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Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Departamento de Ciências Econômicas - DCEC
Curso de Economia
RESUMO:
“Cap IX e X – Stanley brue”
 História do Pensamento Econômico 
	
Docente: Aurélio Farias de Macedo 
Discente: Daniel Santiago de Sousa
Ilhéus, BA
Janeiro/2020
 A Ascensão do Pensamento Socialista 
				
 Na Inglaterra de 1820 o ascendente sistema fabril originado na Revolução Industrial mostrava-se cada vez mais deficitário na questão humanitária e de direitos, o que trouxe inúmeros problemas para os trabalhadores e para quem dependia das fábricas. Uma questão muito debatida atualmente e que acontecia de maneira explícita era a do trabalho infantil, segundo Heilbroner (1996) “Em 1828, The Lion, uma revista radical para a época publicou a incrível história de Robert Blincoe, uma das oito paupérrimas crianças que haviam sido enviadas para uma fábrica em Lowdham. Os meninos e as meninas-tinham todos cerca de dez anos - eram chicoteados dia e noite, não apenas pela menor falta, mas também para desestimular comportamento preguiçoso.” Ademais, a maquinaria que acabava por substituir a mão de obra e gerar desemprego em um dos polos da industrialização desencadeou um movimento denominado “ludismo” em que seus adeptos tinham como objetivo destruir as máquinas incendiando fábricas e demais equipamentos. Por fim, claramente essa situação suscitaria ideias, e posteriormente, sistemas para mudar a ordem vigente. Assim, surge uma luz no fim do túnel com os ideais dos socialistas utópicos que visavam o bem-estar geral com o pleno trabalho e para alguns mais radicais, a tomada do poder pela classe trabalhadora.
Os defensores do socialismo discordavam do tipo de socialismo a ser buscado; os principais tipos de socialismo são: 
 Socialismo utópico: 1800; Henri Comte de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen; suas ideias foram desenvolvidas em uma época na qual os trabalhadores eram desorganizados e desmoralizados pelas mudanças causadas pela Revolução Industrial e ainda não-cientes de seu poder; consideravam a economia de mercado competitiva, injusta e irracional; pregaram a união universal e não a luta de classes; confiavam na cooperação dos capitalistas; sociedade ideal seria alcançada de forma pacífica, lenta e gradual; comunidades elaboradas não obtiveram sucesso. 
Socialismo de Estado: posse do governo e operação dos setores da economia com propósitos de alcançar os objetivos sociais gerais e não o lucro; pode ocorrer em um sistema capitalista; Estado considerado um poder imparcial que poderia ser influenciado em favor da classe trabalhista se o voto fosse difundido e os trabalhadores fossem instruídos; Estado poderia comandar as empresas e tornar-se o empregador ou estimular e subsidiar cooperativas nas quais os trabalhadores e consumidores seriam os proprietários; Louis Blanc. 
Socialismo cristão: Inglaterra e Alemanha após 1848; Charles Kingsley; consolo da religião oferecido aos trabalhadores para aliviar seu sofrimento e proporcionar esperanças; Bíblia como manual do líder do governo, do empregador e do trabalhador; amor e companheirismo mútuos; propriedade dos ricos administrada em benefício de todos; repudiava a violência e a luta de classes; reforma sanitária, educação, legislação da fábrica e cooperativas; 
Anarquismo: Pierre-Joseph Proudhon; as formas de governo são coercivas e deveriam ser abolidas; o Governo sempre ficou ao lado da classe mais rica e instruída e contra a classe mais numerosa e pobre; Governar as pessoas sempre será enganá-las; a ordem da sociedade surgia dos grupos do governo autônomo por meio do esforço voluntário ou aliado; natureza humana é essencialmente boa; a propriedade privada deveria ser substituída pela posse coletiva de capital pelos grupos cooperativos; comunidades se empregando na produção e comercializando com outras comunidades. 
Socialismo marxista: baseia-se na teoria do valor trabalho e na teoria da exploração dos assalariados pelos capitalistas; Marx e Engels desprezavam o capitalismo mas respeitavam o grande aumento na produtividade e a produção resultantes dele; as lutas de classes e contradições do capitalismo liderariam a queda e o substituiriam pelo socialismo; a classe trabalhadora estabelecerá sua própria ditadura do proletariado para destruir a classe burguesa; terra e capital possuídos pelo governo central; produção e taxa de investimento planejadas; objetivo do lucro e o livre-mercado eliminados.
Comunismo: de acordo com Marx, o comunismo é o estado da sociedade que substitui o socialismo; “de cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com sua necessidade”; superabundância de bens em relação aos desejos; eliminação do pagamento em dinheiro com base no trabalho realizado; devoção à sociedade; o Estado enfraquecerá quando as classes antagônicas desaparecerem; o comunismo existe somente em pequenas comunidades cooperativas, motivadas por uma religião ou outras campanhas; indivíduos trabalham juntos, juntam seus lucros e extraem o que precisam de um fundo comum. 
Revisionismo: Alemanha; Eduard Bernstein; Inglaterra; socialistas fabianos; Sydney e Beatrice Webb; abjurou a luta de classes; negava que o Estado fosse um instrumento da classe rica; esperanças fixadas na educação, nas propagandas eleitorais e no ganho de controle do governo por meio do voto secreto; o governo devia regulamentar os monopólios, controlar as condições de trabalho nas fábricas, comandar alguns serviços públicos e aumentar sua posse de capital gradualmente; favoreceram a posse municipal dos serviços públicos. 
Sindicalismo: Georges Sorel; contra o parlamentar e o militarista; socialismo deteriora as crenças burguesas quando empregado na atividade política e parlamentar; criação de um sindicato que não deve se interessar por greves e fundos de garantia, acordos do sindicato, fundos do sindicato ou reforma fragmentária; as greves devem ser feitas para provocar a consciência revolucionária dos trabalhadores; a sabotagem deve ser usada como arma na luta de classes; a greve geral de um grande sindicato terminará com o capitalismo; cada indústria, então, será organizada como uma unidade autônoma administrada pelos trabalhadores; as unidades serão unificadas em uma federação que se tornará o centro administrativo; abolição da propriedade privada e extinção do governo político. 
Socialismo da guilda: G. D. H. Cole; apogeu na época da Primeira Guerra Mundial; Estado como uma instituição necessária para expressar os interesses gerais dos indivíduos enquanto consumidores; a supervisão das indústrias deveria ser confiada aos empregados, organizados em suas guildas industriais; o governo deveria desenvolver a política econômica geral para toda a comunidade; cada trabalhador seria um sócio na empresa para a qual trabalha; “democracia industrial”; sociedade dividida entre produtores e consumidores, cada um com sua associação nacional - a guilda e o governo.
AS ASSOCIAÇÕES DO SOCIALISMO 
Os vários tipos de socialismo tinham muitas características em comum. Primeiro, todos repudiavam a idéia clássica da harmonia dos interesses, para eles as classes eram distintas, cujos os interesses eram opostos uns dos outros. Segundo, todos eram contra o conceito de laissez-faire, exceção dos anarquistas, o governo era visto como representante progressivo da classe trabalhadora. Terceiro, rejeitavam a lei de Mercado de say, pois o capitalismo eramarcado por crises econômicas periódicas ou estagnação geral. Quarto, eles negavam o conceito de humanidade sobre qual o pensamento clássico era fundamentado, pois os capitalistas em vez de acreditarem na perfectibilidade das pessoas, o capitalismo produzia o comportamento do interesse próprio por meio de sua ênfase sobre os lucros obtidos e a riqueza acumulada.. Quinto, cada uma das ideologias socialistas defendiam a ação coletiva e a posse pública das empresas para melhor condições do povo, sendo essa posse feita pelo governo central, locais ou empresas cooperativas.
A QUEM O SOCIALISMO BENEFICIOU OU TENTOU BENEFICIAR? 
Grupos moderados (utópicos, cristãos e da guilda): interesse de todos mas, principalmente, dos trabalhadores; serviram aos trabalhadores pois estimularam a consciência da sociedade e inspiraram os reformadores da classe média - reformas na legislação; 
Grupos radicais (marxista, anarquista e sindicalista): declararam a luta de classes contra os ricos; interesses da classe trabalhadora; ajudaram no ganho de concessões dos capitalistas por meio das atividades sindicalistas, da pressão parlamentar e da ameaça de revoltas.
COMO O SOCIALISMO ERA VÁLIDO, ÚTIL OU CORRETO EM SEU TEMPO? 
Os trabalhadores tinham reclamações legítimas contra o sistema que se desenvolvia na época. Pois, nenhum membro da elite havia enfrentado os problemas que assolavam essa classe por tanto tempo. Assim, os socialistas foram de extrema importância ao focar em problemas não resolvidos pela classe dominante organizando movimentos como a reforma sanitária, as associações cooperativas, as leis de compensação dos trabalhadores, os sindicatos as pensões e assim por diante.
QUAIS DOUTRINAS DO SOCIALISMO TORNARAM-SE CONTRIBUIÇÕES PERMANENTES? 
 Esses pensadores desenvolveram a base geral do pensamento econômico socialista que enfatizava possuir os meios de produção através do Estado juntamente com planejamento e coordenação nacional. Segundo muitas das propostas dos pensadores socialistas estão hoje implantadas em nações capitalistas como por exemplo a previdência social, o salário desemprego, as leis do salário mínimo, pagamento de horas extras e as leis de segurança e saúde no trabalho. A terceira contribuição permanente foi sua ênfase e análise sobre o crescimento do poder do monopólio, o problema da distribuição de renda e a realidade dos ciclos do comércio.
			SOCIALISMO MARXISTA
O Socialismo científico é um termo cunhado em 1840 por Pierre-Joseph Proudhon em “What is Property?” para se referir a uma sociedade governada por um governo científico, ou seja, aquele cuja soberania repousa sobre a razão, ao invés de pura vontade:
“Assim, numa determinada sociedade, a autoridade do homem sobre o homem é inversamente proporcional ao estágio de desenvolvimento intelectual que essa sociedade alcançou; e a provável duração dessa autoridade pode ser calculada a partir do desejo mais ou menos geral de um verdadeiro governo - isto é, de um governo científico. E assim como o direito da força e o direito do artifício recuam diante do avanço constante da justiça, e devem finalmente se extinguir em igualdade, assim a soberania da vontade cede à soberania da razão, e deve enfim se perder no socialismo científico.”
Mais tarde, em 1880, Friedrich Engels usou o termo para descrever a teoria sócio-político-econômica de Karl Marx.
Embora o termo socialismo tenha significado especificamente uma combinação de ciência política e econômica, também é aplicável a uma área mais ampla da ciência, abrangendo o que hoje é considerado sociologia e humanidades. A distinção entre socialismo utópico e científico originou-se de Marx, que criticou as características utópicas do socialismo francês e da economia política inglesa e escocesa. Engels mais tarde argumentou que os socialistas utópicos não conseguiram reconhecer por que o socialismo surgiu no contexto histórico que ele criou, que surgiu como uma resposta às novas contradições sociais de um novo modo de produção, ou seja, o capitalismo. Ao reconhecer a natureza do socialismo como a resolução dessa contradição e aplicando uma compreensão científica completa do capitalismo, Engels afirmou que o socialismo havia se libertado de um estado primitivo e se tornado uma ciência. Essa mudança no socialismo foi vista como complementar às mudanças na biologia contemporânea desencadeada por Charles Darwin e a compreensão da evolução pela seleção natural - Marx e Engels viram essa nova compreensão da biologia como essencial para a nova compreensão do socialismo e vice-versa.
Karl Marx (1818 até 1883) e Friedrich Engels (1820 até 1895), desenvolveram a teoria socialista, partindo da análise crítica e científica do próprio capitalismo.
Ao contrário dos utópicos, Marx e Engels não se preocuparam em pensar como seria uma sociedade ideal. Preocuparam-se, em primeiro lugar, em compreender a dinâmica do capitalismo e para tal estudaram a fundo suas origens, a acumulação prévia de capital, a consolidação da produção capitalista e, mais importante, suas contradições. Eles acreditavam que o capitalismo seria, inevitavelmente, superado e destruído. E, para eles, isso ocorreria na medida em que, na sua dinâmica evolutiva, o capitalismo, necessariamente, geraria os elementos que acabariam por destruí-lo e que determinariam sua superação. Entenderam, que a classe trabalhadora agora completamente expropriada dos meios de subsistência, ao desenvolver sua consciência histórica e entender-se como uma classe revolucionária, teria um papel decisivo na destruição da ordem capitalista e burguesa. Apesar dele defender a ciência, ele criticava o cientificismo e alegava que método científico não era neutro nem estava isento de dogmas.
Marx e Engels afirmaram, também, que o socialismo seria apenas uma etapa intermediária, porém, necessária, para se alcançar a sociedade comunista. Esta representaria o momento máximo da evolução histórica do homem, momento em que a sociedade já não mais estaria dividida em classes, não haveria a propriedade privada e o Estado, entendido como um instrumento da classe dominante, uma vez que no comunismo não existiriam classes sociais. Chegar-se-ai portanto, à mais completa igualdade entre os homens. Para eles isso não era um sonho, mas, uma realidade concreta e inevitável. Para se alcançar tais objetivos o primeiro passo seria a organização da classe trabalhadora.
A teoria marxista, expressa em dezenas de obras, foi claramente apresentada no pequeno livro publicado em 1848, O Manifesto Comunista. Posteriormente, a partir de 1867, foi publicada a obra básica para o entendimento do pensamento marxista: O Capital, de autoria de Marx. Os demais volumes, graças ao esforço de Engels, foram publicados após a morte de Marx.
Os princípios básicos que fundamentam a teoria marxista podem ser sintetizados em quatro teorias centrais:
A teoria da mais-valia, caracterizada pelo excedente referente ao lucro do capitalista, que não participa ativamente da produção mas, ainda assim, concentra a maior parte do capital obtido;
A teoria do materialismo histórico, na qual defende-se que os acontecimentos históricos são determinados pelas condições materiais da sociedade;
A teoria da luta de classes, onde se afirma que a história da sociedade humana é a história da luta de classes, ou do conflito permanente entre as classes sociais que compõem determinada sociedade, havendo sempre a contraposição entre exploradores e explorados;
A teoria do materialismo dialético, onde Marx e Engels tentam compreender a dinâmica das transformações históricas. Assim como, por exemplo, a morte é a negação da vida e está contida na própria vida, toda formação social (escravatura, feudalismo, capitalismo) encerra em si os germes de sua própria destruição.

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