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ESTUDO DIRIGIDO DA DISCIPLINA Investigação de Riscos e Fraudes Corporativas Referência: ROCHA JUNIOR, F. A. R. M.; GIZZI, G. F. T. B. Fraudes Corporativas e Programas de Compliance. Curitiba: Intersaberes, 2018 Neste roteiro destacamos a importância para seus estudos de alguns temas diretamente relacionados ao contexto estudado nesta disciplina. Os temas sugeridos abrangem o conteúdo programático da sua disciplina nesta fase, e lhe proporcionarão maior fixação de tais assuntos, consequentemente, melhor preparo para o sistema avaliativo adotado pelo Grupo Uninter. Esse é apenas um material complementar, que juntamente com os vídeos e os slides das aulas compõem o referencial teórico que irá embasar o seu aprendizado. Utilize-os da melhor maneira possível. Bons estudos! *este material destina-se exclusivamente para estudo aos alunos do Curso de Tecnologia em Gestão de Segurança Privada junto ao Grupo Uninter Entre executivos de grandes e médias empresas, 82% afirmam que houve casos de fraudes em suas companhias. Há quatro anos, esse número era de 61%, segundo pesquisa feita pela consultoria de riscos Kroll, com 545 membros do alto escalão de corporações por todo o mundo. Todos os entrevistados foram questionados sobre possíveis casos de fraude que foram praticados nas empresas onde atuam nos últimos 12 meses. Os três principais tipos de fraude relatadas por eles foram roubo de ativos físicos (29% dos entrevistados), esquemas envolvendo vendedores da companhia, compradores e fornecedores (26%), e ataques à informação (24%).” Consultor Jurídico - 8 a cada 10 executivos enxergam fraudes nas empresas em que atuam, diz Kroll. Como pôde ser visto na disciplina, e reforçado no texto, existe uma preocupação com um tipo específico de fraude, a corporativa, sendo assim, o que distingue a espécie fraude corporativa do gênero fraude é, justamente, o fato de que a primeira ocorre no seio de uma empresa, sem se confundir com o objeto social da organização, que continua sendo perseguido, independentemente dos atalhos que tenham sido criados. Um dos principais fatores causadores de fraudes é o do margo regulatório, para combater [a fraude] [...] há uma série de leis que estrutura as regras de funcionamento, os sistemas de governança e o nível de transparência dos participantes do mercado e atores em potencial das fraudes (Costa; Wood Jr., 2012). [...] Não obstante, não há dados empíricos que possam comprovar que o aumento do nível de controle externo (executado por agências reguladoras e instituições estatais de apuração e investigação de ilícitos) tem sido eficaz na prevenção de fraudes corporativas. Podemos até considerar o contrário, visto que não raras vezes nos deparamos com casos de corrupção que envolvem setores que deveriam fiscalizar as atividades empresariais. Não seria equivocado afirmarmos que uma maior burocracia muitas vezes acaba se concretizando em mais corrupção, ou seja, o fator marco regulatório, por si só, não impede fraudes. O Global Fraud Report (Relatório Global de Fraude) têm a sua serventia para os estudos sobre fraudes corporativas, pois com base no livro texto, temos que “A Economist Intelligence” [...] publica anualmente uma das mais conceituadas pesquisas no mundo a respeito das fraudes corporativas: o Global Fraud Report. Para a publicação desse documento, são realizadas pesquisas com executivos de todo o mundo, pertencentes a uma grande variedade de setores econômicos e funções”. Baseados nestes dados podemos concluir o que gera e o que não gera fraude (fatores geradores de fraudes), tal como quando os autores do livro texto afirmam que “tais dados nos permitem concluir que as fraudes corporativas não se restringem a uma predisposição pessoal a um ambiente corrupto. A grande maioria das fraudes, aliás, demonstra estar estruturada de outra forma. Sobre os principais fatores das fraudes corporativas no setor econômico: existem setores econômicos criminológicos – ou seja, que favorecem a instalação de crimes e fraudes, como aqueles que têm sido desvelados nas recentes operações levadas a cabo pelos órgãos de repressão e investigação do crime no Brasil Os autores do texto-base apontam algumas características dos setores econômicos referentes a atividades que poderiam propiciar ou coibir a ocorrência de fraudes corporativas. I - cultura da fraude; II - a pressão competitiva; III - nível de heterogeneidade. O primeiro modelo de análise, que parte de premissas segundo as quais a desonestidade é um fenômeno restrito a poucas pessoas desviantes de um comportamental normal e que se constitui na principal forma de explicação das fraudes nos livros especializados, se constituem na economia racional. Como pôde ser visto, o modelo da economia racional é um dos modelos possíveis para analisar as fraudes corporativas, pois a economia racional se refere à deliberação intrapessoal da relação entre “custo” e o “benefício” de um determinado comportamento. A criminologia crítica, corrente que problematiza essa postura, denuncia: o caráter preconceituoso e estereotipado de tal abordagem”. O modelo de Economia Racional é alvo de várias críticas: I - as fraudes corporativas não são atos exclusivos de pessoas más ou inseridas em ambientes antiéticos [...] mas sim praticados por todas as pessoas. II - se as fraudes fossem somente uma relação de custo versus benefício, bastaria aumentar a vigilância nos lugares sob risco, ao que poderíamos ainda acrescentar que bastaria aumentar as penas dos crimes Como nos explica Webb (2016), economistas construíram modelos teóricos pressupondo que o ser humano sempre avalia de forma precisa e autônoma os benefícios de cada opção apresentada. Contudo, não conseguem explicar grande parte do nosso comportamento. Um modelo alternativo ao da economia racional ergue-se tentando superar tal modelo, denominado de economia comportamental, o qual apresente os seguintes fatores: I - o lado mais humano; II - menos preciso ; III - menos controlado das ações [humanas]. Existe uma série de mecanismos de racionalização, bem como a forma pela qual as fraudes se manifestam, através dos fatores psicológicos e ambientais das fraudes segundo o modelo da economia comportamental. Um dos fatores o qual os autores tratam é o da “distância psicológica em relação à ação, este fator em relação à fraude corporativa gera o seguinte comportamento, quanto mais anteparos, que servem de escudos psicológicos, houver entre o ato desonesto e o comportamento fraudulento, mais fácil será a realização de uma fraude” A segunda hipótese mais frequente de fraude corporativa, segundo nos aponta o Global Fraud Report, diz respeito às fraudes realizadas por vendedores ou fornecedores. Existem seis tipos de fraudes corporativas que são criminalizadas pelo sistema jurídico brasileiro: (1) apropriação indébita; (2) estelionato; (3) furto e invasão de dispositivo informático; (4) corrupção ativa; (5) lavagem de dinheiro; (6) concorrência desleal 43% das empresas alegaram se sentir ameaçadas pela eventual ocorrência de apropriação indébita de seus fundos, ao passo que a fraude financeira interna ameaça 40% das corporações pesquisadas. Um dos tipos de fraudes corporativas criminalizadas no Brasil é a de apropriação indébita, ou seja, apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção”, “a posse ou detenção da coisa pelo colaborador a título precário”; “a apropriação por parte do colaborador que, após a posse precária, não devolve o bem que lhe fora cedido em virtude da tarefa que deveria empreender”; “o dolo na realização da conduta, ou seja, a consciência de que o colaborador está financeiro com algo que não lhe pertence e a vontade de que isso efetivamente se realize”. Não estamos afirmando que os temas tratados a seguir devessemser objeto de criminalização, o que está longe dos pressupostos minimalistas que embalam nosso ideário. Em nossa perspectiva, o direito penal, por ser o “tratamento quimioterápico” do direito, deve ser reservado para doenças mais agudas, e não para qualquer mazela. O sistema jurídico brasileiro não criminaliza todos os tipos de fraudes realizadas na realidade. As fraudes não criminalizadas no país são: conflito de interesses; desobediência às normas regulamentares e de compliance [...] se cada um de nós adotar a crença de que as fraudes são realizadas somente pelo outro, estaremos deixando de vigiar a nós mesmos. Programas de compliance são fundamentais na discussão sobre fraudes corporativas, pois é um fator fundamental para coibir fraudes e é aplicado em empresas/corporações. [...] o principal objetivo da FCPA é o combate das práticas de corrupção ocorridas fora dos EUA e praticadas por agentes de empresas e entidades que tenham relação com esse país, a pessoa física ou jurídica, estão sujeitos à esta lei: (1) pessoas físicas estadunidenses ou de outra nacionalidade, desde que residentes nos EUA; (2) pessoas jurídicas estadunidenses ou estrangeiras que tenham qualquer tipo de valor mobiliário listado em bolsa de valores norte-americana; (3) empresas ou entidades constituídas de acordo com as leis dos EUA (como as que têm filial constituíra e operando nesse país); (4) agentes prestadores de serviços que atuam em nome de uma institucional nacional ou estrangeira. O principal objetivo dessa convenção da OEA consiste na aplicação conjunta de medidas preventivas de combate à corrupção pelos Estados signatários, visto que, conforme reconhecido no próprio documento, as ações meramente repressivas e punitivas são incapazes de eliminar as causas que levam às práticas corruptivas”. A Convenção Interamericana contra a Corrupção é uma importante etapa da luta contra a corrupção no continente. As medidas de caráter preventivo no combate à corrupção tratada nesta convenção são: (1) a criação, manutenção e fortalecimento de normas de conduta para o adequado desempenho das funões públicas; (2) o fortalecimento de mecanismos que estimulem a participação da soceidade civil e de ONGs nos esfoçros para prevenir corrupção; (3) a instituição de sistemas de arrecadação fiscal que impeçam a prática da corrupção; (4) a criação e fortalecimento de órgãos de controle que tenham por competência o desenvolvimento de mecanismos modernos de prevenção, detecção, punição e erradicação de práticas corruptas; (5) criação de sistemas para proteger os funcionários públicos e cidadãos que denunciem de boa-fé atos de corrupção; (6) criação de sistemas de recrutamento de funcionários públicos e de aquisição de bens e serviços por parte do Estado, de forma que sejam asseguradas a transparência, a equidade e a eficiência. Com a ratificação de seus termos pelo Estado brasileiro, a convenção da ONU passou a ser juridicamente vinculante, adquirindo status de lei ordinária, com ressalva das cláusulas penais”. A Convenção da ONU Contra a Corrupção vale como lei no país. Os autores do texto-base definem quatro frentes diferentes que esta Convenção atual: (1) a prevenção dos atos de corrupção; (2) a criminalização de tais atos; (3) a cooperação internacional; e (4) a recuperação de ativos A Lei Anticorrupção Brasileira dispõe “sobre a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira” (Brasil, 2013b), conforme redação do seu art. 1º, além de equiparar as organizações públicas internacionais à Administração Pública estrangeira. A Lei Anticorrupção Brasileira foi uma importante inovação para o combate à corrupção no país. Abaixo as condutas que são classificadas como ato de corrução a partir desta lei: (1) prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a agente público, ou a terceira pessoa a ele relacionada; (2) comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo subvencionar a prática dos atos ilícitos previstos nesta lei; (3) utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados; (4) frustar ou fraudar licitações; (5) impedir, perturbar ou fraudar licitação; (6) afastar ou procurar afastar licitante; (7) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação pública; (8) obter vatagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de modificações ou prorrogações de contratos celebrados com a administração pública; (9) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro; (10) dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua atuação Se pesquisarmos o significado do termo “Compliance”, verificaremos que a origem do termo vem do verbo (em inglês) “to comply”, ou seja “agir de acordo com uma ordem, um conjunto de regras ou um pedido” (Cambridge English Dictionary). Atualmente, também tem se traduzido o termo “Compliance”, principalmente na mídia, relacionando-o com as leis e normas anticorrupção. Mas é nosso entendimento que, no que diz respeito ao universo corporativo, “Compliance” deva ser entendido com uma abrangência maior e multidisciplinar”. O termo Compliance é importado da língua inglesa e ainda não tem uma tradução para a nossa língua, contudo, é definido no mundo corporativo: (1) a expressão designa o cumprimento de leis, normas e códigos de ética e de conduta, (2) tanto no ambiente interno quanto no ambiente externo. Para que o programa de compliance seja realmente efetivo e atinja o escopo da prevenção, detecção e correção de fraudes, deve cumprir todos os requisitos dos processos que o compõe, os quais, em nível macro, denominamos pilares de compliance”. O programa de compliance para funcionar tem oito pilares: (1) apoio da alta administração; (2) mapeamento e análise de riscos; (3) due diligence de terceiros; (4) políticas e controles internos; (5) comunicação e treinamentos; (6) canal de denúncias; (7) investigação e reporte; (8) monitoramento, auditoria e revisão periódica. [...] o responsável pelo programa de compliance deve ser uma pessoa bem qualificada para executar a ampla gama de incubências que decorrem desse cargo”. Os autores do texto-base citam dez missões principais que o responsável pelo programa de compliance de uma dada empresa precisa executar. (1) garantir a implementação e a manutenção de um Programa de Compliance; (2) projetar e cosntruir um Departamento de Compliance de alta performance; (3) garantir a disseminação do tema de forma apropriada a todos os níveis da empresa; (4) garantir um fluxo de informações adequado na empresa, de modo a promover que eventuais violações de leis e códigos internos sejam prontamente reportadas ao Compliance; (5) promover treinamentos customizados, relacionados ao tema, para as diversas funções da empresa; (6) atuar com foco na prvenção; (7) garantir que toda a alegação seja investigada e, se comprovada, medidas de correção sejam implementadas; (8) ser um consultor confiável em questões relacionadas a Compliance; (9) promover a empresa interna e externamente e contribuir na busca de um ambiente de negócios isento de corrupção; (10) apoiar e alavancar os negócios, agregando valor à empresa dentro de sua área de atuação A melhora da imagem da empresa é outro efeito importante que decorre da implantação de um programa de compliance efetivo, pois o programa de compliance impacta positivamente na imagem da empresa. Os agentes a quem importa a credibilidade da empresa são: (1) seus funcionários; (2) parceiros; (3) clientes.