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História do Paraná: Pré-
história, Colônia e Império
21
HISTóRIA E CONHECIMENTO
Lúcio Tadeu Mota
(Organizador)
978-85-7628-403-1
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1
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
História do Paraná: pré-história, colônia e império / Lúcio Tadeu Mota, organizador. 
-- Maringá: Eduem, 2011. 
 88p.: il., 21cm. (Coleção história e conhecimento, v. 21)
 ISBN 978-85-7628-403-1
 
 1. História do Paraná – Estudo e ensino. 2. História regional – Paraná. 3. 
Indígenas – Paraná – História. 
CDD 21.ed. 981.62 
H673
Copyright © 2011 para o autor
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo 
mecânico, eletrônico, reprográfico etc., sem a autorização, por escrito, do autor. Todos os direitos 
reservados desta edição 2010 para Eduem.
Endereço para correspondência:
Eduem - Editora da Universidade Estadual de Maringá
Av. Colombo, 5790 - Bloco 40 - Campus Universitário
87020-900 - Maringá - Paraná
Fone: (0xx44) 3011-4103 / Fax: (0xx44) 3011-1392
http://www.eduem.uem.br / eduem@uem.br
HISTÓRIA E CONHECIMENTO
 Apoio técnico: Rosineide Ferreira
 Copydesk: Rosane Gomes Carpanese
 Normalização e catalogação: Ivani Baptista CRB - 9/331
 Revisão Gramatical: Tania Braga Guimarães
 Edição, Produção Editorial e Capa: Carlos Alexandre Venancio
 Fernando Truculo Evangelista
 Eliane Arruda
Lúcio Tadeu Mota 
(Organizador) 
 
 
 
 
 
História do Paraná: Pré-
história, Colônia e Império 
 
 
 
 
HISTÓRIA 
EAD 
 
 
 
 
 
Conteúdo 
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO .............................. 3 
SOBRE OS AUTORES ................................................ 6 
APRESENTAÇÃO DO LIVRO ..................................... 8 
CAPÍTULO I A OCUPAÇÃO HUMANA DOS 
TERRITÓRIOS ENTRE OS RIOS PARANAPANEMA E 
IGUAÇU ATÉ A CHEGADA DOS EUROPEUS, EM 1500 11 
CAPITULO II O GUAIRÁ: A CONQUISTA E AS 
RELAÇÕES INTERCULTURAIS NOS TERRITÓRIOS 
INDÍGENAS NO PARANÁ, DE 1500 A 1630 .................... 44 
CAPITULO III. A FORMAÇÃO DO PARANÁ: DO 
POVOAMENTO DO LITORAL À EMANCIPAÇÃO DA 5ª 
COMARCA ......................................................................... 80 
CAPÍTULO IV. O PARANÁ PROVINCIAL: 1853 – 
1889 .................................................................................. 101 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO 
 
 
 A coleção História e Conhecimento é composta de 
42 títulos, que serão utilizados como material didático pelos 
alunos matriculados no Curso de Licenciatura em História, 
Modalidade a Distância, da Universidade Estadual de 
Maringá, no âmbito do sistema da Universidade Aberta do 
Brasil (UAB), que está sob a responsabilidade da Diretoria 
de Educação a Distância (DED) da Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES). 
 A utilização desta coleção pode se estender às 
demais instituições de Ensino Superior que integram a 
UAB, fato que tornará ainda mais relevante o seu papel na 
formação de docentes e pesquisadores, não só em História 
mas também em outras áreas na Educação a Distância, em 
todo o território nacional. A produção dos 42 livros, a qual 
ficou sob a responsabilidade da Universidade Estadual de 
Maringá, teve 38 títulos a cargo do Departamento de 
História (DHI); 2 do Departamento de Teoria e Prática da 
Educação (DTP); 1 do Departamento de Fundamentos da 
Educação (DFE); e 1 do Departamento de Letras (DLE). 
 O início do ano de 2009 marcou o começo do 
processo de organização, produção e publicação desta 
coleção, cuja conclusão está prevista para 2012, seguindo 
o cronograma de recursos e os trâmites gerais do Fundo 
Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Num 
primeiro momento, serão impressos 294 exemplares de 
cada livro para atender à demanda de material didático dos 
que ingressaram no Curso de Graduação em História a 
Distância, da UEM, no âmbito da UAB. 
 O traço teórico geral que perpassa cada um dos 
livros desta coleção é o compromisso com uma 
reconstrução aberta, despreconceituosa e responsável do 
passado. A diversidade e a riqueza dos acontecimentos da 
História fazem com que essa reconstrução não seja capaz 
de legar previsões e regras fixas e absolutas para o futuro. 
No entanto, durante a recriação do passado, ao historiador 
é dado muitas vezes descobrir avisos, intuições e 
conselhos valorosos para que não se repitam os erros de 
outrora. 
 No transcorrer da leitura desta coleção 
percebemos que os livros refletem várias matrizes 
interpretativas da História, oportunizando ao aluno o contato 
com um inestimável universo teórico, extremamente valioso 
para a formação da sua identidade intelectual. A qualidade 
e a seriedade da construção do universo de conhecimento 
desta coleção pode ser tributada ao empenho mais direto 
por parte de cerca de 30 organizadores e autores, que se 
dedicaram em pesquisas institucionais ou até mesmo em 
dissertações de mestrado ou em teses de doutorado nas 
áreas específicas dos livros que se propuseram a produzir. 
 Esta coleção traz um conhecimento que 
certamente marcará positivamente a formação de novos 
professores de História, historiadores e cientistas em geral, 
por meio da Educação a Distância, o qual foi fruto do 
empenho de pesquisadores que viveram circunstâncias, 
recursos, oportunidades e concepções diferentes, temporal 
e espacialmente. 
 Como corolário disso, seria justo iniciar os 
agradecimentos citando todos aqueles que não poderiam 
ser nominados nos limites de uma apresentação como esta. 
Rogamos que se sintam agradecidos todos aqueles que 
direta, indireta ou mesmo longinquamente, quiçá os mais 
distantes ainda, contribuíram para a elaboração deste rico 
rol de livros. 
 Além do agradecimento, registramos também o 
reconhecimento pelo papel da Reitoria da UEM e de suas 
Pró-Reitorias, que têm contribuído não apenas para o êxito 
desta coleção mas também para o de toda a estrutura da 
Educação a Distância da qual ela faz parte. 
 Agradecemos especialmente aos professores do 
Departamento de História do Centro de Ciências Humanas 
da UEM pelo zelo, pela presteza e pela atenção com que 
têm se dedicado, inclusive modificando suas rotinas de 
trabalho para tornar possível a maioria dos livros desta 
coleção. 
 Agradecemos à Diretoria de Educação a Distância 
(DED) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do 
Ensino Superior (CAPES), e ao Ministério da Educação 
(MEC) como um todo, especialmente pela gestão dos 
recursos e pelo empenho nas tramitações para a realização 
deste trabalho. 
 Outrossim, agradecemos particularmente à 
Equipe do NEAD-UEM: Pró-Reitoria de Ensino, 
Coordenação Pedagógica e equipe técnica. 
 Despedimo-nos atenciosamente, desejando a 
todos uma boa e prazerosa leitura. 
 
Moacir José da Silva 
Organizador da coleção 
 
 
 
 
SOBRE OS AUTORES 
 
• Dulce Elena Canieli 
Possui mestrado em História pela 
Universidade Estadual de Maringá (2001). 
Atualmente é professora efetiva – Secretaria de 
Estado de Educação do Paraná –, atuando 
principalmente nos seguintes temas: Ensino, 
Paraná Província e População Indígena. 
 
• Lúcio Tadeu Mota 
Possui graduação em Sociologia e Política 
pela Fundação Escola de Sociologia e Política de 
São Paulo (1980); mestrado em Ciências Sociais 
pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
(1992); doutorado em História pela Universidade 
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1998); e 
estágio de pós-doutorado em Antropologia Social 
no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Atualmente 
é Professor Associado I da Universidade Estadual 
de Maringá. Tem experiência na área de 
Antropologia, com ênfase em Etno-história 
Indígena, atuando principalmente nos seguintes 
temas: Fronteiras e Populações, Etno-história 
Indígena,Relações Interculturais, Índios Kaingang 
e História da Bacia do Rio da Prata. 
 
• Nádia Moreira Chagas 
Possui graduação em História pela 
Universidade Estadual de Maringá (1992), e pós-
graduação em Arqueologia, Etnologia e Etno-
História do Paraná, também pela Universidade 
Estadual de Maringá. É pesquisadora no 
Programa Interdisciplinar de Estudos de 
Populações – Laboratório de Arqueologia, 
Etnologia e Etno-história – UEM. Mestre em 
História, na linha de pesquisa Fronteiras e 
Populações, pela Universidade Estadual de 
Maringá. Atualmente é professora do Centro 
Estadual de Educação Básica Professor Manoel 
Rodrigues da Silva e tutora no Ensino a Distância 
– História, da UAB, na Universidade Estadual de 
Maringá. 
 
 
APRESENTAÇÃO DO LIVRO 
 
 
A princípio tudo representava um panorama 
selvático. O seio da terra virginal, recoberto de 
florestas seculares, abrigava tesouros 
inestimáveis de fecundação e fertilidade, prontos 
para fornecerem colheitas dadivosas [...]. Havia, 
de primeiro, a terra protegida pela floresta 
imensa. E lentamente a floresta, a floresta tão 
exuberante e impenetrável cedia lugar àqueles 
homens intrépidos e valentes. 
 
 
Frases como essas acima, de diferentes autores, são 
comuns nos escritos sobre a História do Paraná. Construiu-
se a ideologia de que esses territórios estavam vazios, 
desabitados e prontos a serem ocupados. Essa construção 
ocorreu dentro dos marcos da expansão capitalista, que 
incorporou, no século XX, imensas áreas do norte, oeste e 
sudoeste do Estado ao seu sistema de produção. 
Os agentes dessa construção são muitos: desde a 
história oficial das companhias colonizadoras; os discursos 
governamentais; os escritos que fazem a apologia da 
colonização; a geografia que trata da ocupação nas 
décadas de 30 a 50 do século XX; a historiografia 
paranaense produzida nas universidades; e por fim os livros 
didáticos, que, utilizando-se dessas fontes, repetem para 
milhares de estudantes do Estado a ideia de que os vastos 
territórios ocupados por sociedades indígenas do segundo 
e do terceiro planaltos do Paraná constituíam um imenso 
“vazio demográfico”, pronto a ser ocupado por migrantes 
vindos de várias partes do Brasil e mesmo do exterior. Com 
isso são eliminados propositadamente da história regional 
as populações indígenas, caboclas e quilombolas que ali 
viviam e resistiram à conquista de suas terras e à 
destruição de seu modo de vida1. 
 
Observando essas populações enquanto sujeitos ativos 
da história percebemos que os territórios localizados entre 
os rios Paranapanema, Paraná e Iguaçu foram ocupados 
por populações caçadoras e coletoras desde há pelo menos 
9 mil anos antes do presente, e que desde a chegada das 
populações europeias no novo continente iniciou-se a 
guerra de conquista contra elas. 
 
Guerra é aqui entendida no sentido dado por Antônio 
Carlos de Souza Lima: um processo que requer uma 
organização militar conquistadora, que age em nome de um 
Deus, um Rei, uma Nação ou um Império; um povo de onde 
se origina o conquistador e que lhe dá uma identidade 
social e uma direção comum; e o butim, composto pelo 
povo conquistado com seus territórios e riquezas, que 
passam a ser mercantilizadas. E conquista, quando parte 
do povo conquistador se fixa nos territórios conquistados, 
faz a exploração sistematizada do butim e passa a veicular 
os elementos básicos da cultura invasora através de 
instituições concebidas para tanto2. 
 
A guerra de conquista iniciou-se nas primeiras décadas 
do século XVI, com as expedições portuguesas e 
espanholas que cruzaram o atual território do Paraná em 
busca de metais, de escravos e de uma rota rumo ao 
Império Inca no atual Peru. Acentuou-se nos anos 
seiscentos com a implantação das reduções jesuíticas no 
 
1. Para maiores detalhes sobre esse assunto ver MOTA, Lúcio Tadeu. As guerras dos Índios 
Kaingang. Maringá: Eduem, 2009. 
2. Cf. LIMA, Antônio C. de Souza. Um grande cerco de paz: poder tutelar e indianidade no 
Brasil. Petrópolis: Vozes, 1995. 
Guairá, e logo depois com as bandeiras paulistas, que 
invadiram a região capturando índios, e com as atividades 
mineradoras no litoral e no primeiro planalto. Prosseguiu no 
século XVIII, com a instalação das fazendas de gado nos 
Campos Gerais, com a descoberta de ouro e diamantes no 
rio Tibagi e com as expedições militares, que construíram 
fortificações e transitaram pelo território rumo ao Mato 
Grosso. Recrudesceu, nos anos novecentos, com a 
ocupação dos campos de Guarapuava, de Palmas e do 
sudoeste da Província, e das terras da bacia norte do rio 
Tibagi, pelos grandes fazendeiros dos Campos Gerais 
paranaenses, na expansão de seus domínios. No século 
XX a guerra de conquista continuou, sob o manto da 
“colonização pacífica e harmoniosa”, levada adiante pelas 
companhias de terras, que ocuparam, lotearam e venderam 
os antigos territórios indígenas, com o aval institucional do 
Estado do Paraná. 
Dessa forma, a ocupação humana do Paraná apresenta, 
numa primeira olhada, o aspecto da divisão em fronteiras. 
Mas não no sentido de elas serem apenas uma divisa entre 
os brancos e os indígenas, uma coluna móvel de 
colonização em território novo não colonizado, ou como um 
processo de conquista envolvendo a subjugação de não-
europeus por europeus. Mas sim, conforme os recentes 
estudos de fronteiras têm apontado, os espaços fronteiriços 
são como locais de encontro de populações diferenciadas, 
e lócus privilegiado dos fluxos e das trocas culturais. A 
fronteira é vista como local não do isolamento e da 
separação de culturas (cultura x cultura), mas de 
combinações inovadoras, de manejo e de somas culturais 
(cultura + cultura), como bem aponta Ulf Hannerz.3. 
 
3 Cf. HANNERZ, Ulf. Fronteras. Revista de Antropologia Experimental, [s.n.], n. 1, 
p. 6, 2001. Para uma discussão mais completa sobre essa questão e outras 
Assim, as numerosas “fronteiras” existentes no espaço 
denominado Paraná não se ajustam ao ideal simplificador 
de serem apenas divisores de culturas diferenciadas, entre 
o “civilizado” e o “selvagem”, ou uma coluna móvel de 
colonização em território novo não colonizado. Mesmo 
porque, estudos recentes em Antropologia, História ou 
Etno-história têm mostrado que as populações locais 
ofereciam resistência, as doenças impediam a penetração 
europeia, e a geografia limitava a intrusão estrangeira. Os 
colonizadores europeus não impuseram simplesmente suas 
culturas em todas as partes do planeta: inúmeros foram os 
obstáculos, as derrotas, e inúmeros foram os processos de 
negociação, alianças e acordos, que resultaram em fluxos 
culturais, hibridismos e mestiçagens que compõem a 
história de grande parte das populações do continente 
americano e também do Paraná, estabelecendo aqui 
processos de relações interculturais ricos e complexos4, o 
que pretendemos apresentar na sequência deste livro. 
 
 
 
CAPÍTULO I A OCUPAÇÃO HUMANA DOS 
TERRITÓRIOS ENTRE OS RIOS PARANAPANEMA E 
IGUAÇU ATÉ A CHEGADA DOS EUROPEUS, EM 1500 
 
 
 
relativas a fronteiras e fluxos culturais, ver: Fluxos, fronteiras, híbridos: palavras 
chaves da Antropologia Transnacional. Mana, Rio de Janeiro, v. 1, n. 3, p. 7-39, e 
Conexiones Transnacionais – Cultura, Gente, Lugares. Ediciones Cátedra, 2001. 
4 Sobre a mestiçagem na América ver BERNAND, Carmen; GRUZINSKI, Serge. 
Historia del Nuevo Mundo II: los mestizajes. 1550 – 1640. México: Fondo de 
Cultura Econômica, 1999. 
 
 
 
O debate sobre as questões relativas à humanização 
do continente americano tem sido intenso e rico. As 
disciplinas que tratam dessa temática, como a Arqueologia,a História e outras, apresentam pontos de concordância e 
muitos outros de discordância. 
 
Hoje é consenso aceitar a premissa de que o homem 
não é autóctone em nosso continente. Isto é, o homo 
sapiens-sapiens que ocupou as Américas teve suas origens 
no continente africano, há mais ou menos 100 mil anos 
antes do presente (AP), e em algum momento migrou para 
o continente americano. 
 
O segundo ponto, ou a segunda pergunta muito usual 
nesse debate é: se o homem não surgiu na América, de 
onde ele veio? Uma grande parte dos pesquisadores do 
tema são unânimes em afirmar que a maioria das levas 
humanas que aqui chegaram atravessaram o estreito de 
Bering, no extremo norte do continente. Existem outros 
pesquisadores que afirmam que o continente também foi 
povoado por grupos humanos vindos das ilhas do Oceano 
Pacifico, navegando do oeste para o leste e 
desembarcando na costa oeste da América Central e do 
Sul. E ainda existe quem afirme que também recebemos 
migrações de grupos humanos pelo extremo sul do 
continente, que chegaram à Terra do Fogo vindos da 
Austrália e da Nova Zelândia. 
 
 
Figura 1: Povoamento do Continente Americano 
Fonte: A AURORA da humanidade (1993) 
 
 
 
A terceira pergunta, talvez a mais polêmica, é a que 
questiona qual foi a época da chegada dos primeiros 
humanos no continente americano. Nesse ponto temos um 
debate intenso, que está longe de terminar. Existem autores 
que afirmam que os primeiros homens chegaram à America 
há mais de 300 mil anos antes do presente (AP). Mas as 
datações mais aceitas pela comunidade científica são 
aquelas que giram em torno de 12 mil AP. A grande maioria 
dos pesquisadores aceitam a presença do primeiro homem 
americano em torno de 11 mil a 12 mil anos AP, porque são 
desse período as datações dos esqueletos humanos mais 
antigos encontrados no continente, como é o caso do crânio 
de uma mulher, batizada de Luzia, encontrado em Minas 
Gerais, datado de 11.500 AP. 
 
 
 
As populações caçadoras coletoras pré-cerâmicas5 
 
A bacia do Rio da Prata vem sendo continuamente 
habitada por diferentes populações humanas6 há cerca de 
pelo menos 11 mil anos AP. Para a região onde hoje é o 
Paraná há datações que chegam a 9 mil anos AP. 
Entretanto, se considerarmos a cronologia dos territórios 
vizinhos que foram ocupados em épocas anteriores, é 
provável que ainda possam ser obtidas datas que poderão 
atestar a presença humana em períodos mais recuados. 
Em 1958, um grupo de arqueólogos do Departamento 
de Antropologia da Universidade Federal do Paraná foi 
comunicado sobre achados arqueológicos nas margens do 
rio Ivaí, no extremo oeste do Estado, na localidade de 
Cidade Gaúcha7. 
 
Escavações no sítio denominado José Vieira 
demonstraram a existência de dois povoamentos no local. 
O material lítico, colhido nos níveis mais profundos das 
escavações e submetidos a datação, registrou uma idade 
 
5 Uma primeira versão deste texto foi publicada em parceria com Francisco Silva Noelli, no 
livro DIAS, Reginaldo Benedito; ROLLO, José Henrique (Org.). Maringá e Norte do 
Paraná: estudos de História regional. Maringá: Eduem, 2000. 
6 Consideramos, para fins didáticos, populações pré-históricas como as anteriores à 
chegada dos europeus na região, isto é, em meados do século XVI; e populações 
indígenas aquelas que entraram em contato com os europeus e vivem até o presente no 
Paraná, isto é, os Jê do Sul – Kaingang e Xokleng, os Guarani e Xetá, falantes de línguas 
do tronco linguístico Tupi. Evidentemente, como veremos adiante, em alguns casos houve 
uma continuidade entre a Pré-história e a História. 
7 Cf. LAMING, Anete; EMPERAIRE, José. A jazida José Vieira: um sítio Guarani e pré-
cerâmico no interior do Paraná. Arqueologia, Curitiba, v. 1, 1969. Nesse trabalho, os 
autores também fazem observações em possíveis sítios arqueológicos na região de 
Apucarana. 
 
entre o oitavo e o nono milênio antes de nossa era. Isso 
significa assentamentos humanos nas barrancas do rio Ivaí 
há 8 mil anos. O material lítico coletado nas camadas 
superiores da jazida datam de 2 a 3 mil anos (AP), o que 
significa novos acampamentos em épocas posteriores à 
primeira. Existem, portanto, em um mesmo local, 
acampamentos em épocas distantes 4 a 5 milênios uma da 
outra, que permitem a verificação de grandes 
transformações no clima e na vegetação. Outras 
escavações, realizadas nas margens do rio Paraná, foram 
datadas em 8 mil anos, assim como as escavações 
realizadas no centro-leste do Estado, na região de Vila 
Velha, também com 8 mil anos. 
A indústria lítica lascada do homem pré-histórico 
presente no norte paranaense espalha-se ao longo do rio 
Ivaí. A 350 km, subindo o rio no município de Manoel Ribas, 
no centro do Estado, pesquisas arqueológicas feitas em 
1960 revelaram a existência de material lítico que 
corresponde ao do Sítio José Vieira, datado em torno de 7 a 
8 mil anos. Foi encontrada também uma grande quantidade 
de material cerâmico, datado em torno de 800 anos AP8. 
Por todo o Paraná vamos encontrar vestígios desses 
antigos assentamentos humanos. O mais antigo deles, 
datado de 9.040 AP, foi encontrado pela Drª Cláudia 
Parellada, arqueóloga do Museu Paranaense, no vale do rio 
Iguaçu. Essas evidências, anteriores a 6 mil AP, também 
 
8 Cf. ANDREATTA, Margarida Davina. Notas parciais sobre pesquisas realizadas no planalto 
e litoral do Estado do Paraná. In: SIMPOSIO DE ARQUEOLOGIA DO PRATA, 2., 1968, 
São Leopoldo. Anais... São Leopoldo: Instituto Anchietano de Pesquisa; FFCL, 1968. p. 
65-76. De acordo com a autora, o material lítico lascado, tanto o encontrado na gruta de 
Wobeto, em Manoel Ribas, como o do Sítio José Vieira fazem parte da indústria lítica 
lascada, que se estende por toda a bacia do Rio da Prata. 
 
podem ser encontradas em outras partes do território 
paranaense, como podemos ver na tabela abaixo. 
 
Sítios arqueológicos com mais de 
6 mil anos (AP) no Paraná
PARELLADA, C. I. Revisão dos sítios arqueológicos com mais de seis mil anos BP no Paraná: discussões geoarqueológicas. 
Fumdhamentos, São Raimundo Nonato, n. 7, p. 118-135, 2008.
 
 
Assim, podemos afirmar que os territórios que hoje se 
denominam Paraná vêm sendo continuamente habitados 
por diferentes populações humanas há cerca de 9 mil anos 
AP, de acordo com os vestígios materiais mais antigos 
encontrados pelos arqueólogos. Entretanto, se 
considerarmos a cronologia dos territórios vizinhos que 
foram ocupados em épocas anteriores, é provável que 
ainda possam ser obtidas datas que poderão atestar a 
presença humana em períodos mais recuados, podendo 
alcançar ate 11 mil ou 12 mil anos AP9. 
 
9 Daqui em diante, optamos por incorporar parte de um texto feito em parceria com 
Francisco Silva Noelli e publicado em outras obras, conjuntas ou separadas. 
As populações que viveram no Paraná entre 9 mil a 3 
mil anos AP são denominadas, pela Arqueologia, de 
caçadores e coletores pré-cerâmicos. Elas foram 
substituídas pelas populações indígenas agricultoras e 
ceramistas – Kaingang, Xokleng, Guarani e Xetá – a partir 
de sua chegada na região, por volta de 3 mil anos AP, e 
continuam a viver aqui até hoje. 
A Arqueologia classifica essas populações caçadoras 
coletoras em três tradições, conforme a Figura 2. 
 
 
As populações indígenas no Paraná
Caçadores coletores pré-cerâmicos
12.000 a 3.000 anos AP
Humaitá
Vale dos grandes rios
Umbu
Terras altas
Sambaqui
Litoral
 
Figura 2: Populações caçadoras coletoras pré-
cerâmicas no Paraná 
 
 
Os arqueólogos reuniram uma série de informações 
sobre essas populações. Aqui apontaremos sucintamente 
os dados que consideramos mais importantes em cada uma 
delas. 
 
Tradição Humaitá 
As populações que osarqueólogos convencionaram 
chamar de Tradição Humaitá não deixaram, 
aparentemente, descendentes historicamente conhecidos. 
 
 
Por enquanto, é sabido que ocuparam todos os estados do 
sul brasileiro e as regiões vizinhas do Paraguai e da 
Argentina, entre 8 mil e 2 mil anos atrás. 
 
Os estudos de seus vestígios mostram que essas 
populações possuíam características das culturas do tipo 
bando, compostas de pequenos grupos (40-60 pessoas) 
que viviam dentro de amplos territórios. Sua subsistência 
era baseada em diversas fontes animais, obtidas por meio 
da caça, da pesca e da coleta, bem como de fontes 
vegetais. A exemplo de outros povos caçadores-coletores 
sul-americanos, também deveriam ter uma série de 
acampamentos sazonais espalhados dentro de um território 
definido. Tais acampamentos estariam relacionados a uma 
série de atividades de subsistência, obtenção e preparação 
de matérias-primas, rituais e lazer. Suas habitações 
poderiam ser desde uma simples meia-água até casas mais 
elaboradas, de madeira, cobertas por palha ou folhas de 
palmáceas. Eventualmente poderiam ocupar abrigos sob 
rocha (reentrâncias em paredes rochosas). 
Seus vestígios mais estudados até o presente 
restringem-se aos instrumentos líticos feitos de pedra, pois 
a maior parte de seus objetos eram provavelmente 
confeccionados com materiais perecíveis, que se 
destruíram ao longo da formação dos sítios arqueológicos. 
Entre as ferramentas de pedra podemos mencionar os 
grandes instrumentos lascados bifacialmente, lascas 
usadas para raspar, rasgar, cortar, tornear, bem como 
ferramentas para polir, furar, amolar, macerar, moer, pilar e 
ralar. 
 
 
 
 
 
Figura 3: Ferramenta lítica da Tradição Humaitá. 
Acervo: Coleção Arqueológica do Museu Histórico de Santo 
Inácio – PR. Foto de Edmar Alencar Jr / Josilene Aparecida 
de Oliveira 
 
 
 
Tradição Umbu 
 
Também as populações que os arqueólogos chamam 
de Tradição Umbu não deixaram descendentes 
historicamente conhecidos. Os vestígios dessa tradição, 
marcadamente as pontas de projéteis e resíduos de 
lascamentos, são encontrados em toda a região sul do 
Brasil, no Uruguai e em partes do Estado de São Paulo. 
Esses vestígios foram datados entre 12 mil e 1 mil anos AP, 
o que demonstra a longa persistência dessa Tradição nos 
mais variados ambientes do Brasil Meridional. 
 
 
Essas populações ocuparam preferencialmente as 
regiões de maior altitude nos planaltos do Paraná, 
principalmente os interflúvios dos principais rios, mas há 
também a presença de artefatos dessa Tradição nas 
margens dos principais rios do Paraná, como o Iguaçu, no 
sítio Ouro Verde, datado de 9 mil anos AP, e em vários 
locais ao longo do rio Ivaí. Nesses locais construíram suas 
habitações, tanto a céu aberto quanto nos abrigos sob 
rochas. Já no Rio Grande do Sul e no Uruguai, nas áreas 
alagadiças, construíram os cerritos – aterros artificiais –, 
onde fixaram suas habitações. 
 
Figura 4: Ponta de flecha da Tradição Umbu. Acervo: 
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-história da 
UEM. Foto: Lúcio Tadeu Mota 
 
Tradição Sambaqui 
 
Os pescadores/coletores do litoral sul do Brasil 
ocuparam uma vasta faixa entre o mar e a Serra do Mar, 
desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, desde 6 mil anos 
AP até mil anos depois de Cristo. Seus principais vestígios 
são os inúmeros montes – conhecidos por sambaquis – que 
construíram intencionalmente com restos alimentares, 
adornos, conchas, ferramentas, armas, carvões de antigas 
fogueiras, vestígios de sepultamentos humanos e de 
antigas moradias. 
Construídos tanto em planícies quanto em encostas, 
diretamente na areia ou sobre o embasamento rochoso, os 
Sambaquis têm ocorrências desde o Rio Grande do Sul até 
a Bahia de Todos os Santos, basicamente no interior dos 
ambientes lagunares que se apresentam em todo esse 
trecho da faixa costeira. As baías, estuários e lagunas 
dessa porção do litoral apresentam normalmente grandes 
concentrações desses sítios arqueológicos. 
A implantação dos Sambaquis nesses ambientes 
estuarinos não foi fortuita: ela se deu devido à existência de 
várias espécies de peixes, moluscos, crustáceos e outros 
animais, componentes riquíssimos da dieta alimentar 
desses grupos humanos. 
Figura 5: Sambaquis do litoral sul do Brasil. Fonte Gaspar: (2000, p. 49-53). 
 
As populações ceramistas 
agricultoras - populações indígenas 
históricas 
 
 
Por volta de 2.500 anos antes do presente 
(AP), agrupamentos maiores de populações 
passaram a ocupar a região da bacia do rio 
Paraná e de seus afluentes (Iguaçu, Piquiri, Ivaí, 
Paranapanema Pirapó, Santo Inácio, 
Bandeirantes, Tibagi, Itararé e outros menores). 
Tratava-se de uma das frentes da ampla 
expansão dos povos falantes da língua guarani, 
os quais vinham ocupando sistematicamente o 
território do atual Mato Grosso do Sul e as bacias 
dos rios Paraguai e Paraná, e do Rio da Prata. 
Podemos dizer que esses agrupamentos tinham 
em comum a língua e a produção de artefatos 
cerâmicos. 
Os vestígios da cultura material dessas 
populações agricultoras ceramistas são 
denominados pela Arqueologia como Tradição 
Tupi-guarani e Tradição Itararé/Taquara. 
As mais antigas populações de ceramistas 
começaram a chegar à bacia do rio Paraná em 
torno de 2.500 anos AP, como podemos ver 
numa série de sítios datados, na região, pelas 
metodologias de C-14 (carbono 14) e 
termoluminescência. 
O rio Paranapanema, em sua junção com o 
médio Paraná, é considerado, como já foi 
sugerido por José P. Brochado e Francisco S. 
Noelli (BROCHADO, 1984; NOELLI, 1998, 1999-
24 
 
2000), para o caso dos falantes do guarani, como 
a “porta de entrada” para o Paraná e o sul do 
Brasil. O conjunto das pesquisas indica que essas 
populações, em contínuo processo de 
crescimento demográfico e de expansão 
territorial, teriam sucessivamente ocupado a área 
do atual Mato Grosso do Sul e, através da bacia 
do Paraná, teriam ingressado no sul do Brasil 
pelo noroeste paranaense. 
No caso dos Jê do sul (Kaingang e Xokleng), 
como aponta a Arqueologia com os indícios de 
cerâmica da Tradição Itararé, a porta de entrada 
dessas populações para o sul do Brasil teria sido 
os campos e cerrados do interflúvio dos rios 
Paranapanema/Itararé e Ribeira. 
 
Trabalhando com a hipótese de que 
os grupos Jê, que se deslocaram do 
Brasil central para o sul, foram 
ocupando regiões semelhantes às 
que ocupavam em seus locais de 
origem, podemos afirmar que após 
ocuparem os planaltos de cerrados 
entre os rios Tietê e Paranapanema 
eles iniciaram a ocupação dos 
Campos Gerais no Paraná. Esses 
campos se estendem desde o sul de 
São Paulo – região de Itapetininga 
até Itararé, entre as cabeceiras dos 
rios Paranapanema e Itararé – até a 
margem direita do rio Iguaçu, no 
segundo planalto paranaense. No 
século XVII os padres jesuítas 
fundadores das reduções anotam a 
presença de grupos não Guarani na 
região, que eles denominaram de 
Cabeludos e Gualachos (MOTTA, 
2000, p. 49).10 
 
 
10 . Cf.MOTA, Lucio Tadeu. Os índios Kaingang e seus territórios nos campos 
do Brasil meridional na metade do século passado. In: Uri Wãxi: estudos 
interdisciplinares dos Kaingang. Londrina, Eduel, 2000. 
25 
 
 
Ancorados nas informações arqueológicas 
podemos afirmar que a região da bacia do rio 
Paraná e de seus afluentes da margem esquerda 
onde é hoje o estado do Paraná foi densamente 
povoada, até a chegada dos espanhóis e 
portugueses, por populações caçadoras/coletoras 
pré-ceramistas e pelos agricultores ceramistas, 
principalmente os falantes do guarani.11 
 
Tabela 3: Sítios arqueológicos com 
datações de populações ceramistas 
nas bacias do Paraná,Paranapanema e Ivaí, da jusante 
para montante 
Rio Paraná 
Da
ta A.P. 
Síti
o 
L
ab. nº 
1.1.1.1.1
i
o
 
M
a
r
g
e
m
1.1.1.1.2 
unicí
pio 
Estad
o 
1.1.1.1.3
o
nt
e 
 
11 Existem ainda informações arqueológicas sobre a presença de vestígios 
cerâmicos diferentes das tradições discutidas acima, e também existem 
informações históricas sobre a presença de populações não-Guarani e 
não-Kaingang principalmente na margem direita do médio Paranapanema. 
São informações importantes para o entendimento da ocupação da região, 
as quais discutiremos em outra oportunidade. 
26 
 
20
10 ± 75 
PR/F
I/140 
S
I 5028 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
16
25 ± 60 
PR/F
I/118 
S
I 5021 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
15
65 ± 70 
PR/F
I/99 
S
I 5019 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
13
95 ± 60 
PR/F
I/142 
S
I 5033 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
12
35 ± 60 
PR/F
I/97 
S
I 5016 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
74
5 ± 75 
PR/F
I/140 
S
I 5027 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
70
0 ± 55 
PR/F
I/112 
S
I 5036 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
62
5 ± 55 
PR/F
I/100 
S
I 5020 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
60
0 ± 60 
PR/F
I/103 
S
I 5029 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
59
0 ± 55 
PR/F
I/127 
S
I 5024 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
41
5 ± 75 
PR/F
I/104 
S
I 5032 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
39
5 ± 60 
PR/F
I/142 
S
I 5034 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
34
0 ± 60 
PR/F
I/118 
S
I 5023 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
25
5 ± 80 
PR/F
I/97 
S
I 5017 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
23
0 ± 80 
PR/F
I/22 
S
I 5015 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
20
5 ± 80 
PR/F
I/118 
S
I 5022 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
19
0 ± 75 
PR/F
I/98 
S
I 5018 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
? ± 
195 
PR/F
I/141 
S
I 5031 
Es
querda 
Foz do 
Iguaçu - Pr 
Chmy
z 1983 
49
0 ± 60 
PR/F
O/3 
S
I 5040 
Es
querda 
Guaíra - 
Pr 
Chmy
z 1983 
76
0 ± 40 
PR/F
O/4 
S
I 5039 
Es
querda 
Guaíra - 
Pr 
Chmy
z 1983 
47
5 ± 45 
MT/
IV/1 
S
I 1017 
Dir
eita 
Bataiporã 
- MS 
Chmy
z 1974 
18 MT/ S Dir Bataiporã Chmy
27 
 
0 ± 60 IV/1 I 1018 eita - MS z 1974 
11
0 ± 60 
MT/
IV/2 
S
I 1019 
Dir
eita 
Bataiporã 
- MS 
Chmy
z 1974 
26
0 ± 70 
MT/
IV/1 
S
I 1016 
Dir
eita 
Bataiporã 
- MS 
Chmy
z 1974 
23
9 ± 10 
MS/
PR/13 
F
ATEC 
Dir
eita 
Anaurilând
ia - MS 
Kashi
moto 1997 
24
0 ± 30 
MS/
PD/06 
G
sy 
Dir
eita 
Anaurilând
ia - MS 
Kashi
moto 1997 
27
5 ± 20 
MS/
PD/07 
F
ATEC 
Dir
eita 
Anaurilând
ia - MS 
Kashi
moto 1997 
42
5 ± 25 
MS/
IV/08 
F
ATEC 
Dir
eita 
Anaurilând
ia - MS 
Kashi
moto 1997 
43
2 ± 32 
MS/
PD/04 
F
ATEC 
Dir
eita 
Anaurilând
ia - MS 
Kashi
moto 1997 
24
5 ± 15 
MS/
PR/41 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
28
0 ± 15 
MS/
PR/46 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
37
0 ± 20 
MS/
PR/22 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
48
0 ± 30 
MS/
PR/26 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
56
5 ± 32 
MS/
PR/55 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
58
0 ± 40 
MS/
PR/39 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
62
5 ± 40 
MS/
PR/35 
F
ATEC 
Dir
eita 
Bataguaçu 
- MS 
Kashi
moto 1997 
14
93 ± 100 
MS/
PR/85 
F
ATEC 
Dir
eita 
Brasilândi
a - MS 
Kashi
moto 1997 
12
48 ± 100 
MS/
PR/64 
F
ATEC 
Dir
eita 
Brasilândi
a - MS 
Kashi
moto 1997 
10
15 ± 75 
MS/
PR/64 
G
sy 
Dir
eita 
Brasilândi
a - MS 
Kashi
moto 1997 
48
0 ± 30 
MS/
PR/98 
F
ATEC 
Dir
eita 
Três 
Lagoas - MS 
Kashi
moto 1997 
90
9± 80 
MS/
PR/90 
F
ATEC 
Dir
eita 
Três 
Lagoas - MS 
Kashi
moto 1997 
 
Rio Ivaí 
Da Síti L 1.1.1.1.41.1.1.1.5 1.1.1.1.6
28 
 
ta A.P. o ab. nº i
o
 
M
a
r
g
e
m
unicí
pio - 
Pr 
o
nt
e 
13
80 ± 150 
José 
Vieira 
G
sy 81 
Esq
uerda 
Cidade 
Gaúcha 
Empe
raire, 1968 
54
0 ± 60 
PR/
QN/2 
S
I 697 
Dir
eita 
Mirador Broch
ado 1973 
10
65 ± 95 
PR/
ST/1 
S
I 695 
Esq
uerda 
Indianópol
is 
Broch
ado 1973 
61
0 ± 120 
PR/
ST/1 
S
I 696 
Esq
uerda 
Indianópol
is 
Broch
ado 1973 
30
0 ± 115 
PR/F
L/5 
S
I 693 
Dir
eita 
Paraíso do 
Norte 
Broch
ado 1973 
47
0 ± 100 
PR/F
L/5 
S
I 694 
Dir
eita 
Paraíso do 
Norte 
Broch
ado 1973 
13
5 ± 120 
PR/F
L/13 
S
I 698 
Dir
eita 
Doutor 
Camargo 
Broch
ado 1973 
14
90 ± 45 
PR/F
L/21 
S
I 1011 
Dir
eita 
Doutor 
Camargo 
Broch
ado 1973 
56
0 ± 60 
PR/F
L/23 
S
I 700 
Dir
eita 
Doutor 
Camargo 
Broch
ado 1973 
59
0 ± 70 
PR/F
L/15 
S
I 699 
Dir
eita 
Doutor 
Camargo 
Broch
ado 1973 
Rio Paranapanema 
Da
ta A.P. 
Síti
o 
L
ab. nº 
1.1.1.1.7
i
o
 
M
1.1.1.1.8 
unicí
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stad
o 
1.1.1.1.9
o
nt
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29 
 
a
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g
e
m
53
0 ± 55 
PR/
NL/7 
S
I 6400 
Esq
uerda 
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do Norte - Pr 
Chmy
z 1986 
± 
930* 
Alvi
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Kashi
moto 1997 
±1
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F
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11
30 ± 150 
SP/
AS/14 
S
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z 1969 
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F
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Dir
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o 1998 
98
0 ± 100 
SP/
AS/14 
S
I 709 
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Iepê - Sp Smith
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± 
755* 
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F
ATEC 
Dir
eita 
Iepê - Sp Facci
o 1998 
* = datado por termoluminescência; 
 
 
30 
 
As populações indígenas no Paraná
Populações indígenas históricas
3.000 a aos dias de hoje
Kaingang
Tronco lingüístico
Macro-Jê
Tradições Pré
Cerâmicas
incorporadas
Guarani
Tronco lingüístico
Tupi
Xokleng
Tronco lingüístico
Macro-Jê
Xetá
Tronco lingüístico
Tupi
Figura 6: Populações indígenas agricultoras ceramistas no Paraná
-
- -
-
 
 
Figura 6: Populações indígenas agricultoras 
ceramistas no Paraná 
 
 
���� Os Guarani 
 
Dentre os povos pré-históricos e indígenas 
de que estamos tratando, os Guarani são os mais 
conhecidos em termos arqueológicos, históricos, 
antropológicos e linguísticos. A denominação 
Guarani define, ao mesmo tempo, a população e 
o nome da língua por ela falada. 
 
Uma série de estudos comparados – 
arqueológicos e linguísticos – realizados no leste 
31 
 
da América do Sul indica que os Guarani vieram 
das bacias dos rios Madeira e Guaporé. A partir 
daí, ocuparam continuamente diversos territórios 
ao longo das bacias dos rios Paraguai e Paraná 
até alcançar Buenos Aires, distante 
aproximadamente 3 mil km do seu centro de 
origem. Expandiram-se ainda para a margem 
esquerda do Pantanal, nos atuais estados de São 
Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do 
Sul. Também ocuparam o Uruguai e o Paraguai. 
Conforme as datações já obtidas, excetuando o 
Uruguai, a foz do Rio da Prata e o litoral sul 
brasileiro, as demais regiões citadas foram 
ocupadas desde há pelo menos 2.500 anos AP. 
Mantiveram esses territórios até a chegada dos 
primeiros europeus, que, a partir de 1504, 
registraram em centenas de documentos os 
limites desse vasto domínio. 
Os Guarani ocuparam os vales e as terras 
adjacentes de quase todos os grande rios e de 
seus afluentes. Raramente estabeleciam suas 
aldeias e rocas em áreas campestres. A maioria 
dos sítios arqueológicos da Tradição Tupi-guarani 
estão inseridos em áreas cobertas por florestas, 
seguindo o padrão de estabelecer as aldeias e as 
plantações em clareiras dentro da mata.Como se pode constatar na bibliografia 
especializada sobre os Guarani, eles possuíam 
um padrão para ocupar novas áreas, sem, no 
entanto, abandonar as antigas. Os grupos locais 
se dividiam, com o crescimento demográfico, ou 
por divisões políticas, indo habitar áreas 
próximas, previamente preparadas por meio de 
manejo agroflorestal, isto é, abriam várias 
32 
 
clareiras para instalar a aldeia e as plantações, 
inserindo seus objetos e plantas nos novos 
territórios. Assim como trouxeram suas casas, 
vasilhas cerâmicas e outros objetos, os Guarani 
também trouxeram de seus locais de origem 
diversas espécies de vegetais, úteis para vários 
fins (alimentação, remédios, matérias-primas 
etc.), contribuindo para o aumento da 
biodiversidade florística do sul do Brasil. 
 
Dessa maneira iam ocupando as várzeas 
dos grandes rios, e com o passar do tempo, áreas 
banhadas por rios cada vez menores. Por 
exemplo, após dominar as terras próximas aos 
rios Ivaí, Pirapó e Tibagi, ocuparam trechos ao 
longo de alguns dos ribeirões que banham o 
divisor de águas desses rios. 
As aldeias tinham tamanhos variados, 
podendo comportar mais de mil pessoas, 
organizadas socialmente por meio de relações de 
parentesco e de aliança política. Essas famílias 
extensas viviam em casas longas, e cada aldeia 
poderia ter até sete ou oito casas, construídas de 
madeira e folhas de palmáceas, podendo abrigar 
até 300 ou 400 pessoas, e alcançar cerca de 30 
ou 40 metros de comprimento por até 7 ou 8 
metros de altura. Algumas aldeias, dependendo 
de sua localização, poderiam ser fortificadas, 
cercadas por uma paliçada. 
A cultura material era composta por centenas 
– talvez milhares – de objetos, confeccionados 
para servirem a diversos fins, sendo a maioria 
feita com materiais perecíveis (ossos, madeiras, 
penas, palhas, fibras vegetais, conchas etc.) e, 
33 
 
em minoria, de não-perecíveis (vasilhas 
cerâmicas, ferramentas de pedra, corantes 
minerais). Desse conjunto normalmente 
sobrevivem apenas as vasilhas, as ferramentas 
de pedra e, eventualmente, esqueletos humanos 
e de animais diversos, conchas e ossos usados 
como ferramentas ou enfeites. O reconhecimento 
da existência desses objetos perecíveis, salvo 
condições raras de conservação, só e possível 
por meio de informações obtidas indiretamente 
por pesquisas históricas, linguísticas e 
antropológicas. 
 
 
Figura 7: Fragmento cerâmico Guarani. Acervo: 
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e 
Etno-história da UEM. Foto: Lúcio Tadeu 
Mota 
 
34 
 
 
Figura 8: Fragmento cerâmico Guarani. Acervo: 
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e 
Etno-história da UEM. Foto: Lúcio Tadeu 
Mota 
���� Os Xetá 
 
O povo Xetá é conhecido e nominado, na 
literatura, nos relatos de viajantes e em fontes 
documentais, como: Botocudo, Héta, Chetá, Setá, 
Ssetá, Aré e Yvaparé. Foi o último grupo indígena 
contatado no Paraná, no final da década de 1940 
e no início de 1950, quando a frente de ocupação 
cafeeira chegou ao seu território tradicional, que 
se estendia pelas margens do baixo rio Ivaí até a 
sua foz, no rio Paraná. 
A presença dos grupos Xetá no rio Ivaí e em 
seus afluentes foi registrada por viajantes e 
exploradores desses territórios desde a década 
de 1840, quando Joaquim Francisco Lopes e 
35 
 
John H. Elliot – empregados do Barão de 
Antonina – fizeram contato com alguns deles nas 
imediações da foz do rio Corumbataí, no Ivaí. 
Posteriormente, em 1872, o engenheiro inglês 
Thomas Bigg-Whiter capturou um pequeno grupo 
nas proximidades do Salto Ariranha, também no 
rio Ivaí. No início do século XX, em 1910, Albert 
V. Fric ouviu dos Kaingang a informação da 
presença de pequenos grupos Xetá no interflúvio 
dos rios Ivaí e Corumbataí, muito acima do local 
onde os Xetá foram contatados nos anos de 
1950. Junto ao grupo Kaingang do cacique 
Paulino Arak-xó, que vivia no salto Ubá, Fric 
encontrou cativos Xetá, com os quais efetuou um 
primeiro registro de vocabulário. 
Esses locais de caça e coleta, os encontros 
e confrontos com os exploradores do rio Ivaí, e os 
conflitos com os Kaingang, que resultavam em 
capturas e dispersão dos Xetá, fazem parte da 
memória de sobreviventes Xetá mais velhos. Um 
deles teve seu pai capturado no início do século 
XX, porém conseguiu fugir e retornou para seu 
grupo familiar na região da Serra dos Dourados 
(SILVA, 1998, 2003). 
Nessas primeiras décadas do século XX 
muitos outros contatos foram noticiados, mas na 
região conhecida como Serra dos Dourados, 
onde hoje estão implantados os municípios de 
Umuarama, Ivaté, Douradina, Icaraíma, Maria 
Helena, Nova Olímpia, entre outros, é que se deu, 
a partir de 1954, 1955 e mais principalmente em 
fevereiro de 1956, o mais documentado encontro 
com um grupo Xetá, que ocorreu entre 
professores da UFPR e membros do Serviço de 
36 
 
Proteção ao Índio-SPI da 7ª Regional de Curitiba 
e dois meninos12 Xetá, capturados em 1952 por 
agentes das Companhias de Colonização. 
Apesar dos esforços dos professores da 
Universidade Federal do Paraná (UFPR), do 
Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) 
e de funcionários do SPI, o Governo do Estado do 
Paraná vendeu os territórios Xetá para as 
Companhias de Colonização, que os lotearam 
para revenda aos interessados no cultivo de café 
na região. 
Até a década de 1990 os Xetá eram tidos 
pelo órgão indigenista brasileiro Fundação 
Nacional do Índio – FUNAI – como grupo extinto 
ou quase extinto, pois constam nos seus dados 
populacionais apenas cinco pessoas. No entanto, 
a pesquisa antropológica de Carmen Lúcia da 
Silva apontou que, ao contrário do que se 
afirmava nos levantamentos oficiais, os Xetá não 
estavam extintos. 
Em 1997, por solicitação dos Xetá, foi 
realizado o primeiro encontro dos seus 
sobreviventes em Curitiba, intitulado “Encontro 
Xetá: Sobreviventes do Extermínio”, com o apoio 
do Instituto Socioambiental (ISA) e do Museu de 
Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE), do qual 
participaram todos os sobreviventes do grupo, 
crianças, jovens, mais velhos e cônjuges, além do 
Prof. Dr. Aryon Dall’Igna Rodrigues, que efetuou 
os primeiros estudos da língua Xetá junto a um 
grupo familiar na década de 1960 (1960, 1961 e 
posteriormente em 1967). 
 
12 Um deles viveu até o ano de 2008 e foi um dos colaboradores ativos do 
estudo de Silva (1998; 2003). 
37 
 
Como resultado desse encontro, os Xetá 
solicitaram o seu reconhecimento enquanto 
pertencentes à etnia Xetá e a retificação de seus 
nomes nos registros civis, levando em conta os 
registros que já vinham trabalhando na pesquisa 
antropológica, os quais apresentavam como se 
dava o sistema de nominação do grupo. Também 
colocaram em pauta a indenização financeira de 
suas perdas e a recuperação de seus territórios 
tradicionais, na Serra dos Dourados, bem como 
reivindicaram o retorno a seu território de origem, 
nominando-o como Terra Indígena Herarekã 
Xetá. 
Atualmente os Xetá somam 
aproximadamente 100 (cem) pessoas, em 25 
(vinte e cinco) famílias. Estão em processo de 
luta para que seu território tradicional seja 
reconhecido junto à FUNAI, para que seus 
direitos sejam reconhecidos e para se 
reconstituírem enquanto povo e revitalizarem sua 
cultura. Além da demanda para reaverem parte 
de seus territórios, os Xetá solicitaram ao Estado 
do Paraná um atendimento especifico e 
diferenciado de: educação escolar indígena 
bilíngue Português/Xetá; o ensino da sua história 
na escola; produção de literatura e materiais 
didáticos que retratem a realidade do povo, 
trazendo inclusive a memória coletiva da antiga 
sociedade narrada por seus pais, hoje 
considerados “guardiões da memória Xetá” 
(SILVA, 1998; 2003). 
 
 
 
38 
 
���� Os Kaingang 
 
A denominação Kaingang define 
genericamente, ao mesmo tempo,a população e 
o nome da língua por ela falada. 
Embora exista uma volumosa bibliografia e 
inumeráveis conjuntos de documentos não 
publicados sobre esses povos, ainda se conhece 
pouco sobre seus ascendentes pré-históricos. 
Os resultados de estudos comparados – 
Arqueologia e Linguística – apontam o Brasil 
central como a região de origem dos Kaingang, 
que ocuparam imensas áreas dos estados da 
região sul, parte meridional de São Paulo e leste 
da província de Missiones, na Argentina. Embora 
não existam ainda datas mais antigas do que as 
dos Guarani, e provável que os Kaingang e os 
Xokleng tenham chegado primeiro ao Paraná, 
pois em quase todo o Estado os sítios dos 
Guarani estão próximos ou sobre os sítios 
arqueológicos dos Kaingang e Xokleng. 
Com a chegada dos Guarani, à medida que 
iam conquistando os vales dos rios os Kaingang 
foram sendo empurrados para o centro-sul do 
Estado e/ou foram sendo confinados nos 
territórios interfluviais, enquanto os Xokleng foram 
sendo impelidos para os contrafortes da Serra 
Geral, próximo ao litoral. A partir do final do 
século XVII, quando as populações Guarani 
tiveram uma drástica redução, os Kaingang 
voltaram a se expandir por todo o centro do 
Paraná. 
Em meados do século XVIII, com as 
primeiras expedições coloniais nos territórios hoje 
39 
 
denominados Paraná, foi possível conhecer 
parcialmente a toponímia empregada pelos 
Kaingang para nominar seus territórios: Koran-
bang-rê (campos de Guarapuava); Kreie-bang-rê 
(campos de Palmas); Kampo-rê (Campo Ere – 
sudoeste); Payquerê (campos entre os rios Ivaí e 
Piquiri, hoje nos município de Campo Mourão, 
Mamborê, Ubiratã e outros, adjacentes); 
Minkriniarê (campos de Chagu, oeste de 
Guarapuava, no município de Laranjeiras do Sul); 
campos do Inhoó (em São Jerônimo da Serra). 
Os Kaingang: a produção da cerâmica
� Mulher Kaingang confeccionando cerâmica na T. I. 
Vanuire em SP em 1970. Fonte: Delvair M Melatti. 
Aspectos da organização social dos Kaingang 
Paulistas. FUNAI, 1976
� Vasilha reconstituída a partir de fragmentos
encontrados em uma casa subterrânea no RS.
Fonte: Pedro Ignácio Schmitz. CIÊNCIA HOJE •
vol. 31 • nº 181
Figura 9 
 
 
 
 
40 
 
���� Os Xokleng 
 
A denominação Xokleng define 
genericamente, ao mesmo tempo, a população e 
o nome da língua por ela falada. Na bibliografia 
arqueológica esses povos são conhecidos como 
Tradição Itararé. Apesar da volumosa bibliografia 
e de inumeráveis conjuntos de documentos não 
publicados a seu respeito, ainda se conhece 
pouco sobre seus ascendentes pré-históricos Sua 
chegada e sua presença no Paraná já foram 
resumidas no item sobre os Kaingang, 
necessitando ainda de mais pesquisas para se 
corroborar ou desabonar as conclusões e 
hipóteses vigentes. Suas aldeias eram 
geralmente pequenas, no interior das florestas, 
abrigando poucos habitantes. Também ocupavam 
abrigos sob rocha e casas semissubterrâneas. 
Fabricavam vasilhas cerâmicas semelhantes às 
feitas pelos Kaingang, a tal ponto que, devido às 
pesquisas pouco sistemáticas realizadas até o 
presente, ainda é problemático definir claramente 
as diferenças. 
 
 
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sobre pesquisas realizadas no planalto e litoral do 
Estado do Paraná. In: SIMPÓSIO DE 
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arqueológicos com mais de seis mil anos BP no 
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Fundamentos, São Paulo, n. 7, p. 118-135, 
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sociedade perdida: o trabalho da memória Xetá. 
2003. Doutorado. (Antropologia)-Universidade de 
Brasília, Brasília, DF, 2003. 
 
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etnografia das narrativas e lembranças da 
sociedade Xetá. 1998. Mestrado. (Antropologia 
Social)-Universidade Federal de Santa Catarina, 
Florianópolis, 1998. 
 
 
Atividades: 
 
1. Você já viu alguma família indígena 
circulando por sua cidade? O que observou, 
a respeito? 
 
2. Por ocasião da chegada dos europeus no 
Paraná, quais eram os povos indígenas que 
aqui se encontravam? 
 
3. Recolha junto a sua comunidade (cidade, 
bairro ou vizinhos) o que eles sabem sobre 
os índios no Paraná. 
 
44 
 
 
 
 
CAPITULO II O GUAIRÁ: A CONQUISTA E 
AS RELAÇÕES INTERCULTURAIS NOS 
TERRITÓRIOS INDÍGENAS NO PARANÁ, DE 
1500 A 1630 
 
 
Nádia Moreira Chagas13 
Lúcio Tadeu Mota14 
 
 
Introdução 
 
 
A História dos territórios entre os rios 
Paranapanema ao norte e Iguaçu ao sul, 
pertencentes hoje ao Estado do Paraná, está 
inserida nos processos de ocupação da América 
Meridional pelos europeus, no século XVI. 
Denominados nos primeiros séculos da 
colonização como Guairá, sua história é, 
portanto, parte da História do ParanáColonial, 
 
13 Especialista pela UEM em Arqueologia, Etnologia e Etno-História do 
Paraná, Mestre em História pela UEM, Profª. da Rede Estadual de Ensino, Núcleo de 
Educação de Maringá, Pesquisadora no Programa Interdisciplinar de Estudos de 
Populações – Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História – UEM. E-mail: 
nadiachagas@yahoo.com.br 
14 Professor Associado no Departamento de História da Universidade 
Estadual de Maringá, e pesquisador no Programa Interdisciplinar de Estudos de 
Populações – Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História - UEM. ltmota@uem.br 
ltmota@terra.com.br 
45 
 
que inicia com a chegada dos europeus ao litoral 
meridional da América do Sul. 
Para conhecermos a história de períodos 
mais remotos sobre a região temos que recorrer à 
historiografia clássica da Bacia Platina, sobre a 
história do Paraguai e da Argentina, e também a 
estudos sobre os bandeirantes paulistas. 
A relevância dessa historiografia está no 
debate sobre a ocupação do atual Paraná e no 
reconhecimento das populações que aqui viviam, 
a fim de se desmistificarem algumas ideias, como 
a de que a região era um deserto a ser 
desbravado. 
A ocupação dos territórios do atual Paraná e 
as relações interculturais ocorridas entre o início 
da colonização até o século XVII possibilitam 
compreender os contatos que ocorreram antes e 
depois da chegada dos europeus. Ou seja, é 
possível reconstruir a história de povos que foram 
considerados etnocentricamente como sem 
história, por não dominarem a escrita 
O importante nos estudos da ocupação 
desses territórios é determinar o impacto da 
conquista sobre as sociedades indígenas que 
aqui viviam, procurando se entender como se 
desenvolveram as estruturas sociais e 
compreender que os europeus não foram os 
únicos sujeitos que fizeram a história desta parte 
do continente americano. 
A história da conquista dos territórios entre 
os rios Paranapanema e Iguaçu, os quais mais 
tarde se tornariam o Estado do Paraná, está 
presente em alguns autores clássicos da 
historiografia paranaense, dentre os quais se 
46 
 
destacam: Silveira Neto, que escreveu no início 
do século XX; David Carneiro, um dos que mais 
escreveu sobre o Paraná; Romário Martins, autor 
da ideia do paranismo; Faris A. S. Michaelle, que 
aborda a presença indígena e as dificuldades que 
tornavam seu estudo difícil; Altiva P. Balhana, 
Brasil P. Machado e Cecília M. Westphalen, que 
tratam da descoberta do ouro e da procura do 
indígena para o trabalho no estabelecimento do 
português; Ruy C. Wachowicz, com sua 
publicação didática sobre a História do Paraná. 
Na década de 1980, Cecília M. Westphalen e 
Jaime A. Cardoso publicaram o Atlas Histórico do 
Paraná. Existem ainda outras obras mais 
recentes, na década de 1990, como a de Maria 
A.M.S. Schmidt, que apresenta em publicação 
paradidática uma História do Paraná, e ainda a de 
Sérgio O. Nadalin, sobre a ocupação do território. 
Pode-se dizer que algumas das obras mais 
antigas seguem uma mesma linha de estudo: 
indo da chegada dos europeus à formação de 
vilas e povoações em regiões consideradas como 
despovoadas, prontas para serem ocupadas, não 
contando com a presença do indígena, o que 
justificaria, assim, a prática da conquista dos 
territórios empreendida pelos europeus. Havia, na 
verdade, uma política de omissão com respeito 
aos povos indígenas, segundo a qual os 
europeus acreditavam que, se não podiam fazer 
esses povos desaparecerem, eles seriam então 
integrados. 
 
47 
 
Uma historiografia mais recente15 discute a 
ocupação do Guairá como uma guerra de 
conquista, ou seja, a exploração das populações 
indígenas pelos conquistadores não foi sem 
obstáculos como afirmam muitos autores, e a 
conquista dos seus territórios também não 
ocorreu de forma pacífica. Em todos os 
momentos, e por várias etnias, a resistência foi 
renhida e sangrenta. O território do Guairá, que 
compreendia quase todo o Paraná, foi local de 
trânsito de portugueses e espanhóis que iam e 
vinham de Assunção em direção às vilas do litoral 
brasileiro, palco de guerras variadas e 
constantes. A conquista desses territórios foi feita 
palmo a palmo, com o uso da espada, do 
arcabuz, da besta, da cruz, de doenças e de 
acordos. Alianças foram estabelecidas e 
rompidas, e de ambas as partes fidelidades foram 
sacramentadas e traições meticulosamente 
planejadas. 
 
 
 
2.1 O GUAIRÁ E SUA POPULAÇÃO, 
ENTRE 1500 E 1632 
 
• O território 
Por ocasião da expansão marítima, havia 
uma divergência entre Portugal e Espanha sobre 
os limites das terras que conquistaram. Isso levou 
à assinatura do Tratado de Tordesilhas (1494), 
 
15 Conferir os trabalhos de Lúcio Tadeu Mota, Francisco Noelli e outros 
pesquisadores sediados no Programa Interdisciplinar de Estudos de Populações – 
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-história da Universidade Estadual de Maringá. 
48 
 
segundo o qual o mundo ficaria dividido entre as 
duas metrópoles coloniais, ou seja, as terras 
descobertas e a descobrir seriam divididas entre 
as duas nações. Pelas determinações desse 
tratado, uma linha imaginária passaria a 360 
léguas da Ilha de Cabo Verde, e todas as terras 
que estivessem a leste pertenceriam a Portugal; e 
a oeste, à Espanha. 
O território do atual Paraná estava localizado 
a ocidente dessa linha, mas não havia 
concordância entre espanhóis e portugueses 
quanto à divisão. Para 
 
[...] cosmógrafos espanhóis caia no 
mar na altura de Iguape, embora para 
os portugueses terminasse na altura 
de laguna, e a expedição de (1532), 
ainda mais ao sul, procurasse 
estender o direito lusitano colocando 
marcos na foz do rio da Prata 
(MARTINS, 1995b, p. 59)16 
 
A discussão sobre os limites territoriais 
avançaram pelos séculos XVII e XVIII, quando se 
estabeleceram as reais fronteiras nas nações. A 
presença de portugueses avançando pelo sertão 
após a linha de Tordesilhas foi intensa ao longo 
dos séculos XVI e XVII, sentida, por exemplo, 
pela atuação dos bandeirantes paulistas em 
busca de metais preciosos e indígenas para o 
trabalho escravo, o que determinou uma divisão 
diferente da estabelecida. 
O que se pode afirmar é que, pela divisão 
imposta pelo Tratado de Tordesilhas de 1494, 
ficava bastante evidente que a quase totalidade 
do atual território do Paraná era domínio dos 
 
16 Cf. MARTINS, 1995b, p. 59. 
49 
 
espanhóis, ficando para os portugueses uma 
pequena faixa de terra do litoral. 
Informações detalhadas sobre o Guairá são 
encontradas nos escritos do historiador e 
conquistador Ruy Diaz de Guzmán, sobrinho-neto 
de Don Álvar Nuñes Cabeza de Vaca, o primeiro 
espanhol que passou por essas terras e as 
denominou de Província de Vera. Para o autor, o 
território correspondia aos [...] campos que corren 
y confinan com el Río de la Plata, que llaman de 
Guayra.17 
O delineamento do Guairá também é 
encontrado nos escritos do Padre Nicolas del 
Techo, segundo o qual 
 
 
[...] El Guairá está situado en la parte 
del Paraguay que mira al Brasil y al 
Occidente del rio Paraná; por el Sur 
acaba en los campos que baña el 
Uruguay, y por Norte en selvas y 
lagunas no bien conocidas; su 
extensión es considerable […]18 
 
 
17. Cf. GUZMÁN, Ruy Diaz de 1836, p. 32 e 67. Com respeito a essa 
demarcação, na mesma obra, no Índice Geográfico e Histórico, p. 392, existe a explicação 
de que o Guairá era um “[...] Vasto e inculto território entre las províncias meridionales del 
Brasil y el Paraguay y tan poco conocido que no es posible demarcar sus limites [...]”, ou 
seja, o autor erra quando diz que a região limitava-se com o Rio da Prata. 
18 Cf. TECHO, Nicolas del.[1673], 2005, p. 196), 
50 
 
 
Figura 1. Mapa do Guairá 
Fonte: Ramon Cardoso, 1918 
 
• O encontro 
Como vimos no capitulo anterior, o sul do 
Brasil e mais especificamente o Paraná, quando 
da chegada dos europeus, estava habitado pelas 
populações falantes do tronco linguístico Tupi, no 
caso os Guarani e Xetá, e os falantes das línguas 
do tronco Macro-jê, os Kaingang e Xokleng. 
Dessa forma, os marinheiros que desembarcaram 
dos navios espanhóis e portugueses na costa sul 
do Brasil fizeram contato primeiro com os Carijós, 
como eram chamados os Guarani, e quando eles 
começaram a percorrer o interior passaram a ter 
contatos com populações de fala diferente dos 
Carijós, os grupos falantes do tronco linguístico 
Jê, hoje conhecidos como Kaingang e Xokleng. 
51 
 
Os primeiros contatos de europeus com as 
populações indígenas no Guairá ocorreram a 
partir do início do século XVI, quando os navios 
portugueses e espanhóis começaram a aportar 
no litoral sul. Esses navegantes procuravam, num 
primeiro momento, uma passagem para as Índias, 
até que em 1520 Fernão de Magalhães cruzou o 
estreito que levaria seu nome, no extremo sul do 
continente, e alcançou o objetivo de chegar às 
Índias navegando para o ocidente. A partir da 
descoberta de ouro e prata no Peru, o principal 
objetivo desses europeus era chegar ao Império 
Inca, e para isso a travessia do território do 
Guairá era uma opção se não quisessem 
contornar todo o sul até o Rio da Prata e subir o 
rio Paraguai. 
Dessa forma é que os navegadores 
realizaram contato com os Guarani, e com eles 
fizeram as primeiras trocas comerciais. Objetos 
vindos da Europa, principalmente artefatos de 
metais, foram trocados por comida, lenha, peles 
de animais, pássaros e outras raridades de 
interesse dos marujos. Também deixaram no 
litoral os “desterrados”, ou “náufragos”. Nesse 
momento pode-se constatar que relações entre 
povos diferentes ocorreram em torno dessas 
trocas, e o objetivo de descobrir se havia metais 
preciosos na região aceleraram esses contatos. 
Pelo lado dos portugueses e espanhóis, a busca 
de metais, pedras preciosas e outras mercadorias 
de valor a serem comercializadas na Europa; e 
pelo lado dos indígenas, a possibilidade de 
acessar ferramentas de metal e outros objetos 
trazidos da Europa foram o motor dessas 
52 
 
relações interculturais, de populações 
diferenciadas culturalmente, no Guiará. 
Foram inúmeras as armadas e embarcações 
vindas da Europa que passaram no litoral sul do 
Brasil ou aí aportaram, nos primeiros 30 anos da 
conquista. 
 
Quadro 1: Embarcações vindas da Europa que 
aportaram no sul do Brasil até 1535 
D
ATA 
VIAJA
NTE 
A
RMAD
A 
LOCAIS de 
CHEGADA 
DESEMBARQUE 
DE TRIPULANTES 
1
501/08/
17 
Gonzal
o Coelho 
Américo 
Vespúcio 
3 
Caravel
as 
Cananéia SP 
Oceano 
Atlântico 53º 
Latitude. Sul altura 
de Punta Arenas na 
Patagônia 
Em Cananéia 
15/02/1502, G. Coelho 
deixa um degredado 
(Bacharel de Cananéia) 
1
503/08/
10 
Gonzal
o Coelho 
Américo 
Vespúcio, 
João Lopes 
de Carvalho e 
João de 
Lisboa – 
Pilotos 
6 
Caravel
as 
Bahia de 
Todos os Santos 
BA, até São 
Vicente SP 
Foram deixados 24 
homens em uma fortaleza 
em São Vicente, em São 
Paulo, daí entraram 40 
léguas terra adentro 
1
504/01/
05 
Binot 
Paumier de 
Gonneville 
1 
Navio 
L’Espoi
r 
Espera
nça 
São 
Francisco do Sul 
SC, 
Desembarcaram 
nesse local onde 
permaneceram seis meses: 
de janeiro a julho de 1504, 
vivendo com os Guarani do 
cacique Arosca 
1
514/07/
00 
Estevã
o Frois e João 
de Lisboa 
2 
Caravel
as 
Cabo de 
Santa Maria –Punta 
del Leste Uruguai 
Encontro com os 
índios Charruas depois de 
subirem 300 Km pelo Rio 
da Prata 
1
516/01/
00 
Juan 
Dias de Solis 
2 
Caravel
as 
Cananeia, 
Santa Catarina, Rio 
da Prata 
Solis e seus homens 
foram mortos na 
embocadura do rio Uruguai 
no Rio da Prata, ficando 
vivo Francisco Del Puerto, 
um grumete de 14 anos 
53 
 
1
516/08/
00 
Cristóv
ão Jaques 
3 
Naus 
Cabo Frio, 
Rio de Janeiro, 
Santa Catarina 
Jaques fora 
nomeado guarda- costa do 
Brasil, pelo Rei de Portugal. 
Perseguiu os espanhóis e 
franceses que aportaram 
na costa brasileira 
1
519/12/
13 
Fernan
do de 
Magalhães 
4 
Naus e 
1 
Caravel
a 
Rio de 
Janeiro, Rio da 
Prata (1520/01/11) 
Contornou o estreito 
que levou seu nome na 
Patagônia 
1
521/00/
00 
Cristóv
ão Jaques 
2 
Caravel
as 
Santa 
Catarina 
Em SC recolheu 
Melchior Ramires, um dos 
náufragos da expedição de 
Solis, e subiram 200 Km 
acima no rio Prata, na Ilha 
de São Gabriel, onde 
encontrou Francisco Del 
Puerto. Subiu o rio mais 
140 Km, até onde hoje é a 
cidade argentina de 
Rosário 
1
526/08/
00 
Jofre 
de Loyasa, 
D.Rodrigo de 
Acuña 
 
Porto dos 
Patos SC 
Estavam 
percorrendo a rota de 
Magalhães, e por mau 
tempo tiveram que voltar às 
costas do Brasil 
1
526/10/
31 
Sebasti
ão Caboto 
(Veneziano) 
3 
Naus 
Santa 
Catarina 
Caboto encontrou 
Henrique Montes, náufrago 
de Solis, que lhe deu 
noticias da expedição de 
Aleixo Garcia ao Peru. 
Caboto entrou no rio da 
Prata, navegou os rios 
Paraguai e o Paraná 
1
528/05/
07 
Diego 
Garcia 
1 
Nau e 1 
Galeão 
São Vicente, 
Cananéia(1528/01/
15), 
Encontrou com 
Caboto descendo o rio 
Paraná. Seu destino era as 
Ilhas Molucas na Ásia 
1
531/01/
00 
Martin 
Afonso de 
Souza 
1 
Galão, 
2 Naus, 
2 
Caravel
as 
Percorreu o 
litoral sul do Brasil 
até Punta Del 
Leste, no Uruguai. 
Pero Lopes subiu o 
rio Paraná e na volta 
estiveram na Baía de 
Paranaguá 
1 Pedro Percorreu o 
54 
 
535/00/
00 
de Mendonça litoral sul do Brasil 
e foi fundar a 
cidade de Buenos 
Aires 
 
Quando os primeiros europeus começaram a 
desembarcar no litoral sul do Brasil para 
abastecer seus navios com água, lenha e 
alimentos, ou foram deixados como desterrados 
ou náufragos, eles tomaram conhecimento, por 
meio dos Guarani, das enormes riquezas 
existentes a oeste dos seus territórios. Em 
conjunto com esses índios prepararam 
expedições para irem até as terras onde existiam 
ouro e prata em abundância. Começou então o 
processo de desvendamento e conquista dos 
territórios indígenas do interior do que seria mais 
tarde o Estado do Paraná. 
 
Do litoral os conquistadores subiram a Serra 
do Mar em direção ao poente, rumo às minas de 
prata na Cordilheira dos Andes. As primeiras 
expedições, como a de Aleixo Garcia em 1522, 
tiveram o objetivo de fazer o reconhecimento e 
descobrir a origem do ouro encontrado com os 
Carijós na costa de Santa Catarina. 
Acompanhados de cerca de 2 mil Guarani, a 
viagem demorou três anos. Partiu do litoral de 
Santa Catarina, passou pelo interior do Paraná, 
pelo Paraguai e pela Bolívia, até chegar ao Peru, 
nas periferias do Império Inca; na volta, em 1526, 
Garcia foi morto pelos Guarani na região da Foz 
do Iguaçu. A história dessa expedição foi contada 
e recontada na tradição oral dos Guarani até que 
55 
 
chegou aos ouvidos dos primeiros cronistas 
espanhóis em Assunção, no Paraguai.19 
Interessado em buscar riquezas no sertão, 
Martim Afonso de Souza enviou de Cananeia, a 
Francisco de Chaves e Pero Lobo juntamente 
com 80 homens, rumo ao interior do Paraná, por 
terra. Esses homens foram mortos pelos Guarani 
em algum lugar entre Sete Quedas e Foz do 
Iguaçu, provavelmente em 1531. Podem ter 
seguido os mesmos caminhos percorridos por 
Aleixo Garcia. 
Dez anos depois, quando já havia sido criada a 
cidade de Nossa Senhora de Assunção, a capital 
do Paraguai, Dom Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, 
após várias aventuras na América do Norte, veio 
tomar posse e comandar a província do Paraguai, 
em nome do Rei da Espanha. Desembarcou na 
ilha de Santa Catarina, e no final de 1541, 
partindo da foz dorio Itapucu, rumou para 
Assunção no Paraguai, aonde chegou quatro 
meses depois, acompanhado por 250 
arcabuzeiros e balesteiros. Durante a expedição 
foi acompanhado por centenas de índios Guarani. 
A cada novo território que ingressava a expedição 
dispensava os acompanhantes do território 
anterior, e mediante pagamentos em espécie 
(machados, contas, etc.) integrava novos guias 
para o percurso seguinte. Subiram a Serra do 
Mar, alcançaram o rio Negro (na altura de Rio 
Negrinho - SC) e desceram até a sua 
desembocadura, no rio Iguaçu. Para contornar o 
 
19 Cf. GUZMÁN, Ruy Diaz de. La Argentina. Emece, Buenos Aires, [s.n., 
]1998, p. 50-59. 
56 
 
território dos Kaingang20 tiveram de atravessar o 
rio Iguaçu e se dirigiram a noroeste em direção às 
cabeceiras do rio Tibagi. Nas proximidades da foz 
do rio Iapó no Tibagi, na atual cidade de Tibagi, a 
expedição dirigiu-se para oeste até chegar ao rio 
Ivaí. Dali Cabeza de Vaca rumou para o 
sudoeste, atravessando o rio Piquiri até alcançar 
o rio Iguaçu, a poucos quilômetros de sua foz, de 
onde seguiram até Assunção. 
O relato de Alvar Nunez Cabeza de Vaca é 
importante na medida em que descreve, ao longo 
de sua expedição, o contato e a entrada em 
territórios pertencentes a diferentes grupos 
Guarani, e desvia no seu trajeto dos territórios 
Kaingang em Guarapuava e Palmas. Esse foi o 
primeiro documento a informar que quase todo o 
interior do Paraná estava habitado e, ao mesmo 
tempo, a mostrar que havia uma divisão política 
entre esses diversos grupos de mesma matriz 
cultural, organizados politicamente em 
cacicados.21 E ainda que indiretamente, devido à 
imensa volta que a expedição fez não seguindo o 
vale do rio Iguaçu, isso nos dá uma noção da 
extensão do território dominado pelos Kaingang 
nos Koran-bang-rê (Campos de Guarapuava). 
 
20. O Barão de Capanema sustenta que Cabeça de Vaca deu uma volta de 
mais de 80 léguas, evitando seguir diretamente pelas margens do rio Iguaçu ou pelos 
campos de Guarapuava ao norte, e os campos de Palmas ao sul desse rio, porque esses 
eram territórios ocupados por índios ferozes, mais valentes que os guaranis. Cf. 
CAPANEMA. Questões a estudar em relação aos princípios da nossa história. RIHGB, 
52(1):499-509. Cabeza de Vaca evitou transitar pelos territórios dos Kaingang, por isso 
desviou-se dos Koran-bang-rê (campos de Guarapuava) e dos Kreie-bang-rê (campos de 
Palmas) e seguiu o caminho indicado pelos Guarani ao norte. 
21 Conjunto de aldeias sob a liderança de um prestigioso cacique, que 
dominava certas porções de territórios bem definidos. 
57 
 
 
Rota aproximada da expedição de
 Dom Alvar Alvar Núñez Cabeza de Vaca - 1541
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História
Universidade Estadual de Maringá
Denominação: Data:
Fevereiro de 2011
Fontes:
Autores: Éder da Silva Novak; Everson Cézar; Juliano Martins da Silva
Marcelo Luiz Chicati; Marcos Rafael Nanni; Lúcio Tadeu Mota
Cartas Topográficas do
 Estado do Paraná
Programa Interdisciplinar de Estudos de Populações
Rio 
Paranapanema
R
io 
Tibagi 
IvaíRio
Piquiri
Iguaçu
Rio 
R
io
 
Pa
ran
á
R
io 
Rio Itapocú SC
P/ Assunção
Rios
Rota da Expedição de
Cabeza de Vaca
Rota da Expedição de
Cabeza de Vaca - 1541 Relatos do Cabeza
 de Vaca
Figura 2: Rota aproximada da expedição de Dom Alvar Alvar Núñez Cabeza de Vaca - 1541 
 
Os contatos entre europeus e indígenas no 
litoral do Paraná também foram registrados por 
Hans Staden. Viajando em direção ao Rio da 
Prata na expedição do adelantado Diego de 
Sanabria, sob o comando de Juan de Salazar, ele 
naufragou em 1550 na baia de Paranaguá, no 
porto de Superagui. 
Staden foi um dos que primeiro escreveu 
sobre o litoral do Paraná e sua população, como 
podemos conferir em: Duas viagens ao Brasil. 
Relata que ele e sua expedição, depois das 
manobras e dos perigos que tiveram que 
enfrentar numa noite de tempestade, 
conseguiram aportar em algum lugar da Baía de 
Paranaguá, onde encontraram degradados 
portugueses vivendo com os índios Tupiniquins. 
Vejamos: 
58 
 
[...] nos disseram que o porto onde 
estávamos era Supraway, que 
estávamos a 18 léguas de uma ilha 
chamada S. Vicente, [...] La moravam 
eles e aqueles outros que tínhamos 
visto no barco pequeno a fugirem por 
pensarem que eramos franceses. 
Perguntamos também a que distância 
ficava a ilha de Santa Catarina, para 
onde queríamos ir. Responderam que 
podia ser umas trinta milhas para o 
Sul e que lá havia uma tribo de 
selvagens chamados Carios e que 
tivéssemos cautela com eles. Os 
selvagens do porto onde estávamos 
chamavam-se Tuppin Ikins 
(STADEN, 2000, p. 38-39).22 
 
 
Dessa forma, os dois portugueses que 
viviam com os índios na Baia de Paranaguá 
informaram que o lugar se chamava Supraway 
(Superagui), e que os índios que ali viviam eram 
os Tuppin Ikins (Tuniquim), que dominavam a 
costa de Paranaguá até São Vicente e eram 
aliados dos portugueses. Informaram também 
que ao sul de Superagui encontravam-se os 
Carios (Guarani), inimigos dos Tupiniquim. 
 
 
22 Cf. STADEM, Hans. Duas viagens ao Brasil. São Paulo: Beca, 2000. p. 
38-39 
59 
 
Figura 3: Superagui – Xilogravura de Hans Staden 
Fonte: (STADEM, 2000, p 38). 
 
 
Em 1544, Domingos Martínez de Irala, então 
governador do Paraguai, saiu de Assunção e veio 
ao Guairá apresar índios para as encomiendas. 
Fundou a cidade de Ontiveros junto ao rio 
Paraná, pouco acima da foz do Iguaçu. No início 
da década seguinte, em 1551, Diego de Sanabria 
viajou pelo mesmo itinerário de Cabeza de Vaca. 
60 
 
Ainda nesse ano, Cristoval de Saavedra 
atravessou a região indo do Paraguai até o porto 
de São Vicente, em São Paulo. No ano seguinte, 
Hernando de Salaza também fez o mesmo 
roteiro, de Assunção no Paraguai até o porto de 
São Vicente, em São Paulo. Esse também foi o 
roteiro percorrido por Ulrich Schmidl, no mesmo 
ano. Ele partiu de Assunção em 1552, 
acompanhado de 20 índios Guarani, com destino 
ao porto de Santos, aonde chegou em 1553. 
Ruy Dias Melgarejo, em 1553/1554, percorreu 
duas vezes o interior do Paraná, desde Ontiveros 
até São Vicente, e regressou em 1555, partindo 
do litoral, em Santa Catarina, e seguindo o 
mesmo roteiro de Cabeza de Vaca, pois ele havia 
participado em 1541 da expedição de Don Alvar 
Nunez. Melgarejo teve um destacado papel entre 
os conquistadores espanhóis no interior do 
Paraná, pois conduziu a fundação de Ciudad Real 
del Guairá (foz do rio Piquiri, município de Terra 
Roxa) e participou da segunda fundação de Villa 
Rica del Spiritu Sancto, junto à foz do rio 
Corumbataí, município de Fênix, hoje Parque 
Estadual de Vila Rica do Espírito Santo23. 
O ano de 1555 foi marcado por várias 
ocorrências nesses territórios. Francisco de 
Gambarrota veio do Paraguai até o porto de São 
Vicente, em São Paulo. Nuflo Chaves saiu de 
Assunção para combater e apresar índios no 
Guairá, e Juan de Salazar e Cipriano de Góes 
fizeram o caminho inverso, partindo de São 
Vicente para o Paraguai. 
 
23. FRANCO, Francisco de Assis Carvalho. Dicionário de bandeirantes e 
sertanistas do Brasil. [S.l.: s.n.],, 1954. p. 241. 
61 
 
No ano de 1588 os padres Manuel Ortega e 
Thomas Fields percorreram o Guairá fazendo 
trabalho missionário. A expedição dos padres 
coletou informações sobre a região, e os dados 
foram passados ao governador de Assunção, 
relatando sobre a existência de “milhares de 
índios Guarani” vivendo ali (MOTA, 2005,p. 25). 
Como se viu, todos os viajantes informaram 
sobre a existência de numerosos índios no 
território, inclusive de grupos distintos – 
Kaingang, além dos Guarani, que predominavam 
na região. Os contatos muitas vezes resultaramem lutas e morte, tanto de portugueses quanto de 
espanhóis, pelos índios, mas também em 
conquista e desagregação dos indígenas, por 
meio dos europeus. Praticamente nada ocorreu 
de forma pacífica, havendo resistência por parte 
dos indígenas. 
Nesse contexto é que os espanhóis 
procuraram dominar e estabelecer-se cada vez 
mais para o ocidente do Paraná, para defender as 
terras segundo o Tratado de Tordesilhas de 1494. 
Nessa região eles fundaram Ontiveros, perto da 
foz do Piquiri (1544); Ciudad Real del Guairá, na 
confluência do Piquiri, no Paraná (1555), e Vila 
Rica del Espiritu Santu, em 1576, que foi 
transferida para perto da foz do rio Corumbataí, 
hoje no município de Fênix (Parque Estadual de 
Vila Rica do Espírito Santo) 
As relações entre os espanhóis nas recém-
fundadas vilas e os Guarani, que eram 
numerosos, não eram boas, pois os indígenas 
foram obrigados ao trabalho nas encomiendas, o 
que provocou diversas formas de resistências. 
62 
 
Essas resistências e a fuga para locais distantes 
das vilas espanholas levou parte dos 
conquistadores, no caso os religiosos, a traçarem 
uma nova estratégia para a conquista das almas 
dos indígenas. Essa nova estratégia foi a 
organização das reduções jesuíticas como forma 
de catequizá-los. 
 
• Caminhos 
 
Certamente pode-se ainda falar sobre as 
relações ou os encontros de indígenas com os 
europeus, na região do Guairá, no período que 
vai até a destruição das reduções jesuíticas, 
considerando-se que a comunicação dentro dos 
territórios realizava-se por meio de diversos 
caminhos, os quais foram percorridos pelos 
viajantes, exploradores europeus, desde o início 
do século XVI: ligavam o litoral ao planalto, mas 
também havia rotas terrestres que se estendiam 
do Rio Grande do Sul, por Santa Catarina, até os 
territórios do Paraná e de São Paulo. 
Assim como os espanhóis e os jesuítas, os 
bandeirantes paulistas também transitaram 
intensamente na região, e com toda a certeza 
pelos caminhos e pelas trilhas construídos pelos 
índios. As penetrações pelo território foram feitas 
pelos vales dos grandes rios (Iguaçu, Tibagi, Ivaí, 
etc.). As vias de comunicação, chamadas de 
“caminhos históricos” eram de condições de difícil 
trânsito, mas é por onde também passaram, num 
período posterior, tropas de gado bovino e muar. 
Esses caminhos tiveram muita importância na 
ocupação dos territórios do atual Paraná. Alguns 
63 
 
deles ficaram conhecidos como Caminho do 
Peabiru, de Cubatão, do Itupava e do Arraial, de 
Sorocaba e Viamão. Este último teve grande 
importância na formação de diversas cidades do 
Paraná Velho, indo ele do Rio Grande do Sul até 
Sorocaba, atravessando o Paraná. 
 
Quadro 2. Viajantes e conquistadores que 
cruzaram os territórios indígenas, hoje 
denominados Paraná, no século XVI e 
inicio do XVII 
A
no de 
entrada 
Destino da 
Entrada ou Bandeira 
Chefe da 
Bandeira 
15
25 
Viagem ao Peru Aleixo Garcia 
15
26 
Paraguai 
Jose 
Sedenho 
15
28 
Rio da Prata Diogo Garcia 
15
31 
Paraguai 
Francisco de 
Chaves e Pero 
Lobo 
15
34 
Paraguai 
Antonio 
Lopes de Aguiar, 
Martim de Orue 
15
38 
Rio da Prata 
Gonçalo 
Mendonça 
15
41 
Paraguai/Assumpç
ão 
Alvaro Nunez 
Cabeza de Vaca 
15
44 
Guairá 
Domingos 
Martinez de Irala 
15
51 
Paraguai/Assunçã
o 
Diego de 
Senabria 
15
51 
Paraguai para São 
Vicente 
Cristoval de 
Saavedra 
64 
 
15
52 
Assunção 
Nuflo de 
Chaves 
15
52 
Paraguai para São 
Vicente 
Hernando de 
Salazar 
15
52 
Paraguai para São 
Vicente 
Ulrich 
Schmidl 
15
54 
Ontiveros para 
São Vicente 
Ruy Dias 
Melgarejo 
15
55 
Assunção para o 
Guairá 
Nuflo de 
Chavez 
15
55 
Assunção para o 
Guairá 
Rodrigo de 
Vergara 
15
55 
Paraguai 
João de 
Salazar e Espinosa 
15
55 
Paraguai para São 
Vicente 
Francisco de 
Gambarota 
15
55 
São Francisco SC 
para Assunção 
Ruy Dias 
Melgarejo 
15
56 
São Vicente para 
o Paraguai 
Juan de 
Salazar e Cipriano 
de Goes 
15
57 
Ciudad Real del 
Guairá 
Ruy Dias de 
Melgarejo 
15
76 
Cidade Real do 
Guairá para Vila Rica 
do Espírito Santo 
Ruy Dias 
Melgarejo 
15
81 
Guairá 
Jerônimo 
Leitão 
15
85 
São Vicente para 
Paranaguá 
Jerônimo 
Leitão 
15
88 
Guairá 
Padres 
jesuítas Ortega e 
Fields 
15
94 
São Vicente 
Paranaguá 
Jorge Correia 
15
95 
Paranaguá 
Manoel 
Soeiro 
65 
 
16
01 
Guairá 
Hernando 
Arias de Savaedra 
16
02 
São Paulo para o 
Guairá 
Nicolau 
Barreto 
16
07 
São Paulo para o 
Guairá 
Manoel Preto 
16
07 
Paraguai via 
Paraná 
Pedro Franco 
de Torres 
16
11 
Guairá 
Pedro Vaz de 
Barros 
16
15 
Santa Catarina 
Lázaro da 
Costa 
16
16 
São Paulo para o 
Paraguai 
Antonio 
Fernandes 
16
23 
São Paulo para o 
Guairá 
Henrique da 
Cunha Gago 
16
23 
São Paulo para o 
Guairá 
Manuel e 
Sebastião Preto 
16
28 
São Paulo para o 
Guairá 
Antonio Luis 
Grou 
16
28 
São Paulo para o 
Guairá 
Antonio 
Raposo Tavares 
16
28 
São Paulo para o 
Guairá 
Nicolau 
Barreto 
16
31 
São Paulo para o 
Guairá 
Antonio 
Raposo Tavares 
16
31 
São Paulo para o 
Guairá 
Cristóvão 
Diniz 
16
48 
São Paulo para o 
Guairá 
Antonio 
Domingues 
16
48 
São Paulo para o 
Guairá 
Antonio 
Raposo Tavares 
Fonte: Adaptado de JACOMINI, 2003. 
 
 
2.2 AS REDUÇÕES JEDUÍSTICAS NO 
GUAIRÁ 
66 
 
 
A atuação dos jesuítas no Guairá iniciou bem 
antes da fundação das reduções. Os documentos 
da Coleção de Angelis, de jesuítas e bandeirantes 
no Guairá, compõem-se de várias cartas, 
informes e outros documentos que dão conta de 
todo esse trabalho. Os documentos tratam da 
doação de terras para a Companhia de Jesus na 
região, feita pelo governo do Paraguai; sobre as 
encomiendas de índios também dessa região aos 
espanhóis conquistadores; e incluem toda 
espécie de documentos relativos ao apoio que se 
deveria dar aos padres para o início das 
reduções. 
Um desses documentos, por exemplo, diz 
respeito a uma ordem do governador do Paraguai 
e Rio da Prata, D. Antonio de Añasco, para que 
em Ciudad Real se dessem apoio aos padres a 
fim de que fundassem reduções no rio 
Paranapanema e no Tibagi. É um documento da 
referida Coleção em que é possível se entender 
que os padres receberam apoio para tal 
empreendimento, e também que era do interesse 
dos espanhóis que os indígenas estivessem 
reduzidos, evangelizados e civilizados. O 
documento é do ano de 1609. As primeiras 
reduções do Guairá foram organizadas em 1610, 
como se lê: 
 
 
[...] Por el presente mando al cap. 
Pero garçia y outra qualquer 
Justiçia de guayra, que en 
ninguna manera precisa asta que 
outra cosa se ordene y mande, no 
salgan ni embien a hacer malocas 
67 
 
Jornadas ni entrada ninguna a la 
Provª del yparanapane y 
Atibaxiva, ni outro ningun rio que 
cayga en el paranapane, 
porquanto de presente se 
pretende reduçir a los naturalles 
della por médio del Padre Joseph 
Cataldino y el P. Simon Maseta de 
la compañia del nombre de Jesus 
a quien les esta cometida la dha 
reduçion, antes para Ella les 
acudiran y haran acudir con todo 
el favor y ayuda que fuere 
neccessº [...] (CORTESÃO, 1951, 
p. 137.24 
 
 
Assim, Nossa Senhora do Loreto e Santo 
Inácio, nas margens do rio Paranapanema, foram 
as primeiras reduções jesuíticas fundadas no 
Guairá, e após elas mais 12 outras se 
organizaram, nos vales dos rios Paraná, Iguaçu, 
Piquiri, Ivaí, e Tibagi. 
As reduções de São José, São Francisco 
Xavier, Encarnación e São Miguel localizaram-se 
no Vale do Rio Tibagi. Nas margens do Rio Ivaí 
localizavam-se as reduções de Jesus Maria, 
Santo Antônio e São Paulo. São Tomás e Sete 
Arcanjos estavam nas terras do cacique Taioba 
(Cortesão, 1951, p. 245). Nas cabeceiras do Rio 
Piquiri, as de São Pedro e Concepção. Efinalmente, no médio Piquiri, a redução de Nossa 
Senhora de Copacabana, totalizando as 14 
reduções conhecidas, fundadas na região do 
Guairá. 
 
 
24 . CORTESÃO, Jaime. Jesuítas e bandeirantes no Guairá. Rio de 
Janeiro: Biblioteca Nacional, 1951. p. 137. 
68 
 
Fig
ur
a 
12
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s 
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Figura 4: Mapa do Paraná com as reduções jesuíticas 
Fonte: Adaptado de MOTA; NOVAK, 2008 
 
 
O padre Antonio Ruiz de Montoya informa o 
significado do termo redução: 
Chamamos reduções aos povos de 
índios que vivendo à sua antiga 
usança nos montes, foram reduzidos 
pelas diligências dos padres a 
povoações grandes e à vida política e 
humana (MONTOYA, 1639, p. 6). 
 
69 
 
O ato de reduzir os indígenas em povoados 
tinha o objetivo de ensinar a doutrina católica e 
promover a civilização, como pretendia a 
Companhia de Jesus. 
 
Capdeville (1923, p. 19) diz: 
 
Se entiende por Misiones Jesuiticas, 
los establecimientos fundados por los 
jesuítas em América para la 
civilización y la formación cristana de 
los índios [...]. Se las há llamado 
también Reducciones, porque 
mediante um sistema particular, 
trataron los Jesuitas de hacer pasar a 
los índios de la vida salvaje de los 
bosques a la vida Cristiana de la 
comunidad. 
 
É preciso anotar, também, que os conceitos 
de missões, reduções e doutrinas foram usados 
para designar as povoações de indígenas sob o 
governo teocrático dos jesuítas. 
 A organização das reduções não foi bem-
vista nem pelos fazendeiros espanhóis instalados 
no Guairá nem pelos paulistas da recém- fundada 
São Paulo de Piratininga. Estes últimos já faziam 
incursões no Guairá para prear índios desde o 
inicio do século XVII. No limiar dos anos 
seiscentos os portugueses chegaram à região em 
busca do seu butim: escravos indígenas para o 
trabalho nas fazendas paulistas, metais preciosos 
e outras riquezas25. Porém, desde a fundação de 
São Vicente eles já preavam os Guarani do litoral 
e da encosta das serras paranaenses. 
 
25. Sobre a preação de índios na região para o trabalho escravo em São Paulo, ver o 
livro de MONTEIRO, John M. Negros da terra. São Paulo: Cia das Letras, 1994. 
70 
 
Em 1602 Nicolau Barreto desceu o rio Paraná, 
passando pelo Guairá rumo às minas de Potosi, 
no Peru. Em 1607 foi a vez de Pedro Franco de 
Torres atravessar a região rumo ao Paraguai para 
fazer o roteiro já conhecido desde meados do 
século XVI. Nesse mesmo ano Manuel Preto, um 
dos maiores preadores de índios da época, dirigiu 
uma bandeira para o aprisionamento dos índios 
Guarani nas proximidades da cidade espanhola 
de Vila Rica do Espírito Santo. Procurando 
medidas estratégicas para conter as investidas 
dos bandeirantes paulistas contra o “seu” butim, o 
Rei da Espanha criou a Província del Guairá em 
1608, que abarcava praticamente quase todo o 
Paraná. 
Ignorando as medidas protecionistas da coroa 
espanhola, Manuel Preto, acompanhado pelo 
temido Raposo Tavares, voltou ao Guairá em 
busca de mais índios nos anos de 1611, 1618, 
1623 e 1628. Seu fim foi a morte por ferimentos 
de flechas em plena campanha de 
aprisionamento de índios no sul do Brasil 
(AZEVEDO, 1983).26. 
As primeiras décadas do século XVII foram 
marcadas por uma intensificação das ações dos 
europeus no Guairá. De um lado houve os 
choques entre os índios Guarani e os 
encomendeiros espanhóis, que os exploravam no 
trabalho semiescravo da coleta da erva-mate. Os 
padres jesuítas, em sua pregação religiosa, 
tentavam inculcar os valores da sociedade 
invasora junto às populações indígenas 
 
26 . Cf. AZEVEDO, Victor de. Manuel Preto “O herói de Guairá”. São Paulo: 
Governo do Estado de São Paulo, 1983. 
71 
 
existentes na região. Contrariando os interesses 
dos encomendeiros espanhóis e dos padres da 
Companhia de Jesus vieram os paulistas, com a 
intenção de buscar seu butim. 
De uma perspectiva oposta, os índios faziam 
uma leitura própria da conjuntura, resultando 
eventualmente em alianças, acordos e guerras, o 
que torna complexo o entendimento sobre os 
fatos ocorridos nas relações deles com os 
invasores de seus territórios. Disso resulta que a 
análise histórica da ocupação da região não pode 
ser dicotômica: índios contra brancos ou vice-
versa. Devem-se considerar os grupos 
conquistadores europeus e seus interesses 
localizados, bem como os Guarani e os Kaingang, 
que eram inimigos mas que, estrategicamente, 
estabeleceram alianças entre si. Alianças 
explícitas ou não, o fato de que em determinados 
momentos um grupo indígena podia procurar as 
reduções, mesmo sendo refratário à pregação 
missionária, pode significar apenas uma tática 
política momentânea para se livrar dos invasores 
paulistas ou do trabalho escravo nas 
encomiendas espanholas. 
Destruídas as reduções jesuíticas, as 
populações indígenas se dispersaram: parte foi 
para o sul junto com os padres fundar os sete 
povos das missões no Rio Grande do Sul, e outra 
parte voltou a ocupar seus antigos territórios. Mas 
a região não deixou de ser um atrativo para os 
paulistas tentarem aumentar seu butim. A partir 
de 1651, Fernão Dias Paes Leme ficou por três 
anos na região da Serra da Apucarana e 
submeteu os caciques da nação Guaianá, 
72 
 
ancestrais dos Kaingang, levando-os prisioneiros 
para São Paulo, com todo o seu povo. Pedro 
Taques, na Nobiliarquia Paulistana, relata essa 
expedição: 
 
Penetrou Fernão Dias Paes o 
sertão do sul até o centro da 
serra de Apucarana, no reino dos 
índios da nação Guyanãa, pelos 
annos de 1651; nelle existiu 
alguns annos, tendo estabelecido 
arraial com o troço das suas 
armas, para vencer a reducção 
daquelle reino, que se dividia em 
três differentes reis. [...] Poz-se 
em marcha o grande corpo 
daquelles reinos e todos seguiam 
gostosos esta transmigração 
debaixo do commando 
inteiramente do seu conquistador 
e amigo Fernão Dias (TAUNAY, 
1955, p. 167).27 
 
 
Esse fato ainda requer estudos mais 
aprofundados, pois certamente os índios não 
“seguiram gostosos” o “amigo” Fernão Dias. O 
paulista invasor teve de permanecer vários anos 
na região, estabelecendo um arraial, 
provavelmente um local fortificado, nos moldes do 
construído em 1628 por Raposo Tavares para 
conter o ataque dos índios. Taques fala em cerco 
imposto por Fernão Dias às plantações desses 
índios. Também fala de três caciques, Tombu, 
Sondá e Gravitay. Este ultimo morreu antes da 
partida paraSão Paulo; Sondá morreu na marcha 
(podemos sugerir a hipótese de que teria havido 
uma resistência desses caciques em seguir o 
 
27. Cf. TAUNAY, Affonso de E. A grande vida de Fernão Dias Pais. São Paulo: [J. 
Olympio], 1955. p. 167. 
73 
 
bandeirante). Apenas o primeiro, Tombu, chegou 
a Santana do Paraíba, em São Paulo, onde 
morreu alguns anos depois. 
 
 
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Os territórios do Guairá, atual Paraná, 
estiveram, desde pelo menos 7 a 8 mil anos 
atrás, ocupados por diversos grupos indígenas. 
No início do século XVI os europeus, ao 
aportarem na região, iniciaram contatos com os 
indígenas, na maior parte das vezes, com o 
objetivo de subjugá-los. Por isso, para estudar a 
ocupação territorial paranaense é necessário 
buscar elementos etno-históricos que permitam 
entender essas populações como vivendo de 
forma dinâmica, produzindo cultura, as quais não 
podem ser tratadas como integrantes da história 
da região apenas após a chegada dos europeus. 
O que se pode confirmar é que relatos dos 
próprios viajantes, exploradores, missionários e 
outros que por ali passaram comprovam que o 
território era densamente habitado por milhares 
de indígenas, perfeitamente organizados cultural 
e politicamente, que mantiveram contatos com os 
europeus desde o início do século XVI. 
Os registros mostram que, após diversas 
tentativas de manter sua liberdade e seu modo de 
vida, os indígenas procuraram fazer alianças com 
os europeus ou fugiram, por exemplo, do domínio 
espanhol, que os obrigavam às encomiendas. 
Outras vezes empreenderam sangrentas guerras, 
74 
 
e embora fossem quase sempre em maior 
número acabaram sendo subjugados, 
escravizados, mortos ou segregados. Por seu 
lado, os europeus também tiveram sua parcela de 
dificuldades. As entradas para o interior dos 
territórios exigiram deles grandes esforços para 
chegar ao seu objetivo, que foi, sempre, alcançar 
as riquezas que sabiam ou imaginavam que 
houvesse no interior da América. Nesse caso, o 
Paraná atual foi território que os europeus 
atravessaram, partilharam e exploraram para 
conseguir seus objetivos As fontes revelam que 
os europeus penetraram no território e que as 
perdas foram enormes, principalmente para as 
populações primitivas. 
 
 
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ATIVIDADES 
 
1) A discussão em relação à ocupação e à 
exploração das novas terras destaca como 
fator importante a ideia de que a terra era 
despovoada. Tais questões são 
confrontadas pela historiografia recente. 
Discuta esse posicionamento conforme 
aponta o texto. Para isso, utilize também 
fontes indicadas na bibliografia. 
 
2) Elabore um texto-comentário sobre as 
primeiras expedições que passaram pelo sul 
do Brasil, utilizando os dados descritos no 
quadro 1, p. 5 e 6. 
 
3) Utilizando a leitura do texto aponte, de forma 
sintética, os interesses dos bandeirantes 
paulistas, dos padres jesuítas e dos índios 
em relação à expansão colonial pelo sul do 
Brasil. 
 
4) Aponte, com base no texto, quais foram as 
cidades espanholas fundadas no Guairá, a 
região em que se localizaram seus 
fundadores, o período em que foram 
fundadas, e sua importância para os 
espanhóis. 
 
5) Destaque a importância da fundação das 
cidades espanholas no Guairá para a 
expansão e a colonização espanhola na 
região. Aponte os interesses em relação ao 
80 
 
território, às populações indígenas e aos 
portugueses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPITULO III. A FORMAÇÃO DO 
PARANÁ: DO POVOAMENTO DO LITORAL À 
EMANCIPAÇÃO DA 5ª COMARCA 
Lúcio Tadeu Mota 
 
 
3.1 O POVOAMENTO DO LITORAL E AS 
ORIGENS DE CURITIBA 
 
Desde os primeiros anos de 1500 os 
europeus aportaram na região, e nessa época a 
baía de Paranaguá já era conhecida dos 
navegantes. Ocupada primeiramente pelas 
populações construtoras dos sambaquis, em 
1500 ela era habitat dos Tupiniquins, que 
disputavam esses territórios com os Guarani, 
então chamados de Carijós. O grande estuário foi 
denominado de Paranaguá, que em Tupi, Paraná-
guá, significa algo como “seio do mar”, ou “grande 
mar redondo”. 
81 
 
Uma das primeiras informações que temos da 
região é o mapa feito por Hans Staden, quando 
ele aqui esteve junto com Martim Afonso de 
Sousa e seu irmão Pero Lopes de Souza, em 
1534, por ocasião da posse de suas capitanias 
hereditárias no sul do Brasil. Pelas informações 
de Hans Staden ali já viviam, em meio aos 
Tupiniquins, dois portugueses. 
 
Eram mais ou menos duas horas da 
tarde, quando deitamos âncora. De 
tarde, veio uma grande embarcação 
com selvagens, que queriam falar 
conosco. Nenhum de nós, porém, 
entendia a língua deles. Demos-lhes 
algumas facas e anzóis, com que 
voltaram. Na mesma noite, veio uma 
embarcação cheia, na qual estavam 
dois portugueses (STADEM, 2000, p. 
38).28 
 
Podemos inferir a presença de europeus na 
região da baía de Paranaguá desde os primeiros 
momentos de sua chegada no continente. Mas a 
região passou a ser frequentada com mais 
assiduidade por faiscadores de ouro e preadores 
de índios vindos de São Vicente, no litoral 
paulista, desde 1554. Foram várias as bandeiras 
que percorreram o litoral do Paraná com esses 
objetivos. Em 1585 Jerônimo Leitão, em 1594 
Jorge Coréia, em 1595 Manoel Soeiro, e em 1617 
foi a vez da bandeira de Antonio Pedroso, até que 
foi descoberto ouro nos ribeirões da região. Teve 
 
28 Cf. STADEM, Hans. Duas viagens ao Brasil. São Paulo: Beca, 2000. p. 
38. 
82 
 
inicio então o povoamento definitivo, com a 
fundação das primeiras vilas do litoral. 
 
 
 
 
83 
 
Figura 1: Extrato do Mapa. Demonstração do 
Pernagua e Cananeia. Livro de toda a costa da 
província de Santa Cruz feito por João Teixeira 
Albbernaz, Anno D. 1666. 
Fonte: Mapoteca do Ministério das 
Relações Exteriores (654). 
 
 
� Paranaguá 
A primeira sesmaria, requerida por Diego de 
Unhate em 1614, abrangia vastos territórios no rio 
Superagui. Anos mais tarde Gabriel de Lara 
fundou uma povoação na ilha da Cotinga, depois 
transferida para o continente. Em seis de janeiro 
de 1646 foi levantado o Pelourinho, e em junho 
de 1648 ocorreu a primeira eleição para a 
Câmara Municipal de Paranaguá. As 
possibilidades de gerar riquezas, com o garimpo 
de ouro nos riachos da serra e do planalto, 
aumentaram a importância da região diante da 
coroa. Tanto que em 1660 Gabriel de Lara foi 
nomeado capitão-mor da Capitania de Nossa 
Senhora do Rosário de Paranaguá. Ela existiu até 
1709, mas a partir de 1711, com a diminuição das 
atividades do faiscamento do ouro, perdeu o 
status de capitania e foi integrada à Capitania de 
São Paulo, como a Quinta Comarca de 
Paranaguá e Curitiba (WACHOWICZ, 1988, p. 
39-51).29 
 
� Antonina 
 
29 Para maiores detalhes sobre o assunto ver: WACHOWICZ, Ruy. História do 
Paraná., Curitiba: G. Vicentina, 1988. p. 39-51. Cap. 3. 
 
84 
 
Como as outras vilas do litoral, Antonina 
também surgiu em decorrência da presença de 
faiscadores de ouro na região. No entanto, a 
fundação da povoação só ocorreu no século 
XVIII, em 1714, com a construção da capela de 
Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. Somente 
muito mais tarde, em 1797, é que ela foi elevada 
a vila, com a denominação de Antonina, em 
homenagem ao Príncipe D. Antonio, primeiro filho 
do Rei Dom João VI e de Dona Carlota Joaquina. 
 
� Morretes 
Situada às margens do rio Nhundiaquara, local 
de passagem dos faiscadores de ouro que 
subiam a serra, Morretes foi fundada por 
determinação do ouvidor Rafael Pires Pardinho, 
em 1721. Anos depois, em 1769, a população 
teve permissão para erguer a capela de Nossa 
Senhora do Porto e Menino Deus dos três 
Morretes, e somente no século seguinte, em 
1841, Morretes foi desmembrado de Antonina e 
elevado a município. 
 
� Guaratuba 
Os historiadores dão como data provável da 
fundação da povoação de Guaratuba, por Gabriel 
de Lara, o ano de 1656. Um século depois ela foi 
inserida na política de defesa do litoral sul do 
Brasil pelo então governador da Capitania de São 
Paulo, D. Luiz A. de Souza, o Morgado de 
Mateus. Este enviou para a região o tenente-
coronel Afonso Botelho com a missão de 
incrementar a ocupação de região e construir 
fortes para defesa do litoral. 
85 
 
 
� Curitiba 
Na primeira metade do século XVII os 
faiscadores de ouro já tinham chegado ao 
primeiro planalto paranaense e exploravam seus 
riachos e ribeirões em busca do metal precioso. O 
local era habitado pelos índios Guarani, que 
exploravam os imensos pinheirais da região, e 
com certeza mantinham relações sociais e 
comerciais com os habitantes não-índios do litoral 
e com os mineradores de ouro já algum tempo 
antes da elevação do Pelourinho, em 1668, por 
Gabriel de Lara. Com o crescimento da 
povoação, no final de século XVII foram eleitas as 
autoridades locais com a constituição da Câmara 
Municipal em 1693, data da fundação da cidade. 
 
 
3.2 A OCUPAÇÃO DOS CAMPOS 
GERAIS: AS FAZENDAS DE CRIAR E O 
CAMINHO DO VIAMÃO 
 
Os campos Gerais, situados no segundo 
planalto paranaense, começaram a ser povoados 
por fazendeiros de São Paulo, Santos, Paranaguá 
e pelos estabelecidos nos campos de Curitiba, no 
início do século XVIII, quando foi descoberto ouro 
em Minas Gerais e se criou uma forte demanda 
por animais cavalares e muares,criados em 
abundância nos campos do sul do Brasil e no 
Uruguai. Essa demanda e essa possibilidade de 
negócios fizeram com que as famílias abastadas 
de São Paulo requeressem enormes sesmarias 
na região e para ali enviassem parentes ou 
86 
 
capatazes para estabelecerem fazendas de criar 
gado. Com o inicio das atividades do tropeirismo, 
que consistia em comprar animais nos campos de 
Vacaria, no Rio Grande do Sul, e vendê-los em 
Sorocaba, em São Paulo, começaram a surgir as 
povoações ao longo dessa rota. 
Essas povoações, que no inicio eram locais de 
pouso e descanso dos tropeiros, passaram a 
aglutinar pequenos artesãos e pequenos 
comerciantes, e logo se transformaram em vilas e 
cidades, como Ponta Grossa, Castro, Lapa e 
muitas outras. Assim é que ocorreu a ocupação 
dos vastos campos naturais do segundo planalto 
do Paraná: enormes sesmarias em torno da rota 
Sorocaba – Vacaria. 
 
 
A sociedade estabelecida nos Campos Gerais 
se caracterizou por ser uma sociedade 
constituída de famílias patriarcais, que iam além 
da família nuclear. Abrigavam em seu seio 
agregados e homens pobres livres, protegidos 
dos grandes proprietários por ser uma sociedade 
sustentada no trabalho escravo, com a 
característica de que esse trabalho típico de 
escravos – a lida com o gado em campos abertos 
– requeresse que andassem armados para 
protegerem, a si e ao gado do seu senhor, dos 
índios e dos animais predadores. Tratava-se de 
uma sociedade assentada na grande 
propriedade, ou seja, nas grandes sesmarias de 
criação de gado bovino, muar e cavalar. 
 
87 
 
3.3 A DESCOBERTA DE OURO E 
DIAMANTES, AS EXPEDIÇÕES MILITARES E A 
IMPLANTAÇÃOA DAS FAZENDAS NO VALE DO 
RIO TIBAGI,NOS SÉCULOS XVIII E XIX 
 
A serra de Apucarana e o vale do Tibagi 
continuaram sendo atrativos para os aventureiros 
e uma esperança de riquezas. Esses aventureiros 
deram continuidade aos bandeirantes do século 
XVII. Em meados do século XVIII, Francisco Tosi 
Colombina apresentou aos governantes um plano 
de ocupação dos territórios do rio Tibagi, que no 
seu entendimento eram ricos em ouro e 
diamantes. E qual era o seu plano? 
 
E para senhorearse com facilidade 
dessas terras do Tabagy que agora 
estão ocupadas do numeroso Gentio 
Guayanã, [...] um dos melhores 
meyos hé transportar huns Casaes 
dos indios mansos, que se achaão 
nas aldeas de São Paulo, e lá 
Aldealos (COLOMBINA, 1974, p. 
33).30. 
 
 
O plano de Colombina não foi levado adiante, 
mas foram descobertos ouro e diamantes em 
Pedras Brancas, a sudoeste da atual cidade de 
Tibagi, por Ângelo Pedroso e Frei Bento de Santo 
Ângelo31. Essas descobertas causaram a disputa 
das terras das minas do Tibagi por poderosos 
donos de lavras de Minas Gerais e autoridades 
de Paranaguá. Em 1757 o Ouvidor de Paranaguá 
 
30. Cf. COLOMBINA, Francisco Tosi. Descobrimento das terras do Tibagi. Maringá: 
UEM,, 1974. p. 33. [1753]. 
31. Cf. MERCER, Edmundo; MERCER, Luiz L. História do Tibagi. Curitiba: Prefeitura 
Municipal de Tibagi, 1977. p. 23. 
88 
 
enviou uma bandeira de 200 soldados para 
Pedras Brancas com a finalidade de submeter os 
posseiros. Enviada pela Câmara de Curitiba para 
vigiar os garimpos de Pedras Brancas, essa 
guarda ficou acantonada, no registro de Nossa 
Senhora do Carmo, na foz do rio Capivari, junto 
ao rio Tibagi, até 1765. Nessa área foi instalado o 
forte militar de Nossa Senhora do Carmo. 
Ainda no século XVIII os vales do Tibagi e do 
Ivaí foram marcados pela passagem das 
expedições militares de Morgado de Mateus, 
governador de São Paulo, com destino ao Forte 
Militar de Iguatemi, no Mato Grosso. Entre os 
anos de 1769 e 1774, várias expedições partiram 
do Porto de São Bento, no Tibagi, com destino ao 
rio Ivaí, e daí para o Mato Grosso32. Conforme 
Edmundo Mercer, o Porto de São Bento foi uma 
antiga fazenda situada à margem esquerda do 
Tibagi, 4 léguas acima da cidade do mesmo 
nome. Esse porto foi estratégico para as 
expedições que iam para o forte de Iguatemi, no 
Mato Grosso 
Em março de 1771 a terceira expedição da 
campanha de Afonso Botelho, comandada pelo 
capitão Francisco Lopes da Silva, desceu o rio 
Ivaí até as ruínas de Vila Rica do Espírito Santo, 
abandonada pelos espanhóis devido aos ataques 
bandeirantes em 1632: alí mandou o capitão 
botar roças e principiou o seu estabelecimento 
 
32 . Para maiores detalhes sobre a campanha do Morgado de Mateus no Paraná e 
Mato Grosso ver: BOTELHO, Afonso. Noticia da conquista e descobrimento 
dos sertões do Tibagi; BELLOTTO, Heloísa L. Autoridade e conflito no Brasil 
Colonial: o governo de Morgado de Mateus em São Paulo; Davi CARNEIRO. 
Afonso Botelho de São Payo e Souza. 
89 
 
dando-lhe o nome de Vila Real do Rio Mourão33. 
Essa tentativa de estabelecer um posto de 
suprimentos para as expedições que desciam o 
rio Ivaí em direção ao Mato Grosso, desde a 
barra do rio Corumbataí com o Ivaí, não 
prosperou, e em pouco tempo a localidade foi 
novamente abandonada, e a floresta voltou a 
cobrir os vestígios da ocupação humana no local. 
No século XIX também foi iniciada a ocupação 
da bacia ocidental do Tibagi e dos campos ao seu 
norte pelos grandes fazendeiros dos Campos 
Gerais paranaenses, que procuravam expandir 
seus domínios. Em 1794, Antonio Machado 
Ribeiro – capitão de mato do sargento-mor José 
Felix da Silva – atravessou o rio Tibagi, acima do 
rio Iapó, e ocupou o lugar onde seria a cidade de 
Tibagi, no coração dos territórios kaingang. Em 
1812, o próprio José Felix da Silva comandou 
uma expedição militar ao Tibagi. Por esse feito 
lhe foi dada a patente de tenente-coronel de 
milícias, para que ele comandasse, às próprias 
custas, uma expedição para descobrir o que 
houvesse no Tibagi. Entrou ele com uma 
companhia de aventureiros pelo Tibagi e 
descobriu diamantes na região. Essas 
descobertas explicam o rápido enriquecimento de 
José Felix da Silva, dono da Fazenda Fortaleza e 
de muitas outras na região de Castro e Tibagi34. 
 
33. Cf. BOTELHO, Afonso. Noticia da conquista e descobrimento dos sertões do 
Tibagi. Anais da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, v. 76, p. 10, 1956. 
34. Cf. CHICHORRO, Manuel da Cunha Azeredo Coutinho. Memória em que se 
mostra o estado econômico, militar e político da Capitânia de São Paulo, quando 
seu governo tomou posse, em 8/12/1814. RIHGB, Rio de Janeiro, v. 36,p. 219, 
1873. 
90 
 
Em 1820, Auguste de Saint-Hilaire excursionou 
pelos territórios do Paraná, vindo de Sorocaba - 
SP, pelo caminho dos tropeiros, até Curitiba. Aí 
presenciou a partida de expedições militares 
organizadas pelos fazendeiros da região contra 
os Kaingang, a oeste das grandes fazendas de 
criação. Dessa forma é que foram sendo 
implantadas fazendas de criar gado nas terras 
conquistadas dos Kaingang. 
A conquista desses territórios prosseguiu para 
o norte, no curso do rio Tibagi. Em 1838 iniciou-
se a ocupação dos Campos do Inhoó, por Manoel 
Inácio do Canto e Silva. John Elliot informou que 
oito anos antes de sua entrada nesses campos, 
em 21/10/1846, o neto de José Felix da Silva, 
coronel Manoel Inácio, tinha mandado abrir uma 
picada de cargueiros até esses campos, e para 
poder tomar posse mandou queimá-los. 
A partir da década de 1840 as iniciativas de 
ocupação das terras da bacia do Tibagi foram 
levadas adiante pelo Barão de Antonina (João da 
Silva Machado), o qual encarregou Joaquim 
Francisco Lopes e John Henrique Elliot de 
realizarem várias expedições de reconhecimento 
na região. Conforme Elliot, a 2ª expedição 
enviada pelo Barão foi comandada por Joaquim 
Francisco Lopes e ele, como piloto mapista, num 
total de nove pessoas. Saíram da fazenda Monte 
Alegre, pertencente a Manoel Inácio do Canto e 
Silva, atravessaramo Tibagi e seguiram rumo 
norte-noroeste em direção à Serra da Apucarana. 
No dia 15/9/1846 chegaram ao rio Apucarana, 
nas fraldas da serra. Subiram essa serra, e por 
vários dias esperaram até que as condições 
91 
 
atmosféricas lhes permitissem vislumbrar toda a 
região. Elliot afirmou que desse local avistou os 
campos do Inhoó, distantes de 8 a 9 léguas a 
nordeste da margem ocidental do Tibagi, bem 
como as grandes áreas de florestas que se 
estendiam em direção aos rios Ivaí e 
Paranapanema. Por causa da visão que tiveram a 
partir desse mirante, concluíram que o Tibagi 
deveria ser navegável logo abaixo desses 
campos, e que seria necessário explorá-los para 
ver se comportariam a instalação de um depósito 
de gado, bem como para verificar as condições 
para o fornecimento de pastagens para as tropas 
que seguissem com mercadorias para embarcar 
no Tibagi, rumo ao Mato Grosso. Após estudar os 
relatos, o Barão determinou que eles deveriam 
prosseguir as explorações para abrir um caminho 
de Curitiba até o Mato Grosso. 
Uma semana após terem chegado da Serra da 
Apucarana, Lopes e Elliot, mais o genro do Barão 
de Antonina, partiram para os campos do Inhoó. 
Era uma expedição de 30 pessoas com dois 
índios como guias. Iniciaram a picada em 
21/10/1846, e em 20/11/1846 chegaram a esses 
campos. Lá queimaram-nos, e os índios 
responderam com fogos em três lugares 
diferentes; a norte, distante 6 a 8 léguas, e mais 
um a nordeste, a 4 léguas. Demoraram na 
exploração dessas campinas durante 10 dias, 
pois eram várias campinas entremeadas de 
matos. No dia 4/12/1846 eles se encontravam nos 
campos de Inhoó, que denominaram de São 
Jerônimo. Concluíram que eles, os componentes 
da expedição, constituíam número suficiente para 
92 
 
a instalação de um depósito, isto é, um 
entreposto entre o futuro porto do Jataí e Castro. 
Em 16/12/1846, Lopes e Elliot e mais 12 
pessoas, por determinação do Barão, rumaram 
dos Campos do Inhoó rumo ao norte por 1 ou 2 
léguas, acompanhando o Tibagi. Seguiram para 
o ribeirão Santa Bárbara, depois acompanharam 
o rio Congonhas. Tudo indica que o itinerário 
seguido tenha sido o divisor de águas entre o rio 
Congonhas e o rio Tibagi. Em 13/1/1847 estavam 
de volta aos campos do Inhoó, depois de 25 dias. 
Em 15/3/1847, a 5ª entrada de Lopes e Elliot, 
também por determinação do Barão de Antonina, 
partiu dos Campos do Inhoó em direção aos 
fogos dos índios que eles tinham visto na 
exploração de novembro de 1846. Após 
atravessarem o rio Congonhas35, a 6 léguas dos 
campos de Inhoó, chegaram às terras queimadas. 
Ainda em 1847, o Barão de Antonina ordenou 
a José Francisco Lopes e João H. Elliot que 
partissem para descobrir o caminho para o Mato 
Grosso. Em 14/6/1847, Elliot, Lopes e 3 
camaradas embarcam no Tibagi, uma légua 
abaixo dos Campos do Inhoó. No dia 20/9 
iniciaram a viagem de retorno de Albuquerque, no 
Mato Grosso, para Perituva, em São Paulo, onde 
chegaram a 27/12, com 6 meses e 13 dias de 
viagem. 
A partir dessa data os territórios do cacique 
Inhoó nos planaltos a leste do rio Tibagi seriam 
transformados em entreposto comercial, caminho 
para o Mato Grosso, e fazenda de criação do 
 
35. John Elliot disse que puseram esse nome nesse rio por causa da abundância de 
erva- mate que havia no local. 
93 
 
Barão de Antonina. O comerciante Antonio 
Prestes, em viagem para o Mato Grosso, em 
1851, passou por São Jerônimo e lá encontrou 
José Raymundo Curim como administrador da 
fazenda do Barão de Antonina36. Podemos 
constatar que após seis anos da chegada de 
Lopes e Elliot aos campos do Inhoó, o Barão de 
Antonina já havia consolidado uma fazenda no 
território Kaingang, que após alguns anos seria 
repassada ao Império para a criação do 
aldeamento indígena de São Jerônimo. 
 
Mas a ocupação branca avançou para o norte 
e ultrapassou o rio Tibagi para as terras de suas 
margens ocidentais. Na década de 1850 foi 
instalada a Colônia Militar do Jataí, hoje cidade 
de Jataizinho, e em frente, na outra margem do 
rio, foi instalado o aldeamento indígena de São 
Pedro de Alcântara, com a finalidade de aldear os 
índios Guarani-Kaiová, que viviam no Mato 
Grosso às margens do rio Paraná, e os Kaingang, 
que viviam nas terras ao sul do aldeamento. 
A partir desse momento, tanto o aldeamento 
indígena quanto a colônia militar tornaram-se 
entreposto para os viajantes que seguiam para o 
Mato Grosso. 
 
 
3.4 A OCUPAÇÃO DOS CAMPOS DE 
GUARAPUAVA E PALMAS 
 
 
36. Cf. PRESTES, Antonio Dias Baptista. Viagem do Capitão D. Prestes e seu irmão 
Manoel D. B. Prestes desta província de São Paulo a Cuiyabá em 21/04/1851. 
RIHGSP, São Paulo, n. 28, p. 775, 1851. 
94 
 
No século XVIII, a corte reagia indignada ao 
desassossego que imperava nos territórios do sul 
do Brasil, que no dizer das autoridades estavam 
infestados de selvagens. A Carta Régia de 
novembro de 1808 relata ataques generalizados 
por todo o sul do Império, principalmente nos 
Campos Gerais de Curitiba, de Guarapuava e nos 
campos das cabeceiras do rio Uruguai. O 
Príncipe Regente propunha então guerra contra 
os índios, que matavam cruelmente todos os 
fazendeiros e proprietários estabelecidos nesses 
campos. Indignava-se ele com o abandono dos 
Campos Gerais de Curitiba e os de Guarapuava, 
assim como das terras com as vertentes voltadas 
para o rio Paraná. 
Tentativas de conquista e de ocupação 
efetivamente tinham sido feitas, como as das 
expedições de Afonso Botelho, nos anos de 1769 
a 1774, as quais foram rechaçadas pelos índios 
Kaingang, então senhores desses territórios. 
Passados 40 anos, os campos Gerais, os de 
Guarapuava e Palmas continuaram 
 
[...] infestados pelos índios 
denominados Bugres que matão 
cruelmente todos os fazendeiros e 
proprietários que nos mesmos Paizes 
tem procurado tomar sesmarias e 
cultivalas, em beneficio dos Estado. 
[...] a maior parte das Fazendas que 
estão na dita Estrada (São Paulo - 
Rio Grande do Sul) serão 
despovoadas humas por terem os 
índios Bugres morto os seus 
moradores e outras com o temor que 
sejão igualmente victimas (MARTINS, 
1915, v. 2, p. 86).37 
 
37 Cf. Carta Régia de novembro de 1808. In: MARTINS, Romário. Documentos 
Comprobatórios, vol. II, p. 86. Em a Política Indigenista Brasileira no Século 
95 
 
 
Desde a expulsão de Afonso Botelho e suas 
tropas dos Koran-bang-rê, (Campos de 
Guarapuava), em 1772, os Kaingang, 
encorajados, faziam incursões cada vez mais ao 
ocidente. No início do século XIX, eram senhores 
dos territórios a oeste da estrada do Viamão, e 
atacavam constantemente fazendas, vilas e 
viajantes nas suas imediações. 
Com a chegada de Dom João VI ao Brasil, o 
Império tomou uma resolução: os índios deveriam 
ser combatidos, catequizados, "civilizados", e 
seus territórios deveriam ceder lugar a prósperas 
fazendas de gado. O governador da província de 
São Paulo convocou o experiente militar Diogo 
Pinto de Azevedo para organizar a ocupação dos 
territórios dos Kaingang e mantê-los afastados 
das fazendas de gado. Diogo Pinto era um militar 
disciplinado, duro, experiente e conhecedor dos 
campos de Guarapuava, pois ali estivera com o 
capitão Paulo Chaves em 1774. Era o perfil ideal 
para realizar o empreendimento, e em 1809 já se 
encontrava nos Campos Gerais, refazendo o 
antigo caminho das expedições de Afonso 
Botelho. 
Dessa forma, o ano de 1810 foi marcado pela 
chegada aos campos de Guarapuava de uma 
enorme expedição, com mais de 300 pessoas, 
das quais cerca de 200 eram soldados. O objetivo 
da expedição era ocupar esses campos, abrindo 
 
XIX, Carlos AraujoMOREIRA NETO afirma que a política indigenista brasileira 
durante o Império foi formulada em torno de critérios "estritos de dominação e 
subordinação", e tinha como objetivo a implementação e a consolidação do 
domínio da sociedade nacional sobre os grupos tribais. 
96 
 
espaço para as fazendas de criação. No dia dois 
de julho, acampam no lugar denominado Atalaia, 
último ponto alcançado pelo capitão Paulo 
Chaves em 1774. No dia 29 de agosto, os 
Kaingang fizeram um ataque em massa ao 
acampamento. Diogo Pinto e o padre Francisco 
das Chagas Lima atestaram a firme defesa do 
tenente Antonio da Rocha Loures. 
 
Sustentou corajosamente a defeza 
deste Aquartelamento da Atalaia por 
espaço de seis horas no primeiro e 
profiado combate que atentarão os 
índios deste continente quando virão 
nossa gente abarracado nos seus 
campos (FRANCO, 1943, p. 95).(38 
 
 
 
38 . Cf. Atestado do comandante Diogo Pinto de Azevedo Portugal e do padre 
Francisco das Chagas Lima, elogiando a ação do tenente Rocha Loures na defesa 
do quartel de Atalaia, atacado pelos índios em 29 de agosto de 1810. In: 
FRANCO, Arthur Martins. Diogo Pinto e a conquista de Guarapuava. Curitiba: 
Museu Paranaense, 1943. p. 95. 
 
97 
 
 
Figura 2: Fortaleza de Atalaia, primeiro local de fundação 
da vila de Guarapuava 
Fonte: Kruger (1999) 
 
 
Na batalha foram mortos e feridos muitos 
índios, ocorrendo na força militar de Rocha 
Loures apenas ferimentos leves. Os Kaingang 
sofreram uma forte derrota e dispersaram-se 
pelos campos ao sul e a oeste da fortificação de 
Atalaia. Mas continuaram a atacar as forças de 
Diogo Pinto. Foram três meses de guerra contra 
uma tropa de mais de 200 soldados armados, 
inclusive com peças de artilharia, e acantonados 
na fortaleza de Atalaia, o primeiro nome da futura 
vila de Nossa Senhora do Belém de Guarapuava. 
Os Kaingang foram derrotados em 1810, 
porém sua resistência continuou. Passados cinco 
anos da ocupação dos campos guarapuavanos 
entre os rios Coutinho e Jordão, os brancos 
começaram a se movimentar em direção aos 
98 
 
campos de Palmas, ao sul de Guarapuava, onde 
chegaram 20 anos depois. Em 1839 os 
fazendeiros de Guarapuava tinham conquistados 
os Krei-bang-rê (Campos de Palmas). Ali tinham 
instalado 37 fazendas, com mais de 30 mil 
cabeças de gado, e fundaram a vila de Palmas. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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conflito no Brasil colonial: o governo de 
Morgado de Mateus em São Paulo. São Paulo: 
Secretaria de Estado da Cultura, 1979. 
BOTELHO, Afonso. Notícia da conquista e 
descobrimento dos sertões do Tibagi. Anais da 
Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, v. 76, p. 10, 
1956 
 
CHICHORRO, Manuel da Cunha A. C. Memória 
em que se mostra o estado econômico, militar e 
político da Capitania de São Paulo quando do seu 
governo tomou posse a 8/12/1814. Revista do 
Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, Rio 
de Janeiro, v. 36, p. 219, 1873. 
 
COLOMBINA, Francisco Tose. Descobrimento 
das terras do Tibagi. Maringá: Universidade 
Estadual de Maringá, 1974. 
 
FRANCO, Arthur Martins. Diogo Pinto e a 
conquista de Guarapuava. Curitiba: Museu 
Paranaense, 1943. 
 
KRUGER, Nivaldo. Guarapuava. Guarapuava, 
Fundação Santos Lima, 1999. 
 
MARTINS, Romário. Documentos 
comprobatórios dos direitos do Paraná na 
questão de limites com Santa Catharina. Rio 
de Janeiro: Jornal do Comércio, 1915. 
99 
 
 
MERCER, Edmundo; MERCER, Luiz Leopoldo. 
História do Tibagi. Tibagi: Prefeitura Municipal 
de Tibagi, 1977. 
 
MOREIRA NETO, Carlos Araújo. Política 
indigenista brasileira no século XIX. 1971. 
Tese (Doutorado em História)-FFCH, Rio Claro, 
1971. 
 
MOTA, Lúcio Tadeu . As guerras dos índios 
Kaingang: a história épica dos índios 
Kaingang no Paraná (1769-1924). 2. ed. 
Maringá: Eduem, 2009. v. 500. 301 p. 
 
MOTA, Lúcio Tadeu; NOVAK, Eder da Silva. 
Os Kaingang do vale do rio Ivaí Pr: História 
e relações interculturais. 1. ed. Maringá: 
EDUEM, 2008. v. 500. 190 p. 
 
NOELLI, Francisco Silva; SILVA, F. A.; 
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Bibliografia Kaingang: referências sobre um 
povo Jê do Sul do Brasil. 1. ed. Londrina, Pr: 
EDUEL, 1998. v. 1000. 250 p. 
 
PRESTES, Antônio Dias Baptista. Viagem do 
capitão D. Prestes e seu irmão Manoel D. B. 
Prestes desta província de São Paulo a Cuiyabá 
em 21/04/1851. Revista do Instituto Histórico e 
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777, 1851. 
 
STADEM, Hans. Duas viagens ao Brasil. São 
Paulo: Beca Produções Culturais, 2000. 
 
TOMMASINO, Kimiye; MOTA, Lúcio Tadeu; 
NOELLI, Francisco Silva (Org.). Novas 
contribuições aos estudos 
interdisciplinares dos Kaingang. 1. ed. 
Londrina: Eduel, 2004. v. 500. 430 p. 
100 
 
 
WACHOWICZ, Ruy. História do Paraná. 
Curitiba: G. Vicentina, 1988. 
 
 
 
Atividades: 
 
1. Conforme o texto estudado neste capitulo, O 
povoamento do litoral e as origens de 
Curitiba, aponte as cidades surgidas no 
litoral, naquela época. 
 
2. O oeste e o noroeste do Paraná foram 
ocupados pelos europeus antes da fundação 
das cidades do litoral. Aponte quais foram as 
principais atividades desenvolvidas pelos 
espanhóis, pelos jesuítas e pelos 
bandeirantes na região, nos séculos XVI e 
XVII. 
 
3. Qual foi a atividade econômica responsável 
pela ocupação e pelo surgimento das 
fazendas e cidades nos Campos Gerais, no 
século XVIII? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO IV. O PARANÁ PROVINCIAL: 
1853 – 1889 
Dulce Elena Canieli39 
Lúcio Tadeu Mota40 
 
 
4.1 A LUTA PELA EMANCIPAÇÃO DA 
PROVÍNCIA DO PARANÁ 
 
Entre 1660 a 1770, a região onde hoje é o 
Estado do Paraná e parte de Santa Catarina, 
entre os rios Paranapanema ao norte e Uruguai 
ao sul, foi elevada ao status de capitania, 
 
39 Mestre em História pela UEM, professora da Rede Estadual de Educação do 
Paraná – NRE/Maringá e pesquisadora no Programa Interdisciplinar de Estudos de 
Populações - Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História - UEM. E-mail: 
dulceniegra@hotmail.com 
40 Professor Associado no Departamento de História da Universidade Estadual de 
Maringá, e pesquisador no Programa Interdisciplinar de Estudos de Populações – 
Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História - UEM. ltmota@uem.br 
ltmota@terra.com.br 
102 
 
denominada Capitania de Paranaguá. Em 1770, 
com a restauração da Capitania de São Paulo, 
ela foi extinta e incorporada por esta como 
comarca. Em 1812 a sede da comarca, que era 
em Paranaguá, foi transferida para Curitiba, e 
passou a se chamar Quinta Comarca de 
Paranaguá e Curitiba. 
A luta pela emancipação política do Paraná 
teve seus antecedentes em 1811, quando Pedro 
Joaquim Correia de Sá, com pretensões de ser 
capitão-mor, tentou, junto à corte no Rio de 
Janeiro, a emancipação da comarca, mas 
fracassou. 
A segunda tentativa ocorreu em 1821, quando 
os defensores da emancipação retomaram o 
movimento, organizando a denominada "Conjura 
Separatista". Essa tentativa também fracassou, 
pois o Juiz de Fora Antonio Azevedo Melo e 
Carvalho – que visitava o Paraná – não atendeu 
ao apelo de Bento Viana – capitão da Guarda de 
Regimento de Milícia de Paranaguá – para que 
nomeasse um governo provisório independente 
de São Paulo. 
Mesmo com um desfecho desfavorável, o 
desejo de autonomia permanecia. 
Frequentemente, as câmaras de vereadores de 
Paranaguá, Morretes, Antonina, Lapa, Curitiba e 
Castro solicitavam autonomia ao Governo 
Imperial Brasileiro. 
Mas em 1835 ocorreu um fator favorável e 
decisivo para a autonomia do Paraná. Os liberais 
do Rio Grande do Sul entraram em luta contra o 
Império, organizados na "Revolução Farroupilha", 
e os liberais do Rio de Janeiro, São Paulo e 
103 
 
MinasGerais, revoltados com a política 
"conservadora" do governo central, uniram-se 
com os farrapos e organizaram uma única frente 
revolucionária. Os liberais da Quinta Comarca em 
Curitiba, cooptados pelo Barão de Antonina, não 
aderiram, no entanto, ao movimento. O Governo 
Imperial negociou com os liberais curitibanos, por 
intermédio de João da Silva Machado e do chefe 
das forças legalistas, Duque de Caxias, a 
emancipação da comarca. O governo do império 
conseguiu, assim, o apoio dos liberais da Quinta 
Comarca para vencer os revolucionários. 
Dessa forma retomou-se, em 1843, o projeto 
de emancipação da Quinta Comarca na 
Assembleia Geral Legislativa no Rio de Janeiro. 
Entre idas e vindas foi conseguida a aprovação, 
em 2 de agosto de 1853, elevando-se a Quinta 
Comarca de São Paulo à categoria de Província 
do Paraná. A instalação oficial foi realizada em 19 
de dezembro de 1853, quando tomou posse o 
primeiro presidente, Zacarias de Góes e 
Vasconcelos, tendo Curitiba como Capital. 
Lei nº 704 de 29 de agosto de 
1853 
Eleva a Comarca de Curitiba, na Província 
de São Paulo, à categoria de Província, com a 
denominação de Província do Paraná. 
Dom Pedro Segundo, por graça de Deus, e 
unânime aclamação dos povos, Imperador 
Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: 
Fazemos saber a todos nossos súditos que a 
Assembléia Geral Legislativa decretou e nós 
queremos a Lei seguinte: 
Art. 1º - A comarca de Curitiba, na 
Província de São Paulo, fica elevada à categoria 
104 
 
de Província, com a denominação de Província 
do Paraná. A sua extensão e limites serão os 
mesmos da referida Comarca. 
Art. 2º - A nova Província terá por Capital 
a cidade de Curitiba, enquanto a Assembléia 
respectiva não decretar o contrário. 
Art.3º - A Província do Paraná dará um 
Senador, e um Deputado à Assembléia Geral; 
sua Assembléia Provincial constará de 20 
membros. 
Art.4º - O Governo fica autorizado para 
criar, na mesma Província, as estações fiscais 
indispensáveis para arrecadação e 
administração das rendas gerais, submetendo 
depois o que houver determinado ao 
conhecimento da Assembléia Geral para 
definitiva aprovação. 
Art.5º - Ficam revogadas as disposições em 
contrário. 
Mando, portanto, a todas as autoridades, a 
quem o conhecimento desta lei pertencer, que a 
cumpram, e a façam cumprir e guardar tão 
inteiramente quanto nela se contém. 
O Secretário de Estado dos Negócios do 
Império 
A faça imprimir, publicar e correr. 
Dado no Palácio do Rio de Janeiro, aos 29 
de agosto de 1853, trigésimo segundo da 
Independência e do Império. 
 
Assinam : Imperador Pedro II 
E Francisco Gonçalves Martins 
Fonte: Coleção de Leis do Império do Brasil - 1853 , 
Página 50 Vol. 1 pt I (Publicação Original) 
 
4.2 A VIDA POLÍTICA DA PROVÍNCIA 
PARANAENSE, DE 1853 A 1889 
 
105 
 
A Província do Paraná teve, ao longo do 
período de 1853 a 1889, 53 períodos de 
governos; 27 presidências; 41 presidentes em 
exercício e 26 períodos de vice-presidência e 
retorno presidencial. 
Os presidentes eram escolhidos entre aqueles 
que pertenciam ao partido político dominante, e 
nomeados diretamente pelo Imperador D. Pedro 
II. De 1853 a 1870 os governantes vieram de 
outras províncias. No período subsequente (1870 
a 1889), o Imperador fez algumas nomeações de 
pessoas procedentes da própria província para 
ocupar o cargo de presidente e vice-presidente. 
As justificativas para a nomeação dos 
presidentes e dos vice-presidentes oriundos de 
outras províncias era de que o Paraná tinha uma 
pequena projeção política e econômica no 
império. E não possuiria elementos com "boa 
formação político-administrativa" para o cargo 
majoritário na província. No entanto, sabemos 
que a nomeação para a presidência das 
províncias no Brasil era utilizada pelo Imperador 
Pedro II41 para acomodar as forças políticas que 
o apoiavam. 
 
41 A Carta outorgada em 1824 por D. Pedro I e elaborada pelo Conselho de 
Estado atribuiu ao Imperador o poder de nomear os presidentes de 
província. O capítulo VII, que trata da Administração e Economia das 
Províncias diz, no primeiro artigo: “Haverá em cada Província um 
presidente, nomeado pelo Imperador, que poderá remover, quando 
entender que assim convém ao bom serviço do Estado”. Essa era a 
Constituição em vigor no Brasil em 1853, quando da criação da Província 
do Paraná 
(http://www.alep.pr.gov.br/assembleia.php?pag_int=assembleia_historico.p
hp. Acesso em: 11 mar. 2008). 
106 
 
O Imperador geralmente escolhia governantes 
que eram fiéis e aliados ao governo imperial. A 
intenção era criar e estabelecer governos 
provinciais comprometidos com os interesses do 
governo central, além de promover alianças com 
as elites dominantes locais. Eram dois os partidos 
políticos dos quais esses representantes faziam 
parte: o Conservador e o Liberal. Os partidos na 
província eram dominados pelas oligarquias 
locais, que escolhiam seus representantes aos 
cargos políticos42. A disputa entre os 
conservadores e liberais não representava um 
empecilho à nomeação dos cargos; na realidade, 
seus programas políticos não diferiam um do 
outro e não havia uma oposição efetiva entre 
eles. No Paraná, os principais líderes liberais 
foram: Jesuíno Marcondes de Oliveira e Manuel 
Alves de Araújo, que formavam as famílias dos 
Barões do Tibagi e dos Campos Gerais. Os 
líderes conservadores foram: Manuel Antonio 
Guimarães (Visconde de Nácar) e Manoel 
Francisco Correia, que formavam as famílias do 
litoral, controladoras do comércio importador e 
exportador da erva-mate. 
Quando foi instalada oficialmente, o cargo 
majoritário da província paranaense foi ocupado 
pela primeira vez em 19 de dezembro de 1853, 
sendo seu primeiro presidente o baiano Zacarias 
de Góes e Vasconcellos. 
 
42 Esses representantes aos cargos políticos geralmente eram eleitos pelo 
“voto de cabresto”, ou seja, por meio da troca de “favores” os coronéis 
(elites dominantes locais) exigiam que as pessoas votassem nos 
candidatos indicados por eles. Aquele que se negasse a votar podia sofrer 
violência dos capangas ou jagunços que trabalhavam para os coronéis. 
107 
 
 
Quadro I - Galeria de presidentes e vice-presidentes da 
província do Paraná (1853-1889) 
º 
PRESIDENTE
S E VICE-
PRESIDENTES 
N
OMEAÇÃ
O 
PE
RÍODO DE 
GOVERN
O 
OBSERVAÇÃO 
Zacarias de 
Goes e Vasconcelos 
(Pres.) 
17.
09.1853 
19.1
2.1853 a 
03.05.185
5 
1º Presidente e Instalador 
da Província. Origem: Bahia. 
Era do partido Conservador, e 
em 1862 passou a ser Liberal 
Theófilo 
Ribeiro de Rezende 
(Vice) 
17.
09.1853 
03.0
5.1855 a 
27.07.185
5 
Nomeação para 2º vice-
presidente. Origem: São Paulo. 
Era do Partido Conservador 
Henrique de 
Beaurepaire Rohan 
(Vice) – Liberal 
-
27.07.18
55 
27.0
7.1855 a 
01.03.185
6 
Origem: Rio de Janeiro 
Padre Vicente 
Pires da Mota (Pres.) 
15.
09.1855 
01.0
3.1856 a 
26.09.185
6 
Origem: São Paulo. Era 
do Partido Conservador 
José Antônio 
Vaz de Carvalhaes 
(Vice) 
06.
09.1856 
26.0
9.1856 a 
11.11.185
7 
2º vice-presidente. 
Origem: São Paulo. 
Era do Partido 
Conservador 
Francisco 
Liberato de Matos 
(Pres.) 
18.
08.1857 
11.1
1.1857 a 
26.02.185
9 
Origem: Bahia - Partido 
Liberal 
Luis Francisco 
Câmara Leal (Vice) 
24.
03.1857 
26.0
2.1859 a 
02.05.185
9 
3º vice-presidente e 
passou a 1º vice no início de 
1859. Origem: Rio de Janeiro. 
Era do Partido Conservador 
José Francisco 
Cardoso (Pres.) 
28.
02.1859 
02.0
5.1859 a 
16.03.186
1 
Deposto pelas 
“Cardosadas”. Origem: Rio de 
Janeiro - Partido Liberal 
Antônio 
Barbosa Gomes 
Nogueira (Pres.) 
31.
01.1861 
16.0
3.1861 a 
31.03.186
3 
Origem: Minas Gerais. 
Era do Partido Conservador 
0 
 Manoel 
Antônio Ferreira 
(Vice) 
26.
11.1862 
31.0
3.1863 a 
05.06.1863 
1º paranaense a compor 
o governo Provincial - 2º vice-
presidente. Origem: Paraná. 
Era do Partido 
Conservador 
1 
Sebastião 
Gonçalves da Silva 
(Vice) 
26.
11.1862 
05.0
6.1863 a 
07.03.186
4 
1º vice-presidente. 
Origem: Pernambuco. 
Sem menção de Partido 
2 
José Joaquim 
do Carmo (Pres.) 
23.
01.1864 
07.0
3.1864 a 
18.06.186
Origem: Rio de Janeiro - 
Partido Liberal 
108 
 
4 
3 
André de 
Pádua Fleury (Pres.) 
s/d 18.0
6.1864 a 
19.08.186
4 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
4 
Agostinho 
Ermelino de Leão 
(Vice) 
s/d 19.0
8.1864 a 
18.11.186
4 
1º período de governo. 
Origem: Paraná – 
s/menção de partido 
5 
André de 
Pádua Fleury (Pres.) 
12.
10.1864 
18.1
1.1864 a 
04.06.186
5 
2º período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
6 
Manoel Alves 
de Araújo (Vice) 
10.
12.1864 
05.0
6.1865 a 
18.08.186
5 
1º vice-presidente. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
7 
André de 
Pádua Fleury (Pres.) 
s/d 18.0
8.1865 a 
23.03.186
6 
3º período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
8 
Agostinho 
Ermelino de Leão 
(Vice) 
31.
01.1866 
23.0
3.1866 a 
15.11.186
6 
2º vice-presidente - 2º 
período de governo. 
Origem: Paraná – 
s/menção de partido 
9 
Polidoro César 
Burlamaque (Pres.) 
06.
09.2866 
15.0
9.1866 a 
11 
/17.08.186
7 
Abandona o governo em 
17.08.1867 
Origem: Piauí – 
s/menção de partido 
0 
Carlos Augusto 
Ferraz de Abreu 
(Vice) 
23.
03.1867 
16.0
8.1867 a 
23/31.10.1
867 
1º vice-presidente. 
Origem: Rio de Janeiro. Era do 
Partido Conservador 
1 
José Feliciano 
Horta de Araújo 
(Pres.) 
29.
09.1867 
31.1
0.1867 a 
05.05.186
8 
Origem: Minas Gerais - 
Partido Liberal 
2 
Carlos Augusto 
Ferraz de Abreu 
(Vice) 
s/d 05/2
9.05.1868 
a 
14.09.186
8 
2º período de governo. 
Origem: Rio de Janeiro. Era do 
Partido Conservador 
3 
Antônio 
Augusto da Fonseca 
(Pres.) 
22.
07.1868 
14.0
9.1868 a 
01.09.186
9 
Pediu demissão em 
27.03.1869 
Origem: São Paulo – 
Partido Conservador 
4 
Agostinho 
Ermelino de Leão 
(Vice) 
s/d 28.0
8.1869 a 
26.09.186
9 
3º período de governo. 
Origem: Paraná – 
s/menção de partido 
5 
Antônio Luís 
Afonso de Carvalho 
(Pres.) 
20.
10.1869 
27.1
1.1869 a 
28.08.187
0 
Origem: Bahia - 
s/menção de partido 
6 
Agostinho 
Ermelino de Leão 
(Vice) 
s/d 20.0
4/05.1870 
a 
4º período de governo. 
Origem: Paraná - 
s/menção de partido 
109 
 
24.12.187
0 
7 
Venâncio José 
de Oliveira Lisboa 
(Pres.) 
s/d 24.1
2.1870 a 
15.01.187
3 
Origem: Rio de Janeiro – 
Partido Conservador 
8 
Manoel 
Antônio Guimarães 
(Vice) 
03.
01.1873 
15.0
1.1873 a 
13.06.187
3 
3º vice-presidente – 
Visconde de Nácar - Origem: 
Paraná – Partido Conservador 
9 
Frederico José 
de Araújo Abranches 
(Pres.) 
29.
03.1873 
13.0
6.1873 a 
02.05.187
5 
Origem: São Paulo – 
Partido Conservador 
Agostinho 
Ermelino de Leão 
(Vice) 
s/d 02.0
5.1875 a 
08.05.187
5 
5º e último período de 
governo. 
 Origem: Paraná - 
s/menção de partido 
0 
Adolfo 
Lamenha Lins (Pres.) 
10.
04.1875 
03.0
5.1875 a 
16.07.187
7 
Origem: Pernambuco - 
Partido Liberal 
1 
Manoel 
Antônio Guimarães 
(Vice) 
s/d 16.0
7.1877 a 
17.08.187
7 
2º período de governo. 
Origem: Paraná – Partido 
Conservador 
2 
Joaquim Bento 
de Oliveira Junior 
(Pres.) 
04.
07.1877 
17.0
8.1877 a 
07.02.187
8 
Origem: Minas Gerais – 
Partido Conservador 
3 
Jesuíno 
Marcondes de 
Oliveira e Sá (Vice) 
01.
02.1878 
07.0
2.1878 a 
23.03.187
8 
1º período de governo – 
1º vice-presidente. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
4 
Rodrigo Otávio 
de Oliveira Menezes 
(Pres.) 
30.
01.1878 
23.0
3.1878 a 
31.03.187
9 
Origem: Bahia - Partido 
Liberal 
5 
Jesuíno 
Marcondes de oliveira 
e Sá (Vice) 
s/d 31.0
3.1879 a 
23.04.187
9 
2º período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
6 
Manoel Pinto 
de Souza Dantas 
Filho (Pres.) 
15.
03.1879 
23.0
4.1879 a 
04.08.188
0 
Origem: Bahia - Partido 
Liberal 
7 
João José 
Pedrosa (Pres.) 
25.
07.1880 
04.0
8.1880 a 
03.05.188
1 
1º paranaense nomeado 
pelo Imperador - Origem: 
Paraná - Partido Liberal 
8 
Sancho de 
Barros Pimentel 
(Pres.) 
24.
03.1881 
03.0
5.1881 a 
26.01.188
2 
Origem: São Paulo - 
Partido Liberal 
9 
Jesuíno 
Marcondes de 
Oliveira e Sá (Vice) 
s/d s/d 3º período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
Carlos Augusto 
de Carvalho (Pres.) 
01.
02.1882 
06.0
3.1882 a 
Origem: Rio de Janeiro - 
Partido Liberal 
110 
 
0 26.05.188
3 
1 
Antônio Alves 
de Araújo (Vice) 
14.
05.1883 
26.0
5.1883 a 
03.09.188
3 
1º vice-presidente – 1º 
período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
2 
Luís Alves 
Leite de Oliveira Belo 
(Pres.) 
30.
06.1883 
03.0
9.1883 a 
05.06.188
4 
Origem: Rio de Janeiro - 
Partido Liberal 
3 
Brasílio 
Machado de Oliveira 
(Pres.) 
29.
07.1884 
05.0
6.1884 a 
21.08.188
5 
Origem: São Paulo - 
Partido Liberal 
4 
Antônio Alves 
de Araújo (Vice)- 
s/d 24/2
6.08.1885 
a 
18.09.188
5 
2º período de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
5 
Joaquim de 
Almeida Faria 
Sobrinho (Vice) 
30.
08.1885 
20.0
9.1885 a 
29.09.188
5 
1º vice-presidente – 1º 
período de governo. 
Origem: Paraná – Partido 
Conservador 
6 
Alfredo 
D’Escragnolle Taunay 
(Pres.) 
30.
08.1885 
29.0
9.1885 a 
03.05.188
6 
Origem: Rio de Janeiro - 
Partido Liberal 
7 
Joaquim de 
Almeida Faria 
Sobrinho (Pres.) 
18.
10.1886 
03.0
5.1886 a 
26.12.188
7 
2º paranaense p/ 
nomeação direta do Imperador. 
3º período 
Origem: Paraná – Partido 
Conservador 
8 
Antônio 
Ricardo dos Santos 
(Vice) 
15.
12.1887 
29.1
2.1887 a 
09.12.188
8 
2º vice-presidente em 
03.12.1887 e 1º em 15.12.1887 
 Origem: Paraná – 
Partido Conservador 
9 
José Cesário 
de Miranda Ribeiro 
(Pres.) 
23.
12.1887 
09.0
2.1888 a 
30.06.188
8 
Origem: Minas Gerais – 
Partido Conservador 
0 
Ildefonso 
Pereira Correia (Vice) 
26.
11.1887 
30.0
6.1888 a 
04.07.188
8 
Barão de Serro Azul 
Origem: Paraná – 
s/menção do partido 
1 
Balbino 
Candido da Cunha 
(Pres.) 
15.
06.1887 
04.0
7.1888 a 
29.05.188
9 
Origem: Minas Gerais – 
Partido Conservador 
2 
Jesuíno 
Marcondes de 
Oliveira e Sá (Pres.) 
15.
06.1889 
16.0
6.1889 a 
23.08.188
9 
3º e último paranaense 
presidente – 4º p. de governo. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
3 
Joaquim José 
Alves (Vice) 
15.
06.1889 
03.0
9.1889 a 
11.09.188
9 
1º vice-presidente. 
Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
Jesuíno 
Marcondes de 
Oliveira e Sá (Pres.) 
s/d 12.0
9.1889 a 
16.11.188
9 
5º e último período de 
governo provincial 
 Origem: Paraná - Partido 
Liberal 
111 
 
Fonte: CARNEIRO, D. História do período provincial 
do Paraná: galeria de presidentes 1853-1889. Curitiba: 
Tipografia Max Roesner, 1960. 
 
 
4.3 AS PRINCIPAIS POLÍTICAS DE 
GOVERNO NO PERÍODO PROVINCIAL 
 
A preocupação dos presidentes e vice-
presidentes, de forma geral, foi a de construir e 
melhorar estradas, instalar colônias de imigrantes 
europeus para aumentar a população, 
implementar a segurança pública para promover 
a defesa dela, organizar a instrução pública e as 
finanças da província, implantar a catequese e a 
civilização dos índios, e desenvolver e organizar a 
cidade de Curitiba como sua capital. 
Essas ações políticas foram frequentemente 
tratadas nos relatórios dos presidentes e vice-
presidentes. Esses documentos, apesar do 
caráter descritivo, tratam dos principais 
acontecimentos ocorridos durante cada período 
de governo na província. A periodicidade usual 
dos relatórios era anual, mas a cada mudança 
de presidente ou a cada abertura da 
Assembleia Legislativa da província era 
elaborado um relatório e apresentado ao seu 
sucessor ou aos representantes do legislativo 
provincial. Foram 76 relatórios, alguns dos 
quais vinham em forma de ofício, 
principalmente quando o períodode ocupação 
da administração do governo era breve. 
Nesses casos, não apresentavam a estrutura 
usual de relatórios. A estrutura desses 
112 
 
documentos possui mais semelhanças que 
diferenças. Neles, podemos destacar alguns 
pontos que abordam as principais ações dos 
governantes provinciais. 
 
• Política de segurança pública 
 
Durante o período provincial, desde o 
primeiro presidente, Zacarias de Góes e 
Vasconcellos, a política de segurança pública 
foi uma preocupação de todos os governantes. 
Frequentemente, nos relatórios e nos ofícios é 
destacada a importância da força pública, 
composta pela Guarda Nacional, pela força 
policial e pela companhia de marinheiros, que 
eram responsáveis pela proteção e guarda do 
território paranaense. As reclamações pela falta 
de recursos para investir na segurança foram 
constantes: 
 
[...] pode-se affirmar que he superior 
ao que permittem os escassos 
recursos, que na actualidade estão à 
disposição da polícia, e com que, 
provalvemente, por algum tempo 
ainda se há de contar na província 
(VASCONCELLOS, 1854, p. 3).43. 
 
 Para os governos, era importante obter 
mais verbas que se destinassem à manutenção 
da ordem social, numa província onde ocorriam 
inúmeros conflitos, como os decorrentes de 
 
43 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório... 15 de julho de 
1854. p. 3. 
113 
 
desavenças pessoais, de furto de animais, do 
confronto entre os fazendeiros e indígenas, da 
posse da terra etc. O conflito pela demarcação 
da propriedade da terra foi muito comum nesse 
período, pois a província estava aplicando a Lei 
de Terras de 1850. 
 
[...] Agitão-se frequentes questões de 
posses e limites, que em geral 
procedem do estado confuso e 
desordenado da propriedade 
territorial, as quaes, no futuro he 
provavel se reduzirão à pouco ou 
nada, com a observancia da lei das 
terras e respectivos regulamentos, 
que procuranmdo definir e fazer 
conhecida a porção de terra, de que 
cada um he proprietario, tendem a 
assegurar á todos o gozo de seus 
direitos sem o temor de força do 
vizinho, nem da conta do escrivão e 
do advogado [...] (VASCONCELLOS, 
1854, p. 5).44. 
 
Isso provocava discordâncias e discussões 
frequentes em relação à posse e aos limites. 
Outra questão mencionada pelos governantes 
se refere ao costume que os habitantes tinham 
de usar armas, o que contribuía para a 
“desordem” na província: 
 
[...] O uso de armas de defezas era, 
por assim dizer, hum direito 
consuetudinário neste paiz. 
O vasto poncho, serve-se a maioria 
dos habitantes, e as largas e 
estrepitosas chilenas, não erão 
artigos mais essenciaes ao trajar de 
hum homem do povo, do que a 
inseparavel cartucheira, a faca, e as 
 
44 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. p. 5. 
114 
 
pistolas, já não digo em viagem, nas 
estradas, ou em seus trabalhos do 
campo, mas em passeio à cidade, e 
(parece incrível) até nos templos do 
Senhor!(VASCONCELLOS, 1854, p. 
6).45. 
 
 A atitude tomada pelo presidente foi a 
proibição do uso de armas de defesa, com o 
intuito de diminuir a violência. Essa medida teve 
um resultado eficaz nas cidades, onde a ação 
da polícia pôde ser mais efetiva, mas em 
localidades distantes dos centros urbanos, 
longe das autoridades, o uso das armas foi 
mais difícil controlar: 
 
[...] nas estradas e lugares remotos, 
longe das autoridades, que tem 
alguma força, ainda voga o uso 
criminoso, mas essa fonte de crimes 
irá diminuindo por toda a parte com a 
progressiva actividade e 
desenvolvimento da policia 
(VASCONCELLOS, 1854, p. 6). 
 
 Essas ações desenvolvidas para a 
manutenção da segurança pública sofreram 
alterações à medida que a população46 
paranaense crescia, e em decorrência de outra 
 
 45 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854.. p. 
6. 
46 A população que constituía o período provincial paranaense em 1854 
contava com 60.625 habitantes, dos quais quase 16% eram escravos, em 
torno de 10 mil. Mas com a entrada de migrantes, a partir da década de 
1860 e com a saída de escravos para a lavoura paulista ocorreram 
mudanças no quadro demográfico da província. A população, com o censo 
de 1872, totalizava 126.722 habitantes, incluindo 10.560 escravos (8,3%) 
(Dicionário histórico-biográfico do Paraná, 1991, p.383). 
115 
 
política desenvolvida pelos governantes, a de 
implantação de colônias de migrantes europeus, 
principalmente ao redor de centros urbanos. As 
tensões e os conflitos provocados pela 
aglomeração de populações mobilizaram as 
autoridades policiais da província, que 
demonstravam preocupação em manter a 
“tradição” provincial de tranquilidade pública, 
combatendo a criminalidade, principalmente no 
período de 1860 a 1880, quando foram fundados 
28 núcleos coloniais, com a entrada de 19.215 
migrantes. 
 
• Política de Educação 
 
A “Instrução Pública” foi uma das 
preocupações constante dos governantes e das 
elites locais. Desde a primeira gestão 
governamental esse era um desafio a ser 
enfrentado, pois o desenvolvimento da 
Educação influenciaria a prosperidade da 
província. 
 
[...] Todas as corporações e 
funcionários, á quem ouvi acerca do 
estado da instrucção na província, 
derão-me as mais desfavoráveis 
informações desse ramo do serviço 
publico, e assim parece ser, á vista 
de documentos que tive presentes. 
Seja, pois, este hum dos assumptos 
que mais mereção vossa solicitude e 
attenção, pois que, por certo, he de 
maior alcance e influencia para a 
prosperidade [...]. Consideremos o 
ensino publico tanto primário como 
secundário, á ver o que mais importa 
116 
 
na actualidade (VASCONCELLOS, 
1854, p. 12).47 
 
[...] É a instrucção o primeiro 
elemento da educação, a primeira 
necessidade da humanidade o 
primeiro dever de todas as nações. 
Nas nações que se dizem livres, 
isto é, em que as classes que se 
presume illustradas e capazes, são 
chamadas a tomar na direcção dos 
negócios públicos a parte 
proporcionada á sua capacidade, e 
em que o dever de gerir os interesses 
collectivos exige de cada um maior 
somma de sacrifício e abnegação, a 
necessidade da instrucção sobreleva 
a todas as outras. 
A constituição chamando a 
maior parte da nação ao exercício 
dos pesados deveres da soberania, 
garantia com razão a instrucção 
primaria gratuita a todos (PARANÁ, 
1869, p. 9).( 48. 
 
 
Com a instrução pública seria possível não 
apenas a formação de mão de obra, mas a 
conquista de visibilidade dos governantes em 
relação aos governados. Também, no Paraná o 
ensino primário vinha a atender à questão do 
“abrasileiramento” dos migrantes estrangeiros 
que se estabeleciam na província, com sua 
língua, seus hábitos, costumes e valores. Os 
governantes e as elites dominantes sempre 
 
47 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. 
p..12. 
48 PARANÁ. Governador (1868-1869: Augusto da Fonseca). 
Relatório... 6 de abril de 1869. p. 9. 
117 
 
viam isso como uma ameaça à sua hegemonia 
(MAGALHÃES, 2001).49 
Nos relatórios vimos que é constantemente 
mencionada a importância do desenvolvimento 
da Educação formal para a província, e como 
era a organização do ensino para meninos e 
meninas. 
 
O ensino era dividido em: instrução 
primária, secundária e escola normal, 
considerada necessária para suprir a falta de 
professores da época. 
 
As escolas públicas eram frequentadas 
pelas crianças das camadas pobres, e as 
escolas particulares eram em geral 
frequentadas pelos filhos das famílias mais 
providas economicamente, as quais se 
estabeleceram nos centros urbanos mais 
populosos, onde havia uma clientela com vida 
econômica, social e cultural mais elevada50. 
 
 Os estudos superioreseram cursados em 
São Paulo, Recife, Rio de Janeiro ou em 
faculdades europeias, e somente pelos jovens 
da elite dominante, que tinham recursos 
financeiros para cursar esse nível. 
 
 
49 MAGALHÃES, Marion Brepohl. Paraná: Política e Governo. Curitiba: 
SEED, 2001. (Coleção História do Paraná – textos introdutórios). 
50 Para maiores detalhes sobre essa questão da Educação, ver: OLIVIEIRA, 
1986; TRINDADE; ANDREAZZA, 2001; GUARNIERI, 2006. 
118 
 
O ensino era baseado no princípio da 
moralidade e dos costumes da época, com a 
preocupação de manter o ordenamento social, 
que visava à obediência à autoridade, cujo 
centro era a Corte, devendo a periferia ser 
moldada segundo seus interesses. 
 
[...] Nos paizes, que presão a 
civilização do povo, e vêem nas 
escolas a origem della, aprender as 
matérias do ensino primário he mais 
que hum direito, he huma rigorosa 
obrigação, imposta á todos, sob 
certas penas. Assim o deveis 
considerar e dispor na legislação da 
nova província. 
Obriga-se o povo á vaccina, e elle 
obedece ou deve obedecer sem 
reparo, porque he hum meio de 
preservar-se de hum flagello fatal. 
Ora a instrucção primaria he, por 
assim dizer, huma vaccina moral, que 
preserva o povo do peior de todos os 
flagellos conhecidos e por conhecer – 
a ignorância – das nações 
elementares, que nivela o homem ao 
bruto, e o torna matéria apta e azado 
instrumento para o roubo, para o 
assassinato, para a revolução, para 
todo mal, enfim (VASCONCELLOS, 
1854, p. 12).51. 
 
As instituições escolares, principalmente 
as públicas, mantinham um maior número de 
unidades direcionadas aos alunos do sexo 
masculino em relação às destinadas ao sexo 
feminino, isso pelo fato de terem sido criadas 
escolas primeiro para os meninos, e depois, se 
houvesse necessidade, para as meninas. Para 
se ter uma ideia, em 1854 eram 22 escolas 
 
51 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. p. 16. 
119 
 
masculinas para 08 femininas, e em 1889 eram 
61 masculinas para 24 femininas (OLIVEIRA, 
1986, p. 201).52. 
 
As escolas mistas ou promíscuas sugiram 
pela falta de professores. Com isso os 
governantes tiveram que criar escolas que 
comportassem meninos e meninas. A aceitação 
pela comunidade paranaense a esse tipo de 
escola ocorreu aos poucos, e de 1886 a 1889 o 
número delas chegou a 114. 
 
O ensino primário e secundário esbarrou em 
diversos problemas, como: falta de prédios 
públicos, de verbas, de professores, de estradas 
em condições adequadas para o deslocamento 
dos estudantes das comunidades distantes para 
as cidades e vilas onde existiam as escolas etc., 
o que dificultava o seu desenvolvimento na 
província, ou seja, isso inviabilizou o que se 
pretendia em face do que se podia fazer, diante 
da realidade social e econômica paranaense da 
época. 
 
Mas as diversas ações tomadas para a 
regulamentação e organização do ensino 
primário e secundário na província, apesar dos 
problemas enfrentados pelas autoridades, 
fomentaram um crescimento significativo em 
 
52 Para obter os índices de todos os anos do período provincial, conferir 
tabela em: OLIVEIRA, Maria Cecília Marins. O ensino primário na 
província do Paraná 1853-1889. Curitiba/PR: Biblioteca Pública do 
Paraná, 1986, p. 201. 
120 
 
comparação ao atendimento precário herdado 
do período anterior à emancipação. Em 1853, o 
Paraná tinha um número limitado de escolas: 
eram 28 estabelecimentos públicos de ensino, 
distribuídos entre 18 localidades, e 3 escolas de 
ensino particular. Ao final do período provincial, 
devido à política de investimento na Educação 
Pública, o resultando foi de 199 escolas de 
ensino primário e secundário, distribuídas por 
130 localidades, sendo 180 escolas da rede 
pública e 19 da rede particular53. 
 
Quadro 2: Resumo do desenvolvimento do 
ensino primário e secundário na 
província do Paraná, de 1854 a 1889 
PERÍODO AÇÕES 
 
1854 a 
1857 
• Regulamentação da instrução pública 
na província. 
• Estabelecimento de orçamento para a 
Instrução Pública. 
• Estabelecimento e planejamento de 
divisão do ensino nas escolas 
primárias. 
• Regulamento de ordem para as 
escolas da Instrução Primária. 
• Preparação e organização do 
professorado. 
• Instituição de normas para o ensino 
particular, primário e secundário. 
 
1858 a 
1869 
• Regulamentação e estabelecimento 
de orçamento para a Instrução 
Pública. 
• Estabelecimento e organização dos 
conteúdos de ensino para as escolas 
secundárias. 
• Encaminhamentos com relação ao 
 
53 OLIVEIRA, Maria Cecília Marins. O ensino primário na província do Paraná 
1853-1889. Curitiba/PR: Biblioteca Pública do Paraná, 1986. 
 
121 
 
valor despendido à Instrução Pública. 
 
 
1870 a 
1880 
• Desenvolvimento do ensino 
secundário, principalmente na 
iniciativa privada (1870). 
• Obrigatoriedade do ensino primário 
para os meninos de 7 a 12 anos e 
meninas de 7 a 10 anos (1874). 
• Normatização da fiscalização das 
escolas primárias (1874). 
• Criação da Escola Normal, em 
Curitiba, para formação de 
professores para a Instrução Pública 
(1876). 
 
 
1881 a 
1889 
• Criação de escola noturna, na capital, 
para adultos (1882), e também em 
outros municípios. 
• Vinculação de 20% do imposto predial 
para a Instrução Pública. 
• Incentivo à criação de escolas através 
de estipulação de subvenções do 
governo. 
• Câmaras municipais responsáveis em 
instituir, em suas sedes, casas 
escolares. 
• Criação de alguns colégios 
particulares, fundados por ordens 
religiosas ou civis. 
Fonte: OLIVEIRA, Maria Cecília Marins. O ensino 
primário na província do Paraná 1853-1889. 
Curitiba, PR: Biblioteca Pública do Paraná, 1986. 
 
• Política de construção e manutenção de 
estradas 
 
A questão das estradas obteve grande 
atenção dos governantes, pois delas dependia 
todo o transporte de produtos e mercadorias 
produzidos e consumidos na província, como 
também a comunicação do interior com as 
principais cidades, vilas e povoados. As 
estradas existentes eram precárias, o que para 
122 
 
as autoridades impedia o “progresso da 
província”. 
 
A primeira necessidade desta 
província he, decididamente, o 
melhoramento de suas vias de 
communicação. 
A lavoura, tão atrazada, [...], não 
póde alar, o commercio não póde 
desenvolver-se, em quanto as 
estradas se conservarem como estão, 
e o anhelo de attrahir, aos excellentes 
terrenos da província, colonos 
europêos em certa escala, encontra 
forte resistência no estado deplorável 
das vias actuaes de communicação, 
onde não póde rodar hum carro, e 
tudo se transporta, mal e mui 
dispendiosamente em costas de 
animaes (VASCONCELLOS, 1854, p. 
86).54. 
 
Assim que o Paraná se emancipou, desde 
o seu primeiro governante, Zacarias de Góes e 
Vasconcellos, iniciou-se o projeto da Estrada da 
Graciosa, que ligava Curitiba ao litoral, e 
também o de uma estrada planejada para 
estabelecer a ligação entre o Paraná e o Mato 
Grosso. Vários foram os engenheiros que 
trabalharam na construção e em melhorias de 
estradas nesse período: Francisco Antonio 
Monteiro Tourinho (1835-1883), Henrique 
Beaurepaire Rohan (1812-1894), Antonio 
Rebouças (1839-1874), Willian Loyd e os 
Irmãos Keller, entre outros. 
 
 
54 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. p. 
86. 
123 
 
As estradas eram vias de comunicação 
fundamentais para a província do Paraná, como 
ainda é hoje, pois isso representava o 
desenvolvimento econômico e social, segundo 
Wilson Martins (1989, p. 12).55: 
[...] a sua falta (estradas) foi talvez o 
principal entrave ao progresso do 
Paraná em geral e ao sucesso 
integralda colonização (migrantes 
estrangeiros) em particular. [...] a 
súplica pelas estradas é uma espécie 
de lugar-comum na história 
administrativa do Paraná e o clamor 
ininterrupto que se ouve, em todas as 
línguas, desde os primeiros dias de 
sua história provincial. 
 
No Paraná havia quatro estradas 
principais: a da Graciosa, Ytupava, Arraial e a 
Estrada Geral. Esta última servia de passagem 
para o gado e os muares que vinham de 
Viamão/RS para Sorocaba/SP. Além dessas, 
outras estradas também necessitavam de 
investimentos, pela utilidade que tinham: 
 
[...] as estradas de serra-ácima, 
particularmente daquellas por onde 
se faz todo ou grande parte do 
commercio entre as provincias do Sul 
e as de S. Paulo, Minas-Geraes, e 
Rio de Janeiro (VASCONCELLOS, 
1854, p. 93).56. 
 
As estradas que ligavam uma localidade a 
outra dentro da província paranaense, como a 
de Guarapuava a Ponta Grossa, estavam na 
 
55 MARTINS, Wilson. Um Brasil diferente: ensaio sobre o fenômeno de 
aculturação no Paraná. 2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1989. p.12. 
56 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. p. 93. 
124 
 
pauta de governo, conforme informa o 
presidente Zacarias de Góes e Vasconcellos 
(1854, p. 93) nesse mesmo Relatório. 
 
[...] São por certo, dignas de attenção 
as ramificações, que de Ponta Grossa 
e de Guarapuava se dirigem á colonia 
Thereza; [...]. 
[...] De Castro [...] há huma estrada 
que vem directamente encontrar-se 
com a Graciosa; sua importância he 
immensa, e o direito que tem á 
attenção desta assembléia 
incontestável. 
Da mesma Villa segue hum ramal do 
porto de Jatahy, de summa utilidade, 
como parte da via de communicação 
com Mato-Grosso. Dirige-se huma 
estrada desta cidade á de S. 
Francisco na província de Santa 
Catharina, que muito convem 
melhorar para manter entre as duas 
cidades e províncias huma 
communicação regular. 
 
 
Essa questão foi muito clamada quando do 
estabelecimento de colônias de migrantes 
estrangeiros, a partir da década de 1860. Eram 
constantes as reclamações dos colonos à 
administração pública sobre as péssimas 
condições das estradas. Os presidentes da 
província constantemente abordavam a 
importância da melhoria e da construção de 
estradas que permitissem a comunicação das 
colônias com a capital e com os centros 
maiores, principalmente para a comercialização 
e para o consumo de produtos. Esse era um 
grande problema, pois, segundo as autoridades 
da província, as colônias não estavam 
prosperando em virtude da falta de estradas. 
 
125 
 
[...] Esta colônia é assentada em fértil 
terreno, próprio para vários gêneros 
de cultura. Não tem prosperado, tanto 
quanto se esperava, por diversas 
causas, nascidas já da grande 
distancia e da falta de vias de 
communicação, que liguem-a a 
cidade de Castro, em cujas 
visinhanças se acha e com quem 
entre em relações commerciaes, 
posto que em pequena escala, e já de 
se não ter applicado a necessária 
attenção ao seu desenvolvimento57. 
 
A administração pública, durante o período 
provincial, apesar das dificuldades encontradas 
pela falta de recursos técnicos e financeiros, 
sempre tomou providências em relação à 
construção e conservação de estradas, mesmo 
não conseguindo avançar com algumas obras 
importantes, como a conservação da Estrada 
da Graciosa. 
 
A navegação despertou grande interesse 
das autoridades desde os primeiros anos de 
província. O “empreendimento” de tornar os rios 
navegáveis, naquele momento, vinha ao 
encontro do fato de que os rios poderiam servir 
para determinar os limites geográficos da 
província, como também servir de referência 
para o estabelecimento de novas localidades 
(colônias de povoamento). Essa questão é 
constantemente mencionada nos relatórios dos 
presidentes e vice-presidentes, principalmente 
no período de 1850 a 1870, pois os rios 
representavam a possibilidade de um 
desenvolvimento econômico para o Paraná. 
 
57 Carvalho, 15 de fevereiro de 1870, p. 39. 
126 
 
Para explorar e mapear os rios foram 
contratados engenheiros como os irmãos 
Keller58. Vários rios foram estudados, como: 
Iguaçu, Tibagi, Ivaí, Piquiri, Paraná, 
Paranapanema etc. Além de os rios servirem 
como referenciais geográficos, poderiam ser 
transformados em vias de comunicação, 
considerados como estradas para o transporte 
de mercadorias. Isso traria um beneficio muito 
grande à província, pela diminuição dos gastos 
em relação ao transporte realizado 
normalmente por via terrestre. 
 
1º o rio Tibagy que se lança no 
Paranapanema, assim como este no 
Paraná, offerece com o Yvinheima e 
Brilhante de Mato-Grosso huma via 
fluvial, que, á partir do porto do 
Jatahy nesta, vae ter ao interior 
daquella província, ocassionando 
despezas incomparavelmente 
menores do que as que se fazem 
pela actual via de communicação, 
avista da distancia que encurta-se e 
do tempo que se poupa. A não ser 
pelos rios da Prata, Paraná, e 
Paraguay, parece averiguado não 
haver mais prompto nem mais fácil 
meio de communicação para o Mato-
Grosso do que a indicada via fluvial, o 
que pode deixar de produzir 
assignalados benefícios a esta 
província por motivos que estão ao 
alcance de todos (VASCONCELLOS, 
1854, p. 76-77).59. 
 
 
58 Nos anexos dos relatórios estão os relatórios dos engenheiros informando 
sobre o desenvolvimento do seu trabalho com os rios na província. 
59 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...15 de julho de 1854. p., 
p. 76-77. 
127 
 
Diversos outros fatores são abordados 
pelos governantes a respeito dos rios, como a 
possibilidade de exploração por meio da 
cobrança de “pedágios” na utilização de balsa 
para a travessia de um lado para outro, e 
também o fornecimento de peixes, o que 
poderia beneficiar as localidades às suas 
margens. 
 
As inúmeras dificuldades que ocorreram 
sobre essa questão são informadas nos 
relatórios, como por exemplo em relação ao rio 
Tibagi, onde a navegação poderia ser realizada 
apenas em algumas partes, pois em outras 
havia obstáculos. 
 
[...] não he, porem, o Tibagy rio tal, 
que consinta navegação não 
interrompida e sem perigo, porque 
sabe-se que tem muitas cachoeiras e 
baixos que com dificuldade se 
transpõe, e não he possível navegal-o 
com vantagem senão em certas 
monções (VASCONCELLOS, 1855, 
p. 770.60. 
 
A mesma questão é referida quanto ao rio 
Iguaçu. 
 
[...] Yguassú – Este rio, que tem sua 
origem proxima a Serra do Mar, nos 
municipios de Curytiba e S. José dos 
Pinhaes, não é navegável em todo 
seu curso, por causa das rochas que 
obstruem, e muito mais pelo 
 
60 VASCONCELLOS, Zacarias Góes e. Relatório...8 de fevereiro de 1855, p. 
77. 
128 
 
magnifico salto que apresenta [...] 
ROHAN, 1856, p. 168).61. 
 
Mesmo assim, com todas as dificuldades 
apresentadas com relação à navegação dos rios, 
os presidentes acreditavam nesse 
empreendimento. [...] E todavia bastantemente 
vantajosa seria aos interesses da provincia 
huma tal navegação, e capaz de compensar 
qualquer sacrifício que com ella se houvesse de 
fazer, defendia o presidente Zacarias em 1855. 
Mas esse interesse veio a desaparecer quando 
surgiu a possibilidade de construção das 
ferrovias na província, por volta da década de 
1880. 
 
Essa questão não se esgota aqui, e nem é 
o que pretendemos. Apenas procuramos 
apontar as perspectivas dos governantes 
provinciais em relação à pretendida navegação 
dos rios, principalmente quanto à utilização 
deles como estradas. Sem dúvida, é um 
assunto que posteriormente deve ser mais 
pesquisado. 
 
• Política de povoamento 
 
As colônias de povoamento com migrantes 
europeus eram citadas seguidamente pelos 
governantes nos relatórios,demonstrando a 
 
61 ROHAN, Henrique Pedro Carlos de Beaurepaire. Relatório... 1 de março 
de 1856, p.168. 
129 
 
preocupação em dinamizar a instalação de 
colônias produtoras de gêneros agrícolas para 
suprir o mercado local e a comercialização do 
excedente, como também a criação de mão de 
obra assalariada. 
A migração estrangeira para povoar o 
Paraná teve início em 1828, quando chegaram os 
primeiros alemães na região de Rio Negro, e 
continuou com a posse do primeiro presidente da 
província, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Ele 
via o imigrante como o individuo “trabalhador”, 
que traria técnicas e desenvolveria a agricultura, 
de que a província necessitava. 
 
A Lei nº 29 de 21 de março de 1855, 
em seu artigo 1º autoriza o 
governante a promover a imigração 
de estrangeiro para a província e 
empregar os meios necessários para 
atrair os estrangeiros que estiverem 
em qualquer outra província do Brasil 
(PARANÁ, 1912, p. 16-17).62. 
 
Essa lei inaugurou oficialmente o processo 
de povoamento com migrantes europeus, no 
Paraná. Todos os governantes da província 
mencionaram as dificuldades e os obstáculos 
enfrentados para o desenvolvimento da política 
de migração, como a falta de recursos 
financeiros, a falta de planejamento, os atritos 
culturais entre os estrangeiros e a populações do 
local, o que dificultava a relação entre eles. Mas 
acreditava-se nesse empreendimento, pois, 
 
62 Fonte: PARANÁ. Leis, Decretos, Regulamentos e Deliberações. 
Governo da Província do Paraná. 1855 –1857. Curitiba: Typographia 
Penitenciária. 1912, p.16-17. t. 2. 
130 
 
apesar dos problemas, os migrantes europeus 
eram um bom investimento. 
 
E meu sentimento, senhores, que a 
província do Paraná, nos seus 
ensaios de colonisação [...] crêe um 
estabelecimento agrícola, onde se 
admittão os estrangeiros e nacionaes, 
[...]. Estou plenamente convencido 
que, dirigida a empreza por pessoa 
intelligente, a província tiraria 
vantagens, que largamente a 
compensarião das despezas 
adiantadas.63 
 
O grande impulso da política de 
povoamento ocorreu entre as décadas de 1860 e 
1880, quando se instalaram, por todo o território, 
mais de 60 núcleos coloniais, oficiais e 
particulares. 
Quadro 3: Colônias de migrantes europeus na 
província do Paraná 
A
NO 
LOCALI
DADE 
COLÔNIA ETNIA64 
1
829 
Rio 
Negro 
Colônia do Rio 
Negro 
Alemães 
1
847 
Ivaí Colônia Tereza 
(hoje município de 
Reserva) 
Franceses 
1
852 
Guaraqu
eçaba 
Colônia do 
Superagui 
Suíços, 
alemães, franceses e 
outros. 
1
860 
Serro 
Azul 
Colônia do 
Assungui 
Ingleses, 
franceses, italianos, 
alemães e outros. 
1
868 
Curitiba, Colônia Argelina Franceses da 
Argélia, alemães, 
 
63 RELATÓRIO. Rohan, 01 de março de 1856, p.39. 
64 Fonte: PARANÁ. Dicionário histórico-biográfico do Paraná. Curitiba: 
Chain, 1991. p. 90-91. 
 
131 
 
suíços, ingleses e 
italianos. 
1
870 
Curitiba Colônia do 
Pilarzinho 
Poloneses, 
alemães e italianos 
1
871 
Curitiba Colônia São 
Venâncio 
Alemães, 
poloneses e suecos. 
1
871 
Paranag
uá 
Colônia 
Alexandra 
Italianos 
1
873 
Curitiba Colônia 
Abranches 
Alemães e 
poloneses. 
1
875 
Curitiba Colônia Santa 
Cândida 
Poloneses, 
suíços e franceses 
1
875 
Curitiba Colônia Orleans Poloneses, 
italianos, franceses e 
outros 
1
875 
Paranag
uá 
Colônia 
Eufrasina e Pereira 
Italianos e 
espanhóis 
1
876 
Curitiba Colônia Bento 
Inácio 
Poloneses, 
siberianos e 
galicianos 
1
876 
Curitiba Colônia 
Lamenha 
Poloneses, 
silesianos e alemães 
1
876 
Curitiba Colônia Dom 
Augusto 
Poloneses 
1
876 
Curitiba Colônia Dom 
Pedro 
Poloneses, 
galicianos e 
silesianos 
1
876 
Araucári
a 
Colônia Tomaz 
Coelho 
Poloneses, 
galicianos e 
silesianos. 
1
877 
Curitiba Colônia Riviére Franceses, 
poloneses e alemães 
1
877 
Antonina 
e Morretes 
Colônia Nova 
Itália 
Italianos 
1
878 
Curitiba Colônia Dantas Italianos 
1
878 
Curitiba Colônia Alfredo 
Chaves (hoje Colombo) 
Italianos 
1
878 
São José 
dos Pinhais 
Colônia Santa 
Maria do Novo Tirol 
Italianos 
1
878 
São José 
dos Pinhais 
Colônia Zacarias Poloneses e 
silesianos 
1
878 
São José 
dos Pinhais 
Colônia Inspetor 
Carvalho 
Poloneses e 
italianos 
1 São José Colônia Muricy Poloneses e 
132 
 
878 dos Pinhais italianos 
1
878 
Campo 
Largo 
Colônia Antonio 
Rebouças 
Poloneses e 
italianos 
1
878 
Ponta 
Grossa 
Colônia Otávio Alemães do 
Volga 
1
878 
Palmeira Colônia Sinimbu Alemães do 
Volga 
1
878 
Lapa Colônia 
Wirmond 
Alemães do 
Volga. 
1
879 
Paranag
uá 
Colônia Maria 
Luiza 
Italianos, 
alemães e espanhóis 
1
883 
Campo 
Largo 
Colônia Mendes 
Sá 
Italianos e 
poloneses 
1
886 
Campo 
Largo 
Colônia Alice Poloneses 
1
886 
Araucári
a 
Colônia Barão 
de Taunay 
Poloneses 
1
886 
Curitiba Colônia Santa 
Gabriela 
Poloneses e 
Italianos 
1
886 
Curitiba Colônia Antonio 
Prado 
Poloneses e 
Italianos 
1
886 
Curitiba Colônia Pres. 
Faria 
Poloneses e 
italianos 
1
887 
Curitiba Colônia Maria 
José 
Italianos 
1
887 
Rio 
Negro 
Colônia João 
Alfredo 
Alemães e 
poloneses 
1
887 
Rio 
negro 
 Colônia São 
Lourenço 
Alemães 
1
888 
Curitiba Colônia Santa 
Felicidade 
Italianos 
1
888 
Paranag
uá 
Colônia 
Visconde de Nacár 
Italianos 
1
888 
Paranag
uá 
Colônia de 
Santa Cruz 
Italianos 
1
888 
Paranag
uá 
Colônia Santa 
Rita 
Italianos 
1
889 
Campo 
Largo 
Colônia Balbino 
Cunha 
Italianos 
1
889 
Campo 
Largo 
Colônia Dona 
Mariana 
Italianos 
Fonte: MARTINS, Wilson. Um Brasil Diferente:ensaio 
sobre o fenômeno de aculturação no Paraná. 2. 
ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1989. p. 66-67. 
133 
 
 
A entrada de migrantes europeus durante o 
tempo da província foi de 19.215 indivíduos. Esse 
fato alterou a constituição da população, que em 
1854 contava com 60.625 habitantes, e passou a 
126.722 habitantes em 187265. 
Quase a totalidade dos presidentes do 
período provincial, com exceção de um e outro, 
investiram nessa política de povoamento, o que 
marcou o Paraná e selou um rumo que não seria 
abandonado, fato que promoveu a diversidade 
étnica presente no Estado hoje. Tal questão leva 
a muitas pesquisas sobre o que é ser 
paranaense. Dentre os estudos apresentados, o 
sociólogo Wilson Martins aponta como sendo 
essa política de migração a responsável por dar 
uma constituição populacional diferenciada do 
restante do Brasil66. 
 
O resultado dessa política, 
prosseguida sistematicamente há um 
século, deu ao Paraná a sua 
fisionomia humana particular e típica, 
definidora e essencial, [...]. Assim, 
ainda no domínio etnológico, o 
 
65 Cf. MARTINS, 1989, p. 69. Não se pode esquecer de que nessa cifra 
numérica existia a população negra. A composição da população do 
Paraná segundo a cor, no século XIX, variou de 58,6% de brancos e 
41,4% de negros, pardos e mulatos em 1800, passando a 55,1% de 
brancos e 44,9% de negros, pardos e mulatos, em 1822; 57,2% de 
brancos, sem população da Lapa, e 42,9% de negros, pardos e mulatos 
em 1854; e 55% de brancos e 45% de negros, pardos e mulatos, em 1872 
(Dicionário histórico-biográfico do Paraná, 1991, p.383). 
66 Para se ter uma visão critica sobre essa forma de ver a constituição da 
sociedade paranaense: MOTA, Lúcio Tadeu. As guerras dos Índios 
Kaingang: a história épica dos índios Kaingang no Paraná (1769-1924). Maringá-
PR: EDUEM, 2009. p. 19-71. 
134 
 
Paraná repete o exemplo de equilíbrio 
[...] como a sua característica 
fundamental. Em certas regiões 
brasileiras o esquema da população 
pode ser um “triângulo retângulo” [...] 
o elemento português, o índio [...] o 
africano – aqui a figura geométrica 
seria, na mais simplificadora das 
hipóteses,um polígono irregular de 
sete lados, cujas faces, em extensão 
decrescente e tamanho variável, 
representariam os elementos 
polonês, ucraniano, alemão, italiano, 
[...] o índio e o negro 
(MARTINS,1989, p. 108).67 
 
Assim, segundo essa explicação, a 
representação da formação do povo brasileiro e 
do povo paranaense ocorreria conforme os 
esquemas a seguir 68, na Figura 1. 
 
O Paraná, visto dessa forma por Martins, 
dilui todas as etnias no povo paranaense, na 
sociedade paranaense, que, na sua visão 
sociológica, é uma sociedade “diferente” da do 
resto do Brasil. 
 
 
 
 
 
 
67 MARTINS, Wilson. Um Brasil diferente: ensaio sobre o fenômeno de aculturação 
no Paraná. 2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1989. p. 108. 
68 O desenho dos esquemas foi retirado de: MOTA, Lúcio Tadeu. História do 
Paraná: ocupação humana e relações interculturais. Maringá-PR: EDUEM, 2005. 
p. 53-54. (Formação de professores EAD, n. 28). 
 
135 
 
POVO
BRASILEIRO
PORTUGUESES
NEGROS
ÍN
D
IO
S
POVO
PARANAENSE
N
E
G
R
O
ÍN
D
IO
PORTUGUÊS
ALEM
ÃO
UC
RA
NI
AN
O
PEQUENOS GRUP OS
IT
AL
IA
NO
POLO
NES
^
 
Figura 1. Esquema geral de explicação da 
formação do povo brasileiro e do 
povo paranaense 
 
Também verificamos, nas informações dos 
presidentes da província, preocupação com as 
populações indígenas e ações direcionadas a 
elas, como a implantação de colônias militares, 
também mencionadas nos relatórios. Além de 
serem priorizadas como pontos estratégicos na 
defesa das áreas limítrofes da província, essas 
colônias eram consideradas como uma política 
mais ampla para ocupação dos territórios, no 
sentido de promover o povoamento. 
Tanto a implantação das colônias militares 
quanto a dos indígenas constituíram ações 
desenvolvidas em conjunto pelo governo 
imperial e o provincial. Assim, foram 
136 
 
implantadas tais colônias em vários pontos da 
Província. 
As colônias militares foram as seguintes: 
Colônia Militar de Jataí, criada em 21 de janeiro 
de 1855 pelo decreto Imperial nº 751, localizada 
às margens do rio Tibagi, hoje cidade de 
Jataizinho; Colônia Militar do Chopim, criada em 
16 de novembro de 1859 pelo decreto Imperial 
nº. 2.502, instalada em 27 de dezembro de 
1882, localizada onde hoje é a cidade de 
Chopinzinho; Colônia Militar do Chapecó, pelo 
decreto nº 2502 de 16 de novembro de 1859, 
instalada em 14 de março de 1882, e que hoje 
integra o território do Estado de Santa Catarina; 
Colônia Militar de Foz do Iguaçu, fundada em 
23 de novembro de 1889, onde hoje é a cidade 
de Foz do Iguaçu. 
As colônias indígenas foram: Colônia de 
Nossa Senhora do Loreto do Pirapó, criada em 
1855, localizada na foz do rio Pirapó, no 
Paranapanema, hoje cidade de Itaguagé; 
Colônia de Santo Inácio do Paranapanema, 
criada em 1862 na embocadura do rio Santo 
Inácio do Paranapanema, atualmente município 
de Santo Inácio; Colônia de São Pedro 
Alcântara, criada em 1855 às margens do rio 
Tibagi, em frente à cidade de Jataizinho, que foi 
a que teve maior duração, sendo extinta apenas 
em 1895; Colônia de São Jerônimo, em 1859, 
hoje cidade de São Jerônimo da Serra; Colônia 
do Xongu (Chagu) instalada em 1859, nos 
campos do Chagu, a oeste de Guarapuava, 
onde atualmente se localiza a Terra Indígena de 
137 
 
Rio das Cobras, no município de Laranjeiras do 
Sul; Colônia de Catanduvas, implantada em 
1891, localizada entre a colônia militar de Foz 
do Iguaçu e Guarapuava; Colônia de São 
Tomás de Papanduva, instalada em 1875 na 
região do Rio Negro. 
 
• Considerações finais 
Ao abordarmos as principais políticas 
públicas dos presidentes e vice-presidentes do 
Paraná provincial constatamos como eles 
buscaram promover o desenvolvimento político, 
social, cultural e econômico da província para 
consolidar a sua autonomia por meio de ações 
políticas, como: organizar e garantir a segurança 
pública, que, apoiada na ordem dominante, agiu 
em defesa dos interesses de uma determinada 
classe social – a elite; o desenvolvimento de 
práticas educacionais, para criar uma sociedade 
com uma cultura pautada na moralidade e nos 
costumes da época; a busca por ocupar, unificar 
e garantir o domínio do território, ligando uma 
região a outra pela política de estradas, 
investindo na sua construção e em suas 
melhorias, e no projeto de navegação dos rios, 
visando impulsionar a economia e a comunicação 
do interior com o centro dominante do poder; 
como também povoar com gente “civilizada, 
morigerada e laboriosa” as terras paranaenses, 
constituindo uma sociedade pautada na ideologia 
do progresso e da civilização. 
Esperamos que, a partir do que foi abordado 
neste capítulo, seja possível se conhecer um 
138 
 
pouco sobre esse período da história paranaense 
que não costuma ser abordado nas escolas, e 
praticamente não é estudado pelos alunos. 
Apesar de a história paranaense ser objeto de 
estudos desde meados do século XIX até os dias 
de hoje, de forma geral muito pouco contato os 
educadores e estudantes têm com esses estudos. 
 
 
 
 
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em 17/mar. 2008. 
 
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SANTOS, Carlos Roberto Antunes dos. Vida 
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TRINDADE, Etelvina Maria de Castro; 
ANDREAZZA, Maria Luiza. Cultura e Educação 
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WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do 
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141 
 
 
 
Documentos On line 
 
 
PARANÁ. Relatórios dos Presidentes e Vice-
presidentes da Província do Paraná. Curitiba, 
1854-1889. Disponível em: 
<http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. Acesso 
em: 14 mar. 2008. 
 
PARANÁ. Governador (1854-1856: Góes e 
Vasconcellos) Relatório do Presidente da 
Província do Paraná Zacarias de Góes e 
Vasconcellos na Abertura da Assembléia 
Legislativa Provincial, em 15 de julho de 1854. 
Disponível em: 
<http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. Acesso 
em: 15 mar. 2008. 
 
PARANÁ. Governador (1854-1856: Góes e 
Vasconcellos) Relatório do Presidente da 
Província do Paraná o Conselheiro Zacarias 
de Góes e Vasconcellos na Abertura da 
Assembléia Legislativa Provincial, em 8 de 
fevereiro de 1855. Disponível em: 
<http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. Acesso 
em: 15 mar. 2008. 
 
PARANÁ. Governador (1854-1856: Góes e 
Vasconcellos) Relatório do Vice-Presidente da 
Província Henrique de Beaurepaire Rohan à 
Assembléia Legislativa, em primeiro de março 
de 1856. Disponível em: 
<http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. Acesso 
em: 17 mar. 2008. 
 
PARANÁ. Governador (1868-1869: Augusto da 
Fonseca) Relatório do Presidente da Província 
Antonio Augusto da Fonseca à Assembléia 
Legislativa em 6 de Abril de 1869. Disponível 
em: <http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. 
Acesso em 17 mar. 2008. 
 
PARANÁ. Governador (1869 - 1870: Affonso de 
Carvalho) Relatório do Presidente da Província 
do Paraná Dr. Antonio Luiz Affonso de 
142 
 
Carvalho apresentado à Assembléia 
Legislativa, na abertura da 1ª sessão da 9ª 
legislatura, em 15 de fevereiro de 1870. 
Disponível em: 
<http://www.pr.gov.br/arquivopublico/>. Acesso 
em: 17 mar. 2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADES 
 
Observando o quadro I da galeria de 
presidentes verificamos grande número de 
governantes no período provincial paranaense. 
Estabelecendo um paralelo com dados 
recentes, responda às seguintes questões: 
 
1- Você sabe quantos governantes o Paraná 
teve nas últimas duas décadas? 
2- Quais as prioridades de cada governante? 
3- De que regiões eram oriundos? 
4- Quais partidos políticos representavam? 
5- Pesquise e elabore um quadro semelhante 
ao “quadro I”, com informações sobre os 
governantes das últimas duas décadas 
(nomes, partidos, região de origem, 
principais políticas de governo etc.). 
 
 
 
 
143

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