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Administrativo

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da 
Administração de explicitar uma determinada Lei, 
torná-la exeqüível. Sabidamente as Leis são 
abstratas, ou seja, trazem disposições genéricas 
sobre determinadas situações fácticas. Os Decretos 
trazem mais detalhes ao já disposto na Lei, a fim de 
possibilitar o integral cumprimento da Lei. 
 Por exemplo, a Lei nº 8.213/91 dispõe sobre o 
de benefícios da Previdência Social, traz consigo 
regras gerais sobre a concessão de benefícios, quais 
são esses benefícios, como são calculados seus 
valores e quais os critérios para sua concessão. O 
Decreto nº 3.048/99 é o Regulamento da Previdência 
Social e traz normas mais específicas para a 
concessão desses benefícios, procedimentos, 
métodos, práticas, etc. 
 Nem toda lei exige regulamento, mas toda lei 
pode ser regulamentada, se a Administração entender 
conveniente. 
 Os Decretos Executivos têm sua previsão no 
disposto no art. 84, IV, da CF/88: 
 
“Art. 84. Compete privativamente ao 
Presidente da República: 
(...) 
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as 
leis, bem como expedir decretos e 
regulamentos para sua fiel execução”; 
 
Importante: O Congresso Nacional tem competência 
para sustar atos normativos do Executivo que 
exorbitem o Poder Regulamentar (CF, art. 49, V). 
 
 b) Decreto Autônomo: Também chamado de 
independente. É o que dispõe sobre matéria ainda 
não regulada por Lei. Inova na ordem jurídica. Não 
completa nem detalha nenhuma lei prévia. A doutrina 
aceita sua existência para suprir a omissão do 
legislador, desde que não invadam a esfera da lei. 
 Segundo Hely Lopes Meirelles, os decretos 
autônomos sempre existiram no Direito Brasileiro e 
derivam do Poder Discricionário conferido ao Chefe do 
Poder Executivo. 
 No entanto, grande parte da doutrina reputa o 
nascimento da idéia de “Decretos Autônomos” à EC nº 
32/2001, que alterou a redação do inciso VI, do 
mesmo art. 84, da CF/88 acima mencionado. 
“VI - dispor, mediante decreto, sobre: 
a) organização e funcionamento da 
administração federal, quando não implicar 
aumento de despesa nem criação ou extinção 
de órgãos públicos; 
b) extinção de funções ou cargos públicos, 
quando vagos;” 
 Essa corrente doutrinária aceita a expedição 
de Decreto independente apenas pelo Presidente da 
República, para dispôr sobre a organização e 
funcionamento da administração bem como para 
extinguir funções ou cargos públicos, quando vagos. 
Esse é o entendimento utilizado pela ESAF. 
F) PODER DE POLÍCIA 
 Segundo Hely Lopes Meirelles, Poder de 
Polícia “é a faculdade Fundamento de que dispõe o 
Poder Público para condicionar e restringir o uso e 
gozo de bens, atividades e direitos individuais, em 
benefício da coletividade ou do próprio Estado”. 
 Para José Cretella Jr., Poder de Polícia é o 
"conjunto de poderes coercitivos exercidos in concreto 
pelo Estado, sobre as atividades dos administrados, 
através de medidas impostas a essas atividades". 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
 O conceito legal de Poder de Polícia vem 
trazido pelo art. 78 do CTN, segundo o qual: 
“Considera-se poder de polícia atividade da 
administração pública que, limitando ou disciplinando 
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato 
ou abstenção de fato, em razão de interesse público 
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos 
costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao 
exercício de atividades econômicas dependentes de 
concessão ou autorização do Poder Público, à 
tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e 
aos direitos individuais ou coletivos”. 
 O Poder de Polícia tem por fundamento o 
princípio da Supremacia do Interesse Público 
sobre o particular, ou da primazia da Administração 
sobre os administrados. Para bem atender aos 
interesses coletivos, o Estado é dotado de poder para 
interferir sobre bens, direitos e atividades 
particulares, com o objetivo de preservar o que é 
coletivo. 
 O Poder de Polícia não se confunde com a 
atividade de combate a criminosos exercida pelas 
polícias judiciária e de manutenção da ordem pública. 
Aliás, para prosseguir com o presente estudo, 
importante que se faça a devida diferenciação entre: 
Polícia Administrativa: Tem sua atuação sobre bens, 
direitos e atividades. Realiza ações preventivas para 
evitar futuros danos que poderiam ser causados pela 
persistência de um comportamento irregular do 
indivíduo. Tenta impedir que o interesse particular se 
sobreponha ao interesse público. Rege-se por 
normas administrativas. 
Polícia judiciária: Atua, em regra, repressivamente na 
perseguição de criminosos ou efetuando prisões de 
pessoas que praticam delitos penais, motivo pelo 
qual, diz-se auxiliar o Poder Judiciário. Atua também 
na esfera preventiva, quando faz policiamento de 
rotina em regiões de risco. 
Polícia de manutenção da ordem pública: Atua sobre 
pessoas. Exerce atividade mediante a qual se 
procede ao patrulhamento ostensivo das vias 
públicas e dos demais locais de acesso público, com 
o objetivo precípuo de serem evitados atos 
atentatórios à ordem pública. Temos aqui, como 
principal instituição que atuante na área, a Polícia 
Militar. 
 Atributos do Poder de Polícia: 
 O poder de polícia administrativa tem 
atributos específicos e peculiares ao seu exercício, os 
quais são: discricionariedade, auto-executoriedade e 
coercibilidade. 
 a) Discricionariedade: Trata-se da livre 
escolha, pela Administração, da oportunidade e 
conveniência de exercer o Poder de Polícia, bem 
como de aplicar as sanções e empregar os meios 
conducentes a atingir o fim colimado, que é a 
proteção do interesse público, observados os três 
elementos de vinculação inerentes ao Poder 
Discricionário, quais sejam: competência, forma e 
finalidade. 
 Exemplo, se a lei faculta a apreensão de 
mercadorias deterioradas e a sua inutilização pela 
autoridade sanitária, esta pode utilizar-se de seus 
próprios critérios para avaliar a oportunidade e a 
conveniência da imposição de cada uma dessas 
medidas, não estando vinculada a uma ou outra. 
 No uso da liberdade legal de valoração das 
atividades policiadas e na graduação das sanções 
aplicáveis aos infratores é que reside a 
discricionariedade do poder de polícia. 
 b) Auto-executoriedade: Nada mais é do que 
a faculdade de a Administração decidir e executar 
diretamente a sua decisão através do ato de polícia, 
sem a necessidade de intervenção de outro Poder. No 
exercício do Poder de Polícia, a Administração impõe 
diretamente as medidas ou sanções necessárias ao 
atendimento do interesse coletivo. 
 Mencione-se que, efetivamente, não seria 
razoável condicionar os atos do Poder de Polícia à 
aprovação prévia de qualquer outro órgão ou Poder 
estranho à Administração. Se o particular se sentir 
agravado em seus direitos, aí sim, poderá reclamar 
pela via adequada, ao Judiciário, que só intervirá 
posteriormente à manifestação do Poder de Polícia, 
para a correção de eventual ilegalidade administrativa 
ou fixação da indenização, cabível. 
 Exemplo: Quando a Prefeitura encontra uma 
edificação irregular, ela, no exercício de seu Poder de 
Polícia, embarga diretamente a obra e, se for o caso, 
promove a sua demolição por determinação própria, 
sem necessidade de ordem judicial para essa 
interdição. 
Importante! Não se há que confundir auto-
executoriedade das sanções de polícia com punição 
sumária e sem defesa. A Administração só pode 
aplicar sanção sumariamente e sem defesa 
(principalmente as de interdição de atividade, 
apreensão ou destruição de coisas) nos casos 
urgentes que ponham em risco a segurança ou a 
saúde pública, ou quando se tratar de infração 
instantânea surpreendida na sua flagrância, aquela ou 
esta comprovada pelo respectivo auto de infração, 
lavrado regularmente. Nos demais

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