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Radiologia Física das Radiações Física das Radiações • Uma corrente eléctrica é o movimento de electrões num condutor, por exemplo um fio • O fluxo da corrente eléctrica – o número de electrões que passam num ponto num segundo – é medido em amperes • Depende de dois factores: a pressão, ou voltagem, da corrente (medida em volts), e da resistência do condutor ao fluxo da electricidade (medida em ohms) • A Lei de Ohm relaciona estes valores V = I x R Alimentação de Corrente O transformador do filamento reduz a voltagem da corrente alterna para cerca de 10 volts, regulado pelo controle de corrente do filamento (selector mA), que ajusta a resistência e assim o fluxo de corrente através do circuito de baixa voltagem, incluindo o filamento. Isto por sua vez regula a temperatura do filamento e em consequência o número de electrões emitidos Alta voltagem é necessária entre o ânodo e o cátodo para gerar raios-x. Um auto-transformador converte a voltagem primária da corrente alterna em voltagem secundária, a qual é regulada pelo selector de pico de kilovoltagem (selector kVp) Alimentação de Corrente Este selector escolhe uma voltagem de diferentes níveis do autotransformador e aplica-a através do transformador de alta voltagem, conseguindo elevar a energia dos electrões que passam na ampola até 60 a 100 keV O tipo de circuito de alimentação de energia, em que uma corrente alterna de alta voltagem é aplicada directamente na ampola de raios-x, limita a produção de raios-x a metade do ciclo da corrente alterna e é chamado de auto-rectificado (ou “half wave rectified”) Alimentação de Corrente Quase todos os aparelhos de raios-x dentários convencionais são auto-rectificados Uma ampola alimentada por uma fonte de potência auto-rectificada não pode trabalhar por longos períodos de tempo, sob pena de derreter o filamento, ou, eventualmente, danificar o invólucro de vidro Alimentação de Corrente Um temporizador faz parte do circuito de alta voltagem, de modo a controlar a duração da exposição de raios-x, controlando o período de tempo em que a alta voltagem é aplicada à ampola, e em consequência, o tempo durante o qual a corrente flúi na ampola e os raios-x são produzidos Antes da alta voltagem ser aplicada, o filamento deve ser aquecido para assegurar uma emissão adequada de electrões Para minimizar a fusão do filamento, o circuito do temporizador envia primeiro, durante cerca de meio segundo, corrente através do filamento para o aquecer até à temperatura apropriada Alimentação de Corrente • Alguns fabricantes de aparelhos de raios-x dentários substituem a corrente alterna convencional de alta voltagem de 60 ciclos da ampola de raios-x, por uma corrente de alta frequência, com um potencial praticamente constante entre o ânodo e o cátodo • Para uma determinada voltagem e densidade radiográfica, as imagens resultantes destas máquinas de potencial constante, tem uma maior escala de contraste, com menor dose de irradiação do paciente, quando comparadas com os aparelhos de raios-x convencionais Especificações da Ampola Cada aparelho de raios-x tem especificações da ampola que descrevem o tempo de exposição máximo que a ampola pode ser submetida a carga sem risco de danificar o foco por sobre aquecimento Estas especificações descrevem, de forma gráfica, os intervalos de segurança máximos (segundos) que a ampola pode ser usada numa escala de voltagens (kVp) e valores de corrente do filamento (mA) Geralmente, estas especificações não acarretam qualquer restrição no uso da ampola para radiografia intra-oral, no dia a dia. A situação modifica-se quando o aparelho é utilizado em exposições extra-orais Especificações da Ampola O “duty cicle” indica-nos a frequência com que exposições sucessivas podem ser efectuadas A acumulação de calor no ânodo é medida em “heat units” (HU), e é definida pela seguinte equação: HU = kVp x mA x seg. A capacidade de acumulação de calor para ânodos de ampolas de diagnóstico em medicina dentária é de aproximadamente 20 kHU As características de arrefecimento dos ânodos são descritas pelo número máximo de unidades de calor que pode armazenar sem dano, e da taxa de dissipação de calor, determinada pelas curvas de arrefecimento fornecidas pelo fabricante da ampola Resumo Para produzir raios-x é necessário ter uma fonte de electrões que choque contra um alvo com suficiente energia. Este é o processo físico em que a maior parte da energia do electrão se converte em calor e uma pequeníssima quantidade de energia se converte em raios X O diferente comprimento de onda determina a qualidade ou dureza dos raios-x. Quanto menor for o comprimento de onda, fala-se de radiação mais dura, que tem maior poder de penetração Produção de Raios-X Os electrões que se deslocam do cátodo para o ânodo, convertem parte da sua energia cinética em fotões de raios-x, através da produção de “bremhstrahlung” e de radiação característica “Bremsstrahlung” • A radiação “bremhstrahlung”, é a fonte primária dos fotões de raios-x com ponto de partida na ampola, é produzida pela súbita paragem ou abrandamento dos electrões de alta velocidade no alvo. (“bremsstrahlung” significa radiação travada, em alemão) • Quando os electrões do filamento embatem no alvo de tungsténio, são criados fotões de raios-x se os electrões atingem directamente um núcleo do alvo ou se a sua trajectória os faz passar perto de um núcleo • Se um electrão de alta velocidade atinge directamente o núcleo de um átomo do alvo, toda a sua energia cinética é transformada num único fotão de raios-x “Bremsstrahlung” “Bremsstrahlung” • A energia do fotão resultante é numéricamente igual á energia do electrão. Esta por sua vez é igual à kilovoltagem aplicada na ampola no momento da sua passagem • No entanto, a maioria dos electrões de alta velocidade não atinge um núcleo, passando ao lado, perto ou longe, do mesmo • Neste tipo de interacção, um electrão de alta velocidade, com carga negativa, é atraído para o núcleo, com carga positiva, e perde parte da sua velocidade “Bremsstrahlung” • Esta desaceleração faz com que o electrão perca alguma da sua energia cinética, na forma de vários novos fotões • Quanto mais perto o electrão de alta velocidade se aproximar do núcleo, maior é a atracção electrostática sobre o electrão, o efeito de travagem, e a energia dos fotões “bremsstahlung” resultantes • As interacções “bremsstahlung” originam fotões de raios-x com um espectro contínuo de energia • A energia de um feixe de raios-x pode ser descrita através da “peak operating voltage” (em kVp) “Bremsstrahlung” “Bremsstrahlung” • Um aparelho de raios-x dentário que trabalhe p.e. com uma voltagem máxima de 70.000 volts (70 kVp), aplica uma voltagem variável de até 70 kVp, através da ampola • Esta ampola produz então fotões de raios-x com energias variáveis até um máximo de 70.000 volts (70 kVp) “Bremsstrahlung” “Bremsstrahlung” • O espectro contínuo de energia dos fotões deve-se a: 1. Variação contínua da diferença de voltagem entre o filamento e o alvo (“half wave rectification”) 2. Os electrões incidentes passarem a diferentes distâncias dos núcleos, sendo assim deflectidos em diversos graus 3. A maioria dos electrões participar em múltiplas interacções “bremsstrahlung” antes de perderem a sua energia cinética Radiação Característica • A radiação característica forma-se quando um electrão do filamento desloca um electrão de um nível de um átomo de tungsténio do alvo, ionizando o átomo • Quando isto acontece, um electrão de um nível mais externo do átomo de tungsténio é rapidamente atraído para o vazio criado no nível interno deficitário • É então emitido um fotão com energia equivalente à diferença na energia de ligação entre os dois níveis orbitais Radiação Característica Radiação Característica • A radiação característica do nível K nos átomos de tungsténio ocorre apenas acima dos 70 kVp, (como discretos incrementos– ver gráfico), quando comparada com a radiação “bremsstrahlung” • A energia dos fotões característicos é função dos níveis energéticos dos vários níveis dos electrões orbitais e, por conseguinte, característica dos átomos do alvo • A radiação característica constitui uma pequena parte da radiação emitida por uma ampola de raios-x Controle do Feixe Raios-X • O feixe de raios-x emitido por uma ampola pode ser modificado pela variação de determinados parâmetros, a saber: 1. Tempo de exposição (temporizador) 2. Corrente da ampola (mA) 3. Voltagem da ampola (kVp) 4. Filtração 5. Colimação 6. Distância foco - paciente Tempo de exposição • Quando se duplica o tempo de exposição, o número de fotões gerados em todas as energias do espectro de emissão de raios-x duplica, embora o intervalo de energia dos fotões permaneça inalterado Assim, a alteração do tempo de exposição apenas controla a quantidade de exposição (o número de fotões criados) Corrente da Ampola • À medida que se aumenta a miliamperagem (mA), mais energia é aplicado no filamento, que aquece e liberta mais electrões, os quais ao colidirem com o alvo produzem radiação Assim, a quantidade de radiação produzida pela ampola (i.e. o número de fotões que chega ao paciente e à película) é directamente proporcional à corrente (mA) da ampola e ao tempo que esta trabalha • A quantidade de radiação produzida é expressa como o produto do tempo e da corrente da ampola. A quantidade de radiação permanece constante, independentemente de variações no tempo e na corrente, enquanto o seu produto permanecer constante Voltagem da Ampola À medida que se aumenta a voltagem (kVp), aumenta a diferença de potencial entre o ânodo e o cátodo, aumentando assim a energiada cada electrão aquando do embate destes no alvo Isto resulta num aumento da eficiência da conversão da energia dos electrões em fotões de raios-x, aumentando assim: o número de fotões criados a sua energia média a sua energia máxima Voltagem da Ampola • O aumento do número de fotões produzido por unidade de tempo, quando se aumenta a kilovoltagem, resulta numa maior eficiência na produção de fotões “bremsstrahlung”, que ocorre quando maior quantidade de electrões de alta energia colide com o alvo • A capacidade de penetrar a matéria dos fotões de raios-x depende da sua energia. Fotões de raios-x de alta energia têm uma maior probabilidade de penetrar a matéria, enquanto que fotões de relativa baixa energia têm maior probabilidade de serem absorvidos • Assim, quando maior for a kVp e a energia média do feixe de raios-x, maior é a capacidade de penetração do feixe na matéria Filtração Embora um feixe de raios-x consista num espectro de fotões de raios-x de diferentes energias, apenas os fotões com energia suficiente para penetrar através das estruturas anatómicas e atingir o receptor de imagem (geralmente película) são úteis para o diagnóstico radiológico Os fotões de baixa energia (comprimento de onda longo) contribuem para a exposição do paciente (e risco) mas não têm energia suficiente para atingir a película; assim, para reduzirmos a dose no paciente, os fotões menos penetrantes devem ser eliminados Filtração Filtração • Este efeito é parcialmente conseguido com a colocação de um filtro de alumínio na trajectória do feixe de raios-x. O alumínio remove, preferencialmente, muitos dos fotões de menor energia • Ao calcular a quantidade de filtração necessária para um determinado aparelho de raios-x, deve-se ter em consideração a kVp e a filtração inerente da ampola e seu revestimento • A filtração inerente é devida aos materiais que os fotões de raios-x encontram no seu trajecto do alvo para o objecto a radiografar – vidro, óleo de isolamento e o material de contenção do óleo Filtração • A filtração inerente da maior parte dos aparelhos de raios-x varia entre 0,5 e 2 mm de alumínio • A filtração total é a soma da filtração inerente com a filtração externa adicional, fornecida pela colocação de discos de alumínio entre o diafragma e a janela de vidro da ampola • A filtração total no trajecto de um feixe de raios-x utilizado habitualmente em radiologia dentária deve ser igual ao equivalente de 1,5 mm de alumínio até 70 kVp, e 2,5 mm de alumínio para voltagens superiores Colimação • Um colimador é uma barreira metálica com uma abertura no meio, usada para reduzir o tamanho do feixe de raios-x, e em consequência o volume de tecido irradiado no paciente • Os colimadores mais usados em dentistria são redondos ou rectangulares • O feixe de raios-x dentário é geralmente colimado para um círculo de 7 cm de diâmetro Colimação Colimação • Um colimador redondo é uma placa espessa de material radiopaco (geralmente chumbo) com uma abertura circular por onde passa o feixe de raios-x da ampola • Os colimadores rectangulares limitam ainda mais o tamanho do feixe, para pouco mais que o tamanho da película • Alguns tipos de instrumentos de suporte das películas também fornecem colimação rectangular do feixe de raios-x Colimação • O uso de colimação também melhora a qualidade da imagem • Quando um feixe de raios-x é apontado a um paciente, os tecidos absorvem cerca de 90% dos fotões de raios-x, e os restantes 10% passam através do paciente e atingem a película. Muitos dos fotões absorvidos geram radiação dispersa dentro dos tecidos expostos por um processo chamado efeito de Compton. • Estes fotões dispersos viajam em todas as direcções e alguns atingem a película, degradando a qualidade da imagem Distância Foco - Paciente • A intensidade de um feixe de raios-x num dado ponto, depende da distância do aparelho de medida ao alvo • Para um dado feixe, a intensidade é inversamente proporcional ao quadrado da distância da fonte de radiação • Este decréscimo de intensidade deve-se ao facto de o feixe de raios-x se alargar, à medida que se afasta do ponto de origem • Assim, quando se altera a distância entre a ampola e o paciente, tal facto tem um efeito marcado na intensidade do feixe Distância Foco - Paciente