Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ FRANCISCO DAS CHAGAS GOMES – Matrícula nº 201202199216 PRÁTICA SIMULADA V (CÍVEL) - CCJ0151 CASO CONCRETO 8 ADC nº 29 (caso adaptado) Você, na qualidade de advogado, do Partido Político PXY, com representação no Congresso Nacional, foi procurado pelo Presidente do Partido, informando que a Lei complementar 135, de junho de 2010 versa sobre a questão de inelegibilidades infraconstitucionais, na forma do disposto no art. 14, § 9º da CRFB/88, sendo prevista sua aplicação até mesmo quando se estiver diante de fatos ocorridos antes do advento do referido diploma legal, sem que isso cause qualquer prejuízo ao principio da irretroatividade das leis e da segurança jurídica. Informa, ainda, a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da citada lei, apresentando-se divergência nos Tribuanis Eleitorais sobre a aplicação dos dispositivos trazidos pela Lei Complementar 135/2010 a fatos que tenham ocorrido antes do advento do novel diploma de inelegibilidades. Lei Complementar nº 135, de 04 de junho de 2010. Altera a Lei Complementar nº 064, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do artigo 014 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. Esclarece-se que o TRE de Sergipe, adotou entendimento segundo o qual a lei consitui ofensa aos principios da irretroatividade da lei mais gravosa e da segurança jurídica (conforme julgados), já o TRE de Minas Gerais optou por adotar o entendimento do TSE, segundo o qual a Lei Complementar se aplica às condenações anteriores. Como há controvérsia sobre a possibilidade de aplicação das hipoteses de inelegibilidade instituidas pela Lei Complementar 135/2010, a atos jurídicos que tenham ocorrido antes do advento do diploma legal, o partido PPXY, temeroso de que surjam questionamentos dos candidatos que vierem a ser impugnados nas eleições de 20xx, sobre a consittucionalidade da aplicação da referida lei, já que a indefenição da questão pode causar grave insegurança jurídica nas eleições vindouras, pretende propor ação para que haja pronunciamento sobre o tema, e para tanto pretende demonstrar que a aplicação dos dispositivos da lei a situações ocorridas antes da existência desta não ofende o dispositivo nos incisos XXXVI e XL, do artigo 5º, da CRFB. Na qualidade de advogado, redija a peça cabível visando ver declarada a consitucionalidade da Lei Complementar 135/2010, no que tange a aplicação das inelegibilidades à atos ocorridos anteriormente a existência da citada lei, atentando, necessariamente, para os seguintes aspectos: a) competência do órgão julgador; b) legitimidade; c) argumentos a favor da constitucionalidade da referida lei; d) tutela de urgência. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARTIDO POLÍTICO, com representação no Congresso Nacional, por seu Presiden- te..., CNPJ nº..., com sede na..., bairro..., cidade..., por seu advogado infra-assinado, com endereço profissional na..., bairro..., cidade..., endereço que indica para fins do arti- go 106, do CPC/2015, devidamente constituído, conforme procuração com poderes es- peciais em anexo (Lei nº 9.868/99), vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 102, I, a; 103, VIII; da CRFB/88, propor AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR pelo rito especial da Lei nº 9.868/99, em defesa da LEI COMPLEMENTAR 135/2010, conforme especificará ao longo desta petição, nos termos e motivos que passa a expor, esperando que seja recebida e seguindo as formalidades de estilo do Regimento Interno do STF, seja distribuída, e ao final declarada a constitucionalidade da referida lei. DA LEGITIMIDADE A legitimidade ativa do partido político para a propositura da presente encontra assento no artigo 103, VIII, da CRFB/88, e conforme pacificado por esta corte, segundo o Mi- nistro Celso de Mello, independe de pertinência temática “... os partidos políticos tem legitimidade para ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade, independente- mente da matéria versada na norma atacada” “O reconhecimento da legitimidade ativa das agremiações partidárias para a instauração de controle normativo abstrato, sem as restrições decorrentes do vinculo de pertinência, constitui natural derivação da própria natureza e dos fins institucionais, que justificam a existência em nosso sistema normati- vo, dos partidos políticos.” (STF – ADI 1396). Portanto, o Requerente por ser conside- rado Autor Neutro e Universal encontra-se dispensado de demonstrar Pertinência Temá- tica. DA COMPETÊNCIA Na forma do artigo 102, I, “a”, CRFB/88 é de competência originária do STF o proces- samento e julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. DO CABIMENTO Cabe demonstrar a controvérsia judicial sobre a aplicação da norma, uma vez que a ação declaratória de constitucionalidade visa resguardar a ordem jurídica constitucional, de modo a afastar o estado de incerteza ou insegurança jurídica sobre a constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, nos termos do artigo 14, III, da Lei nº 9.868/994 e artigo 102, I, “a”, da CRFB/88. Assim, cumpre salientar que alguns tribunais têm afastado a aplicação da Lei Comple- mentar 135/2010 à atos ocorridos anteriormente a existência da citada lei, por reputá-la inconstitucional, supostamente em virtude de afronta ao principio da seguran- ça jurídica e da irretroatividade da lei mais gravosa. DOS FATOS E FUNDAMENTOS Inicialmente cabe salientar a existência da Lei complementar 135, de junho de 2010 que versa sobre a questão de inelegibilidades infraconstitucionais, na forma do disposto no art. 14, § 9º da CRFB/88, sendo prevista sua aplicação até mesmo quando se estiver di- ante de fatos ocorridos antes do advento do referido diploma legal, sem que isso cause qualquer prejuízo ao principio da irretroatividade das leis e da segurança jurídica. Permita-nos trazer à baila informações sobre a citada lei complementar: Lei Complementar nº 135, de 04 de junho de 2010. Altera a Lei Complementar nº 064, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do artigo 014 da Constitui- ção Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. Diante da vigência da lei, tornou-se possível se afirmar a existência de controvérsia ju- dicial relevante sobre a aplicação da citada lei, apresentando-se divergência nos Tribua- nis Eleitorais sobre a aplicação dos dispositivos trazidos pela Lei Complementar 135/2010 a fatos que tenham ocorrido antes do advento do novel diploma de inelegibili- dades. Cabe, esclarecer que o TRE de Sergipe, adotou entendimento segundo o qual a lei con- situi ofensa aos principios da irretroatividade da lei mais gravosa e da segurança jurídica (julgado na integra em anexo), já o TRE de Minas Gerais optou por adotar o entendi- mento do TSE, segundo o qual a Lei Complementar se aplica às condenações anteriores (julgado na integra em anexo). Portanto, havendo controvérsia sobre a possibilidade de aplicação das hipoteses de ine- legibilidade instituidas pela Lei Complementar 135/2010, a atos jurídicos que tenham ocorrido antes do advento do diploma legal, o partido político, nasceu o temor de que surjam questionamentos dos candidatos que vierem a ser impugnados nas eleições de 20xx, sobre a consittucionalidade da aplicação da referida lei, já quea indefenição da questão pode causar grave insegurança jurídica nas eleições vindouras, e assim, o que se pretende com a presente ação e que haja pronunciamento do Excelso Tribunal sobre o tema, e para tanto pretende demonstrar que a aplicação dos dispositivos da lei a situa- ções ocorridas antes da existência desta não ofende o dispositivo nos incisos XXXVI e XL, do artigo 5º, da CRFB. De início, no mérito, cabe ponderar a razoabilidade da expectativa de um indivíduo de concorrer a cargo público eletivo, à luz da exigência constitucional de moralidade para o exercício do mandato (artigo 14, § 9º, CRFB/88), resta afastada em face da condenação prolatada em segunda instância ou por um colegiado no exercício da competência de foro por prerrogativa de função, da rejeição de contas públicas, da perda de cargo públi- co ou do impedimento do exercício de profissão por violação de dever tico profissional. Assim, não é plausível a tese de ofensa ao princípio da segurança jurídica, posto que ne- nhum cidadão tem o direito inato e inalienável a se candidatar. Todo e qualquer pedido de registro de candidatura deve passar pelo crivo da Justiça, sendo que aquele momento em que é formalizado o pedido de registro é o marco temporal para a aferição da capacidade eleitoral passiva. Ademais, quanto a presunção de inocência consagrada no art. 5º, LVII, da Constituição Fe- deral, esta deve ser reconhecida como uma regra e interpretada com o recurso da metodolo- gia análoga a uma redução teleológica, que reaproxime o enunciado normativo da sua pró- pria literalidade, de modo a reconduzi-la aos efeitos próprios da condenação criminal, sob pena de frustrar o propósito moralizante do art. 14, § 9º, da Constituição Federal. Acrescente-se aos argumentos que o direito político passivo (ius honorum) é possível de ser restringido pela lei, nas hipóteses que, in casu, não podem ser consideradas arbitrárias, por- quanto se adequam à exigência constitucional da razoabilidade. No caso em tela, o princípio da proporcionalidade resta prestigiado pela Lei Complementar nº 135/10, na medida em que: (i) atende aos fins moralizadores a que se destina; (ii) estabelece requisitos qualificados de inelegibilidade e (iii) impõe sacrifício à liberdade individual de candidatar-se a cargo pú- blico eletivo que não supera os benefícios socialmente desejados em termos de moralidade e probidade para o exercício de referido munus publico. Assim, o exercício do ius honorum (direito de concorrer a cargos eletivos), em um juízo de ponderação no caso das inelegibilidades previstas na Lei Complementar nº 135/10, opõe-se à própria democracia, que pressupõe a fidelidade política da atuação dos representantes po- pulares. Portanto, a Lei Complementar nº 135/10 também não fere o núcleo essencial dos direitos políticos, na medida em que estabelece restrições temporárias aos direitos políticos passi- vos. Neste sentido segue a jurisprudência: ADC nº 29: Ações declaratórias de constitucionalidade cujos pedidos se julgam proceden- tes, mediante a declaração de constitucionalidade das hipóteses de inelegibilidade instituí- das pelas alíneas “c”, “d”, “f”, “g”, “h”, “j”, “m”, “n”, “o”, “p” e “q” do art. 1º, inciso I, da Lei Complementar nº 64/90, introduzidas pela Lei Complementar nº 135/10, vencido o Relator em parte mínima, naquilo em que, em interpretação conforme a Constituição, admitia a subtração, do prazo de 8 (oito) anos de inelegibilidade posteriores ao cumprimento da pena, do prazo de inelegibilidade decorrido entre a condenação e o seu trânsito em julgado.Inaplicabilidade das hipóteses de inelegibilidade às eleições de 2010 e anteriores, bem como para os mandatos em curso, à luz do disposto no art. 16 da Constitui- ção. Precedente: RE 633.703, Rel. Min. GILMAR MENDES (repercussão geral). PRE- VENÇÃO - ADI 4578. Por fim, cabe salientar que a inelegibilidade tem as suas causas previstas nos §§ 4º a 9º do artigo 14 da Carta Magna de 1988, que se traduzem em condições objetivas cuja verificação impede o indivíduo de concorrer a cargos eletivos ou, acaso eleito, de os exercer, e não se confunde com a suspensão ou perda dos direitos políticos, cujas hipóteses são previstas no artigo 15 da Constituição da República, e que importa restrição não apenas ao direito de concorrer a cargos eletivos. Diante das considerações acima, Lei Complementar nº 135/10 é constitucional, uma vez que adota medidas necessárias, adequadas e proporcionais, atendendo aos fins moralizadores a que se destina. DA CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR Torna-se imprescindível, in casu, a concessão de medida cautelar inaudita altera pars (com fulcro no artigo 21, da Lei Federal nº 9.868/99), para que seja declarada a aplicabilidade das hipóteses de inelegibilidade previstas na lei objeto da presente ação. O fumus boni iuris resi- de nas razões expendidas, que demonstram a discussão acerca da Lei Complementar. O pe- riculum in mora surge em perfunctória análise. Trata-se de aplicação de norma que diz res- peito a cidadania, sendo que sua aplicação exige segurança e certeza, deforma a evitar di - vergências e descredito a Lei Complementar 135/2010. DO PEDIDO Diante do exposto, requer à Vossa Excelência: 1) a CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR para, liminarmente, suspender os efeitos de quaisquer decisões que, direta ou indiretamente, neguem vigência à lei Complementar 135/2010 por considerá-la inconstitucional, até o julgamento em definitivo da presente ação; 2) a oitiva do Procurador-Geral da República; 3) que sejam solicitadas informações as autoridades competentes; 4) a procedência do pedido com a declaração d e constitucionalidade da Lei Complementar 135/2010, no que tange a sua aplicação à fatos ocorridos anterio - res a sua existência, com efeitos ex tunc, erga omnes e vinculante. DAS PROVAS Requerer a produção das provas admitidas em direito na forma do artigo 14º, parágrafo único, da Lei 9.868/99, em especial documental (em anexo cópia das decisões judiciais). DO VALOR DA CAUSA Dá-se à causa o valor de R$ .... (valor por extenso) artigo 291, do CPC/2015. Nestes termos, pede deferimento. Local..., data... Advogado... OAB/UF n.º...