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ABC DA GREVE Lu

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. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
. Direito Coletivo do Trabalho curso: Direito - Noite sala 403
. Professor: Matheus de Mendonça Gonçalves Leite
. Acadêmica: Luciana Nilo de Santana Santos - 836637
Documentário
O documentário acompanha a efervescência do movimento sindical no ABC Paulista no final dos anos setenta, que se mobilizou para realizar as primeiras greves no Brasil desde 1968. O filme traz registros dos operários metalúrgicos das grandes fábricas automobilísticas e multinacionais na luta por melhores salários e melhores condições de vida, tornando-se um registro essencial daquele movimento popular que precedeu a anistia política e a redemocratização do país. 
“O filme não é apenas um perfil da classe trabalhadora brasileira setentista, mas uma obra que discute e contesta a própria condição dessas pessoas e a emergência de se pensar alternativas que se mostraram pouco resolutivas ao longo das décadas que seguiram à abertura política.”
 Esse documentário foi uma das formas mais autênticas de manifestação da cinematografia brasileira. Por meio de histórias e personagens retratados em imagens em movimento, parte de uma memória nacional pôde ser e tem se constituído ao longo das décadas que marcaram o século XX e tem marcado o século XXI. Dentre essas obras é que despontam trabalhos como o singular “ABC da Greve” (1979)
Dirigido por Leon Hirszman, o documentário de longa-metragem acompanha o movimento grevista de 150 mil metalúrgicos da região do Grande ABC Paulista em 1979. O filme cobre, portanto, a trajetória desses trabalhadores que, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva, lutam por melhores salários e condições de vida em um Brasil que ainda estava à sombra do fantasma da Ditadura Militar.
 
Retrata também as contradições de um país que já se desenhava em colapso. Onde populações inteiras se esquadrinhavam à margem de um projeto de 
nação que igualmente se fazia (e ainda se faz) necessário em todas as suas vertentes. 
A greve dos metalúrgicos do ABC foi um marco importante na
história do Brasil, ocorrendo principalmente entre 1978 e 1979. Teve seu Início com o movimento grevista começou em 12 de maio de 1978, com paralisações nas fábricas de caminhões da Saab
Scania, em São Bernardo do Campo, onde cerca de 2 mil metalúrgicos reivindicaram 20% de aumento salarial. Entretanto, a Greve Geral em 13 de março de 1979, os metalúrgicos de São Bernardo e Diademainiciaram uma greve geral, a primeira de uma categoria no Brasil desde 1968, com o objetivo de obter um reajuste salarial de 78,1%. Esses  eventos foram fundamentais para fortalecer o sindicalismo e enfraquecer a
 ditadura militar no país caracterizado pelo tipo de organização que se desenvolveu entre os trabalhadores de base, justapondo os laços do sindicato à rede de organizações da comunidade operária – em especial, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e associações comunitárias –, e pela ascensão de novas lideranças sindicais, como Luiz Inácio Lula da Silva.
 Todavia, empresários adotaram medidas preventivas com o aumento de estoques, vigilância dos chefes e até solicitação de apoio policial. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo orientou os trabalhadores a não fazer horas extras. Em 13 de março de 1979, iniciou-se a greve geral, com paralisação em grandes fábricas como Ford, Volkswagen, Mercedes-Benz e Brastemp.E O movimento atingiu cerca de 170 mil operários e contou com assembleias massivas no Estádio da Vila Euclides. Entretanto, o governo decretou intervenção no sindicato e proibiu assembleias, aumentando o conflito com os trabalhadores. Após semanas de confronto e negociações, foi firmado acordo em maio de 1979, com reajuste de 63% até dez salários mínimos. Apesar de mais vantajoso que o firmado pela Federação, foi considerado insuficiente. Em 18 de maio, o sindicato foi devolvido aos trabalhadores.
Já, a greve de 1980, o governo militar instituiu nova política salarial baseada no INPC, com faixas diferenciadas e restrição à negociação direta. Com isso, os metalúrgicos do ABC reivindicaram: reajuste de INPC + 15%, piso salarial de Cr$ 12 mil, estabilidade no emprego, redução da jornada para 40h e reconhecimento dos delegados sindicais. Entretanto, em 1º de abril de 1980, iniciou-se a greve com adesão de até 90% da categoria. O TRT inicialmente não julgou a legalidade, mas em 15 de abril decretou a greve ilegal, abrindo espaço para forte repressão. Por conseguinte, governo interveio nos sindicatos, prendeu líderes como Lula, Djalma Bom e Devanir Ribeiro, e restringiu reuniões a igrejas e associações comunitárias. Assim, o movimento perdeu força com demissões e retorno gradual ao trabalho.No entanto, em 12 de maio de 1980, após 41 dias de paralisação, a greve foi encerrada. Além disso, houve consequência imediata: cerca de 4 mil demissões e processo judicial contra líderes sindicais com base na Lei de Segurança Nacional. Portanto, As greves consolidaram o protagonismo dos metalúrgicos do ABC e de suas lideranças, especialmente Lula, no cenário político nacional. A repressão estatal e patronal resultou em queda de 62% no número de greves em 1980, mas fortaleceu a articulação sindical e a aproximação com movimentos sociais e a Igreja.Foram marcos históricos na transição democrática e na formação de novas forças políticas no Brasil.
 ANO: 1979.1990
Direção: Leon Hirszman
Roteiro Ferreira Gullar
Elenco: Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar, Lula
Título original: ABC Da Greve
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