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Psicologia da Comunicação

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da estrutura de representação de Moscovici. Tanto Durkheim quanto 
Piaget demonstraram que o estatuto da representação é, ao mesmo 
tempo, epistêmico, social e pessoal e é a consideração destas três 
dimensões que pode explicar por que as representações não são 
uma cópia do mundo externo, mas uma construção simbólica deste 
mundo (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013).
A inserção da criança no ambiente escolar objetiva aumentar a carga de estímulos para 
a aprendizagem. Os indivíduos jovens, no contexto humano, possuem sensores muito ativos 
nas fases iniciais da vida. Isso possibilita a apreensão das informações no cérebro. Portanto, a 
formação psicofísica dos seres humanos deve ocorrer de modo apropriado e cercado de cautela.
O contato com novas pessoas na gênese de sua inserção escolar pode incorrer em 
danos futuros inerentes ao caráter do indivíduo. Em fase de crescimento, a criança tem uma 
gama de necessidades. Além da necessidade de manutenção da vida, existem demandas por 
independência, aperfeiçoamento, segurança, autoestima, aprovação. São definidos os valores 
existenciais estéticos, intelectuais e morais (NOGUEIRA, 2016).
Caros acadêmicos, não nos esqueçamos de que as crianças, no Brasil, têm o direito 
à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer assegurado pelo Estatuto da Criança e do 
Adolescente, em seu capítulo IV.
Para que as crianças se tornem cidadãos, os adultos formadores têm um papel fundamental. 
Esse novo conjunto formado por crianças (classe escolar) é composto por uma infinidade de 
diferenças. Esses indivíduos estão apenas iniciando seu ciclo social, porém já chegam nessa fase 
com uma bagagem bastante volumosa advinda dos valores familiares aos quais foram expostos 
até então. Além disso, existem as diferenças físicas (gordo, magro, alto, baixo, branco, negro etc.) 
e também diferenças na capacidade de aprendizagem (NOGUEIRA, 2016).
A atividade sensório-motora precede a representação, e a aquisição da lingua-
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gem também está subordinada ao exercício da função simbólica. A represen-
tação deriva, em parte, da própria imitação, portanto, a imitação constitui uma 
das fontes da representação, que fornece essencialmente seus significantes 
imaginados. Pela imitação da ação, os repertórios dos comportamentos infantis 
são ampliados e gradualmente interiorizados. Por outro lado, o jogo (ou ativi-
dade lúdica) conduz igualmente da ação à representação, na medida em que 
evolui de sua forma inicial do exercício sensório-motor para a segunda forma 
de jogo simbólico ou de imaginação (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013, p. 40).
As crianças iniciam a construção de suas representações partindo de suas vivências 
(das trocas de experiências) e de sua qualidade. No momento em que vem ao mundo a criança 
não dispõe de instrumentos intelectuais completos, nem da representação do que a rodeia, 
embora esteja inserida num mundo social. Assim, Piaget foi um dos primeiros autores a refletir 
que a criança, no momento da elaboração de suas representações, baseia-se nas transmissões 
(diretas/indiretas), bem como nas suas próprias experiências, onde o nível intelectual é fator 
preponderante para a compreensão da realidade.
De forma sucinta, Moscovici (2004) atribui duas funções às RS.
QUADRO 4 - FUNÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SEGUNDO MOSCOVICI
1- Convencionam os objetos, 
pessoas ou acontecimentos
Elas lhes dão uma forma definitiva, as localizam em uma determinada 
categoria e gradualmente as põem como um modelo de determinado 
tipo, distinto e partilhado por um grupo de pessoas. Todos os novos 
elementos se juntam a esse modelo e se sintetizam nele. Mesmo 
quando um indivíduo ou objeto não se adequa exatamente ao 
modelo, nós o forçamos a assumir determinada forma, entrar em 
determinada categoria, na realidade, a se tornar idêntico aos outros, 
sob pena de não ser nem compreendido, nem decodificado. Nós 
pensamos através de uma linguagem; nós organizamos nossos 
pensamentos de acordo com um sistema que está condicionado, 
tanto por nossas representações, como por nossa cultura.
2- São prescritivas
Elas se impõem sobre nós com uma força irresistível. Essa força 
é a combinação de uma estrutura que está presente antes mesmo 
que nós comecemos a pensar e de uma tradição que decreta o que 
deve ser pensado.
FONTE: Adaptado de Reis e Belini (2011, p. 152)
Por outro lado, as RS têm papel fundamental na dinâmica das relações e nas práticas 
sociais e respondem a quatro funções que as sustentam:
QUADRO 5 - FUNÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS 
1- Função de saber
As RS permitem compreender e explicar a realidade. Elas permitem que 
os atores sociais adquiram os saberes práticos do senso comum em um 
quadro assimilável e compreensível, coerente com seu funcionamento 
cognitivo e os valores aos quais eles aderem.
2- Função identitária
As RS definem a identidade e permitem a proteção da especificidade 
dos grupos. As representações têm por função situar os indivíduos e os 
grupos no campo social, permitindo a elaboração de uma identidade social 
e pessoal gratificante, compatível com o sistema de normas e de valores 
socialmente e historicamente determinados.
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3- Função de orientação
As RS guiam os comportamentos e as práticas. A representação é 
prescritiva de comportamentos ou de práticas obrigatórias. Ela define o 
que é lícito, tolerável ou inaceitável em um dado contexto social.
4- Função justificadora
Por essa função as representações permitem, a posteriori, a justificativa 
das tomadas de posição e dos comportamentos. As representações têm 
por função preservar e justificar a diferenciação social, e elas podem 
estereotipar as relações entre os grupos, contribuir para a discriminação 
ou para a manutenção da distância social entre eles.
FONTE: Adaptado de Reis e Belini (2011, p. 152)
Considerando o progresso do desenvolvimento humano dentro de uma sequência universal, 
podemos dizer que o indivíduo evolui em sua compreensão do mundo em uma sequência ordenada, 
portanto, sua forma de compreender e organizar a realidade depende do desenvolvimento alcançado 
por suas estruturas intelectuais. O conhecimento social refere-se às representações elaboradas 
pelo homem a partir de suas inúmeras atividades. Trata-se da compreensão das ideias sobre si 
mesmo e a respeito dos outros (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013). 
Por fim, entendemos que as RS compreendem as concepções individuais que um 
sujeito, ou grupo social, têm a respeito de determinada temática abordada. Fazendo-se, dessa 
forma, presente nas relações sociais, bem como no conjunto de opiniões e comportamentos 
dos indivíduos, os quais refletem seus valores e condutas. Assim, as representações sociais 
traduzem a forma como o indivíduo pensa, interpreta e acredita em determinada realidade. 
3 RELAÇÕES ENTRE O INDIVIDUAL, O COLETIVO E A COMUNICAÇÃO
Os fenômenos individual e coletivo são alvos de investigação científica desde o século 
XX. O objetivo dos pesquisadores é evidenciar a interdependência entre os dois, ou seja, para 
explicar o nível coletivo se faz necessário um aporte teórico semelhante aos que são usados 
para a explicação do nível individual. Conforme visto anteriormente, a teoria das Representações 
Sociais (RS) de Moscovici reforça a ideia de que a identidade específica da Psicologia Social 
evidencia a exploração e a resolução de um problema histórico: As inter-relações entre os 
mundos individual e coletivo.
A Psicologia Social, desta forma, se apresenta como uma disciplina híbrida, 
preocupada em estabelecer as relações que se processam nos campos de 
estudo tanto da psicologia, como da sociologia. A crítica de Moscovici torna-se 
evidentemente mais incisiva quando o mesmo expõe sua preocupação quanto 
às intenções de muitos teóricos da Psicologia Social contemporânea, em es-
pecial os de origem norte-americana, em apenas acrescentar uma dimensão 
social aos

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