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Metodologia do Ensino de Ciências A História da Física Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Esp. Diego Ferreira Coelho Prof. Me. Eduardo Jesus Dias Revisão Textual: Prof. Me. Claudio Brites. 5 • Uma Breve História da Física • A Necessidade da História da Física no Ensino • A História da Física nos Livros Didáticos Para melhor compreender esta unidade, deve-se, primeiramente, ter uma noção de toda a história da Física: de onde ela surgiu, quais seus principais filósofos, cientistas e pensadores, e o cenário histórico-social em que estão inseridos. A História da Física é uma das metodologias sugeridas para melhor entendimento dos alunos, apoiada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN); além de humanizar a Ciência e demonstrar sua construção humana, serve como uma opção atraente para o desenvolvimento de certas competências nos alunos. O método científico é analisado de forma sucinta e pode ser trabalhado em vários momentos, de acordo com o tema estudado, para atingirmos algum objetivo específico. O uso da História da Física em livros didáticos também é fundamentando, apesar de não ter uma utilidade muito grande no aprendizado dos alunos em grande parte dos casos, por conta da forma com que é abordado. Há ainda a presença de exemplos de práticas de ensino por meio da História da Ciência, para se ter uma noção de como é possível trazer um tema dessa disciplina para a realidade do aluno, dinamizando o conhecimento científico para ele. · Nesta Unidade, veremos a importância da história da Física na evolução científica e seu uso no processo de ensino-aprendizagem. · É fundamental compreender a disciplina História da Física como uma das metodologias que abordam o conhecimento científico como uma construção humana (não como um estudo pronto e acabado), resultando em parte da cultura em que o mesmo conhecimento é desenvolvido. A História da Física • O Ensino com História da Física como Metodologia 6 Unidade: A História da Física Contextualização Para estudar o movimento dos corpos a partir da História da Física, podemos analisar duas questões abertas de acordo com Butland e Santos (2005): Experiência da flecha: A flecha, após ser lançada, continua seu movimento depois de abandonar o arco. Algumas pessoas acham que o movimento ocorre por causa da corda tensa em contato com a flecha, mas e depois dela abandonar o arco, quem a movimenta? Experiência da bala de canhão: Qual dos caminhos abaixo, no diagrama, representa melhor a trajetória da bala de canhão? Justifique sua resposta. Fonte da figura: Butland e Santos (2005, p. 3). De acordo com as respostas dos alunos, pode-se investigar quais respostas são mais próximas dos estudos sobre o movimento: » Fase Aristotélica: uma velocidade inicial ou uma força mantém o objeto no ar, até que ela acabe e o objeto caia; » Fase Medieval: o objeto vai perdendo sua força e caindo conforme a perde; » Fase Newtoniana: um corpo em movimento tende a continuar em movimento (Inércia) e a ação da gravidade da Terra pode influenciar na queda dos corpos. Fazer um diagnóstico da turma pode ser um meio para atingirmos determinado objetivo. As questões propostas levantam essa hipótese. 7 Uma Breve História da Física Antiguidade e Grécia Antiga A concepção que temos hoje da Física foi sendo construída no decorrer da história da humanidade, partindo das percepções que o homem tinha da natureza, a sua capacidade de procurar padrões nela – como o ciclo lunar e o período de duração do ano através das quatro estações. Antes de ter uma explicação científica para esses fenômenos, eles eram atribuídos à mitologia e à metafísica por diversos povos, em diversas culturas, em contextos históricos diferentes. Na sociedade grega, a mitologia apresentava vários deuses, o deus que controlava os céus seria Zeus, enquanto Gaia seria a deusa que dominava a terra; os mares seriam da autoridade de Poseidon; e Apolo era um deus que cruzava o céu todos os dias com sua carruagem de fogo, o Sol, o que explicava a sucessão dos dias. Nessa sociedade, surge Aristóteles (Figura 1), um dos maiores filósofos naturais, teorizou sobre os quatro elementos básicos, a existência do éter como quinto elemento, a descrição do movimento dos corpos, o geocentrismo, entre outras teorias, numa tentativa de racionalizar o mundo. Mas não foram só os gregos que estudaram a chamada Filosofia Natural – como era conhecida a Física antigamente, pois seus estudos eram juntos aos da Química, com aspectos da Matemática e Biologia, e a Astronomia estava inserida nela. Os indianos já refletiam sobre questões físicas há cerca de 3000 anos antes de Cristo; no primeiro milênio antes de Cristo, eles já teorizavam sobre o atomismo e o heliocentrismo. Os maias, no século I a.C., desenvolveram um calendário com o ano tendo uma precisão de seis segundos, além de conhecerem os movimentos do Sol e dos planetas. Os chineses também iniciaram na Antiguidade estudos relacionados à Física, procurando explicar o Universo como resultado do equilíbrio das forças opostas Yin e Yang (Figura 2). Idade Média Em 476 d.C., o rei bárbaro vândalo Odoacro, dos Hérulos, depõe o último imperador romano, Rômulo Augusto, marcando o fim do Império Romano Ocidental. Com isso, grande parte da literatura grega se perde, mas todo o conhecimento adquirido pelos gregos foi passado aos árabes, migrando para o Egito e para o Oriente Médio, para ser aperfeiçoado com o passar do tempo. Já na Europa, a produção científica praticamente deixou de existir. A Igreja Católica era retentora de todo o conhecimento desenvolvido até a época, e ajudaria no surgimento das primeiras universidades; até que no século XII, quando a Europa retoma seus territórios dos árabes, inicia-se a tradução da literatura árabe e grega para o latim, e todo aquele conhecimento grego que havia passado aos árabes e aperfeiçoado por eles foi retomado. Figura 1 – Aristóteles. Fonte: Thinkstock/Getty Images Figura 2 – Símbolo do Tao Fonte: Thinkstock/Getty Images 8 Unidade: A História da Física Renascimento e Revolução Científica Ao fim da Idade Média (século XV), a Física passa a surgir como um conhecimento mais prático e exato – a chamada Revolução Científica –, e alguns estudiosos da época passam a se destacar, como Nicolau Copérnico e Galileu Galilei (Figura 3), que defenderam o heliocentrismo. Já com o método científico como ferramenta – desenvolvida, entre outros, por René Descartes e Francis Bacon –, a Física ainda tem a grande contribuição de Isaac Newton, enunciando a lei da gravitação universal, explicando matematicamente o comportamento dos corpos na Terra e dos corpos celestes. A partir daí a produção do conhecimento teve um crescimento exponencial: as bases da termodinâmica e do eletromagnetismo surgem nos séculos XVIII e XIX, com destaque para Rudolf Clausius, James Prescott Joule e Michael Faraday; James Clerk Maxwell é o responsável por unificar os trabalhos de vários cientistas, dando o fundamento matemático necessário para as leis do eletromagnetismo (fazendo várias correções) e demonstrando por meio de cálculos a velocidade da luz, levando a óptica a ser fundida com a teoria eletromagnética. Física Moderna Ao final do século XIX, surgem questões que a Física clássica já não era mais capaz de explicar, tais como a radiação do corpo negro e o efeito fotoelétrico. Alguns físicos foram capazes de estabelecer bases para novas descobertas: Max Planck e o conceito de quantum de energia; Albert Einstein com a Relatividade e a Mecânica Quântica; o Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg; o princípio da complementaridade de Niels Bohr. Desde então a Física tem evoluído – podemos comprovar isso até os dias de hoje, através de seu uso nastecnologias presentes em nosso cotidiano. A Necessidade da História da Física no Ensino Características do ensino com a História da Física O grande desafio, principalmente para os docentes, é organizar, sintetizar e contextualizar os temas de ensino com o uso da História da Física. As Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) do Ensino Médio afirmam que: [...] há competências relacionadas principalmente com a investigação e compreensão dos fenômenos físicos, enquanto há outras que dizem respeito à utilização da linguagem física e de sua comunicação, ou, finalmente, que tenham a ver com sua contextualização histórico e social (Brasil, 2002, p. 62). Figura 3 – Galileu Galilei Fonte: Thinkstock/Getty Images 9 A história da Física entra como ferramenta no campo da abordagem histórica e social da disciplina. Seus objetivos são: Quadro 1 Objetivo Geral Objetivos Específicos Ciência e Tecnologia Na História Compreender o conhecimento científico e o tecnológico como resultados de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social. » Compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico em estreita relação com as condições sociais, políticas e econômicas de uma determinada época. Compreender, por exemplo, a transformação da visão de mundo geocêntrica para a heliocêntrica, relacionando-a às transformações sociais que lhe são contemporâneas, identificando as resistências, dificuldades e repercussões que acompanharam essa mudança; » Compreender o desenvolvimento histórico dos modelos físicos para dimensionar corretamente os modelos atuais, sem dogmatismo ou certezas definitivas; » Compreender o desenvolvimento histórico da tecnologia nos mais diversos campos e suas consequências para o cotidiano e para as relações sociais de cada época, identificando como seus avanços foram modificando as condições de vida e criando novas necessidades. Esses conhecimentos são essenciais para dimensionar corretamente o desenvolvimento tecnológico atual, através tanto de suas vantagens como de seus condicionantes. Reconhecer, por exemplo, o desenvolvimento de formas de transporte a partir da descoberta da roda e da tração animal – ao desenvolvimento de motores, ao domínio da aerodinâmica e à conquista do espaço –, identificando a evolução que vem permitindo ao ser humano deslocar-se de um ponto ao outro do globo terrestre em intervalos de tempo cada vez mais curtos e, também, os problemas decorrentes dessa evolução; » Perceber o papel desempenhado pelo conhecimento físico no desenvolvimento da tecnologia e a complexa relação entre ciência e tecnologia ao longo da história. Muitas vezes a tecnologia foi precedida pelo desenvolvimento da Física, como no caso da fabricação de lasers, ou, em outras, foi a tecnologia que antecedeu o conhecimento científico, como no caso das máquinas térmicas. (Brasil, 2002, p.67) O uso da História da Física como método de ensino ainda é tímido, realizado como um tópico dentro do tema abordado, de forma pontual, inserido num contexto histórico limitado e cronológico, quando pode ser muito mais que isso. Teixeira e Trindade (2004) afirmam que [...] a inclusão de tópicos de História da Ciência deve procurar ressaltar o caráter da ciência como processo de construção humana em oposição ao seu caráter de objeto de estudo acabado, que é excessivamente enfatizado por muitos livros didáticos de Física, Química, Biologia e Matemática. A História da Ciência é fundamental para ressaltar o papel da ciência como parte da cultura humana acumulada ao longo dos séculos [...]. Por fim, o ensino da História da Ciência deve, sempre que possível, enfatizar tanto as controvérsias científicas que existiram no desenvolvimento científico da ciência quanto os dilemas éticos vividos e os valores assumidos por cientistas ao longo da história [...] (Teixeira e Trindade, 2004, p. 56). A análise feita pelos autores é sobre a História da Ciência, abrangendo não só a Física, mas todas as Ciências da Natureza e a Matemática. Uma proposta interdisciplinar também é possível dentro dessa metodologia, já que por muito tempo os estudos de Física, Química e das demais ciências eram unificados. Por exemplo: o conteúdo de radioatividade pode ser trabalhado tanto na Física quanto na Química, assim como os efeitos desta para a saúde, estudados em Biologia, e, ainda, podemos ter seus dados interpretados quantitativamente pela Matemática. 10 Unidade: A História da Física Método Científico Parte fundamental do desenvolvimento da Física (e de todas as Ciências) se deu a partir da adoção do método científico, adaptado por cientistas como Galileu Galilei, Johannes Kepler e William Gilbert, da forma filosófica desenvolvida por, entre outros, René Descartes e Francis Bacon. Através do método científico, em apenas quatro séculos de história, o homem foi capaz de passar de observador da Lua a explorador de seu terreno, deixou de ser o centro do universo para saber onde está situado nele, passou de habitante do planeta Terra para viajante espacial. E para que o aluno tenha a concepção do que é a Física e como ela foi sendo construída, a explicação do que é o método científico vem de encontro à aplicação da História da Física no ensino; mais do que isso, o uso do método científico pode ser parte do processo de ensino- aprendizagem, fazendo com que o aluno seja o protagonista no decorrer dessas aulas, trilhando por caminhos que levaram cientistas a várias descobertas. Resumidamente, o método científico consiste nas seguintes etapas: » Problema: deve-se definir um problema ou fazer uma pergunta; » Hipótese: propor uma hipótese para o problema em questão; » Experiência: a hipótese é testada; » Conclusão: tirar uma conclusão a partir do resultado da experiência; » Nova hipótese: caso a conclusão não seja aquela esperada na hipótese, deve-se fazer uma nova hipótese e seguir os passos novamente. Figura 4 – Método Científico 11 A História da Física nos Livros Didáticos Os livros didáticos de Física trazem, em sua maioria, uma informação (dentro de um quadro, algumas vezes em uma página) sobre a História da Física, o que nos leva a analisar que há certa importância em ressaltar tal característica quando algum tema da Física é ensinado. Porém, deve- se refletir: a forma que ela é abordada realmente contribui com a aprendizagem dos alunos? Pagliarini e Silva (2006 apud OLIVEIRA, 2009, p.32) fazem uma análise do uso da História da Física a partir dos livros didáticos, afirmando que ela é “distorcida e simplificada, enfatizando os aspectos caricaturais dos cientistas, reforçando a ideia da existência dos ‘gênios’, redução a nomes e datas, transmitindo uma visão errada sobre o método científico”. Silva e Pimentel (2006 apud OLIVEIRA, 2009, p.33) analisam a forma como 12 livros didáticos do Ensino Fundamental e Médio tratam a história da Eletricidade, principalmente as contribuições de Benjamin Franklin: no geral, apresentam uma abordagem empírico-indutivista da dinâmica científica, como se a ciência fosse algo voltado a mentes brilhantes. Há uma tendência, assim como o ensino de Física vem se reestruturando, à produção de novos livros didáticos que usem a História da Física como metodologia para o desenvolvimento de certas competências nos alunos. Contudo, é importante ressaltar que um livro didático não faz o papel do professor em sala de aula, ele vem apenas como um apoio para facilitar o entendimento dos estudantes – a presença do docente e de suas metodologias ainda são fundamentais para a concretização da aprendizagem. O Ensino com História da Física como Metodologia Muitos caminhos são tomados quando usamos a História da Física como um método para lecionar Física: a discussão de teorias e quebra de paradigmas,a vida dos cientistas e suas descobertas, a abordagem de filmes com diferentes épocas da humanidade e sua evolução científica, o uso de textos científicos (originais de cientistas que fizeram descobertas importantes ou textos com uma linguagem mais acessível aos jovens), reprodução de experimentos feitos por cientistas, trabalhos interdisciplinares (História, Física, Química, Filosofia, etc.) que envolvam temas em comum às disciplinas ou um mesmo período histórico a ser abordado, ou, ainda, por meio de pesquisas e seminários. da dinâmica científica, como se a ciência fosse algo voltado a mentes brilhantes. Empírico-indutivista: essa abordagem implica na observação e na experimentação para se tirar conclusões baseadas no que foi observado e produzir conhecimento. 12 Unidade: A História da Física As possibilidades são diversas, mas agora veremos como isso é possível tendo como referência alguns exemplos reais do que pode ser feito e o que vem sendo feito atualmente com o uso dessa metodologia de ensino. A Mecânica abordada com a História da Física Os alunos do Ensino Médio apresentam, em sua maioria, dificuldade em compreender tópicos de Mecânica (trabalhados dentro do tema estruturador Movimentos: variações e conservações), são conteúdos como: movimento uniforme, movimento acelerado, movimento circular, forças, leis de Newton, entre outros, que se ensinados com ênfase na aplicação de fórmulas e resolução de exercícios perdem o sentido do “para que” ensinar Física. De acordo com Vieira e Batista (2005 apud OLIVEIRA, 2009, p. 23), o uso da História da Física no estudo da Mecânica é “fundamental para o entendimento de sua dinâmica, pois permite vincular o conhecimento científico ao contexto histórico aplicado”. Os autores acreditam que essa abordagem histórica “contribui para que os alunos se manifestem de uma maneira diferente em relação à disciplina, que descubram uma Física de desafios que possibilitem novas descobertas no seu desenvolvimento pessoal”, e que ainda seja criada uma situação mais propícia para se aprender Física, “despertando o interesse dos alunos e obtendo uma aula mais produtiva e eficaz”. Segundo Butland (2005, p.21-22), um trabalho a partir da História da Física tem o objetivo geral de promover [...] a melhoria do processo ensino-aprendizagem; o incentivo ao raciocínio do aprender; o incentivo ao raciocínio e à revitalização do aprender dada através da contextualização dos conteúdos, da promoção de debates a respeito do desenvolvimento das ciências e ainda da promoção da interdisciplinaridade. Butland (2005, p. 65) ainda afirma que é possível obter êxito de boa parte da turma na disciplina utilizando uma combinação de algumas práticas em sala de aula: » Pesquisas históricas; » Socialização e exposição das ideias encontradas pelos alunos nas pesquisas históricas; » Formulação de conceitos a partir das pesquisas históricas; » Resolução de problemas. Para o estudo da Mecânica, os alunos podem coletar informações por meio de pesquisas de filósofos e cientistas como Aristóteles, Galileu, Newton, Kepler, entre outros. A pesquisa pode ser exposta pelos alunos, direcionada pelo professor, que seleciona os principais pontos que serão abordados. A participação dos alunos nessa atividade é fundamental, as dúvidas que tiverem devem ser esclarecidas pelo professor ou pelos próprios colegas de turma. É possível, ainda, confrontar ideias sobre o mesmo tema de diferentes pontos de vista (a queda livre, por exemplo, para Aristóteles e para Galileu). Depois de todo contexto histórico preparado, é possível formular os conceitos que se pretende destacar, concluindo toda a abordagem histórica que faz o diferencial dessa metodologia. 13 O próximo passo, a resolução de problemas, serve como avaliação da aprendizagem – lembrando que essa resolução não precisa ser somente a aplicação de fórmulas em exercícios (mesmo que isso faça parte das competências a serem desenvolvidas em Física, e deva ser trabalhado em sala de aula), mas todos os conceitos formados, os paradigmas rompidos, os raciocínios lógicos e a evolução do pensamento científico. A avaliação nesse processo pode se dar em todos os momentos: na qualidade das pesquisas feitas pelos alunos, na exposição oral feita por eles, além das resoluções dos problemas a partir dos conceitos formados. Essa metodologia pode ser usada não só na Mecânica, mas também em qualquer tema da Física. Reprodução de experimentos contextualizando momentos históricos É possível ainda realizar a experimentação que levou vários cientistas a descobertas importantes: o trabalho de Newton com a luz branca e sua composição, a eletricidade e o magnetismo de Oersted, lei da refração de Snell, entre outros. A experiência pode ser trabalhada a partir dos conceitos que os cientistas tinham na época, para que o aluno trilhe um caminho e chegue à mesma descoberta que o pesquisador em questão chegou. Trocando Ideias Esta é uma abordagem experimental voltada à História da Física. Há outros meios de se aplicar a experimentação no ensino de Física, que veremos em outra unidade de estudo. É necessário, portanto, que toda a contextualização histórico-social da época em questão seja o ponto de partida dessa metodologia: » Contextualização e modelo aceito na época; » Problema que gera uma quebra do paradigma; » Realização da experiência; » Conclusão. Uso de filmes e documentários com abordagem histórica da Física Outra ferramenta importante que pode ser usada na inserção de contextos históricos e momentos importantes da história da Física é o uso de filmes e documentários. Ao invés dos alunos fazerem uma pesquisa histórica sobre o tema em questão, uma discussão sobre o filme/documentário pode ilustrar esses conceitos. 14 Unidade: A História da Física Explore Podem ser muito utilizados para discutir o início da percepção científica do homem na Antiguidade filmes como 10.000 a.C., A Guerra do Fogo, etc. A concepção de ciência e o processo de construção do conhecimento científico na Idade Média podem ser vistos em O Nome da Rosa. Podem ser usados ainda filmes que retratam a Revolução Industrial, para trabalhar temas relacionados à Termodinâmica; ou ainda documentários sobre Eletricidade, Magnetismo, Astronomia, que passem em canais de TV educativos, voltados especificamente a esses temas. Figura 5: Apollo 11 Fonte: NASA Documentos históricos e textos de divulgação científica Alguns documentos históricos, se analisados à luz da ciência da época em que foram escritos, podem caracterizar excelente material de uso pedagógico no ensino de Física, tais como alguns textos sobre eletromagnetismo e os próprios textos de Michael Faraday sobre suas descobertas. Ainda há a possibilidade do uso de textos de divulgação científica de jornais e revistas, sempre vinculados ao contexto histórico que se queira ensinar. Explore As revistas de divulgação científica, como a Galileu e a SuperInteressante, trazem algumas matérias atraentes para trabalharmos em sala (tem que se escolher a matéria com cautela). Revistas mais especializadas, como a Scientific American Brasil e a National Geographic Brasil, são as que produzem matérias com mais conteúdo e fundamentos científicos. 15 16 Unidade: A História da Física Material Complementar Para você se aprofundar na parte da história da Física, há um artigo que retrada mais detalhadamente todos os momentos importantes e as descobertas fundamentais no cenário da Física, que está disponível em: http://www.das.inpe.br/~alex/Ensino/cursos/historia_da_ciencia/ artigos/Historia_da_Fisica_30.pdf Um seriado importante chamado Cosmos, gravado na década de 80 pelo cientista Carl Sagan, foi regravado agora em 2014 pelo divulgadorcientífico e astrofísico Neil deGrasse Tyson. Em 13 episódios, são retradados vários temas ligados à Física e, na maioria deles, há o foco em um grande personagem da história da Física, como foi sua vida e o processo científico de suas descobertas. A série foi renomeada Cosmos: a Spacetime Odyssey. Para saber em quais canais de TV ela pode ser vista, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmos:_A_Spacetime_Odyssey No livro Temas especiais de educação e ciências, referência bibliográfica do material teórico (citado abaixo), os autores citam uma experiência de inclusão da disciplina História da Ciência para o terceiro ano do Ensino Médio com uma proposta interdisciplinar. No mesmo livro, o filme O Nome da Rosa é analisado sob o aspecto da História da Ciência em um dos capítulos. TEIXEIRA, Ricardo P. e TRINDADE, Diamantino R. Reflexões sobre uma experiência de inclusão da disciplina “História da Ciência” no Ensino Médio. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 55 – 67. TEIXEIRA, Ricardo P. Uma análise do filme O Nome da Rosa sob a ótica da História da Ciência. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 75 – 79. 17 Referências BRASIL, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio). Brasília: Ministério da Educação e Cultura (MEC), 2000. _______, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN +) Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Brasília: Ministério da Educação e Cultura (MEC), 2002. BUTLAND, Valéria R. G. Uma Proposta para o Uso da História da Física como Metodologia do Ensino de Física. 2005. 138 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática) – Universidade Luterana do Brasil, Canoas, 2005. OLIVEIRA, Luciano D. de. A História da Física como Elemento Facilitador na Aprendizagem da Mecânica dos Fluidos. 2009. 161 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Física) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. TEIXEIRA, Ricardo P. Uma análise do filme O Nome da Rosa sob a ótica da História da Ciência. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 75 – 79. TEIXEIRA, Ricardo P. e TRINDADE, Diamantino R. Reflexões sobre uma experiência de inclusão da disciplina “História da Ciência” no Ensino Médio. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 55 – 67. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – INSTITUTO DE FÍSICA. História e Epistemologia da Física. Disponível em: <http://www.fisica.net/historia/historia_da_fisica_ resumo.php>. Acesso em: 14 jul. 2014. 18 Unidade: A História da Física Anotações www.cruzeirodosulvirtual.com.br Campus Liberdade Rua Galvão Bueno, 868 CEP 01506-000 São Paulo SP Brasil Tel: (55 11) 3385-3000 www.cruzeirodosulvirtual.com.br Rua Galvão Bueno, 868 Tel: (55 11) 3385-3000