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Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA TRAUMA ABDOMINAL E PÉLVICO Todo paciente que tenha sofrido traumatismo fechado no tronco, seja por impacto direto, seja por desaceleração brusca, ou ferimento penetrante deve ser considerado portador de lesão vascular, de víscera oca abdominal ou pélvica até que se prove o contrário. • Anatomia do abdome Abdome anterior: a maioria das vísceras ocas pode estar acometida quando houver ferimento no abdome anterior. Transição toracoabdominal: essa área inclui diafragma, fígado, baço e estômago. Flanco: a espessura muscular da parede abdominal nessa região atua como uma barreira para ferimentos penetrantes, particularmente os causados por arma branca. Dorso: essa região encontra-se protegida pelos músculos do dorso e paraespinhais, que atuam como uma barreira parcial para ferimentos penetrantes. O flanco e dorso contém os órgãos retroperitoneais – lesões retroperitoneais são difíceis de ser reconhecidas pois o exame físico nessa área é comprometido e os sinais de peritonite podem não estar presentes nas fases inicias. Além dessas áreas não serem acessadas pelo LPD (lavado peritoneal diagnóstico) e ser de difícil estudo pelo FAST. Cavidade pélvica: localiza-se nessa região o reto, a bexiga e os vasos ilíacos e, nas mulheres, os órgãos reprodutores internos. Área de potencial perda sanguínea. • Mecanismo de trauma TRAUMA FECHADO Um impacto direto – como o contato do abdome com o volante pode causar compressão ou esmagamento de vísceras abdominais e da pelve, podem causar ruptura e acarretar hemorragia secundária, contaminação por conteúdo intestinal e consequentemente peritonite. O cisalhamento é uma lesão por esmagamento que pode ocorrer quando um dispositivo de segurança e de restrição é usado de forma inadequada – lesão por cinto de segurança. Pacientes vítimas de acidentes de carro podem sofrer lesões decorrentes das forças relacionadas à desaceleração – as estruturas fixas e não fixas do corpo têm movimentos em sentidos opostos. Exemplo é a laceração do fígado e baço (móveis) nos locais de inserção de seus ligamentos de sustentação (fixos). Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Lesões extensas do mesentério do intestino delgado também são exemplos. Nos pacientes com trauma fechado, os órgãos mais acometidos são o baço, fígado e intestino delgado. TRAUMA PENETRANTE Ferimentos por arma branca e projéteis de baixa velocidade causam danos aos tecidos por corte e laceração. Projéteis de alta velocidade transferem mais energia cinética às vísceras abdominais – podem aumentar os danos ao longo do trajeto devido à cavitação temporária. Arma branca geralmente envolve fígado, intestino delgado, diafragma e o cólon. Ferimentos por arma de fogo podem causar lesões intra-abdominais adicionais devido sua trajetória, do efeito de cavitação e da possível fragmentação do projétil. A arma de fogo frequentemente acomete intestino delgado, cólon, fígado e estruturas vasculares abdominais. Dispositivos explosivos podem causar lesões por vários mecanismos, incluindo ferimentos penetrantes por fragmentos, lesões contusas decorrentes do impacto ou da ejeção do paciente após a explosão. Pacientes próximos à fonte de explosão podem ter lesões pulmonares e lesões de vísceras ocas devido à onda de choque (sobrepressão da explosão). • Avaliação HISTÓRIA Avaliação de vítima de colisões automobilísticas: velocidade do carro, tipo de colisão, os tipos de dispositivos de contenção, acionamento dos airbags, posição da vítima no carro e as condições dos passageitos. Em casos de queda: determinar altura – risco relacionado à desaceleração em grandes alturas. Trauma penetrante: tempo de lesão, tipo de arma, à distância do agressor (a probabilidade de lesões viscerais graves diminui quando a distância é maior que 3m), número de facadas ou tiros, volume de sangue perdido. Dispositivo explosivo: a probabilidade de lesões viscerais por inda de alta pressão aumenta com a proximidade do doente da explosão. EXAME FÍSICO Inspeção: paciente despido para inspeção completa. Paciente deve ser rolado em bloco para facilitar o exame. Além do abdome, o flanco, escroto e a área perianal devem ser inspecionados à procura de sangue no meato uretral, edemas, hematomas ou laceração do períneo, da vagina, do reto ou das nádegas – sugestivo de fratura pélvica exposta. Ausculta: usada para confirmar a presença ou ausência de ruídos hidroaéreos. Sangue intraperitoneal livre pode cursar com perda dos ruídos. Os achados da ausculta são mais úteis quando normais no início e pioram com o tempo. Percussão e palpação: a percussão causa um leve movimento do peritônio, podendo provocar sinais de irritação peritoneal. Defesa involuntária abdominal é um sinal confiável de peritonite. A palpação da próstata deslocada cranialmente é um sinal de fratura pélvica importante. Avaliação da estabilidade pélvica: hipotensão inexplicável pode ser, inicialmente, a única indicação de ruptura pélvica grave com instabilidade pélvica. Instabilidade mecânica do anel pélvico deve ser considerada em pacientes com fraturas pélvicas + hipotensão sem nenhuma outra fonte de sangramento. Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Achados sugestivos de fratura pélvica incluem a evidência de ruptura da uretra (próstata deslocada cranialmente, hematoma escrotal ou sangue no meato uretral), de discrepância entre o comprimento dos membros ou de uma deformidade rotacional da perna sem fratura óbvia → nesses pacientes a manipulação manual da pelve pode ser prejudicial. A identificação de anormalidades neurológicas ou feridas abertas no flanco, no períneo e no reto podem ser evidências de instabilidade do anel pélvico – quando possível, um Rx em AP da pelve confirma o exame clínico. Exame da uretra, do períneo e do reto: Uretrorragia (sangue no meato uretral) sugere lesão da uretra, assim como equimose ou hematoma no escroto ou períneo. Nos pacientes com trauma fechado, o objetivo do exame retal é avaliar o tônus do esfíncter e a integridade da mucosa retal, além da determinação da posição da próstata e identificar fratura dos ossos da pelve. Nos pacientes com trauma penetrante, o exame retal é feito para avaliar o tônus do esfíncter e procurar sangramentos de uma perfuração intestinal. A sonda de Foley não deve ser inserida em pacientes com hematoma perineal ou deslocamento cranial da próstata. Exame vaginal: laceração vaginal pode ocorrer por fragmentos ósseos de uma fratura pélvica ou ferimentos penetrantes. Deve ser realizado somente na suspeita de lesão (laceração perineal complexa, fratura pélvica ou ferida transpélvica por arma de fogo). Exame dos glúteos: Lesões nessa região estão associadas a maior chance de lesões intra-abdominais significativas, incluindo lesões do reto abaixo da reflexão peritoneal. MEDIDAS AUXILIARES AO EXAME FÍSICO Sondagem gástrica Objetivos: aliviar uma possível dilatação gástrica aguda, descomprimir o estômago antes de realizar uma LPD e remover o conteúdo gástrico. A sonda pode diminuir o risco de aspiração nesses casos – mas em pacientes acordados pode provocar reflexo de vômito. Presença de sangue no conteúdo gástrico sugere lesão no esôfago ou no trato gastrointestinal superior. →Na presença de fraturas graves de face ou suspeitade fratura de base de crânio, a sonda deve ser inserida pela boca para impedir a penetração do cérebro. Sondagem vesical Objetivos: aliviar a retenção urinária, descomprimir a bexiga antes de realizar uma PD e monitorização do débito urinário. →Hematúria macroscópica é um sinal de trauma do trato geniturinário e de órgãos intra-abdominais não renais. Em pacientes com incapacidade de urinar espontaneamente, presença de fratura pélvica instável, presença de sangue no meato uretral, hematoma escrotal, equimose perineal ou da próstata deslocada cranialmente tem que fazer uretrograma retrógrado para confirmar a integridade da uretra antes de inserir a sonda. Outros estudos Em pacientes com alterações hemodinâmicas, uma avaliação rápida é necessária e pode ser feita com LPD ou FAST – a única contraindicação para realização desses exames é a indicação de laparotomia. Pacientes estáveis, que requerem exames adicionais: 1 – Alteração do sistema sensorial (potencial de lesão cerebral, intoxicação alcoólica ou uso de drogas ilícitas). 2 – Mudança na sensibilidade (lesão potencial na coluna vertebral). 3 – Lesão de estruturas adjacentes, como aros costais inferiores, pelve e coluna lombar. 4 – Exame físico duvidoso. 5 – Previsão de perda prolongada de contato com o doente, como anestesia geral ou estudos radiográficos demorados. 6 – Sinal do cinto de segurança com suspeita de lesão intestinal. Na suspeita de lesão intra-abdominal exames podem ser realizados, mas não devem atrasar a transferência do paciente para o tratamento definitivo. Radiografias para trauma abdominal 1 – RX AP de tórax em pacientes com trauma fechado multissistêmico. Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Pacientes hemodinamicamente instáveis com ferimentos penetrantes do abdome não precisam de triagem radiológica na sala de emergência. 2 – RX de tórax em posição ortostática para excluir hemotórax ou hemotórax em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma penetrante acima do umbigo ou lesão toracoabdominal suspeita. 3 – RX AP pélvico pode ser útil no estabelecimento da origem da perda de sangue em pacientes hemidinamicamente alterados e em pacientes com dor pélvica. Paciente acordado, alerta e sem dor não precisa de RX de pelve. Ultrassonografia direcionada ao trauma – FAST Fornece meio rápido, não invasivo, preciso e barato de diagnosticar o hemoperitônio. O FAST pode ser repetido com frequência (após intervalo de 30 minutos). Janelas pesquisadas: 1 – Janela pericárdica. 2 – Espaço hepatorrenal. 3 – Espaço esplenorrenal. 4 – Pelve ou fundo de saco de douglas. Lavagem peritoneal diagnóstica – LPD Método invasivo para identificar hemorragias – permite investigação de possível lesão de víscera oca. A LPD pode alterar significativamente os exames clínicos subsequentes do paciente. →Deve ser realizada pela equipe cirúrgica do paciente com trauma fechado e hemodinamicamente instável, podendo também ser útil no trauma penetrante. →Indicado no paciente hemodinamicamente normal com trauma fechado, quando o FAST e a TC não estão disponíveis (o kit). Contraindicações relativas: cirurgias abdominais prévias, obesidade mórbida, cirrose avançada e coagulopatia preexistente. A fácil aspiração de sangue, de conteúdo gastrointestinal, de fibras vegetais ou de bile pode meio do cateter, com pacientes com alteração hemodinâmica, indicam laparotomia. Se grande quantidade de sangue (> 10 ml) ou conteúdo gastrointestinal não são aspirados, a lavagem deve ser feita com 1000 ml de solução cristaloide isotônica aquecida. Após mistura adequada, o lavado é mandado para o laboratório e é considerado positivo na presença de > de 100.000 glóbulos vermelhos por mm3, 500 ou mais glóbulos brancos por mm3 ou detecção de bactérias por coloração de gram. Tomografia computadorizada com contraste – TC Deve ser realizado somente em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem indicação aparente de laparotomia de emergência. A TC dá informações sobre presença e extensão de lesões de órgãos específicos e pode diagnosticar lesões de órgãos retroperitoneais e pélvicos que são difíceis de avaliar pelo FAST ou LPD. Na ausência de lesões hepáticas ou esplênicas, a presença de líquido livre na cavidade abdominal sugere lesão no trato gastrointestinal e/ou no mesentério e muitos cirurgiões acreditam ser essa uma indicação para laparotomia precoce. Exames contrastados Uretrografia: deve ser feita antes da inserção de uma sonda vesical, quando tem suspeita de ruptura uretral. Um estudo adequado é capaz de mostrar o refluxo de contraste para o interior da bexiga. A ruptura de bexiga intra ou extraperitoneal é avaliada melhor por uma cistografia. RX nas incidências AP, oblíqua e pós-miccional são essenciais para definitivamente excluir qualquer lesão vesical. A avaliação da bexiga e da pelve na TC é uma alternativa útil para fornecer informações adicionais sobre os rins e ossos pélvicos. Suspeitas de lesões do sistema urinário são melhor avaliadas por TC com contraste ou urografia excretora. Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Lesões de órgãos retroperitoneais (duodeno, cólon ascendente, cólon descendente, reto, vias biliares e pâncreas) devem ser avaliados por meio de TC com contraste. • Avaliação do trauma abdominal A maioria dos ferimentos abdominais por projétil de arma de fogo é tratada por laparotomia exploradora pois existe grande chance de lesão intraperitoneal significativa. Os ferimentos por arma branca podem ser tratados de forma mais seletiva, mas existem indicações para laparotomia: 1 – Qualquer paciente com alterações hemodinâmicas. 2 – Ferimentos por projétil de arma de fogo com trajetória transperitoneal. 3 – Sinais de irritação peritoneal. 4 – Sinais de penetração da fáscia. Ferimentos toracoabdominais Em pacientes assintomáticos com possíveis lesões do diafragma e de vísceras da porção superior do abdome pode incluir exames físicos seriados, RX de tórax seriado, LPD, toracoscopia, laparoscopia e TC (ferimentos toracoabdominais à direita). Exploração local do ferimento e exames físicos seriados do abdome Grande parte dos pacientes com ferimento por arma branca com penetração do peritônio anterior tem hipotensão, peritonite ou evisceração de epíploo ou intestino delgado – esses pacientes necessitam de lapartotomia de urgência. Nos outros pacientes, nos quais a penetração peritoneal anterior pode ser confirmada ou suspeitada pela exploração local da ferida, eventualmente necessitam de cirurgia. Nos pacientes relativamente assintomáticos as opções diagnósticas podem ser exames físicos seriados por 24h, LPD ou laparoscopia diagnóstica. Exames físicos seriados X TC com duplo ou triplo contraste em ferimentos dos flancos ou dorso Em pacientes com ferimentos posteriores à linha axilar anterior que inicialmente são assintomáticos e posteriormente tornam-se sintomáticos, o exame físico seriado é muito preciso na detecção de lesões retro e intraperitoneais. A TC quando realizada de forma apropriada pode permitir o diagnóstico mais precoce em doentes relativamente assintomáticos. A LPD pode ser usada nesses pacientes como um exame de triagem inicial – se positiva é indicação de laparotomia de urgência. • Indicações de laparotomia em adultos 1 – Trauma abdominal fechado com hipotensãoe com FAST positivo ou evidência clínica de hemorragia intraperitoneal. 2 – Trauma abdominal fechado ou penetrante com LPD positiva. 3 – Hipotensão associada a ferimento penetrante do abdome. 4 – Ferimentos por projéteis de arma de fogo que atravessam a cavidade peritoneal ou o compartimento visceral/vascular do retroperitônio. 5 – Evisceração. 6 – Hemorragia do estômago, reto ou trato geniturinário secundário a ferimento penetrante. 7 – Peritonite. 8 – Ar livre, ar retroperitoneal ou ruptura do hemidiafragma. 9 – TC com contraste revelando lesão do trato gastrointestinal, lesão intraperitoneal da bexiga, lesão de pedículo renal ou lesão parenquimatosa grave após trauma fechado ou penetrante. • Diagnósticos específicos O fígado, baço e rins são os órgãos mais comumente envolvidos em trauma abdominal fechado. A maioria das lesões penetrantes é diagnosticada na laparotomia. Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA LESÕES DIAFRAGMÁTICAS O hemidiafragma esquerdo é o mais frequentemente acometido. A lesão mais típica é a ruptura de 5 – 10 cm de extensão, que envolve a porção posterolateral do hemidiafragma esquerdo. Anormalidades no RX de tórax incluem elevação ou borramento do hemidiafragma, presença de hemotórax, apagamento da imagem do diafragma por uma sombra gasosa ou presença da sonda gástrica no tórax – mas o RX pode ser inicialmente normal. O diagnóstico deve ser suspeitado em qualquer ferimento toracoabdominal e pode ser confirmado por laparotomia, toracoscopia ou laparoscopia. LESÕES DUODENAIS Classicamente, a ruptura duodenal é encontrada em motorista sem cinto onde o carro sofreu colisão frontal e em pacientes que receberam um golpe direto no abdome como um guidão da bicicleta. A identificação de sangue no aspirado gástrico ou de ar retroperitoneal no RX ou TC de abdome com contraste deve levantar a suspeita. →Em pacientes com alto risco para essa lesão, deve-se indicar estudo radiográfico contrastado do tubo digestório alto ou TC com duplo contraste. LESÕES PANCREÁTICAS Na maioria das vezes é resultado de um golpe direto no epigástrio, que comprime o órgão contra a coluna vertebral. Os níveis de amilase normais não excluem a presença de trauma pancreático. A TC com duplo contraste pode não revelar nada nas primeiras 8 horas – deve ser feito mais tardiamente. Caso os achados sejam inconclusivos, uma exploração cirúrgica é recomendada. LESÕES GENITURINÁRIAS Traumas no dorso ou nos flancos que resultam em contusões, hematomas ou equimoses são possíveis marcadores de lesões renais e exigem avaliação por meio de TC ou urografia excretora. Indicações adicionais de avaliação do trato: 1 – Ferimento abdominal penetrante. 2 – Episódio de hipotensão (PAS < 90) em paciente com trauma abdominal fechado. 3 – Lesões intra-abdominais associadas em pacientes com trauma abdominal fechado. Hematúria macroscópica e microscópica em pacientes com episódio de choque indicam a possibilidade de trauma abdominal não renal. →Fratura pélvica anterior geralmente está presente em pacientes com lesões de uretra. LESÕES DE VÍSCERAS OCAS Lesões intestinais geralmente são resultantes de desaceleração brusca e devem ser pesquisadas diante de equimoses lineares e transversas (cinto de segurança) ou uma fratura lombar com desvio detectado RX (fratura de chance). LESÕES DE ÓRGÃOS SÓLIDOS Lesões de fígado, baço e rim que resultem em choque, instabilidade hemodinâmica ou evidência de hemorragia ativa, são indicações de laparotomia de urgência. Lesões de órgãos sólidos em pacientes estáveis, podem ser tratadas sem cirurgia. FRATURAS PÉLVICAS E LESÕES ASSOCIADAS Fraturas pélvicas associadas a hemorragia geralmente apresentam ruptura dos ligamentos ósseos posteriores secundária a uma fratura e/ou luxação sacroilíaca ou a uma fratura sacral. Mecanismos de trauma e classificação Os 4 padrões de força que causam fraturas pélvicas incluem: 1 – Compressão anteroposterior (colisões de moto, atropelamentos, esmagamento direto de pelve ou queda de altura > 3,6 m). 2 – Compressão lateral (colusões de carro que levam à rotação interna da hemipelve envolvida). 3 – Cisalhamento vertical (geralmente queda). 4 – Padrões complexos (combinação). Mateus Castro INTERNATO UNIFAMAZ – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Tratamento O tratamento inicial de uma fratura pélvica grave associada à hemorragia requer controle do sangramento e reanimação com líquidos. O controle da hemorragia é conseguido por meio da estabilização mecânica do anel pélvico e contrapressão externa. A tração longitudinal aplicada através da pele ou do esqueleto é considerada o método de primeira linha. Como nessas lesões a hemipelve está rodada externamente, a rotação interna dos membros inferiores também pode reduzir o volume pélvico. Esse procedimento pode ser completado com a aplicação de um suporte diretamente na pelve – lençol, cinta. Anotações: