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1 de 88 AULA 04 SOCIEDADE ANÔNIMA. Sumário Sumário .................................................................................................. 1 1 – Considerações Iniciais.......................................................................... 2 2 – Sociedade Anônima ............................................................................. 2 2.1. Antecedentes históricos e aspectos introdutórios .................................2 2.2. Legislação aplicável ......................................................................... 4 2.3. Principais características................................................................... 4 2.4. Mercado de capitais ......................................................................... 7 2.5. Constituição de sociedade anônima aberta........................................ 10 2.6. Criação de sociedade anônima fechada ............................................ 14 2.7. Subscrição de ações ...................................................................... 14 2.8. Formalidades complementares ........................................................ 15 2.9. Capital social ................................................................................ 17 2.10. Ações......................................................................................... 20 2.11. Outros valores mobiliários ............................................................ 34 2.12. Órgãos societários ....................................................................... 38 3 – Questões.......................................................................................... 52 3.1. Questões sem Comentários ............................................................ 52 3.2. Gabarito....................................................................................... 62 3.3. Questões comentadas .................................................................... 63 4 – Resumo da Aula ................................................................................ 84 5 – Jurisprudência Aplicável ..................................................................... 87 6 – Considerações Finais ......................................................................... 88 w 2 de 88 AULA 04 – SOCIEDADE ANÔNIMA. 1 – Considerações Iniciais Olá, futuro Delegado! Seja bem vindo a mais uma aula de Direito Empresarial. Hoje você vai aprender tudo que é necessário sobre a sociedade anônima, que, na minha modesta opinião, é o tipo societário mais complexo do nosso ordenamento. Esse tipo societário também é amplamente utilizado na realidade brasileira, principalmente para grandes empreendimentos. Aquelas grandes empresas das quais ouvimos falar, cujas ações e outros títulos são negociados em bolsa, são as sociedades anônimas! Vamos lá!? Bons estudos! 2 – Sociedade Anônima 2.1. Antecedentes históricos e aspectos introdutórios A doutrina aponta duas origens históricas diferentes para a sociedade anônima: as associações de credores da Idade Média (a exemplo do Officium Procuratorum Sancti Georgio, uma interessante instituição financeira que funcionou por séculos em Gênova), e as companhias das índias (patrocinadas pelos Estados Nacionais da Idade Moderna). Adotando uma ou outra orientação, o que fica claro é que essas sociedades sempre se dedicaram a grandes empreendimentos, e esta é uma característica marcante das sociedades anônimas. Justamente por isso as sociedades anônimas surgiram como espécie de delegação do poder estatal. Somente a partir do Código Comercial francês de 1808 passou a ser permitida a constituição de sociedades anônimas independentemente de outorga estatal, mas ainda sendo necessária autorização. A partir de meados do século XIX os requisitos passaram a ser ainda mais flexíveis, permitindo-se que qualquer pessoa constituísse uma SA, sendo necessário somente registro prévio e a submissão a um regime legal específico. No ordenamento brasileiro também passamos por essas fases. Inicialmente era necessária uma outorga imperial para criar uma SA, como ocorreu com o Banco do Brasil, criado por alvará de D. João VI em 1808. A partir de 1849 as sociedades anônimas passaram a ser constituídas mediante autorização governamental, regime adotado pelo Código Comercial de 1850. Posteriormente, o ordenamento nacional adotou o regime da regulamentação. w 3 de 88 2.1.1. Governança corporativa Ainda tratando de aspectos históricos, hoje a gestão das sociedades por ações tem se voltado bastante para o estudo das práticas de governança corporativa (corporate governance). Esse tema surgiu principalmente a partir de estudos desenvolvidos na Inglaterra e nos Estados Unidos, no sentido de estabelecer padrões de gestão para essas sociedades. Esses padrões, por sua vez, fundamentam-se em alguns princípios que você deve conhecer. Como nosso estudo é eminentemente jurídico, não pretendo fazer análises aprofundadas acerca desses temas, mas considero interessante que você saiba quais são os princípios da governança corporativa em voga hoje: a) Transparência deve-se prestar às partes interessadas qualquer informação que seja do seu interesse; b) Equidade deve haver regras específicas para proteger os acionistas minoritários e para evitar abusos por parte dos controladores; c) Accountability a prestação de contas precisa ser confiável, seguindo critérios eficientes e internacionalmente aceitos; d) Responsabilidade corporativa os administradores e controladores devem zelar pela sustentabilidade das empresas, visando à sua longevidade e incorporando preocupações de ordem social e ambiental. Um dos problemas estudados com mais frequência na literatura sobre governança corporativa é o conflito de agência, que ocorre quando os proprietários da empresa (acionistas) delegam sua administração a gestores profissionais (administradores). Essa situação pode terminar gerando divergências acerca da gestão da companhia e das decisões negociais. Explicando de forma simples, o conflito ocorre quando os administradores passam a tomar decisões pensando em benefícios próprios, como aumento de salários e bônus e perpetuação no cargo, por exemplo. As boas práticas de governança corporativa surgem justamente para minimizar esse tipo de problema, trazendo padrões de gestão que devem ser adotados pela companhia de forma a preservar os interesses do Estado, dos acionistas, dos clientes e da sociedade em geral. A descrição dessas práticas surgiu primeiramente na Inglaterra no início dos anos 1990 e logo em seguida foi adotada por diversas empresas norte- americanas. No Brasil um importante movimento foi a criação do Novo Mercado da BOVESPA, em 2000. As companhias que aderem ao Novo Mercado passam, por ato voluntário, a adotar uma série de padrões, que têm a finalidade de inspirar maior confiança dos investidores. A confiança é um dos principais fatores no desenvolvimento da literatura sobre governança corporativa. Nos anos 1990 houve diversos casos de fraude, amplamente divulgados pela mídia, nos quais estavam envolvidas companhias de capital aberto. Nos Estados Unidos podemos citar o caso da Enron, que terminou influenciando muito a adoção da Lei Sarbanes-Oxley, de 2002. w 5 de 88 Por outro lado, temos parte da doutrina nacional afirmando que não se pode mais dizer que toda e qualquer sociedade anônima é uma sociedade de capital. É possível que sociedades anônimas fechadas terminem assumindo caráter mais personalista. No Brasil temos diversos exemplos de sociedades por ações que são empresas familiares e que, por isso, terminam adotando regras pouco usuais por meio de seus estatutos ou de acordos de acionistas, como a limitação de circulação de ações nominativas e a exigência e aprovação de assembleia de acionistas para decisões minimamente importantes. Apesar de a sociedade anônima ser a sociedade de capital por excelência, é comum que haja sociedades anônimas de feição personalista, por meio da adoção de regras específicas em seus estatutos ou em acordosde acionistas. Além disso, você deve lembrar que a sociedade por ações, cuja principal modalidade é a sociedade anônima, é sempre uma sociedade empresária, nos termos do art. 982 do Código Civil. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Na realidade, mesmo antes do Código Civil de 2002, já tínhamos o art. 2o, §1o da Lei das SA prevendo a natureza mercantil da sociedade anônima. Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 1º Qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e se rege pelas leis e usos do comércio. 2.3.2. Adoção de denominação Você já sabe que há uma série de regras a respeito da adoção do nome empresarial pelo empresário individual e pela sociedade empresária, e entre essas regras está a obrigatoriedade de que a SA adota denominação, conforme art. 1.160 do Código Civil. Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social, integrada pelas expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por extenso ou abreviadamente. w 6 de 88 Assim, podemos concluir que a SA não pode adotar firma. Na realidade isso não faria nenhum sentido, pois, como seu nome já diz, a sociedade é anônima, e seu nome deve ser distinto dos nomes dos acionistas, reforçando sua feição capitalista. No mesmo sentido temos também o art. 3o da Lei das SA, que ainda veda a utilização da expressão “companhia” ao final da denominação. Art. 3º A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira ao final. Assim, a sociedade anônima pode adotar a denominação seguida da designação “sociedade anônima” (como ocorre, por exemplo, com o Banco do Brasil SA), ou utilizar a palavra “companhia” (como ocorre com a Companhia de Bebidas das Américas, popularmente conhecida como Ambev, fabricante de diversas marcas de cervejas, refrigerantes e outras bebidas). A sociedade anônima será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente, entretanto, vedada a utilização da primeira ao final. 2.3.4. Responsabilidade limitada Na SA, cada sócio responde apenas pela sua parte no capital social, não assumindo dívidas titularizada pela sociedade. Obviamente essa regra tem suas exceções, que são ainda mais restritas no caso das SA, mas ainda assim pode haver, por exemplo, desconsideração da personalidade jurídica. Um aspecto importante, que diferencia a SA da sociedade limitada no que se refere à responsabilidade dos sócios, é a inexistência da regra de responsabilização solidária pelo capital a integralizar. Lembre-se de que, na sociedade limitada, todos os sócios respondem solidariamente pelo que ainda falta integralizar do capital da sociedade, sendo possível que eventuais execuções atinjam o patrimônio de qualquer sócio, ainda que ele já tenha cumprido seu dever na integralização do capital. Nas SA, por outro lado, cada acionista responde apenas pela integralização das suas ações, não havendo qualquer previsão de responsabilidade solidária pela integralização de todo o capital social, nos termos do art. 1o da Lei das SA. Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. w 7 de 88 Nas SA cada acionista responde apenas pela integralização das suas ações, não havendo qualquer previsão de responsabilidade solidária pela integralização de todo o capital social. 2.4. Mercado de capitais O mercado de capitais é um ambiente no qual os valores mobiliários emitidos por uma sociedade anônima são negociados. Estudaremos sobre os valores mobiliários no momento oportuno, mas por ora você deve saber que o principal desses valores é a própria ação. Podemos dizer, portanto, que o mercado de capitais (ou mercado de valores mobiliários) é o ambiente no qual são negociadas, entre outros, as ações das sociedades anônimas. Inicialmente podemos classificar as SA de acordo com sua autorização, ou não, para negociar ações no mercado de capitais. A definição é dada pelo art. 4o da Lei das SA. Art. 4o Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. Podemos dizer, portanto, que a SA é aberta quando tem autorização para negociar seus valores mobiliários no mercado de capitais, e fechada quando não tem autorização para tanto. Essa autorização, no ordenamento brasileiro, é concedida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Trata-se de uma autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda, que tem o papel de autoridade regulatória sobre o mercado de capitais. A própria Lei das SA em diversos pontos menciona a CVM e seu papel. Veja, por exemplo, o que dizem os parágrafos do art. 4o. § 1o Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na Comissão de Valores Mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. § 2o Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. A CVM foi criada pela Lei n. 6.385/1976, que estabeleceu como suas atribuições a disciplina e fiscalização das seguintes atividades: a) A emissão e distribuição de valores mobiliários no mercado; b) A negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários; c) A negociação e intermediação no mercado de derivativos; d) A organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Valores; e) A organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Mercadorias e Futuros; w 8 de 88 f) A administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários; g) A auditoria das companhias abertas; h) Os serviços de consultor e analista de valores mobiliários. O mercado de capitais brasileiro tem se desenvolvido bastante nos últimos anos. Recentemente muitas companhias fizeram abertura de capital e passaram a negociar ações em bolsa. Essa operação de abertura de capital é conhecida como IPO, da sigla em inglês initial pulic offer, ou oferta pública inicial. Para que você entenda melhor a importância de uma IPO para uma sociedade, é importante perceber que esse é um instrumento de captação de recursos de pessoas interessadas em investir na sociedade, que geralmente esperam retorno no médio ou longo prazos. É muito melhor e mais barato do que, por exemplo, captar crédito junto a instituições financeiras, pois desta forma a companhia fica na posição de devedora, amargando altas taxas de juros. Quando recebe investimento de acionistas, por outro lado, a companhia recebe uma injeção de capital que possibilita que a sociedade se concentre no desenvolvimento dos seus negócios, pois esse desenvolvimento trará os retornos desejados pelos investidores. Alguns autores dizem também que o mercado de capitais é um instrumento de acesso à poupança popular, pois permite que poupadores invistam diretamente num negócio, sem a intermediação de instituições financeiras. É possível ainda que uma sociedade passe por uma abertura de capital mal sucedida, caso em que precisará voltar a ser uma companhia fechada. O 4o do art. 4o da Lei das SA trata do tema. § 4o O registro de companhia aberta para negociação de ações no mercado somente poderá ser cancelado se a companhia emissora de ações, o acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou indiretamente, formular oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circulação no mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor de avaliação da companhia, apuradocom base nos critérios, adotados de forma isolada ou combinada, de patrimônio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, de fluxo de caixa descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das ações no mercado de valores mobiliários, ou com base em outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do valor da oferta, em conformidade com o disposto no art. 4o-A. Basicamente o legislador se refere à situação na qual é necessário fazer uma oferta pública de aquisição de ações, na qual a companhia recompra as ações que estão em poder de terceiros. A preocupação do legislador aqui foi proteger os acionistas minoritários, mas a redação merece críticas, pois não deixa muito claro o que seria o “preço justo” das ações. Se acionistas minoritários que representem menos de 5% do capital não concordarem com o fechamento e, consequentemente, não venderem suas ações, aplica-se a regra do §5o. w 9 de 88 § 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na regulamentação expedida pela Comissão de Valores Mobiliários, se remanescerem em circulação menos de 5% (cinco por cento) do total das ações emitidas pela companhia, a assembleia-geral poderá deliberar o resgate dessas ações pelo valor da oferta de que trata o § 4o, desde que deposite em estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, à disposição dos seus titulares, o valor de resgate, não se aplicando, nesse caso, o disposto no § 6o do art. 44. Basicamente estamos diante de uma hipótese de resgate compulsório, normalmente chamado de squeeze out. A lógica aqui é respeitar a maioria, impedindo que um pequeno número de acionistas impeça o fechamento do capital. Sempre que falamos em mercado de capitais, terminamos mencionando também as bolsas de valores, que não compõem a administração pública, sendo uma associação privada, formada por corretoras e que, por meio de autorização da CVM, presta serviços de interesse público. Esses serviços consistem basicamente na manutenção de um local adequado para a realização das operações de compra e venda dos valores mobiliários emitidos pelas companhias. Hoje é comum que as bolsas de valores sejam, elas próprias, constituídas como sociedades anônimas. É o caso da mais importante bolsa do Brasil: a BM&F Bovespa SA, que não é a única bolsa de valores do país, mas certamente é a única que tem importância na negociação de valores mobiliários. As demais se ocupam apenas de atividades de difusão do mercado de capitais e de prestação de serviços. As operações do mercado de capitais realizadas fora da bolsa de valores compõem o que chamamos de mercado de balcão, que é operado por corretoras e instituições financeiras autorizadas pela CVM. Por fim, devemos mencionar o mercado de capitais primário e secundário. Trata-se um conceito muito simples: o mercado de capitais primário é aquele no qual são realizadas as operações de subscrição e emissão de ações e outros valores mobiliários, enquanto o mercado de capitais secundário compreende as operações de compra e venda desses valores. Seguindo-se essa lógica, perceba que a própria companhia somente participa do mercado primário, quando ela própria vende ações e outros valores mobiliários na oferta pública inicial. No mercado secundário temos particulares negociando entre si a compra e venda dos valores. Você deve saber ainda que na bolsa de valores somente são realizadas operações de compra e venda de valores mobiliários. O mercado de balcão, por outro lado, realiza tanto operações de compra e venda quanto de emissão e subscrição de novos valores mobiliários. w 11 de 88 Há ainda quem diga que no caso de sociedades anônimas de capital aberto são necessários pelo menos 3 acionistas, pois a legislação exige a instituição de Conselho de Administração com pelo menos 3 membros (arts. 138, §2o, 140 e 146 da Lei das SA). O inciso II exige a realização de pelo menos 10% do preço de emissão das ações subscritas. O parágrafo único menciona ainda alguns casos especiais, em que se exige a realização de um percentual maior do capital. O inciso III menciona a necessidade de depósito de parte do capital realizado em dinheiro. Esse depósito deverá ser feito pelo fundador da companhia, no prazo de 5 dias contados do recebimento das quantias, em nome do subscritor e a favor da sociedade. O levantamento dos valores só poderá ser feito depois que a sociedade adquirir personalidade jurídica, ou seja, somente depois do registro de seus atos constitutivos na Junta Comercial. Caso a companhia não esteja constituída formalmente no prazo de 6 meses, o banco restituirá os valores depositados diretamente aos subscritores. No caso das companhias abertas, a constituição se dá por meio de subscrição pública de ações, que exige outras formalidades. Basicamente a companhia precisará estar previamente registrada junto à CVM, colocar as ações à disposição dos interessados, e depois realizar a assembleia inicial de fundação. Art. 82. A constituição de companhia por subscrição pública depende do prévio registro da emissão na Comissão de Valores Mobiliários, e a subscrição somente poderá ser efetuada com a intermediação de instituição financeira. Você deve ter percebido que o fundador que desejar constituir uma companhia aberta precisará de uma instituição financeira intermediária especializada nesse tipo de operação. Esse tipo de serviço é chamado de underwriting. Uma vez contratada a empresa, poderá ser apresentado à CVM o pedido de registro. Esse pedido deverá ser instruído com os seguintes documentos: a) Estudo de viabilidade econômica e financeira deve trazer elementos que demonstrem que o empreendimento é minimamente viável e que a companhia operará de maneira razoavelmente saudável; b) Projeto do estatuto social deverá satisfazer todos os requisitos exigidos para os contratos das sociedades empresárias em geral e aos específicos das sociedades anônimas, e conterá as normas pelas quais se regerá a companhia; c) Prospecto organizado e assinado pelos fundadores e pela instituição financeira intermediária deverá mencionar as expectativas acerca do empreendimento. É necessário trazer várias informações detalhadas, que constam no art. 84 da Lei das SA. w 12 de 88 Art. 84. O prospecto deverá mencionar, com precisão e clareza, as bases da companhia e os motivos que justifiquem a expectativa de bom êxito do empreendimento, e em especial: I - o valor do capital social a ser subscrito, o modo de sua realização e a existência ou não de autorização para aumento futuro; II - a parte do capital a ser formada com bens, a discriminação desses bens e o valor a eles atribuídos pelos fundadores; III - o número, as espécies e classes de ações em que se dividirá o capital; o valor nominal das ações, e o preço da emissão das ações; IV - a importância da entrada a ser realizada no ato da subscrição; V - as obrigações assumidas pelos fundadores, os contratos assinados no interesse da futura companhia e as quantias já despendidas e por despender; VI - as vantagens particulares, a que terão direito os fundadores ou terceiros, e o dispositivo do projeto do estatuto que as regula; VII - a autorização governamental para constituir-se a companhia, se necessária; VIII - as datas de início e término da subscrição e as instituições autorizadas a receber as entradas; IX - a solução prevista para o caso de excesso de subscrição; X - o prazo dentro do qual deverá realizar-se a assembleia de constituição da companhia, ou a preliminar para avaliação dos bens, se for o caso; XI - o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos fundadores, ou, se pessoa jurídica, a firma ou denominação, nacionalidade e sede, bem como o número e espécie de ações que cada um houver subscrito, XII - a instituição financeira intermediária do lançamento, em cujo poder ficarão depositados os originais do prospecto e do projeto de estatuto, com os documentos a que fizerem menção, para exame de qualquer interessado. Caberá então àCVM, com base nos documentos apresentados, avaliar o empreendimento, podendo condicionar o registro a modificações no estatuto ou no prospecto e negá-lo por inviabilidade ou temeridade do empreendimento ou inidoneidade dos fundadores. Se a CVM aprovar os documentos e deferir o registro, terá início a segunda etapa do procedimento para constituição da companhia aberta, cabendo à instituição underwriter captar recursos no mercado, colocando as ações junto a investidores que tenham interesse em subscrevê-las. Lembre-se de que, nas sociedades anônimas abertas, todo o capital deve ser subscrito, sob pena de cancelamento do registro de emissão concedido pela CVM. Nas sociedades anônimas abertas, todo o capital deve ser subscrito, sob pena de cancelamento do registro de emissão concedido pela CVM. w 13 de 88 Art. 85. No ato da subscrição das ações a serem realizadas em dinheiro, o subscritor pagará a entrada e assinará a lista ou o boletim individual autenticados pela instituição autorizada a receber as entradas, qualificando-se pelo nome, nacionalidade, residência, estado civil, profissão e documento de identidade, ou, se pessoa jurídica, pela firma ou denominação, nacionalidade e sede, devendo especificar o número das ações subscritas, a sua espécie e classe, se houver mais de uma, e o total da entrada. Parágrafo único. A subscrição poderá ser feita, nas condições previstas no prospecto, por carta à instituição, com as declarações prescritas neste artigo e o pagamento da entrada. A subscrição fica sob responsabilidade da underwriter, devendo ser obedecidas as condições do art. 85. Essa é uma operação bastante interessante, pois os investidores decidem subscrever as ações apenas com base no prospecto, dando um “voto de confiança” aos negócios que serão conduzidos pela companhia. Quando todo o capital social for subscrito, passa-se à terceira etapa do procedimento, com a realização da assembleia de fundação. Art. 87. A assembleia de constituição instalar-se-á, em primeira convocação, com a presença de subscritores que representem, no mínimo, metade do capital social, e, em segunda convocação, com qualquer número. § 1º Na assembleia, presidida por um dos fundadores e secretariada por subscritor, será lido o recibo de depósito de que trata o número III do artigo 80, bem como discutido e votado o projeto de estatuto. § 2º Cada ação, independentemente de sua espécie ou classe, dá direito a um voto; a maioria não tem poder para alterar o projeto de estatuto. § 3º Verificando-se que foram observadas as formalidades legais e não havendo oposição de subscritores que representem mais da metade do capital social, o presidente declarará constituída a companhia, procedendo-se, a seguir, à eleição dos administradores e fiscais. § 4º A ata da reunião, lavrada em duplicata, depois de lida e aprovada pela assembleia, será assinada por todos os subscritores presentes, ou por quantos bastem à validade das deliberações; um exemplar ficará em poder da companhia e o outro será destinado ao registro do comércio. Na primeira convocação, deve haver subscritores que representem pelo menos metade do capital social. Na segunda convocação a assembleia pode instalar-se com qualquer número de subscritores. A presidência da assembleia cabe a um dos fundadores, e um dos subscritores será apontado como secretário. A principal pauta dessa assembleia é o estatuto da sociedade, cujo projeto deverá ser discutido e votado. Perceba que cada ação dá direito a um voto, independentemente de sua espécie ou classe. No momento oportuno estudaremos sobre as classes de ações e seus reflexos no poder de voto dos acionistas em assembleia. Se não houver oposição de subscritores que representem mais de metade do capital social, o presidente (fundador) declarará constituída a companhia, e em w 14 de 88 seguida a assembleia passará a eleger os administradores e componentes do conselho fiscal. 2.6. Criação de sociedade anônima fechada A constituição de companhias fechadas é muito mais simples do que daquelas que pretendem negociar ações no mercado de capitais. Como a subscrição é particular, não havendo captação de recursos junto a investidores, as coisas ficam muito mais fáceis. Art. 88. A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode fazer-se por deliberação dos subscritores em assembleia-geral ou por escritura pública, considerando-se fundadores todos os subscritores. No caso da companhia fechada, portanto, temos duas modalidades de constituição: a realização de assembleia dos subscritores e a lavratura de escritura pública em cartório. Caso seja adotada a assembleia de fundação, deverão ser seguidas, como regra geral, as mesmas normas que vimos ao tratar das companhias abertas, devendo ser entregues à assembleia o projeto de estatuto, assinado por todos os subscritores, e as listas ou boletins de subscrição de todas as ações. Caso a técnica adotada seja a lavratura de escritura pública, esta deverá ser assinada por todos os subscritores, contendo a sua qualificação, o estatuto da companhia, a relação das ações subscritas e dos valores pagos, a transcrição do recibo do depósito, a transcrição do laudo de avaliação dos peritos (caso tenha havido subscrição em bens), e a nomeação dos primeiros administradores e, quando for o caso, dos fiscais. 2.7. Subscrição de ações Agora analisaremos algumas regras gerais estabelecidas pela Lei das SA acerca da subscrição de ações. Art. 89. A incorporação de imóveis para formação do capital social não exige escritura pública. Não há problema algum em parte do capital social da companhia ser composto por bens móveis ou imóveis. Além disso, mesmo no caso dos bens imóveis, a Lei das SA dispensou a exigência de escritura pública. Art. 90. O subscritor pode fazer-se representar na assembleia-geral ou na escritura pública por procurador com poderes especiais. w 15 de 88 É muito comum que os investidores não compareçam pessoalmente à assembleia, fazendo representar-se por procuradores. Geralmente os investidores têm muitos negócios e por isso terminam contratando agentes de sua confiança para representa-los nessas ocasiões. Art. 91. Nos atos e publicações referentes a companhia em constituição, sua denominação deverá ser aditada da cláusula "em organização". A expressão “em organização” somente será retirada do nome da companhia ao final do processo constitutivo, com o registro dos atos na Junta Comercial. Art. 92. Os fundadores e as instituições financeiras que participarem da constituição por subscrição pública responderão, no âmbito das respectivas atribuições, pelos prejuízos resultantes da inobservância de preceitos legais. Parágrafo único. Os fundadores responderão, solidariamente, pelo prejuízo decorrente de culpa ou dolo em atos ou operações anteriores à constituição. A contratação da underwriter é importante, entre outros aspectos, para dar mais segurança aos investidores. Tanto os fundadores quanto as instituições financeiras que atuarem na constituição da companhia poderão ser responsabilizados se causarem prejuízos. Art. 93. Os fundadores entregarão aos primeiros administradores eleitos todos os documentos, livros ou papéis relativos à constituição da companhia ou a esta pertencentes. 2.8. Formalidades complementares A fase das formalidades complementares vem logo após a observância dos requisitos preliminares junto à CVM (no caso das companhias abertas) e da subscrição das ações. As formalidades complementares envolvem basicamente os procedimentos de registro na Junta Comercial, além de outras pequenas medidas administrativas e operacionais. Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos. Lembre-se de que, apesar das suas peculiaridades, a sociedade anônima é uma sociedade empresária, e por isso deve ter seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial, como qualquer outra. Além disso, a personalidade jurídica só é adquirida no momento do registro. w 16 de 88 Caso a companhiatenha sido constituída por meio de assembleia de fundação, há uma série de documentos que precisam ser arquivados, conforme art. 95 da Lei das SA. Por outro lado, se tiver sido constituída por meio de escritura pública em cartório (permitida apenas no caso das companhias fechadas), basta arquivar a certidão expedida pelo cartório. Art. 95. Se a companhia houver sido constituída por deliberação em assembléia-geral, deverão ser arquivados no registro do comércio do lugar da sede: I - um exemplar do estatuto social, assinado por todos os subscritores (artigo 88, § 1º) ou, se a subscrição houver sido pública, os originais do estatuto e do prospecto, assinados pelos fundadores, bem como do jornal em que tiverem sido publicados; II - a relação completa, autenticada pelos fundadores ou pelo presidente da assembléia, dos subscritores do capital social, com a qualificação, número das ações e o total da entrada de cada subscritor (artigo 85); III - o recibo do depósito a que se refere o número III do artigo 80; IV - duplicata das atas das assembléias realizadas para a avaliação de bens quando for o caso (artigo 8º); V - duplicata da ata da assembléia-geral dos subscritores que houver deliberado a constituição da companhia (artigo 87). Art. 96. Se a companhia tiver sido constituída por escritura pública, bastará o arquivamento de certidão do instrumento. Caberá à Junta Comercial verificar se na constituição da companhia foram observadas as prescrições legais, bem como se no estatuto existem cláusulas contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes. Se o arquivamento for negado por inobservância de prescrição ou exigência legal ou por irregularidade, os primeiros administradores deverão convocar a assembleia-geral para sanar a falta ou irregularidade, ou autorizar as providências necessárias. Uma vez deferido o arquivamento dos atos constitutivos, os administradores deverão providenciar, no prazo de 30 dias, a publicação destes e da certidão do arquivamento na imprensa oficial do local da sede da sociedade. Além disso, um exemplar do diário oficial deverá ser arquivado na Junta Comercial. A partir deste momento a companhia poderá entrar em funcionamento. Art. 99. Os primeiros administradores são solidariamente responsáveis perante a companhia pelos prejuízos causados pela demora no cumprimento das formalidades complementares à sua constituição. Parágrafo único. A companhia não responde pelos atos ou operações praticados pelos primeiros administradores antes de cumpridas as formalidades de constituição, mas a assembleia-geral poderá deliberar em contrário. w 17 de 88 Os atos praticados pelos administradores antes do cumprimento das formalidades de constituição são responsabilidade deles, e não da companhia, mas a Lei das SA abre a possibilidade de a assembleia-geral deliberar em sentido contrário, ratificando esses atos. Perceba ainda, pela redação do caput do art. 99, que os administradores respondem perante a sociedade por prejuízos que tenham sido causados pela sua demora em cumprir as formalidades. Nesses casos a sociedade pode ingressar com ação civil de reparação contra eles. 2.9. Capital social Art. 5º O estatuto da companhia fixará o valor do capital social, expresso em moeda nacional. Parágrafo único. A expressão monetária do valor do capital social realizado será corrigida anualmente (artigo 167). Art. 6º O capital social somente poderá ser modificado com observância dos preceitos desta Lei e do estatuto social (artigos 166 a 174). Assim como nas demais sociedades empresárias, o capital da SA deverá ser expresso em moeda nacional. A atualização do valor do capital social será feita anualmente por ocasião da assembleia geral ordinária. É importante salientar, porém, que nem sempre o capital social corresponderá à exata soma dos valores correspondentes à contribuição dos acionistas. Isso porque nosso ordenamento jurídico permite a emissão de ações sem valor nominal, bem como a emissão de ações com preço superior ao seu valor nominal. Nos dois casos teremos os valores da diferença sendo computados para a formação de reserva da capital. Art. 7º O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. Art. 8º A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembleia-geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença de subscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda convocação com qualquer número. § 1º Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados, e estarão presentes à assembleia que conhecer do laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas. § 2º Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembleia, os bens incorporar-se-ão ao patrimônio da companhia, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalidades necessárias à respectiva transmissão. § 3º Se a assembleia não aprovar a avaliação, ou o subscritor não aceitar a avaliação aprovada, ficará sem efeito o projeto de constituição da companhia. w 18 de 88 § 4º Os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da companhia por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. § 5º Aplica-se à assembleia referida neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 115. § 6º Os avaliadores e o subscritor responderão perante a companhia, os acionistas e terceiros, pelos danos que lhes causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens, sem prejuízo da responsabilidade penal em que tenham incorrido; no caso de bens em condomínio, a responsabilidade dos subscritores é solidária. Quando a Lei das SA menciona a formação do capital social, na realidade refere-se à sua integralização, que pode ser feita em dinheiro ou em bens que possam ser avaliados em dinheiro. Da leitura do art. 8o você deve ter percebido que o procedimento de avaliação dos bens é bastante rigoroso, não é mesmo? São 3 peritos nomeados por meio de assembleia geral, que deverão apresentar laudo de avaliação fundamentado. Art. 9º Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferem-se à companhia a título de propriedade. Basicamente o art. 9o determina que a sociedade passa a ser proprietária dos bens transferidos, incorporando-os ao patrimônio social. Há regras adicionais acerca dessa transferência no art. 98 da Lei das SA, segundo o qual a certidão dos atos constitutivos, registrada na Junta Comercial, será o documento hábil para a transferência, por transcrição no registro público competente, dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação do capital social. Além disso, a ata da assembleia-geral que aprovar a incorporação deverá identificar o bem com precisão, mas poderá descrevê-lo sumariamente, desde que seja suplementada por declaração, assinada pelo subscritor, contendo todos os elementos necessários para a transcrição no registro público. Art. 10. A responsabilidade civil dos subscritores ou acionistas que contribuírem com bens para a formação do capital social será idêntica à do vendedor. Parágrafo único. Quando a entrada consistir em crédito, o subscritor ou acionista responderá pela solvência do devedor. O acionista que contribui com o capital social com bens tem a responsabilidade sobre a licitude dessa operação. Isso significa que ele tem responsabilidades semelhantes às do vendedor, respondendo, por exemplo, pela evicção. Além disso, se a integralização se der por meio de crédito, o acionista responderá pela solvência do devedor. Vale mencionar ainda os dispositivos da Lei das SA que determinam os detalhes sobre o procedimento de integralização do capital da companhia. w 19 de 88 Art. 106. O acionista é obrigado a realizar, nas condições previstas no estatuto ou no boletimde subscrição, a prestação correspondente às ações subscritas ou adquiridas. § 1° Se o estatuto e o boletim forem omissos quanto ao montante da prestação e ao prazo ou data do pagamento, caberá aos órgãos da administração efetuar chamada, mediante avisos publicados na imprensa, por 3 (três) vezes, no mínimo, fixando prazo, não inferior a 30 (trinta) dias, para o pagamento. § 2° O acionista que não fizer o pagamento nas condições previstas no estatuto ou boletim, ou na chamada, ficará de pleno direito constituído em mora, sujeitando-se ao pagamento dos juros, da correção monetária e da multa que o estatuto determinar, esta não superior a 10% (dez por cento) do valor da prestação. As condições da integralização das ações subscritas devem constar no estatuto ou boletim de subscrição. Se esses atos forem omissos, porém, a própria lei determina que os órgãos de administração da companhia deverão proceder à chamada mediante 3 publicações na i prensa, fixando prazo de pelo menos 30 dias para o pagamento. O acionista que deixar de fazer o pagamento será constituído em mora, devendo arcar com juros e correção monetária, além da multa determinada pelo estatuto, que será de no máximo 10% do valor devido. Este é o chamado acionista remisso. Art. 107. Verificada a mora do acionista, a companhia pode, à sua escolha: I - promover contra o acionista, e os que com ele forem solidariamente responsáveis (artigo 108), processo de execução para cobrar as importâncias devidas, servindo o boletim de subscrição e o aviso de chamada como título extrajudicial nos termos do Código de Processo Civil; ou II - mandar vender as ações em bolsa de valores, por conta e risco do acionista. Nesses casos o aviso de chamada e o boletim de subscrição servirão como título executivo extrajudicial, e a sociedade poderá cobrar judicialmente do remisso os valores devidos. Outra opção é a sociedade optar pela venda das ações em bolsa de valores, por conta e risco do acionista. Essas prerrogativas da sociedade em relação ao acionista remisso são tão importantes que a própria Lei das SA estabelece que será considerada como não escrita qualquer estipulação do estatuto ou do boletim de subscrição que exclua ou limite o exercício da opção, mas o subscritor de boa-fé terá ação, contra os responsáveis pela estipulação, para haver perdas e danos sofridos, sem prejuízo da responsabilidade penal que couber. Caso a sociedade opte pela venda das ações, esta ocorrerá mediante leilão especial na bolsa de valores, depois de publicado aviso 3 vezes, com antecedência mínima de 3 dias. Do produto da venda serão deduzidas as despesas com a operação e, se houver previsão no estatuto, os juros, correção monetária e multa, ficando o saldo à disposição do ex-acionista, na sede da sociedade. w 20 de 88 Caso opte pela execução dos valores, a companhia terá ainda a opção de, mesmo após iniciada a cobrança judicial, mandar vender a ação em bolsa de valores, podendo ainda promover a cobrança judicial se as ações oferecidas em bolsa não encontrarem comprador, ou se o preço não bastar para pagar os débitos do acionista. Caso a sociedade não consiga, de forma alguma, obter os valores, poderá declarar as ações caducas e integralizá-las com os lucros e reservas sociais, nos termos do §4o do art. 107 da Lei das SA. § 4º Se a companhia não conseguir, por qualquer dos meios previstos neste artigo, a integralização das ações, poderá declará-las caducas e fazer suas as entradas realizadas, integralizando-as com lucros ou reservas, exceto a legal; se não tiver lucros e reservas suficientes, terá o prazo de 1 (um) ano para colocar as ações caídas em comisso, findo o qual, não tendo sido encontrado comprador, a assembleia-geral deliberará sobre a redução do capital em importância corre pondente. 2.10. Ações Agora trataremos com detalhes das disposições da Lei das SA acerca das ações. Como você já está cansado de saber, as ações são o principal valor mobiliário emitido pela companhia, e isso porque o acionista detém parte do capital social, ostentando a condição de verdadeiro sócio da companhia. 2.10.1. Classificação das ações Agora estudaremos duas classificações mais relevantes: uma que diz respeito aos direitos e obrigações que as ações conferem aos seus titulares, e outra que leva em consideração a forma de transferência. Quanto aos direitos e obrigações, podemos dizer que as ações são ordinárias, preferenciais ou de fruição. As ações ordinárias são aquelas que conferem aos seus titulares direitos comuns. Seu possuidor (chamado de ordinarialista) não tem nenhum direito ou vantagem em relação aos demais sócios, mas também não está sujeito a nenhuma restrição. O ordinarialista também tem direito a voto (que nem todos os acionistas têm!) e por isso normalmente a maioria controladora e os acionistas minoritários pertencem a essa categoria. Lembre-se de que toda a legislação acerca das SA é construída com a finalidade de compatibilizar os interesses entre esses dois grupos. Você aprenderá mais sobre isso quando falarmos sobre o poder e controle na companhia. w 21 de 88 As ações preferenciais, por sua vez, conferem aos seus titulares uma vantagem em relação aos titulares de ações ordinárias. Seus detentores são chamados preferencialistas, e normalmente o privilégio vem acompanhado de algumas restrições de direitos, como o direito a voto, que normalmente não existem para esses acionistas. As vantagens e restrições dessas ações deverão ser especificadas no estatuto, conforme art. 17 da Lei das SA. Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo; II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. Há ainda um tipo especial de ação preferencial, que foi incluída na Lei das SA por ocasião das privatizações do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 no Brasil. Trata-se da chamada golden share, prevista no art. 17, §7o da Lei das SA. § 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembleia-geral nas matérias que especificar. Basicamente o que aconteceu na época foi o seguinte: o Estado passou a alienar a o controle das companhias em que detinha a maioria do capital social, mas conservou essas ações preferenciais especiais, que lhe conferiam direito de veto em determinadas deliberações. Em que pese o §7o seja específico a respeito do processo de desestatização, doutrinadores entendem que nada impede que sejam criadas ações do tipo golden share em companhias privadas, já que o §2o do art. 17 autoriza a previsão estatutária de outras vantagens às ações preferenciais. Art. 15, § 2o O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas a restrição no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% (cinquenta por cento) do total das ações emitidas. Essa restrição faz bastante sentido, pois não há cabimento em imaginar uma sociedade na qual mais de metade dos acionistas não pode votar, não é mesmo? Teríamos aí uma maioria que não poderia decidir nada e que também não estaria protegida pelas disposições acerca dos acionistas minoritários. f w 22 de 88 Por fim, devemos falar sobre as ações de fruição, que são emitidas para substituir as ações ordinárias ou preferenciais que foram totalmente amortizadas, conferindo aos seus titulares apenas direitos de gozo ou fruição. Art. 44. O estatuto ou a assembleia-geral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de proceder-se à operação. [...] § 2º A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em casode liquidação da companhia. [...] § 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembleia-geral que deliberar a amortização; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações amortizadas só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações não a amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente. A amortização é uma espécie de antecipação dos valores que serão pagos aos acionistas no caso de liquidação da companhia. Sendo determinada a amortização de uma ação preferencial ou ordinária, calcular-se seu valor patrimonial naquele momento e paga-se esse valor ao titular da ação. Uma vez totalmente amortizada, a ação preferencial ou ordinária poderá ser substituída por uma ação de fruição, e a partir de então seu titular terá apenas direitos de gozo e fruição contra a companhia. Agora falaremos sobre a classificação das ações quanto à forma de transferência. Segundo essa classificação temos ações nominativas e escriturais, mas antes de detalhá-los é importante rememorar uma alteração legislativa feita nos anos 1990. Até a Lei n. 8.021/1990 tínhamos no nosso ordenamento, além dos tipos acionários mencionados, também as ações endossáveis, que podiam ser endossadas no próprio certificado, e as ações ao portador, que podiam ser transmitidas pela mera tradição (entrega) do documento. Pois bem, a referida lei determinou a retirada de circulação dessas ações no prazo de 2 anos a partir de sua vigência, e por isso essas ações não existem mais hoje, apesar de ainda termos alguns dispositivos da Lei das SA que tratam delas. As ações nominativas são aquelas transmitidas mediante registro em livro específico, escriturado pela companhia para essa finalidade. Trata-se do livro Registro de Ações Nominativas, previsto no art. 31 da Lei das SA. Nesse caso a transferência é um ato formal, que exige o comparecimento do vendedor e do comprador e sua assinatura no livro Transferência de Ações Nominativas (art. 31, §1o da Lei das SA). No caso de ação negociada em bolsa de valores, o w 24 de 88 Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, são ordinárias, preferenciais, ou de fruição. § 1º As ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes. As ações ordinárias e preferenciais, em regra, poderão ser divididas em classes, com exceção das ações ordinárias de companhias abertas. 2.10.3. Valor da ação A ação não tem um valor absoluto. Sua valoração pode ser feita e formas diferentes, a depender do objetivo. Por isso, para compreender bem esses mecanismos, precisamos analisar as diferentes técnicas e conceitos que envolvem o tema. a) Valor nominal Esse valor é obtido dividindo-se o capital social pelo número de ações. Lembre- se de que a SA não é obrigada a conferir um valor nominal a suas ações, permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor nominal. Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira ou não valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da divisão do capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática, porém, existe uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o valor nominal de cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição injustificada do valor patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas ações. Se a companhia emite novas ações com valor patrimonial inferior às antigas, todos os acionistas que já estão no quadro terminam sendo prejudicados, pois suas ações passam a representar uma parcela menor do capital social. Por outro lado, se as ações têm valor nominal, o patrimônio acionário não será diminuído, já que o art. 13 da Lei das SA proíbe a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. É importante ainda salientar que nada impede que o preço de emissão das novas ações seja superior ao seu valor nominal. Nesse caso a diferença entre os dois valores, chamada de ágio, deverá obrigatoriamente compor reserva de capital (art. 13, §2o). b) Valor patrimonial Também chamado de valor real, é calculado levando-se em conta o patrimônio líquido da sociedade. Em vez de dividir o capital social pelo número de ações, divide-se o patrimônio líquido. Caso você não esteja familiarizado com o w 25 de 88 conceito, o patrimônio líquido é calculado deduzindo-se o passivo (obrigações) da companhia do seu ativo (bens e direitos). No ato de constituição da companhia, se suas ações tiverem valor nominal, este será igual ao valor patrimonial, pois no momento da sua constituição a sociedade ainda não tem passivo, não é mesmo? A partir de sua entrada no mercado, a companhia passa a titularizar créditos e débitos, o que fará com que dificilmente seu capital social e seu patrimônio coincidam novamente. O valor patrimonial é levado em consideração, por exemplo, quando a companhia precisa ser liquidada, assim como nas operações de amortização de ações ordinárias e preferenciais, que podem ser substituídas pelas ações de fruição. c) Valor de negociação Na sociedade anônima é livre a negociação da participação societária. Essas transações, como você já sabe, normalmente ocorrem no mercado de capitais secundário, no qual os acionistas vendem suas ações a investidores interessados, cobrando valores que oscilam em função das mais variadas circunstâncias. Alguns doutrinadores falam em valor de negociação privada e valor de mercado, mas no final os dois conceitos são muito semelhantes, um referindo- se ao mercado de balcão e outro ao mercado de capitais. d) Valor econômico Esse valor é aferido por meio de estudos técnicos especializados, nos quais os peritos concluem o valor que as ações possivelmente valeriam se fossem postas à venda no mercado de capitais. Essa técnica é importante, por exemplo, nos casos de apuração de responsabilidade dos administradores em relação à negociação de ações que eram de propriedade da companhia. Se os administradores decidiram vender ações que pertenciam à companhia e há desconfiança de que a operação foi subvalorada, por exemplo, somente por meio de estudos será possível verificar por quanto aquelas ações poderiam ter sido vendidas na ocasião. e) Preço de emissão No mercado de capitais primário, como você já sabe, desenvolvem-se as operações de subscrição de novas ações, o que ocorre quando uma companhia passa pela abertura de capital ou quando aumenta seu capital social. Nessas operações o valor pago pelas ações é o preço de emissão, que representa o valor que o investidor entrega à sociedade como contribuição para o capital social. O preço, bem como as condições de pagamento, é estabelecido pela própria companhia, unilateralmente. Obviamente a companhia tenta ao máximo estabelecer o preço de emissão no patamar suficiente para tornar a w 27 de 88 A maior parte desses direitos são consequências naturais da compreensão do acionista como titular de parte do capital social. Naturalmente ele tem o direito de participar dos lucros sociais, afinal de contas, se alguém investe numa companhia, espera que o negócio gere lucros, ainda que haja também a possibilidade de alguém adquirir ações por especulação. Da mesma forma, se decidir-se pela liquidação da companhia, se por que razão for, o acionista deve receber o valor correspondente à sua parcela do patrimônio líquido da sociedade. É natural também imaginar que o acionista terá total interesse na regularidade da condução dos negócios da companhia, e por isso ele tem o direito e o dever de fiscalizar a gestão da empresa. Nenhum desses direitos pode ser retirado do acionista, independentemente do tipo ou classe de ações titularizadas. A Lei das SA prevê inclusive a possibilidade de esses direitos serem defendidos em juízo (art. 109, §2o). Os direitos essenciais são bastante básicos, e você deve percebido que o direito de voto, por exemplo, não está entre eles. Lembre-se de que as açõespreferenciais, em regra, não conferem o direito de voto ao seu titular. A Lei das SA prevê o direito de voto aos acionistas ordinarialistas. Art. 110. A cada ação ordinária corresponde 1 (um) voto nas deliberações da assembleia-geral. § 1º O estatuto pode estabelecer limitação ao número de votos de cada acionista. § 2º É vedado atribuir voto plural a qualquer classe de ações. Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações preferenciais algum ou alguns dos direitos reconhecidos às ações ordinárias, inclusive o de voto, ou conferi-lo com restrições, observado o disposto no artigo 109. A lei permite também que o estatuto limite o número de votos de cada acionista e, ao mesmo tempo, proíbe a atribuição de voto plural a uma classe específica de ações, ou seja, não se pode atribuir mais de um voto a uma mesma ação. Um acionista que tenha várias ações terá direito a vários votos, mas não se pode estabelecer dois ou mais votos para uma só ação. Tome cuidado aqui, pois existe uma previsão na Lei das SA de voto múltiplo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. O voto múltiplo, previsto no art. 141, pode ocorrer por ocasião da eleição dos membros do Conselho de Administração, e consiste na atribuição a cada ação de tantos votos quantos sejam os membros do conselho. Vimos aqui que, em regra, os acionistas preferencialistas não têm direito a voto, mas essa regra também conta com exceções. Vejamos o que diz os parágrafos do art. 111. w 28 de 88 § 1º As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que conservarão até o pagamento, se tais dividendos não forem cumulativos, ou até que sejam pagos os cumulativos em atraso. § 2º Na mesma hipótese e sob a mesma condição do § 1º, as ações preferenciais com direito de voto restrito terão suspensas as limitações ao exercício desse direito. § 3º O estatuto poderá estipular que o disposto nos §§ 1º e 2º vigorará a partir do término da implantação do empreendimento inicial da companhia. Basicamente podemos dizer que os preferencialistas adquirem o direito de voto quando a própria companhia deixa de pagar dividendos por prazo previsto no estatuto, que não poderá ser superior a 3 anos. Nesses casos é razoável imaginar que todos os acionistas devem ter condições de influenciar de alguma forma os rumos da resolução do problema. Art. 113. O penhor da ação não impede o acionista de exercer o direito de voto; será lícito, todavia, estabelecer, no contrato, que o acionista não poderá, sem consentimento do credor pignoratício, votar em certas deliberações. Parágrafo único. O credor garantido por alienação fiduciária da ação não poderá exercer o direito de voto; o devedor somente poderá exercê-lo nos termos do contrato. O acionista que empenha sua ação, em princípio, não perde o direito de voto, mas nada impede que no contrato seja estipulada cláusula em sentido contrário. Por outro lado, quando for o caso de garantia fiduciária, o direito de voto deve ser exercido pelo devedor, nos termos do contrato. Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. No caso da ação objeto de usufruto, é preciso haver um acordo entre o proprietário e o usufrutuário da ação no que se refere ao exercício do direito de voto. Art. 115. O acionista deve exercer o direito a voto no interesse da companhia; considerar-se-á abusivo o voto exercido com o fim de causar dano à companhia ou a outros acionistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para a companhia ou para outros acionistas. Este dispositivo teve sua redação alterada pela Lei n. 10.303/2001, por ocasião da reforma legal que teve por finalidade incorporar à Lei das SA os princípios da boa governança corporativa. Neste caso perceba que o legislador tentou coibir o abuso do direito de voto no âmbito da companhia, não só impedindo o acionista w 29 de 88 que tenha por objetivo prejudicar deliberadamente a sociedade, mas também responsabilizando-o por eventuais danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto, ainda que seu posicionamento não tenha prevalecido. O acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja prevalecido. O acionista não pode votar nas deliberações que possam trazer-lhe benefício particular. Essa proibição é aplicada, por exemplo, na assembleia que aprecia laudo de avaliação de bens dados em integralização do capital. Nesses casos, o acionista que ofereceu os bens obviamente não deve votar na assembleia. 2.10.5. Poder de controle Os doutrinadores comumente classificam os acionistas em empreendedores e investidores, de acordo com seu perfil. Os empreendedores têm interesse na gestão dos negócios da companhia, e por isso normalmente são ordinarialistas. Os investidores, por sua vez, apenas estão interessados no retorno no capital investido na aquisição das ações, e por isso normalmente são titulares de ações preferenciais, sem direito a voto. Pois bem, nesse sentido podemos compreender que o controle da companhia, em geral, é disputado pelos acionistas empreendedores. Essa ideia de controle é muito importante, pois as relações entre os acionistas da sociedade anônima normalmente são muito complexas. É comum que haja literalmente milhares de acionistas, com os mais diferentes perfis. Um grupo menor, porém, será o responsável pelas principais decisões. Este grupo é o que detém o poder de controle da sociedade. Para que um acionista seja considerado controlador, ele deve ter à sua disposição percentual suficiente no capital votante para obter maioria nas assembleias, e para eleger a maior parte dos administradores. Além disso, ele deve efetivamente utilizar esse poder, comandando a gestão dos negócios sociais. Partindo dessa compreensão, a Lei das SA estabeleceu regras acerca da atuação do acionista controlador. Art. 116. Entende-se por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. w 30 de 88 Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 116-A. O acionista controlador da companhia aberta e os acionistas, ou grupo de acionistas, que elegerem membro do conselho de administração ou membro do conselho fiscal, deverão informar imediatamente as modificações em sua posição acionária na companhia à Comissão de Valores Mobiliários e às Bolsas de Valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação, nas condições e na forma determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários. A preocupação do legislador aqui vai além de estabelecer regras de conduta, especialmente em razão da menção da função social da companhia, o que significa que os negócios devem ser conduzidos de forma atenta à comunidade, ao meio ambiente e aos fatores humanos relacionados ao objeto social da companhia. Além de estabelecer essas diretrizes acerca da atuação do acionista controlador da Lei das SA ainda traz a previsão de responsabilização do controladorque praticar atos de abuso de poder. Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder. § 1º São modalidades de exercício abusivo de poder: a) orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da economia nacional; b) promover a liquidação de companhia próspera, ou a transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; c) promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente; e) induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal, ou, descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da companhia, sua ratificação pela assembleia-geral; f) contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas; g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade. h) subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. w 32 de 88 pessoa ou a um grupo de pessoas. O vínculo desses acionistas termina sendo intuitu personae, como tradicionalmente ocorre nas sociedades de pessoas. b) Controle majoritário Neste caso o poder de controle é exercido pelo acionista que tem a maioria das ações com direito de voto. Essa realidade é muito comum nas companhias brasileiras, ocorrendo, por exemplo, nas sociedades de economia mista federais, em que o acionista controlador é a União, mas as ações são negociadas em bolsa. c) Controle minoritário Aqui temos o controle sendo exercido por um acionista ou grupo de acionistas que não detém ações correspondentes à maioria do capital social. Isso ocorre quando o capital social é muito pulverizado, e é possível em razão da regra do art. 125 da Lei das SA, que permite a instalação de assembleia, em segunda convocação, com a presença de qualquer número de acionistas com direito a voto. d) Controle gerencial Este tipo de controle ocorre quando o capital social é tão disperso que o controle na realidade termina sendo exercido pelos administradores da sociedade, com os acionistas assumindo a posição de meros investidores. Além das normas que disciplinam a atuação do controlador, também devemos conhecer as regras trazidas pela Lei das SA acerca da alienação do poder de controle da companhia. Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de controle. Este dispositivo traz um instrumento de defesa dos acionistas minoritários conhecido como tag along. De forma simples e direta, a regra é a de que, caso o controlador resolva vender suas ações, transferindo o poder de controle a outro, este deverá se comprometer a adquirir as ações com direito a voto dos minoritários, pagando pelo menos 80% do preço pago pelas ações do controlador. Em grandes sociedades anônimas que adotam as melhores práticas de boa governança corporativa, é comum que os estatutos prevejam o tag along com obrigação de aquisição das ações dos minoritários por 100% do preço pago pelas ações do controlador. w 35 de 88 constar ainda cláusula de correção monetária, com base nos coeficientes fixados para correção de títulos da dívida pública, na variação da taxa cambial ou em outros referenciais não vedados em lei (art. 54, §1o). O vencimento da debênture também deverá constar na escritura ou certificado, sendo possível também a emissão de debêntures cujo vencimento ocorra somente nos casos de inadimplemento da obrigação de pagar juros e dissolução da companhia, ou em outras condições previstas no título (art. 55). Quanto aos juros, a debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso (art. 56). Por fim, recomendo a leitura do art. 57, que trata da possibilidade de a debênture prever sua conversão em ações. Art. 57. A debênture poderá ser conversível em ações nas condições constantes da escritura de emissão, que especificará: I - as bases da conversão, seja em número de ações em que poderá ser convertida cada debênture, seja como relação entre o valor nominal da debênture e o preço de emissão das ações; II - a espécie e a classe das ações em que poderá ser convertida; III - o prazo ou época para o exercício do direito à conversão; IV - as demais condições a que a conversão acaso fique sujeita. Quando a debênture for conversível em ações, todas as condições dessa conversão obviamente devem estar previstas na escritura ou certificado. Em princípio, cabe à assembleia geral deliberar sobre a emissão de debêntures. Essa deliberação deve fixar os seguintes aspectos: a) o valor da emissão ou os critérios de determinação do seu limite, e a sua divisão em séries, se for o caso; b) o número e o valor nominal das debêntures; c) as garantias reais ou a garantia flutuante, se houver; d) as condições da correção monetária, se houver; e) a conversibilidade ou não em ações e as condições a serem observadas na conversão; f) a época e as condições de vencimento, amortização ou resgate; g) a época e as condições do pagamento dos juros, da participação nos lucros e do prêmio de reembolso, se houver; h) o modo de subscrição ou colocação, e o tipo das debêntures. No caso das debêntures não conversíveis em ações, há ainda a possibilidade de emissão por deliberação do Conselho de Administração, caso não haja disposição em contrário no estatuto. w 36 de 88 Em regra, a competência para deliberar sobre a emissão de debêntures é da Assembleia Geral, mas a Lei das SA prevê a possibilidade de emissão de debêntures não conversíveis em ações por deliberação do Conselho de Administração, caso não haja disposição em contrário no estatuto. Até 2011 havia na Lei das SA um limite de endividamento da companhia pela demissão de debêntures, mas hoje não há mais essa limitação. Art. 62. Nenhuma emissão de debêntures será feita sem que tenham sido satisfeitos os seguintes requisitos: I - arquivamento, no registro do comércio, e publicação da ata da assembleia-geral, ou do conselho de administração, que deliberou sobre a emissão; II - inscrição da escritura de emissão no registro do comércio; III - constituição das garantias reais, se for o caso. Para que haja a emissão de debêntures, é preciso que a ata da assembleia- geral ou da reunião do conselho de administração que autorizou o ato seja arquivada na Junta Comercial. Além disso, a própria escritura de emissão deverá ser registrada. Esses registros são feitos em livro especial mantido pelo Registro de Comércio. O não cumprimento desses requisitos por parte dos administradores enseja sua responsabilização por perdas e danos causados à companhia ou a terceiros. Art. 58. A debênture poderá, conforme dispuser a escritura de emissão, ter garantia real ou garantia flutuante,não gozar de preferência ou ser subordinada aos demais credores da companhia. Por fim, vamos falar sobre os tipos de debêntures, que poderão ser: a) com garantia real; b) com garantia flutuante; c) quirografárias; ou d) subordinadas. Não vou entrar em detalhes sobre essas modalidades, mas a Lei das SA menciona especificamente as debêntures com garantia flutuante, que são aquelas com privilégio geral sobre o ativo da companhia, mas não impedem a negociação dos bens que compõem esse ativo. Na prática, isso significa que o titular de uma debênture com garantia flutuante ficará em quinto lugar na ordem dos credores, caso a companhia venha a ter decretada sua falência. w 37 de 88 2.11.2. Partes beneficiárias A emissão de partes beneficiárias está prevista no art. 46 da Lei das SA. Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados "partes beneficiárias". Esses valores mobiliários conferem aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia. Em outras palavras, esse crédito depende de o resultado da sociedade ter sido positivo, já que, em caso contrário, não haverá lucros a serem partilhados. A Lei das SA proíbe que aos titulares das partes beneficiárias seja concedido direito privativo de acionista, exceto o de fiscalizar os atos dos administradores (art. 46, §3o). Por outro lado, assim como as debêntures, também é possível a emissão de partes beneficiárias conversíveis em ações (art. 48, §2o). Art. 47. As partes beneficiárias poderão ser alienadas pela companhia, nas condições determinadas pelo estatuto ou pela assembleia-geral, ou atribuídas a fundadores, acionistas ou terceiros, como remuneração de serviços prestados à companhia. Parágrafo único. É vedado às companhias abertas emitir partes beneficiárias. Perceba que somente companhias fechadas podem emitir partes beneficiárias e, além disso, a Lei das SA limitou o endividamento das sociedades, determinando que a participação atribuída às partes beneficiárias não pode ultrapassar um décimo do capital social. O caput do art. 47 prevê ainda a possibilidade de emissão de partes beneficiárias como remuneração de serviços prestados à companhia. 2.11.3. Bônus de subscrição Aqui estamos diante de um valor mobiliário que tem por finalidade assegurar ao seu titular o direito preferência na subscrição de novas ações da companhia. Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos negociáveis denominados "Bônus de Subscrição". Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações do capital social, que será exercido mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das ações. w 38 de 88 Lembre-se de que a operação por meio da qual novas ações são emitidas é chamada de capitalização. Nessa ocasião, como regra geral a preferência na subscrição é dos acionistas da companhia (art. 109, IV), mas, se os negócios da sociedade vão bem e há perspectivas futuras de emissão de novas ações, pode- se emitir bônus de subscrição, captando recursos junto a investidores que estejam interessados em adquirir preferencialmente novas ações por ocasião da sua emissão. Perceba que o bônus não confere, por si só, a titularidade da nova ação, mas apenas um direito de preferência na sua subscrição. No momento oportuno, o investidor deverá pagar o preço de emissão das ações que tiver a preferência para adquirir. Basicamente, portanto, podemos dizer que quem adquire o bônus “rouba” o direito de preferência que normalmente é dos acionistas, mas acontece que a própria Lei das SA conferiu aos acionistas a preferência na aquisição do próprio bônus. Veja o que diz o art. 77. Art. 77. Os bônus de subscrição serão alienados pela companhia ou por ela atribuídos, como vantagem adicional, aos subscritos de emissões de suas ações ou debêntures. Parágrafo único. Os acionistas da companhia gozarão, nos termos dos artigos 171 e 172, de preferência para subscrever a emissão de bônus. O caput prevê a emissão de bônus na condição de vantagem adicional para acionistas e debenturistas da companhia. 2.12. Órgãos societários A estrutura das companhias geralmente é bastante complexa, já que essas sociedades frequentemente têm por objeto empreendimentos de grande vulto. Pois bem, como regra geral, a disposição sobre o organograma e a divisão de competências entre os componentes organizacionais da companhia cabe ao seu estatuto, e não à Lei das SA. Por outro lado, a Lei das SA traz disposições sobre os órgãos de cúpula da companhia: assembleia geral, conselho de administração, diretoria e conselho fiscal. 2.12.1. Assembleia geral Como você já sabe, a assembleia geral é o órgão máximo de deliberação da companhia. Art. 121. A assembleia-geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. w 39 de 88 Podemos dizer que a assembleia geral tem amplos poderes, e pode tratar praticamente sobre qualquer assunto de interesse da companhia. O mais comum é que o conselho de administração trate diretamente de questões menor importantes, mas veremos isso mais adiante. Normalmente a assembleia só é convocada quando isso é obrigatório. A Lei das SA estabelece que certos assuntos são de competência privativa da assembleia. Art. 122. Compete privativamente à assembleia geral: I - reformar o estatuto social; II - eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do art. 142; III - tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV - autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto nos §§ 1o, 2o e 4o do art. 59; V - suspender o exercício dos direitos do acionista (art. 120); VI - deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII - autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII - deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; e IX - autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador, se houver, convocando-se imediatamente a assembleia-geral, para manifestar-se sobre a matéria. Os temas de competência privativa da assembleia geral têm caráter mais estratégico, e referem-se a decisões importantes para a companhia. Vários desses temas já foram estudados por nós na aula de hoje, quando falamos, por exemplo, sobre a constituição da sociedade anônima, emissão de valores mobiliários e integralização do capital social. A convocação da assembleia geral, quando houver a necessidade de tratar de um desses temas, deve ser feita pelo conselho de administração, se houver, ou pelos diretores da companhia. Essa convocação, porém, pode ser feita pelos próprios acionistas, quando os diretores ou o conselho de administração não o fizerem. As condições para isso constam no art. 123. Art. 123. Compete ao conselho de administração, se houver, ou aos diretores, observado o disposto no estatuto, convocar a assembleia-geral. Parágrafo único. A assembleia-geral pode também ser convocada: a) pelo conselho fiscal, nos casos previstos no número V, do artigo 163; w 41 de 88 ocasião da convocação da assembleia geral, os documentos postos à disposição dos acionistas para deliberação. Art. 125. Ressalvadas as exceções previstas em lei, a assembleia-geral instalar-se-á, em primeira convocação, com a presença de acionistas que representem, no mínimo, 1/4 (um quarto)do capital social com direito de voto; em segunda convocação instalar-se-á com qualquer número. Parágrafo único. Os acionistas sem direito de voto podem comparecer à assembleia- geral e discutir a matéria submetida à deliberação. Em regra, é necessária a presença de acionistas que representem um quarto do capital social para instalação da assembleia geral em primeira convocação. Em segunda convocação a assembleia pode ser instalada com qualquer número de acionistas votantes. Além disso, os acionistas que não tenham direito a voto também podem comparecer para participar das discussões. De qualquer forma, somente acionistas podem comparecer, comprovando sua identidade por documento hábil (no caso dos titulares de ações nominativas), podendo ser exigido também documento que comprove a propriedade de ações, expedido pela instituição financeira (no caso dos titulares de ações escriturais ou em custódia). Art. 127. Antes de abrir-se a assembleia, os acionistas assinarão o "Livro de Presença", indicando o seu nome, nacionalidade e residência, bem como a quantidade, espécie e classe das ações de que forem titulares. Parágrafo único. Considera-se presente em assembleia geral, para todos os efeitos desta Lei, o acionista que registrar a distância sua presença, na forma prevista em regulamento da Comissão de Valores Mobiliários. Art. 128. Os trabalhos da assembleia serão dirigidos por mesa composta, salvo disposição diversa do estatuto, de presidente e secretário, escolhidos pelos acionistas presentes. Uma vez instalada a assembleia, deverá ser assinado o livro de presença por todos que comparecerem, e composta a mesa. Aí então poderão ser iniciadas as discussões. As deliberações, em regra, são tomadas pela maioria dos acionistas com direito a voto presentes na sessão. Art. 129. As deliberações da assembleia-geral, ressalvadas as exceções previstas em lei, serão tomadas por maioria absoluta de votos, não se computando os votos em branco. Apesar de o art. 129 usar a expressão “maioria absoluta”, o entendimento que prevalece é o de que o quórum de deliberação na assembleia geral é o de maioria simples, isso porque o quórum de instalação exigido é de um quarto dos acionistas com direito a voto na primeira convocação, e de qualquer w 42 de 88 número na segunda. Não faria sentido, portanto, imaginar que a Lei das SA permitiria a instalação de uma assembleia que não pudesse deliberar, não é mesmo? No caso das companhias fechadas, o próprio estatuto pode exigir quórum maior para certas deliberações, desde que especifique as matérias. Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que representem metade, no mínimo, das ações com direito a voto, se maior quorum não for exigido pelo estatuto da companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre: I - criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto; II - alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida; III - redução do dividendo obrigatório; IV - fusão da companhia, ou sua incorporação em outra; V - participação em grupo de sociedades (art. 265); VI - mudança do objeto da companhia; VII - cessação do estado de liquidação da companhia; VIII - criação de partes beneficiárias; IX - cisão da companhia; X - dissolução da companhia. O art. 136 trata de hipóteses em que a Lei das SA exige quórum qualificado para a deliberação. São matérias de maior relevância, cujas decisões podem levar até à extinção da companhia, e por isso a lei exige o voto de acionistas que representem pelo menos metade do capital social. Feitas as deliberações, deverá ser lavrada a ata da assembleia, em livro próprio, assinada pelos membros da mesa e pelos acionistas presentes em número que represente pelo menos a maioria necessária para tomar as deliberações. Existe previsão na Lei das SA para a convocação de assembleia geral ordinária (AGO) ou extraordinária (AGE). A diferença está nos temas que são tratados em cada uma delas. Na AGO temos apenas os temas constantes no art. 132, enquanto a AGE será convocada para tratar de outros assuntos. Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício social, deverá haver 1 (uma) assembleia-geral para: I - tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; w 43 de 88 II - deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos; III - eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso; IV - aprovar a correção da expressão monetária do capital social (artigo 167). Lembre-se de que, apesar dos muitos esforços de grupos musicais dos anos 90 para modificar o significado da palavra, “ordinária” se refere apenas ao que é comum, corriqueiro, e por isso o art. 132 trata de uma assembleia geral que deverá ser realizada anualmente. Nada impede também que a AGO e a AGE sejam convocadas cumulativamente e realizadas no mesmo local e horário, registradas em uma única ata. Isso ocorrerá, obviamente, quando for necessário tratar de diversos assuntos. Por fim, devemos mencionar que desde 2011 a Lei das SA admite a participação em assembleia geral e o exercício do direito de voto à distância, mediante previsão dos parágrafos dos arts. 121 e 127, respectivamente. Art. 121, parágrafo único. Nas companhias abertas, o acionista poderá participar e votar a distância em assembleia geral, nos termos da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 127, parágrafo único. Considera-se presente em assembleia geral, para todos os efeitos desta Lei, o acionista que registrar a distância sua presença, na forma prevista em regulamento da Comissão de Valores Mobiliários. 2.12.2. Conselho de administração A Lei das SA adotou, em relação à administração da companhia, o sistema dual, que prevê a existência do conselho de administração e da diretoria, com atribuições distintas e complementares, conforme art. 138. Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria. Da redação do art. 138 você deve ter percebido que no organograma da companhia pode haver os dois órgãos ou apenas a diretoria. A existência de conselho de administração é obrigatória apenas nas companhias abertas, nas de capital autorizado e nas sociedades de economia mista. w 45 de 88 A votação para eleição poderá ser feita pelo critério majoritário ou pelo critério proporcional. A eleição majoritária é feita por meio da composição de chapas, e cada acionistas então votará na chapa de sua preferência. Por outro lado, na eleição proporcional há apenas uma votação, cujo resultado será utilizado para preencher todos os assentos do conselho. Além desses, há ainda a previsão do voto múltiplo, segundo o qual os acionistas que representem pelo menos um décimo do capital social poderão ter a possibilidade de atribuir-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho, e o acionista então poderá cumular todos os seus votos num só candidato ou distribui-los entre diferentes pessoas. Trata-se, portanto, de uma hipótese especial de votação proporcional, prevista em lei, e que não pode ser restringida pelo estatuto social. Por fim, temos as atribuições do conselho de administração, que encontram previsão no art. 142. Art. 142. Compete ao conselho de administração: I - fixar a orientação geral dos negócios da companhia; II - eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou emvia de celebração, e quaisquer outros atos; IV - convocar a assembleia-geral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132; V - manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; VI - manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; VII - deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição; VIII – autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; IX - escolher e destituir os auditores independentes, se houver. 2.12.3. Diretoria A diretoria é composta pelos diretores, que são os verdadeiros executivos da companhia, responsáveis pela condução dos seus negócios no dia a dia. Art. 143. A Diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração, ou, se inexistente, pela assembleia-geral, devendo o estatuto estabelecer: I - o número de diretores, ou o máximo e o mínimo permitidos; w 46 de 88 II - o modo de sua substituição; III - o prazo de gestão, que não será superior a 3 (três) anos, permitida a reeleição; IV - as atribuições e poderes de cada diretor. É importante ressaltar que os diretores não precisam ser acionistas. Eles apenas precisam ser pessoas físicas que residam no território nacional. Além disso, permite-se que alguns membros do conselho de administração também sejam diretores: no máximo um terço dos conselheiros. De acordo com o grau de complexidade da companhia, ela poderá ter mais ou menos diretores, nos termos da previsão estatutária. O estatuto também pode prever que certos temas sejam deliberados pelos diretores em conjunto, por ocasião da reunião da diretoria (art. 143, §2o). Em princípio, a representação da companhia cabe a qualquer dos diretores, sendo possível ainda que o diretor constitua mandatários para atuar em nome da sociedade (art. 144, parágrafo único). Art. 147. Quando a lei exigir certos requisitos para a investidura em cargo de administração da companhia, a assembleia-geral somente poderá eleger quem tenha exibido os necessários comprovantes, dos quais se arquivará cópia autêntica na sede social. § 1º São inelegíveis para os cargos de administração da companhia as pessoas impedidas por lei especial, ou condenadas por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato, contra a economia popular, a fé pública ou a propriedade, ou a pena criminal que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos. § 2º São ainda inelegíveis para os cargos de administração de companhia aberta as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários. § 3º O conselheiro deve ter reputação ilibada, não podendo ser eleito, salvo dispensa da assembleia-geral, aquele que: I - ocupar cargos em sociedades que possam ser consideradas concorrentes no mercado, em especial, em conselhos consultivos, de administração ou fiscal; e II - tiver interesse conflitante com a sociedade. Quando o §1o do art. 147 menciona os “cargos de administração da companhia”, está se referindo tanto a conselheiros quanto a diretores. Na realidade, o art. 145 determina que as normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicam-se a conselheiros e diretores. O §3o, por sua vez, traz hipóteses de impedimento aplicáveis apenas aos conselheiros. Os demais dispositivos sobre os administradores (conselheiros e diretores) devem ser lidos com cuidado, mas não se preocupe tanto com eles. Dou especial destaque apenas ao art. 148, que trata da possibilidade de o conselheiro ou diretor ter que prestar garantia em favor da companhia. w 47 de 88 Art. 148. O estatuto pode estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado, pelo titular ou por terceiro, mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. Parágrafo único. A garantia só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que houver deixado o cargo. Art. 149. Os conselheiros e diretores serão investidos nos seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do conselho de administração ou da diretoria, conforme o caso. § 1º Se o termo não for assinado nos 30 (trinta) dias seguintes à nomeação, esta tornar- se-á sem efeito, salvo justificação aceita pelo órgão da administração para o qual tiver sido eleito. § 2º O termo de posse deverá conter, sob pena de nulidade, a indicação de pelo menos um domicílio no qual o administrador receberá as citações e intimações em processos administrativos e judiciais relativos a atos de sua gestão, as quais reputar-se-ão cumpridas mediante entrega no domicílio indicado, o qual somente poderá ser alterado mediante comunicação por escrito à companhia. Art. 150. No caso de vacância do cargo de conselheiro, salvo disposição em contrário do estatuto, o substituto será nomeado pelos conselheiros remanescentes e servirá até a primeira assembleia-geral. Se ocorrer vacância da maioria dos cargos, a assembleia-geral será convocada para proceder a nova eleição. § 1º No caso de vacância de todos os cargos do conselho de administração, compete à diretoria convocar a assembleia-geral. § 2º No caso de vacância de todos os cargos da diretoria, se a companhia não tiver conselho de administração, compete ao conselho fiscal, se em funcionamento, ou a qualquer acionista, convocar a assembleia-geral, devendo o representante de maior número de ações praticar, até a realização da assembleia, os atos urgentes de administração da companhia. § 3º O substituto eleito para preencher cargo vago completará o prazo de gestão do substituído. § 4º O prazo de gestão do conselho de administração ou da diretoria se estende até a investidura dos novos administradores eleitos. Art. 151. A renúncia do administrador torna-se eficaz, em relação à companhia, desde o momento em que lhe for entregue a comunicação escrita do renunciante, e em relação a terceiros de boa-fé, após arquivamento no registro de comércio e publicação, que poderão ser promovidos pelo renunciante. Art. 152. A assembleia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. w 48 de 88 2.12.4. Deveres dos administradores O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. A Lei das SA, portanto, cobra do administrador a atenção em níveis razoáveis, com o nível de dedicação que ele empregaria na condução dos seus próprios negócios. Além disso, mesmo que o administrador tenha sido eleito por um grupo de acionistas, não pode haver predileção ou uma relação especial com esse grupo na defesa de seus interesses. O dever de lealdade do administrador é para com a companhia. É possível a responsabilização do administrador por falta de diligência, mas isso não é muito simples, especialmente porque sua obrigação é de meio, e não de resultando, conforme podemos interpretar pela regra do art. 154. Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e oestatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. [...] Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios, sendo-lhe vedado: I - usar, em benefício próprio ou de outrem, com ou sem prejuízo para a companhia, as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo; II - omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou, visando à obtenção de vantagens, para si ou para outrem, deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia; III - adquirir, para revender com lucro, bem ou direito que sabe necessário à companhia, ou que esta tencione adquirir. Existe uma preocupação muito grande do legislador em resguardar o sigilo de informações relacionadas aos negócios da companhia que ainda não tenham vindo a público. Isso porque, especialmente nas companhias que negociam valores mobiliários em bolsa, qualquer informação pode “chacoalhar” o mercado e ocasionar perda de valor negocial para as ações e demais valores mobiliários. A prática de fazer mau uso dessas informações para a obtenção de vantagem é chamada de insider trading, e constitui crime tipificado pelo art. 27-D da Lei n. 6.385/1976. A primeira condenação por esse crime, tipificado em 2001, veio apenas em 2011! USO INDEVIDO DE INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA Art. 27-D. Utilizar informação relevante ainda não divulgada ao mercado, de que tenha conhecimento e da qual deva manter sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de terceiro, com valores mobiliários: w 49 de 88 Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da vantagem ilícita obtida em decorrência do crime. Agora voltemos à Lei das SA para analisarmos mais um dispositivo que trata das obrigações dos administradores. Art. 156. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia, bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores, cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar, em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria, a natureza e extensão do seu interesse. O art. 156 trata da situação de impedimento do administrador, que deve abster-se de participar de operações sociais em que haja conflito entre seus interesses pessoais e os da companhia. Art. 157. O administrador de companhia aberta deve declarar, ao firmar o termo de posse, o número de ações, bônus de subscrição, opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações, de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo, de que seja titular. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembleia-geral ordinária, a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas, ou do mesmo grupo, que tiver adquirido ou alienado, diretamente ou através de outras pessoas, no exercício anterior; b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior; c) os benefícios ou vantagens, indiretas ou complementares, que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas, controladas ou do mesmo grupo; d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível; e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. Este dispositivo diz respeito ao dever de informação do administrador. Perceba que, além das informações do caput, o administrador ainda pode ser obrigado a prestar outras mais detalhadas, a requerimento de acionistas que representem 5% do capital social. Quanto à responsabilização do administrador, cabe lembrar que, quando pratica atos em nome da companhia, em regra ele faz a companhia presente, ou seja, para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles atos, e não a pessoa do administrador, e por isso não deve ser pessoalmente responsabilizado, a não ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o estatuto ou ainda de forma culposa ou dolosa. w 50 de 88 Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los. Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de responsabilidade. Art. 159. Compete à companhia, mediante prévia deliberação da assembleia-geral, a ação de responsabilidade civil contra o administrador, pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. Em primeiro lugar você deve saber que a competência para decidir pelo ajuizamento da ação é da assembleia geral ordinária, vez que se encontra entre as atribuições do art. 132 a tomada de contas dos administradores. Por outro lado, se a ação for consequência direta de tema tratado em assembleia geral extraordinária, a deliberação pelo ajuizamento da ação pode ser feita imediatamente. A partir dessa deliberação, o administrador fica impedido, devendo ser substituído na mesma assembleia. Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. Isso evita que a propositura da ação seja “enterrada” pelo voto abusivo do controlador, por exemplo. Importante salientar, contudo, que, seja a ação proposta pela própria sociedade ou por acionistas, o produto será revertido para a companhia, cabendo aos demandantes apenas o ressarcimento das despesas em que tiverem incorrido. Por fim, o juiz pode reconhecer a exclusão da responsabilidade do administrador se entender que ele agiu de boa-fé e no interesse da companhia. Ninguém pode ser responsabilizado por ser um mau gestor, desde que tenha tido as intenções adequadas. Da mesma forma, não será possível responsabilizar o administrador que tenha tido suas contas aprovadas sem ressalva pela assembleia geral ordinária. 2.12.5. Conselho fiscal Nos termos do art. 161 da Lei das SA, a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas. Por causa dessa redação costuma-se dizer que o conselho fiscal é um órgão de existência obrigatória e funcionamento facultativo. w 51 de 88 Na prática, o conselho fiscal é um órgão de controle interno voltado para a fiscalização da gestão da companhia e de assessoramento da assembleia geral. Quando o funcionamento do conselho fiscal não for permanente, será instalado pela assembleia geral a pedido de acionistas que representem pelo menos 10% do capital social com direito a voto, ou 5% das ações sem direito a voto. Esse pedido para o funcionamento do conselho pode ser feito em qualquer assembleia, ainda que o tema não esteja na ordem do dia. Art. 161, § 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembleia-geral. Como se trata de um órgão fiscalizador, a composição do conselho de fiscalização deve ser o mais plural possível, garantindo assim sua independência e imparcialidade. Por causa disso a Lei das SA traz as seguintes regras: a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 membro e respectivo suplente; igual direito terão os acionistas minoritários, desde que representem, em conjunto, 10% ou mais das açõescom direito a voto; b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com direito a voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em qualquer caso, serão em número igual ao dos eleitos nos termos da alínea a, mais 1. O mandato dos membros do conselho fiscal dura até a próxima assembleia geral ordinária, que, inclusive, tem por finalidade elegê-los, sendo possível a recondução. Art. 162. Somente podem ser eleitos para o conselho fiscal pessoas naturais, residentes no País, diplomadas em curso de nível universitário, ou que tenham exercido por prazo mínimo de 3 (três) anos, cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. Os requisitos para escolha dos membros do conselho fiscal são bastante rigorosos, e por isso a própria lei abre a possibilidade, diante da ausência de pessoas que cumpram as exigências, que o juiz dispensa a companhia da satisfação dos requisitos estabelecidos. Não podem ser eleitos para o conselho fiscal, além dos inelegíveis para os cargos de administração (pessoas enumeradas nos parágrafos do art. 147), membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo, e o cônjuge ou parente, até terceiro grau, de administrador da companhia. A competência do conselho fiscal está descrita em pormenores no art. 163. w 52 de 88 Art. 163. Compete ao conselho fiscal: I - fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários; II - opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembleia- geral; III - opinar sobre as propostas dos órgãos da administração, a serem submetidas à assembleia-geral, relativas a modificação do capital social, emissão de debêntures ou bônus de subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capital, distribuição de dividendos, transformação, incorporação, fusão ou cisão; IV - denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos de administração e, se estes não tomarem as providências necessárias para a proteção dos interesses da companhia, à assembleia-geral, os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, e sugerir providências úteis à companhia; V - convocar a assembleia-geral ordinária, se os órgãos da administração retardarem por mais de 1 (um) mês essa convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos graves ou urgentes, incluindo na agenda das assembleias as matérias que considerarem necessárias; VI - analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela companhia; VII - examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar; VIII - exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo em vista as disposições especiais que a regulam. Somam-se a essas obrigações a de pelo menos um dos conselheiros comparecer à assembleia geral para responder os pedidos de informação formulados pelos acionistas. 3 – Questões 3.1. Questões sem Comentários 1. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2016 – VUNESP. Considere as seguintes afirmações, assinalando a correta. a) As debêntures são títulos emitidos pelas sociedades anônimas que conferem um direito de crédito ao seu titular. b) As ações preferenciais são aquelas que dão origem às debêntures. c) As debêntures podem ser emitidas por escrituras públicas lavradas no Registro do Comércio. d) As debêntures não podem ser convertidas em ações. w 53 de 88 2. TJ-SP – Juiz de Direito – 2015 – VUNESP. Em relação às sociedades anônimas, é correto afirmar que a) a critério de seus fundadores, a sociedade anônima que tenha por objeto social atividade rural poderá ser inscrita no registro civil de pessoas jurídicas. b) desde que não haja oposição de qualquer dos acionistas presentes, a assembleia geral da S/A fechada pode deliberar a distribuição de dividendos inferiores aos fixos ou mínimos estipulados para os acionistas preferencialistas. c) o acordo de acionistas registrado na Companhia pode vincular o voto dos membros do conselho de administração eleitos pelos sócios que o tenham firmado. d) a assembleia geral não pode suspender o exercício dos direitos de acionista em mora com obrigações impostas pelo estatuto, salvo se tal obrigação decorrer de expressa disposição legal. 3. Prefeitura de São José do Rio Preto-SP – Procurador do Município – 2014 – VUNESP. Assinale a alternativa que estiver em consonância com as disposições de lei que regem as Sociedades Anônimas. a) O estatuto fixará o numero de ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão ou não valor patrimonial, sendo obrigatória a fixação do valor nominal. b) O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais o direito de eleger, em votação em separado, um ou mais membros dos órgãos de administração. c) As ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois de realizados 20% do preço de subscrição. d) A ação é divisível em relação à companhia e, quando pertencer a mais de uma pessoa, os direitos a ela conferidos serão exercidos diretamente por qualquer de seus titulares. e) A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados “bônus de subscrição”. 4. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Considerando-se as disposições legais que disciplinam as sociedades por ações, no que se refere ao Conselho de Administração, é correto afirmar que a) é órgão obrigatório nas companhias abertas e nas de capital autorizado. w 54 de 88 b) é órgão de existência obrigatória em todas as sociedades anônimas ou em comandita por ações. c) será composto por, no mínimo, cinco membros, eleitos pela assembleia- geral e por ela destituíveis ao final do mandato. d) o prazo de gestão dos conselheiros não poderá ser superior a dois anos, vedada a reeleição. e) é órgão de natureza facultativa em qualquer tipo de companhia. 5. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. De acordo com a lei que rege as sociedades por ações, a constituição das companhias está sujeita à observância de determinadas formalidades. Nesse sentido, a constituição de companhia por subscrição pública dependerá do prévio registro da emissão a) no Banco Central. b) no Banco do Brasil. c) na Comissão de Valores Mobiliários. d) na Bolsa de Valores. e) no Mercado de Balcão. 6. TJ-AM – Juiz de Direito – 2016 – Cespe. Com a finalidade de reduzir o montante de impostos devidos, o administrador de determinada sociedade anônima simulou a ocorrência de prejuízos à companhia. Após alguns anos de êxito, sua conduta foi descoberta e, devido ao recolhimento a menor, foi necessário complementar os impostos pagos, tendo incidido multa e havido outras despesas decorrentes de honorários de advogados, contadores e outros profissionais requeridos para a correção do equívoco. Ao final, os valores pagos para corrigir a falha superaram em muito o valor que deveria ter sido pago inicialmente, conforme a lei. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta. a) O administrador não poderá ser responsabilizado pessoalmente por eventuais prejuízos causados a terceiros, pois agiu em nome da sociedade. b) Os acionistas individualmente prejudicados não poderão propor ação contra o administrador, devendo-se subordinar à deliberação da assembleia geral. c) É necessária a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa para que se obtenha a responsabilização pessoal do administrador. d) Se a referida simulação decorrer de exercício abusivo do poder de controle, o controlador poderá ser responsabilizado pelos prejuízos, desde que comprovado dolo na atuação. w 55 de 88 e) Caberá à assembleia geral da companhia deliberar pelo ajuizamento, ou não, da ação de responsabilidade civil contra o administrador pelos prejuízos causados. 7. AGU – Advogado da União – 2015 – Cespe.A adoção do regime legal das companhias permite maior liberdade quanto à disciplina das relações sociais, o que constitui uma vantagem desse regime em relação ao das sociedades contratualistas. 8. TCU – Procurador – 2015 – Cespe. Fiscais do TCU constataram que um administrador, descumprindo dever imposto por lei referente ao funcionamento normal dos negócios, celebrou contratos com excesso de poder e fora do objeto social em nome de sociedade de economia mista fechada. Na ocasião, não foi possível concluir se os referidos contratos geraram benefício ou prejuízo financeiro à sociedade em questão. Um procurador do TCU foi chamado para emitir parecer sobre a validade dos contratos, a responsabilização interna corporis e a análise da ocorrência de prejuízo ou de lucro para a referida sociedade devido à celebração dos contratos. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) Caso se constate que houve prejuízo na celebração dos contratos, poderá ocorrer responsabilização solidária dos demais administradores de maneira mais extensa do que ocorreria se a companhia fosse aberta. b) A responsabilização do administrador perante a companhia dependerá da comprovação de que agiu com dolo ou culpa na celebração dos contratos. c) Se ficar constatado que, na celebração dos contratos, a sociedade em questão sofreu prejuízo, esses contratos deverão ser anulados, mesmo quanto a terceiros de boa-fé, em razão da prevalência do interesse público. d) Caso a assembleia geral delibere pela não propositura de ação de responsabilidade, os acionistas ficarão impedidos de ajuizá-la em nome próprio. e) Se ficar comprovado que os contratos geraram lucro para a referida sociedade, uma eventual ação de responsabilidade será julgada improcedente devido ao fato de o administrador ter cumprido sua obrigação de resultado. 9. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) Os acionistas minoritários, desde que representem pelo menos 5% do capital social, poderão, mediante ordem judicial, ter acesso a instrumentos de contratos imobiliários de vendas de ativos que, em tese, lhes tenham causado prejuízo. w 56 de 88 b) Situação hipotética: José, na ocasião do divórcio com Jeane, omitiu da partilha uma fração de suas ações da companhia Gama. Posteriormente, ele foi condenado a dar a Jeane parte dessas ações. Assertiva: Nessa situação, é cabível, em regra, o bloqueio de créditos da própria sociedade anônima em processo por ela ajuizado em face de seus devedores particulares. c) A companhia poderá efetuar emissão de debêntures, que terão valores nominais expressos em moeda nacional, sendo-lhe defesa a estipulação de pagamentos em moeda estrangeira. d) Em caso de danos ao patrimônio da sociedade, se a assembleia geral for contrária à propositura de ação judicial contra os administradores ou se recusar a deliberar acerca dessa proposta, os acionistas poderão ajuizar a demanda, como representantes da companhia, desde que reúnam percentual mínimo legal do capital social. e) Caso uma companhia promova ação de execução contra acionista remisso para cobrar importâncias que lhe sejam devidas, essa companhia não poderá, após a citação, vender as respectivas ações em bolsa de valores. 10. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Assinale a opção correta a respeito dos acionistas nas sociedades por ações conforme dispõe a Lei n.º 6.404/1976. a) Os acionistas que totalizem um mínimo de 5% do capital social da empresa detêm legitimidade subsidiária à da companhia para propor ação de responsabilidade civil contra os administradores. b) Por meio do estatuto da sociedade, é permitido limitar os direitos dos acionistas preferenciais, incluído o direito de participação nos lucros sociais. c) Para que a conduta do sócio controlador de uma sociedade seja caracterizada como exercício abusivo de poder, é preciso que ela se enquadre nas modalidades típicas previstas na referida lei. d) É proibida a acumulação da função de sócio controlador com a de conselheiro fiscal. e) Na composição do conselho fiscal de uma sociedade por ações, é obrigatória a presença de um acionista e é permitida a reeleição de seus membros. 11. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Conforme a legislação de regência e a jurisprudência do STJ, assinale a opção correta acerca das sociedades anônimas. a) As ações ordinárias não conferem direito de voto ao seu titular, razão por que não lhe possibilitam o alcance do controle da sociedade anônima. w 57 de 88 b) Seguradoras, bancos, sociedades com ações em bolsa e distribuidoras de títulos e valores mobiliários devem, necessariamente, adotar a forma de sociedade por ações. c) A expressão sociedade anônima está relacionada ao fato, ainda hoje verificável no Brasil, de serem muitas as ações emitidas ao portador. d) Os bônus de subscrição podem ser emitidos caso a companhia tenha um limite de aumento de capital social já autorizado no estatuto, servindo tais valores mobiliários para a obtenção de captação prévia. e) As sociedades anônimas podem ser constituídas por instrumento privado, salvo nos casos em que o capital social seja integralizado com imóveis, quando será obrigatório o instrumento público. 12. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Conforme a legislação vigente e a jurisprudência do STJ, assinale a opção correta acerca de sociedades anônimas. a) O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada de existência obrigatória nas sociedades anônimas, cuja representação é atribuição privativa de seus diretores. b) Por ser o órgão máximo da sociedade por ações, a assembleia geral pode deliberar por suprimir o direito dos acionistas à preferência na subscrição de ações da companhia. c) Para a caracterização de abuso de poder pelo acionista controlador de sociedade anônima, são necessárias a prova da intenção de prejudicar a companhia ou os minoritários e a prova do dano. d) É permitido o acúmulo dos cargos de diretor e de conselheiro de administração, mas, no máximo, um terço dos membros do conselho de administração podem ser eleitos como diretores. e) A lei pertinente impõe que, antes de abrir-se a assembleia geral, os acionistas assinem o livro de presença, decorrendo daí a impossibilidade de os acionistas votarem a distância. 13. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. O acordo de cotistas não está previsto explicitamente na legislação societária brasileira. No entanto, seja pelo princípio da atipicidade dos contratos, quando a sociedade for regida supletivamente pelas normas das sociedades simples, seja pela possibilidade de as limitadas serem regidas supletivamente pela legislação da sociedade anônima, admite-se sua celebração, com possibilidade de obrigatoriedade de vinculação da própria sociedade, e com permissão de execução específica. w 58 de 88 14. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. Faculta-se ao adquirente do controle de companhia aberta a realização da operação conhecida no mercado como tag along, consistente na oferta pública de compra de ações preferenciais, dos minoritários sem direito a voto, como forma de compensação pelo fato de terem contribuído, com o seu capital, para o êxito da empresa. 15. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. Exige-se escritura pública para a incorporação de um bem imóvel ao capital social de uma sociedade anônima. 16. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. No que se refere ao regime de constituição, as sociedades anônimas não são contratuais. 17. TCE-PB – Procurador – 2014 – Cespe. Assinale a opção correta em relação à sociedade anônima. a) Enquanto não forem inscritos os atos constitutivos da sociedade por ações que esteja em processo de instituição, esta reger-se-á pelas regras da sociedade em comum, observadas subsidiariamente as regras da sociedade simples. b) As normas que regem a sociedade anônima não sãoaplicáveis às sociedades limitadas. c) A incorporação de imóveis para a formação do capital social de sociedades anônimas não exige escritura pública. d) A companhia será aberta ou fechada, conforme suas ações estejam ou não admitidas à negociação na Comissão de Valores Mobiliários. e) As companhias abertas podem ser constituídas antes que seu capital social tenha sido integralmente subscrito, pois se admite reserva limitada de ações para futura negociação como complemento à subscrição. 18. TRF 1a Região – Juiz Federal – 2015 – Cespe. De acordo com a lei de regência das sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) É solidária a responsabilidade dos administradores de companhias de capital aberto pelos prejuízos que causarem em virtude do não cumprimento dos deveres impostos pela legislação para assegurar o funcionamento normal da sociedade empresária. w 59 de 88 b) Companhia de capital aberto cujo capital social seja estabelecido por seu estatuto em R$ 100.000.000,00 divididos em 100.000.000 de ações sem valor nominal não poderá estabelecer valor nominal para as ações de determinada classe preferencial, porque suas ações não possuem valor nominal. c) Se resolver onerar por penhor ou caução as suas ações, o acionista deverá encaminhar proposta para deliberação do conselho administrativo. Caso o conselho aprove a proposta, o ato será averbado no livro de registro de ações. d) Na constituição do conselho fiscal da companhia, os titulares de ações preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger um membro e seu respectivo suplente em votação em separado. e) Em caso de emissão de valores imobiliários cujo objetivo seja captar recursos para a realização de empreendimentos de grande porte, a companhia deverá valer-se das notas promissórias com vencimentos em dez anos, conhecidas como commercial papers. 19. SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – 2016 – FCC. A administração da sociedade anônima compete a) exclusivamente ao conselho de administração. b) à diretoria e ao conselho de administração, ou somente à diretoria, conforme dispuser o estatuto social. c) à diretoria, ao conselho de administração e, se houver, ao conselho fiscal. d) prioritariamente ao conselho fiscal, ao qual se subordinam a diretoria e o conselho de administração. e) exclusivamente à diretoria, caso se trate de companhia aberta. 20. TRT 1a Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC. Relativamente ao direito de voto, conforme estabelece a Lei n° 6.404/76, é correto afirmar: a) O credor garantido por alienação fiduciária da ação poderá exercer o direito de voto. b) É permitido atribuir voto plural às ações escriturais. c) Se todos os subscritores forem condôminos do bem com que concorreram para a formação do capital social, será dispensada a apresentação de laudo de avaliação do bem. d) O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. w 60 de 88 e) O acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto apenas quando o seu voto houver prevalecido. 21. TJ-SE – Juiz de Direito – 2015 – FCC. A Companhia Laticínios Saudáveis é uma sociedade anônima fechada cujo estatuto estabelece a divisão do capital social em duas classes de ações ordinárias e outras duas classes de ações preferenciais, uma destas com direito a voto e outra sem. Para a sociedade abrir o seu capital, de modo a se tornar uma companhia aberta, a) todas as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações ordinárias. b) todas as classes de ações preferenciais deverão passar a ter direito a voto. c) nenhuma classe de ações preferenciais poderá ter direito a voto. d) as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações de fruição. e) as ações ordinárias deverão ser reunidas numa única classe. 22. TRT 15a Região – Juiz do Trabalho – 2015 – FCC. A sociedade anônima tem o capital dividido em a) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que subscrever ou adquirir. b) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de mercado em bolsa das que subscrever ou adquirir. c) ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam solidariamente pela integralização do capital social. d) quotas, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que subscrever ou adquirir. e) quotas ou ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam solidariamente pela integralização do capital social. 23. TJ-AL – Juiz de Direito – 2015 – FCC. A Sociedade Anônima a) tem como pressuposto essencial os valores mobiliários de sua emissão admitidos necessariamente à negociação em bolsa de valores ou no mercado de balcão. b) é sempre empresária, mesmo que seu objeto seja atividade econômica civil, por exemplo, uma companhia constituída só por dentistas para a prestação de serviços de odontologia pelos próprios acionistas. w 61 de 88 c) é a única modalidade de sociedade por ações prevista no direito brasileiro. d) não admite a penhora de suas ações em execução promovida contra um acionista, em razão do interesse patrimonial dos demais acionistas. e) é formada por ações, cujo preço de emissão confunde-se com seu valor nominal ou de negociação em bolsa de valores. 24. TCM-RJ – Procurador – 2015 – FCC. Na sociedade anônima, a responsabilidade dos sócios é a) limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. b) restrita ao valor nominal de suas ações, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. c) ilimitada. d) restrita ao valor de mercado de suas ações, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. e) limitada ao valor de mercado das ações subscritas ou adquiridas, mas apenas no tocante às companhias abertas. 25. TCE-CE – Procurador – 2015 – FCC. O capital social da sociedade anônima poderá ser formado com contribuições a) em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. b) apenas em dinheiro. c) em dinheiro ou em bens imóveis, mas não em bens móveis. d) em bens de qualquer espécie, ainda que insuscetíveis de avaliação em dinheiro. e) apenas em bens imóveis. w 63 de 88 3.3. Questões comentadas 1. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2016 – VUNESP. Considere as seguintes afirmações, assinalando a correta. a) As debêntures são títulos emitidos pelas sociedades anônimas que conferem um direito de crédito ao seu titular. b) As ações preferenciais são aquelas que dão origem às debêntures. c) As debêntures podem ser emitidas por escrituras públicas lavradas no Registro do Comércio. d) As debêntures não podem ser convertidas em ações. Comentários: A nossa resposta é a alternativa A, trazendo corretamente a definição de debênture, que nada mais é do que um valor mobiliário que confere ao seu titular direito de crédito contra a companhia. A alternativa B está incorreta porque ações e debêntures são valores mobiliários diferentes, apesar de ser possível, sob certas condições, que sejam emitidas debêntures conversíveis em ações. A alternativa C está incorreta porque quem emite as debêntures é a própria sociedade, não sendo necessária escritura pública. A alternativa D está incorreta porque a Lei das SA prevê, em seu art. 57 a emissão de debêntures conversíveis em ações. Art. 57. A debênture poderá ser conversível em ações nas condições constantes da escritura de emissão, que especificará: I - as bases da conversão, seja em número de ações em que poderá ser convertida cada debênture, seja como relação entre o valor nominal da debênture e o preço de emissão das ações; II - a espécie e a classe das ações em que poderá ser convertida; III - o prazo ou época para o exercício do direito à conversão; IV - as demais condições a que a conversão acasofique sujeita. GABARITO: A 2. TJ-SP – Juiz de Direito – 2015 – VUNESP. Em relação às sociedades anônimas, é correto afirmar que a) a critério de seus fundadores, a sociedade anônima que tenha por objeto social atividade rural poderá ser inscrita no registro civil de pessoas jurídicas. b) desde que não haja oposição de qualquer dos acionistas presentes, a assembleia geral da S/A fechada pode deliberar a distribuição de w IMPORTANTE IMPORTANTE 64 de 88 dividendos inferiores aos fixos ou mínimos estipulados para os acionistas preferencialistas. c) o acordo de acionistas registrado na Companhia pode vincular o voto dos membros do conselho de administração eleitos pelos sócios que o tenham firmado. d) a assembleia geral não pode suspender o exercício dos direitos de acionista em mora com obrigações impostas pelo estatuto, salvo se tal obrigação decorrer de expressa disposição legal. Comentários: A alternativa A está incorreta porque a sociedade por ações (gênero do qual faz parte a sociedade anônima) é sempre uma sociedade empresária, nos termos do parágrafo único do art. 982 do Código Civil. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Se a sociedade anônima é empresária, portanto, ela não pode ser registrada no registro civil de pessoas jurídicas, mas sim no registro de empresas mercantis. A alternativa B também está incorreta. Aqui a banca invoca o art. 203 da Lei n. 6.404/1976, segundo o qual deve ser preservado o direito dos acionistas preferenciais de receber os dividendos fixos ou mínimos a que tenham prioridade. A alternativa C está correta, e é a nossa resposta, nos termos do art. 118, §9o da Lei das SA, segundo o qual é possível a vinculação do voto dos membros do conselho de administração eleitos pelos sócios que o tenham firmado, quando isso for previsto no acordo de acionistas da Companhia. § 9º O não comparecimento à assembleia ou às reuniões dos órgãos de administração da companhia, bem como as abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionistas ou de membros do conselho de administração eleitos nos termos de acordo de acionistas, assegura à parte prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista ausente ou omisso e, no caso de membro do conselho de administração, pelo conselheiro eleito com os votos da parte prejudicada A alternativa D está incorreta porque a suspensão dos direitos do acionista inadimplentes é perfeitamente possível, nos termos da previsão do art. 120 da Lei das SA. Art. 120. A assembleia-geral poderá suspender o exercício dos direitos do acionista que deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto, cessando a suspensão logo que cumprida a obrigação. GABARITO: C w IMPORTANTE 65 de 88 3. Prefeitura de São José do Rio Preto-SP – Procurador do Município – 2014 – VUNESP. Assinale a alternativa que estiver em consonância com as disposições de lei que regem as Sociedades Anônimas. a) O estatuto fixará o numero de ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão ou não valor patrimonial, sendo obrigatória a fixação do valor nominal. b) O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais o direito de eleger, em votação em separado, um ou mais membros dos órgãos de administração. c) As ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois de realizados 20% do preço de subscrição. d) A ação é divisível em relação à companhia e, quando pertencer a mais de uma pessoa, os direitos a ela conferidos serão exercidos diretamente por qualquer de seus titulares. e) A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados “bônus de subscrição”. Comentários: A alternativa A está incorreta. O valor nominal é obtido dividindo-se o capital social pelo número de ações, mas a SA não é obrigada a conferir um valor nominal a suas ações, permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor nominal. Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira ou não valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da divisão do capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática, porém, existe uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o valor nominal de cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição injustificada do valor patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas ações. A alternativa B está correta e é a nossa resposta, reproduzindo o conteúdo do art. 18 da Lei das SA. A alternativa C invoca a regra do art. 29 da Lei das SA, seguindo o qual as ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois de realizados 30% do preço de emissão. A alternativa, portanto, está incorreta. A alternativa D está incorreta porque, nos termos do art. 28, a ação é indivisível em relação à companhia. Quando a ação pertencer a mais de uma pessoa, os direitos por ela conferidos serão exercidos pelo representante do condomínio. A alternativa E está incorreta. A definição trazida pela alternativa se refere ao art. 46, que trata das partes beneficiárias, e não do bônus de subscrição. GABARITO: B w IMPORTANTE 66 de 88 4. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. Considerando-se as disposições legais que disciplinam as sociedades por ações, no que se refere ao Conselho de Administração, é correto afirmar que a) é órgão obrigatório nas companhias abertas e nas de capital autorizado. b) é órgão de existência obrigatória em todas as sociedades anônimas ou em comandita por ações. c) será composto por, no mínimo, cinco membros, eleitos pela assembleia- geral e por ela destituíveis ao final do mandato. d) o prazo de gestão dos conselheiros não poderá ser superior a dois anos, vedada a reeleição. e) é órgão de natureza facultativa em qualquer tipo de companhia. Comentários: A alternativa A é a nossa resposta. A existência de conselho de administração é obrigatória apenas nas companhias abertas, nas de capital autorizado e nas sociedades de economia mista. Essa regra também torna as alternativas B e E incorretas. A alternativa C está incorreta porque o conselho de administração será composto por, no mínimo, 3 membros, eleitos pela assembleia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo, nos termos do art. 140. A alternativa D está incorreta. O prazo de gestão dos conselheiros não poderá ser superior a 3 anos, permitida a reeleição (art. 140, III). A alternativa E está incorreta. A definição trazida pela alternativa se refere ao art. 46, que trata das partes beneficiárias, e não do bônus de subscrição. GABARITO: A 5. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP. De acordo com a lei que rege as sociedades por ações, a constituição das companhias está sujeita à observância de determinadas formalidades. Nesse sentido, a constituição de companhia por subscrição pública dependerá do prévio registro da emissão a) no Banco Central. b) no Banco do Brasil. c) na Comissão de Valores Mobiliários. d) na Bolsa de Valores. e) no Mercado de Balcão. w IMPORTANTE 67 de 88 Comentários: A alternativa A está incorreta. Se o contrato social for omisso, o sócio pode ceder sua participação na sociedade a qualquer outro sócio, sem a necessidade de anuência dos demais. Por outro lado, para ceder as quotas a pessoa estranha à sociedade, não poderá haver oposição de titulares de mais de 25% do capital social. Depois da aula de hoje você já está cansado de saber que a entidade da administração pública que regula o mercado de capitais é a CVM, não é mesmo!? GABARITO: C 6. TJ-AM – Juiz de Direito – 2016 – Cespe. Com a finalidade de reduzir o montante de impostos devidos, o administrador de determinada sociedade anônima simulou a ocorrência de prejuízos à companhia. Após alguns anos de êxito, sua condutafoi descoberta e, devido ao recolhimento a menor, foi necessário complementar os impostos pagos, tendo incidido multa e havido outras despesas decorrentes de honorários de advogados, contadores e outros profissionais requeridos para a correção do equívoco. Ao final, os valores pagos para corrigir a falha superaram em muito o valor que deveria ter sido pago inicialmente, conforme a lei. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta. a) O administrador não poderá ser responsabilizado pessoalmente por eventuais prejuízos causados a terceiros, pois agiu em nome da sociedade. b) Os acionistas individualmente prejudicados não poderão propor ação contra o administrador, devendo-se subordinar à deliberação da assembleia geral. c) É necessária a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa para que se obtenha a responsabilização pessoal do administrador. d) Se a referida simulação decorrer de exercício abusivo do poder de controle, o controlador poderá ser responsabilizado pelos prejuízos, desde que comprovado dolo na atuação. e) Caberá à assembleia geral da companhia deliberar pelo ajuizamento, ou não, da ação de responsabilidade civil contra o administrador pelos prejuízos causados. Comentários: No caso trazido pela questão, temos informações suficientes para dizer claramente que o administrador agiu de má-fé, por isso aplica-se o art. 158 da Lei das SA. Quando pratica atos em nome da companhia, em regra ele faz a companhia presente, ou seja, para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles atos, e não a pessoa do administrador, e por isso não deve ser pessoalmente w IMPORTANTE 68 de 88 responsabilizado, a não ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o estatuto ou ainda de forma culposa ou dolosa. Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los. Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de responsabilidade. A competência para decidir ou não pelo ajuizamento da ação de responsabilidade é da própria companhia, por meio da assembleia geral (art. 159). GABARITO: E 7. AGU – Advogado da União – 2015 – Cespe. A adoção do regime legal das companhias permite maior liberdade quanto à disciplina das relações sociais, o que constitui uma vantagem desse regime em relação ao das sociedades contratualistas. Comentários: Esta questão gerou muita polêmica à época de sua aplicação. Como a negociação das ações não depende, em regra, de alteração nos atos constitutivos da companhia, podemos dizer que existe uma maior flexibilidade nas relações sociais. Por outro lado, soa exagerado, do ponto de vista doutrinário, dizer que a adoção do regime das companhias traz maior liberdade, pois a Lei das SA traz MUITAS regras aplicáveis aos acionistas, muitas vezes mais complexas que aquelas aplicáveis às sociedades de pessoas. GABARITO: ERRADO 8. TCU – Procurador – 2015 – Cespe. Fiscais do TCU constataram que um administrador, descumprindo dever imposto por lei referente ao funcionamento normal dos negócios, celebrou contratos com excesso de poder e fora do objeto social em nome de sociedade de economia mista fechada. Na ocasião, não foi possível concluir se os referidos contratos geraram benefício ou prejuízo financeiro à sociedade em questão. Um procurador do TCU foi chamado para emitir parecer sobre a validade dos contratos, a responsabilização interna corporis e a análise da ocorrência de prejuízo ou de lucro para a referida sociedade devido à celebração dos contratos. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) Caso se constate que houve prejuízo na celebração dos contratos, poderá ocorrer responsabilização solidária dos demais administradores de maneira mais extensa do que ocorreria se a companhia fosse aberta. w IMPORTANTE 69 de 88 b) A responsabilização do administrador perante a companhia dependerá da comprovação de que agiu com dolo ou culpa na celebração dos contratos. c) Se ficar constatado que, na celebração dos contratos, a sociedade em questão sofreu prejuízo, esses contratos deverão ser anulados, mesmo quanto a terceiros de boa-fé, em razão da prevalência do interesse público. d) Caso a assembleia geral delibere pela não propositura de ação de responsabilidade, os acionistas ficarão impedidos de ajuizá-la em nome próprio. e) Se ficar comprovado que os contratos geraram lucro para a referida sociedade, uma eventual ação de responsabilidade será julgada improcedente devido ao fato de o administrador ter cumprido sua obrigação de resultado. Comentários: Quando pratica atos em nome da companhia, em regra ele faz a companhia presente, ou seja, para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles atos, e não a pessoa do administrador, e por isso não deve ser pessoalmente responsabilizado, a não ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o estatuto ou ainda de forma culposa ou dolosa. Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los. Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de responsabilidade. A competência para decidir pelo ajuizamento da ação é da assembleia geral ordinária, vez que se encontra entre as atribuições do art. 132 a tomada de contas dos administradores. Por outro lado, se a ação for consequência direta de tema tratado em assembleia geral extraordinária, a deliberação pelo ajuizamento da ação pode ser feita imediatamente. A partir dessa deliberação, o administrador fica impedido, devendo ser substituído na mesma assembleia. Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. Isso evita que a propositura da ação seja “enterrada” pelo voto abusivo do controlador, por exemplo. Importante salientar, contudo, que, seja a ação proposta pela própria sociedade ou por acionistas, o produto será revertido para a companhia, cabendo aos demandantes apenas o ressarcimento das despesas em que tiverem incorrido. Por fim, o juiz pode reconhecer a exclusão da responsabilidade do administrador se entender que ele agiu de boa-fé e no interesse da companhia. w IMPORTANTE 70 de 88 Ninguém pode ser responsabilizado por ser um mau gestor, desde que tenha tido as intenções adequadas. Da mesma forma, não será possível responsabilizar o administrador que tenha tido suas contas aprovadas sem ressalva pela assembleia geral ordinária. GABARITO: A 9. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) Os acionistas minoritários, desde que representem pelo menos 5% do capital social, poderão, mediante ordem judicial, ter acesso a instrumentos de contratos imobiliários de vendas de ativos que, em tese, lhes tenham causado prejuízo. b) Situação hipotética: José, na ocasião do divórcio com Jeane, omitiu da partilha uma fração de suas ações da companhia Gama. Posteriormente, ele foi condenado a dar a Jeane parte dessas ações. Assertiva: Nessa situação, é cabível, em regra, o bloqueio de créditos da própria sociedade anônima em processo por ela ajuizado em face de seus devedores particulares. c) A companhia poderá efetuar emissão de debêntures, que terão valores nominais expressos em moeda nacional, sendo-lhe defesa a estipulação de pagamentos em moeda estrangeira. d)Em caso de danos ao patrimônio da sociedade, se a assembleia geral for contrária à propositura de ação judicial contra os administradores ou se recusar a deliberar acerca dessa proposta, os acionistas poderão ajuizar a demanda, como representantes da companhia, desde que reúnam percentual mínimo legal do capital social. e) Caso uma companhia promova ação de execução contra acionista remisso para cobrar importâncias que lhe sejam devidas, essa companhia não poderá, após a citação, vender as respectivas ações em bolsa de valores. Comentários: Particularmente considerei esta questão bem difícil. Talvez seja a mais complexa da aula de hoje, pois cada alternativa trata de um tema diferente relacionado à sociedade anônima. A alternativa A está incorreta em razão do art. 105 da Lei das SA, segundo o qual a exibição por inteiro dos livros da companhia pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo menos, 5% do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita de graves irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da companhia. A possibilidade de exibição dos livros se refere a suspeitas de irregularidades, e não ao prejuízo. w IMPORTANTE IMPORTANTE 71 de 88 A alternativa B está incorreta. A posição de credor do ex-cônjuge em relação às ações de companhia não garante o direito sobre créditos da pessoa jurídica em face de terceiros. Na realidade nenhum acionista tem direito a se apossar de créditos pertencentes à companhia, nos termos já decididos pelo STJ. A alternativa C está incorreta porque, de acordo com o art. 54, a debênture terá valor nominal expresso em moeda nacional, salvo nos casos de obrigação que, nos termos da legislação em vigor, possa ter o pagamento estipulado em moeda estrangeira. A alternativa D é a nossa resposta. A competência para decidir pelo ajuizamento da ação é da assembleia geral ordinária, vez que se encontra entre as atribuições do art. 132 a tomada de contas dos administradores. Por outro lado, se a ação for consequência direta de tema tratado em assembleia geral extraordinária, a deliberação pelo ajuizamento da ação pode ser feita imediatamente. A partir dessa deliberação, o administrador fica impedido, devendo ser substituído na mesma assembleia. Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. A alternativa E está incorreta. De acordo com o §3o do art. 107, é facultado à companhia, mesmo após iniciada a cobrança judicial, mandar vender a ação em bolsa de valores. GABARITO: D 10. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe. Assinale a opção correta a respeito dos acionistas nas sociedades por ações conforme dispõe a Lei n.º 6.404/1976. a) Os acionistas que totalizem um mínimo de 5% do capital social da empresa detêm legitimidade subsidiária à da companhia para propor ação de responsabilidade civil contra os administradores. b) Por meio do estatuto da sociedade, é permitido limitar os direitos dos acionistas preferenciais, incluído o direito de participação nos lucros sociais. c) Para que a conduta do sócio controlador de uma sociedade seja caracterizada como exercício abusivo de poder, é preciso que ela se enquadre nas modalidades típicas previstas na referida lei. d) É proibida a acumulação da função de sócio controlador com a de conselheiro fiscal. e) Na composição do conselho fiscal de uma sociedade por ações, é obrigatória a presença de um acionista e é permitida a reeleição de seus membros. w IMPORTANTE 72 de 88 Comentários: Nossa resposta é a alternativa A, que mais uma vez menciona a possibilidade de, diante da omissão da companhia, os acionistas ajuizarem ação de responsabilidade contra administrador que tenha causado prejuízo. A alternativa B está incorreta porque, nos termos do art. 109 da Lei das SA, há alguns direitos dos acionistas que não podem ser limitados, entre eles o direito de participação nos lucros da sociedade. A alternativa C está incorreta. Você já sabe que o rol de condutas que importam em abuso de poder do art. 117, §1o é meramente exemplificativo. A alternativa D está incorreta porque os impedimentos aplicáveis aos membros do conselho fiscal se encontram no art. 147, §3o. Entre as causas de impedimento não está a condição de acionista controlador. A alternativa E está incorreta porque os membros do conselho fiscal podem ser acionistas ou não (art. 161, §1o). GABARITO: A 11. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Conforme a legislação de regência e a jurisprudência do STJ, assinale a opção correta acerca das sociedades anônimas. a) As ações ordinárias não conferem direito de voto ao seu titular, razão por que não lhe possibilitam o alcance do controle da sociedade anônima. b) Seguradoras, bancos, sociedades com ações em bolsa e distribuidoras de títulos e valores mobiliários devem, necessariamente, adotar a forma de sociedade por ações. c) A expressão sociedade anônima está relacionada ao fato, ainda hoje verificável no Brasil, de serem muitas as ações emitidas ao portador. d) Os bônus de subscrição podem ser emitidos caso a companhia tenha um limite de aumento de capital social já autorizado no estatuto, servindo tais valores mobiliários para a obtenção de captação prévia. e) As sociedades anônimas podem ser constituídas por instrumento privado, salvo nos casos em que o capital social seja integralizado com imóveis, quando será obrigatório o instrumento público. Comentários: A alternativa A está incorreta porque as ações ordinárias conferem ao acionista o direito a voto, diferentemente das ações preferencias, que, em regra, não conferem esse direito. A alternativa B está incorreta porque as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, conforme Resolução CMN n. 1.120/1986. w 73 de 88 A alternativa C está incorreta. A sociedade anônima tem esse nome porque não pode adotar firma social, não incorporando o nome dos fundadores, por exemplo. Além disso, hoje nosso ordenamento não permite mais a existência de ações ao portador. A alternativa D é a nossa resposta. A operação por meio da qual novas ações são emitidas é chamada de capitalização. Nessa ocasião, como regra geral a preferência na subscrição é dos acionistas da companhia (art. 109, IV da Lei das SA), mas, se os negócios da sociedade vão bem e há perspectivas futuras de emissão de novas ações, pode-se emitir bônus de subscrição, captando recursos junto a investidores que estejam interessados em adquirir preferencialmente novas ações por ocasião da sua emissão, sempre observando-se o limite de aumento de capital autorizado pelo estatuto. A alternativa E está incorreta porque, de acordo com o art. 89, a incorporação de imóveis para a formação do capital social não exige escritura pública. GABARITO: D 12. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2014 – Cespe. Conforme a legislação vigente e a jurisprudência do STJ, assinale a opção correta acerca de sociedades anônimas. a) O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada de existência obrigatória nas sociedades anônimas, cuja representação é atribuição privativa de seus diretores. b) Por ser o órgão máximo da sociedade por ações, a assembleia geral pode deliberar por suprimir o direito dos acionistas à preferência na subscrição de ações da companhia. c) Para a caracterização de abuso de poder pelo acionista controlador de sociedade anônima, são necessárias a prova da intenção de prejudicar a companhia ou os minoritários e a prova do dano. d) É permitido o acúmulo dos cargos de diretor e de conselheiro de administração, mas, no máximo, um terço dos membros do conselho de administração podem sereleitos como diretores. e) A lei pertinente impõe que, antes de abrir-se a assembleia geral, os acionistas assinem o livro de presença, decorrendo daí a impossibilidade de os acionistas votarem a distância. Comentários: A alternativa A está incorreta porque a existência de conselho de administração é obrigatória apenas nas companhias abertas, nas de capital autorizado e nas sociedades de economia mista. A alternativa B está incorreta. Entre os direitos dos acionistas que não podem ser suprimidos pelo estatuto e nem pela assembleia geral (art. 109) está a preferência para a subscrição de novas ações. w 75 de 88 voto, como forma de compensação pelo fato de terem contribuído, com o seu capital, para o êxito da empresa. Comentários: Além das normas que disciplinam a atuação do controlador, também devemos conhecer as regras trazidas pela Lei das SA acerca da alienação do poder de controle da companhia. Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de controle. Este dispositivo traz um instrumento de defesa dos acionistas minoritários conhecido como tag along. De forma simples e direta, a regra é a de que, caso o controlador resolva vender suas ações, transferindo o poder de controle a outro, este deverá se comprometer a adquirir as ações com direito a voto dos minoritários, pagando pelo menos 80% do preço pago pelas ações do controlador. Em grandes sociedades anônimas que adotam as melhores práticas de boa governança corporativa, é comum que os estatutos prevejam o tag along com obrigação de aquisição das ações dos minoritários por 100% do preço pago pelas ações do controlador. Vemos, portanto, que a assertiva traz dois erros: primeiro o tag along não é uma faculdade, mas sim uma obrigação do adquirente do controle da companhia. Em segundo lugar, a oferta obrigatória de aquisição refere-se às ações minoritárias com direito a voto. GABARITO: ERRADO 15. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. Exige-se escritura pública para a incorporação de um bem imóvel ao capital social de uma sociedade anônima. Comentários: O art. 89 da Lei das SA é expresso no sentido de que a incorporação de imóveis para formação do capital social não exige escritura pública. GABARITO: ERRADO 16. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 – Cespe. No que se refere ao regime de constituição, as sociedades anônimas não são contratuais. w 76 de 88 Comentários: A constituição das sociedades anônimas é um processo complexo, mas em momento algum há a contratualização das relações entre os acionistas. O principal instrumento que rege essas relações é o estatuto social. GABARITO: CERTO 17. TCE-PB – Procurador – 2014 – Cespe. Assinale a opção correta em relação à sociedade anônima. a) Enquanto não forem inscritos os atos constitutivos da sociedade por ações que esteja em processo de instituição, esta reger-se-á pelas regras da sociedade em comum, observadas subsidiariamente as regras da sociedade simples. b) As normas que regem a sociedade anônima não são aplicáveis às sociedades limitadas. c) A incorporação de imóveis para a formação do capital social de sociedades anônimas não exige escritura pública. d) A companhia será aberta ou fechada, conforme suas ações estejam ou não admitidas à negociação na Comissão de Valores Mobiliários. e) As companhias abertas podem ser constituídas antes que seu capital social tenha sido integralmente subscrito, pois se admite reserva limitada de ações para futura negociação como complemento à subscrição. Comentários: A alternativa A está incorreta. Como a questão se refere à sociedade anônima, não há aplicação subsidiária das regras da sociedade em comum. O próprio art. 986 do Código Civil, que menciona a aplicação subsidiária das normas da sociedade em comum enquanto não inscritos os atos constitutivos, excepciona as sociedades por ações. A alternativa B está incorreta porque pode haver a aplicação supletiva das normas próprias da sociedade anônima às sociedades limitadas, se assim dispuser o contrato social (art. 1.053, parágrafo único, do Código Civil). A alternativa C é a nossa resposta, e você já está cansado de saber que não se exige escritura pública para incorporação de imóveis para a formação do capital social das sociedades anônimas. A alternativa D está incorreta porque as negociações de ações de companhias abertas são feitas na bolsa de valores, e não na CVM. A alternativa E está incorreta porque um dos requisitos para constituição da companhia é a subscrição de todo o seu capital social. Cuidado para não confundir subscrição com integralização, ok!? J GABARITO: C w 77 de 88 18. TRF 1a Região – Juiz Federal – 2015 – Cespe. De acordo com a lei de regência das sociedades anônimas, assinale a opção correta. a) É solidária a responsabilidade dos administradores de companhias de capital aberto pelos prejuízos que causarem em virtude do não cumprimento dos deveres impostos pela legislação para assegurar o funcionamento normal da sociedade empresária. b) Companhia de capital aberto cujo capital social seja estabelecido por seu estatuto em R$ 100.000.000,00 divididos em 100.000.000 de ações sem valor nominal não poderá estabelecer valor nominal para as ações de determinada classe preferencial, porque suas ações não possuem valor nominal. c) Se resolver onerar por penhor ou caução as suas ações, o acionista deverá encaminhar proposta para deliberação do conselho administrativo. Caso o conselho aprove a proposta, o ato será averbado no livro de registro de ações. d) Na constituição do conselho fiscal da companhia, os titulares de ações preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger um membro e seu respectivo suplente em votação em separado. e) Em caso de emissão de valores imobiliários cujo objetivo seja captar recursos para a realização de empreendimentos de grande porte, a companhia deverá valer-se das notas promissórias com vencimentos em dez anos, conhecidas como commercial papers. Comentários: A alternativa A está incorreta. Como regra, os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles. Nas companhias abertas, porém essa responsabilidade ficará restrita aos administradores que, por disposição do estatuto, tenham atribuição específica de dar cumprimento àqueles deveres. A alternativa B está incorreta. Mesmo que as ações emitidas pela companhia não tenham valor nominal, é possível que o estatuto crie uma ou mais classes de ações preferenciais com valor nominal (art. 11, §1o). A alternativa C está incorreta. O penhor ou caução de ações se constitui pela averbação do respectivo instrumento no livro de Registro de Ações Nominativas (art. 39 da Lei das SA). Na realidade conselho administrativo nem é um dos órgãos sociais previstos da lei...! A alternativa D é a nossa resposta. De acordo com o art. 161, §4o, os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 membro e respectivo suplente. w 78 de 88 A alternativa E está incorreta. A principal diferença entre as debêntures e os commercial papers é justamente o prazo para pagamento. Em geral as debêntures têm prazo mais longo, de 5, 8, 10 anos, enquanto os commercial papers preveem pagamento normalmente entre 30 e 360 dias. GABARITO: D 19. SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – 2016 – FCC. A administração da sociedade anônima compete a) exclusivamente ao conselho de administração. b) à diretoriae ao conselho de administração, ou somente à diretoria, conforme dispuser o estatuto social. c) à diretoria, ao conselho de administração e, se houver, ao conselho fiscal. d) prioritariamente ao conselho fiscal, ao qual se subordinam a diretoria e o conselho de administração. e) exclusivamente à diretoria, caso se trate de companhia aberta. Comentários: Quando a Lei das SA refere aos administradores da sociedade, está tratando tanto dos membros do conselho de administração quanto dos diretores. É possível, porém, que a sociedade não conte com conselho de administração, a depender do que dispuser o estatuto. Lembre-se, porém, de que o conselho de administração é obrigatório na companhia aberta, na sociedade de capital autorizado e na sociedade de economia mista), nos termos do art. 138 da Lei das SA. GABARITO: C 20. TRT 1a Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC. Relativamente ao direito de voto, conforme estabelece a Lei n° 6.404/76, é correto afirmar: a) O credor garantido por alienação fiduciária da ação poderá exercer o direito de voto. b) É permitido atribuir voto plural às ações escriturais. c) Se todos os subscritores forem condôminos do bem com que concorreram para a formação do capital social, será dispensada a apresentação de laudo de avaliação do bem. d) O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. w 79 de 88 e) O acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto apenas quando o seu voto houver prevalecido. Comentários: A alternativa A está incorreta. O credor garantido por alienação fiduciária da ação não poderá exercer o direito de voto. O devedor, por sua vez, somente poderá exercê-lo nos termos do contrato (art. 113, parágrafo único). A alternativa B está incorreta porque a lei permite que o estatuto limite o número de votos de cada acionista e, ao mesmo tempo, proíbe a atribuição de voto plural a uma classe específica de ações, ou seja, não se pode atribuir mais de um voto a uma mesma ação. Um acionista que tenha várias ações terá direito a vários votos, mas não se pode estabelecer dois ou mais votos para uma só ação. A alternativa C está incorreta. Se todos os subscritores forem condôminos de bem com que concorreram para a formação do capital social, poderão aprovar o laudo, mas serão responsabilizados pelos danos que causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens. A alternativa D é a nossa resposta. A alternativa copia integralmente o texto do art. 11 da Lei das SA. A alternativa E está incorreta porque o acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja prevalecido (art. 115, §3o). GABARITO: D 21. TJ-SE – Juiz de Direito – 2015 – FCC. A Companhia Laticínios Saudáveis é uma sociedade anônima fechada cujo estatuto estabelece a divisão do capital social em duas classes de ações ordinárias e outras duas classes de ações preferenciais, uma destas com direito a voto e outra sem. Para a sociedade abrir o seu capital, de modo a se tornar uma companhia aberta, a) todas as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações ordinárias. b) todas as classes de ações preferenciais deverão passar a ter direito a voto. c) nenhuma classe de ações preferenciais poderá ter direito a voto. d) as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações de fruição. e) as ações ordinárias deverão ser reunidas numa única classe. Comentários: No que se refere à divisão das ações em classes, você deve lembrar que as ações ordinárias e preferenciais, em regra, poderão ser divididas em classes, com exceção das ações ordinárias de companhias abertas. Por isso nossa w 80 de 88 resposta é a alternativa E, já que estamos diante de uma companhia que pretende abrir seu capital para negociação em bolsa de valores. GABARITO: E 22. TRT 15a Região – Juiz do Trabalho – 2015 – FCC. A sociedade anônima tem o capital dividido em a) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que subscrever ou adquirir. b) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de mercado em bolsa das que subscrever ou adquirir. c) ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam solidariamente pela integralização do capital social. d) quotas, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que subscrever ou adquirir. e) quotas ou ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam solidariamente pela integralização do capital social. Comentários: O capital da companhia é divido em ações. Isso você já está cansado de saber, mas o importante aqui é lembrar que, diferentemente das sociedades contratuais, nas sociedades anônimas os acionistas não respondem solidariamente pelo capital a integralizar, mas apenas pelo preço de emissão das ações subscritas. Lembre-se do art. 1o da Lei das SA. Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. GABARITO: A 23. TJ-AL – Juiz de Direito – 2015 – FCC. A Sociedade Anônima a) tem como pressuposto essencial os valores mobiliários de sua emissão admitidos necessariamente à negociação em bolsa de valores ou no mercado de balcão. b) é sempre empresária, mesmo que seu objeto seja atividade econômica civil, por exemplo, uma companhia constituída só por dentistas para a prestação de serviços de odontologia pelos próprios acionistas. c) é a única modalidade de sociedade por ações prevista no direito brasileiro. d) não admite a penhora de suas ações em execução promovida contra um acionista, em razão do interesse patrimonial dos demais acionistas. w 81 de 88 e) é formada por ações, cujo preço de emissão confunde-se com seu valor nominal ou de negociação em bolsa de valores. Comentários: A alternativa A está incorreta. As ações da companhia nem sempre são negociadas em bolsa de valores e mercado de balcão (mercado de capitais). Isso somente ocorre nas companhias abertas. A alternativa B é a nossa resposta. O Código Civil determina em seu art. 982, parágrafo único, que a sociedade anônima é sempre empresária. A alternativa C está incorreta. A sociedade anônima é uma das modalidades de sociedades por ações, juntamente com a sociedade em comandita por ações. A alternativa D está incorreta. A ação é considerada um bem como qualquer outro, e está sujeito a penhora. A alternativa E está incorreta. Depois da aula de hoje você deve achar engraçada uma alternativa que diga que preço de emissão, valor nominal e valor de negociação são a mesma coisa, não é mesmo? Vamos aproveitar para relembrar! a) Valor nominal Esse valor é obtido dividindo-se o capital social pelo número de ações. Lembre- se de que a SA não é obrigada a conferir um valor nominal a suas ações, permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor nominal. Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira ou não valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da divisão do capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática, porém, existe uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o valor nominal de cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição injustificada do valor patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas ações. Se a companhia emite novas ações com valor patrimonial inferior às antigas, todos os acionistas que já estão no quadro terminam sendo prejudicados, pois suas ações passam a representar uma parcela menor do capital social. Por outro lado, se as ações têm valor nominal, o patrimônio acionário não será diminuído, já que o art. 13 da Lei das SA proíbe a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. É importante ainda salientar que nada impedeque o preço de emissão das novas ações seja superior ao seu valor nominal. Nesse caso a diferença entre os dois valores, chamada de ágio, deverá obrigatoriamente compor reserva de capital (art. 13, §2o). b) Valor patrimonial Também chamado de valor real, é calculado levando-se em conta o patrimônio líquido da sociedade. Em vez de dividir o capital social pelo número de ações, divide-se o patrimônio líquido. Caso você não esteja familiarizado com o w 82 de 88 conceito, o patrimônio líquido é calculado deduzindo-se o passivo (obrigações) da companhia do seu ativo (bens e direitos). No ato de constituição da companhia, se suas ações tiverem valor nominal, este será igual ao valor patrimonial, pois no momento da sua constituição a sociedade ainda não tem passivo, não é mesmo? A partir de sua entrada no mercado, a companhia passa a titularizar créditos e débitos, o que fará com que dificilmente seu capital social e seu patrimônio coincidam novamente. O valor patrimonial é levado em consideração, por exemplo, quando a companhia precisa ser liquidada, assim como nas operações de amortização de ações ordinárias e preferenciais, que podem ser substituídas pelas ações de fruição. c) Valor de negociação Na sociedade anônima é livre a negociação da participação societária. Essas transações, como você já sabe, normalmente ocorrem no mercado de capitais secundário, no qual os acionistas vendem suas ações a investidores interessados, cobrando valores que oscilam em função das mais variadas circunstâncias. Alguns doutrinadores falam em valor de negociação privada e valor de mercado, mas no final os dois conceitos são muito semelhantes, um referindo- se ao mercado de balcão e outro ao mercado de capitais. d) Valor econômico Esse valor é aferido por meio de estudos técnicos especializados, nos quais os peritos concluem o valor que as ações possivelmente valeriam se fossem postas à venda no mercado de capitais. Essa técnica é importante, por exemplo, nos casos de apuração de responsabilidade dos administradores em relação à negociação de ações que eram de propriedade da companhia. Se os administradores decidiram vender ações que pertenciam à companhia e há desconfiança de que a operação foi subvalorada, por exemplo, somente por meio de estudos será possível verificar por quanto aquelas ações poderiam ter sido vendidas na ocasião. e) Preço de emissão No mercado de capitais primário, como você já sabe, desenvolvem-se as operações de subscrição de novas ações, o que ocorre quando uma companhia passa pela abertura de capital ou quando aumenta seu capital social. Nessas operações o valor pago pelas ações é o preço de emissão, que representa o valor que o investidor entrega à sociedade como contribuição para o capital social. O preço, bem como as condições de pagamento, é estabelecido pela própria companhia, unilateralmente. Obviamente a companhia tenta ao máximo estabelecer o preço de emissão no patamar suficiente para tornar a operação viável financeiramente e, ao mesmo tempo, atrair o número esperado de investidores que tenham interesse em subscrever as ações. w 83 de 88 O preço de subscrição pode ser superior ao valor nominal da ação. A diferença é o ágio, que deverá obrigatoriamente constituir reserva de capital da companhia. GABARITO: B 24. TCM-RJ – Procurador – 2015 – FCC. Na sociedade anônima, a responsabilidade dos sócios é a) limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. b) restrita ao valor nominal de suas ações, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. c) ilimitada. d) restrita ao valor de mercado de suas ações, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. e) limitada ao valor de mercado das ações subscritas ou adquiridas, mas apenas no tocante às companhias abertas. Comentários: Como você aprendeu na aula de hoje, nas sociedades anônimas não há regras sobre a responsabilidade ilimitada dos acionistas quanto ao capital a integralizar. Na realidade o acionista tem sua responsabilidade limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. GABARITO: A 25. TCE-CE – Procurador – 2015 – FCC. O capital social da sociedade anônima poderá ser formado com contribuições a) em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. b) apenas em dinheiro. c) em dinheiro ou em bens imóveis, mas não em bens móveis. d) em bens de qualquer espécie, ainda que insuscetíveis de avaliação em dinheiro. e) apenas em bens imóveis. Comentários: De acordo com o art. 7o da Lei das SA, o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. GABARITO: A w