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Mudanças no cenário juvenil

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Mudanças no cenário juvenil
Anos 70 e 80 – mudanças significativas na juventude brasileira, entre elas, a mudança na composição da juventude nos meios urbanos, que passa a abranger jovens mais populares.
Diminuição da expressividade no movimento estudantil.
Cenário juvenil se diversifica, destacam-se grupos de origens sociais mais distintas.
Setores populares:
Jovens são incorporados ao mercado de trabalho e consumo.
Intensifica a relação com os meios de comunicação, com isso, jovens de família urbana de baixa renda tem novos anseios.
Juventude mais subordinadas a questões de exploração e reprodução da força de trabalho
Os jovens e o mercado
Final da década de 60, início da década de 70: Ingresso de jovens e mulheres no mercado de trabalho com baixa remuneração, maior submissão.
Escola como inserção ocupacional, por outro lado o trabalho torna-se o meio de possibilitar a permanência do jovem na escola. Dificuldade de conciliar as duas atividades.
A incorporação de jovens no mercado de trabalho não restringe a indicação de miséria. 
A partir daí decorrem transformações no modo de vida, referencias culturais e identificação social.
O jovem passa a ser também consumidor. Trabalho representa também a maturidade.
Mercado rapidamente detecta este novo segmento de consumidores, mesmo que de baixo poder aquisitivo. Durante os anos 70, surgem produtos e serviços específicos para esse público.
Espaços voltados para a diversão juvenil: casas de dança, eletrônicos, pista de patinação e lanchonete. Aparecem também lojas especializadas em roupas. Possibilidade de compra a crédito insere as camadas populares no universo de consumo.
Desenvolvimento dos meios de comunicação de massa contribui para o crescimento da indústria cultural e de diversão, que passam a ter o jovem como público principal. 
O lazer torna-se importante para o estabelecimento de relações sociais e das identidades individuais e coletivas. Possibilita ao jovem expressar aspirações, desejos. A juventude é o período de aproveitar a vida e tentar um futuro melhor. A escola e a diversão dão visibilidade aos jovens enquanto grupo etário distinto.
Maturidade está mais relacionada ao casamento e a constituição de família, uma vez que exige responsabilidades.
Jovens da periferia, segundo Alba Zaluar, ao observar os pais, associam a vida adulta a sacrifício e por isso articulam outro modo de vida para si, através de uma inserção profissional mais qualificada ou através da criminalidade. 
Por outro lado, a noção de juventude está também baseada na possibilidade de aproveitar o momento para estruturar um projeto de menores condições de carência.
Escapar da vida massacrante: gozar a vida se divertindo e investindo em si.
Na diversão e no consumo cultural surgem modos de expressão das condições juvenis.
Musica e dança
A música acompanha todos os momentos de lazer, em casa ou com os amigos. Discos e fitas são os principais elementos de consumo.
Bailes são a principal diversão. Nos anos 70, em cada bairro apareceram um ou mais salões de dança.
Bailes funk do RJ tiveram início nos começo dos anos 70. Aos domingos, cerca de cinco mil jovens se reuniam no canecão. Quando o Canecão virou casa de espetáculos, os grupos passaram a se reunir em clubes de subúrbio.
Também no início dos anos 70 há um processo de importação da música norte-americana de origem negra, a soul music. O consumo desse tipo de música chega a superar o rock no período.
Antes de ir aos bailes os amigos se reúnem em lanchonetes e as mulheres se encontram para se arrumarem. Acontece também uma preparação, com ensaios de passos. São momentos de elaboração de uma identidade.
O gosto musical indica referencias culturais.
As Roupas dos jovens
Vestimenta está entre os principais itens de consumo jovem
A roupa está ligada a exposição e a visibilidade da identidade social
Roupa como elemento de simulação de status sociais diferentes. A busca pela ascensão social contribui para o processo de imitação. Os grupos ricos mudam constantemente o padrão para recompor os sinais de hierarquia social. Com isso, a moda muda a cada estação. A publicidade e os meios de comunicação contribuem para a imitação.
Preocupação com a própria imagem. Busca em exibir sinais seguros e visíveis de pertencimento a algum grupo.
Com o aumento da criminalidade juvenil, jovens de baixa renda são suspeitos, alvos de abordagens policiais, sofrem destrato em função da aparência, são barrados em espaços semipublicos. Comprar determinado tipo de roupa passa a ser condição para circular no espaço público.
Jovens fazem enormes sacrifícios para adquirir roupas. A aquisição desses bens gera a identificação com uma imagem genérica de juventude.
Diversão, roupa e consumo articulam universo interligado.
Meio universitário
Movimento estudantil retoma o lugar de protagonista de lutas sociais, porém, perde paulatinamente a importância diante dos demais setores sociais.
Na ditadura, a universidade permanece como um dos únicos espaços possíveis para manifestar postura crítica ao regime. Era elemento importante na vida cultural engajada .
Nos anos 70, a vida cultural dos setores contrários ao regime militar busca produções alternativas para expressar contraposição ao sistema, tanto político quanto a estrutura da indústria cultural. Os setores de oposição estão basicamente ligados a intelectualidade e a classe média.
A indústria cultural está ligada ao processo de despolitização, relacionada a valores superficiais. Surgem então produções alternativas. A universidade torna-se lugar privilegiado para circulação dessas produções alternativas.
Mudança no papel social da universidade e do movimento estudantil. Mudança no significado da universidade. O ensino superior já não garante mais um emprego bem remunerado. A expansão do ensino processa a desqualificação da força de trabalho.
Dificuldade das lideranças dos movimentos estudantis em se adaptarem a nova conjuntura.
Ilusão da necessidade e da possibilidade de manter o papel de intervenção nos rumos do movimento social.
Universidade e movimento estudantil se perdem como espaço de vivencia social e cultural.
Insegurança em relação a projetos de vida e projetos sociais.
Nos anos 80, parte da presença juvenil passa do movimento estudantil para o mundo da produção e do consumo cultural.
Estudantes se sentem atraídos por movimentos de elaboração e expressão de inquietações.