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LEGISLAÇÃO FEDERAL 
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 
Art. 5, 37 ao 41, 205 ao 214, 227 ao 229. 
TÍTULO II 
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
CAPÍTULO I 
 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta 
Constituição; 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei; 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante; 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da 
indenização por dano material, moral ou à imagem; 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais 
de culto e a suas liturgias; 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas 
entidades civis e militares de internação coletiva; 
 
 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de 
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação 
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de 
comunicação, independentemente de censura ou licença; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de 
sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem 
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou 
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 
13.105, de 2015) 
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, 
de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem 
judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação 
criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996) 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer; 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da 
fonte, quando necessário ao exercício profissional; 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo 
qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com 
seus bens; 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao 
público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra 
reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido 
prévio aviso à autoridade competente; 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter 
paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas 
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu 
funcionamento; 
 
 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o 
trânsito em julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm 
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade 
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização 
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar 
de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se 
houver dano; 
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada 
pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes 
de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu 
desenvolvimento; 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou 
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da 
imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem 
ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas 
representações sindicais e associativas; 
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário 
para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade 
das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em 
vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; 
XXX - é garantido o direito de herança; 
 
 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela 
lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não 
lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu 
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no 
prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja 
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Vide Lei nº 12.527, de 
2011) 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra 
ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito; 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa 
julgada; 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, 
assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia 
cominação legal; 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades 
fundamentais; 
 
 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à 
pena de reclusão, nos termos da lei; 
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia 
a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo 
e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os 
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, 
civis ou militares,contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação 
de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, 
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do 
patrimônio transferido; 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as 
seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a 
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
 
 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer 
com seus filhos durante o período de amamentação; 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime 
comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de 
opinião; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade 
competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo 
legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em 
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos 
a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença 
penal condenatória; 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo 
nas hipóteses previstas em lei; 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for 
intentada no prazo legal; 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a 
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de 
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados 
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele 
indicada; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
 
 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por 
seu interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a 
liberdade provisória, com ou sem fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo 
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do 
depositário infiel; 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar 
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por 
ilegalidade ou abuso de poder; 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável 
pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa 
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos 
interesses de seus membros ou associados; 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma 
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades 
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à 
cidadania; 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo; 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a 
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, 
 
 
à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e 
cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do 
ônus da sucumbência; 
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que 
comprovarem insuficiência de recursos; 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que 
ficar preso além do tempo fixado na sentença; 
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide 
Lei nº 7.844, de 1989) 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da 
lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. 
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável 
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação 
imediata. 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros 
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem 
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três 
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos 
aprovados na forma deste parágrafo: DLG nº 186, de 2008, DEC 6.949, de 2009, 
DLG 261, de 2015, DEC 9.522, de 2018) 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja 
criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, 
de 2004) 
 
CAPÍTULO VII 
 
 
 
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
Seção I 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, 
também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que 
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na 
forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em 
concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e 
a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as 
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável 
uma vez, por igual período; 
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele 
aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado 
com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na 
carreira; 
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes 
de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores 
de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, 
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical; 
 
 
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei 
específica; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas 
portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão; 
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para 
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; 
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do 
art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a 
iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na 
mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos 
públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e 
os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio 
do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do 
Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais 
e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por 
cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal 
Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do 
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não 
poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; 
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies 
remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão 
computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos 
são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos 
arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando 
houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no 
inciso XI: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
19, de 1998) 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com 
profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, 
de 2001) 
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange 
autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas 
subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder 
público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas 
áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores 
administrativos, na forma da lei; 
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a 
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, 
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias 
das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de 
qualquer delas em empresa privada; 
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, 
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública 
que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas 
que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da 
proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de 
 
 
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das 
obrigações. 
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas 
por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a 
realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o 
compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou 
convênio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003) 
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos 
públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela 
não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção 
pessoal de autoridades ou servidores públicos. 
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato 
e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração 
pública direta e indireta, regulando especialmente: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, 
asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação 
periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos 
de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de 
cargo, emprego ou função na administração pública. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos 
políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o 
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da 
ação penal cabível. 
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitospraticados por 
qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas 
as respectivas ações de ressarcimento. 
 
 
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras 
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa 
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa. 
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou 
emprego da administração direta e indireta que possibilite o acesso a 
informações privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da 
administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser 
firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a 
fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor 
sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - o prazo de duração do contrato; 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e 
responsabilidade dos dirigentes; 
III - a remuneração do pessoal." 
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de 
economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos 
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de 
pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria 
decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, 
emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta 
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de 
livre nomeação e exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
1998) 
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata 
o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas 
em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
 § 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado 
aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às 
respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal 
dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa 
 
 
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos 
subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
 
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, 
no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado 
de seu cargo, emprego ou função; 
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, 
sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração; 
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, 
perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da 
remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a 
norma do inciso anterior; 
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato 
eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto 
para promoção por merecimento; 
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores 
serão determinados como se no exercício estivesse. 
 
Seção II 
 
DOS SERVIDORES PÚBLICOS 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no 
âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os 
servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações 
públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4) 
 
 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão 
conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por 
servidores designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema 
remuneratório observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos 
componentes de cada carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para 
a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a 
participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, 
facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes 
federados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, 
IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei 
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o 
exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado 
e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por 
subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, 
adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie 
remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá 
estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores 
públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os 
valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará 
a aplicação de recursos orçamentários provenientes da economia com despesas 
correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no 
desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e 
desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço 
público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser 
fixada nos termos do § 4º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é 
assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante 
contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos 
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e 
atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
41,19.12.2003) 
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo 
serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na 
forma dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 
19/12/2003) 
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de 
contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional 
ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, 
aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na 
forma de lei complementar; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 88, 
de 2015) 
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo 
exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a 
 
 
aposentadoria, observadas as seguintes condições: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e 
cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se 
mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua 
concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no 
cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a 
concessão da pensão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 
15/12/98) 
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua 
concessão, serão consideradas as remunerações utilizadas como base para as 
contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam este artigo 
e o art. 201, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 
19/12/2003) 
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão 
de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, 
ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de 
servidores: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
I - portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 
2005) 
II - que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, 
de 2005) 
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem 
a saúde ou a integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 
2005) 
§ 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco 
anos, em relação ao disposto no § 1º, III, "a", para o professor que comprove 
exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na 
educação infantil e no ensino fundamental e médio. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
 
 
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na 
forma desta Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria 
à conta do regime de previdência previsto neste artigo. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será 
igual: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo 
estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que 
trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este 
limite, caso aposentado à data do óbito; ou (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 41, 19/12/2003) 
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que 
se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do 
regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta 
por cento da parcela excedente a este limite, caso em atividade na data do óbito. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em 
caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para 
efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de 
disponibilidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 10 A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de 
contribuição fictício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 11 Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de 
inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou 
empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para 
o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de 
proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta 
Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração, e de cargo eletivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
15/12/98) 
§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores 
públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e 
 
 
critérios fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado 
em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou 
de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 14 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam 
regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores 
titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e 
pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite 
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social 
de que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 15 O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído 
por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 
202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de 
previdência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos 
participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição 
definida. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 16 Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 
poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a 
data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de 
previdência complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
15/12/98) 
§ 17 Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício 
previsto no § 3° serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 18 Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões 
concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo 
estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que 
trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares 
de cargosefetivos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 19 O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para 
aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer 
em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua 
contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria 
 
 
compulsória contidas no § 1º, II. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 
19/12/2003) 
§ 20 Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência 
social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade 
gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 
142, § 3º, X. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19/12/2003) 
§ 21 A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as 
parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do 
limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência 
social de que trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na forma 
da lei, for portador de doença incapacitante. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores 
nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de 
lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele 
reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de 
origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em 
disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará 
em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu 
adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação 
especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
CAPÍTULO III 
 
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 
Seção I 
 
DA EDUCAÇÃO 
 
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será 
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho. 
 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e 
o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino; 
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da 
lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de 
provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 53, de 2006) 
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII - garantia de padrão de qualidade. 
 
 
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar 
pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, 
de 2006) 
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores 
considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para 
a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 53, de 2006) 
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, 
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de 
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. 
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas 
estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 
1996) 
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e 
tecnológica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) 
 
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia 
de: 
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos 
de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não 
tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
59, de 2009) 
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 14, de 1996) 
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino; 
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de 
idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um; 
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; 
 
 
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por 
meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte, 
alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 59, de 2009) 
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. 
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta 
irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. 
§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, 
fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à 
escola. 
 
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: 
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; 
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. 
 
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de 
maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e 
artísticos, nacionais e regionais. 
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários 
normais das escolas públicas de ensino fundamental. 
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, 
assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas 
maternas e processos próprios de aprendizagem. 
 
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em 
regime de colaboração seus sistemas de ensino. 
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará 
as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, 
função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de 
oportunidades educacionais e padrão mínimo dequalidade do ensino mediante 
assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) 
 
 
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na 
educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) 
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino 
fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) 
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar 
a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 59, de 2009) 
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
 
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita 
resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na 
manutenção e desenvolvimento do ensino. 
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos 
Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, 
receita do governo que a transferir. 
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no "caput" deste artigo, serão 
considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos 
aplicados na forma do art. 213. 
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento 
das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, 
garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de 
educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) 
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde 
previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de 
contribuições sociais e outros recursos orçamentários. 
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a 
contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da 
lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
 
 
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do 
salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos 
matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
 
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo 
ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em 
lei, que: 
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros 
em educação; 
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, 
filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de 
suas atividades. 
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de 
estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que 
demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos 
regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o 
Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na 
localidade. 
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação 
realizadas por universidades e/ou por instituições de educação profissional e 
tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder Público. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) 
 
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, 
com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de 
colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação 
para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos 
níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos 
das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 59, de 2009) 
I - erradicação do analfabetismo; 
II - universalização do atendimento escolar; 
 
 
III - melhoria da qualidade do ensino; 
IV - formação para o trabalho; 
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. 
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação 
como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 59, de 2009) 
 
CAPÍTULO VII 
 
Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso 
(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao 
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, 
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-
los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, 
crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 
2010) 
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, 
do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não 
governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes 
preceitos: (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na 
assistência materno-infantil; 
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as 
pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de 
integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o 
treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens 
e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas 
as formas de discriminação. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, 
de 2010) 
 
 
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios 
de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de 
garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. 
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: 
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o 
disposto no art. 7º, XXXIII; 
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; 
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; (Redação 
dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, 
igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, 
segundo dispuser a legislação tutelar específica; 
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à 
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de 
qualquer medida privativa da liberdade; 
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais 
e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança 
ou adolescente órfão ou abandonado; 
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao 
adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. (Redação 
dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da 
criança e do adolescente. 
§ 5º A adoção será assistida peloPoder Público, na forma da lei, que 
estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros. 
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os 
mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações 
discriminatórias relativas à filiação. 
§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em 
consideração o disposto no art. 204. 
§ 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
 
 
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; (Incluído 
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das 
várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído 
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 
 
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às 
normas da legislação especial. 
 
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os 
filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou 
enfermidade. 
 
LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 
Art, 53 ao 59, 136 ao 137. 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
 
CAPÍTULO IV - Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer 
 
Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno 
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e 
qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - direito de ser respeitado por seus educadores; 
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias 
escolares superiores; 
IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; 
V - acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência. 
 
 
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo 
pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. 
 
Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: 
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não 
tiveram acesso na idade própria; 
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; 
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino; 
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a cinco anos de 
idade; 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um; 
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente 
trabalhador; 
VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares 
de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. 
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. 
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta 
irregular importa responsabilidade da autoridade competente. 
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, 
fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela frequência à 
escola. 
 
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou 
pupilos na rede regular de ensino. 
 
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão 
ao Conselho Tutelar os casos de: 
I - maus-tratos envolvendo seus alunos; 
 
 
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos 
escolares; 
III - elevados níveis de repetência. 
 
Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas 
relativas a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com 
vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental 
obrigatório. 
 
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos 
e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-
se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura. 
 
Art. 59. Os Municípios, com apoio dos Estados e da União, estimularão e 
facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, 
esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. 
 
CAPÍTULO II - Das Atribuições do Conselho 
 
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: 
I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, 
aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII; 
II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas 
no art. 129, I a VII; 
III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: 
a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, 
previdência, trabalho e segurança; 
b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento 
injustificado de suas deliberações; 
 
 
IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração 
administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; 
V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; 
VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as 
previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; 
VII - expedir notificações; 
VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente 
quando necessário; 
IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária 
para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do 
adolescente; 
X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos 
previstos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal; 
XI - representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou 
suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção 
da criança ou do adolescente junto à família natural; 
XII - promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de 
divulgação e treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em 
crianças e adolescentes. 
Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar 
entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti 
o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal 
entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a 
promoção social da família. 
 
Art. 137. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela 
autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. 
 
 
 
 
 
 
TÓPICO: LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 
 
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta 
e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
TÍTULO I 
 
Da Educação 
 
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na 
vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e 
pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas 
manifestações culturais. 
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, 
predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. 
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática 
social. 
 
TÍTULO II 
 
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional 
 
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de 
liberdadee nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno 
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho. 
 
 
 
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, 
a arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; 
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; 
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
VII - valorização do profissional da educação escolar; 
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação 
dos sistemas de ensino; 
IX - garantia de padrão de qualidade; 
X - valorização da experiência extra-escolar; 
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. 
XII - consideração com a diversidade étnico-racial. (Incluído pela Lei nº 12.796, 
de 2013) 
XIII - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. 
(Incluído pela Lei nº 13.632, de 2018) 
 
TÍTULO III 
 
Do Direito à Educação e do Dever de Educar 
 
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante 
a garantia de: 
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos 
de idade, organizada da seguinte forma: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 
2013) 
 
 
a) pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
b) ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
c) ensino médio; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de idade; 
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, 
preferencialmente na rede regular de ensino; (Redação dada pela Lei nº 12.796, 
de 2013) 
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os 
que não os concluíram na idade própria; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 
2013) 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um; 
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; 
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com 
características e modalidades adequadas às suas necessidades e 
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de 
acesso e permanência na escola; 
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por 
meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, 
alimentação e assistência à saúde; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e 
quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento 
do processo de ensino-aprendizagem. 
X - vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais 
próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 
(quatro) anos de idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008). 
 
Art. 4º-A. É assegurado atendimento educacional, durante o período de 
internação, ao aluno da educação básica internado para tratamento de saúde 
 
 
em regime hospitalar ou domiciliar por tempo prolongado, conforme dispuser o 
Poder Público em regulamento, na esfera de sua competência federativa. 
(Incluído pela Lei nº 13.716, de 2018). 
 
Art. 5º O acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, 
podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, 
organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, 
ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo. (Redação dada 
pela Lei nº 12.796, de 2013) 
§ 1º O poder público, na esfera de sua competência federativa, deverá: (Redação 
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade escolar, bem 
como os jovens e adultos que não concluíram a educação básica; (Redação 
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
II - fazer-lhes a chamada pública; 
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola. 
§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará em 
primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste artigo, 
contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino, conforme 
as prioridades constitucionais e legais. 
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade 
para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do art. 208 da 
Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial 
correspondente. 
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o 
oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de 
responsabilidade. 
§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o Poder Público 
criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, 
independentemente da escolarização anterior. 
Art. 6º É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na 
educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. (Redação dada pela Lei 
nº 12.796, de 2013) 
 
 
 
Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: 
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema 
de ensino; 
II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público; 
III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no art. 213 da 
Constituição Federal. 
 
Art. 7º-A Ao aluno regularmente matriculado em instituição de ensino pública 
ou privada, de qualquer nível, é assegurado, no exercício da liberdade de 
consciência e de crença, o direito de, mediante prévio e motivado requerimento, 
ausentar-se de prova ou de aula marcada para dia em que, segundo os preceitos 
de sua religião, seja vedado o exercício de tais atividades, devendo-se-lhe 
atribuir, a critério da instituição e sem custos para o aluno, uma das seguintes 
prestações alternativas, nos termos do inciso VIII do caput do art. 5º da 
Constituição Federal: (Incluído pela Lei nº 13.796, de 2019) 
I - prova ou aula de reposição, conforme o caso, a ser realizada em data 
alternativa, no turno de estudo do aluno ou em outro horário agendado com sua 
anuência expressa; (Incluído pela Lei nº 13.796, de 2019) 
II - trabalho escrito ou outra modalidade de atividade de pesquisa, com tema, 
objetivo e data de entrega definidos pela instituição de ensino. (Incluído pela Lei 
nº 13.796, de 2019) 
§ 1º A prestação alternativa deverá observar os parâmetros curriculares e o 
plano de aula do dia da ausência do aluno. (Incluído pela Lei nº 13.796, de 2019) 
§ 2º O cumprimento das formas de prestação alternativa de que trata este artigo 
substituirá a obrigação original para todos os efeitos, inclusive regularização do 
registro de frequência. (Incluído pela Lei nº 13.796, de 2019) 
§ 3º As instituições de ensino implementarão progressivamente, no prazo de 2 
(dois) anos, as providências e adaptações necessárias à adequação de seu 
funcionamento às medidas previstas neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.796, 
de 2019) 
§ 4º O disposto neste artigo não se aplica ao ensino militar a que se refere o art. 
83 destaLei. (Incluído pela Lei nº 13.796, de 2019) 
 
 
 
TÍTULO IV 
 
Da Organização da Educação Nacional 
 
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em 
regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. 
§ 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando 
os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e 
supletiva em relação às demais instâncias educacionais. 
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. 
 
Art. 9º A União incumbir-se-á de: 
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios; 
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema 
federal de ensino e o dos Territórios; 
III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o 
atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função 
redistributiva e supletiva; 
IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino 
fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos 
mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; 
IV-A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, diretrizes e procedimentos para identificação, cadastramento e 
atendimento, na educação básica e na educação superior, de alunos com altas 
habilidades ou superdotação; (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) 
V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; 
 
 
 VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino 
fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, 
objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; 
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; 
 VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação 
superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre 
este nível de ensino; 
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, 
os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu 
sistema de ensino. (Vide Lei nº 10.870, de 2004) 
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com 
funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. 
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a 
todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e 
órgãos educacionais. 
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados 
e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. 
 
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: 
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus 
sistemas de ensino; 
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino 
fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das 
responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos 
financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público; 
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as 
diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas 
ações e as dos seus Municípios; 
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, 
os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu 
sistema de ensino; 
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; 
 
 
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio 
a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação 
dada pela Lei nº 12.061, de 2009) 
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Incluído pela Lei 
nº 10.709, de 31.7.2003) 
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes 
aos Estados e aos Municípios. 
 
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: 
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus 
sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União 
e dos Estados; 
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; 
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; 
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de 
ensino; 
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o 
ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente 
quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de 
competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela 
Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. 
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. (Incluído pela Lei 
nº 10.709, de 31.7.2003) 
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema 
estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. 
 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do 
seu sistema de ensino, terão a incumbência de: 
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; 
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; 
 
 
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; 
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de 
integração da sociedade com a escola; 
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os 
responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como 
sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 
12.013, de 2009) 
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município a relação dos alunos que 
apresentem quantidade de faltas acima de 30% (trinta por cento) do percentual 
permitido em lei; (Redação dada pela Lei nº 13.803, de 2019) 
IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos 
os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no 
âmbito das escolas; (Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018) 
X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. 
(Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018) 
XI - promover ambiente escolar seguro, adotando estratégias de prevenção e 
enfrentamento ao uso ou dependência de drogas. (Incluído pela Lei nº 13.840, 
de 2019) 
 
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: 
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de 
ensino; 
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino; 
III - zelar pela aprendizagem dos alunos; 
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor 
rendimento; 
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar 
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao 
desenvolvimento profissional; 
 
 
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a 
comunidade. 
 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do 
ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e 
conforme osseguintes princípios: 
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola; 
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou 
equivalentes. 
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de 
educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica 
e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito 
financeiro público. 
 
Art. 16. O sistema federal de ensino compreende: 
I - as instituições de ensino mantidas pela União; 
II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa 
privada; 
III - os órgãos federais de educação. 
 
Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: 
I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Público 
estadual e pelo Distrito Federal; 
II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal; 
III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela 
iniciativa privada; 
IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, respectivamente. 
Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação infantil, criadas 
e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema de ensino. 
 
 
 
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem: 
I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas 
pelo Poder Público municipal; 
II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada; 
III – os órgãos municipais de educação. 
 
Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas 
seguintes categorias administrativas: 
I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e 
administradas pelo Poder Público; 
II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas 
ou jurídicas de direito privado. 
 
Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes 
categorias: 
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são instituídas e 
mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que 
não apresentem as características dos incisos abaixo; 
II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas 
físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas 
educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua entidade mantenedora 
representantes da comunidade; (Redação dada pela Lei nº 12.020, de 2009) 
III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de 
pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação 
confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior; 
IV - filantrópicas, na forma da lei. 
 
TÍTULO V 
 
 
 
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino 
 
CAPÍTULO I 
 
Da Composição dos Níveis Escolares 
 
Art. 21. A educação escolar compõe-se de: 
I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino 
médio; 
II - educação superior. 
 
CAPÍTULO II 
 
DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
 
Seção I 
 
Das Disposições Gerais 
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, 
assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e 
fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. 
 
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos 
semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-
seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma 
diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem 
assim o recomendar. 
 
 
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar de 
transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior, tendo 
como base as normas curriculares gerais. 
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive 
climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com 
isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. 
 
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de 
acordo com as seguintes regras comuns: 
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino 
fundamental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias 
de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, 
quando houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino 
fundamental, pode ser feita: 
a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou 
fase anterior, na própria escola; 
b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; 
c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela 
escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e 
permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do 
respectivo sistema de ensino; 
III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o 
regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que 
preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo 
sistema de ensino; 
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, 
com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas 
estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; 
V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: 
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência 
dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do 
período sobre os de eventuais provas finais; 
 
 
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; 
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do 
aprendizado; 
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; 
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao 
período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados 
pelas instituições de ensino em seus regimentos; 
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu 
regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência 
mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; 
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações 
de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com 
as especificações cabíveis. 
§ 1º A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser 
ampliada de forma progressiva, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, 
devendo os sistemas de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco anos, pelo 
menos mil horas anuais de carga horária, a partir de 2 de março de 2017. 
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 2º Os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de educação de jovens e 
adultos e de ensino noturno regular, adequado às condições do educando, 
conforme o inciso VI do art. 4º. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar 
relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as 
condições materiais do estabelecimento. 
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das condições 
disponíveis e das características regionaise locais, estabelecer parâmetro para 
atendimento do disposto neste artigo. 
 
Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino 
médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema 
de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, 
 
 
exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da 
economia e dos educandos. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o 
estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico 
e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. 
§ 2º O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá 
componente curricular obrigatório da educação básica. (Redação dada pela Lei 
nº 13.415, de 2017) 
§ 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é 
componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática 
facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º/12/2003) 
I - que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (Incluído pela 
Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) 
II - maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º/12/2003) 
III - que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, 
estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 
1º.12.2003) 
IV - amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; (Incluído 
pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) 
V - (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) 
VI - que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) 
§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das 
diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente 
das matrizes indígena, africana e européia. 
§ 5º No currículo do ensino fundamental, a partir do sexto ano, será ofertada a 
língua inglesa. (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 6º As artes visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens que 
constituirão o componente curricular de que trata o § 2º deste artigo. 
(Redação dada pela Lei nº 13.278, de 2016) 
§ 7º A integralização curricular poderá incluir, a critério dos sistemas de ensino, 
projetos e pesquisas envolvendo os temas transversais de que trata o caput. 
(Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
 
§ 8º A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular 
complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição 
obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais. (Incluído pela Lei nº 13.006, 
de 2014) 
§ 9º Conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas 
de violência contra a criança e o adolescente serão incluídos, como temas 
transversais, nos currículos escolares de que trata o caput deste artigo, tendo 
como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do 
Adolescente), observada a produção e distribuição de material didático 
adequado. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) 
§ 9º-A. A educação alimentar e nutricional será incluída entre os temas 
transversais de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 13.666, de 2018) 
§ 10. A inclusão de novos componentes curriculares de caráter obrigatório na 
Base Nacional Comum Curricular dependerá de aprovação do Conselho 
Nacional de Educação e de homologação pelo Ministro de Estado da Educação. 
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, 
públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-
brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). 
§ 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos 
aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população 
brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da 
África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a 
cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade 
nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e 
política, pertinentes à história do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 
2008). 
§ 2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos 
indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em 
especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. 
(Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). 
 
 
 
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as 
seguintes diretrizes: 
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres 
dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; 
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada 
estabelecimento; 
III - orientação para o trabalho; 
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-
formais. 
 
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de 
ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às 
peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: 
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e 
interesses dos alunos da zona rural; 
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às 
fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; 
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. 
Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, indígenas e quilombolas 
será precedido de manifestação do órgão normativo do respectivo sistema de 
ensino, que considerará a justificativa apresentada pela Secretaria de Educação, 
a análise do diagnóstico do impacto da ação e a manifestação da comunidade 
escolar. (Incluído pela Lei nº 12.960, de 2014) 
 
Seção II 
 
Da Educação Infantil 
 
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como 
finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus 
 
 
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da 
família e da comunidade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
 
Art. 30. A educação infantil será oferecida em: 
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; 
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade. 
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
 
Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras 
comuns: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
I - avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das 
crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino 
fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um 
mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; (Incluído pela Lei nº 
12.796, de 2013) 
III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para o turno 
parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral; (Incluído pela Lei nº 12.796, 
de 2013) 
IV - controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, exigida a 
frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total de horas; (Incluído pela 
Lei nº 12.796, de 2013) 
V - expedição de documentação que permita atestar os processos de 
desenvolvimento e aprendizagem da criança. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 
2013) 
 
Seção IIIDo Ensino Fundamental 
 
 
 
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, 
gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por 
objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 
11.274, de 2006) 
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o 
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; 
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da 
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; 
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a 
aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; 
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana 
e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. 
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em 
ciclos. 
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem 
adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo 
da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do 
respectivo sistema de ensino. 
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, 
assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e 
processos próprios de aprendizagem. 
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado 
como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. 
§ 5º O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que 
trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 
8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático 
adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007). 
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal 
nos currículos do ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011). 
 
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da 
formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das 
 
 
escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade 
cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. 
(Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22/07/1997) 
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição 
dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação 
e admissão dos professores. (Incluído pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997) 
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes 
denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso. 
(Incluído pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997) 
 
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro 
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o 
período de permanência na escola. 
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de 
organização autorizadas nesta Lei. 
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, 
a critério dos sistemas de ensino. 
 
Seção IV 
 
Do Ensino Médio 
 
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima 
de três anos, terá como finalidades: 
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino 
fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; 
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para 
continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a 
novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; 
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação 
ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; 
 
 
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos 
produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. 
 
Art. 35-A. A Base Nacional Comum Curricular definirá direitos e objetivos de 
aprendizagem do ensino médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de 
Educação, nas seguintes áreas do conhecimento: (Incluído pela Lei nº 13.415, 
de 2017) 
I - linguagens e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - matemática e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
III - ciências da natureza e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 
2017) 
IV - ciências humanas e sociais aplicadas. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 1º A parte diversificada dos currículos de que trata o caput do art. 26, definida 
em cada sistema de ensino, deverá estar harmonizada à Base Nacional Comum 
Curricular e ser articulada a partir do contexto histórico, econômico, social, 
ambiental e cultural. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 2º A Base Nacional Comum Curricular referente ao ensino médio incluirá 
obrigatoriamente estudos e práticas de educação física, arte, sociologia e 
filosofia. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 3º O ensino da língua portuguesa e da matemática será obrigatório nos três 
anos do ensino médio, assegurada às comunidades indígenas, também, a 
utilização das respectivas línguas maternas. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 
2017) 
§ 4º Os currículos do ensino médio incluirão, obrigatoriamente, o estudo da 
língua inglesa e poderão ofertar outras línguas estrangeiras, em caráter optativo, 
preferencialmente o espanhol, de acordo com a disponibilidade de oferta, locais 
e horários definidos pelos sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 
2017) 
§ 5º A carga horária destinada ao cumprimento da Base Nacional Comum 
Curricular não poderá ser superior a mil e oitocentas horas do total da carga 
horária do ensino médio, de acordo com a definição dos sistemas de ensino. 
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
 
§ 6º A União estabelecerá os padrões de desempenho esperados para o ensino 
médio, que serão referência nos processos nacionais de avaliação, a partir da 
Base Nacional Comum Curricular. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 7º Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação integral do 
aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a construção de seu projeto 
de vida e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais. 
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 8º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação processual e 
formativa serão organizados nas redes de ensino por meio de atividades teóricas 
e práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e atividades on-line, de 
tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: (Incluído pela Lei 
nº 13.415, de 2017) 
I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção 
moderna; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. (Incluído pela Lei 
nº 13.415, de 2017) 
 
Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum 
Curricular e por itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da 
oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto 
local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber: (Redação dada pela Lei 
nº 13.415, de 2017) 
I - linguagens e suas tecnologias; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - matemática e suas tecnologias; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
III - ciências da natureza e suas tecnologias; (Redação dada pelaLei nº 13.415, 
de 2017) 
IV - ciências humanas e sociais aplicadas; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 
2017) 
V - formação técnica e profissional. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 1º A organização das áreas de que trata o caput e das respectivas 
competências e habilidades será feita de acordo com critérios estabelecidos em 
cada sistema de ensino. (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
 
I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
III – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.684, de 2008) 
§ 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) 
§ 3º A critério dos sistemas de ensino, poderá ser composto itinerário formativo 
integrado, que se traduz na composição de componentes curriculares da Base 
Nacional Comum Curricular - BNCC e dos itinerários formativos, considerando 
os incisos I a V do caput. (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 4º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) 
§ 5º Os sistemas de ensino, mediante disponibilidade de vagas na rede, 
possibilitarão ao aluno concluinte do ensino médio cursar mais um itinerário 
formativo de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 6º A critério dos sistemas de ensino, a oferta de formação com ênfase técnica 
e profissional considerará: (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
I - a inclusão de vivências práticas de trabalho no setor produtivo ou em 
ambientes de simulação, estabelecendo parcerias e fazendo uso, quando 
aplicável, de instrumentos estabelecidos pela legislação sobre aprendizagem 
profissional; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - a possibilidade de concessão de certificados intermediários de qualificação 
para o trabalho, quando a formação for estruturada e organizada em etapas com 
terminalidade. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 7º A oferta de formações experimentais relacionadas ao inciso V do caput, em 
áreas que não constem do Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, dependerá, 
para sua continuidade, do reconhecimento pelo respectivo Conselho Estadual 
de Educação, no prazo de três anos, e da inserção no Catálogo Nacional dos 
Cursos Técnicos, no prazo de cinco anos, contados da data de oferta inicial da 
formação. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 8º A oferta de formação técnica e profissional a que se refere o inciso V do 
caput, realizada na própria instituição ou em parceria com outras instituições, 
deverá ser aprovada previamente pelo Conselho Estadual de Educação, 
homologada pelo Secretário Estadual de Educação e certificada pelos sistemas 
de ensino. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
 
 
§ 9º As instituições de ensino emitirão certificado com validade nacional, que 
habilitará o concluinte do ensino médio ao prosseguimento dos estudos em nível 
superior ou em outros cursos ou formações para os quais a conclusão do ensino 
médio seja etapa obrigatória. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 10. Além das formas de organização previstas no art. 23, o ensino médio 
poderá ser organizado em módulos e adotar o sistema de créditos com 
terminalidade específica. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 11. Para efeito de cumprimento das exigências curriculares do ensino médio, 
os sistemas de ensino poderão reconhecer competências e firmar convênios 
com instituições de educação a distância com notório reconhecimento, mediante 
as seguintes formas de comprovação: (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
I - demonstração prática; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
II - experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência adquirida fora 
do ambiente escolar; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
III - atividades de educação técnica oferecidas em outras instituições de ensino 
credenciadas; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
IV - cursos oferecidos por centros ou programas ocupacionais; (Incluído pela Lei 
nº 13.415, de 2017) 
V - estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; 
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
VI - cursos realizados por meio de educação a distância ou educação presencial 
mediada por tecnologias. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 12. As escolas deverão orientar os alunos no processo de escolha das áreas 
de conhecimento ou de atuação profissional previstas no caput. (Incluído pela 
Lei nº 13.415, de 2017) 
 
Seção IV-A 
 
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
 
 
Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, 
atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de 
profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a 
habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios 
estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições 
especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 
2008) 
 
Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas 
seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
I - articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino 
médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá 
observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais 
estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, 
de 2008) 
II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído 
pela Lei nº 11.741, de 2008) 
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto 
pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista no 
inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído 
pela Lei nº 11.741, de 2008) 
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, 
sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional 
técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula 
única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
 
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja 
cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades 
educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades 
educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de 
intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de 
projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível 
médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao 
prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, 
de 2008) 
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, 
nas formas articulada concomitante e subsequente, quando estruturados e 
organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de 
certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com 
aproveitamento, de cada etapa que caracterizeuma qualificação para o trabalho. 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Seção V 
 
Da Educação de Jovens e Adultos 
 
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram 
acesso ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade 
própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da 
vida. (Redação dada pela Lei nº 13.632, de 2018) 
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, 
que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades 
 
 
educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus 
interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. 
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do 
trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si. 
§ 3º A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencialmente, com 
a educação profissional, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, 
de 2008) 
 
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que 
compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao 
prosseguimento de estudos em caráter regular. 
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: 
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; 
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos. 
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios 
informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. 
 
CAPÍTULO III 
 
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 
 
Da Educação Profissional e Tecnológica 
(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos 
da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de 
educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação 
dada pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
 
§ 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados 
por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários 
formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
§ 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
I - de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei 
nº 11.741, de 2008) 
II - de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, 
de 2008) 
III - de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. 
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
§ 3º Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-
graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, características e 
duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo 
Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino 
regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições 
especializadas ou no ambiente de trabalho. 
 
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica, 
inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e 
certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (Redação dada pela 
Lei nº 11.741, de 2008) 
 
Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnológica, além dos seus 
cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, 
condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não 
necessariamente ao nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, 
de 2008) 
 
 
 
CAPÍTULO IV 
 
DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 
 
Art. 43. A educação superior tem por finalidade: 
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do 
pensamento reflexivo; 
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a 
inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da 
sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; 
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o 
desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, 
desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; 
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, 
de publicações ou de outras formas de comunicação; 
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e 
possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que 
vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do 
conhecimento de cada geração; 
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular 
os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e 
estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; 
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão 
das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa 
científica e tecnológica geradas na instituição. 
VIII - atuar em favor da universalização e do aprimoramento da educação básica, 
mediante a formação e a capacitação de profissionais, a realização de pesquisas 
pedagógicas e o desenvolvimento de atividades de extensão que aproximem os 
dois níveis escolares. (Incluído pela Lei nº 13.174, de 2015) 
 
Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: 
 
 
I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, 
abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas 
instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou 
equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). 
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio 
ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; 
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, 
cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos 
diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das 
instituições de ensino; 
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos 
em cada caso pelas instituições de ensino. 
§ 1º O resultado do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo 
será tornado público pela instituição de ensino superior, sendo obrigatórios a 
divulgação da relação nominal dos classificados, a respectiva ordem de 
classificação e o cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os 
critérios para preenchimento das vagas constantes do edital, assegurado o 
direito do candidato, classificado ou não, a ter acesso a suas notas ou 
indicadores de desempenho em provas, exames e demais atividades da seleção 
e a sua posição na ordem de classificação de todos os candidatos. 
(Redação dada pela Lei nº 13.826, de 2019) 
§ 2º No caso de empate no processo seletivo, as instituições públicas de ensino 
superior darão prioridade de matrícula ao candidato que comprove ter renda 
familiar inferior a dez salários mínimos, ou ao de menor renda familiar, quando 
mais de um candidato preencher o critério inicial. (Incluído pela Lei nº 13.184, de 
2015) 
§ 3º O processo seletivo referido no inciso II considerará as competências e as 
habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular. (Incluído pelalei nº 
13.415, de 2017) 
 
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, 
públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização. 
 
 
 
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o 
credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, 
sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação. (Vide Lei 
nº 10.870, de 2004) 
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente 
identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que 
poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em 
intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas da 
autonomia, ou em descredenciamento. (Vide Lei nº 10.870, de 2004) 
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por sua 
manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos 
adicionais, se necessários, para a superação das deficiências. 
§ 3º No caso de instituição privada, além das sanções previstas no § 1o deste 
artigo, o processo de reavaliação poderá resultar em redução de vagas 
autorizadas e em suspensão temporária de novos ingressos e de oferta de 
cursos. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) 
§ 4º É facultado ao Ministério da Educação, mediante procedimento específico e 
com aquiescência da instituição de ensino, com vistas a resguardar os interesses 
dos estudantes, comutar as penalidades previstas nos §§ 1o e 3o deste artigo 
por outras medidas, desde que adequadas para superação das deficiências e 
irregularidades constatadas. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) 
§ 5º Para fins de regulação, os Estados e o Distrito Federal deverão adotar os 
critérios definidos pela União para autorização de funcionamento de curso de 
graduação em Medicina. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) 
 
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, 
tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo 
reservado aos exames finais, quando houver. 
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período letivo, 
os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua duração, 
requisitos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e critérios de 
avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições, e a publicação deve 
ser feita, sendo as 3 (três) primeiras formas concomitantemente: (Redação dada 
pela lei nº 13.168, de 2015) 
 
 
I - em página específica na internet no sítio eletrônico oficial da instituição de 
ensino superior, obedecido o seguinte: (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) 
a) toda publicação a que se refere esta Lei deve ter como título “Grade e Corpo 
Docente”; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
b) a página principal da instituição de ensino superior, bem como a página da 
oferta de seus cursos aos ingressantes sob a forma de vestibulares, processo 
seletivo e outras com a mesma finalidade, deve conter a ligação desta com a 
página específica prevista neste inciso; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
c) caso a instituição de ensino superior não possua sítio eletrônico, deve criar 
página específica para divulgação das informações de que trata esta Lei; 
(Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
d) a página específica deve conter a data completa de sua última atualização; 
(Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
II - em toda propaganda eletrônica da instituição de ensino superior, por meio de 
ligação para a página referida no inciso I; (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) 
III - em local visível da instituição de ensino superior e de fácil acesso ao público; 
(Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) 
IV - deve ser atualizada semestralmente ou anualmente, de acordo com a 
duração das disciplinas de cada curso oferecido, observando o seguinte: 
(Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) 
a) caso o curso mantenha disciplinas com duração diferenciada, a publicação 
deve ser semestral; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês antes do início das aulas; (Incluída 
pela lei nº 13.168, de 2015) 
c) caso haja mudança na grade do curso ou no corpo docente até o início das 
aulas, os alunos devem ser comunicados sobre as alterações; (Incluída pela lei 
nº 13.168, de 2015) 
V - deve conter as seguintes informações: (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015) 
a) a lista de todos os cursos oferecidos pela instituição de ensino superior; 
(Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
b) a lista das disciplinas que compõem a grade curricular de cada curso e as 
respectivas cargas horárias; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) 
 
 
c) a identificação dos docentes que ministrarão as aulas em cada curso, as 
disciplinas que efetivamente ministrará naquele curso ou cursos, sua titulação, 
abrangendo a qualificação profissional do docente e o tempo de casa do 
docente, de forma total, contínua ou intermitente. (Incluída pela lei nº 13.168, de 
2015) 
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, 
demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos, 
aplicados por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos 
seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de ensino. 
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos programas de 
educação a distância. 
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período noturno, cursos 
de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno, 
sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, garantida a 
necessária previsão orçamentária. 
 
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, 
terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. 
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias 
registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão 
registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. 
§ 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão 
revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área 
ou equivalente, respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou 
equiparação. 
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades 
estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam 
cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de 
conhecimento e em nível equivalente ou superior. 
 
Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos 
regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de vagas, e mediante 
processo seletivo. 
 
 
Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei. 
 
Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrência de vagas, 
abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que 
demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito, mediante processo 
seletivo prévio. 
 
Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como universidades, 
ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes, 
levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio, 
articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. 
 
Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos 
quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio 
e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: 
I - produçãointelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos 
temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, 
quanto regional e nacional; 
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de 
mestrado ou doutorado; 
III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral. 
Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas por 
campo do saber. 
 
Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universidades, sem 
prejuízo de outras, as seguintes atribuições: 
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação 
superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da União e, quando 
for o caso, do respectivo sistema de ensino; 
II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as diretrizes 
gerais pertinentes; 
 
 
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, produção 
artística e atividades de extensão; 
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as 
exigências do seu meio; 
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as 
normas gerais atinentes; 
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; 
VII - firmar contratos, acordos e convênios; 
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos 
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar 
rendimentos conforme dispositivos institucionais; 
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de 
constituição, nas leis e nos respectivos estatutos; 
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação financeira 
resultante de convênios com entidades públicas e privadas. 
§ 1º Para garantir a autonomia didático-científica das universidades, caberá aos 
seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, dentro dos recursos 
orçamentários disponíveis, sobre: (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017) 
I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; (Redação dada pela Lei 
nº 13.490, de 2017) 
II - ampliação e diminuição de vagas; (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 
2017) 
III - elaboração da programação dos cursos; (Redação dada pela Lei nº 13.490, 
de 2017) 
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; (Redação dada 
pela Lei nº 13.490, de 2017) 
V - contratação e dispensa de professores; (Redação dada pela Lei nº 13.490, 
de 2017) 
VI - planos de carreira docente. (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017) 
 
 
§ 2º As doações, inclusive monetárias, podem ser dirigidas a setores ou projetos 
específicos, conforme acordo entre doadores e universidades. (Incluído pela Lei 
nº 13.490, de 2017) 
§ 3º No caso das universidades públicas, os recursos das doações devem ser 
dirigidos ao caixa único da instituição, com destinação garantida às unidades a 
serem beneficiadas. (Incluído pela Lei nº 13.490, de 2017) 
 
Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na forma da lei, 
de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura, 
organização e financiamento pelo Poder Público, assim como dos seus planos 
de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. 
§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas pelo 
artigo anterior, as universidades públicas poderão: 
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, assim como 
um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os 
recursos disponíveis; 
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas 
gerais concernentes; 
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes 
a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os recursos alocados 
pelo respectivo Poder mantenedor; 
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; 
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de 
organização e funcionamento; 
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprovação do Poder 
competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e equipamentos; 
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de ordem 
orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. 
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições 
que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa, com base 
em avaliação realizada pelo Poder Público. 
 
 
 
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento Geral, 
recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de 
educação superior por ela mantidas. 
 
Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio 
da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados 
deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, 
local e regional. 
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos 
assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da 
elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de 
dirigentes. 
 
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor ficará 
obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. 
CAPÍTULO V 
 
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a 
modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de 
ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. (Redação dada pela Lei 
nº 12.796, de 2013) 
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola 
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. 
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços 
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, 
não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. 
§ 3º A oferta de educação especial, nos termos do caput deste artigo, tem início 
na educação infantil e estende-se ao longo da vida, observados o inciso III do 
 
 
art. 4º e o parágrafo único do art. 60 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.632, 
de 2018) 
 
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: 
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, 
para atender às suas necessidades; 
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido 
para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e 
aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os 
superdotados; 
III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para 
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular 
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; 
IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida 
em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem 
capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os 
órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade 
superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; 
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares 
disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. 
 
Art. 59-A. O poder públicodeverá instituir cadastro nacional de alunos com altas 
habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação 
superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao 
desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. (Incluído pela Lei nº 
13.234, de 2015) 
Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou 
superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no 
caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os 
mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento 
das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em 
regulamento. 
 
 
 
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de 
caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e 
com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e 
financeiro pelo Poder Público. 
Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a 
ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública 
regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste 
artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
 
TÍTULO VI 
 
Dos Profissionais da Educação 
 
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela 
estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, 
são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) 
I - professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na 
educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela Lei 
nº 12.014, de 2009) 
II - trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com 
habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação 
educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas 
áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) 
III - trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou 
superior em área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de 
ensino, para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência 
profissional, atestados por titulação específica ou prática de ensino em unidades 
educacionais da rede pública ou privada ou das corporações privadas em que 
tenham atuado, exclusivamente para atender ao inciso V do caput do art. 36; 
(Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) 
 
 
V - profissionais graduados que tenham feito complementação pedagógica, 
conforme disposto pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela lei nº 
13.415, de 2017) 
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender 
às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das 
diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: 
(Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
I - a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos 
fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; (Incluído 
pela Lei nº 12.014, de 2009) 
II - a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e 
capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
III - o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de 
ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
 
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em 
nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima 
para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos 
do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. 
(Redação dada pela lei nº 13.415, de 2017) 
§ 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime de 
colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação 
dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). 
§ 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério 
poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela 
Lei nº 12.056, de 2009). 
§ 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino 
presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de 
educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). 
§ 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão 
mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de formação de 
docentes em nível superior para atuar na educação básica pública. (Incluído pela 
Lei nº 12.796, de 2013) 
 
 
§ 5º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incentivarão a 
formação de profissionais do magistério para atuar na educação básica pública 
mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes 
matriculados em cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de 
educação superior. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
§ 6º O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima em exame 
nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como pré-requisito para o 
ingresso em cursos de graduação para formação de docentes, ouvido o 
Conselho Nacional de Educação - CNE. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
§ 7º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
§ 8º Os currículos dos cursos de formação de docentes terão por referência a 
Base Nacional Comum Curricular. (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) 
Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do art. 61 far-
se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou 
superior, incluindo habilitações tecnológicas. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 
2013) 
Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os profissionais a que 
se refere o caput, no local de trabalho ou em instituições de educação básica e 
superior, incluindo cursos de educação profissional, cursos superiores de 
graduação plena ou tecnológicos e de pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 
12.796, de 2013) 
 
Art. 62-B. O acesso de professores das redes públicas de educação básica a 
cursos superiores de pedagogia e licenciatura será efetivado por meio de 
processo seletivo diferenciado. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017) 
§ 1º Terão direito de pleitear o acesso previsto no caput deste artigo os 
professores das redes públicas municipais, estaduais e federal que ingressaram 
por concurso público, tenham pelo menos três anos de exercício da profissão e 
não sejam portadores de diploma de graduação. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 
2017) 
§ 2º As instituições de ensino responsáveis pela oferta de cursos de pedagogia 
e outras licenciaturas definirão critérios adicionais de seleção sempre que 
acorrerem aos certames interessados em número superior ao de vagas 
disponíveis para os respectivos cursos. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017) 
 
 
§ 3º Sem prejuízo dos concursos seletivos a serem definidos em regulamento 
pelas universidades, terão prioridade de ingresso os professores que optarem 
por cursos de licenciatura em matemática, física, química, biologia e língua 
portuguesa. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017) 
 
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: 
I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso 
normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e 
para as primeiras séries do ensino fundamental;II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de 
educação superior que queiram se dedicar à educação básica; 
III - programas de educação continuada para os profissionais de educação dos 
diversos níveis. 
 
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, 
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação 
básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-
graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base 
comum nacional. 
 
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática 
de ensino de, no mínimo, trezentas horas. 
 
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível 
de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. 
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com curso de 
doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título acadêmico. 
 
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da 
educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos 
de carreira do magistério público: 
 
 
I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; 
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento 
periódico remunerado para esse fim; 
III - piso salarial profissional; 
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do 
desempenho; 
V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de 
trabalho; 
VI - condições adequadas de trabalho. 
§ 1º A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de 
quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema 
de ensino. (Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) 
§ 2º Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8o do art. 201 da 
Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por 
professores e especialistas em educação no desempenho de atividades 
educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus 
diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de 
direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. 
(Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) 
§ 3º A União prestará assistência técnica aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios na elaboração de concursos públicos para provimento de cargos dos 
profissionais da educação. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
 
TÍTULO VII 
 
Dos Recursos financeiros 
 
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: 
I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios; 
II - receita de transferências constitucionais e outras transferências; 
 
 
III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; 
IV - receita de incentivos fiscais; 
V - outros recursos previstos em lei. 
 
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas 
respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos, 
compreendidas as transferências constitucionais, na manutenção e 
desenvolvimento do ensino público. (Vide Medida Provisória nº 773, de 2017) 
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos 
Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, 
receita do governo que a transferir. 
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste 
artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de 
impostos. 
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos 
neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual, 
ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a abertura de créditos 
adicionais, com base no eventual excesso de arrecadação. 
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente 
realizadas, que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos 
obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício 
financeiro. 
§ 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão 
responsável pela educação, observados os seguintes prazos: 
I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, até o vigésimo 
dia; 
II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês, até 
o trigésimo dia; 
III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês, até o 
décimo dia do mês subsequente. 
 
 
§ 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à 
responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. 
 
Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as 
despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das 
instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se 
destinam a: 
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais 
da educação; 
II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e 
equipamentos necessários ao ensino; 
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino; 
IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao 
aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino; 
V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas 
de ensino; 
VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas; 
VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao 
disposto nos incisos deste artigo; 
VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de 
transporte escolar. 
 
Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino 
aquelas realizadas com: 
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou, quando 
efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, precipuamente, ao 
aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão; 
II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial, 
desportivo ou cultural; 
III - formação de quadros especiais para a administração pública, sejam militares 
ou civis, inclusive diplomáticos; 
 
 
IV - programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, 
farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social; 
V - obras de infraestrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta ou 
indiretamente a rede escolar; 
VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando em desvio 
de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. 
 
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino 
serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público, assim como nos 
relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da Constituição Federal. 
 
Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na prestação de 
contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto no art. 212 da 
Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias e na legislação concernente. 
 
Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o 
ensino fundamental, baseadono cálculo do custo mínimo por aluno, capaz de 
assegurar ensino de qualidade. 
Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela 
União ao final de cada ano, com validade para o ano subsequente, considerando 
variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. 
 
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida 
de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o 
padrão mínimo de qualidade de ensino. 
§ 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público 
que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do 
respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção 
e do desenvolvimento do ensino. 
 
 
§ 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão 
entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e 
desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, relativo ao padrão mínimo 
de qualidade. 
§ 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União poderá fazer 
a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino, 
considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. 
§ 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito 
Federal, dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas, na área de 
ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI do art. 10 e o inciso V do 
art. 11 desta Lei, em número inferior à sua capacidade de atendimento. 
 
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará 
condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distrito Federal e 
Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições legais. 
 
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser 
dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas que: 
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados, dividendos, 
bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou 
pretexto; 
II - apliquem seus excedentes financeiros em educação; 
III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, 
filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de 
suas atividades; 
IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. 
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de 
estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que demonstrarem 
insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da 
rede pública de domicílio do educando, ficando o Poder Público obrigado a 
investir prioritariamente na expansão da sua rede local. 
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio 
financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas de estudo. 
 
 
 
 
 
TÍTULO VIII 
 
Das Disposições Gerais 
 
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências 
federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá 
programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar 
bilíngue e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: 
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas 
memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização 
de suas línguas e ciências; 
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, 
conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais 
sociedades indígenas e não-índias. 
 
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no 
provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo 
programas integrados de ensino e pesquisa. 
§ 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. 
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Nacionais 
de Educação, terão os seguintes objetivos: 
I - fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade 
indígena; 
II - manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à 
educação escolar nas comunidades indígenas; 
III - desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os 
conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades; 
 
 
IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e 
diferenciado. 
§ 3º No que se refere à educação superior, sem prejuízo de outras ações, o 
atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á, nas universidades públicas e 
privadas, mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil, assim como 
de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. 
(Incluído pela Lei nº 12.416, de 2011) 
 
Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 09/01/2003) 
 
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional 
da Consciência Negra’. (Incluído pela Lei nº 10.639, de 09/01/2003) 
 
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de 
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, 
e de educação continuada. 
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será 
oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. 
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro 
de diploma relativos a cursos de educação a distância. 
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação 
a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos 
sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes 
sistemas. 
§ 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: 
I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora 
e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados 
mediante autorização, concessão ou permissão do poder público; (Redação 
dada pela Lei nº 12.603, de 2012) 
II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos 
concessionários de canais comerciais. 
 
 
 
Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino 
experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei. 
 
Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de 
estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria. 
(Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008) 
Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008) 
 
Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a equivalência de 
estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. 
 
Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas 
de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo funções de 
monitoria, de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. 
Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a 
abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de 
instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não 
concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegurados pelos 
arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias. 
 
Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como universidades 
integrar-se-ão, também, na sua condiçãode instituições de pesquisa, ao Sistema 
Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da legislação específica. 
 
TÍTULO IX 
 
Das Disposições Transitórias 
 
 
 
 Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir da 
publicação desta Lei. 
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, encaminhará, 
ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas 
para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre 
Educação para Todos. 
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013) 
§ 3º O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a União, 
devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330, de 2006) 
I - (revogado); (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013) 
a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) 
b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) 
c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) 
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos 
insuficientemente escolarizados; 
III - realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício, 
utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância; 
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território 
ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. 
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013) 
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes 
escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de 
tempo integral. 
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam condicionadas 
ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais 
pertinentes pelos governos beneficiados. 
 
Art. 87-A. (VETADO). (Incluído pela lei nº 12.796, de 2013) 
 
 
 
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua 
legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo 
de um ano, a partir da data de sua publicação. 
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos 
dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino, nos 
prazos por estes estabelecidos. 
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III 
do art. 52 é de oito anos. 
 
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas 
deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei, integrar-se ao 
respectivo sistema de ensino. 
 
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se 
institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou, 
mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino, 
preservada a autonomia universitária. 
 
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
 
Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de dezembro de 
1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não alteradas pelas Leis nºs 9.131, 
de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de 1995 e, ainda, as 
Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 de outubro de 1982, e 
as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições 
em contrário. 
 
Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da Independência e 108º da República. 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
Paulo Renato Souza 
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23/12/1996 
 
 
 
DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009 
 
Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de 
março de 2007. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 
84, inciso IV, da Constituição, e 
 
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto 
Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do 
art. 5º da Constituição, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de 
março de 2007; 
 
Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação 
dos referidos atos junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas em 1o de agosto 
de 2008; 
 
Considerando que os atos internacionais em apreço entraram em vigor para o 
Brasil, no plano jurídico externo, em 31 de agosto de 2008; 
 
DECRETA: 
 
Art. 1º A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu 
Protocolo Facultativo, apensos por cópia ao presente Decreto, serão executados 
e cumpridos tão inteiramente como neles se contém. 
 
 
 
Art. 2º São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que 
possam resultar em revisão dos referidos diplomas internacionais ou que 
acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, nos 
termos do art. 49, inciso I, da Constituição. 
 
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
 
Brasília, 25 de agosto de 2009; 188o da Independência e 121o da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Celso Luiz Nunes Amorim 
Este texto não substitui o publicado no DOU de 26.8.2009 
 
CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 
Preâmbulo 
 
Os Estados Partes da presente Convenção, 
a) Relembrando os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, que 
reconhecem a dignidade e o valor inerentes e os direitos iguais e inalienáveis de 
todos os membros da família humana como o fundamento da liberdade, da 
justiça e da paz no mundo, 
b) Reconhecendo que as Nações Unidas, na Declaração Universal dos Direitos 
Humanos e nos Pactos Internacionais sobre Direitos Humanos, proclamaram e 
concordaram que toda pessoa faz jus a todos os direitos e liberdades ali 
estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, 
c) Reafirmando a universalidade, a indivisibilidade, a interdependência e a inter-
relação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, bem como a 
necessidade de garantir que todas as pessoas com deficiência os exerçam 
plenamente, sem discriminação, 
d) Relembrando o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, a Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, 
 
 
a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a 
Mulher, a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, 
Desumanos ou Degradantes, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a 
Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os 
Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Famílias, 
e) Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que a 
deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras 
devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação 
dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais 
pessoas, 
f) Reconhecendo a importância dos princípios e das diretrizes de política, 
contidos no Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes e nas 
Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, 
para influenciar a promoção, a formulação e a avaliação de políticas, planos, 
programas e ações em níveis nacional, regional e internacional para possibilitar 
maior igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência, 
g) Ressaltando a importância de trazer questões relativas à deficiência ao centro 
das preocupações da sociedadecomo parte integrante das estratégias 
relevantes de desenvolvimento sustentável, 
h) Reconhecendo também que a discriminação contra qualquer pessoa, por 
motivo de deficiência, configura violação da dignidade e do valor inerentes ao 
ser humano, 
i) Reconhecendo ainda a diversidade das pessoas com deficiência, 
j) Reconhecendo a necessidade de promover e proteger os direitos humanos de 
todas as pessoas com deficiência, inclusive daquelas que requerem maior apoio, 
k) Preocupados com o fato de que, não obstante esses diversos instrumentos e 
compromissos, as pessoas com deficiência continuam a enfrentar barreiras 
contra sua participação como membros iguais da sociedade e violações de seus 
direitos humanos em todas as partes do mundo, 
l) Reconhecendo a importância da cooperação internacional para melhorar as 
condições de vida das pessoas com deficiência em todos os países, 
particularmente naqueles em desenvolvimento, 
m) Reconhecendo as valiosas contribuições existentes e potenciais das pessoas 
com deficiência ao bem-estar comum e à diversidade de suas comunidades, e 
 
 
que a promoção do pleno exercício, pelas pessoas com deficiência, de seus 
direitos humanos e liberdades fundamentais e de sua plena participação na 
sociedade resultará no fortalecimento de seu senso de pertencimento à 
sociedade e no significativo avanço do desenvolvimento humano, social e 
econômico da sociedade, bem como na erradicação da pobreza, 
n) Reconhecendo a importância, para as pessoas com deficiência, de sua 
autonomia e independência individuais, inclusive da liberdade para fazer as 
próprias escolhas, 
o) Considerando que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de 
participar ativamente das decisões relativas a programas e políticas, inclusive 
aos que lhes dizem respeito diretamente, 
p) Preocupados com as difíceis situações enfrentadas por pessoas com 
deficiência que estão sujeitas a formas múltiplas ou agravadas de discriminação 
por causa de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra 
natureza, origem nacional, étnica, nativa ou social, propriedade, nascimento, 
idade ou outra condição, 
q) Reconhecendo que mulheres e meninas com deficiência estão 
frequentemente expostas a maiores riscos, tanto no lar como fora dele, de sofrer 
violência, lesões ou abuso, descaso ou tratamento negligente, maus-tratos ou 
exploração, 
r) Reconhecendo que as crianças com deficiência devem gozar plenamente de 
todos os direitos humanos e liberdades fundamentais em igualdade de 
oportunidades com as outras crianças e relembrando as obrigações assumidas 
com esse fim pelos Estados Partes na Convenção sobre os Direitos da Criança, 
s) Ressaltando a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero aos 
esforços para promover o pleno exercício dos direitos humanos e liberdades 
fundamentais por parte das pessoas com deficiência, 
t) Salientando o fato de que a maioria das pessoas com deficiência vive em 
condições de pobreza e, nesse sentido, reconhecendo a necessidade crítica de 
lidar com o impacto negativo da pobreza sobre pessoas com deficiência, 
u) Tendo em mente que as condições de paz e segurança baseadas no pleno 
respeito aos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e 
a observância dos instrumentos de direitos humanos são indispensáveis para a 
total proteção das pessoas com deficiência, particularmente durante conflitos 
armados e ocupação estrangeira, 
 
 
v) Reconhecendo a importância da acessibilidade aos meios físico, social, 
econômico e cultural, à saúde, à educação e à informação e comunicação, para 
possibilitar às pessoas com deficiência o pleno gozo de todos os direitos 
humanos e liberdades fundamentais, 
w) Conscientes de que a pessoa tem deveres para com outras pessoas e para 
com a comunidade a que pertence e que, portanto, tem a responsabilidade de 
esforçar-se para a promoção e a observância dos direitos reconhecidos na Carta 
Internacional dos Direitos Humanos, 
x) Convencidos de que a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade 
e tem o direito de receber a proteção da sociedade e do Estado e de que as 
pessoas com deficiência e seus familiares devem receber a proteção e a 
assistência necessárias para tornar as famílias capazes de contribuir para o 
exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência, 
y) Convencidos de que uma convenção internacional geral e integral para 
promover e proteger os direitos e a dignidade das pessoas com deficiência 
prestará significativa contribuição para corrigir as profundas desvantagens 
sociais das pessoas com deficiência e para promover sua participação na vida 
econômica, social e cultural, em igualdade de oportunidades, tanto nos países 
em desenvolvimento como nos desenvolvidos, 
 
Acordaram o seguinte: 
 
Artigo 1 
 
Propósito 
O propósito da presente Convenção é promover, proteger e assegurar o 
exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades 
fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela 
sua dignidade inerente. 
 
Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com 
 
 
diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdades de condições com as demais pessoas. 
 
Artigo 2 
 
Definições 
 
Para os propósitos da presente Convenção: 
 
“Comunicação” abrange as línguas, a visualização de textos, o braille, a 
comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos de multimídia 
acessível, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos 
e os meios de voz digitalizada e os modos, meios e formatos aumentativos e 
alternativos de comunicação, inclusive a tecnologia da informação e 
comunicação acessíveis; 
 
“Língua” abrange as línguas faladas e de sinais e outras formas de comunicação 
não-falada; 
 
“Discriminação por motivo de deficiência” significa qualquer diferenciação, 
exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de 
impedir ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em 
igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de todos os direitos 
humanos e liberdades fundamentais nos âmbitos político, econômico, social, 
cultural, civil ou qualquer outro. Abrange todas as formas de discriminação, 
inclusive a recusa de adaptação razoável; 
 
“Adaptação razoável” significa as modificações e os ajustes necessários e 
adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando 
requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência 
possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais 
pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; 
 
 
 
“Desenho universal” significa a concepção de produtos, ambientes, programas e 
serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem 
necessidade de adaptação ou projeto específico. O “desenho universal” não 
excluirá as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, 
quando necessárias. 
 
Artigo 3 
 
Princípios gerais 
 
Os princípios da presente Convenção são: 
 
a) O respeito pela dignidade inerente, a autonomia individual, inclusive a 
liberdade de fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas; 
b) A não-discriminação; 
c) A plena e efetiva participação e inclusão na sociedade; 
d) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como 
parte da diversidade humana e da humanidade; 
e) A igualdade deoportunidades; 
f) A acessibilidade; 
g) A igualdade entre o homem e a mulher; 
h) O respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com 
deficiência e pelo direito das crianças com deficiência de preservar sua 
identidade. 
 
Artigo 4 
 
 
 
Obrigações gerais 
 
1.Os Estados Partes se comprometem a assegurar e promover o pleno exercício 
de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas 
com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação por causa de sua 
deficiência. Para tanto, os Estados Partes se comprometem a: 
a) Adotar todas as medidas legislativas, administrativas e de qualquer outra 
natureza, necessárias para a realização dos direitos reconhecidos na presente 
Convenção; 
b) Adotar todas as medidas necessárias, inclusive legislativas, para modificar ou 
revogar leis, regulamentos, costumes e práticas vigentes, que constituírem 
discriminação contra pessoas com deficiência; 
c) Levar em conta, em todos os programas e políticas, a proteção e a promoção 
dos direitos humanos das pessoas com deficiência; 
d) Abster-se de participar em qualquer ato ou prática incompatível com a 
presente Convenção e assegurar que as autoridades públicas e instituições 
atuem em conformidade com a presente Convenção; 
e) Tomar todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação baseada 
em deficiência, por parte de qualquer pessoa, organização ou empresa privada; 
f) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos, serviços, 
equipamentos e instalações com desenho universal, conforme definidos no 
Artigo 2 da presente Convenção, que exijam o mínimo possível de adaptação e 
cujo custo seja o mínimo possível, destinados a atender às necessidades 
específicas de pessoas com deficiência, a promover sua disponibilidade e seu 
uso e a promover o desenho universal quando da elaboração de normas e 
diretrizes; 
g) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento, bem como a 
disponibilidade e o emprego de novas tecnologias, inclusive as tecnologias da 
informação e comunicação, ajudas técnicas para locomoção, dispositivos e 
tecnologias assistivas, adequados a pessoas com deficiência, dando prioridade 
a tecnologias de custo acessível; 
h) Propiciar informação acessível para as pessoas com deficiência a respeito de 
ajudas técnicas para locomoção, dispositivos e tecnologias assistivas, incluindo 
 
 
novas tecnologias bem como outras formas de assistência, serviços de apoio e 
instalações; 
i) Promover a capacitação em relação aos direitos reconhecidos pela presente 
Convenção dos profissionais e equipes que trabalham com pessoas com 
deficiência, de forma a melhorar a prestação de assistência e serviços garantidos 
por esses direitos. 
2.Em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais, cada Estado Parte se 
compromete a tomar medidas, tanto quanto permitirem os recursos disponíveis 
e, quando necessário, no âmbito da cooperação internacional, a fim de assegurar 
progressivamente o pleno exercício desses direitos, sem prejuízo das 
obrigações contidas na presente Convenção que forem imediatamente 
aplicáveis de acordo com o direito internacional. 
3.Na elaboração e implementação de legislação e políticas para aplicar a 
presente Convenção e em outros processos de tomada de decisão relativos às 
pessoas com deficiência, os Estados Partes realizarão consultas estreitas e 
envolverão ativamente pessoas com deficiência, inclusive crianças com 
deficiência, por intermédio de suas organizações representativas. 
4.Nenhum dispositivo da presente Convenção afetará quaisquer disposições 
mais propícias à realização dos direitos das pessoas com deficiência, as quais 
possam estar contidas na legislação do Estado Parte ou no direito internacional 
em vigor para esse Estado. Não haverá nenhuma restrição ou derrogação de 
qualquer dos direitos humanos e liberdades fundamentais reconhecidos ou 
vigentes em qualquer Estado Parte da presente Convenção, em conformidade 
com leis, convenções, regulamentos ou costumes, sob a alegação de que a 
presente Convenção não reconhece tais direitos e liberdades ou que os 
reconhece em menor grau. 
5.As disposições da presente Convenção se aplicam, sem limitação ou exceção, 
a todas as unidades constitutivas dos Estados federativos. 
 
Artigo 5 
 
Igualdade e não-discriminação 
 
 
 
1.Os Estados Partes reconhecem que todas as pessoas são iguais perante e 
sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual 
benefício da lei. 
2.Os Estados Partes proibirão qualquer discriminação baseada na deficiência e 
garantirão às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a 
discriminação por qualquer motivo. 
3.A fim de promover a igualdade e eliminar a discriminação, os Estados Partes 
adotarão todas as medidas apropriadas para garantir que a adaptação razoável 
seja oferecida. 
4.Nos termos da presente Convenção, as medidas específicas que forem 
necessárias para acelerar ou alcançar a efetiva igualdade das pessoas com 
deficiência não serão consideradas discriminatórias. 
 
Artigo 6 
 
Mulheres com deficiência 
 
1.Os Estados Partes reconhecem que as mulheres e meninas com deficiência 
estão sujeitas a múltiplas formas de discriminação e, portanto, tomarão medidas 
para assegurar às mulheres e meninas com deficiência o pleno e igual exercício 
de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais. 
2.Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar o 
pleno desenvolvimento, o avanço e o empoderamento das mulheres, a fim de 
garantir-lhes o exercício e o gozo dos direitos humanos e liberdades 
fundamentais estabelecidos na presente Convenção. 
 
Artigo 7 
 
Crianças com deficiência 
 
 
 
1.Os Estados Partes tomarão todas as medidas necessárias para assegurar às 
crianças com deficiência o pleno exercício de todos os direitos humanos e 
liberdades fundamentais, em igualdade de oportunidades com as demais 
crianças. 
2.Em todas as ações relativas às crianças com deficiência, o superior interesse 
da criança receberá consideração primordial. 
3.Os Estados Partes assegurarão que as crianças com deficiência tenham o 
direito de expressar livremente sua opinião sobre todos os assuntos que lhes 
disserem respeito, tenham a sua opinião devidamente valorizada de acordo com 
sua idade e maturidade, em igualdade de oportunidades com as demais 
crianças, e recebam atendimento adequado à sua deficiência e idade, para que 
possam exercer tal direito. 
 
Artigo 8 
 
Conscientização 
 
1.Os Estados Partes se comprometem a adotar medidas imediatas, efetivas e 
apropriadas para: 
a) Conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condições das 
pessoas com deficiência e fomentar o respeito pelos direitos e pela dignidade 
das pessoas com deficiência; 
b) Combater estereótipos, preconceitos e práticas nocivas em relação a pessoas 
com deficiência, inclusive aqueles relacionados a sexo e idade, em todas as 
áreas da vida; 
c) Promover a conscientização sobre as capacidades e contribuições das 
pessoas com deficiência. 
2.As medidas para esse fim incluem: 
a) Lançar e dar continuidade a efetivas campanhas de conscientização públicas, 
destinadas a: 
i) Favorecer atitude receptiva em relação aos direitos das pessoas com 
deficiência; 
 
 
ii) Promover percepção positiva e maior consciência social em relação às 
pessoas com deficiência; 
iii) Promover o reconhecimento das habilidades, dos méritos e das capacidades 
das pessoas com deficiência e de sua contribuição ao local de trabalho e ao 
mercadolaboral; 
b) Fomentar em todos os níveis do sistema educacional, incluindo neles todas 
as crianças desde tenra idade, uma atitude de respeito para com os direitos das 
pessoas com deficiência; 
c) Incentivar todos os órgãos da mídia a retratar as pessoas com deficiência de 
maneira compatível com o propósito da presente Convenção; 
d) Promover programas de formação sobre sensibilização a respeito das 
pessoas com deficiência e sobre os direitos das pessoas com deficiência. 
 
Artigo 9 
 
Acessibilidade 
 
1.A fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente 
e participar plenamente de todos os aspectos da vida, os Estados Partes 
tomarão as medidas apropriadas para assegurar às pessoas com deficiência o 
acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, 
ao transporte, à informação e comunicação, inclusive aos sistemas e tecnologias 
da informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos 
ao público ou de uso público, tanto na zona urbana como na rural. Essas 
medidas, que incluirão a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras 
à acessibilidade, serão aplicadas, entre outros, a: 
a) Edifícios, rodovias, meios de transporte e outras instalações internas e 
externas, inclusive escolas, residências, instalações médicas e local de trabalho; 
b) Informações, comunicações e outros serviços, inclusive serviços eletrônicos 
e serviços de emergência. 
2.Os Estados Partes também tomarão medidas apropriadas para: 
 
 
a) Desenvolver, promulgar e monitorar a implementação de normas e diretrizes 
mínimas para a acessibilidade das instalações e dos serviços abertos ao público 
ou de uso público; 
b) Assegurar que as entidades privadas que oferecem instalações e serviços 
abertos ao público ou de uso público levem em consideração todos os aspectos 
relativos à acessibilidade para pessoas com deficiência; 
c) Proporcionar, a todos os atores envolvidos, formação em relação às questões 
de acessibilidade com as quais as pessoas com deficiência se confrontam; 
d) Dotar os edifícios e outras instalações abertas ao público ou de uso público 
de sinalização em braille e em formatos de fácil leitura e compreensão; 
e) Oferecer formas de assistência humana ou animal e serviços de mediadores, 
incluindo guias, ledores e intérpretes profissionais da língua de sinais, para 
facilitar o acesso aos edifícios e outras instalações abertas ao público ou de uso 
público; 
f) Promover outras formas apropriadas de assistência e apoio a pessoas com 
deficiência, a fim de assegurar a essas pessoas o acesso a informações; 
g) Promover o acesso de pessoas com deficiência a novos sistemas e 
tecnologias da informação e comunicação, inclusive à Internet; 
h) Promover, desde a fase inicial, a concepção, o desenvolvimento, a produção 
e a disseminação de sistemas e tecnologias de informação e comunicação, a fim 
de que esses sistemas e tecnologias se tornem acessíveis a custo mínimo. 
 
Artigo 10 
 
Direito à vida 
 
Os Estados Partes reafirmam que todo ser humano tem o inerente direito à vida 
e tomarão todas as medidas necessárias para assegurar o efetivo exercício 
desse direito pelas pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades 
com as demais pessoas. Artigo 11 
 
 
 
Situações de risco e emergências humanitárias 
 
Em conformidade com suas obrigações decorrentes do direito internacional, 
inclusive do direito humanitário internacional e do direito internacional dos 
direitos humanos, os Estados Partes tomarão todas as medidas necessárias 
para assegurar a proteção e a segurança das pessoas com deficiência que se 
encontrarem em situações de risco, inclusive situações de conflito armado, 
emergências humanitárias e ocorrência de desastres naturais. 
 
Artigo 12 
 
Reconhecimento igual perante a lei 
 
1.Os Estados Partes reafirmam que as pessoas com deficiência têm o direito de 
ser reconhecidas em qualquer lugar como pessoas perante a lei. 
2.Os Estados Partes reconhecerão que as pessoas com deficiência gozam de 
capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas em todos 
os aspectos da vida. 
3.Os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para prover o acesso de 
pessoas com deficiência ao apoio que necessitarem no exercício de sua 
capacidade legal. 
4.Os Estados Partes assegurarão que todas as medidas relativas ao exercício 
da capacidade legal incluam salvaguardas apropriadas e efetivas para prevenir 
abusos, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos. 
Essas salvaguardas assegurarão que as medidas relativas ao exercício da 
capacidade legal respeitem os direitos, a vontade e as preferências da pessoa, 
sejam isentas de conflito de interesses e de influência indevida, sejam 
proporcionais e apropriadas às circunstâncias da pessoa, se apliquem pelo 
período mais curto possível e sejam submetidas à revisão regular por uma 
autoridade ou órgão judiciário competente, independente e imparcial. As 
salvaguardas serão proporcionais ao grau em que tais medidas afetarem os 
direitos e interesses da pessoa. 
 
 
5.Os Estados Partes, sujeitos ao disposto neste Artigo, tomarão todas as 
medidas apropriadas e efetivas para assegurar às pessoas com deficiência o 
igual direito de possuir ou herdar bens, de controlar as próprias finanças e de ter 
igual acesso a empréstimos bancários, hipotecas e outras formas de crédito 
financeiro, e assegurarão que as pessoas com deficiência não sejam 
arbitrariamente destituídas de seus bens. 
 
Artigo 13 
 
Acesso à justiça 
 
1.Os Estados Partes assegurarão o efetivo acesso das pessoas com deficiência 
à justiça, em igualdade de condições com as demais pessoas, inclusive mediante 
a provisão de adaptações processuais adequadas à idade, a fim de facilitar o 
efetivo papel das pessoas com deficiência como participantes diretos ou 
indiretos, inclusive como testemunhas, em todos os procedimentos jurídicos, tais 
como investigações e outras etapas preliminares. 
2.A fim de assegurar às pessoas com deficiência o efetivo acesso à justiça, os 
Estados Partes promoverão a capacitação apropriada daqueles que trabalham 
na área de administração da justiça, inclusive a polícia e os funcionários do 
sistema penitenciário. 
 
Artigo 14 
 
Liberdade e segurança da pessoa 
 
1.Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência, em igualdade 
de oportunidades com as demais pessoas: 
a) Gozem do direito à liberdade e à segurança da pessoa; e 
 
 
b) Não sejam privadas ilegal ou arbitrariamente de sua liberdade e que toda 
privação de liberdade esteja em conformidade com a lei, e que a existência de 
deficiência não justifique a privação de liberdade. 
2.Os Estados Partes assegurarão que, se pessoas com deficiência forem 
privadas de liberdade mediante algum processo, elas, em igualdade de 
oportunidades com as demais pessoas, façam jus a garantias de acordo com o 
direito internacional dos direitos humanos e sejam tratadas em conformidade 
com os objetivos e princípios da presente Convenção, inclusive mediante a 
provisão de adaptação razoável. 
 
 
Artigo 15 
 
Prevenção contra tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou 
degradantes 
 
1.Nenhuma pessoa será submetida à tortura ou a tratamentos ou penas cruéis, 
desumanos ou degradantes. Em especial, nenhuma pessoa deverá ser sujeita a 
experimentos médicos ou científicos sem seu livre consentimento. 
2.Os Estados Partes tomarão todas as medidas efetivas de natureza legislativa, 
administrativa, judicial ou outra para evitar que pessoas com deficiência, domesmo modo que as demais pessoas, sejam submetidas à tortura ou a 
tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. 
 
Artigo 16 
 
Prevenção contra a exploração, a violência e o abuso 
 
1.Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas de natureza 
legislativa, administrativa, social, educacional e outras para proteger as pessoas 
 
 
com deficiência, tanto dentro como fora do lar, contra todas as formas de 
exploração, violência e abuso, incluindo aspectos relacionados a gênero. 
2.Os Estados Partes também tomarão todas as medidas apropriadas para 
prevenir todas as formas de exploração, violência e abuso, assegurando, entre 
outras coisas, formas apropriadas de atendimento e apoio que levem em conta 
o gênero e a idade das pessoas com deficiência e de seus familiares e 
atendentes, inclusive mediante a provisão de informação e educação sobre a 
maneira de evitar, reconhecer e denunciar casos de exploração, violência e 
abuso. Os Estados Partes assegurarão que os serviços de proteção levem em 
conta a idade, o gênero e a deficiência das pessoas. 
3.A fim de prevenir a ocorrência de quaisquer formas de exploração, violência e 
abuso, os Estados Partes assegurarão que todos os programas e instalações 
destinados a atender pessoas com deficiência sejam efetivamente monitorados 
por autoridades independentes. 
4.Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para promover a 
recuperação física, cognitiva e psicológica, inclusive mediante a provisão de 
serviços de proteção, a reabilitação e a reinserção social de pessoas com 
deficiência que forem vítimas de qualquer forma de exploração, violência ou 
abuso. Tais recuperação e reinserção ocorrerão em ambientes que promovam a 
saúde, o bem-estar, o auto respeito, a dignidade e a autonomia da pessoa e 
levem em consideração as necessidades de gênero e idade. 
5.Os Estados Partes adotarão leis e políticas efetivas, inclusive legislação e 
políticas voltadas para mulheres e crianças, a fim de assegurar que os casos de 
exploração, violência e abuso contra pessoas com deficiência sejam 
identificados, investigados e, caso necessário, julgados. 
 
Artigo 17 
 
Proteção da integridade da pessoa 
 
Toda pessoa com deficiência tem o direito a que sua integridade física e mental 
seja respeitada, em igualdade de condições com as demais pessoas. 
 
 
 
Artigo 18 
 
Liberdade de movimentação e nacionalidade 
 
1.Os Estados Partes reconhecerão os direitos das pessoas com deficiência à 
liberdade de movimentação, à liberdade de escolher sua residência e à 
nacionalidade, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, 
inclusive assegurando que as pessoas com deficiência: 
a) Tenham o direito de adquirir nacionalidade e mudar de nacionalidade e não 
sejam privadas arbitrariamente de sua nacionalidade em razão de sua 
deficiência. 
b) Não sejam privadas, por causa de sua deficiência, da competência de obter, 
possuir e utilizar documento comprovante de sua nacionalidade ou outro 
documento de identidade, ou de recorrer a processos relevantes, tais como 
procedimentos relativos à imigração, que forem necessários para facilitar o 
exercício de seu direito à liberdade de movimentação. 
c) Tenham liberdade de sair de qualquer país, inclusive do seu; e 
d) Não sejam privadas, arbitrariamente ou por causa de sua deficiência, do 
direito de entrar no próprio país. 
2.As crianças com deficiência serão registradas imediatamente após o 
nascimento e terão, desde o nascimento, o direito a um nome, o direito de 
adquirir nacionalidade e, tanto quanto possível, o direito de conhecer seus pais 
e de ser cuidadas por eles. 
Artigo 19 
 
Vida independente e inclusão na comunidade 
 
Os Estados Partes desta Convenção reconhecem o igual direito de todas as 
pessoas com deficiência de viver na comunidade, com a mesma liberdade de 
escolha que as demais pessoas, e tomarão medidas efetivas e apropriadas para 
facilitar às pessoas com deficiência o pleno gozo desse direito e sua plena 
inclusão e participação na comunidade, inclusive assegurando que: 
 
 
a) As pessoas com deficiência possam escolher seu local de residência e onde 
e com quem morar, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, e 
que não sejam obrigadas a viver em determinado tipo de moradia; 
b) As pessoas com deficiência tenham acesso a uma variedade de serviços de 
apoio em domicílio ou em instituições residenciais ou a outros serviços 
comunitários de apoio, inclusive os serviços de atendentes pessoais que forem 
necessários como apoio para que as pessoas com deficiência vivam e sejam 
incluídas na comunidade e para evitar que fiquem isoladas ou segregadas da 
comunidade; 
c) Os serviços e instalações da comunidade para a população em geral estejam 
disponíveis às pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades, e 
atendam às suas necessidades. 
 
Artigo 20 
 
Mobilidade pessoal 
 
Os Estados Partes tomarão medidas efetivas para assegurar às pessoas com 
deficiência sua mobilidade pessoal com a máxima independência possível: 
a) Facilitando a mobilidade pessoal das pessoas com deficiência, na forma e no 
momento em que elas quiserem, e a custo acessível; 
b) Facilitando às pessoas com deficiência o acesso a tecnologias assistivas, 
dispositivos e ajudas técnicas de qualidade, e formas de assistência humana ou 
animal e de mediadores, inclusive tornando-os disponíveis a custo acessível; 
c) Propiciando às pessoas com deficiência e ao pessoal especializado uma 
capacitação em técnicas de mobilidade; 
d) Incentivando entidades que produzem ajudas técnicas de mobilidade, 
dispositivos e tecnologias assistivas a levarem em conta todos os aspectos 
relativos à mobilidade de pessoas com deficiência. 
 
Artigo 21 
 
 
 
Liberdade de expressão e de opinião e acesso à informação 
 
Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar que 
as pessoas com deficiência possam exercer seu direito à liberdade de expressão 
e opinião, inclusive à liberdade de buscar, receber e compartilhar informações e 
idéias, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas e por intermédio 
de todas as formas de comunicação de sua escolha, conforme o disposto no 
Artigo 2 da presente Convenção, entre as quais: 
a) Fornecer, prontamente e sem custo adicional, às pessoas com deficiência, 
todas as informações destinadas ao público em geral, em formatos acessíveis e 
tecnologias apropriadas aos diferentes tipos de deficiência; 
b) Aceitar e facilitar, em trâmites oficiais, o uso de línguas de sinais, braille, 
comunicação aumentativa e alternativa, e de todos os demais meios, modos e 
formatos acessíveis de comunicação, à escolha das pessoas com deficiência; 
c) Urgir as entidades privadas que oferecem serviços ao público em geral, 
inclusive por meio da Internet, a fornecer informações e serviços em formatos 
acessíveis, que possam ser usados por pessoas com deficiência; 
d) Incentivar a mídia, inclusive os provedores de informação pela Internet, a 
tornar seus serviços acessíveis a pessoas com deficiência; 
e) Reconhecer e promover o uso de línguas de sinais. 
 
Artigo 22 
 
Respeito à privacidade 
 
1.Nenhuma pessoa com deficiência, qualquer que seja seu local de residência 
ou tipo de moradia, estará sujeita a interferência arbitrária ou ilegal em sua 
privacidade, família, lar, correspondência ou outros tipos de comunicação, nem 
a ataques ilícitos à sua honra e reputação. As pessoas com deficiência têm o 
direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. 
 
 
2.Os Estados Partes protegerão a privacidade dos dadospessoais e dados 
relativos à saúde e à reabilitação de pessoas com deficiência, em igualdade de 
condições com as demais pessoas. 
 
Artigo 23 
 
Respeito pelo lar e pela família 
 
1.Os Estados Partes tomarão medidas efetivas e apropriadas para eliminar a 
discriminação contra pessoas com deficiência, em todos os aspectos relativos a 
casamento, família, paternidade e relacionamentos, em igualdade de condições 
com as demais pessoas, de modo a assegurar que: 
a) Seja reconhecido o direito das pessoas com deficiência, em idade de contrair 
matrimônio, de casar-se e estabelecer família, com base no livre e pleno 
consentimento dos pretendentes; 
b) Sejam reconhecidos os direitos das pessoas com deficiência de decidir livre e 
responsavelmente sobre o número de filhos e o espaçamento entre esses filhos 
e de ter acesso a informações adequadas à idade e a educação em matéria de 
reprodução e de planejamento familiar, bem como os meios necessários para 
exercer esses direitos. 
c) As pessoas com deficiência, inclusive crianças, conservem sua fertilidade, em 
igualdade de condições com as demais pessoas. 
2.Os Estados Partes assegurarão os direitos e responsabilidades das pessoas 
com deficiência, relativos à guarda, custódia, curatela e adoção de crianças ou 
instituições semelhantes, caso esses conceitos constem na legislação nacional. 
Em todos os casos, prevalecerá o superior interesse da criança. Os Estados 
Partes prestarão a devida assistência às pessoas com deficiência para que 
essas pessoas possam exercer suas responsabilidades na criação dos filhos. 
3.Os Estados Partes assegurarão que as crianças com deficiência terão iguais 
direitos em relação à vida familiar. Para a realização desses direitos e para evitar 
ocultação, abandono, negligência e segregação de crianças com deficiência, os 
Estados Partes fornecerão prontamente informações abrangentes sobre 
serviços e apoios a crianças com deficiência e suas famílias. 
 
 
4.Os Estados Partes assegurarão que uma criança não será separada de seus 
pais contra a vontade destes, exceto quando autoridades competentes, sujeitas 
a controle jurisdicional, determinarem, em conformidade com as leis e 
procedimentos aplicáveis, que a separação é necessária, no superior interesse 
da criança. Em nenhum caso, uma criança será separada dos pais sob alegação 
de deficiência da criança ou de um ou ambos os pais. 
5.Os Estados Partes, no caso em que a família imediata de uma criança com 
deficiência não tenha condições de cuidar da criança, farão todo esforço para 
que cuidados alternativos sejam oferecidos por outros parentes e, se isso não 
for possível, dentro de ambiente familiar, na comunidade. 
 
Artigo 24 
 
Educação 
 
1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à 
educação. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade 
de oportunidades, os Estados Partes assegurarão sistema educacional inclusivo 
em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com os 
seguintes objetivos: 
a) O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e 
auto-estima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas 
liberdades fundamentais e pela diversidade humana; 
b) O máximo desenvolvimento possível da personalidade e dos talentos e da 
criatividade das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades 
físicas e intelectuais; 
c) A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre. 
2.Para a realização desse direito, os Estados Partes assegurarão que: 
a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral 
sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam 
excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, 
sob alegação de deficiência; 
 
 
b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino primário inclusivo, 
de qualidade e gratuito, e ao ensino secundário, em igualdade de condições com 
as demais pessoas na comunidade em que vivem; 
c) Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais sejam 
providenciadas; 
d) As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do 
sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação; 
e) Medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes 
que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta 
de inclusão plena. 
3.Os Estados Partes assegurarão às pessoas com deficiência a possibilidade de 
adquirir as competências práticas e sociais necessárias de modo a facilitar às 
pessoas com deficiência sua plena e igual participação no sistema de ensino e 
na vida em comunidade. Para tanto, os Estados Partes tomarão medidas 
apropriadas, incluindo: 
a) Facilitação do aprendizado do braille, escrita alternativa, modos, meios e 
formatos de comunicação aumentativa e alternativa, e habilidades de orientação 
e mobilidade, além de facilitação do apoio e aconselhamento de pares; 
b) Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da identidade 
lingüística da comunidade surda; 
c) Garantia de que a educação de pessoas, em particular crianças cegas, 
surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de 
comunicação mais adequados ao indivíduo e em ambientes que favoreçam ao 
máximo seu desenvolvimento acadêmico e social. 
4.A fim de contribuir para o exercício desse direito, os Estados Partes tomarão 
medidas apropriadas para empregar professores, inclusive professores com 
deficiência, habilitados para o ensino da língua de sinais e/ou do braille, e para 
capacitar profissionais e equipes atuantes em todos os níveis de ensino. Essa 
capacitação incorporará a conscientização da deficiência e a utilização de 
modos, meios e formatos apropriados de comunicação aumentativa e 
alternativa, e técnicas e materiais pedagógicos, como apoios para pessoas com 
deficiência. 
5.Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência possam ter 
acesso ao ensino superior em geral, treinamento profissional de acordo com sua 
 
 
vocação, educação para adultos e formação continuada, sem discriminação e 
em igualdade de condições. Para tanto, os Estados Partes assegurarão a 
provisão de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência. 
 
Artigo 25 
 
Saúde 
 
Os Estados Partes reconhecem que as pessoas com deficiência têm o direito de 
gozar do estado de saúde mais elevado possível, sem discriminação baseada 
na deficiência. Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para 
assegurar às pessoas com deficiência o acesso a serviços de saúde, incluindo 
os serviços de reabilitação, que levarão em conta as especificidades de gênero. 
Em especial, os Estados Partes: 
a) Oferecerão às pessoas com deficiência programas e atenção à saúde 
gratuitos ou a custos acessíveis da mesma variedade, qualidade e padrão que 
são oferecidos às demais pessoas, inclusive na área de saúde sexual e 
reprodutiva e de programas de saúde pública destinados à população em geral; 
b) Propiciarão serviços de saúde que as pessoas com deficiência necessitam 
especificamente por causa de sua deficiência, inclusive diagnóstico e 
intervenção precoces, bem como serviços projetados para reduzir ao máximo e 
prevenir deficiências adicionais, inclusive entre crianças e idosos; 
c) Propiciarão esses serviços de saúde às pessoas com deficiência, o mais 
próximo possível de suas comunidades, inclusive na zona rural; 
d) Exigirão dos profissionais de saúde que dispensem às pessoas com 
deficiência a mesma qualidade de serviços dispensada às demais pessoas e, 
principalmente,que obtenham o consentimento livre e esclarecido das pessoas 
com deficiência concernentes. Para esse fim, os Estados Partes realizarão 
atividades de formação e definirão regras éticas para os setores de saúde 
público e privado, de modo a conscientizar os profissionais de saúde acerca dos 
direitos humanos, da dignidade, autonomia e das necessidades das pessoas 
com deficiência; 
 
 
e) Proibirão a discriminação contra pessoas com deficiência na provisão de 
seguro de saúde e seguro de vida, caso tais seguros sejam permitidos pela 
legislação nacional, os quais deverão ser providos de maneira razoável e justa; 
f) Prevenirão que se negue, de maneira discriminatória, os serviços de saúde ou 
de atenção à saúde ou a administração de alimentos sólidos ou líquidos por 
motivo de deficiência. 
 
Artigo 26 
 
Habilitação e reabilitação 
 
1.Os Estados Partes tomarão medidas efetivas e apropriadas, inclusive 
mediante apoio dos pares, para possibilitar que as pessoas com deficiência 
conquistem e conservem o máximo de autonomia e plena capacidade física, 
mental, social e profissional, bem como plena inclusão e participação em todos 
os aspectos da vida. Para tanto, os Estados Partes organizarão, fortalecerão e 
ampliarão serviços e programas completos de habilitação e reabilitação, 
particularmente nas áreas de saúde, emprego, educação e serviços sociais, de 
modo que esses serviços e programas: 
a) Comecem no estágio mais precoce possível e sejam baseados em avaliação 
multidisciplinar das necessidades e pontos fortes de cada pessoa; 
b) Apóiem a participação e a inclusão na comunidade e em todos os aspectos 
da vida social, sejam oferecidos voluntariamente e estejam disponíveis às 
pessoas com deficiência o mais próximo possível de suas comunidades, 
inclusive na zona rural. 
2.Os Estados Partes promoverão o desenvolvimento da capacitação inicial e 
continuada de profissionais e de equipes que atuam nos serviços de habilitação 
e reabilitação. 
3.Os Estados Partes promoverão a disponibilidade, o conhecimento e o uso de 
dispositivos e tecnologias assistivas, projetados para pessoas com deficiência e 
relacionados com a habilitação e a reabilitação. 
 
 
 
Artigo 27 
 
Trabalho e emprego 
 
1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência ao 
trabalho, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Esse direito 
abrange o direito à oportunidade de se manter com um trabalho de sua livre 
escolha ou aceitação no mercado laboral, em ambiente de trabalho que seja 
aberto, inclusivo e acessível a pessoas com deficiência. Os Estados Partes 
salvaguardarão e promoverão a realização do direito ao trabalho, inclusive 
daqueles que tiverem adquirido uma deficiência no emprego, adotando medidas 
apropriadas, incluídas na legislação, com o fim de, entre outros: 
a) Proibir a discriminação baseada na deficiência com respeito a todas as 
questões relacionadas com as formas de emprego, inclusive condições de 
recrutamento, contratação e admissão, permanência no emprego, ascensão 
profissional e condições seguras e salubres de trabalho; 
b) Proteger os direitos das pessoas com deficiência, em condições de igualdade 
com as demais pessoas, às condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo 
iguais oportunidades e igual remuneração por trabalho de igual valor, condições 
seguras e salubres de trabalho, além de reparação de injustiças e proteção 
contra o assédio no trabalho; 
c) Assegurar que as pessoas com deficiência possam exercer seus direitos 
trabalhistas e sindicais, em condições de igualdade com as demais pessoas; 
d) Possibilitar às pessoas com deficiência o acesso efetivo a programas de 
orientação técnica e profissional e a serviços de colocação no trabalho e de 
treinamento profissional e continuado; 
e) Promover oportunidades de emprego e ascensão profissional para pessoas 
com deficiência no mercado de trabalho, bem como assistência na procura, 
obtenção e manutenção do emprego e no retorno ao emprego; 
f) Promover oportunidades de trabalho autônomo, empreendedorismo, 
desenvolvimento de cooperativas e estabelecimento de negócio próprio; 
g) Empregar pessoas com deficiência no setor público; 
 
 
h) Promover o emprego de pessoas com deficiência no setor privado, mediante 
políticas e medidas apropriadas, que poderão incluir programas de ação 
afirmativa, incentivos e outras medidas; 
i) Assegurar que adaptações razoáveis sejam feitas para pessoas com 
deficiência no local de trabalho; 
j) Promover a aquisição de experiência de trabalho por pessoas com deficiência 
no mercado aberto de trabalho; 
k) Promover reabilitação profissional, manutenção do emprego e programas de 
retorno ao trabalho para pessoas com deficiência. 
2.Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência não serão 
mantidas em escravidão ou servidão e que serão protegidas, em igualdade de 
condições com as demais pessoas, contra o trabalho forçado ou compulsório. 
 
Artigo 28 
 
Padrão de vida e proteção social adequados 
 
1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência a um 
padrão adequado de vida para si e para suas famílias, inclusive alimentação, 
vestuário e moradia adequados, bem como à melhoria contínua de suas 
condições de vida, e tomarão as providências necessárias para salvaguardar e 
promover a realização desse direito sem discriminação baseada na deficiência. 
2.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à 
proteção social e ao exercício desse direito sem discriminação baseada na 
deficiência, e tomarão as medidas apropriadas para salvaguardar e promover a 
realização desse direito, tais como: 
a) Assegurar igual acesso de pessoas com deficiência a serviços de saneamento 
básico e assegurar o acesso aos serviços, dispositivos e outros atendimentos 
apropriados para as necessidades relacionadas com a deficiência; 
b) Assegurar o acesso de pessoas com deficiência, particularmente mulheres, 
crianças e idosos com deficiência, a programas de proteção social e de redução 
da pobreza; 
 
 
c) Assegurar o acesso de pessoas com deficiência e suas famílias em situação 
de pobreza à assistência do Estado em relação a seus gastos ocasionados pela 
deficiência, inclusive treinamento adequado, aconselhamento, ajuda financeira 
e cuidados de repouso; 
d) Assegurar o acesso de pessoas com deficiência a programas habitacionais 
públicos; 
e) Assegurar igual acesso de pessoas com deficiência a programas e benefícios 
de aposentadoria. 
 
Artigo 29 
 
Participação na vida política e pública 
Os Estados Partes garantirão às pessoas com deficiência direitos políticos e 
oportunidade de exercê-los em condições de igualdade com as demais pessoas, 
e deverão: 
a) Assegurar que as pessoas com deficiência possam participar efetiva e 
plenamente na vida política e pública, em igualdade de oportunidades com as 
demais pessoas, diretamente ou por meio de representantes livremente 
escolhidos, incluindo o direito e a oportunidade de votarem e serem votadas, 
mediante, entre outros: 
i) Garantia de que os procedimentos, instalações e materiais e equipamentos 
para votação serão apropriados, acessíveis e de fácil compreensão e uso; 
ii) Proteção do direito das pessoas com deficiência ao voto secreto em eleições 
e plebiscitos, sem intimidação, e a candidatar-se nas eleições, efetivamente 
ocupar cargos eletivos e desempenhar quaisquer funções públicas em todos os 
níveis de governo, usando novas tecnologias assistivas, quando apropriado; 
iii) Garantia da livre expressão de vontade das pessoas com deficiência como 
eleitores e, para tanto, sempreque necessário e a seu pedido, permissão para 
que elas sejam auxiliadas na votação por uma pessoa de sua escolha; 
b) Promover ativamente um ambiente em que as pessoas com deficiência 
possam participar efetiva e plenamente na condução das questões públicas, sem 
discriminação e em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, e 
encorajar sua participação nas questões públicas, mediante: 
 
 
i) Participação em organizações não-governamentais relacionadas com a vida 
pública e política do país, bem como em atividades e administração de partidos 
políticos; 
ii) Formação de organizações para representar pessoas com deficiência em 
níveis internacional, regional, nacional e local, bem como a filiação de pessoas 
com deficiência a tais organizações. 
 
 
 
Artigo 30 
 
Participação na vida cultural e em recreação, lazer e esporte 
 
1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência de 
participar na vida cultural, em igualdade de oportunidades com as demais 
pessoas, e tomarão todas as medidas apropriadas para que as pessoas com 
deficiência possam: 
a) Ter acesso a bens culturais em formatos acessíveis; 
b) Ter acesso a programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades 
culturais, em formatos acessíveis; e 
c) Ter acesso a locais que ofereçam serviços ou eventos culturais, tais como 
teatros, museus, cinemas, bibliotecas e serviços turísticos, bem como, tanto 
quanto possível, ter acesso a monumentos e locais de importância cultural 
nacional. 
2.Os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para que as pessoas com 
deficiência tenham a oportunidade de desenvolver e utilizar seu potencial 
criativo, artístico e intelectual, não somente em benefício próprio, mas também 
para o enriquecimento da sociedade. 
3.Os Estados Partes deverão tomar todas as providências, em conformidade 
com o direito internacional, para assegurar que a legislação de proteção dos 
direitos de propriedade intelectual não constitua barreira excessiva ou 
discriminatória ao acesso de pessoas com deficiência a bens culturais. 
 
 
4.As pessoas com deficiência farão jus, em igualdade de oportunidades com as 
demais pessoas, a que sua identidade cultural e lingüística específica seja 
reconhecida e apoiada, incluindo as línguas de sinais e a cultura surda. 
5.Para que as pessoas com deficiência participem, em igualdade de 
oportunidades com as demais pessoas, de atividades recreativas, esportivas e 
de lazer, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para: 
a) Incentivar e promover a maior participação possível das pessoas com 
deficiência nas atividades esportivas comuns em todos os níveis; 
b) Assegurar que as pessoas com deficiência tenham a oportunidade de 
organizar, desenvolver e participar em atividades esportivas e recreativas 
específicas às deficiências e, para tanto, incentivar a provisão de instrução, 
treinamento e recursos adequados, em igualdade de oportunidades com as 
demais pessoas; 
c) Assegurar que as pessoas com deficiência tenham acesso a locais de eventos 
esportivos, recreativos e turísticos; 
d) Assegurar que as crianças com deficiência possam, em igualdade de 
condições com as demais crianças, participar de jogos e atividades recreativas, 
esportivas e de lazer, inclusive no sistema escolar; 
e) Assegurar que as pessoas com deficiência tenham acesso aos serviços 
prestados por pessoas ou entidades envolvidas na organização de atividades 
recreativas, turísticas, esportivas e de lazer. 
 
Artigo 31 
 
Estatísticas e coleta de dados 
 
1.Os Estados Partes coletarão dados apropriados, inclusive estatísticos e de 
pesquisas, para que possam formular e implementar políticas destinadas a por 
em prática a presente Convenção. O processo de coleta e manutenção de tais 
dados deverá: 
 
 
a) Observar as salvaguardas estabelecidas por lei, inclusive pelas leis relativas 
à proteção de dados, a fim de assegurar a confidencialidade e o respeito pela 
privacidade das pessoas com deficiência; 
b) Observar as normas internacionalmente aceitas para proteger os direitos 
humanos, as liberdades fundamentais e os princípios éticos na coleta de dados 
e utilização de estatísticas. 
2.As informações coletadas de acordo com o disposto neste Artigo serão 
desagregadas, de maneira apropriada, e utilizadas para avaliar o cumprimento, 
por parte dos Estados Partes, de suas obrigações na presente Convenção e para 
identificar e enfrentar as barreiras com as quais as pessoas com deficiência se 
deparam no exercício de seus direitos. 
3.Os Estados Partes assumirão responsabilidade pela disseminação das 
referidas estatísticas e assegurarão que elas sejam acessíveis às pessoas com 
deficiência e a outros. 
 
Artigo 32 
 
Cooperação internacional 
 
1.Os Estados Partes reconhecem a importância da cooperação internacional e 
de sua promoção, em apoio aos esforços nacionais para a consecução do 
propósito e dos objetivos da presente Convenção e, sob este aspecto, adotarão 
medidas apropriadas e efetivas entre os Estados e, de maneira adequada, em 
parceria com organizações internacionais e regionais relevantes e com a 
sociedade civil e, em particular, com organizações de pessoas com deficiência. 
Estas medidas poderão incluir, entre outras: 
a) Assegurar que a cooperação internacional, incluindo os programas 
internacionais de desenvolvimento, sejam inclusivos e acessíveis para pessoas 
com deficiência; 
b) Facilitar e apoiar a capacitação, inclusive por meio do intercâmbio e 
compartilhamento de informações, experiências, programas de treinamento e 
melhores práticas; 
 
 
c) Facilitar a cooperação em pesquisa e o acesso a conhecimentos científicos e 
técnicos; 
d) Propiciar, de maneira apropriada, assistência técnica e financeira, inclusive 
mediante facilitação do acesso a tecnologias assistivas e acessíveis e seu 
compartilhamento, bem como por meio de transferência de tecnologias. 
2.O disposto neste Artigo se aplica sem prejuízo das obrigações que cabem a 
cada Estado Parte em decorrência da presente Convenção. 
 
Artigo 33 
 
Implementação e monitoramento nacionais 
 
1.Os Estados Partes, de acordo com seu sistema organizacional, designarão um 
ou mais de um ponto focal no âmbito do Governo para assuntos relacionados 
com a implementação da presente Convenção e darão a devida consideração 
ao estabelecimento ou designação de um mecanismo de coordenação no âmbito 
do Governo, a fim de facilitar ações correlatas nos diferentes setores e níveis. 
2.Os Estados Partes, em conformidade com seus sistemas jurídico e 
administrativo, manterão, fortalecerão, designarão ou estabelecerão estrutura, 
incluindo um ou mais de um mecanismo independente, de maneira apropriada, 
para promover, proteger e monitorar a implementação da presente Convenção. 
Ao designar ou estabelecer tal mecanismo, os Estados Partes levarão em conta 
os princípios relativos ao status e funcionamento das instituições nacionais de 
proteção e promoção dos direitos humanos. 
3.A sociedade civil e, particularmente, as pessoas com deficiência e suas 
organizações representativas serão envolvidas e participarão plenamente no 
processo de monitoramento. 
 
 
Artigo 34 
 
 
 
Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 
 
1.Um Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (doravante 
denominado "Comitê") será estabelecido, para desempenhar as funções aqui 
definidas. 
2.O Comitê será constituído, quando da entrada em vigor da presente 
Convenção, de 12 peritos. Quando a presente Convenção alcançar 60 
ratificações ou adesões, o Comitê será acrescido em seis membros,perfazendo 
o total de 18 membros. 
3.Os membros do Comitê atuarão a título pessoal e apresentarão elevada 
postura moral, competência e experiência reconhecidas no campo abrangido 
pela presente Convenção. Ao designar seus candidatos, os Estados Partes são 
instados a dar a devida consideração ao disposto no Artigo 4.3 da presente 
Convenção. 
4.Os membros do Comitê serão eleitos pelos Estados Partes, observando-se 
uma distribuição geográfica equitativa, representação de diferentes formas de 
civilização e dos principais sistemas jurídicos, representação equilibrada de 
gênero e participação de peritos com deficiência. 
5.Os membros do Comitê serão eleitos por votação secreta em sessões da 
Conferência dos Estados Partes, a partir de uma lista de pessoas designadas 
pelos Estados Partes entre seus nacionais. Nessas sessões, cujo quórum será 
de dois terços dos Estados Partes, os candidatos eleitos para o Comitê serão 
aqueles que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos votos 
dos representantes dos Estados Partes presentes e votantes. 
6.A primeira eleição será realizada, o mais tardar, até seis meses após a data de 
entrada em vigor da presente Convenção. Pelo menos quatro meses antes de 
cada eleição, o Secretário-Geral das Nações Unidas dirigirá carta aos Estados 
Partes, convidando-os a submeter os nomes de seus candidatos no prazo de 
dois meses. O Secretário-Geral, subsequentemente, preparará lista em ordem 
alfabética de todos os candidatos apresentados, indicando que foram 
designados pelos Estados Partes, e submeterá essa lista aos Estados Partes da 
presente Convenção. 
7.Os membros do Comitê serão eleitos para mandato de quatro anos, podendo 
ser candidatos à reeleição uma única vez. Contudo, o mandato de seis dos 
membros eleitos na primeira eleição expirará ao fim de dois anos; imediatamente 
 
 
após a primeira eleição, os nomes desses seis membros serão selecionados por 
sorteio pelo presidente da sessão a que se refere o parágrafo 5 deste Artigo. 
8.A eleição dos seis membros adicionais do Comitê será realizada por ocasião 
das eleições regulares, de acordo com as disposições pertinentes deste Artigo. 
9.Em caso de morte, demissão ou declaração de um membro de que, por algum 
motivo, não poderá continuar a exercer suas funções, o Estado Parte que o tiver 
indicado designará um outro perito que tenha as qualificações e satisfaça aos 
requisitos estabelecidos pelos dispositivos pertinentes deste Artigo, para concluir 
o mandato em questão. 
10.O Comitê estabelecerá suas próprias normas de procedimento. 
11.O Secretário-Geral das Nações Unidas proverá o pessoal e as instalações 
necessários para o efetivo desempenho das funções do Comitê segundo a 
presente Convenção e convocará sua primeira reunião. 
12.Com a aprovação da Assembléia Geral, os membros do Comitê estabelecido 
sob a presente Convenção receberão emolumentos dos recursos das Nações 
Unidas, sob termos e condições que a Assembléia possa decidir, tendo em vista 
a importância das responsabilidades do Comitê. 
13.Os membros do Comitê terão direito aos privilégios, facilidades e imunidades 
dos peritos em missões das Nações Unidas, em conformidade com as 
disposições pertinentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das 
Nações Unidas. 
 
Artigo 35 
 
Relatórios dos Estados Partes 
 
1.Cada Estado Parte, por intermédio do Secretário-Geral das Nações Unidas, 
submeterá relatório abrangente sobre as medidas adotadas em cumprimento de 
suas obrigações estabelecidas pela presente Convenção e sobre o progresso 
alcançado nesse aspecto, dentro do período de dois anos após a entrada em 
vigor da presente Convenção para o Estado Parte concernente. 
 
 
2.Depois disso, os Estados Partes submeterão relatórios subsequentes, ao 
menos a cada quatro anos, ou quando o Comitê o solicitar. 
3.O Comitê determinará as diretrizes aplicáveis ao teor dos relatórios. 
4.Um Estado Parte que tiver submetido ao Comitê um relatório inicial abrangente 
não precisará, em relatórios subsequentes, repetir informações já apresentadas. 
Ao elaborar os relatórios ao Comitê, os Estados Partes são instados a fazê-lo de 
maneira franca e transparente e a levar em consideração o disposto no Artigo 
4.3 da presente Convenção. 
5.Os relatórios poderão apontar os fatores e as dificuldades que tiverem afetado 
o cumprimento das obrigações decorrentes da presente Convenção. 
 
Artigo 36 
 
Consideração dos relatórios 
 
1.Os relatórios serão considerados pelo Comitê, que fará as sugestões e 
recomendações gerais que julgar pertinentes e as transmitirá aos respectivos 
Estados Partes. O Estado Parte poderá responder ao Comitê com as 
informações que julgar pertinentes. O Comitê poderá pedir informações 
adicionais ao Estados Partes, referentes à implementação da presente 
Convenção. 
2.Se um Estado Parte atrasar consideravelmente a entrega de seu relatório, o 
Comitê poderá notificar esse Estado de que examinará a aplicação da presente 
Convenção com base em informações confiáveis de que disponha, a menos que 
o relatório devido seja apresentado pelo Estado dentro do período de três meses 
após a notificação. O Comitê convidará o Estado Parte interessado a participar 
desse exame. Se o Estado Parte responder entregando seu relatório, aplicar-se-
á o disposto no parágrafo 1 do presente artigo. 
3.O Secretário-Geral das Nações Unidas colocará os relatórios à disposição de 
todos os Estados Partes. 
4.Os Estados Partes tornarão seus relatórios amplamente disponíveis ao público 
em seus países e facilitarão o acesso à possibilidade de sugestões e de 
recomendações gerais a respeito desses relatórios. 
 
 
5.O Comitê transmitirá às agências, fundos e programas especializados das 
Nações Unidas e a outras organizações competentes, da maneira que julgar 
apropriada, os relatórios dos Estados Partes que contenham demandas ou 
indicações de necessidade de consultoria ou de assistência técnica, 
acompanhados de eventuais observações e sugestões do Comitê em relação às 
referidas demandas ou indicações, a fim de que possam ser consideradas. 
 
Artigo 37 
 
Cooperação entre os Estados Partes e o Comitê 
 
1.Cada Estado Parte cooperará com o Comitê e auxiliará seus membros no 
desempenho de seu mandato. 
2.Em suas relações com os Estados Partes, o Comitê dará a devida 
consideração aos meios e modos de aprimorar a capacidade de cada Estado 
Parte para a implementação da presente Convenção, inclusive mediante 
cooperação internacional. 
Artigo 38 
 
Relações do Comitê com outros órgãos 
 
A fim de promover a efetiva implementação da presente Convenção e de 
incentivar a cooperação internacional na esfera abrangida pela presente 
Convenção: 
a) As agências especializadas e outros órgãos das Nações Unidas terão o direito 
de se fazer representar quando da consideração da implementação de 
disposições da presente Convenção que disserem respeito aos seus respectivos 
mandatos. O Comitê poderá convidar as agências especializadas e outros 
órgãos competentes, segundo julgar apropriado, a oferecer consultoria de 
peritos sobre a implementação da Convenção em áreas pertinentes a seus 
respectivos mandatos. O Comitê poderá convidar agências especializadas e 
 
 
outros órgãos das Nações Unidas a apresentar relatórios sobre a implementação 
da Convenção em áreas pertinentes às suas respectivas atividades; 
b) No desempenho de seu mandato, o Comitê consultará, de maneira 
apropriada, outros órgãos pertinentes instituídos ao amparo de tratados 
internacionais de direitos humanos, a fim de assegurar a consistência de suas 
respectivasdiretrizes para a elaboração de relatórios, sugestões e 
recomendações gerais e de evitar duplicação e superposição no desempenho 
de suas funções. 
 
Artigo 39 
 
Relatório do Comitê 
 
A cada dois anos, o Comitê submeterá à Assembléia Geral e ao Conselho 
Econômico e Social um relatório de suas atividades e poderá fazer sugestões e 
recomendações gerais baseadas no exame dos relatórios e nas informações 
recebidas dos Estados Partes. Estas sugestões e recomendações gerais serão 
incluídas no relatório do Comitê, acompanhadas, se houver, de comentários dos 
Estados Partes. 
 
Artigo 40 
 
Conferência dos Estados Partes 
 
1.Os Estados Partes reunir-se-ão regularmente em Conferência dos Estados 
Partes a fim de considerar matérias relativas à implementação da presente 
Convenção. 
2.O Secretário-Geral das Nações Unidas convocará, dentro do período de seis 
meses após a entrada em vigor da presente Convenção, a Conferência dos 
Estados Partes. As reuniões subsequentes serão convocadas pelo Secretário-
Geral das Nações Unidas a cada dois anos ou conforme a decisão da 
Conferência dos Estados Partes. 
 
 
 
Artigo 41 
 
Depositário 
 
O Secretário-Geral das Nações Unidas será o depositário da presente 
Convenção. 
 
Artigo 42 
 
Assinatura 
 
A presente Convenção será aberta à assinatura de todos os Estados e 
organizações de integração regional na sede das Nações Unidas em Nova York, 
a partir de 30 de março de 2007. 
 
Artigo 43 
 
Consentimento em comprometer-se 
 
A presente Convenção será submetida à ratificação pelos Estados signatários e 
à confirmação formal por organizações de integração regional signatárias. Ela 
estará aberta à adesão de qualquer Estado ou organização de integração 
regional que não a houver assinado. 
 
 
Artigo 44 
 
 
 
Organizações de integração regional 
 
1."Organização de integração regional" será entendida como organização 
constituída por Estados soberanos de determinada região, à qual seus Estados 
membros tenham delegado competência sobre matéria abrangida pela presente 
Convenção. Essas organizações declararão, em seus documentos de 
confirmação formal ou adesão, o alcance de sua competência em relação à 
matéria abrangida pela presente Convenção. Subseqüentemente, as 
organizações informarão ao depositário qualquer alteração substancial no 
âmbito de sua competência. 
2.As referências a "Estados Partes" na presente Convenção serão aplicáveis a 
essas organizações, nos limites da competência destas. 
3.Para os fins do parágrafo 1 do Artigo 45 e dos parágrafos 2 e 3 do Artigo 47, 
nenhum instrumento depositado por organização de integração regional será 
computado. 
4.As organizações de integração regional, em matérias de sua competência, 
poderão exercer o direito de voto na Conferência dos Estados Partes, tendo 
direito ao mesmo número de votos quanto for o número de seus Estados 
membros que forem Partes da presente Convenção. Essas organizações não 
exercerão seu direito de voto, se qualquer de seus Estados membros exercer 
seu direito de voto, e vice-versa. 
 
Artigo 45 
 
Entrada em vigor 
 
1.A presente Convenção entrará em vigor no trigésimo dia após o depósito do 
vigésimo instrumento de ratificação ou adesão. 
2.Para cada Estado ou organização de integração regional que ratificar ou 
formalmente confirmar a presente Convenção ou a ela aderir após o depósito do 
referido vigésimo instrumento, a Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a 
partir da data em que esse Estado ou organização tenha depositado seu 
instrumento de ratificação, confirmação formal ou adesão. 
 
 
 
 
Artigo 46 
 
Reservas 
 
1.Não serão permitidas reservas incompatíveis com o objeto e o propósito da 
presente Convenção. 
2.As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento. 
 
Artigo 47 
 
Emendas 
 
1.Qualquer Estado Parte poderá propor emendas à presente Convenção e 
submetê-las ao Secretário-Geral das Nações Unidas. O Secretário-Geral 
comunicará aos Estados Partes quaisquer emendas propostas, solicitando-lhes 
que o notifiquem se são favoráveis a uma Conferência dos Estados Partes para 
considerar as propostas e tomar decisão a respeito delas. Se, até quatro meses 
após a data da referida comunicação, pelo menos um terço dos Estados Partes 
se manifestar favorável a essa Conferência, o Secretário-Geral das Nações 
Unidas convocará a Conferência, sob os auspícios das Nações Unidas. 
Qualquer emenda adotada por maioria de dois terços dos Estados Partes 
presentes e votantes será submetida pelo Secretário-Geral à aprovação da 
Assembléia Geral das Nações Unidas e, posteriormente, à aceitação de todos 
os Estados Partes. 
2.Qualquer emenda adotada e aprovada conforme o disposto no parágrafo 1 do 
presente artigo entrará em vigor no trigésimo dia após a data na qual o número 
de instrumentos de aceitação tenha atingido dois terços do número de Estados 
Partes na data de adoção da emenda. Posteriormente, a emenda entrará em 
vigor para todo Estado Parte no trigésimo dia após o depósito por esse Estado 
 
 
do seu instrumento de aceitação. A emenda será vinculante somente para os 
Estados Partes que a tiverem aceitado. 
3.Se a Conferência dos Estados Partes assim o decidir por consenso, qualquer 
emenda adotada e aprovada em conformidade com o disposto no parágrafo 1 
deste Artigo, relacionada exclusivamente com os artigos 34, 38, 39 e 40, entrará 
em vigor para todos os Estados Partes no trigésimo dia a partir da data em que 
o número de instrumentos de aceitação depositados tiver atingido dois terços do 
número de Estados Partes na data de adoção da emenda. 
 
 
Artigo 48 
 
Denúncia 
 
Qualquer Estado Parte poderá denunciar a presente Convenção mediante 
notificação por escrito ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A denúncia 
tornar-se-á efetiva um ano após a data de recebimento da notificação pelo 
Secretário-Geral. 
 
Artigo 49 
 
Formatos acessíveis 
 
O texto da presente Convenção será colocado à disposição em formatos 
acessíveis. 
 
Artigo 50 
 
Textos autênticos 
 
 
 
Os textos em árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo da presente 
Convenção serão igualmente autênticos. 
 
EM FÉ DO QUE os plenipotenciários abaixo assinados, devidamente 
autorizados para tanto por seus respectivos Governos, firmaram a presente 
Convenção. 
 
PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS 
DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 
 
Os Estados Partes do presente Protocolo acordaram o seguinte: 
 
Artigo 1 
1.Qualquer Estado Parte do presente Protocolo (“Estado Parte”) reconhece a 
competência do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 
(“Comitê”) para receber e considerar comunicações submetidas por pessoas ou 
grupos de pessoas, ou em nome deles, sujeitos à sua jurisdição, alegando serem 
vítimas de violação das disposições da Convenção pelo referido Estado Parte. 
 
2.O Comitê não receberá comunicação referente a qualquer Estado Parte que 
não seja signatário do presente Protocolo. 
 
Artigo 2 
 
O Comitê considerará inadmissível a comunicação quando: 
a) A comunicação for anônima; 
b) A comunicação constituir abuso do direito de submeter tais comunicações ou 
for incompatível com as disposições da Convenção; 
 
 
c) A mesma matéria já tenha sido examinada pelo Comitê ou tenha sido ou 
estiver sendo examinada sob outro procedimento de investigação ou resolução 
internacional; 
d) Não tenham sido esgotados todos os recursos internos disponíveis, salvo no 
casoem que a tramitação desses recursos se prolongue injustificadamente, ou 
seja improvável que se obtenha com eles solução efetiva; 
e) A comunicação estiver precariamente fundamentada ou não for 
suficientemente substanciada; ou 
f) Os fatos que motivaram a comunicação tenham ocorrido antes da entrada em 
vigor do presente Protocolo para o Estado Parte em apreço, salvo se os fatos 
continuaram ocorrendo após aquela data. 
 
Artigo 3 
 
Sujeito ao disposto no Artigo 2 do presente Protocolo, o Comitê levará 
confidencialmente ao conhecimento do Estado Parte concernente qualquer 
comunicação submetida ao Comitê. Dentro do período de seis meses, o Estado 
concernente submeterá ao Comitê explicações ou declarações por escrito, 
esclarecendo a matéria e a eventual solução adotada pelo referido Estado. 
 
 
Artigo 4 
 
1.A qualquer momento após receber uma comunicação e antes de decidir o 
mérito dessa comunicação, o Comitê poderá transmitir ao Estado Parte 
concernente, para sua urgente consideração, um pedido para que o Estado Parte 
tome as medidas de natureza cautelar que forem necessárias para evitar 
possíveis danos irreparáveis à vítima ou às vítimas da violação alegada. 
2.O exercício pelo Comitê de suas faculdades discricionárias em virtude do 
parágrafo 1 do presente Artigo não implicará prejuízo algum sobre a 
admissibilidade ou sobre o mérito da comunicação. 
 
 
 
Artigo 5 
 
O Comitê realizará sessões fechadas para examinar comunicações a ele 
submetidas em conformidade com o presente Protocolo. Depois de examinar 
uma comunicação, o Comitê enviará suas sugestões e recomendações, se 
houver, ao Estado Parte concernente e ao requerente. 
 
Artigo 6 
 
1.Se receber informação confiável indicando que um Estado Parte está 
cometendo violação grave ou sistemática de direitos estabelecidos na 
Convenção, o Comitê convidará o referido Estado Parte a colaborar com a 
verificação da informação e, para tanto, a submeter suas observações a respeito 
da informação em pauta. 
2.Levando em conta quaisquer observações que tenham sido submetidas pelo 
Estado Parte concernente, bem como quaisquer outras informações confiáveis 
em poder do Comitê, este poderá designar um ou mais de seus membros para 
realizar investigação e apresentar, em caráter de urgência, relatório ao Comitê. 
Caso se justifique e o Estado Parte o consinta, a investigação poderá incluir uma 
visita ao território desse Estado. 
3.Após examinar os resultados da investigação, o Comitê os comunicará ao 
Estado Parte concernente, acompanhados de eventuais comentários e 
recomendações. 
4.Dentro do período de seis meses após o recebimento dos resultados, 
comentários e recomendações transmitidos pelo Comitê, o Estado Parte 
concernente submeterá suas observações ao Comitê. 
5.A referida investigação será realizada confidencialmente e a cooperação do 
Estado Parte será solicitada em todas as fases do processo. 
Artigo 7 
 
1.O Comitê poderá convidar o Estado Parte concernente a incluir em seu 
relatório, submetido em conformidade com o disposto no Artigo 35 da 
 
 
Convenção, pormenores a respeito das medidas tomadas em consequência da 
investigação realizada em conformidade com o Artigo 6 do presente Protocolo. 
2.Caso necessário, o Comitê poderá, encerrado o período de seis meses a que 
se refere o parágrafo 4 do Artigo 6, convidar o Estado Parte concernente a 
informar o Comitê a respeito das medidas tomadas em consequência da referida 
investigação. 
 
Artigo 8 
 
Qualquer Estado Parte poderá, quando da assinatura ou ratificação do presente 
Protocolo ou de sua adesão a ele, declarar que não reconhece a competência 
do Comitê, a que se referem os Artigos 6 e 7. 
 
Artigo 9 
 
O Secretário-Geral das Nações Unidas será o depositário do presente Protocolo. 
 
Artigo 10 
 
O presente Protocolo será aberto à assinatura dos Estados e organizações de 
integração regional signatários da Convenção, na sede das Nações Unidas em 
Nova York, a partir de 30 de março de 2007. 
 
Artigo 11 
 
O presente Protocolo estará sujeito à ratificação pelos Estados signatários do 
presente Protocolo que tiverem ratificado a Convenção ou aderido a ela. Ele 
estará sujeito à confirmação formal por organizações de integração regional 
signatárias do presente Protocolo que tiverem formalmente confirmado a 
Convenção ou a ela aderido. O Protocolo ficará aberto à adesão de qualquer 
 
 
Estado ou organização de integração regional que tiver ratificado ou formalmente 
confirmado a Convenção ou a ela aderido e que não tiver assinado o Protocolo. 
Artigo 12 
 
1.“Organização de integração regional” será entendida como organização 
constituída por Estados soberanos de determinada região, à qual seus Estados 
membros tenham delegado competência sobre matéria abrangida pela 
Convenção e pelo presente Protocolo. Essas organizações declararão, em seus 
documentos de confirmação formal ou adesão, o alcance de sua competência 
em relação à matéria abrangida pela Convenção e pelo presente Protocolo. 
Subsequentemente, as organizações informarão ao depositário qualquer 
alteração substancial no alcance de sua competência. 
2.As referências a “Estados Partes” no presente Protocolo serão aplicáveis a 
essas organizações, nos limites da competência de tais organizações. 
3.Para os fins do parágrafo 1 do Artigo 13 e do parágrafo 2 do Artigo 15, nenhum 
instrumento depositado por organização de integração regional será computado. 
4.As organizações de integração regional, em matérias de sua competência, 
poderão exercer o direito de voto na Conferência dos Estados Partes, tendo 
direito ao mesmo número de votos que seus Estados membros que forem Partes 
do presente Protocolo. Essas organizações não exercerão seu direito de voto se 
qualquer de seus Estados membros exercer seu direito de voto, e vice-versa. 
 
Artigo 13 
 
1.Sujeito à entrada em vigor da Convenção, o presente Protocolo entrará em 
vigor no trigésimo dia após o depósito do décimo instrumento de ratificação ou 
adesão. 
2.Para cada Estado ou organização de integração regional que ratificar ou 
formalmente confirmar o presente Protocolo ou a ele aderir depois do depósito 
do décimo instrumento dessa natureza, o Protocolo entrará em vigor no trigésimo 
dia a partir da data em que esse Estado ou organização tenha depositado seu 
instrumento de ratificação, confirmação formal ou adesão. 
 
 
 
Artigo 14 
 
1.Não serão permitidas reservas incompatíveis com o objeto e o propósito do 
presente Protocolo. 
2.As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento. 
 
Artigo 15 
 
1.Qualquer Estado Parte poderá propor emendas ao presente Protocolo e 
submetê-las ao Secretário-Geral das Nações Unidas. O Secretário-Geral 
comunicará aos Estados Partes quaisquer emendas propostas, solicitando-lhes 
que o notifiquem se são favoráveis a uma Conferência dos Estados Partes para 
considerar as propostas e tomar decisão a respeito delas. Se, até quatro meses 
após a data da referida comunicação, pelo menos um terço dos Estados Partes 
se manifestar favorável a essa Conferência, o Secretário-Geral das Nações 
Unidas convocará a Conferência, sob os auspícios das Nações Unidas. 
Qualquer emenda adotada por maioria de dois terços dos Estados Partes 
presentes e votantes será submetida pelo Secretário-Geral à aprovação da 
Assembléia Geral das Nações Unidas e, posteriormente, à aceitação de todos 
os Estados Partes. 
2.Qualquer emenda adotada e aprovada conforme o disposto no parágrafo 1 do 
presente artigo entrará em vigor no trigésimo dia após a data na qual o númerode instrumentos de aceitação tenha atingido dois terços do número de Estados 
Partes na data de adoção da emenda. Posteriormente, a emenda entrará em 
vigor para todo Estado Parte no trigésimo dia após o depósito por esse Estado 
do seu instrumento de aceitação. A emenda será vinculante somente para os 
Estados Partes que a tiverem aceitado. 
 
Artigo 16 
 
Qualquer Estado Parte poderá denunciar o presente Protocolo mediante 
notificação por escrito ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A denúncia 
 
 
tornar-se-á efetiva um ano após a data de recebimento da notificação pelo 
Secretário-Geral. 
 
Artigo 17 
 
O texto do presente Protocolo será colocado à disposição em formatos 
acessíveis. 
 
Artigo 18 
 
Os textos em árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo e do presente 
Protocolo serão igualmente autênticos. 
EM FÉ DO QUE os plenipotenciários abaixo assinados, devidamente 
autorizados para tanto por seus respectivos governos, firmaram o presente 
Protocolo. 
 
 
LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015 
 
Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da 
Pessoa com Deficiência). 
 
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta 
e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
LIVRO I 
 
PARTE GERAL 
 
 
 
TÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
 
CAPÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência 
(Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em 
condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais 
por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. 
Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das 
Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso 
Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008 , em 
conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da 
República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, 
desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de 
agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno. 
 
Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de 
longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em 
interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e 
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. 
§ 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, 
realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: (Vigência) 
I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; 
II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; 
III - a limitação no desempenho de atividades; e 
IV - a restrição de participação. 
 
 
§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. 
 
Art. 3º Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se: 
I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com 
segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, 
edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e 
tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de 
uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por 
pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; 
II - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços 
a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de 
projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva; 
III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, 
recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover 
a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com 
deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, 
independência, qualidade de vida e inclusão social; 
IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite 
ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o 
exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de 
expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à 
circulação com segurança, entre outros, classificadas em: 
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e 
privados abertos ao público ou de uso coletivo; 
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; 
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; 
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, 
atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o 
recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de 
comunicação e de tecnologia da informação; 
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou 
prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de 
condições e oportunidades com as demais pessoas; 
 
 
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com 
deficiência às tecnologias; 
V - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras 
opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a 
visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação 
tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a 
linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz 
digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de 
comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; 
VI - adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e 
adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando 
requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência 
possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as 
demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais; 
VII - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de 
urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, 
encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação 
pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição de água, 
paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico; 
VIII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços 
públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de 
edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque 
alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de 
sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às 
telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, 
quiosques e quaisquer outros de natureza análoga; 
IX - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, 
dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução 
efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, 
incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso; 
X - residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do 
Sistema Único de Assistência Social (Suas) localizadas em áreas residenciais 
da comunidade, com estruturas adequadas, que possam contar com apoio 
psicossocial para o atendimento das necessidades da pessoa acolhida, 
destinadas a jovens e adultoscom deficiência, em situação de dependência, que 
 
 
não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares 
fragilizados ou rompidos; 
XI - moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com 
estruturas adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e 
individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de jovens e 
adultos com deficiência; 
XII - atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem 
remuneração, assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com 
deficiência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as técnicas ou os 
procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; 
XIII - profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, 
higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades 
escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de 
ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os 
procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; 
XIV - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo 
ou não desempenhar as funções de atendente pessoal. 
 
CAPÍTULO II 
 
DA IGUALDADE E DA NÃO DISCRIMINAÇÃO 
 
Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades 
com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação. 
§ 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, 
restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de 
prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das 
liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de 
adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas. 
§ 2º A pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de benefícios 
decorrentes de ação afirmativa. 
 
 
 
Art. 5º A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento 
desumano ou degradante. 
Parágrafo único. Para os fins da proteção mencionada no caput deste artigo, são 
considerados especialmente vulneráveis a criança, o adolescente, a mulher e o 
idoso, com deficiência. 
 
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: 
I - casar-se e constituir união estável; 
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; 
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a 
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; 
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; 
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e 
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou 
adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. 
 
Art. 7º É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de 
ameaça ou de violação aos direitos da pessoa com deficiência. 
Parágrafo único. Se, no exercício de suas funções, os juízes e os tribunais 
tiverem conhecimento de fatos que caracterizem as violações previstas nesta 
Lei, devem remeter peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. 
 
Art. 8º É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com 
deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, 
à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à 
educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e 
à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, 
ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre 
outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das 
 
 
Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras 
normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico. 
 
Seção Única 
 
Do Atendimento Prioritário 
 
Art. 9º A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, 
sobretudo com a finalidade de: 
I - proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; 
II - atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público; 
III - disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que 
garantam atendimento em igualdade de condições com as demais pessoas; 
IV - disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de 
transporte coletivo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no 
desembarque; 
V - acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação 
acessíveis; 
VI - recebimento de restituição de imposto de renda; 
VII - tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que 
for parte ou interessada, em todos os atos e diligências. 
§ 1º Os direitos previstos neste artigo são extensivos ao acompanhante da 
pessoa com deficiência ou ao seu atendente pessoal, exceto quanto ao disposto 
nos incisos VI e VII deste artigo. 
§ 2º Nos serviços de emergência públicos e privados, a prioridade conferida por 
esta Lei é condicionada aos protocolos de atendimento médico. 
 
TÍTULO II 
 
 
 
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
 
CAPÍTULO I 
 
DO DIREITO À VIDA 
 
Art. 10. Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com 
deficiência ao longo de toda a vida. 
Parágrafo único. Em situações de risco, emergência ou estado de calamidade 
pública, a pessoa com deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder 
público adotar medidas para sua proteção e segurança. 
 
Art. 11. A pessoa com deficiência não poderá ser obrigada a se submeter a 
intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização forçada. 
Parágrafo único. O consentimento da pessoa com deficiência em situação de 
curatela poderá ser suprido, na forma da lei. 
Art. 12. O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com deficiência é 
indispensável para a realização de tratamento, procedimento, hospitalização e 
pesquisa científica. 
§ 1º Em caso de pessoa com deficiência em situação de curatela, deve ser 
assegurada sua participação, no maior grau possível, para a obtenção de 
consentimento. 
§ 2º A pesquisa científica envolvendo pessoa com deficiência em situação de 
tutela ou de curatela deve ser realizada, em caráter excepcional, apenas quando 
houver indícios de benefício direto para sua saúde ou para a saúde de outras 
pessoas com deficiência e desde que não haja outra opção de pesquisa de 
eficácia comparável com participantes não tutelados ou curatelados. 
 
Art. 13. A pessoa com deficiência somente será atendida sem seu 
consentimento prévio, livre e esclarecido em casos de risco de morte e de 
 
 
emergência em saúde, resguardado seu superior interesse e adotadas as 
salvaguardas legais cabíveis. 
 
CAPÍTULO II 
 
DO DIREITO À HABILITAÇÃO E À REABILITAÇÃO 
 
Art. 14. O processo de habilitação e de reabilitação é um direito da pessoa com 
deficiência. 
Parágrafo único. O processo de habilitação e de reabilitação tem por objetivo o 
desenvolvimento de potencialidades, talentos, habilidades e aptidões físicas, 
cognitivas, sensoriais, psicossociais, atitudinais, profissionais e artísticas que 
contribuam para a conquista da autonomia da pessoa com deficiência e de sua 
participação social em igualdade de condições e oportunidades com as demais 
pessoas. 
 
Art. 15. O processo mencionado no art. 14 desta Leibaseia-se em avaliação 
multidisciplinar das necessidades, habilidades e potencialidades de cada 
pessoa, observadas as seguintes diretrizes: 
I - diagnóstico e intervenção precoces; 
II - adoção de medidas para compensar perda ou limitação funcional, buscando 
o desenvolvimento de aptidões; 
III - atuação permanente, integrada e articulada de políticas públicas que 
possibilitem a plena participação social da pessoa com deficiência; 
IV - oferta de rede de serviços articulados, com atuação intersetorial, nos 
diferentes níveis de complexidade, para atender às necessidades específicas da 
pessoa com deficiência; 
V - prestação de serviços próximo ao domicílio da pessoa com deficiência, 
inclusive na zona rural, respeitadas a organização das Redes de Atenção à 
Saúde (RAS) nos territórios locais e as normas do Sistema Único de Saúde 
(SUS). 
 
 
 
Art. 16. Nos programas e serviços de habilitação e de reabilitação para a pessoa 
com deficiência, são garantidos: 
I - organização, serviços, métodos, técnicas e recursos para atender às 
características de cada pessoa com deficiência; 
II - acessibilidade em todos os ambientes e serviços; 
III - tecnologia assistiva, tecnologia de reabilitação, materiais e equipamentos 
adequados e apoio técnico profissional, de acordo com as especificidades de 
cada pessoa com deficiência; 
IV - capacitação continuada de todos os profissionais que participem dos 
programas e serviços. 
 
Art. 17. Os serviços do SUS e do Suas deverão promover ações articuladas para 
garantir à pessoa com deficiência e sua família a aquisição de informações, 
orientações e formas de acesso às políticas públicas disponíveis, com a 
finalidade de propiciar sua plena participação social. 
Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput deste artigo podem fornecer 
informações e orientações nas áreas de saúde, de educação, de cultura, de 
esporte, de lazer, de transporte, de previdência social, de assistência social, de 
habitação, de trabalho, de empreendedorismo, de acesso ao crédito, de 
promoção, proteção e defesa de direitos e nas demais áreas que possibilitem à 
pessoa com deficiência exercer sua cidadania. 
 
CAPÍTULO III 
 
DO DIREITO À SAÚDE 
 
Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em 
todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso 
universal e igualitário. 
 
 
§ 1º É assegurada a participação da pessoa com deficiência na elaboração das 
políticas de saúde a ela destinadas. 
§ 2º É assegurado atendimento segundo normas éticas e técnicas, que 
regulamentarão a atuação dos profissionais de saúde e contemplarão aspectos 
relacionados aos direitos e às especificidades da pessoa com deficiência, 
incluindo temas como sua dignidade e autonomia. 
§ 3º Aos profissionais que prestam assistência à pessoa com deficiência, 
especialmente em serviços de habilitação e de reabilitação, deve ser garantida 
capacitação inicial e continuada. 
§ 4º As ações e os serviços de saúde pública destinados à pessoa com 
deficiência devem assegurar: 
I - diagnóstico e intervenção precoces, realizados por equipe multidisciplinar; 
II - serviços de habilitação e de reabilitação sempre que necessários, para 
qualquer tipo de deficiência, inclusive para a manutenção da melhor condição de 
saúde e qualidade de vida; 
III - atendimento domiciliar multidisciplinar, tratamento ambulatorial e internação; 
IV - campanhas de vacinação; 
V - atendimento psicológico, inclusive para seus familiares e atendentes 
pessoais; 
VI - respeito à especificidade, à identidade de gênero e à orientação sexual da 
pessoa com deficiência; 
VII - atenção sexual e reprodutiva, incluindo o direito à fertilização assistida; 
VIII - informação adequada e acessível à pessoa com deficiência e a seus 
familiares sobre sua condição de saúde; 
IX - serviços projetados para prevenir a ocorrência e o desenvolvimento de 
deficiências e agravos adicionais; 
X - promoção de estratégias de capacitação permanente das equipes que atuam 
no SUS, em todos os níveis de atenção, no atendimento à pessoa com 
deficiência, bem como orientação a seus atendentes pessoais; 
XI - oferta de órteses, próteses, meios auxiliares de locomoção, medicamentos, 
insumos e fórmulas nutricionais, conforme as normas vigentes do Ministério da 
Saúde. 
 
 
§ 5º As diretrizes deste artigo aplicam-se também às instituições privadas que 
participem de forma complementar do SUS ou que recebam recursos públicos 
para sua manutenção. 
 
Art. 19. Compete ao SUS desenvolver ações destinadas à prevenção de 
deficiências por causas evitáveis, inclusive por meio de: 
I - acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, com garantia de parto 
humanizado e seguro; 
II - promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, vigilância 
alimentar e nutricional, prevenção e cuidado integral dos agravos relacionados à 
alimentação e nutrição da mulher e da criança; 
III - aprimoramento e expansão dos programas de imunização e de triagem 
neonatal; 
IV - identificação e controle da gestante de alto risco. 
 
Art. 20. As operadoras de planos e seguros privados de saúde são obrigadas a 
garantir à pessoa com deficiência, no mínimo, todos os serviços e produtos 
ofertados aos demais clientes. 
 
Art. 21. Quando esgotados os meios de atenção à saúde da pessoa com 
deficiência no local de residência, será prestado atendimento fora de domicílio, 
para fins de diagnóstico e de tratamento, garantidos o transporte e a 
acomodação da pessoa com deficiência e de seu acompanhante. 
 
Art. 22. À pessoa com deficiência internada ou em observação é assegurado o 
direito a acompanhante ou a atendente pessoal, devendo o órgão ou a instituição 
de saúde proporcionar condições adequadas para sua permanência em tempo 
integral. 
§ 1º Na impossibilidade de permanência do acompanhante ou do atendente 
pessoal junto à pessoa com deficiência, cabe ao profissional de saúde 
responsável pelo tratamento justificá-la por escrito. 
 
 
§ 2º Na ocorrência da impossibilidade prevista no § 1º deste artigo, o órgão ou a 
instituição de saúde deve adotar as providências cabíveis para suprir a ausência 
do acompanhante ou do atendente pessoal. 
 
Art. 23. São vedadas todas as formas de discriminação contra a pessoa com 
deficiência, inclusive por meio de cobrança de valores diferenciados por planos 
e seguros privados de saúde, em razão de sua condição. 
 
Art. 24. É assegurado à pessoa com deficiência o acesso aos serviços de saúde, 
tanto públicos como privados, e às informações prestadas e recebidas, por meio 
de recursos de tecnologia assistiva e de todas as formas de comunicação 
previstas no inciso V do art. 3º desta Lei. 
 
Art. 25. Os espaços dos serviços de saúde, tanto públicos quanto privados, 
devem assegurar o acesso da pessoa com deficiência, em conformidade com a 
legislação em vigor, mediante a remoção de barreiras, por meio de projetos 
arquitetônico, de ambientação de interior e de comunicação que atendam às 
especificidades das pessoas com deficiência física, sensorial, intelectual e 
mental. 
 
Art. 26. Os casos de suspeita ou de confirmação de violência praticada contra a 
pessoa com deficiência serão objeto de notificação compulsória pelos serviços 
de saúde públicos e privados à autoridade policial e ao Ministério Público, além 
dos Conselhos dos Direitos da Pessoa com Deficiência. 
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considera-se violência contra a 
pessoa com deficiência qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou 
privado, que lhe cause morte ou dano ou sofrimento físico ou psicológico.CAPÍTULO IV 
 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO 
 
 
 
Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados 
sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda 
a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos 
e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas 
características, interesses e necessidades de aprendizagem. 
Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da 
sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, 
colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação. 
 
Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, 
incentivar, acompanhar e avaliar: 
I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como 
o aprendizado ao longo de toda a vida; 
II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de 
acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de 
serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam 
a inclusão plena; 
III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional 
especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para 
atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno 
acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o 
exercício de sua autonomia; 
IV - oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na 
modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e 
classes bilíngues e em escolas inclusivas; 
V - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que 
maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com 
deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a 
aprendizagem em instituições de ensino; 
VI - pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e técnicas 
pedagógicas, de materiais didáticos, de equipamentos e de recursos de 
tecnologia assistiva; 
VII - planejamento de estudo de caso, de elaboração de plano de atendimento 
educacional especializado, de organização de recursos e serviços de 
 
 
acessibilidade e de disponibilização e usabilidade pedagógica de recursos de 
tecnologia assistiva; 
VIII - participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas 
instâncias de atuação da comunidade escolar; 
IX - adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos 
aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e profissionais, levando-se em conta 
o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante com 
deficiência; 
X - adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação 
inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o 
atendimento educacional especializado; 
XI - formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional 
especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de 
profissionais de apoio; 
XII - oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de 
tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, 
promovendo sua autonomia e participação; 
XIII - acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em 
igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas; 
XIV - inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de 
educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa 
com deficiência nos respectivos campos de conhecimento; 
XV - acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e a 
atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar; 
XVI - acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e 
demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às 
atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino; 
XVII - oferta de profissionais de apoio escolar; 
XVIII - articulação intersetorial na implementação de políticas públicas. 
§ 1º Às instituições privadas, de qualquer nível e modalidade de ensino, aplica-
se obrigatoriamente o disposto nos incisos I, II, III, V, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, 
XIV, XV, XVI, XVII e XVIII do caput deste artigo, sendo vedada a cobrança de 
 
 
valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e 
matrículas no cumprimento dessas determinações. 
§ 2º Na disponibilização de tradutores e intérpretes da Libras a que se refere o 
inciso XI do caput deste artigo, deve-se observar o seguinte: 
I - os tradutores e intérpretes da Libras atuantes na educação básica devem, no 
mínimo, possuir ensino médio completo e certificado de proficiência na Libras; 
(Vigência) 
II - os tradutores e intérpretes da Libras, quando direcionados à tarefa de 
interpretar nas salas de aula dos cursos de graduação e pós-graduação, devem 
possuir nível superior, com habilitação, prioritariamente, em Tradução e 
Interpretação em Libras. (Vigência) 
 
Art. 29. (VETADO). 
 
Art. 30. Nos processos seletivos para ingresso e permanência nos cursos 
oferecidos pelas instituições de ensino superior e de educação profissional e 
tecnológica, públicas e privadas, devem ser adotadas as seguintes medidas: 
I - atendimento preferencial à pessoa com deficiência nas dependências das 
Instituições de Ensino Superior (IES) e nos serviços; 
II - disponibilização de formulário de inscrição de exames com campos 
específicos para que o candidato com deficiência informe os recursos de 
acessibilidade e de tecnologia assistiva necessários para sua participação; 
III - disponibilização de provas em formatos acessíveis para atendimento às 
necessidades específicas do candidato com deficiência; 
IV - disponibilização de recursos de acessibilidade e de tecnologia assistiva 
adequados, previamente solicitados e escolhidos pelo candidato com 
deficiência; 
V - dilação de tempo, conforme demanda apresentada pelo candidato com 
deficiência, tanto na realização de exame para seleção quanto nas atividades 
acadêmicas, mediante prévia solicitação e comprovação da necessidade; 
 
 
VI - adoção de critérios de avaliação das provas escritas, discursivas ou de 
redação que considerem a singularidade linguística da pessoa com deficiência, 
no domínio da modalidade escrita da língua portuguesa; 
VII - tradução completa do edital e de suas retificações em Libras. 
 
CAPÍTULO V 
 
DO DIREITO À MORADIA 
 
Art. 31. A pessoa com deficiência tem direito à moradia digna, no seio da família 
natural ou substituta, com seu cônjuge ou companheiro ou desacompanhada, ou 
em moradia para a vida independente da pessoa com deficiência, ou, ainda, em 
residência inclusiva. 
§ 1º O poder público adotará programas e ações estratégicas para apoiar a 
criação e a manutenção de moradia para a vida independente da pessoa com 
deficiência. 
§ 2º A proteção integral na modalidade de residência inclusiva será prestada no 
âmbito do Suas à pessoa com deficiência em situação de dependência que não 
disponha de condições de autossustentabilidade, com vínculos familiares 
fragilizados ou rompidos. 
 
Art. 32. Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos 
públicos, a pessoa com deficiência ou o seu responsável goza de prioridade na 
aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte: 
I - reserva de, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades habitacionais para 
pessoa com deficiência; 
II - (VETADO); 
III - em caso de edificação multifamiliar, garantia de acessibilidade nas áreas deuso comum e nas unidades habitacionais no piso térreo e de acessibilidade ou 
de adaptação razoável nos demais pisos; 
IV - disponibilização de equipamentos urbanos comunitários acessíveis; 
 
 
V - elaboração de especificações técnicas no projeto que permitam a instalação 
de elevadores. 
§ 1º O direito à prioridade, previsto no caput deste artigo, será reconhecido à 
pessoa com deficiência beneficiária apenas uma vez. 
§ 2º Nos programas habitacionais públicos, os critérios de financiamento devem 
ser compatíveis com os rendimentos da pessoa com deficiência ou de sua 
família. 
§ 3º Caso não haja pessoa com deficiência interessada nas unidades 
habitacionais reservadas por força do disposto no inciso I do caput deste artigo, 
as unidades não utilizadas serão disponibilizadas às demais pessoas. 
 
Art. 33. Ao poder público compete: 
I - adotar as providências necessárias para o cumprimento do disposto nos arts. 
31 e 32 desta Lei; e 
II - divulgar, para os agentes interessados e beneficiários, a política habitacional 
prevista nas legislações federal, estaduais, distrital e municipais, com ênfase nos 
dispositivos sobre acessibilidade. 
 
CAPÍTULO VI 
 
DO DIREITO AO TRABALHO 
 
Seção I 
 
Disposições Gerais 
 
Art. 34. A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e 
aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades 
com as demais pessoas. 
 
 
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer natureza são 
obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos. 
§ 2º A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de oportunidades com 
as demais pessoas, a condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual 
remuneração por trabalho de igual valor. 
§ 3º É vedada restrição ao trabalho da pessoa com deficiência e qualquer 
discriminação em razão de sua condição, inclusive nas etapas de recrutamento, 
seleção, contratação, admissão, exames admissional e periódico, permanência 
no emprego, ascensão profissional e reabilitação profissional, bem como 
exigência de aptidão plena. 
§ 4º A pessoa com deficiência tem direito à participação e ao acesso a cursos, 
treinamentos, educação continuada, planos de carreira, promoções, 
bonificações e incentivos profissionais oferecidos pelo empregador, em 
igualdade de oportunidades com os demais empregados. 
§ 5º É garantida aos trabalhadores com deficiência acessibilidade em cursos de 
formação e de capacitação. 
 
Art. 35. É finalidade primordial das políticas públicas de trabalho e emprego 
promover e garantir condições de acesso e de permanência da pessoa com 
deficiência no campo de trabalho. 
Parágrafo único. Os programas de estímulo ao empreendedorismo e ao trabalho 
autônomo, incluídos o cooperativismo e o associativismo, devem prever a 
participação da pessoa com deficiência e a disponibilização de linhas de crédito, 
quando necessárias. 
 
Seção II 
 
Da Habilitação Profissional e Reabilitação Profissional 
 
Art. 36. O poder público deve implementar serviços e programas completos de 
habilitação profissional e de reabilitação profissional para que a pessoa com 
 
 
deficiência possa ingressar, continuar ou retornar ao campo do trabalho, 
respeitados sua livre escolha, sua vocação e seu interesse. 
§ 1º Equipe multidisciplinar indicará, com base em critérios previstos no § 1º do 
art. 2º desta Lei, programa de habilitação ou de reabilitação que possibilite à 
pessoa com deficiência restaurar sua capacidade e habilidade profissional ou 
adquirir novas capacidades e habilidades de trabalho. 
§ 2º A habilitação profissional corresponde ao processo destinado a propiciar à 
pessoa com deficiência aquisição de conhecimentos, habilidades e aptidões 
para exercício de profissão ou de ocupação, permitindo nível suficiente de 
desenvolvimento profissional para ingresso no campo de trabalho. 
§ 3º Os serviços de habilitação profissional, de reabilitação profissional e de 
educação profissional devem ser dotados de recursos necessários para atender 
a toda pessoa com deficiência, independentemente de sua característica 
específica, a fim de que ela possa ser capacitada para trabalho que lhe seja 
adequado e ter perspectivas de obtê-lo, de conservá-lo e de nele progredir. 
§ 4º Os serviços de habilitação profissional, de reabilitação profissional e de 
educação profissional deverão ser oferecidos em ambientes acessíveis e 
inclusivos. 
§ 5º A habilitação profissional e a reabilitação profissional devem ocorrer 
articuladas com as redes públicas e privadas, especialmente de saúde, de 
ensino e de assistência social, em todos os níveis e modalidades, em entidades 
de formação profissional ou diretamente com o empregador. 
§ 6º A habilitação profissional pode ocorrer em empresas por meio de prévia 
formalização do contrato de emprego da pessoa com deficiência, que será 
considerada para o cumprimento da reserva de vagas prevista em lei, desde que 
por tempo determinado e concomitante com a inclusão profissional na empresa, 
observado o disposto em regulamento. 
§ 7º A habilitação profissional e a reabilitação profissional atenderão à pessoa 
com deficiência. 
 
Seção III 
 
Da Inclusão da Pessoa com Deficiência no Trabalho 
 
 
 
Art. 37. Constitui modo de inclusão da pessoa com deficiência no trabalho a 
colocação competitiva, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, 
nos termos da legislação trabalhista e previdenciária, na qual devem ser 
atendidas as regras de acessibilidade, o fornecimento de recursos de tecnologia 
assistiva e a adaptação razoável no ambiente de trabalho. 
Parágrafo único. A colocação competitiva da pessoa com deficiência pode 
ocorrer por meio de trabalho com apoio, observadas as seguintes diretrizes: 
I - prioridade no atendimento à pessoa com deficiência com maior dificuldade de 
inserção no campo de trabalho; 
II - provisão de suportes individualizados que atendam a necessidades 
específicas da pessoa com deficiência, inclusive a disponibilização de recursos 
de tecnologia assistiva, de agente facilitador e de apoio no ambiente de trabalho; 
III - respeito ao perfil vocacional e ao interesse da pessoa com deficiência 
apoiada; 
IV - oferta de aconselhamento e de apoio aos empregadores, com vistas à 
definição de estratégias de inclusão e de superação de barreiras, inclusive 
atitudinais; 
V - realização de avaliações periódicas; 
VI - articulação intersetorial das políticas públicas; 
VII - possibilidade de participação de organizações da sociedade civil. 
 
Art. 38. A entidade contratada para a realização de processo seletivo público ou 
privado para cargo, função ou emprego está obrigada à observância do disposto 
nesta Lei e em outras normas de acessibilidade vigentes. 
 
CAPÍTULO VII 
 
DO DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL 
 
 
 
Art. 39. Os serviços, os programas, os projetos e os benefícios no âmbito da 
política pública de assistência social à pessoa com deficiência e sua família têm 
como objetivo a garantia da segurança de renda, da acolhida, da habilitação e 
da reabilitação, do desenvolvimento da autonomia e da convivência familiar e 
comunitária, para a promoção do acesso a direitos e da plena participação social. 
§ 1º A assistência social à pessoa com deficiência, nos termos do caput deste 
artigo, deve envolver conjunto articulado de serviços do âmbito da Proteção 
Social Básica e da Proteção Social Especial, ofertados pelo Suas, para a 
garantia de seguranças fundamentais no enfrentamento de situações de 
vulnerabilidade e de risco, por fragilização de vínculos e ameaça ou violação dedireitos. 
§ 2º Os serviços socioassistenciais destinados à pessoa com deficiência em 
situação de dependência deverão contar com cuidadores sociais para prestar-
lhe cuidados básicos e instrumentais. 
 
Art. 40. É assegurado à pessoa com deficiência que não possua meios para 
prover sua subsistência nem de tê-la provida por sua família o benefício mensal 
de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. 
 
CAPÍTULO VIII 
 
DO DIREITO À PREVIDÊNCIA SOCIAL 
 
Art. 41. A pessoa com deficiência segurada do Regime Geral de Previdência 
Social (RGPS) tem direito à aposentadoria nos termos da Lei Complementar nº 
142, de 8 de maio de 2013. 
 
 
CAPÍTULO IX 
 
DO DIREITO À CULTURA, AO ESPORTE, AO TURISMO E AO LAZER 
 
 
 
Art. 42. A pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e 
ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, sendo-lhe 
garantido o acesso: 
I - a bens culturais em formato acessível; 
II - a programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades culturais e 
desportivas em formato acessível; e 
III - a monumentos e locais de importância cultural e a espaços que ofereçam 
serviços ou eventos culturais e esportivos. 
§ 1º É vedada a recusa de oferta de obra intelectual em formato acessível à 
pessoa com deficiência, sob qualquer argumento, inclusive sob a alegação de 
proteção dos direitos de propriedade intelectual. 
§ 2º O poder público deve adotar soluções destinadas à eliminação, à redução 
ou à superação de barreiras para a promoção do acesso a todo patrimônio 
cultural, observadas as normas de acessibilidade, ambientais e de proteção do 
patrimônio histórico e artístico nacional. 
 
Art. 43. O poder público deve promover a participação da pessoa com deficiência 
em atividades artísticas, intelectuais, culturais, esportivas e recreativas, com 
vistas ao seu protagonismo, devendo: 
I - incentivar a provisão de instrução, de treinamento e de recursos adequados, 
em igualdade de oportunidades com as demais pessoas; 
II - assegurar acessibilidade nos locais de eventos e nos serviços prestados por 
pessoa ou entidade envolvida na organização das atividades de que trata este 
artigo; e 
III - assegurar a participação da pessoa com deficiência em jogos e atividades 
recreativas, esportivas, de lazer, culturais e artísticas, inclusive no sistema 
escolar, em igualdade de condições com as demais pessoas. 
 
Art. 44. Nos teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, locais 
de espetáculos e de conferências e similares, serão reservados espaços livres e 
 
 
assentos para a pessoa com deficiência, de acordo com a capacidade de lotação 
da edificação, observado o disposto em regulamento. 
§ 1º Os espaços e assentos a que se refere este artigo devem ser distribuídos 
pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, em todos os setores, 
próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas 
segregadas de público e obstrução das saídas, em conformidade com as normas 
de acessibilidade. 
§ 2º No caso de não haver comprovada procura pelos assentos reservados, 
esses podem, excepcionalmente, ser ocupados por pessoas sem deficiência ou 
que não tenham mobilidade reduzida, observado o disposto em regulamento. 
§ 3º Os espaços e assentos a que se refere este artigo devem situar-se em locais 
que garantam a acomodação de, no mínimo, 1 (um) acompanhante da pessoa 
com deficiência ou com mobilidade reduzida, resguardado o direito de se 
acomodar proximamente a grupo familiar e comunitário. 
§ 4º Nos locais referidos no caput deste artigo, deve haver, obrigatoriamente, 
rotas de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme padrões das normas 
de acessibilidade, a fim de permitir a saída segura da pessoa com deficiência ou 
com mobilidade reduzida, em caso de emergência. 
§ 5º Todos os espaços das edificações previstas no caput deste artigo devem 
atender às normas de acessibilidade em vigor. 
§ 6º As salas de cinema devem oferecer, em todas as sessões, recursos de 
acessibilidade para a pessoa com deficiência. (Vigência) 
§ 7º O valor do ingresso da pessoa com deficiência não poderá ser superior ao 
valor cobrado das demais pessoas. 
 
Art. 45. Os hotéis, pousadas e similares devem ser construídos observando-se 
os princípios do desenho universal, além de adotar todos os meios de 
acessibilidade, conforme legislação em vigor. (Vigência) (Reglamento) 
§ 1º Os estabelecimentos já existentes deverão disponibilizar, pelo menos, 10% 
(dez por cento) de seus dormitórios acessíveis, garantida, no mínimo, 1 (uma) 
unidade acessível. 
§ 2º Os dormitórios mencionados no § 1º deste artigo deverão ser localizados 
em rotas acessíveis. 
 
 
 
CAPÍTULO X 
 
DO DIREITO AO TRANSPORTE E À MOBILIDADE 
 
Art. 46. O direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com 
mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de oportunidades com as 
demais pessoas, por meio de identificação e de eliminação de todos os 
obstáculos e barreiras ao seu acesso. 
§ 1º Para fins de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo terrestre, 
aquaviário e aéreo, em todas as jurisdições, consideram-se como integrantes 
desses serviços os veículos, os terminais, as estações, os pontos de parada, o 
sistema viário e a prestação do serviço. 
§ 2º São sujeitas ao cumprimento das disposições desta Lei, sempre que houver 
interação com a matéria nela regulada, a outorga, a concessão, a permissão, a 
autorização, a renovação ou a habilitação de linhas e de serviços de transporte 
coletivo. 
§ 3º Para colocação do símbolo internacional de acesso nos veículos, as 
empresas de transporte coletivo de passageiros dependem da certificação de 
acessibilidade emitida pelo gestor público responsável pela prestação do 
serviço. 
 
Art. 47. Em todas as áreas de estacionamento aberto ao público, de uso público 
ou privado de uso coletivo e em vias públicas, devem ser reservadas vagas 
próximas aos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, 
para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento 
de mobilidade, desde que devidamente identificados. 
§ 1º As vagas a que se refere o caput deste artigo devem equivaler a 2% (dois 
por cento) do total, garantida, no mínimo, 1 (uma) vaga devidamente sinalizada 
e com as especificações de desenho e traçado de acordo com as normas 
técnicas vigentes de acessibilidade. 
§ 2º Os veículos estacionados nas vagas reservadas devem exibir, em local de 
ampla visibilidade, a credencial de beneficiário, a ser confeccionada e fornecida 
 
 
pelos órgãos de trânsito, que disciplinarão suas características e condições de 
uso. 
§ 3º A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os infratores 
às sanções previstas no inciso XVII do art. 181 da Lei nº 9.503, de 23 de 
setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro). 
§ 3º A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os infratores 
às sanções previstas no inciso XX do art. 181 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro 
de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro) . (Redação dada pela Lei nº 13.281, de 
2016) 
§ 4º A credencial a que se refere o § 2º deste artigo é vinculada à pessoa com 
deficiência que possui comprometimento de mobilidade e é válida em todo o 
território nacional. 
 
Art. 48. Os veículos de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo, as 
instalações, as estações, os portos e os terminais em operação no País devem 
ser acessíveis, de forma a garantir o seu uso por todas as pessoas. 
§ 1º Os veículos e as estruturas de que trata o caput deste artigodevem dispor 
de sistema de comunicação acessível que disponibilize informações sobre todos 
os pontos do itinerário. 
§ 2º São asseguradas à pessoa com deficiência prioridade e segurança nos 
procedimentos de embarque e de desembarque nos veículos de transporte 
coletivo, de acordo com as normas técnicas. 
§ 3º Para colocação do símbolo internacional de acesso nos veículos, as 
empresas de transporte coletivo de passageiros dependem da certificação de 
acessibilidade emitida pelo gestor público responsável pela prestação do 
serviço. 
 
Art. 49. As empresas de transporte de fretamento e de turismo, na renovação de 
suas frotas, são obrigadas ao cumprimento do disposto nos arts. 46 e 48 desta 
Lei. 
 
Art. 50. O poder público incentivará a fabricação de veículos acessíveis e a sua 
utilização como táxis e vans, de forma a garantir o seu uso por todas as pessoas. 
 
 
 
Art. 51. As frotas de empresas de táxi devem reservar 10% (dez por cento) de 
seus veículos acessíveis à pessoa com deficiência. (Vide Decreto nº 9.762, de 
2019) 
§ 1º É proibida a cobrança diferenciada de tarifas ou de valores adicionais pelo 
serviço de táxi prestado à pessoa com deficiência. 
§ 2º O poder público é autorizado a instituir incentivos fiscais com vistas a 
possibilitar a acessibilidade dos veículos a que se refere o caput deste artigo. 
 
Art. 52. As locadoras de veículos são obrigadas a oferecer 1 (um) veículo 
adaptado para uso de pessoa com deficiência, a cada conjunto de 20 (vinte) 
veículos de sua frota. (Vide Decreto nº 9.762, de 2019) (Vigência) 
Parágrafo único. O veículo adaptado deverá ter, no mínimo, câmbio automático, 
direção hidráulica, vidros elétricos e comandos manuais de freio e de 
embreagem. 
 
 
TÍTULO III 
 
DA ACESSIBILIDADE 
 
CAPÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 53. A acessibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou com 
mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus direitos de 
cidadania e de participação social. 
 
 
 
Art. 54. São sujeitas ao cumprimento das disposições desta Lei e de outras 
normas relativas à acessibilidade, sempre que houver interação com a matéria 
nela regulada: 
I - a aprovação de projeto arquitetônico e urbanístico ou de comunicação e 
informação, a fabricação de veículos de transporte coletivo, a prestação do 
respectivo serviço e a execução de qualquer tipo de obra, quando tenham 
destinação pública ou coletiva; 
II - a outorga ou a renovação de concessão, permissão, autorização ou 
habilitação de qualquer natureza; 
III - a aprovação de financiamento de projeto com utilização de recursos públicos, 
por meio de renúncia ou de incentivo fiscal, contrato, convênio ou instrumento 
congênere; e 
IV - a concessão de aval da União para obtenção de empréstimo e de 
financiamento internacionais por entes públicos ou privados. 
 
Art. 55. A concepção e a implantação de projetos que tratem do meio físico, de 
transporte, de informação e comunicação, inclusive de sistemas e tecnologias 
da informação e comunicação, e de outros serviços, equipamentos e instalações 
abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona 
urbana como na rural, devem atender aos princípios do desenho universal, tendo 
como referência as normas de acessibilidade. 
§ 1º O desenho universal será sempre tomado como regra de caráter geral. 
§ 2º Nas hipóteses em que comprovadamente o desenho universal não possa 
ser empreendido, deve ser adotada adaptação razoável. 
§ 3º Caberá ao poder público promover a inclusão de conteúdos temáticos 
referentes ao desenho universal nas diretrizes curriculares da educação 
profissional e tecnológica e do ensino superior e na formação das carreiras de 
Estado. 
§ 4º Os programas, os projetos e as linhas de pesquisa a serem desenvolvidos 
com o apoio de organismos públicos de auxílio à pesquisa e de agências de 
fomento deverão incluir temas voltados para o desenho universal. 
§ 5º Desde a etapa de concepção, as políticas públicas deverão considerar a 
adoção do desenho universal. 
 
 
 
Art. 56. A construção, a reforma, a ampliação ou a mudança de uso de 
edificações abertas ao público, de uso público ou privadas de uso coletivo 
deverão ser executadas de modo a serem acessíveis. 
§ 1º As entidades de fiscalização profissional das atividades de Engenharia, de 
Arquitetura e correlatas, ao anotarem a responsabilidade técnica de projetos, 
devem exigir a responsabilidade profissional declarada de atendimento às regras 
de acessibilidade previstas em legislação e em normas técnicas pertinentes. 
§ 2º Para a aprovação, o licenciamento ou a emissão de certificado de projeto 
executivo arquitetônico, urbanístico e de instalações e equipamentos 
temporários ou permanentes e para o licenciamento ou a emissão de certificado 
de conclusão de obra ou de serviço, deve ser atestado o atendimento às regras 
de acessibilidade. 
§ 3º O poder público, após certificar a acessibilidade de edificação ou de serviço, 
determinará a colocação, em espaços ou em locais de ampla visibilidade, do 
símbolo internacional de acesso, na forma prevista em legislação e em normas 
técnicas correlatas. 
 
Art. 57. As edificações públicas e privadas de uso coletivo já existentes devem 
garantir acessibilidade à pessoa com deficiência em todas as suas dependências 
e serviços, tendo como referência as normas de acessibilidade vigentes. 
 
Art. 58. O projeto e a construção de edificação de uso privado multifamiliar 
devem atender aos preceitos de acessibilidade, na forma regulamentar. 
§ 1º As construtoras e incorporadoras responsáveis pelo projeto e pela 
construção das edificações a que se refere o caput deste artigo devem assegurar 
percentual mínimo de suas unidades internamente acessíveis, na forma 
regulamentar. 
§ 2º É vedada a cobrança de valores adicionais para a aquisição de unidades 
internamente acessíveis a que se refere o § 1º deste artigo. 
Art. 59. Em qualquer intervenção nas vias e nos espaços públicos, o poder 
público e as empresas concessionárias responsáveis pela execução das obras 
 
 
e dos serviços devem garantir, de forma segura, a fluidez do trânsito e a livre 
circulação e acessibilidade das pessoas, durante e após sua execução. 
 
Art. 60. Orientam-se, no que couber, pelas regras de acessibilidade previstas 
em legislação e em normas técnicas, observado o disposto na Lei nº 10.098, de 
19 de dezembro de 2000, nº 10.257, de 10 de julho de 2001, e nº 12.587, de 3 
de janeiro de 2012: 
I - os planos diretores municipais, os planos diretores de transporte e trânsito, os 
planos de mobilidade urbana e os planos de preservação de sítios históricos 
elaborados ou atualizados a partir da publicação desta Lei; 
II - os códigos de obras, os códigos de postura, as leis de uso e ocupação do 
solo e as leis do sistema viário; 
III - os estudos prévios de impacto de vizinhança; 
IV - as atividades de fiscalização e a imposição de sanções; e 
V - a legislação referente à prevenção contra incêndio e pânico. 
§ 1º A concessão e a renovação de alvará de funcionamento para qualquer 
atividade são condicionadas à observação e à certificação das regras de 
acessibilidade. 
§ 2º A emissão de carta de habite-se ou de habilitação equivalente e sua 
renovação, quando esta tiver sido emitida anteriormente às exigências de 
acessibilidade, é condicionada à observação e à certificação das regras de 
acessibilidade. 
 
Art. 61. A formulação, a implementação e a manutenção das ações de 
acessibilidade atenderão às seguintes premissas básicas: 
I - eleição de prioridades, elaboração de cronograma e reserva derecursos para 
implementação das ações; e 
II - planejamento contínuo e articulado entre os setores envolvidos. 
 
 
 
Art. 62. É assegurado à pessoa com deficiência, mediante solicitação, o 
recebimento de contas, boletos, recibos, extratos e cobranças de tributos em 
formato acessível. 
 
 
 
CAPÍTULO II 
 
DO ACESSO À INFORMAÇÃO E À COMUNICAÇÃO 
 
Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por 
empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de 
governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às 
informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de 
acessibilidade adotadas internacionalmente. 
§ 1º Os sítios devem conter símbolo de acessibilidade em destaque. 
§ 2º Telecentros comunitários que receberem recursos públicos federais para 
seu custeio ou sua instalação e lan houses devem possuir equipamentos e 
instalações acessíveis. 
§ 3º Os telecentros e as lan houses de que trata o § 2º deste artigo devem 
garantir, no mínimo, 10% (dez por cento) de seus computadores com recursos 
de acessibilidade para pessoa com deficiência visual, sendo assegurado pelo 
menos 1 (um) equipamento, quando o resultado percentual for inferior a 1 (um). 
 
Art. 64. A acessibilidade nos sítios da internet de que trata o art. 63 desta Lei 
deve ser observada para obtenção do financiamento de que trata o inciso III do 
art. 54 desta Lei. 
 
Art. 65. As empresas prestadoras de serviços de telecomunicações deverão 
garantir pleno acesso à pessoa com deficiência, conforme regulamentação 
específica. 
 
 
 
Art. 66. Cabe ao poder público incentivar a oferta de aparelhos de telefonia fixa 
e móvel celular com acessibilidade que, entre outras tecnologias assistivas, 
possuam possibilidade de indicação e de ampliação sonoras de todas as 
operações e funções disponíveis. 
 
Art. 67. Os serviços de radiodifusão de sons e imagens devem permitir o uso 
dos seguintes recursos, entre outros: 
I - subtitulação por meio de legenda oculta; 
II - janela com intérprete da Libras; 
III - audiodescrição. 
 
Art. 68. O poder público deve adotar mecanismos de incentivo à produção, à 
edição, à difusão, à distribuição e à comercialização de livros em formatos 
acessíveis, inclusive em publicações da administração pública ou financiadas 
com recursos públicos, com vistas a garantir à pessoa com deficiência o direito 
de acesso à leitura, à informação e à comunicação. 
§ 1º Nos editais de compras de livros, inclusive para o abastecimento ou a 
atualização de acervos de bibliotecas em todos os níveis e modalidades de 
educação e de bibliotecas públicas, o poder público deverá adotar cláusulas de 
impedimento à participação de editoras que não ofertem sua produção também 
em formatos acessíveis. 
§ 2º Consideram-se formatos acessíveis os arquivos digitais que possam ser 
reconhecidos e acessados por softwares leitores de telas ou outras tecnologias 
assistivas que vierem a substituí-los, permitindo leitura com voz sintetizada, 
ampliação de caracteres, diferentes contrastes e impressão em Braille. 
§ 3º O poder público deve estimular e apoiar a adaptação e a produção de artigos 
científicos em formato acessível, inclusive em Libras. 
 
Art. 69. O poder público deve assegurar a disponibilidade de informações 
corretas e claras sobre os diferentes produtos e serviços ofertados, por 
quaisquer meios de comunicação empregados, inclusive em ambiente virtual, 
 
 
contendo a especificação correta de quantidade, qualidade, características, 
composição e preço, bem como sobre os eventuais riscos à saúde e à segurança 
do consumidor com deficiência, em caso de sua utilização, aplicando-se, no que 
couber, os arts. 30 a 41 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 . 
§ 1º Os canais de comercialização virtual e os anúncios publicitários veiculados 
na imprensa escrita, na internet, no rádio, na televisão e nos demais veículos de 
comunicação abertos ou por assinatura devem disponibilizar, conforme a 
compatibilidade do meio, os recursos de acessibilidade de que trata o art. 67 
desta Lei, a expensas do fornecedor do produto ou do serviço, sem prejuízo da 
observância do disposto nos arts. 36 a 38 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 
1990 . 
§ 2º Os fornecedores devem disponibilizar, mediante solicitação, exemplares de 
bulas, prospectos, textos ou qualquer outro tipo de material de divulgação em 
formato acessível. 
 
Art. 70. As instituições promotoras de congressos, seminários, oficinas e demais 
eventos de natureza científico-cultural devem oferecer à pessoa com deficiência, 
no mínimo, os recursos de tecnologia assistiva previstos no art. 67 desta Lei. 
 
Art. 71. Os congressos, os seminários, as oficinas e os demais eventos de 
natureza científico-cultural promovidos ou financiados pelo poder público devem 
garantir as condições de acessibilidade e os recursos de tecnologia assistiva. 
 
Art. 72. Os programas, as linhas de pesquisa e os projetos a serem 
desenvolvidos com o apoio de agências de financiamento e de órgãos e 
entidades integrantes da administração pública que atuem no auxílio à pesquisa 
devem contemplar temas voltados à tecnologia assistiva. 
 
Art. 73. Caberá ao poder público, diretamente ou em parceria com organizações 
da sociedade civil, promover a capacitação de tradutores e intérpretes da Libras, 
de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, audiodescrição, 
estenotipia e legendagem. 
 
 
 
CAPÍTULO III 
 
DA TECNOLOGIA ASSISTIVA 
 
Art. 74. É garantido à pessoa com deficiência acesso a produtos, recursos, 
estratégias, práticas, processos, métodos e serviços de tecnologia assistiva que 
maximizem sua autonomia, mobilidade pessoal e qualidade de vida. 
 
Art. 75. O poder público desenvolverá plano específico de medidas, a ser 
renovado em cada período de 4 (quatro) anos, com a finalidade de: 
I - facilitar o acesso a crédito especializado, inclusive com oferta de linhas de 
crédito subsidiadas, específicas para aquisição de tecnologia assistiva; 
II - agilizar, simplificar e priorizar procedimentos de importação de tecnologia 
assistiva, especialmente as questões atinentes a procedimentos alfandegários e 
sanitários; 
III - criar mecanismos de fomento à pesquisa e à produção nacional de tecnologia 
assistiva, inclusive por meio de concessão de linhas de crédito subsidiado e de 
parcerias com institutos de pesquisa oficiais; 
IV - eliminar ou reduzir a tributação da cadeia produtiva e de importação de 
tecnologia assistiva; 
V - facilitar e agilizar o processo de inclusão de novos recursos de tecnologia 
assistiva no rol de produtos distribuídos no âmbito do SUS e por outros órgãos 
governamentais. 
Parágrafo único. Para fazer cumprir o disposto neste artigo, os procedimentos 
constantes do plano específico de medidas deverão ser avaliados, pelo menos, 
a cada 2 (dois) anos. 
 
CAPÍTULO IV 
 
DO DIREITO À PARTICIPAÇÃO NA VIDA PÚBLICA E POLÍTICA 
 
 
 
Art. 76. O poder público deve garantir à pessoa com deficiência todos os direitos 
políticos e a oportunidade de exercê-los em igualdade de condições com as 
demais pessoas. 
§ 1º À pessoa com deficiência será assegurado o direito de votar e de ser votada, 
inclusive por meio das seguintes ações: 
I - garantia de que os procedimentos, as instalações, os materiais e os 
equipamentos para votação sejam apropriados, acessíveis a todas as pessoas 
e de fácil compreensão e uso, sendo vedada a instalação de seções eleitorais 
exclusivas para a pessoa com deficiência; 
II - incentivo à pessoa com deficiência a candidatar-se e a desempenharquaisquer funções públicas em todos os níveis de governo, inclusive por meio 
do uso de novas tecnologias assistivas, quando apropriado; 
III - garantia de que os pronunciamentos oficiais, a propaganda eleitoral 
obrigatória e os debates transmitidos pelas emissoras de televisão possuam, 
pelo menos, os recursos elencados no art. 67 desta Lei; 
IV - garantia do livre exercício do direito ao voto e, para tanto, sempre que 
necessário e a seu pedido, permissão para que a pessoa com deficiência seja 
auxiliada na votação por pessoa de sua escolha. 
§ 2º O poder público promoverá a participação da pessoa com deficiência, 
inclusive quando institucionalizada, na condução das questões públicas, sem 
discriminação e em igualdade de oportunidades, observado o seguinte: 
I - participação em organizações não governamentais relacionadas à vida 
pública e à política do País e em atividades e administração de partidos políticos; 
II - formação de organizações para representar a pessoa com deficiência em 
todos os níveis; 
III - participação da pessoa com deficiência em organizações que a representem. 
 
 
 
TÍTULO IV 
 
 
 
DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
 
Art. 77. O poder público deve fomentar o desenvolvimento científico, a pesquisa 
e a inovação e a capacitação tecnológicas, voltados à melhoria da qualidade de 
vida e ao trabalho da pessoa com deficiência e sua inclusão social. 
§ 1º O fomento pelo poder público deve priorizar a geração de conhecimentos e 
técnicas que visem à prevenção e ao tratamento de deficiências e ao 
desenvolvimento de tecnologias assistiva e social. 
§ 2º A acessibilidade e as tecnologias assistiva e social devem ser fomentadas 
mediante a criação de cursos de pós-graduação, a formação de recursos 
humanos e a inclusão do tema nas diretrizes de áreas do conhecimento. 
§ 3º Deve ser fomentada a capacitação tecnológica de instituições públicas e 
privadas para o desenvolvimento de tecnologias assistiva e social que sejam 
voltadas para melhoria da funcionalidade e da participação social da pessoa com 
deficiência. 
§ 4º As medidas previstas neste artigo devem ser reavaliadas periodicamente 
pelo poder público, com vistas ao seu aperfeiçoamento. 
 
Art. 78. Devem ser estimulados a pesquisa, o desenvolvimento, a inovação e a 
difusão de tecnologias voltadas para ampliar o acesso da pessoa com deficiência 
às tecnologias da informação e comunicação e às tecnologias sociais. 
Parágrafo único. Serão estimulados, em especial: 
I - o emprego de tecnologias da informação e comunicação como instrumento de 
superação de limitações funcionais e de barreiras à comunicação, à informação, 
à educação e ao entretenimento da pessoa com deficiência; 
II - a adoção de soluções e a difusão de normas que visem a ampliar a 
acessibilidade da pessoa com deficiência à computação e aos sítios da internet, 
em especial aos serviços de governo eletrônico. 
 
LIVRO II 
 
 
 
PARTE ESPECIAL 
 
TÍTULO I 
DO ACESSO À JUSTIÇA 
 
CAPÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 79. O poder público deve assegurar o acesso da pessoa com deficiência à 
justiça, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, garantindo, 
sempre que requeridos, adaptações e recursos de tecnologia assistiva. 
§ 1º A fim de garantir a atuação da pessoa com deficiência em todo o processo 
judicial, o poder público deve capacitar os membros e os servidores que atuam 
no Poder Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria Pública, nos órgãos de 
segurança pública e no sistema penitenciário quanto aos direitos da pessoa com 
deficiência. 
§ 2º Devem ser assegurados à pessoa com deficiência submetida a medida 
restritiva de liberdade todos os direitos e garantias a que fazem jus os apenados 
sem deficiência, garantida a acessibilidade. 
§ 3º A Defensoria Pública e o Ministério Público tomarão as medidas necessárias 
à garantia dos direitos previstos nesta Lei. 
 
Art. 80. Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva 
disponíveis para que a pessoa com deficiência tenha garantido o acesso à 
justiça, sempre que figure em um dos polos da ação ou atue como testemunha, 
partícipe da lide posta em juízo, advogado, defensor público, magistrado ou 
membro do Ministério Público. 
 
 
Parágrafo único. A pessoa com deficiência tem garantido o acesso ao conteúdo 
de todos os atos processuais de seu interesse, inclusive no exercício da 
advocacia. 
 
Art. 81. Os direitos da pessoa com deficiência serão garantidos por ocasião da 
aplicação de sanções penais. 
 
Art. 82. (VETADO). 
 
Art. 83. Os serviços notariais e de registro não podem negar ou criar óbices ou 
condições diferenciadas à prestação de seus serviços em razão de deficiência 
do solicitante, devendo reconhecer sua capacidade legal plena, garantida a 
acessibilidade. 
Parágrafo único. O descumprimento do disposto no caput deste artigo constitui 
discriminação em razão de deficiência. 
 
CAPÍTULO II 
 
DO RECONHECIMENTO IGUAL PERANTE A LEI 
 
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua 
capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. 
§ 1º Quando necessário, a pessoa com deficiência será submetida à curatela, 
conforme a lei. 
§ 2º É facultado à pessoa com deficiência a adoção de processo de tomada de 
decisão apoiada. 
§ 3º A definição de curatela de pessoa com deficiência constitui medida protetiva 
extraordinária, proporcional às necessidades e às circunstâncias de cada caso, 
e durará o menor tempo possível. 
 
 
§ 4º Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas de sua 
administração ao juiz, apresentando o balanço do respectivo ano. 
 
Art. 85. A curatela afetará tão somente os atos relacionados aos direitos de 
natureza patrimonial e negocial. 
§ 1º A definição da curatela não alcança o direito ao próprio corpo, à sexualidade, 
ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde, ao trabalho e ao voto. 
§ 2º A curatela constitui medida extraordinária, devendo constar da sentença as 
razões e motivações de sua definição, preservados os interesses do curatelado. 
§ 3º No caso de pessoa em situação de institucionalização, ao nomear curador, 
o juiz deve dar preferência a pessoa que tenha vínculo de natureza familiar, 
afetiva ou comunitária com o curatelado. 
 
Art. 86. Para emissão de documentos oficiais, não será exigida a situação de 
curatela da pessoa com deficiência. 
 
Art. 87. Em casos de relevância e urgência e a fim de proteger os interesses da 
pessoa com deficiência em situação de curatela, será lícito ao juiz, ouvido o 
Ministério Público, de oficio ou a requerimento do interessado, nomear, desde 
logo, curador provisório, o qual estará sujeito, no que couber, às disposições do 
Código de Processo Civil. 
 
TÍTULO II 
 
DOS CRIMES E DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS 
 
Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua 
deficiência: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
 
 
§ 1º Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se a vítima encontrar-se sob cuidado 
e responsabilidade do agente. 
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido por 
intermédio de meios de comunicação social ou de publicação de qualquer 
natureza: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
§ 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o 
Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena 
de desobediência: 
I - recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material 
discriminatório; 
II - interdição das respectivas mensagensou páginas de informação na internet. 
§ 4º Na hipótese do § 2º deste artigo, constitui efeito da condenação, após o 
trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. 
 
Art. 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios, 
remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido: 
I - por tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou 
depositário judicial; ou 
II - por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de profissão. 
 
Art. 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, 
entidades de abrigamento ou congêneres: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa. 
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as necessidades 
básicas de pessoa com deficiência quando obrigado por lei ou mandado. 
 
 
 
Art. 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qualquer meio eletrônico ou 
documento de pessoa com deficiência destinados ao recebimento de benefícios, 
proventos, pensões ou remuneração ou à realização de operações financeiras, 
com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido 
por tutor ou curador. 
 
TÍTULO III 
 
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
 
Art. 92. É criado o Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência 
(Cadastro-Inclusão), registro público eletrônico com a finalidade de coletar, 
processar, sistematizar e disseminar informações georreferenciadas que 
permitam a identificação e a caracterização socioeconômica da pessoa com 
deficiência, bem como das barreiras que impedem a realização de seus direitos. 
§ 1º O Cadastro-Inclusão será administrado pelo Poder Executivo federal e 
constituído por base de dados, instrumentos, procedimentos e sistemas 
eletrônicos. 
§ 2º Os dados constituintes do Cadastro-Inclusão serão obtidos pela integração 
dos sistemas de informação e da base de dados de todas as políticas públicas 
relacionadas aos direitos da pessoa com deficiência, bem como por informações 
coletadas, inclusive em censos nacionais e nas demais pesquisas realizadas no 
País, de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Convenção sobre os 
Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. 
§ 3º Para coleta, transmissão e sistematização de dados, é facultada a 
celebração de convênios, acordos, termos de parceria ou contratos com 
instituições públicas e privadas, observados os requisitos e procedimentos 
previstos em legislação específica. 
§ 4º Para assegurar a confidencialidade, a privacidade e as liberdades 
fundamentais da pessoa com deficiência e os princípios éticos que regem a 
 
 
utilização de informações, devem ser observadas as salvaguardas estabelecidas 
em lei. 
§ 5º Os dados do Cadastro-Inclusão somente poderão ser utilizados para as 
seguintes finalidades: 
I - formulação, gestão, monitoramento e avaliação das políticas públicas para a 
pessoa com deficiência e para identificar as barreiras que impedem a realização 
de seus direitos; 
II - realização de estudos e pesquisas. 
§ 6º As informações a que se refere este artigo devem ser disseminadas em 
formatos acessíveis. 
 
Art. 93. Na realização de inspeções e de auditorias pelos órgãos de controle 
interno e externo, deve ser observado o cumprimento da legislação relativa à 
pessoa com deficiência e das normas de acessibilidade vigentes. 
 
Art. 94. Terá direito a auxílio-inclusão, nos termos da lei, a pessoa com 
deficiência moderada ou grave que: 
I - receba o benefício de prestação continuada previsto no art. 20 da Lei nº 8.742, 
de 7 de dezembro de 1993, e que passe a exercer atividade remunerada que a 
enquadre como segurado obrigatório do RGPS; 
II - tenha recebido, nos últimos 5 (cinco) anos, o benefício de prestação 
continuada previsto no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e que 
exerça atividade remunerada que a enquadre como segurado obrigatório do 
RGPS. 
 
Art. 95. É vedado exigir o comparecimento de pessoa com deficiência perante 
os órgãos públicos quando seu deslocamento, em razão de sua limitação 
funcional e de condições de acessibilidade, imponha-lhe ônus desproporcional e 
indevido, hipótese na qual serão observados os seguintes procedimentos: 
I - quando for de interesse do poder público, o agente promoverá o contato 
necessário com a pessoa com deficiência em sua residência; 
 
 
II - quando for de interesse da pessoa com deficiência, ela apresentará 
solicitação de atendimento domiciliar ou fará representar-se por procurador 
constituído para essa finalidade. 
Parágrafo único. É assegurado à pessoa com deficiência atendimento domiciliar 
pela perícia médica e social do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pelo 
serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde, contratado ou 
conveniado, que integre o SUS e pelas entidades da rede socioassistencial 
integrantes do Suas, quando seu deslocamento, em razão de sua limitação 
funcional e de condições de acessibilidade, imponha-lhe ônus desproporcional e 
indevido. 
 
Art. 96. O § 6º -A do art. 135 da Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código 
Eleitoral) , passa a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 135. ................................................................. 
........................................................................................ 
§ 6º -A. Os Tribunais Regionais Eleitorais deverão, a cada eleição, expedir 
instruções aos Juízes Eleitorais para orientá-los na escolha dos locais de 
votação, de maneira a garantir acessibilidade para o eleitor com deficiência ou 
com mobilidade reduzida, inclusive em seu entorno e nos sistemas de transporte 
que lhe dão acesso. 
....................................................................................” (NR) 
 
Art. 97. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei 
nº 5.452, de 1º de maio de 1943 , passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 428. .................................................................. 
........................................................................................... 
§ 6º Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade 
de aprendiz com deficiência deve considerar, sobretudo, as habilidades e 
competências relacionadas com a profissionalização. 
........................................................................................... 
§ 8º Para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade 
do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matrícula e 
 
 
frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de 
entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica.” (NR) 
“Art. 433. .................................................................. 
........................................................................................... 
 
I - desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz, salvo para o aprendiz 
com deficiência quando desprovido de recursos de acessibilidade, de 
tecnologias assistivas e de apoio necessário ao desempenho de suas atividades; 
..................................................................................” (NR) 
 
Art. 98. A Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989 , passa a vigorar com as 
seguintes alterações: 
“Art. 3º As medidas judiciais destinadas à proteção de interesses coletivos, 
difusos, individuais homogêneos e individuaisindisponíveis da pessoa com 
deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela Defensoria 
Pública, pela União, pelos Estados, pelos Municípios, pelo Distrito Federal, por 
associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos termos da lei civil, por 
autarquia, por empresa pública e por fundação ou sociedade de economia mista 
que inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção dos interesses e a 
promoção de direitos da pessoa com deficiência. 
.................................................................................” (NR) 
“Art. 8º Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa: 
I - recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer 
cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou 
grau, público ou privado, em razão de sua deficiência; 
II - obstar inscrição em concurso público ou acesso de alguém a qualquer cargo 
ou emprego público, em razão de sua deficiência; 
III - negar ou obstar emprego, trabalho ou promoção à pessoa em razão de sua 
deficiência; 
IV - recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar assistência 
médico-hospitalar e ambulatorial à pessoa com deficiência; 
 
 
V - deixar de cumprir, retardar ou frustrar execução de ordem judicial expedida 
na ação civil a que alude esta Lei; 
VI - recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da 
ação civil pública objeto desta Lei, quando requisitados. 
§ 1º Se o crime for praticado contra pessoa com deficiência menor de 18 
(dezoito) anos, a pena é agravada em 1/3 (um terço). 
§ 2º A pena pela adoção deliberada de critérios subjetivos para indeferimento de 
inscrição, de aprovação e de cumprimento de estágio probatório em concursos 
públicos não exclui a responsabilidade patrimonial pessoal do administrador 
público pelos danos causados. 
§ 3º Incorre nas mesmas penas quem impede ou dificulta o ingresso de pessoa 
com deficiência em planos privados de assistência à saúde, inclusive com 
cobrança de valores diferenciados. 
§ 4º Se o crime for praticado em atendimento de urgência e emergência, a pena 
é agravada em 1/3 (um terço).” (NR) 
 
Art. 99. O art. 20 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 , passa a vigorar 
acrescido do seguinte inciso XVIII: 
“Art. 20. ...................................................................... 
.............................................................................................. 
XVIII - quando o trabalhador com deficiência, por prescrição, necessite adquirir 
órtese ou prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão social. 
..................................................................................” (NR) 
 
Art. 100. A Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do 
Consumidor) , passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 6º ....................................................................... 
............................................................................................ 
Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo deve 
ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto em regulamento.” 
(NR) 
 
 
“Art. 43. ...................................................................... 
............................................................................................ 
§ 6º Todas as informações de que trata o caput deste artigo devem ser 
disponibilizadas em formatos acessíveis, inclusive para a pessoa com 
deficiência, mediante solicitação do consumidor.” (NR) 
 
Art. 101. A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 , passa a vigorar com as 
seguintes alterações: 
“Art. 16. ...................................................................... 
I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de 
qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha 
deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; 
............................................................................................ 
III - o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) 
anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência 
grave; 
.................................................................................” (NR) 
“Art. 77. ..................................................................... 
............................................................................................ 
§ 2º .............................................................................. 
............................................................................................ 
II - para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela 
emancipação ou ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido 
ou tiver deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; 
................................................................................... 
§ 4º (VETADO). 
...................................................................................” (NR) 
“Art. 93. (VETADO): 
I - (VETADO); 
 
 
II - (VETADO); 
III - (VETADO); 
IV - (VETADO); 
V - (VETADO). 
§ 1º A dispensa de pessoa com deficiência ou de beneficiário reabilitado da 
Previdência Social ao final de contrato por prazo determinado de mais de 90 
(noventa) dias e a dispensa imotivada em contrato por prazo indeterminado 
somente poderão ocorrer após a contratação de outro trabalhador com 
deficiência ou beneficiário reabilitado da Previdência Social. 
§ 2º Ao Ministério do Trabalho e Emprego incumbe estabelecer a sistemática de 
fiscalização, bem como gerar dados e estatísticas sobre o total de empregados 
e as vagas preenchidas por pessoas com deficiência e por beneficiários 
reabilitados da Previdência Social, fornecendo-os, quando solicitados, aos 
sindicatos, às entidades representativas dos empregados ou aos cidadãos 
interessados. 
§ 3º Para a reserva de cargos será considerada somente a contratação direta de 
pessoa com deficiência, excluído o aprendiz com deficiência de que trata a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, 
de 1º de maio de 1943. 
§ 4º (VETADO).” (NR) 
“Art. 110-A. No ato de requerimento de benefícios operacionalizados pelo INSS, 
não será exigida apresentação de termo de curatela de titular ou de beneficiário 
com deficiência, observados os procedimentos a serem estabelecidos em 
regulamento.” 
Art. 102. O art. 2º da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, passa a vigorar 
acrescido do seguinte § 3º : 
“Art. 2º ......................................................................... 
............................................................................................. 
§ 3º Os incentivos criados por esta Lei somente serão concedidos a projetos 
culturais que forem disponibilizados, sempre que tecnicamente possível, 
também em formato acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto 
em regulamento.” (NR) 
 
 
 
Art. 103. O art. 11 da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, passa a vigorar 
acrescido do seguinte inciso IX: 
“Art. 11. ..................................................................... 
............................................................................................ 
IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na 
legislação.” (NR) 
 
Art. 104. A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, passa a vigorar com as 
seguintes alterações: 
“Art. 3º ..................................................................... 
..........................................................................................§ 2º ........................................................................... 
.......................................................................................... 
 
V - produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de 
reserva de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado 
da Previdência Social e que atendam às regras de acessibilidade previstas na 
legislação. 
........................................................................................... 
 
§ 5º Nos processos de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência 
para: 
I - produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a normas 
técnicas brasileiras; e 
II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem 
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência 
ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às regras de 
acessibilidade previstas na legislação. 
 
 
...................................................................................” (NR) 
“Art. 66-A. As empresas enquadradas no inciso V do § 2º e no inciso II do § 5º 
do art. 3º desta Lei deverão cumprir, durante todo o período de execução do 
contrato, a reserva de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou 
para reabilitado da Previdência Social, bem como as regras de acessibilidade 
previstas na legislação. 
Parágrafo único. Cabe à administração fiscalizar o cumprimento dos requisitos 
de acessibilidade nos serviços e nos ambientes de trabalho.” 
 
Art. 105. O art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 , passa a vigorar 
com as seguintes alterações: 
“Art. 20. ...................................................................... 
............................................................................................. 
§ 2º Para efeito de concessão do benefício de prestação continuada, considera-
se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma 
ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdade de condições com as demais pessoas. 
............................................................................................ 
§ 9º Os rendimentos decorrentes de estágio supervisionado e de aprendizagem 
não serão computados para os fins de cálculo da renda familiar per capita a que 
se refere o § 3º deste artigo. 
............................................................................................. 
§ 11. Para concessão do benefício de que trata o caput deste artigo, poderão ser 
utilizados outros elementos probatórios da condição de miserabilidade do grupo 
familiar e da situação de vulnerabilidade, conforme regulamento.” (NR) 
 
Art. 106. (VETADO). 
 
Art. 107. A Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995, passa a vigorar com as seguintes 
alterações: 
 
 
“Art. 1º É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para 
efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de 
sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação 
profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de 
proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da 
Constituição Federal. ” (NR) 
“Art. 3º Sem prejuízo do prescrito no art. 2º desta Lei e nos dispositivos legais 
que tipificam os crimes resultantes de preconceito de etnia, raça, cor ou 
deficiência, as infrações ao disposto nesta Lei são passíveis das seguintes 
cominações: 
..................................................................................” (NR) 
“Art. 4º ........................................................................ 
 
I - a reintegração com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, 
mediante pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente e 
acrescidas de juros legais; 
....................................................................................” (NR) 
 
Art. 108. O art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , passa a vigorar 
acrescido do seguinte § 5º : 
“Art. 35. ...................................................................... 
............................................................................................. 
§ 5º Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3º da Lei 
nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 , a pessoa com deficiência, ou o contribuinte 
que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida 
no inciso III do art. 4º e na alínea “c” do inciso II do art. 8º .” (NR) 
 
Art. 109. A Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito 
Brasileiro) , passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 2º ........................................................... 
 
 
Parágrafo único. Para os efeitos deste Código, são consideradas vias terrestres 
as praias abertas à circulação pública, as vias internas pertencentes aos 
condomínios constituídos por unidades autônomas e as vias e áreas de 
estacionamento de estabelecimentos privados de uso coletivo.” (NR) 
“Art. 86-A. As vagas de estacionamento regulamentado de que trata o inciso XVII 
do art. 181 desta Lei deverão ser sinalizadas com as respectivas placas 
indicativas de destinação e com placas informando os dados sobre a infração 
por estacionamento indevido.” 
“Art. 147-A. Ao candidato com deficiência auditiva é assegurada acessibilidade 
de comunicação, mediante emprego de tecnologias assistivas ou de ajudas 
técnicas em todas as etapas do processo de habilitação. 
§ 1º O material didático audiovisual utilizado em aulas teóricas dos cursos que 
precedem os exames previstos no art. 147 desta Lei deve ser acessível, por meio 
de subtitulação com legenda oculta associada à tradução simultânea em Libras. 
§ 2º É assegurado também ao candidato com deficiência auditiva requerer, no 
ato de sua inscrição, os serviços de intérprete da Libras, para acompanhamento 
em aulas práticas e teóricas.” 
“Art. 154. (VETADO).” 
“Art. 181. ................................................................... 
.......................................................................................... 
XVII - ......................................................................... 
Infração - grave; 
.................................................................................” (NR) 
 
Art. 110. O inciso VI e o § 1º do art. 56 da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, 
passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 56. .................................................................... 
........................................................................................... 
VI - 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) da arrecadação bruta dos 
concursos de prognósticos e loterias federais e similares cuja realização estiver 
 
 
sujeita a autorização federal, deduzindo-se esse valor do montante destinado 
aos prêmios; 
............................................................................................. 
§ 1º Do total de recursos financeiros resultantes do percentual de que trata o 
inciso VI do caput , 62,96% (sessenta e dois inteiros e noventa e seis centésimos 
por cento) serão destinados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e 37,04% 
(trinta e sete inteiros e quatro centésimos por cento) ao Comitê Paralímpico 
Brasileiro (CPB), devendo ser observado, em ambos os casos, o conjunto de 
normas aplicáveis à celebração de convênios pela União. 
..................................................................................” (NR) 
 
Art. 111.O art. 1º da Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000 , passa a vigorar 
com a seguinte redação: 
“Art. 1º As pessoas com deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos, as gestantes, as lactantes, as pessoas com crianças de colo e 
os obesos terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei.” (NR) 
 
Art. 112. A Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000 , passa a vigorar com as 
seguintes alterações: 
“Art. 2º ....................................................................... 
I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com 
segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, 
edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e 
tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de 
uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por 
pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; 
II - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite 
ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o 
exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de 
expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à 
circulação com segurança, entre outros, classificadas em: 
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e 
privados abertos ao público ou de uso coletivo; 
 
 
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; 
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; 
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, 
atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o 
recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de 
comunicação e de tecnologia da informação; 
III - pessoa com deficiência: aquela que tem impedimento de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma 
ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdade de condições com as demais pessoas; 
IV - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, 
dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução 
efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, 
incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso; 
V - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo 
ou não desempenhar as funções de atendente pessoal; 
VI - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, 
tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para 
esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços 
de comunicação, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que 
materializam as indicações do planejamento urbanístico; 
VII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços 
públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de 
edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque 
alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de 
sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às 
telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, 
quiosques e quaisquer outros de natureza análoga; 
VIII - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, 
recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover 
a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com 
deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, 
independência, qualidade de vida e inclusão social; 
 
 
IX - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras 
opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a 
visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação 
tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a 
linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz 
digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de 
comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; 
X - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços 
a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de 
projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.” (NR) 
“Art. 3º O planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques e dos 
demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de forma 
a torná-los acessíveis para todas as pessoas, inclusive para aquelas com 
deficiência ou com mobilidade reduzida. 
Parágrafo único. O passeio público, elemento obrigatório de urbanização e parte 
da via pública, normalmente segregado e em nível diferente, destina-se somente 
à circulação de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano 
e de vegetação.” (NR) 
“Art. 9º ........................................................................ 
Parágrafo único. Os semáforos para pedestres instalados em vias públicas de 
grande circulação, ou que deem acesso aos serviços de reabilitação, devem 
obrigatoriamente estar equipados com mecanismo que emita sinal sonoro suave 
para orientação do pedestre.” (NR) 
“Art. 10-A. A instalação de qualquer mobiliário urbano em área de circulação 
comum para pedestre que ofereça risco de acidente à pessoa com deficiência 
deverá ser indicada mediante sinalização tátil de alerta no piso, de acordo com 
as normas técnicas pertinentes.” 
“Art. 12-A. Os centros comerciais e os estabelecimentos congêneres devem 
fornecer carros e cadeiras de rodas, motorizados ou não, para o atendimento da 
pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.” 
 
Art. 113. A Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade) , passa a 
vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 3º ...................................................................... 
 
 
............................................................................................ 
III - promover, por iniciativa própria e em conjunto com os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios, programas de construção de moradias e melhoria das 
condições habitacionais, de saneamento básico, das calçadas, dos passeios 
públicos, do mobiliário urbano e dos demais espaços de uso público; 
IV - instituir diretrizes para desenvolvimento urbano, inclusive habitação, 
saneamento básico, transporte e mobilidade urbana, que incluam regras de 
acessibilidade aos locais de uso público; 
.................................................................................” (NR) 
“Art. 41. .................................................................... 
........................................................................................... 
§ 3º As cidades de que trata o caput deste artigo devem elaborar plano de rotas 
acessíveis, compatível com o plano diretor no qual está inserido, que disponha 
sobre os passeios públicos a serem implantados ou reformados pelo poder 
público, com vistas a garantir acessibilidade da pessoa com deficiência ou com 
mobilidade reduzida a todas as rotas e vias existentes, inclusive as que 
concentrem os focos geradores de maior circulação de pedestres, como os 
órgãos públicos e os locais de prestação de serviços públicos e privados de 
saúde, educação, assistência social, esporte, cultura, correios e telégrafos, 
bancos, entre outros, sempre que possível de maneira integrada com os 
sistemas de transporte coletivo depassageiros.” (NR) 
 
Art. 114. A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) , passa a 
vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida 
civil os menores de 16 (dezesseis) anos. 
I - (Revogado); 
II - (Revogado); 
III - (Revogado).” (NR) 
“Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: 
..................................................................................... 
 
 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; 
............................................................................................. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação 
especial.” (NR) 
“Art. 228. ..................................................................... 
............................................................................................. 
II - (Revogado); 
III - (Revogado); 
............................................................................................. 
§ 1º .............................................................................. 
§ 2º A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições 
com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia 
assistiva.” (NR) 
“Art. 1.518 . Até a celebração do casamento podem os pais ou tutores revogar a 
autorização.” (NR) 
“Art. 1.548. ................................................................... 
I - (Revogado); 
....................................................................................” (NR) 
“Art. 1.550. .................................................................. 
............................................................................................. 
§ 1º .............................................................................. 
§ 2º A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá 
contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu 
responsável ou curador.” (NR) 
“Art. 1.557. ................................................................ 
............................................................................................ 
 
 
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não 
caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por 
herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua 
descendência; 
IV - (Revogado).” (NR) 
“Art. 1.767. .................................................................. 
I - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; 
II - (Revogado); 
III - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
IV - (Revogado); 
....................................................................................” (NR) 
“Art. 1.768. O processo que define os termos da curatela deve ser promovido: 
............................................................................................. 
IV - pela própria pessoa.” (NR) 
“Art. 1.769 . O Ministério Público somente promoverá o processo que define os 
termos da curatela: 
I - nos casos de deficiência mental ou intelectual; 
............................................................................................ 
III - se, existindo, forem menores ou incapazes as pessoas mencionadas no 
inciso II.” (NR) 
“Art. 1.771. Antes de se pronunciar acerca dos termos da curatela, o juiz, que 
deverá ser assistido por equipe multidisciplinar, entrevistará pessoalmente o 
interditando.” (NR) 
“Art. 1.772. O juiz determinará, segundo as potencialidades da pessoa, os limites 
da curatela, circunscritos às restrições constantes do art. 1.782, e indicará 
curador. 
Parágrafo único. Para a escolha do curador, o juiz levará em conta a vontade e 
as preferências do interditando, a ausência de conflito de interesses e de 
 
 
influência indevida, a proporcionalidade e a adequação às circunstâncias da 
pessoa.” (NR) 
“Art. 1.775-A . Na nomeação de curador para a pessoa com deficiência, o juiz 
poderá estabelecer curatela compartilhada a mais de uma pessoa.” 
“Art. 1.777. As pessoas referidas no inciso I do art. 1.767 receberão todo o apoio 
necessário para ter preservado o direito à convivência familiar e comunitária, 
sendo evitado o seu recolhimento em estabelecimento que os afaste desse 
convívio.” (NR) 
 
Art. 115. O Título IV do Livro IV da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil) , passa a vigorar com a seguinte redação: 
“TÍTULO IV 
Da Tutela, da Curatela e da Tomada de Decisão Apoiada” 
 
Art. 116. O Título IV do Livro IV da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil), passa a vigorar acrescido do seguinte Capítulo 
III: 
“CAPÍTULO III 
Da Tomada de Decisão Apoiada 
Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com 
deficiência elege pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as quais mantenha 
vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de 
decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações 
necessários para que possa exercer sua capacidade. 
§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com 
deficiência e os apoiadores devem apresentar termo em que constem os limites 
do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo 
de vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da 
pessoa que devem apoiar. 
§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser 
apoiada, com indicação expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio 
previsto no caput deste artigo. 
 
 
§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o 
juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após oitiva do Ministério Público, ouvirá 
pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio. 
§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, 
sem restrições, desde que esteja inserida nos limites do apoio acordado. 
§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode 
solicitar que os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, 
por escrito, sua função em relação ao apoiado. 
§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, 
havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, 
deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão. 
§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou não 
adimplir as obrigações assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer pessoa 
apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz. 
§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará, ouvida a 
pessoa apoiada e se for de seu interesse, outra pessoa para prestação de apoio. 
§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo 
firmado em processo de tomada de decisão apoiada. 
§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação do 
processo de tomada de decisão apoiada, sendo seu desligamento condicionado 
à manifestação do juiz sobre a matéria. 
§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições 
referentes à prestação de contas na curatela.” 
 
Art. 117. O art. 1º da Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, passa a vigorar com 
a seguinte redação: 
“Art. 1º É assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia 
o direito de ingressar e de permanecercom o animal em todos os meios de 
transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados 
de uso coletivo, desde que observadas as condições impostas por esta Lei. 
............................................................................................. 
 
 
§ 2º O disposto no caput deste artigo aplica-se a todas as modalidades e 
jurisdições do serviço de transporte coletivo de passageiros, inclusive em esfera 
internacional com origem no território brasileiro.” (NR) 
 
Art. 118. O inciso IV do art. 46 da Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009, passa 
a vigorar acrescido da seguinte alínea “k”: 
“Art. 46. ...................................................................... 
........................................................................................... 
IV - .............................................................................. 
........................................................................................... 
k) de acessibilidade a todas as pessoas. 
.................................................................................” (NR) 
 
Art. 119. A Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, passa a vigorar acrescida do 
seguinte art. 12-B: 
“Art. 12-B. Na outorga de exploração de serviço de táxi, reservar-se-ão 10% (dez 
por cento) das vagas para condutores com deficiência. 
§ 1º Para concorrer às vagas reservadas na forma do caput deste artigo, o 
condutor com deficiência deverá observar os seguintes requisitos quanto ao 
veículo utilizado: 
I - ser de sua propriedade e por ele conduzido; e 
II - estar adaptado às suas necessidades, nos termos da legislação vigente. 
§ 2º No caso de não preenchimento das vagas na forma estabelecida no caput 
deste artigo, as remanescentes devem ser disponibilizadas para os demais 
concorrentes.” 
 
Art. 120. Cabe aos órgãos competentes, em cada esfera de governo, a 
elaboração de relatórios circunstanciados sobre o cumprimento dos prazos 
estabelecidos por força das Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, e nº 
10.098, de 19 de dezembro de 2000 , bem como o seu encaminhamento ao 
 
 
Ministério Público e aos órgãos de regulação para adoção das providências 
cabíveis. 
Parágrafo único. Os relatórios a que se refere o caput deste artigo deverão ser 
apresentados no prazo de 1 (um) ano a contar da entrada em vigor desta Lei. 
 
Art. 121. Os direitos, os prazos e as obrigações previstos nesta Lei não excluem 
os já estabelecidos em outras legislações, inclusive em pactos, tratados, 
convenções e declarações internacionais aprovados e promulgados pelo 
Congresso Nacional, e devem ser aplicados em conformidade com as demais 
normas internas e acordos internacionais vinculantes sobre a matéria. 
Parágrafo único. Prevalecerá a norma mais benéfica à pessoa com deficiência. 
 
Art. 122. Regulamento disporá sobre a adequação do disposto nesta Lei ao 
tratamento diferenciado, simplificado e favorecido a ser dispensado às 
microempresas e às empresas de pequeno porte, previsto no § 3º do art. 1º da 
Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 
 
Art. 123. Revogam-se os seguintes dispositivos: (Vigência) 
I - o inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995; 
II - os incisos I, II e III do art. 3º da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código 
Civil); 
III - os incisos II e III do art. 228 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil); 
IV - o inciso I do art. 1.548 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código 
Civil); 
V - o inciso IV do art. 1.557 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código 
Civil); 
VI - os incisos II e IV do art. 1.767 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil); 
VII - os arts. 1.776 e 1.780 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código 
Civil). 
 
 
 
Art. 124. O § 1º do art. 2º desta Lei deverá entrar em vigor em até 2 (dois) anos, 
contados da entrada em vigor desta Lei. 
 
Art. 125. Devem ser observados os prazos a seguir discriminados, a partir da 
entrada em vigor desta Lei, para o cumprimento dos seguintes dispositivos: 
I - incisos I e II do § 2º do art. 28 , 48 (quarenta e oito) meses; 
II - § 6º do art. 44 , 48 (quarenta e oito) meses; 
III - art. 45 , 24 (vinte e quatro) meses; 
IV - art. 49 , 48 (quarenta e oito) meses. 
 
Art. 126. Prorroga-se até 31 de dezembro de 2021 a vigência da Lei nº 8.989, 
de 24 de fevereiro de 1995. 
 
Art. 127. Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias de 
sua publicação oficial. 
 
Brasília, 6 de julho de 2015; 194º da Independência e 127º da República. 
DILMA ROUSSEF 
Marivaldo de Castro Pereira 
Joaquim Vieira Ferreira Levy 
Renato Janine Ribeiro 
Armando Monteiro 
Nelson Barbosa 
Gilberto Kassab 
Luis Inácio Lucena Adams 
Gilberto José Spier Vargas 
 
 
Guilherme Afif Domingos 
 
LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010 
 
Institui o Estatuto da Igualdade Racial; altera as Leis nºs 7.716, de 5 de janeiro 
de 1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, 
de 24 de novembro de 2003. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
TÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
 
Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à 
população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos 
direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às 
demais formas de intolerância étnica. 
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se: 
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou 
preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica 
que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, 
em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos 
campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida 
pública ou privada; 
II - desigualdade racial: toda situação injustificada de diferenciação de acesso e 
fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em 
virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica; 
 
 
III - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade 
que acentua a distância social entre mulheres negras e os demais segmentos 
sociais; 
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e 
pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam auto definição análoga; 
V - políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no 
cumprimento de suas atribuições institucionais; 
VI - ações afirmativas: os programas e medidas especiais adotados pelo Estado 
e pela iniciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a 
promoção da igualdade de oportunidades. 
 
Art. 2º É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, 
reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor 
da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades 
políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, 
defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais. 
 
Art. 3º Além das normas constitucionais relativas aos princípios fundamentais, 
aos direitos e garantias fundamentais e aos direitos sociais, econômicos e 
culturais, o Estatuto da Igualdade Racial adota como diretriz político-jurídica a 
inclusão das vítimas de desigualdadeétnico-racial, a valorização da igualdade 
étnica e o fortalecimento da identidade nacional brasileira. 
 
Art. 4º A participação da população negra, em condição de igualdade de 
oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País será 
promovida, prioritariamente, por meio de: 
I - inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social; 
II - adoção de medidas, programas e políticas de ação afirmativa; 
III - modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado 
enfrentamento e a superação das desigualdades étnicas decorrentes do 
preconceito e da discriminação étnica; 
 
 
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação 
étnica e às desigualdades étnicas em todas as suas manifestações individuais, 
institucionais e estruturais; 
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que 
impedem a representação da diversidade étnica nas esferas pública e privada; 
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil 
direcionadas à promoção da igualdade de oportunidades e ao combate às 
desigualdades étnicas, inclusive mediante a implementação de incentivos e 
critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos; 
VII - implementação de programas de ação afirmativa destinados ao 
enfrentamento das desigualdades étnicas no tocante à educação, cultura, 
esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de 
massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros. 
Parágrafo único. Os programas de ação afirmativa constituir-se-ão em políticas 
públicas destinadas a reparar as distorções e desigualdades sociais e demais 
práticas discriminatórias adotadas, nas esferas pública e privada, durante o 
processo de formação social do País. 
 
Art. 5º Para a consecução dos objetivos desta Lei, é instituído o Sistema 
Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), conforme estabelecido no 
Título III. 
 
TÍTULO II 
 
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
 
CAPÍTULO I 
 
DO DIREITO À SAÚDE 
 
 
 
Art. 6º O direito à saúde da população negra será garantido pelo poder público 
mediante políticas universais, sociais e econômicas destinadas à redução do 
risco de doenças e de outros agravos. 
§ 1º O acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS) para 
promoção, proteção e recuperação da saúde da população negra será de 
responsabilidade dos órgãos e instituições públicas federais, estaduais, distritais 
e municipais, da administração direta e indireta. 
§ 2º O poder público garantirá que o segmento da população negra vinculado 
aos seguros privados de saúde seja tratado sem discriminação. 
 
Art. 7º O conjunto de ações de saúde voltadas à população negra constitui a 
Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, organizada de acordo 
com as diretrizes abaixo especificadas: 
I - ampliação e fortalecimento da participação de lideranças dos movimentos 
sociais em defesa da saúde da população negra nas instâncias de participação 
e controle social do SUS; 
II - produção de conhecimento científico e tecnológico em saúde da população 
negra; 
III - desenvolvimento de processos de informação, comunicação e educação 
para contribuir com a redução das vulnerabilidades da população negra. 
 
Art. 8º Constituem objetivos da Política Nacional de Saúde Integral da População 
Negra: 
I - a promoção da saúde integral da população negra, priorizando a redução das 
desigualdades étnicas e o combate à discriminação nas instituições e serviços 
do SUS; 
II - a melhoria da qualidade dos sistemas de informação do SUS no que tange à 
coleta, ao processamento e à análise dos dados desagregados por cor, etnia e 
gênero; 
III - o fomento à realização de estudos e pesquisas sobre racismo e saúde da 
população negra; 
 
 
IV - a inclusão do conteúdo da saúde da população negra nos processos de 
formação e educação permanente dos trabalhadores da saúde; 
V - a inclusão da temática saúde da população negra nos processos de formação 
política das lideranças de movimentos sociais para o exercício da participação e 
controle social no SUS. 
Parágrafo único. Os moradores das comunidades de remanescentes de 
quilombos serão beneficiários de incentivos específicos para a garantia do direito 
à saúde, incluindo melhorias nas condições ambientais, no saneamento básico, 
na segurança alimentar e nutricional e na atenção integral à saúde. 
 
CAPÍTULO II 
 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO LAZER 
 
Seção I 
 
Disposições Gerais 
 
Art. 9º A população negra tem direito a participar de atividades educacionais, 
culturais, esportivas e de lazer adequadas a seus interesses e condições, de 
modo a contribuir para o patrimônio cultural de sua comunidade e da sociedade 
brasileira. 
 
Art. 10. Para o cumprimento do disposto no art. 9o, os governos federal, 
estaduais, distrital e municipais adotarão as seguintes providências: 
I - promoção de ações para viabilizar e ampliar o acesso da população negra ao 
ensino gratuito e às atividades esportivas e de lazer; 
II - apoio à iniciativa de entidades que mantenham espaço para promoção social 
e cultural da população negra; 
 
 
III - desenvolvimento de campanhas educativas, inclusive nas escolas, para que 
a solidariedade aos membros da população negra faça parte da cultura de toda 
a sociedade; 
IV - implementação de políticas públicas para o fortalecimento da juventude 
negra brasileira. 
 
Seção II 
 
Da Educação 
 
Art. 11. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, 
públicos e privados, é obrigatório o estudo da história geral da África e da história 
da população negra no Brasil, observado o disposto na Lei no 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996. 
§ 1º Os conteúdos referentes à história da população negra no Brasil serão 
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, resgatando sua contribuição 
decisiva para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural do País. 
§ 2º O órgão competente do Poder Executivo fomentará a formação inicial e 
continuada de professores e a elaboração de material didático específico para o 
cumprimento do disposto no caput deste artigo. 
§ 3º Nas datas comemorativas de caráter cívico, os órgãos responsáveis pela 
educação incentivarão a participação de intelectuais e representantes do 
movimento negro para debater com os estudantes suas vivências relativas ao 
tema em comemoração. 
 
Art. 12. Os órgãos federais, distritais e estaduais de fomento à pesquisa e à 
pós-graduação poderão criar incentivos a pesquisas e a programas de estudo 
voltados para temas referentes às relações étnicas, aos quilombos e às questões 
pertinentes à população negra. 
 
 
 
Art. 13. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos competentes, 
incentivará as instituições de ensino superior públicas e privadas, sem prejuízo 
da legislação em vigor, a: 
I - resguardar os princípios da ética em pesquisa e apoiar grupos, núcleos e 
centros de pesquisa, nos diversos programas de pós-graduação que 
desenvolvam temáticas de interesse da população negra; 
II - incorporar nas matrizes curriculares dos cursos de formação de professores 
temas que incluam valores concernentes à pluralidade étnica e cultural da 
sociedade brasileira; 
III - desenvolver programas de extensão universitária destinados a aproximar 
jovens negros de tecnologias avançadas, assegurado o princípio da 
proporcionalidade de gênero entre os beneficiários; 
IV - estabelecer programas de cooperação técnica, nos estabelecimentosde 
ensino públicos, privados e comunitários, com as escolas de educação infantil, 
ensino fundamental, ensino médio e ensino técnico, para a formação docente 
baseada em princípios de equidade, de tolerância e de respeito às diferenças 
étnicas. 
 
Art. 14. O poder público estimulará e apoiará ações socioeducacionais 
realizadas por entidades do movimento negro que desenvolvam atividades 
voltadas para a inclusão social, mediante cooperação técnica, intercâmbios, 
convênios e incentivos, entre outros mecanismos. 
 
Art. 15. O poder público adotará programas de ação afirmativa. 
 
Art. 16. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos responsáveis pelas 
políticas de promoção da igualdade e de educação, acompanhará e avaliará os 
programas de que trata esta Seção. 
 
Seção III 
 
Da Cultura 
 
 
 
Art. 17. O poder público garantirá o reconhecimento das sociedades negras, 
clubes e outras formas de manifestação coletiva da população negra, com 
trajetória histórica comprovada, como patrimônio histórico e cultural, nos termos 
dos arts. 215 e 216 da Constituição Federal. 
 
Art. 18. É assegurado aos remanescentes das comunidades dos quilombos o 
direito à preservação de seus usos, costumes, tradições e manifestos religiosos, 
sob a proteção do Estado. 
Parágrafo único. A preservação dos documentos e dos sítios detentores de 
reminiscências históricas dos antigos quilombos, tombados nos termos do § 5o 
do art. 216 da Constituição Federal, receberá especial atenção do poder público. 
 
Art. 19. O poder público incentivará a celebração das personalidades e das 
datas comemorativas relacionadas à trajetória do samba e de outras 
manifestações culturais de matriz africana, bem como sua comemoração nas 
instituições de ensino públicas e privadas. 
 
Art. 20. O poder público garantirá o registro e a proteção da capoeira, em todas 
as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da 
identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da Constituição Federal. 
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos 
necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira 
nas suas relações internacionais. 
 
Seção IV 
 
Do Esporte e Lazer 
 
Art. 21. O poder público fomentará o pleno acesso da população negra às 
práticas desportivas, consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. 
 
 
 
Art. 22. A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos 
termos do art. 217 da Constituição Federal. 
 
§ 1º A atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em 
que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo 
livre o exercício em todo o território nacional. 
 
§ 2º É facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos 
capoeiristas e mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos. 
CAPÍTULO III 
 
DO DIREITO À LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA E AO LIVRE 
EXERCÍCIO DOS CULTOS RELIGIOSOS 
 
Art. 23. É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado 
o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos 
locais de culto e a suas liturgias. 
 
Art. 24. O direito à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos 
cultos religiosos de matriz africana compreende: 
I - a prática de cultos, a celebração de reuniões relacionadas à religiosidade e a 
fundação e manutenção, por iniciativa privada, de lugares reservados para tais 
fins; 
II - a celebração de festividades e cerimônias de acordo com preceitos das 
respectivas religiões; 
III - a fundação e a manutenção, por iniciativa privada, de instituições 
beneficentes ligadas às respectivas convicções religiosas; 
IV - a produção, a comercialização, a aquisição e o uso de artigos e materiais 
religiosos adequados aos costumes e às práticas fundadas na respectiva 
religiosidade, ressalvadas as condutas vedadas por legislação específica; 
 
 
V - a produção e a divulgação de publicações relacionadas ao exercício e à 
difusão das religiões de matriz africana; 
VI - a coleta de contribuições financeiras de pessoas naturais e jurídicas de 
natureza privada para a manutenção das atividades religiosas e sociais das 
respectivas religiões; 
VII - o acesso aos órgãos e aos meios de comunicação para divulgação das 
respectivas religiões; 
VIII - a comunicação ao Ministério Público para abertura de ação penal em face 
de atitudes e práticas de intolerância religiosa nos meios de comunicação e em 
quaisquer outros locais. 
 
Art. 25. É assegurada a assistência religiosa aos praticantes de religiões de 
matrizes africanas internados em hospitais ou em outras instituições de 
internação coletiva, inclusive àqueles submetidos a pena privativa de liberdade. 
 
Art. 26. O poder público adotará as medidas necessárias para o combate à 
intolerância com as religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus 
seguidores, especialmente com o objetivo de: 
I - coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de 
proposições, imagens ou abordagens que exponham pessoa ou grupo ao ódio 
ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade de matrizes africanas; 
II - inventariar, restaurar e proteger os documentos, obras e outros bens de valor 
artístico e cultural, os monumentos, mananciais, flora e sítios arqueológicos 
vinculados às religiões de matrizes africanas; 
III - assegurar a participação proporcional de representantes das religiões de 
matrizes africanas, ao lado da representação das demais religiões, em 
comissões, conselhos, órgãos e outras instâncias de deliberação vinculadas ao 
poder público. 
 
 
 
CAPÍTULO IV 
 
 
 
DO ACESSO À TERRA E À MORADIA ADEQUADA 
 
Seção I 
 
Do Acesso à Terra 
 
Art. 27. O poder público elaborará e implementará políticas públicas capazes 
de promover o acesso da população negra à terra e às atividades produtivas no 
campo. 
 
Art. 28. Para incentivar o desenvolvimento das atividades produtivas da 
população negra no campo, o poder público promoverá ações para viabilizar e 
ampliar o seu acesso ao financiamento agrícola. 
 
Art. 29. Serão assegurados à população negra a assistência técnica rural, a 
simplificação do acesso ao crédito agrícola e o fortalecimento da infraestrutura 
de logística para a comercialização da produção. 
 
Art. 30. O poder público promoverá a educação e a orientação profissional 
agrícola para os trabalhadores negros e as comunidades negras rurais. 
Art. 31. Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam 
ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado 
emitir-lhes os títulos respectivos. 
 
Art. 32. O Poder Executivo federal elaborará e desenvolverá políticas públicas 
especiais voltadas para o desenvolvimento sustentável dos remanescentes das 
comunidades dos quilombos, respeitando as tradições de proteção ambiental 
das comunidades. 
 
 
 
Art. 33. Para fins de política agrícola, os remanescentes das comunidades dos 
quilombos receberão dos órgãos competentes tratamento especial diferenciado, 
assistência técnica e linhas especiais de financiamento público, destinados à 
realização de suas atividades produtivas e de infraestrutura. 
 
Art. 34. Os remanescentes das comunidades dos quilombos se beneficiarão de 
todas as iniciativas previstas nesta e em outras leis para a promoção da 
igualdade étnica. 
 
Seção II 
 
Da Moradia 
 
Art. 35. O poder público garantirá a implementação de políticas públicas paraassegurar o direito à moradia adequada da população negra que vive em favelas, 
cortiços, áreas urbanas subutilizadas, degradadas ou em processo de 
degradação, a fim de reintegrá-las à dinâmica urbana e promover melhorias no 
ambiente e na qualidade de vida. 
Parágrafo único. O direito à moradia adequada, para os efeitos desta Lei, inclui 
não apenas o provimento habitacional, mas também a garantia da infraestrutura 
urbana e dos equipamentos comunitários associados à função habitacional, bem 
como a assistência técnica e jurídica para a construção, a reforma ou a 
regularização fundiária da habitação em área urbana. 
 
Art. 36. Os programas, projetos e outras ações governamentais realizadas no 
âmbito do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), regulado 
pela Lei no 11.124, de 16 de junho de 2005, devem considerar as peculiaridades 
sociais, econômicas e culturais da população negra. 
Parágrafo único. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estimularão e 
facilitarão a participação de organizações e movimentos representativos da 
população negra na composição dos conselhos constituídos para fins de 
aplicação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). 
 
 
 
Art. 37. Os agentes financeiros, públicos ou privados, promoverão ações para 
viabilizar o acesso da população negra aos financiamentos habitacionais. 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO V 
 
DO TRABALHO 
 
Art. 38. A implementação de políticas voltadas para a inclusão da população 
negra no mercado de trabalho será de responsabilidade do poder público, 
observando-se: 
I - o instituído neste Estatuto; 
II - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, 
de 1965; 
III - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção no 111, de 
1958, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da 
discriminação no emprego e na profissão; 
IV - os demais compromissos formalmente assumidos pelo Brasil perante a 
comunidade internacional. 
 
Art. 39. O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de 
oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive 
mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas 
 
 
contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas 
empresas e organizações privadas. 
§ 1º A igualdade de oportunidades será lograda mediante a adoção de políticas 
e programas de formação profissional, de emprego e de geração de renda 
voltados para a população negra. 
§ 2º As ações visando a promover a igualdade de oportunidades na esfera da 
administração pública far-se-ão por meio de normas estabelecidas ou a serem 
estabelecidas em legislação específica e em seus regulamentos. 
§ 3º O poder público estimulará, por meio de incentivos, a adoção de iguais 
medidas pelo setor privado. 
§ 4º As ações de que trata o caput deste artigo assegurarão o princípio da 
proporcionalidade de gênero entre os beneficiários. 
§ 5º Será assegurado o acesso ao crédito para a pequena produção, nos meios 
rural e urbano, com ações afirmativas para mulheres negras. 
§ 6º O poder público promoverá campanhas de sensibilização contra a 
marginalização da mulher negra no trabalho artístico e cultural. 
§ 7º O poder público promoverá ações com o objetivo de elevar a escolaridade 
e a qualificação profissional nos setores da economia que contem com alto índice 
de ocupação por trabalhadores negros de baixa escolarização. 
 
Art. 40. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) 
formulará políticas, programas e projetos voltados para a inclusão da população 
negra no mercado de trabalho e orientará a destinação de recursos para seu 
financiamento. 
 
Art. 41. As ações de emprego e renda, promovidas por meio de financiamento 
para constituição e ampliação de pequenas e médias empresas e de programas 
de geração de renda, contemplarão o estímulo à promoção de empresários 
negros. 
Parágrafo único. O poder público estimulará as atividades voltadas ao turismo 
étnico com enfoque nos locais, monumentos e cidades que retratem a cultura, 
os usos e os costumes da população negra. 
 
 
 
Art. 42. O Poder Executivo federal poderá implementar critérios para provimento 
de cargos em comissão e funções de confiança destinados a ampliar a 
participação de negros, buscando reproduzir a estrutura da distribuição étnica 
nacional ou, quando for o caso, estadual, observados os dados demográficos 
oficiais. 
 
CAPÍTULO VI 
 
DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
 
Art. 43. A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a 
herança cultural e a participação da população negra na história do País. 
Art. 44. Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas 
emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a 
prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos 
negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, 
ideológica, étnica ou artística. 
Parágrafo único. A exigência disposta no caput não se aplica aos filmes e 
programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados. 
 
Art. 45. Aplica-se à produção de peças publicitárias destinadas à veiculação 
pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas o disposto no art. 44. 
 
Art. 46. Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, 
autárquica ou fundacional, as empresas públicas e as sociedades de economia 
mista federais deverão incluir cláusulas de participação de artistas negros nos 
contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de 
caráter publicitário. 
§ 1º Os órgãos e entidades de que trata este artigo incluirão, nas especificações 
para contratação de serviços de consultoria, conceituação, produção e 
realização de filmes, programas ou peças publicitárias, a obrigatoriedade da 
 
 
prática de iguais oportunidades de emprego para as pessoas relacionadas com 
o projeto ou serviço contratado. 
§ 2º Entende-se por prática de iguais oportunidades de emprego o conjunto de 
medidas sistemáticas executadas com a finalidade de garantir a diversidade 
étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao projeto ou serviço contratado. 
§ 3º A autoridade contratante poderá, se considerar necessário para garantir a 
prática de iguais oportunidades de emprego, requerer auditoria por órgão do 
poder público federal. 
§ 4º A exigência disposta no caput não se aplica às produções publicitárias 
quando abordarem especificidades de grupos étnicos determinados. 
 
TÍTULO III 
 
DO SISTEMA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 
(SINAPIR) 
 
CAPÍTULO I 
 
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR 
 
Art. 47. É instituído o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial 
(Sinapir) como forma de organização e de articulação voltadas à implementação 
do conjunto de políticas e serviços destinados a superar as desigualdades 
étnicas existentes no País, prestados pelo poder público federal. 
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão participar do Sinapir 
mediante adesão. 
§ 2º O poder público federal incentivará a sociedade e a iniciativa privada a 
participar do Sinapir. 
 
 
 
CAPÍTULO II 
 
DOS OBJETIVOS 
 
Art. 48. São objetivos do Sinapir: 
I - promover a igualdade étnica e o combate às desigualdades sociais resultantes 
do racismo, inclusive mediante adoção de ações afirmativas; 
II - formular políticas destinadas a combater os fatores de marginalização e a 
promover a integraçãosocial da população negra; 
III - descentralizar a implementação de ações afirmativas pelos governos 
estaduais, distrital e municipais; 
IV - articular planos, ações e mecanismos voltados à promoção da igualdade 
étnica; 
V - garantir a eficácia dos meios e dos instrumentos criados para a 
implementação das ações afirmativas e o cumprimento das metas a serem 
estabelecidas. 
 
CAPÍTULO III 
 
DA ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA 
 
Art. 49. O Poder Executivo federal elaborará plano nacional de promoção da 
igualdade racial contendo as metas, princípios e diretrizes para a implementação 
da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR). 
§ 1º A elaboração, implementação, coordenação, avaliação e acompanhamento 
da PNPIR, bem como a organização, articulação e coordenação do Sinapir, 
serão efetivados pelo órgão responsável pela política de promoção da igualdade 
étnica em âmbito nacional. 
§ 2º É o Poder Executivo federal autorizado a instituir fórum intergovernamental 
de promoção da igualdade étnica, a ser coordenado pelo órgão responsável 
 
 
pelas políticas de promoção da igualdade étnica, com o objetivo de implementar 
estratégias que visem à incorporação da política nacional de promoção da 
igualdade étnica nas ações governamentais de Estados e Municípios. 
§ 3º As diretrizes das políticas nacional e regional de promoção da igualdade 
étnica serão elaboradas por órgão colegiado que assegure a participação da 
sociedade civil. 
Art. 50. Os Poderes Executivos estaduais, distrital e municipais, no âmbito das 
respectivas esferas de competência, poderão instituir conselhos de promoção da 
igualdade étnica, de caráter permanente e consultivo, compostos por igual 
número de representantes de órgãos e entidades públicas e de organizações da 
sociedade civil representativas da população negra. 
Parágrafo único. O Poder Executivo priorizará o repasse dos recursos referentes 
aos programas e atividades previstos nesta Lei aos Estados, Distrito Federal e 
Municípios que tenham criado conselhos de promoção da igualdade étnica. 
 
 
CAPÍTULO IV 
 
DAS OUVIDORIAS PERMANENTES E DO ACESSO À JUSTIÇA E À 
SEGURANÇA 
 
Art. 51. O poder público federal instituirá, na forma da lei e no âmbito dos 
Poderes Legislativo e Executivo, Ouvidorias Permanentes em Defesa da 
Igualdade Racial, para receber e encaminhar denúncias de preconceito e 
discriminação com base em etnia ou cor e acompanhar a implementação de 
medidas para a promoção da igualdade. 
 
Art. 52. É assegurado às vítimas de discriminação étnica o acesso aos órgãos 
de Ouvidoria Permanente, à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder 
Judiciário, em todas as suas instâncias, para a garantia do cumprimento de seus 
direitos. 
 
 
Parágrafo único. O Estado assegurará atenção às mulheres negras em situação 
de violência, garantida a assistência física, psíquica, social e jurídica. 
 
Art. 53. O Estado adotará medidas especiais para coibir a violência policial 
incidente sobre a população negra. 
Parágrafo único. O Estado implementará ações de ressocialização e proteção 
da juventude negra em conflito com a lei e exposta a experiências de exclusão 
social. 
 
Art. 54. O Estado adotará medidas para coibir atos de discriminação e 
preconceito praticados por servidores públicos em detrimento da população 
negra, observado, no que couber, o disposto na Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 
1989. 
 
Art. 55. Para a apreciação judicial das lesões e das ameaças de lesão aos 
interesses da população negra decorrentes de situações de desigualdade étnica, 
recorrer-se-á, entre outros instrumentos, à ação civil pública, disciplinada na Lei 
no 7.347, de 24 de julho de 1985. 
 
CAPÍTULO V 
 
DO FINANCIAMENTO DAS INICIATIVAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE 
RACIAL 
 
Art. 56. Na implementação dos programas e das ações constantes dos planos 
plurianuais e dos orçamentos anuais da União, deverão ser observadas as 
políticas de ação afirmativa a que se refere o inciso VII do art. 4o desta Lei e 
outras políticas públicas que tenham como objetivo promover a igualdade de 
oportunidades e a inclusão social da população negra, especialmente no que 
tange a: 
I - promoção da igualdade de oportunidades em educação, emprego e moradia; 
 
 
II - financiamento de pesquisas, nas áreas de educação, saúde e emprego, 
voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população negra; 
III - incentivo à criação de programas e veículos de comunicação destinados à 
divulgação de matérias relacionadas aos interesses da população negra; 
IV - incentivo à criação e à manutenção de microempresas administradas por 
pessoas autodeclaradas negras; 
V - iniciativas que incrementem o acesso e a permanência das pessoas negras 
na educação fundamental, média, técnica e superior; 
VI - apoio a programas e projetos dos governos estaduais, distrital e municipais 
e de entidades da sociedade civil voltados para a promoção da igualdade de 
oportunidades para a população negra; 
VII - apoio a iniciativas em defesa da cultura, da memória e das tradições 
africanas e brasileiras. 
§ 1º O Poder Executivo federal é autorizado a adotar medidas que garantam, em 
cada exercício, a transparência na alocação e na execução dos recursos 
necessários ao financiamento das ações previstas neste Estatuto, explicitando, 
entre outros, a proporção dos recursos orçamentários destinados aos programas 
de promoção da igualdade, especialmente nas áreas de educação, saúde, 
emprego e renda, desenvolvimento agrário, habitação popular, desenvolvimento 
regional, cultura, esporte e lazer. 
§ 2º Durante os 5 (cinco) primeiros anos, a contar do exercício subsequente à 
publicação deste Estatuto, os órgãos do Poder Executivo federal que 
desenvolvem políticas e programas nas áreas referidas no § 1o deste artigo 
discriminarão em seus orçamentos anuais a participação nos programas de ação 
afirmativa referidos no inciso VII do art. 4o desta Lei. 
§ 3º O Poder Executivo é autorizado a adotar as medidas necessárias para a 
adequada implementação do disposto neste artigo, podendo estabelecer 
patamares de participação crescente dos programas de ação afirmativa nos 
orçamentos anuais a que se refere o § 2o deste artigo. 
§ 4º O órgão colegiado do Poder Executivo federal responsável pela promoção 
da igualdade racial acompanhará e avaliará a programação das ações referidas 
neste artigo nas propostas orçamentárias da União. 
 
 
 
Art. 57. Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, poderão ser 
consignados nos orçamentos fiscal e da seguridade social para financiamento 
das ações de que trata o art. 56: 
I - transferências voluntárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
II - doações voluntárias de particulares; 
III - doações de empresas privadas e organizações não governamentais, 
nacionais ou internacionais; 
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou internacionais; 
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de convênios, tratados e acordos 
internacionais. 
TÍTULO IV 
 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
 
Art. 58. As medidas instituídas nesta Lei não excluem outras em prol da 
população negra que tenham sido ou venham a ser adotadas no âmbito da 
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 
 
Art. 59. O Poder Executivo federal criará instrumentos para aferir a eficácia 
social das medidas previstas nesta Lei e efetuará seu monitoramento constante, 
com a emissão e a divulgação de relatórios periódicos, inclusive pela rede 
mundial de computadores. 
 
Art. 60. Os arts. 3º e 4º da Lei nº 7.716, de 1989, passam a vigorar com a 
seguinte redação:

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