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PROFESSORES Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Metodologia do Ensino de Ciências ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! EXPEDIENTE Coordenador(a) de Conteúdo Marcia Maria Previato de Souza Projeto Gráfico e Capa André Morais, Arthur Cantareli e Matheus Silva Editoração Bruno Luiz de Rezende Finhana Design Educacional Jociane Karise Benedett Curadoria Fabiana Bruna Gozer Dias Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira Ilustração Andre Luis Azevedo da Silva Fotos Shutterstock DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Paula R. dos Santos Ferreira Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie M.Vilela Daros Head de Recursos Digitais e Multimídia Fernanda S. de Oliveira Mello Gerência de Planejamento Jislaine C. da Silva Gerência de Design Educacional Guilherme G. Leal Clauman Gerência de Tecnologia Educacional Marcio A. Wecker Gerência de Produção Digital e Recursos Educacionais Digitais Diogo R. Garcia Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Supervisora de Design Educacional e Curadoria Indiara Beltrame Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. ARAÚJO, João Luis Dequi; BURGO, Ozilia Geraldini. Metodologia do Ensino de Ciências. João Luis Dequi Araújo e Ozilia Geraldini Burgo. Maringá - PR: Unicesumar, 2022. Reimpresso em 2024. 200 p. ISBN 978-65-5615-888-4 “Graduação - EaD”. 1. Ciências 2. Ensino 3. Educação. 4. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 372.6 FICHA CATALOGRÁFICA 02511176 Me. João Luis Dequi Araújo Olá, caro(a) aluno(a), tudo bem com você? Bom espero que sim! Que prazer é ter você aqui com a gente para ini- ciar mais uma disciplina incrível. Espero, de verdade, que possamos aprender muito juntos nesse universo incrível que é o Ensino de Ciências. Para você que ainda não me conhece, eu sou o Prof. Me. João Luis Dequi Araújo, mais conhecido como Prof. Dequi, nascido e criado na cida- de de Goioerê, situada a noroeste do estado do Paraná, onde me graduei em Licenciatura Plena em Ciências pela Universidade Estadual de Maringá, no ano de 2010. Fruto de uma família com mãe e duas tias professoras desde cedo, a sala de aula era mais que um lugar de estudo, sempre foi um enorme refúgio! Autodidata em espanhol, a minha primeira sala de aula foram os bancos da mesa de uma vizinha, ensinando essa língua estrangeira ao qual sou apaixonado, e daí em diante nunca mais parei, fui professor de desenho, dança, reforço e até teatro, mas com toda certeza, o que sempre fascinou meus olhos foi o incrível universo das Ciências Naturais, o que resultou em minha habilitação principal. Sou especialista em Edu- cação Especial: Atendimento às Necessidades Especiais pela instituição ESAP, no ano de 2011, e amante dos espor- tes, principalmente do voleibol. Atualmente, sou mestre em Educação para a Ciência e a Matemática pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e leciono como professor da rede estadual de ensino, ministrando as disciplinas de Ciências, Matemática e Biologia para o novo Ensino Médio, ao mesmo tempo atuo como professor formador das disciplinas de Es- tatística aplicada à Educação Básica e Metodologia do Ensino de Ciências para o curso de Pedagogia na modalidade EAD, na UniCesumar por meio da qual também, recentemente, me formei como Pedagogo. No universo da pesquisa, atuo como orientador de trabalhos acadêmicos voltados à temática das Representações, Sociais, Metodologias para o Ensino de Ciências e Formação de professores, e como hobbies – afinal ninguém é de ferro – busco sempre contato com a natureza por meio de trilhas e não perco um vôlei até hoje. Bom, essa é um pouco da minha história. Agora conto com você para trilharmos um lindo caminho juntos! http://lattes.cnpq.br/7469804776724980 Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, sou a professora Ozilia Geraldini Burgo e, junto com o professor João Luis Dequi Araújo, escrevi o livro para a disciplina de Metodologia do Ensino de Ciências. Sou Pedagoga e, neste momento, você pode estar se pergun- tando: uma pedagoga para uma disciplina voltada para o ensino de ciências? Vou te explicar o porquê! Trabalhei muito tempo como professora dos Anos Iniciais do En- sino Fundamental e sempre gostei muito das áreas de matemática e ciências, então busquei especializações e mestrado que me ajudassem a compreender o quanto precisamos ter o domínio do ensino para que a aprendiza- gem dos meus alunos seja significativa. Fiz o mestrado em Educação para Ciência e o Ensino de Matemática e passei a ministrar aulas no curso de Pedagogia da UniCesumar, nas modalidades presencial e EAD, e isso sempre me deu muito prazer. Além disso, passei a dar capacitações para professores e ministrar aulas em pós-graduações em diversos lugares no Brasil. Atualmente, ocupo-me com essas tarefas e com escritas de materiais, pois sou apaixo- nada pela educação e acredito que ela transforma vidas. Espero que goste do nosso material e que ele contribua para sua prática docente! Um Abraço! http://lattes.cnpq.br/5335544314828922 Você já parou para pensar o que seria ciências, afinal? Como a ciência surgiu? Ou não surgiu? Qual a importância de se ensinar essa disciplina e o porquê, em geral, ela chama tanto a atenção de nossas crianças, em especial na Educação Básica? Diante desses breves e importantíssimos questionamentos, convido você a conhe- cer o fascinante mundo da Ciência, porém, não da maneira que você está habituado(a) ou acostumado(a), decorando conceitos. Convido a conhecer este universo pelo viés pedagógico, de modo que conheça as metodologias e práticas necessárias para ensinar essa disciplina que tanto fascina e aguça a curiosidade. Como pedagogo, uma de suas infinitas atribuições é o trabalho em sala de aula com os conteúdos curriculares, é compreender como despertar o interesse e realizar uma transposição didática fluida e coerente dos conteúdos, logo, é necessário que este profissional se mantenha em constante desenvolvimento e aprendizado, bem como que carregue consigo uma ampla bagagem de prática e conhecimentos que relacionem o ensinar e como ensinar. Neste contexto, convido você, caro(a) aluno(a), a viajar no mundo das ideias e se colocar na figura de um professor em sala de aula, ensinando um conteúdo científico de que goste muito e tenha pleno domínio, como faria para controlar a sala de aula, despertar a atenção e interesse, sendo inovador e disruptivo e, ainda, preparando aqueles alunos para se tornarem cidadãos ativos na sociedade? Agora que você experimentou e refletiu sobre como seria uma sala de aula, pode ter sentido dificuldade de entrelaçar e realizar tantas tarefas de forma simultânea e conjunta! Imagino que não deve ter sido uma tarefa fácil, afinal, ser professor realmente não é uma tarefa fácil, porém é uma tarefa possível. Neste livro, você terá a possibilidade de entrar em contato com os seguintes conteú- dos, a fim de possibilitar caminhos para se tornar um professor apto a ensinar Ciências na Educação Básica: A história da Ciências e como ela muda a humanidade; a formação dos conceitos científicos; metodologiasativas para o ensino de Ciências; a experimentação dentro e fora da sala de aula, como fazer? BNCC e o ensino de Ciências; Educação Ambien- tal, o que é? Como fazer? E por onde começar? Entre muitos outros só esperando por você! METODOLOGIA DO ENSINO DE CIÊNCIAS Diante dessa reflexão e da possibilidade de se realizar essa tarefa difícil, mas totalmen- te possível, é que permeia a nossa disciplina e tantas outras que você terá em seu curso de formação inicial, aqui discutiremos como fazer com que essa prática de fato aconteça, de maneira específica para o ensino de ciências, fazendo com que você experimente, sinta e aja sobre as diversas metodologias empregadas para o ensino da nossa disciplina. É, caro(a) aluno(a), teremos um longo caminho juntos, garanto a você que este caminho terá várias pedras que deverão ser destruídas ou deslocadas para que a real ponte que estabelece o como aprender e ensinar Ciências na Educação básica seja revelada. O caminho pode ser tortuoso e, muitas vezes, intransponível, mas tenho a convicção de que será extremamente gratificante, afinal, ao término de nossa disciplina, espera-se que construa elementos de sua prática profissional, que contribuirá para a formação de sua identidade pedagógica ou identidade docente e que você conheça e saiba como praticar e aplicar as diferentes formas de como se ensinar ciências para a Educação Básica, sempre lembrando da necessidade de se reinventar. IMERSÃO RECURSOS DE Ao longo do livro, você será convida- do(a) a refletir, questionar e trans- formar. Aproveite este momento. PENSANDO JUNTOS NOVAS DESCOBERTAS Enquanto estuda, você pode aces- sar conteúdos online que amplia- ram a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tec- nologia a seu favor. Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo Unicesumar Experien- ce. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recur- sos em Realidade Aumentada. Ex- plore as ferramentas do App para saber das possibilidades de intera- ção de cada objeto. REALIDADE AUMENTADA Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o códi- go, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido. PÍLULA DE APRENDIZAGEM OLHAR CONCEITUAL Neste elemento, você encontrará di- versas informações que serão apre- sentadas na forma de infográficos, esquemas e fluxogramas os quais te ajudarão no entendimento do con- teúdo de forma rápida e clara Professores especialistas e convi- dados, ampliando as discussões sobre os temas. RODA DE CONVERSA EXPLORANDO IDEIAS Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discu- tido, de forma mais objetiva. Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881 APRENDIZAGEM CAMINHOS DE 1 2 3 4 5 RESGATE HISTÓRICO DO ENSINO DAS CIÊNCIAS FÍSICO- NATURAIS NO BRASIL E NO MUNDO 13 REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE CIÊNCIAS 47 79 PROFESSOR- ALUNO E A DINÂMICA DA APRENDIZAGEM 117 O ENSINO DECIÊNCIAS, PRESSUPOSTOS EDUCACIONAIS PARA EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS 151 A SALA DE AULA: ONDE A “MAGIA” ACONTECE! 1Resgate Histórico do Ensino das Ciências Físico- Naturais no Brasil e no Mundo Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, caro(a) estudante, pronto para iniciar nossa trajetória de estudos e navegar pelo incrível mundo das ciências? Bom, espero, sinceramen- te, que sim, pois, nesta unidade, você aprenderá que a ciência não é constituída somente de experimentos loucos e cientistas com ves- tes um tanto quanto criativas, mas sim de momentos historicamente construídos que possibilitaram aos conhecimentos científicos estarem em constante evolução. UNIDADE 1 14 Quem não gosta de uma boa história não é mesmo? Pensando nisso, acredito que, em algum momento da sua trajetória escolar, você já parou para pensar: como será que a Ciência surgiu? Como a Ciência se desenvolveu? Ou, até mesmo, o que é essa tal de Ciência, afinal? Na busca de compreender essas questões tão comuns e familiares no uni- verso científico é que a história da ciência se faz presente e necessária, visto que, a partir do momento que você conhece a história de um tema, você, como futuro(a) professor(a), conseguirá discutir, elucidar e permitir com que seu aluno compreenda o passado sem perder de vista os caminhos para o futuro. Não se pode transmitir experiência. É preciso passar por ela, não é mesmo? Nesse sentido, gostaria de convidar você a fazer, neste momento, uma breve pes- quisa sobre Geocentrismo e Heliocentrismo, mas não precisa trazer todos os pontos das duas teorias, gostaria que se concentrasse, principalmente, no cenário ou contexto histórico da época e me dissesse o que você vê. A história da ciência, que promove a sua evolução e desenvolvimento, na maioria das vezes, está bem distante de ser concebida como um conto de fadas. Nesta perspectiva, é que sua pesquisa vem com intuito muito forte de levá-lo a perceber o quão difícil foi vencer o Geocentrismo, não por falta de evidências, mas por excesso de autoridade, onde bravos cientistas tiveram que, literalmente, dedicar suas vidas para vencer o autoritarismo religioso e provar, tempos depois, que suas teorias eram, de fato, válidas! Agora chegou sua vez, faça suas anotações em seu Diário de Bordo! Anote os pontos que lhe chamaram a atenção a partir da pesquisa feita, desde as prin- cipais características das duas teorias até as da sociedade na época, e, se possível, compare com a sociedade atual. DIÁRIO DE BORDO 15 O estudo da ciência possibilita que você compreenda, inicialmente, o que é “ciência” e como sua construção se efetivou ao longo do processo histórico. Para Alfonso-Goldfarb (1994), o termo ciência, em seu sentido moderno, foi criado no século XIX, e quer dizer conhecimento em geral. Assim, faremos uma discussão sobre a conceituação do termo ciência, de- finida, muitas vezes, como formas de conhecimento produzido pelo homem. O homem, aqui, se define como “[...] um ser natural, isto é, é um ser que faz parte da natureza; não se pode conceber o conjunto da natureza sem nela inserir a espécie humana” (ANDERY et al., 2017, p. 25). Ao mesmo tempo em que se constitui em ser natural, diferencia-se da natureza, pois, para sobreviver, precisa relacionar-se, já que dela provêm as condições que lhe permite perpetuar-se enquanto espécie. Nessa interação, entre homem e natureza, nessa busca pela sua sobrevivência, o ser humano se diferencia dos animais, pois sua atuação sobre a natureza ultrapassa limites, não se restringindo às necessidades que se revelam no imediato. A ação humana se dá, principalmente, pela incorporação das experiências e conhecimentos produzidos e transmitidos de geração a gera- ção; “a transmissão dessas experiências e conhecimentos – através da educação e da cultura - permite que, no homem, a nova geração não volte ao ponto de partida da que a precedeu” (ANDERY et al., 2017, p. 25). Ciência x Ciências Que tal iniciar com chave de ouro dando play em nosso podcast intitulado “Qual a diferença entre Ciência e Ciên- cias?” Estarei te esperando hein! Perceba que, nesse processo da existência humana, o ser humano vai se modifi- cando, alterando o que é necessário à sua sobrevivência. Desse modo, o homem não só cria artefatos, instrumentos, como também desenvolve ideias (conheci- mentos, valores e crenças), mecanismos para sua elaboração (desenvolvimento de raciocínio, planejamento). Cada nova interação do homem sobre o meio reflete uma natureza modificada, pois nela se incorporam criações antes inexistentes; reflete também um homem já modificado que necessita satisfazer suas necessi- UNICESUMAR UNIDADE 1 16 dades imediatas.“Assim, suas necessidades, condições e caminhos para satisfazê-las são outros meios que foram sendo construídos pelo próprio homem” (ANDERY et al., 2017, p. 26). Esta ideia se torna importante, pois, foi por meio dos conhe- cimentos científicos sistematizados que a humanidade conseguiu evoluir. Deste modo, conhecer como tudo se organizou é um pas- so muito importante para adquirir cultura, saberes e, também, é a origem de um conhecimento científico. Para Andery et al. (2017), as necessidades humanas, sejam elas de trabalho ou até mesmo cul- turais, exigiam e ainda exigem a organização e novas relações entre o homem e todo o tipo de adaptação física ou material necessária para a vida. O trabalho aparece como uma atividade humana in- tencional, e as relações de trabalho passam a compor a base econô- mica de uma sociedade. As contradições que esta base econômica determina sustenta um novo modo de produção e uma nova forma de organização política e social. As condições econômicas, geralmente, resultam em grupos com in- teresses conflitantes na sociedade, ou seja, já que existem conflitos entre classes, num dado momento, é de se esperar que existam representações diferentes e antagônicas do mundo. O homem produz muitas ideias, parte delas constitui o conhe- cimento referente ao mundo, isto é, o conhecimento humano, em suas diferentes formas (senso comum, científico, teológico, filosófico, estético etc.) e exprime condições materiais de um dado momento histórico. A ciência é uma das formas de conhecimento produ- zido pelo homem no decorrer de sua história. Andery (2017, p. 26) nos contempla afirmando que “a ciência por ser a tentativa do homem para entender e explicar racional- mente a natureza busca formular leis que, em última instância, permitem a atuação humana”. O que nos leva concluir que, como tentativa para explicar a natureza, a ciência se caracteriza por ser uma atividade metódica, ou seja, é uma atividade, que, ao se propor conhecer a realidade, busca atingi-la por meio de ações passíveis de serem reproduzidas. O que podia garantir a continui- dade cumulativa do conhecimento eram as seguintes hipóteses: 17 “ 1. o ser humano tinha uma capacidade quase infinita de ir conhe- cendo cada vez mais e com maior precisão a natureza; 2. quando tomasse posse desses conhecimentos poderia experimentar (testar) e prever. E, assim, teria instrumentos para planejar suas intervenções na natureza, seu controle e uso desta, de maneira eficiente e organi- zada (ALFONSO-GOLDFARB,1994, p. 56). Ao longo da história, a atividade do homem em garantir socialmente sua sobrevi- vência exigiu que elaborasse uma forma eficiente de entender a natureza, passan- do a prestar atenção ao que ocorria em sua volta, anotando, separando, induzindo e deduzindo, formulando teorias que fossem a expressão dos fenômenos, mas que permitissem, igualmente, fazer previsões e encontrar “certa inteligibilidade no emaranhado dos fenômenos” (SANTOS, 2005, p. 49) UNICESUMAR UNIDADE 1 18 Nesta perspectiva, a ciência, de acordo com o pensamento do senso comum, busca compreender a realidade de maneira racional, descobrindo relações universais e ne- cessárias entre os fenômenos, o que permite prever acontecimentos e, consequente- mente, agir sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático, preciso e objetivo que difere do senso comum. Dessa forma, o método científico pode ser entendido como “um conjunto de concepções, o homem, a natureza e o próprio conhecimento, que sustentam um conjunto de regras de ação, de procedimentos prescritos para se construir conhecimento científico” (ANDERY et al., 2017, p. 28-29). Podemos perceber que o conhecimento científico é uma conquista relativamente recente da humanidade. A revolução científica do século XVII marca a autonomia da ciência, a par- tir do momento em que ela busca seu próprio método desligado da reflexão filosófica. O exemplo clássico de procedimento científico das ciências experimentais nos mostra que, inicialmente, há um problema que desafia a inteligência humana, o cientista elabora uma hipótese e estabelece as condições para seu controle, a fim de confirmá-la ou refutá-la, porém nem sempre a conclusão é imediata, sendo necessário repetir as experiências ou alterar, inúmeras vezes, as hipóteses. A conclusão é, então, generalizada, isto é, conside- rada válida não só para aquela situação, mas para outras similares (OLIVEIRA, 1997). PENSANDO JUNTOS MÉTODO CIENTÍFICO Observação Questão Hipóteses Experimentação Conclusões Resultados 19 Partindo da concepção que os cientistas só buscam fatos decisivos para a confir- mação ou negação de suas teorias, também é necessário saber que só os resultados destas teorias é que permitem julgar se a elaboração dos conhecimentos produzi- dos segue ou não a via segura da ciência, como ocorreu com a lógica, a matemáti- ca e a física, por exemplo. Isso se dá porque o que há de razão nas ciências é algo conhecido como “a priori”, esse termo corresponde àquele conhecimento que já possuímos sem tê-lo visto e representado, pois ele existe apenas na mente, abstra- tamente, que torna possível antes da realização de um experimento, já existir um plano, uma razão de realizá-lo e, consequentemente, uma teoria (SOUZA, 2009). Como afirma Chalmers (1994, p. 27): “ A natureza do conhecimento científico, a maneira como ela deve ser justificada com recurso à razão e à observação muda histori- camente. Para compreendê-la e identificá-la devemos analisar os instrumentos intelectuais e práticos que um cientista tinha à mão em determinado contexto histórico. Podemos inferir que a ciência tem por objetivo estabelecer generalizações aplicá- veis ao mundo, pois, desde a época da revolução, estamos em posição de saber que essas generalizações científicas não podem ser estabelecidas a priori; temos que aceitar que a exigência de certeza é mera utopia. Entretanto, a exigência de que nosso conhecimento esteja sempre sendo transformado, aperfeiçoado e ampliado é pura realidade (SOUZA, 2009). Contudo, com tantas descobertas no percurso das ciências, instaura-se o princípio da incerteza, assim como afirma Martin Luther King (O PENSADOR, [2022] on-line), "Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos a simples arte de vivermos como irmãos". Como você tem estudado em outras disciplinas, a modernidade presenciou muitas transformações: as grandes navegações, a concepção heliocêntrica, a secu- larização do conhecimento, o antropocentrismo - marcando uma nova visão de homem no mundo. Não se pode negar que a ciência vem evoluindo juntamente com a tecnologia, tornando possível o progresso nos mais variados saberes e áreas. Contudo, tanto saber e poder almejado e perseguido pelo homem moderno vêm conduzindo-o à sua "autodestruição". O homem do século XXI se vê con- UNICESUMAR UNIDADE 1 20 frontado por si mesmo, e não sabe mais o que fazer diante de tanto saber e poder. É um tanto quanto paradoxal saber que a ciência aliada à tecnologia forma um par para salvar tantas vidas, mas, ao mesmo tempo, as colocam em xeque-mate ou as extingue (COMTE,1978). Talvez seja assim que o homem moderno se reconheça no mundo por in- termédio de expressões como "sociedade do conhecimento" ou "sociedade da informação e da tecnologia". A ciência alcançou um desenvolvimento exponen- cial em todas as suas áreas. Não obstante, no mundo moderno, busca-se novos modelos capazes de enfrentar realidades humanas cada vez mais complexas, afinal, a constatação de que o homem em sua magnitude, de poder e de saber, é um ser incompleto, só evidencia que nem a própria infinidade do universo pode satisfazê-lo, pois estamos condenados a um progresso contínuo de eterna busca de perguntas e respostas (FREIRE-MAIA, 2000). É na busca de compreender não somente esse ser incompleto, mas também a racionalidade existente por trás de sua “evolução”, quese faz necessário conhecer, mes- mo que de forma breve, os conflitos e alguns períodos marcantes que ocorreram na história das ciências para que, assim, possamos enxergar suas possibilidades de futuro. Bom, caro(a) aluno(a), o desenvolvimento da ciência não fala apenas de mi- croscópios e tubos de ensaios em um laboratório, embora tenha sim sua relevân- cia. Imagino que a primeira figura de um cientista que lhe venha à mente seja a famigerada imagem do cientista louco, usando jaleco e de cabelo desarrumado e que, a qualquer momento, irá produzir algo que resultará em uma explosão. Durante a maior parte da história da humanidade, a ciência foi utilizada e até mesmo pensada à parte da magia, da religião e da tecnologia para compreender e controlar o mundo. E se eu lhe dissesse que a ciência pode ser tão simples quanto observar o nascer do sol todos os dias ou tão complexa como descobrir vida fora da Terra? Isso mesmo! A ciência pode ser aquilo que seu olhar permitir, basta apenas verificar com que viés pretende e o que quer observar (CHASSOT, 2004). A ciência, a magia, a religião e a tecnologia foram utilizadas pelas primeiras sociedades humanas que habitavam os vales dos rios na Índia, China e Orien- te Médio, por serem zonas férteis que permitiam o plantio e a colheita, essas 21 sociedades especializaram-se no cultivo da terra, na confecção de vestuários e alimentos. Isso, então, proporcionou que alguns indivíduos pudessem especia- lizar-se também em determinadas atividades mediante à prática continuada, fossem considerados os primeiros grandes “cientistas”, embora, naquela época, não recebessem esse nome. Acredito que você, aluno(a), já deva ter ouvido, em algum momento, o termo “sacerdote” (BYNUM, 2012). Vale ressaltar que o termo “sacerdote”, aqui, foi empregado muito além do sentido bíblico em que destaca o papel de um formador religioso, mas sim como um indi- víduo de enorme relevância social que examinava o solo, dimensionava distâncias, observava o céu e desenvolvia técnicas de contagem, que usamos até hoje, e que também exercia uma função de educador e formador que “faz o bem e evita o mal”, que domina suas paixões, assume atitudes moralmente corretas e obedece as regras coercivas ou as prescrições legais da comunidade; neste caso, o possuidor de um conhecimento de causa que fomentava o sucesso de sua região (BARBALHO, 2008). Antes de aprofundarmos nosso conhecimento sobre o vasto e infinito céu, discutindo mais sobre os planetas, estrelas e constelações, que tal começarmos por algo menor? Eu acredito que poderia dizer atômico! Isso mesmo, você já viu essa palavra e em algum momento, ouviu dizer que os átomos (a= não e tomo= partícula) são a menor unidade da matéria e, que, tudo que existe é formado de matéria, inclusive você, caro(a) aluno(a)? Porém, saberia me dizer quem intro- duziu este conceito? E como ele evoluiu para o modelo atômico que temos hoje? Se a resposta foi “não”, venha viajar comigo nessa história! Nossa história tem seu início na Grécia antiga, mais precisamente em Roma, onde um grupo de filósofos, autointitulados “os atomistas”, acreditavam que o mundo e tudo que nele existe era formado por pequenas partículas indivisíveis chamadas de átomos. Dentre os atomistas, Demócrito e Leucipo, que viveram por volta de 420 a.C, ganham destaque ao refletirem e promulgarem que havia muitos átomos no universo e que estes sempre existiram, não podendo ser decompostos ou destruídos. Para eles, os átomos eram pequenas estruturas não visíveis, de tamanhos e formas variadas, explicando o porquê das coisas possuírem gostos, texturas, sabores e cores diferentes (RONAN, 1997). UNICESUMAR UNIDADE 1 22 A B C D Figura 1 - A combinação dos átomos e a formação do universo segundo os atomistas Fonte: Ponczek (2002, p. 58). O atomismo era um sistema de pensamentos extremamente avançado para a época e, por conta disso, seus estudos ofereceram demasiada importância para o desen- volvimento dos modelos atômicos que viriam posteriormente. Nesta perspectiva, o que você acha de continuarmos essa história e saltarmos para o ano de 1808? No modelo atômico proposto pelo físico, matemático e meteorologista inglês John Dalton (1766-1844), o átomo poderia ser caracterizado como uma esfera Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma figura subdivida em 4 quadrantes, sendo eles A, B, C e D, de modo que o quadrante A está localizado no canto superior esquerdo e o quadrante D está localizado no canto inferior direito. A imagem está em preto e branco. Cada quadrante possui uma série de peças geométricas diferentes entre si. No quadrante A, as peças estão soltas, separadas e distantes umas das outras. No quadrante B, existem algumas peças soltas, mas há junção/agrupamento de várias peças. No quadrante C, as peças estão em uma escala maior e próximas umas das outras. No quadrante D, há no centro uma junção de peças e algumas soltas dispersas aleatoriamente. 23 maciça, impenetrável, indivisível e neutra, ou seja, não possui cargas elétricas. Assim, átomos diferentes possuem massas diferentes, este modelo ficou popu- larmente conhecido como bola de bilhar, uma analogia à bola de sinuca que se assemelha ao átomo proposto por Dalton. Figura 2 - Modelo Bola de Bilhar- John Dalton Quase um século depois de Dalton, em 1904, o cientista também britânico Jo- seph John Thomson (1856 - 1940) realizou experimentos utilizando raios ca- tódicos, ao qual fez meticulosas medições, interferindo na trajetória dos raios por meio de campos elétricos e magnéticos controlados. Dessa forma, Thomson pode concluir que existiam partículas negativas e que estas deveriam fazer par- te de qualquer átomo; posteriormente, estes corpúsculos receberam o nome de elétrons. A fim de simplificar seu modelo e torná-lo mais compreensível para a sociedade, incluindo a comunidade científica, Thomson propõe o modelo intitu- lado pudim de passas, em que a massa do pudim faz referência ao corpo esférico do átomo carregado positivamente e as passas fazem uma analogia às partículas negativas conhecidas como elétrons. Descrição da Imagem: a imagem é composta por 7 esferas de tamanhos diferentes, sendo cada esfera uma bola de bilhar diferente, cada uma numa cor e com letra diferente (as letras substituem os números da bolha de bilhar tradicional). A preta com a letra K; rosa com a letra M; azul escuro com a letra B; azul claro com a letra C; vermelha com a letra R; amarela com a letra Y; e verde com letra G. UNICESUMAR UNIDADE 1 24 Cerca de 10 anos antes, em 1894, Thomson atuou como orientador daquele que derrubaria seu modelo atômico e abriria portas para novos rumos na ciência. De origem Neo-irlandesa, Rutherford não se aprofundou no modelo atômico de seu professor, preferiu se pós-graduar e atuar como docente na universidade de MCGill, localizada em Montreal, no Canadá, retornando, em 1907, para Inglater- ra, mais precisamente para a Universidade de Manchester, e lá foi um professor incrível, com 10 de seus alunos alcançando o prêmio Nobel. Em 1908, Ernest Rutherford (1871 - 1937), indagado pelo modelo atômi- co de Thomson, questionava se a massa do átomo seria densa ou possuía espa- ços vazios. Foi então que levou este desafio para seus alunos que, prontamente, por meio de novos experimentos, concluíram que o átomo possuía espaços, um núcleo de carga positiva, e os elétrons propostos por Thomson estariam orbitando ao redor. Esse modelo ficou conhecido como modelo planetário em alusão ao sistema solar heliocentrismo. Em 1909, o cientista dinamarqués Niels Bohr (1885 -1962), ao investigar as propriedades físicas dos metais, encontrou algumas inconsistências no modelo atômico proposto por Thomson, e então, no ano de 1911, após concluir seu dou- Elétron Fluído positivo JJ Thomson 1897 Figura 3 - Modelo pudim de passas – Thomson (1897) / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: a imagem trata-se de uma foto de um pudim de leite recoberto por uvas passas, opudim tem um formato circular com um furo ao centro com as passas anamórficas dispostas aleato- riamente sobre o pudim e ao seu redor. Ao lado, sendo feito uma comparação, há a figura de um átomo (esfera), com uma representação dos Elétrons como bolinhas azuis com o sinal de negativo dentro; e do Fluído positivo em todo o átomo, na cor amarela, com vários sinais de positivo. 25 torado, resolveu ir pessoalmente aprofundar-se nos estudos referentes ao modelo proposto pelo próprio Thomson. Contudo, sua estadia em Cambridge foi uma decepção, pois o cientista propôs trabalhos em assuntos paralelos a Bohr, além do pouco tempo que dispunha para discutir o modelo do pudim de passas. Contudo, o cientista, infelizmente, estava focado em outros temas, incumbindo Bohr de outras tarefas, não lhe destinando a atenção necessária para o trabalho. Foi então que Bohr decide estudar na Univer- sidade de Manchester, e adivinha quem o acolhe? Isso mesmo, Rutherford! O cientista convida Bohr a participar de sua equipe, mais precisamente como auxiliar de interpretação dos experimentos ali rea- lizados. E eis que no ano de 1913, Bohr publica um trabalho que complementa o modelo atômico pro- posto por Rutherford, introduzindo o conceito de níveis de energia, em que os átomos estariam dis- postos em camadas na eletrosfera onde as camadas internas, ou seja, as mais próximas ao núcleo, ema- nava maior força de atração sob os elétrons mais próximo, fazendo, consequentemente, que tenham menos energia do que os elétrons mais afastados. A esse modelo que abriu portas para a física e a mecâ- nica quântica deu-se o nome de Rutherford-Bohr. Anos mais tarde, em 1932, o cientista Chad- wick descobriu a terceira partícula subatômica, baseado nos estudos de Rutherford- Bohr, “surge” o nêutron, que complementaria o antigo modelo atômico que, por sua vez, passou a ter os nêutrons no núcleo junto aos prótons. UNICESUMAR UNIDADE 1 26 Contudo, o inconformismo da ciência não espera o tempo e é por isso que, já em 1926, o cientista Erwin Schrodinger (1887-1961) lançou as bases da Mecânica Quântica, apresentando um novo modelo atômico intitulado modelo quântico ou nuvem eletrônica que, ainda, é válido até os dias de hoje, porém menos difundido que o modelo atômico de Rutherford -Bohr. Nele, os elétrons passam a ser partículas-onda, e há alguns princípios que mudam completamente a ideia de que os elétrons são “bolinhas” em movimento rápido, girando em torno do núcleo. Neste modelo, os elétrons formam uma nuvem eletrônica ao redor do núcleo que se movimentam em orbitais, num espaço tridimensional. Incrível não é mesmo? Olha, não sei você, caro(a) aluno(a), mas eu fico fascina- do com essas idas e vindas na história mostrando que, de fato, nada surgiu de maneira espontânea, mas sim, é fruto de inúmeros anos de estudos, diálogos e porque não dizer até confrontos, não é mesmo? Figura 4 - Modelo Nuvem- Schrodinger Descrição da Imagem: trata-se de uma esfera circular rodeada de inúmeros pontos condensados na coloração vermelha, a fim de representar a nuvem eletrônica. 27 A fim de continuar nossa história, já no século XIX, a ciência foi consolidada como tal, pois a humanidade passou a compreender a existência de uma tríade que provo- cava uma inter-relação entre a sociedade-natureza-ciência que poderia vir a contri- buir para melhores condições de vida. Neste momento, a história está recheada de avanços, principalmente na química, com Lavoisier (“Nada se cria, tudo se trans- forma”), com a criação da tabela periódica por Dimitri Mendeleiev (1834- 1907), entre outros. Na história da Biologia, foi um período decisivo, principalmente pela publicação que Charles Darwin (1809-1882) realizou em 1859, a obra “A origem das espécies”, na qual se opunha às teorias criacionistas e promulgava ideias evolu- cionistas e de seleção natural que são utilizadas até hoje (CHASSOT, 2004). Figura 5 - Evolução dos modelos atômicos Descrição da Imagem: A imagem destaca a evolução dos modelos atômicos de acordo com seus respectivos autores. Iniciando da esquerda para direita, na parte superior, o modelo atômico de Dalton (1803) ao qual está representado por uma esfera de cor laranja maciça; ao lado, o modelo de Thomson (1897) composto por uma esfera de coloração laranja com pontos fixos em azul e com o sinal de negativo, representando os elétrons; abaixo, também da esquerda para direita, temos o modelo de Rutherford (1911) composto por aros elípticos de coloração laranja onde pequenas esferas azuis (com sinal de negativo) se encontram e no interior temos uma esfera maior de coloração vermelha que representa o núcleo positivo do átomo; dando continuidade temos o modelo atômico de Bohr (1913) composto por aros circulares que representam as camadas onde os elétrons (em azul com sinal de negativo) estão localizados e um núcleo esférico positivo. A última figura compreende uma ilustração preenchida na cor laranja com efeito gradiente onde ao centro contém diversas esferas, juntas e sobrepostas sinalizadas po- sitivamente e negativamente, este é o modelo atômico atual, de Schrodinger (1926). As duas últimas figuras tem a indicação dos Nucleos, Eletrons, Protons (somente no último átomo) e Neutrons (somente no último átomo). Atomic Models UNICESUMAR UNIDADE 1 28 Aproveitando o ensejo e já findando essa breve retrospectiva sobre alguns perío- dos históricos que marcaram a evolução da ciência, este não foi o único momento em que o conhecimento científico se viu frente a frente com as doutrinas teológicas, afinal, as discussões sobre o geocentrismo vs heliocentrismo causaram diversos impactos no mundo das ideias ao ponto de serem consideradas como uma grande revolução de caráter científico que ocorreu, principalmente entre os séculos XV e XVII. Contudo, você pôde perceber, durante sua pesquisa sobre essas duas teorias, que ambas causaram um tremendo rebuliço, além de diversas mortes, não é mesmo? A teoria Geocêntrica, conhecida também como Geocentrismo ou modelo Pto- lomaico, foi considerada o primeiro modo de organização do nosso sistema solar pro- posto por Cláudio Ptolomeu (100-168), e amplamente difundida após publicação de seu livro conhecido como Almagesto, ao qual partilhava de muitas ideias oriunda de Aristóteles, dentre elas a imutabilidade das estrelas (“fixas”). Conforme essa teoria, a Terra está no centro do Sistema Solar, e os demais astros orbitam ao redor dela, de modo que estes astros estariam fixados na forma de esferas que giram com velocidades distintas (CANIATO, 2013). Um fato interessante e que merece destaque é que esta teoria foi amplamente de- fendida pela Igreja Católica, pois apresentava aspectos de passagens bíblicas, bem como partilhava do seguinte pensamento: se Deus é o ser mais perfeito e criou o homem como sendo sua imagem e semelhança, logo a terra só poderia estar no centro do uni- verso, tendo em vista que este ser perfeito aqui vive! Contudo, não foram todos os estu- diosos que aderiram completamente a esses mesmos pensamentos (CANIATO, 2013). Alguns séculos depois, o astrônomo Nicolau Copérnico (1473- 1543) teve a oportunidade de estudar grego e, em meio aos seus estudos, pode defrontar-se com os conhecimentos promulgados por Aristarco, que havia proposto o modelo Helio- cêntrico na antiguidade, porém, descredibilizado. Após 14 séculos, a teoria Geocêntrica foi contestada por Nicolau Copérnico que, junto de outros estudiosos, analisou inúmeras discrepâncias no modelo e, com base nos estudos, reelabora a antiga ideia de Aristarco sobre o Sistema Solar, o Heliocen- trismo. Deste modo, conforme o autor, a Terra não estaria mais no centro do universo como elucidou o Geocentrismo, mas sim junto dos demais planetas que se movem ao redor de um ponto, neste caso o Sol, sendo este, o verdadeiro centro do Sistema Solar. Assim, a sucessão de dias e noites é uma consequência do movimento de rotação da Terra sobre seu próprio eixo (PONCZEK, 2002).29 Como nem tudo são flores, e na história da Ciências não poderia ser diferente, Giordano Bruno (1548-1600) e Galileu Galilei (1564-1642) surgem como peças-chave na refutação do modelo Geocêntrico até então aceito pela igreja. Galileu, ao apontar a luneta para céu, pode desenhar muito bem o que viu e, desta forma, ao analisar os movimentos dos astros e demais observações adjunto de Giordano Bruno foram “às ruas” para apoiar o modelo heliocêntrico, não aceito pela Igreja Católica, culminando em um ato de heresia, tendo em vista que o homem “ser perfeito criado por Deus a sua imagem e semelhança, já não estaria mais no centro do universo” (ROCHA, 2015, p. 25). Acredito que, neste momento, você já consiga imaginar a repercussão histórica que este conflito de ideias gerou entre a Ciência e a religião, pois bem, este conflito levou a prisão de Giordano Bruno que, posteriormente, foi queimado vivo, assim como todos seus estudos. Galileu Galilei também teria o mesmo fim, visto que partilha- va dos mesmos princípios. Porém, analisando a morte do parceiro, percebeu que morto não poderia fazer nada pela Ciência e, deste modo “acovardou-se” perante a igreja, fingindo desacreditar em sua teoria, negando toda sua coesão e certeza para que, assim, em vez de morto, pudesse ser “apenas” preso perpetuamente em prisão domiciliar. Felizmente, para o mundo, ele continuou a escrever e a desenvolver as ideias que, posteriormente, ajudariam a nascer um novo mundo e que seriam a base de valiosos estudos de Kepler e Isaac Newton (CANIATO, 2013). NOVAS DESCOBERTAS Pensamento científico: a natureza da ciência no ensino fundamental Nélio Bizzo Melhoramentos; 1ª edição (2012) A coleção como eu ensino, organizada por Maria José Nobrega e Ri- cardo Prado, busca aproximar do trabalho em sala de aula as pesquisas mais recentes sobre temas que interessam à educação básica. Os autores, espe- cialistas na área, apresentam sugestões de como o assunto pode ser trata- do, descrevendo as condições didáticas necessárias para uma aprendizagem significativa. Neste volume, Nélio Bizzo traça uma história da evolução do pensamento científico a partir do trabalho decisivo de três pensadores fun- damentais para o progresso da ciência: Aristóteles, Galileu e Darwin. UNICESUMAR UNIDADE 1 30 Atualmente, o Heliocentrismo é a teoria mais aceita entre a comunidade científi- ca, e somente 29 anos atrás (1992), o papa João Paulo II reconheceu como injusta e equivocada a prisão de Galileu e demais outros estudiosos que corroboraram com o pensamento heliocêntrico naquela época. Que história não é mesmo? O quão rico foi o desenvolvimento da Ciência? Quantos momentos vividos para fazer dela o que ela é na atualidade? Bom, é diante destes acontecimentos pontuais que foi brevemente destacado para você, que faz necessário vislumbrar também, mesmo que de maneira breve, os estados percorridos pela Ciência, a fim de complementar seu conhecimento histórico. Bachelard (1996 apud PARANÁ, 2008, p. 46) considera o século XIX como um período histórico marcado pelo estado científico, “em que um único método científico é constituído para a compreensão da Natureza”. O método científico produz um conhecimento científico a respeito de um determinado fenômeno da natureza, resultado de procedimentos experimentais, levantamento, teste de hipóteses, axiomatização e síntese em leis ou teorias. Modelos explicativos construídos e utilizados no período pré-científico passam a ser questionados e entendidos como mutáveis e o Universo como infinito. Novos estudos passam a considerar outros campos de pesquisa: “a evolução das estrelas, 31 as evidências de mudanças na crosta terrestre e a extinção de espécies, bem como a transformação da matéria e a conservação de energia” (PARANÁ, 2008, p. 47). As teorias evolutivas, apresentadas por naturalistas ainda no período anterior, con- tribuíram para o entendimento de que os seres vivos passavam por um processo, de- sencadeado pela própria Natureza, que lhes propiciava mudanças adaptativas. “Charles Darwin valia-se de evidências evolutivas, consideradas como provas e suporte para a teoria da evolução das espécies” (FUTUYMA, 1993 apud PARANÁ, 2008, p. 47). No século XIX, outros trabalhos modificaram a compreensão do funcio- namento dos sistemas do organismo: a teoria da célula e os estudos sobre a geração espontânea da vida. “ Em relação à geração espontânea, estudos levaram ao entendimento de que novos seres vivos não surgiam de matéria em decomposição, como acreditavam alguns naturalistas do período pré-científico, mas sim por geração a partir de ovos, como mostravam os resulta- dos das investigações sobre insetos (PARANÁ, 2008, p. 47). Com a evolução de microscópios com maior capacidade de resolução, as obser- vações dos tecidos animais e vegetais puderam ser mais detalhadas, permitindo o estudo da teoria celular, pela qual todos os seres vivos são formados por células. Algumas experiências, incluindo as de Pasteur, possibilitaram levantar hipóteses sobre a existência de microrganismos mais resistentes às altas temperaturas e sobre o contato com microrganismos provenientes do ar. Os estudos associados aos conhecimentos relativos à transformação e à conservação da matéria contribuíram para o entendimento de que na Natureza ocorrem ciclos de energia. “Os procedimentos de transformação e conservação, tanto de matéria quanto de energia”, possibilitaram a construção de modelos explicativos sobre a Natureza, que se aproximavam das investigações sobre o fenômeno vida, sob uma perspectiva mecanicista (doutrina para o qual os pro- cessos naturais são determinados mecanicamente e explicados pela lei da Física e da Química) (PARANÁ, 2008, p. 48). A mecânica clássica e o modelo “newtoniano-cartesiano” influenciaram o pensamento científico que se apropriou das “verdades” mecanicistas para explicar o funcionamento dos seres vivos, a dinâmica da Natureza, o movimento dos corpos celestes e os fenômenos ligados à gravitação. Desse modo, os conhecimentos da Fí- UNICESUMAR UNIDADE 1 32 sica foram referência de verdade para as demais ciências, inclusive, com tentativa de aplicar os princípios da mecânica newtoniana às ciências humanas e sociais, numa apologia à seguinte afirmação: “A Natureza e as leis da Natureza estavam ocultas na noite. Deus disse: Seja Newton! E tudo fez-se luz!” (PONCZEK, 2002, p. 128). O período do estado científico foi marcado por publicações de cunho científico voltadas a uma elite intelectual que as acessava por meio dos cursos universitários. Bachelard (1996) considera o ano de 1905 como o início da era do novo espírito científico, momento em que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, publica- da em 1905, é marcada como o início de um período em que valores absolutos da mecânica clássica a respeito do espaço, do tempo e da massa perderam o caráter de verdade absoluta, revolucionando as ciências físicas e, por consequência, as demais ciências da natureza. O estado do novo espírito científico se configura, também, como um período fortemente marcado pela aceleração da produção científica e a necessidade de divulgação, em que a tecnologia influenciou e sofreu influências dos avanços científicos. Segundo Sevcenko (2001 apud PARANÁ, 2008, p. 49) “mais de 80% dos avanços científicos e inovações técnicas ocorreram nos últimos cem anos, destes, mais de dois terços após a Segunda Guerra Mundial”. Aproximadamente 70% dos cientistas, engenheiros, técnicos e pesquisadores formados desde o iní- cio do século XX ainda estão vivos, e muitos ainda continuam a contribuir com pesquisas e produzir conhecimento científico. A mecânica é um dos ramos da física clássica, desenvolvida antes de 1900, que analisa o movimento, as variações de energia e as forças que atuam sobre um corpo. Uma contri- buição importante para a fundamentação da mecânica clássica foi dada por Sir Isaac New- ton (1642-1727), que a desenvolveu como uma teoria sistemática,introduzindo conceitos como o da inércia (primeira Lei de Newton), da resultante de forças que agem sobre uma massa, causando uma aceleração (segunda Lei de Newton), da ação e reação (terceira Lei de Newton), da Gravitação Universal e do cálculo como uma ferramenta matemática (EXPLICATORIUM, [2022], on-line). EXPLORANDO IDEIAS 33 É, caro(a) aluno(a), tenho a convicção de que, se chegou até aqui, conceber a Ciência ou qualquer conhecimento científico como um surgimento inato não se aplica, não é mesmo? Nesta perspectiva, para findarmos este momento e po- dermos dar início ao ensino de Ciências no Brasil, gostaria de convidá-lo(a) a refletir: se o ensino de Ciências na atualidade mostrasse a superação dos estados pré-científicos e científicos, na mesma expressividade em que ocorre na atividade científica e tecnológica, o processo de produção do conhecimento científico seria mais bem vivenciado no âmbito escolar? Possibilitaria discussões acerca de como a ciência realmente funciona? A disciplina de Ciências iniciou sua consolidação no currículo das escolas brasileiras com a Reforma Francisco Campos, em 1931, com objetivo de trans- mitir conhecimentos científicos provenientes de diferentes ciências naturais de referência já consolidadas no currículo escolar brasileiro. UNICESUMAR UNIDADE 1 34 O contexto histórico exigia um ensino científico frente às necessidades do pro- gresso nacional e, para isso, era fundamental construir cientificamente o Brasil (GHIRALDELLI JR., 1991). Na disciplina de Ciências, a principal metodologia utilizada estava centrada na transmissão de informações e na aula expositiva de maneira não dialogada, que exigia a memorização da biografia de cientistas im- portantes e da divulgação dos conhecimentos provenientes de suas descobertas. Desse modo, privilegia-se a quantidade de informações científicas em prejuízo de uma abordagem de base investigatória (PARANÁ, 2008). Na década de 40, com a Reforma Capanema, o ensino objetivava a preparação de uma “elite condutora” e, para tal, “a legislação era clara: a escola deveria contri- buir para a divisão de classes e, desde cedo, separar pelas diferenças de chances de aquisição cultural, dirigentes e dirigidos” (GHIRALDELLI JR., 1991, p. 86). O país se modernizava rapidamente e o parque industrial exigia uma qualificação de mão de obra que o sistema público de ensino profissional, recém-criado, não pode- ria fornecer em curto prazo. Nesse contexto de modernização e industrialização, ins- tituíram-se escolas de formação profissional paralelas ao ensino secundário público. Em meados da década de 50, o contexto mundial acompanhava uma tendên- cia em que ciência e tecnologia foram reconhecidas como atividades essenciais no desenvolvimento econômico, cultural e social (KRASILCHIK, 2000). Esses 35 movimentos, tanto internacionais quanto nacionais, refletiram diretamente no ensino de Ciências, interferindo, no caso brasileiro, nas atividades realizadas pelo Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciências (IBECC). “ Com o IBECC, a realidade do ensino de Ciências sofreu mudan- ças significativas, pois foram estimuladas discussões sobre os livros didáticos de Ciências, que até então refletiam o pensamento peda- gógico europeu para essa disciplina, estabeleceram-se também os conteúdos de ensino, bem como a metodologia a ser desenvolvida em sala de aula (PARANÁ, 2008, p. 52). O IBECC promoveu pesquisas e treinamento de professores, além da implantação de projetos que auxiliaram a divulgação científica na escola por meio de atividades como mostras de projetos em feiras, visitas a museus e a criação de Clubes de Ciências. UNICESUMAR UNIDADE 1 36 “ Tais movimentos contribuíram para que o ensino de Ciências passasse por um processo de transformação no âmbito escolar, sob a justificativa da necessidade do conhecimento científico para a superação da depen- dência tecnológica, ou seja, para tornar o país auto suficiente com base numa “ciência autóctone” (KRASILCHIK, 2000, p. 86). A LDB n° 4.024/61 fortaleceu a consolidação do ensino de Ciências no currí- culo escolar. Um dos avanços em relação às reformas educacionais de décadas anteriores foi a ampliação da participação da disciplina de Ciências Naturais no currículo escolar, ampliando para as séries da etapa ginasial. A prioridade, neste momento, era a “necessidade do preparo do indivíduo (e da sociedade como um todo) para o domínio dos recursos científicos e tecnológicos por meio do exer- cício do método científico” (PARANÁ, 2008, p. 53). A nova lei propiciou ao IBECC que fizesse intercâmbio de livros didáti- cos elaborados e adotados em outros países, como EUA e Inglaterra. Esses materiais se contrapunham à concepção que estava sendo disseminada nas escolas brasileiras, ou seja, um corpo de conhecimentos científicos centrados em resultados da pesquisa trazendo uma concepção de ciência que valorizava o processo de investigação (PARANÁ, 2008). Para que estes livros didáticos fossem adaptados à realidade brasileira, foram seguidas da produção de equipamentos de laboratório sugeridos em experimentos nos livros didáticos e pelo treinamento de professores em cursos patrocinados pelo IBECC, com o apoio dos Centros de Ciências. O objetivo do ensino de Ciências, neste momento, seria preparar o cidadão com pensamento crítico e lógico, para que ele tivesse condições de tomar decisões com base em informações e dados (KRASILCHIK, 2000). A partir de 1960, há uma mudança no cenário educacional, principalmente no período em que o Brasil passava pelo golpe militar de 1964, em que o foco dos conhecimentos científicos se voltava para a formação do trabalhador, con- siderando-o, agora, como peça importante para o desenvolvimento econômico do país (KRASILCHIK, 2000). Na concepção tecnicista, o ensino de Ciências assumiu compromisso de formação de mão de obra técnico-científica no segundo grau, visando às neces- sidades do mercado de trabalho e do desenvolvimento industrial e tecnológico do país, sob controle do regime militar. Este caráter de ensino profissionali- zante, como preparação para inserção no mercado de trabalho, levavam os 37 filhos da classe trabalhadora ao ensino técnico. “Esse movimento tinha como pressuposto a reserva das vagas dos cursos universitários para aqueles que pretendiam dar continuidade aos estudos, que eram, em geral, os filhos da classe dominante” (PARANÁ, 2008, p. 54). Os primeiros relatos e mais significativos do ensino de Ciências propriamente dito só passaram a configurar o cenário brasileiro a partir da década de 60. Nesse contexto, os conteúdos de Ciências até a publicação da Lei de Diretrizes e Bases nº 4.024/61 eram administrados somente nas duas últimas séries do antigo ginásio. Só em 1971, com a publicação da Lei de nº 5.692 (LDB 5.692/71) é que o ensino de Ciências se tornou obrigatório em todos os anos, hoje, denominado de Ensino Fundamental. Até o presente momento, o que se via era uma concepção tradicional de ensino, em que a aprendizagem de ciências era influenciada pela tendência “empirista/in- dutivista: a partir da experiência direta com os fenômenos naturais, seria possível descobrir as leis da natureza” (BRASIL, 2000, p. 21). Nessa proposta, acreditava-se que o professor era o único detentor do saber e ao aluno cabia apenas aprender. Por isso, era dever do professor seguir uma metodologia expositiva, e dos educandos absorver as informações transmitidas pelo seu mestre. O conhecimento científico era visto como neutro e não havia margem para questionamento. A qualidade do ensino estava relacionada com a quantidade de conteúdos aplicados, ou seja, as res- postas dadas pelos alunos deveriam estar relacionadas com as ideias apresentadas nas aulas ou ligadas aos conteúdos dos livros (BRASIL, 2000). Com o surgimento da Escola Nova, uma nova concepção de ensino, currículo e Ciência começam a ser elaborados. Assim, o enfoque pedagógico que, antes, girava em tornodo aspecto lógico, passou a privilegiar os aspectos psicológicos, valorizando a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem. As ati- vidades práticas passaram a ser consideradas como elementos imprescindíveis à compreensão de conceitos. Neste ângulo, as experiências adquiriram papel de destaque nos projetos de ensino dos cursos de formação para professores. A prática chegou a ser consi- derada como “solução” para o ensino de Ciências naturais e físicas e vista como uma ponte que ligava todo o processo de transmissão ao processo de assimilação. O importante era dar condições para que o aluno, sem a ajuda do professor, fosse capaz de trabalhar com hipóteses, testá-las e tirar conclusões. Acreditava-se que, por essa via, a democratização do conhecimento científico estaria garantida, passando a ser reconhecida a importância da vivência científica não somente UNICESUMAR UNIDADE 1 38 para os cientistas, mas para todos os cidadãos. As discussões que ocorreram neste período contribuíram para a transformação na linha de pensamento do professor que passou a traçar novas metas e objetivos para o ensino de Ciências. Era o método por redescoberta, que tinha como objetivo aproximar a criança da história da ciência e das atividades científicas, por intermédio da observação e da realização de experiências. Na concepção de ensino por redescoberta, o professor se limitava a propor atividades e fornecer materiais pedagógicos para que as crianças pudessem reali- zar as atividades propostas. Baseando-se na experiência direta com os fenômenos naturais, acreditava-se que o conhecimento se dava a partir da experiência, só assim teria sentido aprender sobre as leis da natureza. Este método de ensino trazia severas implicações e limitações no que diz respeito à superação ou complementação dos conhecimentos prévios do aluno que apresentavam uma certa resistência mediante ao conhecimento científico. Como o papel do professor não era mais transmitir o conhecimento científico ao aluno, nem fazia a mediação entre um e outro, predominava, então, certa desco- nexão seguida de uma fragmentação na contextualização dos conceitos a serem assimilados pelos educandos. Durante a década de 80, pesquisadores do Ensino de Ciências concluíram que o simples experimentar não garantia a aquisição do conhecimento científico e veio à tona que quem construía seu próprio conhecimento era o aluno, sendo o professor um mediador entre o sujeito e o objeto de estudo. Na década de 80, o ensino de Ciências orientava-se por um currículo centra- do nos conteúdos e atrelado às discussões sobre problemas sociais que se avolu- maram no mundo, o que mudava substancialmente os programas vigentes. Isso ocorreu porque as crises ambientais, o aumento da poluição, a crise energética e a efervescência social, manifestada em movimentos como a revolta estudan- til e as lutas antissegregação racial, ocorridas entre 1960 e 1980, determinaram profundas transformações nas propostas das disciplinas científicas em todos os níveis de ensino (KRASILCHIK, 2000, apud PARANÁ, 2008). O objetivo primordial do ensino de Ciências, anteriormente focado na for- mação do futuro cientista ou na qualificação do trabalhador, voltou-se, neste momento histórico, à análise das implicações sociais da produção científica, com vistas a fornecer ao cidadão elementos para viver melhor e participar do processo de redemocratização, iniciado em 1985. 39 O método científico fortemente marcado e utilizado como estratégia de in- vestigação no ensino de Ciências cedeu espaço para aproximações entre ciência e sociedade, com vistas a correlacionar a investigação científica aos aspectos po- líticos, econômicos e culturais. Nesse sentido, em termos práticos, o currículo escolar valorizou conteúdos científicos mais próximos do cotidiano, no sentido de identificar problemas e propor soluções. No início dos anos 1990, a LDB n° 5692/71 apresentou avanços consideráveis para o ensino de Ciências, assegurando sua legitimidade e a constituição de sua identidade para o momento histórico vigente, pois valorizou a reorganização dos conteúdos específicos escolares em três eixos norteadores e a integração deles em todas as séries do 1º Grau (hoje Ensino Fundamental), a saber, 1. Noções de Astronomia; 2. Transformação e Interação de Matéria e Energia; e 3. Saúde - me- lhoria da qualidade de vida. Com a promulgação da LDB n° 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e Bases para a Educação Nacional, firmou-se uma organização de componentes curriculares para que, juntos, corroborassem para produção dos Parâmetros Curriculares Nacio- nais (PCN) que propunham uma nova organização curricular em âmbito federal, cujos fundamentos contribuíram para a descaracterização da disciplina de Ciências, pois, nesse documento o quadro conceitual de referência da disciplina e sua consti- tuição histórica como campo do conhecimento ficaram em segundo plano. Com os PCNs, os conteúdos escolares das Ciências Naturais foram reorgani- zados em eixos temáticos, a saber: “1. Terra e Universo; 2. Vida e Ambiente; 3. Ser humano e Saúde; e 4. Tecnologia e Sociedade” (PARANÁ, 2008, p. 56). No entanto, o ensino desses conteúdos sofreu interferência dos projetos curricu- lares e extracurriculares propostos por instituições, fundações, organizações não governamentais (ONGs) e empresas que passaram a intervir na escola pública nesse período histórico de orientação política neoliberal. Além disso, tal proposta considerava que tudo que fosse passível de aprendi- zagem na escola poderia ser considerado conteúdo curricular que passou a ser entendido, então, em três dimensões: conceitual, procedimental e atitudinal. A fim de aproveitar o ensejo, vamos falar um pouquinho mais sobre cada uma das três dimensões citadas. Os conteúdos do tipo conceituais, de acordo com Zabala (1998), possibilitam a construção de capacidades intelectuais ativas e, portanto, fazem parte da construção do pensamento, permitindo que a criança UNICESUMAR UNIDADE 1 40 consiga discernir sobre o que é real e abstrato, opere símbolos, questione e realize representações para que possa organizar a realidade em que vive. A dimensão de conteúdos procedimentais diz respeito ao momento de fazer com que os alunos construam maneiras de realizar uma autoavaliação, trabalhan- do com suas próprias metas e resultados. De modo geral, esta dimensão presa por colocar em prática os conhecimentos adquiridos com os conteúdos conceituais, seja por meio de maquetes, paródias ou qualquer outra forma de produção e reprodução que o estudante tenha desenvolvido (ZABALA, 1998). Por último, mas não menos importante, os conteúdos atitudinais, como o próprio nome revela, são aqueles que irão permitir com que o discente possa formar atitudes e valores em relação à informação recebida, visando aplicação destes em sua realidade, ou seja, perpassando pelo processo sociedade-indiví- duo-sociedade (ZABALA, 1998). Retomando a década de 80, vale ressaltar o surgimento de uma tendência do ensino conhecida como “Ciência, Tecnologia e Sociedade”, e se fez necessária pela discussão das implicações políticas e sociais da produção e aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos, tanto em âmbito social como nas salas de aula. Tal tendência ainda merece destaque na atualidade. Segundo os PCNs (BRASIL, 2000, p. 21), especialmente a partir dos anos 80, o ensino das Ciências Naturais se aproxima das Ciências Humanas e Sociais, re- forçando a percepção da Ciência como construção humana, e não como verdade natural. Desde então, também o processo de construção do conhecimento cien- tífico pelo estudante passou a ser a tônica da discussão do aprendizado, especial- mente a partir de pesquisas realizadas desde a década anterior, que comprovaram que “os estudantes possuíam ideias, muitas vezes bastante elaboradas, sobre os fenômenos naturais, tecnológicos e outros, e suas relações com os conceitos cien- tíficos”. Independentesdo ensino formal da escola, essas ideias são construídas ativamente pelos estudantes em seu meio social. “ A História da Ciência tem sido útil nessa proposta de ensino, pois o conhecimento das teorias do passado pode ajudar a compreender as concepções dos estudantes do presente, além de também constituir conteúdo relevante do aprendizado. Por exemplo, ao ensinar evolu- ção biológica é importante que o professor conheça as ideias de seus estudantes a respeito do assunto (BRASIL, 2000, p. 21). 41 Nos PCNs (BRASIL, 2000), a discussão acerca do processo de ensino e apren- dizagem é denominado construtivismo. Pressupõe-se que o aprendizado se dá pela interação professor/estudantes/conhecimento, ao se estabelecer um diálogo entre as ideias prévias dos estudantes e a visão científica atual, junto à mediação do professor. Lembrando que o estudante reelabora sua percepção ao entrar em contato com a visão trazida pelo conhecimento científico na escola. Atualmente, temos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que nada mais é do que um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais aos quais todos os estudantes brasileiros devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, para que, assim, tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE) e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN) (BRASIL, 2020). Vale destacar que, ao longo da Educação Básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvol- vimento de dez competências gerais, que amparam todo o âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. No que tange, especificamente, o ensino de Ciências, podemos reconhecer que as diferentes propostas resgatam os valores humanos pertencentes ao apren- dizado científico e que a Ciência deve ser apreendida em suas relações com a Tecnologia e com as demais questões sociais e ambientais. Portanto, ao longo do Ensino Fundamental, a área de Ciências da Natureza tem um compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, que discorre sobre a capacidade de compreender e interpretar o mundo natural, social e tecnológico aos quais os estudantes fazem parte, não esquecendo também de transformá-lo com base nos subsídios teóricos e processuais das ciências (BRASIL, 2020). Nessa perspectiva, a área de Ciências da Natureza à qual a disciplina de Ciên- cias se encontra inserida deve atuar com um olhar articulado em diversos campos do saber para que possa assegurar aos alunos do Ensino Fundamental o acesso à diversidade de conhecimentos científicos produzidos ao longo da história da Ciência, bem como a aproximação gradativa aos principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica (BRASIL, 2020). UNICESUMAR UNIDADE 1 42 Chegamos ao momento em que nos despedimos de nossa primeira unidade do livro de Metodologia do Ensino de Ciências, foi uma breve viagem, porém intensa, não é mesmo? Contudo, acreditamos, fielmente que tenha sido extre- mamente gratificante. Nesta unidade, você pôde verificar que o resgate histórico da ciência se faz necessário para que as raízes plantadas no passado possam ex- plicar que a realidade vivida tem alguns itens por conservar e outros a substituir. O conhecimento do passado é importante para que possamos aprender com as experiências anteriores ainda que não as tenhamos vivenciado, são importantes para que não percamos nossa identidade cultural, nem pretendamos mudanças e aquisições para as quais não estejamos preparados! Assim, Ciência e tecnologia estão, de tal forma, incorporadas à existência dos homens que, diante do interesse quase absoluto de nossa época pelo conhecimento científico aplicado, pelo novo apresentado, passamos a considerá-las como sinônimos. Nesse contexto, o ensino de ciências, ao qual também será sua atribuição como pedagogo durante o exercício da sua profissão, deve ser valorizado e ques- tionado para que atenda à necessidade de seus alunos e não propague discursos que remetem a ideia de que a ciência surgiu ou apareceu de forma inata, afinal, ela foi e sempre será uma construção humana em constante desenvolvimento. Diante do exposto, também se faz necessário resgatar que, como professor/ pedagogo, seu papel será o de lidar, enfrentar e até negar diversos paradigmas e estereótipos existentes na sociedades, desde os mitos e lendas aos quais a ciência está envolta, por exemplo, “manga com leite faz mal”, “antibióticos matam vírus” e até de que “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”, ou também negar es- tereótipos, tal como o do cientista, onde destaca que toda pessoa que faz ciência de algum modo deve usar jaleco branco, ter o cabelo desarrumado, usar óculos e até ter algum problema ou distúrbio cognitivo, o que de fato não faz sentido! Nesta perspectiva, salientamos para você, caro(a) discente, que as visões dis- torcidas sobre a figura de um cientista ou o surgir da ciência só podem ser evita- das quando o nosso aluno entende que esta possui uma base forte e histórica, ao qual levaram diversos estudiosos a dedicar suas vidas nos mais diversos sentidos para que possamos, de algum modo, desfrutar deste conhecimento na sociedade contemporânea a qual impera a tecnologia. Quais são as DORES? Quais são as NECESSIDADES? O que PENSA e SENTE? O que FALA e FAZ? O que OUVE? O que VÊ? Nesta atividade, gostaríamos que realizasse um mapa diferente, intitulado Mapa da empatia, e nele você deve discorrer sobre o tema a importância do ensino de ciências, sobretudo na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamen- tal, de modo que consiga expressar os pontos destacados na imagem a seguir. 44 1. No ensino de ciências, é primordial que o professor saiba a história das ciências, pois não se deve apenas mediar conteúdos, mas compreender como estes conteúdos foram concebidos em seu desenvolvimento histórico. Neste contexto, justifique por que conhecer a história da ciência contribui para a melhoria do ensino de ciências? 2. Não se pode negar que a ciência evolui juntamente com a tecnologia, tornando possível o progresso nos campos de saber. Contudo, o saber e o poder almejado e perseguido pelo homem moderno vêm conduzindo-o à sua "autodestruição". Justi- fique por que isso acontece. 3. O estado do novo espírito científico se configura como o período em que se perdeu o caráter de verdade absoluta, revolucionando as ciências físicas e, por consequência, as demais ciências da natureza. Nesse sentido, leia as afirmativas a seguir sobre os aspectos marcantes deste período. I - Período fortemente marcado pela aceleração da produção científica. II - A necessidade de divulgação dos conhecimentos científicos para utilização prática. III - A tecnologia influenciou e sofreu influências dos avanços científicos. IV - As pesquisas produzidas não tinham caráter científico. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II e III, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I, III e IV, apenas e) I, II, III e IV. 45 4. Na década de 80, o ensino de Ciências se orientava por um currículo centrado nos conteúdos e atrelado às discussões sobre problemas sociais que se avolumaram no mundo, o que mudava substancialmente os programas vigentes. Leia as frases a seguir e, em seguida, assinale a alternativa que indique quais foram os problemas sociais que contribuíram para estas mudanças. I - As crises ambientais. II - A crise energética. III - A efervescência social, manifestada em movimentos como a revolta estudantil. IV - As lutas antissegregação racial, ocorridas entre 1960 e 1980. a) Somente I e II estão corretas. b) Somente II e III estão corretas. c) SomenteI, II e IV estão corretas. d) Somente I, III e IV estão corretas. e) Todas estão corretas. 2Reflexões Sobre o Ensino de Ciências Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, caro(a) estudante, que bom vê-lo(a) por aqui novamente! Espero que, de fato, tenha aproveitado a nossa Unidade 1 e com ela percebi- do que a ciência nunca foi algo inato e sim historicamente construída por “mãos” humanas. Para continuar, convido você, a refletir sobre o ensino de Ciências no que tange ao conhecimento científico e a sua importância na formação dos alunos, uma vez que estes têm o potencial para ampliar a capacidade de compreensão e atuação no mundo em que estão inseridos, bem como moldá-lo, a fim de elencar suas especificidades sem esquecer das tendências pedagógicas que fizeram e ainda fazem parte deste processo. Preparado(a)? Vamos lá? UNIDADE 2 48 É latente, na mente humana, a curiosidade, principal- mente quando somos crianças, afinal, tudo à nossa volta é uma constante novidade, que envolve e permite que este sentimento de mistério e descobrimento aflore. Nes- ta perspectiva, você já parou para pensar: como ocorre a formação de conceitos (conhecimentos científicos) nos alunos, durante sua trajetória escolar? Como professores e a sociedade desenvolvem atividades que sejam capazes de ampliar ou modificar o modo de pensar e, consequen- temente, as concepções de mundo que temos durante esta fase de nosso desenvolvimento? O aprendizado dos estudantes começa muito antes do contato com a escola. Por isso, aprendizado e desenvolvi- mento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida, e qualquer situação de aprendizagem na escola tem sempre uma história anterior. Há, no entanto, uma dife- rença entre o aprendizado do cotidiano e o aprendizado escolar. O primeiro advém das experiências individuais; o segundo, por ser sistematizado, objetiva a aprendiza- gem do conhecimento científico na escola, que, ao ser apropriado pelo aluno, produz algo fundamentalmente novo em seu desenvolvimento. Para que haja mudança conceitual na aprendizagem, a construção de significados pelo estudante deve ser o resultado de uma complexa rede de interações com- posta por, no mínimo, três elementos. Neste momento, gostaria de convidar você a fazer um mapa mental, em que possa expressar em 3 momentos de como ocorre a apropriação de um conhecimento científico na mente de um estudante sobre qualquer conteúdo no ramo das Ciências naturais, lembre-se que este mapa mental deve responder e corresponder às etapas de construção deste conceito, hein! Sugiro que se baseie no meu e produza o seu depois de uma pesquisa rápida sobre o tema. 49 FORMAÇÃO DE CONCEITOS CIENTÍFICOS NA IDADE ESCOLAR Formação de Conceitos Pergunta Problema Atividades de Fixação Aprendizado Figura 1 - Modelo de mapa conceitual / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: Na figura, vemos um organograma hierárquico. Acima o título: Formação de Conceitos científicos na Idade Escolar. O primeiro elemento do organograma, na cor cinza, é o texto: Formação de Conceitos, dele partem três outros retângulos, na cor azul, no qual estão inscritos os textos: Pergunta Problema, Atividades de Fixação e Aprendizado. O professor de Ciências deve atuar como mediador do processo de ensino e aprendi- zagem, permitindo que os estudantes possam se apropriar dos conteúdos científicos escolares de forma que permitam estabelecer uma ponte entre a sociedade e o que se é aprendido. Assim, cabe ao professor determinar as estratégias que possibilitam maior ou menor grau de generalização que possa atribuir significado aos conteúdos. Nesta perspectiva, gostaria que aproveitasse seu Diário de Bordo para elencar e descrever dois momentos considerados complexos na formação de um conceito científico pelo estudante. Lembre-se de fundamentar sua resposta com base no mapa conceitual elaborado por você. Certo? UNICESUMAR UNIDADE 2 50 Na Unidade 1, você já teve um conhecimento relativo às ciências, mas retornare- mos ao assunto, pois este necessita ser ampliado para que possamos compreender as discussões que estão por vir agora na Unidade 2. Ao conceituar as ciências, nossa primeira preocupação deve ser a de apresen- tar o que é ciência. “Entendemos por ciência uma sistematização de conhecimen- tos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o compor- tamento de certos fenômenos que se deseja estudar”, assim inicia Lakatos (1990, p. 18) quando pretende explicar o que é ciência. “A ciência é todo um conjunto de atitudes e de atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento, com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação”, continua a mesma autora (LAKATOS, 1990, p. 19), que também faz uma distinção entre os três níveis do conhecimento científico: ■ O inorgânico estudado pelas ciências físicas. ■ O superorgânico abrangido pelas ciências sociais. ■ O orgânico estudado pelas ciências biológicas. Estes três níveis se encontram interrelacionados, mas o que aqui nos interessa é o campo das orgânicas e inorgânicas. Estão incluídas matérias como físico-naturais, matemática, física, química e também a biologia. Entre as ciências biológicas, 51 incluímos, por exemplo, aquelas que estudam os animais (entre elas os animais racionais), os vegetais e os minerais, como a zoologia, a botânica e a mineralogia. Sobre a Ciência, em geral, pode-se argumentar que “a ciência tem suas cate- drais construídas pelo esforço de uns poucos arquitetos e de muitos trabalhado- res” (CHASSOT, 1994, p. 161). Tal afirmação corresponde bem à admiração que sentimos quando pensamos na aceleração do processo de conhecimento que marca os nossos dias. O ponto de partida pode ter sido a busca de conceitos sobre a natureza da matéria, iniciada há 25 séculos, entre os gregos, e continuada, por exemplo, nos trabalhos de Dalton no começo do século passado: como é o átomo? Há pelo menos dois tipos de opinião difundidas sobre a ciência: para alguns, é uma “força de progresso, fonte de benefício para a humanidade, como necessária e boa” (ANDERY, 1988, p. 435). Para outros, é “uma força de opressão, de destruição do homem e da natureza, como necessariamente perigosa e má” (ANDERY, 1988, p. 435). Entre esses dois extremos, é bem possível que o meio-termo seja a posição mais adequada para conduzir nossa reflexão. Rui Barbosa teve um grande mo- mento quando nos avisou que tudo aquilo que pode fazer um grande bem traz a potência de um possível mal. E nada melhor para ilustrar esse pensamento do que os benefícios e malefícios da energia nuclear para a humanidade. UNICESUMAR UNIDADE 2 52 Iniciamos o nosso trabalho pelo resgate da ciência (incluída como físico- -natural) na história do Brasil – a trajetória da física, da biologia, matemática, química, bioquímica, ciências agrícolas, ecologia e outras ciências entre nós, como foi visto na unidade anterior. A pesquisa em tais campos ainda é insuficiente por muitas razões. “Nossa ciência é ainda a de um país de população em sua maioria pobre, mas as principais pesquisas de nossas universidades são de alta qualidade e usam rótulos de países ricos” (CHASSOT, 1994, p. 179). Contudo, o autor não deixa de assinalar: “muitas vezes as pesquisas são di- rigidas para aqueles que mereceriam ser beneficiados pelos resultados das in- vestigações, pois até as sustentam com seus impostos”. Na continuação: “muitas vezes se pesquisa a respiração das lagartixas, mas não se pesquisam alternati- vas alimentares para crianças que deixam de respirar porque morrem de fome” (CHASSOT, 1994, p. 179). Enfim, o que preocupava Chassot (1994, p. 179) é uma questão que ainda não encontrou sua resposta, ainda que um relativo otimismo esteja acontecendo, é passível de reflexão que a Ciência possa ajudar ou aumentar o fosso entre países, afinal “os avanços tecnológicos, frutos da atividade científica, estão mais próximos daqueles que fazem a ciência, e esta é feita maiseficientemente onde à riqueza econômica alimenta e é alimentada pela pesquisa”. Esta questão é tão pertinente que continua evidente que a Ciência como for- ma privilegiada de conhecimento é hegemônica no mundo atual, como uma ala- vanca de desenvolvimento para todos os países. E aqui nos referimos à aplicação prática da ciência, qual seja a tecnologia. A ciência se impõe social, política e economicamente pelo que faz e permite fazer, oferece ao homem o controle de muitas coisas, inclusive da natureza, não obstante os limites que continuam existindo. Para você entender esta contradição, vamos retomar uma leitura que mostra como a ciência se colocou como a “salvadora do mundo”. Com o Renascimento e a emergência do sistema mercantilista de produção, entre outras influências, o pensamento ocidental sofreu modificações impor- tantes relacionadas ao novo período histórico que se anunciava. No final do sé- culo XVII, por exemplo, Isaac Newton, amparado nos estudos de Galileu, Tycho Brahe e Kepler, estabeleceu a primeira grande unificação dos estudos da Física relacionando os fenômenos físicos terrestres e celestes. Temas que eram objeto da filosofia passaram a ser analisados pelo olhar da ciência empírica, de modo que 53 “das explicações organizadas conforme o método científico, surgiram todas as ciências naturais” (ARAUJO, 2003 apud PARANÁ, 2008. p. 24). “O conhecimento científico, então, foi se desvinculando do pensamento teocêntrico e os saberes necessários para explicar o mundo ficaram a cargo do ser humano, que explicaria a natureza por meio de leis, princípios, teorias, sempre na busca de uma verdade expressa pelo método científico” (PARANÁ, 2008, p. 24). No século XX, tanto a razão científica quanto a dimensão filosófica do conhe- cimento caminharam juntas até o momento em que se observou a emergência de métodos próprios para as ciências humanas, que se emanciparam das ciên- cias naturais. As dimensões filosófica e científica transformaram a concepção de ciência “ao incluírem o elemento da interpretação ou significação que os sujeitos dão às suas ações – o homem torna-se, ao mesmo tempo, objeto e sujeito do conhecimento” (PARANÁ, 2008, p. 24). Devido à expansão da vida urbana, a formação de uma classe trabalhadora consciente de si e a organização da vida burguesa, as ciências humanas passaram a investigar sobre a constituição do sujeito e do processo social. “São as dimensões filosófica e humana do conhecimento que possibilitam aos cientistas pergunta- rem sobre as implicações de suas produções científicas” (PARANÁ, 2008, p. 24). Nessa concepção, as ciências passaram a fornecer explicação sobre a estrutura do universo físico, sobre a constituição dos organismos e, mais recentemente, sobre o homem e a sociedade. O autor Araújo (2003 apud PARANÁ, 2008, p. 24) argumenta que a ciência alia- da à filosofia se tornou mais apurada em suas indagações, dessa maneira a discussão sobre o cosmo não caberia mais a filosofia e sim a física, pois suas leis e teorias são mais apropriadas a este objeto de estudo. Nesta perspectiva o filósofo se volta para a situação atual e pergunta-se: “o que faz de nós este ser que hoje somos? (o) que é o saber, (o) que é o conhecer e como se dá a relação entre mente e mundo?”. Ima- ginamos que estes questionamentos sejam inquietantes e que, ao mesmo tempo, provocam diversas outras dúvidas, no entanto, fique tranquilo caro(a) aluno(a), pois todos provocativos aqui destacados serão alvos de discussões posteriores. Até o presente momento, os mais diversos saberes de cunho científicos têm, na sua essência, o ato de explicar o universo físico circundante, ou seja, aquilo que nos rodeia e que, de algum modo, fazemos parte, seja no contexto biológico ou no contexto social, entretanto, faz-se necessário discutir como este saber chega até os indivíduos, pois, como criaturas, nos relacionamos em sociedade e dela fazemos parte. UNICESUMAR UNIDADE 2 54 Nesta perspectiva, convido você, aluno(a), a compreender um pouco melhor como o conhecimento social ou "pseudocientífico" chega até você, sua importân- cia e como ele pode servir de amparo para o universo da ciência. Há um domínio da existência caracterizado pelo cotidiano em que impera o senso comum. Na realidade de nossa vida diária, necessitamos de um conjunto de conhecimentos, todos eles relacionados com a nossa vida. Como tratar as outras pessoas, como nos comportar em diferentes ocasiões e lugares. Sistemas de transporte, informação, lazer, aparelhos diversos com os quais temos de lidar e que fazem nascer o nosso senso comum. Por isso, o senso comum pode ser definido como o saber que nasce de nossa experiência cotidiana, da vida que nós levamos em sociedade. É, em virtude disto, um saber informal que adquire uma forma espontânea quando em contato com as situações e objetos que nos rodeiam. Como um saber simples e superficial, que não exige o esforço requerido pelos saberes formais, não requer passar pelo processo da aprendizagem escolar. O senso comum é adquirido sem nos darmos conta e, apesar de ser fundamen- tal, não é suficiente para compreendermos ou deciframos o mundo em que vivemos, uma vez que suas certezas são questionáveis e se baseiam apenas em aparências. Bock, Furtado e Teixeira (1999, p. 17) argumentam que “o senso comum, na produção de um tipo específico de conhecimento, percorre um caminho que vai do hábito à tradição”. Contudo, “quando fazemos ciência, baseamo-nos na realidade cotidiana e pensamos sobre ela”. Em outras palavras, “o cotidiano e o conhecimento científico que temos da realidade aproximam-se e se afastam”. Os autores ainda afirmam: “[...] aproxima-se porque a ciência se refere ao real; afastam-se porque a ciência abstrai a realidade para compreendê-la melhor, ou seja, a ciência afasta-se da realidade, transformando-a em objeto de investigação, o que permite a construção do conhecimento científico sobre o real” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999, p. 17). No entanto, existem dois equívocos que devem ser evitados a respeito da ciên- cia e o senso comum, considerando-se que a ciência, etimologicamente scientia – saber – do latim era aquela que os gregos chamavam de episteme (conhecimen- to) em oposição a doxa (opinião). Chassot (1994, p. 176) enquadra os saberes populares – o senso comum – numa espécie de “ciência que não tem história” ou, como queria Platão, um primeiro estágio da episteme ou ciência que só se completaria plenamente após a ascese para o mundo superior, do bem, da luz, 55 da ciência como tal. Então, a ascese é a prática da renúncia ao prazer ou mesmo a não satisfação de algumas necessidades primárias, é um processo de santifica- ção pessoal/mortificação. Segundo o Dicionário Informal (2009, on-line) “ascese cristã é o esforço que fazemos para dominarmos os nossos sentidos, corrigirmos as nossas más tendências e vivermos um processo de libertação interior”. Chassot (1994, p. 177) se refere à “gama de conhecimentos que não estão nos livros e que a Academia desconhece”, constituindo-se em “práticas estranhas à universidade, transmitidas de geração a geração e conservadas pela tradição”. Um outro equívoco é considerar que a ciência permite atingir a verdade em sentido absoluto. O que ocorre, esclarecendo, é que a ciência não tem a verdade, mas sim verdades. Paul Feyerabend (2007, p. 51), um físico que lecionou em Berkeley, destacou que “a distinção entre ciência e mito não é assim tão evidente”. Entre tais extremos, buscaremos, sempre guiados pela máxima de Aristóteles, o meio-termo, pois que a ciência avança sem que se elabore uma metodologia única, e as reviravoltas em teorias, antes tidas como certas, modificam o quadro que a pesquisa nos apresenta. Para encerrar o tema, recorremos à Bizzo (2002, p. 17) quando escreve: “ não há dúvida de que os conhecimentos produzidos pela ciência são verdadeiros. Esta frase simples, precisa, no entanto, ser entendida em sua profundidade. (...) Não é corretaa imagem de que os conheci- mentos científicos, por serem comumente fruto de experimentação e por terem uma base lógica, sejam “melhores“ do que os demais conhecimentos. Tampouco se pode pensar que o conhecimento científico possa gerar verdades eternas e perenes. Bizzo (2002) se aprofunda quanto às especificidades do tema, quando recomenda evitar a expressão “senso comum” e substituí-la por conhecimento cotidiano. A ciência é a explanação da verdade única e imutável! Ela é incontestável e uma verdade absoluta! Bom, acreditamos que muitos pensamentos ou fra- ses deste tipo poderiam, em algum momento, ter perpassado pela sua mente, principalmente antes de iniciar nossa disciplina, não é mesmo? Contudo, é um preceito de nós, os autores, imaginar que este pensamento já não lhe satisfaz, correto? Até porque considerar que a ciência permite atingir a verdade em sentido absoluto é um grande equívoco! UNICESUMAR UNIDADE 2 56 Nesta perspectiva, ensinar ciências para trazer a busca de uma verdade não tem necessidade, porém ensinar ciência na busca da formação de um indiví- duo crítico que consegue interagir com o ambiente em que vive, sistematizar informações e formar opiniões é outra “história”, ou seja, tem outro viés. Assim, considera-se que, no processo, de ensino-aprendizagem, a construção de con- ceitos pelo estudante não difere, em nenhum aspecto, do desenvolvimento de conceitos não sistematizados que traz de sua vida cotidiana. Segundo Vygotsky (1991, p. 71), um conceito é “ [...] mais do que a soma de certas conexões associativas forma- das pela memória, é mais do que um simples hábito mental; é um ato real e complexo de pensamento que não pode ser ensinado por meio de treinamento, só podendo ser realizado quando o próprio desenvolvimento mental da criança já tiver atingido o nível necessário. A partir desta concepção, Vygotsky (1991) desenvolve o conceito de zonas de desenvolvimento. O primeiro nível é denominado de nível de desenvol- vimento real, no qual a criança tem capacidade de realizar tarefas de forma independente. “Refere-se às etapas já alcançadas, já conquistadas pela criança” (OLIVEIRA, 2005, p. 59). Vygotsky (1991 apud OLIVEIRA, 2005) evidencia que, para compreender o desenvolvimento, devemos considerar não apenas o nível de desenvolvi- mento real da criança, mas também seu nível de desenvolvimento poten- cial, que se organiza a partir da capacidade de efetuar tarefas com a ajuda de pessoas mais capazes. “Essa possibilidade de alteração do desempenho de uma pessoa pela interferência de outra é fundamental na teoria de Vygotsky” (OLIVEIRA, 2005, p. 59). É a partir da existência destes dois níveis de desenvolvimento – real e poten- cial - que Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que é: 57 “ [...] a distância entre o nível de desenvolvimento real - que se cos- tuma determinar através de solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado pela solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes (VYGOTSKY, 1991, p. 97). Com base nessa concepção, afirma-se que o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial de cada estudante são variáveis e determina- dos, principalmente, pela mediação didática. Cada estudante, então, encontra-se em um nível de desenvolvimento cognitivo diferenciado. ZPD Zona de Desenvolvimento Proximal Saber a ser alcançado Mediação Saber Atual Zona de Desenvolvimento Real Zona de Desenvolvimento Proximal Zona de Desenvolvimento Potencial Figura 2- Zona de desenvolvimento proximal (ZDP) / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: Na figura, vemos um desenho ilustrativo e metafórico do conceito ZPD (Zona de De- senvolvimento Proximal). Vemos uma área gramada, um precipício sob o qual há uma ponte que leva a outra zona gramada na qual vemos uma árvore. Sobre a primeira área gramada, vemos uma seta que sinaliza o “saber atual'', abaixo lemos: Zona de desenvolvimento real. Sobre a ponte vemos uma seta que sinaliza o texto “Mediação”, abaixo lemos: Zona de desenvolvimento proximal. Sobre a segunda zona gramada após a ponte, vemos uma seta que sinaliza “saber a ser alcançado” e abaixo dela lemos: Zona de Desenvolvimento Potencial UNICESUMAR UNIDADE 2 58 Para Vygotsky (1991), esse conceito (ZDP) representa a distância entre o que o estudante já sabe e consegue efetivamente fazer ou resolver por ele mesmo (nível de desenvolvimento real) e o que ela ainda não sabe, mas pode vir a saber, com a mediação de outras pessoas (nível de desenvolvimento potencial). Quando o professor toma o conceito de zona de desenvolvimento proximal como fundamento do processo pedagógico propicia que o estudante realize, sozi- nho, amanhã, aquilo que hoje realiza com a ajuda do professor (mediação). A partir do conceito de zona de desenvolvimento proximal, pode-se retornar à discussão a respeito da formação de conceitos científicos pelo estudante (PARANÁ, 2008). O aprendizado dos estudantes começa muito antes do contato com a escola. Por isso, aprendizado e desenvolvimento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida, e qualquer situação de aprendizagem na escola tem sempre uma história anterior. Há, no entanto, uma diferença entre o aprendizado anterior e o aprendizado escolar. O primeiro não é sistematizado, enquanto o segundo é, pois, objetiva a aprendizagem do conhecimento científico e produz algo fundamentalmente novo no desenvolvimento do estudante. Segundo Vygotsky (1991), a mente humana desenvolve processos mentais necessários à compreensão de um determinado conceito trabalhado no pro- cesso ensino-aprendizagem. As funções superiores dependem desse processo para evoluírem, e somente serão construídas à medida que novos conceitos forem trabalhados. Esse processo propicia a internalização dos conceitos e sua reconstrução na mente do estudante. A formação de conceitos científicos em crianças Nesta unidade, o desafio é compreender como ocorre a formação dos conceitos científicos em nossas crianças, e para melhor auxiliá-lo(a), tem um podcast prontinho só esperando você apertar o play! Conto com você! 59 “ Um conceito é mais do que a soma de certas conexões associativas formada pela memória, é mais do que um simples hábito mental; é um ato real e complexo de pensamento que não pode ser ensinado por meio de treinamento, só podendo ser realizado quando o pró- prio desenvolvimento mental da criança já tiver atingido o nível necessário (VYGOTSKY, 2008, p. 71). Os conceitos científicos que Vygotsky descreve em suas obras referem-se ao co- nhecimento sistematizado e ensinado na escola, como forma de representação, por meio de modelos, do conhecimento produzido pela ciência. O processo de construção desse conhecimento escolar se constitui na dialética entre os diferen- tes saberes sociais e seus respectivos significados. Tal embate ora contribui para a construção do conhecimento científico pelos estudantes, ora se configura como obstáculo conceitual à sua (re)elaboração. Dentre os saberes sociais, os conhecimentos científicos e os do cotidiano “se mostram como campos que se inter-relacionam com o conhecimento escolar” (LOPES, 1999, p. 104), porém não sem contradições. Bizzo (2002. p. 22) ainda argumenta: “as contradições são normalmente en- frentadas pelo conhecimento científico de maneira a produzir embates de ideias [...] já o conhecimento cotidiano procura, muito mais, interações entre as partes conflitantes procurando compatibilizá-las”. De acordo com Pozo e Crespo (2009), o conhecimento cotidiano seria forma- do de modo espontâneo, na tentativa de dar significado às atividades cotidianas. Desse modo, tem origem empírica e é a soma dos conhecimentos sobre a realida- de produzida nas experiências pessoais. Esse conhecimento pode acolher certas aquisições científicas, por meio de divulgação na mídia e na informalidade, mas não é o conhecimento científico(PARANÁ, 2008). Para Bizzo (2002), o conhecimento científico procura generalizações que possam ser aplicadas às mais diversas ocasiões. Já o conhecimento cotidiano está muito preso aos contextos em que é produzido. Se o conhecimento científico tem “uma clara preferência pelo abstrato e pelo simbólico”, o cotidiano “tem forte UNICESUMAR UNIDADE 2 60 apego ao concreto e ao real” (BIZZO, 2002, p. 25). Isto nos remete a uma interde- pendência conceitual que caracteriza a ciência, pois o conhecimento cotidiano não pode empregar um conhecimento como base para outro nem permite aplicar as mesmas ideias em situações diferentes. “ O educando, nos dias atuais, tem mais acesso a informações sobre o conhecimento científico, no entanto, constantemente reconstrói suas representações a partir do conhecimento coti- diano, formando as bases para a construção de conhecimentos alternativos, úteis na sua vida diária (PARANÁ, 2008, p. 59). Esse conhecimento cotidiano não deixará de existir ao ingressarem na escola, mas esta instituição é uma das poucas que tem, por obrigação, proporcionar o acesso a outras formas de conhecimento, como artístico, cultural e científico (BIZZO, 2002). Como vimos, é tarefa da escola substituir ou afastar o conhecimento cotidia- no, instruindo (ou construindo) um conhecimento mais formalizado. Essa tarefa de mudança conceitual apresenta inconveniente e dificuldades. O inconveniente de dar uma imagem demasiada hierarquizada dos conhecimentos e a dificuldade de postular a possibilidade de transformação e substituição de um conhecimento por outro, ou a continuidade entre os conhecimentos com caráter duradouro (TEBEROSKY, 2001 apud RODRIGO; ARNAY, 1999). Lopes (1999) enfatiza que o conhecimento cotidiano se transforma ao ser incorporado aos conhecimentos científicos, e alguns autores usam este fato como argumento para valorização do conhecimento comum. “ A teoria do calórico e a ideia do calor em oposição ao frio, como entidade física, ideias há muito desconstruídas pela fí- sica, ainda persistem no senso comum porque são suficientes para a vida diária. Continuamos a falar que nossos casacos nos “protegem” do frio, que devemos fechar a geladeira porque se- não o “frio” sai. Trata-se de um conhecimento essencialmente pragmático, cujo caráter de validade na esfera cotidiana da vida é sua funcionalidade (LOPES, 1999, p. 143). 61 Há necessidade de ruptura entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano, porém, não se deve extrapolar os limites um do outro, pois os dois, por serem históricos, sofrem interações mútuas, ou seja, podem se apoiar. Neste sentido, “Interpretar a ciência com os pressupostos da vida cotidiana é incorrer em erros, assim como é impossível, em cada ação cotidiana, tomarmos decisões científicas, ao invés de decidirmos com base na espontaneidade e no pragma- tismo” (LOPES, 1999, p. 143). No contexto escolar, o conhecimento científico sofre um processo de didati- zação. Os conhecimentos científicos escolares selecionados para serem ensinados na disciplina de Ciências têm origem nos modelos explicativos construídos a partir da investigação da Natureza. “Pelo processo de mediação didática, o conhecimento científico sofre adequação para o ensino, na forma de conteúdos escolares, tanto em termos de especificidade conceitual como de linguagem” (PARANÁ, 2008, p. 59). Quando afirmamos que a Terra é redonda, não estamos nos comportando do mesmo modo que nossos ancestrais quando se dizia que a Terra estava apoiada em uma tar- taruga? Será que esta aceitação acrítica das afirmações científicas não é dado e lei que simplesmente acatamos sem procurar a gênese ou a razão que os subsidia? PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR UNIDADE 2 62 Para que haja apropriação do conhecimento científico pelo estudante no contexto escolar, é necessário superar os obstáculos conceituais. Um obstáculo conceitual é uma ideia que o sujeito têm, mas,que está em contraposição a algum conteúdo que ele está tentando aprender. Muitas vezes, ele não consegue entender o conteúdo por causa de determinada ideia. “ Para que isso ocorra, o conhecimento anterior do estudante, construído nas interações e nas relações que estabelece na vida cotidiana, num primeiro momento, deve ser valorizado. Denomi- nam-se tais conhecimentos como alternativos aos conhecimentos científicos e, por isso, podem ser considerados como primeiros obstáculos conceituais a serem superados (PARANÁ, 2008, p. 60). A discussão proposta é que nem sempre o conhecimento cotidiano pode ser con- siderado incoerente com o conhecimento científico, uma vez que são compatíveis na vida prática e para o desenvolvimento de novas concepções. Valorizá-los e to- má-los como ponto de partida terá como consequência a formação dos conceitos científicos, para cada estudante, em tempos distintos. As concepções alternativas são um produto cultural, seja porque constituem represen- tações socialmente compartilhadas, ou seja, porque respondem a uma tentativa de dar sentido às atividades culturalmente organizadas (POZO; CRESPO, 2009, p. 95). EXPLORANDO IDEIAS Quanto à formação dos conceitos científicos Vygotsky (1991), em suas pesqui- sas, demonstrou que há três fases básicas em sua trajetória: a primeira fase, denominada de “pensamento sincrético” (totalidade), é caracterizada pela agregação desorganizada ou “amontoados” que a criança utiliza para solucionar dada tarefa. Nessa fase, os objetos são agrupados de forma desigual, sem qualquer fundamento, revelando “uma extensão difusa e não direcionada do significado do signo (palavra artificial) a objetos naturalmente não relacionados entre si e 63 ocasionalmente relacionados na percepção da criança” (VYGOTSKY, 2008, p. 74). Assim, nessa fase, o significado da palavra para a criança é um conglomerado vago e sincrético de objetos isolados aglutinados em sua mente. A segunda fase, denominada de “pensamento por complexos”, as crian- ças agrupam os objetos não apenas devido às suas impressões subjetivas, mas “também devido às relações que de fato existem entre esses objetos” (VYGOT- SKY, 2008, p. 76). O pensamento por complexo já se constitui um pensamento coerente e objetivo e tem suas raízes na experiência prática da criança. Seria um agrupamento funcional. Ex: xícara, pires e colher; o conjunto de roupas que usa. Nesta última fase, “formação de conceitos”, a criança opera conscien- temente com o significado da palavra. A função principal desse tipo de pen- samento é estabelecer elos e relações entre os elementos para que ocorram as generalizações futuras. Assim, as ligações entre os elementos são concretas e reais, com traços de objetividade, pois é uma evolução do sincretismo ao pensamen- to conceitual (VYGOTSKY, 2008). Na fase do pensamento conceitual, ocorre o amadurecimento intelectual. A criança está próxima do pensar abstratamente sem a necessidade da experiência concreta. A construção de conceitos se forma não pela interação das associações, mas por meio de uma operação intelectual em que todas as funções mentais elemen- tares participam de uma combinação específica. “Essa operação é dirigida pelo uso das palavras como o meio para centrar a atenção, abstrair traços, sintetizá-los e simbolizá-los por meio de um signo (VYGOTSKY, 2008, p. 101). No ensino de Ciências, ou especificamente no espaço escolar, o professor se depara, constantemente, com conhecimentos alternativos ou cotidianos, tanto pela não compreensão dos conteúdos científicos divulgados pela mídia, quanto pelo uso de linguagem simplificada do conhecimento científico, pelos professores e livros didáticos. “Nesse momento, o contato com a história da ciência pode pro- piciar ao professor compreender como se desenvolve o conhecimento científico e fazer a mediação didática” (PARANÁ, 2008, p. 60). Na escola, há todo um trabalho didático que deve possibilitar ao aluno superar dois grandes obstáculos no ensino de Ciências: o não rompimento entre osconhe- cimentos cotidiano e científico e a crença de que se conhece a partir do nada. UNICESUMAR UNIDADE 2 64 “ Ao se considerar que o conhecimento científico apenas amplia o conhecimento comum ou ao se negar a existência de con- ceitos prévios sobre os mais diferentes assuntos, não se cuida para que os preconceitos e os erros das primeiras concepções sejam questionados, obstaculiza-se novos conhecimentos e cristalizam-se falsos conceitos (LOPES, 2007, p. 59 apud PA- RANÁ, 2008, p. 60). A carência na formação inicial ou continuada do professor pode tornar-se obstá- culos ao processo de ensino-aprendizagem, pois acarreta falta de fundamentação teórico-metodológica, além de dificultar um trabalho crítico-analítico com o livro didático e o conteúdo abordado. Autores como Carvalho e Gil-Pérez (2001, p. 21) chamam a atenção para o fato de “[...] que algo tão aparentemente claro e homogêneo como ‘conhecer o conteúdo da disciplina’ implica conhecimentos profissionais muito diversos [...] que vão além do que habitualmente se contempla nos cursos universitários”. Com base nesses mesmos autores discutidos em Paraná (2008, p. 61), apre- sentam-se, em seguida, alguns entendimentos a respeito do que seja necessário ao professor de Ciências em contínuo processo de formação: ■ Conhecer a história da ciência, associando os conhecimentos científicos com os contextos políticos, éticos, econômicos e so- ciais que originaram sua construção. ■ Conhecer os métodos científicos empregados na produção dos conhecimentos, para que as estratégias de ensino propiciem a construção de conhecimentos significativos pelos estudantes. ■ Conhecer as relações conceituais, interdisciplinares e contex- tuais associadas à produção de conhecimentos para superar a ideia reducionista da ciência como transmissão de conceitos, porque essa perspectiva desconsidera os aspectos históricos, cul- turais, éticos, políticos, sociais, tecnológicos, entre outros, que marcam o desenvolvimento científico. 65 ■ Conhecer os desenvolvimentos científicos recentes, por meio dos instrumentos de divulgação científica. Dessa forma, ampliar as perspectivas de compreensão da dinâmica da produção científica e o caráter de provisoriedade e falibilidade das teorias científicas. ■ Saber selecionar conteúdos científicos escolares adequados ao ensino, considerando o nível de desenvolvimento cognitivo dos estudantes e o aprofundamento conceitual necessário. Tais con- teúdos, fundamentais para a compreensão do objeto de estudo da disciplina de Ciências, precisam ser potencialmente signifi- cativos, acessíveis aos estudantes e suscetíveis de interesse. ■ Faz-se necessário, então, que o professor de Ciências conheça os conteúdos de forma aprofundada e adquira novos conhecimen- tos que contemplem a proposta curricular da escola, os avanços científicos e tecnológicos, as questões sociais e ambientais, para que seja um profissional bem preparado e possa garantir o bom aprendizado dos estudantes. UNICESUMAR UNIDADE 2 66 Seguindo estas orientações, o ensino de Ciências deixa de ser visto como mera transmissão de conceitos científicos, para ser compreendido como processo de formação de conceitos científicos, possibilitando a superação das concepções alter- nativas dos estudantes e o enriquecimento de sua cultura científica (LOPES, 1999). Ao final do processo escolar, espera-se que o estudante supere seus conhecimentos alternativos, rompendo com obstáculos conceituais e adquirindo condições de estabelecer relações conceituais, interdisciplinares e contextuais ao utilizar uma linguagem que permita comunicar-se com o outro e que possa fazer da aprendiza- gem dos conceitos científicos algo significativo no seu cotidiano (PARANÁ, 2008). Ao discutir sobre a importância de um aprendizado que possa ser significativo para o discente, não podemos deixar de elucidar os trabalhos de David Ausubel, que elaborou a proposta da aprendizagem significativa, segundo a qual a apren- dizagem de significados é extremamente importante aos seres humanos. Esses significados são adquiridos gradualmente e de maneira particular pelos indivíduos e dizem respeito ao con- ceito e à representação das coisas, sendo que uma nova aprendizagem significativa dará origem aos significados adicionais (AUSUBEL; NO- VAK; HANESIAN, 1980). Os significados são esta- belecidos na interação com o mundo no qual os indiví- duos se inserem sendo, cada um deles, o ponto de partida para a atribuição de novos significados. Ficam, então, as informações disponíveis na estrutura cognitiva do indi- 67 víduo para que atuem como ponto de ancoragem para as novas ideias e conceitos (MOREIRA; MASINI, 2006). A aprendizagem significativa no ensino de Ciências implica no entendimento de que o estudante aprende conteúdos científicos escolares quando lhes atribui significados. Isso põe o processo de construção de significados como elemento cen- tral do processo de ensino-aprendizagem. “O estudante constrói significados cada vez que estabelece relações “substantivas e não-arbitrárias” entre o que conhece de aprendizagens anteriores (nível de desenvolvimento real - conhecimentos alternati- vos) e o que aprende de novo” (AUSUBEL et al., 1980 apud PARANÁ, 2008, p. 62). As relações que se estabelecem entre o que o estudante já sabe e o conheci- mento específico a ser ensinado pela mediação do professor não são arbitrárias, pois dependem da organização dos conteúdos; de estratégias metodológicas ade- quadas; de material didático de apoio potencialmente significativo; e da “anco- ragem” em conhecimentos especificamente relevantes já existentes na estrutura cognitiva do estudante (MOREIRA, 1999 apud PARANÁ, 2008, p. 62). Quando uma noção a ser aprendida se une a um conceito já presente na estrutura cognitiva do indivíduo, há uma incorporação do novo conhecimento. Ao ensinar um conceito de forma literal e arbitrária, o estudante não tem opor- tunidade de construir seu próprio modelo mental, sua própria rede de relações conceituais, resultando em uma aprendizagem mecânica. A aprendizagem se dá conforme pouca ou nenhuma associação de conceitos preexistentes na estrutura cognitiva do estudante (MOREIRA; MASINI, 2006). Assim, a construção de significados pelo estudante é o resultado de uma com- plexa rede de interações composta por, no mínimo três, elementos: o estudante, os conteúdos científicos escolares e o professor de Ciências como mediador do processo de ensino-aprendizagem. “ O estudante é o responsável final pela aprendizagem ao atri- buir sentido e significado aos conteúdos científicos escolares. O professor é quem determina as estratégias que possibilitam maior ou menor grau de generalização e especificidade dos significados construídos. É do professor, também, a responsa- bilidade por orientar e direcionar tal processo de construção (PARANÁ, 2008, p. 63). UNICESUMAR UNIDADE 2 68 O professor, ao promover esta mediação, possibilita que o estu- dante construa relações conceituais (relações entre os concei- tos científicos escolares de diferentes conteúdos estruturantes da disciplina); interdisciplinares (entre eles e os conteúdos estruturantes das outras disciplinas do Ensino Fundamental) e contextuais (entre os conteúdos científicos escolares e o pro- cesso de produção do conhecimento científico) e, assim, possa estabelecer uma reconstrução interna de significados (interna- lização) e ampliar seu desenvolvimento cognitivo. Nesse senti- do, ele estabelece relações substantivas e não arbitrárias entre o que já conhece e o que aprende de novo (MOREIRA, 1999). Portanto, trabalhar com os conteúdos científicos escolares e suas relações conceituais, interdisciplinares e contextuais no ensino de Ciências, torna-se uma alternativa, em que, ao consi- derar a zona de desenvolvimento proximal do estudante, dá a ele oportunidade de internalizar significados socialmente compar- tilhados para os materiais educativos do currículoe também vir a compartilhá-los posteriormente. “Assim, todo educador que trabalhe visando à aprendizagem significativa dos conteúdos deve estar atento ao fato de que a criança tem algo a dizer, isto equivale a dizer: pensa alguma coisa, vê sob uma perspectiva o fato, o fenômeno e qualquer conteúdo passível de aprendizagem” (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 15). Na escola atual, é inconcebível colocar o discente na posi- ção de receptáculo de informação ou até mesmo como um ser passivo de informações, tendo em vista de que este deve ter voz ativa, participar das aulas, espelhando ou criando opiniões que o leve a interagir com o conteúdo e com o professor. Nesta perspectiva, é que os alunos da sociedade contem- porânea também necessitam de instrumentos diversos para compor o seu processo de ensino e aprendizagem, ou seja, me- todologias diferenciadas, haja vista que cada aluno é único e aprende de uma forma um tanto quanto individual. 69 UNICESUMAR UNIDADE 2 70 De acordo com Monereo e Pozo (2010 apud MATTAR; AGUIAR, 2018), a socie- dade contemporânea “impõe”, constantemente, mesmo que de maneira sublimi- nar, novas e diversas formas de organização, seja ela econômica, política, cultural e até mesmo educacional. É inegável a discussão de que nosso sistema educacional é multifacetado, seja na educação presencial, EAD, híbrido ou remoto, o ensino e as formas de ensinar devem estar em constante desenvolvimento para que possamos perpassar por variados moldes pedagógicos e utilizar diferentes instrumentos tecnológicos tam- bém. É nesta perspectiva que pretendemos discutir o contemporâneo conceito de metodologias ativas, em busca de aperfeiçoar a sua futura prática docente. As Metodologias Ativas podem ser entendidas como um amplo aporte teórico que demanda de diferenciadas diretrizes, a fim de orientar processos de ensino e aprendizagem, que possam concretizar-se em estratégias específicas para promoção da aprendizagem e protagonismo discente de modo com que este possa atuar como “decisor, criador, jogador, professor, ator, pesquisador e assim por diante” (MATTAR, 2017, p. 22). Diante do tocante, é necessário pensar que o aluno possa transitar por dife- rentes facetas, visto que o ensino também é multifacetado, assim, cabe ao pro- fessor meios, estratégias e metodologias próprias para permitir com que este discente possa mesmo, em algum momento, sair da figura de aluno e percorra outras “personalidades” ou papéis. Acredito que você deve estar se perguntando: mas como, professor? É na tentativa de responder a esta pergunta que foram elen- cadas três metodologias consideradas ativas frente às diversas existentes para que você, caro(a) aluno(a), possa conhecer novas formas ou “modelos” de se ensinar. A metodologia ativa, conhecida como Aprendizagem Baseada em Pro- blemas (ABP) ou, em inglês, Problem Based Learning (PBL), tem seu de- senvolvimento por volta de 1969, mais precisamente na faculdade de Medicina McMaster, no Canadá, sendo responsável por introduzir uma abordagem diferen- ciada e específica aplicada, inicialmente, no curso de Medicina. Você pode estar se indagando, mas o que esta metodologia possui de inovador tendo em vista que os alunos, cotidianamente, são colocados a resolver exercícios e problemas em sala? Diferentemente do que se pode pensar, essa metodologia não tem como intuito a resolução destes mesmos problemas, ao menos, não de forma tradicional, pois a ABP é utilizada para permitir que os alunos possam identificar suas próprias necessidades de aprendizagem, ou seja, suas limitações, desconhecimentos e lacu- 71 nas à medida que tentam entender um tipo de problema inicialmente proposto. Assim, os alunos terão a oportunidade de reunir-se para coletar e aplicar infor- mações para, então, começar a simular diagnósticos, de forma que estabeleçam deduções e comecem a relacionar o conteúdo que lhes “falta” para solucionar o problema (MATTAR; AGUIAR, 2018). É neste momento que o papel do docente como mediador de conhecimento se torna ainda mais focal, já que ele irá explanar sobre o conteúdo científico que falta aos alunos quando for necessário para completar o diagnóstico ou responder o problema anteriormente proposto. A sala de aula invertida (SAI) é considerada uma metodologia ativa que oferece estratégia de ensino caracterizada como híbrida, levando em consideração a sua pos- sibilidade de aplicação tanto no ensino presencial quanto na Educação a Distância (EAD). Essa metodologia prevê que o conteúdo formal, também conhecido como curricular básico, fique a cargo do estudante que, sob a direção e curadoria docente, também trabalhará para solucionar problemas. No entanto, o aluno será conduzido para a solução por meio de atividades e questionamentos propostos pelo professor de modo mais profundo. Aqui, o professor pode realizar o uso de vídeos como abordagem prévia e introdutória sobre um tema e conteúdo que irá proporcionar UNICESUMAR UNIDADE 2 72 A SALA TRADICIONAL Construir o conhecimento na sala ...e aplicar sozinho em casa. A SALA INVERTIDA Construir o conhecimento em casa ...e aplicar na sala, em equipe! Figura 3- Diferença entre a sala de aula tradicional e a sala de aula invertida / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: a imagem é composta por 2 quadros, o primeiro, em tons azulados, demonstra uma sala de aula tradi- cional com o professor expondo o conteúdo, alunos em sala e 1 aluno realizando a tarefa em casa. Há os dizeres: Construir o conhecimento em sala...e aplicar sozinho em casa! O segundo quadro, esverdeado, o professor na tela do computador orienta uma atividade ao aluno que assiste e os alunos em sala discutem com seus pares com a mediação do professor. Com os dizeres: Construir o conhecimento em casa...e aplicar na sala, em equipe! subsídios para que o alu- no responda uma situação problema anteriormente, ou posteriormente, discutida. Assim, o docente pode pedir para que os alunos assistam, leiam ou ouçam um deter- minado material que será discutido em sala posterior- mente (MORAN, 2018). Um dos pontos-chave que tornam a (SAI) muito in- teressante é o protagonismo discente que promove com que cada estudante possa traçar seus próprios cami- nhos e esquemas mentais no seu próprio tempo, aces- sando o material solicitado pelo professor quantas vezes achar necessário e levando para a sala de aula a essência do conteúdo curricular, sua ressignificação, pontos-cha- ve e até dúvidas que possa vir a possuir. Logo, a figura docente deixa o papel de mero corretor de trabalhos, para condutor do processo de ensino e aprendizagem, fa- zendo isso por meio de ques- tionamentos, levantamento de opiniões, promoção de debates e apresentações etc. (MATTAR, 2017). 73 Infelizmente, não existe uma receita de sucesso para se trabalhar com cada umas das metodologias ativas aqui expostas ou até outras que venha a pesquisar, no entanto, sugerimos, aqui, o aprendizado com a experiência do outro, por isso investigue e busque por artigos, sobretudo por estudos de casos daquilo que pre- tende realizar, afinal, podemos e muito aprender com as experiências de outros profissionais da educação, não é mesmo? É latente da mente humana a curiosidade, principalmente quando somos crian- ças, afinal, tudo à nossa volta é uma constante novidade, que envolve e permite que este sentimento de mistério e descobrimento aflore. Nesta perspectiva, cabe refletir que você, meu caro(a) aluno(a), junto da sociedade, será capaz de desenvolver e até praticar diversas atividades que poderão ampliar ou modificar o modo de pensar e, consequentemente, as concepções de mundo que nossas crianças possuem durante esta fase de nosso desenvolvimento em sua trajetória escolar. Tamanha responsa- bilidade, não mesmo? Mas fique tranquilo(a), pois você será plenamente capaz. Por último, mas não menos importante, temos a Gamificação, que pode ser considerada como uma metodologia capaz de oferecer ferramentas de engajamentopara todas as idades, seja crianças, jovens e adultos, por meio de recursos digitais, não digitais e games em sala de aula. Contudo, vale ressaltar a objetividade usual que os jogos podem possuir desde que bem fundamentada em meio à prática docente, relevando para o contexto educacional games que estimulem desafios, a superação de desafios pelo estudante (MURTA; VALADARES; MORAES FILHO, 2015). UNICESUMAR UNIDADE 2 74 Estamos chegando ao término de mais uma unidade do nosso material, foi emocionante o caminho até aqui, não? Quanto conhecimento agregado, quantos meios diferentes e métodos estão envolvidos durante a formação de conceitos científicos em nossos estudantes. Nesta unidade, estudamos que a ciência aspira à objetividade, sua linguagem é rigorosa, seus métodos e técnicas são específicos e o processo cumulativo do conhecimento é algo que ocorre de maneira lenta e difícil. Portanto, ensinar ciên- cias na sociedade atual requer que os professores compreendam as origens das inovações científicas e tecnológicas e abram novos horizontes aos estudantes no sentido de se desenvolverem humana e integralmente. Percebemos que existe uma acentuada diferença na socialização dos conheci- mentos que são trazidos pelos estudantes. O conhecimento cotidiano produzido na vida em sociedade é socializado precocemente na vida de todas as pessoas, enquanto o conhecimento científico é socializado tardiamente na vida escolar dos jovens, por ser um conhecimento sistematizado. Contudo, não podemos esquecer que um novo conhecimento é produzi- do sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido. É por isso que a escola oferece aquilo que a ciência reconhece como válido, mas esta aproximação dos conhecimentos científicos deve levar em conta as características dos alunos, sua capacidade de raciocínio, os tais conhecimentos prévios que podemos nomear como senso comum ou conhecimento cotidiano. Aprendemos que nem sempre a escola consegue mudar os conhecimentos que os alunos trazem de suas experiências, contudo, as possibilidades devem ser analisadas e experimentadas pelos professores que deverão enfrentar os desafios apresentados. Ao aprender ciências como se estivesse na posição de estudante, apostamos que este conhecimento os capacitará para promover ações concretas no ensino de ciências. Nesta atividade, gostaríamos que realizasse um mapa diferente, intitulado: Mapa da empatia, e nele gostaríamos que falasse sobre a trajetória mental ao qual um aluno percorre durante o processo de formação do conhecimento cien- tífico, de modo que consiga expressar os pontos destacados na imagem a seguir. Quais são as DORES? Quais são as NECESSIDADES? O que PENSA e SENTE? O que FALA e FAZ? O que OUVE? O que VÊ? 76 1. O ensino de Ciências deixa de ser encarado como mera transmissão de conceitos científicos, para ser compreendido como processo de formação de conceitos cien- tíficos, ao possibilitar a superação das concepções alternativas dos estudantes e o enriquecimento de sua cultura científica (LOPES, 1999). Neste sentido, assinale a alternativa correta na qual o aluno mostre que superou os obstáculos conceituais. a) Quando adquire condições de estabelecer relações conceituais, mas retoma aos conhecimentos cotidianos para explicar os fatos. b) Utiliza-se de uma linguagem do senso comum para comunicar seus conheci- mentos. c) Faz da aprendizagem dos conceitos científicos algo significativo no seu cotidiano. d) Adquire novos conhecimentos que contemplem a proposta curricular da escola e não os aplique no cotidiano. e) Adquire novos conhecimentos que não fazem parte da proposta curricular da escola, somente nas interações interpessoais. 2. Vygotsky desenvolve o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que consiste em ponto de desempenho muito influenciado pela mediação, pois é preciso considerar que o estudante tem capacidade de solucionar problemas, desempenhar tarefas, elaborar representações mentais e construir conceitos. Para Vygotsky, o que este conceito ZDP representa? I - A distância entre o que o estudante já sabe e consegue efetivamente fazer ou resolver por ele mesmo. II - O que o estudante ainda não sabe, mas pode vir a saber, com a mediação de outras pessoas. III - O nível de conhecimento real e o nível de conhecimento potencial de cada es- tudante são variáveis e determinados, principalmente, pela mediação didática. IV - Fundamento do processo pedagógico que propicia ao estudante realizar sozinho, amanhã, aquilo que hoje realiza com a ajuda do professor. É correto o que se afirma em: 77 a) I e II, apenas. b) II e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 3. Na explicação sobre o conceito de Ciência, Lakatos (1990, p. 19) assim a define: “A ciência é todo um conjunto de atitudes e de atividades racionais dirigidas ao siste- mático conhecimento, com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação”. A autora também faz uma distinção entre os três níveis do conhecimento científico. Faça a relação entre os níveis do conhecimento e seus campos de atuação. Níveis Campos de atuação 1. Inorgânico ( ) Estudado pelas ciências biológicas. 2. Superorgânico ( ) Abrangido pelas ciências sociais. 3. Orgânico ( ) Estudado pelas ciências físicas. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) 1 – 2 – 3. b) 3 – 2 – 1. c) 3 – 1 – 2. d) 2 – 3 – 1. e) 2 – 1 – 3. 4. Não se pode negar que a ciência vem evoluindo juntamente com a tecnologia, tor- nando possível o progresso nos campos de saber, mas tanto saber e poder almejado e perseguido pelo homem moderno vem conduzindo-o à sua "autodestruição". Partindo dessa discussão, justifique por que isto acontece e coloque exemplos atuais que comprovem esta destruição. 3Professor-Aluno e a Dinâmica da Aprendizagem Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, caro(a) aluno(a), que bom tê-lo(a) por aqui novamente. Espero que, de fato, tenha aproveitado a nossa Unidade 2 e percebido como é desafiador o papel de um professor na formação de um indivíduo, bem como na construção de conceitos (conhecimentos científicos) em nossos discentes durante sua trajetória escolar. A fim de dar prosse- guimento às nossas discussões e aos conhecimentos que permeiam nossa disciplina, gostaria de convidá-lo(a) a embarcar na busca da melhor compreensão dessa dinâmica da aprendizagem e do entendi- mento do quão importante é a relação professor-aluno, em especial para o ensino de Ciências, bem como conhecer aspectos relevantes sobre a temática educação ambiental. Vamos lá? UNIDADE 3 80 Você já parou para pensar na via de mão dupla que é o processo de ensino e aprendizagem? Até então, você certamente possui uma vasta experiência e vi- vência, ocupando o papel de aluno neste processo, reconhecendo suas funções e, até mesmo, obrigações, contudo, gostaria que se colocasse no papel do professor e me dissesse qual é a função do docente? Qual o seu papel como professor? Em especial de Ciências? Ensinar! E, quem aprende? Estas são grandes inquietações, não é mesmo? Nossas disciplinas visam, em primeiro lugar, que você aprenda a cumprir o papel de um professor mediador, em um processo que começa e termina no aluno, e não mais um processo visto apenas do lado do professor, como acontecia na educação tradicional. Quanto ao ensino de Ciências Naturais, é preciso considerar uma apren- dizagem significativa, do conhecimento historicamente acumulado, para que se formem concepções de ciências e suas relações com a tecnologia, sociedade, natureza e ser humano. Conhecer os conteúdos é necessário, mas fazer com que estes conhecimentos sejam sistematizados e aplicados no dia a dia é papel da escola e dos professores. Para que haja aprendizagem ou, melhor dizendo, sua construção, faz-se neces- sário compreender que os dois sentidos de direção são importantes no que tange a via conhecida como ensino e aprendizagem, poisse complementam e caminham um ao lado do outro. Nesta perspectiva, gostaria de convidar você a realizar um experimento físico real intitulado a lata mágica. Acessando o QR Code, a seguir, você verá os materiais e os procedimentos necessários para execução de um experimento. Em seguida, sugiro que es- creva um texto sobre a relação existente entre a lata mágica e o ensino e aprendizagem. Lembre-se que a vivência faz a experiência e a experiência fomenta a excelência, ok? As grandes mudanças que têm atingido o magistério de forma geral e, em especial, o ensino das Ciências, estendem- -se para além do “mal-estar docente” que autores como o espanhol José M. Esteve (2004) pontua em sua obra, onde descreve que este “mal- estar” docente relaciona a falta de atratividade para o exercício da profissão pelos mais jovens, enquanto se verifica o aumento das responsabilidades e exigências sobre os educadores, ocor- rendo, muitas vezes, a transferência de atividades que eram tanto da família como da sociedade para a escola. É algo que cobra de nossa iniciativa e criatividade algo https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11779 81 mais do que simplesmente preparar aulas. Na verdade, estas têm de ser elaboradas com um conteúdo que esteja além da informação e suscite uma forma de pensar independente e crítica. Nesta perspectiva, gostaria que aproveitasse seu Diário de Bordo para elen- car e descrever dois momentos que você considere que poderiam causar um “mal-estar docente” na formação de um conceito científico pelo estudante e que poderiam atrapalhar, e muito, o processo de ensino e aprendizagem. Anote em seu Diário de Bordo suas reflexões. DIÁRIO DE BORDO UNICESUMAR UNIDADE 3 82 Iniciaremos este assunto com uma reflexão, a partir de uma sátira de Harold Benjamin, intitulada “O currículo dentes de sabre”, publicada em 1939, acerca do papel da educação na formação dos indivíduos, que se volta às primeiras disciplinas do currículo: “ Formar jovens na arte de capturar peixes, caçar cavalos lanudos com garrote e assustar com fogos os tigres dente de sabre. A questão era o que aconteceria com estas veneráveis disciplinas quando alguém inventasse a vara de pescar, os cavalos lanudos mudassem para terras mais altas e fossem substituídos por antílopes mais velozes, e os tigres morressem e seu lugar fosse ocupado por alguns ursos? Elas não de- veriam ser aposentadas ou substituídas por estudos mais pertinentes? Qual o seu papel como professor de Ciências? Quem ensina e quem aprende? Antes de iniciarmos nossa discussão mais profundamente sobre o tema, o que acha de dar um play em nosso podcast intitulado “Qual o seu papel como professor de Ciências? Quem ensina e quem aprende? ” Estarei esperando por você! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9404 83 “ “Não seja tolo” disseram os sábios anciãos, mostrando seus sorrisos mais benevolentes. “Não ensinamos a capturar peixes com a finali- dade de capturar peixes: ensinamos para desenvolver uma agilidade geral que nunca poderá ser obtida com uma mera instrução. Não ensinamos a caçar cavalos com garrote para caçar cavalos: ensi- namos para desenvolver uma força geral no aprendizado, que ele nunca iria obter de uma coisa tão prosaica e especializada como caçar antílopes com rede. Não ensinamos a assustar tigres com a finalidade de assustar tigres: ensinamos com o propósito de dar essa nobre coragem que se aplica a todos os níveis da vida e que nunca poderia surgir de uma atividade tão básica como matar ursos.“To- dos os radicais ficaram sem palavras diante desta declaração, exceto o mais radical de todos. Estava perplexo, é verdade, mas era tão radical que ainda fez um último protesto. “Mas, contudo”, sugeriu, “vocês devem admitir que os tempos mudaram. Vocês não pode- riam dignar-se a experimentar estas outras atividades mais moder- nas? Afinal de contas, talvez elas tenham algum valor educativo” até os companheiros radicais desse homem pensaram que ele tinha ido longe demais. Os sábios anciãos estavam indignados. O sorriso sumiu de seus rostos “Se você tivesse alguma educação”, disseram em tom grave, “saberia que a essência da verdadeira educação é a atemporalidade. É algo que permanece mesmo quando mudam as condições, como uma rocha firmemente fincada no meio de uma tumultuosa torrente. É preciso saber que há verdade eternas que o currículo dente de sabres é uma delas!”. Guy Glaxton – Educar mentes curiosas (POZO, 2009, p. 14). O que você compreendeu desta sátira? O que representa o currículo dente de sabres? A educação, hoje, prepara o indivíduo para o futuro ou, simplesmente, os educadores se contentam em reproduzir os conhecimentos que já estão organi- zados e sistematizados? Essa é uma grande discussão. Embora não centralizamos mais o processo de ensino-aprendizagem na figura do professor, e o nosso aluno seja o grande alvo e sujeito da dinâmica instalada em sala de aula, cabe ao pro- fessor um papel fundamental neste processo. UNICESUMAR UNIDADE 3 84 Entre as necessidades formativas de um professor de ciências físico-naturais (e para tal termo aqui nos inspiramos nos currículos das universidades portugue- sas), Carvalho e Gil-Pérez (2003, p. 14) apontam a necessidade de romper com visões simplistas sobre o ensino de Ciências. “ Quando se solicita a um professor em formação ou em exercí- cio que expresse sua opinião sobre “o que nós, professores de Ciências, deveríamos conhecer – em um sentido mais amplo de “saber” e “saber fazer” – para podermos desempenhar nossa tarefa é abordar de forma satisfatória os problemas que esta nos propõe, as respostas são, em geral, bastante pobres e não incluem muitos dos conhecimentos que a pesquisa destaca hoje como fundamentais. Carvalho e Gil-Pérez (2003) confiam nas orientações construtivistas como a melhor metodologia com vantagem perante as outras posturas – bem mais sim- plistas e até ingênuas. Por isso, insistem quando grupos de professores realizam contribuições de “‘grande riqueza’ no momento em que abordavam coletivamente a questão do que se deve ‘saber’ e ‘saber fazer’ por parte dos professores de Ciências ‘para ministrar uma docência de qualidade’” (CARVALHO, 2007, p. 15). O debate é recomendado na sequência deste tipo de ação docente como uma forma inovadora de tratar a questão da aprendizagem em Ciências. Um segundo requisito para o professor interessado na qualidade do ensino que oferece a seus alunos é, certamente, conhecer a matéria a ser ensinada. E acentuam que, além de “saber fazer” e “saber”, um professor de Ciências tem que lembrar que, para isso se realizar, não se pode ficar preso apenas aos conteúdos científicos. Quando elaboramos o resgate histórico do ensino de Ciências, tentamos res- ponder a uma ampliação desse objeto quando explicitamente nossos autores recomendam: um professor necessita conhecer a história das Ciências para que possa ir além de um fator cultural (MORENO, 1990), mas, primordialmente, como uma forma de relacionar os conhecimentos científicos com as situações vividas e experimentadas de modo que permita originar uma construção sem que os conhecimentos se apresentam como comandos arbitrários (OTERO, 1985). A história da ciência deve ser conhecida pelo professor, pois este não apenas trans- mite aos seus alunos os conteúdos da ciência, mas também, consciente ou incons- 85 cientemente, passa uma concepção sobre o que é Ciência, assim “O conhecimento sobre a natureza da pesquisa científica só pode ser adquirido de duas formas: ou pela prática da pesquisa e contato com cientistas, isto é, pela vivência direta ou pelo estudo da História da Ciência” (MARTINS, 1990, p. 4 apud PARANÁ, 2008, p. 69). Neste contexto, “a história da ciência propicia uma melhor integração dos conceitos científicos escolares sob duas perspectivas: como conteúdo específi- co em si mesmo e como fonte de estudo enriquecendo as estratégias de ensino do professor” (BASTOS, 1998 apud PARANÁ, 2008 p. 69). Martins(1990, p. 4) acrescenta que “a história da ciência complementa os estudos ao rever aspectos sociais, humanos e culturais inerentes ao conhecimento” e fornecem bases para se compreender os aspectos gerais da época, revelando concepções até então vigentes, controvérsias e, até mesmo, as dificuldades de aceitação de novas ideias. Carvalho e Gil-Pérez (2003) consideram que o professor deve conhecer as orien- tações metodológicas empregadas na construção dos conhecimentos em suas intera- ções com a tecnologia, além de acompanhar o desenvolvimento dos estudos científi- cos recentes e suas perspectivas para passar ao aluno uma visão dinâmica, não fechada das ciências. Isso é tão importante quanto saber selecionar os conteúdos adequados. A apropriação das divulgações científicas serve de alternativa para suprir a defasagem entre o conhecimento científico e o conhecimento científico escolar, permitindo a veiculação em linguagem acessível do conhecimento que é produ- zido pela ciência e dos métodos empregados nessa produção. Estes conhecimentos científicos têm “o papel de oportunizar ao professor de Ciências o contato com o conhecimento científico atualizado contribuindo, dessa forma, para sua própria formação continuada” (LINS DE BARROS, 2002 apud PARANÁ, 2008, p. 71). A opção pelo uso de documentos, textos, imagens e registros da história da ciência como recurso pedagógico propicia melhorias na abordagem do conteúdo específico, pois “sem a história da ciência perde-se a fundamentação dos fatos e argumentos efetivamente observados, propostos e discutidos em certas épocas” (PARANÁ, 2008, p. 70), pois, “Ensinar um resultado sem a fundamentação é sim- plesmente doutrinar e não ensinar ciência” (MARTINS, 1990, p. 04). No entanto, o professor, precisa considerar que, este tipo de material – revis- tas, jornais, documentários, visitas a Museus e Centros de Ciências, entre outros – não foi produzido originalmente para ser utilizado em sala de aula e, por isso, requer uma adequação didática. Para isso, deverá estar atento à qualidade desses UNICESUMAR UNIDADE 3 86 materiais, selecionando os que apresentarem linguagem adequada e um rigor teórico conceitual para evitar a banalização do conhecimento científico. “O uso de material inadequado, bem como de anedotas, analogias, metáforas ou simpli- ficações que desconsideram o rigor conceitual, compromete o ensino e prejudica a aprendizagem” (PARANÁ, 2008, p. 71). Sobre o uso de materiais adequados, por exemplo, pode-se dizer que a uti- lização de um documentário pode ser uma boa estratégia de ensino, desde que o professor articule o conteúdo do filme com o conteúdo específico abordado e os processos cognitivos a serem desenvolvidos pelos estudantes, sempre levando em conta a análise, reflexão, problematizações etc. Já na utilização de um texto de divulgação científica, “o professor precisa identificar os conceitos e/ou informa- ções mais significativas, fazer recortes e inserções, além de estabelecer relações conceituais, interdisciplinares e contextuais” (PARANÁ, 2008, p. 71). Por fim, um bom domínio da matéria se constitui, também, a partir de um ponto de vista didático, como algo fundamental, mas não suficiente e excludente de sua capacidade de interação com outras disciplinas e currículos, afinal, os pró- prios alunos são extraordinariamente sensíveis a este domínio da matéria pelos professores, considerando-o com justiça como um requisito essencial da própria aprendizagem (CARRASCOSA et al., 1990 apud CARVALHO; GIL-PÉREZ, 2003). 87 OLHAR CONCEITUAL Segundo Carvalho e Gil-Pérez (2003), o professor precisa dirigir as atividades dos alunos com o intuito de: Apresentar adequadamente as atividades a serem realizadas, de forma clara e objetiva ao aluno, a �m de uma melhor compreensão global do assunto. cccccccccccccccccccc Saber dirigir de forma ordenada às atividades de aprendizagem. Facilitar o funcionamento do complexo contexto que compõem uma classe. Realizar sínteses e reformulações que valorizem as contribuições dos alunos e orientando-o de forma clara a tarefa a ser realizada. Dispor a informação e a linguagem, necessária para que os alunos apreciem e entendam a validade de seu trabalho. Criar um clima estável em sala de aula, sabendo que uma boa “disciplina” é o resultado de um trabalho atrativo e de bom relacionamento entre professor e alunos, marcados pela cordialidade, aceitação e respeito. Contribuir para estabelecer formas de organização escolar que favoreçam interações frutíferas. Saber agir como especialista capaz de dirigir o trabalho de várias equipes. O presente infográfico permite com que você, caro(a) aluno(a), perceba e reflita so- bre como as atividades podem e devem ser dirigidas aos nossos alunos, na perspec- tiva de Carvalho e Gil-Pérez (2003), contribuindo para sua formação, mas, sobretu- do, destacando como estas estão relacionadas ao cotidiano discente e possuem um ou mais objetivo explícito a ser observado. UNICESUMAR UNIDADE 3 88 O professor atual precisa se atentar para a diferença entre o ensino que visa a simples memorização de conceitos e palavras que são facilmente exprimidas em um dicionário, de um aprendizado que forneça subsídio para que o aluno possa colocar seus objetivos em degraus mais altos que envolvem a análise e a síntese. Nesta perspectiva, é que trazemos para você, agora, a oportunidade de refle- tir sobre outras Ciências que coexistem no ensino da disciplina de Ciências, de modo a proporcionar uma reflexão, para que, no futuro próximo, consiga estabe- lecer esta relação entre a Ciência e as outras disciplinas que também permeiam o currículo na Educação Básica, na busca de uma real interdisciplinaridade. Ao refletir que as Ciências na escola podem ser consideradas uma questão de atitude, Cristina Loureiro (2001) defende uma conjunção entre as ciências naturais e a matemática, por exemplo, afirmando que suas razões são de natureza científica, e também incluem a dimensão cultural e a pedagógico-didática. Sua proposta, cen- tralizada nas atitudes, tem uma motivação e, como docente portuguesa, ela a expõe: “ As recentes orientações curriculares para o ensino básico, que explicam muitas das ideias sobre a educação básica já são vei- culadas há algum tempo, reforçam a afirmação fundamental de que a aprendizagem não pode ser um conjunto de compar- timentos estanques e desligados da realidade. (...) Há vários tipos de razões para estabelecer fortes ligações entre estas duas disciplinas [a matemática e as ciências naturais] dando assim fundamentação científica, cultural, pedagógica e didática à existência desta área curricular (LOUREIRO 2001, p. 51). Além de reforçar a ideia de que o desenvolvimento de competências de natureza cultural exige conhecimento e reflexão sobre a história da Ciência, há razões para considerar a articulação das Ciências naturais com a matemática. Caraça (1997, p. 62) apoia tal posição quando afirma: “ Não é por moda que cultivamos a interdisciplinaridade. A ne- cessidade de tratar questões de natureza interdisciplinar ou multidisciplinar vem das próprias questões; e tal pode signi- ficar uma transformação do modo de estar no mundo, assi- nalando a vantagem de se congeminar uma nova visão, mais bem adaptada à situação que vivemos. 89 Este autor também se refere a uma necessidade atual de uma visão do universo diferente daquela que nos guiou nos últimos séculos. Ele quer se reportar ao estabelecimento de uma nova relação temporal dos homens com a natureza e o universo, uma nova articulação de setores que contemple a urgência de conhecer e de aprender, além de estar sempre disposto às readaptações e novas articulações. “Sejam quais forem as razões, a matemática é sem contestação um meio útil de pensar a natureza” (LOUREIRO, 2001, p. 52). John Allen Paulos (1945 apud LOUREIRO, 2001, p. 54) defende que estamos imersos em uma rede fervilhante de informação e que, às vezes,percebemos que as respostas que mais buscamos “permanecem para além dos nossos horizontes de complexidade. As bolas de cristal estão todas embaçadas ou, no caso dos jornais, borradas de tinta”. Apesar da promessa (ou ameaça) de profecias matemáticas sobre o futuro, temos, muitas vezes, de nos contentar com as manchetes do presente. “Por esta razão, os jornais serão sempre novos e neles haverá sempre um elemento de romance. Compre um jornal e descubra se é isto mesmo” (LOUREIRO, 2001, p. 54). Esta investigadora lembra que, em Portugal, já existem projetos de ligação entre a matemática e as ciências da natureza ao nível do ensino básico. Ela afirma que os meios de comunicação são “uma fonte útil e inesgotável de ideias e pontos de partida para a realização de atividades e de articulação entre a matemática e as ciências naturais” (LOUREIRO, 2001, p. 54). Um fator lembrado, ainda, é a simetria, que está ligada a muitos dos mais pro- fundos padrões da natureza e, hoje, é fundamental para a nossa compreensão científica do universo. O conceito de simetria é muito antigo, mas sua evolução é recente e o seu aspecto mais importante é servir como um instrumento de descrição qualitativa e quantitativa dos objetos em estudo. “Só um olhar matemático permite encarar flores, design de automóveis e logotipos para descobrir aspectos comuns entre eles”. E, este olhar “está carregado de simetria” (LOUREIRO, 2001, p. 54). A autora explica como a simetria de reflexão pode auxiliar quando se trata de diferenciar entre 2.500 espécies de orquídeas, por exemplo, pois, a partir de situa- ções naturais, são inúmeras as possibilidades de observar, caracterizar, organizar e classificar. E tais processos demonstram que nossa interpretação do mundo natural está variando, como a própria história do homem e do pensamento, em sua forma de compreender a realidade do mundo e o que dele podemos conhecer. O papel do professor, atualmente, difere do docente considerado “tradicional”. O professor deixa de ser o principal agente do processo, aquele que transfere UNICESUMAR UNIDADE 3 90 conhecimentos para o aluno e passa a atuar como parte do processo de aprendi- zagem. Tal como a professora Nosella (2011, p. 11) faz constar em seus trabalhos, um ponto de partida pode advir de Michel de Montaigne, renascentista que, do século XVI, nos envia um recado: “o aluno não é um vaso que se enche de água, mas, sim uma fonte que se faz brotar”. Essa ênfase no processo educacional como mediação e construção é sin- tomática dos tempos modernos e do que dissemos quando comparamos os métodos de ensino para as Ciências. Muito bem, caro(a) aluno(a), discutimos até o presente momento acerca do papel do professor frente à disciplina de Ciências, onde foi possível verificar, de maneira bastante contingente, a força da intencionalidade perante as atividades docentes, mediação e estímulo ao uso e aplicabilidade da história da Ciência como ponte para o conhecimento científico e aporte o desenvolvimento de um conceito. Contudo, você pode estar se perguntando: e o aluno? Onde ele aparece e como se mostra neste processo intencional para se aprender Ciências? Delizoicov e Angotti (2009, p. 122) procuram por cenas do cotidiano escolar para trazer à luz questões sobre o tema enunciado. Assim, a primeira medida que anuncia para melhorar em definitivo nossa prática em sala de aula é: “ [...] reconhecer que nosso aluno é, na verdade, o sujeito de sua aprendizagem; é quem realiza a ação, e não alguém que sofre ou recebe uma ação”. Isto equivale a dizer que “não há como ensinar alguém que não quer aprender, uma vez que a apren- dizagem é um processo interno que ocorre como resultado da ação de um sujeito” (DELIZOICOV; ANGOTTI, 2009, p. 122). Nesse caso, o papel do professor como mediador ou facilitador do processo de aprendizagem aparece como condição essencial. Coerentemente ao que já afir- mamos, a aprendizagem é o resultado das ações intencionais de um indivíduo, e não de qualquer ação, pois ela se constrói por meio de uma interação entre um sujeito e seu meio circundante, natural e social. Já frisamos, também, o valor da vivência cotidiana e fizemos a comparação entre ela e o conhecimento científico. Falta, agora, lembrar que, se grande parte das ações em sala de aula ainda é fruto da tradição, existe, hoje, a necessidade de conduzir o aluno a adquirir conhecimentos que possam aplicar em sua vida, 91 além da simples memorização. Disso depende a eficácia do processo de ensino- -aprendizagem como uma maneira segura de desenvolver habilidades manuais e intelectuais, o relacionamento social, a convivência com os próprios sentimentos, valores e formas de comportamento. NOVAS DESCOBERTAS Livro: Pedagogia de projetos: técnicas para ensino de ciências. Autor: José Adilson dos Santos Guerra Editora: Appris Editora; 1ª edição (11 maio 2018) Resumo: a pedagogia de projetos trata sobre uma mudança de ati- tude pedagógica fundamentada na concepção de que a aprendizagem ocor- re a partir da resolução de situações-problema significativas para o aluno, aproximando-o do seu contexto social e do desenvolvimento do senso crí- tico. O autor investiga, por meio da aplicação de um projeto com os alunos, se o desenvolvimento da pedagogia de projetos envolvendo educação am- biental auxiliaria na melhoria do aproveitamento escolar, se aproximaria os alunos de realidades socioculturais por eles desconhecidas, se facilitaria a compreensão e realização de trabalhos interdisciplinares e, ao mesmo tem- po, se o trabalho despertaria os alunos para ações ecológicas. Os resultados dessa experiência mostraram que os alunos se envolveram em uma expe- riência na qual o processo de construção do conhecimento esteve ligado às práticas vividas, e isso os levou ao interesse genuíno pelas ciências. UNICESUMAR UNIDADE 3 92 Educar é formar informando e informar formando. Os conteúdos são importantes, mas os valores também. O aluno é o foco, hoje, as luzes se deslocaram, portanto, reconhecer o aluno como foco de aprendizagem é também percebê-lo, ou seja, é preciso pensar sobre quem é esse aluno (DELIZOICOV; ANGOTTI, 2009). Os conhecimentos científicos estão presentes em nossa vida cotidiana, por meio dos objetivos e processos tecnológicos e “a ciência não é mais um conhe- cimento cuja disseminação se dá exclusivamente no espaço escolar, nem seu domínio está restrito a uma camada específica da sociedade, que a utiliza profis- sionalmente” (DELIZOICOV; ANGOTTI, 2009, p. 127). Seu espectro de ação está ampliado e envolve decisões tanto éticas quanto políticas por parte dos docentes e do cenário da educação nacional. As ciências físico-naturais têm um grande papel quanto à prática simboliza- dora que permite a construção de imagem sobre o nosso meio natural e social. A escola é apenas um dos espaços onde tais explicações e linguagens são construí- das e, ao menos que a ciência como conhecimento se faça acessível e inteligível, os enunciados simplesmente memorizados serão facilmente esquecidos em poucos dias. O que se pretende é a incorporação do conhecimento de forma profunda e duradoura, e isto só se conseguirá após um processo de aprendizagem significa- tiva que envolvam os sujeitos, no caso, os educandos. Bizzo (2002) afirma que o professor deverá enfrentar a tentação de dar res- postas prontas e oferecer novas perguntas em seu lugar, propiciando aos alunos a sua própria busca e resultados. Uma resposta assim encontrada poderia levar o aluno a procurar a resposta junto a seus colegas, envolver a família, procurar em livros (acrescentaríamos a Internet) e/ou formular novas hipóteses. É o mesmo tema que Demo (2003) desenvolve quando propõe o educar pela pesquisa, ou seja, ele parte da definição da educação como processo de formação da competência humana dentro de um quadro renovador que permita ao aluno ser um pesquisador criterioso que enxergue o processo de aprendizagem como algo que dele depende fundamentalmente.Então, temos o aluno como sujeito, destinado à competência, inovação como resultado da competência do conhecimento e intervenção visando à ética da competência. Ainda, faz parte do discurso desse autor: a proposta de educar pela pesquisa, a qual tem, pelo menos, quatro pressupostos cruciais: ■ a convicção de que a educação pela pesquisa é a especificidade mais própria da educação escolar e acadêmica; 93 ■ o reconhecimento de que o questionamento reconstrutivo com qualidade formal e política é o cerne do processo de pesquisa; ■ a necessidade de fazer da pesquisa atitude cotidiana no pro- fessor e no aluno; ■ e a definição da educação como processo de formação da competência histórica humana (DEMO, 2003, p. 5). Na proposta de Demo (2003), a base teórica representa o cerne do trabalho. A ela cabe consolidar a capacidade explicativa do educando, buscando por causas, condições, argumentações e contra-argumentações, para desenvolver a familia- ridade com a ciência, na capacidade de induzir e deduzir. Todas estas constatações nos conduzem a entender como está organizado o ensino de Ciências na Educação Básica, sobretudo nos documentos oficiais, visto que este fornece também o aporte curricular necessário e “obrigatório” que deverá ser perpassado nas escolas – falando nisso, vamos conhecer como aparece nossa disciplina na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)? “ A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um docu- mento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Edu- cação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). Este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a define o § 1o do Artigo 1o da Lei de Dire- trizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei no 9.394/1996), e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamenta do nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN) (BRASIL, 2018, p. 7). Ao longo da educação básica, as aprendizagens fundamentais definidas na BNCC devem primar por assegurar, a todos os estudantes, o desenvolvimento de dez com- petências gerais, as quais, no âmbito pedagógico, atuam como base dos direitos de UNICESUMAR UNIDADE 3 94 aprendizagem e desenvolvimento. Dessa maneira, a BNCC se baseia na aplicação dessas dez competências gerais em todas as etapas de ensino, seja na Educação In- fantil (EI), no Ensino Fundamental (EF) e no Ensino Médio (EM), desdobrando-se em campos de experiências para o EI e áreas de conhecimentos para o EF e EM. Conhecida como primeira etapa da Educação Básica, a Educação Infantil é tida como o início e o fundamento do processo de escolarização de nossas crianças brasileiras. A entrada na creche ou na pré-escola significa, na maioria das vezes, a primeira grande separação que as crianças enfrentam dos seus vínculos afetivos familiares para navegar em um ambiente de socialização estruturada. Ainda de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), em seu Artigo 9º, os eixos estruturantes das práticas peda- gógicas dessa etapa da Educação Básica são as interações e a brincadeira, em Figura 1 - Estrutura geral da Base Nacional Comum Curricular / Fonte: Brasil (2018, p. 24). Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxograma sobre as etapas educacionais do ensino brasileiro. A primeira coluna, em verde, destaca a organização para educação infantil, direitos de apren- dizagem e desenvolvimento e campos de experiências; a coluna localizada no meio, em azul, destaca o ensino fundamental e Áreas do conhecimento; e a terceira coluna, em amarelo, destaca a organização para o ensino médio e áreas do conhecimento. 95 que as experiências vivenciadas pelas crianças devem fomentar a construção e apropriação de conhecimentos por meio de suas ações e socialização com seus pares e com os adultos (BRASIL, 2017). Com base nos eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica apresentadas pela BNCC, 6 direitos de aprendizagem e desenvolvimento descrevem e asseguram as condições para que as crianças aprendam, na Educação Infantil, nas mais variadas situações as quais possam sempre participar ativamente e vivenciar desafios, bem como sentirem-se pro- vocadas a resolvê-los nos quais possam aprender sobre si, os outros e o mundo social e natural (BRASIL, 2018). Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento na Educação Infantil Conviver Com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. Brincar Cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaço e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções cul- turais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criativi- dade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Participar Ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades pro- postas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. Explorar Movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, pala- vras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. UNICESUMAR UNIDADE 3 96 Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento na Educação Infantil Expressar Como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessi- dades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, desco- bertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. Conhecer-se E construir sua identidade pessoal, social e cultural, consti- tuindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de per- tencimento, nas diversas experiências de cuidados, intera- ções, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar em seu contexto familiar e comunitário. Quadro 1 - Seis Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento na Educação infantil Fonte: Brasil (2018, p. 38). Tendo em vista que, na Educação Infantil, o processo de ensino e aprendi- zagem de nossas crianças possui, segundo a BNCC, como eixos estruturan- tes, as interações e a brincadeira, é assegurado a eles alguns direitos que são conectados aos eixos estruturantes, tais como: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se. A organização curricular da BNCC para a Educação Infantil está estruturada em cinco campos de experiências que nada mais são do que, se não, um arranjo (con- glomerado situacional) curricular que permite com que o aluno possa experimentar e vivenciar situações concretas da vida cotidiana entrelaçada aos conhecimentos (seus saberes), e portanto, que fazem parte do patrimônio cultural próprio (BRASIL, 2018). Os campos de experiências também se baseiam no que dispõem as DCNEI no que tange a discussão referente aos conhecimentos fundamentais que serão ofertados às crianças. Nesta perspectiva, estes campos estão organizados em 4 categorias, da seguinte maneira: ■ O eu, o outro e o nós – Pautado, principalmente, nas relações sociais e humanas, analisando e proporcionando uma interação das crianças com os adultos e seus pares, este campo de experiência permite com que o 97 aluno pense e reflita sobre o próprio modo de agir, sentir e pensar e vão descobrindoque existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista (BRASIL, 2018). ■ Corpo, gestos e movimentos – Pautado, principalmente, no cor- po, este campo de experiência têm como objetivo proporcionar a criança por meio dos sentidos, gestos e movimentos para que pos- sam explorar o mundo que a rodeia (espaço), estabelecendo rela- ções sobre o seu corpo e o do outro por meio de brincadeiras e a produção de conhecimentos de maneira progressiva e consciente (BRASIL, 2018). ■ Traços, sons, cores e formas – Este campo de experiência tem como intuito principal fomentar o desenvolvimento de diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano discente ou da instituição escolar, possibilitando com que as crianças possam, por meio de experiências diversificadas, vi- venciar e experimentar diversas formas de expressão e linguagens (BRASIL, 2018). ■ Escuta, fala, pensamento e imaginação – Por último, mas não menos importante, este campo de experiência discute sobre as diversas participa- ções e manifestações comunicativas cotidianas as quais as crianças estão envolvidas e, portanto, inseridas desde as primeiras formas de interação do bebê até a constante ampliação progressiva de vocabulário das crianças (BRASIL, 2018). “ Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em con- versas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social (BRASIL, 2018, p. 42). UNICESUMAR UNIDADE 3 98 Campo de Experiências “O EU, O OUTRO E O NÓS” Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem peque- nas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01E001) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. (EI02E001) Demonstrar atitudes de cuidado e solidarie- dade na interação com crianças e adultos. (EI03E001) Demonstrar empatia pelos outros, perceben- do que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e manei- ras de pensar e agir. (EI01E002) Perceber as possibilida- des e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa. (EI02E002) Demonstrar imagem positiva de si e confian- ça em sua capacidade para enfrentar dificul- dades e desafios. (EI03E002) Agir de maneira inde- pendente, com confian- ça em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI01E003) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, ob- jetos e brinquedos. (EI02E003) Compartilhar os obje- tos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. (EI03E003) Ampliar as relações interpessoais, desenvol- vendo atitudes de parti- cipação e cooperação. Quadro 2 - Campo de experiência e objetivo de aprendizagem / Fonte: Brasil (2018, p. 38). Em consonância, cada campo de experiência possui um conjunto de objetos de aprendizagem e desenvolvimento exclusivos que variam de acordo com a faixa etá- ria das crianças, apresentando características próprias. Dê uma olhada nas imagens a seguir e você irá perceber como isso se comporta dentro do documento. 99 De acordo com o exemplo presente na imagem anterior (Figura 2), o código EI02TS01 diz respeito a uma habilidade que está diretamente relacionada ao campo de experiência de conhecimento “Traços, sons, cores e formas”. Com base na imagem, é possível perceber que se trata de uma habilidade presente no grupo 02, ou seja, aquele que trata de crianças bem pequenas, mais especificamente de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, destacado pela numeração sequencial 01. Por- tanto, as crianças pertencentes a esta faixa etária devem desenvolver a habilidade de “Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais para acompanhar diversos ritmos de música”, entre diversas outras. Interessante, não é mesmo? Pois bem, caro(a) aluno(a), pode ir se acostuman- do, pois, no decorrer de sua trajetória docente, você irá ouvir muito sobre estes códigos e habilidades, inclusive, agora, daremos início ao conhecimento sobre a estrutura da BNCC, voltada para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Figura 2 - Campo de experiência e objetivo de aprendizagem / Fonte: Brasil (2018, p. 38). Descrição da Imagem: a imagem explica como realizar a leitura de uma habilidade presente no campo de experiência intitulado: Traços, sons, cores e formas. A sigla EI refere-se a Educação Infantil, 02 ao grupo de faixa etária, TS diz respeito ao campo de experiência intitulado traços, sons, cores e formas e 01 a numeração sequencial da habilidade. UNICESUMAR UNIDADE 3 100 Basicamente, você irá notar que, no ensino fundamental, os direitos de apren- dizagem e os campos de experiência não existem mais, afinal, foram substituídos por áreas do conhecimento que, conforme o documento, nada mais são do que a forma como as disciplinas são organizadas, subdivididas em cinco grandes áreas. São elas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso. É importante destacar que cada uma dessas áreas possui seus próprios componentes curriculares que auxiliam na comunicação entre os co- nhecimentos e saberes dos diferentes objetivos de currículo (conteúdos). Diante do contexto, vale a pena ressaltar que área de conhecimento das Ciências da Natureza, à qual nossa disciplina se encontra inserida, tem como compromisso a formação integral dos alunos, de modo que possibilite o desen- volvimento do letramento científico para que, a partir dele, desperte no discente uma capacidade muito relevante que é interpretação, aliada à compreensão do mundo natural, social e tecnológico ao qual este aluno faz parte, com base nos aportes teóricos e processuais das ciências. No Ensino Fundamental, a área se concentra apenas na disciplina de Ciências, mas, no Ensino Médio, desdobra-se em três disciplinas: a Biologia, a Física e a Química. Não pense que acabou! Agora que você já conhece cada área do conheci- mento pertencente tanto aos Anos iniciais do Ensino Fundamental quanto aos Anos Finais do Ensino Fundamental, é necessário reforçar que, para que seja possível o desenvolvimento das competências específicas acima mencionadas, cada componente do currículo traz consigo um conjunto de habilidades. Estas habilidades estão inerentes aos vários objetos de conhecimento, os quais podem ser entendidos como os próprios conteúdos curriculares que, por sua vez, são organizados em unidades temáticas. Para melhor direcionar a elaboração dos currículos de Ciência nas unidades escolares e as aprendizagens essenciais a serem asseguradas neste componente curricular, o ensino de Ciências foi organizado sobre aporte de três unidades temáticas, intituladas: matéria e energia, vida e evolução e terra e universo que se repetem ao longo de todo o Ensino Fundamental. 101 A unidade temática Vida e evolução prevê um estudo baseado em como seres vivos se relacionam, compreendendo os processos evolutivos que promovem a diversidade de formas de vida no planeta, não se esquecendo de suas caracte- rísticas e necessidades. Características dos ecossistemas: interações ecológicas, biologia celular, botânica e também a zoologia (BRASIL, 2018). Filoso�a Natural Figura 3 - Unidade temática matéria e energia Descrição da Imagem: A imagem é composta por uma menina segurando um livro de física com um vaso de planta atrás. Ao fundo da imagem podemos perceber uma pirâmide seccionada por um feixe de luz, sendo apontado por um menino com vestes escolares. Disposto aleatoriamente ao fundo da imagem, temos fórmulas físicas, modelos atômicos, livros e uma lâmpada de Tesla. A unidade temática Matéria e energia:responsável por contemplar o estudo de materiais e as suas transformações, os tipos de energias, suas fontes e como elas são geradas no planeta Terra. Para os anos iniciais, valorizam-se os ele- mentos tidos como concretos (aqueles que podemos tocar) e os ambientes que os cercam (casa, escola e bairro), oferecendo aos alunos oportunidade de interação, compreensão e ação no seu entorno (BRASIL, 2018). UNICESUMAR UNIDADE 3 102 A última das unidades temáticas chamada Terra e Universo discute sobre a compreensão das características do planeta Terra e dos demais astros que ocupam o universo, para que se possa compreender, mesmo que de forma breve, suas dimensões, compo- sição, localizações, seus movimentos e as forças que atuam entre eles. Outro foco bastan- te importante desta unidade temática é a busca incessante pela observação do céu, na tentativa de compreender as zonas habitadas pelo ser huma- no e pelos demais seres vivos, bem como os principais fenô- menos celestes, em linhas gerais, o Ensino da Astronomia que se encontra bem defasa- do nos anos iniciais (BRASIL, 2018). Achou complicado! Fique tranquilo(a), dê uma olhada nos quadros a seguir e tenho certeza que entenderá melhor essa organização. CIÊNCIAS - 3º ANO Unidades Temáticas Objetos de Conhecimento Matéria e energia Produção de som Efeitos da luz nos materiais Saúde auditiva e visual Vida e evolução Características e desenvolvimento dos animais Terra e Universo Características da Terra Observação do céu Usos do Solo Quadro 3 - Tabela de Unidades Temáticas e Objetos do conhecimento / Fonte: Brasil (2018, p. 336). 103 Habilidades (EF03CI01) Produzir diferentes sons a partir da vibração de variados objetos e identifi- car variáveis que influem nesse fenômeno. (EF03CI02) Experimentar e relatar o que ocorre com a passagem da luz através de objetos transparentes (copos, janelas de vidro, lentes, prismas, água etc.), no contato com superfícies polidas (espelhos) e na intersecção com objetos opacos (paredes, pratos, pessoas e outros objetos de uso cotidiano). (EF03CI03) Discutir hábitos necessários para a manutenção da saúde auditiva e visual considerando as condições do ambiente em termos de som e luz. (EF03CI04) Identificar características sobre o modo de vida (o que comem, como se reproduzem, como se deslocam etc.) dos animais mais comuns no ambiente próximo. (EF03CI05) Descrever e comunicar as alterações que ocorrem desde o nascimento em animais de diferentes meios terrestres ou aquáticos, inclusive o homem. (EF03CI06) Comparar alguns animais e organizar grupos com base em características externas comuns (presença de pelos, escamas, bico, garras, antenas, patas etc.). (EF03CI07) Identificar características da Terra (como seu formato esférico, a presença de água, solo etc.), com base na observação, manipulação e com- paração de diferentes formas de representação do planeta (mapas, globos, fotografias etc.). (EF03CI08) Observar, identificar e registrar os períodos diários (dia e/ou noite) em que o Sol, demais estrelas, Lua e planetas estão visíveis no céu. (EF03CI09) Comparar diferentes amostras de solo do entorno da escola com base em características como cor, textura, cheiro, tamanho das partículas, permeabilidade etc. (EF03CI10) Identificar os diferentes usos do solo (plantação e extração de materiais, dentre outras possibilidades), reconhecendo a importância do solo para a agricultura e para a vida. Quadro 4 - Tabela de habilidades / Fonte: Brasil (2018, p. 337). Cada uma das habilidades é estruturada por meio de códigos e é de suma im- portância entendê-los para que se possa realizar a interpretação necessária e utilizá-los de maneira adequada em seu futuro planejamento escolar ou para justificar a realização de determinada atividade em um plano de aula. Assim, cabe explicitar o que significa cada trecho do código de uma ha- bilidade que, por sua vez, é inerente a um objeto do conhecimento que está vinculado a uma unidade temática. UNICESUMAR UNIDADE 3 104 Temos demasiadas informações sobre a características e estruturas da BNCC, po- rém, fique tranquilo(a), a prática leva à perfeição e temos certeza que, no decorrer do curso e no andamento de sua carreira profissional, você irá se apropriar ainda em como o Ensino de Ciências pode ser trabalhado com base nos documentos oficiais. Contudo, é preciso discutir sobre um tema muito relevante e que deve per- mear e costurar, não somente a unidade temática “Vida e Evolução” mas também todas as unidades temáticas discutidas no ensino de Ciências, principalmente sobre o caráter interdisciplinar que o tema possui. A Educação ambiental, você sabe o que é? Como fazer? De verdade? Bom, sinto lhe dizer que se, em seu pen- samento, Educação ambiental se resume em reciclagem e não matar animais, teremos muitos conhecimentos relevantes para aprender. Vamos lá! A partir deste momento, você irá compreender como o meio ambiente sem- pre possibilitou a vida em nosso planeta, apesar das intervenções do ser humano em sua forma natural. A humanidade, ao aumentar sua capacidade de intervenção na natureza para satisfação de suas necessidades crescentes, produz tensões e conflitos quanto ao domínio do espaço e dos recursos do meio ambiente. EF03CI01 01 - Diz respeito à habilidade de produzir sons a partir da vibração de variados objetos e identi�car variáveis que in�uem nesse fenômeno. CI - corresponde a disciplina de Ciências 03 - Representa o ano (seriação) que esta habilidade pertence, aqui diz respeito ao terceiro ano do Ensino Fundamental. Anos Iniciais. EF - O primeiro par de letras representa a etapa de ensino, neste caso Ensino Fundamental. Figura 4 - Interpretando habilidades, Ensino Fundamental Anos Iniciais / Fonte: os autores. Descrição da Imagem: a imagem é composta de um fluxograma setado, de modo que cada seta aponta para a descrição e significado de cada uma das partes de uma habilidade específica ao qual seu código é EF03CI01. EF - O primeiro par de letras representa a etapa de ensino, neste caso Ensino Fundamental; 03 - Representa o ano (seriação) que essa habilidade pertence, aqui diz respeito ao terceiro ano do Ensino Fundamental. Anos Iniciais; CI - corresponde à disciplina de Ciências; 01 - Diz respeito à habilidade de produzir sons a partir da vibração de variados objetos e identificar variáveis que influem nesse fenômeno. 105 Os recursos oferecidos pela natureza sempre foram imprescindíveis para a sobrevivência humana. No entanto, o desenvolvimento pautado no acú- mulo de capital da sociedade capitalista faz com que haja uma apropriação abusiva dos recursos naturais, provocando um desequilíbrio na relação do homem com o meio ambiente. Este processo de degradação compromete a qualidade de vida, especialmente nos países mais desenvolvidos, uma vez que as políticas públicas geralmente não tratam os problemas ambientais de forma prioritária e emergencial. Acredito que você possa estar se perguntando: “professor, mas não seria países menos desenvolvidos que provocam esse desequilíbrio na relação do homem com o meio ambiente?” Infelizmente não, caro(a) aluno(a), tendo em vista que são em países mais desenvolvidos que ocorre o maior grau de emissão de gás carbônico e gases do tipo CFC´s por exemplo, gases capazes de degradar a camada de ozônio. Como resultado desta política, constata-se o aumento da proliferação de doenças, a exposição da população à miséria a um ambiente insalubre e de- gradado, o que vem ferir alguns dos principais direitos constitucionais do cidadão, tais como a dignidade da pessoa humana, a saúde e o direito a um meio ambiente equilibrado, que garanta a qualidade de vida das presentes e futuras gerações (OLIVEIRA, 2010). No Brasil, a biodiversidade está ameaçada em todos os biomas, por conta do desenvolvimento desordenado de atividades produtivas. Segundo a Pronea (2005), a degradação do solo, a poluição atmosférica e a contaminação dos re- cursos hídricos são algunsdos efeitos nocivos observados. Um dos maiores pro- blemas que se estende em nosso país até os dias de hoje diz respeito ao descarte de materiais dos centros urbanos, em especial dos resíduos sólidos que ainda são depositados em lixões, a céu aberto. Nessa perspectiva, ainda pode-se associar a um quadro de exclusão social e elevado nível de pobreza da população, pois muitas pessoas vivem em áreas de risco, como encostas, margens de rios e periferias industriais expostas às intem- péries da natureza. Também, inclui nesta discussão que uma significativa parcela dos brasileiros tem uma percepção “naturalizada” do meio ambiente, acreditando que só o lixo é que está contribuindo para a degradação do meio ambiente. UNICESUMAR UNIDADE 3 106 “ Reverter este quadro configura um grande desafio para a construção de um Brasil sustentável, entendido como um país socialmente justo e ambientalmente seguro. Nota-se ainda um distanciamento entre a letra das leis e sua efetiva aplicação, sobretudo no que se refere às dificuldades encontradas por políticas institucionais e movimentos sociais voltados à consolidação da cidadania entre segmentos so- ciais excluídos (PRONEA, 2005, p. 17). Para que haja um enfrentamento da problemática ambiental, algumas estratégias devem ser organizadas para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis, envolvendo uma articulação coordenada entre todos os tipos de inter- venção ambiental direta, incluindo, neste contexto, as ações em educação ambiental. Diante desta realidade, a Educação Ambiental se mostra como uma das fer- ramentas de orientação para a tomada de consciência dos indivíduos frente aos problemas ambientais, e é exatamente por isso que sua prática se faz tão impor- tante, a fim de solucionar as questões relativas ao acúmulo de resíduos, desper- 107 dício de água, entre outras. A educação para o meio ambiente vem crescendo e assumindo um papel muito importante na criação de uma linguagem comum na comunidade sobre as questões ambientais, dando condições à mídia, às institui- ções governamentais (e não governamentais) e a outros grupos e representações de desenvolverem, de forma mais articulada, projetos sobre educação ambiental. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, §1º, VI, estabelece a obri- gação do Poder Público de “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente” (BRASIL, 1988, on-line). A Educação Ambiental é decorrente do princípio da participação, em que se busca trazer uma consciência ecológica à população, titular do direito ao meio ambiente. Nesse contexto, procura-se compreender como se pode iniciar um trabalho de sensibilização dentro do ambiente educacional prescrito por lei. Veja como está organizada a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 e decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002. Com este documento, o Brasil se destacou como o primeiro país da América Latina a ter uma política nacional especificamente voltada para a Educação Ambiental e, como tal, traz consigo artigos e seções muito viáveis e aplicáveis ao universo educacional. Em seu Art. 1º compreende que a Política Nacional de Educação Ambiental deverá ser executada por todos os órgãos e entidades que fazem parte do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA e também pelas instituições educa- cionais públicas e privadas dos sistemas de ensino, destacando, aqui, o papel de nossas escolas como instituições formadoras de opinião e que promovem um ensino para a formação cidadã. Já no Art. 3º do referido documento, o destaque vai para os órgãos gestores e o que lhes compete. Nesta perspectiva, vale ressaltar os incisos VI, VII e XI, pois denotam funções da escola, que também é considerada um órgão gestor. VI - promover o levantamento de programas e projetos desenvolvidos na área de Educação Ambiental e o intercâmbio de informações; VII - indicar critérios e metodologias qualitativas e quantitativas para a ava- liação de programas e projetos de Educação Ambiental; UNICESUMAR UNIDADE 3 108 XI - assegurar que sejam contemplados como objetivos do acompanhamento e avaliação das iniciativas em Educação Ambiental: a) a orientação e consolidação de projetos; b) o incentivo e multiplicação dos projetos bem sucedidos; e, c) a compatibilização com os objetivos da Política Nacional de Edu- cação Ambiental (BRASIL, 2002, on-line). O Art. 5º discorre sobre a inclusão da Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, e não poderia deixar de mencioná-lo aqui, mesmo que este faça alusão direta aos antigos PCN’s, suas orientações ainda são pertinentes e também previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais, dentre elas cabe elucidar: I - a integração da educação ambiental às disciplinas de modo transversal, contínuo e permanente; e II - a adequação dos programas já vigentes de formação continuada de edu- cadores (BRASIL, 2002, on-line). A Lei nº 9.795/1999 estabelece critérios e normas para a Educação Ambiental tanto no ensino formal, nas instituições escolares públicas e privadas, como nas instituições não formais. Ela organiza ações práticas e educativas voltadas à conscientização (sensibilização) sobre as questões ambientais e à sua parti- cipação na defesa da qualidade do meio ambiente. A Educação Ambiental se projeta como uma perspectiva de cuidado para com o patrimônio da comunidade e das gerações futuras. “Acrescenta-se aqui também a parti- cipação da sociedade civil nos procedimentos democráticos, assegurados por lei” (OLIVEIRA, 2010, p. 1). Contudo, constata-se que a Política Nacional de Educação Ambiental vem encontrando dificuldades para ser implementada na prática. Os principais fatores que contribuem para essa não aplicação se encontram intimamente relacionados à falta de conhecimentos sobre a própria política por parte da população e tam- bém a falta de interesse pelas instituições. 109 No que tange o histórico da Educação Ambiental no Brasil e no Mundo, é ne- cessário salientar que o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global, estabelecido em 1992, no Fó- rum Global, constituiu-se como outro marco mundial relevante para a educação ambiental, por ter sido elaborado no âmbito da sociedade civil e por reconhecer a educação ambiental como um processo dinâmico em permanente construção, orientado por valores baseados na transformação social. Em 1997, durante a 1ª Conferência de Educação Ambiental, realizada em Brasília, foi produzido o documento “Carta de Brasília para a Educação Ambien- tal”, contendo cinco áreas temáticas: ■ Educação ambiental e as vertentes do desenvolvimento sustentável. ■ Educação ambiental formal: papel, desafios, metodologias e capacitação. ■ Educação no processo de gestão ambiental: metodologia e capacitação. ■ Educação ambiental e as políticas públicas: PRONEA, políticas de recur- sos hídricos, urbanas, agricultura, ciência e tecnologia. ■ Educação ambiental, ética, formação da cidadania, educação, comunica- ção e informação da sociedade. Em 1999, foi criada a Diretoria do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), vinculada à Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente, que, de início, passou a desenvolver as atividades como veremos a seguir: ■ Implantação do Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Am- biental (SIBEA), objetivando atuar como um sistema integrador das in- formações de educação ambiental no país. ■ Implantação de Polos de Educação Ambiental e Difusão de Práticas Sus- tentáveis nos Estados, objetivando irradiar as ações de educação ambiental. Francis Bacon, filósofo inglês do século XVII, é considerado um dos precursores do método científico. Ele acreditava que o saber científico deveria ser medido em termos da capacida- de de dominação da natureza. Ficaram na história impressionantes afirmações de Bacon como: "devemos dominar a natureza e atrelá-la a nossos desejos".Para ele o cientista de- veria "extrair da natureza, sob tortura, todos os seus segredos" (CARVALHO, 2007, p. 117). PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR UNIDADE 3 110 ■ Fomento à formação de Comissões Interinstitucionais de Educação Am- biental nos estados e auxílio na elaboração de programas estaduais de educação ambiental. ■ Implantação de curso de Educação Ambiental a Distância, objetivan- do capacitar gestores, professores e técnicos de meio ambiente de to- dos os municípios do país. ■ Implantação do projeto Protetores da Vida, objetivando sensibilizar e mobilizar jovens para as questões ambientais. Em 2000, a educação ambiental integra, pela segunda vez, o Plano Plurianual (2000- 2003) vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em 2001, por iniciativa dos educadores ambientais, foi realizada uma reunião com o MMA para se buscar apoio às redes de educação ambiental. A partir de então, o Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) apoiou o fortalecimento da Rede Brasileira de Educação Am- biental (REBEA) e da Rede Paulista de Educação Ambiental (REPEA). Em junho de 2002, a Lei n° 9.795/99 foi regulamentada pelo Decreto n° 4.281, lançando, assim, as bases para a sua execução. Em novembro de 2003, foi realizada a Conferência Nacional do Meio Ambiente, em suas versões adulto e infanto-juvenil. Em 2004, cria-se o SECAD (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetiza- ção e Diversidade), que permitiu à CGEA (A Coordenação-Geral de Educação Ambiental) maior enraizamento no MEC e junto às redes estaduais e municipais de ensino, passando a atuar de forma integrada às áreas de Diversidade, Educação Escolar Indígena e Educação no Campo, conferindo, assim, maior visibilidade à Educação Ambiental e oportunizando sua vocação de transversalidade. “ A educação ambiental no MEC atua em todos os níveis de ensino formal, mantendo ações de formação continuada de 32 mil professores e 32 mil alunos do ensino fundamental por meio do programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, que deu continuidade ao processo de Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, como parte de uma visão sistêmica de educação ambiental. O fortalecimento da educa- ção ambiental no ensino público superior se dá por meio de pesquisas em parcerias com a Rede Universitária de Progra- 111 mas de Educação Ambiental (RUPEA), na proposta de criação de uma Política de Educação Ambiental no Ensino Superior, e também com a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e o INEP – Instituto Nacio- nal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, no mapeamento de “O que fazem as escolas que fazem Educação Ambiental? (PRONEA, 2005, p. 29). Podemos verificar, nesse breve histórico, que as ações políticas estão, aos poucos, sendo organizadas, mais que isto, segundo Alcântara (2007), precisamos de um esforço extraordinário, uma nova forma de viver, em que há respeito a tudo o que é vivo; há a percepção de que tudo está interligado, que Terra e Homem formam um único organismo e que o futuro só será menos aterrorizante se nos reconciliarmos com as sábias leis que regem este vasto complexo biológico que é nosso planeta. Atualmente, a preocupação com o meio ambiente não está mais restrita ao âmbito político. O progresso leva ao desenvolvimento de todas as áreas: financei- ra, política, econômica, cultural, educacional etc., contudo, junto a este momento de progresso tecnológico inserido na sociedade, há o uso desenfreado e avassa- lador dos recursos da natureza, tudo em nome do progresso, que vem gerando graves problemas no que concerne ao real entendimento de que crescimento econômico exclui qualidade de vida ambiental. Na sociedade atual, usa-se o termo “ecodesenvolvimento” ou “desenvolvimen- to sustentável”, para sintetizar a relação necessária entre meio ambiente e econo- mia, referindo-se à complementaridade potencial entre crescimento e meio am- biente, ou seja, para que o primeiro ocorra, não tem de se excluir o segundo. Esta é uma visão desenvolvida e de grande valor para o ecossistema. Tal abordagem envolve um interesse supraindividual, um interesse difuso, já que a conservação dos recursos naturais interessa a todos nós, afetados, direta ou indiretamente, pela degradação ambiental (TOALDO, 2012). Portanto, cuidar do planeta não é apenas um desejo de comunidades de preservação, mas, principalmente, uma necessidade de todos que habitam este planeta. Precisamos aprender a pensar em longo prazo, partindo da premissa de que nossas ações precisam atender de forma equilibrada às três dimensões da sustentabilidade – a econômica, a social e a ambiental. Além UNICESUMAR UNIDADE 3 112 disso, vamos precisar aprender a ver a vida de uma maneira diferente. Deve- mos ter como meta alcançar um único princípio básico, que é o de viver bem e, assim, ter acesso à educação, saúde, mobilidade, alimento, água, energia, habitação e consumo de produtos. Estamos chegando ao término de mais uma unidade do nosso material, foi emocionante o caminho até aqui, não? Quanto conhecimento agregado, quantos meios diferentes e métodos estão envolvidos durante a formação de conceitos científicos em nossos estudantes. Nesta unidade, estudamos como a ciência aspira à objetividade, sua lingua- gem é rigorosa, seus métodos e técnicas são específicos e o processo cumulativo do conhecimento é algo que ocorre de maneira lenta e difícil. Portanto, quando indagamos, inicialmente, sobre o papel do professor, é importante destacar que este não se finda em uma única resposta, conceito ou alternativa, em especial de Ciências, visto que, para ensinar ciências na socieda- de atual, é necessário que os docentes compreendam as origens das inovações científicas e tecnológicas e abram novos horizontes aos estudantes no sentido de se desenvolverem humana e integralmente. Nesta perspectiva, foi possível perceber que existe uma acentuada diferença na socialização dos conhecimentos que são trazidos pelos estudantes. O conheci- mento cotidiano produzido na vida e em sociedade, aquele desenvolvido preco- cemente, enquanto o conhecimento científico é socializado tardiamente na vida escolar dos jovens, por ser um conhecimento sistematizado. Contudo, ao questionar como o aluno aprende, não podemos esquecer que um novo conhecimento só é produzido a partir de algo anteriormente desenvol- vido, tal como o senso comum, por isso que a escola oferece aquilo que a Ciência reconhece como válido, mas, esta aproximação dos conhecimentos científicos deve levar em conta, em conjunto com as características dos alunos, sua capaci- dade de raciocínio, os tais conhecimentos prévios que podemos nomear como senso comum ou conhecimento cotidiano. Em suma, discutimos e aprendemos que nem sempre a escola consegue mu- dar os conhecimentos que os alunos trazem de suas experiências, contudo, as possibilidades devem ser analisadas e experimentadas pelos professores que de- verão enfrentar os desafios apresentados. Olá, aluno(a), nesta atividade, gostaríamos que realizasse um mapa já conhecido por você, intitulado: Mapa da empatia e que falasse sobre Educação Ambiental, de modo que consiga expressar os pontos destacados na imagem a seguir. Quais são as DORES? Quais são as NECESSIDADES? O que PENSA e SENTE? O que FALA e FAZ? O que OUVE? O que VÊ? 114 1. Sendo a natureza uma ampla rede de relações entre fenômenos, e o ser humano parte integrante e agente de transformação dessa rede, são muitos e diversos os conteúdos objetos de estudo da área de ciências. Nesta perspectiva, assim como afir- ma a BNCC, faz-se necessário, portanto, o compromisso com uma Educação Integral, ou seja, que vise à formação e ao desenvolvimento humano em seu caráter global. Com base em seus conhecimentos e de acordo com a BNCC, analise as afirmativas, coloque V (Verdadeiro) ou F (Falso) e assinale a alternativa correta. ( ) Os conteúdos devem se constituir em fatos, conceitos, procedimentos, atitudes e valorescompatíveis ao nível de desenvolvimento intelectual do aluno, ou seja, compreendendo a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento. ( ) Os conteúdos devem romper com visões reducionistas, a fim de favorecer a construção de uma visão de mundo plural, singular e integral da criança, consi- derando-os como sujeitos de aprendizagem. ( ) A escola, como espaço de aprendizagem inclusiva, deve respeitar as diferenças e diversidades, porém, pode optar por um único dogma. a) V, V, V. b) F, V, F. c) F, V, V. d) V, V, F. e) V, F, F. 115 2. Embora o processo de ensino e aprendizagem não esteja centralizado na figura do professor e o nosso aluno seja o grande alvo e sujeito da dinâmica instalada em sala de aula, cabe ao professor um papel fundamental neste processo. Ele precisa utili- zar diferentes estratégias para que o ensino de ciências colabore para a formação de conceitos científicos. Uma destas estratégias é conhecer a história das ciências. Assinale a alternativa correta que indique por que esse conhecimento da história das ciências é importante. a) Porque auxilia a transmitir a matéria a ser ensinada e favorece o conteúdo a ser recebido. b) Para que os alunos desassociem conhecimentos científicos aos problemas his- toricamente vivenciados. c) Porque conhecer a história da ciência interfere diretamente em todo o aspecto avaliativo do conteúdo. d) Porque permite com que os alunos vivenciem o contexto ao qual aquele conteúdo científico foi formulado. e) Porque os conteúdos científicos precisam ser estudados em si mesmo sem a interferência subjetiva que a história proporciona. 3. Para que haja um enfrentamento da problemática ambiental, algumas estratégias devem ser organizadas para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades susten- táveis. Nesta perspectiva, assinale a alternativa que apresenta como deve ser o proce- dimento de orientação para sensibilizar os indivíduos frente aos problemas ambientais: a) Por meio da Educação Ambiental. b) Por meio da conscientização social. c) Somente por meio das ações públicas sem integração. d) Por meio da Educação para o Ambiente. e) Por meio da conscientização social e da coleta selecionada. 4. No ensino de ciências, é primordial que o professor saiba a história das ciências, pois não se deve apenas transmitir conteúdos, mas compreender como estes foram con- cebidos em seu desenvolvimento histórico. Nesse contexto, justifique por que conhecer a história da ciência contribui para a melhoria do ensino de ciências. 4O Ensino de Ciências, Pressupostos Educacionais para Educação Infantil e Anos Iniciais Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, caro(a) aluno, que bom tê-lo por aqui, espero que, de fato, tenha aproveitado a nossa Unidade 3 e tenha percebido os diferentes papéis educacionais que professores e alunos desempenham em sala de aula na busca do objetivo: ensino e aprendizagem. Como diria o ditado: “rapadura é doce, mas não é mole não”, desta forma, precisamos pros- seguir com as nossas discussões acerca do Ensino de Ciências e, para isso, gostaria de convidá-lo(a) a conversar agora, na Unidade 4, sobre os conteúdos de ciências e sua realização em sala de aula, a partir de metodologias significativas em um trabalho planejado e objetivo, sem perder de vista, é claro, a real apropriação dos conhecimentos científicos pelos alunos. Vamos lá? UNIDADE 4 118 Você já parou para pensar que a sala de aula é nosso campo de provas? Nosso permanente laboratório, lugar em que são testados os procedimentos que, por sua vez, podem ou não fornecer os resultados que tanto pretendemos ou almejamos em nossa tarefa docente? Afinal, é lá que tudo acontece, como dizemos, é o nosso local privilegiado da relação ensino e aprendizagem, em que, como docentes, colocamos o melhor de nossas energias, ideias, propósitos e crenças. Nesta perspectiva, não há como ir para “guerra” sem um plano, certo? Apro- veitando o ensejo, não há como ir para uma sala de aula sem um planejamento. Com base nessa afirmação, gostaria de perguntar a você, caro(a) aluno(a), como construir um plano de aula que seja capaz de promover real significado e que seja capaz de gerir uma aula formidável? Ao discutir sobre o planejamento, é necessário compreender que este exerce o papel de uma atividade primária, ou seja, antecipadora, sem a qual nada parece ou se torna viável, muito menos quando se trata de atividade científica, como é o caso do ensino ou, até mesmo, de uma experiência em sala de aula. No entanto, ao visarmos a ciência como prioridade, precisamos pressupor um método, que possa tecer um caminho no qual incluam-se vários passos, todos eles direciona- dos para um estado de esclarecimento, da dúvida inicial para algumas certezas. Para que haja aprendizagem, ou melhor dizendo, sua construção, faz-se ne- cessário vivenciar aquilo que nos propomos também a ensinar. Logo, é muito importante conceber, neste momento, o que você entende por planejamento e como ele pode ser um instrumento norteador para se cumprir um objetivo tão importante que é o ensino. Deste modo, gostaria de convidá-lo a construir um plano de aula em que seja realizado uma atividade experimental para uma turma de 4º ano do Ensino Fundamental, anos iniciais. Lembre-se que este é um docu- mento norteador em que deve constar todos os passos rumo à realização deste experimento com excelência, ok? Nesta unidade e na presente atividade, além de conhecer vários elementos pedagógicos, você poderá se aprofundar sobre a experimentação, afinal, os edu- candos precisam entender o porquê de cada experiência e sua utilidade no coti- diano, sobretudo em sala de aula. Desta forma, aproveite seu Diário de Bordo para ter um momento de nostalgia e visitar um pouco o passado. Para isso, reflita, elenque e descreva se, em algum mo- mento durante sua trajetória escolar, você pôde perceber se seu professor sentiu-se frustrado em sala de aula por não conseguir realizar algum objetivo anteriormente 119 acordado com você ou com a turma. Seja ele um experimento, atividade prática, discurso ou, até mesmo, uma visita programada que não pôde acontecer. Como você se sentiu diante disso? Como seu professor se sentiu e o que ele fez? Planejar e Realizar um paradigma ou realidade Antes de aprofundarmos nos conteúdos referentes à nossa penúltima unidade do material didático, gostaria de convidá-lo(a) a dar um play em nosso podcast intitulado “Planejar e Realizar um paradigma ou realidade”. Estarei te esperando por você Caro(a) aluno(a), toda ação envolve um planejar sistematizado. Assim, na educa- ção, não poderia ser diferente. Planejar é um processo de busca e equilíbrio entre meios e fins, envolve recursos e objetivos, tudo convergindo para a eficácia que se traduz em resultados. O planejamento é um ato reflexivo, que vai da decisão à ação, previsão e racionalização, definindo etapas e pressupondo uma avaliação. Numa visão mais global, temos o planejamento curricular, que, segundo Vas- concellos (1995, p. 56), é “o processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É uma previsão sistemática e ordenada de toda vida escolar do aluno”. É evidente que planejar é um dos melhores instrumentos, uma verdadeira bússola para a ação educativa, pois as experiências de aprendizagem implícitas e explícitas são programadas para o estudante por meio dos componentes curriculares. Esse processo de decisão sobre a atuação concreta dos docentes, envolvidos no cotidiano de seu trabalho pedagógico, não deve nunca ser improvisado. To- mando por base as diretrizes do planejamento curricular, o professor, ao elaborar seu plano de aula, deve não somente conhecer os alunos para os quais pretende planejar suas atividades, mas também saber o que irá ensinar e como ensinar. Campos e Nigro (1999, p. 99) se dedicam a explicar algo sobre o planejamento de uma unidade didática “de olho na sala de aula”. Seus exemplos são importantespara explicar o que ocorre quando um professor desconsidera as concepções que os educandos têm sobre o assunto que vão estudar e acaba fazendo um planeja- mento descuidado, que compromete seus objetivos e torna as unidades didáticas frágeis e a aprendizagem superficial. UNICESUMAR UNIDADE 4 120 Existem alguns princípios que o professor deve considerar ao planejar, por exemplo; iniciar novos conteúdos ainda não problematizados pode não ser a me- lhor escolha. Conteúdos diferentes precisam ser trabalhados por meio de várias atividades, ao considerar a teoria das múltiplas inteligências. A teoria das inteligências múltiplas foi desenvolvida pelo psicólogo norte-a- mericano Howard Gardner (1995). Depois de muitos anos de pesquisas com a inteligência humana, o psicólogo concluiu que o cérebro do homem possui oito tipos de inteligência, porém, a maioria das pessoas possui uma ou duas inteligên- cias desenvolvidas. Gardner ainda afirma que os estímulos e o ambiente social são importantes no desenvolvimento de determinadas inteligências. As inteligências são: Lógico-matemática; Linguística; Corporal; Naturalista; Cinestésica; Intrapes- soal; Interpessoal; Espacial; e Musical. A Teoria das Inteligências Múltiplas traz consigo diversas implicações, sejam elas sociais ou educacionais, visto que estão diretamente relacionadas à formação de um novo tipo de cidadão mais competente, com mais capacidade de trabalhar em grupo e que possui inteligência emocional. Isso nos leva a considerar, mesmo que de forma breve, a relação entre uma nova concepção de inteligência e suas respectivas exigências sociais. O avan- ço dos conhecimentos, das Ciências, nos dá um toque de esperança e sugere progresso para a humanidade, ao mesmo tempo que nos faz pensar sobre que tipo de cidadão será necessário para gerar esse futuro e cuidar para que a humanidade não se autoflagele (SMOLE, 2019, on-line). EXPLORANDO IDEIAS É necessário manter os conteúdos articulados, ainda que a aprendizagem não seja possível de forma linear e exija sucessivas reorganizações do conhecimento. O contexto no qual a aprendizagem acontece é fundamental para o planejamento. A respeito disso, a atividade de planejar não deve ignorar alguns pressupostos fundamentais que valem para o estudo de Ciências: ■ As ciências não devem se legitimar por currículos desligados do mundo, deve ser contínua e prosseguir ao longo da vida. ■ O ensino de Ciências deve ter “lugar” em outros ambientes que não a escola formal, deve explicar o trabalho de campo, os clubes de ciências, as instalações industriais e os museus. 121 ■ O desenvolvimento de competências e atitudes científicas não deve ser igno- rado em prol daquele que pode ser visto como um “corpo de conhecimentos”. ■ Especificamente no terreno científico, a exploração do experimental é um imperativo. ■ O ensino das ciências nunca deve sufocar o investigativo. Ainda, em acréscimo, podemos afirmar que a modalidade de ensino que mais tem se afirmado ultimamente é aquela que se vale de trabalhos interdisciplinares. Uma alternativa que vem ganhando forças entre educadores no que tange ao planejamento é a perspectiva Histórico-crítica. João Luiz Gasparin (2007) propõe uma ação docente-discente na qual o professor trabalha com o aluno e não pelo aluno. Essa proposta de trabalho pedagógico consiste no uso do método dialético prática-teoria-prática. Em sua obra “Uma didática para a pedagogia histórico-crí- tica”, Gasparin (2007) divide a nova didatização em cinco passos: prática social inicial; problematização; instrumentalização; catarse; e prática social final, com o intuito de alcançar a aprendizagem significativa dos conteúdos. A Prática Social Inicial do Conteúdo se trata da primeira etapa dessa nova didática proposta pelo Gasparin, nela “realiza-se uma leitura inicial da realidade bem como o primeiro contato com o conteúdo a ser estudado” (GASPARIN, 2007, p. 15). O professor deve mobilizar o aluno ao buscar despertar seu interesse pelo assunto. Isso acontece quando o educando percebe alguma relação entre o conteúdo e sua vida cotidiana. Depois de estabelecer um vínculo entre o conteúdo e a realidade do aluno, o professor precisa pesquisar o quanto do assunto seus alunos já conhecem – chamamos isso de levantamento prévio. Figura 1 - Ensinar em ambiente informal Descrição da Imagem: a imagem é com- posta por uma professora em meio a uma floresta sentada em um banco, segurando um computador aberto, ao lado de uma aluna. A professora está apontando para a natureza, destacando o ambiente para a estudante. A docente é uma mulher com traços orientais e está vestida com uma camisa e saia em marrom claro, já a estu- dante também oriental está vestida de saia azul e camisa branca. UNICESUMAR UNIDADE 4 122 Este processo possibilita, ao professor, o desenvolvimento de um trabalho pe- dagógico mais adequado. A função do mestre, desta fase em diante, consiste em aprofundar, enriquecer e acrescentar outros conhecimentos aos seus alunos, mas, para isso, é necessário problematizar. Na segunda fase, conhecida como Problematização, “é o elemento-chave entre a prática e a teoria, isto é, o fazer cotidiano e a cultura elaborada” (GASPARIN, 2007, p. 35). Em outras palavras, é a ligação entre o conhecimento prévio do aluno e o conteúdo científico. “A problematização é a criação de uma necessidade para que o educando por meio de sua ação busque o conhecimento” (GASPARIN, 2007, p. 35). Nesse contexto, a problematização consiste no questionamento da realidade aliada ao conteúdo. Juntos, professores e alunos devem ser capazes de estabele- cerem a ligação entre o conteúdo e os aspectos sociais. Figura 2 - Participação em sala de aula Descrição da Imagem: a imagem apresenta um professor sentado na borda de uma carteira, ao seu fundo há um quadro negro com diversas anotações de fórmulas; ele está apontando para uma aluna. A estudante está com o braço levantado; é possível visualizar que há outros estudantes na sala. Segundo Gasparin (2007, p. 49), ao pensarmos neste segundo momento, é im- portante que se tenha claro que 123 “ A problematização representa um desafio para professores e alu- nos. Trata-se de uma nova forma de considerar o conhecimento, tanto em suas finalidades sociais quanto na forma de comunicá-lo e reconstruí-lo. Para o professor implica uma nova maneira de es- tudar e preparar o que será trabalhado com os alunos: o conteúdo é submetido a dimensões e questionamentos que exigem do mestre uma reestruturação do conhecimento que já domina. A problematização também provoca uma reestruturação do conhecimento do edu- cando, uma vez que, estando motivado, buscará soluções para as questões levantadas. Para o terceiro momento, a discussão permeia a Instrumentalização, tam- bém conhecida como o terceiro passo do método didático histórico-crítico. Nessa etapa, o professor apresenta, sistematicamente, o conteúdo, ou seja, ensina o aluno que, por sua vez, aprende, realiza conexões e ligações com os conhecimentos já adquiridos. Nesse momento, necessita-se de ações que reforcem a aprendizagem. Para isso, junto com o professor e com outras pessoas, os alunos devem: analisar, levantar hipóteses, criticar, deduzir, classificar, explicar e conceituar até chegar a produzir um conhecimento que seja significativo para ele, conhecimento que se incorpore ao seu mundo intelectual, vivencial e social (MORAN et al., 2000). Figura 3 - Seu lugar entre os continentes Descrição da Imagem: a imagem é composta por uma professora, em pé, a frente de uma lousa na qual existem mapas desenhados; ela está apontando uma região com o auxílio de uma pequena vareta em sua mão direita e contém um papel em sua mão esquerda; a lousa está disposta numa parede de tijoli- nhos toda branca. A sua frente há alunos sentados, em suas respectivas carteiras, olhando em direção à docente; em suas carteiras há materiais de estudos como: livros, lápis de cor, cadernos etc.UNICESUMAR UNIDADE 4 124 No quarto passo, apresenta-se a Catarse, a próxima etapa do método. Nela, a atividade fundamental é a síntese. Nesta fase, o educando manifesta tudo que aprendeu, assimilou e produziu. A catarse pode ser considerada a síntese de todas as etapas do processo de aprendizagem pelo qual ele passou até apropriar-se do novo conhecimento (GASPARIN, 2007). Segundo as próprias de palavras de Gasparin (2007, p. 130), neste momento, o aluno “ [...] traduz oralmente ou por escrito a compreensão que teve de todo o processo de trabalho. Expressa a sua nova maneira de ver o conteúdo e prática social. É capaz de entendê-los em um novo 125 patamar, mais elevado, mais consistente e mais bem estruturado. Compreende, da mesma forma, com mais clareza, tanto a Proble- matização quanto a Instrumentalização. Este também é o momento de realizarmos a avaliação. No entanto, esta avalia- ção não pode ser vista como simples prova ou teste, mas precisa ser concebida como expressão de todas as etapas passadas para a construção de determinado conhecimento científico. Nessa fase, “o educando deve ser capaz de situar as questões sociais levan- tadas no início e trabalhadas nas demais fases, percebendo a realidade em sua totalidade e aprendendo que um conteúdo tem significado e utilidade para a sua vida” (GASPARIN, 2007, p. 132). Quase ao fim do nosso processo didático, o aluno retorna à prática social. Gasparin (2007, p. 145) esclarece que a Prática Social Final (5º passo) “re- presenta a transposição do teórico para o prático dos objetivos dados ao conteúdo e aos conceitos adquiridos”. Figura 4 - Reconhecendo o globo Descrição da Imagem: a imagem é composta por um professor sentado em volta de uma mesa com 6 crianças de diferentes etnias, manuseando um globo terrestre, apontando para lugares específicos; ao fundo deles há uma estante com diversos livros. UNICESUMAR UNIDADE 4 126 Gasparin (2007), esclarece que desenvolver ações reais não significa somen- te ter atitudes práticas como reciclar o lixo, economizar água, mas, sobretudo, implica em uma mudança de conduta, provocada por novos processos mentais, como compreensão ampla da realidade, análise mais crítica das ideias e fatos – significa uma nova ação mental. Nisso reside o aprendizado adquirido a partir desse modelo de planejamento. Como vimos, estes cinco passos da proposta de planejamento de Gasparin (2007) mostram como deve ser um plano de aula que leva em conta o conhe- cimento que o aluno já tem e o que vai ser construído. Vale a pena utilizar alguns destes passos mesmo que não utilize esta proposta de planejamento. Existem várias possibilidades pedagógicas para o ensino de ciências tão im- portantes quanto selecionar conteúdos específicos de Ciências e que também se fazem presentes quando o tema é planejamento. A escolha adequada de abordagens, estratégias e recursos pedagógicos con- tribui para que o estudante se aproprie de conceitos científicos de forma mais sig- nificativa e para que o professor estabeleça critérios e instrumentos de avaliação. O professor de Ciências, no momento da seleção de conteúdos específicos e da opção por determinadas abordagens, estratégias e recursos, dentre outros cri- térios, precisa levar em consideração o desenvolvimento cognitivo dos estudan- tes. Entretanto, outras variáveis interferem no processo ensino e aprendizagem de conceitos científicos, dentre elas o enraizamento das concepções alternativas, as apropriações culturais, locais ou regionais, a concepção de ciência do professor e a qualidade de sua prática de ensino. O processo ensino e aprendizagem pode ser melhor articulado com o uso de: ■ recursos pedagógicos/tecnológicos que enriquecem a prática do- cente, tais como: livro didático, texto de jornal, revista científica, figuras, revista em quadrinhos, música, quadro de giz, mapa (geo- gráficos, sistemas biológicos entre outros), globo, modelo didático (torso, esqueleto, célula, olho, desenvolvimento embrionário entre outros), microscópio, lupa, jogo, telescópio, televisor, computador, retroprojetor entre outros; ■ de recursos instrucionais como organogramas, mapas conceituais, ma- pas de relações, diagramas V, gráficos, tabelas, infográficos entre outros; 127 ■ de alguns espaços de pertinência pedagógica, dentre eles, feiras, museus, laboratórios, exposições de ciência, seminários e debates (PARANÁ, 2008, p. 73). Vamos conhecer alguns elementos da prática pedagógica que podem e devem ser valorizados no ensino de Ciências, tais como: a abordagem problematizadora; a relação contextual; a relação interdisciplinar; a pesquisa; a leitura científica; a atividade em grupo; a observação; a atividade experimental; os recursos instru- cionais e o lúdico; entre outros. A Abordagem Problematizadora é considerada um tipo de ação ou ato de problematizar, vai muito além de uma mera motivação para se iniciar um novo conteúdo. Afinal, essa ação possibilita a aproximação entre o conhecimento alternativo dos estudantes e o conhecimento científico escolar que se pretende ensinar. Na abordagem problematizadora, vivencia-se duas dimensões: “ Na primeira, o professor leva em conta o conhecimento de situações significativas apresentadas pelos estudantes, problematizando-as; na segunda, o professor problematiza de forma que o estudante sinta a necessidade do conhecimento científico escolar para resolver os problemas apresentados (PARANÁ, 2008, p. 74). No entanto, uma questão só é um problema quando os alunos ganham consciência de que seu conhecimento não é suficiente para resolvê-lo. A partir de então, po- dem “elaborar um novo modelo mediante investigações e confrontações de ideias orientadas pelo professor”. A problematização busca promover mudança conceitual (BRASIL, 2000, p. 117). Ao solucionar problemas, os alunos compreendem quais são as ideias científicas necessárias para sua solução e praticam vários procedimentos. A relação contextual pode ser um ponto de partida quando o aluno abor- da o conteúdo mais próximo à sua realidade para uma posterior abordagem abstrata e específica que é o ponto de chegada, quando inicia a sua prática com conteúdos mais abstratos e reflexivos. De maneira geral, a relação contextual se trata de uma contextualização que provoque uma forma de relacionar o conhecimento científico abordado ao contexto histórico e geográfico do estu- UNICESUMAR UNIDADE 4 128 dante, “com outros momentos históricos, com os interesses políticos e econô- micos que levaram à sua produção para que o conhecimento disciplinar seja potencialmente significativo” (PARANÁ, 2008, p. 74). Nesse caso, “contextualizar significa aproximar os conteúdos científicos esco- lares das estruturas sociais, políticas, éticas, tecnológicas, econômicas entre outras” (PARANÁ, 2008, p. 74). No âmbito pedagógico, essa aproximação se estabelece por meio de abordagens que fazem uso de conceitos teóricos precisos e claros, voltados para as experiências sociais dos sujeitos históricos produtores do conhecimento. O conhecimento contextualizado, inserido nas situações vividas, deixa de ser passivo, como acontece com o saber acabado e recebido de fora. De fato, “quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos da realidade, tudo o que aprende adquire sentido novo para sua vida. Assim, o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enriquecido por contornos afetivos e valorativos” (SANTA ROSA, 2012, p. 3). O saber incorporado ao que foi vivido é condição importante para a formação integral do aluno porque estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na sociedade, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Um outro ponto muito importante e que se deve levar em conta ao preparar suas futuras aulas voltadas ao Ensino de Ciências é a relação interdisciplinar como elemento da prática pedagógica. Na interdisciplinaridade,a tônica é o trabalho de integração de diferentes áreas do conhecimento. As diversas disciplinas não aparecem isoladas, prin- cipalmente quando o documento que rege a educação brasileira é a BNCC, que provoca e conduz essa dinâmica e unificação. Nesse momento, propõe-se um sistema sem fronteiras, em que a integração chega a um nível tão alto que é impos- sível distinguir onde começa uma disciplina e onde outra termina (NILBO, 1998). Carvalho et al. (1998, p. 25) abordam a interdisciplinaridade lembrando as co- nexões possíveis entre o ensino de ciências e a língua Portuguesa, e esta integração pode ser feita “quando o professor de Língua Portuguesa propõe aos alunos a leitura de livros paradidáticos que tratem do tema estudado na aula de ciências”, por exemplo. Enquanto os livros de literatura infantil se preocupam apenas em contar “his- torinhas”, os paradidáticos visam oferecer informação ao leitor. Nesse sentido, é uma ferramenta a mais que o professor de Ciências pode e deve utilizar em suas aulas para que estas se tornem atrativas e produtivas aos olhos dos alunos. Mes- 129 mo quando o autor destes paradidáticos faz uso de uma pequena história para ilustrar o contexto, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área do conhecimento. No entanto, o texto expositivo não deve se restringir meramente à transmis- são de informações. Isso porque, no mundo atual, ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobre- tudo, no setor das comunicações, o que tornou a informação bastante acessível. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informações e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. As relações interdisciplinares se estabelecem quando conceitos, modelos ou práticas de uma dada disciplina são inclusas no desenvolvimento do conteúdo de outra. Dessa forma, não somente a função docente, mas também o papel do professor se torna mais complexo e com maior responsabilidade (BRASIL, 2002). A pesquisa é uma outra estratégia de ensino que visa à construção do conhecimento que se inicia na procura de material de pesquisa, passa pela inter- pretação desse material e chega à construção das atividades. A pesquisa pode ser apresentada na forma escrita e oral e até prática, entretan- to, para que os objetivos pedagógicos sejam atingidos, faz-se necessário que seja construída com redação do próprio estudante, “pois ao organizar o texto escrito ele precisará sistematizar ideias e explicitar seu entendimento sobre o conteúdo com recursos do vocabulário que domina” (PARANÁ, 2008, p. 75). De acordo Demo (2021), para que a pesquisa possa assumir esse papel de en- sinar, deve-se ultrapassar a competência formal, ou seja, não basta a qualidade do conteúdo curricular, é necessário entender que este é apenas uma ponte e que, para tornar-se educativo, ainda precisa relevar a ética dos fins e valores a eles associados. Nesta perspectiva, o aluno, no ensino com pesquisa, adquire mais autonomia, capacidade produtiva e criativa, pois sai da posição de passivo do conhecimento para um indivíduo ativo e investigador. Sua participação no processo de pesquisa envolve a prática de saber ler e refletir criticamente sobre o assunto desenvolvido. Nessa proposta, Demo (2007, p. 28) considera: “ Fundamental que os alunos escrevam, redijam, coloquem no papel o que querem dizer e fazer, sobretudo alcance a capacidade de formular. Formular, elaborar são termos essenciais da formação do sujeito, por- UNICESUMAR UNIDADE 4 130 que significam propriamente a competência, à medida que se supera a recepção passiva do conhecimento, passando a participar como sujeito capaz de propor e contrapor. Demo (2007) argumenta que um ensino com pesquisa acontece em cinco níveis: O ensino pela pesquisa desperta, ainda, o senso crítico e constrói conhecimentos significativos que envolvem a participação de todos. Nesse contexto, o ensino se torna relevante, produtivo e transformador. A Atividade em grupo se trata de uma estratégia de ensino muito utilizada e que demanda tempo prolongado para ser desenvolvida de maneira eficiente, pois, “no trabalho em grupo, o estudante tem a oportunidade de trocar experiências, apresentar suas proposições aos outros estudantes, confrontar ideias, desenvolver espírito de equipe e atitude colaborativa” (PARANÁ, 2008, p. 75). Este tipo de atividade aproxima o estudo de Ciências da realidade dos estudantes, o que, nesta unidade, já foi dialogada, visto que é de extrema relevância para a construção significativa de conhecimento do aluno: “ É na discussão dos pares que surgem o desenvolvimento lógico e a necessidade de expressar coerentemente. O enfrentamento de outros pontos de vista faz com que seja necessário coordená- -los com as próprias ideias e essa coordenação dá lugar à cons- trução de relações, o que contribui para o desenvolvimento de Interpretação Reprodutiva, no qual o aluno deve ler o texto e identi�car as principais informações com �delidade. 1º NÍVEL 2º NÍVEL Denominado como Interpretação Própria, na qual o aluno irá interpretar as principais informações ou ideias de acordo com seus conhecimentos e experiências. 3º NÍVEL Chamado de Reconstrução, isso implica em construir textos próprios, agregados a outros autores que con�rmem sua produção. Conhecido como Construção, é o momento de “tomar o que existe como simples referência e abrir novos caminhos” (DEMO, 2007, p. 41). Nesse estágio, o pesquisador pode avançar em seus estudos. 4º NÍVEL 5º NÍVEL Denominado Criação e Descoberta é a fase em que se fomenta a introdução de novos modelos metodológicos teóricos ou práticos. 131 um raciocínio coerente (para Piaget, cooperar ou co-o-operar significa “operar junto”) (VANNUCCHI, 1997 apud CARVA- LHO, 2007, p. 31). O professor, nas atividades em grupo, deve estar atento ao que acontece em cada um deles para: auxiliá-lo quando necessário; discutir regras de convi- vência; elogiar e, com isso, contribuir para o desenvolvimento intelectual e afetivo do aluno (CARVALHO, 2007). A observação tem também um papel de destaque nas estratégias educacio- nais, porém você deve estar se perguntando que tipo de observação é essa? Só de observar o aluno estou desempenhando uma metodologia? Calma lá, caro(a) aluno(a), que não é tão fácil assim! Afinal, a observação aqui mencionada é aquela que estimula no estudante a capacidade de observar fenômenos em seus detalhes para estabelecer relações mais amplas sobre estes. De acordo com Brasil (2000), a capacidade de observar deve ser estimu- lada no ensino de Ciências para que os alunos, quando comunicarem o que veem, seja por meio de registros escritos, desenhos ou verbalizações, consi- gam interpretar os fenômenos a partir de seus conhecimentos sistematizados ou não. Observar não configura apenas o enxergar ou ver, mas sim buscar ver melhor, encontrando detalhes no objeto observado, buscando tudo aquilo que se pretende encontrar (BRASIL, 2000): “ Sem essa intenção, aquilo que já foi visto antes — caso dos ambientes do entorno, do céu, do corpo humano, das máquinas utilizadas ha- bitualmente etc. — será reconhecido dentro do patamar estável dos conhecimentos prévios. De certo modo, observar é olhar o “velho” com um “novo olho” (BRASIL, 2000, p. 120). A observação é uma alternativa coerente e deve ser muito utilizada em aulas nos espaços informais de ensino, como visitas técnicas e idas ao parque, por exem- plo, visto que “o estudante pode desenvolver observações e superar a simples constatação de resultados, passando para construção de hipóteses que a própria observação possibilita” (PARANÁ, 2008, p. 76). Existem dois modos de realizar observações. O primeiro é o contato di- reto com os objetos de estudo: ambientes, animais, plantas, máquinase outros UNICESUMAR UNIDADE 4 132 objetos que estão disponíveis no meio. O segundo, mediante recursos técnicos ou seus produtos, são os casos de observações feitas por meio de microscópio, telescópio, fotos, filmes ou gravuras. O aluno deve ser incentivado a fazer observações de modo espontâneo, seguindo seus próprios interesses, o que, em geral, ocorre naturalmente, porém o professor deve oferecer um roteiro de observação ou propor desafios para o encaminhamento pedagógico. É essencial fomentar, em nossos alunos, a percepção de que a ciência se cons- truiu com base na observação, reflexão e verificação que, por sua vez, permitiu com que as verdades vigentes pudessem ser questionadas e também debatidas (DEWEY, 1971 apud TRÓPIA, 2009, p. 34). Não poderíamos falar em estratégias educacionais e aspectos metodológicos para o ensino de Ciências sem mencionar a importância da ludicidade e dos jogos educativos para a prática pedagógica do professor. O lúdico faz com que os estudantes interajam com o conteúdo, podendo promover a imaginação, a exploração, a curiosidade e o interesse, tais como: jogos, brinquedos, modelos, músicas, teatro e representações. Etimologicamente, a palavra “lúdico” deriva do latim ludus, que significa di- versão, jogos e brincadeira. De acordo com Huizinga (1971), o termo lúdico é mais antigo do que a própria cultura, estando presente não só na raça humana, como também em outras espécies de seres vivos. Segundo Andrade e Sanches (2005), a brincadeira é um tipo de atividade social, com contextos sociais e culturais e que permite a interação e também o aprendizado. O lúdico permite a maior interação entre os assuntos abordados e, “quanto mais intensa for esta interação, maior será o nível de percepções e reestruturações cognitivas realizadas pelo estudante” (PARANÁ, 2008, p. 77). Ele deve ser consi- derado na prática pedagógica, porém, adequando-se à linguagem, à abordagem, às estratégias e aos recursos utilizados como apoio. A atividade lúdica, por intermédio de jogos e brincadeiras, é de fundamental importância, uma vez que possibilita o desaparecimento da fronteira entre o tra- 133 balho (que é obrigatório e exige esforço) e o divertimento (prazeroso e alegre), levando os alunos a se envolverem, arriscarem-se, interessarem-se e aprenderem com satisfação, prazer e autoconfiança. O lúdico, segundo Chaguri (2006), caracteriza uma atividade que pode gerar prazer e esforço espontâneo e voluntário, afinal, é prazeroso quando a atividade proporciona sentimentos intensos de entusiasmo. Este envolvimento emocional é que transforma o lúdico em uma atividade motivadora, capaz de provocar um estado de vibração e euforia. Em complemento, Rizzo (1997) afirma que a apren- dizagem não pode ocorrer sem o desenvolvimento da prática intelectual e sem prazer, logo, as atividades lúdicas podem ser consideradas excelentes estratégias para que a aprendizagem ocorra de forma efetiva. Os jogos utilizados com fins didáticos devem apresentar regras criadas pelo professor ou juntamente com os alunos para trabalhar determinadas habilidades, atitudes, conteúdos e valores. Deve ser uma atividade orientada na qual a criança se utiliza do faz de conta, que é próprio das brincadeiras e da recreação, em que o aluno é espontâneo, tem autonomia para imaginar e desenvolver atividades, e, em geral, não deve haver interferência direta do professor. Além disso, o lúdico deve proporcionar maior socialização e integração entre o grupo de alunos, entre professor e aluno, e, acima de tudo, o estabele- cimento de valores que venham a contribuir na formação de cidadãos respon- sáveis e críticos (CHAGURI, 2006). São inúmeras as vantagens dos jogos educativos, que envolvem aspectos motores, afetivos, morais e sociais. Cabe ao professor utilizar os jogos que deem oportunidades aos alunos para desenvolverem esses aspectos, que estão, na rea- lidade, interligados. Contudo, não são somente os Jogos que chamam a atenção de nossos alunos, existe uma estratégia metodológica que deve ser utilizada veemente em sua futura sala de aula, principalmente no que diz respeito ao Ensino de Ciências e, portanto, constar em seu planejamento. Você imagina qual seria essa estratégia, que salta aos olhos de nossas crianças e possui um potencial transformador, se bem executada? UNICESUMAR UNIDADE 4 134 NOVAS DESCOBERTAS Livro: O Grande Livro de Ciências do Manual do Mundo Workman Publishing (Compilador), Manual do Mundo (Contribuinte), Chris Pearce (Ilustrador) Editora: Sextante; 1ª edição - 2019 Comentário: O Manual do Mundo é um canal que apresenta ideias, estra- tégias e experiências que podem inspirar nós, professores, para nossas au- las, bem como nossos alunos para o ensino de ciências, conduzindo a uma aprendizagem significativa. Toda essa experiência está traduzida neste livro. Apresenta macetes de memória, definições simples, tabelas práticas e testes de conhecimento. Será possível encontrar temas como universo e sistema solar, reações químicas, investigação científica, Leis de Newton, eletricidade e magnetismo, estrutura da terra, sistemas corpóreos, teoria celular, clima, evolução e fósseis, ecossistemas e muito mais. Isso mesmo, caro(a) aluno(a), se você pensou em experimentação é justa- mente sobre este tema que iremos tratar agora, vamos lá? As atividades experimentais inseridas na prática docente se apresentam como uma importante ferramenta metodológica de ensino e aprendizagem, “quando mediada pelo professor de forma a desenvolver o interesse nos estudantes e criar situações de investigação para a formação de conceitos” (PARANÁ, 2008, p.76). As atividades experimentais não necessitam de um laboratório escolar espe- cífico, muitas delas podem ser realizadas em outros espaços pedagógicos, como a sala de aula, e utilizar materiais alternativos aos convencionais. A experimentação deve ter a participação dos alunos que discutem ideias e manipulam materiais. Ao lhes oferecer um protocolo definido ou guia de experimento, “ [...] os desafios estão em interpretar o protocolo, organizar e mani- pular os materiais, observar os resultados e checá-los com os espe- rados. [...] O experimento se torna mais importante quanto mais os alunos participam na confecção de seu guia ou protocolo, realizam por si mesmos as ações sobre os materiais e discutem os resultados (BRASIL, 2000, p. 123). 135 Entretanto, é importante que essas práticas proporcionem discussões, inter- pretações e se relacionem aos conteúdos trabalhados em sala. Não devem, portanto, ser apenas momento de comprovação de leis e teorias ou meras ilustrações das aulas teóricas. As atividades experimentais podem contribuir para a superação de obstá- culos na aprendizagem de conceitos científicos, não somente por “propiciar in- terpretações, discussões e confrontos de ideias entre os estudantes, mas também pela natureza investigativa” (PARANÁ, 2008, p. 71). “ Entende-se por atividade experimental toda atividade prática cujo objetivo inicial é a observação seguida da demonstração ou da ma- nipulação, utilizando-se de recursos como vidrarias, reagentes, ins- trumentos e equipamentos ou de materiais alternativos, a depender do tipo de atividade e do espaço pedagógico planejado para sua realização (PARANÁ, 2008, p. 71). As atividades experimentais possibilitam gerar dúvidas, problematizar o con- teúdo e contribuir para que o estudante construa suas hipóteses. O professor, no processo das atividades experimentais, "precisa considerar que sua intervenção (mediação didática) deverá contribuir para a superação da observação como simples ação empírica e de descoberta” (PARANÁ, 2008, p. 71). Como agente deste processo e mediador do trabalho pedagógico, o profes- sor “deve dominar os conceitos apresentados na atividade experimental, além de saber manipular equipamentos e reagentes” (PARANÁ, 2008, p. 72). Diante da concepção de ciência, entendida como dinâmica, falível e provisória,faz-se necessário que o professor valorize os resultados considerados “errados” e expe- rimentos que “não funcionaram”. No entanto: “ [...] tais “fracassos” devem ser úteis sob o ponto de vista pedagógico no sentido de se investigarem as causas dessas incorreções, geral- mente ligadas aos limites de correspondência entre os modelos cien- tíficos e a realidade que representam. Entretanto, o uso pedagógico do erro e do fracasso das experiências não deve criar a expectativa de que as investigações na escola podem refutar teorias científicas (PARANÁ, 2008, p. 72). UNICESUMAR UNIDADE 4 136 Como você observou, é preciso superar o entendimento de que atividades experi- mentais sempre devem apresentar resultados verdadeiros, pois os alunos, ao visua- lizarem experiências que não deram “certo”, podem refazê-las respeitando o método científico de que as teorias só se efetivam ao comprovar os resultados obtidos. De fato, tais atividades devem ser consideradas estratégias de ensino que permitam o estudante refletir sobre o conteúdo em estudo e os contextos que o envolvem: “ [...] não se trata de deixar de desenvolver atividades experimentais com essas características, porém a abordagem da experimentação em que a motivação está garantida e é incondicional a qualquer atividade experimental precisa ser superada. Se os alunos assim en- tendem e se motivam pela magia das atividades experimentais, cabe ao professor partir desse conhecimento inicial para problematizá- -lo. Isso significa que o “surpreendente” que caracteriza a atividade experimental precisa ser transcendido na direção da construção de conhecimentos mais consistentes (GONÇALVES; GALIAZZI, 2004, p. 240 apud PARANÁ, 2008, p. 72). Nesses termos, ao realizar a atividade experimental, ressalta-se a importância da contextualização do conteúdo específico de Ciências, bem como da discussão da história da ciência, da divulgação científica e das possíveis relações conceituais, interdisciplinares e contextuais. Veja bem, acabamos de discutir sobre a importância da experimentação como estratégia metodológica. Contudo, como pôde perceber, a aplicação de atividades experimentais de nada vale se não possuírem contextualização, aplicabilidade e possam levar o discente à reflexão, seja dele para com o experimento, ou do experimento para com sua realidade. Nesta perspectiva, é que se faz necessária a discussão acerca da alfabetização científica e letramento científico, dois temas de grande impacto no ensino de Ciências e que podem fomentar, não somente a práxis docente, mas também as abordagens metodológicas anteriormente citadas. Antes de mais nada, você já ouviu falar sobre alfabetização científica e letramen- to científico? Imagina sobre o que se trata? Qual seu papel na Educação Infantil e Anos Iniciais? Se sua resposta foi não, para cada um dos questionamentos ante- riores, fique tranquilo(a), pois iremos conversar sobre esses temas agora mesmo. 137 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, em seu artigo 26, inciso I, estabelece que o currículo do ensino fundamental deve abranger sobre "[...] o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil [...]" (BRASIL, 2014, p. 19). Nesta perspectiva, faz-se mais que necessário, diria até imprescindível, pensar um ensino de ciências que possibilite ao aluno uma formação para a aquisição de conhecimentos básicos e a preparação científica e que oferte subsídios para o uso social desses saberes adquiridos e trabalhados no ensino formal, bem como a importância de serem sujeitos críticos e agentes de transformação (CACHAPUZ et al., 2005). Por conta disso, diversas são as pesquisas relacionadas ao ensino de ciências que denotam preocupações com a alfabetização e o letramento científico de nos- sos estudantes, pois o ato de problematizar não é considerado uma tarefa fácil e pode vir a constituir um importante desafio aos professores e discentes que estão começando a escolarização nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Deste modo, ao refletirmos sobre a alfabetização científica, é passível de percepção que ela está relacionada diretamente à capacidade de usar o conhe- cimento científico para além do ato ler e compreender, mas também desenvol- vendo, nos estudantes, habilidades para que eles possam aplicar os princípios científicos aprendidos no ambiente escolar na vida cotidiana (ROTH, 2004; KRASILCHIK, MARANDINO, 2007). De acordo com Chassot (2010), a alfabetização científica vai muito além da compreensão do cotidiano, pois se trata de uma forma de expressar a Ciên- cia em uma linguagem que descreve os fenômenos de forma a destacar a busca pelo entendimento e compreensão do ambiente em que vivemos, por meio da linguagem descritiva. Para Viecheneski, Lorenzetti, Carletto (2012, p. 859), a alfabetização cien- tífica precisa ocorrer já nos anos iniciais, pois, desta forma, é possível permitir com que a criança tenha “oportunidades de envolver-se em situações inves- tigativas, de experimentar, testar hipóteses, questionar, expor suas ideias e confrontá-las com as de outros”. Assim, é preciso discutir os fenômenos que cercam as crianças para construí- rem significados e compreenderem o mundo em que estão inseridas. Na tentativa de explicar o mundo, durante o desenvolvimento escolar, os alunos vão dando novos significados ao conhecimento adquirido anteriormente. UNICESUMAR UNIDADE 4 138 Bachelard (1938 apud CARVALHO, 2007, p. 15) já dizia que: “todo conhe- cimento é a resposta a uma questão”. Neste sentido, podemos seguir o esquema apresentado por Carvalho (2007) que propõe a elaboração de situação proble- ma; construção de hipóteses; tomada de consciência; busca de relações causais; elaboração dos primeiros conceitos científicos; (re)construção do conhecimento socialmente adquirido; e construção de uma visão de mundo. Procuraremos mostrar o papel do professor ao longo das atividades, afinal, sua intervenção é imprescindível para o sucesso das experimentações em sala de aula. A discussão, a seguir, apresenta cada passo e a metodologia relacionada. ■ O professor propõe o problema: o problema é proposto pelo profes- sor que divide a turma em grupos de 4 ou 5 alunos, que irão se reunir em torno de algumas carteiras, sobre as quais será colocado o material experimental. “Em geral, os alunos não necessitam de cadeiras, pois se movimentam muito para manipular o material” (CARVALHO, 2007, p. 40). Os grupos devem ser pequenos para facilitar o diálogo entre eles e permitir que tenham mais oportunidades de manipular o material. Logo em seguida, o professor distribui o material em cada grupo. O professor propõe o problema. Agindo sobre os objetos para ver como eles reagem. Agindo sobre os objetos para obter o efeito desejado. Tomando consciência de como foi produzido o efeito desejado. Dando as explicações causais. Escrevendo e desenhando. Relacionando atividade e cotidiano. Neste contexto, você pode analisar a sequência em que ocorrem as atividades de conhecimento físico durante as aulas (CARVALHO, 2007, p. 40): 139 ■ Agindo sobre os objetos para ver como eles reagem: os alunos conhe- cem o material experimental e o professor verifica se o problema proposto foi compreendido. Neste momento, a atitude entre os alunos deve ser de co- laboração e ninguém pode ser a “dona da experiência” (CARVALHO, 2007, p. 41), as atividades devem servir para o conhecimento físico da experiência. ■ Agindo sobre os objetos para obter o efeito desejado: quando todos já estiverem familiarizados com o material, os alunos passarão, efetiva- mente, a agir para obter o efeito que corresponde à solução do problema. O professor deve certificar-se de que os alunos conseguiram resolver o problema e, ao mesmo tempo, criar condições para que “refaçam mental- mente suas ações e as verbalizem” (CARVALHO, 2007, p. 41). ■ Tomando consciência de comofoi produzido o efeito desejado: após os alunos terem encontrado a solução do problema, o professor deve or- ganizar uma discussão com todos eles. O material deve ser recolhido para que a atenção se volte para as discussões. “Agora é hora de pensar e falar sobre a atividade” (CARVALHO, 2007, p. 41). Em geral, os alunos, cada um, tem a necessidade de contar o que fizeram, o professor deve ouvir todos os relatos, pois este é um compromisso com aspectos sociais e afe- tivos relacionados à aprendizagem. ■ Dando as explicações causais: esta é a etapa em que o professor come- ça com o “Por quê?”. Após as discussões dos alunos, o professor passa a enfrentá-los para que se apropriem do conhecimento científico, ou seja, as explicações do resultado obtido. Nesse momento, deve ser colocada para o aluno a explicação científica de cada experiência, quais as causas e os efeitos produzidos na prática. ■ Escrevendo e desenhando: o professor solicita aos alunos que escrevam e/ou façam um desenho sobre a experiência. Pode sugerir-lhes que contem o que fizeram e que expliquem o porquê do resultado obtido. Não se deve cobrar um único tipo ou modelo de relatório padrão destas experiências. Carvalho (2007, p. 43) argumenta que se os alunos estão livres para escrever, fazem-no de maneira criativa, “nessa etapa os alunos estão reelaborando as ideias discutidas durante a experiência, por isso estes desenhos ou redações devem ser feitos em sala de aula, após as experimentações”. ■ Relacionando atividade e cotidiano: a etapa dessa experimentação tem como objetivo ultrapassar a simples manipulação dos materiais. UNICESUMAR UNIDADE 4 140 Como você pôde perceber, a organização dessas experimentações pretende que “o aluno compreenda o fenômeno e tenha a oportunidade de vivenciar e criar novos significados para explicar o mundo ao seu redor” (CARVALHO, 2007, p. 44). A Ciência não progride sem trocas de ideias e sem confrontos entre interpre- tações; no caso dos alunos não é diferente, a troca de experiências é importante. Cabe ao professor sistematizar os conhecimentos gerados, criticar e argumentar com o aluno. É dele a tarefa de fazer o aluno aprender, caso contrário o ensino não teria sentido (CAMPOS; NIGRO, 1999). A título de exemplificação, utilizaremos um trecho do livro “Ciências no en- sino fundamental: o conhecimento físico”, de Anna Maria Pessoa de Carvalho (2007, p. 17), o “O ar ocupando lugar no espaço”: “ No ensino tradicional, o fenômeno é apresentado ao estudante pelo tema ou objetivo da aula: vamos provar que o ar ocupa lugar no espaço. O fenômeno é então demonstrado por meio de uma expe- riência. Um copo com um pedaço de papel dentro é emborcado em uma bacia com água. A água não molha o papel, o que prova que entre a água e o papel há ar. O que estamos propondo é transformar esse conhecimento a ser ad- quirido pelos alunos – o ar ocupa lugar no espaço – em um proble- ma que eles possam resolver: Como colocar um papel dentro de um copo, o copo inteirinho dentro da bacia com água e não molhar o papel? Ao escolhermos um problema para propor aos alunos, temos de levar em conta suas ideias espontâneas; no caso, a dificuldade de conceber a existência do ar sem que ele esteja em movimento. Partimos dessa informação para elaborar o problema e organizar o material experimental. A partir daí, quando os alunos trabalham com seus colegas, em grupo, estamos, na verdade, dando oportuni- dade para que levantem hipóteses com base em seus conhecimentos prévios e as testem empiricamente a fim de resolver o problema. Depois, na discussão do porquê de isso acontecer, a resposta será elaborada pelo aluno, que partirá do que consegue molhar o papel. Ele ainda provará essa sua ideia mostrando ao professor e aos co- legas algumas bolhas de ar saindo do copo quando o inclina um pouco dentro da bacia. 141 Essa modificação objetiva permitir que as próprias crianças concluam que o ar existe a partir de sua propriedade de ocupar lugar no espaço. Caro(a) aluno(a), que discussão fizemos até este momento, não é mesmo? Veja que longo processo permeia a docência, desde o ato de planejar, escolher a meto- dologia e as aplicações envolvidas no “simples” ato de ensinar "Ciências''. Temos certeza e convicção que o caminho foi árduo e muito gratificante também, porém não pense que finalizamos, pois ainda temos um importante e atual tema a ser trabalhado, que é o letramento científico, vamos lá? O termo letramento diz respeito às práticas sociais de leitura e escrita, que se diferenciam da alfabetização, tendo em vista que o intuito aqui é permitir que o discente seja levado a compreender não somente os códigos, mas também as implicações do seu uso (SOARES, 2003). Nesta perspectiva é que a leitura científica como recurso pedagógico se torna relevante, pois permite com que os estudantes e o professor tenham um maior aprofundamento de conceitos. O professor precisa conhecer previamente os textos que sugere aos alunos, veri- ficando se os pré-requisitos exigidos para a leitura são de domínio de sua classe e a qualidade das informações impressas (BRASIL, 2000). “Cabe ao professor analisar o material a ser trabalhado, levando-se em conta o grau de dificuldade da abordagem do conteúdo, o rigor conceitual e a linguagem utilizada” (PARANÁ, 2008, p. 75). Dentre os diversos materiais de divulgação que podem ser utilizados como recursos pedagógicos, sugerem-se: trechos de artigos de jornais e revistas; e fotos e ilustrações para serem lidos pelos alunos. Ainda, revistas e suplementos de jornais dirigidos ao público infantil e livros paradidáticos que contenham temas tratados em sala de aula. Entretanto, essas práticas devem proporcionar discussões, interpretações e estar interligadas aos conteúdos trabalhados em sala. Não devem ser apenas mo- mentos de comprovação de leis e teorias ou meras ilustrações das aulas teóricas. De modo um pouco mais peremptório, o termo letramento científico está associado tanto à compreensão de conceitos como à possibilidade de aplicar esses conceitos científicos de inúmeras maneiras e métodos considerados pela Ciência no cotidiano, não esquecendo, é claro, de salientar o seu contexto sócio-histórico específico (MAMEDE; ZIMMERMANN, 2005). UNICESUMAR UNIDADE 4 142 Caro(a) estudante, estamos nos direcionando para um último momento de nossa unidade e também uma etapa muito importante que deve cons- tar em seu planejamento. A avaliação, tão temida e estereotipada, como ela pode ser desenvolvida para que seja um instrumento de fomento do ensino e aprendizagem e não de segregação? Realmente falar dessa etapa não é uma tarefa fácil, porém, necessária, tendo em vista que a esta é considerada atividade essencial no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos científicos escolares e, de acordo com a Lei de Di- retrizes e Bases da Educação Nacional n° 9.394/96, “deve ser contínua e cumu- lativa em relação ao desempenho do estudante, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos” (PARANÁ, 2008, p. 77). Sendo assim, a avaliação como prática pedagógica compõe a mediação didá- tica realizada pelo professor e é entendida como “ação, movimento, provocação, na tentativa de reciprocidade intelectual entre os elementos da ação educativa” (HOFFMANN, 1991, p. 67). Professor e aluno buscando coordenar seus pontos de vista, trocando ideias, reorganizando-as. No processo de avaliação, será preciso respeitar o estudante como um ser humano inserido no contexto das relações que permeiam a construção do conhecimento científico escolar. Nesse sentido, é fundamental valorizar, também, o que se chama de “erro”, de modo a retomar a compreensão (equivocada) do estudante por meio de diversos instrumentos de ensino e de avaliação. Brasil (2000) traz como discussão que o erro faz parte do processo de apren- dizagem e pode estar expresso em registros, respostas, argumentações e formu- lações incompletas do aluno. Deste modo,o erro precisa ser tratado como um elemento que permite com que o professor veja a compreensão direta e efetiva do aluno, atuando como ponte para reorientar a prática pedagógica. Ainda, o erro permite que o aluno perceba as diferenças entre o senso comum e os conceitos científicos e que é necessário saber aplicar outros domínios de ideias em diferentes situações. Dentro deste contexto, a avaliação pode ser por meio de problematizações envolvendo relações conceituais, interdisciplinares ou contextuais, ou mesmo a partir da utilização de situações provenientes de jogos educativos. Também o uso de recursos instrucionais que representem como o estudante tem so- lucionado os problemas propostos e as relações estabelecidas diante dessas problematizações (PARANÁ, 2008). 143 Dentre estas mudanças de conceituação da avaliação, Carvalho e Gil-Pé- rez (2003) nos apontam algumas questões já discutidas em nosso livro. A ruptura com as visões simplistas sobre o ensino das Ciências, o conhecimento extenso sobre a matéria a ser ensinada, a exata dimensão dos limites entre o senso comum e a Ciência são fundamentais, tanto quanto planejar, preparar atividades capazes de gerar uma aprendizagem efetiva, dirigindo os trabalhos dos alunos, mas permitindo os questionamentos. Falta, agora, adicionar um fator que é muito importante, um verdadeiro teste para a aptidão educacional do professor de Ciências: o saber avaliar. Campos e Nigro (1999, p. 161) consideram a avaliação o “motor da aprendiza- gem”. Sua abordagem se inicia explicando como, ultimamente, tem-se privilegiado a aprendizagem significativa dos conteúdos. “Com isso, novas metodologias e paradigmas são impostos aos novos professores, muitos dos quais formados sob os moldes do ensino por transmissão-recepção” (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 162). Os autores apresentam que em meio à busca de novos caminhos, a opção pelas provas escritas tem algumas vantagens. Entre elas: permite avaliar muitos alunos e conteúdos de uma só vez, é um documento que se pode rever e analisar, é relativamente fácil de aplicar e pode ser fácil de corrigir, sua execução exige um tempo relativamente curto. Tudo isto, portanto, pode explicar sua definitiva inserção no processo de ensino-aprendizagem. A prova pode ser um excelente instrumento de investigação do aprendizado do estudante e de diagnóstico dos conceitos científicos escolares ainda não compreen- didos por ele. “Para isso, as questões da prova precisam ser diversificadas e considerar outras relações além daquelas trabalhadas em sala de aula” (PARANÁ, 2008, p. 78). Contudo, Campos e Nigro (1999, p. 166) lembram que a memória cobrada nas provas escritas é apenas uma das capacidades relacionadas ao ensino-apren- dizagem e fazem constar a necessidade de contemplar, igualmente, outras habili- dades: a percepção quanto à clareza do conteúdo no plano consciente; a percep- ção acentuada do mesmo conteúdo; a consciência crítica ou posicionamento do indivíduo em relação aos suportes do fenômeno. Outro tipo de prova escrita a ser utilizada são as que envolvem as questões ultra objetivas (aquelas que exigem apenas memorização) e as objetivas que exi- gem uma percepção particular, restrita aos aspectos mais delimitados do co- nhecimento, privilegia as segundas, diminuindo a porcentagem das primeiras. Além disso, “acentuam a importância das questões discursivas (de discussão e UNICESUMAR UNIDADE 4 144 argumentação) como uma maneira de aprimorar o emprego da língua pátria” (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 167). A correção “transparente” que enuncia os valores das questões, por exemplo, é outro momento focalizado, com a sugestão de uma correção “coletiva” das provas aplicadas (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 172). Enfatizam, ainda, que a avaliação deve cumprir diferentes finalidades, “ocorre em diversos momentos do ensino e não apenas ao final da uma unidade didática” (CAMPOS; NIGRO, 1999, p. 173). Quanto ao importante momento de avaliar atitudes, sugerem critérios para ava- liar trabalhos em grupo, antes de chegar à avaliação somativa. Carvalho e Gil-Pérez (2003, p. 55) escrevem que: “ [...] é provável que a avaliação seja um dos aspectos do processo de ensino-aprendizagem, em que mais se faça necessária uma mudança didática, isto é, um trabalho de formação dos professores que ques- tione “o que sempre se fez” e favoreça uma reflexão crítica de ideias e comportamentos docentes de “senso comum” muito persistentes. Apontando as “tentações” que levam a avaliar de forma insatisfatória a capacidade discente ou, ainda, pensando no fracasso de uma percentagem significativa dos alunos de Ciências perante tais avaliações: ■ Conceber e utilizar a avaliação como instrumento de apren- dizagem que permita fornecer um feed-back adequado para promover o avanço dos alunos. ■ Ampliar o conceito e a prática de avaliação ao conjunto de saberes, destrezas e atitudes que interesse contemplar a apren- dizagem das Ciências. ■ Introduzir formas de avaliação de sua própria tarefa docen- te como instrumento de melhoria de ensino (CARVALHO; GIL-PÉREZ, 2003, p. 59). Para tais autores, o importante é que a avaliação possa se transformar em um instrumento efetivo de aprendizagem. Nesta perspectiva, a avaliação deixa de ser um processo estático e classifica- tório e passa a assumir funções didáticas e pedagógicas (LIBÂNEO, 2008). Ela 145 deve garantir o cumprimento dos objetivos gerais e específicos selecionados pelo professor. Ao comprovar os resultados do processo de ensino, o professor tem a oportunidade de avaliar seu próprio trabalho e analisar se os alunos se encontram ou não preparados para as exigências sociais e culturais. Para Libâneo (2008), a avaliação também favorece a criação de atitudes mais responsáveis dos alunos em relação aos seus estudos, possibilitando a correção dos erros cometidos. Diante os aspectos discutidos, você pode estar se perguntando, quais os prin- cipais tipos de avaliação irão permear a minha futura prática docente? Bom, para ajudá-lo(a) a melhor se preparar para o mercado de trabalho, separamos os 3 principais métodos avaliativos comumente usados e que também são alvos de conhecimentos de concursos e testes seletivos. Logo, a avaliação do tipo: ■ Avaliação Diagnóstica: tem como primazia fornecer ao educador informações para que possa pôr em exercício a idealização de forma adaptada às características de seus educandos. A avaliação deve buscar conhecer, principalmente, as habilidades, os interesses, as capacidades e competências dos alunos. Outra função da avaliação destacada é a de verificar progressos e difi- culdades dos alunos e dos professores. Essa função é determinada como diagnóstica e, segundo Libâneo (2008, p. 197): “ [...] na prática escolar cotidiana, a função diagnóstica da avaliação é a mais importante porque é a que possibilita a avaliação do cum- primento da função pedagógico-didática e a que dá novo sentido a função de controle. A avaliação diagnóstica ocorre no início, duran- te e no final do desenvolvimento das aulas e conteúdos. ■ A avaliação Formativa: acontece ao longo do procedimento educacional, ou seja, ocorre ao longo do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação busca informações sobre estratégia de solução de problemas e das dificuldades surgi- das no processo. A avaliação é formativa no sentido de que acompanha como os alunos se transformam (se reorganizam) em direção aos objetivos almejados. Nessa modalidade, o educador acompanha o estudante metodicamente ao longo do processo educativo, podendo saber, em determinados períodos, o que o aluno já aprendeu em face dos escopos indicados, ou numa análise crítica à educação tradicional, em face dos conteúdos trabalhados (SANTOS, 2016). UNICESUMAR UNIDADE 4 146 ■ Avaliação Somativa: exteriorizada como avaliação final porque acontece no fim de um processo de educação e aprendizagem, tem uma função classificatória, em razão de que vão convir a uma clas- sificação doestudante conforme os níveis de aplicação no fim de uma unidade, de um módulo, de uma disciplina, de um semestre, de um ano e de um curso. A avaliação somativa se baseia nos con- teúdos e procedimentos de medida, como provas, teste objetivo e dissertações-argumentativas. Colabora para a avaliação somativa, tanto a avaliação diagnóstica quanto à avaliação formativa, pois a avaliação da aprendizagem é um ciclo de intervenções pedagógicas de um mesmo processo (SANTOS, 2016). 147 Chegamos ao fim de mais uma unidade! Quanto conhecimento pudemos ver até aqui. Você imaginava que planejamento escolar pudesse percorrer, analisar e aplicar tantos processos? Acreditamos que a resposta seja não, porém, uma negação que permite a abertura de um olhar novo e repleto de anseios de tudo o que até agora assinalamos sobre o ensino das ciências, que vise à eficácia e a adequação aos nossos tempos. Se existe uma consideração que esta unidade nos deixou é que o conhecimento acontece como um todo e que se o fragmentamos é apenas para facilitar seu entendimento. Outro ponto de destaque é que a escola deve preparar o aluno para as diversas situações da vida, para tanto, faz-se necessário a utilização de diferentes métodos e estratégias para o desempenho do processo de ensino-aprendizagem, interli- gando os conteúdos abordados em sala de aula às vivências dos alunos. Neste contexto, o planejamento escolar, principal alvo desta unidade, deve primar por evidenciar todos os pontos e possíveis nuances que per- meiam uma sala de aula, destacando que o trabalho prático tem grande importância no ensino de ciências e deve proporcionar aos estudantes mo- mentos de inquietação diante do desconhecido e a descoberta. As ativi- dades experimentais devem ser organizadas levando em consideração o conhecimento prévio dos alunos, e isso não significa aceitar que nenhum conhecimento seja assimilado por si só, mas deve ser construído ou recons- truído pela estrutura dos conceitos já existentes. Os caminhos para essa construção são a discussão e o diálogo que assumem um papel importante e as atividades experimentais combinando ação e reflexão. Outro setor que merece atenção e carece de modificações é o que diz respeito à avaliação, pois avaliar é um processo difícil, doloroso, mesmo porque causa mui- tos problemas entre alunos e professores. Os primeiros querem ter a sua opinião aceita sempre e os professores têm renovadas dificuldades em estabelecer o que pretendem como ciência e o que esperar como resultado das práticas pedagógicas envolvidas neste processo de ensino, aprendizagem e avaliação. Portanto, fica evidente que quanto mais nos conscientizamos da realidade que ora vivemos na prática educacional, mais nos aproximamos da realização de nossos objetivos enquanto docentes e informamos, de forma clara, a nossa metodologia. UNICESUMAR O que PENSA E SENTE? O que FALA E FAZ? O que VÊ? O que OUVE? Quais são as DORES? Quais são as NECESSIDADES? Olá, estudante, tudo bom com você? Bom, esperamos que sim! Chegou a hora colocar aquele seu conhecimento em prática, porém, para iniciarmos esse mo- mento, gostaríamos que realizasse um mapa diferente, conhecido como Mapa da empatia, e nele expressasse seus anseios, medos e sentimentos sobre o tema Alfabetização científica, de modo que consiga expressar os pontos destacados na imagem a seguir. 149 1. “No contexto das investigações em ensino das Ciências foi pesquisada a influência das relações sociais no desenvolvimento do aluno. As oportunidades de conversação e argumentação são procedimentos que auxiliam nesse desenvolvimento” (CARVALHO, 2007, p. 16). Neste contexto, explique como os professores podem possibilitar esses momentos a partir de experiências feitas em sala de aula. 2. O contexto no qual a aprendizagem acontece é fundamental para o planejamento. A respeito deste tema, a atividade de planejar não deve ignorar alguns pressupostos fundamentais que valem para o ensino de Ciências. Analise as afirmativas que seguem: I - As ciências não devem se legitimar por currículos desligados do mundo, deve ser contínua e prosseguir ao longo da vida. II - O ensino de Ciências deve acontecer no ambiente da escola formal. III - O desenvolvimento de competências e atitudes científicas não deve ser ignorado em prol daquele que pode ser visto como um “corpo de conhecimentos”. IV - Especificamente no terreno científico, a exploração do experimental é um imperativo. É correto o que se afirma em: a) Somente I e II estão corretas. b) Somente II e III estão corretas. c) Somente a I está correta. d) Somente I, III e IV estão corretas. e) Todas estão corretas. 150 3. (BACHELARD, 1938, apud CARVALHO, 1997, p.152) já dizia que: “todo conhecimento é a resposta a uma questão”. Nesse sentido, podemos seguir o esquema apresentado por Carvalho (1998) que propõe a sequência em que as atividades de conhecimento físico podem ocorrer. Nesta perspectiva, assinale a alternativa que explicita as etapas de uma aula experimental conforme proposto pela autora. a) O professor propõe o problema; agindo sobre os objetos para ver como eles reagem; agindo sobre os objetos para obter o efeito desejado; tomando cons- ciência de como foi produzido o efeito desejado; dando as explicações causais; escrevendo e desenhando; relacionando atividade e cotidiano. b) O professor propõe o problema; tomando consciência de como foi produzido o efeito desejado; agindo sobre os objetos para ver como eles reagem; agindo sobre os objetos para obter o efeito desejado; relacionando atividade e cotidiano. c) O professor propõe o problema; agindo sobre os objetos para ver como eles reagem; escrevendo e desenhando; dando as explicações causais; relacionando atividade e cotidiano. d) O professor propõe o problema; agindo sobre os objetos para obter o efeito dese- jado; tomando consciência de como foi produzido o efeito desejado; escrevendo e desenhando; dando as explicações causais. e) O professor propõe o problema; escrever e desenhar os objetos observados; dando as explicações causais; relacionando atividade e cotidiano. 4. Indubitavelmente, o planejamento escolar deve atuar como norte da prática pedagógica do professor, seja qual for o ambiente de ensino. No que tange à perspectiva histórico- -crítica, uma das alternativas que vem ganhando forças entre educadores é uma ação docente-discente que possibilite ao professor trabalhar com o aluno e não pelo aluno. De acordo com essa proposta, qual seria o papel que a problematização exerce sobre a prática social final? Segundo o método dialético proposto por João Luiz Gasparin. 5A Sala de Aula: Onde a “Magia” Acontece! Me. João Luis Dequi Araújo Me. Ozilia Geraldini Burgo Olá, caro(a) aluno(a), que bom tê-lo(a) em nossa última unidade do livro da disciplina Metodologia do Ensino de Ciências, espero que te- nha gostado da Unidade 4 e aproveitado os diversos conhecimentos por ela propostos, principalmente sobre o planejamento escolar e suas nuances. A fim de dar continuidade às nossas discussões, con- vido você a mergulhar no contexto de sala de aula e vislumbrar as diversas possibilidades para se ensinar Ciências de uma maneira clara, dinâmica e participativa. Afinal, o conhecimento científico não surge espontaneamente, ele é compartilhado e socialmente construído, não é mesmo? Bom, venha comigo conversar sobre a sala de aula onde a "magia", de fato, acontece! UNIDADE 5 152 A sala de aula é nosso laboratório permanente, pois é o lugar onde testamos hipóteses, realizamos procedimentos e apresentamos resultados ou, até mesmo, refutamos teorias. Mais além, é um espaço onde, muitas vezes, a sistematização dos conceitos científicos ocorre ou tem seu início. Contudo, existem diversas maneiras de se comunicar com nossos discentes, introduzir conhecimentos e desenvolvê-los, que podem e devem ir além dos muros da sala de aula ou até tornar esses muros um tanto quanto diferentes. Nesta perspectiva,gostaria de convidar você a refletir sobre a seguinte questão: o que eu devo fazer para que as aulas de Ciências atuem como uma ferramenta transformadora? A cada nova experiência, adquirimos significados e valores que não tínhamos percebido antes. Cada linguagem traz possibilidades diferentes e, quando nos apro- veitamos disso com as crianças, estas têm mais oportunidade de aprender. A lingua- gem é uma forma de comunicação do pensamento, portanto, é necessário esforço para reconectar e enxergar melhor, fazendo com que prestemos mais atenção em como lemos as experiências de diferentes maneiras. Falando em experiências e ações que proporcionem uma linguagem mais acessí- vel e factível para o fomento do conhecimento científico por parte de nossos estudan- tes, gostaria de convidá-lo(a) a realizar uma experiência que seja capaz de conectar uma criança a um conteúdo ou conceito científico de sua escolha, algo que possa saltar os olhos e que permita com que uma criança se impressione e diga aquele UAAAALLLL! Não fique tímido(a), pois sei que você é capaz, me surpreenda e sur- preenda a você mesmo, ok? Conto com você! Sabemos que a sociedade está sempre se transformando e as crianças participam ativamente desse processo e acabam também transformadas pelas experiências que vivem dentro e fora da sala de aula. Sendo assim, elas precisam ser vistas como seres ativos que podem compreender o mundo que as rodeia se tiverem oportunidades para isso. Nesta perspectiva, é que sua atividade tem como intuito levá-lo a perce- ber o quão importante é o desenvolvimento das atividades experimentais e práticas para nossos alunos, afinal, como professores, contribuímos para que sejam seres ati- vos na sociedade, que participem do seu desenvolvimento, que compreendam seu organismo e que, acima de tudo, possam contribuir para com ela. Dessa forma, as experimentações, o lúdico e, também, os jogos podem atuar como ferramentas de linguagens que aproximam e transformam nossos discentes. Agora, chegou sua vez, faça suas anotações em seu Diário de Bordo! Anote os pontos que lhe chamaram a atenção desde o momento em que começou a busca por um experimento, qual foi o experimento escolhido, que tipo de conteúdo pretende trabalhar e como? Aproveite, pois este é seu espaço de organização do conhecimento. 153 Ensinando Ciências com games? Olá, caro(a) estudante, chegamos a nossa última unidade e com ela nosso último podcast, sendo assim, o que acha de fecharmos nossa discussão conversando um pouco mais sobre a Gamificação no ensino de Ciências? Estarei te esperando, hein! A atuação pedagógica para o ensino de Ciências necessita apoiar-se em conheci- mentos específicos derivados dos vários campos de conhecimento que integram as Ciências Humanas e Naturais. Buscar respostas, informações e se familiarizar com conceitos e procedimentos dessas áreas é necessário (BRASIL, 1998b). “ O professor deve sempre estar consciente de que todo e qualquer ensino deve ser baseado em algo que a criança já carrega acumulado consigo, material este que deve ser reelaborado e reconstruído. Os conceitos são por elas aprendidos não em uma forma pronta no pro- cesso de aprendizagem escolar, mas organizados e reelaborados ao longo de suas experiências (ARCE; SILVA; VAROTTO, 2011, p. 62). UNICESUMAR UNIDADE 5 154 Rodrigues (2016) discute que o professor precisa dominar o conteúdo, pesqui- sar, estudar e planejar antes da sua execução em sala de aula, pois isso evita que concepções equivocadas possam ser construídas pelos alunos. Outra ressalva que a autora faz é a de que o professor deve estar atento às fases em que as crianças estão, pois o trabalho vai se diferenciar conforme a faixa etária destas. Rodrigues (2005 apud CRAIDY; KAERCHER, 2001) traz algumas obser- vações quanto ao trabalho do professor envolvendo as faixas etárias. Segundo Craidy e Kaercher (2001), com as crianças pequenas existe a necessidade da in- teração adulto-criança, na qual possa mediar a relação com as brincadeiras ao trabalhar a exploração do próprio corpo, por meio de experiências e diferentes sensações no contato com objetos. Com as crianças de um a dois anos, já pode se iniciar o trabalho em grupo, não deixando de lado a atenção individualizada por parte do professor. Nessa fase, as atividades devem estar voltadas para o desenvolvimento da motricidade, exploran- do exercícios como a imitação de animais e seus respectivos sons. Na fase de dois a quatro anos, inicia-se as atividades em grupos, como, por exemplo, as brincadeiras de rodas, a fim de dar início também aos jogos simbólicos, às brincadeiras de faz de conta e uma maior desenvoltura motora. Neste momento, a criança começa a notar as diferenças entre as coisas, resultando em uma interação que se dá por meio do plano simbólico (CRAIDY; KAERCHER, 2001). A partir dos quatro a seis anos, as atividades de cunho cooperativos devem ser estimuladas e, portanto, se fazer presente, pois é neste momento que as crianças dão início ao aprendizado social, começam a estabelecer regras de convivência e a atividade simbólica ganha proporções mais complexas, o que faz com que o docente também se torne mais perceptível aos interesses e necessidades para que este possa adaptar seu trabalho, tornando-o mais atrativo (CRAIDY; KAERCHER, 2001). Nesse sentido, o professor deve conhecer cada uma dessas fases para que possa minimizar ou potencializar o conhecimento do aluno e trabalhar de forma que consiga desenvolver seu raciocínio em todos os sentidos. Para que a criança avance na construção de novos conhecimentos, é impor- tante que o professor desenvolva algumas estratégias de ensino, muitas delas já discutidas em unidades anteriores. 155 01 - Partir de perguntas interessantes — Boas perguntas que mobilizem o processo de indagação acerca dos elementos, objetos e fatos são imprescindíveis para o trabalho. É importante que as perguntas ou problematizações formuladas pelo professor permitam às crianças relacionar o que já sabem ou dominam com o novo conhecimento; 02 - Considerar os conhecimentos das crianças sobre o assunto a ser trabalhado — a interação das crianças com os adultos, com outras crianças, com os objetos e o meio social e natural permitem que elas ampliem seus conhecimentos e elaborem explicações e “teorias” cada vez mais complexas sobre o mundo; 03 - Utilizar diferentes estratégias de busca de informações — os conhecimentos das crianças podem ser ampliados na medida em que elas percebam a existência de algumas lacunas nas ideias que possuem e possam obter respostas para as perguntas que têm. É necessário, portanto, prever atividades que facilitem a busca de novas informações por meio de várias formas; 04 - Coleta de dados — as crianças poderão pesquisar informações em diferentes fontes, na forma de pesquisas, entrevistas, histórias de vida e pedidos de informações às famílias, sempre com a ajuda do professor e de outras pessoas adultas; 05 - Experiência direta — os passeios com as crianças nos arredores da instituição de ensino ou em locais mais distantes, ida a museus, centros culturais, granjas, feiras, teatros, zoológicos, jardins botânicos, parques, exposições, percursos de rios, matas preservadas ou transformadas pela ação do homem etc. permitem a observação direta da paisagem. A exploração ativa do meio natural e social, amplia a possibilidade de observação da criança. 06 - Leitura de imagens e objetos — as imagens produzidas pelos homens, como desenhos, mapas, fotogra�as, pinturas, �lmagens etc., além dos objetos, são recursos inestimáveis para obter inúmeras informações; 07 - Leitura de livros, enciclopédias, revistas e jornais — estas tradicionais fontes de informação devem ser usadas com frequência e acompanhadas dos demais recursos (BRASIL, 1998, p.175-179). UNICESUMAR UNIDADE 5 156 NOVAS DESCOBERTAS Livro: Ensinando Ciências Na Educação Infantil Autor: Alessandra Arce Hai et al. Editora:Alínea - 2ª edição - 2020 Sinopse: você irá se encantar durante a leitura deste livro com todas as possibilidades que ele abre para pensar o ensino de ciências aos pequeni- nos! Nesta segunda edição, elaboramos uma série de sugestões de conteúdos acompanhados de aulas práticas para serem trabalhados na escola, a fim de auxiliar a atuação pedagógica do professor. São atividades que têm durações diversas e temáticas que perpassam o conhecimento do eu e do outro, do mundo natural e social, e das transformações nele efetuadas pela presença de nós, seres humanos. Cada um tem total liberdade para trabalhá-las da forma que considerar mais adequada e com os recursos que tiver em seu dia a dia. Bom, primeiramente, gostaria que ficasse tranquilo(a) quanto a isso, pois boa parte de toda essa perspectiva já foi anteriormente mencionada, porém podemos, aqui, explanar de forma mais detalhada, vamos lá? Como já vimos, a Educação Infantil faz parte da educação básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade, em todos os seus aspectos: físico, psicológico, intelectual e social. Sendo integrante da educação básica, traz também desafios, entre eles o currículo que, na Educação Infantil, é composto por diferentes campos de experiências. Sendo assim, na Educação Infantil “ [...] devem ser apresentadas situações para que as crianças possam desenvolver as suas capacidades como seres huma- nos (cognitivas, de linguagem, de relação entre as pessoas, de equilíbrio pessoal e motriz) como nas outras etapas, esse desenvolvimento apresenta-se vinculado à aprendizagem de determinados saberes culturais que lhes permitem conhecer o mundo que as envolve (BASSEDAS et al., 1999, p. 57). Contudo, você pode estar se questionando: mas, professor, como ensinar Ciências com foco na Educação infantil? Como proporcionar uma linguagem diferenciada? E como se derivam essas práticas educativas e experimentais nessa etapa da escolarização? 157 Afinal, é na infância que a criança tem contato com o mundo, constitui sua identidade, agrega valores, significados, constrói conhecimentos práticos, per- cebe a existência de objetos, seres, formas, cores e sons. É na infância que ela descobre a realidade, imagina coisas, formula explicações, opiniões e concep- ções de mundo. Por isso, é necessário um currículo escolar que traga muitos elementos para enriquecer esse processo. Edwards, Gandini e Forman (1999) consideram que as crianças desenvolvem hipóteses científicas que vão muito além da ênfase sobre a expressão estética e exploração da percepção. De acordo com o autor, “quando a chuva deixa uma poça, graças à boa sorte de haver um buraco no chão e um pouco de sombra, as crianças enchem-se de alegria. Se os adultos não colocam limites e, em vez disso, entram na brincadeira, a poça d’água então pode tornar-se todo um universo a ser observado” (EDWARDS; GANDINI; FORMAN, 1999, p. 136). Nessa etapa do desenvolvimento da criança, os conteúdos de ciências de- vem ser explorados através da experiência direta e/ou pela pesquisa. Para isso, os conteúdos propostos nos currículos precisam ser transformados em atividades (histórias, dramatizações, jogos etc.) para a criança (LIMA, 2000). O autor ainda argumenta que devemos nos preocupar com os fenômenos em geral, suas causas, efeitos; com a vida e suas relações com a natureza. Ele ainda afirma que “como o homem pode manter-se de pé, como podemos subir e descer uma ladeira, sem cair, por que as plantas crescem e param de crescer, porque alguns animais têm pelos, como o homem pode viver no gelo... tudo é ciência” (LIMA, 2000, p. 206). Bassedas et al. (1999) afirmam que os conteúdos de aprendizagem na Educa- ção Infantil agrupam-se em áreas curriculares, não em disciplinas como no en- sino fundamental, ou seja, “é a necessidade de partir da realidade, da experiência e do meio da criança para ajudá-la a conhecer essa realidade, a incidir nela e a conhecer-se a si mesma” (BASSEDAS et al., 1999, p. 67). Ao se discutir sobre o processo de aprendizagem na Educação Infantil, vale ressaltar que este se diferencia dos demais níveis de ensino, principalmente no que diz respeito à especificidade da primeira infância. Essa característica exige que o docente ensine por meio de três vieses, educação, cuidado e ludicidade de forma simultânea e constante. Assim, o processo educativo em creches e pré-es- colas precisa, por premissa, incorporar de maneira intencional atividades lúdicas, jogos e brincadeiras ao cuidar e ao educar as crianças. UNICESUMAR UNIDADE 5 158 O professor, ao planejar sua prática educativa, deve proporcionar à criança momentos em que ela aprenda a se conhecer e, ao mesmo tempo, vivencia e experimenta o mundo em que vive. Nesse sentido, constrói repertório de relações biológicas, afetivas, emocionais, sociais, culturais, linguísticas, lúdicas e cognitivas. Prezado(a) aluno(a), como você percebeu, o professor de- sempenha um papel muito importante atuando como media- dor na construção dos conhecimentos científicos. Para isso, dominar os conteúdos, saber aplicá-los e conhecer a criança é primordial nesse processo. A educação no Brasil passou por reformulações por con- ta da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/1996), os Parâmetros Curriculares Na- cionais (1998) e BNCC (2018). Estas reformulações geraram debates entre os professores, permitindo, assim, um repensar pedagógico, evidenciando o uso das atividades lúdicas como estratégia para a construção do conhecimento. Segundo Santos (2008), o lúdico é uma ciência nova que precisa ser estudada e vivenciada, mas a tendência dos pro- fissionais é pensar que sabem lidar com esta nova ferramenta porque um dia já brincaram. O docente deverá ser capaz de mediar o conhecimento baseando-se em uma nova perspectiva de educação, tendo consciência de que o ato de brincar não se restringe aos mo- delos de passatempo e descontração, mas que as atividades lúdicas propiciadas com significação favorecem o desenvol- vimento integral do educando. As atividades lúdicas nas práticas educativas devem promover uma aprendizagem substancial na criança, de modo que ela (re)construa novos conhecimentos. Estas atividades são instrumentos pedagógicos de grande im- portância e, ao mesmo tempo, um auxílio indispensável para o processo de ensino e aprendizagem, que propicia si- tuações que contribuem para o desenvolvimento do aluno. 159 “ A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do as- pecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um es- tado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (SANTOS, 1997, p. 12). Figura 1 - Atividade lúdica combinada com realidade aumentada. Descrição da Imagem: Três crianças em idade escolar diversificada, na aula de ciências usando um tablet digi- tal com software de realidade aumentada, observando a animação 3D educacional do sistema solar. Ao fundo se observa outras crianças, um microscópio, painéis nas paredes, e um quadro com diversas imagem coladas. UNICESUMAR UNIDADE 5 160 Assim sendo, a escola, como um espaço privilegiado, em que o indivíduo se de- senvolve, socializa e brinca, é oportuno que se insira, de modo significativo, o lúdico desde a Educação Infantil, pois ele irá contribuir para a construção do mundo social e cultural da criança. Por outro lado, é importante salientar que a atividade lúdica não pode ser pensada como único recurso didático, ela é mais uma alternativa signifi- cativa e importante, mas seu uso não exclui outros caminhos metodológicos. Assim, a criança se expressa, assimila conhecimentos e constrói a sua realidade quando está praticando alguma atividade lúdica. Nesta interação, ela espelha a sua experiência,modificando a realidade de acordo com seus gostos e interesses. De acordo com Santos (2008), educação pela via da ludicidade se propõe a uma nova postura existencial, cujo paradigma é um novo sistema de aprender brincando, inspirado numa educação para além da instrução. Desse modo, o brincar representa um fator de grande importância na socialização da criança, pois é brincando que ela terá condições de construir sua identidade, enquanto parte integrante de um grupo. Uma aula ludicamente inspirada não é, necessariamente, aquela em que o professor utilizará jogos para ministrar seus conteúdos, mas sim aquela em que o docente promove e desperta nas crianças características antes tidas no simples ato de brincar. Contudo, para que esta aula desempenhe uma função educativa, faz-se necessário que ela seja pensada, planejada dentro de uma proposta pedagógica. Maluf (2008, p. 22) de- fende esta ideia ao afirmar que “ [...] toda a atividade lúdica pode ser aplicada em diversas faixas etá- rias, mas pode sofrer intervenção em sua metodologia de aplicação, na organização e nas suas estratégias, de acordo com as necessidades peculiares das faixas etárias. As atividades lúdicas têm capacidade de desenvolver várias habilidades na criança, proporcionando-lhe diver- timento, prazer, convívio profícuo, estímulo intelectivo, desenvolvi- mento harmonioso, autocontrole e autorrealização. Não só as crianças são beneficiadas pelas atividades lúdicas, mas também os professores. Assim, em especial na Educação Infantil, é possível comprovar a influência po- sitiva das atividades lúdicas em um ambiente aconchegante, desafiador, rico em oportunidades e experiências para o crescimento sadio das crianças. 161 Na aprendizagem da ciência, “os momentos de jogo e de brincadeira devem se constituir em atividades permanentes nas quais as crianças poderão estar em contato também com temas relacionados ao mundo social e natural” (BRASIL, 1998a, p. 201). O professor poderá trazer às crianças jogos e brincadeiras de outras épocas, propondo pesquisas junto aos familiares e outras pessoas da comunidade, trazendo-os à escola para brincar com as crianças e/ou em livros e revistas. “Para a criança é interessante conhecer as regras das brincadeiras de outros tempos, observar o que mudou em relação às regras atuais, saber do que eram feitos os brinquedos etc.” (BRASIL, 1998a, p. 201). As brincadeiras podem constituir momentos de experiência científica ao tra- tarem, por exemplo, de conhecimentos de física, no caso, os saberes sobre força e movimento, do livro de Carvalho (2007, p. 151), por meio do “problema das bolinhas”. “ Dada a importância do conceito de quantidade de movimento para a aprendizagem da Física, desenvolvemos mais uma ativi- dade sobre o fenômeno de transmissão da quantidade de mo- vimento de um corpo para outro, utilizando um novo arranjo experimental. Nessa atividade, usaremos um pequeno bastão como parâmetro, para verificar a quantidade de movimento transmitida. Ele será arrastado a uma certa distância por duas esferas de massas diferentes. A quantidade de movimento ad- quirida pelo bastão, inicialmente parado, depende de sua massa e também da massa e da velocidade da bolinha que o atingiu (CARVALHO, 2007, p. 151). Portanto, o lúdico, no contexto escolar, é propício ao processo de desenvolvi- mento da criança, pois atrai a atenção para a realização das atividades de forma prazerosa e interage socialmente de maneira significativa, cultivando o interesse. Ainda, por meio do lúdico, é possível fazer um resgate e preservação da cultura, possibilitando ao educando a perpetuação da história, contribuindo com a for- mação de um cidadão crítico e capaz de atuar na sociedade de forma ativa. Aproveitando o ensejo que estamos discutindo, o papel da ludicidade no ensino de Ciências, não tem como abordar este tema sem falar de um termo amplamente utilizado e que ganha cada dia mais força no fomento do ensino e aprendizagem, a Gamificação. UNICESUMAR UNIDADE 5 162 É sabido que as crianças amam os aparelhos digitais e games, e, engajá-los para o uso destes não é lá uma tarefa muito difícil, não é mesmo? Afinal, os jogos estão inseridos em nosso cotidiano de maneira muito intrínseca às ati- vidades diárias, e no que tange às práticas educacionais não seria diferente. Segundo Ramos e Mattar (2019), acredita-se que cerca de 66% de crianças, jovens e adultos brasileiros utilizam de aparelhos digitais, em 163 especial para o uso de jogos, nas mais variadas finalidades, imersão, interação, diversão ou até aprendizado, geralmente por meio de aparelhos móveis. Apesar do imenso potencial que os jogos possuem no âmbito educacional, quan- do se discute gamificação no ensino, em hipótese alguma pode ser tratada ou aplicada como uma mera inserção de jogos “aleatórios” em uma sala de aula ou no contexto escolar de forma simplista e descuidada. O “gamificar”, termo designado para a utiliza- ção dos jogos na escola, só pode crescer devido a sua utilização preocupada e pautada como método de apoio estratégico para o desenvolvimento de competências, assim como prevê a BNCC na busca de aprendizagem significativa e contextualizada. Sugerimos, aqui, que investigue, busque e reflita onde e quando, de acordo com os con- teúdos curriculares, os jogos podem aprofundar ou, até mesmo, serem usados para uma explicação prévia e anterior dos conteúdos propostos. PENSANDO JUNTOS A linguagem gamifica- da contribui para com a motivação dos estudan- tes, de modo que o pro- cesso de aprendizagem pode ser facilitado, já que causa uma aproximação dos conteúdos curricu- lares sem aquela pres- são das paredes de uma sala de aula e conduz os alunos a um ambiente familiar e, até mesmo, confortável. Contudo, Figura 2 - Crianças jogando em um tabuleiro Descrição da Imagem: Ilustração de crianças jogando jogo de tabu- leiro juntos. Menino e menina sentados no chão, um de frente para o outro, jogando dados, movendo as peças sobre o tabuleiro de cor verde e sorrindo. Atividade de lazer e desenvolvimento social infantil. vale ressaltar que os jogos mais interessantes para a educação são aqueles, em que os discentes possam enfrentar desafios, concluir ou perpassar por fases, lidar com fracassos, correr riscos, enfrentar obstáculos e interagir com êxitos ou de outrem (MURTA; VALADARES; MORAES FILHO, 2015). UNICESUMAR UNIDADE 5 164 Veja bem, o quão rico pode ser o emprego de atividade lúdicas em sua futura atividade docente, esperamos que tenha percebido e se motivado com o emprego da gamificação e o quanto ela pode ser incrível no dia a dia das práxis docentes, porém, não pense que acabou, pois, ao final de nossa unidade, preparamos um maravilhoso acervo de atividades lúdicas, jogos e experimentos que são possíveis de se desenvolver em sala de aula. NOVAS DESCOBERTAS Livro: Almanaque Gameducar Autor: Ivanio Dickmann Editora: Livrologia; 1ª edição - 2021 Sinopse: Olá, Gameducador! Seja bem-vindo(a) ao maior livro de ideias de jogos educativos e gamificações na educação! Fiquem à vontade para adaptar os projetos aqui encontrados para que se encaixem com a sua realidade. Aliás... faça isso! Mas por que usar jogos e gamificação? Precisa- mos fazer um breve estudo sobre a Educação 4.0 para chegarmos ao tema dos games e gamificação. O uso destas ferramentas vem a coincidir com a atual era da educação que vivemos no momento, a Educação 4.0. Falando em experimento, vamos falar sobre essa importante ferramenta meto- dológica, que deve ser muito realizada nas aulas de Ciências? Isso mesmo, vamos falar sobre a Experimentação. 165 As atividades experimentais inseridas na prática docente se apresentam como uma importante “ferramenta metodológica de ensino e aprendizagem, quando mediada pelo professor de forma a desenvolver o interesse nos estudantes e criar situações de investigação para a formação de conceitos” (PARANÁ, 2008, p. 76). As atividades experimentais não necessitamde um laboratório escolar espe- cífico, muitas delas podem ser realizadas em outros espaços pedagógicos, como a sala de aula, e utilizar materiais alternativos aos convencionais. A experimentação deve ter a participação dos alunos que discutem ideias e manipulam materiais. Ao lhes oferecer um protocolo definido ou guia de experimento, “ Os desafios estão em interpretar o protocolo, organizar e ma- nipular os materiais, observar os resultados e checá-los com os esperados. [...] O experimento se torna mais importante quanto mais os alunos participam na confecção de seu guia ou protocolo, realizam por si mesmos as ações sobre os materiais e discutem os resultados (BRASIL, 2000, p. 123). Entretanto, é importante que essas práticas proporcionem discussões, inter- pretações e se relacionem aos conteúdos trabalhados em sala. Não devem, portanto, ser apenas momento de comprovação de leis e teorias ou meras ilustrações das aulas teóricas. As atividades experimentais podem contribuir para a superação de obstá- culos na aprendizagem de conceitos científicos, não somente pelo fomento de interpretações e confrontos de ideias entre os alunos, mas também por contribuir para o desenvolvimento mais investigativo (PARANÁ, 2008). “ Entende-se por atividade experimental toda atividade prática cujo objetivo inicial é a observação seguida da demonstração ou da manipulação, utilizando-se de recursos como vidrarias, reagentes, instrumentos e equipamentos ou de materiais al- ternativos, a depender do tipo de atividade e do espaço peda- gógico planejado para sua realização (PARANÁ, 2008. p. 71). As atividades experimentais possibilitam esse confronto de ideias prévias e consecuti- vas, de modo que problematiza o conteúdo e contribui para que o estudante construa UNICESUMAR UNIDADE 5 166 suas hipóteses. O professor, no processo das atividades experimentais, precisa consi- derar que sua intervenção (mediação didática) deverá contribuir para a superação da observação como simples ação empírica e de descoberta (PARANÁ, 2008). Como agente deste processo e mediador do trabalho pedagógico, o professor precisa ter pleno domínio dos conceitos apresentados no decorrer de uma ativi- dade experimental, além de saber manipular equipamentos e replicar inúmeras vezes os resultados obtidos. Diante da concepção de ciência, entendida como dinâmica, falível e provisória, faz-se necessário que o professor valorize os resul- tados considerados “errados” e experimentos que “não funcionaram”. No entanto, “ [...] tais “fracassos” devem ser úteis sob o ponto de vista peda- gógico no sentido de se investigarem as causas dessas incorre- ções, geralmente ligadas aos limites de correspondência entre os modelos científicos e a realidade que representam. Entre- tanto, o uso pedagógico do erro e do fracasso das experiências não deve criar a expectativa de que as investigações na escola podem refutar teorias científicas (PARANÁ, 2008, p. 72). Como você observou, é preciso superar o entendimento de que atividades experimen- tais sempre devem apresentar resultados verdadeiros, pois os alunos, ao visualizarem experiências que não deram “certo”, podem refazê-las respeitando o método científico de que as teorias só se efetivam ao comprovar os resultados obtidos. De fato, tais atividades devem ser consideradas estratégias de ensino que permitam o estudante refletir sobre o conteúdo em estudo e os contextos que o envolvem. “ [...] não se trata de deixar de desenvolver atividades expe- rimentais com essas características, porém a abordagem da experimentação em que a motivação está garantida e é incon- dicional a qualquer atividade experimental precisa ser supe- rada. Se os alunos assim entendem e se motivam pela magia das atividades experimentais, cabe ao professor partir desse conhecimento inicial para problematizá-lo. Isso significa que o “surpreendente” que caracteriza a atividade experimental precisa ser transcendido na direção da construção de conhe- cimentos mais consistentes (GONÇALVES; GALIAZZI, 2004, p. 240 apud PARANÁ, 2008, p. 72). 167 Nesses termos, ao realizar a atividade experimental, ressalta-se a importância da contextualização do conteúdo específico de Ciências, bem como da discussão da história da ciência, da divulgação científica e das possíveis relações conceituais, interdisciplinares e contextuais. Como discutido em vários momentos de nosso estudo, ao ensinar Ciências naturais ou físicas, devemos partir sempre da realidade do aluno, pois esta leva a construção dos primeiros significados importantes do mundo científico. Esses novos conhecimentos, de forma sistematizada e gradativa, leva a aquisição do conhecimento científico, ou seja, o processo cognitivo evolui numa reorganiza- ção do conhecimento, adquirido por meio de aproximações sucessivas. É preciso discutir os fenômenos que cercam as crianças para construírem significados e compreenderem o mundo em que estão inseridas. Na tentativa de explicar o mundo, durante o desenvolvimento escolar, os alunos vão dando novos signifi- cados ao conhecimento adquirido anteriormente. Bachelard (1938 apud CARVALHO, 2007, p. 15) já dizia que: “todo conhe- cimento é a resposta a uma questão”. Neste sentido, podemos seguir o esquema apresentado por Carvalho (2007) que propõe a elaboração de situação proble- ma; construção de hipóteses; tomada de consciência; busca de relações causais; elaboração dos primeiros conceitos científicos; (re)construção do conhecimento socialmente adquirido; e construção de uma visão de mundo. Neste contexto, você pode analisar a sequência em que ocorrem as atividades de conhecimento físico durante as aulas (CARVALHO, 2007, p. 40): ■ O professor propõe o problema. ■ Agindo sobre os objetos para ver como eles reagem. ■ Agindo sobre os objetos para obter o efeito desejado. ■ Tomando consciência de como foi produzido o efeito desejado. ■ Dando as explicações causais. ■ Escrevendo e desenhando. ■ Relacionando atividade e cotidiano. Procuraremos mostrar o papel do professor ao longo das atividades, afinal, sua intervenção é imprescindível para o sucesso das experimentações em sala de aula. A discussão, a seguir, apresenta cada passo e a metodologia relacionada em um fluxograma. UNICESUMAR UNIDADE 5 168 O p ro fe ss or pr op õe o pr ob le m a. Ag in do so br e os o bj et os pa ra v er c om o el es re ag em . Ag in do so br e os o bj et os pa ra o bt er o ef ei to de se ja do . To m an do co ns ci ên ci a de c om o fo i pr od uz id o o ef ei to de se ja do . Re la ci on an do at iv id ad e e co tid ia no . D an do a s ex pl ic aç õe s ca us ai s. Es cr ev en do e de se nh an do . 169 A Ciência não progride sem trocas de ideias e sem confrontos entre interpreta- ções, no caso dos alunos não é diferente, a troca de experiências é importante. Cabe ao professor sistematizar os conhecimentos gerados, criticar e argumentar com o aluno. É dele a tarefa de fazer o aluno aprender, caso contrário o ensino não teria sentido (CAMPOS; NIGRO, 2010). Nesta perspectiva, vale ressaltar o papel das aulas de campo ou também conhecidas como atividades de campo que podem e são ferramentas meto- dológicas importantíssimas no que tange o ensino de Ciências e que, por sua vez, diferem da experimentação. O professor de Ciências, ao definir suas práticas pedagógicas, precisa levar em consideração a metodologia, recursos e estratégias que, articulados com as atividades de sala de aula, tornem possíveis a investigação, a comunicação e o debate em classe, envolvendo os conteúdos. Fernandes (2007, p. 22 apud VIVEIRO, 2009, p. 2) define atividade de campo em Ciências como “toda aquela que envolve o deslocamento dos alunos para um ambiente alheio aos espaços de estudo contidos na escola”. Quando nos referimos às atividades de campo em Ciências, associamos a ideia de uma estratégia de ensino em que a sala de aula ésubstituída por outro ambiente, natural ou não, no qual existam condições para estudar as relações entre os seres vivos ali presentes, incluindo a interação do homem nesse espaço – pode ocorrer em um jardim, uma praça, um museu, uma indústria, uma área de preservação, um bairro, incluindo desde saídas rápidas ao entorno da escola até viagens que ocupam vários dias. A fim de exemplificar essa prática, pode-se levar as crianças para algumas áreas verdes do bairro ou município e solicitar que identifiquem o número de árvores, de flores existentes naquela região e quais as formas de vida podemos encontrar lá. Entre outros questionamentos, é interessante que, por meio de uma simples atividade como essa, o professor pode introduzir estudo de classificação de espécies arbóreas pelas diferentes folhas que os alunos observam. Nesta perspectiva, as atividades de campo colaboram no sentido de o aluno aprender e reter melhor as informações e interagir de maneira ativa na exploração de lugares. Assim, “são necessários espaços físicos, simbólicos, mentais e afetivos diversificados e estimulantes (...), aulas fora da classe, em outros espaços da escola, do campo e da cidade. Porque o bosque, o museu, o rio, o lago (...), bem aprovei- tados, convertem-se em excelentes cenários de aprendizagem” (CARBONELL, 2000, p. 88 apud VIVEIRO, 2009, p. 3). UNICESUMAR UNIDADE 5 170 O trabalho de campo é uma dessas estratégias que permitem explorar não só áreas de preservação ou de conservação como outros locais mais próximos da criança, entre eles o pátio da escola. Lembre-se, o trabalho de campo não é um simples passeio, precisa ter um propósito educativo e oferecer condições para que as crianças exercitem a observação e a experimentação como procedimentos básicos na aprendizagem de Ciências. Por isso, um trabalho de campo deve envolver todos os procedimentos, não só a saída propriamente dita, mas as fases de planejamento, que incluem a via- bilidade da saída, os custos, o tempo necessário, a elaboração e a discussão do roteiro, a autorização junto aos responsáveis pelos alunos, a execução e a saída a campo. Após o passeio, deverá acontecer a exploração dos resultados, para isso, deve-se retomar os conteúdos, discutir as observações, organizar e analisar os dados coletados e fazer uma avaliação, em que se verifica, por exemplo, se os objetivos foram atingidos ou mesmo superados, quais aspectos foram falhos e a percepção dos alunos sobre a atividades (VIVEIRO, 2009). 1º PASSO: O PLANEJAMENTO 2º PASSO: A EXECUÇÃO • Identi�car e examinar previamente o local. • Marcar a data e o horário para a realização do evento. • Discutir que tipos de dados serão coletados e a forma como fazê-lo. • Selecionar as referências que serão consultadas, os materiais e ferramentas a serem utilizados. • Organizar a turma em grupos de trabalho, de�nir funções e distribuir tarefas. • Realizar leituras informativas sobre o objeto da excursão. • Sumariar os planos especí�cos de cada grupo e informar a turma sobre as tarefas de cada grupo, de modo que todos tenham conhecimento de tudo. • A realização da excursão, propriamente dita em que será delimitada e medida a área a ser observada. Depois, os pequenos grupos farão a coleta de plantas, animais e de solo. 171 Como já discutido, a organização do trabalho em campo exige algumas previ- sões antecipadas. O primeiro passo é o planejamento, em que se faz a previsão do trabalho, indispensável ao sucesso da atividade. Ao ser definido o objetivo, é necessário, entre outras medidas: Após finalizada a atividade de campo, aqui no caso a excursão, os alunos, sob a orientação do professor, irão trabalhar com os materiais coletados, os registros efetuados, por meio de fotos, vídeos, desenhos e até as referências teóricas dis- poníveis, para consolidar suas aprendizagens. Os alunos examinam, comparam, discutem e comunicam suas observações, preparam seus relatos e a forma de socializar seus conhecimentos. Fica uma reflexão: será que a simples manipulação de materiais ou aulas práticas são capazes de construir conhecimento? O que fazer depois das experiências ou visitas para que o aluno se aproprie do conhecimento científico? PENSANDO JUNTOS O trabalho de campo, por ser capaz de proporcionar aos alunos interesse, moti- vação e compreensão dos fenômenos, deve ser adotado pelas escolas de forma a contribuir para o sucesso no ensino das ciências e também uma prática escolar que facilita a compreensão do mundo natural. É, caro(a) aluno(a), que unidade intensa não? Ela realmente faz jus ao nome, mas não pense que acabou, você se recorda quando discutimos sobre o papel da ludicidade em sala de aula, nós mencionamos que, ao término da unidade, traríamos algumas sugestões de jogos, experimentos e atividades práticas? Pois bem, este momento chegou, esperamos que aproveite, pois todas as atividades aqui sugeridas foram preparadas com muito carinho e estão baseados na BNCC. UNICESUMAR UNIDADE 5 172 TÍTULO: Tá quente ou tá frio? TIPO DA ATIVIDADE: Experimento OBJETIVO: Identificar os estados líquido e gasoso da água e perceber os efeitos da mudança de temperatura. UNIDADE TEMÁTICA: Matéria e Energia MATERIAIS: • Água gelada e água quente. • Bexiga. • Folha de papel sulfite com tamanho A4. • Garrafas plásticas vazias e sem rótulos. • Gelo. • Lápis preto. • Recipientes médios. EXECUÇÃO: Coloque sobre uma mesa uma vasilha cheia de água gelada e outra com água quente. Entregue uma bexiga e uma garrafa plástica para cada aluno. Oriente-os a colocar o balão, ainda vazio, no gargalo da garrafa. Então, mergulham a base dela na água quente e deixam-na naquele local por 10 minutos. Eles verificarão que a bexiga começará a encher. Depois, instrua as crianças a colocar a mesma garrafa na água gelada. Elas irão observar que o balão começará a esvaziar. Isso ocorre por- que o ar quente que já estava no interior da garrafa vai se expandindo, fazendo com que a bexiga encha e, quando esfria, o balão murcha. Peça que relatem ou escrevam o que observaram. Acesse o QR Code para assistir ao vídeo contendo esse experimento. 173 TÍTULO: Os microrganismos existem? TIPO DA ATIVIDADE: Experimento OBJETIVO: Demonstrar a existência de microrganismos (fun- gos e bactérias) em diversos ambientes por meio de cultura simples. UNIDADE TEMÁTICA: Vida e Evolução MATERIAIS: • Água quente. • Copinhos de café descartáveis. • Gelatina incolor. • Cotonetes. • Caixa de sapatos. EXECUÇÃO: Inicialmente, deve-se dissolver a gelatina incolor na água quen- te e, após um leve resfriamento, encher os copinhos com a solução (gelatina). Depois de fria e com a gelatina sólida, pedir para que cada aluno pegue um copinho e 1 cotonete. Em se- guida solicitar que cada aluno esfregue 1 lado do seu cotonete em qualquer lugar para verificar a existência de microrganis- mos, em seguida esfregar sutilmente a parte “suja” do cotone- te sobre a gelatina, nomear os copinhos, acondicioná-los em uma caixa de sapato e aguardar sete dias. Após os sete dias, verificar os microrganismos que se desenvolveram naquele meio de cultura, explanar e sensibilizar sobre a importância de se lavar as mãos constantemente, bem como provar a existên- cias de organismos vivos que muitas vezes não são possíveis verificar a olho nú em um primeiro momento. Acesse o QR Code para assistir ao vídeo contendo esse experi- mento. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13396 UNIDADE 5 174 TÍTULO: Gnômon-Relógio de Sol TIPO DA ATIVIDADE: Atividade Prática OBJETIVO: Compreender a marcação do tempo, por meio da movimenta- ção dos astros. UNIDADE TEMÁTICA: Terra e Universo MATERIAIS: • Vareta de madeira. • Lápis ou canetinha. • Cartolina branca. • Sol. EXECUÇÃO: Para dar início a esta atividade, deve-se, antes, selecionar um local lim- po sem muitas árvores ao redor; após selecionado o local pelo docente, ele deve esticar a cartolina branca no solo e perfurar no centro com a vareta de madeira demodo que esta fique firme, sugere-se apoiar tijolos ou quaisquer materiais pesados nos quatro cantos da cartolina, para que esta não voe com o passar das horas. Depois de montado a parte inicial da atividade, marca-se com a canetinha ou lápis a região onde a sombra da vareta está tocando na cartolina, peça para que as crianças vejam bem e retorne de hora em hora ou escolha intervalos maiores. Note que a sombra se movimenta indicando que o tempo está passando à medida que a terra se desloca em seu próprio eixo, mo- vimento este conhecido como rotação. Indica-se, para esta atividade, realizar questionamentos para os alunos, tais como: por que a sombra se moveu? O que é o tempo? A sombra se deslocou rapidamente ou lentamente? A partir das respostas dadas pelos alunos, sugere-se discu- tir sobre o conteúdo científico propriamente dito. Acesse o QR Code para assistir ao vídeo con- tendo esse experimento. 175 Há uma variedade de jogos e brincadeiras que você pode conhecer e adaptar para o ensino de ciências, tais como quebra-cabeça, cruzadinhas, caça-palavras, jogos de perguntas e respostas, bingos e jogos de tabuleiro. O que vale é a criatividade e, muitas vezes, colocar os alunos para confec- cionarem e criarem seus próprios jogos. Vamos ver alguns exemplos de jogos aplicáveis no ensino de Ciências? UNICESUMAR UNIDADE 5 176 TÍTULO: Descobrindo as partes do corpo humano TIPO DA ATIVIDADE: Jogos Online OBJETIVO: Identificar as partes do corpo que compõem os membros superiores e inferiores do corpo humano. UNIDADE TEMÁTICA: Vida e Evolução MATERIAIS: • Acesso à Internet. • Smartphone, tablet ou computador. • Acessar o seguinte site: https://bit.ly/3qNdiTZ EXECUÇÃO: Este jogo é indicado, preferencialmente, para a educação infantil, pois permite que a criança veja, ouça e desenvolva a coordenação motora fina ao selecionar as partes do corpo que deseja descobrir. Ao iniciar o jogo, uma voz cederá um comando para que o aluno clique na parte do corpo que deseja revelar, cada parte do corpo corresponde a uma estrela, vence o jogador que alcançar todas as estrelas. Acesse o QR Code para assistir ao vídeo con- tendo este experimento. https://bit.ly/3qNdiTZ 177 Descobrindo as partes do corpo humano Guardiões da água UNICESUMAR UNIDADE 5 178 TÍTULO: Guardiões da água TIPO DA ATIVIDADE: Jogos de tabuleiro OBJETIVO: Identificar as partes do corpo que compõem os membros superiores e inferiores do corpo humano. UNIDADE TEMÁTICA: Vida e Evolução ou Matéria e Energia MATERIAIS: • Tabuleiro impresso disponível, acessando o QR Code a seguir: • 1 dado. • Peças para simbolizar os jogadores no jogo (tampinhas, peões ou até bonequinhos). • Premiação para o vencedor (opcional). EXECUÇÃO: Este jogo é indicado, preferencialmente, para crianças do 3º, 4º e 5º anos dos anos iniciais, por conter instruções onde a leitura e interpretação se fazem necessárias. O principal objetivo deste jogo de tabuleiro é trabalhar o consumo consciente d’água, bem como traz consigo nuances e conceitos de preservação e curiosidades ambientais. Com a capacidade máxima de 5 jogadores por rodada, indica-se separar os alunos em grupos de até cinco pessoas para que toda a sala possa jogar simultaneamente. No que diz respeito às regras, são simples, cada aluno poderá andar o número de casa que o dado, após lançado, indicar e em seguida ler a informação presente na casa, se houver, e realizar o comando solicitado, vence o jogador que alcan- çar o ponto de chegada primeiro. Ficou curioso sobre o tema? Quer criar o seu próprio jogo de tabuleiro, acesse o QR Code e descubra como. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14668 179 É caro(a), aluno(a), chegamos, enfim, ao final de nossa última unidade do li- vro de Metodologia do Ensino de Ciências, esperamos que possa ter percebido que o título dessa unidade faz uma alusão de que, na sala de aula, não acontece nenhum tipo de magia e sim muito esforço, preparação e dedicação para que o conhecimento científico possa alcançar nossos alunos e que por eles sejam sistematizados; a única magia que possamos de fato salientar é o sentimento de dever cumprido quando um aluno ressalta aquela famosa fala “aaaahhh entendi professor!” – de fato, esse sentimento é mágico. Entretanto, tudo o que até agora assinalamos sobre o ensino das Ciências que vise à eficácia e à adequação aos nossos tempos infere algumas considerações. Uma das primeiras é que o conhecimento acontece como um todo e que se o fragmentamos é apenas para facilitar o entendimento. Outro ponto de destaque é que a escola deve preparar o aluno para as diversas situações da vida, para tanto, faz-se necessário a utilização de diferentes métodos e estratégias para o desempenho do processo de ensino-aprendizagem interligando os conteúdos abordados em sala de aula às vivências dos alunos. Neste contexto, o trabalho prático tem grande importância no ensino de Ciências e deve proporcionar aos estudantes momentos de inquietação diante do desconhecido. As atividades experimentais devem ser organizadas levando em consideração o conhecimento prévio dos alunos e isso não significa aceitar que nenhum conhecimento seja assimilado por si só, mas deve ser construído ou reconstruído pela estrutura dos conceitos já existentes. Os caminhos para essa construção são a discussão e o diálogo que assumem um papel importante e as atividades experimentais combinando ação e reflexão. Portanto, fica evidente que quanto mais nos conscientizamos da reali- dade que ora vivemos na prática educacional, mais nos aproximamos da realização de nossos objetivos enquanto docentes e informamos de forma clara a nossa metodologia. UNICESUMAR Chegou a hora de colocar aquele seu conhecimento em prática novamente, po- rém pela última vez em nosso material. Para darmos início a este momento tão importante, gostaríamos que realizasse um mapa da empatia e nele expusesse um pouquinho de seus sentimentos sobre o tema experimentação, de modo que consiga expressar os pontos destacados na imagem a seguir. 181 1. As diferentes propostas de ensino-aprendizagem reconhecem, hoje, que os mais variados valores humanos não são alheios ao aprendizado científico e que a Ciência deve ser apreendida em suas relações com a Tecnologia e com as demais questões sociais e ambientais. Sendo assim, justifique por que os conhecimentos científicos devem ser elaborados em conexão com a tecnologia, meio ambiente e sociedade. Exemplifique. 2. No contexto das investigações em ensino das Ciências, uma forte influência são as re- lações que os alunos possuem frente sua realidade. As oportunidades de “conversação e argumentação são procedimentos que auxiliam nesse desenvolvimento” (CARVALHO, 2007, p. 16). Explique como os professores podem possibilitar esses momentos de interação e troca a partir de experiências feitas em sala de aula? 3. Segundo Gasparin (2007), alguns elementos da prática pedagógica podem e devem ser valorizados no ensino de Ciências, dentre eles, pode-se elucidar: a abordagem problematizadora; a relação _____________________ entre o teórico e o prático; a relação Interdisciplinar dos conteúdos; a pesquisa; a leitura científica; a atividade em grupo; a observação; a atividade experimental; os recursos instrucionais e o forte papel que a _________________________ exerce sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental. Diante do exposto e com base em sua leitura sobre os elementos que contribuem para uma boa prática pedagógica no ensino de Ciências, na sequência, assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas. a) Manual; materialidade. b) Contextual; ludicidade. c) Paradidática; veracidade. d) Fiscalizadora; subjetividade. e) Experimental; interdisciplinaridade. 182 4. Em meio aos nossos estudos frente à presente unidade, tivemos a oportunidade de compreender a importância da experimentação em sala de aula. Nesta perspectiva, as atividades experimentais propostas pelo docente atuamcomo uma importante ferramenta de ensino capaz de fomentar o interesse de nossos estudantes e também criar momentos de investigação. Considerando o tema sobre as atividades experimentais e sua importância, analise as asserções a seguir: I - As atividades experimentais podem contribuir para a superação de obstáculos na aprendizagem de conceitos científicos, não somente por proporcionar inter- pretações e confrontos de ideias entre os estudantes, mas também por levar ao docente a compreender noções investigativas. PORQUE II - O mais importante é que as práticas proporcionem discussões, interpretações e se relacionem aos conteúdos trabalhados em sala. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifi- cativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 183 UNIDADE 1 ALFONSO-GOLDFARB, A. M. O que é história da ciência. São Paulo: Brasiliense, 1994. ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. EDUC, São Paulo, v. 9, n. 2, 2017. BACHELARD, G. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do co- nhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. BARBALHO, J. de O. O sacerdote e a cidade. 2008. 141 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Pon- tifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008. BRASIL. 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A história da ciência está ligada não só ao conhecimento científico, mas também às téc- nicas e experiências anteriores pelas quais esse conhecimento é produzido, as tradições de pesquisa que o produzem e as instituições que as apoiam (KNELLER, 1980 apud PA- RANÁ, 2008, p. 43). Nesse contexto, entender a Natureza, interpretá-la e compreendê-la significa identificar as diferentes formas de pensar, nos diversos momentos históricos, e identificar que esta atua como uma construção histórica e humana. 2. O homem do século XXI se vê confrontado por si mesmo, ao não mais “saber fazer” diante de tanto saber e poder. É um tanto quanto paradoxal saber que a ciência, aliada à tecnologia, formam um par para salvar tantas vidas, mas, ao mesmo tempo, as colocam em xeque-mate ou as extingue. 3. C. Pois, o período marcado pelo novo espírito científico marca um momento histórico de constante produção científica, artigos, livros, teorias, entre outros que, por sua vez, fomentam, impulsionam e influenciam o avanço tecnológico. 4. E. Pois, todas as frases indicam movimentos sociais importantes na história da huma- nidade e, com toda certeza, influenciaram o ensino mediante seu contexto. 5. Atividade de resposta individual e pessoal, contudo, espera-se que o aluno possa expressar: • O que pensa e sente? Espera-se, neste campo, que o discente exprima senti- mentos como tristeza, felicidade, esperança entre outros sobre o tema, justifi- cando a escolha do sentimento. • O que ouve? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que ele geralmen- te ouve sobre o tema e traga expressões do seu dia a dia, tal como “precisa ser um gênio para ser professor de Ciências”, entre outras, não esquecendo de justificar. • O que vê? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que geralmente vê sobre o tema e traga expressões, reportagens do seu dia a dia ou que ele teve conhecimento de por algum instrumento midiático, não esquecendo de justificar. • O que fala e faz? Espera-se que o discente exprima o que geralmente faz ou possa vir a fazer sobre o tema, trazendo ações práticas e pontuais que ele, como indivíduo, possa realizar no presente ou no futuro, não esquecendo de justificar. • Quais são as dores? Espera-se, neste campo, que o discente expresse as suas dores, lamentos e preocupações sobre o tema, pontuando seus sentimentos, por meio de frases, situações e exemplos, não esquecendo de justificar. • Quais são as necessidades? Espera-se que o discente discorra acerca de quais as necessidades, o que o ensino de Ciências precisa nestas etapas da Educação Básica, trazendo ações práticas e pontuais que possam ser realizadas no pre- sente ou no futuro, não esquecendo de justificar. 192 UNIDADE 2 1. C. Para que o aluno consiga superar obstáculos conceituais, o discente precisa de- senvolver processos procedimentais e atitudinais, fazendo dos conceitos científicos aprendidos algo significativo no seu cotidiano. 2. D. O que representa a distância entre o que o estudante já sabe e consegue efetiva- mente fazer ou resolver por ele mesmo é o nível de desenvolvimento real. 3. B. Pois apresenta a sequência que representa os níveis do conhecimento e seus cam- pos de atuação solicitados, em que o Orgânico diz respeito aos estudos da Ciências Biológicas, o superorgânico relacionado aos estudos das Ciências Sociais e o Inorgânico baseado na interação com a matéria, ou seja, o campo das Ciências Físicas. O homem do século XXI se vê confrontado por si mesmo, ao não mais “saber fazer” diante de tanto saber e poder. É um tanto quanto paradoxal saber que a ciência alia- da à tecnologia forma um par para salvar tantas vidas, ao mesmo tempo em que as coloca em xeque-mate ou até mesmo as extingue. 4. Há, pelo menos, dois tipos de opiniões difundidas sobre a ciência: para alguns, é uma “força de progresso, fonte de benefício para a humanidade, como necessária e boa” (ANDERY, 1988, p. 435). Para outros, é “uma força de opressão, de destruição do homem e da natureza, como necessariamente perigosa e má” (ANDERY, 1988, p. 435). E nada melhor para ilustrar esse pensamento do que os benefícios e malefícios da energia nuclear para a humanidade. 5. Atividade é de caráter individual e pessoal, contudo, espera-se que o(a) aluno(a) possa expressar: • O que pensa e sente? Espera-se, neste campo, que o discente disserte senti- mento tais como medo, dificuldade e complexo. • O que ouve? Espera-se, neste campo, que o discente continue nas perspectivas dos sentimentos e traga frases como: é um processo de muitas etapas, possui várias fases complexas e uma sequência difícil. • O que vê? Espera-se, neste campo, que o discente traga expressões como: não se pode ver, pois é um processo mental, uma sequência evolutiva ou, até mesmo, uma situação vista em algum tipo de mídia geralmente sem justificativa. • O que fala e faz? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que ge- ralmente ele faz ou possa vir a fazer sobre o tema, trazendo ações práticas e pontuais, não esquecendo de justificar. • Quais são as dores? Espera-se, neste campo, que o discente retorne aos senti- mentos destacados no primeiro bloco, os complemente discutindo sobre suas 193 dores, lamentos e preocupações sobre o tema, pontuando seus sentimentos, por meio de frases, situações e exemplos. • Quais são as necessidades? Espera-se, neste campo, que o discente discorra acerca da necessidade de superação de obstáculos para que o aluno possa formar um conhecimento científico coeso. UNIDADE 3 1. D. Justifica uma alternativa correta, tendo em vista que o deve romper com as visões simplistas e reducionistas de mundo, de modo a contribuir para um aprendizado de conceitos, procedimentos, atitudes e valores, que auxiliem o discente a compreender o mundo em que vive sem esquecer de respeitar a maturidade intelectual e cognitiva do aluno, logo as duas sentenças iniciais sãoverdadeiras. 2. D. Justifica uma alternativa correta, pois, ao se estudar a história, é possível visitar e reviver o passado, verificando os obstáculos que os conhecimentos científicos percorreram para serem considerados válidos, analisando erros, acertos e pos- sibilitando com que os alunos vivenciem o contexto ao qual aquele conteúdo científico foi desenvolvido. 3. A. Justifica uma alternativa correta, pois é por meio da Educação Ambiental que estu- dantes e não estudantes podem vivenciar conhecimentos que permitem a reflexão e sensibilização diante de temas de preocupação global, dentre eles a sustentabilidade, gerando aprendizado e possibilitando sua disseminação. 4. Considera-se que a história da ciência contribui para a melhoria do ensino de Ciências porque propicia melhor integração dos conceitos científicos escolares, prioritariamen- te sob duas perspectivas: como conteúdo específico em si mesmo; e como fonte de estudo que permite ao professor compreender melhor os conceitos científicos, assim, enriquecendo suas estratégias de ensino. A história da ciência contribui, ainda, para contrabalançar os aspectos puramente técnicos de uma aula, destacando o período e contexto em que aquele conceito foi construído, complementando-o como um estudo de aspectos sociais, humanos e culturais. 5. Atividade é de resposta de caráter individual e pessoal, contudo espera-se que o aluno possa expressar: • O que pensa e sente? Espera-se, neste campo, que o discente disserte senti- mento tais como; esperança, potencialidade, capacidade e medo. • O que ouve? Espera-se, neste campo, que o discente continue nas perspecti- vas dos sentimentos e traga frases como: “é um processo necessário e muito importante, de realização complexa”. 194 • O que vê? Espera-se que o discente traga expressões como: coleta seletiva, reciclagem e trilhas ecológicas. • O que fala e faz? Espera-se que o discente exprima o que geralmente ele faz ou possa vir a fazer sobre o tema, trazendo ações práticas e pontuais, não esquecendo de justificar. • Quais são as dores? Espera-se, neste campo, que o discente retorne aos sen- timentos destacados no primeiro bloco, os complemente discutindo sobre suas dores, lamentos, anseios e preocupações sobre o tema, pontuando seus sentimentos, por meio de frases, situações e exemplos. • Quais são as necessidades? Espera-se que o discente discorra acerca da ne- cessidade de superação de obstáculos para que o aluno possa formar um conhecimento científico coeso. UNIDADE 4 1. Atividade de resposta individual e pessoal, contudo espera-se que o aluno possa expressar: • O que pensa e sente? Espera-se que o discente exprima sentimentos como tristeza, felicidade, esperança entre outros sobre o tema, justificando a escolha do sentimento. • O que ouve? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que geralmente ele geralmente ouve ou até mesmo não ouve sobre o tema e traga expressões como: precisa começar cedo, ensinar a ler e escrever sobre Ciências, é uma tarefa árdua. • O que vê? Espera-se que o discente exprima o que geralmente ele vê sobre o tema e traga expressões, reportagens do seu dia a dia ou que ele teve conhe- cimento de por algum instrumento midiático, não esquecendo de justificar. • O que fala e faz? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que geral- mente ele faz ou possa vir a fazer sobre o tema, trazendo suas ações práticas e pontuais e direcionadas, sendo capaz de desenvolvê-las no presente ou no futuro, não esquecendo de justificar. • Quais são as dores? Espera-se, neste campo, que o discente expresse as suas dores, lamentos e preocupações sobre o tema, pontuando seus sentimentos, por meio de frases, situações e exemplos, não esquecendo de justificar. • Quais são as necessidades? Espera-se que o discente discorra sobre o que é necessário para que a alfabetização científica possa ocorrer nos anos iniciais, destacando o papel da experimentação e de um ensino que estimule a pesquisa e a aplicação de conceitos no cotidiano discente. 2. As experiências devem ser oportunidades de modo que fomentem a participação ativa dos alunos na construção dos conhecimentos científicos. As etapas do conheci- mento físico propostas por Carvalho (2007) atuam como um excelente aporte teórico e servem de apoio para discutir essa aplicação. 195 3. D. Pois ela engloba as afirmativas I, III e IV. Essas afirmações são verdadeiras, porque a Ciência só se desenvolve quando atende a necessidade da sociedade ou quando responde a uma inquietação humana, logo, seu ensino pode ocorrer em qualquer ambiente, vislum- brar o contexto do aluno, atender as necessidades práticas e desenvolver competências. 4. B. Pois apresenta corretamente a sequência proposta por Carvalho (2007) para que ocor- ra uma aula de cunho experimental, conforme descrito no decorrer de nossa unidade. 5. A Problematização pode ser definida como uma questão provocativa capaz de rela- cionar o conhecimento prévio do aluno e o conteúdo científico propriamente dito, criando no discente a necessidade para que este possa pôr em ação seus conheci- mentos. Dessa forma realizando a Prática Social final que implica em uma mudança de conduta, provocada pela compreensão dos novos conhecimentos adquiridos ao responder a questão inicial, ou seja, significa uma nova ação mental. UNIDADE 5 1. Atividade de resposta individual e pessoal, contudo espera-se que o aluno possa expressar: • O que pensa e sente? O aluno poderá expor sentimentos como tristeza, feli- cidade, esperança, entre outros sobre o tema, justificado sobre lembranças e experiências vividas anteriormente. • O que ouve? Espera-se que o discente discorra sobre a dificuldade em se realizar experimentos em sala de aula, devido a desconhecimento aprofundado sobre o tema ou ausência de infraestrutura. • O que vê? Espera-se, neste campo, que o discente exprima o que geralmente vê sobre o tema, tal como o estereótipo de cientista ou ausência de infraestrutura para desenvolvimento da prática escolar. • O que fala e faz? Espera-se que o discente traga algumas ações experimentais ao qual seja capaz de desenvolver com os futuros alunos. • Quais são as dores? Espera-se, neste campo, que o discente expresse as suas dores, lamentos e preocupações sobre o tema, pontuando seus sentimentos, não esquecendo é claro, de justificar. • Quais são as necessidades? Espera-se que o discente discorra sobre o que é necessário que ocorra na experimentação, destacando materiais e conheci- mentos específicos. 2. Os conhecimentos são elaborados a partir de diferentes relações que o aluno faz no seu dia a dia. No entanto, na escola, esses conhecimentos devem estar integrados com os blocos de conteúdos que transitam entre si, como no caso da tecnologia e meio ambiente. Ao mesmo tempo em que o homem transforma o ambiente com a 196 tecnologia, ele se beneficia com o resultado proveniente desta tecnologia. Exemplo: a contaminação do solo pela agricultura e os alimentos decorrentes deste processo para a qualidade de vida. 3. As experiências devem ser oportunidades em que os alunos participem ativamente na construção dos conhecimentos científicos discutindo, questionando e incitando a construção de relações que estes estabelecem entre seus conhecimentos prévios, o conhecimento teórico e o conceito na prática. Nesta perspectiva, uma excelente oportunidade para permitir que ocorra momentos de interação e troca entre eles, é possibilitar que a experiência seja realizada em grupos de, no máximo, 4 pessoas e, se possível, solicitar que compartilhem o aprendizado desenvolvido com a turma. 4. B. Justifica-se como correta, pois, segundo o autor, a abordagem problematizadora se caracteriza por ser uma relação contextual entre o teórico e o prático, destacando as relações que o aluno realiza frente o abstrato e o concreto. Nesta perspectiva, as atividades de cunho lúdico exercem uma forte influência, sobretudo, nos anos iniciaisdo ensino fundamental, pois podem atuar como ponte entre conteúdos teóricos e concretos. 5. B. Justifica-se como correta, tendo em vista que ambas as asserções trazem consigo proposições consideradas verdadeiras no que tange atividades experimentais e sua importância. Contudo, as discussões e interpretações, propostas pelas atividades práticas sobre os conteúdos vigentes em sala de aula, sozinhas, não justificam a compreensão das noções investigativas que o ensino de Ciências pode proporcionar ao docente, bem como sem um objetivo claro contribuem para a superação de obs- táculos na aprendizagem de conceitos científicos para com os estudantes. Resgate Histórico do Ensino das Ciências Físico-naturais no Brasil e no Mundo Reflexões Sobre o Ensino de Ciências Professor-Aluno e a Dinâmica da Aprendizagem O Ensino de Ciências, Pressupostos Educacionais para Educação Infantil e Anos Iniciais A Sala se Aula: Onde a “Magia” Acontece! _p2tsqr5kl96e _GoBack Button 14: https://apigame: unicesumar: edu: br/qrcode/9408: Button 16: Página 9: Botão 21: Botão 22: Botão 31: Button 25: Botão 40: Botão 43: Botão 38: Botão 41: Botão 42: Botão 45: