Prévia do material em texto
FIAM-FAAM-CENTRO UNIVERSITÁRIO GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL: RÁDIO, TV E VÍDEO Isabela Oliveira de Souza Janaina Santos dos Reis Oliveira Kelvin Alves de Lima Paula de Lima Dutra ANÁLISE DE ELEMENTOS VISUAIS DO FILME O ILUMINADO SÃO PAULO 2019 FIAM-FAAM-CENTRO UNIVERSITÁRIO GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL: RÁDIO, TV E VÍDEO Isabela Oliveira de Souza ra.: 8598599 Janaina Santos dos Reis Oliveira ra.: 8570055 Kelvin Alves de Lima ra.:8903580 Paula de Lima Dutra ra.:8966644 ANÁLISE DE ELEMENTOS VISUAIS DO FILME O ILUMINADO Pesquisa para a disciplina de Comunicação Visual sob orientação do Profº Rogério Kurschessky da Silva. SÃO PAULO 2019 RESUMO A presente pesquisa tem o propósito de analisar o filme “O Iluminado”, dirigido pelo cineasta Stanley Kubrick, através de suas composições visuais e apelos estéticos afim de fazer uma relação com a trama do filme e elaborar, a partir destes elementos, um cartaz alternativo para o filme. Além disso, a pesquisa apresenta um panorama do cinema como um todo e do gênero do qual o objeto de pesquisa faz parte. Palavras-chave: O iluminado, Kubrick, cinema de horror, comunicação visual. SUMÁRIO Introdução...................................................................................................................04 1. História do cinema ................................................................................................05 1.1 O gênero terror................................................................................................09 1.2 O terror e seus subgêneros.............................................................................10 2. O Iluminado...........................................................................................................12 3. Locais de Exibição................................................................................................16 4. Reivenções............................................................................................................17 Conclusão...................................................................................................................19 Referências Bibliográficas..........................................................................................20 4 INTRODUÇÃO O filme “O Iluminado” é um grande clássico do cinema, que conquista gerações e gerações de fãs, não somente do gênero terror, mas de um bom filme no geral. Adaptação do livro de sucesso do consagrado escritor Stephen King, o filme dirigido por Stanley Kubrick tem um forte apelo na cultura popular e se tornou grande referência em filmes e séries que seguem o gênero terror como premissa. No decorrer da pesquisa, iremos nos aprofundar nas características visuais do filme afim de, através desses elementos, construir uma narrativa. 5 1. HISTÓRIA DO CINEMA Desde sempre o ser humano via a necessidade de registrar coisas, movimentos e momentos. Por isso, através de pinturas na parede os pré-históricos começaram a registrar o dia a dia deles, como animais, caçadas, pessoas e etc. Então, o início exato do “fazer cinema” não se sabe ao certo pois infelizmente não se tem registros de como tudo começou cinematograficamente, mas nós sabemos que em 1895 aconteceu a primeira projeção de um filme em um telão. Em dezembro deste ano os irmãos Lumière foram os responsáveis por criar a primeira projeção cinematográfica, isso aconteceu na França e foi em uma sessão paga e para um público restrito de um pouco mais de 30 pessoas. “L’Arrivée d’um Train à La Ciotat” é o nome do pequeno filme criado por Louis Lumière e Auguste Lumière. Em um pouco mais de um minuto foi retratado a imagem de pessoas andando pela estação de um trem, pessoas desembarcando de suas carruagens, carregando malas e esperando o trem, quando de repente o tão aguardado chega e estaciona na plataforma. As pessoas que estavam ali presentes assistindo ao filme, desacostumadas com tal novidade, assustaram e até acharam que o trem iria sair da tela, mas logo perceberam que nada aconteceria e que não se passava de um conjunto de imagens, que quando juntas apresentavam movimento (experimento realizado por muitos para entender o movimento das coisas). Antes mesmo dosirmãos Lumière lançarem seu filme, muitas pessoas inventaram aparelhos para conseguir entender e estudar a fotografia, a questão do movimento e o fenômeno da persistência retiniana. O cinetoscópio, inventado por Thomas Edison, consistia em um filme perfurado e projetado em uma tela dentro de uma máquina, na qual só cabia uma pessoa por vez e foi logo o início para o crescimento do cinema. O inventor Thomas Edison realizou várias projeções em sua máquina, inclusive “Black Maria” que éconsiderado o primeiro filme do cinema. A invenção de Edison é considerada por muitos como o primeiro aparelho qualificado como cinema. 6 Após os irmãos Lumière apresentarem “L’Arrivée d’um Train à La Ciotat”, eles produziram outros pequenos filmes e os distribuíram pelo mundo, assim como Edison, que na mesma época projetou seu primeiro filme “Vitascope”. A fase inicial do cinema mundial era mudo, pois só era possível a captação de imagens em preto e branco e ainda não com sons. A maioria dos filmes coloridos eram pintados à mão, cada quadrante de cena. O cinema por si só teve muitas fases importantes e então, por volta de 1919 o cinema impressionista francês surgia. Mais conhecido como o cinema vanguardista, começou através dos artistas vanguardistas que quiseram experimentar o cinema como arte. Cineastas e artistas da vanguarda se reuniram para fazer algo diferente e voltado para o ritmo e o movimento. O objetivo deles era chocar a burguesia e causar impacto a partir de cenas e filmes nada comerciais, eles exploravam muito a iluminação e ângulos diferentes. Mas, por volta de 1930, por conta de movimentos e regimes totalitários, o cinema vanguardista foi se desfazendo e perdendo sua força, obrigando os cineastas deste meio recorrerem a outros modos do cinema, como os filmes comerciais, a clandestinidade e até Hollywood. “Napoleon”, “J’accuse” e “La Souriante Madame Beudet” são alguns dos filmes que fizeram parte do cinema de vanguarda e se destacaram de alguma forma. Por volta da década de 1920 o expressionismo alemão se tornava conhecido pelo mundo. Este estilo, que também é cinematográfico, nasceu na Alemanha e ficou conhecido pelas cenas distorcidas, personagens e maquiagens completamente fantasiosos e até irreais. Os recursos de fotografia eram usados para mostrar outro jeito de se ver o mundo. A principal crítica era a burguesia, sendo contra e combatendo a tudo o que a burguesia impunha. “O Gabinete do Dr. Caligari”, “Nosferatu, uma sinfonia de horrors” e “Murnau” são exemplos de sucessos do estilo alemão. O cinema surrealista também surgiu, na Espanha, na mesma época que o expressionismo alemão. O estilo era conhecido por apresentar a realidade interior e exterior como dois elementos em processo de unificação, ou seja, o público que está acostumado com filmes de narrativa clássica vão demorar a entender filmes surrealistas, por serem confusos, intensose expressivos, um bom exemplo de filme é “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel. 7 Muitos outros estilos e categorias sobre como se fazer cinema surgiram desde então, inclusive logo surgiu o cinema com som. O cinema mudou muito desde que surgiu até os dias de hoje, mas uma coisa que se mantém a mesma desde 1926, quando a Warner Brothers colocou o Vitaphone junto a filmagem das imagens. O vitaphone era um aparelho que gravava o som sobre o disco. Logo depois foi lançado o primeiro musical, desde então em basicamente todos os filmes clássicos, o som é imprescindível para o filme. O filme mudo continuou por alguns anos, mas não durou muito. Com exceção aos filmes de Charlie Chaplin, o último filme mudo de Hollywood a ser lançado foi em 1929. Esta data se refere à Hollywood, porque no resto do mundo esta mudança do mudo para o som aconteceu um pouco mais devagar. Desde então, os filmes hollywoodianos cresceram em grande escala, sendo um dos mais consumidos mundialmente e virando padrão para outras produções. Na década de 1930 o que o público mais consumia, o que mais fazia sucesso eram os filmes de gangster e filmes bíblicos. O expressionismo europeu está muito presente nesta fase, principalmente em filmes de gângster, que era o que dominava a massa na época. Um gênero que também conseguiu se desenvolver bastante nesta década foi o de ficção científica, como o “Drácula”, “Frankenstein” e muitos outros mais. Em 1940, década da Segunda Guerra Mundial. As produções cinematográficas desta época se baseavam no que estava acontecendo no mundo, ou seja, a guerra. Então, muitos filmes patriotas, filmes de guerrilhas, confrontos e até antinazistas no final da Guerra eram produzidos nestes anos. O neorrealismo surgiu nesta época também, na Itália, com a intenção de criticar e ser contra ao regime de Mussolini. Os cineastas usavam muito da naturalidade, tanto com atores não profissionais, quanto sobre a iluminação, os locais de gravação, etc. Até 1952 a indústria cinematográfica apostava nos personagens icônicos, surgindo os monstros mais famosos do cinema, como Corcunda de Notre Dame, Drácula, Frankenstein, Lobisomem entre outros. Depois do grande triunfo desses tipos de personagens nas telas e uma enorme quantidade de sequencias criadas, 8 sentiu-se um desgaste no quesito inovação e criatividade para novas obras do gênero, e foi a partir de 1960 que o inovador cineaste Alfred Hitchcock surgiu com a famosa e conceitual obra “Psicose” (1960) e “Os Pássaro” (1963) que iniciaram uma nova fase dos filmes de terror, originando o então terror psicológico. Com essa nova fase surgiu outros grandes clássicos como “O Bebê de Rosemary” (1968) que nasceram a partir do suspense e do terror psicológico, visando o sobrenatural porém mantendo uma proximidade e semelhança com o seu público alvo. As Décadas de 1970 e 1980 foram consideradas a maior revolução do gênero, tendo como o primeiro marco o filme “A morte do demônio” (1981) que foi criado de uma forma inusitada para a época, devido a falta de orçamento para as filmagens, todo o processo foi realizado de forma customizada por doações e ajuda de amigos do diretor. Como foi filmado apenas com uma câmera, surgiu o aspecto documental, dando mais veracidade para o roteiro e quebrando alguns padrões da indústria, câmeras postas em pontos estratégicos como se fossem lugares escondidos, criando um aspecto intimista e mais sombrio para seu espectador. Referencias tiradas da década 50, fez com que surgisse novos personagens com suas historias sombrias e figurinos marcantes, sendo os grandes ícones como “Massacre da Serra Elétrica” (1974), “Halloween” (1978), “Sexta Feira 13” (1980) e “A Hora do Pesadelo” (1984). Essas são obras marcantes e essenciais para a história dos filmes de terror, não podemos pensar no gênero e não citar tais obras como clássicas e fundamentais. Ainda nos anos 70 e 80 podemos citar filmes que foram adaptações, como “Carrie, A Estranha” (1976) do famoso mestre dos contos de terror Stephen King e o famoso “O iluminado” (1980) que foi dirigido pelo cineasta Stanley Kubrick. Lançado nos anos 1990, “A Bruxa de Blair” (1999) é um polêmico filme que teve seu orçamento baixo, mas viralizou por ser lançado nos cinemas e jornais como fato verídico, em que se narra a história de 3 estudantes que que somem após viajar para uma floresta para relatar a lenda da bruxa que existia na cidade, e somem deixando como pistas apenas as filmagens. Os diretores, como tática de divulgação, noticiaram nos jornais o sumiço dos jovens, levando um grande público a lotarem as salas de cinema na época. No mesmo ano é lançado “O Sexto Sentido” (1999) o terror famoso mundialmente por falas de uma criança, que é personagem principal do filme e possui dons sobrenaturais de ver pessoas mortas. 9 Chegando no novo milênio, na era de grandes produções e efeitos visuais, o cinema vem com a proposta de filmes que possam lotar salas e gerar custos altíssimos. O terror no começo dos anos 2000 aposta alto e readaptações de clássicos como “Sexta feira 13” e “O massacre da serra elétrica” depois disso, temas sobrenaturais como Atividade paranormal que busca inspiração no estilo found footage, que torna o filme mais realista para o expectador, ganharam a década de 2000 com produções de baixo custo mas atingindo positivamente os críticos. A década de 2010 trouxe inovação e com ela o agrado de seu público fiel, traz obras que não prezam mais pelas caricaturas, sustos e monstros. O novo cinema nos mostra que o terror pode sim surpreender e mostrar além do óbvio. Nesse período, muitos filmes foram aclamados e bem avaliados pela academia, porém destaco aqui dois que com certeza revolucionaram a era do terror e deram um passo a frente construindo um novo modo de fazer o gênero, que são: “Hereditário” (2018) e “A bruxa” (2015). Com certeza são os filmes que saem do clássico e constrói um novo modelo estrutural de montagem, tirando o ar de seus telespectadores ao longo de suas horas de narrativa. 1.1. O GÊNERO TERROR O gênero terror é um dos gêneros mais importantes do cinema, sendo um meio no qual as histórias que flertam com o sobrenatural ganharam espaço para serem apresentadas. O primeiro filme do gênero que se tem notícia é O castelo do demônio, de 1896, dirigido por Charles Melies, um dos fundadores do cinema. Conforme a história do cinema foi se desenvolvendo e essa arte foi se aprimorando, 10 surgiram diversas vanguardas nas quais o cinema de horror teve destaque, como o Expressionismo, por exemplo, que distorcia formas e figuras a fim de proporcionar um visual que flertasse com o bizarro e o atípico. Neste movimento, surgiram grandes nomes do terror clássico, como Nosferatu (1922) e O gabinete do doutor Caligari (1920). Um dos grandes nomes do cinema de terror é sem dúvida Alfred Hitchcok, que dirigiu filmes como Psicose (1960) e Os pássaros (1963), que serviram de inspiração para diversos outros títulos do gênero. Conforme o cinema foi se estabelecendo dentro da modernidade, diversos filmes surgiram e marcaram época, como O bebê de Rosemary (1968), O exorcista (1973) e A profecia (1976). A partir dos anos 60, o cinema de horror foi emplacando filmes similares a outros grandes sucessos de público e bilheteria, criando assim subgêneros que predominaram nas telas por algum tempo. 1.2. TERROR E SEUS SUBGÊNEROS Em meados dos anos1960, o subgênero Hagsploitation tomou conta dos cinemas ao retratar mulheres mais velhas em situações de loucura, isso por conta do sucesso que foi o clássico “O que terá acontecido a Baby Jane?”, de 1962. O gênero rendeu filmes como “A mansão dos desaparecidos” (1968) e “Obsessão sinistra” (1971). Os anos 1970, 1980 e 1990 foram tomados por filmes slashers, um subgênero cujas tramas envolvem assassinos matando aleatoriamente, concentrando suas ações em um grupo, geralmente de jovens, que tentam resolver o mistério. Franquias como “Halloween”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “Sexta Feira 13” e “Pânico” são grandes exemplos deste subgênero. Os anos 2000 foram marcados pelos filmes found footage, que são baseados em um tipo de cinema que flerta com a linguagem documental, com a imagem geralmente granulada e eventos que são tidos quase sempre como baseado em fatos reais. O movimento conta com filmes como “A bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal”. Muito se falou sobre o futuro do gênero, pois no final dos anos 2000 o gênero estava se cansando e se tornando extremamente repetitivo e previsível, apoiados basicamente em jumpscares (sustos propositais) para segurar o espectador. No 11 entanto, em meados dos anos 2010, um novo subgênero surgiu com o Pós Terror, proporcionando filmes como “O Babadook” (2014), “A bruxa” (2016) e “Hereditário” (2018), que são baseados em tramas consistentes e atmosféricas, que trabalham com o psicológico do espectador afim de criar tensão, e não necessariamente apostando em sustos baratos e roteiros previsíveis. 12 2. O ILUMINADO Figura 1: Pôster Oficial do filme Fonte: IMDB Orçamento: 19 milhões de dólares Receita: 45 milhões de dólares “O iluminado” é um filme do gênero terror, dirigido pelo já renomado cineasta Stanley Kubrick e lançado nos Estados Unidos em 23 de maio de 1980. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por Stephen King, lançado em 1977 e responsável por transformar o autor em um dos grandes nomes da literatura de horror no mundo inteiro. A trama gira em torno da família Torrance, composta pelo casal Jack (interpretado por Jack Nicholson) e Wendy (Shelley Duvall), e Danny (Danny Lloyd), filho do casal. Jack Torrance é convocado para trabalhar como zelador do hotel Overlook durante a baixa temporada, período em que a neve está tão intensa que impossibilita o acesso ao local. 13 O filme possui nota 66 no metacritic e é um marco na história do gênero terror. É considerado um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, ao lado de outros clássicos como “Psicose” (1960) e “O Exorcista” (1973), além de ter servido como inspiração estética para obras como “American Horror Story” (2011-atual) e para o videoclipe da música “The kill”, da banda 30 Seconds to Mars. O livro que originou o filme foi o terceiro publicado por Stephen King, que até então tinha tido um sucesso apenas moderado com suas obras “Carrie” (1974) e “A hora do vampire” (1975). O livro foi escrito no processo de tratamento contra o alcoolismo de King e teve referências de um hotel abandonado no qual o autor esteve hospedado por um tempo, e logo se tornou o primeiro best seller do autor, que posteriormente emplacou diversos sucessos de vendas como “It – a coisa” (1986), “Cemitério maldito” (1983) e a série “A torre negra” (1982-2004). King lançou em 2013 o romance Doutor Sono, continuação direta de “O iluminado”. Os direitos do livro foram adquiridos pelo cineasta norte americano Stanley Kubrick pouco tempo depois do lançamento do mesmo. Kubrick já era um diretor renomado no cinema daquela época devido aos sucessos de filmes como “Lolita” (1962), “2001: uma odisseia no espaço” (1968) e “Laranja mecânica” (1971), todos com roteiros baseados em romances literários, revisados pelo próprio diretor. Kubrick ficou conhecido por sua versatilidade no cinema, tendo sua estreia em um filme de guerra, “Medo e desejo” (1953) e transitado, desde então, entre os mais diversos gêneros, obtendo sucesso em todos eles. A expectativa pela versão de “O iluminado” de Kubrick era alta, pois era a junção de dois grandes sucessos do momento: Stanley Kubrick e Stephen King, e havia grande curiosidade por parte dos admiradores de ambos sobre como o romance gótico e carregado de terror psicológico de King seria adaptado para o cinema fotográfico e carregado de simbologias de Kubrick. 14 Figura 2: O ponto de Fuga em O Iluminado - cena do carpete Fonte: Trabalho Sujo Kubrick é conhecido por seu cinema realista e perfeccionista, preocupado em aprimorar as experiências sensoriais do espectador, a fim de aproximá-lo cada vez mais daquilo que está assistindo. Para tanto, o diretor lançava mão de recursos que faziam com que a câmera circulasse pelo set de filmagens tal qual um dos atores em cena, além da preocupação com a captação do som, para garantir um realismo ainda maior. Outra marca do cinema de Kubrick, claramente presente em “O iluminado”, é a fotografia geométrica, preocupada em estabelecer planos extremamente calculados, com objetos cênicos milimetricamente posicionados afim de oferecer uma visão clara daquilo que o diretor quer mostrar. Cenas conhecidas do filme como da de Danny andando pelos corredores do Hotel, a do banheiro do quarto assombrado e a de Jack debruçado sob a maquete do labirinto mostram o quão preocupado Kubrick era em deixar claro o seu ponto de fuga, o ponto que interliga todas as linhas paralelas que compõem o plano de visão. Figura 3: O banheiro de O Iluminado Fonte: História em 35 mm 15 O filme, apesar de ser um marco na história do cinema, tem histórias conturbadas de sua produção. A começar pelo autor do livro, que se mostrou totalmente insatisfeito com o tratamento de Kubrick por sua obra. Segundo King, Kubrick transformou Jack em um homem visivelmente perturbado desde o início e reduziu Wendy a uma personagem inútil que só faz gritar, o que acabou por mudar o desenvolver da trama. Além disso, os atores principais também relataram problemas com as filmagens do filme, pois Kubrick com seu perfeccionismo, repetia tomadas à exaustão, levando Jack Nicholson a perder a paciência com o diretor e Shelley Duvall a adoecer de estresse, chegando até mesmo a perder peso e cabelo durante as gravações. Figura 4: O ponto de Fuga em O Iluminado - Jack debruçado sobre a maquete do labirinto Fonte: Clube brasileiros de trens fantasmas O filme atualmente está disponível no Brasil no YouTube e Globo Play Filmes, e não é relançado em DVD ou blu -ray disc há algum tempo, pois encontra-se indisponível em grande parte das lojas online. Estreia em novembro de 2019 a continuação do filme, “Doutor Sono”, baseada no livro mencionado anteriormente. O filme será dirigido por Mike Flanagan, responsável por outra adaptação de Stephen King, “Jogo” perigoso, lançado pela Netflix em 2017. O trailer do filme conta com diversos elementos do filme de Kubrick e recebeu a aprovação de Stephen King. 16 3. LOCAIS DE EXIBIÇÃO “O iluminado” foi exibido em cinemas tradicionais, cuja história tem inicio em junho de 1905 nos chamados Nickelodeon, termo que vem Do inglês nickel, cinco centavos de dólar, que era o valorcobrado para entrar na sala, que passavam filmes curtos, com menos de um minuto de duração. A primeira exibição no que pode ser chamado cinema de que se tem história, foi nos anos 1890, quando os irmãos Lumière projetaram “A saída dos operários da fábrica Lumiére”, causando grande estranhamento nos espectadores que viram uma imagem em movimento pela primeira vez. A partir de 1950, teve um crescimento enorme do público nos cinemas e por isso os estúdios começaram a investir em diversas tecnologias, um exemplo é o CinemaScope que foi uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes anamórficas criada pelo presidente da Twentieth Century Fox em 1953. “O iluminado” estreou nos cinemas em 1980, tendo como meio de divulgação o método cinematográfico que se perpetuou nos anos 1970, década em que a tecnologia IMAX (tecnologia cinematográfica de ponta, com alta definição de som e imagem, que garante total imersão do espectador) foi instaurada em alguns cinemas e fez com que os filmes carecessem de mais um apelo para que o publico fosse cativado por filmes mesmo que não dispusessem de tanta tecnologia e modernidade. O filme foi um grande sucesso de público e, ao contrário de filmes como “O Exorcista” e “Psicose”, não há relatos atuais que falem especificamente sobre a reação do público diante do que estavam vendo, mas é conhecido que o filme chocou por sua narrativa e estética cruas e logo foi consagrado como um clássico. Ocupou a décima quarta posição no ranking de maiores bilheterias domésticas (norte-americana) do ano em que estreou. O filme foi lançado no Brasil em dezembro de 1980 e foi reprisado nas salas de cinema brasileiras algumas vezes por meio do projeto Clássicos Cinemark, que exibia filmes clássicos do cinema nas salas da franquia. O filme está previsto para ser reexibido no Brasil em 29 de outubro de 2019 como parte da divulgação de sua sequência, “Doutor Sono”. 17 4. REINVENÇÕES: 4.1. SINOPSES: OFICIAL: Jack Torrance se torna caseiro de inverno do isolado Hotel Overlook, nas montanhas do Colorado, na esperança de curar seu bloqueio de escritor. Ele se instala com a esposa Wendy e o filho Danny, que é atormentando por premonições. Jack não consegue escrever e as visões de Danny se tornam mais perturbadoras. O escritor descobre os segredos sombrios do hotel e começa a se transformar em um maníaco homicida, aterrorizando sua família. REESCRITA: O ex professor e escritor frustrado Jack Torrance consegue uma chance de cuidar de um grande e isolado hotel durante o período de baixa temporada. Ao se mudar com sua esposa Wendy e seu filho Danny, Jack espera poder concluir seu livro, mas acaba por enfrentar forças malignas que habitam o hotel e são percebidas por Danny, uma criança com um dom especial que é capaz de presenciar os horrores que assombram o hotel Overlook. 4.2. POSTERES: Figura 5: Pôster Oficial do filme Fonte: IMDB 18 Um dos pôsteres oficiais do filme traz os dois personagens principais, o casal Wendy e Jack, em uma das cenas mais emblemáticas do filme. Na concepção do grupo, esse cartaz traz uma relação forte com o filme, mas ao mesmo tempo, problemática, pois pode ser considerada como spoiler, já que acaba por revelar o rumo do personagem Jack em relação a sua sanidade e família. Figura 6: Pôster reinventado Fonte: Própria A concepção do cartaz produzido pelo grupo visa trazer para a composição visual, elementos que fazem parte da trama, sem entregar os pontos principais da mesma. Para tanto, utilizamos do recurso do labirinto, um elemento muito importante no filme, que faz referência ao carpete do Hotel Overlook por suas cores e padronização. O círculo no meio remete, bem como o posicionamento estratégico do quadro com o labirinto, ao plano geométrico e estratégico do diretor, com o seu plano de fuga. A cor do círculo no centro tem relação com uma poça de sangue, outro elemento bastante presente no filme. Além disso, há a silhueta do brinquedo com o qual Danny circula pelos corredores do hotel e o formato do cartaz em si lembra o de uma fotografia Polaroid, com suas margens às laterais, acima e abaixo do objeto central, um objeto que por si só já remete à uma memória clássica, uma sensação que fica presente ao assistir ao filme em questão. A fonte usada é a mesma dos cartazes originais, utilizada de maneira que o público tenha um reconhecimento imediato da obra unicamente através do apelo visual. 19 CONCLUSÃO: A partir do material pesquisado e dissecado, pudemos perceber a importância da linguagem visual na composição de um material informativo e de divulgação. É através deles que o espectador compra ou não o produto, no caso, o filme. Depois de analisarmos o filme e as referências nele contidas, conseguimos estabelecer uma ligação entre os elementos (fotografia, objetos cênicos, cores, mise-en-scène, etc) presentes na obra e no contexto geral da comunicação, e através deles, construir um cartaz que fosse funcional, assertivo e convidativo para o público em geral. 20 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PRUNER, Aaron. How the shining changed horror movies and no one noticed. Acesso em: 1 out. 2019. Disponível em: https://www.looper.com/118286/shining-changed-horror-movies-one-noticed/ ULTIMO SEGUNDO. Acompanhe as mudanças do gênero desde os monstros clássicos até os falsos documentários. Acesso em: 10. Out. 2019. Disponível em: https://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2012-10- 19/decada-a-decada-veja-a-evolucao-do-cinema-de-terror.html VERAS, João. Especial a evolução dos filmes de terror. Acesso em: 10 out. 2019. Disponível em: https://cinefans.com.br/especial-a-evolucao-dos-filmes-de- terror/ MILICI, Marcel. As tendências dos filmes de terror através dos tempos. Acesso em: 29. set. 2019. Disponível em: https://www.omelete.com.br/colunistas/marcelo-milici-as-tendencias-dos-filmes- de-terror-atraves-dos-tempos CAOS CULTURAL. Nickelodeons o nascer do cinema. Acesso em 28 set. 2019. Disponível em: https://www.caoscultural.com.br/single-post/2018/01/14/Nickelodeons---O-nascer- do-Cinema MILETI, Saulo. O ponto de fuga da Stanley Kubrick. Acesso em 28 set. 2019. Disponível em: https://www.b9.com.br/31346/o-ponto-de-fuga-de-stanley-kubrick/ MENMO CINE. O surrealismo no cinema; Acesso em 13 out. 2019. Disponível em: http://www.mnemocine.com.br/index.php/cinema-categoria/20-critica/21-o- surrealismo-no-cinema MUNDO EDUCAÇÃO. A origem do cinema. Acesso em 13 out. 2019. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/origem- cinema.htm O ILUMINADO. Direção de Stanley Kubrick. Warner Bros, 1980. 1 DVD (144 min.)