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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ 
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS FACULDADE DE 
ENGENHARIA DE MINAS E MEIO AMBIENTE 
CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA 
LABORATÓRIO DE QUÍMICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO SOBRE A DETERMINAÇÃO DE CLORETO PELO MÉTODO DE 
MOHR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marabá – PA 
2018 
 
RESUMO 
Utilizou-se o método de Mohr para a determinação de cloreto em uma amostra 
de soro fisiológico. Para isso adicionou-se ao erlenmeyer: 1 mL de soro fisiológico, 
0,05 g de CaCO3, 50 mL de água destilada e duas gotas de cromato de potássio como 
indicador. Titulou-se com Nitrato de Prata (AgNO3) 0,1 M até atingir uma coloração 
vermelho tijolo em seu volume final. Calculou-se então a concentração de cloreto. 
 
Palavras-chave: Mohr, Soro fisiológico, Nitrato de Prata, Titulação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
Como é sabido o cloro é um elemento da tabela periódica, pertencente à família 
17, logo precisa de um elétron para obedecer a regra do octeto - seu número de 
oxidação é -1 expressando sua tendência em realizar ligação química-. Essa partícula 
iônica Cl- é conhecida como cloreto. 
O cloreto é o ânion de muitos sais. São classificados como inorgânicos por 
liberarem, em meio aquoso, um cátion diferente de H+ e, além disso, liberam o ânion 
cloreto e não a hidroxila (OH–). Todos os cloretos, quando em condições ambientes, 
são sólidos e bastante solúveis em água. No nosso cotidiano, presentes por exemplo, 
na água mineral, potável, de torneira, de rios, mares e outras. No entanto, existem 
exceções, como o cloreto de prata, de chumbo, compostos de cobre e mercúrio, que 
são insolúveis em água. 
A ingestão dos íons Cl-1 é importante para o organismo humano realizar algumas 
funções. Isso por ser o principal ânion extracelular, presentes no suco gástrico, na 
regulação dos fluidos corpóreos, além de manter a pressão osmótica do plasma e a 
neutralidade elétrica. Quando ausentes no corpo, podem causar diarreia, problemas 
circulatórios e ansiedade. 
Uma forma bastante usada da ingestão desses íons no organismo é através do 
famigerado soro fisiológico. Ele é constituído do composto cloreto de sódio 0,9% m/v 
e utiliza como veículo a água destilada (VAZ; JUNIOR; PÓVOA, 2009). É uma solução 
de concentração de sais em água igual das células, por isso denomina-se isotônica 
(OKUMURA; CAVALHEIRO; NÓBREGA, 2004). 
Para tal determinação utiliza-se da volumetria de precipitação baseada no 
método de Mohr. 
A volumetria de precipitação baseia-se nas reações acompanhadas da formação 
de compostos poucos solúveis, através da titulometria. Embora haja diversas reações 
deste gênero, somente algumas podem ser utilizadas na análise volumétrica. As 
reações devem obedecer a algumas condições segundo SCALFONI (2010): 
(1) O precipitado deve ser praticamente insolúvel; 
 
 (2) Deve haver rapidez na formação do precipitado de modo que não haja a 
formação de soluções supersaturadas; 
 (3) Os resultados da titulação não devem ser muito atingidos pelos fenômenos 
de adsorção (coprecipitação); 
(4) O ponto de equivalência deve ser fixo. 
Segundo BACCAN (2001), dentre os métodos volumétricos de precipitação, os 
mais importantes são os que empregam solução padrão de nitrato de prata. São 
chamados de métodos argentimétricos e são utilizados na determinação de haletos e 
de alguns íons metálicos. 
Há três formas de se detectar o ponto final: 
(a)Formação de um precipitado colorido: método de Mohr; 
(b) Formação de um composto solúvel colorido: método de Volhard; 
(c) Mudança de cor associada com adsorção de um indicador sobre a superfície 
de um sólido: método de Fajans. 
Para SKOOG et. al (2014) no método de Mohr - o utilizado no experimento em 
questão – o cromato de sódio serve como indicador para a titulação argentométrica 
de íons cloreto, brometo e cianeto, como já indicado. Os íons de prata reagem com o 
cromato para formar o precipitado vermelho tijolo de cromato de prata (Ag2CrO4) na 
região do ponto de equivalência. O método de Mohr é raramente utilizado por que o 
Cr(VI) é carcinogênico. 
Vale lembrar ainda que o pH da amostra deve estar compreendido entre 7 e 10. 
Uma vez que os íons Ag+ podem precipitar-se como AgOH(s) se o pH for elevado; se 
o pH for baixo, o íon cromato é convertido em dicromato impossibilitando a 
visualização do ponto de viragem. 
As reações indicadas pelo indicador (K2CrO4) e o titulante (AgNO3) são 
explicitadas nas seguintes equações: 
𝐴𝑔+ + 𝐶𝑙− ↔ 𝐴𝑔𝐶𝑙(𝑠) 
𝐴𝑔+ + 𝐶𝑟𝑂4
−2 → 𝐴𝑔𝐶𝑟𝑂4(𝑠) 
 
 Para que o ponto final seja visualizado e preciso adicionar-se um excesso e 
titulante, tornando necessária realização de um branco (Vb) que deve ser descontado 
do resultado da titulação da amostra (Va). 
A porcentagem de cloreto pode ser assim determinada: 
𝑉𝑎𝑔+ = 𝑉𝑎 − 𝑉𝑏 ⇒ volume gasto na titulação do Cl- 
 
𝑛𝑒𝑞𝐶𝑙− = 𝑛𝑒𝑞𝐴𝑔+ ⇒ 𝑛𝐶𝑙− = 𝑛𝐴𝑔+ 
 
𝑚𝐶𝑙−
𝑃𝑀𝐶𝑙−
 = 𝑀𝐴𝑔+ 𝑥 𝑉 𝐴𝑔+ 
 
% = 
(𝑚𝐶𝑙 − . 100)
𝑉𝑠𝑜𝑟𝑜
 (𝑒𝑞. 1) 
O método de Volhard – já citado anteriormente - é um procedimento indireto para 
determinação de íons que precipitam com a prata. O excesso de prata é determinado 
por meio de titulação, com uma solução padrão de tiocianato de potássio ou de 
amônio usando-se íons ferro(III) como indicador. Seguindo as reações: 
 
𝐴𝑔 + 𝐶𝑙 ↔ 𝐴𝑔𝐶𝑙 (Precipitado Branco) 
 
Limitação: PH >6.5< 10.5 
𝐴𝑔− + 𝐶𝑟𝑂4
2− ↔ 𝐴𝑔2𝐶𝑟𝑂4 (Precipitado cor vermelho tijolo) 
 
PH < 6.5 
2 𝐶𝑟𝑂 + 2𝐻 ↔ 2𝐻𝐶𝑟𝑂 ↔ 𝐶𝑟2𝑂 + 𝐻2𝑂 
 
PH > 10.5 
2 𝐴𝑔 + 2𝑂𝐻 ↔ 2𝐴𝑔𝑂𝐻 ↔ 𝐴𝑔2𝑂 + 𝐻2𝑂 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. OBJETIVOS 
Determinar a concentração em porcentagem (m/v) de cloreto em uma amostra de 
soro fisiológico utilizando o método de Mohr. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DESCRIÇÃO EXPERIMENTAL 
3.1 MATERIAIS E REAGENTES: 
• Proveta de 100 mL 
• Béqueres de 100mL 
• Pipeta graduada de 5 mL 
• Erlenmeyer 125 mL 
• Bastão de Vidro 
• Bureta de 50 mL, suporte universal e garra para bureta. 
• Solução titulante padronizada AgNO3 a 0,1 mol/L. 
• Solução de soro fisiológico (0,9% de NaCl) 
• Água Destilada 
• Amostra de CaCO3 (utilizada para ajustar o pH entre 7 e 10) 
• Solução indicadora de cromato de potássio 
 
3. 2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL: 
 
Primeiramente a bureta foi aferida com a solução de nitrato de prata (AgNO3) 0,1 
M. Após devidamente aferida, evitando bolhas de ar e outras coisas indesejadas, a 
vidraria foi coberta com papel alumínio. 
Com o auxílio de uma pipeta e sua pera, transferiu-se 1 mL da amostra de soro 
fisiológico para um erlenmeyer de 125mL, e com o auxílio de uma proveta foi aferido 
50 mL de água destilada, que serviu para “lavar” o béquer que continha 0,05g de 
CaCO3, o bastão auxiliou na transferência para o béquer. Adicionou-se então 2 gotas 
de cromato de potássio que agiu como indicador. 
 E então com AgNO3 0,1M a solução contida no erlenmeyer foi titulada até o 
surgimento de uma coloração vermelho tijolo. 
 
 
 
 
 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
Antes da discussão, um conceito deve ser levado em consideração: 
• Como em uma solução de soro fisiológico há a presença 0,9% de NaCl. 
Levando em consideração que a massa molar dessa solução é 58,44 g/mol. 
Enquanto a massa molar de um mol de Cloreto (Cl-) é igual a 35,453 g/mol(encontrada na tabela periódica). Pode-se fazer a relação, para descobrir a 
porcentagem de cloreto. 
 
𝑁𝑎𝐶𝑙 → 𝐶𝑙− + 𝑁𝑎+ 
0,9% → % 𝑑𝑒 𝐶𝑙− 
58,44 𝑔/𝑚𝑜𝑙 → 35,453g/mol 
 
𝒙 = 𝟎, 𝟓𝟒 % 𝒅𝒆 𝑪𝒍− 
• Os 0,9% de NaCl no soro, que dizer que a cada 100mL de solução, apenas 
0,9g de NaCl são utilizados. 
0,9 𝑔 → 100 % 
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑙− → 0,54% 
𝒙 = 𝟒, 𝟖𝟔𝒙𝟏𝟎−𝟑𝒈 
 
Tabela 1.: Valores da titulação 
Teste 
Volume de 
𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 
utilizado antes 
do amido 
(litros) 
Volume de 
𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 
utilizado depois 
do amido 
(litros) 
Volume total de 
𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 
utilizado do 
amido 
(litros) 
Concentração 
molar de 
𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 
(mol/L) 
1 0,006 L 0,005 L 0,0011 L 
1,0 mol/L 
2 0,007 L 0,001 L 0,0017 L 
 
 Tabela 2.: Resultados da Concentração de Cloro Ativo 
Teste Concentração em 
gramas do Cloro 
ativo 
 
Concentração em 
porcentagem do cloro 
ativo 
(% m/v) 
 
1 0,03905 g 1,3 % 
2 0,06035 g 2,01 % 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. CONCLUSÃO 
Os resultados demonstram, através da validação, que a técnica é sensível a baixa 
concentração de cloro ativo, satisfazendo plenamente aos requisitos básicos para a 
realização dos ensaios, assegurando que os resultados das análises executadas 
permitem uma avaliação dos parâmetros específicos tanto na implantação do método 
como na confiabilidade dos resultados analíticos. Porém temos em vista como o erro 
do analista pode prejudicar um resultado concreto de um teste. 
Pode-se concluir também que nos produtos clandestinos ou não há controle de 
qualidade ou o produto não está sendo preparado por pessoa qualificada, colocando 
em perigo a saúde dos consumidores, seja pelo excesso de principio ativo ou pela 
falta do mesmo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. REFERÊNCIAS 
 
• ANVISA - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Saneantes. 
<.http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/89_94.htm> acesso em : 31 maio. 
2012. 
 
• BACCAN,N. et al. Química analítica quantitativa elementar. 3. Ed. São 
Paulo: Edgard Blucher ,2004. 
 
 
• INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia. Água Sanitária, Desinfetante e 
Detergente. Disponível em: 
<http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/agua_sanitaria.asp>. Acesso 
em: 31 maio. 2012. 
 
• SKOOG, D.A. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: 
Pioneira Thompson Learning, 2007. 
 
 
• VOGEL, et al. Análise química quantitativa. 6. Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

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