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Apostila de Cefalometria de Ricketts

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Coordenador Geral - Prof. Dr. Hideo Suzuki 
 
 
 
 
 
Imperatriz - MA 
 
 
 
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Cefalometria de Ricketts 
 
Definição de Cefalometria – “e a ciência que fraciona o complexo crânio-dento-
facial, com o propósito de examinar como se relacionam entre si, e como o incremento de 
uma das partes altera o todo”. Jarabak. 
 
Objetivos da Cefalometria – “4C”. 
 Caracterização – ou descrição morfológica das condições existentes, quer sejam 
anatômicas, fisiológicas ou patológicas. 
 Comparação – de um indivíduo com um outro ou com ele mesmo em diferentes idades 
(comparação longitudinal ou transversal). 
 Classificação – das diversas disposições anatômicas (maxilares, alveolares e 
dentárias) em diferentes categorias esqueléticas, dentárias ou 
ambas. 
 Comunicação – dos diferentes aspectos reconhecidos pelo clinico no mundo 
profissional, aos pais ou ao paciente 
 
Pontos Cefalométricos 
Pontos selecionados por inspeção visual: 
 Ba (Básio) – ponto mais póstero inferior da imagem da base occipital - P. Vion. 
 Na (Násio) – ponto mais anterior da sutura fronto-nasal. “O násio é um ponto 
pericraniano da sutura fronto-nasal que pertence ao frontal quando a sutura 
está aberta” - M. Langlade. 
 Or (Orbitário) – ponto mais inferior do contorno da órbita. “O ponto orbitário se 
localiza na união do rebordo orbitário externo com o assoalho da órbita” - P. 
Vion. 
 ENA (Espinha Nasal Anterior) – ponto localizado na extremidade anterior superior 
da maxila. 
 ENP (Espinha Nasal Posterior) – ponto localizado na extremidade posterior da 
maxila. Segundo Ricketts, a Espinha Nasal Posterior pertence ao osso palatino. 
 
 
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 A (Ponto A) – localizado no ponto mais posterior sobre a curvatura anterior da 
maxila. Situa-se entre a ENA e a porção alveolar, no ponto mais profundo da 
concavidade sub espinhal da pré-maxila. 
 Po (Pogonio) – ou Pog, Pg, P – ponto mais anterior da sínfise mentoniana. 
 Pm (protuberância Mental ou Suprapogônio) – localiza-se entre o ponto B e o Po - 
“ponto localizado na curvatura da borda anterior da sínfise, quando a curvatura 
passa de côncava para convexa” – Ricketts. 
 Me (Mentoniano) – ponto mediano mais inferior situado sobre a curvatura inferior 
da sínfise mentoniana – M. Langlade 
 Pr – Porio – ponto mais superior do conduto auditivo externo. 
 Pt (Pterigóide) – ponto localizado na junção do bordo inferior do canal do foramen 
redondo, com o bordo posterior da fissura ptérigo-maxilar – M. Langlade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pontos Localizados por Construção 
 Gn (Gnátio Virtual ou Cefalométrico) – ponto localizado na intersecção do Plano 
Facial (Na-Po), com o Plano Mandibular. 
 
 
 
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 Go (Gônio Virtual ou Cefalométrico) – ponto localizado na intercção do Plano 
Mandibular com uma linha que passa tangente ao bordo posterior do ramo 
ascendente. 
 Dc (Eixo Condilar): ponto situado no centro do colo do côndilo, sobre o Plano BA-Na. 
 CC (Centro do Crânio): ponto localizado na intersecção do Eixo Facial (Pt-Gn) com a 
base anterior do crânio (BA-Na). 
 CF (Centro da Face): ponto localizado na intersecção do Plano de Frankfurt (Pr-Or) 
com a Vertical Pterigóide. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Xi (Centro do Ramo da Mandíbula): ponto situado no centro do ramo ascendente da 
mandíbula, localizado no forâmen mandibular, onde o nervo mandibular penetra 
na mandíbula. É considerado um ponto biologicamente forte por Ricketts. 
Método para a construção do ponto “Xi” 
1. Determinar os seguintes pontos: 
R1 – ponto mais profundo da concavidade do bordo anterior do ramo ascendente. 
 
 
 
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R2 – ponto sobre o bordo posterior do ramo ascendete (projeção do ponto R1 paralelo 
a Frankfurt). 
R3 – ponto mais profundo da curvatura da chanfradura sigmóide. 
R4 – ponto no bordo inferior do ramo ascendente (projeção do ponto R3 paralelo a Ptv) 
(fig. A). 
2. Construir planos paralelos e/ou perpendiculares a Ptv e ao Plano de Frankfurt, tangentes 
aos pontos R1, R2, R3 e R4 (fig. B). 
3. As diagonais do retângulo formado definem o ponto “Xi” (figs. C e D). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Linhas e Planos de Referência 
 
 
 
 
 
 
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Linha Ba-Na: Linha que vai do ponto Básio até 
o Násio. Representa a base do crânio. É a linha 
divisória entre a face e o crânio. 
 
 
 
 
Plano de Frankurt: Pr-Or : linha que passa pelos 
pontos Pório (Pr) e Orbitário (Or). 
 
 
 
 
 
Plano Facial: Na-Po : Linha que passa pelos 
pontos Násio (Na) ao Pogônio (Po). 
 
 
 
 
 
 
Plano Mandibular: Linha que passa pelo ponto 
Mentoniano (Me) e é tangente ao ponto mais 
inferior do ramo montante da mandíbula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Plano Vertical Pterigóide : linha que passa pelo 
bordo posterior da Fossa Ptérigo-Maxilar e é 
perpendicular ao Plano de Frankurt. 
 
 
 
 
 
Eixo Facial: linha que une os pontos Pt 
(pterigóide) e Gn (gnátio virtual). 
 
 
 
 
 
 
Linha Facial Superior: linha que liga os pontos 
Na (násio) ao ponto A. 
 
 
 
 
 
 
Plano Dentário: conhecida também como Linha 
Facial Inferior. Liga o ponto A ao Pó (pogônio). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Plano Oclusal Funcional: linha ligando a 
intercuspidação dos primeiros molares (ou 
molares decíduos) e dos primeiros pré-molares. 
Não levar em consideração os incisivos para 
traçar este plano. 
 
 
 
Linha Xi-ENA: linha que liga os pontos Xi a ENA 
(espinha nasal anterior). 
 
 
 
 
 
 
Eixo do Corpo Mandibular: linha do ponto Xi ao 
ponto PM. 
 
 
 
 
 
 
Eixo Condilar: linha do ponto Xi ao ponto Dc 
(condilar). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Longo Eixo dos Incisivos Inferiores: linha que 
passa pelo longo eixo dos incisivos inferiores. 
 
 
 
 
 
 
Longo Eixo dos Incisivos Superiores: linha que 
passa pelo longo eixo dos incisivos superiores 
 
 
 
 
 
Plano Estético – Linha E: linha que passa pelo 
ponto mais anterior da ponta do nariz ao ponto 
mais anterior do mento (tecidos moles). 
 
 
 
 
 
Plano Palatino: linha que liga os pontos ENA 
(espinha nasal anterior) e ENP (espinha nasal 
posterior). 
 
 
 
Análise Simplificada – 16 Fatores 
 
 
 
 
 
 
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1. Convexidade do Ponto A 
É a distância entre o ponto A e o plano Facial, 
perpendicular a este. 
Norma clínica: 2,0mm (aos 8 ½ anos) 
Diminui 0,2mm por ano 
Interpretação: Convexidade alta implica em 
padrão de Classe II esquelética. 
 Convexidade negativa, padrão 
de Classe III esquelética. 
 Pacientes com bom potencial de crescimento horizontal podem 
ter a convexidade maior em idade precoce e ser considerado 
normal. 
 
 
2. Eixo Facial 
Ângulo formado pela linha básio-násio, com a 
linha que passa pelos pontos Pt-Gn (eixo facial). 
Norma clínica: 90º 
Desvio clínico: ±3º 
Não altera com o crescimento. 
Interpretação: Fornece a direção de 
crescimento do mento e exprime a 
proporção da altura facial em 
comparação com a profundidade 
facial. 
Além disso, o molar superior faz sua erupção ao longo do eixo 
facial. 
3. Profundidade Facial 
 
 
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Ângulo formado pelo plano de Frankfurt e o plano 
facial. Ângulo facial de Downs. 
Norma clínica: 87º aos 9anos. 
Desvio clínico: ±3º 
Aumenta 1º a cada 3 anos. 
Interpretação: Localiza o mento 
horizontalmente na face. 
Determina se uma Classe II ou 
Classe III esquelética é devido a 
mandíbula. 
 
 
4. Plano Mandibular 
Medida através do ângulo formado pelo plano 
mandibular e o plano de Frankfurt. Para facilita sua 
medição, transferimos o plano de Frankfurt, através da 
vertical pterigóide, até encontrar o plano mandibular. 
Norma clínica: 26º. 
Desvio clínico: ±4º 
Diminui 1º a cada 3 anos. 
Interpretação: Plano mandibular alto determina que a mordida aberta 
esquelética é devido a mandíbula. 
Um ângulo baixo indica que a sobremordida é devido a 
mandíbula.