da federação, sem uma efetiva contrapartida em termos de repasse de atribuições constitucionais relacionados aos gastos com saúde e educação.
	A solução adotada pelo governo foi a criação do Fundo Social de Emergência e que depois veio a se chamar de Fundo de Estabilização Fiscal - FEF. O Fundo, constituído pela EC 10/96, foi originado dos recursos financeiros retidos pela União e, consequentemente, não repassados aos demais entes da federação destinados ao pagamento de gastos de caráter vinculado determinados pela Constituição. A desvinculação de recursos surgiu inicialmente a partir da criação do Fundo Social de Emergência (FSE) de 1994, constituída pela Emenda de Revisão número 1, a qual liberava 20% de recursos vinculados constitucionalmente à área social para livre disposição pela área econômica do governo. Já em 2000 o FEF passa a receber a denominação de Desvinculação das Receitas da União (DRU) que, recentemente, teve nova prorrogação, por meio daEmenda Constitucional número 61 de 2011, sendo válida até 31 de dezembro de 2015.
 
225
	Importante adicionar que, em conjunto com a criação do FEF, a União remeteu ao Congresso Nacional projetos de leis para criação de contribuições que, por sua natureza, não teriam o resultado da arrecadação fatiado com Estados e Municípios. O objetivo era, naturalmente, o reforço do cofre público federal diante das significativas perdas de receitas em decorrência da nova Constituição.
 
	Ainda procurando reduzir a geração de constantes déficits, o governo federal reduziu os investimentos públicos, ação esta que pode ser efetivamente sentida com a falta de capacidade de geração de energia elétrica ocorrida no fim dos anos de 1990. Não obstante, como não bastava apenas o esforço federal no sentido de reduzir os gastos públicos, a União promoveu, em 1997 e 1998, o processo de reestruturação das dívidas públicas de Estados e Municípios, por meio da sua Federalização. A contrapartida desta assunção foi a imposição de regras rígidas aos demais entes para geração de novas dívidas, regras estas que ficaram definidamente estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, então aprovada no ano de 2000.
 
	No fim do ano de 1998, início de 1999, o Brasil sofreu um forte impacto da crise econômica internacional que se abateu sobre os países emergentes. Tendo com um dos pontos basilares da própria crise o elevado nível de dívida pública, este contribuiu para que investidores estrangeiros, credores desta dívida, optassem em liquidar os seus direitos, retirando seus recursos do país de forma emergencial. O resultado desta retirada em massa foi uma crise sobre o balanço de pagamentos do país (saída massiva de capitais), o que levou o Banco Central a literalmente “zerar” todas as reservas internacionais em moeda estrangeira do país (dólares), e ainda solicitar ao Fundo Monetário Internacional recursos para cobrir as suas necessidades de pagamento como decorrência da dívida externa.
226
	O empréstimo feito pelo Fundo Monetário Internacional – FMI ao Brasil foi cercado de uma série de exigências, especialmente as referentes à manutenção de política de geração de superávits primários nas contas públicas. O objetivo de tal política foi a de estimular o país a gerar caixa para fazer frente ao pagamento dos juros da dívida externa, sendo que estes mesmos superávits tenderiam a diminuir a necessidade do uso da taxa de juros como captadora de recursos para fechamento das contas externas.
 
	Reformas fiscais adicionais, que objetivaram a ampliação da base de arrecadação do governo, tais como a criação da CPMF em substituição do IPMF, agora com alíquota de 0,38%, elevação da COFINS e sua extensão as Instituições Financeiras, além da incidência da contribuição previdenciária sobre inativos, levaram a resultados consideráveis no resultado primário nos anos posteriores a crise de 1999. Somente no mesmo ano, o déficit operacional reduziu de 7,5% do PIB para 3,2%.
 
	A promulgação da LRF veio na esteira a Lei de Responsabilidade Fiscal, que veio também como exigência no conjunto do pacote de recursos do FMI. Esta procurou limitar o gasto com a principal rubrica do orçamento dos entes estatais, qual seja a referente às despesas com pessoal, além de uma série de outras medidas, tais como limites de dívida e constituição destas, renuncias de receita pública e controle da execução orçamentária.
12.3- A condução da economia e as Finanças Públicas a partir da crise de 1999
227
	A passagem de governo, em termos de política econômica, manteve-se igual, baseando a condução da economia no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário.
 
	O PIB do ano de 2000 apresentou um crescimento de cerca de 4,5%, o que não foi o ocorrido nos anos de 2001 e 2002, devido a fatores internos e externos, quais sejam a crise Argentina e as eleições presidenciais no país. No início de 2003, como forma se corroborar a condução da política econômica, o governo federal reduziu seus gastos, além de promover no âmbito da política monetária conduzida pelo BACEN, o aumento dos juros como forma de evitar o recrudescimento inflacionário significativo.
 
	A partir de 2003 o país aproveitou a boa “maré” internacional, que se refletiu na entrada massiva de capital estrangeiro, tanto especulativo como produtivo. Adicionado a este fato, a política de estímulo às exportações e a desvalorização cambial ocorrida no fim de 2002 para o ano seguinte, promoveram o crescimento vertiginoso dos resultados do balanço comercial e das transações correntes, que alcançaram entre os anos de 2004 e 2006, valores, em termos de superávits anuais, respectivamente, da ordem de US$ 40 bilhões e de 13 bilhões.
 
	No que se refere às contas públicas ao longo dos últimos anos, verificou-se um esforço do governo para promover a sua redução, tal o fato de que no ano de 2007 foram amortizados grande parte da dívida externa, liquidando-se todas as dívidas com cláusula de variação cambial. Não obstante, de forma a corroborar a evolução dos indicadores fiscais e as finanças públicas, destaca-se que as necessidades de financiamento do setor público no conceito nominal variaram de cerca de 9,17% em janeiro de 2003 para cerca de 2,17% em dezembro de 2007. 
228
	A economia brasileira sentiu os fortes impactos da crise financeira internacional iniciada na economia americana no início de 2008, ocasionada a partir dos créditos subprimes, caracterizado por instrumentos financeiros (títulos) lastreados (que tinham como garantia) em empréstimos baseados em hipotecas de imóveis financiados por companhias hipotecárias norte-americanas.
 
	A crise ocorreu pelo fato dos mutuários (devedores) dos imóveis não mais poderem pagar pelos bens adquiridos, promovendo uma avalanche em todos os instrumentos financeiros que só possuíam valor justamente pelo fato de que o seu lastro seria de fato seguro. Os títulos foram comprados por muitos bancos que, ao tentarem resgatar os valores, se viam diante da impossibilidade de reaverem as quantias investidas. Este problema levou a uma avalanche de quebras de bancos e seguradoras que resguardavam os recursos dos bancos, estendendo-se por todo sistema financeiro internacional. 
 
12.4- A crise dos créditos subprimes e os impactos na economia brasileira 
e na dívida pública
229
	No Brasil a crise inicialmente gerou pequenos impactos, uma vez que os bancos brasileiros pouco possuíam destes títulos lastreados em hipotecas. Não obstante, considerando que grandes bancos internacionais bem como investidores estrangeiros possuíam aplicações tanto no país como no exterior, e que fora do país os investidores encontravam-se carentes de recursos que simplesmente sumiram, estes optaram em sacar seus recursos das diversas economias, reduzindo em demasia o crédito circulante na economia nacional. O evento provocou a queda brusca do nível de empréstimos dos bancos brasileiros a consumidores e produtores, inicialmente devido ao medo da crise internacional, o que fez que a crise saísse da economia financeira e se propagasse do todo o setor real da economia, impactando diretamente o nível de emprego.
 
	Em nível interno, o governo em conjunto com o Banco Central, tomou uma série de medidas visando reduzir o impacto da crise. Inicialmente o BACEN reduziu as taxas de depósitos compulsórios dos bancos, possibilitando ainda a estes a utilização de recursos oriundos do redesconto e do Fundo Garantidor de Crédito – FGC, fundo este no qual os próprios bancos depositavam recursos por conta de possíveis crises isoladas em Instituições Financeiras. Realizou ainda, passado o primeiro momento, a redução substancial da taxa básica de juros, alcançando o menor patamar da história (8,75% ao ano).
230
	O governo federal procurou estimular a economia via políticas fiscais de redução dos impostos incidentes sobre a renda e sobre a produção de bens industrializados em setores de grande geração de empregos, tais como automotivo e da construção civil. Estas políticas obrigaram o governoa reduzir suas metas de superávit primário, uma vez que foram aumentados os seus gastos e reduzidas as receitas provenientes da tributação. Nos meses de maio, após mais de nove anos de seguidos superávits primários (excluindo-se os ajustes do mês de dezembro), o país apresentou o primeiro resultado negativo, da ordem de R$ 300 milhões, encarado não como a falta de controle do governo de suas contas, mas sim como a solução minimizadora dos impactos da crise internacional sobre o país. 
 
	A partir da segunda metade do ano de 2009 a economia do país começou a se recuperar, apresentando sinais de melhora na concessão de crédito pelos bancos, na produção industrial e no próprio consumo. O resultado derivado desta melhora foi o aumento das receitas tributárias que, consequentemente, tem permitido ao governo federal manter a sua política de geração de superávits primários necessários à manutenção das contas públicas em patamar seguro para o país.
231
	A evolução nos resultados das contas públicas no país tem apresentado um comportamento relativamente positivo. Com o conjunto de medidas tomadas pelo governo federal e pelo Banco Central após a grave crise financeira vivida no fim dos anos de 1998/1999, dentre as quais o estabelecimento da delimitação dos saldos de resultado primário das contas públicas em relação ao total do Produto Interno Bruto – PIB, o regime de metas de inflação, assim como a promulgação de Lei de Responsabilidade Fiscal, o que pode, aos poucos, especialmente a partir da metade do primeiro mandato do Presidente Lula, reorientar a formação da dívida pública a partir das sucessivas ocorrências de déficits.
	O estabelecimento de metas de cumprimento de resultado primário positivo (superávit) em percentual do PIB, capacitou o governo a gerar saldos para pagamentos cada vez maiores dos juros da dívida (resultado operacional), diminuindo evolução da dívida pública.
 
	
12.5- Comportamento das contas públicas e financiamento do déficit público no Brasil
232
	O regime de metas de inflação funcionou e ainda funciona com um parâmetro para estabelecimento de níveis máximos de variação dos preços no país. Essa política tendeu a reduzir a necessidade de subida das taxas de juros pelo Banco Central, via apenas a sua sinalização de que, caso ocorressem picos inflacionários, a autoridade monetária encontrar-se-ia disposta a elevar a taxa de juros. O resultado da política embasa-se apenas na confiança da ação do Bacen, quando necessário, reduzindo assim a necessidade da subida efetiva dos juros.
 
	Pela análise das contas públicas, a elevação dos juros tende a aumentar as necessidades de financiamento do setor público sob o conceito operacional e consequentemente nominal, diminuindo a capacidade do governo de realizar políticas de estímulo ao crescimento via investimentos públicos.
 
	Finalmente, com a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu norma de Finanças Públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, procurou promover sensíveis melhoras nas contas públicas e, consequente, diminuição de déficits via prevenção de risco e desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas, especialmente através do cumprimento de metas de resultado de receitas e despesas.
 
233
 	Não se pode afirmar que essa série de medidas impediu por completo o crescimento da dívida pública, haja vista a série de políticas assistencialistas implementadas pelo governo central (expansão do Bolsa Família), bem como as turbulências sofridas pelo país advindas do exterior. Não obstante, verifica-se a tendência da diminuição das NFSP no conceito nominal em relação ao PIB, passando de cerca de 10% em 2002 para cerca de 2% em 2007. Em 2008 ocorreu uma elevação das necessidades de financiamento, passando para cerca de 2,5% do PIB, derivado especialmente da diminuição da arrecadação tributária do governo. Esta política foi utilizada como forma de promover uma política fiscal expansionista diante da crise externa, uma vez que objetivava impactar diretamente a renda disponível dos trabalhadores e das empresas, além do próprio aumento dos gastos do governo, que tendeu a reverter ao máximo a queda do PIB. O ano de 2009 foi de recuperação econômica, passando tanto pela volta do crescimento do PIB como pela arrecadação tributária. As Necessidades de Financiamento no Conceito Nominal atingiram 3,28% do PIB, capitaneada especialmente pelos juros incidentes sobre a dívida pública, que atingiu 5,38% também do PIB. Logicamente, a minimização do déficit das contas públicas foi derivada do superávit primário, que atingiu 2,05% do somatório de riquezas geradas no país.
 
	O resultado negativo das contas públicas em 2010 reduziu-se quando comparado com os dois últimos anos, tendo as NFSP conceito nominal, alcançado 2,5% do PIB. Por fim, em 2011, as NFSP atingiram cerca de 2,6% do PIB. A melhoria dos resultados fiscais, associados especialmente aos esforços fiscais dos governos federal e estaduais e, conjuntamente, o crescimento do PIB nos últimos 4 anos, permitiu ao país reduzir consideravelmente a relação entre a dívida pública e o PIB. De cerca de 45,5% em 2007, a relação Dívida/PIB atingiu 36,5% ao final de 2011.
 
	A referida redução permite ao governo melhor compor o seu endividamento, aumentado o prazo de vencimento e reduzindo os juros incidentes sobre a própria dívida, isto tudo decorrente da própria percepção de risco dos credores da dívida quanto à capacidade de pagamento do governo.
234
(Analista de Ativ. Meio Ambiente/IBRAM/DF – CESPE/2009 – com alterações) A análise da economia brasileira é importante para compreender os fenômenos econômicos que caracterizam o país. A esse respeito, julgue o item seguinte.
 
04 A deterioração das contas públicas entre 1991 e 1998 deveu-se ao maior gasto com juros reais, visto que, nesse período, houve melhorias substanciais do resultado operacional do setor público.
 
(Economista/DPU – CESPE/2010) Acerca dos conceitos relativos ao déficit e dívida públicos, julgue os itens seguintes.
 
05 A mensuração do déficit com base na execução orçamentária – receitas e despesas – representa o conceito acima da linha, que corresponde à medição do déficit pelo lado do financiamento, ou seja, pela forma como o déficit foi financiado.
 
06 O déficit fiscal, como proporção do PIB, corresponde ao déficit primário acrescido dos juros sobre o estoque da dívida, sendo que o governo financia esse déficit aumentando o endividamento em títulos públicos e não considerando a expansão monetária.
 
12.6- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
235
07 Entre os objetivos da dívida pública interna, encontra-se a captação de recursos para investimentos prioritários, mas não se considera o giro da própria dívida.
 
08 Embora se considere a dívida como um acumulado de déficits, e relevante entender que déficit é variável estoque e dívida, uma variável fluxo.
(Anal. Gestão Pública – Economista/Pref. Vitória – CESPE/2008) As análises da economia do setor público, incluindo-se aí as dos tópicos associados às finanças públicas no Brasil, são importantes para se entender o papel desempenhado pelo governo nas economias de mercado. A respeito desse assunto, julgue os itens a seguir.
 
09 Subtraindo-se do resultado operacional do setor público a atualização monetária da dívida, obtém-se o resultado nominal, que não leva em conta a desvalorização monetária decorrente da inflação.
 
10 A relação dívida pública/PIB é tanto maior quanto mais elevado for o superávit primário e quanto menor for a razão entre a senhoriagem e o PIB.
 
11 No Brasil, as elevadas taxas de inflação explicam, em parte, a queda da importância relativa da dívida pública, nos primeiros anos da década de 90 do século passado.
12.6- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
236
12 No período 1994-1998, com o advento da estabilização econômica, observou-se um aumento expressivo do resultado primário do setor público no Brasil.
 
13 No período 1985-1995, a senhoriagem foi uma importante fonte de financiamento do setor público noBrasil.
(ECONOMISTA/PETROBRAS – CESPE/2007) A análise da economia e do orçamento público brasileiros ajuda a compreender os fenômenos econômicos que caracterizam o Brasil. Com base nessa análise, julgue o item abaixo.
 
14 Na evolução recente da dívida pública brasileira, o reconhecimento de dívidas antigas e não-registradas inicialmente – os chamados esqueletos – representou um aumento do valor da dívida não-relacionado ao resultado fiscal.
 
(Economista/MPU – CESPE/2010) Acerca dos conceitos de déficit e dívida pública e do papel do governo na economia, julgue os itens subsequentes.
 
15 No déficit total não se inclui o pagamento de juros reais da dívida pública.
 
16 A monetização da dívida pública não aumenta o endividamento público com o setor privado da economia.
12.6- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
237
17 A crise financeira, iniciada nos EUA em 2008, e que se alastrou para alguns países europeus diz respeito às elevadas dívidas públicas decorrentes de gastos públicos excessivos.
 
18 O déficit operacional reflete adequadamente as necessidades reais de financiamento do setor público.
19 (Consultor de Orçamento/Senado Federal – FGV-RJ/2008) A respeito das Necessidades de Financiamento do Setor Público, é correto afirmar que:
 
a) as Necessidades de Financiamento do Setor Público servem para apurar o montante de recursos que o setor público financeiro e não-financeiro necessita captar com o setor financeiro interno e/ou externo, além de suas receitas fiscais, para fazer face aos seus dispêndios.
b) a apuração do resultado “acima da linha” é feita a partir da variação líquida do estoque da dívida pública.
c) a apuração do resultado “abaixo da linha” parte da execução orçamentária, isto é, dos fluxos de receitas e despesas do governo.
d) em nível federal, o resultado dos orçamentos fiscal e da seguridade social recebe o nome de "Necessidades de Financiamento do Governo Central", enquanto o resultado do orçamento de investimentos recebe o nome de "Necessidades de Financiamento das Empresas Estatais".
e) um dos principais problemas para a adequação dos resultados pelo método “abaixo da linha” e “acima da linha” no Brasil é a não-inclusão, nas Necessidades de Financiamento do Setor Público segundo o resultado "acima da linha", das operações primárias do Banco Central.
 
12.6- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
238
20 (Consultor de Orçamento/Senado Federal – FGV/2008) Avalie as informações a seguir sobre a Dívida Líquida do Setor Público:
 
I. No Brasil, no cálculo da Dívida Líquida do Setor Público são incluídas as receitas de privatização e os valores correspondentes às dívidas utilizadas na compra de empresas que são transferidas do setor público para o setor privado.
II. Ajustes cambiais não são fatores condicionantes das variações da Dívida Líquida do Setor Público, já que o conceito exclui a dívida externa.
III. A Dívida Líquida do Setor Público não inclui a Dívida Líquida de Empresas Públicas.
 
Assinale:
 
a) se apenas a afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa II estiver correta.
c) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se nenhuma afirmativa estiver correta.
12.6- EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
239
	A noção de inflação, ou de outra forma, a noção da subida generalizada dos níveis de preços, esta associada ao contexto que define a relação entre a oferta e a demanda agregada. As analises dos modelos de oferta e demanda agregada permitem uma visão mais realista do processo econômico, envolvendo a adoção de politicas dentro de horizontes tanto de curto quanto de longo prazo de analise. As variáveis econômicas chaves são o preço e quantidade de bens e serviços produzidos em uma economia que, em essência, representa a própria mensuração do PIB.
13- Inflação e Crescimento.
13.1- A oferta agregada da economia
	Oferta agregada e a quantidade total de produção que as empresas fornecem para um determinado padrão de preços e salários. As empresas decidem quanto querem produzir para maximizar os lucros, levando em conta o preço do produto, o custo dos insumos, o estoque de capital e a tecnologia disponível para a produção. Não obstante, de outro lado encontram-se as famílias, que também tomam uma decisão de oferta: quanto trabalho está disposto a oferecer com base no nível real de salario que irão receber. 
240
	As economias são compostas por um grande numero de empresas que usam capital (K), trabalho (L) e tecnologia (t) para gerar uma quantidade de produção denominada (Y). O capital e representado pelas fabricas, maquinas e pelo estoque de mercadorias. O trabalho em si e a mão-de-obra disponível as empresas. Tem-se ainda a tecnologia, responsável por avanços no processo de produção.
 
	Nesta analise inicial será considerado um horizonte de analise de curto tempo, curto prazo, período em que a tecnologia empregada e o estoque e capital, na produção, são ditos constantes. O único insumo variável e o Trabalho. Vejamos o gráfico abaixo: 
13.1.1- A função de produção
241
	Observe que a produção das empresas aumenta na medida em que e acrescentada uma quantidade maior do fator de produção mão-de-obra. Verifica-se, no entanto, que a produção cresce a valores decrescentes, ou seja, para cada unidade adicional de trabalho, o aumento de uma unidade a mais de mão-de-obra contribui menos que a anterior para o crescimento da produção.
 
	Isso ocorre simplesmente porque, no curto prazo, o estoque de capital (maquinas, instalações) e a tecnologia empregada no processo produtivo são constantes, variando apenas a mão-de-obra contratada. 
 
	A economia denomina esta característica através da chamada LEI DOS RENDIMENTOS MARGINAIS DECRESCENTES, ou seja, para cada unidade adicional de trabalho, menor será a sua contribuição para o crescimento da produção e, consequentemente, para a oferta agregada.
242
	Dentro da teoria econômica encontram-se duas vertentes de analise da oferta agregada. A teoria clássica afirma que quando a economia esta em equilíbrio, esta apresenta pleno emprego de recursos (trabalhadores empregados, capacidade produtiva ao máximo), o que quer dizer que toda a oferta agregada e demandada pelos consumidores. Dessa característica depreende-se que não existe desemprego involuntário, ou seja, todos aqueles que desejam trabalhar estão trabalhando.
 
	O nível de emprego da economia e definido no mercado de trabalho, em que de um lado temos a oferta de trabalho pelas famílias (OL) e do outro lado a demanda de trabalho pelas empresas (DL). Atenta-se assim que no mercado de trabalho, diferentemente do mercado de bens e serviços, que oferta trabalho são os trabalhadores e quem demanda trabalho são as empresas.
 
	O balizador das decisões das empresas e das famílias será o salario (W), que, quanto mais alto, mais interessante se torna para as famílias e, consequentemente, menos para as empresas. De forma contraria, quanto mais baixos forem os salários, menor será o interesse das famílias em ofertar trabalho e maior os interesses das empresas em contratar trabalhadores.
13.1.2- O nível de emprego, os salários, a Oferta Agregada e o Modelo Clássico
243
	De acordo com o modelo clássico, que considera a existência de pleno emprego dos recursos, que nada mais e do que a consideração de que a economia opera com a máxima capacidade (produto potencial), ou seja, ainda, sem a existência de desemprego dito involuntário, o que definira a oferta agregada será o salario real (W/P), estabelecido nas negociações entre empresas e famílias.
 
	Importante ser ressalvado que o parâmetro e o salario real, de forma que, para se chegar ao seu resultado, necessita-se descontar os preços dos produtos, (W/P). Esse desconto (divisão) representa a medição do poder de compra do salario em função do preço dos bens e serviços vendidos. Para um nível de preços mais alto, menor será o salario real em termos de poder de compra das famílias e maior será o ganho das empresas. Dada esta característica, pode-seentender que as variações nos preços de bens e serviços geram mudanças na oferta e na demanda de mão-de-obra, trazendo consequências diretas sobre a produção. Conforme P aumenta, tende a existir um excesso de demanda no mercado de trabalho, uma vez que os salários nominais (W) (sem o desconto dos preços) permanecem inalterados. O resultado provocado pela rigidez salarial promove o aumento nos ganhos das empresas e uma consequente queda no salario real dos trabalhadores. 
 
	Destaca-se, no entanto, que, segundo o modelo clássico, os salários nominais (W) se ajustam automaticamente as variações no nível de preços, fazendo com que as empresas não tenham interesse de contratar mais funcionários, mantendo, por corolário, constante o nível de produção. Essas interpretações e conclusões previas nos permitem descrever graficamente o comportamento de uma economia diante da visão da teoria clássica. Vejamos como ficaria esta situação em gráficos:
244
245
	Conforme se verifica, segundo o modelo clássico, a economia encontrasse sempre em pleno emprego, ou seja, o produto efetivo e igual ao produto potencial, sendo a curva de oferta agregada vertical em relação ao eixo do PIB. Estando em pleno emprego, qualquer politica que porventura possa ser feita pelo governo, via, por exemplo, aumento dos seus gastos (multiplicador keynesiano), levara tão somente ao aumento dos preços, conforme se conclui de maneira primaria pela analise da curva de oferta agregada vertical.
13.1.3- O nível de emprego, os salários, a Oferta Agregada e o Modelo Keynesiano
	Diferentemente da abordagem clássica, o modelo keynesiano afirma que os salários nominais (W) são rígidos no curto prazo. Desta forma, uma vez que ocorram variações nos preços, o salario real tende a se deteriorar. Um exemplo bastante ilustrativo pode ser representado pelos contratos de trabalho. Uma vez que o salario real esta mais baixo, ocorre o maior interesse por parte das empresas em contratar mão-de-obra, diminuindo assim o desemprego na economia. Raciocínio inverso e valido para o caso de diminuições nos preços dos produtos, uma vez mantido constante o salario nominal (W). Esta situação leva a um aumento do salario real, estimulando os trabalhadores a oferecerem mais trabalho, mas trazendo, por consequência, um aumento do desemprego e queda na produção.
246
	Todas estas explicações podem ser resumidas pelos gráficos abaixo, em que quedas no salario real (W/P), promovidas pela subida dos preços, levam as empresas a demandarem mais trabalho, aumentando assim o nível de emprego e a oferta agregada. Da mesma forma, aumentos no salario real (W/P), promovidos por quedas nos preços, levam as empresas a demandarem menos trabalho, aumentando o desemprego e diminuindo
a oferta agregada.
247
	A interpretação keynesiana da oferta agregada da economia e associada muitas vezes ao comportamento realista de uma economia no curto prazo, uma vez que os contratos de trabalho (valor dos salários) são rígidos por determinado periodo de tempo. De acordo com este modelo, um tanto quanto realista, as empresas operam com relativa capacidade ociosa, ou seja, o produto efetivo esta abaixo do produto potencial, fazendo com que estas tenham estimulo em aumentar a oferta de bens e serviços, tornando a curva de oferta agregada positivamente inclinada conforme representado pelo gráfico acima.
 
	Destaca-se ainda, dentro da analise da oferta agregada da economia, uma abordagem alternativa realizada por Keynes, o chamado caso extremo, em que devido a problemas denominados de custos de menu (incapacidade da empresa de mudar os preços de seus produtos nos curto prazo), as empresas são levadas a ofertar uma quantidade maior de produção a preços fixos. Isso se traduziria no gráfico em uma reta horizontal onde os preços estariam constantes e a oferta agregada cada vez maior. Mesmo não sendo um caso efetivamente realista, caracteriza-se com uma das abordagens sobre a oferta agregada.
248
	A sistematização da abordagem da oferta agregada em uma economia pode ser assim disposta na forma gráfica:
249
	A curva de oferta agregada keynesiana pode ser ainda explicitada conforme a formula abaixo:
 
	Equação da curva de oferta agregada de curto prazo:
 
	Y = y + a (P – Pe)
 
Y = Produto efetivo
y = Produto esperado
P = nível de preços efetivo
Pe= nível de preços esperados
a = repasse da diferença de preços, sendo a>0
 
	Conforme a diferença entre o nível de preços efetivo e o nível de preços esperado, maior ou menor será o produto efetivo da economia. Se os trabalhadores esperam um determinado nível de preços (Pe) e fixam um salario nominal de acordo com esta expectativa, um nível de preços efetivo maior acaba por deprimir os salários reais (W/P), resultando em maiores ganhos para as empresas, que assim contratam mais, aumentando, por consequência, os níveis de produção e emprego no curto prazo.
13.2- Forma alternativa de interpretação da oferta agregada
250
	O equilíbrio da economia e determinado pela interação entre a oferta agregada e da demanda agregada. Em uma economia fechada, ou seja, sem a presença dos fluxos de comercio exterior, a demanda agregada e definida, conforme vimos anteriormente, pelas despesas de consumo (C), pelos investimentos das empresas (I) e pelos gastos governamentais (G). Adicionalmente, partindo da visão microeconômica, verifica-se que variações positivas nos preços dos produtos desestimulam a demanda por bens e serviços por parte das famílias enquanto que a diminuição dos preços tende a estimular a demanda individual e, consequentemente, a demanda agregada.
 
	Em uma economia aberta, ao resultado da demanda agregada deve ser adicionado as exportações liquidas, que nada mais representam do que o batimento entre as exportações e as importações de bens e serviços não fatores (X - M).
 
	Feitas estas considerações e relembrando a própria noção de uma curva de demanda padrão, pode-se dizer que a curva de demanda agregada possui uma relação inversa com o nível de preços, conforme o gráfico abaixo.
13.3- A demanda agregada da economia
251
	A partir deste ponto passamos a analise dinâmica da relação entre a oferta e a demanda agregada numa economia.
13.4- O equilíbrio entre a Oferta e Demanda Agregada numa economia – 
curto prazo
13.4.1- Oferta Agregada Clássica e Demanda Agregada
	Pode-se considerar o aumento da demanda agregada por um dos seus componentes positivos (C, I, G, X), demonstrando os resultados sobre o equilíbrio entre a oferta e a demanda agregada para uma economia que se encontra em pleno emprego, ou seja, uma economia interpretada segundo o modelo clássico.
252
	Aumentos na demanda agregada trazem como resultado somente aumento do nível de preços, dado que a economia já se encontra no pleno emprego dos recursos produtivos. Para os clássicos, o produto potencial da economia e igual ao produto efetivo. Ainda afirmado por estes teóricos, o salario nominal e flexível, trazendo como consequência a manutenção do salario real e o desestimulo ao aumento da oferta agregada.
 
	A interpretação da oferta agregada clássica e similar à interpretação da própria visão da analise econômica no longo prazo, em que, como existe tempo para o ajustamento de todos os fatores de produção envolvidos (trabalho, capital, tecnologia), não sendo assim mais constante, a economia atingira o pleno emprego, no qual, conforme destacado no paragrafo anterior, o produto efetivo será igual ao produto potencial.
 
	Destacado ainda que, na analise isolada da oferta agregada clássica, verificou-se que estímulos da demanda agregada não levarão ao aumento do PIB, tendo impacto tão somente no nível de preços da economia, situação tradicionalmente conhecida como inflação.
253
	Diferentemente da interpretação feita pelo modelo clássico, no modelo keynesiano os estímulos na demanda agregada levam ao aumento do PIB. Este resultado e devido ao fato de que, segundo Keynes, existe desemprego involuntário, caracterizado pelo fato de que o produto efetivoesta abaixo do pleno emprego (produto potencial). Outro fator importante e o de que os salários são rígidos no curto prazo, devido principalmente aos contratos de trabalho, estimulando as empresas a ofertarem produtos e serviços, uma vez que estas tem seus ganhos majorados de forma real.
13.4.2- Oferta Agregada Keynesiana e Demanda Agregada
254
	A analise se da entre a interação da oferta agregada horizontal, assim caracterizada por partir do pressuposto de que custos associados as alterações nos preços são excessivamente elevados, tornando os próprios preços rígidos no curto prazo, e a demanda agregada.
 
	No caso keynesiano extremo os estímulos na demanda agregada via aumento nas variáveis somativas (C, I, G e X), provocam o aumento da produção (PIB) e da própria renda do país, sem causar mudanças nos níveis de Preços.
13.4.3- Oferta Agregada Keynesiana extrema e Demanda Agregada
255
	Caracterizadas as curvas de oferta agregada segundo os pressupostos teóricos (CLÁSSICO, KEYNESIANO e KEYNESIANO EXTREMO), bem como a curva de demanda agregada, expomos abaixo a transição da economia do curto para o longo prazo.
 
	Basicamente, as mudanças se concentram na formação dos preços, salários e na variação dos demais insumos de produção, de forma que, em prazos maiores, passa a existir uma maior flexibilidade na adequação dos preços (estes não são rígidos), podendo ser alterados ao longo do tempo. No mesmo sentido, os salários agora são variáveis, uma vez que, ocorrida a mudança nos preços, estes podem ser alterados, corrigindo-se as perdas ocasionadas aos trabalhadores em decorrência da subida dos preços.
13.5- A Oferta e a Demanda agregada: do curto para o longo prazo
256
	Os trechos abaixo destacados expõem a passagem da economia do curto para o longo prazo, adicionando-se ao gráfico a demanda agregada em diferentes momentos do tempo.
257
14- Inflação, Crescimento e Desemprego
14.1- Inflação
	Pode-se definir a inflação como o aumento generalizado e continuo do nível de preços. Já o desemprego e definido como a parcela da população economicamente ativa (desemprego involuntário) que esta sem trabalho. A interpretação da inflação dentro da analise de um processo econômico pode ser derivada de duas causas básicas: A Inflação de Demanda e a Inflação de Custos.
 
	A Inflação de Demanda ocorre quando existe um excesso de demanda agregada frente a oferta agregada da economia, ou seja, trata-se de uma situação em que a demanda por bens e serviços e superior a oferta dos mesmos bens e serviços.
 
	A Inflação de Custos ocorre quando, diante de aumentos nos custos das empresas, aumentos estes derivados de variações salariais positivas, de quebras na produção dos bens devido a problemas climatológicos ou mesmo derivados da redução da oferta de bens considerados insumos de produção de outros bens.
 
	Com base no ultimo gráfico desenvolvido no tópico anterior, relativo a interação entre oferta e demanda agregada, pode-se demonstrar primeiramente a ocorrência de inflação de demanda na economia:
258
	Dada a curva de oferta agregada (OA), aumentos na demanda agregada (DA1) resultam em aumentos do produto da economia (Y), ate o ponto em que a economia atinge o pleno emprego. Verificou-se a existência de situações em que aumentos na demanda agregada não alteram os preços da economia, situação de curto prazo em que o repasse de aumento nos preços não e vantajoso (custo de menu).
 
	Graficamente verifica-se esta posição na passagem da economia de DA1 para DA2. Num segundo momento verifica-se que existem ao longo da trajetória de aumento da demanda agregada sobre a oferta agregada, pontos (DA3) onde o produto da economia cresce, mas acompanhado de elevações nos níveis dos preços.
259
	A grande questão a este respeito refere-se ao aumento necessário na produção das empresas diante do aumento da demanda agregada. Com os recursos (capacidade produtiva) sendo utilizados cada vez mais, cada unidade adicional de trabalhador empregado no processo produtivo rende menos que o anterior, simplesmente porque o estoque de recursos da economia (maquinas e espaço físico) e fixo, ou seja, a oferta não aumenta na mesma velocidade do aumento da demanda agregada.
	Esta situação ocorre, de acordo com o gráfico, no momento em que a demanda agregada aumenta de (DA2) para (DA3). Uma vez que a economia atinja o pleno emprego, com toda a capacidade produtiva de economia sendo utilizada, aumentos na demanda agregada gerarão somente aumentos nos preços da economia. Graficamente esta situação ocorre quando a demanda agregada aumenta de DA3 para DA4.
260
	Caracterizadas as implicações do excesso de demanda agregada sobre a oferta agregada da economia, necessita-se saber que motivos justificam a ocorrência de inflação de demanda.
 
	A interpretação do fenômeno inflacionário pode se dar tanto pelo lado monetário como pelo lado real da economia. No lado monetário, o crescimento dos preços esta embasado na teoria quantitativa da moeda (TQM), que se define pela seguinte equação:
 
	MV = PY
 
M e a quantidade de moeda na economia;
V, a velocidade-renda da moeda (quantas vezes uma unidade monetária muda de mão, num dado período);
P, o nível geral de preços e;
Y, o nível de renda real ou produto.
 
	Vamos a um exemplo:
 
	Ex: M = 100; V = 4; P = 8; Y = 50,
	MV = PY
	100 X 4 = 8 X 50 = 400
14.2- O lado monetário da inflação de demanda
261
	A quantidade de moeda da economia girando 4 (quatro) vezes no período será exatamente igual aos preços dos produtos vezes a sua quantidade física. A TQM afirma que, no curto prazo, a velocidade da moeda (V) e o nível de produção são constantes, de forma que somente variações na quantidade de moeda disponível na economia impactam diretamente os níveis de preços.
 
Ex: Se a oferta de moeda aumentar de 100 para 150, os preços vão aumentar de 8 para 12.
 
	150 X 4 = 12 X 50 = 600.
 
	Conclui-se assim que a oferta de moeda e a variável chave para se controlar o nível de preços. De todo modo, estes mesmos economistas afirmam que a relação existe entre a quantidade de moeda e de crescimento da renda não são perfeitamente correlacionadas, de tal maneira que politicas monetárias previsíveis alteram apenas o nível geral de preços e, na forma da teoria clássica, os salários nominais, não impactando no nível de renda (Y).
 
	De forma geral, os chamados monetaristas defendem que politica econômica deve ser conduzida mediante regras, especialmente no que se refere a uma taxa de crescimento constante para a oferta de moeda, evitando-se assim politicas discricionárias desestabilizadoras. (aumento geral dos preços)
 
	A interpretação de que o aumento da oferta de moeda gera aumentos subsequentes na inflação se da o nome de teoria monetarista da inflação.
262
	Diferentemente da interpretação da inflação como fenômeno monetário, a lado real pode provocar aumentos nos preços, iniciados por um dos componentes da demanda agregada.
 
	DA (Y) = C + I + G + X – M
 
	O aumento do consumo pode ser iniciado por meras expectativas (Natal, dia das mães, probabilidade de subida dos preços), o que levara, uma vez que a economia esteja em pleno emprego de recursos (produto efetivo igual ao produto potencial), a um processo inflacionário, sem que haja qualquer aumento real no PIB.
 
	A forma de contenção da inflação e a execução de politica monetária restritiva (redução da moeda na economia), bem como politicas fiscais de mesma medida (aumento dos impostos ou redução dos gastos públicos), de forma a diminuir a renda disponível para a compra de bens e serviços. Estes entendimentos são defendidos pelos economistas chamados monetaristas.
14.3- O lado real da inflação de demanda
263
	A inflação de custos e derivada do aumento dos custos de produção de bens e serviços. Aumentos dos salários devido a pressões de fortes sindicatos, a quebra de produções, são bons exemplos de inflação de custo.
	O aumento dos custos leva as empresas a reduzirem a sua produção. Uma vez que não houve motivopara que a demanda por bens e serviços se alterasse, a escassez de oferta leva ao aumento dos preços. Vejamos o gráfico abaixo:
14.4- A Inflação de custos (Oferta agregada)
264
	Pode-se dizer que a inflação de custos tem dois efeitos perversos sobre o resultado econômico. O primeiro deles e de que a diminuição da oferta gera o aumento do nível de preços, dado que a demanda agregada não se alterou. Um segundo mal e que devido ao incremento dos custos, o desemprego ira aumentar, uma vez que as empresas terão seu custo de produção majorado. A situação onde temos a ocorrência de inflação com o aumento do desemprego e o que chamamos de estagflação, representada pela estagnação econômica com o aumento do nível de preços.
14.5- A Inflação inercial
	Nos anos de 1980 a economia brasileira passou a contar com um novo diagnostico das causas inflacionarias e, consequentemente, com novas politicas de combate a inflação. Os pressupostos teóricos eram os de que a economia brasileira se encontrava altamente indexada, ou seja, todos os negócios, contratos, eram firmados com base num índice que garantisse a correção monetária dos valores envolvidos. Era como se tudo na economia do país estivesse sempre aumentando de valor. Desta forma, todos os aumentos de preços eram captados pelo índice e automaticamente eram repassados para todos os demais preços da economia, gerando um processo automático de realimentação da inflação. A esse fenômeno autoalimentado denominou-se inflação inercial.
 
	
265
14.6- A Inflação estrutural
	O Plano Cruzado procurou romper com esse mecanismo de propagação da inflação, congelando os preços, salários e algumas outras variáveis. No entanto, muitas foram às falhas do plano de congelamento, a começar pelo caráter de surpresa com que foi implantado, pois os preços relativos encontravam-se desregulados, muitos preços defasados, provocando o imediato aparecimento de ágio.
 
	A corrente defensora da inflação inercial se contrapôs diretamente ao diagnostico ortodoxo da inflação, ao afirmar que o excesso de gastos governamentais, causadores de constantes déficits públicos, não era o responsável pelo fenômeno inflacionário.
	Segundo a corrente estruturalista, as causas da inflação em países subdesenvolvidos eram derivadas essencialmente de caráter estrutural da economia, tais como:
 
a) estrutura agrícola, pela qual a oferta de alimentos não responde rapidamente aos estímulos de demanda, provocando elevações dos preços;
b) estrutura do comercio internacional, que leva ao déficit crônico no Balanço de Pagamentos dos países subdesenvolvidos e a obrigação de serem realizadas politicas de desvalorização cambial, provocando aumentos nos custos de produção;
c) estrutura oligopolizado dos mercados, o que faz com que as empresas repassem todos os aumentos de custos aos preços dos produtos finais.
 
	Segundo essa corrente o combate a inflação deve ser feito principalmente através de reformas estruturais (por exemplo, a reforma agraria), e pelo controle de preços dos setores oligopolizados.
266
	Ate a primeira metade do século XX seguia-se a caracterização da inflação segundo os entendimentos keynesiano, com a economia abaixo do pleno emprego, e pela visão clássica, em que o produto da economia encontrava-se no nível de pleno emprego. Para Keynes os preços eram rígidos no curto prazo, de forma que mudanças no sistema afetavam apenas as variáveis reais (emprego, produção). Por outro lado, para os clássicos, as variáveis reais permaneciam inalteradas, de forma que mudanças exógenas (aumento dos gastos governamentais) traduziam-se apenas em movimento de preços.
 
	Diferentemente das interpretações keynesiana e clássica, passou-se a entender o fenômeno de subida dos preços segundo a relação existente entre o emprego da mão-de-obra e a inflação. Esta interpretação ficou conhecida como Curva de Phillips.
 
	Considerando que o nível de produto esta diretamente relacionado ao nível de emprego ou inversamente proporcional ao desemprego, e sabendo que a inflação corresponde ao aumento geral do nível de preços, a proposição teórica de Phillips fornece-nos uma nova estrutura para a curva de oferta agregada da economia. Assim, se quisermos obter mais produto, ou de acordo com a curva de Phillips, menor desemprego, poderemos, mas em troca de preços mais elevados (mais inflação).
 
	Vejamos o resultado desta interpretação na forma gráfica:
14.7- A Curva de Philips – Inflação e desemprego
267
	A inflação e derivada do desvio de desemprego de mão-de-obra da economia em relação a taxa natural de desemprego. Note que na medida em que a taxa de desemprego for igual a sua taxa natural, a inflação será igual a zero. Da mesma forma, a inflação será positiva se o desemprego estiver abaixo do pleno emprego. Uma alteração trazida por Phillips e de que a analise econômica passa a se dar em termos de taxas (de inflação, desemprego) ao invés de níveis de produto e preços.
268
	As expectativas dos agentes econômicos vieram a interferir no resultado apresentado pela curva de Phillips. Contestou-se sua estabilidade alegando-se que, quando se tem inflação recorrente (caso brasileiro no passado), os agentes passam a se antecipar a inflação, remarcando seus preços sem alterar a produção e, consequentemente, o emprego. Essa visão alterou o resultado da curva, adicionando a ela o componente da inflação esperada pelos agentes.
 
14.8- Expectativas racionais (versão aceleracionista)
269
	Considerado os pontos acima, verifica-se que a taxa efetiva de inflação depende de quanto os agentes esperam de inflação. Na verdade, o que se verifica e que a inflação pode ocorrer independentemente da atividade econômica se alterar ou não. Na verdade as expectativas dos agentes passam a ter papel fundamental no nível inflacionário. 
 
	De acordo com as expectativas adaptativas, a inflação esperada para este ano e a media ponderada das inflações dos últimos anos. Com este nível de abstração, torna-se difícil o governo combater a inflação, uma vez que a própria inflação se forma independentemente das medidas econômicas a serem tomadas, como forma de diminuir as oscilações no produto.
 
	Diferente da adaptação as inflações passadas, as expectativas racionais consideram que os agentes não olham o passado, mas somente as informações presentes. Assim, para formar as suas expectativas, os indivíduos. Não incorrem em erros sistemáticos. A implicação importante da hipótese das expectativas racionais, em relação a analise de Phillips, e a de que, no longo prazo, a taxa de desemprego tendera a taxa natural, ou seja, os desvios. Decorrerão dos erros de expectativa, que tendem a serem corrigidos pela racionalidade econômica. O resultado da teoria das expectativas racionais coloca por terra toda a fundamentação da curva de Philips, sendo a inflação dependente apenas dos fatores conjunturais que atuam sobre os preços dos bens e serviços.
 
	O resultado da curva de Phillips a partir do modelo de expectativas racionais, em uma analise de longo prazo, mostra que o nível de preços tendera a subir cada vez mais, permanecendo constante o nível de desemprego da economia. Este nível de desemprego e conhecido como taxa natural de desemprego.
270
271
	Por meio do Decreto Presidencial 3.088 de 21 de junho de 1999 e pela Resolução do Conselho Monetário Nacional, numero 2.615, de 30 do junho de 1999, foi estabelecida a sistemática de “metas de inflação” como diretriz de atuação da politica monetária no país. Estas metas são representadas por estabelecimento de variações anuais dos índices de preços, na busca pelo controle efetivo da inflação ocorrida na economia do país.
 
	As metas são fixadas a priori da sua ocorrência, de tal forma que a Autoridade Monetária possa sinalizar aos agentes econômicos que se utilizara das ferramentas que possui com o objetivo de evitar que os preços subam acima da meta pré-estabelecida. E importante perceber que a simples sinalização da inflação aceitável já traz sobre os agentes econômicos a nossa daracionalidade (teoria das expectativas racionais) nas suas tomadas de decisões, uma vez que possíveis formações de preços serão debeladas e combatidas de forma efetiva.
 
14.9- Regime de metas para a inflação
272
	E competência do Banco Central o atingimento das metas, sendo que, em casos de inobservância, a Instituição devera divulgar publicamente os motivos do descumprimento. Conforme e possível perceber, o estabelecimento de um patamar de inflação aceitável traz a necessidade de cumprimento de uma serie de medidas, dentre as quais a própria atuação do governo no sentido de minimização dos impactos provocados pelo Déficit Publica que, conforme visto na aula de Finanças Publicas, representa o excesso de gastos públicos, gerando impactos diretos sobre a formação de preços.
 
	A politica adotada pelo governo federal, a partir da imposição feita pelo Fundo Monetário Internacional – FMI para liberação de recursos financeiros para fechamento das contas externas em 1999, caracterizada pelo estabelecimento de superávits primários nas contas publicas (receitas primarias menos despesas primarias), tem possibilitado ao Banco Central o relativo cumprimento das metas de inflação, uma vez que a diminuição dos excessos de gastos governamentais, reduzem, por consequência, os saldos reais de moeda nas mãos da população e assim a própria demanda agregada além do que a oferta agregada pode fazer frente.
 
273
(Auditor/TCDF – CESPE/2012) A respeito de macroeconomia, julgue os itens subsequentes
 
01 Segundo a curva de Phillips, no curto prazo, a inflação e a taxa de desemprego estão relacionadas positivamente.
 
(Anal. Econ./ANA – CESPE/2006) A teoria macroeconômica analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos. Utilizando os conceitos básicos dessa teoria, julgue itens que se seguem.
 
02 O aumento da produção e a redução do desemprego abaixo da taxa natural, decorrentes do fato de as expectativas em relação ao nível de preços serem inferiores aos preços vigentes, não são sustentáveis no longo prazo.
 
03 Um choque de oferta adverso, decorrente, por exemplo, do aumento recente do preço do petróleo, desloca a curva de Phillips de curto prazo para cima e para a direita, resultando, assim, em uma taxa de inflação mais elevada, para uma dada taxa de desemprego, ou, então, em uma maior taxa de desemprego para uma dada taxa de inflação.
 
14.10 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
274
(Anal. Gest. Pub/ Pref. Vitoria – CESPE/2008) A teoria macroeconômica estuda a mensuração e o comportamento dos grandes agregados econômicos. Utilizando os conceitos básicos dessa teoria, julgue os itens subsequentes.
 
04 No Brasil, o aumento expressivo da carga tributaria provoca um deslocamento ao longo da curva de oferta agregada da economia brasileira, o que contribui para elevar o nível de preços.
 
05 A ideia de que politicas fiscais e monetárias expansionistas reduzem as taxas de desemprego as expensas do aumento da taxa de inflação e consistente com a existência de uma curva de Phillips de curto prazo positivamente inclinada.
 
(Anal. Adm e Finan./SEGER-ES – CESPE/2007) Com base na teoria macroeconômica, que analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos, julgue os itens a seguir.
 
06 A curva de Phillips de longo prazo afirma que a taxa natural de desemprego e afetada não somente pela taxa de inflação que prevalece na economia, como também pelo crescimento da produtividade.
 
07 A adoção do regime de metas de inflação permite que os agentes econômicos tenham um referencial futuro para a inflação, para servir de guia para a fixação de preços correntes.
 
275
(Agente/PF – CESPE/2004) A questão da escolha em situação de escassez, abordada pela microeconomia, as interações entre governo e mercados privados e os problemas macroeconômicos são temas relevantes para a ciência econômica. A esse respeito, julgue o item a seguir
 
08 De acordo com a visão monetarista, no curto prazo, politicas monetárias completamente antecipadas pelos agentes econômicos modificam as variáveis econômicas nominais, como preços e salários, mas não alteram o nível de atividade econômica.
 
(Agente/PF – CESPE/2004) A macroeconomia analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos. Considerando essa teoria, julgue o item que se segue
 
09 Um choque de oferta decorrente, por exemplo, do aumento do preço do petróleo no mercado internacional provoca deslocamento ao longo da curva de Phillips e aumenta tanto o emprego como a taxa de inflação.
 
 
276
10 (Economista/BADESC – FGV/2010) Com relação aos conceitos de inflação, suas causas e consequências, analise as afirmativas a seguir.
 
I. Uma politica fiscal contracionista para combate a inflação e mais eficiente no caso de uma inflação de demanda do que em uma inflação de custos.
II. Uma politica monetária expansionista para combate a inflação e mais eficiente do que uma politica contracionista no caso de inflação inercial.
III. Uma politica fiscal contracionista para combate a inflação de custos tem como efeito uma diminuição no nível de atividade econômica.
 
Assinale:
 
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
277
11 (ECONOMISTA/PETROBRAS – CESGRANRIO/2005) Os modelos da Nova Macroeconomia Clássica assumem que, ao nível do produto de pleno emprego, a Curva de Phillips e:
a) perfeitamente elástica.
b) perfeitamente inelástica.
c) elástica.
d) inelástica.
e) zero.
 
12 (ECONOMISTA/PETROBRAS – CESGRANRIO/2005) Na versão aceleracionista da Curva de Phillips, os trabalhadores:
a) nunca cometem erros.
b) não cometem erros sistemáticos.
c) nunca acertam.
d) cometem erros sistemáticos.
e) só cometem erros quando são surpreendidos.
278
13 (APO/MPOG – ESAF/2010) A Macroeconomia divide a Economia em quatro mercados: o mercado de bens e serviços, o mercado de trabalho, o mercado financeiro e o mercado cambial. No mercado de trabalho, são determinadas quais das seguintes variáveis macroeconômicas:
a) nível de emprego e salario real.
b) nível de emprego e salario monetário.
c) nível geral de preços e salario real.
d) salario real e salario monetário.
e) nível de emprego e nível geral de preços.
 
14 (APO/SEPLAG – CEPERJ/2009) As hipóteses consideradas pelo modelo clássico de determinação da renda são:
a) preços e salários flexíveis, principio da demanda efetiva e curva de oferta agregada perfeitamente inelástica aos preços.
b) preços e salários flexíveis, neutralidade da moeda e Lei de Say.
c) preços e salários rígidos, principio da demanda efetiva e curva de oferta agregada perfeitamente elástica aos preços.
d) preços e salários rígidos, neutralidade da moeda e a oferta determina a demanda.
e) preços e salários flexíveis, neutralidade da moeda e a demanda determina a oferta.
279
15 (Tecnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA/ESAF – 2004) Considere a seguinte afirmação: “Uma da razoes pelas quais os preços, no curto prazo, não se ajustam imediatamente esta no fato de que esse ajuste envolve alguns custos. Para mudar seus preços, a empresa deve enviar novos catálogos a seus clientes, distribuir novas listas de preços e suas equipes de venda (...) Estes custos de ajustes (...) levam as empresas a ajustar os seus preços de forma intermitente, e não constante.” (Adaptado do livro de N. Gregory Mankiw, Macroeconomia, terceira edição, LTC Editora). A afirmação acima refere-se
a) aos custos de menu.
b) aos custos da inflação.
c) aos custos de mão de obra em situações onde ha rigidez de salario.
d) aos custos de transação.
e) aos custos de informação.
 
280
[Agente Pol. Fed.-(Pr. Obj.)-DPF-MJ/2012-UnB] Julgue os itens seguintes, acerca de noções de economia.
 
01) (I.68) Uma política monetária restritiva só será eficaz mediante o controle da criação de moeda pelas autoridades monetárias.
 
02)(I.69) Uma política fiscal que vise ao fomento do crescimento econômico e à geração de empregos deve contemplar medidas de redução dos gastos públicos e elevação da carga tributária.
 
03) (I.70) As necessidades de financiamento do setor público, no conceito operacional, são calculadas acrescendo-se ao déficit primário os juros reais da dívida passada.
 
04) (I.71) Os governos exercem função alocativa para corrigir a alocação de recursos utilizados na produção de bens geradores de externalidades negativas; na presença de externalidades positivas, a intervenção governamental é desnecessária.
15. Prova CESPE - Agente PF 2012
281
[Agente Pol. Fed.-(Pr. Obj.)-DPF-MJ/2012-UnB] Julgue os itens que se seguem, a respeito da economia do setor público.
 
05) (I.72) O financiamento do déficit público por meio da venda de títulos da dívida pública tende a gerar pressão inflacionária.
 
06) (I.73) No final do século passado, apesar de o Brasil ter apresentado constantes superávits primários, ele não necessariamente pagou os juros da dívida pública acumulada em períodos anteriores.
 
07) (I.74) A inflação de demanda resultante do aumento da renda dos cidadãos foi uma das principais causas do fracasso dos planos econômicos adotados no Brasil nos anos 80 do século XX.
 
08) (I.75) O superávit primário de uma economia corresponde à poupança gerada pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública.
15. Prova CESPE - Agente PF 2012
282
Acerca das estratégias empresariais e dos modelos de concorrência, julgue os próximos itens.
 
01 Em uma competição monopolística, o consumidor tem a sua disposição uma diversidade de produtos.
 
02 Um cartel tende a ser duradouro se a demanda pelo seu produto for expressa por uma curva horizontal.
 
03 Nos jogos repetitivos, o dilema dos prisioneiros condena as empresas oligopolistas a pratica de concorrência agressiva e a baixos lucros.
 
04 A competição monopolística assemelha-se a competição perfeita, visto que os lucros econômicos tendem a reduzir-se a zero.
 
05 No calculo da divida liquida, setor publico refere-se ao setor publico não financeiro mais o Banco Central. A fim de se obter indicadores mais próximos dos padrões internacionais, adota-se o conceito de governo federal, o qual abrange, entre outros, as administrações diretas federal, estaduais e municipais.
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
283
Acerca da teoria keynesiana, das politicas fiscal e monetária e do mercado de trabalho, julgue os itens subsequentes.
 
06 A demanda agregada representa o total de bens e serviços considerado em todos os níveis de preços, o que corresponde ao produto interno bruto quando os níveis de estoque estão fixos.
07 Base monetária indica o volume da oferta de dinheiro na economia e é composta pelo papel moeda em circulação, pelas reservas bancarias e pelo papel moeda em poder do publico.
 
08 Ao se analisar a inclinação da curva investimento-poupança, infere-se que, quanto mais pobre for uma economia, maior será a propensão marginal a consumir, maior será a sensibilidade do consumo em relação à renda e mais achatada será a curva IS.
 
09 Uma politica fiscal expansionista, considerada no contexto da curva LM elástica, leva ao crescimento da economia, mas põe o controle da inflação em risco, uma vez que taxas de juros mais baixas fazem com que o consumo aumente e os preços subam.
 
10 A Lei de Okun — conceito utilizado na analise da relação entre inflação e emprego — indica que a inflação presente e o somatório da inflação inercial, da inflação de demanda e da inflação de custos.
 
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
284
A economia do setor publico e o pilar econômico que permite a compreensão das atividades governamentais, em particular no que se refere as finanças publicas. Em relação a esse assunto, julgue os itens que se seguem. Nesse sentido, considere que a sigla NFSP, sempre que for utilizada, se refere a Necessidade de Financiamento
do Setor Publico.
 
11 O resultado fiscal do governo, ou a necessidade de financiamento, representa o montante de recursos que o setor publico não financeiro precisa obter junto ao setor financeiro.
 
A NFSP indica o aumento liquido da divida em determinado período de tempo.
 
12 Resultado primário e o equilíbrio entre as receitas e as despesas totais, o que equivale ao conceito de NFSP. Ao utilizar o método abaixo da linha, o resultado primário representa a variação total da divida fiscal liquida no período.
 
13 Por meio do resultado nominal, procura-se corrigir o efeito da inflação incidente sobre o resultado primário, pois parte-se da premissa de que a inflação não distorce o aspecto real da economia, mas somente seu aspecto monetário.
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
285
14 O estado democrático depende diretamente de suas instituições, as quais estão inseridas e dependem da estrutura econômica e social do país, bem como de seu sistema cultural.
 
15 A teoria da escolha publica refere-se às decisões coletivas acerca de bens públicos, destacando-se que as decisões coletivas resultam de decisões individuais. Entre os conceitos dessa teoria, o teorema do eleitor mediano indica que a escolha entre pares de alternativas nem sempre resulta na escolha preferida pelo grupo.
 
16 A adoção de politica fiscal expansionista em um regime de cambio flutuante permite o maior crescimento possível a um país em que a economia e aberta.
 
17 A preservação do meio ambiente representa uma evolução importante do papel do governo na economia, posto que, dessa conservação, proverão recursos, bens e serviços que serão de propriedade comum. Assim, a não adoção dessa medida prejudica a economia do país, pois favorece as condições para que o meio ambiente seja explorado ate a exaustão.
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
286
Com relação aos planos econômicos do Brasil, julgue os itens que se seguem.
 
18 Com o Plano Real, lançou-se previamente a Unidade Real de Valor (URV) com o objetivo de alinhar os preços e reduzir as possibilidades de fracasso, a semelhança dos planos econômicos anteriores.
 
19 Com o Plano Cruzado, adotou-se o congelamento dos preços de bens e serviços.
 
20 O Plano Verão teve concepção distinta da do Plano Bresser, uma vez que, no Plano Verão, foram adotadas a liberação dos preços de bens e serviços e o cambio flutuante.
 
A respeito do comportamento da economia brasileira durante o primeiro e o segundo mandato do presidente Lula, julgue os itens a seguir.
 
21 O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007, consistiu em um conjunto de medidas financeiras entre as quais estava a mudança de regime cambial.
 
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
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22 Devido a um cenário externo favorável durante o primeiro mandato do presidente Lula, houve ingresso de capitais e crescimento da balança comercial no Brasil com o incremento das reservas internacionais a partir de 2005.
 
Acerca da evolução do déficit e da divida publica brasileira, julgue os próximos itens.
 
23 A relação divida sobre PIB do Brasil e superior a de países desenvolvidos, como Franca e Japão.
 
24 O Brasil, nos últimos dez anos, tem apresentado superávit nominal nas contas publicas e déficit primário.
 
16. Prova CESPE – Economista – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) - 2014
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Acerca dos agregados monetários, bem como dos instrumentos e efeitos econômicos das politicas monetária e fiscal, julgue os itens subsequentes.
 
01 As operações de mercado aberto são os instrumentos mais eficazes de politica monetária, nas quais o Banco Central vende títulos para aumentar a liquidez da economia e produzir uma elevação da renda.
 
02 A elevação da taxa de recolhimento compulsório, que mede a relação entre osencaixes legais e os depósitos a vista de bancos comerciais, reduz o volume de meios de pagamento em circulação na economia, movimento que e representado pelo deslocamento da curva LM para a esquerda.
 
03 A adoção de uma politica fiscal restritiva por meio da elevação de impostos tende a aumentar a renda, deslocando a curva IS para a direita.
 
04 A senhoriagem e uma politica limitada em razão do risco de se criar processo inflacionário, embora possa ser utilizada para se financiar o déficit publico e se manter constante a relação divida publica/PIB.
 
17. Prova CESPE – Economista – Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) - 2014
289
Considerando o papel do governo na economia, os postulados da teoria keynesiana, as curvas de oferta e demanda agregada e a relação destas com a curva de Philips, julgue os itens que se seguem.
 
05 Com a adoção de uma politica monetária contracionista, reduz-se a taxa de juros e aumenta-se o volume real de moeda, deslocando-se a curva LM para a direita e para cima, contudo, sem gerar efeitos na curva de demanda agregada.
 
06 A adoção de uma politica fiscal expansionista tende a elevar a inflação e a demanda agregada e a reduzir a taxa de desemprego, relação entre preços e mercado de trabalho ilustrada na curva de Philips.
 
07 O governo tem como funções a busca da adequada alocação de bens públicos e a promoção de distribuição de renda equitativa, de forma que a estabilidade e o crescimento econômicos são alcançados pela própria dinâmica do sistema de mercado.
 
08 Na teoria geral do emprego, Keynes refuta a noção de pleno emprego ao admitir que os salários nominais sejam rígidos e o desemprego e involuntário o que, dado um baixo nível de demanda agregada, pode levar a recessão econômica.
 
17. Prova CESPE – Economista – Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) - 2014
290
Com relação as politicas fiscal e monetária do setor publico, julgue os itens a seguir.
 
09 Considerando-se que a poupança nacional seja superior ao investimento agregado e que as reservas internacionais sejam constantes, será correto afirmar que o pais apresentara déficit em transações correntes.
 
10 A variação positiva das reservas internacionais faz que o BACEN tenha de vender títulos públicos no mercado para manter a taxa de juros, SELIC, constante, o que resulta diretamente da fixação da taxa de juros pelo BACEN.
 
11 A redução do compulsório por parte do Banco Central do Brasil (BACEN), independentemente do comportamento dos bancos comerciais, amplia a liquidez da economia.
 
12 A emissão de letras financeiras do tesouro (LFT) para financiar a divida publica brasileira reduz o poder da politica monetária.
 
17. Prova CESPE – Economista – Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) - 2014
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Acerca de bens públicos, julgue os itens a seguir.
 
13 Os shopping centers são tradicionalmente classificados como bens públicos.
 
14 O sistema monetário nacional pode ser considerado um exemplo de bem comum.
 
Com relação aos conceitos de divida publica e superávit primário, julgue os itens seguintes.
 
15 No calculo da divida liquida do setor publico, não são consideradas as dividas junto a instituições como Caixa
Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES e demais bancos públicos federais.
 
16 O superávit fiscal primário corresponde a diferença entre receitas e gastos governamentais, excetuadas as despesas com pagamento de juros. No conceito acima da linha, as receitas são apuradas pelo regime de caixa, enquanto as despesas são apuradas pelo regime de competência.
17. Prova CESPE – Economista – Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) - 2014
292
A respeito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que tem a função de zelar pela livre concorrência no mercado, julgue os itens a seguir.
 
01 Caso houvesse um monopolista que conseguisse praticar discriminação de preços, ele venderia diferentes quantidades de seu produto por diferentes preços.
 
02 O conluio ou cartel é um acordo entre empresas para estabelecer preços e quantidades que maximizem a soma de seus lucros.
03 Para uma economia aberta, com regime de câmbio fixo e mobilidade perfeita de capitais, uma política fiscal
contracionista é inócua em termos de produto.
 
04 De acordo com o modelo keynesiano simples, em uma economia fechada e sem governo, a função consumo é linear, estabelecendo-se que a relação entre consumo e renda seja dada pela propensão média a consumir mais o consumo autônomo não negativo.
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013
293
05 No modelo de oferta agregada e demanda agregada, o nível de preços é rígido para que as análises de estatística comparativa possam ser realizadas.
 
06 Em comparação à situação de fixação da taxa de juros, quando o Banco Central mantém inalterada a quantidade de moeda, há menos choques reais na volatilidade da renda.
 
07 De acordo com o modelo IS-LM, os efeitos de política fiscal sobre o produto para uma economia fechada são maiores para o caso de taxa de juros fixa.
Julgue os itens a seguir, relativos à economia monetária. 
 
08 A elevação na taxa de redesconto e a redução das alíquotas das reservas compulsórias são formas que o Banco Central utiliza para elevar a quantidade de moeda na economia.
 
09 Segundo a equação de Fisher, a taxa de juros nominal paga pelos bancos pode ser alterada em função de variações na taxa de juros real ou na inflação.
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013
294
10 Na curva de Phillips com expectativas adaptativas, a inflação reage aos desvios da taxa efetiva de desemprego em relação à taxa natural de desemprego, aos choques de oferta e ao componente de inflação esperada.
 
11 A inflação é responsável pelo aumento da receita auferida pelo governo por meio do imposto inflacionário; logo, em casos de alta inflação, o déficit orçamentário do governo pode ser elevado devido ao efeito denominado Olivera-Tanzi.
12 Atualmente, no Brasil, o critério de ordenamento dos meios de pagamento ampliados é definido por seus sistemas emissores e não pelo grau de liquidez.
 
13 A falha de mercado denominada externalidade ocorre quando o consumo de um bem por parte de um indivíduo ou grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade.
 
 
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013
295
Com relação aos mecanismos públicos de atuação econômica, julgue os itens que se seguem.
 
14 A divisão dos gastos governamentais em categorias econômicas permite a análise da rigidez da composição dos gastos e da margem de flexibilidade que o governo possui no que se refere à sua política de dispêndios.
 
15 O governo pode se utilizar de receitas ou despesas públicas para alcançar seus objetivos de política fiscal.
 
16 A política monetária tem como responsabilidade principal a manutenção do equilíbrio econômico, mas também pode ter impacto sobre a equidade distributiva.
 
A respeito dos fatores relacionados com o endividamento público, julgue os próximos itens.
 
17 As operações de empréstimos do Banco Central ao Tesouro Nacional não aumentam a dívida pública, uma vez que provocam alterações simultâneas no ativo e no passivo governamentais.
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013
296
18 Dívida líquida do setor público constitui conceito técnico diferente de dívida fiscal líquida.
 
19 Pelo conceito primário, as necessidades de financiamento do setor público excluem a correção monetária que incide sobre a dívida fiscal líquida.
 
20 O déficit governamental pode ser expresso a partir do déficit público nominal, que é calculado subtraindo-se as receitas totais do governo das despesas totais.
 
21 A extinção da conta-movimento do Banco do Brasil em 1986 prejudicou a política de controle inflacionário, tendo em vista que essa conta era um dos instrumentos de política monetária.
 
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013297
Com relação à estrutura orçamentária e à evolução da dívida pública brasileira, julgue os itens seguintes.
 
22 No atual governo federal, observa-se elevação da dívida líquida do setor público em decorrência da política fiscal contracíclica.
 
23 O lucro dos bancos públicos federais não consta do resultado fiscal do setor público.
 
24 O cálculo do resultado primário inclui a parcela de juros da dívida pública.
 
Em relação ao milagre econômico que ocorreu no período de 1967 a 1973, julgue os itens a seguir.
 
25 Nesse período, o valor dos salários aumentaram no mesmo ritmo do PIB, de modo que foi possível observar, no Brasil, uma significante redução das desigualdades sociais.
 
26 O período caracterizou-se pela redução da participação da agropecuária no PIB, devido, principalmente, ao forte crescimento da indústria.
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013
298
27 Uma importante concepção do Plano Bresser foi o diagnóstico da inflação inercial.
 
28 No período de 1981 a 1984, o ajuste adotado, cujos efeitos foram a elevação da taxa básica de juros e a desvalorização cambial, promoveu efeito recessivo na economia brasileira.
 
29 Nesse período, para minimizar a perda financeira dos trabalhadores, os salários foram indexados à inflação.
 
18. Prova CESPE – Economista –Ministério da Justiça - 2013

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