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Feridas - Página 1 de 8 FERIDAS CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS Feridas agudas Divididas em cirúrgicas e traumáticas - são aquelas que se reconstituem por meio de processo cicatricial, cujas fases obedecem a uma sequência esperada de tempo, aparência e resposta a um tratamento. Feridas cirúrgicas São feridas intencionais e podem cicatrizar por primeira ou segunda intenção. Segundo o grau de contaminação no momento da cirurgia, elas podem ser classificadas em: Feridas limpas - são feridas em que não há inflamação e que não atingem os tratos respiratório, digestivo e genital ou urinário; Feridas limpas contaminadas - são aquelas em que os tratos respiratório, digestivo, genital ou urinário são atingidos em condições controladas, não existindo uma contaminação incomum; Feridas contaminadas - incluem as feridas acidentais, recentes e abertas, e procedimentos cirúrgicos com interrupção importante da técnica asséptica ou extravasamento do trato gastrintestinal; Feridas infectadas - são aquelas em que os microrganismos já estavam presentes no campo operatório antes da cirurgia e causaram infecção pós-operatória. Estas incluem feridas traumáticas antigas, com retenção de tecido desvitalizado, e aquelas que envolvem infecções clínicas já existentes ou vísceras perfuradas. Feridas Traumáticas São lesões teciduais causadas por um agente vulnerante que, atuando sobre qualquer superfície corporal, de localização interna ou externa, promove alteração na fisiologia tissular, com ou sem solução de continuidade. As feridas traumáticas podem ser classificadas, de acordo com o agente produtor da lesão, em: Feridas incisivas - são produzidas pela ação de um instrumento com borda afiada, geralmente pouco profundas e com rara penetração em cavidades. Apresentam-se com margens regulares, fundo limpo e predomínio da extensão sobre a largura; Feridas perfurantes - caracterizam-se por pequenas aberturas na pele e pouco sangramento, podendo atingir grande profundidade. São produzidas por instrumentos finos, cilíndricos e pontiagudos, como agulhas, pregos, estiletes; Feridas contusas - são produzidas por objeto rombo (que não perfura) de modo que o impacto é transmitido através da pele aos tecidos subjacentes, levando a ruptura de pequenos vasos, com hemorragia e edema, mas sem perda da epiderme; Feridas laceradas - são aquelas com margens denteadas, irregulares por excessiva força de estiramento, podendo lacerar músculos, tendões ou vísceras; Feridas abrasivas - são caracterizadas pela retirada de células da epiderme por causa da ação de fricção ou esmagamento de instrumento mecânico. Outro tipo ainda são as feridas crônicas: aquelas de longa duração ou recorrentes em que o processo de cicatrização se desvia das etapas fisiológicas. Elas causam problemas como dor, sofrimento, gasto financeiro, afastamento do trabalho e alterações psicossociais, exigindo do cuidador conhecimento e habilidade. Feridas - Página 2 de 8 Tipos de cicatrização A cicatrização pode ocorrer de três formas, considerando-se fatores como agentes causadores da lesão, quantidade de tecido perdido e conteúdo microbiano. Cicatrização por primeira intenção Esse tipo de cicatrização pode ser denominado união primária, sendo um exemplo a incisão cirúrgica limpa não infectada, aproximada por sutura. A incisão, normalmente, mostra-se um tanto rosada e edemaciada. Inicialmente, a drenagem e sanguinolenta, tornando-se serossanguinolenta e serosa. A incisão provoca a morte de um número limitado de células epiteliais e células do tecido conjuntivo. O estreito espaço da incisão é imediatamente preenchido pelo coágulo, sendo que a desidratação do coágulo da superfície forma a conhecida crosta. Durante as primeiras 24 horas, surgem neutrófilos nas margens da incisão, que se deslocam para o coágulo de fibrina. Começa a atividade mitótica basal e, dentro de 24 a 48 horas, projeções de células epiteliais das bordas migram e crescem as margens da incisão. Essas células fundem-se na linha média, abaixo da crosta superficial, produzindo uma camada epitelial contínua e fina. Até o terceiro dia, surgem os macrófagos e o tecido de granulação invade progressivamente o espaço da incisão. Nesse momento, aparecem fibras de colágeno nas margens da incisão e há proliferação de células epiteliais. No quinto dia, o espaço incisional é preenchido por tecido de granulação e a neovascularização torna-se máxima. As fileiras de colágeno ficam mais abundantes, formando pontes na incisão. A epiderme recupera sua espessura normal com queratinização superficial. Durante a segunda semana, ocorre acúmulo contínuo de colágeno e proliferação de fibroblastos. Nessa ocasião, inicia-se o processo de empalidecimento, devido ao acúmulo de colágeno e regressão dos canais vasculares. No final do primeiro mês, a cicatriz esta recoberta por uma epiderme intacta, e os anexos dérmicos destruídos na linha da incisão são perdidos permanentemente. Cicatrização por segunda intenção Quando ocorre perda mais extensa de células e tecidos, infecção, e onde não é possível realizar junção de bordos, o processo reparador torna-se mais complicado. Essa cicatrização é conhecida também como união secundária. Verifica-se crescimento abundante de tecido de granulação para completar o reparo. Dessa forma, a cicatrização por segunda intenção difere da cicatrização por primeira intenção em diversos aspectos, a saber: Reação inflamatória é mais intensa por causa da maior quantidade de fibrina e tecido necrótico na ferida. Quando ocorre grande lesão em tecidos mais profundos, a responsabilidade de fechamento cabe ao tecido de granulação. A contração da ferida tem sido atribuída, em parte, a presença de miofibroblastos alterados que possuem as características ultraestruturas de células musculares. Cicatrização por terceira intenção A cicatrização por terceira intenção ocorre quando existem fatores que retardam a cicatrização de uma lesão inicialmente submetida a fechamento por primeira intenção e há necessidade de mantê-la aberta para drenagem de exsudato e posterior fechamento. Curativos Curativo é o procedimento de limpeza e cobertura aplicado a uma área do corpo que apresente lesão. O curativo é realizado com a finalidade de: Feridas - Página 3 de 8 1. Proporcionar ambiente fisiológico adequado à cicatrização; 2. Absorver a drenagem; 3. Conter ou imobilizar a ferida; 4. Proteger a ferida de traumatismo mecânico; 5. Evitar contaminação bacteriana exógena; 6. Promover a hemostasia; 7. Proporcionar conforto físico e mental; 8. Desbridar a ferida. Entretanto, em algumas situações como em período pós-operatório imediato, os curativos são eliminados sempre que possível. Quando o curativo inicial de uma incisão limpa, seca e intacta é removido, geralmente não é substituído, podendo ocorrer dentro de 24 horas após a cirurgia. Assim, as vantagens de não usar curativos nesses casos são: 1. Visualizar melhor a ferida; 2. Eliminar condições que promovam crescimento de organismos (umidade, calor e escuridão); 3. Evitar reações a fitas adesivas; 4. Reduzir custo com curativos. Entre vários tipos de curativo, descrevem-se o curativo úmido, aplicado em lesões que necessitam de tratamento e auxílio no processo de cicatrização, e o curativo seco, aplicado em locais em que a umidade constitui fator de risco para colonização ou infecção bacteriana, ou seja, locais de inserção de dispositivos invasivos. Os materiais e a técnica empregados na realização dos curativos são fatores importantes, como também é importante a escolha do produto adequado para tratar a ferida. TÉCNICAS BÁSICAS Lesões fechadas por primeira intenção Nas incisões simples, as bordas da lesão são mantidas em junção por meio de suturas, grampos ou fitas. Nessas fendas, o risco de contaminação exógena após 48 horas de fechamento é baixo devido à formaçãode selo fibrinoso e migração de células epiteliais marginais para o centro da lesão. Um curativo simples, do tipo “ilha”, costuma ser usado para cobrir a ferida no final da cirurgia para proteção contra traumas mecânicos. Após um período de 24 a 48 horas, esse curativo pode ser removido sem ser substituído, exceto em casos de presença de exsudação. Materiais Bandeja, contendo: Pacote de curativo estéril (pinças: Kelly, Kocher, anatômica, dente-de-rato e tesoura) Pacote com unidades de gaze esterilizada Esparadrapo comum ou hipoalergênico Soro fisiológico a 0,9% Saco plástico para descarte de materiais ou similar Procedimentos 1. Lavar mãos; 2. Preparar material; Feridas - Página 4 de 8 3. Explicar procedimento a paciente; 4. Evitar troca de curativo em horário de refeição; 5. Respeitar privacidade do paciente (fechar porta ou colocar biombo, se necessário); 6. Posicionar paciente expondo somente área a ser tratada; 7. Colocar material do curativo sobre superfície limpa e plana (mesa auxiliar); 8. Colocar saco plástico ou similar próximo ao local do curativo; 9. Abrir pacote de curativo com técnica asséptica; 10. Colocar pinças com cabos voltados para borda do campo, posicionando primeiro par próximo ao paciente - 1° par (Kocher e dente-de-rato) e 2° par (anatômica e Kelly). Observação - Em função das descrições a seguir, apenas para efeito didático, vamos dividir imaginariamente o campo em duas partes: a metade mais próxima do paciente é o “campo contaminado” e a segunda metade, mais distante do paciente, é o “campo estéril”. 11. Colocar gaze em quantidade suficiente sobre campo estéril (2° par de pinças); 12. Separar gaze para campo próximo ao paciente (1° par de pinças) em quantidade suficiente para auxiliar retirada do curativo; 13. Montar a pinça Kocher com gaze, auxiliada pela pinça dente-de-rato e umedecê-la com soro fisiológico a 0,9% para facilitar retirada do esparadrapo; 14. Segurar esparadrapo do curativo anterior com pinça dente-de-rato e descolar o esparadrapo com auxílio da pinça Kocher montada com gaze úmida; 15. Remover curativo e desprezá-lo em saco plástico ou similar; 16. Dobrar gaze com pinça Kelly, auxiliada pela pinça anatômica, e umedecê-la com soro fisiológico a 0,9%; 17. Limpar incisão utilizando faces da gaze, sem voltar ao início, e não friccionar para frente e para trás sobre linha da incisão; 18. Limpar regiões laterais após ter feito limpeza da incisão principal; 19. Proteger incisão com gaze e/ou chumaço ou curativo transparente utilizando pinças anatômicas e Kelly; 20. Fixar curativo com esparadrapo comum ou hipoalergênico; 21. Identificar curativo com nome, data e hora; 22. Realizar troca a cada 24 horas ou sempre que curativo estiver saturado (úmido); 23. Deixar paciente confortável e unidade em ordem; 24. Lavar mãos; 25. Anotar no prontuário do paciente, na ficha de Enfermagem: hora, local da lesão, condições da ferida e solução utilizada. Importante Proteger incisão para encaminhar paciente ao banho dentro de 24 a 48 hora após cirurgia. Após 24 ou 48 horas, se incisão estiver limpa e seca, não é necessário substituir curativo. Incisão pode ser lavada com água corrente e espuma de sabão durante banho. Caso contrário, se a ferida apresentar exsudação, e necessário realizar curativo oclusivo. Lesões abertas (cicatrização por segunda ou terceira intenção) Nas feridas em que ocorre grande quantidade de drenagem, ou naquelas em que não foi possível aproximar margens, o processo de reparo requer maior tempo de cicatrização. As feridas que permanecem abertas para cicatrizar por segunda ou terceira intenção, como queimaduras, lesões traumáticas, úlceras e lesões infectadas supurativas, necessitam de curativo e cobertura Feridas - Página 5 de 8 que tem função de proporcionar limpeza e tratamento local par auxiliar no processo de cicatrização. Materiais Bandeja, contendo: Pacote de curativo estéril (pinças: Kelly, Kocher, anatômicas, dente-de-rato e tesoura) Pacotes com gaze esterilizada Esparadrapo comum ou hipoalergênico Soro fisiológico a 0,9% Seringa de 20 ml Agulha calibre 21 (25x8) ou 18 (40x12) Saco plástico para descarte de materiais ou similar Outros materiais (se necessário): Chumaço de algodão e/ou compressas estéreis Bacia Atadura de crepe Luvas Procedimentos 1. Lavar mãos; 2. Preparar material; 3. Explicar procedimento a paciente; 4. Evitar troca de curativo em horário de refeição; 5. Respeitar privacidade do paciente (fechar porta ou colocar biombo, se necessário); 6. Posicionar paciente, expondo somente área a ser tratada e proteger roupa de cama com impermeável ou traçado sob o local do curativo; 7. Colocar material do curativo sobre superfície limpa e plana (mesa auxiliar); 8. Colocar saco plástico ou similar próximo ao local do curativo; 9. Abrir pacote de curativo com técnica asséptica; 10. Colocar pinças com cabos voltados para borda do campo, posicionando primeiro par próximo ao paciente -1° par (Kocher e dente-de-rato); e 2° par (anatômica e Kelly); 11. Abrir SF a 0,9% e embalagem da seringa e agulha, conectá-las e reservar de forma que não ocorra contaminação do material; 12. Colocar gaze em quantidade suficiente sobre campo estéril (2° par de pinças); 13. Separar gaze para campo próximo ao paciente (1° par de pinças) em quantidade suficiente para auxiliar retirada do curativo; 14. Calçar luvas caso tenha de retirar atadura de crepe, se curativo apresentar muito exsudato ou se há risco de contato com fluidos; 15. Montar a pinça Kocher com gaze, auxiliada pela pinça dente-de-rato e umedecê-la com SF a 0,9% para facilitar retirada do esparadrapo; 16. Segurar esparadrapo do curativo anterior com pinça dente-de-rato e descolar esparadrapo com auxílio da pinça Kocher montada com gaze úmida; 17. Remover curativo e desprezá-lo em saco plástico ou similar; 18. Dobrar gaze com pinça Kelly, auxiliada pela pinça anatômica, e umedecê-la com SF a 0,9%; 19. Limpar local ao redor da fenda; 20. Realizar limpeza da fenda com grande quantidade de SF a 0,9% através de jatos com seringa de 20 ml e agulha de calibre 18 ou 21; Feridas - Página 6 de 8 21. Proteger região próxima à ferida com gaze, compressa ou lençol para reter solução drenada; 22. Caso necessário, realizar remoção mecânica de fibrina e tecido desvitalizado com gaze umedecida em SF a 0,9% tomando cuidado para não remover ou prejudicar tecido cicatricial; 23. Cobrir ferida com gaze umedecida com SF a 0,9%, mantendo leito da lesão úmido, ou aplicar produto adequado para tipo de tecido encontrado na lesão (curativo primário); 24. Ocluir curativo com gaze, chumaço ou compressa e auxiliar com esparadrapo ou atadura de crepe; 25. Identificar curativo com nome, data e hora; 26. Realizar troca do curativo de acordo com avaliação da ferida, produto utilizado ou quando cobertura externa (curativo secundário) estiver saturada (úmido); 27. Deixar paciente confortável e unidade em ordem; 28. Lavar mãos; 29. Anotar na ficha de Enfermagem: hora, local da lesão, condições da ferida e solução utilizada. Importante Curativo primário é o que permanece em contato direto com o leito da ferida. Curativo secundário é o que permanece sobre o curativo primário, geralmente para absorver abundante exsudação. Drenos Drenos são utilizados para proporcionar um canal ao fluido e exsudato até a superfície do corpo. Há vários tipos de drenos, que podem ser classificados em abertos ou fechados. Drenos abertos permitem drenagem do fluido para o curativo, causando desconforto ao paciente e risco de infecção, pois oferece passagem aberta a bactérias. Drenos fechados podem ser aplicados por sucção ou efeito gravitacional. O sistema é considerado fechado quando o dreno esta conectado hermeticamente ao coletor. Curativos em drenos devem visar a proteção da pele adjacente contrafluidos e exsudatos que podem causar irritações. Materiais Bandeja, contendo: Pacote de curativo estéril (pinças: Kelly, Kocher, anatômica, dente-de-rato e tesoura) Pacotes com gaze esterilizada Esparadrapo comum ou hipoalergênico Soro fisiológico a 0,9% Luvas Saco plástico para descarte de matérias ou similar Outros materiais (se necessário): Bolsa coletora Chumaço de algodão Procedimentos 1. Lavar mãos; 2. Preparar material; 3. Explicar procedimento ao paciente; Feridas - Página 7 de 8 4. Evitar troca de curativo em horário de refeição; 5. Respeitar privacidade do paciente (fechar porta ou colocar biombo, se necessário); 6. Posicionar paciente expondo somente área a ser tratada; 7. Colocar material do curativo sobre superfície limpa e plana (mesa auxiliar); 8. Colocar saco plástico ou similar próximo ao local do curativo; 9. Abrir pacote de curativo com técnica asséptica; 10. Colocar pinças com cabos voltados para borda do campo, posicionando primeiro par de pinças próximo ao paciente: 1° par (Kocher e dente-de-rato) e 2° par (anatômica e Kelly); 11. Colocar gaze em quantidade suficiente sobre campo estéril (2° par de pinças); 12. Separar gaze para campo próximo ao paciente (1° par de pinças) em quantidade suficiente para auxiliar retirada do curativo; 13. Calcar luvas; 14. Montar a pinça Kocher com gaze, auxiliada pela pinça dente-de-rato e umedecê-la com SF a 0,9% para facilitar retirada do esparadrapo; 15. Segurar esparadrapo do curativo anterior com pinça dente-de-rato descolando-o com auxílio da pinça Kocher montada com gaze úmida; 16. Remover curativo e desprezá-lo em saco plástico ou similar; 17. Dobrar gaze com pinça Kelly, auxiliada pela pinça anatômica, e umedecê-la com SF a 0,9%; 18. Limpar local de inserção do dreno com movimentos semicirculares; 19. Limpar região ao redor da inserção do dreno; 20. Secar região de inserção do dreno e ao redor dele utilizando uma gaze em cada local; 21. Proteger pele ao redor da inserção do dreno colocando gaze (dobrada ou específica com abertura); 22. Cobrir local de inserção do dreno com chumaço de algodão; 23. Fixar curativo com esparadrapo tomando cuidado para que não ocorra pressão excessiva sobre dreno, o que pode dificultar sua drenagem; 24. Em caso de drenagem excessiva, colocar bolsa coletora adequada; 25. Identificar curativo com nome, data e hora; 26. Curativo ocluído com gaze ou chumaço de algodão (exemplo: dreno de penrose) deve ser trocado sempre que saturado. Bolsa coletora pode ser trocada a cada 24 horas ou quando necessário; 27. Deixar paciente confortável e unidade em ordem; 28. Lavar mãos; 29. Anotar no prontuário do paciente, na ficha de enfermagem: hora, local de inserção do dreno, condições da pele ao redor do dreno e débito. Importante Sistemas de drenagem fechados (aspirador portátil para feridas e derivação ventricular externa) devem ser manipulados de forma asséptica, e o sistema não deve ser desconectado. Cuidados gerais 1. Desprezar material descartável de acordo com protocolo hospitalar e limpar material reutilizável (bandeja, mesa auxiliar); 2. Utilizar luvas de procedimento sempre que houver risco de contato com sangue ou fluido corporal; 3. Iniciar técnica pela lesão menos contaminada se houver mais de uma ferida; 4. Limpar ferida partindo sempre da área de menor contaminação para a maior; Feridas - Página 8 de 8 5. Orientar paciente para que não toque na ferida com as mãos; 6. Local de inserção de cateteres, introdutores e fixadores externos deve ser mantido seco e limpo, sendo necessária a utilização de solução antisséptica (exemplo: PVPI ou clorexidina) para prevenir colonização bacteriana. Limpeza e aplicação de solução antisséptica devem ser realizadas com movimentos circulares do ponto da inserção para fora; 7. Curativos de cateteres, introdutores e fixadores externos devem ser trocados a cada 24 horas ou quando necessário. Podem ser aplicados filmes semipermeáveis apropriados, sendo sua troca de acordo com orientação do fabricante. Produtos para tratamento de feridas O tratamento de feridas requer avaliação sistematizada, abordando fatores locais e sistêmicos que podem influenciar no processo de cicatrização. A escolha do produto adequado deve ser baseada no conhecimento em relação às indicações, eficácia, contraindicações, custo e acessibilidade. Para que ocorra o processo de cicatrização é necessário manter o ambiente adequado, ou seja, que proporcione meio úmido no leito da ferida e tenha propriedade antibacteriana e propriedade no trato de fluido. Contudo, o produto eficaz para tratamento de feridas deve apresentar as seguintes qualidades: Boa relação custo/benefício Conforto ao paciente Adaptabilidade (conformação a diversas regiões do corpo) Facilidade de aplicação Facilidade de remoção Não requer troca frequente.