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AULA 04
SOCIEDADE ANÔNIMA. 
Sumário
Sumário .................................................................................................. 1
1 – Considerações Iniciais.......................................................................... 2
2 – Sociedade Anônima ............................................................................. 2
2.1. Antecedentes históricos e aspectos introdutórios .................................2
2.2. Legislação aplicável ......................................................................... 4
2.3. Principais características................................................................... 4
2.4. Mercado de capitais ......................................................................... 7
2.5. Constituição de sociedade anônima aberta........................................ 10
2.6. Criação de sociedade anônima fechada ............................................ 14
2.7. Subscrição de ações ...................................................................... 14
2.8. Formalidades complementares ........................................................ 15
2.9. Capital social ................................................................................ 17
2.10. Ações......................................................................................... 20
2.11. Outros valores mobiliários ............................................................ 34
2.12. Órgãos societários ....................................................................... 38
3 – Questões.......................................................................................... 52
3.1. Questões sem Comentários ............................................................ 52
3.2. Gabarito....................................................................................... 62
3.3. Questões comentadas .................................................................... 63
4 – Resumo da Aula ................................................................................ 84
5 – Jurisprudência Aplicável ..................................................................... 87
6 – Considerações Finais ......................................................................... 88
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AULA 04 – SOCIEDADE ANÔNIMA.
1 – Considerações Iniciais
Olá, futuro Delegado!
Seja bem vindo a mais uma aula de Direito Empresarial. Hoje você vai aprender
tudo que é necessário sobre a sociedade anônima, que, na minha modesta
opinião, é o tipo societário mais complexo do nosso ordenamento.
Esse tipo societário também é amplamente utilizado na realidade brasileira,
principalmente para grandes empreendimentos. Aquelas grandes empresas das
quais ouvimos falar, cujas ações e outros títulos são negociados em bolsa, são
as sociedades anônimas!
Vamos lá!? Bons estudos!
2 – Sociedade Anônima
2.1. Antecedentes históricos e aspectos introdutórios
A doutrina aponta duas origens históricas diferentes para a sociedade anônima:
as associações de credores da Idade Média (a exemplo do Officium
Procuratorum Sancti Georgio, uma interessante instituição financeira que
funcionou por séculos em Gênova), e as companhias das índias (patrocinadas
pelos Estados Nacionais da Idade Moderna).
Adotando uma ou outra orientação, o que fica claro é que essas sociedades
sempre se dedicaram a grandes empreendimentos, e esta é uma
característica marcante das sociedades anônimas. Justamente por isso as
sociedades anônimas surgiram como espécie de delegação do poder estatal.
Somente a partir do Código Comercial francês de 1808 passou a ser permitida a
constituição de sociedades anônimas independentemente de outorga estatal,
mas ainda sendo necessária autorização.
A partir de meados do século XIX os requisitos passaram a ser ainda mais
flexíveis, permitindo-se que qualquer pessoa constituísse uma SA, sendo
necessário somente registro prévio e a submissão a um regime legal específico.
No ordenamento brasileiro também passamos por essas fases. Inicialmente era
necessária uma outorga imperial para criar uma SA, como ocorreu com o Banco
do Brasil, criado por alvará de D. João VI em 1808. A partir de 1849 as
sociedades anônimas passaram a ser constituídas mediante autorização
governamental, regime adotado pelo Código Comercial de 1850.
Posteriormente, o ordenamento nacional adotou o regime da regulamentação.
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2.1.1. Governança corporativa
Ainda tratando de aspectos históricos, hoje a gestão das sociedades por ações
tem se voltado bastante para o estudo das práticas de governança
corporativa (corporate governance). Esse tema surgiu principalmente a partir
de estudos desenvolvidos na Inglaterra e nos Estados Unidos, no sentido de
estabelecer padrões de gestão para essas sociedades. Esses padrões, por sua
vez, fundamentam-se em alguns princípios que você deve conhecer. Como
nosso estudo é eminentemente jurídico, não pretendo fazer análises
aprofundadas acerca desses temas, mas considero interessante que você saiba
quais são os princípios da governança corporativa em voga hoje:
a) Transparência  deve-se prestar às partes interessadas qualquer
informação que seja do seu interesse;
b) Equidade  deve haver regras específicas para proteger os acionistas
minoritários e para evitar abusos por parte dos controladores;
c) Accountability  a prestação de contas precisa ser confiável, seguindo
critérios eficientes e internacionalmente aceitos;
d) Responsabilidade corporativa  os administradores e controladores
devem zelar pela sustentabilidade das empresas, visando à sua
longevidade e incorporando preocupações de ordem social e ambiental.
Um dos problemas estudados com mais frequência na literatura sobre
governança corporativa é o conflito de agência, que ocorre quando os
proprietários da empresa (acionistas) delegam sua administração a gestores
profissionais (administradores). Essa situação pode terminar gerando
divergências acerca da gestão da companhia e das decisões negociais.
Explicando de forma simples, o conflito ocorre quando os administradores
passam a tomar decisões pensando em benefícios próprios, como aumento de
salários e bônus e perpetuação no cargo, por exemplo. As boas práticas de
governança corporativa surgem justamente para minimizar esse tipo de
problema, trazendo padrões de gestão que devem ser adotados pela companhia
de forma a preservar os interesses do Estado, dos acionistas, dos clientes e da
sociedade em geral.
A descrição dessas práticas surgiu primeiramente na Inglaterra no início dos
anos 1990 e logo em seguida foi adotada por diversas empresas norte-
americanas. No Brasil um importante movimento foi a criação do Novo Mercado
da BOVESPA, em 2000. As companhias que aderem ao Novo Mercado passam,
por ato voluntário, a adotar uma série de padrões, que têm a finalidade de
inspirar maior confiança dos investidores.
A confiança é um dos principais fatores no desenvolvimento da literatura sobre
governança corporativa. Nos anos 1990 houve diversos casos de fraude,
amplamente divulgados pela mídia, nos quais estavam envolvidas companhias
de capital aberto. Nos Estados Unidos podemos citar o caso da Enron, que
terminou influenciando muito a adoção da Lei Sarbanes-Oxley, de 2002.
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Por outro lado, temos parte da doutrina nacional afirmando que não se pode
mais dizer que toda e qualquer sociedade anônima é uma sociedade de capital.
É possível que sociedades anônimas fechadas terminem assumindo caráter
mais personalista. No Brasil temos diversos exemplos de sociedades por ações
que são empresas familiares e que, por isso, terminam adotando regras pouco
usuais por meio de seus estatutos ou de acordos de acionistas, como a
limitação de circulação de ações nominativas e a exigência e aprovação de
assembleia de acionistas para decisões minimamente importantes.
Apesar de a sociedade anônima ser a sociedade de
capital por excelência, é comum que haja sociedades
anônimas de feição personalista, por meio da adoção
de regras específicas em seus estatutos ou em acordosde acionistas.
Além disso, você deve lembrar que a sociedade por ações, cuja principal
modalidade é a sociedade anônima, é sempre uma sociedade empresária, nos
termos do art. 982 do Código Civil.
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por
objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e,
simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a
sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
Na realidade, mesmo antes do Código Civil de 2002, já tínhamos o art. 2o, §1o
da Lei das SA prevendo a natureza mercantil da sociedade anônima.
Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à
lei, à ordem pública e aos bons costumes.
§ 1º Qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e se rege pelas leis e usos do
comércio.
2.3.2. Adoção de denominação
Você já sabe que há uma série de regras a respeito da adoção do nome
empresarial pelo empresário individual e pela sociedade empresária, e entre
essas regras está a obrigatoriedade de que a SA adota denominação, conforme
art. 1.160 do Código Civil.
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social,
integrada pelas expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por extenso ou
abreviadamente.
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Assim, podemos concluir que a SA não pode adotar firma. Na realidade isso não
faria nenhum sentido, pois, como seu nome já diz, a sociedade é anônima, e
seu nome deve ser distinto dos nomes dos acionistas, reforçando sua feição
capitalista.
No mesmo sentido temos também o art. 3o da Lei das SA, que ainda veda a
utilização da expressão “companhia” ao final da denominação.
Art. 3º A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões
"companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas
vedada a utilização da primeira ao final.
Assim, a sociedade anônima pode adotar a denominação seguida da designação
“sociedade anônima” (como ocorre, por exemplo, com o Banco do Brasil SA), ou 
utilizar a palavra “companhia” (como ocorre com a Companhia de Bebidas das
Américas, popularmente conhecida como Ambev, fabricante de diversas marcas
de cervejas, refrigerantes e outras bebidas).
A sociedade anônima será designada por denominação
acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade
anônima", expressas por extenso ou abreviadamente,
entretanto, vedada a utilização da primeira ao final.
2.3.4. Responsabilidade limitada
Na SA, cada sócio responde apenas pela sua parte no capital social, não
assumindo dívidas titularizada pela sociedade. Obviamente essa regra tem suas
exceções, que são ainda mais restritas no caso das SA, mas ainda assim pode
haver, por exemplo, desconsideração da personalidade jurídica.
Um aspecto importante, que diferencia a SA da sociedade limitada no que se
refere à responsabilidade dos sócios, é a inexistência da regra de
responsabilização solidária pelo capital a integralizar. Lembre-se de que, na
sociedade limitada, todos os sócios respondem solidariamente pelo que ainda
falta integralizar do capital da sociedade, sendo possível que eventuais
execuções atinjam o patrimônio de qualquer sócio, ainda que ele já tenha
cumprido seu dever na integralização do capital.
Nas SA, por outro lado, cada acionista responde apenas pela integralização das
suas ações, não havendo qualquer previsão de responsabilidade solidária pela
integralização de todo o capital social, nos termos do art. 1o da Lei das SA.
Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a
responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações
subscritas ou adquiridas.
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Nas SA cada acionista responde apenas pela integralização
das suas ações, não havendo qualquer previsão de
responsabilidade solidária pela integralização de todo o
capital social.
2.4. Mercado de capitais
O mercado de capitais é um ambiente no qual os valores mobiliários emitidos
por uma sociedade anônima são negociados. Estudaremos sobre os valores
mobiliários no momento oportuno, mas por ora você deve saber que o principal
desses valores é a própria ação. Podemos dizer, portanto, que o mercado de
capitais (ou mercado de valores mobiliários) é o ambiente no qual são
negociadas, entre outros, as ações das sociedades anônimas.
Inicialmente podemos classificar as SA de acordo com sua autorização, ou não,
para negociar ações no mercado de capitais. A definição é dada pelo art. 4o da
Lei das SA.
Art. 4o Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores
mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores
mobiliários. 
Podemos dizer, portanto, que a SA é aberta quando tem autorização para
negociar seus valores mobiliários no mercado de capitais, e fechada quando não
tem autorização para tanto.
Essa autorização, no ordenamento brasileiro, é concedida pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM). Trata-se de uma autarquia, vinculada ao Ministério
da Fazenda, que tem o papel de autoridade regulatória sobre o mercado de
capitais. A própria Lei das SA em diversos pontos menciona a CVM e seu papel.
Veja, por exemplo, o que dizem os parágrafos do art. 4o.
§ 1o Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na Comissão de
Valores Mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários.
§ 2o Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem
prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários.
A CVM foi criada pela Lei n. 6.385/1976, que estabeleceu como suas atribuições
a disciplina e fiscalização das seguintes atividades:
a) A emissão e distribuição de valores mobiliários no mercado;
b) A negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;
c) A negociação e intermediação no mercado de derivativos;
d) A organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Valores;
e) A organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de
Mercadorias e Futuros;
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f) A administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;
g) A auditoria das companhias abertas;
h) Os serviços de consultor e analista de valores mobiliários.
O mercado de capitais brasileiro tem se desenvolvido bastante nos últimos
anos. Recentemente muitas companhias fizeram abertura de capital e passaram
a negociar ações em bolsa. Essa operação de abertura de capital é conhecida
como IPO, da sigla em inglês initial pulic offer, ou oferta pública inicial.
Para que você entenda melhor a importância de uma IPO para uma sociedade,
é importante perceber que esse é um instrumento de captação de recursos de
pessoas interessadas em investir na sociedade, que geralmente esperam
retorno no médio ou longo prazos. É muito melhor e mais barato do que, por
exemplo, captar crédito junto a instituições financeiras, pois desta forma a
companhia fica na posição de devedora, amargando altas taxas de juros.
Quando recebe investimento de acionistas, por outro lado, a companhia recebe
uma injeção de capital que possibilita que a sociedade se concentre no
desenvolvimento dos seus negócios, pois esse desenvolvimento trará os
retornos desejados pelos investidores.
Alguns autores dizem também que o mercado de capitais é um instrumento de
acesso à poupança popular, pois permite que poupadores invistam diretamente
num negócio, sem a intermediação de instituições financeiras.
É possível ainda que uma sociedade passe por uma abertura de capital mal
sucedida, caso em que precisará voltar a ser uma companhia fechada. O 4o do
art. 4o da Lei das SA trata do tema.
§ 4o O registro de companhia aberta para negociação de ações no mercado somente
poderá ser cancelado se a companhia emissora de ações, o acionista controlador ou a
sociedade que a controle, direta ou indiretamente, formular oferta pública para adquirir a
totalidade das ações em circulação no mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor
de avaliação da companhia, apuradocom base nos critérios, adotados de forma isolada ou
combinada, de patrimônio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço de
mercado, de fluxo de caixa descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das
ações no mercado de valores mobiliários, ou com base em outro critério aceito pela
Comissão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do valor da oferta, em
conformidade com o disposto no art. 4o-A.
Basicamente o legislador se refere à situação na qual é necessário fazer uma
oferta pública de aquisição de ações, na qual a companhia recompra as
ações que estão em poder de terceiros. A preocupação do legislador aqui foi
proteger os acionistas minoritários, mas a redação merece críticas, pois não
deixa muito claro o que seria o “preço justo” das ações.
Se acionistas minoritários que representem menos de 5% do capital não
concordarem com o fechamento e, consequentemente, não venderem suas
ações, aplica-se a regra do §5o.
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§ 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na regulamentação expedida pela
Comissão de Valores Mobiliários, se remanescerem em circulação menos de 5% (cinco por
cento) do total das ações emitidas pela companhia, a assembleia-geral poderá deliberar o
resgate dessas ações pelo valor da oferta de que trata o § 4o, desde que deposite em
estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, à disposição
dos seus titulares, o valor de resgate, não se aplicando, nesse caso, o disposto no § 6o do
art. 44. 
Basicamente estamos diante de uma hipótese de resgate compulsório,
normalmente chamado de squeeze out. A lógica aqui é respeitar a maioria,
impedindo que um pequeno número de acionistas impeça o fechamento do
capital.
Sempre que falamos em mercado de capitais, terminamos mencionando
também as bolsas de valores, que não compõem a administração pública,
sendo uma associação privada, formada por corretoras e que, por meio de
autorização da CVM, presta serviços de interesse público. Esses serviços
consistem basicamente na manutenção de um local adequado para a realização
das operações de compra e venda dos valores mobiliários emitidos pelas
companhias.
Hoje é comum que as bolsas de valores sejam, elas próprias, constituídas como
sociedades anônimas. É o caso da mais importante bolsa do Brasil: a BM&F
Bovespa SA, que não é a única bolsa de valores do país, mas certamente é a
única que tem importância na negociação de valores mobiliários. As demais se
ocupam apenas de atividades de difusão do mercado de capitais e de prestação
de serviços.
As operações do mercado de capitais realizadas fora da bolsa de valores
compõem o que chamamos de mercado de balcão, que é operado por
corretoras e instituições financeiras autorizadas pela CVM.
Por fim, devemos mencionar o mercado de capitais primário e secundário.
Trata-se um conceito muito simples: o mercado de capitais primário é
aquele no qual são realizadas as operações de subscrição e emissão de ações e
outros valores mobiliários, enquanto o mercado de capitais secundário
compreende as operações de compra e venda desses valores.
Seguindo-se essa lógica, perceba que a própria companhia somente participa
do mercado primário, quando ela própria vende ações e outros valores
mobiliários na oferta pública inicial. No mercado secundário temos particulares
negociando entre si a compra e venda dos valores. Você deve saber ainda que
na bolsa de valores somente são realizadas operações de compra e venda de
valores mobiliários. O mercado de balcão, por outro lado, realiza tanto
operações de compra e venda quanto de emissão e subscrição de novos valores
mobiliários.
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Há ainda quem diga que no caso de sociedades anônimas de capital aberto são
necessários pelo menos 3 acionistas, pois a legislação exige a instituição de
Conselho de Administração com pelo menos 3 membros (arts. 138, §2o, 140 e
146 da Lei das SA).
O inciso II exige a realização de pelo menos 10% do preço de emissão das
ações subscritas. O parágrafo único menciona ainda alguns casos especiais, em
que se exige a realização de um percentual maior do capital.
O inciso III menciona a necessidade de depósito de parte do capital realizado
em dinheiro. Esse depósito deverá ser feito pelo fundador da companhia, no
prazo de 5 dias contados do recebimento das quantias, em nome do subscritor
e a favor da sociedade. O levantamento dos valores só poderá ser feito depois
que a sociedade adquirir personalidade jurídica, ou seja, somente depois do
registro de seus atos constitutivos na Junta Comercial. Caso a companhia não
esteja constituída formalmente no prazo de 6 meses, o banco restituirá os
valores depositados diretamente aos subscritores.
No caso das companhias abertas, a constituição se dá por meio de subscrição
pública de ações, que exige outras formalidades. Basicamente a companhia
precisará estar previamente registrada junto à CVM, colocar as ações à
disposição dos interessados, e depois realizar a assembleia inicial de fundação.
Art. 82. A constituição de companhia por subscrição pública depende do prévio registro
da emissão na Comissão de Valores Mobiliários, e a subscrição somente poderá ser
efetuada com a intermediação de instituição financeira.
Você deve ter percebido que o fundador que desejar constituir uma companhia
aberta precisará de uma instituição financeira intermediária especializada nesse
tipo de operação. Esse tipo de serviço é chamado de underwriting.
Uma vez contratada a empresa, poderá ser apresentado à CVM o pedido de
registro. Esse pedido deverá ser instruído com os seguintes documentos:
a) Estudo de viabilidade econômica e financeira  deve trazer
elementos que demonstrem que o empreendimento é minimamente
viável e que a companhia operará de maneira razoavelmente saudável;
b) Projeto do estatuto social  deverá satisfazer todos os requisitos
exigidos para os contratos das sociedades empresárias em geral e aos
específicos das sociedades anônimas, e conterá as normas pelas quais se
regerá a companhia;
c) Prospecto organizado e assinado pelos fundadores e pela
instituição financeira intermediária  deverá mencionar as
expectativas acerca do empreendimento. É necessário trazer várias
informações detalhadas, que constam no art. 84 da Lei das SA.
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Art. 84. O prospecto deverá mencionar, com precisão e clareza, as bases da companhia e
os motivos que justifiquem a expectativa de bom êxito do empreendimento, e em
especial:
I - o valor do capital social a ser subscrito, o modo de sua realização e a existência ou não
de autorização para aumento futuro;
II - a parte do capital a ser formada com bens, a discriminação desses bens e o valor a
eles atribuídos pelos fundadores;
III - o número, as espécies e classes de ações em que se dividirá o capital; o valor
nominal das ações, e o preço da emissão das ações;
IV - a importância da entrada a ser realizada no ato da subscrição;
V - as obrigações assumidas pelos fundadores, os contratos assinados no interesse da
futura companhia e as quantias já despendidas e por despender;
VI - as vantagens particulares, a que terão direito os fundadores ou terceiros, e o
dispositivo do projeto do estatuto que as regula;
VII - a autorização governamental para constituir-se a companhia, se necessária;
VIII - as datas de início e término da subscrição e as instituições autorizadas a receber as
entradas;
IX - a solução prevista para o caso de excesso de subscrição;
X - o prazo dentro do qual deverá realizar-se a assembleia de constituição da companhia,
ou a preliminar para avaliação dos bens, se for o caso;
XI - o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos fundadores, ou, se
pessoa jurídica, a firma ou denominação, nacionalidade e sede, bem como o número e
espécie de ações que cada um houver subscrito,
XII - a instituição financeira intermediária do lançamento, em cujo poder ficarão
depositados os originais do prospecto e do projeto de estatuto, com os documentos a que
fizerem menção, para exame de qualquer interessado.
Caberá então àCVM, com base nos documentos apresentados, avaliar o
empreendimento, podendo condicionar o registro a modificações no estatuto ou
no prospecto e negá-lo por inviabilidade ou temeridade do empreendimento ou
inidoneidade dos fundadores.
Se a CVM aprovar os documentos e deferir o registro, terá início a segunda
etapa do procedimento para constituição da companhia aberta, cabendo à
instituição underwriter captar recursos no mercado, colocando as ações junto a
investidores que tenham interesse em subscrevê-las. Lembre-se de que, nas
sociedades anônimas abertas, todo o capital deve ser subscrito, sob pena de
cancelamento do registro de emissão concedido pela CVM.
Nas sociedades anônimas abertas, todo o capital deve ser
subscrito, sob pena de cancelamento do registro de
emissão concedido pela CVM.
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Art. 85. No ato da subscrição das ações a serem realizadas em dinheiro, o subscritor
pagará a entrada e assinará a lista ou o boletim individual autenticados pela instituição
autorizada a receber as entradas, qualificando-se pelo nome, nacionalidade, residência,
estado civil, profissão e documento de identidade, ou, se pessoa jurídica, pela firma ou
denominação, nacionalidade e sede, devendo especificar o número das ações subscritas, a
sua espécie e classe, se houver mais de uma, e o total da entrada.
Parágrafo único. A subscrição poderá ser feita, nas condições previstas no prospecto,
por carta à instituição, com as declarações prescritas neste artigo e o pagamento da
entrada.
A subscrição fica sob responsabilidade da underwriter, devendo ser obedecidas
as condições do art. 85. Essa é uma operação bastante interessante, pois os
investidores decidem subscrever as ações apenas com base no prospecto,
dando um “voto de confiança” aos negócios que serão conduzidos pela 
companhia.
Quando todo o capital social for subscrito, passa-se à terceira etapa do
procedimento, com a realização da assembleia de fundação.
Art. 87. A assembleia de constituição instalar-se-á, em primeira convocação, com a
presença de subscritores que representem, no mínimo, metade do capital social, e, em
segunda convocação, com qualquer número.
§ 1º Na assembleia, presidida por um dos fundadores e secretariada por subscritor, será
lido o recibo de depósito de que trata o número III do artigo 80, bem como discutido e
votado o projeto de estatuto.
§ 2º Cada ação, independentemente de sua espécie ou classe, dá direito a um voto; a
maioria não tem poder para alterar o projeto de estatuto.
§ 3º Verificando-se que foram observadas as formalidades legais e não havendo oposição
de subscritores que representem mais da metade do capital social, o presidente declarará
constituída a companhia, procedendo-se, a seguir, à eleição dos administradores e fiscais.
§ 4º A ata da reunião, lavrada em duplicata, depois de lida e aprovada pela assembleia,
será assinada por todos os subscritores presentes, ou por quantos bastem à validade das
deliberações; um exemplar ficará em poder da companhia e o outro será destinado ao
registro do comércio.
Na primeira convocação, deve haver subscritores que representem pelo menos
metade do capital social. Na segunda convocação a assembleia pode instalar-se
com qualquer número de subscritores.
A presidência da assembleia cabe a um dos fundadores, e um dos subscritores
será apontado como secretário. A principal pauta dessa assembleia é o estatuto
da sociedade, cujo projeto deverá ser discutido e votado. Perceba que cada
ação dá direito a um voto, independentemente de sua espécie ou classe. No
momento oportuno estudaremos sobre as classes de ações e seus reflexos no
poder de voto dos acionistas em assembleia.
Se não houver oposição de subscritores que representem mais de metade do
capital social, o presidente (fundador) declarará constituída a companhia, e em
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seguida a assembleia passará a eleger os administradores e componentes do
conselho fiscal.
2.6. Criação de sociedade anônima fechada
A constituição de companhias fechadas é muito mais simples do que daquelas
que pretendem negociar ações no mercado de capitais. Como a subscrição é
particular, não havendo captação de recursos junto a investidores, as coisas
ficam muito mais fáceis.
Art. 88. A constituição da companhia por subscrição particular do capital pode fazer-se
por deliberação dos subscritores em assembleia-geral ou por escritura pública,
considerando-se fundadores todos os subscritores.
No caso da companhia fechada, portanto, temos duas modalidades de
constituição: a realização de assembleia dos subscritores e a lavratura de
escritura pública em cartório.
Caso seja adotada a assembleia de fundação, deverão ser seguidas, como
regra geral, as mesmas normas que vimos ao tratar das companhias abertas,
devendo ser entregues à assembleia o projeto de estatuto, assinado por todos
os subscritores, e as listas ou boletins de subscrição de todas as ações.
Caso a técnica adotada seja a lavratura de escritura pública, esta deverá ser
assinada por todos os subscritores, contendo a sua qualificação, o estatuto da
companhia, a relação das ações subscritas e dos valores pagos, a transcrição do
recibo do depósito, a transcrição do laudo de avaliação dos peritos (caso tenha
havido subscrição em bens), e a nomeação dos primeiros administradores e,
quando for o caso, dos fiscais.
2.7. Subscrição de ações
Agora analisaremos algumas regras gerais estabelecidas pela Lei das SA acerca
da subscrição de ações.
Art. 89. A incorporação de imóveis para formação do capital social não exige escritura
pública.
Não há problema algum em parte do capital social da companhia ser composto
por bens móveis ou imóveis. Além disso, mesmo no caso dos bens imóveis, a
Lei das SA dispensou a exigência de escritura pública.
Art. 90. O subscritor pode fazer-se representar na assembleia-geral ou na escritura
pública por procurador com poderes especiais.
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É muito comum que os investidores não compareçam pessoalmente à
assembleia, fazendo representar-se por procuradores. Geralmente os
investidores têm muitos negócios e por isso terminam contratando agentes de
sua confiança para representa-los nessas ocasiões.
Art. 91. Nos atos e publicações referentes a companhia em constituição, sua
denominação deverá ser aditada da cláusula "em organização".
A expressão “em organização” somente será retirada do nome da companhia ao
final do processo constitutivo, com o registro dos atos na Junta Comercial.
Art. 92. Os fundadores e as instituições financeiras que participarem da constituição por
subscrição pública responderão, no âmbito das respectivas atribuições, pelos prejuízos
resultantes da inobservância de preceitos legais.
Parágrafo único. Os fundadores responderão, solidariamente, pelo prejuízo decorrente
de culpa ou dolo em atos ou operações anteriores à constituição.
A contratação da underwriter é importante, entre outros aspectos, para dar
mais segurança aos investidores. Tanto os fundadores quanto as instituições
financeiras que atuarem na constituição da companhia poderão ser
responsabilizados se causarem prejuízos.
Art. 93. Os fundadores entregarão aos primeiros administradores eleitos todos os
documentos, livros ou papéis relativos à constituição da companhia ou a esta
pertencentes.
2.8. Formalidades complementares
A fase das formalidades complementares vem logo após a observância dos
requisitos preliminares junto à CVM (no caso das companhias abertas) e da
subscrição das ações. As formalidades complementares envolvem basicamente
os procedimentos de registro na Junta Comercial, além de outras pequenas
medidas administrativas e operacionais.
Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados
seus atos constitutivos.
Lembre-se de que, apesar das suas peculiaridades, a sociedade anônima é uma
sociedade empresária, e por isso deve ter seus atos constitutivos registrados na
Junta Comercial, como qualquer outra. Além disso, a personalidade jurídica só é
adquirida no momento do registro.
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Caso a companhiatenha sido constituída por meio de assembleia de fundação,
há uma série de documentos que precisam ser arquivados, conforme art. 95 da
Lei das SA. Por outro lado, se tiver sido constituída por meio de escritura
pública em cartório (permitida apenas no caso das companhias fechadas), basta
arquivar a certidão expedida pelo cartório.
Art. 95. Se a companhia houver sido constituída por deliberação em assembléia-geral,
deverão ser arquivados no registro do comércio do lugar da sede:
I - um exemplar do estatuto social, assinado por todos os subscritores (artigo 88, § 1º)
ou, se a subscrição houver sido pública, os originais do estatuto e do prospecto, assinados
pelos fundadores, bem como do jornal em que tiverem sido publicados;
II - a relação completa, autenticada pelos fundadores ou pelo presidente da assembléia,
dos subscritores do capital social, com a qualificação, número das ações e o total da
entrada de cada subscritor (artigo 85);
III - o recibo do depósito a que se refere o número III do artigo 80;
IV - duplicata das atas das assembléias realizadas para a avaliação de bens quando for o
caso (artigo 8º);
V - duplicata da ata da assembléia-geral dos subscritores que houver deliberado a
constituição da companhia (artigo 87).
Art. 96. Se a companhia tiver sido constituída por escritura pública, bastará o
arquivamento de certidão do instrumento.
Caberá à Junta Comercial verificar se na constituição da companhia foram
observadas as prescrições legais, bem como se no estatuto existem cláusulas
contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes.
Se o arquivamento for negado por inobservância de prescrição ou exigência
legal ou por irregularidade, os primeiros administradores deverão convocar a
assembleia-geral para sanar a falta ou irregularidade, ou autorizar as
providências necessárias.
Uma vez deferido o arquivamento dos atos constitutivos, os administradores
deverão providenciar, no prazo de 30 dias, a publicação destes e da certidão do
arquivamento na imprensa oficial do local da sede da sociedade. Além disso,
um exemplar do diário oficial deverá ser arquivado na Junta Comercial.
A partir deste momento a companhia poderá entrar em funcionamento.
Art. 99. Os primeiros administradores são solidariamente responsáveis perante a
companhia pelos prejuízos causados pela demora no cumprimento das formalidades
complementares à sua constituição.
Parágrafo único. A companhia não responde pelos atos ou operações praticados pelos
primeiros administradores antes de cumpridas as formalidades de constituição, mas a
assembleia-geral poderá deliberar em contrário.
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Os atos praticados pelos administradores antes do cumprimento das
formalidades de constituição são responsabilidade deles, e não da companhia,
mas a Lei das SA abre a possibilidade de a assembleia-geral deliberar em
sentido contrário, ratificando esses atos.
Perceba ainda, pela redação do caput do art. 99, que os administradores
respondem perante a sociedade por prejuízos que tenham sido causados pela
sua demora em cumprir as formalidades. Nesses casos a sociedade pode
ingressar com ação civil de reparação contra eles.
2.9. Capital social
Art. 5º O estatuto da companhia fixará o valor do capital social, expresso em moeda
nacional.
Parágrafo único. A expressão monetária do valor do capital social realizado será
corrigida anualmente (artigo 167).
Art. 6º O capital social somente poderá ser modificado com observância dos preceitos
desta Lei e do estatuto social (artigos 166 a 174).
Assim como nas demais sociedades empresárias, o capital da SA deverá ser
expresso em moeda nacional. A atualização do valor do capital social será feita
anualmente por ocasião da assembleia geral ordinária.
É importante salientar, porém, que nem sempre o capital social corresponderá à
exata soma dos valores correspondentes à contribuição dos acionistas. Isso
porque nosso ordenamento jurídico permite a emissão de ações sem valor
nominal, bem como a emissão de ações com preço superior ao seu valor
nominal. Nos dois casos teremos os valores da diferença sendo computados
para a formação de reserva da capital.
Art. 7º O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em
qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro.
Art. 8º A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada,
nomeados em assembleia-geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por
um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença de
subscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda
convocação com qualquer número.
§ 1º Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com a
indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído
com os documentos relativos aos bens avaliados, e estarão presentes à assembleia que
conhecer do laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas.
§ 2º Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembleia, os bens incorporar-se-ão
ao patrimônio da companhia, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalidades
necessárias à respectiva transmissão.
§ 3º Se a assembleia não aprovar a avaliação, ou o subscritor não aceitar a avaliação
aprovada, ficará sem efeito o projeto de constituição da companhia.
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§ 4º Os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da companhia por valor acima
do que lhes tiver dado o subscritor.
§ 5º Aplica-se à assembleia referida neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 115.
§ 6º Os avaliadores e o subscritor responderão perante a companhia, os acionistas e
terceiros, pelos danos que lhes causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens, sem
prejuízo da responsabilidade penal em que tenham incorrido; no caso de bens em
condomínio, a responsabilidade dos subscritores é solidária.
Quando a Lei das SA menciona a formação do capital social, na realidade
refere-se à sua integralização, que pode ser feita em dinheiro ou em bens que
possam ser avaliados em dinheiro.
Da leitura do art. 8o você deve ter percebido que o procedimento de avaliação
dos bens é bastante rigoroso, não é mesmo? São 3 peritos nomeados por meio
de assembleia geral, que deverão apresentar laudo de avaliação fundamentado.
Art. 9º Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferem-se à companhia
a título de propriedade.
Basicamente o art. 9o determina que a sociedade passa a ser proprietária dos
bens transferidos, incorporando-os ao patrimônio social. Há regras adicionais
acerca dessa transferência no art. 98 da Lei das SA, segundo o qual a certidão
dos atos constitutivos, registrada na Junta Comercial, será o documento hábil
para a transferência, por transcrição no registro público competente, dos bens
com que o subscritor tiver contribuído para a formação do capital social.
Além disso, a ata da assembleia-geral que aprovar a incorporação deverá
identificar o bem com precisão, mas poderá descrevê-lo sumariamente, desde
que seja suplementada por declaração, assinada pelo subscritor, contendo
todos os elementos necessários para a transcrição no registro público.
Art. 10. A responsabilidade civil dos subscritores ou acionistas que contribuírem com bens
para a formação do capital social será idêntica à do vendedor.
Parágrafo único. Quando a entrada consistir em crédito, o subscritor ou acionista
responderá pela solvência do devedor.
O acionista que contribui com o capital social com bens tem a responsabilidade
sobre a licitude dessa operação. Isso significa que ele tem responsabilidades
semelhantes às do vendedor, respondendo, por exemplo, pela evicção. Além
disso, se a integralização se der por meio de crédito, o acionista responderá
pela solvência do devedor.
Vale mencionar ainda os dispositivos da Lei das SA que determinam os detalhes
sobre o procedimento de integralização do capital da companhia.
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Art. 106. O acionista é obrigado a realizar, nas condições previstas no estatuto ou no
boletimde subscrição, a prestação correspondente às ações subscritas ou adquiridas.
§ 1° Se o estatuto e o boletim forem omissos quanto ao montante da prestação e ao
prazo ou data do pagamento, caberá aos órgãos da administração efetuar chamada,
mediante avisos publicados na imprensa, por 3 (três) vezes, no mínimo, fixando prazo,
não inferior a 30 (trinta) dias, para o pagamento.
§ 2° O acionista que não fizer o pagamento nas condições previstas no estatuto ou
boletim, ou na chamada, ficará de pleno direito constituído em mora, sujeitando-se ao
pagamento dos juros, da correção monetária e da multa que o estatuto determinar, esta
não superior a 10% (dez por cento) do valor da prestação.
As condições da integralização das ações subscritas devem constar no estatuto
ou boletim de subscrição. Se esses atos forem omissos, porém, a própria lei
determina que os órgãos de administração da companhia deverão proceder à
chamada mediante 3 publicações na i prensa, fixando prazo de pelo menos 30
dias para o pagamento.
O acionista que deixar de fazer o pagamento será constituído em mora,
devendo arcar com juros e correção monetária, além da multa determinada
pelo estatuto, que será de no máximo 10% do valor devido. Este é o chamado
acionista remisso.
Art. 107. Verificada a mora do acionista, a companhia pode, à sua escolha:
I - promover contra o acionista, e os que com ele forem solidariamente responsáveis
(artigo 108), processo de execução para cobrar as importâncias devidas, servindo o
boletim de subscrição e o aviso de chamada como título extrajudicial nos termos do
Código de Processo Civil; ou
II - mandar vender as ações em bolsa de valores, por conta e risco do acionista.
Nesses casos o aviso de chamada e o boletim de subscrição servirão como título
executivo extrajudicial, e a sociedade poderá cobrar judicialmente do remisso
os valores devidos. Outra opção é a sociedade optar pela venda das ações em
bolsa de valores, por conta e risco do acionista.
Essas prerrogativas da sociedade em relação ao acionista remisso são tão
importantes que a própria Lei das SA estabelece que será considerada como
não escrita qualquer estipulação do estatuto ou do boletim de subscrição que
exclua ou limite o exercício da opção, mas o subscritor de boa-fé terá ação,
contra os responsáveis pela estipulação, para haver perdas e danos sofridos,
sem prejuízo da responsabilidade penal que couber.
Caso a sociedade opte pela venda das ações, esta ocorrerá mediante leilão
especial na bolsa de valores, depois de publicado aviso 3 vezes, com
antecedência mínima de 3 dias. Do produto da venda serão deduzidas as
despesas com a operação e, se houver previsão no estatuto, os juros, correção
monetária e multa, ficando o saldo à disposição do ex-acionista, na sede da
sociedade.
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Caso opte pela execução dos valores, a companhia terá ainda a opção de,
mesmo após iniciada a cobrança judicial, mandar vender a ação em bolsa de
valores, podendo ainda promover a cobrança judicial se as ações oferecidas em
bolsa não encontrarem comprador, ou se o preço não bastar para pagar os
débitos do acionista.
Caso a sociedade não consiga, de forma alguma, obter os valores, poderá
declarar as ações caducas e integralizá-las com os lucros e reservas sociais, nos
termos do §4o do art. 107 da Lei das SA.
§ 4º Se a companhia não conseguir, por qualquer dos meios previstos neste artigo, a
integralização das ações, poderá declará-las caducas e fazer suas as entradas realizadas,
integralizando-as com lucros ou reservas, exceto a legal; se não tiver lucros e reservas
suficientes, terá o prazo de 1 (um) ano para colocar as ações caídas em comisso, findo o
qual, não tendo sido encontrado comprador, a assembleia-geral deliberará sobre a
redução do capital em importância corre pondente.
2.10. Ações
Agora trataremos com detalhes das disposições da Lei das SA acerca das ações.
Como você já está cansado de saber, as ações são o principal valor mobiliário
emitido pela companhia, e isso porque o acionista detém parte do capital social,
ostentando a condição de verdadeiro sócio da companhia.
2.10.1. Classificação das ações
Agora estudaremos duas classificações mais relevantes: uma que diz respeito
aos direitos e obrigações que as ações conferem aos seus titulares, e
outra que leva em consideração a forma de transferência.
Quanto aos direitos e obrigações, podemos dizer que as ações são ordinárias,
preferenciais ou de fruição.
As ações ordinárias são aquelas que conferem aos seus titulares direitos
comuns. Seu possuidor (chamado de ordinarialista) não tem nenhum direito ou
vantagem em relação aos demais sócios, mas também não está sujeito a
nenhuma restrição.
O ordinarialista também tem direito a voto (que nem todos os acionistas têm!)
e por isso normalmente a maioria controladora e os acionistas minoritários
pertencem a essa categoria. Lembre-se de que toda a legislação acerca das SA
é construída com a finalidade de compatibilizar os interesses entre esses dois
grupos. Você aprenderá mais sobre isso quando falarmos sobre o poder e
controle na companhia.
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As ações preferenciais, por sua vez, conferem aos seus titulares uma
vantagem em relação aos titulares de ações ordinárias. Seus detentores são
chamados preferencialistas, e normalmente o privilégio vem acompanhado de
algumas restrições de direitos, como o direito a voto, que normalmente não
existem para esses acionistas. As vantagens e restrições dessas ações deverão
ser especificadas no estatuto, conforme art. 17 da Lei das SA.
Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir:
I - em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo;
II - em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele; ou
III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II.
Há ainda um tipo especial de ação preferencial, que foi incluída na Lei das SA
por ocasião das privatizações do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 no
Brasil. Trata-se da chamada golden share, prevista no art. 17, §7o da Lei das
SA.
§ 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de
classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social
poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da
assembleia-geral nas matérias que especificar.
Basicamente o que aconteceu na época foi o seguinte: o Estado passou a
alienar a o controle das companhias em que detinha a maioria do capital social,
mas conservou essas ações preferenciais especiais, que lhe conferiam direito de
veto em determinadas deliberações. Em que pese o §7o seja específico a
respeito do processo de desestatização, doutrinadores entendem que nada
impede que sejam criadas ações do tipo golden share em companhias privadas,
já que o §2o do art. 17 autoriza a previsão estatutária de outras vantagens às
ações preferenciais.
Art. 15, § 2o O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas a restrição
no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% (cinquenta por cento) do total das
ações emitidas. 
Essa restrição faz bastante sentido, pois não há cabimento em imaginar uma
sociedade na qual mais de metade dos acionistas não pode votar, não é
mesmo? Teríamos aí uma maioria que não poderia decidir nada e que também
não estaria protegida pelas disposições acerca dos acionistas minoritários.
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Por fim, devemos falar sobre as ações de fruição, que são emitidas para
substituir as ações ordinárias ou preferenciais que foram totalmente
amortizadas, conferindo aos seus titulares apenas direitos de gozo ou fruição.
Art. 44. O estatuto ou a assembleia-geral extraordinária pode autorizar a aplicação de
lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o
modo de proceder-se à operação.
[...]
§ 2º A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem
redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em casode liquidação da
companhia.
[...]
§ 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição,
com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembleia-geral que deliberar a
amortização; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações
amortizadas só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações não a
amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente.
A amortização é uma espécie de antecipação dos valores que serão pagos aos
acionistas no caso de liquidação da companhia. Sendo determinada a
amortização de uma ação preferencial ou ordinária, calcular-se seu valor
patrimonial naquele momento e paga-se esse valor ao titular da ação. Uma vez
totalmente amortizada, a ação preferencial ou ordinária poderá ser substituída
por uma ação de fruição, e a partir de então seu titular terá apenas direitos de
gozo e fruição contra a companhia.
Agora falaremos sobre a classificação das ações quanto à forma de
transferência. Segundo essa classificação temos ações nominativas e
escriturais, mas antes de detalhá-los é importante rememorar uma alteração
legislativa feita nos anos 1990.
Até a Lei n. 8.021/1990 tínhamos no nosso ordenamento, além dos tipos
acionários mencionados, também as ações endossáveis, que podiam ser
endossadas no próprio certificado, e as ações ao portador, que podiam ser
transmitidas pela mera tradição (entrega) do documento.
Pois bem, a referida lei determinou a retirada de circulação dessas ações no
prazo de 2 anos a partir de sua vigência, e por isso essas ações não existem
mais hoje, apesar de ainda termos alguns dispositivos da Lei das SA que tratam
delas.
As ações nominativas são aquelas transmitidas mediante registro em livro
específico, escriturado pela companhia para essa finalidade. Trata-se do livro
Registro de Ações Nominativas, previsto no art. 31 da Lei das SA. Nesse
caso a transferência é um ato formal, que exige o comparecimento do vendedor
e do comprador e sua assinatura no livro Transferência de Ações Nominativas
(art. 31, §1o da Lei das SA). No caso de ação negociada em bolsa de valores, o
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Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus
titulares, são ordinárias, preferenciais, ou de fruição.
§ 1º As ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia
aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes.
As ações ordinárias e preferenciais, em regra, poderão
ser divididas em classes, com exceção das ações
ordinárias de companhias abertas.
2.10.3. Valor da ação
A ação não tem um valor absoluto. Sua valoração pode ser feita e formas
diferentes, a depender do objetivo. Por isso, para compreender bem esses
mecanismos, precisamos analisar as diferentes técnicas e conceitos que
envolvem o tema.
a) Valor nominal
Esse valor é obtido dividindo-se o capital social pelo número de ações. Lembre-
se de que a SA não é obrigada a conferir um valor nominal a suas ações,
permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor nominal.
Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira ou não
valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da divisão do
capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática, porém, existe
uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o valor nominal de
cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição injustificada do
valor patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas ações.
Se a companhia emite novas ações com valor patrimonial inferior às antigas,
todos os acionistas que já estão no quadro terminam sendo prejudicados, pois
suas ações passam a representar uma parcela menor do capital social. Por
outro lado, se as ações têm valor nominal, o patrimônio acionário não será
diminuído, já que o art. 13 da Lei das SA proíbe a emissão de ações por preço
inferior ao seu valor nominal.
É importante ainda salientar que nada impede que o preço de emissão das
novas ações seja superior ao seu valor nominal. Nesse caso a diferença entre os
dois valores, chamada de ágio, deverá obrigatoriamente compor reserva de
capital (art. 13, §2o).
b) Valor patrimonial
Também chamado de valor real, é calculado levando-se em conta o patrimônio
líquido da sociedade. Em vez de dividir o capital social pelo número de ações,
divide-se o patrimônio líquido. Caso você não esteja familiarizado com o
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conceito, o patrimônio líquido é calculado deduzindo-se o passivo (obrigações)
da companhia do seu ativo (bens e direitos).
No ato de constituição da companhia, se suas ações tiverem valor nominal, este
será igual ao valor patrimonial, pois no momento da sua constituição a
sociedade ainda não tem passivo, não é mesmo? A partir de sua entrada no
mercado, a companhia passa a titularizar créditos e débitos, o que fará com que
dificilmente seu capital social e seu patrimônio coincidam novamente.
O valor patrimonial é levado em consideração, por exemplo, quando a
companhia precisa ser liquidada, assim como nas operações de amortização de
ações ordinárias e preferenciais, que podem ser substituídas pelas ações de
fruição.
c) Valor de negociação
Na sociedade anônima é livre a negociação da participação societária. Essas
transações, como você já sabe, normalmente ocorrem no mercado de capitais
secundário, no qual os acionistas vendem suas ações a investidores
interessados, cobrando valores que oscilam em função das mais variadas
circunstâncias.
Alguns doutrinadores falam em valor de negociação privada e valor de
mercado, mas no final os dois conceitos são muito semelhantes, um referindo-
se ao mercado de balcão e outro ao mercado de capitais.
d) Valor econômico
Esse valor é aferido por meio de estudos técnicos especializados, nos quais os
peritos concluem o valor que as ações possivelmente valeriam se fossem postas
à venda no mercado de capitais.
Essa técnica é importante, por exemplo, nos casos de apuração de
responsabilidade dos administradores em relação à negociação de ações que
eram de propriedade da companhia. Se os administradores decidiram vender
ações que pertenciam à companhia e há desconfiança de que a operação foi
subvalorada, por exemplo, somente por meio de estudos será possível verificar
por quanto aquelas ações poderiam ter sido vendidas na ocasião.
e) Preço de emissão
No mercado de capitais primário, como você já sabe, desenvolvem-se as
operações de subscrição de novas ações, o que ocorre quando uma companhia
passa pela abertura de capital ou quando aumenta seu capital social.
Nessas operações o valor pago pelas ações é o preço de emissão, que
representa o valor que o investidor entrega à sociedade como contribuição para
o capital social. O preço, bem como as condições de pagamento, é estabelecido
pela própria companhia, unilateralmente. Obviamente a companhia tenta ao
máximo estabelecer o preço de emissão no patamar suficiente para tornar a
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A maior parte desses direitos são consequências naturais da compreensão do
acionista como titular de parte do capital social. Naturalmente ele tem o direito
de participar dos lucros sociais, afinal de contas, se alguém investe numa
companhia, espera que o negócio gere lucros, ainda que haja também a
possibilidade de alguém adquirir ações por especulação.
Da mesma forma, se decidir-se pela liquidação da companhia, se por que razão
for, o acionista deve receber o valor correspondente à sua parcela do
patrimônio líquido da sociedade.
É natural também imaginar que o acionista terá total interesse na regularidade
da condução dos negócios da companhia, e por isso ele tem o direito e o dever
de fiscalizar a gestão da empresa.
Nenhum desses direitos pode ser retirado do acionista, independentemente do
tipo ou classe de ações titularizadas. A Lei das SA prevê inclusive a
possibilidade de esses direitos serem defendidos em juízo (art. 109, §2o).
Os direitos essenciais são bastante básicos, e você deve percebido que o
direito de voto, por exemplo, não está entre eles. Lembre-se de que as açõespreferenciais, em regra, não conferem o direito de voto ao seu titular. A Lei das
SA prevê o direito de voto aos acionistas ordinarialistas.
Art. 110. A cada ação ordinária corresponde 1 (um) voto nas deliberações da
assembleia-geral.
§ 1º O estatuto pode estabelecer limitação ao número de votos de cada acionista.
§ 2º É vedado atribuir voto plural a qualquer classe de ações.
Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações preferenciais algum ou alguns
dos direitos reconhecidos às ações ordinárias, inclusive o de voto, ou conferi-lo com
restrições, observado o disposto no artigo 109.
A lei permite também que o estatuto limite o número de votos de cada acionista
e, ao mesmo tempo, proíbe a atribuição de voto plural a uma classe específica
de ações, ou seja, não se pode atribuir mais de um voto a uma mesma ação.
Um acionista que tenha várias ações terá direito a vários votos, mas não se
pode estabelecer dois ou mais votos para uma só ação.
Tome cuidado aqui, pois existe uma previsão na Lei das SA de voto múltiplo,
mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. O voto múltiplo, previsto no
art. 141, pode ocorrer por ocasião da eleição dos membros do Conselho de
Administração, e consiste na atribuição a cada ação de tantos votos quantos
sejam os membros do conselho.
Vimos aqui que, em regra, os acionistas preferencialistas não têm direito a
voto, mas essa regra também conta com exceções. Vejamos o que diz os
parágrafos do art. 111.
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§ 1º As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o exercício desse direito se a
companhia, pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios
consecutivos, deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito
que conservarão até o pagamento, se tais dividendos não forem cumulativos, ou até que
sejam pagos os cumulativos em atraso.
§ 2º Na mesma hipótese e sob a mesma condição do § 1º, as ações preferenciais com
direito de voto restrito terão suspensas as limitações ao exercício desse direito.
§ 3º O estatuto poderá estipular que o disposto nos §§ 1º e 2º vigorará a partir do
término da implantação do empreendimento inicial da companhia.
Basicamente podemos dizer que os preferencialistas adquirem o direito de voto
quando a própria companhia deixa de pagar dividendos por prazo previsto no
estatuto, que não poderá ser superior a 3 anos. Nesses casos é razoável
imaginar que todos os acionistas devem ter condições de influenciar de alguma
forma os rumos da resolução do problema.
Art. 113. O penhor da ação não impede o acionista de exercer o direito de voto; será
lícito, todavia, estabelecer, no contrato, que o acionista não poderá, sem consentimento
do credor pignoratício, votar em certas deliberações.
Parágrafo único. O credor garantido por alienação fiduciária da ação não poderá exercer
o direito de voto; o devedor somente poderá exercê-lo nos termos do contrato.
O acionista que empenha sua ação, em princípio, não perde o direito de voto,
mas nada impede que no contrato seja estipulada cláusula em sentido
contrário. Por outro lado, quando for o caso de garantia fiduciária, o direito de
voto deve ser exercido pelo devedor, nos termos do contrato.
Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de
constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o
proprietário e o usufrutuário.
No caso da ação objeto de usufruto, é preciso haver um acordo entre o
proprietário e o usufrutuário da ação no que se refere ao exercício do direito de
voto.
Art. 115. O acionista deve exercer o direito a voto no interesse da companhia;
considerar-se-á abusivo o voto exercido com o fim de causar dano à companhia ou a
outros acionistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de
que resulte, ou possa resultar, prejuízo para a companhia ou para outros acionistas. 
Este dispositivo teve sua redação alterada pela Lei n. 10.303/2001, por ocasião
da reforma legal que teve por finalidade incorporar à Lei das SA os princípios da
boa governança corporativa. Neste caso perceba que o legislador tentou coibir o
abuso do direito de voto no âmbito da companhia, não só impedindo o acionista
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que tenha por objetivo prejudicar deliberadamente a sociedade, mas também
responsabilizando-o por eventuais danos causados pelo exercício abusivo do
direito de voto, ainda que seu posicionamento não tenha prevalecido.
O acionista responde pelos danos causados pelo exercício
abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja
prevalecido.
O acionista não pode votar nas deliberações que possam trazer-lhe benefício
particular. Essa proibição é aplicada, por exemplo, na assembleia que aprecia
laudo de avaliação de bens dados em integralização do capital. Nesses casos, o
acionista que ofereceu os bens obviamente não deve votar na assembleia.
2.10.5. Poder de controle
Os doutrinadores comumente classificam os acionistas em empreendedores e
investidores, de acordo com seu perfil. Os empreendedores têm interesse na
gestão dos negócios da companhia, e por isso normalmente são ordinarialistas.
Os investidores, por sua vez, apenas estão interessados no retorno no capital
investido na aquisição das ações, e por isso normalmente são titulares de ações
preferenciais, sem direito a voto.
Pois bem, nesse sentido podemos compreender que o controle da companhia,
em geral, é disputado pelos acionistas empreendedores. Essa ideia de controle
é muito importante, pois as relações entre os acionistas da sociedade anônima
normalmente são muito complexas. É comum que haja literalmente milhares de
acionistas, com os mais diferentes perfis. Um grupo menor, porém, será o
responsável pelas principais decisões. Este grupo é o que detém o poder de
controle da sociedade.
Para que um acionista seja considerado controlador, ele deve ter à sua
disposição percentual suficiente no capital votante para obter maioria nas
assembleias, e para eleger a maior parte dos administradores. Além disso, ele
deve efetivamente utilizar esse poder, comandando a gestão dos negócios
sociais.
Partindo dessa compreensão, a Lei das SA estabeleceu regras acerca da
atuação do acionista controlador.
Art. 116. Entende-se por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo
de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que:
a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos
votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos
administradores da companhia; e
b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o
funcionamento dos órgãos da companhia.
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Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a
companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e
responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e
para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar
e atender.
Art. 116-A. O acionista controlador da companhia aberta e os acionistas, ou grupo de
acionistas, que elegerem membro do conselho de administração ou membro do conselho
fiscal, deverão informar imediatamente as modificações em sua posição acionária na
companhia à Comissão de Valores Mobiliários e às Bolsas de Valores ou entidades do
mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia
estejam admitidos à negociação, nas condições e na forma determinadas pela Comissão
de Valores Mobiliários. 
A preocupação do legislador aqui vai além de estabelecer regras de conduta,
especialmente em razão da menção da função social da companhia, o que
significa que os negócios devem ser conduzidos de forma atenta à comunidade,
ao meio ambiente e aos fatores humanos relacionados ao objeto social da
companhia.
Além de estabelecer essas diretrizes acerca da atuação do acionista controlador
da Lei das SA ainda traz a previsão de responsabilização do controladorque
praticar atos de abuso de poder.
Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com
abuso de poder.
§ 1º São modalidades de exercício abusivo de poder:
a) orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional,
ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da
participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da
economia nacional;
b) promover a liquidação de companhia próspera, ou a transformação, incorporação, fusão
ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida,
em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos investidores em
valores mobiliários emitidos pela companhia;
c) promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas
ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a
acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores
mobiliários emitidos pela companhia;
d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente;
e) induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal, ou,
descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o
interesse da companhia, sua ratificação pela assembleia-geral;
f) contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na
qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas;
g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento
pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que
justifique fundada suspeita de irregularidade.
h) subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens
estranhos ao objeto social da companhia.
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pessoa ou a um grupo de pessoas. O vínculo desses acionistas termina sendo
intuitu personae, como tradicionalmente ocorre nas sociedades de pessoas.
b) Controle majoritário
Neste caso o poder de controle é exercido pelo acionista que tem a maioria das
ações com direito de voto. Essa realidade é muito comum nas companhias
brasileiras, ocorrendo, por exemplo, nas sociedades de economia mista
federais, em que o acionista controlador é a União, mas as ações são
negociadas em bolsa.
c) Controle minoritário
Aqui temos o controle sendo exercido por um acionista ou grupo de acionistas
que não detém ações correspondentes à maioria do capital social. Isso ocorre
quando o capital social é muito pulverizado, e é possível em razão da regra do
art. 125 da Lei das SA, que permite a instalação de assembleia, em segunda
convocação, com a presença de qualquer número de acionistas com direito a
voto.
d) Controle gerencial
Este tipo de controle ocorre quando o capital social é tão disperso que o
controle na realidade termina sendo exercido pelos administradores da
sociedade, com os acionistas assumindo a posição de meros investidores.
Além das normas que disciplinam a atuação do controlador, também devemos
conhecer as regras trazidas pela Lei das SA acerca da alienação do poder de
controle da companhia.
Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente
poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se
obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade
dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a
80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de
controle. 
Este dispositivo traz um instrumento de defesa dos acionistas minoritários
conhecido como tag along. De forma simples e direta, a regra é a de que, caso
o controlador resolva vender suas ações, transferindo o poder de controle a
outro, este deverá se comprometer a adquirir as ações com direito a voto dos
minoritários, pagando pelo menos 80% do preço pago pelas ações do
controlador.
Em grandes sociedades anônimas que adotam as melhores práticas de boa
governança corporativa, é comum que os estatutos prevejam o tag along com
obrigação de aquisição das ações dos minoritários por 100% do preço pago
pelas ações do controlador.
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constar ainda cláusula de correção monetária, com base nos coeficientes
fixados para correção de títulos da dívida pública, na variação da taxa cambial
ou em outros referenciais não vedados em lei (art. 54, §1o).
O vencimento da debênture também deverá constar na escritura ou certificado,
sendo possível também a emissão de debêntures cujo vencimento ocorra
somente nos casos de inadimplemento da obrigação de pagar juros e dissolução
da companhia, ou em outras condições previstas no título (art. 55).
Quanto aos juros, a debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou
variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso (art. 56).
Por fim, recomendo a leitura do art. 57, que trata da possibilidade de a
debênture prever sua conversão em ações.
Art. 57. A debênture poderá ser conversível em ações nas condições constantes da
escritura de emissão, que especificará:
I - as bases da conversão, seja em número de ações em que poderá ser convertida cada
debênture, seja como relação entre o valor nominal da debênture e o preço de emissão
das ações;
II - a espécie e a classe das ações em que poderá ser convertida;
III - o prazo ou época para o exercício do direito à conversão;
IV - as demais condições a que a conversão acaso fique sujeita.
Quando a debênture for conversível em ações, todas as condições dessa
conversão obviamente devem estar previstas na escritura ou certificado.
Em princípio, cabe à assembleia geral deliberar sobre a emissão de debêntures.
Essa deliberação deve fixar os seguintes aspectos:
a) o valor da emissão ou os critérios de determinação do seu limite, e a sua
divisão em séries, se for o caso;
b) o número e o valor nominal das debêntures;
c) as garantias reais ou a garantia flutuante, se houver;
d) as condições da correção monetária, se houver;
e) a conversibilidade ou não em ações e as condições a serem observadas na
conversão;
f) a época e as condições de vencimento, amortização ou resgate;
g) a época e as condições do pagamento dos juros, da participação nos lucros e
do prêmio de reembolso, se houver;
h) o modo de subscrição ou colocação, e o tipo das debêntures.
No caso das debêntures não conversíveis em ações, há ainda a possibilidade de
emissão por deliberação do Conselho de Administração, caso não haja
disposição em contrário no estatuto.
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Em regra, a competência para deliberar sobre a emissão de
debêntures é da Assembleia Geral, mas a Lei das SA
prevê a possibilidade de emissão de debêntures não
conversíveis em ações por deliberação do Conselho de Administração,
caso não haja disposição em contrário no estatuto.
Até 2011 havia na Lei das SA um limite de endividamento da companhia pela
demissão de debêntures, mas hoje não há mais essa limitação.
Art. 62. Nenhuma emissão de debêntures será feita sem que tenham sido satisfeitos os
seguintes requisitos:
I - arquivamento, no registro do comércio, e publicação da ata da assembleia-geral, ou do
conselho de administração, que deliberou sobre a emissão;
II - inscrição da escritura de emissão no registro do comércio;
III - constituição das garantias reais, se for o caso.
Para que haja a emissão de debêntures, é preciso que a ata da assembleia-
geral ou da reunião do conselho de administração que autorizou o ato seja
arquivada na Junta Comercial. Além disso, a própria escritura de emissão
deverá ser registrada. Esses registros são feitos em livro especial mantido pelo
Registro de Comércio.
O não cumprimento desses requisitos por parte dos administradores enseja sua
responsabilização por perdas e danos causados à companhia ou a terceiros.
Art. 58. A debênture poderá, conforme dispuser a escritura de emissão, ter garantia real
ou garantia flutuante,não gozar de preferência ou ser subordinada aos demais credores
da companhia.
Por fim, vamos falar sobre os tipos de debêntures, que poderão ser:
a) com garantia real;
b) com garantia flutuante;
c) quirografárias; ou
d) subordinadas.
Não vou entrar em detalhes sobre essas modalidades, mas a Lei das SA
menciona especificamente as debêntures com garantia flutuante, que são
aquelas com privilégio geral sobre o ativo da companhia, mas não impedem a
negociação dos bens que compõem esse ativo. Na prática, isso significa que o
titular de uma debênture com garantia flutuante ficará em quinto lugar na
ordem dos credores, caso a companhia venha a ter decretada sua falência.
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2.11.2. Partes beneficiárias
A emissão de partes beneficiárias está prevista no art. 46 da Lei das SA.
Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor
nominal e estranhos ao capital social, denominados "partes beneficiárias".
Esses valores mobiliários conferem aos seus titulares direito de crédito
eventual contra a companhia. Em outras palavras, esse crédito depende de
o resultado da sociedade ter sido positivo, já que, em caso contrário, não
haverá lucros a serem partilhados.
A Lei das SA proíbe que aos titulares das partes beneficiárias seja concedido
direito privativo de acionista, exceto o de fiscalizar os atos dos administradores
(art. 46, §3o). Por outro lado, assim como as debêntures, também é possível a
emissão de partes beneficiárias conversíveis em ações (art. 48, §2o).
Art. 47. As partes beneficiárias poderão ser alienadas pela companhia, nas condições
determinadas pelo estatuto ou pela assembleia-geral, ou atribuídas a fundadores,
acionistas ou terceiros, como remuneração de serviços prestados à companhia.
Parágrafo único. É vedado às companhias abertas emitir partes beneficiárias. 
Perceba que somente companhias fechadas podem emitir partes beneficiárias e,
além disso, a Lei das SA limitou o endividamento das sociedades, determinando
que a participação atribuída às partes beneficiárias não pode ultrapassar um
décimo do capital social.
O caput do art. 47 prevê ainda a possibilidade de emissão de partes
beneficiárias como remuneração de serviços prestados à companhia.
2.11.3. Bônus de subscrição
Aqui estamos diante de um valor mobiliário que tem por finalidade assegurar ao
seu titular o direito preferência na subscrição de novas ações da
companhia.
Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital autorizado no
estatuto (artigo 168), títulos negociáveis denominados "Bônus de Subscrição".
Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, nas condições
constantes do certificado, direito de subscrever ações do capital social, que será exercido
mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das
ações.
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Lembre-se de que a operação por meio da qual novas ações são emitidas é
chamada de capitalização. Nessa ocasião, como regra geral a preferência na
subscrição é dos acionistas da companhia (art. 109, IV), mas, se os negócios da
sociedade vão bem e há perspectivas futuras de emissão de novas ações, pode-
se emitir bônus de subscrição, captando recursos junto a investidores que
estejam interessados em adquirir preferencialmente novas ações por ocasião da
sua emissão.
Perceba que o bônus não confere, por si só, a titularidade da nova ação, mas
apenas um direito de preferência na sua subscrição. No momento oportuno, o
investidor deverá pagar o preço de emissão das ações que tiver a preferência
para adquirir.
Basicamente, portanto, podemos dizer que quem adquire o bônus “rouba” o 
direito de preferência que normalmente é dos acionistas, mas acontece que a
própria Lei das SA conferiu aos acionistas a preferência na aquisição do próprio
bônus. Veja o que diz o art. 77.
Art. 77. Os bônus de subscrição serão alienados pela companhia ou por ela atribuídos,
como vantagem adicional, aos subscritos de emissões de suas ações ou debêntures.
Parágrafo único. Os acionistas da companhia gozarão, nos termos dos artigos 171 e
172, de preferência para subscrever a emissão de bônus.
O caput prevê a emissão de bônus na condição de vantagem adicional para
acionistas e debenturistas da companhia.
2.12. Órgãos societários
A estrutura das companhias geralmente é bastante complexa, já que essas
sociedades frequentemente têm por objeto empreendimentos de grande vulto.
Pois bem, como regra geral, a disposição sobre o organograma e a divisão de
competências entre os componentes organizacionais da companhia cabe ao seu
estatuto, e não à Lei das SA.
Por outro lado, a Lei das SA traz disposições sobre os órgãos de cúpula da
companhia: assembleia geral, conselho de administração, diretoria e conselho
fiscal.
2.12.1. Assembleia geral
Como você já sabe, a assembleia geral é o órgão máximo de deliberação da
companhia.
Art. 121. A assembleia-geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto,
tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as
resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento.
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Podemos dizer que a assembleia geral tem amplos poderes, e pode tratar
praticamente sobre qualquer assunto de interesse da companhia. O mais
comum é que o conselho de administração trate diretamente de questões
menor importantes, mas veremos isso mais adiante.
Normalmente a assembleia só é convocada quando isso é obrigatório. A Lei das
SA estabelece que certos assuntos são de competência privativa da assembleia.
Art. 122. Compete privativamente à assembleia geral:
I - reformar o estatuto social;
II - eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia,
ressalvado o disposto no inciso II do art. 142;
III - tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as
demonstrações financeiras por eles apresentadas;
IV - autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto nos §§ 1o, 2o e 4o do art.
59;
V - suspender o exercício dos direitos do acionista (art. 120);
VI - deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação
do capital social;
VII - autorizar a emissão de partes beneficiárias;
VIII - deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua
dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; e
IX - autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata.
Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de concordata
poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador,
se houver, convocando-se imediatamente a assembleia-geral, para manifestar-se sobre a
matéria.
Os temas de competência privativa da assembleia geral têm caráter mais
estratégico, e referem-se a decisões importantes para a companhia. Vários
desses temas já foram estudados por nós na aula de hoje, quando falamos, por
exemplo, sobre a constituição da sociedade anônima, emissão de valores
mobiliários e integralização do capital social.
A convocação da assembleia geral, quando houver a necessidade de tratar de
um desses temas, deve ser feita pelo conselho de administração, se houver, ou
pelos diretores da companhia. Essa convocação, porém, pode ser feita pelos
próprios acionistas, quando os diretores ou o conselho de administração não o
fizerem. As condições para isso constam no art. 123.
Art. 123. Compete ao conselho de administração, se houver, ou aos diretores,
observado o disposto no estatuto, convocar a assembleia-geral.
Parágrafo único. A assembleia-geral pode também ser convocada:
a) pelo conselho fiscal, nos casos previstos no número V, do artigo 163;
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ocasião da convocação da assembleia geral, os documentos postos à disposição
dos acionistas para deliberação.
Art. 125. Ressalvadas as exceções previstas em lei, a assembleia-geral instalar-se-á, em
primeira convocação, com a presença de acionistas que representem, no mínimo, 1/4 (um
quarto)do capital social com direito de voto; em segunda convocação instalar-se-á com
qualquer número.
Parágrafo único. Os acionistas sem direito de voto podem comparecer à assembleia-
geral e discutir a matéria submetida à deliberação.
Em regra, é necessária a presença de acionistas que representem um quarto do
capital social para instalação da assembleia geral em primeira convocação. Em
segunda convocação a assembleia pode ser instalada com qualquer número de
acionistas votantes.
Além disso, os acionistas que não tenham direito a voto também podem
comparecer para participar das discussões. De qualquer forma, somente
acionistas podem comparecer, comprovando sua identidade por documento
hábil (no caso dos titulares de ações nominativas), podendo ser exigido
também documento que comprove a propriedade de ações, expedido pela
instituição financeira (no caso dos titulares de ações escriturais ou em
custódia).
Art. 127. Antes de abrir-se a assembleia, os acionistas assinarão o "Livro de Presença",
indicando o seu nome, nacionalidade e residência, bem como a quantidade, espécie e
classe das ações de que forem titulares.
Parágrafo único. Considera-se presente em assembleia geral, para todos os efeitos
desta Lei, o acionista que registrar a distância sua presença, na forma prevista em
regulamento da Comissão de Valores Mobiliários.
Art. 128. Os trabalhos da assembleia serão dirigidos por mesa composta, salvo
disposição diversa do estatuto, de presidente e secretário, escolhidos pelos acionistas
presentes.
Uma vez instalada a assembleia, deverá ser assinado o livro de presença por
todos que comparecerem, e composta a mesa. Aí então poderão ser iniciadas as
discussões. As deliberações, em regra, são tomadas pela maioria dos acionistas
com direito a voto presentes na sessão.
Art. 129. As deliberações da assembleia-geral, ressalvadas as exceções previstas em lei,
serão tomadas por maioria absoluta de votos, não se computando os votos em branco.
Apesar de o art. 129 usar a expressão “maioria absoluta”, o entendimento que
prevalece é o de que o quórum de deliberação na assembleia geral é o de
maioria simples, isso porque o quórum de instalação exigido é de um quarto
dos acionistas com direito a voto na primeira convocação, e de qualquer
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número na segunda. Não faria sentido, portanto, imaginar que a Lei das SA
permitiria a instalação de uma assembleia que não pudesse deliberar, não é
mesmo?
No caso das companhias fechadas, o próprio estatuto pode exigir quórum
maior para certas deliberações, desde que especifique as matérias.
Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que representem metade, no mínimo,
das ações com direito a voto, se maior quorum não for exigido pelo estatuto da
companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de
balcão, para deliberação sobre:
I - criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes,
sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já
previstos ou autorizados pelo estatuto;
II - alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma
ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida;
III - redução do dividendo obrigatório;
IV - fusão da companhia, ou sua incorporação em outra;
V - participação em grupo de sociedades (art. 265);
VI - mudança do objeto da companhia;
VII - cessação do estado de liquidação da companhia;
VIII - criação de partes beneficiárias;
IX - cisão da companhia;
X - dissolução da companhia.
O art. 136 trata de hipóteses em que a Lei das SA exige quórum qualificado
para a deliberação. São matérias de maior relevância, cujas decisões podem
levar até à extinção da companhia, e por isso a lei exige o voto de acionistas
que representem pelo menos metade do capital social.
Feitas as deliberações, deverá ser lavrada a ata da assembleia, em livro
próprio, assinada pelos membros da mesa e pelos acionistas presentes em
número que represente pelo menos a maioria necessária para tomar as
deliberações.
Existe previsão na Lei das SA para a convocação de assembleia geral ordinária
(AGO) ou extraordinária (AGE). A diferença está nos temas que são tratados
em cada uma delas. Na AGO temos apenas os temas constantes no art. 132,
enquanto a AGE será convocada para tratar de outros assuntos.
Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício
social, deverá haver 1 (uma) assembleia-geral para:
I - tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações
financeiras;
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II - deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de
dividendos;
III - eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso;
IV - aprovar a correção da expressão monetária do capital social (artigo 167).
Lembre-se de que, apesar dos muitos esforços de grupos musicais dos anos 90
para modificar o significado da palavra, “ordinária” se refere apenas ao que é
comum, corriqueiro, e por isso o art. 132 trata de uma assembleia geral que
deverá ser realizada anualmente.
Nada impede também que a AGO e a AGE sejam convocadas cumulativamente
e realizadas no mesmo local e horário, registradas em uma única ata. Isso
ocorrerá, obviamente, quando for necessário tratar de diversos assuntos.
Por fim, devemos mencionar que desde 2011 a Lei das SA admite a participação
em assembleia geral e o exercício do direito de voto à distância, mediante
previsão dos parágrafos dos arts. 121 e 127, respectivamente.
Art. 121, parágrafo único. Nas companhias abertas, o acionista poderá participar e
votar a distância em assembleia geral, nos termos da regulamentação da Comissão de
Valores Mobiliários.
[...]
Art. 127, parágrafo único. Considera-se presente em assembleia geral, para todos os
efeitos desta Lei, o acionista que registrar a distância sua presença, na forma prevista em
regulamento da Comissão de Valores Mobiliários.
2.12.2. Conselho de administração
A Lei das SA adotou, em relação à administração da companhia, o sistema dual,
que prevê a existência do conselho de administração e da diretoria, com
atribuições distintas e complementares, conforme art. 138.
Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao
conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria.
Da redação do art. 138 você deve ter percebido que no organograma da
companhia pode haver os dois órgãos ou apenas a diretoria. A existência de
conselho de administração é obrigatória apenas nas companhias abertas, nas
de capital autorizado e nas sociedades de economia mista.
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A votação para eleição poderá ser feita pelo critério majoritário ou pelo critério
proporcional.
A eleição majoritária é feita por meio da composição de chapas, e cada
acionistas então votará na chapa de sua preferência. Por outro lado, na eleição
proporcional há apenas uma votação, cujo resultado será utilizado para
preencher todos os assentos do conselho.
Além desses, há ainda a previsão do voto múltiplo, segundo o qual os
acionistas que representem pelo menos um décimo do capital social poderão ter
a possibilidade de atribuir-se a cada ação tantos votos quantos sejam os
membros do conselho, e o acionista então poderá cumular todos os seus votos
num só candidato ou distribui-los entre diferentes pessoas. Trata-se, portanto,
de uma hipótese especial de votação proporcional, prevista em lei, e que não
pode ser restringida pelo estatuto social.
Por fim, temos as atribuições do conselho de administração, que encontram
previsão no art. 142.
Art. 142. Compete ao conselho de administração:
I - fixar a orientação geral dos negócios da companhia;
II - eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o
que a respeito dispuser o estatuto;
III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da
companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou emvia de celebração, e
quaisquer outros atos;
IV - convocar a assembleia-geral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132;
V - manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da diretoria;
VI - manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o
exigir;
VII - deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus
de subscrição;
VIII – autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo
não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de
terceiros;
IX - escolher e destituir os auditores independentes, se houver.
2.12.3. Diretoria
A diretoria é composta pelos diretores, que são os verdadeiros executivos da
companhia, responsáveis pela condução dos seus negócios no dia a dia.
Art. 143. A Diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores, eleitos e destituíveis a
qualquer tempo pelo conselho de administração, ou, se inexistente, pela assembleia-geral,
devendo o estatuto estabelecer:
I - o número de diretores, ou o máximo e o mínimo permitidos;
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II - o modo de sua substituição;
III - o prazo de gestão, que não será superior a 3 (três) anos, permitida a reeleição;
IV - as atribuições e poderes de cada diretor.
É importante ressaltar que os diretores não precisam ser acionistas. Eles
apenas precisam ser pessoas físicas que residam no território nacional. Além
disso, permite-se que alguns membros do conselho de administração também
sejam diretores: no máximo um terço dos conselheiros.
De acordo com o grau de complexidade da companhia, ela poderá ter mais ou
menos diretores, nos termos da previsão estatutária. O estatuto também pode
prever que certos temas sejam deliberados pelos diretores em conjunto, por
ocasião da reunião da diretoria (art. 143, §2o).
Em princípio, a representação da companhia cabe a qualquer dos diretores,
sendo possível ainda que o diretor constitua mandatários para atuar em nome
da sociedade (art. 144, parágrafo único).
Art. 147. Quando a lei exigir certos requisitos para a investidura em cargo de
administração da companhia, a assembleia-geral somente poderá eleger quem tenha
exibido os necessários comprovantes, dos quais se arquivará cópia autêntica na sede
social.
§ 1º São inelegíveis para os cargos de administração da companhia as pessoas impedidas
por lei especial, ou condenadas por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno,
concussão, peculato, contra a economia popular, a fé pública ou a propriedade, ou a pena
criminal que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos.
§ 2º São ainda inelegíveis para os cargos de administração de companhia aberta as
pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários.
§ 3º O conselheiro deve ter reputação ilibada, não podendo ser eleito, salvo dispensa da
assembleia-geral, aquele que:
I - ocupar cargos em sociedades que possam ser consideradas concorrentes no mercado,
em especial, em conselhos consultivos, de administração ou fiscal; e
II - tiver interesse conflitante com a sociedade.
Quando o §1o do art. 147 menciona os “cargos de administração da 
companhia”, está se referindo tanto a conselheiros quanto a diretores. Na
realidade, o art. 145 determina que as normas relativas a requisitos,
impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos
administradores aplicam-se a conselheiros e diretores. O §3o, por sua vez, traz
hipóteses de impedimento aplicáveis apenas aos conselheiros.
Os demais dispositivos sobre os administradores (conselheiros e diretores)
devem ser lidos com cuidado, mas não se preocupe tanto com eles. Dou
especial destaque apenas ao art. 148, que trata da possibilidade de o
conselheiro ou diretor ter que prestar garantia em favor da companhia.
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Art. 148. O estatuto pode estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser
assegurado, pelo titular ou por terceiro, mediante penhor de ações da companhia ou outra
garantia.
Parágrafo único. A garantia só será levantada após aprovação das últimas contas
apresentadas pelo administrador que houver deixado o cargo.
Art. 149. Os conselheiros e diretores serão investidos nos seus cargos mediante
assinatura de termo de posse no livro de atas do conselho de administração ou da
diretoria, conforme o caso.
§ 1º Se o termo não for assinado nos 30 (trinta) dias seguintes à nomeação, esta tornar-
se-á sem efeito, salvo justificação aceita pelo órgão da administração para o qual tiver
sido eleito.
§ 2º O termo de posse deverá conter, sob pena de nulidade, a indicação de pelo menos
um domicílio no qual o administrador receberá as citações e intimações em processos
administrativos e judiciais relativos a atos de sua gestão, as quais reputar-se-ão
cumpridas mediante entrega no domicílio indicado, o qual somente poderá ser alterado
mediante comunicação por escrito à companhia.
Art. 150. No caso de vacância do cargo de conselheiro, salvo disposição em contrário do
estatuto, o substituto será nomeado pelos conselheiros remanescentes e servirá até a
primeira assembleia-geral. Se ocorrer vacância da maioria dos cargos, a assembleia-geral
será convocada para proceder a nova eleição.
§ 1º No caso de vacância de todos os cargos do conselho de administração, compete à
diretoria convocar a assembleia-geral.
§ 2º No caso de vacância de todos os cargos da diretoria, se a companhia não tiver
conselho de administração, compete ao conselho fiscal, se em funcionamento, ou a
qualquer acionista, convocar a assembleia-geral, devendo o representante de maior
número de ações praticar, até a realização da assembleia, os atos urgentes de
administração da companhia.
§ 3º O substituto eleito para preencher cargo vago completará o prazo de gestão do
substituído.
§ 4º O prazo de gestão do conselho de administração ou da diretoria se estende até a
investidura dos novos administradores eleitos.
Art. 151. A renúncia do administrador torna-se eficaz, em relação à companhia, desde o
momento em que lhe for entregue a comunicação escrita do renunciante, e em relação a
terceiros de boa-fé, após arquivamento no registro de comércio e publicação, que poderão
ser promovidos pelo renunciante.
Art. 152. A assembleia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos
administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação,
tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua
competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado.
§ 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco
por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no
lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos
administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que
for menor.
§ 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social
em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o
artigo 202.
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2.12.4. Deveres dos administradores
O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o
cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na
administração dos seus próprios negócios. A Lei das SA, portanto, cobra do
administrador a atenção em níveis razoáveis, com o nível de dedicação que ele
empregaria na condução dos seus próprios negócios.
Além disso, mesmo que o administrador tenha sido eleito por um grupo de
acionistas, não pode haver predileção ou uma relação especial com esse grupo
na defesa de seus interesses. O dever de lealdade do administrador é para com
a companhia.
É possível a responsabilização do administrador por falta de diligência, mas isso
não é muito simples, especialmente porque sua obrigação é de meio, e não de
resultando, conforme podemos interpretar pela regra do art. 154.
Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e oestatuto lhe conferem
para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e
da função social da empresa.
[...]
Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre
os seus negócios, sendo-lhe vedado:
I - usar, em benefício próprio ou de outrem, com ou sem prejuízo para a companhia, as
oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo;
II - omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou, visando à obtenção
de vantagens, para si ou para outrem, deixar de aproveitar oportunidades de negócio de
interesse da companhia;
III - adquirir, para revender com lucro, bem ou direito que sabe necessário à companhia,
ou que esta tencione adquirir.
Existe uma preocupação muito grande do legislador em resguardar o sigilo de
informações relacionadas aos negócios da companhia que ainda não tenham
vindo a público. Isso porque, especialmente nas companhias que negociam
valores mobiliários em bolsa, qualquer informação pode “chacoalhar” o mercado 
e ocasionar perda de valor negocial para as ações e demais valores mobiliários.
A prática de fazer mau uso dessas informações para a obtenção de vantagem é
chamada de insider trading, e constitui crime tipificado pelo art. 27-D da Lei n.
6.385/1976. A primeira condenação por esse crime, tipificado em 2001, veio
apenas em 2011!
USO INDEVIDO DE INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA
Art. 27-D. Utilizar informação relevante ainda não divulgada ao mercado, de que tenha
conhecimento e da qual deva manter sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem,
vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de terceiro, com valores
mobiliários:
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Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da
vantagem ilícita obtida em decorrência do crime.
Agora voltemos à Lei das SA para analisarmos mais um dispositivo que trata
das obrigações dos administradores.
Art. 156. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver
interesse conflitante com o da companhia, bem como na deliberação que a respeito
tomarem os demais administradores, cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e
fazer consignar, em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria, a
natureza e extensão do seu interesse.
O art. 156 trata da situação de impedimento do administrador, que deve
abster-se de participar de operações sociais em que haja conflito entre seus
interesses pessoais e os da companhia.
Art. 157. O administrador de companhia aberta deve declarar, ao firmar o termo de
posse, o número de ações, bônus de subscrição, opções de compra de ações e debêntures
conversíveis em ações, de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do
mesmo grupo, de que seja titular.
§ 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembleia-geral
ordinária, a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital
social:
a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades
controladas, ou do mesmo grupo, que tiver adquirido ou alienado, diretamente ou através
de outras pessoas, no exercício anterior;
b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior;
c) os benefícios ou vantagens, indiretas ou complementares, que tenha recebido ou esteja
recebendo da companhia e de sociedades coligadas, controladas ou do mesmo grupo;
d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com
os diretores e empregados de alto nível;
e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia.
Este dispositivo diz respeito ao dever de informação do administrador. Perceba
que, além das informações do caput, o administrador ainda pode ser obrigado a
prestar outras mais detalhadas, a requerimento de acionistas que representem
5% do capital social.
Quanto à responsabilização do administrador, cabe lembrar que, quando pratica
atos em nome da companhia, em regra ele faz a companhia presente, ou seja,
para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles atos, e não a pessoa do
administrador, e por isso não deve ser pessoalmente responsabilizado, a não
ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o estatuto ou ainda de
forma culposa ou dolosa.
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Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser
responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que
tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles
tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los.
Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o
administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de
responsabilidade.
Art. 159. Compete à companhia, mediante prévia deliberação da assembleia-geral, a
ação de responsabilidade civil contra o administrador, pelos prejuízos causados ao seu
patrimônio.
Em primeiro lugar você deve saber que a competência para decidir pelo
ajuizamento da ação é da assembleia geral ordinária, vez que se encontra entre
as atribuições do art. 132 a tomada de contas dos administradores. Por outro
lado, se a ação for consequência direta de tema tratado em assembleia geral
extraordinária, a deliberação pelo ajuizamento da ação pode ser feita
imediatamente.
A partir dessa deliberação, o administrador fica impedido, devendo ser
substituído na mesma assembleia.
Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses
contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso
o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser
proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. Isso
evita que a propositura da ação seja “enterrada” pelo voto abusivo do 
controlador, por exemplo.
Importante salientar, contudo, que, seja a ação proposta pela própria sociedade
ou por acionistas, o produto será revertido para a companhia, cabendo aos
demandantes apenas o ressarcimento das despesas em que tiverem incorrido.
Por fim, o juiz pode reconhecer a exclusão da responsabilidade do
administrador se entender que ele agiu de boa-fé e no interesse da companhia.
Ninguém pode ser responsabilizado por ser um mau gestor, desde que tenha
tido as intenções adequadas.
Da mesma forma, não será possível responsabilizar o administrador que tenha
tido suas contas aprovadas sem ressalva pela assembleia geral ordinária.
2.12.5. Conselho fiscal
Nos termos do art. 161 da Lei das SA, a companhia terá um conselho fiscal e o
estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos
exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas. Por causa dessa
redação costuma-se dizer que o conselho fiscal é um órgão de existência
obrigatória e funcionamento facultativo.
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Na prática, o conselho fiscal é um órgão de controle interno voltado para a
fiscalização da gestão da companhia e de assessoramento da assembleia geral.
Quando o funcionamento do conselho fiscal não for permanente, será instalado
pela assembleia geral a pedido de acionistas que representem pelo menos 10%
do capital social com direito a voto, ou 5% das ações sem direito a voto. Esse
pedido para o funcionamento do conselho pode ser feito em qualquer
assembleia, ainda que o tema não esteja na ordem do dia.
Art. 161, § 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 5
(cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela
assembleia-geral.
Como se trata de um órgão fiscalizador, a composição do conselho de
fiscalização deve ser o mais plural possível, garantindo assim sua independência
e imparcialidade. Por causa disso a Lei das SA traz as seguintes regras:
a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito,
terão direito de eleger, em votação em separado, 1 membro e respectivo
suplente; igual direito terão os acionistas minoritários, desde que representem,
em conjunto, 10% ou mais das açõescom direito a voto;
b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com direito a
voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em qualquer caso,
serão em número igual ao dos eleitos nos termos da alínea a, mais 1.
O mandato dos membros do conselho fiscal dura até a próxima assembleia
geral ordinária, que, inclusive, tem por finalidade elegê-los, sendo possível a
recondução.
Art. 162. Somente podem ser eleitos para o conselho fiscal pessoas naturais, residentes
no País, diplomadas em curso de nível universitário, ou que tenham exercido por prazo
mínimo de 3 (três) anos, cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal.
Os requisitos para escolha dos membros do conselho fiscal são bastante
rigorosos, e por isso a própria lei abre a possibilidade, diante da ausência de
pessoas que cumpram as exigências, que o juiz dispensa a companhia da
satisfação dos requisitos estabelecidos.
Não podem ser eleitos para o conselho fiscal, além dos inelegíveis para os
cargos de administração (pessoas enumeradas nos parágrafos do art. 147),
membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de
sociedade controlada ou do mesmo grupo, e o cônjuge ou parente, até terceiro
grau, de administrador da companhia.
A competência do conselho fiscal está descrita em pormenores no art. 163.
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Art. 163. Compete ao conselho fiscal:
I - fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o
cumprimento dos seus deveres legais e estatutários;
II - opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as
informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembleia-
geral;
III - opinar sobre as propostas dos órgãos da administração, a serem submetidas à
assembleia-geral, relativas a modificação do capital social, emissão de debêntures ou
bônus de subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capital, distribuição de
dividendos, transformação, incorporação, fusão ou cisão;
IV - denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos de administração e, se estes
não tomarem as providências necessárias para a proteção dos interesses da companhia, à
assembleia-geral, os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, e sugerir providências
úteis à companhia;
V - convocar a assembleia-geral ordinária, se os órgãos da administração retardarem por
mais de 1 (um) mês essa convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos
graves ou urgentes, incluindo na agenda das assembleias as matérias que considerarem
necessárias;
VI - analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras
elaboradas periodicamente pela companhia;
VII - examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar;
VIII - exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo em vista as disposições
especiais que a regulam.
Somam-se a essas obrigações a de pelo menos um dos conselheiros
comparecer à assembleia geral para responder os pedidos de informação
formulados pelos acionistas.
3 – Questões
3.1. Questões sem Comentários
1. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2016
– VUNESP.
Considere as seguintes afirmações, assinalando a correta.
a) As debêntures são títulos emitidos pelas sociedades anônimas que
conferem um direito de crédito ao seu titular.
b) As ações preferenciais são aquelas que dão origem às debêntures.
c) As debêntures podem ser emitidas por escrituras públicas lavradas no
Registro do Comércio.
d) As debêntures não podem ser convertidas em ações.
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2. TJ-SP – Juiz de Direito – 2015 – VUNESP.
Em relação às sociedades anônimas, é correto afirmar que
a) a critério de seus fundadores, a sociedade anônima que tenha por
objeto social atividade rural poderá ser inscrita no registro civil de pessoas
jurídicas.
b) desde que não haja oposição de qualquer dos acionistas presentes, a
assembleia geral da S/A fechada pode deliberar a distribuição de
dividendos inferiores aos fixos ou mínimos estipulados para os acionistas
preferencialistas.
c) o acordo de acionistas registrado na Companhia pode vincular o voto
dos membros do conselho de administração eleitos pelos sócios que o
tenham firmado.
d) a assembleia geral não pode suspender o exercício dos direitos de
acionista em mora com obrigações impostas pelo estatuto, salvo se tal
obrigação decorrer de expressa disposição legal.
3. Prefeitura de São José do Rio Preto-SP – Procurador do
Município – 2014 – VUNESP.
Assinale a alternativa que estiver em consonância com as disposições de lei
que regem as Sociedades Anônimas.
a) O estatuto fixará o numero de ações em que se divide o capital social e
estabelecerá se as ações terão ou não valor patrimonial, sendo obrigatória
a fixação do valor nominal.
b) O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais
o direito de eleger, em votação em separado, um ou mais membros dos
órgãos de administração.
c) As ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois
de realizados 20% do preço de subscrição.
d) A ação é divisível em relação à companhia e, quando pertencer a mais
de uma pessoa, os direitos a ela conferidos serão exercidos diretamente
por qualquer de seus titulares.
e) A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem
valor nominal e estranhos ao capital social, denominados “bônus de
subscrição”.
4. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP.
Considerando-se as disposições legais que disciplinam as sociedades por
ações, no que se refere ao Conselho de Administração, é correto afirmar
que
a) é órgão obrigatório nas companhias abertas e nas de capital autorizado.
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b) é órgão de existência obrigatória em todas as sociedades anônimas ou
em comandita por ações.
c) será composto por, no mínimo, cinco membros, eleitos pela assembleia-
geral e por ela destituíveis ao final do mandato.
d) o prazo de gestão dos conselheiros não poderá ser superior a dois anos,
vedada a reeleição.
e) é órgão de natureza facultativa em qualquer tipo de companhia.
5. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP.
De acordo com a lei que rege as sociedades por ações, a constituição das
companhias está sujeita à observância de determinadas formalidades.
Nesse sentido, a constituição de companhia por subscrição pública
dependerá do prévio registro da emissão
a) no Banco Central.
b) no Banco do Brasil.
c) na Comissão de Valores Mobiliários.
d) na Bolsa de Valores.
e) no Mercado de Balcão.
6. TJ-AM – Juiz de Direito – 2016 – Cespe.
Com a finalidade de reduzir o montante de impostos devidos, o
administrador de determinada sociedade anônima simulou a ocorrência de
prejuízos à companhia. Após alguns anos de êxito, sua conduta foi
descoberta e, devido ao recolhimento a menor, foi necessário
complementar os impostos pagos, tendo incidido multa e havido outras
despesas decorrentes de honorários de advogados, contadores e outros
profissionais requeridos para a correção do equívoco. Ao final, os valores
pagos para corrigir a falha superaram em muito o valor que deveria ter
sido pago inicialmente, conforme a lei.
Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) O administrador não poderá ser responsabilizado pessoalmente por
eventuais prejuízos causados a terceiros, pois agiu em nome da sociedade.
b) Os acionistas individualmente prejudicados não poderão propor ação
contra o administrador, devendo-se subordinar à deliberação da
assembleia geral.
c) É necessária a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade
jurídica da empresa para que se obtenha a responsabilização pessoal do
administrador.
d) Se a referida simulação decorrer de exercício abusivo do poder de
controle, o controlador poderá ser responsabilizado pelos prejuízos, desde
que comprovado dolo na atuação.
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e) Caberá à assembleia geral da companhia deliberar pelo ajuizamento, ou
não, da ação de responsabilidade civil contra o administrador pelos
prejuízos causados.
7. AGU – Advogado da União – 2015 – Cespe.A adoção do regime legal das companhias permite maior liberdade quanto
à disciplina das relações sociais, o que constitui uma vantagem desse
regime em relação ao das sociedades contratualistas.
8. TCU – Procurador – 2015 – Cespe.
Fiscais do TCU constataram que um administrador, descumprindo dever
imposto por lei referente ao funcionamento normal dos negócios, celebrou
contratos com excesso de poder e fora do objeto social em nome de
sociedade de economia mista fechada. Na ocasião, não foi possível concluir
se os referidos contratos geraram benefício ou prejuízo financeiro à
sociedade em questão. Um procurador do TCU foi chamado para emitir
parecer sobre a validade dos contratos, a responsabilização interna
corporis e a análise da ocorrência de prejuízo ou de lucro para a referida
sociedade devido à celebração dos contratos.
Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Caso se constate que houve prejuízo na celebração dos contratos,
poderá ocorrer responsabilização solidária dos demais administradores de
maneira mais extensa do que ocorreria se a companhia fosse aberta.
b) A responsabilização do administrador perante a companhia dependerá
da comprovação de que agiu com dolo ou culpa na celebração dos
contratos.
c) Se ficar constatado que, na celebração dos contratos, a sociedade em
questão sofreu prejuízo, esses contratos deverão ser anulados, mesmo
quanto a terceiros de boa-fé, em razão da prevalência do interesse público.
d) Caso a assembleia geral delibere pela não propositura de ação de
responsabilidade, os acionistas ficarão impedidos de ajuizá-la em nome
próprio.
e) Se ficar comprovado que os contratos geraram lucro para a referida
sociedade, uma eventual ação de responsabilidade será julgada
improcedente devido ao fato de o administrador ter cumprido sua
obrigação de resultado.
9. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe.
Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta.
a) Os acionistas minoritários, desde que representem pelo menos 5% do
capital social, poderão, mediante ordem judicial, ter acesso a instrumentos
de contratos imobiliários de vendas de ativos que, em tese, lhes tenham
causado prejuízo.
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b) Situação hipotética: José, na ocasião do divórcio com Jeane, omitiu da
partilha uma fração de suas ações da companhia Gama. Posteriormente,
ele foi condenado a dar a Jeane parte dessas ações. Assertiva: Nessa
situação, é cabível, em regra, o bloqueio de créditos da própria sociedade
anônima em processo por ela ajuizado em face de seus devedores
particulares.
c) A companhia poderá efetuar emissão de debêntures, que terão valores
nominais expressos em moeda nacional, sendo-lhe defesa a estipulação de
pagamentos em moeda estrangeira.
d) Em caso de danos ao patrimônio da sociedade, se a assembleia geral for
contrária à propositura de ação judicial contra os administradores ou se
recusar a deliberar acerca dessa proposta, os acionistas poderão ajuizar a
demanda, como representantes da companhia, desde que reúnam
percentual mínimo legal do capital social.
e) Caso uma companhia promova ação de execução contra acionista
remisso para cobrar importâncias que lhe sejam devidas, essa companhia
não poderá, após a citação, vender as respectivas ações em bolsa de
valores.
10. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe.
Assinale a opção correta a respeito dos acionistas nas sociedades por ações
conforme dispõe a Lei n.º 6.404/1976.
a) Os acionistas que totalizem um mínimo de 5% do capital social da
empresa detêm legitimidade subsidiária à da companhia para propor ação
de responsabilidade civil contra os administradores.
b) Por meio do estatuto da sociedade, é permitido limitar os direitos dos
acionistas preferenciais, incluído o direito de participação nos lucros
sociais.
c) Para que a conduta do sócio controlador de uma sociedade seja
caracterizada como exercício abusivo de poder, é preciso que ela se
enquadre nas modalidades típicas previstas na referida lei.
d) É proibida a acumulação da função de sócio controlador com a de
conselheiro fiscal.
e) Na composição do conselho fiscal de uma sociedade por ações, é
obrigatória a presença de um acionista e é permitida a reeleição de seus
membros.
11. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros –
2014 – Cespe.
Conforme a legislação de regência e a jurisprudência do STJ, assinale a
opção correta acerca das sociedades anônimas.
a) As ações ordinárias não conferem direito de voto ao seu titular, razão
por que não lhe possibilitam o alcance do controle da sociedade anônima.
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b) Seguradoras, bancos, sociedades com ações em bolsa e distribuidoras
de títulos e valores mobiliários devem, necessariamente, adotar a forma de
sociedade por ações.
c) A expressão sociedade anônima está relacionada ao fato, ainda hoje
verificável no Brasil, de serem muitas as ações emitidas ao portador.
d) Os bônus de subscrição podem ser emitidos caso a companhia tenha um
limite de aumento de capital social já autorizado no estatuto, servindo tais
valores mobiliários para a obtenção de captação prévia.
e) As sociedades anônimas podem ser constituídas por instrumento
privado, salvo nos casos em que o capital social seja integralizado com
imóveis, quando será obrigatório o instrumento público.
12. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros –
2014 – Cespe.
Conforme a legislação vigente e a jurisprudência do STJ, assinale a opção
correta acerca de sociedades anônimas.
a) O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada de
existência obrigatória nas sociedades anônimas, cuja representação é
atribuição privativa de seus diretores.
b) Por ser o órgão máximo da sociedade por ações, a assembleia geral
pode deliberar por suprimir o direito dos acionistas à preferência na
subscrição de ações da companhia.
c) Para a caracterização de abuso de poder pelo acionista controlador de
sociedade anônima, são necessárias a prova da intenção de prejudicar a
companhia ou os minoritários e a prova do dano.
d) É permitido o acúmulo dos cargos de diretor e de conselheiro de
administração, mas, no máximo, um terço dos membros do conselho de
administração podem ser eleitos como diretores.
e) A lei pertinente impõe que, antes de abrir-se a assembleia geral, os
acionistas assinem o livro de presença, decorrendo daí a impossibilidade de
os acionistas votarem a distância.
13. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
O acordo de cotistas não está previsto explicitamente na legislação
societária brasileira. No entanto, seja pelo princípio da atipicidade dos
contratos, quando a sociedade for regida supletivamente pelas normas das
sociedades simples, seja pela possibilidade de as limitadas serem regidas
supletivamente pela legislação da sociedade anônima, admite-se sua
celebração, com possibilidade de obrigatoriedade de vinculação da própria
sociedade, e com permissão de execução específica.
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14. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
Faculta-se ao adquirente do controle de companhia aberta a realização da
operação conhecida no mercado como tag along, consistente na oferta
pública de compra de ações preferenciais, dos minoritários sem direito a
voto, como forma de compensação pelo fato de terem contribuído, com o
seu capital, para o êxito da empresa.
15. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
Exige-se escritura pública para a incorporação de um bem imóvel ao capital
social de uma sociedade anônima.
16. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
No que se refere ao regime de constituição, as sociedades anônimas não
são contratuais.
17. TCE-PB – Procurador – 2014 – Cespe.
Assinale a opção correta em relação à sociedade anônima.
a) Enquanto não forem inscritos os atos constitutivos da sociedade por
ações que esteja em processo de instituição, esta reger-se-á pelas regras
da sociedade em comum, observadas subsidiariamente as regras da
sociedade simples.
b) As normas que regem a sociedade anônima não sãoaplicáveis às
sociedades limitadas.
c) A incorporação de imóveis para a formação do capital social de
sociedades anônimas não exige escritura pública.
d) A companhia será aberta ou fechada, conforme suas ações estejam ou
não admitidas à negociação na Comissão de Valores Mobiliários.
e) As companhias abertas podem ser constituídas antes que seu capital
social tenha sido integralmente subscrito, pois se admite reserva limitada
de ações para futura negociação como complemento à subscrição.
18. TRF 1a Região – Juiz Federal – 2015 – Cespe.
De acordo com a lei de regência das sociedades anônimas, assinale a
opção correta.
a) É solidária a responsabilidade dos administradores de companhias de
capital aberto pelos prejuízos que causarem em virtude do não
cumprimento dos deveres impostos pela legislação para assegurar o
funcionamento normal da sociedade empresária.
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b) Companhia de capital aberto cujo capital social seja estabelecido por seu
estatuto em R$ 100.000.000,00 divididos em 100.000.000 de ações sem
valor nominal não poderá estabelecer valor nominal para as ações de
determinada classe preferencial, porque suas ações não possuem valor
nominal.
c) Se resolver onerar por penhor ou caução as suas ações, o acionista
deverá encaminhar proposta para deliberação do conselho administrativo.
Caso o conselho aprove a proposta, o ato será averbado no livro de
registro de ações.
d) Na constituição do conselho fiscal da companhia, os titulares de ações
preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger um membro e seu
respectivo suplente em votação em separado.
e) Em caso de emissão de valores imobiliários cujo objetivo seja captar
recursos para a realização de empreendimentos de grande porte, a
companhia deverá valer-se das notas promissórias com vencimentos em
dez anos, conhecidas como commercial papers.
19. SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – 2016 –
FCC.
A administração da sociedade anônima compete
a) exclusivamente ao conselho de administração.
b) à diretoria e ao conselho de administração, ou somente à diretoria,
conforme dispuser o estatuto social.
c) à diretoria, ao conselho de administração e, se houver, ao conselho
fiscal.
d) prioritariamente ao conselho fiscal, ao qual se subordinam a diretoria e
o conselho de administração.
e) exclusivamente à diretoria, caso se trate de companhia aberta.
20. TRT 1a Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC.
Relativamente ao direito de voto, conforme estabelece a Lei n° 6.404/76, é
correto afirmar:
a) O credor garantido por alienação fiduciária da ação poderá exercer o
direito de voto.
b) É permitido atribuir voto plural às ações escriturais.
c) Se todos os subscritores forem condôminos do bem com que
concorreram para a formação do capital social, será dispensada a
apresentação de laudo de avaliação do bem.
d) O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no
ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante
prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário.
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e) O acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do
direito de voto apenas quando o seu voto houver prevalecido.
21. TJ-SE – Juiz de Direito – 2015 – FCC.
A Companhia Laticínios Saudáveis é uma sociedade anônima fechada cujo
estatuto estabelece a divisão do capital social em duas classes de ações
ordinárias e outras duas classes de ações preferenciais, uma destas com
direito a voto e outra sem. Para a sociedade abrir o seu capital, de modo a
se tornar uma companhia aberta,
a) todas as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações
ordinárias.
b) todas as classes de ações preferenciais deverão passar a ter direito a
voto.
c) nenhuma classe de ações preferenciais poderá ter direito a voto.
d) as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações de fruição.
e) as ações ordinárias deverão ser reunidas numa única classe.
22. TRT 15a Região – Juiz do Trabalho – 2015 – FCC.
A sociedade anônima tem o capital dividido em
a) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que
subscrever ou adquirir.
b) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de mercado em
bolsa das que subscrever ou adquirir.
c) ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão
das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam
solidariamente pela integralização do capital social.
d) quotas, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das
que subscrever ou adquirir.
e) quotas ou ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de
emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam
solidariamente pela integralização do capital social.
23. TJ-AL – Juiz de Direito – 2015 – FCC.
A Sociedade Anônima
a) tem como pressuposto essencial os valores mobiliários de sua emissão
admitidos necessariamente à negociação em bolsa de valores ou no
mercado de balcão.
b) é sempre empresária, mesmo que seu objeto seja atividade econômica
civil, por exemplo, uma companhia constituída só por dentistas para a
prestação de serviços de odontologia pelos próprios acionistas.
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c) é a única modalidade de sociedade por ações prevista no direito
brasileiro.
d) não admite a penhora de suas ações em execução promovida contra um
acionista, em razão do interesse patrimonial dos demais acionistas.
e) é formada por ações, cujo preço de emissão confunde-se com seu valor
nominal ou de negociação em bolsa de valores.
24. TCM-RJ – Procurador – 2015 – FCC.
Na sociedade anônima, a responsabilidade dos sócios é
a) limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
b) restrita ao valor nominal de suas ações, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social.
c) ilimitada.
d) restrita ao valor de mercado de suas ações, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social.
e) limitada ao valor de mercado das ações subscritas ou adquiridas, mas
apenas no tocante às companhias abertas.
25. TCE-CE – Procurador – 2015 – FCC.
O capital social da sociedade anônima poderá ser formado com
contribuições
a) em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação
em dinheiro.
b) apenas em dinheiro.
c) em dinheiro ou em bens imóveis, mas não em bens móveis.
d) em bens de qualquer espécie, ainda que insuscetíveis de avaliação em
dinheiro.
e) apenas em bens imóveis.
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3.3. Questões comentadas
1. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2016
– VUNESP.
Considere as seguintes afirmações, assinalando a correta.
a) As debêntures são títulos emitidos pelas sociedades anônimas que
conferem um direito de crédito ao seu titular.
b) As ações preferenciais são aquelas que dão origem às debêntures.
c) As debêntures podem ser emitidas por escrituras públicas lavradas no
Registro do Comércio.
d) As debêntures não podem ser convertidas em ações.
Comentários:
A nossa resposta é a alternativa A, trazendo corretamente a definição de
debênture, que nada mais é do que um valor mobiliário que confere ao seu
titular direito de crédito contra a companhia.
A alternativa B está incorreta porque ações e debêntures são valores mobiliários
diferentes, apesar de ser possível, sob certas condições, que sejam emitidas
debêntures conversíveis em ações.
A alternativa C está incorreta porque quem emite as debêntures é a própria
sociedade, não sendo necessária escritura pública.
A alternativa D está incorreta porque a Lei das SA prevê, em seu art. 57 a
emissão de debêntures conversíveis em ações.
Art. 57. A debênture poderá ser conversível em ações nas condições constantes da
escritura de emissão, que especificará:
I - as bases da conversão, seja em número de ações em que poderá ser convertida cada
debênture, seja como relação entre o valor nominal da debênture e o preço de emissão
das ações;
II - a espécie e a classe das ações em que poderá ser convertida;
III - o prazo ou época para o exercício do direito à conversão;
IV - as demais condições a que a conversão acasofique sujeita.
GABARITO: A
2. TJ-SP – Juiz de Direito – 2015 – VUNESP.
Em relação às sociedades anônimas, é correto afirmar que
a) a critério de seus fundadores, a sociedade anônima que tenha por
objeto social atividade rural poderá ser inscrita no registro civil de pessoas
jurídicas.
b) desde que não haja oposição de qualquer dos acionistas presentes, a
assembleia geral da S/A fechada pode deliberar a distribuição de
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IMPORTANTE
IMPORTANTE
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dividendos inferiores aos fixos ou mínimos estipulados para os acionistas
preferencialistas.
c) o acordo de acionistas registrado na Companhia pode vincular o voto
dos membros do conselho de administração eleitos pelos sócios que o
tenham firmado.
d) a assembleia geral não pode suspender o exercício dos direitos de
acionista em mora com obrigações impostas pelo estatuto, salvo se tal
obrigação decorrer de expressa disposição legal.
Comentários:
A alternativa A está incorreta porque a sociedade por ações (gênero do qual faz
parte a sociedade anônima) é sempre uma sociedade empresária, nos termos
do parágrafo único do art. 982 do Código Civil.
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por
objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e,
simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a
sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
Se a sociedade anônima é empresária, portanto, ela não pode ser registrada no
registro civil de pessoas jurídicas, mas sim no registro de empresas mercantis.
A alternativa B também está incorreta. Aqui a banca invoca o art. 203 da Lei n.
6.404/1976, segundo o qual deve ser preservado o direito dos acionistas
preferenciais de receber os dividendos fixos ou mínimos a que tenham
prioridade.
A alternativa C está correta, e é a nossa resposta, nos termos do art. 118, §9o
da Lei das SA, segundo o qual é possível a vinculação do voto dos membros do
conselho de administração eleitos pelos sócios que o tenham firmado, quando
isso for previsto no acordo de acionistas da Companhia.
§ 9º O não comparecimento à assembleia ou às reuniões dos órgãos de administração da
companhia, bem como as abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionistas
ou de membros do conselho de administração eleitos nos termos de acordo de acionistas,
assegura à parte prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista
ausente ou omisso e, no caso de membro do conselho de administração, pelo conselheiro
eleito com os votos da parte prejudicada
A alternativa D está incorreta porque a suspensão dos direitos do acionista
inadimplentes é perfeitamente possível, nos termos da previsão do art. 120 da
Lei das SA.
Art. 120. A assembleia-geral poderá suspender o exercício dos direitos do acionista que
deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto, cessando a suspensão logo
que cumprida a obrigação.
GABARITO: C
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IMPORTANTE
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3. Prefeitura de São José do Rio Preto-SP – Procurador do
Município – 2014 – VUNESP.
Assinale a alternativa que estiver em consonância com as disposições de lei
que regem as Sociedades Anônimas.
a) O estatuto fixará o numero de ações em que se divide o capital social e
estabelecerá se as ações terão ou não valor patrimonial, sendo obrigatória
a fixação do valor nominal.
b) O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais
o direito de eleger, em votação em separado, um ou mais membros dos
órgãos de administração.
c) As ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois
de realizados 20% do preço de subscrição.
d) A ação é divisível em relação à companhia e, quando pertencer a mais
de uma pessoa, os direitos a ela conferidos serão exercidos diretamente
por qualquer de seus titulares.
e) A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem
valor nominal e estranhos ao capital social, denominados “bônus de
subscrição”.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O valor nominal é obtido dividindo-se o capital
social pelo número de ações, mas a SA não é obrigada a conferir um valor
nominal a suas ações, permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor
nominal. Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira
ou não valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da
divisão do capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática,
porém, existe uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o
valor nominal de cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição
injustificada do valor patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas
ações.
A alternativa B está correta e é a nossa resposta, reproduzindo o conteúdo do
art. 18 da Lei das SA.
A alternativa C invoca a regra do art. 29 da Lei das SA, seguindo o qual as
ações da companhia aberta somente poderão ser negociadas depois de
realizados 30% do preço de emissão. A alternativa, portanto, está incorreta. A
alternativa D está incorreta porque, nos termos do art. 28, a ação é indivisível
em relação à companhia. Quando a ação pertencer a mais de uma pessoa, os
direitos por ela conferidos serão exercidos pelo representante do condomínio. A
alternativa E está incorreta. A definição trazida pela alternativa se refere ao art.
46, que trata das partes beneficiárias, e não do bônus de subscrição.
GABARITO: B
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IMPORTANTE
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4. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP.
Considerando-se as disposições legais que disciplinam as sociedades por
ações, no que se refere ao Conselho de Administração, é correto afirmar
que
a) é órgão obrigatório nas companhias abertas e nas de capital autorizado.
b) é órgão de existência obrigatória em todas as sociedades anônimas ou
em comandita por ações.
c) será composto por, no mínimo, cinco membros, eleitos pela assembleia-
geral e por ela destituíveis ao final do mandato.
d) o prazo de gestão dos conselheiros não poderá ser superior a dois anos,
vedada a reeleição.
e) é órgão de natureza facultativa em qualquer tipo de companhia.
Comentários:
A alternativa A é a nossa resposta. A existência de conselho de administração é
obrigatória apenas nas companhias abertas, nas de capital autorizado e nas
sociedades de economia mista. Essa regra também torna as alternativas B e E
incorretas.
A alternativa C está incorreta porque o conselho de administração será
composto por, no mínimo, 3 membros, eleitos pela assembleia-geral e por ela
destituíveis a qualquer tempo, nos termos do art. 140.
A alternativa D está incorreta. O prazo de gestão dos conselheiros não poderá
ser superior a 3 anos, permitida a reeleição (art. 140, III).
A alternativa E está incorreta. A definição trazida pela alternativa se refere ao
art. 46, que trata das partes beneficiárias, e não do bônus de subscrição.
GABARITO: A
5. IPT-SP – Advogado – 2014 – VUNESP.
De acordo com a lei que rege as sociedades por ações, a constituição das
companhias está sujeita à observância de determinadas formalidades.
Nesse sentido, a constituição de companhia por subscrição pública
dependerá do prévio registro da emissão
a) no Banco Central.
b) no Banco do Brasil.
c) na Comissão de Valores Mobiliários.
d) na Bolsa de Valores.
e) no Mercado de Balcão.
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IMPORTANTE
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Comentários:
A alternativa A está incorreta. Se o contrato social for omisso, o sócio pode
ceder sua participação na sociedade a qualquer outro sócio, sem a necessidade
de anuência dos demais. Por outro lado, para ceder as quotas a pessoa
estranha à sociedade, não poderá haver oposição de titulares de mais de 25%
do capital social.
Depois da aula de hoje você já está cansado de saber que a entidade da
administração pública que regula o mercado de capitais é a CVM, não é
mesmo!? 
GABARITO: C
6. TJ-AM – Juiz de Direito – 2016 – Cespe.
Com a finalidade de reduzir o montante de impostos devidos, o
administrador de determinada sociedade anônima simulou a ocorrência de
prejuízos à companhia. Após alguns anos de êxito, sua condutafoi
descoberta e, devido ao recolhimento a menor, foi necessário
complementar os impostos pagos, tendo incidido multa e havido outras
despesas decorrentes de honorários de advogados, contadores e outros
profissionais requeridos para a correção do equívoco. Ao final, os valores
pagos para corrigir a falha superaram em muito o valor que deveria ter
sido pago inicialmente, conforme a lei.
Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) O administrador não poderá ser responsabilizado pessoalmente por
eventuais prejuízos causados a terceiros, pois agiu em nome da sociedade.
b) Os acionistas individualmente prejudicados não poderão propor ação
contra o administrador, devendo-se subordinar à deliberação da
assembleia geral.
c) É necessária a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade
jurídica da empresa para que se obtenha a responsabilização pessoal do
administrador.
d) Se a referida simulação decorrer de exercício abusivo do poder de
controle, o controlador poderá ser responsabilizado pelos prejuízos, desde
que comprovado dolo na atuação.
e) Caberá à assembleia geral da companhia deliberar pelo ajuizamento, ou
não, da ação de responsabilidade civil contra o administrador pelos
prejuízos causados.
Comentários:
No caso trazido pela questão, temos informações suficientes para dizer
claramente que o administrador agiu de má-fé, por isso aplica-se o art. 158 da
Lei das SA. Quando pratica atos em nome da companhia, em regra ele faz a
companhia presente, ou seja, para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles
atos, e não a pessoa do administrador, e por isso não deve ser pessoalmente
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IMPORTANTE
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responsabilizado, a não ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o
estatuto ou ainda de forma culposa ou dolosa.
Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser
responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que
tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles
tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los.
Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o
administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de
responsabilidade.
A competência para decidir ou não pelo ajuizamento da ação de
responsabilidade é da própria companhia, por meio da assembleia geral (art.
159).
GABARITO: E
7. AGU – Advogado da União – 2015 – Cespe.
A adoção do regime legal das companhias permite maior liberdade quanto
à disciplina das relações sociais, o que constitui uma vantagem desse
regime em relação ao das sociedades contratualistas.
Comentários:
Esta questão gerou muita polêmica à época de sua aplicação. Como a
negociação das ações não depende, em regra, de alteração nos atos
constitutivos da companhia, podemos dizer que existe uma maior flexibilidade
nas relações sociais. Por outro lado, soa exagerado, do ponto de vista
doutrinário, dizer que a adoção do regime das companhias traz maior liberdade,
pois a Lei das SA traz MUITAS regras aplicáveis aos acionistas, muitas vezes
mais complexas que aquelas aplicáveis às sociedades de pessoas.
GABARITO: ERRADO
8. TCU – Procurador – 2015 – Cespe.
Fiscais do TCU constataram que um administrador, descumprindo dever
imposto por lei referente ao funcionamento normal dos negócios, celebrou
contratos com excesso de poder e fora do objeto social em nome de
sociedade de economia mista fechada. Na ocasião, não foi possível concluir
se os referidos contratos geraram benefício ou prejuízo financeiro à
sociedade em questão. Um procurador do TCU foi chamado para emitir
parecer sobre a validade dos contratos, a responsabilização interna
corporis e a análise da ocorrência de prejuízo ou de lucro para a referida
sociedade devido à celebração dos contratos.
Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Caso se constate que houve prejuízo na celebração dos contratos,
poderá ocorrer responsabilização solidária dos demais administradores de
maneira mais extensa do que ocorreria se a companhia fosse aberta.
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IMPORTANTE
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b) A responsabilização do administrador perante a companhia dependerá
da comprovação de que agiu com dolo ou culpa na celebração dos
contratos.
c) Se ficar constatado que, na celebração dos contratos, a sociedade em
questão sofreu prejuízo, esses contratos deverão ser anulados, mesmo
quanto a terceiros de boa-fé, em razão da prevalência do interesse público.
d) Caso a assembleia geral delibere pela não propositura de ação de
responsabilidade, os acionistas ficarão impedidos de ajuizá-la em nome
próprio.
e) Se ficar comprovado que os contratos geraram lucro para a referida
sociedade, uma eventual ação de responsabilidade será julgada
improcedente devido ao fato de o administrador ter cumprido sua
obrigação de resultado.
Comentários:
Quando pratica atos em nome da companhia, em regra ele faz a companhia
presente, ou seja, para todos os efeitos a sociedade pratica aqueles atos, e não
a pessoa do administrador, e por isso não deve ser pessoalmente
responsabilizado, a não ser, obviamente, que aja em desacordo com a lei ou o
estatuto ou ainda de forma culposa ou dolosa.
Também podemos dizer que, em regra, um administrador não pode ser
responsabilizado por atos praticados por outros administradores, a não ser que
tenha sido com eles conivente, negligente em descobri-los ou se tiver deles
tomado conhecimento e deixado de agir para evita-los.
Diante desse cenário, em alguns casos a companhia pode mover ação contra o
administrador que lhe tenha causado danos. Essa é a chamada ação de
responsabilidade.
A competência para decidir pelo ajuizamento da ação é da assembleia geral
ordinária, vez que se encontra entre as atribuições do art. 132 a tomada de
contas dos administradores. Por outro lado, se a ação for consequência direta
de tema tratado em assembleia geral extraordinária, a deliberação pelo
ajuizamento da ação pode ser feita imediatamente. A partir dessa deliberação,
o administrador fica impedido, devendo ser substituído na mesma assembleia.
Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses
contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso
o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser
proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. Isso
evita que a propositura da ação seja “enterrada” pelo voto abusivo do
controlador, por exemplo.
Importante salientar, contudo, que, seja a ação proposta pela própria sociedade
ou por acionistas, o produto será revertido para a companhia, cabendo aos
demandantes apenas o ressarcimento das despesas em que tiverem incorrido.
Por fim, o juiz pode reconhecer a exclusão da responsabilidade do
administrador se entender que ele agiu de boa-fé e no interesse da companhia.
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IMPORTANTE
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Ninguém pode ser responsabilizado por ser um mau gestor, desde que tenha
tido as intenções adequadas. Da mesma forma, não será possível
responsabilizar o administrador que tenha tido suas contas aprovadas sem
ressalva pela assembleia geral ordinária.
GABARITO: A
9. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe.
Com relação às sociedades anônimas, assinale a opção correta.
a) Os acionistas minoritários, desde que representem pelo menos 5% do
capital social, poderão, mediante ordem judicial, ter acesso a instrumentos
de contratos imobiliários de vendas de ativos que, em tese, lhes tenham
causado prejuízo.
b) Situação hipotética: José, na ocasião do divórcio com Jeane, omitiu da
partilha uma fração de suas ações da companhia Gama. Posteriormente,
ele foi condenado a dar a Jeane parte dessas ações. Assertiva: Nessa
situação, é cabível, em regra, o bloqueio de créditos da própria sociedade
anônima em processo por ela ajuizado em face de seus devedores
particulares.
c) A companhia poderá efetuar emissão de debêntures, que terão valores
nominais expressos em moeda nacional, sendo-lhe defesa a estipulação de
pagamentos em moeda estrangeira.
d)Em caso de danos ao patrimônio da sociedade, se a assembleia geral for
contrária à propositura de ação judicial contra os administradores ou se
recusar a deliberar acerca dessa proposta, os acionistas poderão ajuizar a
demanda, como representantes da companhia, desde que reúnam
percentual mínimo legal do capital social.
e) Caso uma companhia promova ação de execução contra acionista
remisso para cobrar importâncias que lhe sejam devidas, essa companhia
não poderá, após a citação, vender as respectivas ações em bolsa de
valores.
Comentários:
Particularmente considerei esta questão bem difícil. Talvez seja a mais
complexa da aula de hoje, pois cada alternativa trata de um tema diferente
relacionado à sociedade anônima.
A alternativa A está incorreta em razão do art. 105 da Lei das SA, segundo o
qual a exibição por inteiro dos livros da companhia pode ser ordenada
judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo
menos, 5% do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do
estatuto, ou haja fundada suspeita de graves irregularidades praticadas por
qualquer dos órgãos da companhia. A possibilidade de exibição dos livros se
refere a suspeitas de irregularidades, e não ao prejuízo.
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IMPORTANTE
IMPORTANTE
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A alternativa B está incorreta. A posição de credor do ex-cônjuge em relação às
ações de companhia não garante o direito sobre créditos da pessoa jurídica em
face de terceiros. Na realidade nenhum acionista tem direito a se apossar de
créditos pertencentes à companhia, nos termos já decididos pelo STJ.
A alternativa C está incorreta porque, de acordo com o art. 54, a debênture
terá valor nominal expresso em moeda nacional, salvo nos casos de obrigação
que, nos termos da legislação em vigor, possa ter o pagamento estipulado em
moeda estrangeira.
A alternativa D é a nossa resposta. A competência para decidir pelo
ajuizamento da ação é da assembleia geral ordinária, vez que se encontra entre
as atribuições do art. 132 a tomada de contas dos administradores. Por outro
lado, se a ação for consequência direta de tema tratado em assembleia geral
extraordinária, a deliberação pelo ajuizamento da ação pode ser feita
imediatamente. A partir dessa deliberação, o administrador fica impedido,
devendo ser substituído na mesma assembleia.
Cabe à própria sociedade propor a ação, mas caso esta fique inerte por 3 meses
contados da deliberação da assembleia, qualquer acionista poderá fazê-lo. Caso
o resultado da assembleia seja negativo, ainda assim a ação poderá ser
proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social.
A alternativa E está incorreta. De acordo com o §3o do art. 107, é facultado à
companhia, mesmo após iniciada a cobrança judicial, mandar vender a ação em
bolsa de valores.
GABARITO: D
10. TJDFT – Juiz de Direito – 2015 – Cespe.
Assinale a opção correta a respeito dos acionistas nas sociedades por ações
conforme dispõe a Lei n.º 6.404/1976.
a) Os acionistas que totalizem um mínimo de 5% do capital social da
empresa detêm legitimidade subsidiária à da companhia para propor ação
de responsabilidade civil contra os administradores.
b) Por meio do estatuto da sociedade, é permitido limitar os direitos dos
acionistas preferenciais, incluído o direito de participação nos lucros
sociais.
c) Para que a conduta do sócio controlador de uma sociedade seja
caracterizada como exercício abusivo de poder, é preciso que ela se
enquadre nas modalidades típicas previstas na referida lei.
d) É proibida a acumulação da função de sócio controlador com a de
conselheiro fiscal.
e) Na composição do conselho fiscal de uma sociedade por ações, é
obrigatória a presença de um acionista e é permitida a reeleição de seus
membros.
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IMPORTANTE
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Comentários:
Nossa resposta é a alternativa A, que mais uma vez menciona a possibilidade
de, diante da omissão da companhia, os acionistas ajuizarem ação de
responsabilidade contra administrador que tenha causado prejuízo.
A alternativa B está incorreta porque, nos termos do art. 109 da Lei das SA, há
alguns direitos dos acionistas que não podem ser limitados, entre eles o direito
de participação nos lucros da sociedade.
A alternativa C está incorreta. Você já sabe que o rol de condutas que importam
em abuso de poder do art. 117, §1o é meramente exemplificativo. A alternativa
D está incorreta porque os impedimentos aplicáveis aos membros do conselho
fiscal se encontram no art. 147, §3o. Entre as causas de impedimento não está
a condição de acionista controlador.
A alternativa E está incorreta porque os membros do conselho fiscal podem ser
acionistas ou não (art. 161, §1o).
GABARITO: A
11. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros –
2014 – Cespe.
Conforme a legislação de regência e a jurisprudência do STJ, assinale a
opção correta acerca das sociedades anônimas.
a) As ações ordinárias não conferem direito de voto ao seu titular, razão
por que não lhe possibilitam o alcance do controle da sociedade anônima.
b) Seguradoras, bancos, sociedades com ações em bolsa e distribuidoras
de títulos e valores mobiliários devem, necessariamente, adotar a forma de
sociedade por ações.
c) A expressão sociedade anônima está relacionada ao fato, ainda hoje
verificável no Brasil, de serem muitas as ações emitidas ao portador.
d) Os bônus de subscrição podem ser emitidos caso a companhia tenha um
limite de aumento de capital social já autorizado no estatuto, servindo tais
valores mobiliários para a obtenção de captação prévia.
e) As sociedades anônimas podem ser constituídas por instrumento
privado, salvo nos casos em que o capital social seja integralizado com
imóveis, quando será obrigatório o instrumento público.
Comentários:
A alternativa A está incorreta porque as ações ordinárias conferem ao acionista
o direito a voto, diferentemente das ações preferencias, que, em regra, não
conferem esse direito.
A alternativa B está incorreta porque as sociedades distribuidoras de títulos e
valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por
quotas de responsabilidade limitada, conforme Resolução CMN n. 1.120/1986.
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A alternativa C está incorreta. A sociedade anônima tem esse nome porque não
pode adotar firma social, não incorporando o nome dos fundadores, por
exemplo. Além disso, hoje nosso ordenamento não permite mais a existência de
ações ao portador.
A alternativa D é a nossa resposta. A operação por meio da qual novas ações
são emitidas é chamada de capitalização. Nessa ocasião, como regra geral a
preferência na subscrição é dos acionistas da companhia (art. 109, IV da Lei
das SA), mas, se os negócios da sociedade vão bem e há perspectivas futuras
de emissão de novas ações, pode-se emitir bônus de subscrição, captando
recursos junto a investidores que estejam interessados em adquirir
preferencialmente novas ações por ocasião da sua emissão, sempre
observando-se o limite de aumento de capital autorizado pelo estatuto.
A alternativa E está incorreta porque, de acordo com o art. 89, a incorporação
de imóveis para a formação do capital social não exige escritura pública.
GABARITO: D
12. TJ-SE – Titular de Serviços de Notas e de Registros –
2014 – Cespe.
Conforme a legislação vigente e a jurisprudência do STJ, assinale a opção
correta acerca de sociedades anônimas.
a) O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada de
existência obrigatória nas sociedades anônimas, cuja representação é
atribuição privativa de seus diretores.
b) Por ser o órgão máximo da sociedade por ações, a assembleia geral
pode deliberar por suprimir o direito dos acionistas à preferência na
subscrição de ações da companhia.
c) Para a caracterização de abuso de poder pelo acionista controlador de
sociedade anônima, são necessárias a prova da intenção de prejudicar a
companhia ou os minoritários e a prova do dano.
d) É permitido o acúmulo dos cargos de diretor e de conselheiro de
administração, mas, no máximo, um terço dos membros do conselho de
administração podem sereleitos como diretores.
e) A lei pertinente impõe que, antes de abrir-se a assembleia geral, os
acionistas assinem o livro de presença, decorrendo daí a impossibilidade de
os acionistas votarem a distância.
Comentários:
A alternativa A está incorreta porque a existência de conselho de administração
é obrigatória apenas nas companhias abertas, nas de capital autorizado e nas
sociedades de economia mista.
A alternativa B está incorreta. Entre os direitos dos acionistas que não podem
ser suprimidos pelo estatuto e nem pela assembleia geral (art. 109) está a
preferência para a subscrição de novas ações.
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voto, como forma de compensação pelo fato de terem contribuído, com o
seu capital, para o êxito da empresa.
Comentários:
Além das normas que disciplinam a atuação do controlador, também devemos
conhecer as regras trazidas pela Lei das SA acerca da alienação do poder de
controle da companhia.
Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente
poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se
obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade
dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a
80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de
controle.
Este dispositivo traz um instrumento de defesa dos acionistas minoritários
conhecido como tag along. De forma simples e direta, a regra é a de que, caso
o controlador resolva vender suas ações, transferindo o poder de controle a
outro, este deverá se comprometer a adquirir as ações com direito a voto dos
minoritários, pagando pelo menos 80% do preço pago pelas ações do
controlador.
Em grandes sociedades anônimas que adotam as melhores práticas de boa
governança corporativa, é comum que os estatutos prevejam o tag along com
obrigação de aquisição das ações dos minoritários por 100% do preço pago
pelas ações do controlador.
Vemos, portanto, que a assertiva traz dois erros: primeiro o tag along não é
uma faculdade, mas sim uma obrigação do adquirente do controle da
companhia. Em segundo lugar, a oferta obrigatória de aquisição refere-se às
ações minoritárias com direito a voto.
GABARITO: ERRADO
15. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
Exige-se escritura pública para a incorporação de um bem imóvel ao capital
social de uma sociedade anônima.
Comentários:
O art. 89 da Lei das SA é expresso no sentido de que a incorporação de imóveis
para formação do capital social não exige escritura pública.
GABARITO: ERRADO
16. Câmara dos Deputados – Analista Legislativo – 2014 –
Cespe.
No que se refere ao regime de constituição, as sociedades anônimas não
são contratuais.
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Comentários:
A constituição das sociedades anônimas é um processo complexo, mas em
momento algum há a contratualização das relações entre os acionistas. O
principal instrumento que rege essas relações é o estatuto social.
GABARITO: CERTO
17. TCE-PB – Procurador – 2014 – Cespe.
Assinale a opção correta em relação à sociedade anônima.
a) Enquanto não forem inscritos os atos constitutivos da sociedade por
ações que esteja em processo de instituição, esta reger-se-á pelas regras
da sociedade em comum, observadas subsidiariamente as regras da
sociedade simples.
b) As normas que regem a sociedade anônima não são aplicáveis às
sociedades limitadas.
c) A incorporação de imóveis para a formação do capital social de
sociedades anônimas não exige escritura pública.
d) A companhia será aberta ou fechada, conforme suas ações estejam ou
não admitidas à negociação na Comissão de Valores Mobiliários.
e) As companhias abertas podem ser constituídas antes que seu capital
social tenha sido integralmente subscrito, pois se admite reserva limitada
de ações para futura negociação como complemento à subscrição.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. Como a questão se refere à sociedade anônima,
não há aplicação subsidiária das regras da sociedade em comum. O próprio art.
986 do Código Civil, que menciona a aplicação subsidiária das normas da
sociedade em comum enquanto não inscritos os atos constitutivos, excepciona
as sociedades por ações.
A alternativa B está incorreta porque pode haver a aplicação supletiva das
normas próprias da sociedade anônima às sociedades limitadas, se assim
dispuser o contrato social (art. 1.053, parágrafo único, do Código Civil).
A alternativa C é a nossa resposta, e você já está cansado de saber que não se
exige escritura pública para incorporação de imóveis para a formação do capital
social das sociedades anônimas.
A alternativa D está incorreta porque as negociações de ações de companhias
abertas são feitas na bolsa de valores, e não na CVM.
A alternativa E está incorreta porque um dos requisitos para constituição da
companhia é a subscrição de todo o seu capital social. Cuidado para não
confundir subscrição com integralização, ok!? J
GABARITO: C
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18. TRF 1a Região – Juiz Federal – 2015 – Cespe.
De acordo com a lei de regência das sociedades anônimas, assinale a
opção correta.
a) É solidária a responsabilidade dos administradores de companhias de
capital aberto pelos prejuízos que causarem em virtude do não
cumprimento dos deveres impostos pela legislação para assegurar o
funcionamento normal da sociedade empresária.
b) Companhia de capital aberto cujo capital social seja estabelecido por seu
estatuto em R$ 100.000.000,00 divididos em 100.000.000 de ações sem
valor nominal não poderá estabelecer valor nominal para as ações de
determinada classe preferencial, porque suas ações não possuem valor
nominal.
c) Se resolver onerar por penhor ou caução as suas ações, o acionista
deverá encaminhar proposta para deliberação do conselho administrativo.
Caso o conselho aprove a proposta, o ato será averbado no livro de
registro de ações.
d) Na constituição do conselho fiscal da companhia, os titulares de ações
preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger um membro e seu
respectivo suplente em votação em separado.
e) Em caso de emissão de valores imobiliários cujo objetivo seja captar
recursos para a realização de empreendimentos de grande porte, a
companhia deverá valer-se das notas promissórias com vencimentos em
dez anos, conhecidas como commercial papers.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. Como regra, os administradores são
solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não
cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento
normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a
todos eles. Nas companhias abertas, porém essa responsabilidade ficará restrita
aos administradores que, por disposição do estatuto, tenham atribuição
específica de dar cumprimento àqueles deveres.
A alternativa B está incorreta. Mesmo que as ações emitidas pela companhia
não tenham valor nominal, é possível que o estatuto crie uma ou mais classes
de ações preferenciais com valor nominal (art. 11, §1o).
A alternativa C está incorreta. O penhor ou caução de ações se constitui pela
averbação do respectivo instrumento no livro de Registro de Ações Nominativas
(art. 39 da Lei das SA). Na realidade conselho administrativo nem é um dos
órgãos sociais previstos da lei...! 
A alternativa D é a nossa resposta. De acordo com o art. 161, §4o, os titulares
de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto restrito, terão direito de
eleger, em votação em separado, 1 membro e respectivo suplente.
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A alternativa E está incorreta. A principal diferença entre as debêntures e os
commercial papers é justamente o prazo para pagamento. Em geral as
debêntures têm prazo mais longo, de 5, 8, 10 anos, enquanto os commercial
papers preveem pagamento normalmente entre 30 e 360 dias.
GABARITO: D
19. SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – 2016 –
FCC.
A administração da sociedade anônima compete
a) exclusivamente ao conselho de administração.
b) à diretoriae ao conselho de administração, ou somente à diretoria,
conforme dispuser o estatuto social.
c) à diretoria, ao conselho de administração e, se houver, ao conselho
fiscal.
d) prioritariamente ao conselho fiscal, ao qual se subordinam a diretoria e
o conselho de administração.
e) exclusivamente à diretoria, caso se trate de companhia aberta.
Comentários:
Quando a Lei das SA refere aos administradores da sociedade, está tratando
tanto dos membros do conselho de administração quanto dos diretores. É
possível, porém, que a sociedade não conte com conselho de administração, a
depender do que dispuser o estatuto. Lembre-se, porém, de que o conselho de
administração é obrigatório na companhia aberta, na sociedade de capital
autorizado e na sociedade de economia mista), nos termos do art. 138 da Lei
das SA.
GABARITO: C
20. TRT 1a Região (RJ) – Juiz do Trabalho – 2016 – FCC.
Relativamente ao direito de voto, conforme estabelece a Lei n° 6.404/76, é
correto afirmar:
a) O credor garantido por alienação fiduciária da ação poderá exercer o
direito de voto.
b) É permitido atribuir voto plural às ações escriturais.
c) Se todos os subscritores forem condôminos do bem com que
concorreram para a formação do capital social, será dispensada a
apresentação de laudo de avaliação do bem.
d) O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no
ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante
prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário.
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e) O acionista responde pelos danos causados pelo exercício abusivo do
direito de voto apenas quando o seu voto houver prevalecido.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O credor garantido por alienação fiduciária da
ação não poderá exercer o direito de voto. O devedor, por sua vez, somente
poderá exercê-lo nos termos do contrato (art. 113, parágrafo único).
A alternativa B está incorreta porque a lei permite que o estatuto limite o
número de votos de cada acionista e, ao mesmo tempo, proíbe a atribuição de
voto plural a uma classe específica de ações, ou seja, não se pode atribuir mais
de um voto a uma mesma ação. Um acionista que tenha várias ações terá
direito a vários votos, mas não se pode estabelecer dois ou mais votos para
uma só ação.
A alternativa C está incorreta. Se todos os subscritores forem condôminos de
bem com que concorreram para a formação do capital social, poderão aprovar o
laudo, mas serão responsabilizados pelos danos que causarem por culpa ou
dolo na avaliação dos bens.
A alternativa D é a nossa resposta. A alternativa copia integralmente o texto do
art. 11 da Lei das SA.
A alternativa E está incorreta porque o acionista responde pelos danos causados
pelo exercício abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja
prevalecido (art. 115, §3o).
GABARITO: D
21. TJ-SE – Juiz de Direito – 2015 – FCC.
A Companhia Laticínios Saudáveis é uma sociedade anônima fechada cujo
estatuto estabelece a divisão do capital social em duas classes de ações
ordinárias e outras duas classes de ações preferenciais, uma destas com
direito a voto e outra sem. Para a sociedade abrir o seu capital, de modo a
se tornar uma companhia aberta,
a) todas as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações
ordinárias.
b) todas as classes de ações preferenciais deverão passar a ter direito a
voto.
c) nenhuma classe de ações preferenciais poderá ter direito a voto.
d) as ações preferenciais deverão ser convertidas em ações de fruição.
e) as ações ordinárias deverão ser reunidas numa única classe.
Comentários:
No que se refere à divisão das ações em classes, você deve lembrar que as
ações ordinárias e preferenciais, em regra, poderão ser divididas em classes,
com exceção das ações ordinárias de companhias abertas. Por isso nossa
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resposta é a alternativa E, já que estamos diante de uma companhia que
pretende abrir seu capital para negociação em bolsa de valores.
GABARITO: E
22. TRT 15a Região – Juiz do Trabalho – 2015 – FCC.
A sociedade anônima tem o capital dividido em
a) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das que
subscrever ou adquirir.
b) ações, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de mercado em
bolsa das que subscrever ou adquirir.
c) ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão
das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam
solidariamente pela integralização do capital social.
d) quotas, obrigando-se cada sócio somente pelo preço de emissão das
que subscrever ou adquirir.
e) quotas ou ações, e a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de
emissão das que subscreverem ou adquirirem, embora todos respondam
solidariamente pela integralização do capital social.
Comentários:
O capital da companhia é divido em ações. Isso você já está cansado de saber,
mas o importante aqui é lembrar que, diferentemente das sociedades
contratuais, nas sociedades anônimas os acionistas não respondem
solidariamente pelo capital a integralizar, mas apenas pelo preço de emissão
das ações subscritas. Lembre-se do art. 1o da Lei das SA.
Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a
responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações
subscritas ou adquiridas.
GABARITO: A
23. TJ-AL – Juiz de Direito – 2015 – FCC.
A Sociedade Anônima
a) tem como pressuposto essencial os valores mobiliários de sua emissão
admitidos necessariamente à negociação em bolsa de valores ou no
mercado de balcão.
b) é sempre empresária, mesmo que seu objeto seja atividade econômica
civil, por exemplo, uma companhia constituída só por dentistas para a
prestação de serviços de odontologia pelos próprios acionistas.
c) é a única modalidade de sociedade por ações prevista no direito
brasileiro.
d) não admite a penhora de suas ações em execução promovida contra um
acionista, em razão do interesse patrimonial dos demais acionistas.
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e) é formada por ações, cujo preço de emissão confunde-se com seu valor
nominal ou de negociação em bolsa de valores.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. As ações da companhia nem sempre são
negociadas em bolsa de valores e mercado de balcão (mercado de capitais).
Isso somente ocorre nas companhias abertas.
A alternativa B é a nossa resposta. O Código Civil determina em seu art. 982,
parágrafo único, que a sociedade anônima é sempre empresária.
A alternativa C está incorreta. A sociedade anônima é uma das modalidades de
sociedades por ações, juntamente com a sociedade em comandita por ações.
A alternativa D está incorreta. A ação é considerada um bem como qualquer
outro, e está sujeito a penhora.
A alternativa E está incorreta. Depois da aula de hoje você deve achar
engraçada uma alternativa que diga que preço de emissão, valor nominal e
valor de negociação são a mesma coisa, não é mesmo? Vamos aproveitar para
relembrar!
a) Valor nominal
Esse valor é obtido dividindo-se o capital social pelo número de ações. Lembre-
se de que a SA não é obrigada a conferir um valor nominal a suas ações,
permitindo-se que sejam emitidas ações sem valor nominal.
Você deve estar pensando que não faz diferença que o estatuto confira ou não
valor nominal às ações, pois esse valor pode ser obtido por meio da divisão do
capital social pelo número de ações, não é mesmo? Na prática, porém, existe
uma vantagem para os acionistas quando o estatuto prevê o valor nominal de
cada ação. Nesses casos há a garantia contra a diluição injustificada do valor
patrimonial das ações por ocasião da emissão de novas ações.
Se a companhia emite novas ações com valor patrimonial inferior às antigas,
todos os acionistas que já estão no quadro terminam sendo prejudicados, pois
suas ações passam a representar uma parcela menor do capital social. Por
outro lado, se as ações têm valor nominal, o patrimônio acionário não será
diminuído, já que o art. 13 da Lei das SA proíbe a emissão de ações por preço
inferior ao seu valor nominal.
É importante ainda salientar que nada impedeque o preço de emissão das
novas ações seja superior ao seu valor nominal. Nesse caso a diferença entre os
dois valores, chamada de ágio, deverá obrigatoriamente compor reserva de
capital (art. 13, §2o).
b) Valor patrimonial
Também chamado de valor real, é calculado levando-se em conta o patrimônio
líquido da sociedade. Em vez de dividir o capital social pelo número de ações,
divide-se o patrimônio líquido. Caso você não esteja familiarizado com o
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conceito, o patrimônio líquido é calculado deduzindo-se o passivo (obrigações)
da companhia do seu ativo (bens e direitos).
No ato de constituição da companhia, se suas ações tiverem valor nominal, este
será igual ao valor patrimonial, pois no momento da sua constituição a
sociedade ainda não tem passivo, não é mesmo? A partir de sua entrada no
mercado, a companhia passa a titularizar créditos e débitos, o que fará com que
dificilmente seu capital social e seu patrimônio coincidam novamente.
O valor patrimonial é levado em consideração, por exemplo, quando a
companhia precisa ser liquidada, assim como nas operações de amortização de
ações ordinárias e preferenciais, que podem ser substituídas pelas ações de
fruição.
c) Valor de negociação
Na sociedade anônima é livre a negociação da participação societária. Essas
transações, como você já sabe, normalmente ocorrem no mercado de capitais
secundário, no qual os acionistas vendem suas ações a investidores
interessados, cobrando valores que oscilam em função das mais variadas
circunstâncias.
Alguns doutrinadores falam em valor de negociação privada e valor de
mercado, mas no final os dois conceitos são muito semelhantes, um referindo-
se ao mercado de balcão e outro ao mercado de capitais.
d) Valor econômico
Esse valor é aferido por meio de estudos técnicos especializados, nos quais os
peritos concluem o valor que as ações possivelmente valeriam se fossem postas
à venda no mercado de capitais.
Essa técnica é importante, por exemplo, nos casos de apuração de
responsabilidade dos administradores em relação à negociação de ações que
eram de propriedade da companhia. Se os administradores decidiram vender
ações que pertenciam à companhia e há desconfiança de que a operação foi
subvalorada, por exemplo, somente por meio de estudos será possível verificar
por quanto aquelas ações poderiam ter sido vendidas na ocasião.
e) Preço de emissão
No mercado de capitais primário, como você já sabe, desenvolvem-se as
operações de subscrição de novas ações, o que ocorre quando uma companhia
passa pela abertura de capital ou quando aumenta seu capital social.
Nessas operações o valor pago pelas ações é o preço de emissão, que
representa o valor que o investidor entrega à sociedade como contribuição para
o capital social. O preço, bem como as condições de pagamento, é estabelecido
pela própria companhia, unilateralmente. Obviamente a companhia tenta ao
máximo estabelecer o preço de emissão no patamar suficiente para tornar a
operação viável financeiramente e, ao mesmo tempo, atrair o número esperado
de investidores que tenham interesse em subscrever as ações.
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O preço de subscrição pode ser superior ao valor nominal da ação. A diferença é
o ágio, que deverá obrigatoriamente constituir reserva de capital da companhia.
GABARITO: B
24. TCM-RJ – Procurador – 2015 – FCC.
Na sociedade anônima, a responsabilidade dos sócios é
a) limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
b) restrita ao valor nominal de suas ações, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social.
c) ilimitada.
d) restrita ao valor de mercado de suas ações, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social.
e) limitada ao valor de mercado das ações subscritas ou adquiridas, mas
apenas no tocante às companhias abertas.
Comentários:
Como você aprendeu na aula de hoje, nas sociedades anônimas não há regras
sobre a responsabilidade ilimitada dos acionistas quanto ao capital a
integralizar. Na realidade o acionista tem sua responsabilidade limitada ao
preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
GABARITO: A
25. TCE-CE – Procurador – 2015 – FCC.
O capital social da sociedade anônima poderá ser formado com
contribuições
a) em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação
em dinheiro.
b) apenas em dinheiro.
c) em dinheiro ou em bens imóveis, mas não em bens móveis.
d) em bens de qualquer espécie, ainda que insuscetíveis de avaliação em
dinheiro.
e) apenas em bens imóveis.
Comentários:
De acordo com o art. 7o da Lei das SA, o capital social poderá ser formado com
contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de
avaliação em dinheiro.
GABARITO: A
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