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Técnicas e Planejamento de Serrarias

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DE LAYOUT PARA UMA SERRARIA DE MADEIRA 
NATIVA (INDÚSTRIAS LANGER LTDA.). 
 
 
 
FIGURA 63. SUGESTÃO DE LAYOUT DE SERRARIA PARA DESDOBRO DE 
MADEIRA REFLORESTADA (INDÚSTRIAS LANGER LTDA.). 
 
 Em função dos exemplos vistos, pode-se concluir que a definição de 
um layout será sempre muito particular, dependendo da matéria prima disponível e 
do produto final desejado. O empresário terá sempre várias opções fornecidas pelos 
 
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fabricantes de máquinas e cabe ao mesmo, decidir sobre a melhor opção para a 
empresa. 
 
4.6 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE UMA SERRARIA 
 
 Para que se possa ter uma noção do desempenho de uma serraria, ou 
seja, para que a gerência tenha subsídios para julgar se as operações vêm sendo 
executadas de forma correta, existem vários parâmetros. Dentre estes vários 
parâmetros, dois revelem com relativa transparência o desempenho de uma serraria. 
São eles o rendimento e a eficiência. 
 
4.6.1 RENDIMENTO 
 
 O rendimento de uma serraria é a relação entre o volume de toras 
serradas num período ou turno e o volume de madeira serrada obtido destas toras, 
expresso pela seguinte fórmula: 
R
M
T
x= 100 
Onde: 
 R = Rendimento em % 
 M = Volume de madeira serrada em m3 
 T = Volume de toras em m3 utilizado para obter M 
 
 O rendimento varia de 55 a 65% para coníferas e de 45 a 55% para folhosas. 
Porém, não só a essência afeta o rendimento. Este será maior ou menor em função 
da qualidade dos povoamentos, dos equipamentos e técnicas de desdobro e da 
qualificação profissional dos operários. 
 Em algumas serrarias que desdobram madeira de reflorestamento e 
que estão consorciadas com indústrias de celulose ou de chapas de partículas e 
fibras, o rendimento pode chegar a 40%. Neste caso, a serraria só aproveita o miolo 
da tora, transformando o restante em cavacos para as outras indústrias. 
 
 
 
 
 
 
 
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4.6.2 EFICIÊNCIA 
 
 A eficiência expressa a relação entre o volume de toras serradas por 
período ou turno e o número de operários envolvidos em todas as operações de 
desdobro, expressa pela seguinte fórmula: 
O
T
E =
 
Onde: 
 E = Eficiência em m3/operário/turno 
 T = Toras (em m3) desdobradas em um turno 
 O = Número de operários que trabalham dentro da serraria 
 
 Utiliza-se o volume de toras para o cálculo da eficiência, para que os 
diâmetros das mesmas e o rendimento não afetem o resultado. Porém, a eficiência é 
afetada por alguns fatores como o uso de coníferas, as quais são mais leves, 
macias, retas, etc.; o layout da serraria; a uniformidade (padronização) da matéria 
prima e produtos; as características e condições do maquinário; da disponibilidade 
de energia e do grau de mecanização e automação da serraria. 
 
Exemplos de eficiência: 
 
ð Serrarias automatizadas no Brasil ð 20 a 50 m3/op./dia 
 
ð Serrarias comuns ð 5 a 10 m3/op./dia 
 
ð América do Norte ð acima de 50 m3/op./dia 
 
ð Europa ð acima de 50 m3/op./dia 
 
ð Guiana Inglesa ð 0,5 m3/op./dia 
 
ð Amazonas ð 0,3 m3/op./dia 
 
ð Sudão ð 0,1 m3/op./dia 
 
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5. TÉCNICAS DE SERRARIAS 
 
5.1 INTRODUÇÃO 
 
 Para o desdobro de toras na forma de madeira serrada, são utilizadas 
determinadas técnicas. Tais técnicas, de acordo com as características relacionadas à 
matéria prima, maquinário e formas de desdobro são chamadas de técnicas 
convencionais ou técnicas modernas de serrarias. 
 
5.2 TÉCNICAS CONVENCIONAIS DE SERRARIAS 
 
5.2.1 PÁTIO DE TORAS 
 
 No pátio de toras de uma serraria que utiliza técnicas convencionais, a 
matéria prima geralmente é de origem nativa, com custo elevado, onde ocorre uma 
grande variação de espécies, diâmetros e comprimentos. A grande variação, faz com que 
hajam pequenos lotes (com poucas toras) distribuídos em várias classes diamétricas. 
Desta forma a serraria não tem estoque suficiente para trabalhar por um período ou turno 
com uma única espécie, numa única classe diamétrica. Sendo assim, para que cada tora 
possa ser desdobrada é realizado um ajuste nos equipamentos de desdobro, ou seja, 
cada tora recebe um tratamento particular. Isto pode até implicar num melhor 
aproveitamento da tora, proporcionando um maior rendimento. Porém, a eficiência é 
muito pequena. 
 
5.2.2 DESDOBRO PRINCIPAL 
 
 Como há uma variação muito grande em termos de espécies e 
principalmente diâmetros, o desdobro principal é baseado nas serras de fita simples ou 
duplas, pois estas são mais versáteis quanto a esta variação. O uso destes 
 
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equipamentos, associado à variação da matéria prima, resulta num processo lento, porém 
compensado no maior valor agregado do produto final. 
 
5.2.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO 
 
 O processo de resserragem é realizado com serras de fita de resserra, onde 
as peças oriundas do desdobro principal na serra fita, normalmente pranchões, são 
desdobradas na espessura final. As operações de refilo ou canteagem são executadas 
em serras circulares simples ou múltiplas. No caso de serem utilizadas serras múltiplas, 
em função da grande variação da matéria prima, estas devem ser providas de 
dispositivos que permitam um fácil e rápido ajuste de bitolas. Também em função da 
variação, o destopo é realizado em destopadeiras simples, não sendo viável, na maioria 
das vezes, a utilização de mesas de destopo contínuas. 
 
5.2.4 USO DAS TÉCNICAS CONVENCIONAIS 
 
 O processo convencional de desdobro de toras é um processo muito lento. 
A trajetória da tora e das peças serradas dentro da serraria é pouco automatizada, em 
função da variabilidade da matéria prima. Isto resulta em baixa produção e eficiência. 
 As técnicas convencionais de serraria são utilizadas no desdobro de 
madeiras de custo elevado e com muita variabilidade, em termos de espécies e 
diâmetros, normalmente se tratando de madeira nativa. Desta forma é justificado o uso 
destas técnicas, pois a baixa produção é compensada com o alto custo do produto final. 
 
 
5.3 TÉCNICAS MODERNAS DE SERRARIAS 
 
5.3.1 PÁTIO DE TORAS 
 
 
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 No pátio de uma serraria que utiliza técnicas modernas de desdobro, 
geralmente a matéria prima tem custo relativamente baixo, ou seja, é madeira de 
reflorestamento, com pouca variação de espécies, diâmetros e comprimentos. No caso 
da espécies, normalmente se houver mais de uma, estas serão espécies muito 
semelhantes. Sendo assim, uma serraria moderna pode desdobrar Pinus taeda e Pinus 
elliottii. Desta forma, pode-se dizer que a matéria prima tem uma certa homogeneidade, o 
que na maioria das vezes só é encontrado em madeiras de reflorestamentos. Ainda no 
pátio de toras, a madeira é descascada e selecionada por classes diamétricas. O 
descascamento, evita o desgaste desnecessário das ferramentas cortantes e propicia 
resíduos, no caso cavacos, de melhor qualidade. Em relação às classes diamétricas, 
estas serão poucas com muitos representantes em cada uma delas. 
 A chegada da madeira no pátio pode ser na forma de toras, o que ainda é 
mais usual ou, o que já adotado por certas serrarias, o recebimento de fustes inteiros. 
 O recebimento de fustes inteiros, permite uma melhor utilização da madeira, 
pois antes de ser traçado, o mesmo é rastreado por sensores fotoelétricos e logo após, 
com o auxílio de computador são definidas as melhores posições para a obtenção das 
toras. 
 As toras são classificadas por duas maneiras: mecanicamente,

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