Prévia do material em texto
Curso de Biomedicina Monitoria de Patologia Discente Monitora: Ludymilla Lima INTRODUÇÃO À PATOLOGIA Os patologistas usam várias técnicas moleculares, microbiológicas e imunológicas para a compreensão das alterações bioquímicas, estruturais e funcionais que ocorrem nas células, nos tecidos e nos órgãos para dar o diagnóstico e orientar a terapia, identificam alterações na aparência macro ou microscópica (morfologia) das células e dos tecidos e as alterações bioquímicas nos fluidos corporais. SAÚDE E DOENÇA É importante considerar que o conceito de saúde envolve o ambiente em que o indivíduo vive, tanto no seu aspecto físico como também no psíquico e no social. Saúde e normalidade não têm o mesmo significado. A palavra saúde é utilizada em relação ao indivíduo, enquanto o termo normalidade (normal) é utilizado em relação a parâmetros de parte estrutural ou funcional do organismo. PATOLOGIA Ciência que estuda as causas das doenças, os mecanismos que as produzem, os locais onde ocorrem e as alterações moleculares, morfológicas e funcionais que apresentam. SAÚDE É um estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico ou social em que vive, de modo que o indivíduo se sente bem (saúde subjetiva) e não apresenta sinais ou alterações orgânicas (saúde objetiva). DOENÇA É um estado de falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, no qual o indivíduo se sente mal (tem sintomas) e/ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis objetivamente (sinais clínicos). ELEMENTOS DE UMA DOENÇA / DIVISÕES DA PATOLOGIA A Patologia cuida dos seguintes aspectos: ETIOLOGIA - estudo das causas; PATOGÊNESE - estudo dos mecanismos; ANATOMIA PATOLÓGICA - estudo das alterações morfológicas dos tecidos que, em conjunto, recebem o nome de lesões; FISIOPATOLOGIA - estudo das alterações funcionais de órgãos e sistemas afetados. O estudo dos sinais e sintomas das doenças é objeto da Semiologia, cuja finalidade é, junto com exames complementares, fazer o diagnóstico delas (Propedêutica), a partir do qual se estabelecem o prognóstico, o tratamento e a prevenção. A Patologia possui 2 grandes ramos: AGRESSÃO / DEFESA / ADAPTAÇÃO / LESÃO Qualquer estímulo da natureza – dependendo da sua intensidade, do tempo de atuação e da capacidade de reação do organismo pode constituir uma agressão. •estuda os aspectos comuns às diferentes doenças no que se referem às suas causas, mecanismos patogenéticos, lesões estruturais e alterações da função. PATOLOGIA GERAL •se ocupa das doenças de um determinado órgão ou sistema ou estuda as doenças agrupadas por suas causas. PATOLOGIA ESPECIAL As agressões podem se originar no ambiente externo ou a partir do próprio organismo. De modo muito resumido, agressões podem ser provocadas por agentes físicos, químicos e biológicos, além de por alterações na expressão gênica ou por modificações nutricionais ou dos próprios mecanismos defensivos do organismo. A ação agressora seja de qual for se dá por meio de dois mecanismos: 1. Ação direta: por força de alterações moleculares que geram modificações morfológicas; 2. Ação indireta: através de mecanismos de adaptação que, ao serem acionadas para neutralizar ou eliminar a agressão, induzem alterações moleculares que resultam em modificações morfológicas. Os mecanismos de defesa quando acionados, podem também gerar lesões no organismo; A compreensão disso se da quando observamos os mecanismos defensivos, geralmente destinados a matar (lesar) invasores vivos formados por células semelhantes às dos tecidos; O mesmo mecanismo que lesa um invasor vivo é potencialmente capaz de lesar também células do organismo invadido. Podem ser: Fisiológicas: por exemplo, o desenvolvimento de maior capacidade pulmonar em pessoas que se mudam para regiões montanhosas onde há menos O2. Anatômicas: garantem diferentes estruturas morfológicas aos seres vivos (como asas para o voo, nadadeiras para locomoção aquática, etc) responsáveis pela adequação e distribuição desses indivíduos em vários ambientes distintos. AGRESSÃO É qualquer ataque a integridade física de um tecido, o alvo dos agentes agressores são as moléculas de cujas ações dependem as funções vitais, toda lesão se inicia no nível molecular. DEFESA É a capacidade do organismo de resistir a uma agressão. ADAPTAÇÃO Capacidade das células, dos tecidos ou do próprio indivíduo de, frente a um estímulo, modificar suas funções dentro de certos limites (faixa da normalidade), para ajustar-se às modificações induzidas pelo estímulo. LESÃO OU PROCESSO PATOLÓGICO É o conjunto de alterações morfológicas, moleculares e/ou funcionais que surgem nas células e tecidos após agressões. Como as doenças surgem e evoluem de maneiras muito variadas, as lesões são dinâmicas: começam, evoluem e tendem para a cura ou para a cronicidade. Por essa razão, o aspecto morfológico de uma lesão varia de acordo com o momento em que ela é examinada. Aspectos cronológicos de uma doença Causas de lesões: Hipóxia Agentes físicos Agentes químicos (terapêuticos ou não) Agentes infecciosos Reações imunológicas Distúrbios genéticos Distúrbios nutricionais A própria resposta defensiva (adaptativa) que o agente agressor estimula no organismo pode também contribuir para o aparecimento de lesões. Em todas as agressões, as lesões tem um componente que resulta da ação direta do agente agressor, ou em decorrência da ação dos mecanismos de defesa acionados; Em muitas lesões os mecanismos de defesa são os principais responsáveis pela lesão (ex. infecções onde os mecanismos imunitários contra o agente lesam também o tecido sadio). CLASSIFICAÇÃO DAS LESOES / NOMENCLATURA Ao atingirem o organismo, as agressões comprometem um tecido (ou um órgão) no qual existem: (1) células (parenquimatosas e do estroma); (2) componentes intercelulares (interstício ou matriz extracelular); (3) circulação sanguínea e linfática; (4) inervação. Após agressões, um ou mais desses componentes podem ser afetados, simultaneamente ou não. Desse modo, podem surgir lesões celulares, danos ao interstício, distúrbios locais da circulação e da inervação ou alterações complexas que envolvem muitos dos componentes teciduais ou todos eles. Por esse motivo, as lesões podem ser classificadas em cinco grupos, definidos de acordo com o alvo atingido. É importante lembrar que, dada a interdependência entre os componentes estruturais dos tecidos, as lesões não surgem isoladamente. Lesões não letais: são aquelas em que as células continuam vivas, podendo ocorrer retorno ao estado de normalidade depois de cessada a agressão. Lesão letal: são representadas pela necrose (morte celular seguida de autólise)e pela apoptose (morte celular não seguida de autólise). A letalidade ou não letalidade está ligada à qualidade, à intensidade e à duração da agressão, bem como ao estado funcional ou ao tipo de célula atingida. Dependendo desses fatores, uma mesma agressão pode provocar lesão não letal em uma célula e causar morte em outro tipo celular. 1. LESÕES CELULARES Lesões não letais Lesões letais 2. ALTERAÇÕES DO INTERSTÍCIO Alterações da Substância Fundamental Amorfa e das fibras elásticas, colágenas e reticulares, que podem sofrer alterações estruturais e deposito de substancias formadas no local ou originadas da circulação. Caracteriza-se por modificações locais da microcirculação e pela saída das células do leito vascular, acompanhadas por lesões celulares e do interstício. ;/ É uma reação secundária que acompanhaa maioria das lesões iniciais produzidas por diferentes agentes agressores lesivos. 3. DISTÚRBIOS DA CIRCULAÇÃO Aumento, diminuição ou cessação do fluxo sanguíneo para os tecidos ; coagulação do sangue no leito vascular (trombose); aparecimento de substâncias ou corpos que não se misturam ao sangue e causam obstrução vascular (embolia); saída de sangue do leito vascular (hemorragia) e alterações das trocas de líquidos entre o plasma e o interstício (edema). 4. ALTERAÇÕES DA INERVAÇÃO Pouco conhecidas. Geralmente não são abordadas. 5. INFLAMAÇÃO É a mais complexa das lesões, pois envolve todos os componentes teciduais.