Prévia do material em texto
DESIGN DO PRODUTO PROFESSORAS Me. Ana Paula Furlan Me. Sabrina Giselle Levinton Quando identificar o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Acesse o seu livro também disponível na versão digital. Google Play App Store DESIGN DO PRODUTO 2 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; FURLAN, Ana Paula; LEVINTON, Sabrina Giselle. Design do Produto. Ana Paula Furlan; Sabrina Giselle Levinton. Maringá - PR.:Unicesumar, 2019. 144 p. “Graduação em Design - EaD”. 1. Design. 2. Produto. EaD. I. Título. CDD - 22ª Ed. 745 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 ISBN: 978-85-459-1663-5 Impresso por: Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo. Coordenador(a) de Conteúdo Sandra Franchini, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração José Jhonny Coelho, Designer Educacional Kaio Vinicius Cardoso Gomes, Hellyery Agda, Revisão Textual Ariane Fabreti, Meyre Barbosa, Ilustração Marta Kakitani, Fotos Shutterstock. Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Wilson Matos da Silva Reitor da Unicesumar boas-vindas Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Willian V. K. de Matos Silva Pró-Reitor da Unicesumar EaD Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. boas-vindas Débora do Nascimento Leite Diretoria de Design Educacional Janes Fidélis Tomelin Pró-Reitor de Ensino de EAD Kátia Solange Coelho Diretoria de Graduação e Pós-graduação Leonardo Spaine Diretoria de Permanência autores Me. Ana Paula Furlan Possui Mestrado em Educação para o Ensino da Ciência e da Matemática pela UEM (2013). Pós-Graduação em Design de Moda pela UEL (2004). Graduação em Moda pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2002). Professora titular do Centro de Ensino Superior de Maringá - Unicesumar- Educação à Distância (EAD) e Presencial. Consultora de Produto de Moda. Experiência nas áreas de Moda e Design, atuando principalmente nos seguintes temas: moda, sustenta- bilidade, design e gestão. Link: <http://lattes.cnpq.br/1094849858834582>. Me. Sabrina Giselle Levinton Mestre em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (2015) seguindo a linha de pesquisa Empreendedorismo, Inovação e Mercado. Especialista em Criação e Produção de Moda pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2006). Graduação em Desenho Industrial - Projeto de Produto pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002). Possui aperfeiçoamento em Coolhunting and Fashion Trends pelo Instituto Europeo Di Design, IED, Barcelona/Espanha (2008). Atualmente é Analista de Negócio e Docente no SENAI Maringá. Trabalha com desenvolvimento de consultoria em Gestão do Design, Desenvolvimento de Produto, Planejamento e Desenvolvimento de Coleção e Coolhunting - Pes- quisa de Tendências, além de ministrar disciplinas relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento de moda. Link: <http://lattes.cnpq.br/1376813249141536>. Olá, aluno(a)! Bem-vindo(a) ao mundo da moda. Este livro está dividido em cinco unidades, cada qual com um conhecimento diferente e que juntas, ao final, possi- bilitarão a você desenvolver a capacidade de pesquisar e interpretar os direciona- mentos de moda com o intuito de organizar, planejar e desenvolver uma coleção de moda direcionada para um determinado público-alvo. A seguir, apresentamos o que você estudará em cada unidade. Na Unidade I, estaremos dentro do universo da pesquisa de moda, aprenderemos a observar e organizar o que nos inspira e também como interpretar os diferentes níveis de uma tendência e qual a sua função. Uma pesquisa de moda é o primeiro passo para o desenvolvimento produtivo e criativo de uma coleção. Na Unidade II, aprenderemos a planejar e estruturar uma coleção de moda. An- tes de sair por aí desenhando sem alguma referência ou algum direcionamento, é necessário estabelecer parâmetros para a coleção. Assim, definir prazo, orça- mento e etapas para o desenvolvimento competem à geração de um cronograma de desenvolvimento de coleção, definição das cores e matérias-primas que serão utilizadas, quais as peças e qual o perfil delas em relação ao público-alvo, criando, assim, o mix de produtos. Na Unidade III, abordaremos como direcionar o processo criativo de uma maneira assertiva a partir da análise de venda de coleções anteriores, da estruturação das etapas de desenvolvimento do projeto de produto adaptado ao produto de moda e como esse processo pode colaborar, ainda, na criação de um portfólio de moda para o estilista/designer de moda. Na Unidade IV, faremos o acompanhamento de uma coleção por meio dos registros necessários para que as peças sejam produzidas corretamente, saberemos o que observar e analisar durante uma prova de roupas com a peça piloto e aprendere- mos, também, alguns possíveis direcionamentos de mercado em que uma coleção pode se enquadrar. Por fim, na Unidade V, veremos estratégias de aproveitamento de materiais e coleções passadas, com foco na sustentabilidade e em propostas que estendam o ciclo de vida do produto de moda. Ótimos estudos! apresentação do material sumário UNIDADE I PESQUISA DE MODA 14 Como realizar pesquisa de Moda e sua aplicabilidade 19 O que são tendências e qual a sua função para o Produto de Moda? 24 Como gerar painéis de Inspiração UNIDADE II PLANEJAMENTO E ESTRUTURA DA COLEÇÃO DE PRODUTOS DE MODA 40 Planejamento e Organização de uma Coleção de Produtos de Moda 44 Definição de Cores, Materiais e Estilo da Coleção 48 Mix de Moda e Mix de Produtos de uma Coleção UNIDADE III UNIVERSO CRIATIVO E CRIAÇÃO DE MODA 68 Gerenciamento de Informações de Coleções Prévias 72 Planejamento de Coleção de Moda 78 Metodologia Projetual Adaptada ao Produto de Moda UNIDADE IV GERECIAMENTO DA COLEÇÃO DE PRODUTO DE MODA 94 Gerando a Documentação Técnica 99 Prova de Roupa e Aprovação de Coleção 103 Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção UNIDADE V PLANEJAMENTO DO DESIGN SUSTENTÁVEL 122 Design Sustentável 124 Customização, Upcycling e Downcycling 127 Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção com Conceito de Sustentabilidade 139 Conclusão Geral Professora Me. Paula Furlan Professora Me. Sabrina Giselle Levinton Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Como realizar pesquisas de moda e sua aplicabilidade • O que são tendências e qual a sua função para o produto de moda? • Como gerar painéis de inspiração Objetivos de Aprendizagem • Identificar os direcionamentos de estilo e comportamento que influenciam a moda. • Compreender a origem das informações e direcionamentos associados às tendências. • Organizar e selecionar as informações coletadas por meio da pesquisa de moda, bem como o ciclo de vida dos produtos. PESQUISA DE MODA unidade I INTRODUÇÃO O lá, seja bem-vindo(a), aluno(a). Nesta unidade, daremos iní- cio às primeiras atividades que correspondem a observar, compreender, selecionar e interpretar as informações sobre moda, tendências, estilos e que, posteriormente, serão con- densadas na coleção. Aprenderemos a realizar a pesquisa de moda de forma correta, produtiva e coerente com o perfil do público-alvo e do segmento selecionado pela empresa, ou seja, perfil de consumidores. Conheceremos quais são as técnicas utilizadas pelos coolhunters, profissionais especializados na observação e predição de tendências, para auxiliar no processo do entendimento dos direcionamentos da moda. A pesquisa de moda é o primeiro passo para o desenvolvimento de um pro- duto ou coleção e, muitas vezes, é uma atividade contínua em uma em- presa. Veremos também, qual o ponto de partida e a função das tendên- cias de moda para o desenvolvimento de uma coleção e aprenderemos como utilizar esses direcionamentos de maneira assertiva no desenvolvi- mento da coleção. Tão importante quanto realizar uma pesquisa de moda correta é saber analisar, selecionar e filtrar as informações coletadas para então, posteriormente, construir o conceito da coleção. Esse conceito, caro(a) aluno(a), veremos, detalhadamente, como deve ser realizado por meio da geração de painéis organizativos oriundos da pesquisa, bem como deve- mos utilizar, extraindo informações do painel conceitual da coleção. Uma pesquisa de moda muito bem delineada fornece todas as informações necessárias para o desenvolvimento de uma coleção. Quanto maior o número de informações, melhor é o processo de seleção, po- rém, é preciso coerência na busca e muita atenção durante a escolha, pois a com- binação das informações coletadas é fundamental para a excelência do produto final. Definir as fontes de pesquisa também faz parte da organização de uma cole- ção, a qual deve ser planejada e contemplada no cronograma de desenvolvimento de coleção, respeitando os prazos iniciais e finais, ou seja, temos datas específicas de início e término para, posteriormente, iniciarmos o desenvolvimento. Portan- to, nesta unidade, aprenderemos a pesquisar, organizar e selecionar as informa- ções coletadas de uma pesquisa de moda. Bons estudos! DESIGN DO PRODUTO 14 Como Realizar Pesquisa de Moda e sua Aplicabilidade Podemos entender a pesquisa de moda como um processo contínuo, uma vez que há, diariamente, modificações no mercado e lançamento de novas tecnologias, que alteram as tendências de moda. A pesquisa constitui uma etapa importante para que o designer possa desenvolver seu trabalho de forma a criar uma coleção coerente com os direcionamen- tos de estilo da temporada, mas também que possa interagir com seu público-alvo (TREPTOW, 2003). A pesquisa consiste em observar, consultar e regis- trar dados, além de, depois de coletadas, interpretar e adaptar as informações à coleção. Conforme Sant’Anna e Barros (2010), a pes-quisa de tendências de moda é importante, uma vez que a inovação constante desta área é direcio- nada pelas oportunidades de mercado em que as empresas necessitam desenvolver produtos que os consumidores não só desejem, mas que também os adquiram, ou seja, não ficando somente no pata- mar da admiração das criações ou coleções. “Desta forma, a pesquisa de tendência é informação es- tratégica para os processos criativos de toda a ca- deia produtiva de moda” (SANT’ANNA; BARROS, 2010, p. 2). DESIGN 15 Quanto mais variada for a fonte da pesquisa, maiores as possibilidades da geração de diferentes tipos de informações, sendo assim, o designer deve identificar quais são as modalidades que lhe interes- sam, conforme o segmento, produto ou público em que deseja atuar. Vamos imaginar que, pesquisando sobre ten- dências, de repente, apareçam várias informações e imagens sobre tendências que estão em voga com referências artesanais. Automaticamente, o designer deverá fazer uma busca mais profunda sobre o tipo de tendência artesanal, ou seja, de qual localidade é oriunda, se existe dificuldade de acesso, e também, poderá fazer uma pesquisa regional, para verificar se há algum processo artesanal específico em sua região que possa ser valorizado e inserido em uma coleção. O Quadro a seguir apresenta os tipos de pesqui- sas que podem ser realizadas e qual o seu objetivo, porém, não há uma obrigatoriedade de que todas as opções sejam utilizadas, pois um designer de moda sempre deve saber quais são os tipos de pesquisa que deve desenvolver para o sucesso de sua coleção. TIPO DE PESQUISA OBJETIVO Pesquisa de Comportamento Acompanhar hábitos de consumo, rotina, preferências de determinado perfil da população, normalmente está associada ao público-alvo delimitado pela marca. Pesquisa de Mercado Verificar marcas concorrentes ou inspiracionais e suas estratégias em relação ao produto oferecido ao mercado, preço e mecanismos de promoção. Pesquisa de Tendências Identificar direcionamentos para a estação, propostos por órgão especializados, feiras e outros designers/marcas em relação a cores, aos tecidos e ao estilo etc. Pesquisa Tecnológica Acompanhar lançamentos de tecnologias, maquinários ou processos que auxiliem a criação ou os processos de produção da coleção. Pesquisa de Vocações Regionais Identificar processos ou matéria-prima que possa diferenciar a coleção por meio de técnicas alternativas. Pesquisa de Tema de Coleção Após definição do tema para a coleção, realizar levantamento das informações que servirão como inspiração e, dentre alguns temas que podem ser pesquisados, temos arquitetura, música, indumentária etc. Quadro 1 - Tipos de Pesquisa e Seus Objetivos / Fonte: adaptado de Treptow (2003, p. 78). DESIGN DO PRODUTO 16 Embora saibamos que é de responsabilidade do de- signer selecionar quais os tipos de pesquisa são re- levantes, não se pode desconsiderar que, especifica- mente, a pesquisa de tendências precisa ser refeita a cada mudança de estação ou de ciclo de vida do produto, pois é esta que oferece informações quan- to às cores, às formas e à matéria-prima. Viajar, ir a exposições, frequentar lugares culturalmente ativos, feiras, mostras e museus, ler jornais e revistas sobre o cotidiano, bem como publicações específicas sobre desfiles e lançamentos de moda, além de acompa- nhar as marcas nacionais e internacionais, cada ação citada auxilia e faz parte das atividades para identifi- cação de tendências. Assim, com tantas opções de locais e atividades, Liger (2012) sugere que algumas etapas devem ser seguidas para que o processo seja facilitado. O Qua- dro a seguir apresenta a sequência de etapas a serem desenvolvidas na pesquisa de tendências. O benchmarking é um processo de pesquisa que auxilia os profissionais de uma empresa ligados ao mercado a compararem: a. Os produtos oferecidos no mercado. b. As práticas empresariais definidas. c. Os serviços oferecidos. d. As estratégias de comunicação. e. As metodologias utilizadas por outras em- presas concorrentes com a finalidade de aproveitar uma informação ou estratégia que possibilite o seu crescimento ou melhoria. Existem vários tipos de benchmarking que po- dem ser desenvolvidos sempre com o objetivo de aumentar a competitividade da empresa que o desenvolve. Fonte: as autoras. SAIBA MAIS ETAPAS OBJETIVO Definir as fontes da pesquisa Selecionar em quais jornais, revistas, publicações e sites sobre política, economia, moda, design (nacionais e internacionais) será feita a pesquisa. Coletar dados Selecionar dados de curto, médio e longo prazo. Conceituar a leitura em relação às tendências Algumas tendências têm caráter mais comportamental; é preciso verificar qual o posicionamento da população em relação a este tema. Filtrar informações para o público-alvo Identificar quais tendências de fato podem ser utilizadas para o público-alvo da marca. Aplicação da pesquisa Utilização das informações filtradas da pesquisa que servirão de direcionamento para a conceituação da coleção. Quadro 2 - Etapas da Pesquisa de Tendências Fonte: adaptado de Liger (2012, p. 93). Seguindo as etapas sugeridas por Liger (2012), o processo de pesquisa e organização das informações pode ser inserido e planejado no cronograma de de- senvolvimento de coleção. As principais ferramen- tas para a pesquisa de moda são uma máquina foto- gráfica e um caderno de anotações ou tablet para as pesquisas de rua, ou a criação de algumas pastas no computador para pesquisas realizadas via Internet. Cada designer ou estilista desenvolve suas pró- prias ferramentas, alguns preferem, ainda, o sistema manual de ilustração e anotações, e outros optam pela organização virtual. Independentemente das ferramentas, a pesquisa de moda é parte integrante do desenvolvimento de uma coleção e precisa ser es- truturada de forma correta e eficiente. DESIGN 17 Relevante ressaltar que a pesquisa de moda tem um poder de auxílio expressivo no desenvolvimento de uma coleção, pois, na fase da concepção, é necessá- rio ter, claramente, as informações e direcionamen- tos que podem ser utilizados. Diante disso, Liger (2012, p. 94) complementa: [...] todos os dados relacionados à pesquisa servem como base conceitual de uma coleção que corresponde ao target e esteja dentro do que está em destaque. Mas, quando a coleção é criada, o tema é uma inspiração do estilista e a tendência, nesse caso, funciona como base nor- teadora. O estilista deve saber qual a tendência que se adapta às suas escolhas. Como visto no início, a pesquisa de moda engloba uma série de atividades e características organiza- tivas para que seja realizada corretamente. Alguns profissionais chamados coolhunters – explicitamen- te, em português, os “caçadores de tendências” ou de coisas legais que se especializam em observar o mercado, as pessoas, os comportamentos e apresen- tam possíveis direcionamentos às empresas que têm interesse em lançar produtos inovadores. Em outro momento, são as empresas que par- ticipam do lançamento de novas tendências, sem a necessidade da interferência dos coolhunters, que é o caso de produtores têxteis ou estamparias. O termo coolhunting surgiu no início dos anos 90 e se utiliza de áreas de conhecimento, como psicologia evoluti- va, antropologia, sociologia, pesquisa e etnografia. Alguns autores ainda definem “Coolhunting como um termo do mundo do marketing que se refere à predição de futuras tendências e mudanças no con- sumo” (RIEZU, 2009, p. 6). Embora seja uma área de especialização com- plexa e externa ao processo de planejamento e de- senvolvimento de coleção, até porque o objetivo final não é a criação de uma coleção em si, como é o objetivo do designer, podemos aproveitar algu- mas técnicas utilizadas pelos coolhunters para me- lhor realizar a pesquisa de moda para uma coleção e identificar com maior facilidade alguns direcio- namentos. “Achave do coolhunting é buscar pesso- as ‘cool’ primeiro, e encontrar coisas ‘cool’ depois” (RIEZU, 2009, p. 15), ou seja, a comunicação e as tendências são sempre sobre pessoas, os produtos e serviços gerados pela relação das pessoas são uma consequência. O questionamento é um dos pontos relevantes a ser utilizado durante uma pesquisa de moda. O pro- fissional coolhunter não aceita simplesmente uma informação, e isso colabora com a percepção se é re- almente uma tendência ou um fad. Assim, três per- guntas são úteis para serem realizadas frente a uma possível tendência: DESIGN DO PRODUTO 18 As tendências são, normalmente, consideradas se- quenciais ou lineares, o que nem sempre ocorre, uma vez que o mercado pode sofrer variações ines- peradas. A pesquisa de moda deve contemplar esta imprevisibilidade também, ou seja, um direciona- mento pode não se confirmar da maneira em que está sendo apresentado graficamente em uma pales- tra, por exemplo, assim, vale a sensorialidade utili- zada pelos coolhunters para auxiliar a interpretação das pesquisas. A seguir, veremos com mais profun- didade a origem e função das tendências. Quem está por detrás desta tendência? Quais são os fundamentos sólidos que sustentam essas tendên- cias, como de uma pessoa importante da música, de um setor representativo, como o de alimentos ou farmacêutico, uma in- dústria reconhecida por ser inovadora etc.? Quais são as possibilidade de acesso ao mainstream (mercado de massa)? Aqui, não nos referimos como “mercado de massa” ao mercado de populares no sentido de baixo teor de qualidade ou informa- ção já processada, mas sim, na popularização, no sentido de que as tendências devem ser de fácil acesso, compreensíveis, baratas e atrativas. Como exemplo de produto, podemos citar o pendri- ve, e de serviço, podemos citar a compra via Internet. A tendência é visível em mais de um lugar? Se surgem indicações de determinada tendência em mais de um lugar, por meio de diferentes segmentos ou indústrias, a tendên- cia tem grande chance de se tornar uma confirmação. A cada pouco tempo, uma novidade anula a anterior sem que exista uma mediação entre elas de causa nem relação visível ou razoável entre elas. (Maria Domínguez Riezu) REFLITA DESIGN 19 O Que São tendências e Qual a Sua Função para o Produto de Moda? A priori, faz-se necessário entender que tendências não são regras, são direcionamentos e, enquanto su- gestões de caminhos, podem sofrer alterações antes de suas confirmações acontecerem, ou, ainda, sim- plesmente deixarem de existir. Assim começa o tra- balho do designer, desenvolvendo sua pesquisa de moda por meio do conhecimento das tendências para a estação que pretende desenvolver sua cole- ção. “A moda move-se rapidamente em comparação a outras indústrias criativas e isso reflete na pressão constante para lançar tendências a cada estação” (SORGER; UDALE, 2009, p. 16). A pesquisa de tendências está baseada na busca de informações quanto a padrões de comportamento, materiais e aviamentos e, sendo assim, oferecem in- dicativos para as cores, as texturas e os modelos da estação a que se referem. Também os fornecedores de matéria-prima, aviamentos e estamparias já de- senvolvem suas coleções considerando os direcio- namentos apontados pelas tendências. Nesta etapa da pesquisa direcionada às tendências, é importan- te identificar o que está disponível para aquisição, quem vende ou fabrica e qual será o custo para a coleção (SORGER; UDALE, 2009). DESIGN DO PRODUTO 20 Para Liger (2012), existem três patamares da ten- dência. O primeiro deles se refere à observação de movimentos da sociedade em vários âmbitos, como econômico, social, comportamento, e esses movi- mentos são traduzidos em conceitos para que fabri- cantes de matéria-prima, aviamentos ou beneficia- mentos desenvolvam seus produtos. O segundo patamar considerado por Liger (2012) sugere que a tendência é proposta pelos es- tilistas e designers de grandes marcas que utilizam as informações do primeiro patamar e desenvolvem suas coleções propondo o estilo para a determinada estação. E, por último, fazem parte do terceiro pata- mar os produtos que resultam das informações dos dois patamares anteriores e já foram confirmados por outras marcas e aceitos pelo público em geral. Cada tipo de tendência tem duração diferente. Podemos falar de tendências de moda, mas também existem as macrotendências, as megatendências e o fad. Uma tendência de moda é um direcionamento que pode durar até cinco anos e indica a roupa que vestimos, os gadgets e as expressões de linguagem, por exemplo, que utilizamos e que tendem a mudar de estação para estação (SORGER, 2010). As macrotendências e megatendências têm rela- ção com a observação de mudanças, além das roti- neiras no nosso dia a dia, como mudanças sociais e de comportamento, por exemplo. As macrotendên- cias podem ser identificadas nas mudanças políticas e nas novas tecnologias e têm duração de uma a duas décadas; já as megatendências costumam durar mais de duas décadas e podem ser identificadas por meio das mudanças na arquitetura e urbanização, por exemplo, assim como comportamentos e posiciona- mentos ideológicos (LINDKVIST, 2010). A fad ou moda passageira, como o nome já indica, tem um tempo de duração muito curto, são voláteis e surgem de maneira espontânea, em geral estão ligadas diretamente às celebridades ou pessoas de grande alcance midiático, e sua popularidade está ligada aos elementos que a tornam atraente ao pú- blico (RIEZU, 2009). Para compreender melhor as tendências e criar produtos de moda, é preciso ter uma boa cultura geral. No entanto, não me refiro somente ao conhecimento contemporâneo, refiro-me também a conhecer o passado. (Ilce Liger) REFLITA A moda e as tendências estão ligadas à sazonali- dade ou a algum aspecto temporal, portanto, po- demos dizer que acontecem em ciclos, desde sua ascensão até o seu declínio. Conforme o perfil do ciclo, ele pode sofrer variações de duração, ou seja, alguns estilos duram mais tempo e outros popu- larizam e deixam de existir rapidamente. Também nos orientamos quanto ao ciclo de vida do produto, que rege o caminho percorrido do lançamento ao declínio, isto é, do início de um produto de moda no mercado até sua retirada, geralmente, em final de coleções. A seguir, temos a Figura 1, que apresenta um gráfico do ciclo de vida do produto com processo de adoção pelos consumidores (percentuais de pos- síveis compradores em cada fase do ciclo de vida): DESIGN 21 Inovadores 2,5% Retardatários 16% Adotantes Imediatos 13,5% Maioria Inicial 34% Maioria Tardia 34% Figura 1 - Consumidores que compram produtos de moda / Fonte: Lima (2008, p. 91). Este gráfico traz a curva de adoção ou, ainda, Difusão de Inovações, ou seja, o posicionamento dos consu- midores perante o produto, mostrando percentuais que identificam suas respectivas compras, isto é, em qual momento, quantos são, como consomem e são classificados em: Inovadores, Adotantes Imediatos, Maioria Inicial, Maioria Tardia e Retardatários. Os Inovadores representam 2,5% e são sempre os primeiros a aderir a uma novidade, assumem ris- cos e gostam de estar sempre na moda, são respon- sáveis por difundir as inovações para maior parte da população, como amigos e pessoas do seu convívio. Os Adotantes Imediatos são 13,5% e têm como ca- racterística o perfil de serem líderes de opinião, já que compram o produto ainda em fase inicial. A Maioria Inicial é representada por 34% dos consumidores, e esse perfil tem como característica observar as experiências de outros usuários para fa- zer a aquisição do novo produto, com isso, consegue ver as vantagens que o produto oferece antes da ade- são. Já a Maioria Tardia, caracterizada pelo mesmo percentual de 34% da Maioria Inicial, tende a resistir mais às mudanças, pois não gosta de correr riscos e costuma aderir a produtos mais tarde, quando já mais testadosno mercado. Os Retardatários são considerados o último seg- mento a adotar uma inovação. São relutantes em mudar, não possuem muito acesso aos canais de co- municação utilizados pelo marketing. Sendo assim, sempre compram o produto no final de sua vida, no momento de declínio no ciclo de vida do produto (LIMA, 2008). Já os produtos classificados como de Moda, Modismo ou Clássicos seguem outro ciclo, como pode ser visto a seguir: DESIGN DO PRODUTO 22 Pico Clássico Modismo Pico Asc ens ão As ce ns ão Declínio Declínio Figura 2 - Comparação de Ciclos / Fonte: adaptada de Frings (2012). Os produtos de moda passam por um ciclo de vida que não se pode impedir e, na contemporaneida- de, um dos grandes desafios é estender este ciclo de vida ao máximo, para que os produtos possam ser usados por mais tempo. A autora Treptow (2012) afirma que a moda é um fenômeno que passa pelas seguintes fases: lançamento, aceitação, cópia e des- gaste. Ambos os gráficos demonstram que o produ- to de moda tem um ciclo de vida próprio, conside- rado o caminho que este percorre do momento em que é lançado no mercado até seu declínio. Com base na Figura 2, estilos considerados clássicos di- ficilmente saem de moda, ou são considerados ul- trapassados, uma vez que mantêm uma informação estrutural ou conceito relativamente simples que permite serem reproduzidos em qualquer período e, ainda, não geram nenhum tipo de interferência no estilo contemporâneo. Como alguns exemplos, podemos citar: um ves- tido tubinho preto, camisa branca, terno masculino, casaco clássico de inverno etc. DESIGN 23 Os estilos considerados como modismo são itens que podem influenciar um grupo de consumidores, têm forte informação estrutural e são rapidamente aceitos e rejeitados pelo mercado. Como exemplo de modismo, podemos citar o calçado chamado sneaker com salto, popularizado entre 2012 e 2013. Quando pensamos em uma coleção, sempre nos vem à mente o estilo que esta vai ter, no momento em que se pesquisa uma tendência. Esta traz consigo alguma definição que pode causar sensações distin- tas. Um exemplo disto é um fato acontecido que veio como resposta às pesquisas da Lineapelle (feira italia- na do setor de couro, sintéticos, tecidos, componentes e modelos para calçados e decoração) na passagem do novo milênio, quando foi sinalizada uma sensação ge- ral de temor, o que refletia uma necessidade social de proteção (Cocooning). Essa sensação foi traduzida na aplicação de materiais “protetores” (exploração senso- rial, e não somente estética da matéria) que transmi- tissem sensações de prazer e segurança, como couros macios ou materiais com acabamentos em película protetora. Este discurso vale também para as cores li- gadas às percepções sensoriais baseadas nas estações de referência e em períodos históricos: um momen- to particular ligado à ecologia e aos bioaspectos, por exemplo, possivelmente terá predominância de cores da natureza, com variedades de verde e marrom. Sendo assim, se formos analisar profundamente, algumas imagens conseguem nos transmitir sensa- ções de aconchego, calor, segurança, leveza. Muitas vezes, desenvolver painéis com este tipo de imagem bastante expressiva, orienta-nos e direciona quanto às sensações e aos conceitos interligados, que pode- rão ser utilizados nas coleções. DESIGN DO PRODUTO 24 Como Gerar Painéis de Inspiração Você já ouviu falar em moodboard? Podemos con- siderar um moodboard como um painel de referên- cias visuais para representar conceito visual do seu projeto ou coleção. Este painel tem a finalidade de trazer à tona a atmosfera da coleção. Antes de gerar um painel, é preciso organizar e filtrar as informações coletadas na pesquisa de moda, como já citado anteriormente. Após selecio- nar minuciosamente os direcionamentos e estilos que gostaríamos de utilizar na coleção, passamos a estruturar painéis, que podem ser físicos ou virtuais, com as informações selecionadas. Painéis são visuais e constituem ferramenta muito importante, possibilitando uma visão holística das prin- cipais referências utilizadas em uma coleção, inclusive, a temática, o conceito, o estilo, as tendências, as inspira- ções. Enfim, um painel pode ser criado com inúmeras finalidades, sempre como referência visual, para que toda a equipe envolvida no desenvolvimento do produ- to possa entender a linguagem da coleção em questão. DESIGN 25 E xistem várias possibilidades criativas no planejamento de uma coleção. Uma etapa que antecede a escolha de um tema é o momento de inspiração, que funciona como um direcionamento para o designer, sugerindo conceitos que serão utilizados. Se pensarmos, por exemplo, em Movimento como fonte de inspiração, podemos fracio- nar em movimento da terra, o vento que movimenta a terra de lugar, o movimento da água, quando a água balança por movimento. A seguir, alguns exemplos de imagens, consi- derando a inspiração Movimento e a forma de extrair estes conceitos: Movimento da água Conceitos extraídos do movimento da água Movimento da terra Conceitos extraídos do Movimento da terra DESIGN DO PRODUTO 26 Como podemos observar nos exemplos citados, ao utilizar uma tendência de moda como tema da cole- ção, é recomendável, se possível, que esta se conecte com as outras tendências. Por esta razão, é interes- sante unir uma inspiração a uma tendência. Seguir somente uma tendência de moda que foi apresen- tada em uma feira ou em um caderno de tendên- cias não necessariamente define sua coleção como criativa, já que somente reproduz informações de uso comum e acessíveis a todas as marcas. Associar elementos criativos da pesquisa pode proporcionar exclusividade e conceito a uma coleção. Alguns estilistas, querendo diferenciar, ou dei- xar a coleção exclusiva, utilizam como temática al- guma viagem que fizeram, por exemplo, de férias ou de uma pesquisa de moda. Sua vivência e suas re- cordações pessoais, sensoriais e fotográficas servem de material para o desenvolvimento de modelagens, cartela de cores, materiais e estampas. Hoje, a moda proporciona-nos uma série de di- recionamentos, e um estilista pode escolher um ou vários para usar em sua coleção. Portanto, a primeira etapa é selecionar quais tendências farão parte e, na sequência, devemos interpretar as tendências e divi- dir as informações, primeiramente, em modelagens, cores, materiais e efeitos. É uma análise estrutural da tendência e permite visualizar objetivamente o que e como será inserido na coleção. Uma vez traduzidas as tendências, verificamos qual a relação com o tema escolhido e como po- demos inserir, por exemplo, na cartela de cores, al- guma tonalidade que remeta ao conceito ou a um efeito de modelagem, sem comprometer a coleção. O mesmo pensamento deve ser adotado ao transpor características do tema à coleção. Por exemplo, uma peça pode seguir os direcionamentos quanto à mo- delagem da tendência, mas ser confeccionada com um tecido estampado personalizado que tem rela- ção com o tema. Estes painéis devem ser desenvolvi- dos após definição de inspiração e conceito e fazem parte do processo criativo de uma coleção. Não existe uma forma específica para que a co- nexão entre as tendências e o tema ocorra, sendo as- sim, muitos estilistas têm dificuldade em trabalhar com as informações juntas. Porém a prática deve ser realizada e, mais importante ainda, é que o tema seja de uma área de interesse do criador. Isso por- que um tema de conhecimento do estilista pode ser aproveitado com melhor resultado, uma vez que há o conhecimento específico sobre ele; assim, mais deta- lhes podem ser aproveitados para o desenvolvimento de peças, efeitos e estilos na coleção. Ao contrário, se um tema for desconhecido, e o designer/estilista não se aprofundar o suficiente em informações, pode ser que a coleção seja superficial em seu aproveitamento. A coleção de sucesso tem sempre algo novo para propor,com linguagem coerente e uni- dade de estilo, destinada a fazer tendência desenvolvendo o tema com diversas soluções e todas são condutíveis em relação ao projeto de base. (Anna Morixe) REFLITA 27 considerações finais C aro(a) aluno(a), esta unidade mostrou conteúdos pertinentes às ativi- dades que envolvem o observar, compreender, selecionar e interpretar as informações sobre moda, tendências e estilos. Aprendemos que a pesquisa de moda é uma fase importante do desenvolvimento de uma coleção e, por todas as informações que se adquire nesta fase, esta se faz essencial para o início da criação e deve ser considerada no início do planejamento de coleção. Tivemos contato com o painel moodboard, como interpretar elementos com movimento e transpor estes conceitos para os produtos. Conhecemos quais são as possíveis etapas a serem seguidas para realizar a pesquisa de moda e como cada uma das modalidades pode oferecer diferentes indicativos que serão úteis para a coleção, portanto, cabe ao designer identificar quais etapas da pesquisa de moda são prioritárias e secundárias para cada cole- ção ou desenvolvimento de produtos de moda. Aprendemos também sobre o especialista em predição de tendências, o coo- lhunter, e como uma das técnicas utilizada por este profissional pode colaborar com a agilidade da pesquisa de moda e conexão com o mercado. Conhecemos as modalidades de tendências, a amplitude de interferência e a duração de cada uma delas para então compreender que as tendências de moda também sofrem alterações, e que é preciso organizar o processo da pesquisa de moda para acom- panhar os direcionamentos que o mercado propõe tanto em estilo quanto em comportamento. Todo designer deve ter em mente que aprender a elaborar painéis de refe- rência, fazendo o bom uso de imagens selecionadas com rigor, eleva considera- velmente o nível de exclusividade de produtos de moda, visto que uma coleção precisa de peças que caiam no agrado dos consumidores. Nesta unidade, tivemos, ainda, a oportunidade de aprofundar nosso conhecimento acerca de informações que se tornam relevantes no decorrer do processo criativo, ou seja, como já citado anteriormente, na elaboração das referências que são oriundas da criatividade existente em cada um. Vimos a relevância de imagens expressivas para extração desses conceitos de inspiração, o que se desenvolve com base nestas expressões. 28 LEITURA COMPLEMENTAR Coolhunting e Arquétipos para a Indústria da Moda *O texto escrito segue normas ortográficas de Portugal Arquétipos: Aplicação dos Estudos de Tendências na Indústria da Moda Os Estudos de Mercado e outras disciplinas possuem ferramentas e metodologias específicas para a identifi- cação de arquétipos de consumo, de públicos-tipo e de segmentos. Neste ensaio, apresentamos o primeiro desenho do mo- delo - Arquétipos através de Tendências ‖, ou Modelo AT, desenhado com o objetivo de identificar e segmen- tar arquétipos e grupos de indivíduos, de acordo com as suas receções dos comportamentos e dos objetos das tendências. Por outras palavras, o estudo da receção das mentalidades e dos seus consequentes padrões de com- portamento permite a identificação de arquétipos de consumidores, em articulação com o conceito de tribos urbanas e a questão da tribalização cultural. Neste sentido, a metodologia do Coolhunting conti- nua a ser a principal ferramenta capaz de estudar as relações entre público, objeto, comportamento e ten- dência. Ela permite não só identificar a manifestação da tendência, como analisar a sua disseminação e re- lação com manifestações semelhantes, bem como os públicos e os espaços envolvidos. Não obstante, exis- tem outras metodologias que podem articular-se com o Coolhunting e os Estudos de Tendências, tais como, numa primeira fase, o estudo do meme cultural, da pa- rasitação e dos tópicos do zeitgeist, a par de atividades de visual profiling; e, numa segunda fase, a gamification e o storytelling. Importa sublinhar que este modelo não se limita apenas a um único campo, ou à análise de uma sub-cultura ou grupo específicos, mas para efeito deste trabalho, a aten- ção irá concentrar-se sobre o seu potencial no sector e na indústria da moda. Os pontos seguintes desconstroem as várias metodologias do modelo e a sua articulação. Identificação de Arquétipos: Receção de Mentalidades e Coolhunting Não é possível falar do Coolhunting como componente de um modelo, sem antes referir e exemplificar esta prática emergente. O Coolhunting tem sido muito criticado como prática “pouco científica” e séria. Isto advém do facto de a maioria dos indivíduos que diz praticar o Coolhunting não ter formação nem experiência para tal, resultando em dados recolhidos de forma aleatória e sem método, que muitas vezes apenas se resumem a “coisas giras”. O Coolhunting, prática com ligações à etnografia, procura manifestações das tendências de mentalidade que sejam consideradas atrativas (que chamem a atenção), que se- jam inspiradoras (que promovam ação por parte dos in- divíduos e que inspirem ideias) e que tenham potencial de crescimento (replicação social). Tal como Carl Rohde sugere (vd. www.scienceofthetime.com), estes são os três elementos que se procuram nas manifestações, ou seja, nos Cool Examples. A estes, acrescentamos a necessidade de possuírem um carácter vanguardista. Após se identificar um Cool Example, no mundo digital ou no terreno, o Coolhunter deve registar o mesmo (ano- 29 LEITURA COMPLEMENTAR tando o espaço onde foi identificado, tirando um registo visual e descrevendo os principais elementos do contex- to em que o registo foi executado) para posteriormente descrever o mesmo, de modo a ser útil para a geração de inovação. Uma correta descrição do Cool Example deve possuir os seguintes elementos: a) Título que des- creva sumariamente o conteúdo; b) Registo visual (com a indicação da fonte se for um registo de origem digital); c) Descrição do Cool Example, identificando as suas ca- racterísticas e contexto; d) Justificação da natureza Cool (razão pelo qual se considera atrativo, inspirador e com potencial de crescimento); e) Identificação das principais pistas de inovação que podem ser transferidas; f) Identi- ficação das principais tendências relacionadas; g) Identi- ficação do Coolhunter ou do Analista de Tendências que executou o registo e a descrição. Esta é a metodologia empregue pela rede holandesa Science of the Time, uma das mais antigas redes de Coolhunting no mundo, e de- senvolvida pela plataforma Trends Observer em Portugal. No campo da moda, os registos podem não ser tão ri- gorosos, mas sublinhe-se que a mesma metodologia tem aplicação na identificação de tendências de estilo e gosto. Quando um largo número de manifestações, ou Cool Examples, sugerem comportamentos ou a geração de objetos semelhantes, então estamos perante a base para a identificação de uma tendência. Não obstante, no que diz respeito ao modelo proposto, o Modelo AT, o Coolhunting é a principal ferramenta, ou a primeira, na identificação de grupos segmentados. Tendo abordado a prática e o registo das manifesta- ções que resultam do Coolhunting, importa agora com- preender como pode ir para além dos seus objetivos iniciais. Ao terminar um, ou mais, Coolhunt, os Coo- lhunters e os Analistas de Tendências ficam na posse de um largo número de manifestações e dos seus con- textos. Se, ao invés de abordar as mesmas com o ob- jetivo de identificar tendências, o analista estudar os públicos, os indivíduos e os espaços associados a cada Cool Example, então ele poderá compreender quais os grupos e tipos de indivíduos mais recetivos a determi- nadas manifestações e qual foi o grau de receção por parte dos vários públicos. Por si só, estes dados e aná- lises podem ser suficientes, mas em articulação com as seguintes ferramentas, gera-se um processo de confir-mação múltipla das descobertas e dos segmentos, ou grupos, identificados. Fonte: Gomes, Lopes e Alves (2016). 30 atividades de estudo 1. Ao longo da unidade, estudamos que existem várias definições e perfis de tendências, e cada uma com um tempo de duração diferente. Assinale a alternativa que corresponde à associação de termo e conceito: Tendência de Moda 1. Direcionamentos que duram mais de duas décadas e podem ser identificados por meio das mudanças na ar- quitetura e urbanização, assim como comportamentos e posicionamentos ideológicos. Macrotendência 2. Direcionamentos com um tempo de duração muito curto, são voláteis e surgem espontaneamente e, em geral, estão ligados diretamente às celebridades. Megatendência 3. Direcionamento que pode durar até cinco anos e indica a roupa que vestimos, os gadgets e as expressões de linguagem. Fad 4. Mudanças sociais e de comportamento que podem ser identificadas nas mudanças políticas e nas novas tecno- logias e tem duração de uma a duas décadas. a. I - 3, II - 4, III - 1, IV - 2. b. I - 2, II - 4, III - 1, IV - 3. c. I - 4, II - 3, III - 1, IV - 2. d. I - 1, II - 4, III - 2, IV - 3. e. I - 3, II - 2, III - 1, IV - 4. 2. Leia com atenção o texto a seguir: Um exemplo é a tendência pesquisada pela Lineapelle (feira italiana do setor de couro, sintéticos, tecidos, componentes e modelos para calçados, roupa de couro e decoração) na passagem do novo milênio, quando foi sinalizada uma sensação geral de temor, o que refletia uma necessidade social de proteção (cocooning). Essa sensação foi traduzida na aplicação de materiais “protetores” (exploração sensorial, e não somente estética da matéria) que transmitissem sensações de prazer e segurança, como couros macios ou materiais com acabamentos em película protetora. Este discurso vale também para as cores, ligadas às percepções sensoriais ba- seadas nas estações de referência e em períodos históricos: um momento particular ligado à ecologia e aos bioaspectos, por exemplo, possivelmen- te terá predominância de cores da natureza, com variedades de verdes e marrons (LIGER, 2012). Assinale a alternativa correspondente ao tipo de tendência apresentado: a. Cocooning pode ser considerado uma tendência de moda, pois expressa materiais e cores. 31 atividades de estudo b. Cocooning pode ser considerado uma macrotendência, pois representa mudança comportamental. c. Cocooning é uma fad baseada em uma sensação momentânea. d. Cocooning é uma megatendência, pois apresenta características que serão duradouras. e. Cocooning é uma tendência de moda porque direciona possíveis modelagens. 3. Considere a afirmação de Sorger e Udale (2009, p. 16): “A moda move-se rapidamente em comparação a outras indústrias criativas e isso reflete na pressão constante para lançar tendências a cada estação”. Agora, assinale a alternativa que corresponde a uma análise verdadeira: a. A pesquisa de moda precisa ser constante para acompanhar as novas ten- dências e as que ainda estão influenciando determinada estação. b. A equipe de estilo não precisa se preocupar com as tendências, já que elas podem se repetir por até cinco anos. c. A cada estação, surgem novas tendências que substituem todas as ten- dências anteriores, por isso, há muita pressão. d. A moda passageira pode durar até dez anos, igual a uma macrotendência. e. Como a moda se move rapidamente, nem todas as estações têm tendên- cias de moda para servir de direcionamento. 4. Sobre as etapas da pesquisa de moda aprendidas na unidade, leia as afir- mações seguintes e assinale verdadeiro (V) ou falso (F) em cada afirmativa: ( ) A pesquisa de moda deve ser realizada aleatoriamente, e não seguir uma sequência preestabelecida, já que contempla o fator sensorial, permitin- do que as informações fluam durante a busca. ( ) A pesquisa de moda deve seguir uma estrutura preestabelecida para au- xiliar na organização e no filtro das informações, o que torna o processo mais ágil. ( ) A pesquisa de moda deve seguir uma estrutura rígida e imutável de ati- vidades, independentemente do perfil de informações. Assinale a sequência correta: a. F, V e V. b. F, F e V. c. V, F e V. d. F, V e F. e. V, F e F. 32 atividades de estudo 5. Sabemos da relevância de se ter uma inspiração, um conceito para a cole- ção. O painel moodboard é um painel de referências visuais para represen- tar a inspiração do seu projeto. Analise as assertivas seguintes, com base no painel moodboard: I. Este painel de referências expressa informações que são pertinentes à co- leção. II. Cores, materiais e texturas podem vir das pesquisas de tendências e ser associadas à inspiração. III. A inspiração indica um conceito, e o painel moodboard é a melhor forma de representar essa inspiração associada ao conceito. IV. A melhor, e talvez a única, maneira de se coletar informações para o painel moodboard é frequentar feiras ao ar livre. Assinale a alternativa correta: a. Somente a alternativa I é falsa. b. Somente a alternativa II é falsa. c. Somente a alternativa III é falsa. d. Somente a alternativa IV é falsa. e. Nenhuma das alternativas é falsa. 6. O gráfico do ciclo de vida do produto traz a curva de adoção, considerada também Difusão de Inovações. Podemos considerar essa curva um demons- trativo do posicionamento dos consumidores perante o produto, porque mostra percentuais que identificam suas respectivas compras, ou seja, em qual momento, quantos são, como consomem. Analise as assertivas a seguir: I. Consideramos Inovadores os primeiros consumidores a comprar produ- tos de moda. II. Adotantes Imediatos e Maioria Inicial correspondem ao mesmo percentual no ciclo de vida do produto. III. A Maioria Tardia compra produtos já quando estes estão há tempo no mercado e vários consumidores já compraram e utilizaram. IV. Retardatários são consumidores atrasados para comprar produtos, justa- mente por terem pouco acesso às propagandas do marketing. É correto o que se afirma em: a. l e ll. d. lll e IV. b. l, ll e lll. e. l, ll, lll e IV. c. ll e lll. 33 material complementar Pesquisa e Design Simon Seivewright Editora: Bookman Sinopse: pesquisa é fundamental para o sucesso de qualquer design. Com expli- cações concisas e exemplos de projetos contemporâneos, Pesquisa e Design in- troduz os principais aspectos da pesquisa de moda, discutindo o que é pesquisa, porque ela é tão importante e onde buscar inspiração para desenvolver conceitos e temas para a sua coleção. Comentário: este livro apresenta diversas técnicas de compilagem da pesquisa por meio de ilustrações e fotografia de trabalhos de estudantes e outros desig- ners. Excelente material para fazer parte da biblioteca pessoal de qualquer desig- ner, para ser consultado a qualquer hora. Indicação para Ler 34 referências gabarito FRINGS, G. S. Moda: do conceito ao consumidor. Porto Alegre: Bookman, 2012. GOMES, N.; LOPES, M. V.; ALVES, P. E. Coolhunting e estudos de tendências aplicados à moda: modelo de segmentação estratégica. ModaPalavra e-Periódico, Florianópolis, v. 9, n. 17, p. 6-26, jan./jun., 2016. LIGER, I. Moda em 360 graus: design, matéria-prima e produção para o mercado global. São Paulo: Senac, 2012. LIMA, T. O Glamour dos Negócios de Moda. São Paulo: Imagem, 2011. LINDKVIST, M. O guia do caçador de tendências. São Paulo: Gente, 2010. RIEZU, M. D. Coolhunting: marcando tendências en la moda. Barcelona: Parramón, 2009. SANT’ANNA, P.; BARROS, A. R. Pesquisa de tendências para moda. In: COLÓQUIO DE MODA, 7., 2010, São Paulo. Anais... São Paulo: Universidade Anhembi Morumbi, 2010. p. 1-10. Disponível em: <http://www. coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202011/GT02/GT/GT_89679_Pesquisa_de_ Tendencias_para_Moda_.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. SORGER, R.; UDALE, J. Fundamentos de design de moda. Porto Alegre: Bookman, 2009. TREPTOW, D. Inventando moda: planejamento de coleção. Brusque: D. Treptow, 2003. 1. A. 2. B. 3. A. 4. D. 5.D. 6. E. UNIDADE II Professora Me. Paula Furlan Professora Me. Sabrina Giselle Levinton Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Planejamento e Organização de uma Coleção de Produtos de Moda • Definição de Cores, Materiais e Estilo da Coleção • Mix de Moda e Mix de Produtos de uma Coleção Objetivos de Aprendizagem • Identificar e organizar as etapas referentes ao planejamento e ao desenvolvimento de uma coleção de moda. • Desenvolver indicadores e referenciais para o desenvolvimento de uma coleção. • Entender e estabelecer o mix de moda e o mix de produto que a marca deve adotar para sua coleção. PLANEJAMENTO E ESTRUTURA DA COLEÇÃO DE PRODUTOS DE MODA INTRODUÇÃO Olá, aluno(a), bem-vindo(a). Nesta unidade, conheceremos um pouco mais como ocorre o processo de planejar, organizar e estruturar uma coleção de produtos de moda. Podemos entender que uma coleção é o resultado de muitas informações e muitos processos de vários setores e, caso a empresa sinta a necessidade de reaproveitar essas informações, ou mesmo parte delas, em uma próxima coleção, os dados precisam estar acessíveis e organizados. Portanto, aqui, veremos quais conhecimentos operacionais de registro dos produtos são necessários. Após conhecermos qual é a melhor maneira de coletar, filtrar e in- terpretar as referências de moda pesquisadas, aprenderemos a compor as cartelas de cores e de materiais de uma coleção, bem como o mix de produtos e o mix de moda para que, posteriormente, possamos efetuar a compra de materiais. Para que esta etapa de compras aconteça, a visita dos representantes à confecção é muito importante. Geralmente, repre- sentantes são recebidos pelo(s) estilista(s), que, normalmente, já têm di- recionamentos do que espera utilizar em sua coleção, pois já organizaram o mix de produtos e já aconteceu a fase de pesquisas. Veremos qual a relevância de utilização de um tema para cada coleção. Quando uma marca desenvolve um tema para sua coleção, ela cria per- sonalidade para as peças, conta a história por meio dos looks que “conver- sam” entre si, formando familiaridade, pois há um fio condutor que os une, ou seja, o tema da coleção. Quando olhamos uma coleção e nos chama a atenção pela exclusividade, certamente, ali há um tema muito rico. Nesta unidade II, aprenderemos a planejar e estruturar uma coleção de produtos de moda, com todas as etapas pertinentes. Vamos em frente! Bons estudos! DESIGN DO PRODUTO 40 Planejamento e Organização de uma Coleção de Produtos de Moda Parte do planejamento de uma coleção está associa- da à organização e ao bom aproveitamento dos tem- pos, dos prazos e das informações pertinentes a cada etapa que permeia a pesquisa, o desenvolvimento, a produção e a comercialização de uma coleção ou de um produto específico. O lucro de uma empresa depende das vendas. Sendo assim, o bom resultado para uma coleção é a quantidade de peças que foram vendidas já que, quando o consumidor se encanta com o produto, efetua a compra. Uma coleção de produtos de moda é considera- da uma família de produtos, composta por variadas linhas, e o fracionamento destas forma o mix de produtos. Para melhor entendimento, conceituare- mos família de produtos e linha de produtos. Quan- do pensamos em uma coleção de produtos de moda, vêm-nos em mente os seguintes questionamentos: O que fazer? Para quem fazer? Como fazer? Uma família de produtos nada mais é do que toda a quantidade de produtos fracionados por li- DESIGN 41 Figura 1- Mix Coca-Cola / Fonte: Shutterstock. nhas que uma marca ou empresa possui e coloca à venda no mercado. Já as linhas de produtos são as divisões dessa família, unindo produtos com grau de similaridade, de afinidade e também de preço. De forma genérica, as linhas de produtos também podem ser chamadas de grupo de produtos porque compartilham características, canais, clientes ou uso comum, são destinadas a compor o mix de produtos de uma organização. Para o segmento vestuário, temos as divisões de linhas de produtos que, basicamente, acontecem desta maneira: Tops (partes de cima); Bottoms (partes de bai- xo); Suits (ternos); Sets (conjuntos femininos); Dresses (vestidos); Coats (casacos); Overalls (macacões de cor- po inteiro); Acessories (acessórios); Complements (Né- cessaires, bolsas, cintos, carteiras entre outros); Gifts (perfumerys, linhas de personal care); Home (coorde- nados ou separados, mas que se compõem). Quando definimos as linhas de produtos que farão parte da coleção, podemos avançar rumo ao próximo passo, ou seja, a definição do mix, que con- siste em todas as mercadorias que as empresas ou marcas comercializam. Planejar o mix de produtos significa definir os produtos que serão comerciali- zados pela empresa, conforme as necessidades e ex- pectativas do consumidor. Veremos o planejamento do mix ainda nesta unidade. Se a família de produtos é composta por todas as linhas de produtos que a empresa comercializa, o mix significa o fracionamento dessas linhas, ou seja, a totalidade dos produtos oferecidos por uma marca ou empresa, separados em tamanhos e cores. Para que um mix de produtos seja completo, faz-se necessária uma análise minuciosa em que se possa perceber os produtos que apresentam características em comum e dividi-los por modelos, cores, tama- nhos e quantidades a serem produzidas. Um mix de produtos organiza toda a coleção de uma marca e deve ser elaborado a cada troca de coleção. Podemos inferir que, na moda, qualidade e cria- tividade na criação e desenvolvimento de um novo produto são muito importantes, considerando que esta indústria possui algumas peculiaridades, e as etapas de fabricação de uma peça do vestuário não se comunicam entre si, são fragmentadas, assim afirma Rech (2001). Entenderemos, então, este conceito de família de produtos e linhas de produtos: a marca Coca-Cola tem uma família muito grande de produtos, formada por refrigerantes, chás, energéticos, sucos, água mine- ral etc. Dentro da família Coca-Cola, temos uma linha de refrigerantes, em embalagens distintas, embalagens de vidro, pet, lata etc. A Figura a seguir representa parte da linha de refrigerantes fracionada pelo mix, ou seja, refrigerantes de lata, com variedades de sabores. DESIGN DO PRODUTO 42 Sabemos que a marca Coca-Cola tem muitos pro- dutos. É a família Coca-Cola. Além dos produtos para consumo, a marca ainda possui a Coca-Cola Clothing, ou seja, uma extensão de marca da Coca- -Cola. Entenderemos também o que é uma extensão de linha e uma extensão de marca. Uma marca cria um novo produto com a mesma afinidade de outros produtos já existentes, dentro de uma categoria que já está estabelecida no mercado. Se pensarmos, a Co- ca-Cola seria a inclusão das versões light, diet, zero, sabores diferentes e tamanhos, dentro da linha dos refrigerantes já comercializados pela marca. Sem- pre que uma marca estende uma linha, ela o faz, por exemplo, na versão light do inicial. O H2OH com tangerina e com maracujá é um exemplo disso, pois, anteriormente, já existia antes o sabor limão, logo após, adicionaram o sabor limão e maracujá, uva etc. A extensão de marca acontece quando uma mar- ca entra em uma categoria com que ela ainda não tra- balha. Vamos entender: a marca Coca-Cola somente fabricava bebidas, resolveu fazer a extensão de mar- ca, entrou no segmento moda, lançou a marca Coca- -Cola Clothing, conforme citado anteriormente. Outro exemplo bastante conhecido ocorreu, sem sucesso algum, com a marca de açúcar União, que decidiu estender a marca entrando ainda para o setor alimentício, mas fabricando barrinhas de cere- al. Infelizmente, não deu certo, pois as pessoas não queriam associar o açúcar às barrinhas, já que barri- nhas de cereal tendem a ser uma alternativa light, ou seja, não associadas ao açúcar. Você já parou para pensar o quanto é importan- te o momento de planejar uma coleção? O planeja-mento serve como uma base, um alicerce, já que não devemos iniciar uma coleção às cegas. Por isso, o planejamento é fundamental. Neste sentido, Kotler (1999, p. 16) alerta: Quando uma marca decide por uma extensão de linha ou mesmo uma extensão de marca, deve fazer com muito planejamento. Geral- mente, essas extensões, de linha e de marca servem como estratégias para que uma marca utilize seu ativo mais precioso, seu nome, para entrar em outros segmentos. REFLITA À medida que nos aproximamos do próximo sé- culo, as empresas terão de voltar-se para o clien- te e para o mercado em tudo o que fizerem. Não basta serem orientadas para o mercado em tudo o que fizerem. Não basta serem orientadas para o produto ou tecnologia – muitas companhias ainda planejam seus produtos sem pensar nas preferências do consumidor, e esses produtos são rejeitados no mercado. Uma empresa inovadora decide desenvolver novos produtos com base em algumas proje- ções, como o tempo de desenvolvimento deste produto, a oportunidade no mercado para certo produto e o seu custo real de desenvolvimento. Fonte: Baxter (2000). SAIBA MAIS É relevante entender os gostos, os costumes e as pre- ferências dos futuros consumidores da marca. Na fase de planejamento de uma coleção, é essencial que este conhecimento acerca do público-alvo seja adquirido, pois é o ponto de partida e o ponto final de cada coleção de produtos de moda, ou seja, tudo que fazemos inicia no consumidor e finaliza no con- sumidor, tudo é feito para ele. DESIGN 43 Vincent-Ricard (1989), ao abordar o produto de moda, diz o quanto é importante e mostra a sequência dos diversos estágios de que este é com- posto: análise, elaboração, criação e difusão. Estes estágios compõem o Planejamento do Produto de Moda. Vamos entender cada um desses estágios. Análise É o primeiro estágio e, neste momento, fazemos a análise sociocultural e econômica da contem- poraneidade. A análise é considerada um pri- meiro estágio do produto de moda, podendo ser dividido em duas etapas: a análise sociocultural e a análise econômica da sociedade. A análise sociocultural é um requisito importan- te para podermos perceber o mundo moderno e capacita a empresa a organizar os ciclos de seu funcionamento no que se refere à criação. Com base nessas informações, no momento da criação, o designer poderá determinar qual será o ciclo de vida desse produto, maior, mediano, menor, dependendo se o produto for de desempenho de vendas progressivo ou um produto de vanguarda, com menores vendas. Cabe à empresa programar a estadia, a venda, ou seja, a evolução desse produ- to no mercado, sua vendabilidade, sua distribui- ção, sua reutilização, seu descarte (RECH, 2001). Na análise socioeconômica, os itens que devem ser analisados são preço, segmento de mercado, público-alvo, concorrentes, possíveis promoções para o produto, custos de desenvolvimento e também os lucros. Elaboração É o momento da adequação da metodologia (veremos nas próximas unidades o que vem a ser uma Metodologia Projetual) a ser utiliza- da na criação, com a finalidade de se ter um produto tecnicamente perfeito. É a etapa em que o conceito de produto é transformado em produto físico, ou seja, a ideia do produto é convertida em um produto capaz de germinar, em termos de produção. Ainda nesta fase, de- vem ser decididas as questões técnicas. Pode- mos entender que essa fase antecede à criação, e sua finalidade é a informação sobre novas tecnologias de produtos, de métodos de pro- dução, materiais e equipamentos que possam servir de base para a próxima etapa, Geração e seleção de ideias. Criação Esta fase está inserida em um terceiro estágio, pois a criação não mais acontece na frente de um com- putador ou junto à prancheta de desenho, mas sim, por meio da coleta de dados, observando e analisando o comportamento do consumidor. Difusão Já as questões de marketing pertencem ao es- tágio da difusão do produto de moda, ou seja, quando o produto é comunicado ao consumo, não necessariamente seria somente a venda, mas qualquer interferência que possa alicerçar a dis- tribuição do produto. 123 4 DESIGN DO PRODUTO 44 Definição de Cores, Materiais e Estilo da Coleção Definir os materiais, as cores e os efeitos de uma coleção pode, à primeira vista, parecer tarefa fácil e prazerosa, mas ela engloba uma série de definições prévias que asseguram a manutenção do tema e a coerência orçamentária que precisam ser considera- das em uma infinidade de possibilidades apresenta- das por representantes comerciais de tecidos e avia- mentos, prestadores de serviço de beneficiamento e estamparia, por exemplo. O orçamento de uma coleção é um item de extrema importância que deve ser consultado no primeiro momento de estruturação. Existe um “preço” que o consumidor está disposto a pagar pelo produ- to, dizemos “disposto” no sentido de poder pagar, que está dentro das possibilidades financeiras dele. Normalmente, este orçamento é definido pelo de- partamento comercial, que considera qual o custo disponível para o desenvolvimento das peças, qual a DESIGN 45 margem de lucro que cada peça pode ter e qual será o ponto de equilíbrio da empresa para determina- da coleção, ou seja, até que ponto a coleção vendida paga seu investimento e em que momento sequen- cial representa lucro. Uma empresa vive de vendas, e esta lucratividade é necessária para que o progresso da coleção seja constante. Ao considerarmos a coleção, sabemos que ha- verá estilos de peças diferentes conforme segmen- tação do mix de moda, item que estudaremos, de- talhadamente, no próximo tópico. Portanto, cada estilo de peça deve ter seu custo calculado em rela- ção à matéria-prima utilizada, ao beneficiamento e aos aviamentos. O equilíbrio de uma coleção está em oferecer uma margem de valores por grupos de peças, ou seja, peças “básicas” são mais baratas que peças de uma linha festa, por exemplo. Esse equilíbrio permi- te que um lojista, por exemplo, possa adquirir mais peças da coleção para sua loja, pois pode, dentro de seu orçamento, escolher um pouco de cada estilo. Portanto, é importante que o departamento de es- tilo e o departamento comercial realizem reunião para alinhamento do orçamento para cada coleção no início das atividades, incluindo disponibilidade financeira para aquisição de matéria-prima, defini- ção dos prestadores de serviços para a coleção etc. Uma vez estabelecido o orçamento disponível para cada coleção, o designer passa a buscar, den- tre suas pesquisas e com representantes comerciais, materiais e processos para desenvolver a coleção. A seleção e estruturação das cartelas de cores e mate- riais têxteis para uma coleção é uma atividade mais complexa do que escolher combinações. É necessá- rio um conhecimento sobre materiais têxteis, suas variedades e como podem ser aplicados aos modelos criados. A estação que o designer está criando, por meio das tendências de moda, direcionará a espes- sura, a textura e o caimento dos tecidos, assim como as cores em evidência. Cabe ao designer utilizar as informações da pesquisa de moda e uni-las ao con- ceito da coleção, para definir, então, os materiais e cores que utilizará (SORGER; UDALE, 2009). As cores estão associadas à estação e também in- fluenciam fortemente o aspecto emocional de uma coleção. Pode se tornar um elemento decisivo na venda, pois é o primeiro elemento que o consumi- dor presta atenção quando vai à busca de um pro- duto (FRINGS, 2012). Normalmente, os designers de moda utilizarão, além das cores apontadas pelas previsões das tendências, suas próprias escolhas, que têm relação com o tema escolhido para a coleção. A cor é dividida em três propriedades: matiz, tom e intensidade. Cada uma dessas proprie- dades da cor auxilia na composição da cartela de cores de uma coleção, que pode ser estru- turada somente de tonalidades da mesma cor, por exemplo. O matiz diz respeito à cor em si e permiteque diferenciemos uma cor da outra, é o que se diz da cor “pura”. O tom já se refere à variação da intensidade da luz na cor, ou seja, se há mais branco, portanto, a cor é mais clara, ou, se há mais preto, a cor escurece. A intensidade está associada à saturação de uma cor, ou seja, se a cor tem brilho ou palidez. As cores que chamamos na moda de “bebê” são cores pálidas, por exemplo, e, portanto, têm baixa saturação. Para saber mais sobre as propriedades das cores e a relação quanto à sua classificação, consulte a obra Moda em 360: design, maté- ria-prima e produção para o mercado global, da autora Ilce Liger (2012). Fonte: as autoras. SAIBA MAIS DESIGN DO PRODUTO 46 A cartela de cores de uma coleção deve conter todas as cores que serão utilizadas, mesmo como variantes e, ainda, contemplar o preto e o branco, normalmen- te, considerados como cores neutras. Uma coleção, em média, é composta de 8 a 9 cores, podendo variar esse número entre 6 e 12 cores (TREPTOW, 2003). Quanto mais cores uma coleção tiver, mais peças de tecido destas tonalidades deverá adquirir a empresa, portanto, encontrar o equilíbrio nas cores seleciona- das para a coleção e o estoque da empresa é uma atividade que pode ser realizada em conjunto entre os departamentos pertinentes. O designer tem a opção de selecionar as cores de fabricantes de tecidos que desenvolvem sua coleção baseadas nas tendências, mas também pode optar pelo desenvolvimento de uma cor especial, ou seja, uma to- nalidade ou cor específica que gostaria de ter na cole- ção por meio do tingimento de tecidos. Para que isso aconteça, a empresa deve adquirir um lote mínimo do tecido e da cor, o que chamamos de barcade tingi- mento. Esse mesmo processo pode ser realizado com fornecedores de estamparia também, ou seja, o desen- volvimento de desenhos ou estampas exclusivas e per- sonalizadas. Geralmente, este processo demanda um pouco mais de tempo, tem um custo um pouco mais elevado, porém garante exclusividade a uma coleção. O conhecimento sobre as cores e seus efei- tos é muito importante para as pessoas que trabalham com moda. Principalmente para profissionais como designers que criam es- tampas, os art buyers e os personal stylists, por exemplo. (Ilce Liger) REFLITA A estruturação da cartela de cores segue alguns di- recionamentos para uma melhor visualização das cores. Em uma reunião de aprovação da coleção ou como instrumento de venda de um representante comercial, a cartela de cores precisa apresentar uma estética limpa e organizada. É aconselhável que as DESIGN 47 amostras de cor sejam todas da mesma matéria-pri- ma, que sejam fixadas em uma placa ou base de fun- do branco para que não haja a interferência do fun- do na cor da amostra e que elas sejam dispostas com, pelo menos, um intervalo de 1 cm entre cada uma. O tamanho da amostra não deve ser menor que 2x3 cm, e todas as cores devem estar especificadas com o nome da cor e o código do fornecedor ou código Pantone® (TREPTOW, 2003). O raciocínio sobre a seleção e montagem da car- tela de materiais que serão utilizados na coleção segue o mesmo da cartela de cores. Quanto maior a varie- dade, maior deverá ser a aquisição dos elementos por parte da empresa. O designer deve considerar, ao se- lecionar os tecidos para a coleção, a adequação destes à peça que pretende desenvolver, tanto em relação ao custo, quanto em relação às propriedades dessa matéria-prima, ou seja, se ela se adequa à proposta. Vale acrescentar que a coleção é composta também por aviamentos e outros itens que o designer julgue pertinente incluir na coleção. Todos estes outros itens podem ser acrescentados à cartela de materiais, ou pode-se, também, executar cartela à parte, desde que contenham relação com o que se está considerando em termos de cores, texturas e efeitos para a coleção. Todo fornecedor de tecidos apresenta suas peças com uma ficha técnica de informações que serão ex- tremamente importantes para que o designer possa utilizar nas próximas coleções, mas, principalmente, fazer o custo prévio da peça que será confeccionada com determinado tecido e quais as propriedades e características deste. Caso seja necessário passar por algum tipo de beneficiamento, como estamparia, es- tas informações já estão prontas. O cálculo do custo da peça está relacionado à quantidade de tecido que será consumida para a sua execução. No momento da execução da peça piloto, caso o designer esteja utilizando um tecido novo, ou ainda não tenha muita experiência, deve solicitar as informações à produção. Selecionar quem serão os fornecedores também é uma atribuição do setor estilo, é preciso planejar a compra e a entrega do artigo dentro do prazo esta- belecido para a coleção, no cronograma que foi ge- rado no início. Fornecedores são todas as empresas que nos oferecerem algum tipo de mercadoria ou serviço. Uma empresa têxtil é considerada um forne- cedor, uma estamparia é considerada um fornecedor, e assim segue. Antes de realizar o pedido, o designer deve solicitar aos fornecedores de tecidos uma peque- na amostra para a execução de peça piloto ou testes que definam se o artigo está adequado ao esperado em termos de rendimento, maleabilidade, caimento, estilo. Mais uma vez, o designer deve filtrar algumas informações e verificar a coerência entre os tecidos e as cores. Treptow (2003) indica a técnica do cru- zamento de informações em uma tabela onde um lado corresponde às cores, e o outro, aos tecidos, assim, é possível verificar quais cores existirão em determinados tecidos e se a seleção está adequada ao número de modelos e variantes que se pretende desenvolver. A seleção dos materiais utilizados pode ser di- ferente, conforme cada criador. Liger (2012) explica que alguns designers optam por desenvolver suas peças a partir de uma determinada matéria-prima, enquanto outros preferem desenvolver suas cria- ções no papel primeiro e buscar na sequência qual matéria-prima melhor se adapta à sua criação, res- peitando a compatibilidade com o estilo. Indepen- dentemente do raciocínio de cada designer, para seu desenvolvimento, a correta seleção da matéria-pri- ma pode definir se a peça terá sucesso. DESIGN DO PRODUTO 48 Mix de Moda e Mix de Produtos de uma Coleção O mix de moda e mix de produtos de uma empre- sa são estruturas que definem como será a coleção em relação às tendências de moda, estilo e quan- tidade de peças, modelos e cores, porém, para de- finir estas informações, a empresa precisa ter cla- ramente a definição de seu público-alvo (target). Independentemente do produto a ser desenvolvi- do por uma empresa, é necessário direcionar este desenvolvimento a algum tipo de pessoa, ou seja, o público-alvo ao qual esse produto se destina. PÚBLICO-ALVO Kotler (2008) define público-alvo como um seg- mento da sociedade com determinadas caracterís- ticas em comum (idade, sexo, profissão, interesses), ao qual se dirige uma mensagem ou um conjunto de mensagens, um produto etc. A função do público- -alvo no desenvolvimento de uma coleção está, basi- camente, ligada à duas propostas: a. Oferecer informações sobre faixa etária para gerar a tabela de medidas da empresa. DESIGN 49 b. Oferecer informações de perfil de compor- tamento, estilo de vida. Ambas as propostas alimentam tanto a modelagem, como no caso da primeira proposta e, na segunda, o estilo e marketing. Assim, podemos verificar, caro(a) aluno(a), que, por meio da definição de um público-alvo, outros seto- res da empresa alimentam-se dessas informações e, consequentemente, todos os departamentos termi- nam por “falar a mesma língua”. A construção do público-alvo pode vir de várias referências. A criação do público-alvo de uma marca italiana, Dolce & Gabbana, por exemplo, está base- ada na figura e nos hábitos da mulher mediterrânea com características de personalidade forte, sensual e passional. Assim, os estilistas buscaram referências emitens que compunham a cultura italiana do me- diterrâneo, como gastronomia, moda, arte decorati- va e religião e, portanto, por meio da mescla dessas informações, de uma linguagem provocadora e, ao mesmo tempo, romântica, constituiu-se a referência de mensagem que a marca passa para o perfil de mu- lher e homem da marca (LIGER, 2012). Isso pode ser facilmente percebido nos desfiles que a marca desenvolve. Cada marca tem um modelo ideal, ou seja, com características comportamentais, psicológicas e de biotipo que utilizará em suas coleções por toda a história da marca. Esse modelo ideal norteia, inclu- sive, os consumidores a se identificarem ou não com os produtos desenvolvidos. Ainda sobre a importância de estabelecer o perfil do público-alvo, devemos lembrar que não somente os aspectos psicológicos contam, mas as informa- ções quanto à faixa etária que está relacionada ao comportamento e ao hábito de consumo e também das informações relacionadas ao biotipo, que nos fornecem dados para gerar a tabela de medidas da empresa. Por isso, é importante que tenhamos essa definição de público-alvo antes de iniciar o processo de desenvolvimento da coleção, afinal, precisamos saber para quem vamos criar (e vender) antes de ter o produto pronto, não é mesmo? Façamos o seguinte exercício: pense no formato do corpo de uma mulher de 20 anos, com 1,65 m de altura e pesando 60 kg. Agora, imagine essa mesma mulher com 35 anos (mantendo altura e peso) após uma gravidez. Percebe como o formato desse cor- po (as medidas) pode mudar? Portanto, estabelecer uma referência de faixa etária permite-nos entender o formato do corpo do nosso público-alvo e seus há- bitos de consumo também. Conhecer nosso público-alvo ainda é importan- te para estabelecer, de forma assertiva, a comunica- ção com ele. Toda empresa investe uma parte de seu orçamento em marketing, e uma das funções é co- municar-se com seu consumidor. Ao conhecermos as preferências e os hábitos desse grupo de consumi- dores, podemos desenvolver e gerenciar campanhas e canais de comunicação que, efetivamente, chega- rão até esses clientes, resultando, então, em vendas e reconhecimento da marca. Uma vez definido o público-alvo, passa-se a es- truturar o mix de moda e o mix de produtos de uma coleção, os quais você verá a seguir. MIX DE MODA O mix de moda corresponde às categorias de pro- duto de moda que uma empresa adota, conforme seu segmento e público-alvo. Por esse motivo, o mix de moda tende a ser uma estrutura fixa da marca. Três categorias fazem parte do mix de moda: básico, fashion e vanguarda (TREPTOW, 2003). DESIGN DO PRODUTO 50 • Básico: os produtos categorizados como “bási- co” são peças consideradas peças-chave de uma marca ou que costumam sempre serem vendi- das, não importando a coleção ou estação. Por exemplo, no segmento de moda fitness, indepen- dentemente da coleção, a equipe de estilo precisa inserir calças legging pretas. Um consumidor de moda fitness costuma adquirir várias calças co- loridas ou estampadas, mas tem preferência por ter sempre uma calça preta também. Entre 10% e 20% da coleção devem estar nesta categoria. • Fashion: os produtos categorizados como “fashion” são peças que têm forte relação com a tendência de moda e, portanto, devem ser co- mercializados durante o período de disponibi- lidade da coleção. Uma das tendências para o inverno 2015 eram as botas chamadas “over the knee” ou botas acima do joelho, em tradução literal. Para o setor de calçados, este é um pro- duto que tem tempo de duração controlado em uma coleção. Em média, 60% ou 70% de uma coleção ajustam-se nesta categoria. • Vanguarda: os produtos categorizados como “vanguarda” têm forte referência com o concei- to da coleção. Normalmente, são peças que se- rão utilizadas em editoriais, desfiles ou fotos de catálogos pelo impacto que geram. Colaboram para construir uma imagem diferenciada da marca, se este for o objetivo da empresa. Cerca de 10% da coleção enquadram-se nesta catego- ria, podendo variar conforme a marca. A distribuição pode variar conforme o perfil da marca, bem como público que atende ao segmento que atua. Tampouco é obrigatório que a marca divi- da sua coleção em três categorias, ainda mais se não atua com produtos que tenham forte apelo de moda BÁSICO VAN- GUARDA FASHION DESIGN 51 ou sejam voltados para um nicho específico, como o segmento de uniformes. Porém estabelecer um mix de moda organiza as categorias de produto, selecio- nando-os por afinidade de estilo, mais elaborado ou menos elaborado, por exemplo. Confecções voltadas para o público jovem e ávido por novidades costumam aumentar a quantidade de produtos vanguarda, enquanto empresas que trabalham com consumidores mais clássicos investem mais em produtos básicos. (Doris Treptow) REFLITA MIX DE PRODUTOS O mix de produtos corresponde à variedade de pro- dutos que uma empresa disponibilizará por coleção. Algumas empresas adotam diferentes mix de produ- tos para as estações de verão e de inverno, ou seja, as estações que menos vendem, o mix de produtos é menor, e, nas estações em que há maior volume de vendas, o mix tende a oferecer mais peças. Planejar o mix de produtos significa definir os produtos que serão comercializados pela empresa, conforme as necessidades e expectativas do consumi- dor. Isso significa planejar o composto de produtos. Podemos encontrar as definições de mix de produtos como composto de produtos. Se o mix de produtos significa totalidade, o planejamento da linha de pro- dutos significa fracionar, agrupar os produtos que apresentem características em comum e dividi-los por cores, tamanhos e quantidades a serem produzidas. Para se desenvolver o mix de produtos de uma coleção, é preciso analisar a coleção anterior corres- pondente a mesma estação, isso quer dizer que nú- meros de coleções são analisados “verão com verão” e “inverno com inverno”. O departamento comercial emite o relatório de vendas, e esta análise deve con- siderar os seguintes itens: a. Peças mais vendidas (em média, consideram- -se as 5 ou 10 peças mais vendidas, depen- dendo do tamanho da coleção). b. Se as peças mais vendidas estavam entre as de menor ou maior valor. c. Quais peças de maior valor na coleção foram as mais vendidas e qual a classificação delas. d. Quais as peças menos vendidas. Nesta fase, vale uma conversa com os representantes comerciais ou gerentes de lojas para tam- bém receber informações daqueles que co- mercializaram a coleção. Toda informação é útil para a equipe de estilo, que filtrará e avaliará as considerações que poderão ser utilizadas na próxima coleção. A decisão de aumentar ou diminuir o mix de produtos da empresa é feita em conjunto com a direto- ria, equipe de estilo e equipe de marketing, considerando as condições financeiras da empresa. Organizar as informações de mix de produtos e mix de moda é essencial para a empresa. Trabalhar organizadamente, é essencial tanto para os profis- sionais de estilo quanto de marketing, pois, assim, é possível controlar os tipos de produto, seu perfil ou suas características dentro do mix de moda defi- nido pela empresa. Não há uma regra específica de como ordenar essas informações, mas o mecanismo mais utilizado é a estruturação de um quadro, como exemplificado a seguir, no qual os dados são con- frontados. DESIGN DO PRODUTO 52 MIX DE PRODUTOS/MIX DE MODA Básico Fashion Vanguarda Total Camisas 2 5 1 8 Regatas 1 6 1 8 Blusas Polo 3 10 1 14 Total 6 21 3 30 20% 70% 10% 100% Quadro 1 - Mix de moda x Mix de produtos / Fonte: adaptado de Treptow (2003). Como podemos ver no Quadro 1, a exemplificação da distribuição de mix de moda e mix de produtos para uma coleção de 30 peças, na primeira colu- na, do lado esquerdo, temos o mix de produtos, ou seja, as peças que a indústria irá produzir, nes- se exemplo, são somente partes de cima. Veja, ca- ro(a) aluno(a), que todas as linhas da tabelaindi- cam qual será a quantidade de peças desenvolvidas para cada um dos tipos de produtos: serão ao todo 8 camisas, por exemplo. Já na primeira linha, temos o Mix de Moda da coleção, Básico, Fashion e Vanguarda, e, na última linha da tabela, temos a porcentagem que cada uma dessas categorias precisa atender. Assim, das oito camisas que serão desenvolvidas na coleção, dois modelos terão características Básicas, cinco serão com apelo Fashion e uma terá uma configuração Vanguarda. Sucessivamente, os dados são colocados no quadro e, ao final, é possível ter uma visão parcial detalhada dos modelos para a coleção e sua dis- tribuição para cada uma das categorias do mix de moda. Lembrando que cada peça definida ainda tem suas variantes de cor, estampa e talvez mais al- gum detalhe. O consumidor que entra em uma loja revela uma intenção de compra, mesmo que precise conhecer melhor os produtos ou saber os valores das peças. Uma compra pode ser des- tinada quando o consumidor já tem definido o seu interesse antes mesmo de entrar na loja ou porque já conhece a marca e os produtos ou por uma necessidade; ou a compra pode ser ocasional em que a decisão da aquisição é feita no interior da loja, uma vez que a ex- posição ou conveniência do produto estimula a compra que ainda não havia sido definida. Para as vendas ocasionais, a estruturação de um bom mix de moda e de produtos gera bons resultados. Fonte: as autoras. SAIBA MAIS O Quadro 1 é apenas o ponto inicial, podendo ser remanejada, detalhada, para maior organização, conforme sugestão a seguir, em que o mix é mais completo, minuciosamente delineado e já articulado com as cores, grade de tamanhos e quantidade de peças a serem produzidas. Já o Quadro 2, apresenta uma tabela de Mix de Produto um pouco mais deta- lhada, bastante utilizada em empresas de confecção. DESIGN 53 REF L.P N.P MODELO (DESCRIÇÃO) MATÉRIA-PRIMA GRADE CORES TOTAL P M G GG 1 2 3 REF L.P N.P MODELO (DESCRIÇÃO) MATÉRIA-PRIMA GRADE CORES TOTAL P M G GG 1 2 3 REF L.P N.P MODELO (DESCRIÇÃO) MATÉRIA-PRIMA GRADE CORES TOTAL P M G GG 1 2 3 Quadro 2 - Tabela de Mix de Produtos / Fonte: adaptado de Treptow (2003). Para entender melhor o conteúdo dessa tabela, cada sigla utilizada no preenchimento tem uma função/sig- nificado, conforme os dados a seguir: • REF: representa a referência do produto, pode ser criada com códigos, letras, números ou mesmo a junção de letras e números • L.P: representa a linha de produto a qual esse modelo pertence, se é parte de cima (Tops), par- te de baixo (Bottoms), vestido (Dresses) etc. • N.P: representa o nível de produto do modelo, se é básico, real, ampliado ou especializado – ou mesmo o mix de moda, tradicional, fashion ou vanguarda. • MODELO (descrição): aqui se descreve o mo- delo conforme suas características físicas, pon- tuando os principais detalhes. • MATÉRIA-PRIMA: neste item se descreve a ma- téria prima a qual o modelo será desenvolvido. • GRADE: aqui se pontua as numerações as quais este modelo será produzido e disponibi- lizado para venda. • CORES: sinaliza-se aqui as cores do modelo. • TOTAL: neste item coloca-se a soma da quan- tidade de peças que este modelo terá para o corte e venda. Lembrando que a consistência do composto de produ- tos, que podemos chamar também de mix de produtos, refere-se ao grau de relacionamento das diversas linhas de produtos em termos de uso final, especificações de produção, canais de distribuição ou outra maneira. Quanto mais consistentes forem as linhas de produtos de uma organização, maiores as possibili- dades de agilidade da empresa e menores os preços finais dos produtos, consequentemente, melhores serão as vendas. 54 C aro(a) aluno(a), esta unidade apresentou ferramentas e processos que são necessários para planejar, organizar e estruturar uma coleção de produtos de moda. Entendemos a importância do planejamento e da organização antecipada de uma coleção. Vimos como definir o orça- mento que a empresa possui para realizar as aquisições da nova estação e como isso pode interferir no sucesso de uma coleção, visto que essa definição é resul- tante da interação de outros departamentos, como o comercial e o marketing e, assim, configurando-se a primeira etapa do planejamento de uma coleção. Planejar é palavra de ordem. Após coletar, filtrar e interpretar as tendências de moda, aprendemos a compor as cartelas de cores e de materiais de uma cole- ção. Selecionar quais serão os fornecedores também é uma atribuição da equipe de estilo, a qual necessita planejar a compra e a entrega do artigo dentro do prazo estabelecido para a coleção, no cronograma de planejamento. Assim, antes de realizar o pedido, o designer deve solicitar aos fornecedores de tecidos uma pe- quena amostra para a execução de peça piloto ou testes que definam se o artigo está adequado ao esperado em termos de rendimento, maleabilidade e estilo. Estudamos também as variadas formas de executar um mix de produtos, amarrando a ideia do estilo com as classificações do mix de moda. Um mix de produto bem delineado auxilia a empresa a trabalhar organizadamente, otimi- zando tempo, prazos e entregas, respeitando o ciclo de moda, ou seja, as datas de lançamentos de coleção. Lembrando que esta etapa, planejar o mix de produtos, ocorre antes dos desenhos. Portanto, nesta Unidade ll, tivemos muitos estudos, aprendemos a planejar e estruturar uma coleção de produtos de moda. Espero que a unidade tenha contribuído para seu crescimento. Nós nos vere- mos na próxima. Até lá! considerações finais 55 LEITURA COMPLEMENTAR CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS PARA INTERNACIONALIZAÇÃO A equipe de criação da Arezzo tem que lançar suas coleções simultaneamente às das marcas internacionais, devido à exigência dos clientes e franquias internacionais. Para isso, ao invés da equipe de criação se inspirar nos lançamentos das marcas europeias, americanas e japonesas para lançar no Brasil, ela realiza pesquisas nas feiras interna- cionais de tendências. Além de participar dessas feiras, os estilistas das equipes de criação viajam a cada dois meses para diversas partes do mundo para observar novas tendências. As tendências internacionais também são transmitidas pelos grandes fornecedores mundiais de ma- téria-prima, que apresentam as inovações tecnológicas em produtos e acabamentos por meio de suas equipes de criação e desenvolvimento. O produto da empresa é um produto global, ou seja, ela não desenvolve nenhum tipo de segmentação para mercados ou clientes. O que ocorre com frequência é uma di- ferença nas quantidades vendidas por numeração nas diversas regiões ou países que comercializam as marcas do grupo. No que se refere ao número de coleções que são desenvolvidas por estação, a Arezzo desenvolve cinco grandes coleções, sendo duas na estação de inverno, e três na esta- ção de verão, além de duas ou três minicoleções, que são desenvolvidas durante uma estação, dentro de um calendário já previamente estabelecido. Essas minicoleções são desenvolvidas a partir de um tema e a criação é necessariamente mais rápida, pois ela é feita dentro da própria estação, baseada em tendências observadas nas ruas das principais cidades influentes em moda. Somando-se as duas marcas da empresa, são desenvolvidos 400 modelos por coleção e 80 modelos por minicoleção. As minicoleções têm a função de responder ao mercado de uma forma mais imediata, tanto que o prazo desde o início da concepção dos produtos das minicoleções até a entrega nas lojas é de seis semanas, enquanto que o tempo de concepção de produtos de uma coleção normal até disponibilizar aos consumidores é de seis meses. No que se refere à Ellus, sua equipe de criação se subdivide em equipes menores, sen- do cada uma responsável pela criação de uma determinada linha de produtos, que é desenvolvida sob a supervisão da diretoria de criação. Depois que os protótipos estão56 LEITURA COMPLEMENTAR prontos, cada equipe se reúne com a diretoria para decidir se o produto é atrativo co- mercialmente, e se segue o estilo da marca. A Ellus desenvolve sua coleção para o mercado mundial, ou seja, a coleção é interna- cional e alguns produtos estão à frente do que o mercado brasileiro está demandando, pois a marca segue as tendências internacionais e por se antecipar, nem sempre é compreendida pelos consumidores no mercado brasileiro, considerado mais retrógra- do pela empresa. Para o mercado internacional, dentro de uma coleção de 800 itens, é feita uma seleção de peças que de fato antecipam tendências futuras para serem disponibilizadas no mercado externo. Peças de tendências passadas, apesar de ainda serem atuais no mer- cado brasileiro, não são oferecidas aos compradores internacionais. Por isso, a coleção orientada para o exterior é sempre atual em termos de tendência de moda. A empresa desenvolve duas coleções anuais e, durante uma coleção, lança produtos que a equipe de criação detecta que faltaram na coleção normal ou que surgiram como uma nova tendência momentânea. Esses produtos, chamados de “cortes especiais”, normalmente são disponibilizados nas lojas no Brasil no prazo máximo de 30 dias, con- tados da data em que houve a concepção do produto e a decisão de produzi-lo. Mas esses cortes especiais atendem somente o mercado interno, pois são cortes desen- volvidos para seguir uma moda ditada por algum acontecimento, como um evento ou programa televisivo local, que não se aplica ao mercado externo, já que a empresa não acompanha, em âmbito mundial, os efeitos dessas externalidades na moda. A Carmim é fiel ao estilo imagem de vanguarda e de modernidade da marca, e não se- gue obrigatoriamente as tendências disponíveis nos sites internacionais de moda que as grandes marcas seguem. É óbvio que uma ou outra tendência pode ser observada na coleção. A equipe de criação monitora o desempenho de alguns produtos muito inovadores que foram lançados, o que possibilita a decisão de ousar mais ou não em futuros lançamen- tos. Paralelamente, a equipe de representantes que atua junto aos clientes multimar- cas, tem acesso direto aos estilistas todos os dias, se necessário for, alimentando-as com informações do mercado no Brasil. Todas as peças produzidas passam pela apro- vação do diretor-presidente da empresa, o histórico da empresa informa que 95% da coleção criada é aprovada para ser produzida. 57 LEITURA COMPLEMENTAR O produto ofertado aos diferentes mercados é o mesmo, não existindo nenhum tipo de modificação. A empresa tem uma forte identidade com o Brasil, e desenvolve produtos com um estilo próprio em que ela usa muitos elementos da cultura nacional. A internacio- nalização propiciou à Carmim acesso a novos fornecedores internacionais. A empresa desenvolve duas coleções anuais, com aproximadamente 700 modelos em cada. Não desenvolve produtos no meio de uma coleção, pois entende que ela já abrange as necessidades e desejos dos seus clientes. A empresa leva, em média, seis meses desde o início do desenvolvimento de uma coleção, até disponibilizá-la ao consumidor [...]. Fonte: Silva, Vicente e Galina (2013). 58 atividades de estudo 1. Sempre que uma marca decide colocar produtos no mercado, deve segmentar seu público-alvo. Quanto mais informação da vida cotidiana consegue-se coletar, me- lhores as chances de se desenvolver um produto que atenda às necessidades e aos desejos deste público. Sobre o conceito de público-alvo visto neste estudo, é correto afirmar que: a. São as pessoas a quem a empresa espera vender a coleção, não importando sua faixa etária ou seu hábito de consumo. b. São as pessoas que a empresa utiliza como padrão de medidas e comportamento para utilizar como base no desenvolvimento de suas coleções. c. A definição de quem é o público-alvo pode variar de acordo com cada coleção que a empresa desenvolve. d. O público-alvo fornece somente as informações ligadas ao padrão de medidas e biotipo que a marca pretende desenvolver em suas coleções. e. As medidas utilizadas a partir do público-alvo variarão conforme a estação. 2. A cartela de cores deve conter todas as cores que serão utilizadas em uma coleção. Portanto, o estilista deve estruturar a cartela de uma determinada maneira. Tendo isso em vista, analise as afirmativas, marcando V nas verdadeiras e F nas falsas: I. ( ) Selecionar quais cores são destacadas nos informativos sobre tendências de moda para determinada estação. II. ( ) Selecionar quais cores têm relação com a temática da coleção, mesmo que não sejam tendência de moda. III. ( ) Acrescentar informações sobre o nome e código do fornecedor do tecido com as cores escolhidas para consulta futura. IV. ( ) Selecionar quais cores têm relação com a temática da coleção, mas apenas as que sejam tendência de moda. Assinale a alternativa que apresenta a resposta correta: a. V, V, F e F. b. V, V, V e F. c. V, F, V e F. d. F, V, V e F. e. F, F, V e F. 3. Podemos considerar um tema essencial para que uma coleção de produtos de moda seja desenvolvida dentro da identidade definida pela marca. Quanto mais rico for esse elemento tema, mais elementos poderão ser coletados e repassados aos detalhes dos produtos, ao conceito. Sobre o tema ou conceito de uma coleção, analise as afirmati- vas, marcando V nas verdadeiras e F nas falsas: 59 atividades de estudo I. ( ) O tema de coleção é definido pela equipe de marketing depois que a coleção toda está finalizada e serve para orientar a produção do catálogo. II. ( ) O tema de coleção é o fio condutor entre as peças e por meio dele se conta a história que será representada nas cores, estampas, formas e materiais. III. ( ) O tema é o mesmo que a tendência de moda que a empresa irá seguir em sua coleção. IV. ( ) O tema de coleção não é o fio condutor entre as peças nem por meio dele se conta a história que será representada nas cores, estampas, formas e mate- riais. Assinale a alternativa que apresenta a resposta correta: a. V, V, F e F. b. V, F, V e V. c. F, F, V e F. d. F, V, F e F. e. F, F, V e V. 4. Toda empresa tem a necessidade de organizar seu composto de produto, também conhecido como mix de produto. Quanto maior for o mix de produtos de uma em- presa, maiores serão as opções de compra para os consumidores desta marca. So- bre o Mix de Produtos de uma coleção, analise as afirmativas, marcando V nas ver- dadeiras e F nas falsas: I. ( ) O mix de produtos compreende todas as peças que serão criadas em uma coleção, incluindo acessórios. II. ( ) O mix de produtos compreende todas as peças que serão fabricadas para um pedido de um cliente. III. ( ) O mix de produtos compreende as categorias de Básico, Fashion e Vanguarda de uma coleção. IV. ( ) O mix de produtos compreende as categorias de Básico e Vanguarda de uma coleção. Assinale a alternativa que apresenta a resposta correta: a. V, F, V e F. b. V, F, F e F. c. V, V, F e V. d. F, V, F e F. e. F, F, V e V. 60 atividades de estudo 5. Existe uma maneira bastante eficiente para definir as categorias de peças de vestuário que farão parte de uma coleção. Chama-se mix de moda, que suge- re valor ao produto, acrescentando algo a mais a cada categoria. Sobre o mix de moda de uma empresa, analise as afirmativas, marcando V nas verdadeiras e F nas falsas: I. ( ) Categoria Básico: em que há produtos minimalistas, sem muita informa- ção de moda e podem ser combinados com qualquer peça da coleção. II. ( ) Categoria Fashion: em que há produtos com forte referência das ten- dências de moda, seja em modelagem ou estampa. III. ( ) Categoria Básico: considera os produtos que mais vendem em uma co- leção, ou são os “reconhecidos” da marca. IV. ( ) Categoria Vanguarda: em que há produtos que não são comerciais e dificilmente são vendidos. Assinale a alternativa que apresenta a resposta correta:a. V, V, F e V. b. V, F, V e F. c. F, V, F e V. d. F, V, V e F. e. F, V, F e F. DESIGN 61 The Director - Uma Criadora na Gucci 2013 Sinopse: fruto de um ano de filmagens dos bastidores de Frida Giannini, a diretora de criação que deu novo fôlego à marca Gucci. The Director - Uma criadora na Gucci leva o espectador de um processo de seleção de modelos à magia da Cinecittà, revelando o universo criativo de Giannini, que sucedeu a Tom Ford no comando da Gucci e conduziu a grife às suas raízes. O documentário extrapola o universo da passarela, dando atenção à visão artística da estilista, seu processo de trabalho, influências criativas e registra a marca que Giannini deixa numa indústria domina- da por homens. Indicação para Assistir Para ter mais conhecimento sobre a área, acesse o material disponível em: <http://www.bibliotecas.sebrae. com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/ec2d0bb501513be151473b3b3f88a9c3/$File/5325.pdf>. Indicação para Acessar 62 referências gabarito BAXTER, M. Projeto de produto. Guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. FRINGS, G. S. Moda: do conceito ao consumidor. Porto Alegre: Bookman, 2012. ______. Administração de Marketing. 10. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. KOTLER, P. Marketing para o século XXI. Rio de Janeiro: Ediouro, 2008. LIGER, I. Moda em 360 graus: design, matéria-prima e produção para o mercado global. São Paulo: Senac, 2012. RECH, S. R. Qualidade na criação e desenvolvimento do produto de moda nas malharias retilíneas. 2001. 209 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Pro- dução da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001. SILVA, L. A.; VICENTE, D. P.; GALINA, S. V. R. Criação e desenvolvimento de produtos em empresas brasileiras internacionalizadas: um estudo comparativo no setor de moda. Revista de Negócios, v. 18, n. 3, p. 21-36, 2013. SORGER, R.; UDALE, J. Fundamentos de design de moda. Porto Alegre: Bookman, 2009. TREPTOW, D. Inventando moda: planejamento de coleção. São Paulo: Doris Treptow, 2003. VINCENT-RICARD, F. As espirais da moda. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. 1. B. 2. B. 3. D. 4. B. 5. D. UNIDADEIII Professora Me. Paula Furlan Professora Me. Sabrina Giselle Levinton Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Gerenciamento de Informações de Coleções Prévias • Planejamento de Coleção de Moda • Metodologia Projetual Adaptada ao Produto de Moda Objetivos de Aprendizagem • Estruturar e gerenciar uma coleção de produtos de moda. • Desenvolver produtos com coerência estética, conceitual e com credibilidade. • Organizar de maneira assertiva a apresentação de uma coleção de produtos de moda, por meio da metodologia projetual. UNIVERSO CRIATIVO E CRIAÇÃO DE MODA unidade III INTRODUÇÃO O lá, aluno(a), bem-vindo(a) aos estudos da nossa Unidade III. Como vimos anteriormente, muitas informações provenientes de outros departamentos colaboram com a estruturação e o desenvolvimento de uma coleção de produtos de moda, sen- do assim, obter informações sobre a aceitação e venda da coleção passada contribui para uma próxima coleção assertiva. Essas informações podem ser geradas por meio de relatórios provenientes de outros departamentos, como o comercial, mas também podem ser oriundas de entrevistas com consumidores ou mesmo com os próprios representantes da marca. Criar o hábito de analisar coleções anteriores permite, entre outros benefícios, acompanhar o desempenho de peças que são consideradas essenciais para a marca, assim como a aceitação de tendências de moda por parte do público-alvo da empresa. Outro aspecto importante quando pensamos em coleção é que os produtos tenham coerência e sejam coor- denáveis entre si, independentemente do tamanho e propósito da coleção. Por fim, também veremos como estruturar um portfólio eficiente para uma apresentação de coleção, neste momento, a empresa tem a partici- pação de vários departamentos. Todo esse material pertencente ao pla- nejamento de uma coleção também poderá ser utilizado para gerar um briefing para o departamento de marketing, este tipo de ação, geralmente, é feito por uma agência contratada para definir a comunicação de uma coleção ou marca. Muito importante também é o entendimento acerca da utilização de uma metodologia projetual para o desenvolvimento dos produtos de vestuário. Nesta unidade, oportunizaremos uma explicação aprofundada acerca destes métodos e planejamentos. Aprenderemos a analisar coleções anteriores, a organizar a apresentação de uma coleção e a desenvolver famílias de peças. Bons estudos! DESIGN DO PRODUTO 68 Gerenciamento de Informações de Coleções Prévias Dentre todas as atividades que um designer deve pre- parar para iniciar o desenvolvimento de uma coleção, interpretar e analisar os relatórios de vendas de cole- ções anteriores pode ser uma tarefa muito importante e de grande utilidade. Para Liger (2012), a concepção de uma coleção é resultado da estruturação de um projeto que se baseia em um estudo que foi realizado anteriormente, assim, obter informações prévias so- bre mercado e público-alvo auxilia no projeto de uma nova coleção. Porém outras informações podem fa- zer parte deste levantamento, como analisar a coleção anterior, as peças mais vendidas e as menos vendidas também, como forma de detectar possíveis falhas e, com isso, possibilidades de correções. Chataignier (1996) comenta sobre a opinião da designer carioca de moda Marília Valls em relação à inspiração de uma coleção e afirma que a estratégia positiva para quem quer fazer uma coleção é sempre ter uma boa ideia. Esta ideia deve ser baseada no co- tidiano, na rua, nas coisas que acontecem, porque, geralmente, estas situações colocam-nos em estado de criatividade. DESIGN 69 Devemos considerar outro item muito importan- te em relação a uma coleção. Quando formos com- parar resultados de coleções, sempre devemos nos ater para que a interpretação de dados seja da mesma estação. Ou seja, inverno x inverno e verão x verão. Isso porque, ao analisar coleções passadas, estamos buscando informações correlatas, que possam se re- petir, sobre venda, estilo, matéria-prima, custo de produção ou qualquer outro dado que possa interes- sar para compor a próxima coleção. Normalmente, a matéria-prima de uma coleção de verão é diferente da utilizada para desenvolver uma coleção de inverno, principalmente em texturas e valores, portanto, não podemos comparar itens disformes. Quando ocorre na mesma estação, funciona para orientar a equipe de estilo quanto aos seguintes itens: O mix de produtos da última coleção foi satisfatório em quantidade e variedade O mix de moda ainda permanecerá o mesmo O consumidor consegue interpretar e valorizar o conceito/ tema da coleção Satisfação sobre Mix de Produtos Quando falamos sobre mix de produtos na Unidade II, aprendemos que ele representa a quantidade de modelos que teremos em uma coleção e, assim, saber qual a quantidade de peças vendidas de determinada referência, por exemplo, calça jeans flare, indica-nos se é uma modelagem que foi aceita, ou não, pelo mercado consumidor da marca. O mesmo ocorre sobre o item variedade do mix de produto. Se houve reclamações ou questionamentos sobre ausência de determinadas modelagens ou estilos de peças, pode ser um indicativo que houve uma falha de composição do mix de produtos. Continuidade do Mix de Moda Os direcionamentos especificados sobre como serão as peças para o Básico, Fashion e Vanguarda da empresa podem ser confrontados por meio da análise das vendas. Por exemplo, os itens considerados básicos de uma marca, normalmente, têm ampla aceitação no mercado por já serem conhecidos pelo consumidor. Se por algum motivo a venda desses produtos não é satisfatória, é preciso rever se ainda são reconhecidospelo público ou se houve alguma escolha não satisfatória em relação à matéria-prima, por exemplo. Imagine que uma empresa de moda é um organismo plástico, ou seja, ele não é estático e se adapta às variações do mercado para existir. Portanto, alguns itens considerados básicos de uma marca podem, muitas vezes, sofrer alterações, e analisar o histórico de vendas pode fornecer esta informação, possibilitando um reposicionamento. Conceito/Tema da Coleção Como vimos na Unidade I, o conceito de uma coleção tem como função interligar as peças durante o seu desenvolvimento e também permite que se executem atividades para lançamento, divulgação e promoção. Porém, ao selecionar o tema, é preciso optar por algo que seja do cotidiano ou reconhecível pelo consumidor da marca para que surta o efeito do desejo. Temas que não se conectam com o consumidor acabam surtindo efeito contrário, uma vez que o público pode não entender as referências utilizadas na coleção. Esses itens oferecem uma série de informações importantes, pois são baseados em números de venda, o que significa a aceitação do produto e, por consequência, da coleção. Mas que tipo de informação está por trás de cada item? Vamos desmembrar cada um deles. Observação AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES DESIGN DO PRODUTO 70 O Quadro 1 a seguir, baseia-se nos números reais coletados de uma empresa de moda e serve como exemplo de informações que podem ser utilizadas: Quantidade produzida/Quantidade vendida Modelo Março Abril Maio Junho Julho Vestido longo sem manga 300/230 460/320 500/530 500/420 200/150 Vestido curto sem manga 200/160 300/240 300/340 200/300 150/180 Vestido curto manga curta 100/90 200/220 300/250 200/180 150/100 Quadro 1 - Relação de quantidade produzida e quantidade vendida / Fonte: adaptado de Treptow (2003). Por meio da análise e interpretação da rela- ção de peças produzidas e peças vendidas de três estilos de vestidos diferentes do Quadro 1, podemos criar um gráfico. O exemplo da Figura 1 demonstra que o vestido longo sem manga foi o item que mais vendeu, enquanto a venda do vestido curto de manga curta não teve tanto êxito. É importante para merchandisers e designers entende- rem como os custos com tecidos e produção afetam os preços. Por exemplo, custos mais altos de tecido devem ser equilibrados com uma construção mais simples. (Gini Stephens Frings) REFLITA Vestido Longo x Vestido Curto 600 500 400 300 200 100 0 mar abr maio jun jul produção VL venda VL produção VC venda VC Figura 1 - Gráfico de relação produção e venda entre vestidos Fonte: adaptado de Treptow (2003). DESIGN 71 Outras informações que podem ser fornecidas a par- tir da análise de uma coleção anterior, diz respeito à matéria-prima utilizada. Como sabemos, toda cole- ção é uma aposta e as equipes de estilo, marketing e comercial trabalham para minimizar riscos, po- rém, algumas situações imprevisíveis podem ocor- rer, principalmente se são externas à empresa e ao mercado, como mudanças climáticas, por exemplo. Isso pode acarretar sobra de tecidos e aviamentos no estoque da empresa e que, a partir de uma análise, pode-se verificar a possibilidade de reutilizar esse material na próxima coleção. Analisar coleções anteriores faz parte do plane- jamento, é pensar estrategicamente no desenvolvi- mento de produtos, inserindo informações do mer- cado e do consumidor que já foram registradas por meio de relatórios de venda ou documentos de saldo de estoque. As informações existem, basta utilizá-las a favor da empresa e do desenvolvimento. Sendo as- sim, o autor Baxter (1998, p. 10) afirma: Algum grau de incerteza pode persistir, mesmo quando o novo produto foi fabricado e estiver estocado, pronto para distribuição. Mas mini- mizar o risco e a incerteza é a essência da ativi- dade de desenvolvimento de produto. Com base nesta afirmação do autor citado, podemos entender que, mesmo diante de bastante investiga- ção, as incertezas podem acontecer, porém, acre- ditar que o caminho que está sendo percorrido é o melhor é a primeira forma construção de um bom planejamento para a coleção. Treptow (2003) confirma que os registros de vendas, por exemplo, são documentos úteis para ve- rificar, dentre os produtos oferecidos em determina- da coleção, quais foram bem vendidos e quais não. Esses relatórios também se tornam importantes para um novo designer na empresa familiarizar-se com o perfil de produto e com o mercado que essa marca atua por meio do estudo dos relatórios, mesmo não sendo uma única e absoluta fonte de informação. Atualmente, o desenvolvimento do produto de moda em grande parte das empresas bra- sileiras é concretizado por meio de coleções pequenas (quantidade), concisas e bem defi- nidas quanto ao conceito/estilo (qualidade), principalmente por causa da velocidade das informações sobre moda a que os consumi- dores têm acesso. Os modelos destas mini- coleções vão sendo substituídos à medida que surgem novas influências do “mundo da moda” no “mundo dos clientes finais”. Fonte: Rech (2001). SAIBA MAIS DESIGN DO PRODUTO 72 Planejamento de Coleção de Moda VAMOS DEFINIR UM CONCEITO PARA “COLEÇÃO”? Conforme Frings (2012), as coleções de moda são formadas por grupos de roupas. O conceito de co- leção é diferente de concepção do produto e pode ser entendido como o conjunto das características próprias encontradas no produto. Uma coleção é criada a partir da pesquisa de moda e de mercado e o estilo de cada peça, dentro dessa coleção, deve ser pensado de maneira uniforme em relação ao tema ou conceito a que se propõe a coleção, mas também com características próprias e propondo variedades. Estas variedades podem ser definidas pela determi- nação de famílias que correspondem a grupos de pe- ças com concepções complementares e coordenáveis que têm um determinado direcionamento, poden- DESIGN 73 do ser baseado em um tecido, cor e estilo particular (FRINGS, 2012). Podemos pensar nessa “família” como “familia- ridade”, ou seja, agregar produtos que apresentam características similares para que possam formar um visual harmônico aos olhos do consumidor. É como se entrássemos em uma loja e, logo ao pri- meiro olhar, algo nos prendesse pela harmonia pro- porcionada, ou seja, ao desenvolver uma família de peças, deve-se possibilitar a combinação entre elas de maneira aleatória, assim, uma mesma blusa pode ser utilizada com um short, uma saia ou uma calça da mesma família, sem comprometer esteticamente a composição. Em média, uma coleção pode apresentar entre seis e oito famílias, mas é especificamente determi- nado pela estratégia da empresa para a comerciali- zação destes itens. Frings (2012) apresenta exemplos de como a es- trutura de famílias pode ser construída para cada seg- mento. O Quadro 2 a seguir, apresenta tais indicações: Família Descrição Vestidos As peças necessitam apre- sentar variedade em silhueta, comprimentos e detalhes de construção, podendo ser sele- cionado um modelo principal ou chamado “best-seller” como destaque. Sportswear As peças desse segmento são desenvolvidas, normalmente, considerando que serão uti- lizadas em conjunto, assim, pre- cisam ser coordenadas entre si por meio de recortes, cores e/ ou modelagens. Quadro 2 - Distribuição de famílias por segmento / Fonte: adaptado de Frings (2012). O consumidor final assumiu uma espécie de vingança sobre o tempo de inflação. Ele se comporta como se não precisasse consumir e só o faz se ocorrer qualidade de produto e ser- viço, ou seja, se ocorrer sedução. Sendo assim, é recomendável olhar minuciosamente para o mercado com os “olhos” do consumidor. Fonte: D’aguano (2000). SAIBA MAIS O equilíbrio entre as famílias é essencial para o su- cesso da coordenação das peças. Selecionar um ou dois itens para serem trabalhados ao longo das pe- ças pertencentes a mesma família permite que sejam coordenáveis sem exagero. Essa coordenação pode ocorrer pormeio de uma estampa ou recortes que podem ser coordenáveis entre as outras peças da co- leção, como podemos ver na Figura 2: Figura 2 - Croqui de Família por meio de recortes / Fonte: Shutterstock DESIGN DO PRODUTO 74 Ainda analisando a Figura 2, podemos verificar que as mesmas cores aparecem em três criações diferen- tes e em locais diferentes também. Mesmo assim, percebemos a conexão e a unidade de estilo entre as peças, podendo realizar o exercício de coordenar de maneiras diferentes os looks propostos e, ainda assim, eles combinariam. Outros elementos que um designer pode utilizar para coordenar suas criações ao estruturar uma fa- mília em uma coleção são: tecidos, linhas e formas. Assim, a seleção de um tecido não necessariamen- te precisa ser somente em relação à sua cor ou es- tampa, mas também em relação à sua textura. Peças com um tecido texturizado permitem construções diferenciadas. “Os próprios tecidos muitas vezes propõem caminhos criativos para o design de uma roupa” (FRINGS, 2012, p. 221). Na Figura 3, verificamos como as texturas criam as conexões das peças. Veja como os efeitos de “nós”, criados pelo designer, repetem-se em estruturas di- ferentes e materiais diferentes, porém ainda passan- do a ideia de unidade. Isto pode-se verificar em relação às linhas e às for- mas das Figuras 2 e 3. Na Figura 2, a linha é geométri- ca e vertical e guia as criações de peças lineares e com pouco volume, dando destaque à estampa. Na Figura 3, é possível perceber que uma forma orgânica e volu- mosa domina as criações representadas por meio de efeitos de nós, amarrações e volumes desestruturados. Para um bom resultado do conjunto de peças, as opções selecionadas pelo designer devem se rela- cionar bem entre si, transmitindo a sensação de har- monia, equilíbrio e coordenação, como mencionado anteriormente. Figura 3 - Texturas criativas/ Fonte: Shutterstock. DESIGN 75 Vamos conhecer um portfólio de coleção. Podemos entender que ele é uma estrutura que compila os ma- teriais, as pesquisas e os desenhos gerados pelo esti- lista para uma coleção. Todo objeto ou informação que foi selecionado para fazer parte da coleção acaba sendo armazenado dentro de um caderno ou bloco de notas que será utilizado posteriormente como referência para o desenvolvimento de uma coleção. A constante busca por renovação na moda é impulsionada não apenas por uma exigência comercial e pelo prazer do consumidor pela “novidade”, mas também por uma fascinação com a imagem e a narrativa. (R. Turner Wilcox). REFLITA Esses materiais passam a fazer parte do portfólio da coleção, que pode ser utilizado em uma reunião de apresentação de coleção para outros departamentos na empresa, em uma reunião de briefing com uma agência de marketing ou em uma sessão de prova de roupas. Qualquer atividade que demande visualmen- te a apresentação da coleção pode utilizar o portfólio. A estrutura utilizada para formatar o portfólio da coleção costuma ser um caderno em formato de book, como vemos na Figura 4, ou, no caso de uma reunião, em apresentação de slides, se for possível a projeção das imagens ou slides. Já os desenhos propostos para a coleção devem ser apresentados na ficha de estilo ou em seus croquis originais para melhor visualização dos participantes, porém, ainda é possível projetar alguns desenhos para ilustrar a apresentação. DESIGN DO PRODUTO 76 Figura 4 - Exemplo de book de portfólio de coleção Frings (2012) propõe que o designer pode organi- zar suas criações em um quadro disposto, ordena- damente, por meio de grupos de tecidos e cores. Dispor os desenhos nesta estrutura, chamada de “quadro de estilo” permite que o designer e o res- tante dos profissionais envolvidos na apresentação possam ter uma visão holística da coleção. O de- signer pode, inclusive, utilizar essa técnica previa- mente ao estruturar sua coleção e, posteriormen- te, formatar novamente um quadro de estilo para apresentar a coleção em uma reunião, dando su- porte ao portfólio. Estruturar um portfólio de coleção pode uti- lizar também os mesmos direcionamentos para configurar um portfólio de conclusão de curso ou profissional para uma entrevista, por exemplo. Um portfólio deve incluir fotografias de peças e roupas, amostras e car- tela de tecido, ilustrações de moda, painéis de inspiração, desenhos técnicos, croquis, junto aos books de pesquisa e esboços. Fonte: Sorger e Udale (2009). SAIBA MAIS DESIGN 77 As marcas de moda costumam organizar reuni- ões semanais, quinzenais ou mensais para pequenas aprovações da coleção que está em desenvolvimen- to. A ocorrência dessas reuniões está associada ao tempo de lançamento de cada coleção e à quantida- de de peças. Uma coleção com um número elevado de modelos precisa realizar reuniões com maior fre- quência para que não acumule demasiadamente o volume de peças por reunião. O mesmo planejamento deve ser feito para uma marca que faz vários lançamentos de coleções por ano. O portfólio de uma coleção auxilia no entendi- mento geral do que está sendo proposto para uma coleção e deve contemplar os seguintes itens: 1. Painel conceitual ou temático da coleção: o impacto de uma imagem sintetiza, estrategi- camente, a utilização de vários conceitos e já auxilia a equipe de marketing, por exemplo, a imaginar as possíveis campanhas. 2. Amostra de tecidos e cartela de cores: algu- mas empresas desenvolvem um painel espe- cífico para estes itens, outras agregam essas informações ao painel conceitual. Indepen- dentemente da estratégia, é preciso sinalizar os materiais e cores utilizados. 3. Desenhos de estilo, croquis ou fichas de criação: como já mencionado anteriormente, devem ser apresentados separadamente do painel e preferencialmente distribuídos já por conceito ou famílias. Empresas que desenvolvem coleções para outras marcas (private label - grandes marcas têm seus produtos produzidos neste sistema) ou estilistas que atuam como freelancers também podem utilizar o portfólio de coleção como uma amostra dos proje- tos que desenvolveram para outras marcas. Organi- zados por empresa, conceito da coleção, desenhos e fotos é uma maneira efetiva e prática de apresentar um trabalho. DESIGN DO PRODUTO 78 Metodologia Projetual Adaptada ao Produto de Moda Você já ouviu falar em metodologia projetual, certo? Pode parecer estranho pensarmos em roupas e metodo- logia ao mesmo tempo, mas a verdade é que, para todo projeto, existe um método capaz de auxiliar as tomadas de decisões e ainda organizar todo o fluxo produtivo. Um bom designer [e um bom designer de moda] deve possuir qualidades como criatividade e intuição, além de conhecimentos tecnológico e cultural aliado a uma metodologia eficaz de trabalho, “e, ainda, um grande percentual de ética, humildade e de espírito corporativo”. O profissional com estes caracteres tem grande chance de competir no mercado e o possibilita desenvolver produtos melhores e diversificados (MORAES, 1996, p. 121). Diante das premissas do autor apresentadas, pode- mos inferir que a criatividade sozinha não consegue levar um profissional a desenvolver e produzir pro- dutos, e se faz necessária uma metodologia que possa alicerçar todas as ideias. Temos que considerar um fa- tor determinante para a profissionalização do desig- ner que trabalha com desenvolvimento de coleções. DESIGN 79 A competitividade crescente entre as empresas têxteis e também de confecção, desde o início da dé- cada de 90, acabou gerando maior procura pelo pro- fissional de moda. Atualmente, a profissão está em alta com expectativas de crescimento contínuo e, sen- do assim, nada mais importante do que a utilização de uma metodologia que possa alicerçar este profis- sional em suas tomadas de decisão nas coleções. O que vem a ser uma metodologia projetual, de fato? Metodologia é um conceito bastante uti- lizado, e existem variadas definições, porém todas seguindo um mesmo viés.Podemos entender como o estudo de métodos, técnicas e ferramentas bem como a maneira de suas utilizações e aplicações, que leva a uma organização e solução de proble- mas, tanto teóricos como práticos. Funciona como uma prática que é alicerçada por uma teoria, com métodos de desenvolvimento de projetos que uti- lizam técnicas, como levantamento de processos lógicos e do projeto criativo, bem como melhor utilização e controle do tempo. Como podemos adaptar uma metodologia ao produto de moda? Mota e Sifuentes (2016) abordam o método de design e explanam fases para que este método aconteça, conciliadas às fases do processo criativo. Vejamos, a seguir, um exemplo das fases do processo criativo, conforme a visão de Baxter (2000), contemplando cinco fases importantes. As fases apresentadas representam um modelo que vai desde a inspiração inicial até a verificação da ideia. De acordo com Mota e Sifuentes (2016), a inspiração inicial é a mola condutora para a solução final do problema. Estas autoras salientam a impor- tância da certeza de nosso domínio sobre o tema, as condições técnicas e psicológicas para começar uma ideia, pois o designer tem responsabilidade e com- prometimento com o projeto. Fonte: adaptada de Baxter (2000). DESIGN DO PRODUTO 80 Podemos inferir que esta primeira inspiração re- presenta uma resposta à necessidade de solucionar um determinado problema. Quando pensamos em desenvolver um produto, nosso ponto de partida é esta problemática, não no sentido “problema”, mas como uma “solução” a se resolver. Para a fase de pre- paração, Baxter (2009) descreve algumas ferramen- tas nas quais incluem todos os aspectos do Design, desde seu enquadramento funcional, estético e de produção industrial até seu consumo pelo usuário. Baxter (2009, p. 58) afirma que a fase de prepara- ção formula respostas a vários questionamentos, como: • Qual é exatamente o problema que você está querendo resolver e por que esse problema existe? • Ele é parte específica de um problema maior ou mais amplo e qual é a solução ideal para o problema? • O que caracteriza essa solução ideal? • Quais são as restrições que dificultam o al- cance dessa solução ideal? Podemos entender a fase de incubação como a fase em que nossa mente entra em acordo com as ideais, ou seja, a percepção das sensações que ali estão em nosso pensamento, porém, já analisando como estas ideias ali presentes poderão ser úteis. Algumas pes- soas consideradas líderes, geralmente, acabam fican- do mais tempo nesta fase de incubação, analisando o quanto esta ideia será ideal ou não, o quanto acres- centará em seu grupo. Sendo assim, talvez exista um momento maior de meditação nesta fase. A fase de iluminação compreende a chegada da ideia sublime, ela chega exatamente nesta fase do processo criativo, justamente por acontecer um des- canso do cérebro, que consegue observar melhor a possibilidade mais adequada. Neste momento então, surge a solução criativa. Na fase de verificação, avalia-se a ideia, acontece o momento de comprová-la, questionando se seria esta a ideia correta, pois a mente, às vezes, pode causar um devaneio. Podemos determinar três palavras que defi- nem essa fase: eficácia, autenticidade e possibilidade. Essa fase é o momento de fazer a ideia ser aplicada. Vale ressaltar que, no processo criativo, os hemisférios cerebrais são responsáveis pela criatividade. As fases de preparação e verificação ficam pela responsabilida- de do hemisfério esquerdo, pois exigem um raciocínio congruente. Mas o lado direito do cérebro também é de suma importância, pois é o lado da percepção e in- tuição, revelando ideais criativas. Sendo assim, o cé- rebro é utilizado por completo no processo criativo. Voltando à metodologia projetual, podemos per- ceber que os questionamentos são muitos quanto às incertezas do projeto. Mesmo sabendo que o processo criativo leva-nos a várias ideias que podem ser trans- formadas em possibilidades para a solução de um problema, não podemos nos esquecer de que este pro- cesso é parte integrante do Design do Produto e, para tal, necessita de uma metodologia. Mota e Sifuentes (2016) mencionam também a necessidade de se esta- belecer os parâmetros metodológicos em Design: [...] deve-se entender que o desenvolvimento do projeto de design envolve pesquisas refle- xivas de seus aspectos prático-conceituais para se atingir um grau maior de criatividade, – por meio de experimentos, exercícios e na própria observação da natureza e das funções do pro- duto. Incorporar um método em que haja sig- nificado atribuído ao projeto, como também definir uma linha de raciocínio científico para a defesa de sua criação – significa atrelar ao pro- jeto categorias de outras áreas no design: Ges- talt, Behaviorismo, Ciência Cognitiva, Ergono- mia, Ciência da Computação, Lógica, Filosofia, Psicologia, Engenharia, Arquitetura (MOTA; SIFUENTES, 2016, p. 142). DESIGN 81 Definição da Linha de Produtos Agrupamento dos produtos por grau de afinidade. Capacidade Industrial e de Vendas Qual a capacidade da empresa em termos financeiros e produtivos. Análise de Mercado Definição do perfil do consumidor e posicionamento da marca. Análise da Coleção Anterior Novas direções para a futura coleção com base nas vendas anteriores da mesma estação - verão x verão e inverno x inverno. Avaliação do que foi Moda nas Últimas Estações Quais tendências ainda permanecem. Elaboração de um Cronograma Formular um cronograma de atividades com cópia para todos os setores da empresa. Pesquisa de Tendências Informações coletadas em feiras, palestras, viagens etc. Coleta e Análise de Dados Painéis e textos. Definição do Conceito Utilização de metodologia para transformar a ideia em produto. Definições Cores, estruturas e formas, matérias-primas, aviamentos, padronagens. Desenvolvimentos Bordados, beneficiamentos, estampas etc. Criação e Geração de Alternativas Croquis. Modelagem Plana ou Moulage Definição das bases, ideias concretas viabilizando a produção seriada. Mock-up/Box Teste em material similar para averiguar caimento, estrutura. Protótipos Teste de modelagem e matéria-prima na peça definitiva, fase passiva de ajustes. Verificação dos modelos Definição dos modelos que ficarão na coleção e suas adaptações ao mercado, preço, viabilidade comercial. Com base nas premissas dos autores apresentados, podemos perceber a relevância da criatividade como condutora de um método apropriado para o desen- volvimento de produtos, assegurando uma enge- nharia tecnicamente perfeita e próxima das necessi- dades dos consumidores. Pires (2008), entendendo a importância da criatividade e da utilização de meto- dologias de design, sugere passos adaptados de uma metodologia projetual que podem ser utilizados para o desenvolvimento de produtos de vestuário e utiliza sempre como referência o design. Segue Qua- dro com as fases/passos e suas funções: DESIGN DO PRODUTO 82 Correção dos Protótipos e Repilotagem Refazer a peça com possíveis ajustes corrigidos, objetivando a perfeição. Ficha Técnica Documento completo, oficialização da peça com sequência operacional e todas as informações, oportunizando fechamento do custo. Custos e Preço de Venda Custo da peça e definição do preço para a venda. Compra Definitiva de Matéria-Prima Compra da matéria-prima, materiais e aviamentos para a produção das peças definitivas da coleção. Graduação Ampliação e redução dos moldes, de acordo com as medidas definidas pela empresa. Risco e Corte Encaixe das modelagens para ordem de corte das peças. Produção Interna ou externa (facções) das peças pertencentes à coleção. Orientação dos Setores Informar os setores sobre a coleção. Tema, novos materiais, novas modelagens, conceito, estilo. Definição de Caixas, Cabides, Sacolas etc. Definição de materiais complementares para o produto. Produção de Material Publicitário Fotos, catálogos, look-books,mídias digitais etc. Vendas Alimentar a(s) loja(s) com o primeiro lote de peças, ou entregar mostruário aos representantes, dependendo do tipo de venda definido pela empresa. Programação da Produção Programar a produção das peças da coleção de acordo com a capacidade da empresa. Entrega de Peças para o Canal de Distribuição Entrega do produto para o representante ou na loja física ou virtual, conforme definido pela empresa. Quadro 3 - Fases/Passos da Metodologia Projetual / Fonte: adaptado de Pires (2008). Fica evidente ao profissional designer que a meto- dologia associada à criatividade pode gerar concei- tos inovadores aos produtos, facilita sua engenharia, adaptando-o ao mercado da melhor forma e, ainda, reduz tempo. Uma característica positiva da utili- zação de um passo a passo, como demonstrado no Quadro, é a redução de possíveis desperdícios com inúmeras fases de teste que costumam acompanhar os produtos de vestuário, quando não se utiliza um método eficiente para o desenvolvimento do produto. 83 considerações finais C aro(a) aluno(a), chegamos ao final da Unidade III. Aprendemos com ela que desenvolver o hábito de analisar coleções anteriores permite, entre outros benefícios, acompanhar o desempenho das peças que são consideradas essenciais para a marca ao longo de seu período de venda, mas verificar a aceitação das tendências de moda selecionadas para essa coleção por parte do público consumidor da marca torna-se fundamental. Mais uma vez percebemos como a interação do departamento de design com outros departamentos é importante para a aquisição de informações que contri- buirão para a coleção. Compreendemos a importância de pensarmos, durante o desenvolvimento da coleção, que os produtos devem ser coerentes e coorde- náveis entre si, e como a técnica de criação, por meio da geração de família de peças, possibilita a utilização de estampas e cores entre peças distintas em estilo ou forma. Como vimos nos exemplos apresentados na unidade, facilitam sua exposição e coordenação de looks tanto para exposição na loja ou coordenação de uma vitrine quanto aquisição do próprio consumidor. A criação de famílias de peças permite que o designer tenha uma visão holística e mais precisa de como determinados efeito e tecido e certa estampa estão sendo aproveitados e distribu- ídos ao longo da coleção também. Finalizando esta unidade, compreendemos como estruturar, de maneira efi- ciente e prática, um portfólio para a apresentação de uma coleção. Esta estrutura- ção organizada, visual e conceitualmente, da coleção possibilita o entendimento claro e preciso de todos os participantes para que a análise correta da coleção seja realizada. O portfólio de coleção poderá ser utilizado para gerar um briefing ao departamento de marketing ou reunião com uma agência especializada para a definição da comunicação de uma coleção ou marca. Assim, nesta unidade, aprendemos a analisar coleções anteriores, organizar a apresentação de uma cole- ção e a desenvolver famílias de peças, bem como a utilização de um planejamento e uma metodologia projetual para o desenvolvimento dos produtos. 84 LEITURA COMPLEMENTAR Dimensão da coleção O tamanho de uma coleção vai depender principalmente da estratégia de comercialização da empresa. Uma confecção que vende para lojas multimarca, em uma ampla região, po- derá trabalhar com uma quantidade de modelos menor do que uma empresa que possui lojas próprias que serão abastecidas apenas com aquela marca ou que atuem em regiões muito reduzidas. Normalmente, o mínimo de uma coleção gira em torno de 20 a 30 peças e o máximo em torno de 80. Entretanto, esse padrão pode variar imensamente. Pires (2000) cita uma coleção da Ellus composta por 600 peças. Nas coleções de moda feminina, o usual é que, para cada peça “botton”, sejam criadas 2 a 3 peças “top”. Método a partir da Unidade de Estoque (SKU) Rigueiral (2002) propõe uma metodologia para o dimensionamento quantitativo de coleção a partir do estudo da Unidade de Estoque (Stock Keeping Unit – SKU). É um modelo bastante funcional para empresas com distribuição por meio de lojas próprias, pois prevê o estoque desejado das lojas. A Unidade de Estoque, ou SKU, representa “a menor unidade de esto- cagem, ou seja, um tamanho/cor de um item de coleção” (RIGUEIRAL, 2002, p. 175). Para um modelo oferecido em grade de tamanho P-M-G-GG e em 3 opções de cor, o estoque mínimo seria de 12 peças (3 cores x 4 tamanhos por cor). O tamanho da coleção pode ser definido a partir do estoque mínimo ideal previsto para a loja. Por exemplo: estoque míni- mo ideal em 480 SKUs = 40 modelos x 3 cores por modelo x 4 tamanhos por cor. Ao definir o dimensionamento de uma coleção por meio de SKUs, deve-se levar em consi- deração o desempenho de coleções anteriores (variedade de cor por modelo, volume de vendas por tamanho, quantidade de matéria-prima a ser adquirida). A demanda por tama- nhos também costuma variar conforme o tipo de artigo ou público-alvo. É bem provável que o tamanho M ou G tenham maior demanda, pois a população se concentra nessas medidas. Portanto é normal a venda sob pedido de grades 1-2-2-1 (uma peça tamanho P, duas peças tamanho M, duas peças tamanho G e uma tamanho GG). Reunião de Definição A equipe de criação ou o designer deve apresentar a proposta da coleção demostrando a pesquisa realizada, a identificação das tendências, a escolha do tema ou temas (no caso de coleções desmembradas em subcoleções), os elementos de estilo, a cartela de cores, os 85 LEITURA COMPLEMENTAR materiais (tecidos e aviamentos pretendidos), croquis dos modelos, ou desenhos técnicos e estimativa de preço por peça. Essa reunião tem por objetivo avaliar a proposta de coleção, sugerindo alterações que pos- sam facilitar a produção, reduzir custos, ou tornar o produto mais atraente ao consumidor. O estilista pode, neste momento, apresentar um número maior de criações do que estipu- lado na reunião de discussão, pois algumas peças poderão ser eliminadas. Para tal, deve-se considerar dois aspectos: a qualidade do design do modelo individualmente e a sua relação com o restante das peças da coleção (coerência ao tema, intercambialidade, semelhança a outros modelos). Lisa Schulz, vice-presidente de design de produto da The Gap, é citada por Stone (2002, p. 156) afirmando: “É minha responsabilidade dizer quando [por exemplo] uma calça de malha e uma de tecido estão ‘competindo’. Esta sai. Essa fica por ser melhor modelo”. Nessa reunião devem participar o profissional de custos da empresa, o diretor comercial e o diretor industrial. O setor de custos estima o custo de produção dos modelos, por meio do cálculo de insumos e tempo de trabalho envolvido na fabricação do modelo. Irá reco- mendar o descarte dos modelos que não puderem ser comercializados com margens de lucro atrativas para a empresa. O diretor industrial avalia a viabilidade de produção e o di- retor comercial analisa a capacidade de absorção do modelo pelo mercado. Ambos podem sugerir a eliminação de modelos ou alterações que aumentem o desempenho de venda ou facilitem a produção. Fonte: Treptow (2003). 86 atividades de estudo 1. A avaliação de coleções previamente desenvolvidas é importante, pois possi- bilita à equipe de estilo obter informações de como, comercialmente, determi- nada coleção comportou-se no mercado em relação à venda e à aceitação do público consumidor. Baseado nessa afirmação, qual(is) afirmativa(s) contem- pla(m) os benefícios de analisar coleções anteriores? I. Verifica-se o mix de produto da última coleção foi satisfatório em quantidade e variedade. II. Identifica-se o consumidor, compreende, ou dá valor ao conceito/tema da co- leção. III. Identifica a aceitação para tendências de moda ou mix de moda vanguarda na coleção. IV. Verificam-se possibilidades da gestão do produto. É correto o que se afirma em: a. l e ll. b. ll e lll. c. l, ll e lll.d. l, lll e lV. e. l, ll, lll e lV. 2. Para desenvolver uma família de peças em uma coleção, é preciso considerar alguns itens. Assinale a alternativa que melhor representa os itens que devem ser considerados: a. Tema da coleção; tecidos; aviamentos; cronograma de coleção. b. Tema de coleção; perfil do consumidor; cartela de cores; cronograma de coleção. c. Tecidos; tema de coleção; cartela de cores; perfil do consumidor. d. Tecidos; composição na vitrine; cartela de cores; perfil do consumidor. e. Composição na vitrine; tema de coleção; cartela de cores; perfil do consumidor. 3. Um portfólio de coleção tem como principal objetivo comunicar facilmente os itens que fazem parte do desenvolvimento de uma coleção. Assinale a alter- nativa que contempla os itens que fazem parte de um portfólio de coleção: a. Croquis de moda; cartela de cores e materiais; custo da coleção. b. Croquis de moda; cartela de cores e materiais; painel conceitual. c. Croquis de moda; painel conceitual; ficha técnica de produto. d. Painel conceitual; ficha técnica de produto; cartela de cores e materiais. e. Painel conceitual; cartela de cores e materiais; custo dos produtos. 87 atividades de estudo 4. Considere que você é um estilista freelancer e foi convidado para participar de uma reunião com os proprietários de uma marca que tem interesse em contratar seus serviços, mas ainda não conhecem seus trabalhos. Diante dessa situação, qual (is) instrumento (s) você levaria para essa reunião, ava- lie as afirmativas a seguir: I. Catálogos de marcas que você já desenvolveu em uma coleção. II. Reportagem de jornal ou revista de que você tenha participado. III. Portfólio de coleção de uma marca cuja coleção você desenvolveu. IV. Alguma peça de roupa pertencente à coleção que você já desenvolveu. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II e III, apenas. c. III e IV, apenas. d. I, II e III, apenas. e. I, II, III e IV. 5. Um estilista necessita desenvolver uma coleção com 100 peças. Seus diretores solicitaram que considerassem a existência de famílias de peças nessa cole- ção para melhor aproveitar os tecidos que já existem no estoque. Qual das alternativas a seguir melhor representa a seleção de famílias que o estilista desenvolverá? a. Serão 8 famílias, em média, com 12 peças cada. Cada família terá uma estam- pa diferente da outra, sem nenhuma conexão entre elas. b. Serão 5 famílias, em média, com 20 peças cada. Somente 3 famílias terão co- nexão por meio das estampas. c. Serão 8 famílias, em média, com 12 peças cada. Somente 2 famílias não terão conexão, as outras serão conectadas pela textura dos tecidos. d. Serão 5 famílias, em média, com 20 peças cada. Todas as famílias serão conec- tadas por meio do tema da coleção, que aparecerá em estampas ou texturas. e. Serão 5 famílias, em média, com 20 peças cada. Cada família terá uma estam- pa diferente da outra, sem nenhuma conexão entre elas. 88 material complementar Fashion Marketing: Relação da moda com o mercado Gloria Kalil Editora: Senac Sinopse: segundo Gloria Kalil, na introdução, “a moda brasileira brilha muito, mas vende pouco”. Para discutir a tese da consultora, esta obra reúne opiniões de re- nomados profissionais do mundo todo (gente como Tufi Duek, Didier Grumbach, Ermenegildo Zegna, Karim Rashid, José Miguel Wisnik). Juntos, traçam o diagnós- tico da real situação da moda nacional e identificam os pontos fortes e fracos do setor, a fim de compartilhar experiências de sucesso. Os articulistas também com- param o panorama brasileiro com o de outros países e apontam possibilidades de trabalho para que a moda do Brasil avance cada vez mais e melhor. Indicação para Ler 89 referências gabarito BAXTER, M. Projeto de produto. Guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Ed- gard Blücher, 1998. CHATAIGNIER, G. Todos os Caminhos da Moda: Guia prático de Estilismo e Tecnologia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. D’AGUANO, E. Quem viver, verá. World Fashion, São Paulo, a. 5, n. 36, out. 2000. FRINGS, G. S. Moda: do conceito ao consumidor. Porto Alegre: Bookman, 2012. LIGER, I. Moda em 360 graus: design, matéria-prima e produção para o mercado global. São Paulo: Senac, 2012. MORAES. D. de. Envolvimento das Instituições de Ensino na Questão Oferta e Demanda de Profissionais. In: FÓRUM ICSID, 1., 1996, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Senai/LBDI, 1996. MOTA, M. J.; SIFUENTES, M. L. Metodologia do Projeto em Design. Maringá: Unicesumar, 2016. PIRES, D. B. et al. Design de moda: olhares diversos. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2008. RECH, S. R. Qualidade na criação e desenvolvimento do produto de moda nas malharias retilíneas. 2001. 209 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001. SORGER, R.; UDALE, J. Fundamentos de design de moda. Porto Alegre: Bookman, 2009. TREPTOW, D. Inventando moda: planejamento de coleção. São Paulo: D. Treptow, 2003. 1. D. 2. C. 3. B. 4. E. 5. D. Professora Me. Paula Furlan Professora Me. Sabrina Giselle Levinton Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Gerando a Documentação Técnica • Prova de Roupa e Aprovação de Coleção • Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção Objetivos de Aprendizagem • Analisar etapas e processos para o desenvolvimento de uma peça. • Conhecer aspectos técnicos e mercadológicos de um produto: prova de roupa e aprovação de coleção. • Planejar as estratégias de divulgação da coleção de moda por meio de ferramentas de marketing. GERECIAMENTO DA COLEÇÃO DE PRODUTO DE MODA unidade IV INTRODUÇÃO O lá, caro(a) aluno(a), bem-vindo(a) à Unidade IV. Com es- pecial atenção ao desenvolvimento e acompanhamento da documentação técnica de uma coleção, iniciamos os conhe- cimentos operacionais de registro dos produtos que serão de- senvolvidos. A ficha técnica de um produto é a identidade de uma peça, um documento, e nela estão registradas todas as informações necessárias para a produção de uma peça de roupa. Caso um produto venha a ser produzido novamente, os itens necessá- rios para sua produção, como matéria-prima, medidas e sequência opera- cional devem estar claramente preenchidos na ficha. Estas etapas decisórias contemplam uma série de análises que devem ser estudadas pela equipe de desenvolvimento, assim como a equipe comercial de uma empresa. Ve- remos passo a passo como são realizadas. Ainda nesta unidade, veremos como a influência dos ciclos de moda pode interferir, estrategicamente, em uma coleção e posicionar uma empresa em como ela associa seu planeja- mento a ciclos curtos e longos tanto na criação como na produção, como fast fashion, slow fashion e/ou cruise collection. Para cada ciclo de moda, há uma estratégia de processos, principalmente de prazos para o desenvol- vimento que devem ser considerados minuciosamente. Além dos prazos de desenvolvimento, o designer ou equipe de estilo, juntamente com a equipe de marketing, devem comunicar a coleção e a mensagem de moda para o público-alvo da empresa de uma maneira eficiente e clara, com estratégias já adotadas pela marca. Nesta unidade então, aprenderemos a documentar tecnicamente um produto, utilizá-lo em uma prova de roupa e definir mercadologicamente a estratégia para uma coleção de produtos de moda. Desejamos bons estudos! DESIGN DO PRODUTO 94 Gerando a Documentação Técnica Não somente de processo criativo e pesquisa uma coleção é estruturada, também há a etapa de orga- nização de todas as atividades e toda documentação do que foi realizado, bem como o acompanhamento do que ainda precisa ser finalizado. Portanto, docu- mentar uma coleção é um processo que exige cui- dado e atenção. Já vimos, em outra unidade, como funciona o processo de documentar as etapas do de- senvolvimento de uma coleção, gerando, como re- sultado, um cronograma que deve seracompanhado por todos os envolvidos no processo da coleção. O cronograma de desenvolvimento de coleção possibilita ter uma visão clara e atualizada das etapas e em que momento da coleção cada departamento encontra-se. A próxima ferramenta para o controle da coleção é a ficha técnica. Este instrumento serve de registro das peças e contém informações que “[...] orientam o departamento de produção a calcular custos e encomendar peças de tecido e aviamentos” (FRINGS, 2012, p. 233). A ficha técnica vai sendo composta ao longo da pilotagem da peça e, então, é preenchida por vários DESIGN 95 departamentos. A ficha técnica do designer é a pri- meira documentação de uma peça. Nela será regis- trado o desenho da peça, podendo ser de estilo (à mão ou estilizado) ou já ser um desenho planificado ou desenho técnico com a especificação do maior número de informações que auxiliem o modelista e o pilotista a desenvolver a peça. Na Figura 1, podemos ver um exemplo da ficha de criação em que há o desenho da figura humana em suas três posições base: frente, costas e lateral, com indicações de alturas de algumas peças para se ter uma ideia de decotes, alças, cavas e outras possi- bilidades de aberturas que o estilista pense em de- senvolver, considerando a mostra ou não de uma lingerie, por exemplo, ou, até mesmo, para a criação de linha praia. FICHA DE CRIAÇÃO COLEÇÃO REF. DATADESCRIÇÃO DO MODELO DESCRIÇÃO DAS ESPECIFICAÇÕES FRENTE LATERAL COSTAS BASE ESC. 1:7.5 Figura 1 - Ficha de Criação/ Fonte: Senai (2014). DESIGN DO PRODUTO 96 Neste primeiro momento, ter a noção de tridimen- sionalidade da peça serve de grande valia para a mo- delagem, pois, muitas vezes, a criação pode ser entre- gue somente com a vista frontal, mas sem apresentar uma solução nas costas do desenho, o que acaba por retornar ao estilista para que apresente essa solução. Assim, com as três vistas, a comunicação entre os departamentos é agilizada. Vale acrescentar aqui, que a conversa entre estilista e modelista é de ex- trema importância e que a ausência desta interface é prejudicial para o desenvolvimento dos produtos, porém, esse contato deve ser realizado para solucio- nar desafios criativos, discutir novas maneiras de construção ou envolvimento das partes no processo do desenvolvimento, e não um “tira-dúvidas” de um desenho mal explicado. Algumas informações importantes para o mo- delista e pilotista são: tamanho de aberturas (bolsos, recortes), pences e tipos de acabamento (pespontos ou costuras). Esse primeiro desenho pode acompa- nhar o desenho do manequim, para que o modelista possa localizar comprimentos e efeitos por meio do desenho. Os custos da mão de obra são inseridos pela pro- dução ao desenvolver a peça piloto e podem ser adi- cionados na mesma ficha ou em outra ficha, que será acoplada à ficha técnica final do produto, ilustradas na Figura 2: FICHA TÉCNICA MATÉRIA-PRIMA PRINCIPAL MATÉRIA-PRIMA SECUNDÁRIA (FORRO, AVIAMENTOS...) ETIQUETAS BENEFICIAMENTO NOME DA EMPRESA TIPO DESCRIÇÃO DA PEÇA: REF.: ANO: MODELO: NOME/CÓDIGO NOME/CÓDIGO FRENTE: LATERAL: DETALHE: COSTAS: COMPOSIÇÃO COMPOSIÇÃO COR COR GASTO GASTO FABRICANTE FABRICANTE FORNECEDOR FORNECEDOR LARGURA/Nº LARGURA/Nº PREÇO PREÇOCOLEÇÃO: LOCALIZAÇÃO 11.5 14.0 8.0 58 .5 5.0 11 .0 5. 0 31 .5 25 .0 9. 5 11.0 20.0 62 .0 9. 0 5. 0 27 .5 5.0 7.023.59.0 3. 0 8.0 13.0 12 .5 4. 0 7. 5 14 .0 14 .0 40.5 50.0 12.5 2.0 96.0 12 .0 10 .5 58 .0 4.5 1 4 5 2 3 Figura 2 - Ficha Técnica de Roupa / Fonte: Leite e Velloso (2004). DESIGN 97 Podemos verificar, na Figura 2, o detalhamento da peça, no caso, uma jaqueta jeans, com todas as suas vistas, ou seja, frontal, costas, lateral e, ainda, um de- talhe ampliado para o bolso. Nesta ficha, também ve- rificamos a indicação de tamanhos, o que não é uma característica comum, pois, normalmente, quem de- tém as medidas padrões do público da empresa é o setor de modelagem, que pode complementar estes dados caso seja solicitado na ficha técnica, após a prova de roupa. De qualquer forma, essa é uma de- cisão estratégica da empresa sobre quais itens devem ser solicitados na ficha técnica. Ainda utilizando a Figura 2 para nosso estudo, podemos detectar os campos matéria-prima princi- pal e secundária da peça. Esses campos devem ser preenchidos pela equipe de estilo ao selecionar a matéria-prima que será utilizada para desenvolver o produto e suas possíveis variantes, assim como avia- mentos, cores e outras atividades, como beneficia- mento, estampas ou bordados. A ficha técnica é um instrumento de informa- ção e deve comunicar aos outros profissio- nais e setores a memória descritiva da peça que será desenvolvida. Para tanto, utiliza-se o desenho técnico, as informações sobre a matéria-prima que será utilizada e o processo de produção do produto. Já existem softwares que permitem a criação de uma biblioteca virtual com detalhes de estilo, por exemplo, nas quais há a possibilidade de replicar os efeitos utilizados em uma peça em outra ficha técnica, otimizando tempo. A formatação da ficha técnica não está restrita a um único mo- delo e pode ser estruturada e preenchida de acordo com a necessidade de cada empresa. Fonte: Leite e Velloso (2004). SAIBA MAIS A ficha técnica é o registro técnico e de identidade de um produto que pertence à determinada coleção, portanto, é muito importante armazenar esse do- cumento em um local seguro, mas também de fácil acesso. Ele pode ser deixado impresso em uma pas- ta para uma rápida consulta durante a produção ou circulação da coleção, por exemplo, mas também ar- quivado em um local no sistema interno da empresa para possíveis consultas futuras. Quando se trata de um produto que é muito co- mercializado pela empresa e somente sofre algumas alterações no estilo, ter em mãos a ficha técnica desse determinado produto facilita o processo de cálculos básicos, como quantidade de matéria-prima ou cus- to, por exemplo, além de, muitas vezes, ser possível reaproveitar o próprio desenho técnico já realizado deste produto. Importante ainda é cadastrar correta- mente no sistema da empresa o código da peça e da ficha técnica para que realmente seja de fácil acesso quando necessário. O tipo de desenho utilizado para compor a fi- cha técnica é o desenho técnico, também chamado de desenho planificado ou desenho de especifica- ção e, normalmente, é desenvolvido utilizando um software para desenho vetorial (TREPTOW, 2003). Ao contrário do desenho de estilo, o desenho téc- nico não apresenta cores ou corpo do manequim, como podemos ver na Figura 2. Este último pode aparecer em uma parte da ficha técnica para indicar posicionamento da peça em relação ao corpo, por exemplo, para indicar comprimento e/ou largura. Normalmente, o desenho técnico também represen- ta o frente e verso da peça e detalhes que sejam im- portantes serem destacados. Já sobre as cores, caso a peça tenha recortes ou blocos de cor, a indicação é feita por meio do uso de legendas. DESIGN DO PRODUTO 98 Figura 3 - Desenho técnico / Fonte: Shutterstock. O designer pode criar ou adquirir uma biblio- teca virtual de detalhes (elementos de estilo) em formato de desenho técnico e realizar testes na tela, aplicando golas ou mangas diferentes em uma mesma base. (Doris Treptow) REFLITA DESIGN 99 Prova de Roupa e Aprovação de Coleção Parte de qualquer processo de desenvolvimento de produto está envolvida na fase de teste ou prova des- te produto. A prova é uma etapa importante, pois verifica alguns aspectos de processo, construção ou seleção de matéria-prima, por exemplo, que são pos- síveis de serem verificados somente com o desenho da peça. Na moda não é diferente, antes da coleção ser aprovada para ser produzida em grande escala ou mesmo somente produzir mostruários para a venda por meio de representantes, é preciso passar pela etapa que chamamosde prova de roupa. A prova de roupa é realizada com a chamada pe- ça-piloto, ou seja, um protótipo produzido já com o material e a modelagem proposta pelo estilista. Pode ser realizada somente com a apresentação da peça em um manequim (menos usual), ou, como normalmen- te acontece, com um modelo de prova (profissional contratado para fazer a prova de roupa e que tem as medidas padrão do público-alvo da empresa), neste caso, mais utilizado em empresas de confecção. DESIGN DO PRODUTO 100 Conforme já citado sobre a análise da matéria-pri- ma selecionada para a execução da peça, é verificado se esta é, efetivamente, correta para a peça criada e para o processo de confecção que ela passou. Imagi- ne uma calça jeans com um tecido muito fino e que se propõe ainda que passe por um beneficiamento na lavanderia. Pode ocorrer de o tecido voltar frágil a ponto de rasgar quando uma pessoa o força com o ato de sentar-se, por exemplo. Este tipo de situação é possível de ser conferida durante a prova de roupa. Neste caso, não é necessária a presença de um mo- Quando se desenvolve uma coleção de pro- dutos de moda, deve-se ater para que os materiais sejam os mais apropriados. Tanto os materiais quanto as tecnologias devem ser aliados do produto, para que se possa alcançar a solução mais próxima da realidade, da perfeição, sempre buscando satisfazer o usuário, que, neste caso, é o foco. Fonte: as autoras. SAIBA MAIS PROCESSOS DA PROVA DE ROUPA Adequação da matéria-prima Custo Categorização Vestibilidade Durante a prova de roupa, são verificados os seguintes itens: Figura 4 - Itens durante a prova de roupa a serem verificados / Fonte: as autoras. DESIGN 101 delo de prova, principalmente se a modelagem já foi verificada anteriormente. É preciso somente analisar algum detalhe ou situação da matéria-prima, um busto de modelagem ou manequim já são suficientes. Ao falarmos de vestibilidade, referimo-nos ao processo da peça de roupa vestir de maneira corre- ta e confortável o modelo de prova. Nesta situação, faz-se necessária a presença de um modelo de prova que simulará movimentos comuns de um consu- midor, como sentar, levantar, erguer os braços, por exemplo, para verificar como o produto interage com o usuário. Quando falamos em alfaiataria, estamos falando de uma técnica de modelagem utilizada para constru- ção de peças, normalmente em tecido plano, que pre- zam por uma elegância e uma forma de construção muito precisa e impecável. Assim, as peças construí- das por meio de alfaiataria, não podem, por exemplo, ficar grudadas ao corpo de quem as veste, esta é uma análise que é realizada durante uma prova de roupa. Outro aspecto que a vestibilidade contempla é em relação às medidas de modelagem. Durante a prova de roupa, é possível verificar se a peça se man- tém dentro dos parâmetros estabelecidos pela em- presa em relação à sua numeração, como P, M, G ou 38, 40, 42 etc. Sobre a categorização, é analisado se o produto possui relação temática ou conceitual com o tema ou a tendência escolhidos para a coleção. Isso por- que, muitas vezes, o processo criativo permite a ge- ração de muitas alternativas e a seleção de algumas matérias-primas, no início do processo criativo que, posteriormente, ao se refinar a pesquisa e os temas selecionados, passam a ser abandonados, porém a peça piloto já foi realizada, ou, é preciso mesmo ve- rificar até que ponto condiz ou não com o restante da coleção. Como em toda avaliação, é necessário ser crite- rioso e, se preciso for, excluir a peça da coleção, caso não tenha referências que a integrem ao restante das criações. Caso o mix de produtos apresentado na prova de roupa ou na reunião de aprovação sofra muitas alterações, cabe à equipe negociar o prazo para substituição dessas peças excluídas e verificar quais os direcionamentos que devem ser seguidos, partindo dessas definições. A análise quanto ao custo da peça é feita para confirmar se a peça está dentro de um valor acei- tável para o comércio e pode ser competitiva, ou se todos os processos pelos quais passou acabaram por encarecer e deixaram a peça fora de um pa- drão aceitável. Muitas vezes, o designer seleciona muitos processos para determinada peça, o que eleva o custo, não permitindo que seja competitiva em relação a outras marcas ou produtos da mes- ma coleção. É uma decisão estratégica do corpo de profissionais pertencentes à prova de roupas auto- rizar determinados custos, ou não, para algumas peças da coleção. Muitas vezes, processos mais caros também valorizam as peças, mesmo sendo a única alternativa para solucionar a criação, na maioria das vezes. Após a prova de roupa, há uma reunião para avaliação e comparação dos produtos apresentados. Conforme apresentam Queiroz e Basso (2016), caso seja possível, são indicadas alterações para adequa- ção do produto à coleção ou a outra categoria, por exemplo. Toda a análise é realizada sempre conside- rando o tema e os direcionamentos de estilo escolhi- dos para a coleção, o público-alvo da empresa, assim como seu custo e sua viabilidade de produção, por- tanto, participam dessa reunião, além da equipe de estilo e modelagem, os representantes de marketing, comercial e produção. DESIGN DO PRODUTO 102 Dependendo da dimensão da coleção a ser avalia- da, pode ser realizada mais de uma prova de roupa, ou seja, no decorrer do desenvolvimento da coleção, são agendadas, periodicamente, reuniões em que acontece a prova de roupa para avaliação parcial da coleção. Algumas empresas optam por reuniões quinzenais ou mensais para aprovação, porém em- presas que trabalham com um grande volume de pe- didos ou de opções de peças podem chegar a realizar reuniões semanais, até mais de uma vez, para apro- vação de poucos modelos ou de peças principais. Após ter identificado a oportunidade do novo produto, o próximo passo é justificá-lo. É sem- pre conveniente certificar-se de que a oportu- nidade selecionada é realmente a melhor ou financeiramente viável. Muitas vezes, durante esta justificação, descobre-se a fraqueza da oportunidade escolhida. (Mike Baxter) REFLITA DESIGN 103 Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção Como já visto, devemos analisar e organizar infor- mações para o desenvolvimento de uma coleção, e muitos destes dados podem, momentaneamente, não ser utilizados, porém, nem por isso quer dizer que não sirvam, ou não possam ser utilizados poste- riormente em outra coleção. As marcas de moda têm por rotina desenvolver uma coleção a cada estação, seguindo, assim, um modelo de produto por sazona- lidade, porém muitas marcas segmentam suas esta- ções em subcoleções ou em inserção de lançamentos para as estações de alto verão e/ou pre-fall (pré-in- verno). Conforme Rech (2002, p. 4) acrescenta: [...] os produtos de Moda têm um ciclo de vida médio, possuindo uma curva de crescimento gradual, permanecendo “aceita” ou “popula- rizada” pelos consumidores durante determi- nado período e descendo lentamente, nor- malmente o espaço de tempo de uma estação climática. DESIGN DO PRODUTO 104 Em termos de modelo estratégico, essas inserções ou novas coleções ofertam novos produtos aos consu- midores, possibilitando maior conexão com o públi- co-alvo da marca e também acréscimo das vendas e, em termos de planejamento de coleção, significa repensar as informações de moda e conceituais da coleção anterior, por meio de novos produtos. Assim, as marcas que optam por desenvolver ou- tra coleção para subestações precisam iniciar todo o processo que já aprendemos nas unidades anteriores e considerar começar do zero o desenvolvimento. Já as marcas que têm intenção de gerar uma extensão de coleção, costumam utilizar as mesmas informa- ções e os dados que geraram previamente a outra coleção tanto conceituais quanto estruturais para desenvolver novos produtos. Algumas etapas precisam ser realizadas para dar início à extensão decoleção. É feita uma análise do mix de produtos desenvolvido para a coleção principal. A possibilidade de consultar lojistas ou representantes de venda quanto à aceitação dos produtos também é mui- to importante. Este retorno sobre a aceitação do mer- cado para alguns produtos é muito útil, afinal, desen- volver uma coleção é sempre uma aposta, os processos e as técnicas utilizadas auxiliam para que ela seja asser- tiva, mas contamos com muitas variáveis externas para que uma coleção seja completamente aceita. Assim, os produtos de menor aceitação pelos consumidores po- dem ser retirados ou substituídos por novas peças. Podemos também reinterpretar os desenhos que foram descartados na prova de roupa e reunião de aprovação da coleção. Muitas vezes, essas criações não são aceitas para a coleção principal por serem similares a outras peças e podem acabar por concor- rer entre si, não necessariamente porque a criação não é interessante. Portanto, em um primeiro mo- mento da prova de roupa ou aprovação da coleção, alguns modelos podem ser descartados para o pri- meiro lançamento, mas reutilizados posteriormente. A extensão de uma coleção pode ser realizada, por exemplo, por meio da adição de peças à coleção já existente ou a uma determinada categoria de pro- dutos, porém com novas estruturas, cores e estam- pas. Um mesmo conjunto pode aparecer no início da coleção em cores neutras, como preto e bege e, na extensão de coleção, aparecer estampado, ou seja, o produto, estruturalmente, não foi modificado, pois sua modelagem e matéria-prima são as mesmas, entretanto, visualmente, ganhou uma formatação completamente diferente, permitindo que seu con- sumidor possa adquirir esse novo conjunto por já conhecer as características da peça em sua origem neutra. Essa é uma estratégia comum em empresas que trabalham com conjuntos e peças de alfaiataria. Chamamos isso de extensão de linha, como já visto anteriormente. DESIGN 105 Outra estratégia bastante utilizada é repensar as ocasiões de uso para determinada temporada e focar o desenvolvimento das peças nessas situa- ções, seguindo a mesma inspiração, mesma cartela de cores e os mesmos materiais da coleção prin- cipal. Imaginemos a coleção de alto verão que é planejada para vender durante o fim do ano, no Brasil. Se considerarmos que o público consumi- dor viaja nesse período entre Natal e Ano Novo e tem por hábito participar de festas e reuniões, par- te das novas criações podem contemplar ocasiões de uso festa (para Natal e Ano Novo) e ocasião de uso férias (por exemplo, utilizando tecidos que não amassem e sejam facilmente coordenáveis). Quando a empresa posicionada pela identi- dade da marca decidir ampliar a linha de pro- dutos, poderá fazê-lo por meio da extensão de linha ou extensão de marca, mas seguindo a mesma orientação de mercado, o mesmo estilo. Caso resolva investir em público-alvo diferente ou com outra orientação de estilo, deverá lançar novas marcas. Fonte: Treptow (2003). SAIBA MAIS ainda utilizam a mesma fonte de inspiração da co- leção padrão para aquela temporada ou estação. Para determinadas ocasiões da coleção, também é possível realizar uma extensão de coleção, o que cha- mamos extensão de marca, inserindo produtos de ou- tras categorias, como acessórios, mas utilizando a mes- ma marca (TREPTOW, 2003). Assim, a coleção passa a oferecer calçados, bolsas, lenços, óculos ou até itens de beleza, seguindo a mesma identidade da empresa, o mesmo estilo, mas ampliando seu mix de produtos. Clientes que admiram a marca, mas não têm por hábito consumir as roupas, têm a oportunidade de adquirir outros produtos associados à marca e, muitas vezes, com um custo mais acessível. Temos como exemplos de extensões de marca perfumes e/ ou acessórios. Isso é muito comum quando verifica- mos as marcas consideradas de luxo. Há um grupo de consumidores de vestuário dessas marcas mais restrito, e há outro perfil de público que consome a linha de cosméticos e perfumaria em maior propor- ção e, em particular, muitas vezes, mais jovem. Tor- na-se uma estratégia para que uma marca entre em outra faixa etária de público-alvo e traga esse novo consumidor para a marca. Essas peças podem ser destacadas do restante da coleção, por meio de uma comunicação visual, como um tag diferente, por exemplo, ou por meio da disposição do produto no interior da loja, forta- lecendo ainda mais a ideia de que são roupas des- tinadas a uma determinada ocasião de uso, porém, Uma coleção de produtos de moda é sempre uma novidade ao olhar dos consumidores. Sendo assim, é importante estar repleta de novidades, respeitando as preferências de quem a adquire. REFLITA DESIGN DO PRODUTO 106 Para que se possa desenvolver uma extensão de co- leção, faz-se necessário destacar os conceitos de es- tilo e tendências já utilizadas anteriormente, porém, acrescentando novas formas e estruturas (modela- gem), novas estampas ou matérias-primas. O pen- samento é como se fosse uma releitura do que já foi feito, mas com o objetivo de complementar a cole- ção com peças que ainda não foram criadas, mas que podem, perfeitamente, fazer parte do mesmo estilo. A extensão de coleção é de menor tamanho que uma coleção padrão, por ser exatamente uma extensão da coleção anterior, mas não desmerecendo sua impor- tância, seu processo criativo e sua representativida- de para o mercado. Não há um momento específico para que uma extensão de coleção possa surgir, no que chamamos de tempo de coleção. Embora ela possa ser um com- plemento da coleção tradicional da empresa, que já está em andamento no mercado, pode ser também complementar no meio desse ciclo, quando insere uma informação de moda ou tendência muito rele- vante, podendo, inclusive, ser inserida também como uma edição especial para uma data comemorativa, ou ainda, pode ser chamada de coleção cápsula. Como o nome já indica, coleção cápsula é uma pequena coleção lançada durante a temporada de uma coleção, podendo, ou não, ser associada a ela. Muitos projetos, como parcerias entre marca e artista ou marcas com outras marcas, desenvolvem coleções cápsulas que de qualquer forma, podem ser consi- deradas extensões de coleção. Temos como exemplo os modelos das coleções cápsulas desenvolvidas pela marca Proenza Schouler, que vendeu 8 looks e 4 ver- sões de sua bolsa intitulada Hava, logo após o desfile de inverno 2017, da Semana de Moda de New York. A coleção também apresentou as camisetas desen- volvidas pela marca J. Chermann para a C&A. Uma coleção de produtos de moda é desenvol- vida respeitando um ciclo de moda que já existe no mercado. Sendo assim, quando pensamos no pla- nejamento de uma coleção, é pertinente analisar o mercado para que se possa aproveitar uma oportu- nidade no momento da criação. Os consumidores são sempre o ponto de início e fim de uma coleção. Diante do ritmo frenético que estamos vivenciando com a moda, faz-se necessária muita pesquisa como forma de aprimorar a qualidade do produto. Vamos agora entender os formatos de coleção existentes para produtos de moda. Os ciclos de moda podem ser utilizados para de- senvolver a estratégia que uma empresa gostaria de adotar no lançamento de seus produtos ao mercado. Esta decisão configura como estratégia de marketing e posicionamento de mercado e define o tempo em que os produtos serão lançados para que público seja comunicado de forma mais efetiva. As marcas de moda ainda associam seu planejamento a ciclos DESIGN 107 A marca Zara, pertencente ao grupo espanhol Inditex, é considerada a precursora do siste- ma fast fashion. Durante a década de 1990, tinha em torno de 500 pontos de venda, na sua grande maioria, localizados na Espanha. Já no ano de 2008, registrou-se o número de 3.700 pontos de venda instalados em 68 pa- íses. Em 2012, o número de lojas é de 5.500. Fonte: adaptado de Shimamura e Sanches (2012). SAIBA MAIS curtos ou longos de criação e produçãoe, atualmen- te, três perfis de coleção são os mais utilizados: a) fast fashion; b) slow fashion e c) cruise collection. A mídia criou o termo fast fashion para carac- terizar a aceleração e modificação da moda, no final dos anos 90 (DELGADO, 2008) e, configurou, na- quele momento, uma estratégia utilizada por comer- ciantes do setor têxtil para desenvolver suas coleções com o maior número de confirmações de tendências possíveis e, portanto, obtendo vendas mais asserti- vas (ERNER, 2005). O processo de aguardar a “confirmação” das tendências demanda uma organização sistemáti- ca para o processo de aquisição de matéria-prima, produção e distribuição. Quanto mais tarde a em- presa desenvolver sua coleção, menor será o tempo de recebimento dos itens necessários para a coleção, do desenvolvimento e da produção, principalmente da distribuição para os canais de venda. As marcas caracterizadas como fast fashion apresentam grande capacidade de interpretação de tendências e tradu- ção dos principais aspectos em uma coleção dividi- da em peças básicas com referências da tendência, como em estampas e cores, e peças semiexclusivas com informações mais complexas como modela- gens e padronagens diferenciadas (SHIMAMURA; SANCHES, 2012). A distribuição dessas coleções é feita por meio de loja própria, ou seja, monomarca, portanto, o produto sai diretamente da fábrica e vai para as lojas de varejo, ou também com venda, via e-commerce da marca. Outro diferencial que o fast fashion con- templa é que, a cada 15 dias, as lojas recebem produ- tos novos, portanto, a marca não trabalha com um volume grande de estoque de produtos, e sim, com poucas peças por referência e grande variedade de produtos (DELGADO, 2008). DESIGN DO PRODUTO 108 Assim, marcas que atuam com perfil fast fashion se- guem um modelo de ciclo curto para suas coleções, pois têm grande variação de modelos que ficam à disposição dos consumidores por pouco tempo, po- rém, conforme Cietta (2010) argumenta, são cole- ções com baixa natureza autoral, uma vez que são inspiradas nas coleções de marcas e estilistas reco- nhecidos como lançadores de tendência. Portanto, os principais consumidores de moda fast fashion, em primeiro lugar, são os considerados vítimas da moda, ou seja, seguidores de marcas e tendências que estão em voga durante determinado momento e que mudam de estilo ou gosto conforme as tendên- cias vão sendo modificadas. Outro perfil de consumidores é aquele que tem interesse por peças com uma carga de moda pró- xima ao visto nas passarelas internacionais, e bus- cam estas informações em produtos de baixo cus- to. Em sua maioria, o público jovem é mais adepto do estilo fast fashion de coleção. Já o perfil do slow fashion atua com outra vertente de consumo, po- dendo ser um público consumidor de época, mais experiente. A maioria destes compradores identifi- ca-se com os ideais propostos por esse modelo: ser uma coleção preocupada com a sustentabilidade, a redução, a reutilização e a origem dos materiais utilizados e, consequentemente, de longo ciclo de duração. As coleções, necessariamente, não seguem os limites e prazos das estações, há maior preocupa- ção com os processos que envolvem a criação das peças, muitas vezes manuais ou artesanais, porém sua maior representatividade está na característica de consumo definida como “consumo consciente”, presente já no segmento de alimentos, por exemplo, e que passou a ser aceito no setor de moda como um novo modelo de consumo. O slow fashion não é uma vertente opositora ao fast fashion, mas sim, outro modelo de produção e comercialização de produtos de moda que contempla outros perfis de consumo e comportamento. Por não estarem diretamente ligadas às ten- dências de moda, as coleções slow fashion utilizam como processo criativo também atividades manuais ou de vertente artesanal, por considerar importante a preservação de informações ou hábitos culturais, assim, tendem a ter um ciclo de vida longo. Como se tratam de perfis de coleção, algumas marcas atu- am com ambos os estilos, ou seja, fast fashion e slow fashion. Marcas de perfil fast fashion lançam cole- ções slow fashion com um direcionamento susten- tável na criação das peças, utilizando matéria-prima orgânica ou que passe por algum processo sustentá- vel de beneficiamento, por exemplo. Para atuar com ambos os perfis de coleção, a empresa necessita ter muito bem organizada a sua estrutura produtiva e conhecer os tempos e prazos de seus produtos, como também direcionar para o canal de venda correto. O slow fashion objetiva a preservação dos recursos naturais, que incentiva reflexão e atitude que não tenha pressa, mas que, ao mesmo tempo, seja produtiva e aliada com a criatividade e qualidade dos produtos, em que o consumo descontrolado não prevalece. [...] também é contra a padronização de estilos e faz com que o consumidor saiba de onde vêm os produtos e os materiais usados. (Mariana Araújo, Ana Cristina Broega e Silvana Ribeiro). REFLITA DESIGN 109 O terceiro perfil de coleção surgiu como uma es- tratégia de marcas que atuam no segmento de moda tradicional. A cruise collection ou resort collection tem sua origem ligada à estação de inverno. Um determinado perfil de consumidores, durante as fé- rias de inverno, no Hemisfério Norte (final do ano), costumava viajar para locais mais quentes, como os trópicos e locais do mediterrâneo, por consequência, quando iam comprar roupas para a viagem, encon- travam somente coleções de inverno nas araras das lojas. Assim, identificando esse grupo de consumido- res, as marcas lançaram uma pequena coleção com informações de verão, facilmente coordenável e ma- téria-prima com características de não amassar, por exemplo, permitindo que facilmente possa ser colo- cada dentro de uma mala de viagem (SORDI, 2015). Ainda sobre a cruise collection, podemos enten- der que é uma coleção com forte viés comercial e apelo mercadológico funcional, ou seja, pensada es- trategicamente para atender a uma demanda e não necessariamente transmitir informação de tendên- cia de moda. Ela é inserida no mercado pouco após o lançamento da coleção de inverno e tem ciclo de curta duração. Cada perfil de coleção segue uma estratégia de acordo com o público que pretende atingir e a ca- pacidade de organização da indústria para atender aos prazos de produção e distribuição dos produtos. Portanto, a comunicação dessas coleções precisa ser bem direcionada, uma vez que algumas atuam com ciclo curto de duração. Apesar de as temporadas de verão e inverno ain- da serem consideradas extremamente importantes pelos designers na hora de confirmar sua visão es- tética, muito do que os compradores efetivamente arrematam vem das pré-coleções, justamente por se tratar de itens mais usáveis (SORDI, 2015, p. 88). As coleções fast fashion precisam comunicar a informação de moda, ou seja, a tradução das ten- dências em produtos, e pode se utilizar de uma equipe de visual merchandising para acompanhar e organizar, estrategicamente, a troca de produtos na loja e nas vitrines. As coleções de slow fashion buscam comunicar a procedência de seus materiais ou os profissionais envolvidos no processo de construção da coleção, como artesãos ou bordadeiras de uma determinada região, por exemplo. Uma boa estratégia é a utiliza- ção de material gráfico, como tags fixadas às peças que contêm a história dela ou a utilização de códi- gos que possam ser lidos por meio de um gadget e direcionados para um site ou página contendo essas informações referentes à peça e à coleção. As coleções cruise collection devem ser comu- nicadas por meio de campanhas intermediárias e de fácil acesso aos consumidores, como mala direta ou e-mail. Assim, o consumidor que já é cliente da marca sabe em que momento a coleção estará dis- ponível nas lojas para aquisição. O mesmo vale para as marcas que atuam com e-commerce. Independentemente do ciclo de coleçãoem que a mar- ca atua, é importante que elabore sua estraté- gia também para comuni- car de forma efetiva seus clientes. 110 considerações finais P rezado(a) aluno(a), chegamos ao fim do estudo desta Unidade 4 em que conhecemos como é realizado o desenvolvimento da documentação técni- ca de uma coleção. Além de conhecermos como são realizados os registros dos produtos que serão desenvolvidos dentro da empresa, vimos sobre a importância de se utilizar uma ficha técnica de um produto e também quais as infor- mações necessárias que ela deve apresentar para a confecção de uma peça de roupa, a fim de contribuir para a comunicação dos setores envolvidos na produção, para evitar erros e apontar as especificidades da fabricação do produto. Aliado a isso, conhecemos o passo a passo das etapas decisórias que contemplam a produção de um produto de moda dentro da indústria, estas que fazem parte do ciclo de vida de um produto, que, por sua vez, podem interferir em uma coleção dentro de uma empresa. Buscamos entender como acontece o planejamento dos ciclos de produção dentro a indústria e suas estratégias de processos, levando em consideração a importância da organização e definição dos prazos estipulados para o desenvolvimento dos produtos. Aprendemos, também, como são estruturadas as coleções fast fashion, slow fashion ou cruise collection, quais as principais diferenças que elas apresentam em termos de tempo de duração e características de criação e como elas podem ser uti- lizadas como estratégias pelas marcas de moda para atingir públicos específicos, podendo, inclusive, coexistir em uma marca. Vimos também as conexões entre as coleções e como isto colabora para uma boa gestão do produto de moda. Nesta unidade, então, conhecemos a forma de documentação técnica de um pro- duto, dentro da indústria, qual a importância de prová-lo e definir suas estratégias de mercado a fim de lançar coleções de produtos de sucesso no mercado da moda. 111 LEITURA COMPLEMENTAR Zara Design e Concepção Os designers, cerca de 250, são formados para tomada de decisões rápidas e para limi- tarem o número de alterações e revisões, com vistas a minimizar o tempo de desenvolvi- mento do produto. Trabalham com um número limitado de cores e opções de fabricação, informação das lojas, interesses dos consumidores, novas tendências, discotecas, revistas e ideias de líderes de opinião. A Zara mantém três linhas de produtos (mulheres, homens e crianças) a funcionar de forma paralela, mas operacionalmente distintas. Cada uma das linhas tem equipes de design, planejamento e produção distintas, o que eleva os custos, mas aumenta a eficiência de cada canal. Em alguns países onde as culturas e os climas são muito diferentes, a Zara tende a adaptar ao máximo o seu produto, como por exemplo, tamanhos pequenos no Japão ou roupas especiais para mulher nos países Árabes. No en- tanto, 85-90% do design básico vendido é comum em todos os países. As decisões de design são adiadas o máximo possível, 50-60% das peças são produzidas, apenas no decorrer da época, enquanto que no restante dos concorrentes é de 10-20%. As peças são produzidas em apenas 5/7 tamanhos e 5/6 cores. A cadeia de suprimentos da Zara é baseada no conceito fast fashion (moda rápida). Inicia-se com os designers, que planejam as coleções com um semestre de antecedência e, em simultâneo, vão atualizando as coleções em vigor. Os protótipos são otimizados via CAD para ajuste de cores, texturas e para que não haja desperdícios na fabricação, não existindo criação de amostras, o que encurta o tempo de desenvolvimento. Os tecidos são cortados usando laser e são enviados para a costura, que devolve as peças prontas em uma semana. Após a colocação dos aca- bamentos, as peças são prensadas individualmente e classificadas por país. Posteriormen- te, as peças são enviadas para o centro de distribuição. Produção Enquanto a maioria dos grandes retalhistas têm a sua produção em subcontratação na zona da Ásia, a Zara produz internamente mais de 60% das suas próprias peças, sendo a maior parte desta produção efetuada pela Comditel (fábrica adquirida pela Inditex, do gru- po Zara). As fábricas próprias encontram-se na sua maioria na Espanha, em La Coruña, e as poucas joint ventures existentes estão localizadas em locais estratégicos de alto risco, onde existem barreiras à entrada direta, ou para ganhar conhecimento de mercados específicos, como Alemanha e Japão. 112 LEITURA COMPLEMENTAR Os fornecedores dos restantes 40% encontram-se, na sua maioria, na Espanha e em Por- tugal, o que tem como consequência custos de mão-de-obra superiores, quando compa- rados com a produção efetuada na China (um trabalhador na fábrica da Espanha ganha em média $1.650/mês contra $206 na província de Guandong, na China). Esta opção surge porque, ao contrário de outros players da indústria da moda, o baixo custo da mão-de-obra não é a principal questão para a Zara, mas sim, o tempo de entrega, no qual está a van- tagem competitiva baseada na prioridade velocidade. Cada fornecedor (1.487 no final de 2009) não realiza mais de 4% da produção total da Zara, para minimizar o risco de depen- dência e permitir uma resposta mais rápida de cada um. A produção da Zara utiliza sistema just-in-time, permitindo operar e obter uma rápida resposta do mercado. Os produtos são adquiridos sem tingimento para que possam ser facilmente adaptados às mudanças de cores durante a estação. Para a transformação, a Zara utiliza-se da postergação, ou seja, o tingimento é efetuado próximo da fabricação. As decisões de produzir internamente ou comprar de fornecedores são tomadas pelo depar- tamento de produção e compras. Se a Zara verificar internamente que não consegue obter o preço, o prazo de entrega e a qualidade desejada, ela vai procurar fornecedores que possam atender no nível desejado. No entanto, estas decisões são tomadas com grande atenção aos riscos associados à velocidade de chegar ao mercado. Distribuição Todas as encomendas são expedidas a partir dos centros logísticos localizados na Espanha, localizados em La Coruña, Madrid, Barcelona e Alicante e totalizam mais de 1.000.000 m2, 4.000 empregados. Em 2009, distribuíram 927 milhões de itens. Toda a produção é recebi- da no centro logístico, a partir do qual se distribui simultaneamente para todas as lojas do mundo. Nestes centros, os produtos da Zara são colocados por país e por loja, por meio de um carrossel que utiliza os códigos de barras de cada peça. Mais de 80.000 itens são movi- dos por hora (cada item permanece poucas horas no centro de distribuição), mas apenas são necessários cinco colaboradores para monitorizar o processo. O sistema logístico, baseado em tecnologia da informação, permite que desde a recepção do pedido no centro de distribuição até a entrega da mercadoria na loja, não demore mais que 24 horas para a Europa e 40 horas para a América e Ásia. 113 LEITURA COMPLEMENTAR A distribuição de 75% das mercadorias está entregue a uma empresa independente, que assegura a distribuição dos produtos por caminhão em toda a Europa. O restante 25% é transportado por via aérea, por meio de empresas como a KLM e a DHL. Apesar do trans- porte por avião ser mais dispendioso se comparado ao marítimo, são enviadas pequenas quantidades de peças, para criar a ideia de exclusividade e rapidamente escoar o estoque. Desta forma, a Zara não tem necessidade de reduzir os preços (saldos), para escoar os pro- dutos restantes no final de estação. Os caminhões funcionam com horários predefinidos, otimizados para coleta de materiais. A Zara não utiliza toda sua capacidade de armazenagem, por operar em JIT, dispondo de capacidade extra para suprir eventuais picos de procura. No entanto, pensa em construir um centro logístico na Ásia, mas estima que a capacidade atual seja suficiente até 2013. Dispõe ainda de três centros satélite,no México, no Brasil e na Argentina, que apoiam a distribuição dos produtos para as lojas locais. Fonte: Silva, Venanzi e Paixão (2011). 114 atividades de estudo 1. A ficha técnica é um documento que é preen- chido por vários setores da empresa em mo- mentos diferentes da execução de um produto. Diante disso, pode-se afirmar que a função da ficha técnica é I. Comunicar aos outros profissionais e setores a memória descritiva da peça que será desen- volvida. II. Informar apenas o desenho técnico da peça que será desenvolvida. III. Organizar os croquis de estilo. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. I e III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. 2. Sobre as características dos perfis de coleção que você estudou nesta unidade, analise as afirmativas e marque V nas verdadeiras e F nas falsas: I. Fast fashion é um perfil de coleção que não considera tema e se preocupa somente com a tendência de moda em voga. II. Slow fashion é um perfil de coleção que tem como objetivo criar uma única e longa coleção. III. Cruise collection é um perfil de coleção de curta duração e sempre tem como temática cruzeiros e viagens de férias. IV. Fast fashion é um perfil de coleção de longa duração que não considera tema e não se preocupa com a tendência de moda em voga. Assinale a alternativa correta: a. F, F, V e V. b. F, F, F e F. c. V, F, V e V. d. F, V, V e F. e. V, V, F e V. 3. Ainda sobre os perfis de coleção, faça a cone- xão entre as informações sobre perfis de cole- ções e suas definições: a. Cruise collection b. Slow fashion c. Fast fashion I. Perfil de coleção com forte informação de ten- dência de moda. Tem como principal estrutura de coleção peças com grande variedade de lan- çamentos e baixa disponibilidade de estoque. II. Perfil de coleção que é lançada junto com a co- leção de inverno de uma marca com o objetivo de atingir consumidores que viajam para lugares quentes no inverno, tem característica comercial. III. Perfil de coleção com forte apelo de produtos sustentáveis. Sua principal característica de coleção está associada a produtos com pro- cedência ambientalmente correta e proces- sos diferenciados. Assinale a alternativa correta: a. a-I; b-II; c-III. b. a-II; b-I; c-III. c. a-I; b-III; c-II. d. a-II; b-III; c-I. e. a-III; b-II; c-I. 115 atividades de estudo 4. Para que uma ficha técnica seja eficaz em sua proposta de informar particularidades da peça que será produzida, ela precisa contemplar a inserção de alguns elementos. Sobre os elementos da ficha técnica, analise as afirmativas a seguir. I. Tipo de beneficiamento. II. Dados dos materiais utilizados. III. Desenho técnico da peça. IV. Nome e código da peça no sistema. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II e III, apenas. c. III e IV, apenas. d. I, II e III, apenas. e. I, II, III e IV. 5. A prova de roupa é uma etapa importante do processo de desenvolvimento de produto. Assi- nale a alternativa que melhor define esta ativi- dade, conforme sua leitura sobre o tema: a. A prova de roupa serve para validar a criação do designer ou da equipe de estilo. b. A prova de roupa serve para avaliar itens, como custo, vestibilidade e coerência da peça em relação à coleção. c. A vestibilidade avalia o custo da peça desen- volvida. d. O modelo de prova é sempre requerido na prova de roupa. e. Toda prova de roupa é feita somente pela equipe de estilo e departamento comercial. DESIGN DO PRODUTO 116 The True Cost (2015) Sinopse: por meio do mundo da moda, o documentário pensa sobre as roupas que usamos e as pessoas que as fabricam. Em meio à realidade industrial, o preço das roupas está diminuindo há décadas, enquanto os custos ambientais e huma- nos só aumentam. Qual o impacto dessa indústria da moda? Quem realmente paga o preço pelas nossas roupas? Indicação para Assistir gabarito 1. A. 2. B. 3. D. 4. E. 5. B. 117 referências ARAÚJO, M. B. M.; BROEGA, A. C.; RIBEIRO, S. M. Sustentabilidade na moda e o consumo consciente. In: SEMINÁRIO ACADÊMICO DA APEC. 19., 2014. Barcelona. Anais... Barcelona: APEC, 2014. p. 44-56. Disponível em: < https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/34492?mode=full>. Acesso em: 24 set. 2018. BAXTER, M. Projeto de produto. Guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. CIETTA, E. A revolução do fast fashion. Estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010. DELGADO, D. Fast fashion: estratégia para conquista do mercado globalizado. Revista Moda Palavra, v. 1, n. 2, p. 3-10, ago./dez. 2008. ERNER, G. Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos. São Paulo: Senac, 2005. FRINGS, G. S. Moda: do conceito ao consumidor. Porto Alegre: Bookman, 2012. LEITE, A.; VELLOSO, M. D. Desenho técnico de roupa feminina. São Paulo: Senac, 2004. QUEIROZ, C. T. M.; BASSO, A. T. Moda e metodologia: o Design como mediador. Moda Palavra e-Periódico, v. 9, n. 17, p. 91-118, 2016. RECH, S. R. Qualidade na criação e desenvolvimento do produto de moda nas malharias retilíneas. 2002. 209 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Inova moda: tecnologia: experiências: verão 2015/2016. Rio de Janeiro: SENAI CETIQT, 2014. SHIMAMURA, E.; SANCHES, M. C. F. O Fast Fashion e a identidade de marca. Projetica, v. 3, n. 2, p. 66-76, 2012. SILVA, O. R.; VENANZI, D.; PAIXÃO, M. R. Estratégias de cadeias de suprimentos para o setor de vestuário- moda: uma análise das empresas ZARA e H&M. In: SIMPÓSIO DE ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNACIONAIS. 14., 2011, São Paulo. Anais... São Paulo: FGV-EAESP, 2011. p. 1-16. SORDI, C. O que é resort? Elle, São Paulo, ed. 329, p. 88, out. 2015. TREPTOW, D. Inventando moda: planejamento de coleção. São Paulo: D. Treptow, 2003. Professora Me. Ana Paula Furlan Professora Me. Sabrina Giselle Levinton Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Design Sustentável • Customização, Upcycling e Downcycling • Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção com Conceito de Sustentabilidade Objetivos de Aprendizagem • Aprender o conceito de Design Sustentável. • Compreender as técnicas de customização, Upcycling e Downcycling. • Planejar uma coleção com conceito sustentável. PLANEJAMENTO DO DESIGN SUSTENTÁVEL unidade V INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), bem-vindo(a) à Unidade V, a última deste livro. Aqui, aprenderemos sobre a importância do design sustentável e sobre as técnicas existentes que abordam a sustentabilidade, como o Upcycling. Embora pare- ça algo relativamente simples de se entender, veremos que o mecanismo de pensar, sustentável e estrategicamente, e quais matérias-primas escolher para cada tipo de coleção podem modificar a aceitação dos produtos no mercado, assim como sua aquisição por parte dos consumidores. Quando temos que desenvolver, por exemplo, uma extensão de coleção, precisamos gerar, por meio da criação, uma conexão semântica e conceitual entre a coleção existente e a que será gerada. Assim, haverá coerência entre as informações apresentadas, mantendo os mesmos ideais de comunicação estabelecidos previamente pelo departamento de marketing. Neste caso, se estamos desenvolvendo uma coleção com conceito sustentável, a extensão desta coleção, bem como as próximas coleções que virão, terão que abordar tal semelhança, como meio de formar a identidade da marca. Também falaremos sobre três técnicas de processo criativo que têm como base a sustentabilidade: customização, uma técnica já conhecida dos designers e até dos consumidores, Upcycling e Downcycling, técnicas novas, utilizadas como ferramentas para o desenvolvimento de uma coleção que,além de características de sustentabilidade, tem um ótimo aproveitamento de matéria-prima. Upcycling faz referência à geração de um “upgrade” no produto já existente, e Downcycling à reutilização em outro produto mais simples, embora ainda muito proveitoso para a coleção. Nesta unidade, caro(a) aluno(a), veremos o quanto um bom planeja- mento sob a ótica do design sustentável pode influenciar para que os pro- dutos sejam desejados pelo seu real público consumidor, gerando retorno financeiro e reconhecimento da marca por parte de seus clientes. Para fi- nalizar, ainda aprenderemos a pensar estrategicamente sobre as peças que serão criadas, quais técnicas criativas podemos utilizar nesse desenvolvi- mento e direcionar, assertivamente, essa coleção para seu real mercado. De- sejamos bons estudos! DESIGN DO PRODUTO 122 Design Sustentável Para iniciarmos nosso conceito sobre algo, temos que entender de onde surgiu a palavra e qual a finali- dade de ter sido incorporada no cotidiano. O termo Design Sustentável é também conhecido por Design Ambiental e Design Ecológico e preza a consciên- cia em termos do que se deve fazer para usufruir das condições ambientais e deixar este mesmo am- biente em condições iguais ou melhores para que outras pessoas possam também utilizá-lo, pois esta é a filosofia de projetar bens físicos sob a ótica da sustentabilidade, prezando seus princípios sociais e ambientais. O ritmo acelerado da cadeia do vestuário, sazonal, com constantes lançamentos de produtos e serviços, acarre- ta contribuição para as interferências ambientais ne- gativas, decorrente da crescente adoção dos modelos de consumo de moda, estimulado pela obsolescência estética programada e também a baixa qualidade dos produtos – como no caso do sistema fast fashion, que, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), se fôssemos pensar de maneira sensível, tería- mos que abandonar vários dos nossos hábitos diários, pois, muitas vezes, não percebemos o quão estamos agredindo o ambiente, mesmo que inconscientemente. DESIGN 123 Muitos impactos ambientais acontecem a todo momento dentro de uma empresa de confecção e são causados ao longo de todo o ciclo de produção e consumo da cadeia produtiva do vestuário, por- que apenas damos continuidade aos impactos que iniciam no princício da produção das peças de ves- tuário. Se formos analisar a fase de produção, por exemplo, esses impactos acontecem com a emissão de gases do efeito estufa, na própria geração de re- síduos sólidos que acontecem dentro das empresas, devido às aparas de tecidos e sobra de cortes, bem como o uso exorbitante de água, de produtos quími- cos e também de energia. Importante entender que estamos falando de recursos não renováveis. Temos também que prezar a terra, pois dela vem o cultivo dos recursos renováveis. Sendo assim, cabe, então, um questionamento: como utilizar uma terra que sofreu contaminação? (SALCEDO, 2014). Na cadeira produtiva da moda, muito se ouve falar em fibras sustentáveis, talvez seja a parcela sus- tentável mais utilizada atualmente. Muitas empresas têxteis já conseguem oferecer tecidos com menos impactos ambientais tanto na produ- ção quanto na extensão da vida útil do produto que foi desenvolvido com tais fibras. É neste sentido que surge o Design Sustentável, com proposta de novos cenários. Embora as pesquisas nesta área da susten- tabilidade sejam relativamente recentes, já mostram o quão relevante é, para a moda, o posicionamen- to dos designers em favor da sustentabilidade. Mas somente algumas pessoas estão caminhando neste sentido, e isso não será suficiente. Os designers, mesmo sozinhos, têm um limita- do poder para influenciar a mudança no contexto de toda a cadeia de produção de vestuário, mas, anali- sando por outro ângulo, possuem maior poder de influência sobre o comportamento do consumidor, pois oferecem a possibilidade para os consumido- res escolherem seus produtos de acordo com seus desejos, porém a adoção do consumo consciente exige profunda modi- ficação no estilo de vida das pessoas. DESIGN DO PRODUTO 124 Customização, Upcycling e Downcycling Pensando ainda neste mesmo consumidor de uma marca, é provável que este nicho enxergue que gerar interferências, ou utilizar técnicas de processos criati- vos diferentes nas coleções, pautadas na sustentabili- dade, é bem aceito e até gera valor ao produto, con- sequentemente, aguça a percepção do cliente. Como vimos nas unidades anteriores, conhecer o público- -alvo e decidir o tempo de coleção de cada produto é importante. Podemos inferir que marcas com público mais jovem tendem a arriscar mais em seus desenvol- vimentos, uma vez que os jovens aceitam com mais facilidade novidades e estéticas que promovam dife- renciação, talvez até sejam mais informados acerca da sustentabilidade, já que é um tema relativamente atual. Sabe-se que existem três técnicas pautadas no processo criativo que têm sido muito bem vistas por consumidores tanto jovens como mais tradicionais, cada um em seu segmento, mas com direcionamen- tos de consumo voltados para o irreverente, ou, ain- da, com viés ambientalista. DESIGN 125 A customização é uma dessas técnicas, que per- mite prolongar o tempo de vida de um produto por meio da interferência de aplicação de aviamentos, como metais, pedrarias e tecidos ou pintura sobre a peça, assim como remodelar alguma parte da peça por meio do uso de corte e costura (SCHULTE et al., 2014). A customização, até então utilizada somente pelo consumidor em sua casa com a intenção de modifi- car a peça, passou a ser também utilizada pelas em- presas ao realizarem parcerias com artistas, outros designers ou personalidades em que é desenvolvida uma coleção exclusiva, com poucos itens, persona- lizada, ou seja, customizada por ele. Essas edições especiais permitem que a marca acrescente algo di- ferente a um produto já conhecido de seu consumi- dor e, ao mesmo tempo, comunique que sempre está em busca de algo novo para oferecer. A marca Havaianas também já criou edições especiais para a loja paulista especializada em produtos de luxo Daslu, para a rede de lojas esportivas Track & Field e para a marca de moda praia Cia. Marítima. Aliás, a parce- ria com artistas rendeu coleções belíssimas, como a que contou com estampas de aqua- rela de fauna e flora brasileiras, feitas pela artista plástica americana Shirley Felts. Fonte: Rech e Ceccato (2009). SAIBA MAIS necessidade. Por exemplo, uma jaqueta que permite a remoção de suas mangas por meio de zíperes na linha da cava e se transforma em um colete com seu forro também adaptado para virar o lado direito da peça; camisas que permitem que suas mangas sejam dobra- das até determinada altura e presas por martingale, mudando a estética da peça para um estilo safari, ou, até mesmo, calças que permitem suas barras serem dobradas e adaptadas a vários comprimentos. Já as técnicas de Upcycling e Downcicling estão se tornando mais conhecidas no mercado de moda. Upcycling é o nome que damos ao reinserirmos, du- rante o processo produtivo, os materiais cujo des- tino único é o lixo, na criação de novos produtos (MANZINI; VEZZOLI, 2002). Assim, não deixa de ser um processo de customização, porém o produ- to que seria descartado passa por um processo de desconstrução e é utilizado em um produto novo. A empresa gera um mecanismo de recolhimento dos produtos para descarte, ou uma campanha por de- terminado período, e faz o tratamento desses produ- tos por meio da limpeza, higienização e posterior- mente realiza a desconstrução e aproveitamento. Como consequência da parceria, empresa e artista ganham com o projeto, e o produto pode chegar a ter um valor diferenciado, gerando uma receita po- sitiva à empresa. Outra técnica adotada pelas indústrias de moda para permitir a customização de seus produtos pelos consumidores é oferecer peças que possam ser desta- cáveis ou reversíveis.Este processo permite ao consu- midor adaptar a melhor forma da peça conforme sua DESIGN DO PRODUTO 126 Mais preocupado com o “ser” do que com o “ter”, o novo consumidor é mais responsável com relação ao meio ambiente e consigo mesmo. Ele se expressa não pela posse de bens, mas prin- cipalmente pela riqueza de valores interiores. (Marcos Cobra). REFLITA O objetivo principal do Upcycling é elevar o status do produto ou da matéria-prima anterior a partir do desenvolvimento de um novo produto, como as sacolas utilizadas para compras feitas de material de banner ou mesmo de lona de caminhão. O Downcycling é um processo que também reutiliza um material, porém o produto resultante é de menor valor, uma vez que a integridade do material pode ser comprometida. Um exemplo claro desta técnica é a reciclagem de papel para desenvolvimento de outra papelaria, como folhas e envelopes. O papel passa por um processo de desestruturação e é mesclado a outros componentes para a formação do novo papel, porém, como mencionado anteriormente, há o com- prometimento da matéria-prima inicial. Não necessariamente isso deteriora o valor do produto. Papelaria feita em papel reciclado tende a custar um pouco mais caro que uma papelaria sem o processo da reciclagem, além do “efeito” resultante do próprio processo da reciclagem, como mesclas de co- res e texturas. Também acaba se tornando um produ- to de valor diferenciado para consumidores adeptos e seguidores de marcas que priorizam a sustentabi- lidade e o bem-estar. Por meio de uma diferenciação em suas estratégias de marketing, de divulgação e de programação visual das peças, com etiquetas indi- cando ser um produto reciclado, por exemplo, tem fácil aderência a esse público consumidor. DESIGN 127 Definições Mercadológicas e Comerciais de uma Coleção com Conceito de Sustentabilidade Existem vários pontos a se refletir quando falamos em conceito de sustentabilidade em uma coleção de moda. Desenvolver conceitos e pensar em uma extensão de coleção corresponde, também, a como “conversar” com seus clientes e garantir que ele re- ceba a informação correta sobre a proposta ofereci- da pela marca. Sabemos que o consumidor percebe quando a marca está cuidando do ambiente, exem- plo disso é o tema atual “consumo sustentável”, que podemos considerar como o consumo responsável. Esse tipo de consumo passou a ser um processo de transformação em torno das pessoas, como se fosse uma nova cultura, um processo que orienta os cidadãos sobre os processos produtivos aos quais o produto passa até chegar em suas mãos. Mesmo o produto tendo a finalidade de satisfazer às ne- cessidades dos consumidores, já existe um olhar mais aprofundado sobre o consumo, exigindo que os produtos sejam produzidos sem gerar impactos negativos para o ambiente e para a sociedade. Esta DESIGN DO PRODUTO 128 transformação a que estamos assistindo veio para estimular as pessoas, sem deixar o consciente de lado, ou seja, o consumidor, por meio de suas es- colhas, pode exigir que as empresas sejam cada vez mais responsáveis e comprometidas. Independentemente do porte da empresa, pe- quena, média ou grande, é preciso buscar produzir produtos ecologicamente corretos e benéficos ao meio ambiente e, principalmente, à sociedade. Uma das opções existentes e que hoje se encontra ao al- cance de praticamente todas as empresas é a utili- zação de fibras têxteis sustentáveis, que estão entre as matérias-primas que menos agridem o meio am- biente. Entre as inúmeras opções existentes, temos uma fibra bastante conhecida, o algodão orgânico, culti- vado sem o uso de fertilizantes e pesticidas. Além do algodão orgânico, existem muitas outras fibras que já estão sendo inseridas nas coleções de moda: o algodão colorido, as fibras de bambu, as fibras deri- vadas de soja e de milho. São fibras cultivadas, colhi- das e beneficiadas com a menor agressão ambiental possível, contribuindo, assim, para o bem-estar das pessoas e a preservação ambiental. Uma alternativa bastante utilizada no desen- volvimento de produtos com viés na sustentabili- dade, segundo a autora Berlim (2012), é o PET, que tem como nome científico Polietileno Tereftalato. Segundo a autora citada, o PET, por ter o atributo na reciclabilidade e poder ser transformado em fio têxtil para a produção de roupas, acabou se trans- formando em fonte de renda para inúmeras asso- ciações de coletores de lixo no Brasil, e este é um caráter social que faz da reciclagem do PET uma das faces mais importantes do elo moda e susten- tabilidade. O maior uso de PET hoje está na fabri- cação de camisetas (BERLIM, 2012). Ainda existem outras estratégias em prol da sus- tentabilidade que podem ser utilizadas pelas marcas de moda, e conhecemos como beneficiamentos. Po- demos entender que fazem parte dos beneficiamen- tos os acabamentos, seja nos tecidos ou nas roupas, como tingimentos, estamparias etc. A cada vez que se desenvolve um produto, deve-se pensar nele na totalidade, nos atributos, nos benefícios, nas agres- sões. Só para se ter uma ideia, encontramos no pró- prio mundo natural uma grande variedade de tipos de corantes, oriundos de folhas, frutos e materiais vegetais, que podem ser utilizados para tingir as mais variadas peças de roupas. Alguns dos corantes vêm de sementes, folhas, caules, como o açafrão, o urucum, a beterraba, o café, a casca de cebola, o colorau, a erva-doce, a erva-mate, o espinafre, a serragem, entre outros. É válido ressaltar que os corantes naturais colorem su- avemente uma peça de roupa, justamente por não haver pigmentos artificiais responsáveis por fixar as cores intensamente nos tecidos. Outro fator bastante observado pelos consumi- dores de marcas de moda é o investimento na qua- lidade da mão-de-obra fabril. Ainda assistimos a algumas empresas que vivem uma realidade muito distante de ser sustentável, utilizam mão-de-obra escrava, contratam menores de idade, não oferecem condições apropriadas para trabalho em suas pro- duções, com locais inapropriados, não legalizados. Este tipo de empresa pode ser alvo de fiscalização e pode sofrer multas, e a lei é severa quanto a este tipo de descumprimento, podendo chegar a infrações graves, como o fechamento da marca. Sendo assim, para comunicar seu produto, as indústrias e marcas de moda desenvolvem suas es- tratégias de marketing, considerando que o consu- midor final deve conhecer a fundo suas coleções, DESIGN 129 desde a escolha das matérias-primas e materiais até a chegada do produto no ponto de venda. A coleção ser desejada pelo lojista é o ponto de partida do fa- bricante. O lojista precisa ter vontade de comprar es- ses produtos e colocá-lo em suas lojas para vender, a não ser, em raros casos, que a marca tenha somente loja própria e toda sua coleção seja distribuída para seus pontos de venda. O setor de marketing da empresa trabalha junto com o designer para pensar, estrategicamente, como cada uma das coleções será lançada e divulgada no mercado. Assim, de acordo com Treptow (2003), al- gumas ações podem ser consideradas: a. Participação em feiras: existem feiras e even- tos de moda, como salões de negócios, que reúnem várias marcas com o mostruário de suas coleções para que compradores conhe- çam seus produtos e realizem pedidos, ou recebam, posteriormente, um representante comercial em seus estabelecimentos. b. Release de imprensa: as marcas enviam aos meios de comunicação um texto apresentan- do sua coleção, muitas vezes, junto com algu- mas peças que podem ser enviadas aos edi- tores de moda de revistas para que possam utilizá-las em suas produções, ou presente- ar alguma personalidade influenciadora na moda, de certa forma, torna-se uma publici- dade indireta para a marca. c. Organização de desfiles: este pode ser uma estratégia interessante para a empresa. O des- file pode ser organizado para o público em geral, somente a jornalistas ou formadoresde opinião, dentro de um evento ou em semana de moda ou particular. d. Catálogo: o catálogo representa o principal material de apoio para um representante co- mercial ou vendedor de loja de atacado. Essa peça dá suporte à venda, uma vez que tanto o vendedor de atacado quanto o representan- te não são os consumidores do produto, e as fotos do catálogo auxiliam o comprador a ter uma noção da versatilidade das peças, uni- formidade de informação e conceito da co- leção. Outros materiais podem ser utilizados para o mesmo objetivo, como lookbook (ma- terial também em formato de catálogo, mas com as peças dispostas sem produção de fun- DESIGN DO PRODUTO 130 do, somente informação comercial, inclusive, com referências), site da marca, com área ex- clusiva para representantes ou compradores e mídias sociais. e. Vitrine de lançamento: o visual merchandi- sing já é uma estratégia utilizada por muitas marcas para atrair os consumidores para suas lojas, especialmente em momento de lança- mento de coleção. A conceituação e caracte- rização da vitrine, ambientação e exposição dos produtos no interior da loja favorecem o interesse do consumidor pela coleção. Sorger e Udale (2009) indicam ainda que a preocu- pação com a visão, promoção e exposição da marca é tão importante quanto a coleção. Padronizar etiquetas internas, tags para as peças, papelaria em geral (como cartão de visitas e envelopes para envio de material promocional ou catálogos) e embalagens (como sa- colas e/ou caixas) são itens importantes para compor uma imagem sólida da marca. O que, aparentemente, são considerados elementos de apoio à marca, devem ter relação fiel com o espírito da empresa e o estilo do consumidor. Nada mais desagradável para a imagem de uma empresa do que ter uma coleção bem feita e material de comunicação ou site desatualizados. Para uma extensão de coleção ser bem-sucedi- da, a marca deve já ter clara e organizada a estrutu- ra de comunicação e distribuição de suas coleções padrões, uma vez que a extensão de coleção pode somente ser uma coleção complementar, ou ser inserida no meio do processo de desenvolvimento para uma ocasião especial de marketing e promo- ção. Deve ainda considerar qual o melhor canal de distribuição para essa extensão de coleção em par- ticular e, mesmo considerada no cronograma de desenvolvimento da empresa, pode ser oferecida ao consumidor por meio de outro canal de distribuição que não o tradicional já utilizado pela marca. Os canais de distribuição de moda podem seguir duas modalidades: a) venda no atacado; b) venda no varejo. A venda no atacado é quando o seu cliente é outro lojista, e ocorre por meio do sistema de pedido quando atendido por um representante comercial ou na loja de pronta-entrega da marca. O representante comercial de uma empresa rece- be o material de comunicação da coleção, catálogo da marca, por exemplo, e o mostruário com as in- formações de referência, prazo de entrega, valor e variantes. O mostruário corresponde às peças que serão produzidas pela empresa e o cliente, normal- DESIGN 131 mente, observa o acabamento e a versatilidade de coordenação entre as peças. O representante vai até o local do cliente, apresenta a coleção e emite um pedido para a fábrica com a seleção de peças que o cliente quer adquirir, logo, essas peças terão programadas a sua produção e entrega no período acordado. Outro sistema em que o representante atende o lojista é em um showroom. O cliente vai até o showroom e pode conhecer a coleção e tam- bém realizar e programar seus pedidos. No estado do Paraná, as atividades de confec- ção de moda no atacado estabeleceram-se nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para as cidades de Londrina, Maringá, Apu- carana e Cianorte. Estabelecidas de forma cooperativa no início, as cidades de Maringá e Cianorte consolidaram-se como corredor da moda (eixo Norte - Noroeste do Paraná composto por cidades que se conectam ao longo da BR-317 e são pertencentes ao seg- mento de vestuário: Apucarana - Londrina - Maringá - Cianorte) por meio da criação do conceito de centro atacadista de vestuário e, posteriormente, shoppings de atacado de moda. Hoje, nos 11 shoppings de atacado, sendo 5 localizados na cidade de Cianorte, com 350 lojas, e 6 localizados em Maringá, com 650 lojas, onde transitam milhares de comprado- res de moda de todo o país. Para saber mais sobre a origem e as atividades dos shoppings de atacado de moda em Maringá, consulte o conteúdo disponível em: <http://periodi- cos.uem.br/ojs/index.php/CadAdm/article/ view/22809/12312>. Fonte: as autoras. SAIBA MAIS A compra realizada diretamente na loja de pronta-en- trega oferece a vantagem do imediatismo ao lojista. Em vez de realizar um pedido com o representante e aguardar a produção e entrega das peças, nessa moda- lidade, o cliente vai até a loja e já leva a grade de pe- ças que tem interesse (TREPTOW, 2003). As lojas de pronta-entrega podem estar distribuídas ao longo de uma rua, como nos bairros Bom Retiro e Brás, em São Paulo, ou em shoppings de atacado, como nas cidades de Maringá (Paraná) ou Brusque (Santa Catarina). Já a venda no varejo corresponde à venda direta ao consumidor final. Este sim prova a roupa pela qual tem interesse em adquirir e tem à disposição toda a coleção desenvolvida pela empresa no estoque da loja. O sistema também é de pronta-entrega e pode ser loja própria da empresa, monomarca, ou uma loja que trabalhe com várias marcas para compor o mix de produtos, ou seja, uma loja multimarca. Essa loja pode ser de rua, ou estar inserida em uma estrutura comercial, como um shopping center ou galeria. Algumas indústrias ainda oferecem aos seus clien- tes a venda por meio de e-commerce. O cliente acessa o site da empresa, seleciona as peças pelas quais tem in- teresse e efetua o pagamento, recebendo a sua compra no endereço indicado no cadastro feito no site. A fábri- ca necessita ter grande controle de estoque e estratégia de envio de produtos via correio ou transportadora. Depois que uma coleção é desenhada e confec- cionada, sua prioridade é mostrá-la à imprensa e aos compradores. É importante pesquisar a fundo diferentes eventos de moda para encon- trar um que melhor se adapte ao seu produto. (Richard Sorger e Jenny Udale) REFLITA DESIGN DO PRODUTO 132 Outro auxílio para divulgar e distribuir uma exten- são de coleção é trabalhar com uma vitrine específi- ca para essa ocasião, normalmente de decoração ou anúncio temporário, porém é uma forma efetiva de comunicar ao consumidor os produtos disponíveis e diferenciados propostos pela coleção cápsula. A vitrina pode expor objetos que traduzam a necessidade ou desejo de consumo de um de- terminado público, conversando com o possí- vel comprador das mais diferentes formas, já que as necessidades e os interesses variam de pessoa para pessoa. Atrair o futuro comprador, evidenciando seu estilo de vida, seus sonhos e aspirações reforça a comunicação nas vitrinas (LOURENÇO; SAM, 2011, p. 30). Independentemente de a coleção ser principal, cáp- sula ou extensão, comunicar ao seu consumidor é importante e gera imagem positiva da marca, tradu- zindo que acompanha movimentos contemporâne- os e os traduz em produtos diferenciados. Podemos inferir que a vitrine é grande difusora das inovações pertencentes às coleções de produtos de ves- tuário. Muitas vezes, o consumidor é atraído para den- tro da loja por alguma peça que viu na vitrine, que lhe chamou a atenção e logo veio o pensamento: se nesta vitrine há peças interessantes, dentro da loja pode ha- ver também. No entanto, o contrário também atinge o consumidor negativamente. Uma vitrine mal elabo- rada pode desagradar o cliente que, neste caso, nem entra na loja para tentar encontrar algo que o agrade. 133 considerações finais C aro(a) aluno(a), chegamos ao fim do estudo desta última unidade e tam- bém desta disciplina. Aqui, aprendemos sobre a importânciade uma ex- tensão de coleção, os processos e o mecanismo utilizados para estruturar e decidir, estrategicamente, quais peças inserir e em que período modificá-la, quais estratégias utilizar para atrair consumidores que priorizam o novo bem e como afirmar a influência da marca no mercado de moda. Vimos que, para desenvolver uma extensão de coleção, é preciso gerar, por meio das mesmas técnicas de desenvolvimento de produto vistas anteriormente, uma co- nexão semântica e conceitual entre a coleção existente e a que virá. Isso resultará em coerência entre as informações apresentadas e manutenção dos ideais de comunica- ção estabelecidos previamente pelo departamento de marketing. Aprendemos sobre sustentabilidade na moda e como se posiciona, hoje, o pensar ambiental. Sendo as- sim, foi possível entender as três técnicas de processo criativo, ecologicamente corre- tas, a customização, o Upcycling e o Downcycling, e como funcionam seus processos em relação aos novos produtos. E, finalmente, caro(a) aluno(a), estudamos as definições mercadológicas e co- merciais utilizadas para o desenvolvimento de uma extensão de coleção que, de uma maneira assertiva, colaboram para que os produtos sejam direcionados para seu real público consumidor, com utilização de fibras naturais e mais outras estratégias, gerando retorno financeiro e reconhecimento da marca por parte de seus clientes. Outro item importante que trabalhamos nesta unidade foram os tipos de canais de distribuição de um produto e como eles influenciam o acesso do consumidor às co- leções, comprovando, assim, por meio de outros exemplos, como as ações e departa- mentos dentro de uma empresa estão interligados. Nesta unidade, então, aprendemos a pensar estrategicamente nas peças que se- rão criadas, quais técnicas criativas podemos utilizar nesse desenvolvimento para direcionar assertivamente essa coleção para seu real mercado. 134 LEITURA COMPLEMENTAR Processo Criativo da Marca Flávia Aranha O nascimento da marca se deu em uma conjunção es- pecial, na qual sonhos e inquietações de Flávia Aranha tomaram forma. O que no início apresentou-se como uma intenção, hoje é o que nos institui. Baseamos nossa produção em uma cadeia estruturada onde as relações humanas são priorizadas e os saberes tradi- cionais, valorizados. Os processos artesanais, além de produtivos, atuam como ponte em uma conexão com nossa ancestrali- dade. Nosso saber mais antigo, gravado na memória através da (re)produção da técnica. Acreditamos nessa conexão como necessária, como uma forma de nos co- locarmos no mundo. A inspiração da designer vem das relações que consti- tuem o ecossistema em que a marca está inserida, da noção de interdependência entre todos nós e o meio ambiente. Conhecer agricultores, artesãos, ouvir as costureiras, observar com atenção o que se passa a sua volta; os gestos de um ofício, o som da mata fe- chada, a cantoria das fiandeiras, transformam-se. As texturas, cores e formas de uma nova coleção provêm de uma leitura subjetiva dessa interação. O ATELIÊ As atividades-base do desenvolvimento da marca ocor- rem no ateliê da Vila Madalena na cidade de São Pau- lo – Brasil. Após desenhado, todo novo produto passa pelas mãos da modelista, que dá curvas e formas à pri- meira ideia de um croqui. Junto com a equipe de pilotei- ras, são estudados os melhores acabamentos para cada tipo de tecido ou material, considerando que cada peça e matéria-prima possui suas particularidades. Essa rela- ção de proximidade entre toda a equipe, tendo cada um seu conhecimento técnico específico, gera um ambien- te interdisciplinar fundamental para criar produtos com identidade e qualidade. Cumprida a etapa da costura, os produtos são tingidos com corantes naturais de origem renovável, como cascas de árvore, frutos, folhas e raízes. Além de colorir nossas peças, o ateliê de tingimento fun- ciona também como laboratório e espaço para compar- tilhar o conhecimento adquirido até aqui, por meio de oficinas e workshops. GRUPOS PRODUTORES O trabalho em rede apresenta-se como um valor e per- mite que as relações entre a marca e os grupos produ- tores seja horizontalizada. Buscamos, por meio desse envolvimento, valorizar conhecimentos tradicionais e técnicas artesanais, dando espaço à criação e à inovação inerentes a cada ofício. Fonte: Aranha ([2018], on-line)1. 135 atividades de estudo 1. A extensão de coleção pode ser uma estraté- gia bastante assertiva para uma empresa de moda, quando bem planejada, essas inserções ou novas coleções ofertam novos produtos aos consumidores possibilitando maior conexão com o público-alvo da marca e também acrés- cimo das vendas por meio de novos produtos. A respeito da definição de extensão, analise as afirmativas: I. Extensão de coleção é a coleção completa- mente diferente da anterior. Se a primeira co- leção é de verão, a extensão é de inverno. II. Extensão de coleção é uma coleção que utili- za somente as peças rejeitadas na reunião de aprovação da coleção anterior. III. Extensão de coleção utiliza os mesmos dire- cionamentos conceituais utilizados na coleção anterior, além da cartela de cores. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas c. III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. 2. O mundo da moda já tem familiaridade com o conceito de reciclagem, no qual alguns mate- riais não utilizados são coletados afim de pas- sar por um novo processo de fabricação que resultará em novos produtos. Apresentando um viés mais sustentável de fabricação e co- mercialização de produtos. Tendo isso em vista, analise as afirmativas a seguir: I. Customização, upcycling e downcycling são téc- nicas de diferenciação de produtos que utili- zam somente matéria-prima reciclada. II. Customização e upcycling tem a mesma fun- ção, remodelar uma peça antiga por meio da interferência com aviamentos. III. Upcycling e downcycling são processos que uti- lizam produtos que possam ser desconstruí- dos por meio de remodelagem ou desestrutu- ração de matéria-prima. IV. Downcycling faz referência à geração de um “up grade” no produto já existente, e upcycling à reutilização em outro produto mais simples, embora ainda muito proveitoso para a coleção. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas c. III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. 3. Segundo Gomes (1992), uma coleção é um con- junto de peças de roupas e/ou acessórios que possuam alguma relação entre si, seja com o estilo do consumidor e a imagem de determi- nada marca. A respeito da “coleção cápsula”, analise as afirma- tivas a seguir: I. É uma pequena coleção lançada associada so- mente à coleção principal de uma marca. II. É uma coleção feita somente com artistas e parcerias com outras marcas. III. Toda coleção cápsula deve ser lançada no final da coleção principal de uma marca. IV. Coleção cápsula é lançada durante a tempo- rada de uma coleção, podendo ou não ser as- sociada a ela. É correto o que se afirma em 136 atividades de estudo a. I, apenas. b. IV, apenas. c. II e III, apenas. d. III e IV, apenas. e. I, II, III e IV. 4. Considerando que o objetivo principal do up- cycling é elevar o status do produto ou maté- ria-prima anterior, a partir do desenvolvimento de um novo produto, ou seja, é um processo de reutilização criativa que envolve a transfor- mação de subprodutos, resíduos ou produtos indesejados em novos materiais com maior va- lor ambiental. A partir desse conceito, analise as afirmativas a seguir e assinale as que apresentam o (s) produ- to (s) que pode(m) ser resultante do upcycling: I. Mobiliário feito de madeira de demolição. II. Acessórios criados de roupas de brechó. III. Calçados criados de pneus. IV. Luminárias feitas com filtros de café reciclados. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas c. III e IV. d. II e III, apenas. e. I, II, III e IV. 5. De acordo com o texto a seguir,há uma defini- ção sobre o objetivo do Upcycling. Leia-o com atenção: “O objetivo principal do Upcycling é elevar o sta- tus do produto ou matéria-prima anterior, a par- tir do desenvolvimento de um novo produto”. Assinale a alternativa que apresenta produto que pode ser resultante do Upcycling: a. Mobiliário feito de madeira de demolição. b. Acessórios criados de roupas de brechó. c. Calçados criados a partir de pneus. d. Luminárias feitas com filtros de café reciclados. e. Todas as alternativas estão corretas. 137 material complementar Dois exemplos de como as marcas estão modificando suas estruturas no processo criativo: um é sobre como a marca H&M lançou uma linha com produtos reciclados de sua própria marca; o outro é de uma marca brasileira que tem seus produtos criados a partir de outras peças. Disponíveis em: <http://www.in- sectashoes.com/> e <http://www.stylourbano.com.br/nova-linha-denim-da-h-m-e-feita-de-roupas-recicladas- -pela-propria-h-m/>. Indicação para Acessar Nos links a seguir, você poderá ver a coleção cápsula desenvolvida pela marca Proenza Schouler, que também apresentou peças desenvolvidas pela marca J. Chermann para a C&A, disponíveis em: <http://chic. uol.com.br/moda/noticia/filipe-jardim-ilustra-serie-premium-de-sneakers-para-a-converse> e <http://vogue. globo.com/moda/moda-news/noticia/2016/03/j-chermann-para-c-segunda-colecao-capsula-de-t-shirts.html>. Indicação para Acessar 138 referências gabarito BERLIM, L. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária. São Paulo: Estação das Letras, 2012. COBRA, M. Marketing e moda. São Paulo: Marcos Cobra, 2008. LOURENÇO, F.; SAM, J. O. Vitrina: veículo de comunicação e venda. São Paulo: Senac, 2011. MANZINI, E.; VEZZOLI, C. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. São Paulo: EDUSP, 2002. RECH, S. R.; CECCATO, P. Marcas de Moda e Co-Branding. In: SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 19., 2009, Florianópolis. Anais... Florianópolis: UDESC, 2009. v. 2. p. 1-6. SALCEDO, H. Moda Ética para um Futuro Sustentável. São Paulo: G Gili., 2014. SCHULTE, N. K.; LOPES, L. D.; DA ROSA, L.; PADILHA, M. M. Logística reversa, reutilização e trabalho social na moda. ModaPalavra e-Periódico, v. 7, n. 13, p. 85-100, 2014. SORGER, R.; UDALE, J. Fundamentos de design de moda. Porto Alegre: Bookman, 2009. TREPTOW, D. Inventando moda: planejamento de coleção. São Paulo: D. Treptow, 2003. Referência on-line 1 Em: <http://flaviaaranha.com/processos/>. Acesso em: 24 set. 2018. 1. C. 2. D. 3. B. 4. E. 5. E. DESIGN 139 conclusão geral Olá, caro(a) aluno(a). Chegamos ao fim da disciplina de Design do Produto. Esperamos que tenha aproveitado os conteúdos apresentados no decorrer das cinco unidades e per- cebido todo o conhecimento e a organização necessária para desenvolver uma coleção de moda de maneira assertiva. Aqui, faremos o fechamento dos conteúdos apresentados nas cinco unidades deste li- vro. Durante a Unidade I, aprendemos a observar e organizar o que pode inspirar uma coleção de moda e como cada nível de uma tendência atua, influenciando o mercado e a maneira como as pessoas consomem moda. Passamos para a Unidade II na qual planejamos e estruturamos o cronograma de de- senvolvimento de coleção. Por meio dele, foi possível identificar cada etapa pela qual uma peça passa e quais são os profissionais envolvidos em cada um desses processos, como também descobrimos o real tempo que é necessário para produzir uma coleção, conforme o número de itens que ela terá. Ao chegarmos à Unidade III, direcionamos o processo criativo para gerar uma coleção de moda assertiva baseada nos dados de venda de coleções anteriores, bem como nas fases da metodologia projetual aplicada ao produto de moda. Na Unidade IV, vimos a documentação técnica necessária para registrar de maneira correta e efetiva as peças e informações necessárias de qualquer coleção, para que, caso haja a necessidade, posteriormente, possa ser consultada sem nenhum problema. Finalmente, na Unidade V, vimos estratégias de aproveitamento de materiais e de cole- ções passadas, com foco no desenvolvimento de produtos sustentáveis. Desejamos sucesso em sua carreira e nas outras disciplinas. Não deixe de consultar o material complementar desta disciplina, são informações atualizadas que exemplificam, de uma maneira prática, como as empresas utilizam esses conhecimentos. Até a próxima!