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MAYOMBE
Pepetela
Rio de Janeiro, LeYa, 2013
Nobel de Literatura em 1986
(Nigéria)
Luandino Vieira
 (Angola)
João Melo
(Angola)
Paulina Chiziane
 (Angola)
 José Eduardo
Agualusa (Angola)
(Egito)
(Moçambique)
(África do Sul)
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos
Benguela, 29 de outubro de 1941
PEPETELA
Prêmio Camões
 1977
Pepetela: Benguela, 29.10.1941
1956: parte para Lubango e Lisboa para estudar no Instituto Técnico Superior.
Criação do MPLA
1960: Fac. de Engenharia
1961: começam os conflitos
1962: criação da FNLA
1963: entra no MPLA 
Refugia-se na França e Argélia
Licencia-se em Sociologia
1966: criação da UNITA
1974: Revolução dos Cravos e queda de Salazar
15.01.1975: libertação de Portugal e acordo assinado
Marca o fim da guerra Civil
1975: Vice- Ministro da Educação (Presidente Agostinho Neto)
1977: Prêmio Camões
1982: aposenta-se (?)
 Hoje mora em Lisboa
 capa de
Maria Manuel Lacerda
Rio de Janeiro, 
 LeYa, 2013
Video
Leituras: Mayombe
Dedicatória:
 
Aos guerrilheiros do Mayombe,
que ousaram desafiar os deuses
abrindo um caminho na floresta obscura,
Vou contar a história de Ogun,
O Prometeu africano.
Mayombe – os capítulos
I – A missão: apresentação dos guerrilheiros; os codinomes; a floresta como mãe protetora – simbologia; o tribalismo; o projeto da guerrilha no Mayombe
Chevalier: santuário em estado natural. Poder. Gera chuva (=benefícios do céu, portanto dos deuses). 
Cirlot: princípio materno, portanto, feminino. Opõe-se à terra porque oculta a luz do sol.
A floresta como elemento masculino
TRECHO 1, p. 13:
 
	“ Aos grupos de quatro, prepararam o jantar: arroz com corned-beef. Terminaram a refeição às seis da tarde, quando o Sol desaparecera e cobrira o Mayombe. As árvores enormes, das quais pendiam cipós grossos como cabos, dançavam em sombras com os movimentos das chamas. Só o fumo podia libertar-se do Mayombe e subir, por entre as folhas e as lianas, dispersando-se rapidamente no alto, como água precipitada por cascata estreita que se espelha em um lago.”
	TRECHO 2, ps. 67 e 68:
 
	“O Mayombe tinha aceitado os golpes dos machados, que nele abriram uma clareira. Clareira invisível do alto, dos aviões que esquadrinhavam a mata, tentando localizar nela a presença dos guerrilheiros. As casas tinham sido levantadas nessa clareira e as árvores, alegremente, formaram uma abóbada de ramos e folhas para as encobrir. Os paus serviram para as paredes. O capim do teto foi transportado de longe, de perto do Lombe. Um montículo foi lateralmente escavado e tornou-se forno para o pão. Os paus mortos das paredes criaram raízes e agarraram-se à terra e as cabanas tornaram-se fortalezas. E os homens, vestidos de verde, tornaram-se verdes como as folhas e castanhos como os troncos colossais. A folhagem da abóbada não deixava penetrar o Sol e o capim não cresceu em baixo, no terreiro limpo que ligava as casas. Ligava, não; separava com amarelo, pois a ligação era feita com verde.
	Assim foi parida pelo Mayombe a base guerrilheira.
II- A base: a floresta; a relação guerrilheiro/floresta; Prometeu e Ogun; as lutas e motivações; O Comandante e o Comissário; a desilusão amorosa; a língua portuguesa (superestrato); o autor e a CPLP
Prometeu (mitologia grega)
Titã que rouba o fogo do Olimpo para os homens e é castigado ad eternum por Zeus. Hércules, porém, o liberta, matando a águia que comia seu fígado todos os dias.
Ogun (mitologia africana)
O orixá masculino, senhor do ferro e da guerra. Culto restrito aos homens que, por sua natureza, é mutável. Espírito forte e impulsivo, não perdoa ofensas. Persegue obstinadamente seus objetivos
*
A VISÃO ARISTOTÉLICA DE HERÓI
TRECHO 3, ps.67 e 68: (em que se tem A TEORIA DA GUERRILHA e a visão aristotélica de ANTI-HERÓI)
 
“A comida faltava e a mata criou as “comunas”, frutos secos, grandes amêndoas, cujo caroço era partido à faca e se comia natural ou assado. As “comunas” eram alimentícias, tinham óleo e proteínas, davam energia, por isso se chamavam “comunas”. E o sítio onde os frutos eram armazenados e assados recebeu o nome de “Casa do Partido”. O “comunismo” fez engordar os homens, fê-los restabelecer dos sete dias de marchas forçadas e de emoções. O Mayombe tinha criado o fruto, mas não se dignou mostrá-los aos homens: encarregou os gorilas de o fazer, que deixaram os caroços partidos perto da Base, misturados com as suas pegadas. E os guerrilheiros perceberam então que o Deus-Mayombe lhes indicava assim que ali estava o seu tributo à coragem dos que o desafiavam: Zeus vergado a Prometeu, Zeus preocupado com a salvaguarda de Prometeu, arrependido de o ter agrilhoado, enviando agora a águia, não para lhe furar o fígado, mas para o socorrer. (Terá sido Zeus que agrilhoou Prometeu, ou o contrário?)
							(CONTINUA)
	A mata criou cordas nos pés dos homens, a mata criou cobras à frente dos homens, a mata gerou montanhas intransponíveis, feras, aguaceiros, rios caudalosos, lama, escuridão, Medo. A mata abriu valas camufladas de folhas sob os pés dos homens, barulhos imensos no silêncio da noite, derrubou árvores sobre os homens. E os homens avançaram. E os homens tornaram-se verdes, e dos seus braços folhas brotaram, e flores, e a mata curvou-se em abóbada, e a mata estendeu-lhes a sombra protetora, e os frutos. Zeus ajoelhado diante de Prometeu. E Prometeu dava impunemente o fogo aos homens, e a inteligência. E os homens compreendiam que Zeus, afinal, não era invencível, que Zeus se vergava à coragem, graças a Prometeu que lhes dá a inteligência e a força de se afirmarem homens em oposição aos deuses. Tal é o atributo do herói, o de levar os homens a desafiarem os deuses.
	Assim é Ogun, o Prometeu africano.”
TRECHO 4: 
“ Sem Medo resolveu o seu problema fundamental: para se manter ele próprio, teria de ficar ali, no Mayombe. Terá nascido demasiado cedo ou demasiado tarde? Em todo o caso, fora o seu tempo, como qualquer herói de tragédia”
III – Ondina: as relações humanas; o amor e a traição: o primeiro triângulo amoroso: O Comandante, Ondina e André; a revelação do Comandante; o mundo pessoal; a mulher na sociedade; o Comissário = João 
IV – A surucucu: homem X mulher, Sem Medo e Ondina; o falso ataque à Base; a ação “heróica” de Teoria; o ideal, o tribal, o pessoal; a Política; o preparo para a guerra
V – A amoreira: a nova organização da Base; o ideal político e a utopia; o segundo triângulo amoroso: João, Ondina e Sem Medo; a morte de Lutamos e Sem Medo; a amoreira 
Simbologia da amoreira
 Segundo Chevalier a amoreira é a árvore que representa o levante, a elevação ao céu, seguimento do sol, o astro-rei. 
Simboliza ainda o resgate através da morte por causa de cor vermelho intenso de seus frutos.
VI - Epílogo: Sem Medo torna-se o herói maior da narrativa. Tomba pelo ideal e permanece para sempre onde havia escolhido: no Mayombe.
ANÁLISE GERAL DA OBRA
	Precursora do romance pós moderno
	Portanto, de transição
	Personagens representando entidades sociológicas
	Ambiguidade de natureza nas personagens
	Não é um simples documentário
	Fatos dão o tom de verdade
	Narrativa dão o tom da verossimilhança
	Glossário ao final
	Posição do autor contra a CPLP
ELEMENTOS DA NARRATIVA
ENREDO
DE SUPERFÍCIE: o movimento da guerrilha do MPLA 
PROFUNDO: 
	2.1.	o comportamento humano nas relações 			afetivas, políticas, sociais.
	2.2. descrição do tribalismo na região em guerra 
		como elemento desagregador do ideal
	2.3. 	o colonizador e a colônia
TEMA, ASSUNTOS, MENSAGEM
TEMA: a questão étnica e a preocupação com a construção da unidade nacional
ASSUNTOS: o tribalismo, as guerrilhas angolanas pela libertação do país e os conflitos, de modo geral.
MENSAGEM: lutar por um ideal faz parte de todas as pessoas e tem a mesma importância para cada um
TRIBALISMO
	
		
		TRECHO 5: 
	 “- Somos nós, com a nossa fraqueza, o nosso tribalismo, que impedimos a aplicação da disciplina. Assim não mudará nada.”
 
	TRECHO 6, ps. 26 e 27:
 
	“- Nós somosmilitares. Nós devemos combater o inimigo. Por isso penso que que a primeira ação nesta área devia ser militar. Os soldados devem andar à vontade na estrada. Esta picada vai de certeza dar à estrada. Uma emboscada era muito melhor. Os trabalhadores? Não vejo qual o interesse. Se ainda fosse para os fuzilar... Mas não. Para os politizar! Vocês acreditam que vamos politizar alguma coisa? Aqui só a guerra é que politiza.
CONTINUA
	- Claro – cortou o Comissário. – Mas isso será mais uma razão para que eles andem na estrada. São forçados a aumentar as patrulhas, pois aqui há população e eles querem cortar-nos dela. Eles andarão ainda mais e teremos pois mais oportunidade de lhes dar porrada. Qual é o problema? Não mataremos vinte na primeira emboscada, pois estarão mais atentos? Bem, mataremos dez. A guerra popular não se mede em número de inimigos mortos. Ela mede-se pelo apoio popular que se tem.
	- Esse apoio só se consegue com armas – disse o Das Operações.
CONTINUA
	- Não só. Com as duas coisas. Com as armas e com a politização. Temos de mostrar primeiro que não somos bandidos, que não matamos o povo. O povo daqui não nos conhece, só ouve a propaganda inimiga, em medo de nós. Se apanharmos os trabalhadores, os tratarmos bem, discutirmos com eles e, mais tarde, dermos uma boa porrada no tuga, então, o povo passa a acreditar e a aceitar. Mas é um trabalho longo. De qualquer modo, esta ação pode não impedir que se faça também uma emboscada.
	_ Questão de tempo e de comida – disse Sem Medo.
	- Os camaradas aceitarão passar um pouco de fome, se lhes explicarmos o interesse da coisa.
	
	TRECHO 7, p. 244:
	“- Lutamos, que era cabinda, morreu para salvar um quimbundo. Sem Medo, que era kikongo, morreu para salvar um quimbundo. É uma grande lição para nós, camaradas.”
PERSONAGEM PLANA 
E REDONDA
1. Sem Medo (Comandante): kikongo; sua palavra é lei; o mais alto posto no grupo.
 
2. O Comissário Político: quimbundo; a quem cabia a tarefa de politizar os homens e defender a posição política justa. Dez anos mais novo que o Comandante, questiona sempre as ações pretendidas. Também fazia a tarefa de batedor. Noivo de Ondina.
 
.3. O Chefe de Operações: quimbundo; quem colocava em prática os planos. Acreditava em guerra armada contra os tugas; que politizar não ajudava a resolver o problema.
 
CONTINUA
	4 Teoria (professor): mestiço mas “ninguém parecia reparar nisso”, o “talvez”, cujo objetivo de vida é mostrar aos outros que sempre há um lugar para o “talvez”, ainda que para isto custe renunciar ao amor de Manuela e à posição que poderia ocupar em vida “normal”. Detentor de conhecimentos, instrutor político mas sente-se inferior por não atuar diretamente na guerra.
 
	5. Lutamos: o rebelde que não queria estudar. Não queria ser chefe; preferia ser apenas um guerrilheiro. Bastava-lhe estar no Maoymbe.
 
	6. Milagre: kimbundo; o que tinha abandonado a família pelos ideais da guerrilha
	 
CONTINUA
7. Verdade: flutua em toda a narrativa
8. Ingratidão: o que foi julgado por ter roubado cem escudos de um trabalhador, a quem foi restituído o valor por dever e para comprovar a honestidade dos guerrilheiros (p. 58). O Comissário sugere fuzilamento. Sem Medo, sensatamente, explica porque não acatará seu julgamento de fuzilamento mas acata a de seis meses de prisão.
9. Muatiânvua: o desenraizado, o marinheiro; também destribalizado, filho de pai umbundo e mãe kimbundo 
CONTINUA
10. Mundo Novo: um perfeito intelectual; destribalizado por ter estudado na Europa.
 
11. André: Comissário de Base. Ficava em Dolisie.
 
12. Ondina: noiva do Comissário, o trai com André.
 
13. A floresta Mayombe 
	TRECHO 8 p, 54:
	“À noite, na mata, o melhor guarda era a impenetrabilidade do Mayombe.”
TEMPO e ESPAÇO
CRONOLÓGICO REAL : a Guerra de libertação de Angola, de 04 de fevereiro de 1961 a junho/outubro de 1974 
CRONOLÓGICO NA OBRA: a nesga da guerrilha
PSICOLÓGICO NA OBRA: quase sempre no presente, dependendo de cada personagem e de suas relações. Algumas apresentam flasbacks. 
ESPAÇO FÍSICO: as bases da guerrilha e a floresta
NARRADOR
ONISCIENTE e ONIPRESENTE: em 3ª pessoa
2. NARRADOR PERSONAGEM: em 1ª pessoa, multifocais em Mayombe
	Em Mayombe os narradores são chamados também de narrador-testemunha.
ALGUMAS FIGURAS DE LINGUAGEM
METONÍMIA: (p.34)
 “Mas eu não posso deixar de odiar os tratores, desculpem-me.” 
2. OXÍMORO OU PARADOXO: (p.67)
 “... os paus mortos das paredes criaram raízes...”
3. PERSONIFICAÇÃO: (p. 161)
 “Viu as vertentes imponentes do Tundavala, onde o Mundo se 
abria para gerar o deserto do Namibe: a Tundavala eram as coxas 
entreabertas da montanha de deixavam escorrer as areias do 
deserto, inundando o horizonte até a África do Sul.”
CONTINUA
4. EUFEMISMO: (p. 52)
“O soldado tinha-o visto, mas a arma encravar. Sem Medo apontou a AKA. O soldado era um miúdo aterrorizado à sua frente, a uns quatro metros, as mãos fincadas na culatra que não safava a bala usada. Os dois sabiam o que se ia passar. Necessariamente, como qualquer tragédia. A bala de Sem Medo abriu um buraquinho na testa do rapaz e olhar aterrorizado desapareceu. Necessariamente, sem que qualquer dos dois pensasse na possibilidade contrária.”
CONSIDERAÇÕES FINAIS
LOCALIZAÇÃO TEMPORAL: presume-se que a obra tenha sido escrita no período entre 1963 a 1971.
2. REPRESENTANTES DE ENTIDADES SOCIOLÓGICAS 
 2.1. Teoria ....................................... mestiçagem
 2.2. Milagre..................................... tribalismo
 2.3. O Chefe de Operações......... ganância
 2.4. Lutamos.................................... preconceito tribal
 2.5. O Comissário Político............... destribalização
CONTINUA
3. A FUNÇÃO DA LITERATURA PARA SERVIR COMO
	3.1. fruição estética (prazer por prazer)
	3.2. instrumento de conhecimento
	3.3. utilitária
4. A FUNÇÃO DE MAYOMBE COMO OBRA LITERÁRIA
(além de produzir Arte / Literatura)
 4. 1. documentar os horrores da colonização como invasão e destruição do “status quo” original (T. 9, p. 34 e T.10,p. 35)
4.2. analisar o regime político pretendido (T. 11, ps. 111 e T. 12, p. 228)
4.3. documentar o período de ação do MPLA (T. 13, p.52)
4.4. documentar a estratificação da sociedade angolana em tribos e a dificuldade de união nacional (T. 14, p.34; T. 15, p. 47; T. 16, p. 97; T. 17, p. 121; T. 18, p. 131; T. 19, p, 189)
CONTINUA
4.5. Expor os conflitos decorrentes de relacionamentos
	ps. 79 a 97 – o encontro do Comissário de Operações e Ondina. Mais André – o 1º triângulo amoroso.
	p. 88 e 89 – o desencontro de ordens entre o Comissário de Operações e o Comissário da Base
	A declaração de guerra entre os Comissários: T. 20, p. 88
	O casal Ondina e Comissário segundo Sem medo: T.21, p. 91
	O Comandante e Vewê: T.22, p. 102
	Ondina e André juntos: T. 23, p133 e 134
	A descoberta do amor: T. 24, p. 148 	
INTERTEXTUALIDADES
Com Iracema – tribalismo
Com O Cortiço – O mesma função do espaço físico
Com Minha vida de menina – a crítica ao papel da mulher na sociedade (T. 25, ps. 149 e 150)
CONTATOS
Rosalie Gallo y Sanches
rgallo1945@gmail.com
(17) 98139-6088 (W)
ARLEC - Academia Rio-pretense de Letras e Cultura
arlecriopreto@gmail.com
Leituras Mayombe
www.youtube.com/watch?v=SgSsuOBU7ZQ

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