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Zacarias Junior DIREITO AGRÁRIO Prof.º Lucas Coelho 1 Direito Agrário Sumário DIREITO AGRÁRIO .......................................................................................................................................................... 4 INTERFERÊNCIA ESTATAL ....................................................................................................................................... 4 Prestações Estatais ................................................................................................................................................ 4 Princípio da Reserva do Possível ................................................................................................................................ 4 Neoliberalismo .......................................................................................................................................................... 4 ATIVIDADES AGRÁRIAS – 3 ESPÉCIES. ......................................................................................................................... 5 TÍPICAS:................................................................................................................................................................. 5 ATÍPICA: ................................................................................................................................................................ 5 IMÓVEL RURAL .............................................................................................................................................................. 5 Destinação ................................................................................................................................................................ 5 ITR ........................................................................................................................................................................ 5 Objetivo do ITR – ................................................................................................................................................... 5 Contribuinte .......................................................................................................................................................... 5 Diferença entre área urbana e rural ........................................................................................................................... 6 Quando o ITR incide em imóveis da área urbana? .................................................................................................. 6 IMÓVEL RURAL .............................................................................................................................................................. 6 Três princípios do CC / 02: ..................................................................................................................................... 6 Propriedade .............................................................................................................................................................. 7 Função Social Rural ................................................................................................................................................... 7 Requisitos: ............................................................................................................................................................ 7 REQUISITOS PARA QUE CUMPRA A FUNÇÃO SOCIAL .............................................................................................. 8 CLASSIFICAÇÃO DO IMÓVEL RURAL ........................................................................................................................... 8 Módulo Rural ........................................................................................................................................................ 8 Minifúndio ............................................................................................................................................................ 8 Módulo Fiscal ........................................................................................................................................................ 8 CLASSIFICAÇÃO POR TAMANHO ................................................................................................................................ 8 Latifúndio por extensão - ....................................................................................................................................... 9 Agricultura familiar – ............................................................................................................................................. 9 Prof.º Lucas Coelho 2 Direito Agrário Empresa rural – ..................................................................................................................................................... 9 TERRAS DEVOLUTAS ...................................................................................................................................................... 9 Terras devolutas ocupadas ........................................................................................................................................ 9 Usucapião para imóveis rurais (bens públicos são insusceptíveis a usucapião)........................................................ 9 Requisitos: ............................................................................................................................................................ 9 Legitimação (gratuita) .................................................................................................................................................. 10 Outorga de título de domínio .............................................................................................................................. 10 Licença de ocupação ........................................................................................................................................... 10 AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS POR EXTRANGEIROS .................................................................................................. 10 Limitações de teto máximo.................................................................................................................................. 10 Outras limitações ................................................................................................................................................ 10 TERRENOS DE MARINHA .......................................................................................................................................... 10 TERRAS INDIGENAS...................................................................................................................................................... 11 Terras Indígenas ≠ Terras Reservadas ...................................................................................................................... 11 TERRAS INDÍGENAS X TERRAS RESERVADAS ............................................................................................................. 11 ZONAS DE FRONTEIRAS................................................................................................................................................ 11 REFORMA AGRÁRIA ..................................................................................................................................................... 11 Método Coletivista .............................................................................................................................................. 12 Método Privatista................................................................................................................................................12 PROPRIEDADE PRODUTIVA .......................................................................................................................................... 12 Aproveito racional adequado................................................................................................................................... 12 Fases de desapropriação. ........................................................................................................................................ 12 1ª) Fase administrativa ........................................................................................................................................ 12 2º) Fase judicial. .................................................................................................................................................. 13 Início da reforma agrária nas propriedades. ............................................................................................................. 13 Critérios de desempate: ...................................................................................................................................... 13 Contratos Agrários ....................................................................................................................................................... 13 Contrato de arrendamento ...................................................................................................................................... 14 Parceria Rural ...................................................................................................................................................... 14 Prof.º Lucas Coelho 3 Direito Agrário Dois tipos de contratos ............................................................................................................................................ 14 Arrendamento (contrato de aluguel) ................................................................................................................... 14 Parceria (Parceiro outorgante e parceiro outorgado) ........................................................................................... 14 Arrendamento (prazos mínimos). ........................................................................................................................ 14 Preço máximo dos contratos ............................................................................................................................... 15 POLÍTICAS AGRICULAS ................................................................................................................................................. 15 1. Crédito Rural .................................................................................................................................................... 16 a) Crédito de Custeio ....................................................................................................................................... 16 b) Crédito de investimento............................................................................................................................... 16 c) Crédito de comercialização .......................................................................................................................... 16 Título de crédito (garantias reais) ............................................................................................................................ 16 Garantia fidejussória ........................................................................................................................................... 16 Garantia real ....................................................................................................................................................... 16 CDC se aplica: ...................................................................................................................................................... 17 Danos:................................................................................................................................................................. 17 Seguro Agrícola ....................................................................................................................................................... 17 PROAGRO............................................................................................................................................................ 17 PROAGRO MAIS................................................................................................................................................... 18 Cooperativismo ....................................................................................................................................................... 18 Aspectos Ambientais do Direito Agrário ....................................................................................................................... 18 Licenciamento Ambiental ........................................................................................................................................ 18 APP – Área de Preservação Permanente. ............................................................................................................. 18 Reserva Legal ...................................................................................................................................................... 19 Água ............................................................................................................................................................................ 20 Prof.º Lucas Coelho 4 Direito Agrário Aula 01 – 08 / 02 / 2017 DATAS DAS ATIVIDADES AVALIATIVAS NP1 – 22 / 03 /2019. TRABALHO – 29 / 03 / 2019. BIBLIOGRAFIA Direito Agrário Brasileiro, Benedito Ferreira Marques. Direito Agrário, Arnaldo Rizzardo. Comentário ao Código Florestal, Celso Antônio Pacheco Fiorillo. Contrato Agrário, Vilson Ferreto. DIREITO AGRÁRIO Conceito: Normas que regula a relação do homem com a terra. INTERFERÊNCIA ESTATAL – devido a hipossuficiência (econômica, técnica e jurídica). A interferência estatal surgiu da necessidade dentro da própria economia. Após a Revolução Francesa os sistemas de estado que eram absolutistas (concentração de poder na mão do monarca), torna-se liberalista. No liberalismo (estado mínimo) o controle do Estado nas relações dos indivíduos diminui como apregoado por Adans Smith. Com o advento da revolução industrial ocorre o fenômeno da urbanização (formação das cidades), oriundo da busca de empregos surge migração. No Brasil, este fenômeno inicia com a abolição da escravatura, em 1888. Durante a I Guerra Mundial, na Europa ocorre o sufrágio universal para as mulheres que trabalhavam no lugar de seus esposos (no campo de guerra). Prestações Estatais – fim do estado liberal e surgimento do estado social (obrigações positivas). Constituição de Weimar. Direitos Sociais – Direitos de 2ª Geração. Princípio da Reserva do Possível - surge no Direito como uma forma de limitar a atuação do Estado no âmbito da efetivação de direitos sociais e fundamentais, afastando o direito constitucional de interesse privado e prezando pelo direito da maioria. Neoliberalismo - é um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia, onde deve haver total liberdade de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. Os autores neoliberalistas afirmam que o estado é o principal responsável por anomalias no funcionamento do mercado livre, porque o seu grande tamanho e atividade constrangem os agentes econômicos privados. O neoliberalismo defende a pouca intervenção do governono mercado de trabalho, a política de privatização de empresas estatais, a livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização, a abertura da economia para a entrada de multinacionais, a adoção de medidas contra o protecionismo econômico, a diminuição dos impostos e tributos excessivos etc. Esta teoria, que foi baseada no liberalismo, nasceu nos Estados Unidos da América e teve como alguns dos seus principais defensores Friedrich A. Hayeck e Milton Friedman. Características: Controle de contas públicas; Afastamento do Estado do que não lhe compete. Prof.º Lucas Coelho 5 Direito Agrário NO BRASIL ATIVIDADES AGRÁRIAS – 3 ESPÉCIES. TÍPICAS: lavoura, pecuária, extrativismo vegetal (açaí, látex) e animal (pesca, caranguejo). Lavoura: Temporária – é aquela que a cada safra demanda um novo plantio (trigo, soja, arroz, feijão, milho). Permanente – único plantio e diversas safras (laranja, café, cana-de-açúcar). Pecuária: Pequeno – avicultura, apicultura, piscicultura. Médio – suinocultura, ovinocultura. Grande – gado bovino, equino, bufalino. ATÍPICA: agroindústria, comércio e transporte. Aula 02 – 21 / 02 / 19 IMÓVEL RURAL Destinação (Estatuto da Terra). ITR – É um Imposto Territorial Rural que tem como base de cálculo, o valor fundiário da propriedade rural (Art. 30, CTN). Objetivo do ITR – segundo a Receita, o Imposto Territorial Rural visa desestimular os grandes latifúndios improdutivos: “a alíquota será maior para propriedades de maior área e baixo grau de utilização”. Contribuinte – de acordo com o Art. 4º, da Lei 9.393/1996, o contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. ITR é mais barato que o IPTU. Prof.º Lucas Coelho 6 Direito Agrário IPTU ou ITR? Enquanto na área urbana as pessoas físicas e jurídicas pagam o IPTU aos Municípios, na rural os proprietários de imóveis declaram o ITR à União. Em alguns casos, porém, o ITR também é pago por imóveis da área urbana. Diferença entre área urbana e rural De acordo com a Lei 9.393/1996, um imóvel é considerado rural quando possui “área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município”. Segundo o Art. 32 do CTN, uma área é classificada como urbana quando a lei municipal a considera urbanizável, de expansão urbana, ou ainda, quando possui ao menos dois destes itens: I – meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II – abastecimento de água; III – sistema de esgotos sanitários; IV – rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V – escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. Quando o ITR incide em imóveis da área urbana? O Decreto-Lei 57/66 (Art. 15) estabeleceu que, na área urbana, o ITR incide sobre imóveis que são comprovadamente utilizados para exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial. Sendo assim, se você está nesta área e possui uma propriedade voltada à produção agrícola, por exemplo, deverá pagar o ITR ao invés do IPTU. Portanto, imóvel rural pode estar localizado na zona urbana desde que exerça atividades rurais. Para critério de destinação o imóvel situado no meio urbano só será imóvel rural se prevalecer os critérios descritos no Estatuto da Terra. Lei 4504 / 64 – Estatuto da Terra. Art. 2° É assegurada a todos a oportunidade de acesso à propriedade da terra, condicionada pela sua função social, na forma prevista nesta Lei. § 1° A propriedade da terra desempenha integralmente a sua função social quando, simultaneamente: a) favorece o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores que nela labutam, assim como de suas famílias; b) mantém níveis satisfatórios de produtividade; c) assegura a conservação dos recursos naturais; d) observa as disposições legais que regulam as justas relações de trabalho entre os que a possuem e a cultivem. IMÓVEL RURAL A CF / 88 X CC / 02 – o meio de interpretar a lei segundo a CF/88, de modo, que as normas do CC/02 possam alcançar a efetivação dos dispositivos. Três princípios do CC / 02: Sociabilidade – a situação do interesse individual não pode sobrepor aos interesses coletivos. Eticidade – adoção de valores a norma; o Boa-fé; o Moral; Operabilidade. Prof.º Lucas Coelho 7 Direito Agrário Propriedade – (direito fundamental garantido pelo art. 5º, da CF / 88) limitado ao cumprimento da função social. Função Social Rural Requisitos: I) Aproveitamento racional e adequado – o imóvel produtivo ou improdutivo (sem a probabilidade de reforma agrária). a. Aprovado pelo GUT (Grau de Utilização da Terra) – é a relação entre a área do imóvel efetivamente explorada com área total que haja potencial exploratório. Exemplo: IMÓVEL RURAL DE 500 HA; CULTIVO DE 200 HA C/ CANA-DE-AÇÚCAR; SITUAÇÃO 1: área aproveitável de 400,00 ha; SITUAÇÃO 2: área aproveitável de 250,00 ha; GUT 1 = (200 / 400) X 100 = 50% (Fazenda Improdutiva). GUT 2 = (200 / 250) X 100 = 80%. b. Aprovado GEE (Grau de Eficiência da Exploração) – são índices mínimos de produtividade exigidos pelo INCRA. (Considerando os casos fortuitos e de força maior). GEE VEGETAÇÃO: ((QUANTIDADE COLHIDA / ÍNDICE DE RENDIMENTO) / ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA) x 100. ÍNDICE DE RENDIMENTO P/ PRODUTOS AGRÍCOLAS: CANA DE AÇÚCAR SÃO PAULO/ PARANÁ 70,00 t/ha NORDESTE 50,00 t/ha MILHO (EM GRÃO) SUL/SÃO PAULO 1,90 t/ha NORTE/NORDESTE 0,60 t/ha RESTANTE DO PAÍS 1,30 t/ha Exemplo: Imóvel rural de 500 ha cultivo de 200 ha c/ cana-de-açúcar (área aproveitável de 250,00 há); SITUAÇÃO 1: produtividade de 50,00 t/ha = 10.000 toneladas; SITUAÇÃO 2: produtividade de 45,00 t/ha = 9.000 toneladas. GUT = 80%. GEE 1 = (10.000 / 50) / 200 = 1 X 100 = 100% (Fazenda Produtiva). GEE 2 = (9.000 / 50) / 200 = 0,9 X 100 = 90% (Fazenda Improdutiva). GEE PECUÁRIA = ((N° TOTAL UNIDADE ANIMAL / ÍNDICE DE LOTAÇÃO) / ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA) x 100. Exemplo: IMÓVEL RURAL DE 500 HA; CULTIVO DE 200 HA C/ PASTAGEM PLANTADA; ÁREA APROVEITÁVEL DE 250,00 HA; Prof.º Lucas Coelho 8 Direito Agrário GUT = 80% SITUAÇÃO 1: N° TOTAL DE UA = 120; SITUAÇÃO 2: N° TOTAL DE UA = 90; GEE 1 = (120 / 0,46) / 200 = 1,30 X 100 = 130% (Fazenda Produtiva). GEE 2 = (90 / 0,46) / 200 = 0,978 X 100 = 97,8% (Fazenda Improdutiva). 120 UNIDADES ANIMAIS REPRESENTAM: P/ gado adulto (acima de 03 anos) = 130 cabeças na Zona da Mata ou 145 cabeças no Agreste e Sertão. 90 UNIDADES ANIMAIS REPRESENTAM: P/ gado adulto (acima de 03 anos) = 97 cabeças na Zona da Mata ou 108 cabeças no Agreste e Sertão. Aula 03 – 22 / 02 / 19 REQUISITOS PARA QUE CUMPRA A FUNÇÃO SOCIAL Aproveitamento racional; Preservação dos recursos naturais (potencial produtivo) e do meio ambiente; Respeito a legislação trabalhista1; Proporcionar o bem-estar do proprietário e trabalhadores, em imóveis onde não ocorra conflitos agrários; Imóveis rurais onde houver plantação de psicotrópica é expropriado (perda da propriedade sem indenização), caso também pode ocorrer com em casos de trabalho análogo a escravidão. PROPRIEDADE COM ESCRITURA ≠ POSSE SEM ESCRITURA (OCUPAÇÃO DO IMÓVEL) A posse também tem que cumprir a função social. CLASSIFICAÇÃO DO IMÓVEL RURAL Módulo Rural – é uma medida de área rural que varia de região para região e também de acordo com a atividade rural exercida o tamanho mínimo do imóvel rural, não se pode admitir imóveis rurais com área inferior ao módulorural. O INCRA é quem determina o tamanho do módulo rural, devido a atividade e da região. Propriedade familiar é desapropriado o imóvel se dividido por glebas (pequenos lotes) para cada família. Minifúndio – é imóvel rural com área inferior a um módulo rural (não cumpre a função social). O minifúndio e o latifúndio são danosos. Módulo Fiscal – é uma unidade de medida, variando de região para região servindo para classificar os imóveis rurais, serve para declaração do ITR. CLASSIFICAÇÃO POR TAMANHO Minifúndio – maior que um módulo rural. Propriedade familiar – um módulo rural. Pequena propriedade – 1 a 4 módulos fiscais. Média propriedade – de 4 até 15 módulos fiscais. Grande propriedade – de 15 até 600 módulos fiscais. 1 desrespeito a legislação trabalhista é passível de desapropriação (perda da propriedade com indenização). Prof.º Lucas Coelho 9 Direito Agrário Latifúndio – acima de 600 módulos fiscais. Aula 04 – 28 / 02 / 19 Latifúndio por extensão - independentemente do tamanho, mas que for improdutiva. A CF / 88 protege as pequenas e médias propriedades não podendo ser desapropriadas para fins de reforma agrária. Caso ela não respeite a função social; Função social; Não cumprir a lei trabalhista; Bem-estar; Aproveitamento adequado (latifúndio de extensão). Agricultura familiar – é quando a atividade rural for efetuada pelo proprietário e seus familiares, mas admite que seja feita contratações esporádicas (180 dias na colheita) Será impenhorável – pela redação legal. Só abrange débitos provenientes da atividade agrária. Várias decisões do STJ amplia a impossibilidade de que ocorra para qualquer tipo de débito. O imóvel que tiver área superior a 600 módulos fiscais não é considerado latifúndio a empresa rural. Empresa rural – é um empreendimento de pessoa física ou jurídica, devendo ter o mínimo de emprego de tecnologia e técnicas de administração e ser registrada junto ao INCRA. Empresa rural não será latifúndio. INSTRUMENTO PARA COMBATER O LATIFÚNDIO – desapropriação para fins de reforma agraria. Tributação progressiva – quanto maior a propriedade, maior o imposto (ITR). TERRAS DEVOLUTAS Conceito – são terras devolvidas a coroa por não cumprirem as suas funções; Hoje são terras que não possuem proprietário, pois não tem registro e pertence ao Estado (bens públicos). EXCETO: Se esta terra (porção territorial) se situar em zonas de fronteiras, fortificações ou bases militares, neste caso, serão da União. Como se descobre se terra é devoluta? Processo discriminação (processo administrativo) que visa identificar a terra devoluta e consequentemente transferir seu domínio para a União ou Estado. Os interessados requerem para si a propriedade, havendo dúvidas quanto aos títulos apresentados pelos interessados deve-se instaurar um processo judicial de discriminação, este processo corre na justiça federal. Terras devolutas ocupadas Legitimação de posse das terras devolutas não pode ser feito através do registro, mas quando houver posse está poderá ser legitimado a posse daquele que lá está. Segundo Pontes de Miranda, quem exerce a posse do imóvel (terras agrarias) em terras devolutas é posseiro. Usucapião para imóveis rurais (bens públicos são insusceptíveis a usucapião). Meio de aquisição da propriedade em exercício da posse. Requisitos: 1) Prazo – ocupação 5 anos de forma continua, sem intervalos. Prof.º Lucas Coelho 1 0 Direito Agrário 2) Imóveis até 50 hectares. 3) Deve haver agricultura familiar. 4) O possuidor não pode ter outro imóvel rural2. A usucapião não se aplica a terras devolutas. Durante os 5 anos de exercer a posse mansa e passiva. Aula 05 – 07 / 03 / 19 Legitimação (gratuita) O Estado pode conferir a posse das terras devolutas por dois instrumentos: Outorga de título de domínio - o bem fica inalienável por 10 anos, para fins de financiamento rural poderá dar como hipoteca após dez anos. Licença de ocupação – para fins de financiamento rural poderá dar os bens imóveis (em penhora a própria produção). De 1 a 100 hectares não pode ter outro imóvel rural para legitimar. Em ambos os casos são ato discricionário da União. Regulamentação onerosa (imóveis de 100 até 2.000 hectares). AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS POR EXTRANGEIROS Limitações de teto máximo – as corregedorias dos Tribunais de Justiça que controlam cada imóvel rural de pessoas estrangeiras. Os cartórios devem ter um livro próprio de registro de imóveis rurais pertencentes a estrangeiro e deve ser enviado a cada 3 meses para a corregedoria dos tribunais. Os cartórios devem lavrar as escrituras outorgadas de imóveis rurais para estrangeiros. Outras limitações Pessoa física estrangeira. Menos de 50 módulos em áreas continuas ou não. Exceção: O Presidente da República poderá após ouvir o conselho de defesa nacional, permitir ao estrangeiro adquirir o imóvel superior, ainda assim, se tratar de projeto de relevância nacional (plantação inovadora). Pessoa jurídica estrangeira. 100 módulos fiscais, podendo o Congresso Nacional autorizar a aquisição de áreas superiores. Pessoas jurídicas nacionais controladas por estrangeiros, estão sujeitas as regras anteriores. Área superior a ¼ do município pertencente a estrangeiro, sendo que, somente 40% desta área no município pode pertencer a estrangeiros da mesma nacionalidade. Outros bens públicos que também serão relevantes para o direito agrário (podendo ser objeto de exploração agrícola). TERRENOS DE MARINHA I – Faixa de 33 metros ao longo de toda terra de marinha, contados do ponto da maré alta. II – Faixa de 33 metros ao longo de todas as ilhas que recebam os efeitos da maré. 2 A jurisprudência admite outro imóvel urbano. Prof.º Lucas Coelho 1 1 Direito Agrário III – Faixa de 15 metros ao longo de rios navegáveis federais (quando passar por mais de um estado). O controle cabe a secretaria de patrimônio da União. Também podem ser legitimando da situação daqueles imóveis por meio da enfiteuse ou concessão de uso. Enfiteuse - direitos reais sobre as coisas alheias podendo ser disponíveis, mas sendo perpetua, sendo apenas retirados caso não pague. TERRAS INDIGENAS Áreas de intensos conflitos agrários. Índio – qualquer pessoa de origem pré-colonial. Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, sendo de domínio da União, tendo os índios usufrutos destas terras (a união concede os impostos para os indígenas). STF – determina se a terra é ou não indígena. Marco temporal a entrada com a CF / 88. Terra indígenas são aquelas ocupadas por índios antes da CF / 88. Ocupação pós CF / 88, não será considerada terras indígenas e sim terras reservadas. Terras Indígenas ≠ Terras Reservadas Posição STF – Terras Indígenas é nulo qualquer negócio jurídico que tenha por objeto a posse ou a ocupação de terras indígenas não surtindo qualquer efeito. Aula 06 – 15 / 03 / 19 TERRAS INDÍGENAS X TERRAS RESERVADAS Terras Indígenas (bens públicos). Terras Reservadas (bens particulares) – a União fica obrigada a desapropriar, cabendo indenização. Três espécies: Reserva Indígena – área destinada para o habitar de índios com baixo grau de civilização, com meios suficientes para sua subsistência (sem socialização). Parque Indígena – área sobre a posse dos índios cuja a socialização já permita algumas prestações estatais (acesso a saúde, etc.). Colônia Indígena – área destinada a índios aculturados. ZONAS DE FRONTEIRAS Faixade 150 km ao longo de toda linha limítrofe de todo país. Zonas de fronteira é propriedade da União. As cidades de fronteira eram de domínio dos estados até 1988. Pós 1988, passou a ser de domínio da União. A União ficou obrigada a ratificar todas as legitimações de propriedades fronteiriças feitas pelos estados a particulares. Legitimação a non domino (quem não tem legitimidade, de caráter nulo). REFORMA AGRÁRIA Conceito – um conjunto de políticas agrárias que visam promover uma melhor distribuição de terra e também o aumento de produtividade. A reforma agrária não poderá ser comparada com as realizadas em outros países. Prof.º Lucas Coelho 1 2 Direito Agrário Método Coletivista – nesse sentido, a existência de um método coletivista, cuja aplicação resultaria na coletivização da propriedade da terra através de sua apropriação pelo Estado. É o método dos países comunistas e socialistas, em que se reserva a propriedade da terra ao Estado, entregando a posse à coletividade. Método Privatista – se admite a redistribuição da terra, sobre a qual se confere propriedade privada, segundo uma orientação de que os bens existem para satisfação do homem, não constituindo a propriedade um direito absoluto, já que o seu exercício em prol do bem comum é condição de sua manutenção. Somente a União pode realizar reforma agrária. Existem vários órgãos com o designo de auxiliar a União, na efetivação da reforma agrária. Toda reforma agrária é transitória, a reforma agrária terá fim quando encerrarem os latifúndios. Os imóveis rurais que não cumprem a função social serão desapropriados. Aproveitamento racional e adequado; Preservação de recursos naturais e meio ambiente; Legislação trabalhista; Proporcionar bem-estar ao proprietário e trabalhadores. As pequenas e médias propriedades, em regra, não podem ser desapropriados para fins de reforma agrária. Caso não cumpra o requisito de aproveitamento dos recursos naturais e adequado, torna-se latifúndio de exploração. Os latifúndios de exploração são passiveis a desapropriação. Só é vedada a desapropriação da pequena e média propriedade rural, se o proprietário tiver apenas uma propriedade rural. PROPRIEDADE PRODUTIVA Aula – 06 / 04 / 19 Aproveito racional adequado O imóvel produtivo não será desapropriado se cumprir tais requisitos. Preservação dos recursos naturais / meio ambiente; Legislação trabalhista; Promover o bem-estar; I – A desapropriação será uma forma de punição ao proprietário que não deu ao imóvel a função social. Portanto, não será indenizado, mas receberá títulos da dívida agrária (TDA) resgatáveis até 20 anos, cujo o resgate inicia após 2 anos. II – Tal (TDA) serão indenizados pelo valor da terra nua, porém as benfeitorias terão previa e justa indenização. As etapas são divididas em 2 partes: Indenização da terra nua. Indenização das benfeitorias. Fases de desapropriação. 1ª) Fase administrativa I – Vistoria: quando o INCRA visita o imóvel para verificar se cumpre a função social. II – Decreto / Lei: declarado o imóvel como de utilidade pública ou de interesse social. Perda do domínio – a partir desta etapa o imóvel passa a ser de domínio público. III – Fase executória: se dará a estimativa da justa indenização, fazendo duas avaliações. Prof.º Lucas Coelho 1 3 Direito Agrário Terra nua. Benfeitorias. Ocorre a consolidação em favor da união. Tanto na vistoria quanto na fase executória o proprietário terá a possibilidade do contraditório e da ampla defesa. Sem a anuência do proprietário. 2º) Fase judicial. A lei proíbe a realização de qualquer etapa administrativa por 2 anos contados da desocupação dos movimentos sociais. Em caso de reincidência o prazo dobra passando para 4 anos. A Lei 8.629 veda a fase administrativa pois prejudica a avaliação do GUT e do GE. STF – se após a vistoria ocorrer antes da ocupação tal proibição será nula. A fase judicial inicia com a ação de desapropriação agrária, que é de competência da Justiça Federal. A União deposita os valores (da indenização e o TDA’s) e o juiz dará a emissão da posse em favor da União. Na ação de desapropriação é vedado a questão de mérito do interessado do interesse social do imóvel pelo proprietário. Somente poderá arguir quanto ao valor da indenização. A defesa poderá contestar os valores e paralelamente propor uma ação declaratória de produtividade, onde o judiciário caberá prova-la, ou uma ação anulatória de ato administrativa. Obs.: A desapropriação não é o único instrumento para reforma agrária, também poderá adquirir a propriedade rural, que dependerá da anuência do proprietário. Início da reforma agrária nas propriedades. A propriedade será dividida em diversos lotes com tamanho de um módulo rural (padrão da RA). Beneficiário – aqueles que serão assentados devem obedecer a uma lista de preferencias: 1º) o próprio desapropriado, que terá a preferência em ficar com a sede. 2º) os trabalhadores que se encontrarem no imóvel desapropriado (empregados, parceiros, arrendatários, ocupantes). 3º) os trabalhadores de outros imóveis rurais. 4º) os proprietários de minifúndios (tendo que abandonar seus minifúndios). Obs.: Todos deverão estar cadastrados / inscritos no INCRA. Aula – 12 / 04 / 19 Critérios de desempate: I – Número de membros da família (quanto mais números a família). II – Famílias que a mais tempo reside no município. III – Família chefiada por mulher terão preferência. Fica excluído qualquer pessoa que se envolver em conflitos agrários. Os assentamentos dos beneficiários. Os beneficiários receberão um título de domínio ou concessão de uso da União, que terá um gravame de 10 anos para dispor (inegociável, não podendo ser instrumento de nenhum tipo de negócio). Contratos Agrários Dirigismo Contratual – qualquer intervenção estatal na economia do negócio (econômico). Razões: Prof.º Lucas Coelho 1 4 Direito Agrário I – Histórica: a substituição de exploração da mão de obra escrava por imigrantes europeus. Contrato de arrendamento Parceria Rural – aplicações: I – Reconhecimento do STJ sobre o contrato denominado “vaca de papel”, (nulo) contrato de agiotagem, ou seja, contrato de fachada com altas taxas de juros. II – Teoria da imprevisão: cláusula rebus sic starbeis exceção ao princípio do pacto sun servand. Fato extraordinário e imprevisível de causar uma onerosidade excessiva ao contratante. O juiz poderá revisar ou resolver o contrato. O juiz deve dar preferência a revisar, para dar continuação ao negócio. I – Desvalorização da moeda nacional não pode ser considerada como fato imprevisível, segundo o STJ, não podendo ser aplicada a teoria da imprevisão. Erro de planejamento não pode ser aplicado a tal cláusula. Analise econômica do direito – um meio de interpretação da norma (encontrar o verdadeiro sentido e alcance da norma). Segundo os efeitos econômicos, buscando a eficiência econômica. II – Caso da soja verde, em Goias: os plantadores celebraram o contrato de compra e venda futura em um determinado valor, na colheita o valor da soja aumentou. Os produtores alegaram que não poderiam honrar com o contrato (teoria da imprevisão). O tribunao de Goiais acatou. Tal conduta originou efeitos econômicos na safra posterior, ocorrendo um esvaziamento de interesse de compra da soja goiana. Aula – 26 / 04 / 19 Dois tipos de contratos Arrendamento (contrato de aluguel) Conceito – é o contrato pelo qual o proprietário de um imóvel rural sede o uso e o gozo como o objetivo de nele ser realizado atividade agrária mediante uma contraprestação, respeitando os limites legais. Arrendadoré o proprietário que vai ceder para o arrendatário com uma contraprestação fixa; a administração da atividade agrária é exclusiva do arrendatário, bem como a responsabilidade. Independente de como foi a produção do arrendatário ele terá que pagar o preço fixo. Parceria (Parceiro outorgante e parceiro outorgado) Conceito – contrato pelo qual o proprietário cede a outra o uso e o gozo do imóvel rural com o objetivo de exercer atividades agrárias podendo ou não incluir benfeitorias e outros bens mediante uma participação na produção e rateio dos riscos nas proporções máximas estabelecidas. O valor que o parceiro outorgante receberá a contraprestação varia dependendo da produção. Sendo atividade do risco. Tal contrato será de caráter aleatório, pois o risco cabe a ambos. Ambos vão compartilhar a administração da atividade agrária. Devido à alta taxa de analfabetismo o estatuto da terra prevê o contrato, com a obrigação de cláusula de preservação ambiental. Prazo mínimo para contratos de arrendamentos previsto em lei, dependendo da atividade agrária. Arrendamento (prazos mínimos). 3 anos – pecuária de pequeno e médio porte, agricultura temporária (toda safra que precisa ser replantada). Prof.º Lucas Coelho 1 5 Direito Agrário 5 anos – agricultura permanente e pecuária de grande porte. 7 anos – se a atividade exercida for de exploração florestal e vegetal. Todo e qualquer contrato de parceria terá o prazo mínimo de 3 anos. Corrente jurisprudencial - tem entendido que estes prazos mínimos só são aplicados em contratos com prazos indeterminados, portanto, se for estipulado prazos determinados, tais prazos poderão ser menores que 3 anos. Qualquer contrato poderá ser celebrado por igual período. Se o arrendador quiser retomar o imóvel rural ao final do contrato, deverá notificar o arrendatário em até 6 meses antes do termo final. Caso não ocorra a notificação, o contrato estará automaticamente renovado. Se no prazo de 30 dias antes do termo final o arrendatário manifestar o desejo de encerrar o contrato, deverá notificar o arrendador. O contrato agrário irá prorrogar em uma outra situação. O contrato nunca se extingue com prejuízo do plantio, podendo apenas ser encerrado após a colheita da safra daquele ano. O arrendatário também terá direito de preferência na aquisição da propriedade e também na celebração de um novo contrato de arrendamento. Aula – 03 / 05 / 19 Preço máximo dos contratos Teto no contrato de arrendamento – o limite anual será de 15% do valor do imóvel, quando o objeto do arrendamento for todo imóvel rural. Conforme o valor declarado no CIR – Cadastro e Imóveis Rurais e todo imóvel que será estipulado o valor pelo proprietário. Sua delimitação – a estipulação do imóvel se dá por coordenadas, e o georreferenciamento é obrigatório sua averbação na matricula, sendo vedado a alteração da matricula, ou seja, não poderá vender, trocar, dividir, etc. Quando o objeto do arrendamento for apenas umas glebas o limite será de 30%. Contrato de parceria – o limite que será estipulado irá variar segundo o que for acertado (fixado sobre a limitação). I – O parceiro outorgante tem direito de cobrar até 20% da produção se ocorrer apenas com terra nua. II – Se a terra estiver preparada poderá cobrar 25%. III – Se fornecer terra preparada + moradia, poderá cobrar 30%. IV – Terra preparada + moradia + benfeitorias para atividade agrária (raiz, cerca, silos) 40%. V – Terra preparada + moradia + benfeitorias + implementos (sementes e etc.) + máquinas 50%. VI – 75% somente se aplica a pecuária ultra extensiva (gado solto). POLÍTICAS AGRICULAS “Série de medidas agrárias através de políticas públicas agrárias para fomentar a economia rural”. Prof.º Lucas Coelho 1 6 Direito Agrário Conceito – é um programa de ação governamental resultante de um processo juridicamente regulado visando coordenar os meios a disposição do estado e as atividades privadas para realização de objetivos socialmente relevantes. 1. Crédito Rural – a maioria dos produtores utilizam esta política pública, podendo ser dirigidos a qualquer pessoa (física ou jurídica). a) Crédito de Custeio – crédito que visa financiar as despesas de produção, seja, agrária ou pecuária, ou seja, ficam disponíveis quando os recursos se destinam a cobrir despesas habituais dos ciclos produtivos, da compra de insumos à fase de colheita. b) Crédito de investimento – são aplicados em bens ou serviços duráveis, cujos benefícios repercutem durante muitos anos, ou seja, utilizando para compra de maquinários e construção de benfeitorias em geral. c) Crédito de comercialização – é aquele que visa financiar as despesas de armazenagem, seguro e transporte, asseguram ao produtor rural e a suas cooperativas os recursos necessários à adoção de mecanismos que garantam o abastecimento e levem o armazenamento da colheita nos períodos de queda de preços. Obs.: Aos pequenos proprietários o crédito rural também pode servir para subsistência do pequeno proprietário e de sua família. Requisitos para concessão - Inidoneidade do tomador; - apresentar um projeto, plano ou orçamento que justifique o valor pedido; Título de crédito (garantias reais) I – Pignoratícia: penhor (direito real de garantias que recai sobre bens moveis). É dada por garantia a própria produção, e é proibido a retirada da propriedade rural a produção que foi dada por garantia. II – Hipoteca: (direito real sobre o bem imóvel) a própria propriedade rural dada como garantia de pagamento. III – Pignoratícia-hipotecaria: é aquela que tanto a produção como a propriedade são garantias de pagamento. Garantia fidejussória – é aquela que alguém garante (fiador/avalista). Garantia real – quando o bem fica como garantia. Aula – 10 / 05 / 19 Requisitos para concessão de crédito I – Idoneidade financeira do tomador. II – Projeto de como será realizado com cronograma da atividade com aplicação dos recursos que serão fiscalizados. Obs.: O STJ decidiu que se aplica o CDC a estes créditos. Pela hipossuficiência do produtor rural o STJ adota o CDC. Prof.º Lucas Coelho 1 7 Direito Agrário CDC se aplica: Uma vez aplicado a multa será limitada em até 2%. Proibida a correção monetária; Inadimplemento absoluto – não pode ser cumprido após a data caberá perdas e danos. Mora: poderá ser cumprido após a data. Juros monetários. Correção monetária. Honorários. Perdas e danos. O contrato deve prever perdas e danos ou multa. Prescrição – perda da pretensão de ter o direito, mas não poder cobrar. Decadência – perda do próprio direito. Danos: Materiais emergentes (efetiva diminuição patrimonial) e lucros cessantes (o que deixou de ganhar). Morais. Estético. Aula – 31 / 05 / 19 Seguro Agrícola *Obrigatório para o financiamento de crédito rural. O Seguro Rural é um dos mais importantes instrumentos de política agrícola, por permitir ao produtor proteger-se contra perdas decorrentes principalmente de fenômenos climáticos adversos. Contudo, é mais abrangente, cobrindo não só a atividade agrícola, mas também a atividade pecuária, o patrimônio do produtor rural, seus produtos, o crédito para comercialização desses produtos, além do seguro de vida dos produtores. O objetivo maior do Seguro Rural é oferecer coberturas que, ao mesmo tempo, atendam ao produtor e à sua produção, à sua família, à geração de garantias a seus financiadores, investidores, parceiros de negócios, todos interessados na maior diluição possível dos riscos, pela combinação dos diversos ramos de seguro. Dentro da célula rural está incluso o ... e cobre o financiamento e também cobreas despesas arcadas pelo produtor. Na hora de plantar é importante guardar as despesas obtidas para posterior comprovação. PROAGRO – Programa de Garantia da Atividade Agropecuária. Garante a exoneração de obrigações financeiras relativas a operação de crédito rural de custeio, cuja liquidação seja dificultada pela ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças que atinjam rebanhos e plantações, na forma estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional - CMN. Prof.º Lucas Coelho 1 8 Direito Agrário PROAGRO MAIS – Programa de Garantia da Atividade Agropecuária. Seguro público destinado a atender os pequenos produtores vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) nas operações de custeio agrícola, que passou a cobrir também as parcelas de custeio rural e investimento, financiadas ou de recursos próprios, na forma estabelecida pelo CMN, conforme estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, com menores taxas. Serve para “cobrir”: Fenômenos naturais, doenças ou pragas cujo o método de combate não seja difundido. Expressamente excluído: Erosões queimadas (incêndios) e quaisquer acontecimentos ocorridos após a retirada das mercadorias do mercado rural. Detalhe Processual Qualquer lide que envolva seguro agrícola haverá litisconsórcio entre BC e o crédito. Competência: Justiça Federal. Cooperativismo É uma política agrícola que deveria ser implementado na reforma agraria. (Natureza jurídica de associação) coma finalidade de prestar serviço aos próprios associados e viabilizar tal produtividade. Podendo servir para escoar a produção. Aspectos Ambientais do Direito Agrário Licenciamento Ambiental *Procedimento pelo qual o órgão competente licencia a localização, instalação, ampliação ou a operação de atividades que possam, de qualquer forma, causar danos ambientais. Toda atividade agrária que cause impacto ambiental exige licença. Sempre será necessário o licenciamento ambiental. Em 100 hectares, será mais complexo e necessário o EIA – Estudo de Impacto Ambiental. APP – Área de Preservação Permanente. Área de conservação de vegetação nativa. Estas áreas não podem sofrer/ocorrer intervenção nenhuma. Havendo uma área de APP o proprietário terá que conservar, caso a área estiver sucumbida o produtor terá que a restauras (plantando vegetação nativa). São áreas de APP: Nascentes – faixas marginais de qualquer curso d’agua natural e intermitente. Rios Perenes – metragem de conservação deverá variar com a largura do leito do rio. APP – Curso d’agua. LARGURA APP LARGURA DO CURSO D’AGUA 30M Até 10 m de extensão 50M De 10m a 50m 100M De 50m a 200m 200M De 200m a 600m 500M Mais de 600m Prof.º Lucas Coelho 1 9 Direito Agrário APP – Reservatórios Naturais (lagos e lagoas). Nas margens de lagos e lagoas naturais a faixa de APP deve ser de cem metros nas áreas rurais com exceção dos corpos de água com até vinte hectares em que pode ser de cinquenta metros. Nas áreas urbanas a faixa de preservação dos lagos e lagoas naturais é de trinta metros. a) Áreas rurais: 100 metros ao longo de toda a área da represa que tiver mais do que 20 hectares. 50 metros inferior a 20 hectares. a. Áreas urbanas: 30 metros. b) APP – Reservatórios Artificiais (representantes). Nas margens de reservatórios artificiais decorrentes do represamento de cursos naturais de águas, as áreas de preservação permanentes serão definidas nas licenças ambientais dos empreendimentos. As áreas nos entornos de nascentes e olhos d’água perenes em qualquer topografia, a área de preservação deve ter um raio mínimo de cinquenta metros. Também será área de APP Manguezal. Também será APP área acima de 1800m de altura. Aula – 07 / 06 / 19 Reserva Legal APP não se confunde com a reserva legal. Todos os imóveis rurais devem constituir reserva legal para a preservação da vegetação nativa. Não havendo vegetação nativa o proprietário deverá recompor. Uma vez reconstituída, o proprietário do imóvel rural não podendo modifica-lo. Em geral, a reserva legal deve ser destinada para: Assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural; Auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos; Promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo; Proteção de fauna silvestre e da flora nativa. Se estiver localizado: Amazônia Legal (estados do Norte menos o sul do Tocantins) – ARL 80% da área do imóvel. Cerrado – ARL 35% da área do imóvel. Imóveis situado nas demais regiões – ARL 20% da área do imóvel. *A lei permite que a APP seja computada coma reserva legal, caso for preservada ou recomposta a vegetação nativa. *O proprietário é quem escolhe a área que se destinará a reserva legal. *Escolhida a área de reserva legal, o proprietário do imóvel rural deverá averbá-la na matricula do imóvel, exceto, se o imóvel possuir o CAR – Cadastro Ambiental Rural. CAR – é obrigatório a todos os imóveis rurais, onde ficará constando todas as áreas de APP (facultado) e a RL. Prof.º Lucas Coelho 2 0 Direito Agrário A lei permite ainda a cota (facultada) de RL, podendo ser computada de outra propriedade rural que deverá compor o mesmo bioma. Na pequena propriedade rural que exerça agricultura familiar, admite-se que seja constituído para fins de RL arvores frutíferas ou exóticas (pomar). Água Bem fundamental e comum para o direito agrário, portanto, a utilização da água para fins agrários sempre precisará de outorga (onerosa) concedido pela agencia das águas, seja para poços, rios, etc. Mesmo se o uso for insignificante precisará de declaração.