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Auditoria e controles internos W B A 0 19 8 _ V 1. 1 2/218 Auditoria e controles internos Autoria: Frederico Otávio Sirotheau Cavalcante Como citar este documento: CAVALCANTE, Frederico O. S. Auditoria e controles internos. Valinhos: 2017. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: Importância e conceito de controle interno 05 Assista a suas aulas 23 Unidade 2: Princípios de controle interno contábil 31 Assista a suas aulas 49 Unidade 3: Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos? 57 Assista a suas aulas 80 Unidade 4: Detecção e prevenção de fraudes 89 Assista a suas aulas 104 2/201 3/2183 Unidade 5: Controles: contas a pagar, tributos e estoques 112 Assista a suas aulas 136 Unidade 6: Papéis de trabalho: conceitos e definições 146 Assista a suas aulas 162 Unidade 7: Planejamento de auditoria 170 Assista a suas aulas 183 Unidade 8: Metodologias de emprego da auditoria 191 Assista a suas aulas 211 Sumário Auditoria e controles internos Autoria: Frederico Otávio Sirotheau Cavalcante Como citar este documento: CAVALCANTE, Frederico O. S. Auditoria e controles internos. Valinhos: 2017. 4/218 Apresentação da Disciplina A complexidade da atividade empresarial exige que os gestores tenham segurança nas informações para a tomada de decisão e para que as ações planejadas e aprovadas sejam executadas adequadamente. O novo contexto econômico e tecnológico, a busca por melhoria contínua, o cumpri- mento dos objetivos e o comprometimento da alta administração, exige dos gestores, que têm uma visão multidisciplinar, a inicia- tiva de uma correta implantação, execução e monitoramento das atividades empre- sariais, que permita dispor de informações seguras e fidedignas, assegurando a toma- da de decisão com redução de riscos, alo- cação adequada de recursos, preservação do patrimônio com garantia de confiança e transparência nas transações. Nesse cená- rio, surge a auditoria e o controle interno, que são ferramentas capazes de assegurar que as boas práticas contábeis e adminis- trativas estão sendo executadas pela em- presa. Esta disciplina tem o objetivo demonstrar como a auditoria e o controle interno po- dem contribuir para a otimização do resul- tado global das empresas, apresentando e discutindo os conceitos pertinentes aos te- mas. 5/218 Unidade 1 Importância e conceito de controle interno Objetivos 1. Explicitar a importância do controle interno. 2. Discutir e aplicar os principais conceitos, normas e procedimentos do processo de controle interno. 3. Apresentar aspectos de controles internos para atendimento ao fisco. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno6/218 Introdução Com o aumento das atividades empresa- riais, fez-se necessária a implantação de novas ferramentas gerenciais que permi- tissem aos sócios verificar se os gestores da empresa estavam maximizando a riqueza da empresa ou, em outras palavras, se es- tavam gerindo satisfatoriamente os negó- cios e recursos que lhes foram confiados. Neste contexto, destaca-se a importância do controle interno que tem como um dos objetivos acompanhar as rotinas da empre- sa, se estão seguindo o que foi planejado e mostrando eventuais desvios e fraudes que eventualmente surgirão. 1. Importância do Controle In- terno Os controles internos adequados garan- tem as empresas qualidade e exatidão das informações, o que assegura aos gestores embasamentos seguros dentro do proces- so de decisão. Eles também permitem mini- mizar riscos legais, como operações fiscais, relações com clientes (consumidores), civil entre outros. Outro ponto em que os controles internos contribuem é com melhoria de processos produtivos, analisando possíveis gargalos e restrições, garantindo redução de custos, que interferem diretamente no resultado (lucro) das empresas. E entre todos os pon- tos positivos dos controles internos, eles Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno7/218 ainda ajudam a detectar possíveis fraudes ou erros. As empresas que possuem controle interno adequado podem ter, com exatidão, as informações necessárias para uma melhor gestão, amparando os administradores no aperfeiçoamento das operações em busca da conquista de objetivos, aprimorando a eficiência dos processos produ- tivos com redução de custos e melhoria na qualidade dos produtos e serviços, além de detectar possíveis falhas, erros ou fraudes (ATTIE, 2007) Link Recomenda-se a leitura do artigo indicado neste link para demonstrar a relevância do controle in- terno nas demonstrações contábeis, sendo proporcionado o entendimento dos usuários e a agili- dade nos processos. BORDIN, P.; SARAIVA, C. J. O controle interno como ferramenta fundamental para a fidedignidade das informações contábeis. 2005. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno8/218 “Em uma organização, o controle interno representa os procedimentos ou rotinas afim de res- guardar os ativos, gerar dados contábeis confiáveis e auxiliar na condução ordenada dos negó- cios da empresa, representando os controles contábeis e administrativos de modo explícito e prático” (CREPALDI, 2004, p. 249). Para saber mais As diretrizes básicas sobre controle interno de qualidade para auditores independentes são apresen- tadas pelo IBRACON NPA nº 10, sendo identificados os objetivos, itens relacionados ao planejamento e organização das revisões, entre outros. Pondera-se que os controles internos apresentam sustentação na área administrativa, conforme menciona Crepaldi (2009, p. 359): Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno9/218 O controle interno gira em torno dos aspectos administrativos, que in- fluenciam diretamente sobre os aspectos contábeis, assim é preciso consi- derá-los conjuntamente para determinar um aspecto de controle interno adequado. Pode-se analisar e entender controle inter- no do ponto de vista administrativo e con- tábil. No administrativo, o controle interno tem o papel de assegurar que o manual de procedimentos existe e está sendo cumpri- do e executado. Já do ponto de vista contá- bil, assegura que todas as informações con- tábeis financeiras estão sendo registradas na contabilidade. O controle interno está profundamente en- volvido na busca da eficácia organizacional. O bom controle interno deve buscar sempre a eficiência, eficácia e economicidade. Também temos que considerar o tamanho das companhias e as necessidades exigi- das para a implementação dos controles internos. Grandes companhias, que muitas vezes são listadas em bolsa de valores, de- vem possuir sofisticados controles internos, garantindo um respaldo entre a ligação das Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno10/218 informações que circulam entre adminis- trativo x financeiro x contabilidade de custo x contabilidade financeira x sistemas orça- mentários, culminando em maior seguran- ça no processo decisório. Como resultado, as companhias garantem governança cor- porativa que, para aos olhos dos investi- dores, reflete em segurança, confiança e, sobretudo, transparência nas informações financeiras. Todo este controle gera um custo a fim de operacionalizar a criação, implementar e monitorar os controles internos. Sendo as- sim, quando pensamos em empresas de médio e pequeno porte, nas quais seus re- cursos muitas vezes não são abundantes, a criação de controles internos deverá ser adequada ao seu nível de exigência, basea- do sempre na capacidade operacional. Criar controles internos apenas para tê-los, sem que traga nenhum benefício relevante para a operação das pequenas companhias, po- derá dificultar o processo operacional, que afetará na eficiência de entrega de seus objetivosdo negócio, podendo, assim, des- gastar o relacionamento com seus clientes e, consequentemente, a geração de receita. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno11/218 2. Controles Internos 2.1. Conceitos de Controles Segundo Almeida (1996, p. 50), “o contro- le interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ati- vos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na conclusão orde- nada dos negócios da empresa”. O Instituto de Auditores Internos do Brasil, Audibra (1992, p. 48), registra que: [...] controles internos devem ser entendidos como qualquer ação tomada pela administração (assim compreendida tanto a Alta Admi- nistração como os níveis geren- ciais apropriados) para aumentar a probabilidade de que os objetivos e metas estabelecidas sejam atin- gidos. A Alta Administração e a ge- rência planejam, organizam, diri- gem e controlam o desempenho de maneira a possibilitar uma razoável certeza de realização. Controle interno não é, somente, um com- plexo sistema de rotinas e procedimentos Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno12/218 burocráticos que necessitam ser integral- mente implementados em conformidade com os livros e normas para que funcionem satisfatoriamente. O administrador deter- minará a capacidade de implantar sistemas de controle que possuem qualidades favo- ráveis para a empresa de acordo com suas particularidades. Para saber mais O controle interno e a auditoria, ramos da conta- bilidade, surgiram da necessidade das empresas controlarem seus ativos, passivos, despesas e re- ceitas. Através do controle interno começou-se a ter controle do que de fato ganhava-se e gasta- va-se. Segundo Chiavenato (1993, p. 262), exis- tem três significados para a palavra contro- le, que são: a. Controle como função restritiva e coercitiva: serve para coibir ou limitar certos tipos de desvios in- desejáveis ou de comportamento não aceitos. É também chamado de controle social, pois inibe o individualismo e a liberdade das pessoas, neste sentido apresenta um caráter negativo e limitativo; b. Controle como sistema automá- tico de regulação: tem como ob- jetivo manter um grau de fluxo Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno13/218 ou funcionamento de um siste- ma. Dentro deste mecanismo de controle se detectam possíveis desvios ou irregularidades e pro- porcionam automaticamente a regulação necessária para voltar à normalidade; c. Controle como função adminis- trativa: é o controle como parte do processo administrativo, as- sim como o planejamento, orga- nização e a direção fazem parte. controle pode ser visualizado como um sis- tema que forneça feedback e não simples- mente como uma questão de estabeleci- mento de padrões, mensuração de desem- penho e correção de desvios. Como exemplo de controle interno em uma empresa comercial, sugere-se a segregação de funções, ou seja, um funcionário faz o pedido de compra e outro autoriza, aprova e confere. Dessa forma, evita-se fraudes e desfalques, melhorando os índices de resul- tado da empresa. O controle está relacionado diretamente com funções do processo administrativo pertinentes ao planejamento, organização e direção. Propicia a mensuração e a avalia- ção dos resultados da ação empresarial. O Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno14/218 2.2. Controles Internos para Atender ao Fisco Com o desenvolvimento das tecnologias de informações, o fisco nacional, estadu- al e municipal passou a criar projetos para integrar as informações fiscais, contábeis, Link Síntese dos estudos relacionados ao controle in- terno numa década de publicação de artigos. SOUZA, E. X. F. et al. Controle interno: um estudo bibliométrico (2004-2010) comparativo da pro- dução científica no Brasil através de publicações da Associação Nacional de Pós-graduação e Pes- quisa em Administração. Para saber mais O marco histórico relacionado aos controles in- ternos refere-se ao surgimento da lei americana: Sarbanes&OxleyAct. DANTA, W. R. H. Importân- cia dos Controles internos nas empresas an- tes e depois do advento da Sarbanes-OxleyAct. 2006. “Controles Internos abarcam os controles administrativos e contábeis, os quais po- dem ser implementados pela administração de uma organização com o intuito de salva- guardar seus ativos, produzir dados contá- beis confiáveis e assessorar na condução coordenada dos negócios” (ALMEIDA, 2003, p. 63). Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno15/218 financeira e de departamento pessoal das companhias. O projeto do Sistema Público de Escrituração DIGITAL (SPED) abarca uma série de recursos tecnológicos, na qual a companhia como contribuinte dos tributos passa a enviar mensalmente e em alguns casos anualmente informações de todas as operações. As companhias emitem notas fiscais de forma eletrônica, enviam as apu- rações dos impostos diretos devidos men- salmente, enviam os impostos indiretos, in- formações sobre a folha de pagamento dos colaboradores e também o balanço patri- monial a cada exercício social. Para muitos o fisco instituiu o SPED, po- rém as informações já eram enviadas em outras obrigações acessórias, que mesmo centralizadas e mais completas no SPED, ainda não deixaram de serem obrigatórias. Sendo assim, as companhias possuem um custo a mais para atender a estas novas re- gras, obrigando também a criação de novos controles internos, que possam controlar a geração das informações de forma asserti- va, para rastrear todas as informações ne- cessárias a serem enviadas ao fisco. A Fi- gura 1 apresenta aspectos do SPED, que é o “instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e au- tenticação de livros e documentos que in- tegram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas” (POR- TALDECONTALIBIDADE, s.d., s.p.). Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno16/218 Figura 1 | Controles internos: o SPED Fonte: adaptado de: SPEDPR (s.d). Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno17/218 Para saber mais A Receita Federal do Brasil disponibiliza um site exclusivo para tratar todos os projetos SPED, em que po- deremos encontrar links que ajudam a esclarecer as principais necessidades dos SPED, manual de consulta de usurários e desenvolvedores de sistema, guia de pergunta e resposta e até mesmo baixar os programas de validação dos arquivos para transmissão. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno18/218 Glossário Fraudes: erro intencional, má fé para se obter vantagens pessoais. Crime ou ato ilegal. Métodos: caminho ou comportamento a ser seguido. Programação estruturada. Feedback: resposta que alguém recebe de outrem referente a um pedido ou acontecimento. Avalia o resultado de alguma transmissão. Questão reflexão ? para 19/218 As empresas são típicos exemplos de sistemas, uma vez que são formadas por um conjunto de departamentos e estes por setores que interagem entre si e com o meio onde atuam (exterior). Existem riscos internos (ex.: cola- boradores, capacidade produtiva, maquinários) e exter- nos (ex.: fornecedores, clientes, concorrentes, governo) que podem afetar o objetivo desse sistema. Reflita sobre a forma com que o controle interno pode minimizar es- tes riscos. 20/218 Considerações Finais Diante do exposto, verifica-se que os objetivos de uma empresa só serão ple- namente alcançados se possuir um ótimo controle interno. O controle interno ajuda a evitar fraudes, erros e ineficiência. Para que ele sejaexequível, mister se faz contar com a colaboração dos funcionários em todas as etapas dos proces- sos. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno21/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, William. Auditoria interna. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2007. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. BORDIN, P.; SARAIVA, C. J. O controle interno como ferramenta fundamental para a fidedigni- dade das informações contábeis. 2005. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/index.php/ contabilidade/article/view/200/3725>. Acesso em: 17 fev. 2017. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1993. COAD. Entenda o que são os controles internos. Disponível em: <http://coad.jusbrasil.com.br/ noticias/2131059/entenda-o-que-sao-os-controles-internos>. Acesso em: 17 fev. 2017. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. ______. Auditoria contábil: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Unidade 1 • Importância e conceito de controle interno22/218 DANTA, W. R. H. Importância dos Controles internos nas empresas antes e depois do adven- to da Sarbanes-OxleyAct. 2006. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/hand- le/10183/11496/000615887.pdf?sequence=1>. Acesso em: 17 fev. 2017. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PORTALDECONTABILIDADE. s.d. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/noti- cias/sped.htm>. Acesso em: 17 maio 2017. SOUZA, E. X. F. et al. Controle interno: um estudo bibliométrico (2004-2010) comparativo da produção científica no Brasil através de publicações da Associação Nacional de Pós-gradua- ção e Pesquisa em Administração. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/arti- gos11/48414829.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2017. SPEDPR. Disponível em: <http://sped.rfb.gov.br/>. Acesso em: 17 maio 2017. PORTAL IBRACON s.d. Disponível em <http://www.ibracon.com.br/ibracon/Portugues/detPubli- cacao.php?cod=123>. Acesso em: 23 jun. 2017. Referências 23/218 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: Importância e Conceito de Con- trole Interno. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 9df30ec4995956c9f57b243cee979f09>. Aula 1 - Tema: Importância e Conceito de Con- trole Interno. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 28d5a4566242c7f761797464c806f2f8>. 24/201 1. O controle interno está diretamente ligado à avaliação de resultados quan- to à eficiência e à eficácia da gestão. Eficiência está para redução de custos, assim como eficácia está para resultados. Baseado nas duas frases, assinale a alternativa correta. a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. Questão 1 25/201 2. Controles internos mal elaborados, com falhas ou vícios, não são de responsabilidade do auditor. Os responsáveis pelos controles internos são os gestores da empresa. Baseado nas duas frases, assinale a alternativa correta. a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. Questão 2 26/201 3. Levando-se em conta que os controles internos podem ser entendidos e analisados do ponto de vista administrativo e contábil, assinale a alter- nativa que reflete um controle interno contábil. a) Controle operacional. b) Rotinas de RH. c) Análise da lucratividade. d) Conciliação bancária. e) Análise de tempos e movimentos. Questão 3 27/201 4. Dos controles apresentados, levando-se em conta que podem ser detecti- vos (projetados para detectar erros) ou preventivos (projetados com a finali- dade de evitar a ocorrência de erros), identifique os de natureza preventiva. I- Segregação de funções. II- Limites e alçadas. III- Autorizações. IV- Conciliações. V- Revisões de desempenho. São exemplos de controles preventivos APENAS os apresentados em: a) I, II e III. b) II, III e IV. c) III, IV e V. d) I, II, III e V. e) ) I, II, IV e V. Questão 4 28/201 5. Assinale a alternativa que representa limitações do controle interno. a) Alto volume de transações e distância entre filiais. b) Conluio de funcionários na apropriação de bens da empresa e grande volume de transações. c) Distância entre filiais e clima organizacional. d) Negligência dos funcionários, conluio de funcionários na apropriação de bens da empresa e falta de instrução a respeito das normas internas. e) Distância entre filiais e conluio de funcionários na apropriação de bens da empresa. Questão 5 29/201 Gabarito 1. Resposta: D. A questão só requer o conhecimento da de- finição de eficiência (atingimento do resul- tado com melhor custo-benefício) e efetivi- dade (atingir o resultado). 2. Resposta: D. A função básica da auditoria interna, de as- segurar o sistema de controle interno eficaz, não desobriga os executivos das responsa- bilidades de verificação e controle nos seus respectivos setores. 3. Resposta: D. Os controles contábeis compreendem o plano de organização e todos os métodos e procedimentos diretamente relacionados com a salvaguarda do patrimônio e a fide- dignidade dos registros contábeis. Que são: 1) Sistema de autorização e aprovação; 2) Separação das funções de escrituração ela- boração dos relatórios contábeis dos fatos ligados às operações ou custódia dos valo- res; 3) Controles físicos. 4. Resposta: A. A conciliação e revisão de desempenho não são preventivos e sim corretivos. 30/201 5. Resposta: D. Segundo Marcelo Cavalcanti Almeida (1996), as principais limitações do controle interno são: negligência dos funcionários; conluio de funcionários na apropriação de bens da empresa e falta de instrução a res- peito das normas internas. Gabarito 31/218 Unidade 2 Princípios de controle interno contábil Objetivos 1. Apresentar os princípios de controle interno contábil. 2. Aplicar os princípios de controle interno contábil. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil32/218 Introdução Princípios são normas ou padronização de técnicas que fundamentam uma seção de conhecimento. Seguir os princípios esta- belecidos por uma determinada matéria significa redução de risco de erros e, neste caso, redução de falhas do controle interno da empresa. Importante destacar que ainda assim podem ocorrer falhas. Concomitante com os princípios, deve-se implementar bons sistemas de informação que auxiliarão nas rotinas da empresa, emi- tindo relatórios com fidedignidade. Para saber mais Crepaldi (2007) cita algumas medidas a serem observadas na avaliação do controle interno, sen- do necessário considerar os procedimentos para prevenir ou detectar erros e irregularidades e de- terminar se os métodos estão sendo seguidos sa- tisfatoriamente. Para saber mais Como preceito constitucional, o controle interno aparece pela primeira vez na Constituição Federal de 1967:“Art. 71 - A fiscalização financeira e or- çamentária da União será exercida pelo Congres- so Nacional através de controle externo, e dos sistemas de controle interno do Poder Executivo, instituídos por lei” (BRASIL, 1967). Várias são as regras e os princípios que de- vem ser seguidos pela empresa, objetivan- Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil33/218 do a preservação de seu patrimônio e a maximização do lucro. No item a seguir, se- rão apresentados os princípios de controle interno, segundo o Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo. Link Existem algumas regras para preservar o patri- mônio das entidades. É claro que a obediência a elas não exclui a possibilidade de ocorrência de irregularidades, afinal, um controle ótimo é ide- alismo. Acesse o link indicado que explicita esses conceitos. TIBURCIO, C. P. Princípios do controle interno. 2012. 1. Princípios De Controle Inter- no Contábil Segundo o Conselho Regional de Contabi- lidade São Paulo (1994, p. 61), os princípios do controle interno são: a. a autoridade deve ser determina- da, de acordo com a orientação da administração. Caso não haja esta delegação de autoridade, o controle será ineficiente; A autoridade deve ser determinada para assegurar que todos os procedimentos de controle sejam executados. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil34/218 Link O controle interno difere-se do administrativo em variados aspectos. Faça a leitura do artigo indica- do para verificá-los. BORDIN, P.; SARAIVA, C. J. O controle interno como ferramenta fundamen- tal para a fidedignidade das informações con- tábeis. 2005. Exemplos de funções que devem ser segre- gadas: • Quem aprova a compra deve ser dife- rente da pessoa que paga; • O responsável pela contabilidade deve ser diferente da pessoa que tem a cus- tódia dos bens. b. a contabilização e as operações pro- priamente ditas devem ser segrega- das. Um colaborador ou um depar- tamento não deve ocupar uma posi- ção em que tenha ao mesmo tempo o controle das transações e de seus registros contábeis. Mesmo em am- bientes altamente informatizados, onde a introdução dos dados no sistema de informação é feita pelo departamento que efetua as transa- ções, o controle do registro contá- bil é de responsabilidade do depar- tamento contábil, que deve deter o controle final da contabilização des- ta transação (CRCSP, 1994, p. 61); Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil35/218 Todas as transações devem estar especifi- cadas em manuais. c. todas as transações da empresa de- vem ser realizadas mediante autori- zação prévia. “A autoridade máxima em uma organização pertence aos acionistas ou controladores e é de- legada à administração. Esta estabe- lece as condições nas quais devem ser executadas as transações espe- cíficas” (CRCSP, 1994, p. 61); d. é preciso utilizar provas indepen- dentes para comprovar que as ope- rações e a contabilidade estão regis- tradas de forma exata e adequadas. As transações registradas na con- tabilidade devem coincidir com as existentes nos demais sistemas ope- racionais da empresa e devem estar documentadas (CRCSP, 1994, p. 61); Para confirmar as transações, os auditores valem-se da circularização. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil36/218 Segmentando-se o ciclo de uma transação, evita-se que surjam os vícios laborativos, intencionais ou não.e. nenhum colaborador da organiza- ção deve ter, sob controle, a res- ponsabilidade de todo o ciclo de uma transação comercial. As ope- rações devem ser planejadas de forma que mais de uma pessoa ou departamento participe de cada transação. Desta forma, o trabalho de um torna-se a prova do outro. A segregação de funções contribui para a eficiência das operações e detecta mais rapidamente erros ou fraudes (CRCSP, 1994, p. 61); f. a rotação de colaboradores na execu- ção dos trabalhos é fundamental, já que esta atitude minimiza as opor- tunidades de ocorrência de frau- des, estimula inovações e aumenta a qualificação técnica e profissional dos colaboradores. Além do mais, a adoção deste princípio, reduz signi- ficativamente a dependência pelos “especialistas” e resulta em novas ideias sobre sistemas, métodos e processos (CRCSP, 1994, p. 61); Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil37/218 A JobRotation atualmente é uma prática bastante utilizada por grandes empresas. Conceder férias, além de ser um direito trabalhista, permite que outros funcionários verifiquem e vivenciem a rotina daquele departamento, identificando seus pontos fortes e fracos. g. é de fundamental importância que todos os colaboradores da empresa saiam de férias. O descanso colabora para a “reposição de energias” e é um direito trabalhista. O acumulo de férias ou seu abono pode estar criando, dentro da empresa, os chamados “especialistas” e constituindo passivos trabalhistas potenciais, isto porque, ao desligarem-se da empresa, poderão acioná-la ju- dicialmente, reivindicando as férias não gozadas. Possuir funcionários que não gozem férias significa, também, manter encobertas fraudes e erros que porventura existam (CRCSP, 1994, p. 61); Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil38/218 Todo processo deve ser explicado a todos os envolvidos nele. h. é importante que a instituição organize e distribua a seus colaboradores um manual de controle interno, onde conste as instruções operacionais, nor- mas e procedimentos adotados pela empresa. Esta adoção colabora para a coibição de erros de execução e também garante a qualidade dos processos (CRCSP, 1994, p. 61); i. todos os colaboradores, em especial os envolvidos com as atividades de con- trole, devem ser cuidadosamente selecionados e treinados. É saudável a vida pregressa e as referências apresentadas pelos candidatos ao emprego. O treinamento familiariza os colaboradores com as novas tarefas e os situa dentro do contexto e normas da empresa. As compreender o que dele se espera, o funcionário contribui para o aumento da eficiência operacional e a redução de custos; Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil39/218 j. os responsáveis pela custódia de numerários e outros ativos da empresa de- vem ter seguro-fidelidade, permitindo proteger os ativos em caso de pos- síveis fraudes, contribuindo também como inibidor de ações danosas con- tra seu patrimônio. Os colaboradores devem estar cientes de que a compa- nhia seguradora só indenizará a empresa dos prejuízos, quando registrar-se ocorrências dessa natureza às autoridades policiais e os responsáveis forem devidamente conhecidos (CRCSP, 1994, p. 61); Situações de desfalques temporários, em que o funcionário se apodera do dinheiro recebido de clientes, provenientes de vendas a prazo, antes do registro contábil do recebimento, não são cobertos pelo seguro. k. é recomendável a utilização de meios eletrônicos para o registro automáti- co das transações. O avanço tecnológico e o barateamento dos recursos de informática permitem o desenvolvimento de sistemas que aumentam con- sideravelmente a eficiência do controle, possibilitando realizar e registrar simultaneamente as transações; Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil40/218 Com o advento do Sped, todas as informa- ções são confrontadas praticamente em tempo real. A empresa deverá analisar a aplicabilidade dos princípios apresentados, de acordo com sua cultura organizacional. O sistema de controle interno é considera- do bom quando proporciona que uma tran- sação realizada na empresa seja registradatempestivamente e de forma correta, não permitindo que a transação não seja regis- trada ou que seja registrada de forma inde- vida. 2. O Controle Interno e a Audito- ria Independente A função da auditoria independente é ex- pressar uma opinião acerca das demonstra- ções contábeis. Para que o auditor indepen- dente exerça bem sua função, deve obter razoável segurança de que as demonstra- ções contábeis estão livres de erros, fraudes ou vícios. Nesse contexto surge a função do controle interno, sendo de fundamental importân- cia para a auditoria independente. A função do controle interno para a auditoria inde- pendente é proporcionar segurança de que erros, fraudes ou vícios possam ser desco- bertos com razoável tempestividade. A con- Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil41/218 fiança nos controles internos determinará a extensão e a profundidade dos testes de auditoria. Quanto melhor for avaliado pelo auditor o controle interno, menor será a ex- tensão dos testes de auditoria, intensifican- do os testes nas áreas com maiores fraque- zas. 3. O Controle Interno e a Audito- ria Interna A função da auditoria interna é assessorar a alta administração, fornecendo informa- ções, como índices, análise e recomenda- ções. Deve avaliar a eficácia e a adequação do sistema de controle interno, verifican- do se os objetivos da empresa estão sendo cumpridos como planejados. Enquanto a auditoria independente se pre- ocupa com o controle interno quanto à con- fiabilidade das transações registradas e o impacto no parecer de auditoria, o auditor interno avalia o controle interno sob a ótica do que ele representa para a empresa. 4. Aplicabilidade dos Princípios de Controle Interno Contábil Apresentar-se-á a seguir, algumas situa- ções que farão com que os controles inter- nos tenham eficiência e eficácia. • Conhecimento por parte dos colabo- radores acerca do controle interno: em uma organização, como já estu- dado, os controles internos são todos os procedimentos, descritos em ma- Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil42/218 nuais, que objetivam que as empresas alcancem suas metas estabelecidas. Dessa forma, é de extrema importân- cia que os colaboradores conheçam os controles internos adotados pela empresa. • Delegações de funções: com o cres- cimento e expansão da empresa, fica inviabilizada a gestão dos diversos departamentos da empresa por um único gestor. Daí a importância da de- legação de funções, que juntamente com um bom sistema de controle in- terno, trará ao gestor segurança nas tomadas de decisões. • Análise de fornecedores: o controle Interno junto a fornecedores é benéfi- co, por exemplo, na redução de custos, permitindo que sejam feitas cotações indicando o fornecedor com menor preço e com a qualidade desejada. • Estocagem: o controle interno deve apontar a quantidade a ser comprada, buscando sempre a redução no pra- zo médio de rotatividade do estoque. Quantidade de estoque desnecessá- ria impacta problemas no fluxo de cai- xa da empresa, além de poder causar, dependendo do ramo da empresa, pe- recividade e obsoletismo no estoque. • Projeções de venda: as previsões de venda são de suma importância em uma empresa, pois ajudarão a em- presa a saber quais produtos são mais procurados e adquiridos e em quais períodos do ano isso ocorre. É de ex- Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil43/218 trema importância a integração do departamento de venda com todos os demais departamentos da empre- sa, uma vez que as vendas garantem a continuidade da empresa. • Conferência, aprovação e autoriza- ção de mercadorias no ato da entre- ga: a empresa deve ter, em suas roti- nas, sistemas que confiram se as mer- cadorias entregues condizem com o que foi comprado, se estão dentro do prazo de validade, embaladas e sem avaria. Todos os produtos/mercado- rias recebidas devem ser imediata- mente cadastrados. • Relatórios gerenciais: para o proces- so de tomadas de decisão, a empre- sa necessita de relatórios financeiros, contábeis, fiscais com periodicidade a ser definida pela empresa. • Organograma: é necessário que a empresa defina a função de cada pes- soa em sua estrutura, as relações de autoridade e autonomia e o responsá- vel pela custódia de bens e direitos. Tal segregação é de extrema importância para evitar fraudes e desfalques, uma vez que a pessoa que detém a guar- da não pode ser a mesma responsável pelos registros das transações. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil44/218 Glossário Circularização: a circularização, ou confirmação externa, é uma prova de auditoria obtida como resposta direta que o revisor/auditor recolhe de uma terceira entidade, sob forma de papel, ele- trônica ou por qualquer outro meio. Sped: Sistema Público de Escrituração Digital faz parte do Programa de Aceleração do Cresci- mento do Governo Federal (PAC 2007-2010) e constitui-se em mais um avanço na informatiza- ção da relação entre o fisco e os contribuintes. JobRotation: neste processo, o colaborador passa por diversas áreas da empresa, a fim de co- nhecer todos os processos, atividades e especificidades de cada área. Questão reflexão ? para 45/218 São vários os princípios de controle interno contábil que irão auxiliar as empresas a funcionarem adequadamen- te. Como deve ocorrer a implementação desses princí- pios em uma organização? 46/218 Considerações Finais Neste tópico foram abordados alguns dos princípios de controle interno contábil. É importante ressaltar que de nada vale possuir um controle interno de procedimentos e processos sem manter colaboradores com- prometidos e integrados com as finalidades da empresa. A parte essen- cial para controles efetivamente corretos está em sua implementação com excelência, evitando surpresas no instante em que as informações são transmitidas para a contabilidade. Na contabilidade é possível ve- rificar se os controles internos adotados estão retratando com legiti- midade as mutações patrimoniais, assim como a verificação de erros e fraudes ocorridos em algum instante do processo. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil47/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed., São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed., São Paulo: Atlas, 2003. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. BORDIN, P.; SARAIVA, C. J. O controle interno como ferramenta fundamental para a fidedigni- dade das informações contábeis. 2005. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/index.php/ contabilidade/article/view/200/3725>. Acesso em: 17 fev. 2017. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1967. 1967. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao67.htm>. Acesso em: 26 jun. 2017. ______. Controladoria Geral da União. Instrução Normativa n. 01 do SFCI de 06 de julho de 2001. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/sobre/legislacao/arquivos/instrucoes-normativas/ in-01-06042001.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2017. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 4. ed., São Paulo: Makron Books, 1993. Unidade 2 • Princípios de controle interno contábil48/218 CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. ______. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed., São Paulo: Atlas, 2004. CRCSP. Conselho Regional de Contabilidade do Estado De São Paulo. Curso de contabilidade aplicada. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1994. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. TIBURCIO, C. P. Princípios docontrole interno. 2012. Disponível em: <http://www.contabilidade- -financeira.com/2012/03/principios-do-controle-interno.html>. Acesso em: 17 fev. 2017. Referências 49/218 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: Princípios de Controle Interno Contábil. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 1218dde90a5c38715aa248cb1fb5136c>. Aula 2 - Tema: Princípios de Controle Interno Contábil. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ fd3e991cb85912c8f44e95006fa7d8db>. 50/201 1. Dentre as alternativas, qual não representa um princípio do controle inter- no? a) Segregação de funções. b) Unicidade no ciclo de uma transação. c) Rodízio de pessoal. d) Seleção adequada de pessoal. e) Elaboração de manuais operacionais, nos quais devem estar detalhadas as instruções rela- tivas de como devem ser executadas as funções referentes à atividade a ser desempenhada na administração. Questão 1 51/201 2. Os sistemas de controles internos apresentam indicadores que podem aferir a eficiência, a eficácia e a economicidade da gestão. A economicidade significa a operacionalidade ao mínimo custo possível, a administração cor- reta dos bens, boa distribuição do tempo, economia de trabalho, tempo e dinheiro, redução dos gastos num orçamento etc. Com relação ao exposto, assinale a alternativa correta. Questão 2 a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. 52/201 3. É sabido que os controles internos devem ser implementados pela gestão da empresa. Ao auditor independente cabe avaliar a qualidade dos controles internos, mas não a relação entre seus custos e os respectivos benefícios. Com relação ao exposto, assinale a alternativa correta. Questão 3 a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. 53/201 4. Dependendo da qualidade do controle interno, o auditor externo deve executar procedimentos mínimos de auditoria. Assinale a alternativa que apresenta uma limitação do controle interno. Questão 4 a) O maior grau de delegação de autoridade adotado pela administração. b) O maior nível de competição entre os funcionários. c) A existência de controles cruzados na organização. d) A falta de instrução suficiente aos funcionários quanto às normas internas. e) O rodízio mais frequente entre os funcionários. 54/201 5. Um dos princípios do controle interno é a segregação de funções. Este princípio preceitua que a mesma pessoa ou entidade não pode ser simulta- neamente responsável pelos ativos e pelos registros contábeis. Com relação ao exposto, assinale a alternativa correta. Questão 5 a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. 55/201 Gabarito 1. Resposta: B. Unicidade no ciclo de uma transação preco- niza que apenas uma pessoa deva realizar todas as fases de uma transação, para fa- cilitar o subsequente trabalho de auditoria. Isso fere os princípios do controle interno. 2. Resposta: D. As duas afirmativas refletem conceitos téc- nicos corretos. 3. Resposta: E. Um dos princípios de controle interno ad- ministrativo elencados pela IN 01: “2.2.2 - Princípios de controle interno administrativo. Os princípios de controle interno admi- nistrativo constituem-se no conjunto de regras, diretrizes e sistemas que visam ao atingimento de objetivos específicos, tais como: I. relação custo/benefício - consis- te na avaliação do custo de um controle em relação aos benefícios que ele possa proporcionar;” 4. Resposta: D. A falta de instrução suficiente aos funcioná- rios servidores quanto às normas internas é uma limitação do controle interno. 56/201 5. Resposta: D. Deve haver segregação de funções, pois se a mesma pessoa é responsável por ativos e registros contábeis, teremos a possibilidade de desfalques permanentes, no qual o fun- cionário conseguirá furtar algo e realizar o ajuste contábil para que ninguém perceba. Gabarito 57/218 Unidade 3 Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos? Objetivos 1. Apresentar as finalidades da auditoria interna. 2. Aplicar os objetivos da auditoria interna. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?58/218 Introdução A complexidade da estrutura da empre- sa relaciona-se diretamente com sua ex- posição a riscos, erros e desperdícios. Fa- z-se mister que as entidades invistam em desenvolvimento tecnológico, aprimorem seus controles, reduzam custos, de forma que seus produtos se tornem mais compe- titivos. Nesse sentido, a auditoria interna auxilia a alta gestão das empresas, evitando desperdícios, salvaguardando o patrimônio empresarial, portanto, apresenta-se como uma excelente ferramenta de controle ad- ministrativo. Também temos a questão da compliance tributária, na qual as auditorias internas e externas trabalham para reduzir os riscos para as companhias. O Brasil possui uma elevada carga tributária, bem como uma complexa forma de informação das apura- ções dos tributos e das suas operações. Os riscos tributários intrínsecos nas operações das companhias podem ser danosos ao cai- xa e até mesmo reduzir o lucro de atividades com o recebimento de multas e penaliza- ções por erros ou por simples falta de con- trole das operações. Portanto, os controles internos criados para controlar as opera- ções que envolvem questões tributárias devem fazer parte dos procedimentos das auditorias internas e externas. Muitos au- tores que tratam de controles internos indi- cam que todas as operações das empresas (compra, venda, trocas de mercadorias, de- voluções de vendas, importações e expor- tações de produtos etc.), principalmente as novas, devem passar pela avaliação das au- Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?59/218 ditorias, criando um fluxo de liberação das operações antes que elas se iniciem. 1. Auditoria Interna: Para Quê? Segundo Franco (1996, p. 19), “desde o seu aparecimento, a contabilidade tornou-se um conjunto ordenado de conhecimentos, com objetivos e finalidades definidas, tem sido considerada como uma arte, como técnica ou como ciência de acordo com a orientação seguida”. A contabilidade, fazendo parte das ciências sociais, tem como objeto de estudo o patri- mônio e como finalidade fornecer informa- ções para tomada de decisões para qual- quer empresa, independentemente do seu porte. Attie (1992) menciona que a contabilidade é a ciência que estuda, informa, retrata e demonstra aos seus usuários, investidores, clientes, proprietários, financiadoras etc., a situação patrimonial da empresa. A auditoria é um ramo, uma especializa- ção da contabilidade, que surge em decor- rência do crescimento das empresas e que tem como objetivo verificar se os registros contábeis estão de acordo com as Normas Contábeis e reflete a posição financeiro-e- conômica da entidade de acordo com os controles internos. A auditoria pode ser classificadaem: audi- toria externa e auditoria interna, cujas ca- racterísticas podem ser visualizadas na Ta- bela 1. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?60/218 Tabela 1 | Comparativo entre auditoria interna e auditoria externa Informação Auditoria Interna Auditoria Externa Quem realiza a auditoria? Funcionário da empresa. Contratação de um profissional in- dependente. Qual é o objetivo? Atender às necessidades da admi- nistração. Atender às necessidades de tercei- ros no que diz respeito à fidedigni- dade das informações financeiras. Qual a finalidade da revisão das operações e do controle? Desenvolver aperfeiçoamento e induzir ao cumprimento de políti- cas e normas, sem estar restrito a assuntos financeiros. Determinar, principalmente, a ex- tensão do exame e a fidedignidade das demonstrações financeiras. Como é a subdivisão do trabalho? Em relação às áreas operacionais e linhas de responsabilidade admi- nistrativa. Em relação às contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?61/218 Posicionamento do auditor? O auditor diretamente se preocu- pa com a detecção e prevenção de fraude. O auditor incidentalmente se pre- ocupa com a detecção e preven- ção de fraudes, a não ser que haja possibilidade de substancialmente afetar as demonstrações financei- ras. Características do auditor? Deve ser independente em relação às pessoas cujo trabalho ele exa- mina. Porém, subordinado às ne- cessidades e desejos da alta admi- nistração. Deve ser independente em relação à administração, de fato e de atitu- de mental. Frequência das atividades? A revisão das atividades da empre- sa é contínua. O exame das informações compro- batórias das demonstrações finan- ceiras é periódico, geralmente, se- mestral ou anual. Fonte: Adaptado de: Portal de auditoria (s.d.). De acordo com as informações mencionadas na Tabela 1, o auditor externo não apresenta vín- culos empregatícios com a empresa, por outro lado, o auditor interno possui, não deve estar Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?62/218 Para saber mais A primeira empresa de auditoria que se instalou no Brasil foi a Mc-Auliffe Davis Vell&Co, no ano de 1909. Uma breve revisão relacionada ao histórico da auditoria pode ser encontrada no artigo “Evo- lução histórica da auditoria no Brasil e no mundo e as tendências em âmbito nacional”. O auditor interno tem o dever de fiscalizar os processos e as rotinas organizacionais, sendo responsável pela análise dos proce- dimentos por meio de estudos e testes, ve- rificação se o sistema analisado é o que está sendo seguido na prática, avaliação de er- ros e possibilidades para determinar quais são mais adequados e produtivos às áreas analisadas. Auditoria Interna cumpre um papel funda- mental nas organizações, ela é considerada um controle gerencial que funciona atra- vés de medições e avaliações da eficiência e eficácia de outros controles; auxilia o ad- ministrador com dados e informações tec- nicamente elaborados relativos às ativida- des para acompanhamentos e supervisões mediante o exame da adequação dos con- subordinado às pessoas cujos trabalhos examina, deve ser independente e propor- cionar conhecimentos apenas aos gestores que o destinaram ao trabalho. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?63/218 troles, integridade e confiabilidade das in- formações e registros; estabelece sistemas para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos, economicidade do desem- penho e da utilização dos recursos, compa- tibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos. O auditor interno deve ter acesso a todas as áreas e quanto mais informações úteis e oportunas o auditor interno fornecer, maior credibilidade será dada ao seu papel fun- cional dentro da organização. A finalidade da auditoria interna resume-se a auxiliar os membros da organização no desempenho de suas atividades, proporcio- nando-lhes análises, avaliações, recomen- dações, assessoria e informação relativas às atividades revisadas. O auditor interno tem o objetivo e a respon- sabilidade de tornar possível a harmonia de todas as ações praticadas pela organização, fazendo com que as consequências dessa harmonia sejam levadas ao conhecimen- to a todos os setores da empresa e a todos os interessados nos seus serviços. Uma ca- racterística importante deste profissional é a necessidade de senso ético e moral, pois manuseia informações altamente confi- denciais e necessita contato direto com seus superiores, facilitando o fluxo das in- formações. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?64/218 2. Auditoria Interna: Quais seus Objetivos? O trabalho da auditoria interna é perma- nente na organização. Tem como objetivo garantir a “saúde” da empresa. Não adianta a empresa implantar um excelente sistema de controle interno, sem que seja verificado periodicamente se está sendo cumprido o que foi determinado, ou quais ajustes de- vem ser feitos para que se adapte às novas circunstâncias. Em linhas gerais, a auditoria interna dentro de uma empresa é constituída por um de- partamento interno, que estabelece os con- troles internos e também visa assegurar que eles estão sendo aplicados de forma corre- ta. O ponto de verificação é feito por testes, que de certa forma são os mesmos aplica- dos pela auditoria externa, porém atuan- te de uma forma mais aprofundada. Estas análises feitas garantem que os controles internos estão sendo aplicados de forma adequada, porém cabe à auditoria interna detectar possíveis “gaps” ou até adaptar os controles às novas exigências legais ou em decorrência da operação da empresa, por exemplo, vendas para um novo cliente ou compra de mercadorias de novos fornece- dores. A importância da auditoria interna pode ser verificada a partir da aplicabilidade junto aos estoques da empresa. Segundo o CPC 16 (R1) – Estoques (correlacionado ao IAS 2 – Inventories), os estoques são ativos: Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?65/218 • Mantidos para venda no curso normal dos negócios e das operações. • Em processo de produção para venda. • Na forma de materiais ou suprimen- tos, a serem consumidos ou transfor- mados no processo de produção ou na prestação de serviços. De acordo com Almeida (2012, p. 5), os prin- cipais objetivos da auditoria de estoques são os seguintes: • Verificar se as quantidades de bens declarados realmente existem; • Verificar se os bens foram custeados e avaliados de acordo com as Normas Contábeis e a consistência dos proce- dimentos em relação ao exercício an- terior. Cabe destacar que o controle dos estoques deve ser feito pelo método Média Ponde- rada ou PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), também conhecido como FIFO (do inglês First In, First Out), que são os únicos métodos de controle permanente de esto- que aceitos pelo fisco. Existe um terceiro Link O CPC 16 – Estoque está no site do Comitê de Pro- nunciamentos Contábeis. 2009. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?66/218 método de controle que seria o UEPS (último que entra, primeiro que sai), também conhecido como LIFO (do inglês Last In, Last Out). Para demonstrar de forma prática o controle permanente de estoque de um produto de determinado mês, suponhamos a movimentação a seguir: 1. Saldo inicial 20 unidades a $ 20,00. 2. Compra de 10 unidades a $ 30,00 cada. 3. Venda de 10 unidades. 4. Venda de 15 unidades. 5. Comprade 20 unidades a $ 35,00 cada. 6. Venda de 5 unidades. Também, para este exemplo, vamos supor que os produtos vendidos geraram uma receita de $ 1.325,00. Nas figuras a seguir, verifique como ficariam o lucro, considerando apenas a receita e o custo (CMV) para cada método. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?67/218 Figura 2 | Controle permanente de estoque: (PEPS) Fonte: elaborada pelo autor. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?68/218 Figura 3 | Controle permanente de estoque: (UEPS) Fonte: elaborada pelo autor. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?69/218 Figura 4 | Movimentação de Estoques - Médio Fonte: elaborada pelo autor. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?70/218 Figura 5 | Comparação entre os métodos. Fonte: elaborada pelo autor. Ainda de acordo com o CPC 16 – Estoque (2017), a mensuração do estoque deve ser pelo custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Entenda-se por valor realizável líquido o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua con- clusão e dos gastos estimados necessários para concretizar a venda. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?71/218 Para saber mais Em relação aos estoques, os créditos referentes aos tributos recuperáveis não compõem o custo de aqui- sição, conforme tratado no item 13.6 da NBC TG 1000, aprovada pela Resolução CFC nº1.255/09, e no item 11 da NBC TG 16, aprovada pela Resolução CFC nº 1.170/09. Link As normas brasileiras de contabilidade relativas às pequenas e médias empresas, na contextualização, demonstração de fluxos de caixa, notas explicativas às demonstrações, provisões, passivos e ativos con- tingentes, dentre outros estão dispostas na NBC TG 1000. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?72/218 Quanto à metodologia de estudo de contro- le interno, em que o auditor busca a execu- ção da auditoria dentro do tempo esperado, segurança nas informações e alcance dos objetivos a que se propôs, deve considerar o seguinte: • Documentação do controle Inter- no: o controle interno e seu funcio- namento devem ser documentados em papéis de trabalho, registrando, entre outros, as operações de forma sequencial, os documentos emitidos e a forma de arquivamento e contro- le e os cargos e pessoas responsáveis pelos departamentos. • Conhecimento: o conhecimento do controle interno é a fase em que o au- ditor irá familiarizar-se com os diver- sos aspectos empresariais, entre eles, o administrativo e o contábil. Esta fa- miliarização preliminar é de extrema importância para a avaliação e con- fiança no controle interno e deverá ser feita mediante entrevistas com responsáveis de setores, leitura de manuais, organogramas, fluxogramas etc. • Registro: segundo Attie (2011, p. 292), são três os métodos de registros dos procedimentos de controle inter- no: 1. Método descritivo: busca des- crever o sistema estudado, por exemplo, dados pré-existentes, procedimentos, registros, arqui- Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?73/218 vos e função dos colaboradores. Esse método é recomendado em trabalhos de pequena escala. 2. Método de fluxogramas: os pro- cedimentos e rotinas do contro- le interno são representados por meio de fluxograma de forma lógica e ordenada, identificando facilmente deficiências de con- trole interno, como duplicidade de trabalhos ou trabalhos des- necessários. 3. Método de questionários: os auditores utilizam-se de per- guntas referentes ao controle interno, permitindo que o audi- tor faça uma avaliação dos sis- temas de controle interno. Os questionários devem ser elabo- rados de acordo com os diversos departamentos empresariais e suas respostas podem ser do tipo abertas ou fechadas. Devi- do seu baixo custo, é bastante utilizado pelos auditores inclu- sive para avaliar o controle in- terno de pequenas empresas. Nesta fase de registro e conhecimento dos sistemas de controle interno, cabe ao audi- tor, dependendo das circunstâncias, identi- ficar qual ou quais métodos serão utilizados. • Revisão: para que o auditor se certifi- que de que os controles internos são eficientes e confiáveis, deve selecio- nar uma pequena amostra de tran- sações e seguir os caminhos previs- Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?74/218 tos nos fluxogramas, identificando se são de fato os executados. Caso sejam identificadas inconsistências, o audi- tor deve analisar quais procedimentos de auditoria deverão ser aplicados. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?75/218 Glossário Auditoria interna: serviço ou departamento interno de uma entidade incumbido pela direção de efetuar verificações e avaliar os sistemas e procedimentos da entidade com vista a minimizar as probabilidades de fraudes, erros ou práticas ineficazes. A auditoria interna deve ser indepen- dente no seio da organização e reportar diretamente à direção. Âmbito da auditoria (escopo da auditoria): tendo sido definido o campo da auditoria, o âm- bito da auditoria tem por finalidade determinar a amplitude e a exaustão dos processos de au- ditoria preconizados, o que inclui uma limitação racional dos trabalhos a executar, de modo a tornar aceitável para o auditor o risco de serem errôneas as suas conclusões de auditoria. Auditor: profissional idôneo, dotado de capacidades e conhecimentos técnicos específicos, que realiza o seu trabalho com observância de princípios, métodos e técnicas geralmente aceitos. Questão reflexão ? para 76/218 De acordo com as finalidades e objetivos da auditoria interna apresentados anteriormente, confronte audito- ria interna com auditoria externa em uma determinada empresa de seu interesse, destacando as funções e di- ferenças. 77/218 Considerações Finais Neste módulo, foram levantadas informações acerca da auditoria, diferen- ciando-a entre interna e externa, tal que a primeira apresenta as seguintes características: • Auxilia o administrador com dados/informações e permite avaliar o proces- so de gestão. • Meio de identificação dos processos internos e políticas conforme critérios estabelecidos. • A inexistência de controles adequados expõe a vulnerabilidades, falhas e desperdícios, sendo, portanto, necessário realizar um acompanhamento sistemático. • Compreende o setor de estoque, que apresenta como composição bens para fabricação ou venda, com o intuito de gerar lucro para uma determinada empresa. Unidade 3 • Auditoria Interna: para quê? Quais seus objetivos?78/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 8. ed., São Paulo: Atlas, 2012. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed., São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, W. Auditoria Interna. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1987. ______. Auditoria Interna. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1992. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1993. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FRANCO, H. Contabilidade geral. 23. ed. São Paulo: Atlas, 1996 OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PORTALDEAUDITORIA. Diferenças básicas entre a auditoria interna e a auditoria externa. Dis- ponível em: <http://www.portaldeauditoria.com.br/tematica/auditoriainterna_diferencasbasica- sentreauditoria.htm>. Acesso em: 20 fev. 2017. Unidade 3 • Auditoria Interna: paraquê? Quais seus objetivos?79/218 CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Do- cumentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 23 jun. 2017. Referências 80/218 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Auditoria Interna: para que e Quais seus Objetivos? Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 51f5a4a3a9359e90d2d4083c3f036a40>. Aula 3 - Tema: Auditoria Interna: para que e Quais seus Objetivos? Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ cb6faac6cd56e22423690bfac4f70224>. 81/201 1. Sobre a auditoria interna, assinale a alternativa correta. a) Tem maior autonomia em relação à auditoria externa. b) Elabora os controles internos. c) Está subordinada à auditoria externa. d) Emite parecer, que será publicado com as demonstrações contábeis. e) Efetua a revisão e o aperfeiçoamento dos controles internos. Questão 1 82/201 2. Entre as alternativas, identifique qual NÃO corresponde a uma atividade da auditoria interna. a) O monitoramento do controle interno. b) O exame das informações contábeis e operacionais. c) A aprovação do relatório de auditoria externa. d) A avaliação do processo de governança. e) A gestão de risco. Questão 2 83/201 3. Considerando a auditoria interna, analise os itens a seguir: I- É uma atividade de avaliação independente dentro da empresa, que se destina a revisar as operações como um serviço prestado à administração. II- É executada por um profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de independência da direção da empresa. III- O auditor é uma pessoa de confiança dos dirigentes que não se vincula à empresa por contrato trabalhista, pois desenvolve trabalho temporário e sua intervenção é ajustada em contrato de serviço. IV- Constitui um controle gerencial que funciona por meio de análise e avaliação da eficiência de outros controles. Está correto o que se afirma em: Questão 3 a) I, II e III. b) II. c) II e III. d) I. e) I e IV. 84/201 4. Na auditoria interna, referente aos procedimentos e informações contá- beis, todas as informações ali registradas devem ser adequadas. Informação adequada é aquela confiável. Baseado nessas orações, assinale a alternativa correta. a) As duas afirmações são incorretas. b) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. c) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. d) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. Questão 4 85/201 5. Assinale a assertiva correta em relação ao profissional de auditoria interna. a) Não precisa acompanhar as normas brasileiras de contabilidade. b) A amplitude do seu trabalho e sua responsabilidade estão limitadas à sua área de atuação. c) Trabalha de forma isolada, não interagindo com os demais setores da empresa. d) Deve manter o sigilo profissional, não colaborando com o auditor externo. e) Trabalha totalmente independente, respeitando as normas e políticas de sigilo interno. Questão 5 86/201 Gabarito 1. Resposta: E. Com relação à alternativa A, o trabalho da auditoria interna tem menor independên- cia que o de auditoria externa. A alternativa B está incorreta, pois os auditores internos examinam e contribuem para a eficácia do sistema de controle interno através de suas avaliações e recomendações, mas não pos- suem responsabilidade primária pelo pla- nejamento, implantação e manutenção do processo. Igualmente, a letra C não está correta, pois o trabalho da auditoria interna deve estar subordinado à alta administração da empresa, para assegurar a sua indepen- dência das demais áreas da empresa. Com relação à D, a auditoria interna não emite parecer sobre as demonstrações contábeis, pois é papel da auditoria externa. 2. Resposta: C. Auditoria interna não aprova o Relatório do auditor independente (da auditoria ex- terna), pois a contratação de uma firma de auditoria para emitir uma opinião sobre as demonstrações contábeis se dá justamente pela necessidade de independência, o que não ocorreria caso essa opinião tivesse que ser “aprovada” pela auditoria interna. Res- salta-se que o item A3 da NBC TA 610 esta- belece que as funções de auditoria interna podem incluir os itens: - Monitoramento do controle interno; - Exame das informações contábeis e operacionais; - Revisão das ati- vidades operacionais; - Revisão da confor- midade com leis e regulamentos; - Gestão 87/201 de Risco; - Avaliação do processo de gover- nança. 3. Resposta: E. O auditor interno é um empregado da em- presa, e dentro de uma organização ele não deve estar subordinado aqueles cujo traba- lho examina. Além disso, não deve desen- volver atividades que ele possa vir um dia a examinar, para que não interfira na sua independência. Os auditores internos são colaboradores da organização. Eles de fato se posicionam entre o pessoal do departa- mento de contabilidade e de administração para certificar a esta que aquele está fun- cionado como deveria, e que seus relatórios são corretos. São empregados da empresa, e dentro de uma organização ele não deve estar subordinado aqueles cujo trabalho examina. 4. Resposta: D. Em conformidade com Resolução CFC Nº 986/03 e NBC TI 01 – Da Auditoria Interna. 5. Resposta: B. De acordo com a NBC P3, sendo que a alter- nativa A está incorreta, pois o profissional da auditoria interna deve manter o seu ní- vel de competência profissional. Igualmen- te, a alternativa C está errada, pois o auditor interno pode realizar trabalhos de forma compartilhada com profissionais de outras áreas, situação em que a equipe fará a divi- são de tarefas segundo a habilitação técni- ca e legal dos seus participantes. A alterna- Gabarito 88/201 tiva D está incorreta, pois o auditor interno, quando previamente estabelecido com a administração de entidade em que atua, e, no âmbito de planejamento conjunto de trabalho a realizar, deve apresentar os seus papéis de trabalho ao auditor independente e entregar-lhe cópias, quando este enten- der necessário. Gabarito 89/218 Unidade 4 Detecção e prevenção de fraudes Objetivos 1. Apresentar conceitos de detecção e prevenção de fraudes. 2. Discutir e aplicar os aspectos envolvidos na detecção e prevenção de fraudes. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes90/218 Introdução O principal objetivo da auditoria é verifi- car se as demonstrações contábeis estão de acordo com as normas societárias e se os controles internos estão sendo efetivos. Dentro do escopo da contabilidade, ela tem uma visão privilegiada para observar e de- tectar fraudes que mereçam ser investiga- das. Uma vez detectadas fraudes ou erros, o auditor deve aprofundar suas averiguações para depois emitir seu relatório e, se for o caso, sugerir correções e ações que as pre- vinam. O auditor possui função social relevante, uma vez que por meio do seu trabalho for- talece a confiança das relações entre as em- presas e a sociedade em geral. A auditoria começou a ter notoriedade após a crise econômica de 1929, em que foi veri- ficado que os balanços das companhias não possuíam um rigor de apuração, tampouco transparência na divulgação das informa- ções financeiras, ocasionando um conside- rável prejuízo a nível mundial. Alguns auto- Para saber mais Um caso importante e difundido referente à audi- toria procedeu-se com a Master Blenders, desta- cando a prática de “antecipação de venda”. LEAL, A. L. Auditoria revela fraude de R$ 200 milhões nocafé Pilão. 2012. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes91/218 res apontam este episódio como o primeiro problema em escala globalizada, pois uma crise gerada na bolsa de Nova Iorque afetou vários países. Após o final da II Guerra Mundial, muitas empresas, principalmente as estaduniden- ses, expandiram seus negócios, abrindo subsidiárias em vários países, fortalecendo o trabalho das empresas de auditorias ex- ternas, que passaram a checar os balanços das filiais das companhias multinacionais. Outro ponto de impacto foram os escân- dalos de grandes empresas, como é o caso da ENRON, cuja falência acarretou severos prejuízos a milhares de empresas e pessoas que possuíam ações do grupo. Assim, verifi- cou-se que as regras para empresas de au- ditorias deveriam passar por uma transfor- mação, tornando-as mais rígidas e criando mecanismos para que ações do tipo da EN- RON fossem evitadas. Link Existem vários vídeos, documentários e entrevis- tas sobre o caso ENRON. Recomendamos assistir ao documentário “Os mais espertos da sala”. 1. Detecção E Prevenção De Fraudes A NBC T 11 – Normas de Auditoria Indepen- dente das Demonstrações Contábeis (2017) Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes92/218 – define fraude e erro: Fraude: o ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de docu- mentos, registros e demonstrações contábeis; Erro: o ato não intencional resultante de omissão, desatenção ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis. Link As responsabilidades do auditor nas fraudes e erros nos trabalhos de auditoria estão dispostas no site “portaldecontabilidade”, confira o link sugerido para verificar os aspectos da NBC T 11 – Fraude e Erro. Na fraude, tem-se a intenção de prejudicar interesses alheios, omitindo, por exemplo, receitas e despesas e alterando resultados contábeis (lucro ou prejuízo). Os erros, por sua vez, surgem em decorrên- cia, por exemplo, de desatenção, erros arit- méticos (ao invés de digitar 150.000, erro- neamente digitou-se 510.000), entre ou- tros. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes93/218 De acordo com o ilustre mestre Lopes de Sá (1998, p. 52): Os erros por fraudes ou intencionais podem ser cometidos para: subtrair mercado- rias, matérias-primas, produtos e resíduos; subtrair dinheiro; subtrair títulos; iludir o fisco, evitando o pagamento de impostos; dissimular atos sujeitos a penalidades; encobrir faltas de terceiros; alterar resultados para usufruir maiores percentagens em lucros; simular ocorrências; iludir a opinião de acionistas e autoridades mone- tárias etc.” (SÁ, 1998, p. 52). 2. Detecção e Prevenção de Frau- des X Ativo Imobilizado Como procedimento normal de auditoria, todas as contas relacionadas com o Ativo Imobilizado devem ser consideradas por ocasião de sua auditoria. Para saber mais Sendo esta a primeira auditoria, o trabalho preci- sará abarcar o imobilizado na plenitude e verifi- cação do controle interno paralelamente ao con- tábil. Posteriormente, pode-se realizar por amos- tragem. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes94/218 Os Ativos Imobilizados são bens de per- manência longa, não destinados à venda e utilizados na manutenção das atividades da empresa. Seu custo deve ser analisado considerando todos os gastos da empresa, até que esteja disponível para uso, quando então inicia-se a depreciação. Importante salientar que de acordo com a nova legis- lação societária, deve-se também ativar a estimativa para desmontagem do bem. Uma vez ativado o bem, a empresa precisa definir o seu valor residual, que de acordo com a NBC T 19.5 (2017), é o montante lí- quido que a entidade espera, com razoável segurança, obter por um ativo no final de sua vida útil, deduzidos os custos esperados para sua venda. Definido o custo e seu valor residual, a em- presa precisa definir a vida útil do ativo que, ainda de acordo com a NBC T 19.5, o perío- do de utilização e volume de produção re- presentam: a. o período durante o qual se espera que o ativo seja usado pela entidade; ou b. quantidade de produção que se espe- ra obter com o uso do ativo pela enti- Para saber mais Quando a empresa perde um bem do seu Ativo Imobilizado em efeito de sinistro, o valor corres- pondente será considerado como ganho ou perda de capital, de acordo com a apuração do valor lí- quido contábil do bem, seja negativo ou positivo. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes95/218 dade. Além dos itens apresentados, a empresa deve manter um ótimo controle interno dos seguintes itens: • Despesa de depreciação. • Despesa de manutenção e reparos. • Valor da venda de bens do ativo imo- bilizado. • Valor depreciável. • Valor contábil de bens do ativo imo- bilizado baixado, entre outros. Como exemplo de fraude envolvendo imo- bilizado, podemos citar o seguinte caso: um funcionário é responsável pela custódia dos bens e pela elaboração de lançamentos contábeis. Ele rouba um imobilizado e baixa o bem correspondente para despesa (débi- to na conta de despesas diversas e crédito na conta do imobilizado). Link Definições, objetivo, alcance, reconhecimento e mensuração relacionados ao Ativo Imobilizado podem ser vistos no CPC 27. Busque informações para maior aprofundamento no assunto. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes96/218 3. Resultado da Avaliação do Controle Interno Para Attie (2011, p. 297), os sistemas de controle interno podem ter as seguintes avaliações: • Sistema de controle interno ade- quado: o controle interno receberá esta avaliação se o auditor julgar que ele contém todos os aspectos funda- mentais, procedimentos e práticas compatíveis, de forma a possibilitar alcançar os objetivos a que se propõe. Nesta situação, cabe ao auditor fazer os testes confirmatórios de que, na prática, os procedimentos instituídos encontram-se efetivados. • Sistema de controle interno adequa- do, porém, aprimorável: neste tipo de avaliação, o sistema de controle inter- no, regra geral, enquadra-se na ava- liação descrita, com destaque de que poderia ser aprimorado em alguma situação. Para exemplificar, um siste- ma de controle interno é adequado, porém, algumas informações são in- seridas de forma manual, o que pode- ria, em algum momento, conter erros. Para eliminar esses eventuais erros, o ideal seria que todas as informações fossem inseridas de forma eletrônica. • Sistema de controle interno ade- quado com fraquezas: neste tipo de avaliação, o auditor, durante sua ava- liação do sistema de controle inter- Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes97/218 no, identificou alguma inconsistência que afeta o fluxograma das atividades como um todo. Uma vez identificada tal fraqueza, o auditor deverá acom- panhá-la mais de perto para identifi- car a extensão do seu efeito sobre de- terminada operação, dentro daquele controle interno estudado. Exemplifi- cando: determinada empresa possui créditos a receber, porém, eventual- mente deixa de efetuar a aprovação de crédito anterior a venda. Este tipo de fraqueza, pode fazer com que a empresa não receba ou tenha dificul- dade no recebimento de suas vendas. Nesse caso, o auditor deverá fazer uma análise com maior profundidade dos créditos a receber, visando ajus- tar a contas “ajuste para crédito de li- quidação duvidosa” na contabilidade, comunicando tal situação à adminis- tração e recomendando uma solução para sanar tal problema, aprimorando os controles internos existentes. • Sistema de controle interno inade- quado: neste tipo de avaliação, o au- ditor considera que o sistema de con- trole externo está vulnerável a ano- malias, fraudes e atos dolosos contraa empresa. Um sistema é operado por pessoas. Existem sistemas inadequados que funcionam de- vido às pessoas honestas que os operam, porém, esta situação não pode ser consi- derada determinante para um sistema de controle adequado. Nestes casos, o auditor Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes98/218 deve efetuar testes visando assegurar os interesses da empresa, recomendando re- formulações sistêmicas, até que volte a ser confiável. 4. Testes de procedimentos O teste de procedimento tem como objetivo ratificar que os controles internos são efe- tivamente seguidos de forma uniforme ao longo do tempo. Para exemplificar este tipo de teste, analisa-se o processo de vendas da empresa. Todas as vendas devem ter o mes- mo fluxo: análise de crédito, faturamento, baixa do estoque, registro contábil (Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado), contas a receber. 5. Controle interno de sistemas computadorizados Com o crescimento das empresas, tanto em tamanho, como em operações, surge a ne- cessidade de abandonar os papéis em que anteriormente tudo era controlado e adotar sistemas computadorizados. Para a auditoria, o que gerará segurança, seja em papel, seja em sistemas computado- rizados, será a segurança sentida nos con- troles internos mantidos. No caso de siste- mas computadorizados, deve-se levar em consideração não só a segurança quanto ao desenvolvimento do sistema, mas também a segurança física dos equipamentos, a segu- rança do sistema como um todo, a seguran- ça das pessoas que o acessam, entre outros. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes99/218 Glossário Depreciação: é a redução do valor dos bens pelo desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência. Valor depreciável: valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, menos o seu valor residual. Valor contábil: é o montante pelo qual o ativo está registrado na contabilidade, líquido da res- pectiva depreciação acumulada e das perdas por redução ao valor recuperável. Questão reflexão ? para 100/218 A auditoria interna tem o papel de verificar se as rotinas e os procedimentos empresarias estão sendo executa- dos de acordo com o planejado. Nesse contexto, qual o papel da auditoria interna da detecção e prevenção de fraudes? 101/218 Considerações Finais Os controles internos são vitais para resguardar a empresa quanto a esquemas de fraudes. No entanto, a valorização, motivação e conscientização de seus funcionários são fatores igualmente relevantes. É preciso que se entenda que o bom funcionamento dos controles internos depende da eficiência e eficácia das pessoas que os planejam e executam e, nesse sentido, é cabível ressaltar que as pessoas estão sujeitas a pressões in- ternas ou externas, como problemas de saúde em família com consequências financeiras, e tais pressões as tornam vulneráveis e passíveis de erros (inten- cionais ou não). Outro aspecto relevante é a questão do papel do auditor na avaliação dos con- troles internos, pois no decorrer desse trabalho é que as fraudes podem vir a ser descobertas, dependendo muito de sua perspicácia para identificar áreas vulneráveis ou fatos suspeitos. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes102/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, W. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1987. ______. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992. ______. Auditoria: conceitos e aplicações. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. Audibra, 1992. Conselho Federal De Contabilidade (C.F.C). NBC: Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponível em: <http://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/>. Acesso em: 26 jun. 2017. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, S. N. A auditoria contábil e a criminalística. Revista Brasileira de Contabilidade. n. 123, 2000. LEAL, A. L. Auditoria revela fraude de R$ 200 milhões no café Pilão. 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/economia/auditoria-revela-fraude-de-r-200-milhoes-no-cafe-pilao/>. Acesso em: 22 fev. 2017. Unidade 4 • Detecção e prevenção de fraudes103/218 OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SÁ, A. L. Curso de auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. Referências 104/218 Assista a suas aulas Aula 4 - Tema: Detecção e Prevenção de Frau- des. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b41188da5874cda1f4529e35a31bab71>. Aula 4 - Tema: Detecção e Prevenção de Frau- des. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ cfe36251e7bd67470b3119814346b3f0>. 105/201 1. Com relação à auditoria interna, assinale a alternativa correta. a) A auditoria interna está obrigada a corroborar à administração indícios ou confirmações de irregularidades detectadas ao longo do trabalho de prevenção de fraudes ou erros, sempre por escrito e de modo reservado. b) Durante a fase de execução dos trabalhos é que se realiza a análise dos riscos da auditoria interna. c) Os testes substantivos objetivam a aquisição de evidência em relação à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade, bem como obtenção de uma razoável segurança de que os processos de controle interno instituídos pela adminis- tração estão em efetivo funcionamento. d) Os testes substantivos dividem-se em testes de transações e saldos; e procedimentos de revisão sintética. e) Na aplicação dos testes substantivos devem ser considerados apenas os procedimentos: inspeção e observação. Questão 1 106/201 2. Assinale a alternativa correta. O contador, na condição de auditor in- terno de uma entidade, deve mencionar irregularidade com efeitos rele- vantes sobre o resultado, descoberta durante a realização de seu trabalho, independentemente da obrigação de manter sigilo sobre aquilo de que tenha tomado conhecimento. Assim, este profissional: a) Deve divulgar inicialmente à administração da empresa. b) Deve divulgar aos funcionários. c) Deve divulgar a terceiros. d) Deve divulgar aos credores e) Não deve divulgar. Questão 2 107/201 3 Leia atentamente as assertivas e identifique se elas referem-se a erros ou fraudes a serem apontados pelo auditor interno revisando os esto- ques das empresas. I- O inventário tem 100 peças a menos do que o registrado na contabilidade. Não há fatos (novas vendas ou baixas) que justifiquem essa diferença. II- Tributos recuperáveis estão contabilizados como custo dos estoques. III- Parte da depreciação de itens do setor administrativo foi contabilizada como depre- ciação do setor fabril. A correlação entre os itens anteriores é, respectivamente: a) Fraude, fraude e fraude. b) Fraude, erro e erro. c) Erro, fraude e erro. d) Erro, erro e erro. e) Fraude, erro e fraude. Questão 3 108/201 4. Ao executar suas atividades rotineiras, analisando a documentação con- tábil, o auditor interno detectou, em determinado dia, a conta “caixa” da entidade com saldo contábil credor. Assinale a alternativa que apresenta a justificativa para tal fato. a) A conta “caixa” nunca reflete a realidade nas empresas. b) Pagamento feito via banco, erroneamente foi registrado na conta “caixa”. c) Representa um “estouro de caixa”, situação decorrente, por exemplo, de receitas recebidas, mas não contabilizadas.d) É normal as empresas terem operações extraoficiais. e) A empresa comprou mercadorias a prazo, mas foi contabilizado à vista. Questão 4 109/201 5. Uma das atribuições do Conselho Monetário Nacional (CMN) é a de- terminação de percentagem máxima dos recursos que as instituições fi- nanceiras poderão emprestar a um mesmo cliente ou grupo de empresas. Com relação a esta afirmação, assinale a alternativa correta. a) Esta afirmação é verdadeira. b) Esta afirmação é falsa. c) Esta determinação não inibe fraudes e erros. d) A percentagem máxima citada na afirmação refere-se ao valor de 30. e) A CMN está vinculada exclusivamente ao Ministério da Fazenda, portanto, suas decisões são alinhadas em relação à política. Questão 5 110/201 Gabarito 1. Resposta: A. Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade, dividindo-se em: tes- tes de transações e saldos; procedimentos de revisão analítica. Inspeção, observação, investigação e confirmação são técnicas de auditoria e não testes. 2. Resposta: A. Em conformidade com NBC PI 01 (2017): “O auditor interno deve respeitar o sigilo relati- vamente às informações obtidas durante o seu trabalho, não as divulgando para tercei- ros, sob nenhuma circunstância, sem auto- rização expressa da entidade em que atua”. 3. Resposta: B. Com relação ao item I, o inventário físico apresenta diferença de 100 itens a menos que a quantidade registrada na contabilida- de. Não existem vendas justificando essas saídas nem baixas por perda ou perecimen- to. A empresa foi consultada e não conse- gue explicar a falta dos 100 itens. Logo, re- presenta FRAUDE. O IPI e o ICMS das maté- rias-primas adquiridas estão contabilizados nos custos dos estoques, o que caracteriza o item II como ERRO. A depreciação apropria- da ao custo dos produtos em processo con- siderava parte da depreciação dos itens de bens patrimoniais utilizados nos escritórios 111/201 administrativos da empresa, sendo assim, o item III é ERRO. 4. Resposta: C. De acordo com as normas de auditoria, a melhor explicação corresponde a “estouro de caixa”, situação decorrente, por exem- plo, de receitas recebidas, mas não conta- bilizadas. 5. Resposta: A. A Lei nº 4595, 31 de dezembro de 1964, dispõe sobre a política e as instituições mo- netárias, bancárias e creditícias, cria o Con- selho Monetário Nacional e dá outras pro- vidências. Art. 4º - Compete privativamente ao Con- selho Monetário Nacional: X - Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras po- derão emprestar a um mesmo cliente ou grupo de empresas; 112/218 Unidade 5 Controles: contas a pagar, tributos e estoques Objetivos • Apresentar conceitos e aplicabilidade da auditoria e controle interno nos grupos de contas a pagar, tributos e estoque. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques113/218 Introdução As contas a pagar, tributos e estoques são classificados no Balanço Patrimonial nos grupos de Passivo Circulante e Ativo Circu- lante, respectivamente. Estes são itens do balanço de intensa movimentação e que compõem as análises de endividamento das empresas, caracterizando como obrigações e bens. Nas contas a pagar, a principal conta que destacamos é a conta de Fornecedores, na qual contabilizamos todas as operações de compra de mercadorias, matéria-prima ou produtos acabados que irão compor o es- toque da companhia. Dentro dos concei- tos contábeis, são as origens de recursos, que também conhecemos como capital de terceiros, pois está financiando a atividade das empresas. A relação desta conta afeta diretamente o fluxo de caixa da companhia, com forte dependência na capacidade da empresa de operar de forma eficiente um estoque mínimo. Sobre o estoque, que é classificado no Ativo Circulante, é a aplicação dos recursos origi- nados do capital de terceiros. Mesmo sendo classificados como um bem para empresa, os estoques podem ser grandes “vilões” para a companhia. Falta de controle e tra- balhar com estoque em volumes altos po- dem resultar em perda de caixa, obrigando a companhia a destinar parte de seus recur- sos financeiros (caixa) que ficaram imobili- zados até que o giro do estoque se conclua entre: Produção Venda Recebimento. Continuando no grupo de Passivo Circu- lante, registramos outras contas que serão Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques114/218 exigidas, ou seja, com data de vencimento conhecida. Podemos destacar as contas de Salários, Encargos Sociais e Provisões de Fé- rias e 13º Salários, que refletem toda a mo- vimentação que as companhias possuem referente aos gastos com a folha de paga- mento mensal. Convém destacarmos as contas dos Tribu- tos a pagar. Uma companhia industrial e co- mercial poderá ter nestas contas um grande valor a pagar devido à complexa carga tri- butária e pelo fato que no Brasil temos uma concentração desta carga nos produtos. Deste modo, podemos compreender me- lhor a necessidade que as companhias pos- suem de controlar e auditar estes grupos de contas. A auditora deverá verificar através de testes, análises documentais, checagem presencial e análises das apurações dos tri- butos, se os valores registrados no balanço patrimonial refletem exatamente o que a companhia deve e possui em estoque. 1. Contas A Pagar E Tributos Inicialmente, faz-se necessário apresentar alguns conceitos relacionados ao capítulo em estudo, de acordo com o CPC 25 - Pro- visões, Passivos Contingentes e Ativos Con- tingentes (2017). Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques115/218 Passivo corresponde a uma obrigação pre- sente da entidade proveniente de eventos passados, cuja liquidação se espera que re- sulte em uma saída de recursos da entidade que incorporam benefícios econômicos. Para o CPC 25 - Provisões, Passivos Contin- gentes e Ativos Contingentes (2017), a de- finição de Passivo contingente é: (a) uma obrigação possível que resul- ta de eventos passados e cuja existên- cia será confirmada apenas pela ocor- rência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resul- ta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos seja exigida para liquidar a obrigação, ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabili- dade. Contas a pagar são passivos a pagar por conta de bens ou serviços fornecidos ou Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques116/218 recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor, por exemplo, tem-se o consumo de energia elétrica. Passivos derivados de apropriações por competência são passivos a pagar por bens ou serviços fornecidos ou recebidos, mas que não tenham sido pagos, faturados ou formalmente acordados com os fornecedo- res de matéria-prima ou de produtos para revenda, serviços contratados de terceiros (contadores, advogados, pessoal de manu- tenção), internet/telefonia, valores devidos a empregados (salários, férias, 13º salário) e tributos a pagar (impostos, taxas, contri- buições, encargos sociais). 1.1 Reconhecimento Inicial e Subsequente A entidade só irá reconhecer um passivo fi- nanceiro quando esta for parte do contrato, e quando a obrigação especificada no con- trato for retirada, cancelada ou expirar, tal passivo financeiro deverá ser baixado ou re- Para saber mais O objetivo do Pronunciamento Técnico CPC 25 é estabelecer que sejam aplicados critérios de re- conhecimento e bases de mensuração apropria- dos a provisõese a passivos e ativos contingentes e que seja divulgada informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques117/218 movido das suas demonstrações contábeis. De acordo com o item 43 do Pronuncia- mento Técnico CPC 38 (2017), um passivo financeiro deve ser mensurado inicialmente pelo seu valor justo, mas no caso de passi- vo financeiro que não seja pelo valor justo por meio do resultado, deve ser mensurado pelos custos de transação que sejam dire- tamente atribuíveis à aquisição ou emissão do ativo financeiro ou passivo financeiro. Para a mensuração subsequente, a regra geral é que a entidade mensure todos os passivos financeiros pelo custo amortiza- do, usando o método dos juros efetivos. Ve- rifique as exceções no CPC 48, item 47. Para saber mais O objetivo do CPC 48 é estabelecer princípios para reconhecer e mensurar ativos financeiros, passi- vos financeiros e alguns contratos de compra e venda de itens não financeiros. Os requisitos para apresentar os instrumentos financeiros estão no Pronunciamento Técnico CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação –, e os requisitos para divulgar informações a respeito de instrumen- tos financeiros estão no Pronunciamento Técnico CPC 40 – Instrumentos Financeiros: Evidenciação. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques118/218 2. Auditoria Tributária O objetivo da auditoria tributária é verificar dentro dos controles da empresa se a apu- ração e recolhimentos dos tributos, assim como se as obrigações acessórias, estão sendo apuradas, registradas e entregues nos termos da lei. Antes de efetuar a liquidação de algum tipo de tributo, este passa por um processo de apuração, que consiste em levantamentos dentro das operações da empresa, ou seja, verificação dos fatos geradores de paga- mento de algum tipo de tributo, bem como, dependendo do regime tributário que a em- presa está inserida, ela poderá tomar crédi- to de um determinado imposto. Utilizare- mos o caso do ICMS para exemplificação: imaginemos uma empresa comercial, que compra e vende calçados, em que vamos apurar os valores totais de compra e venda de um determinado mês. Ela está tributa- riamente inserida em um regime que pode- rá recuperar crédito deste imposto nas suas compras de mercadoria e pagará o imposto no momento da venda dos seus produtos para seus clientes. Também neste exemplo, vamos supor que ela esteja localizada no estado de São Paulo e que compra de uma indústria paulista. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques119/218 Tabela 1 | Exemplo: apuração ICMS. Fonte: elaborada pelo autor. -30.600,00 Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques120/218 No exemplo, podemos verificar que a empresa revendedora terá um valor de ICMS a Pagar de R$ -30.600,00, que deverá ser contabilizado no balanço patrimonial (conta ICMS a Pagar – Pas- sivo Circulante). Portanto, para cada tipo de tributo temos que a auditoria deverá testar os pro- cedimentos de apuração geradores dos valores a pagar de tributos. Isto implica testar os fatos geradores destes impostos. Para saber mais Segundo o Código Tributário Nacional (1966), a definição de tributo é: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa ple- namente vinculada. Trata-se de prestação pecuniária, ou seja, cujo conteúdo é expresso em moeda. Os tributos são separados por espécies tributárias, conforme sintetizado na Figura 1. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques121/218 Figura 1 | Espécies de tributos Fonte: elaborada pelo autor. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques122/218 2.1 Principais formas de tribu- tação Lucro real é sinônimo de lucro verdadeiro, sendo essa expressão utilizada pelo fisco para designar o “lucro tributável”. O lucro real constitui a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas em geral, e pode ser entendido como o acréscimo real do patrimônio da empresa, em determina- do período. A legislação em vigor define lu- cro real como “o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autoriza- das” (BRASIL, 1977). O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das partici- pações, e deverá ser determinado com ob- servância dos preceitos da lei comercial, mediante escrituração contábil de todos os fatos com implicações patrimoniais, todas as receitas, custos e despesas. No aspecto técnico, é a forma mais correta de se apurar um lucro tributável por ser tributado sobre um lucro apurado e de forma justa, conside- rando todos os ajustes adicionais ou dedu- tíveis previstos em lei. Nesse sistema, há a necessidade de manter a escrituração con- tábil com todas as formalidades legais, co- merciais e fiscais, ou seja, para se manter no sistema de lucro real, a empresa terá como encargo o ônus burocrático de uma estru- tura administrativa, financeira e contábil de entidade de médio a grande porte. O lucro presumido é uma forma de tribu- Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques123/218 tação simplificada do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro em que se usa como base de cálculo do imposto um percentual sobre a receita bruta. A forma de apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido é aquela em que são dis- pensadas as informações contábeis para fins tributários. O faturamento bruto da empresa é calculado a partir de todas as re- ceitas da empresa (venda de bens e presta- ção de serviços), juntamente com os rendi- mentos com aplicações financeiras, ganho de capital, locação de imóveis etc., excluin- do todas as vendas canceladas e transfe- rências. O lucro da empresa não precisa ser documentado, é estimado de acordo com um percentual do faturamento, sendo que este percentual varia de setor para setor. A tributação pelo lucro presumido é regula- mentada pelos artigos 516 a 528 do Regu- lamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99). O Simples Nacional é o regime especial uni- ficado de arrecadação de tributos e con- tribuições pelas micro e pequenas empre- sas. De acordo com a Lei Complementar nº 123/2006, através do documento de arre- cadação unificada é recolhido mensalmen- te os seguintes impostos e contribuições: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRJP), Imposto sobre Produtos Industrializa- dos (IPI), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Finan- ciamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição Patronal Previdenciária (CPP), Imposto sobre Operações Relativas à Cir- Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques124/218 culação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) e o Imposto sobre Serviços de Qualquer Na- tureza (ISS), são impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional (BRASIL, 2006). A base de cálculo do Simples Nacional é a receita brutal mensal. As alíquotas/percen- tuais estão previstas em tabelas/anexos, de acordo com as atividades das empresas e com a receita bruta acumulada. 3. Estoques De acordo com o CPC 16 (R1) (2017) – Esto- ques, Estoques são ativos mantidos: • Para venda no curso normal dos ne- gócios. • No processo de produção para venda. • Na forma de materiais ou suprimen- tos a serem consumidos no processo de produção ou na prestação de ser- viços. O controle dasmercadorias em estoque e de sua movimentação nas compras e ven- das pode ser processado de dois modos: inventário periódico e permanente. No in- ventário periódico, a empresa não mantém o controle de custo de cada venda. No fim do período, calcula-se o custo das merca- dorias vendidas. É adotado por empresas de pequeno e médio porte, assim como por empresas de grande porte que mantêm um elevado número de itens em estoque, o que Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques125/218 impossibilita ou dificulta a adoção do siste- ma de inventário permanente. No inventário permanente, o CMV é apura- do a cada venda. Nele, a conta Mercadorias tem seu saldo ajustado após cada operação de compra ou venda, indicando o estoque efetivamente existente. Por isso, se houver um inventário, o valor encontrado deverá coincidir com o saldo dessa conta. No Brasil, em função dos efeitos da infla- ção, os métodos mais conhecidos para fins de controle permanente de estoques, con- forme o Regulamento do Imposto de Renda (1999) e CPC 16 (R1) (2017), são (RIR/99 e CPC 16 (R1)): • PEPS / FIFO – Primeiro que entra pri- meiro que sai / First in First Out. O CMV é apurado com base no custo de aquisição das mercadorias mais anti- gas em estoque. Logo, o estoque final corresponde ao valor das unidades mais recentes. • Média Ponderada Móvel: o CMV é le- vantado com base na média aritméti- ca dos custos de aquisição das merca- dorias existentes em estoque. • Comparação entre os métodos com inflação: no caso de inflação de pre- ços, o PEPS apresenta menor CMV e maior estoque final frente ao UEPS. • Comparação entre os métodos com deflação: no caso de deflação de pre- ços, o PEPS apresenta maior CMV e menor estoque final em comparação ao UEPS. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques126/218 Conforme o CPC 16 (R1) (2017), outras for- mas para mensuração do custo do estoque podem ser usadas por conveniência se os resultados se aproximarem do custo, tais como custo padrão, método do varejo e mé- todo do custo específico. O custo padrão leva em consideração os ní- veis adequados de utilização dos materiais, dos bens de consumo, da mão de obra, as- sim como a eficiência na utilização da capa- cidade produtiva. Ele deve ser regularmente revisto à luz das condições correntes. As va- riações relevantes do custo padrão em re- lação ao custo real devem ser alocadas nas contas e nos períodos adequados de forma a se ter os estoques de volta ao seu custo. O método do varejo consiste em se estabe- lecer uma relação entre o custo de aquisição das mercadorias e o seu preço de venda. Tal relação é, então, aplicada sobre o preço de venda da mercadoria, no período conside- rado, para determinar seu custo estimado. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques127/218 No método do custo específico, atribui-se como custo de aquisição de uma unidade o valor efe- tivamente pago na sua compra, independente da data de sua entrada no estabelecimento. Para que isso seja possível, é necessário que todos os itens mantidos em estoque sejam rigorosamen- te controlados, de forma a determinar quanto foi gasto na aquisição de cada um. Para saber mais O objetivo do Pronunciamento CPC 16 (R1) é estabelecer o tratamento contábil para os estoques, confor- me já foi discutido. A questão fundamental na contabilização dos estoques é quanto ao valor do custo a ser reconhecido como ativo e mantido nos registros até que as respectivas receitas sejam reconhecidas. Este pronunciamento proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu subsequente reconhecimento como despesa em resultado, incluindo qualquer redução ao valor rea- lizável líquido. Também proporciona orientação sobre o método e os critérios usados para atribuir custos aos estoques. Vejamos o seguinte exemplo: determinada empresa apresentou, no mês de dezembro de 2016, os saldos descritos por: Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques128/218 Contas: Estoque de MPinicial: R$ 20.000,00 e final: R$ 15.500,00 Estoque de produtos em elaboraçãoinicial: R$10.000,00 e final: R$ 13.250,00 Estoque de produtos acabadosinicial: R$ 7.750,00 e final: R$ 35.750,00 Informações adicionais: • Os custos de mão de obra direta foram de R$20.500,00. • Os custos indiretos de fabricação foram de R$25.000,00. • Não foram feitas compras de matérias-primas no período. • Não houve registros de perdas por redução ao valor realizado líquido ou de outras perdas em estoque. Para efetuarmos o cálculo do custo dos produtos vendidos no período, faremos: Custeio por absorção: Estoque Inicial de matéria-prima – 20.000,00 Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques129/218 + Compras de matéria-prima – 0 = matéria-prima Disponível = 20.000,00 (-) Estoque final de matéria-prima – (15.500) = Matéria-prima consumida = 4.500,00 + Mão de obra – 20.500,00 + Custos indiretos de fabricação – 25.000,00 = Custo de produção do período = 50.000,00 + Estoque inicial de produtos em elaboração – 10.000,00 = Custo total de produção = 60.000,00 (-) Estoque final de produtos em elaboração – (13.250,00) = Custo dos produtos acabados = 46.750 + Estoque Inicial de produtos acabados – 7.750,00 = Custos dos produtos disponíveis = 54.500,00 (-) Estoque final de produtos acabados – ( 35.750,00) = Custo dos produtos vendidos = 18.750,00 Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques130/218 Glossário Provisões: é um passivo de prazo ou de valor incerto. Ativos contingentes: é um ativo possível que resulta de eventos passados, cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não total- mente sob controle da entidade. Custo amortizado: custo amortizado de ativo financeiro ou de passivo financeiro é a quantia pela qual o ativo financeiro ou o passivo financeiro é medido no reconhecimento inicial, menos os reembolsos de capital, mais ou menos a amortização cumulativa usando o método dos juros efetivos de qualquer diferença entre essa quantia inicial e a quantia no vencimento, e menos qualquer redução (diretamente ou por meio do uso de conta redutora) quanto à perda do valor recuperável ou incobrabilidade. Questão reflexão ? para 131/218 Em que situação uma empresa pode efetuar o levanta- mento físico dos estoques em data anterior a do encer- ramento do exercício social? 132/218 Considerações Finais A auditoria e os controles internos são vitais para resguardar e preservar a em- presa quanto aos itens Contas a Pagar, Tributos e Estoques. Em linhas gerais, o trabalho da auditoria nos estoques são os seguintes: verificar se as quan- tidades de bens declarados existem efetivamente; verificar se a composição dos custos e suas avaliações estão de acordo com as normas contábeis e se os procedimentos são consistentes em relação ao ano anterior. Em relação às contas a pagar e tributos, o trabalho da auditoria está relaciona- do com a verificação da classificação e avaliação correta no Balanço Patrimo- nial; verificar se os tributos estão contabilizados corretamente; se as obriga- ções estão contabilizadas a valor presente. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques133/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo.6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1987. ______. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. BRASIL. Decreto-Lei n. 1.598, de 26de dezembro de 1977. Altera a legislação so imposto sobre a rebda. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1598.htm>. Aces- so em: 23 jun. 2017. ______. Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm>. Acesso em: 23 jun. 2017. ______. Decreto n. 3.000, de 26 de março de 1999. Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. Dispo- nível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm>. Acesso em: 23 jun. 2017. Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques134/218 ______. Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das Leis n. 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo De- creto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei n. 10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar n. 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis n. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/LCP/Lcp123.htm>. Acesso em: 23 jun. 2017. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Do- cumentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 23 jun. 2017. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, S. N. A auditoria contábil e a criminalística. Revista Brasileira de Contabilidade. n. 123, 2000. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 16 (R1): estoques. Brasília, 2009. Disponível em: <http://www. cpc.org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. Referências Unidade 5 • Controles: contas a pagar, tributos e estoques135/218 PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 25: Provisões. Brasília, 2016. Disponível em: <http://www.cpc. org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 38: instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração. Brasília, 2009. Disponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 39: instrumentos financeiros: apresentação. Brasília, 2009. Disponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 40: instrumentos financeiros: evidenciação. Brasília, 2012. Dis- ponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. PRONUNCIAMENTO Técnico CPC 48: instrumentos financeiros. Brasília, 2016. Disponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: 15 fev. 2017. LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966, Código Tributário Nacional. Disponível em: < http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm>. Acessado em: 09 de julho 2017. DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999, Regulamento do Imposto de Renda. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm>. Acessado em: 09 de julho 2017. SÁ, A. L. Curso de auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. Referências 136/218 Assista a suas aulas Aula 5 - Tema: Controles: Contas a Pagar, Tribu- tos, Estoques. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/2fc6205ecffc784529224ba949f8edd4>. Aula 5 - Tema: Controles: Contas a Pagar, Tribu- tos, Estoques. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/3408b3a0dca672d19cd9b2179e186ed4>. 137/201 1. Uma matéria-prima foi adquirida por R$ 5.000,00, incluídos nesse valor R$ 200,00 referentes a IPI e R$ 242,00 relativos a ICMS. O frete de R$ 306,00 foi pago pelo vendedor, que enviou o material via aérea. Considerando-se que os impostos são recuperáveis, assinale a alternativa que apresenta o va- lor registrado em estoques. a) R$ 2.558,00. b) R$ 4.558,00. c) R$ 3.218,00. d) R$ 3.214,00. e) R$ 5.000,00. Questão 1 138/201 2. Uma determinada empresa apresentou os seguintes dados referentes ao ano de 2012: - Estoque inicial igual a zero. - Produção anual de 600 unidades com venda de 500 unidades. - Custo variável unitário de R$16,00. - Preço de venda unitário de R$25,00. - Custo fixo anual de R$4.000,00. - Despesas fixas anuais de R$450,00. - Despesa variável unitária de R$1,50 para cada unidade vendida. Sabendo-se que a empresa utiliza o custeio por absorção, assinale a alternativa correta? Questão 2 139/201 a) Lucro bruto de R$2.000,00. b) Lucro bruto de R$2.000,00 e Prejuízo de R$950,00. c) Lucro bruto de R$400,00 e Lucro líquido de R$50,00. d) Lucro bruto de R$ 1.165,00. e) Lucro bruto de R$ 2.400,00 e Lucro líquido de R$ 550,00 Questão 2 140/201 3. Uma empresa industrial aplicou no processo produtivo, no mês de agos- to de 2010, R$ 60.000,00 de matéria-prima, R$ 50.000,00 de mão de obra direta e R$ 40.000,00 de gastos gerais de fabricação. O saldo dos estoques de produtos em elaboração, em 31.7.2010, era no valor de R$13.000,00, e em 31.8.2010 de R$20.000,00. O custo dos produtos vendidos, no mês de agosto, foi de R$80.000,00 e não havia estoque de produtos acabados em 31.7.2010. Com base nas informações, assinale a opção que apresenta o saldo final, em 31.8.2010, dos estoques de produtos acabados. Questão 3 a) R$ 63.000,00. b) R$ 55.000,00. c) R$ 120.000,00. d) R$ 135.000,00. e) R$ 130.000,00. 141/201 4. Assinale a alternativa correta. O valor do ICMS que é levado ao resultado do exercício representa: Questão 4 a) ICMS sobre compras. b) ICMS sobre vendas. c) ICMS a pagar. d) ICMS a receber. e) ICMS a compensar. 142/201 5. As aquisições a prazo de matérias-primas são registradas na conta de: Questão 5 a) Salários a pagar. b) Fornecedores. c) Contas a pagar. d) Empréstimos a pagar. e) Financiamentos a pagar. 143/201 Gabarito 1. Resposta: B. A resolução do problema pode ser vista a seguir: Valor de Aquisição R$ 5.000 IPI Incluso (Recuperável) (R$ 200) ICMS Incluso (Recuperável) (R$ 242) (=) Valor a ser Registrado em Estoque R$ 4.558 2. Resposta: D. A resolução está sintetizada a seguir: Apropriação de Custos Unitário Unidades Total Custo Variável R$ 16,00 600 R$ 9.600 Custo Fixo R$ 6,67 600 R$ 4.000 Custo Total Unitário R$ 22,67 R$ 13.600 Demonstração de Resultado Unitário Unidades Valor Receita de Vendas R$ 25,00 500 R$ 12.500 (-) Custo dos Produtos Vendidos R$ 22,67 500 (R$ 11.335) (=) Lucro Bruto R$ 1.165 144/201 3. Resposta: A. Verifique a solução da questão: Cálculos Valores - R$ Estoque de Produtos Acabados no Início do Período - (+) Produtos em Elaboração no Início do Período 13.000 (+) Matéria-Prima 60.000 (+) Mão de Obra Direta 50.000 (+) Gastos Gerais de Fabricação 40.000 Soma 163.000 (-) Produtos em Elaboração no Final do Período (20.000) (=) Produtos Acabados no Período 143.000 (-) Custo dos Produtos Vendidos 80.000 (=) Estoque de Produtos Acabados 63.000 4. Resposta: B. O ICMS que vai para o resultado, como dedução das vendas é o ICMS sobre vendas. Gabarito 145/201 5. Resposta: B. As compras de mercadorias a prazo, devem ser registradas na conta de “Fornecedores”. Gabarito 146/218 Unidade 6 Papéis de trabalho: conceitos e definições Objetivos 1. Apresentar conceitos referentes a papéis de trabalho utilizados por auditores. 2. Apresentar modelos de papéis de trabalho. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições147/218 Introdução Entre as NBCTAs – Normas Brasileiras de Contabilidade – aplicadas à auditoria con- vergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Independente emitidas pela Ifac, há a exigência de que o auditor deve recolher elementos comprobatórios sufi- cientes a fim de apoiar seu parecer sobre as demonstrações financeiras. Tais papéis de trabalho têm como principais objetivos: • Auxiliar o auditor durante a execução de seu trabalho. • Servir como base para avaliação dos auditores. • Ajudar no trabalho da próxima audi- toria. 1. Tipos de Papéis de Trabalho 1.1. Programa de Auditoria Programa de auditoria é um papel de traba- lho elaborado pelas empresas de auditoria a ser preenchido pelos auditores. Ele é divi- dido basicamente em três partes: • Listagem dos procedimentos de audi- toria. • Espaço para assinatura do auditor responsável pela execução daquela atividade de auditoria. • Espaço para comentários e observa- ções. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições148/218 1.2 Papéis Elaborados pelo Auditor São aqueles papéis de trabalho elaborados pelo próprio auditor à medida que analisa as diversas contas contábeis da empresa, registrando as evidências obtidas ao longo da execução de seu trabalho. Podem ser manuais ou preenchidos via computador. Geralmente as folhas são quadriculadas com 6, 12 ou 16 colunas. Para saber mais Na auditoria privada os papéis de trabalho são de propriedade do auditor, já no setor público, a pro- priedade dos papéis de trabalho é da unidade de auditoria ou de controle interno. Nesse último caso, as unidades de auditoria ou de controle interno devem possuir um organizado sistema de gerenciamento de arquivo, a fim de salvaguardar esses documentos. 1.3 Outros Papéis de Trabalho Os papéis de trabalho são todos os documentos e informações registrados pelo auditor na rea- Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições149/218 lização de seu trabalho. Além do programa de auditoria e dos papéis elaborados pelo auditor, ele pode utilizar de outros docu- mentos, tais como: • Cartas de Confirmação de Terceiros (ex.: contas correntes, contas a rece- ber). • Cópias de documentos Importantes (Estatuto Social, Contratos). Os papéis de trabalho representam os regis- tros de tudo que foi examinado e analisado pelo auditor. A seguir, destaca-se aspectos fundamentais dos papéis de trabalho: • Completabilidade: os papéis de tra- balho necessitam ser completos por si só. Nele precisam estar todas as infor- mações que embasaram o auditor no seu parecer. Devem seguir uma lógica, um planejamento, que deve estar de acordo com os objetivos a serem al- cançados. Eles precisam ser comple- tos, pois poderão servir de auxílio para auditorias futuras ou até para provas em juízo. • Objetividade: durante o trabalho de auditoria, o auditor se defronta com Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições150/218 um número muito grande de informa- ções, tem acesso a vários documen- tos. Tais informações precisam ser filtradas de forma que sejam registra- das nos papéis de trabalho apenas as informações relevantes. • Concisão: os papéis de trabalho de- vem ser escritos com clareza e de for- ma breve. A concisão caracteriza um bom texto. • Lógica: as informações contidas nos papéis de trabalho devem ser apre- sentadas na sequência natural dos fatos e de forma lógica. Faz-se mister que seja formulado um programa ló- gico de condução do trabalho. • Limpezas: os papéis de trabalho de- vem estar livres de imperfeições e in- correções. 2. Natureza Dos Papéis De Tra- balho Os papéis de trabalho podem ser classifi- cados como de natureza corrente ou per- manente. Os correntes são utilizados em apenas um exercício social, já os perma- nentes são utilizados em mais de um exer- cício social. A seguir, apresentam-se alguns exemplos de papéis de trabalho. • Correntes: Caixa e Bancos; Contas a receber; Estoques; Aplicações Finan- ceiras; Investimentos; Imobilizado; In- tangível; Contas a Pagar; Patrimônio Líquido; Receitas e Despesas. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições151/218 • Permanentes: Estatuto Social/Contrato Social; Cópias de contratos e atas; Manuais de pro- cedimentos internos; Legislações específicas de empresas. Para saber mais Genericamente, o arquivo permanente necessita abordar assuntos de interesse para consulta sempre que se deseja dados relacionados ao sistema, área ou unidade objeto da auditoria. 3. Exemplos de Tiques Usados nos Papéis de Trabalho Os tiques de auditoria são símbolos que servem para mostrar a execução dos trabalhos, de onde vieram as informações e sua organização. A Figura 1 apresenta alguns símbolos ou tiques de auditoria. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições152/218 Figura 1 | Tique de auditoria. Fonte: Slideplayer (s.d.). Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições153/218 4. Revisão e Controle dos Papéis de Trabalho Visando garantir que o serviço de auditoria seguiu as normas de auditoria geralmente aceitas, os papéis de trabalho devem ser revisados pelos pares da equipe, que geralmente é composta por auditor assistente, semissênior, sênior, gerente e sócio. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições154/218 De acordo com instruções da CVM e CFC, os papéis de trabalho devem ser arquivados por um período mínimo de cinco anos e são de propriedade dos auditores. Para saber mais De acordo com a Resolução CFC nº 828/98 NBC T 11 - IT 2 Papéis trabalho e documentação auditoria - D.O.U de 15/12/1998, o auditor deve conservar seus papéis de trabalho em boa guarda, pelo prazo de cinco anos contados a partir da emissão de sua opinião sobre determinada transação. 5. Codificação dos Papéis de Trabalho A codificação dos papéis de trabalho visa facilitar o arquivamento, bem como resumir os traba- lhos realizados. Esta codificação pode ser realizada por um sistema numérico ou alfabético ou combinação entre os dois. Na Tabela 1, podemos verificar exemplos de codificação. Tabela 1 | Exemplo de codificação Codificação Descrição BL Balanço Patrimonial Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições155/218 DR Demonstração de Resultado C Controle de estoque C -1 Controle de Matéria-prima C 1 -1 Controle de Matéria-prima Filial 01 C1 – 1 1 Contagem física realizada na filial 01 Fonte: elaborada pelo autor.. 6. Modelo de Papel de Trabalho de Auditoria A utilização deste modelo de papel de trabalho não dispensa a formalização de outros Papéis de Trabalho de Auditoria (PTA), quando o auditor revisor julgar necessário. Caso a amostra selecio- nada seja superior à quantidade de colunas previstas, o auditor revisor deve inserir a quantidade de colunas necessária. O auditor revisor deve anexar ao presente modelo a documentação que suporta sua opinião para cada item. Os itens descritos na coluna Assunto são meramente suges- tivos. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições156/218 Quadro 1 | Modelo de papel de trabalho de auditoria em campo N° Assunto Ponto Observado Possíveis Consequências Recomendações 1 Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Ju- rídicas e Físicas) de Auditores Independentes – NBC PA 01 2 O Auditor revisor estabeleceu políticas e proce- dimentos em relação às consultas. 3 Para auditoria de demonstrações contábeis de companhias abertas, o Auditor revisor estabe- leceu políticas e procedimentos para requerer a revisão de controle de qualidade do trabalho. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições157/218 4 Os procedimentos requeridos pelas políticas da firma sobre revisão de controle de qualidade do trabalho foram adotados? 5 O Auditor revisor estabeleceu políticase proce- dimentos para que as equipes de trabalho com- pletem a montagem dos arquivos finais do tra- balho no momento oportuno, depois da finaliza- ção dos relatórios do trabalho? 6 Foi requerido que as pessoas que executam o trabalho ou a revisão do controle de qualidade do trabalho não estejam envolvidas na inspeção desses trabalhos? 7 O relatório de asseguração foi adequadamente dirigido aos usuários previstos? Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições158/218 8 O auditor revisor utilizou o julgamento e o ce- ticismo profissional ao avaliar a quantidade e a qualidade das evidências e, por conseguinte, sua suficiência e adequação para fundamentar o re- latório de asseguração? Fonte: elaborado pelo autor. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições159/218 Glossário IFAC: Federação Internacional de Contadores. CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Auditor assistente: auditor que possui entre zero e dois anos de experiência em auditoria. Questão reflexão ? para 160/218 A auditoria, ainda que não requerida por lei para todas as empre- sas, é de suma importância para o amadurecimento dos negócios, transmitindo credibilidade aos acionistas por meio de suas de- monstrações contábeis. Na execução do trabalho de auditoria, vi- sando registrar todas as etapas executadas e até mesmo, se neces- sário para provar algo em juízo, os auditores se utilizam dos papéis de trabalho. Relacione três exemplos de papéis de trabalho perma- nentes. 161/218 Considerações Finais Nos papéis de trabalho do auditor ficam registradas todas as evidências do trabalho de auditoria. Tais documentos são de posse do auditor responsável e devem ser arquivados por, no mínimo, cinco anos. Quanto aos tipos de papéis de trabalho, eles podem ser classificados em programas de auditoria, papéis elaborados pelo auditor e outros papéis de trabalho. Quanto à natureza eles podem ser correntes e permanentes. Unidade 6 • Papéis de trabalho: conceitos e definições162/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed., São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed., São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, W. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1987. ______. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992. AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da auditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, S. N. A auditoria contábil e a criminalística. Revista Brasileira de Contabilidade nº 123. Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2000. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SÁ, A. L. Curso de auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. 163/218 Assista a suas aulas Aula 6 - Tema: Papéis de Trabalho: Conceitos e Definições. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/91c11fc09593b6197d467adb1d8f6dfc>. Aula 6 - Tema: Papéis de Trabalho: Conceitos e Definições. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/a7ab2b30500db5ebc446a92c6d526b8c>. 164/201 1. Assinale a alternativa que apresenta o tempo que os papéis de trabalho permanentes podem ser utilizados. Questão 1 a) Um exercício social. b) Dois exercícios sociais. c) Três exercícios sociais. d) Vários anos. e) Por tempo indeterminado. 165/201 2. Assinale a opção que apresenta o objetivo principal de codificar e refe- renciar os papéis de trabalho. Questão 2 a) Facilitar de imediato a identificação das informações. b) Avaliar os auditores. c) Estabelecer o planejamento da auditoria. d) Levantar pontos construtivos para o relatório comentário. e) Meramente ilustrativo para que se possa elaborar uma apresentação final. 166/201 3. Assinale a alternativa que representa um dos objetivos do programa de auditoria. Questão 3 a) Aumentar a lucratividade da empresa auditada. b) Estabelecer uma estrutura organizacional mais adequada para a empresa auditada. c) Padronizar os procedimentos dos auditores de uma mesma empresa auditada. d) Melhorar a disposição física das máquinas. e) Cumprir unicamente uma determinação legal para todas as empresas, independentemente do tamanho. 167/201 4. São exemplos de papéis de trabalho de auditoria de natureza Corrente, exceto: Questão 4 a) Caixa e Banco. b) Estoque. c) Contas a Pagar. d) Contrato Social. e) Imobilizado. 168/201 5. Assinale a alternativa que apresenta com quem devem ficar em poder os papéis de trabalho. Questão 5 a) Da CVM. b) Do CFC. c) Da diretoria. d) Do auditor. e) Do fornecedor principal. 169/201 Gabarito 1. Resposta: D. Os papéis de trabalhados podem ser classi- ficados como de natureza corrente ou per- manente. Os de correntes são utilizados em apenas um exercício social, já os permanen- tes são utilizados em mais de um exercício social. 2. Resposta: A. Os papéis de trabalho devem ser codifica- dos de forma a possibilitar que as informa- ções sejam facilmente encontradas. 3. Resposta: C. Dentre os principais objetivos dos progra- mas de auditoria está a padronização dos procedimentos de auditoria dos profissio- nais de uma mesma organização. 4. Resposta: D. Contrato Social é um papel de trabalho de natureza permanente. 5. Resposta: D. De acordo com a NBC TA (2017), os papéis de trabalho são de posse do auditor. 170/218 Unidade 7 Planejamento de auditoria Objetivos • Apresentar conceitos referentes ao planejamento da auditoria. • Orientar como deve ser feito o planejamento da auditoria. Unidade 7 • Planejamento de auditoria171/218 Introdução Entre as NBC TA – Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas à Auditoria con- vergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Independente emitidas pela Ifac, há a NBC TA 300 – Planejamento da Auditoria de Demonstrações Contábeis –, que trata da responsabilidade do auditor no planejamento das auditorias. Os principais objetivos a serem atingidos com o planeja- mento são: • Adquirir conhecimento a respeito da empresa, suas atividades, rotinas e organização. • Planejar quantidade de horas na exe- cução dos serviços. • Determinar amplitude dos testes de auditoria. • Tentar identificar problemas nas áreas de contabilidade, finanças, tributária, entre outras. Para saber mais De acordo com a Norma Brasileira de Contabi- lidade Interpretação Técnica, NBC T 11 –IT – 07 (2017) Planejamento Da Auditoria, item 1, o pla- nejamento da auditoria é a etapa do trabalho na qual o auditor independente estabelece a estra- tégia geral dos trabalhos a executar na entidade a ser auditada, elaborando-o a partir da contra- tação dos serviços, estabelecendo a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames, de modo que possa desempenhar uma auditoria eficaz. Unidade 7 • Planejamento de auditoria172/218 1. Áreas da Empresa a Serem Analisadas pelo Auditor 1.1 Financeira Na área financeira, o auditor analisará: o fluxo financeiro; se a empresa tem ciclo financeiro ou não, ou seja, se há períodos em que ela precisa se autofinanciar; os credores de forma geral, en- cargos e pagamentos; índices de liquidez; conta de clientes; investimentos da empresa; outros que se fizerem necessários. Para saber mais: Alguns indicadores financeiros podem ser extraídos das informações do balanço através de aplicação de algumas fórmulas: Circulante Passivo Circulante Ativo Corrente Liquidez = CirculantePassivo Estoques - Circulante Ativo Seca Liquidez = Circulante Passivo Disponível Imediata Liquidez = Circulante Não Passivo Circulante Passivo Prazo Longo a Realizável Circulante Ativo Geral Liquidez + + = Para saber mais Alguns indicadores financeiros podem ser extraídos das informações do balanço através de aplicação de algumas fórmulas: Circulante Passivo Circulante Ativo Corrente Liquidez = Circulante Passivo Estoques - Circulante Ativo Seca Liquidez = Circulante Passivo Disponível Imediata Liquidez = Circulante Não Passivo Circulante Passivo Prazo Longo a Realizável Circulante Ativo Geral Liquidez + + = Unidade 7 • Planejamento de auditoria173/218 1.2 Contabilidade No setor de contabilidade o auditor anali- sará: se as normas contábeis vigentes es- tão sendo adotadas; se há uniformidade, respeitada a característica qualitativa da comparabilidade; data de fechamento das demonstrações contábeis; outros que se fi- zerem necessários. 1.3 Orçamentos No setor de orçamentos, o auditor analisa- rá: as projeções orçamentárias da empresa; comparações entre o orçado e o realizado; outros que se fizerem necessários. 1.4 Recursos Humanos No setor de recursos humanos, o auditor analisará: políticas de pessoal (admissão, treinamento, salariais); outros que se fize- rem necessários. 1.5 Vendas No setor de vendas, o auditor analisará: par- ticipação da empresa no mercado; cancela- mento de vendas; política de garantias; ou- Unidade 7 • Planejamento de auditoria174/218 tros que se fizerem necessários. 1.6 Outros pontos a serem ana- lisados pelo auditor Além das áreas apresentadas, faz-se mister que na execução de seu trabalho, o auditor também analise minuciosamente os proce- dimentos e rotinas das seguintes áreas na empresa: políticas e rotinas de compras; es- toque; imobilizados; inventário; obrigações acessórias; processos envolvendo a empre- sa; outros que se fizerem necessários. 2. Planejando As Horas De Audi- toria Devido à maioria das empresas fechar suas demonstrações contábeis em dezembro, há um acúmulo de serviços nas empresas de auditoria nos três primeiros meses do ano. Para equilibrar esta situação, os auditores devem executar maior volume de serviços de auditoria nas visitas preliminares, sem- pre que possível. Link Recomenda-se a leitura do Planejamento da au- ditoria interna- NBC T- 12 – da Auditoria Interna. Unidade 7 • Planejamento de auditoria175/218 Algumas atividades que podem ser desen- volvidas nas visitas preliminares: • Detecção de problemas. • Avaliação do Controle Interno. • Revisão analítica de informações con- tábeis. • Testes de receitas, compras, deprecia- ções. • Atualização da pasta de permanentes. O valor da hora de trabalho de um auditor, em decorrência do nível de conhecimento técnico exigido, é bastante elevado. Para minimizar o valor da auditoria, o auditor deve, sempre que possível, utilizar o pessoal da empresa auditada para auxiliá-lo na exe- cução de seus serviços. Algumas atividades que podem ser executadas pelo pessoal da empresa: • Conciliação bancária. • Apanhar documentos. • Reconciliação de cartas de circulari- zação. Ainda no planejamento e início da auditoria, o auditor deve encaminhar à administração da empresa documento com data para ser respondido, solicitando os seguintes docu- mentos e informações: • Cópias das demonstrações contábeis. • Análise de contas. • Reconciliações bancárias. • Extratos bancários de todas as contas Unidade 7 • Planejamento de auditoria176/218 da empresa. • Cópias de atas. • Cópia de todos os contratos da empresa. O planejamento da auditoria deve ser feito considerando a quantidade de horas preliminares e finais e quem executará as etapas, por exemplo, o auditor assistente, semissênior, ou sênior. Para saber mais Planejamento da auditoria interna – NBC T-12 – da Auditoria Interna 12.2.1.1 – O planejamento do trabalho de auditoria interna compreende os exames preliminares da entidade, para definir a amplitude do trabalho a ser realizado de acordo com as diretivas estabeleci- das pela administração. 12.2.1.2 – O planejamento deve considerar todos os fatores relevantes na execução dos trabalhos, especialmente os seguintes: a) o conhecimento detalhado dos sistemas contábil e de controles internos da entidade e seu grau Unidade 7 • Planejamento de auditoria177/218 Para saber mais de confiabilidade; b) a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria interna a serem aplicados; c) a existência de entidades associadas, filiais e partes relacionadas que estejam no âmbito dos exames da auditoria interna; d) o uso do trabalho de especialistas e outros auditores; e) os ciclos operacionais da entidade relacionados com volume de transações e operações; f) o conhecimento das atividades operacionais da entidade, como suporte para a análise eficaz dos procedimentos e sistemas de contabilidade de custos que estão sendo aplicados para acom- panhar e controlar o uso e o consumo de recursos, visando verificar a existência de desvios em re- lação às rotinas preestabelecidas; g) o conhecimento da execução orçamentária, tanto operacional como de investimentos, no sen- tido de verificar a exatidão de apropriação dos valores, se os desvios estão sendo controlados e se as consequentes ações corretivas estão sendo aplicadas. Unidade 7 • Planejamento de auditoria178/218 Para saber mais 12.2.1.3 – O auditor interno deve documentar seu planejamento e preparar, por escrito, o programa de trabalho, detalhando o que for necessário à compreensão dos procedimentos que serão aplicados, em termos de natureza, oportunidade e extensão. 12.2.1.4 – Os programas de trabalho, estruturados de forma a servir como guia e meio de controle, devem ser revisados e ou atualizados quando necessário. Unidade 7 • Planejamento de auditoria179/218 Glossário Fluxo financeiro: é uma ferramenta que controla a movimentação financeira (as entradas e sa- ídas de recursos financeiros), em um período determinado, de uma empresa. Ciclo financeiro: é o período entre o prazo médio de pagamento a fornecedores e o prazo mé- dio de recebimento das vendas. Ciclo financeiro = PMDR (prazo médio das duplicatas a receber) – PMPF (prazo médio de pa- gamento a fornecedores) Índices de liquidez: os índices de liquidez são razões entre variáveis contábeis de uma empresa que visam fornecer um indicador da capacidade da empresa de pagar suas dívidas, a partir da comparação entre os direitos realizáveis e as exigibilidades. Questão reflexão ? para 180/218 Em suas análises, o auditor percebeu que o Prazo Médio de Recebimento de Vendas – PMRV – aumentou de um ano para outro de 100 para 130 dias. Em decorrência desse fato, mencione o que pode ter causado o aumento neste indicador e quais impactos pode causar nos demais setores da empresa. 181/218 Considerações Finais O planejamento de auditoria é de extrema importância para que o trabalho al- cance seus objetivos com um menor custo possível. No planejamento, os prin- cipais objetivos a serem atingidos são: adquirir conhecimento prévio acerca da empresa; obter cooperação do pessoal da empresa; determinar a amplitude, natureza e datas dos testes de auditoria. Para obter este conhecimento pré- vio, faz-se necessário que o auditor estude diversos setores da empresa, por exemplo, financeiro, contábil, orçamentário, pessoal, vendas, fiscal, legal entre outros. Unidade 7 • Planejamento de auditoria182/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed., São Paulo: Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed., São Paulo, Atlas, 2003. ATTIE, W. Auditoriainterna. São Paulo: Atlas, 1987. ______. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. São Paulo: Audibra, 1992. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, S. N. A auditoria contábil e a criminalística. Revista Brasileira de Contabilidade. n. 123, 2000. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SÁ, A. L. Curso de auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponí- vel em: http://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/. Acessado em: 09 de julho 2017. 183/218 Assista a suas aulas Aula 7 - Tema: Planejamento de Auditoria. Blo- co I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 444364d0542f97756a99bb642869f30e>. Aula 7 - Tema: Planejamento de Auditoria. Blo- co II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/044c4cf3e39041a1c403ed3d80d7a2a3>. 184/201 1. Assinale a alternativa que contempla quais problemas o auditor pode de- tectar ao fazer a análise da área de orçamento. Questão 1 a) Normas contábeis não sendo seguidas. b) Alterações no contrato social da empresa. c) Produtos obsoletos. d) Ausência de um efetivo controle sobre as despesas. e) Falta de comprometimento da área de orçamentos. 185/201 2. Assinale a alternativa que contempla quais problemas o auditor pode detectar ao realizar uma análise da área de recursos humanos. Questão 2 a) Falhas nas políticas de pessoal. b) Mudança no critério de avaliação de estoque. c) A empresa foi autuada. d) Problemas de liquidez da empresa. e) Falta de comprometimento da área de recursos humanos. 186/201 3. Assinale a alternativa que apresenta quais problemas o auditor pode detectar com uma análise da área financeira. Questão 3 a) A empresa não cumpre normas de segurança do trabalho. b) A empresa não conserva o meio ambiente. c) Término de matéria-prima. d) Necessidade da constituição de uma provisão de juros para atender às dívidas em atraso com fornecedores. e) Nenhuma das alternativas. 187/201 4. Assinale a alternativa que contempla quais problemas o auditor pode detectar com uma análise da área contábil. Questão 4 a) Situação atual dos processos da empresa. b) Depreciações mal aplicadas. c) Causa dos cancelamentos das vendas. d) Atas de reunião mal elaboradas. e) Nenhuma das alternativas. 188/201 5. Assinale a alternativa que apresenta quais problemas o auditor pode detectar fazendo análise da área de vendas. Questão 5 a) Problemas ambientais. b) Junto ao CFC. c) Competência do gerente financeiro. d) Bens permanentes obsoletos. e) A empresa está perdendo mercado de seus produtos para outros concorrentes. 189/201 Gabarito 1. Resposta: D. As normas contábeis não sendo seguidas são detectadas no departamento contábil; As alterações no contrato social da empresa no departamento legal; Os produtos obso- letos no departamento de operações. 2. Resposta: A. A mudança no critério de avaliação de es- toque é detectada no departamento contá- bil; A empresa foi autuada no departamento Legal; Os problemas de liquidez da empresa detectados no departamento financeiro. 3. Resposta: D. Entre as alternativas apresentadas na questão, a única ligada à área financeira é a alternativa D. As alternativas A e B estão ligadas ao departamento legal da empresa e a opção C ao departamento de compras. 4. Resposta: B. A situação atual dos processos da empresa é detectada no departamento legal; A cau- sa dos cancelamentos das vendas no depar- tamento de Vendas; As atas de reunião mal elaboradas detectadas no departamento legal. 190/201 5. Resposta: E. Os problemas ambientais são detectados no setor Legal; junto ao CFC no setor de Contabilidade; A competência do gerente financeiro no setor financeiro; Os bens per- manentes obsoletos no setor de contabili- dade; A empresa está perdendo mercado de seus produtos para outros concorrentes é detectado no setor de vendas. Gabarito 191/218 Unidade 8 Metodologias de emprego da auditoria Objetivos • Apresentar conceitos gerais e órgãos relacionados com a auditoria. • Apresentar conjuntos de normas de auditoria adotadas e vigentes no Brasil. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria192/218 Introdução A origem da auditoria externa está ligada à evolução do sistema capitalista. Com a ampliação das instalações fabris e adminis- trativas, a empresa passou a buscar inves- tidores. Esses investidores precisavam co- nhecer a posição patrimonial e financeira, a lucratividade, o endividamento, a gestão dessas empresas, entre outros. Parte dessas informações são disponibilizadas por meio das Demonstrações Contábeis. Para dar credibilidade a essas demonstrações, surge o auditor externo, que passou a examinar e emitir opiniões de forma técnica acerca das Demonstrações Contábeis. Para saber mais O termo auditor em latim como substantivo, sig- nificava “aquele que ouve”, ou “ouvinte”, nada podendo configurar que seria representado aque- le que opinaria a respeito de algo que comprovou ser verdade ou não. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria193/218 1. Órgãos Relacionados com os Auditores 1.1 CVM A Comissão de Valores Mobiliários foi criada pela Lei nº 6.385/76 sendo uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. É um órgão fiscalizador do mercado de capitais. Para que o auditor externo possa exercer suas atividades, deve registrar-se na CVM. Segundo a Instrução CVM 308/99, o auditor pode requerer seu registro como pessoa fí- sica ou jurídica (BRASIL, 1999). A seguir serão apresentados os requisitos para registro como pessoa física em confor- midade com CVM 308/99. • Estar registrado junto ao Conselho Re- gional de Contabilidade; Ter exercido a atividade de auditoria de demons- trações contábeis, dentro do territó- rio nacional, por período não inferior a cinco anos, consecutivos ou não, con- Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria194/218 tados a partir da data do registro em Conselho Regional de Contabilidade, na categoria de contador; • Estar exercendo atividade de audito- ria independente, mantendo escritó- rio profissional legalizado, em nome próprio, com instalações compatíveis com o exercício da atividade, em con- dições que garantem a guarda e o sigi- lo dos documentos e informações de- correntes dessa atividade, bem como a privacidade no relacionamento com seus clientes; • Possuir conhecimento permanente- mente atualizado sobre o ramo de ati- vidade, os negócios e as práticas con- tábeis e operacionais de seus clientes; • Ter sido aprovado no exame de quali- ficação técnica (BRASIL, 1999). Para saber mais Para obter o registro como auditor independente junto a CVM, o interessado (profissional autôno- mo ou sociedade de auditoria) deve satisfazer às Normas de Registro e de Exercício da Atividade de Auditoria Independente no âmbito do Mercado de Valores Mobiliários contidas na Instrução CVM 308. No item Do registro, suas categorias e condi- ções, no art. 4º, constam as exigências para regis- tro de auditor pessoa jurídica. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria195/218 1.2 Instituto dos Auditores do Brasil – IBRACON O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – Ibracon – foi criado em 13 de de- zembro de 1971. Surgiu da união do Institu-to dos Contadores Públicos do Brasil (ICPB) e do Instituto Brasileiro de Auditores Inde- pendentes (Ibai), em prol da obtenção de uma melhor estrutura e representatividade em benefício da profissão. 1.3 Conselho Federal de Con- tabilidade e Regionais (Sistema CFC/CRC) O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) é uma autarquia especial corporativa do- tada de personalidade jurídica de direito público. Criado e regido por legislação es- pecífica, Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, apresenta, entre outras fina- lidades, nos termos da legislação em vigor, principalmente a de orientar, normatizar e fiscalizar o exercício da profissão contábil, por intermédio dos Conselhos Regionais de Contabilidade. 1.4 Instituto dos Auditores In- ternos do Brasil - AUDIBRA O Instituto dos Auditores Internos do Brasil é uma entidade civil sem fins econômicos que tem como objetivo fortalecer a profis- são de auditoria interna no país, oferecendo conhecimento e novas técnicas que agre- Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria196/218 guem valor à carreira dos seus associados, atualizando e certificando esses profissionais. Sua fundação ocorreu em 20 de novembro de 1960 e hoje é um dos 10 maiores em atuação no mun- do entre as afiliadas do IIA Global (The Institute of Internal Auditors), sediado nos Estados Unidos. 1.5 Comitê de Pronunciamento Contábil Criado pela Resolução CFC nº 1.055/05, o CPC tem como objetivo: o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre pro- cedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natu- reza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasilei- ra, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais (CPC, 2017). Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria197/218 2. Normas Internacionais De Au- ditoria Adotadas No Brasil Em função da convergência internacional das normas contábeis, por meio da Resolu- ção CFC n° 1.328/11, o Conselho Federal de Contabilidade regulamenta a estrutura das Para saber mais Características Básicas do CPC: O CPC é total- mente autônomo das entidades representadas, deliberando por 2/3 de seus membros; O Conse- lho Federal de Contabilidade fornece a estrutura necessária; Seis entidades compõem o CPC, mas outras poderão vir a ser convidadas futuramente; Os membros do CPC, dois por entidade, na maio- ria Contadores, não auferem remuneração. normas brasileiras de contabilidade. Entre as normas técnicas que estabelecem conceitos doutrinários, regras e procedi- mentos aplicados de contabilidade estão as NBC TA - de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica, que serão apresentadas, contendo o número da nor- ma e a finalidade de cada uma delas. NBC TA – DE AUDITORIA INDEPEN- DENTE NBC TA ESTRUTURA CONCEITUAL, NBC TA 200 a 810 NBC TA ESTRUTURA CONCEITUAL: esta estrutura conceitual define e descreve os Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria198/218 elementos e os objetivos de um trabalho de asseguração, identificando os trabalhos aos quais são aplicadas as Normas Técni- cas de Auditoria (NBC TA), Normas Técnicas de Revisão (NBC TR) e Normas para Outros Trabalhos de Asseguração (NBC TO). • NBC TA 200 - Objetivos Gerais do Au- ditor Independente e a Condução da Auditoria em Conformidade com Nor- mas de Auditoria - A NBC TA 200 foi alterada e consolidada em 19.08.2016 como NBC TA 200 (R1). • NBC TA 210 - Concordância com os Termos do Trabalho de Auditoria: res- ponsabilidade do auditor indepen- dente em estabelecer os termos de um trabalho de auditoria com a admi- nistração e, quando apropriado, com os responsáveis pela governança. • NBC TA 220 - Controle de Qualidade da Auditoria de Demonstrações Con- tábeis: responsabilidades específicas do auditor em relação aos procedi- mentos de controle de qualidade da auditoria de demonstrações contá- beis. • NBC TA 230 - Documentação de Au- ditoria: responsabilidade do auditor na elaboração da documentação para a auditoria das demonstrações con- tábeis. As exigências específicas de documentação de outras normas não limitam a aplicação desta norma. Leis ou regulamentos podem estabelecer exigências adicionais de documenta- Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria199/218 ção. • NBC TA 240 - responsabilidade do Auditor em relação à fraude, no con- texto da auditoria de Demonstrações Contábeis. Especificamente, detalha a forma como a NBC TA 315 – Iden- tificação e Avaliação dos Riscos de Distorção Relevante por meio do En- tendimento da Entidade e de seu Am- biente e a NBC TA 330. • NBC TA 250 - Consideração de Leis e Regulamentos na Auditoria de De- monstrações Contábeis: responsabili- dade do auditor pela consideração de leis e regulamentos ao executar a au- ditoria de Demonstrações Contábeis. Esta norma não se aplica a outros tra- balhos de asseguração em que o au- ditor seja especificamente contratado para testar e relatar separadamente sobre a conformidade com leis ou re- gulamentos específicos. • NBC TA 260 - Comunicação com os Responsáveis pela Governança: tra- ta da responsabilidade do auditor in- dependente na comunicação com os responsáveis pela governança na au- ditoria de Demonstrações Contábeis. Não estabelece requisitos relaciona- dos à comunicação do auditor com a administração ou proprietários da entidade, a menos que eles também sejam responsáveis pela governança. • NBC TA 265 - Comunicação de Defi- ciências de Controle Interno: respon- sabilidade do auditor de comunicar Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria200/218 apropriadamente, aos responsáveis pela governança e à administração, as deficiências de controle interno que foram identificadas na auditoria das Demonstrações Contábeis. • NBC TA 300 - Planejamento da Audi- toria de Demonstrações Contábeis. • NBC TA 315 - Identificação e Avalia- ção dos Riscos de Distorção Relevan- te por meio do Entendimento da En- tidade e do seu Ambiente: trata da responsabilidade do auditor na iden- tificação e avaliação dos riscos de dis- torção relevante nas demonstrações contábeis por meio do entendimento da entidade e do seu ambiente, inclu- sive do controle interno da entidade. • NBC TA 320 - Materialidade no Plane- jamento e na Execução da Auditoria. • NBC TA 330 - Resposta do Auditor aos Riscos Avaliados: trata da responsabi- lidade do auditor ao planejar e imple- mentar respostas aos riscos de distor- ção relevante, identificados e avalia- dos pelo auditor de acordo com a NBC TA 315 na auditoria de Demonstra- ções Contábeis. • NBC TA 402 - Considerações de Au- ditoria para a Entidade que Utiliza Organização Prestadora de Serviços: trata da responsabilidade do auditor da usuária dos serviços em obter evi- dência de auditoria apropriada e su- ficiente quando a entidade utiliza os serviços de uma ou mais organizações Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria201/218 prestadoras de serviços. • NBC TA 450 - Avaliação das Distorções Identificadas durante a Auditoria: tra- ta da responsabilidade do auditor in- dependente em avaliar o efeito de dis- torções identificadas na auditoria e de distorções não corrigidas, se houver, nas Demonstrações Contábeis. • NBC TA 500 - Evidência de Auditoria: define o que constitui evidência na au- ditoria de Demonstrações Contábeis e trata da responsabilidade do auditor na definição e execução de procedi- mentos de auditoria para a obtenção de evidência de auditoria apropriada e suficiente que permita dispor de con- clusões razoáveis para fundamentar a opinião do auditor. • NBC TA 501 - Evidência de Audito-ria – Considerações Específicas para Itens Selecionados: trata das conside- rações específicas do auditor para ob- ter evidência de auditoria apropriada e suficiente, em conformidade com a NBC TA 330, NBC TA 500 e outras nor- mas relevantes com relação a certos aspectos da conta “Estoque” do ativo, assim como os litígios e reclamações envolvendo a entidade, e informações por segmentos na auditoria das De- monstrações Contábeis. • NBC TA 505 - Confirmações Exter- nas: trata do uso de procedimentos de confirmação externa pelo auditor de acordo com os requisitos da NBC TA 330 – Resposta do Auditor aos Riscos Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria202/218 Avaliados e da NBC TA 500 – Evidência de Auditoria. • NBC TA 510 - Trabalhos Iniciais – Sal- dos Iniciais: trata da responsabilidade do auditor independente em relação aos saldos iniciais em um trabalho de auditoria inicial (primeira auditoria). • NBC TA 520 - Procedimentos Analíti- cos: trata do uso, pelo auditor, de pro- cedimentos analíticos substantivos. • NBC TA 530 - Amostragem em Audi- toria: aplica-se quando o auditor in- dependente decide usar amostragem na execução de procedimentos de au- ditoria. • NBC TA 540 - Auditoria de Estimati- vas Contábeis, Inclusive do Valor Justo, e Divulgações Relacionadas: refere-se à responsabilidade do auditor inde- pendente em relação às estimativas contábeis, incluindo as contábeis do valor justo e respectivas divulgações em auditoria de Demonstrações Con- tábeis. • NBC TA 550 - Partes Relacionadas: trata da responsabilidade do auditor no que se refere ao relacionamento e às transações com partes relaciona- das durante a execução da auditoria de Demonstrações Contábeis. • NBC TA 560 - Eventos Subsequentes: trata da responsabilidade do auditor independente em relação a eventos subsequentes na auditoria de De- monstrações Contábeis. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria203/218 • NBC TA 570 - Continuidade Operacio- nal: relacionada ao uso do pressupos- to de continuidade operacional, pela administração, na elaboração das De- monstrações Contábeis. • NBC TA 580 - Representações For- mais: trata da responsabilidade do au- ditor na obtenção de representações formais (por escrito) da administração e, quando apropriado, dos responsá- veis pela governança, na auditoria de demonstrações contábeis. • NBC TA 600 - Considerações Especiais - Auditorias de Demonstrações Con- tábeis de Grupos, Incluindo o Trabalho dos Auditores dos Componentes. • NBC TA 610 - Utilização do Trabalho de Auditoria Interna: trata da respon- sabilidade do auditor externo em re- lação ao trabalho dos auditores inter- nos. • NBC TA 620 - Utilização do Trabalho de Especialistas: trata da responsabi- lidade do auditor em relação ao traba- lho de pessoa ou organização em área de especialização que não contabili- dade ou auditoria, quando esse traba- lho é utilizado para ajudar o auditor a obter evidência de auditoria suficien- te e apropriada. • NBC TA 700 - Formação da Opinião e Emissão do Relatório do Auditor In- dependente sobre as Demonstrações Contábeis. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria204/218 • NBC TA 705 - Modificações na Opi- nião do Auditor Independente: tra- ta da responsabilidade do auditor de emitir um relatório apropriado ao for- mar uma opinião sobre as Demonstra- ções Contábeis de acordo com a NBC TA 700. • NBC TA 706 - Parágrafos de Ênfase e Parágrafos de Outros Assuntos no Relatório do Auditor Independente: relacionada às comunicações adicio- nais incluídas no relatório do auditor como: chamar a atenção dos usuários para um assunto ou assuntos apre- sentados ou divulgados nas demons- trações contábeis e chamar a atenção dos usuários para quaisquer assuntos que não os apresentados ou divulga- dos nas Demonstrações Contábeis e que sejam relevantes para o usuário entender a auditoria, a responsabili- dade do auditor ou o relatório de au- ditoria. • NBC TA 710 - Informações Compa- rativas – Valores Correspondentes e Demonstrações Contábeis Compara- tivas. • NBC TA 720 - Responsabilidade do Auditor em Relação a Outras Informa- ções Incluídas em Documentos que Contenham Demonstrações Contá- beis Auditadas. • NBC TA 800 - Considerações Espe- ciais – Auditorias de Demonstrações Contábeis Elaboradas de Acordo com Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria205/218 Estruturas Conceituais de Contabili- dade para Propósitos Especiais. • NBC TA 805 - Considerações Espe- ciais – Auditoria de Quadros Isolados das Demonstrações Contábeis e de Elementos, Contas ou Itens Especí- ficos das Demonstrações Contábeis. Esta norma trata das considerações especiais para a auditoria de quadros isolados de uma demonstração con- tábil ou de um elemento, conta ou item específico de uma demonstração contábil. • NBC TA 810 - Trabalhos para a Emis- são de Relatório sobre Demonstrações Contábeis Condensadas. Esta Norma trata das responsabilidades do audi- tor independente relacionadas com um trabalho para a emissão de rela- tório sobre Demonstrações Contábeis condensadas derivadas de Demons- trações Contábeis auditadas de acor- do com as normas de auditoria pelo mesmo auditor. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria206/218 Glossário Autarquia: autarquia em economia é aquela organização que visa à sua independência finan- ceira. Aquela que sobrevive apenas com suas próprias atividades, que não precisa de nenhum apoio externo. Conselho Regional de Contabilidade: O Conselho Regional de Contabilidade é uma associação de classe profissional brasileira formada por contadores eleitos em cada estado e no Distrito Federal por contadores e técnicos contábeis. É responsável pelo registro e fiscalização do exer- cício da profissão contábil no Brasil juntamente com o Conselho Federal de Contabilidade. Personalidade jurídica de direito público: aquela geralmente criada por lei, constituindo-se na representação jurídica de países, estados e municípios, além de outros entes que formam a chamada administração pública. Questão reflexão ? para 207/218 A auditoria interna auxilia os administradores na gestão dos seus negócios. Já a auditoria externa valida, por meio da revisão das De- monstrações Contábeis, que, na empresa, não existem quaisquer tipos de fraudes ou erros que possam causar um impacto significa- tivo na sua saúde financeira e contábil. Analisando por esse prisma, ainda que não requerido por lei, as empresas de qualquer segmen- to ou porte deveriam contratar auditoria independente. Relacione pelo menos cinco motivos para que uma empresa contrate serviços de auditoria externa/independente. 208/218 Considerações Finais A auditoria é uma atividade relativamente nova no Brasil. Desde 2010, com a harmonização das normas contábeis internacionais, denominadas ISA, fo- ram adotadas no Brasil, por meio de atos específicos do Conselho Federal de Contabilidade. A atividade de auditoria é dinâmica, o que requer dos auditores atualizações e estudos profundos e constantes. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria209/218 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed., São Paulo, Atlas, 1996. ______. Auditoria: um curso completo. 6. ed. São Paulo, Atlas, 2003. ATTIE, W. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1987. ATTIE, W. Auditoria Interna. São Paulo: Atlas, 1992. AUDIBRA. Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Normas brasileiras para o exercício da au- ditoria interna. 2. ed. Audibra, 1992. BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. Instrução CMV nº 308, de 14 de maio de 1999. Dis- põe sobre o registro e o exercício da atividade de auditoria independente no âmbito do mer- cado de valoresmobiliários, define os deveres e as responsabilidades dos administradores das entidades auditadas no relacionamento com os auditores independentes. Revoga as Instru- ções 216/94; 275/98.Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/legislacao/inst/inst308.html>. Acesso em: 23 jun. 2017. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, S. N. A auditoria contábil e a criminalística. Revista Brasileira de Contabilidade. n 123, 2000. Unidade 8 • Metodologias de emprego da auditoria210/218 OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SÁ, Antônio Lopes de. Curso de auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. Referências 211/218 Assista a suas aulas Aula 8 - Tema: Metodologias de Emprego da Auditoria. Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/52b2baef38c610c62b03dced89172fc6>. Aula 8 - Tema: Metodologias de Emprego da Auditoria. Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/c48c102c80dc0d1708616962b9cf- d47a/608d76b292567718493b126d9e68d559>. 212/201 1. Assinale a alternativa que apresenta em qual órgão o auditor externo deve registrar-se para poder auditar companhias de capital aberto. a) CVM. b) Ibracon. c) Audibra. d) Ministério da Fazenda. e) Banco Central. Questão 1 213/201 2. Assinale a alternativa que apresenta um dos principais objetivos do auditor interno. Questão 2 a) Verificar a posição financeira da empresa. b) Verificar a necessidade de aprimorar as normas internas vigentes. c) Verificar se a empresa foi autuada. d) Identificar problemas de liquidez da empresa. e) Fornecer informações financeiras aos gestores de alto escalão. 214/201 3. Assinale a opção que contempla a exigência da CVM para efeito de re- gistro do auditor independente. Questão 3 a) Ter registro na OAB. b) Ser bacharel em ciências contábeis. c) Ter registro no CRC. d) Ser técnico em contabilidade. e) Estar devidamente habilitado pelo Banco Central. 215/201 4. Quando o controle interno é excelente, o auditor externo deve: Questão 4 a) Diminuir o volume de testes. b) Não fazer testes. c) Aumentar o volume de testes. d) Aumentar o número de horas no planejamento de auditoria. e) Criar novos controles. 216/201 5. Assinale a alternativa que apresenta o ano em que foi criado o CFC/CRC. Questão 5 a) 1900. b) 1930. c) 1956. d) 1946. e) 1985. 217/201 Gabarito 1. Resposta: A. O auditor externo ou independente, para exercer atividades no mercado de valores mobiliários, está sujeito a prévio registro na CVM. 2. Resposta: B. Um dos objetivos do auditor interno é verifi- car se os procedimentos internos implanta- dos na empresa estão sendo seguidos pelos empregados da empresa. 3. Resposta: C. Segundo a Instrução CVM 308/99. 4. Resposta: A. Quando o controle interno é excelente, o auditor pode diminuir o volume de testes. 5. Resposta: D. Criado e regido por legislação específica, o Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946.