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Técnicas e Planejamento de Serrarias

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passagem das mesmas por placas ou pinos que registrarão seus diâmetros médios, ou 
também, por sensores fotoeletrônicos, os quais, como no caso dos fustes inteiros, 
também executam uma leitura mais precisa de toda a tora. As leituras são registradas e 
processadas em computador, o qual automaticamente define para cada tora um boxe 
contendo somente representantes de sua classe. Todo o caminho percorrido pela tora 
desde sua classificação até o boxe é automatizado. Portanto, ao chegar no boxe 
apropriado, a tora é empurrado para o mesmo através de dispositivos apropriados. 
 Como as classes diamétricas apresentam muitos representantes, é possível 
concentrar o trabalho em uma única classe por um período ou turno. Como os 
equipamentos de desdobro são ajustados para uma determinada classe diamétrica, 
pode-se aproveitar as suas máximas velocidades de desdobro. Desta forma, após o 
 
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ajuste dos equipamentos para uma determinada classe diamétrica, todas as toras 
receberão o mesmo tratamento dentro da serraria. 
 
5.3.2 DESDOBRO PRINCIPAL 
 
 Na utilização de técnicas modernas, o desdobro das toras é realizado, na 
maioria das vezes, em serras circulares de cortes duplos ou múltiplos, as quais têm uma 
maior velocidade de corte. Nestas operações, as toras são transformadas em pranchões, 
semi blocos ou blocos. Desta maneira, obtém-se uma alta produção, porém com muita 
perda de madeira na forma de costaneiras, as quais poderão ser transformadas em 
cavacos, no caso da serraria estar consorciada com uma indústria de celulose ou de 
chapas de partículas, ou então serem reaproveitadas em resserras de reaproveitamento. 
 
5.3.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO 
 
 As peças oriundas do desdobro principal, normalmente são resserradas em 
serras múltiplas de um ou dois eixos, dependendo dos diâmetros utilizados pela indústria. 
Estes equipamentos proporcionam uma alta produção com muita perda de madeira na 
forma de serragem em função da grande espessura dos discos de serra. As peças 
externas do bloco obtido na resserragem, podem apresentar defeitos como esmoado 
(casca) em suas bordas, o que requer uma operação de refilo, a fim de serem 
reaproveitas. Desta maneira, as peças que saem da resserra têm dois destinos: as com 
defeitos nas bordas vão para uma serra circular refiladeira e as peças com as bordas 
perfeitas são enviadas diretamente para o destopo. Após o refilo, as peças com defeitos 
também seguem para o destopo. 
 Como as serrarias modernas operam com uma variação de comprimentos 
muito pequena, há a possibilidade de ser utilizada uma mesa contínua de destopo para tal 
operação. Após o destopo as peças são gradeadas e normalmente, enviadas a uma 
câmara de secagem. 
 
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 Em função da indústria desdobrar uma única espécie ou espécies muito 
semelhantes em termos de propriedades, e dos diâmetros e comprimentos terem pouca 
variação, toda a movimentação das peças dentro da serraria é mecanizada, o que reduz a 
mão de obra, consequentemente aumentando a eficiência. 
 
5.3.4 USOS DAS TÉCNICAS MODERNAS 
 
 Em função da matéria prima e dos equipamentos utilizados, o desdobro da 
madeira através de técnicas modernas, implica num processo rápido. A trajetória da tora 
e das peças serradas dentro da serraria é realizada com grande automatização, em 
decorrência desta homogeneidade da matéria prima, a produção é alta com elevada 
eficiência. 
 Tais técnicas são utilizadas para o desdobro de madeiras de baixo custo e 
homogênea, ou seja, madeira de reflorestada. Desta forma, o baixo custo também do 
produto final é compensado pela elevada produção da indústria. 
 
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6. SISTEMAS DE DESDOBRO 
 
6.1 CONTRAÇÕES 
 
 No desdobro de madeiras, antes de se tratar dos sistemas 
propriamente ditos, ou seja, nas formas mais corretas e adequadas de desdobro, 
deve-se conhecer uma característica muito importante da madeira que é a sua 
contração. À medida que a madeira perde água de adesão, aquela que se encontra 
nas paredes das células, esta irá sofrer contrações as quais irão alterar as suas 
dimensões inicias. 
 No momento do desdobro, a tora ainda possui umidade natural. Por 
este motivo, as peças devem ser cortadas com dimensões um pouco maiores que as 
desejadas, para compensar contrações que irão ocorrer durante a secagem. Este 
acréscimo nas dimensões é chamado de sobremedida. 
 A redução do volume que a madeira sofre é denominada de contração 
volumétrica, ou seja, o somatório das contrações axial, tangencial e radial. Tais 
contrações não são iguais e ocorrem dentro dos seguintes limites: contração axial 
varia de 0,1 a 0,3%, a contração radial varia de 2 a 8% e a contração tangencial 
varia de 4 a 14%. 
 As sobremedidas comumente utilizadas são 10 cm no comprimento 
para toras. No caso de madeira serrada, utiliza-se 2 cm no comprimento, 1 a 2 cm 
na largura e 2 mm para cada polegada de espessura. 
 
6.2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE DESDOBRO 
 
 Os sistemas de desdobro da madeira podem ser classificados em 
função de determinadas características. Quanto aos anéis de crescimento e raios 
lenhosos o desdobro pode ser tangencial ou radial. Quanto ao eixo longitudinal da 
tora pode ser paralelo ao eixo ou paralelo à casca. Já quanto à continuidade dos 
cortes, estes podem ser sucessivos ou em sanduíche, simultâneos ou alternados em 
relação ao eixo longitudinal. 
 
 
 
 
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6.2.1 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO AOS ANÉIS 
 DE CRESCIMENTO E RAIOS LENHOSOS 
 
6.2.1.1 CORTE TANGENCIAL 
 
 Este método de desdobro é o mais utilizado no desdobro de toras em 
serrarias. Consiste em se fazer cortes longitudinais paralelos, dividindo a tora em 
várias peças de faces paralelas. O primeiro fio de serragem é uma tábua com uma 
face plana e outra curvilínea denominada Costaneira. O segundo fio de serra origina 
uma segunda tábua com duas faces planas e os lados fortemente biselados, 
denominada bordaneira. Os cortes seguintes originarão peças normais, porém com 
suas bordas irregulares (FIGURA 64). 
 
 
 
FIGURA 64. SISTEMA DE CORTE TANGENCIAL EM SANDUÍCHE. FONTE 
TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Hoje em dia, com a utilização de técnicas de redução, onde numa 
máquina de desdobro principal, obtém-se um semi-bloco, pode ser realizado um 
sistema de desdobro tangencial modificado, onde do semi-bloco saem peças 
tangenciais em maior proporção (FIGURA 65). 
 
 
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FIGURA 65. SISTEMA DE DESDOBRO TANGENCIAL DE SEMI-BLOCOS. 
FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Ainda, utilizando-se de técnicas modernas, a tora pode ser 
transformada em um bloco e este bloco pode ser resserrado em uma serra circular 
múltipla, onde, obtém-se a maioria de peças tangenciais (FIGURA 66). 
 
 
FIGURA 66. DESDOBRO DE BLOCOS, PARA A OBTENÇÃO DE PEÇAS 
TANGENCIAIS. 
 
 A principal vantagem do sistema de corte tangencial está no alto 
rendimento da madeira serrada. Seu inconveniente é a produção de tábuas que 
tendem para a forma côncava durante a secagem, à medida que as peças se 
afastam da peça central. Isto ocorre em função de uma diferença entre as 
contrações nos sentidos radial e tangencial. Este defeito pode ser atenuado, se as 
 
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tábuas forem serradas longitudinalmente, reduzindo-se a largura à metade, na 
operação de refilo ou canteagem. 
 
6.2.1.2 CORTE RADIAL 
 
 O corte radial é o mais utilizado no desdobro de madeiras para fins 
decorativos, pois evidencia o brilho das faixas de parênquima dos raios lenhosos. 
Faz-se o desdobro da tora no sentido radial de modo que as superfícies

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