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1 Curso: Disciplina: Fundamentos de Economia Professor (a): Mariana Damasceno Aluno (a):___________________________________________________ 1 OBJETO DAS CIÊNCIAS ECONÔMICAS Produzir o máximo de bens e serviços a partir dos Recursos Escassos (fatores de produção: mão-de-obra; terra; capital – máquinas e equipamentos; insumos; tecnologia; e capacidade empresarial) disponíveis a cada sociedade, a fim de satisfazer a ilimitadas necessidades humanas. Obs: bem raro bem escasso Ex: O hino nacional Já possui uma utilidade (capaz Escrito na cabeça de um alfinete, mas de atender as necessidades humanas). Não é escasso porque não tem uma procura. Problemas Econômicos Básicos 1) O que e quanto produzir? – Isto significa quais os produtos deverão ser produzidos (carros, cigarros, café, vestuários,...) e em que quantidade. 2) Como produzir – Isto é, por quem serão os bens e serviços produzidos, com que recursos e processos técnicos (maneira). 3) Para quem produzir? – Destino da produção (para quem tem renda). 1.1 INTER-RELAÇÃO DA ECONOMIA COM OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO. É difícil separar os fatores essencialmente econômicos dos extra-econômicos, pois todos são significativos para o exame de qualquer sistema social. Cada ciência observa e analisa a realidade do aspecto material do seu objeto, segundo sua própria lógica formal. Na economia essa análise não é unilateral, ela deve ser realizada sob diferentes óticas: 2 1.1.1 Economia, Física e Biologia A economia se consolidou como Ciência Econômica só a partir do século XVIII com os trabalhos de François Quesnay (1758) “O Quadro Econômico” e de Adam Smith (1776) “A Riqueza das Nações, período de grandes avanços da técnica e das ciências físicas e biológicas”. A construção do núcleo científico inicial da Economia deu-se a partir das chamadas concepções organicistas (biológicas) e mecanicistas (físicas). • Concepção Organicista – economistas interpretavam os fenômenos econômicos com base no comportamento dos órgãos vivos, usando as terminologias: órgãos; funções, circulação, fluxos, fisiologias, etc.; • Concepção Mecanicista – pretendiam que as leis da economia se comportassem como determinadas leis da física, aplicando as terminologias: estática, dinâmica, aceleração, rotação, velocidade, fluidez, forças, entre outras; • Concepção humana (atual) – valoriza o lado psicológico da atividade humana. A economia repousa sobre os atos humanos e é por excelência uma ciência social. Apesar da tendência atual ser a de se obter resultados cada vez mais precisos para os fenômenos econômicos é quase que impossível se fazer análises puramente frias e numéricas, isolando as complexas reações do homem no contexto das atividades econômicas. 1.1.2 Economia e Política: São áreas muito interligadas, tornando-se difícil estabelecer uma relação de casualidade entre elas. A estrutura política se encontra muitas vezes subordinadas ao poder econômico. Citemos alguns exemplos: Poder Econômico dos latifundiários, poder dos oligopólios e monopólios, poder das corporações estatais. 1.1.3 Economia e História: A pesquisa histórica é extremamente útil e necessária para Economia, pois ela facilita a compreensão do presente e ajuda nas previsões para o futuro com base nos fatos do passado. As guerras e revoluções, por exemplo, alteraram o comportamento e a evolução da Economia. 1.1.4 Economia e Geografia: A Geografia não é o simples registro de acidentes Geográficos e climáticos. Ela nos permite avaliar fatores muito úteis à análise econômica, como as condições geoeconômicas dos mercados, a concentração espacial dos fatores produtivos, a localização de empresas e a composição setorial da atividade econômica. 1.1.5 Economia, Moral, Justiça e Filosofia: Na pré-economia, antes da Revolução Industrial do século XVIII, que corresponde ao período da Idade Média, a atividade econômica era vista como parte integrante da Filosofia, Moral e Ética. A Economia era orientada por princípios morais e de justiça. 1.2 DIVISÃO DO ESTUDO ECONÔMICO A análise econômica, para fins metodológicos e didáticos, é normalmente dividida em quatro áreas de estudo: 3 1.2.1) Microeconomia ou Teoria da Formação de Preços. Examina a formação de preços em mercados específicos, ou seja, como consumidores e empresas interagem no mercado e como decidem os preços e a quantidade para satisfazer ambos simultaneamente. 1.2.2) Macroeconomia. Estuda a determinação e o comportamento dos grandes agregados nacionais, como o produto interno bruto (PIB), investimento agregado, a poupança agregada, o nível geral dos preços, entre outros. Seu enfoque é basicamente de curto prazo (ou conjuntural). 1.2.3) Economia Internacional. Analisa as relações econômicas entre residentes e não residentes do país, as quais envolvem transações com bens e serviços e transações financeiras. 1.2.4) Desenvolvimento e Crescimento Econômico. Preocupa-se com a melhoria do padrão de vida da coletividade ao logo do tempo. O enfoque é também macroeconômico, mas centrado em questões estruturais e de logo prazo (como progresso tecnológico, estratégias de crescimento). 1.3 Bens de capital, bens de consumo, bens intermediários e fatores de produção • Bens de capital: são utilizados na fabricação de outros bens, sem desgaste total no processo. Ex: máquinas, equipamentos, etc. • Bens de consumo: buscam atender as necessidades humanas, podendo ser duráveis (geladeira) ou não-duráveis (alimentos). • Bens intermediários: são transformados e agregados na produção de outros bens, sendo consumidos no processo produtivo. • Fatores de produção: recursos humanos, terra, capital e tecnologia. 2 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO 2.1 Introdução Início da teoria econômica de forma sistematizada a partir da publicação de “A riqueza das nações” de Adam Smith (1776). 2.2 Precursores da teoria econômica 2.2.1 Antiguidade: Aristóteles, Platão e Xenofonte, na Grécia Antiga. 2.2.2 Mercantilismo: séc. XVI nasce primeira escola econômica voltada para a acumulação de riquezas de uma nação. 4 2.2.3 Fisiocracia: séc. XVIII nasce a escola de pensamento francesa que coloca que a terra é a única fonte de riqueza e há uma ordem natural que faz o universo ser regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais. (Dr. François Quesnay) 2.2.4 Os clássicos Adam Smith: O mercado é como que guiado por uma “mão invisível”, a partir da livre iniciativa (laissez-faire), do trabalho humano, levando em conta a produtividade e a proteção à sociedade. David Ricardo: todos os custos se reduzem a custos de trabalho e mostra como acumulação de capital, acompanhada de aumentos populacionais, provoca uma elevação da renda. Desenvolve estudos sobre comércio internacional e teoria das vantagens comparativas, dando origem às correntes neoclássica e marxista. John Stuart Mill: sintetizador do pensamento neoclássico, consolidando o exposto anteriormente e avançando ao incorporar elementos institucionais e ao definir melhor restrições, vantagens e funcionamento de uma economia de mercado. Jean-Baptiste Say: subordina o problema das trocas de mercadorias a sua produção e populariza a lei de Say, “a oferta cria sua própria procura”. Thomas Malthus: sistematiza uma teoria geral sobre a população, assinalando que o crescimento da população dependia da oferta de alimentos, dando apoio à teoria dos salários de subsistência e levantando o problema do excesso populacional. 2.3 A teoria neoclássica (1870)Alfred Marshall: publica “Princípios da economia” e levanta questões do comportamento do consumidor, teoria marginalista e teoria quantitativa da moeda. 2.4 A teoria keynesiana: “Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda”, o teórico vive na época da Grande Depressão e constrói uma teoria que acredita na crise como problema temporário, mostrando combinações políticas econômicas e soluções para a recessão. • nível de produção nacional; • demanda agregada ou efetiva; • fim do laissez-faire; • monetaristas: privilegiam o controle da moeda. • uso de políticas fiscais e certo grau de intervenção do Estado na economia; • pós-keynesianos. 2.5 Período recente: mudanças na teoria econômica, principalmente, após duas crises do petróleo. Pontos: existe uma consciência maior das limitações e possibilidades de aplicações da teoria; avanço do conteúdo empírico da economia; e consolidação das contribuições anteriores. 5 2.6 Abordagens alternativas • marxistas e institucionalistas: criticam a abordagem pragmática da economia e propõe enfoque analítico. • marxista: “O Capital” de Marx, conceito de mais-valia, aspecto político, conceito de valor-trabalho. • institucionalistas: Veblen e Galbraith, dirigem críticas ao alto grau de abstração da teoria econômica e ao fato de ela não incorporar em sua análise as instituições sociais. 1969 - Prêmio Nobel da Economia: teoria econômica como corpo científico, seus primeiros ganhadores foram Ragnar Frisch e Jan Tinbergen. 3 ECONOMIA E DIREITO 3.1 Introdução: conceitos da teoria econômica são relacionados ou dependentes do quadro de normas jurídicas do país. O aumento do papel regulador do governo na economia chamado neoliberalismo visa garantir a defesa da concorrência e os direitos dos consumidores. 3.2 O Direito e a teoria dos mercados: defesa do consumidor e da concorrência • foco econômico: comportamento dos produtores e consumidores. • foco jurídico: agentes das relações de consumo. • estudo do estabelecimento comercial e do empresário: análise econômica e jurídica. • imperfeições do mercado e intervenção do Estado. • economias externas; • agentes econômicos e suas falhas de informação. • poder de monopólio; • leis de defesa da concorrência; • lei Sherman contra trusts, 1890; • Clayton Act, 1914; • lei Celler-Kefauver, 1950; • no Brasil, Constituição Federal de 1988; • Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC); • Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE; • controle das estruturas de mercado: quanto a concentração econômica; • controle de condutas: apuração de práticas anticoncorrenciais; • ação governamental: coibição e repressão dos abusos no mercado. 6 3.3 Arcabouço jurídico das políticas macroeconômicas • políticas monetária, de crédito, cambial e de comércio exterior são de competência da União. • política fiscal é de competência da União, Estados e Municípios. • papel da defesa do governo: aumento da demanda agregada. • processo de globalização: integração econômica global sobre bases econômicas e jurídicas. 3.4 O Estado promovendo o bem-estar da sociedade Ação do Estado: voltada para o bem-estar da população. John Locke: direitos naturais sob controle do governo parlamentar, cuja finalidade seria promover e ampliar direitos do homem à vida, à liberdade e à prosperidade. Artigo 170 da Constiuição de 1988: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I. soberania nacional; II. propriedade privada; III. função social da propriedade; IV. livre concorrência; V. defesa do consumidor; VI. defesa do meio ambiente; VII. redução das desigualdades regionais e sociais; VIII. busca do pleno emprego; IX. tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente da autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”. Há ligação entre Economia e Direito também na análise: • dos princípios gerais da atividade econômica; • dá política urbana, agrícola e fundiária; • do Sistema Financeiro Nacional; • das políticas monetária, de crédito, cambial e de comércio exterior; Os governos também criam normas jurídicas que protejam o meio ambiente, como o Protocolo de Quioto. 7 As normas jurídicas buscam regularizar as atividades econômicas buscando tornar os mercados mais eficientes e melhor qualidade de vida para a população como um todo. 4. CONCEITOS DE CURVA DE TRANSFORMAÇÃO E CUSTOS DE OPORTUNIDADES Curva de Transformação da produção ou possibilidade de produção representa um importante fato: “uma economia de pleno emprego precisa sempre, ao produzir um bem, desistir de produzir um tanto de outro bem”. Custo de oportunidade: sacrifício do que se deixou de produzir ou o custo ou perda do que não foi escolhido. Obs: Os fatores de produção são constantes. Quantidade Máxima de carros Possibilidades Intermediárias Quantidade Máxima de Camisas Bens A B C D E F Carros (Milhares) 150 140 120 90 70 0 Camisas (Milhões) 0 10 20 30 40 50 Custo de Oportunidade: A para B = 10 B para C = 20 P para C = zero, pois não há sacrifício algum para se produzir mais ambos os bens. Camisas (milhões) Carros (milhares) 8 Mudanças na Curva de Transformação Causas do Deslocamento: Disponibilidade de recursos produtivos da economia. Variações Tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens, desloca a curva para a direita e paralelamente. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção do bem x, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Custos Crescentes A razão da curva de transformação ser decrescente se deve ao fato dos recursos disponíveis serem limitados. O formato da curva mostra que se decresce a taxas crescentes; isto significa que a substituição entre quantidades dos dois bens se torna cada vez mais difícil. Isto quer dizer que, na medida em que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem, o sacrifício de se consumir (produzir) menos ainda é muito grande. Ex: B C Ganham-se 10 milhões de camisas Sacrificam-se 20 mil carros D E Ganham-se 10 milhões de camisas Sacrificam-se 40 mil carros. 9 Este fenômeno dos custos crescentes surge na medida em que se transfere recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, onde eles se apresentam ineficientes e inadequados. Assim, se insistir somente na produção de camisas, tem-se que recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. Essa é a razão de se esperar a vigência da lei dos custos crescentes, ou dos rendimentos decrescentes. 5. O PROBLEMA DA ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA Dadas as limitações dos recursos produtivos e do nível tecnológico, as nações procuram organizar sua economia a fim de resolver os problemas do que, quanto, como e para quem produzir, de forma eficiente, isto é, com o menor desperdício possível. Duas formas de organização econômica: (1) Descentralizada (Economia de Mercado) – Sistema de preço (1.1) Livre iniciativa (sem governo na economia) (1.2) Economia mista de mercado (presença do Estado) Elementos de uma economiacapitalista (2) Centralizada (1) O sistema de preços numa Economia de Mercado: (1.1) Uma economia de livre iniciativa não tem, a intervenção do governo diretamente, participa da vida econômica com ações regulatórias para o caso em que os conflitos privados não conseguem soluções através do mercado. Nenhum agente econômico (indivíduo ou empresa) se preocupa em desempenhar o papel de gerenciar o bom funcionamento do sistema de preços. Preocupam-se em resolver isoladamente seus próprios negócios. Procuram apenas sobreviver na concorrência imposta pelos mercados, tanto na venda e compra de produtos finais como na dos fatores de produção. Ex1: Homens desejam Q camisas P camisas Q camisas produzidas P camisas. Ex2: Há excesso de Q sapatos produzidos, além Q sapatos desejados P sapatos. O desejo dos indivíduos determinará a magnitude da demanda, e a produção das empresas determinará a magnitude da oferta. O equilíbrio entre a demanda e a oferta será sempre atingido pela flutuação do preço. Os problemas básicos da economia – o que, quanto, como e para quem – podem ser resolvidos pela concorrência dos mercados e pelo mecanismo dos preços. O consumidor tentará maximizar utilidade e o produtor, o lucro. - “Que” bens serão produzidos será decidido pela procura dos consumidores no mercado. O dinheiro pago ao vendedor será retribuído em forma de renda 10 como salários, juros ou dividendos aos consumidores. Assim, fecha-se o círculo. O consumidor sempre procurará maximizar a utilidade ou satisfação. - “Quando” produzir será determinado pela atuação dos consumidores e dos produtores no mercado com os ajustamentos dados pelo sistema de preço. - “Como” produzir é determinado pela concorrência entre os produtores. O método de fabricação eficiente ou mais barato deslocará o ineficiente e o mais caro, podendo assim o concorrente sempre sobreviver no mercado produtor. O objetivo do produtor será sempre o de maximizar lucros. - “Para quem” produzir será determinado pela oferta e procura no mercado de serviços: por salários, juros, aluguéis e lucros, que, em conjunto, formam a renda individual, relativa a cada serviço e ao conjunto de serviços. A produção a quem tem renda para pagar e o preço é o instrumento de exclusão. Demanda Oferta Sapatos Sapatos Habilitações Habilitações Chá Chá Quais e quanto Como Para quem Terra Terra Trabalho Trabalho Oferta Bens de produção Bens de produção Demanda O sistema descreve a ação conjunta da demanda e da oferta nos seguintes termos: os consumidores, após escolherem os bens desejados, dirigem-se ao mercado com suas rendas e hábitos determinados a fim de comprarem os bens e maximizarem suas satisfações; do outro lado os produtores ofertam os bens no mercado, considerando seus custos de produção, a fim de maximizar seu lucro total. Custo da Produção Empresas Folha de pagamento, aluguel Desejo dos consumidores Público Propriedade dos fatores Preço no mercado do produto Preço no mercado de fatores (salário, juros e aluguéis) 11 Preço e Quantidade de Equilíbrio A Preço máximo que os consumidores estão dispostos a pagar C Preço máximo que os produtores estão dispostos a receber B Ponto de equilíbrio P = Q ABC Área de negociação do preço e da quantidade (1.2) A presença do Estado As falhas no funcionamento da economia de mercado impedem-na de atingir suas metas: - eficiente alocação dos recursos escassos; - distribuição justa da renda (não confundir com igualdade, que não existe); - estabilidade dos preços (baixíssima inflação); - crescimento econômico As “falhas” são basicamente duas: a) Imperfeições na concorrência dos mercados (monopólio ou oligopólio e sindicatos) cobranças de preços muito acima dos custos de produção. b) Efeitos externos que o mercado é incapaz de internalizar na contagem dos seus benefícios e/ou custos. Ex: Poluição das fábricas sobre as famílias, não é cobrado nos preços dos produtos. As imperfeições da concorrência levam à má distribuição de renda e de bem-estar, e somente a atuação do Estado pode corrigir, regulamentando a ação dos oligopólios ou investido nas áreas sociais para reduzir os focos de pobreza. Muitas vezes a presença do Estado na economia se dá através das empresas estatais, produzindo o que o setor privado poderia fazer, mas não o faz por falta de capital (Petrobrás), ou por medidas de segurança nacional, ou mero nacionalismo político. Assim, a intervenção do Estado na economia multiplica-se e vai além das funções convencionais de educação, saúde, infra-estrutura (transporte, saneamento), justiça, defesa nacional, etc. 12 6. INTRODUÇÃO A MICROECONOMIA 6.1 Teoria Elementar da Demanda Costuma-se definir a demanda individual como a quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo período de tempo. Dessa forma, costuma-se apresentar quatro determinantes de demanda individual. I- preço do bem; II- preços dos outros bens; III- renda do consumidor; e IV- gosto ou preferência do indivíduo. Em linguagem matemática, expressaremos essas relações da seguinte forma: Dx = f(Px, P1, P2 ...Pn-1, R, G) Sendo: Dx = a demanda do bem x; Px = o preço do bem x; Pi = o preço dos outros bens, i = 1, 2,....n-1; R = renda; G = preferências. 6.1.1 Relação entre quantidade demandada e preço do bem Podemos representar entre quantidades demandadas e preços dos bens da seguinte maneira: Dx = f(Px), tudo o mais permanecendo constante. Assim, quando Px Dx e quando Px Dx Podemos construir a curva mostrando a relação entre a demanda e o preço da mercadoria. Essa curva, chamada curva de demanda, mostra a relação entre o preço do bem e a quantidade desse bem que o consumidor está disposto a adquirir em certo período de tempo, tudo o mais permanecendo constante, ou seja, não variando o preço dos outros bens, a renda e o gosto do consumidor. Quando se fala em demanda, estamos nos referindo à curva inteira, enquanto se denomina quantidade de demanda um determinado ponto dessa mesma curva. 6.1.2 Relação entre a demanda de um bem e o preço dos outros bens. Dx = f(Pi), tudo o mais permanecendo constante. Para essa função não temos relação geral: o aumento do preço do bem i poderá aumentar ou reduzir a demanda do bem x. A reação depende do tipo de relação existente entre os dois bens. 13 a) Se o aumento do preço do bem i aumentar a demanda do bem x, os bens i e x serão chamados substitutos ou concorrentes. No exemplo do restaurante, o filé e as massas são bens substitutos. Também são substitutos a manteiga e a margarina, o transporte por trem e por avião, o café e o chá, entre outros. Como sugerem os exemplos, bens concorrentes são aqueles que guardam relação de substituição. Consome-se um ou outro. O consumo de um pode substituir o consumo do outro. b) Se o aumento do preço do bem i ocasionar uma queda da demanda do bem x, serão chamados de bens complementares. É o caso de pneumáticos e câmaras-de-ar, pão e manteiga, caneta e tinta, entre outros. Como se pode observar, bens complementares são aqueles que, em geral, são consumidos conjuntamente. Suacomplementaridade pode ser técnica, caso do automóvel e gasolina, ou psicológica, como trabalhar com música. 6.1.3 Relação entre a demanda por um bem e a renda do consumidor Dx = f(R), tudo o mais permanecendo constante. Em geral, existe uma relação crescente e direta entre a renda e a demanda por um bem ou serviço. Quando a renda cresce, a demanda do bem deve aumentar. O indivíduo ficando mais rico vai desejar aumentar seu padrão de consumo e, portanto, demandar maiores quantidades de bens e serviços. Essa é a regra. Como toda boa regra ela admite exceções. Em primeiro lugar, é possível que o indivíduo esteja totalmente satisfeito com o consumo de determinado bem e, portanto, não altere a quantidade demandada por unidade de tempo, quando sua renda aumentar. É o caso do consumo saciado. Outra exceção encontra-se nos chamados bens inferiores. Esses são bens cuja demanda se reduz quando a renda aumenta. Por exemplo: a demanda por carne de segunda se reduz quando o indivíduo aumenta seus ganhos, pois ele passará a demandar carne de primeira e não mais de segunda. 6.1.4 Relação entre a demanda do bem e o gosto do consumidor Por fim, resta examinar a influência do gosto ou da preferência do consumidor sobre sua demanda.Vamos estudar essa relação por meio de um exemplo. Suponhamos que seja feita grande campanha publicitária incentivando a população a beber mais leite. Nessa campanha, mostra-se o valor nutritivo do leite e os benefícios que ele traz para a saúde. O povo é despertado por essa propaganda e resolve tomar mais leite. O que ocorrerá com a curva de demanda por leite? É fácil responder. A curva se deslocará para a direita. 6.1.5 Curva de demanda de mercado Até agora sempre falamos sobre demanda individual. E a demanda de mercado? A demanda de mercado é a soma das demandas individuais. Suponhamos que, a determinado preço, o consumidor A deseja adquirir 10 maços de cigarros, o consumidor B deseja 7 e o c, 5 maços. Sendo o mercado constituído dessas pessoas, a demanda de mercado será de 22 maços de cigarros, pelo preço dado. 14 Em termos rigorosos, diz-se que a curva de demanda de mercado é a soma horizontal das curvas de demanda dos indivíduos que compõem esse mercado. É chamada horizontal porque somente se somam as quantidades e não os preços. Podemos exemplificar com uma tabela para um mercado constituído de três pessoas. Preço Consumidor A Consumidor B Consumidor C Mercado 2500 4 5 12 21 2000 14 10 22 46 1500 24 15 32 71 1000 34 20 42 96 500 44 25 52 121 6.2 Teoria Elementar da Oferta Define-se oferta como a quantidade de um bem ou serviço que os produtores desejam vender por unidade de tempo. Novamente, é preciso destacar os dois elementos. A oferta é um desejo, um plano, uma aspiração. E a demanda é um fluxo por unidade de tempo. A oferta do bem depende de seu próprio preço, admitindo a hipótese coeteris paribus, quando maior for o preço do bem, mais interessante será produzi-lo e, portanto, a oferta é maior. Relacionado a quantidade ofertada de um bem com seu preço, obteremos a curva de oferta. Em segundo lugar, a oferta do bem x depende dos preços dos fatores de produção. De fato, os preços dos fatores, juntamente com a tecnologia empregada determinam o custo de produção. Havendo aumento do preço do fator, aumentará o custo de produção. Os bens em cuja produção se empregam em grandes quantidades desse fator sofrerão aumentos de custo significativos, enquanto os que pouco o utilizam sofrerão menos. Podemos sintetizar essas relações matematicamente: Ox = f( Px, P1,...Pn-1, 1, 2,.... m, T), em que: Ox = quantidade ofertada do bem x; Px = o preço do bem x; Pi = o preço do bem i, i = 1,2...n-1; j = o preço dos fatores de produção, j = 1, 2....m; T = tecnologia. 6.3 O Equilíbrio de Mercado O preço na economia de mercado é determinado tanto pela oferta quanto pela demanda. Coloquemos em um único gráfico as curvas de oferta e de demanda. Sabemos que a curva de demanda, que representa o desejo dos consumidores, é decrescente. Acurva de oferta, crescente. Chamemos a interseção das curvas de E, ponto ao qual correspondem o preço P0 e a quantidade Q0. Esse ponto, se existir, será único, pois a curva de demanda é decrescente e 15 a curva de oferta, crescente. Nesse ponto, a quantidade que os consumidores desejam comprar é exatamente igual à quantidade que os produtores desejam vender. Existe coincidência de desejos. 6.4 Elasticidade-preço da demanda Elasticidade-preço da demanda é a variação percentual de quantidade demandada do bem x, para cada unidade de variação percentual de preço do bem x. Dessa forma, matematicamente, define-se elasticidade-preço da demanda como: x x D PVar QVar .% .% Ou seja, como a relação das porcentagens da variação da quantidade e do preço do bem x. A variação percentual da quantidade é dada por: Q Q , em que Q = Q2 – Q1. A variação percentual do preço é: P P , em que P = P2 – P1. Na situação inicial, o preço do bem x e P1 e a quantidade demandada é Q1. No segundo momento, o preço mudou para P2, em que P2 > P1. Logicamente, a quantidade demandada passa a ser Q2 < Q1. Definições Em valor absoluto, a elasticidade varia entre zero e infinito. Desse modo, dividem-se as demandas de bens em três categorias, no que se refere à elasticidade-preço da demanda: I- demanda inelástica, quando 1D ou D < 1; II- demanda de elasticidade unitária, quando D = -1 ou D =1; III- demanda elástica, quando D < -1 ou D > 1. No caso I – demanda inelástica – tem-se a situação na qual a variação percentual da quantidade demandada é menor que a variação percentual dos preços, ou seja, % Var. Q < % Var.P. No caso II, ocorre igualdade entre essas variações percentuais. 16 No caso III – demanda elástica - verifica-se o inverso do caso I, isto é, a variação percentual da quantidade demandada é maior do que a variação percentual de preços, ou seja, % Var. Q > % Var. P. Nos casos I e III têm-se dois extremos. O primeiro, de demanda inelástica, é aquele em que D = 0. Isso significa que qualquer variação nos preços não provocará variação na quantidade demandada. 6.4.1 Fatores que influencia a elasticidade-preço da demanda Existem muitos fatores que determinam o valor da elasticidade de um bem. É muito difícil a priori afirmar que um bem tenha demanda elástica ou inelástica. Entretanto, existem certos elementos que podem explicar ou influenciar a elasticidade. Deve o leitor ficar precavido a respeito deles. Não há nada de definitivo, os elementos que serão apresentados devem ser entendidos como alguns subsídios à compreensão de por que a demanda por certos bens tem elasticidade maior que a de outros. I- A existência de bens substitutos - é de se esperar que, quanto melhores substitutos tiver o bem, maior deverá ser sua elasticidade. A razão para isso é que o consumidor poderá substituir o bem cujo preço aumentar por um outro que lhe seja concorrente. Assim, se o preço da Coca-cola aumentar, o indivíduo poderá passar a beber guaraná, ou outro refrigerante. Com pequeno aumento no preço haverá grande redução na quantidade demandada. Desse modo, a elasticidade vai depender da forma com que o bem é definido. Quanto mais ampla for a definição, menor deverá ser a elasticidade do bem. No exemplo, a elasticidade da coca-cola será certamente maior que a de outros refrigerantes. O leitor saberá ordenar os bens a seguir de acordo com a elasticidade-preço da demanda? Bens: vegetais, tomates, alimentação. II- O peso do bem no orçamento também influi na elasticidade-preço. Se for pouco substituível, quando menor seu peso no orçamento,menor será sua elasticidade. Como exemplo, podemos citaro cafezinho e o sal de cozinha. III- Essencialidade do bem é outro fator importante para determinar sua elasticidade. Quanto mais essencial for o bem, menor deverá ser sua elasticidade- preço. Elasticidade-preço cruzada da demanda O conceito elasticidade-preço cruzada é bastante semelhante ao conceito de elasticidade-preço da demanda. A diferença reside em que se comparam variações percentuais de quantidade demandada de um bem com variações percentuais de preço de outro bem. Elasticidade-preço cruzada entre os bens x e y é a variação percentual de quantidade demandada do bem x, para cada unidade de variação percentual do preço y (admitindo-se constante o preço do bem x, da renda, dos gastos, ou seja, condição coeteris paribus): x y y x y x xy Q P P Q PVar QVar .% .% 17 A razão y x P Q poderá assumir valores desde - até + . Se a razão y x P Q < 0 e, conseqüentemente: 0 x y y x xy Q P P Q , os bens x e y serão complementares, ou seja, quando o preço do bem y aumentar, a quantidade demandada do bem x diminuirá. 0 x y y x xy Q P P Q , tem-se o caso dos bens substitutivos ou sucedâneos, no qual, quando subir o preço do bem y, aumentará a quantidade do bem x. Elasticidade-renda da demanda do bem x Elasticidade-renda da demanda é a variação percentual da quantidade demandada de um bem x para cada unidade de variação percentual da renda do consumidor: Q R R Q RVar QVar R .% .% O conceito de elasticidade-renda é bastante similar aos anteriores. Procura-se medir o que ocorrerá quando houver variação na renda do consumidor. Normalmente, quando se tem aumento da renda, intuitivamente se espera aumento da quantidade demandada de qualquer bem. Assim, ter-se-ia: 0 Q R R Q R . Entretanto, no caso dos bens inferiores, a elasticidade-renda será negativa. Elasticidade-preço de oferta do bem x Do mesmo modo que a elasticidade de demanda, a elasticidade de oferta se define como a variação percentual na quantidade ofertada do bem x para cada unidade de variação percentual no preço do bem x: Q P P Q PVar QVarE .% .%0 . 18 Se E0 > 1, teremos oferta elástica; E0 = 1, teremos oferta de elasticidade unitária; E0 < 1, teremos oferta inelástica. Ao contrário da elasticidade da demanda, a elasticidade-preço da oferta é positiva. Isso ocorre porque as variações de preço e quantidade são no mesmo sentido. Ao aumentar o preço, aumenta a quantidade oferecida. 6.5 Teoria da Firma: A Produção e a Firma Considerações preliminares Em uma economia de mercado, os consumidores, de um lado, as firmas, de outro, constituem-se respectivamente nas unidades do setor de consumo e do setor da produção. Ao desenvolverem suas atividades básicas de consumir e produzir, ambas se inter- relacionam por intermédio do sistema de preços. A parte da teoria econômica que se preocupa em estudar o comportamento da unidade do setor de consumo – o consumidor – é denominada teoria do consumidor. Esta, por meio da utilização de hipóteses básicas e de um mecanismo adequado de raciocínio, procura explicar o comportamento do consumidor quando ele, ao atender suas necessidades, realiza o seu processo de consumo. O comportamento da unidade do setor da produção – afirma- é estudado por outra parte da teoria econômica, denominada teoria da firma. Esta última, utilizando também hipóteses de trabalho e adequado mecanismo de raciocínio, procura explicar o comportamento da firma quando desenvolve a sua atividade produtiva. Quando se analisa a teoria da firma na parte específica que trata do problema da produção, dos custos de produção e dos rendimentos da firma, em última análise está-se estudando o que na teoria microeconômica é conhecido como a teoria da produção. De certa forma, o grande título teoria da firma é geral e abrange a teoria da produção, a teoria dos custos, e a análise dos rendimentos da firma. Alguns conceitos básicos da teoria da produção O estudo da teoria da produção e o desenvolvimento de sua análise exigem, de início, o conhecimento de alguns conceitos fundamentais. O primeiro conceito básico é o de empresa ou firma. É importante ressaltar que esse conceito abrange um empreendimento de modo geral, em que além de atividades industriais e agrícolas também engloba atividades profissionais, técnicas e de serviços. O segundo conceito básico é o de fator de produção. È possível conceituar os fatores de produção como bens ou serviços transformáveis em produção. O terceiro conceito básico é o de produção. Podemos defini-la como a transformação dos fatores adquiridos pela empresa em produtos para a venda no mercado. É importante que se entenda que o conceito de produção não se resume em identificar 19 transformações físicas e materiais. Seu sentido é mais amplo, abrangendo também a oferta de serviços, como transporte, financiamentos, comércio e outras atividades. A produção A função da produção identifica a forma de solucionar os problemas técnicos da produção, pela apresentação das combinações de fatores que podem ser utilizados para o desenvolvimento do processo produtivo. Podemos conceituá-la como a relação que mostra qual a quantidade obtida do produto, com base na quantidade utilizada dos fatores de produção. Assim, é interessante que aqui também se conceitue processo de produção: técnica por meio da qual um ou mais produtos serão obtidos pela utilização de determinadas quantidades de fatores de produção. Se esse processo de produção for simples, obter-se-á, com a combinação de fatores, um único produto; quando, pela combinação dos fatores, for possível produzir mais de um produto, ter-se-á um processo de produção múltiplo, ou produção múltipla. q= f(x1,x2,x3,..,xn) Com o objetivo de tornar essa função de produção genérica operacionalmente didática no âmbito da teoria dos preços, é necessário realizar uma simplificação, reduzindo- a uma função de apenas duas variáveis: q=f(x1,x2) A hipótese de existência de fatores fixos e variáveis na função de produção – Análise de curto prazo Tomemos uma função de produção que possua as quantidades de todos os fatores fixas, menos a de um deles. Se a hipótese considerada for a de utilizar uma função de produção simplificada, com apenas dois fatores, então, um deles será o fator fixo e o outro, o fator variável. Assim, temos: ),( 021 xxfq , Em que: q = quantidade do produto; 1x = fator variável; 0 2x = fator fixo. As isoquantas e os mapas de produção Que significa isoquanta? Isoquanta significa “igual quantidade” e pode ser definida como uma linha na qual todos os pontos representam combinações dos fatores que indicam a mesma quantidade produzida. Vê-se assim, pela definição que isoquanta é, na verdade, uma curva ou linha de indiferença de produção. Por essa razão, a isoquanta é também denominada linha de igual produção, linha de isoproduto ou ainda, curva de indiferença de produção. 20 A taxa marginal de substituição técnica entre outros fatores A taxa marginal de substituição técnica é conceito muito importante na teoria de produção. Ela revela qual deverá ser o acréscimo de utilização do fator x1 (ou seja, + x1) para que, compensando o decréscimo de utilização do fator x2 (isto é, - x2), mantenha constante a quantidade produzida do produto. Em outras palavras, a taxa marginal de substituição técnica mostra que o ganho de produção devido ao acréscimo de utilização+ x1 do fator x1 é exatamente igual à perda de produção devido ao decréscimo de utilização - x2 do fator x2. Assim, na mesma isoquanta, a produção permanece constante para qualquer combinação x1 x2. A taxa marginal de substituição técnica pode ser assim identificada: 2 1 21 , x xTMST xx A noção de rendimentos de escala Ao analisar a teoria da produção, é muito importante que se entenda o sentido verdadeiro da expressão escala de produção. Escala de produção é o ritmo de variação da produção, respeitada certa proporção de combinação entre os fatores. Os rendimentos crescentes de escala ocorrem quando a variação na quantidade do produto total é mais do que proporcional à variação da quantidade utilizada dos fatores de produção. Por exemplo, aumentando-se a utilização doas fatores em 10%, o produto cresce 20%. Os rendimentos constantes de escala ocorrem quando a variação do produto total é proporcional à variação da quantidade utilizada dos fatores de produção. Por exemplo, aumentando-se a utilização dos fatores em 10%, o produto também aumenta em 10%. Finalmente, os rendimentos decrescentes de escala ocorrem quando a variação do produto é menos do que proporcional à variação na utilização dos fatores. Por exemplo, aumenta-se a utilização dos fatores em 10% e o produto cresce em 5%. A firma maximizadora de lucros e a conduta de otimização O objetivo básico da firma é a maximização dos seus resultados quando realiza sua atividade produtiva. Dessa forma, procurará sempre obter a máxima produção possível em face da utilização de certa combinação de fatores. A otimização dos resultados da firma poderá ser obtida quando for possível resolver um dos dois problemas seguintes: maximizar a produção para determinado custo total ou minimizar o custo total para certo nível de produção. Em qualquer uma das situações, a firma maximizará ou otimizará os seus resultados. Estará, pois, em uma situação em que a teoria econômica denomina equilíbrio da firma. 21 Os custos de produção Assim, é possível definir custo total de produção como o tal das despesas realizadas pela firma com a utilização da combinação mais econômica dos fatores, por meio da qual é obtida determinada quantidade do produto. Os custos totais de produção são genericamente classificados em dois tipos: custos fixos totais(CFT) e custos variáveis totais(CVT). Os primeiros correspondem as parcelas dos custos totais que independem da produção. São decorrentes dos gastos com os fatores fixos de produção. Já os custos variáveis totais são parcelas dos custos totais que dependem da produção e assim mudam com a variação desta. Representam, por sua vez, as despesas realizadas com os fatores variáveis de produção. O custo total médio é obtido por meio do quociente entre o custo total e a quantidade produzida. Assim, podemos identifica-lo da forma seguinte: q CT CMe cc Mas, como o custo total de curto prazo é decomposto em duas parcelas, uma variável e outra fixa, representando cada uma, respectivamente, o custo variável total e o custo fixo total, podemos alterar a igualdade acima para: q CFTCVTCMec ou q CFT q CVTCMec Resta agora analisarmos o outro custo dependente da produção e de certa forma relacionado com o custo total de produção, por intermédio do comportamento do custo variável total. Este é o denominado custo marginal de curto prazo. Esse tipo de custo é normalmente determinado pela variação do custo total em resposta à variação da quantidade produzida. Pode ser assim identificado: q CT CMg cc Os rendimentos da firma Ao realizarem o processo de produção de bens, as firmas almejam uma compensação para sua atividade criadora de riquezas. Assim, os custos de produção, identificando o esforço para realizar a produção, têm uma contrapartida que se constitui na sua própria compensação: o rendimento ou receita recebida pela venda da produção no mercado. Claro está que, quanto maior for esse rendimento, maior será o incentivo para a firma continuar produzindo e assim manter o suprimento do produto ao mercado consumidor. 22 Podemos definir o rendimento total ou receita total das vendas de uma firma como o resultado da multiplicação da quantidade total do produto oferecida e vendida no mercado pelo seu respectivo preço de venda. O rendimento ou receita total seria assim identificado: RT = p.q Em que: p = preço de venda do produto q = quantidade vendida RT = rendimento ou receita total das vendas Além da receita total já definida, é muito importante, para a análise da firma, o conceito de dois outros tipos de receita: a receita média (Rme) e a receita marginal (RMg). A primeira é definida como resultado do quociente entre a receita total e a quantidade vendida do produto: Mas, como RT = p . q, então: q RTRMe q qpRMe . Em que RMe = p. Nota-se assim que a receita média da firma é constituída pelo próprio preço de venda do produto. A receita marginal é definida como resultado do quociente entre as variações da receita total decorrentes das variações da quantidade vendida do produto. Assim: q RTRMg 7. ESTRUTURA DE MERCADO Diante das características dos bens ou serviços produzidos as indústrias podem estar organizadas entre si de várias formas. Estas formas que caracterizam a organização das indústrias denominamos estruturas de mercado. Estes mercados de bens ou serviços são estruturados em função de dois fatores que são: o número de firmas atuando no mercado e a homogeneidade ou diferenciação dos produtos da firma. 23 A importância que damos às estruturas de mercado é que a análise permite observarmos em que situação a empresa poderá atuar formando preços, ofertando qual quantidade, e também que tipo de concorrência ocorre no setor em que atua. É importante observarmos que a análise de estrutura de mercado reflete o grau de concorrência entre as empresas que implica na quantidade de indivíduos que consomem os bens. Estamos falando da influência das estruturas de mercado na formação dos preços de mercado e na capacidade de consumo dos indivíduos, e portanto no seu bem-estar. E por fim é importante observarmos que as estruturas de mercado se dão em um processo histórico. Por exemplo, nos Estados Unidos há uma menor concentração das empresas, o que permite maior concorrência e menores preços dos bens e serviços. Portanto neste país a característica mais evidente das empresas em sua estrutura são os oligopólios. Já no Brasil, historicamente pudemos observar a partir do final da década de 1980 o fim dos monopólios do Estado e o surgimento de estruturas de mercado oligopolistas, a exemplo do sistema de telefonia do país. 7.1 CONCORRÊNCIA PERFEITA Esta é a situação de mercado em que o número de compradores e de vendedores é tão grande que nenhum deles consegue influenciar o preço agindo individualmente. Através de um exemplo podemos imaginar um produtor agrícola. Quando ele colhe seu produto para ofertar no mercado não é ele quem define o preço da mercadoria, pois o preço é definido no mercado. Então, mesmo que ele queira vender a um preço mais alto não irá conseguir, pois haverão produtores ofertando ao preço mais baixo, definido no mercado. Os produtos agrícolas são ótimo exemplo de mercado de concorrência perfeita por serem homogêneos, ou seja, independente do local da produção o bem é praticamente igual. Há muitos produtores agrícolas e muitos compradores, uma vez que os produtos agrícolas são parte do item alimentação, essencial para os indivíduos.7.2 Concorrências Imperfeitas I: monopólio e monopsônio O monopólio é a situação em que uma empresa é a única vendedora de seu produto e este produto não tem substitutos próximos. O que causa a situação de monopólio são as barreiras à entrada de uma ou mais empresas como produtoras e concorrentes no mercado deste bem ou serviço. As origens das barreiras à entrada são: - a propriedade de um recurso-chave de uma única empresa, como por exemplo a existência de uma única mina de água numa cidade. O proprietário das terras em que se encontra a mina tem o monopólio do fornecimento de água para consumo da população. Esta situação de monopólio é a menos comum, uma vez que as economias atuais são grandes e os recursos têm muitos proprietários. Atualmente há meios que facilitam a existência de substitutos próximos dos produtos, mesmo que haja necessidade de transporte. 24 - o governo dá o direito a uma única empresa para produzir um bem, a exemplo da indústria farmacêutica, a qual é autorizada a produzir um certo medicamento a um período de tempo e comercializá-lo com exclusividade. Esta patente é justificada como meio da indústria obter mais lucro e que este seja investido em mais pesquisa e desenvolvimento. O mesmo ocorre com os direitos autorais do escritor de um livro. Este valor que ele recebe pela venda de cada livro corresponde à remuneração para a produção de mais livros. - um único produtor é mais eficiente assumindo os custos da produção, em vez de vários produtores. Esta condição de existência do monopólio é denominada monopólio natural, a qual contém economias de escala ao longo da faixa relevante de produção. Estas economias de escala ocorrem quando a curva de custo total médio declina continuamente, de modo que se a produção é dividida entre mais empresas, cada uma delas produz menos e o custo total médio sobe. Então, uma única empresa pode produzir qualquer quantidade a um custo menor. Um exemplo é o fornecimento de energia elétrica em uma cidade. Não faz sentido ter-se outra empresa arcando com custos de instalação dos equipamentos de fornecimento de energia elétrica para o vizinho. Então, é conveniente que uma única empresa forneça energia elétrica na cidade. Como as empresas monopolistas decidem preços e quantidades de oferta Para compreendermos como se define o preço e a quantidade de oferta de um bem ou serviço cujo mercado é um monopólio devemos compará-lo a uma empresa competitiva. O monopólio tem grande capacidade de influir no preço de sua produção, e portanto é formador de preço, ao passo que a empresa competitiva é apenas uma dentre várias existentes no mercado, e portanto é tomadora de preço, ou seja, aplica o preço que as outras várias empresas ofertam no mercado. Diante destas situações de mercado, as curvas de demanda para empresas competitivas e monopolistas são caracterizadas da seguinte forma: a) curva de demanda de uma empresa competitiva 25 b) curva de demanda de uma empresa monopolista A partir destes gráficos de demanda podemos observar que uma vez que as empresas competitivas são tomadoras de preços, elas se deparam com curvas de demanda horizontais, como podemos conferir no painel a. Por sua vez, sendo a empresa monopolista a única no seu mercado, ela se depara com a curva de demanda negativamente inclinada, como podemos observar no painel b. Portanto, o monopólio tem que aceitar um preço menor se deseja vender mais. Duas considerações devem ser feitas acerca do lucro do monopólio. Primeiramente, a curva de demanda do mercado impõe um limite à capacidade do monopólio lucrar com seu poder de mercado, ou seja, o comportamento do consumidor define a que preço ele está disposto a adquirir o bem ou serviço. A curva de demanda do mercado descreve as combinações de preço e quantidade que estão disponíveis para a empresa monopolista. Portanto ela deve escolher qualquer ponto da curva de demanda, mas não um ponto fora da curva. O ponto da curva de demanda que será escolhido pelo monopolista, que por sua vez visa a maximização do lucro, leva à necessidade de calcularmos a receita total menos os custos totais, nossa próxima tarefa. Maximização do lucro do monopólio Para tratarmos o lucro do monopólio, primeiramente devemos considerar a abordagem contábil da receita total - custo total estabelecida para a empresa em concorrência perfeita. A empresa monopolista também maximiza seu lucro total (LT) no nível de produção em que a diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT) é máxima. 26 Maximização de lucros de um monopólio: um monopólio pode maximizar lucros escolhendo a quantidade na qual a receita marginal é igual ao custo marginal. Após obter este ponto de equilíbrio ele utiliza a curva de demanda para determinar o preço capaz de induzir os consumidores a comprar essa quantidade. Portanto, ao contrário dos mercados competitivos, os monopólios falham na alocação eficiente dos recursos. Os monopólios produzem menos do que a quantidade de produto socialmente desejável e, em consequência, cobram preços superiores ao custo marginal. Este problema, o da perda de bem-estar social por conta da empresa monopolista que oferta o produto, reflete a ineficiência do monopólio. O monopólio aplica um preço superior ao custo marginal, o qual nem todos os consumidores estão dispostos a pagar. Isto implica que a quantidade produzida e vendida por um monopólio é inferior ao nível socialmente eficiente. Nesta situação temos a definição do peso morto que é representado pela área do triângulo situada entre a curva de demanda, que reflete o valor do bem para os consumidores, e a curva de custo marginal, que reflete os custos incorridos pelo produtor monopolista. Ainda, esta situação do peso morto causado pela empresa monopolista é semelhante à situação de peso morto causada pela arrecadação de impostos, com a diferença que no primeiro caso a empresa privada aufere lucro monopolista, e no segundo, o governo obtém a receita do imposto que será revertida na produção de bens e serviços públicos à população. 27 Ineficiência do monopólio: como um monopólio cobra um preço superior ao custo marginal, nem todos os consumidores que atribuem ao bem valor superior ao custo o comparam. Isso implica que a quantidade produzida e vendida por um monopolísta é inferior ao nível socialmente eficiente. O peso morto é representado pela área do triângulo entre a curva de demanda, que reflete o valor do bem para os consumidores, e a curva de custo marginal, que reflete o custo para o produtor monopolista. Um outro aspecto do lucro monopolista é a preocupação dele ser um custo social. Para tanto, os formuladores de políticas públicas do governo podem adotar algumas medidas para responder ao problema: - tornar as atividades monopolistas mais competitivas; - regulamentar o comportamento dos monopólios estabelecendo tetos de preços; - transformando monopólios privados em empresas públicas e vice-versa. E por fim é importante considerarmos a prática comercial de discriminação de preços. Em muitos casos as empresas vendem o mesmo bem ou serviço a diferentes clientes por preços diferentes, muito embora os custos de produção sejam os mesmos. 7.3 Concorrências Imperfeitas II: concorrência monopolística Dizemos que um mercado é concorrência monopolística quando identificamos a existência de elementos da concorrência perfeita e do monopólio que o deixam em situação intermediária entre estas duas formas de organização de mercado. Concorrência monopolística: situação de mercado na qual existem muitas empresas vendendo produtos diferenciados que são substitutos próximos entre si. 28 Então, podemos considerar a existência de um grande número de compradores e de vendedores, cada empresa produzindo um produtodiferenciado, embora seja substituto próximo dos produzidos pelas outras empresas. Identificamos também a livre entrada e saída das empresas. Outras características são a curva de demanda negativamente inclinada, ilustrando que reduções do preço provocam aumentos nas quantidades vendidas. E a demanda é bastante elástica uma vez que há disponibilidade de numerosos substitutos para o produto, permitindo ao consumidor outras alternativas de consumo na ocorrência de aumentos de preço. Exemplos de concorrência monopolística podem ser dados no setor de serviços como os prestados em academias de ginástica, salões de beleza, padarias, bares, etc. Decisões sobre preço e produção de uma empresa em concorrência monopolística A empresa em concorrência monopolística no curto prazo tem comportamento de empresa em monopólio. Há restrições pela tecnologia de produção, pelos preços pagos pelos fatores de produção e a curva de demanda é negativamente inclinada. A empresa em monopólio irá produzir uma quantidade de produto para o qual Rmg = Cmg, podendo ter lucro extraordinário (lucro econômico) ou prejuízo no curto prazo. Em concorrência monopolística, quando uma empresa aumenta seu preço, seus clientes têm a opção de comprar um produto similar de outra empresa. Por sua vez, a empresa em concorrência monopolística no longo prazo tem comportamento de empresa em concorrência perfeita. Portanto, ela não obterá lucro extraordinário no longo prazo. Ela somente obterá lucro normal (lucro econômico zero), assim como uma empresa perfeitamente competitiva. Então, a obtenção do lucro zero requer que o preço aplicado pela empresa seja igual ao custo médio de produção (P = Cme). Como conclusão podemos sintetizar que em um mercado de concorrência monopolística no curto prazo as empresas podem obter lucro extraordinário ou prejuízo, ao passo que no longo prazo a livre entrada e saída de empresas na indústria faz com que cada empresa tenha lucro econômico igual a zero (lucro normal), assim como no mercado de concorrência perfeita. No equilíbrio de longo prazo não há incentivo para novas firmas entrarem ou saírem da indústria. 7.4 Concorrências Imperfeitas III: oligopólio e oligopsônio Esta estrutura de mercado é a que prevalece nas economias do mundo ocidental. Ela é caracterizada por um pequeno número de empresas que produzem bens substitutos entre si (idênticos ou diferenciados) e que praticam preços bastante similares. Os exemplos mais comuns são a indústria automobilística, a indústria de bebidas e a indústria de eletrodomésticos. 29 Há um método de se verificar se uma indústria é um oligopólio, através do qual se determina o índice de concentração da indústria. Este método fornece o percentual da produção da indústria que é controlada pelas quatro maiores produtoras. (aos alunos que pretendem maiores definições em economia de empresas, verifiquem as teorias de Cournot, Bertrand e Stackelberg contidas no Capítulo 12 do livro do Pindyck e Rubinfeld indicado nas Referências Bibliográficas) As principais características do oligopólio são: - a existência de poucas firmas interdependentes por considerarem e reagirem às decisões de preço e produção de outras. As principais características do oligopólio são: - a existência de poucas firmas interdependentes por considerarem e reagirem às decisões de preço e produção de outras. - o oligopólio pode ser puro nos casos de bens homogêneos ou substitutos perfeitos entre si como o cimento, o aço e outras matérias primas. Ou diferenciado, no caso dos produtos semelhantes, e portanto não idênticos como o cigarro, as bebidas e os automóveis. - e a existência de dificuldades para entrar na indústria como as economias de escala, o controle sobre as fontes de matérias-primas, e a existência de patentes como barreiras legais. Oligopsônio Esta estrutura de mercado é caracterizada por poucas empresas de grande porte compradoras de determinada matéria-prima. Estando no âmbito do fornecimento das matérias-primas, as empresas do oligosônio podem comprar de muitos pequenos produtores , ou então de um mercado fornecedor também concentrado, com poucos e grandes produtores. Esta última possibilidade também é denominada oligopsônio bilateral, que a exemplo das indústrias siderúrgicas e automobilísticas o comércio é caracterizado por poucos vendedores e poucos compradores. 30 Quadro - Resumo das estruturas de mercado (Nogami e Passos, pág. 355). 8 INTRODUÇÃO A MACROECONOMIA Macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento de grandes agregados, como renda e produtos nacionais, nível geral de preços, desemprego e emprego, etc. Ela trata o mercado de bens e serviços como um todo, assim como o mercado de trabalho, e preocupa-se com aspectos de curto prazo ou conjunturais. 8.1 Objetivos de política macroeconômica: Alto nível de emprego: preocupação com o fator surge após a Grande Depressão, com o teórico Keynes, pois antes predominava o pensamento liberal. Estabilidade de preços: inflação é o aumento contínuo e generalizado do nível geral dos preços. Distribuição eqüitativa de renda: disparidade acentuada no nível de renda brasileiro, tanto entre diferentes grupos socioeconômicos como entre regiões do país. Crescimento econômico: aumento do produto nacional por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva. Aumentar o produto além do limite de quantidade exigirá: • ou um aumento nos recursos disponíveis; • ou um avanço tecnológico. Dilemas de política econômica: inter-relações e conflitos de objetivos 31 Conflitos: metas de crescimento e eqüidade distributiva devido ao fator educacional, com maioria da mão-de-obra de baixa qualificação e baixos rendimentos. Instrumentos de política macroeconômica: Política fiscal: instrumentos que o governo usa para arrecadar tributos e controlar suas despesas, por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos, para estimular os gastos de consumo do setor privado. Princípio de anterioridade: implementação de uma medida só pode ocorrer a partir do ano seguinte ao de sua aprovação pelo Congresso Nacional. Política monetária: atuação do governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos na economia. • emissões; • reservas compulsórias; • open market; • redescontos; • regulamentação sobre crédito e taxas de juros. Políticas cambial e comercial: Cambial: atuação do governo sobre a taxa de câmbio; Comercial: instrumentos de incentivos às exportações e/ou estímulo/desestímulo às importações. Política de rendas: intervenção direta do governo na formação de renda com o controle e congelamento de preços. Estrutura de análise macroeconômica: Mercado de bens e serviços: demanda agregada depende da evolução da demanda dos quatro grandes setores: • consumidores; • empresas; • governo; • setor externo. Condição de equilíbrio de mercado: Oferta agregada de bens/serviços= demanda agregada de bens/serviços Variáveis: • nível de renda e produto nacional; • nível de preços; 32 • consumo agregado; • poupança agregada; • investimentos agregados; • exportações totais; • importações totais. Mercado de trabalho: determina as taxas de salário e nível geral de emprego. A demanda e a procura por mão-de-obra dependem da taxa de salário real e do nível de produção desejado pelas empresas. Oferta de mão-de-obra= demanda de mão-de-obra Mercado monetário: existência de uma demanda de moeda e de uma oferta de moeda, determinada pelo BC e pela atuação dos bancos comerciais. Oferta de moeda= demanda de moeda Variáveis desse mercado: • taxa de juros;• estoque de moeda. Mercado de títulos: análise do papel de agentes econômicos superavitários e deficitários e como eles se interagem. Oferta de títulos = demanda de títulos Análise do mercado monetário e de títulos é chamado de mercado financeiro. Mercado de divisas: devido as transações econômicas com o resto do mundo. Oferta de divisa: depende das exportações e da entrada de capitais financeiros. Demanda da divisa: determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro. Oferta de divisas = demanda de divisas Banco Central: pode interferir nesse mercado a partir de taxas de câmbio e da taxa de equilíbrio. Variáveis determinadas institucionalmente: gastos do governo e oferta de moeda. Mercado de capitais físicos: está embutido no mercado de bens e serviços por meio dos investimentos e da poupança. Mercado de capitais financeiros: estudo a partir do mercado monetário e de títulos. 33 8.2 Medidas da Atividade Econômica Antes de tratar do problema de medir a atividade econômica, é interessante voltar à definição do que à Macroeconomia. Pode-se entende-la como o estudo dos agregados econômicos, de seus comportamentos e das relações que guardam entre si. Os agregados que têm recebido mais atenção dos estudiosos são o produto nacional, o nível de emprego e a taxa de crescimento dos preços. O que distingue a Macroeconomia da Microeconomia é o fato de a primeira só se preocupar com o comportamento dos grandes agregados, sem dar muita importância às concorrências internas a eles. Assim, por exemplo, a Macroeconomia se preocupa com o que determina o produto nacional, sem prestar atenção na composição setorial desagregada desse mesmo produto. Renda e Produto Resumindo, poderíamos definir de uma maneira mais formal os conceitos de produto e renda nacional. Chama-se produto nacional o valor monetário de todos os bens finais produzidos na economia no período de um ano. Por outro lado, chama-se renda nacional o total de pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para obtenção desse produto. Produção Renda Valor total da produção de soja 600.000 Total de pagamentos de salário 800.000 Valor total da produção de trigo 400.000 Aluguel da terra 80.000 Juros pagos 20.000 Lucros (residual) 100.000 1.000.000 1.000.000 Entretanto, na economia do exemplo, não está incorporado um fenômeno fundamental do mundo real que é o uso de insumos intermediários no processo de produção. Não consideramos, por exemplo, que o processo de produção de trigo e soja exige o uso de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, ente outros. Valor Adicionado Da necessidade de excluir essas transações intermediárias da nossa contabilidade de produto e renda surge o conceito de valor adicionado. Para ilustrá-lo, vamos nos valer mais uma vez de um exemplo. Suponhamos que nossa economia agora só produza um único bem final, livros, por exemplo. Entretanto, para produzir livros, são necessários papel e tinta. Por outro lado, para produzir papel e tinta, são necessários madeira e corantes. Suponhamos ainda que corantes e madeira possam ser extraídos diretamente da natureza ou estejam disponíveis em estoques acumulados em períodos anteriores. Naturalmente, o preço do produto final, no caso o livro, já inclui os custos de papel e tintas, assim como os preços de papel e tinta já incluem o preço de madeira e corantes que foram necessários para a sua obtenção. Se somarmos o valor da produção de livros ao valor da produção de papel, tintas, madeiras e corantes, estaremos contando mais de uma vez a produção de insumos intermediários. A tabela ilustra bem o problema. Como podemos observar, o valor total das 34 vendas dessa economia é de R$ 490.000,00. Entretanto, R$ 290.000,00 são transações realizadas entre empresas. A diferença, R$ 200.000,00, é o valor das transações realizadas no mercado de bens finais. Como podemos ainda observar, essa diferença é igual ao valor das vendas de livros, que são os únicos bens finais nessa economia, e é também igual à soma dos valores adicionados em cada estágio de produção. Estágio de produção Vendas no período (1) Custo da matérias- primas produzidas no período (2) Valor adicionado no período (3) = (1) – (2) Madeira 60.000 0 60.000 Papel 80.000 60.000 20.000 Corantes 50.000 0 50.000 Tintas 100.000 50.000 50.000 Livros 200.000 180.000 20.000 Total 490.000 290.000 200.000 O conceito de despesa nacional O resultado da atividade econômica de um país também pode ser medido pelo conceito de despesa nacional. Despesa nacional é o gasto dos agentes econômicos com o produto nacional. Revela quem são os setores compradores do produto nacional. Nesse sentido, apresenta o mesmo valor do produto nacional, porém medido pela ótica de quem comprou o produto, e não de quem vendeu. Como o produto nacional, refere-se apenas às despesas com bens e serviços finais, excluindo as transações intermediárias (já incorporadas nos produtos finais). Temos então, um resultado interessante, denominado identidade básica das contas nacionais, qual seja, produto nacional = renda nacional = despesa nacional. No exemplo anterior, o resultado obtido, para as três óticas, é igual a R$ 200.000,000. A despesa nacional é dada pela despesa com a venda do produto final, livros que são bens de consumo. Se adicionarmos as despesas com bens de capital, os gastos do setor público e as despesas líquidas do setor externo (exportações menos importações), teremos que: Despesa nacional = despesa de consumo + despesas de bens de capital + despesas de governo + despesas líquidas do setor externo. Formação de Capital: Poupança e Investimento Poupança Agregada (S) É a parcela da renda nacional (RN) que não é consumida no período, isto é: S = RN – C, em que C é o consumo agregado e S, a poupança agregada (S, do inglês saving). Ou seja, de toda renda recebida pelas famílias, na forma de salários, juros, alugueis e 35 lucros, a parcela que não for gasta em consumo num dado período é a poupança agregada, não importando o que será feito posteriormente com ela (se é aplicada, se é transformada em investimentos e outros). Poupança é o ato de não consumir no período, deixando para consumo futuro. Investimento Agregado (I) É o gasto com bens que foram produzidos, mas não consumidos no período, e que aumentam a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. O investimento (também chamado de taxa de acumulação do capital) é composto pelo investimento em bens do capital (máquinas e imóveis) e pela variação de estoques de produtos que não foram consumidos. Os bens de capital são chamados, nas contas nacionais, de formação bruta de capital fixo. Tem-se então, que: investimento total = investimento em bens de capital + variação de estoques. Outras Medidas Agregadas Do total de bens finais produzidos pela economia em determinado espaço de tempo, uma parte refere-se a máquinas e equipamentos fabricados no período e que vão se incorporar ao estoque de capital da economia. Entretanto, parte desses equipamentos vai, na realidade, repor a parcela de equipamento que foi desgastada no período imediatamente anterior no processo de produção. O valor dessa parcela gasta no processo produtivo no período anterior é a depreciação. Assim, para efeitos de medida de atividade econômica, poderíamos considerar tanto o total de bens finais produzidos no período quanto o total líquido, isto é, abatida a depreciação. Dessa forma, o produto nacional brutoconsidera o total geral de bens e serviços finais produzidos pela economia, e o produto nacional líquido considera somente a produção de bens finais, em excesso àquela produção, que se destinou a repor o estoque de capital consumido no período. Resumindo, podemos dizer que o produto nacional bruto é igual ao produto nacional líquido mais a depreciação. PNB = PNL + depreciação A segunda pergunta que temos de responder é: qual a diferença entre produto nacional e produto interno? Para tanto, precisamos levar em consideração que alguns fatores de produção utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. Da mesma forma, alguns residentes no país têm fatores de produção sendo utilizados em outros países. Ou seja, parte da renda gerada no país é pagamento de fatores de propriedade de não-residentes, e parte da renda gerada em outros países é pagamento de fatores de produção de propriedade de residentes. Como levar esse fato em consideração nas medidas de renda e produto que estamos discutindo? A solução para o problema é abrir mais uma conta de produto, ou seja, produto interno, na qual só se consideraria o pagamento a fatores de produção de residentes. Então, a diferença entre o produto interno e produto nacional seria exatamente a renda líquida enviada para pagamento de fatores de propriedade de não-residentes. Em outras palavras, o produto nacional mais a renda enviada 36 para pagamento de fatores de propriedade de não-residentes menos a renda recebida do exterior para pagamento de fatores de produção de residentes é igual ao produto interno. PI = PN + renda líquida enviada ao exterior. Em relação ao produto bruto, temos, então: PIB = PNB + renda líquida enviada ao exterior. Existem ainda outras medidas da atividade econômica que precisam ser consideradas por sua importância na aferição do desempenho de setores particulares da economia. Assim, por exemplo, podemos medir o produto nacional a preços de mercado ou a custos dos fatores de produção. Nesse mercado não se considera o fato de o governo não cobrar impostos indiretos, tais como IPI e ICMS nas diversas etapas de comercialização, tanto dos produtos intermediários como dos produtos finais. Ao mesmo tempo, o governo permite que a cada etapa de produção sejam feitos abatimentos relativos aos impostos indiretos pagos sobre as matérias-primas utilizadas. Por essa razão, quando chegarmos aos produtos finais, seus preços serão não somente o valor adicionado nos diversos estágios de produção, mas também o total de impostos indiretos pagos e não abatidos até a obtenção desse produto. Em vista disso, se medirmos o produto pela soma dos valores adicionados nos diversos estágios de produção, estaremos fazendo uma avaliação a custo dos fatores. Por outro lado, se medirmos o produto pelo somatório dos preços de mercado multiplicados pelas respectivas quantidades, estaremos medindo o produto a preços de mercado. A diferença entre essas duas medidas é dada pelo montante de impostos indiretos. Resumindo, podemos escrever: PN a preços de mercado = PN a custo dos fatores + impostos indiretos. Deve ainda ser ressaltado que a renda nacional é igual ap produto nacional líquido a custo dos fatores. Uma última medida de larga utilização em economia é a da renda disponível do setor privado. O que se procura medir com esse conceito de renda disponível é quanto o setor privado da economia teve a seu dispor como resultado da atividade econômica no período em questão. Partindo da renda nacional a custo dos fatores, temos de levar em consideração que os indivíduos têm de pagar impostos diretos, tais como imposto de renda de pessoas físicas e contribuições compulsórias que o setor privado faz e acrescentadas todas as transferências do setor público para o setor privado, tais como pagamentos de aposentadorias, subsídios e outros, teremos como resultado líquido um conceito de renda que tenta medir quanto o setor privado teve a seu dispor, para consumo e poupança, como resultado da atividade econômica no período em questão. 8.3 INFLAÇÃO 8.3.1 Introdução Inflação: aumento contínuo e generalizado no índice dos preços. 37 Fontes de inflação costumam variar de acordo com as condições do país: • tipo de estrutura de mercado; • grau de abertura da economia ao comércio exterior; • estrutura das organizações trabalhistas. Forma tradicional de estudar inflação: • inflação de demanda; • inflação de custos; • inflação inercial. Inflação de demanda: excesso de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços. Curva de Phillips: mostra que existiria uma relação inversa entre taxas de salários e as taxas de desemprego. Trade off: relação inversa entre taxas de salários nominais e taxas de desemprego. Coeteris paribus: elevações da procura agregada levam as empresas a demandar mais mão- de-obra, ocasionando aumento de salários monetários e redução das taxas de desemprego. Inflação de custos: pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta, o nível da demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores importantes aumentam. Causas comuns do aumento dos custos de produção: • aumentos do custo de matérias-primas; • aumentos salariais acima da produtividade; • estrutura de mercado. Inflação inercial: processo automático de realimentação de preços, provocada pelos mecanismos de indexação formal e indexação informal. Efeitos provocados por taxas elevadas de inflação: os piores efeitos ocorrem da distribuição de renda, nos investimentos empresariais e crescimento econômico, no balanço de pagamentos e nas finanças públicas. Distorção mais séria provocada por altas taxas de inflação: piora da distribuição de renda devido à redução do poder aquisitivo da classe trabalhadora dependente de rendimentos fixos, com prazos legais e reajustes. Afirma-se que a inflação é um “imposto sobre o pobre”. Imposto inflacionário: espécie de taxação que o BC impõe à coletividade pelo fato de deter o monopólio das emissões. A política econômica brasileira de combate à inflação 38 • Necessidade de o governo fornecer infra-estrutura para que o setor privado produza o volume de bens/serviços desejados pela sociedade. • Baixa produtividade dos serviços do governo e conseqüente ineficiência na aplicação de seus recursos, associadas à impossibilidade de o governo aumentar a carga tributária dado o baixo nível de renda per capita da população. Tratamento de choque: rígida política monetária, fiscal e salarial que mudou o patamar da inflação de cerca de 100%, em 1964, para perto de 30%, em 1967. 1964-1973 uso da linha de pensamento econômico ortodoxa para diagnosticar as causas da inflação brasileira, atribuindo ao excesso da demanda e ao desequilíbrio das contas públicas a causa da inflação. Inflação inercial: todos os negócios eram firmados com base em um índice que procurava garantir a correção monetária dos valores envolvidos. Os aumentos de preços eram captados pelo índice e automaticamente repassados para os demais preços da economia realimentando a inflação. Plano Cruzado: rompeu com o mecanismo de propagação da inflação ao congelar preços, salários e câmbio. Plano Bresser e Plano Verão e Plano Collor: congelaram os preços e salários para tentar conter o processo inflacionário brasileiro. Plano Real: reconhece que as principais causas da inflação brasileira estavam no desequilíbrio do setor público e nos mecanismos de indexação. Âncora cambial: valorização da moeda nacional ao lado de um regime de bandas cambiais para baratear o custo dos produtos importados. Âncora monetária: elevação das taxas de juros e da taxa de reservas compulsórias dos bancos comerciais,com o objetivo de controlar a demanda agregada. Metas inflacionárias: cumprir metas de inflação estabelecidas para o ano corrente e próximo com tolerância e desvio de 2% para cima ou para baixo. A corrente estruturalista: supõe que a inflação em países em via de desenvolvimento é essencialmente causada por pressões de custos, derivadas de questões estruturais: • estrutura agrícola; • estrutura do comércio internacional; • estrutura oligopólica dos mercados. 39 Conflitos distributivos: são responsáveis pelas causas da inflação pois se estabelecem na tentativa de os vários setores da sociedade buscarem se manter ou elevar sua parcela de renda nacional. Introdução: discussão das atividades do Estado com destaque em alguns aspectos da expansão estatal. 8.4 SETOR PÚBLICO 8.4.1 O crescimento da participação do setor público na atividade econômica Início do séc. XX: regulação da atividade econômica, colocando em dúvida o papel da “mão invisível de Adam Smith”. Participação do Estado na economia cresceu pelas seguintes razões: • desemprego; • crescimento da renda per capita; • mudanças tecnológicas; • mudanças populacionais; • efeitos da guerra; • fatores políticos e sociais; • mudanças da Previdência Social. As funções econômicas do setor público Função alocativa: está associada ao fornecimento de bens/serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. Bens públicos: impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo, uma vez delimitado o volume da produção. Princípio da exclusão: quando um indivíduo pode pagar pelo consumo de um bem e o indivíduo que não pode pagar é excluído desse consumo. Bem rival: quando o consumo de um bem por um indivíduo exclui o consumo por outros indivíduos. Bem não rival: quando o consumo de um bem por um indivíduo não diminui a quantidade a ser consumida por demais indivíduos. Bens de consumo coletivo: bem público que pode ser usado por vários indivíduos sem excluir outro indivíduo, pois sua utilização não é saturada. Bens semipúblicos: satisfazem o princípio da exclusão, mas são produzidos pelo Estado. 40 Função distributiva: governo funciona como agente redistribuidor de renda ao tributar, retirar recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e transferi-los para os segmentos menos favorecidos. Função estabilizadora: intervenção do Estado na economia para alterar o comportamento dos níveis de preços e emprego. Quarta função do setor público: função de crescimento econômico, que diz respeito às políticas que permitem aumentos na formação de capital. Estrutura tributária Princípios da tributação: • princípio da neutralidade; • princípio da eqüidade; • princípio do benefício; • princípio da capacidade de pagamento Os tributos e sua classificação: • imposto direto: sobre a riqueza ou sobre a renda. • imposto indireto: sobre transações de mercadorias e serviços. • impostos regressivos: aumento da contribuição é proporcionalmente menor que o incremento ocorrido na renda. • impostos proporcionais ou neutros: o aumento da contribuição é proporcionalmente igual ao ocorrido na renda. • impostos progressivos: aumento na contribuição é proporcionalmente maior que o aumento ocorrido na renda. Efeitos sobre a atividade econômica: • imposto proporcional sobre a renda seria neutra do ponto de vista do controle da demanda agregada; • imposto progressivo exerce controle quase automático sobre a demanda; • curva Lafer: quando a alíquota é relativamente baixa, estabelece-se uma relação direta entre ela e a arrecadação; • efeito Olivera-Tanzi: ocorre em períodos de aceleração inflacionária, há uma defasagem entre o fato gerador do imposto e o momento de seu recolhimento. 41 Déficit público: conceitos e formas de financiamento • déficit nominal: indica o fluxo líquido de novos financiamentos obtidos ao longo de um ano pelo setor público não financeiro em suas esferas: União, governos estaduais, municipais, empresas estatais e Previdência Social. • déficit primário: medido pelo déficit total, excluindo a correção monetária e cambial e os juros reais da dívida contraída anteriormente. • déficit operacional: pode ser medido tanto excluindo-se do déficit total a correção monetária e cambial ou acrescendo-se ao resultado primário os juros reais da dívida passada. • déficit de caixa: omite as parcelas do financiamento do setor público externo e do resto do sistema bancário, bem como fornecedores e empreiteiros. Financiamento do déficit: • emitir moeda: o Tesouro Nacional pede emprestado ao BC; • vender títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). Monetarização da dívida: BC cria moeda para financiar a dívida do Tesouro. Uma observação sobre o déficit público e inflação Há países com déficit público em relação ao PIB mais elevado que o Brasil, porém com taxas de inflação quase nula, porque as dívidas desses países de moeda forte estão distribuídas de maneira relativamente uniforme ao longo de um horizonte de tempo, e nesses prazos os investidores internacionais adquirem títulos desses países. Aspectos institucionais do orçamento público. Princípios orçamentários Orçamento público: • orçamento tradicional: disciplinar finanças públicas e possibilitar aos órgãos de representação de controle político sobre o Executivo. • orçamento moderno: atribui ao governo a condição de responsável pela manutenção da atividade econômica e as alterações orçamentárias passaram a ter grande importância. Princípios orçamentários: • princípio da unidade; • princípio da universalidade; • princípio do orçamento bruto; • princípio da anualidade; 42 • princípio da não-vinculação das receitas; • princípio da discriminação ou especialização; • princípio da exclusividade; • princípio do equilíbrio. Orçamento público no Brasil: • plano plurianual; • as diretrizes orçamentárias; • os orçamentos anuais. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): compreende as metas e prioridades da administração pública federal. • despesas de capital para o exercício financeiro subsequente; • orienta a elaboração da lei orçamentária anual; • dispõe sobre as alterações na legislação tributária; • estabelece a política de aplicação das agências oficiais de fomento. A Lei de Responsabilidade Fiscal: instrumento da política fiscal implementado a partir de 1998, para proporcionar o equilíbrio orçamentário do setor público. • limite para as despesas com o funcionalismo público: de 50% para a União; e de 60% para Estados Municípios. • proibição de socorros financeiros entre União, Estados e Municípios; • limite de despesas feitas pelos administradores em final de mandato; • limites de endividamento para União, Estados e Municípios, por meio do Senado. REFERÊNCIAS ANHEMBI. Disponível em <http://www2.anhembi.br/html/ead01/economia/lu07/lo3/index.htm> Acessado em 14 de março de 2018. VASCONCELLOS, M. A. S. et al. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, 2008. VASCONCELLOS, M. A. S. et al. Manual de Economia. São Paulo: Saraiva, 2004.