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- 1 - 
 
 
 
APOSTILA DE HISTÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Flávio Costa 
8200 3126 / 8494 2152 / flaviocosta@globomail.com 
Curriculum Lattes 
Profissional de Carreira da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia e da 
Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (SEDUCE). 
Graduado na Licenciatura em História pela Universidade Estácio de Sá. 
Doutor em História Política e Bens Culturais pela Fundação Getulio Vargas. 
Instrutor dos seguintes cursos na área de Segurança Pública: Elaboração de 
Materiais para Educação a Distância; Capacitação em Educação Para o Trânsito; 
Tráfico de Seres Humanos; Integração das Normas Internacionais de Direitos 
Humanos; Segurança Pública Sem Homofobia; Atuação Policial Frente aos Grupos 
Vulneráveis e Policiamento Comunitário. 
- 2 - 
12. RELAÇÃO DOS ASSUNTOS DO EXAME INTELECTUAL 
( ... ) 
C. HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO BRASIL 
A) A EXPANSÃO ULTRAMARINA EUROPÉIA DOS SÉCULOS XV E XVI. 3 
B) O SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS NA AMÉRICA: ESTRUTURA POLÍTICO-
ADMINISTRATIVA, ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA, INVASÕES ESTRANGEIRAS, 
EXPANSÃO TERRITORIAL, INTERIORIZAÇÃO E FORMAÇÃO DAS FRONTEIRAS, AS 
REFORMAS POMBALINAS, REBELIÕES COLONIAIS. MOVIMENTOS E TENTATIVAS 
EMANCIPACIONISTAS. 
8 
C) O PERÍODO JOANINO E A INDEPENDÊNCIA: A PRESENÇA BRITÂNICA NO 
BRASIL, A TRANSFERÊNCIA DA CORTE, OS TRATADOS, AS PRINCIPAIS MEDIDAS 
DE D. JOÃO VI NO BRASIL, POLÍTICA JOANINA, OS PARTIDOS POLÍTICOS, 
REVOLTAS, CONSPIRAÇÕES E REVOLUÇÕES, EMANCIPAÇÃO E CONFLITOS 
SOCIAIS. O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. 
39 
D) BRASIL IMPERIAL: PRIMEIRO REINADO E PERÍODO REGENCIAL: ASPECTOS 
ADMINISTRATIVOS, MILITARES, CULTURAIS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E 
TERRITORIAIS. SEGUNDO REINADO: ASPECTOS ADMINISTRATIVOS, MILITARES, 
ECONÔMICOS, SOCIAIS E TERRITORIAIS. CRISE DA MONARQUIA E 
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. 
54 
E) BRASIL REPÚBLICA: ASPECTOS ADMINISTRATIVOS, CULTURAIS, 
ECONÔMICOS, SOCIAIS E TERRITORIAIS, REVOLTAS, CRISES E CONFLITOS E A 
PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA II GUERRA MUNDIAL. 
58 
 
( ... ) 
- 3 - 
A) A EXPANSÃO ULTRAMARINA EUROPÉIA DOS SÉCULOS XV E XVI. 
A expansão ultramarina Européia deu início ao processo da Revolução 
Comercial, que caracterizou os séculos XV, XVI e XVII. Através das Grandes 
Navegações, pela primeira vez na história, o mundo seria totalmente interligado. 
Somente então é possível falar-se em uma história em escala mundial. A Revolução 
Comercial, graças a acumulação primitiva de Capital que propiciou, preparou o 
começo da Revolução Industrial a partir da segunda metade do século XVIII. Apenas 
os Estados efetivamente centralizados tinham condições de levar adiante tal 
empreendimento, dada a necessidade de um grande investimento e principalmente 
de uma figura que atuasse como coordenador – no caso, o Rei. Além de formar um 
acúmulo prévio de capitais, pela cobrança direta de impostos, o rei disciplinava os 
investimentos da burguesia, canalizando-os para esse grande empreendimento de 
caráter estatal, ou seja, do Estado, que se tornou um instrumento de riqueza e poder 
para as monarquias absolutas. 
 
FATORES QUE PROVOCARAM A EXPANSÃO 
- Centralização Política: Estado Centralizado reuniu riquezas para financiar 
a navegação; 
- O Renascimento: Permitiu o surgimento de novas idéias e uma evolução 
técnica; 
- Objetivo da Elite da Europa Ocidental em romper o monopólio Árabe-
Italiano sobre as mercadorias orientais; 
- A busca de terras e novas minas (ouro e prata) com o objetivo de 
superar a crise do século XIV; 
- Expandir a fé; 
 
OBJETIVOS DA EXPANSÃO 
- Metais; 
- Mercados; 
- Especiarias (Noz Moscada, Cravo...) 
- Terras; 
- Fiéis; 
 
- 4 - 
PIONEIRISMO PORTUGUÊS 
- Precoce centralização Política; 
- Domínio das Técnicas de Navegação (Escola de Sagres) 
- Participação da Rota de Comércio que ligava o mediterrâneo ao norte 
da Europa; 
- Capital (financiamento de Flandres); 
- Posição Geográfica Favorável; 
 
ESCOLA DE SAGRES 
Centro de Estudos Náuticos, fundado pelo infante Dom Henrique, o qual 
manteve até a sua morte, em 1460, o monopólio régio do ultramar. O "Príncipe 
perfeito" Dom João II (1481-1495) continuou o aperfeiçoamento dos estudos 
náuticos com o auxílio da sua provável Junta de Cartógrafos, que teria elaborado em 
detalhe o plano de pesquisa do caminho marítimo para as índias. 
Tão logo completou a sua centralização monárquica, em 1492, a Espanha inicia 
as Grandes Navegações Marítimas. Os Reis Católicos (Fernando e Isabel) cederam ao 
navegador Cristóvão Colombo três caravelas. Com elas, Colombo pretendia chegar às 
Índias, navegando na direção do oeste. 
Ao aportar nas Antilhas, ele chega em Cuba, El Salvador e Santo Domingo 
acreditando ter chegado ao arquipélago do Japão. Com a entrada da Espanha no 
ciclo das grandes navegações, criou-se uma polêmica entre esta nação e Portugal, 
pela posse das terras recém-descobertas da América. Essa questão passa pelo Papa, 
que escreve a Bula "Inter Colétera" (as terras da América seriam dividas por uma linha 
a 100 léguas das Ilhas de Cabo Verde, em que Portugal ficaria com as terras orientais 
e a Espanha ficaria com as terras ocidentais). Portugal fica insatisfeito, recorre ao 
Papa. 
As viagens ibéricas prosseguiram até que a descoberta de ouro na América, 
pelos espanhóis, aguçou a cobiça de outras nações européias que procuravam 
completar seu processo de centralização monárquica. Passam a contestar o Tratado 
de Tordesilhas, ao mesmo tempo em que tentavam abrir novas rotas para a Ásia, 
através do Hemisfério Norte, e se utilizavam da prática da Pirataria. Afirmavam ainda 
que a posse da terra descoberta só se concretizava quando a nação reivindicasse a 
ocupasse efetivamente, o princípio do "Uti Possidetis" (usucapião). França foi uma 
das mais utilizarias desse pretexto. 
 
- 5 - 
EXPANSÃO NO SÉCULO XVI 
Após a crise do século XVI, a economia européia sofreu transformações 
essenciais, na medida em que as riquezas exteriores, adquiridas na expansão 
marítima, não só ampliou o grande comércio, como também elevou o nível científico. 
Foram intensificados os estudos para desenvolver a bússola, novos modelos de 
embarcações (caravelas, nau), o astrolábio, portulanos (livrinho que continha a 
observação detalhada de uma região, feita por um piloto que estivera lá antes) e 
cartas de navegação. Esses novos conhecimentos, aliados a nova visão do mundo e 
do homem, preconizada pelo Renascimento, ampliaram os horizontes europeus, 
facilitando o pleno desenvolvimento da expansão ultramarina. Essa expansão foi a 
responsável pelo surgimento de um mercado mundial, baseado no capital gerado 
pelas atividades comerciais, que afetou todo o sistema produtivo e favoreceu a 
consolidação do Estado Nacional. No século XVI, as nações pioneiras (Portugal e 
Espanha) prosseguiram suas viagens conquistando territórios na América, África e 
Ásia. Inglaterra e França procuravam romper tal domínio na tentativa de conseguir 
mercados e áreas de exploração. 
Embarcações: A caravela possuía um casco estreito e fundo, com isto ela 
possuía uma grande estabilidade, por baixo do convés havia um espaço que servia 
para transportar os mantimentos, o castelo que era os aposentos do capitão e do 
escrivão se localizava na popa do navio, porém a grande novidade deste navio foi a 
utilização das velas triangulares em mar aberto, as quais permitiam que a caravela 
avançasse em zig-zag mesmo com ventos contrários, as caravelas não possuíam os 
mesmos tamanhos, as pequenas levavam entre vinte e cinco a trinta homens e as 
maiores chegavam a levar mais de cem homens a bordo, geralmente a tripulação era 
formada por marinheiros muitos jovens, os capitães podiam ser rapazes de vinte anos 
de idade eles eram o chefe máximo, que tinham a competênciade organizar a vida a 
bordo e tomar as decisões sobre as viagens, o escrivão tinha a competência de 
registrar por escrito o rol da carga. 
O piloto encarregava-se da orientação do navio, geralmente viajava na popa 
do navio com os seguintes instrumentos, uma bússola, um astrolábio e um 
quadrante, ele orientava aos homens do leme que manejavam o navio de acordo 
com as instruções do piloto e do capitão e em dia de mar revolto era necessário dois 
homens ao leme do navio, o homem da ampulheta era o marinheiro que vigiava o 
relógio de areia para saberem as horas, os marinheiros a bordo das caravelas tinham 
que fazer todos os tipos de serviços, desde içar, manobrar e recolher as velas, 
esfregar o convés, carregar e descarregar a carga e outras fainas a bordo, os 
grumetes eram constituídos em sua maioria por rapazes de dez anos de idade que 
iam a bordo para aprender e fazer as rotinas das viagens. A construção das caravelas 
era executada a beira do Tejo na Ribeira das Naus junto ao Palácio Real, onde 
trabalhavam os mestres de carpinteiros os quais não se serviam de planos, nem de 
desenhos técnicos. 
 
- 6 - 
MERCANTILISMO 
Conjunto de medidas econômicas adotadas pelos Estados Nacionais 
modernos no período de Transição (Feudalismo p/ Capitalismo), tendo os Reis e o 
Estado, o poder de intervir ma economia. Esse sistema buscava atender os setores 
feudais visando conseguir riquezas para a sua manutenção. O mercantilismo não é 
um modo de produção, mas sim um conjunto de práticas de produção. Não existe 
uma sociedade Mercantilista. Tais medidas variavam de Estado para Estado, logo, não 
existiu apenas um mercantilismo. Não se pode generalizá-lo. 
 
PRINCÍPIOS DO MERCANTILISMO: 
- Metalismo ou Bullionismo; 
- Balança Comercial Favorável (Vender mais e comprar menos, visando 
garantir o acúmulo de ouro e prata); 
- Protecionismo Alfandegário (grandes tarifas aos produtos estrangeiros); 
- Construção Naval (frota Mercante e Marinha de Guerra); 
- Manufaturas; 
- Monopólio (Rei vende monopólio para as Companhias de Comércio nas 
cidades); 
- Sistema Colonial (Pacto Colonial, Latifúndio, Escravismo); 
- Intervenção do Estado na Economia; 
 
POLÍTICA DOS ESTADOS 
- Espanha – Bullionismo (metais) 
- Holanda – Comercialismo 
- França – Colbertismo (Manufaturas de luxo) 
- Inglaterra – Comercialismo 
 
COLÔNIAS DE EXPLORAÇÃO: As colônias de exploração atendiam as 
necessidades do sistema mercantilista garantindo, através de uma economia 
complementar e do pacto colonial, lucros para a metrópole. Nesse tipo de 
colonização, não havia o respeito devido pelo povo ou pela terra. 
- 7 - 
 
Aula recomendada 
https://www.youtube.com/watch?v=5BsPm4gfXwM 
 
 
 
- 8 - 
B) O SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS NA AMÉRICA: 
O SISTEMA COLONIAL 
O chamado Sistema Colonial Tradicional desenvolveu-se , na América, entre os 
séculos XVI e XVIII. Sua formação está intimamente ligada às Grandes Navegações e 
seu funcionamento obedece aos princípios do Mercantilismo. 
Como vimos, o Estado Moderno, através das práticas mercantilistas, buscava o 
acúmulo de capitais e as colônias irão contribuir de forma decisiva para este 
processo. Assim, através da exploração colonial os Estados Metropolitanos se 
enriquecem- como também sua burguesia. O Sistema Colonial Tradicional conheceu 
dois tipos de colônias: a Colônia de Povoamento e a Colônia de Exploração. 
Colônia de Povoamento: característica das zonas temperadas da América do 
Norte e marcada por uma organização econômico-social que buscava manter 
semelhanças com suas origens européias: predomínio da pequena propriedade, 
desenvolvimento do mercado interno, certo desenvolvimento urbano, valorização 
dos princípios de liberdade ( religiosa, econômica, de imprensa ), utilização do 
trabalho livre, desenvolvimento industrial e desenvolvimento do comércio externo. 
Colônia de Exploração: típica das zonas tropicais da América, onde predomina 
a agricultura tropical escravista e monocultora. Não houve desenvolvimento de 
núcleos urbanos nem do mercado interno, ficando esta área dependente da 
Metrópole. A principal característica desta área foi a Plantation- latifúndio, 
monocultor escravocrata. 
A colonização inglesa na América do Norte apresentou as duas formas 
colonias. As treze colônias inglesas pode assim ser divididas: as colônias do norte e 
do centro serão colônias de povoamento; as colônias do sul serão colônias de 
exploração. 
As colônias do norte tiveram suas origens nas lutas socias que ocorreram na 
Inglaterra, quais sejam, as perseguições aos puritanos pela Dinastia Stuart ( 
1603/1642 ). Com a Revolução Puritana (1640/1660) o contingente que chega à 
colônia é basicamente formado por nobres aristocráticos. Desde cedo, os colonos do 
norte demonstram sua vocação comercial, dinamizando o mercado externo através 
do chamado "comércio triangular". 
A título de exemplificação, segue uma forma do comércio triangular: 
Da Nova Inglaterra com a África - comércio do rum, que seria trocado por 
escravos; 
Da África para as Antilhas - comércio de escravos, que seriam vendidos para o 
trabalho nas fazendas de açúcar; Das Antilhas para a Nova Inglaterra - melaço - 
subproduto da cana para a fabricação do rum. 
- 9 - 
Já as colônias do sul desenvolveram-se obedecendo os critérios do 
mercantilismo (monopólio). Houve predomínio do latifúndio monocultor (algodão) e 
utilização da mão-de-obra escrava. 
As colônias de exploração irão apresentar aspectos comuns, quanto a sua 
organização econômica. 
ASPECTOS DA ECONOMIA COLONIAL 
Uma economia colonial, área de exploração vai apresentar os seguintes 
elementos: 
Economia complementar e especializada- a principal função de uma colônia 
era complementar a economia metropolitana, produzindo artigos que pudessem ser 
vendidos a altos preços no mercado europeu; daí sua especialização em certos 
gêneros tropicais, como tabaco, algodão e cana-de-açúcar. 
Integrada ao capitalismo - a economia colonial atendia os interesses do 
capitalismo europeu. A utilização da mão-de-obra escrava não representa um 
paradoxo, ao contrário, foi mais um elemento utilizado para o processo de 
acumulação de capitais. O tráfico negreiro era altamente lucrativo. 
Pacto colonial - o elemento definidor das relações entre Metrópole e colônia, 
foi o monopólio. Este será implantado através do pacto colonial, onde a colônia é 
obrigada a enviar para a Metrópole matérias-primas (gêneros tropicais e metais 
preciosos) e comprar da Metrópole artigos manufaturados e escravos. 
Através das relações coloniais, foi possível o desenvolvimento pleno do 
capitalismo na Europa. O objetivo máximo do mercantilismo – o acúmulo de capitais 
- só foi possível em virtude da existência de uma área extraterritorial auxiliando a 
Europa em manter uma balança comercial favorável. 
- 10 - 
B) O SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS NA AMÉRICA: ESTRUTURA POLÍTICO-
ADMINISTRATIVA, ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA, INVASÕES ESTRANGEIRAS, 
EXPANSÃO TERRITORIAL, INTERIORIZAÇÃO E FORMAÇÃO DAS FRONTEIRAS, AS 
REFORMAS POMBALINAS, REBELIÕES COLONIAIS. MOVIMENTOS E TENTATIVAS 
EMANCIPACIONISTAS. 
É chamado de Brasil Colônia o período da chegada dos portugueses, em 1500 
até a independência do país, em 1822. 
Podemos estudar este período da história brasileira em 4 tópicos: Período Pré 
colonial, Organização Administrativa, União Ibérica e Ciclo do açúcar e ouro. 
Organização administrativa 
 
ESTRUTURA POLÍTICO-ADMINISTRATIVA, ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA 
A organização administrativa adotada por Portugal inicialmente baseava-se 
nas chamadas capitanias hereditárias, que eram faixas territoriais doadas a um nobre 
português que teria a responsabilidade de colonizar sua capitania. A coroa 
portuguesa criou o Foral, documento que continhaa relação de direitos e deveres do 
senhor das terras e a Carta de doação, que determinava a posse da terra e a extensão 
dos poderes do donatário. 
Este método de organização não se mostrou eficaz, uma vez que gerava uma 
decentralização administrativa. Apesar disso, Portugal não abandonou o sistema e 
apenas adotou, em 1548, o Governo Geral, visando centralizar a administração nas 
mãos de uma única figura, que seria responsável por apoiar e coordenar as 
capitanias. Para auxiliar o governador geral, criou os cargos de Provedor-mor 
(finanças), Ouvidor-mor (justiça) e Capitão-mor (militar). 
A medida que surgiam as vilas, foram criadas também as Câmaras Municipais, 
que eram o único órgão incumbido de representar a população colonial. Os 
funcionários destas câmaras (tesoureiros, vereadores e escrivãos) eram subordinados 
a um juiz ordinário e escolhidos pelos chamados “homens bons”, que eram os 
proprietários de terras, a elite local. 
A distância entre a metrópole portuguesa e a colônia brasileira era muito 
grande, o que dificultava o controle. Como se poderia ter certeza de que os 
interesses metropolitanos estariam sendo devidamente resguardados? A primeira 
tentativa foi feita logo após a viagem de Martim Afonso de Sousa. Em 1534, o rei de 
Portugal criou o sistema de capitanias hereditárias. 
Cada uma das regiões era concedida a pessoas de confiança. Tais regiões eram 
hereditárias, isto é, passavam de pai para filho. 
- 11 - 
A pessoa que recebia a capitania era chamada de donatário. Havia um 
contrato estabelecido entre o donatário e a coroa portuguesa, que era feito por 
intermédio de dois documentos: a carta de doação e o foral. 
A carta de doação estabelecia os limites da capitania. O foral determinava 
quais eram os direitos e os deveres do donatário. Resumidamente, tais direitos e 
deveres eram: 
• os donatários teriam o direito de administrar a capitania e as pessoas 
que lá viessem a residir. Tinham o direito de fundar vilas, nomear 
funcionários, cobrar impostos e distribuir as sesmarias (lotes concedidos 
para o cultivo). Tinham, ainda, direito à vigésima parte das rendas da 
pesca e do pau-brasil e a dez por cento dos dízimos; 
• a coroa reservava para si o quinto (20%) de todos os metais preciosos 
que viessem a ser encontrados. Mantinha o monopólio do pau-brasil e 
das especiarias que existissem na colônia. A Igreja receberia o dízimo 
(décima parte) dos rendimentos de todos os produtos. 
Esse sistema de capitanias não era novidade, pois havia sido empregado pelos 
portugueses nas ilhas do Atlântico, com bons resultados. É um sistema 
descentralizador, o que significa que as capitanias eram autônomas, não tendo 
relações umas com as outras. Também não havia um governo central a que elas 
estivessem subordinadas. 
Entretanto, no Brasil os resultados não foram tão interessantes quanto nas 
experiências anteriores. O tamanho das capitanias, a falta de comunicação, a 
insuficiência de recursos, as ameaças representadas pelos franceses, tudo isso 
contribuiu para inviabilizar o sistema de capitanias. 
A situação, ao final de uma década, era tão desanimadora que muitos 
donatários desistiram da tarefa. Outros sequer vieram ao Brasil. Assim, o governo 
português entendeu ser necessário modificar os planos iniciais. Compreendeu-se que 
deveria haver um representante do rei aqui na colônia, para que ele pudesse dar um 
pronto atendimento às necessidades dos donatários. 
Foi por isso que, em 1548, criou-se o governo-geral. As razões de sua criação 
estão expressas no Regimento dado ao primeiro governador-geral, Tomé de Sousa. 
É importante observar que a criação do governo-geral implicava uma 
mudança importante na forma como a metrópole administrava a colônia: a 
descentralização, característica do sistema de capitanias, foi substituída por uma 
centralização administrativa. 
No entanto, não se deve pensar que com a criação do governo-geral as 
capitanias tenham desaparecido. Elas continuaram a existir normalmente e os 
donatários mantinham seus poderes, só que agora tinham um representante do rei 
- 12 - 
para auxiliá-los e, ao mesmo tempo, passaram a ser mais vigiados pelas autoridades 
metropolitanas. 
Com o passar do tempo, e à medida que a colonização avançava, outras 
capitanias foram criadas. Só que as novas não eram hereditárias. Eram chamadas de 
capitanias reais, porque eram administradas por uma pessoa de confiança do rei, que 
ocupava esse cargo por quatro anos, sendo substituída depois. Para auxiliar o 
governador-geral o governo português criou, inicialmente, alguns cargos e funções: o 
ouvidor mor, o capitão-mor e o provedor mor. 
O ouvidor-mor era o encarregado dos assuntos judiciários; o provedor-mor da 
fazenda cuidaria dos negócios financeiros, enquanto o capitão-mor da costa ficava 
encarregado da defesa do litoral. 
As vilas e cidades naquela época eram governadas pelas câmaras municipais, 
ou câmaras de vereança, que possuíam funções muito amplas: administravam o 
patrimônio público, autorizavam a construção de obras públicas, cuidavam do 
policiamento, da nomeação de funcionários e do estabelecimento de impostos. 
Essa autonomia era considerada perigosa pelo governo português, que tentou, 
em várias ocasiões, restringir suas atribuições, causando uma série de atritos. 
As câmaras eram compostas por vereadores e juízes, escolhidos entre os 
“homens bons” do local (proprietá- rios de terras, pertenciam à elite da sociedade) e 
fiscalizados por “juízes-de-fora” (que vinham de Portugal). 
 
ESTRUTURA POLÍTICO-ADMINISTRATIVA, ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA 
O Período colonial divide-se em dois períodos, o Período Pré-Colonial e o 
Período Colonial 
Período Pré-Colonial (1500 – 1530) 
Marcado pela concentração no Litoral 
Exploração do pau – Brasil pelos índios através do escambo e o 
armazenamento em feitorias 
Expedições Guarda – Costas, para proteger o litoral das invasões e 
contrabando estrangeiro (o que não surtiu muito efeito) 
Expedição de Martim Afonso de Souza (aproximadamente 1530) com intuito 
de povoamento e reconhecimento geográfico 
Povoamento com finalidade de se estabelecer uma unidade e defesa do 
território já que se tinha a não aceitação do Tratado de Tordesilhas pela França, 
Holanda e Inglaterra. 
- 13 - 
Estrutura Social: Eurocêntrica (Os Europeus acima do povo então achado, os 
índios), curiosidade e perplexidade dos índios a figura dos europeus, e por parte dos 
europeus (Portugueses) espírito desbravador e aventureiro – sem uma definição 
exata da estrutura social da Terra de “Vera Cruz” (Brasil), ate porque não se tinha 
estabelecido uma sociedade. 
Estrutura Política: No Período Pré – Colonial ainda não possuía uma estrutura 
política própria do território, mais sim encaminhamentos da Metrópole (Portugal) 
para com o Brasil. 
Estrutura Econômica: Baseava-se, na exploração do pau – Brasil, produto que 
fazia a moda na Europa pelo seu poder de tingimento (colorir roupas), lucro todo 
voltado à metrópole, sistemas de feitorias que inicialmente serviram de depósito para 
o pau – Brasil e posteriormente como fortes para auxiliar na defesa do Brasil; e o 
trabalho dos índios na retirada da madeira pau – Brasil e tendo sua “remuneração” 
através do escambo (pratica de troca de utensílios ou manufaturas de baixa 
qualidade dos portugueses aos índios) 
Estrutura Cultural: Podemos reconhecer como a predominante a cultura 
indígena das diferentes tribos, até porque, os índios se encontravam em maior 
quantidade do que os Portugueses (Esse dado é mais específico através de pesquisa, 
pois para concurso público ou vestibular, acultura do período Pré – Colonial é pouco 
relevante) 
Período Colonial (1530 – 1822) 
Marcado em 1530 pela introdução do plantio de cana de açúcar e o início da 
substituição da mão-de-obra escrava indígena para africana (iníciodo conhecido e 
sombrio tráfico negreiro) devido ao índio não se sujeitar a escravidão, conhecer o 
território brasileiro (o que facilitava sua fuga), não se submeter aos portugueses e ao 
processo de cristianização dos índios por meio dos Jesuítas (Companhia de Jesus), no 
qual um cristão não pode escravizar outro cristão, o que logo em seguida trará um 
embate entre jesuítas e colonos. 
Em 1534, o rei de Portugal Dom João III cria as Capitanias Hereditárias (na qual 
já tinha experiência, tendo implantado esse sistema em outras colônias portuguesas 
como a das Ilhas das Madeiras e Açores), para garantir a posse da terra, estabelecer 
uma fiscalização e administração sobre a mesma. 
As Capitanias Hereditárias foi a primeira divisão política do Brasil, sendo 
estruturada judicialmente por dois documentos a Carta de Doação (Que explicitava 
os direitos sobre a terra) e a Carta de Foral (Que deixava claro os deveres do Capitão 
Donatário – Dava-se esse nome ao detentor da posse da Capitania) – Esclarecendo 
no organograma abaixo: 
- 14 - 
 
Somente duas Capitanias Prosperaram: a de São Vicente e a de Pernambuco, 
as outras sucumbiram diante dos motivos: Falta de unidade territorial, distância do 
Brasil ao centro de decisões (Portugal), isolamento das Capitanias mediante a falta de 
estrutura de comunicação, ruas, o que isolava e prejudicava as Capitanias, falta de 
mão-de-obra (os índios fugiam, resistiam e dominavam o conhecimento sobre o 
território o que facilitava suas fugas) o que enfraquecia as Capitanias, ataques piratas 
e de índios e a falta de recursos ou interesses dos donatários. 
Mais as Capitanias cumpriram com seus deveres básicos que eram: povoar e 
defender as terras de piratas e fixar o homem a terra. 
As últimas capitanias só foram extintas com o governo de Marquês de Pombal, 
no século XVIII 
Para solucionar o problema com as Capitanias Hereditárias, foi criada uma 
administração colonial intitulada Governo Geral 
O Governo Geral era uma forma de Centralizar Administrativamente a colônia 
o que agradava alguns Capitães Donatários que ansiavam por uma fiscalização e 
controle sobre as Capitanias – O que sucede em um longo embate entre o Localismo 
Político e o Centralismo Político 
O Governo Geral se constituía do Governador Geral (incentivava a criação de 
engenhos), o Ouvidor-mor (responsável por assuntos judiciários), o Provedor-mor 
(responsável por assuntos financeiros) e o Capitão-mor (responsável pela defesa do 
litoral) – o Governo Geral se constituía no esboço do poder público no Brasil, uma 
forma de ter mais controle sobre a colônia 
- 15 - 
O Governo Geral ainda atendia aos interesses absolutistas e mercantilistas, 
pois centralizavam o poder (Absolutista) e transformava a colônia em um reduto de 
exploração da Metrópole (Mercantilista), ainda inaugurava-se no Brasil o Pacto – 
Colonial (Forma de exclusiva relação política, financeira e econômica entre a colônia 
(Brasil) e Metrópole (Portugal), esmiuçando uma forma de canalizar todas as riquezas 
do Brasil para Portugal) 
No período do Governo Geral tivemos três Governadores Gerais: Tomé de 
Souza – Boa Administração (1549 – 1553), Duarte da Costa – Má Administração (1553 
– 1558) e Mem de Sá – Boa Administração (1558 – 1568). Vamos Entender o 
Funcionamento do Governo Geral e seus periféricos no organograma abaixo: 
 
 
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Ciclo Açucareiro 
O açúcar se adéqua ao Brasil muito bem, devido a fatores como, clima, mão-
de-obra, solo fértil e o plantation. O açúcar foi no Brasil uma economia 
complementar e especializada para agradar interesses mercantilistas e foi também 
estática (pois não havia mobilidade social, ninguém mudava de classe pela plantação 
da cana) e agrária (pouca tecnologia empregada) 
Para se estruturar na produção açucareira, o Brasil constrói a Empresa Agrícola 
Comercial, que se deu com a cana a partir da segunda metade do século XVI. A 
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produção de cana-de-açúcar era uma economia totalmente voltada para o mercado 
externo e para os lucros da coroa que eram quase divididos por dois com a Holanda. 
Ao falarmos de produção de cana do Brasil temos que levar em conta alguns 
fatores como: local de produção de cana se da no litoral nordestino, solo e clima 
apropriado e a forte influência holandesa, no processo de transporte, refino e 
financiando a construção de engenhos e empregando tecnologia na produção e 
comercialização do açúcar. 
A Sociedade do Açúcar 
A sociedade colonial no período açucareiro era uma sociedade patriarcal 
(devido à condição que o Senhor de engenho detinha na sociedade e exercia sobre 
ela e a família), machista (pois só os homens tinham cargos públicos, podiam 
participar ativamente da sociedade, e a mulher não), preconceituosa (devido à 
questão histórica, do negro, pobre ou outra etnia ser inferior ao branco, rico; os que 
mais sofriam com esse preconceito eram os escravos, os ex-escravos (alforriados), 
ciganos, índios, prostitutas entre outros, intolerante (quanto à aceitação de outra 
pessoa que não seja rica e branca), conservadora (apegada ao dogmatismo da Igreja 
e aos costumes medievais da Europa) e escravista (dependência dos escravos para as 
atividades diárias e difíceis como na lavoura) 
A Decadência do Açúcar 
A concorrência do Açúcar das Antilhas (na América Central, controlada pela 
Holanda após a restauração em Portugal e a expulsão dos holandeses de Portugal e 
da colônia eles assumiram a produção nas Antilhas) provoca a queda do preço do 
açúcar em mais de 50%, e isso determina o fim do monopólio Português sobre o 
produto. Foi o início da decadência da Empresa Açucareira no Brasil – final do século 
XVII 
Ciclo do Ouro no Brasil 
Inicia-se com as Entradas e Bandeiras, movimento esse que partia de motivos 
como o desenraizamento de sua população pois sua região (São Vicente) era muito 
distante da Metrópole e o seu solo não se adaptou ao cultivo de cana-de-açúcar o 
que resultou em pobreza e desapego a terra e como não havia muitos índios nas 
áreas próximas do litoral, as expedições tiveram de adentrar mais profundamente no 
território brasileiro, além da captura de índios, os bandeirantes possuíam outro 
interesses. Entradas eram expedições interioranas que visavam capturar índios para 
comercializar como mão-de-obra escrava, busca por metais preciosos, por plantas, 
árvores, animais que poderiam ser lucrativos. A diferença entre Entradas e Bandeiras, 
é que Entradas era uma expedição financiada por Portugal, e Bandeiras (Os 
Bandeirantes) eram movimentos de expedição autônomos, e ainda tinha as Bandeiras 
de Prospecção que também recebiam benefícios da Coroa, mais qualquer um dos 
movimentos que descobrissem jazidas de metais preciosos ganhariam incentivos da 
Coroa portuguesa como títulos nobiliárquicos e retribuições. 
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Os bandeirantes de mais expressão eram da Capitania de São Vicente, na qual 
já possuía uma estrutura social e populacional, era um grande porto e entreposto 
para a Europa o que fazia dos Bandeirantes caçadores de riquezas para lucrar no 
comércio de São Vicente. 
Em uma dessas expedições interioranas foi-se descoberto jazidas de ouro na 
atual região de Minas Gerais, na qual começou um ritmo frenético de exploração que 
se intercalava com a possibilidade de mudança social. Rapidamente o boato de ouro 
se espalhou, o que trouxe estrangeiros (principalmente portugueses) e pessoas 
oriundas de outras regiões do país (Sul, Nordeste e Norte). Dentre todo esse alvoroço 
na região das Minas, os Bandeirantes exigiram exclusividade na exploração, afinal 
eles que tinham descoberto as Minas, e os outros povos não aceitaram os 
argumentos dos Bandeirantes, assim teve-se início a Guerra dos Emboabas 
(Emboabas – Forasteiros, pessoas que não eram dali) 
Diante do processo e mistura de Ouro, Suor e Sangue, a Coroa decidiu intervirsobre a exploração do Ouro e assim fez, enviou tropas para o local para que 
controla-se os ânimos. Rapidamente a Coroa foi tratando de armar seu sistema 
fiscalizador e tributário e impondo suas medidas como no organograma abaixo: 
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Sociedade do Ouro 
O ouro e sua descoberta contribuíram totalmente para o avanço e construção 
de um espaço social-urbano no Brasil. O ouro integrou, anexou e agregou o Brasil, 
através do ouro, interligamos nosso mercado, passamos a ter um mercado interno, 
criamos núcleos urbanos, tivemos mobilidade social e o surgimento da classe média. 
Acompanhe as mudanças do ouro na sociedade e seu paralelo com a sociedade 
açucareira no organograma abaixo: 
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Destaca-se concomitantemente relacionado ao ciclo do ouro o Período de 
Diamantes. Para manter uma blindagem sobre a extração de diamante, todos 
mineradores que se encontravam perto da Região Diamantina eram expulsos dali, e o 
exército real teve acentuada participação na retirada e vigilância do território, com 
dificuldade para “quintar” (imposto de 20% sobre o mineral precioso extraído) o 
Diamante a Metrópole cria o Distrito Diamantino, para blindar o diamante do 
contrabando e disponibiliza à área a pessoas privilegiadas e abastadas (detentora de 
riqueza) os Contratadores, que pagavam uma quantia fixa para extrair o diamante. 
Em 1771, o próprio governo português assumiu a exploração do Diamante, 
estabelecendo a Real Extração. 
Portugal Ostentava-se com o Ouro que vinha do Brasil, mais quem agradecia 
era a Inglaterra que tinha uma bomba sugando o ouro do Brasil de forma indireta, 
através do Tratado de Methuen em 1703 (nome dado em homenagem ao diplomata 
inglês que o fez) que estabelecia a compra de Tecidos da Inglaterra por Portugal e a 
compra de vinhos de Portugal pela Inglaterra – o que beneficiava muito mais a 
Inglaterra, pois o povo precisa mais de tecidos (roupas, agasalhos, veste e etc.) do 
que de vinho, o que faz escoar o ouro de Portugal para a Inglaterra, deixando a 
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balança comercial portuguesa desfavorável (quando se importa mais do que exporta 
– quando se compra mais do que vende) 
A mineração ocasiona uma transformação radical na colônia. Aumenta os 
fluxos migratórios e a interação do Brasil. Destaca- se nesse período também a 
elevação da produção Pecuária principalmente no sul e no sudeste 
A atividade mineradora era feita de duas formas dependendo da área de 
ocorrência de metais, eram em Lavras e Faiscações: As lavras eram amplas, 
necessitava de bastante capital e grande quantidade de escravos e aparelhos, já as 
Faiscações eram menores e mais numerosas sem tanto investimento para minerar, 
que explorava o trabalho livre os escravos alforriados. 
Nesse Período houve um crescimento intelectual e o início dos 
questionamentos sobre o pacto colonial e o sistema colonial, tanto das elites que não 
agüentavam mais pagar impostos com da recém surgida classe média. Ideias 
Iluministas eram importadas e trazidas por estudantes brasileiros que iam cursar a 
Universidade na Europa (nesse período o Brasil não possuía Universidades e esses 
jovens cursavam principalmente em Portugal e França, redutos de ideias Iluministas 
de Liberdade, Igualdade e fraternidade) e voltavam ao Brasil repletos de novas ideias 
emancipacionistas e liberais, o que vai movimentar uma corrente no Brasil que dará o 
primeiro passo a caminho da Independência – a Inconfidência Mineira 
Dentre outros destaques que nascem ou evoluem com o ciclo do Ouro no 
Brasil destaca-se também as artes, tanto literárias quanto plásticas (Escultura e 
Pintura). Na escultura, destacaram-se: Valentim Fonseca e Silva (Mestre Valentim, RJ), 
Francisco das Chagas (O Cabra) e Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho, MG). Na 
Pintura, destacaram-se: O Baiano José Joaquim da Rocha e o mineiro Manoel da 
Costa Ataíde (Mestre Ataíde). Na literatura, destaca-se o Estilo Arcadismo, uma 
mistura do rococó com o Iluminismo, do rococó foi tirado a graciosidade, o gosto 
pelo bucólico e pela mitologia Greco – romana. Do Iluminismo o arcadismo herdou a 
clareza e a simplicidade racional, seus principais escritores foram: Tomás Antônio 
Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. 
Por volta de 1800, o ouro já se encontrava em sua máxima decadência e as 
áreas de mineração em constante processo de esvaziamento e empobrecimento, os 
fluxos migratórios começam a retroceder para a agricultura e alguns pro norte o que 
posteriormente iremos identificar o ciclo da borracha. A volta para a atividade 
agrícola, ocorre em torno daquelas antes prósperas cidades e esse retorno a 
agricultura é conhecido como o Renascimento Agrícola 
O Renascimento Agrícola (acompanhe no organograma abaixo) 
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ÉPOCA POMBALINA E AS REFORMAS POMBALINAS (1750 – 1777) 
A intenção de Pombal era diminuir a preponderância de Inglaterra sobre a 
economia de Portugal, para isso ele apóia as manufaturas portuguesas (com 
ampliação das taxas alfandegárias) tais medidas surtiram efeito e a balança comercial 
portuguesa em relação a Inglaterra ficou favorável durante alguns anos. 
Pombal em relação ao Brasil usou as mesmas táticas mercantilistas como por 
exemplo: Para evitar o contrabando no e manter o monopólio colonial ele criou as 
companhias de Comércio para O Grão-Pará e Maranhão (1755) e para Pernambuco e 
Paraíba (1759). 
Nãos hesitou de inventar e cobrar novos tributos como a Derrama (a cobrança 
dos impostos atrasados) 
A Metrópole deu força para a agroexportação (algodão, tabaco e açúcar), 
algumas manufaturas foram permitidas no Brasil para melhorar a qualidade do 
produto vendido à Europa 
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Pombal determinou o fim do Sistema de Capitanias Hereditárias e agora a 
única autoridade da colônia era a Metrópole, assim a capital da colônia passa de 
Salvador para o Rio de Janeiro. Com o objetivo de atrair as elites brasileiras para o 
Rio de Janeiro , Pombal entrega vários importantes cargos da administração colonial 
a pessoas das famílias de grandes proprietários. 
E uma de suas últimas medidas com relação ao Brasil foi a expulsão dos 
Jesuítas do Brasil, alegando que eles detinham muitos poderes e criaram um auto-
governo, mais de 600 foram expulsos. 
Durante a segunda metade do século XVIII, a Coroa Portuguesa sofreu a 
influência dos princípios iluministas com a chegada de Sebastião José de Carvalho 
aos quadros ministeriais do governo de Dom José I. Mais conhecido como Marquês 
de Pombal, este “super-ministro” teve como grande preocupação modernizar a 
administração pública de seu país e ampliar ao máximo os lucros provenientes da 
exploração colonial, principalmente em relação à colônia brasileira. 
Esse tipo de tendência favorável a reformas administrativas e ao 
fortalecimento do Estado monárquico compunha uma tendência política da época 
conhecida como “despotismo esclarecido”. A chegada do esclarecido Marquês de 
Pombal pode ser compreendida como uma conseqüência dos problemas econômicos 
vividos por Portugal na época. Nessa época, os portugueses sofriam com a 
dependência econômica em relação à Inglaterra, a perda de áreas coloniais e a queda 
da exploração aurífera no Brasil. 
Buscando ampliar os lucros retirados da exploração colonial em terras 
brasileiras, Pombal resolveu instituir a cobrança anual de 1500 quilos de ouro. Além 
disso, ele resolveu tirar algumas atribuições do Conselho Ultramarino e acabou com 
as capitanias hereditárias que seriam, a partir de então, diretamente pelo governo 
português. Outra importante medida foi a criação de várias companhias de comércio 
incumbidas de dar maior fluxo às transações comerciais entre a colônia e a 
metrópole. 
No plano interno, Marquês de Pombal instituiu uma reforma que desagradou 
muitos daqueles que viviam das regalias oferecidas pela Coroa Portuguesa. O 
chamado Erário Régio tinhacomo papel controlar os gastos do corpo de funcionários 
reais e, principalmente, reduzir os seus gastos. Outra importante medida foi 
incentivar o desenvolvimento de uma indústria nacional com pretensões de diminuir 
a dependência econômica do país. 
Outra importante medida trazida com a administração de Pombal foi a 
expulsão dos jesuítas do Brasil. Essa medida foi tomada com o objetivo de dar fim às 
contendas envolvendo os colonos e os jesuítas. O conflito se desenvolveu em torno 
da questão da exploração da mão-de-obra indígena. A falta de escravos negros fazia 
com que muitos colonos quisessem apresar e escravizar as populações indígenas. Os 
jesuítas se opunham a tal prática, muitas vezes apoiando os índios contra os colonos. 
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Vendo os prejuízos trazidos com essa situação, Pombal expulsou os jesuítas e 
instituiu o fim da escravidão indígena. As terras que foram tomadas dos integrantes 
da Ordem de Jesus foram utilizadas como zonas de exploração econômica através da 
venda em leilão ou da doação das mesmas para outros colonos. Com relação aos 
índios, Pombal pretendia utilizá-los como força de trabalho na colonização de outras 
terras do território. 
Mesmo pretendendo trazer diversas melhorias para a Coroa, Pombal não 
conseguiu manter-se no cargo após a morte de Dom José I, em 1777. Seus 
opositores o acusaram de autoritarismo e de trair os interesses do governo 
português. Com a saída de Pombal do governo, as transformações sugeridas pelo 
ministro esclarecido encerraram um período de mudanças que poderiam amenizar o 
atraso econômico dos portugueses. 
 
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INVASÕES ESTRANGEIRAS 
De 1580 á 1640, ainda estava sobre direito de propriedade da União Ibérica. O 
Brasil se tornou objetivo da Inglaterra, França e Holanda que lutavam com a Espanha. 
Uma das mais importantes invasões, foram as holandesas, os navios das 
companhias das índias atacaram a Bahia em 1624 e Pernambuco por volta de 1630. 
Com o objetivo de renovar o comércio do açúcar com a Holanda, que havia sido 
proibido pelos espanhóis. 
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Foi enviado o Príncipe Maurício de Nassau, que tinha uma política de 
reconstrução dos engenhos que foram destruídos os danificados pelos combates. Por 
volta de 1640, Portugal deu início a restauração que fragmentou o domínio espanhol, 
mas guerra de independência da Holanda continuou. 
Em 1645, a política holandesa de arrocho, provocou em Pernambuco a 
insurreição pernambucana. Depois de nove anos, os holandeses foram expulsos após 
a batalha de Guararapes. 
A presença inglesa: 
Os Ingleses mantinham um novo comércio ilegal com o litoral do Brasil, um 
comercio também com a associação de comerciantes portugueses, na década de 
1530. 
Deram início aos ataques de Corsários ingleses, través das conseqüentes 
proibições que os reis espanhóis fizeram a qualquer comércio que não fossem 
ibéricos. 
Em 25 de dezembro de 1581, Thomas Cavendish ocupou a vila de santos 
roubando e requerendo o pagamento de resgate. Novamente no ano seguinte 
A França equinocial (1612-1615): 
Em meados do final do século XVI e início do XVII,A Ameaça francesa foi 
desviada, pela ação militar portuguesa que garantiu o controle no litoral do nordeste 
do Brasil. 
A França equinocial , adquiriu esse nome, quando em 1612, uma expedição 
comandada por Daniel de La Touche, chega ao litoral maranhense. Sendo que no 
mesmo ano o forte de São Luiz foi fundado, onde mais tarde teria uma cidade com o 
mesmo nome. Em 1615 as tropas que derrotaram os franceses, devido ao 
descumprimento de uma acordo firmado que não chegaram a cumprir. 
As invasões holandesas: 
Portugal tinha uma boa relação com os países baixos, podemos dizer uma 
relação forte, desde o final da idade média. Mas já na colonização brasileira, a 
participação do holandeses foi de suma importância, com o mercado açucareiro ou 
empresa açucareira como eles costumavam chamar. Teve grande importância em sua 
participação no comércio da África, Europa e Brasil, salientando assim o tráfico 
negreiro. Contudo o começo da união ibérica modificou esse quadro, no grau em 
que a Espanha foi proibindo a participação dos holandeses no comércio açucareiro. 
Por volta de 1620 os holandeses fundam a companhia das índias Ocidentais, 
que teve por intuito militar e comercial, onde promoveram ataques e ocupações nas 
colônias portuguesas, mais precisamente no Brasil. Já de 1645 á 1654 Os portugueses 
começaram uma batalha contra os holandeses. Recuperam o Recife na lutas dos 
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guararapes e tornaram menor a presença dos holandeses em alguns fortes no litoral 
do nordeste. 
A guerra entre Espanha e Holanda (1568- 1648): 
A guerra entre Holanda e Espanha, chamada de “A guerra dos 80 anos” ou a 
“revolta holandesa,” que vai de 1568 á 1648, foi para que os Países Baixos se 
tornassem independente, frente à Espanha, como é hoje. 
A república holandesa se tornou uma potência mundial, com um enorme 
poder marítimo, que ajudou no crescimento econômico, cientifico e cultural. 
Felipe II, da Espanha, desde 1551 tornou-se mediador de forma marcante nas 
províncias da Holanda, sondo que sobre elas possuía o direito por herança de seu 
pai, que foi o imperador Carlos V. 
Os holandeses, ou flamengos como eram chamados, iniciaram uma guerra em 
1568, em favor da libertação dos países baixos do norte, foram liderados por 
Guilherme de Orange. 
Invasão holandesa na Bahia: 
E escolha pela invasão da Bahia, era por ser uma grande produtora de açúcar e 
por ser também a capital da colônia. 
A notícia que a Holanda preparava uma poderosa esquadra para invadir a 
Bahia chegou ao Brasil, muito tempo antes de sermos invadidos. 
A resistência aos invasores foi organizada pelo então governador-geral Diogo 
de Mendonça Furtado, Mas como os Holandeses demoraram a chegar, que o 
preparativo de resistência relaxou. 
Já em 09 de maio de 1624, por volta de 26 navios entraram na Bahia, a 
resistência não ajudou em nada, já que a data não era mais a esperada. Assim que 
chegaram encontraram no porto oito navios, e incendiaram sete desses navios. A 
população foi para o interior da Bahia, onde organizaram grupos de guerrilhas, sob a 
liderança do bispo D. Marcos Teixeira, cada vez mais piorava a situação dos invasores, 
até mesmo devido à morte de D. Marcos Teixeira. 
Diogo de Mendonça acabou sendo preso e levado para a Holanda, as forças 
brasileiras e portuguesas mesmo juntas, não era mais suficiente para que atacassem 
de frente os holandeses. 
Os holandeses foram obrigados a desistir da batalha, se rendendo em primeiro 
de maio de 1625, pela ajuda da Espanha, que foi pedido pelos portugueses. 
Os holandeses em Pernambuco: 
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A invasão dos holandeses em Pernambuco, começou em 1630, na praia do 
Pau amarelo. 
Com 56 navios e 7.300 soldados, o exercito pernambucano não poderia fazer 
nada, já estavam em apenas 400. De forma tão desigual, ele não encontram 
resistência, e assim puderam ocupar a capitania. 
Quatro anos mais tarde, no mar do Caribe, a serviço das índias ocidentais, 
interrompeu e roubou todo o carregamento de prata extraída das colônias 
americanas, que estava na frota espanhola. 
Mas quando decidiram atacar o nordeste do Brasil, foi com o motivo de terem 
por duas vezes invadidas a Bahia, e por ter sido uma invasão frustrada. O seu maior 
objetivo e já declarado era restaurar o comércio de açúcar com países baixos, que 
tinha sido proibido pelos espanhóis. Em 1630 investiram na Capitania de Pernambuco 
conquistando Olinda e Recife. A presença holandesa durou ali por 24 anos, 
principalmente no recife que foi sede do domínio. 
Existiam pequenos grupo de aproximadamente entre dez e quarenta homens, 
chamada : “companhia de emboscada”, que atacavam de surpresa os holandeses, 
que se retiravam com velocidade, estavam formando umnovo grupo para novos 
combates. 
O governo de Nassau: 
O conde João Maurício de Nassau foi nomeado governador, atuando nos 
domínios holandês de 1637 á 1644. A administração Nassoviana, foi muito protegida 
pela situação de paz, que para muitos era estranha. Para acabar com o domínio 
espanhol, apoiou Portugal em sua restauração, e por esse motivo assinaram uma 
Trégua de 10 anos. 
Durante esse período Nassau aproveitou para se aproximar da população, 
mostrou para todos ser uma pessoa simpática, conquistando assim a confiança dos 
senhores de engenho. 
Em seu país, ele instaurou uma política diferente, garantiu a todos uma 
liberdade de culto, por sua grande maioria era protestante, uma justiça igualitária e 
para os escravos, uma boa alimentação. Nassau Já havia percebido que, para poder 
administrar melhor a região e pacificá-la, teria que ter boas relações com os Senhores 
de engenho, como já vimos. 
Ele conseguiu uma auxilio financeiro, na forma de crédito, para que fossem 
restituídos os engenhos, que no cinco anos de combate foram destruídos. Diminuiu 
os impostos, sustentando também a penhora de seus bens. 
A insurreição pernambucana: 
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Em 1817, foi dado como a última tentativa de independência do Brasil que 
falhou, isso é o que conhecemos como insurreição pernambucana ou Guerra da Luz 
Divina, foi o movimento que expulsou os holandeses do Brasil, unindo forças 
lideradas pelos senhores de engenho, André Vidal de Negreiros e João Fernandes 
Vieira, pelo afro-descendente Henrique dias e pelo indígena Felipe Camarão. 
 A cidade do Recife, sofreu uma grande crise econômica, por quê o ouro, o 
açúcar, entre outros, estavam em baixa, mas antes Recife tinha sido uma cidade rica e 
próspera. A parte da população que era de uma forma econômica mais importante 
de Recife, ficaram bravos, com os impostos que estavam muito alto, a inflação e com 
comerciantes estrangeiros, além de tudo isso, pelo porto da cidade que não 
entravam só mercadoria, mas também idéias liberais. 
Os membros dessa “revolução” que teve origem em Recife, foram padres, 
artesãos, soldados, proprietários rurais e até mesmo de senhores de engenho. O 
governo ainda tentou impedir com que a republica entrasse, mas os republica nos 
obrigou a abdicarem do poder. Um governo provisório foi instalado. 
Conseqüências das invasões holandesas: 
A economia açucareira entrou em crise, logo após a expulsão dos holandeses. 
Os próprios flamengos que haviam sido expulso do Brasil, criaram uma concorrência 
na Antilhas, o que acabou com o açúcar brasileiro. 
Devido as invasões holandesas no nordeste do Brasil, onde o comércio 
açucareiro era forte, o capital holandês passou a ter poder absoluto sobre a 
produção de açúcar, tendo influência sobre o plantio, o refinamento e até mesmo 
sobre a distribuição. 
 A Holanda tinha em suas mãos o controle também do mercado que fornecia 
escravos africanos, assim passou a investir nas Antilhas. O açúcar que era produzido 
nas Antilhas, tinham uma menos custo devido a isenção de impostos sobre a mão-
de-obra, sobre o menor custo de tranporte. 
A economia do Brasil e de Portugal entrou em uma crise, devido as 
dificuldades para adquirir mão-de-obra e não dominavam o processo de distribuição 
e refino, sendo assim não conseguiram concorrer no mercado internacional, essa 
crise cruzaria a metade do século XVII. 
EXPANSÃO TERRITORIAL 
No século XVII existiam limites territoriais onde ainda não estavam bem 
estabelecidos, Por que a Espanha ainda não havia demarcado seu território ibérico. 
Mas durante toda a união ibérica, o tratado de Tordesilhas esteve anulado. 
Logo depois da renovação portuguesa tiveram a necessidade de estabelecer 
fronteiras com os espanhóis e com os franceses. A expansão do território brasileiro 
acontece com o descobrimento e vai até o tratado de Madri em 1750. 
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Nessa época teve seu território aumentado em duas vezes. Esse aumento é 
decorrente do desenvolvimento econômico e por interesses políticos da colonização. 
Já no século XVI, o povoamento colonial foi avançado aos poucos, mas apenas 
em áreas do litoral do nordeste e sudeste. Em meados do século XVII, o 
desenvolvendo das atividades produtivas. 
Mas aconteceu que na primeira metade do século os bandeirantes paulistas 
seguem para o sul, atrás dos índios que eram protegidos pelos jesuítas, com passar 
do tempo, ele começam a ir em sentido contrário, Para Goiás, Minas Gerais e Mato 
grosso, onde começam a procurar ouro. 
Vídeos aula: https://www.youtube.com/watch?v=p3RC9KjFNwQ 
Conforme sabemos, a atual configuração do território brasileiro é bem 
diferente daquela que foi originalmente estipulada pelo Tratado de Tordesilhas, em 
1494. A explicação para a ampliação de nossos territórios está atrelada a uma série 
de acontecimentos de ordem política, econômica e social que, com passar do tempo, 
não mais poderiam ser suportadas pelo acordo assinado entre Portugal e Espanha no 
final do século XV. 
Um primeiro evento que permitiu a expansão foi a União Ibérica, que entre 
1580 e 1640 colocou as possessões lusas e hispânicas sob controle de um mesmo 
governo. Nesse momento, a necessidade de se respeitar fronteiras acabou sendo 
praticamente invalidada. Contudo, não podemos pensar que o surgimento de novos 
focos de colonização se deu somente após esse novo contexto. 
Desde muito tempo, personagens do ambiente colonial extrapolaram a Linha 
do Tratado de Tordesilhas. Os bandeirantes saíram da região paulista em busca de 
índios, drogas do sertão e pedras preciosas para atender suas demandas econômicas. 
Ao mesmo tempo, cumprindo seu ideal religioso, padres integrantes da Ordem de 
Jesus vagaram pelo território formando reduções onde disseminavam o cristianismo 
entre as populações indígenas. 
Por outro lado, a criação de gado também foi de fundamental importância na 
conquista desses novos territórios. O interesse dos senhores de engenho e da 
metrópole em não ocupar as terras litorâneas com a pecuária possibilitou que outras 
regiões fossem alvo dessa crescente atividade econômica. Paralelamente, o próprio 
desenvolvimento da economia mineradora também fundou áreas de domínio 
português para fora das fronteiras originais. 
Para que esses fenômenos espontâneos fossem reconhecidos, autoridades 
portuguesas e espanholas se reuniram para criar novos acordos fronteiriços. O 
primeiro foi firmado pelo Tratado de Utrecht, em 1713. Segundo este documento, os 
espanhóis reconheciam o domínio português na colônia de Sacramento. Insatisfeitos 
com a medida, os colonos de Buenos Aires fundaram a cidade de Montevidéu. Logo 
- 31 - 
em seguida, os lusitanos criaram o Forte do Rio Grande, para garantir suas posses ao 
sul. 
O Tratado de Madri, de 1750, seria criado para oficialmente anular os ditames 
propostos pelo Tratado de Tordesilhas. Segundo esse documento, o reconhecimento 
das fronteiras passaria a adotar o princípio de utis possidetis. Isso significava que 
quem ocupasse primeiro uma região teria seu direito de posse. Dessa forma, Portugal 
garantiu o controle das regiões da Amazônia e do Mato Grosso. Contudo, os 
lusitanos abriram mão da colônia de Sacramento pela região dos Sete Povos das 
Missões. 
A medida incomodou os jesuítas e índios que habitavam a região de Sete 
Povos. Entre 1753 e 1756, estes se voltaram contra a dominação portuguesa em uma 
série de conflitos que marcaram as chamadas “guerras guaraníticas”. Com isso, o 
Tratado de Madri foi anulado em 1761. Em 1777, o Tratado de Santo Idelfonso 
estabelecia que a Espanha ficasse com as colônias de Sacramento e os Sete Povos. 
Em contrapartida, Portugal conquistou a ilha de Santa Catarina e boa parte do Rio 
Grande do Sul. 
Somente em 1801, a assinatura do Tratado de Badajós deu fim aos conflitos e 
disputas envolvendo as nações ibéricas. De acordo com seu texto,o novo acordo 
estabelecia que a Espanha abriria mão do controle sobre os Sete Povos das Missões. 
Além disso, a região de Sacramento seria definitivamente desocupada pelos 
lusitanos. Com isso, o projeto inicialmente proposto pelo Tratado de Madri foi 
retomado. 
INTERIORIZAÇÃO E FORMAÇÃO DAS FRONTEIRAS 
A expansão e a ocupação do território brasileiro foram ocasionadas por 
diversos fatore, entre os quais destacam-se as atividades econômicas, as 
expandições para expulsão de estrangeiros, a busca de riqueza minerais e de índios 
para escravizar. Em 1750, com o tratado de Madri, praticamente estavam delineados 
os contornos de nossas fronteiras atuais. 
A conquista do sertão: O povoamento do Brasil evoluiu no sentido litoral-
interior. A princípio, os portugueses instalaram-se na região litorânea, e lá 
permaneceram "como caranguejos a rondar as praias". Pouco a pouco, iniciou-se a 
penetração para o interior através dos jesuítas, bandeirantes e boiadeiros. 
A atividade dos jesuítas: A Companhia de Jesus assumiu como missão 
combater as idéias protestantes e difundir o catolicismo. A arma utilizada na 
conquista espiritual era a educação escolar que infetizava o ensino religioso. Para 
catequizar o índio, os jesuítas penetraram no sertão e fundaram aldealmentos 
chamados missões ou reduções. Tais aldeamentos foram o alvo predileto do 
bandeirismo apresador. Para conquitar os colonos fudaram uma escola de nível 
elementar. 
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As Entradas: Eram expedições de caráter oficial que foram organizadas pelo 
Governo para expiorar e reconhecer o sertão. 
As Bandeiras: Eram expedições organizadas e patrocinada por grupos 
particulares. Havia três tipos básicos de bandeirismo: o apresador (voltado à captura 
de índios para a escravização); o prospector (voltado à busca de metais preciosos) e o 
sertanismo de contrato (prestava serviços à classe dirigente colonial, mediante 
contrato, para combater índios ou negros). 
A pecuária: Desempenhou importantíssimo papel na vida colonial. Fornecia à 
população da Colônia a carne, o couro, com suas múltiplas utilidades, e os animais 
de transporte para as zonas agrícolas e mineradoras. Além disso, realizou uma tarefa 
monumental em termos de conquista e ocupação do vasto território brasileiro. 
Aspecto fundamental da pecuária é que representava um negócio interno da Colônia, 
cujos lucros eram incorporados ao País. As duas principais zonas criatórias foram as 
caatingas do Nordeste e as campinas do Sul. 
Tratados e fronteiras: A forma geográfica do Brasil seria totalmente diversa da 
atual, se Portugal e Espanha tivessem cumprido as determinaçãoes do Tratado de 
Tordesilhas. Isto não aconteceu e uma série de novos tratados foram assinados para 
que as fronteiras do Brasil fossem definitivamente fixadas. Dentre esses tratados, 
destacam-se: os de Utrecht (1713 e 1715), o de Madri (1750), o Acordo do Pardo 
(1761), o de Santo llfonso (1777) e o De Badajós (1801). 
1504- Primeira Entrada de reconhecimento de Cabo Frio, dirigida por Américo 
Vespúcio. 
1549- Chegada dos jesuitas ao Brasil, com o primeiro Govermador Geral, tomé 
de Souza. 
1553- Chegada ao Brasil do Padre José de Anchieta. 
1674- Bandeira de Fermão Dias Pais Leme parte em direção ao sertão de 
Minas Gerais. 
1690 a 95- São encontradas as primeiras jazidas de ouro no Brasil. 
1694- O bandeirante Domigos Jorge Velho ( Sertanismo de contrato). destrói o 
Quilombo dos Palmares. 
1701- É proibida a criação de gado numa faixa de dez léquas a partir do litoral. 
1713- Tratado de Utrcht (a França aceitava o rio Oiaporque como limite entre 
a Guiana e o Brasil). 
1715- Tratado de Utrcht (a Espanha concodava em devolver a Colônia do 
Sacramento a Portugal). 
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1750- Tratado de Madri (determinava que a Colônia do Sacramento perteceria 
aos espanhóis e a região dos Sete Povos das Missões pertenceria aos portugueses). 
1759- Expusão dos jesuítas do Brasil, por determinação do marquês de 
Pombal. 
1761- Acordo do Pardo ( Espanha e Portugal anulam o tratado de Madri). 
1777- Tratado de Santo lldefonso (a Espanha ficaria com a Colônia do 
Sacramento e a região dos Sete Povos das Missões, mas devolveria terras que havia 
ocupado nos atuais Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul). 
1801- Tratado de Badajos ( a Espanha renuncia à posse dos Sete Povos das 
Missões e Portugal confirma o direito espanhol à Colônia do Sacramento). 
Bandeirismo 
Logo no principio do bandeirismo, o seu intuito era prender os índios e vendê-
los em terras que não se usavam negros como escravo, devido ao seu alto preço, 
assim vendiam os índios por um custo bem mais barato e os escravizavam. A 
facilidade do negócio deve-se ao Tratado de Tordesilhas que não estava em vigor 
devido à união Ibérica, com tudo isso o no sul da colônia o primeiro ciclo missionário 
tinha se destruído. 
Esse movimento teve seu auge com a ocupação dos holandeses, com a 
interrupção do tráfico negreiro e a mão-de-obra escrava estava á míngua com isso o 
preço dos escravos aumentou ainda mais, lucrando o bandeirismo com a venda dos 
índios escravos. 
As razões do bandeirismo: 
O que motivou os bandeirantes foi à pobreza dos habitantes de São Paulo. No 
final do século XVI, quando o mercado açucareiro começou a entrar em declínio, e a 
população a migrar das cidades litorâneas para o planalto de Piratininga, Onde a 
parte econômica não tinha sido tão afetada. A crise teve uma proporção tão grande, 
que os bandeirantes cultivavam alguns produtos, apenas para sua subsistência, 
começou a ver novas riquezas nos sertões, índios que poderiam ser escravizados, 
matais preciosos. 
Podemos dizer que os Bandeirantes foram homens corajosos, que os 
portugueses usaram para combates contra os índios rebeldes e escravos fugitivos, 
tudo isso aconteceu no começo da colonização do Brasil. 
São Paulo na época dos bandeirantes: 
Em São Paulo teve o surto das bandeiras que teve origens com expedições de 
resgate para prisioneiros. 
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Podemos entender que o bandeirismo teve origem na obra dos Jesuítas com 
seu início em São Paulo, saiam de São Vicente para o interior do país por entre as 
florestas e seguindo o caminho dos rios, partindo assim rumo ao Rio grande do Sul, 
Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. 
Estas expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios e 
procurar por pedras e metais preciosos. Contudo, estes homens ficaram 
historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte do 
território brasileiro. Alguns chegaram até fora do território brasileiro, em locais como 
a Bolívia e o Uruguai. 
Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a procura 
por ouro e pedras preciosas. Então os bandeirantes Fernão dias Pais e seu genro 
Manuel Borba Gato se concentraram nestas buscas desbravando Minas Gerais. 
Depois outros bandeirantes foram para além da linha do Tratado de Tordesilhas e 
descobriram entre muitos metais preciosos, o ouro. Muitos aventureiros os seguiram, 
e, estes, permaneceram em Goiás e Mato Grosso dando início a formações das 
primeiras cidades. Nessa ocasião destacaram-se: Antonio Pedroso, Alvarenga e 
Bartolomeu Bueno da Veiga, o Anhanguera. 
Outros bandeirantes que fizeram nome neste período foram: Jerônimo Leitão 
(primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelo Tietê e Paraná e 
regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou missões jesuítas 
espanhola. para capturar índios), Francisco Bueno (missões no Sul até o Uruguai). 
Como conclusão, pode-se dizer que os bandeirantes foram responsáveis pela 
expansão do território brasileiro, desbravando os sertões além do Tratado de 
Tordesilhas. Por outro lado, agiram de forma violenta na caça de indígenas e de 
escravos foragidos, contribuindo para a manutenção do sistema escravocrata quevigorava no Brasil Colônia. 
O ciclo de preação do índio: 
A preação indígena era uma forma de subsistência dos bandeirantes, que em 
meados de 1619 começaram os ataques aos jesuítas, os índios que trabalhavam na 
terra (agricultores) e artesãos que foram escravizados em grande massa. Precisavam 
de novos escravos como os índios, para o preenchimento de mão de obra escrava 
nos engenhos litorâneos. 
As grandes bandeiras de preação coincidiu com a ação holandesa, tomando as 
feitorias africanas e desviando o tráfico de escravos para o nordeste sob sua 
ocupação desde 1630. 
O ciclo do bandeirismo de contrato: 
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Manuel da Ressurreição até então governador geral do Brasil, resolveu solicitar 
os bandeirantes de São Paulo e São Vicente, para que pudessem acabar com a 
desordem, mas a chegada dos bandeirantes causou grande revolta. 
A partir do século XVII os bandeirantes começaram a trabalhar para homens 
de posse no nordeste. 
O ciclo de prospecção do ouro: 
ciclo de prospecção ou ciclo do ouro como chamamos,se deu a partir do 
contato com os índios que os exploradores ou prospectores (pesquisadores do ouro). 
Mas quando os primeiros exploradores chegaram ao Brasil, tinham como intuito o 
ouro, metal preciosos como chamavam ,com o objetivo de vender para nobreza. 
Ao longo dos anos com o contato que foi mantido entre os índios, os 
exploradores foram descobrindo que haviam riquezas escondidas. Quando pisaram 
em solo brasileiro, foram para o interior do Brasil, onde haviam os tais metais 
preciosos, os colonos não tiveram tanto sucesso só encontravam solo fértil e índios, á 
quem eles não davam importância. 
As Monções: 
As monções foram de grande importância na colonização do Brasil, mas no 
este brasileiro, logo depois da decadência do bandeirismo. O seu começo foi em 
1718, quando Pascoal Moreira Cabral que foi quem descobriu o ouro em Cuiabá. Um 
campo de mineração começou nesta época, com alguns sertanistas que tinham 
ouvido falar da notícia sobre o ouro. 
O significado do Bandeirismo: 
Os bandeirantes precisavam buscar novas fontes de enriquecimento. Como os 
negros eram muito caro, então eles resolveram aprisionar os índios, era um bom 
negócio. Essa fase foi importante para os bandeirantes, pelo Tratado de Tordesilhas, 
que não estava em vigor, o que serviu de ajuda para a destruição do primeiro ciclo 
missionário que aconteceu no sul da colônia. Seu objetivo maior era aprisionar os 
índios para que pudessem vendê-lo. 
REBELIÕES COLONIAIS 
A crise do capitalismo comercial e as contradições no interior da colônia 
geraram a crise do colonialismo a partir da segunda metade do século XVIII. A 
Revolução Industrial tornou ultrapassado o mercantilismo. Portugal, não se 
adequando aos novos tempo, procurou superar a crise ampliando a exploração ao 
Brasil. Tal atitude estimularia as rebeliões nativas e as rebeliões de libertação 
nacional. 
O choque inevitável entre Colônia e Metrópole: o funcionamento do sitema de 
exploração colonial gerava contradições na medida em que para explorar era preciso 
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desenvolver a Colônia. O desenvolvimento forta a classe colonial que veio a se opor 
aos interesses metropolitanos. As tensões insuportéveis entre Colônia e Metrópole 
explodiram em diversas revoltas. 
Revolta de Beckman: Foi liderada pelo senhor de engenho Manuel Beckman, 
tendocomo palco o Estado do Maranhão, em1684. Essa revolta foi motivada pela 
crise de mão-de-obr que a Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão 
não conseguiu solucionar e pelas dificuldades econômicas da empresa açucareira. 
Reprimida a revolta pelas forças metropolitanas, Manuel Beckmam e mais dois 
chefes do movimento foram enforcados. 
Guerra dos Mascates: foi o conflito entre os senhores de engenho de Olinda e 
os comerciantes de Recife, apelidados de mascates. Os senhores de engenho, 
revoltados contra a autonomia adminitrativa pretendida por Recife, organizam uma 
rebelião que exlodiu em 1710. Ao final do conflito, os mascates saíram vitoriosos e 
Recife tornou-se ca capital de Pernambuco. 
Conjuração Mineira: teve como palco o ambiente de Minas Gerais, na fase da 
decadência da exploração do ouro (1789). As idéias liberais eurpéia e o clima geral de 
dscontentamento diante dos pesados impostos incediaram a revolta num influente 
grupo de conspiradores. O prejeto dos inconfidentes incluía medidas como: liberta o 
Brasil de Portugal contituindo uma República, com capital em São Jão Del Rei; fundar 
uma Universidade em Vila Rica; desenvolver manufaturas no País e estimular a 
agricultura. A Conjuração Mineira foi traída por alguns elementos que faziam parte 
do próprio grupo. O Governo agiu rapidamente, prendendo, julgando e condenando 
os implicados. Mas, somente Tiradentes foi condenado à morte, sendo enforcado e 
esquartejado, no dia 21 de Abril de 1792. 
Conjuração Baiana: expludiu dez anos depois da Conjuração Mineira, em 1798. 
Tinhaum maior alcance popular, pois seus objetivos estavam mais voltados às 
aspirações do povo. Propunha, por exemplo, a abolição da escravidão, que não 
consta do projeto dos conjurados mineiros. O movimento baiano sofreu severa 
repressão e quatro rebeldes de origem humilde, João de Deus, Manuel Faustino, Luís 
Gonzaga e Lucas Dantas foram enforcadose esquartejados, em 8 de novembro de 
1799. 
Cronologia 
1684- Explode, no Maranhão, a Revolta liberada pelo senhor de engenho 
Manuel Beckman. 
1710- Explode a Guerra dos Mascates, conflito entre os senhores de engenho 
de Olinda e os comerciantes de Recife. 
1720- Explode a Revolta de Vila Rica, liderada por felipe dos Santos. 
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1789- Organize-se conjuração Mineira, que teve como desfecho a condenação 
e à morte de Tiradentes (21 de abril de 1792). 
1798- Prepare-se a conjuração Baiana, que contou com siguinificativa 
participação das camadas populares. Esta rebelião teve como defecho a pena de 
morte aplicada a João de Deus, Manuel Faustino, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das 
Virgens (8 de novembro de 1799). 
MOVIMENTOS E TENTATIVAS EMANCIPACIONISTAS. 
No final do século XVIII, as restrições econômicas de Portugal ao Brasil 
chegaram ao seu ponto máximo, ao mesmo tempo em que as idéias liberais 
difundiam-se pelo país. A Inconfidência ( ou Conjuração) Mineira seria o primeiro 
movimento a manifestar claramente a intenção de romper com Portugal. Alguns anos 
depois eclodiria a Conjuração Baiana ( também chamada de Inconfidência Baiana), 
movimento com características acentuadamente populares. Em 1817 ocorreria em 
Pernambuco a chamada Insurreição Pernabucana, a maior rebelião colonial pela 
independência. 
Causa da ruptura do sistema colonial: o aparecimento do capitalismo industrial 
na Europa, aparti de meados do século XVIII, foi a causa pronfunda que determinou a 
cria do sistema colonial. Isso porque o capitalismo industrial não se acomodava com 
as barreiras do regime de monopólio, nem como o regime de trabalho escravista. 
Assim, com o progresso desse capitalismo, os impérios coloniais ibéricos (Espanha e 
Portugal) estavam definitivamente condenados. 
A vida da famíliareal para o Brasil: devido à invasão franco-espanhola ao 
território português, em 1807, a familia real foi obrigada a abandona Portugal, 
tranferindo a sede do Reino para o Brasil. Napoleão alio-se à Espanha para invadir 
Portugal porque D. João recusava-se a participar do Bloqueio Continental contra a 
Inglaterra. 
A abertura dos portos e outras medidas D. João: cedendo ás pressões inglesas. 
D.João decretou, em 1808, a abertura dos portos brasileiros às naões amigas. Assim, 
o monopólio do comércio colonial ficava extinto, exceto para alguns poucos 
produtos como o sal e o pau-brasil. A grande beneficiária dessa medida foi a 
inglaterra que, obtendo junto ao Governo português vantagens alfandegárias pra a 
importação de seus produtos(Tratado de 1810), passoua ser a maior fornecedora de 
produtos industrializados para o Brasil. Entre outras medidas administrativas de D. 
João, destacava-se a elevação do Brasil, em 1815, á categoria de Reino Unido aos de 
Portugal e Algarves. 
A Revolução Pernambucana de 1817: o aumento dos impostos, a seca de 1816 
e a crise da agricultura afetando o açucar e o algodão foram as principais causa 
responsáveis pela eclosão da Revolução Pernambucana de 1817. Fazia parte do 
projeto dos revolucionários a proclamação da Republica e a elaboraçõ de uma 
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Constituição liberal. A Revolução foi reprimida pelo Governo de D. João VI e seus 
principais líderes foram condenados à morte. 
O processo da independência: em consequência da Revolução do Porto, D. 
João VI viu-se obrigado a deixar o Brasil e partir para Portugal, em 26 de abril de 
1821. Governando o Brasil ficou D. Pedro, na qualidade de Príncipe Regente. 
Assumindo o controle da situação política em Portugal, as Cortes manifestaram a 
intenção de recolonizar o Brasil e promover o retorno do monopólio comercia. 
Reagindo a essas intenções, surgiu o Partido Brasileiroque se movementou em torno 
de D.Pedro, fortalecendo sua autoridade interna e encaminhando o processo de 
independência. Esta é oficialmente proclamada em 7 de setembro de 1822. 
Cronologia 
1806- Napoleão Bonaparte decretao Bloqueio Continental contra a Inglaterra. 
1807- Recusando-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal é invadido por 
tropas franco-espanholas. Em novembro desse ano, a familia real abondona o 
território português, transferido a sede do Reino para o Brasil. 
1808- D-João chega ao Brasil, pressionado pela Inglaterra, assina o decreto da 
abertura dos portos, rompendo com o monopólio do comércio colonial. 
1810- Portugale Inglaterra assinam um tratado de comércio, que fixa em 15% 
a taxa alfandegária ( ad valorem) sobre produtos ingleses vendidos para o Brasil. Os 
demais países pagavam 24% e Portugal, 16%. 
1815- Elevação do Brasil à categoria de Reino Unido aos de Portugale 
Algarves. 
1817- Explode a Revolução Pernambucana, tendo como ideal a proclamação 
da República e a elaboração de uma Constituição leberal. A revolução foi 
violentamente reprimida. 
1820- Eclode em Portugal e Rebelião do Porto, liderada pela burguesia 
lusitana. Os revoltosos exigem a volta de D. João VI ao País. 
1821- D-João VI é obrigado a deixar o Brasil, depois de tê-lo governando por 
mais de 12 anos. Em seu lugar fica o Príncipe Regente D. Pedro. 
1822- No dia7 de setembro, D. Pedro proclama a independência do Brasil. 
 
 
 
 
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C) O PERÍODO JOANINO E A INDEPENDÊNCIA: A PRESENÇA BRITÂNICA NO 
BRASIL, A TRANSFERÊNCIA DA CORTE, OS TRATADOS, AS PRINCIPAIS MEDIDAS DE 
D. JOÃO VI NO BRASIL, POLÍTICA JOANINA, OS PARTIDOS POLÍTICOS, REVOLTAS, 
CONSPIRAÇÕES E REVOLUÇÕES, EMANCIPAÇÃO E CONFLITOS SOCIAIS. O 
PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. 
Para entender essa conjuntura como um todo, precisamos entender algumas 
idéias e ideais do pensamento eurocêntrico, para depois entrar no assunto 
efetivamente. 
Em fins do século XVIII, o Antigo Regime (união do Absolutismo com a política 
econômica mercantilista) na Europa estava obsoleto e decadente. Os velhos 
privilégios de origem feudal da aristocracia e o poder absoluto dos reis encontravam-
se sob o fogo cerrado da crítica liberal e democrática. Liberdade de movimentos e 
igualdade de direitos eram as palavras de ordem da burguesia. Com a pregação 
liberal e o poder da indústria, a burguesia iria revolucionar o mundo capitalista. 
Nessa nova ordem mundial desenhada pela Revolução Industrial e pela 
revolução liberal burguesa havia pouco espaço para teorias mercantilistas e 
monopólios coloniais. Como o Antigo Regime, o velho sistema colonial também 
estava com os dias contados. As tradicionais relações entre colônias e metrópoles 
enfrentariam daí por diante forte turbulência. Com o Brasil e Portugal não seria 
diferente. Apesar das estratégias conciliatórias utilizadas a partir da transferência do 
governo português para a colônia, em 1808 o rompimento estava eminente. 
A Crise do Antigo Regime 
Entre as ultimas décadas do século XVIII e a primeira metade do século XIX, o 
mundo ocidental viveu um processo de intensas transformações econômicas, sociais, 
políticas e ideológicas. Foi um período de tantas e tão rápidas mudanças que 
mereceu ser chamada de “era das revoluções”. Eis aqui algumas dessas 
transformações: 
A 4 de julho de 1776, os EUA declararam sua separação da Inglaterra, 
tornando-se não só a primeira colônia do Novo Mundo (América) a conquistar a 
independência política, mas também uma referência para os demais, estimulando os 
outros movimentos emancipacionistas. A declaração de independência, inspirada nas 
ideias liberais do pensador inglês John Locke, foi aprovada e proclamada pelo 
Segundo Congresso Continental das Treze Colônias, reunido na cidade da Filadélfia. 
Em 1781, o inventor escocês James Watt conseguiu aperfeiçoar sua “maquina 
a vapor” e usá-la como geradora de força motriz de outras máquinas. O sucesso 
dessa inovação tecnológica foi um dos marcos da revolução dos sistemas de 
produção e de transportes nas décadas seguintes – a chamada Revolução Industrial – 
que mudaria a face da economia e da sociedade na Europa e no resto do mundo. 
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Em maio de 1789, reuniu-se em Versalhes a Assembleia dos Estados Gerais 
(Reunião dos representantes dos três estados – clero, nobreza e povo -, convocada 
pelo soberano francês Luis XVI, para consulta sobre questões importantes. Não tinha 
poder decisório) da França. A reunião terminou em um impasse: o Terceiro Estado 
(representantes da burguesia e do povo) negou-se a votar as propostas do governo 
pelo tradicional sistema de votação, onde sempre estava em desvantagem, e decidiu 
criar uma Assembleia Nacional Constituinte para elaborar a primeira Constituição do 
país. O rei e a nobreza reagiram, ameaçaram os rebeldes, mas o povo em Paris 
sublevou-se: a 14 de julho, a multidão tomou de assalto e incendiou a velha prisão da 
Bastilha, para onde eram mandados os adversários políticos do governo. 
Em agosto, a Assembleia Nacional apressou-se m aprovar a Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão, antes mesmo de elaborar e votar a Constituição. 
Era o início da Revolução Francesa, que viria a ser o mais forte símbolo e foco da 
irradiação da luta contra o absolutismo monárquico e os privilégios da aristocracia 
em toda a Europa. 
Esses acontecimentos não eram obra do acaso. Constituíam, na verdade, 
manifestações do processo geral de transformações das estruturas econômicas, 
sociais, políticas e jurídicas da sociedade. Processo que os pensadores iluministas 
vinham discutindo e expondo em numerosas obras e diversos campos do saber. 
Essas transformações, é certo, estavam apenas se esboçando e as ideias 
iluministas nem sempre eram claras sobre elas e nem concordantes. Mas apontavam 
para uma direção econômica e política comum: defesa da liberdade de mercado – 
laissez-faire (Expressão em francês que resume a doutrina do liberalismo econômico. 
Significa “deixar fazer” e aludia ao princípio liberal da liberdade de comércio e de 
produção sem interferência do Estado.) -, de investir, produzir, vender e comprar 
mercadorias, estabelecimento de leis, direitos e deveres iguais para todos os 
cidadãos, submissão dos governantes a uma Constituição e a vontade popular 
expressa por representantes eleitos, secularização do Estado, com a sua separação da 
Igreja e, da mesma forma, laicização da educação por meio de sua desvinculação de 
qualquer confissão religiosa. 
A crise do sistema colonial 
Nesse quadro de dificuldades crescentes do Antigo Regime, também foram 
atingias as estruturas do sistema colonial, de base monopolista e escravista. Em 1776, 
no mesmoano da declaração da independência norte-americana, o inglês Adam 
Smith publicava a Riqueza das Nações, onde defendia a livre organização do trabalho 
produtivo e da atividade comercial como caminho para a prosperidade dos 
indivíduos e das nações. 
Para Smith, eram os interesses individuais envolvidos com a produção e o 
comércio que, harmonizados pela “mão invisível” do mercado, impulsionavam a 
realização do bem estar pessoal e coletivo. Contra a intervenção do Estado na 
economia – por intermédio, por exemplo, do controle de preços ou da concessão de 
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monopólios e privilégios a pessoas e empresas -, defendia a livre concorrência. Ao 
Estado caberia intervir apenas quando os cidadãos não conseguirem criar lei, normas 
e instituições estáveis e úteis ao interesse público. 
O pensamento liberal de Smith baseava-se numa nova concepção da riqueza. 
Segundo ele, a riqueza estava no trabalho e não na moeda. Não eram os resultados 
da balança comercial que mediam o enriquecimento das nações, mas a capacidade 
humana, técnica e financeira de produzir bens (manufaturas, alimentos, serviços, etc.) 
de interesse dos mercados. Quanto maior fosse a quantidade de bens produzidos 
com o mesmo custo – ou seja, quanto maior a produtividade do trabalho – maiores 
seriam os lucros. Para o aumento da produtividade, porém, seriam fundamentais o 
aperfeiçoamento técnico e a especialização do trabalho. 
Essas ideias continham uma crítica direta a política mercantilista e a exploração 
colonial baseada em monopólios, a pesada tributação e ao uso generalizado do 
trabalho escravo. Tiveram aceitação entre as elites inglesas, sobretudo nos setores 
mais ligados ao comércio externo e a nascente indústria. Assim, em 1783, o 
Parlamento britânico aprovou o regime de livre-comércio entre o reino e suas 
colônias. 
Em Portugal, também não se ignoravam os princípios do liberalismo 
econômico e político. Entretanto, apesar de algum sucesso no período pombalino 
(1750-1777), ainda era reduzida a influencia dessas ideias sobre a atuação 
governamental. 
No reinado de dona Maria I, iniciado em 1777, houve mesmo certo recuo em 
relação a algumas políticas “modernizantes” de Pombal, começando pela própria 
demissão do marquês. Essa reação – conhecida como Viradeira – representou um 
movimento conservador dos setores da nobreza combatidos por Pombal. Com ela, 
procurou-se restaurar a plenitude do regime absolutista, ainda que no plano 
econômico várias das reformas pombalina tivessem sido preservadas e 
desenvolvidas. 
Em relação ao Brasil, as medidas do novo governo foram orientadas por 
objetivos práticos imediatos, misturando princípios liberais e mercantilistas. Uma das 
medidas liberais – e, portanto, antimercantilistas – foi à extinção das companhias de 
comércio. Com isso, os comerciantes conquistaram liberdade de ação para aproveitar 
ao máximo a conjuntura internacional favorável a seus negócios. 
Naquele momento, com efeito, a guerra de independência dos EUA provocara 
o bloqueio das exportações norte-americanas de algodão a Inglaterra. O Brasil 
passou então a exportar grandes quantidades do produto aos ingleses. Da mesma 
forma, expandiram-se o comércio d açúcar e as vendas de escravos da África ao 
Brasil. 
Em contraste com essa medida liberal, o governo de dona Maria I adotou 
outras que reafirmavam velhas práticas mercantilistas. Assim, com o decreto de 5 de 
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janeiro de 1785 proibia a instalação de fábricas na colônia e reafirmava a função da 
economia brasileira complementar a de Portugal. 
O decreto encontrou apoio em setores das elites coloniais, que procuravam 
justificar a manutenção dos laços de dependência entre o Brasil e Portugal. Um dos 
porta-vozes desses setores era o bispo Azeredo Coutinho. Brasileiro de nascimento, 
Coutinho propunha medidas adicionais, como a aplicação obrigatória de parte dos 
lucros dos comerciantes portugueses na própria colônia, ainda que apenas na 
agricultura. Procurava, assim, evitar o rompimento entre colônia e metrópole. Mas, 
entre as camadas e grupos menos comprometidos com os interesses de Portugal, o 
decreto de 1785 provocou revolta, alimentando o descontentamento que levaria a 
Inconfidência Mineira. 
O Brasil, sede do Império 
Na primeira década do século XIX, os exercito de Napoleão Bonaparte (1769-
1821. Foi um dos maiores generais da história. Assumiu o poder na França depois de 
liderar uma brilhante campanha militar no Egito. Seu regime autocrático foi bem 
aceito após o caos provocado pela Revolução Francesa. Em 1804, Napoleão 
proclamou-se imperador – e ele próprio se coroou. Entre 1805 e 1810, conquistou 
praticamente toda a Europa: só não venceu a Inglaterra. Em 1807, enviou um ultimato 
a D. João VI, forçando-o a declarar guerra a Inglaterra. Ainda que por vias indiretas, o 
Brasil iria lucrar duplamente com Napoleão: além da vinda da família real, deve a ele, 
por vias transversas, o envio da missão artística francesa em 1816) varreram a Europa 
em nome dos ideais democrático da Revolução Francesa. 
Bloqueio Continental Decidido a dominar a Europa, Bonaparte dividiu o 
continente entre aliados e inimigos da França. Essa divisão foi elevada ao extremo, 
em 1806, com a decretação do Bloqueio Continental (Decreto de Napoleão 
Bonaparte assinado em 1806, proibindo os países europeus de receberem navios 
ingleses em seus portos e de venderem produtos a Inglaterra. O objetivo era asfixiar 
o comércio britânico), contra a Inglaterra, seu principal adversário. 
Aliado fiel do império britânico, Portugal viu-se no meio de um grave conflito 
internacional. Não podia virar as costas à Inglaterra, nem afrontar o bloqueio 
napoleônico. Dentro do governo, dirigido pelo regente dom João (futuro D. João VI) 
em lugar de sua mãe doente, dona Maria I, o grupo mais influente de políticos e 
burocratas, partidários da Inglaterra, defendia desde 1801 a mudança da Corte para o 
Brasil em caráter provisório. Essa ideia agradava muita a Inglaterra, cada vez mais 
interessada no mercado brasileiro. Assim, depois de algumas vacilações, as pressões 
das circunstancias e do embaixador britânico, Lorde Strangford, levaram o governo 
português a decidir-se pela transferência para o Brasil. A 27 de novembro de 1807, 
com tropas francesas batendo as portas de Lisboa, cerca de 12 mil pessoas – entre 
nobres, magistrados, altos funcionários, oficiais, padres e comerciantes, além da 
família real com seus serviçais, arquivos, etc. – embarcavam com destino ao Rio de 
Janeiro. 
- 43 - 
Por dificuldades surgidas na travessia do Atlântico, parte da frota onde estava 
o regente separou-se e aportou na Bahia em janeiro de 1808. Depois de uma breve 
estadia na antiga capital da colônia, todos se reuniram no Rio de Janeiro. 
Da abertura dos Portos ao Reino Unido 
O Brasil que o regente e sua Corte encontraram tinha dezessete capitanias e 
uma população entre 3,5 e 4 milhões de habitantes, excluídos os índios não 
aculturados. Pouco menos da metade da população era composta de escravos, 
negros e pardos. Pouco mais da metade era constituída de pessoas livres, brancas em 
sua maioria. No conjunto, apenas um terço da população era de brancos. 
A sociedade continuava predominantemente agrária. Apesar do crescimento 
urbano do ultimo meio século, as cidades eram modestas e precárias. Salvador com 
60 000, e o Recife com 30 000 e São Paulo com 20 000 moradores estavam entre as 
maiores. O Rio de Janeiro, com a instalação da Corte, ultrapassou os 100 000 
habitantes, o que agravou suas carências de infraestrutura, como moradia, 
abastecimento de água, saneamento, saúde pública, etc. 
A vinda do governo português para o Brasil – fato único há história das 
colonizações europeias da América – não alterou radicalmente este quadro. Mas a 
permanência de quase década e meia da Corte no Rio de Janeiro e a transposição 
para a colôniados principais órgãos do Estado metropolitano fizeram do Brasil, nesse 
período, o centro do império lusitano. Houve ministros, políticos e intelectuais 
portugueses e brasileiros que chegaram a sonhar com um “império luso-brasileiro”. A 
ideia não vingou. Mas a presença portuguesa no Brasil mudou o equilíbrio das 
relações colônia-metrópole a favor da colônia, de sua maior autonomia e, no final, de 
sua emancipação. 
Vejamos, a seguir, as medidas e ações mais importantes do governo de D. 
João VI no Brasil entre 1808 e 1821, além de alguns acontecimentos ligados a elas. 
O Processo de Indepencia Brasileira 
Dom João VI (ao lado de sua esposa, Carlota Joaquina) trouxe diversas 
mudanças com a transferência da Família Real para o Brasil.Em 1820 estourou em 
Portugal a Revolução do Porto, em que os Portugueses tomaram o poder do estado 
e exigiram a volta de D. João VI, caso ele se negasse iria perder o trono. Acabaram 
com o absolutismo, criaram uma nova constituição com o parlamentarismo e as 
‘cortes de lisboa’ que contaria com 181 deputados sendo 72 brasileiros. D. João VI 
percebendo que as cortes só não o depuseram pois se o fizessem estariam dando o 
Brasil de mão beijada para o monarca voltou a Portugal e deixou D. Pedro I como 
principe regente do Brasil. As cortes passaram então a exigir a volta do principe, este 
se negou aconselhado pelo pai. As cortes tentaram diminuir o poder do principe ao 
transformar as capitanias em provincias com mais autonimia. Os aristocratas 
brasileiros perceberam os portugueses queriam e passaram a arquitetar um plano de 
- 44 - 
independencia, e convidaram D. Pedro I para participar, este aceitou seguindo os 
conselhos do pai. 
Estava pronta a independencia brasileira, comandada pela aristocracia e sem 
nenhuma participação popular, a Inglaterra rapidamente passou a negociar o 
conflito, e convenceu Portugal a aceitar um acordo em que o Brasil pagaria uma 
indenização para ter sua independencia reconhecida. Ou seja, aquele grito do 
Ipiranga, além de fajuto (D. Pedro I, não estava sentado num alazão branco, estava 
num jumento e não fora até ali para lutar, estava era voltando de uma viagem 
frustrada quando foi avisado que os portugueses aguardavam no Rio de Janeiro para 
levar ele de volta a Portugal, mesmo que a força) foi totalmente planejado pela 
aristocracia que queria chegar mais perto do poder e pela Inglaterra que queria ter 
controle total sobre o Brasil, sem ter que ficar negociando com Portugal. O Brasil se 
comprometeu a pagar 2 milhões de libras inglesas a Portugal, como não tinha como 
pagar a Inglaterra de bom grado emprestou, começava assim a interminável divida 
externa brasileira. 
Política Econômica 
Abertura dos portos (1808): autorização para o livre-comércio entre o Brasil e 
as demais nações não aliadas da França, o imposto de importação a ser pago nas 
alfândegas brasileiras pelos produtos estrangeiros foi fixado em 24%, os produtos 
portugueses ficavam com a tarifa de 16%. 
Fábricas e manufaturas (1808): suspensão da proibição anterior, de 1785, que 
impedia atividades industriais na colônia, no ano seguinte, decretada a isenção 
tarifaria para a importação de matérias-primas necessárias as manufaturas. 
Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação (1808): constituída 
para regulamentar, fiscalizar e apoiar essas atividades. 
Banco do Brasil (1808): criado para servir de agente financeiro do governo, 
administrar os fundos orçamentários e ampliar a disponibilidade de moeda e crédito 
para o público. 
Tratados de aliança e amizade comércio e navegação com a Inglaterra (1810): 
em troca da reafirmação da aliança política com a Inglaterra e como paga pelos 
serviços prestados na transferência da Corte para o Brasil, além de empréstimos de 
emergência, Portugal dava aos produtos ingleses tarifa preferencial de 15% no Brasil, 
inferior a dos seus próprios artigos. Ao mesmo tempo, comprometia-se a limitar o 
tráfico de escravos, os acordos eram francamente favoráveis aos britânicos e tinham 
validade mínima de quinze anos. 
Fábrica de ferro de Ipanema (1811): instalada próximo a Sorocaba, em São 
Paulo, com recursos da Real Fazenda e com isenção de impostos para importação de 
equipamentos e matérias-primas. 
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Fábrica de ferro Patriota (1811): criada em Congonhas, Minas Gerais, para 
aproveitar as jazidas da região. 
Navegação e comércio costeiro (1816): proibição aos navios estrangeiros de 
fazerem transporte e operações comerciais entre portos brasileiros. 
Política e Administração 
Conselho de Estado, Ministérios, Tribunais, Intendência Geral de Policia, 
Arsenal e Escola da Marinha (1808): estrutura básica do governo português no Brasil, 
sediado no Rio de Janeiro. 
Academia Real Militar (1810): centro de estudos técnicos e científicos, 
destinados a preparação de oficiais nas áreas da engenharia, artilharia, geografia, 
topografia entre outras. 
Reino Unido (1815): o Brasil passava a condição de “Reino Unido a Portugal e 
Algarves” – tratava-se de uma formalidade necessária para legitimar a participação de 
Portugal no Congresso de Viena, (Conferência das potências europeias que 
derrotaram Napoleão realizada em 1815, com o objetivo de restabelecer a ordem 
política anterior a 1789. Como só podiam participar do Congresso governos 
instalados em seus próprios territórios, o governo português corria o risco de ficar de 
fora. A solução foi “equiparar” colônia e metrópole por meio da instituição do Reino 
Unido do Brasil, Portugal e Algarves.), as capitanias passaram a chamar-se províncias. 
Aclamação de D. João VI (1818): após a morte da rainha (1816), seu filho 
assumiu o trono como D. João VI. 
Cultura 
Escolas médico-cirúrgicas (1808): fundadas em Salvador e no Rio de Janeiro, 
transformadas em Academias em 1813, só começaram a conferir diplomas a partir de 
1826. 
Impressa Régia (1808): origem da imprensa oficial no Brasil. Foi criada para 
veicular as publicações do governo. 
Biblioteca Real (1810): instalada no Rio de Janeiro para acomodar o acervo de 
livros trazidos de Portugal. 
Jardim Botânico do rio de Janeiro (1811): criado para apoiar o trabalho de 
naturalistas brasileiros e estrangeiros na pesquisa da flora do país e de estudo de 
espécies trazidas do exterior. 
Real Teatro de São João (1813): inaugurado no rio de Janeiro, encenava os 
espetáculos frequentados pela Corte. 
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Missão Francesa e Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816): chega ao Rio 
de Janeiro trazendo artistas e cientistas que vão colaborar na criação da primeira 
Academia Brasileira de Belas Artes. (A Missão Artística Francesa teve grande 
influência no ambiente cultural brasileiro, introduzindo nas artes plásticas o 
neoclassicismo – Movimento artístico dominante na Europa no final do século XVIII. 
Sua fonte de inspiração era a arte greco-romana. Em oposição ao barroco, afirmava a 
importância da simplicidade, da simetria, da linha reta e do equilíbrio. – e 
contribuindo para aumentar o interesse de outros artistas estrangeiros em conhecer 
o país. Do grupo original a Missão Francesa, destacaram-se pela qualidade artística e 
técnica de seu trabalho: Grandjean de Montigny, arquiteto, Nicolas-Antoine Taunay, 
pintor, Auguste-Marie Taunay, escultor, Jean-Baptiste Debret, pintor, Charles Simon 
Pradier, gravura, François Ovide, mecânica, Marc e Zéphérin Ferrez, escultura e 
gravura, gravaram a primeira moeda brasileira). 
Museu Real (1818): constituído para acolher coleções e materiais diversos nas 
áreas de Historia Natural para fins de estudo e pesquisa, deu origem ao Museu 
Nacional, instalado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. 
Política Externa 
Guiana Francesa (1808-1817): depois de declarar guerra a França ao chegar ao 
Brasil, D. João ordenou a invasão e ocupação da Guiana Francesa, com o apoio militar 
inglês, o territóriofoi facilmente conquistado e só devolvido mais tarde, no contexto 
das negociações políticas entre Portugal e França após a derrota de Napoleão em 
1815. 
Banda Oriental (1811-1821): seguindo instruções de D. João, tropas luso-
brasileiras ocuparam a chamada Banda Oriental (atual Uruguai). Por trás da ação 
havia o velho desejo português de fixar a fronteira brasileira no rio da Prata, 
associado ao interesse de Carlota Joaquina, mulher do príncipe e herdeira do trono 
espanhol, na defesa do império colonial hispânico contra os movimentos de 
independência. 
A ocupação prolongou-se, dando origem a constantes conflitos envolvendo 
uruguaios que queriam a independência contra argentinos e luso-brasileiros, que 
disputavam o controle daquele território. Depois de várias tentativas frustradas de 
paz com a intermediação inglesa, o governo português decidiu anexar a Banda 
Oriental ao Reino Unido do Brasil, como Província Cisplatina. Uma decisão que 
manteria o estado de guerra na região por vários anos ainda. 
Insurreição Pernambucana (1817) 
O conflito interno mais grave ocorrido durante o período de D. João VI no 
Brasil foi à chamada Revolução Pernambucana de 1817. Movimento autonomista de 
inspiração republicana e maçônica (Associações secretas, organizadas em torno das 
ideias liberais e do espírito de fraternidade. Também chamadas de lojas maçônicas, 
tiveram forte atuação no processo de independência), foi fruto do forte sentimento 
- 47 - 
nativista que grassava em Pernambuco desde a expulsão dos holandeses em 1654. 
Em 6 de março de 1817, um grupo de revolucionários assumiu o poder na província, 
declarando-a uma república separada do resto do Brasil. O novo regime só durou até 
maio, quando tropas portuguesas invadiram Recife e debelaram o movimento. Seus 
três principais lideres (entre eles o padre Miguelinho) foram fuzilados. 
Revolução Liberal do Porto (1820) 
Com a vinda da família real para o Brasil, a situação em Portugal tornou-se 
calamitosa. A regência portuguesa, manipulada pelo militar inglês Lorde Beresford, 
era marcada pela tirania. Agravou-se a crise econômica e com ela o 
descontentamento popular; déficit das finanças públicas, decadência do comércio, 
fome e miséria caracterizavam o dia a dia dos portugueses. 
Esses fatores, aliados a difusão de ideias liberais, resultaram na Revolução 
Liberal do Porto, em 1820. 
O povo português, liderado pela burguesia comercial do Porto, derrubou a 
junta governativa chefiada por Beresford. Foram convocadas imediatamente as 
Cortes Gerais Extraordinárias Constituintes da Nação Portuguesa, cuja tarefa 
fundamental era elaborar uma constituição. Os objetivos dos revolucionários eram: 
Retorno imediato de D. João VI a Portugal. 
Assinatura por D. João da constituição. 
Expulsão de Beresford de Portugal. 
Retorno do pacto colonial com o Brasil 
Regresso de D. João a Portugal 
Se no geral o governo de D. João VI foi benéfico para o Brasil, em Portugal ele 
gerou fortes ressentimentos – sobretudo entre a burguesia, que desde 1808 perdera 
o lucrativo monopólio do comércio com o Brasil. 
Além da crise econômica, Portugal sofrera com as invasões francesas (ao todo, 
foram três) e com as lutas travadas principalmente por tropas britânicas para repeli-
las. Adicionalmente, havia um sentimento de humilhação diante da Inversão 
Brasileira, que colocara o Brasil no topo do Reino Unido, tanto em termos 
administrativos como econômicos. Napoleão caíra definitivamente em 1815; mas D. 
João recusava-se a voltar para Portugal, o que abria a perspectiva de o Rio de Janeiro 
se tornar a capital permanente da Monarquia Lusa. 
Desde fins do século XVIII, as ideias liberais (isto é, antiabsolutistas) vinham 
penetrando em Portugal. Essa ideologia ganhou maior espaço durante a ausência da 
Família Real, já que tanto ingleses como franceses – cujas tropas disputavam o 
território português – representavam tendências contrárias ao Antigo Regime ainda 
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vigente em Portugal: os britânicos, pelo fato de adotarem a monarquia 
parlamentarista; os franceses, porque ainda personificavam o ímpeto de sua 
Revolução, se bem que transmudado no centralismo napoleônico. 
Após a expulsão dos invasores franceses, Portugal passou a ser administrado 
por um general inglês, Beresford. D. João foi constrangido a nomeá-lo lugar-tenente 
(isto é, substituto imediato) do rei para o território português. Na prática, porém, 
Beresford atuava como administrador absoluto, subordinado apenas formalmente à 
autoridade real. Uma humilhação a mais para os portugueses. 
Em 24 de agosto de 1820, aproveitando a ausência de Beresford, que viajara 
para o Rio de Janeiro, irrompeu na cidade do Porto uma revolução liberal, conduzida 
pela burguesia mas com forte participação popular. O movimento ganhou 
rapidamente o país e uma Junta Provisória de governo convocou eleições para uma 
Assembleia Constituinte que poria fim ao absolutismo. 
No Brasil, as novas sobre a Revolução do Porto tiveram boa aceitação, tanto 
entre a aristocracia rural como entre os comerciantes portugueses aqui radicados. D. 
João VI, confrontado com uma grande manifestação popular, jurou respeitar a 
Constituição que iria ser feita em Portugal; aceitou ainda que as províncias brasileiras 
passassem a ser administradas por Juntas Provisórias formadas por figuras locais 
preeminentes, enquanto não se promulgava uma Constituição para o Reino Unido. 
Em janeiro de 1821, a Assembleia Constituinte foi instalada em Lisboa, com o 
nome de Cortes (denominação de assembleias que se reuniam em Portugal e 
Espanha desde a Idade Média; não confundir com a Corte Portuguesa, que se 
encontrava no Rio de Janeiro). Deputados brasileiros foram enviados para participar 
dos debates. 
Mas as Cortes de Lisboa tinham uma posição ambígua: eram indiscutivelmente 
liberais em relação a Portugal; mas na atitude para com o Brasil eram reacionárias, 
pois tinham o projeto de recolonizá-lo, mediante a supressão do Reino Unido 
declarado em 1815. Para executar esse projeto, porém, era necessário primeiro que o 
governo português se reinstalasse em Portugal. 
O quadro de Debret retrata o embarque da Família Real de volta a Portugal 
em abril de 1821.Como D. João VI não era mais absoluto e as Cortes representavam a 
máxima autoridade política do Reino Unido, não foi difícil pressioná-lo para voltar. 
Assim, em 24 de abril de 1821, o monarca embarcou com sua família para Lisboa. 
Deixou no Rio de Janeiro, porém, com o título de príncipe-regente, seu filho e 
herdeiro D. Pedro, com 24 anos. E, ao se despedir, deu-lhe o célebre conselho: 
“Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, toma a coroa para ti, antes que algum 
aventureiro lance mão dela.” 
Em 7 de setembro seguinte, com o grito do Ipiranga, o príncipe atendeu à 
recomendação do pai. 
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Fatores da Independência do Brasil 
Internos - crescimento quantitativo da colônia; arrocho do pacto colonial; ideal 
emancipacionista; Tentativas de libertação (Inconfidência Mineira, Conjuração Baiana, 
Revolução Pernambucana de 1817) 
Externos - Revolução Industrial, Iluminismo, Liberalismo Econômico, Ascensão 
política da Burguesia; Expansão Napoleônica e Bloqueio Continental; Invasão de 
Portugal por tropas francesas. 
Revolução Liberal do Porto (1820) – estourou por conta da crise econômica de 
Portugal e Domínio político por Beresford. Tinham o objetivo de criar uma 
Constituição para o país, expulsar Bereford, volta de D.João a Portugal e 
recolonização do Brasil. 
D.Pedro fica no Brasil como príncipe regente. Uma data importante foi o Dia 
do Fico (9 de janeiro de 1822) 
Em 7 de Setembro de 1822, apoiado pela elite, D.Pedro declara o Brasil 
independente, mas na verdade essa proclamação foi uma forma de deixar o poder do 
Brasil ainda nas mãos de Portugal, afinal D. Pedro era o herdeiro do trono português.Houve Poucas mudanças após proclamação da Independência, ou seja há uma 
manutenção das estruturas coloniais: permanece a escravidão e a Monarquia (fato 
único nas Independência da América), ausência de participação do povo e “apoio” da 
Inglaterra. 
O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL 
Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do 
Brasil, voltaremos a alguns temas já postos na apostila e levaremos em consideração 
duas importantes questões: 
Em primeiro lugar, entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato 
isolado do príncipe D. Pedro, e sim um acontecimento que integra o processo de 
crise do Antigo Sistema Colonial, iniciada com as revoltas de emancipação no final do 
século XVIII. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a 
independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo, "O Grito do Ipiranga", que 
personifica o acontecimento na figura de D. Pedro. 
Em segundo lugar, perceber que a independência do Brasil, restringiu-se à 
esfera política, não alterando em nada a realidade sócio-econômica, que se manteve 
com as mesmas características do período colonial. 
Valorizando essas duas questões, faremos uma breve avaliação histórica do 
processo de independência do Brasil. 
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Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise 
do Antigo Sistema Colonial. No Brasil, essa crise foi marcada pelas rebeliões de 
emancipação, destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Foram 
os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e 
assumir um caráter republicano. Era apenas o início do processo de independência 
política do Brasil, que se estende até 1822 com o "sete de setembro". Esta situação 
de crise do antigo sistema colonial, era na verdade, parte integrante da decadência 
do Antigo Regime europeu, debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e 
principalmente pela difusão do liberalismo econômico e dos princípios iluministas, 
que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos 
(1776) e para a Revolução Francesa (1789). Trata-se de um dos mais importantes 
movimentos de transição na História, assinalado pela passagem da idade moderna 
para a contemporânea, representada pela transição do capitalismo comercial para o 
industrial. 
Os Movimentos de Emancipação 
A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social 
republicano-emancipacionista de nossa história. Eis aí sua importância maior, já que 
em outros aspectos ficou muito a desejar. Sua composição social por exemplo, 
marginalizava as camadas mais populares, configurando-se num movimento elitista 
estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade, como intelectuais, 
militares, e religiosos. Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento 
foram a precária articulação militar e a postura regionalista, ou seja, reivindicavam a 
emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas 
locais de Minas Gerais. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara 
que defendesse a abolição da escravatura. O desfecho do movimento foi assinalado 
quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -- seria o 
pretexto para deflagar a revolta - e esvaziou a conspiração, iniciando prisões 
acompanhadas de uma verdadeira devassa. 
Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro 
responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram 
condenados. Todos negaram sua participação no movimento, menos Joaquim José 
da Silva Xavier, o alferes conhecido como Tiradentes, que assumiu a responsabilidade 
de liderar o movimento. Após decreto de D. Maria I é revogada a pena de morte dos 
inconfidentes, exceto a de Tiradentes. Alguns tem a pena transformada em prisão 
temporária, outros em prisão perpétua. Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão, 
onde provavelmente foi assassinado. 
Tiradentes, o de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte 
por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi 
esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). Era 
o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da 
metrópole. 
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O exemplo parece que não assustou a todos, já que nove anos mais tarde 
iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates, também chamada de Conjuração Baiana. 
A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao 
movimento que contou também com uma ativa participação de camadas populares 
como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira.Eram pretos, mestiços, 
índios, pobres em geral, além de soldados e religiosos. Justamente por possuír uma 
composição social mais abrangente com participação popular, a revolta pretendia 
uma república acompanhada da abolição da escravatura. Controlado pelo governo, 
as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento, 
enquanto que os intelectuais foram absolvidos. 
Outros movimentos de emancipação também foram controlados, como a 
Conjuração do Rio de Janeiro em 1794, a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco 
(1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. Esta última, já na época que D. João VI 
havia se estabelecido no Brasil. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram 
determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil, já que 
trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos. 
A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa 
Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole, 
em 1808 com a abertura dos portos, o Brasil deixava de ser colônia. O monopólio não 
mais existia. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim, os interesses da elite 
agrária brasileira, acentuando as relações com a Inglaterra, em detrimento das 
tradicionais relações com Portugal. 
Esse episódio, que inaugura a política de D. João VI no Brasil, é considerado a 
primeira medida formal em direção ao "sete de setembro". 
Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Essa dependência 
acentua-se com a vinda de D. João VI ao Brasil, que gradualmente deixava de ser 
colônia de Portugal, para entrar na esfera do domínio britânico. Para Inglaterra 
industrializada, a independência da América Latina era uma promissora oportunidade 
de mercados, tanto fornecedores, como consumidores. 
Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e 
Amizade), Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o 
Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês. 
Em 1820, a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em 
Portugal com a Revolução do Porto. Implantou-se uma monarquia constitucional, o 
que deu um caráter liberal ao movimento. Mas, ao mesmo tempo, por tratar-se de 
uma burguesia mercantil que tomava o poder, essa revolução assume uma postura 
recolonizadora sobre o Brasil. D. João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-
se ainda mais da aristocracia rural brasileira, que sentia-se duplamente ameaçada em 
seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência 
na América Espanhola, responsáveis pela divisão da região em repúblicas. 
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O Significado Histórico da Independência 
A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o 
cuidado de não afetar seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo. 
Dessa forma, a independência foi imposta verticalmente, com a preocupação em 
manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria 
elite rural, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos 
e trabalhadores pobres em geral. 
Com a volta de D. João VI para Portugale as exigências para que também o 
príncipe regente voltasse, a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: 
conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal 
assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da 
América Espanhola, o que evidentemente ameaçaria seus privilégios. 
A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e 
Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes. 
D. Pedro é sondado para ficar no Brasil, pois sua partida poderia representar o 
esfacelamento do país. Era preciso ganhar o apoio de D. Pedro, em torno do qual se 
concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. Um abaixo assinado de 
oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. 
Pedro em 9 de janeiro de 1822, solicitando sua permanência no Brasil. Cedendo às 
pressões, D. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da 
nação, estou pronto. Diga ao povo que fico". 
É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela 
aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não 
alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um 
passo para o rompimento definitivo com Portugal. Graças a homens como José 
Bonifácio de Andrada e Silva (patriarca da independência), Gonçalves Ledo, José 
Clemente Pereira e outros, o movimento de independência adquiriu um ritmo 
surpreendente com o cumpra-se, onde as leis portuguesas seriam obedecidas 
somente com o aval de D. Pedro, que acabou aceitando o título de Defensor 
Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), oferecido pela maçonaria e pelo Senado. 
Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em 
primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem 
desembarcar no Brasil. 
São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas, pois 
Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a 
demitir-se, sendo expulso da província. Em Portugal, a reação tornava-se radical, com 
ameaça de envio de tropas, caso o príncipe não retornasse imediatamente. 
José Bonifácio, transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe, juntamente com 
carta sua e de D. Maria Leopoldina, que ficara no Rio de Janeiro como regente. No 
dia sete de setembro de 1822 D. Pedro que se encontrava às margens do riacho 
- 53 - 
Ipiranga, em São Paulo, após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos, 
bradou: "É tempo... Independência ou morte... Estamos separados de 
Portugal".Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822), D. Pedro foi 
aclamado Imperador Constitucional do Brasil. Era o início do Império, embora a 
coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822. 
A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa 
história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e 
latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, 
permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma 
ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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D) BRASIL IMPERIAL: PRIMEIRO REINADO E PERÍODO REGENCIAL: ASPECTOS 
ADMINISTRATIVOS, MILITARES, CULTURAIS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E TERRITORIAIS. 
SEGUNDO REINADO: ASPECTOS ADMINISTRATIVOS, MILITARES, ECONÔMICOS, 
SOCIAIS E TERRITORIAIS. CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. 
Aula recomendada: 
https://www.youtube.com/watch?v=eKyBF_Ib_Zg 
A fase do Brasil Império exige uma gama de textos que abordem os conteúdos 
específicos desse momento da história do país, contemplando, assim, o período que 
vai do ano de 1822 (quando o Brasil tornou-se independente) ao ano de 1889 
(quando foi proclamada a República). Para tanto, esse arco temporal é 
convencionalmente dividido em três partes: Primeiro Reinado, Período Regencial e 
Segundo Reinado, que serão esmiuçados a seguir. 
Primeiro Reinado: Momento em que o Brasil deixou a condição de colônia, 
quando a família real portuguesa saiu de Portugal após o avanço das tropas 
napoleônicas sobre a Península Ibérica, entre os anos de 1807 e 1808. Nesse 
contexto, o Brasil foi alçado à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves. A 
partir de 1808, portanto, teve início no Brasil uma intensa eferverscência política que 
foi pautada, sobretudo, pelas divergências entre portugueses (vindos com a Corte) e 
brasileiros, bem como entre liberais e conservadores (disputa interna entre os 
próprios brasileiros). 
A situação política do Brasil só foi resolvida com a articulação e a instituição 
do Império. No início de 1820, quando começaram essas articulações, a América 
Latina e a Europa estavam passando por grandes reviravoltas. O modelo republicano 
era paulatinamente adotado pelos países vizinhos do Brasil. Ao longo do ano de 
1821, os chamados “arquitetos” do império, como José Bonifácio de Andrada e Silva, 
passaram a tramar a adoção do modelo imperial no Brasil. Em 1822, D. Pedro, filho 
de D. João VI, optou por permanecer no Brasil e declarou o país independente de 
Portugal, tornando-se o primeiro imperador, sob o título de D. Pedro I. 
As instituições do Império, entretanto, só foram efetivamente estabelecidas e 
regularizadas com a Carta Constitucional de 1824, ou, em outros termos, a 
Constituição de 1824. Uma das principais características do Império Brasileiro foi 
tecida nessa Constituição, isto é, o Poder Moderador, que consistia em um quarto 
poder que dava ao imperador a autoridade de apreciar a decisão dos outros poderes. 
Período Regencial: D. Pedro I abdicou do trono, na década de 1830, em favor 
de seu filho, então com cinco anos de idade. Como a menoridade impedia o então 
herdeiro do trono de assumir o cargo de imperador, o governo do Brasil ficou sob a 
responsabilidade de regentes. A regências tiveram de articular uma nova 
configuração política para o Império, além de terem que enfrentar várias revoltas que 
eclodiram após a abdicação de D. Pedro I. Uma das manobras políticas mais ousadas 
da História do Brasil também foi efetuada no período da regência: o Golpe da 
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Maioridade, em 1839, que tornou D. Pedro II imperador com apenas 14 anos de 
idade. 
Segundo Reinado: foi o período mais longo da História Imperial, indo de 1839 
a 1889. Nesse período, o Brasil passou por transformações de grande porte em todos 
os setores, desde o econômico até o cultural. Revoltas também ocorreram e exigiram 
uma habilidade de integração nacional muito forte por parte do imperador. 
Além disso, os ânimos políticos também tomaram uma configuração intensa, 
sobretudo entre conservadores e liberais. Os movimentos republicano e abolicionista, 
associados às posições do exército, que também passaram a ser refratárias às do 
império, acabaram por gerar pressões múltiplas que culminaram no exílio de D. 
Pedro II e na consequente Proclamação da República. 
CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA 
Enquanto o capitalismo se expandia, na forma de Imperialismo na segunda 
metade do século XIX, da Europa, EUA e do Japão para o resto mundo, no Brasil a 
monarquia, em seu segundo reinado (D. Pedro II – 1840 a 1889), entrava em uma 
crise progressiva que atingiria nas décadas de 1870 e 1880 seu clímax. No contexto 
brasileiro podemos associar a expansão do capitalismo às pressões de parte da 
sociedade brasileira por uma modernização do país. Em outras palavras, o trabalho 
escravo, esteio da economia no Brasil por mais de 300 anos, enfraquecia-se, desde a 
proibição do tráfico transatlântico em 1850, uma vez que escravidão ia de encontro 
aos princípios mais básicos da sociedade de mercado, fundada no trabalholivre 
(assalariado). Entretanto, a queda da monarquia brasileira não se restringiu à questão 
abolicionista; outras questões, a religiosa e, sobretudo, a militar, alimentaram a crise 
da monarquia levando aos acontecimentos do 15 de novembro de 1889. 
A sociedade urbana no Brasil nas últimas décadas do século XIX caracterizava-
se por uma contradição: cidades com forte presença do trabalho escravo em seu 
cotidiano; ao mesmo tempo que uma nova classe média formada por engenheiros, 
médicos, advogados, professores, jornalistas e profissionais liberais, questionavam a 
ordem econômica e política do império. As novidades do transporte urbano (os 
bondes), a iluminação a gás, o crescimento do setor financeiro e uma imprensa cada 
vez mais crítica e presente fazia as idéias fervilharem e circularem. Essas classes não 
se identificavam com o poder monárquico sustentado por uma aristocracia agrária 
escravocrata (fazendeiros do Nordeste e produtores de café do Vale do Paraíba), 
artífices da Independência em 1822. Outra aristocracia agrária, os fazendeiros do 
Oeste paulista, produtores de café, já entendiam as desvantagens do trabalho 
escravo frente ao trabalho livre. Somava-se a esse contexto a ideologia da 
superioridade da cultura ocidental do homem branco, estímulo a mais para a 
imigração de trabalhadores europeus dentro da política de branqueamento da 
sociedade brasileira, defendida por senadores do império. Ou seja, a imigração 
contribuiria para o processo civilizacional do Brasil cujo povo carregava a “mancha” 
da miscigenação das culturas africana e indígena. 
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Por outro lado, as pressões contra a escravidão não vieram apenas das elites e 
das classes médias. As constantes fugas de escravos, desde o século XVI, muitas delas 
realizadas com o apoio de organizações como os caifazes, em S. Paulo, os quilombos 
que se multiplicavam, a resistência das tradições culturais (danças, cantos, festas e 
religiões, muitas vezes associados às culturas do índio e do branco) tiveram um papel 
silencioso, mas importante na luta contra a escravidão. No caso das tradições 
culturais à perseguição a essas manifestações pela poder público, sendo tratadas 
como caso de polícia por atentar contra a ordem e a urbanidade, contribuíram para a 
preservação do imaginário de trabalhadores negros e branco pobres. Em outras 
palavras, as cidades, em seu processo de modernização, deveriam ser civilizadas 
dentro do padrão europeu, afastando todo e qualquer vestígio da cultura que nascia 
nas ruas do Rio de Janeiro ou de outra cidade do Brasil. Na verdade essas 
manifestações eram super dimensionadas como uma ameaça aos donos do poder. A 
Lei Áurea, de 1888, revelou as contradições de um regime já em estado terminal. O 
fim da escravidão representou uma derrota definitiva ao grupo que dava sustentação 
à monarquia a aristocracia rural escravocrata. 
Outra questão, além da abolicionista, foi a militar. A Guerra do Paraguai (1864 
a 1870) conflito que reuniu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, por motivos 
econômicos e de fronteira, com o envolvimento político da Inglaterra por seus 
interesses imperialista na região, teve implicações profundas no Brasil. Depois de seis 
anos de combate e com a vitória dos aliados o Exército brasileiro se viu com outro 
status. Os militares passaram a cobrar maior participação nos assuntos políticos do 
país, não mais aceitando a condição de força secundária com a função de capitão do 
mato (capturar escravos fugitivos). Na verdade, o exército se apropriava de uma 
ideologia da classe média com perfil moderno e republicano; contra as forças 
arcaicas da monarquia. Dentro dessa perspectiva o Exército brasileiro acabou por 
tomar à frente no movimento que derrubaria a monarquia em 1889. As 
conseqüências econômicas ficaram por conta dos enormes custos financeiros que a 
guerra gerou, resultando em grave crise econômica. Por outro lado, a participação de 
escravos nas frentes de batalha só alimentava o movimento abolicionista; uma vez 
que a guerra produzia o soldado cidadão, ou seja, aquele que luta na defesa de sua 
pátria na garantia da soberania e da liberdade do povo, valores incompatíveis com a 
escravidão. 
Por último a questão religiosa que consistiu numa crise entre o governo 
brasileiro e o Vaticano, quando o imperador proibiu que o clero no Brasil combatesse 
a Maçonaria, por ordem do papa. A questão religiosa tornou-se uma crise 
institucional por ser o catolicismo a religião oficial do Brasil, agravando-se com a 
prisão de dois bispos no Nordeste brasileiro que optaram em obedecer às 
orientações do Vaticano. 
As idéias republicanas ganharam expressão em 1870 com o Manifesto 
Republicano. O documento apresentava propostas como: estabelecimento do regime 
republicano federativo, fim do Senado Vitalício e do poder Moderador; eleições 
diretas e separação entre Estado e Igreja. Em relação ao trabalho escravo foi somente 
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na década de 1880 que os republicanos passaram a defender a abolição. Havia duas 
tendências entre os republicanos, aqueles que defendiam a tomada do poder por 
uma revolução (revolucionários) e aqueles que defendiam as eleições como método 
(evolucionistas), sem maiores rompimentos com as estruturas sociais e econômicas. 
No dia 15 de novembro de 1889 o marechal Deodoro da Fonseca reuniu suas 
tropas e invadiu o ministério da Guerra destituindo o primeiro ministro de D. Pedro II, 
Visconde de Ouro Preto. Não houve reação dos monarquistas e muito menos 
participação efetiva dos populares nas ruas, que assistiram “bestializados” o 
nascimento da República do Brasil. 
RESUMO DA HISTÓRIA DO BRASIL IMPERIAL, PRINCIPAIS FATOS E 
ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS, CRONOLOGIA 
Brasil Imperial é um período da história brasileira entre 7 de setembro de 1822 
(Independência do Brasil) e 15 de novembro de 1889 (Proclamação da República). 
Neste período, o Brasil foi governado por dois monarcas: D. Pedro I e D. Pedro II. 
Resumo dos principais fatos da História do Brasil Imperial: 
Primeiro Reinado (1822 a 1831) 
- 7 de setembro de 1822: Proclamação da Independência do Brasil por D. 
Pedro I (então príncipe regente). 
- 12 de outubro de 1822 - D. Pedro I é aclamado imperador no Rio de Janeiro. 
- 1823 - Reunião da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa com o objetivo 
de criar a primeira constituição brasileira. Com pouco tempo de trabalha, a 
Assembleia é dissolvida pelo imperador que cria o Conselho de Estado. 
- 1824 - A Constituição Brasileira é outorgada por D.Pedro I. 
- 1824 - Confederação do Equador: movimento revolucionário e 
emancipacionista ocorrido na região nordeste do Brasil. 
- 1825 a 1828 - Guerra da Cisplatina: movimento que tornou a região do 
Uruguai independente do Brasil. 
- 1831 - Após muitos protestos populares e oposição de vários setores da 
sociedade, D. Pedro I abdica ao trono em favor de seu filho. 
Período Regencial (1831 a 1840) 
- Neste período o Brasil foi governado por regentes. Regência Trina Provisória, 
Regência Trina Permanente, Regência Una de Feijó, Regência Una de Araújo Lima 
- O período foi marcado por várias revoltas sociais. A maior parte delas eram 
em protesto contra as péssimas condições de vida, alta de impostos, autoritarismo e 
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abandono social das camadas mais populares da população. Neste contexto 
podemos citar: Balaiada, Cabanagem, Sabinada, Guerra dos Malês, Cabanada e 
Revolução Farroupilha. 
- 1840 (23 de julho) - Golpe da Maioridade com apoio do Partido Liberal. 
Maioridade de D.Pedro II foi declarada 
Segundo Reinado (1840 a 1889) 
- 1841 - D.Pedro II é coroado imperador do Brasil. 
- 1844 - Decretação da Tarifa Alves Branco que protege as manufaturas 
brasileiras. 
- 1850 - Lei Eusébio de Queiróz: fim do tráfico de escravos. 
- 1862 e 1865 - Questão Christie - rompimento das relações diplamáticas entreBrasil e Grã-Bretanha. 
- 1864 a 1870 - Guerra do Paraguai - conflito militar na América do Sul entre o 
Paraguai e a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) com o apoio do Reino 
Unido. Em 1870 é declarada a derrota do Paraguai. 
- 1870 - Fundação do Partido Republicano Brasileiro. 
- 1871 - Lei do Ventre Livre: liberdade aos filhos de escravas nascidos a partir 
daquela data. 
- 1872 a 1875 - Questão Religiosa: conflito pelo poder entre a Igreja Católica e 
a monarquia brasileira. 
- 1875 - Começa o período de imigração para o Brasil. Italianos, espanhóis, 
alemães e japoneses chegam ao Brasil para trabalharem na lavoura de café e nas 
indústrias. 
 - 1882 - Início do Ciclo da Borracha: o Brasil torna-se um dos principais 
produtores e exportadores de borracha do mundo. 
 - 1884 a 1887 - Questão Militar: crise política e conflitos entre a Monarquia 
Brasileira e o Exército. 
 - 1885 - Lei dos Sexagenários: liberdade aos escravos com mais de 65 anos de 
idade. 
 - 1888 - Lei Áurea decretada pela Princesa Isabel: abolição da escravidão no 
Brasil. 
- 1889 - Proclamação da República no Brasil em 15 de novembro. Fim da 
Monarquia e início da República. 
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E) BRASIL REPÚBLICA: ASPECTOS ADMINISTRATIVOS, CULTURAIS, 
ECONÔMICOS, SOCIAIS E TERRITORIAIS, REVOLTAS, CRISES E CONFLITOS E A 
PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA II GUERRA MUNDIAL. 
O período que vai de 1889 a 1930 é conhecido como a República Velha. Este 
período da História do Brasil é marcado pelo domínio político das elites agrárias 
mineiras, paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um país exportador de café, e 
a indústria deu um significativo salto. Na área social, várias revoltas e problemas 
sociais aconteceram nos quatro cantos do território brasileiro. 
A ação dos militares comandados por Deodoro da Fonseca em 15 de 
novembro de 1889 na capital do antigo Império deu origem ao período histórico 
também conhecido como Brasil República. 
O fim da monarquia foi resultado tanto da crise deflagrada com a abolição da 
escravidão quanto pela insatisfação das elites agrárias com o modelo político que 
existia desde a Proclamação da Independência. A participação das Forças Armadas na 
vida política do país foi constante no período, sendo que nos momentos de crise 
política, os golpes militares foram tentados e alguns executados com êxito. 
Nesse período, o país passou também a contar com a diversificação de sua 
economia, principalmente com o processo de industrialização intensificado a partir 
da década de 1930, levando o país a ser uma das maiores economias do planeta. 
Houve ainda a mudança da característica da sociedade, que passou do campo para 
as cidades. No início do século XXI, mais de 85% da população estava vivendo em 
área urbana. 
Dessa mudança de local de moradia resultou também uma ampliação da 
produção cultural, em todos os campos, gerando produções originais, como o 
Movimento Antropofágico, a Bossa Nova e o Cinema Novo. O futebol tornou-se uma 
paixão nacional, e também um lucrativo negócio. 
Porém, a população não conseguiu resolver os problemas de desigualdade 
social, que leva milhões de pessoas a viver em situação de miséria. 
A República da Espada (1889 a 1894) 
Em 15 de novembro de 1889, aconteceu a Proclamação da República, liderada 
pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Nos cinco anos iniciais, o Brasil foi governado 
por militares. Deodoro da Fonseca, tornou-se Chefe do Governo Provisório. Em 1891, 
renunciou e quem assumiu foi o vice-presidente Floriano Peixoto. 
O militar Floriano, em seu governo, intensificou a repressão aos que ainda 
davam apoio à monarquia. 
A Constituição de 1891 ( Primeira Constituição Republicana) 
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Após o início da República havia a necessidade da elaboração de uma nova 
Constituição, pois a antiga ainda seguia os ideais da monarquia. A constituição de 
1891, garantiu alguns avanços políticos, embora apresentasse algumas limitações, 
pois representava os interesses das elites agrárias do pais. A nova constituição 
implantou o voto universal para os cidadãos ( mulheres, analfabetos, militares de 
baixa patente ficavam de fora ). A constituição instituiu o presidencialismo e o voto 
aberto. 
República das Oligarquias 
O período que vai de 1894 a 1930 foi marcado pelo governo de presidentes 
civis, ligados ao setor agrário. Estes políticos saiam dos seguintes partidos: Partido 
Republicano Paulista (PRP) e Partido Republicano Mineiro (PRM). Estes dois partidos 
controlavam as eleições, mantendo-se no poder de maneira alternada. Contavam 
com o apoio da elite agrária do país. 
Dominando o poder, estes presidentes implementaram políticas que 
beneficiaram o setor agrário do país, principalmente, os fazendeiros de café do oeste 
paulista. 
Surgiu neste período o tenentismo, que foi um movimento de caráter político-
militar, liderado por tenentes, que faziam oposição ao governo oligárquico. 
Defendiam a moralidade política e mudanças no sistema eleitoral (implantação do 
voto secreto) e transformações no ensino público do país. A Coluna Prestes e a 
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana foram dois exemplos do movimento 
tenentista. 
Política do Café-com-Leite 
A maioria dos presidentes desta época eram políticos de Minas Gerais e São 
Paulo. Estes dois estados eram os mais ricos da nação e, por isso, dominavam o 
cenário político da república. Saídos das elites mineiras e paulistas, os presidentes 
acabavam favorecendo sempre o setor agrícola, principalmente do café (paulista) e 
do leite (mineiro). A política do café-com-leite sofreu duras críticas de empresários 
ligados à indústria, que estava em expansão neste período. 
Se por um lado a política do café-com-leite privilegiou e favoreceu o 
crescimento da agricultura e da pecuária na região Sudeste, por outro, acabou 
provocando um abandono das outras regiões do país. As regiões Nordeste, Norte e 
Centro-Oeste ganharam pouca atenção destes políticos e tiveram seus problemas 
sociais agravados. 
Política dos Governadores 
Montada no governo do presidente paulista Campos Salles, esta política visava 
manter no poder as oligarquias. Em suma, era uma troca de favores políticos entre 
governadores e presidente. O presidente apoiava os candidatos dos partidos 
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governistas nos estados, enquanto estes políticos davam suporte a candidatura 
presidencial e também durante a época do governo. 
O coronelismo 
A figura do "coronel" era muito comum durante os anos iniciais da República, 
principalmente nas regiões do interior do Brasil. O coronel era um grande fazendeiro 
que utilizava seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que 
apoiava. Era usado o voto de cabresto, em que o coronel (fazendeiro) obrigava e 
usava até mesmo a violência para que os eleitores de seu "curral eleitoral" votassem 
nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era aberto, os eleitores eram 
pressionados e fiscalizados por capangas do coronel, para que votasse nos 
candidatos indicados. O coronel também utilizava outros "recursos" para conseguir 
seus objetivos políticos, tais como: compra de votos, votos fantasmas, troca de 
favores, fraudes eleitorais e violência. 
O Convênio de Taubaté 
Essa foi uma fórmula encontrada pelo governo republicano para beneficiar os 
cafeicultores em momentos de crise. Quando o preço do café abaixava muito, o 
governo federal comprava o excedente de café e estocava. Esperava-se a alta do 
preço do café e então os estoques eram liberados. Esta política mantinha o preço do 
café, principal produto de exportação, sempre em alta e garantia os lucros dos 
fazendeiros de café. 
A crise da República Velha e o Golpe de 1930 
Em 1930 ocorreriam eleições para presidência e, de acordo com a política do 
café-com-leite, era a vez de assumir um político mineiro do PRM. Porém, o Partido 
Republicano Paulista dopresidente Washington Luís indicou um político paulista, 
Julio Prestes, a sucessão, rompendo com o café-com-leite. Descontente, o PRM junta-
se com políticos da Paraíba e do Rio Grande do Sul (forma-se a Aliança Liberal ) para 
lançar a presidência o gaúcho Getúlio Vargas. 
Júlio Prestes sai vencedor nas eleições de abril de 1930, deixando descontes os 
políticos da Aliança Liberal, que alegam fraudes eleitorais. Liderados por Getúlio 
Vargas, políticos da Aliança Liberal e militares descontentes, provocam a Revolução 
de 1930. É o fim da República Velha e início da Era Vargas. 
- O período da História do Brasil conhecido como Nova República teve início 
em 1985, com o fim da Ditadura Militar e início do processo de redemocratização. 
Este período da História do Brasil dura até os dias atuais. 
BRASIL REPÚBLICA: ASPECTOS ADMINISTRATIVOS 
O Brasil é uma República Federativa de regime presidencialista, dividida 
administrativamente em 26 estados e um Distrito Federal, com um total de 5.024 
municípios distribuídos nos estados. O Governo do Estado é exercido pela ação de 
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três poderes constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário. Os membros dos 
poderes Executivo e Legislativo são eleitos diretamente pela população e os 
membros do Judiciário nomeados segundo procedimentos específicos, expressos na 
Constituição. 
Pela Constituição em vigor, promulgada a 5 de outubro de 1988, a sétima 
desde a Independência do país em 1822, o Presidente da República, chefe de Estado 
e de Governo, é eleito para um mandato de quatro anos, com direito à reeleição. Por 
se tratar de regime presidencialista, referendado em plebiscito realizado em 21 de 
abril de 1993, o presidente não depende da confiança do Legislativo para 
permanecer no cargo. As eleições presidenciais são realizadas em dois turnos, caso 
um dos candidatos não obtenha no primeiro pleito, 50% dos votos válidos mais um. 
O atual Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, foi eleito em primeiro 
turno de eleições diretas realizadas no dia 3 de outubro de 1994. 
Poder Executivo - O Poder Executivo é composto por Ministérios, por 
Secretarias Especiais e pelas Forças Armadas. Os Ministérios têm a atribuição de 
elaborar e executar políticas públicas em suas respectivas áreas de atuação, que 
correspondem aos Ministérios da Fazenda; do Planejamento e Orçamento; das 
Relações Exteriores; da Justiça; da Educação; das Minas e Energia; das Comunicações; 
da Agricultura; dos Transportes; da Indústria, Comércio e Turismo; do Meio Ambiente 
dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal; da Ciência e Tecnologia; do Trabalho; da 
Saúde; da Previdência; da Cultura; e da Administração Federal. As Secretarias 
Especiais são órgãos auxiliares da Presidência da República e seus ocupantes têm 
status de ministro. Existem a Secretaria de Comunicação Social, de Assuntos 
Estratégicos e os gabinetes Civil e Militar, que funcionam como uma coordenação de 
todos os ministérios existentes. No que tange às Forças Armadas, consideradas pela 
Constituição como essenciais à defesa da pátria, à garantia dos poderes 
constitucionais e, por iniciativa de qualqer dos poderes, à defesa da lei e da ordem, 
elas se compõem do Ministério da Marinha, da Aeronáutica e do Exército, os quais se 
subordinam ao Estado Maior das Forças Armadas (EMFA) e têm como autoridade 
suprema o Presidente da República. Cabe ao Executivo exercer as funções de chefia 
de Estado e de Governo, administrando a coisa pública, aplicando as leis existentes e 
propondo outras que sejam da sua competência. 
As ações desenvolvidas pelo governo dependem da orientação política do 
presidente da República e sua equipe. Tal orientação é expressa em programa 
político divulgado durante a campanha eleitoral, o que permite aos eleitores optarem 
pelo tipo de ação política que apoiam para determinada gestão, especialmente no 
que se refere às políticas econômica e social. No caso do atual Presidente da 
República, sua campanha foi centrada no plano de estabilização da economia e seu 
programa de governo baseou-se numa série de providências que estão sendo 
tomadas em relação cinco questões: saúde, educação, economia, infra-estrutura e 
agricultura. Comprometeu-se ainda com o fortalecimento do papel do Estado como 
coordenador, regulador e planejador do processo de desenvolvimento e com a 
promoção de uma reforma no setor público. 
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Poder Legislativo - Vigora no país o pluripartidarismo, com um Poder 
Legislativo bicameral, composto pelo Senado, com 81 membros, e pela Câmara dos 
Deputados, com 513 membros. Todos são eleitos por voto direto, para mandatos de 
8 e 4 anos respectivamente. Existem 20 partidos políticos registrados no Tribunal 
Superior Eleitoral. Entre os principais partidos políticos brasileiros incluem-se o 
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido dos Trabalhadores 
(PT), o Partido da Frente Liberal (PFL), o Partido da Social Democracia Brasileira 
(PSDB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), 
o Partido Popular Socialista (PPS) e o Partido Popular Renovador (PPR). A reforma 
partidária é um dos temas a serem abordados na revisão constitucional que já se 
iniciou. Entre as principais propostas a serem apresentadas para a reforma partidária, 
que visa a diminuir a distância entre cidadãos e seus representantes, incluem-se a 
volta da fidelidade partidária, a alteração do sistema de representação e a criação de 
mecamismos para a fiscalização da vida interna dos partidos, a fim de evitar legendas 
de aluguel e garantir o controle dos cidadãos sobre seus representantes. 
Poder Judiciário - O Poder Judiciário é o árbitro que julga os conflitos de 
interesse existentes na sociedade, uma vez que cabe ao Estado decidir quem tem 
razão nos casos em que tais conflitos não sejam superados por negociações e 
acordos diretos entre as partes envolvidas. As decisões são tomadas através de 
processos judiciais embasados na Constituição, nas leis, normas e costumes, 
adaptando regras genéricas às situações específicas e atribuindo o direito a quem 
julgar que merece. O Poder Judiciário está organizado nos âmbitos federal e 
estadual. Os municípios não têm Justiça própria, podendo recorrer, em certos casos, à 
Justiça dos Estados ou da União. Os cargos no Poder Judiciário são ocupados por 
concurso público e os juízes têm cargo vitalício, não podendo ser destituídos por 
decisão administrativa. São proibidos de exercer outro cargo ou função a não ser o 
magistério, não podendo também dedicar-se a atividades político-partidárias. 
Integram o Poder Judiciário os seguintes órgãos: 
- Supremo Tribunal Federal, responsável pela aplicação e interpretação da 
Constituição e formado por 11 ministros escolhidos e nomeados pelo Presidente da 
República, após ter o Senado aprovado a escolha, por maioria absoluta; 
- o Superior Tribunal de Justiça, que julga as questões infraconstitucionais e é 
responsável pela uniformidade da interpretação da lei federal em todo o país, sendo 
constituído por, no mínimo, 33 ministros nomeados pelo Presidente da República, 
após aprovação do Senado; 
- a Justiça Federal, responsável pelas causas que envolvem a União, autarquias 
ou empresas públicas federais e composta pelos Tribunais Regionais Federais (TRFs) 
dos Estados e pelos juízes federais; 
- a Justiça Estadual, formada pelos tribunais de Justiça e juízes de direito, que 
constituem foros para as ações de inconstitucionalidade das leis ou atos normativos 
estaduais e municipais para as ações criminais, civis e comerciais que não envolvam a 
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União ou pessoas no exercício de cargos públicos federais. Ligados ainda às Justiças 
Estaduais existem os Tribunais de Pequenas Causas, criados para resolver demandas 
judiciais de primeira, para solução imediata; 
- a Justiça do Trabalho, responsável pelaresolução de questões trabalhistas, e 
constituída pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribunais Regionais do 
Trabalho (TRTs) e pelas Juntas de Conciliação e Julgamento; 
- a Justiça Eleitoral, constituída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os 
tribunais regionais eleitorais (TREs), os juízes eleitorais e juntas eleitorais, responsável 
pelo encaminhamento, coordenação e fiscalização das eleições e do processo de 
formação e registro dos partidos políticos; 
- a Justiça Militar, responsável pelo processo e julgamento de crimes militares, 
e constituída pelo Superior Tribunal Militar (STM), juízes e tribunais militares e ainda 
os Conselhos de Justiça Militar. 
Organização da Sociedade 
Paralelamente à organização político-partidária existem outras formas de 
organização da sociedade brasileira, entre as quais destacam-se as organizações 
comunitárias, as organizações sindicais e as organizações não-governamentais 
(ONGs). As primeiras são geralmente formadas por moradores de determinada 
região, que decidem unir-se em torno de um conjunto de reivindicações comuns, que 
vão do direito à habitação até à melhoria das condições de vida urbana, relacionadas 
ao transporte, água, saneamento e segurança pública. As entidades criadas por local 
de moradia constituem uma das formas mais comuns e difundidas de organização da 
população urbana e representam a luta pela ampliação da cidadania, a partir de 
direitos individuais e coletivos garantidos na Constituição. 
As organizações sindicais representam categorias profissionais na defesa de 
seus interesses corporativos, nas negociações salariais e frente ao governo. A 
estrutura sindical brasileira baseia-se na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 
editada em 1943. É formalmente igual para trabalhadores e empregadores, com uma 
articulação vertical entre sindicatos organizados em nível municipal, federações 
estaduais e confederações nacionais. Dados do censo de 1990 da Fundação Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registram a existência de 10.075 sindicatos 
no país, dos quais 56,3% são urbanos e 43,7% são rurais. Entre os sindicatos urbanos, 
1.566 (27,5%) são de empregadores e 3.367 (59,3%) são de empregados. Os demais 
são de trabalhadores autônomos e de profissionais liberais. 
Há quatro centrais sindicais no País, sendo a Central Única dos Trabalhadores 
(CUT) a que conta com maior número de sindicatos filiados. De acordo com dados 
fornecidos pelas próprias centrais sindicais, com base em seus respectivos cadastros 
de contribuintes, a CUT possui 2.041 sindicatos filiados; a Força Sindical, segunda 
maior central sindical do País, tem um total de 978 sindicatos filiados; a Central Geral 
dos Trabalhadores possui 811; e a Confederação Geral dos Trabalhadores tem 128 
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sindicatos filiados em todo o país. A organização das centrais sindicais não está 
prevista na CLT, tendo se tornado um complemento da estrutura sindical existente, a 
partir do processo de abertura política iniciado no final da década de 70. A filiação de 
um sindicato a uma central sindical não é obrigatória no Brasil, como o é a sua 
filiação à federação estadual e à confederação da categoria em nível nacional. 
As organizações não-governamentais começaram a surgir na década de 80, 
tendo aumentado muito sua importância no país durante a década de 90. São 
entidades de direito civil, sem fins lucrativos ou vínculos com sindicatos, partidos 
políticos ou com o governo, embora possam receber financiamentos de fundos 
governamentais e de outras entidades brasileiras e estrangeiras. Embora não tenham 
caráter associativo e representativo, as ONGs também se dedicam a lutar pela defesa 
de direitos específicos da população. Calcula-se que existam mais de 3 mil entidades 
desse tipo no Brasil, que empregam cerca de 80 mil pessoas. Pesquisa realizada pelo 
Instituto Superior de Estudos Religiosos (ISER) junto a 132 ONGs brasileiras concluiu 
que 40% dessas instituições tratam da causa ecológica, embora muitas também se 
dediquem a temas específicos ligados aos direitos da mulher, da criança carente e à 
questão racial. 
BRASIL REPÚBLICA: ASPECTOS CULTURAIS E SOCIAIS 
A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, 
entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, 
tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por conter um extenso território, apresenta 
diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões. 
Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores 
europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, os 
imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, 
contribuíram para a pluralidade cultural do Brasil. 
Nesse contexto, alguns aspectos culturais das regiões brasileiras serão 
abordados. 
Região Nordeste 
Entre as manifestações culturais da região estão danças e festas como o 
bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, 
marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira. Algumas manifestações religiosas são 
a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é 
outro elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representado pelos 
trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, 
buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, 
bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, 
cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros. 
Região Norte 
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A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas maiores festas 
populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém (PA); e o Festival de Parintins, a 
mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas. 
Outros elementos culturais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a 
folia de reis e a festa do divino. 
A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca 
e em peixes. Outros alimentos típicos do povo nortista são: carne de sol, tucupi 
(caldo da mandioca cozida), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu 
(um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro. 
Região Centro-Oeste 
A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, recebendo 
contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e 
paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no 
estado de Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária 
regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz 
boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha, angu, cural, os peixes do 
Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros. 
Região Sudeste 
Os principais elementos da cultura regional são: festa do divino, festejos da 
páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, 
peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia 
de reis, caiapó. 
A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do 
índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos 
típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, carne de 
porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz 
paulista, farofa, pizza, etc. 
Região Sul 
O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, 
principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a 
Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: o fandango de influência 
portuguesa, a tirana e o anuo de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos 
Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dançade fitas, boi na vara. Na culinária 
estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, 
barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho. 
E) BRASIL REPÚBLICA: REVOLTAS, CRISES E CONFLITOS. 
O Brasil teve várias revoltas e revoluções durante o período do domínio 
lusitano e também durante o Império, inclusive revoluções de longa duração, como a 
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Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, mais conhecida como Guerra dos 
Farrapos, que durou de 1835 a 1845, sendo necessário até que o Governo Imperial 
enviasse para comandar as tropas legalistas na Província do Rio Grande do Sul o mais 
notável oficial das tropas imperiais, o general Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de 
Caxias. Pacificada a Província do Rio Grande do Sul, não tardou muito para que o 
Duque de Caxias tivesse que ser deslocado para a Província do Maranhão para 
combater os revoltosos da Balaiada, liderados por João Balaio. Caxias, cuja 
notoriedade como Comandante de tropas havia sido conquistada na Guerra do 
Paraguai, conseguiu dominar os revoltosos do Maranhão e, paradoxalmente, entrou 
para a História não apenas como o Patrono do Exército Brasileiro, mas também com 
a famosa antonomásia de O Pacificador, conquanto a sua cruzada de pacificação do 
Sul ao Norte do Império tenha sido levada a cabo a ferro e fogo, na ponta da espada, 
única forma possível de debelar os movimentos revoltosos que poderiam redundar 
em separação de algumas regiões brasileiras. 
Derrubado o regime imperial, em 1889, pela proclamação da República, o 
novo regime logo conheceu o efeito dos descontentamentos corporativos, em 1893, 
com a Revolta da Armada liderada pelos Almirantes Custódio de Mello e Saldanha da 
Gama, oficiais da Marinha descontentes com a ascensão do Exército no processo 
político da proclamação da República. Dominada a Revolta da Armada, que fracassou 
principalmente pela falta de apoio popular, logo a novel República do Brasil viu-se 
diante de um dos piores dramas da nossa História, a Revolta de Canudos, liderada 
por Antonio Conselheiro. O Exército conseguiu debelar a revolta ao custo de muitas 
perdas e algumas derrotas fragorosas diante dos sertanejos sem preparo militar. 
Erros crassos de avaliação e de estratégia complicaram seriamente as ações do 
Exército, conforme Euclides da Cunha (militar de formação) esclarece muito bem no 
seu livro Os Sertões. A destruição completa do arraial de Canudos deixou como 
herança amarga para o Exército Brasileiro uma eterna sensação de vitória de Pirro e 
um profundo arrependimento pelas atrocidades militarmente injustificáveis 
cometidas contra os matutos encurralados em Canudos. Canudos entrou para a 
História Militar como um mau exemplo a não ser seguido e jamais ser repetido, fato 
que explica perfeitamente o comportamento das tropas brasileiros em outros 
episódios de enfrentamento ao longo da nossa História. 
Mal cicatrizadas ainda as feridas dos sangrentos combates travados em 
Canudos, a República do Brasil voltou a ser sacudida, em 1910, pela revolta dos 
marinheiros contra as punições disciplinares da época, denominada como Revolta da 
Chibata, liderada pelo marinheiro João Cândido. A revolta foi sufocada mediante uma 
manobra política soez, que prometeu anistia aos revoltosos e não cumpriu a 
promessa depois que estes se renderam. As principais lideranças da revolta foram 
deportadas para Porto Velho nas piores condições de transporte, no navio Satélite, e 
quase todos pereceram nas mais diversas circunstâncias pelas florestas da região, em 
trabalhos penosos na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas, conhecida como 
Comissão Rondon. Vale esclarecer que Cândido Mariano da Silva Rondon, à época 
Tenente-Coronel e Chefe da Comissão, nada teve a ver com o fim dos revoltosos 
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deportados, como alguns ainda insistem em afirmar, sem qualquer embasamento de 
ordem documental. 
Nos anos subsequentes à Revolta da Chibata, de 1914 a 1918, o mundo 
conflagrou-se com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e os descontentamentos 
políticos, na República do Brasil, ficaram temporariamente adormecidos até 1922, 
quando estourou a Revolta Tenentista, liderada por jovens oficiais. O movimento em 
si foi de pouca duração, mas suas consequências subsistiriam no cenário político do 
país por várias décadas. 
Logo em 1924, com relação ideológica direta com a Revolta Tenentista, 
eclodiu novo levante de tropas liderado por jovens oficiais, entre os quais o capitão 
Luís Carlos Prestes, envolvendo as Forças Públicas (atuais Polícias Militares) de São 
Paulo e do Paraná, que se alastrou em maior ou menor grau por vários Estados do 
Brasil. Foi durante esse movimento que o então Tenente Aluízio Pinheiro Ferreira 
desertou do Exército para juntar-se aos revoltosos no Sul do país, não conseguindo 
seu intento e permanecendo por três anos foragido na região do Guaporé, 
homiziado no seringal da família Casara, na região de Laranjeiras. O então general-
de- brigada Cândido Mariano da Silva Rondon, na época o oficial general que mais 
conhecia o território brasileiro, foi designado para comandar as tropas legalistas no 
Teatro de Operações da Região Sul. Rondon cercou as tropas de Isidoro Dias e Luís 
Carlos Prestes, deixando-lhes como única saída a porta para os territórios 
estrangeiros vizinhos, que foi de fato por onde eles escaparam do cerco. Isidoro Dias 
abandonou a luta, mas Luís Carlos Prestes, à frente dos remanescentes dos seus 
seguidores, desprezando a magnanimidade do general Cândido Rondon que lhe 
permitiu a fuga para o Exterior, voltou ao território brasileiro por outros caminhos e 
empreendeu pelo país inteiro a histórica Marcha da Coluna Prestes, chegando até ao 
Nordeste, de onde voltou para internar-se em definitivo no território boliviano, de 
onde seguiu posteriormente para o seu longo exílio na União Soviética. 
Poucos anos após a Revolução de 1924, que terminou sem consequências 
políticas de relevância, eclodiu no Rio Grande do Sul a Revolução de 1930, chefiada 
por Getúlio Dornelles Vargas e integrada por muitos militares participantes das 
revoluções de 1922 e 1924. Denominada como Revolução de Outubro, o movimento 
expandiu-se do Rio Grande do Sul até a capital da República, o Rio de Janeiro, 
decretando a queda da chamada República Velha, que, na verdade, havia durado 
magros quarenta e um anos. Instalado no poder como chefe da Revolução, Getúlio 
Vargas deu início ao período de ditadura individual mais longo da nossa História. 
No entanto, a despeito do governo ditatorial, logo em 1932, em São Paulo, 
eclodiu a Revolução Constitucionalista, que mobilizou tropas do país inteiro para 
combater contra as tropas paulistas, constituindo um dos movimentos mais 
sangrentos da era republicana. Sufocada a Revolução Paulista, logo em 1935 eclodiu 
o movimento militar denominado Intentona Comunista, com a participação de Luís 
Carlos Prestes, enviado, em companhia de Olga Benarios, diretamente da União 
Soviética para organizar o movimento armado. O movimento foi sufocado com o 
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sacrifício de algumas vidas nos quartéis, sendo Luís Carlos Prestes capturado algum 
tempo depois, permanecendo encarcerado durante nove anos, enquanto que Olga 
Benarios, de origem judia, foi entregue por Getúlio Vargas ao governo nazista de 
Adolf Hitler. Olga estava grávida de Luís Carlos Prestes e a sua filha nasceu num 
campo de concentração alemão. Olga Benarios foi executada no campo de 
concentração pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. Sua morte, a 
exemplo do massacre dos sertanejos de Canudos, é uma das maiores vergonhas da 
nossa História como país republicano. 
Em 1945, as tropas do Exército que voltavam da guerra na Europa, em rápido 
levante, derrubaram a ditadura de Getúlio Vargas, pondo fim ao seu governo de 
quinze anos. O general mato-grossense Eurico Gaspar Dutra foi eleito parasubstituí-
lo. O Brasil abriu-se politicamente na Assembleia Constituinte de 1946, com a 
participação até do Partido Comunista, sendo o escritor Jorge Amado um dos 
deputados constituintes eleitos. Pouco tempo depois, o Partido Comunista foi 
proscrito novamente. 
Getúlio Vargas voltou à Presidência da República em 1951, eleito pelo voto 
popular, mas em 1954, às voltas com sedições militares da Força Aérea, a chamada 
República do Galeão, recusando-se a renunciar ao mandato, terminou por se suicidar 
no Palácio do Catete, gerando uma crise política que se estenderia ao longo do 
governo de Juscelino Kubitschek, com os levantes de oficiais da Força Aérea em 
Aragarças e Jacareaganga. O mais interessante é que ainda hoje Jacareaganga é um 
ponto distanciado na atual Transamazônica, no Pará, longe de tudo, não se podendo 
compreender os objetivos dos militares da Força Aérea que organizaram um 
movimento naqueles ermos da Amazônia, quando a capital da República ainda era 
situada no Rio de Janeiro. Somente os desvarios bem próprios das Repúblicas podem 
explicar tais incongruências. 
Nas marchas e contramarchas da democracia na República do Brasil, a eleição 
de Jânio Quadros para a Presidência, como efeito presumível da inexorável Lei de 
Murphy, abriu o caminho para os acontecimentos que redundaram na Revolução de 
1964, chefiada por militares do Exército, mas apoiada por consideráveis forças 
políticas do mundo civil. Os vinte e um anos que os militares detiveram o poder 
serviram para tirar o Brasil do seu anacrônico atraso em muitos setores, 
principalmente em termos de obras de infraestrutura como estradas e comunicações. 
A Guerrilha do Araguaia e outras escaramuças menores constituíram apenas 
episódios de percurso sem maiores consequências políticas para o regime e para o 
povo em geral. De tal modo, sempre que alguém pensar em acusar o regime militar 
de violência, deve pensar também no nosso passado republicano, que nada tem de 
exemplar em termos de pacifismo, nem mesmo na época em que os positivistas, 
pacifistas por ideologia e doutrina, controlaram os destinos da República do Brasil. 
PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. 
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No dia 1º de setembro de 1939, as forças nazistas alemãs de Adolf Hitler 
invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. O Brasil passou a 
participar do conflito a partir de 1942. Na época, o presidente da República era 
Getúlio Vargas. 
A princípio, a posição brasileira foi de neutralidade. Depois de alguns ataques 
a navios brasileiros, Getúlio Vargas decidiu entrar em acordo com o presidente 
americano Roosevelt para a participação do país na Guerra. 
Quando a guerra transformou-se numa guerra total, dispostos a interceptar 
remessas de alimentos e matérias-primas para a Inglaterra e os Estados Unidos, os 
nazistas, sem nenhuma declaração formal de guerra, empreenderam uma campanha 
submarina no Atlântico, na qual atacaram, de 15 a 17 de agosto de 1942, cinco navios 
brasileiros (Baependi, Itajiba, Araraquara, Aníbal Benévolo e Araras). 
Este ataque obrigou o governo brasileiro a abandonar a neutralidade que 
vinha mantendo. Durante a II Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos, 
realizada no Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, foi anunciado o rompimento das 
relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a Alemanha, a Itália e o Japão. No 
dia 22 de agosto Getúlio Vargas reuniu o ministério para a declaração de guerra à 
Alemanha e à Itália. Foi iniciada a mobilização geral e foram tomadas providências 
para o aumento da produção agrícola e da indústria extrativa de matérias primas 
estratégicas. 
Embora a história dos pracinhas - diminutivo de praça, que é soldado - seja 
ainda pouco comentada no Brasil, Marcus Firmino Santiago da Silva, coordenador do 
curso de Direito da Escola Superior Professor Paulo Martins, do Distrito Federal, e 
estudioso sobre a Segunda Guerra, afirma que a participação brasileira foi muito 
importante. "O apoio do Brasil foi disputado na Segunda Guerra. De forma um pouco 
velada por parte dos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão) e de maneira clara 
pelos aliados, especialmente os norte-americanos, além da Inglaterra e da França", 
afirma. 
A contribuição militar inicial não se limitou ao fornecimento das bases aéreas e 
navais do Nordeste, que possibilitaram a invasão da África do Norte. A Marinha 
Brasileira fez a cobertura das rotas mercantes do Atlântico Sul, protegendo os navios 
que levavam materiais estratégicos. 
O primeiro grupo de militares brasileiros chegou à Itália em julho de 1944. O 
Brasil ajudou os norte-americanos na libertação da Itália, que, na época, ainda estava 
parcialmente nas mãos do exército alemão. Nosso país enviou cerca de 25 mil 
homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB), e 42 pilotos e 400 homens de apoio 
da Força Aérea Brasileira (FAB). 
Os pracinhas conseguem vitórias importantes contra os alemães, tomando 
cidades e regiões estratégicas que estavam no poder destes, como o Monte Castelo, 
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Turim, Montese, entre outras. Mais de 14 mil alemães se renderam aos brasileiros, 
que também ficaram com despojos como milhares de cavalos, carros e munição. 
A ação dos pracinhas não foi fácil por vários motivos. O primeiro, porque o 
treinamento recebido no Brasil e nos Estados Unidos não era muito próximo à 
realidade da guerra que encontraram. Os soldados não estavam habituados ao clima 
frio dos montes Apeninos, que atravessam a Itália e nem acostumados a lutar em 
local montanhoso. Só na batalha do Monte Castelo, houve mais de 400 baixas entre 
os brasileiros. 
Em meados de 1944, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, 
partiu para a Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB). O primeiro escalão da FEB, 
sob o comando do general Zenóbio da Costa, desembarcou em Nápoles, em 16 de 
julho de 1944, onde foi incorporado ao 5º Exército Americano. Dirigiu-se para o 
norte, onde se desenvolveria a ofensiva aliada entre os rios Arno e Pó. Os 
expedicionários lutaram ao lado das forças aliadas nas batalhas de Camaiore, Monte 
Castelo, Castelnuovo, Montese e Fornovo. Durante o conflito a Marinha Brasileira 
acompanhou, prestando cobertura, mais de 3 mil navios mercantes. As cinzas dos 
451 oficiais e praças mortos no conflito, entre eles oito pilotos da Força Aérea 
Brasileira (FAB) foram transladados do cemitério de Pistóia, na Itália, para o Brasil, em 
5 de outubro de 1960, e hoje repousam no monumento aos mortos da II Guerra 
Mundial, no Rio de Janeiro. 
"Além disso, foi fundamental para o esforço de guerra a cessão de bases 
navais e aéreas no território brasileiro. Um desses locais que teve participação 
decisiva foi Natal, no Rio Grande do Norte", afirma o professor. A capital potiguar 
serviu como local para abastecimento dos aviões de guerra americanos e base naval 
antissubmarinos. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a FEB foi desfeita 
em 1946.

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