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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Um átomo polieletrônico é um átomo com mais de um elétron, e mesmo o átomo de Hélio(Z=2) é considerado um átomo polieletrônico. A resolução da equação de Schrondiger para sistemas polieletrônicos (N elétrons) é uma função de 3N coordenadas de todos os elétrons. Não há esperança de encontrar soluções exatas para funções muito complicadas. Todavia, é importante fazer uso de cálculos sofisticados para se obter energias precisas e densidades de probabilidade. Para a Química Inorgânica, podemos fazer uso do chamado Aproximação do Orbital, em que elétrons ocupam orbitais atômicos que se assemelham àqueles encontrados para átomos hidrogenóides. Importante: Quando dizemos que um elétron “ocupa” um orbital atômico, queremos dizer que ele é descrito por sua função de onda correspondente. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos É relativamente fácil descrevermos a estrutura eletrônica do átomo de Hélio em seu Estado Fundamental, ou seja, seu estado de mais baixa energia. De acordo com a Aproximação do Orbital, supõe-se que os dois elétrons ocupam um orbital atômico que tem a mesma forma esférica como a do orbital s de um átomo hidrogenóide. Todavia, o orbital será mais compacto porque a carga nuclear do hélio é maior do que a carga nuclear do hidrogênio, e logo os elétrons serão atraídos para o núcleo mais fortemente do que no átomo de hidrogênio. A Configuração do Estado Fundamental de um átomo é a declaração dos orbitais que seus elétrons ocupam no seu Estado Padrão, ou seja, de mais baixa energia. Para o átomo de Hélio, com dois elétrons no orbital 1s, a configuração do estado Fundamental é 1s2. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Conceituação: Diamagnetismo e Paramagnetismo Substâncias Diamagnéticas são substâncias que são fracamente repelidas por um campo eletromagnético, tal como um campo gerado por um imã. Já substâncias paramagnéticas são substâncias que são atraídas por um campo eletromagnético. Experiências mostram que átomos de hidrogênio, com configuração 1s1, são paramagnéticos. Para o átomo de hélio, de configuração 1s2, evidências experimentais mostram que o mesmo é diamagnético. Paramagnético Diamagnético UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos À medida que vamos para o próximo átomo, Lítio(Z=3), encontramos problemas maiores . A Configuração 1s3 é proibida por uma fundamental característica da natureza conhecida como Princípio de Exclusão de Pauli. “Não mais do que dois elétrons ocuparão um único orbital , e se dois elétrons ocuparem um mesmo orbital, seus spins devem ser pareados.” Uma outra forma de expressar este princípio é dizer que nenhum elétron poderá ter os 4 números quânticos iguais. Este princípio foi introduzido originalmente para explicar a ausência de certas transições no espectro do átomo de Hélio. Exemplo: Para a configuração eletrônica do Hélio, 1s2, os números quânticos relacionados aos dois elétrons são: n=1, l=0, ml=0, ms=+1\2(α) e n=1, l=0, ml=0, ms=-1\2(β) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Como a configuração 1s3 é proibida, o terceiro elétron deve ocupar um orbital de uma camada com um maior número quântico principal n. Porém, qual dos dois orbitais(2s e 2p) de número quântico principal 2 o elétron deve ocupar? Importante: Em átomos hidrogenóides, subcamadas de uma mesma camada possuem a mesma energia, porém dados espectroscópicos e cálculos mostram que este não é o caso para átomos polieletrônicos. Na Aproximação do Orbital, tratamos a repulsão entre elétrons de maneira aproximada supondo que a carga eletrônica é distribuída esfericamente em torno do núcleo. Logo, cada elétron se move em um campo de atração do núcleo e experimenta uma carga média de repulsão de outros elétrons. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos De acordo com a eletrostática clássica, o campo que surge da distribuição esférica de carga é equivalente ao campo gerado por um único ponto de carga no centro da distribuição. Esta carga negativa, em função da presença de outros elétrons, reduz a verdadeira carga do núcleo de Z para Zef, em que Zef é chamada de Carga Nuclear Efetiva. A Carga Nuclear efetiva depende dos valores dos números quânticos n e l do elétron de interesse, porque elétrons em diferentes camadas e subcamadas se aproximam do núcleo com diferentes extensões. A Redução da verdadeira carga nuclear para a carga nuclear efetiva pela presença de outros elétrons é denominada Blindagem. A Carga Nuclear efetiva é muitas vezes expressa em termos da verdadeira carga nuclear e um fator empírico denominado constante de blindagem, σ, através da fórmula: Zef=Z- σ UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Linhas de Força de um Campo Elétrico gerado por uma carga positiva no centro. Quanto maior for a distância em relação à carga(r), menor será a atração ou repulsão do campo elétrico. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Zef=Z- σ UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Quanto mais próximo do núcleo um elétron pode se aproximar, mais próximos os valores de Z e Zeff serão porque o elétron é repelido menos por outros elétrons presentes no átomo. Consideremos um elétron descrito pelo orbital atômico 2s no átomo de lítio; há uma probabilidade diferente de zero que esse elétron possa ser encontrado dentro da camada 1s e experimente a carga nuclear total, ou seja, se torne mais estável. Um elétron em 2p não penetra nas camadas mais internas de elétrons tão efetivamente porque sua função de onda vai a zero no núcleo. Como consequência, ele é mais fortemente blindado do núcleo por elétrons mais internos. Daí conclui-se que um elétron 2s tem uma energia menor(está ligado mais fortemente) que um elétron em 2p. Por isso o elétron irá ocupar o orbital 2s antes de ocupar o orbital 2p, gerando assim uma configuração no estado fundamental para o Lítio do tipo 1s2 2s1 e não 1s2 2p1. A Presença de elétrons dentro de camadas de outros elétrons é chamada Penetração. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Há uma probabilidade diferente de zero de que o elétron em 2s elétron possa ser encontrado dentro da camada 1s e experimente a carga nuclear total. A Probabilidade disso acontecer com um orbital descrito pelo orbital 3s é menor, porém existente. Função de Distribuição Radial para orbitais ns. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Alguns valores de Z e Zef para diferentes orbitais em um átomo. Um orbital 2p (n=2, l=1) não tem nodos radiais porque sua função de onda radial não passa pelo zero em nenhum momento. Todavia,um orbital 2p, assim como todos os outros orbitais diferentes dos orbitais s, é zero no núcleo (r=0). As funções de onda radiais de orbitais 2p e 3p possuem, respectivamente 0 e 1 nodos radiais. Cada orbital tem uma amplitude zero no núcleo(r=0). UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Funções de Onda Radiais para orbitais ns. Cada orbital s tem uma amplitude diferente de zero no núcleo, na realidade, seu máximo de amplitude(r=0). UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Funções de Distribuição Radial para orbitais nd. A Função de distribuição radial fornece a probabilidade de um elétron ser encontrado a uma dada distância do núcleo. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Este padrão de energias descrito para o átomo de lítio, com a subcamada 2s de menor energia do que a subcamada 2p (ns menor que np), é uma característica geral de átomos polieletrônicos. • A Tendência típica da carga nuclear efetiva é um aumento ao longo de um período, ou seja, à medida que andamos por um período, a carga nuclear efetiva aumenta. • Similarmente, a carga nuclear efetiva é maior para elétrons em um orbital np em comparação a um elétron em um orbital nd. Importante: Como resultado da Penetração e Blindagem, a ordem de energia em muitos átomos polieletrônicos é tipicamente ns<np<nd<nf Observação: Orbitais f são os menos penetrantes de todos, o que gerará um fenômeno a ser estudado por nós chamado Contração dos Lantanídeos. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Em uma dada camada, orbitais s são os mais penetrantes e os orbitais f os menos penetrantes. O efeito total da penetração e blindagem pode ser observado no diagrama de energia ao lado para átomos neutros (Z<21). Para Z>21, 3d é menor em energia do que 4s. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A ordem de energia dos orbitais depende fortemente do número de elétrons presentes no átomo e pode mudar com a ionização. Por exemplo, os efeitos de penetração são muito pronunciados para elétrons 4s no potássio e cálcio, e nesses átomos o orbital 4s encontra- se abaixo em energia em relação aos orbitais 3d. Todavia, de Sc até Zn(Z=30), orbitais 3d em átomos neutros aparecem próximos porém abaixo em energia que os orbitais 4s. Em átomos do Gálio(Ga, Z=31) em diante, os orbitais 3d aparecem bem abaixo em energia se comparados com os orbitais 4s, e a camada de valência é a das subcamadas 4s e 4p. Para Z>21, 3d é menor em energia do que 4s. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Resumo das energias dos orbitais pela Tabela Periódica. Os efeitos são muito sutis e a ordem dos orbitais depende fortemente do número de elétrons presentes no átomo. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Configuração Eletrônica Padrão de átomos de muitos elétrons são determinadas experimentalmente por espectroscopia. Para isto, precisamos considerar ambos os efeitos de penetração e blindagem nas energias dos orbitais e o papel do Princípio de Exclusão de Pauli. O princípio de construção( Princípio Aufbau) é um procedimento que leva a uma configuração no estado padrão plausível. Não é infalível! Cada orbital pode acomodar até dois elétrons. Logo, os 3 orbitais degenerados de uma subcamada p pode acomodar um total de 6 elétrons, e os orbitais d podem acomodar até 10 elétrons. As configurações eletrônicas no estado fundamental para os 5 primeiros elementos são: H(Z=1, 1 s1), He(Z=2, 1 s2), Li(Z=3, 1 s22s1), Be(Z=4, 1 s22s2), B(Z=5, 1 s22s22p1). Esta ordem está de acordo com os dados experimentais. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Quando mais de um orbital de mesma energia (degenerado) está disponível para ocupação, tais como os orbitais p começam a ser preenchidos no Boro e Carbono, adota- se a Regra de Hund de Máxima Multiplicidade. Quando mais de um orbital tem a mesma energia, elétrons ocuparão orbitais separados com seus spins paralelos. Esta ocupação pode ser explicada pelas fracas interações repulsivas que existem entre elétrons ocupando diferentes regiões do espaço(diferentes orbitais) em comparação a elétrons ocupando a mesma região do espaço(mesmo orbital). O Requerimento de spins paralelos para elétrons que ocupam diferentes orbitais é uma consequência de um efeito quanto-mecânico denominado Correlação de Spin, a tendência para dois elétrons com spins paralelos de se afastarem e consequentemente reduzirem a repulsão entre eles. Importante: Uma consequência deste efeito é que camadas semi-preenchidas de elétrons com spins paralelos são particularmente estáveis. Por exemplo, a configuração padrão para o Cromo é 4s1 3d5 ao invés de 4s2 3d4. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos É arbitrário quais dos orbitais p de uma subcamada é ocupado primeiro porque eles são degenerados, mas é comum adotar-se a ordem alfabética px, py, pz. Logo, a configuração eletrônica para o átomo de carbono neutro seria 1s22s22px12py1, ou simplesmente 1s22s22p2. Como a configuração eletrônica do He é 1s2, a dita configuração eletrônica abreviada seria [He]2s22p2 e podemos pensar a estrutura eletrônica de valência do átomo como consistindo de dois elétrons emparelhados em 2s e dois elétrons paralelos em 2p em torno da camada fechada do átomo de Hélio. As configurações eletrônicas dos elementos restantes do período seria: N(Z=7, 1s22s22p3 ou [He] 2s22p3), O(Z=8, 1s22s22p4 ou [He] 2s22p4), F(Z=9, 1s22s22p5 ou [He] 2s22p5) e Ne(Z=10, 1s22s22p6 ou 1s22s22p6). A configuração 2s22p6 do Neônio é outro exemplo de camada fechada, uma camada totalmente preenchida por elétrons. A configuração 1s22s22p6 também pode ser denotada como [Ne]. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A configuração eletrônica do Sódio(Z=11) é obtida adicionando um elétron ao núcleo de camada fechada do Neônio, e é expressa como [Ne]3s1 . A partir do sódio, uma similar sequência de preenchimento de subcamadas começa com os orbitais 3s e 3p até a configuração de camada fechada do Argônio denotada como [Ar]. Devido ao fato dos orbitais 3d estarem em um nível de energia maior, esta configuração é efetivamente fechada. Além do mais, o orbital 4s é o próximo na linha de ocupação, então a configuração eletrônica do potássio(Z=19) é a mesma do sódio, com um único elétron fora do núcleo de um gás nobre, ou seja, [Ar]4s1. O Próximo elétron, para o cálcio(Z=20), também entra em um orbital 4s, gerando [Ar]4s2, análogo ao Mg, [Ne]3s2 . Todavia, para o próximo elemento, Sc(Z=21), o elétron ocupa um orbital 3d, e o bloco d da tabela periódica começa. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos No Bloco d, os orbitais d dosátomos estão em processo de serem ocupados (de acordo com o Princípio de Construção). Todavia, os níveis de energia mostrados anteriormente são para orbitais atômicos individuais e não leva totalmente em consideração a repulsão elétron-elétron. Para a maioria do bloco d, a determinação do verdadeiro estado padrão é feita por espectroscopia e cálculos mostram que é vantajoso ocupar orbitais preditos serem de mais alta energia(orbitais 4s). A explicação para esta ordem é que a ocupação de orbitais de alta energia pode resultar em uma redução na repulsão entre elétrons que resultaria se os elétrons ocupassem os orbitais de menor energia 3d. Dados espectroscópicos mostram que as configurações padrão de átomos do bloco d são na maioria das vezes 3dn4s2, com os orbitais 4s totalmente ocupados a despeito dos orbitais 3d terem menor energia. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Uma característica adicional, consequência da Correlação de Spin, é que em alguns casos a energia total mais baixa pode ser obtida formando-se subcamadas semi preenchidas e ou totalmente preenchidas, mesmo que isso signifique mover um elétron de um orbital s para uma subcamada d. Logo, perto do centro do bloco a configuração padrão mais provável seria d5s1 e não d4s2(Cromo). Perto do fim do bloco, a configuração mais provável seria d10s1 e não d9s2(Cobre). Um Efeito similar ocorre no bloco f, onde orbitais f estão sendo ocupados, e um elétron d pode ser movido para uma subcamada f para atingir a configuração f7 ou f14. Por exemplo, a configuração eletrônica padrão para o Gadolínio(Gd) é [Xe]4f75d16s2 e não [Xe]4f86s2. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Em um átomo neutro, o número de prótons é igual ao de elétrons. Quando átomos perdem elétrons, transformam-se em cátions, espécies com carga elétrica positiva, e quando ganham elétrons transformam-se em ânions, espécies com carga elétrica negativa. O procedimento que faremos uso para escrever a configuração eletrônica de cátions e ânions é muito semelhante ao que utilizamos para os átomos neutros, isto é, sem carga elétrica. Vejamos alguns exemplos de configuração eletrônica de cátions e ânions. 11Na: 1s2 2s2 2p6 3s1 ou, de modo abreviado, [Ne]3s1 .Na formação de um cátion a partir de um elemento representativo, o átomo neutro perde um ou mais elétrons de modo a assumir a configuração eletrônica do gás nobre mais próximo. Então, ao perder um elétron, o Na transforma-se no cátion Na+, cuja configuração eletrônica é: 11Na+: 1s2 2s2 2p6 , Na+: [Ne] UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Vejamos alguns exemplos para os metais de transição 23V: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d3 4s2 ou V: [Ar] 3d3 4s2 o cátion V2+, cuja configuração eletrônica é: [Ar]3d3 porque o orbital 3d é mais estável que o 4s. Para formar o cátion V3+, é retirado um elétron de um orbital 3d, obtendo: [Ar]3d2. 26Fe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d6 4s2 ou Fe: [Ar] 3d6 4s2 26Fe2+: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d6 ou Fe: [Ar] 3d6 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos Observe bem a configuração eletrônica do Flúor: 9 F: 1s22s22p5 Para assumir a configuração eletrônica do gás nobre mais próximo, o Ne: 1s22s22p6 é necessário receber um elétron. Então, 9 F-: 1s22s22p6 ou, F-:[Ne]. Mg: [Ne]4s2 Mg2+: [Ne] Al: [Ne]3s2 3p1 Al3+: [Ne] O: [He]2s2 2p4 O2- : [Ne] P: [Ne]3s2 3p3 P3-: [Ar] Em todos esses casos, seja na formação de cátions ou n formação de ânions, é preciso avaliar a energia dos chamados Orbitais de Fronteira. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos O Formato da Tabela Periódica Idéia Central: Os blocos da Tabela Periódica refletem a identidade dos orbitais que estão ocupados por último no processo de construção. O número do período é o número quântico principal da camada de valência. O número do grupo está relacionado com o número de elétrons na camada de valência. A forma da Tabela Periódica reflete a estrutura eletrônica dos átomos dos elementos. Os blocos da tabela indicam o tipo de subcamada sendo ocupada. Cada período da Tabela corresponde à ocupação de subcamadas s e p de uma dada camada. O número do período é o valor do número quântico principal n da camada sendo ocupada no grupo principal (blocos s e p). Por exemplo, o segundo período corresponde a camada n=2 e o preenchimento das subcamadas 2s e 2p. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos O Formato da Tabela Periódica Os números do grupo estão relacionados ao número de elétrons na camada de valência, a camada mais externa do átomo. A precisão depende do número do grupo G e do sistema de numeração adotado. No sistema 1-18 recomendado pela IUPAC, temos: Bloco s,d p Número de elétrons na camada de valência: G G-10 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva Idéia Central: Cada elétron de um átomo é protegido (blindado) do efeito de atração da carga nuclear pelos elétrons do mesmo nível de energia e, principalmente, pelos elétrons dos níveis mais internos. Apenas uma parte da carga nuclear atua realmente sobre os elétrons: é a chamada Carga Nuclear Efetiva (Zef). A carga nuclear efetiva que atua sobre um elétron é dada por: Zef = Z - S Zef = carga nuclear efetiva Z = carga nuclear (número atômico) S = constante de blindagem Quando aumenta o número médio de elétrons protetores (S), a carga nuclear efetiva (Zef) diminui. Quando aumenta a distância do núcleo, S aumenta e Zef diminui. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva Por regra geral, temos a ordem do poder de blindagem: s>p>d e os mais blindados seguem a ordem d>p>s. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva Para determinar Zef, os elétrons são divididos em grupos (a cada um corresponde uma constante de blindagem diferente). (1s); (2s, 2p); (3s, 3p); (3d); (4s, 4p); (4d); (4f); (5s, 5p); etc. Para qualquer elétron de um dado grupo, a constante de blindagem S é a soma das seguintes parcelas: Regra 1: zero para qualquer grupo exterior ao elétron considerado (os elétrons externos não participam da blindagem em relação ao elétron considerado). Regra 2: 0,35 para cada um dos outros elétrons do mesmo grupo que o elétron considerado, exceto no grupo 1s, no qual usa-seo valor 0,30. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva Regra 3: Se o elétron considerado pertencer a um grupo (ns, np), cada elétron do nível (n –1) contribui com 0,85 e cada elétron dos níveis mais internos contribui com 1,00. Regra 4: Se o elétron de interesse pertencer a um grupo nd ou nf: a) Cada elétron do mesmo grupo contribui com 0,35. b) Cada elétron de um grupo menor (à esquerda do e- considerado) contribui com um fator de 1,00. (1s); (2s, 2p); (3s, 3p); (3d); (4s, 4p); (4d); (4f); (5s, 5p); etc. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva A carga nuclear efetiva que atua sobre o elétron mais externo dos elementos do mesmo grupo da tabela periódica é aproximadamente a mesma, como pode ser vista na Tabela. A justificativa é que Z aumenta e S também aumenta de cima para baixo no grupo e, como os aumentos são aproximadamente iguais, o valor de Zef é aproximadamente o mesmo. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA FUNDAMENTAL Átomos de muitos elétrons: Sistemas Polieletrônicos A carga nuclear efetiva que atua sobre o elétron mais externo dos elementos do mesmo período da tabela periódica aumenta com o número atômico (da esquerda para a direita), como pode ser visto na Tabela. A Regra de Slater para o cálculo da Carga Nuclear efetiva A justificativa é que Z aumenta mais do que S da esquerda para a direita no período, fazendo com que Zef aumente da esquerda para a direita no período.