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2013
Contabilidade Geral
 Prof. Osir Afonso Tessari
Copyright © UNIASSELVI 2013
Elaboração:
 Prof. Osir Afonso Tessari
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
657
T338c Tessari, Osir Afonso
 Contabilidade geral / Osir Afonso Tessari, Indaial : Uniasselvi, 
2013.
 
 187 p. : il
 
 ISBN 978-85-7830-802-5
 1. Contabilidade.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
III
apresentação
A partir de agora, estudar contabilidade geral torna-se um desafio. 
Esse desafio será estimulante dentro de uma sistemática diferente de estudar 
e aprender. Certamente, com a sistemática de educação a distância, estaremos 
construindo conhecimentos de maneira empreendedora e, ao mesmo tempo, 
contribuindo para transformar nossa localidade, nossa cidade, nosso estado e 
nosso país num lugar bom para se viver.
A contabilidade é um instrumento fundamental para auxiliar a 
administração moderna e tem como objetivo principal gerar informações para 
embasar as decisões a serem tomadas. Para isso, a contabilidade dispõe de 
recursos que permitem a identificação, o registro, a mensuração e possibilita 
a análise dos eventos econômicos que alteram o patrimônio de uma entidade. 
Uma organização, que não possui um sistema contábil que seja eficaz na 
evidenciação das reais oscilações de sua riqueza, não estará apta a garantir 
sua continuidade no mundo empresarial.
Da mesma forma, a contabilidade é importante não apenas no 
ambiente empresarial, mas também é útil para as pessoas que dirigem 
qualquer empreendimento, ou tomam decisões importantes no dia a dia, 
pois a contabilidade dispõe de recursos que permitem analisar relatórios com 
informações que irão auxiliar no processo decisório.
A Contabilidade é a ciência que avalia e mensura a riqueza das 
empresas ou das pessoas, proporcionando informações corretas e confiáveis 
para a tomada de decisões. A contabilidade geral, como disciplina, é 
importante para a formação de gestores que futuramente irão tomar decisões 
e dar novos rumos às empresas as quais irão dirigir.
Para que o desafio de estudar contabilidade geral se torne prazeroso, 
iremos utilizar neste caderno uma linguagem simples e lógica, com uma 
metodologia diferenciada, em que cada tópico estudado seja comparado à 
construção de um degrau de uma grande escada. Assim, no final do Caderno, 
cada acadêmico(a) terá construído a sua grande escada do conhecimento 
contábil. 
Então, vamos ao desafio e desde já desejo bons estudos contábeis a 
todos.
Prof. Osir Afonso Tessari
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
UNI
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1: A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS ...................................... 1
TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE ............................................................. 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 A ORIGEM DA CONTABILIDADE ................................................................................................ 3
3 CONCEITO ........................................................................................................................................... 4
4 CAMPO DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL ..................................................................................... 6
5 OBJETO E FINALIDADE DA CONTABILIDADE ....................................................................... 8
6 OS INTERESSADOS NAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS ....................................................... 11
7 A ENTIDADE CONTÁBIL ................................................................................................................ 13
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 16
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 17
TÓPICO 2: PATRIMÔNIO .................................................................................................................... 19
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 19
2 CONCEITO DE PATRIMÔNIO ........................................................................................................ 20
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 25
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 26
TÓPICO 3: O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO ................................................. 27
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 27
2 ATIVO .................................................................................................................................................... 27
3 PASSIVO ............................................................................................................................................... 29
4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO .................................................................................................................. 31
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 35
5 OS DIVERSOS ESTADOS PATRIMONIAIS ................................................................................ 36
5.1 SITUAÇÃOLÍQUIDA POSITIVA ................................................................................................ 36
5.2 SITUAÇÃO LÍQUIDA NEGATIVA .............................................................................................. 37
5.3 SITUAÇÃO LÍQUIDA NULA ....................................................................................................... 38
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 39
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 43
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 44
TÓPICO 4: CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS .......................................... 45
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 45
2 A CONSTITUIÇÃO DE UMA EMPRESA ...................................................................................... 45
3 CONTABILIZANDO AS OPERAÇÕES DE UMA EMPRESA ................................................... 46
3.1 CONTABILIZANDO A CRIAÇÃO DA EMPRESA ................................................................... 46
3.2 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE IMÓVEL .................................................................. 47
3.3 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS ........................................................... 48
3.4 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE MÓVEIS E UTENSÍLIOS ...................................... 49
3.5 CONTABILIZANDO A VENDA DE UM BEM .......................................................................... 50
3.6 CONTABILIZANDO O PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA ..................................................... 51
3.7 CONTABILIZANDO O RECEBIMENTO DE UM DIREITO ................................................... 52
sumário
VIII
4 CONCEITO DE CAPITAL ................................................................................................................. 53
4.1 CAPITAL SOCIAL .......................................................................................................................... 53
4.2 CAPITAL PRÓPRIO ....................................................................................................................... 53
4.3 CAPITAL DE TERCEIROS ............................................................................................................ 53
4.4 CAPITAL TOTAL À DISPOSIÇÃO DA EMPRESA ................................................................... 54
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 55
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 56
UNIDADE 2 – A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS ........... 61
TÓPICO 1: A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL ...................................................... 63
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 63
2 O BALANÇO PATRIMONIAL E SUA ESTRUTURA .................................................................. 64
3 AS CONTAS .......................................................................................................................................... 68
4 O PLANO DE CONTAS ..................................................................................................................... 69
5 A ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTAS ................................................................................ 70
6 CONTAS SINTÉTICAS E ANALÍTICAS ....................................................................................... 78
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 79
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 80
TÓPICO 2: RAZONETES E AS PARTIDAS DOBRADAS ............................................................. 81
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 81
2 RAZONETES ........................................................................................................................................ 81
3 PARTIDAS DOBRADAS ................................................................................................................... 82
3.1 REGRA PARA AS CONTAS DO ATIVO ..................................................................................... 82
3.2 REGRA PARA AS CONTAS DO PASSIVO ................................................................................. 83
3.3 REGRA PARA AS CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ..................................................... 83
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 87
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 88
TÓPICO 3: AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS 
RESULTADOS ......................................................................................................................................... 91
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 91
2 RECEITAS E DESPESAS .................................................................................................................... 91
3 ENCERRAMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO ................................................................. 97
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 103
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 104
TÓPICO 4: ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS ......................................................................... 107
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 107
2 ATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................................. 107
3 FATOS ADMINISTRATIVOS ........................................................................................................... 108
3.1 FATOS PERMUTATIVOS ............................................................................................................... 109
3.2 FATOS MODIFICATIVOS ............................................................................................................. 111
3.3 FATOS MISTOS ............................................................................................................................... 113
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 115
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 119
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 120
UNIDADE 3 – ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E 
VENDA DE MERCADORIAS ..............................................................................................................123
TÓPICO 1: ESCRITURAÇÃO .............................................................................................................. 125
IX
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 125
2 LIVROS UTILIZADOS NA ESCRITURAÇÃO ............................................................................. 125
2.1 LIVRO DIÁRIO ............................................................................................................................... 126
2.2 LIVRO RAZÃO ............................................................................................................................... 127
3 MÉTODO DE ESCRITURAÇÃO ..................................................................................................... 128
4 LANÇAMENTOS CONTÁBEIS ....................................................................................................... 128
4.1 FÓRMULAS DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS ..................................................................... 130
4.1.1 Primeira fórmula .................................................................................................................... 131
4.1.2 Segunda fórmula .................................................................................................................... 131
4.1.3 Terceira fórmula ..................................................................................................................... 132
4.1.4 Quarta fórmula ....................................................................................................................... 133
5 CONTABILIZAÇÃO DE JUROS E DESCONTOS ........................................................................ 133
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 139
TÓPICO 2: INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE .......................................................... 145
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 145
2 INVENTÁRIO PERIÓDICO .............................................................................................................. 145
2.1 APLICAÇÃO DA FÓRMULA DO CMV ..................................................................................... 146
2.2 CONTABILIZAÇÃO PELO INVENTÁRIO PERIÓDICO ........................................................ 148
2.3 CONTABILIZAÇÃO DO CMV, RCM E RESULTADO: PASSO A PASSO ............................. 149
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 152
3 INVENTÁRIO PERMANENTE ........................................................................................................ 156
3.1 PEPS .................................................................................................................................................. 156
3.2 UEPS ................................................................................................................................................. 161
3.3 MÉDIA PONDERADA MÓVEL ................................................................................................... 165
4 COMPARAÇÃO ENTRE OS TRÊS MÉTODOS ........................................................................... 169
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 172
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 174
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 175
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 185
X
1
UNIDADE 1
A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E 
AS CONTAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade você estará apto(a) a:
• compreender o conceito de Contabilidade, bem como a sua aplicabilidade;
• conhecer, compreender e identificar o patrimônio das entidades;
• interpretar as mutações ocorridas no patrimônio das entidades por diver-
sas operações contábeis.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos e neles você encontrará os 
conceitos básicos da contabilidade, bem como exercícios de fixação que serão 
desenvolvidos em cada tópico.
TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE
TÓPICO 2 – PATRIMÔNIO
TÓPICO 3 – O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
TÓPICO 4 – CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
Assista ao vídeo 
desta unidade.
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 
NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico daremos os primeiros passos no aprendizado da 
contabilidade. Para isso se faz necessário conhecermos os conceitos básicos desta 
ciência, desde a sua origem, sua finalidade, seus objetivos e quem são os maiores 
beneficiados pelo seu uso.
Vamos notar que a contabilidade está presente em todos os momentos 
de nossa vida, acima de tudo quando necessitamos tomar decisões importantes, 
dando rumos diferentes a questões em que são necessárias tais decisões.
2 A ORIGEM DA CONTABILIDADE
A origem da contabilidade é muito antiga. Costuma-se dizer que a 
contabilidade é tão antiga quanto a origem do homem. A contabilidade, na sua 
forma rudimentar, era utilizada pelo homem pré-histórico. Naquele tempo, o 
registro das coisas que possuía – como, por exemplo, seu rebanho de ovelhas – 
era feito pela associação da quantidade de animais possuídos pela quantidade de 
pedras. O homem possuía em suas mãos uma pedra para cada animal que havia 
sido levado ao pasto. Ao retornar, verificava se a quantidade de pedras conferia 
com a quantidade de animais, podendo então checar se algum animal havia se 
perdido. Assim o homem pré-histórico conseguia quantificar e controlar a sua 
riqueza, o seu patrimônio.
A contabilidade moderna nasceu no norte da Itália, provavelmente 
durante os séculos XII e XIV. Datam dessa época diversos registros semelhantes 
aos verificados na contabilidade moderna. 
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
4
Consolidou-se pelo trabalho elaborado pelo frade franciscano, 
matemático, teólogo e contabilista Frei Luca Pacioli, que publicou na Itália, em 
1494, um tratado sobre contabilidade que ainda hoje é de grande utilidade no 
meio contábil. Trata-se do método das partidas dobradas. Sabe-se que frei Luca 
não foi o inventor do método, ele apenas descreveu uma metodologia já em uso 
na Itália, pelo menos um século antes. 
A grande importância da obra de Frei Luca está em reconhecer o método 
como o ideal para a escrituração, além do que, em sua obra há toda uma preocupação 
em sistematizar os conceitos e instrumental contábil para o registro e controle do 
patrimônio. 
Assim, dessa época até o século XX a Europa foi o centro dos estudos 
contábeis. Nessa fase, a contabilidade buscava melhorar a forma de representar 
a situação das empresas, embora não houvesse muita preocupação com o 
usuário externo da informação, pois a informação era restrita ao proprietário do 
empreendimento.
O desenvolvimento da contabilidade foi notório com a ascensão econômica 
norte-americana num período recente, principalmente após a grande crise 
econômica de 1929, onde muitas empresas vieram a sucumbir. Após esse período, 
com a ascensão cultural e econômica, o crescimentodo mercado de capitais, da 
auditoria, houve a preocupação de tornar a contabilidade um mecanismo útil 
para a tomada de decisões, devido à necessidade de trazer informações às pessoas 
que investiam nesse mercado. Assim, a contabilidade evoluiu muito, com o 
desenvolvimento de pesquisas, com a busca de maior quantidade de aplicações 
das teorias desenvolvidas e de um sistema de regulamentação que dita normas 
com as quais a contabilidade se alicerça.
Hoje a contabilidade é utilizada largamente no meio empresarial, sendo 
enfatizada como elemento gerador de subsídios essenciais aos gestores no processo 
de tomada de decisões.
3 CONCEITO
Várias são as formas utilizadas por escritores e professores para conceituar 
ou explicar a importância da contabilidade, ressaltando seu conceito. Ribeiro 
(2009, p. 2) compila alguns conceitos de diversos autores, como segue: 
TÓPICO 1 |NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE 
5
a) A ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de controle e de 
registro relativas à administração econômica (conceito oficial formulado no 
primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade, realizado no Rio de Janeiro, 
em 1924).
b) Sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com 
demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de 
produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização (estudo 
sobre a estrutura conceitual básica da contabilidade, elaborado pelo Instituto 
Brasileiro de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras – IPECAFI, e 
aprovado pelo Instituto Brasileiro de Contadores - IBRACON).
c) Ciência (ou técnica, segundo alguns) que estuda, controla e interpreta os fatos 
ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração 
expositiva e a revelação desses fatos, com o fim de oferecer informações 
sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico 
decorrente da gestão da riqueza patrimonial (Hilário Franco, Contabilidade 
Geral, Editora Atlas).
d) É a arte de registrar todas as transações de uma companhia que possam ser 
expressas em termos monetários. E é também a arte de informar os reflexos 
dessas transações na situação econômico-financeira dessa companhia (Nelson 
Gouveia, Contabilidade, Editora McGraw-Hill do Brasil).
Para Marion (2004, p. 26), “[...] a contabilidade é o instrumento que fornece o 
máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. 
Ela é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões.”
Note que a palavra decisão é enfatizada no conceito de contabilidade. Sempre 
estamos tomando decisões no nosso cotidiano: qual esporte praticar, qual comida ideal para 
nos alimentarmos, qual livro ler, que curso é melhor para nos aprimorarmos, qual roupa para 
vestirmos etc. Essas são decisões comuns que devemos tomar em nossas vidas. Decisões 
com menor e/ou maior grau de importância. No âmbito empresarial isso não é diferente. 
A todo o momento os gestores estão tomando decisões. Decisões como: a que preço 
devemos vender nossos produtos, que quantidade de mercadorias estocar, o que fazer com 
o dinheiro que está sobrando no caixa, construir ou alugar as instalações para a empresa, 
comprar um veículo ou contratar uma transportadora para entregar as vendas realizadas etc.
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
6
FONTE: MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 25.
FIGURA 1 – O PROCESSO CONTÁBIL
4 CAMPO DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL 
A profissão de contador foi regulamentada pelo Decreto-Lei nº 9.295/1946, 
com alterações introduzidas pela Lei nº 12.249, de 12 de junho de 2010, que criou 
o Conselho Federal de Contabilidade – CFC e definiu as atribuições do contador 
e do técnico de contabilidade. A referida regulamentação traz em seu texto legal 
que somente poderão exercer a profissão aqueles que estiverem devidamente 
registrados nos órgãos competentes do Ministério da Educação e nos Conselhos 
Regionais de Contabilidade – CRC a que estiverem sujeitos.
Cabe destacar que outras resoluções posteriores emanadas pelo CFC 
objetivaram delinear e regulamentar a atuação do profissional contábil, com 
destaque para a Resolução CFC nº 560/1983, que delimitou a atuação em comum 
do contador e do técnico, bem como as atribuições privativas dos contadores.
A contabilidade tem esse poder de auxiliar a gestão a tomar decisões, 
coletando os acontecimentos econômicos que ocorrem em uma entidade, 
registrando e transformando-os em informações em forma de relatórios contábeis.
TÓPICO 1 |NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE 
7
FONTE: O autor (adaptado de Marion, 2004)
FIGURA 2 – CAMPO DE ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL EM CONTABILIDADE
Uma das grandes áreas de atuação do profissional contábil é a prestação de 
serviços contábeis, seja em forma de contabilidade terceirizada, assessoria contábil, 
consultoria contábil que inclui, além da contabilidade tradicional, a contabilidade 
tributária e a contabilidade gerencial.
Como podemos observar no quadro anterior, a Contabilidade é uma das 
Ciências com um campo de atuação bastante amplo. Sua atuação está inserida 
da microempresa à empresa de grande porte, porém, a realização profissional 
depende da atuação de cada um dentro da área escolhida.
Para tanto, o profissional deve possuir diversas habilidades. No cenário 
atual, a modernização do conhecimento é uma necessidade. Como exemplo, 
observa-se uma demanda crescente de profissionais para o terceiro setor; outro 
exemplo é a demanda por contadores com conhecimentos em contabilidade 
ambiental.
Como fato recente, destaca-se a alteração na legislação das sociedades 
anônimas com o advento da Lei nº 11.638/2007, que exige dos profissionais 
conhecimentos em contabilidade internacional, principalmente das práticas 
adotadas pelo International Accounting Standards Board – IASB.
O campo de atuação do profissional em contabilidade é muito grande, 
permitindo uma condição abrangente de empregabilidade. O atual estágio de 
desenvolvimento da contabilidade, aliado ao crescimento econômico, que, além da 
contabilidade tradicional, denominada contabilidade financeira, congrega também 
a contabilidade gerencial, inclui também o conceito de contabilidade estratégica, 
ampliando muito o leque de funções para o profissional contábil.
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
8
O Brasil é um país de muitas empresas. E essas empresas, para obterem 
sucesso em sua trajetória, necessitam de instrumentos que a contabilidade pode 
oferecer com eficiência. Muitas empresas nascem a cada ano e sabemos também 
que muitas delas, por diversas razões, morrem até mesmo antes de completar o 
primeiro ano de vida. 
De acordo com informações divulgadas pelo SEBRAE/SP publicadas no 
caderno de economia do jornal “A Tarde – on-line.” Disponível em: <http://www.
atarde.com.br/economia/noticia.jsf?id=5612132>, informa que: 
SEBRAE: 27% das empresas de SP fecham no 1º ano
 Agência Estado
De cada 100 empresas abertas no Estado de São Paulo, 27 fecham as 
portas ainda no primeiro ano de atividade. Essa é uma das conclusões do estudo 
sobre a sobrevivência e a mortalidade das empresas paulistas, divulgado hoje 
(25/08/2010) pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de 
São Paulo (SEBRAE-SP). No levantamento, a taxa de mortalidade das empresas 
no primeiro ano de funcionamento atingiu 27%. Há 12 anos, quando o indicador 
passou a ser calculado, a taxa era ainda maior, de 35%.
Os dados divulgados hoje levaram em conta uma mostra de 3 mil 
empresas abertas entre os anos de 2003 e 2007. Os números sobre a mortalidade 
no primeiro ano de atividade referem-se às empresas abertas em 2007. Na 
avaliaçãodos dois primeiros anos de atividade (empresas abertas em 2006), 37% 
fecharam as portas. Em três anos (empresas fundadas em 2005), 46% encerraram 
as atividades.
De acordo com a pesquisa, no período de quatro anos (negócios abertos 
em 2004), 50% das empresas do Estado de São Paulo fecharam as portas. Em 
cinco anos (empresas abertas em 2003), as atividades foram encerradas em 58% 
das empresas. Segundo o SEBRAE, em 2000, quando o indicador dos primeiros 
cinco anos passou a ser monitorado, a taxa de mortalidade das empresas era 
ainda pior, de 71%. Para a entidade, apesar das reduções nos índices desde 
então, as taxas de mortalidade das empresas ainda são altas no Estado.
Dificuldades
Entre os motivos alegados para as falências, 18% dos empresários citaram 
a falta de clientes e 10% a falta de capital. Os problemas de planejamento e de 
5 OBJETO E FINALIDADE DA CONTABILIDADE
TÓPICO 1 |NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE 
9
administração também foram citados por 10% dos empreendedores. Outros 9% 
alegaram a perda do único cliente da empresa e 8% destacaram problemas com 
sócios.
No primeiro ano de atividade, de acordo com a pesquisa do SEBRAE-
SP, a principal dificuldade enfrentada foi a falta de clientes, conforme 29% dos 
empresários. Outros 21% citaram a falta de capital e 11% destacaram a falta 
de planejamento. A burocracia e os impostos foram lembrados por 7% dos 
empreendedores.
Apesar das dificuldades, o estudo revela uma melhora do perfil do gestor 
ao longo dos anos. Segundo o SEBRAE-SP, 83% dos que abriram um negócio 
formal em 2007 possuem pelo menos o ensino médio completo - em 2000 eram 
70%. 
Além disso, 78% abriram a empresa porque enxergaram uma 
oportunidade de negócio, e não apenas uma chance de sobrevivência. Em 2000, 
a porcentagem era de 60%. “Precisamos continuar mobilizados, ampliando 
esforços de capacitação em gestão empresarial”, afirma Ricardo Tortorella, 
diretor-superintendente do SEBRAE-SP. “O que conseguimos até agora foi um 
avanço, mas ainda está aquém das necessidades do País e dos empreendedores.” 
De 1990 a 2008
Dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), citados 
pelo SEBRAE-SP, mostram que entre 1990 e 2008 foram abertas no Estado 
2.603.233 empresas. Nestes 18 anos, 1.650.953 empresas foram fechadas antes de 
completar o quinto ano de atividade.
Em muitos casos pode-se atribuir o insucesso dos empreendimentos à má 
administração, ocasionada pelo uso inadequado ou pelo desconhecimento das 
informações geradas pela contabilidade. Ninguém pode administrar corretamente 
se não tomar decisões corretas. Isso pode ser evitado com o uso eficiente da 
contabilidade, pois a contabilidade é um sistema que possibilita a geração de 
inúmeras informações. 
De acordo com Crepaldi (1995, p. 22), “a contabilidade é uma ciência 
concebida para coletar, registrar, resumir e interpretar dados e fenômenos que 
afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade.”
Dentro dessa definição estão embutidos conceitos de gestão que interessam 
a quem usa esta ciência. São os conceitos de planejamento e controle
Assim, podemos dizer que planejamento é o conjunto de linhas de ação e a 
maneira de executá-las para alcance dos objetivos.
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
10
O planejamento é uma das funções que mais utilizam os dados contábeis. 
Para que se possa planejar o futuro, a organização necessita de informações relativas 
ao processo produtivo, como os custos, aos gastos com despesas administrativas, 
como telefonia, treinamento de funcionários, despesas legais, como o alvará de 
funcionamento, salários, encargos sobre salários, média de horas-extras nos 
períodos anteriores, consultoria, auditoria, tecnologia de informação, inventário, 
fluxo de materiais, entre outras.
 As informações relacionadas ao fluxo de caixa também são de fundamental 
importância no momento de executar o planejamento organizacional.
Já o controle é o acompanhamento das atividades da organização. Através 
dele, o gestor observa se o comportamento da organização está de acordo com os 
planos traçados.
Segundo Chiavenato (1999), O controle representa o acompanhamento, 
monitoração e avaliação do desempenho organizacional para verificar se as coisas 
estão acontecendo de acordo com o que foi planejado, organizado e dirigido. 
Controle é a função administrativa relacionada com a monitoração 
das atividades a fim de manter a organização no caminho adequado para o 
alcance dos objetivos e permitir a correção necessária para atenuar os desvios 
(CHIAVENATO, 1999).
 A contabilidade, como guardiã dos dados, pode contribuir muito para esse 
processo.
Em uma empresa é possível determinar qual o caminho a seguir e, através 
do controle, observar se a política traçada está sendo cumprida. A contabilidade, 
como um sistema de geração de informações, auxilia verdadeiramente na 
disposição de informações para planejamento e controle das atividades 
empresariais.
O objeto da contabilidade é o patrimônio das entidades econômico-
administrativas. Seu objetivo é permitir o estudo, o controle e a apuração de resultados diante 
dos fatos decorrentes da gestão do Patrimônio das entidades econômico-administrativas. 
A principal finalidade da contabilidade é fornecer informações de ordem econômica e 
financeira sobre o patrimônio, para facilitar a tomada de decisões por parte dos usuários. 
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 |NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE 
11
6 OS INTERESSADOS NAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS
Os interessados nas informações contábeis são chamados de usuários 
da contabilidade. Os usuários são as pessoas que se utilizam da contabilidade, 
demonstram interesse pela situação da empresa e buscam na contabilidade suas 
respostas. Uma empresa não é algo isolado em um determinado meio. 
A partir do momento em que uma empresa nasce, ela começa a interagir 
com o meio que a cerca. Para sobreviver ela precisa ganhar dinheiro, conquistar 
clientes, relacionar-se com fornecedores e bancos, ter um bom relacionamento com 
os seus colaboradores, estar em dia com suas obrigações com o governo, ter uma 
boa relação com a comunidade onde está inserida. 
Como exemplo, podemos verificar a figura a seguir:
FONTE: O autor
FIGURA 3 – USUÁRIOS DA CONTABILIDADE
Empresa
(Contabilidade)
Investidores
Investidores
Fornecedores
Bancos
Clientes
Outros...
Empregados
Governo
De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC 01, que 
trata do Pronunciamento Conceitual Básico.
NBC-T1 ESTRUTURA CONCEITUAL PARA ELABORAÇÃO E 
APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Usuários e suas necessidades de informação
9. Entre os usuários das demonstrações contábeis incluem-se investidores atuais 
e potenciais, empregados, credores por empréstimos, fornecedores e outros 
credores comerciais, clientes, governos e suas agências e o público. Eles 
usam as demonstrações contábeis para satisfazer algumas das suas diversas 
necessidades de informação. Essas necessidades incluem: 
 
(a) Investidores: os provedores de capital de risco e seus analistas, que se 
preocupam com o risco inerente ao investimento e o retorno que ele produz. 
Eles necessitam de informações para ajudá-los a decidir se devem comprar, 
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
12
manter ou vender investimentos. Os acionistas também estão interessados 
em informações que os habilitem a avaliar se a entidade tem capacidade de 
pagar dividendos.
(b) Empregados: os empregados e seus representantes estão interessados em 
informações sobre a estabilidade e a lucratividade de seus empregadores. 
Também se interessam por informações que lhes permitam avaliar a 
capacidade que tem a entidade de prover sua remuneração, seus benefícios 
de aposentadoria e suas oportunidades de emprego.(c) Credores por empréstimos: estes estão interessados em informações que lhes 
permitam determinar a capacidade da entidade em pagar seus empréstimos 
e os correspondentes juros no vencimento. 
(d) Fornecedores e outros credores comerciais: os fornecedores e outros 
credores estão interessados em informações que lhes permitam avaliar se as 
importâncias que lhes são devidas serão pagas nos respectivos vencimentos. 
Os credores comerciais, provavelmente, estarão interessados em uma 
entidade por um período menor do que os credores por empréstimos, a não 
ser que dependam da continuidade da entidade como um cliente importante. 
(e) Clientes: Os clientes têm interesse em informações sobre a continuidade 
operacional da entidade, especialmente quando têm um relacionamento a 
longo prazo com ela, ou dela dependem como fornecedor importante. 
(f) Governo e suas agências: os governos e suas agências estão interessados na 
destinação de recursos e, portanto, nas atividades das entidades. Necessitam 
também de informações, a fim de regulamentar as atividades das entidades, 
estabelecer políticas fiscais e servir de base para determinar a renda nacional 
e estatísticas semelhantes. 
(g) Público: as entidades afetam o público de diversas maneiras. Elas podem, 
por exemplo, fazer contribuição substancial à economia local de vários 
modos, inclusive empregando pessoas e utilizando fornecedores locais. As 
demonstrações contábeis podem ajudar o público fornecendo informações 
sobre a evolução do desempenho da entidade e os desenvolvimentos 
recentes. 
10. Embora nem todas as necessidades de informações desses usuários possam 
ser satisfeitas pelas demonstrações contábeis, há necessidades que são 
comuns a todos os usuários. Como os investidores contribuem com o 
capital de risco para a entidade, o fornecimento de demonstrações contábeis 
que atendam às suas necessidades também atenderá à maior parte das 
necessidades de informação de outros usuários.
TÓPICO 1 |NOÇÕES BÁSICAS DE CONTABILIDADE 
13
7 A ENTIDADE CONTÁBIL
O texto seguinte foi transcrito do livro de Contabilidade Básica de autoria de José 
Carlos Marion (2004, p. 28) e nele teremos condições de entender e aprofundar o conceito 
de entidade contábil.
A contabilidade pode ser feita para Pessoa Física ou Pessoa Jurídica. 
Considera-se pessoa, juridicamente falando, todo o ser capaz de direitos e 
obrigações.
Pessoa Física é a pessoa natural, é todo o ser humano, é todo o indivíduo 
(sem qualquer exceção). A existência da pessoa física termina com a morte.
Pessoa Jurídica é a união de indivíduos que, através de um contrato 
reconhecido por lei, formam uma nova pessoa, com personalidade distinta da 
de seus membros. As pessoas jurídicas podem ter fins lucrativos (empresas 
industriais, comerciais etc.) ou não (cooperativas, associações culturais, religiosas 
etc.). Normalmente as pessoas jurídicas denominam-se empresas.
11. A Administração da entidade tem a responsabilidade primária pela preparação 
e apresentação das suas demonstrações contábeis. A Administração também 
está interessada nas informações contidas nas demonstrações contábeis, 
embora tenha acesso a informações adicionais que contribuem para o 
desempenho das suas responsabilidades de planejamento, tomada de 
decisões e controle. Ela tem o poder de estabelecer a forma e o conteúdo de 
tais informações adicionais a fim de atender às suas próprias necessidades. 
A forma de divulgação de tais informações, entretanto, está fora do alcance 
desta Estrutura Conceitual. Não obstante, as demonstrações contábeis 
divulgadas são baseadas em informações utilizadas pela Administração 
sobre a posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mutações na 
posição financeira a entidade. 
FONTE: Disponível em: <http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbct01ind>. Acesso em: 
10 nov. 2010.
NOTA
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
14
FONTE: O autor
FIGURA 4 – ENTIDADES CONTÁBEIS
Acima de tudo, entidade contábil é uma regra que deve ser observada com 
muito critério, para que haja a existência de uma boa contabilidade.
A contabilidade, portanto, pode ser feita para um indivíduo – pessoa 
física (desde que haja necessidade em virtude do volume de negócios) – ou para 
uma empresa com ou sem fins lucrativos – pessoa jurídica.
Quando se faz contabilidade para pessoa física (embora não seja comum) 
ou pessoa jurídica, essa pessoa é denominada entidade contábil. Dessa forma, 
qualquer pessoa que tenha necessidade de contabilidade (e a contabilidade é 
mantida para essa pessoa) é chamada entidade contábil.
[...] assim, em primeiro lugar há a necessidade da existência da entidade 
contábil, ou seja, uma pessoa para quem é mantida a contabilidade. Não havendo 
entidade contábil, não há, evidentemente, a contabilidade aplicada.
[...] deduz-se que a contabilidade é mantida para a entidade como pessoa 
distinta dos sócios. A contabilidade é realizada para a entidade, devendo o 
contador fazer esforço para não misturar as movimentações da entidade com as 
dos proprietários. Pessoas físicas e jurídicas não devem ser confundidas.
15
Também o Conselho Federal de Contabilidade - CFC assim se manifesta, 
de acordo com o art. 4º da Resolução nº 750/1993, a respeito do princípio contábil 
da entidade: “Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como 
objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da 
diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, 
independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma 
sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins 
lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com 
aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.”
16
RESUMO DO TÓPICO 1
Muito bem. Aprendemos neste tópico que a contabilidade tem uma 
importante função na geração de informações para o processo de tomada de 
decisão. Para isso, coleta e registra os dados gerados pelas operações das entidades 
e fornece aos usuários interessados essas informações. Informações advindas do 
objeto de estudo da contabilidade, que é o patrimônio. Notamos também que, 
para haver a existência de uma boa contabilidade é necessário observar uma regra 
importante, chamada de entidade contábil.
17
AUTOATIVIDADE
1 Cite três usuários da informação contábil.
2 O que é contabilidade? 
3 O Sr. Gil Gastatudo é um próspero empresário e ficou aborrecido com 
os relatórios contábeis apresentados pelo seu contador, pois, em um 
determinado período, sua empresa apresentou resultados negativos e 
começava a apresentar falta de dinheiro em caixa. 
 O Sr. Gil chamou o contador para que lhe explicasse os motivos da falta de 
recursos.
 Então o contador alegou que esses resultados negativos e falta de recursos 
se devem principalmente a uma operação realizada pela empresa do Sr. Gil, 
que foi a aquisição de um veículo Mercedes Benz, zero km, o qual foi dado 
de presente à sua querida esposa.
 Diante disso, aponte o que deixou de ser observado pelo Sr. Gil e como o 
contador deverá observar a contabilidade de agora em diante.
18
19
TÓPICO 2
PATRIMÔNIO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Prezado(a) acadêmico(a)!
Você já conhece a definição de contabilidade. Porém, quem pode me 
afirmar que sabe fazer contabilidade?
Alguém poderia dizer: Professor, é claro que não, contabilidade é difícil, 
muito complicada, além do que, existem muitos números... a economia brasileira 
está complicada... a carga tributária é alta demais... as nossas leis estão sempre 
alterando... é isso e é aquilo.
Pois bem. Eu digo que não. 
A contabilidade é fácil demais!
Está enganado quem pensa que a matemática, a economia, a carga tributária, 
a legislação e outrascoisas mais dificultam o entendimento da contabilidade. As 
variáveis citadas não interferem na estrutura conceitual da contabilidade, que é 
definitiva e não muda a todo momento. 
Digo ainda que o ato de fazer contabilidade faz parte do cotidiano de todas 
as pessoas. 
Você não acredita nisso? 
Pois é a mais pura verdade, nós fazemos indiretamente contabilidade todos 
os dias e não percebemos. Faz parte do cotidiano de todas as pessoas. 
Como assim, professor?
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
20
Caro(a) acadêmico(a), nós trabalhamos, portanto, temos salários a receber, é 
um direito que temos de no final do mês recebermos nosso rico dinheiro. Quando 
não trabalhamos, eventualmente ganhamos alguma “mesada” de nossos pais, tios, 
irmãos... etc. Quando nós recebemos o nosso dinheiro, pagamos as nossas dívidas, 
tais como: a mensalidade da universidade, plano de saúde, escolas das crianças, 
impostos, consórcios, prestações em lojas, fatura do cartão de crédito, e temos 
ainda as despesas com as contas de luz, água, telefone, internet e outros gastos com 
farmácias, açougues, supermercados, postos de combustíveis etc.
Temos também nossas propriedades: casas, terrenos, motocicleta, bicicleta, 
automóvel etc.
Temos ainda, em eventuais sobras de dinheiro, investimentos como: 
aplicações financeiras, caderneta de poupança, ações de empresas etc.
Eventualmente, quando não temos dinheiro suficiente, buscamos recursos 
com terceiros, como, por exemplo, financiamentos em bancos, saldo devedor do 
cheque especial, empréstimos de dinheiro com os pais, tios, primos, amigos etc. 
Pare um pouco, professor! Que tribulação! Estou ficando maluco!
Percebeu o nosso corre-corre de todo mês? Temos que ter um controle sobre 
tudo isso, certo? Precisamos, também, ter um planejamento de nossas atividades 
para que tudo corra bem, certo?
Sim, e esse controle e planejamento nada mais é do que efetuarmos a nossa 
contabilidade, e todos fazem isso sempre da melhor forma possível.
O planejamento adequado e controle levam a informações confiáveis e 
precisas para uma tomada de decisão eficiente. 
2 CONCEITO DE PATRIMÔNIO
A contabilidade nada mais é do que um instrumento que tem a finalidade 
de planejar e controlar o patrimônio das entidades (pessoas físicas e jurídicas), 
com o objetivo de gerar informações para subsidiar a tomada de decisões.
Falamos antes em planejamento e controle do patrimônio. Mas o que vem 
a ser patrimônio?
Para entendermos o patrimônio, inicialmente iremos estudá-lo através de 
uma representação gráfica, apresentada a seguir, chamada de Balanço Patrimonial:
TÓPICO 2 | PATRIMÔNIO 
21
Balanço Patrimonial
(lado esquerdo) (lado direito)
O Balanço Patrimonial é uma das mais importantes demonstrações 
contábeis, e por meio dela podemos identificar/apurar a situação patrimonial e 
financeira de uma entidade em determinado momento. 
Poderemos montar até o nosso balanço, onde veremos que realmente a 
gente sabe fazer contabilidade. Vamos nessa?
Como a nossa contabilidade é pessoal, vamos demonstrá-la o mais 
pessoalmente possível, portanto, precisamos conhecer algumas definições:
Patrimônio – é o conjunto de bens, direitos e obrigações vinculados a 
uma entidade (pessoa física ou jurídica). São elementos que convencionalmente 
chamamos de riquezas, por serem raros, úteis, fungíveis (característica de troca), 
tangíveis (possuem forma física), desejáveis, avaliados em moeda.
Bens – é tudo o que pode ser avaliado economicamente e que satisfaça 
necessidades humanas e suscetíveis de avaliação econômica. Do ponto de vista 
contábil, bens são todos os objetos que uma empresa possui, seja para uso, troca 
ou consumo.
 
Os bens podem ser classificados em tangíveis e intangíveis. 
Os bens tangíveis são aqueles que possuem forma física, são corpóreos, são 
palpáveis. Por sua vez, dividem-se em bens móveis, os que podem ser removidos 
de seu lugar, como, por exemplo: mesas, veículos, mercadorias, dinheiro, 
computadores, etc., e bens imóveis, que são os que não podem ser deslocados de 
seu lugar natural, por exemplo, edifícios e construções, terrenos etc. 
Os bens intangíveis são aqueles que embora são considerados bens, não 
possuem existência física, não são palpáveis, não são constituídos de matéria, 
porém, representam um bem significativo para as empresas. São determinados 
gastos que a empresa faz, os quais, pela sua natureza, devem ser considerados 
parte integrante e, por esse motivo, são registrados pela contabilidade como bens.
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
22
Direitos – constituem direitos para as entidades todos os valores a 
receber de terceiros. Esses direitos geralmente aparecem seguidos da expressão 
“a receber”. Como exemplo: duplicatas a receber, promissórias a receber etc. No 
âmbito empresarial esses direitos surgem na maioria das vezes após a realização 
de uma venda a prazo aos clientes. No âmbito pessoal passamos a ter um direito 
no final do mês, após um mês de trabalho. Temos direito de receber nosso salário, 
normalmente, no quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado.
Os bens e direitos irão figurar no lado esquerdo do balanço. Sendo assim, 
nosso patrimônio, representado graficamente pelo balanço patrimonial, ficará 
expresso assim:
Balanço Patrimonial
Bens 
 Dinheiro em caixa
 Marcas
 Máquinas
 Veículos
 Imóvel 
 Mercadorias no estoque
Direitos
 Duplicatas a receber
 Aluguéis a receber
 Promissórias a receber
(lado direito)
Obrigações – são dívidas ou compromissos assumidos perante terceiros, 
ou bens de terceiros que se encontram em nossa posse, e deverão ser pagos ou 
liquidados em data futura preestabelecida. 
É comum, nas empresas, a ocorrência de compras a prazo. Quando isso 
ocorre, a empresa não paga a compra no ato. Nesse caso, a empresa fica com a 
obrigação de pagar a compra no prazo determinado. Essas obrigações geralmente 
aparecem com nomes dos elementos seguidos da expressão “a pagar”.
São intangíveis as marcas, e como exemplo temos algumas bastante conhecidas, 
como a Coca-cola, Perdigão, Nestlé e Sadia. As marcas possuem um grande poder de 
geração de recursos/riqueza a quem as explora. São intangíveis também as patentes de 
invenção (direito de explorar uma invenção), os direitos autorais, o ponto comercial ou 
fundo de comércio etc. 
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | PATRIMÔNIO 
23
Como exemplo de obrigações, temos: duplicatas a pagar, impostos a pagar, 
empréstimos a pagar, salários a pagar, promissórias a pagar etc.
As obrigações, por sua vez, serão relacionadas no lado direito do balanço. 
Assim ficará representado no balanço patrimonial:
Balanço Patrimonial
Bens 
 Dinheiro em caixa
 Marcas
 Máquinas
 Veículos
 Imóvel 
 Mercadorias no estoque
Direitos
 Duplicatas a receber
 Aluguéis a receber
 Promissórias a receber 
Obrigações 
 Duplicatas a pagar a fornecedores
 Empréstimos bancários a pagar
 Salários a pagar
 Impostos a pagar
 Encargos sociais a pagar
 Promissórias a pagar
 Contas a pagar
Muito bem. Vamos fazer nossa contabilidade? 
Com os conhecimentos obtidos até o momento, podemos então estruturar 
nosso balanço. Vamos imaginar, agora, que um de nós possua a seguinte situação 
em 01/03/2010:
Financiamento da casa a pagar 15.550,00 
Dinheiro no bolso 370,00
Salário de fevereiro/2010 a receber 2.500,00
Um automóvel Fiat Uno 12.000,00
Uma casa residencial 70.000,00
Conta a pagar na boutique “chique no último” 500,00
Plano de Saúde a pagar 130,00
Mensalidade da escola a pagar 325,00
Dinheiro no banco em conta de poupança 4.500,00
Cartão de crédito a pagar 455,00
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
24
Balanço Patrimonial – 01/03/2010
Bens e DireitosObrigações
Caixa 370,00 Financiamento a pagar 15.550,00
Bancos 4.500,00 Plano de saúde a pagar 130,00
Salários a receber 2.500,00 Mensalidades a pagar 325,00
Automóvel 12.000,00 Contas a pagar 500,00
Imóvel residencial 70.000,00 Cartão de crédito a pagar 455,00
Total 89.370,00 Total 16.960,00
Notamos em nosso balanço que o lado esquerdo é maior que o lado direito 
(89.370,00 > 16.960,00), ou seja, as coisas boas superam as ruins, não é mesmo? 
Então vimos que o nosso patrimônio é o conjunto de bens, direitos e 
obrigações. A contabilidade se preocupa e estuda o patrimônio em seus aspectos 
qualitativos e quantitativos. O aspecto qualitativo consiste em especificar, segundo 
a natureza de cada um, os bens, os direitos e as obrigações que foram devidamente 
qualificados, isto é, especificados segundo a natureza de cada um. O aspecto 
quantitativo consiste em dar a esses bens, direitos e obrigações, seus respectivos 
valores, levando a conhecer o valor do patrimônio da entidade. 
Tais aspectos permitem uma informação mais precisa do tamanho do 
patrimônio da empresa, pois assim podemos responder quanto de dinheiro 
possuímos, qual o valor dos imóveis, quais são os valores que temos a receber, 
qual é o valor das dívidas, e assim por diante. Assim fica mais fácil avaliar qual é o 
tamanho do nosso patrimônio.
Assim teremos nosso patrimônio apresentado no balanço patrimonial 
a seguir e com a observância dos aspectos qualitativos (consiste em qualificar/
denominar os bens, direitos e obrigações) e quantitativos (consiste em dar aos 
bens, direitos e obrigações seus respectivos valores) do patrimônio:
25
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico estudamos e aprendemos que:
● O patrimônio é o conjunto de bens, mais direitos e obrigações.
● Os bens são as coisas boas do patrimônio e são divididos em tangíveis e 
intangíveis.
● Os direitos são as coisas que temos a receber dos outros.
● As obrigações são as coisas negativas do patrimônio e em um determinado 
momento temos que pagá-las.
26
1 Conceitue patrimônio.
2 Elabore o seu balanço relacionando seu bens, seus valores a receber e suas 
contas a pagar. Faça a totalização e responda às questões a seguir:
AUTOATIVIDADE
Balanço Patrimonial – Em: ___/___/200_
Bens e Direitos Obrigações
Total dos Bens e Direitos Total das Obrigações
a) Quanto é o total dos seus bens? __________
b) Você possui bens intangíveis: ( ) não ( ) sim. Se sim, qual é o valor? ________
c) Quanto é o total de seus bens tangíveis? _____________
d) Quanto é o total de seus direitos? ______________
Assista ao vídeo de
resolução da questão 2
27
TÓPICO 3
O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A partir de agora, dando continuidade ao estudo do patrimônio, iremos 
analisar, com mais profundidade, que o balanço possui algumas configurações 
resultantes do confronto entre os bens, direitos e obrigações, as quais irão 
resultar em alguns estados patrimoniais favoráveis e desfavoráveis às entidades. 
Estudaremos também como é medida a riqueza de uma entidade, através do 
balanço patrimonial.
2 ATIVO
Você já ouviu alguém falar: aquela pessoa é muito inteligente, trabalhadora, 
ativa, esperta. Claro que já. São qualidades positivas, de coisa boa, certo? Então 
vamos chamar o lado esquerdo do balanço patrimonial de Ativo (sinônimo de 
coisa boa, positiva). Se o Ativo é coisa boa e positiva, nós vamos colocar no lado 
esquerdo os nossos bens e direitos, certo? Assim, então, o ativo, em um primeiro 
momento, compreende o conjunto de bens e direitos de uma entidade. 
Avançando um pouco mais no conceito de ativo, relatamos a seguir, de 
acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC n. 1, que trata da 
estrutura conceitual básica para elaboração das demonstrações contábeis.
 Exporemos como segue: Ativo é um recurso controlado pela entidade 
como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros 
benefícios econômicos para a entidade.
Segue ainda:
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
28
Elementos das Demonstrações Contábeis
Ativos
53. O benefício econômico futuro embutido em um ativo é o seu potencial em 
contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalentes 
de caixa para a entidade. Tal potencial poderá ser produtivo, quando o 
recurso for parte integrante das atividades operacionais da entidade. Poderá 
também ter a forma de conversibilidade em caixa ou equivalentes de caixa 
ou poderá, ainda, ser capaz de reduzir as saídas de caixa, como no caso de 
um processo industrial alternativo que reduza os custos de produção. 
54. A entidade geralmente usa os seus ativos na produção de mercadorias ou 
prestação de serviços capazes de satisfazer os desejos e necessidades dos 
clientes. Tendo em vista que essas mercadorias ou serviços podem atender 
aos seus desejos ou necessidades, os clientes se dispõem a pagar por eles e 
contribuir assim para o fluxo de caixa da entidade. 
55. Os benefícios econômicos futuros de um ativo podem fluir para a entidade 
de diversas maneiras. Por exemplo, um ativo pode ser: 
a) usado isoladamente ou em conjunto com outros ativos na produção de 
mercadorias e serviços a serem vendidos pela entidade; 
b) trocado por outros ativos; 
c) usado para liquidar um passivo; ou 
d) distribuído aos proprietários da entidade. 
56. Muitos ativos, por exemplo, máquinas e equipamentos industriais, têm uma 
substância física. Entretanto, substância física não é essencial à existência 
de um ativo; dessa forma, as patentes e direitos autorais, por exemplo, são 
ativos, desde que deles sejam esperados benefícios econômicos futuros para 
a entidade e que eles sejam por ela controlados. 
57. Muitos ativos, por exemplo, contas a receber e imóveis, estão ligados a direitos 
legais, inclusive o direito de propriedade. Ao determinar a existência de um 
ativo, o direito de propriedade não é essencial; assim, por exemplo, um imóvel 
objeto de arrendamento é um ativo, desde que a entidade controle os benefícios 
econômicos provenientes da propriedade. Embora a capacidade de uma 
entidade controlar os benefícios econômicos normalmente seja proveniente 
da existência de direitos legais, um item pode satisfazer a definição de um 
ativo mesmo quando não há controle legal. Por exemplo, o know-how obtido 
por meio de uma atividade de desenvolvimento de produto pode satisfazer 
a definição de ativo quando, mantendo o know-how em segredo, a entidade 
controla os benefícios econômicos provenientes desse ativo.
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
29
58. Os ativos de uma entidade resultam de transações passadas ou outros 
eventos passados. As entidades normalmente obtêm ativos comprando-os 
ou produzindo-os, mas outras transações ou eventos podem gerar ativos; 
por exemplo: um imóvel recebido do governo como parte de um programa 
para fomentar o crescimento econômico da região onde se localiza a entidade 
ou a descoberta de jazidas minerais. Transações ou eventos previstos para 
ocorrer no futuro não podem resultar, por si mesmos, no reconhecimento 
de ativos; por isso, por exemplo, a intenção de adquirir estoques não atende, 
por si só, à definição de um ativo. 
59. Há uma forte associação entre incorrer em gastos e gerar ativos, mas ambas 
as atividades não necessariamente coincidem entre si. Assim, o fato de uma 
entidade ter incorrido num gasto pode fornecer evidência da sua busca 
por futuros benefícios econômicos, mas não é prova conclusiva de que a 
definição de ativo tenha sido obtida. Da mesma forma, a ausência de um 
gasto não impede que um item satisfaça a definição de ativo e se qualifique 
para reconhecimento no balanço patrimonial; por exemplo, itens que foram 
doados à entidade podem satisfazer a definição de ativo.
FONTE: Disponível em: <http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbct01ind>.Acesso em: 
10 nov. 2010.
3 PASSIVO
E quando você ouve alguém falar: aquela pessoa é preguiçosa, passiva, 
lenta, sem vontade de nada. São qualidades negativas, de coisa ruim, então 
chamaremos o lado direito do balanço patrimonial de Passivo (sinônimo de coisa 
ruim, negativa). Se o Passivo é coisa ruim e negativa, nós sempre iremos colocar 
deste lado as nossas obrigações (dívidas), certo?
Balanço Patrimonial – 01/03/2007
ATIVO PASSIVO
 Caixa 370,00 Financiamento a pagar 15.550,00
 Bancos 4.500,00 Plano de saúde a pagar 130,00
 Salários a receber 2.500,00 Mensalidades a pagar 325,00
 Automóvel 12.000,00 Contas a pagar 500,00
 Imóvel residencial 70.000,00 Cartão de crédito a pagar 455,00
Total 89.370,00 Total 16.960,00
30
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
Indo um pouco mais além no conceito de passivo, relatamos a seguir, de 
acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC n. 1, que trata da 
Estrutura Conceitual Básica para Elaboração das Demonstrações Contábeis, 
relatamos como segue: “Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada 
de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos 
capazes de gerar benefícios econômicos.”
Segue ainda o pronunciamento sobre o passivo:
Elementos de Demonstrações Contábeis
Passivos
60. Uma característica essencial para a existência de um passivo é que a 
entidade tenha uma obrigação presente. Uma obrigação é um dever ou 
responsabilidade de agir ou fazer de certa maneira. As obrigações podem 
ser legalmente exigíveis em consequência de um contrato ou de requisitos 
estatutários. Esse é normalmente o caso, por exemplo, das contas a pagar por 
mercadorias e serviços recebidos. Obrigações surgem também de práticas 
usuais de negócios, usos e costumes e o desejo de manter boas relações 
comerciais ou agir de maneira equitativa. Se, por exemplo, uma entidade 
decide, por uma questão de política mercadológica ou de imagem, retificar 
defeitos em seus produtos, mesmo quando tais defeitos tenham se tornado 
conhecidos depois que expirou o período da garantia, as importâncias que 
espera gastar com os produtos já vendidos constituem-se passivos.
 
61. Deve-se fazer uma distinção entre uma obrigação presente e um compromisso 
futuro. A decisão da Administração de uma entidade de adquirir ativos 
no futuro não constitui, por si só, uma obrigação presente. A obrigação 
normalmente surge somente quando o ativo é recebido ou a entidade 
assina um acordo irrevogável de aquisição do ativo. Neste último caso, a 
natureza irrevogável do acordo significa que as consequências econômicas 
de deixar de cumprir a obrigação, por exemplo, por causa da existência de 
uma penalidade significativa, deixem a entidade com pouca ou nenhuma 
alternativa para evitar o desembolso de recursos em favor da outra parte. 
Assim será representado nosso balanço patrimonial: no lado esquerdo o 
ATIVO, composto pelos bens e direitos, e no lado direito o PASSIVO, representado 
pelas obrigações.
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
31
62. A liquidação de uma obrigação presente geralmente implica na utilização, 
pela entidade, de recursos capazes de gerar benefícios econômicos a fim de 
satisfazer o direito da outra parte. A extinção de uma obrigação presente 
pode ocorrer de diversas maneiras, por exemplo, por meio de: 
a) pagamento em dinheiro;
 
b) transferência de outros ativos;
 
c) prestação de serviços; 
d) substituição da obrigação por outra; ou 
e) conversão da obrigação em capital. 
Uma obrigação pode também ser extinta por outros meios, tais como 
pela renúncia do credor ou pela perda dos seus direitos creditícios.
63. Passivos resultam de transações ou outros eventos passados. Assim, por 
exemplo, a aquisição de mercadorias e o uso de serviços resultam em contas 
a pagar (a não ser que pagos adiantadamente ou na entrega) e o recebimento 
de um empréstimo resulta na obrigação de liquidá-lo. Ou uma entidade 
pode ter a necessidade de reconhecer como passivo futuros abatimentos 
baseados no volume das compras anuais dos clientes; nesse caso, a venda 
das mercadorias no passado é a transação da qual deriva o passivo. 
64. Alguns passivos somente podem ser mensurados com o emprego de um 
elevado grau de estimativa. No Brasil esses passivos são descritos como 
provisões. A definição de passivo, constante do item 49, tem um enfoque 
amplo e, assim, se a provisão envolve uma obrigação presente e satisfaz os 
demais critérios da definição, ela é um passivo, ainda que seu valor tenha 
que ser estimado. Exemplos incluem provisões por pagamentos a serem 
feitos para satisfazer acordos com garantias em vigor e provisões para fazer 
face a obrigações de aposentadoria.
FONTE: Disponível em: <http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbct01ind>. Acesso em: 
10 nov. 2010.
4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Em nosso balanço patrimonial “pessoal” elaborado anteriormente, 
notamos claramente a situação patrimonial no dia 01/03/2007. A pessoa em 
questão tem bens e direitos (ativo = coisas boas) no valor de R$ 89.370,00 e tem 
dívidas (passivo = coisas ruins) no valor de R$ 16.960,00. Podemos dizer que a 
situação desta pessoa é bem confortável, pois ela tem muito mais coisas boas 
(ativo) do que coisas ruins (passivo).
32
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
Se a gente observar bem esse “Balanço”, perceberemos que o mesmo ainda 
não está completo, pois tem um detalhe tão claro nele que não poderíamos deixar 
de registrá-lo.
O que será que é?
Como já vimos anteriormente, o total das coisas boas (ativo) é bem maior do 
que o total das coisas ruins (passivo), dando uma diferença positiva de R$ 72.410,00 
(89.370,00 – 16.960,00). Certo? Sim, e isso quer dizer que poderemos transformar 
essa diferença em “dinheiro vivo”, isso mesmo, “grana limpa” na nossa mão, que 
poderíamos chamar de superávit, ou lucro, ou ainda de patrimônio líquido.
Portanto, o patrimônio líquido é igual aos bens mais direitos, menos as 
obrigações. 
Esta diferença, já implícita no lado direito do nosso balanço, nós a tornaremos 
explicita para estabelecer uma igualdade com o lado esquerdo, portanto, o Ativo 
será sempre igual ao Passivo mais o Patrimônio Líquido, pois as nossas “coisas 
boas” serão sempre iguais à somatória das “coisas ruins” com o nosso “patrimônio 
líquido”. Assim, temos:
Balanço Patrimonial – 01/03/2007
ATIVO PASSIVO
 Caixa 370,00 Financiamento a pagar 15.550,00
 Bancos 4.500,00 Plano de saúde a pagar 130,00
 Salários a receber 2.500,00 Mensalidades a pagar 325,00
 Automóvel 12.000,00 Contas a pagar 500,00
 Imóvel residencial 70.000,00 Cartão de crédito a pagar 455,00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 72.410,00
Total 89.370,00 Total 89.370,00
Sacou por que o lado direito do balanço será sempre igual ao lado esquerdo? 
Sim. Pois para que haja o equilíbrio entre os lados, surge o Patrimônio Líquido 
ou situação líquida, que demonstra, por sua vez, qual é a verdadeira riqueza do 
patrimônio em questão. 
Pois bem. Assim poderemos apresentar a você a equação básica do 
Patrimônio Líquido (PL):
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
33
PL = Bens + Direitos - Obrigações
PL = 86.870,00 + 2.500 - 16.960,00
PL = 72.410,00
Ou ainda...
PL = ATIVOS - PASSIVOS
PL = 89.370,00 - 16.960,00
PL = 72.410,00
Cabe lembrar que tudo o que vimos anteriormente, aplicado a uma situação 
particular, cada um de nós, as pessoas físicas em geral, vale também para as empresas ou 
pessoas jurídicas.
Da mesma forma, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC nº. 01, 
que trata da Estrutura Conceitual Básica para Elaboração das Demonstrações 
Contábeis (NBC-T-1), conceitua o Patrimônio Líquido da seguinte forma: 
“Patrimônio Líquido é o valor residual dos ativos da entidadedepois de deduzidos 
todos os seus passivos.”
Segue ainda o pronunciamento sobre o Patrimônio Líquido:
65. Embora o patrimônio líquido seja definido no item 49 como um valor 
residual, ele pode ter subclassificações no balanço patrimonial. Por 
exemplo, recursos aportados pelos sócios, reservas resultantes de 
apropriações de lucros e reservas para manutenção do capital podem 
ser demonstrados separadamente. Tais classificações podem ser 
IMPORTANT
E
34
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
importantes para a tomada de decisão dos usuários das demonstrações 
contábeis quando indicarem restrições legais ou de outra natureza sobre 
a capacidade que a entidade tem de distribuir ou aplicar de outra forma 
os seus recursos patrimoniais. Podem também refletir o fato de que 
acionistas de uma entidade tenham direitos diferentes em relação ao 
recebimento de dividendos ou reembolso de capital.
 
66. A constituição de reservas é, às vezes, exigida pelo estatuto ou por lei 
para dar à entidade e seus credores uma margem maior de proteção 
contra os efeitos de prejuízos. Outras reservas podem ser constituídas 
em atendimento a leis que concedem isenções ou reduções nos impostos 
a pagar quando são feitas transferências para tais reservas. A existência 
e o valor de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam 
informações que podem ser importantes para a tomada de decisão dos 
usuários. As transferências para tais reservas são apropriações de lucros 
acumulados, portanto, não constituem despesas.
67. O valor pelo qual o patrimônio líquido é apresentado no balanço patrimonial 
depende da mensuração dos ativos e passivos. Normalmente, o valor do 
patrimônio líquido somente por coincidência é igual ao valor de mercado 
das ações da entidade ou da soma que poderia ser obtida pela venda dos 
seus ativos e liquidação de seus passivos numa base de item por item, ou da 
entidade como um todo, numa base de continuidade operacional. 
68. Atividades comerciais e industriais, bem como outros negócios são 
frequentemente exercidos por meio de firmas individuais, sociedades 
limitadas, entidades estatais e outras organizações cuja estrutura legal e 
regulamentar pode ser diferente daquela aplicável às sociedades por ações. Por 
exemplo, pode haver poucas restrições, ou nenhuma, sobre a distribuição aos 
proprietários ou outros beneficiários de importâncias incluídas no patrimônio 
líquido. Independentemente desses fatos, a definição de patrimônio líquido 
e os outros aspectos desta Estrutura Conceitual que tratam do patrimônio 
líquido são igualmente aplicáveis a tais entidades.
FONTE: Disponível em: <http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbct01ind>. Acesso em: 
10 nov. 2010.
Prezado(a) acadêmico(a), você viu que aquilo que considera muito 
difícil, executa diariamente com maestria e, digo-lhe ainda, que a contabilidade 
individual em nada difere da estrutura básica da contabilidade de uma empresa. A 
diferença está que na contabilidade de uma empresa as transações efetuadas têm 
que ser formais, ou seja, têm que ter os lançamentos contábeis, as contas, os livros 
contábeis para registrar tais operações. 
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
35
O importante é você ter a ideia da estrutura contábil na cabeça, daí a 
formalização da movimentação fica muito fácil. Por isso, visualize sempre o 
patrimônio das entidades (pessoas físicas e jurídicas), no balanço patrimonial, 
tendo do seu lado esquerdo (ATIVO) os seus bens e direitos (coisas boas) e do 
seu lado direito (PASSIVO) as suas dívidas (coisas ruins) e a sua riqueza líquida 
(PATRIMÔNIO LÍQUIDO). 
AUTOATIVIDADE
1 O que é Patrimônio Líquido? 
2 Considere a autoatividade de número 2 do tópico anterior, aplique em seu 
patrimônio a equação básica do Patrimônio Líquido e descubra-o:
PL = Bens + Direitos - Obrigações
PL = 
3 Classifique os elementos patrimoniais no quadro a seguir, de acordo com:
1 – Bens, Direitos ou Obrigações.
2 – Ativo ou Passivo.
3 – Positivo ou Negativo.
Elementos 1 2 3
Salários a pagar Obrigações Passivo Negativo
Dinheiro no banco
Duplicatas a receber
FGTS a recolher
Estoque de mercadorias
Microcomputadores
36
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
5 OS DIVERSOS ESTADOS PATRIMONIAIS
Pois bem. Esse novo elemento chamado de patrimônio líquido, juntamente 
com os bens, com os direitos e com as obrigações, completará a nossa representação 
gráfica do patrimônio, permitindo que o total do lado esquerdo seja igual ao total 
do lado direito, dando-lhe forma de equação. Falando nisso, uma já é conhecida 
(PL = Ativo – Passivo). Porém, existem outras possibilidades em que o patrimônio 
pode ser encontrado. Vamos ver?
5.1 SITUAÇÃO LÍQUIDA POSITIVA
Esta situação ocorre quando a soma dos bens mais os direitos se sobrepõe 
às obrigações, ou seja, quando o ativo é maior que o passivo. 
ATIVO
Bens + Direitos
> PASSIVO
Obrigações 
SITUAÇÃO LÍQUIDA
POSITIVA
50.000,00 + 3.000,00 10.000,00 43.000,00
No Balanço teremos:
Balanço Patrimonial – 31/01/2007
Cia. UNI
ATIVO PASSIVO
 Bens 50.000,00 Obrigações 10.000,00
 Direitos 3.000,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 43.000,00
Total 53.000,00 Total 53.000,00
Mesa e cadeiras Bens Ativo Positivo
Empréstimos a pagar
Máquinas e equipamentos
Promissórias a pagar
Dinheiro em caixa
Terrenos
Veículos
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
37
Suponhamos que o dono dessa empresa, a Cia UNI, resolvesse neste 
momento liquidá-la, vendendo todos os bens ao preço que custam; conseguirá obter 
o valor de 50.000,00; vendendo os direitos conseguirá mais 3.000,00, acumulará 
assim 53.000,00. Pagará todas as suas obrigações no valor de 10.000,00, restará para 
ele a importância de 43.000,00.
5.2 SITUAÇÃO LÍQUIDA NEGATIVA
A situação líquida negativa ocorre quando o total das dívidas é superior à 
soma dos bens e direitos. Pode ser chamada de situação líquida negativa, situação 
líquida passiva, situação líquida deficitária, ou ainda, passivo a descoberto. 
Vejamos a seguir:
ATIVO
Bens + Direitos
< PASSIVO
Obrigações 
SITUAÇÃO LÍQUIDA
NEGATIVA
40.000,00 + 2.000,00 60.000,00 18.000,00
No Balanço teremos:
Balanço Patrimonial – 31/01/2007
Cia. UNI
ATIVO PASSIVO
 Bens 40.000,00 Obrigações 60.000,00
 Direitos 2.000,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO (18.000,00)
Total 42.000,00 Total 42.000,00
Neste caso, se o proprietário dessa empresa resolvesse liquidá-la, conseguirá 
apurar 42.000,00. Para saldar as dívidas precisará de 60.000,00, tendo em mãos 
apenas 42.000,00, faltarão 18.000,00. Portanto, a situação líquida é deficitária, ou 
seja, o total dos elementos positivos é insuficiente para saldar os compromissos 
assumidos pela empresa. A expressão passivo a descoberto representa a 
insuficiência do ativo para cobrir o passivo. 
38
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
ATIVO
Bens + Direitos
= PASSIVO
Obrigações 
SITUAÇÃO 
LÍQUIDA
NULA
38.000,00 + 7.000,00 45.000,00 0,00
No Balanço teremos:
Balanço Patrimonial – 31/01/2007
Cia. UNI
ATIVO PASSIVO
 Bens 38.000,00 Obrigações 45.000,00
 Direitos 7.000,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 0,00
Total 45.000,00 Total 45.000,00
Se houvesse a liquidação da Cia UNI, teríamos exatamente o suficiente 
para quitar todas as dívidas, não restando nada para o proprietário.
5.3 SITUAÇÃO LÍQUIDA NULA
A situação líquida nula ocorre quando o ativo corresponde ao mesmo valor 
que o passivo, inexistindo situação líquida. Vejamos a seguir:
Esta situação é pouco comum, porém ocorre com algumas empresas. 
Poderíamos dizer que a empresa acima, a Cia UNI, está quebrada? Não. Ela 
poderá apresentar uma situação desfavorável e assim mesmo poderá desenvolver 
suas atividades normalmente. Cabedestacar que se ela permanecer por muito 
tempo nesta situação, poderá ter sérios problemas e ser uma séria candidata a 
“fechar suas portas”.
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
39
LEITURA COMPLEMENTAR
ALFABETIZAÇÃO FINANCEIRA
Robert T. Kiyosaki 
Sharon L. Lechter
O QUE REALMENTE É UM ATIVO?
O que nos ensinam, de geração em geração, é que o Amor ao dinheiro é a 
raiz de todo o Mal. Mas pensemos melhor, “é o Amor ao Dinheiro, não o Dinheiro 
propriamente falando”.
Uma das razões pelas quais os ricos ficam mais ricos, os pobres mais pobres 
e a classe média luta com dívidas, é que o assunto dinheiro não é ensinado nem 
em casa, nem na escola. As escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e 
profissionais, mas não em habilidades financeiras. 
Estude arduamente, sim, mas não para trabalhar numa boa empresa. 
Tenha competência financeira. Aprenda a administrar o Risco na Vida e o Enfrente. 
Nunca pare! As pessoas moldam suas vidas por meio de seus pensamentos. Pense 
diferente!
Há uma diferença entre ser pobre e estar quebrado. Estar quebrado é algo 
temporário, ser pobre é algo eterno. Quer ganhar dinheiro? Precisa aprender! 
Aprender a gerar dinheiro; a conservá-lo, e não somente ganhá-lo!
O dinheiro vem e vai, mas se você tiver sido educado quanto ao 
funcionamento do dinheiro, você adquire poder sobre ele e pode começar a 
construir riqueza.
O que eu sou? Um marco! Eu faço a diferença. Eu sou importante. Pense 
assim! Tudo começa em Você!
Se você não puder se decidir logo, não vai aprender nunca a ganhar 
dinheiro. 
O Tempo é um dos melhores mestres, só que ele termina matando todos 
os seus discípulos. A maioria das pessoas quer que todos no mundo mudem, 
menos elas próprias. Se perceber que você é o problema, então poderá modificar 
a si mesmo, aprender alguma coisa e tornar-se mais sábio. É mais fácil mudar a si 
40
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
próprio que a todos os demais. Se você não aprender, passará a vida culpando um 
emprego, um baixo salário ou o seu chefe pelos seus problemas. Passará sua vida 
esperando por um golpe de sorte que resolva seus problemas de dinheiro.
Segurança é Ilusão, a única certeza no mundo é que tudo está mudando, e 
este processo não para NUNCA. Todos, em algum momento na Vida, teremos que 
arriscar. O medo do que virá, do desconhecido, é inerente ao ser humano, porém 
precisamos arriscar! E arriscar - É tomar decisões!
Acredito que nossa Vida é construída nos momentos em que resolvemos 
DECIDIR.
Pai Rico. Pai Pobre
O autor coloca esse título, visto que ele obteve ao longo de sua vida duas 
visões como administrar o seu dinheiro. Uma do Pai “Rico” de seu amigo (pai 
que estava lutando para construir algo); e a visão do seu Pai “Pobre” (seguro num 
emprego e que sempre lutava para melhorar de vida substituindo o emprego por 
outro em que se ganha mais). 
No livro ele narra e cita muitos exemplos, de como, desde os nove anos, ele 
se interessou por dinheiro e como pediu ao Pai Rico, juntamente com o seu melhor 
amigo (o filho do pai rico) para lhe ensinar a ganhar dinheiro. E o Pai Rico aguçou 
neles a instrução financeira; instigou neles a procura do saber.
Deixando sempre bem claro que o investimento que eles tinham de mais 
importante é o que estava entre suas orelhas: sua mente!
Lição Nº 1: Os Ricos não Trabalham por Dinheiro.
Os pobres e a classe média trabalham por dinheiro. Os ricos fazem o 
dinheiro trabalhar para eles.
É o medo que faz a maioria das pessoas trabalhar num emprego. O medo de 
não pagar as contas. O medo de ser mandado embora. O medo de não ter dinheiro 
suficiente. O medo de começar de novo.
Esse é o preço de aprender uma profissão ou habilidade e então trabalhar 
pelo dinheiro. A maioria das pessoas se torna escrava do dinheiro... e fica zangada 
com o patrão.
Passar a vida com medo, não explorando jamais seus sonhos, é cruel. 
Trabalhar arduamente por dinheiro, pensando que este comprará aquilo que lhes 
trará felicidade, é também cruel.
TÓPICO 3 | O ATIVO, PASSIVO E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
41
Veja como o dinheiro conduz a vida das pessoas. Não deixe o dinheiro 
dominar suas vidas. Acordar no meio da noite, apavorado com as contas a pagar, 
é uma forma de vida horrível. Viver uma vida determinada pelo montante de seu 
contracheque não é realmente viver. 
Pensar que um emprego o fará sentir-se seguro é mentir para você mesmo.
As escolas estão preocupadas em ensinar as pessoas a trabalhar pelo 
dinheiro e não a controlar o poder do dinheiro. O emprego é uma solução a curto 
prazo para um problema de longo prazo. Você precisará de dinheiro a sua vida 
inteira, por isso longo prazo. E você precisa se decidir sobre isso.
Há o medo e a ignorância em relação ao dinheiro. Da mesma forma que 
faziam seus pais, eles acordam toda manhã e vão trabalhar por dinheiro. Não têm 
tempo de se perguntar se há outra maneira. Suas emoções estão no controle de seu 
pensamento, não suas cabeças. Ouvimos coisas como: “Bem, todo o mundo tem 
que trabalhar”. Ou: “Os ricos são desonestos”. Ou: “Vou procurar outro emprego”. 
Ou: “Eles não vão me passar para trás”. Ou: “Gosto deste emprego porque é 
seguro”. Em lugar de perguntar com “O que é que estou perdendo aqui?”, o que 
interromperia o Pensamento Irracional e daria tempo de pensar com clareza.
O dinheiro é uma ilusão, como a cenoura para o burro puxar a carroça. O 
dinheiro é uma ficção. É em virtude do medo e da ambição que milhões de pessoas 
aceitam a ilusão de que o dinheiro é real. 
Use a cabeça; um imóvel é dinheiro! Seu carro é dinheiro! Ações são 
dinheiro! Sua mente é dinheiro! O que você quiser que seja dinheiro, será!
Quero chegar a um ponto em que a minha riqueza continuará aumentando 
automaticamente, ficando bem à frente da inflação. Acho que isso representa 
LIBERDADE. Os ativos (mais à frente entenderá o conceito de ATIVOS, caso você 
não tenha noção) são suficientemente grandes para crescerem por si próprios. 
É como plantar uma árvore. Você a rega durante anos e, então, um dia, ela não 
precisa mais disso. Suas raízes são suficientemente profundas. Então, a árvore lhe 
proporciona sombra para seu prazer.
Lição Nº 2: Para que Alfabetização Financeira?
As pessoas se preocupam excessivamente com dinheiro e não com sua 
maior riqueza, a educação. Se as pessoas estiverem preparadas para serem 
flexivas, mantiverem suas mentes abertas e aprenderem, elas se tornarão cada vez 
mais ricas ao longo dessas mudanças. Se elas pensarem que o dinheiro resolverá 
seus problemas, receio que terão dias difíceis. A inteligência resolve problemas e 
gera dinheiro. O dinheiro sem a inteligência financeira é dinheiro que desaparece 
depressa.
42
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
O que importa na vida não é quanto dinheiro você ganha, mas quanto 
dinheiro você conserva.
A contabilidade é possivelmente um dos assuntos mais áridos do mundo. 
E pode também ser o mais confuso. Mas se você quiser ser rico, pode ser o assunto 
mais importante. Apesar de que o contador olha para os números, demite gente e 
aniquila o negócio. Tudo o que eles pensam é cortar custos e aumentar os preços, 
o que causa mais problemas; ainda assim você precisa dominar a contabilidade!
Regra número um é a única regra. Você tem que conhecer a diferença entre 
um Ativo e um Passivo e comprar Ativos. Se você quer ficar rico, você tem que ler 
e entender os números. Os Ricos adquirem Ativos e os Pobres e a Classe Média 
adquirirem obrigações.
Padrão do Fluxo de Caixa de Ativo (Pai Rico):
● Compram Ativos  Gerando Receitas.
● Evitam Passivos  Economizando Despesas.
Padrão de Fluxo de Caixa de um Passivo (Pai Pobre):
● Compram Passivos  Gerando Despesas.
● Evitam os Ativos  Não Geram Receitas.
ATIVO É TUDO AQUILO QUE COLOCA DINHEIRO NO SEU BOLSO,PASSIVO É TUDO AQUILO QUE TIRA!
FONTE: Adaptado de: Kiyosaki e Lechter (2004, p. 40)
43
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico estudamos e aprendemos que:
● Os bens e direitos formam um conjunto de elementos chamado de ATIVO.
● As obrigações formam o PASSIVO.
● O Patrimônio Líquido (PL) é soma dos Bens + Direitos (-) Obrigações ou Ativo (-) 
Passivo.
● O Patrimônio Líquido representa a riqueza da entidade.
● O Patrimônio possui diversos estados, os quais, em determinados momentos, 
podem ser: positivos, negativos e nulos.
44
1 Quando ocorre Situação Líquida Nula?
2 Quando ocorre Situação Líquida Superavitária?
3 Quando ocorre Situação Líquida Deficitária?
AUTOATIVIDADE
45
TÓPICO 4
CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico vamos estudar contabilidade através de uma metodologia 
chamada de “balanços sucessivos”. Por essa metodologia teremos condições 
de entender todo o processo das modificações do patrimônio das entidades. A 
metodologia leva em conta que a cada operação realizada pela entidade se faz a 
alteração e a elaboração de um novo balanço. 
No final do tópico vamos estudar, ainda, alguns conceitos de “capital”, 
fundamental para o entendimento da estrutura patrimonial das entidades.
2 A CONSTITUIÇÃO DE UMA EMPRESA
Prezado(a) acadêmico(a), a partir de agora vamos vivenciar algumas 
questões que ocorrem no dia a dia de uma empresa. Para isso, iremos simular 
algumas operações comuns que ocorrem nas empresas. Porém, primeiramente, 
precisamos entender como nasce, como surge uma empresa.
As empresas não surgem do nada. Antes de tudo, é necessário que haja 
uma ideia genial de negócio a ser explorado. 
Num segundo momento é necessário um estudo adequado para verificar se 
o negócio a ser explorado é viável economicamente. Isso se faz com um projeto de 
viabilidade, onde se estuda todas as variáveis favoráveis e desfavoráveis ao sucesso 
do empreendimento, como, por exemplo: análise dos concorrentes da região, 
análise dos possíveis clientes da região, análise dos fornecedores de materiais ou 
produtos, análise do ponto comercial etc. Um estudo minucioso também deve ser 
feito para avaliar o valor do dinheiro (capital) necessário para implantar e iniciar 
as atividades empresariais.
46
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
Falamos na palavra capital. E o que vem a ser capital? 
A palavra capital possui diversos conceitos, os quais serão estudados mais 
adiante. Porém, o investimento inicial feito para constituir ou criar uma empresa, 
e registrado pela contabilidade, é denominado de capital nominal ou capital social, 
que corresponde ao patrimônio líquido inicial. 
Lembro que esse capital social é colocado à disposição da nova entidade 
(empresa), criada pelos sócios (donos) da empresa, e esse capital só sofrerá 
alterações quando os donos realizarem investimentos adicionais (aumentos de 
capital) ou quando retirarem o dinheiro investido (diminuições de capital).
3 CONTABILIZANDO AS OPERAÇÕES DE UMA EMPRESA
3.1 CONTABILIZANDO A CRIAÇÃO DA EMPRESA
Para iniciarmos, vamos imaginar que em 01/02/2010 os colegas Fulano 
X e Fulano Y uniram-se para constituir uma empresa no ramo de prestação de 
serviços de conserto de calçados, a qual denominaram de Cia. UNI – Consertos 
de Calçados. Cada sócio disponibilizou 30.000 de capital em dinheiro, que ao todo 
totalizou 60.000,00.
Diante dessa situação, vamos observar como ficará representado o primeiro 
balanço patrimonial da nossa empresa após a sua constituição:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 01/02/2010
ATIVO PASSIVO 
 Caixa 60.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital Social 60.000
Total 60.000 Total 60.000
ATENCAO
TÓPICO 4 | CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
47
Sabemos que o primeiro investimento que os sócios fazem é denominado 
capital social. O capital social é originado dos próprios sócios. Esse capital que tem 
essa origem deve ser classificado/contabilizado no patrimônio líquido e, ao mesmo 
tempo, deve ser aplicado ou investido na nova empresa recém-criada. 
Essa aplicação vai aparecer no ativo, em bens e/ou direitos. Portanto, nesse 
caso temos uma origem de 60.000,00 proveniente dos sócios e uma aplicação de 
60.000,00 colocada à disposição da empresa em forma de dinheiro em caixa. Assim:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 01/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 60.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital Social 60.000
Total 60.000 Total 60.000
Aplicações dos Recursos Origens dos recursos
A partir deste momento, a nova empresa passa a ter autonomia para 
movimentar seus recursos, logicamente com a gerência dos sócios. Cabe destacar 
que os recursos que estão à disposição da nova empresa ficam desvinculados dos 
sócios, pois a propriedade do dinheiro é da empresa.
3.2 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE IMÓVEL
A empresa, no dia 03/02/2010, resolve adquirir uma sala comercial para 
a instalação de sua loja com a finalidade de dar um bom atendimento a seus 
clientes. A aquisição da sala foi com recursos próprios e se deu pelo valor de 
23.000,00 pagos à vista.
48
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
Vejamos então como ficará nosso balanço patrimonial após essa operação:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 03/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 37.000
 Imóveis 23.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital Social 60.000
Total 60.000 Total 60.000
Veja que, com o pagamento à vista, nossos recursos que estavam à 
disposição no caixa (60.000,00) diminuíram no valor do desembolso e ao mesmo 
tempo passamos a ter um novo bem (imóvel – sala comercial), no valor de 23.000. 
Note que o valor total do ativo permanece o mesmo (60.000), pois esse é o recurso 
que está à disposição da empresa.
Note também que há uma origem (caixa) e uma aplicação (imóvel) de recursos no 
valor de 23.000,00.
3.3 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS
No dia 05/02/2010 a empresa adquiriu algumas máquinas e equipamentos 
para serem utilizados nos trabalhos. Essas máquinas custaram 32.000,00 e também 
foram pagas à vista. Veja como ficará a situação patrimonial da Cia. UNI:
ATENCAO
IMPORTANT
E
TÓPICO 4 | CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
49
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 05/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 5.000
 Imóveis 23.000
 Máquinas 32.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital Social 60.000
Total 60.000 Total 60.000
Da mesma forma que a situação anterior, passamos a ter um novo bem 
nos investimento da Cia UNI. As máquinas (aplicações de recursos) no valor de 
32.000,00 e nosso caixa (origens dos recursos) em menos 32.000,00. 
Pergunto a você: O “patrimônio” da Cia. UNI sofreu modificações desde a 
sua constituição? O “patrimônio líquido” da Cia UNI sofreu modificações desde 
a sua constituição? Mais adiante discutiremos essas questões.
3.4 CONTABILIZANDO A AQUISIÇÃO DE MÓVEIS E 
UTENSÍLIOS
Seguindo suas atividades, a Cia. UNI adquiriu, no dia 08/02/2010, móveis 
e utensílios (mesas, cadeiras e escrivaninhas) para melhor desenvolver suas 
atividades. O valor da compra totalizou 7.000,00 e, na falta de recursos no caixa, 
efetuou a compra a prazo. 
Vejamos o balanço patrimonial:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 08/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 5.000 Duplicatas a pagar 7.000
 Imóveis 23.000
 Máquinas 32.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Moveis e utensílios 7.000 Capital Social 60.000
Total 67.000 Total 67.000
50
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
Nesta operação também houve o ingresso de mais um bem no patrimônio 
da empresa (aplicação de recursos). Quem proporcionou a entrada desse bem foi o 
fornecedor de móveis, que, na verdade, representa a origem desses novos recursos. 
Notamos que o ativo aumentou em 7.000,00. Até então os recursos usados pela 
empresa eramos 60.000,00 investidos pelos sócios no início das atividades.
Voltando à pergunta feita anteriormente. O patrimônio da Cia. UNI sofreu 
alterações desde a sua criação?
Sim. O patrimônio é como se fosse uma célula que constantemente sofre mutações. 
Veja quantas mudanças ele sofreu desde o dia 01/02 até o dia 08/02. Ele é representado pelo 
balanço patrimonial que, no momento de sua elaboração, representa uma posição estática. 
É como se tirássemos uma fotografia e congelássemos a imagem em um determinado 
momento, porém, as mutações/modificações continuam a acontecer. 
E o patrimônio líquido, sofreu alterações?
Não. O patrimônio líquido permanece o mesmo desde o início. Lembro que 
ele só sofrerá alterações se os sócios aumentarem o capital da empresa, injetando mais 
recursos, ou retirarem o dinheiro que deixaram à disposição da empresa.
Poderemos confirmar isso pela fórmula:
PL = B + D – O ou PL = A – P
PL = 67.000,00 + 0,00 – 7.000,00
PL = 60.000,00
PL = 67.000,00 – 7.000,00
PL = 60.000,00
3.5 CONTABILIZANDO A VENDA DE UM BEM
Seguindo com suas atividades, em 10/02/2010 a empresa vendeu sua sala 
comercial, mudando-se para uma sala alugada. A venda da sala de sua propriedade 
foi a prazo, pelo valor de 24.000,00. Note que a sala possuía um valor registrado 
pela contabilidade no valor de 23.000,00. 
UNI
UNI
TÓPICO 4 | CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
51
Notamos, nessa operação, que a empresa obteve uma vantagem, comprou 
por 23.000,00 e vendeu por 24.000,00. Essa vantagem é chamada de lucro. O lucro 
é um dos principais objetivos a serem alcançados pelas empresas. É ele que ajuda 
a manter as atividades operacionais das empresas e faz com que a riqueza e o 
patrimônio efetivamente cresçam. 
Então teremos o seguinte balanço patrimonial para representar, após esta 
operação:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 10/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 5.000 Duplicatas a pagar 7.000
 Máquinas 32.000
 Móveis e utensílios 7.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Duplicatas a receber 24.000 Capital Social 60.000
 Lucros 1.000
Total 68.000 Total 68.000
Note que trocamos um ativo (bem  imóveis) de 23.000,00 por outro ativo 
(direito  duplicatas a receber) no valor de 24.000,00. Temos neste caso duas 
origens. Uma de 23.000,00 (imóveis) e outra de 1.000 (lucro) proporcionado por 
uma vantagem obtida na venda de um ativo, o qual proporciona um aumento 
no patrimônio líquido. Esse aumento corresponde ao aumento na riqueza 
líquida da empresa.
Da mesma forma, se a venda fosse feita por 21.000, teríamos um prejuízo de 
2.000,00 (21.000,00 – 23.000,00 = -2.000,00). Esse prejuízo de 2.000,00 teria um afeito 
negativo no patrimônio líquido, provocando uma diminuição na riqueza líquida da empresa. 
3.6 CONTABILIZANDO O PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA
Em 15/02/2010 a empresa efetuou o pagamento parcial da dívida que 
possuía. O pagamento efetuado foi no valor de 3.000,00. Então teremos o seguinte 
balanço patrimonial:
IMPORTANT
E
52
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 15/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 2.000 Duplicatas a pagar 4.000
 Máquinas 32.000
 Móveis e utensílios 7.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Duplicatas a receber 24.000 Capital Social 60.000
 Lucros 1.000
Total 65.000 Total 65.000
Neste caso, vemos os recursos aplicados no caixa (3.000) serem 
disponibilizados para o pagamento das dívidas da empresa. Aqui, as origens de 
recursos são o caixa e as aplicações são as duplicatas a pagar.
3.7 CONTABILIZANDO O RECEBIMENTO DE UM DIREITO
No dia 20/02/2010 a empresa recebeu o valor parcial de 10.000,00 
relacionados à venda da sala comercial. Então:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 20/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 12.000 Duplicatas a pagar 4.000 (*3)
(*4) Máquinas 32.000
 Móveis e utensílios 7.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Duplicatas a receber 14.000 Capital Social 
(*1)
60.000
 Lucros 1.000 (*2)
Total 65.000 Total 65.000
Notamos, neste caso, a diminuição no valor de duplicatas a receber (origem) 
em 10.000,00 e a respectiva destinação dos valores para o caixa (aplicação).
TÓPICO 4 | CONTABILIZANDO COM BALANÇOS SUCESSIVOS
53
4 CONCEITO DE CAPITAL
Também chamado de capital nominal, é o valor colocado à disposição 
da empresa pelos proprietários. No balanço da Cia. UNI (*1) ele aparece junto 
ao patrimônio líquido. É a primeira origem de recursos necessária ao início das 
atividades operacionais da empresa.
4.2 CAPITAL PRÓPRIO 
O capital próprio (*2) é composto pelos elementos que fazem parte do 
patrimônio líquido e abrange o capital inicial (capital social) investido pelos 
proprietários, bem como suas variações, que são compostas pelos lucros, quando 
positivas, ou pelos prejuízos, quando negativas. 
Podemos entender isso muito bem analisando o balanço da Cia. UNI. No 
balanço no item 3.5, quando ocorreu a venda de um bem com valor superior ao 
seu custo de aquisição. O capital próprio da empresa aumentou para 61.000,00 
(Capital social + lucros). Podemos entender que o aumento de 1.000,00 corresponde 
a um resultado de uma atividade empresarial, a qual tem a responsabilidade de 
proporcionar o aumento da riqueza da empresa com as suas operações. Isso também 
é justo do ponto de vista do proprietário, que investiu um capital de 60.000,00 e 
começa a ver que esse investimento está lhe proporcionando rendimentos. 
Podemos relacionar isso ao momento em que abrimos uma conta de 
poupança em um banco e colocamos no início um certo valor. Esse valor todo o mês 
cresce um pouquinho, pela renda proporcionada pelos juros, ou seja, temos o capital 
investido mais o rendimento ganho.
4.3 CAPITAL DE TERCEIROS
O capital de terceiros (*3) corresponde a todas as dívidas ou obrigações 
exigíveis que a empresa possui e, portanto, possui também a obrigação de quitá-las 
em um determinado momento, quando do seu vencimento. O capital de terceiros 
representa os investimentos feitos na empresa, com recursos provenientes de 
terceiros. Nesse contexto, terceiros significa o conjunto de pessoas físicas 
4.1 CAPITAL SOCIAL
Também chamado de capital nominal, é o valor colocado à disposição 
da empresa pelos proprietários. No balanço da Cia. UNI (*1) ele aparece junto 
ao patrimônio líquido. É a primeira origem de recursos necessária ao início das 
atividades operacionais da empresa.
54
UNIDADE 1 | A CONTABILIDADE, O PATRIMÔNIO E AS CONTAS
ou jurídicas com que a empresa tem dívidas: funcionários (salários), bancos 
(empréstimos bancários), governo (impostos), fornecedores de mercadorias 
(fornecedores) etc.
No caso da Cia. UNI, observamos que no item 3.4 houve a aquisição de 
bens que foram investidos no ativo, os quais foram financiados por terceiros. Estes 
venderam à Cia. UNI sem que houvesse o recebimento, ou seja, é dinheiro alheio 
que está investido no ativo da UNI.
O passivo exigível representa o endividamento da empresa e seu 
crescimento descontrolado pode levar a empresa a ter sérios problemas em honrar 
seus compromissos, levando-a à falência.
Não é bom ter dívidas, porém em determinados momentos se faz necessário 
e o uso eficiente dos capitais de terceiros pode trazer inúmeros benefícios à empresa.
4.4 CAPITAL TOTAL À DISPOSIÇÃO DA EMPRESA
O Capital total à disposição da empresa corresponde aos capitais próprios 
(*2) mais os capitais de terceiros (*3), os quais estão à disposição (disponíveis 
no ativo) ou investidos no ativo em forma de bens e direitos (*4). Sendo assim, 
podemos dizer que o capital é o conjunto de valores disponíveis pela empresa em 
um determinado momento.
Todos os recursos que entram numa empresa passando pelo passivo (capitais 
de terceiros) e pelo patrimônio líquido (capital próprio) representam as origens de 
recursosque, por sua vez, são investidos no ativo, que representam as aplicações.
55
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você estudou que:
● Podemos entender e contabilizar algumas operações realizadas por uma 
empresa com a utilização da metodologia de balanços sucessivos. 
● O capital que o dono da empresa coloca à disposição para abrir um negócio é 
chamado de Capital Social. 
● O dinheiro que é emprestado e que está investido na empresa é chamado de 
Capital de Terceiros.
● A junção do Capital Próprio e do Capital de Terceiros corresponde ao Capital 
Total à disposição da empresa, o qual encontra-se investido no Ativo.
56
AUTOATIVIDADE
1 Os amigos Pedro X, Bento Y e seu filho Zé da Esquina resolveram organizar 
uma empresa e a denominaram de Pedro Bento e Cia. Ltda. A empresa foi 
criada e desenvolveu diversas operações, as quais você deverá resolver 
utilizando a técnica de balanços sucessivos. Então vamos lá:
a) Em 10/01/2011 houve a integralização do capital social em moeda corrente, 
no valor de 45.000,00.
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
b) Em 15/01/2011 a empresa comprou um imóvel no valor de 33.000. Por esse 
imóvel foram pagos à vista 10.000, e o restante, mediante o aceite de uma 
duplicata, será pago futuramente.
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
57
c) No dia 16/01/2011 houve a compra de móveis e utensílios para a instalação 
da empresa. Para isso foram pagos 15.000 à vista.
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
d) Em 18/01/2011 foi adquirido a prazo um veículo da concessionária ABC pelo 
valor de 20.000. 
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
e) No dia 22/01/2011 a empresa solicitou ao Banco ZZ um empréstimo no 
valor de 6.000. O banco concedeu o empréstimo, liberando os recursos em 
dinheiro vivo.
Assista ao vídeo de
resolução da questão 1
58
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
f) No dia 25/01/2011 os sócios aumentaram o capital da empresa, colocando à 
disposição mais 14.000 em dinheiro.
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
g) No dia 26/01/2011, mediante os recursos obtidos pelo aumento de capital e o 
empréstimo realizado, quitaram 50% da dívida assumida na letra b.
59
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
h) No dia 27/01/2011 houve a venda do veículo pelo valor de 21.000, a prazo.
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
i) No dia 30/01/2011 a empresa recebeu parcialmente 10.000 relativos aos 
valores a receber da venda do veículo (item anterior). 
60
BALANÇO PATRIMONIAL – Pedro Bento e Cia. Ltda. – __/__/20__
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Total Total
2 Com base no balanço anterior, da letra i, responda:
Qual o valor do Capital de Terceiros?
Qual o valor dos Bens?
Qual o valor do Capital Próprio?
Qual o valor das Obrigações?
Qual o valor do Capital Total à disposição da empresa?
Qual o valor dos Direitos?
61
UNIDADE 2
A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS 
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você estará apto(a) a:
• compreender como o balanço patrimonial deve ser estruturado;
• entender o mecanismo da escrituração contábil;
• conhecer as contas e o processo de apuração de resultado 
 das entidades.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos e neles você encontrará os con-
ceitos relacionados ao balanço patrimonial, sua estrutura e a demonstração 
do resultado, bem como exercícios de fixação que serão desenvolvidos em 
cada tópico.
TÓPICO 1 – A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
TÓPICO 2 – RAZONETES E AS PARTIDAS DOBRADAS
TÓPICO 3 – AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO 
 DOS RESULTADOS
TÓPICO 4 – ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
Assista ao vídeo 
desta unidade.
62
63
TÓPICO 1
A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a)! O Balanço Patrimonial de uma empresa nada mais 
é do que sua fotografia, que mostra a situação da mesma em um determinado 
momento. Nessa fotografia é mostrado tudo o que a empresa possui e tudo 
que ela deve. Bastaria a qualquer momento, para obtermos o balanço de uma 
empresa, entrar nela e fazer uma relação de tudo o que ela possui e tudo o que 
ela deve. 
Na verdade, não é bem assim. Na unidade estudada anteriormente vimos 
que os balanços eram elaborados um após cada operação. Porém, na prática, existe 
a dificuldade de se preparar um balanço após cada operação. Uma empresa é um 
ente vivo, em que as operações ocorrem a cada momento. Imagine uma grande 
empresa, quantas operações acontecem num único dia? Manter uma contabilidade 
com balanços sucessivos seria inviável. Vamos estudar, nessa unidade, técnicas 
mais ágeis e práticas utilizadas pela contabilidade no sentido de também gerar 
informações mais rápidas.
Precisamos, em primeiro lugar, definir e conhecer a estrutura do balanço 
patrimonial, bem como a organização das contas a serem utilizadas pela 
contabilidade, objeto de estudo deste tópico.
64
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
Ativo Realizável a Longo Prazo (ARLP) Passivo Exigível a Longo Prazo (PELP)
Ativo Permanente (AP) Patrimônio Líquido (PL)
 Investimentos 
 Imobilizado 
 Diferido
Como Ficou
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
Ativo Não Circulante (ANC) Passivo Não Circulante (PNC)
 Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo
 Investimentos 
 Imobilizado Patrimônio Líquido (PL)
 Intangível
2 O BALANÇO PATRIMONIAL E SUA ESTRUTURA
O Balanço Patrimonial das empresas é estruturado de acordo com normas 
estabelecidas pela legislação brasileira. Recentemente, com o advento da Lei 
nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, o Balanço Patrimonial sofreu uma 
mudança na sua estrutura e forma de apresentação.
Tais mudanças visam a adequação às melhores práticas contábeis 
internacionais - (IASB) International Accounting Standards Board. A globalização 
dos negócios e o crescimento dos investimentos diretos estrangeiros, somados 
à formação de blocos econômicos, trazem consigo a necessidade de se ter um 
conjunto de normas contábeis internacionais que viabilizem a comparação de 
informações entre companhias de um mesmo grupo ou de grupos distintos no 
Brasil e no mundo.
As principais mudanças introduzidas no Balanço Patrimonial podem ser 
vistas comparativamente, a seguir:
Como Era
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
65
Assim, as principais mudanças são as seguintes:
a) apresentação do ativo em dois grandes grupos de contas: o Ativo Circulante e o 
Ativo não Circulante;
b) apresentação do passivo em três grandes agrupamentos de contas: o Passivo 
Circulante, o Passivo não Circulante e o Patrimônio Líquido;
c) extinção da nomenclatura Ativo Permanente, substituindo-a pela nomenclatura 
Ativo não Circulante;
d) criação do subgrupo Intangível no Ativo não Circulante, cujos itens que o 
compõem serão destacados do Imobilizado;
e) extinção dos grupos específicos do Realizável a Longo Prazo e do Exigível a Longo 
Prazo;
f) incorporação do Realizável a Longo Prazo como subgrupo do Ativo não 
Circulante;
g) incorporação do Exigívela Longo Prazo como subgrupo do Passivo não 
Circulante.
O Ativo Circulante corresponde à relação de bens e direitos que a empresa 
possui e que poderá transformar em dinheiro no prazo de até um ano, após o 
término do exercício social (normalmente em 31/12). São classificados aqui o 
dinheiro em caixa ou no banco, as aplicações financeiras, as duplicatas a receber 
(clientes), os estoques, enfim, todos os bens e direitos que se transformarão em 
dinheiro no curto prazo. O Ativo Circulante é o grupo que gera dinheiro para a 
empresa pagar suas contas no curto prazo.
Assim, curto prazo, na contabilidade, corresponde normalmente ao período de 
até um ano, após o término do exercício social. Se efetuarmos uma venda a nosso cliente 
com prazo de 90 dias (curto prazo), teremos então uma duplicata a receber, que será 
classificada no Ativo Circulante.
IMPORTANT
E
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
66
O Ativo Não Circulante corresponde aos itens que serão realizados ou 
transformados em dinheiro a longo prazo, normalmente em período superior a um 
ano, após o termino do exercício social. Se efetuarmos uma venda a nosso cliente 
com prazo de recebimento estabelecido para daqui a 450 dias (longo prazo), temos 
então uma duplicata a receber a ser classificada no Ativo Realizável a Longo Prazo. 
Além do ativo realizável a longo prazo, o “Ativo Não Circulante” compreende 
também outros elementos patrimoniais que dificilmente se transformarão em 
dinheiro, pois não se destinam à venda e são elementos utilizados como meio 
de produção ou meios para se obter renda para a empresa. São geralmente 
destinados à geração e manutenção das atividades operacionais da empresa. 
São os bens e direitos dos quais a empresa não tem intenção de se desfazer. Tais 
ativos são adquiridos para a geração de recursos e manutenção de suas atividades. 
Logicamente, o fato de um ativo ser classificado como permanente não proíbe a 
organização de vendê-lo, afinal, a contabilidade deve registrar os fatos para gerar 
informações e não impor regras. Fazem parte ainda: 
a) Investimentos – os investimentos são aplicações que não têm relação direta com as 
atividades da empresa, porém, são permanentes. Como exemplo, podemos citar: 
participação em outras empresas, das quais detém ações ou quotas; terrenos comprados 
para especulação; obras de arte etc.
b) Imobilizado – no imobilizado são classificados os bens destinados à manutenção 
da atividade principal da empresa, ou seja, os bens que auxiliam a empresa na 
geração e manutenção de sua atividade operacional. São exemplos: os terrenos 
para uso; as máquinas; os equipamentos; os veículos; os móveis e utensílios; os 
prédios em uso etc.
c) Intangível – a Lei 11.638/07, complementada pela MP 449/08, eliminou a figura do 
Ativo diferido e inseriu o grupo “Ativo Intangível.” Foi uma das alterações mais 
significativas nas adaptações das práticas contábeis brasileiras para as práticas 
internacionais da contabilidade. Assim, são considerados ativos intangíveis os 
direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção das 
atividades empresariais. Portanto, não são bens físicos, que são tangíveis, mas 
sim, direitos incorpóreos (sem corpo, sem físico) que têm valor econômico para 
a empresa e que produzem resultados futuros.
O Passivo é dividido em duas partes, organizadas de acordo com o grau de 
exigibilidade: o passivo circulante e o passivo exigível a longo prazo.
O Passivo Circulante é composto pelas dívidas que a empresa possui e que 
deverão ser pagas em período menor do que um ano. Dentre essas contas a pagar, 
as mais comuns são:
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
67
a) Fornecedores: são as dívidas assumidas na ocasião da compra de mercadorias a 
serem revendidas posteriormente. Assumimos dívidas com nossos fornecedores.
b) Empréstimos a pagar: são as dívidas assumidas ligadas a empréstimos obtidos 
em dinheiro.
c) Financiamentos a pagar: são dívidas assumidas para a aquisição direta de 
determinados bens.
d) Salários a pagar: são valores que a empresa tem a pagar aos seus colaboradores 
relativos ao mês trabalhado e ainda não recebido. Isso ocorre porque a lei 
determina que os salários devam ser pagos até o quinto dia útil do mês seguinte 
ao mês trabalhado.
O Passivo Não Circulante, antes do advento da Lei 11.638/07, era 
denominado de “Passivo Exigível a Longo Prazo”. Caracterizava-se pela 
classificação das obrigações vencíveis a mais de 365 dias da data do balanço 
patrimonial. Em princípio, podemos dizer que todos os itens constantes no Passivo 
Circulante podem vir a ser também Passivos Não Circulantes, caso as datas de 
seus vencimentos superem mais de um ano da data do balanço a ser encerrado. 
Iremos relacionar as dívidas que vencerão num prazo superior a um 
ano. Neste grupo, basicamente são relacionadas as mesmas contas do Passivo 
Circulante, diferenciando-se apenas pelo prazo de pagamento. As dívidas com 
prazo para pagamento acima de 12 meses são classificadas nesse grupo.
Por fim, o Patrimônio Líquido, já conhecido e estudado anteriormente, 
que é composto pelos recursos que os sócios aplicaram na empresa, mais os lucros 
gerados pelas atividades empresariais. 
Cabe ressaltar que cada um dos grupos estudados anteriormente pode ser 
ainda dividido em subgrupos, e estes, ainda, em outras divisões, como podemos 
observar no balanço patrimonial exemplificado a seguir:
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
68
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Empréstimos e Financiamentos
 Caixa 800,00 Empréstimos bancários a pagar 1.000,00
 Bancos 200,00 Leasing a pagar 255,00
 Clientes Fornecedores
 Duplicatas a receber 300,00 Fornecedores nacionais 950,00
 Estoques Obrigações Fiscais Sociais e 
Trabalhistas
 Matéria-prima 150,00 ICMS a recolher 95,00
 Mercadorias 300,00 INSS a recolher 85,00
1.750,00 FGTS a recolher 40,00
Ativo Não Circulante Salários a pagar 300,00
 2.725,00
 Realizável a Longo Prazo 820,00 Passivo Não Circulante
 Valores a receber 820,00 Exigível a Longo Prazo
 Títulos a receber Empréstimos e Financiamentos
 Investimentos Empréstimos em Moeda 
Estrangeira
540,00
 Participação Permanente na 
Cia. AB
725,00 540,00
 Imóveis para Renda 640,00 Patrimônio Líquido (PL)
 Obras de Arte 85,00 Capital Social
 Imobilizado Capital subscrito 2.635,00
 Terrenos 780,00 (-) Capital a integralizar (100)
 Veículos 700,00 Reservas
 (-) Depreciação Acumulada de 
Veículos
(140,00) Reservas de Capital 205,00
 Máquinas 900,00 Reservas de Lucros 215,00
 (-) Depreciação Acumulada de 
Máquinas
(90,00) 
 Intangível Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Marcas e Patentes 300,00 Lucros Acumulados 350,00
 Ponto de Comércio 100,00 3.305,00
4.000,00
TOTAL DO ATIVO 6.570,00 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 6.570,00
3 AS CONTAS 
Para Ribeiro (2009, p. 36), “conta é o nome dado aos componentes 
patrimoniais (bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido), [...]” é por meio 
das contas que a contabilidade consegue desempenhar seu papel de registrar e 
controlar todos os acontecimentos responsáveis pela gestão de seu patrimônio.
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
69
 Assim, conta é a representação contábil de elementos patrimoniais de 
natureza igual ou semelhante.
É importante ressaltar os aspectos operacionais que o contador deve levar em 
consideração na criação das contas, que são elementos que ele cria e dos quais se utiliza 
para melhor controlar opatrimônio de uma entidade. Para tanto, com o objetivo de 
conhecer o quanto a empresa deve, qual o valor que tem e quanto deve, quanto ganhou 
no último período, como foi o ganho do último período, o contador cria tantas contas 
quanto necessárias, para registrar todos os fatos que possibilitem buscar as respostas 
via Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. 
Dentro desse contexto, as contas que serão criadas para registrar os fatos 
nos livros contábeis são contas que representam os elementos do Ativo, Passivo e 
Patrimônio Líquido, mas também devem ser criadas contas que expliquem gastos 
e perdas do último período. Portanto, criam-se igualmente contas para representar 
as principais despesas e principais receitas.
O movimento da conta pode ser dividido em dois: movimento que 
aumenta e movimento que diminui o saldo. Utilizando a nomenclatura de “débito” 
e “crédito”, seriam dois tipos de movimento de contas: movimento a débito 
(aumentando saldos devedores e diminuindo saldos credores) e movimento a 
crédito (aumentando saldos credores e diminuindo saldos devedores).
4 O PLANO DE CONTAS
É chamado de “plano de contas” o conjunto de contas criado pelo contador, 
para atender às necessidades de registro das transações dos eventos econômicos, 
de forma a possibilitar a construção dos principais relatórios contábeis e atender a 
todos os usuários da informação contábil.
Esse conjunto de contas é chamado de “plano de contas”, porque, na 
realidade, ele é criado antecipadamente ao uso de tais contas. Por isso, o contador 
tem de planejar a estruturação do “plano de contas”, de maneira que a sua principal 
ferramenta seja criada para lhe possibilitar o melhor dos resultados no trato com as 
informações contábeis. 
Um “plano de contas” contábil tem como função principal possibilitar 
adequada forma de controle do patrimônio da entidade contabilizada. Essa forma 
de controle se fará pelo registro de todas as transações dos eventos econômicos, 
em “contas” através dos livros contábeis de maneira que se tenha, rápida e 
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
70
5 A ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTAS
O contador, quando vai montar o “plano de contas” da entidade que está 
sob sua responsabilidade, deverá ter em mente certos parâmetros, com o intuito de 
construir sua ferramenta da melhor forma possível.
Esses cuidados têm como base os principais usuários da informação 
contábil. Apesar de ser sua função registrar os fatos, o contador não pode impor 
sua vontade na elaboração de um plano de contas. Deve sempre consultar seus 
usuários, partindo do conhecimento total dos objetivos da empresa e de suas 
atividades principais. Feito isso, podemos listar alguns cuidados básicos na 
elaboração de um plano de contas:
a) deve atender primariamente às necessidades específicas de cada empresa e às 
necessidades de informação dos principais usuários dos relatórios;
b) a classificação deve partir do geral para o particular;
c) deve ser codificado;
d) os agrupamentos devem ser feitos pensando nos relatórios que deles se 
originarão; 
e) os títulos das contas utilizados devem refletir imediatamente os elementos 
patrimoniais que representam – devem ser claros e sucintos;
f) deve ter flexibilidade (margem para ampliação) e operacionalidade.
Como sabemos, o Balanço Patrimonial é composto por duas colunas. 
A coluna da esquerda, que representa o Ativo, e a da direita, que representa o 
Passivo e o Patrimônio Líquido. Até a unidade anterior, elaborávamos o Balanço 
Patrimonial sem nenhuma preocupação com relação à ordem e organização 
das contas. Colocando as contas de forma desordenada, certamente teremos 
dificuldades em analisar as informações do balanço. 
precisamente, o valor e a descrição dos elementos patrimoniais da entidade, além 
do valor da descrição dos principais fatores de gastos e recebimentos.
Assim, podemos dizer que a função básica de um “plano de contas” 
é promover o registro das transações dos eventos econômicos de forma a criar 
condições ótimas de classificação e acumulação de dados.
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
71
A partir de agora iremos elaborar o Balanço Patrimonial organizando as contas 
do ativo em ordem decrescente do grau de liquidez, ou seja, quanto mais líquidas 
(dinheiro ou transformáveis em dinheiro) forem as contas, em primeiro lugar elas 
serão apresentadas. Exemplificando, podemos dizer que um ativo como as duplicatas 
a receber são mais facilmente transformadas em dinheiro do que um ativo como as 
Máquinas e Equipamentos, que são bens de uso nas atividades operacionais. 
Já no passivo, as contas são organizadas em ordem decrescente do seu 
grau de exigibilidade, ou seja, as dívidas, quanto mais próximas à sua data de seu 
vencimento, em primeiro lugar serão apresentadas.
Para Marion (2008), plano de contas é o agrupamento ordenado de todas 
as contas que são utilizadas pela contabilidade dentro de determinada empresa. 
Portanto, o elenco de contas considerado é indispensável para os registros de todos 
os fatos contábeis.
Há que se destacar que cada empresa deve possuir seu plano de contas, adaptado 
à sua realidade empresarial. Uma empresa especializada em prestar serviços possui 
certamente um plano de contas diferente de uma empresa do setor industrial, e esta 
também diferentemente de uma empresa comercial. Porém, todas obedecem à mesma 
estrutura exigida pela legislação.
A seguir, apresentamos como modelo um plano de contas adaptado a 
empresas que exploram as atividades comerciais.
1 ATIVO 
1.1 ATIVO CIRCULANTE
1,1,1 ATIVO DISPONÍVEL
1,1,1,1 Caixa
1,1,1,2 Bancos Conta Movimento
1,1,1,3 Aplicações Financeiras
1,1,2 CLIENTES
1,1,2,1 Duplicatas a receber
1,1,2,2 (-) Duplicatas descontadas
1,1,2,3 (-) Provisão p/ Créditos de Liquidação Duvidosa
IMPORTANT
E
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
72
1,1,3 OUTROS CRÉDITOS
1,1,3,1 Títulos a receber
1,1,3,2 Cheques em cobrança
1,1,3,3 Dividendos propostos a receber
1,1,3,4 Juros a receber
1,1,3,5 Créditos de funcionários
1,1,3,5,1 Adiantamento de viagens
1,1,3,5,2 Adiantamento de salários
1,1,3,5,3 Adiantamento de 13° Salário
1,1,3,6 Impostos a recuperar
1,1,3,6,1 IPI a recuperar
1,1,3,6,2 ICMS a recuperar
1,1,3,6,3 IRRF a recuperar
1,1,4 ESTOQUES
1,1,4,1 Matéria-prima
1,1,4,2 Produtos em elaboração
1,1,4,3 Produtos acabados
1,1,4,4 Mercadorias
1,1,4,5 Importações em andamento
1,1,4,6 Adiantamento a fornecedores
1,1,5 DESPESAS DO EXERCÍCIO SEGUINTE
1,1,5,1 Prêmios de seguros a apropriar
1,1,5,2 Aluguéis pagos antecipadamente
1,1,5,3 Assinaturas de periódicos a apropriar
1,1,5,4 Despesas financeiras a apropriar
1,2 ATIVO NÃO CIRCULANTE
1,2,1 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
1,2,1,1 Clientes
1,2,1,2 Títulos a receber
1,2,1,3 Impostos a recuperar
1,2,1,4 Aplicações de Incentivos Fiscais
1,2,1,5 Participações não permanentes em outras empresas
1,2,2 INVESTIMENTOS
1,2,2,1 Participações Permanentes em Outras Cias.
1,2,2,2 Participações em Fundos de Investimentos (IF)
1,2,2,3 Terrenos e Imóveis para Futura Utilização
1,2,2,4 Imóveis para Renda
1,2,2,5 Obras de Arte
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
73
1,2,3 IMOBILIZADO
1,2,3,1 Terrenos
1,2,3,2 Edifícios
1,2,3,3 Instalações
1,2,3,4 Móveis e utensílios
1,2,3,5 Veículos
1,2,3,7 (-) Depreciações acumuladas
1,2,4 INTANGÍVEL
1,2,4,1 Marca Registrada
1,2,4,2 Ponto de Comércio
1,2,4,3 Patentes
1,2,5 DIFERIDO (*1)
1,2,5,1 Gastos Pré-Operacionais
1,2,5,2 Gastos de Organização e Reorganização
1,2,5,3 (-) Amortizações Acumuladas
2 PASSIVO 
2,1 PASSIVO CIRCULANTE
2,1,1 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
2,1,1,1 Financiamentos e empréstimos bancários
2,1,1,2 Juros a pagar de empréstimose financiamentos
2,1,1,3 Leasing a pagar
2,1,2 DEBÊNTURES
2,1,2,1 Debêntures conversíveis em ações
2,1,2,2 Debêntures não conversíveis em ações
2,1,2,3 Juros e participações
2,1,2,4 Deságio a apropriar (cd)
2,1,3 FORNECEDORES
2,1,3,1 Fornecedores nacionais
2,1,3,2 Fornecedores estrangeiros
2,1,4 OBRIGAÇÕES FISCAIS SOCIAIS E TRABALHISTAS
2,1,4,1 ICMS a recolher
2,1,4,2 IPI a recolher
2,1,4,3 Provisão para Imposto de Renda
2,1,4,4 Contribuição Social a recolher
2,1,4,5 PIS a recolher
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
74
2,1,4,6 ISS a recolher
2,1,4,7 COFINS a recolher
2,1,4,8 Outros Impostos e taxas a recolher
2,1,4,9 INSS a recolher
2,1,4,10 FGTS a recolher
2,1,4,11 Salários a pagar
2,1,4,12 Provisão para férias
2,1,4,13 Provisão para 13º salário
2,1,5 OUTRAS OBRIGAÇÕES
2,1,5,1 Dividendos a pagar
2,1,5,2 Gratificações e participações de empregados e administradores
2,1,5,3 Juros a pagar
2,1,5,4 Aluguéis a pagar
2,1,5,5 Seguros a pagar
2,1,5,6 Empresas fornecedoras de água
2,1,5,7 Empresas fornecedoras de energia elétrica
2,1,5,8 Empresas fornecedoras de telefonia
2,2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE
2,2,1 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
2,2,1,1 Empréstimos em moeda estrangeira
2,2,1,2 Empréstimos em moeda nacional
2,2,1,3 Títulos a pagar
2,2,1,4 Juros a pagar sobre empréstimos e financiamentos
2,2,2 DEBÊNTURES
2,2,2,1 Debêntures conversíveis em ações
2,2,2,2 Debêntures não conversíveis em ações
2,2,2,3 Juros e participações
2,2,2,4 Deságio a apropriar (cd)
2,3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
2,3,1 CAPITAL SOCIAL
2,3,1,1 Capital Subscrito
2,3,1,2 (-) Capital a Integralizar
2,3,2 AÇÕES EM TESOURARIA
2,3,2,1 Ações Ordinárias 
2,3,2,2 Ações Preferenciais
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
75
2,3,3,1 Ágio na Emissão de Ações
2,3,3,2 Doações e Subvenções 
2,3,3,3 Prêmio Recebido na Emissão de Debêntures
2,3,3,4 Alienação de Partes Beneficiárias
2,3,3,5 Correção Monetária do Capital
2,3,4 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO (*1)
2,3,4,1 Reavaliação de Terrenos
2,3,4,2 Reavaliação de imóveis
2,3,5 RESERVAS DE LUCROS
2,3,5,1 Reserva Legal
2,3,5,2 Reservas Estatutárias
2,3,5,3 Reservas para Contingências
2,3,5,4 Reservas de Lucros a realizar
2,3,6 LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
2,3,6,1 Lucros Acumulados 
2,3,6,2 Prejuízos Acumulados
3 RECEITAS 
3,1 RECEITAS GERAIS
3,1,1 RECEITA BRUTA DAS VENDAS
3,1,1,1 Venda de Mercadorias 
3,1,1,2 Venda de Serviços 
3,1,1,3 Venda de Produtos
3,1,2 (-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA
3,1,2,1 Impostos sobre Vendas
3,1,2,1,1 ICMS
3,1,2,1,2 IPI
3,1,2,1,3 ISS
3,1,2,1,4 PIS / COFINS
3,1,2,2 Devoluções e Abatimentos
4 CUSTOS 
4,1 CUSTOS GERAIS
4,1,1 CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS
4,1,1,1 Custo por Unidade de Mercadoria Vendida
4,1,1,2 Custo da Mercadoria Vendida c/ Base no Inventário
2,3,3 RESERVAS DE CAPITAL
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
76
5,1,1 DESPESAS COM VENDAS
5,1,1,1 Salários 
5,1,1,2 Comissões sobre vendas
5,1,1,3 Encargos sociais
5,1,1,4 Propaganda e publicidade
5,1,1,5 Fretes com entregas
5,1,1,6 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa
5,1,1,7 Reversão da Provisão p/ Créditos de Liq. Duvidosa
5,1,2 DESPESAS ADMINISTRATIVAS
5,1,2,1 Salários
5,1,2,2 Honorários da diretoria
5,1,2,3 Encargos sociais
5,1,2,4 Aluguel 
5,1,2,5 Depreciações
5,1,2,6 Manutenções
5,1,2,7 Material de escritório
5,1,2,8 Seguros
5,1,2,9 Energia elétrica
5,1,2,10 Água e esgoto
5,1,2,11 Telefone
5,1,2,12 Correios
5,1,2,13 Programa de alimentação
5,1,2,14 Vale-transporte
5,1,2,15 Jornais e revistas
5,1,2,16 Viagens e representações
5,1,2,17 Impostos e taxas diversas
5,1,2,18 Doações e contribuições
5,1,3 RESULTADOS FINANCEIROS LÍQUIDOS
5,1,3,1 Receitas Financeiras
5,1,3,1,1 Juros recebidos ou auferidos
5,1,3,1,2 Descontos obtidos
4,1,1,2,7 (-) Abatimentos s/ Compras
5 DESPESAS 
5,1 DESPESAS OPERACIONAIS
4,1,1,2,1 Estoque Inicial
4,1,1,2,2 Compras
4,1,1,2,3 Fretes s/ Compras
4,1,1,2,4 Seguros s/ Compras
4,1,1,2,5 (-) Estoque Final
4,1,1,2,6 (-) Devolução de Compras
TÓPICO 1 | A ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL
77
5,1,3,2,5 Despesa Financeira Comercial
5,1,3,2,6 Variação Cambial Passiva
5,1,4 RESULTADO NÃO OPERACIONAL
5,1,4,1 Ganhos ou Perdas na Alienação de Ativos Permanentes
5,1,4,2 Resultado da Equivalência Patrimonial
6 APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
6,1 APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
6,1,1 APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
6,1,1,1 Apuração do Resultado do Exercício
(*1) Para as empresas que optaram por manter e não estornar no balanço de adoção da Lei n. 
11.638/07.
Note que no plano de contas apresentado existe, na coluna da esquerda, 
uma codificação hierarquizada, iniciando pelo Ativo com o código 1 e, dentro do 
ativo, os dois grupos principais. 1,1 – Ativo Circulante e 1,2 – Ativo Não Circulante. 
Dentro do grupo Ativo Circulante temos subgrupos como 1,1,1 – Disponível 
e dentro do disponível, as contas: 1,1,1,1 – Caixa (conta mais líquida), 1,1,1,2 – 
Bancos conta movimento e assim segue.
A sequência de codificação de um plano de contas denominamos 
graduação do plano. Assim, a primeira codificação (1, 2, 3, 4, 5) para Ativo, Passivo, 
Receitas, Custos e Despesas, respectivamente, chamamos de plano de contas em 
primeiro grau. À medida que vamos detalhando o plano, denominamos plano de 
contas de segundo grau (para detalhamento do primeiro), de terceiro grau (para 
detalhamento do segundo), e assim por diante.
5,1,3,1,3 Receitas sobre aplicações financeiras
5,1,3,1,4 Receita Financeira Comercial
5,1,3,1,5 Variação Cambial Ativa
5,1,3,2 Despesas Financeiras
5,1,3,2,1 Juros pagos ou incorridos
5,1,3,2,2 Descontos concedidos
5,1,3,2,3 CPMF / IOF
5,1,3,2,4 Comissões e despesas bancárias
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
78
6 CONTAS SINTÉTICAS E ANALÍTICAS
São denominadas contas analíticas aquelas contas que representam os 
elementos patrimoniais em seu maior grau de detalhamento. Significa que a informação 
em seu nível de maior especificação está evidenciada nas contas analíticas. 
Normalmente, as contas analíticas constituem-se na maior graduação 
do plano de contas. No nosso exemplo, as contas analíticas são aquelas de 
quarto grau (no caso, a conta: 2,1,3,2) e em alguns casos de quinto grau (no 
caso, a conta: 5,1,3,2,4).
A conta analítica se configura quando a obtenção de seu saldo é conseguida 
através de lançamentos, ou seja, através do registro de cada fato administrativo.
As contas sintéticas são aquelas cujo saldo é conseguido através do 
somatório do saldo de duas ou mais contas analíticas, ou de duas ou mais contas 
sintéticas. 
Por conseguinte, as contas sintéticas não recebem lançamentos. 
Normalmente, se constituem nos planos de contas de menor grau. Quanto menor é 
o grau da conta, mais sintético é o seu saldo, ou seja, o saldo representa um resumo 
muito maior de outras contas.
Assim, a conta de “Passivo”, no nosso exemplo de “plano de contas”, é a 
conta mais sintética ou resumida possível. A conta “Passivo Circulante” e a conta 
“Fornecedores” são exemplos de outras contas que sintetizam informações de 
outras contas, cada uma no seu devido grau de resumo.
A finalidade da graduação do plano de contas é a definição de um sistema 
classificatório que permita o somatório dos saldos das contas. 
Assim, para se obter o saldo da conta de terceiro grau de fornecedores 
(2,1,3), somam-se todos os saldos das contas de quarto grau de fornecedores 
nacionais (2,1,3,1) e fornecedores estrangeiros (2,1,3,2). 
Os códigos são utilizados para elaborar os lançamentos contábeis em 
sistemas informatizados, o que facilita o processamento e agilizaa informação.
79
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico estudamos e aprendemos que:
● O Balanço Patrimonial possui uma estrutura preestabelecida. 
● Vimos que as contas do Ativo são organizadas de acordo com seu grau de 
liquidez, formando dois grandes grupos: o Ativo Circulante e o Ativo Não 
Circulante. Por outro lado, as contas do Passivo são organizadas pelo grau de 
exigibilidade e são compostas pelo Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e 
o Patrimônio Líquido.
● Entendemos também que curto prazo, em contabilidade, normalmente é o 
período até 12 meses após o encerramento do balanço, e longo prazo é o tempo 
acima de 12 meses. 
● Quanto às contas, vimos que para a boa ordenação e sistematização qualitativa 
e quantitativa do patrimônio é necessário ordená-las em plano de contas.
80
AUTOATIVIDADE
1 Complete as frases a seguir:
a) O........................................ representa os bens e ............................. que a 
empresa possui, sendo normalmente representado no lado ........................... 
..........do balanço.
b) O Ativo divide-se em dois grandes grupos, classificados em ordem de 
............................, que são o ............................. e o .................................... Este 
último grupo divide-se em quatro subgrupos, que são o .........................., o 
............................, o ..................................... e o .....................................
c) No lado direito temos o.........................................que é dividido em 
.............................. e ............................................ Este último representa as 
dívidas de .......................... prazo.
d) Já o..........................................................é composto pelos recursos próprios 
aplicados mais os lucros gerados pelas atividades operacionais da entidade.
2 Pesquise no Plano de Contas apresentado anteriormente, colocando seu 
código e o grupo e subgrupo em que é classificada.
Conta Código Grupo Subgrupo
Caixa 1,1,1,1 Ativo Circulante Disponibilidades
FGTS a recolher
Empréstimos: moeda
 estrangeira
Móveis e utensílios
Honorários da diretoria
Duplicatas a receber
Lucros acumulados
Água e esgoto 5,1,2,2 Despesas 
Operacionais
Despesas 
Administrativas
Aplicações financeiras
Receitas s/aplicações
 Financeiras
Fretes com entregas
Comissões sobre vendas
Assista ao vídeo de
resolução da questão 2
81
TÓPICO 2
RAZONETES E AS PARTIDAS DOBRADAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na unidade anterior vimos o funcionamento da contabilidade através 
da utilização de balanços sucessivos. Com os balanços sucessivos conseguimos 
entender como a contabilidade funciona, além de diversos conceitos contábeis. 
Vamos, a partir de agora, utilizar uma metodologia que nos permitirá efetuar a 
contabilidade de uma entidade com mais agilidade.
 
Basicamente, iremos controlar individualmente cada conta, registrando 
os aumentos e diminuições que ocorrem em cada uma delas, permitindo assim, 
a qualquer momento ou no final de um determinado período (semana, mês, 
semestre, ano), a elaboração de um balanço patrimonial. Evitaremos assim, a cada 
operação ocorrida na empresa, a elaboração do balanço patrimonial.
2 RAZONETES
O controle individual de cada conta será efetuado por “razonetes”, que 
nada mais são do que uma representação em forma resumida de um Livro Contábil 
obrigatório utilizado pela contabilidade, chamado de Livro Razão.
Os razonetes possuem a seguinte representação gráfica:
Nome da Conta
D C
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
82
Note bem que os razonetes possuem bastante semelhança com o balanço 
patrimonial. O lado esquerdo de uma conta é chamado de lado do débito e o lado 
direito de uma conta é chamado de lado do crédito. Portanto, um movimento de 
valor no lado esquerdo de uma conta é chamado de movimento ou lançamento 
a débito, e um movimento de valor no lado direito de uma conta é chamado de 
movimento ou lançamento a crédito.
3 PARTIDAS DOBRADAS
Para que possamos entender o funcionamento da contabilidade com a 
utilização dos razonetes, precisamos entender uma regra básica de movimentação 
dos valores nas contas.
A regra possui um mecanismo de funcionamento específico para as contas 
do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido e é a seguinte:
3.1 REGRA PARA AS CONTAS DO ATIVO
Para Contas do ATIVO
D C
Aumentos Diminuições
de valores de valores
+ -
Imagine, para exemplificar essa regra, uma operação envolvendo o 
pagamento de uma dívida. A conta CAIXA (conta do ativo) teria a necessidade de 
desembolsar um certo valor, assim o movimento ou o lançamento deste valor seria 
feito no lado direito. 
TÓPICO 2 | RAZONETES E AS PARTIDAS DOBRADAS
83
3.2 REGRA PARA AS CONTAS DO PASSIVO
Para Contas do PASSIVO
D C
Diminuições Aumentos 
de valores de valores
- +
Já a operação anterior, envolvendo o pagamento de uma dívida, para esta 
regra a dívida quitada provocaria uma movimentação ou um lançamento no lado 
esquerdo da conta do passivo, em função de sua diminuição de valor.
3.3 REGRA PARA AS CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Para Contas do PATRIMÔNIO LÍQUIDO
D C
Diminuições Aumentos 
de valores de valores
- +
Para as contas do patrimônio líquido, a regra de funcionamento é a mesma 
das contas do passivo, pois ambas são relacionadas no mesmo lado do balanço 
patrimonial. Imagine assim uma operação contábil onde houvesse um aumento de 
capital em dinheiro. Com essa operação teríamos um movimento em uma conta 
do PL (capital) no lado direito e um movimento em uma conta do Ativo (caixa) no 
lado esquerdo.
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
84
Temos então as seguintes operações:
a) Em 01/02/2010, os colegas Fulano X e Fulano Y uniram-se para constituir uma 
empresa, a Cia. UNI, com capital total em dinheiro no valor de 60.000,00.
b) No dia 03/02/2010 houve a aquisição de uma sala comercial para a instalação de 
sua loja, pelo valor de 23.000,00 pagos à vista.
c) No dia 05/02/2010 a empresa adquiriu algumas máquinas e equipamentos para 
serem utilizados nos trabalhos. Essas máquinas custaram 32.000,00 e também 
foram pagas à vista.
 
d) No dia 08/02/2010 houve a aquisição de móveis e utensílios, no valor de 
7.000,00, a prazo.
 
e) Em 10/02/2010 a empresa vendeu sua sala comercial. A venda de sala de sua 
propriedade foi a prazo, pelo valor de 24.000,00. Note que a sala possuía um 
valor registrado pela contabilidade no total de 23.000,00. Percebemos nessa 
operação que a empresa obteve uma vantagem, comprou por 23.000,00 e vendeu 
por 24.000,00. Essa vantagem é chamada de lucro. O lucro é um dos principais 
objetivos a serem alcançados pelas empresas. É ele que ajuda a manter as 
atividades operacionais das empresas e faz com que a riqueza e o patrimônio 
efetivamente cresçam. 
f) Em 15/02/2010a empresa efetuou o pagamento parcial da dívida. O pagamento 
efetuado foi no valor de 3.000,00.
g) No dia 20/02/2010 a empresa recebeu o valor parcial de 10.000,00 relacionados à 
venda da sala comercial. 
Para entendermos o processo de forma completa, vamos contabilizar todas as 
operações da Cia. UNI, já estudadas anteriormente em forma de balanços sucessivos na 
Unidade 1, bastando para isso acompanhar conforme a sequência de “a” a “g”.
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | RAZONETES E AS PARTIDAS DOBRADAS
85
Caixa - AC Capital – PL Imóveis – ANC
D C D C D C
a 60.000 23.000 b 60.000 a B 23.000 23.000 e
g 10.000 32.000 c
3.000 f
70.000 58.000 23.000 23.000
12.000 60.000 0,00 0,00
Soma dos débitos
Soma dos créditos
Saldo final da conta (70.000,00 – 58.000,00)
Máquinas e 
Equipamentos - ANC
Móveis e Utensílios – 
ANC
Duplicatas a pagar – 
PC
D C D C D C
c 32.000 d 7.000 F 3.0007.000 d
3.000 7.000
32.000 7.000 4.000
Duplicatas a receber - AC Lucros Acumulados - PL
D C D C
e 24.000 10.000 g 1.000 e
24.000 10.000
14.000 1.000
Veja a solução das operações nos razonetes a seguir. Para uma boa compreensão 
da solução, acompanhe sequencialmente letra por letra. 
DICAS
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
86
Para entendermos melhor as movimentações ocorridas nas contas acima, é 
necessário que não seja feito o vínculo com o conceito de débito e crédito do nosso 
dia a dia e usualmente aplicado.
 
A compreensão desses conceitos é importante para o entendimento e 
aplicação na contabilidade.
O Débito significa destino ou aplicação dos recursos. Sempre que recursos 
são aplicados, como a compra de bens, pagamento de dívidas, entre outros, existe 
um débito na conta correspondente ao item para o qual os recursos destinaram-se.
Já o Crédito significa origem de recursos. A fonte de recursos, seja 
proveniente dos sócios (capital social), a venda de serviços, a obtenção de um 
empréstimo, entre outros, implicará sempre um crédito na conta referente a essa 
origem de recursos. 
Diante da movimentação das contas nos razonetes, realizada anteriormente, 
surge o seguinte Balanço Patrimonial:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 20/02/2010
ATIVO PASSIVO
 Caixa 12.000 Duplicatas a pagar 4.000
 Máquinas 32.000
 Móveis e utensílios 7.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Duplicatas a receber 14.000 Capital social 60.000
 Lucros 1.000
Total 65.000 Total 65.000
87
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico aprendemos que:
● As contas são movimentadas, individualmente, registrando-se os aumentos 
e diminuições de acordo com uma regra estabelecida especificamente para as 
contas do Ativo Passivo e Patrimônio Líquido.
D C
Contas do Ativo ⇨ Aumentos (+) Diminuições (-)
Contas do Passivo ⇨ Diminuições (-) Aumentos (+)
Contas do Patrimônio Líquido ⇨ Diminuições (-) Aumentos (+)
● Toda a conta, além dos movimentos de aumentos e diminuições, apresenta 
no final um saldo que pode ser devedor ou credor. É saldo devedor quando 
o movimento a débito é maior que o movimento a crédito, e o saldo é credor 
quando o movimento a crédito for superior ao movimento a débito.
88
AUTOATIVIDADE
Resolva as operações contábeis a seguir utilizando a técnica de movimentação 
dos valores através de razonetes, seguindo a sequência apresentada, numerando 
os lançamentos nos respectivos razonetes.
Após todas as movimentações terem sido contabilizadas, apure o saldo final de 
cada conta e elabore o Balanço Patrimonial. 
Item Data Movimentações Contábeis
1 04/12/10 A Comercial Indiana, empresa constituída nesta data, recebe de seus sócios 
15.000, para integralização do capital inicial, composto pelos seguintes 
ativos: Dinheiro depositado no Banco do Sul – 10.000; Móveis e Utensílios 
– 5.000.
2 05/12/10 Adquire mercadorias para o estoque, no total de 4.000, sendo 3.000 pagos 
em cheque e 1.000 será pago em 09/12/10.
3 07/12/10 Adquire um veículo, para entrega de mercadorias, no valor de 6.000, sendo 
50% à vista com cheque e 50% com empréstimo bancário a curto a prazo.
4 09/12/10 Pagamento da dívida assumida no dia 05/12/10 com a emissão de cheque 
naquele valor.
5 12/12/10 Compra de mercadorias por 5.000, sendo 50% à vista com cheque e o 
restante a prazo (60 dias).
6 14/12/10 Aumenta o capital social em mais 5.000, em dinheiro, depositado em banco.
7 18/12/10 Adquire um terreno no valor de 5.000, tendo sido entregue um cheque de 
2.000 no ato e o restante será pago no prazo de 450 dias com a emissão de 
uma Nota Promissória (títulos a pagar).
8 24/12/10 Adquire móveis e utensílios no valor de 600, pagos em cheque. 
Solução:
Bancos Conta 
Movimento – AC 
Móveis e utensílios 
– ANC Capital – PL 
D C D C D C
1 10.000 1 5.000 15.000 1
89
1 Corresponde ao 1º lançamento.
Mercadoria – AC Fornecedores - PC Veículos – ANC
D C D C D C
Empréstimos bancários 
a pagar - PC
Títulos a pagar - PNC Terreno - ANC
D C D C D C
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 20/02/2006
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital Social
Total Total
Assista ao vídeo de
resolução desta questão
90
91
TÓPICO 3
AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A 
APURAÇÃO DOS RESULTADOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Sabemos que o Patrimônio Líquido das entidades representa a riqueza 
líquida desta entidade. Assim, a riqueza líquida pode variar por duas causas 
principais, que são:
● A primeira é o investimento inicial de capital feito pelos proprietários e seus 
aumentos posteriores. Pode também haver diminuições provocadas por 
desinvestimentos de capital, quando da retirada ou da saída de um proprietário 
da sociedade.
● Outra forma de haver variações no patrimônio líquido é pelo confronto das 
receitas e despesas que ocorrem em um determinado período.
2 RECEITAS E DESPESAS
Sendo assim, o que vem a ser receitas e o que vem a ser despesas?
Contabilmente, receita pode ser entendida como a entrada de elementos 
para o Ativo da empresa, provenientes de venda de produtos, mercadorias ou pela 
prestação de serviços. 
Vendas essas que estão ligadas diretamente às atividades operacionais das 
empresas e consideradas como sendo os elementos positivos do resultado. 
As Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 1, que tratam da Estrutura 
Conceitual para Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, trazem 
mais detalhado o conceito de “receita”, como segue:
74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como 
ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade 
e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, 
juros, dividendos, royalties e aluguéis. 
92
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita 
e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, 
representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, 
em natureza, das receitas. Consequentemente, não são considerados como 
um elemento separado nesta Estrutura Conceitual.
 
76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos 
não correntes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; 
por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os 
que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses 
ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente 
apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de 
tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, 
mostrados líquidos das respectivas despesas.
 
77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da 
receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços 
recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também 
pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode 
fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de 
pagar um empréstimo.
FONTE: RESOLUÇÃO CFC Nº 1.121/08. Disponível em: <www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/
RES_1121.doc.>. Acesso em: 17 nov. 2010.
Os aumentos no Ativo são visualizados no caixa, se as receitas forem à vista, e/ou 
em duplicatas a receber de clientes, se as receitas forem realizadas a prazo.
Já as despesas, consideradas os elementos negativos do resultado, 
correspondem ao consumo de bens ou serviços que direta ou indiretamente ajudam 
a produzir receitas, ou seja, é o sacrifício que a empresa arca para a obtenção de 
receita. 
As Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 1, que tratam da Estrutura 
Conceitual para Elaboração e Apresentação das DemonstraçõesContábeis, trazem 
mais detalhado o conceito de “despesa”, como segue:
ATENCAO
TÓPICO 3 | AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS RESULTADOS
93
78. A definição de despesas abrange perdas assim como as despesas que surgem 
no curso das atividades ordinárias da entidade. As despesas que surgem 
no curso das atividades ordinárias da entidade incluem, por exemplo, o 
custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de 
um desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, 
estoques e ativo imobilizado.
 
79. Perdas representam outros itens que se enquadram na definição de despesas 
e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, 
representando decréscimos nos benefícios econômicos e, como tal, não são 
de natureza diferente das demais despesas. Assim, não são consideradas 
como um elemento à parte nesta Estrutura Conceitual. 
80. Perdas incluem, por exemplo, as que resultam de sinistros como incêndio 
e inundações, assim como as que decorrem da venda de ativos não 
correntes. A definição de despesas também inclui as perdas não realizadas, 
por exemplo, as que surgem dos efeitos dos aumentos na taxa de câmbio 
de uma moeda estrangeira com relação aos empréstimos a pagar em tal 
moeda. Quando as perdas são reconhecidas na demonstração do resultado, 
elas são geralmente demonstradas separadamente, pois sua divulgação é 
útil para fins de tomada de decisões econômicas. As perdas são geralmente 
demonstradas líquidas das respectivas receitas.
FONTE: RESOLUÇÃO CFC Nº. 1.121/08. Disponível em: <www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/
RES_1121.doc.>. Acesso em: 17 nov. 2010.
As despesas, por sua vez, provocam diminuições no Ativo, quando pagas, e/ou 
aumentos no passivo quando geradas e não pagas.
Assim, o confronto entre os elementos positivos (receitas) e os elementos 
negativos (despesas) produz um resultado. O resultado será positivo quando 
as receitas forem superiores às despesas, e negativo quando as despesas forem 
superiores às receitas. Quando o resultado for positivo, teremos lucros, e quando 
o resultado for negativo, teremos prejuízos.
Para quantificar o resultado obtido pelas empresas usaremos uma 
demonstração contábil chamada de Demonstração de Resultado do Exercício – 
DRE, a qual possui a seguinte estrutura, ainda de forma simplista:
ATENCAO
94
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
DRE – CIA UNI
RECEITAS
 Venda de Serviços 5.600,00
(-) DESPESAS
 Despesas com Salários (2.400,00)
 Despesas com Aluguel (1.200,00)
 Despesas com Materiais (950,00) (4.550,00)
RESULTADO – Lucro Líquido 1.050,00
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Empréstimos e Financiamentos
 Caixa (-) (+) R$? Empréstimos bancários a pagar
 Clientes Fornecedores
 Duplicatas a receber R$? Fornecedores nacionais
 Estoques Obrigações Fiscais Sociais e Trabalhistas (+)
 Mercadorias Salários a pagar 2.400,00
Passivo Não Circulante
Ativo Não circulante Empréstimos e Financiamentos (LP)
 Valores a receber (LP) Empréstimos em moeda estrangeira
 Títulos a receber Patrimônio Líquido (PL)
 Investimentos Capital Social
 Participação permanente na Cia. AB Capital subscrito
 Imobilizado Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Terrenos Lucros acumulados 1.050,00
 Diferido
 Gastos pré-operacionais
TOTAL DO ATIVO R$? TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO R$?
Podemos notar ainda que, conforme apresentado anteriormente, as 
duas demonstrações (Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados) estão 
intimamente ligadas com forte relação entre elas, pois as operações que geram 
receitas e despesas provocam alterações nos resultados e no patrimônio.
TÓPICO 3 | AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS RESULTADOS
95
As contas de receitas e despesas (contas de resultado) também são movimentadas 
pela contabilidade, em razonetes, da mesma forma que as contas do ativo, passivo e 
patrimônio líquido (contas patrimoniais). 
Cabe observar que o movimento nas contas de resultado também obedece 
a uma regra, a qual segue:
Para Contas de RECEITAS
D C
Aumentos 
de valores
+
Para Contas do DESPESAS
D C
Aumentos 
de valores
+
Como visto, os registros de aumentos e de diminuições das contas do 
Patrimônio Líquido obedecem à seguinte regra: os aumentos são registrados por 
créditos e as diminuições por débitos.
IMPORTANT
E
96
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Em função dessa regra geral, as receitas obtidas, por aumentarem o 
Patrimônio Líquido, deverão ser creditadas em contas de receitas. As despesas 
incorridas, por diminuírem o Patrimônio Líquido, deverão ser debitadas em contas 
de despesas.
Uma despesa é, portanto, elemento que diminui o resultado (e 
consequentemente, o Patrimônio Líquido), enquanto uma receita é elemento que 
aumenta o resultado (e o Patrimônio Líquido, por decorrência).
Assim, para que haja condições de análise e informações detalhadas dentro 
de uma empresa, receitas e despesas constituem apenas os grupos principais, sendo 
desdobradas, em cada classe, em diversos componentes, segundo a natureza e o 
tipo de cada uma delas, conforme estrutura do plano de contas visto anteriormente 
nesse caderno.
Então como fica a contabilidade agora, com as contas de resultado?
Vamos exemplificar com as operações que seguem:
a) Imagine que a Cia. UNI esteja sendo criada com a finalidade de prestar serviços. 
Foi então constituída, em imóvel alugado, com um capital deixado à disposição 
pelos sócios, no valor de 8.000,00 em dinheiro.
b) Em seguida, adquiriu à vista, móveis e utensílios no valor de 2.000,00.
c) Posteriormente, a Cia. UNI foi contratada para prestar serviços. Cobrou pelos 
serviços o valor de 3.000,00 à vista.
d) Executou mais serviços e, de acordo com o acordado, só receberá o valor de 
1.500,00 daqui a 60 dias. 
e) Pagou o salário dos funcionários envolvidos na execução dos serviços no valor 
de 1.900,00.
f) Pagou o aluguel do imóvel, o valor referente a 1.100,00.
Diante disso, perguntamos:
A Cia. UNI é lucrativa?
Como fica seu Balanço Patrimonial?
Como fica sua Demonstração de Resultados?
Para obtermos essas respostas, precisamos contabilizar as operações acima, 
como segue:
TÓPICO 3 | AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS RESULTADOS
97
Caixa – AC Capital - PL
Moveis e Utensílios – 
ANC
D C D C D C
a 8.000 2.000 b 8.000 a b 2.000
c 3.000 1.900 e
1.100 f
Receitas de Serviços – R
Duplicatas a Receber 
– AC
Despesas com Salários 
- R
D C D C D C
3.000 c d 1.500 e 1.900
1.500 d
Despesas de Aluguéis 
– R 
D C
f 1.100
3 ENCERRAMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO
Efetuada toda a movimentação contábil (letras “a” a “f”) em suas respectivas 
contas, notamos agora a existência de saldo não apenas nas contas patrimoniais 
(ativo, passivo e patrimônio líquido), mas também nas contas de resultados 
(receitas e despesas).
Para respondermos à primeira pergunta realizada anteriormente (A Cia. 
UNI é lucrativa?).
Toda a empresa necessita fazer a apuração de resultados pelo menos uma 
vez por ano. O lucro ou prejuízo de um exercício está na dependência do confronto 
das contas de receita e de despesa, e esse resultado líquido é apurado na conta 
denominada resultado.
98
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Para efeito de apurar o resultado das empresas, as contas de receita e 
despesas são periódicas, isto é, somente deverão conter registros para um ano ou 
período menor, conformea duração do período contábil, o que significa que todas 
as contas de receita e de despesa devem possuir saldo zero no início dos períodos.
Para que isso aconteça, no final de cada período deve-se proceder ao 
encerramento das contas de resultado, por meio dos lançamentos de encerramento. 
O encerramento das contas de receita é realizado pela transferência (débito) 
de seus saldos credores para crédito da conta resultado. As contas de despesa são 
encerradas pela transferência (crédito) de seus saldos devedores para débito da 
conta resultado.
Então, voltando ao nosso exemplo, necessitamos adotar os seguintes 
procedimentos, como segue:
● Apurar o saldo nas contas de receitas e despesas.
● Transferir o saldo das contas de receitas e despesas para uma conta chamada 
“Resultado”. No momento da transferência, todas as contas de receitas e despesas 
terão seu saldo anulado, conforme a sequência dos lançamentos abaixo:
1. Lançamento de anulação do saldo da receita de serviços e consequente 
transferência para a conta de Resultado.
2. Lançamento de anulação do saldo da conta de despesas com salários e 
consequente transferência para a conta de Resultado.
3. O mesmo que o lançamento anterior é feito com a conta de despesas de aluguel.
● Transferir o saldo da conta “Resultado” para uma conta do Patrimônio Líquido 
chamada de “Lucros ou Prejuízos Acumulados.”
Concentre atenção nas contas de receitas e despesas e veja, a seguir, como fica o 
processo de apuração de resultados:
ATENCAO
TÓPICO 3 | AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS RESULTADOS
99
Caixa – AC Capital - PL
Moveis e utensílios – 
ANC
D C D C D C
a 8.000 2.000 b 8.000 a b 2.000
c 3.000 1.900 e 8.000 2.000
1.100 f
11.000 5.000
6.000
Receitas de serviços – R
Duplicatas a receber 
– AC
Despesas com salários 
- R
D C D C D C
3.000 c d 1.500 e 1.900
1.500 d 1.500 1.900 1.900 2
1 4.500 4.500 0,00 0,00
0,00 0,00
Despesas de aluguéis 
– R Resultado – R 
D C D C
f 1.100 2 1.900 4.500 1
1.100 1.100 3 3 1.100
0,00 0,00 3.000 4.500
Note que efetuamos a transferência dos valores das contas de receitas e despesas, 
através de lançamentos contábeis (lançamentos 1, 2 e 3), para a conta de resultado. Após 
isso, todas as receitas e despesas estarão com saldo zerado ou nulo. Apenas possuem saldo 
as contas patrimoniais e a conta resultado, que reflete de forma resumida todas as contas 
de receitas e despesas.
IMPORTANT
E
100
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Dando sequência, o passo seguinte é transferir o saldo da conta resultado 
para uma conta do balanço patrimonial (lucros ou prejuízos acumulados).
Resultado – R 
Lucros/Prejuízos 
Acumulados – PL
D C
2 1.900 4.500 1 1.500 4
3 1.100 1.500
3.000 4.500
4 1.500
0,00 0,00
Após isso, poderemos elaborar o Balanço Patrimonial, em resposta à 
segunda pergunta feita anteriormente. Temos o que segue:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC)
 Disponibilidades
 Caixa 6.000 Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber 1.500 Capital 8.000
 Lucros ou Prejuízos Acumulados
Ativo Não Circulante (ANC) Lucros acumulados 1.500
 Imobilizado
 Móveis e utensílios 2.000
TOTAL DO ATIVO 9.500 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 9.500
O Balanço é a demonstração contábil que tem por finalidade apresentar 
a situação patrimonial da empresa em um determinado momento, dentro de 
determinados critérios de avaliação.
 
TÓPICO 3 | AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E A APURAÇÃO DOS RESULTADOS
101
É a demonstração que encerra a sequência dos procedimentos contábeis, 
apresentando de forma ordenada os três elementos componentes do patrimônio: 
Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.
Uma vez bem estruturada a natureza do Ativo (bens e direitos), do Passivo 
(obrigações), do Patrimônio Líquido (diferença entre o Ativo e o Passivo) e as 
rotinas e procedimentos contábeis, muito fácil se torna entender o que é o Balanço.
Nas empresas, mesmo nas pequenas, podem ocorrer diariamente inúmeras 
operações e seus registros contábeis contêm grande número de particularidades.
Daí a necessidade de resumir e apresentar os dados de forma adequada, 
que permita às pessoas interessadas conhecer a situação patrimonial da empresa e 
as variações ocorridas durante certo período.
A grande importância do Balanço Patrimonial concentra-se na visão que 
ele dá das aplicações de recursos feitas pela empresa (Ativos) e quantos desses 
recursos são devidos a terceiros (Passivos). Evidentemente, isso nos dá o nível 
de endividamento, a liquidez da empresa, a proporção do capital próprio em 
detrimento ao de terceiros, e outras análises de ordem econômico-financeira que 
serão estudadas ao longo do curso de Ciências Contábeis. 
Da mesma forma, podemos elaborar a Demonstração do Resultado do 
Exercício, em resposta à terceira pergunta, onde, de forma analítica, podemos 
conferir o desempenho econômico da empresa, verificando, pelo seu resultado, se 
é lucrativa ou não.
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
DRE – CIA. UNI
RECEITAS
 Receita de Serviços 4.500,00
(-) DESPESAS
 Despesas com Salários (1.900,00)
 Despesas com Aluguel (1.100,00) (3.000,00)
RESULTADO – Lucro Líquido 1.500,00
Toda empresa precisa apurar o resultado pelo menos uma vez por ano. O 
lucro ou prejuízo de um período está na dependência da confrontação das contas 
de resultado (receitas e despesas), e esse resultado líquido é apurado, como vimos, 
na conta resultado.
102
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
No final de cada período deve-se proceder ao encerramento das contas de 
resultado, por meio de lançamentos de encerramento (zeramento). O encerramento das 
contas de receita é realizado pela transferência a débito de seus saldos para crédito da conta 
resultado. As contas de despesas são encerradas pela transferência a crédito de seus saldos 
para débito da conta resultado.
Com isso, se o total dos créditos da conta resultado for superior ao total 
dos débitos, teremos um lucro líquido. Se ocorrer o contrário, ou seja, os débitos 
forem maiores que os créditos, teremos um prejuízo líquido. Ocorrendo lucro 
ou prejuízo, o saldo da conta resultado será transferido para a conta lucros ou 
prejuízos acumulados no patrimônio líquido.
A conta resultado serve de intermediária na apuração do lucro ou prejuízo 
de um período. Assim, não basta apenas a conta resultado, onde aparecem as 
contrapartidas das contas de despesas e de receitas encerradas no fim do período. 
É necessário também a Demonstração de Resultado do Exercício, onde aparecerão, 
detalhadamente, as contas de receitas e despesas de forma ordenada, com o 
respectivo resultado, lucro ou prejuízo líquido.
Para efeito de apuração de resultado das empresas, as contas de receitas 
e despesas são periódicas, isto é, somente deverão ter registros para um ano ou 
período menor, conforme e duração do período contábil, o que significa que todas 
as contas de receita e despesas devem possuir saldo zero no início do período.
Assim, a Demonstração do Resultado do Exercício, elaborada 
simultaneamente com o Balanço Patrimonial, constitui-se no relatório sucinto 
das operações realizadas pela empresa durante determinado período de tempo. 
Nele se sobressaem os valores mais importantes às pessoas nela interessadas, o 
Resultado líquido do período, Lucro ou Prejuízo.
Ao mostrar como se formou o lucro ou o prejuízo, esclarece muitas das 
variações do patrimônio líquido no período.
A contabilidade, com os dois relatórios, o Balanço Patrimonial e a 
Demonstração do Resultado do Exercício, um completando o outro, atinge a 
finalidade de mostrar a situação patrimoniale econômico-financeira da empresa.
 Com os dois relatórios, qualquer pessoa interessada nos negócios da 
empresa tem condições de obter informações, fazer análises, estimar variações, 
tirar conclusões de ordem patrimonial e econômico-financeira, traçar novos rumos 
para futuras transações etc.
IMPORTANT
E
103
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico estudamos e aprendemos que:
● Na contabilidade, além das contas patrimoniais, fazem parte também as contas 
que provocam variações no patrimônio. São as contas de resultado (contas de 
Receitas e Despesas). 
● As contas de resultado são as que fazem parte de uma demonstração contábil 
chamada de Demonstração do Resultado do Exercício, que mostra se a empresa 
obteve lucro ou prejuízo em um determinado período de atividades.
104
A seguir estão mencionadas as transações da Cia. Blumenau, organizada em 
1º de março de 2010, especializada em serviços gerais de encanamentos e 
instalações elétricas.
AUTOATIVIDADE
Item Data Movimentações Contábeis
1 01 Integralização de capital em dinheiro de capital social no valor de 70.000.
2 04 Aquisição de uma sala comercial para a sede da empresa – 50.000 à vista. 
3 05 Recebimento de 2.200 por realização e execução de trabalhos.
4 10 Pagamento de 800, de aluguel, de um caminhão durante dois dias.
5 18 Compra de diversos móveis e utensílios, da Cia. A, a prazo, por 2.000.
6 23 Pagamento de 200, de despesas com propaganda.
7 26 Recebimento de 3.520, por serviços prestados.
8 30 Pagamento de 2.000, de ordenados e salários.
9 30 Pagamento de 1.900, pelo consumo de energia.
Resolva obedecendo à sequência abaixo:
1 Lançar todas as operações nos razonetes, numerando-as conforme a 
numeração da coluna “item” da tabela.
2 Apurar os saldos das contas de resultados (receitas e despesas) e transferi-
los para a Conta de Resultado.
3 Após a apuração do saldo da conta Resultado, transferi-lo para a conta do 
Balanço Patrimonial – Lucros ou Prejuízos Acumulados.
4 Elaborar o Balanço Patrimonial com o saldo das contas patrimoniais.
5 Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. 
105
Caixa – AC Capital - PL Imóveis - ANC
D C D C D C
Receitas de serviços - R
Despesas com aluguel 
- R
Móveis e utensílios - 
ANC
D C D C D C
Duplicatas a pagar - PC
Despesas c/ 
propaganda - R
Despesas com salários 
- R
D C D C D C
Despesas c/ energia
elétrica – R
Resultado – R 
Lucros ou prejuízos 
Acumulados – PL 
D C D C D C
106
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. Blumenau – 31/03/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Duplicatas a pagar .................
 Caixa .............
Ativo Não circulante Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Móveis e utensílios .............. Capital ...............
 Imóveis .............. Lucros ou Prejuízos 
Acumulados
 Lucros Acumulados ................
TOTAL DO ATIVO .............. TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
...............
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
DRE – CIA. UNI
01/03/2010 a 31/03/2010
RECEITAS
 Receita de Serviços ...............
(-) DESPESAS
 Despesas com Salários (................)
 Despesas com Aluguel (................)
 Despesas............................... (................)
 Despesas.............................. (................) (..............)
RESULTADO –............................ .................
107
TÓPICO 4
ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O Patrimônio das empresas está em constante movimento, em função 
dos acontecimentos que ocorrem diariamente. Esses acontecimentos podem ser 
divididos em dois grupos, os quais passaremos a estudá-los a partir desse tópico. 
São eles:
● Atos administrativos.
● Fatos administrativos.
2 ATOS ADMINISTRATIVOS
Os Atos administrativos são os acontecimentos que ocorrem na empresa e 
que não provocam alterações no Patrimônio.
Por exemplo, admissão de empregados, assinaturas de contratos de 
compras, de vendas e de seguros diversos, aval de títulos, fiança em favor de 
terceiros etc.
Entretanto, alguns atos administrativos poderão provocar alterações 
futuras no Patrimônio da empresa. Por esse motivo, devem ser registrados através 
das Contas que registram tais atos e que não provocam mudanças na situação atual 
do balanço patrimonial. Essas contas são chamadas de contas de Compensação.
108
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
3 FATOS ADMINISTRATIVOS
Os Fatos administrativos são os acontecimentos que provocam variações 
nos valores patrimoniais, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido.
Por modificarem o Patrimônio, devem ser contabilizados através das 
Contas Patrimoniais e das Contas de Resultado.
Os fatos administrativos podem ser classificados em três grupos:
● Fatos permutativos.
● Fatos modificativos.
● Fatos mistos.
Vamos acompanhar o exemplo que segue: 
Para explicar cada tipo de fato administrativo, partiremos da situação 
patrimonial a seguir representada (Balanço Patrimonial da empresa CIA. UNI), 
que será modificada com a ocorrência de cada um dos fatos administrativos 
apresentados.
Assim, a situação patrimonial inicial é a seguinte:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.000
 Duplicatas a receber 500
Patrimônio Líquido (PL)
Ativo Não Circulante (ANC) Capital Social
 Imobilizado Capital 3.200
 Imóveis 2.800 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 800
TOTAL DO ATIVO 4.300 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.300
TÓPICO 4 | ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
109
3.1 FATOS PERMUTATIVOS
Os Fatos permutativos são aqueles que permutam os elementos 
componentes do Ativo e/ou do Passivo, sem modificar o valor do Patrimônio 
Líquido. Pode ocorrer troca entre os elementos do Ativo, entre os elementos do 
Passivo e entre ambos ao mesmo tempo.
Partindo do Balanço apresentado, suponhamos que na empresa Cia. UNI 
tenha ocorrido o seguinte: 
Recebimento da importância de R$ 500, em dinheiro, referente a uma 
Duplicata.
Esse fato aumentará o Caixa em R$ 500, pela entrada do dinheiro, e 
diminuirá a conta Duplicata a Receber em R$ 500, pelo recebimento da Duplicata, 
provocando, ao mesmo tempo, aumento e diminuição entre os elementos do Ativo. 
O Balanço Patrimonial, após este acontecimento, ficará assim: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.500
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 800
TOTAL DO ATIVO 4.300 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.300
Note que a importância de R$ 500, que estava em duplicatas a receber, 
passou para a conta Caixa. Houve permutação entre elementos do Ativo, mas o 
valor do Patrimônio Líquido não se alterou.
O Patrimônio Líquido, no Balanço, é composto pela contas Capital e Lucros 
Acumulados, que, juntas, somam R$ 4.000. Note ainda que, tanto antes como 
depois do fato, esse valor permanece o mesmo. Portanto, não houve alteração no 
Patrimônio Líquido.
110
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Dando sequência ao nosso estudo, vamos supor a compra de móveis e 
utensílios a prazo, por exemplo, no valor de R$ 700,00 o qual aumentará o Ativo e 
aumentará o Passivo.
Com este evento, veja como fica o Balanço Patrimonial: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNIATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.500 Duplicatas a pagar 700
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Móveis e utensílios 700 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 800
TOTAL DO ATIVO 5.000 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 5.000
Note que o Ativo aumentou para R$ 5.000, com a inclusão da conta móveis 
e utensílios, tendo em vista a compra efetuada; e o Passivo também aumentou 
para R$ 5.000, com a inclusão da conta duplicatas a pagar, devido à Obrigação 
contraída.
Suponhamos, agora, que a empresa Cia. UNI tenha efetuado o pagamento, 
em dinheiro, de uma Duplicata no valor de R$ 500.
Este evento diminuirá o Ativo, pela saída do dinheiro da conta caixa, e 
diminuirá também o Passivo, pela liquidação da obrigação, no mesmo valor. 
Veja a Situação Patrimonial após este evento:
TÓPICO 4 | ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
111
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.000 Duplicatas a pagar 200
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Móveis e utensílios 700 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 800
TOTAL DO ATIVO 4.500 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.500
Note que, tanto no caso de aumento como no caso de diminuição, houve 
permutação entre elementos do Ativo e do Passivo ao mesmo tempo, sem 
interferência no Patrimônio Líquido, o qual permaneceu o mesmo.
3.2 FATOS MODIFICATIVOS
Os Fatos modificativos são aqueles que acarretam alterações, para mais 
ou para menos, no Patrimônio Líquido, ou seja, modificam a situação líquida do 
balanço patrimonial.
Como você pôde observar, os fatos permutativos envolvem apenas as 
Contas Patrimoniais, sem provocar alteração alguma no Patrimônio Líquido. 
Porém, os fatos modificativos envolvem Contas de Resultado (Receitas e Despesas) 
e, consequentemente, alteram o Patrimônio Líquido.
Podem ocorrer duas situações:
a) Diminuições
Partindo do Balanço anterior, suponhamos a ocorrência do seguinte fato: 
A empresa Cia. UNI pagou a importância de R$ 100, em dinheiro, referente 
a Despesas de energia elétrica.
112
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Tal fato diminuirá o Caixa em R$ 100, pela saída do dinheiro, e, por ser 
uma despesa, diminuirá também o Patrimônio Líquido no mesmo valor.
Após esse fato, a Situação Patrimonial da empresa fica assim:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 900 Duplicatas a pagar 200
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Móveis e utensílios 700 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 700
TOTAL DO ATIVO 4.400 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.400
Note que o pagamento da despesa diminuiu o Patrimônio, pois o Caixa, 
que tinha R$ 1.000, ficou com R$ 900. E a despesa com o consumo de energia 
elétrica diminuiu o lucro: a conta Lucros Acumulados, que tinha R$ 800, ficou com 
apenas R$ 700.
b) Aumento
Suponhamos, agora, que tenha ocorrido o seguinte fato com a Cia. UNI: 
Recebe a importância de R$ 200, em dinheiro, proveniente de Receitas de 
Aluguéis de Imóveis.
Esse fato aumenta o Ativo, pela entrada do dinheiro na conta Caixa, e 
aumenta o Patrimônio Líquido, pela Receita auferida.
Veja a Situação Patrimonial modificada por este evento: 
TÓPICO 4 | ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
113
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.100 Duplicatas a pagar 200
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Móveis e utensílios 700 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 900
TOTAL DO ATIVO 4.600 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.600
3.3 FATOS MISTOS
Os Fatos Mistos envolvem, ao mesmo tempo, um fato permutativo e um 
fato modificativo. Podem, portanto, acarretar alterações no Ativo e no Patrimônio 
Líquido, ou no Passivo e no Patrimônio Líquido, ou no Ativo, no Passivo e no 
Patrimônio Líquido ao mesmo tempo.
Os fatos mistos podem acarretar aumento ou diminuição no Patrimônio: 
Primeiramente, veremos um exemplo de aumento, partindo da Situação 
Patrimonial anterior. 
Suponhamos a ocorrência do seguinte fato: 
Os móveis e utensílios, que custaram R$ 700, foram vendidos, à vista, por 
R$ 750. Tal evento diminuirá o ativo em R$ 700, pela saída de móveis e utensílios; 
aumentará novamente o Ativo, pela entrada de R$ 750, em dinheiro, no Caixa; e 
aumentará o Patrimônio Líquido, pelo lucro auferido de R$ 50.
O Balanço Patrimonial ficará assim: 
114
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.850 Duplicatas a pagar 200
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 950
TOTAL DO ATIVO 4.650 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.650
Veja que o Ativo sofreu permutação (diminuiu pela saída de móveis e 
utensílios e aumentou pela entrada do dinheiro na caixa) e foi aumentado em R$ 
50. O aumento verificado no Ativo, devido ao lucro obtido na venda, acresceu o 
Patrimônio Líquido em R$ 50, ou seja, o mesmo valor do lucro. Então tivemos, ao 
mesmo tempo, um fato permutativo (permuta entre as contas móveis e utensílios 
e caixa) e um fato modificativo (recebimento de receitas pelo lucro obtido na 
transação).
Suponhamos, agora, a ocorrência de um fato diminutivo. A empresa Cia. 
UNI efetuou o pagamento de uma duplicata no valor de R$ 200, em dinheiro, 
tendo pago, também, R$ 20 de juros pelo atraso. Pagou, portanto, R$ 220. 
Esse fato acarretará diminuição no Ativo, pela saída de R$ 220 do Caixa; 
diminuição no Passivo, pela extinção da obrigação de duplicatas a pagar, no valor 
de R$ 200; e diminuição do Patrimônio Líquido, pela redução dos lucros em R$ 20, 
devido à despesa ocorrida.
A situação do Patrimônio passou a ser a seguinte:
TÓPICO 4 | ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS
115
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Salários a pagar 300
 Caixa 1.630 Duplicatas a pagar 200
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
 Imóveis 2.800 Capital 3.200
 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 930
TOTAL DO ATIVO 4.430 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 4.430
Também neste caso, tivemos, ao mesmo tempo, um fato permutativo 
(permuta entre as contas duplicatas a pagar e caixa) e um fato modificativo (o 
pagamento da despesa pelos juros ocorridos na operação).
LEITURA COMPLEMENTAR
LUCROS E PERDAS CONTESTÁVEIS E NORMAS CONTÁBEIS
Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá
A pressa em implantar em nosso País as normas que se denominaram 
como “internacionais” começa a despertar interrogações e a gerar polêmicas que 
possivelmente até poderão, como se noticia, ser motivo de processosjudiciais.
A votação nas últimas horas de 2007 da Lei 11.638, somada às dúvidas 
levantadas em relação à MP-449, ensejou fatos deveras dignos de reflexão; foram 
produzidos alguns balanços evidenciando lucros fantásticos, outras perdas 
absurdas e ainda outros resultados ocultos; interrogações sobre números fizeram 
com que até a Petrobrás se envolvesse em contraditório com a Receita Federal, 
segundo tem noticiado a imprensa.
Na mídia a empresa referida se diz certa, enquanto a Receita confirma 
que a Petrobras está errada; alguns entrevistados se dividem em definições sem 
argumentos mais detalhados; noticiou-se até que o Ministro da Fazenda teria 
advertido a Receita Federal e, também, que uma Comissão Parlamentar de inquérito 
116
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA DO BALANÇO E AS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
se instalaria; chegou-se a veicular que o governo havia permitido o esvaziamento 
do lucro das variações cambiais; não se disse (pelo menos nos textos que li) quais 
as justificativas legais e as pessoas que deveras permitiram o ajuste contábil que 
promoveu a bilionária redução de pagamento de tributos; para mim, como no 
governo existem poderes definidos, o de legislar é privativo do parlamento e só 
a este cabe alterar leis que regulam critérios em matéria societária e tributária; o 
que é inequívoco é um clima de generalizada incompreensão e o quanto causou 
impacto a adoção de critérios contábeis que podem modificar bilhões no jogo dos 
lucros e das perdas.
Escrevi em artigo que está em minha página www.lopesdesa.com.br, já 
há algum tempo, que conflito haveria entre a implantação de normas contábeis 
denominadas como internacionais e a Receita Federal.
O que afirmei não foi profecia, mas, sim a decorrência de uma observação 
sobre a realidade derivada do confronto entre as falhas técnicas e científicas que 
reconheço existirem nas referidas normas em implantação e os rigores da lei.
Isso porque os aludidos procedimentos derivados da Lei 11.638/07 
contrariam outras leis; a imposição de que os mesmos se apliquem a todas as 
sociedades é algo que irá comprometer a muitos profissionais da Contabilidade 
que cometerem o engano de seguirem de forma absoluta o normatizado; normas 
não são leis, nem sempre se inspiram nelas (e isso está expressamente declarado 
nas bases conceituais das referidas normas), nem no cientifico; sobre isso fiz 
advertências várias que se encontram em muitas páginas na Internet.
Os problemas prosseguem evidenciando que algo precisa de 
aprofundamento de consideração.
Portugal, por exemplo, não está aceitando integralmente as referidas 
normas (conforme declarações governamentais editadas na Revista da Ordem dos 
Contadores de lá, deste mês de Maio, páginas 36 e seguintes), nem a Espanha (que 
já editou norma própria sobre Intangíveis), como entendo que no Brasil precisam 
merecer expressivas alterações.
A atitude da CVM – Comissão de Valores Mobiliários dispensando a 
“comparação de balanços”, passando por cima do espírito da letra da própria lei 
6404/76 que obriga tal confronto (Art. 176 § 1º) é algo que denota preocupações.
Comparar, nessa situação de alterações de resultados (lucros e perdas), 
em verdade evidenciaria expressivas distorções; fico apenas a indagar-me sobre o 
porquê do esconder tal variação; acredito que as decorrências de tal fato no campo 
prático ainda são imprevisíveis, mas, possível é que até possam alimentar teses no 
campo judicial.
117
O rumo que vai tomando a questão tem preocupado não só a contadores, 
mas, inclusive, a terceiros; não têm sido poucos os empresários, professores, 
universitários, que procuram conhecer a minha opinião (e os aconselho a seguirem 
a lei).
O advogado Dr. Alessandro Spiller em artigo sob o titulo “Intromissão da 
Lei das S.A nas empresas limitadas”, recém editado na Internet destacou: “Por que 
a pressa no Brasil na adoção de tais normas, e por que extrapolar a idéia inicial, que 
inclui somente as sociedades anônimas e as empresas de grande porte? Este é um 
ponto para alta reflexão, pois estamos em um caminho sem volta, em um momento 
econômico delicado, onde modismos não poderiam impulsionar decisões tão 
sérias.”
A polêmica está instalada, quer nas páginas dos jornais, quer no mundo 
acadêmico, ganhando amplitude, mesmo com alardes contraditórios no sentido de 
apresentarem as normas como algo miraculoso e altamente avançado (coisas que 
elas não demonstraram ser, por que, se fossem, teriam impedido a ocorrência da 
atual macro crise, de cunho mundial).
Volto a afirmar que a prevalecerem as referidas normas, sem que a nação se 
acautele perante tais fatos (tal como outras têm feito), o Brasil não mais importará 
crises – tenderá a fabricar as próprias, que até poderão ter semelhança ao ocorrido 
com a dos ativos podres (créditos imobiliários principalmente e pirâmides 
financeiras).
Nos Estados Unidos a verdade foi deformada através de vários fatores 
como: 1) - distribuir créditos sem lastros para construções de casa própria; 2) - 
ensejar emissão de títulos relativos a um futuro incerto; 3) - avaliar ativos a preço 
de mercado; 4) - garantir por normas contábeis a imprudência da avaliação (Valor 
denominado “Justo”); 5) - permitir ajustes em bases subjetivas; tudo isso deformou 
balanços e garantiu a especulação que criou a crise atual; tais coisas, da mesma 
forma, tenderão a ocorrer em todos os lugares onde a falsidade ou “subjetividade” 
nos balanços se manifestar apoiada em normas flexíveis, infralegais, mas, 
garantidas ou permitidas pelos governos.
Mercados se manipulam pela mídia, como a ENRON e outras empresas 
o fizeram, tendo por efeito o amparo para maquilagem dos balanços, inspirada e 
garantida por normas de força compulsória.
Desejar impor tais procedimentos a todos, inclusive às empresas que são 
regidas pelo Código Civil, portanto, é uma lacuna histórica de alta dimensão, como 
também o é o confundir Contabilidade com escrituração e demonstração.
Contabilidade é ciência e oferece explicação sobre os fenômenos 
patrimoniais com base na realidade objetiva.
118
Escriturações contábeis apenas informam e quando seguem normas como 
as denominadas “internacionais” podem oferecer (como têm oferecido), ensejo 
para adulteração de valores, em razão de “flexibilidades”; a falta de base em 
doutrina científica e a desobediência à lei tendem a ensejar a mentira nos balanços.
Confundir Contabilidade com normas, por analogia, é comparar 
profissionalmente um engenheiro a um pedreiro; é aceitar como equivalente o 
estudar a força como grandeza vetorial em face da Estática, na Física e a prática de 
distribuir vergalhões para formatar lajes em prédios.
E pior que isso é ainda o admitir que o não científico possa ter por meta 
revelar a realidade objetiva; as normas abraçam o subjetivo, logo o empírico, ou seja, 
o que está na contramão da ciência, segundo dentre muitos denunciaram ilustres 
intelectuais e professores universitários; compulsar os escritos do Dr. Rogério 
Fernandes Ferreira (expressão máxima da Contabilidade em Portugal), Valério 
Nepomuceno (autor de uma das melhores obras de Teoria da Contabilidade), 
Domingos Cravo (da Universidade de Aveiro), Abraham Briloff (da Universidade 
de New York), já é o suficiente para ter a visão de como é vulnerável o método 
normativo; sobre o risco das normatizações, insurgiram, também, em suas obras 
cientistas famosos como Einstein e filósofos notáveis da modernidade como 
Lyotard.
O perigo para a sociedade humana está exatamente na deturpação contábil 
sobre a verdade, esta que por natureza a ciência defende; mais que todos esses 
argumentos referidos, todavia, falam as fraudes por várias vezes repetidas na 
prática, os calotes, essa vergonhosa macrocrise da atualidade que vitima nações e 
perturba o bem-estar social.
FONTE: Disponível em: <http://www2.masterdirect.com.br/448892/index.asp?opcao=7&cliente=448892&avulsa=6358>. Acesso em: 20 out. 2010.
119
RESUMO DO TÓPICO 4
 Neste tópico estudamos: 
Atos e Fatos Administrativos. Enquanto os Atos Administrativos não 
provocam alterações momentâneas no Patrimônio, os Fatos Administrativos 
provocam alterações no patrimônio das entidades. 
Assim, os Fatos Administrativos, para serem entendidos, são aqueles: 
Fatos permutativos: que envolvem apenas Contas Patrimoniais.
 
Fatos modificativos: que envolvem apenas uma Conta Patrimonial (que representa 
Bem, Direito ou Obrigações) e uma ou mais Contas de Resultado ou do Patrimônio 
Líquido. 
Fatos mistos: que envolvem mais de uma Conta Patrimonial e uma ou mais Contas 
de Resultado ou do Patrimônio Líquido.
120
1 Dados os seguintes Atos e fatos, contabilize nos razonetes, apure o resultado 
e elabore as Demonstrações Contábeis (BP e DRE).
AUTOATIVIDADE
Item Movimentações Contábeis
1 Integralização de capital no valor de 70.000, sendo 50.000 em dinheiro e 20.000 em 
Estoques de mercadorias.
2 Aquisição de uma sala comercial para a sede da empresa – 50.000 à vista. 
3 Recebimento de 6.200 por realização e execução de trabalhos.
4 Assinatura de contrato de aluguel de veículos.
5 Pagamento de 800, de aluguel, de um veículo.
6 Compra de diversos móveis e utensílios, por 2.000, da Cia. A, sendo 50% a prazo e 
50% à vista.
7 Pagamento de 200, de despesas com propaganda
8 Prestamos serviços pelo valor de 3.000. Os valores serão recebidos futuramente.
9 Pagamento de 2.500, de ordenados e salários
10 Recebimento dos valores (item 8) com 10% de desconto concedido.
11 Pagamento da dívida assumida (item 6) com 10% de desconto.
D C D C D C
D C D C D C
D C D C D C
121
D C D C D C
D C D C D C
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. UNI – 31/03/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 Disponibilidades Duplicatas a pagar ............
............. ............
............. ............
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 Imobilizado Capital Social
............ Capital ............
............ Lucros ou Prejuízos Acumulados
............ Lucros acumulados ............
............
TOTAL DO ATIVO ............ TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO ............
Assista ao vídeo de
resolução da questão 1
122
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
DRE – CIA. UNI
01/03/2010 a 31/03/2010
RECEITAS
 Receita de Serviços ...............
(-) DESPESAS
 Despesas com (................)
 Despesas com (................)
 Despesas ............................... (................)
 Despesas .............................. (................) (..............)
RESULTADO – ............................ .................
2 Identifique em cada operação, do exercício anterior, se são Atos (A) ou Fatos 
(F) Administrativos; se são: Permutativos (P), Modificativos (M) ou Mistos 
(Mi); e ainda se são: Aumentativos (Au) ou Diminutivos (Di).
Item Atos / Fatos Permutativos / Mistos
Modificativos
Aumentativos
Diminutivos
1
2
3 F M -
4
5
6
7
8
9
10
11
123
UNIDADE 3
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E 
OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA 
DE MERCADORIAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você estará apto(a) a:
• entender o processo de avaliação dos estoques das empresas;
• conhecer e calcular os custos resultantes da comercialização dos estoques;
• compreender as interferências dos custos das vendas no proces so de for-
mação do resultado das empresas;
• entender o processo de escrituração contábil e as fórmulas de lançamentos 
contábeis no Livro Diário.
Esta unidade de estudo está dividida em dois tópicos e neles você encontrará 
os conceitos relacionados ao controle de estoques das empresas e como são 
utilizados os diversos métodos para esse controle.
TÓPICO 1 – ESCRITURAÇÃO
TÓPICO 2 – INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
Assista ao vídeo 
desta unidade.
124
125
TÓPICO 1
ESCRITURAÇÃO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O controle contábil das empresas começa com a escrituração dos eventos 
no livro Diário, completando-se, depois, nos demais livros de escrituração.
Assim, escrituração é uma técnica que consiste em registrar nos livros 
próprios (Diário, Razão, Caixa etc.) todos os fatos administrativos que ocorrem na 
empresa.
É através dos fatos administrativos que ocorre a gestão do Patrimônio 
das empresas, e esses fatos são registrados por meio da escrituração. Mas, como 
escriturar esses acontecimentos?
Vamos, inicialmente, estudar onde escriturar esses acontecimentos, para 
depois aprender como efetuar tais registros.
2 LIVROS UTILIZADOS NA ESCRITURAÇÃO
Dos vários livros usados pelas empresas, vamos mencionar apenas os 
utilizados pela contabilização dos atos e fatos administrativos. Os principais livros 
utilizados pela Contabilidade a serem estudados nessa disciplina são:
a) Livro Diário
b) Livro Razão
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
126
2.1 LIVRO DIÁRIO
O Diário é um livro obrigatório pela legislação comercial. Por ser obrigatório, o 
Diário está sujeito às formalidades legais extrínsecas e intrínsecas.
As Formalidades extrínsecas (ou externas) dizem que o livro Diário 
deve ser encadernado com folhas numeradas em sequência, tipograficamente. 
Deve conter, ainda, os termos de abertura e de encerramento e ser submetido à 
autenticação do órgão competente do Registro do Comércio.
As Formalidades intrínsecas (ou internas) dizem que a escrituração 
do Diário deve ser completa, em idioma e moedas nacionais, em forma 
mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e 
ano, sem intervalos em branco nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas 
e transportes para as margens. 
Essas formalidades devem ser observadas para que o livro Diário mereça fé 
a favor do comerciante, pois, como a vida da empresa é registrada no livro Diário, 
toda e qualquer demonstração de situação empresarial, apresentada em qualquer 
momento, tem sua comprovação nesse livro, desde que o mesmo não contenha 
vícios (erros de escrituração) contrários às formalidades legais descritas.
O livro Diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas, em 
forma de sanfona, soltas ou avulsas). Porém, a adoção desse sistema não exclui a 
empresa de obediência aos requisitos intrínsecos, previstos na lei fiscal e comercial 
para o livro Diário. As empresas que utilizam fichas são obrigadas a adotar o livro 
próprio para a inscrição das demonstrações financeiras. 
Os Termos de Abertura e de Encerramento devem ser transcritos na 
primeira e na última página do livro Diário, respectivamente. Esses termos são 
colocados na época da abertura dos livros, conforme o seguinte modelo:
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
127
TERMO DE ABERTURA (OU ENCERRAMENTO)
Contém o presente livro ______________________________ (_____________________) páginas, numeradas, 
seguidas e tipograficamente, de 1 (um) a ______ ( ___________________________) e servirá de DIÁRIO n.º 
_______ à empresa _________________________estabelecida com o ramo_________________________,na 
____________________registrada na Junta Comercial do Estado de _______________, sob o número 
______________, por despacho de ____________________, e inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa 
Jurídica do Ministério da Fazenda sob o n.º _______________________.
 ________________________, ________ de ______________ de x1
 _____________________________________________________
 Ass.: Proprietário
2.2 LIVRO RAZÃO
O Razão é um livro de grande utilidade para a contabilidade, porque 
registra o movimento de todasas contas. A escrituração do livro Razão passou a 
ser obrigatória a partir de 1991 (artigo 14 da Lei nº 8.218, de 29/8/91).
Vale lembrar que a pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá 
manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão 
ou fichas, utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos 
efetuados no livro Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na 
legislação, observando-se que:
a) a escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das 
operações;
b) a não manutenção do livro Razão, nas condições determinadas, implicará o 
arbitramento do lucro da pessoa jurídica;
c) estão dispensados de registro ou autenticação o livro Razão ou fichas que o substituam.
De acordo com o inciso II do art. 6º da Instrução Normativa RFB (Receita Federal 
do Brasil) n. 787/2007, a apresentação dos livros digitais, em relação aos períodos posteriores 
a 31.12.2007, supre a obrigatoriedade de escriturar o livro Razão ou fichas utilizados para 
resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
128
3 MÉTODO DE ESCRITURAÇÃO
O método utilizado para a escrituração dos fatos administrativos é o 
método das partidas dobradas.
Esse método, que é de uso universal e foi divulgado pelo frade franciscano 
Lucas Pacioli, no século XV, consiste no seguinte:
Não há devedor sem que haja credor e não há credor sem que haja devedor, sendo 
que a cada débito corresponde um crédito de igual valor. 
4 LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
Os fatos administrativos são registrados através do lançamento, inicialmente 
no livro Diário, mediante documentos que comprovem a legitimidade da operação 
(Notas Fiscais, Recibos, Contratos etc.).
O lançamento, de acordo com o método das partidas dobradas, é feito 
em ordem cronológica (data), e os elementos que o compõem obedecem a uma 
determinada disposição.
Vejamos, agora, como é que se faz um lançamento no livro Diário.
Suponhamos o seguinte fato ocorrido na empresa:
Compra à vista (em dinheiro) de um veículo Fiorino, marca Fiat, conforme 
Nota Fiscal nº. 486, da Concessionária Gaúcha, de R$ 22.000.
Observe que todo lançamento deve ter obrigatoriamente os seguintes 
elementos essenciais para ser escriturado:
a) local e data da ocorrência do fato contábil;
b) conta a ser debitada;
c) conta ser creditada;
d) histórico;
e) valor.
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
129
Para elaborar um lançamento você deve seguir os seguintes passos:
a) Verificar o local e a data da ocorrência do fato.
No caso do nosso exemplo, considere a sua cidade e a data de hoje.
 
b) Verificar que documento foi emitido na operação.
Se não houver documento idôneo que comprove a ocorrência do fato, este 
não poderá ser contabilizado.
No nosso exemplo, o documento emitido foi a Nota Fiscal n. 486.
c) Todo fato administrativo, objeto de escrituração, envolve, no mínimo, dois 
elementos patrimoniais ou de resultado. Então, este passo consiste em identificar 
quais são esses elementos envolvidos na operação.
Relendo o exemplo, notamos o seguinte: compra à vista de um veículo.
1º elemento: compra à vista; significa que movimentamos dinheiro. Logo, o 1º 
elemento é dinheiro (caixa). 
2º elemento: um Fiorino. Logo, o 2º elemento é veículo.
d) Verificar, no Plano de Contas, que conta deveremos utilizar para registrar cada 
um dos elementos identificados na letra c.
Temos:
Dinheiro será registrado na conta Caixa.
Fiorino será registrada na conta Veículos.
e) Preparar o histórico do problema.
O histórico consiste em relatar o fato. Este relato deve conter apenas 
dados necessários para o bom esclarecimento do evento. Nunca se deve esquecer 
de identificar a espécie e o número do documento comprobatório, a coisa 
transacionada, bem como o nome da empresa com quem se transaciona.
Logo:
Compra de um veículo Fiorino, marca Fiat, conforme Nota Fiscal n. 486, da 
Concessionária Gaúcha Ltda.
f) Identificar que conta será debitada e que conta será creditada.
O que é a conta a ser debitada e a conta ser creditada?
Observe que todo fato que ocorre na empresa ocorre em forma de troca.
Vamos tomar, por exemplo, a compra à vista do veículo em questão. A 
empresa recebe o veículo e dá em troca o dinheiro.
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
130
 Podemos concluir, nesta fase de aprendizagem, que em todo evento 
ocorrido na empresa envolvendo elementos materiais existe pelo menos um 
elemento que entra para a empresa, podendo acarretar aumento nos elementos 
patrimoniais. E, existe, também, pelo menos um elemento que sai em troca do que 
entrou, podendo acarretar diminuição entre os elementos patrimoniais.
Sendo assim, todo fato administrativo objeto de contabilização pode 
aumentar e/ou diminuir os elementos do Ativo, do Passivo e do Patrimônio 
Líquido, conforme estudamos anteriormente.
Para identificar mais facilmente a conta a ser debitada e a conta a ser creditada, 
aplique a regra de movimentação das contas estudadas na Unidade 2, Tópico 2 
(Razonetes e Partidas Dobradas).
Seguindo com o raciocínio do nosso exemplo de lançamento, vamos, 
agora, identificar a conta a ser debitada: é a conta Veículos, porque um “Bem” está 
entrando para o Patrimônio da empresa. Sendo o Fiorino registrado em Conta do 
Ativo (Veículos), isso acarreta aumento do Ativo.
Vamos, agora, identificar a conta a ser creditada: é a conta Caixa, porque 
está saindo dinheiro da empresa. Logo, diminuirá o Ativo, assim, a regra diz: que 
toda vez que diminuir o Ativo, CREDITAR a respectiva conta. A respectiva conta 
que, no caso, está acarretando diminuição para o Ativo é a conta Caixa.
O Registro do fato contábil será representado pelo seguinte lançamento 
contábil:
Indaial, 21 de novembro de 2010 D C
D Veículos 22.000
C Caixa 22.000
Compra à vista de um veículo Fiorino, Fiat, conforme NF 486 
da Concessionária Gaúcha
4.1 FÓRMULAS DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
No exemplo visto anteriormente, tivemos apenas uma conta debitada e uma 
conta creditada. Porém, um mesmo lançamento poderá conter mais de uma conta 
debitada ou mais de uma conta creditada. Daí a existência de quatro fórmulas de 
lançamentos. 
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
131
A estrutura do lançamento tem por alicerce o secular método das 
"partidas dobradas", segundo o qual todo débito deve, concomitantemente, ser 
correspondido por um crédito. Contabilmente, "partida" tem o mesmo significado 
de lançamento ou assentamento.
No dia a dia das empresas ocorrem operações simples (como o 
pagamento de uma conta de consumo de energia elétrica no prazo) e outras bem 
mais complexas, que envolvem lançamentos mais sofisticados (por exemplo: 
pagamento, com juros, de duplicata, parte em dinheiro e parte mediante 
emissão de cheque).
Para registrar qualquer fato contábil existem quatro fórmulas (ou 
modalidades) de lançamentos, a saber:
4.1.1 Primeira fórmula
A primeira fórmula caracteriza-se pela simplicidade. Requer uma conta 
devedora e uma conta credora e pode ser assim representada:
<Local e data> D C
D Fornecedores - Empresa Comercial "WZ" Ltda. (Passivo 
Circulante).
2.000
C Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante). 2.000
Pagamento da Duplicata n. 555 ao fornecedor WZ com emissão 
de cheque n. 123 do Banco do Brasil. 
A operação contábil utilizada para exemplificar a 1ª fórmula foi a de pagamento de 
duplicata de fornecedor, no prazo.
4.1.2 Segunda fórmula
A segunda fórmula trata-se da modalidade de lançamento de complexidade 
intermediária, que requer uma conta devedora e duas ou mais contas credoras, 
como se observa abaixo:
NOTA
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBILE OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
132
Para demonstrar a 2ª fórmula utilizamos como exemplo o recebimento de duplicata em 
atraso, acrescida de juros de mora. 
4.1.3 Terceira fórmula
A terceira fórmula, igualmente de complexidade intermediária, requer 
duas ou mais contas devedoras e apenas uma credora, como segue:
<Local e data> D C
D Fornecedores - Empresa Comercial "WZ" Ltda. (Passivo 
Circulante).
3.000
D Juros Passivos (Conta de Resultado). 200
C Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante) 3.200
Pagamento ao nosso fornecedor WZ cf. duplicata n. 852, com 
juros pelo atraso. 
Para exemplificar a 3ª fórmula utilizamos a operação contábil de pagamento de 
fornecedor após o vencimento, com encargos monetários.
<Local e data> D C
D Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante) 5.100
C Clientes - Empresa Comercial "YZ" Ltda. (Ativo Circulante). 5.000
C Juros Ativos (Conta de Resultado). 100
Recebimento da duplicata n. 789 de nosso cliente YZ, com juros 
pelo atraso no pagamento. 
NOTA
NOTA
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
133
4.1.4 Quarta fórmula
A quarta fórmula é menos usual e mais complexa do que as anteriores; ela 
requer duas ou mais contas devedoras e duas ou mais contas credoras, como se vê 
no seguinte exemplo:
<Local e data> D C
D Fornecedores - Empresa Comercial "WZ" Ltda. (Passivo 
Circulante)
2.000
D Juros Passivos (Conta de Resultado) 200
C Caixa (Ativo Circulante) 1.000
C Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante) 1.200
A operação contábil utilizada para representar a última fórmula foi a de pagamento 
de duplicata, em atraso, com incidência de juros de mora, sendo parte em dinheiro e parte 
mediante emissão de cheque.
Os lançamentos da 1ª, 2ª e 3ª fórmulas não causam maiores dúvidas, e sua 
utilização é mais frequente. Já o lançamento da 4ª fórmula sofre mais restrições 
quanto à sua utilização, principalmente porque torna mais difícil a compreensão 
da operação, que registra o que somente pode ser atenuado pela adoção de 
históricos que identifiquem com clareza todos os elementos inerentes a cada uma 
das partidas (contas devedoras e contas credoras).
5 CONTABILIZAÇÃO DE JUROS E DESCONTOS
Agora, estudaremos informações de algumas contas de resultado, que 
poderão figurar nos registros contábeis, tanto como despesas quanto como 
receitas. É o caso de juros e descontos.
Quando falamos em juros, logo pensamos em despesa, pois juro é o preço 
do uso do dinheiro.
NOTA
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
134
Assim, pode ser uma receita (Receita de Juros ou Juros Ativos), para 
quem empresta o dinheiro, ou pode ser uma despesa (Despesa de Juros ou Juros 
Passivos), para quem toma emprestado o dinheiro.
É comum, nas empresas, o pagamento ou o recebimento de juros pelo 
atraso no cumprimento de uma Obrigação ou pelo atraso no recebimento de um 
Direito.
Exemplificaremos como segue:
João deve a Pedro um título no valor de R$ 2.000, com vencimento para 
o dia 10 de março. No dia 15 de março, cinco dias após o vencimento, João vai 
pagar o título. Pedro cobra-lhe R$ 1.150, sendo que os R$ 150 cobrados a mais 
representam os juros pela demora no pagamento.
Sendo assim, tanto podemos pagar juros como receber juros.
Quando pagamos juros, ocorre uma Despesa.
Quando recebemos juros, ocorre uma Receita.
Note que, quando falamos que recebemos juros, significa que recebemos 
dinheiro referente a juros. Quando falamos que pagamos juros, significa que 
pagamos dinheiro referente a despesas de juros. Isto porque todo fato ocorrido 
envolve, pelo menos, duas contas. Nesses casos, uma delas é a conta Caixa e a 
outra é uma Receita ou uma Despesa de Juros.
Pois bem, podem ocorrer, na empresa, apenas dois casos de fatos 
administrativos que envolvam juros.
a) No pagamento de juros (Despesa) 
Pagamento de uma duplicata, em dinheiro, ao Fornecedor XXX, no valor 
de R$ 3.000, com 3% de juros pelo atraso (Duplicata n. 321).
Contas envolvidas no fato: 
Duplicatas a pagar............................................................. R$ 3.000
Juros passivos................................................................... R$ 90
Caixa.................................................................................. R$ 3.090
Veja que sairá do caixa a importância de R$ 3.090, sendo R$ 3.000 referentes 
ao valor da duplicata e R$ 90 referentes a juros pelo atraso. Logo, a conta caixa será 
creditada, pois o Ativo está sendo diminuído.
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
135
<Local e data> D C
D Duplicatas a pagar 3.000
D Juros Passivos (despesas) 90
C Caixa 3.090
Pagamento ao nosso fornecedor XXX cf. duplicata n. 321, com 
juros pelo atraso. 
b) No Recebimento de juros (Receita) 
Recebemos a Duplicata nº 877, da cliente Rita Maria, no valor de R$ 2.000, 
com 5% de juros de atraso.
Veja como fica o lançamento contábil no Livro diário:
<Local e data> D C
D Caixa 2.100
C Juros Ativos (receitas) 100
C Duplicatas a receber 2.000
Recebimento da duplicata n. 877 da nossa cliente Rita Maria, 
com juros pelo atraso. 
Neste caso, a conta duplicatas a receber será creditada por R$ 2.000, pois 
estamos recebendo a importância em dinheiro, correspondente à Duplicata. Logo, 
o Ativo será diminuído pela extinção do Direito.
A conta juros ativos será creditada, pois os juros, nesse caso, representam 
receitas para nossa firma, e toda Receita será creditada.
E a conta caixa será debitada por R$ 2.100, pois estamos recebendo esta 
importância que, entrando para o Patrimônio, aumentará o nosso Ativo.
O Passivo, por sua vez, será diminuído de R$ 3.000, pela liquidação da 
obrigação em duplicatas a pagar. Logo, a conta duplicatas a pagar será debitada.
Está ocorrendo, também, uma despesa de R$ 90, referente aos juros pagos. 
Logo, a conta de despesa correspondente, que é Juros Passivos, será debitada.
Para entender, o lançamento contábil será expresso no Diário da seguinte 
forma: 
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
136
Por que Juros Ativos e Juros Passivos?
Mais um alerta para você: quando falamos em Juros Ativos e Juros Passivos, 
esses ativos e passivos não têm relação alguma com o Ativo e o Passivo do Balanço 
Patrimonial. Nesse caso, as palavras ativos e passivos estão sendo utilizadas como 
adjetivos, qualificando os juros de negativos ou positivos.
Juros Ativos: representam juros positivos, pois o adjetivo ativos significa 
coisa positiva, a favor da empresa. Neste caso, a empresa recebeu os juros; logo, 
trata-se de Receita.
Juros Passivos: representam juros negativos para a empresa. Neste caso, a 
empresa pagou os juros; logo, trata-se de despesa.
Os Descontos - podem ocorrer na empresa dois tipos de descontos:
a) Descontos obtidos.
b) Descontos concedidos.
1º) Quando nós ganhamos o desconto.
Exemplo: 
Para exemplificar, quando ganhamos um desconto (descontos obtidos), 
vamos imaginar o pagamento da Duplicata nº 2525 à Casas Bahia, no valor de R$ 
1.000, com 10% de desconto.
Veja como fica o lançamento contábil:
<Local e data> D C
D Duplicatas a pagar 1.000
C Descontos obtidos (receitas) 100
C Caixa 900
Pagamento da duplicata. n. 2525 às Casas Bahia, com obtenção 
de 10% de desconto pelo pagamento antecipado. 
Note que a conta duplicatas a pagar será debitada por R$ 1.000, que é o 
valor da obrigação a ser baixada; a conta descontos obtidos será creditada por 
R$ 100, que correspondem ao valor da Receita; e, finalmente, a conta caixa será 
creditada por R$ 900, pela saída dessa importância do caixa.
2º) Quando nós oferecemos o desconto.
Exemplo: 
TÓPICO 1 | ESCRITURAÇÃO
137
<Local e data> D C
D Caixa 3.600
D Descontos concedidos (despesas) 400
C Duplicatas a receber 4.000
Recebimento da duplicatanº 666 do nosso cliente João Pedro, 
com concessão de desconto de 10% pelo pagamento antecipado. 
Note que a conta duplicatas a receber será creditada por R$ 4.000, que 
correspondem ao valor da referida duplicata a ser baixada; a conta descontos 
concedidos será debitada por R$ 400, que correspondem ao valor da despesa com 
o desconto; e, finalmente, a conta Caixa será debitada por R$ 3.600, porque essa 
importância está sendo recebida.
Por que Descontos Obtidos e Descontos Concedidos?
Quando damos o desconto para terceiros, será despesa para nós. Logo, a 
conta representativa do elemento da despesa será descontos concedidos, pois nós 
concedemos os descontos.
Quando recebemos o desconto de terceiros, ocorre uma receita para nós. 
Logo, a conta representativa do elemento da Receita será descontos obtidos, pois 
nós obtivemos o desconto.
Para exemplificar, quando oferecemos um desconto (descontos concedidos), 
vamos imaginar que recebemos do nosso cliente Sr. João Pedro, em dinheiro, a 
importância correspondente à Duplicata de nossa emissão n. 666, no valor de R$ 
4.000, com 10% de desconto.
Veja como fica o esquema para raciocínio: 
138
 Estudamos nesse tópico:
● Os dois principais livros obrigatórios exigidos para que haja uma adequada 
escrituração. O livro Diário, que dá origem a todo o registro dos fatos 
administrativos, seguido pelo Livro Razão, que dá um detalhamento maior dos 
registros realizados no livro Diário.
● Aprofundamos um pouco mais nossos estudos, aprendendo um pouco sobre 
operações que provocam variações no Patrimônio e a forma como se originam 
as fórmulas dos lançamentos contábeis.
 
● Observe que os juros e descontos, que provocam as variações no Patrimônio 
Líquido, podem ocorrer em quatro situações:
a) Pagamento com juros = Despesa (conta Juros Passivos).
b) Recebimento com juros = Receita (conta Juros Ativos).
c) Pagamento com descontos = Receita (conta Descontos Obtidos). 
d) Recebimento com descontos = Despesa (conta Descontos Concedidos).
RESUMO DO TÓPICO 1
139
1 Dados os seguintes fatos, contabilize as operações no livro Diário, transfira 
os saldos para os razonetes, apure o resultado (registrando no livro Diário) e 
elabore as Demonstrações Contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração 
do Resultado de Exercício).
AUTOATIVIDADE
Item Data Movimentações Contábeis
1 03/12/2010 Constituição da Empresa Cia. Serviçal, com capital social no valor 
de 20.000, representado por 15.000 em dinheiro e 5.000 em móveis 
e utensílios. O contrato social foi registrado na Junta Comercial sob 
número 123456789. A empresa foi constituída em imóvel locado.
2 05/12/2010 Prestamos serviços pelo valor de 2.000, 50% a prazo, mediante 
emissão da Nota Fiscal n. 001 a nosso cliente ABC. Foram emitidas 2 
duplicatas 001/A (500 reais) e a 001/B (500 reais). A outra metade foi 
paga em dinheiro.
3 07/12/2010 Compramos um veículo usado, ano 2008, marca Renault, modelo 
Cangoo, pelo valor de 8.000. Pagamos 50% à vista e o restante foi a 
prazo. Compramos da concessionária Campograndense, conforme 
nota fiscal nº 525 com as duplicatas 525/A (2.000 reais) e 525/B (2.000 
reais). 
4 08/12/2010 Recebemos a duplicata 001/A e concedemos 10% de desconto.
5 12/12/2010 Pagamos a duplicata 525/A e ganhamos 10% de desconto.
6 15/12/2010 Recebemos a duplicata 001/B e cobramos 10% de acréscimo.
7 16/12/2010 Pagamos a duplicata 525/B com 10% de acréscimo. 
8 23/12/2010 Pagamos a energia elétrica do mês no valor de 400. 
9 28/12/2010 Pagamos o salário dos funcionários no valor de 600.
10 31/12/2010 Pagamos aluguel do mês no valor de 500.
Assista ao vídeo de
resolução da questão 1
140
Livro Diário fl.01
D C
141
Livro Diário fl.02
D C
142
Livro Razão - Razonetes
D C D C D C
D C D C D C
D C D C D C
D C D C D C
D C D C D C
143
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. Serviçal – __/__/____
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
 
 
Ativo Não Circulante (ANC) Patrimônio Líquido (PL)
 
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
DRE – Cia. Serviçal
01/12/2010 a ___/___/____
RECEITAS
 Receita de Serviços ...............
 Receita de............................... ...............
 Receita de............................... ...............
 Receita de............................... ...............
 Receita de............................... ...............
(-) DESPESAS
 Despesas com (................)
 Despesas com (................)
 Despesas............................... (................)
 Despesas ............................... (................)
 Despesas............................... (................)
 Despesas ............................... (................)
 Despesas ............................... (................)
 Despesas............................... (................)
 Despesas .............................. (................) (..............)
RESULTADO – ............................ .................
144
2 Identifique, em cada operação do exercício anterior, se são Lançamentos de 
Primeira, Segunda, Terceira ou Quarta Fórmula: 
Item Data Movimentações Contábeis (Fórmulas)
1 03/12/2010
2 05/12/2010
3 07/12/2010
4 08/12/2010
5 12/12/2010
6 15/12/2010
7 16/12/2010
8 23/12/2010
9 28/12/2010 Primeira Fórmula
10 31/12/2010
Assista ao vídeo de
resolução da questão 2
145
TÓPICO 2
INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Vimos na unidade anterior que uma das formas das empresas ganharem 
dinheiro é através da venda ou prestação de serviços. Esse tipo de receita é 
específico em empresas que exploram a atividade de prestação ou execução de 
serviços. 
As empresas do setor industrial obtêm suas receitas pela venda dos 
produtos fabricados por elas mesmas. Já as empresas do setor comercial obtêm 
suas receitas pela revenda de mercadorias adquiridas de fornecedores.
Nesta Unidade iremos tratar da apuração de resultados de empresas que 
exploram a atividade comercial, ou seja, de empresas que compram e revendem 
mercadorias.
As mercadorias compreendem todos os bens que as empresas comerciais 
compram para revender. As operações que envolvem as compras e as vendas de 
mercadorias constituem a atividade principal das empresas comerciais.
Assim, basicamente, existem dois sistemas de controle de estoques e 
apuração de resultados. A apuração de resultados pelo sistema de Inventário 
Periódico e Inventário Permanente.
2 INVENTÁRIO PERIÓDICO
Caro(a) acadêmico(a), é muito comum encontrarmos na porta das empresas, 
normalmente no final do ano, uma placa com os seguintes dizeres: “Fechado para 
balanço”. 
Na verdade, as empresas não estão fazendo o nosso conhecido Balanço 
Patrimonial, mas, sim, identificando a quantidade de mercadorias existentes nos 
estoques. Essa identificação é denominada de levantamento do inventário físico, 
ou seja, está ocorrendo a contagem dos estoques de mercadorias. 
146
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
O sistema de Inventário Periódico pressupõe a não existência de controle 
permanente dos estoques feito em fichas para acompanhamento mediante registro 
de todas as transações de entradas e saídas, mas apenas se faz um levantamento 
físico das quantidades estocadas em determinados períodos de tempo. Assim, 
as quantidades e os valores exatos estocados só serão conhecidos após um 
levantamentoe contagem física dos itens estocados.
Notaremos que o sistema de inventário Periódico deixa um pouco a desejar. 
Basicamente, o sistema vem de antigamente, quando se fazia apenas um balanço 
anual, e naquele momento fazia-se também o levantamento dos estoques. Nos 
tempos atuais, com as modernas ferramentas de gestão e, principalmente, com 
auxílio de sistemas informatizados, o controle permanente dos estoques tornou-se 
imprescindível. 
Voltando à metodologia de funcionamento do Sistema de Inventário 
Periódico, a contagem dos estoques é feita com duas finalidades: 
a) a primeira é identificar o saldo de mercadorias em estoque na data da elaboração 
do balanço patrimonial; 
b) a segunda é permitir a determinação do Custo das Mercadorias Vendidas – 
CMV durante o período que está se encerrando. 
O Custo das Mercadorias Vendidas – CMV é denominado como sendo 
o custo das mercadorias adquiridas para revenda que foram vendidas. Assim, é 
importante salientar que o Custo das Mercadorias Vendidas – CMV é uma despesa 
avaliada pelo “custo” ou valor de compra. Cabe ressaltar que o CMV é despesa.
2.1 APLICAÇÃO DA FÓRMULA DO CMV 
A determinação do saldo da conta de Mercadorias em estoque é feita 
diretamente pela contagem e avaliação dos produtos existentes. A determinação 
do Custo das Mercadorias Vendidas é feita pela aplicação da seguinte equação:
CMV = EI + C – EF
Onde:
CMV  Custo das Mercadorias Vendidas
EI  Estoque Inicial de Mercadorias
C  Compras de Mercadorias
EF  Estoque Final de Mercadorias
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
147
A utilização da fórmula vem ao encontro da utilização do sistema de 
Inventário Periódico. Partindo do pressuposto de que as quantidades estocadas, 
tanto no início quanto no fim do período, são significativamente inferiores às 
quantidades compradas ou vendidas durante o ano. O sistema de Inventário 
Periódico é muito mais fácil de ser efetivado e muito menos custoso para a empresa. 
Sabemos que as informações de quantidades e valores comprados (as 
compras do período) são fáceis de se obter porque temos os documentos de 
aquisição (notas fiscais de compra das mercadorias). O difícil é obtermos as 
quantidades e os custos das vendas. Porém, sabemos que não é demorado 
contarmos as quantidades que ficaram no estoque final ao fim do exercício, através 
do inventário de mercadorias. Assim, tendo um estoque inicial e sendo simples 
obtermos os dados das compras e do estoque final, “por diferença” obtém-se as 
quantidades vendidas e, consequentemente, o Custo das Mercadorias Vendidas 
(CMV).
 
Suponhamos que a empresa “ABC” seja constituída em 20/04/2007 com 
um capital no valor de 5.000,00, sendo este composto por dinheiro – 4.000,00 e 
mercadorias – 1.000,00. Suponhamos ainda que durante o ano houve aquisições 
(compras) de mercadorias para revenda no valor de 3.000,00 em dinheiro. No final 
do ano (em 31/12/07) ela verifica que as suas vendas (também realizadas à vista) 
totalizaram 4.000,00 e que existem ainda 800,00 de mercadorias em estoque.
Pergunto a você: é possível saber qual é o Custo das Mercadorias Vendidas?
É possível saber também se houve lucro ou prejuízo com as transações 
comerciais efetuadas pela empresa (compra e venda das mercadorias)?
Vamos então verificar. Para respondermos à primeira pergunta necessitamos 
identificar os elementos a serem substituídos na fórmula: CMV = EI + C – EF.
CMV = ?  É o que estamos procurando.
EI  Nossa empresa iniciou suas atividades com estoque deixado à disposição 
pelos sócios no momento da constituição da empresa, no valor correspondente a 
1.000,00. 
C  Compramos durante o período 3.000,00 em mercadorias.
EF  Nosso estoque no final do período é de 800,00.
Então temos:
CMV = EI + C – EF
CMV = 1.000,00 + 3.000,00 – 800,00
CMV = 3.200,00
148
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Assim, temos então um custo de 3.200,00, relativo a vendas de mercadorias 
no valor de 4.000,00. É possível calcular o lucro?
O lucro observado diretamente nas operações de compra e venda de 
mercadorias pode ser calculado mediante a aplicação da seguinte fórmula:
RCM = V – CMV
Onde:
RCM  Resultado da Conta Mercadorias (correspondente ao lucro bruto).
V  Receita obtida com as VENDAS de mercadorias.
CMV  Custo das Mercadorias Vendidas.
Assim, teremos:
RCM = V – CMV
RCM = 4.000,00 – 3.200,00
RCM = 800,00
Muito bem! Agora que aprendemos a calcular, aplicando as fórmulas, precisamos 
entender os efeitos provocados na contabilidade. Então vamos contabilizar as operações 
vistas anteriormente.
2.2 CONTABILIZAÇÃO PELO INVENTÁRIO PERIÓDICO
Vamos nos reportar ao exemplo anterior para contabilizar os seguintes fatos 
ocorridos:
a) Constituição da empresa “ABC” em 20/04/2010 com um capital em dinheiro no 
valor de 5.000,00, composto por 4.000,00 em dinheiro e 1.000,00 em mercadorias 
para estoque.
b) Durante o ano houve aquisição (compras) de mercadorias para revenda no valor 
de 3.000,00 em dinheiro. 
c) No final do ano (em 31/12/2010) verificou-se que as suas vendas (também 
realizadas à vista) totalizaram 4.000,00.
d) Houve a avaliação dos estoques e que se concluiu que existem 800,00 de 
mercadorias no estoque final.
ATENCAO
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
149
Caixa – AC Capital – PL
Mercadorias em 
estoque - AC
D C D C D C
a 4.000 3.000 b 5.000 A a 1.000 1.000 1
c 4.000 5.000 3 800
8.000 3.000
Saldo 
5.000
Compras de Mercadorias 
– R Vendas (receita) – R 
D C D C
b 3.000 3.000 2 4.000 4.000 C
2.3 CONTABILIZAÇÃO DO CMV, RCM E RESULTADO: PASSO 
A PASSO 
Acompanhe passo a passo a solução nos razonetes, seguindo a numeração 
indicada.
● Primeiramente, a abertura das contas CMV, RCM e Resultado deve ser realizada 
para possibilitar a transferência dos valores já contabilizados anteriormente. 
● Posteriormente, os seguintes passos devem ser adotados:
1) Transferir o valor da conta de Mercadorias em Estoque (representativo do 
estoque inicial) para a conta CMV. Essas transferências se darão com lançamentos 
a débito na conta CMV e a crédito na conta de Mercadorias em Estoque.
ATENCAO
O início do processo de apuração, no final do período, se dá com a adoção 
dos seguintes procedimentos:
150
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
2) Transferir o valor da conta “compras de mercadorias” para a conta “CMV”. 
Essas transferências se darão com lançamentos a débito na conta CMV e a 
crédito na conta de Compras. Após o lançamento, note que a conta de Compras 
permanecerá com saldo zero. 
3) Reconhecer na contabilidade o valor de 800,00, que é o estoque final de 
mercadorias. Esse reconhecimento se dá em função da não existência desses 
valores na contabilidade. Será assim realizado com um lançamento a débito, 
em uma conta do Ativo Circulante que representará o valor desses estoques, e a 
crédito em CMV. A conta utilizada é a mesma que representa o Estoque Inicial, 
pois o estoque no final de um período (31/12/2010) representará com o mesmo 
valor do estoque no início de um novo período (01/01/2011). Neste momento 
temos, então, como apurar o saldo final da conta CMV. Constatamos que seu 
valor é igual ao calculado com a aplicação da fórmula (CMV = EI+C-EF).
4) Neste momento, podemos então iniciar a contabilização do RCM com a 
transferência do valor das vendas. Faz-se com um lançamento a débito na de 
vendas e a crédito na conta de RCM, no valor de 4.000,00. Após o lançamento, 
note que a conta de Vendas permanecerá com saldo zero.
5) Agora é o momento de transferir o saldo da conta CMV, no valor de 3.200,00, 
para a conta RCM. Esse lançamento se faz a débito em RCM e a crédito em 
CMV. Com isso, também a conta CMV permanecerá com saldo zerado. Temos, 
assim, o saldode 800,00 na conta RCM, que equivale ao valor encontrado pela 
aplicação da fórmula matemática (RCM = V – CMV). Cabe destacar que se o 
saldo for credor, teremos um lucro (lucro bruto) e, se for devedor, teremos um 
prejuízo (prejuízo bruto). É “bruto”, pois resta ainda o confronto deste valor 
com as despesas que normalmente ocorrem em uma empresa, as quais são 
confrontadas na conta Resultado.
6) O saldo apurado na conta RCM, de 800,00, deverá ser transferido para a conta 
Resultado. Com esse lançamento a conta RCM também ficará com saldo nulo. 
Esse lançamento será feio a débito na conta. Neste momento, havendo mais 
contas de receitas e despesas, estas também deverão ser confrontadas na conta 
Resultado, possibilitando a identificação do resultado líquido obtido pela 
empresa.
7) Não havendo demais contas de resultado a serem confrontadas, basta apenas 
transferir o saldo de 800,00 da conta Resultado para a conta do Balanço Patrimonial 
chamada Lucros ou Prejuízos Acumulados. Neste caso, o lançamento será a 
débito na conta Resultado e a Crédito na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados 
do Patrimônio Líquido.
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
151
C M V – R R C M – R Resultado – R 
D C D C D C
1 1.000 800 3 5 3.200 4.000 4 7 800 800 6
2 3.000 6 800 800
4.000 800
3.200 5
Mercadorias em 
estoques – AC 
Lucros/Prejuízos 
acumulados – PL
D C D C
2 800 800 7
Após todos os lançamentos terem sido efetuados, iremos notar que todas 
as contas de resultado estão com saldo zerado ou nulo. Isso permitirá, no período 
seguinte, novamente o acúmulo de valores nas contas de receitas e despesas, 
proporcionando novamente a apuração do resultado, e assim sucessivamente.
Notamos que apenas as contas patrimoniais (ativo, passivo e patrimônio 
líquido) estão com saldo, e isso irá permitir a elaboração do Balanço Patrimonial 
seguido da Demonstração de Resultados, os quais seguem:
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. ABC – 31/12/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC)
 Disponibilidades
 Caixa 5.000 Patrimônio Líquido (PL)
 Estoques Capital Social
 Mercadorias em estoques 800 Capital 5.000
 Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Lucros acumulados 800
TOTAL DO ATIVO 5.800 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 5.800
152
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
DRE – CIA. ABC
20/04/2010 a 31/12/2010
VENDAS 4.000,00
(-) CMV (3.200,00)
Lucro Bruto 800,00
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com................. (0,00)
 Despesas com................. (0,00) (0,00)
RESULTADO – Lucro Líquido 800,00
Na Demonstração de Resultados apresentada anteriormente, notamos 
que ela passa a apresentar uma nova informação. Essa nova informação é o CMV, 
que é diminuído das Vendas, proporcionando o RCM ou Lucro Bruto. Este, 
posteriormente, é diminuído das despesas operacionais (no exemplo apresentado 
não havia despesas), que irá então proporcionar o resultado final. 
AUTOATIVIDADE
Nesta atividade iremos desenvolver um caso completo envolvendo tudo o que 
aprendemos até aqui. Para facilitar a solução do caso, descrevemos, após as 
operações contábeis, todos os passos (dicas) que deverão ser seguidos. Então, 
mãos à obra.
1 – Constituição da empresa Comercial XYZ com capital de 10.000 em dinheiro.
2 – Compra de mercadorias à vista por 3.000.
3 – Venda de mercadorias à vista por 4.000.
4 – Compra de mercadorias a prazo por 2.000.
5 – Venda de mercadorias a prazo por 1.000.
6 – Pagamento de despesas de salários no valor de 650.
7 – Pagamento de despesas com propaganda no valor de 250.
8 – Pagamento de despesas de juros no valor de 150.
Obs.: O valor do estoque final de mercadorias corresponde a 1.500.
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
153
Passos a seguir:
1) Lançar todas as operações contábeis apresentadas anteriormente (8 lançamentos) 
nos razonetes a seguir, numerando-os;
2) Após os lançamentos acima, calcular mediante a aplicação da fórmula, o CMV: 
CMV = EI + C – EF
CMV = 
3) Após os cálculos acima, os lançamentos do CMV deverão ser feitos nos razonetes.
4) Após os lançamentos acima, calcular mediante a aplicação da fórmula, o RCM: 
RCM = V - CMV 
RCM = 
5) Após os cálculos acima, os lançamentos do RCM deverão ser feitos nos razonetes.
6) Agora transfira o RCM e as Despesas para a conta de Resultado.
7) Por fim, transfira o saldo da conta “Resultado” e o saldo desta conta para 
“lucros ou prejuízos acumulados”.
Caixa – AC Capital – PL Compras – R 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
154
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Vendas – R 
Fornecedores a pagar 
– PC 
Clientes (dupl. a rec.) 
– AC
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
Despesas com salários 
– R 
Despesas com 
propaganda - R 
Despesas com Juros – R 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
CMV – R RCM – R Resultado – R 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
Lucros ou Prejuízos 
acumulados – PL 
Mercadorias em 
estoque – AC
D C D C
............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ...............
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
155
Após a contabilização anterior,elabore as demonstrações contábeis a 
seguir: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Cia. XYZ - ___/___/___
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar .................
 Caixa .............. Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber .............. Capital .................
 Estoques Lucros ou Prejuízos 
Acumulados
 Mercadorias em estoques .............. Lucros acumulados .................
TOTAL DO ATIVO .............. TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
.................
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
DRE – CIA. XYZ
__/__/__ a __/__/__
VENDAS .................
(-) CMV .................
Lucro Bruto .................
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com ......................... (...............)
 Despesas com........................... (...............)
 Despesas com ......................... (...............) (..............)
RESULTADO – Lucro Líquido ................
156
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
3 INVENTÁRIO PERMANENTE
O inventário permanente é um sistema de controle de estoques que 
proporciona informações para a apuração de resultados. Consiste no controle 
de forma contínua e permanente das mercadorias, registrando as entradas pelas 
compras, dando baixa em cada venda, pelo custo dessas mercadorias vendidas – 
CMV. O inventário permanente permite que a empresa controle todas as entradas 
e saídas de mercadorias por meio de fichas desenvolvidas especificamente para 
esse fim. 
Assim, o inventário permanente apresenta vantagens de permitir à 
empresa determinar, a qualquer momento, o valor de seus estoques e o custo das 
mercadorias vendidas. Vantagem essa que supera também o sistema de inventário 
periódico, o qual permite essa apuração apenas no final de cada período.
O sistema de inventário permanente possui basicamente três métodos de 
controle: o PEPS, UEPS e a Média Ponderada Móvel.
3.1 PEPS
O método PEPS – Primeiro que Entra, Primeiro que Sai tem por objetivo 
avaliar o estoque final pelas aquisições mais recentes (últimas) e o Custo das 
Mercadorias Vendidas (CMV) pelas aquisições mais antigas (primeiras). Esse 
método pressupõe que as primeiras mercadorias que entraram no estoque da 
empresa serão as primeiras a serem vendidas.
Neste método, em uma economia inflacionária, existe a preservação do 
valor do estoque final (EF) avaliado pelas aquisições mais recentes, mas subavalia 
o valor do CMV avaliado pelas aquisições mais antigas.
Cabe destacar que em todos os métodos (PEPS, UEPS e Média) que serão 
estudados, o mecanismo de funcionamento de cada um é especificamente para 
a geração de informações para a apuração dos Estoques e do CMV e não para o 
controle e organização física dos estoques.
Para termos um entendimento do funcionamento do inventário permanente 
pelo método PEPS, vamos exemplificar, de acordo com o que segue:
Exemplo:
No dia 03/03/2006 houve a constituição da empresa Comercial Pescador, 
que se dedica à comercialização de motores para barcos de pesca modelo XR8 da 
marca Pacu. A Comercial Pescador foi constituída com Capital de 50.000,00 em 
dinheiro.
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
157
Ord. Dia Operação V. Un. Total
1 3 Constituição da Empresa Comercial Pescador 50.000
2 5 Compra de 20 unidades a prazo 1.000 20.000
3 9 Compra de 10 unidades à vista 1.300 13.000
4 12 Venda de 15 unidades à vista 2.000 30.000
5 16 Venda de 3 unidades a prazo 2.500 7.500
6 18 Compra de 2 unidades à vista 1.800 3.600
7 21 Compra de 4 unidades a prazo 1.875 7.500
8 28 Venda de 8 unidades a prazo 1.687,50 13.500
9 29 Pagamento de despesas de fretes na entrega das vendas 5.500
10 30 Pagamento dos salários do mês. 16.200
Para entendermos o que ocorre com as transações de compra e venda 
das mercadorias em empresas que utilizam o sistema de inventário permanente, 
necessitamos preencher e analisar a ficha abaixo:
Ficha de Estoques Método: PEPS
Mercadoria: Motor para Barco Marca: Pacu Modelo: XR8 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total
05/03 20 1.000 20.000 20 1.000 20.000
09/03 10 1.300 13.000 20
10
30
1.000
1.300
20.000
13.000
33.000
12/03 15 1.000 15.000 5
10
15
1.000
1.300
5.000
13.000
18.000
16/03 3 1.000 3.000 2
10
12
1.000
1.300
2.000
13.000
15.000
18/03 2 1.800 3.600 2
10
 2
14
1.000
1.300
1.800
2.000
13.000
3.600
18.600
21/03 4 1.875 7.500 2
10
2
4
18
1.000
1.300
1.800
1.875
2.000
13.000
3.600
7.500
26.100
28/03 2
6
8
1.000
1.300
2.000
7.800
9.800
4
2
4
10
1.300
1.800
1.875
5.200
3.600
7.500
16.300
Total 36 44.100 26 27.800 10 16.300
158
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
É importante destacar que a cada venda a baixa na ficha de estoques, vista na 
coluna de saídas, é feita iniciando-se pelos custos mais antigos, seguindo a baixa pela 
orientação das setas, baixando as vendas pelos custos de cima para baixo.
É também importante destacar que nas vendas existem dois preços: 
● O primeiro é o preço de venda (receita de vendas) acordado na ocasião da venda 
entre a empresa e o cliente que adquire as mercadorias. Na venda do dia 12/03, 
esse preço é de 30.000 (15 unidades vendidas a 2.000,00 cada uma).
● O segundo é o preço de custo (CMV), calculado na ficha de estoques, pelo valor 
das saídas das 15 unidades a 1.000,00 cada uma, totalizando 15.000,00.
Assim, também é necessário dar atenção especial à operação que gera o 
lançamento contábil na venda, pois essa operação irá resultar em dois lançamentos, 
que são:
● O primeiro lançamento é relacionado ao lançamento da receita da venda (pelo 
preço da venda) pelo valor de 30.000,00, o qual será feito a débito de caixa, pois 
foi à vista, e a crédito de receita de vendas (nos razonetes a seguir, corresponde 
ao número 4a).
● O segundo lançamento é relacionado à baixa do estoque, pois entregamos as 
mercadorias vendidas ao cliente, e o reconhecimento do custo das vendas. 
Esse lançamento é feito pelo preço de custo a débito na conta CMV e a 
crédito na conta de Estoques, no valor de 15.000,00 (nos razonetes a seguir, 
corresponde ao número 4b).
Preenchida a ficha, vamos à contabilizacão das operações obedecendo à ordem 
da tabela anterior:
IMPORTANT
E
ATENCAO
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
159
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
1 50.000 13.000 3 50.000 1 2 20.000 15.000 4b
4a 30.000 3.600 6 3 13.000 3.000 5b
5.500 9 6 3.600 9.800 8b
16.200 10 7 7.500
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
30.000 4a 20.000 2 4b 15.000
7.500 5a 7.500 7 5b 3.000
13.500 8a 8b 9.800
a 51.000 27.800 b
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ fretes Despesas c/ salários 
D C D C D C
5a 7.500 9 5.500 5.500 d 10 16.200 16.200 e
8a 13.500
Muito bem. O passo seguinte é apurar o saldo de cada conta; faça isso. 
Após identificar o saldo das contas, iremos iniciar o processo de apuração do 
resultado. Como pelo sistema de inventário permanente já temos o CMV calculado 
e contabilizado instantaneamente, basta apenas apurar o RCV e o Resultado Final.
Então vamos abrir as contas necessárias e contabilizar, seguindo a sequência de 
lançamentos da letra “a” a “f”:
IMPORTANT
E
160
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
acumulados 
D C D C DC
b 27.800 51.000 a d 5.500 23.200 c 1.500 f
c 23.200 e 16.200
f 1.500
Muito bem. Feito isso, podemos elaborar as demonstrações contábeis: 
o balanço patrimonial com as contas que apresentam saldo nos razonetes e a 
demonstração de resultados com as contas de resultado, as quais estão com saldo 
nulo ou zerado.
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Pescador – 31/03/2006
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar 27.500
 Caixa 41.700 Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber 21.000 Capital 50.000
 Estoques Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Mercadorias em estoques 16.300 Lucros acumulados 1.500
TOTAL DO ATIVO 79.000 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 79.000
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
161
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL 
PESCADOR (03/03 A 31/03/2006)
VENDAS 51.000
(-) CMV (27.800)
Lucro Bruto 23.000
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com fretes (5.500,00)
 Despesas com salários (16.200,00) (21.700)
RESULTADO – Lucro Líquido 1.500
3.2 UEPS
O método UEPS – Último que Entra, Primeiro que Sai tem por objetivo 
avaliar o estoque final (EF) pelas aquisições mais antigas (primeiras) e o custo 
das mercadorias vendidas (CMV) pelas aquisições mais recentes (últimas). Esse 
método funciona da forma oposta ao PEPS, ou seja, as últimas mercadorias que 
entraram no estoque serão as primeiras a saírem. 
Aqui, numa economia em processo inflacionário, ou seja, com o preço das 
mercadorias em constantes mudanças, o estoque final (avaliado pelas aquisições 
mais antigas) fica subavaliado, enquanto o CMV (avaliado pelas aquisições mais 
recentes) mantém-se atualizado pelo valor corrente.
Para exemplificarmos o método UEPS, trataremos aqui o mesmo exemplo 
desenvolvido anteriormente, o qual segue:
Ord. Dia Operação V. Un. Total
1 3 Constituição da Empresa Comercial Pescador 50.000
2 5 Compra de 20 unidades a prazo 1.000 20.000
3 9 Compra de 10 unidades à vista 1.300 13.000
4 12 Venda de 15 unidades à vista 2.000 30.000
5 16 Venda de 3 unidades a prazo 2.500 7.500
6 18 Compra de 2 unidades à vista 1.800 3.600
7 21 Compra de 4 unidades a prazo 1.875 7.500
8 28 Venda de 8 unidades a prazo 1.687,50 13.500
9 29 Pagamento de despesas de fretes na entrega das vendas 5.500
10 30 Pagamento dos salários do mês. 16.200
162
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Ficha de Estoques Método: UEPS
Mercadoria: Motor para Barco Marca: Pacu Modelo: XR8 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total
05/03 20 1.000 20.000 20 1.000 20.000
09/03 10 1.300 13.000 20
10
30
1.000
1.300
20.000
13.000
33.000
12/03 10
5
1.300
1.000
13.000
 5.000
15 1.000 15.000
16/03 3 1.000 3.000 12 1.000 12.000
18/03 2 1.800 3.600 12
2
14
1.000
1.800
12.000
3.600
15.600
21/03 4 1.875 7.500 12
2
4
18
1.000
1.800
1.875
12.000
3.600
7.500
23.100
28/03 4
2
2
8
1.875
1.800
1.000
7.500
3.600
2.000
13.100
10 1.000 10.000
Total 36 26 10 10.000
É importante destacar que a cada venda a baixa na ficha de estoques, vista na 
coluna de saídas, é feita iniciando-se pelos custos mais recentes, seguindo a baixa pela 
orientação das setas, baixando as vendas pelos custos de baixo para cima.
É também importante destacar que nas vendas existem dois preços:
 
● O primeiro é o preço de venda (receita de vendas) acordado na ocasião da venda 
entre a empresa e o cliente que adquire as mercadorias. Na venda do dia 28/03 
esse preço é de 13.500 (8 unidades vendidas a 1.687,50 cada uma).
● O segundo é o preço de custo (CMV), calculado na ficha de estoques, pelo valor 
das saídas das 8 unidades (primeiro as 4 unidades mais recentes em estoque 
vistas na coluna “saldo” do dia 21/03 a um custo unitário de 1.875,00, depois 
outras duas unidades seguindo a ordem de baixo para cima, que custam cada 
uma 1.800,00 e, por último, para completar a baixa das 8 unidades vendidas, as 
outras duas unidades a 1.000,00 cada). Correspondendo assim ao custo total das 
8 unidades no valor de 13.100,00.
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
163
Assim, também é necessário dar atenção especial ao lançamento contábil 
na venda, pois essa operação irá gerar dois lançamentos, que são:
● O primeiro é relacionado ao lançamento da receita da venda (pelo preço da 
venda) pelo valor de 13.500,00, o qual será feito a débito de caixa, pois foi à vista, 
e a crédito de receita de vendas (nos razonetes a seguir, corresponde ao número 
8a). 
● O segundo lançamento é relacionado à baixa do estoque, pois entregamos as 
mercadorias vendidas ao cliente, e o reconhecimento do custo das vendas. Esse 
lançamento é feito pelo preço de custo a débito na conta CMV e a crédito na 
conta de Estoques, no valor de 13.100,00 (nos razonetes a seguir, corresponde ao 
número 8b).
Preenchida a ficha, vamos à contabilizacão das operações obedecendo à ordem 
da tabela anterior:
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
1 50.000 13.000 3 50.000 1 2 20.000 18.000 4b
4a 30.000 3.600 6 3 13.000 3.000 5b
5.500 9 6 3.600 13.100 8b
16.200 10 7 7.500
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
30.000 4a 20.000 2 4b 18.000
7.500 5a 7.500 7 5b 3.000
13.500 8a 8b 13.100
a 51.000 34.100 b
ATENCAO
164
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ fretes Despesas c/ salários 
D C D C D C
5a 7.500 9 5.500 5.500 d 10 16.200 16.200 e
8a 13.500
Muito bem. O passo seguinte é apurar o saldo de cada conta; faça isso. 
Após isso, iremos iniciar a apuração do resultado. Como pelo sistema de inventário 
permanente já temos o CMV calculado e contabilizado instantaneamente, basta 
apenas apurar o RCV e o Resultado Final.
Então vamos abrir as contas necessárias e contabilizar, seguindo a sequência 
das letras “a” a “f”:
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
acumulados 
D C D C D C
b 34.100 51.000 a d 5.500 16.900 c f 4.800
c 16.900 e 16.200
4.800 f
Muito bem. Feito isso, podemos elaborar as demonstrações contábeis: o 
Balanço Patrimonial com as contas que apresentam saldo e a demonstração de 
resultados com as contas de resultado, as quais estão com saldo nulo ou zerado.
ATENCAO
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
165
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Pescador – 31/03/2006
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar 27.500
 Caixa 41.700 Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber 21.000 Capital 50.000
 Estoques Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Mercadorias em estoques 10.000 Lucros ou Prejuízos acumulados (4.800)
TOTAL DO ATIVO 72.700 TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
72.700
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL PESCADOR (03/03 A 
31/03/2006)
VENDAS 51.000
(-) CMV (30.600)
Lucro Bruto 20.400
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com fretes (5.500,00)
 Despesas com salários (16.200,00) (21.700)
RESULTADO – Prejuízo Líquido (1.300)
3.3 MÉDIA PONDERADA MÓVEL
O método Média Ponderada Móvel – MPM tem por objetivo avaliar o 
Estoque Final (EF) com relação ao custo das mercadorias vendidas (CMV) pela 
média entre as primeiras e as últimas aquisições.
Neste método, em economia inflacionária, tanto o Estoque Final (EF) 
quantoo CMV são avaliados pelo preço médio ponderado.
Vamos ao mesmo exemplo desenvolvido anteriormente, que segue:
166
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Ord. Dia Operação V. Un. Total
1 3 Constituição da Empresa Comercial Pescador 50.000
2 5 Compra de 20 unidades a prazo 1.000 20.000
3 9 Compra de 10 unidades à vista 1.300 13.000
4 12 Venda de 15 unidades à vista 2.000 30.000
5 16 Venda de 3 unidades a prazo 2.500 7.500
6 18 Compra de 2 unidades à vista 1.800 3.600
7 21 Compra de 4 unidades a prazo 1.875 7.500
8 28 Venda de 8 unidades a prazo 1.687,50 13.500
9 29 Pagamento de despesas de fretes na entrega das vendas 5.500
10 30 Pagamento dos salários do mês. 16.200
Ficha de Estoques Método: M.P.M.
Mercadoria: Motor para Barco Marca: Pacu Modelo: XR8 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total Quant.
Preço 
Unit.
Total
05/03 20 1.000 20.000 20 1.000 20.000
09/03 10 1.300 13.000 30 1.100 33.000
12/03 15 1.100 16.500 15 1.100 16.500
16/03 3 1.100 3.300 12 1.100 13.200
18/03 2 1.800 3.600 14 1.200 16.800
21/03 4 1.875 7.500 18 1.350 24.300
28/03 8 1.350 10.800 10 1.350 13.500
Total 36 26 30.600 10 13.500
Na Média Ponderada Móvel, destacamos que o saldo final é composto por um 
cálculo que encontra o custo médio de cada unidade adquirida. 
Note que no dia 05/03 possuíamos um saldo de 20 unidades a um preço de custo médio 
de 1.000,00 por unidade. Com a aquisição do dia 09/03, passamos a ter mais 10 unidades, 
que somadas às 20 em estoque, passamos a ter um total de 30 unidades. Foram adicionados 
aos 30.000,00 do dia anterior (05/03) os 13.000,00 adquiridos, totalizando 33.000,00 que, 
divididos pelas 30 unidades, perfazem um custo médio de 1.100,00 cada uma.
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
167
A baixa na ficha de estoques, vista na coluna de saídas na venda do dia 
12/03, é feita pelo custo médio de 16.500,00 (15 unidades a 1.100,00).
Destacamos que nas vendas existem dois preços:
● O primeiro é o preço de venda (receita de vendas) acordado na ocasião da venda 
entre a empresa e o cliente que adquire as mercadorias. Na venda do dia 12/03 
esse preço é de 30.000 (15 unidades vendidas a 2.000,00 cada uma).
● O segundo é o preço de custo (CMV), calculado na ficha de estoques, pelo valor 
das saídas das 15 unidades a 1.100,00 cada, correspondendo a 16.500,00.
Assim, também é necessário dar atenção especial ao lançamento contábil 
na venda, pois essa operação irá gerar dois lançamentos, os quais são:
● O primeiro é relacionado ao lançamento da receita da venda (pelo preço da venda) 
pelo valor de 30.000,00, o qual será feito a débito de caixa, pois foi à vista, e a 
crédito de receita de vendas (nos razonetes a seguir, corresponde ao número 4a).
 
● O segundo lançamento é relacionado à baixa do estoque, pois entregamos as 
mercadorias vendidas ao cliente, e o reconhecimento do custo das vendas. Esse 
lançamento é feito pelo preço de custo a débito na conta CMV e a crédito na 
conta de Estoques, no valor de 16.500,00 (nos razonetes a seguir, corresponde ao 
número 4b).
Preenchida a ficha, vamos à contabilizacão das operações, obedecendo à 
ordem da tabela anterior:
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
1 50.000 13.000 3 50.000 1 2 20.000 16.500 4b
4a 30.000 3.600 6 3 13.000 3.300 5b
5.500 9 6 3.600 10.800 8b
16.200 10 7 7.500
168
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ fretes Despesas c/ salários 
D C D C D C
5a 7.500 9 5.500 5.500 d 10 16.200 16.200 e
8a 13.500
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
30.000 4a 20.000 2 4b 16.500
7.500 5a 7.500 7 5b 3.300
13.500 8a 8b 10.800
a 51.000 30.600 b
Muito bem. O passo seguinte é apurar o saldo de cada conta. Faça isso. 
Após a apuração do saldo de cada conta, iremos iniciar a apuração do 
resultado. Como pelo sistema de inventário permanente já temos o CMV calculado 
e contabilizado instantaneamente, basta apenas apurar o RCV e o Resultado Final.
Então vamos abrir as contas necessárias e contabilizar. Observe a sequência 
das letras:
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
acumulados 
D C D C D C
b 30.600 51.000 a d 5.500 20.400 c f 1.300
c 20.400 e 16.200
1.300 f
ATENCAO
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
169
Muito bem. Feito isso, podemos elaborar as demonstrações contábeis: o 
Balanço Patrimonial com as contas que apresentam saldo e a demonstração de 
resultados com as contas de resultado, as quais estão com saldo nulo ou zerado.
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Pescador – 31/03/2006
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar 27.500
 Caixa 41.700 Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber 21.000 Capital 50.000
 Estoques Lucros ou Prejuízos Acumulados
 Mercadorias em estoques 13.500 Lucros ou prejuízos acumulados (1.300)
TOTAL DO ATIVO 76.200 TOTAL DO PASSIVO E P. LÍQUIDO 76.200
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL PESCADOR 
(03/03 A 31/03/2006)
VENDAS 51.000
(-) CMV (30.600)
Lucro Bruto 20.400
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com fretes (5.500,00)
 Despesas com salários (16.200,00) (21.700)
RESULTADO – Prejuízo Líquido (1.300)
4 COMPARAÇÃO ENTRE OS TRÊS MÉTODOS
No estudo desenvolvido anteriormente, para os três métodos apresentados, 
as vendas totalizaram 51.000. Comparando os resultados obtidos em cada um 
deles, temos:
170
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
COMERCIAL PESCADOR (03/03 A 31/03/2006)
PEPS UEPS MÉDIA
VENDAS 51.000 51.000 51.000
(-) CMV (27.800) (34.100) (30.600)
Lucro Bruto 23.000 16.900 20.400
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com fretes (5.500) (5.500) (5.500)
 Despesas com salários (16.200) (16.200) (16.200)
RESULTADO – Prejuízo Líquido 1.500 (4.800) (1.300)
Assim temos condições de ver que a empresa, no exemplo desenvolvido, 
pode obter resultados diferentes, muito embora todos se baseiem no mesmo custo 
de aquisição.
Contudo, caro(a) acadêmico(a), pergunto a você:
Qual o resultado que retrata melhor a realidade?
Com a utilização do PEPS, vamos notar que estaremos dando baixa nas 
vendas pelo custo da primeira unidade em estoque. Neste caso, o valor do estoque 
(balanço patrimonial) estará sempre avaliado pelas últimas compras, ou seja, mais 
próximo de seu valor real. No caso de uma economia inflacionária (comportamento 
de alta de preços), o CMV será calculado pelo preço mais antigo, ou seja, com 
preços menores. Assim, o resultado será menor.
Já com a utilização do UEPS, vamos notar um CMV mais atualizado, pois a 
baixa do estoque é feita pelas últimas compras. Por outro lado, o valor dos estoques, 
no balanço patrimonial, estará sendo calculado com o valor mais antigo. Vamos 
notar, na tabela comparativa apresentada anteriormente, que com o UEPS temos 
o pior resultado, porém em uma economia de alta de preços, é o melhor método 
a ser utilizado, pois compara as receitas de vendas com o custo mais próximo do 
praticado pelo mercado.
Cabe destacar aqui que a legislação brasileira não permite que as empresas 
usem o UEPS para controle dos estoques e apuração dos custos, exatamente porque 
ele traz dentro de si o conceito de “lucro menor” na comparação entre os três 
métodos. Como a maioria das empresas no Brasil tem a tributação do Imposto de 
Renda – IR a partir de seu lucro contábil,quanto menor o lucro, menor o imposto, 
razão da proibição do fisco para a utilização do método UEPS.
É importante destacar que contabilmente a adoção do método UEPS é 
permitida. Se uma empresa assim o fizer, não estará infringindo nenhum princípio 
contábil. Terá apenas que fazer uma adaptação de sua Demonstração do Resultado 
para fins de pagamento do Imposto de Renda.
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
171
Dentro desse aspecto de consideração fiscal, os empresários brasileiros 
praticamente optam pelo método da Média, influenciados pelo longo período de 
inflação de aconteceu na economia brasileira até o ano de 1995, no qual os preços 
dos produtos subiam consideravelmente a todo o momento, e o preço médio, 
nessa situação, traz vantagens temporárias de ordem fiscal, porque os estoques 
ficam menos valorizados que o método PEPS.
Em função de oferecer um lucro menor a ser tributado pelo Imposto de 
Renda, o Fisco permite apenas o uso do PEPS ou da Média. Porém, para fins 
gerenciais, o UEPS é o que apresenta um resultado melhor.
172
UNIDADE 3 | ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS
VOCÊ CONFIARIA A ADMINISTRAÇÃO DE SEUS ESTOQUES AOS SEUS 
FORNECEDORES?
George T. Milkovich 
John W. Boudreau
Quais seriam os motivos pelos quais você não confiaria o controle e a 
reposição de seus estoques pelos fornecedores? 
Talvez eles fossem sobrecarregar seus estoques para faturar mais ou 
talvez colocar produtos de baixa qualidade ou próximo da data de vencimento 
se fosse um supermercado, ou não iria atender com quantidade suficiente nas 
sazonalidades ou iriam sobrecarregar com produtos de baixa rotatividade. 
Mas, se tudo isso ocorresse, qual seria o comportamento do cliente 
ou consumidor final; hora tem produto hora não, qualidade baixa, tanto no 
consumo ou produto final no caso de indústria. Será que esse fornecedor teria 
venda por muito tempo? Para a cultura brasileira este processo ainda criaria 
alguma desconfiança, mas acredite, isto em breve será largamente adotado. 
 
A cadeia de lojas Wal-Mart nos Estados Unidos já pratica isso, pois existe 
confiança de ambos os lados, é uma parceria bem sucedida. A Wal-Mart trabalha 
com muitos de seus fornecedores dessa maneira, vamos citar como exemplo o caso 
do fornecedor Pepsi Cola, que faz a administração dos estoques, combinando as 
informações das caixas registradoras automáticas de cada loja da Wal-Mart com os 
padrões habituais dos varejistas de todo o país. A Pepsi assumiu a responsabilidade 
de entregar para a rede a quantidade de produtos necessária; produtos em excesso 
tomam espaço no armazenamento; produtos de menos causam prejuízos de 
vendas e desapontamento dos clientes.
Deixando de administrar o controle de seus estoques e passando essa 
função para fornecedores escolhidos e confiáveis, tanto a Pepsi como a Wal-Mart 
obtiveram vantagens.
A Wal-Mart eliminou os custos do monitoramento e manutenção de seus 
estoques, e o armazenamento de refrigerantes é gerenciado mais eficazmente pela 
Pepsi, que é melhor nisso, pois é o seu negócio e é a maior interessada. O espaço 
foi liberado no centro de distribuição da Wal-Mart e sobra dinheiro para financiar 
os estoques de outras mercadorias.
A Pepsi agrega valor ao refrigerante que fornece á Wal-Mart por meio da 
administração do processo de controle de estoque. E o que ela ganha com isso? 
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 2 | INVENTÁRIO PERIÓDICO E PERMANENTE
173
Como fornecedor preferencial, a Pepsi consegue melhores pontos nas lojas e total 
cooperação para promoções especiais.
Com as informações conseguidas sobre a Demanda de seus produtos, 
a Pepsi pode organizar suas operações de engarrafamento e distribuição mais 
eficiente. Em vez de grandes carregamentos, o refrigerante chega às lojas em lotes 
menores, porém mais frequente. Os consumidores potencialmente beneficiam-se 
com preços mais baixos e produtos mais frescos.
O Faturamento é gerenciado pela própria Pepsi, sem a necessidade de uma 
ordem de compra antecipada pela Wal-Mart. Esse procedimento evita incontáveis 
horas de trabalho burocrático, especialmente para produtos cujos preços são 
flutuantes.
Quando as empresas brasileiras, fornecedores e clientes, entenderem que a 
parceria é a única solução para bons negócios e satisfação do cliente final, então as 
coisas começarão a mudar.
 
 
Este processo com pequenas adaptações poderá ser implantado com muito 
sucesso também nas indústrias, onde o lucro dos empresários será maximizado e 
os clientes beneficiados com preços mais acessíveis.
FONTE: MILKOVICH, G.T.; BOUDREAU, J.W. Administração de recursos humanos. Tradução de 
Reynaldo C. Marcondes. São Paulo: Atlas. p. 77. Disponível em: <http://classecontabil.uol.com.br/
artigos/ver/602>. Acesso em: 20 out. 2010.
174
 Neste tópico aprendemos que:
● As empresas, em suas transações comerciais envolvendo a compra e a venda de 
mercadorias, podem utilizar dois sistemas para controlar seus estoques, avaliar 
seus custos e apurar seus resultados. 
● São os sistemas de Inventário Periódico e Inventário Permanente. São sistemas 
que possibilitam a apuração do Custo das Mercadorias que foram Vendidas 
(CMV) em um determinado período. Com a apuração do CMV, temos condições 
de verificar o resultado envolvendo as Vendas (RCM), chamado também de 
Lucro Bruto.
RESUMO DO TÓPICO 2
175
AUTOATIVIDADE
1 A empresa Comercial Indaiá dedica-se à comercialização de televisores 
42”, marca “Toshia”, modelo “Xuvisco”. Em 01/04/2010 seu estoque estava 
constituído de 200 unidades ao custo unitário de 100,00, totalizando 
20.000,00. Possui, ainda, dinheiro em Caixa no valor de 40.000,00 e seu capital 
é de 60.000,00. Durante o mês de novembro foram realizadas as seguintes 
operações com produtos:
Item Data Operação
1 05/04 Compra de 300 unidades a 120,00 cada uma, a prazo.
2 07/04 Aquisição de um veículo por 15.000,00, a prazo, para entrega das 
mercadorias que serão vendidas.
3 09/04 Venda de 100 unidades a 150,00 cada uma, à vista.
4 15/04 Venda de 300 unidades a 140,00 cada uma, a prazo.
5 18/04 Compra de 200 unidades a 130,00 cada uma, a prazo.
6 20/04 Venda de 100 unidades a 140,00 cada uma, à vista.
7 25/04 Pagamento de despesas com combustíveis no valor de 4.500,00.
8 28/04 Pagamento de despesas com aluguel da loja no valor de 1.300,00.
9 29/04 Pagamento de despesas com propaganda da loja no valor de 950,00.
10 30/04 Pagamento dos salários dos funcionários no valor de 8.400,00.
Pede-se:
Efetuar o controle dos estoques pelos métodos PEPS, UEPS e Média Ponderada 
Móvel (MPM). 
Contabilizar as operações nos razonetes.
Contabilizar o CMV, RCM e Resultado nos razonetes.
Elaborar o Balanço Patrimonial e a DRE.
Solução pelo método PEPS:
Ficha de Estoques pelo método PEPS:
Assista ao vídeo de
resolução da questão 1
176
Ficha de Estoques Método: PEPS
Mercadoria: Televisor 29” Marca: Toshia Modelo: Xuvisco 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total
01/04 saldo inicial nesta data  200 100, 20.000,
05/04
09/04
15/04
18/04
20/04
Total
Contabilização nos razonetes pelo método PEPS:
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
Si 40.000 ............... ............... 60.000 Si Si 20.000 ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... .............................. ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
* Si = Saldos iniciais
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
177
Veículos
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ 
combustíveis
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
Despesas com aluguel
Despesas com 
propaganda
Despesas c/ salários
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
Acumulados 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
178
Demonstrações Contábeis: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Indaiá – 30/04/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar ..............
 Caixa .............. Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber .............. Capital ..............
 Estoques Lucros ou Prejuízos 
Acumulados
 Mercadorias em estoques .............. Lucros ou prejuízos 
acumulados
..............
Ativo Permanente
 Imobilizado
 Veículos ..............
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL Indaiá 
(01/04 A 30/04/2010)
VENDAS ..................
(-) CMV (................)
Lucro Bruto ..................
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com Combustíveis (................)
 Despesas com Propaganda (................)
 Despesas com Aluguel (................)
 Despesas com Salários (................) (................)
RESULTADO – Lucro Líquido ..................
179
Solução pelo método UEPS:
Ficha de Estoques pelo método UEPS:
Ficha de Estoques Método: UEPS
Mercadoria: Televisor 29” Marca: Toshia Modelo: Xuvisco 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total
01/04 saldo inicial nesta data  200 100, 20.000,
05/04
09/04
15/04
18/04
20/04
Total
Contabilização nos razonetes pelo método UEPS:
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
Si 40.000 ............... ............... 60.000 Si Si 20.000 ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
* Si = Saldos iniciais
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
180
Veículos
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ 
combustíveis
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
Despesas com aluguel
Despesas com 
propaganda
Despesas c/ salários
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
Acumulados 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
181
Demonstrações Contábeis: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Indaiá – 30/04/2010ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar ..............
 Caixa .............. Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber .............. Capital ..............
 Estoques Lucros ou Prejuízos 
Acumulados
 Mercadorias em estoques .............. Lucros ou prejuízos 
acumulados
..............
Ativo Permanente
 Imobilizado
 Veículos ..............
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL Indaiá 
(01/04 A 30/04/2010)
VENDAS ..................
(-) CMV (................)
Lucro Bruto ..................
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com Combustíveis (................)
 Despesas com Propaganda (................)
 Despesas com Aluguel (................)
 Despesas com Salários (................) (................)
RESULTADO – Lucro Líquido ..................
182
Solução pelo método da Média Ponderada Móvel – MPM:
Ficha de Estoques pelo método Média Ponderada Móvel – MPM:
Ficha de Estoques Método: MPM
Mercadoria: Televisor 29” Marca: Toshia Modelo: Xuvisco 
A ENTRADAS SAÍDAS SALDO
DATA Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total Quant. Preço 
Unit.
Total
01/04 saldo inicial nesta data  200 100, 20.000,
05/04
09/04
15/04
18/04
20/04
Total
Contabilização nos razonetes pelo método Média Ponderada Móvel – 
MPM:
Caixa Capital ESTOQUES
D C D C D C
Si 40.000 ............... ............... 60.000 Si Si 20.000 ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
* Si = Saldos iniciais
Vendas
Fornecedores 
(duplicata a pagar)
CMV
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
183
Veículos
Duplicata a receber 
(clientes)
Despesas c/ 
combustíveis
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
Despesas com aluguel
Despesas com 
propaganda
Despesas c/ salários
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
R C M Resultado
Lucros/Prejuízos 
Acumulados 
D C D C D C
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
............... ............... ............... ............... ............... ...............
184
Demonstrações Contábeis: 
BALANÇO PATRIMONIAL – Comercial Indaiá – 30/04/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ativo Circulante (AC) Fornecedores
 Disponibilidades Fornecedores a pagar ..............
 Caixa .............. Patrimônio Líquido (PL)
 Clientes Capital Social
 Duplicatas a receber .............. Capital ..............
 Estoques Lucros ou Prejuízos 
Acumulados
 Mercadorias em estoques .............. Lucros ou prejuízos 
acumulados
..............
Ativo Permanente
 Imobilizado
 Veículos ..............
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO E P. 
LÍQUIDO
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE COMERCIAL Indaiá 
(01/04 A 30/04/2010)
VENDAS ..................
(-) CMV (................)
Lucro Bruto ..................
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas com Combustíveis (................)
 Despesas com Propaganda (................)
 Despesas com Aluguel (................)
 Despesas com Salários (................) (................)
RESULTADO – Lucro Líquido ..................
185
REFERÊNCIAS
CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade. São Paulo: Atlas, 
2010. 
IUDICIBUS, Sergio de. Contabilidade introdutória. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
KIYOSAKI, Robert T; LECHTER, Sharon L. Pai rico pai pobre. São Paulo: 
Elsevier, 2004.
 
MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2008. 
______. Contabilidade empresarial. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 
______. Contabilidade empresarial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica. São Paulo: Saraiva, 2005. v. 1.
186
ANOTAÇÕES
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187
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