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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema Políticas Públicas de Saúde no Brasil 
Professora Joy Ganem Longhi 
Introdução 
Neste tema, vamos compreender o que são políticas públicas, qual a 
evoluções dessas ações voltadas para a saúde no Brasil e quais as 
expectativas e previsões de avanço para o atual sistema utilizado. Bons 
estudos! 
Antes de prosseguir, assista ao vídeo da professora Joy, ela vai falar 
sobre o que vamos estudar neste tema. 
Princípios Doutrinários e Organizativos do SUS 
As estratégias de saúde propostas pelo governo, tal qual mostra a 
história, nem sempre visavam o bem-estar da população. As políticas de saúde 
no Brasil refletiam o momento vivido, a economia vigente e as classes 
dominadoras (LUZ, 1982). 
As políticas públicas de proteção social surgem como forma de 
minimizar as distorções existentes na sociedade, assim como em decorrência 
das reivindicações por melhores condições de trabalho, feitas pelo movimento 
operário. Atualmente, além das demandas trabalhistas, as políticas públicas 
estão voltadas para educação, saúde, segurança, habitacional, transporte, 
transferência de renda, segurança alimentar, entre outros. Entende-se por 
política pública o conjunto de ações realizadas pelo Estado e seus agentes, 
com a participação ou não da sociedade, visando garantir os direitos sociais 
previstos em lei (SOUSA; BATISTA, 2012). 
Atualmente, o SUS é um dos maiores programas de saúde pública do 
mundo e possui um dos maiores sistemas de atenção primária à saúde que é o 
Programa Saúde da Família (PSF), o qual propõe reorganizar a prática 
assistencial a partir de ações preventivas e curativas. O Brasil, através do SUS, 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
2 
possui o maior número de conjunto de procedimentos executados em hospitais 
pagos por um único financiador (SOUSA; BATISTA, 2012). Além disso, o 
sistema público possui o maior número de estabelecimentos de saúde, é 
responsável pela maior parte dos procedimentos e pela cobertura de três 
quartos da população. É no SUS que a população encontra cobertura para 
procedimentos de saúde coletiva, além do fornecimento de medicamentos na 
atenção ambulatorial (MENICUCCI, 2009). 
A Construção do SUS como Política Pública – Histórico de Políticas 
Públicas no Brasil 
No início do século XX, a saúde foi marcada por campanhas sanitárias e 
reformação de órgãos federais. As campanhas contra a varíola, com a lei da 
vacinação obrigatória em 1904, contra a febre amarela e a peste bubônica, 
marcaram suas primeiras décadas. 
O Código Sanitário de 1918 inicia campanhas de educação em saúde, 
voltadas para a questão do saneamento e controle de endemias, no entanto, 
essas ações são pontuais e fragmentadas (SARRETA, 2009). 
Em 1921 houve um movimento pela mudança na organização sanitária 
que resultou na criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), 
o qual atuava nas áreas do saneamento urbano e rural da higiene industrial e 
dos serviços de higiene materno-infantil (SOUSA; BATISTA, 2012). 
Em 1923, a Lei Eloy Chaves instituiu as Caixas de Aposentadorias e 
Pensões (CAP). A lei conferiu um estatuto legal às iniciativas já existentes de 
trabalhadores por fábricas, visando garantir a pensão em caso de algum 
acidente ou afastamento do trabalho por doença e também uma futura 
aposentadoria (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). Institui a obrigatoriedade do 
seguro social e do financiamento vinculado à contribuição do empregado e do 
empregador (SARRETA, 2009). 
A Lei Eloy Chaves, além da seguridade social, concedia serviços 
médicos-assistenciais e medicamentos aos “segurados”. Antes dessa lei, 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
3 
muitas fábricas forneciam serviços médicos aos seus trabalhadores, muito 
embora parte do custo fosse pago pelos próprios trabalhadores através de 
descontos em seus salários (SOUSA; BATISTA, 2012). 
O Estado não participava propriamente do custeio das Caixas que, de 
acordo com o determinado pelo artigo 3º da Lei Eloy Chaves, eram mantidas 
por: empregados das empresas (3% dos respectivos vencimentos), empresas 
(1% da renda bruta) e consumidores dos serviços das mesmas. Desse modo, 
as próprias empresas deveriam recolher mensalmente o conjunto da 
contribuição das três fontes de receita e depositar diretamente na conta 
bancária da sua CAP (OLIVEIRA; TEIXEIRA, 1985). 
Além da aposentadoria e pensões, os fundos proviam os serviços, 
funerários e médicos e obrigavam as CAPs a arcar com assistência os 
acidentados no trabalho (POLIGNANO, 2015). 
Saiba Mais: quer saber mais sobre as Políticas Públicas de Saúde e História 
do SUS? Então, clique no link a seguir e assista ao vídeo. 
https://www.youtube.com/watch?v=wsT9xCNBeX8 
Em 1932 houve a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões 
(IAPs) as quais cobrem categorias estratégicas de trabalhadores pela lógica 
contributiva do seguro, ou seja, dos trabalhadores, dos empresários e do 
Estado (SARRETA, 2009). Acentua-se o componente da assistência médica. 
Em parte, por meio de serviços próprios, mas principalmente por meio da 
compra de serviços do setor privado (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). Com 
sua criação, paulatinamente, as CAPS são extintas. 
A intervenção do Estado na saúde inicia em 1930, quando foi criado o 
Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP) e organizada uma política 
nacional de saúde a partir de dois eixos: da saúde pública e da medicina 
previdenciária ligada aos IAPS e suas categorias correspondentes. A saúde 
pública foi desenvolvida por meio de campanhas sanitárias, coordenadas pelo 
Departamento Nacional de Saúde, criado em 1937. Nesse período, a 
https://www.youtube.com/watch?v=wsT9xCNBeX8
 
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assistência médica para a população empobrecida, que não dispunha de 
recursos como CAPs ou IAPs, era prestada pelo atendimento de caridade e 
filantrópico, mantido pela igreja (SARRETA, 2009). 
Nesses institutos, os trabalhadores eram organizados por categoria 
profissional (marítimos, comerciários, bancários) e não por empresa 
(POLIGNANO, 2015). 
Na década de 40, foram tomadas medidas de reestruturação e 
ampliação dos órgãos de saúde dos Estados. As ações passaram a ser 
coordenadas e centralizadas pelo Governo Federal. Durante esse período, 
houve a criação do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), o qual, na 
década de 50, teria importante atuação no combate à malária, em pesquisas de 
doenças tropicais e na educação sanitária (SOUSA; BATISTA, 2012 e 
SARRETA, 2009). 
Em 1953, ocorreu a divisão da saúde e da educação através da criação 
do Ministério da Saúde. 
Em 1965 houve a criação do Instituto Nacional de Previdência Social 
(INPS), resultante da unificação dos IAPs e consolida o componente 
assistencial (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO. 2010). Nessa época, o sistema de 
saúde brasileiro passava por uma crise, por ser insuficiente, mal distribuído, 
descoordenado, inadequado, ineficiente e ineficaz. Para mudar essa realidade, 
foi organizado um movimento formado pela sociedade, por pesquisadores, 
estudantes e profissionais da saúde que propôs a resolução desses problemas 
e a democratização da saúde no país. Esse movimento foi chamado de 
Reforma Sanitária Brasileira e é a base para a proposta de criação do Sistema 
Único de Saúde (SUS) (SOUSA; BATISTA, 2012). 
Durante os anos 70, foi construída uma sólida estrutura privada de 
atenção médica, privilegiando a medicina curativa. A rede privada chegou a ser 
financiada em mais de 80% pelo estado e os recursos para a saúde eram 
mínimos (LUZ, 1991). O sistema previdenciário sofreu mudanças institucionais, 
separando o componente benefício da assistência médica. Em 1977 houve a 
 
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Criação do Sistema Nacionalde Assistência e Previdência Social (SINPAS) e 
do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS): o 
INAMPS estava inserido no SINPAS e é o grande órgão governamental 
prestador de assistência médica (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). 
Para os usuários, as transformações da organização do sistema de 
saúde indicavam duas situações igualmente difíceis de serem enfrentadas: a 
ineficácia do sistema previdenciário e a baixa eficiência dos serviços públicos 
de saúde (CORDEIRO, 1991). No âmbito internacional, em setembro de 1978, 
aconteceu em Alma-Ata, a Conferência sobre Cuidados Primários de Saúde, 
com a proposta de atenção primária em saúde como estratégia para ampliar o 
acesso de forma a atender, com igualdade de condições, todos os membros ou 
segmentos da sociedade até o ano 2000 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). 
O período de 1980 a 1983 é conhecido como o período da crise da 
previdência social. Na tentativa de elaborar um programa nacional de serviços 
básicos de saúde, criou-se o Prev-Saúde, inspirado na Conferência sobre 
Cuidados Primários à Saúde, o qual não chegou a ser colocado em prática. 
Nessa conferência, promovida pela Organização Mundial da Saúde/UNICEF, 
se declara que saúde não é apenas ausência de doença e sim um completo 
bem-estar físico, mental e social (ROSA; LABATE, 2005). 
A criação do Conselho Consultivo de Administração de Saúde 
Previdenciária (CONASP), em 1981, propõe reorganizar a assistência médica, 
sugerir critérios para a alocação de recursos no sistema de saúde, estabelecer 
mecanismos de controle de custos e reavaliar o financiamento de assistência 
médico-hospitalar (CORDEIRO, 1991). 
Em 1982 ocorreu a implantação do Programa de Ações Integradas de 
Saúde (PAIS): programa que dava particular ênfase na atenção primária, sendo 
a rede ambulatorial a porta de entrada dos sistemas. Visava integração das 
instituições públicas da saúde mantidas pelas diferentes esferas de governo, 
em rede regionalizada e hierarquizada. Propunha a criação de sistemas de 
referência e contrarreferência e a atribuição de prioridade para a rede pública 
 
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de serviços de saúde, com complementação pela rede privada, após sua plena 
utilização; previa a descentralização da administração dos recursos; 
simplificação dos mecanismos de pagamento dos serviços prestados por 
terceiros e seu efetivo controle; racionalização do uso de procedimentos de 
custo elevado; e estabelecimento de critérios racionais para todos os 
procedimentos. Viabilizou a realização de convênios trilaterais entre o 
Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência Social e 
Secretarias de Estado de Saúde, com o objetivo de racionalizar recursos 
utilizando capacidade pública ociosa (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). Em 
1985, a PAIS passou a Ações Integradas de Saúde (AIS). 
Em 1984, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva 
(ABRASCO) e o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES) promoveram 
uma reunião para a avaliação das AIS. O encontro reforçou a posição do 
movimento sanitário no sentido de se promover a unificação do sistema de 
saúde (CORDEIRO, 1991), mas foi em 1986 que aconteceu um marco histórico 
para a saúde, a VIII Conferência Nacional de Saúde, a qual consagrou uma 
concepção ampliada de saúde e o princípio da saúde como direito universal e 
como dever do Estado; princípios estes que seriam plenamente incorporados 
na Constituição de 1988 (REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). 
A Criação dos Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde 
(SUDS) em 1987 propunha como principais diretrizes: a universalização e 
equidade nos acessos aos serviços de saúde; integralidade nos cuidados 
assistenciais; descentralização das ações de saúde e implementação de 
distritos sanitários. Pela primeira vez, o Governo Federal começou a repassar 
recursos para os estados e municípios ampliarem suas redes de serviços 
(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2010). 
Em 1988, a Constituição Cidadã estabelece a saúde como “Direito de 
todos e dever do Estado”. 
Podemos, então, sintetizar essa última década do seguinte modo: em 
1979, a primeira proposta do SUS foi apresentada pelo Centro Brasileiro de 
 
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Estudos em Saúde (CEBES) no I Simpósio Nacional de Saúde da Câmara dos 
Deputados, no entanto, apenas nove anos depois foi promulgada a 
Constituição Federal, a qual contemplava os princípios e diretrizes elaboradas 
pelo CEBES. A partir da constituição de 1988, a saúde passa a ser direito de 
todos e dever do Estado (SOUSA; BATISTA, 2012). 
A criação do SUS se deu através da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 
1990 – Lei Orgânica da Saúde, que dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento 
dos serviços correspondentes. A partir desse período, várias iniciativas 
institucionais legais e comunitárias foram criando condições de viabilização do 
direito à saúde. Segundo essa Lei, a saúde não é só ausência de doenças e é 
determinada por uma série de fatores presentes no dia a dia, tais como: 
alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, educação, 
lazer etc. (CORDEIRO, 1996). 
Outra Lei, a 8.142/90, regulamenta a participação da comunidade na 
gerência do SUS através de Conferências e dos Conselhos de Saúde. Foram 
criadas também as Normas Operacionais Básicas (NOB) que é um instrumento 
jurídico-institucional, editado periodicamente pelo Ministério da Saúde para 
aprofundar e reorientar a implementação do SUS; definir novos objetivos 
estratégicos, prioridades, diretrizes e movimento tático-operacional; regular as 
ações entre seus gestores e normatizar o SUS (CORDEIRO, 1996). 
Saiba Mais: vamos aprender mais sobre as políticas públicas de saúde no 
Brasil? Então, acesse o site a seguir e conheça. 
http://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_politico_gestor/Uni
dade_4.pdf 
O SUS e suas Atribuições 
O SUS transformou-se no maior projeto público de inclusão social em 
menos de duas décadas: 110 milhões de pessoas atendidas por agentes 
comunitários de saúde em 95% dos municípios e 87 milhões atendidos por 27 
http://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_politico_gestor/Unidade_4.pdf
http://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_politico_gestor/Unidade_4.pdf
 
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mil equipes de saúde de família. Em 2007: 2,7 bilhões de procedimentos 
ambulatoriais, 610 milhões de consultas, 10,8 milhões de internações, 212 
milhões de atendimentos odontológicos, 403 milhões de exames laboratoriais, 
2,1 milhões de partos, 13,4 milhões de ultrassons, tomografias e ressonâncias, 
55 milhões de seções de fisioterapia, 23 milhões de ações de vigilância 
sanitária, 150 milhões de vacinas, 12 mil transplantes, 3,1 milhões de cirurgias, 
215 mil cirurgias cardíacas, 9 milhões de seções de radioquimioterapia, 9,7 
milhões de seções de hemodiálise e o controle mais avançado da AIDS no 
terceiro mundo. 
São números impressionantes para a população atual, em marcante 
contraste com, aproximadamente, metade da população excluída antes dos 
anos oitenta, a não ser pequena fração atendida eventualmente pela caridade 
das Santas Casas (SANTOS, 2007). 
 No tocante ao funcionamento, é importante ressaltar que o SUS não 
possui um caráter institucional, ele é um complexo sistema formado por centros 
de saúde, ambulatórios, laboratórios, hospitais de iniciativa privada e do poder 
público, bem como por outros órgãos da União, Estados e Municípios, tendo 
como gestor central o Ministério da Saúde. Desse modo, pode-se definir o SUS 
como um conjunto de ações e serviços públicos de saúde, compondo uma rede 
regionalizada e hierarquizada, organizada a partir das diretrizes da 
descentralização, integridade e participaçãoda comunidade (PAIM, 2009a). 
 A implantação de programas de saúde que possuem uma 
hierarquização desde o nível federal ao municipal tem permitido tanto a 
elaboração de projetos que promovam o desenvolvimento local, quanto a 
utilização de conceitos e ferramentas inerentes à geografia no sentido de 
planejar a territorialidade de políticas públicas, de equipamentos e ações 
(PEREIRA; BARCELLOS, 2006). 
Segundo a Lei Orgânica da Saúde (lei 8.080/90), são objetivos e 
atribuições do SUS: a assistência às pessoas, a vigilância epidemiológica, a 
vigilância sanitária, a saúde do trabalhador e a assistência farmacêutica. 
 
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9 
Entende-se por assistência às pessoas a atenção à saúde em tudo que 
envolve o ser humano, como ações de promoção, prevenção, tratamento e 
reabilitação (SOUSA; BATISTA, 2012). 
Assista agora ao vídeo da professora Joy em que ela explica melhor 
sobre os princípios doutrinários e organizativos do SUS. 
Resultados e Perspectivas da Saúde Pública no Brasil 
 Desde seu surgimento, o SUS se tornou um dos sistemas de saúde 
públicos de maior cobertura do mundo. Sua efetivação implicou a organização 
de uma ampla rede de serviços e ações de saúde, abrangendo todos os níveis 
de complexidade (BARATA; TANAKA e MENDES, 2003). 
Antes do SUS, a saúde era uma mistura de inúmeros componentes: 
medicina liberal com médicos e dentistas em consultórios particulares; 
medicina previdenciária com hospitais públicos e postos de assistência médica 
do INPS e após 1977 do INAMPS, delegacias regionais do trabalho, delegacias 
federais de saúde, programas especiais do Ministério da Saúde, centros e 
postos de saúde estaduais e municipais, além das vigilâncias epidemiológica e 
sanitária, entre outros. Paralelamente, havia estruturas ligadas à medicina de 
grupo, cooperativas médicas, seguro-saúde, laboratórios clínicas e hospitais 
privados, universitários, beneficentes e filantrópicos. A produção de vacinas e 
medicamentos era bastante restrita, concentradas em poucas empresas 
estatais e com dependência externa das multinacionais (PAIM, 2009b). 
O SUS ampliou o acesso da população aos serviços de saúde, tanto na 
atenção básica quanto na de maior complexidade, entretanto, a implementação 
do SUS, como seria esperado em processos sociais complexos, desencadeou 
novos problemas financeiros, organizacionais e gerenciais que desafiam e 
retardam a concretização de algumas das premissas constitucionais do sistema 
e exigem reflexão e estratégias de enfrentamento por parte dos gestores e de 
todos que entendem a saúde como condição imprescindível da cidadania 
(BARATA; TANAKA e MENDES, 2003). 
 
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A falta de identificação dos segmentos organizados da população com 
uma assistência pública e igualitária contribuiu para o enfraquecimento da 
proposta de caráter publicista e universalista e para o fortalecimento da 
segmentação, reforçando a perspectiva de que ao SUS cabe a cobertura da 
população mais pobre e em condições desfavoráveis de inserção no mercado 
de trabalho (MENICUCCI, 2009). 
 Além da ampliação da cobertura, o aumento de gastos do SUS resulta 
do encarecimento progressivo da assistência à saúde, que está sendo 
observado nos sistemas de saúde de todo o mundo, relacionado não só à 
incorporação de novas tecnologias, mas também às mudanças do perfil 
epidemiológico da população, com seu envelhecimento relativo e consequente 
aumento proporcional de doenças e condições crônicas (BARATA; TANAKA e 
MENDES, 2003). 
Além disso, a atual crise econômica enfrentada no Brasil faz com que a 
população aumente a busca pelos serviços do SUS, dado o desemprego e a 
impossibilidade de manter os planos e seguros suplementares de atenção à 
saúde. Desse modo, é improvável imaginar que haverá diminuição de gastos 
no SUS como aumento de eficiência no sistema, redução de seus desperdícios 
ou mudança do modelo assistencial atual. 
 Outro aspecto que compõe o cenário do SUS é o sucesso na 
implementação da descentralização e municipalização. Porém, a 
descentralização trouxe novos desafios que devem ser levados em conta, para 
que o desenvolvimento do sistema permita o acesso integral e equitativo à 
população, às ações e aos serviços de saúde (BARATA; TANAKA e MENDES, 
2003). 
Além do processo de municipalização, em diversas regiões do Brasil, no 
qual os municípios expandem a atenção médica sem nenhuma articulação 
regional, com desperdício de recursos públicos, gerados pela ineficiência na 
prestação da assistência, com hospitais atendendo com baixa taxa de 
ocupação e aparelhos de apoio diagnóstico trabalhando com ociosidade, 
 
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11 
dentre outros problemas (MENDES, 2001). 
 Outra dificuldade ainda encontrada pela população é a estruturação de 
serviços de média e alta complexidade que deem cobertura suficiente e 
adequada para todos. De modo geral, são comuns longas peregrinações, 
inclusive a outros estados em busca de tratamento, na maioria das vezes, 
enfrentando filas e exagerado tempo de espera para obtê-lo (BARATA; 
TANAKA e MENDES, 2003). 
 O desequilíbrio financeiro de algumas entidades decorre dos valores dos 
procedimentos do SUS, fixados pelo Ministério da Saúde, os quais não cobrem 
todos os gastos realizados pelos hospitais com os atendimentos prestados. 
Mas além do aumento do aporte de recursos, são necessárias outras medidas 
relativas à modernização gerencial e administrativa desses serviços, como a 
adoção de contratos de gestão com metas prefixadas, na busca da qualidade e 
eficiência dos serviços prestados e negociação com os prestadores de serviço 
(BARATA; TANAKA e MENDES, 2003). 
 Além da ampliação de cobertura do SUS e da garantia de integralidade, 
há a necessidade de aprimorar a humanização do atendimento no sistema. A 
humanização não é uma questão específica da saúde, mas um conceito e uma 
prática que deve se incorporar a atenção às pessoas em qualquer atividade 
que envolva usuários e profissionais da área social. A importância da 
humanização na saúde é ainda maior, tendo em vista a fragilidade da condição 
do ser humano doente, que o torna muito mais inseguro e angustiado, frente 
aos serviços médicos. A busca do atendimento de boa qualidade nas unidades 
de saúde, num ambiente humano, que procure entender e priorizar 
verdadeiramente a resolução dos problemas dos pacientes é fator 
imprescindível para que o SUS atinja seus verdadeiros objetivos na redução do 
sofrimento dos pacientes (BARATA; TANAKA e MENDES, 2003). 
 De modo geral, pode-se afirmar que muito já se conseguiu após a 
criação do SUS, apesar das dificuldades e obstáculos encontrados na gestão 
do sistema. Nada se faz sem a vontade política e aperfeiçoamento gerencial, 
 
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12 
porém o avanço do SUS também depende de recursos financeiros regulares e 
crescentes. 
Programa Saúde da Família 
O Programa Saúde da Família (PFS) tem se configurado como um dos 
mais importantes referenciais da organização de Atenção Básica no Brasil. Foi 
proposto em 1994 como uma estratégia de reorientação do modelo 
assistencial, baseada no trabalho de equipes multiprofissionais em Unidades 
Básicas de Saúde (UBS). Essas equipes são responsáveis pelo 
acompanhamento de uma população localizada em uma área delimitada, 
através de ações de promoção de saúde, prevenção, recuperação, reabilitação 
de doenças e agravos mais frequentes (PEREIRA; BARCELLOS, 2006). 
O PSF teve início quando o Ministério da Saúde formulou, em 1991, o 
Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) com a finalidade de 
contribuir para a redução das mortalidades infantil e materna, principalmente 
nas regiões Norte e Nordeste, através da extensão de cobertura dos serviços 
de saúde para as áreas mais pobrese desvalidas. Desse modo, o Ministério da 
Saúde percebe a importância dos agentes nos serviços básicos de saúde no 
município e começa a enfocar a família como unidade de ação programática da 
saúde (VIANA; DAL POZ, 1998). 
O PSF apresenta uma nova maneira de trabalhar a saúde, tendo a 
família como o centro de atenção e não somente o indivíduo doente, 
introduzindo nova visão no processo de intervenção em saúde, uma vez que 
não espera a população chegar para ser atendida, pois age preventivamente 
sobre ela a partir de um novo modelo de atenção (ROSA; LABATE, 2005). 
Muda a antiga concepção de atuação dos profissionais da saúde, saindo da 
medicina curativa e passando a atuar na integralidade da assistência, tratando 
o indivíduo como sujeito dentro de sua comunidade socioeconômica e cultural 
(LEVCOVITZ; GARRIDO, 1996). 
Saiba Mais: Para você saber mais sobre as políticas de saúde do Brasil, 
 
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acesse o site a seguir e leia as publicações sobre Políticas de 
Saúde Brasileiras produzidas pelo Ministério da Saúde do Brasil e instituições 
parceiras. 
http://brasil.bvs.br/vhl/diretorios-portais-e-servicos/politicas-de-saude-do-
brasil-2/ 
 
Vamos assistir agora a mais um vídeo em que a professora Joy fala 
mais sobre os projetos e programas do SUS que merecem destaque. Para 
isso, acesse seu material on-line e confira! 
 
 
 
 
 
http://brasil.bvs.br/vhl/diretorios-portais-e-servicos/politicas-de-saude-do-brasil-2/
http://brasil.bvs.br/vhl/diretorios-portais-e-servicos/politicas-de-saude-do-brasil-2/
 
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Síntese 
Neste tema, pudemos verificar a evolução dos Programas de Saúde 
Pública no Brasil, a importância da Constituição de 1988 e da Lei Orgânica da 
Saúde, sancionada em 1990, a qual define a criação do Sistema Único de 
Saúde (SUS). 
Após esses 25 anos, pode-se perceber o avanço que o SUS representou 
na saúde da população brasileira e a evolução de seus programas e 
coberturas, mas ainda é possível verificar a possibilidade de desenvolvimento e 
crescimento das ações já implantadas, assim como a implantação de novas 
áreas, com o intuito de melhorar a saúde da população em seus diversos 
campos, como a prevenção, a epidemiologia, os tratamentos, a saúde do 
trabalhador e a vigilância ambiental. 
Assista ao vídeo da professora Joy em que ela faz uma síntese do que 
estudamos aqui. 
 
 
 
 
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15 
Referências 
BARATA, L. R. B.; TANAKA, O. Y.; MENDES, J. D. V. 15 anos do SUS: 
desafios e perspectivas. Disponível em: 
<http://143.107.240.24/departamentos/social/saude_coletiva/O15anosdoSUS.p
df>. Acesso em: 17 de jun. de 2015. 
 
CORDEIRO, H. Sistema Único de Saúde. Rio de Janeiro: Ayuri/ABRASCO; 
1991. 
 
CORDEIRO, H. O PSF como estratégia de mudança do modelo 
assistencial do SUS. Caderno Saúde Família. 1, 10-15; jan-jun, 1996. 
 
LEVCOVITZ, E; GARRIDO, N. G. Saúde da Família: A procura de um modelo 
anunciado. Caderno Saúde Família. 1, 3-8; jan-jun, 1996. 
 
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17 
Atividades 
1. Pode ser constatado que as Políticas Públicas de Saúde no Brasil foram 
realizadas ao longo dos anos, na sua maioria, de forma imediatista e não 
planejada. O que se pode notar na realidade é que as mesmas, até a 
Constituição Federal de 1988, nunca tiveram como objetivo proporcionar ao 
cidadão um bem-estar amplo e irrestrito. As políticas adotadas até então, 
sempre tiveram o intuito de dar uma resposta às reinvindicações populares, 
no sentido de cessar os protestos e greves. Diante dessa afirmação, 
podemos dizer que: 
a. A saúde pública no Brasil sofreu uma revolução significativa com a 
Constituição de 1988, em que a lei orgânica da saúde foi assinada. No 
entanto, desde então, não pôde-se observar significativo avanço nas 
políticas de saúde. 
b. Até 1988, nenhum cidadão tinha acesso à saúde, sendo o tratamento 
público bastante escasso e atendendo apenas a parcela da população 
que trabalhava em indústrias e portos. 
c. A Constituição de 1988 teve fundamental importância ao afirmar que “A 
saúde é direito de todos e dever do Estado”. A partir de 1990, várias 
iniciativas institucionais legais e comunitárias foram criando condições de 
viabilização do direito à saúde pela Lei nº 8.080. 
d. Até 1988, a saúde pública se resumia a campanhas de vacinação. No 
entanto, desde então, a evolução foi notória, em especial no campo de 
saúde do trabalhador e assistência à saúde da mulher. 
 
2. Quanto ao SUS, podemos afirmar que: 
a. É um dos maiores programas de saúde pública do mundo e realiza desde 
simplesatendimentos ambulatoriais até procedimentos de alta 
complexidade como transplante de órgãos, garantindo acesso integral, 
universal e gratuito para toda a população do país. 
b. É o maior programa de saúde pública do mundo e, por isso, atende 
 
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18 
populações de países vizinhos e que se encontram em estado de extrema 
pobreza, auxiliando os “países-irmãos” do Mercosul. 
c. Encontra-se em reavaliação pelo Ministério da Saúde, o qual tem a 
intenção de reformulá-lo para SABR (Saúde dos Brasileiros de Baixa 
Renda) até 2020, a fim de reduzir os gastos com a saúde pública e 
atendendo apenas pessoas cuja renda mensal não seja superior a 3 
salários mínimos. 
d. É financiado pelo setor privado, em especial pelas grandes empresas, 
compostas por mais de 500 funcionários, uma vez que estas têm 
interesse no atendimento gratuito. 
 
3. Em 1923, a Lei Eloy Chaves instituiu as Caixas de Aposentadorias e 
Pensões (CAP). Esta lei previa: 
a. Vacinação aos recém-nascidos e as epidemias que na época eram 
recorrentes no Brasil. 
b. Estatuto legal às iniciativas já existentes de trabalhadores por fábricas, 
visando garantir a pensão em caso de algum acidente ou afastamento do 
trabalho por doença e também uma futura aposentadoria; institui a 
obrigatoriedade do seguro social e do financiamento vinculado à 
contribuição do empregado e do empregador e concedia serviços médico-
assistenciais e medicamentos aos “segurados”. 
c. Aposentadoria por invalidez, Programa Saúde da Família e, em especial, 
Programa Saúde da Mulher, uma vez que nessa época, o êxodo rural, 
aumentou a incidência de doenças comunitárias, especialmente em 
cidades grandes, e o índice de natalidade triplicou. 
d. Atendimento de saúde integral ao produtor rural e sua família, uma vez 
que estes viviam isolados, em grande parte estavam na linha de extrema 
pobreza, contribuindo para o êxodo rural. Esta foi uma tentativa de manter 
o homem no campo, uma vez que as cidades se tornavam cada vez mais 
inchadas e os problemas de saúde cresciam em velocidade alarmante. 
 
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19 
4. Quanto ao Programa Saúde da Família, ele tem a família como o centro de 
atenção e não somente o indivíduo doente, introduzindo nova visão no 
processo de intervenção em saúde. Esse programa: 
a. Atende somente as famílias de baixa renda e ribeirinhas, presentes nos 
estados da região Norte e Nordeste. 
b. Atende somente famílias socialmente vulneráveis, em especial nas 
comunidades e favelas do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do 
Norte. 
c. Foi criado para atender as famílias que viviam no campo, uma vez que, 
para estas pessoas, o acesso à saúde é muito difícil. 
d. Foi criado com foco na redução das mortalidades infantil e materna, em 
especial nas regiões Norte e Nordeste. 
 
5. São princípios doutrinários do SUS, exceto: 
a. A universalidade, que garante a atenção à saúde por parte do sistema a 
qualquer cidadão. 
b. A equidade, que assegura as ações e serviços de acordo com a 
complexidade que cada caso requeira. Todo cidadão é igual perante o 
SUS e será atendido conforme suas necessidades, até o limite do que o 
Sistema pode oferecer. 
c. A integralidade busca compreender o conjunto de necessidades de ações 
e serviços de saúde que um paciente apresenta. 
d. A participação popular através da sociedade civil organizada. 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line. 
 
 
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1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema Processo Saúde-Doença 
Professor Joy Ganem Longhi 
Introdução 
Neste tema, serão abordados diversos conceitos, entre eles, as 
definições para “doença”, “saúde” e “processo saúde-doença”, palavras essas 
bastante familiares, no entanto, com significados bastante amplos. 
Avaliaremos também o perfil da população brasileira em relação às 
doenças mais comuns e como elas vêm se apresentando ao longo dos últimos 
anos. Finalmente, poderemos analisar a perspectiva de saúde de nossa 
população. Bons estudos! 
Assista no seu material virtual ao vídeo de introdução que a professora 
Joy fez deste tema. 
Problematização 
Severino fugiu da seca no Nordeste junto com seus pais e foi para São 
Paulo em 1985. Como grande parte dos casos, sua família nunca conseguiu 
dinheiro suficiente para a manutenção de uma casa confortável, pagamento de 
suas contas e alimentação adequada. 
Severino cresceu morando em uma favela e a única casa que possui, 
composta por 2 cômodos (banheiro e sala/quarto/cozinha), acomoda 
atualmente sua mãe, com 70 anos, a qual sofre com diversas doenças 
crônicas, como diabetes, hipertensão e doença de Chagas; sua esposa, 
grávida do quinto filho; e os outros quatro filhos, e dois sofrem rotineiramente 
com problemas respiratórios devido à falta de estrutura de sua casa, umidade 
constante e poluição. 
Severino, atualmente, é servente de pedreiro e recebe R$ 1.200,00 para 
a manutenção da casa e de sustento de seus 7 habitantes. Sua esposa está 
 
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2 
desempregada e não consegue emprego por estar grávida. É comum Severino 
passar noites em claro, preocupado com suas contas e com o dia de amanhã. 
Nesse caso, qual o melhor cenário se adequa à realidade dessa família? 
Não responda ainda, vamos estudar nosso material e a final você poderá 
escolher a opção que melhor se encaixa neste caso. 
Saúde, Doença e Processo Saúde-doença 
Uma concepção difundida de saúde é a de um estado de harmonia e 
equilíbrio funcional do corpo. Tudo o que faz o ser humano sofrer, que o limita 
e impede de exercer suas atividades normais, dá ao homem a consciência de 
um corpo que deixou de "funcionar em silêncio" e que, portanto, dá mostras de 
alterações que podem significar um estado de doença. No entanto, "não sentir 
nada", nem sempre significa ausência de doenças, pois vários processos e 
lesões podem permanecer "calados" por muito tempo sem serem percebidos 
por seus portadores. 
A relação existente entre saúde e doença não é apenas uma relação de 
bom ou mau funcionamento do corpo, mas uma interação muito mais ampla do 
homem com os ambientes (físicos e sociais) que o cercam, da sua maneira de 
relacionar-se com outros homens, da sua condição de trabalho (tipo e 
características, condições físicas para exercê-lo e a relação pessoal com o 
trabalho - gostar de realizá-lo); da forma como é organizada a produção de 
riquezas e de como essas riquezas são repartidas e compartilhadas por todos, 
das possibilidades que ele possui para se expressar, para desenvolver seu 
potencial criativo e desenvolver-se como pessoa. A busca de uma concepção 
de saúde é também a procura da compreensão do processo de vida dos 
homens ao longo da história (SILVA MARQUES, 2015). 
Segundo Brêtas e Gamba (2006), por mais que se pense a saúde na 
dimensão do coletivo, é o ser humano que adoece e como tal requer cuidados. 
A saúde e o adoecer são experiências subjetivas e individuais, conhecidas de 
maneira intuitiva, dificilmente descritas ou quantificáveis. 
 
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3 
A preocupação com a conservação da saúde acompanha os homens 
desde os primórdios. A rejeição a substâncias amargas; a procura de abrigos 
para o frio, o calor e a chuva; a necessidade de repousar, de comer e beber 
são comportamentos que fazem parte do instinto humano de conservação 
(SCILAR, 2002). 
A estratégia da vigilância à saúde apoia-se na Teoria da Determinação 
Social do Processo Saúde-Doença, segundo a qual o processo saúde-doença 
manifesta-se em indicadores sociais e nos modos específicos de adoecer e 
morrer (perfis epidemiológicos) dos diferentes grupos sociais. O processo 
saúde-doença é socialmente determinado, ou seja, articula-se às condiçõesmateriais de existência, de tal modo que os eventos biológicos por si só não 
são capazes de explicá-lo. 
A história social condiciona os modos de adoecer e morrer dos grupos 
sociais, pois o biológico e o social são momentos de um mesmo processo 
(LAURELL, 1983). 
O processo saúde-doença deve ser, portanto, categorizado e analisado 
em seus determinantes e condicionantes históricos, genéticos e estruturais 
(bio-psíquicos, sociais e ecológicos/ambientais). A interação desses elementos 
é que determina sua particularização, isto é, a ocorrência do dano ou da 
doença no indivíduo ou na coletividade (LIEBER, 1998). 
Saúde 
Criado em 7 de Abril de 1948, desde o Dia Mundial da Saúde, a 
Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu o conceito de saúde, que 
diz: 
Saúde: estado completo de bem-estar físico, mental e social e não 
simplesmente ausência de doença ou enfermidade. É um direito 
fundamental e a consecução do mais alto nível de saúde é a mais 
importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de 
muitos outros setores sociais e econômicos, além do setor de saúde. 
 
No Brasil, em 1986, foi desenvolvida a VII Conferência Nacional de 
Saúde, na qual foi adotado o seguinte conceito sobre saúde: 
[...] em seu sentido mais abrangente, a saúde é resultante das 
 
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4 
condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio-
ambiente, trabalho, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de 
terra e acesso a serviços de saúde. É assim, antes de tudo, os 
resultados das formas de organização social da produção, as quais 
podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida (BRASIL, 
1986). 
 
O considerado normal em um indivíduo pode não ser em outro; não há 
rigidez no processo. Dessa maneira, pode-se concluir que o ser humano 
precisa se conhecer e saber avaliar as transformações sofridas pelo seu corpo 
(VIANNA, 2015). 
Doença 
A doença sempre esteve presente no desenvolvimento da humanidade. 
Estudos de paleoepidemiologia relatam a ocorrência há mais de três mil anos, 
de diversas doenças que até hoje afligem a humanidade. No entanto, os 
problemas de saúde se acentuaram significativamente com o desenvolvimento 
da vida comunitária. O homem passou de nômade a agricultor e pastor a 
domesticação de animais para auxílio no plantio ou como fonte de proteína, foi 
elemento crucial no aparecimento de novas doenças (FIOCRUZ, 2008). 
Originalmente, presente em animais, diversos microrganismos são 
pouco a pouco, adaptados e disseminados entre as populações humanas. 
Doenças como a varíola e a tuberculose migram do gado para os seres 
humanos (FIOCRUZ, 2008); porcos e aves transmitem a gripe e o cavalo, o 
resfriado comum (PALMEIRA et al., 2004). A armazenagem de alimentos e a 
concentração dos dejetos nas aldeias aproximam os vetores do convívio 
humano (FIOCRUZ, 2008). 
A doença não pode ser compreendida apenas por medições 
fisiopatológicas, pois quem estabelece o estado de doença é o sofrimento, a 
dor, o prazer, enfim, os valores e sentimentos expressos pelo corpo subjetivo 
que adoece (BRETAS; GAMBA, 2006). 
Quadros clínicos semelhantes, ou seja, com os mesmos padrões 
biológicos, prognósticos e implicações para o tratamento, podem afetar 
pessoas diferentes de forma distinta, resultando em diferentes manifestações 
 
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5 
de sintoma de desconforto, com comprometimento diferenciado de suas 
habilidades de atuar em sociedade (OLIVEIRA; EGRY, 2000). 
Processo Saúde-Doença 
Histórico 
Na antiguidade, as religiões politeístas acreditavam que a saúde era 
dádiva e a doença castigo dos deuses, com o decorrer dos séculos e o advento 
das religiões monoteístas, a dádiva e o castigo passaram a pertencer a um 
único Deus. No entanto, 400 anos a.C., Hipócrates desenvolve o tratado “Os 
Ares e Lugares”, onde relaciona os lugares de moradia, a água para beber, os 
ventos com a saúde e a doença (BUCK et al., 1988), a relação com o ambiente 
é um traço característico da compreensão hipocrático do fenômeno saúde-
doença. Partindo da observação das funções do organismo e suas relações 
com o meio natural e social, Hipócrates desenvolveu uma teoria que entende a 
saúde como homeostase, isto é, o resultado do equilíbrio entre o homem e seu 
meio (FIOCRUZ, 2008). 
Séculos mais tarde, as populações passam a viver em comunidades e a 
teoria miasmática, a qual consiste na crença de que a doença é transmitida 
pela inspiração de “gases” de animais e dejetos em decomposição, toma lugar 
(BUCK et al., 1988). 
O avanço significativo no pensamento médico ocorre quando se dá um 
desvio do foco de interesse das forças sobrenaturais para o portador da 
doença, passando a mesma, gradativamente, ser vista como um fenômeno 
natural, passível de ser compreendido e liberado da intromissão de forças 
divinas ou malévolas (BARROS, 2002). 
Para Galeno (122-199 d.C.), um dos médicos que exerceram maior 
influência na história da medicina ocidental, a ideia central da fisiologia repousa 
no fluxo permanente dos humores, o que estaria na dependência das 
influências ambientais, do calor inato e na ingestão alimentar e sua justa 
proporção. 
 
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6 
As causas mórbidas podiam ser internas (ligadas à constituição ou 
predisposição individual), externas (excessos alimentares, sexuais ou de 
exercícios físicos) ou conjuntas. O diagnóstico deve ter por fundamentos o 
cuidadoso exame do doente, o conhecimento de seu estado enquanto sadio, 
seu temperamento, regime de vida, alimentação, além das condições 
ambientais e a época do ano (BARROS, 2002). 
Para Celso (1493-1541), representa um modelo de transição entre a 
escola galênica e o modelo biomédico. Na determinação da doença, 
identificava influências cósmicas e telúricas, além de substâncias tóxicas e 
venenosas, bem como a predisposição do próprio organismo e das motivações 
psíquicas (BARROS, 2002). 
A Era Bacteriológica iniciou-se no século XIX, quando foi aceita a teoria 
de que um microrganismo específico, no caso um bacilo, seria responsável por 
determinada doença. Robert Koch, em 1876, demonstrou durante três dias, na 
presença de outros cientistas, a transmissão do antraz, usando camundongos 
como modelos experimentais. 
Anteriormente, diversos outros já haviam observado e apresentado suas 
teorias como, por exemplo, Bonomo, em 1687 apresentou a escabiose devida 
ao ácaro da sarna, mas não causou impacto, sendo insuficiente como 
contraposição à teoria miasmática. Em 1841, Jacob Henle, formulou uma teoria 
em que comprovava seres organismos vivos, causadores das doenças 
infecciosas (FIOCRUZ, 2008). 
Ao final do século XIX, boa parte das questões relativas às doenças 
infecciosas havia sido respondida, especialmente em relação às doenças 
contagiosas. Porém, persistiam algumas interrogações sobre a origem de 
doenças em que novos casos surgiam sem qualquer contato direto com os 
indivíduos enfermos. Do mesmo modo, intrigava o não adoecimento de 
pessoas expostas aos doentes. Nos primeiros anos do século XX, foram 
desvendadas a participação de vetores ou hospedeiros intermediários na 
transmissão de doenças e o papel dos portadores sadios na manutenção da 
 
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7 
cadeia epidemiológica (FIOCRUZ, 2008). 
A era bacteriológica resultou em um modelo unicausal de compreensão 
da doença, no qual se baseava na existência de apenas uma causa, o agente. 
Para um agravo ou doença, no entanto, o vigor para as explicações unicausais 
começa a enfraquecer após a Segunda Guerra quando os países 
industrializados começam a vivenciar uma “transição epidemiológica”, 
caracterizada pela diminuição da importância das doenças infecto-parasitárias 
como causa de adoecimento e morte em detrimento do incremento das 
doenças crônico-degenerativas(FIOCRUZ, 2008). 
 O modelo multicausal avançou no conhecimento dos fatores 
condicionantes da saúde e da doença. A crítica que se faz a ele reside no fato 
de tratar todos os elementos da mesma forma, ou seja, naturalizar as relações 
entre o ambiente, o hospedeiro e o agente, esquecendo que o ser humano 
produz socialmente sua vida em um tempo histórico e que, por isso, em certos 
períodos, podem ocorrer doenças diferentes com intensidades e manifestações 
também diferentes (PALMEIRA et al., 2004). 
O modelo biomédico ou mecanicista teve início no século XVI e baseia o 
papel do médico exclusivamente na eliminação de doenças e lhe confere 
grande autoridade e poder, que se manifestam na relação estabelecida entre 
ele e o paciente. O encontro que ocorre durante a consulta médica é centrado 
no médico ou na doença, e a perspectiva do paciente é considerada pouco 
relevante (SANDMAN; MUNTHE, 2010). 
Em 1978, a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em 
Saúde, produto da I Conferência Internacional sobre Cuidados Primários à 
Saúde, realizada em Alma-Ata, na Rússia, realçou o novo pensamento de 
caracterização do processo saúde-doença, incorporando as dimensões sociais, 
políticas, ambientais, culturais e econômicas como indispensáveis às ações e 
aos serviços de saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). 
Nas últimas décadas, observa-se a necessidade de mudança na forma 
de atendimento à população nos serviços de saúde. Isso se deve a um 
http://www.epsjv.fiocruz.br/pdtsp/index.php?s_livro_id=6&area_id=2&autor_id=&capitulo_id=24&sub_capitulo_id=80&arquivo=ver_conteudo_2
 
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8 
conjunto de fatores, tais como insatisfação dos clientes, modificação no perfil 
epidemiológico, reconhecimento de fatores de risco, surgimento de novas 
doenças e crescente desenvolvimento de tecnologias sofisticadas e de alto 
custo (STEWART et al., 1995). 
Não existe um limite preciso entre saúde e doença, mas uma relação de 
reciprocidade entre ambas; entre a normalidade e a patologia, na qual os 
mesmos fatores que permitem ao homem viver (alimento, água, ar, clima, 
habitação, trabalho, tecnologia, relações familiares e sociais) podem causar 
doenças. Essa relação é demarcada pela forma de vida dos seres humanos, 
pelos determinantes biológicos, psicológicos e sociais. Tal constatação nos 
remete à reflexão de que o processo saúde-doença-adoecimento ocorre de 
maneira desigual entre os indivíduos, as classes e os povos, recebendo 
influência direta do local que os seres ocupam na sociedade (BRÊTAS; 
GAMBA, 2006). 
Em síntese, pode-se dizer, em termos de sua determinação causal, que 
o processo saúde-doença representa o conjunto de relações e variáveis que 
produzem e condicionam o estado de saúde e doença de uma população, que 
variam em diversos momentos históricos e do desenvolvimento científico da 
humanidade (VIANNA, 2015). 
O processo saúde-doença é um dos pontos centrais para profissionais 
da saúde que buscam promovê-la, cuidando para que as pessoas possam ter, 
tanto quanto possível, uma boa qualidade de vida, mesmo quando as 
limitações se estabelecem (VIANNA, 2015). 
Prevenção 
Diariamente, levamos em conta nossos riscos. Proteger-se da morte, da 
doença, da tempestade, dos maus êxitos nos negócios, não é uma criação 
recente. 
A base do conceito de medicina preventiva foi sistematizada no livro 
“Medicina Preventiva” de Leavell e Clark, cuja primeira edição foi publicada em 
 
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1958. A prevenção apresenta-se em três fases: 
 Prevenção Primária: Realizada no período pré-patogênese. O conceito 
de promoção à saúde aparece como um dos níveis de promoção 
primária, definido como “medidas destinadas a desenvolver uma saúde 
ótima”. E um segundo nível de prevenção primária seria a prevenção 
específica: contra agentes patológicos ou pelo estabelecimento de 
barreiras contra os agentes do meio ambiente”. 
 Prevenção Secundária: Também apresenta dois níveis: o primeiro, o 
diagnóstico e tratamento precoce e o segundo, a limitação por invalidez. 
 Prevenção Terciária: São as ações de reabilitação. 
Os Principais Problemas de Saúde da População Brasileira 
Características da População Brasileira 
Até os anos 60, a população brasileira era extremamente jovem, com 
cerca de 52% de indivíduos abaixo dos 20 anos e menos de 3% acima dos 65 
anos. Nesse período, houve significativo declínio da mortalidade e uma discreta 
redução da fecundidade. A partir dos anos 70, começa a se observar um 
estreitamento continuado na base da pirâmide etária e, consequentemente, o 
envelhecimento da população (FIOCRUZ, 2008). 
Essa tendência vem se firmando, conforme demonstrado no gráfico a 
seguir, com os dados etários da população brasileira, de acordo com o censo 
realizado pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE) em 2010. 
 
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10 
 
 Fonte: IBGE, 2010. 
 
Com essa mudança de perfil da população, o impacto na organização do 
Sistema Único de Saúde incidirá na necessária reconfiguração da oferta de 
serviços, procurando qualificar o atendimento das necessidades de saúde, das 
faixas mais avançadas. 
A atenção à saúde do idoso passa a demandar não só o direcionamento 
na contratação de especialistas (geriatras, ortopedistas, cardiologistas, 
angiologistas etc.), a inclusão de um calendário específico de imunizações, a 
implantação e ampliação do atendimento domiciliar, a expansão do acesso e 
adequação da oferta de medicamentos na farmácia básica, como também, o 
desenvolvimento de ações de promoção à saúde, com orientações nutricionais, 
educação física, lazer e cultura (FIOCRUZ, 2008). 
Saiba Mais: clique no link a seguir e leia um artigo sobre a morbidade 
hospitalar em idosos nas internações do Sistema Único de Saúde do Brasil. 
http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n6/a23v15n6.pdf 
http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n6/a23v15n6.pdf
 
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O Quadro de Morbimortalidade Brasileiro 
As transformações históricas e sociais que a sociedade brasileira vem 
atravessando têm repercutido na produção e distribuição dos problemas de 
saúde. Nas últimas décadas, o Brasil vem apresentando um novo perfil 
epidemiológico. Ainda que tenha sido observada queda na mortalidade por 
doenças infecciosas, para muitas destas, o quadro de morbidade manteve-se 
estável ou se acentuou. As doenças cardíacas, as neoplasias e as mortes 
violentas passaram a ser responsáveis por cerca de 60% dos óbitos 
(FIOCRUZ, 2008). 
Veja no gráfico a seguir a mortalidade proporcional por grupos de 
causas definidas entre 1930 e 2004 no Brasil. 
 
Fonte: FIOCRUZ, 2008. 
 
De acordo com o Ministério da Saúde (2004), a mudança do perfil 
epidemiológico do Brasil, nos últimos vinte anos, pode ser expressa pela 
permanência das doenças do aparelho circulatório como principal causa de 
morte, pela diminuição da importância das doenças infecciosas e parasitárias 
e, principalmente, pelo crescimento das neoplasias e das causas externas. 
 
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12 
Foram observadas melhoras marcantes em alguns indicadores da 
saúde, como a redução da mortalidade infantil e de doenças infecciosas e 
parasitárias, a tendência de redução do risco de morte pela doença isquêmica 
do coração e cerebrovascular, a tendência de redução de mortalidade por 
câncer do pulmão em homens com até 64 anos, além de, em algumas regiões, 
ter ocorrido a estabilização do risco de mortalidade por câncer do colo de útero 
e redução do risco de mortalidade por acidentes de transporte terrestre. Por 
outro lado, o risco de morte por câncer de mama apresentou tendência 
crescente. A mortalidade materna, apesar da redução aparente, continua alta e 
subnotificada. A gravidez na adolescênciavem crescendo, especialmente em 
regiões menos desenvolvidas; as consultas de pré-natal aumentaram e o 
número de partos por cesarianas é alto. 
As taxas de mortalidade infantil vêm diminuindo no Brasil desde o início 
do século XX. Esse indicador reflete as condições de vida de uma população, 
dado que uma criança com menos de um ano é extremamente sensível às 
condições socioeconômicas e ambientais. Um dos motivos que contribui para 
esse declínio é a expansão do Programa Saúde da Família (PSF), que vem 
acumulando resultados positivos na prevalência do aleitamento materno e na 
redução da desnutrição infantil (FIOCRUZ, 2008). 
Saiba Mais: neste outro artigo você pode ler mais sobre as causas de 
hospitalização no SUS de crianças de zero a quatro anos no Brasil. Clique no 
link e aproveite. 
http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v13n2/09.pdf 
 
Quando analisado os principais motivos de mortalidade infantil, as 
afecções originárias do período perinatal representam o principal contingente 
das mortes no primeiro ano de vida. Seus fatores causais estão intimamente 
ligados às condições de saúde e nutrição, nível de escolaridade e de vida das 
mulheres, assim como à qualidade da atenção prestada durante o pré-natal, 
parto e assistência ao nascimento (BRASIL, 2005). 
http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v13n2/09.pdf
 
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13 
Vamos assistir agora ao vídeo da professora Joy em que ela explica 
detalhadamente sobre a mortalidade infantil. Acesse-o no seu material on-line e 
acompanhe! 
Doenças Prevalentes 
Doenças não infecciosas 
Sabe-se que a hipertensão, o colesterol alto, o excesso de peso, a 
inatividade física, o tabagismo e o alcoolismo estão entre os fatores de risco 
para a maior parte dessas doenças. 
O principal grupo de causas de morte no Brasil em todas as regiões e 
para ambos sexos, são as doenças do aparelho circulatório, representadas por: 
doenças hipertensivas, doenças cerebrovasculares, doenças isquêmicas do 
coração, infarto agudo do miocárdio, doenças reumáticas e demais doenças 
circulatórias (FIOCRUZ, 2008). 
Saiba Mais: no link a seguir, você poderá encontrar um artigo sobre o controle 
da hipertensão arterial em publicações brasileiras. Boa leitura! 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-
782X2013002900020&script=sci_arttext 
Sobre esse assunto, acesse seu material virtual e assista ao vídeo da 
professora Joy em que ela fala sobre hipertensão e suas complicações na 
população brasileira. 
Neoplasias 
O impacto da globalização econômica sobre as sociedades 
contemporâneas, redefinindo padrões de trabalho, nutrição e consumo, assim 
como o envelhecimento populacional, tem sido indicado como responsável pelo 
aumento da incidência das doenças crônico-degenerativas, como as 
cardiovasculares e o câncer, no entanto, no Brasil, o aumento da prevalência 
de cânceres associados ao melhor nível econômico – mama, próstata e 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2013002900020&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2013002900020&script=sci_arttext
 
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14 
cólon/reto – é observado simultaneamente à elevação das taxas de incidência 
de tumores geralmente associados à pobreza – colo do útero, pênis, estômago 
e cavidade oral. 
Segundo o estudo, ainda não existem dados que permitam compreender 
a vulnerabilidade de determinados grupos à doença, sendo que seu 
aparecimento está vinculado tanto a condições genéticas quanto a condições 
determinadas pelo modo de vida e o ambiente. Dentre os principais fatores de 
risco reconhecidos pelos pesquisadores, figuram o tabagismo e o álcool, a 
obesidade e o sedentarismo, infecções sexualmente transmissíveis, riscos 
ambientais (poluição do ar, exposição profissional a agentes cancerígenos, 
radiação solar) e contaminação venosa pelo vírus de hepatite B e C (RADIS, 
2006). 
Ainda que se tenha obtido grandes êxitos na prevenção (combate ao 
tabagismo, programas de saúde da mulher) e na assistência (diagnóstico 
precoce, avanços terapêuticos), o grande desafio para o SUS, diante de um 
cenário de crescimento dos casos, consiste na constituição de uma rede capaz 
de prover o acesso universal ao cuidado em todos os níveis, bem como de 
serviços adequados para o tratamento dos pacientes com câncer em todas as 
regiões, ou seja, a efetiva implantação da Política Nacional de Atenção 
Oncológica, criada pela Portaria 2.349, de dezembro de 2005. 
Agora, a professora Joy vai falar sobre o câncer no Brasil, assista ao 
vídeo no seu material on-line. 
Causas Externas 
Violência e Acidentes de Trânsito, de modo geral, o sexo masculino é 
mais afetado por essas causas, sendo em média, maior que 80% do número 
de vítimas. Na faixa etária de 10 a 29 anos, as causas externas representam a 
segunda maior causa de morbidade hospitalar. São principalmente os 
homicídios e os acidentes terrestres os responsáveis pelas altas taxas de 
morbimortalidade. Quanto às principais causas para esse tipo de óbito, pode-se 
http://www.epsjv.fiocruz.br/pdtsp/nav.php?s_livro_id=6&capitulo_id=22&autor_id=&sub_capitulo_id=695&arquivo=ver_pop_up
 
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15 
citar: homicídios, acidentes de transporte terrestre e suicídios (FIOCRUZ, 
2008). 
Saiba Mais: para você conhecer mais sobre isso, leia o artigo “Determinação 
sociocultural dos Acidentes de Transporte Terrestre (ATT)” disponível no site a 
seguir. 
http://www.scielo.br/pdf/csc/v17n9/a05v17n9.pdf 
Doenças Infecciosas 
Em 1930, estas eram as principais causas de morte no país. Esse 
quadro se alterou significativamente mediante as melhorias sanitárias, o 
desenvolvimento de novas tecnologias – vacinas, antibióticos, recursos 
diagnósticos –, a ampliação do acesso aos serviços de saúde e a adoção de 
medidas de controle específicas (BRASIL, 2004) que se observa uma 
expressiva redução na mortalidade (46% no período de 1980-2001). 
As doenças infecciosas e parasitárias continuam a produzir um impacto 
importante no quadro de adoecimento no país, constituindo-se na terceira 
maior causa de morte em crianças de 0 a 4 anos de idade (FIOCRUZ, 2008). 
Saiba Mais: neste artigo, você poderá saber mais sobre a política de saúde do 
homem, clique no link a seguir e leia. 
http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v46s1/co4221.pdf 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.scielo.br/pdf/csc/v17n9/a05v17n9.pdf
http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v46s1/co4221.pdf
 
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16 
Revendo a problematização 
E aí, já pensou no caso de Severino apresentado no início deste tema? 
Qual seria o cenário que se adequa à realidade da família? Escolha uma das 
opções a seguir que melhor se adeque ao que foi descrito. 
a. Todos os membros da família poderiam estar saudáveis caso, no passado, a 
família de Severino não tivesse se mudado para São Paulo. 
b. Atualmente, na casa de Severino existem 3 membros doentes: sua mãe e os 
dois filhos. 
c. Pode-se considerar que todos os membros da família estão com sua saúde 
comprometida. 
 
Para consultar o feedback de cada uma das alternativas, acesse o material on-line. 
 
 
 
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17 
Síntese 
Neste tema, pudemos compreender a complexidade da definição de 
saúde, verificamos a evolução da compreensão do processo saúde-doença e 
conhecemos o perfil da população brasileira em relação às doenças 
prevalentes e aos índices e motivos de morbimortalidade. 
Verificamos que a população vem envelhecendo e que, por esse motivo, 
o atendimento à saúde deverá se preparar para as mudanças nos cenários da 
faixa-etária atendida, aumento dos índices de doenças crônicas e 
degenerativas e, felizmente, a redução da mortalidade infantil. 
Assista ao vídeo de síntese que a professora Joy fez deste tema. 
 
 
 
 
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18 
Referências 
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto de 
Promoção da Saúde. Distritos sanitários: concepção e organização do conceito 
de saúde e do processo saúde-doença. Brasília, Ministério da Saúde, 1986. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Departamento de Análise de Situação de Saúde. Saúde Brasil 2004 – uma 
análise da situação de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 
 
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Departamento de Análise de Situação em Saúde. Saúde Brasil 2005: uma 
análise da situação de saúde no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2005 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Subsídios para a 
construção da Política nacional de Saúde Ambiental; Brasília: Ministério da 
Saúde, 2009. 
 
BRÊTAS, A.C.P; GAMBA, M.A. Enfermagem e saúde do adulto. Barueri: 
Manole, 2006. 
 
BUCK, C.; LLOPIS, A.; NAJERA, E.; TERRIS, M., eds. El desafío de la 
epidemiología. Washington DC: Organización Panamericana de la Salud, 
1988. 
 
FIOCRUZ. O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro, 2008. 
 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Distribuição da 
população por sexo segundo os grupos de idade. Disponível em: 
<http://vamoscontar.ibge.gov.br/atividades/ensino-fundamental-6-ao-9/49-
piramide-etaria>. Acesso em: 28 de mar. de 2015. 
 
LAURELL, A.C. A saúde-doença como processo social. In: NUNES, E.D, 
organizador. Medicina social: aspectos históricos e teóricos, p. 133-158. 
São Paulo: Global, 1983. 
 
LIEBER, R. R. Teoria e metateoria na investigação da causalidade – Tese 
de doutorado. São Paulo: USP, 1998. 
 
OLIVEIRA, M. A. C; EGRY, E. Y. A historicidade das teorias interpretativas do 
processo saúde-doença, Revista da Escola de Enfermagem da USP, 34(1), 
São Paulo,2001. 
 
PALMEIRA, G. et al. Processo saúde doença e a produção social da saúde. In: 
EPSJV. (Org.) Informação e Diagnóstico de Situação. Rio de Janeiro: 
http://vamoscontar.ibge.gov.br/atividades/ensino-fundamental-6-ao-9/49-piramide-etaria
http://vamoscontar.ibge.gov.br/atividades/ensino-fundamental-6-ao-9/49-piramide-etaria
 
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19 
Fiocruz, EPSJV, 2004. 
 
RADIS. Reunião, Análise e Difusão de Informações sobre Saúde. Situação do 
câncer no Brasil. Radis, 52. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2006 
 
SANDMAN, L; MUNTHE, C. Sharing decision making, paternalism and 
patient choice, Health Care Anal., 18. p. 60-84; 2010. 
 
SCILAR, M. Do mágico ao social: trajetória de saúde pública. São Paulo: 
Senac, 2002. 
 
SILVA MARQUES, C. M. Processo saúde-doença. Disponível em: 
<http://www.escolaseac.com/s-
educ/arquivos/download/pbnprocesso_saude_doenca_-
_claudia_marques.pdf>. Acesso em: 23 de mar. de 2015. 
 
STEWART, M; BROWN, J. B; WETSON, W. W; Mc WHINNEY, C. L; 
FREEMAN, T.R. Patient-centered medicine: transforming de clinical methods. 
Sage publications, 1995. 
 
VIANNA, L. A. C. Processo Saúde-Doença. Módulo Político Gestor. 
Disponível em: http://www.escolaseac.com/s-
educ/arquivos/download/wvpreferencia_1.pdf. Consultado em: 22 de mar. de 
2015. 
 
 
 
 
 
http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/
http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/
http://www.escolaseac.com/s-educ/arquivos/download/pbnprocesso_saude_doenca_-_claudia_marques.pdf
http://www.escolaseac.com/s-educ/arquivos/download/pbnprocesso_saude_doenca_-_claudia_marques.pdf
http://www.escolaseac.com/s-educ/arquivos/download/pbnprocesso_saude_doenca_-_claudia_marques.pdf
http://www.escolaseac.com/s-educ/arquivos/download/wvpreferencia_1.pdf
http://www.escolaseac.com/s-educ/arquivos/download/wvpreferencia_1.pdf
 
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20 
Atividades 
 Em relação às definições dos termos saúde e doença, podemos afirmar: 
a. Ao contrário da saúde, a doença pode ser avaliada unicamente pelos 
processos fisiopatológicos. 
b. A saúde pode ser definida como ausência de qualquer doença de 
manifestação fisiopatológica. 
c. Uma mesma doença, por causar mesmos sintomas e resultados em 
diferentes pessoas, pode ser avaliada e tratada de modo igual. 
d. Uma mesma doença pode atingir pessoas que apresentem desfechos 
totalmente diferentes e por isso, esses indivíduos devem ser avaliados e 
tratados de acordo com sua necessidade específica. 
 
 No último século, o Brasil vem apresentando significante mudança no perfil 
de morbimortalidade. Isso se deve: 
a. Ao crescente aumento da natalidade, havendo atualmente a prevalência 
de doenças como: hiperatividade, sarampo e meningite. 
b. À utilização indiscriminada de antibióticos, propiciando a dizimação das 
bactérias e consequentemente redução das doenças infectocontagiosas. 
c. Ao envelhecimento da população, fazendo com que doenças 
degenerativas e crônicas fiquem cada vez mais em evidência. 
d. Ao saneamento básico atualmente disponível para 70% da população, 
reduzindo assim o número de parasitoses e doenças: Malária, 
Esquistossomose e Doença de Chagas. 
 
 Em relação à hipertensão, pode-se afirmar: 
a. Por ser uma doença silenciosa, não há maiores preocupações, a não ser 
que o paciente tenha mais do que 60 anos de idade. 
b. Resulta em doenças e quadros mais graves como: insuficiência renal, 
infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, o que pode 
deixar o indivíduo potencialmente ativo, com graves sequelas e 
improdutivo. 
 
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21 
c. Resulta em doenças graves como insuficiência renal, no entanto, essa 
condição atinge em especial idosos, não impactando na produtividade do 
indivíduo, no entanto, aumentando os custos do governo com 
medicamentos e exames de acompanhamento. 
d. Foi uma doença de grande importância para a população Brasileira, no 
entanto, os atuais surtos de dengue, malária e gripe A no Brasil, fazem 
com que a importância das doenças cardiovasculares seja reduzida. 
 
 O conceito de Prevenção de Doenças refere-se à tentativa de evitar o mal, 
agindo sobre as causas das doenças, com o uso de medidas específicas 
contra a doença que se quer evitar. Sobre esse assunto, podemos dizer que: 
a. A vacinação é uma prevenção terciária. 
b. Alimentação adequada, exercícios físicos regulares e não fumar, podem 
ser considerados como prevenção primária para diversas doenças. 
c. O afastamento do serviço devido a lesões de esforço repetitivo, pode ser 
considerada uma prevenção terciária 
d. A fisioterapia e hidroterapia na reabilitação de um acidente de trabalho 
podem ser consideradas prevenção secundária. 
 
 Quanto à mortalidade infantil, é incorreto afirmar: 
a. Trata-se de uma preocupação mundial, que atinge especialmente países 
pobres e sem saneamento básico adequado. Podemos citar o 
Afeganistão e os países africanos como os mais críticos nessa questão. 
b. O Brasil é referência mundial quando se aborda o tema “redução da 
mortalidade infantil”. 
c. O Nordeste brasileiro possui altíssimos índices de mortalidade infantil, 
sendo esses equiparáveis aos países africanos. 
d. Os índices atuais dos países asiáticos e africanos são comparáveis ao do 
Brasil no início do século passado. 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line. 
 
 
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1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema Vigilância Epidemiológica 
Professor Joy Ganem Longhi 
Introdução 
Neste tema, vamos compreender o papel e a importância da vigilância 
epidemiológica e como estamos nela inseridos; aprenderemos diversos 
conceitos relacionados à área e que comumente são confundidos. Bons 
estudos! 
Assista no seu material virtual ao vídeo de introdução que a professora 
Joy fez deste tema. 
Problematização 
Ontem foi um dia de festa na casa da família Sanches. A filha mais nova 
se formou em Serviço Social e, por isso, fez uma confraternizaçãona 
churrascaria ao lado do teatro em que foi a colação de grau. Essa ideia não foi 
só da família Sanches e diversos outros alunos também jantaram com suas 
famílias e amigos nesse mesmo restaurante. 
Hoje, ao se conversarem sobre a festa, diversos alunos relataram que 
após o jantar eles e seus convidados apresentaram vômito e diarreia e estão 
juntando as evidências, pois acreditam que tenha sido devido à ingestão de 
maionese. 
Neste caso, estamos diante de que tipo de ocorrência? 
Não responda ainda, vamos estudar nosso material e ao final você 
poderá escolher a melhor opção. 
 
 
 
 
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2 
Vigilância Epidemiológica 
Nas últimas décadas, a implementação de ações de vigilância 
epidemiológica (VE) esteve em consonância com as primeiras definições 
conceituais estabelecidas a partir das reflexões teóricas de Langmuir e Raska, 
esboçada na década de 1960. Em 1963, Langmuir definiu a VE como: 
Observação contínua da distribuição e tendências da incidência de 
doenças mediante a coleta sistemática, consolidação e avaliação de 
informes de morbidade e mortalidade, assim como de outros dados 
relevantes e a regular disseminação dessas informações a todos que 
necessitam conhecê-las (LANGMUIR). 
 
Em 1966, Raska publicou um artigo no qual define vigilância como: 
O estudo epidemiológico de uma enfermidade, considerada como um 
processo dinâmico que abrange a ecologia dos agentes infecciosos, o 
hospedeiro, os reservatórios e vetores, assim como os complexos 
mecanismos que intervêm na propagação da infecção e a extensão 
com que essa disseminação ocorre (HAMMANN; LAGUANDIA, 
2000). 
 
Atualmente, após cinco décadas das referidas definições, é 
inquestionável o papel da VE como um componente da monitorização do 
estado de saúde da população, na formulação, no desenvolvimento e na 
implementação de políticas de saúde pública e na promoção de ambientes 
seguros e saudáveis. 
Em face das mudanças nos padrões epidemiológicos de vários agravos, 
o surgimento de novos agentes patogênicos, os efeitos da globalização da 
economia e seu desdobramento nas relações humanas, assim como o impacto 
da ação dos seres humanos sobre o meio ambiente, faz-se necessária a 
revisão e ampliação de suas estratégias e práticas (HAMMANN; LAGUANDIA, 
2000). 
Histórico 
As primeiras intervenções estatais no campo da prevenção e controle de 
doenças, desenvolvidas sob bases científicas modernas, datam do início do 
século XX e foram orientadas pelo avanço da era bacteriológica e pela 
descoberta dos ciclos epidemiológicos de algumas doenças infecciosas e 
 
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3 
parasitárias. Essas intervenções consistiram na organização de grandes 
campanhas sanitárias e visavam controlar doenças que comprometiam a 
atividade econômica como, por exemplo: a febre-amarela, a peste e a varíola 
(BRASIL, 2009). 
A expressão “Vigilância Epidemiológica” passou a ser aplicada ao 
controle das doenças transmissíveis na década de 1950 para designar uma 
série de atividades subsequentes à etapa de ataque da Campanha de 
Erradicação da Malária. Visava à vigilância de pessoas, com base em medidas 
de isolamento ou de quarentena, aplicadas individualmente e não de forma 
coletiva (BRASIL, 2009). 
No Brasil, a Campanha de Erradicação da Varíola - CEV (1966-1973) é 
reconhecida como marco da institucionalização das ações de vigilância no 
país. O modelo da CEV inspirou a Fundação de Serviços de Saúde Pública 
(FSESP) a organizar, em 1969, um sistema de notificação semanal de doenças 
selecionadas e disseminar informações pertinentes em um boletim 
epidemiológico de circulação quinzenal (BRASIL, 2009). 
Em 1968, a vigilância epidemiológica foi tema central da 21ª Assembleia 
Mundial de Saúde, ficando estabelecida a abrangência do conceito, que 
permitia a aplicação a diversos problemas de saúde pública, além das doenças 
transmissíveis, como: as malformações congênitas, envenenamento na 
infância, leucemia, aborto, acidentes, doenças profissionais, comportamentos 
de fatores de risco, riscos ambientais, utilização de aditivos, entre outros 
(BRASIL, 2009). 
Em 1975, o Ministério da Saúde instituiu, por recomendação da 5ª 
Conferência Nacional de Saúde, o Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica (SNVE), por meio da Lei nº 6.259/75 e Decreto nº 78.231/76. 
Assim, tornou-se obrigatória a notificação de doenças transmissíveis 
selecionadas. Em 1977, o Ministério da Saúde elaborou o primeiro Manual da 
Vigilância Epidemiológica, reunindo e compatibilizando as normas técnicas que 
eram utilizadas para a vigilância de cada doença, no âmbito de programas de 
 
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4 
controle específicos (BRASIL, 2009). 
A partir da década de 80, com objetivo de superar as dificuldades 
encontradas para o bom desempenho da VE, foram implantadas, entre outras 
atividades, elaboração e/ou revisão de normas técnicas, treinamentos e 
supervisões. Em 1983, foi estruturado em programa de treinamento em VE, 
com base em materiais institucionais desenvolvidos pela Secretaria de 
Recursos Humanos do Ministério da Saúde (CARVALHO; MARZOCCHI, 1992). 
Definições, Propósitos e Funções 
 O Sistema Único de Saúde define na Lei nº 8.080/90 a vigilância 
epidemiológica como: 
Conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou 
prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e 
condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de 
recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das 
doenças ou agravos (BRASIL, 2009). 
 
A vigilância epidemiológica tem como propósito oferecer orientação 
técnica permanente para os profissionais de saúde, que têm a 
responsabilidade de decidir sobre a execução das ações de controle de 
doenças e agravos, tornando disponíveis informações atualizadas sobre essas 
doenças e agravos, bem como dos fatores que a condicionam, numa área 
geográfica ou população definida (BRASIL, 2009). 
São funções da vigilância epidemiológica: 
 Coleta de dados; 
 Processamento dos dados coletados; 
 Análise e interpretação dos dados processados; 
 Recomendação das medidas de prevenção e controle apropriadas; 
 Promoção das ações de prevenção e controle indicadas; 
 Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas; 
 Divulgação de informações pertinentes. 
 
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5 
Portanto, as funções da VE estão pautadas na tríade informação-
decisão-ação. Assim, sua atuação deve ultrapassar o enfoque da doença, 
procurando identificar os fatores que determinam o processo saúde-doença e, 
assim, desenvolver práticas voltadas para a promoção da saúde (SANTOS; 
MELO, 2008). 
O Sistema de Vigilância Epidemiológica (SVE) organiza-se através de 
diversas esferas de competências para cada nível administrativo, competências 
essas definidas pela Constituição Federal e que preveem a descentralização 
das atividades de VE, em consonância com os princípios do Sistema Único de 
Saúde (SUS), conforme visualizado no quadro abaixo: 
Esquema básico do Sistema de Controle de Doenças e Agravos 
Níveis Nacional Central Estadual Municipal Local 
Órgão 
responsável 
Ministério da 
Saúde 
 
 
Conselho Nacional 
de Saúde 
Secretaria 
Estadual de Saúde 
 
Conselho Estadual 
de Saúde 
Secretaria 
Municipal de 
Saúde 
 
Conselho 
Municipal de 
Saúde 
Centro de 
Saúde, 
Unidade mista, 
Posto de 
saúde, 
Hospital, 
Ambulatório, 
Consultório 
médico, 
Laboratório. 
 
Escola, 
Extensão rural, 
Agremiação, 
Igrejas. 
Localização Brasília-DF Capitais das UF Sedes Municipais 
Bairros, vilas e 
povoados 
 
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6 
Funções 
Coordenação 
nacional 
•Coleta de dados e 
informações 
•Análise de dados 
•Investigações 
especiais 
•Assessoria 
técnicaao nível 
estadual 
•Supervisão 
•Produção de 
informes 
epidemiológicos 
•Apoio referencial 
(nacional e 
internacional) 
•Retroalimentação 
•Treinamento 
•Coordenação 
estadual 
•Normalização 
segundo diretrizes 
nacionais 
•Coleta de dados e 
de informação 
• Análise de dados 
•Apoio operacional 
•Investigação em 
apoio aos níveis 
regional e local 
•Assessoria 
técnica 
• Supervisão 
•Produção de 
informes 
epidemiológicos 
•Retroalimentação 
•Treinamento 
•Informação ao 
nível local 
•Coordenação 
local (municipal) 
•Produção de 
dados 
•Coleta de dados 
•Análise de dados 
•Ações de controle 
•Investigação de 
casos e surtos 
•Coleta de material 
para diagnóstico 
•Treinamento 
•Retroalimentação 
aos notificantes 
•Informação aos 
níveis estadual e 
regional 
•Educação em 
saúde 
•Diagnóstico e 
tratamento 
•Notificação de 
casos e 
resultados de 
exames 
•Orientação à 
comunidade 
•Ações de 
controle 
•Educação em 
saúde 
Fonte: Brasil, 1998 
 
Os serviços de saúde em um município devem ser organizados de modo 
a cumprir simultaneamente o atendimento de demandas das pessoas a partir 
de suas necessidades e o enfrentamento de forma programada, os problemas 
de saúde prioritários, a partir de um diagnóstico epidemiológico (VILLA, et al, 
2002). 
 A regionalização do sistema de saúde pressupõe o conhecimento, por 
parte da equipe de saúde local, do perfil demográfico, social, econômico e 
epidemiológico da região na qual está operando (SANTOS, et al.,1990). 
No nível local, as atividades incluem o diagnóstico e tratamento, 
notificação de casos e resultados de exames, ações de controle das doenças, 
principalmente as de notificação compulsória, orientação à comunidade e 
educação em saúde (RODRIGUES; FRACOLLI; OLIVEIRA, 2001). 
 
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7 
Coleta de Dados e Informações 
A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de 
saúde. Os dados e informações que alimentam o Sistema de Vigilância 
Epidemiológica são: 
 Dados demográficos, ambientais e socioeconômicos: Permitem 
quantificar grupos populacionais, sendo imprescindível para o cálculo 
de taxas. São primordiais para a caracterização da dinâmica 
populacional e das condições gerais de vida (BRASIL, 2009). 
 Dados de morbidade: São os mais utilizados em vigilância 
epidemiológica, por permitirem a detecção imediata ou precoce dos 
problemas sanitários. 
 Dados de mortalidade: Importantes como indicadores da gravidade 
do fenômeno vigiado. Sua obtenção provém das declarações de 
óbitos, padronizadas e processadas nacionalmente (BRASIL, 2009). 
 Notificação de emergências de saúde pública, surtos e 
epidemias: Possibilita a constatação de qualquer situação de risco, 
ou indício de elevação do número de casos de uma patologia, ou a 
introdução de outras doenças não incidentes no local e, assim, o 
diagnóstico de uma situação epidêmica inicial para a adoção imediata 
de medidas de controle (Brasil, 2009). 
Definições 
Endemia 
 Endemia é a ocorrência de determinada doença que acomete 
sistematicamente populações em espaços característicos e determinados, no 
decorrer de um longo período (temporalmente ilimitada), que mantém uma 
incidência relativamente constante, permitindo variações cíclicas e sazonais 
(DUARTE, 2004). As principais doenças endêmicas no Brasil são: malária, 
leishmaniose, esquistossomose, febre amarela, dengue, tracoma, doença de 
 
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8 
Chagas, Hanseníase, tuberculose, cólera e a gripe A. 
Epidemia 
É a ocorrência em uma região ou comunidade, de casos de natureza 
semelhante, claramente excessiva em relação ao esperado (DUARTE, 2004). 
Epidemiologia 
É a ciência que estuda a distribuição e os determinantes dos problemas 
de saúde (fenômenos e processos associados) em populações humanas. Seus 
objetos são as relações de ocorrência saúde-doença em massa (em 
sociedades, coletividades, comunidades, classes sociais, grupos específicos, 
entre outros). As relações são referidas e analisadas mediante os conceitos de 
risco (DUARTE, 2004). 
A epidemiologia descritiva estuda o comportamento das doenças em 
uma comunidade, isto é, em que situações elas ocorrem na coletividade, 
segundo as características ligadas à pessoa, ao local ou espaço físico e ao 
tempo, fornecendo elementos importantes para se decidir que medidas de 
prevenção e controle estão mais indicadas para o problema em questão e 
também avaliar se as estratégias adotadas causaram impacto, diminuindo e 
controlando a ocorrência da doença em estudo (DUARTE, 2004). 
Pandemia 
Caracterizada por uma epidemia com larga distribuição geográfica, 
atingindo mais de um país ou continente (DUARTE, 2004). 
Surto 
É a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente 
relacionados. É a ocorrência de uma doença ou fenômeno restrito a um espaço 
extremamente delimitado como, por exemplo: escola, festa, quarteirão, favela, 
bairro (DUARTE, 2004). 
 
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9 
Saiba Mais: vamos aprender mais sobre os conceitos e definições da saúde e 
epidemiologia usados na vigilância sanitária. Acesse o link a seguir e confira! 
http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/epid_visa.pdf 
 
 Acesse seu material virtual e assista ao vídeo da professora Joy em que 
ela comenta a investigação de surtos. 
Saiba Mais: Acesse também o site a seguir para você conhecer os princípios 
de epidemiologia para controle de enfermidades: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_5.
pdf 
Notificação 
Notificação é a comunicação da ocorrência de determinada doença ou 
agravo à saúde, feita à autoridade sanitária por profissionais de saúde ou 
qualquer cidadão, para fins de adoção de medidas de intervenção pertinentes 
(BRASIL, 2009). 
Saiba Mais: A listagem das doenças de notificação nacional é estabelecida 
pelo Ministério da Saúde, veja essa listagem no site a seguir. 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt1271_06_06_2014.html 
A escolha dessas doenças obedece alguns critérios, razão pela qual 
essa lista é periodicamente revisada, tanto em função da situação 
epidemiológica da doença, como pela emergência de novos agentes, por 
alteração no Sistema Sanitário Internacional e, também, devido a acordos 
multilaterais entre países (BRASIL, 2009). 
A notificação compulsória consiste na comunicação da ocorrência de 
casos individuais, agregados de casos ou surtos, suspeitos ou confirmados da 
lista de agravos relacionados na Portaria do Ministério da Saúde, nº 104 de 25 
de Janeiro de 2011, que deve ser feita às autoridades sanitárias por 
profissionais de saúde ou qualquer cidadão, visando à adoção de medidas de 
controle pertinentes. Além disso, alguns eventos ambientais e doenças ou 
http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/epid_visa.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_5.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_5.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt1271_06_06_2014.html
 
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mortes de determinados animais também se tornam de notificação obrigatória 
(PREFEITURA BELO HORIZONTE, 2015). 
Os parâmetros para a inclusão de doenças e agravos na lista de 
notificação compulsória devem seguir os critérios a seguir: 
1. Magnitude: aplicável a doenças de elevada frequência, que afetam 
grandes contingentes populacionais e se traduzem por alta taxa de 
incidência, prevalência, mortalidade e anos potenciais de vida 
perdidos. 
2. Potencial ou disseminação: representado pelo elevado poder de 
transmissão da doença, colocando sob risco à saúde coletiva. 
3. Transcendência: características que conferem relevância à doença 
ou agravo, como: severidade; taxas de letalidade, hospitalizaçãoe 
sequelas; relevância social, a qual se manifesta pela sensação de 
medo, repulsa ou indignação; relevância econômica, entre outros. 
4. Vulnerabilidade 
5. Compromissos internacionais: relativo ao cumprimento de metas 
continentais ou mundiais de controle, de eliminação ou erradicação 
de doenças, previstas em acordos firmados pelo governo brasileiro 
com organismos internacionais. 
6. Ocorrências de emergências de saúde pública, endemias e surtos. 
 
Os aspectos a serem considerados em uma notificação são: 
 Notificar a suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a 
confirmação do caso, pois isso pode significar a perda da 
oportunidade de intervir eficazmente. 
 A notificação tem que ser sigilosa, só podendo ser divulgada fora do 
âmbito médico-sanitário em caso de risco para a comunidade, 
respeitando-se o direito de anonimato dos cidadãos. 
 O envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito 
 
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11 
mesmo na ausência de casos, configurando a notificação negativa. 
A vigilância epidemiológica das doenças de notificação compulsória tem 
como principal fonte de informação os serviços de saúde, sobretudo 
ambulatorial, através do preenchimento das fichas de notificação e 
investigação do Sistema de Informações de Agravos de Notificação – SINAN 
(LESSA; et al., 2000). 
O SINAN foi desenvolvido no início da década de 90, tendo como 
objetivo o processamento e a coleta de dados sobre agravos de notificação em 
todo o território nacional, fornecendo informações para a análise do perfil da 
morbidade e contribuindo, dessa forma, para a tomada de decisões nos níveis 
municipal, estadual e federal (LAGUARDIA; et al., 2004). 
Saiba Mais: conheça mais sobre o SINAN lendo o artigo disponível no link a 
seguir. 
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v13n3/v13n3a02.pdf 
 
Relatos de problemas para o bom desempenho da vigilância 
epidemiológica vêm se repetindo ao longo de décadas. A subnotificação, a falta 
de recursos humanos capacitados e as dificuldades na integração entre 
diversas atividades do controle de doenças, são constatações presentes em 
vários documentos oficiais (CARVALHO; MARZOCCHI, 1992). 
Além disso, o sub-registro de casos é decorrente de diversos fatores, 
entre eles: a subnotificação, anteriormente citada; atrasos nas digitações e 
digitação dos dados; problemas no processamento e transferências das 
informações e a ausência de uma retroalimentação adequada à fonte 
notificadora, gerando desestímulo e descontinuidade do processo (DUARTE, 
FRANÇA; 2006). 
A professora Joy vai nos ensinar mais sobre a vigilância epidemiológica 
em doenças no Brasil. Acesse seu material on-line e assista ao vídeo. 
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v13n3/v13n3a02.pdf
 
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12 
Perspectivas no Brasil 
Os horizontes de uma vigilância epidemiológica atuante no Brasil, para 
hoje e para o futuro, mostram-se cada vez mais vinculadas à implementação e 
ao bom funcionamento do SUS. Tem sido um processo lento e progressivo, 
entravado por uma cultura imediatista, curativa, centrada em hospitais, de um 
lado, e por tremendos interesses políticos e financeiros, de outro (DIAS, 1998). 
Em seu marco histórico, a descentralização se mostra como um 
importante caminho, beneficiando diretamente a população e dando-lhe 
rapidez, integralidade e eficiência nas respostas. Como princípio geral, é 
consenso de que as ações municipalizadas e em conjuntos regionais de 
resolução, mostram-se tecnicamente exequíveis, mas dependem de 
organização, disponibilidade, competência e mecanismos de sustentabilidade 
(DIAS, 2000). 
Saiba Mais: leia o artigo “O desafio das doenças emergentes e a revalorização 
da epidemiologia descritiva” e conheça mais sobre o a vigilância 
epidemiológica. 
http://www.scielo.br/pdf/rsp/v31n5/2310.pdf 
Saiba Mais: neste outro artigo, você poderá saber mais sobre a construção da 
vigilância e prevenção das doenças crônicas não transmissíveis no contexto do 
Sistema Único de Saúde. Acesse o site e confira. 
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v15n3/v15n3a06.pdf 
 
 
http://www.scielo.br/pdf/rsp/v31n5/2310.pdf
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v15n3/v15n3a06.pdf
 
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13 
Revendo a problematização 
E então, você já consegue responder o que aconteceu com a família 
Sanches e os familiares dos outros alunos da formatura apresentado no caso 
deste tema? 
a. Uma endemia, com chance de evolução para uma epidemia. 
b. Um surto. 
c. Uma endemia, caracterizada por um surto. 
 
Para consultar o feedback de cada uma das alternativas, acesse o material on-line. 
 
 
 
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14 
Síntese 
Neste tema, pudemos compreender a importância da vigilância 
epidemiológica no Brasil, compreender seu papel e as dificuldades para sua 
realização adequada. 
Identificamos que ainda há muito que melhorar, especialmente no que 
se refere às notificações, uma vez que sabemos que apesar destas 
aumentarem com o passar do tempo, seus números ainda não são reais, o que 
dificulta a tomada de decisões e propostas de melhorias. 
Pudemos verificar também que as doenças endêmicas no Brasil, ainda 
são, na maioria, as doenças tropicais e, em muitos casos, podem ser evitadas 
com a conscientização da população e saneamento básico. 
Assista agora ao vídeo de síntese que a professora Joy faz deste tema. 
 
 
 
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15 
Referências 
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Centro Nacional 
de Epidemiologia. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília, 1998. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância 
epidemiológica/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, 
Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 7. ed. – Brasília : Ministério da 
Saúde, 2009. 
 
CARVALHO, M.S; MARZICCHI, K.B.F. Avaliação da prática de vigilância 
epidemiológica nos serviços públicos de saúde no Brasil. Revista de Saúde 
Pública, 26 (2): 66-74, São Paulo, 1992. 
 
DIAS, J.C.P. Problemas e possibilidades de participação comunitária no 
controle das grandes endemias no Brasil. Caderno de Saúde Pública, 14: 19-
37, Rio de Janeiro,1998. 
 
DIAS, J.C.P. Vigilância epidemiológica em Doença de Chagas. Caderno de 
Saúde Pública, 16 (Supl.2): 43-59, Rio de Janeiro, 2000. 
 
DUARTE, S.D. Conceitos e definições da saúde e epidemiologia usados 
na Vigilância Sanitária. Disponível em: 
<http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/epid_visa.pdf>. Acesso em: 03 de maio de 
2015. 
 
DUARTE, H.H.P; FRANÇA, E.B. Qualidade dos dados da vigilância 
epidemiológica da dengue em Belo Horizonte – MG. Revista de Saúde 
Pública. 40(1): 134-142, 2006. 
 
LAGUARDIA, J; LAUERMAN, C.R; DOMINGUES, C.M.A; MACÁRIO, E; 
CARVALHO, C; GLATT, R. Sistema de Informação de Agravos de Notificação 
(SINAN): desafios em um desenvolvimento de sistema de informação em 
saúde. Epidemiologia e serviços de saúde. 13 (3): 135-147, 2004. 
 
LESSA, F. J; MENDES, A.C.G; FARIAS, S.F; SÁ, D.A; DUARTE, P.O; MELO 
FILHO, D.A. Novas metodologias para vigilância epidemiológica: Uso do 
sistema de informações hospitalares – SIH/SUS. Informe epidemiológico do 
SUS; 9(supl.1), 3-27; 2000. 
 
PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. Notificação compulsória. Disponível 
em: <http://notificacao.pbh.gov.br/>. Acesso em 01 de maio de 2015. 
 
RODRIGUES, V.M; FRACOLLI, L.A; OLIVEIRA, M.A.C. Possibilidades e limites 
http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/epid_visa.pdf
http://notificacao.pbh.gov.br/
 
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16 
do trabalho de vigilância epidemiológica no nível local em direção à vigilância à 
saúde. Revista da Escola de Enfermagem USP; 35(4): 313-319, São Paulo, 
2001. 
 
SANTOS, U.P; WÜNSCHFILHO, V; CARMO, J.C; SETTIMI, M.M; URQUIZA, 
S.D; HENRIQUES, C.M.P. Sistema de vigilância epidemiológica para acidentes 
de trabalho: Experiência na zona norte do Município de São Paulo (Brasil). 
Revista de Saúde Pública, 24(4): 286-293, São Paulo, 1990. 
 
SANTOS, S.S.B.S; MELO, C.M.M. Avaliação da descentralização da vigilância 
epidemiológica para a Equipe de Saúde da Família. Ciência e Saúde Coletiva, 
13(6): 1923-1932, 2008. 
 
VILLA, T.C.S. et al; A prática na vigilância epidemiológica: entre o geral e o 
específico. Revista Brasileira de Enfermagem. 55(2): 169-173, Brasília, 2002. 
 
 
 
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17 
Atividades 
1. Entendida como uma forma de pensar e agir, que tem como objetivo a 
análise permanente da situação de saúde da população, organização e 
execução das práticas de saúde adequadas ao enfrentamento dos 
problemas existentes: 
a. Vigilância epidemiológica 
b. Vigilância sanitária 
c. Vigilância em saúde 
d. Saúde do trabalhador 
 
2. Sobre a Vigilância Epidemiológica no Brasil, podemos afirmar: 
a. O setor privado não participa do Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica. 
b. A vigilância epidemiológica compreende um ciclo contínuo de coleta, 
processamento e análise de dados, recomendação de medidas de 
controle, promoção das ações de controle, avaliação da eficácia e 
efetividade das medidas adotadas e divulgação das informações 
pertinentes, que se pode resumir no lema “informação para ação”. 
c. A principal limitação do Sistema Nacional de vigilância Epidemiológica 
está no fato de restringir-se a doenças infecciosas. 
d. O município tem função exclusiva de execução, enquanto o estado é 
responsável pela análise de dados coletados e a união planeja as 
estratégias de controle. 
 
3. Entende-se por comportamento endêmico de uma doença: 
a. Quando seu comportamento está claramente em excesso ao normal 
esperado. 
b. Quando ocorre em um grande número de países simultaneamente. 
c. Quando apresenta um padrão que se repete em dois ou mais continentes. 
d. Quando sua presença na comunidade apresenta-se de forma regular. 
 
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18 
 
4. Segundo a portaria nº 1.271, de 06/06/2014, do Ministério da Saúde, fazem 
parte da lista de doenças, agravos e eventos em saúde pública de 
notificação compulsória em todo território nacional: 
a. Acidentes por animais peçonhentos e pneumonia. 
b. Eventos adversos pós-vacinação e tuberculose. 
c. Dengue e varicela. 
d. Atendimento antirrábico e doença de Chagas crônica. 
 
5. As doenças e agravos que constam na lista nacional de doenças de 
notificação compulsória serão notificados e registrados no sistema 
representado pela sigla: 
a. ANVISA 
b. SVE 
c. SINAN 
d. SNDNC 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line. 
 
 
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1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema Vigilância Sanitária – Histórico e Funções 
Professora Joy Ganem Longhi 
Introdução 
No tema atual, iremos conhecer a Vigilância Sanitária, seu histórico, sua 
importância, sua abrangência e suas áreas de atuação. Verificaremos também 
a necessidade da interface com diversos outros órgãos públicos, como o 
Ministério da Saúde, da Agricultura e Polícia. Por fim, alguns conceitos 
imprescindíveis ficarão disponíveis. 
Assista ao vídeo da professora Joy, ela vai falar sobre o que vamos 
estudar neste tema. Acesse seu material on-line e confira! 
Vigilância Sanitária (VISA) 
A Vigilância Sanitária (VISA) conforma um campo singular de 
articulações complexas entre o domínio econômico, o jurídico-político e o 
médico-sanitário. Engloba atividades de natureza multiprofissional e 
interinstitucional que demandam conhecimentos de diversas áreas do saber 
que se complementam de forma articulada. Constitutiva das práticas em saúde, 
seu escopo de ação se situa no âmbito da prevenção e controle de riscos, 
proteção e promoção da saúde (COSTA, 2009). Possui um campo de 
convergência de várias disciplinas e áreas do conhecimento humano, tais como 
química, farmacologia, epidemiologia, engenharia civil, sociologia, política, 
direito, economia política, administração pública, planejamento e gerência, 
biossegurança, bioética e outras (ROZENFELD, 2000). 
Como um serviço de saúde, a VISA desenvolve um conjunto de ações 
estratégico no sistema de saúde, com a função de regular, sob o ângulo 
sanitário, as atividades relacionadas à produção/consumo de bens e serviços 
de interesse da saúde, seus processos e ambientes, seja da esfera privada ou 
pública (COSTA, 2009). 
 
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2 
A adoção do conceito de vigilância sanitária procura simbolizar um 
enfoque ampliado, pautado na indução de uma organização de práticas que 
pretendem se configurar de forma mais sistêmica por meio da incorporação de 
contribuições da epidemiologia, da geografia, do planejamento urbano e das 
ciências sociais em saúde, produzindo e utilizando de forma compartilhada a 
informação e a comunicação, a fim de melhor instrumentalizar a intervenção 
(SILVA, 2008). 
Histórico 
A implantação de ações voltadas para a vigilância sanitária surgiu no 
Brasil com a chegada da Corte Portuguesa, em 1808, e tinha a finalidade de 
efetuar o controle sanitário dos produtos a serem comercializados e 
consumidos, além dos estabelecimentos comerciais; de combater a 
propagação de doenças, principalmente as epidêmicas; de resolver as 
questões de saneamento e de fiscalizar o exercício profissional na área da 
saúde (DE SETA, 2007). 
Em 1889, foi regularizado o serviço de polícia sanitária nas 
administrações regionais mediante a adoção de preceitos para impedir o 
desenvolvimento de epidemias, mas foi em 1914 que se regulamentou a 
diretoria geral de saúde pública, com ênfase nas ações de vigilância e polícia 
sanitária nos portos, domicílios e lugares públicos (LUCCHESE, 2001). 
A expressão “vigilância sanitária” aparece pela primeira vez em 1920, 
incorporada ao Regulamento Sanitário Federal, decreto que estabelecia as 
competências do Departamento Nacional de Saúde Pública. Significava, então, 
as atividades de controle sanitário de pessoas doentes ou suspeitas de 
moléstias transmissíveis, de estabelecimentos ou locais (MAGALHÃES; 
FREITAS, 2001). 
Em 1976 foi criada a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), 
A lei de sua criação determinava as seguintes finalidades: promover ou 
elaborar, controlar a aplicação e fiscalizar o cumprimento de normas e padrões 
 
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3 
de interesse sanitário, relativos aos portos, aeroportos, fronteiras, produtos 
médicos-farmacêutico, bebidas e alimentos e outros produtos ou bens (SNVS, 
1992). 
Com a Lei Orgânica de Saúde, a partir de 1990, definiram-se novos 
conceitos para as áreas de vigilância sanitária e vigilância epidemiológica e 
novas atribuições relativas à vigilância sobre o meio ambiente (MAGALHÃES; 
FREITAS, 2001). 
A Vigilância Sanitária foi definida pela lei 8.080/1990 como: 
Art. 6º [...] 
§ 1º [...] um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir 
riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do 
meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de 
serviços de interesse da saúde, abrangendo: 
I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se 
relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e 
processos, da produção ao consumo; 
II - o controle da prestação de serviços que se relacionem direta ou 
indiretamente com a saúde. 
 
Registra-se, assim, a ampliação das responsabilidades anteriormente 
restritas a produtos e doenças (MAGALHÃES; FREITAS, 2001). 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), primeira agência 
reguladora na área social do país, é responsável pelaexecução de um 
conjunto de atribuições no âmbito federal e coordenação do SNVS. Surgiu em 
1999 no contexto da reforma geral do Estado Brasileiro. A Agência deveria 
substituir a estrutura burocrática e ultrapassada da Secretaria Ministerial de 
Vigilância Sanitária, combater os graves e históricos problemas sanitários 
nacionais relacionados a produtos e serviços e fornecer respostas mais ágeis 
ao mercado globalizado (MOREIRA; COSTA, 2010). 
Acesse seu material on-line e veja o vídeo da professora Joy em que ela 
fala mais sobre a abrangência da ANVISA. 
Ações da Vigilância Sanitária 
A vigilância sanitária, tal como foi instituída no Brasil, abrange a 
regulação um leque muito grande de produtos e serviços, de natureza diversa, 
 
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4 
agrupados nos grandes ramos: dos alimentos, dos medicamentos, dos 
produtos biológicos, tais como vacinas e derivados do sangue, dos produtos 
médicos, odontológicos, hospitalares e laboratoriais; dos saneantes e 
desinfetantes; dos produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos, além 
do controle sanitário dos portos, aeroportos e estações de fronteiras e de 
ampla gama de serviços de interesse à saúde (LUCCHESE, 2001). 
Suas atividades surgiram da necessidade de proteção da população em 
decorrência da propagação de doenças transmissíveis nos agrupamentos 
urbanos com o objetivo de eliminar situações de risco à saúde (SILVA JUNIOR, 
2004). 
A maior parte das ações da VISA são exercidas sobre coisas, produtos, 
tecnologias, processos, estabelecimentos, meios de transportes e ambientes e 
uma fração menor sobre pessoas, principalmente os viajantes (COSTA, 2009). 
Para o controle de riscos e exercício do poder de polícia, a vigilância 
sanitária aciona um conjunto de tecnologias de intervenção ou instrumentos de 
ação. Os principais instrumentos são: a legislação (normas jurídicas e 
técnicas), a fiscalização, a inspeção, o monitoramento, o laboratório, a 
vigilância de eventos adversos e outros agravos, a pesquisa epidemiológica, de 
laboratório e outras modalidades, e as ações em torno da informação, 
comunicação e educação para a saúde (COSTA, 2009). 
Dentre as ações da VISA, pode-se citar: 
 Autorização de Funcionamento da Empresa (AFE): avalia se a 
atividade é permitida e de interesse da sociedade, se a empresa é 
legalizada e se tem capacidade técnica, se o local de instalação é 
conveniente. Essa autorização deve ser requerida pelas empresas 
produtoras de bens regulados pela Lei nº 6.360/76, de farmácias e 
empresas que atuam em áreas de portos, aeroportos e fronteiras. A 
concessão é de competência da esfera federal (COSTA, 2009). 
 Licença Sanitária: Por meio de inspeção sanitária, a VISA avalia as 
 
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5 
condições das instalações, a capacitação técnica e operacional da 
empresa, a responsabilidade profissional e o conjunto de requisitos. 
Os serviços de saúde e os serviços de interesse da saúde 
necessitam da Licença Sanitária para seu funcionamento (COSTA, 
2009). 
 Registro de produtos: Para colocar um produto no mercado, este 
requer o registro. A VISA avalia os documentos apresentados sobre 
a formulação, substâncias permitidas/proibidas, validade dos 
ensaios clínicos controlados (no caso de medicamentos) e outros 
testes, informes de bulas, rótulo, embalagens, peças publicitárias. É 
de competência de esfera federal (COSTA, 2009). 
 Pesquisas epidemiológicas, de laboratório ou de outra natureza: 
atividade fundamental para elucidar questões entre fatores de risco 
relacionados aos objetos sob vigilância sanitária e determinadas 
doenças e agravos, assim como fundamentar a regulamentação de 
substâncias e produtos (COSTA, 2009). 
 Quando ocorrem ameaças à saúde, em situações de risco iminente 
ou dano, por nocividade do produto (suspeita ou comprovada), 
riscos aumentados (relação risco x benefício desfavorável), 
situações de surtos, por delinquência sanitária ou outros fatores, a 
VISA: 
 Faz apreensão cautelar de produtos ou interdição de atividades 
ou estabelecimento de saúde ou outros; 
 Suspende ou cancela o registro de produtos e a AFE; 
 Impõe normas restritivas para maior controle de riscos; 
 Impõe penalidades ou encaminha o caso para o Poder 
Judiciário, quando há crime contra a saúde pública e outros 
ilícitos. 
 
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6 
 No controle sanitário de cargas e viajantes, a VISA: 
 Faz o controle sanitário das condições sanitárias e adequação 
dos meios de transporte e seus elementos (água, ar, elementos, 
dejetos, controle de vetores etc.), da área aeroportuária e seu 
entorno, bem como dos recintos alfandegários e faz o controle 
sanitário das cargas de interesse da saúde; 
 Faz controle da saúde dos viajantes relativamente a doenças de 
notificação internacional e vacinação obrigatória; 
 Desenvolve ações informativas de controle sanitário em 
situações epidêmicas e outras atividades de acordo com o 
regulamento Sanitário Internacional. 
 Desenvolve ações informativas e educativas com consumidores, 
cidadão, viajantes, profissionais de saúde, produtores, 
comerciantes e interessados (COSTA, 2009); 
 Faz Alerta Sanitário à comunidade científica, aos prescritores e 
demais profissionais de saúde e interessados; 
 Faz monitoramento de preços (face da regulação econômica) de 
medicamentos, conjuntamente com os setores institucionais; 
 Normatiza no âmbito de suas competências e estabelece 
articulação em temas de competências concorrentes; 
 Encaminha demandas ao Poder Executivo ou Legislativo. 
As ações de controle sanitário nos portos, aeroportos e fronteiras visam 
não apenas proteger a população dos riscos inerentes à circulação de 
mercadorias e pessoas, como também proteger a agricultura e os rebanhos 
contra a introdução de doenças exóticas que podem acarretar enormes 
prejuízos econômicos (ROZENFELD, 2000). 
Agora, assista ao vídeo disponibilizado no seu material virtual em que a 
professora Joy comenta a Vigilância Sanitária de Alimentos. 
 
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7 
Competência das Ações 
A competência constitucional das ações da Vigilância Sanitária é comum 
às três esferas do governo: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. No 
que tange à legislação sobre proteção e defesa da saúde, esta é concorrente 
entre as unidades federativas, de modo que as ações deverão ser simultâneas 
e harmônicas entre si, estabelecendo o texto constitucional que caberá à União 
legislar sobre as normas gerais (art. 24, § 1º), ao Estadual, suplementar essas 
normas no que couber (§ 2º), assim como suprir omissões legislativas federais 
(§ 3º) e, finalmente, ao município, legislar sobre assuntos de interesse local, 
bem como suplementar a legislação federal e estadual pertinente à saúde, 
naquilo que o interesse local exigir (MORAES, 2001). 
Outra característica das ações da vigilância sanitária é o 
compartilhamento de competências com outros setores institucionais. Por 
exemplo, os alimentos são objetos de competência do setor de saúde e da 
agricultura; o controle dos agrotóxicos é compartilhado por instituições do setor 
de saúde, da agricultura e do meio ambiente; já os serviços de saúde que 
utilizam radiação ionizante têm as fontes controladas pela Comissão de 
Energia Nuclear (COSTA, 2009). 
Saiba Mais: acesse o site a seguir e leia o artigo “Descentralização e modelo 
sistêmico: o caso da vigilância sanitária” para você aprender mais sobre a 
vigilância em saúde. 
http://www.scielosp.org/pdf/csc/v15s3/v15s3a06.pdf 
Conceitos e Definições 
 Controle: Termo empregado para ações sanitárias sobre pessoas, 
atividades, substâncias, produtos, serviços e órgãos para que estes não 
desviem das normas pré-estabelecidas. E também para designar ações 
sobre doenças e agravos, agentes nocivos ao homem,causadores de 
prejuízos econômicos nas atividades produtivas, a fim de que suas 
frequências não se desviem da normalidade (ROZENFELD, 2000). 
http://www.scielosp.org/pdf/csc/v15s3/v15s3a06.pdf
 
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8 
 Fiscalização: Verifica o cumprimento das normas de proteção da saúde 
e pode ser exercida por meio da inspeção sanitária, de análises 
laboratoriais de produtos, entre outras atividades (COSTA, 2009). 
No campo da Vigilância Sanitária, controle e fiscalização se confundem, 
mas o conceito controle é mais amplo, pois inclui a fiscalização e se 
estende desde a regulamentação até as ações educativas, e de 
informação ao consumidor (ROZENFELD, 2000). 
 Inspeção Sanitária: Destinada a examinar as condições sanitárias de 
estabelecimentos, processos, produtos, meios de transporte e 
ambientes e sua conformidade com padrões e requisitos da saúde 
pública, que visam proteger a saúde individual e coletiva (COSTA, 
2003). 
 Legislação Sanitária: Normas de proteção da saúde coletiva e 
individual. Estabelece medidas preventivas e as repressivas, as regras 
para as atividades com os objetos sob controle e para a atuação da 
própria vigilância (COSTA, 2009). 
 Monitoramento: Significa acompanhar e avaliar, controlar mediante 
acompanhamento. Assim, a vigilância sanitária pode monitorar situações 
de risco, processos, a qualidade de produtos e identificar risco iminente 
ou virtual de agravo à saúde, como também os resultados de ação de 
controle (COSTA, 2009). 
 Risco: Probabilidade da ocorrência de um evento, em um determinado 
período de observação, em uma população exposta a um determinado 
fator de risco, sendo sempre coletivo (ALMEIDA FILHO, 1997). 
Esse conceito de risco é fundamental, mas insuficiente para a área de 
vigilância sanitária que também lida com risco como possibilidade de 
ocorrência de eventos que poderão provocar danos à saúde, sem que 
se possa, muitas vezes, precisar qual é o evento e, até mesmo, se 
ocorrerá algum (COSTA, 2009). 
 
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9 
Veja outro vídeo da professora Joy no seu material on-line, agora ela vai 
falar sobre as notificações – NOTIVISA. 
 
Síntese 
No tema atual, foi possível verificar a amplitude das ações da Vigilância 
Sanitária e a responsabilidade de todas as esferas na segurança da saúde da 
população brasileira. 
Verificou-se a importância das interfaces com outros órgãos e entidades. 
Além disso, pode-se dizer que a maioria dos produtos que chega aos 
consumidores são de algum modo avaliados e possuem anuência para 
comercialização/utilização pela Vigilância Sanitária, entre eles, podemos citar: 
alimentos, medicamentos, produtos importados, entre outros. 
Assista ao vídeo da professora Joy em que ela faz uma síntese do que 
estudamos aqui. 
 
 
 
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10 
Referências 
ALMEIDA FILHO, A ciência e a epidemiologia. 2.ed. Salvador: APCE- 
ABRASCO, 1997. 
 
COSTA, E.A. Vigilância Sanitária: proteção e defesa da saúde. In: 
ROUQUAYROL, M.Z; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e saúde. 5.ed. p. 
357-387. Rio de Janeiro: MEDCI, 2003. 
 
COSTA, E.A. Vigilância Sanitária: Temas para debates. 240 p. Salvador: 
EDUFBA, 2009. 
 
DE SETA, M.H.A. A construção do Sistema Nacional de Vigilância 
Sanitária: Uma análise das relações intergovernamentais na perspectiva do 
federalismo. 188f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva). Universidade do 
Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Medicina Social, Rio de Janeiro, 2007. 
 
LUCCHESE, G. Globalização e regularização sanitária: Os rumos da Vigilância 
Sanitária no Brasil. Curso de Doutorado em Saúde Pública, Tese de 
doutorado: Fiocruz, 2001. 
 
MAGALHÃES, M.C.C; FREITAS, R.M. Apontamentos para discussão da 
vigilância sanitária no modelo de vigilância à saúde. In: CAMPOS, F.E; 
WERNECK, G.A.F, TONON, L.M. Cadernos de Saúde – Vigilância Sanitária. 
129p. Belo Horizonte: Coopmed,2001. 
 
MORAES, E.A.S. O poder regulamentar e as competências normativas 
conferidas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Revista de Direito 
Sanitário, 2:(1), 2001. 
 
MOREIRA, E.M.M; COSTA, E.A. Avaliação de desempenho da Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária no modelo de contrato de gestão. Ciência & 
Saúde Coletiva, 15(supl.3): 3381-3391, 2010. 
 
ROZENFELD, S. Fundamentos da Vigilância Sanitária. Rio de Janeiro: 
FIOCRUZ, 2000. 301p. 
 
SILVA, L.A. A vigilância permanente da saúde e o método epidemiológico. 
Revista de Saúde Pública de Santa Catarina. 1:(1). p. 36-45, 2008. 
 
SILVA JUNIOR, J.B. Epidemiologia em serviço: uma avaliação de 
desempenho do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. 318f. Tese 
(Doutorado em Saúde Coletiva) – Faculdades de Ciências Médicas: Campinas, 
2004. 
 
 
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11 
Atividades 
1. O início da área de atuação da Vigilância Sanitária se deve: 
a. À expansão do tráfico de drogas que alia os danos psíquicos e físicos à 
criminalidade e aumenta o número de becos insalubres para venda e 
consumos dessas substâncias. 
b. Ao aumento do contrabando de itens como medicamentos, combustíveis 
e cigarro. 
c. À globalização, que resultou na multiplicação e intensificação da produção 
dos bens de serviço e de consumo. 
d. À proteção da corte imperial contra doenças que poderiam ser importadas 
por navios, mercadorias e viajantes. 
 
2. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi criada pela Lei nº 9.782/1999. 
De acordo com essa lei, entre as competências da ANVISA, está: 
a. Fiscalizar salões de beleza, restaurantes e açougues. 
b. Liberar autorização de funcionamento de empresas que comercializam 
materiais hospitalares. 
c. Fazer vistoria de farmácias. 
d. Participar da gestão de hospitais públicos. 
 
3. Quanto às notificações no NOTIVISA, está incorreto afirmar que: 
a. Orientam para resultados que podem levar a alterações das bulas dos 
medicamentos. 
b. Orientam sobre eventos adversos ainda desconhecidos e de grande 
prevalência, o que pode resultar em retirada de um determinado 
medicamento do mercado. 
c. São voltadas a notificações relacionadas a medicamentos, no entanto os 
materiais médico-hospitalares não são seu foco, por não possuírem bulas 
e nem prejudicarem a saúde do paciente. 
d. Quanto maior o número de notificações, maior será a confiança dos 
 
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12 
dados disponíveis em seus relatórios e, consequentemente, da qualidade 
e segurança dos produtos para a saúde comercializados em território 
nacional. 
 
4. Promover ou elaborar, controlar a aplicação e fiscalizar o cumprimento de 
normas e padrões de interesse sanitário, relativos aos portos, aeroportos, 
fronteiras, produtos médico-farmacêuticos, bebidas e alimentos e outros 
produtos ou bens. Essas responsabilidades se referem à (ao): 
a. ANVISA 
b. VISA 
c. SNVS 
d. SUS 
 
5. Em relação aos produtos submetidos ao controle de fiscalização sanitária, 
podemos afirmar que todos os itens a seguir estão contemplados, exceto: 
a. Água envasada e sua embalagem. 
b. Resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários. 
c. Instalações físicas onde é realizada a produção dos produtos alimentares. 
d. Fornecedores de equipamentos que serão utilizados para o preparo dos 
alimentos. 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line. 
 
 
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1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema A Saúde dos Trabalhadores e sua História 
Professor Joy Ganem Longhi 
Introdução 
Neste tema, abordaremos a saúde do trabalhador, um dos assuntos 
mais debatidos na vigilância em saúde. Devemos lembrar que as primeiras 
ações do governo voltadas para a saúde, após as campanhas de vacinação, 
foram visando os trabalhadores contribuintes de determinadas classes, em 
especial aqueles queatuavam nas indústrias. 
Estudaremos também a evolução desse tema no Brasil, as doenças que 
mais acometem os trabalhadores, os acidentes de trabalho e a importância de 
seus registros. Bons estudos! 
Assista no seu material virtual ao vídeo de introdução. 
Problematização 
Marina é auxiliar de enfermagem e, atualmente, estuda para ser 
enfermeira. Para isso, trabalha em dois hospitais (36 horas semanais em cada 
instituição) e à noite vai para a faculdade. Manter essa vida bastante corrida 
está em seus planos pelos próximos quatro anos, até que se forme. 
Avaliando essa intensa jornada, quais são as principais doenças e 
problemas que nossa personagem pode vir a enfrentar? 
Reflita sobre este caso e depois que você estudar o material poderá 
responder como ficará esta situação. 
A Saúdo dos Trabalhadores e sua História 
O trabalho tem um papel fundamental na inserção dos indivíduos no 
contexto do mundo, contribui para a formação de sua identidade e possibilita a 
participação na vida social, sendo um dos elementos sociais para a saúde. No 
entanto, a forma como esse trabalho está organizado e é executado agravam 
 
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2 
seus efeitos negativos, entre eles, o adoecimento e a morte (MENDES; DIAS, 
1999). 
A vigilância em saúde do trabalhador, enquanto campo de atuação, 
distingue-se da vigilância em saúde em geral e de outras disciplinas no campo 
das relações entre saúde e trabalho, por delimitar como seu objetivo específico 
a investigação e intervenção na relação do processo de trabalho com a saúde 
(MACHADO, 1997). 
A relação entre o trabalho e a saúde/doença, constatada desde a 
antiguidade e exacerbada na Revolução Industrial, nem sempre se constituiu 
um foco de atenção, afinal, no trabalho escravo ou no regime servil, inexistia a 
preocupação em preservar a saúde dos que eram submetidos ao trabalho 
(MINAVO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997). 
Segundo Cordoni Junior (1988), a saúde do trabalhador constitui um dos 
objetos integradores das ações de saúde pública, por seu potencial articulador 
das ações de vigilância sanitária, de vigilância epidemiológica e de serviços de 
saúde, as três grandes áreas de atuação do setor de saúde. 
Histórico 
Os romanos podem ser considerados precursores da área de atuação, 
atualmente denominada de “Saúde dos Trabalhadores”. As relações entre 
ocupações e enfermidades eram observadas por diversos naturalistas e poetas 
que atribuíam o adoecimento dos mineiros à pobre ventilação das minas e aos 
fluídos e vapores tóxicos aos quais estavam expostos (FIOCRUZ, 2008). 
A doença ocupacional, ainda embora sem essa denominação, é descrita 
desde tempos remotos. Hipócrates descreveu o quadro clínico da intoxicação 
saturnina; Plínio, o aspecto dos trabalhadores expostos ao chumbo, ao 
mercúrio e a poeiras; Agrícola escreve sobre a “asma dos mineiros”, hoje 
denominada silicose e Paracelso, a intoxicação pelo mercúrio (MENDES, 
1995). 
Em 1700, foi publicado “De Morbis Artificum Distriba”, escrito por 
 
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3 
Bernardino Ramazzini, conhecido como o Pai da Medicina do Trabalho, 
descrevendo doenças de aproximadamente 50 ocupações (MENDES, 1995). 
Com o fim do modelo feudal da sociedade e a expansão comercial, as 
cidades se tornam cada vez mais importante econômica e politicamente. O 
mercantilismo impulsiona a indústria e a produção se torna o elemento central 
na atividade econômica do país (FIOCRUZ, 2008). A introdução da máquina a 
vapor intensifica o ritmo produtivo, as máquinas passam a demandar mais mão 
de obra, as cidades crescem nas periferias. As péssimas condições de trabalho 
começam a chamar atenção dos administradores. Surgem as primeiras 
regulações visando a saúde nas fábricas, dentre elas, a redução da carga de 
trabalho excessiva (FIOCRUZ, 2008). 
Com o advento da Revolução Industrial, o trabalho se tornou presa da 
máquina, de seus ritmos, dos ditames da produção que atendiam a 
necessidade de acumulação rápida de capital e de máximo aproveitamento dos 
equipamentos, antes de se tornarem obsoletos. As jornadas extenuantes, em 
ambientes extremamente desfavoráveis à saúde, às quais se submetiam 
também mulheres e crianças, eram frequentemente incompatíveis com a vida. 
A aglomeração humana em espaços inadequados propiciava a acelerada 
proliferação de doenças infectocontagiosas, ao mesmo tempo em que a 
periculosidade das máquinas era responsável por mutilações e mortes 
(MINAVO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997). 
Desse modo, surge a organização de uma atenção diferenciada à saúde 
dos trabalhadores. Pressionados pelos prejuízos econômicos, decorrentes dos 
altos índices de acidentes e doenças e pela pressão dos trabalhadores, os 
industriais passaram a contratar médicos, atribuindo-lhes a responsabilidade de 
cuidar da saúde dos trabalhadores (DIAS; HOEFEL, 2005). 
Na primeira metade do século XX, mudanças nos processos produtivos 
decorrentes das duas guerras mundiais e dos esforços de reconstrução pós-
guerra, deram forma a novos problemas e necessidades de saúde relacionadas 
ao trabalho. Outros profissionais se juntaram à equipe médica, enfocando 
 
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4 
aspectos da higiene, da ergonomia e da segurança do trabalho, conformando a 
prática da Saúde Ocupacional (DIAS; HOEFEL, 2005). 
No Brasil, o movimento da Saúde do Trabalhador toma forma no final 
dos anos 70, tendo como eixos: a defesa do direito ao trabalho digno e 
saudável; a participação dos trabalhadores nas decisões sobre a organização e 
gestão dos processos produtivos e a busca da garantia de atenção integral à 
saúde (DIAS, 1994). 
 A VIII Conferência Nacional de Saúde, em março de 1986, contribuiu 
para reafirmar à sociedade brasileira a saúde como direito de cidadania e dever 
do Estado em provê-la. Em dezembro do mesmo ano, foi realizada a I 
Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que marcou politicamente o 
movimento da instituição desse campo (MINISTÉRIO DA SAÚDE/FIOCRUZ, 
1987). 
 A Constituição Federal de 1988 incorporou as questões de saúde do 
trabalhador ao enunciar o conceito ampliado de Saúde, incluindo entre seus 
determinantes: as condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio 
ambiente, trabalho, emprego e, ao atribuir ao SUS, a responsabilidade de 
coordenar as ações no país. Essa atribuição foi regulamentada em 1990, pela 
Lei 8.080 que definiu os princípios e a formatação do SUS. Consolidava-se, 
assim, no plano legal e institucional, o campo da Saúde do Trabalhador (DIAS; 
HOEFEL, 2005). 
No final de 2002, foi criada a Rede Nacional de Atenção Integral à 
Saúde do Trabalhador (RENAST), pela portaria 1.679 de 19 de setembro de 
2002. A partir de 2003, a coordenação da área Técnica de Saúde do 
Trabalhador do Ministério da Saúde priorizou a implantação do RENAST como 
principal estratégia da Política Nacional da Saúde do Trabalhador para o SUS 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Em 2005, a RENAST foi revista e ampliada 
por meio da Portaria GM/MS nº 2.437, de 07/12/2005, e novamente em 2009, 
pela necessidade de adequação ao Pacto Pela Vida e em Defesa do SUS, com 
a Portaria nº 2.728, de 11/11/2009 (COSTA; VASCONCELLOS, 2011). 
 
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5 
A Saúde do Trabalhador 
O objeto da saúde do trabalhador pode ser definido como o processo 
saúde e doença dos grupos humanos em sua relação com o trabalho. Trabalho 
entendido enquanto espaço de dominação e submissão do trabalhador pelo 
capital, mas, igualmente, de resistência, de constituições e do fazer histórico 
dos trabalhadores, que buscam o controle sobre as condições e os ambientes 
de trabalho, para torná-los mais saudáveis, num processo lento, contraditório, 
desigual no conjunto da classe trabalhadora, dependente de sua inserção no 
processo produtivo e do contexto sócio-políticode uma determinada sociedade. 
Nesse sentido, a saúde do trabalhador aparece enquanto uma prática 
social “instituinte” e instituída dentro de um determinado modo de produção 
(ALESSI, 1994). 
Acesse seu material on-line e veja o vídeo em que a professora Joy 
explica mais sobre as doenças relacionadas a profissões. 
A discussão relativa aos acidentes e doenças relacionados ao trabalho 
passa, necessariamente, pela compreensão da realidade rural-urbana 
brasileira. Embora questões específicas relacionadas ao trabalhador rural, 
devido à contratação de mão de obra volante e uso intenso de pesticidas 
mereçam atenção, o processo da crescente urbanização decorrente da intensa 
industrialização fez emergir os problemas decorrentes do trabalhador urbano 
(SANTOS; et al., 1990). 
Quando se pensa o planejamento na área de saúde do trabalhador, 
deve-se considerar a questão no risco do ambiente e no processo de trabalho e 
a necessidade de intervenção institucional. Diferentes regiões têm diferentes 
riscos de acidentes e doenças do trabalho, decorrentes de fatores ligados à 
atividade econômica predominante e à organização do processo de trabalho 
(SANTOS; et al., 1990). Por isso, a participação dos trabalhadores é 
considerada essencial para a identificação dos fatores de risco presentes no 
trabalho e as repercussões destes sobre o processo saúde-doença. Além 
disso, é também fundamental para a transformação das condições geradoras 
 
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6 
de acidentes e doenças (SILVEIRA; RIBEIRO; LINO, 2005). 
O estudo do ambiente de trabalho deve compreender os seguintes 
aspectos: os diferentes tipos (características); os fatores que os condicionam; 
as alterações desses fatores e suas causas; a técnica para exploração dessas 
alterações; e as medidas que devem ser adotadas para evitar a agressão do 
ambiente sobre o indivíduo (KAPLAN, 1994). 
Como frequentemente as doenças originadas no trabalho são 
percebidas em estágios avançados, até porque muitas delas, em suas fases 
iniciais, apresentam sintomas comuns a outras patologias, torna-se difícil, sob 
essa ótica, identificar os processos que as geraram, bem mais amplos que a 
mera exposição a um agente exclusivo. 
A rotatividade da mão de obra, sobretudo quando se intensifica a 
terceirização, representa um obstáculo a mais nesse sentido. A passagem por 
processos produtivos diversos pode mascarar nexos causais e diluir a 
possibilidade de estabelecê-los (MINAVO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997). 
Não é possível identificar todos os fatores de risco, contudo, relacionam-
se os mais comuns: muitas horas de trabalho, postura inadequada, monotonia, 
meio físico inadequado, instalações sanitárias insuficientes, falta de salas de 
descanso e assentos, saúde e higiene mental insatisfatórias e fadiga (MAURO, 
et al., 2004). 
A abordagem de riscos à saúde do trabalhador permite o controle de 
causas de acidentes, sejam agentes físicos, químicos e biológicos, causadores 
de agravos, esforços físicos e sobrecargas mentais. Essa intervenção se 
efetivará basicamente no campo tecnológico, mas terá consequências sobre a 
saúde (MACHADO, 1997). 
Classicamente, os fatores de risco para a saúde e segurança dos 
trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho, de acordo com a 
Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil, podem ser classificados em 
cinco grandes grupos: 
1. Físicos: agressões ou condições adversas de natureza ambiental 
 
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7 
que podem comprometer a saúde do trabalhador. 
2. Químicos: agentes e substâncias químicas, sob a forma líquida, 
gasosa ou de partículas e poeiras minerais e vegetais, comuns nos 
processos de trabalho. 
3. Biológicos: Microrganismos, geralmente associados a trabalhos em 
hospitais, laboratórios e na agricultura e pecuária. 
4. Ergonômicos e psicossociais: que decorrem da organização e 
gestão do trabalho. 
5. Acidentes: ligados à proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e 
limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos, 
entre outros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). 
As condições insalubres e perigosas, na maioria das vezes, se tornam 
rotina, frequentemente não percebidas pelos gerentes, nem pelo próprio 
trabalhador, o qual se habitua com a situação ou mantém um autocontrole dos 
sintomas, sem procurar esclarecer as causas verdadeiras. Como consequência 
dessas condições, pode-se observar: queda da produção, maior 
vulnerabilidade aos acidentes de trabalho e afastamento do trabalho por motivo 
de saúde (GUIMARÃES; MAURO, 2004). 
Vamos dar uma pausa e assistir ao vídeo da professora Joy em que ela 
nos ajuda a entender as definições das doenças dos trabalhadores. 
Os agravos destacados como mais comumente encontrados na literatura 
dos estudos epidemiológicos relacionados às condições de trabalho são os 
cânceres, as doenças cardiovasculares e neurológicas, as desordens 
musculoesqueléticas, as consequências reprodutivas e os efeitos dos campos 
eletromagnéticos (AXELSON, 1994). Além das doenças pulmonares e 
dermatológicas e dos casos de hipoacusias, que compõem a tríade de maior 
prevalência dos registros internacionais no período anterior à pandemia de 
lesões por esforço repetitivo (MACHADO, 1997). 
No Brasil, existem inúmeros convênios e recomendações da 
Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificadas pelas portarias do 
 
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8 
Ministério do Trabalho, denominadas Normas Regulamentadoras (NR), além 
da consolidação das Leis do Trabalho (CLT), disciplinando essas áreas. Os 
estudos sobre riscos ocupacionais apontam que quando eles não são 
submetidos ao controle, levam ao aparecimento de acidentes e doenças 
profissionais e do trabalho (MAURO, et al., 2004). 
Veja mais um vídeo da professora Joy em que ela fala sobre o 
trabalhador hospitalar e o risco à saúde. Acesse seu material virtual e 
aproveite. 
A Estratégia do RENAST para Atenção à Saúde do Trabalhador 
no SUS 
Conceitualmente, a RENAST é uma rede nacional de informação e 
práticas de saúde, organizada com o propósito de implementar ações 
assistenciais, de vigilância e de promoção à saúde, no SUS, na perspectiva da 
Saúde do Trabalhador. A compreensão do processo saúde-doença dos 
trabalhadores, que norteia a RENAST, está baseada no enfoque das relações 
Trabalho-Saúde-Doença e da centralidade do trabalho na vida das pessoas 
(DIAS; HOEFEL, 2005). 
Compreende Centros de Referência em Saúde do Trabalhador 
(CEREST), estaduais, regionais e municipais, as unidades sentinelas, núcleos 
de saúde do trabalhador e demais serviços do SUS voltados para este campo 
de atuação em saúde. Os CEREST são polos irradiadores do conhecimento 
sobre a relação do processo de trabalho/processo saúde-doença, com a 
responsabilidade de oferecer suporte técnico e científico às demais unidades 
do SUS, em especial, à da atenção básica. Esses centros detêm a 
responsabilidade de notificar, investigar e dar respostas sensíveis aos agravos 
relacionados ao trabalho, visando ao controle e melhoria das condições deste 
(DIAS; HOEFEL, 2005). 
A vigilância em saúde do trabalhador no SUS tem sido abordada em 
perspectiva sociotécnica, na qual a prevenção pode surgir de ações 
 
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9 
estratégicas articuladas interinstitucionalmente, de modo a analisar e intervir 
nos fatores determinantes e condicionantes dos problemas de saúde 
relacionados aos processos de trabalho (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998). 
Saiba Mais: vamos conhecer mais sobre a estrutura da Renast? Então acesse 
o link a seguir e leia sobre esse assunto. 
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v20n1/v20n1a10.pdf 
Acidentes de Trabalho 
Os acidentes de trabalho têm expressiva morbimortalidade, constituindo-
se em um importante problema de saúde pública. No Brasil, agravosrelacionados ao trabalho representam aproximadamente 25% das lesões por 
causas externas atendidas em serviços de emergência e mais de 70% dos 
benefícios acidentários da Previdência Social (GALDINO; SANTANA; 
FERRITE, 2012). 
Esses acidentes são influenciados por aspectos da situação imediata de 
trabalho como o maquinário, a atividade, o meio técnico ou material, mas 
também pelas relações de trabalho, cuja determinação situa-se na sua 
organização (LLORY, 1999). 
Com vistas a melhorar a qualidade e ampliar a cobertura do registro, o 
SUS incorporou ao Sistema de Informações e Agravos de Notificação (SINAN), 
onze doenças e agravos relacionados ao trabalho, que compõe a lista de 
prioridades no país. Entre estas, são notificáveis os acidentes considerados 
graves e os que ocorreram com exposição a material biológico, em sua maioria 
acidentes perfurocortantes (SANTANA, et al., 2009). 
Comunicação de Acidentes do Trabalho (CAT) 
A CAT serve para notificar tanto os acidentes típicos decorrentes do 
trabalho, como as doenças profissionais e os acidentes de trajeto. (SANTOS, et 
al., 1990). Não sendo expedida a CAT pela empresa, outras entidades podem 
fazê-lo, inclusive o próprio segurado e seus dependentes (Art. 22 da Lei 
8.213/1991). 
http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v20n1/v20n1a10.pdf
 
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10 
É muito comum o empregado descobrir que sofre de alguma patologia 
de natureza ocupacional depois que já saiu da empresa na qual a lesão se 
originou, assim, caso o acidente laboral seja detectado posteriormente, quando 
o trabalhador estiver desempregado, nas hipóteses das doenças ocupacionais 
ou na constatação da lesão nos exames médicos adicionais para novo 
emprego, a CAT deverá ser emitida pela ex-empregadora e não pela atual ou a 
que venha a contratá-lo, ou então deverá ser emitida pelas pessoas 
designadas no artigo 336, § 3º, do Regulamento da Previdência Social, o 
Decreto nº 3.048/1999 (Instrução Normativa do INSS n. 11, de 20 de set. 2006, 
art. 224, IV). 
Saiba Mais: acesse este outro site e lei o artigo “Saúde do Trabalhador no 
SUS: desafios para uma política pública”. 
http://www.scielo.br/pdf/rbso/v38n127/v38n127a03.pdf 
Prevenção e Ações de Controle 
Os técnicos especialistas em Higiene e Segurança do Trabalho são 
unânimes em colocar que o importante não é gratificar o trabalhador com o 
adicional de insalubridade ou de periculosidade, mas sim tornar o trabalhador e 
o ambiente absolutamente saudáveis (MAURO, et al., 2004). 
A criação de Comissões Internas de Prevenção a Acidentes (CIPAS) 
facilita a discussão dos problemas com a direção das empresas e instituições. 
Um programa de educação continuada, com treinamento específico voltado 
aos profissionais de cada área, pode favorecer o entendimento dos problemas 
e de sua gravidade para combatê-los (MAURO, et al., 2004). 
Saiba Mais: conheça o auxílio-doença por acidentes de trabalho no Brasil, 
acessando o artigo a seguir. 
http://www.scielo.br/pdf/rbso/v36n124/a03v36n124.pdf 
http://www.scielo.br/pdf/rbso/v38n127/v38n127a03.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbso/v36n124/a03v36n124.pdf
 
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11 
Revendo a problematização 
 E então, já pensou no caso de Marina? A auxiliar de enfermagem? 
Avaliando sua intensa jornada, quais são as principais doenças e problemas 
que nossa personagem pode vir a enfrentar? 
a. Doenças ergonômicas, estresse, doenças psicológicas e acidentes com 
perfurocortantes. 
b. Hepatite B, doenças ergonômicas, infecções e estresse. 
c. Nenhuma, afinal Marina é profissional de saúde e por isso além de vacinada 
contra diversas doenças, também segue regras de conduta que 
impossibilitam acidentes. 
 
Para consultar o feedback de cada uma das alternativas, acesse o material on-line. 
 
 
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12 
Síntese 
Neste tema, estudamos as definições e diferenciações da saúde dos 
trabalhadores, bem como sua história. Além disso, vimos quais são os 
principais problemas de saúde que atingem o trabalhador. 
Aprendemos a importância do acompanhamento da medicina do 
trabalho e do SESMT. Vimos o que é CAT, em que situações ela deve ser 
emitida e para que serve. 
Assista agora ao vídeo de síntese que a professora Joy faz deste tema. 
 
 
 
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13 
Referências 
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1994. 
 
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DIAS, E.C. Atenção à saúde dos trabalhadores no setor de saúde (SUS) no 
Brasil: realidade, fantasia ou utopia? Tese de doutorado. 335 f. Departamento 
de Medicina Preventiva e Social. UNICAMP, Campinas, 1994 
 
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trabalhador no SUS: a estratégia do RENAST. Ciência e Saúde Coletiva. 
10(4): 817-828; 2005. 
 
FIOCRUZ. O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro, 2008. 
 
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Saúde do trabalhador e a notificação dos acidentes de trabalho no Brasil. 
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acidente de trabalho no Brasil – período de 2002: uma análise 
epidemiológica. Epístula ALASS (Espanha), 55(2): 18-20, 2004. 
 
KAPLAN, J. Medicina del trabajo. 3.ed. Buenos Aires: Ell Ateneo, 1994. 
 
LLORY, M. Acidentes industriais: o custo do silêncio – operadores privados 
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Porto. Rio de Janeiro: MultiMais/Funenseg, 1999. 
 
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ocupacionais em saúde. Revista de enfermagem UERJ; 12: 338-345; 2004. 
 
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MENDES, R; DIAS E.C. Saúde dos trabalhadores. In: Rouquayrol M.Z., 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
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1ª Conferência Nacional de Saúde dos Trabalhadores. Brasília, 1987. 
 
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BRASIL. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para 
os serviços de saúde, Brasília, 2001. 
 
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SUS, Brasília, 2004. 
 
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de trabalho no Brasil: dados de notificação do SINAN 2007-2008, Salvador: 
Centro Colaborador da Universidade Federal da Bahia/Coordenação geral da 
Saúde do Trabalhador, Ministério da Saúde, 2009. 
 
SANTOS, U.P; WÜNSCH FILHO, V; CARMO, J.C; SETTIMI, M.M; URQUIZA, 
S.D; HENRIQUES, C.M.P. Sistema de vigilância epidemiológica para 
acidentes de trabalho: Experiência na zona norte do Município de São Paulo 
(Brasil). Revista de Saúde Pública, 24(4): 286-293, São Paulo, 1990. 
 
SILVEIRA, A.M; RIBEIRO, F.S.N; Lino, A.F.P.F. O controle social no SUS e no 
RENAST. 3ª conferência Nacional de saúde do Trabalhador, 3ª CNST: 
Trabalhar sim! Adoecer não! Coletânea de texto. Ministério da Saúde. 
Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério da Assistência e Previdência 
Social, Brasília, 2005. 
 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico15 
Atividades 
1. Pode-se afirmar que o foco inicial da atenção à saúde do trabalhador foi: 
a. Nos engenhos e lavouras escravocratas, uma vez que os senhores de 
terra ficavam bastante preocupados com a doença dos escravos, pois 
havia diminuição da mão de obra para realização dos serviços. 
b. Na primeira guerra mundial, quando enfermeiras ficavam gravemente 
adoentadas por doenças que foram transmitidas por seus pacientes, 
assim não havia quem cuidasse dos soldados. 
c. Na segunda guerra mundial, pois com a industrialização em larga escala 
dos medicamentos, os operários começaram a apresentar intoxicações 
constantes. 
d. Na época da Revolução Industrial, pois os operários estavam adoecendo 
devido às más condições de trabalho, jornadas excessivamente longas e 
aglomeração de pessoas. 
 
2. Quanto à doença apresentada por um determinado trabalhador, pode-se 
afirmar que: 
a. Todo trabalhador que atua na mesma profissão, obrigatoriamente 
apresentará as doenças a ela relacionada, mesmo que em períodos 
diferentes. 
b. Cada trabalhador, mesmo realizando a mesma atividade, possui uma pré-
disposição diferenciada ao desenvolvimento de doenças relacionadas ao 
seu trabalho. 
c. É de responsabilidade única e culpa do empregador, devendo este ser 
punido. 
d. Trabalhadores que seguem criteriosamente os fluxos e normas de 
segurança instituídas pela empresa, dificilmente apresentarão problemas 
de saúde relacionados ao trabalho. 
 
3. José é gari à noite e durante o dia faz “bicos” como jardineiro e auxiliar de 
 
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16 
pedreiro. A que tipos de riscos podemos afirmar que ele está exposto: 
a. Biológicos, químicos e ergonômicos. 
b. Físicos, químicos e biológicos. 
c. Ergonômicos e físicos. 
d. Todos os riscos acima citados. 
 
4. Podemos afirmar que se encontra no ranking, como principal acidente de 
trabalho: 
a. Acidentes com máquinas de tear e tecelagem. 
b. Acidentes com perfurocortantes. 
c. Acidentes com inalação de produtos químicos. 
d. Acidentes de carro em indústrias automotivas. 
 
5. O que é a CAT e para que serve? 
a. É a Comunicação de Acidente de Trabalho e serve para notificar tanto os 
acidentes típicos decorrentes do trabalho, como as doenças profissionais 
e os acidentes de trajeto. 
b. É o Comunicado de Atenção ao Trabalho, que toda empresa deve 
possuir, com a descrição dos riscos que seus funcionários sofrem e como 
evitá-los. 
c. É o Comunicado de Atenção ao Trabalho, que o Ministério do Trabalho 
encaminha às empresas com mais de 300 funcionários, com regras para 
redução dos riscos de acidentes. 
d. É a Comunicação de Acidente de Trabalho e serve para notificar apenas 
as doenças que ocorrem dentro do seu local de trabalho. 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line. 
 
 
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1 
Projeto Pós-graduação 
Disciplina Vigilância em Saúde 
Tema Vigilância Ambiental 
Professor Joy Ganem Longhi 
Introdução 
Neste tema, será abordada a vigilância ambiental, um dos componentes 
em vigilância em saúde que tem por finalidade identificar medidas de 
prevenção e controle de fatores de risco ambientais. 
Conheceremos o histórico e os programas relacionados à vigilância 
ambiental, os acordos internacionais que o Brasil participou ou está inserido e a 
importância das atividades desenvolvidas nessa área da vigilância em saúde. 
Bons estudos! 
Assista, no seu material virtual, ao vídeo de introdução em que a 
professora Joy comenta o que vamos estudar. 
Vigilância Ambiental 
O conceito ambiente e entorno saudável incorpora a necessidade de ter 
equipamentos urbanos básicos como: saneamento, espaços físicos limpos e 
estruturalmente adequados e redes de apoio para se conseguir hábitos 
psicossociais sãos e seguros (COHEN, 2003). 
Para que os riscos ambientais sejam tratados como um problema de 
saúde, isto é, passível de solução ou controle, o ambiente deve ser 
internalizado à política, ao diagnóstico, ao planejamento e às ações de saúde 
(AUGUSTO, 2003). 
A Vigilância em Saúde Ambiental caracteriza-se como um dos 
componentes da Vigilância em Saúde. É definida como um conjunto de ações 
que propiciam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde 
humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle 
dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à 
 
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2 
saúde (BRASIL, 2009b). 
A Crise Ambiental e a Saúde das Populações 
A destruição de ecossistemas, a contaminação crescente da atmosfera, 
solo e água, bem como o aquecimento global, são exemplos dos impactos das 
atividades humanas sobre o ambiente. Esses problemas são exacerbados em 
situações locais em que se acumulam fontes de riscos advindas de processos 
produtivos passados ou presentes, como o descarte inadequado de resíduos 
industriais, a contaminação de mananciais de água e más condições de 
trabalho e moradia. Não raros, esses problemas interagem sobre grupos 
populacionais vulneráveis (BARCELLOS; QUITÈRIO, 2006). 
Os sinais de crise ambiental no âmbito global (efeito estufa; aquecimento 
dos mares; comprometimento da camada de ozônio) e na saúde individual 
(intoxicações químicas; câncer; malformações congênitas; doenças 
neurológicas, imunológicas e respiratórias; estresse; dependência de drogas e 
violência) são evidentes e reconhecidos amplamente (AUGUSTO, 2003). A 
saúde das populações também sofre o efeito desses desequilíbrios e 
desigualdades, refletidos nos perfis epidemiológicos. Essas condições fazem 
com que a qualidade de vida diminua e coloque em risco a própria 
sobrevivência no planeta (BRASIL, 2000a). 
O modelo de desenvolvimento não sustentável gera danos ambientais e 
sociais, pois considera apenas o crescimento econômico como sinônimo do 
progresso e desconsidera outras necessidades da vida humana e de outras 
espécies do planeta, trazendo consequências como a contaminação e a 
poluição ambiental, com crescente impacto nos ecossistemas e na exposição 
humana a substâncias químicas, além do aumento dos desastres e das 
ameaças decorrentes dos fenômenos ambientais de escala global, como o 
aquecimento global gerado pelas mudanças climáticas (ROHLFS, et al., 2011). 
No Brasil, a situação ambiental está em contínuo processo de 
degradação, ocorrendo: a transição epidemiológica marcada pela prevalência 
 
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3 
das condições de morbimortalidade, verificadas em alguns setores; a 
permanência de certas doenças infecto-parasitárias devido à falta de 
infraestrutura urbana básica; o crescimento de doenças crônicas não 
infecciosas; o aparecimento de novas doenças sexualmente transmissíveis; o 
crescimento da violência urbana devido ao uso de drogas e outros fatores 
comportamentais (COHEN, et al., 2004). 
Histórico 
A relação saúde-ambiente vem sendo ressaltada desde os primórdios 
com Hipócrates, na Grécia antiga, no início do século IV a.C. Sua obra 
denominada “Dos ares, das Águas e dos Lugares”, já trazia preocupações com 
aspectos ambientais na determinação das doenças, destacando a relação 
entre as doenças, principalmente as endêmicas, e a localização de seus focos 
(RIBEIRO, 2004). 
O movimento ambientalista, que começou a ganhar força nos anos 1960 
e 1970, contribuiu sobremaneira para a ampliação da compreensão dos 
problemas ambientais, antes restritos aos aspectos de saneamento e controle 
de vetores, bem como para a recuperação da dimensão política e social 
relacionadas a estes (FREITAS, 2003). 
As condições ambientais adversas nos países em desenvolvimento 
passaram a ser identificadas como risco à saúde que geraram a necessidade 
de estudar e intervir sobre novos problemas, bem como abordarantigos 
problemas em uma nova perspectiva integradora. Essa tendência apontou a 
necessidade de superação do modelo de Vigilância à Saúde baseada em 
agravos, incorporando a temática ambiental nas práticas de Saúde Pública 
(BARCELLOS; QUITÉRIO, 2006). 
Assim, em meados do século XX, foram retomados os estudos 
relacionados à saúde e ao ambiente e estruturou-se a área de Saúde 
Ambiental, caracterizada como um campo da Saúde Pública afeta ao 
conhecimento científico e à formulação de políticas públicas relacionadas à 
 
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4 
interação entre a saúde humana e os fatores do meio ambiente natural e 
antrópico que determinam, condicionam e influenciam, com vista a melhorar a 
qualidade de vida do ser humano, sob o ponto de vista da sustentabilidade 
(BRASIL, 2009a). 
As questões ambientais ganharam destaque em 1972 com a realização 
da Conferência de Estocolmo, na Suécia, organizada pelas Nações Unidas, 
com 113 nações participantes, onde foram feitas discussões que resultaram em 
recomendações para os povos, para a busca da melhor relação entre o homem 
e o ambiente (ROHLFS, et al., 2011). 
Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde de 1975, a lei 
nº 6.259/75 e o Decreto nº 78.231 de 1976 instituíram o Sistema Nacional de 
Vigilância Epidemiológica (SNVE), com atribuição do controle e fiscalização 
dos padrões de interesse sanitário de portos, aeroportos e fronteiras, 
medicamentos, cosméticos, alimentos, saneantes e bens (BRASIL, 2000a). 
Em meados da década de 1980 são promovidas iniciativas para se 
instituir, no âmbito do setor Saúde, ações da Vigilância de Saúde do 
Trabalhador e do Meio Ambiente, de acordo com a Constituição de 1988 e a lei 
Orgânica de Saúde de 1990. Mas é a partir do ano 2000 que o Ministério da 
Saúde formula a denominada Vigilância Ambiental, a qual se configura como: 
um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a 
detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e 
condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, 
com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e 
controle dos fatores de riscos e das doenças ou agravos relacionados 
à variável ambiental (BRASIL, 2000b). 
 
As ações de controle sobre o meio ambiente, relacionadas à saúde, 
como a vigilância da qualidade da água para o consumo humano, estiveram 
até o final da década de 90 subordinadas à Vigilância Sanitária (AUGUSTO, 
2003). 
Vamos aprender mais sobre a estruturação da Vigilância Ambiental em 
Saúde assistindo ao vídeo da professora Joy no seu material on-line. 
 
 
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5 
A relação entre ambiente e impacto à saúde ganhou forte apoio nacional 
e internacional na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (CNUMAD), a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, 
onde se instituiu o compromisso da definição e adoção de um conjunto de 
políticas de meio ambiente e de saúde, no contexto do desenvolvimento 
sustentável (ROHLFS, et al., 2011). 
O Decreto nº 3.450, de 09 de maio de 2000, descreve que a Vigilância 
Ambiental em Saúde: 
prioriza a informação no campo da vigilância ambiental, de fatores 
biológicos (vetores, hospedeiros, reservatórios, animais 
peçonhentos), qualidade de água para consumo humano, 
contaminantes ambientais químicos e físicos, que possam interferir 
na qualidade da água, ar e solo, e os riscos recorrentes de desastres 
naturais e de acidentes com produtos perigosos (BRASIL, 2000). 
 
Vamos assistir agora ao vídeo em que a professora Joy comenta os 
principais tratados ambientais. Acompanhe no seu material virtual. 
Objetivos 
Segundo a FUNASA (2002), destacam-se os seguintes objetivos da 
Vigilância Ambiental em Saúde: 
a. Produzir, processar, integrar e interpretar informações, visando 
disponibilizar ao SUS, instrumentos para planejamento e execução de 
ações relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e 
controle de doenças relacionadas ao meio ambiente; 
b. Estabelecer os principais parâmetros, atribuições, procedimentos e 
ações relacionadas à vigilância ambiental em saúde nas diversas 
instâncias de competência; 
c. Identificar os riscos e divulgar informações referentes aos fatores 
ambientais condicionantes e determinantes das doenças e outros 
agravos à saúde; 
d. Intervir com ações diretas de responsabilidade do setor ou 
demandando para outros setores, com vista a eliminar os principais 
fatores ambientais de risco à saúde humana; 
 
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6 
e. Promover, junto aos órgãos afins, ações de proteção da saúde 
humana relacionadas ao controle e recuperação do meio ambiente; e 
f. Conhecer e estimular a interação entre a saúde, meio ambiente e 
desenvolvimento visando ao fortalecimento da participação da 
população na promoção da saúde e qualidade de vida. 
Saneamento 
A proteção à saúde é colocada invariavelmente como uma das 
consequências benéficas do saneamento. No entanto, a comprovação 
epidemiológica dessa relação é de difícil verificação devido ao grande número 
de variáveis intervenientes no processo de determinação das doenças. Os 
riscos de infecção e adoecimento de uma população estão relacionados a suas 
condições de habitação, de hábitos, à concentração e tipos de agentes 
patogênicos ingeridos e a suscetibilidade e estado geral de saúde da 
população (HELLER, 1997). 
Diversos programas, planos e práticas propostos pelo setor de saúde 
envolvem aspectos ambientais. Historicamente, as ações de saneamento têm 
concentrado maior interesse do setor entre as intervenções de saúde de cunho 
ambiental. É bastante conhecida e amplamente divulgada a relação entre a 
saúde e a provisão de água em quantidade e qualidade apropriadas, e seu 
respectivo destino pós-utilização. Essa relação move as práticas sanitárias que 
conformam a área do saneamento (BARCELLOS; QUITÈRIO, 2006). 
O saneamento tem sua expressão mais cabal nas intervenções do 
homem sobre o meio ambiente mediante a construção de sistemas de 
abastecimento de água, de coleta e tratamento de esgotos e drenagem em 
áreas inundáveis. Além dessas, existem também ações não estruturais, pouco 
abordadas na atualidade, concentradas na adoção de novos comportamentos 
em saúde e aliando padrões tecnológicos apropriados às condições 
socioculturais e econômicas dos usuários (BARCELLOS; QUITÈRIO, 2006). 
 
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7 
Vigilância Ambiental em Saúde no Brasil 
 Atualmente, com a incorporação na Vigilância Ambiental ao Sistema 
Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde (SNVA), no 
âmbito do SUS, amplia-se a compreensão de que há um ambiente maior e 
relacional, em que as ações de promoção à saúde devem ser implementadas 
levando-se em consideração o ambiente onde as pessoas residem e trabalham 
(AUGUSTO, 2003). 
 A área de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) começou a ser 
implantada pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), com base no 
Decreto nº 3.450/2000, que estabeleceu, dentre suas competências, a “gestão 
do sistema nacional de vigilância ambiental”. No início, as atividades da VSA 
foram centradas na capacitação de recursos humanos, no financiamento da 
construção e reforma dos Centros de Controle de Zoonose e na estruturação 
do Sistema de Informação da Qualidade da Água para Consumo Humano 
(Sisagua) (ROHLFS, et al., 2011). 
 Em 2003, com a publicação do Decreto nº 4.726, houve a restruturação 
do Ministério da Saúde, com a criação da Secretaria da Vigilância da Saúde 
(SVS), que passou a ter como uma de suas competências a gestão do 
Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVSA), 
compartilhadas com Estados, Municípios e Distrito Federal em articulação com 
fóruns intra e intersetoriais e o controle social (ROHLFS, et al., 2011). 
 A atualização dascompetências da Vigilância em Saúde Ambiental se 
deu pela IN SVS nº 01/2005, na qual foram estabelecidas as áreas de atuação 
do SINVSA: água para consumo humano, ar, solo, contaminantes ambientais e 
substâncias químicas, desastres naturais, acidentes com produtos perigosos, 
fatores físicos e ambiente de trabalho. Além disso, incluíram os procedimentos 
de vigilância epidemiológica das doenças e agravos decorrentes da exposição 
humana a agrotóxicos, benzeno, chumbo, amianto e mercúrio (BRASIL, 2005). 
No processo de consolidação, os caminhos percorridos construíram 
avanços técnicos e operacionais, com resultados positivos na implementação 
 
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8 
da Vigilância em Saúde Ambiental dentro da estrutura do SUS. Destacam-se, 
dentre seus principais objetivos, a produção e interpretação de informações, 
visando disponibilizar ao SUS instrumentos para o planejamento e execução de 
ações relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e controle 
de agravos relacionados a fatores ambientais (ROHLFS, et al., 2011). 
 Vigipeq – Vigilância em Saúde de Populações Expostas a 
Contaminantes Químicos: tem como objetivo o desenvolvimento de 
vigilância em saúde visando adotar medidas de prevenção, promoção 
e atenção integral de populações expostas a contaminantes químicos. 
 Vigidesastres – Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos 
associados aos Desastres: tem como objetivo o desenvolvimento de 
um conjunto de ações a serem adotadas continuamente pelas 
autoridades de saúde pública para reduzir a exposição da população 
e dos profissionais de saúde aos riscos de desastres e a redução das 
doenças e agravos decorrentes deles. 
 Vigiagua – Vigilância da Qualidade da Água para o Consumo 
Humano: consiste no conjunto de ações adotadas continuamente 
pelas autoridades de saúde pública para garantir que a água 
consumida pela população atenda ao padrão de potabilidade 
estabelecido na legislação vigente. 
Para atender as demandas de Estados e Municípios, uma rede de 
Laboratórios de referência Nacional (LACEN) realiza análises de média e alta 
complexidade em amostras ambientais e biológicas. Essa rede é responsável 
pelas seguintes ações de vigilância: 
I. Análise da qualidade da água para consumo humano; 
II. Análise para a vigilância de populações humanas expostas aos 
fatores ambientais biológicos, químicos e físicos; 
III. Análise para a vigilância de saúde de trabalhadores expostos aos 
fatores ambientais, biológicos, químicos e físicos. 
 
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9 
De modo geral, pode-se concluir que, ao longo dos últimos anos, a área 
de Saúde Ambiental no Brasil adquiriu reconhecimento institucional na 
estrutura do Ministério da Saúde, entretanto, diversos ainda são os desafios a 
serem enfrentados pela área. 
Para você aprender mais sobre os programas em Saúde Ambiental, 
acesse seu material on-line e confira o vídeo da professora Joy. 
 
 
 
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Síntese 
Neste tema, estudamos a importância da Vigilância Ambiental em 
Saúde, vimos quais são suas ações e os tratados ambientais. Além disso, 
abordamos a crise ambiental e a saúde das populações, as ações da vigilância 
ambiental no Brasil e conhecemos os programas dessa vigilância. 
Assista agora ao vídeo de síntese que a professora Joy faz deste tema. 
 
 
 
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Referências 
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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
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Atividades 
1. A Vigilância em Saúde Ambiental é definida em documento do Ministério da 
Saúde como: 
a. Ações que visam diminuir a poluição ambiental e seu impacto na saúde. 
b. Controle da água para consumo humano e abastece as casas. 
c. Desenvolvimento de ações para preservar rios, riachos e nascentes. 
d. Um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente 
que interferem na saúde humana, com a finalidade de identificar as 
medidas de prevenção e controle de fatores de risco ambientais 
relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. 
 
2. O destino adequado dos esgotos sanitários tem como principal objetivo: 
a. Incentivar as atividades imobiliárias, valorizando as terras. 
b. Evitar o cheiro desagradável dos esgotos a céu aberto. 
c. Evitar a poluição do solo e dos mananciais de abastecimento de água. 
d. Evitar a contaminação de água de piscinas e utilizadas para recreação em 
geral. 
 
3. Os tratados ambientais têm entre seus principais assuntos: 
a. As guerras civis, que devido aos desastres consequentes poluem solo, 
água e ar. 
b. A emissão de gases que afetam a camada de ozônio, a sustentabilidade e 
o aquecimento global. 
c. O aumento de transportes aéreos, marítimos e pluviais e consequente 
aumento da poluição. 
d. As catástrofes naturais e formas de preveni-las. 
 
4. São Programas da Vigilância Ambiental: 
a. Vigiacqua, vigisolum, vigieletro. 
 
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b. Água para todos, PSF e vigilância epidemiológica. 
c. Cofab, Conab e Cgvam. 
d. Vigipeq, Vigidesastres e Vigiagua. 
 
5. Para atender as demandas de Estados e Municípios, uma rede de 
Laboratórios de referência Nacional (LACEN) realiza análises de média e 
alta complexidade em amostras ambientais e biológicas. Essa rede éresponsável pelas seguintes ações de vigilância: 
I. Análise da qualidade da água para consumo humano. 
II. Análise para a vigilância de populações humanas expostas aos fatores 
ambientais biológicos, químicos e físicos. 
III. Análise para a vigilância de saúde de trabalhadores expostos aos fatores 
ambientais, biológicos, químicos e físicos. 
De acordo com as afirmações a seguir, assinale a alternativa correta: 
a. Somente as alternativas I e II estão corretas. 
b. Somente as alternativas II e III estão corretas. 
c. Todas as alternativas estão corretas. 
d. Nenhuma alternativa está correta, uma vez que esses laboratórios não 
atendem demandas municipais. 
 
Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line.

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