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RELATÓRIO DE 
ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES 
FINANCEIRAS DA 
BRF S.A. 
 
Análise elaborada com base nas Demonstrações Financeiras da BRF 
dos anos de 2015, 2016 e 2017. Foram utilizadas, ainda, 
informações disponíveis nos Relatórios de Administração, nos 
Formulários de Referência e no site de relação com investidores da 
companhia. 
 
 
 
Analistas: 
 
Leide Moreira 
 
Leonardo Cunha 
 
Renata Braga 
 
VALOR DE MERCADO 
 
R$25,2 bilhões 
US$7,7 bilhões 
 
COTAÇÕES 
 
BRFS3 R$30,98 
BRFS US$9,49 
 
AÇÕES EMITIDAS 
 
812.473.246 ações 
ordinárias 
1.333.701 ações em 
tesouraria 
 
Base: 22.02.2018 
 
BRF S.A. 
R Jorge Tzachel - 
Fazenda, Itajaí, SC 
+55 11 31931001 
 
https://www.brf-
global.com/ 
 
 
1. Histórico da companhia 
 
❖ Nos primeiros anos da década de 30, em Videira (SC), descendentes de duas famílias de 
imigrantes italianos estabeleceram um pequeno negócio cujo crescimento deu origem a 
um dos maiores complexos agroindustriais do mundo: a Perdigão. 
❖ Já no início da década de 40, começa a história da Sadia. Fundada por Attilio Fontana, 
em Concórdia (SC), a marca trouxe os seus valores de berço: respeito ao trabalho, 
cuidado com a terra e valorização técnica. 
❖ Em 1975, a Perdigão se torna pioneira na exportação de carne de frango do Brasil, o 
destino foi a Arábia Saudita. 
❖ Em 1990, a Sadia abre as portas para diversas localidades do mundo. Tóquio, Milão e 
Buenos Aires foram as primeiras. Em 1998, a empresa ultrapassou US$ 1 bilhão de 
faturamento e garantiu liderança absoluta no segmento de aves. A exportação atingiu a 
meta de mais de 40 países. 
❖ Em 2000, a Perdigão abre o primeiro escritório fora do Brasil, em Londres, na 
Inglaterra. Nesse mesmo ano, a marca entra para o pregão das ações listadas nas bolsas 
de Nova York e se torna a primeira empresa brasileira de alimentos presente em Wall 
Street. 
❖ Em 2009, as marcas anunciam o início do processo de associação para unificar as 
operações das companhias, que passou a se chamar BRF Brasil Foods S.A. 
❖ Em 2010, a BRF alcançou a marca de 22,7 bilhões de reais em vendas, sendo 40% delas 
destinadas ao mercado exterior. Ainda, se torna a terceira empresa exportadora do 
Brasil, sendo a maior exportadora de aves e líder na produção global de proteínas, com 
9% da comercialização mundial. 
❖ Em 2013, a nova marca é lançada. O empresário Abílio Diniz passa a fazer parte do 
Conselho Administrativo da empresa. 
❖ Em 2015, Pedro Faria assume como CEO global da companhia. 
❖ Em 2017, a BRF lança a onefoods, subsidiária dedicada ao mercado halal. A empresa já 
nasce como maior companhia halal de proteína animal do mundo. 
❖ Ainda em 2017, a BRF anunciou a saída de Pedro Faria da presidência da companhia, 
função que exerceu desde janeiro de 2015. José Aurélio Drummond tomou posse 
oficialmente em dezembro de 2017 no cargo de Diretor Presidente Global. 
 
Fonte: https://www.brf-global.com/sobre-brf/quem-somos-nossa-historia 
2. Modelo de Negócios 
 
A BR Foods S.A. (BRF) é uma multinacional brasileira que atua globalmente como 
uma das maiores produtoras mundiais de alimentos. A companhia é detentora de um portfólio 
abrangente e diversificado de produtos, sobretudo, há o foco na criação, produção e abate de 
aves e suínos, industrialização, comercialização e distribuição de carnes in-natura, produtos 
processados, massas, molhos, maioneses, vegetais congelados e derivados de soja. A BRF 
tem intensa atuação nacional e presença em mais de 150 países, nos 5 continentes. Mais de 
100 mil funcionários trabalham na companhia, que mantém mais de 50 fábricas em oito países 
(Argentina, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Malásia, Reino Unido, Tailândia e 
Turquia). 
A BRF possui mais de 30 marcas em seu portfólio, entre elas, marcas fortes 
como: Sadia, Perdigão, Qualy, Chester®, Perdix, Paty e Banvit. A firma é responsável por 
16,3% do market share global de comércio de aves. Do ponto de vista de produção, a empresa 
tem 35 plantas em todas as regiões no Brasil e 47 centros de distribuição, 20 deles no Brasil e 
27 no exterior. A BRF possui uma ampla rede de distribuição visando atender a 
supermercados, lojas de varejo, atacadistas, restaurantes e outros clientes institucionais. 
 
2.1 Vantagens competitivas do negócio 
 
Conforme o modelo de Cinco Forças Competitivas de Porter, o modelo de negócios da 
empresa pode ser analisado como: 
 
Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes 
• Economias de escala: As diversas plantas industriais já instaladas ainda possuem maior 
potencial de produção. 
• Barreiras de Entrada: Necessidade de alto investimento e concorrência com grandes 
empresas (BRF e JBS). 
• Acesso à distribuição: As unidades produtivas e centros de distribuição 
estão estrategicamente localizadas próximas aos principais centros de consumo. 
• Diferenciação em custos: A empresa tem investido fortemente em automação dos 
processos produtivos e redução de custos de mão-de-obra. 
 
Poder de Negociação dos Fornecedores 
• Diferenciação de insumos: Pouca possibilidade de diferenciação de insumos. A BRF 
está sujeita à sazonalidade dos insumos agrícolas (e.g., milho e soja). 
• Presença de insumos substitutos: Não tem possíveis insumos substitutos, ficando sujeita 
às variações de preço. 
• Concentração de fornecedores: Possui milhares de fornecedores, ou seja, baixa 
concentração de fornecedores. A BRF mantém as unidades produtivas estrategicamente 
localizadas próximas aos seus fornecedores de matérias-primas. 
• Importância do volume para o fornecedor: Em geral, são pequenos fornecedores e as 
compras da BRF representam uma grande parte de suas receitas. Deste modo, a firma 
está protegida em relação ao volume de compras de cada fornecedor. 
 
Poder de Negociação dos Clientes 
• Concentração de compradores: As maiores varejistas nacionais são clientes da BRF, ou 
seja, quase todos os grandes atacadistas e varejistas compram diretamente da empresa. 
Desta forma, há baixa concentração de clientes. 
• Volume dos compradores: Em geral, os compradores realizam grandes compras. 
• Identidade da marca: A BRF tem marcas fortes e altamente reconhecidas pelos 
consumidores, sobretudo, no Brasil, Argentina, Turquia e países do Oriente Médio. 
 
Ameaça de Produtos Substitutos 
• Produtos substitutos: Há pouca margem para escolha de bens substitutos, o que pode 
ocorrer eventualmente é o aumento de compra de outras marcas por parte dos clientes. 
• Custo-benefício: A BRF busca estabelecer sua política de preços, de forma que a relação 
custo-benefício fique próxima a dos concorrentes. 
• Qualidade do produto: Produtos de qualidade média, voltados para as necessidades do 
segmento de varejo. 
 
Rivalidade entre os Concorrentes 
• Principais concorrentes: Os concorrentes diretos da BRF no Brasil são a JBS, Marfrig, 
Minerva e M. Dias Branco. 
• Diversidade de concorrentes: Há pouca diversidade de concorrentes. O mercado está 
concentrado em grandes empresas. 
• Crescimento da indústria: O crescimento anual médio do faturamento líquido dos 
concorrentes diretos nos últimos 10 anos tem sido de 17,1%, entretanto, o crescimento 
da BRF no mesmo período ficou em 11,4%. 
• Repartição de quotas de mercado: A BRF tem grandes posições de market share. A 
participação de mercado nos segmentos no 4T17 no mercado nacional: pratos prontos 
(59,5%); frios (53,7%); margarinas (62,8%) e embutidos (40%). 
 
Além dessas ponderações, avalia-se o modelo de negócios e os principais 
acontecimentos recentes nas condições internas e externas da BRF. Neste sentido, entende-se 
que há pontos que beneficiam (positivos) e debilitam (negativos) o desempenho da companhia 
no longo prazo. São estes os principais pontos: 
 
Pontos Positivos 
• Detém marcas fortes; 
• Melhora no mix de produtos ofertados; 
• Arrojados investimentos em ampliação e diversificação; 
• Atua de forma integrada com produtores deaves e suínos viabilizando melhor 
monitoramento dos riscos inerentes ao processo produtivo; 
• Estrutura logística integrada ao longo da cadeia produtiva, especialmente com centros 
produtivos estrategicamente próximos a canais de escoamento da produção; 
• Pulverização da base de clientes no exterior, tende a amenizar os riscos inerentes a 
mercados específicos; 
• Busca por descontinuação de linhas de produtos não rentáveis ao mesmo tempo em que 
são incrementadas linhas de maior valor agregado. 
 
Pontos Negativos 
• Concorrência no mercado interno é grande; 
• Desaceleração na demanda no mercado interno em função da piora dos indicadores 
nacionais de desemprego e inadimplência; 
• Tendências de elevação no custo aliadas com o arrefecimento no volume de vendas 
poderão culminar em pressão na margem bruta no curto prazo; 
• Envolvimento na Operação Carne Fraca porque a BRF não tomava todos os cuidados 
sanitários necessários, visto que a empresa emitia pareceres positivos para lotes de carne 
de frango com salmonela; 
• A febre aftosa ainda não foi completamente erradicada do País e há risco da doença nos 
frangos vendidos; 
• Produtos alimentícios brasileiros ainda enfrentam algumas restrições sanitárias na 
Europa e na Rússia; 
• A concorrência no mercado interno aumentou após a JBS ter adquirido a Seara em junho 
de 2013; 
• Vários executivos desligados da BRF se empregaram na concorrência, aumentando a 
inteligência de negócios dos concorrentes e diminuindo da BRF. 
 
2.2 Governança Corporativa 
 
A BR Foods possui apenas ações ordinárias (ON) com direito de voto pleno, com Tag 
Along de 100%. Além disso, a firma manteve em 2017 um nível de free float de 94,7%, acima 
dos 25% exigidos para pertencer ao segmento de governança do "Novo Mercado". No que se 
refere a sua estrutura de propriedade, os principais acionistas com direito a voto são 
a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) com 11,4% das ações emitidas, Caixa de 
Previdência do Banco do Brasil (Previ) com 10,7% e Tarpon Investimentos S.A. com 
8,6%, Aberdeen Asset Management PLC com 5,1% das ações ao final de 2017. Pode-se 
considerar que a BRF tem uma base de acionistas pulverizada, uma vez que 57,7% das ações 
estão em posse de outros acionistas e, em geral, estão circulando no mercado. À vista disso, 
podem haver problemas de agência decorrente da estrutura de capital pulverizada, ou seja, 
desalinhamento de interesses e decisões dos gestores da companhia e dos fundos de 
previdência e de investimento, que são seus principais acionistas. 
 
 
 
 
O conselho de administração é integrado pelo Abílio dos Santos de Diniz (Presidente 
do Conselho), Francisco Petros Oliveira Lima Papathanasiadis (Vice-Presidente) e mais 6 
conselheiros independentes. O conselho tem idade média de 58 anos. Além disso, o tamanho 
máximo do conselho é de 11 integrantes e os membros independentes têm mandatos de 2 
anos. Mais recentemente, insatisfeitos com os métodos de gestão da BRF, os fundos de 
previdência do Previ e Petros enviaram uma correspondência que foi destinada ao Conselho 
de Administração da Companhia na qual convocaram uma Assembleia Geral Extraordinária 
(AGE) com os objetivos: (i) destituição de todos os membros do Conselho de Administração 
da Companhia; (ii) aprovação do número de 10 membros para compor o Conselho de 
Administração; (iii) eleição de novos membros para ocuparem os cargos no Conselho de 
Administração; e (iv) eleição do Presidente e do Vice-Presidente do Conselho de 
Administração. Esse ato mostra o forte descontentamento dos principais acionistas em relação 
à estratégia desenvolvida pela administração e os resultados que vêm sendo entregues. 
 
2.3 Modelo de gestão 
 
Durante o primeiro semestre de 2017, a Companhia desenvolveu seu novo modelo de 
estrutura de gestão. O novo modelo visa aprimorar e padronizar os processos e está 
organizado em 5 segmentos operacionais da seguinte forma: Brasil, Cone Sul 
(desmembramento oriundo do segmento “LATAM” e composto atualmente pelos mercados 
da Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile), Internacional (agrupamento dos segmentos 
“Europa”, "África” e “Ásia” e inclusão de “Américas”, oriundo do desmembramento de 
“LATAM”), One Foods (anteriormente denominado “MENA”) e Outros Segmentos. 
Em 2016, as atividades da Companhia estavam organizadas em 7 segmentos 
operacionais, incluindo a região África, que devido sua relevância e potencial de crescimento 
passou a ter a mesma autonomia e estrutura organizacional das demais regiões. Sendo assim, 
os segmentos estavam apresentados da seguinte forma: Brasil, América Latina (“LATAM”), 
Europa, Oriente Médio e Norte da África (“MENA”), Ásia, África e Outros Segmentos. 
 
2.4 Gestão de Riscos 
 
A BRF em suas operações está exposta a riscos financeiros: risco de mercado, de 
crédito e liquidez. Quanto ao risco de mercado, a firma está suscetível às variações das taxas 
de juros, câmbio e aos preços de commodities. O risco de mercado decorre de variações nas 
taxas de juros dos indexadores de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), CDI (Certificado de 
Depósito Interbancário) e LIBOR (London InterBank Offered Rate), em que estão indexadas 
suas obrigações financeiras. Nos últimos três anos cerca de 40% da dívida bruta está indexada 
em taxas de juros variáveis. Conforme o relatório de referência, a BRF monitora 
continuamente as taxas de juros de mercado visando avaliar eventuais descasamentos entre 
ativos e passivos e a necessidade de contratação de operações com o objetivo de proteção 
contra a volatilidade dessas taxas. 
No que refere a exposição às taxas de câmbio, a BRF tem seus custos de produção 
denominados em reais, mas as receitas no mercado internacional são, em sua maioria, 
denominadas em dólar. As receitas geradas pelas exportações sofrem uma redução quando 
convertidas em reais em períodos de apreciação do real em relação ao dólar. Tais valorizações 
poderiam reduzir a competitividade das exportações e prejudicar a receita operacional líquida 
e fluxos de caixa provenientes das vendas no exterior. Por outro lado, qualquer depreciação 
do real frente ao dólar poderia gerar maiores exportações e receitas, mas os custos podem ser 
maiores. Até mesmo partes dos custos podem sofrer com as variações do dólar, uma vez que 
os preços da soja, farela da soja, milho e outros nutrientes são necessários para composição da 
ração dos animais de criação são indexados ao dólar. Além disto, há a importação de tripas 
para a fabricação de linguiças, ovos matrizes, embalagens e outras matérias-primas, bem 
como equipamentos usados nas unidades produtivas, de fornecedores estrangeiros, os quais 
são pagos em dólares ou em outras moedas estrangeiras. Também, conforme destacado 
anteriormente, cerca de 54% do endividamento encontra-se em moeda estrangeira. 
Diante do risco da variação cambial, a BRF possui dois tipos de exposição à taxa de 
câmbio: (1) exposição de resultado operacional e (2) exposição de balanço contábil. 
Declaradamente, a companhia utiliza as estratégias abaixo para se proteger desses riscos: 
 
Exposição de Resultado Operacional 
• Cálculo mensal da exposição de resultado líquido em moeda estrangeira; 
• Monitoramento mensal do fluxo de amortizações dos instrumentos financeiros não 
derivativos designados como hedge accounting; 
• Para os preços da soja, foco em farelo e óleo, sendo soja grão considerado como 
cobertura ou exposição de acordo com os rendimentos médios de esmagamento; 
• São considerados hedges instrumentos financeiros e comerciais que protejam a 
Companhia da variação do preço das commodities; 
• O estoque físico será sempre considerado no cálculo da exposição e na necessidade de 
hedge da Companhia; 
• As operações de hedge são executadas sobre a exposição calculada, respeitando os 
limites constantes da Política de Riscos; 
• Adicionalmente aos limites da Política de Riscos, hádocumento interno e estratégico 
que traz limites adicionais para esta exposição; 
• A contratação máxima de hedge por moeda será dada pela Política de Hedge Contábil. 
 
Exposição de Balanço Contábil 
• Cálculo mensal da exposição de balanço patrimonial; 
• Além dos limites contidos na Política de Riscos, a Companhia adota como limite desta 
exposição à variação cambial máxima de 30% do seu EBITDA num trimestre; 
• Para estimação da exposição máxima que garanta o limite anterior, a Companhia adota 
modelos conservadores, os quais utilizam cenários de estresse. 
 
No que se refere à risco dos preços de commodities, a BRF ainda está exposta 
a volatilidade resultante das condições climáticas, rendimento de safra, custos com transporte 
e armazenagem, política agrícola do governo e outros fatores. O preço dos suínos adquiridos 
de terceiros está sujeito a condições de mercado e é influenciado por disponibilidade interna e 
níveis de demanda no mercado internacional, dentre outros aspectos. A firma utiliza 
instrumentos derivativos (termos) para principalmente proteger-se contra as altas dos preços 
do milho, farelo, óleo de soja e suínos vivos. 
Em relação ao risco de crédito, a BRF está sujeita ao risco de crédito relacionado com 
as contas a receber de clientes, aplicações financeiras e contratos de derivativos. O risco de 
crédito relacionado com as contas a receber de clientes é gerenciado ativamente com uso de 
sistemas específicos. Ainda, destaca-se que a pulverização da carteira de clientes e concessão 
de crédito a clientes com bons índices financeiros e operacionais, geram uma redução no 
risco. Geralmente a Companhia não exige garantia para as vendas a prazo, todavia, possui 
contratada apólice de seguro de crédito para mercados específicos. Já o risco de crédito de 
aplicações financeiras e contratos derivativos estão limitados às contrapartes listadas abaixo e 
é gerenciado conforme classificação de rating e concentração do portfólio da Companhia. 
No tocante do risco de liquidez, a BRF busca minimizar os impactos causados por 
eventos que possam comprometer o desempenho da Companhia sob a perspectiva de caixa. A 
empresa modela os fluxos de caixa futuros dos 12 meses seguintes e quanto está em risco sua 
liquidez e estabelece um valor mínimo de suas disponibilidades, que deve considerar 
principalmente o faturamento médio mensal e EBITDA dos últimos 12 meses. 
 
 
3. Modelo Contábil 
 
Dadas as características do modelo de negócio da BRF, de forma geral, as 
demonstrações contábeis foram preparadas com base no custo histórico recuperável. 
Notadamente, há a exceção de alguns itens no balanço patrimonial que não são reconhecidos 
nessa base, são eles: 
• Instrumentos financeiros derivativos e não derivativos mensurados pelo valor justo; 
• Ativos financeiros disponíveis para venda mensurados pelo valor justo; 
• Aplicações financeiras classificadas como caixa e equivalentes de caixa mensuradas 
pelo valor justo; 
• Pagamentos baseados em ações e benefícios a empregados mensurados a valor justo; 
• Ativos biológicos mensurados pelo valor justo. 
 
A BRF elabora suas demonstrações conforme as normas internacionais de 
contabilidade (IFRS). Destaca-se que no grupo de ativos biológicos, os animais consumíveis e 
mantidos para produção, assim como as florestas, são avaliados pelo seu valor justo. Para 
tanto, aplica-se a técnica de abordagem de custo aos animais vivos e abordagem de receita 
para as florestas. Na mensuração do valor justo estão incorporadas todas as perdas inerentes 
ao processo de criação. Deste modo, o modelo contábil consegue mensurar adequadamente a 
apreciação de valor dos ativos biológicos (e.g., frangos, aves e suínos) de acordo com o ciclo 
de vida do animal. Assim sendo, permite-se que haja uma avaliação dos futuros custos de 
produção e estoques. 
Dada as características do modelo de negócios, a BRF possui uma parcela de suas 
receitas brutas em moeda nacional e outra em moeda estrangeira e grande parte dos seus 
custos em moeda nacional. Assim como, há a contração de dívidas em ambas as 
moedas. Deste modo, a companhia está fortemente exposta a variação do câmbio de moedas, 
da taxa de juros e dos preços dos insumos no mercado internacional. Em vista disso, a BRF 
contrata instrumentos derivativos e não derivativos com o objetivo de proteção e mitigação 
destes potenciais riscos por meio da utilização do hedge. A gestão de hedge é feita por meio 
dos instrumentos derivativos: termos, futuros, swaps e opções. Adicionalmente, a BRF 
designa essas operações conforme a metodologia de hedge accounting e atendem a todos os 
critérios para sua utilização. 
De forma geral, o modelo contábil consegue adequadamente (sem grandes distorções) 
reconhecer o resultado do modelo de negócios e suas variações ao longo do tempo. 
Entretanto, conforme aponta os principais assuntos de auditoria, o reconhecimento antecipado 
ou postecipado das receitas está submetido a diversos critérios e parâmetros subjetivos da 
administração na determinação de quando foram transferidos integramente ou parcialmente os 
riscos e benefícios dos produtos vendidos. Assim sendo, eventualmente, os administradores 
podem utilizar dessa flexibilidade de escolhas temporais do modelo contábil com o intento de 
gerenciar os resultados para diversos fins (e.g., atendimento de expectativas de investidores e 
credores). 
 
 
4. Relatório da Auditoria 
 
As demonstrações contábeis da BRF foram auditadas pela KPMG no ano de 2017 e 
pela Ernst & Young nos anos de 2016 e 2015. Os pareceres dos auditores dos três anos foram 
sem ressalva. Além disso, no relatório dos auditores independentes, destacam-se quais foram 
os principais assuntos de auditorias (PAA) para os anos de 2017 e 2016, visto que não havia a 
exigência de discussão desses pontos em 2015. 
 
Principais Assuntos de Auditoria em 2017: 
• Reconhecimento de receita: A determinação do momento e do valor de 
reconhecimento da receita pode variar para o mercado interno e para o mercado 
externo. Deste modo, pode-se criar um incentivo de reconhecimento da receita antes 
da transferência dos riscos e benefícios, especialmente no período que antecede o 
fechamento do exercício (“corte das vendas”). A auditoria buscou avaliar a efetividade 
dos controles internos de reconhecimento de receita, amostra de vendas, 
documentação e desvios não usuais de reconhecimento para avaliar essa questão. 
• Instrumentos derivativos e designação por hedge accounting: Há diversos 
julgamentos envolvidos na mensuração do valor justo dos derivativos e 
na determinação da relação de hedge, em vista da complexidade do assunto. A 
auditoria tratou a questão ao verificar a razoabilidade das principais premissas 
utilizadas para o cálculo dos valores justos de tais instrumentos, tais como: transações 
recentes de mercado, referência ao valor justo corrente de outro instrumento similar, 
análise de fluxo de caixa descontado e risco de crédito. 
• Valor recuperável de ágios por expectativa de rentabilidade futura: Realiza-se o teste 
de impairment para determinar o valor recuperável de tais ágios, isso envolve 
julgamentos significativos na determinação das premissas utilizadas nas projeções dos 
fluxos de caixa, tais como taxas de crescimento e de desconto. A auditoria conduziu o 
assunto ao verificar tanto a razoabilidade como a consistência da metodologia e das 
premissas utilizadas. 
• Probabilidade de perda das contingências tributárias: Há diversos processos 
administrativos e judiciais oriundos de diversas contingências tributárias, que são 
altamente impactados por mudanças na probabilidade de perda. A auditoria consultou 
seus especialistas jurídicos e tributários com o objetivo de verificar a adequada 
classificação de tais perdas em provável e possível. 
 
Principais Assuntos de Auditoria em 2016: 
• Reconhecimento de receita: O reconhecimento da receita requeranálise detalhada dos 
termos e condições, além de envolver julgamento significativo por parte da 
administração. A auditoria buscou avaliar: (i) o desenho e eficácia dos principais 
controles internos; (ii) amostra de contas a receber de clientes; (iii) análise das 
movimentações mensais sobre saldos de receita; e (iv) amostra de vendas registradas 
durante o exercício. 
• Teste anual de recuperação de ágio: O ágio por expectativa de rentabilidade futura 
representava 11% do ativo total da BRF em 2016. Dada a relevância, a auditoria junto 
com seus especialistas em avaliação verificou a razoabilidade das premissas de 
margem, taxas de crescimento e taxas de desconto, que são as variáveis críticas e de 
mais julgamento. 
• Contingências tributárias: Os diversos processos administrativos e judiciais oriundos 
de diversas contingências tributárias totalizam R$ 12 bilhões e foram avaliados como 
perda possível. Nesta temática, há o risco de que mudanças na avaliação da 
probabilidade de perda nos processos tributários não sejam identificadas de forma 
tempestiva. A auditoria avaliou junto com seus consultores jurídicos se tais perdas 
nesses processos estão adequadamente classificadas nos agrupamentos de provável e 
possível. 
• Ganhos e perdas de instrumentos financeiros derivativos e não derivativos designados 
como hedge accounting: Há a contratação de instrumentos financeiros derivativos para 
mitigar os riscos de taxas de juros e de câmbio. A designação como instrumentos de 
hedge e a valorização de tais instrumentos é altamente complexa e subjetiva e está 
sujeita a julgamento por parte da administração. Além disso, há o risco de que ganhos 
ou perdas decorrentes de operações de hedge não sejam adequadamente 
reclassificados de outros resultados abrangentes quando de sua realização. A auditoria 
buscou avaliar se a documentação foi apropriada para a designação de hedge 
accounting e se os valores de ganhos ou perdas foram registrados. Assim como, se as 
relações de hedge foram efetivas e devidamente calculadas e contabilizadas. 
 
 
5. Visão geral das contas patrimoniais e de resultado 
 
Pela análise geral do Balanço Patrimonial, nota-se aumento geral nos Ativos, sendo 
que na Análise Vertical, o Ativo Circulante vem caindo em relação ao total dos Ativos, e o 
Ativo Não Circulante vem aumentando em proporção devido a aumento progressivos desde 
2015 nas Contas de Realizável a Longo Prazo, Imobilizado e Intangível. 
Quanto às principais variações no Ativo Circulante, nota-se que o Contas a receber 
teve variação relevante em 2017, indicando que possa ter havido aumento nos prazos de 
recebimento. Nota-se, ainda, o aumento progressivo nas contas de estoques desde 2015. 
Já no Passivo e Patrimônio Líquido, apesar do aumento da conta de estoques, a conta 
de fornecedores teve certa estabilidade em 2017. A variação mais relevante refere-se a 
Empréstimos e Financiamentos no Passivo Circulante. Essa mesma conta se manteve estável 
no Passivo Não Circulante. Nota-se que os empréstimos e financiamentos são as contas mais 
relevantes no Grupo, seguida de Fornecedores. Nota-se também aumento das provisões tanto 
no curto prazo, como no longo prazo. O patrimônio líquido vem reduzindo, parte impactado 
pelo prejuízo dos últimos dois anos, como nota-se pela Demonstração de Resultado. 
 
Balanço Patrimonial - BRF SA ON (R$ Milhões) 
ATIVO 2015 A.V. A. H. 2016 A.V. A. H. 2017 A.V. 
Ativo total 40,388 100% 6.3% 42,945 100% 5.3% 45,228 100% 
Ativo Circulante 19,180 47.5% -1.5% 18,894 44.0% 1.5% 19,186 42.4% 
Caixa e equivalentes de caixa 5,363 13.3% 18.5% 6,357 14.8% -5.4% 6,011 13.3% 
Aplicações financeiras 735 1.8% -15.3% 622 1.4% -63.3% 228 0.5% 
Contas a receber 4,180 10.3% -22.6% 3,234 7.5% 24.7% 4,032 8.9% 
Estoques 4,033 10.0% 18.8% 4,792 11.2% 3.3% 4,948 10.9% 
Ativos Biológicos 1,330 3.3% 23.7% 1,645 3.8% -8.2% 1,510 3.3% 
Impostos a Recuperar 1,232 3.0% 0.2% 1,235 2.9% -0.5% 1,228 2.7% 
Ativo não circulante 21,208 52.5% 13.4% 24,051 56.0% 8.3% 26,043 57.6% 
Realizável LP 5,095 12.6% 9.4% 5,574 13.0% 18.2% 6,587 14.6% 
Investimentos 186 0.5% -68.4% 59 0.1% 16.2% 68 0.2% 
Imobilizado 10,916 27.0% 7.6% 11,746 27.4% 3.8% 12,191 27.0% 
Intangíveis 5,011 12.4% 33.2% 6,673 15.5% 7.9% 7,198 15.9% 
 
 
 PASSIVO 2015 A.V. A. H. 2016 A.V. A. H. 2017 A.V. 
Passivo e Patrimônio líquido 40,388 100% 6.3% 42,945 100% 5.3% 45,228 100% 
Passivo Circulante 11,621 28.8% 9% 12,640 29.4% 18% 14,908 33.0% 
Obrigações sociais e trabalhistas 159 0.4% 86% 297 0.7% 11% 330 0.7% 
Fornecedores 5,920 14.7% 21% 7,175 16.7% 0% 7,161 15.8% 
Impostos a pagar 353 0.9% -10% 320 0.7% 33% 426 0.9% 
Empréstimos e financiamentos 2,628 6.5% 23% 3,245 7.6% 55% 5,031 11.1% 
Outras obrigações 1,943 4.8% -52% 937 2.2% 7% 1,000 2.2% 
Provisões 617 1.5% 8% 667 1.6% 44% 959 2.1% 
Passivo não circulante 14,931 37.0% 21% 18,085 42.1% 3% 18,608 41.1% 
Empréstimos e financiamentos 12,551 31.1% 25% 15,717 36.6% -2% 15,413 34.1% 
Outras obrigações 985 2.4% -14% 851 2.0% 76% 1,493 3.3% 
Impostos Diferidos 188 0.5% -17% 156 0.4% -1% 155 0.3% 
Provisões 1,206 3.0% 13% 1,361 3.2% 14% 1,547 3.4% 
Patrimônio líquido 13,836 34.3% -12% 12,219 28.5% -4% 11,713 25.9% 
Part. acionistas minoritários 319 0.8% 19% 379 0.9% 35% 513 1.1% 
Patrimônio liquido 13,517 33.5% -12% 11,840 27.6% -5% 11,200 24.8% 
 
Na Demonstração do Resultado verifica-se prejuízo em 2016 e 2017. O resultado 
consolidado é de um prejuízo de R$1.099 bilhões, três vezes maior que o prejuízo registrado 
em 2016 e margem líquida negativa de 3,27% da receita líquida. O resultado abrangente tem 
um impacto de R$98 milhões negativo em 2017, perfazendo o total dos resultados 
abrangentes negativos em R$1.197 bilhões. 
A receita líquida teve redução em 2017, os custos dos produtos vendidos passaram a 
representar quase 80% da receita, fazendo a margem bruta cair para 20,6%, considerando-se 
que as despesas financeiras representam 10,8% da receita líquida, pode-se considerar crítico a 
redução na margem e insuficiente para cobrir todas as despesas operacionais e financeiras. 
 
Demonstração de Resultado - BRF SA ON (R$ Milhões) 
DRE 2015 A.V. A. H. 2016 A.V. A. H. 2017 A.V. 
 +Receita liquida 32,197 100.0% 4.8% 33,733 100.0% -0.8% 33,469 100.0% 
 -Custo produtos vendidos 22,108 68.7% 18.5% 26,206 77.7% 1.4% 26,565 79.4% 
=Lucro Bruto 10,089 31.3% -25.4% 7,526 22.3% -8.3% 6,904 20.6% 
 +Despesas com vendas 4,806 14.9% 3.3% 4,966 14.7% -4.7% 4,730 14.1% 
 +Despesas administrativas 506 1.6% 14.1% 577 1.7% -0.9% 572 1.7% 
 -Outras receitas operacionais 567 1.8% -47.0% 300 0.9% 21.7% 365 1.1% 
 +Outras despesas operacionais 1,011 3.1% -50.8% 498 1.5% 151.8% 1,254 3.7% 
 -Equivalência patrimonial (104) -0.3% -128.2% 29 0.1% -23.6% 22 0.1% 
=Lucro antes do resultado finan. 4,228 13.1% -57.1% 1,815 5.4% -59.4% 736 2.2% 
 +Receitas Financeiras 3,355 10.4% -29.3% 2,374 7.0% -34.9% 1,546 4.6% 
 -Despesas Financeiras 5,025 15.6% -10.3% 4,506 13.4% -19.5% 3,627 10.8% 
=LAIR 2,558 7.9% -112.4% (317) -0.9% 323.8% (1,346) -4.0% 
IR e CS corrente 17 0.1% 801.1% 154 0.5% -110.8% (17) 0.0% 
IR e CS diferido (407) -1.3% -74.4% (104) -0.3% 121.0% (230) -0.7% 
=Lucro oper continuadas 2,948 9.2% -112.5% (367) -1.1% 199.1% (1,099) -3.3% 
 +Operações descontinuadas 183 0.6% -100.0% 0 0.0% 0 0.0% 
=Lucro Líquido 3,131 9.7% -111.7% (367) -1.1% 199% (1,099) -3.3% 
 
 
6. Análise das vendas e recebimentos 
 
Comparado a 2016, no ano de 2017, houve crescimento de 5% no volume total de 
vendas em toneladas (+231 ton.), sendo aumento de volume: no mercado doméstico (+88 
ton.), OneFoods(+154 ton.), Cone Sul (+12ton.) e outros segmentos (+84 ton.). Já no 
mercado internacional teve queda no volume de vendas (-107 ton.), especialmente no 
segmento de aves e suínos. 
O quadro abaixo demonstra a comparação no volume de vendas global por segmento 
entre os anos de 2016 e 2017, cujo único segmento que sofreu redução foi o de suínos, com 
queda na região Internacional e ConeSul. 
 
 
Total 
Var. 
ano 2017 2016 
Aves 6% 2.127 2.006 
Suínos -8% 320 348 
Processados 5% 2.119 2.017 
Outras vendas 11% 353 317 
Volume (ton.) 5% 4.919 4.688 
 
Apesar do aumento no volume total de toneladas, a Receita Líquida consolidada de 
vendas que vinha crescente desde o ano de 2011 (com exceção do ano de 2014) caiu 0,8% em 
2017, de R$33.733 em 2016 para R$33.469 bilhões em 2017. O preço médio global caiu 5% 
em relação a 2016. O quadro abaixo mostra a comparação e proporção do volume de receitas 
global segmentado por região geográfica entre os anos de 2016 e 2017. 
 
Região Var. ano 2017 A.V. 2016 A.V. 
Em R$milhões 
Brasil 2,6% 15.189 45% 14.808 44% 
OneFoods 7,5% 6.697 20% 6.227 18% 
Internacional -11,8% 8.497 25% 9.636 29% 
ConeSul 5,5% 1.862 6% 1.765 5% 
Outras -5,5% 1.225 4% 1.297 4% 
Total Receitas -0,8% 33.469 100% 33.733 100% 
 
A queda na receita foi impactada principalmente pelo segmento Internacional tanto 
por quedas nos volumes de aves e suínos na região, como por queda de preços especialmente 
no Japão e Coreia do Sul, e dificuldades de operação no mercado russo devido ao embargo 
russo às exportações brasileiras. A região África também teve redução de volume e receita 
devido a postura mais conservadora na concessão de crédito, visando limitar os riscos de 
perdas, com isso a receita Internacional caiu 12% em R$ 1.139 bilhões. 
 
No ano de 2017, as contas a receber de clientes tiveram um aumento no valor de 8291 
(26,8%). Esse aumento sugere maior volume de vendas a prazo e/ou a concessão de um maior 
prazo de pagamento aos clientes da BRF, já que houve um aumento dos valores a vencer sem 
ter havido um aumento proporcional concomitante das receitas de vendas. A receita bruta de 
vendas cresceu menos de 1%, enquanto que o contas a receber cresceu 26,8%, como pode ser 
verificado nas tabelas abaixo: 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 
 AH% AH% AH% AH% 
Contas a receber clientes 3,055 100.0 3,880 127.0 3,096 79.8 3,925 126.8 
 
 
 AV% AV% AV% AV% 
Ativo total 36,104 40,388 42,945 45,228 
Contas a receber clientes 3,055 8.5 3,880 9.6 3,096 7.2 3,925 8.7 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Receita Bruta 32,947 100.0 37,235 113.0 39,062 104.9 39,291 100.6 
 
A estagnação no valor da receita bruta total no ano de 2017 é atribuída principalmente 
à redução do volume de vendas e dos preços na Europa e Eurásia associada à compensação de 
uma melhor execução comercial no Brasil e no Cone Sul. Destaca-se, no entanto, que o 
crescimento do contas a receber de clientes no exterior (609) foi quase duas vezes maior do 
que o crescimento do contas a receber de clientes no país (315). Portanto, mesmo havendo 
uma redução de 500 (2%) nas vendas totais no mercado exterior, houve um aumento de 20% 
no contas a receber de clientes no exterior. Em paralelo, mesmo havendo um aumento de 729 
(4%) nas vendas no Brasil, houve uma redução de 10% no contas a receber de clientes no 
país. Isso indica que a BRF pode ter relaxado suas políticas de recebimento de vendas, 
vendendo mais a prazo ou conferindo mais prazo aos clientes para pagamento, a fim de 
garantir um patamar de vendas no exterior. 
Ao calcular o prazo médio de recebimento, considerando as vendas à vista e a prazo, 
dos clientes no Brasil e no exterior separadamente, nota-se que o prazo médio de recebimento 
no Brasil reduziu de 32 dias em 2016 para 28 dias em 2017. Já dos clientes no exterior, o 
prazo médio de recebimento aumentou de 38 dias em 2016 para 45 dias em 2017. Na 
metodologia do cálculo foram utilizados 365 dias, a receita bruta (segregada entre receita no 
 
1 Quando não especificado diferente, os valores estão em real e milhões. 
Brasil e no exterior) e a média entre o saldo inicial e final do Contas a receber, sem abater as 
deduções das perdas estimadas com crédito de liquidação duvidosa (segregada entre contas a 
receber de clientes do Brasil e exterior). O prazo médio de recebimento total de todos os 
clientes, considerando as vendas à vista e a prazo, foi de 33 dias em 2017 e de 31 dias em 
2016 e 2015, como demonstra o gráfico a seguir. Na metodologia do cálculo foram utilizados 
365 dias, a receita bruta e a média entre o saldo trimestrais do Contas a receber. 
 
 
 
O aumento no contas a receber registrado em 2017 no valor de 829 (26,8%) ocorre 
após uma redução dessa conta em 2016 no valor de 786 (20,2%). A redução do contas a 
receber em 2016 indica um aumento das vendas à vista e/ou um menor prazo de recebimento 
dos clientes naquele ano, já que nesse mesmo período houve um aumento de quase 5% na 
receita bruta. O prazo médio de recebimento dos clientes foi de 31 dias em 2016, menor do 
que os 33 dias identificados em 2017. Nota-se em 2016 uma redução do contas a receber de 
clientes no Brasil. Essa redução é associada à redução do prazo médio de recebimento desses 
clientes de 33 dias em 2015 para 32 dias em 2016, já indicando a tendência de redução que 
culmina em 28 dias em 2017. 
Nos últimos três anos, o percentual da expectativa de inadimplência foi pouco superior 
a 10% no ano de 2015, quase 12% no ano de 2016 e quase 11% no ano de 2017. Ressalta-se 
que não houve nenhuma alteração substancial na expectativa de inadimplência dos clientes, 
como pode ser verificado na tabela a seguir. A carteira de clientes da BRF é pulverizada, o 
que gera uma redução no risco de perdas com clientes. Ainda, a BRF possui contratada 
apólice de seguro de crédito para mercados específicos. 
 
 
25,00
30,00
35,00
40,00
45,00
50,00
2015 2016 2017
Prazo médio de recebimento de 
clientes
PMR (Brasil) PMR (Exterior) PMR (Total)
Consolidado 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
Perdas Estimadas com Crédito de Liquidação Duvidosa 432 406 468 
Contas a receber clientes antes da PECLD 4,312 3,502 4,393 
Percentual da expectativa de inadimplência 10.02% 11.61% 10.64% 
 
 
7. Análise das compras e pagamentos 
 
O montante do saldo final dos estoques variou pouco¸ apenas 157 (3,3%), no ano de 
2017, quando comparado com as variações em 2016 e 2015, de 759 (18,8%) e 1.092 (37,1%), 
respectivamente. A variação no saldo final dos estoques teria sido maior em 2017 se não 
tivessem sido reconhecidas baixas decorrentes da operação carne fraca. Em virtude da referida 
operação foram reconhecidas perdas de 77 com estoques, provenientes de mercados externos 
fechados e/ou produtos bloqueados. A Companhia ainda redirecionou parte dos estoques de 
produtos acabados para utilização como matéria-prima, o que gerou uma provisão para ajuste 
a valor realizável no montante de 206. Caso as baixas decorrentes da operação carne fraca não 
tivessem sido reconhecidas, os saldos dos estoques teriam aumentado em 440 (9,2%). As 
variações nos saldos da conta estoque e a sua representatividade nos ativos totais podem ser 
verificadas na tabela a seguir. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Estoques 2,941 100.0 4,033 137.1 4,792 118.8 4,948 103.3 
 AV% AV% AV% AV% 
Ativo total 36,104 40,388 42,945 45,228 
Estoques 2,941 8.1 4,033 10.0 4,792 11.2 4,948 10.9 
 
O aumento no custo dos produtos vendidos de 359 (1,4%) é decorrentedo maior 
volume de unidades de estoque vendidas em 2017, em relação a 2016. Em 2017, o custo dos 
produtos vendidos foi de 26.565 e foram vendidas 4.919 mil toneladas, o que dá um custo 
médio de 5,4 por mil tonelada. Já em 2016, o custo dos produtos vendidos foi de 26.206 e 
foram vendidas 4.688 mil toneladas, o que dá um custo médio de 5,9 por mil tonelada. Nota-
se, portanto, que o custo médio unitário dos estoques vendidos reduziu, o que indica uma 
redução do custo dos estoques produzidos e/ou que foram vendidas mais unidades do mix de 
produtos com custo menor do que no ano anterior. 
No ano de 2016 verifica-se um aumento no custo dos produtos vendidos de 4.099 
(18,5%), que é decorrente do maior volume de unidades de estoque vendidas e de um maior 
custo médio unitário, em relação a 2015. Enquanto em 2016, o custo médio dos produtos 
vendidos foi de 5,9 por mil tonelada, em 2015 foi de 4,9 por mil tonelada (22.108/ 4.515 
toneladas). Nota-se, portanto, que o custo unitário médio dos produtos vendidos sofreu um 
aumento considerável em 2016 e uma pequena redução em 2017. A variação no custo dos 
produtos vendidos pode ser verificada na tabela a seguir. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Custo dos produtos vendidos 20,497 100.0 22,108 107.9 26,206 118.5 26,565 101.4 
 
Pode-se concluir, assim, que o aumento no saldo dos estoques em 2017 não foi 
decorrente de uma redução nas vendas, mas sim de um aumento nas compras ou na 
transferência de ativos biológicos para o estoque. Analisando as transferências feitas dos 
ativos biológicos para os estoques em 2017, nota-se um aumento de 447 (12,6%). Os 
investimentos em ativos biológicos foram maiores em 2017 e foi realizada uma transferência 
maior do montante de ativos biológicos para os estoques. 
O tempo de estocagem médio dos produtos acabados tem aumentado nos últimos anos. 
Os estoques giravam, em média, a cada 36 dias (rotação de 10 vezes no ano) em 2015 e em 
2017 passaram a girar, em média, a cada 45 dias (rotação de 8 vezes no ano). Tais indicadores 
foram calculados considerando a média dos saldos trimestrais dos estoques de produtos 
acabados, o custo dos produtos vendidos e 365 dias. 
 
 2015 2016 2017 
Prazo médio dos estoques 35.52 42.89 45.26 
Rotação 10.28 8.51 8.06 
 
 
 
8. Análise dos tributos 
 
A conta tributos a recuperar registrou um aumento considerável no ano de 2017 no 
valor de 818 (35%). Esse aumento é decorrente principalmente dos efeitos da adesão da BRF 
ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Ao aderir ao programa 
mencionado a companhia reconheceu em tributos a recuperar um crédito de IPI no montante 
de 641. O restante do aumento no saldo da conta foi decorrente do aumento não expressivo do 
ICMS, PIS e COFINS, condizente com o aumento das compras no período. A adesão ao 
PERT impactou outras contas da companhia, sendo reconhecido 148 em outras receitas 
operacionais e 302 em receitas financeiras. 
Quanto à variação na conta imposto de renda e contribuição social a recuperar, o 
aumento de 95 (22,3%) é decorrente de um maior prejuízo fiscal no exercício de 2017. As 
variações nas contas tributos a recuperar e imposto de renda e contribuição social a recuperar 
podem ser verificadas na tabela a seguir. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Tributos a Recuperar 1,921 100.0 2,200 114.5 2,329 105.8 3,147 135.1 
IR e CS a Recuperar 0 - 0 - 425 100.0 519 122.3 
 
Os impostos sobre renda diferidos ativos aumentaram em 266 (24%). Esse aumento é 
explicado principalmente pelo aumento nas provisões para riscos tributários, cíveis e 
trabalhistas e na provisão para ajuste dos estoques. Nota-se que em 2015 houve um aumento 
de 542 (76%) na conta impostos sobre renda diferidos ativos. Essa variação é decorrente 
principalmente do aumento nas perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa e nos 
prejuízos fiscais de IRPJ. As variações na conta impostos sobre renda diferidos podem ser 
verificadas na tabela a seguir. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Impostos s/ Renda Diferidos 714 100.0 1,256 175.9 1,103 87.8 1,369 124.1 
 
 
 
9. Análise dos investimentos em outras sociedades 
 
9.1 Investimentos da Controladora 
 
A BRF fez diversos investimentos em outras sociedades no ano de 2016. Os dois 
investimentos mais significativos foram: (i) a combinação de negócios com a Golden Foods 
Siam (“GFS”), cujo valor justo da contraprestação paga foi de 1.467; e (ii) a aquisição do 
negócio de distribuição de congelados da Qatar National Import and Export Co. (“QNIE”), 
cujo valor justo da contraprestação paga foi de 589. No ano de 2017, a companhia reduziu os 
investimentos em outras sociedades. A BRF em 2017 adquiriu a Banvit Bandirma Vitaminli 
Yem Sanayii Anonim Sirketi (“Banvit”), cujo valor justo da contraprestação paga foi de 
1.228. Os investimentos em outras sociedades foram realizados no primeiro semestre de cada 
ano (2015, 2016 e 2017), sendo mais concentrados no primeiro trimestre. 
Após resultado positivo em 2015, a BRF (controladora) apresentou em 2016 e 2017 
resultados negativos para os investimentos em outras sociedades. No ano de 2015 o retorno 
dos investimentos em outras sociedades foi de 84,5%, caindo bruscamente para um retorno 
negativo de 30,7% em 2016. Em 2016, a companhia fez diversas aquisições de controle de 
outras sociedades, as quais a administração julgou como estratégicas para a evolução na 
consolidação de um modelo de negócio global. Uma das aquisições relevantes no ano de 2016 
foi a da Golden Foods Siam (“GFS”) pela subsidiária BRF GmbH, a qual apurou um prejuízo 
líquido de 753 no período e outros resultados abrangentes negativos em 1.151. O resultado da 
subsidiária BRF GmbH foi o principal fator para o impacto negativo nos investimentos de 
2.234 (conforme quadro abaixo). A mesma subsidiária apresentou um prejuízo líquido de 147 
no ano de 2017, compensado por outros resultados abrangentes positivos de 391, o que indica 
que a aquisição feita em 2016 está apresentando resultados positivos. 
Ainda com retorno dos investimentos em outras sociedades negativo, mas menor do 
que em 2016, no ano de 2017 o retorno foi de -10,3%. O resultado da subsidiária BRF 
Luxembourg SARL foi o principal fator para o impacto negativo nos investimentos de 570 
(conforme quadro abaixo). A subsidiária apresentou um prejuízo líquido de 346 no período e 
outros resultados abrangentes negativos em 74. Para calcular o retorno dos investimentos em 
outras sociedades foi retirado do valor dos investimentos (denominador) o resultado com 
equivalência e outros resultados abrangentes de investida do período, já que esses resultados 
já haviam sido incorporados ao valor dos investimentos. Como o valor dos dividendos e juros 
sobre o capital próprio recebidos e a receber foram imateriais, foram desconsiderados no 
cálculo. 
 
 
 
 
 
Controladora 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
Investimentos 4,000 7,210 5,034 4,961 
 
 
 
Equivalência patrimonial 3,116 -1,508 -497 
ORA de investida 185 -726 -73 
Total 
 
3,301 -2,234 -570 
 
 
 
Retorno dos investimentos em outras 
sociedades 
84.5% -30.7% -10.3% 
 
9.2 Investimentos em coligadas e controladas em conjunto – Consolidado 
 
Quanto aos investimentos em coligadas e controladas em conjunto, apresentados nas 
demonstrações consolidadas, nota-se um aumento no retorno em 2016 e uma retração em 
2017. Para calcular o retorno dos investimentos em coligadas e controladas em conjunto foi 
retirado do valor dos investimentos (denominador) o resultado com equivalência do período e 
foi somado o valor dos dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos e a receber, já que 
esses valores já haviam sido incorporadosao valor dos investimentos. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
Investimentos 438 186 59 68 
 
 
 
Equivalência patrimonial -104 29 22 
Dividendos e JSCP recebidos 16 19 34 
Dividendos e JSCP a receber 22 7 6 
 
Retorno dos investimentos em 
coligadas e controladas em conjunto 
-31.7% 52.0% 26.1% 
 
 
10. Análise dos imobilizados e intangíveis 
 
Os ativos imobilizados da BRF têm representado em média 27% dos ativos totais nos 
últimos 4 anos. Percebe-se, então, que a companhia para operar necessita de um alto 
investimento nos imobilizados. Para parte desses imobilizados, mais especificamente 
edificações e benfeitorias e instalações, o investimento necessário para a sua reposição é mais 
de longo prazo, já que a taxa de depreciação média é de 3,02% e 3,78%, respectivamente, e, 
portanto, a vida útil média é de 33 e 26 anos. Contudo, para parte dos imobilizados, mais 
especificamente máquinas e equipamentos e móveis e utensílios, o investimento necessário 
para a sua reposição é mais de curto prazo. Esses imobilizados possuem taxa de depreciação 
média de 5,93% e 8,05%, respectivamente, e, portanto, uma vida útil média de 17 e 12 anos. 
Uma atenção deve ser dada ao custo de reposição desses imobilizado (máquinas e 
equipamentos e móveis e utensílios), pois o montante do seu valor de custo em 2017 foi de 
9.053, representando 49% do custo do total dos imobilizado. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Imobilizado 10,059 100.0 10,916 108.5 11,746 107.6 12,191 103.8 
 AV% AV% AV% AV% 
Ativo total 36,104 40,388 42,945 45,228 
Imobilizado 10,059 27.9 10,916 27.0 11,746 27.4 12,191 27.0 
 
Os investimentos na aquisição de imobilizados reduziram no ano de 2017. Enquanto 
nos anos de 2015 e 2016 foram adicionados aos imobilizados 1.601 (15,9% do valor total do 
imobilizado do ano anterior) e 1.724 (15,8% do valor total do imobilizado do ano anterior), 
respectivamente, no ano de 2017 foram adicionados 851 (7,2% do valor total do imobilizado 
do ano anterior). Tal queda na aquisição de imobilizados configura uma redução no 
investimento em imobilizados de mais de 50%, conforme destacado no gráfico a seguir. 
 
 
 
Os ativos intangíveis representavam, em 2015, 12,4% dos ativos totais da BRF e 
passaram a representar 15,5%, em 2016. O aumento no montante dos ativos intangíveis em 
2016 foi de 1.662 (33,2%), conforme pode ser verificado nas tabelas a seguir. 
 
-500
0
500
1.000
1.500
2.000
2015 2016 2017
Investimento em imobilizados
Adições Baixas
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Intangível 4,329 100.0 5,011 115.8 6,673 133.2 7,198 107.9 
 AV% AV% AV% AV% 
Ativo total 36,104 40,388 42,945 45,228 
Intangível 4,329 12.0 5,011 12.4 6,673 15.5 7,198 15.9 
 
O aumento no montante dos intangíveis no ano de 2016 se deve principalmente ao 
ágio decorrente das combinações de negócios realizadas naquele ano, o qual totalizou 2.558. 
Em 2017, no entanto, parte do ágio das aquisições de menor valor em 2016 foi revertida, 
indicando que parte das expectativas de rentabilidade futura existentes quando da aquisição 
dos investimentos não se concretizariam no futuro. A variação no montante do ágio 
decorrente das combinações de negócios pode ser verificada na tabela a seguir. 
 
Combinação 
de negócios 
Ágio 
(2015) 
Ágio 
(2016) 
Ágio 
(2017) 
IFGL 331 
QNIE 564 
GFS 1,079 
Universal 146 -10 
Calchaquí 398 -152 
AKF 137 -2 
Eclipse 231 -202 
FFP 3 
Banvit 204 
BRF AFC -33 
FF LLC -7 
Total 331 2,558 -204 
 
Em 2016, apesar do aumento verificado no valor total dos ativos intangíveis, esses 
ativos sofreram uma redução de 855 em virtude de variação cambial. O aumento total de 525 
(7,9%) nos ativos intangíveis em 2017 foi decorrente principalmente do reconhecimento das 
marcas, no valor de 387, e do relacionamento com clientes, no valor de 404 oriundos das 
combinações de negócios. 
 
 
 
 
11. Análise das Provisões 
 
As provisões no ativo circulante e não circulante da BRF totalizam R$ 1.773 Milhões, 
sendo que: 39% destas são referentes a provisões trabalhistas; 23% ligadas às provisões 
cíveis, comerciais e outras; 21% referem-se a passivos contingentes e 17% ao 
provisionamento por processos tributários. Assim, entre as adições, reversões, pagamentos, 
atualização monetária e variação cambial as provisões aumentaram R$ 389 Milhões em 2017. 
Deste modo, em nota explicativa, a BRF aponta que as provisões trabalhistas são 
devidas ao fato de que a companhia é ré em reclamações trabalhistas individuais e movidas 
pelo Ministério Público, principalmente relacionadas a horas extras, tempo gasto pelos 
funcionários na troca de uniforme, horas in-itinere, pausas para descanso, acidentes de 
trabalho, entre outros. Na ordem de relevância, as contingências cíveis referem-se 
principalmente a litígios relacionados com pleitos de indenização por perdas e danos, 
inclusive morais, oriundas de acidentes de trabalho, acidentes de trânsito, relações de 
consumo, descumprimentos contratuais e outros. 
A BRF possui contingências de natureza trabalhista e previdenciária, cível e tributária, 
cuja expectativa de perda avaliada pela administração e suportada pelos assessores jurídicos 
está classificada como possível e, portanto, nenhuma provisão foi constituída. Entretanto, as 
contingências classificadas com probabilidade de perda possível, totalizaram R$13.278 
Milhões em 2017 das quais R$ 370 Milhões foram registradas pelo valor justo estimado 
resultante das combinações de negócios com a Sadia, Avex e Dánica. Por fim, as provisões 
de natureza tributária contemplam diversos assuntos: (a) Lucros auferidos no exterior; (b) 
IRPJ e CSLL; (c) ICMS; (d) IPI; (e) Crédito Prêmio de IPI; (f) PIS e COFINS; (g) 
Contribuições previdenciárias; e (h) Outras contingências. 
 
 
12. Análise de endividamento 
 
A BRF possui uma dívida bruta total (empréstimos, financiamentos, debêntures e 
outras dívidas de curto e longo prazo) na ordem de R$ 20.444 Milhões em 2017 e nos anos de 
2016 e 2015 foram de R$ 18.962 Milhões e R$ 15.179 Milhões, respectivamente. A firma tem 
um perfil de dívida alongado, visto a proporção das dívidas de longo prazo (LP) que é de 
75,4%, 82,9% e 82,7% nos anos de 2017, 2016 e 2015, respectivamente. Além disso, a maior 
parte da dívida bruta (54,3%) estava indexada em moeda estrangeira em 2017. Entretanto, 
observa-se que a dívida de curto prazo (CP) estava predominantemente (71,4%) em moeda 
nacional em 2017. Por outro lado, a maior parte da dívida de longo prazo (62,7%) estava 
indexada em moeda estrangeira em 2017. 
 
As principais fontes de captação de dívida da BRF, taxa de juros média (custo) e 
maturidade média. Nesta perspectiva, conforme evidenciado na tabela abaixo, a empresa se 
financia predominantemente com debêntures e notas promissórias (58,6% em 2017) e com 
empréstimos e financiamentos (62,2% em 2017) ao longo do tempo. O custo global dos 
empréstimos (𝐾𝑑), ao ponderar as diferentes fontes de captação, resultou em 8,8% em 2017; 
8,2% em 2016 e 7,8% em 2015. Este custo decorre da composição de taxas de juros de 
empréstimos subsidiados (sobretudo, BNDES) e taxa de juros das debêntures (CDI e Libor). 
Ademais, a maturidade média das dívidas da BRF é de 4 a 5 anos, sendo mais curta para 
empréstimos e financiamentos. 
 
 
 
A dívida bruta representou cerca de 45,2% dos ativos totais em 2017 e 44,2% e 37,6% 
nos anos de 2016 e 2015, respectivamente. O nível de endividamento da BRF em relação ao 
seu patrimônio líquido foi de 174,5% em 2017, indicando que para cada R$ 1,74 obtido de 
terceiros a empresa possui R$ 1,00 de capital próprio. Esse nível de endividamentofoi de 
155,2% em 2016 e de 109,7% em 2015. Em comparação ao resultado, a relação dívida líquida 
sobre EBITDA, ficou em 5,4x em 2017 e 3,5x e 1,6x nos anos de 2016 e 2015, 
respectivamente. Assim como, sob a perspectiva da relação EBIT sobre despesa financeira, a 
BRF ficou em 0,20 no ano de 2017 e 0,40 e 0,86, respectivamente, em 2016 e 2015. Tais 
indicadores denotam que a companhia tem se financiado cada vez mais com capital de 
terceiros nos últimos três anos. 
 Ao analisar a Demonstração do Fluxo de Caixa da BRF em 2017, nota-se um aumento 
substancial na saída de caixa para pagar os próprios empréstimos e financiamentos e os juros. 
Enquanto em 2016 houve um desembolso para tais pagamentos de 4.363, em 2017 foi de 
10.370 (aumento de 138%). Em 2017, a companhia captou 9.698 em empréstimos e 
financiamentos e pagou nesse mesmo ano de empréstimos e financiamentos e juros o valor de 
10.370. Isso indica que a empresa captou recursos para liquidar suas próprias dívidas. 
Considerando o alto índice de endividamento da companhia, vale destacar que a 
empresa possui recursos disponíveis em caixa para liquidar as dívidas de curto prazo. No ano 
de 2018, o valor de 5.031 dos empréstimos e financiamentos vencerá. A empresa possuía em 
caixa e equivalente de caixa em 31/12/17 o valor de 6.011, o que indica que tinha caixa 
suficiente para liquidar as dívidas do ano de 2018. Salienta-se, ainda, que a empresa possuía 
em 31/12/17 o valor de 7.161 em fornecedores, mas não evidencia os prazos de pagamento 
dessa conta. A BRF não possui qualquer cláusula restritiva (covenant) em seus contratos de 
dívida. 
Ano Características
Debêntures e 
Notas 
Promissórias
Empréstimos e 
Financiamentos
Leasings
Outras 
Captações
Linha de 
crédito 
rotativo
Total
Dívida Total (%) 58,6% 39,7% 1,7% 0,0% - 100,0%
Taxa de Juros Média (%) 8,6% 9,1% 9,9% 2,4% - 8,8%
Maturidade Média (Anos) 4,1 4,5 7,0 8,0 - 4,3
Dívida Total (%) 62,2% 34,3% 1,1% 2,5% - 100,0%
Taxa de Juros Média (%) 9,0% 6,5% 13,7% 6,4% - 8,2%
Maturidade Média (Anos) 4,8 4,7 8,0 5,0 3,0 4,8
Dívida Total (%) 63,3% 19,0% 1,1% 9,5% 7,1% 100,0%
Taxa de Juros Média (%) 8,2% 6,7% 13,2% 2,1% 13,9% 7,8%
Maturidade Média (Anos) 5,3 2,5 9,0 10,0 4,7 5,2
2017
2016
2015
Ademais, com o objetivo de analisar se o custo do endividamento gera uma 
alavancagem favorável ou desfavorável aos acionistas, compara-se este custo com a 
rentabilidade dos investimentos. O grau de alavancagem financeira (GAF) foi calculado 
conforme a fórmula: 𝐺𝐴𝐹 = [𝑅𝑂𝐴 − (𝑅𝑂𝐴 − 𝐾𝑑)(𝑃 𝑃𝐿)⁄ ] 𝑅𝑂𝐴⁄ . 
Nesta perspectiva, verifica-se que o ROA2 foi de 1,9%, 5% e 13,3% em 2017, 2016 e 
2015, respectivamente. Sendo assim, apura-se que o grau de alavancagem financeira é de 
1,46; 0,04 e -5,43 nos anos de 2017, 2016 e 2015, respectivamente. Em outras palavras, em 
2015 os acionistas aumentaram seu retorno em 1,46x em relação ao que os ativos conseguem 
produzir (alavancagem favorável), mas nos dois últimos anos os acionistas obtiveram como 
rentabilidade cerca de 0,04x e -5,43x menos a geração de rentabilidade dos investimentos 
(alavancagem desfavorável). 
Em vista disso, tais resultados sugerem que o endividamento da BRF se mostra 
excessivo e tem penalizado os acionistas, uma vez que o retorno dos investimentos esteve 
abaixo do custo da dívida nos últimos dois anos. A manutenção dessa dívida justifica-se 
apenas se houver a expectativa de incremento das taxas de retorno dos ativos. A 
administração admite publicamente que a alavancagem é demasiada e pretende nos próximos 
exercícios direcionar parte dos fluxos de caixa gerados que seriam destinados para 
investimento de capital para a gradual amortização da dívida. As agências de risco de crédito 
avaliam que a qualidade creditícia de longo prazo da companhia ainda é saudável e atribuem o 
rating de crédito em moeda nacional de AAA (Fitch e S&P) e de BBB- (S&P) e BBB 
(Moody's e Fitch) em moeda estrangeira. Em outras palavras, as obrigações da dívida são 
consideradas grau de investimento. 
 
 
13. Análise da Margem Bruta 
 
Do ponto de vista da produção, a BRF vem reduzindo sua margem bruta chegando a 
20,6% em 2017, comparado a 22,3% em 2016 e 31,3% em 2015. Tais margens de lucro bruto 
são superiores a mediana dos seus concorrentes diretos (JBS, Marfrig, Minerva e M. Dias 
Branco) de 16,5%, 16% e 17% nos respectivos anos anteriormente citados. A queda de 
margens nos últimos anos na empresa deve-se ao menor crescimento da receita líquida em 
 
2 O cálculo do ROA considera-se no numerador o NOPAT e no denominador o Capital Investido subtraído os 
investimentos em outras sociedades e os ativos financeiros, visto que estes dois últimos ativos não 
representam o resultado operacional proveniente da BRF. 
comparação com o custo dos produtos vendidos. Este menor crescimento do faturamento tem 
como principal causa a queda do preço médio dos produtos, apesar da maior quantidade 
vendida de toneladas de produtos. 
Quanto à estrutura de custos, verifica-se nos últimos 3 anos que, em média, cerca de 
70,8% dos custos totais são correspondentes a matéria-prima e insumos, 14,9% corresponde a 
salários e benefícios a empregados e 5,1% são atribuídos a depreciação. Dada à queda das 
margens brutas, a administração pretende reduzir custos ao automatizar as plantas industriais 
já construídas (maior eficiência) e reduzir os custos referentes a salários e benefícios a 
empregados. Na figura a seguir pode ser visualizada a composição dos custos dos produtos 
vendidos em 2017, 2016 e 2015. 
 
 
 
Comparado a 2016, o custo dos produtos vendidos (CPV) aumentou 1,4% de 
R$26.206 bilhões que era correspondente a 77,7% da Receita Líquida de Vendas para 
R$26.565 bilhões em 2017 chegando a 79,4% da Receita Líquida de Vendas. Com isso o 
lucro bruto consolidado caiu 8,3% de R$ 7.526 para R$ 6.904 bilhões, representando 20,6% 
da receita líquida em 2017 e queda de 1,7% na margem bruta em comparação a 2016 que já 
havia caído 9% em relação a 2015. 
 
 
 
Em milhões 
Consolidado 
Var. ano 2017 2016 2015 2014 
Receita Líquida -0,8% 33.469 33.733 32.197 29.007 
Custos 1,4% 26.565 26.207 22.108 20.497 
Lucro Bruto -8,3% 6.904 7.526 10.089 8.510 
Margem Bruta -7,5% 20,6% 22,3% 31,3% 29,3% 
 
 
13.1 Análise da Margem Bruta por segmento 
No mercado doméstico, correspondente a 45% das receitas líquidas no Brasil, houve 
crescimento de volume e receitas líquidas no ano de 2017, principalmente no último trimestre 
por conta dos produtos comemorativos (aves e suínos), mas as receitas em geral não 
aumentaram na mesma proporção dos volumes vendidos. 
 
 
Brasil 
Var. ano 2017 2016 
Aves 20% 454 377 
Suínos 10% 108 98 
Processados 3% 1560 1514 
Outras vendas -100% 0 45 
Volume (ton.) 4% 2122 2034 
Em milhões 
Aves 12% 2.697 2.410 
Suínos 13% 792 699 
Processados 1% 11.682 11.601 
Outras vendas -83% 17 98 
Receita Líquida 3% 15.189 14.808 
 
Já os custos aumentaram proporcionalmente acima das receitas, principalmente por 
conta dos custos indiretos devido a aumento de dissídio de pessoal, com isso, o lucro bruto se 
manteve estável, representando uma queda de 2% na margem bruta. 
 
Em milhões 
Brasil 
Var. 
ano 2017 2016 
Receita Líquida 2,6% 15.189 14.808 
Custos 3,5% 11.264 10.888 
Lucro Bruto 0% 3.925 3.920 
Margem Bruta -2% 25,8% 26,5% 
 
No segmento OneFoods, que passou a corresponder a 20% da receita líquida frente 
a 2016 que era de 18%, com aumento total no volume em toneladas de 17% e aumento na 
receita de 7,5%, portanto em menor proporção em relação ao volume. Apesar do aumento 
no volume de aves, a receita líquida se manteve estável. Nessa região não há vendas de 
suínos. 
 
 
OneFoods 
Var. ano 2017 2016 
Aves 14% 967 849 
Processados 49% 113 76 
Outras vendas-33% 2 3 
Volume (ton.) 17% 1082 928 
Em milhões 
Aves 0% 5.557 5.542 
Processados 42% 910 642 
Outras vendas 9776650% 196 0 
Receita Líquida 7,5% 6.697 6.227 
 
Com isso, a margem bruta sofreu com queda agregada nos preços dos produtos 
para exportação, devido a menor demanda no Egito decorrente do aumento dos estoques 
locais, especialmente excesso de estoque ao longo do ano na região da Turquia e 
enfraquecimento da demanda local, além de aumento de impostos de importação na 
Arábia Saudita e impacto cambial. O aumento da receita líquida não proporcional aos 
custos fez a margem bruta cair de 25,4% para 19,3% em 2017. 
 
Em milhões 
OneFoods 
Var. 
ano 2017 2016 
Receita Líquida 8% 6.697 6.227 
Custos 16% 5.407 4.647 
Lucro Bruto -18% 1.290 1.580 
Margem Bruta -24% 19,3% 25,4% 
 
O segmento Internacional que corresponde a 25,4% das receitas líquidas e 
contempla as regiões África, Ásia, Europa e Américas teve queda na receita líquida 
comparado a 2016 e no total das receitas líquidas devido a impactos da queda agregada de 
preços, especialmente pela queda de preços no Japão e Coréia do Sul, queda de volumes 
na Europa/Eurásia - especialmente devido ao embargo Russo as exportações brasileiras e 
menor volume de vendas na África. 
 
 
International 
Var. ano 2017 2016 
Aves -12% 665 752 
Suínos -18% 167 203 
Processados 3% 290 281 
Outras vendas 6% 122 115 
Volume (ton.) -8% 1244 1351 
Em milhões 
Aves -16% 4.255 5.063 
Suínos -14% 1.276 1.484 
Processados -5% 2.728 2.867 
Outras vendas 7% 237 221 
Receita Líquida -12% 8.497 9.636 
 
Com isso, a relevância das vendas na região Internacional em relação ao total da 
receita consolidada caiu em relação a 2016 que era de 29% para o atual 25,4% (2017). 
Devido a menores preços e aumento nos custos, a margem bruta teve queda em quase 
todas as regiões, com exceção da Europa. 
 
Em milhões 
International 
Var. ano 2017 2016 
Receita Líquida -12% 8.497 9.636 
Custos -10% 7.195 8.029 
Lucro Bruto -19% 1.302 1.607 
Margem Bruta -8% 15,3% 16,7% 
 
Na região Europa, houve decréscimo de volume correspondente a maioria dos 
segmentos com exceção de processados, queda na receita e no custo com impacto positivo na 
margem bruta, o maior impacto de redução teve causa no embargo das exportações brasileiras 
pela Rússia, principalmente em relação aos suínos. 
 
Em milhões 
Europa/Eurásia 
Var. ano 2017 2016 
Volume (ton.) -8% 362 395 
Aves -23% 68 88 
Suínos -18% 84 103 
Processados 3% 210 204 
Receita Líquida -7% 3.533 3.800 
Custos -8% 3.099 3.374 
Lucro Bruto 2% 434 426 
Margem Bruta 10% 12,3% 11,2% 
 
A Ásia também sofreu com queda no volume em toneladas e na receita líquida de 
vendas devido a “superoferta” de produtos na região e o elevado nível de estoque local que 
contribuiu para uma queda significativa no Japão, como o custo caiu em menor proporção, a 
margem bruta teve decréscimo de 19,9% para 17,8%. 
 
Em milhões 
Asia 
Var. ano 2017 2016 
Volume (ton.) -5% 686 723 
Aves -5% 475 501 
Suínos -14% 61 71 
Processados -22% 28 36 
Outras vendas 5% 121 115 
Receita Líquida -13% 4.116 4.749 
Custos -11% 3.385 3.805 
Lucro Bruto -23% 731 944 
Margem Bruta -11% 17,8% 19,9% 
 
Nota-se um aumento maior proporcional de custos na região Américas em relação a 
receita líquida, porém não é explicitado nos relatórios o porquê e consequentemente a queda 
na margem bruta mais significativa comparado as outras regiões. Talvez para aumentar o 
volume de vendas na região, houve redução no preço de vendas. A margem bruta nessa região 
ficou bem abaixo do ano anterior. 
 
Em milhões 
Américas 
Var. ano 2017 2016 
Volume (ton.) 13% 62 55 
Aves 20% 55 46 
Suínos 0% 2 2 
Processados -17% 5 6 
Receita Líquida 12% 356 319 
Custos 21% 305 252 
Lucro Bruto -24% 51 67 
Margem Bruta -32% 14,3% 21,0% 
 
A região da África teve mudança quanto a liberação de crédito, refletido na queda de 
volume e receita líquida de vendas. Ainda assim, os custos caíram em menor proporção, 
resultando na margem bruta de 17,3% e queda de 5% em relação ao ano anterior. 
 
 
 
 
Em milhões 
Africa 
Var. ano 2017 2016 
Volume (ton.) -25% 133 178 
Aves -43% 67 117 
Suínos -23% 20 26 
Processados 31% 46 35 
Receita Líquida -36% 492 768 
Custos -32% 407 598 
Lucro Bruto -50% 85 170 
Margem Bruta -22% 17,3% 22,1% 
 
A região ConeSul manteve sua relevância no total das receitas líquidas em 
aproximadamente 5,6%, comparado a 5,2% em 2016. Houve aumento no volume de 
toneladas vendidas, apesar da queda no segmento de suínos. Apesar disso, houve inversão 
com queda da receita com aves e aumento na receita de suínos. Assim a receita líquida na 
região aumentou em cerca de 5%. 
 
 
ConeSul 
Var. ano 2017 2016 
Aves 20% 30 25 
Suínos -8% 22 24 
Processados 7% 155 145 
Outras vendas -33% 2 3 
Volume (ton.) 6% 209 197 
Em milhões 
Aves -15% 196 230 
Suínos 31% 199 153 
Processados 5% 1.409 1.348 
Outras vendas 71% 58 34 
Receita Líquida 5% 1.862 1.765 
 
Já o Custo dos produtos vendidos aumentou em maior proporção relacionado 
comparado ao aumento da receita, explicados pelo impacto da matéria-prima de bovinos e 
suínos na Argentina, apresentando queda no lucro bruto e queda significativa na margem 
bruta. 
 
Em milhões 
ConeSul 
Var. ano 2017 2016 
Receita Líquida 5% 1.862 1.765 
Custos 13% 1.615 1.428 
Lucro Bruto -27% 247 337 
Margem Bruta -31% 13,3% 19,1% 
 
Outros segmentos corresponde a venda de ingredientes da BRF ingredientes, 
rações, farinhas e bovinos, entre outros. Essa divisão mantém relevância no faturamento 
corresponde a 3,7% das receitas líquidas: O aumento no volume foi considerável de 47% 
no total principalmente referente a aves (267%) e outras vendas (50%), no entanto, 
apresentou queda na receita líquida. Os custos caíram em maior proporção que as vendas, 
e a margem bruta melhorou de 6,3% (2016) para 11,6% (2017). 
 
Em milhões 
Outros segmentos 
Var. ano 2017 2016 
Aves 267% 11 3 
Suínos 0% 23 23 
Processados 0% 1 1 
Outras vendas 50% 227 151 
Volume (ton.) 47% 262 178 
Receita Líquida -6% 1.225 1.297 
Custos -11% 1.083 1.215 
Lucro Bruto 73% 142 82 
Margem Bruta 83% 11,6% 6,3% 
 
 
14. Análise do Resultado Operacional 
 
Do ponto de visa operacional, a BRF manteve margens EBIT de 2,1%, 5,3% e 13,5%, 
respectivamente, nos anos de 2017, 2016 e 2015, conforme pode ser verificado na tabela a 
seguir. A mediana das margens de lucro operacional de seus concorrentes diretos foi de 6,8%, 
7,2% e 8,2% nos respectivos anos anteriormente citados. Sendo assim, operacionalmente, a 
BRF tem sido menos eficiente que seus pares, pelo menos nos últimos 2 anos. 
 
DRE (R$ MM) 2015 % 2016 % 2017 % 
 (+) Receita líquida 32.197 33.733 33.469 
(-) PECLD (197) (6) (14) 
(=) Vendas líquidas 32.000 33.727 33.456 
 (-) Custo Produtos Vendidos (21.022) 
 
(24.910) 
 
(25.004) 
(=) Lucro Bruto 10.978 8.817 8.452 
 (-) Despesas Operacionais (5.329) 
 
(5.429) 
 
(5.820) 
(=) EBITDA 5.649 17,5 3.389 10,0 2.632 7,9 
 (-) Deprec, amortiz e exaust (1.317) 
 
(1.603) 
 
(1.918) 
(=) EBIT 4.332 13,5 1.786 5,3 714 2,1 
 
 
A composição das receitas e despesas operacionais pode ser observada na figura a 
seguir: 
 
 
A diferença entre as margens brutas e operacionais pode ser explicada, sobretudo, 
pelas despesas de vendas (em média 14,6% da receita líquida nos últimos 3 anos) e outras 
despesas operacionais (2,8% da receita líquida nos últimos 3 anos). 
 
 
 
Pelastabelas abaixo, nota-se que a soma das despesas operacionais administrativas 
e de vendas caíram em valores absolutos de R$5.543 (2016) para R$5.302 (2017), a 
administração destaca maior gerenciamento e controle com implantação do orçamento 
base zero. 
 
RESULTADOS POR NATUREZA (Consolidada) 
Em milhões de R$ 2017 A.V. Ano 2016 A.V. Ano 2015 
Despesas com vendas 4.730 100% 4.966 100% 4.806 
Depreciação 65 1% 65 1% 55 
Amortização 70 1% 15 0% 13 
Salários e benefícios a empregados 1.291 27% 1.200 24% 1.082 
Gastos logísticos diretos e indiretos 2.189 46% 2.125 43% 2.211 
Outros 1.115 24% 1.561 31% 1.445 
 
Mediante as notas explicativas, verifica-se que as despesas com vendas se referem 
principalmente a gastos logísticos diretos e indiretos (em média 45% do total nos últimos 3 
anos) e salários e benefícios a empregados (em média 27,3% do total nos últimos 3 anos). A 
administração também destaca que no último trimestre teve impacto de provisões de 
trabalhistas R$66 milhões, PDD R$20 milhões, além de maiores despesas com fretes, dado o 
maior volume vendido e marketing com a campanha dos produtos comemorativos. 
Já as despesas administrativas representam em média 1,7% da receita líquida ficaram 
praticamente estáveis em relação a 2016. 
 
RESULTADOS POR NATUREZA (Consolidada) 
Em milhões de R$ 2017 A.V. Ano 2016 A.V. Ano 2015 
Despesas administrativas 572 100% 577 100% 506 
Depreciação 41 7% 25 4% 20 
Amortização 139 24% 173 30% 125 
Salários e benefícios a empregados 269 47% 266 46% 301 
Honorários 31 5% 29 5% 26 
Outros 92 16% 85 15% 34 
 
Nota-se um aumento expressivo nas outras despesas operacionais em 2017 em 152% 
em relação a 2016. 
 
RESULTADOS POR NATUREZA (Consolidada) 
Em milhões de R$ 2017 A. H. Ano 2016 A. H. Ano 2015 
Outras despesas operacionais 1.254 152% 498 -51% 1.011 
Depreciação 41 41% 29 61% 18 
Outros 1.212 159% 468 -53% 993 
Outras receitas operacionais (365) 22% (300) -153% (567) 
Despesas operacionais líquidas 889 350% 197 -56% 445 
 
Esse aumento foi decorrente devido a (i) perda de ajuste ao valor realizável de 
estoques – redirecionamento de produtos acabados para utilização no processo produtivo 
(R$206 milhões) (ii) contingências específicas na Argentina (R$49 milhões) (iii) outras 
provisões (R$60 milhões) (iv) Operação Carne Fraca (R$363 milhões) (v) ajuste de preço na 
alienação de segmentos lácteos (R$37 milhões) (vi) custo de combinação de negócios (R$52 
milhões) (vii) complemento de provisões para contingências (R$196 milhões – R$76 milhões 
cíveis públicas e R$51 milhões cíveis, inclusas as provisões na Argentina, entre outras). 
Com isso, o EBIT (resultado antes dos tributos sobre o lucro e do resultado financeiro) 
teve uma performance menor em 2017 em R$736 milhões – correspondente a 2,2% da receita 
líquida, o detalhamento segmentado de acordo com regiões pode ser conferido no quadro 
abaixo, onde verifica-se certa estabilidade da região Brasil, e maior impacto nas regiões de 
exportações (OneFoods, Internacional e ConeSul), e o impacto de outras despesas 
operacionais alocadas ao Corporate. 
 
Região (em Milhões) Var. ano 2017 A.V. 2016 A.V. 
Brasil -0,9% 1.019 138% 1.028 57% 
OneFoods -97,7% 8 1% 349 19% 
Internacional -34,2% 346 47% 526 29% 
ConeSul -361,3% - 81 -11% 31 2% 
Outros segmentos 161,9% 55 7% 21 1% 
Corporate 336,4% -611 -83% -140 -8% 
Total -59,4% 736 100% 1.815 100% 
 
 
15. Análise do Resultado Financeiro 
 
A BRF nos últimos 3 anos teve um resultado financeiro negativo em R$ 2.082 
Milhões, R$ 2.133 Milhões e R$ 1.670 Milhões nos anos de 2017, 2016 e 2015, 
respectivamente. Especificamente, ao analisar a composição da receita financeira tem-se que a 
parcela referente a juros (Juros sobre ativos, caixa e equivalentes de caixa e ativos 
financeiros) é de R$ 668 Milhões em 2017 e R$ 664 Milhões em 2016. A outra parcela da 
receita financeira refere-se à variação cambial (de empréstimos e financiamentos, aplicações 
financeiras e outros ativos/passivos) que totalizou R$ 878 Milhões em 2017 e R$ 1.710 
Milhões em 2016. Deste modo, caso fosse considerado comparado a receita financeira de 
juros com o saldo do ano anterior (por simplificação) de caixa e aplicações financeiras iria-se 
ter aproximadamente uma remuneração de 9,6% em 2017 e 10,9% em 2016. 
Por outro lado, ao analisar as despesas financeiras, observa-se que as despesas 
financeiras referentes: (a) a juros (de empréstimos e financiamentos e outros passivos) 
totalizaram R$ 2.003 Milhões em 2017 e R$ 1.565 Milhões em 2016; (b) a variação cambial 
(de empréstimos e financiamentos, aplicações financeiras, ativos líquidos no exterior e outros 
ativos/passivos) foi de R$ 881 Milhões em 2017 e R$ 1.226 Milhões em 2016; (c) a ajuste 
valor presente, prêmio pago pela recompra de títulos e outros foi de R$ 629 Milhões em 2017 
e R$ 623 Milhões em 2016; (d) a perdas líquidas com operações de derivativos foi de R$ 114 
Milhões em 2017 e R$ 1.092 Milhões em 2016. 
Deste modo, observa-se que houve perdas relevantes em derivativos (sobretudo em 
2016) e que não se encontrou as razões destas perdas e quais eram os instrumentos derivativos 
envolvidos. Em outras palavras, em um aspecto relevante das despesas financeira a BRF não 
teve um nível de disclosure adequado sobre o assunto. Em uma análise dos instrumentos 
derivativos que a entidade explicita utilizar, sugere-se que esta perda com operações 
derivativos deve-se a variação nos resultados de contratos de swaps que há troca de 
indexadores DI x Pré-Fixado em certos contratos de dívida em que há exposição de risco de 
juros. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
Lucro antes do res. financ. 3,478,319 100.0 4,228,410 121.6 1,815,174 42.9 736,078 40.6 
Receitas Financeiras 1,580,756 100.0 3,355,313 212.3 2,373,737 70.7 1,545,683 65.1 
Despesas Financeiras 2,571,454 100.0 5,025,455 195.4 4,506,392 89.7 -3,627,261 -80.5 
LAIR 2,487,621 100.0 2,558,268 102.8 -317,481 -12.4 -1,345,500 423.8 
 
Do ponto de vista financeiro, a BRF manteve margens líquidas de -3,3%, -1,1% e 
9,7%, respectivamente, nos anos de 2017, 2016 e 2015. A mediana das margens de lucro 
líquido de seus concorrentes diretos foi de -0,5%, 1,2% e 0,1% nos respectivos anos 
anteriormente citados. Sendo assim, nota-se que nos dois últimos anos os resultados líquidos 
da firma têm sido inferiores aos dos seus pares. Ao analisar a diferença entre as margens 
operacionais e líquidas da empresa, verifica-se que o resultado financeiro em 2017 foi de -
6,2% sobre a receita líquida, sendo 10,8% de despesas financeiras e 4,6% de receitas 
financeiras. Assim como, a despesa de IRPJ e CSLL no exercício foram de -0,7% sobre a 
receita líquida. Logo, percebe-se que a reduzida margem de lucro operacional resultara em 
prejuízo no lucro líquido, sobretudo, devido ao maior peso das despesas financeiras no 
resultado. 
 
Consolidado 31/12/2014 31/12/2015 31/12/2016 31/12/2017 
 AH% AH% AH% AH% 
LAIR 2,487,621 100.0 2,558,268 102.8 -317,481 -12.4 -1,345,500 423.8 
IR e CS corrente -117,361 100.0 -17,085 14.6 -153,951 901.1 16,630 -10.8 
IR e CS diferido -235,205 100.0 406,587 -172.9 104,093 25.6 230,016 221.0 
Lucro oper continuadas 2,135,055 100.0 2,947,770 138.1 -367,339 -12.5 -1,098,854 299.1 
Operac descontinuadas 89,822 100.0 183,088 203.8 0 - 0 - 
Resultado líquido 2,224,877 100.0 3,130,858 140.7 -367,339 -11.7 -1,098,854 299.1 
 
 
 
16. Capital de Giro 
 
Outro aspecto relevante é analisar o capital de giro líquido (CGL), e por consequência, 
a necessidade de investimento em giro (NIG) e o saldo em tesouraria (ST). Para tanto, é 
necessário avaliar os saldos dos ativos e passivos circulantes (diferença entre as contas resulta 
no CGL); ativos e passivos circulantes operacionais (diferença entreas contas resulta no 
NIG); e os ativos e passivos financeiros (diferença entre as contas resulta no ST). Mediante 
esta análise, encontra-se que o CGL da BRF é de R$ 4.278 Milhões em 2017, R$ 6.253 
Milhões em 2016 e R$ 7.559 Milhões em 2015. Este capital de giro líquido é composto por 
NIG de R$ 3.070 Milhões em 2017, R$ 2.519 Milhões em 2016 e R$ 4.090 Milhões em 2015 
e pelo ST de R$ 1.208 Milhões em 2017, R$ 3.734 Milhões em 2016 e R$ 3.469 Milhões em 
2015. 
Desta forma, observa-se que as firmas têm uma necessidade de investimento em 
capital de giro (NIG) que é menor do que o capital de giro líquido (CGL) e, portanto, obtém-
se um saldo positivo de ST. Dadas estas considerações, nota-se que toda a demanda de 
recursos para operação (NIG) é financiada com capital de longo prazo (não circulante). Deste 
modo, infere-se que a entidade tem uma gestão de curto prazo conservadora, visto que há 
certa folga financeira. Entretanto, devido ao dilema da liquidez e rentabilidade, a BRF poderia 
conseguir maiores retorno ao investir na operação, se direcionasse uma parte destes recursos 
para investimentos. 
 
 
 
No Ativo Circulante Financeiro considera-se tanto os montantes de caixa e 
equivalentes de caixa e aplicações financeiras. Por consequência, no Ativo Circulante 
Operacional considera-se o restante dos ativos circulantes, como por exemplo: Contas a 
Receber de Curto Prazo, Estoques, Ativo Biológicos de Curto Prazo, Impostos a Recuperar e 
Despesas Pagas Antecipadamente. 
Já no Passivo Circulante Financeiro considera-se o total da dívida bruta de curto prazo. 
Portanto, no Passivo Circulante Operacional considera-se o restante dos passivos circulantes, 
como por exemplo: Obrigações sociais e trabalhistas, Fornecedores de Curto Prazo, Impostos 
a Pagar, Provisões de Curto Prazo. 
 
 
 
Análise de Capital de Giro 2015 2016 2017
Ativo Circulante 19.180 18.894 19.186
Passivo Circulante 11.621 12.640 14.908 
Ativo Circulante Operacional 13.082 11.915 12.946
Passivo Circulante Operacional 8.993 9.395 9.877
Ativo Circulante Financeiro 6.098 6.979 6.239
Passivo Circulante Financeiro 2.628 3.245 5.031 
Capital de Giro Líquido 7.559 6.253 4.278 
Necessidade de Invest. Giro 4.090 2.519 3.070 
Saldo em Tesouraria 3.469 3.734 1.208 
17. Geração e Consumo de Caixa 
 
Ao analisar o potencial de geração de caixa da BRF tem-se como medida o EBITDA, 
que ficou em R$ 2.654 Milhões em 2017, R$ 3.418 Milhões em 2016 e R$ 5.545 Milhões em 
2015. Alternativamente, mediante a demonstração do fluxo de caixa (DFC), pode-se mensurar 
o fluxo de caixa potencial ao mensurar o lucro líquido ajustado que considera todas as 
despesas (perdas) e receitas (ganhos) que não necessitaram de ingresso ou desembolso de 
caixa no período. Mediante esta análise, observa-se que este lucro líquido ajustado ficou 
em R$ 2.758 Milhões em 2017, R$ 1.209 Milhões em 2016 e R$ 7.150 Milhões em 2015. 
Entretanto, o recebimento efetivo de caixa das operações (fluxo de caixa operacional), que 
leva em conta recebimento de caixa de exercícios anteriores, ficou em R$ (1.126) Milhões em 
2017, R$ (372) Milhões em 2016 e R$ 2.928 Milhões em 2015. Este diferencial entre o 
potencial de caixa e a realização efetiva deste deve-se as variações de ativos e passivos 
operacionais, sobretudo, devido ao aumento de duplicatas a receber, estoques e outros 
passivos operacionais. Em outras palavras, o contraste em o potencial e parte da realização 
dos fluxos de caixa operacional deve-se a investimento em capital de giro. 
 
DFC 2015 2016 2017
+Caixa gerado por operac 4.137 1.821 653
Caixa gerado nas operac 7.150 1.209 2.758
Lucro liquido 2.928 (372) (1.126)
Deprec, amortiz e exaust 1.317 1.603 1.918
Perd(gan) var monet&camb 2.854 (446) 1.561
Perd(gan) venda atv perm 16 (38) 113
Valor contab bem vendido 0 0 0
Perd(gan) na equival pat (22) (89) (22)
Impostos diferidos (407) (104) (230)
Gan(perd) dos minorit 20 5 27
Out perd(gan) nao caixa 444 651 517
Redu(aum) em ativ e pass (3.016) 612 (2.105)
Redu(aum) dupl a receber (1.112) 1.247 (578)
Redu(aum) estoques (1.066) (450) (195)
Redu(aum) outros ativos (981) (563) 1.133
Aum(redu) fornecedores 1.602 1.009 (455)
Aum(redu) imp e obr trab (7) 40 (37)
Aum(redu) outr passivos (1.451) (672) (1.973)
Out Itens do Flx Cx Oper 2 0 0
Demonstração de Fluxo de Caixa
BRF SA ON (R$ Milhões)
Ao analisar os desembolsos de caixa para investimento observa-se que a compra 
líquida de ativo permanente (compra líquida da venda de ativos permanentes e fixos) foi 
de R$ 1.908 Milhões em 2017, R$ 4.484 Milhões em 2016 e R$ 1.341 Milhões em 2015. No 
entanto, estes níveis de investimento têm sido majoritariamente financiados pela emissão de 
novas dívidas, visto que grande parte do fluxo de caixa operacional têm sido destinado ao 
investimento em giro. Assim sendo, observa-se que os financiamentos líquidos obtidos 
(diferença entre os financiamentos obtidos e pagos) foram de R$ 697 Milhões em 2017, R$ 
5.434 Milhões em 2016 e R$ 259 Milhões em 2015. 
 
 
 
 Em uma análise geral, observa-se que nos últimos anos os fluxos de caixa 
operacionais (FCO) são positivos, os fundos de caixa de investimento (FCI) negativos (em 
magnitude próxima ou menor do que o FCO) e o fluxo de financiamento positivos (caso 
desconsidere as recompras de ações). Dadas estas características dos perfis de fluxos de caixa, 
interpreta-se que a BRF está na fase de crescimento moderado no ciclo de vida corporativo. 
 
 
DFC 2015 2016 2017
+Caixa gerado por invest (1.686) (4.160) (2.288)
Compra liq de ativo perm (1.341) (4.484) (1.908)
Compra de invest perman (91) (2.872) (1.120)
Compra ativos fix e dif (1.502) (1.922) (938)
Venda de ativo permanent 252 310 150
Dividendos recebidos 0 0 0
Resg (aplic) financ liq 10 (148) 259
Cx gerado(aplic) out inv (355) 472 (640)
+Caixa gerado por financ (4.294) 3.721 1.207
Financiament obtidos liq 259 5.434 697
Financiamentos obtidos 6.290 8.946 9.698
Financiamentos pagos (6.032) (3.512) (9.001)
Aumento liq de capital (3.683) (537) 510
Aumento de capital 82 6 510
Reducao de capital (3.766) (543) 0
Dividendos pagos (889) (1.176) 0
Cx gerado(aplic) out fin 20 0 0
+Efeito Cambial 1.199 (388) 82
+Outras variacoes 0 0 0
Demonstração de Fluxo de Caixa
BRF SA ON (R$ Milhões)
18. Análise da Rentabilidade 
 
Ademais, para analisar se os níveis de rentabilidade do ativo e patrimônio líquido têm 
sido suficientes para remunerar o total de capital investido na empresa e o capital dos 
acionistas torna-se necessário estimar o retorno mínimo exigido. Neste sentido, estima-se o 
custo de oportunidade do capital próprio (cost of equity) mediante uma abordagem de CAPM 
Global3. Já o custo do capital de terceiros (𝐾𝑑) é obtido ao ponderar o custo das fontes de 
recursos contido na dívida bruta total da companhia, conforme visto anteriormente. Deste 
modo, considerando a alavancagem a valores de mercado, pondera-se o custo do capital 
próprio e de terceiros e obtêm-se o custo do capital ponderado (WACC). 
Ao seguir esta metodologia, compara-se a rentabilidade do ativo (NOPAT sobre 
Passivo Oneroso e Patrimônio Líquido) e o custo do capital ponderado e esta análise sugere 
que a BRF não tem conseguido remunerar adequadamente o total de capital investido na 
entidade nos últimos 2 anos. Ao analisar se os acionistas estão sendo remunerados de forma 
adequada, observa-se que a rentabilidade do patrimônio líquido foi superior ao retorno 
mínimo exigido apenas nos anos de 2014 e 2015. Exceto esses três anos, o ROE tem sido 
inferior ao custo do capital próprio. Dadas estas considerações, há indícios que a BRF não tem 
conseguido entregar os retornos requeridos pelos seus principais stakeholders e espera-se que 
futuramente consiga reverter esta situação e criar valor.3 Estima-se o custo do capital próprio ao considerar a taxa de livre de risco norte-americana (Treasury Bond de 
10 anos), prêmio de risco histórico norte-americano (S&P 500 versus Treasury Bond de 10 anos desde 1928 até 
o anual atual), beta desalavancado do setor norte-americano (Food Processing) e o prêmio de risco país do 
Brasil (EMBI+). 
 
Rentabilidade (BRF) 2015 2016 2017
ROA Rentab do Ativo % 13,31% 5,03% 1,88%
Custo de Capital Ponderado (WACC ) 11,90% 10,09% 9,76%
Criação de Valor (Firma) 1,40% -5,07% -7,88%
ROE Rent Patr (PL médio)% 21,21% -2,82% -9,18%
Cost of Equity (CAPM Global) 13,32% 11,05% 10,41%
Criação de Valor (Acionista) 7,89% -13,87% -19,59%
19. Análise Global da Rentabilidade 
 
Por fim, têm-se como objetivo analisar as principais fontes de rentabilidade da BRF 
nos últimos 3 anos. De forma abrangente, busca-se analisar conjuntamente a rentabilidade 
operacional (ROA), dos investimentos societários, das aplicações financeiras e caixa (ativos 
financeiros) e sobre o capital próprio (ROE). Para tanto, reorganiza-se a estrutura do balanço 
patrimonial entre ativos (passivos) operacionais e capital investido na firma (passivo oneroso 
e patrimônio líquido). Assim como, a demonstração de resultado com objetivo de segregar o 
resultado dos ativos operacionais (NOPAT), dos investimentos em outras sociedades 
(resultado de equivalência), dos ativos financeiros (receita financeira) e dos acionistas (lucro 
líquido consolidado). 
Entretanto, este rearranjo do resultado não é passível de ser reconciliável 
analiticamente com a organização tradicional, uma vez que há formas diferentes de cálculo de 
impostos de renda e contribuição social e outras diferenças devido ao modelo adotado. Em 
ciência disto, utilizam-se ajustes de conciliação para conciliar o resultado obtido neste novo 
arranjo com o imposto de renda apurado e lucro líquido consolidado obtidos no modelo 
clássico de demonstração do resultado. 
À vista disso, conforme evidenciado abaixo, observa-se que o ROA nos últimos 3 anos 
decresceu 11,4 p.p., visto que a rentabilidade dos ativos era de 13,3% em 2015, 5% em 2016 e 
1,9% em 2017. Conforme explicado anteriormente, esta drástica redução de ROA teve como 
principal motivo a queda das margens de lucro operacional. Quanto à rentabilidade das 
participações societárias em coligadas e controladas em conjunto, houve um aumento 
considerável no retorno no ano de 2016, saindo de -31,7% em 2015 para 52% em 2016 e uma 
redução em 2017, saindo de 52% em 2016 para 26,1% em 2017. Já o retorno sobre os ativos 
financeiros da entidade cresceu 1,9 p.p., uma vez que tais aplicações renderam de forma 
global aproximadamente 8,2% em 2015, 10,2% em 2016 e 10,1% em 2017. 
Dadas essas considerações, nos últimos dois anos, observa-se que os ativos financeiros 
(de menor risco) têm oferecido melhor rentabilidade do que a operação da companhia. Além 
disso, o retorno das participações societárias em coligadas e controladas em conjunto cresceu 
levemente e seu retorno não é substancial. A BRF poderia reavaliar o posicionamento 
estratégico nesses investimentos. Além disto, conforme discutido anteriormente, verifica-se 
nos últimos dois anos a rentabilidade dos acionistas (ROE) foi inferior auferida pelos ativos 
(ROA), uma vez que as operações não têm remunerado acima do custo dos passivos onerosos 
da companhia. 
 
 
 
 
 
 
BP (R$ MM) 2015 2016 2017
Caixa e equival caixa 5.363 6.357 6.011 
Aplicacoes financeiras 735 622 228 
Ativos Financeiros 6.098 6.979 6.239 
Contas a receber CP 4.180 3.234 4.032 
Estoques 4.033 4.792 4.948 
Ativos Biologicos CP 1.330 1.645 1.510 
Impostos a Recuperar 1.232 1.235 1.228 
Outros Ativos Circulantes 2.308 1.008 1.227 
Realizavel LP 5.095 5.574 6.587 
Investimentos 186 59 68 
Imobilizado 10.916 11.746 12.191 
Intangiveis 5.011 6.673 7.198 
Ativos Operacionais 34.291 35.965 38.989 
Obrig sociais e trabalh 159 297 330 
Fornecedores CP 5.920 7.175 7.161 
Impostos a pagar 353 320 426 
Outras obrigacoes CP 1.943 937 1.000 
Provisoes CP 617 667 959 
Outras obrigacoes LP 985 851 1.493 
Impostos Diferidos LP 188 156 155 
Provisoes LP 1.206 1.361 1.547 
Passivos Operacionais 11.373 11.763 13.071 
Total empres e financ CP 2.628 3.245 5.031 
Total empres e financ LP 12.551 15.717 15.413 
Patrim liq consolidado 13.836 12.219 11.713 
Total de Capital Investido 29.015 31.182 32.157 
 
 
 
 
 
 
 
 
DRE (R$ MM) 2015 2016 2017
(+) Receita líquida 32,197 33,733 33,469
(-) PECLD (197) (6) (14)
(=) Vendas líquidas 32,000 33,727 33,456
(-) Custo Produtos Vendidos (21,022) (24,910) (25,004)
(=) Lucro Bruto 10,978 8,817 8,452
(-) Despesas Operacionais (5,329) (5,429) (5,820)
(=) EBITDA 5,649 3,389 2,632
(-) Deprec, amortiz e exaust (1,317) (1,603) (1,918)
(=) EBIT 4,332 1,786 714
(-) IRPJ & CSLL s/ EBIT (1,473) (607) (243)
(=) NOPAT 2,859 1,179 471
 Retorno dos Ativos (ROA) 13.3% 5.0% 1.9%
(+) Equivalência Patrimonial (104) 29 22
 Retorno das Partic. Societárias -31.7% 52.0% 26.1%
(+) Receitas de Juros 518 664 668
 Retorno dos Ativos Financeiros 8.2% 10.2% 10.1%
(-) IRPJ & CSLL s/ Rec. Juros (176) (226) (227)
(+) Outras Receitas Financeiras 2,837 1,710 878 
(+) Receitas Financeiras Líq 3,179 2,148 1,319
(-) Despesas de Juros (1,030) (1,565) (2,003)
 Custo do Passivo Oneroso 7.8% 8.2% 8.8%
(+) Economia de IRPJ & CSLL 350 532 681
(-) Outras Despesas Financeiras (3,995) (2,941) (1,624)
(-) Despesas Financeiras Líq (4,675) (3,974) (2,946)
(+/-) Ajustes de IRPJ & CSLL 909 351 (458)
(+/-) Demais Ajustes 779 (100) 493
(=) Lucro oper continuadas 2,948 (367) (1,099)
(+) Operac descontinuadas 183 0 0
(=) Lucro Líquido 3,131 (367) (1,099)
 Retorno dos Acionistas (ROE) 21.2% -2.8% -9.2%

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