Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AO JUÍZO DA 11ª UNIDADE DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE FORTALEZA, CEARÁ.
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C TUTELA DE URGÊNCIA (INDIVIDUALIZAÇÃO MEDIDOR) 
ROBERTO PEREIRA DE ANDRADE, brasileiro, casado, porteiro, RG nº 2004009157747 SSPCE, CPF nº 21413240330, residente e domiciliado na Rua A, Residencial Marcos Freire, Nº 66, bloco 20, quadra 1, apartamento 102, bairro Mondubim, CEP: 60.762-591, telefone (85) 98807-6288, não possui e-mail, vem à presença de Vossa Excelência, ajuizar AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C TUTELA DE URGÊNCIA em face de CAGECE – COMPANHIA DE ÁGUA E ESGOTO DO CEARÁ, pessoa jurídica inscrita no CNPJ nº 07.040.108/0001-57, com sede na Av. Dr. Lauro Vieira Chaves, 1030, Vila União, Fortaleza/CE, CEP: 60422-700, pelos fatos e fundamentos que ora passa a expor:
I - DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA 
Inicialmente, requer os benefícios da gratuidade da justiça na sua integralidade, face sua insuficiência de recursos, não tendo a mínima condição de arcar com o pagamento das custas, despesas processuais e os honorários advocatícios, conforme reza o art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal e arts. 98 e 99, do Código de Processo Civil e Lei 1.060/50.
II - DOS FATOS
O requerente é proprietário do imóvel localizado na Rua A, Residencial Marcos Freire, Nº 66, bloco 20, quadra 1, apartamento 102, bairro Mondubim, CEP: 60.762-591.
O requerente adquiriu o imóvel no ano 2000 para fins de moradia e desde o período que o requerente passou a residir no imóvel o consumo de água é cobrado e distribuído em apenas uma conta, gerando ao mesmo incerteza no consumo gerado pelo seu apartamento pois em seu mesmo bloco possui 8 (oito) apartamentos com peculiaridades diferentes.
A cobrança do valor mensal no consumo está superior ao que o requerente estima utilizar em seu apartamento, pois não possui nenhuma maquina de lavar ou qualquer outro equipamento que possa consumir uma grande quantidade de água.
O risco que o requerente tem em ficar inadimplente com a requerida é grande, pois mensalmente o consumo do bloco vem aumentando (conforme histórico de volume em anexo) podendo chegar a um valor impagável pelo mesmo gerando assim suspensão do fornecimento de água na sua residência.
Ora V.EXA logo iremos falar do direito que o requerente tem em ter sua unidade consumidora individualizada, pois é um direito seu saber ao certo o que se consumiu e pagar pela utilização da mesma.
III – DO DIREITO
3.1) DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
Deve-se aplicar ao presente caso as disposições concernentes ao Código de Defesa do Consumidor, que preceitua em seu art. 3º, § 2º, o seguinte:
Art. 3º Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 1º Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
§ 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. (Destaques inovados)
Não restam dúvidas de que se está diante de uma relação de consumo, reproduzida sob a forma de um contrato bilateral no qual, de um lado, encontra-se o fornecedor (requerida), empresa concessionária de serviço público, responsável pelo fornecimento de água em nosso Estado e, do outro lado, encontra-se o consumidor, destinatário final que paga pelo consumo mensal dos serviços de água e esgoto. 
A relação de direito material existente entre os litigantes, se configura de forma extreme de dúvidas numa relação de consumo, e como tal encontra-se sujeita às normas do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90).
3.2) DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Dada a condição de hipossuficiência do Requerente em face da Empresa Requerida e a verossimilhança das alegações aqui trazidas à baila, faz-se mister a inversão do ônus probandi, conforme se aufere do dispositivo consumerista abaixo transcrito, in verbis: 
“Art. 6º. 
(...) 
VIII- a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência.” (Destaques inovados)
Inegável o reconhecimento da hipossuficiência do demandante em seus aspectos econômico, jurídico e técnico. A autora é pessoa pobre na forma da lei, não dispondo ainda dos meios necessários para produzir outras provas que não as já apresentadas.
Por todo o exposto, é premente que haja a inversão do ônus da prova diante da verossimilhança dos fatos alegados pelo Requerente e de sua hipossuficiência técnica, econômica e jurídica.
3.3) DA OBRIGATORIEDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DE MEDIDORES EM APARTAMENTOS
A Lei Municipal nº 9.009/05 estabelece a obrigatoriedade da instalação de hidrômetros individuais em cada unidade residencial ou comercial, nos condomínios verticais da cidade. Dessa forma, as edificações que integram condomínios verticais são obrigadas a apresentar em sua planta hidráulica, um hidrômetro comum para o condomínio e um hidrômetro interno para cada unidade residencial ou comercial, para apresentação do consumo individual da unidade.
Desse modo, observa-se que o consumidor do serviço de abastecimento de água deve pagar somente pelo que foi efetivamente consumido por ele. O consumo individualizado evita que o consumidor seja excessivamente onerado com o pagamento do que de fato não consumiu. A lei buscou, assim, evitar injustiças, pois residências com baixo consumo de água pagavam a mesma tarifa de uma residência de alto consumo, havendo distribuição indevida dos custos.
Nesse sentido, o art. 22 do Código de Defesa do Consumidor dispõe: 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste código.
O fornecimento de água constitui serviço público impróprio, prestado uti singuli, mantido por tarifa (preço público), nos dias de hoje absolutamente essencial até mesmo ao mais humilde dos lares brasileiros, por razões que soam óbvias. O Código de Defesa do Consumidor é claro, taxativo, e não abre exceções: os serviços essenciais são contínuos. E diga-se, em reforço, que essa garantia decorre do texto constitucional. 
Como alicerce de todo o sistema de proteção consumerista, o CDC elegeu direitos básicos do consumidor, senão vejamos:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
(…)
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Ademais, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça:
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. FORNECIMENTO DE ÁGUA. CEDAE. CONDOMÍNIO RESIDENCIAL HIDRÔMETRO ÚNICO. COBRANÇA POR ESTIMATIVA DO CONSUMO DE ÁGUA. REVISÃO DO DÉBITO COBRADO. DEVOLUÇÃO POR REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 412/STJ. APLICABILIDADE. PEDIDO DE INSTALAÇÃO DE HIDRÔMETRO INDIVIDUAL E NECESSIDADE DE DESMEMBRAMENTO DE REDE. REANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. No tocante à violação do art. 535, incs. II e III, do Código de Processo Civil, a agravante não expõe as questões sobre as quais entende ser imprescindível o pronunciamento da Corte Regional. A hipótese é de aplicação, por analogia, da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal: "Inadmissívelo recurso extraordinário, quando a deficiência da fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Consoante a Súmula 412/STJ, a ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo prescricional estabelecido no Código Civil. 3. O Tribunal de origem, após minuciosa análise das circunstâncias fáticas dos autos, concluiu pela necessidade do desmembramento da rede, bem como da instalação de hidrômetro individual para atender à consumidora. Revisão do julgado que não se perfaz sem o necessário reexame de questões fática-probatórias, vedado na sede especial, a teor da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ - AgRg no AREsp: 452136 RJ 2013/0412108-1, Relator: Ministro OG FERNANDES, Data de Julgamento: 20/03/2014, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/04/2014)
Logo, faz jus a autora a instalação de medidor individualizado, visando a assegurar que a adequada e eficaz prestação de serviço público por parte da empresa requerida e permitindo a consumidora pagar somente pelo consumo realizado.
3.4) DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA DE CARÁTER INCIDENTAL
O art. 300 do CPC dispõe que:
Art. 300, CPC. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. (...)
§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia.
§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.(…)
No caso concreto:
(A) a PROBABILIDADE DO DIREITO está demonstrada nos dispositivos legais supracitados, assim como na farta jurisprudência colacionada aos autos e na documentação acostada, de onde se infere que a autora não possui hidrômetro individualizado em seu imóvel.
(B) o PERIGO DE DANO reside no fato comprovado de que ao requerente corre o risco de ter que pagar um valor a maior do seu consumo, ou não conseguir paga-lo fazendo com que o fornecimento de agua seja suspenso em seu apartamento gerando prejuízos incalculáveis.
Assim, urge que V.EXA., digne de, em sede de TUTELA DE URGÊNCIA, determinar que A PROMOVIDA REALIZE A INSTALAÇÃO DE HIDRÔMETRO PARA MEDIÇÃO DE CONSUMO DE ÁGUA INDIVIDUALIZADO NA UNIDADE DA AUTORA.
Indiscutível a aplicação, neste caso concreto, do Art. 84 e seus parágrafos do Código de Defesa do Consumidor, segundo o qual nas demandas em que se tenha por objeto obrigação de fazer ou não fazer, ao juiz, sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, citado o réu.
IV- DOS PEDIDOS
Ex positis, diante de toda a matéria já debatida, estando demonstradas as razões que constituem os fundamentos da presente demanda, passamos a requerer a V. Exa.:
1. A CONCESSÃO dos benefícios da assistência judiciária gratuita, preceituados no art.5º, LXXIV, da Carta Magna, na Lei n° 1.060/50, por ser a parte autora pobre, na acepção jurídica do termo, não reunindo condições de arcar com os encargos decorrentes do processo, sem prejuízo se seu sustento e de sua família;
2. A CONCESSÃO da TUTELA DE URGÊNCIA LIMINAR, fundada no art. 300 do Código de Processo Civil e art. 84 do CDC, para que A PROMOVIDA REALIZE A INSTALAÇÃO DE HIDRÔMETRO PARA MEDIÇÃO DE CONSUMO DE ÁGUA INDIVIDUALIZADO NA UNIDADE DA AUTORA;
3. A CITAÇÃO da Ré, após concedida a tutela de urgência liminar para, querendo, no prazo legal, contestar a presente ação, sob pena de serem reputados como verdadeiros os fatos aqui relatados;
4. A inversão do ônus da prova, nos termos do Art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor;
5. A CONDENAÇÃO da demandada ao pagamento de verbas das custas processuais e honorários.
Protesta e desde logo requer todos os meios de prova em direito admitidas.
Para efeitos meramente processuais, dá-se à causa o valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), para fins legais.
Termos em que
Pede e espera deferimento.
Fortaleza, 05 de Novembro de 2018.
ROBERTO PEREIRA DE ANDRADE
Requerente

Mais conteúdos dessa disciplina