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INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS Profª Thaís Jormanna Estácio do Ceará Curso de Enfermagem Disciplina: Ensino Clínico em saúde da Mulher 1 OBJETIVOS APRENDER A UTILIZAR A ABORDAGEM SINDRÔMICA NO ATENDIMENTO À CLIENTELA; CONHECER A ETIOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E TRATAMENTOS DAS PRINCIPAIS IST. 2 INTRODUÇÃO Mais de um milhão de pessoas adquirem alguma IST diariamente (OMS, 2013). Problema de saúde pública: IST x Aids; Muitas pessoas com IST não buscam tratamento porque são assintomáticas (a maioria) ou têm sinais e sintomas leves e não percebem as alterações Pessoas sintomáticas podem preferir tratar-se por conta própria ou procurar tratamento em farmácias ou junto a curandeiros tradicionais. Uma parcela que busca atendimento na unidade de saúde pode não ter uma IST corretamente diagnosticada ou tratada. O diagnóstico deve ser precoce e o tratamento imediato, com o menor tempo de espera possível, podendo esse período ser aproveitado para a realização de ações de informação/educação em saúde individual e coletiva. 3 INTRODUÇÃO Portadores de IST não ulcerativas têm risco maior de 3 a 10 vezes de se infectar pelo HIV. Portadores de IST ulcerativas, esse risco sobe para 18 vezes; ꜛAbortos espontâneos, natimortos, baixo peso ao nascer, infecção congênita e perinatal; Clamídia x infertilidade entre homens; HPV e o carcinoma em colo de útero, pênis e ânus. 4 Fatores de Risco Práticas sexuais sem uso de preservativos Idade mais baixa 5 Rastreamento de IST Realização de testes diagnósticos em pessoas assintomáticas a fim de estabelecer o diagnóstico precoce (prevenção secundária), com o objetivo de reduzir a morbimortalidade do agravo rastreado 6 Rastreamento de IST 7 Rastreamento de IST 8 Rastreamento de IST 9 10 Rastreamento de Clamídia e Gonorréia 11 O sítio de rastreamento para clamídia e gonococo irá depender da prática sexual realizada pela pessoa. •Sexo oral sem preservativo – coleta de material de orofaringe; •Sexo anal receptivo sem preservativo – coleta de swab anal; • Sexo vaginal receptivo sem preservativo – coleta de material genital; •Sexo insertivo sem preservativo – coleta de material uretral. Anamnese + Identificação das diferentes vulnerabilidades + Exame físico + Exames laboratoriais 12 Abordagem às pessoas com IST Prescrição + Orientações de tratamento + Definição de estratégia para seguimento e atenção às parcerias sexuais + Acesso aos insumos de prevenção Anamnese de hábitos sexuais e de risco : habilidades de comunicação para clínica Ganhar a confiança do paciente Avisar que perguntas são feitas para todos os pacientes adultos, independentemente de idade ou de estado civil. Enfatizar o caráter sigiloso da consulta. Escuta respeitosa sobre as diferentes profissões de cada pessoa 13 Convocação de parceiros 14 COMUNICAÇÃO: cartão, correspondência, busca ativa. Principais manifestações clínicas das IST Corrimento vaginal Corrimento uretral Ulceras genitais Verrugas anogenitais 15 Diagnóstico das IST Abordagem Sindrômica: Classificação segundos as principais síndromes; Utiliza fluxogramas; Indica tratamento para agentes mais frequentes na síndrome. 16 17 FLUXOGRAMAS DE CONDUTA Corrimento vaginal; Corrimento uretral; Úlceras anogenitais; Verruga anogenital; Doença inflamatório pélvica (DIP). 18 CORRIMENTO VAGINAL 19 Outras Causas Drenagem de excessivo material mucoide fisiológico, Vaginite inflamatória descamativa Vaginite atrófica (em mulheres na pós-menopausa) ou presença de corpo estranho. Dermatites alérgicas ou irritativas (sabonetes, perfumes, látex) Doenças da pele (líquen, psoríase). 20 21 22 Vulvovaginite e a vaginose são as causas mais comuns de corrimento vaginal patológico, responsáveis por inúmeras consultas. São afecções do epitélio estratificado da vulva e/ou vagina, cujos agentes etiológicos mais frequentes são fungos, principalmente a Candida albicans; bactérias anaeróbicas, em especial a Gardnerella vaginalis; e o protozoário Trichomonas vaginalis. CANDIDÍASE Infecção causada por fungo no trato geniturinário da mulher (vulvovaginite) e homem; Período de incubação desconhecido; Agente etiológico: Candida albicans; Manifestações clínicas: prurido, ardor, dispareunia, disúria, polaciúria e eliminação de corrimento vaginal em grumos inodoro. A vulva e a vagina encontram-se edemaciadas e hiperemiadas. No homem apresenta-se com hiperemia da glande e prepúcio, edema e pela presença de pequenas lesões puntiformes, avermelhadas e pruriginosas. Ph vaginal < 4. 23 Transmissão: Não é uma doença de transmissão exclusivamente sexual. Recorrência: diabetes, gravidez, uso de contraceptivos orais, uso de antibióticos e medicamentos imunodepressores, obesidade, uso de roupas justas; Diagnóstico: Clínico, ph vaginal. Não é necessário tratar o parceiro (sintomático). 24 25 26 27 28 TRICOMONÍASE Doença infecto-contagiosa do sistema gêniturinário do homem e da mulher. Epidemiologia: 170 milhões (mundo) e 4,3 milhões (Brasil) por ano; 50% das mulheres são assintomáticas; Agente etiológico: Trichomonas vaginalis (protozoário); Período de incubação: em média 1 a 2 semanas; Manifestações clínicas: corrimento amarelo esverdeado, bolhoso, odor desagradável, dispareunia, prurido vulvar, teste de “Schiller” tigróide. No homem causa uma uretrite discreta, sendo muitas vezes assintomático; 29 Diagnóstico: Exame direto da secreção, O pH quase sempre é maior que 5,0. Complicações: Homens (prostatite, epididimite, oligospermia) e mulher (DIP); Causa alterações celulares: repetir citológico 3 meses. TRICOMONÍASE 30 31 32 VAGINOSE BACTERIANA Ocorre por desequilíbrio da microbiota vaginal; Agente etiológico: Gardnerella vaginalis, Mobiluncus sp., Mycoplasma hominis; Manifestações clínicas: assintomático (50%). Corrimento homogêneo amarelado, branco ou acinzentado, com bolhas esparsas em sua superfície e com um odor ativo desagradável (acentuado após o coito e durante a menstruação). No homem pode ser causa de uretrite. Complicações: parto prematuro, infecção puerperal, DIP, duplica a chance de infecção pelo HIV. 33 Transmissão: Geralmente primária na mulher. Sexual no homem; Diagnóstico: exame a fresco (presença de “clue cells”), pH vaginal >4,5, teste das aminas de KOH 10%- positivo. VAGINOSE BACTERIANA 34 35 36 37 38 CORRIMENTO VAGINAL 39 TRATAMENTO 40 41 42 Particularidades: candidíase vulvovaginal a. Nos casos recorrentes ou de difícil controle, devem-se investigar as causas sistêmicas predisponentes (diabetes, imunodepressão, inclusive a infecção pelo HIV e uso de corticoides). b. Dentre as reações adversas raras (entre 0,01% e 0,1%) do uso do fluconazol, citam-se agranulocitose, leucopenia, neutropenia, trombocitopenia, anafilaxia, angioedema, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia, hipocalemia, toxicidadee insuficiência hepática. c. PVHIV: devem ser tratadas com os esquemas habituais. 43 44 Particularidades: vaginose bacteriana a. VB recorrente: o triplo regime (metronidazol gel dez dias + ácido bórico 21 dias + metronidazol gel duas vezes por semana, por quatro a seis meses) parece promissor, porém requer validação com estudo prospectivo randomizado e controlado. O papel do ácido bórico é remover o “biofilme” vaginal que facilitaria a persistência das bactérias patogênicas (MACHADO et al., 2016). b. O uso de antissépticos, pré-bióticos e pró-bióticos e a reposição de lactobacilos vem sendo estudada, mas há ainda longo caminho a percorrer, pois a reposição deve ser realizada com as espécies que habitam a vagina e produzem H2O2, características primordiais para a proteção contra várias infecções, inclusive VB (YUDIN; MONEY, 2008; MACHADO et al., 2016). 45 Particularidades: vaginose bacteriana c. PVHIV: devem ser tratadas com os esquemas habituais, mas atentar para interação medicamentosa entre o metronidazol e o ritonavir, que pode elevar a intensidade de náuseas e vômitos, reduzindo a adesão aos antirretrovirais. Para evitar tal ocorrência, recomenda-se intervalo de duas horas entre as ingestas do metronidazol e ritonavir. 46 47 Particularidades: tricomoníase a. PVHIV: devem ser tratadas com os esquemas habituais, mas atentar para a interação medicamentosa entre o metronidazol e o ritonavir, que pode elevar a intensidade de náuseas e vômitos, reduzindo a adesão aos antirretrovirais. Para evitar tal ocorrência, recomenda-se intervalo de duas horas entre as ingestas do metronidazol e ritonavir. b. A tricomoníase vaginal pode alterar a classe da citologia oncológica. Por isso, nos casos em que houver alterações morfológicas celulares e tricomoníase, deve-se realizar o tratamento e repetir a citologia após três meses, para avaliar se as alterações persistem. 48 CORRIMENTO URETRAL 49 Gonorréia Doença infecto-contagiosa do trato urogenital, que determina desde ausência de sintomas a alta morbidade; Agente etiológico: Neisseria gonorrhoeae (diplococo gram -); Período de Incubação: 2 a 5 dias; Manifestações clínicas: assintomática (60%). Homem: prurido, disúria, uretrite, corrimento abundante e mucopurulento, edema, febre. Mulher: disúria, urgência urinária, secreção amarelada, endocervicite, ectopia acentuada, polaciúria, sangramento irregular, dispareunia, hiperemia vaginal. Criança: conjuntivite gonocócica (canal de parto); Transmissão: sexual ou fômites (raro); 50 Complicações: artrite, meningite, faringite, pielonefrite, miocardite, pericardite, septicemia, infertilidade, DIP. A conjuntivite gonocócica em adultos ocorre por auto- inoculação; Diagnóstico: clínico, bacterioscopia, cultura; 51 52 53 CLAMÍDIA Doença infecto-contagiosa dos órgãos genitais masculinos ou femininos; Caracteriza-se pela presença de secreção uretral escassa, translúcida e geralmente matinal; Período de Incubação: 2 semanas a 1 mês; Agente etiológico: Chlamydia trachomatis. 54 Manifestações clínicas: assintomática. Homens (uretrite com secreção clara e mucóide, disúria), Mulheres (endocervicite com muco, uretrite e friabilidade); Diagnóstico: clínico, Papanicolaou, sorologia; Complicações: Epididimite, salpingite, prostatite, tumor de testículo, infertilidade, otite média, artrite, DIP. 55 56 57 58 59 60 CERVICITES 61 CERVICITES Cervicite mucopurulenta ou endocervicite é a inflamação da mucosa endocervical. Agentes causadores Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis; As cervicites são frequentemente assintomáticas (em torno de 70% a 80%); Corrimento vaginal, dispareunia ou disúria, podem ocorrer na presença de cervicite mucopurulenta. 62 CERVICITES O colo uterino pode ficar edemaciado, sangrando facilmente ao toque da espátula. Pode ser verificada a presença de mucopus no orifício externo do colo. Complicações: Doença Inflamatória Pélvica (DIP), esterilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica, as principais sequelas; Abortos, ruptura prematura de membranas, conjuntivite e pneumonias no RN. 63 64 TRATAMENTO 65 Verruga anogenital 66 Infecção pelo HPV Agente etiológico: Papilomavírus Humano (mais de 100 sorotipos). Oncogenicidade (16,18,31,33); Período de incubação: 1 a 20 meses (3 meses) – lesões(décadas); Transmissão: sexual, vertical (canal de parto), fômites (raro); Diagnóstico: clínico, inspeção (IVA), citologia, colposcopia. Manifestações: assintomáticas; lesões papilares que formam massas vegetantes (condilomas - verrugas); 67 Locais de Infecção pelo HPV no Homem 68 G lâ n d u la s d e T ys o n Locais de Infecção pelo HPV na mulher 69 Locais de Infecção pelo HPV na mulher 70 71 72 73 74 75 76 Apresentações Subclínicas do HPV Vírus de baixo risco oncogênico →lesões escamosas de baixo grau (low grade intraepithelial lesions – LSIL)→displasia leve ou neoplasia intraepitelial cervical grau 1 (NIC 1). Vírus de alto potencial oncogênico →lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (high grade intraepithelial lesions – HSIL→displasia moderada, grave ou carcinoma in situ –neoplasias intraepiteliais cervicais grau 2 (NIC 2) ou grau 3 (NIC 3). Outros epitélios: neoplasias intraepiteliais vaginais (NIVA), vulvares (NIV), perineais (NIPE), penianas (PIN) e anais (NIA). 77 Diagnóstico Tipicamente clínico. Indicação de biópsia para estudo histopatológico em situações especiais Mulheres com verrugas anogenitais: exame preventivo de câncer de colo do útero e, quando indicada pelas alterações citológicas, colposcopia, acompanhada ou não de biópsia. Pacientes com lesões anais, idealmente, devem ter um exame proctológico com anuscopia e toque retal. 78 79 80 Tratamento 81 Objetivo: destruição das lesões identificáveis. Não há evidência de que os tratamentos disponíveis modifiquem a história natural da infecção pelo HPV. Independentemente da instituição de tratamentos, as lesões podem desaparecer, permanecer inalteradas ou aumentar em número e/ou volume. Recidivas são frequentes em tempo bastante variável, podendo ocorrer após meses ou anos. Tratamento 82 Imiquimode 50mg/g creme: modulador da resposta imunológica pela indução do interferon alfa e de outras citocinas. Não destrói o vírus, mas auxilia na eliminação da verruga. Aplicações em dias alternados (três vezes por semana). Manter até o desaparecimento das verrugas ou por um período máximo de 16 semanas. (contra-indicado na gravidez) Podofilina 10-25% (contra-indicado na gravidez): aplicar em cada verruga e deixar secar, 1x por semana até desaparecer. Ácido tricloroacético (ATA) a 80-90%: Uma vez por semana até oito a 10 semanas. É indicada na gestação; Fluoracil 5%: indicado para tratamento domiciliar, de 1 a 3 vezes por semana no máximo por seis semanas. Não usar em lesões vaginais; Eletrocauterização; Crioterapia; Exérese cirúrgica. HPV na gestação Não causa infertilidade. Lesões podem apresentar crescimento rápido, atingirem grande volume, tornar-se friáveis e sangrantes. O tratamento das gestantes muitas vezes tem pior resultado. Ácido tricloroacético ou o nitrogênio líquido são boas opções de tratamento. Por vezes, especialmente no caso de lesões volumosas, a eletrocoagulação ou a exérese tangencial (“shaving”) são as melhores opções. Não há indicação de parto cesáreo pela presença das lesões, ainda que haja a possibilidade de transmissão destas ao recém-nascido. A indicação seria a obstrução do canal de parto ou sangramento (ocorrências excepcionais). 83 DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA (DIP) 84 Doença Inflamatória Pélvica Síndrome clínica atribuída à ascensão de microrganismos do trato genital inferior, espontânea ou devida à manipulação (inserção de DIU, biópsia de endométrio, curetagem, entre outros), comprometendo o endométrio (endometrite), tubas uterinas, anexos uterinos e/ou estruturas contíguas (salpingite, miometrite, ooforite, parametrite, pelviperitonite). 85 Os agentes mais comuns: Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis. Fatores correlacionados com DIP: IST prévias ou atual; 1 caso de DIP para cada oito a dez casos de pacientes com cervicite Ter múltiplos parceiros ou parceiro recente; Usar DIU; História de DIP; Parceiro com uretrite. Doença Inflamatória Pélvica 86 Diagnóstico Diagnóstico clínico: Apresentar três critérios maiores mais um critério menor; Ou apresentar um critério elaborado. 87 88 89 TRATAMENTO 90 Úlceras anogenitais 91 Herpes Agente etiológico: herpes simplex virus (HSV), tipos 1 (lesões periorais) e 2 (lesões genitais); Período de incubação: 1 a 26 dias (8 dias); Transmitida por contato sexual (oro-genital) ou contato com lesões e fômites, vertical (rara); O vírus poderá ficar em latência e reativar; Complicações: retenção urinária, meningite, disseminação cutânea e visceral 92 Primoinfecção herpética Período de incubação médio de seis dias. Manifestação mais severa, caracterizada pelo surgimento de lesões eritemato- papulosas de um a três milímetros de diâmetro, que rapidamente evoluem para vesículas sobre base eritematosa, muito dolorosas e de localização variável na região genital. O conteúdo dessas vesículas é geralmente citrino, raramente turvo. Manifestações gerais: febre, mal-estar, mialgia e disúria, com ou sem retenção urinária. Pode simular quadro de infeção urinária baixa NA MULHER A linfadenomegalia inguinal dolorosa bilateral está presente em 50% dos casos. 93 Manifestações clínicas Herpes recidivante: lesões iniciais tipo pápulas eritematosas de 2 a 3 mm, seguindo-se por vesículas agrupadas que se rompem e originam ulcerações. Corrimento genital aquoso (cervicite herpética), com ardor e prurido. Podem ocorrer sintomas gerais como: ardência miccional, febre e mal-estar; As infecções podem ser no olho, gengiva, dedos de mãos e pés, SNC. 94 95 96 Tratamento Analgésicos e anti-inflamatórios; Recidivas: trauma mecânico, tensão emocional, doença sistêmica, alteração imune, menstruação, febre, exposição ao sol ou frio intenso, fadiga e estresse. Considerar riscos para gravidez (aborto, infecção no canal de parto, transplacentária – rara). 97 98 99 Sífilis A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, de evolução crônica; Transmissão: relação sexual, transfusão de sangue (raro), vertical; É causada pelo Treponema pallidum, um espiroqueta; 100 Classificação Clínica da Sífilis Formas adquirida recente: primária, secundária latente recente; tardia: terciária; Formas congênita recente; tardia. Incubação: 10 a 90 dias (média de 21) após o contato; 101 Sífilis Primária Cancro duro: lesão erosada ou ulcerada, geralmente única, indolor, com bordos endurecidos, fundo liso, brilhante e secreção serosa escassa (altamente infectante); Homem: glande e sulco balanoprepucial; Mulher: pequenos lábios, paredes vaginais e colo uterino; É acompanhada de adenopatia regional não supurativa, móvel, indolor e múltipla; Aparece de 1 a 3 semanas (até 3 meses) após o contágio. Auto-limitada 102 103 104 Sífilis Secundária Aparece de 6 semanas a 6 meses; Lesões cutâneo-mucosas, não ulceradas, acompanhadas de micropoliadenopatia generalizada e artralgias, febrícula, cefaléia e adinamia; Manchas eritematosas (roséolas - tronco), pápulas elevadas em platô (sifílides papulosas), palma das mãos, planta dos pés, cavidade oral e genital, alopécia (couro cabeludo e sobrancelha). 105 106 107 108 Sífilis Latente 1 a 2 anos; Após desaparecimento da fase secundária até o surgimento da fase terciária; Dividi-se em Recente e tardia Ausência de sinais e sintomas; Sorologia positiva. 109 Sífilis Terciária 1/3 dos pacientes sem tratamento; 2 a 40 anos de infecção ; Manifestações tegumentares, oculares, ósseas (artropatia), cardiovasculares (aneurisma aórtico e estenose coronariana), neurológicas (demência, mielite transversa) ou assintomática. formação de gomas sifilíticas (tumorações com tendência a liquefação) na pele, mucosas, ossos ou qualquer tecido. “O comprometimento do SNC (neurossífilis) pode ocorrer em qualquer estágio da sífilis.” 110 111 Sífilis Congênita Taxa de infecção: 70 a 100% (1ª e 2ª) e 30% (3ª); Brasil: 16: 1000 (OMS: 1:1000); Ocorre em qualquer fase gestacional ou estágio clínico da doença materna; Óbitos fetais, abortos, prematuridade, baixo peso, hepatomegalia, lesões cutâneas, sofrimento respiratório, fissura peribucal, alterações ósseas, anemia, icterícia, hemorragia, meningite, retardo mental, surdez e cegueira; 112 113 Dentes de Hutchinson 114 Diagnóstico Clínico, epidemiológico, laboratorial; Exames diretos e testes imunológicos VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) não- treponêmico; FTA-abs e Elisa (treponêmico); Raio X (congênita); Exame de líquor (SNC). 115 Exames Diretos 116 Testes Imunológicos de Sífilis Mais utilizados na prática clínica. Pesquisa de anticorpos em amostras de sangue total, soro ou plasma. São subdivididos em duas classes: treponêmicos e treponêmicos 117 Testes treponêmicos São testes que detectam anticorpos específicos produzidos contra os antígenos de T. pallidum. São os primeiros a se tornarem reagentes, podendo ser utilizados como primeiro teste ou teste complementar. Em 85% dos casos, permanecem reagentes por toda vida, mesmo após o tratamento e, por isso, não são indicados para o monitoramento da resposta ao tratamento. 118 Testes rápidos (TR) utilizam principalmente a metodologia de imunocromatografia de fluxo lateral ou de plataforma de duplo percurso (DPP). Testes de hemaglutinação (TPHA, do inglês T. Pallidum Haemagglutination Test) e de aglutinação de partículas (TPPA, do inglês T. Pallidum Particle Agglutination Assay); ensaios de micro-hemaglutinação (MHA-TP, do inglês Micro-Haemagglutination Assay) Testede imunofluorescência indireta (FTA-Abs, do inglês Fluorescent Treponemal Antibody-Absorption Ensaios imunoenzimáticos (como os testes ELISA, do inglês Enzyme- Linked Immunossorbent Assay) e suas variações, como os ensaios de quimiluminescência (CMIA). A vantagem desses ensaios é sua elevada sensibilidade e capacidade de automação 119 Testes não treponêmicos Detectam anticorpos anticardiolipina não específicos para os antígenos do T. pallidum. Permitem a análise qualitativa e quantitativa. Análise da amostra pura e diluída, em virtude do fenômeno prozona. Se reatividade no teste diluí-la em um fator dois de diluição, até a última diluição em que não haja mais reatividade no teste. O resultado final dos testes reagentes, portanto, deve ser expresso em títulos (1:2, 1:4, 1:8, etc.). Os testes não treponêmicos são utilizados para o diagnóstico (como primeiro teste ou teste complementar) e também para o monitoramento da resposta ao tratamento e controle de cura. 120 121 122 123 Tratamento 124 A benzilpenicilina benzatina dever ser administrada exclusivamente por via intramuscular (IM). A região ventro-glútea é a via preferencial, por ser livre de vasos e nervos importantes, sendo tecido subcutâneo de menor espessura, com poucos efeitos adversos e dor local. Outros locais alternativos: região do vasto lateral da coxa e o dorso glúteo 125 126 Monitoramento após tratatmento Para o seguimento do paciente, os testes não treponêmicos (ex.: VDRL/ RPR) devem ser realizados: Mensalmente nas gestantes Restante da população (incluindo PVHIV), a cada três meses até o 12º mês do acompanhamento do paciente (3, 6, 9 e 12 meses). 127 Infecções entéricas e intestinais sexualmente transmissíveis Classificadas por localização e apresentam mecanismos de transmissão e agentes etiológicos distintos. Sinais e sintomas Baixos (retais)- dor anal, corrimento anal mucopurulento, tenesmo e hematoquezia. Altos (colônicos)- diarreia, dor abdominal, cólicas, náuseas e febre. As infecções mais comuns são proctite, proctocolite e enterite 128 Preservativos - método eficaz de proteção Relações sexuais com uso de dedos, instrumentos sexuais e prática boca-ânus também podem ser meios de transmissão. 129 Proctites Inflamação limitada à mucosa retal, até 10-12 cm da borda anal. Transmissão dos patógenos por inoculação direta no reto durante o intercurso anal (intercurso receptivo anal) sem uso de preservativos, ou com rompimento destes. Os agentes mais comuns: Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Treponema pallidum e Herpes simplex virus. Apresentação clínica: hematoquezia (73%), dor anal (62%), corrimento anal mucopurulento (58%), tenesmo e constipação 130 Proctocolites Inflamação da mucosa retal e do cólon que vai além de 10- 12cm da borda anal. Transmissão frequentemente fecal-oral (contato direto ou indireto), relacionada à prática sexual que envolve boca-ânus. Agentes etiológicos mais comuns: Entamoeba histolytica, Campylobacter species, Salmonella species, Shigella species e Chlamydia trachomatis (LGV). Apresentação clínica: dor anal, tenesmo, constipação, hematoquezia e corrimento anal mucopurulento. Mais alguns sintomas altos como diarreia, cólica e dor abdominal em decorrência da inflamação da mucosa colônica. 131 Enterite Inflamação do duodeno, jejuno e/ou íleo. Via de transmissão fecal-oral (contato direto ou indireto) relacionada à prática sexual boca-ânus. Agente etiológico mais comum: Giardia lamblia. Apresentação clínica: diarreia, cólicas e dor abdominal. Sem sinais e sintomas baixos. Hepatite A também pode se manifestar com sintomatologia de enterite. 132 Diagnóstico presuntivo Anamnese com abordagem da história sexual importante para diagnóstico de infecções entéricas e intestinais sexualmente transmissíveis, além de predizer risco de infecção. Presença de sinais e sintomas, associada ao relato de relações sexuais anais sem proteção de barreira, deve levar à suspeição clínica. Todo sintomático com epidemiologia positiva (prática sexual anal receptiva sem proteção de barreira) realizar exame físico: Exame físico do abdômen; Inspeção estática do ânus; Inspeção dinâmica do ânus; Palpação da região perianal; Toque retal. 133 134 Diagnóstico etiológico das infecções entéricas e intestinais sexualmente transmissíveis 135 Tratamento 136 Tratamento 137 Seguimento Espera-se resolução dos sinais e sintomas clínicos pós tratamento. Casos de persistência ou recidivas descartar reexposição→encaminhar para referência e coleta de material para identificação da etiologia. Principais recomendações são 138 Seguimento Principais recomendações: Risco de novas exposições e os métodos de prevenção disponíveis Uso de preservativos Lavagem das mãos antes e após relação sexual Evitar sexo anal, sexo oral-anal (rimming) e coprofagia (scat), em caso de paciente sintomático; Incentivar o uso de luvas para fisting; Evitar compartilhar materiais de douching, enemas e brinquedos sexuais. Verificar imunização para hepatite B e, quando necessário, indicar a imunização Orientar sobre o risco de hepatite A. 139 Parcerias Sintomáticas→ ceftriaxona 500mg, IM e azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única. Assintomáticos→o rastreamento de acordo com as práticas sexuais. Testagem para sífilis, HIV e hepatites B e C. 140 REFERÊNCIA Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2019. 248 p. : il. 141