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Metodologia do 
Ensino de Ciências
A História da Física 
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Diego Ferreira Coelho
Prof. Me. Eduardo Jesus Dias 
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites. 
5
• Uma Breve História da Física
• A Necessidade da História da Física no Ensino
• A História da Física nos Livros Didáticos
Para melhor compreender esta unidade, deve-se, primeiramente, ter uma noção de toda a 
história da Física: de onde ela surgiu, quais seus principais filósofos, cientistas e pensadores, 
e o cenário histórico-social em que estão inseridos.
A História da Física é uma das metodologias sugeridas para melhor entendimento dos 
alunos, apoiada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN); além de humanizar a 
Ciência e demonstrar sua construção humana, serve como uma opção atraente para o 
desenvolvimento de certas competências nos alunos.
O método científico é analisado de forma sucinta e pode ser trabalhado em vários momentos, 
de acordo com o tema estudado, para atingirmos algum objetivo específico.
O uso da História da Física em livros didáticos também é fundamentando, apesar de não 
ter uma utilidade muito grande no aprendizado dos alunos em grande parte dos casos, por 
conta da forma com que é abordado.
Há ainda a presença de exemplos de práticas de ensino por meio da História da Ciência, 
para se ter uma noção de como é possível trazer um tema dessa disciplina para a realidade 
do aluno, dinamizando o conhecimento científico para ele.
 · Nesta Unidade, veremos a importância da história da Física na 
evolução científica e seu uso no processo de ensino-aprendizagem.
 · É fundamental compreender a disciplina História da Física como 
uma das metodologias que abordam o conhecimento científico 
como uma construção humana (não como um estudo pronto 
e acabado), resultando em parte da cultura em que o mesmo 
conhecimento é desenvolvido.
A História da Física 
• O Ensino com História da Física como Metodologia
6
Unidade: A História da Física
Contextualização
Para estudar o movimento dos corpos a partir da História da Física, podemos analisar duas 
questões abertas de acordo com Butland e Santos (2005):
Experiência da flecha: 
A flecha, após ser lançada, continua seu movimento depois de abandonar o arco. Algumas 
pessoas acham que o movimento ocorre por causa da corda tensa em contato com a flecha, 
mas e depois dela abandonar o arco, quem a movimenta?
Experiência da bala de canhão: 
Qual dos caminhos abaixo, no diagrama, representa melhor a trajetória da bala de canhão? 
Justifique sua resposta.
 
Fonte da figura: Butland e Santos (2005, p. 3).
De acordo com as respostas dos alunos, pode-se investigar quais respostas são mais próximas 
dos estudos sobre o movimento:
 » Fase Aristotélica: uma velocidade inicial ou uma força mantém o objeto no ar, até que 
ela acabe e o objeto caia;
 » Fase Medieval: o objeto vai perdendo sua força e caindo conforme a perde;
 » Fase Newtoniana: um corpo em movimento tende a continuar em movimento (Inércia) 
e a ação da gravidade da Terra pode influenciar na queda dos corpos.
Fazer um diagnóstico da turma pode ser um meio para atingirmos determinado objetivo. As 
questões propostas levantam essa hipótese.
7
Uma Breve História da Física
Antiguidade e Grécia Antiga
A concepção que temos hoje da Física foi sendo construída no 
decorrer da história da humanidade, partindo das percepções que o 
homem tinha da natureza, a sua capacidade de procurar padrões nela 
– como o ciclo lunar e o período de duração do ano através das quatro 
estações. Antes de ter uma explicação científica para esses fenômenos, 
eles eram atribuídos à mitologia e à metafísica por diversos povos, em 
diversas culturas, em contextos históricos diferentes. Na sociedade 
grega, a mitologia apresentava vários deuses, o deus que controlava 
os céus seria Zeus, enquanto Gaia seria a deusa que dominava a 
terra; os mares seriam da autoridade de Poseidon; e Apolo era um 
deus que cruzava o céu todos os dias com sua carruagem de fogo, o 
Sol, o que explicava a sucessão dos dias. Nessa sociedade, surge 
Aristóteles (Figura 1), um dos maiores filósofos naturais, teorizou 
sobre os quatro elementos básicos, a existência do éter como quinto 
elemento, a descrição do movimento dos corpos, o geocentrismo, 
entre outras teorias, numa tentativa de racionalizar o mundo. 
Mas não foram só os gregos que estudaram a chamada Filosofia 
Natural – como era conhecida a Física antigamente, pois seus 
estudos eram juntos aos da Química, com aspectos da Matemática 
e Biologia, e a Astronomia estava inserida nela. Os indianos já 
refletiam sobre questões físicas há cerca de 3000 anos antes de 
Cristo; no primeiro milênio antes de Cristo, eles já teorizavam 
sobre o atomismo e o heliocentrismo. Os maias, no século I a.C., 
desenvolveram um calendário com o ano tendo uma precisão de 
seis segundos, além de conhecerem os movimentos do Sol e dos 
planetas. Os chineses também iniciaram na Antiguidade estudos 
relacionados à Física, procurando explicar o Universo como 
resultado do equilíbrio das forças opostas Yin e Yang (Figura 2).
Idade Média
Em 476 d.C., o rei bárbaro vândalo Odoacro, dos Hérulos, depõe o último imperador 
romano, Rômulo Augusto, marcando o fim do Império Romano Ocidental. Com isso, grande 
parte da literatura grega se perde, mas todo o conhecimento adquirido pelos gregos foi passado 
aos árabes, migrando para o Egito e para o Oriente Médio, para ser aperfeiçoado com o passar 
do tempo.
Já na Europa, a produção científica praticamente deixou de existir. A Igreja Católica era 
retentora de todo o conhecimento desenvolvido até a época, e ajudaria no surgimento das 
primeiras universidades; até que no século XII, quando a Europa retoma seus territórios dos 
árabes, inicia-se a tradução da literatura árabe e grega para o latim, e todo aquele conhecimento 
grego que havia passado aos árabes e aperfeiçoado por eles foi retomado.
Figura 1 – Aristóteles.
Fonte: Thinkstock/Getty Images
Figura 2 – Símbolo do Tao
Fonte: Thinkstock/Getty Images
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Unidade: A História da Física
Renascimento e Revolução Científica
Ao fim da Idade Média (século XV), a Física passa a surgir 
como um conhecimento mais prático e exato – a chamada 
Revolução Científica –, e alguns estudiosos da época passam a 
se destacar, como Nicolau Copérnico e Galileu Galilei (Figura 3), 
que defenderam o heliocentrismo.
Já com o método científico como ferramenta – desenvolvida, 
entre outros, por René Descartes e Francis Bacon –, a Física 
ainda tem a grande contribuição de Isaac Newton, enunciando 
a lei da gravitação universal, explicando matematicamente o 
comportamento dos corpos na Terra e dos corpos celestes.
A partir daí a produção do conhecimento teve um crescimento 
exponencial: as bases da termodinâmica e do eletromagnetismo 
surgem nos séculos XVIII e XIX, com destaque para Rudolf 
Clausius, James Prescott Joule e Michael Faraday; James Clerk Maxwell é o responsável por 
unificar os trabalhos de vários cientistas, dando o fundamento matemático necessário para as 
leis do eletromagnetismo (fazendo várias correções) e demonstrando por meio de cálculos a 
velocidade da luz, levando a óptica a ser fundida com a teoria eletromagnética.
Física Moderna
Ao final do século XIX, surgem questões que a Física clássica já não era mais capaz de 
explicar, tais como a radiação do corpo negro e o efeito fotoelétrico. Alguns físicos foram 
capazes de estabelecer bases para novas descobertas: Max Planck e o conceito de quantum 
de energia; Albert Einstein com a Relatividade e a Mecânica Quântica; o Princípio da Incerteza 
de Werner Heisenberg; o princípio da complementaridade de Niels Bohr. Desde então a Física 
tem evoluído – podemos comprovar isso até os dias de hoje, através de seu uso nastecnologias 
presentes em nosso cotidiano.
A Necessidade da História da Física no Ensino
Características do ensino com a História da Física
O grande desafio, principalmente para os docentes, é organizar, sintetizar e contextualizar 
os temas de ensino com o uso da História da Física. As Orientações Complementares aos 
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) do Ensino Médio afirmam que:
[...] há competências relacionadas principalmente com a investigação e 
compreensão dos fenômenos físicos, enquanto há outras que dizem respeito 
à utilização da linguagem física e de sua comunicação, ou, finalmente, que 
tenham a ver com sua contextualização histórico e social (Brasil, 2002, p. 62).
Figura 3 – Galileu Galilei
Fonte: Thinkstock/Getty Images
9
A história da Física entra como ferramenta no campo da abordagem histórica e social da 
disciplina. Seus objetivos são:
Quadro 1
Objetivo Geral Objetivos Específicos
Ciência e Tecnologia Na 
História
Compreender o conhecimento 
científico e o tecnológico como 
resultados de uma construção 
humana, inseridos em um 
processo histórico e social.
 » Compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico em estreita relação 
com as condições sociais, políticas e econômicas de uma determinada época. Compreender, por 
exemplo, a transformação da visão de mundo geocêntrica para a heliocêntrica, relacionando-a às 
transformações sociais que lhe são contemporâneas, identificando as resistências, dificuldades e 
repercussões que acompanharam essa mudança;
 » Compreender o desenvolvimento histórico dos modelos físicos para dimensionar corretamente os 
modelos atuais, sem dogmatismo ou certezas definitivas;
 » Compreender o desenvolvimento histórico da tecnologia nos mais diversos campos e suas 
consequências para o cotidiano e para as relações sociais de cada época, identificando como 
seus avanços foram modificando as condições de vida e criando novas necessidades. Esses 
conhecimentos são essenciais para dimensionar corretamente o desenvolvimento tecnológico 
atual, através tanto de suas vantagens como de seus condicionantes. Reconhecer, por exemplo, 
o desenvolvimento de formas de transporte a partir da descoberta da roda e da tração animal 
– ao desenvolvimento de motores, ao domínio da aerodinâmica e à conquista do espaço –, 
identificando a evolução que vem permitindo ao ser humano deslocar-se de um ponto ao outro do 
globo terrestre em intervalos de tempo cada vez mais curtos e, também, os problemas decorrentes 
dessa evolução;
 » Perceber o papel desempenhado pelo conhecimento físico no desenvolvimento da tecnologia e 
a complexa relação entre ciência e tecnologia ao longo da história. Muitas vezes a tecnologia foi 
precedida pelo desenvolvimento da Física, como no caso da fabricação de lasers, ou, em outras, 
foi a tecnologia que antecedeu o conhecimento científico, como no caso das máquinas térmicas.
(Brasil, 2002, p.67)
O uso da História da Física como método de ensino ainda é tímido, realizado como um 
tópico dentro do tema abordado, de forma pontual, inserido num contexto histórico limitado 
e cronológico, quando pode ser muito mais que isso. Teixeira e Trindade (2004) afirmam que
[...] a inclusão de tópicos de História da Ciência deve procurar ressaltar o 
caráter da ciência como processo de construção humana em oposição ao seu 
caráter de objeto de estudo acabado, que é excessivamente enfatizado por 
muitos livros didáticos de Física, Química, Biologia e Matemática. A História da 
Ciência é fundamental para ressaltar o papel da ciência como parte da cultura 
humana acumulada ao longo dos séculos [...]. Por fim, o ensino da História da 
Ciência deve, sempre que possível, enfatizar tanto as controvérsias científicas 
que existiram no desenvolvimento científico da ciência quanto os dilemas éticos 
vividos e os valores assumidos por cientistas ao longo da história [...] (Teixeira 
e Trindade, 2004, p. 56).
A análise feita pelos autores é sobre a História da Ciência, abrangendo não só a Física, mas 
todas as Ciências da Natureza e a Matemática. Uma proposta interdisciplinar também é possível 
dentro dessa metodologia, já que por muito tempo os estudos de Física, Química e das demais 
ciências eram unificados. Por exemplo: o conteúdo de radioatividade pode ser trabalhado tanto 
na Física quanto na Química, assim como os efeitos desta para a saúde, estudados em Biologia, 
e, ainda, podemos ter seus dados interpretados quantitativamente pela Matemática.
10
Unidade: A História da Física
Método Científico
Parte fundamental do desenvolvimento da Física (e de todas as Ciências) se deu a partir da 
adoção do método científico, adaptado por cientistas como Galileu Galilei, Johannes Kepler e 
William Gilbert, da forma filosófica desenvolvida por, entre outros, René Descartes e Francis Bacon.
Através do método científico, em apenas quatro séculos de história, o homem foi capaz de 
passar de observador da Lua a explorador de seu terreno, deixou de ser o centro do universo 
para saber onde está situado nele, passou de habitante do planeta Terra para viajante espacial.
E para que o aluno tenha a concepção do que é a Física e como ela foi sendo construída, 
a explicação do que é o método científico vem de encontro à aplicação da História da Física 
no ensino; mais do que isso, o uso do método científico pode ser parte do processo de ensino-
aprendizagem, fazendo com que o aluno seja o protagonista no decorrer dessas aulas, trilhando 
por caminhos que levaram cientistas a várias descobertas.
Resumidamente, o método científico consiste nas seguintes etapas:
 » Problema: deve-se definir um problema ou fazer uma pergunta;
 » Hipótese: propor uma hipótese para o problema em questão;
 » Experiência: a hipótese é testada;
 » Conclusão: tirar uma conclusão a partir do resultado da experiência;
 » Nova hipótese: caso a conclusão não seja aquela esperada na hipótese, deve-se fazer 
uma nova hipótese e seguir os passos novamente.
Figura 4 – Método Científico
 
 
11
A História da Física nos Livros Didáticos
Os livros didáticos de Física trazem, em sua maioria, uma informação (dentro de um quadro, 
algumas vezes em uma página) sobre a História da Física, o que nos leva a analisar que há certa 
importância em ressaltar tal característica quando algum tema da Física é ensinado. Porém, deve-
se refletir: a forma que ela é abordada realmente contribui com a aprendizagem dos alunos?
Pagliarini e Silva (2006 apud OLIVEIRA, 2009, p.32) fazem uma análise do uso da História 
da Física a partir dos livros didáticos, afirmando que ela é “distorcida e simplificada, enfatizando 
os aspectos caricaturais dos cientistas, reforçando a ideia da existência dos ‘gênios’, redução a 
nomes e datas, transmitindo uma visão errada sobre o método científico”.
Silva e Pimentel (2006 apud OLIVEIRA, 2009, p.33) analisam a forma como 12 livros 
didáticos do Ensino Fundamental e Médio tratam a história da Eletricidade, principalmente as 
contribuições de Benjamin Franklin: no geral, apresentam uma abordagem empírico-indutivista 
da dinâmica científica, como se a ciência fosse algo voltado a mentes brilhantes.
Há uma tendência, assim como o ensino de Física vem 
se reestruturando, à produção de novos livros didáticos 
que usem a História da Física como metodologia para o 
desenvolvimento de certas competências nos alunos. 
Contudo, é importante ressaltar que um livro didático não 
faz o papel do professor em sala de aula, ele vem apenas 
como um apoio para facilitar o entendimento dos estudantes 
– a presença do docente e de suas metodologias ainda são 
fundamentais para a concretização da aprendizagem.
O Ensino com História da Física como Metodologia
Muitos caminhos são tomados quando usamos a História da Física como um método para 
lecionar Física: a discussão de teorias e quebra de paradigmas,a vida dos cientistas e suas 
descobertas, a abordagem de filmes com diferentes épocas da humanidade e sua evolução 
científica, o uso de textos científicos (originais de cientistas que fizeram descobertas importantes 
ou textos com uma linguagem mais acessível aos jovens), reprodução de experimentos feitos por 
cientistas, trabalhos interdisciplinares (História, Física, Química, Filosofia, etc.) que envolvam 
temas em comum às disciplinas ou um mesmo período histórico a ser abordado, ou, ainda, por 
meio de pesquisas e seminários.
da dinâmica científica, como se a ciência fosse algo voltado a mentes brilhantes.
Empírico-indutivista: 
essa abordagem implica 
na observação e na 
experimentação para 
se tirar conclusões 
baseadas no que foi 
observado e produzir 
conhecimento.
12
Unidade: A História da Física
As possibilidades são diversas, mas agora veremos como isso é possível tendo como referência 
alguns exemplos reais do que pode ser feito e o que vem sendo feito atualmente com o uso 
dessa metodologia de ensino.
A Mecânica abordada com a História da Física
Os alunos do Ensino Médio apresentam, em sua maioria, dificuldade em compreender tópicos 
de Mecânica (trabalhados dentro do tema estruturador Movimentos: variações e conservações), 
são conteúdos como: movimento uniforme, movimento acelerado, movimento circular, forças, 
leis de Newton, entre outros, que se ensinados com ênfase na aplicação de fórmulas e resolução 
de exercícios perdem o sentido do “para que” ensinar Física.
De acordo com Vieira e Batista (2005 apud OLIVEIRA, 2009, p. 23), o uso da História 
da Física no estudo da Mecânica é “fundamental para o entendimento de sua dinâmica, pois 
permite vincular o conhecimento científico ao contexto histórico aplicado”. Os autores acreditam 
que essa abordagem histórica “contribui para que os alunos se manifestem de uma maneira 
diferente em relação à disciplina, que descubram uma Física de desafios que possibilitem novas 
descobertas no seu desenvolvimento pessoal”, e que ainda seja criada uma situação mais 
propícia para se aprender Física, “despertando o interesse dos alunos e obtendo uma aula mais 
produtiva e eficaz”.
Segundo Butland (2005, p.21-22), um trabalho a partir da História da Física tem o objetivo 
geral de promover
[...] a melhoria do processo ensino-aprendizagem; o incentivo ao raciocínio do 
aprender; o incentivo ao raciocínio e à revitalização do aprender dada através 
da contextualização dos conteúdos, da promoção de debates a respeito do 
desenvolvimento das ciências e ainda da promoção da interdisciplinaridade.
Butland (2005, p. 65) ainda afirma que é possível obter êxito de boa parte da turma na 
disciplina utilizando uma combinação de algumas práticas em sala de aula:
 » Pesquisas históricas;
 » Socialização e exposição das ideias encontradas pelos alunos nas pesquisas históricas;
 » Formulação de conceitos a partir das pesquisas históricas;
 » Resolução de problemas.
Para o estudo da Mecânica, os alunos podem coletar informações por meio de pesquisas de 
filósofos e cientistas como Aristóteles, Galileu, Newton, Kepler, entre outros.
A pesquisa pode ser exposta pelos alunos, direcionada pelo professor, que seleciona os 
principais pontos que serão abordados. A participação dos alunos nessa atividade é fundamental, 
as dúvidas que tiverem devem ser esclarecidas pelo professor ou pelos próprios colegas de 
turma. É possível, ainda, confrontar ideias sobre o mesmo tema de diferentes pontos de vista (a 
queda livre, por exemplo, para Aristóteles e para Galileu).
Depois de todo contexto histórico preparado, é possível formular os conceitos que se pretende 
destacar, concluindo toda a abordagem histórica que faz o diferencial dessa metodologia.
13
O próximo passo, a resolução de problemas, serve como avaliação da aprendizagem – 
lembrando que essa resolução não precisa ser somente a aplicação de fórmulas em exercícios 
(mesmo que isso faça parte das competências a serem desenvolvidas em Física, e deva ser 
trabalhado em sala de aula), mas todos os conceitos formados, os paradigmas rompidos, os 
raciocínios lógicos e a evolução do pensamento científico.
A avaliação nesse processo pode se dar em todos os momentos: na qualidade das pesquisas 
feitas pelos alunos, na exposição oral feita por eles, além das resoluções dos problemas a partir 
dos conceitos formados.
Essa metodologia pode ser usada não só na Mecânica, mas também em qualquer tema da Física.
Reprodução de experimentos contextualizando momentos 
históricos
É possível ainda realizar a experimentação que levou vários cientistas a descobertas 
importantes: o trabalho de Newton com a luz branca e sua composição, a eletricidade e o 
magnetismo de Oersted, lei da refração de Snell, entre outros.
A experiência pode ser trabalhada a partir dos conceitos que os cientistas tinham na época, 
para que o aluno trilhe um caminho e chegue à mesma descoberta que o pesquisador em 
questão chegou.
Trocando Ideias
Esta é uma abordagem experimental voltada à História da Física. Há outros meios de se 
aplicar a experimentação no ensino de Física, que veremos em outra unidade de estudo.
É necessário, portanto, que toda a contextualização histórico-social da época em questão seja 
o ponto de partida dessa metodologia:
 » Contextualização e modelo aceito na época;
 » Problema que gera uma quebra do paradigma;
 » Realização da experiência;
 » Conclusão.
Uso de filmes e documentários com abordagem histórica da 
Física
Outra ferramenta importante que pode ser usada na inserção de contextos históricos e 
momentos importantes da história da Física é o uso de filmes e documentários.
Ao invés dos alunos fazerem uma pesquisa histórica sobre o tema em questão, uma discussão 
sobre o filme/documentário pode ilustrar esses conceitos.
14
Unidade: A História da Física
 
 
Explore
Podem ser muito utilizados para discutir o início da percepção científica do homem 
na Antiguidade filmes como 10.000 a.C., A Guerra do Fogo, etc. A concepção de 
ciência e o processo de construção do conhecimento científico na Idade Média 
podem ser vistos em O Nome da Rosa. Podem ser usados ainda filmes que retratam a 
Revolução Industrial, para trabalhar temas relacionados à Termodinâmica; ou ainda 
documentários sobre Eletricidade, Magnetismo, Astronomia, que passem em canais 
de TV educativos, voltados especificamente a esses temas.
Figura 5: Apollo 11
 
Fonte: NASA 
Documentos históricos e textos de divulgação científica
Alguns documentos históricos, se analisados à luz da ciência da época em que foram escritos, 
podem caracterizar excelente material de uso pedagógico no ensino de Física, tais como alguns 
textos sobre eletromagnetismo e os próprios textos de Michael Faraday sobre suas descobertas.
Ainda há a possibilidade do uso de textos de divulgação científica de jornais e revistas, sempre 
vinculados ao contexto histórico que se queira ensinar.
 
 
Explore
As revistas de divulgação científica, como a Galileu e a SuperInteressante, trazem 
algumas matérias atraentes para trabalharmos em sala (tem que se escolher a matéria 
com cautela). Revistas mais especializadas, como a Scientific American Brasil e a 
National Geographic Brasil, são as que produzem matérias com mais conteúdo e 
fundamentos científicos.
15
 
16
Unidade: A História da Física
Material Complementar
Para você se aprofundar na parte da história da Física, há um artigo que retrada mais 
detalhadamente todos os momentos importantes e as descobertas fundamentais no cenário da 
Física, que está disponível em: http://www.das.inpe.br/~alex/Ensino/cursos/historia_da_ciencia/
artigos/Historia_da_Fisica_30.pdf
Um seriado importante chamado Cosmos, gravado na década de 80 pelo cientista Carl Sagan, 
foi regravado agora em 2014 pelo divulgadorcientífico e astrofísico Neil deGrasse Tyson. Em 
13 episódios, são retradados vários temas ligados à Física e, na maioria deles, há o foco em 
um grande personagem da história da Física, como foi sua vida e o processo científico de suas 
descobertas. A série foi renomeada Cosmos: a Spacetime Odyssey. Para saber em quais canais 
de TV ela pode ser vista, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmos:_A_Spacetime_Odyssey
No livro Temas especiais de educação e ciências, referência bibliográfica do material 
teórico (citado abaixo), os autores citam uma experiência de inclusão da disciplina História da 
Ciência para o terceiro ano do Ensino Médio com uma proposta interdisciplinar.
No mesmo livro, o filme O Nome da Rosa é analisado sob o aspecto da História da Ciência 
em um dos capítulos. 
TEIXEIRA, Ricardo P. e TRINDADE, Diamantino R. Reflexões sobre uma experiência 
de inclusão da disciplina “História da Ciência” no Ensino Médio. In: TRINDADE, 
Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São 
Paulo, Madras. 2004. p. 55 – 67.
TEIXEIRA, Ricardo P. Uma análise do filme O Nome da Rosa sob a ótica da História da 
Ciência. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de 
educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 75 – 79.
17
Referências
BRASIL, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais 
(Ensino Médio). Brasília: Ministério da Educação e Cultura (MEC), 2000.
_______, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Complementares aos 
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN +) Ciências da Natureza e suas Tecnologias. 
Brasília: Ministério da Educação e Cultura (MEC), 2002.
BUTLAND, Valéria R. G. Uma Proposta para o Uso da História da Física como 
Metodologia do Ensino de Física. 2005. 138 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação 
em Ensino de Ciências e Matemática) – Universidade Luterana do Brasil, Canoas, 2005.
OLIVEIRA, Luciano D. de. A História da Física como Elemento Facilitador na 
Aprendizagem da Mecânica dos Fluidos. 2009. 161 f. Dissertação (Mestrado Profissional 
em Ensino de Física) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.
TEIXEIRA, Ricardo P. Uma análise do filme O Nome da Rosa sob a ótica da História da 
Ciência. In: TRINDADE, Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais 
de educação e ciências. São Paulo, Madras. 2004. p. 75 – 79.
TEIXEIRA, Ricardo P. e TRINDADE, Diamantino R. Reflexões sobre uma experiência 
de inclusão da disciplina “História da Ciência” no Ensino Médio. In: TRINDADE, 
Diamantino R. e TRINDADE, Laís dos S. P. (Org.). Temas especiais de educação e ciências. São 
Paulo, Madras. 2004. p. 55 – 67.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – INSTITUTO DE FÍSICA. História 
e Epistemologia da Física. Disponível em: <http://www.fisica.net/historia/historia_da_fisica_
resumo.php>. Acesso em: 14 jul. 2014.
18
Unidade: A História da Física
Anotações
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