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DAS ATIVIDADES DE ATENÇÃO E DE REINSERÇÃO SOCIAL DE 
USUÁRIOS OU DEPENDENTES DE DROGAS ........................................ 35 
CAPÍTULO III ...................................................................................... 36 
Dos Crimes e Das Penas ............................................................................. 36 
CAPÌTULO 5: ABORDAGENS TERAPÊUTICAS ...................................... 38 
Por que as pessoas fumam? ........................................................................ 38 
Quer parar de fumar? ................................................................................. 41 
Abordagem ................................................................................................ 42 
Apoio medicamentoso ................................................................................. 43 
Recaída ..................................................................................................... 44 
Aumento de peso ....................................................................................... 44 
Benefícios .................................................................................................. 45 
Referências ................................................................................................ 48 
Capítulo 6: Atenção Para Usuários De Álcool e Outras Drogas ....................... 50 
ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA .............................................. 67 
ANEXO I ............................................................................................... 67 
Matriz Diagnóstica Da Rede De Atenção Psicosocial ...................................... 67 
Capitulo 7: A Abordagem Interdisciplinar ..................................................... 72 
Resumo ..................................................................................................... 72 
Capítulo 8: A Políticas Nacionais Sobre Álcool e Outras Drogas ...................... 73 
2. Marco Teórico Político ............................................................................. 76 
Bibliografia .......................................................................................... 80 
Bibliografias Básicas: .................................................................................. 80 
 
 
 
Atenção psicossocial e uso de álcool e outras drogas 
 
Esta disciplina é importante para todas as pessoas que irão trabalhar 
diretamente com os usuários de substâncias químicas, pois trazem elementos 
fundamentais do modo de se pensar a pessoa que padece do uso/abuso dessas 
substâncias seja lícita ou ilícita. 
Objetiva-se que conheçamos o modo de se pensar o usuário como um sujeito 
de direito, que merece um tratamento humano e digno como todos nós 
humanos sem preconceitos e estigmas. 
Ter-se-á a oportunidade de conhecer a legislação que permite este novo olhar 
assim como as formas de tratamentos humanizadas e o conceito de rede. 
Esta disciplina permite o contato com o novo paradigma no tratamento de 
pessoas que padecem do uso/abuso de drogas. 
O objetivo desta apostila é facilitar seu percurso sobre a temática da disciplina, 
você perceberá se apresentam textos de legislações e/ou de organizações 
governamentais amplamente conceituados nesta área que permitem sua 
reprodução desde que citada a fonte. 
Capítulo i: programas e estratégias de redução de danos e 
centro de atenção psicossocial 
 
As estratégias de redução de danos foi uma das estratégias mais inovadoras na 
abordagem em relação ao usuário de substâncias químicas ilícitas. 
Será apresentada a seguir a portaria do ministério da Saúde que determina as 
ações de redução de danos sociais à saúde. 
PORTARIA Nº 1.028, DE 1º DE JULHO DE 2005 
 
 
 
Determina que as ações que visam à redução de danos sociais e à saúde, 
decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem 
dependência, sejam reguladas por esta Portaria. 
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso de suas atribuições, e 
Considerando que cabe ao Ministério da Saúde regulamentar as ações 
destinadas à redução de danos sociais e à saúde decorrentes do uso de álcool e 
outras drogas, conforme os termos do art. 12, inciso II, da Lei nº 10.409, de 11 
de janeiro de 2002; 
Considerando as diretrizes da Política do Ministério da Saúde para a Atenção 
Integral dos Usuários de Álcool e outras Drogas; 
Considerando as recomendações produzidas pelo Grupo de Trabalho 
Interministerial relacionado à política específica sobre bebidas alcoólicas, criado 
por intermédio do Decreto Presidencial do dia 28 de maio de 2003; 
Considerando que as intervenções de saúde dirigidas aos usuários e 
dependentes de álcool e outras drogas devem ser ampliadas e estar baseadas 
na melhoria da qualidade de vida das pessoas; 
Considerando a urgência de diminuir os índices da infecção dos vírus HIV e 
Hepatites B e C entre usuários de drogas injetáveis; e 
Considerando o crescente consumo de bebidas alcoólicas entre jovens e os 
acidentes de trânsito decorrentes do uso desta substância, resolve: 
Art. 1º Determinar que as ações que visam à redução de danos sociais e à 
saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem 
dependência, sejam reguladas por esta Portaria. 
Art. 2º Definir que a redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso 
de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, desenvolva-se 
por meio de ações de saúde dirigidas a usuários ou a dependentes que não 
podem, não conseguem ou não querem interromper o referido uso, tendo como 
objetivo reduzir os riscos associados sem, necessariamente, intervir na oferta 
ou no consumo. 
 
 
 
Art. 3º Definir que as ações de redução de danos sociais e à saúde, 
decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem 
dependência, compreendam uma ou mais das medidas de atenção integral à 
saúde, listadas a seguir, praticadas respeitando as necessidades do público alvo 
e da comunidade: 
I - informação, educação e aconselhamento; 
II - assistência social e à saúde; e 
III - disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao 
HIV/Aids e Hepatites. 
Art. 4º Estabelecer que as ações de informação, educação e aconselhamento 
tenham por objetivo o estímulo à adoção de comportamentos mais seguros no 
consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, e nas 
práticas sexuais de seus consumidores e parceiros sexuais. 
§ 1º São conteúdos necessários das ações de informação, educação e 
aconselhamento: 
I - informações sobre os possíveis riscos e danos relacionados ao consumo de 
produtos, substâncias ou drogas que causem dependência; 
II - desestímulo ao compartilhamento de instrumentos utilizados para consumo 
de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência; 
III - orientação sobre prevenção e conduta em caso de intoxicação aguda 
(“overdose”); 
IV - prevenção das infecções pelo HIV, hepatites, endocardites e outras 
patologias de padrão de transmissão similar; 
V - orientação para prática do sexo seguro; 
VI - divulgação dos serviços públicos e de interesse público, nas áreas de 
assistência social e de saúde; e 
VII - divulgação dos princípios e garantias fundamentais assegurados na 
Constituição Federal e nas declarações universais de direitos. 
§ 2º As ações de informação, educação e aconselhamento devem, 
necessariamente, ser acompanhadas da distribuição dos insumos destinados a 
minimizar os riscos decorrentes do consumo de produtos, substâncias e drogas 
que causem dependência. 
 
 
 
Art. 5º Estabelecer que a oferta de assistência social e à saúde, na 
comunidade e em serviços, objetive a garantia de assistência integral ao 
usuário ou ao dependente de produtos, substâncias ou drogas que causem 
dependência. 
 
Parágrafo único. São ações necessárias na oferta de assistência social e à 
saúde, quando requeridas pelo usuário ou pelo dependente: 
I - o tratamentoà dependência causada por produtos, substâncias ou drogas; 
II - o diagnóstico da infecção pelo HIV e o tratamento da infecção pelo HIV e 
da AIDS; 
III - a imunização, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais; 
IV - o diagnóstico e o tratamento das doenças sexualmente transmissíveis 
(DST); e 
V - a orientação para o exercício dos direitos e garantias fundamentais previstos 
na Constituição Federal e quaisquer outros relativos à manutenção de qualidade 
digna da vida. 
Art. 6º Definir que as estratégias de redução de danos incluam a 
disponibilização de insumos de prevenção ao HIV/Aids e as estratégias da 
saúde pública dirigidas à proteção da vida e ao tratamento dos dependentes de 
produtos, substâncias e drogas que causem dependência. 
Art. 7º Estabelecer que as iniciativas relacionadas ao consumo de bebidas 
alcoólicas sejam incluídas nas estratégias de redução de danos, dados os 
agravos relacionados a esta substância na população geral e que devam ser 
articuladas intersetorialmente de forma a potencializar os efeitos de promoção 
à saúde. 
Art. 8º Definir que as ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em 
todos os espaços de interesse público em que ocorra ou possa ocorrer o 
consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, ou 
para onde se reportem os seus usuários. 
Parágrafo único. As disposições desta Portaria aplicam-se no âmbito do 
sistema penitenciário, das cadeias públicas, dos estabelecimentos educacionais 
 
 
 
destinados à internação de adolescentes, dos hospitais psiquiátricos, dos 
abrigos, dos estabelecimentos destinados ao tratamento de usuários ou 
dependentes ou de quaisquer outras instituições que mantenham pessoas 
submetidas à privação ou à restrição da liberdade. 
Art. 9º Estabelecer que as ações de redução de danos devem ser desenvolvidas 
em consonância com a promoção dos direitos humanos, tendo especialmente 
em conta o respeito à diversidade dos usuários ou dependentes de produtos, 
substâncias ou drogas que causem dependência. 
§ 1º Em todas as ações de redução de danos, devem ser preservadas a 
identidade e a liberdade da decisão do usuário ou dependente ou pessoas 
tomadas como tais, sobre qualquer procedimento relacionado à prevenção, ao 
diagnóstico e ao tratamento. 
§ 2º A contratação de pessoal para o trabalho com redução de danos, de que 
trata esta Portaria, deve dar prioridade aos membros da comunidade onde as 
ações serão desenvolvidas, observadas, no âmbito da Administração Pública, as 
normas de acesso a cargos ou empregos públicos, levando-se em conta 
principalmente o acesso à população alvo, independentemente do nível de 
instrução formal. 
Art. 10. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 
HUMBERTO COSTA 
Saúde Legis - Sistema de Legislação da Saúde 
2.1 – Saúde mental no sus: os centros de atenção 
psicossocial 
 
Apresento a seguir o texto do Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à 
Saúde, intitulado Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial de 
2004. 
http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/sm_sus.pdf, acesso em 
19/07/2016. 
http://www.saude.gov.br/saudelegis
http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/sm_sus.pdf
 
 
 
2.1.1. OS CAPS NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL 
Um país, um Estado, uma cidade, um bairro, uma vila, um vilarejo são recortes 
de diferentes tamanhos dos territórios que habitamos. Território não é apenas 
uma área geográfica, embora sua geografia também seja muito importante 
para caracterizá-lo. O território é constituído fundamentalmente pelas pessoas 
que nele habitam, com seus conflitos, seus interesses, seus amigos, seus 
vizinhos, sua família, suas instituições, seus cenários (igreja, cultos, escola, 
trabalho, boteco etc.). É essa noção de território que busca organizar uma rede 
de atenção às pessoas que sofrem com transtornos mentais e suas famílias, 
amigos e interessados. Para constituir essa rede, todos os recursos afetivos 
(relações pessoais, familiares, amigos etc.), sanitários (serviços de saúde), 
sociais (moradia, trabalho, escola, esporte etc.), econômicos (dinheiro, 
previdência etc.), culturais, religiosos e de lazer estão convocados para 
potencializar as equipes de saúde nos esforços de cuidado e reabilitação 
psicossocial. Nesta publicação estaremos apresentando e situando os CAPS 
como dispositivos que devem estar articulados na rede de serviços de saúde e 
necessitam permanentemente de outras redes sociais, de outros setores afins, 
para fazer face à complexidade das demandas de inclusão daqueles que estão 
excluídos da sociedade por transtornos mentais. As redes possuem muitos 
centros, muitos nós que as compõem e as tornam complexas e resistentes. O 
fundamental é que não se perca a dimensão de que o eixo organizador dessas 
redes são as pessoas, sua existência, seu sofrimento. Os Centros de Atenção 
Psicossocial (CAPS) deverão assumir seu papel estratégico na articulação e no 
tecimento dessas redes, tanto cumprindo suas funções na assistência direta e 
na regulação da rede de serviços de saúde, trabalhando em conjunto com as 
equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde, quanto na 
promoção da vida comunitária e da autonomia dos usuários, articulando os 
recursos existentes em outras redes: sóciosanitárias, jurídicas, cooperativas de 
trabalho, escolas, empresas etc. Os CAPS, assumindo um papel estratégico na 
organização da rede comunitária de cuidados, farão o direcionamento local das 
políticas e programas de Saúde Mental: desenvolvendo projetos terapêuticos e 
comunitários, dispensando medicamentos, encaminhando e acompanhando 
 
 
 
usuários que moram em residências terapêuticas, assessorando e sendo 
retaguarda para o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e Equipes de 
Saúde da Família no cuidado domiciliar. Esses são os direcionamentos atuais da 
Política de Saúde Mental para os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial, e 
esperamos que esta publicação sirva como contribuição para que esses serviços 
se tornem cada vez mais promotores de saúde e de cidadania das pessoas com 
sofrimento psíquico. 
2.1.2. Guando surgem os caps? 
 
O primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do Brasil foi inaugurado em 
março de 1986, na cidade de São Paulo: Centro de Atenção Psicossocial 
Professor Luiz da Rocha Cerqueira, conhecido como CAPS da Rua Itapeva. A 
criação desse CAPS e de tantos outros, com outros nomes e lugares, fez parte 
de um intenso movimento social, inicialmente de trabalhadores de saúde 
mental, que buscavam a melhoria da assistência no Brasil e denunciavam a 
situação precária dos hospitais psiquiátricos, que ainda eram o único recurso 
destinado aos usuários portadores de transtornos mentais. Nesse contexto, os 
serviços de saúde mental surgem em vários municípios do país e vão se 
consolidando como dispositivos eficazes na diminuição de internações e na 
mudança do modelo assistencial. Os NAPS/CAPS foram criados oficialmente a 
partir da Portaria GM 224/92 e eram definidos como “unidades de saúde 
locais/regionalizadas que contam com uma população adscrita definida pelo 
nível local e que oferecem atendimento de cuidados intermediários entre o 
regime ambulatorial e a internação hospitalar, em um ou dois turnos de quatro 
horas, por equipe multiprofissional”. Os CAPS – assim como os NAPS (Núcleos 
de Atenção Psicossocial), os CERSAMs (Centros de Referência em Saúde 
Mental) e outros tipos de serviços substitutivos que têm surgido no país, são 
atualmente regulamentados pela Portaria nº 336/GM, de 19 de fevereiro de 
2002 e integram a rede do Sistema Único de Saúde, o SUS. Essa portaria 
reconheceu e ampliou o funcionamento e a complexidade dos CAPS, que têm a 
missão de dar um atendimento diuturno às pessoas que sofrem com 
 
 
 
transtornos mentais severos e persistentes, num dado território, oferecendo 
cuidados clínicos e de reabilitaçãopsicossocial, com o objetivo de substituir o 
modelo hospitalocêntrico, evitando as internações e favorecendo o exercício da 
cidadania e da inclusão social dos usuários e de suas famílias. 
 
Bibliografia: 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Ações Programáticas Estratégicas. Saúde mental no SUS: os centros de atenção 
psicossocial / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, 
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da 
Saúde, 2004. 
Capítulo 2: substâncias psicoativas 
 
Para falar sobre a questão do uso de substância psicoativa apresento o trabalho 
da Secretaria Nacional de Políticas sobre drogas de 2014 acessado em 
18/07/2016 em http://www.supera.senad.gov.br/wp-
content/uploads/2016/03/SUP7_Mod1.pdf. 
Capítulo 1 A história do álcool 
 
Em primeiro lugar, você vai ficar sabendo como começou o uso das substâncias 
psicoativas em nosso país. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, no 
início da colonização, descobriram o costume indígena de produzir e beber uma 
bebida forte, fermentada a partir da mandioca, denominada cauim. Ela era 
utilizada em rituais, em festas, portanto, dentro de uma pauta cultural bem 
definida. Os índios usavam também o tabaco, que era desconhecido dos 
portugueses e de outros europeus. No entanto, os portugueses conheciam o 
vinho e a cerveja e, logo mais, aprenderiam a fazer a cachaça, coisa que não 
foi difícil, pois para fazer o açúcar a partir da cana-de-açúcar, no processo de 
fabricação do mosto (caldo em processo de fermentação), acabaram 
descobrindo um melaço que colocavam no cocho para animais e escravos, 
 
 
 
denominado de “Cagaça”, que depois veio a ser cachaça, destilada em 
alambique de barro e, muito mais tarde, de cobre. A cachaça é conhecida de 
muito tempo, desde os primeiros momentos em que se começava a fazer do 
Brasil o Brasil. O açúcar para adoçar a boca dos europeus, como disse o 
antropólogo Darcy Ribeiro, da amargura da escravidão; a cachaça para alterar a 
consciência, para calar as dores do corpo e da alma, para açoitar espíritos em 
festas, para atiçar coragem em covardes e para aplacar traições e ilusões. 
 
Para tudo, na alegria e na tristeza, o brasileiro justifica o uso do álcool, da 
branquinha à amarelinha, do escuro ao claro do vinho, sempre com 
diminutivos. 
 
Qual é o lugar do álcool e das outras drogas em nossa cultura? Veja no quadro 
abaixo o que dizem a respeito desse assunto dois importantes pensadores da 
cultura ocidental: “Parece improvável que a humanidade em geral seja algum 
dia capaz de dispensar os “paraísos artificiais”, isto é,... a busca de 
autotranscedência através das drogas ou... umas férias químicas de si mesmo... 
A maioria dos homens e mulheres levam vidas tão dolorosas - ou tão 
monótonas, pobres e limitadas, que a tentação de transcender a si mesmo, 
ainda que por alguns momentos, é e sempre foi um dos principais apetites da 
alma.” (Aldous Huxley, escritor inglês) 
 
“Porque os homens são mortais e não podem se habituar a essa ideia, o néctar 
e a ambrosia são fantasmas encontrados em todas as civilizações. Plantas 
mágicas, bebidas divinas, alimentos celestiais que conferem imortalidade, as 
invenções são múltiplas e todas, na falta de sucessos práticos, expressam e 
traem o terror diante da inevitável necessidade.” (Michel Onfray, filósofo 
francês) Não depende sempre da vontade o desejo de beber, pelo menos em 
muitos casos. Antes, é uma imposição; um estranho e imperioso chamado 
como a suavidade do canto de sereia que encanta, enfeitiça e enlouquece. Mas 
 
 
 
nada é tão simples assim, a bebida está bem entranhada na cultura brasileira. 
O ato de beber faz parte da nossa maneira de ser social. Sendo assim: 9 Cada 
povo, cada grupo social, cada pessoa tem a sua condição de responder a 
determinados estímulos produzidos em seu meio, ou externos a ele. Em outros 
termos, podemos dizer que temos uma pauta cultural em que as coisas são 
normalmente dispostas. Por exemplo, o licor na festa de São João, o vinho no 
Natal, a cerveja no carnaval e assim por diante, não que sejam exclusivos, mas 
os mais representativos de cada uma dessas festas. 
 
A cachaça é uma bebida forte e íntima da população. Tem baixo custo e, com 
pouco dinheiro, pode-se beber o suficiente para perturbar a si e aos demais que 
estiverem à sua volta. É a forma social e individual de beber que está em jogo, 
quando se fala em consumo de álcool, já que há uma larga disposição social 
para consumi-lo na forma das mais diversas bebidas - destiladas ou 
fermentadas, fortes ou fracas. 
 
É necessário considerar o álcool no conjunto da vida social e não só em si 
mesmo, como muita gente o faz, ou seja, considera o álcool um agente 
autônomo e o culpa por suas consequências, como se fosse um ser animado 
que agisse por conta própria. No sentido oposto, é preciso ver a disposição 
social para o consumo de drogas e se perguntar: por que as pessoas procuram 
as drogas? Por que as pessoas bebem? E também perguntar: se usam drogas, 
e dentre elas o álcool, por que as consomem desta ou daquela maneira? 
Moderada ou abusivamente? 
 
Por que será que sob o efeito da mesma quantidade de álcool algumas pessoas 
ficam alegres, outras ficam agressivas ou mesmo violentas? Por que será que 
um derivado de opioide como a meperidina, por exemplo, para algumas 
pessoas é apenas um analgésico potente e para outras, além desse efeito, é 
uma fonte de prazer a ser buscada de forma repetida? E ainda: por que uma 
 
 
 
mesma pessoa sente de maneira diferente os efeitos de uma mesma droga, em 
diferentes circunstâncias e contextos? 
O que se pode concluir daí, e que tem sido apontado por estudiosos do 
assunto, é que os efeitos de uma droga dependem de três elementos: 
1. Suas propriedades farmacológicas (estimulantes, depressoras ou 
perturbadoras); 
2. A pessoa que a usa, suas condições físicas e psíquicas, inclusive suas 
expectativas; 
3. O ambiente e o contexto de uso dessa droga, tais como as companhias, o 
lugar de uso e o que representa esse uso socialmente. Olhando com cuidado, 
entretanto, os três elementos acima convergem para um deles, apenas: o 
usuário. 
 
O mesmo ambiente e o mesmo contexto influenciam diferentemente as 
pessoas. O mesmo ocorre em relação às propriedades farmacológicas das 
drogas, uma vez que a expressão dos seus efeitos depende da capacidade de 
metabolização daquela droga por cada usuário e mesmo de suas condições 
psíquicas e mentais no momento do uso. 
 
“O alcoolismo é uma noção que apareceu pouco tempo após as circunstâncias 
que ele caracterizou, contemporâneo dos anos seguintes à industrialização, um 
desejo desesperado de responder a condições de vida deploráveis”. 
O filósofo fala da bebida com respeito e simpatia, como acontece com muita 
gente, mas acrescenta: “a embriaguez do alcoolista supõe um homem tornado 
objeto, incapaz, a partir de então, de se abster de bebidas perturbadoras. 
 
Muitas vezes sua dependência está relacionada a uma incapacidade de 
encontrar em si próprio o que permitiria um domínio, uma resistência às dores 
do mundo.” (Michel Onfray, filósofo francês) quando uma pessoa perde o 
controle sobre a ação de beber ela se torna objeto da bebida, que perturba a 
 
 
 
consciência para além do domínio que a pessoa tem de si mesma. Eis a 
embriaguez em sua forma mais simples, uma leitura sem preconceitos, mas ao 
mesmo tempo carregada com tintas muito fortes, porque nem todos os que 
bebem são dominados pela bebida. 
 
Entretanto, quando o álcool não é utilizado para aumentar a espirituosidade, 
mas para incentivar, encorajar ou consolar amargura, ele se torna um poderoso 
fator de desorganização do sujeito como ser social, isto é, para além de si como 
indivíduo e de suas relações com os outros, com os íntimos e com os de 
cerimônia. 
 
Quandoadvém a embriaguez e, com a frequência do uso, o alcoolismo, toda a 
magia da bebida é substituída pela perversidade da forma como ela é 
consumida. 
 
Às vezes, duas palavras parecem significar a mesma coisa, entretanto vistas de 
perto são bem diferentes. Esse é o caso das palavras “alcoólatra” e “alcoolista”: 
É muito importante recordar que normalmente as pessoas se tornam 
conhecidas pelo que fazem, ou seja, pela profissão que exercem. Se você 
trabalha, é um trabalhador ou uma trabalhadora; se você só estuda, é um 
estudante ou uma estudante, e assim por diante. Uma pessoa que bebe com 
alguma frequência é um bebedor ou uma bebedora, mas sabemos que esses 
termos não são muito frequentes, e em seu lugar vem a denominação bêbado 
ou bêbada. 
 
O termo alcoólatra confere uma identidade e impõe um estigma, que anula 
todas as outras identidades do sujeito, tornando-o tão somente aquilo que ele 
faz e que é socialmente condenado, não por fazê-lo, mas pelo modo como o 
faz. Em outros termos, não é a bebida em si, mas aquela pessoa que bebe mal, 
 
 
 
isto é, de modo abusivo, desregrado, que a leva à condição de ser socialmente 
identificada popularmente como “alcoólatra”, ou seja, quem “idolatra”, “adora” 
e se tornou dependente do álcool. Alcoolista Esse termo foi proposto por alguns 
pesquisadores como uma alternativa menos carregada de valoração, isto é, de 
estigma. Segundo eles, o termo não reduziria a pessoa a uma condição, como a 
de alcoólatra, mas a identificaria como uma pessoa que tem como característica 
uma afinidade com alguma coisa, com alguma ideia. Por exemplo, uma pessoa 
que torce no futebol pelo time Flamengo é flamenguista; é uma característica, 
mas não reduz o indivíduo a ela, como uma identidade única e dominante. 
 
Eis o porquê segundo estes autores ser preferível designar uma pessoa como 
alcoolista e saber que ela é, ao mesmo tempo, muitas outras coisas, inclusive 
alguém que pode deixar de ser dependente de álcool. Isso ajudaria essa pessoa 
a não ser estigmatizada, reduzida a uma única condição. 
 
Apesar dessa argumentação, em português, os termos “alcoólatra” e 
“alcoolista” continuam sendo usados, quase que indistintamente, por diferentes 
autores, mas sempre equivalendo a “dependente de álcool”. 
 
Esta seria na realidade a expressão mais adequada cientificamente. 
O termo “alcoólico” não é muito adequado, pois na língua portuguesa significa 
“o que contém álcool”, mas muitas vezes é empregado devido à semelhança 
com a palavra inglesa “alcoholic”, que além de ter esse mesmo significado é 
também usada para referir-se a quem é dependente de álcool. 
 
É muito importante, portanto, o cuidado com as palavras, com os termos que 
usamos para classificar coisas e pessoas, porque essas palavras e termos têm 
poder de conferir identidade e, assim, estigmatizar publicamente, reduzir uma 
pessoa a uma única condição, apagando, negando todas as demais, o que tem 
 
 
 
entre suas consequências a internalização desse lugar social, vindo a pessoa a 
constituir, por si mesma, um obstáculo ao desenvolvimento de um outro 
percurso, socialmente valorizado. 
 
É aceitável que um profissional de saúde não tenha respostas para 
determinadas demandas que se apresentam. Entretanto, contribuir para piorar 
ainda mais a situação dos que o procuram é tudo o que não deve acontecer. 
Um “bêbado” ou uma “bêbada” deixa de ser tantas outras coisas, como por 
exemplo, pai ou mãe, trabalhador ou trabalhadora, para ser tão somente 
bêbado ou bêbada. 
 
Como as pessoas vivem em sociedade, o reconhecimento é fundamental para a 
identidade e esta é fundamental para o reconhecimento social. 
 
Como você bem percebe, vivemos imersos em notícias e propagandas, algumas 
delas bonitas e até engraçadas, entretanto é preciso estar atento para avaliá-
las criticamente. Em relação às substâncias psicoativas, qual será mesmo o 
papel da mídia? Como já dissemos cachaça, fumo e maconha estão na origem 
da civilização brasileira. Hoje, as bebidas são produzidas por grandes empresas 
e anunciadas vivamente pelos meios de comunicação, em sofisticadas 
propagandas comerciais, em todos os lugares e em quase todos os horários. As 
cervejarias, por exemplo, gostam de explorar a imagem da mulher, valendo 
mais o apelo sexual do que qualquer outra dimensão humana. 
 
A todo o momento, pela via das propagandas comerciais, somos convidados a 
beber e as propagandas nos dizem que seremos melhores, teremos mais sorte 
e ficaremos mais fortes e alegres e, sobretudo, ficaremos mais espertos, 
chegaremos na frente, se bebermos esta ou aquela marca, este ou aquele tipo 
de bebida, que pode ser a cerveja, o vinho, o uísque ou a cachaça, dentre 
 
 
 
outras tantas à disposição dos gostos e da capacidade aquisitiva dos 
consumidores. No livro Rodas de Fumo, os autores chamam a atenção para o 
papel exercido pela imprensa a partir de meados dos anos 50, enfatizando a 
característica de “desordeiras” e de “desvio de caráter” atribuída às pessoas 
que usavam maconha. Nesse particular, o papel exercido pela mídia foi mais 
intenso do que as revelações das pesquisas científicas da época. Isso foi em 
grande parte responsável pela maneira como as novas gerações foram 
instruídas sobre esse assunto. 
 
As propagandas vão se adequando aos valores do momento e mesmo forçando 
a introdução de novos valores à medida que ampliam o mercado entre 
diferentes segmentos populacionais. Foi assim com a introdução, há não muito 
tempo, de motivos infantis, tais como lebre, tartaruga e siris nas propagandas 
de bebidas alcoólicas, em um claro apelo dirigido às pessoas nessa faixa de 
idade. Outro assunto também importante relacionado ao consumo de bebidas 
alcoólicas é o uso de energéticos. Trata-se de produtos cujo princípio ativo é a 
cafeína. 
 
Por serem psicoestimulantes os energéticos equilibram o efeito depressor do 
álcool sobre o sistema nervoso central, possibilitando que o indivíduo beba mais 
e demore mais para perceber os sintomas da embriaguez. Outras drogas como 
maconha, inalantes e crack/cocaína. 
 
Maconha O uso de maconha com propósitos medicinais data de 2.700 a.C. 
Largamente utilizada na Europa com esse propósito, durante os séculos XVIII e 
XIX, ela foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos e difundida também 
entre os indígenas, sendo no início usada com propósitos medicinais e nas 
atividades recreativas, como a pesca, e nas rodas de conversa, nos finais de 
tarde. 
 
 
 
 
Nos Estados Unidos, ela já era conhecida pelos índios quando os mexicanos a 
levaram para aquele país. No Brasil, no final do primeiro quarto do século XX, 
segundo descrição de Pernambuco-Filho & Botelho, distinguiam-se duas classes 
de “vícios”: os “vícios elegantes”, que eram o da morfina, da heroína e da 
cocaína, consumidos pelas elites (brancas, em sua maioria) e os “vícios 
deselegantes”, destacando-se o alcoolismo e o maconhismo, próprios das 
camadas pobres, em geral, formadas por negros e seus descendentes. Segundo 
esses mesmos autores, não tardou para que o produto (a maconha) trazido da 
África viesse a “escravizar a raça opressora”. 
 
Essas afirmações mostram, além da origem da maconha no país, que, já 
naquela época, ocorria a difusão do seu consumo por todas as classes sociais. 
 
A mídia, ao mesmo tempo em que nos informa, muitas vezes ultrapassa a sua 
responsabilidade social, fonte de muitos equívocos e desinformações, devido ao 
seu comprometimento com o mercado de anunciantes. Esse é um fato 
incontestável diante da realidade nacional, entretanto permanece no imaginário 
social a associação “pobre - preto - maconheiro - marginal - bandido”, traduzida 
nas ações policiais dirigidas às pessoas autuadas pelo porte de maconha, que 
na periferia das grandes cidades são muito mais severas do que nas áreas mais 
ricas e socioeconomicamente mais favorecidas. Visto de perto,o uso de drogas 
preenche expectativas e necessidades de um dado momento na cultura, 
economia e condições sociais da vida de um povo. Nas décadas de oitenta e 
noventa do século passado, vários estudos apontavam para um maior uso de 
inalantes entre crianças e adolescentes de minorias étnicas e socialmente 
menos favorecidas. 
 
Dados brasileiros sobre o consumo dessas substâncias em crianças de rua da 
cidade de São Paulo indicavam que, das 42 entrevistadas, 38 (90,5%) haviam 
feito uso na vida e no mês. Mais adiante neste mesmo módulo você verá que o 
 
 
 
uso dessas substâncias entre meninos em situação de rua era mais prevalente 
do que entre estudantes e entre a população em geral. Veja agora o quadro de 
efeitos dos inalantes e as condições de vida dos meninos em situação de rua, e 
conclua por você mesmo o lugar dessas drogas em suas vidas: Efeitos dos 
inalantes: Redução da sensação de fome e de frio; Redução da sensação de 
dor; Produção de sensações agradáveis, inclusive alucinações. Condições de 
vida dos meninos em situação de rua: Fome, frio, desamparo decorrente da 
vida nas ruas; Dor física e sofrimento psíquico decorrentes dos maustratos e 
de várias formas de violência; Privação social, inclusive de parte da própria 
família. Saiba que: Os inalantes mais populares são a cola de sapateiro, 
esmalte, benzina, lança-perfume, loló, gasolina, acetona, tíner, éter, aguarrás e 
tintas. 
 
Hoje, além do consumo de inalantes previamente descrito, a incidência do 
consumo de crack vem aumentando em função das mesmas condições de vida 
nas ruas apontadas acima, evidenciando que essas condições não são 
consequências do uso de uma determinada droga, mas sim que, diante da 
ausência do poder público, da falta de ações voltadas para o cuidado das 
pessoas, estas buscam, dentro do que está ao seu alcance, os meios de 
sobreviver às adversidades. 
 
Cocaína e Crack Levantamentos epidemiológicos (dados diretos) e indicadores 
epidemiológicos (dados indiretos), conforme você verá em detalhes mais 
adiante, têm evidenciado um aumento considerável das apreensões de cocaína, 
no Brasil, a partir dos anos oitenta do século passado. Em paralelo, houve um 
aumento do consumo e com isso a cocaína tomou o lugar dos medicamentos 
como o dextropropoxifeno (Algafan®) e derivados anfetamínicos (“bolinhas”; 
“arrebites”) na preferência dos usuários desse tipo de substâncias estimulantes. 
Veja a seguir outros aspectos culturais relacionados ao uso da cocaína, além do 
lugar que ocupa, como um produto proibido: A cocaína já foi comercializada 
 
 
 
livremente pelo laboratório Bayer, no passado, e enaltecida por suas qualidades 
medicinais. 
 
O Manual MERCK, um livro muito utilizado na área de saúde, em sua primeira 
edição no último quarto do século XIX, trazia a indicação de cocaína com a 
dosagem a ser utilizada para situações de cansaço e desânimo. 
 
A folha de coca tem sido usada milenarmente pelos povos andinos para reduzir 
a fadiga e o cansaço das longas jornadas de trabalho. 
 
Em nossa cultura, algumas pessoas fazem uso de cocaína para se manterem 
acordadas e atentas por mais tempo que o habitualmente suportável. 
 
Um estudo entre adolescentes que procuraram tratamento, na cidade de São 
Paulo, encontrou como principal motivo do uso de cocaína (64,7%) o “alívio do 
desânimo”. O crack, uma forma de cocaína de uso relativamente recente em 
nosso país, teve os primeiros registros científicos de seu consumo no início dos 
anos noventa, portanto há pouco mais de 20 anos. 
 
Ela não é uma droga diferente da cocaína, mas a própria cocaína preparada 
para consumo por via inalatória (fumada). 
 
A rapidez e intensidade de seus efeitos, que se devem à intensa absorção da 
cocaína existente na fumaça no nível dos pulmões, são fatores que favorecem a 
dependência dessa droga. 
 
Você sabe por que o consumo de crack tem se expandido tanto em nosso 
meio? Veja as razões para isso: Efeito rápido e intenso; Menor custo, em 
 
 
 
relação ao pó de cocaína, adequando-se ao perfil de baixa renda da maioria de 
seus consumidores; Fácil utilização, dispensando a necessidade do uso de 
seringas; A forma como é consumido (fumado), algumas vezes misturado ao 
tabaco e à maconha (pistilo, mesclado), chama menos a atenção e é mais 
aceitável socialmente do que o uso de drogas injetáveis; Constitui uma 
alternativa ao uso de drogas injetáveis, em virtude dos riscos associados à 
infecção por HIV e hepatites. E o Oxi? Você se lembra do Oxi? Pois é! Apesar 
de tão recente, estampado na mídia impressa e televisiva como a “nova droga 
da morte”, já não se fala mais dele. 
 
Em um primeiro momento o oxi (também chamado de oxidado) foi encontrado 
no Acre, se disseminando por outras regiões do país. 
Inicialmente o oxi foi classificado como diferente do crack por ao invés de 
conter o bicarbonato de sódio ou amônia conteria óxido de cálcio, querosene ou 
gasolina, sendo mais impuro. 
 
Entretanto, após análises químicas de amostras de oxi apreendidas pela Polícia 
Federal e Civil não foram encontradas quantidades significantes de óxido de 
cálcio, gasolina ou querosene. Concluiu-se, portanto que o oxi não é uma droga 
nova, mas sim uma variação da conhecida cocaína. Isto pois a grande parte das 
amostras analisadas foram classificadas como pasta base de cocaína (produto 
mais “cru” e bruto, que pode ser fumado) ou cocaína base (uma versão da 
pasta base de cocaína tratada para se retirar algumas impurezas, portanto mais 
cara para o usuário). 
 
Como, se o princípio ativo é o mesmo, a cocaína? O terreno do uso de drogas é 
muito fértil para ideologias e informações equivocadas. 
 
 
 
 
É preciso privilegiar as informações cientificamente documentadas, pois a 
demonização do uso de drogas leva consigo os seus usuários, aumentando o 
estigma e a exclusão social dessas pessoas (Tarcisio Andrade, 2011). Esteroides 
anabolizantes A crescente valorização do corpo nas sociedades de consumo 
pós-industriais – refletida nos meios de comunicação de massa, que expõem 
como modelo de corpo ideal e de masculinidade um corpo inflado de músculos 
– tem possivelmente contribuído para que um número crescente de jovens 
envolva-se com o uso de esteroides anabolizantes, na intenção de rapidamente 
desenvolver massa muscular. 
 
Quais são as principais motivações evidenciadas pelas pesquisas para o 
consumo de anabolizantes em nosso país? Confira no quadro a seguir os dados 
de uma pesquisa em Salvador (Iriart & Andrade, 2002; Iriart, Chaves & 
Orleans, 2009). 
Estudos conduzidos na cidade de Salvador apontaram que o uso de esteroides 
anabolizantes está bastante associado à motivação estética. Em muitas 
situações há uma insatisfação com o corpo, especialmente quando em 
comparação ao apontado pela mídia como “corpo ideal”, motivando ou 
incrementando o consumo pelos jovens. Por medo da rejeição social e na busca 
do ideal ostentado pelos meios de comunicação, muitas pessoas buscam no 
consumo de esteroides anabolizantes uma forma de atingir rapidamente 
resultados na mudança corporal. Em contrapartida, ainda existe falta de 
informação entre jovens praticantes de musculação sobre os prejuízos à saúde 
associados ao consumo de esteroides anabolizantes. Por outro lado, entre 
alguns, a busca pelo “corpo ideal” acaba se sobrepondo à percepção dos riscos 
presentes no consumo da substância. 
 
O uso de drogas na forma de automedicação Essa é outra marca da nossa 
cultura. É bastante comum que o uso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, se 
constitua, em parte, em uma forma de automedicação ou prescrição informal, o 
que é tão bem exemplificado pela existência das farmácias domésticas e pelo 
 
 
 
frequente uso de medicações por indicação de familiares, vizinhos e amigos. 
Essa situação é favorecida, entre outras razões, pela dificuldade de acesso aos 
serviços de saúde,por uma parcela expressiva de nossa população. Outro fator 
importante que contribui para a automedicação é a falta de modelos saudáveis 
de identificação, ou seja, de famílias, escolas e outras instituições que sirvam 
de exemplos a serem seguidos. Essa falta de suportes identificatórios propicia 
uma alquimia própria guiada pela busca do autocontrole das sensações, na 
tentativa de resolver sozinho os próprios problemas, inclusive as angústias 
existenciais. Desse modo, alguns bebem para relaxar e, se começam a ficar “de 
porre”, “cheiram” (cocaína) e/ou usam “energéticos” para “levantar a moral” e, 
ao final da jornada, por não conseguirem conciliar o sono, fazem uso de um 
tranquilizante. 
 
Trata-se de uma busca de autocontrole das sensações às custas de um 
conhecimento farmacológico, absolutamente informal, e por isso, mais exposto 
a riscos, inclusive de morte, como não raro ocorre na situação de uso de 
múltiplas drogas, como no caso acima, no qual as quatro drogas mencionadas 
têm efeito sobre o funcionamento cardíaco. 
 
Esse controle de si, e por si mesmo, associado ao controle social existente no 
pequeno grupo, na comunidade, na sociedade como um todo, tem sido 
desconsiderado pelas políticas públicas, sobretudo por aquelas pautadas na 
repressão, centralizadas na droga e que reduzem a pessoa que usa droga ao 
produto que consome. 
 
Saiba que: Essas informações podem ajudar você, profissional de saúde, a 
refletir de modo mais realista sobre o uso de drogas, tornando menos árduas e 
mais eficazes suas intervenções dirigidas aos usuários dessas substâncias. 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
BRASIL, O uso de substâncias psicoativas no Brasil: módulo 1. – 7. ed. – 
Brasília : Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2014. 140 p. – 
(SUPERA: Sistema para detecção do Uso abusivo e dependência de substâncias 
Psicoativas: Encaminhamento, intervenção breve, Reinserção social e 
Acompanhamento / coordenação [da] 7. ed. Maria Lucia Oliveira de Souza 
Formigoni) 
 
 
 
CAPÌTULO 3: DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DO USUÁRIO 
(DSM V) 
 
DSM V 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and 
Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) é um manual para profissionais 
da área da saúde mental que lista diferentes categorias de transtornos mentais 
e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de 
Psiquiatria (American Psychiatric Association - APA). 
Esta sua quinta revisão foi publicada em publicado em 18 de maio de 2013 e é 
a versão atual do manual. 
Os “Transtornos relacionados a substâncias” abrangem dez classes distintas de 
drogas: álcool; cafeína; cannabis; alucinógenos; inalantes; opioides; sedativos, 
hipnóticos e ansiolíticos; estimulantes; tabaco; e outras substâncias. 
O DSM-V removeu a divisão feita pelo DSM-IV entre os diagnósticos de abuso e 
dependência de substâncias reunindo-os como “Transtorno por uso de 
substâncias”. A dependência de substâncias sofreu importantes modificações. 
“Em primeiro lugar, a dicotomia entre os diagnóstico de abuso e de 
dependência de substâncias deixou de existir. Além disso, a história de 
problemas com a lei em decorrência do uso de substâncias não faz mais parte 
dos 11 critérios diagnósticos. Em seu lugar, entrou a presença de fissura 
(craving)”. 
Assim, pela nova classificação, o paciente pode ter os seguintes 
diagnósticos: 
 - dependência leve - presença de dois ou três dos onze critérios por um 
período de um ano 
 - dependência moderada - presença de quatro ou cinco dos onze 
critérios por um período de um ano 
 
 
 
 - dependência grave - presença de mais de seis dos onze critérios por 
um período de um ano 
Os 11 critérios são: 
- uso em quantidades maiores ou por mais tempo que o planejado 
 - desejo persistente ou incapacidade de controlar o desejo 
 - gasto importante de tempo em atividades para obter a substância 
 - fissura importante 
 - deixar de desempenhar atividades sociais, ocupacionais ou familiares 
devido ao uso 
 - continuar o uso apesar de apresentar problemas sociais ou 
interpessoais 
 - restrição do repertório de vida em função do uso 
 - manutenção do uso apesar de prejuízos físicos 
 - uso em situações de exposição a risco 
 - tolerância 
 - abstinência 
Outra novidade foi a inclusão da síndrome de abstinência de maconha e 
de cafeína entre os transtornos induzidos pelo uso de substâncias. 
 
O “Transtorno por uso de substâncias” somou os antigos critérios para abuso e 
dependência conservando-os com mínimas alterações: a exclusão de 
“problemas legais recorrentes relacionados à substância” e inclusão de “craving 
ou um forte desejo ou impulso de usar uma substância”. O diagnóstico passou 
a ser acompanhado de critérios para Intoxicação, Abstinência, “Transtorno 
induzido por medicação/substância” e “Transtornos induzidos por substância 
não especificados”. 
 
O dsm-5 exige dois ou mais critérios para o diagnóstico de “Transtorno por uso 
de substâncias” e a gravidade do quadro passou a ser classificada de acordo 
com o número de critérios preenchidos: dois ou três critérios indicam um 
 
 
 
transtorno leve, quatro ou cinco indicam um distúrbio moderado e seis ou mais 
critérios indicam um transtorno grave. 
O “Transtorno por uso de nicotina” foi substituí- do pelo “Transtorno por uso de 
tabaco”. 
O dsm-5 removeu os especificadores “com dependência fisiológica /sem 
dependência fisiológica” e reorganizou os especificadores de remissão, 
reconhecendo como “Remissão precoce” um período de pelo menos três meses 
no qual nenhum dos critérios para o uso da substância (exceto o desejo) é 
atendido e “Remissão sustentada” quando o período é superior a doze meses. 
O manual também incluiu os especificadores que descrevem indivíduos “em um 
Ambiente Controlado” e aqueles que estão “em Terapia de manutenção”. 
Todos os transtornos por uso de substâncias atenderão as seguintes sessões: 
 Transtorno por uso de ... 
Intoxicação por ... 
Abstinência de ... 
Outros Transtornos induzidos por... 
Transtorno Relacionado a ... Não especificado 
 
CAPÌTULO 4: ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DO TRATAMENTO 
DE USUÁRIOS DE DROGAS 
 
Nesta aula, você conhecerá os aspectos éticos do tratamento de usuários de 
drogas também conhecerá os aspectos legais do tratamento de usuários de 
drogas 
 
 
 
 
 
 
 
 
Presidência da República 
Casa Civil 
Subchefia para Assuntos Jurídicos 
LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006. 
 
Institui o Sistema Nacional de Políticas 
Públicas sobre Drogas - Sisnad; 
prescreve medidas para prevenção do 
uso indevido, atenção e reinserção 
social de usuários e dependentes de 
drogas; estabelece normas para 
repressão à produção não autorizada 
e ao tráfico ilícito de drogas; define 
crimes e dá outras providências. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA 
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
 
Art. 1 Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - 
Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e 
reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para 
repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define 
crimes. 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.343-2006?OpenDocument
 
 
 
Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as 
substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim 
especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo 
Poder Executivo da União. 
Art. 2 Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o 
plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais 
possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de 
autorização legal ou regulamentar, bem como oque estabelece a Convenção de 
Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito 
de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. 
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos 
vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais ou 
científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, 
respeitadas as ressalvas supramencionadas. 
TÍTULO II 
DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE 
DROGAS 
 
Art. 3 O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, organizar e coordenar as 
atividades relacionadas com: 
I - a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e 
dependentes de drogas; 
II - a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas. 
CAPÍTULO I 
DOS PRINCÍPIOS E DOS OBJETIVOS 
DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS 
Art. 4 São princípios do Sisnad: 
 
 
 
I - o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente 
quanto à sua autonomia e à sua liberdade; 
II - o respeito à diversidade e às especificidades populacionais existentes; 
III - a promoção dos valores éticos, culturais e de cidadania do povo brasileiro, 
reconhecendo-os como fatores de proteção para o uso indevido de drogas e 
outros comportamentos correlacionados; 
IV - a promoção de consensos nacionais, de ampla participação social, para o 
estabelecimento dos fundamentos e estratégias do Sisnad; 
V - a promoção da responsabilidade compartilhada entre Estado e Sociedade, 
reconhecendo a importância da participação social nas atividades do Sisnad; 
VI - o reconhecimento da intersetorialidade dos fatores correlacionados com o 
uso indevido de drogas, com a sua produção não autorizada e o seu tráfico 
ilícito; 
VII - a integração das estratégias nacionais e internacionais de prevenção do 
uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas 
e de repressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito; 
VIII - a articulação com os órgãos do Ministério Público e dos Poderes 
Legislativo e Judiciário visando à cooperação mútua nas atividades do Sisnad; 
IX - a adoção de abordagem multidisciplinar que reconheça a interdependência 
e a natureza complementar das atividades de prevenção do uso indevido, 
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas, repressão da 
produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas; 
X - a observância do equilíbrio entre as atividades de prevenção do uso 
indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de 
repressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito, visando a 
garantir a estabilidade e o bem-estar social; 
XI - a observância às orientações e normas emanadas do Conselho Nacional 
Antidrogas - Conad. 
Art. 5 O Sisnad tem os seguintes objetivos: 
 
 
 
I - contribuir para a inclusão social do cidadão, visando a torná-lo menos 
vulnerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, 
seu tráfico ilícito e outros comportamentos correlacionados; 
II - promover a construção e a socialização do conhecimento sobre drogas no 
país; 
III - promover a integração entre as políticas de prevenção do uso indevido, 
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de 
repressão à sua produção não autorizada e ao tráfico ilícito e as políticas 
públicas setoriais dos órgãos do Poder Executivo da União, Distrito Federal, 
Estados e Municípios; 
IV - assegurar as condições para a coordenação, a integração e a articulação 
das atividades de que trata o art. 3o desta Lei. 
CAPÍTULO II 
DA COMPOSIÇÃO E DA ORGANIZAÇÃO 
DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE 
DROGAS 
Art. 6 (VETADO) 
Art. 7 A organização do Sisnad assegura a orientação central e a execução 
descentralizada das atividades realizadas em seu âmbito, nas esferas federal, 
distrital, estadual e municipal e se constitui matéria definida no regulamento 
desta Lei. 
Art. 8o (VETADO) 
CAPÍTULO III 
(VETADO) 
Art. 9 (VETADO) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
 
 
 
Art. 10. (VETADO) 
Art. 11. (VETADO) 
Art. 12. (VETADO) 
Art. 13. (VETADO) 
Art. 14. (VETADO) 
CAPÍTULO IV 
DA COLETA, ANÁLISE E DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES 
SOBRE DROGAS 
Art. 15. (VETADO) 
Art. 16. As instituições com atuação nas áreas da atenção à saúde e da 
assistência social que atendam usuários ou dependentes de drogas devem 
comunicar ao órgão competente do respectivo sistema municipal de saúde os 
casos atendidos e os óbitos ocorridos, preservando a identidade das pessoas, 
conforme orientações emanadas da União. 
Art. 17. Os dados estatísticos nacionais de repressão ao tráfico ilícito de drogas 
integrarão sistema de informações do Poder Executivo.TÍTULO III 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Msg/Vep/VEP-724-06.htm
 
 
 
DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO, 
ATENÇÃO E 
REINSERÇÃO SOCIAL DE USUÁRIOS E DEPENDENTES DE 
DROGAS 
CAPÍTULO I 
Da prevenção 
Art. 18. Constituem atividades de prevenção do uso indevido de drogas, para 
efeito desta Lei, aquelas direcionadas para a redução dos fatores de 
vulnerabilidade e risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores de 
prteção. 
Art. 19. As atividades de prevenção do uso indevido de drogas devem observar 
os seguintes princípios e diretrizes: 
I - o reconhecimento do uso indevido de drogas como fator de interferência na 
qualidade de vida do indivíduo e na sua relação com a comunidade à qual 
pertence; 
II - a adoção de conceitos objetivos e de fundamentação científica como forma 
de orientar as ações dos serviços públicos comunitários e privados e de evitar 
preconceitos e estigmatização das pessoas e dos serviços que as atendam; 
III - o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade individual em relação 
ao uso indevido de drogas; 
IV - o compartilhamento de responsabilidades e a colaboração mútua com as 
instituições do setor privado e com os diversos segmentos sociais, incluindo 
usuários e dependentes de drogas e respectivos familiares, por meio do 
estabelecimento de parcerias; 
V - a adoção de estratégias preventivas diferenciadas e adequadas às 
especificidades socioculturais das diversas populações, bem como das 
diferentes drogas utilizadas; 
 
 
 
VI - o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento do uso” e da redução 
de riscos como resultados desejáveis das atividades de natureza preventiva, 
quando da definição dos objetivos a serem alcançados; 
VII - o tratamento especial dirigido às parcelas mais vulneráveis da população, 
levando em consideração as suas necessidades específicas; 
VIII - a articulação entre os serviços e organizações que atuam em atividades 
de prevenção do uso indevido de drogas e a rede de atenção a usuários e 
dependentes de drogas e respectivos familiares; 
IX - o investimento em alternativas esportivas, culturais, artísticas, 
profissionais, entre outras, como forma de inclusão social e de melhoria da 
qualidade de vida; 
X - o estabelecimento de políticas de formação continuada na área da 
prevenção do uso indevido de drogas para profissionais de educação nos 3 
(três) níveis de ensino; 
XI - a implantação de projetospedagógicos de prevenção do uso indevido de 
drogas, nas instituições de ensino público e privado, alinhados às Diretrizes 
Curriculares Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas; 
XII - a observância das orientações e normas emanadas do Conad; 
XIII - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas 
setoriais específicas. 
Parágrafo único. As atividades de prevenção do uso indevido de drogas 
dirigidas à criança e ao adolescente deverão estar em consonância com as 
diretrizes emanadas pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente - Conanda. 
 
 
 
CAPÍTULO II 
DAS ATIVIDADES DE ATENÇÃO E DE REINSERÇÃO 
SOCIAL DE USUÁRIOS OU DEPENDENTES DE 
DROGAS 
Art. 20. Constituem atividades de atenção ao usuário e dependente de drogas 
e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas que visem à melhoria da 
qualidade de vida e à redução dos riscos e dos danos associados ao uso de 
drogas. 
Art. 21. Constituem atividades de reinserção social do usuário ou do 
dependente de drogas e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas 
direcionadas para sua integração ou reintegração em redes sociais. 
Art. 22. As atividades de atenção e as de reinserção social do usuário e do 
dependente de drogas e respectivos familiares devem observar os seguintes 
princípios e diretrizes: 
I - respeito ao usuário e ao dependente de drogas, independentemente de 
quaisquer condições, observados os direitos fundamentais da pessoa humana, 
os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de 
Assistência Social; 
II - a adoção de estratégias diferenciadas de atenção e reinserção social do 
usuário e do dependente de drogas e respectivos familiares que considerem as 
suas peculiaridades socioculturais; 
III - definição de projeto terapêutico individualizado, orientado para a inclusão 
social e para a redução de riscos e de danos sociais e à saúde; 
IV - atenção ao usuário ou dependente de drogas e aos respectivos familiares, 
sempre que possível, de forma multidisciplinar e por equipes multiprofissionais; 
V - observância das orientações e normas emanadas do Conad; 
 
 
 
VI - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas 
setoriais específicas. 
Art. 23. As redes dos serviços de saúde da União, dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Municípios desenvolverão programas de atenção ao usuário e ao 
dependente de drogas, respeitadas as diretrizes do Ministério da Saúde e os 
princípios explicitados no art. 22 desta Lei, obrigatória a previsão orçamentária 
adequada. 
Art. 24. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão 
conceder benefícios às instituições privadas que desenvolverem programas de 
reinserção no mercado de trabalho, do usuário e do dependente de drogas 
encaminhados por órgão oficial. 
Art. 25. As instituições da sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação nas 
áreas da atenção à saúde e da assistência social, que atendam usuários ou 
dependentes de drogas poderão receber recursos do Funad, condicionados à 
sua disponibilidade orçamentária e financeira. 
Art. 26. O usuário e o dependente de drogas que, em razão da prática de 
infração penal, estiverem cumprindo pena privativa de liberdade ou submetidos 
a medida de segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua saúde, 
definidos pelo respectivo sistema penitenciário. 
CAPÍTULO III 
DOS CRIMES E DAS PENAS 
Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o 
Ministério Público e o defensor. 
Art. 28. Quem adquirir guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer 
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
 
 
 
II - prestação de serviços à comunidade; 
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, 
semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena 
quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou 
psíquica. 
§ 2o Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz 
atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às 
condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, 
bem como à conduta e aos antecedentes do agente. 
§ 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão 
aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses. 
§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput 
deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses. 
§ 5o A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas 
comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, 
estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se 
ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de 
usuários e dependentes de drogas. 
§ 6o Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o 
caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, 
poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a: 
I - admoestação verbal; 
II - multa. 
§ 7o O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, 
gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para 
tratamento especializado. 
Art. 29. Na imposição da medida educativa a que se refere o inciso II do § 
6o do art. 28, o juiz, atendendo à reprovabilidade da conduta, fixará o 
 
 
 
CAPÌTULO 5: ABORDAGENS TERAPÊUTICAS 
A seguir um texto do INCA sobre TRATAMENTO DO TABAGISMO 
como exemplo de uma abordagem terapêutica de sucesso no Brasil acessado 
em 18/07/2016 no site: 
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobra
sil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo 
Por que as pessoas fumam? 
 
A nicotina, presente em qualquer derivado do tabaco é considerada droga por 
possuir propriedades psicoativas, ou seja, ao ser inalada produz alteração no 
sistema nervoso central, trazendo modificação no estado emocional e 
comportamental do usuário que pode induzir ao abuso e dependência. 
O quadro de dependência resulta em tolerância, abstinência e comportamento 
compulsivo para consumir a droga, estabelecendo-se assim um padrão de auto-
administração caracterizado pela necessidade tanto física quanto psicológica da 
substância, apesar do conhecimento de seus efeitos prejudiciais à saúde. 
Muitos são os fatores que podem levar a pessoa a experimentar drogas, já que 
é histórica a tendência humana de buscar formas de alterar sua consciência de 
modo a produzir prazer e modificar seu humor. 
De maneira geral a possibilidade do encontro com a droga se dá na 
 adolescência, fase caracterizada por muitas transformações físicas e 
emocionais , angústias e busca de respostas. 
Dependendo da suscetibilidade individual, alguns fatores serão decisivos para 
estimular o indivíduo atender a essa tendência humana de buscar nas drogas o 
alívio para suas tensões, tais como a aceitação social de uma determinada 
substância, seu fácil acesso, uso da droga por pessoas que tenham papel de 
modelos de comportamento. 
 
 
 
Portanto, a sociedade pode contribuir de maneira significativa para que o 
acesso ao uso seja estimulado, causando adoecimentos em larga escala. 
No caso do tabagismo vale destacar o papel que a publicidade exerceu e exerce 
na adoção do consumo de derivados do tabaco, especialmente cigarro. 
A publicidade veiculada pelas indústrias aliou as demandas sociais e as 
fantasias dos diferentes grupos (adolescentes, jovens, mulheres, faixas 
economicamente mais pobres e com menor nível de escolaridade,entre 
outras.) ao uso do cigarro. 
A manipulação psicológica embutida na publicidade de cigarros procura criar a 
impressão, principalmente entre os adolescentes e jovens, de que o tabagismo 
é muito mais comum e socialmente aceito do que é na realidade. Para isso, 
utiliza a imagem de ídolos e modelos de comportamento de determinado 
público-alvo, portando cigarros ou fumando-os, ou seja, uma forma indireta de 
publicidade que ainda tem forte influência no comportamento tanto dos 
adolescentes e jovens quanto dos adultos. 
A publicidade direta era feita por veículos de comunicação de massa, por 
anúncios atraentes e bem produzidos, o que está proibido no Brasil desde 
1996. 
O reconhecimento do papel da publicidade na adesão de novos consumidores 
de tabaco, fez com que ações legislativas fossem instituídas a fim de 
desestimular a iniciação ao uso como a Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996 
que em seu artigo 3º determina: "(...) é vedada, em todo o território nacional, 
a propaganda comercial de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou 
qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, com exceção 
apenas da exposição dos referidos produtos nos locais de vendas, desde que 
acompanhada das cláusulas de advertência (Redação dada pela Lei nº 12.546, 
de 2011). 
 
 
 
Dessa forma, a propaganda comercial dos produtos referidos nesse artigo 
deverá ajustar-se às seguintes diretrizes: não sugerir o consumo exagerado ou 
irresponsável, nem a indução ao bem-estar ou saúde, ou fazer associação a 
celebrações cívicas ou religiosas; não induzir as pessoas ao consumo, 
atribuindo aos produtos propriedades calmantes ou estimulantes, que reduzam 
a fadiga ou a tensão, ou qualquer efeito similar; não associar ideias ou imagens 
de maior êxito na sexualidade das pessoas, insinuando o aumento de virilidade 
ou feminilidade de pessoas fumantes; não associar o uso do produto à prática 
de atividades esportivas, olímpicas ou não, nem sugerir ou induzir seu consumo 
em locais ou situações perigosas, abusivas ou ilegais; não empregar 
imperativos que induzam diretamente ao consumo; não incluir a participação de 
crianças ou adolescentes. [1] 
 
Além disso, pais ou responsáveis, parentes, professores, ídolos e amigos 
também exercem uma grande influência. O consumo de tabaco pelos pais ou 
responsáveis e a atitude permissiva desses diante do uso por seus filhos 
promovem a aceitação social do tabaco entre as crianças, adolescentes e 
jovens e contribuem para incentivar o uso. [1] Os resultados da Pesquisa 
Nacional de Saúde do Escolar (IBGE, 2012) mostraram que 29,8% dos 
estudantes brasileiros que frequentavam o 9º ano do Ensino Fundamental 
informaram que pelo menos um dos responsáveis era fumante. [2] 
 
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
 
 
 
Outro fator que pode explicar o grande número de adolescentes fumantes é a 
venda ilegal de cigarros e outros produtos derivados do tabaco a menores de 
18 anos. Dados da Vigilância do Tabagismo em Escolares (VIGESCOLA, 2002 - 
2009) [3] informam que a maioria dos adolescentes que participou da pesquisa 
afirmou nunca ter sido impedida de comprar cigarros em lojas em função da 
idade. Além disso, quanto à forma de aquisição do cigarro (por unidade ou por 
maço), chama atenção a alta prevalência de adolescentes que compraram 
cigarro por varejo (unidade) de forma ilegal, em todas as cidades analisadas. 
Esses fatores podem estar contribuindo para a experimentação do cigarro e o 
início do fumo entre os adolescentes. 
 
Os resultados das medidas de restrição à publicidade no controle do tabagismo 
em vários países mostram que esse é um instrumento legítimo e necessário 
para a redução do consumo, associado à medidas legislativas, econômicas e 
educativas, entre outras. 
Quer parar de fumar? 
 
Equivocadamente muitas pessoas acreditam que o tabagista é um “viciado”, 
“sem força de vontade”, “que não deixa de fumar porque não quer”. 
 
Não é isso. Na verdade quem fuma sofre de dependência química, ou seja, é 
alguém que ao tentar deixar de fumar, se defronta com grandes desconfortos 
 físicos e psicológicos que trazem sofrimento, e que pode impor a necessidade 
de várias tentativas até que finalmente consiga abandonar o tabaco. Entender o 
que acontece com o tabagista e suas tentativas de parar de fumar é 
fundamental para que se possa ter a real dimensão do problema. 
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
 
 
 
Portanto, se você quer parar de fumar comece escolhendo uma data para ser o 
seu primeiro dia sem cigarro. Este dia não precisa ser um dia de sofrimento. 
Faça dele uma ocasião especial e procure programar outra coisa que goste de 
fazer para se distrair e relaxar. 
 
Se não consegue parar de fumar sozinho procure um tratamento especializado. 
Para informações mais detalhadas, favor consultar a Coordenação de Controle 
do Tabagismo da sua Secretaria Estadual e/ou Municipal de Saúde. 
Abordagem 
 
Fumar é um comportamento extremamente reforçado diariamente. A 
abordagem tendo por base o modelo cognitivo comportamental é a técnica 
recomendada para o tratamento do tabagista, tendo como premissa básica o 
entendimento de que o ato de fumar é um comportamento aprendido, 
desencadeado e mantido por determinadas situações e emoções, que leva a 
dependência devido às propriedades psicoativas da nicotina. 
 
O tratamento objetiva, portanto, a aprendizagem de um novo comportamento, 
através da promoção de mudanças nas crenças e desconstrução de vinculações 
comportamentais ao ato de fumar, combinando intervenções cognitivas com 
 treinamento de habilidades comportamentais. 
 
 
 
 
Apoio medicamentoso 
O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação 
do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à 
nicotina, facilitando a abordagem intensiva do tabagista [5]. Medicamentos não 
devem ser utilizados isoladamente, e sim em associação com uma boa 
abordagem. Dessa forma, o tabagista sente menos ânsia ao parar de fumar, e 
se sente mais confiante para por em prática as orientações recebidas durante 
as sessões da abordagem intensiva [6], [7], [8], [9]. 
 
Os medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde para o tratamento 
do tabagismo na Rede do SUS são os seguintes: Terapia de Reposição de 
Nicotina, através do adesivo transdérmico, goma de mascar e pastilha, e o 
Cloridrato de Bupropiona. 
Abstinência 
 
Considerada uma droga bastante danosa, a nicotina atua no sistema nervoso 
central como a cocaína, heroína, álcool, com uma diferença: leva entre 7 a 19 
segundos para chegar ao cérebro. É normal, portanto, que, ao parar de fumar, 
os primeiros dias sem cigarros sejam os mais difíceis, porém as dificuldades 
tendem a ser menores com o tempo. 
Quando o fumante para de fumar, pode apresentar alguns sintomas 
desagradáveis, tais como: dor de cabeça, tonteira, irritabilidade, agressividade, 
alteração do sono, dificuldade de concentração, tosse, indisposição gástrica e 
outros. Esses sintomas caracterizam a síndrome de abstinência da nicotina, 
porém, não acontecem com todos os fumantes que param de fumar. Quando 
acontecem, tendem a desaparecer em uma a duas semanas (alguns casos 
podem chegar a 4 semanas). 
 
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referenciashttp://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
 
 
 
Alguns dos sintomas, como dor de cabeça, tonteira e tosse são sinais do 
restabelecimento do organismo. 
 
O sintoma mais intenso, e mais difícil de se lidar, é a chamada “fissura” (grande 
vontade em fumar). É importante saber que a “fissura” geralmente não dura 
mais que 5 minutos, e tende a ficar mais tempo que os outros sintomas. 
Porém, ela vai reduzindo gradativamente a sua intensidade e aumentando o 
intervalo entre um episódio e outro. 
Recaída 
 
A recaída se caracteriza pelo retorno ao consumo de cigarros após parar de 
fumar. Na condição de tabagista o paciente vai ao longo de sua vida 
estabelecendo associações com seu cotidiano e o comportamento de fumar. Ao 
deixar de fumar e realizar determinadas ações que se tornaram 
condicionamentos, o desejo de fumar poderá surgir e a recaída ocorrer. 
 
A manutenção de uma mudança pode exigir a construção de um conjunto de 
habilidades e estratégias diferentes daquelas que foram inicialmente 
necessárias para a obtenção da mudança. Se a recaída ocorrer não deve ser 
encarada como fracasso. Comece tudo novamente e procure ficar mais atento 
ao que fez você voltar a fumar. Dê-se várias chances até conseguir. 
 
 
 
Aumento de peso 
 
A preocupação com o ganho de peso é uma das maiores barreiras para que 
alguns fumantes tomem a decisão de parar de fumar, ou recaiam após terem 
parado de fumar. É importante entender que geralmente o ganho de peso após 
a cessação do tabagismo é temporário, sendo que na maioria dos casos, ocorre 
nos primeiros meses pós-cessação. 
 
Portanto, se a fome aumentar, não se assuste, é normal um ganho de peso, 
pois seu paladar vai melhorando e o metabolismo se normalizando. 
De qualquer forma, procure não comer mais do que o de costume. Evite doces 
e alimentos gordurosos. 
 
Mantenha uma dieta equilibrada com alimentos naturais e de baixa caloria, 
frutas, verduras e legumes. Faça atividade física, pois ajuda no controle do 
peso. Beba sempre muito líquido, de preferência água e sucos naturais. No 
início, evite café e bebidas alcoólicas, pois eles estimulam a vontade de fumar. 
Benefícios 
 
Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que 
o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como 
câncer, enfisema ou derrame. A qualidade de vida melhora muito ao parar de 
fumar. Veja o que acontece se você parar de fumar agora: 
Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal. 
Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue. 
Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza. 
 
 
 
Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor. 
Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta 
melhor a comida. 
Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora. 
Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade. 
Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca 
fumaram. 
Quanto mais cedo você parar de fumar menor o risco de adoecer. 
Rede de Tratamento do tabagismo no SUS 
O INCA é o órgão do Ministério da Saúde responsável pelo Programa Nacional 
de Controle do Tabagismo (PNCT) e pela articulação da Rede de Tratamento do 
Tabagismo no SUS, em parceria com Estados e Municípios e Distrito Federal. A 
Rede foi organizada, seguindo a lógica de descentralização do SUS para que 
houvesse o gerenciamento regional do Programa tendo como premissa a 
intersetorialidade e a integralidade das ações. Cabe lembrar que desde 1989, o 
INCA desenvolve ações voltadas para o tratamento do tabagismo. 
Atualmente, nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal, as secretarias 
estaduais de Saúde possuem coordenações do Programa de Controle do 
Tabagismo que, por sua vez, descentralizam as ações para seus respectivos 
municípios atuando de forma integrada. 
Assim, o tratamento de tabagismo no Brasil é desenvolvido com base nas 
diretrizes do PNCT que está sob a coordenação e gerenciamento da Divisão de 
Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA e do Ministério da 
Saúde. 
 
 
 
As ações educativas, legislativas e econômicas desenvolvidas no Brasil vêm 
gerando uma diminuição da aceitação social do tabagismo, fazendo com que 
um número cada vez maior de pessoas queira parar de fumar, evidenciando a 
importância de priorizar o tratamento do fumante como uma estratégia 
fundamental no controle do tabagismo. 
Com o objetivo de agregar ao processo de capacitação profissional já existente 
a outras políticas públicas de saúde que viabilizassem além da infra-estrutura 
de atendimento, o financiamento pelo SUS da abordagem ao fumante, e dos 
medicamentos utilizados no tratamento do tabagismo, desde 2002 o Ministério 
da Saúde vem publicando e atualizando portarias que incluem o tratamento do 
tabagismo na rede SUS – tanto na atenção básica quanto na média e alta 
complexidade, definem formas de abordagem e tratamento do tabagismo, 
aprovam o plano para implantação, protocolo clínico e diretrizes terapêuticas, 
 determinam a disponibilização pelo Ministério da Saúde aos municípios com 
unidade de saúde que desenvolvem o tratamento do tabagistas, dos materiais 
de apoio e medicamentos utilizados para esse fim, formas de adesão ao 
tratamento do tabagismo pelos municípios, além de definir o financiamento dos 
procedimentos a serem utilizados. [10], [11], [12], [13]. 
É importante destacar que ao ingressar no programa de tratamento do 
tabagismo as gestões de diversas instâncias assumem o compromisso de 
organização e implantação das ações para o cuidado da pessoa tabagista. O 
tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual 
ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa juntamente com a 
abordagem intensiva. 
Para que seja feita a programação para aquisição dos medicamentos, o INCA, 
deverá receber das coordenações estaduais de Controle do Tabagismo, do 
Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS), as 
informações necessárias para realização do tratamento e que irão subsidiar o 
quantitativo de compra de medicamentos. No caso do DAB as informações são 
referentes às unidades básicas de saúde que para tratar tabagistas aderiram ao 
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo#referencias
 
 
 
Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica 
(PMAQ). Após o recebimento desses dados, o INCA compilará as informações e 
as encaminhará ao Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da 
Saúde (DAF/MS), para realizar a programação de aquisição dos medicamentos 
e posterior envio aos diversos estados e municípios do País. 
É importante salientar que as orientações do PNCT estão de acordo com as 
principais diretrizes internacionais relacionadasao tratamento do tabagismo. 
Dessa forma, o SUS oferece ao fumante brasileiro que deseje parar de fumar 
um tratamento adequado, com metodologia embasada em evidências 
científicas. 
Referências 
[1] BRASIL. Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996. Dispõe sobre as restrições ao 
uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, 
terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4° do art. 220 da Constituição 
Federal. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9294.htm Acesso em: 
13/11/2013. 
[2] Paiva, F.S e Ronzani, T.M. Estilos parentais e consumo de drogas entre 
adolescentes: revisão sistemática. Psicologia em estudo, Maringá, v. 14, n.1, 
p.177-183, jan/mar. 2009. 
[3] BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Coordenação de 
Indicadores Sociais. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Rio de Janeiro: 
IBGE, 2012. 
[4] Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da 
Silva. VIGESCOLA. Vigilância de Tabagismo em Escolares. Realizado no Brasil, 
entre 2002 e 2009. Rio de Janeiro: INCA, 2011. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9294.htm
 
 
 
[5] BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS/Nº 1.575 de 29 de agosto de 
2002. Diário Oficial da União de 03 de setembro de 2002, Brasília, Distrito 
Federal. 
[6] BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS/Nº 1.035 de 31 de maio de 
2004. Diário Oficial da União de 01 de junho de 2004, Brasília, Distrito Federal. 
[7] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria 
MS/SAS/Nº 442 de 13 de agosto de 2004. Diário Oficial da União de 16 de 
agosto de 2004, Brasília, Distrito Federal. 
[8] BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS Nº 571 de 05 de abril de 
2013. Diário Oficial da União de 08 de abril de 2013, p. 56 e 57. Brasília, 
Distrito Federal. 
[9] BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer, Coordenação de 
Prevenção e Vigilância.Consenso sobre Abordagem e Tratamento do 
Fumante, Rio de Janeiro, 2001. 
[10] BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer, Coordenação 
de Prevenção e Vigilância, Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores 
de Risco de Câncer, 2005 – Deixando de Fumar sem Mistérios – Manual do 
Coordenador, Rio de Janeiro. 
[11] FIORE, MC, JAÉN, CR, BAKER, TB, et al, 2008. Treating Tobacco Use and 
Dependence. Clinical Practice Guideline. U. S. Department off Health and 
Humans Services, Public Health Service. Update. 
[12] MIRRA, AP., MEIRELLES RHS, GODOY, I, ISSA, JS, REICHERT, J et 
al. Tabagismo. Primeiras Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar – Agência 
Nacional de Saúde Suplementar; Associação Médica Brasileira; Conselho Federal 
de Medicina, Rio de Janeiro, 2009. 
 
 
 
[13] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos 
Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia. Boletim Brasileiro de 
Avaliação de Tecnologias em Saúde – BRATS, ano V, n. 12, 2010. 
CAPÍTULO 6: ATENÇÃO PSICOSSOCIAL PARA USUÁRIOS DE 
ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 
 
 Neste capítulo, você conhecerá as bases que tornaram possível uma política 
diferenciada para usuários de substâncias químicas, entenderá o paradigma da 
atenção psicossocial. 
PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011(*) 
Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou 
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e 
outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe conferem 
os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e 
Considerando a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o 
Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências; 
Considerando as determinações da Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que 
dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos 
mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental; 
Considerando a Lei nº 10.708, de 31 de julho de 2003, que institui o auxílio-
reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais 
egressos de internações; 
Considerando o Decreto nº 7.179, de 20 de maio de 2010, que institui o Plano 
Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas; 
 
 
 
Considerando as disposições contidas no Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 
2011, que dispõe sobre a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), o 
planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa; 
Considerando a Política Nacional a Atenção Integral a Usuários de Álcool e 
outras Drogas, de 2003; 
Considerando a Portaria nº 336/GM/MS, de 19 de fevereiro de 2002, que 
regulamenta o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); 
Considerando a Portaria nº 816/GM/MS, de 30 de abril de 2002, que institui, no 
âmbito do SUS, o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a 
Usuários de Álcool e outras Drogas; 
Considerando as diretrizes previstas na Portaria nº 1.190/GM/MS, 4 de junho de 
2009, que institui Plano Emergencial de ampliação do Acesso ao Tratamento e 
Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD); 
Considerando a Portaria nº 4.279/GM/MS, de 30 de dezembro de 2010, que 
estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no 
âmbito do SUS; 
Considerando a ?Portaria, nº 1.600/GM/MS, de 7 de julho de 2011, que 
reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e 
institui a Rede de Atenção às Urgências SUS; 
Considerando as recomendações contidas no Relatório Final da IV Conferência 
Nacional de Saúde Mental Intersetorial, realizada em 2010; 
Considerando a necessidade de que o SUS ofereça uma rede de serviços de 
saúde mental integrada, articulada e efetiva nos diferentes pontos de atenção 
para atender as pessoas com demandas decorrentes do consumo de álcool, 
crack e outras drogas; e 
Considerando a necessidade de ampliar e diversificar os serviços do SUS para a 
atenção às pessoas com necessidades decorrentes do consumo de álcool, crack 
e outras drogas e suas famílias, resolve: 
 
 
 
Art. 1º Fica instituída a Rede de Atenção Psicossocial, cuja finalidade é a 
criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas 
com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso 
de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Art. 2º Constituem-se diretrizes para o funcionamento da Rede de Atenção 
Psicossocial: 
I - Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das 
pessoas; 
II - Promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da saúde; 
III - combate a estigmas e preconceitos; 
IV - Garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral 
e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar; 
V - Atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas; 
VI - Diversificação das estratégias de cuidado; 
VII - desenvolvimento de atividades no território, que favoreça a inclusão social 
com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania; 
VIII - desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos; 
IX - Ênfase em serviços de base territorial e comunitária, com participação e 
controle social dos usuários e de seus familiares; 
X - Organização dos serviços em rede de atenção à saúde regionalizada, com 
estabelecimento de ações intersetoriais para garantir a integralidade do 
cuidado; 
XI - promoção de estratégias de educação permanente; e 
 
 
 
XII - desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com transtornos 
mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas, tendo como eixo central a construção do projeto terapêutico singular. 
Art. 3º São objetivos gerais da Rede de Atenção Psicossocial: 
I - Ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral; 
II - Promover o acesso das pessoas com transtornos mentais e com 
necessidadesdecorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas e suas famílias aos pontos de atenção; e 
III - garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das redes de 
saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do 
acompanhamento contínuo e da atenção às urgências. 
Art. 4º São objetivos específicos da Rede de Atenção Psicossocial: 
I - Promover cuidados em saúde especialmente para grupos mais vulneráveis 
(criança, adolescente, jovens, pessoas em situação de rua e populações 
indígenas); 
II - Prevenir o consumo e a dependência de crack, álcool e outras drogas; 
III - reduzir danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras drogas; 
IV - Promover a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtorno mental 
e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na 
sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e moradia solidária; 
V - Promover mecanismos de formação permanente aos profissionais de saúde; 
VI - Desenvolver ações intersetoriais de prevenção e redução de danos em 
parceria com organizações governamentais e da sociedade civil; 
 
 
 
VII - produzir e ofertar informações sobre direitos das pessoas, medidas de 
prevenção e cuidado e os serviços disponíveis na rede; 
VIII - regular e organizar as demandas e os fluxos assistenciais da Rede de 
Atenção Psicossocial; e 
IX - Monitorar e avaliar a qualidade dos serviços por meio de indicadores de 
efetividade e resolutividade da atenção. 
Art. 5º A Rede de Atenção Psicossocial é constituída pelos seguintes 
componentes: 
I - Atenção básica em saúde, formada pelos seguintes pontos de atenção: 
a) Unidade Básica de Saúde; 
b) equipe de atenção básica para populações específicas: 
1. Equipe de Consultório na Rua; 
2. Equipe de apoio aos serviços do componente Atenção Residencial de Caráter 
Transitório; 
c) Centros de Convivência; 
II - Atenção psicossocial especializada, formada pelos seguintes pontos de 
atenção: 
a) Centros de Atenção Psicossocial, nas suas diferentes modalidades; 
III - atenção de urgência e emergência, formada pelos seguintes pontos de 
atenção: 
a) SAMU 192; 
b) Sala de Estabilização; 
 
 
 
c) UPA 24 horas; 
d) portas hospitalares de atenção à urgência/pronto socorro; 
e) Unidades Básicas de Saúde, entre outros; 
IV - Atenção residencial de caráter transitório, formada pelos seguintes pontos 
de atenção: 
a) Unidade de Recolhimento; 
b) Serviços de Atenção em Regime Residencial; 
V - Atenção hospitalar, formada pelos seguintes pontos de atenção: 
a) enfermaria especializada em Hospital Geral; 
b) serviço Hospitalar de Referência para Atenção às pessoas com 
sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de 
crack, álcool e outras drogas; 
VI - Estratégias de desinstitucionalização, formada pelo seguinte ponto de 
atenção: 
a) Serviços Residenciais Terapêuticos; e 
VII - reabilitação psicossocial. 
Art. 6º São pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial na atenção 
básica em saúde os seguintes serviços: 
I - Unidade Básica de Saúde: serviço de saúde constituído por equipe 
multiprofissional responsável por um conjunto de ações de saúde, de âmbito 
individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a 
prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de 
danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver a atenção 
 
 
 
integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos 
determinantes e condicionantes de saúde das coletividades; 
II - Equipes de Atenção Básica para populações em situações específicas: 
a) Equipe de Consultório na Rua: equipe constituída por profissionais que 
atuam de forma itinerante, ofertando ações e cuidados de saúde para a 
população em situação de rua, considerando suas diferentes necessidades de 
saúde, sendo responsabilidade dessa equipe, no âmbito da Rede de Atenção 
Psicossocial, ofertar cuidados em saúde mental, para: 
1. pessoas em situação de rua em geral; 
2. pessoas com transtornos mentais; 
3. usuários de crack, álcool e outras drogas, incluindo ações de redução de 
danos, em parceria com equipes de outros pontos de atenção da rede de 
saúde, como Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, 
Prontos-Socorros, entre outros; 
b) equipe de apoio aos serviços do componente Atenção Residencial de Caráter 
Transitório: oferece suporte clínico e apoio a esses pontos de atenção, 
coordenando o cuidado e prestando serviços de atenção à saúde de forma 
longitudinal e articulada com os outros pontos de atenção da rede; e 
III - Centro de Convivência: é unidade pública, articulada às Redes de Atenção 
à Saúde, em especial à Rede de Atenção Psicossocial, onde são oferecidos à 
população em geral espaços de sociabilidade, produção e intervenção na 
cultura e na cidade. 
§ 1º A Unidade Básica de Saúde, de que trata o inciso I deste artigo, como 
ponto de atenção da Rede de Atenção Psicossocial tem a responsabilidade de 
desenvolver ações de promoção de saúde mental, prevenção e cuidado dos 
transtornos mentais, ações de redução de danos e cuidado para pessoas com 
 
 
 
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, 
compartilhadas, sempre que necessário, com os demais pontos da rede. 
§ 2º O Núcleo de Apoio à Saúde da Família, vinculado à Unidade Básica de 
Saúde, de que trata o inciso I deste artigo, é constituído por profissionais de 
saúde de diferentes áreas de conhecimento, que atuam de maneira integrada, 
sendo responsável por apoiar as Equipes de Saúde da Família, as Equipes de 
Atenção Básica para populações específicas e equipes da academia da saúde, 
atuando diretamente no apoio matricial e, quando necessário, no cuidado 
compartilhado junto às equipes da(s) unidade(s) na(s) qual(is) o Núcleo de 
Apoio à Saúde da Família está vinculado, incluindo o suporte ao manejo de 
situações relacionadas ao sofrimento ou transtorno mental e aos problemas 
relacionados ao uso de crack, álcool e outras drogas. 
§ 3º Quando necessário, a Equipe de Consultório na Rua, de que trata a alínea 
"a" do inciso II deste artigo, poderá utilizar as instalações das Unidades Básicas 
de Saúde do território. 
§ 4º Os Centros de Convivência, de que trata o inciso III deste artigo, são 
estratégicos para a inclusão social das pessoas com transtornos mentais e 
pessoas que fazem uso de crack, álcool e outras drogas, por meio da 
construção de espaços de convívio e sustentação das diferenças na comunidade 
e em variados espaços da cidade. 
Art. 7º O ponto de atenção da Rede de Atenção Psicossocial na atenção 
psicossocial especializada é o Centro de Atenção Psicossocial. 
§ 1º O Centro de Atenção Psicossocial de que trata o caput deste artigo é 
constituído por equipe multiprofissional que atua sob a ótica interdisciplinar e 
realiza atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes 
e às pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas, em sua área territorial, em regime de tratamento intensivo, semi-
intensivo, e não intensivo. 
 
 
 
§ 2º As atividades no Centro de Atenção Psicossocial são realizadas 
prioritariamente em espaços coletivos (grupos, assembleias de usuários, 
reunião diária de equipe), de forma articulada com os outros pontos de atenção 
da rede de saúde e das demais redes. 
§ 3º O cuidado, no âmbito do Centro de Atenção Psicossocial,é desenvolvido 
por intermédio de Projeto Terapêutico Individual, envolvendo em sua 
construção a equipe, o usuário e sua família, e a ordenação do cuidado estará 
sob a responsabilidade do Centro de Atenção Psicossocial ou da Atenção Básica, 
garantindo permanente processo de cogestão e acompanhamento longitudinal 
do caso. 
§ 4º Os Centros de Atenção Psicossocial estão organizados nas seguintes 
modalidades: 
I - CAPS I: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentese 
também com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas 
de todas as faixas etárias; indicado para Municípios com população acima de 
vinte mil habitantes; 
II - CAPS II: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, 
podendo também atender pessoas com necessidades decorrentes do uso de 
crack, álcool e outras drogas, conforme a organização da rede de saúde local, 
indicado para Municípios com população acima de setenta mil habitantes; 
III - CAPS III: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. 
Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro 
horas, incluindo feriados e finais de semana, ofertando retaguarda clínica e 
acolhimento noturno a outros serviços de saúde mental, inclusive CAPS Ad, 
indicado para Municípios ou regiões com população acima de duzentos mil 
habitantes; 
IV - CAPS AD: atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as 
normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades 
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Serviço de saúde mental 
 
 
 
aberto e de caráter comunitário, indicado para Municípios ou regiões com 
população acima de setenta mil habitantes; 
V - CAPS AD III: atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as 
normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades de 
cuidados clínicos contínuos. Serviço com no máximo doze leitos leitos para 
observação e monitoramento, de funcionamento 24 horas, incluindo feriados e 
finais de semana; indicado para Municípios ou regiões com população acima de 
duzentos mil habitantes; e 
VI - CAPS I: atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e 
persistentes e os que fazem uso de crack, álcool e outras drogas. Serviço 
aberto e de caráter comunitário indicado para municípios ou regiões com 
população acima de cento e cinquenta mil habitantes. 
Art. 8º São pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial na atenção de 
urgência e emergência o SAMU 192, Sala de Estabilização, UPA 24 horas, as 
portas hospitalares de atenção à urgência/pronto socorro, Unidades Básicas de 
Saúde, entre outros 
§ 1º Os pontos de atenção de urgência e emergência são responsáveis, em seu 
âmbito de atuação, pelo acolhimento, classificação de risco e cuidado nas 
situações de urgência e emergência das pessoas com sofrimento ou transtorno 
mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas. 
§ 2º Os pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial na atenção de 
urgência e emergência deverão se articular com os 
Centros de Atenção Psicossocial, os quais realizam o acolhimento e o cuidado 
das pessoas em fase aguda do transtorno mental, seja ele decorrente ou não 
do uso de crack, álcool e outras drogas, devendo nas situações que necessitem 
de internação ou de serviços residenciais de caráter transitório, articular e 
coordenar o cuidado. 
 
 
 
Art. 9º São pontos de atenção na Rede de Atenção Psicossocial na atenção 
residencial de caráter transitório os seguintes serviços: 
I - Unidade de Acolhimento: oferece cuidados contínuos de saúde, com 
funcionamento de vinte e quatro horas, em ambiente residencial, para pessoas 
com necessidade decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, de 
ambos os sexos, que apresentem acentuada vulnerabilidade social e/ou familiar 
e demandem acompanhamento terapêutico e protetivo de caráter transitório 
cujo tempo de permanência é de até seis meses; e 
II - Serviços de Atenção em Regime Residencial, entre os quais Comunidades 
Terapêuticas: serviço de saúde destinado a oferecer cuidados contínuos de 
saúde, de caráter residencial transitório por até nove meses para adultos com 
necessidades clínicas estáveis decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas. 
§ 1º O acolhimento na Unidade de Acolhimento será definido exclusivamente 
pela equipe do Centro de Atenção Psicossocial de referência que será 
responsável pela elaboração do projeto terapêutico singular do usuário, 
considerando a hierarquização do cuidado, priorizando a atenção em serviços 
comunitários de saúde. 
§ 2º As Unidades de Acolhimento estão organizadas nas seguintes 
modalidades: 
I - Unidade de Acolhimento Adulto, destinados a pessoas que fazem uso do 
crack, álcool e outras drogas, maiores de dezoito anos; e 
II - Unidade de Acolhimento Infanto-Juvenil, destinadas a adolescentes e 
jovens (de doze até dezoito anos completos). 
§ 3º Os serviços de que trata o inciso II deste artigo funcionam de forma 
articulada com: 
 
 
 
I - A atenção básica, que apoia e reforça o cuidado clínico geral dos seus 
usuários; e 
II - O Centro de Atenção Psicossocial, que é responsável pela indicação do 
acolhimento, pelo acompanhamento especializado durante este período, pelo 
planejamento da saída e pelo seguimento do cuidado, bem como pela 
participação de forma ativa da articulação intersetorial para promover a 
reinserção do usuário na comunidade. 
Art. 10. São pontos de atenção na Rede de Atenção Psicossocial na atenção 
hospitalar os seguintes serviços: 
I - Enfermaria especializada para atenção às pessoas com sofrimento ou 
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e 
outras drogas, em Hospital Geral, oferece tratamento hospitalar para casos 
graves relacionados aos transtornos mentais e ao uso de álcool, crack e outras 
drogas, em especial de abstinências e intoxicações severas; 
II - serviço Hospitalar de Referência para Atenção às pessoas com sofrimento 
ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e 
outras drogas oferece suporte hospitalar, por meio de internações de curta 
duração, para usuários de álcool e/ou outras drogas, em situações assistenciais 
que evidenciarem indicativos de ocorrência de comorbidades de ordem clínica 
e/ou psíquica, sempre respeitadas as determinações da Lei nº 10.216, de 6 de 
abril de 2001, e sempre acolhendo os pacientes em regime de curtíssima ou 
curta permanência. Funciona em regime integral, durante vinte e quatro horas 
diárias, nos sete dias da semana, sem interrupção da continuidade entre os 
turnos. 
§ 1º O cuidado ofertado no âmbito da enfermaria especializada em Hospital 
Geral de que trata o inciso I deste artigo deve estar articulado com o Projeto 
Terapêutico Individual desenvolvido pelo serviço de referência do usuário e a 
internação deve ser de curta duração até a estabilidade clínica. 
 
 
 
§ 2º O acesso aos leitos na enfermaria especializada em Hospital Geral, de que 
trata o inciso I deste artigo, deve ser regulado com base em critérios clínicos e 
de gestão por intermédio do Centro de Atenção Psicossocial de referência e, no 
caso do usuário acessar a Rede por meio deste ponto de atenção, deve ser 
providenciado sua vinculação e referência a um Centro de Atenção Psicossocial, 
que assumirá o caso. 
§ 3º A equipe que atua em enfermaria especializada em saúde mental de 
Hospital Geral, de que trata o inciso I deste artigo, deve ter garantida 
composição multidisciplinar e modo de funcionamento interdisciplinar. 
§ 4º No que se refere ao inciso II deste artigo, em nível local ou regional, 
compõe a rede hospitalar de retaguarda aos usuários de álcool e outras drogas, 
observando o território, a lógica da redução de danos e outras premissas e 
princípios do SUS. 
Art. 11. São pontos de atenção na Rede de Atenção Psicossocial nas Estratégias 
de Desinstitucionalização os Serviços Residenciais Terapêuticos, que são 
moradias inseridas na comunidade, destinadas a acolher pessoas egressas de 
internação de longa permanência (dois anos ou mais ininterruptos), egressas 
de hospitais psiquiátricos e hospitais de custódia, entre outros. 
§ 1º O componente Estratégias de Desinstitucionalização é constituído por 
iniciativas que visam a garantir às pessoas com transtorno mental e com 
necessidades decorrentes do uso decrack, álcool e outras drogas, em situação 
de internação de longa permanência, o cuidado integral por meio de estratégias 
substitutivas, na perspectiva da garantia de direitos com a promoção de 
autonomia e o exercício de cidadania, buscando sua progressiva inclusão social. 
 
 
 
§ 2º O hospital psiquiátrico pode ser acionado para o cuidado das pessoas com 
transtorno mental nas regiões de saúde enquanto o processo de implantação e 
expansão da Rede de Atenção Psicossocial ainda não se apresenta suficiente, 
devendo estas regiões de saúde priorizar a expansão e qualificação dos pontos 
de atenção da Rede de Atenção Psicossocial para dar continuidade ao processo 
de substituição dos leitos em hospitais psiquiátricos. 
§ 3º O Programa de Volta para Casa, enquanto estratégia de 
desinstitucionalização, é uma política pública de inclusão social que visa 
contribuir e fortalecer o processo de desinstitucionalização, instituída pela Lei 
nº 10.708, de 31 de julho de 2003, que provê auxílio reabilitação para pessoas 
com transtorno mental egressas de internação de longa permanência. 
Art. 12. O componente Reabilitação Psicossocial da Rede de Atenção 
Psicossocial é composto por iniciativas de geração de trabalho e 
renda/empreendimentos solidários/cooperativas sociais. 
§ 1º As ações de caráter intersetorial destinadas à reabilitação psicossocial, por 
meio da inclusão produtiva, formação e qualificação para o trabalho de pessoas 
com transtorno mental ou com necessidades decorrentes do uso de crack, 
álcool e outras drogas em iniciativas de geração de trabalho e 
renda/empreendimentos solidários/ cooperativas sociais. 
§ 2º As iniciativas de geração de trabalho e renda/empreendimentos 
solidários/cooperativas sociais de que trata o § 1º deste artigo devem articular 
sistematicamente as redes de saúde e de economia solidária com os recursos 
disponíveis no território para garantir a melhoria das condições concretas de 
vida, ampliação da autonomia, contratualidade e inclusão social de usuários da 
rede e seus familiares. 
Art. 13. A operacionalização da implantação da Rede de Atenção Psicossocial se 
dará pela execução de quatro fases: 
I - Fase I - Desenho Regional da Rede de Atenção Psicossocial: 
 
 
 
a) realização pelo Colegiado de Gestão Regional (CGR) e pelo Colegiado de 
Gestão da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (CGSES/DF), com 
o apoio da SES, de análise da situação de saúde das pessoas com sofrimento 
ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e 
outras drogas, com dados primários, incluindo dados demográficos e 
epidemiológicos, dimensionamento da demanda assistencial, dimensionamento 
da oferta assistencial e análise da situação da regulação, da avaliação e do 
controle, da vigilância epidemiológica, do apoio diagnóstico, do transporte e da 
auditoria e do controle externo, entre outros; 
b) pactuação do Desenho da Rede de Atenção Psicossocial no CGR e no 
CGSES/DF; 
c) elaboração da proposta de Plano de Ação Regional, pactuado no CGR e no 
CGSES/DF, com a programação da atenção à saúde das pessoas com 
sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de 
crack, álcool e outras drogas, incluindo as atribuições, as responsabilidades e o 
aporte de recursos necessários pela União, pelo Estado, pelo Distrito Federal e 
pelos Municípios envolvidos; na sequencia, serão elaborados os Planos de Ação 
Municipais dos Municípios integrantes do CGR; 
d) estímulo à instituição do Fórum Rede de Atenção Psicossocial que tem como 
finalidade a construção de espaços coletivos plurais, heterogêneos e múltiplos 
para participação cidadã na construção de um novo modelo de atenção às 
pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes 
do uso de crack,álcool e outras drogas, mediante o acompanhamento e 
contribuição na implementação da Rede de Atenção Psicossocial na Região; 
II - Fase II - adesão e diagnóstico: 
a) apresentação da Rede de Atenção Psicossocial no Estado, Distrito Federal e 
nos Municípios; 
 
 
 
b) apresentação e análise da matriz diagnóstica, conforme o Anexo I a esta 
Portaria, na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), no CGSES/DF e no CGR; 
c) homologação da região inicial de implementação da Rede de Atenção 
Psicossocial na CIB e CGSES/DF; 
d) instituição de Grupo Condutor Estadual da Rede de Atenção Psicossocial, 
formado pela SES, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde 
(CONASEMS) e apoio institucional do Ministério da Saúde, que terá como 
atribuições: 
1. mobilizar os dirigentes políticos do SUS em cada fase; 
2. apoiar a organização dos processos de trabalho voltados a 
implantação/implementação da rede; 
3. identificar e apoiar a solução de possíveis pontos críticos em cada fase; 
4. monitorar e avaliar o processo de implantação/implementação da rede; 
e) contratualização dos Pontos de Atenção; 
f) qualificação dos componentes; 
III - Fase 3 - Contratualização dos Pontos de Atenção: 
a) elaboração do desenho da Rede de Atenção Psicossocial; 
b) contratualização pela União, pelo Estado, pelo Distrito Federal ou pelo 
Município dos pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial observadas 
as responsabilidades definidas para cada componente da Rede; 
c) instituição do Grupo Condutor Municipal em cada Município que compõe o 
CGR, com apoio institucional da SES; 
IV - Fase 4 - Qualificação dos componentes: 
 
 
 
a) realização das ações de atenção à saúde definidas para cada componente da 
Rede, previstas nos arts. 6° ao 12 desta Portaria; e 
b) cumprimento das metas relacionadas às ações de atenção à saúde, que 
deverão ser definidas na matriz diagnóstica para cada componente da Rede 
serão acompanhadas de acordo com o Plano de Ação Regional e dos Planos de 
Ações Municipais. 
Art. 14. Para operacionalização da Rede de Atenção Psicossocial cabe: 
I - à União, por intermédio do Ministério da Saúde, o apoio à implementação, 
financiamento, monitoramento e avaliação da Rede de Atenção Psicossocial em 
todo território nacional; 
II - ao Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, apoio à 
implementação, coordenação do Grupo Condutor Estadual da Rede de Atenção 
Psicossocial, financiamento, contratualização com os pontos de atenção à saúde 
sob sua gestão, monitoramento e avaliação da Rede de Atenção Psicossocial no 
território estadual de forma regionalizada; e 
III - ao Município, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, implementação, 
coordenação do Grupo Condutor Municipal da Rede de Atenção Psicossocial, 
financiamento, contratualização com os pontos de atenção à saúde sob sua 
gestão, monitoramento e avaliação da Rede De Atenção Psicossocial no 
território municipal. 
Art. 15. Os critérios definidos para implantação de cada componente e seu 
financiamento, por parte da União, serão objetos de normas específicas a 
serem publicadas pelo Ministério da Saúde. 
Art. 16. Fica constituído Grupo de Trabalho Tripartite, coordenado pelo 
Ministério da Saúde, a ser definido por Portaria específica, para acompanhar, 
monitorar, avaliar e se necessário, revisar esta Portaria em até cento e oitenta 
dias. 
 
 
 
Art. 17. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 
ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA 
ANEXO I 
MATRIZ DIAGNÓSTICA DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
MATRIZ DIAGNÓSTICA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
Região: 
Município: 
População: 
COMPONENTE Ponto de Atenção Necessidade Existentes Déficit Parâmetro 
Atenção Básica 
em Saúde 
Unidade 
Básica de Saúde 
 Conforme 
orientações da 
Política Nacional 
de Atenção 
Básica, de 21 
de outubro2 0 
11 
Equipes de 
Atenção Básica 
para populações 
em situações 
específicas 
 Consultório na 
Rua -Portaria 
que define as 
diretrizes de 
organização e 
funcionamento 
das Equipes de 
Consultório na 
Rua 
 
Equipe de apoio 
 
 
 
aos serviços docomponente 
Atenção 
Residencial de 
Caráter 
Transitório 
1- Municípios 
com 3 ou mais 
CT: 1 equipe 
para cada 3 
CTs.2 - 
municípios com 
menos de 3 CT 
(menos de 80 
pessoas): a 
atenção 
integralfica por 
conta das 
equipes de AB 
do município. 
 
Núcleo de Apoio 
à Saúde da 
Família 
 Conforme 
orientações da 
Política Nacional 
de Atenção 
Básica - 2011 
Centro de 
Convivência 
 
 
II. Atenção 
 
 Centro de Atenção Psicossocial 
 
 
 
Psicossocial 
Especializada 
CAPS I 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
20 mil hab. 
CAPS II 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
70 mil hab 
CAPS III 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
200 mil hab 
CAPS AD 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
70 mil hab 
CAPS ADIII 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
200 mil hab 
CAPS i 
 Municípios ou 
regiões com 
pop. acima de 
150 mil hab 
III. Atenção de 
Urgência e 
Emergência 
UPA / SAMU Conforme 
orientações da 
Portaria da 
Rede de 
Atenção às 
Urgências, de 
 
 
 
07 dejulho de 
2011. 
IV. Atenção 
Residencial de 
CaráterTransitóri
o 
UA ADULTO 1 UA (com 15 
vagas) para 
cada 10 leitos 
de enfermarias 
especializadase
m hospital geral 
por município. 
UA INFANTO-
JUVENIL 
 Municípios com 
mais de 100 mil 
habitantes e 
com mais de 
2500crianças e 
adolescentes 
em potencial 
para uso de 
drogas ilícitas 
(UNODC,2 0 11 
) . Municípios 
com 2500 a 
5000 crianças e 
adolescentes 
em potencial 
parauso de 
drogas ilícitas: 1 
Unidade. 
 
Municípios com 
mais de 5000 
 
 
 
crianças e 
adolescentes 
em potencial 
parauso de 
drogas ilícitas: 1 
Unidade para 
cada 5000 
crianças e 
adolescentes. 
COMUNIDADE 
TERAPÊUTCA 
 
V. Atenção 
Hospitalar 
LEITOS 1 leito para 
cada 23 mil 
habitantes 
Portaria nº 
1.101/02 
ENFERMARIA 
ESPECIALIZADA 
 
VI. Estratégias de 
Desinstitucionaliz
ação 
SRT 
 A depender do 
nº de munícipes 
longamente 
internados 
PVC 
 A depender do 
nº de munícipes 
longamente 
internados 
VII. Reabilitação 
Psicossocial 
COOPERATIVAS 
(*) Republicada por ter saído, no DOU nº 247, de 26-12-2011, Seção 1, 
págs. 230/232, com incorreção no original. 
 
 
 
(*) Republicada por ter saído, no DOU nº 251, de 30-12-2011, Seção 1, págs. 
50/60, com incorreção no original. 
(*) Republicada por ter saído, no DOU nº 96, de 21.05.2013, Seção 1, págs. 
37/38, com incorreção no original. 
Saúde Legis - Sistema de Legislação 
CAPÍTULO 7: A ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR 
 
A seguir é apresentado um resumo de um exemplar trabalho em 
interdisciplinaridade de Queiroz e Delamuta de 2011. Que pode ser acessado 
em; 
http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000900028 
QUEIROZ, Marcos e DELAMUTA, L. Saúde mental e trabalho interdisciplinar: a 
experiência do "Cândido Ferreira"em Campinas, Ciênc. saúde 
coletiva vol.16 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2011. 
RESUMO 
 
Este artigo analisa o processo de reforma psiquiátrica a partir de um foco 
dirigido ao trabalho interdisciplinar dos profissionais de nível superior do serviço 
de saúde Dr. Cândido Ferreira, em Campinas. 
Trata-se de uma instituição filantrópica que contribui expressivamente com a 
rede de assistência à saúde mental deste município. 
Embora integrada à rede de assistência de saúde mental desta cidade, o serviço 
apresenta certa independência financeira, administrativa e gerencial em relação 
à ela, o que lhe permite implementar algumas experiências terapêuticas e 
inovações gerenciais. Mais especificamente, este artigo focaliza o processo de 
tomada de decisão da equipe interdisciplinar, envolvendo diagnóstico e 
processo terapêutico. 
http://www.saude.gov.br/saudelegis
 
 
 
Também aborda a organização do serviço no processo de desospitalização, 
como o remanejamento de pacientes em residências fora da parte central do 
serviço, a manutenção dessas unidades, o gerenciamento das oficinas de 
trabalho na instituição, que preveem um rendimento financeiro para o paciente, 
e a implementação de um programa de três anos de residência em psiquiatria 
na instituição. 
A abordagem metodológica da pesquisa é essencialmente qualitativa, 
constituindo-se de entrevistas e observação participante relacionados com os 
profissionais desse serviço de saúde. 
Palavras-chave Reforma psiquiátrica, Interdisciplinaridade, Processo de trabalho 
CAPÍTULO 8: AS POLITICAS NACIONAIS SOBRE ÁLCOOL E 
OUTRAS DROGAS 
 
Apresentaremos abaixo os capítulos 1 e 2 do texto do Ministério da Saúde, 
publicado em 2003, intitulado “A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A 
ATENÇÃO INTEGRAL A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS”. 
1. INTRODUÇÃO A realidade contemporânea tem colocado novos desafios no 
modo como certos temas têm sido habitualmente abordados, especialmente no 
campo da saúde. Isto se dá pelo fato de que os objetos sobre os quais 
intervimos apresentam-se complexos, exigindo de nós o esforço de evitarmos 
simplificações reducionistas. 
 
 
 
Este é o caso do tema “álcool e outras drogas”, que nos indica a necessidade 
de uma ação não apenas ampliada, mas para onde devem concorrer diferentes 
saberes e aportes teórico-técnicos. Assim, ao estabelecermos diretrizes, ações e 
metas na constituição de políticas para o Ministério da Saúde para os próximos 
anos, deveremos ter em mente a perspectiva transversalizadora que permite a 
apreensão do fenômeno contemporâneo do uso abusivo/dependência em álcool 
e outras drogas de modo integrado, e diversificado em ofertas terapêuticas, 
preventivas, reabilitadoras, educativas e promotoras da saúde. Historicamente, 
a questão do uso abusivo e/ou dependência de álcool e outras drogas tem sido 
abordada por uma ótica predominantemente psiquiátrica ou médica. As 
implicações sociais, psicológicas, econômicas e políticas são evidentes, e devem 
ser consideradas na compreensão global do problema. Cabe ainda destacar que 
o tema vem sendo associado à criminalidade e práticas antissociais e à oferta 
de “tratamentos” inspirados em modelos de exclusão/separação dos usuários 
do convívio social. Constatamos assim que, neste vácuo de propostas e de 
estabelecimento de uma clara política de saúde por parte do Ministério da 
Saúde, constituíram-se “alternativas de atenção” de caráter total, fechado e 
tendo como principal objetivo a ser alcançado a abstinência. A percepção 
distorcida da realidade do uso de álcool e outras drogas promove a 
disseminação de uma cultura de combate a substâncias que são inertes por 
natureza, fazendo com que o indivíduo e o seu meio de convívio fiquem 
aparentemente relegados a um plano menos importante. Isto por vezes é 
confirmado pela multiplicidade de propostas e abordagens preventivas / 
terapêuticas consideravelmente ineficazes, por vezes reforçadoras da própria 
situação de uso abusivo e/ou dependência. Os principais limites observados 
pela não priorização, por parte do MS, de uma política de saúde integral dirigida 
ao consumidor de álcool e outras drogas, podem ser percebidos a partir do 
impacto econômico e social que tem recaído para o Sistema Único de Saúde - 
SUS, seja por seus custos diretos, seja pela impossibilidade de resposta de 
outras pastas governamentais voltadas para um efeito positivo sobre a redução 
do consumo de drogas; isto também ocorre no que se refere ao resgate do 
usuário do ponto de vista da saúde (e não tão somente moralista ou legalista), 
 
 
 
e em estratégias de comunicação que reforçam o senso comum de que todo 
consumidor é marginal e perigoso para a sociedade. Internamente à Saúde, 
ressalta-se a elaboração pregressa de políticas fragmentadas, sem capilaridade 
local e de pouca abrangência, além do desenvolvimento de ações de redução 
de danos adstritas ao controle da epidemia de AIDS, não explorando as suas 
possibilidades para a prevençãoe a assistência. Entendemos que uma política 
de prevenção, tratamento e de educação para o uso consumo de álcool e 
outras drogas necessariamente terá que ser construída na interface de 
programas do Ministério da Saúde com outros Ministérios, bem como com 
setores da sociedade civil organizada. Trata-se aqui, de afirmar que o consumo 
de álcool e outras drogas é um grave problema de saúde pública. Dentro de 
uma perspectiva de saúde pública, o planejamento de programas deve 
contemplar grandes parcelas da população, de uma forma que a abstinência 
não seja a única meta viável e possível aos usuários. A dependência das drogas 
é transtorno onde predomina a heterogeneidade, já que afeta as pessoas de 
diferentes maneiras, por diferentes razões, em diferentes contextos e 
circunstâncias. Muitos consumidores de drogas não compartilham da 
expectativa e desejo de abstinência dos profissionais de saúde, e abandonam 
os serviços. Outros sequer procuram tais serviços, pois não se sentem acolhidos 
em suas diferenças. Assim, o nível de adesão ao tratamento ou a práticas 
preventivas e de promoção é baixo, não contribuindo para a inserção social e 
familiar do usuário. Temos ainda presenciado o aparecimento de novas 
substâncias de abuso e novas formas de consumo, que adotam características 
próprias e requerem modalidades de prevenção adaptadas aos consumidores e 
aos contextos onde são consumidas. Reconhecer o consumidor, suas 
características e necessidades, assim como as vias de administração de drogas, 
exige a busca de novas estratégias de contato e de vínculo com ele e seus 
familiares, para que se possa desenhar e implantar múltiplos programas de 
prevenção, educação, tratamento e promoção adaptados às diferentes 
necessidades. Para que uma política de saúde seja coerente, eficaz e efetiva, 
deve ter em conta que as distintas estratégias são complementares e não 
concorrentes, e que, portanto, o retardo do consumo de drogas, a redução dos 
 
 
 
danos associada ao consumo e a superação do consumo são elementos 
fundamentais para sua construção. 
2. MARCO TEÓRICO-POLÍTICO 
 
2.1 A lógica que separa o campo da saúde Sempre foi um desafio para as 
práticas de saúde aliar o âmbito clínico de intervenção com o da saúde coletiva. 
O primeiro tem como seu foco as manifestações individuais das alterações da 
saúde, enquanto que o segundo efetua um outro tipo de corte, tomando a 
incidência e a prevalência das alterações em plano coletivo. Menos do que 
contribuir para o avanço de dispositivos e instrumentos de diagnóstico, 
tratamento e reabilitação, promoção e prevenção, esta divisão entre a clínica de 
um lado, e a saúde coletiva, de outro, tem resultado em embates de 
saber/poder que (re)afirmam suas verdades em campos separados e, grande 
parte das vezes, oponentes. Quando seguimos esta lógica, a das binarizações, 
todos perdemos. Perdemos as contribuições da experiência clínica que está 
voltada para as características singulares que se expressam em cada corpo, em 
cada sujeito, em cada história de vida. Perdemos as contribuições das análises 
propiciadas pelo recorte da saúde coletiva que capta as expressões de uma 
comunidade, de uma localidade, de um tipo de afecção, de uma categoria 
social ou de gênero, de histórias que se cruzam configurando a história em um 
certo momento. O que estamos querendo aqui destacar é: esta lógica deve ser 
combatida em prol de uma outra maneira de pensar e fazer que experimente as 
diferentes contribuições, fazendo-as interpelações umas das outras. A esta 
outra lógica chamamos transversalização. Parece que hoje aí reside o grande 
desafio: instaurar em todos os campos da saúde pública uma atitude que, ao 
mesmo tempo, garanta as especificidades acumuladas ao longo do tempo em 
cada núcleo de saber e, para além disso, consiga fazer atravessar tais saberes 
uns sobre os outros, de modo a construir novos olhares, novos dispositivos de 
intervenção. Quem ganha com isto? Os usuários do sistema de saúde e todos 
aqueles comprometidos com a saúde enquanto defesa da vida. 
 
 
 
2.2 A Política de Atenção integral em álcool e outras drogas No campo da 
política de atenção integral em álcool e outras drogas no Brasil, vimos que o 
tema tem sido tratado de modo pontual, contando com esforços de setores e 
grupos preocupados com o aumento exponencial do problema do uso abusivo 
de álcool de outras drogas. É importante, portanto, destacar que, neste 
governo, o Ministério da Saúde assume de modo integral e articulado o desafio 
de prevenir, tratar, reabilitar os usuários de álcool e outras drogas como um 
problema de saúde pública. Esta decisão atende às propostas que foram 
enfaticamente recomendadas pela III Conferencia Nacional de Saúde Mental, 
em dezembro de 2001. (III CNSM, Relatório Final, 2001) Comprometer-se com 
a formulação, execução e avaliação de uma política de atenção a usuários de 
álcool e outras drogas exige exatamente a ruptura de uma lógica binarizante 
que separa e detém o problema em fronteiras rigidamente delineadas, e cujo 
eixo principal de entendimento (e, portanto, de “tratamento”) baseia-se na 
associação drogas-comportamento anti-social (álcool) ou criminoso (drogas 
ilícitas). Em ambos os casos, há um único objetivo a ser alcançado: a 
abstinência. Frente a este objetivo, são traçadas estratégias de abordagem 
para sua consecução: redução da oferta e redução da demanda. Para a 
primeira estratégia, conta-se com a ação da justiça, da segurança e da defesa. 
Para a segunda, a operação substancial tem-se dado através de tratamentos de 
internação com afastamento do usuário do agente indutor. Sem que deixemos 
de considerar a existência destes métodos, com os quais temos ainda muito 
que debater, quer indicar que, em se tratando de tema tão complexo, com 
claras implicações sociais, psicológicas, econômicas e políticas, traçar uma 
política com base em um único objetivo é trabalhar em saúde com um modo 
estreito de entendimento. Parece-nos que aí é o sentido da clínica que se perde 
e, mais ainda, é a riqueza do que nos oferece a saúde coletiva que se 
empobrece. Queremos resgatar aqui o duplo sentido da clínica: o de “inclinar-
se” (klinikós), acolhendo o paciente e sua história, e o de produzir um desvio 
(clinamem) para produzir outra história, outra possibilidade de existência 
(Benevides, 2001) Queremos também resgatar o sentido de saúde coletiva que 
“implica em levar em conta a diversidade e especificidade dos grupos 
 
 
 
populacionais e das individualidades com seus modos próprios de adoecer e/ou 
representarem tal processo” (Paim, 1980). Se nas práticas de saúde nosso 
compromisso ético é o da defesa da vida, temos que nos colocar na condição 
de acolhimento, onde cada vida se expressará de uma maneira singular, mas 
também onde cada vida é expressão da história de muitas vidas, de um 
coletivo. Não podemos nos afastar deste intrincado ponto onde as vidas, em 
seu processo de expansão, muitas vezes sucumbem ao aprisionamento, 
perdem-se de seu movimento de abertura e precisam, para desviar do rumo 
muitas vezes visto como inexorável no uso de drogas, de novos agenciamentos 
e outras construções. 2.3 A redução de danos A abstinência não pode ser, 
então, o único objetivo a ser alcançado. Aliás, quando se trata de cuidar de 
vidas humanas, temos que, necessariamente, lidar com as singularidades, com 
as diferentes possibilidades e escolhas que são feitas. As práticas de saúde, em 
qualquer nível de ocorrência, devem levar em conta esta diversidade. Devem 
acolher, sem julgamento, o que em cada situação, com cada usuário, é 
possível, o que é necessário, o que está sendo demandado, o que pode ser 
ofertado, o que deve ser feito, sempre estimulando a sua participação e o seu 
engajamento. Aqui a abordagem da redução de danos nos oferece um caminho 
promissor. E por que? Porque reconhece cada usuário em suas singularidades,traça com ele estratégias que estão voltadas não para a abstinência como 
objetivo a ser alcançado, mas para a defesa de sua vida. Vemos aqui que a 
redução de danos oferece-se como um método (no sentido de methodos, 
caminho) e, portanto, não excludente de outros. Mas, vemos também, que o 
método está vinculado à direção do tratamento e, aqui, tratar significa 
aumentar o grau de liberdade, de co-responsabilidade daquele que está se 
tratando. Implica, por outro lado, no estabelecimento de vínculo com os 
profissionais, que também passam a ser coresponsáveis pelos caminhos a 
serem construídos pela vida daquele usuário, pelas muitas vidas que a ele se 
ligam e pelas que nele se expressam. 2.4 A rede de saúde como local de 
conexão e de inserção Se afirmamos que a redução de danos é uma estratégia, 
é porque entendemos que, enquanto tal, e para ter a eficácia que pretende, ela 
deve ser operada em inter-ações, promovendo o aumento de superfície de 
 
 
 
contato, criando pontos de referência, viabilizando o acesso e o acolhimento, 
adscrevendo a clientela 11 e qualificando a demanda, multiplicando as 
possibilidades de enfrentamento ao problema da dependência no uso do álcool 
e outras drogas. Neste ponto, a abordagem se afirma como clínico-política, 
pois, para que não reste apenas como “mudança comportamental”, a redução 
de danos deve se dar como ação no território, intervindo na construção de 
redes de suporte social, com clara pretensão de criar outros movimentos 
possíveis na cidade, visando avançar em graus de autonomia dos usuários e 
seus familiares, de modo a lidar com a hetero e a autoviolência muitas vezes 
decorrentes do uso abusivo do álcool e outras drogas, usando recursos que não 
sejam repressivos, mas comprometidos com a defesa da vida. Neste sentido, o 
locus de ação pode ser tanto os diferentes locais por onde circulam os usuários 
de álcool e outras drogas, como equipamentos de saúde flexíveis, abertos, 
articulados com outros pontos da rede de saúde, mas também das de 
educação, de trabalho, de promoção social etc., equipamentos em que a 
promoção, a prevenção, o tratamento e reabilitação sejam contínuos e se dêem 
de forma associada. Nunca é demais, portanto, insistir que é a rede – de 
profissionais, de familiares, de organizações governamentais e não-
governamentais em interação constante, cada um com seu núcleo específico de 
ação, mas apoiando-se mutuamente, alimentando-se enquanto rede – que cria 
acessos variados, acolhe, encaminha, previne, trata, reconstrói existências, cria 
efetivas alternativas de combate ao que, no uso das drogas, destrói a vida. Este 
é o compromisso da saúde: fazer proliferar a vida, e fazê-la digna de ser vivida. 
Este é o compromisso do Ministério da Saúde: criar e manter equipamentos, 
qualificar seus profissionais, formular políticas de saúde em articulação com 
outras áreas afins, executar e avaliar tais políticas assumindo o que lhe cabe no 
enfrentamento do que faz adoecer e morrer. Este é o compromisso do SUS: 
fortalecer seu caráter de rede incitando outras redes à conexão. A garantia do 
acesso aos serviços e à participação do consumidor em seu tratamento são 
princípios assumidos pelo SUS como direitos a serem garantidos. Isto se dá 
através do estabelecimento de vínculos, da construção da coresponsabilidade e 
de uma perspectiva ampliada da clínica, transformando os serviços em locais de 
 
 
 
acolhimento e enfrentamento coletivo das situações ligadas ao problema. 
Proporcionar tratamento na atenção primária, garantir o acesso a 
medicamentos, garantir atenção na comunidade, fornecer educação em saúde 
para a população, envolver comunidades / famílias / usuários, formar recursos 
humanos, criar vínculos com outros setores, monitorizar a saúde mental na 
comunidade, dar mais apoio à pesquisa e estabelecer programas específicos 
são práticas que devem ser obrigatoriamente contempladas pela Política de 
Atenção a Usuários de Álcool e Outras Drogas, em uma perspectiva ampliada 
de saúde pública. 
Bibliografia 
Bibliografias Básicas: 
BRASIL. Ministério da Saúde. Álcool e redução de danos: uma abordagem 
inovadora para países em transição. Série F. Comunicação e Educação em 
Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 
lcool_drogas.pdf 
BRASIL. Ministério da Saúde. Clínica ampliada, equipe de referência e Projeto 
Terapêutico Singular, 2. ed. Núcleo Técnico da Política Nacional de 
Humanização. Brasília: Ministério da Saúde; 2007. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. 
Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou 
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e 
outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde. Brasília, 2011. 
Bibliografia complementar: 
AMARANTE, Paulo, Saúde Mental e Atenção Psicossocial, Rio de 
Janeiro, Ed.Fiocruz ,2011. 
 
 
 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Álcool e redução de danos: uma abordagem 
inovadora para países em transição. Série F. Comunicação e Educação em 
Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 
CRUZ, M.S. (Org.). As redes comunitárias e de saúde no atendimento aos 
usuários e dependentes de substâncias psicoativas: Módulo 6. 4. ed. Brasília: 
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2009. (SUPERA: Sistema para 
detecção do uso abusivo e dependência de substâncias psicoativas). 
DELGADO, G.P. Drogas: desafios da saúde pública. In: ACSELRAD, G. (Org.). 
Avessos do prazer: drogas, Aids, e direitos humanos. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Fiocruz, 2005. 
GUERRA, A. A., Duarte, P. C. A. V., & Oliveira, L. G. (Orgs.). I Levantamento 
Nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 
27 capitais brasileiras. Brasília: Senad, 2010.

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