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VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. 3.ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2010. 1. A SELEÇÃO UM MOMENTO DE DECISÃO O bibliotecário deve conhecer o acervo, pontos fortes e fracos e conhecer as demandas dos usuários (diferenciar as demandas reais e ou tendências esporádicas). Os usuários devem atuar no processo de seleção e em muitos casos será deles a decisão final. (p.7) 2. CONSIDERAÇÕES GERAIS QUE INFLUENCIAM A SELEÇÃO Biblioteca especializada -> ligada a definição temática do acervo, começa com a definição dos grandes assuntos que deverão estar representados no acervo. Biblioteca pública -> ligada a definição da comunidade. Mesmo sendo a caracterização do usuário o ponto de partida, n se pode deixar de considerar os grandes grupos de assuntos. Todas as bibliotecas iniciam o processo de seleção com considerações abrangentes, que são depois refinadas e adequadas a cada uma delas em particular. Essas considerações vão se referir ao assunto, ao usuário, ao documento em si e a seu preço. São os fatores gerais que influenciam o processo de seleção. Geral para o específico! O assunto Deve se verificar se os materiais passíveis de incorporação ao acervo estão ou não incluídos nos parâmetros gerais de assunto e área de cobertura da coleção. E posteriormente traçar as prioridades de coleta para esses assuntos. Também é importante definir os assuntos que terão uma representação mínima em seu acervo. O usuário As características do usuário real ou potencial estão diretamente ligadas à definição do benefício que cada material incorporado ao acervo poderá trazer à comunidade a que a biblioteca almeja servir. Essa avaliação está relacionada a adequação ao usuário do material a ser selecionado. A resposta correta a essa questão envolve um conhecimento profundo dos usuários, suas características e preferências. Evidencia-se a ligação da seleção com outra atividade do desenvolvimento de coleções, o estudo da comunidade. O documento Nesse quesito busca-se identificar a necessidade de cada documento, se a coleção dispõe de material suficiente sobre o assunto em causa, ou tipo de documento em particular, e se precisa de mais. Implica uma avaliação anterior do acervo, a fim de permitir um conhecimento objetivo do acervo no que concerne tanto à distribuição dos assuntos como à sua representatividade em relação com o número de usuários, de cursos, disciplinas ou de linhas de pesquisa. O preço Diz respeito ao custo do material. É conveniente desenvolver algum tipo de sistema de avaliação que permita comparar o custo do documento com o provável benefício que ele trará ao conjunto do acervo e aos usuários. Fica explicito aqui a relação entre a seleção e a aquisição. Questões complementares Uma das possibilidades que também devem ser consideradas é o potencial do material selecionado ser alvo de vandalismo, furto ou mutilações, bem como pelo conteúdo temático ser alvo de objeções entre os usuários. Realizar uma primeira estimativa de qualidade do material selecionado. Para tentar fazer esta avaliação poderá recorrer a orelha do livro, apresentação, índice, bibliografia e também a opinião de especialista Infabilidade não existe na seleção, é sempre um trabalho de aproximação. 3 EM BUSCA DE CRITÉRIOS DE SELEÇÃO A adoção de critérios de seleção, visam guiar o bibliotecário no trabalho periódico de seleção, garantindo coerência do acervo no transcorrer do tempo, mantendo um direcionamento racional para a coleção à medida que os profissionais se incorporam ou se afastam da equipe de trabalho. A política de seleção procura garantir que todo material seja incorporado ao acervo segundo razões objetivas pré-determinadas. Assim como é ela que garante que as lacunas existentes no acervo são compatíveis com o processo de planejamento vigente. CRITÉRIOS DE SELEÇÃO CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS ADEQUAÇÃO DO USUÁRIO ASPECTOS ADICIONAIS DO DOCUMENTO Autoridade Conveniência Característica físicas Precisão Idioma Aspectos especiais Imparcialidade Relevância / Interesse Contribuição potencial Atualidade Estilo Custo Cobertura / tratamento Critérios que abordam o conteúdo do documento Autoridade: relacionado a qualidade do material a partir da reputação de seu autor, editora ou patrocinador. Cada biblioteca deverá identificar autores/instituições ou editoras de prestígio e fazer com que essas informações estejam disponíveis aos responsáveis pela seleção dos materiais, constando do documento da política de seleção. Precisão: visa identificar o quanto a informação veiculada pelo documento é exata, rigorosa, correta. Em muitos casos será preciso da opinião de um especialista. Imparcialidade: procura verificar se todos os lados do assunto são apresentados de maneira justa, sem favoritismos, deixando claro, ou não, a existência de preconceitos. Deve-se ter em mente, no entanto, que está imparcialidade poderá, ou não, ser pré-requisito necessário para inclusão na coleção. Positivo (exteriorização de ponto de vista minoritário), Negativo (disseminação de preconceitos sociais). Cada profissional definirá a melhor maneira. Atualidade: uma informação desatualizada perde muito de seu valor. Esse critério é um fator decisivo para bibliotecas onde a atualização de sua área do conhecimento é muito grande. Cobertura/tratamento: refere-se a forma como o documento é tratado. Distinguindo-se assim: - se o texto entra em detalhes suficientes sobre o assunto ou se é uma abordagem superficial; - se todos os aspectos importantes foram cobertos ou alguns foram tratados ligeiramente ou deixados de fora. A especificidade da necessidade dos usuários (clientela) e/ou coleção deverá ser levada em conta. Pode ser preciso contar com o auxílio de um especialista. CRITÉRIOS QUE ABORDAM A ADEQUAÇÃO AO USUÁRIO Conveniência: ligado ao critério cobertura/tratamento. Procura verificar se o trabalho é apresentado em um nível de vocabulário e visual que seja compatível ao usuário. São considerados aspectos relativos à idade do usuário, desenvolvimento intelectual, necessidades especiais, etc. Idioma: busca definir se a língua do documento é acessível aos usuários. Relevância/interesse: busca definir se o documento é relevante a experiência do usuário, sendo-lhe de alguma utilidade. Estilo: verificar se o estilo utilizado é adequado ao público-alvo. CRITÉRIOS RELATIVOS A ASPECTOS ADICIONAIS DO DOCUMENTO Características físicas: aspectos materiais (caracteres tipográficos, legibilidade, tamanho apropriado etc, qualidade do papel e da encardenação Aspectos especiais: analisam a inclusão e qualidade de bibliografia, apêndices, notas e índices, etc. Contribuição potencial: considera a coleção já existente, na qual o documento a ser selecionado deverá ocupar um lugar específico. (devera ser incorporado para tornar o acervo mais completo). Custo: verificar se existe edições mais baratas, custos com processamento, armazenamento, segurança etc. Analisar se é mais barato adquirir o material ou pedir emprestado em outra biblioteca, quando necessário. Os critérios de seleção aqui abordado não se aplicam apenas a livros, mas a todos os materiais. Evidentemente, haverá critérios específicos para certos tipos de documento. Será preciso elaborar critérios complementares para a seleção de periódicos, filmes, discos, diapositivos, etc. Todos devem ser coerentes com os objetivos da biblioteca. É inconcebível a utilização de critérios de seleção totalmente opostos para livros e periódicos, ou para livros e materiais audiovisuais. 4 SELEÇÃO DE MATERIAIS ESPECIAIS E MULTIMEIOS São materiais especiais ou muitimeios todos os materiais de biblioteca, à exceção dos livros (ex: periódicos, filmes etc). Os critérios de seleção estarão sempre diretamente ligados ao tipo de material selecionado. Ex: custo de uma obra em multimeio é maior por seu custo de manutenção do que o custo de uma obra impressa comum. Periódicos: Estabelece compromisso com a sua continuidade. Critério de qualidade p bibliotecas universitárias e especializadas:comissão editorial, indexação em base de dados da área Bibliotecas públicas: utilidade limitada, critério mais relevante adequação dos periódicos aos usuários. História em quadrinhos: gibis, álbuns graphic novels (luxuosa, melhor qualidade, talvez mais indicado p biblioteca já que o uso seria mais frequente. Considerar questões como armazenamento e espaço. Livros infanto-juvenis: não basta conhecer sua comunidade por meio de estatísticas ou perfis mais genéricos. É preciso estar no meio do público, conhecer e conversar com as crianças e jovens e parentes e discutir com professores os livros que recomendam. Atentar se para para obras que disseminam o preconceito cultural, social entre outros. Instrumentos auxiliares para seleção: bibliografias, muitas vezes com resenhas críticas, elaboradas por instituições ligadas à área. 5. SELEÇÃO DE DOCUMENTOS ELETRÔNICOS Consideram-se aspectos de conteúdo, acesso, suporte e custos (assinaturas, manutenção, despesa com treinamento, tempo gasto na orientação do usuário etc) 6. ORGANIZANDO O PROCESSO DE SELEÇÃO Desiderata: materiais que a biblioteca deseja adquirir, imagina-se, neste caso que já tenham recebido decisão favorável de alguém, mas esta regra nem sempre é seguida. Demanda reprimida: títulos procurados por usuários e não possuídos na biblioteca, mas também podem referir-se aos indicados pelos usuários. Lista de sugestão: em geral, indica uma lista de título que foram sugeridas para aquisição, normalmente composta por indicações de usuários. Com frequência esses títulos ainda não foram submetidos a um processo de tomada de decisões. Organização do processo de seleção vai implicar definir: · Os responsáveis pela tomada de decisão: - comissão de caráter deliberativo / grupo hierarquicamente superior ao bibliotecário, a qual o bibliotecário participa como membro ou coordenador (evita que as decisões estejam acima dos interesses de grupos ou indivíduos). Pode ser composta por representante da comunidade. - comissão de caráter consultivo para assessoria ao responsável pela seleção (bibliotecário é o responsável e reconhece a necessidade de assessoria especialistas) - bibliotecário faz a seleção. · Os mecanismos para identificação e registro dos itens a serem selecionados · A política de seleção As listas de títulos são confeccionadas com dados obtidos de diversas fontes: usuários da biblioteca como publicações das mais variadas procedência. Implica a necessidade de: Criação de formulários (simples) específicos para indicação de títulos. Indica usar o mesmo formulário p o preenchimento de todo o processo, como quem solicita o material, recebe o pedido, verifica se a biblioteca possui o título, quem a prova a indicação etc – qt burocracia hen !! Imagina isso na prática rs) Instrumentos auxiliares da seleção (fontes de seleção) Possibilitam que o bibliotecário obtenha informações referentes à existência de itens específicos, e ter acesso a uma estimativa da qualidade dos documentos. Fatores que influenciarão a adequação das bibliotecas aos instrumentos auxiliares de seleção: - a exaustividade do instrumento: algumas mais profundas e outras mais superficiais - seleção corrente ou retrospectiva: algumas apresentam apenas materiais correntes sem incluir obras publicadas antes de um certo período - fornecimento de apreciação críticas dos itens: mais elementos para tomada de decisão - idiomas incluídos: abrangem apenas a língua do país onde são publicadas ou não - inclusão de diferentes tipos de suportes e materiais não convencionais tais como periódicos, filmes, fitas etc 7. POLÍTICA DE SELEÇÃO Razão da existência de um instrumento formal de Política de Seleção: - garantir a manutenção dos critérios além da permanência física dos profissionais responsáveis pelas decisões. - dar conhecimento à comunidade de que a coleção não está sendo desenvolvida de maneira aleatória e conseguir apoio dos usuários. Documento formal de política de seleção justifica se por seu caráter: - Administrativo: continuidade dos critérios e presença física dos elaboradores - Relações públicas: biblioteca simpática aos olhos da comunidade - Político: resistência ou gerenciamento de conflitos e pressões ao torno da coleção Uma política de seleção não será melhor por ser extensa. O melhor indicador da qualidade de uma política de seleção é o resultado proveniente da sua utilização: coleção em si. Elementos que devem constar em todo documento de política: ordem como serão distribuídos, importância dada a cada um, variará segundo os interesses e particularidades da biblioteca. É acima de tudo um manual administrativo e deverá atender aos requisitos de simplicidade, clareza e veracidade. Doc de política constam: · Identificação dos responsáveis pela seleção de material · Os critérios utilizados no processo · Os instrumentos auxiliares · As políticas especificas · Os documentos correlatados 8. DOAÇÕES É uma função de aquisição. Deve se formalizar o ato de doação, como por exemplo, com um formulário simples, assinado pelo doador, registrando a data da doação e que tem conhecimento e concorda com a política da biblioteca. 9. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DE SELEÇÃO 10. TÓPICOS ESPECIAIS DE SELEÇÃO Seleção e formação profissional: antigamente o trabalho do selecionador era comparado com p de um artista, atualmente é visto como uma função técnica que exige formação e treinamento. Ao bibliotecário cabe a luta contra as tentativas de censura aos materiais da biblioteca (através dos conselhos). A constituição brasileira proíbe de modo taxativo o exercício da censura, em todas as suas formas, pelo governo ou por grupos da comunidade. O empréstimo entre bibliotecas é uma alternativa simples para sanar deficiência do processo de seleção. Tomar alguns cuidados como: garantia de acesso, possibilidades práticas de acesso, ônus para o usuário e custo para a biblioteca. Ressalta-se outras alternativas como consórcio, redes de cooperação e sistemas de bibliotecas IBICT / Comut – rede de fornecimento de fotocópias e cópias escaneadas, que envolve a padronização de rotinas, impressos, prazos e preços. Parte do custo é repassado ao usuário. Quanto aos direitos autorais: Bibliotecários são incentivadores dos direitos autorais, uma vez que possibilitam a circulação de suas coleções, divulgando seus autores, possibilitando a divulgação do seu público. Leis que regulam os direitos autorais: Berna (1886), Bruxelas (1948) e Estocolmo (1967). Brasil – lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 - vigente em 2010 (não constitui ofensa aos direitos autorais “a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, deste que feita, por este, sem o intuito de lucro. Fair uso – uso correto ou justo É possível defender a elaboração de cópias para demandas imediatas: demora do fornecedor, demora para liberar verba e titulo esgotado. A substituição por fotocópias de materiais totalmente danificados ou comprometidos por uma utilização intensa parece justificar-se no caso de títulos esgotados. 11. O FUTURO DA SELEÇÃO Adequabilidade do livro, custos, contexto social da informação (confiabilidade da informação/ fácil de ser modificado na net), discute a questão da desintermetiação Livre acesso não significa acesso gratuito