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Cinética e Mecanismo de reações de compostos de coordenação Shriver, D.F.; Atkins, P.W.; Langford,C.H. Inorganic Chemistry, 4a ed., Oxford: Oxford University Press, 2008, cap 19. Huheey, J.E., Keiter, E.A., Keiter, R.L., Inorganic Chemistry – Principles of Structure and Reactivity, 4ª ed. Harper Collins, 1993, cap. 13 Aula 5 1 Porque é importante saber o mecanismo? • Mecanismo: seqüência de etapas elementares que ocorre em uma reação • Controlar a reação e inferir sobre cinética • Melhorar a cinética - catálise 2 Revisão: Estabilidade Henry Taube (Nobel de Química em 1983 por cinética em compostos de coordenação), sugeriu os termos lábil e inerte. Esses são termos CINÉTICOS Regra empírica: complexos que reagem completamente dentro de 1 minuto são considerados lábeis. Aqueles que reagem acima de 1 minuto são inertes. Esses termos definem o quão rápido um composto reage em relação a quão estável ele é. Esses termos se referem a velocidade da reação que é governada pela energia de ativação. 3 Os termos estável e instável, são termos TERMODINÂMICOS Esses termos estão relacionados com energia livre, entalpia e entropia das reações envolvendo esses compostos. Reações com G (energia livre) negativo, correspondem a constantes de equilíbrio elevadas em direção aos produtos,ou seja, os produtos são considerados mais estáveis que os reagentes. Revisão: Estabilidade 4 [Co(NH3)6] 3+ + 6H3O + [Co(H2O)6] 3+ + 6 NH4 + K ~ 1030 Instável (termodinamicamente) Entretanto, a reação demora dias a T ambiente mesmo com HCl 6M, assim o complexo também é inerte (cineticamente) Revisão: Estabilidade 5 Ni2+ + 4 CN- [Ni(CN)4] 2- (K = 1030) O complexo [Ni(CN)4] 2- é bastante estável em relação do Ni2+ e ligante CN- livre. Entretanto, o complexo é lábil, ou seja, os ligantes CN- na esfera de coordenação trocam rapidamente com ligantes livres CN- em solução aquosa: Complexos da 1ª. Série de transição (com exceção Co3+ e Cr3+) são lábeis. 2ª. e 3ª. Série são inertes. Revisão: Estabilidade [Ni(CN)4] 2- + 4 14CN- [Ni(14CN- )4] 2- + 4CN- (t ~ segundos 6 Mecanismos de reações em compostos de coordenação • Reações de substituição o Complexos quadrados planares o Complexos octaédricos • Reações de oxi-redução o Mecanismo de esfera interna o Mecanismo de esfera externa • Reações fotoquímicas 7 Mecanismo de substituição Intermediário verdadeiro Dissociativo: D – é a sequencia da reação onde um intermediário de NC reduzida é formado pela partida do grupo de saída. 8 MLnX MLn + X MLn + Y MLnY Ex: W(CO)6 W(CO)5 + CO W(CO)5 + PPh3 W(CO)5(PPh3) 9 Associativo- A: envolve uma etapa onde um intermediário é formado com um NC maior do que o NC original. Ex: [Ni(CN)4] 2- + 14CN- [Ni(CN)4( 14CN)]3- [Ni(CN)4( 14CN)]3- [Ni(CN)3( 14CN)]2- + CN - Intermediário Detectado e isolado. Troca: I – a saída de um grupo e a entrada de outro é uma etapa única, formando um estado de transição, mas não é um intermediário verdadeiro. Formação de estado de transição 10 Este mecanismo é comum para muitas reações de complexos hexacoordenados. A diferença ente A e I depende se o intermediário persiste suficiente para ser detectado. Lei de Velocidade para Substituição Nucleofílica em Complexos Quadrados Planares k1 k2 kobs = k1 + k2[Y] 11 Condição de pseudo-primeira ordem [I] >> [complexo] v = (k1 +k2[I])[PtCl(dien)+] v = kobs[PtCl(dien) +] Lei de Velocidade para Substituição Nucleofílica em Complexos Quadrados Planares 12 Lei de velocidade - d[ML2TX]/dt = k1 [ML2TX] + k2 [ML2TX][Y] • k2 sugere mecanismo associativo, onde a velocidade depende do complexo e da natureza e concentração do nucleófilo, Y. • k1 sugere mecanismo dissociativo, onde a velocidade depende apenas do complexo. • O mecanismo dissociativo de fato é um mecanismo associativo, pois moléculas de solvente também são nucleofilos poderosos !!! ML2TX Y ML2TY ML2TS S Y 13 Conclusão? • O mecanismo de substituição em complexos quadrados planares é ASSOCIATIVO, com duas constantes de velocidade, k1 e k2, onde k2 depende do complexo e do nucleófilo e k1 depende do complexo e do solvente. 14 Como provar? • Reações em diferentes solventes, de fato a reação ocorre mais rapidamente em solventes nucleofílicos • Se a reação fosse dissociativa, deveria ser acelerada na presença de ligantes grandes; o oposto é observado. • Aspectos termodinâmicos 15 X = I- ou SC(NH2)2 R = 2,4,6-Me3C6H2 I- SC(NH2)2 k1 k2 k1 k2 H 80 59 71 43 S -52 -115 -80 -130 V -16 -16 -17 -11 S estado de desordem que ocorre na formação do estado de transição V mudança de volume que ocorre na formação do estado de transição V dissociativo V associativo 16 Como verificar o mecanismo? • Perguntas? o Como o grupo de entrada afeta a velocidade de reação? o Como o grupo de saída (cis/trans) altera a velocidade de reação? o E o centro metálico, como interfere? 17 Efeito Trans É o efeito do ligante TRANS ao grupo de saída. Ocorre com maior intensidade para complexos quadrados planares: Foi observado que variando a natureza do ligante T (ligante trans ao grupo de saída) a velocidade da reação também variava várias ordens de magnitude (Evidência!!!) 18 COMO EXPLICAR? 19 O efeito trans pode ser definido como a labilização dos ligantes trans em comparação com outros ligantes: o ligante trans é chamado de ligante direcionador. • Em ambos os casos o isômero observado é o que é formado pela SUBSTITUIÇÃO do ligante trans ao íon cloreto. Efeito Trans 20 Comparação do efeito direcionador do ligante trans a partir da velocidade da reação: CN-, CO, NO, C2H4 > PR3, H- > CH3-, C6H5-, SC(NH2)2, SR2 > SO3H- > NO2-, I-, SCN- > Br- > Cl- > py > RNH2, NH3 > OH- > H2O Efeito trans >>> efeito cis 21 Estereoquímica evidência do mecanismo associativo • Ligante de entrada pode se coordenar pelo orbital pz vazio (ambos os lados) espécie quadrática piramidal e em seguida bipirâmide trigonal* 22 A espécie que se forma após o ataque pode ser tanto um complexo ativado ou um intermediário isolado: 23 Existem 2 modos para diminuir E entre o estado fundamental e o estado de transição e labilizar a ligação M X : (I) desestabilização do estado fundamental enfraquecendo a ligação M X ou (II) estabilização do estado de transição Por que ocorre o efeito trans? Como o ligante T aumenta a velocidade da reação e induz a saída de X em preferência a ele mesmo ou aos ligantes cis? Efeito Trans 24 O efeito é desestabilizar o estado fundamental (I): habilidade -doadora do ligante T H- > PR3 > SCN - > I- > CH3 -, CO, CN- > Br- > Cl-> NH3 > OH - Quais orbitais em comum têm o ligante T e o ligante X? M T X L1 L2 Se T forma uma ligação forte com M, a ligação M X é enfraquecida pois o metal utiliza o mesmo orbital para ligar os dois ligantes Estado fundamental 25 O efeito é estabilizar o estado de transição (II): habilidade -receptora do ligante T Pt Y T X Pt Y T X L L Bipirâmide trigonal (estado de transição ou intermediário) C2H2, CO > CN - > NO2 - > SCN- > I- > Br- > Cl-> NH3 > OH - Estado de transição 26 CO e CN-: ligantes -doadores médios e fortíssimos - receptores. Retiram densidade eletrônica acumulada no metal como resultado da entrada do 5º ligante, ou seja, diminuem a energia do estado de transição ou intermediário (II): Ligantes -receptores terão preferência pela posição equatorial da bipirâmide: a extensão dessa ocupação, forçará o ligante X a sair do complexo Estado de transição 27 CN-, CO, NO, C2H4 > PR3, H - > CH3 -, C6H5 -, SC(NH2)2, SR2 > SO3H - > NO2 -, I-, SCN- > Br- > Cl- > py > RNH2, NH3 > OH - > H2O AMBOS os fatores operam na saída de X: Efeito Trans 28 Nucleofilicidade Para a maioria das reações com Pt(II), a constante k2 aumenta na seguinte ordem: H2O < NH3 < Cl - < py < Br- < I- < CN- < PR3 29 30 31 Sensíveis ao grupo de entrada 32 Considerações A reação de substituição em complexos quadrados planares é realizada pelo mecanismo associativo, onde a reação depende fortemente do grupo de entrada! 33 Complexos octaédricos • Fator determinante Eact da reação de substituição em complexo octaédrico: o quebra da ligação entre o metal e o grupo que vai sair (X). • Geralmente é um mecanismo dissociativo: o o complexo ativado apresenta um número de coordenação inferior ao do complexo inicial • Os estudos de velocidades e mecanismos de reações de substituição foram feitos utilizando complexos de Co(III). • Estudos em complexos octaédricos foram limitados a dois tipos de reações: 1- Substituição da H2O coordenada 2- Reações de hidrólise 34 35 36 Constante de velocidade para a troca de H2O de cátions medida pro RMN 37 39 Efeito da carga do metal 40 Efeito da natureza do metal 41 alto Mecanismos de Substituição em Complexos Octaédricos 42 Em complexos octaédricos, a reação de substituição M OH2 + L M L + H2O pode ocorrer tanto por mecanismo ASSOCIATIVO quanto DISSOCIATIVO. Mecanismos (Associativo/Dissociativo) são extremos • Associativo (A): A ligação M-L é totalmente formada antes da ligação M-OH2 se romper • Associativo de troca (IA): A ligação M-OH2 começa a se romper antes que M-L se forme por completo, porém a formação é mais importante • Dissociativo (D): A ligação M-OH2 é totalmente quebrada antes da formação de M-L • Dissociativo de troca (ID): A ligação M-L começa a se formar antes que M-OH2 se quebre totalmente, porém quebra é mais importante 43 Relembrando....... Dissociativo (D) Associativo (A) Troca (I) Ia se associação É mais importante Id se dissociação É mais importante 44 Cinética para reações dissociativas 45 Cinética para reações de Troca Equilibrio rapido K1 = k1/k-1 k2 << k-1 Para [Y] >> [ML5X] 46 Cinética para reações associativas 47 Principais mecanismos de troca de ligante Dissociativo Associativo 48 • Para os complexos de Co(III) há a evidência para o mecanismo dissociativo de troca (ID): [Co(NH3)5(H2O)] 3+ + Xn- [Co(NH3)5X] m+ + H2O Notem! Existe pouca variação na velocidade da reação com a natureza do ligante de entrada Devido a inércia os complexos de Co(III) e Cr(III) foram os mais estudados: 49 Considerando a reação inversa: [Co(NH3)5X] m+ + H2O [Co(NH3)5(H2O)] 3+ + Xn- Se o mecanismo for DISSOCIATIVO como mostra o resultado anterior, então a velocidade da reação acima deve depender de X (quebra da ligação M X): É verdade? 50 Efeito estérico [Co(NMeH2)5Cl] 2+ + H2O [Co(NMeH2)5 (H2O)] 3+ + Cl- + volumoso, enfraquece a ligação M L De fato, a reação acima é 22 vezes mais rápida que [Co(NH3)5Cl] 2+ + H2O [Co(NH3)5(H2O)] 3+ + Cl- + evidência! 51 Notem! Se fosse mecanismo associativo (IA ou A), o efeito estérico deveria diminuir a velocidade da reação! Conclusão Os resultados mostrados confirmam o mecanismo DISSOCIATIVO para complexos octaédricos de Co(III) 52 Ativação Associativa Associativo Dissociativo Ataque nucleofílico: • baixa população de elétrons d (não-ligantes ou *) ou • centro metálico grande 53 Para os complexos do tipo [M(NH3)5(H2O)] 3+ onde M= Co3+, Rh3+, Ir3+ , o mecanismo de fato é ASSOCIATIVO (mais precisamente IA): Foi observado que a velocidade depende da natureza e concentração do ligante de entrada (X) • Volume de ativação, V#: Mudança da compressibilidade que ocorre quando a reação passa do estado fundamental para o de transição 54 Mudança de IA para ID de Ti 3+ para Fe3+ . Conclusão? Os resultados sugerem que da esquerda para a direita na série de transição, o mecanismo muda gradualmente de associativo para dissociativo 55 Velocidade das reações influenciadas por ácido e base Catalisada por ácido • reação de substituição de F - por H2O [Cr(H2O)5F] 2+ + H+ [Cr(H2O)5---F---H] 3+ [Cr(H2O)5---F---H] 3+ + H2O [Cr(H2O)6] 3+ + HF enfraquecimento da ligação M L: O mesmo seria observado para [Cr(H2O)5(NH3)]2+ ? Ligantes com par de elétrons Reações de substituição que ocorrem em solução aquosa são freqüentemente aceleradas por ácido ou base: 6,2 x 10-10s x 1,4x 10-8s Sol. neutra Sol. ácida 56 Catalisada por base reação de substituição de Cl - por OH - Velocidade = k[(Co(NH3)5Cl) 2+][OH-] [Co(NH3)5Cl] 2+ + OH- [Co(NH3)4(NH2)Cl] + + H2O [Co(NH3)4(NH2)Cl] + [Co(NH3)4(NH2)] 2+ + Cl- (lenta) (etapa determinante) [Co(NH3)4(NH2)] 2+ + H2O [Co(NH3)5 (OH)] 2+ (rápida) 57 Consideração Não há um mecanismo que prevalece, esse ainda é um campo com muita controvérsia e dúvidas. 58